Universidade de Brasília
Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade
Departamento de Administração
LOYCE GRAYCIELLE DE FRANÇA BARBOSA
INCUBADORA DE EMPRESAS DE BASE TECNOLÓGICA:
expectativas e percepções dos empresários incubados a
respeito dos apoios oferecidos
Brasília – DF
2011
LOYCE GRAYCIELLE DE FRANÇA BARBOSA
INCUBADORA DE EMPRESAS DE BASE TECNOLÓGICA:
expectativas e percepções dos empresários incubados a
respeito dos apoios oferecidos
Monografia
apresentada
ao
Departamento de Administração como
requisito parcial à obtenção do título de
Bacharel em Administração.
Professor Orientador: Prof. Dr. Valmir
Emil Hoffmann
Brasília – DF
2011
Barbosa, Loyce Graycielle de França.
Incubadora de Empresas de Base Tecnológica: expectativas e
percepções dos empresários incubados a respeito dos apoios
oferecidos / Loyce Graycicelle de França Barbosa, 2011.
51 f.: il.
Monografia (bacharelado) – Universidade de Brasília,
Departamento de Administração, 2011.
Orientador: Prof. Dr. Valmir Emil Hoffmann, Departamento de
Administração.
1. Incubadora de Empresas. 2. Empresa de base tecnológica. 3.
Inovação. I. Incubadora de empresas de base tecnológica:
expectativas e percepções dos empresários incubados a respeito
dos apoios oferecidos.
3
LOYCE GRAYCIELLE DE FRANÇA BARBOSA
INCUBADORA DE EMPRESAS DE BASE TECNOLÓGICA:
expectativas e percepções dos empresários incubados a
respeito dos apoios oferecidos
A Comissão Examinadora, abaixo identificada, aprova o Trabalho de
Conclusão do Curso de Administração da Universidade de Brasília a
aluna
Loyce Graycielle de França Barbosa
Prof. Dr. Valmir Emil Hoffmann
Professor-Orientador
Prof. Dr. Doriana Daroit
Prof.ª Dr.ª Janann Joslin Medeiros
Professor-Examinador
Professor-Examinador
Brasília, 04 de fevereiro de 2011
4
Por todo o amor e ensinamentos, por confiarem na
minha capacidade e por serem a melhor família que
eu poderia ter, dedico a minha mãe Deuzonita de
França Maranhão e a meu pai José Alves Barbosa.
5
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus por me abençoar com
persistência, inteligência, família e bons amigos.
Graças a isso não desisti diante dos obstáculos, tive
capacidade para superar os desafios e recebi apoio
e ombro amigo sempre que precisei.
Agradeço a meus pais por me apoiarem
incondicionalmente e por não me deixarem duvidar
que tudo daria certo.
Agradeço às amigas: Bárbarah Santos, Fernanda
Cunha, Juliana Almeida, Ludimila Martins e Paula
Michelle pelo apoio oferecido e constante incentivo.
Agradeço aos meus amigos pela paciência e por
compreenderem quando não pude estar presente.
Aos amigos do trabalho: Anísio Lopes, Rosângela
Medeiros, Sibele Carneiro e Tatyana Aranda por
permitirem que eu me ausentasse quando foi
necessário para a conclusão da monografia.
Ao CDT e aos Empresários Incubados por
dedicarem uma parcela de seu tempo a esta
pesquisa.
Ao Professor Hoffmann pela excelente orientação e
conhecimento transmitido ao longo da elaboração
deste trabalho.
6
“Algumas poucas pessoas,
em alguns poucos lugares,
fazendo algumas poucas coisas,
podem mudar o mundo.”
(autor anônimo, Muro de Berlim)
7
RESUMO
O alto índice de mortalidade de empresas é atribuído, principalmente à falta de
competências gerenciais dos sócios. Em se tratando de empresas inovadoras,
também contribuem para a mortalidade a falta de conhecimento do mercado,
precificação e questões de propriedade intelectual. As incubadoras de empresa
objetivam reduzir a taxa de mortalidade por meio da capacitação gerencial,
infraestrutura física e consultorias. Entretanto não há literatura que discorra sobre o
que os empresários incubados julgam como relevante para a consolidação da
empresa ou o que tipo de apoio constitui um atrativo para que eles ingressem no
processo de incubação. O estudo objetiva analisar as formas de apoio como atrativo
para o ingresso no processo de incubação e como proposições de melhoria das
empresas incubadas. O estudo busca também descrever os apoio prestados pela
incubadora de empresas em estudo. Para captar esses elementos, foi aplicada uma
metodologia de diálogo praticada em grupo e um questionário estruturado aplicado
via e-mail a gestores de empresas incubadas e graduadas. O critério para a escolha
do participante foi: ser gestor de empresa incubada ou graduada ou funcionário que
participe de decisões estratégicas na empresa. As conclusões demonstraram que os
empresários avaliam como atrativos para a incubação a maioria dos apoios
oferecidos e que para empresários que representam empresas com maior e menor
faturamento a opinião sobre que suporte é mais importante para a consolidação da
empresa é divergente.
Palavras-chave:
Incubadora de empresas.
tecnológica.
Inovação.
Empresas
de
Base
8
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Empresas inovadoras que utilizaram programas do governo no período
2006-2008. ................................................................................................................ 23
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 – Diferenças do sistema de incubação entre Estados Unidos, China e
Brasil . ....................................................................................................................... 16
Quadro 2 – Descrição dos apoios oferecidos pela Incubadora de empresas de base
tecnológica . .............................................................................................................. 33
9
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Escala somada para 12 respondentes e escala de 5 pontos: ................. 32
Tabela 2 – Escala somada para 09 respondentes e escala de 5 pontos: ................. 32
Tabela 3 – Apoios que estimularam o ingresso no processo de incubação: ............. 36
Tabela 4 – Apoios que tiveram maior impacto para consolidação da empresa:........ 38
Tabela 5 – Apoios que tiveram maior impacto para consolidação da empresa para
empresas com maior faturamento: ............................................................................ 39
10
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO ................................................................................................... 11
1.1
1.2
1.3
1.4
2
Formulação do problema ............................................................................ 12
Objetivo Geral ............................................................................................. 13
Objetivos Específicos .................................................................................. 13
Justificativa.................................................................................................. 14
REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................. 15
2.1
2.2
As Incubadoras em Âmbito Mundial ............................................................ 15
Cenário Nacional das Incubadoras de Empresas ....................................... 17
2.2.1
Caracterização das Incubadoras de Base Tecnológica ......................... 19
2.2.2 Os Serviços Prestados pelas Incubadoras de Empresas ...................... 21
2.3
Hélice Tríplice ............................................................................................. 22
2.4
Lei de Inovação ........................................................................................... 24
2.5
Lei do Bem .................................................................................................. 25
3
MÉTODOS E TÉCNICAS DE PESQUISA ......................................................... 26
3.1
3.2
3.3
3.4
3.5
4
Tipo e descrição geral da pesquisa............................................................. 26
Caracterização da organização setor ou área............................................. 27
Participantes do estudo ............................................................................... 27
Caracterização dos instrumentos de pesquisa............................................ 28
Procedimentos de coleta e de análise de dados ......................................... 29
3.5.1
Metodologia The World Cafe ................................................................. 29
3.5.2
Questionário aplicado ............................................................................ 32
RESULTADOS E DISCUSSÃO.......................................................................... 33
4.1
Serviços prestados pela incubadora de empresas...................................... 33
4.2
Expectativas dos empresários em relação à incubação de empresas ........ 34
4.3
Fatores que tiveram maior impacto na consolidação das empresas
incubadas .............................................................................................................. 37
5
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ............................................................ 42
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 44
APÊNDICES .............................................................................................................. 48
Apêndice A – Tema proposto em cada mesa de diálogo .......................................... 48
Apêndice B – Questionário aplicado às empresas incubadas e graduadas via e-mail
.................................................................................................................................. 49
11
1 INTRODUÇÃO
Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
(SEBRAE), o alto índice de mortalidade de micro e pequenas empresas é causado,
em grande parte, pelas falhas gerenciais (SEBRAE, 2004). Em se tratando de
produtos, tecnologias e ou processos inovadores, fatores como dificuldade em
mapear o mercado e descrever o perfil do cliente, precificação, questões de
propriedade intelectual e falta de informação sobre captação de recursos somam-se
à necessidade de treinamento gerencial. Nesse contexto, Incubadoras de empresas
surgem como mecanismo de apoio, “com o objetivo de melhorar o ambiente
competitivo das empresas” (VEDOVELLO; FIGUEIREDO, 2005, p.3) e de garantir
maior sobrevida para empresas inovadoras, por meio de capacitação gerencial dos
empresários incubados.
Segundo
a
Associação
Nacional
das
Instituições
Promotoras
de
Empreendimentos Inovadores uma incubadora constitui um “agente nuclear do
processo de geração e consolidação de micro e pequenas empresas” (ANPROTEC,
2002, p.59), nesse sentido, as atividades desenvolvidas pelas Incubadoras para
assistir às empresas se dividem em infra-estrutura física e administrativa, prestação
de serviços especializados (MEDEIROS; 1998) e serviços customizados que
atendem às demandas específicas das empresas e com base no seu plano de ação
resultado do planejamento estratégico.
