Universidade de Brasília Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade Departamento de Administração LOYCE GRAYCIELLE DE FRANÇA BARBOSA INCUBADORA DE EMPRESAS DE BASE TECNOLÓGICA: expectativas e percepções dos empresários incubados a respeito dos apoios oferecidos Brasília – DF 2011 LOYCE GRAYCIELLE DE FRANÇA BARBOSA INCUBADORA DE EMPRESAS DE BASE TECNOLÓGICA: expectativas e percepções dos empresários incubados a respeito dos apoios oferecidos Monografia apresentada ao Departamento de Administração como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Administração. Professor Orientador: Prof. Dr. Valmir Emil Hoffmann Brasília – DF 2011 Barbosa, Loyce Graycielle de França. Incubadora de Empresas de Base Tecnológica: expectativas e percepções dos empresários incubados a respeito dos apoios oferecidos / Loyce Graycicelle de França Barbosa, 2011. 51 f.: il. Monografia (bacharelado) – Universidade de Brasília, Departamento de Administração, 2011. Orientador: Prof. Dr. Valmir Emil Hoffmann, Departamento de Administração. 1. Incubadora de Empresas. 2. Empresa de base tecnológica. 3. Inovação. I. Incubadora de empresas de base tecnológica: expectativas e percepções dos empresários incubados a respeito dos apoios oferecidos. 3 LOYCE GRAYCIELLE DE FRANÇA BARBOSA INCUBADORA DE EMPRESAS DE BASE TECNOLÓGICA: expectativas e percepções dos empresários incubados a respeito dos apoios oferecidos A Comissão Examinadora, abaixo identificada, aprova o Trabalho de Conclusão do Curso de Administração da Universidade de Brasília a aluna Loyce Graycielle de França Barbosa Prof. Dr. Valmir Emil Hoffmann Professor-Orientador Prof. Dr. Doriana Daroit Prof.ª Dr.ª Janann Joslin Medeiros Professor-Examinador Professor-Examinador Brasília, 04 de fevereiro de 2011 4 Por todo o amor e ensinamentos, por confiarem na minha capacidade e por serem a melhor família que eu poderia ter, dedico a minha mãe Deuzonita de França Maranhão e a meu pai José Alves Barbosa. 5 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus por me abençoar com persistência, inteligência, família e bons amigos. Graças a isso não desisti diante dos obstáculos, tive capacidade para superar os desafios e recebi apoio e ombro amigo sempre que precisei. Agradeço a meus pais por me apoiarem incondicionalmente e por não me deixarem duvidar que tudo daria certo. Agradeço às amigas: Bárbarah Santos, Fernanda Cunha, Juliana Almeida, Ludimila Martins e Paula Michelle pelo apoio oferecido e constante incentivo. Agradeço aos meus amigos pela paciência e por compreenderem quando não pude estar presente. Aos amigos do trabalho: Anísio Lopes, Rosângela Medeiros, Sibele Carneiro e Tatyana Aranda por permitirem que eu me ausentasse quando foi necessário para a conclusão da monografia. Ao CDT e aos Empresários Incubados por dedicarem uma parcela de seu tempo a esta pesquisa. Ao Professor Hoffmann pela excelente orientação e conhecimento transmitido ao longo da elaboração deste trabalho. 6 “Algumas poucas pessoas, em alguns poucos lugares, fazendo algumas poucas coisas, podem mudar o mundo.” (autor anônimo, Muro de Berlim) 7 RESUMO O alto índice de mortalidade de empresas é atribuído, principalmente à falta de competências gerenciais dos sócios. Em se tratando de empresas inovadoras, também contribuem para a mortalidade a falta de conhecimento do mercado, precificação e questões de propriedade intelectual. As incubadoras de empresa objetivam reduzir a taxa de mortalidade por meio da capacitação gerencial, infraestrutura física e consultorias. Entretanto não há literatura que discorra sobre o que os empresários incubados julgam como relevante para a consolidação da empresa ou o que tipo de apoio constitui um atrativo para que eles ingressem no processo de incubação. O estudo objetiva analisar as formas de apoio como atrativo para o ingresso no processo de incubação e como proposições de melhoria das empresas incubadas. O estudo busca também descrever os apoio prestados pela incubadora de empresas em estudo. Para captar esses elementos, foi aplicada uma metodologia de diálogo praticada em grupo e um questionário estruturado aplicado via e-mail a gestores de empresas incubadas e graduadas. O critério para a escolha do participante foi: ser gestor de empresa incubada ou graduada ou funcionário que participe de decisões estratégicas na empresa. As conclusões demonstraram que os empresários avaliam como atrativos para a incubação a maioria dos apoios oferecidos e que para empresários que representam empresas com maior e menor faturamento a opinião sobre que suporte é mais importante para a consolidação da empresa é divergente. Palavras-chave: Incubadora de empresas. tecnológica. Inovação. Empresas de Base 8 LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Empresas inovadoras que utilizaram programas do governo no período 2006-2008. ................................................................................................................ 23 LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Diferenças do sistema de incubação entre Estados Unidos, China e Brasil . ....................................................................................................................... 16 Quadro 2 – Descrição dos apoios oferecidos pela Incubadora de empresas de base tecnológica . .............................................................................................................. 33 9 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Escala somada para 12 respondentes e escala de 5 pontos: ................. 32 Tabela 2 – Escala somada para 09 respondentes e escala de 5 pontos: ................. 32 Tabela 3 – Apoios que estimularam o ingresso no processo de incubação: ............. 36 Tabela 4 – Apoios que tiveram maior impacto para consolidação da empresa:........ 38 Tabela 5 – Apoios que tiveram maior impacto para consolidação da empresa para empresas com maior faturamento: ............................................................................ 39 10 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 11 1.1 1.2 1.3 1.4 2 Formulação do problema ............................................................................ 12 Objetivo Geral ............................................................................................. 13 Objetivos Específicos .................................................................................. 13 Justificativa.................................................................................................. 14 REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................. 15 2.1 2.2 As Incubadoras em Âmbito Mundial ............................................................ 15 Cenário Nacional das Incubadoras de Empresas ....................................... 17 2.2.1 Caracterização das Incubadoras de Base Tecnológica ......................... 19 2.2.2 Os Serviços Prestados pelas Incubadoras de Empresas ...................... 21 2.3 Hélice Tríplice ............................................................................................. 22 2.4 Lei de Inovação ........................................................................................... 24 2.5 Lei do Bem .................................................................................................. 25 3 MÉTODOS E TÉCNICAS DE PESQUISA ......................................................... 26 3.1 3.2 3.3 3.4 3.5 4 Tipo e descrição geral da pesquisa............................................................. 26 Caracterização da organização setor ou área............................................. 27 Participantes do estudo ............................................................................... 27 Caracterização dos instrumentos de pesquisa............................................ 28 Procedimentos de coleta e de análise de dados ......................................... 29 3.5.1 Metodologia The World Cafe ................................................................. 29 3.5.2 Questionário aplicado ............................................................................ 32 RESULTADOS E DISCUSSÃO.......................................................................... 33 4.1 Serviços prestados pela incubadora de empresas...................................... 33 4.2 Expectativas dos empresários em relação à incubação de empresas ........ 34 4.3 Fatores que tiveram maior impacto na consolidação das empresas incubadas .............................................................................................................. 37 5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ............................................................ 42 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 44 APÊNDICES .............................................................................................................. 48 Apêndice A – Tema proposto em cada mesa de diálogo .......................................... 48 Apêndice B – Questionário aplicado às empresas incubadas e graduadas via e-mail .................................................................................................................................. 