4 – DIAGNÓSTICO DA PRODUÇÃO DO BIODIESEL NO BRASIL 4.1 - Produção de Biodiesel Ao longo das últimas décadas no país, ocorreram algumas tentativas para implementar o uso de óleos vegetais como combustível sucedâneo ao diesel derivado de petróleo (BRASIL, 2005). Pode-se verificar que os óleos vegetais foram propostos como vetores energéticos, em programas de 1950, no Pro-óleo, de 1980, e no Programa OVEG, de 1983. Sucessivamente, porém, obstáculos não superados, principalmente custos, impediram sua viabilização. Mais recentemente, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) criou a Rede de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico Probiodiesel, reunindo instituições atuantes ou interessadas no tema. O início dos estudos/pesquisas sobre o uso de óleos vegetais como alternativa ao petróleo fazem referência à década de 50, quando o Instituto Nacional de Tecnologia, o Instituto de Óleos do Ministério da Agricultura e o Instituto de Tecnologia Industrial de Minas Gerais pesquisaram sobre a eficiência dos óleos de ouricuri, mamona e algodão em motores diesel de 6 cilindros. A década de 70 é marcada pela aceleração da economia brasileira, principalmente no setor industrial, e pelo cenário energético mundial em crise. Mesmo com a determinação do desenvolvimento de novas tecnologias para captação de petróleo no litoral brasileiro, também foram estimuladas pesquisas sobre combustíveis alternativos, incluindo os óleos vegetais, a fim de reduzir a dependência do país em relação ao petróleo oriundo do exterior. Devido ao panorama histórico em 1980, com a segunda crise do petróleo e o país produzindo somente 15% do petróleo consumido, o governo emitiu a Resolução nº 7 (ano 1980), do Conselho Nacional de Energia, que instituiu o Programa Nacional de Produção de Óleos Vegetais para Fins Energéticos (Proóleo). Entre outros objetivos, pretendia-se substituir óleo diesel por óleos vegetais em mistura de até 30% em volume, incentivar a pesquisa tecnológica para promover a produção de óleos vegetais nas diferentes regiões do país e buscar a total substituição do óleo diesel por óleos vegetais. No mesmo ano (1980), a soja foi considerada a oleaginosa com maior potencial para concretizar a o Programa Nacional de Produção de Óleos Vegetais para Fins Energéticos. A partir de 1981, ao amendoim, e em 1982 a colza e girassol. Em 1986, a ênfase passou ao dendê. A meta era, em cinco anos, produzir 1,6 milhão de metros cúbicos de óleos para fins energéticos. Contudo, a viabilidade econômica era questionável: em valores para 1980, a relação de preços internacionais óleos vegetais/petróleo, em barris equivalente, era de 3,30 para o dendê; 3,54 para o girassol; 3,85 para a soja e de 4,54 para o amendoim. Com a queda dos preços do petróleo a partir de 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil 1985, a viabilidade econômica ficou ainda mais prejudicada e este programa foi progressivamente esvaziado, embora oficialmente não tenha sido desativado. Também no início dos anos 80, a Secretaria de Tecnologia Industrial do Ministério da Indústria e Comércio (STI/MIC), desenvolveu e lançou o Programa Nacional de Alternativas Energéticas Renováveis de Origem Vegetal, com algumas linhas de ação relacionadas aos óleos vegetais combustíveis, que levaram ao Programa de Óleos Vegetais (OVEG), voltado especificamente para a comprovação técnica do uso dos óleos vegetais em motores ciclo Diesel, com a participação de institutos de pesquisa, órgãos técnicos do governo federal, fabricantes de motores, fabricantes de óleos vegetais e empresas de transportes. Foram desenvolvidos testes com ésteres puros (metílico e etílico) e misturas com 30% de éster metílico de óleo de soja, matéria-prima selecionada por sua maior disponibilidade. Nos últimos anos, com a valorização dos aspectos ambientais e da sustentabilidade dos sistemas energéticos, bem como motivado pela consolidação do programa europeu de biodiesel, o interesse neste combustível foi retomado no Brasil. Diversas instituições passaram a desenvolver atividades neste campo e algumas ações governamentais foram tomadas. Em 2002, o MCT constituiu a Rede de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico Probiodiesel, com representantes da academia, do governo, da indústria automotiva e de potenciais produtores de biodiesel. Essa rede promoveu diversas reuniões e por intermédio de quatro grupos técnicos procurou avançar na avaliação das perspectivas do biodiesel para as condições brasileiras. Nos estudos preliminares realizados não houve consenso quanto às matérias-primas e processos a considerar. No Brasil, desde 2005 já existem algumas empresas habilitadas a produzir biodiesel a partir do uso da soja (instaladas nos estados de Mato Grosso, São Paulo e Minas Gerais), como a ECOMAT (MT), que supriu o CERBIO/TECPAR (Centro Brasileiro de Referência em Biocombustíveis, do Instituto de Tecnologia do Paraná) com um combustível que foi testado na frota do transporte coletivo de Curitiba/PR. No ano de 2000 foi instalada a fábrica de biocombustíveis da ECOMAT no Estado do Mato Grosso, que produzia o AEP 102, éster de soja aditivo especial da mistura álcool diesel, e éster metílico e etílico. Além da ECOMAT, a Granol instalou, em São Simão (GO), uma planta com escala industrial para a produção de éster etílico/metílico de soja, cuja capacidade é de 400 toneladas/dia. A Petrobras planeja implantar e operar em 2006/2007 três usinas: em Candeias (BA), Quixadá (CE) e Montes Claros (MG), cada uma com capacidade para processar 44 mil toneladas de matérias-primas como mamona, soja, algodão, nabo forrageiro e pinhão manso e está em avaliação a possibilidade de instalação de unidades no sul do país, Goiás e São Paulo. Segundo a gerência executiva de desenvolvimento energético da Petrobras, a empresa tem US$381 milhões para investir no biodiesel até 2010, mas provavelmente utilizará os recursos antes desse prazo. Somados aos aportes dos parceiros, os projetos devem chegar a US$ 1 bilhão. Até 2005, a estatal investiu em torno de US$ 5 milhões em pesquisas com biodiesel. Atualmente, a Petrobras possui duas usinas em Guamaré (RN), que operam em fase experimental. Ainda em 2006, as usinas deverão produzir em escala comercial para atender ao Nordeste, com capacidade de 16 mil toneladas por ano. Essas unidades e as novas usinas da Petrobras deverão produzir no próximo ano, entre 180 e 200 milhões de litros de biodiesel. Desde janeiro de 2006 a BR Distribuidora está misturando o biodiesel em diesel na proporção de 2% e será a única empresa apta a adquirir o biocombustível 4.2 2006© STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil nos leilões promovidos pela ANP até 2007. A partir de 2008, quando a mistura será obrigatória, todas as distribuidoras poderão atuar no mercado. Estima-se que a demanda de biodiesel no Brasil será de 800 milhões de litros por ano. As usinas da Petrobras terão capacidade para 550 milhões de litros por ano*. Outro setor interessado na produção de biodiesel é o setor sulcroalcooleiro, aventando a possibilidade da produção contínua de biodiesel integrada com usinas de açúcar e álcool. Esse setor buscou sinergias entre a principal atividade (produção de açúcar e álcool) e o processo de produção de biodiesel, tais como: • conhecimento da cultura de oleaginosas; • maximizar utilização da terra/alternativa rentável para cobertura da terra nua; • maximizar utilização das máquinas e implementos; • processos industriais semelhantes; • maximizar utilização de mão de obra; • integração na regeneração do álcool; • solução integrada para efluentes; • possível uso do sub-produto glicerina para desidratação do bioetanol; • redução de custo em função da disponibilidade de utilidades e capacitações; • minimização de investimentos; • otimização energética; • biodiesel e bioetanol – produtos semelhantes; • utilização do próprio combustível; • redução da dependência do combustível fóssil; • redução carga tributária; • moagem/extração de grãos ociosos; • agregar novos produtos ao portfólio: biodiesel, glicerina e farelo; • aumento da atividade econômica – maior faturamento. O potencial para a produção de oleaginosas integrado à produção de cana de açúcar está na área de renovação do canavial. A cana-de-açúcar possui um ciclo de produção médio de 5 anos, sendo que a renovação do canavial se dá sistematicamente em 20% da área de corte anual, o que só no Estado de São Paulo significa 650.000 ha/ano. *Valor, 20/12/05 2006 © STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.3 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil Como o setor sucroalcooleiro, outras indústrias dos setores químico e alimentício também estão buscando adaptar a produção de biodiesel a sua planta industrial. Um exemplo é o Grupo Agropalma, no Estado do Pará, que tem como atividade principal a produção de óleo de palma, gorduras vegetais e margarina e que está produzindo biodiesel obtido a partir dos resíduos do refino do óleo de palma. 