Entretanto, para o e sucesso de uma incubadora é primordial que sejam feitos
estudos preliminares acerca das necessidades da comunidade, das necessidades
dos empresários incubados; é preciso que haja envolvimento das universidades,
instituições de fomento, empresas privadas e quaisquer agentes públicos que
possam contribuir para formação da metodologia a ser aplicada pela incubadora.
“Não basta dispor de um imóvel, reformá-lo, dotá-lo de equipamentos para pôr de pé
uma incubadora. Seu êxito implica fincá-la em bases reais” (MEDEIROS, 1998,
p.17). Patton, Warren e Bream (2009) descreveram em sua pesquisa que os fatores
que sustentam a incubação de empresas são: sucesso das empresas incubadas,
desenvolvimento de competências de equipe de comercialização de novos negócios,
monitoração e avaliação do progresso das empresas, criação de sinergias no âmbito
12
do apoio interno, construir e manter uma rede de apoio eficaz e acesso a
financiamentos adequados.
O movimento brasileiro de Incubadoras de Empresas teve início ainda nos
anos de 1980, com o surgimento da primeira incubadora, em 1987, a Fundação
Parque Tecnológico da Paraíba simultaneamente à Fundação Centro Regional de
Tecnologia e Informação (CERTI), vinculada à Universidade Federal de Santa
Catarina (MEDEIROS; 1998).
A Incubadora que será objeto deste estudo, surgiu em 1989, no Centro de
Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília (CDT/UnB).
O estudo é justificado, pois é necessário que se faça uma análise de como os
clientes da incubadora, empresário incubados, percebem os serviços prestados e
se, segundo eles, esses serviços tem impacto na consolidação da empresa.
1.1 Formulação do problema
As incubadoras funcionam como instituições sem fins lucrativos que prestam
serviços e colocam a disposição das empresas incubadas instalações e
infraestrutura administrativa e operacional, criando um ambiente favorável ao
surgimento e consolidação de um novo negócio no mercado (ANDINO at all, 2004).
Nesse sentido, o apoio oferecido pelas Incubadoras às empresas inclui basicamente
infra-estrutura física e administrativa, prestação de serviços especializados
(orientação empresarial, de mercado, jurídica e contábil) e serviços customizados
atendendo a demandas específicas das empresas.
As Incubadoras de Base Tecnológica abrigam empresas cujos produtos,
processos e/ou serviços resultam de pesquisas científicas e para os quais a
tecnologia é essencial à conclusão do projeto. Segundo consta no Edital de Seleção
da Multincubadora de Empresas do CDT/UnB (2010), as empresas que participam
dessa modalidade de incubação pertencem às áreas de tecnologia da informação e
comunicação, microeletrônica, biotecnologia, nanotecnologia, ciências da saúde e
farmacologia, tecnologias ambientais e energia (fontes renováveis, alternativas e bio
combustíveis).
13
As Empresas de Base Tecnológica (EBT) têm foco em design, pesquisa e
desenvolvimento e produção de produtos e processos por meio da aplicação de
conhecimentos técnicos. Outra característica que as diferencia das empresas
tradicionais é que muitas das EBT morrem antes mesmo de sua consolidação.
Segundo Martinez (2003 apud ANDINO et all 2004), isso ocorre por três razões em
especial, dificuldades em transformar tecnologia em produto, os pesquisadores não
são empresários e com a evolução das empresas eles precisam mudar sua
liderança do foco científico para o empresarial e investimento inicial para o
desenvolvimento da tecnologia que, em geral, é muito alto, o que gera um risco
também muito alto.
A pergunta de pesquisa a ser respondida é: quais dos apoios oferecidos pela
incubadora são atrativos para o ingresso na incubação e quais têm impacto na
consolidação da empresa? A resposta ou respostas mostrará quais proposições de
valor têm maior relevância para as empresas incubadas.
1.2 Objetivo Geral
Esta pesquisa tem por objetivo geral analisar as formas de apoio como
atrativo para o ingresso no processo de incubação e como proposições de melhoria
das empresas incubadas.
1.3 Objetivos Específicos
Para alcançar o objetivo geral deste estudo, são propostos os seguintes
objetivos específicos:
1. Identificar os serviços oferecidos pela incubadora de empresas.
2. Descrever quais dos apoios oferecidos motivam os empresários a
participarem do processo de incubação.
3. Determinar o grau de importância de cada apoio oferecido às empresas
incubadas.
14
1.4 Justificativa
As incubadoras de empresas são parte de um sistema nacional de inovação e
tecnologia que envolve instituições de pesquisa e de ensino superior, instituições de
fomento, empresas privadas interessadas em desenvolvimento tecnológico e
organismos governamentais voltados para a transferência de tecnologia, geração e
proteção do conhecimento (VEDOVELLO, 2000 p. 4). Ademais “observa-se um
crescente esforço em adotar estratégias empreendedoras capazes de gerar
oportunidades de negócios que ampliem o surgimento de novos conhecimentos e
novas tecnologias” (TREVISAN; SILVA, 2010 p.2).
As empresas que se propõem a lançar produtos inovadores, mesmos diante
dos esforços de universidades, instituições de fomentos e empresas privadas
interessadas em desenvolvimento tecnológico, além dos problemas de empresas
nascentes tradicionais com a falta de competências gerencias, por exemplo, sofrem
também com problemas inerentes a inovação tecnológica, como coloca Lima e Kuhl
(2010, p.2):
A implementação da inovação é uma atividade que demanda tempo, estudo
e recursos, e no seu percurso exige que os gestores enfrentem e superem
os obstáculos que surgem. Esses obstáculos têm diversas origens, mas
detectam-se as de origem econômica (custos, riscos, financiamento, etc),
organizacional (rigidez, centralização, etc), informacional (informações de
mercado, de tecnologia, etc), técnica (pessoal qualificado, serviços técnicos,
etc) e outros (cooperação, consumidores, etc) [...].
“O objetivo da incubadora é o de prover condições adequadas para a
formação e o ingresso no mercado de empresas de base tecnológica autosustentáveis, competitivas e inovadoras” (SALES, 2006, p.2), enquanto mecanismo
de apoio a micro e pequenas empresas, soma-se a isso que as incubadoras se
propõem a aumentar o índice de sobrevida das empresas por meio da solução dos
problemas descritos por Lima e Khul (2010).
Entretanto, é preciso compreender quais elementos desse apoio são mais
atrativos e impactantes segundo os empreendimentos incubados, de forma que os
serviços prestados sejam potencializados e realmente atendam às necessidades
das empresas.
15
2 REFERENCIAL TEÓRICO
O referencial teórico foi baseado em um levantamento de periódicos nacionais
e internacionais com qualificação A1, B1 e B2 que traduzem resultados de
pesquisas científicas sobre o tema. Adotou-se como critério de pesquisa bibliográfica
a busca de artigos nas áreas de Administração e Empreendedorismo. O
levantamento é referente a um período de 16 anos e contempla produções dentro do
período de 1994 a 2010. As palavras-chave adotadas para a busca foram:
incubadora; incubados; inovação e gestão da inovação.
A pré-seleção das produções foi feita com base na leitura dos resumos dos
artigos. Selecionou-se aqueles que estavam intimamente ligado ao tema discutido,
desses realizou-se a leitura completa do conteúdo.
O primeiro tópico deste trabalho abordará o cenário internacional de
incubadoras de empresas e comparações entre o sistema de incubação de
empresas entre diferentes países, em seguida tratará do cenário nacional de
incubadora de empresas e fará a descrição específica das incubadoras de empresas
de base tecnológica, o terceiro subtópico discorrerá sobre a teoria de hélice tríplice e
sobre a Lei de Inovação e Lei do Bem como forma de incentivos governamentais a
ciência, inovação e tecnologia.
2.1 As Incubadoras em Âmbito Mundial
O movimento mundial de incubadoras teve início em 1959 no Batavia
Industrial Center em Nova York que foi popularmente chamado de primeira
incubadora de empresas dos Estados Unidos, entretanto o número de instituições
que apóiam empresas em estágio inicial não sofreu grande expansão, pelos menos
até o final dos anos de 1970 (NBIA, 2009). No início dos anos 1980, 12 incubadoras
estavam em operação nos Estados Unidos (NBIA, 2009).
Nas décadas seguintes, outros países ingressaram no movimento de
incubadoras de empresas. Na China, bem como no Brasil, o movimento de
incubadoras
de
empresas
ganhou
força
no
final
de
década
de
1980
16
(HACKETT,DILTS; 2004), ao passo que na Colômbia a instituição mais tradicional foi
fundada em 1994 (BULLA, GARTNER; 2004) período no qual as incubadoras
também começaram a surgir no México (HERNÁNDEZ, ESTRADA; 2006).