49 11 1 INTRODUÇÃO Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), o alto índice de mortalidade de micro e pequenas empresas é causado, em grande parte, pelas falhas gerenciais (SEBRAE, 2004). Em se tratando de produtos, tecnologias e ou processos inovadores, fatores como dificuldade em mapear o mercado e descrever o perfil do cliente, precificação, questões de propriedade intelectual e falta de informação sobre captação de recursos somam-se à necessidade de treinamento gerencial. Nesse contexto, Incubadoras de empresas surgem como mecanismo de apoio, “com o objetivo de melhorar o ambiente competitivo das empresas” (VEDOVELLO; FIGUEIREDO, 2005, p.3) e de garantir maior sobrevida para empresas inovadoras, por meio de capacitação gerencial dos empresários incubados. Segundo a Associação Nacional das Instituições Promotoras de Empreendimentos Inovadores uma incubadora constitui um “agente nuclear do processo de geração e consolidação de micro e pequenas empresas” (ANPROTEC, 2002, p.59), nesse sentido, as atividades desenvolvidas pelas Incubadoras para assistir às empresas se dividem em infra-estrutura física e administrativa, prestação de serviços especializados (MEDEIROS; 1998) e serviços customizados que atendem às demandas específicas das empresas e com base no seu plano de ação resultado do planejamento estratégico. Entretanto, para o e sucesso de uma incubadora é primordial que sejam feitos estudos preliminares acerca das necessidades da comunidade, das necessidades dos empresários incubados; é preciso que haja envolvimento das universidades, instituições de fomento, empresas privadas e quaisquer agentes públicos que possam contribuir para formação da metodologia a ser aplicada pela incubadora. “Não basta dispor de um imóvel, reformá-lo, dotá-lo de equipamentos para pôr de pé uma incubadora. Seu êxito implica fincá-la em bases reais” (MEDEIROS, 1998, p.17). Patton, Warren e Bream (2009) descreveram em sua pesquisa que os fatores que sustentam a incubação de empresas são: sucesso das empresas incubadas, desenvolvimento de competências de equipe de comercialização de novos negócios, monitoração e avaliação do progresso das empresas, criação de sinergias no âmbito 12 do apoio interno, construir e manter uma rede de apoio eficaz e acesso a financiamentos adequados. O movimento brasileiro de Incubadoras de Empresas teve início ainda nos anos de 1980, com o surgimento da primeira incubadora, em 1987, a Fundação Parque Tecnológico da Paraíba simultaneamente à Fundação Centro Regional de Tecnologia e Informação (CERTI), vinculada à Universidade Federal de Santa Catarina (MEDEIROS; 1998). A Incubadora que será objeto deste estudo, surgiu em 1989, no Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília (CDT/UnB). O estudo é justificado, pois é necessário que se faça uma análise de como os clientes da incubadora, empresário incubados, percebem os serviços prestados e se, segundo eles, esses serviços tem impacto na consolidação da empresa. 1.1 Formulação do problema As incubadoras funcionam como instituições sem fins lucrativos que prestam serviços e colocam a disposição das empresas incubadas instalações e infraestrutura administrativa e operacional, criando um ambiente favorável ao surgimento e consolidação de um novo negócio no mercado (ANDINO at all, 2004). Nesse sentido, o apoio oferecido pelas Incubadoras às empresas inclui basicamente infra-estrutura física e administrativa, prestação de serviços especializados (orientação empresarial, de mercado, jurídica e contábil) e serviços customizados atendendo a demandas específicas das empresas. As Incubadoras de Base Tecnológica abrigam empresas cujos produtos, processos e/ou serviços resultam de pesquisas científicas e para os quais a tecnologia é essencial à conclusão do projeto. Segundo consta no Edital de Seleção da Multincubadora de Empresas do CDT/UnB (2010), as empresas que participam dessa modalidade de incubação pertencem às áreas de tecnologia da informação e comunicação, microeletrônica, biotecnologia, nanotecnologia, ciências da saúde e farmacologia, tecnologias ambientais e energia (fontes renováveis, alternativas e bio combustíveis). 13 As Empresas de Base Tecnológica (EBT) têm foco em design, pesquisa e desenvolvimento e produção de produtos e processos por meio da aplicação de conhecimentos técnicos. Outra característica que as diferencia das empresas tradicionais é que muitas das EBT morrem antes mesmo de sua consolidação. Segundo Martinez (2003 apud ANDINO et all 2004), isso ocorre por três razões em especial, dificuldades em transformar tecnologia em produto, os pesquisadores não são empresários e com a evolução das empresas eles precisam mudar sua liderança do foco científico para o empresarial e investimento inicial para o desenvolvimento da tecnologia que, em geral, é muito alto, o que gera um risco também muito alto. A pergunta de pesquisa a ser respondida é: quais dos apoios oferecidos pela incubadora são atrativos para o ingresso na incubação e quais têm impacto na consolidação da empresa? A resposta ou respostas mostrará quais proposições de valor têm maior relevância para as empresas incubadas. 1.2 Objetivo Geral Esta pesquisa tem por objetivo geral analisar as formas de apoio como atrativo para o ingresso no processo de incubação e como proposições de melhoria das empresas incubadas. 1.3 Objetivos Específicos Para alcançar o objetivo geral deste estudo, são propostos os seguintes objetivos específicos: 1. Identificar os serviços oferecidos pela incubadora de empresas. 2. Descrever quais dos apoios oferecidos motivam os empresários a participarem do processo de incubação. 3. Determinar o grau de importância de cada apoio oferecido às empresas incubadas. 14 1.4 Justificativa As incubadoras de empresas são parte de um sistema nacional de inovação e tecnologia que envolve instituições de pesquisa e de ensino superior, instituições de fomento, empresas privadas interessadas em desenvolvimento tecnológico e organismos governamentais voltados para a transferência de tecnologia, geração e proteção do conhecimento (VEDOVELLO, 2000 p. 4). Ademais “observa-se um crescente esforço em adotar estratégias empreendedoras capazes de gerar oportunidades de negócios que ampliem o surgimento de novos conhecimentos e novas tecnologias” (TREVISAN; SILVA, 2010 p.2). As empresas que se propõem a lançar produtos inovadores, mesmos diante dos esforços de universidades, instituições de fomentos e empresas privadas interessadas em desenvolvimento tecnológico, além dos problemas de empresas nascentes tradicionais com a falta de competências gerencias, por exemplo, sofrem também com problemas inerentes a inovação tecnológica, como coloca Lima e Kuhl (2010, p.2): A implementação da inovação é uma atividade que demanda tempo, estudo e recursos, e no seu percurso exige que os gestores enfrentem e superem os obstáculos que surgem. Esses obstáculos têm diversas origens, mas detectam-se as de origem econômica (custos, riscos, financiamento, etc), organizacional (rigidez, centralização, etc), informacional (informações de mercado, de tecnologia, etc), técnica (pessoal qualificado, serviços técnicos, etc) e outros (cooperação, consumidores, etc) [...]. “O objetivo da incubadora é o de prover condições adequadas para a formação e o ingresso no mercado de empresas de base tecnológica autosustentáveis, competitivas e inovadoras” (SALES, 2006, p.2), enquanto mecanismo de apoio a micro e pequenas empresas, soma-se a isso que as incubadoras se propõem a aumentar o índice de sobrevida das empresas por meio da solução dos problemas descritos por Lima e Khul (2010). Entretanto, é preciso compreender quais elementos desse apoio são mais atrativos e impactantes segundo os empreendimentos incubados, de forma que os serviços prestados sejam potencializados e realmente atendam às necessidades das empresas. 15 2 REFERENCIAL TEÓRICO O referencial teórico foi baseado em um levantamento de periódicos nacionais e internacionais com qualificação A1, B1 e B2 que traduzem resultados de pesquisas científicas sobre o tema. Adotou-se como critério de pesquisa bibliográfica a busca de artigos nas áreas de Administração e Empreendedorismo. O levantamento é referente a um período de 16 anos e contempla produções dentro do período de 1994 a 2010. As palavras-chave adotadas para a busca foram: incubadora; incubados; inovação e gestão da inovação. A pré-seleção das produções foi feita com base na leitura dos resumos dos artigos. Selecionou-se aqueles que estavam intimamente ligado ao tema discutido, desses realizou-se a leitura completa do conteúdo. O primeiro tópico deste trabalho abordará o cenário internacional de incubadoras de empresas e comparações entre o sistema de incubação de empresas entre diferentes países, em seguida tratará do cenário nacional de incubadora de empresas e fará a descrição específica das incubadoras de empresas de base tecnológica, o terceiro subtópico discorrerá sobre a teoria de hélice tríplice e sobre a Lei de Inovação e Lei do Bem como forma de incentivos governamentais a ciência, inovação e tecnologia. 