III ENCONTRO CIENTÍFICO E SIMPÓSIO DE EDUCAÇÃO
UNISALESIANO
Educação e Pesquisa: a produção do conhecimento e a formação de
pesquisadores
Lins, 17 – 21 de outubro de 2011
VENDA A PRAZO ATRAVÉS DE UMA OPERADORA DE CARTÃO DE
CRÉDITO
RAFAEL TEIXEIRA DE SOUSA
[email protected]
VANESSA DEFENDI DE OLIVEIRA BARAVELLI
[email protected]
RICARDO YOSHIO HORITA
[email protected]
RESUMO
As novas formas de pagamento no cartão de crédito vêm substituindo as
formas tradicionais, gerando assim um crescimento na venda parcelada, com prazos
dilatados. O surgimento do cartão de crédito no mercado possibilitou uma venda
mais sólida e segura, dando abertura de vendas a crédito para clientes que antes
não teriam condição de comprar; a inadimplência e as cobranças para o empresário
deixaram de existir neste tipo de transação, porém com custos e prazos mais
elevados. Surge assim uma maior necessidade de conhecimento e uso do cálculo
financeiro para definir estratégias comerciais de compra e venda, para assim
contextualizar rentabilidade com competitividade.
Palavras chave: venda à prazo, vendas no cartão, custos financeiros
INTRODUÇÃO
O mercado consumidor vem sofrendo transformações crescentes em sua
conduta de exigência, assim o comércio busca adaptar-se às novas realidades,
tecnologias e instrumentos financeiros para sempre buscar a excelência no
atendimento às necessidades buscadas pelos clientes.
As formas de pagamento vêm evoluindo de forma a atender as exigências
ditadas pelo mercado cada dia mais competitivo. Em virtudes dessas exigências,
faz-se necessário a visualização da realidade e valores contábeis da empresa, para
saber utilizar, de forma estratégica, a identificação do valor do dinheiro no tempo,
para desenvolver a capacidade de confrontar os dados com a realidade.
De acordo com Assaf Neto (2005), aumenta cada vez mais a demanda pelo
uso do cálculo financeiro para definir estratégias comerciais de compra e venda,
analisando a crescente atratividade dos planos financeiros. Para as várias decisões
econômicas a serem tomadas por uma empresa é indispensável conhecer a taxa
efetiva de juros embutida nas operações a prazo, levando em conta o desconto
concedido nas operações à vista.
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Desta forma, podem-se definir condições de pagamento, flexibilidade dos
prazos, descontos concedidos, utilizando tais ferramentas para elaborar um plano de
ação frisando alcançar novos clientes e a manutenção dos atuais, gerando
rentabilidade para a empresa.
O pagamento através do cartão de crédito é seguro, entretanto traz custos
que devem ser analisados na hora de compor o preço, custos e os prazos
diferenciados.
Esta pesquisa busca fazer uma análise se o parcelamento da venda através
do cartão de crédito é uma estratégia eficiente para alavancar as vendas sem
comprometer significativamente a margem de lucro da empresa. Para atingir o
objetivo, utilizou-se a pesquisa bibliográfica para fundamentação e estudo de caso.
1 Administração Financeira e a venda a prazo no cartão de crédito.
Conforme afirma Tófoli (2008), a administração financeira está intimamente
ligada a contabilidade, e muitas vezes consideram que suas funções sejam a mesma
dentro de uma empresa, entretanto, as diferenças entre a contabilidade e a
administração financeira são: a ênfase no fluxo de caixa e a tomada de decisão.
De acordo com Ross, Westerfield, Jordan (2000), para análises financeiras
faz-se necessário o uso intenso de informações contábeis. Em decorrência disto,
conhecer finanças ajuda aos contadores reconhecerem os tipos de informações que
são mais valiosas.
Na análise que será realizada sobre venda a prazo através do cartão de
crédito faz-se necessário um conhecimento sobre o funcionamento do fluxo de caixa,
da atuação da contabilidade e da visão da administração no que diz respeito ao fluxo
de dinheiro em uma empresa, o momento em que se é detentor do capital, o
momento que há falta do mesmo, a captação no mercado financeiro.