4.2 – Capacidade Potencial e Instalada para Produção de Biodiesel no Brasil O mercado potencial para o biodiesel é determinado pelo mercado do derivado de petróleo. Em 2002, a demanda para esse combustível foi da ordem de 39,2 milhões de metros cúbicos, dos quais 76% foram consumidos no setor de transporte, 16% no setor agropecuário e 5% para geração de energia elétrica nos sistemas isolados (BRASIL 2005). No setor de transporte, 97% da demanda ocorre no modal rodoviário, ou seja, caminhões, ônibus e utilitários, já que no Brasil estão proibidos os veículos leves a diesel. Em termos regionais, o consumo de diesel ocorre principalmente na região Sudeste (44%), vindo a seguir o Sul (20%), Nordeste (15%), Centro-Oeste (12%) e Norte (9%). O diesel para consumo veicular no Brasil pode ser o diesel interior, com teor de enxofre de 0,35% ou o diesel metropolitano, com 0,20% de enxofre, que responde por cerca de 30% do mercado (CAMPOS, 2003). A geração de energia elétrica nos sistemas isolados da região amazônica consumiu 530 mil metros cúbicos de diesel, distribuídos na geração de 2.079 GWh, no Amazonas (30%), Rondônia (20%), Amapá (16%), Mato Grosso (11%), Pará (11%), Acre (6%), Roraima (3%), além de outros pequenos sistemas em outros Estados (CAMPOS, 2003). Estes números se referem à demanda do serviço público. Existem grandes consumidores privados de diesel para geração de energia elétrica, como as empresas de mineração localizadas na região Norte. Conclui-se que o maior mercado consumidor de óleo diesel encontra-se nas regiões Sul e Sudeste, com o consumo em torno de 19,07 milhões de metros cúbicos (19,07 bilhões de litros de óleo diesel) só para atender o setor de transporte, não contabilizando os setores da agropecuária e indústrias que dependem desse combustível para produzir. Assim, estrategicamente e também devido as eventuais dificuldades de logística, um grande número de plantas beneficiadoras de biodiesel hoje se encontram nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Dez plantas beneficiadoras de biodiesel, autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo no Brasil (ANP), em conjunto, têm capacidade de produzir 185,22 milhões de litros por ano do biocombustível*. Contudo, outras unidades produtoras estão em processo de autorização pela ANP, tais como a Barralcool S/A, AgroDiesel, Fusermann Biodiesel, Biocapital (tabela 4.01). O maior projeto é o da Biocapital, com capacidade de produção de 300 milhões de litros por ano **. Porém, devido à baixa disponibilidade de oleaginosas especificamente para esse mercado, a produção inicial prevista pela unidade da Biocapital será de cerca de 150 milhões de litros por ano. *Soyminas (Cássia, MG), Agropalma (Belém, PA), Brasil Biodiesel (Floriano e Teresina, PI), Biolix (Rolândia, PR), NUTEC (Fortaleza, CE), Fertibom (Catanduva, SP), Renobras (Dom Aquino, MT) e Granol (Campinas, SP; Anápolis, GO). **Fonte: Associação Brasileira das Indústrias de Biodiesel-Abiodiesel 4.4 2006© STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil Segundo informações obtidas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Mato Grosso, a única empresa que estava produzindo efetivamente biodiesel no Estado em 2005 era a Ecomat, cuja origem remonta do setor sucroalcooleiro (Grupo Barralcool S/A). O Grupo, em 2006, decidiu investir na instalação da primeira unidade produtora de biodiesel anexa a uma destilaria de álcool. O projeto da planta industrial foi desenvolvido pela Dedine em parceria com a Balestra (empresa italiana). É uma unidade produtora flex (metanol/etanol), de processo contínuo, que estará apta a produzir 58 milhões de litros por ano a partir de agosto. As unidades de produção da Renobras e da Ecomat não estão em operação atualmente. No Estado de Minas Gerais encontram-se em operação, segundo informações da representante do Programa Biodiesel no Estado, Sra. Angela Menin Teixeira de Souza * cinco unidades industriais, sendo duas delas com produção significativa: a Soyminas (12.000 milhões litros/ano) e a Fuserman (6.000 milhões litros/ano). O combustível gerado em Minas Gerais não tem um destino certo, em princípio está sendo direcionado as mais variadas atividades que necessitam da mistura B2 para gerar qualquer fonte de energia. As principais matérias-primas utilizadas para a extração de óleo no Estado são o pinhão manso, o girassol, a soja e a mamona. Segundo a Coordenadora “não existem restrições para a ocupação do solo, ou seja, todo solo agricultável poderá ser ocupado por matéria-prima geradora do biodiesel, tendo como única restrição aos agricultores, a obediência à legislação federal de Uso e Ocupação do Solo e a Legislação Ambiental”. No Estado do Piauí, a unidade produtora de biodiesel é a Brasil Biodiesel (usina instalada no município de Floriano, localizado a 250 km da capital Teresina). A capacidade da unidade da Brasil Biodiesel é de 27 milhões de litros por ano, com o processamento de mamona e soja. Essa empresa mantém convênios com instituições financeiras e governamentais a fim de financiar a produção de mamona pela agricultura familiar, como também mantém contratos com esses produtores com uma política de preços fixos. A distribuição do biodiesel fabricado pela Brasil Biodiesel é realizada pela BR Distribuidora. A Universidade Federal do Piauí (UFPI) possui uma Usina Escola com a finalidade de produzir e formar Recursos Humanos com conhecimento na produção, padronização e controle de qualidade do Biodiesel. A capacidade da Usina da UFPI é de 0,6 milhões de litros por ano e esteve arrendada a Brasil Biodiesel. Nessa unidade industrial são usadas várias oleaginosas, como mamona, soja, algodão e também o sebo bovino. A UFPI possui um projeto financiado pela FINEP onde a Professora Carla Verônica Rodarte de Moura é coordenadora, com uma equipe de 4 professores que atuam em pesquisas sobre o tema. No Estado do Paraná, a empresa pioneira na produção de biodiesel foi a Cocamar, originalmente produtora de óleo de soja, na década de 80. A BIOLIX foi a primeira e única indústria no Paraná criada somente para a finalidade de produção de biodiesel. Assim, a partir de entrevista junto à direção da empresa BIOLIX, foram coletadas informações de que a planta industrial foi desenvolvida pela empresa Soyminas, a partir da rota de transesterificação etílica em escala industrial no Brasil. A BIOLIX tem licença da ANP para produzir 30 mil litros de biodiesel por dia, porém a capacidade instalada encontra-se, em parte, ociosa. A grande dificuldade está no abastecimento de matéria-prima. A empresa já utilizou soja, porém, o alto custo de aquisição e o baixo aproveitamento do teor de extrato etéreo, inviabilizaram a utilização dessa matéria-prima, pois o sistema implantado na unidade industrial consegue extrair, por esmagamento, somente 13% do óleo presente no grão (cerca de 20%). O uso de amendoim também não foi bem *Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais. 2006 © STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.5 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil sucedido, pois, além de ter apresentado impurezas no óleo vegetal durante o processo industrial, há o problema da aflatoxina (toxina que pode se apresentar no grão e no farelo do amendoim devido às más condições de armazenamento), que pode se apresentar em um dos subprodutos comercializáveis do processo: o farelo de amendoim. Portanto, a empresa buscou a alternativa do processamento das sementes do girassol e a do nabo forrageiro, porém não são culturas representativas no sistema agrícola do Estado do Paraná. A direção da empresa buscou realizar contratos de fomento com os pequenos produtores (assentados) na região do Pontal do Paranapanema, juntamente com o apoio das instituições: Embrapa, Cati, Incra etc., para que essas famílias produzissem girassol. A iniciativa da empresa não se concretizou e ainda dificultou a obtenção do Selo Combustível Social do Ministério de Desenvolvimento Agrário. Após alguns testes, a empresa escolheu trabalhar com a semente do nabo forrageiro, que apresenta vantagens econômicas para o processo, porém a dificuldade atual está na obtenção dessa matéria-prima, que hoje é obtida de produtores localizados nos Estados do Mato Grosso do Sul e de Minas Gerais. O representante do Programa Biodiesel no Estado do Paraná, Sr. Bill Costa, esclareceu que há seis instituições de pesquisas voltadas ao estudo da produção do biodiesel no Estado: o Instituto de Tecnologia do Paraná (TECPAR), a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), A Universidade Estadual do Paraná (UEM) e a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). Há também iniciativas de órgãos como o IAPAR, Emater e EMBRAPA Soja para desenvolver regiões produtoras de matéria-prima no Estado, bem como técnicas de produção mais competitivas. A tabela 4.01 apresenta as unidades produtoras de biodiesel autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), juntamente com aquelas levantadas pelo Ministério de Minas e Energia (MME) para a apresentação do Grupo de Trabalho criado pela ANP (Portaria N°. 