2.1 As Incubadoras em Âmbito Mundial O movimento mundial de incubadoras teve início em 1959 no Batavia Industrial Center em Nova York que foi popularmente chamado de primeira incubadora de empresas dos Estados Unidos, entretanto o número de instituições que apóiam empresas em estágio inicial não sofreu grande expansão, pelos menos até o final dos anos de 1970 (NBIA, 2009). No início dos anos 1980, 12 incubadoras estavam em operação nos Estados Unidos (NBIA, 2009). Nas décadas seguintes, outros países ingressaram no movimento de incubadoras de empresas. Na China, bem como no Brasil, o movimento de incubadoras de empresas ganhou força no final de década de 1980 16 (HACKETT,DILTS; 2004), ao passo que na Colômbia a instituição mais tradicional foi fundada em 1994 (BULLA, GARTNER; 2004) período no qual as incubadoras também começaram a surgir no México (HERNÁNDEZ, ESTRADA; 2006). O aumento do número de incubadoras no mundo foi expressivo. Segundo a ANPROTEC (2007), existem cerca de 400 incubadoras no Brasil, na China existem aproximadamente 670 instituições em funcionamento (TANG. ANGATHEVAR, PANCHOLI; 2010), nos Estados Unidos são cerca de 1000 incubadoras (NBIA; 2009). No México, segundo os estudos de Hernandéz e Estrada (2006) contam cerca de 220 incubadoras de empresas e na Colômbia somam 27 instituições ativas (BULLA. GARTNER; 2004) Entretanto, não é possível medir o sucesso das incubadoras apenas pela quantidade de instituições existentes. Segundo Hackett e Dilts (2004), é preciso considerar desde a equipe e gerência da incubadora, até universidades locais, rede de relacionamentos, estratégias adotadas e atuação do governo. Para a análise em âmbito mundial é preciso considerar as diferenças culturais que fazem com que os envolvidos supracitados desempenhem papéis diferentes em cada país. Chandra e Fealey (2009) demonstram claramente as diferenças de estratégias sobre o processo de incubação, por meio de um apanhado da diferença na forma de atuação do governo no sistema de incubação dos Estados Unidos, Brasil e China. Brasil Foco Estratégico Patrocínio e/ou Financiament o da Incubadora Tipos de empresas Incubadas Fomento ao espírito empresarial, desenvolvimento econômico, criação de empregos e comercialização. Financiamento que incluem diferentes níveis de governo, universidades e alguns fundos privados. Base tecnológica, cultural, social e de design. China Estados Unidos Missão Social, desenvolvimento com foco em alta tecnologia. Desenvolvimento econômico, transferência de tecnologia e comercialização. O governo é a principal fonte de financiamento das incubadoras e de empresas incubadas. Predomínio de incubadoras de base tecnológica. Níveis de governo, organizações voltadas para o desenvolvimento econômico e fundos privados. Mistas, de base tecnológica e especializadas. Quadro1: Diferenças do sistema de incubação entre Brasil, China e Estados Unidos. Fonte: Adaptado de Chandra e Fealey (2009). 17 Serviços compartilhados e especializados. Serviços oferecidos Serviços financeiros Papel do governo Linhas de financiamento do governo, angels1 e capital de risco. Investimentos diretos em empresas são raros. Visível. Abordagem sinérgica. Principalmente serviços tangíveis e de natureza administrativa. Serviços tangíveis e especializados que geram valor agregado. Financiamentos do governo, subvenção e capital de risco. Na região Sul, são raros os casos de investimento direto. Orientação para fontes de financiamento com alguns casos de investimento direto. Alta interferência. Baixo apoio. Continuação Quadro1. Percebem-se acentuadas diferenças entra a forma de atuação do governo, fontes de financiamento e tipos de incubadoras quando comparamos os países. Para compreender o cenário em que a incubadora estudada está inserida, o próximo tópico discorrerá sobre o cenário brasileiro de incubação de empresas. 2.2 Cenário Nacional das Incubadoras de Empresas O movimento nacional de incubadoras teve início em 1987 com o surgimento da primeira incubadora brasileira: Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento de São Paulo, seguida pelo ParqTec no estado da Paraíba e Fundação CERTI no estado de Santa Catarina, ambas em 1987. Até o ano de 1995 somavam apenas 16 incubadoras em funcionamento (MEDEIROS; 1998). Segundo a Associação Nacional das Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (ANPROTEC, 2007), existem cerca de 400 incubadoras no Brasil, distribuídas por 25 de 27 Unidades da Federação. Consta ainda que mais de 40% das Universidades Federais contam com uma incubadora. Segundo o Programa Nacional de Apoio as Incubadoras de Empresas, do Ministério de Ciência e Tecnologia do Governo Federal (MCT, 2000, p.6) as incubadoras são definidas como: 1 Pequenos investimentos em novas iniciativas empresariais (FNABA). 18 [...] um mecanismo que estimula a criação e o desenvolvimento de micro e pequenas empresas industriais ou de prestação de serviços, de base tecnológica ou de manufaturas leves por meio da formação complementar do empreendedor em seus aspectos técnicos e gerenciais [...] Dessa forma compreende-se que as incubadoras constituem um ambiente flexível, propício ao desenvolvimento de um empreendimento nascente e soma-se a isso o fato de facilitar o acesso ao conhecimento gerado nas universidades e a entidades de fomento (RAUPP; BEUREN, 2006). A implantação de uma incubadora deve ser justificada por um estudo de viabilidade que leve em consideração a definição do papel das instituições de apoio, perfil empresarial local, interessados no processo de incubação entre outros (MEDEIROS, 1998). Ademais é preciso ter em mente que as incubadoras partem da premissa de atender a carências do empresariado local e de garantir que seu desenvolvimento ocorra de maneira planejada e estruturada (MORAES; FIRMO, 2004). Como coloca Dornelas (2002, p.21): O principal objetivo de uma incubadora de empresas deve ser a produção de empresas de sucesso, em constante desenvolvimento, financeiramente viáveis e competitivas em seu mercado, mesmo após deixarem a incubadora, geralmente em um prazo de dois a quatro anos. Segundo a Anprotec (2007), o trabalho desenvolvido pelas incubadoras gera cerca de 30 mil postos de trabalho diretos; faturamento estimado das empresas incubadas de 400 milhões de reais e somatório do faturamento estimado de empresas graduadas (aquelas que concluíram com sucesso o processo de incubação) estimado em 1,6 bilhão de reais. Os resultados positivos são reforçados por pesquisa realizada pelo MCT (2001) que constatou que a taxa de mortalidade entre as empresas que passaram pelo processo de incubação é de menos que 20%, enquanto a média das empresas que não foram incubadas é de até 49% (SEBRAE, 2004). Em seus estudos, Raupp e Beuren (2006) descrevem que no Brasil, os tipos de incubadoras mais comuns são as de Base Tecnológica, Tradicionais e Mistas, ocorrendo o surgimento de novos tipos de acordo com a demanda da região (cultural, setorial, social entre outros). O Ministério de Ciência e Tecnologia do Governo Federal (MCT, 2000) descreve os três tipos predominantes da seguinte maneira: 19 Incubadoras Tradicionais: abrigam empreendimentos que atuam em áreas da economia cuja tecnologia encontra-se amplamente disseminada. Incubadora de Base Tecnológica: abrigam empreendimentos cujos produtos são resultado de pesquisa aplicada. Incubadoras Mistas: abriga os dois tipos supracitados. O objeto de estudo desta pesquisa é uma incubadora de base tecnológica, pois faz parte do tipo de incubadora que tem maior representatividade em comparação aos outros dois tipos (RAUPP; BEUREN, 2006). 2.2.1 Caracterização das Incubadoras de Base Tecnológica Wolffenbüttel (2001, p.23) diz que a incubadora de base tecnológica “abriga empresas cujos produtos, processos ou serviços são gerados a partir do resultado de pesquisa aplicadas na qual a tecnologia representa um alto valor agregado”. Em uma conceituação menos objetiva, Vedovello e Figueiredo (2005) definem que incubadoras de base tecnológica se diferenciam por voltarem sua atenção a empresas que promovem inovação, esse conceito é complementado por Patton, Warren e Bream (2010, p.623; Tradução nossa), que define a atividade de incubação de empresas de base tecnológica como “atividade que liga de forma eficaz tecnologia, capital e know-how2 para alavancar o talento empreendedor, acelerar o desenvolvimento de novas empresas e, assim, a comercialização da tecnologia” Consta no Edital de Seleção da Incubadora de Base Tecnológica da Universidade de Brasília (CDT/UnB, 2010), que as empresas que participam desta modalidade de incubação atuam em áreas de biotecnologia, nanotecnologia, biomedicina, saúde, geociências, engenharias, farmacologia, tecnologia da informação e comunicação ou outras áreas que possam interessar a região em que atua incubadora. As Empresas de Base Tecnológica (EBT) são caracterizadas como empreendimentos comprometidos com pesquisa e desenvolvimento de produtos e/ou processos inovadores que são fruto de aplicação sistemática do conhecimento 2 Experiência técnica, saber fazer.