2 Planejamento financeiro a curto prazo
As finanças de curto prazo dão maior importância a decisões que afetam os
ativos e passivos circulantes, por conseguirem capital de giro líquido. Capital de giro
líquido é a diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante.
Ativos circulantes compõem todos os ativos que serão convertidos em caixa
no prazo de um ano, os itens mais importantes são: caixa e bancos, aplicações
financeiras, contas a receber de curto prazo e estoques.
Os passivos circulantes são as obrigações que exigirão o pagamento no
prazo de um ano, os mais importantes são: bancos, fornecedores, contas a pagar,
despesas a pagar incluindo salários, impostos, encargos, notas promissórias, entre
outros.
Conforme Tófoli (2008), a administração do capital de giro envolve um
processo contínuo de tomada de decisões voltadas principalmente para a
preservação da liquidez da empresa, mas que também afetam a sua rentabilidade.
O desejável seria que o ativo circulante sempre estivesse maior que o
passivo circulante, pois o passivo representa as obrigações a pagar e o ativo
circulante, significa espécie (caixa e bancos) e valores que se transformarão em
espécie (duplicatas a receber e estoques).
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Entretanto, muitas vezes mesmo o Ativo Circulante sendo maior que o
Passivo Circulante a empresa encontra dificuldade em pagar suas obrigações, em
virtude do vencimento das dívidas serem mais rápidas que as entradas de dinheiro.
Isto representa que os recebimentos da empresa ocorrem de forma mais lenta que o
vencimento das contas a pagar.
Na ocorrência destes fatos, na maioria dos casos as empresas recorrem a
empréstimos, descontos de duplicatas, entre outros, no sentido de socorrer seu
caixa e acertar os compromissos, recorrendo assim, ao capital de giro, normalmente
externo.
De forma ampla, pode-se afirmar que o capital de giro é representado por
recursos demandados por uma empresa para financiar suas necessidades
operacionais identificadas desde a aquisição de matérias-primas ou mercadorias, até
o recebimento pela venda do produto acabado.
O presente trabalho busca elucidar de que forma deve ser analisado o custo
do capital de curto prazo, pois as venda a prazo pelo cartão é uma decisão que cabe
ao empresário conceder ou não mediante a sua capacidade financeira, conseguindo
visualizar até que ponto esta concessão afeta a sua empresa, pois as vendas no
cartão incluem taxa de juros que nem sempre são totalmente inclusas no preço de
vendas, além do prazo de recebimento nem sempre ser condizente com o que é
praticado pelo cheque pré-datado, nota promissória, ou ainda duplicata a receber.
2.1 Ciclo operacional e ciclo de caixa
De acordo com Ross, Westerfield, Jordan (2000), nas atividades financeiras
da empresa, a maior preocupação é conseguir conciliá-la à atividade operacional.
Estas atividades geram uma série de entradas e saídas que não são sincronizadas.
Por exemplo, uma compra de mercadoria não é feita no mesmo tempo da venda e o
seu pagamento não ocorre conjuntamente ao recebimento da mesma. Com isso
tem-se uma falta de sincronismo e algumas incertezas, como comprar e não vender,
vender e não receber, receber com prazo superior ao pagamento da mercadoria aos
fornecedores, no qual envolve uma complexa análise.
O exemplo abaixo mostra claramente como isto ocorre.
Compra-se uma mercadoria hoje, prazo de pagamento em 30 dias no valor
de R$ 1.000,00. Após 60 dias da data da compra esta mercadoria é vendida com
prazo de 45 dias no valor de R$ 1.400,00. Assim pode-se visualizar:
Dia
Atividade
0
Compra de mercadoria
30
Pagamento da compra
60
Venda da mercadoria a prazo
105
Recebimento da venda
Fonte: Ross; Westerfield; Jordan, 2000, p. 414
Efeito sobre o caixa
R$
-R$
1.000,00
R$
R$
1.400,00
Quadro 1 – Exemplo de ciclo operacional e Ciclo de caixa.
No quadro anterior pode-se visualizar o Ciclo operacional e o Ciclo de caixa.