38 de 2006) para adequação da distribuição e revenda do biodiesel. Tabela 4.01 – Usinas de Biodiesel em Operação e Previstos PRODUTOR COMERCIAL LOCALIZAÇÃO CAPACIDADE INSTALADA (MILHÕES L/ANO) MATÉRIA-PRIMA 2006 2007 24 24 Palma - 44 Mamona 40 40 Mamona Agropalma Belém - PA Petrobras Candeias – BA Brasil Biodiesel Morro do Chapéu – BA Nutec Fortaleza – CE 0,72 0,72 - Petrobras Quixada – CE - 44 Mamona Brasil Biodisel Cratéus – CE 40 40 Mamona Bioteo Campina Grande - PB - 40 - 4.6 2006© STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil PRODUTOR COMERCIAL LOCALIZAÇÃO CAPACIDADE INSTALADA (MILHÕES L/ANO) 2006 2007 MATÉRIA-PRIMA Brasil Biodiesel Floriano – PI 27 27 Mamona Brasil Biodiesel Terezina – PI 0,6 0,6 Mamona Petrobras Guanaré – RN 1 1 Mamona Binatural Formosa – GO 14 14 Soja Granol Anápolis – GO 60 60 - Caramuru São Simão – GO - 100 - Renobras Dom Aquino – MT 6 6 Girassol Ecomat Cuiabá – MT 17 17 Soja (paralisada) Barralcool Barra do Bugres – MT - 57 Pinhão Manso/Soja Agrosoja Sorriso – MT - 15 Girassol/Soja Biogrão Lucas do Rio Verde – MT - 57 Girassol/Soja Brasil Biodiesel Porto Nacional – TO 40 40 Mamona Soyminas Cassia – MG 12 12 Girassol Fusermann Barbacena – MG 6 6 Girassol Agrodiesel Iguatama – MG 3 3 - Petrobras Montes claros – MG - 44 - Biominas Itauna – MG - 12 - Brasil Biodiesel Minas Gerais - 40 - Ponte di Ferro Rio de Janeiro – RJ 40 40 - Fertibom Catanduva – SP 6 6 Biocapital Charqueada – SP 150 150 Soja Granol Campinas - SP 39,9 39,9 Girassol, Soja, Mamona, Nabo Forrageiro e Amendoim Girassol 2006 © STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.7 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil PRODUTOR COMERCIAL LOCALIZAÇÃO CAPACIDADE INSTALADA (MILHÕES L/ANO) MATÉRIA-PRIMA 2006 2007 60 60 - Granol Tupã - SP Granol Araçatuba – SP - 100 - Bertin Lins - SP - 110 - Bioeste Estrela do Oeste - SP - 56 - Ponte di Ferro Taubaté – SP 20 20 - Dafter Mairipora - SP 2 2 - Exacta Guarulhos 15 15 - Frigol Lençóis Paulista – SP 8 8 - Biolix Rolândia – PR 9 9 Soja, Girassol e Nabo Forrageiro Cocamar Paraná - 10 - LAR Medianeira - PR - 100 - Granol Cachoeira do Sul - RS 60 60 Girassol, Nabo Forrageiro e Soja BSBio Passo Fundo – RS 100 100 Soja Brasil Biodiesel Rio Grande do Sul - 40 Mamona Contrimaio Rio Grande do Sul - 100 - Olfar Erexim – RS - 60 Soja Biodiesel Sul Icara – SC 1 1 - 802,22 1831,22 TOTAL *300 dias de operação Fonte: ANP, 2006* A tabela 4.02 demonstra que a demanda por B2 é maior para as Regiões Sudeste, Sul e Nordeste. Assim, de acordo com a capacidade industrial instalada nas cinco Regiões Brasileiras até 2.007, *Segundo o MME, os projetos apresentados indicam tão somente a expectativa atual de capacidade futura. Há possibilidade de alguns desses não se efetivarem, assim como novos empreendimentos podem surgir. (<www.anp.gov.br> acesso em 07/06/2006) 4.8 2006© STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil é possível que o Governo Federal atinja a meta de distribuição da mistura B2 em todo o território nacional em 2008. Tabela 4.02 – Demanda de Biodiesel X Capacidade Industrial Instalada nas Cinco Regiões Brasileiras Região Óleo Diesel Biodiesel Biodiesel Consumido* Demanda B2** Demanda B5** Capacidade Instalada*** 2006 2007 Norte 3.422 68,44 171,1 8 8 Nordeste 5.622 112,44 281,1 120 248 Sudeste 17.081 341,62 854,05 356 718 Centro Oeste 4.902 98,04 245,10 197 426 Sul 8.121 162,42 406,05 167 477 Total 39.148 782,96 1.957,4 848 1.877 *Vendas de óleo diesel, pelas distribuidoras, segundo Grandes Regiões e Unidades da Federação – ANP, 2004 (mil m³) **Estimativa da demanda de B100 para B2 e B5 (mil m³) ***Capacidade Industrial Instalada de produção de B100 (mil m³) Fonte: ANP, 2006. 4.3 – Comercialização do Biodiesel no Brasil A comercialização do biodiesel é feita através de leilões promovidos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Os procedimentos adotados tem como base as seguintes Resoluções e Portarias: • a Resolução n°. 3 de 23 de setembro de 2005 do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética); • a Portaria n°. 483, de 03 de outubro de 2005 do MME (Ministério de Minas e Energia); e, • a Resolução ANP n°. 31 de 04 de novembro de 2005. O leilão é produto da antecipação da obrigatoriedade da mistura de 2% de biodiesel ao óleo diesel. O preço de abertura de leilão inclui os tributos federais incidentes sobre o biodiesel (Pis/Pasep e Cofins), mas sem ICMS, que varia conforme a Unidade da Federação. Segundo informações coletadas na ANP, os participantes dos Leilões promovidos são aqueles credenciados pela mesma e aqueles reconhecidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, sendo que os participantes que ainda não são autorizados comprometem-se em regularizar sua situação junto a ANP. 2006 © STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.9 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil 4.3.1 - Primeiro Leilão Participaram do primeiro leilão, ocorrido em novembro de 2005, oito produtores de biodiesel, desses, quatro produtores foram vencedores: Brasil Biodiesel (Floriano, PI) com 38 milhões de litros; Granol (Campinas, SP), com 18,3 milhões de litros; Soyminas (Cássia, MG), com 8,7 milhões de litros; e Agropalma (Belém, PA), com 5 milhões de litros (tabela 4.03 e 4.04). Tabela 4.03 – Empresas Ganhadoras do Primeiro Leilão de Biodiesel Promovido pela ANP NOME VALOR INICIAL QUANTIDADE (m3) LOCAL DA ENTREGA AGROPALMA 1 R$ 1.800,00 1.000 Belém - PA AGROPALMA 2 R$ 1.860,00 2.000 Belém - PA SOYMINAS 1 R$ 1.898,69 2.600 Cássia - MG SOYMINAS 2 R$ 1.898,69 3.500 Cássia - MG GRANOL 3 R$ 1.899,20 6.000 Campinas - SP AGROPALMA 3 R$ 1.900,00 2.000 Belém - PA SOYMINAS 3 R$ 1.904,64 2.600 Cássia - MG BRASIL ECODIESEL 1 R$ 1.909,00 (MATRIZ) 38.000 Floriano - PI GRANOL 2 R$ 1.910,30 7.000 Campinas - SP GRANOL 1 R$ 1.919,90 5.300 Campinas - SP Fonte: ANP, 2006 Tabela 4.04 – Empresas Desclassificadas no Primeiro Leilão de Biodiesel Promovido pela ANP EMPRESA PONTE DI FERRO PARTICIPAÇÕES LTDA. MOTIVO DA DESCLASSIFICAÇÃO Não apresentar as certidões da Secretaria da Receita Federal e da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional no prazo estabelecido no Edital. BINATURAL INDÚSTRIA DE ÓLEOS VEGETAIS Não apresentar a proposta na forma e prazo estabelecidos LTDA. no Edital. BIOLIX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COMBSTÍVEIS VEGETAIS LTDA. Não possuir e não estar apto a obter o selo Combustível Social, bem como não possuir o registro especial da Secretaria da Receita Federal. FERTIBOM INDÚSTRIAS LTDA. Não apresentar a proposta na forma e prazo estabelecidos no Edital. Fonte: ANP, 2006 4.10 2006© STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil No Edital de Leilão n°. 061/05, o produtor de biodiesel foi definido como “agente autorizado pela ANP a exercer a atividade de produção do biodiesel em conformidade com Resolução ANP n°. 41, detentor de Registro Especial da Secretaria da Receita Federal, nos termos da Instrução Normativa de n°. 516, e do selo Combustível Social instituído pelo Decreto n°. 5.297, na forma da Instrução Normativa n° 02 do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)”. O fornecedor de biodiesel, segundo o mesmo edital, é o produtor de biodiesel, conforme descrito no parágrafo anterior, e “sociedade detentora de projeto de produção de biodiesel reconhecido pelo MDA, como possuidora dos requisitos necessários à obtenção do selo “Combustível Social”, em conformidade com a Instrução Normativa n° 02 do Ministério do Desenvolvimento Agrário(MDA)”. Os participantes do leilão, além das exigências já relacionadas acima, deveriam ainda estar cadastrados no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (SICAF) e no sistema “Licitações-e” do Banco do Brasil. O percentual de participação dos produtores e importadores de óleo diesel foi definido assim: • Petróleo Brasileiro S. A. (93,3%); • Alberto Pasqualini – REFAP S/A (6,7%). Ressalta-se que as usinas produtoras que tiveram suas ofertas arrematadas possuem vínculo com agricultores familiares, tendo cumprido os requisitos mínimos para obtenção do selo “Combustível Social” estabelecido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. A Brasil Biodiesel trabalha com 40 mil famílias de agricultores beneficiadas, Soyminas com 2 mil famílias, Granol com 1,8 mil famílias e Agropalma com 200 famílias*. 4.3.2 - Segundo Leilão Participaram do segundo leilão, ocorrido em março de 2006, dez unidades produtoras de biodiesel, das quais uma já é possuidora do selo “Combustível Social”, em caráter definitivo. Todos os projetos foram analisados e enquadrados pelo MDA como possuidores dos requisitos necessários à concessão do selo. O segundo leilão foi caracterizado pela maior concorrência entre os produtores de biodiesel, com uma oferta total de 313 milhões de litros. As regras para a participação no segundo leilão promovido pela ANP foram praticamente as mesmas do primeiro leilão, salvo que, das empresas ganhadoras do primeiro leilão foi descontado a quantidade total arrematada no Primeiro Leilão de Biodiesel (Edital de Leilão n°. 007/06). O resultado do Segundo Leilão de Biodiesel é apresentado na tabela 4.05. O percentual de participação dos produtores e importadores de óleo diesel foi assim definido: • Petróleo Brasileiro S. A. (93%); • Alberto Pasqualini – REFAP S/A (7%). *Fonte: Portal do Ministério do Desenvolvimento Agrário 2006 © STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.11 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil Tabela 4.05 – Empresas Ganhadoras do Segundo Leilão de Biodiesel Promovido pela ANP NOME VALOR INICIAL QUANTIDADE (m3) LOCAL DA ENTREGA PONTI DI FERRO R$ 1.799,00 11.000 Rio de Janeiro - RJ PONTI DI FERRO R$ 1.799,00 9.000 Taubaté – SP PONTI DI FERRO R$ 1.820,00 10.000 Rio de Janeiro - RJ PONTI DI FERRO R$ 1.820,00 5.000 Taubaté – SP PONTI DI FERRO R$ 1.830,00 10.000 Rio de Janeiro - RJ PONTI DI FERRO R$ 1.830,00 5.000 Taubaté – SP BIOCAPITAL R$ 1.839,00 30.000 Charqueada - SP BIOCAPITAL R$ 1.849,00 20.000 Charqueada - SP BINATURAL R$ 1.889,88 320 Formosa – GO BINATURAL R$ 1.894,88 600 Formosa - GO BIOCAPITAL R$ 1.899,00 10.000 Charqueada - SP BINATURAL R$ 1.899,88 400 Formosa - GO GRANOL R$ 1.904,60 36.000 Anápolis - GO RENOBRÁS R$ 1.904,84 900 Dom Aquino - MT BRASIL ECODIESEL R$ 1.904,90 20.000 Iraquara - BA BRASIL ECODIESEL R$ 1.904,90 1.780 Crateús - CE Fonte: ANP, 2006 4.3.3 - Terceiro Leilão Participaram do terceiro leilão, realizado em julho de 2006 quatro unidades produtoras de Biodiesel, com uma oferta total de 95,4 milhões de litros (91% superior a meta de aquisição de 50 milhões de litros). As regras para a participação no terceiro leilão promovido pela ANP foram praticamente as mesmas dos anteriores (Edital de Leilão n°. 