O aumento do número de incubadoras no mundo foi expressivo. Segundo a
ANPROTEC (2007), existem cerca de 400 incubadoras no Brasil, na China existem
aproximadamente 670 instituições em funcionamento (TANG. ANGATHEVAR,
PANCHOLI; 2010), nos Estados Unidos são cerca de 1000 incubadoras (NBIA;
2009). No México, segundo os estudos de Hernandéz e Estrada (2006) contam
cerca de 220 incubadoras de empresas e na Colômbia somam 27 instituições ativas
(BULLA. GARTNER; 2004)
Entretanto, não é possível medir o sucesso das incubadoras apenas pela
quantidade de instituições existentes. Segundo Hackett e Dilts (2004), é preciso
considerar desde a equipe e gerência da incubadora, até universidades locais, rede
de relacionamentos, estratégias adotadas e atuação do governo.
Para a análise em âmbito mundial é preciso considerar as diferenças culturais
que fazem com que os envolvidos supracitados desempenhem papéis diferentes em
cada país. Chandra e Fealey (2009) demonstram claramente as diferenças de
estratégias sobre o processo de incubação, por meio de um apanhado da diferença
na forma de atuação do governo no sistema de incubação dos Estados Unidos,
Brasil e China.
Brasil
Foco
Estratégico
Patrocínio
e/ou
Financiament
o da
Incubadora
Tipos de
empresas
Incubadas
Fomento ao espírito
empresarial,
desenvolvimento
econômico, criação
de empregos e
comercialização.
Financiamento que
incluem diferentes
níveis de governo,
universidades e
alguns fundos
privados.
Base tecnológica,
cultural, social e de
design.
China
Estados Unidos
Missão Social,
desenvolvimento
com foco em alta
tecnologia.
Desenvolvimento
econômico,
transferência de
tecnologia e
comercialização.
O governo é a
principal fonte de
financiamento das
incubadoras e de
empresas
incubadas.
Predomínio de
incubadoras de
base tecnológica.
Níveis de governo,
organizações
voltadas para o
desenvolvimento
econômico e fundos
privados.
Mistas, de base
tecnológica e
especializadas.
Quadro1: Diferenças do sistema de incubação entre Brasil, China e Estados Unidos.
Fonte: Adaptado de Chandra e Fealey (2009).
17
Serviços
compartilhados e
especializados.
Serviços
oferecidos
Serviços
financeiros
Papel do governo
Linhas de
financiamento do
governo, angels1 e
capital de risco.
Investimentos
diretos em
empresas são
raros.
Visível. Abordagem
sinérgica.
Principalmente
serviços tangíveis
e de natureza
administrativa.
Serviços tangíveis
e especializados
que geram valor
agregado.
Financiamentos do
governo,
subvenção e
capital de risco. Na
região Sul, são
raros os casos de
investimento direto.
Orientação para
fontes de
financiamento com
alguns casos de
investimento direto.
Alta interferência.
Baixo apoio.
Continuação Quadro1.
Percebem-se acentuadas diferenças entra a forma de atuação do governo,
fontes de financiamento e tipos de incubadoras quando comparamos os países.
Para compreender o cenário em que a incubadora estudada está inserida, o próximo
tópico discorrerá sobre o cenário brasileiro de incubação de empresas.
2.2 Cenário Nacional das Incubadoras de Empresas
O movimento nacional de incubadoras teve início em 1987 com o surgimento
da
primeira
incubadora
brasileira:
Secretaria
de
Ciência,
Tecnologia
e
Desenvolvimento de São Paulo, seguida pelo ParqTec no estado da Paraíba e
Fundação CERTI no estado de Santa Catarina, ambas em 1987. Até o ano de 1995
somavam apenas 16 incubadoras em funcionamento (MEDEIROS; 1998). Segundo
a Associação Nacional das Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores
(ANPROTEC, 2007), existem cerca de 400 incubadoras no Brasil, distribuídas por 25
de 27 Unidades da Federação. Consta ainda que mais de 40% das Universidades
Federais contam com uma incubadora.
Segundo o Programa Nacional de Apoio as Incubadoras de Empresas, do
Ministério de Ciência e Tecnologia do Governo Federal (MCT, 2000, p.6) as
incubadoras são definidas como:
1
Pequenos investimentos em novas iniciativas empresariais (FNABA).
18
[...] um mecanismo que estimula a criação e o desenvolvimento de micro e
pequenas empresas industriais ou de prestação de serviços, de base
tecnológica ou de manufaturas leves por meio da formação complementar
do empreendedor em seus aspectos técnicos e gerenciais [...]
Dessa forma compreende-se que as incubadoras constituem um ambiente
flexível, propício ao desenvolvimento de um empreendimento nascente e soma-se a
isso o fato de facilitar o acesso ao conhecimento gerado nas universidades e a
entidades de fomento (RAUPP; BEUREN, 2006).
A implantação de uma incubadora deve ser justificada por um estudo de
viabilidade que leve em consideração a definição do papel das instituições de apoio,
perfil empresarial local, interessados no processo de incubação entre outros
(MEDEIROS, 1998).
Ademais é preciso ter em mente que as incubadoras partem da premissa de
atender a carências do empresariado local e de garantir que seu desenvolvimento
ocorra de maneira planejada e estruturada (MORAES; FIRMO, 2004). Como coloca
Dornelas (2002, p.21):
O principal objetivo de uma incubadora de empresas deve ser a produção
de empresas de sucesso, em constante desenvolvimento, financeiramente
viáveis e competitivas em seu mercado, mesmo após deixarem a
incubadora, geralmente em um prazo de dois a quatro anos.
Segundo a Anprotec (2007), o trabalho desenvolvido pelas incubadoras gera
cerca de 30 mil postos de trabalho diretos; faturamento estimado das empresas
incubadas de 400 milhões de reais e somatório do faturamento estimado de
empresas graduadas (aquelas que concluíram com sucesso o processo de
incubação) estimado em 1,6 bilhão de reais. Os resultados positivos são reforçados
por pesquisa realizada pelo MCT (2001) que constatou que a taxa de mortalidade
entre as empresas que passaram pelo processo de incubação é de menos que 20%,
enquanto a média das empresas que não foram incubadas é de até 49% (SEBRAE,
2004).
Em seus estudos, Raupp e Beuren (2006) descrevem que no Brasil, os tipos
de incubadoras mais comuns são as de Base Tecnológica, Tradicionais e Mistas,
ocorrendo o surgimento de novos tipos de acordo com a demanda da região
(cultural, setorial, social entre outros). O Ministério de Ciência e Tecnologia do
Governo Federal (MCT, 2000) descreve os três tipos predominantes da seguinte
maneira:
19
Incubadoras Tradicionais: abrigam empreendimentos que atuam em áreas da
economia cuja tecnologia encontra-se amplamente disseminada.
Incubadora de Base Tecnológica: abrigam empreendimentos cujos produtos
são resultado de pesquisa aplicada.
Incubadoras Mistas: abriga os dois tipos supracitados.
O objeto de estudo desta pesquisa é uma incubadora de base tecnológica,
pois faz parte do tipo de incubadora que tem maior representatividade em
comparação aos outros dois tipos (RAUPP; BEUREN, 2006).
2.2.1 Caracterização das Incubadoras de Base Tecnológica
Wolffenbüttel (2001, p.23) diz que a incubadora de base tecnológica “abriga
empresas cujos produtos, processos ou serviços são gerados a partir do resultado
de pesquisa aplicadas na qual a tecnologia representa um alto valor agregado”. Em
uma conceituação menos objetiva, Vedovello e Figueiredo (2005) definem que
incubadoras de base tecnológica se diferenciam por voltarem sua atenção a
empresas que promovem inovação, esse conceito é complementado por Patton,
Warren e Bream (2010, p.623; Tradução nossa), que define a atividade de
incubação de empresas de base tecnológica como “atividade que liga de forma
eficaz tecnologia, capital e know-how2 para alavancar o talento empreendedor,
acelerar o desenvolvimento de novas empresas e, assim, a comercialização da
tecnologia”
Consta no Edital de Seleção da Incubadora de Base Tecnológica da
Universidade de Brasília (CDT/UnB, 2010), que as empresas que participam desta
modalidade de incubação atuam em áreas de biotecnologia, nanotecnologia,
biomedicina,
saúde,
geociências,
engenharias,
farmacologia,
tecnologia
da
informação e comunicação ou outras áreas que possam interessar a região em que
atua incubadora.
As Empresas de Base Tecnológica (EBT) são caracterizadas como
empreendimentos comprometidos com pesquisa e desenvolvimento de produtos
e/ou processos inovadores que são fruto de aplicação sistemática do conhecimento
2
Experiência técnica, saber fazer.(ANPROTEC, 2007)
20
técnico. Em comparação com outras organizações, a primeira vista, se diferenciam
pela quantidade reduzida de mão de obra e pela alta capacitação técnica. Soma-se
a isso que a maioria das EBT “têm origens nos spin-off
3
de projetos desenvolvidos
por universidades e centros de pesquisa surgem” (ANDINO et al, 2004, p.3). São,
portanto, empresas que geram produtos e/ou processos inovadores.
Inovação tecnológica é conceituada como “transformação do conhecimento
em produtos, processos e serviços que possam ser colocados no mercado” (MCT,
2000, p.4). Uma empresa que gera produtos ou processo inovadores “é uma
empresa que tenha implantado produtos ou processo tecnologicamente novos com
substancial melhoria tecnológica durante um período de análise” (MANUAL DE
OSLO, 2001, p.55). Sobre inovação em produto, consta no PINTEC (2008) que se
trata de produtos cujas características fundamentais como matérias primas e
softwares
integralizados
diferem
significativamente
de
todos
os
produtos
previamente produzidos.