O ciclo operacional compreende o período desde a compra da mercadoria até o
recebimento do caixa, 105 dias. Dentro deste ciclo, o período de estoque, que é o
tempo entre a aquisição e a venda do produto, neste exemplo equivale a 60 dias, e o
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período de contas a receber é o tempo entre a venda e o recebimento, no exemplo
citado 45 dias. No entanto o ciclo de caixa compreende o período entre o pagamento
ao fornecedor e o recebimento do cliente, que são os 75 dias, somente após este
período que a conta caixa volta a ficar positiva. Neste ponto observa-se o que ocorre
com o caixa a cada política de vendas na prática. Uma política de vendas mais rígida
sempre preservará mais o caixa, em contrapartida poderá sacrificar a flexibilidade da
empresa, entretanto, uma política de vendas mais flexível poderá proporcionar uma
possível falta de liquidez e necessidade de financiamentos, podendo acarretar riscos
de insolvência para a empresa.
2.2 Fluxo de caixa
O Fluxo de caixa é um instrumento indispensável para a tomada de decisão
de todo tipo de empresa, conforme afirma Iudícibus; Marions (2000), assim ele
possibilita o levantamento e conhecimento prévio das entradas e saídas de caixa de
forma estimada. Considerado uma ferramenta gerencial para auxiliar e evitar
problemas de liquidez, é utilizado para demonstrar como serão pagos os
compromissos, como será gerado o caixa, quais políticas financeiras serão adotadas
pela empresa, objetivando o planejamento e administração das fontes e
necessidades de caixa.
O objetivo fundamental do fluxo de caixa é levantar todas as necessidades
da organização, para que possa cumprir com todas as obrigações nos prazos certos,
alcançando resultados positivos considerando os desembolsos necessários para seu
funcionamento, conforme afirmação de Zdanowicz (1998).
As empresas precisam gerar e conhecer suas informações para que
possam ser utilizadas de forma confiável na tomada de decisão, pois na prática
poderá se deparar com duas realidades:
a) Tornar inviável um aumento no faturamento a custo das vendas com prazo
dilatado, sacrificando o caixa;
b) Manter o cliente em decorrência de melhores condições no prazo de
pagamento, evitando que o mesmo possa migrar para a concorrência por
melhores condições de atendimento e oportunidades e assim não mais
retornando.
Desta forma utiliza-se a ferramenta fluxo de caixa para o acompanhamento
das alterações financeiras que irão ocorrer com a implantação da venda a prazo no
cartão de crédito de forma a prever em qual momento a venda a prazo pode ser
prejudicial à liquidez da empresa, possibilitando assim uma ferramenta a mostrar ao
empresário seus benéficos e possíveis malefícios relativos ao retorno do seu capital.
2.3 Venda a prazo
Conforme afirma Tófoli (2008), a venda a prazo, ou venda a crédito, é uma
operação onde a empresa vendedora entrega produtos ou serviços a um cliente, e
este se compromete a pagar em prazos pré-estabelecidos. Este tipo de negociação
acontece com o objetivo de a empresa alavancar suas vendas, conquistar novos
clientes e assim, aumentar seus lucros.
A concessão de crédito tem como principal meta gerar recursos para
empresa de forma a ampliar seu nível de operação, obter maiores ganhos tendo
uma melhora na absorção dos custos fixos, maximizando a rentabilidade. A venda a
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prazo propicia um aumento no número de clientes aumentando assim, o giro de
estoque.
Para a empresa a venda a prazo não traz apenas vantagens, apresenta
também desvantagens como: perdas por falta de pagamento, atrasos no
pagamento, despesa para análise de crédito com o acompanhamento da cobrança e
com a cobrança em si, além do aumento do prazo do recebimento do capital que
dever ser calculado de forma coesa.
As negociações feitas com cartão de crédito é uma modalidade de venda a
prazo que limita a inadimplência, sendo mais assegurado o recebimento de suas
vendas, e em alguns pontos não trazem custos como cobrança, consultas de crédito
entre outros gastos. Todavia, as operações com cartões de crédito são necessários
outros custos como: taxa sobre venda realizada, o aluguel do equipamento, além do
fato que o valor de venda de um produto no cartão deve ser o mesmo preço do
produto pago à vista em espécie, quando na realidade o valor de um produto à vista
em espécie não tem custo adicional e nem prazo para o seu recebimento.