021/06). O resultado do Terceiro Leilão de Biodiesel é apresentado na tabela 4.06. O percentual de participação dos produtores e importadores de óleo diesel foi assim definido: 4.12 • Petróleo Brasileiro S. A. (93%); • Alberto Pasqualini – REFAP S/A (7%). 2006© STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil Tabela 4.06 Empresas Ganhadoras do Terceiro Leilão de Biodiesel Promovido pela ANP NOME VALOR INICIAL QUANTIDADE (m3) LOCAL DA ENTREGA BRASIL BIODIESEL R$ 1.730,00 40.000 Floriano - PI FERTIBOM R$ 1.752,45 1.000 Catanduva - SP FERTIBOM R$ 1.828,65 3.000 Catanduva - SP AGROPALMA R$ 1.839,97 1.100 Belém - PA FERTIBOM R$ 1.866,74 2.000 Catanduva - SP AGROPALMA R$ 1.884,97 1.100 Belém - PA GRANOL R$ 1.900,00 1.800 Campinas - SP Fonte: ANP, 2006 4.3.4 - Quarto Leilão Durante o quarto leilão, ocorrido em julho de 2006, houve a oferta de 1,054 bilhão de litros por 27 empresas e 550 milhões de litros foram arrematados. Segundo o Portal do Desenvolvimento Agrário, a oferta nesse leilão superou a meta de aquisição em 92%. O quarto leilão foi direcionado a usinas em construção e a projetos de desenvolvimento também enquadrados no Selo Combustível Social do MDA, selo este conferido a empresas que adquirem de agricultores familiares uma parte ou toda a matéria-prima necessária para a produção do combustível. O Edital de Leilão n.° 22/06, diferentemente dos anteriores, estabelece que, para o produtor de biodiesel ofertar e comercializar sua produção de forma idônea, são necessários (além dos documentos normalmente exigidos) os seguintes documentos: • resumo executivo do projeto contendo tipo de processo, recebimento de matérias primas e armazenamento da matéria-prima e do biodiesel; • cronograma das fases principais do projeto até a entrada em operação; • fluxograma preliminar do processo indicando a capacidade nominal (m³/dia); • permitir a ANP realizar possível vistoria para acompanhamento e verificação do cumprimento do cronograma físico; • cópia autenticada da certidão do registro de imóveis comprovando a propriedade do terreno onde será instalada a unidade de produção de biodiesel ou do contrato de arrendamento, de no mínimo 5 (cinco) anos, do referido terreno devidamente registrado em Cartório de Títulos e Documentos; • cópia autenticada da licença prévia ou de instalação para o desempenho da atividade de produção de biodiesel, expedida pelo órgão ambiental competente; 2006 © STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.13 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil • documento do fornecedor declarando intenção de venda da planta de produção de biodiesel, informando a capacidade nominal, o prazo de entrega dos referidos equipamentos ou contrato de arrendamento de instalação para produção de biodiesel. O resultado do Quarto Leilão do Biodiesel é apresentado na tabela 4.07. O percentual de participação dos produtores e importadores de óleo diesel, excluídos os agentes com participação inferior a 1% (um por cento), correspondente ao período de janeiro de 2005 a dezembro de 2005, ficou definido em: • Petróleo Brasileiro S. A. (93%); • Alberto Pasqualini – REFAP S/A (7%). Tabela 4.07 – Empresas Ganhadoras do Quarto Leilão de Biodiesel Promovido pela ANP NOME VALOR INICIAL QUANTIDADE (m3) LOCAL DA ENTREGA AGROSOJA R$ 1.714,00 5.000 Sorriso - MT BRASIL BIODIESEL R$ 1.730,00 80.000 Iraquara - BA BRASIL BIODIESEL R$ 1.730,00 88.220 Cratéus - CE BRASIL BIODIESEL R$ 1.730,00 90.000 Porto Nacional - TO BRASIL BIODIESEL R$ 1.730,00 80.000 Rosário do Sul - RS BRASIL BIODIESEL R$ 1.730,00 50.000 São Luiz - MA FIAGRIL R$ 1.749,95 10.000 Lucas do Rio Verde - MT BARRÁLCOOL R$ 1.767,32 10.000 Barra do Bugres - MT BSBIOS R$ 1.786,00 35.000 Passo Fundo - RS CARAMURU R$ 1.789,29 30.000 São Simão - GO BIOMINAS R$ 1.790,24 2.651 Itatiaiauçu - MG OLEOPLAN R$ 1.798,98 10.000 Veranópolis - RS FIAGRIL R$ 1.798,98 17.500 Lucas do Rio Verde - MT BSBIOS R$ 1.799,00 35.000 Passo Fundo - RS BARRÁLCOOL R$ 1.799,56 6.629 Barra do Bugres - MT Fonte: ANP, 2006 4.14 2006© STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil 4.4 – Distribuição dos Combustíveis no Brasil Com o crescimento da indústria automobilística e o fortalecimento da economia na década de cinqüenta, o governo brasileiro adotou como matriz de transporte o modal rodoviário. Com o consecutivo aumento dos investimentos neste modal, ao final da década de setenta, quase todos os investimentos no setor de transporte foram dirigidos para a construção de rodovias. Esta política resultou no aumento do fluxo de veículos de transporte de carga e na demanda de combustíveis. Com a extinção do Fundo Rodoviário Nacional em 1988, houve uma redução significativa nos investimentos e na manutenção das estradas elevando o custo dos transportes devido à degradação da malha rodoviária e conseqüentemente o risco de acidentes. Na década de noventa devido aos altos custos no transporte rodoviário e a capacidade limitada no volume transportado, inicia-se a busca por alternativas de transporte mais baratos, mais seguros e de maior capacidade de carga. Percebe-se a partir disso, um aumento no transporte dos combustíveis de forma contínua através de dutos. Isso ocorre nos pólos petroquímicos ou na transferência de derivados da refinaria às bases de distribuição, independemente da distância entre a origem e destino. Outros modais de transporte que começaram a ser utilizados com maior freqüência foram as ferrovias e hidrovias, devido aos baixos custos de operação e a grande capacidade no volume transportado. No entanto, o transporte de combustíveis por caminhões ainda é representativo, devido à distribuição das bases aos postos de abastecimento nas cidades, contribuindo para aumentar os índices de utilização de rodovias. A distribuição de combustíveis inicia-se nas 13 refinarias, 3 centrais petroquímicas e cerca de 300 usinas produtoras de álcool existentes no país. Os produtos derivados de petróleo oriundos dos fornecedores são transferidos por duto ou cabotagem para as chamadas bases primárias de combustíveis, assim denominadas por receberem derivados de petróleo diretamente das refinarias. As transferências são programadas pelos fornecedores e realizadas por transportadores por eles contratados. A figura 4.01 exemplifica o atual modelo de transporte e distribuição de combustíveis. Das bases primárias, os derivados de petróleo podem ser entregues aos postos de serviço, consumidores atacadistas de suas áreas de influência, ou ainda transferidos para as denominadas bases secundárias (recebem derivados de petróleo de outras bases de distribuição). As principais operações executadas numa base são o recebimento, a armazenagem e a expedição de produtos. Para a armazenagem, as bases primarias e/ou secundárias contam com um ou mais parques de tanques. O projeto e construção de tanques, sua locação no terreno, a bacia de contenção que os cerca e os sistemas de proteção contra incêndios, assim como diversos sistemas auxiliares, são regulamentados por órgãos como a ABNT, a ANP, o Corpo de Bombeiros e órgãos de proteção ambiental. 2006 © STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.15 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil Figura 4.01 - Rede de Distribuição de Combustível Fonte: Petrobrás, 2006 As entregas das bases primárias ou secundárias aos clientes são realizadas, na sua maioria, através do modal rodoviário. Na figura 4.02 é apresentado a localização das principais bases, primárias e secundárias e seu modal de distribuição. Algumas localidades da região norte do país são abastecidas exclusivamente pelo modal fluvial, em função da inexistência local de malha rodoviária. Já alguns grandes clientes consumidores, como siderúrgicas e termoelétricas, estão capacitados para o recebimento de produtos através de dutos ou ferrovias. As transferências entre bases, por sua vez, podem ser realizadas através dos modais ferroviário, hidroviário ou rodoviário. As transferências entre bases são planejadas e programadas pelas empresas distribuidoras, mas realizadas, em quase sua totalidade, por empresas de transporte contratadas. As entregas aos clientes podem ser programadas e realizadas pelos próprios clientes (caracterizando a modalidade Free on Bord (FOB), que significa que o cliente é responsável por coletar a mercadoria nas bases primárias, pelo preço estabelecido, ficando as despesas de frete e seguro por conta do comprador, bem como os riscos até o destino) ou programadas pelas distribuidoras e realizadas por empresas de transporte por elas contratadas (caracterizando a modalidade Cost, Insurance and Freight (CIF), que significa que cabe ao vendedor a obrigação de entregar a mercadoria ao comprador, no local em que este tem seu estabelecimento ou no porto de destino, correndo por conta do vendedor as despesas com frete e seguro). A logística dos álcoois é um pouco diferente. Esses produtos são fornecidos diretamente pelas usinas produtoras às bases de distribuição através de rodovias ou ferrovias. Há também a possibilidade de transferência de álcoois entre bases, por qualquer um dos modais existentes. 