(ANPROTEC, 2007) 20 técnico. Em comparação com outras organizações, a primeira vista, se diferenciam pela quantidade reduzida de mão de obra e pela alta capacitação técnica. Soma-se a isso que a maioria das EBT “têm origens nos spin-off 3 de projetos desenvolvidos por universidades e centros de pesquisa surgem” (ANDINO et al, 2004, p.3). São, portanto, empresas que geram produtos e/ou processos inovadores. Inovação tecnológica é conceituada como “transformação do conhecimento em produtos, processos e serviços que possam ser colocados no mercado” (MCT, 2000, p.4). Uma empresa que gera produtos ou processo inovadores “é uma empresa que tenha implantado produtos ou processo tecnologicamente novos com substancial melhoria tecnológica durante um período de análise” (MANUAL DE OSLO, 2001, p.55). Sobre inovação em produto, consta no PINTEC (2008) que se trata de produtos cujas características fundamentais como matérias primas e softwares integralizados diferem significativamente de todos os produtos previamente produzidos. Conceitua-se processo inovador como métodos de produção novos ou melhorados. Produto inovador é aquele “cujas características tecnológicas ou usos pretendidos diferem daquelas dos produtos produzidos anteriormente” (MANUAL DE OSLO, 2001, p.55). Ainda sobre processos inovadores, a PINTEC (2008, p.19), define que se referem à “introdução de novos ou substancialmente aprimorados métodos de produção ou entrega de produtos”. As incubadoras de base tecnológica se propõem a preencher as lacunas de capacitação dos gestores de empreendimentos tecnológicos e ajudá-los a enfrentar as barreiras ambientais, tais lacunas e barreiras são descritas por Martínez (2003 apud ANDINO et al (2004), como: Dificuldades em transformar uma tecnologia em empresa. Uma vez criada a tecnologia inovadora, por maior que seja o potencial de crescimento, ainda existe um longo caminho para transformá-la em empresa. Os pesquisadores não são empresários. Eles têm capacidade técnica para gerar inovação, porém lhes faltam competências gerenciais. Diante disso, à medida que as empresas evoluem, eles têm que mudar sua liderança do foco científico para o foco empresarial. 3 Empresa oriunda de laboratório e resultado de pesquisa acadêmica ou industrial(ANPROTEC, 2007) 21 O investimento inicial para o desenvolvimento da tecnologia, em geral, é muito alto, o que constitui risco também muito alto, mas que pode gerar grande lucratividade. Para que as carências dos gestores de empresas incubadas sejam supridas, as incubadoras, observadas as necessidades dos empresários, oferecem consultorias, assessorias, entre outras formas de apoio. 2.2.2 Os Serviços Prestados pelas Incubadoras de Empresas As ações sistemáticas necessárias se dividem em três etapas principais: o processo de seleção, realização do processo de incubação em si, passando por todo o apoio administrativo inerente ao processo e por último a graduação da empresas do processo de incubação (WOLFFENBUTTÜL, 2001). Segundo relatório de acompanhamento da incubadora em estudo, as empresas levam, em média de 3 a 5 anos para se graduarem. Salvador, Tutida e Ceretta (2009), revelam em seu estudo que a disponibilização de espaço físico é um fator que motiva a formação de projetos de base tecnológica em incubadoras de empresas. Entretanto, não somente a concessão de espaço físico constitui o apoio oferecido pela incubadora, ela deve disponibilizar: Ambiente flexível e encorajador ao empreendedorismo Capacitação e assessoria técnica e gerencial Serviços compartilhados: telefone, internet, ambientes para reuniões. Informações sobre mecanismos de financiamento e instituições de fomento. Acesso a redes de relacionamento Como resultado do processo de incubação, Wolffenbüttel (2001) descreve os seguintes aspectos: a)transferência para o setor produtivo do conhecimento gerado. b) criação e desenvolvimento de novas empresas. c) capacitação técnica e gerencial das empresas. d) cooperação entre a universidade e a sociedade - No âmbito da universidade, essa cooperação reflete-se no incremento da qualificação de atividades de ensino e pesquisa [...]. Para 22 a sociedade, referem-se ao estímulo ao desenvolvimento local, pela formação de novas empresas [...] Entretanto, para que o trabalho desenvolvido pela incubadora alcance o melhor resultado possível é necessário saber dos clientes da incubadora, ou seja, empresários incubados, quais apoios oferecidos têm maior impacto na consolidação das empresas . Segundo o Sistema Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE, 2003) a falta de capacitação gerencial é o fator mais recorrente em causas de mortalidade de EBT. Isso ocorre porque as EBT normalmente “são gerenciadas por pessoas com perfil técnico [...] e as capacidades estão nas áreas de sistemas, química, eletrônica [...]” (ANDINO et al, 2004). Entretanto, estudos mostram que os maiores atrativos para as EBT se candidatarem a um processo de incubação é a disponibilidade de espaço físico e da possibilidade de apoio financeiro (SALVADOR; TUTIDA; CERETTA, 2009). 2.3 Hélice Tríplice A incubação de empresas é uma das formas de interação entre universidade e empresa. Essa relação é baseada na necessidade de transformar o conhecimento gerado na universidade em produto para a sociedade, que é mantenedora de grande parte das universidades brasileiras. Trevisan e Silva (2010, p.3) destacam que “as relações entre as três hélices podem ser consideradas um componente fundamental para inovação em uma sociedade cada vez mais baseada no conhecimento”. As parcerias entre universidade e empresa têm mostrado visível crescimento. Do lado das empresas, como coloca Dagnino (2003), entre os motivos para este crescimento estão o alto custo de pesquisa para o desenvolvimento de produtos, possibilidade de compartilhamento de custos e riscos. Segundo Dagnino (2003), do lado das universidades o que reforça a relação com empresas privadas são as dificuldades em conseguir recursos para a pesquisa universitária e o desejo de legitimar o trabalho acadêmico junto à sociedade. A primeira pá da hélice tríplice é representada pelo governo enquanto prestador de serviço. Abdalla, Calvosa e Batista (2009) definem que o governo assume o papel de interventor, por meio de subsídios para ciência e tecnologia, 23 incentivos fiscais e alfandegários, legislação e incentivos a educação e formação superior para a população. Trevisan e Silva (2010) definem que a segunda pá de hélice é a universidade, que por sua vez cria incubadoras, novas fontes de conhecimento e é responsável estabelecimento de novas áreas de atuação. A terceira pá é representada pelo setor privado, que se responsabiliza pelo “desenvolvimento de produtos e de serviços inovadores, promoção da interação com os centros de transferência de tecnologia e liderança nos processos de mudança” (TREVISAN; SILVA; 2010, p.4). O Instituto Brasileiro de Geografia Estatística, por meio da Pesquisa de Inovação Tecnológica (2008) mostrou o índice de empresas inovadoras que utilizaram programas do governo. O resultado está descrito na Figura1 abaixo: Figura1: Empresas inovadoras que utilizaram programas do governo no período de 2006-2008. Fonte: IBGE/PINTEC (2008, p.53). A atuação do governo na hélice tríplice é representada pela criação de políticas públicas que incentivem a ciência e tecnologia. A Lei de Inovação e a Lei do Bem são criações que visam estimular e facultar a geração de empresas inovadoras. Os tópicos seguintes discorrerão sobre a Lei de Inovação e a Lei do Bem. 24 2.4 Lei de Inovação Embora a Constituição Federal (CF; 1988), defina o papel do Estado como incentivador a ações voltadas para a ciência tecnologia, apenas nos últimos anos o Estado tem feito esforços nesse sentido. Segundo Pereira e Kruglianskas (2005), isso se revela por meio da criação de Planos Plurianuais e na construção de planos estratégicos para a ciência, a tecnologia e a inovação. Entre os esforços do governo para estimular a inovação e a pesquisa em âmbito produtivo está a Lei n° 10.973, popularmente conhecida como “Lei de Inovação”, que foi promulgada em dezembro de 2004 e, segundo o MCT (2008), atua em torno de três vertentes: Constituição de ambiente propício a parcerias estratégicas entre universidades, instituições de ciência e tecnologia (ICT) e empresas: estímulo ao compartilhamento de laboratórios, infraestrutura e recursos humanos com empresas privadas mediante remuneração. Estímulo a participação de instituições de ciência e tecnologia no processo de inovação: faculta a celebração de contratos de transferência de tecnologia e licenciamento de patentes por parte das ICT. Incentivo a inovação em empresas privadas: “estímulo a maior contribuição do setor produtivo em relação a alocação de recurso financeiro na promoção da inovação” (MCT; 2008, site do MCT) Entre os dispostos na Lei está a possibilidade de contratação, por órgãos e entidades públicas, de empresas voltadas para a pesquisa visando a obtenção de produtos ou processos inovadores. (Lei 10.973, Art. 20; 2004). Possibilita ainda a “admissão de professor, pesquisador e tecnólogo substitutos para suprir a falta de professor, pesquisador ou tecnólogo ocupante de cargo efetivo, decorrente de licença para exercer atividade empresarial relativa à inovação” (Lei 10.973, Art. 24; 2004). Segundo Pereira e Kruglianskas (2005), em comparação a legislação para inovação da França, percebe-se semelhanças nos objetivos da lei. A lei francesa visa facilitar a transferência de tecnologia, gerar mobilidade para os pesquisadores e 25 cooperação entre setor público e privado o que em muito se assemelha com as vertentes principais da Lei de Inovação. 