Além das taxas cobradas pelas operadoras de cartão de crédito, existe
também o aluguel mensal do terminal que varia de operadora para operadora, sendo
hoje na Cielo R$ 87,00 e na Redecard variável de acordo com o faturamento de R$
59,00 para faturamento abaixo de R$ 4.000,00, R$ 29,00 acima de R$ 4.000,00 e
abaixo de R$ 6.000,00, e isenção do aluguel para venda acima de R$ 6.000,00. O
aluguel dos terminais sempre foram independentes das vendas, no entanto, após a
abertura das operadoras poderem atuar com outras bandeiras a concorrência está
melhorando as negociações em relação a este encargo.
2.4 Venda no cartão de crédito
O cartão de crédito é uma identificação que possibilita o pagamento à vista
de produto e serviços, obedecidos a certos requisitos preestabelecidos (validade,
abrangência, limite valores etc.).
As partes envolvidas numa operação com cartão de crédito são: o
consumidor, a administradora do cartão e o fornecedor de produtos e serviços que
integra a rede credenciada.
Dos diversos serviços oferecidos pela administradora do cartão de crédito,
serão destacadas, neste trabalho, apenas as operações de compras a débito,
crédito à vista e crédito a prazo.
a) Débito à vista: O pagamento da compra do cliente é feito automaticamente
sendo debitada de sua conta corrente e creditada na conta do
estabelecimento, no prazo de 24horas. Atualmente a Redecard está operando
no débito a taxa de 2% assim como a Cielo.
b) Crédito à vista: É uma venda sem parcelamento onde o estabelecimento
recebe o pagamento referente às suas transações de venda à vista no prazo
acordado. A taxa aplicada no crédito à vista no segmento pesquisado pela
operadora Redecard é de 3,3% e na operadora Cielo 3,1%, sobre o valor da
venda realizada.
c) Venda parcelada pelo estabelecimento: É o pagamento parcelado sem juros,
com valores mensais fixos, oferecidos ao portador do cartão pelo
estabelecimento comercial. O estabelecimento recebe a transação parcelada
no prazo acordado. Um exemplo, se a loja faturar em 4 pagamentos, o prazo
é de 30, 60, 90 e 120 dias, descontada à taxa negociada. O valor mínimo
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firmado pela operado Cielo é de R$ 5,00 por parcela, entretanto o lojista pode
estabelecer qualquer valor como mínimo acima desse valor. As taxas
aplicadas no estabelecimento em questão são: Operadora Cielo (crédito em
até 3 parcelas 3,6% do valor da compra; crédito de 4 a 6 parcelas 4,1%),
operadora Redecard (crédito de 2 a 6 parcelas 3,8%; 7 a 10 parcelas 4,5%;
11 a 12 parcelas 4,75%).
d) Venda parcelada pela administradora: Parcelamento com juros, com valores
mensais fixos, assim recebe a transação como uma venda a vista, no prazo
acordado descontada taxas ou tarifas negociadas. A quantidade mínima e
máxima de parcelas assim como o valor de cada uma depende de regras
estabelecidas pelo banco. Todos os estabelecimentos estão habilitados a
realizar vendas com parcelamento da Administradora, exceto Restaurantes,
Bares e Casas Noturnas, Lanchonetes, Comidas Congeladas, Padarias e
Postos de Gasolina.
2.5 Antecipação do capital
Os estabelecimentos podem antecipar o recebimento da venda efetuada a
prazo. Este tipo de procedimento apresenta um custo de antecipação de capital, pois
são cobradas taxas de juros de acordo com cada procedimento.
A última proposta oferecida pela empresa Redecard foi de 2,5% ao mês
entretanto este valor poderia ser negociado. Já na Cielo, não é conhecido o
percentual, e nos Bancos as taxas podem chegar a 1% ao mês dependendo da
negociação.
Este tipo de negociação pode ser uma saída para um fluxo de caixa
negativo e deve ser levado em consideração, pois as taxas são normalmente mais
atrativas do que uma captação externa.
2.5.1 A nova realidade dos cartões
A partir do dia 1 de julho de 2010 os lojistas foram liberados da necessidade
de possuir em seus estabelecimentos uma máquina para cada operadora de cartão,
pelo menos as duas maiores bandeiras no Brasil a Visa (atual Cielo) e a Mastercard.