4.16 2006© STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil Figura 4.02 - Bases de Distribuição e Modal de Distribuição Fonte: SINDICOM, 2005 Atualmente, existem cerca de 65 bases primárias e 55 bases secundárias em todo o território nacional. Essas bases são responsáveis pelo abastecimento de aproximadamente 22 mil clientes revendedores e 35 mil clientes consumidores e atacadistas. As vendas do mercado de combustíveis totalizaram, em 2004, o expressivo volume de 83,7 milhões de m³ (ANP, 2005). O mercado de combustíveis é dinâmico e exigente, o que obriga as companhias distribuidoras a realizar constantes melhorias e ajustes na gestão logística. Entre essas ações, estão a necessidade constante de negociação e colaboração com fornecedores, automação das unidades operacionais e, principalmente, a implementação do gerenciamento integrado da cadeia de suprimento. A previsão da demanda possui um papel fundamental no gerenciamento da cadeia de suprimento da distribuição de combustíveis. Supõem-se que para a distribuição de biodiesel, a logística utilizada será a mesma do óleo diesel e do álcool, necessitando adaptações nas bases primárias e secundárias, com a construção de novos tanques para a estocagem da mistura. 2006 © STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.17 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil 4.5 - Métodos de Produção de Biodiesel O biodiesel foi definido pela National Biodiesel Board (associação sem fins lucrativos, responsável pela coordenação da indústria de biodiesel nos Estado Unidos), como derivado alquil éster de ácidos graxos de cadeia longa, proveniente de fontes renováveis como óleos vegetais ou gordura animal, cuja utilização está associada à substituição de combustíveis fósseis em motores de ignição por compressão (motores do ciclo Diesel). De acordo com Fontana (2003), o biodiesel pode ser caracterizado por: • ausência de enxofre e aromáticos; • número de cetano elevado; • teor de oxigênio próximo a 11%; • elevada viscosidade e maior ponto de fulgor, quando comparado ao diesel convencional; • direcionamento a mercado específico, especialmente voltado a atividades agrícolas; • no caso do biodiesel proveniente de óleos e gorduras, já utilizados, este combustível apresenta, ainda, vantagens ambientais. O biodiesel pode ser utilizado puro ou em misturas com o óleo convencional, em diferentes proporções. As misturas podem receber denominações de acordo com os percentuais do biodiesel adicionados à mistura, como por exemplo, B20 para misturas contendo 20% deste biocombustível. 4.5.1 – Processos de Produção Três processos químicos são utilizados para obtenção de Biodiesel: Craqueamento, Transesterificação e Esterificação. 4.5.1.1 - Craqueamento O Craqueamento Térmico ou pirólise é processo que provoca a quebra de moléculas por aquecimento a altas temperaturas, isto é, pelo aquecimento da substância na ausência de ar ou oxigênio a temperaturas superiores a 450°C, formando uma mistura de compostos químicos com propriedades muito semelhantes às do diesel de petróleo. Em algumas situações esse processo é auxiliado por um catalisador para a quebra das ligações químicas, de modo a gerar moléculas menores (WEISZ et al., 1979), figura 4.01. Catalisadores típicos para serem empregados na pirólise são o óxido de silício – SiO2 e o óxido de alumínio – Al2O3. O custo do equipamento para pirólise ou craqueamento térmico é elevado. Contudo, os produtos são similares quimicamente ao óleo diesel. A remoção do oxigênio do processo reduz os benefícios de ser um combustível oxigenado, diminuindo seus benefícios ambientais e geralmente produzindo um combustível mais próximo da gasolina que do diesel. 4.18 2006© STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil Esclareça-se, contudo, que, pela nomenclatura internacional, o combustível produzido pelo craqueamento térmico não é considerado biodiesel, apesar de ser um biocombustível semelhante ao óleo diesel. Figura 4.03 – Fluxograma do Processo de Produção de Biodiesel por Craqueamento Resíduo Hidróxido de Cálcio Saponificação Craqueamento dos Pesados Craqueamento Térmico Destilação Vapor Óleo Vegetal Hidrólise Gasolina Vegetal Resíduo Refinação Diesel Vegetal Evaporação Glicerina Fonte: Arora e Carioca (1984) 4.5.1.2 - Esterificação A Esterificação consiste na reação entre um ácido graxo (ácido carboxílico de cadeia longa) e a glicerina (triálcool) com formação de éster (metílico ou etílico) e saída de água. Esse processo de produção busca o aproveitamento de matérias-primas disponíveis e de baixo custo. Como resíduos associados à agroindústria (ácido graxo resultante do refino de óleos vegetais, gorduras animais obtidas nos abatedouros), óleos usados e escuma de esgotos sanitários. A reação de esterificação emprega, preferencialmente, álcoois de baixo peso molecular, como o metanol e o etanol. A catálise alcalina não é empregada porque a reação preferencial do catalisador seria a de combinar-se com quaisquer ácidos graxos livres para formar sabão. O sabão formado favorece a ocorrência de emulsões entre o álcool e o ácido graxo, desfavorecendo a reação de esterificação. No caso da utilização da catálise ácida homogênea, esta apresenta como desvantagem a dificuldade de remoção do resíduo do catalisador do material esterificado. Normalmente, a remoção do catalisador é feita através de lavagem da mistura com álcool, que é separado da fase óleo por extração com solvente imiscível com o óleo, normalmente glicerina. Com este procedimento, uma parte dos ácidos graxos esterificados é perdida, reduzindo o rendimento do processo. A fim de contornar esse problema, pode-se empregar catalisadores sólidos ácidos ou a catálise enzimática. 2006 © STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.19 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil A utilização de catalisadores heterogêneos minimiza os custos de separação e purificação, trazendo ainda maior atratividade ao processo de obtenção do éster. O fluxograma desse processo de produção é apresentado na figura 4.02. Figura 4.04 – Fluxograma do Processo de Produção de Biodiesel por Esterificação. Tanque de Ácido Graxo (MP) Catalisador Reação de Esterificação Álcool Etílico ou Álcool Metílico Evaporação B100 Álcool + H2O Separação Álcool Hidratado Efluente: sabão, resíduo de catalisadores Fonte: MMA (2006), adaptado por STCP. 4.5.1.3 - Transesterificação A transesterificação consiste numa reação química, que requer a adição de 10 a 15% de álcool metanol ou etanol e catalisador. Ao término deste processo, o principal produto obtido é o Biodiesel Transesterificado e a Glicerina. As principais desvantagens deste processo são: 4.20 • necessidade de um outro combustível para realizar o processo (metanol ou etanol); • características do biodiesel obtido serem bem diferentes do diesel fóssil; • produção excessiva de glicerina, que pode se transformar em passivo ambiental. 2006© STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil O processo de transesterificação por catálise básica é extremamente simples, e permite a utilização de baixas temperaturas e catalisadores baratos, com conversões próximas a 100 %. Entretanto, este processo tem como inconvenientes: • o fato de que a etapa de separação do glicerol é extremamente demorada e dispendiosa; • os óleos e gorduras utilizados devem possuir baixo teor de ácidos graxos livres (inferior a 1%), o que limita a sua utilização a óleos refinados, que são mais caros; • o custo associado aos óleos vegetais e gorduras utilizados é relativamente alto e constitui cerca de 80 % do custo total de produção do biodiesel. Uma outra rota para a produção de biodiesel, é a catálise ácida homogênea, que pode utilizar tanto óleos vegetais como ácidos graxos, em reações de transesterificação ou esterificação, respectivamente. A maioria destes processos utiliza ácidos fortes, como o sulfúrico, e permitem a utilização de óleos não refinados e até de borras ácidas provenientes do processo de refinação (compostas majoritariamente por ácidos graxos livres). Como essas matérias-primas, principalmente as borras, apresentam preço significativamente inferior ao dos óleos refinados, a sua utilização seria de grande interesse econômico. Porém as taxas de reação e a conversão total são inferiores aos obtidos por catálise básica. Além disso, é necessária uma etapa de neutralização do catalisador, que é dispendiosa e demorada. Como a reação química da transesterificação é reversível, faz-se necessário um excesso de álcool para forçar o equilíbrio para o lado do produto desejado. A estequiometria para a reação é de 3:1 (álcool:lipídio). Contudo, na prática, essa relação é de 6:1 para aumentar a eficiência na geração do produto. O catalisador é normalmente usado para acelerar a reação (as reações com catalisadores básicos são mais rápidas do que com catalisadores ácidos). Somente álcoois simples, tais como metanol, etanol, propanol, butanol e amil-álcool, podem ser usados na transesterificação. O metanol é mais freqüentemente utilizado por razões de natureza física e química (cadeia curta e polaridade). Contudo, o uso do etanol é mais estimulado pelo Governo Federal, pois ele é renovável e muito menos tóxico que o metanol, além de estimular a cadeia de produção desse insumo no Brasil. A figura 4.05 apresenta o fluxograma do processo de produção de biodiesel pela transesterificação. 