Conceitua-se processo inovador como métodos de produção novos ou
melhorados. Produto inovador é aquele “cujas características tecnológicas ou usos
pretendidos diferem daquelas dos produtos produzidos anteriormente” (MANUAL DE
OSLO, 2001, p.55). Ainda sobre processos inovadores, a PINTEC (2008, p.19),
define que se referem à “introdução de novos ou substancialmente aprimorados
métodos de produção ou entrega de produtos”.
As incubadoras de base tecnológica se propõem a preencher as lacunas de
capacitação dos gestores de empreendimentos tecnológicos e ajudá-los a enfrentar
as barreiras ambientais, tais lacunas e barreiras são descritas por Martínez (2003
apud ANDINO et al (2004), como:
Dificuldades em transformar uma tecnologia em empresa. Uma vez criada a
tecnologia inovadora, por maior que seja o potencial de crescimento, ainda
existe um longo caminho para transformá-la em empresa.
Os pesquisadores não são empresários. Eles têm capacidade técnica para
gerar inovação, porém lhes faltam competências gerenciais. Diante disso, à
medida que as empresas evoluem, eles têm que mudar sua liderança do foco
científico para o foco empresarial.
3
Empresa oriunda de laboratório e resultado de pesquisa acadêmica ou industrial(ANPROTEC, 2007)
21
O investimento inicial para o desenvolvimento da tecnologia, em geral, é
muito alto, o que constitui risco também muito alto, mas que pode gerar
grande lucratividade.
Para que as carências dos gestores de empresas incubadas sejam supridas,
as
incubadoras,
observadas
as
necessidades
dos
empresários,
oferecem
consultorias, assessorias, entre outras formas de apoio.
2.2.2 Os Serviços Prestados pelas Incubadoras de Empresas
As ações sistemáticas necessárias se dividem em três etapas principais: o
processo de seleção, realização do processo de incubação em si, passando por todo
o apoio administrativo inerente ao processo e por último a graduação da empresas
do processo de incubação (WOLFFENBUTTÜL, 2001). Segundo relatório de
acompanhamento da incubadora em estudo, as empresas levam, em média de 3 a 5
anos para se graduarem.
Salvador, Tutida e Ceretta (2009), revelam em seu estudo que a
disponibilização de espaço físico é um fator que motiva a formação de projetos de
base tecnológica em incubadoras de empresas. Entretanto, não somente a
concessão de espaço físico constitui o apoio oferecido pela incubadora, ela deve
disponibilizar:
Ambiente flexível e encorajador ao empreendedorismo
Capacitação e assessoria técnica e gerencial
Serviços compartilhados: telefone, internet, ambientes para reuniões.
Informações sobre mecanismos de financiamento e instituições de fomento.
Acesso a redes de relacionamento
Como resultado do processo de incubação, Wolffenbüttel (2001) descreve os
seguintes aspectos:
a)transferência para o setor produtivo do conhecimento gerado. b)
criação e desenvolvimento de novas empresas. c) capacitação técnica e
gerencial das empresas. d) cooperação entre a universidade e a
sociedade - No âmbito da universidade, essa cooperação reflete-se no
incremento da qualificação de atividades de ensino e pesquisa [...]. Para
22
a sociedade, referem-se ao estímulo ao desenvolvimento local, pela
formação de novas empresas [...]
Entretanto, para que o trabalho desenvolvido pela incubadora alcance o
melhor resultado possível é necessário saber dos clientes da incubadora, ou seja,
empresários incubados, quais apoios oferecidos têm maior impacto na consolidação
das empresas .
Segundo o Sistema Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas
(SEBRAE, 2003) a falta de capacitação gerencial é o fator mais recorrente em
causas de mortalidade de EBT. Isso ocorre porque as EBT normalmente “são
gerenciadas por pessoas com perfil técnico [...] e as capacidades estão nas áreas de
sistemas, química, eletrônica [...]” (ANDINO et al, 2004).
Entretanto, estudos mostram que os maiores atrativos para as EBT se
candidatarem a um processo de incubação é a disponibilidade de espaço físico e da
possibilidade de apoio financeiro (SALVADOR; TUTIDA; CERETTA, 2009).
2.3 Hélice Tríplice
A incubação de empresas é uma das formas de interação entre universidade
e empresa. Essa relação é baseada na necessidade de transformar o conhecimento
gerado na universidade em produto para a sociedade, que é mantenedora de grande
parte das universidades brasileiras. Trevisan e Silva (2010, p.3) destacam que “as
relações entre as três hélices podem ser consideradas um componente fundamental
para inovação em uma sociedade cada vez mais baseada no conhecimento”.
As parcerias entre universidade e empresa têm mostrado visível crescimento.
Do lado das empresas, como coloca Dagnino (2003), entre os motivos para este
crescimento estão o alto custo de pesquisa para o desenvolvimento de produtos,
possibilidade de compartilhamento de custos e riscos. Segundo Dagnino (2003), do
lado das universidades o que reforça a relação com empresas privadas são as
dificuldades em conseguir recursos para a pesquisa universitária e o desejo de
legitimar o trabalho acadêmico junto à sociedade.
A primeira pá da hélice tríplice é representada pelo governo enquanto
prestador de serviço. Abdalla, Calvosa e Batista (2009) definem que o governo
assume o papel de interventor, por meio de subsídios para ciência e tecnologia,
23
incentivos fiscais e alfandegários, legislação e incentivos a educação e formação
superior para a população.
Trevisan e Silva (2010) definem que a segunda pá de hélice é a universidade,
que por sua vez cria incubadoras, novas fontes de conhecimento e é responsável
estabelecimento de novas áreas de atuação. A terceira pá é representada pelo setor
privado, que se responsabiliza pelo “desenvolvimento de produtos e de serviços
inovadores, promoção da interação com os centros de transferência de tecnologia e
liderança nos processos de mudança” (TREVISAN; SILVA; 2010, p.4).
O Instituto Brasileiro de Geografia Estatística, por meio da Pesquisa de
Inovação Tecnológica (2008) mostrou o índice de empresas inovadoras que
utilizaram programas do governo. O resultado está descrito na Figura1 abaixo:
Figura1: Empresas inovadoras que utilizaram programas do governo no período de 2006-2008.
Fonte: IBGE/PINTEC (2008, p.53).
A atuação do governo na hélice tríplice é representada pela criação de
políticas públicas que incentivem a ciência e tecnologia. A Lei de Inovação e a Lei do
Bem são criações que visam estimular e facultar a geração de empresas inovadoras.
Os tópicos seguintes discorrerão sobre a Lei de Inovação e a Lei do Bem.
24
2.4 Lei de Inovação
Embora a Constituição Federal (CF; 1988), defina o papel do Estado como
incentivador a ações voltadas para a ciência tecnologia, apenas nos últimos anos o
Estado tem feito esforços nesse sentido. Segundo Pereira e Kruglianskas (2005),
isso se revela por meio da criação de Planos Plurianuais e na construção de planos
estratégicos para a ciência, a tecnologia e a inovação.
Entre os esforços do governo para estimular a inovação e a pesquisa em
âmbito produtivo está a Lei n° 10.973, popularmente conhecida como “Lei de
Inovação”, que foi promulgada em dezembro de 2004 e, segundo o MCT (2008),
atua em torno de três vertentes:
Constituição de ambiente propício a parcerias estratégicas entre
universidades, instituições de ciência e tecnologia (ICT) e empresas:
estímulo ao compartilhamento de laboratórios, infraestrutura e recursos
humanos com empresas privadas mediante remuneração.
Estímulo a participação de instituições de ciência e tecnologia no
processo de inovação: faculta a celebração de contratos de
transferência de tecnologia e licenciamento de patentes por parte das
ICT.
Incentivo a inovação em empresas privadas: “estímulo a maior
contribuição do setor produtivo em relação a alocação de recurso
financeiro na promoção da inovação” (MCT; 2008, site do MCT)
Entre os dispostos na Lei está a possibilidade de contratação, por órgãos e
entidades públicas, de empresas voltadas para a pesquisa visando a obtenção de
produtos ou processos inovadores. (Lei 10.973, Art. 20; 2004). Possibilita ainda a
“admissão de professor, pesquisador e tecnólogo substitutos para suprir a falta de
professor, pesquisador ou tecnólogo ocupante de cargo efetivo, decorrente de
licença para exercer atividade empresarial relativa à inovação” (Lei 10.973, Art. 24;
2004).
Segundo Pereira e Kruglianskas (2005), em comparação a legislação para
inovação da França, percebe-se semelhanças nos objetivos da lei. A lei francesa
visa facilitar a transferência de tecnologia, gerar mobilidade para os pesquisadores e
25
cooperação entre setor público e privado o que em muito se assemelha com as
vertentes principais da Lei de Inovação.
2.5 Lei do Bem
A Lei n° 11.196, popularmente conhecida como Lei do Bem, por determinação
da Lei n° 10.973 (Lei de Inovação) e regulamentado pelo Decreto n° 5.798 editou
seu Capítulo III, artigos 17 a 26 de forma que possibilite a pessoas jurídicas o
usufruto de incentivos fiscais de forma automática desde que realizem pesquisa
tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica (MCT; 2008).