2.5 Lei do Bem A Lei n° 11.196, popularmente conhecida como Lei do Bem, por determinação da Lei n° 10.973 (Lei de Inovação) e regulamentado pelo Decreto n° 5.798 editou seu Capítulo III, artigos 17 a 26 de forma que possibilite a pessoas jurídicas o usufruto de incentivos fiscais de forma automática desde que realizem pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica (MCT; 2008). Segundo o MCT (2008), os incentivos do Capítulo III da Lei do Bem têm foco em incentivos fiscais. Alguns deles são: Redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados para compra de equipamentos para pesquisa e desenvolvimento. Redução do Imposto de Renda retido na fonte incidido sobre massa ao exterior resultante de contratos de transferência de tecnologia ou destinada à manutenção de marcas, patentes e cultivares. Amortização acelerada de bens intangíveis. A promulgação das duas leis reforça a afirmação de Pereira e Kruglianskas (2005) sobre ações estratégicas do governo para fomentar e facultar o desenvolvimento de empresas que geram produtos inovadores. 26 3 MÉTODOS E TÉCNICAS DE PESQUISA 3.1 Tipo e descrição geral da pesquisa Quanto aos fins, a pesquisa tem caráter exploratório e descritivo e quanto aos meios, trata-se de uma pesquisa de campo. A pesquisa é exploratória por sua natureza de sondagem e por não comportar hipóteses (ROESCH, 2006), tem por função descobrir atributos e não tem a intenção de testar hipóteses específicas de pesquisa. É descritiva por expor características da população e por não ter compromisso em explicar os fenômenos que descreve (ROESCH, 2006). O planejamento dessa pesquisa envolverá: análise documental da incubadora de empresas e entrevista em grupo com gestores de empresas incubadas e aplicação de questionário. A pesquisa é qualificada como pesquisa de campo, pois foi realizada no local onde ocorrem os fenômenos ou que possui elementos para explicá-los (ROESCH, 2006). A natureza da pesquisa é qualitativa, pois essa permite maior compreensão do fenômeno a ser estudado e sua execução será por meio de entrevistas com o grupo, com um roteiro estruturado, caracterizando assim a utilização de dados primários. A pesquisa também é um estudo de caso, pois examina um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto (VERGARA; 2006). Para estruturação da metodologia de coleta de dados, acessou-se a relatórios de serviços prestados pela incubadora nos últimos três anos. A documentação foi cedida pela incubadora para análise, mas não foi permitido anexar o conteúdo dos relatórios a esta pesquisa. Para enriquecer os resultados deste trabalho, além da aplicação individual de questionário, foi aplicada, no primeiro momento, uma metodologia diferenciada de diálogo colaborativo entre indivíduos, por meio da qual eles podem compartilhar 27 seus conhecimentos e experiências e descobrir novas oportunidades de ação conjunta. 3.2 Caracterização da organização setor ou área O Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília (CDT/UnB) tem por objetivo promover e apoiar o empreendedorismo e o desenvolvimento tecnológico por meio da relação universidade, governo, empresas e sociedade, trazendo fortalecimento econômico e social para a região. Atualmente o CDT/UnB mantém seis programas permanentes – Multincubadora de Empresas, Empreend, Programa Jovem Empreendedor, Sistema Brasileiro de Respostas Técnicas (SBRT), Disque Tecnologia e Programa Empresa Júnior e três núcleos – Núcleo de Credenciamento de Laboratórios (NACLI), Núcleo de Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia (NUPITEC) e o Núcleo de Inteligência Competitiva. O CDT/UnB abriga o programa Multincubadora de Empresas. Além da Incubadora de Base Tecnológica, objeto deste estudo, o programa Multincubadora oferece à comunidade as modalidades de incubação Tradicional, Design, Social e Solidária e Arte e Cultura. O levantamento de 2007 dos resultados da Incubadora de Base Tecnológica mostra que a incubadora, desde 1989, apoiou 98 empreendimentos, dos quais 46 concluíram o processo de incubação com sucesso (Graduação). Atualmente o programa apóia 11 empresas em fase de incubação e 8 empreendimentos no Hotel de Projetos, programa de pré-incubação da Multincubadora de Empresas.(Portal CDT/UnB; 2010). 3.3 Participantes do estudo Para cumprir os objetivos deste estudo, os participantes foram selecionados pelo seguinte critério: gestor de empresa em processo de incubação e/ou membros da equipe que participem de tomadas de decisão estratégicas dentro da empresa. 28 A pesquisa será realizada no Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico, com os representantes das empresas incubadas da incubadora de base tecnológica, a escolha do grupo visa atender ao objetivo específico deste estudo que pretende descrever a percepção dos gestores de empresas incubadas sobre os apoios oferecidos no processo de incubação. 3.4 Caracterização dos instrumentos de pesquisa A coleta de dados será feita em três momentos: no primeiro momento, foi realizada uma análise de relatórios de serviços prestados pela incubadora nos últimos 3 anos, essa análise foi necessária para a descrição dos suportes oferecidos pela incubadora. No segundo momento, foi realizada a dinâmica de aplicação da metodologia The World Café, da qual participaram gestores de empresas incubadas. Foram montadas três mesas de diálogo cada uma com um tema pré-definido e que atenda ao objetivo geral da pesquisa. Cada tema proposto foi acompanhado de um parágrafo de esclarecimento sobre que tópicos devem ser discutidos acerca daquele assunto. Essa estrutura encontra-se no Apêndice A. No terceiro momento foi aplicado um instrumento construído para este estudo. O instrumento não é validado e é composto por 4 questões objetivas, sendo que uma delas é composta por 6 itens (correspondentes aos suportes oferecidos pela incubadora) e a outra por 7 (os serviços prestados pela incubadora mais a possibilidade de parceria com outras empresas incubadas), que pretendem mostrar quais apoios motivaram a entrada no processo de incubação e quais apoios foram mais importantes para a consolidação da empresa. O questionário encontra-se no Apêndice B. Foi realizada uma aplicação piloto do questionário para verificar se o entendimento do entrevistado correspondia ao entendimento necessário para alcançar o objetivo desta pesquisa. Neste estudo, Incubadora de Empresas será abordada segundo a conceituação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT, 2000, p.6): [...] um mecanismo que estimula a criação e o desenvolvimento de micro e pequenas empresas industriais ou de prestação de serviços, de base 29 tecnológica ou de manufaturas leves por meio da formação complementar do empreendedor em seus aspectos técnicos e gerenciais [...] 3.5 Procedimentos de coleta e de análise de dados A coleta de dados foi realizada por meio de análise documental, entrevista em grupo por meio da metodologia The World Café e aplicação de questionário individual via e-mail. A metodologia The World Café foi realizada com os gestores das empresas incubadas. Ocorreu no dia 10 de janeiro de 2011, teve duração aproximada de 2 horas e 30 minutos. Participaram 12 empresários que representavam 7 empresas incubadas, o evento foi gravado em vídeo e posteriormente as falas foram transcritas para que se pudesse captar momentos em que os empresários falaram de opiniões e vivências no processo de incubação. Às áreas de atuação das empresas foram: criogenia, nanotecnologia, educação à distância, de tecnologia da informação, jogos eletrônicos e microeletrônica. Na entrevista foi exposto aos participantes o que a pesquisa visa descrever. Foi ressaltada a importância da participação e da sinceridade de cada um deles. A informação foi tratada de forma coletiva. 3.5.1 Metodologia The World Cafe O The World Café é uma metodologia inovadora de diálogos colaborativos que facilita a discussão sobre temas relevantes (BROWN; ISAACS, 2007). Essa metodologia é baseada em sete princípios: Estabeleça o contexto – estabelecer o contexto é a criação de fronteiras flexíveis nas quais se desenvolve o processo de aprendizagem ou diálogo do grupo. Crie um espaço acolhedor – por meio da transformação dos espaços tradicionais de reuniões, essa metodologia promove a reconfiguração do 30 layout dos ambientes corporativos e torna-os espaços semelhantes a Cafeterias. Exploração de questões significativas – as perguntas feitas aos participantes devem ser sobre um tema relevante para todos e devem ser estruturadas de maneira esclarecedora, tendo em foco as resposta que pretende obter. Estímulo a contribuição de todos – os participantes devem contribuir de maneira uniforme, independente de posição hierárquica. Este princípio fomente a exposição das experiências pessoais dos participantes. Promoção de polinização e conexão de diferentes pontos de vista – as discussões a cerca do tema proposto devem ser disseminadas entre os participantes e as diferenças devem se entendidas como elementos agregadores de valor. Escutar juntos para identificar padrões, percepções e questões mais profundas – capacidade de atrair tanto no nível individual quanto coletivo, insight de novos padrões ou alternativas inovadoras. Colher e compartilhar descobertas coletivas – em um momento de conversação do tipo reunião comunitária, as pessoas falam sobre o que