4.5.1.4 - Rotas Tecnológicas (Rotas Etílica e Metílica) Os procedimentos concernentes à preparação da matéria-prima para a sua conversão em biodiesel, visam criar as melhores condições para a efetivação da reação de transesterificação, com a máxima taxa de conversão. Em princípio, faz-se necessário que a matéria-prima tenha o mínimo de umidade e de acidez, o que é possível submetendo-a a um processo de neutralização, através de uma lavagem com uma solução alcalina de hidróxido de sódio ou de potássio, seguida de uma operação de secagem ou desumidificação. As especificidades do tratamento dependem da natureza e condições da matéria graxa empregada como matéria-prima. 2006 © STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.21 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil A alcoólise com metanol é tecnicamente mais viável do que a alcoólise com etanol, particularmente se corresponder ao etanol hidratado, cujo teor em água (4-6%) retarda e prejudica a reação. O uso de etanol anidro na reação, efetivamente, minimiza este inconveniente, embora não implique em solução para o problema inerente à separação da glicerina da reação, que no caso da síntese do éster metílico, pode ser facilmente obtida por simples decantação. Figura 4.05 – Fluxograma do Processo de Produção de Biodiesel por Transesterificação. Ácido Graxo Goma Borra Preparo da Matéria Prima Secadores Álcool Etílico ou Álcool Metílico Catalisadores: Básicos: alcolatos, hidróxidos Ácidos: H2SO4, organometálicos Heterogênea: zeólitas Transesterificação Separação Glicerina Bruta Álcool Recuperado Ácido Graxo Éster H2O Destilação Tratamento da Glicerina Glicerina H2SO4 Neutralização Efluente Efluente: sabão, resíduo de catalisadores, água acidificada Lavagem Secagem Auxiliar de Filtração Resíduo em forma de sal H2O desmineralizada Dessecante Filtragem B100 Elaboração: STCP, 2006 4.22 2006© STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil Rota Metilica O metanol é um líquido incolor, com peso molecular igual a 32,04, possuindo um odor suave na temperatura ambiente. Sua fórmula molecular é CH3OH. Atualmente, o metanol é uma das matérias-primas mais consumidas na indústria química. Já foi conhecido como álcool da madeira, devido a sua obtenção comercial a partir da destilação destrutiva da madeira. A maior utilização do metanol, atualmente está na produção de formaldeído, metil-tert-butil-éter (MTBE) aditivo para a gasolina e que está sendo banido aos poucos nos EUA e como combustível puro ou em mistura com gasolina para automóveis leves. A tecnologia conhecida como metanol direto (DMFC – Direct Methanol Fuel Cell) é uma variação da tecnologia PEMFC (Proton Exchange Membrane Fuel Cell) no qual faz uso do metanol diretamente sem a necessidade de reforma do combustível para se ter o hidrogênio puro. O metanol é convertido em dióxido de carbono e hidrogênio no ânodo. O hidrogênio se quebra em prótons e elétrons. Os prótons atravessam a membrana até reagir com o oxigênio para formar água, seguindo o mesmo padrão de reação numa típica célula a combustível PEMFC. A maioria das células de combustíveis (CaCs) é alimentada por hidrogênio, o qual pode ser adicionado diretamente ou ser extraído a partir de um combustível no próprio sistema CaCs, através da reforma de uma fonte de hidrogênio tal como o metanol, o etanol, e hidrocarbonetos, como o gás natural e gasolina. As células a combustível de Metanol Direto (DMFC), entretanto, são alimentadas por metanol, o qual é misturado ao vapor e então ao ânodo (eletrodo negativo) da célula a combustível. Ressalta-se que a tecnologia DMFC não está em uso comercial no Brasil. As células a combustível DMFC não tem muitos dos problemas de armazenamento típicos de outras tecnologias, pois o metanol tem uma densidade de potência maior que a do hidrogênio embora menor que a da gasolina ou diesel. O metanol também é mais fácil de transportar e fornecer para o mercado, pois pode utilizar a corrente infra-estrutura por ser um combustível líquido, como a gasolina. Estas células operam na temperatura de 120-130°C, o qual é um pouco maior que a temperatura padrão de uma PEMFC (80°C), e atinge uma eficiência de aproximadamente 40%. A desvantagem é que a baixa temperatura de conversão do metanol para hidrogênio e dióxido de carbono precisa de uma quantidade maior de platina como catalisador do que na PEMFC convencional, o que aumenta o custo da célula a combustível. O aumento no custo é, entretanto, compensado pela praticidade de utilizar um combustível líquido e de não necessitar de um reformador. A tecnologia existente nas DMFCs ainda está em início de desenvolvimento mas já tem demonstrado sucesso em aplicações em telefones celulares e laptops, mercados potenciais para esta tecnologia. As principais propriedades físicas do Metanol estão abaixo: • densidade (20/4 °C) máx: 0,7932; • ponto inicial de ebulição a 760 mm Hg, em °C: 64,4+ - 0,1; • limite de inflamabilidade inferior em % vol.: 6,7; • limite de inflamabilidade superior em % vol.: 36,5; • calor de combustão em cal/g, gás a 25 °C: 5683; • calor de combustão em cal/g, liq. a 25 °C: 5420; 2006 © STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.23 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil • calor de fusão em cal/g: 0,76; • calor de vaporização em cal/g (ponto normal de ebulição): 262,8; • ponto de congelamento, em °C: - 97,8; • índice de refração, n20: 1,32863; • calor específico do líquido em cal/g/°C a 20°C: 0,599; • pressão crítica em atm: 78,7; • temperatura crítica em °C: 240,0; • temperatura de auto-ignição em °C: 470; • constante dielétrica em mhos, a 25°C: 32,63; • pressão de Vapor em mm Hg, a 20°C: 96,0; • solubilidade em água, álcool ou éter: completa. Rota Etílica O etanol é hoje uma das principais fontes de energia no Brasil. É uma fonte de energia renovável, pouco poluente, e se aplicado em células a combustível, possibilita uma eficiência energética melhor que a utilizada hoje e com praticamente nenhuma emissão de poluentes. Além disso, o Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, e também o maior produtor de açúcar e etanol (álcool). Movimenta, anualmente, cerca de 12 bilhões de dólares e emprega diretamente, aproximadamente um milhão de trabalhadores, e indiretamente cerca 3,5 milhões, com a maior parte das unidades produtoras e de mercado de trabalho localizadas nos Estados de São Paulo e do Paraná. No ano de 2003, a produção de álcool chegou a 14,4 bilhões de litros em todo o país, com o Centro-Sul responsável por 12,9 bilhões de litros desse total. É um volume 16,72% acima dos 11,014 bilhões de litros produzidos na safra 2002. Isso se deve às novas variedades de matéria-prima, às condições climáticas favoráveis e à melhoria da eficiência industrial das unidades produtoras. O etanol pode ser produzido a partir de amido de milho, da cana-de-açúcar, da beterraba e de outras matérias-primas, e tem sido usado por décadas como combustível para transporte, em várias partes do mundo. Apresenta energia densa e líquida que pode ser estocada compactamente, contém 35% de oxigênio, e possui uma combustão limpa. Pode ser totalmente produzido no país, o que diminui a necessidade do óleo importado e dos derivados de petróleo, contribuindo para a segurança energética nacional e fornecendo suporte econômico e mercados alternativos para as safras das matérias-primas utilizadas. Quando o etanol substitui o petróleo, os benefícios ambientais incluem menores emissões de Dióxido de Carbono (CO2). E ao contrário de outros combustíveis oxigenados, o etanol não é nocivo ao meio ambiente no caso de ocorrerem derramamentos ou vazamentos. Por possuir estes atributos, a demanda por etanol é crescente e a indústria do etanol responde com progressos, como uma tecnologia de produção mais eficiente e com uma maior capacidade de produção. 4.24 2006© STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil As células a combustível com etanol usado diretamente são conhecidas como DEFCs (Direct Ethanol Fuel Cells/Etanol Direto). No Brasil, assim como nos EUA, existem estudos procurando viabilizar a utilização do etanol nas CaCs (células de combustíveis), mas ainda estão em fase de desenvolvimento. As principais características do Etanol estão abaixo: • líquido incolor e volátil, com odor e sabor característicos; • pureza expressa em graus GL - Gay Lussac. Como referência, o álcool vendido comercialmente para fins domésticos tem 96ºGL; • capacidade de dissolver substâncias orgânicas; • composto orgânico saturado; • pode ser dissolvido com água em todas as proporções; • queima gerando uma chama com desprendimento de calor e nenhuma fuligem; • fórmula molecular: CH2OH5; • peso molecular: 46; • densidade API: 47,1; • massa específica: 789,1 kg/m³; • temperatura de fusão (a 101,35 kPA): - 117,22º C; • temperatura de ebulição (a 101,35 kPA): 77,78º C; • calor latente: 921096,00 J/kg; • valores caloríficos: 26990,90 J/kg (mais baixo) a 29,28 J/kg (mais alto); • razão ar-combustível: 9,0:1; • octanagem (Método motor ASTM): 99; • índice de cetano: 10. Rota Metilica vs Rota Etílica O metanol tem propriedades combustíveis e energéticas similares ao etanol. Os dois são agentes combustíveis, mas o metanol tem uma toxicidade mais elevada. Prejudica a saúde, causando, inclusive, cegueira e câncer em altas concentrações e pela longa exposição. O Brasil não é autosuficiente na produção de metanol e ainda o importa para outros fins, e não para o uso como combustível. O metanol é comumente encontrado como subproduto da indústria do petróleo. Portanto, uma das principais vantagens de se usar o etanol na produção do biodiesel é que ele não e tóxico, é biodegradável (tanto que é usado na área de alimentos) e já pode ser produzido em escala. Atualmente, o Brasil produz cerca de 12 milhões de litros de álcool (etanol), tendo ainda uma ociosidade instalada de aproximadamente 4 milhões de litros atuais. 