Segundo o MCT (2008), os incentivos do Capítulo III da Lei do Bem têm foco
em incentivos fiscais. Alguns deles são:
Redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados para compra de
equipamentos para pesquisa e desenvolvimento.
Redução do Imposto de Renda retido na fonte incidido sobre massa ao
exterior resultante de contratos de transferência de tecnologia ou
destinada à manutenção de marcas, patentes e cultivares.
Amortização acelerada de bens intangíveis.
A promulgação das duas leis reforça a afirmação de Pereira e Kruglianskas
(2005) sobre ações estratégicas do governo para fomentar e facultar o
desenvolvimento de empresas que geram produtos inovadores.
26
3 MÉTODOS E TÉCNICAS DE PESQUISA
3.1 Tipo e descrição geral da pesquisa
Quanto aos fins, a pesquisa tem caráter exploratório e descritivo e quanto aos
meios, trata-se de uma pesquisa de campo.
A pesquisa é exploratória por sua natureza de sondagem e por não comportar
hipóteses (ROESCH, 2006), tem por função descobrir atributos e não tem a intenção
de testar hipóteses específicas de pesquisa. É descritiva por expor características da
população e por não ter compromisso em explicar os fenômenos que descreve
(ROESCH, 2006). O planejamento dessa pesquisa envolverá: análise documental da
incubadora de empresas e entrevista em grupo com gestores de empresas
incubadas e aplicação de questionário.
A pesquisa é qualificada como pesquisa de campo, pois foi realizada no local
onde ocorrem os fenômenos ou que possui elementos para explicá-los (ROESCH,
2006).
A natureza da pesquisa é qualitativa, pois essa permite maior compreensão
do fenômeno a ser estudado e sua execução será por meio de entrevistas com o
grupo, com um roteiro estruturado, caracterizando assim a utilização de dados
primários. A pesquisa também é um estudo de caso, pois examina um fenômeno
contemporâneo dentro de seu contexto (VERGARA; 2006).
Para estruturação da metodologia de coleta de dados, acessou-se a relatórios
de serviços prestados pela incubadora nos últimos três anos. A documentação foi
cedida pela incubadora para análise, mas não foi permitido anexar o conteúdo dos
relatórios a esta pesquisa.
Para enriquecer os resultados deste trabalho, além da aplicação individual de
questionário, foi aplicada, no primeiro momento, uma metodologia diferenciada de
diálogo colaborativo entre indivíduos, por meio da qual eles podem compartilhar
27
seus conhecimentos e experiências e descobrir novas oportunidades de ação
conjunta.
3.2 Caracterização da organização setor ou área
O Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de
Brasília (CDT/UnB) tem por objetivo promover e apoiar o empreendedorismo e o
desenvolvimento tecnológico por meio da relação universidade, governo, empresas
e sociedade, trazendo fortalecimento econômico e social para a região.
Atualmente
o
CDT/UnB
mantém
seis
programas
permanentes
–
Multincubadora de Empresas, Empreend, Programa Jovem Empreendedor, Sistema
Brasileiro de Respostas Técnicas (SBRT), Disque Tecnologia e Programa Empresa
Júnior e três núcleos – Núcleo de Credenciamento de Laboratórios (NACLI), Núcleo
de Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia (NUPITEC) e o Núcleo de
Inteligência Competitiva.
O CDT/UnB abriga o programa Multincubadora de Empresas. Além da
Incubadora de Base Tecnológica, objeto deste estudo, o programa Multincubadora
oferece à comunidade as modalidades de incubação Tradicional, Design, Social e
Solidária e Arte e Cultura.
O levantamento de 2007 dos resultados da Incubadora de Base Tecnológica
mostra que a incubadora, desde 1989, apoiou 98 empreendimentos, dos quais 46
concluíram o processo de incubação com sucesso (Graduação). Atualmente o
programa apóia 11 empresas em fase de incubação e 8 empreendimentos no Hotel
de Projetos, programa de pré-incubação da Multincubadora de Empresas.(Portal
CDT/UnB; 2010).
3.3 Participantes do estudo
Para cumprir os objetivos deste estudo, os participantes foram selecionados
pelo seguinte critério: gestor de empresa em processo de incubação e/ou membros
da equipe que participem de tomadas de decisão estratégicas dentro da empresa.
28
A pesquisa será realizada no Centro de Apoio ao Desenvolvimento
Tecnológico, com os representantes das empresas incubadas da incubadora de
base tecnológica, a escolha do grupo visa atender ao objetivo específico deste
estudo que pretende descrever a percepção dos gestores de empresas incubadas
sobre os apoios oferecidos no processo de incubação.
3.4 Caracterização dos instrumentos de pesquisa
A coleta de dados será feita em três momentos: no primeiro momento, foi
realizada uma análise de relatórios de serviços prestados pela incubadora nos
últimos 3 anos, essa análise foi necessária para a descrição dos suportes oferecidos
pela incubadora. No segundo momento, foi realizada a dinâmica de aplicação da
metodologia The World Café, da qual participaram gestores de empresas incubadas.
Foram montadas três mesas de diálogo cada uma com um tema pré-definido e que
atenda ao objetivo geral da pesquisa. Cada tema proposto foi acompanhado de um
parágrafo de esclarecimento sobre que tópicos devem ser discutidos acerca daquele
assunto. Essa estrutura encontra-se no Apêndice A.
No terceiro momento foi aplicado um instrumento construído para este estudo.
O instrumento não é validado e é composto por 4 questões objetivas, sendo que
uma delas é composta por 6 itens (correspondentes aos suportes oferecidos pela
incubadora) e a outra por 7 (os serviços prestados pela incubadora mais a
possibilidade de parceria com outras empresas incubadas), que pretendem mostrar
quais apoios motivaram a entrada no processo de incubação e quais apoios foram
mais importantes para a consolidação da empresa. O questionário encontra-se no
Apêndice B.
Foi realizada uma aplicação piloto do questionário para verificar se o
entendimento do entrevistado correspondia ao entendimento necessário para
alcançar o objetivo desta pesquisa.
Neste estudo, Incubadora de Empresas será abordada segundo a
conceituação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT, 2000, p.6):
[...] um mecanismo que estimula a criação e o desenvolvimento de micro e
pequenas empresas industriais ou de prestação de serviços, de base
29
tecnológica ou de manufaturas leves por meio da formação complementar
do empreendedor em seus aspectos técnicos e gerenciais [...]
3.5 Procedimentos de coleta e de análise de dados
A coleta de dados foi realizada por meio de análise documental, entrevista em
grupo por meio da metodologia The World Café e aplicação de questionário
individual via e-mail.
A metodologia The World Café foi realizada com os gestores das empresas
incubadas. Ocorreu no dia 10 de janeiro de 2011, teve duração aproximada de 2
horas e 30 minutos. Participaram 12 empresários que representavam 7 empresas
incubadas, o evento foi gravado em vídeo e posteriormente as falas foram
transcritas para que se pudesse captar momentos em que os empresários falaram
de opiniões e vivências no processo de incubação. Às áreas de atuação das
empresas foram: criogenia, nanotecnologia, educação à distância, de tecnologia da
informação, jogos eletrônicos e microeletrônica.
Na entrevista foi exposto aos participantes o que a pesquisa visa descrever.
Foi ressaltada a importância da participação e da sinceridade de cada um deles. A
informação foi tratada de forma coletiva.
3.5.1 Metodologia The World Cafe
O The World Café é uma metodologia inovadora de diálogos colaborativos
que facilita a discussão sobre temas relevantes (BROWN; ISAACS, 2007). Essa
metodologia é baseada em sete princípios:
Estabeleça o contexto – estabelecer o contexto é a criação de fronteiras
flexíveis nas quais se desenvolve o processo de aprendizagem ou diálogo do
grupo.
Crie um espaço acolhedor – por meio da transformação dos espaços
tradicionais de reuniões, essa metodologia promove a reconfiguração do
30
layout dos ambientes corporativos e torna-os espaços semelhantes a
Cafeterias.
Exploração de questões significativas – as perguntas feitas aos participantes
devem ser sobre um tema relevante para todos e devem ser estruturadas de
maneira esclarecedora, tendo em foco as resposta que pretende obter.
Estímulo a contribuição de todos – os participantes devem contribuir de
maneira uniforme, independente de posição hierárquica. Este princípio
fomente a exposição das experiências pessoais dos participantes.
Promoção de polinização e conexão de diferentes pontos de vista – as
discussões a cerca do tema proposto devem ser disseminadas entre os
participantes e as diferenças devem se entendidas como elementos
agregadores de valor.
Escutar juntos para identificar padrões, percepções e questões mais
profundas – capacidade de atrair tanto no nível individual quanto coletivo,
insight de novos padrões ou alternativas inovadoras.
Colher e compartilhar descobertas coletivas – em um momento de
conversação do tipo reunião comunitária, as pessoas falam sobre o que foi
discutido em sua mesa.
Entretanto para compreensão da metodologia é preciso que alguns papéis
sejam esclarecidos.