Isso representou a abertura do mercado de cartões, permitindo que as
máquinas da Cielo pudessem aceitar outras bandeiras em suas máquinas assim
como a Mastercard.
2.6 Fatores que afetam o crédito
De acordo com a afirmação de Longenecker, Moore, Petty (1997), vários
fatores sustentam a decisão a respeito da extensão de crédito. As empresas sempre
esperam aumentar o faturamento através da venda a crédito, entretanto têm que
considerar suas próprias circunstâncias específicas e o ambiente.
a) Tipo de negócio;
b) Política de crédito do concorrente;
c) Nível de renda dos clientes;
d) Disponibilidades de capital de giro adequado.
2.7 Aplicação dos cálculos financeiros
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De acordo com Assaf Neto (2009), aumenta cada vez mais a demanda pelo
uso do cálculo financeiro para definir estratégias comerciais de compra e venda,
analisando a crescente atratividade dos planos financeiros. Para as várias decisões
econômicas a serem tomadas por uma empresa é indispensável conhecer a taxa
efetiva de juros embutidas nas operações a prazo em relação às operações à vista.
Conforme afirma Bernardi (2004), os juros compõe-se basicamente de duas
partes: uma remuneração pela cessão temporária do capital e mais um prêmio pelo
risco da liquidez.
As taxas de juros devem remunerar de forma a cobrir:
a) Risco envolvido na operação em relação ao futuro;
b) Perda do poder de compra em virtude de inflação, esta que corrói a
capacidade de compra de um volume com o mesmo montante;
c) O capital emprestado ou aplicado deve recompensar pelo período de tempo,
pois diversas oportunidades poderão ser perdidas, o chamado custo de
oportunidade, de acordo com a afirmação de Assaf Neto (2009).
2.8 Taxas de juros
Afirma Assaf Neto (2009), que a taxa de juros é o coeficiente que representa
a remuneração do capital em um dado período. Estas taxas se referem à unidade de
tempo e podem ser representadas em taxa percentual ou taxa unitária.
As taxas de juros aplicadas nas vendas a prazo dependem de diversos
fatores como demanda, política monetária, prazo de pagamento, inadimplência, pois
quanto maior a inadimplência, maiores serão as taxas de juros.
O cartão de crédito se apresenta sobre a ótica da taxa de juros,
primeiramente sobre a inadimplência, neste caso a taxa seria nula, pois o risco de
falta de pagamento é zero, entretanto, na venda, cada estabelecimento tem a taxa
de juros pré-fixada pela operadora. A variável quanto ao valor da taxa de juros se
resumirá apenas pelo prazo de pagamento que o cliente optar.
2.9 Estratégias comerciais
A aplicação da matemática financeira nas operações comerciais visa
determinar o percentual de desconto à vista equivalente ao prazo oferecido, e para
um nível de inflação determinar plano de venda a prazo eficiente.
O objetivo de avaliar as estratégias da compra e venda é comparar as
várias alternativas da venda, porém com o mesmo poder de compra na mesma data,
ou seja, saber se a condição à vista com desconto é compatível com o valor cobrado
a prazo e vice versa.
2.10 Valor presente
Conforme Gitman (2004), valor presente é o valor atual de uma quantia
futura. O processo de determinar o valor presente é geralmente chamado de
desconto de fluxo de caixa e objetiva dar resposta à seguinte pergunta: quanto o
comprador estaria disposto a pagar hoje, por um investimento de valor futuro (FV), a
uma taxa (i), por um período de tempo (n).
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Por exemplo: Uma pessoa teria a oportunidade de receber R$ 300,00 em
um ano a taxa de 6%aa, este valor, hoje representaria.
Valor presente (PV) = FV
(1+i)n
Valor presente (PV) = R$ 300,00 = R$ 283,02,
(1+0,06)1
Sendo, PV – valor presente; FV – valor futuro; n – período de tempo; i – taxa
Isto representa que se ele estiver disposto a investir R$ 283,02 hoje daqui
um ano representará do R$ 300,00, ou inversamente, se fosse proposto receber um
capital de R$ 300,00 em um ano ou R$ 250,00 hoje, a taxa de 6%aa, compensaria
receber em um ano este capital, pois descontada a taxa relativa hoje representaria
R$ 283,02.