foi discutido em sua mesa. Entretanto para compreensão da metodologia é preciso que alguns papéis sejam esclarecidos. A) O papel do Anfitrião de Mesa Orientado pela pergunta “e se ser anfitrião significasse acolher a todos que chegarem?”, o papel do anfitrião é receber os participantes de outras mesas e apresentar a eles o tema daquela mesa, as discussões anteriores, as questões levantadas de forma sintetizada, reiniciar a discussão a cerca do tema central daquela mesa. Soma-se a isso, que o Anfitrião deve observar a discussão, ligar as idéias lançadas e fazer uma ponte com os insights de rodadas anteriores. A aplicação do princípio de estímulo da participação de todos também é papel do Anfitrião. Ele deve chamar todos os componentes da mesa a participarem ativamente da discussão, a discorrerem sobre suas experiências e a explicitarem sua opinião a respeito do assunto da mesa. 31 B) Dinâmica de aplicação da metodologia The World Café. A aplicação prática da metodologia inicia com a preparação do ambiente em que ela acorrerá. O ambiente deve ser estrutura de forma acolhedora. A proposição de layout procura semelhança com os Cafés: mesas pequenas, com até cinco cadeiras. As mesas são forradas com papéis do tipo flip chart, nesses papéis serão anotados os insights, os pontos principais e comentários mais relevantes sobre o tema. É disponibilizado para os participantes pincéis de várias cores para que desenhem e exponham suas idéias. No segundo momento são explicados aos participantes os fundamentos da metodologia, os temas a serem discutidos e a como será a dinâmica. Os temas discutidos podem ser pré-definidos ou oriundos de um brainstorm com os presentes, ressalta-se que os temas devem ser do interesse de todos. A prática da dinâmica em seguem o seguinte roteiro: Os participantes se distribuem entre mesas e cada mesa delas elege o Anfitrião. Inicia-se então a primeira rodada. As rodadas têm curta duração, em torno de 15 minutos, durante esse tempo as discussões devem manter-se focadas no assunto da mesa. Ao encerrar a primeira rodada, o Anfitrião permanece na mesa e os outros membros se dirigem a outras mesas. Os Anfitriões sintetizam as idéias discutidas para os novos membros da mesa e dão início a exposição de novas idéias. Na terceira rodada, os participantes voltam para a mesa de origem, aquela em que estavam na primeira rodada. O Anfitrião expõe o que foi discutido nas rodadas anteriores e após um momento de reflexão do grupo, é aberto um espaço de discussão. Esse momento é chamado de Plenária, o objetivo é que um membro de cada mesa, não necessariamente o Anfitrião, exponha a todo o grupo o que foi discutido em sua mesa durante as três rodadas. A aplicação da metodologia neste estudo se justifica pelo fato de ser eficaz para diálogos corporativos, ambiente em que estão inseridos os gestores de empresas incubadas, e por promover uma discussão enriquecida por ser fruto da opinião do grupo. 32 3.5.2 Questionário aplicado O questionário foi aplicado via e-mail. Nessa etapa foram incluídos representantes de empresas incubadas e também representantes de empresas graduadas (empresas que concluíram com sucesso o processo de incubação). Ao todo, 12 empresas responderam o questionário, 7 empresas incubadas e 5 empresas graduadas. As informações dos questionários foram captadas da seguinte forma: Cada item do questionário representava um apoio oferecido e era medido em uma escala Osgood itemizada em cinco pontos. Em uma extremidade constava “Pouco importante” e na outra “Muito Importante”. O cálculo foi feito com a somatória da multiplicação do score pela freqüência. Para a análise do resultado desse cálculo, foi utilizada a técnica de escala somada. Dessa forma foi possível visualizar os resultados de forma mais clara. A técnica de escala somada foi aplicada em três momentos. Primeiro quando tratou-se dos suportes que foram mais atrativos para a incubação, em segundo quando tratou-se dos suportes que foram mais importantes para a consolidação da empresa e no terceiro momento quando se relacionou os fatores mais importantes para a consolidação com a resposta das empresas com maior faturamento. A escala somada do primeiro e segundo momentos apresentava escalas idênticas, pois ambas se referiam a um volume de 12 respondentes e uma escala de 5 pontos. Essa escala somada está representada na Tabela1. Tabela1: Escala somada para 12 respondentes e escala de 5 pontos. 12 - 24 25 - 36 37 - 48 49 – 60 O terceiro momento de análise leva em consideração empresas com maior faturamento, por isso o número de respondentes reduziu para 9. A escala somada está representada na Tabela2: Tabela2: Escala somada para 9 respondentes e escala de 5 pontos. 09 - 18 19 - 27 28 - 36 37 - 45 33 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO Para apresentação dos resultados será apresentada uma descrição dos serviços prestados pela incubadora, em seguida serão descritos os resultados sobre expectativas dos empresários em relação ao processo de incubação e resultados sobre quais dos apoios foram mais importantes para a consolidação da empresa. Primeiro serão discutidos os resultados gerais e em seguida será feita uma análise levando em consideração o faturamento das empresas. Juntamente com a apresentação dos resultados será feita a discussão e comparação com elementos teóricos a respeito desse tema. 4.1 Serviços prestados pela incubadora de empresas A Incubadora de Base Tecnológica do CDT/UnB oferece às empresas incubadas os seguintes apoios: Suporte oferecido Descrição Infraestrutura compartilhada Salas de reunião, salas de treinamento, auditórios, serviço de copa, limpeza e recepção e internet. Infraestrutura da universidade Acesso a laboratórios, relacionamento com professores e departamentos Desenvolvimento de perfil empresarial Consultorias Curso de oratória, relacionamento interpessoal, educação financeira e propriedade intelectual. Cursos de instituições parceiras EMPRETEC - seminário que tem por objetivo desenvolver, nos participantes, características de comportamentos empreendedores. Oferecido pelo SEBRAE. Coaching Adventure – metodologia de desenvolvimento humano e organizacional. Consultorias nas áreas de marketing, jurídico, finanças. Quadro2: descrição de apoios oferecidos pela incubadora de empresa de base tecnológica. Fonte: criação própria com base em informações disponibilizadas pela incubadora. Continuação do quadro na página seguinte. 34 Uso da marca Acesso a outros programas do CDT/UnB Aplicação da marca CDT/UnB em qualquer material gráfico da empresa. NUPITEC – apoio em questões de propriedade intelectual. Disque Tecnologia - apoio para encontrar especialistas dentro da universidade Núcleo de Projetos – orientação para escrever projetos para editais. Programa Empresa Júnior – apoio na contratação de empresas juniores. Continuação do Quadro1. Medeiros (1998) descreveu os serviços prestados por incubadoras de empresas como de infraestrutura física e administrativa (espaços compartilhados, copa, recepção) e serviços especializados (consultorias e assessorias). A observação da incubadora de empresas do CDT/UnB mostrou que os serviços prestados por ela atendem à descrição de Medeiros (1998). Entretanto, o apoio oferecido pelas incubadoras não deve se restringir aos benefícios tradicionais de infraestrutura física e serviços especializados, mas devem se estender a disponibilização de serviços de alto valor agregado como a criação de redes de relacionamento, como colocam Serra et all(2010). A incubadora, objeto deste estudo, promove a relação das empresas incubadas com a universidade por meio de parcerias com laboratório e professores, além do acesso a outros programas que podem ser de interesse das empresas, o que faculta a formação da rede contatos das empresas incubadas. 4.2 Expectativas dos empresários em relação à incubação de empresas Parte da pesquisa buscou mostrar qual/quais dos suportes oferecidos pela Incubadora de Base Tecnológica foram mais atrativos para o ingresso da empresa no processo de incubação. Para ilustrar a opinião dos empresários a respeito dos apoios oferecidos pela incubadora, retirados da dinâmica The World Café que foi aplicada aos empresários foram transcritas algumas falas. 35 1. Infraestrutura oferecida pela incubadora: salas de reunião, sala para a empresa, salas de treinamento, copa, recepção, auditório. “Poder ter uma sala na UnB dá certa visibilidade e o preço em relação à estrutura é bom... isso chama a atenção” 2. Acesso a estrutura da universidade: laboratórios, professores, departamentos. “No meu caso, a gente já sabia que ia precisar usar laboratório, mas para quem está fora da UnB é mais complicado conseguir bons contatos...” “A gente ainda não precisou usar laboratórios...” 3. Capacitação do perfil empresarial: oratória, relacionamento interpessoal, Coaching Adventure, Empretec. “Os cursos de capacitação não chamaram tanto a atenção porque eu achava que não precisava desse tipo de apoio. O Coaching Adventure e o EMPRETEC, por exemplo, eu nem imaginava do que se tratava.” 4. Acesso a consultorias oferecidas durante o processo de incubação “A consultoria é uma forma de receber uma orientação sobre algum tema que os sócios não dominam... é importante para quem está começando...” 