A) O papel do Anfitrião de Mesa
Orientado pela pergunta “e se ser anfitrião significasse acolher a todos que
chegarem?”, o papel do anfitrião é receber os participantes de outras mesas e
apresentar a eles o tema daquela mesa, as discussões anteriores, as questões
levantadas de forma sintetizada, reiniciar a discussão a cerca do tema central
daquela mesa.
Soma-se a isso, que o Anfitrião deve observar a discussão, ligar as idéias
lançadas e fazer uma ponte com os insights de rodadas anteriores.
A aplicação do princípio de estímulo da participação de todos também é papel
do Anfitrião. Ele deve chamar todos os componentes da mesa a participarem
ativamente da discussão, a discorrerem sobre suas experiências e a explicitarem
sua opinião a respeito do assunto da mesa.
31
B) Dinâmica de aplicação da metodologia The World Café.
A aplicação prática da metodologia inicia com a preparação do ambiente em
que ela acorrerá. O ambiente deve ser estrutura de forma acolhedora. A proposição
de layout procura semelhança com os Cafés: mesas pequenas, com até cinco
cadeiras. As mesas são forradas com papéis do tipo flip chart, nesses papéis serão
anotados os insights, os pontos principais e comentários mais relevantes sobre o
tema. É disponibilizado para os participantes pincéis de várias cores para que
desenhem e exponham suas idéias.
No segundo momento são explicados aos participantes os fundamentos da
metodologia, os temas a serem discutidos e a como será a dinâmica. Os temas
discutidos podem ser pré-definidos ou oriundos de um brainstorm com os presentes,
ressalta-se que os temas devem ser do interesse de todos.
A prática da dinâmica em seguem o seguinte roteiro:
Os participantes se distribuem entre mesas e cada mesa delas elege o
Anfitrião. Inicia-se então a primeira rodada. As rodadas têm curta duração, em torno
de 15 minutos, durante esse tempo as discussões devem manter-se focadas no
assunto da mesa.
Ao encerrar a primeira rodada, o Anfitrião permanece na mesa e os outros
membros se dirigem a outras mesas. Os Anfitriões sintetizam as idéias discutidas
para os novos membros da mesa e dão início a exposição de novas idéias.
Na terceira rodada, os participantes voltam para a mesa de origem, aquela
em que estavam na primeira rodada. O Anfitrião expõe o que foi discutido nas
rodadas anteriores e após um momento de reflexão do grupo, é aberto um espaço
de discussão.
Esse momento é chamado de Plenária, o objetivo é que um membro de cada
mesa, não necessariamente o Anfitrião, exponha a todo o grupo o que foi discutido
em sua mesa durante as três rodadas.
A aplicação da metodologia neste estudo se justifica pelo fato de ser eficaz
para diálogos corporativos, ambiente em que estão inseridos os gestores de
empresas incubadas, e por promover uma discussão enriquecida por ser fruto da
opinião do grupo.
32
3.5.2 Questionário aplicado
O questionário foi aplicado via e-mail. Nessa etapa foram incluídos
representantes de empresas incubadas e também representantes de empresas
graduadas (empresas que concluíram com sucesso o processo de incubação). Ao
todo, 12 empresas responderam o questionário, 7 empresas incubadas e 5
empresas graduadas.
As informações dos questionários foram captadas da seguinte forma: Cada
item do questionário representava um apoio oferecido e era medido em uma escala
Osgood itemizada em cinco pontos. Em uma extremidade constava “Pouco
importante” e na outra “Muito Importante”.
O cálculo foi feito com a somatória da multiplicação do score pela freqüência.
Para a análise do resultado desse cálculo, foi utilizada a técnica de escala somada.
Dessa forma foi possível visualizar os resultados de forma mais clara.
A técnica de escala somada foi aplicada em três momentos. Primeiro quando
tratou-se dos suportes que foram mais atrativos para a incubação, em segundo
quando tratou-se dos suportes que foram mais importantes para a consolidação da
empresa e no terceiro momento quando se relacionou os fatores mais importantes
para a consolidação com a resposta das empresas com maior faturamento.
A escala somada do primeiro e segundo momentos apresentava escalas
idênticas, pois ambas se referiam a um volume de 12 respondentes e uma escala de
5 pontos. Essa escala somada está representada na Tabela1.
Tabela1: Escala somada para 12 respondentes e escala de 5 pontos.
12 - 24
25 - 36
37 - 48
49 – 60
O terceiro momento de análise leva em consideração empresas com maior
faturamento, por isso o número de respondentes reduziu para 9. A escala somada
está representada na Tabela2:
Tabela2: Escala somada para 9 respondentes e escala de 5 pontos.
09 - 18
19 - 27
28 - 36
37 - 45
33
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para apresentação dos resultados será apresentada uma descrição dos
serviços prestados pela incubadora, em seguida serão descritos os resultados sobre
expectativas dos empresários em relação ao processo de incubação e resultados
sobre quais dos apoios foram mais importantes para a consolidação da empresa.
Primeiro serão discutidos os resultados gerais e em seguida será feita uma análise
levando em consideração o faturamento das empresas.
Juntamente com a apresentação dos resultados será feita a discussão e
comparação com elementos teóricos a respeito desse tema.
4.1 Serviços prestados pela incubadora de empresas
A Incubadora de Base Tecnológica do CDT/UnB oferece às empresas
incubadas os seguintes apoios:
Suporte oferecido
Descrição
Infraestrutura
compartilhada
Salas de reunião, salas de treinamento, auditórios, serviço de
copa, limpeza e recepção e internet.
Infraestrutura da
universidade
Acesso a laboratórios, relacionamento com professores e
departamentos
Desenvolvimento
de perfil
empresarial
Consultorias
Curso de oratória, relacionamento interpessoal, educação
financeira e propriedade intelectual.
Cursos de instituições parceiras
EMPRETEC - seminário que tem por objetivo desenvolver, nos
participantes,
características
de
comportamentos
empreendedores. Oferecido pelo SEBRAE.
Coaching Adventure – metodologia de desenvolvimento
humano e organizacional.
Consultorias nas áreas de marketing, jurídico, finanças.
Quadro2: descrição de apoios oferecidos pela incubadora de empresa de base tecnológica.
Fonte: criação própria com base em informações disponibilizadas pela incubadora.
Continuação do quadro na página seguinte.
34
Uso da marca
Acesso a outros
programas do
CDT/UnB
Aplicação da marca CDT/UnB em qualquer material gráfico
da empresa.
NUPITEC – apoio em questões de propriedade intelectual.
Disque Tecnologia - apoio para encontrar especialistas
dentro da universidade
Núcleo de Projetos – orientação para escrever projetos
para editais.
Programa Empresa Júnior – apoio na contratação de
empresas juniores.
Continuação do Quadro1.
Medeiros (1998) descreveu os serviços prestados por incubadoras de
empresas como de infraestrutura física e administrativa (espaços compartilhados,
copa, recepção) e serviços especializados (consultorias e assessorias). A
observação da incubadora de empresas do CDT/UnB mostrou que os serviços
prestados por ela atendem à descrição de Medeiros (1998).
Entretanto, o apoio oferecido pelas incubadoras não deve se restringir aos
benefícios tradicionais de infraestrutura física e serviços especializados, mas devem
se estender a disponibilização de serviços de alto valor agregado como a criação de
redes de relacionamento, como colocam Serra et all(2010). A incubadora, objeto
deste estudo, promove a relação das empresas incubadas com a universidade por
meio de parcerias com laboratório e professores, além do acesso a outros
programas que podem ser de interesse das empresas, o que faculta a formação da
rede contatos das empresas incubadas.
4.2 Expectativas dos empresários em relação à incubação de
empresas
Parte da pesquisa buscou mostrar qual/quais dos suportes oferecidos pela
Incubadora de Base Tecnológica foram mais atrativos para o ingresso da empresa
no processo de incubação. Para ilustrar a opinião dos empresários a respeito dos
apoios oferecidos pela incubadora, retirados da dinâmica The World Café que foi
aplicada aos empresários foram transcritas algumas falas.
35
1. Infraestrutura oferecida pela incubadora: salas de reunião, sala para a
empresa, salas de treinamento, copa, recepção, auditório.
“Poder ter uma sala na UnB dá certa visibilidade e o preço em relação
à estrutura é bom... isso chama a atenção”
2. Acesso a estrutura da universidade: laboratórios, professores, departamentos.
“No meu caso, a gente já sabia que ia precisar usar laboratório, mas
para quem está fora da UnB é mais complicado conseguir bons
contatos...”
“A gente ainda não precisou usar laboratórios...”
3. Capacitação do perfil empresarial: oratória, relacionamento interpessoal,
Coaching Adventure, Empretec.
“Os cursos de capacitação não chamaram tanto a atenção porque eu
achava que não precisava desse tipo de apoio. O Coaching Adventure
e o EMPRETEC, por exemplo, eu nem imaginava do que se tratava.”
4. Acesso a consultorias oferecidas durante o processo de incubação
“A consultoria é uma forma de receber uma orientação sobre algum
tema que os sócios não dominam... é importante para quem está
começando...”
5. Permissão de uso da Marca CDT/UnB em material gráfico e site da empresa.
“A marca da UnB em um site dá certo respeito e credibilidade para a
empresa...”
6. Acesso a outros programas do CDT/UnB: NUPITEC, SBRT, Disque
Tecnologia, Empreend, Núcleo de Projetos.
“A Empresa X só conheceu o trabalho da maioria dos programas
depois que foi incubada”.
“Alguns programas me chamaram a atenção...”
Na Tabela 3 está representado, de acordo com a tabulação do questionário
aplicado via web, os suportes que, segundo os empresários incubados e graduados,
foram mais atrativos para o ingresso no processo de incubação. Em seguida está
reapresentada Tabela 1 que corresponde a escala somada para 12 respondentes e
escala de 5 pontos.
36
Tabela3: Apoios que estimularam o ingresso no processo de incubação.
Apoios
1. Infraestrutura oferecida pela incubadora
0
1
4
4
3
45
2. Acesso a infraestrutura da universidade
2
3
1
3
3
38
3. Capacitação do perfil empresarial
1
2
4
3
2
39
0
3
0
3
6
5. Permissão para uso da marca CDT/UnB
3
1
1
2
5
41
6. Acesso a outros programas do CDT/UnB
3
3
2
4
1
36
4. Consultorias oferecidas durante a
incubação
48
Freqüência
Pouco
Muito
Importante Importante Soma
1
2
3
4
5
Escala
Tabela1: Escala somada para 12 respondentes e escala de 5 pontos.
12 - 24
25 - 36
37 - 48
49 – 60
Essa comparação mostra que, de forma geral, os apoios oferecidos pela
incubadora têm o mesmo grau de atração para os empresários incubados, pois a
maioria deles se encontra na terceira faixa (37-48), mais próximo do extremo positivo
(Muito Importante).
Salvador, Tutida e Ceretta (2009) encontraram em sua pesquisa que a
infraestrutura oferecida é o apoio mais atrativo para os empresários, esta pesquisa
mostrou que para os empresários incubados da incubadora de empresas do
CDT/UnB a infraestrutura da incubadora, acesso a universidade, capacitação do
perfil empresarial, consultorias e assessorias e permissão do uso da marca
CDT/UnB em materiais gráficos representação graus de atração muito próximos,
sem destaque para nenhum deles em especial.
O apoio descrito como acesso a outros programas do CDT/UnB é o suporte
com menos grau de atratividade posto que se encontra na segunda faixa (25-36) da
escala somada, mais próximo do extremo negativo (Pouco Importante).
Ao analisar as falas transcritas, percebe-se a conformidade com o resultado
do questionário. A avaliação de atratividade para os apoios oferecidos é positiva de
um modo geral, entretanto nenhum deles é avaliado com destaque.
37
Ademais esse resultado reforça a afirmação de Serra et all (2010) que diz que
as incubadoras devem ultrapassar a barreira dos serviços tradicionais e oferecerem
serviços que gerem valor agregado. Dentre os serviços prestados pela incubadora
em estudo percebeu-se que não há destaque para nenhum dos apoios oferecidos ou
que para os empresários fosse especialmente atrativo.
4.3 Fatores que tiveram maior impacto na consolidação das
empresas incubadas
Este tópico trata dos suportes oferecidos pela incubadora que foram mais
importantes para consolidação da empresa. Para ilustrar, serão transcritas algumas
frases ditas pelos empresários incubados durante aplicação da metodologia The
World Café e depois será apresentado o resultado do questionário aplicado aos
empresários incubados e graduados.
Sobre os suportes oferecidos e a relação deles com o sucesso da empresa
incubada, os empresários disseram que:
1. Infraestrutura oferecida pela incubadora: salas de reunião, sala para a
empresa, salas de treinamento, copa, recepção, auditório.
“Para quem é incubado à distância é mais difícil achar um tempo para vir até
a incubadora”
“Ter uma sala dentro do CDT é muito bom, primeiro pelo preço que é baixo
em relação aos imóveis na Asa Sul e Asa Norte e também porque a gente fica
próximo ao pessoal da incubadora”.
2. Acesso a estrutura da universidade: laboratórios, professores, departamentos.
“Para que precisa usar laboratórios... é muito bom, mas acho que a maioria
das empresas não usou nenhum ainda...”
3. Capacitação do perfil empresarial: oratória, relacionamento interpessoal,
Coaching Adventure, Empretec.
“Ah... alguns cursos são muito bons e tem efeito como é o caso do
Empretec, mas outros, como o de relacionamento interpessoal, são
pouco aprofundados.”
38
“... durante os cursos temos a oportunidade de conversar com outros
empresários, é um tempo que a gente tem para trocar experiências...”
4. Acesso a consultorias oferecidas durante o processo de incubação
“As consultorias ajudam bastante, principalmente nas áreas de
administração, mas a gente sente falta de consultorias na área da
empresa”.
5. Permissão para uso da marca CDT/UnB.
“Quando a gente coloca a marca num site ou cartão dá certa
credibilidade, mas não sei se é uma coisa que chega a ter muito
impacto.”
6. Acesso a outros programas do CDT/UnB: NUPITEC, SBRT, Disque
Tecnologia, Empreend, Núcleo de Projetos.
“Quando a Empresa Y tentou contato com o NUPITEC pareceu que
eles não queriam atender empresa incubada... teve muita burocracia”.
7. Parceria com outras empresas incubadas.
“A gente encontrou um parceiro aqui dentro da incubadora... a
Empresa X trabalha com a Empresa Z há mais de um ano
desenvolvendo o produto deles...”
Na Tabela 4 está representado, de acordo com a tabulação do questionário
aplicado via web, os suportes que, segundo os empresários incubados e graduados,
tiveram maior importância para a consolidação das empresas incubadas.
Tabela4: Apoios que tiveram maior importância para a consolidação da empresa.
Apoios
Pouco
Muito
Importante Importante Soma
1
2
3
4
5
1. Infraestrutura oferecida pela incubadora
0
4
3
2
3
40
2. Acesso a infraestrutura da universidade
2
4
2
3
1
33
3. Capacitação do perfil empresarial
0
5
2
4
1
37
4. Consultorias oferecidas durante a incubação
1
2
2
5
2
41
5. Permissão para uso da marca CDT/UnB
4
2
1
1
4
35
6. Acesso a outros programas do CDT/UnB
6
3
0
2
1
25
7. Parceria com outras empresas incubadas
1
3
1
3
4
42
Freqüência
Escala
39
Em seguida está reapresentada Tabela 1 que corresponde a escala somada
para 12 respondentes e escala de 5 pontos.
Tabela1: Escala somada para 12 respondentes e escala de 5 pontos.
12 - 24
25 - 36
49 – 60
37 - 48
Para uma avaliação mais apurada dos suportes que tem maior importância
para a consolidação das empresas incubadas, foi feita uma segunda análise das
respostas dos empresários ao questionário, levando em consideração as empresas
com maior faturamento. Foram consideradas as faixas “Até R$ 5.000,00” e “Acima
de R$ 10.000,00”, pois não houve nenhuma resposta para a faixa “Entre R$
5.000,00 e R$ 10.000,00”.
A Tabela5 mostra o resultado dessa segunda análise.
Tabela5: Apoios que tiveram maior importância para a consolidação da empresa para
empresas com maior faturamento.
Apoios
1. Infraestrutura oferecida pela incubadora
0
4
2
1
2
34
2. Acesso a infraestrutura da universidade
2
3
2
2
0
22
3. Capacitação do perfil empresarial
0
4
2
2
1
23
4. Consultorias oferecidas durante a incubação
1
0
2
5
1
32
5. Permissão para uso da marca CDT/UnB
2
2
0
1
4
30
6. Acesso a outros programas do CDT/UnB
5
3
1
0
0
12
7. Parceria com outras empresas incubadas
0
2
1
2
4
35
Freqüência
Pouco
Muito
Importante Importante Soma
1
2
3
4
5
Escala
Em seguida está representada Tabela 2 que corresponde a escala somada
para 12 respondentes e escala de 5 pontos.
Tabela2: Escala somada para 9 respondentes e escala de 5 pontos.
09 - 18
19 - 27
28 - 36
37 - 45
40
A comparação das duas análises mostrou diferenças entre as opiniões dos
empresários. Na primeira análise, a infraestrutura da incubadora, capacitação do
perfil empresarial, consultorias oferecidas e parceria com outras empresas
incubadas ficaram na terceira faixa (37-48), próximas ao extremo positivo (Muito
Importante. Enquanto o acesso a infraestrutura da universidade, uso da marca
CDT/UnB e acesso a outros programas do CDT/UnB ficaram na segunda faixa (2537), mais próximo ao extremo negativo (Pouco Importante).
Entretanto, quando foi levado em consideração o faturamento da empresa,
houve mudança considerável no resultado. Segundo os representantes das
empresas com maior faturamento, os apoios mais importantes para a consolidação
da empresa foram a infraestrutura da incubadora, as consultorias oferecidas, uso da
marca CDT/UnB e as parcerias com outras empresas incubadas, esses suportes
ficaram na terceira faixa (28-36). O acesso a infraestrutura da universidade e a
capacitação do perfil empresarial ficaram na segunda faixa (19-27) e o acesso a
outros programas do CDT/UnB ficou na primeira faixa (09-18).