3. Simulação de cálculos
Será exemplificado através de uma situação fictícia onde será descrito uma
situação inicial de venda, suas formas de pagamento, cálculos de valores à vista e a
prazo na tentativa de conseguir chegar a uma estratégia de venda a prazo
implementado pelo uso do cartão de crédito.
Primeiramente a empresa deve determinar o preço de venda à vista de seus
produtos, em função da margem de lucro desejado levando-se em conta o mercado.
A partir deste ponto faz-se o cálculo para este valor.
Exemplificando, o valor mensal da venda fictícia realizado pela empresa
através do cartão de crédito é de aproximadamente R$ 20.000,00. Será utilizada
como exemplo uma peça de valor agregado alto, para que seja possível
acompanhar de forma clara as alterações nestes valores.
Na empresa é praticado atualmente o preço a prazo parcelado em 4
parcelas iguais, tanto no cheque pré-datado, quanto no cartão de crédito. No
pagamento à vista em espécie ou cartão (débito ou crédito direto) o desconto à vista
praticado é de 10%. Assim tem-se:
Produto X – preço R$ 2.000,00 equivalente a 4 parcelas iguais, sendo a
primeira no ato da compra, de R$ 500,00 sem entrada, ou venda à vista – desconto
10%, R$ 2.000,00 – 10% = R$ 1.800,00.
O valor á vista deverá ser visualizado como o valor mínimo que a Empresa
está disposta a receber pela mercadoria. No entanto é necessária uma análise
minuciosa. No caso desta venda ocorrer na condição à vista, deve-se analisar o
pagamento, pois se o mesmo for em espécie esta será o menor valor que a Empresa
está disposta a receber, entretanto, se for no cartão este não será o menor valor que
a Empresa está disposta a receber, pois será necessário descontar os custos
incorrido nesta transação, como a taxa cobrada para o cartão de débito, no caso 2%,
e no cartão de crédito, pela operadora Cielo 3,1%, e pela operadora Redecard 3,3%,
além de descontar, o percentual representativo do aluguel das máquinas, custos
estes ausentes na venda em espécie.
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O cálculo da representatividade do aluguel das máquinas neste estudo será
usado de forma genérica, pois será calculado através da soma do aluguel das duas
máquinas e dividido pelo valor das vendas realizadas no cartão, sendo então:
Venda no cartão realizado no mês: R$ 20.000,00
Para a empresa analisada, o aluguel máquina operadora Cielo – R$ 87,00, e
o Aluguel máquina operadora Redecard – R$ 59,00. Este aluguel é variável de
acordo com o faturamento da máquina: até R$ 4.000,00 de faturamento, o aluguel é
de R$ 59,00; acima de R$ 4.000,00 até R$ 6.000,00 o valor do aluguel é de R$
29,00; acima R$ 6.000,00 tem a isenção de aluguel.
Considera-se para efeito do cálculo do percentual o valor cobrado na
operadora Redecard será isento, pois a empresa fatura um valor acima de R$
6.000,00 por mês, entrando na faixa de isenção, assim:
Percentual do aluguel = R$ 87,00 * 100 = 0,435%
R$ 20.000,00
Desta forma o pagamento pode ser à vista das seguintes formas:
a) Em espécie, neste caso a empresa recebe o valor de R$ 1.800,00, sem
nenhum valor descontado;
b) Cartão de débito, o valor que a empresa vai receber é de R$ 1.800,00
descontado, taxa 2% e aluguel 0,435%.
Valor da venda
R$ 1.800,00
Taxa+aluguel (2,435%)
R$
43,83
Valor a receber
R$ 1.756,17
c) Cartão de crédito Cielo, a empresa vai receber R$ 1.800,00 descontado, a
taxa de 3,1%, o aluguel de 0,435% no prazo de 30 dias.
Valor da venda
R$ 1.800,00
Taxa+aluguel (3,535%)
R$
63,63
Valor a receber
R$ 1.736,37
Considerando custo de oportunidade os juros da caderneta de poupança
0,6%am, corresponderá a um valor presente de R$ 1.726,01.
a) Cartão de crédito Redecard, a empresa vai receber R$ 1.800,00 descontado,
a taxa de 3,3%, o aluguel de 0,435% (em virtude de ter sido um cálculo de
média entre as operadoras, incluso no valor de todas as operações) no prazo
de 30 dias.
Valor da venda
R$ 1.800,00
Taxa+aluguel (3,535%)
R$
67,23
Valor a receber
R$ 1.732,77
Considerando custo de oportunidade os juros da caderneta de poupança
0,6%am, corresponderá a um valor presente de R$ 1.722,44.
Assim, pode-se afirmar que o valor mínimo que a empresa irá receber não é
mais R$ 1.800,00 à vista, e sim R$ 1.732,77 disponível em 30 dias equivalendo a um
valor atual de R$ 1.722,44. Desta forma, é necessário ao administrador o
conhecimento dos custos, prazos e das formas como estão sendo as forma de
pagamento.
Entretanto vale ressaltar a alavancagem de venda através do cartão de
crédito, pois nem todas as pessoas têm o poder de compra em espécie. Por isso é
necessário uma análise conjunta entre custo x benefício das negociações, o
conhecimento prévio de quais custos estão incorridos nos cálculos e até que ponto a
Empresa pode ceder um uma negociação.
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É preciso que se esclareça que para o Código de Defesa do Consumidor, o
valor do produto à vista em espécie deverá ser o mesmo valor do preço a débito e a
crédito no cartão, pela alegação de que o consumidor já paga a anuidade para a
utilização do cartão, entre outras. Isto merece uma ressalva, pois já tramita no
governo projetos para alteração desta lei, visto que é oneroso este tipo de venda,
conforme afirma Melo (2010).
O pagamento pode ser feito, ainda, a prazo, com pagamento no cheque ou
no cartão, dividido em até 4 pagamentos, conforme segue:
a) Cheque pré-datado, neste caso o valor de R$ 2.000,00 é dividido em 4
cheques R$ 500,00 sendo, 1 entrada + 30 + 60 + 90 dias; assim o prazo
médio de recebimento de 45 dias. Este valor a prazo equivale a dizer que a
taxa de juros aplicada no período é de 7,51%am, sem considerar nenhum
custo como inadimplência e cobrança, pois neste caso, a forma de
recebimento não é segura.
b) Cartão de crédito pela operadora Cielo, parcelado pelo estabelecimento, a
empresa vai receber R$ 2.000,00 dividido em 4 parcelas de R$ 500,00,
descontadas as taxas, a taxa de 4,1%, o aluguel de 0,435% no prazo de
30/60/90/120 dias, sendo o prazo médio de 75dias.
Valor da parcela
R$ 500,00
Taxa+aluguel (4,535%)
R$ 22,68
Valor a receber por parcela R$ 477,32
O valor a receber considerando custo de oportunidade os juros da caderneta
de poupança 0,6%am, corresponderá a um valor presente de R$ 1.880,98.
c) Cartão de crédito Redecard parcelado pelo estabelecimento, a empresa vai
receber R$ 2.000,00 dividido em 4 parcelas de R$ 500,00, descontadas as
taxas, a taxa de 3,8%, o aluguel de 0,435% no prazo de 30/60/90/120dias,
sendo o prazo médio de 75dias.
Valor da parcela
R$ 500,00
Taxa+aluguel (4,535%)
R$ 21,17
Valor a receber por parcela R$ 478,83
Desta forma pode-se afirmar que ao invés de receber R$2.000,00 pela venda
parcelada o valor presente a receber será de R$ 1.886,93, considerando
custo de oportunidade os juros da caderneta de poupança, 0,6% am.
A maior preocupação atualmente está relacionada à dilatação cada dia
maior do mercado nos prazos de pagamento, e a manutenção do fluxo de caixa. O
cálculo para a formação do preço é simples embora demande uma análise prévia
mais complexa, pois é necessário que a Empresa estabeleça o preço mínimo que
está disposto a vender o produto e a partir deste valor estabeleça a taxa de juros
necessária para o prazo concedido.
O fluxo de caixa deve ser analisado de forma mais profunda, pois implica no
conhecimento dos prazos de fornecedores, prazo aos clientes e da folga de caixa.
No caso do uso do cartão de crédito, a possibilidade das vendas em
parcelamentos longos proporciona uma maior fidelização dos clientes, e uma
segurança de vender sem inadimplência. Porém a administração financeira não
pode deixar de frisar que para a Empresa, a necessidade é gerar resultados
positivos.
4. Proposta final da pesquisa
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A partir das análises feitas acima pode-se verificar que o cálculo do preço a
prazo deve partir do menor valor que a empresa está disposta a receber por
determinado produto, estabelecer a taxa de juro do custo de oportunidade em que a
empresa trabalha, podendo ser os juros da caderneta de poupança, dos diversos
investimentos, de fornecedores, conforme a estratégia da empresa. A seguir será
feita um cálculo para venda a prazo em 10 parcelas no cartão de crédito partindo do
menor preço que a empresa está disposta a receber.
Dividir em 10 parcelas iguais o capital de 1722,44, assim:
PV = R$ 1.722,40
n = 10
i = 0,6%am
Desta forma a parcela atualizada pela taxa de oportunidade será de R$
177,97, porém somados a taxa de juros do cartão mais o percentual relativo ao
aluguel da máquina, será de:
Operadora Redecard taxa de 4,5% mais 0,435% do aluguel,
Valor da parcela
R$ 177,97
Em virtude da taxa do cartão e o aluguel da máquina serem cobrados do
cliente o cálculo deve ser feito da seguinte forma:
Taxa 4,5% + aluguel 0,435% = 4,935%
100% - 0,435% = 95,065%, ou 0,95065,
Assim,
Valor a parcela = R$177,97 = R$187,21
0,95065
0,95065
Desta forma o valor da parcela em 10 pagamentos será de R$ 187,21.
Será realizado o cálculo somente com a taxa de Redecard em virtude de
não ter a taxa da operadora Cielo para 10 pagamentos.
Este tipo de parcelamento dever ser utilizado em virtude de proporcionar
uma alavancagem nas vendas, aplicando em produtos com maior valor, podendo
atender o prazo de pagamento com conhecimento de que seus custos estão sendo
cobertos sem gerar problemas de rentabilidade para a empresa, podendo fazer jus à
concorrência.
Este trabalho desenvolveu um modelo para calcular o preço de venda
parcelada em um prazo estendido para que não afete o resultado final comparado
com o preço à vista.
Conclusão
O objetivo deste trabalho foi analisar como as vendas com cartão de crédito
impactam no resultado das venda e de que forma poderiam ser prejudiciais e/ou
benéficas para a empresa, e de que maneira deveriam ser analisadas.
A abertura de mercado que a venda parcelada no cartão de crédito está
proporcionando a quem antes não tinha acesso ao crédito, faz com que os
administradores enxerguem de forma global como explorar esta nova fatia de
mercado que garante o pagamento da dívida, reduzindo a inadimplência.
O presente trabalho buscou elucidar através de um exemplo, os impactos
dos encargos financeiros no cálculo de vendas efetuadas no cartão de crédito a
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partir de dados coletados, cobrindo os custos incorridos na transação, levando-se
em consideração o custo de oportunidade.
Neste trabalho foi desenvolvido um modelo para calcular o preço de venda
parcelada em um prazo estendido para que não afete o resultado final comparado
com o preço à vista.
Em suma, este trabalho proporciona um crescimento de conhecimento
sobre os aspectos financeiros e de visão de longo prazo no que está acontecendo e
que vai acontecer no futuro próximo.
REFERÊNCIAS
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Atlas, 2009.
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IUDÍCIBUS, S.; MARION, J. C. Curso de contabilidade para não contadores.
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LONGENECKER, J. G.; MOORE, C.W.; PETTY, J.W. Administração de pequenas
empresas. Tradução Maria Lucia G. L. Rosa e Sidney Stancatti. São Paulo: Makron
Books, 1997.
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cartão. [s.I.:s.n.], [s.d.]. Disponível em: <http://www.dolabella.com.br>. Acesso em:
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TÓFOLI, I. Administração financeira empresarial: Uma tratativa prática.
Campinas: Arte Brasil Editora, 2008.
ZDANOWICZ, J. E. Fluxo de caixa. 7. Ed. Porto Alegre: Sagra, 1998.
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VENDA A PRAZO ATRAVÉS DE UMA OPERADORA