5. Permissão de uso da Marca CDT/UnB em material gráfico e site da empresa. “A marca da UnB em um site dá certo respeito e credibilidade para a empresa...” 6. Acesso a outros programas do CDT/UnB: NUPITEC, SBRT, Disque Tecnologia, Empreend, Núcleo de Projetos. “A Empresa X só conheceu o trabalho da maioria dos programas depois que foi incubada”. “Alguns programas me chamaram a atenção...” Na Tabela 3 está representado, de acordo com a tabulação do questionário aplicado via web, os suportes que, segundo os empresários incubados e graduados, foram mais atrativos para o ingresso no processo de incubação. Em seguida está reapresentada Tabela 1 que corresponde a escala somada para 12 respondentes e escala de 5 pontos. 36 Tabela3: Apoios que estimularam o ingresso no processo de incubação. Apoios 1. Infraestrutura oferecida pela incubadora 0 1 4 4 3 45 2. Acesso a infraestrutura da universidade 2 3 1 3 3 38 3. Capacitação do perfil empresarial 1 2 4 3 2 39 0 3 0 3 6 5. Permissão para uso da marca CDT/UnB 3 1 1 2 5 41 6. Acesso a outros programas do CDT/UnB 3 3 2 4 1 36 4. Consultorias oferecidas durante a incubação 48 Freqüência Pouco Muito Importante Importante Soma 1 2 3 4 5 Escala Tabela1: Escala somada para 12 respondentes e escala de 5 pontos. 12 - 24 25 - 36 37 - 48 49 – 60 Essa comparação mostra que, de forma geral, os apoios oferecidos pela incubadora têm o mesmo grau de atração para os empresários incubados, pois a maioria deles se encontra na terceira faixa (37-48), mais próximo do extremo positivo (Muito Importante). Salvador, Tutida e Ceretta (2009) encontraram em sua pesquisa que a infraestrutura oferecida é o apoio mais atrativo para os empresários, esta pesquisa mostrou que para os empresários incubados da incubadora de empresas do CDT/UnB a infraestrutura da incubadora, acesso a universidade, capacitação do perfil empresarial, consultorias e assessorias e permissão do uso da marca CDT/UnB em materiais gráficos representação graus de atração muito próximos, sem destaque para nenhum deles em especial. O apoio descrito como acesso a outros programas do CDT/UnB é o suporte com menos grau de atratividade posto que se encontra na segunda faixa (25-36) da escala somada, mais próximo do extremo negativo (Pouco Importante). Ao analisar as falas transcritas, percebe-se a conformidade com o resultado do questionário. A avaliação de atratividade para os apoios oferecidos é positiva de um modo geral, entretanto nenhum deles é avaliado com destaque. 37 Ademais esse resultado reforça a afirmação de Serra et all (2010) que diz que as incubadoras devem ultrapassar a barreira dos serviços tradicionais e oferecerem serviços que gerem valor agregado. Dentre os serviços prestados pela incubadora em estudo percebeu-se que não há destaque para nenhum dos apoios oferecidos ou que para os empresários fosse especialmente atrativo. 4.3 Fatores que tiveram maior impacto na consolidação das empresas incubadas Este tópico trata dos suportes oferecidos pela incubadora que foram mais importantes para consolidação da empresa. Para ilustrar, serão transcritas algumas frases ditas pelos empresários incubados durante aplicação da metodologia The World Café e depois será apresentado o resultado do questionário aplicado aos empresários incubados e graduados. Sobre os suportes oferecidos e a relação deles com o sucesso da empresa incubada, os empresários disseram que: 1. Infraestrutura oferecida pela incubadora: salas de reunião, sala para a empresa, salas de treinamento, copa, recepção, auditório. “Para quem é incubado à distância é mais difícil achar um tempo para vir até a incubadora” “Ter uma sala dentro do CDT é muito bom, primeiro pelo preço que é baixo em relação aos imóveis na Asa Sul e Asa Norte e também porque a gente fica próximo ao pessoal da incubadora”. 2. Acesso a estrutura da universidade: laboratórios, professores, departamentos. “Para que precisa usar laboratórios... é muito bom, mas acho que a maioria das empresas não usou nenhum ainda...” 3. Capacitação do perfil empresarial: oratória, relacionamento interpessoal, Coaching Adventure, Empretec. “Ah... alguns cursos são muito bons e tem efeito como é o caso do Empretec, mas outros, como o de relacionamento interpessoal, são pouco aprofundados.” 38 “... durante os cursos temos a oportunidade de conversar com outros empresários, é um tempo que a gente tem para trocar experiências...” 4. Acesso a consultorias oferecidas durante o processo de incubação “As consultorias ajudam bastante, principalmente nas áreas de administração, mas a gente sente falta de consultorias na área da empresa”. 5. Permissão para uso da marca CDT/UnB. “Quando a gente coloca a marca num site ou cartão dá certa credibilidade, mas não sei se é uma coisa que chega a ter muito impacto.” 6. Acesso a outros programas do CDT/UnB: NUPITEC, SBRT, Disque Tecnologia, Empreend, Núcleo de Projetos. “Quando a Empresa Y tentou contato com o NUPITEC pareceu que eles não queriam atender empresa incubada... teve muita burocracia”. 7. Parceria com outras empresas incubadas. “A gente encontrou um parceiro aqui dentro da incubadora... a Empresa X trabalha com a Empresa Z há mais de um ano desenvolvendo o produto deles...” Na Tabela 4 está representado, de acordo com a tabulação do questionário aplicado via web, os suportes que, segundo os empresários incubados e graduados, tiveram maior importância para a consolidação das empresas incubadas. Tabela4: Apoios que tiveram maior importância para a consolidação da empresa. Apoios Pouco Muito Importante Importante Soma 1 2 3 4 5 1. Infraestrutura oferecida pela incubadora 0 4 3 2 3 40 2. Acesso a infraestrutura da universidade 2 4 2 3 1 33 3. Capacitação do perfil empresarial 0 5 2 4 1 37 4. Consultorias oferecidas durante a incubação 1 2 2 5 2 41 5. Permissão para uso da marca CDT/UnB 4 2 1 1 4 35 6. Acesso a outros programas do CDT/UnB 6 3 0 2 1 25 7. Parceria com outras empresas incubadas 1 3 1 3 4 42 Freqüência Escala 39 Em seguida está reapresentada Tabela 1 que corresponde a escala somada para 12 respondentes e escala de 5 pontos. Tabela1: Escala somada para 12 respondentes e escala de 5 pontos. 12 - 24 25 - 36 49 – 60 37 - 48 Para uma avaliação mais apurada dos suportes que tem maior importância para a consolidação das empresas incubadas, foi feita uma segunda análise das respostas dos empresários ao questionário, levando em consideração as empresas com maior faturamento. Foram consideradas as faixas “Até R$ 5.000,00” e “Acima de R$ 10.000,00”, pois não houve nenhuma resposta para a faixa “Entre R$ 5.000,00 e R$ 10.000,00”. A Tabela5 mostra o resultado dessa segunda análise. Tabela5: Apoios que tiveram maior importância para a consolidação da empresa para empresas com maior faturamento. Apoios 1. Infraestrutura oferecida pela incubadora 0 4 2 1 2 34 2. Acesso a infraestrutura da universidade 2 3 2 2 0 22 3. Capacitação do perfil empresarial 0 4 2 2 1 23 4. Consultorias oferecidas durante a incubação 1 0 2 5 1 32 5. Permissão para uso da marca CDT/UnB 2 2 0 1 4 30 6. Acesso a outros programas do CDT/UnB 5 3 1 0 0 12 7. Parceria com outras empresas incubadas 0 2 1 2 4 35 Freqüência Pouco Muito Importante Importante Soma 1 2 3 4 5 Escala Em seguida está representada Tabela 2 que corresponde a escala somada para 12 respondentes e escala de 5 pontos. Tabela2: Escala somada para 9 respondentes e escala de 5 pontos. 09 - 18 19 - 27 28 - 36 37 - 45 40 A comparação das duas análises mostrou diferenças entre as opiniões dos empresários. Na primeira análise, a infraestrutura da incubadora, capacitação do perfil empresarial, consultorias oferecidas e parceria com outras empresas incubadas ficaram na terceira faixa (37-48), próximas ao extremo positivo (Muito Importante. Enquanto o acesso a infraestrutura da universidade, uso da marca CDT/UnB e acesso a outros programas do CDT/UnB ficaram na segunda faixa (2537), mais próximo ao extremo negativo (Pouco Importante). Entretanto, quando foi levado em consideração o faturamento da empresa, houve mudança considerável no resultado. Segundo os representantes das empresas com maior faturamento, os apoios mais importantes para a consolidação da empresa foram a infraestrutura da incubadora, as consultorias oferecidas, uso da marca CDT/UnB e as parcerias com outras empresas incubadas, esses suportes ficaram na terceira faixa (28-36). O acesso a infraestrutura da universidade e a capacitação do perfil empresarial ficaram na segunda faixa (19-27) e o acesso a outros programas do CDT/UnB ficou na primeira faixa (09-18). As semelhanças entre as duas análises foram que ambas, a infraestrutura da incubadora, as consultorias e a parceria com outras empresas incubadas foram considerados os apoios mais importantes para a consolidação da empresa. Entretanto, em nenhum das duas análises houve destaque para algum apoio em especial. O MCT (2000) em seu Manual de Implantação de Incubadoras define que as incubadoras de empresas, entre outros, devem promover cultura empreendedora, promover a interação entre micro e pequenas empresas incubadas e estimular a associação entre pesquisadores e empresários. Silva (2009) descreve que para os empreendedores, as vantagens da incubação são advindas de questões como a aproximação do conhecimento teórico e a prática, estabelecimentos de redes estratégicas de relacionamento, incentivo às práticas gerenciais para a competitividade, acesso a equipamentos para pesquisa e desenvolvimento e redução de custos operacionais. Esta pesquisa se assemelhou em alguns aspectos com o que colocou Silva (2009), os empresários julgam como importante a infraestrutura da incubadora, as consultorias e a rede de relacionamento formada com outros empresários incubados. 