2006 © STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.25 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil Apesar de muitas pesquisas com Biodiesel etílico já terem sido realizadas em diversas partes do mundo, todos os países que utilizam o Biodiesel, o fazem via rota metílica. Isso ocorre porque na maioria desses países, a disponibilidade de etanol derivado de biomassa é bastante reduzida. Assim, entre etanol e metanol fóssil, evidentemente, escolhe-se o mais barato (atualmente) e o mais reativo, ou seja, o metanol. Entretanto, devido à imensidão territorial, o cenário brasileiro é atípico. É fato bastante reconhecido, a importância do álcool etílico (etanol) no mercado energético brasileiro. A utilização de ambos os álcoois possui suas próprias vantagens e desvantagens, ficando a escolha por parte de uma análise de disponibilidade e dos objetivos a serem atingidos. Por isso, é oportuno que seja feito um balanço de pontos fracos e fortes de cada um, como mostram as tabela 4.08 e 4.09. Recuperação do álcool da glicerina Após a reação de transesterificação que converte a matéria graxa em ésteres (biodiesel), a massa reacional final é constituída de duas fases, separáveis por decantação e/ou centrifugação. A fase mais pesada é composta de glicerina bruta, impregnada dos excessos de álcool, de água e de impurezas inerentes à matéria-prima. A fase menos densa é constituída de uma mistura de ésteres metílicos e etílicos, conforme a natureza do álcool originalmente adotado, também impregnado de excessos reacionais de álcool e impurezas. A fase pesada, contendo água e álcool, é submetida a um processo de evaporação, eliminando-se da glicerina esses constituintes voláteis, cujos vapores são liquefeitos num condensador apropriado. A glicerina, subproduto do biodiesel pode ser utilizada como matéria-prima na produção de tintas, adesivos, produtos farmacêuticos, têxteis etc., aumentando a competitividade do produto. Tabela 4.08 – Vantagens e Desvantagens do Uso do Metanol VANTAGENS O consumo de metanol nos processos de transesterificação é cerca 45% menor que o etanol anidro. O preço do metanol é quase metade do preço do etanol. É mais reativo (não possui azeotropia). Para uma mesma taxa de conversão (e mesmas condições operacionais), o tempo de reação utilizando o metanol é menos da metade do tempo quando se emprega o etanol. Considerando a mesma produção de biodiesel, o consumo de vapor na rota metílica é cerca de 20% do consumo na rota etílica, e o consumo de eletricidade é menos da metade. Os equipamentos de processo da planta com a rota metílica é cerca de um quarto do volume dos equipamentos para a rota etílica, para uma mesma produtividade e mesma qualidade. DESVANTAGENS Apesar de poder ser produzido a partir da biomassa, é tradicionalmente um produto fóssil. É bastante tóxico. Maior risco de incêndios (mais volátil). Chama invisível. Transporte é controlado pela Polícia Federal, por se tratar de matéria-prima para extração de drogas. Apesar de ser ociosa, a capacidade atual de produção de metanol brasileira só garantiria o estágio inicial de um programa de âmbito nacional. Fonte: www.sbrt.ibict.br 4.26 2006© STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil Tabela 4.09 – Vantagens e Desvantagens do Uso do Etanol VANTAGENS Produção alcooleira no Brasil já consolidada. Produz Biodiesel com um maior índice de cetano e maior lubricidade, se comparado ao Biodiesel metílico. Se for feito a partir de biomassa (como é o caso de quase toda a produção brasileira), produz um combustível 100% renovável. Gera ainda mais ocupação e renda no meio rural. Gera mais economia de divisas. Não é tóxico como o metanol. Menor risco de incêndios. DESVANTAGENS Os ésteres etílicos possuem maior afinidade à glicerina, dificultando a separação. Possui azeotropia, quando misturado em água. Com isso sua desidratação requer maiores gastos energéticos e investimento com equipamento. Os equipamentos de processo da planta com rota metílica é cerca de um quarto do volume dos equipamentos para a rota etílica, para uma mesma produtividade e mesma qualidade. Dependendo do preço da matéria prima, os custos de produção de Biodiesel etílico podem ser até 100% maiores que o metílico. Fonte: www.sbrt.ibict.br Recuperação do álcool dos ésteres Da mesma forma, mas separadamente, o álcool residual é recuperado da fase mais leve, liberando para as etapas seguintes, os ésteres metílico ou etílico. Desidratação do álcool Os excessos residuais de álcool, após os processos de recuperação, contêm quantidades significativas de água, necessitando de uma separação. A desidratação do álcool é feita normalmente por destilação. No caso da desidratação do metanol, a destilação é bastante simples e fácil de ser conduzida, uma vez que a volatilidade relativa dos constituintes dessa mistura é muito grande, e ademais, inexistente o fenômeno da azeotropia para dificultar a completa separação. Diferentemente, a desidratação do etanol, complica-se em razão da azeotropia, associada à volatilidade relativa não tão acentuada como é o caso da separação da mistura metanol-água. Purificação dos ésteres Os ésteres deverão ser lavados por centrifugação e desumidificados posteriormente, resultando finalmente o biodiesel, o qual deverá ter suas características enquadradas nas especificações das normas técnicas estabelecidas para o biodiesel como combustível para uso em motores do ciclo diesel. Destilação da glicerina As glicerinas brutas, emergentes do processo, mesmo com suas impurezas convencionais, já constituem o subproduto comercializável. No entanto, o mercado é muito mais favorável à comercialização da glicerina purificada, quando o seu valor é realçado. A purificação da glicerina bruta é feita por destilação a vácuo, resultando um produto límpido e transparente, denominado comercialmente de glicerina destilada. 2006 © STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.27 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil 4.5.2 - Principais Matérias-Primas Utilizadas no Processo de Produção do Biodiesel Na produção de biodiesel, os óleos e gorduras reagem com o álcool, formando ésteres de ácidos graxos que constituem o biodiesel. Quando comparado ao diesel proveniente do petróleo, o biodiesel apresenta menor emissão de dióxido e carbono, contribuindo, desta forma, para amenizar o problema do aquecimento global. Além disso, os ésteres de ácidos graxos não contribuem com a formação do “smog” fotoquímico, fenômeno que é caracterizado pela formação de substâncias tóxicas e irritantes como o ozônio e o nitrato de peroxicetileno, a partir de nitrogênio e hidrocarbonetos, na presença de energia solar. Este aspecto positivo dos ésteres de ácidos pode ser explicado pelo fato de que estes compostos não apresentam nitrogênio em suas estruturas. Convém ressaltar que os ésteres de ácidos graxos também não apresentam enxofre, e desta forma, também não contribuem com fenômenos com o de acidificação das precipitações. As matérias-primas relacionadas com a produção de biodiesel são: óleos vegetais, gordura animal, óleos e gorduras residuais. Óleos vegetais e gorduras são basicamente compostos de triglicerídeos, ésteres de glicerol e ácidos graxos. No óleo de soja, o ácido predominante é o ácido oléico, no óleo de babaçu, o laurídico e no sebo bovino, o ácido esteárico. Algumas fontes para extração de óleo vegetal, com potencial para ser utilizado na produção de biodiesel, são: baga de mamona, polpa do dendê, amêndoa do coco de dendê, amêndoa do coco de babaçu, semente de girassol, amêndoa do coco da praia, caroço de algodão, grão de amendoim, semente de canola, semente de maracujá, polpa de abacate, caroço de oiticica, semente de linhaça, semente de tomate e de nabo forrageiro. Entre as gorduras animais, destacam-se o sebo bovino, os óleos de peixes, o óleo de mocotó, a banha de porco, entre outros. Os óleos e gorduras residuais, resultantes de processamento doméstico, comercial e industrial também podem ser utilizados como matéria-prima. Porém, segundo informações levantadas junto aos representantes do Programa Biodiesel nos Estados, o uso dessas matérias-primas encontra-se em caráter experimental. Os óleos de frituras representam grande potencial de oferta. Um levantamento primário da oferta destes óleos residuais, suscetíveis de serem coletados, revela um potencial de oferta no país superior a 30 mil toneladas por ano. Algumas possíveis fontes dos óleos e gorduras residuais são: lanchonetes e cozinhas industriais, indústrias onde ocorre a fritura de produtos alimentícios, os esgotos municipais onde a nata sobrenadante é rica em matéria graxa, águas residuais de processos de indústrias alimentícias. As origens e processos de obtenção de matéria-prima para a produção de Biodiesel podem ser classificados em quatro categorias (tabela 4.10). A figura 4.04 apresenta o fluxograma das cadeias produtivas das principais matérias-primas que podem ser utilizadas no processo de produção do biodiesel. 4.28 2006© STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil Tabela 4.10 – Origem e Processo de Obtenção de Matéria Prima para Produção de Biodiesel. CATEGORIAS Óleos e Gorduras de Animais Óleos e Gorduras Vegetais Óleos Residuais de Frituras Matérias Graxas de Esgotos ORIGENS Matadouros Frigoríficos Curtumes Agriculturas Temporárias e Permanentes Cocções Comerciais e Industriais Águas residuais das cidades e de algumas Indústrias OBTENÇÃO Extração com Águas e Vapor Extração Mecânica, Extração Solvente, Extração Mista Acumulações e Coletas Processos em fase de Pesquisa e Desenvolvimento Fonte: www.sbrt.ibict.br De acordo com Parente (2003) existem alguns problemas técnicos com respeito à transformação dos óleos residuais de frituras, em face da heterogeneidade da matéria prima com respeito ao grau de acidez, do teor de umidade e da presença de certos contaminantes. Os custos de produção do biodiesel dependem essencialmente do custo da matéria-prima, do óleo vegetal ou outra substância graxa, e dos custos de processamento industrial, podendo subtrair-se os créditos decorrentes da comercialização do glicerol. Em geral, o custo do óleo vegetal corresponde a cerca de 85% do custo do biodiesel, quando este é produzido em plantas de alta capacidade. Há, portanto, interesse em reduzir os custos da matéria-prima e eventualmente obter o material graxo a partir de rejeitos industriais: óleo de fritura usado, sebo e águas servidas. A matériaprima utilizada afeta os requerimentos de processo, os rendimentos e a qualidade do biodiesel produzido. No estágio atual dos processos, o biodiesel originário de palmáceas apresenta uma qualidade superior àquelas das demais oleaginosas, devido à presença de maior teor de ácidos graxos de menor peso molecular e com alto nível de saturação, como o ácido palmítico. O estudo "“O CUSTO DA PRODUÇÃO E TAXAÇÃO DO BIODIESEL NAS CINCO REGIÕES DO BRASIL”, realizado em parceria com o CEPEA – ESALQ/USP e Dedini S/A Indústrias de Base (2005), aponta que o girassol é a matéria-prima mais viável para a produção do biodiesel nas Regiões Sul e Sudeste do Brasil. No entanto, toda a produção do grão nas duas regiões não é suficiente para atender sequer uma unidade de processamento média, de 40 mil toneladas por ano. Para o Centro-Oeste, a soja, por suas altas produtividade e produção, seria a matéria-prima mais viável economicamente para o biodiesel, além da incorporação de receitas de subprodutos, como o farelo de soja, traria uma redução no custo do preço do combustível. No Nordeste, o caroço de algodão proporcionaria o biodiesel mais barato do Brasil e a oferta do produto é mais do que suficiente para manter uma unidade de 40 mil toneladas por ano, porém é preciso ponderar que a oferta do produto depende do mercado de pluma de algodão. O estudo considerou que o biodiesel de mamona enfrentaria dois entraves: a grande procura do seu óleo no mercado internacional e a falta de destinação dos resíduos. Por fim, o dendê é a matéria-prima que produz o biodiesel mais barato no Norte, mas não há na região uma produção exclusiva para 2006 © STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.29 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil o combustível. O dendê também é a matéria-prima que possui maior produtividade na produção de biodiesel, mas a soja é a que apresenta oferta mais regular. No caso da soja, é fundamental lembrar que a disponibilidade deste óleo para a produção do biodiesel dependerá das cotações internacionais. A tabela 4.11 apresenta as principais matérias-primas para a produção do biodiesel e as principais motivações regionais para a utilização destas. Figura 4.06 – Fluxograma das Cadeias Produtivas ANIMAIS VIVOS MÃO-DE-OBRA E INSUMOS LAVOURAS E PLANTIOS DE LEGUMINOSAS ABATEDOUROS E FRIGORÍFICOS COUROS E PELES CURTUMES FARINHA DE CARNE OU DE OSSOS ÁGUAS SERVIDAS FRITURAS COMERCIAIS E INDUSTRIAIS ESTAÇÕES DE TRATAMENTOS DE ESGOTOS GRÃOS, AMÊNDOAS ESTRAÇÃO MECÂNICA E/OU POR SOLVENTE ÓLEOS RESIDUAIS ACUMULAÇÃO E COLETA ÓLEO BRUTO TORTA OU FARELO PROCESSO DE EXTRAÇÃO COM ÁGUA QUENTE ÓLEOS E GORDURAS REFINAÇÃO DO ÓLEO BRUTO MATÉRIA GRAXA PROCESSOS EM FASE DE P&D ÓLEO DE FRITURA REFINAÇÃO DO ÓLEO RESIDUAL ÓLEOS E GORDURAS RESIDUAIS DE ESGOTOS GORDURAS DE ANIMAIS ÓLEOS E GORDURAS PARA BIODIESEL PROCESSO ÁLCOOL CATALISADOR DE PRODUÇÃO DE BIODIESEL GLICERINA OUTROS INSUMOS BIODIESEL Fonte: HOLANDA, 2004 4.30 2006© STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil Tabela 4.11 – Produção de Biodiesel e Fontes de Matéria-Prima por Região Brasileira REGIÕES PRINCIPAIS Amazônia Pré-Amazônia MOTIVAÇÕES Pequenas produções localizadas nas chamadas ilhas energéticas; Grandes produções nos dendezais. Exploração de babaçuais, através do aproveitamento integral do coco para fins químicos e energéticos Geração de renda através de lavouras associadas aos babaçuais (exemplo: amendoim, girassol) Semi Árido Nordestino Centro Sul e Centro-Oeste Todas as Regiões Geração de ocupação e renda; Erradicação da miséria. Melhoria nas emissões veiculares nos grandes centros urbanos; Regulação nos preços de óleo de soja. Melhor aproveitamento de materiais. MATÉRIAS-PRIMAS Óleos de palmeiras nativas, plantios de dendê em áreas de reflorestamento. Óleos de babaçu, de amendoim e outros, provenientes de culturas associadas. Lavouras familiares de plantas oleaginosas (ricinicultura) Soja e outras culturas possíveis. Óleos residuais de frituras e resíduos industriais, matérias graxas extraídas de esgotos industriais e municipais. Elaboração: STCP, 2006 O processo industrial pode ser resumido da seguinte forma (tabela 4.12): • Entradas (insumos): óleo vegetal (bruto ou refinado) ou material graxo, álcool anidro, catalisadores e substâncias químicas auxiliares; • Saídas (produto principal, subprodutos e resíduos): B100, álcool hidratado, borra de refino, gomas, ácido graxo, glicerina amarela e efluente industrial. 2006 © STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.31 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil Tabela 4.12 – Inputs e Outputs do Processo de Industrial do Biodiesel PROCESSO DE TRANSESTERIFICAÇÃO PROCESSO ENTRADAS DESCARTES Refino e preparo da Matéria Prima Óleo vegetal ou material graxo Ácido graxo, borras, gomas, Vapor d'água Transesterificação Álcool anidro e catalizadores Ácido Graxo e Glicerina Destilação, neutralização e lavagem do éster Água desmineralizada e H2SO4 Efluente e álcool hidratado Processo de secagem e filtragem do éster Dessecante e auxiliar de filtração Sal e Vapor d'água PROCESSO DE ESTERIFICAÇÃO PROCESSO ENTRADAS DESCARTES Preparo da Matéria-Prima Material graxo Ácido graxo, borras e Vapor d'água Esterificação e separação da água e do álcool Álcool anidro e catalizadores Efluente, álcool hidratado e vapor d'água Secagem do éster Dessecante e auxiliar de filtração Sal e Vapor d'água Elaboração: STCP, 2006 4.5.3 – Principais Resíduos e Subprodutos Gerados na Indústria 4.5.3.1 – Subprodutos Comercializáveis O primeiro subproduto do processo é o farelo (prensagem do grão). O potencial do farelo de oleaginosas está na agroindústria (Nutrição Animal e Fertilizantes) e também na possibilidade de produzir álcool. O segundo subproduto do processo é o Glicerinado, que, ao passar por mais um processo de separação química gera o Ácido Graxo e a Glicerina Amarela. A Glicerina Amarela pode ser repassada para as indústrias químicas, com valor de mercado em torno de R$ 1,00/kg, porém há possibilidade desse subproduto passar por mais um processo químico e gerar a Glicerina Bidestilada (com valor de mercado em torno de R$ 1,60/kg). O Ácido Graxo, o terceiro subproduto, pode ser considerado, conforme demonstrado na tabela 4.13, o 3° biocombustível, com alto poder calorífico para substituir o combustível usado em caldeiras industriais. 4.32 2006© STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4 – Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil Tabela 4.13 – Poder Calorífico do Ácido Graxo e Outros Combustíveis PODER CALORÍFICO BRUTO COMBUSTÍVEL MJ/Kg Kcal/kg Ácido Graxo 39,44 9.420 Madeira a 0% U (BU) 19,8 4.728 Madeira a 20% U (BU) 15,9 3.797 Madeira a 30% U (BU) 14,5 3.463 Madeira a 50% U (BU) 10,0 2.388 Óleo Combustível Pesado 42,6 10.173 Óleo Combustível Leve 43,5 10.388 Gás Propano 50,0 11.940 Gás Butano 49,3 11.773 Fonte: STCP, 2006; Associação Brasileira de Reciclagem Animal, 2005 O quarto subproduto a ser considerado é o Álcool Hidratado, biocombustível utilizado no Brasil, resultado do processo da recuperação do álcool no éster, após reações de esterificação ou transesterificação. O descarte do processo (a borra de refino) está associado ao Ácido Graxo (35% da borra de refino é ácido graxo). Esse descarte (65% da Borra de Refino) é um sal que deve conter os elementos utilizados como catalisadores dos processos químicos (sódio, potássio etc.). 2006 © STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.33