As semelhanças entre as duas análises foram que ambas, a infraestrutura da
incubadora, as consultorias e a parceria com outras empresas incubadas foram
considerados os apoios mais importantes para a consolidação da empresa.
Entretanto, em nenhum das duas análises houve destaque para algum apoio em
especial.
O MCT (2000) em seu Manual de Implantação de Incubadoras define que as
incubadoras de empresas, entre outros, devem promover cultura empreendedora,
promover a interação entre micro e pequenas empresas incubadas e estimular a
associação entre pesquisadores e empresários. Silva (2009) descreve que para os
empreendedores, as vantagens da incubação são advindas de questões como a
aproximação do conhecimento teórico e a prática, estabelecimentos de redes
estratégicas
de
relacionamento,
incentivo
às
práticas
gerenciais
para
a
competitividade, acesso a equipamentos para pesquisa e desenvolvimento e
redução de custos operacionais.
Esta pesquisa se assemelhou em alguns aspectos com o que colocou Silva
(2009), os empresários julgam como importante a infraestrutura da incubadora, as
consultorias e a rede de relacionamento formada com outros empresários
incubados.
41
Entretanto, a pesquisa discorda de Silva (2009) quando mostra que para as
empresas incubadas com maior faturamento, o acesso a universidade, por meio da
qual poderiam utilizar laboratórios e equipamentos, e a capacitação empresarial são
considerados pouco importantes para a consolidação da empresa.
Na fala de um dos empresários, foi citada a falta de consultoria na área de
atuação da empresa. Lima (2010) descreveu que entre os fatores que constituem
obstáculos na implantação de produtos ou processos inovadores estão a falta de
serviços técnicos especializados, pouca informação sobre mercado e necessidades
dos clientes e escassez de informações sobre tecnologia. Neste ponto observou-se
uma carência nos serviços prestados pela incubadora: falta de consultoria
tecnológica para as empresas incubadas.
42
5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
A incubação de empresas tem por objetivo reduzir a mortalidade de micro
empresas por meio da capacitação e do apoio administrativo. Em se tratando de
incubação de empresas de base tecnológica, soma-se aos dois objetivos citados, o
estímulo a pesquisa científica e tecnológica, a transferência de tecnologia e a
legitimação do trabalha acadêmico perante a sociedade. Os empresários, por sua
vez, enxergam na incubação a oportunidade de receber apoio e orientação e a
possibilidade de dividir riscos e custos.
Para que esta relação seja próspera e gere bons frutos, é salutar que haja
entendimento e aceitação dos interesses das partes.
O objetivo geral desta pesquisa era visualizar quais apoios oferecidos pela
incubadora são percebidos como atrativos para o processo de incubação e quais
são mais importantes para a consolidação da empresa. Os resultados atenderam ao
propósito deste projeto.
Considerando uma visão geral, pode-se perceber que as empresas incubadas
no CDT/UnB consideram como mais atrativo no processo de incubação, em primeiro
lugar as consultorias oferecidas e em segundo a possibilidade de utilizar a
infraestrutura oferecida pela incubadora. Quanto aos suportes que tem maior
impacto na consolidação da empresa estão a possibilidade de parceria com outras
empresas incubadas e em segunda as consultorias realizadas durante o processo
de incubação.
De forma geral o que se pode perceber é que os empresários buscam, antes
de estarem incubados, orientação posto que descrevem as consultorias como apoio
mais atrativo, e o estabelecimento físico da empresa na incubadora. Ao passo que
no segundo momento, já incubados, percebem que a rede de relacionamentos
(parceria com outras empresas incubadas) é o fator mais importante para a
consolidação da empresa.
Os resultados desta pesquisa podem ser utilizados com insumo para a
tomada de decisão por parte da gerência da incubadora em estudo, tendo em vista
que este estudo revelou algumas carências da incubadora e que são percebidas
pelos empresários. Pode contribuir para a produção literária, pois a literatura sobre
incubação é vasta, entretanto, existem poucos artigos que falem sobre o que é
43
atrativo para os empresários e o que é visto como impactante sobre a consolidação
da empresa para empresários incubados. Foram encontrados apenas 4 artigos que
tratam da avaliação do desempenho das incubadoras ou dos suportes oferecidos
por elas.
Por meio dos resultados deste estudo pôde-se visualizar quais suportes foram
atrativos e quais têm importância para a consolidação da empresa. Entretanto, por
ter se limitado à análise da opinião dos empresários incubados de uma incubadora,
se faz necessária a realização de mais estudos que se estendam a outras
incubadoras para reforçar ou reajustar os resultados desta pesquisa.
Por fim, os apoios atrativos e os que impactam sobre a consolidação da
empresa ficaram claros nesta pesquisa, entretanto, os resultados refletem a
realidade de uma incubadora de empresas. Para resultados mais consistentes e que
reflitam uma realidade regional ou até nacional, é preciso que pesquisas como esta
sejam realizadas em outras incubadoras. Isso possibilitaria tomadas de decisão mais
adequadas por parte da gerência das incubadoras.
44
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Dissertação de Mestrado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.
2001.
48
APÊNDICES
Apêndice A – Tema proposto em cada mesa de diálogo
Mesa 1
Nesta mesa será proposta uma discussão dobre os aspectos de Capacitação
Gerencial e Desenvolvimento pessoal dos empresários. Os dois temas serão
caracterizados da seguinte maneira:
Capacitação Gerencial – consultoria jurídica, contábil, de marketing,
capacitação, curso de Vendas Complexas, curso para formulação de projetos
e apoio na estruturação da empresa.
Desenvolvimento pessoal – capacitação empreendedora por meio de cursos
como o EMPRETEC, relacionamento interpessoal, oratória e Coaching
Adventure.
Mesa 2
Esta mesa discutirá a disponibilização de informações estratégicas e apoio na
relação universidade empresa, estes dois tópicos foram caracterizados por:
Permissão para uso da marca CDT/UnB
Acesso a outros programas do CDT que possam ser de interesse das
empresas como SBRT (Sistema Brasileiro de Respostas Técnicas), Disque
Tecnologia, NUPITEC (Núcleo de proteção a propriedade intelectual).
Mesa 3
A terceira mesa discutirá a questões financeiras e estrutura física disponibilizada.
Infraestrutura oferecida pela incubadora - salas de reunião, copa, recepção,
salas de treinamento.
Relação Universidade - Empresas – acesso facilitado aos laboratórios da
universidade, acesso a banco de dados de professores da área de atuação
da empresa.
49
Apêndice B – Questionário aplicado às empresas incubadas e
graduadas via e-mail
Este questionário tem por objetivo descrever a percepção dos empresários a
respeito do processo de incubação do Programa Multincubadora de Empresas do
Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília.
Q.1 - Empresa
( ) Incubada
( ) Graduada
Q.2 - Faturamento mensal médio da empresa
( ) Sem faturamento
( ) Até R$ 5.000,00
( ) Entre R$ 5.000,00 e R$ 10.000,00
( ) Acima de R$ 10.000,00
Q.3 - Pensando nos suportes oferecidos pelo Programa Multincubadora de
Empresas, classifique cada um deles conforme o grau de importância que teve para
sua decisão de ingressar no processo de incubação. Assinale “1” para “Pouco
Importante” e “5” para “Muito Importante”.
I.1 – Acesso à Infraestrutura oferecida pela Incubadora (Salas de reunião,
auditório, copa, recepção).
Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante
I.2 – Acesso à infraestrutura da Universidade (laboratórios, professores e
departamentos)
Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante
I.3 – Acesso à capacitações do perfil empresarial oferecida durante o
processo
de
incubação
(Oratória,
Relacionamento
Interpessoal,
Educação
Financeira, Propriedade Intelectual, EMPRETEC, Coaching Adventure).
Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante
I.4 – Acesso à consultorias oferecidas durante o processo de incubação:
Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante
50
I.5 – Permissão para o uso da marca CDT/UnB em site e materiais gráficos da
empresa.
Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante
I.6 – Acesso a outros programas do CDT/UnB (NUPITEC, SBRT, Disque
Tecnologia, Empreend, Núcleo de Projetos).
Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante
Q.4 - Avalie qual dos apoios prestados, durante o processo, de incubação teve
maior importância para a consolidação da empresa:
I.1 – Acesso à Infraestrutura oferecida pela Incubadora (Salas de reunião,
auditório, copa, recepção).
Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante
I.2 – Acesso à infraestrutura da Universidade (laboratórios, professores e
departamentos)
Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante
I.3 – Acesso à capacitações do perfil empresarial oferecida durante o
processo
de
incubação
(Oratória,
Relacionamento
Interpessoal,
Educação
Financeira, Propriedade Intelectual, EMPRETEC, Coaching Adventure).
Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante
I.4 – Acesso à consultorias oferecidas durante o processo de incubação:
Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante
I.5 – Permissão para o uso da marca CDT/UnB em site e materiais gráficos da
empresa.
Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante
I.6 – Acesso a outros programas do CDT/UnB (NUPITEC, SBRT, Disque
Tecnologia, Empreend, Núcleo de Projetos).
Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante
I.7 – Parceria com outras empresas incubadas
Pouco Importante : ____;____;____;____;____: Muito Importante
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