41 Entretanto, a pesquisa discorda de Silva (2009) quando mostra que para as empresas incubadas com maior faturamento, o acesso a universidade, por meio da qual poderiam utilizar laboratórios e equipamentos, e a capacitação empresarial são considerados pouco importantes para a consolidação da empresa. Na fala de um dos empresários, foi citada a falta de consultoria na área de atuação da empresa. Lima (2010) descreveu que entre os fatores que constituem obstáculos na implantação de produtos ou processos inovadores estão a falta de serviços técnicos especializados, pouca informação sobre mercado e necessidades dos clientes e escassez de informações sobre tecnologia. Neste ponto observou-se uma carência nos serviços prestados pela incubadora: falta de consultoria tecnológica para as empresas incubadas. 42 5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES A incubação de empresas tem por objetivo reduzir a mortalidade de micro empresas por meio da capacitação e do apoio administrativo. Em se tratando de incubação de empresas de base tecnológica, soma-se aos dois objetivos citados, o estímulo a pesquisa científica e tecnológica, a transferência de tecnologia e a legitimação do trabalha acadêmico perante a sociedade. Os empresários, por sua vez, enxergam na incubação a oportunidade de receber apoio e orientação e a possibilidade de dividir riscos e custos. Para que esta relação seja próspera e gere bons frutos, é salutar que haja entendimento e aceitação dos interesses das partes. O objetivo geral desta pesquisa era visualizar quais apoios oferecidos pela incubadora são percebidos como atrativos para o processo de incubação e quais são mais importantes para a consolidação da empresa. Os resultados atenderam ao propósito deste projeto. Considerando uma visão geral, pode-se perceber que as empresas incubadas no CDT/UnB consideram como mais atrativo no processo de incubação, em primeiro lugar as consultorias oferecidas e em segundo a possibilidade de utilizar a infraestrutura oferecida pela incubadora. Quanto aos suportes que tem maior impacto na consolidação da empresa estão a possibilidade de parceria com outras empresas incubadas e em segunda as consultorias realizadas durante o processo de incubação. De forma geral o que se pode perceber é que os empresários buscam, antes de estarem incubados, orientação posto que descrevem as consultorias como apoio mais atrativo, e o estabelecimento físico da empresa na incubadora. Ao passo que no segundo momento, já incubados, percebem que a rede de relacionamentos (parceria com outras empresas incubadas) é o fator mais importante para a consolidação da empresa. Os resultados desta pesquisa podem ser utilizados com insumo para a tomada de decisão por parte da gerência da incubadora em estudo, tendo em vista que este estudo revelou algumas carências da incubadora e que são percebidas pelos empresários. Pode contribuir para a produção literária, pois a literatura sobre incubação é vasta, entretanto, existem poucos artigos que falem sobre o que é 43 atrativo para os empresários e o que é visto como impactante sobre a consolidação da empresa para empresários incubados. Foram encontrados apenas 4 artigos que tratam da avaliação do desempenho das incubadoras ou dos suportes oferecidos por elas. Por meio dos resultados deste estudo pôde-se visualizar quais suportes foram atrativos e quais têm importância para a consolidação da empresa. Entretanto, por ter se limitado à análise da opinião dos empresários incubados de uma incubadora, se faz necessária a realização de mais estudos que se estendam a outras incubadoras para reforçar ou reajustar os resultados desta pesquisa. Por fim, os apoios atrativos e os que impactam sobre a consolidação da empresa ficaram claros nesta pesquisa, entretanto, os resultados refletem a realidade de uma incubadora de empresas. Para resultados mais consistentes e que reflitam uma realidade regional ou até nacional, é preciso que pesquisas como esta sejam realizadas em outras incubadoras. Isso possibilitaria tomadas de decisão mais adequadas por parte da gerência das incubadoras. 44 REFERÊNCIAS ABDALLA, M. M.; CALVOSA, M. V. D.; BATISTA, L. V.; Hélice Tríplice no Brasil: um ensaio teórico acerca dos benefício da entrada da universidade nas parcerias estatais. Revista Cadernos da Administração da Faculdade Salesiana Maria Auxiliadora; v. 1, p. 34-52, 2009. ANDINO, B. F. A. et al. Avaliação do Processo de Incubação de Empresas em Incubadoras de Base Tecnológica. In: ENANPAD- Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração, Rio de Janeiro: ANPAD, 2004. ANPROTEC; Glossário Dinâmico de Termos na área de Tecnópolis, Parques Tecnológico e Incubadoras de Empresas. Anprotec. Brasília, setembro de 2002. Disponível em www.anprotec.org.br. Acesso em novembro de 2010. ANPROTEC; Aventura do possível: passado, presente e futuro de um movimento que há 20 anos acredita em Inovação e Empreendedorismo no Brasil. Anprotec. Brasil, 2007. Disponível em www.anprotec.org.br. Acesso em novembro de 2010. BROWN,J.; ISAACS, D. 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Mesa 2 Esta mesa discutirá a disponibilização de informações estratégicas e apoio na relação universidade empresa, estes dois tópicos foram caracterizados por: Permissão para uso da marca CDT/UnB Acesso a outros programas do CDT que possam ser de interesse das empresas como SBRT (Sistema Brasileiro de Respostas Técnicas), Disque Tecnologia, NUPITEC (Núcleo de proteção a propriedade intelectual). Mesa 3 A terceira mesa discutirá a questões financeiras e estrutura física disponibilizada. Infraestrutura oferecida pela incubadora - salas de reunião, copa, recepção, salas de treinamento. Relação Universidade - Empresas – acesso facilitado aos laboratórios da universidade, acesso a banco de dados de professores da área de atuação da empresa. 49 Apêndice B – Questionário aplicado às empresas incubadas e graduadas via e-mail Este questionário tem por objetivo descrever a percepção dos empresários a respeito do processo de incubação do Programa Multincubadora de Empresas do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília. Q.1 - Empresa ( ) Incubada ( ) Graduada Q.2 - Faturamento mensal médio da empresa ( ) Sem faturamento ( ) Até R$ 5.000,00 ( ) Entre R$ 5.000,00 e R$ 10.000,00 ( ) Acima de R$ 10.000,00 Q.3 - Pensando nos suportes oferecidos pelo Programa Multincubadora de Empresas, classifique cada um deles conforme o grau de importância que teve para sua decisão de ingressar no processo de incubação. Assinale “1” para “Pouco Importante” e “5” para “Muito Importante”. I.1 – Acesso à Infraestrutura oferecida pela Incubadora (Salas de reunião, auditório, copa, recepção). Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante I.2 – Acesso à infraestrutura da Universidade (laboratórios, professores e departamentos) Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante I.3 – Acesso à capacitações do perfil empresarial oferecida durante o processo de incubação (Oratória, Relacionamento Interpessoal, Educação Financeira, Propriedade Intelectual, EMPRETEC, Coaching Adventure). Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante I.4 – Acesso à consultorias oferecidas durante o processo de incubação: Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante 50 I.5 – Permissão para o uso da marca CDT/UnB em site e materiais gráficos da empresa. Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante I.6 – Acesso a outros programas do CDT/UnB (NUPITEC, SBRT, Disque Tecnologia, Empreend, Núcleo de Projetos). Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante Q.4 - Avalie qual dos apoios prestados, durante o processo, de incubação teve maior importância para a consolidação da empresa: I.1 – Acesso à Infraestrutura oferecida pela Incubadora (Salas de reunião, auditório, copa, recepção). Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante I.2 – Acesso à infraestrutura da Universidade (laboratórios, professores e departamentos) Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante I.3 – Acesso à capacitações do perfil empresarial oferecida durante o processo de incubação (Oratória, Relacionamento Interpessoal, Educação Financeira, Propriedade Intelectual, EMPRETEC, Coaching Adventure). Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante I.4 – Acesso à consultorias oferecidas durante o processo de incubação: Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante I.5 – Permissão para o uso da marca CDT/UnB em site e materiais gráficos da empresa. Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante I.6 – Acesso a outros programas do CDT/UnB (NUPITEC, SBRT, Disque Tecnologia, Empreend, Núcleo de Projetos). Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante I.7 – Parceria com outras empresas incubadas Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante