XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012 PRÁTICA DOCENTE: PERCEPÇÕES DE BOLSISTAS DO PIBID DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS DA FACEDI ACERCA DAS PRIMEIRAS VIVÊNCIAS NA DISCIPLINA DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO Maria Luciete dos Santos Universidade Estadual do Ceará (UECE) Isabel Cristina Higino Santana Universidade Estadual do Ceará (UECE) Francisco Mirtiel Frankson Moura Castro Universidade Federal do Ceará (UFC) Ana Vérica de Araújo Universidade Estadual do Ceará (UECE) Francisca Maria Teixeira de Sousa Universidade Estadual do Ceará (UECE) RESUMO Este trabalho teve por objetivo analisar as impressões dos bolsistas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) de Biologia acerca da primeira vivência na disciplina de estágio supervisionado, identificando as possíveis semelhanças entre os dois momentos de formação, enquanto bolsistas do PIBID e alunos da disciplina de estágio. O trabalho foi desenvolvido especificamente com quatro licenciandos que ingressaram neste programa cursando o primeiro ano do curso de Ciências Biológicas na Faculdade de Educação de Itapipoca (FACEDI), tendo suas primeiras experiências com a prática pedagógica através do referido programa e no terceiro ano do curso vivenciaram sua primeira disciplina de Estágio Supervisionado no Ensino Fundamental II. Portanto, o motivo que levou a realização dessa pesquisa foi compreender como os bolsistas visualizaram essa disciplina de estágio já tendo vivenciado vários momentos referentes à prática pedagógica antecipados pelas ações desencadeadas pelo PIBID. A pesquisa de caráter qualitativo se concretizou inicialmente com elaboração de um questionário, o qual contemplou cinco questões abertas direcionadas a coletar as percepções dos bolsistas sobre a relação das atividades desenvolvidas na primeira disciplina de estágio com as atividades desenvolvidas no PIBID, este foi aplicado aos sujeitos da pesquisa como forma de obtenção de dados. Conclui-se que existe semelhança entre o PIBID e o estágio supervisionado, visto que, as atividades desenvolvidas nesses dois contribuintes de formação docente apresentam o mesmo objetivo, preparar os licenciando para o exercício da docência. Dessa forma, pode-se perceber também que os alunos participantes do PIBID possuem uma preparação com índices qualitativos melhores para a formação docente, quando comparados aos alunos que não participam do programa, fato que certamente contribui de maneira significativa para a profissão destes, considerando os elementos da prática docente. Palavras–chave: PIBID. Estágio. Formação Docente. Prática de Ensino. Junqueira&Marin Editores Livro 2 - p.003174 XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012 2 Introdução O Estágio supervisionado é uma das etapas primordiais no que se refere à formação do futuro profissional docente, pois é nessa fase que o licenciando é inserido no ambiente escolar, visando uma vivência mais aprofundada do contexto de sua futura profissão. Portanto, é a partir do estágio que o estudante se descobrirá profissionalmente, podendo se identificar ou não com a carreira docente. O Estágio Supervisionado possibilita esse momento de decisão profissional através de vivências prévias do licenciando na prática pedagógica. Assim, Lima (2001), considera o estágio como instrumento fundamental na formação do professor, pois é o elemento que prepara o aluno estagiário para o mundo do trabalho, tendo a escola como espaço de formação de consciência, além de permitir a união entre teoria e prática. O papel da universidade é preparar o estudante para o exigente mercado de trabalho. Nessa perspectiva, cabe aqui concordar com Castro e Nunes (2010) quando eles afirmam que a cada dia que passa o mercado de trabalho vem se tornando mais competitivo, exigindo dos jovens a formação superior. Os cursos de licenciatura trabalham com a formação de professores, na tentativa de atender a demanda da área educacional, oferecendo subsídios necessários a essa formação, levando o licenciando a refletir sobre o cotidiano docente, aproximando-o de modo mais significativo dos dilemas escolares e dos fazeres docente. O destino dos cursos de formação de educadores deve está voltado para a formação de profissionais adequados a sua realidade vivenciada, e deste modo sujeitos a possíveis mudanças no campo educacional. Portanto, Barreiro e Gebran (2006) consideram que o estágio deve contemplar a formação do professor capaz de atender às demandas de uma realidade que se faz nova e diferente a cada dia. De acordo com Borges (2010), a vivência da prática docente faz parte da formação e realização dessa profissão, tornando o futuro professor interado de sua realidade, dos problemas e desafios enfrentados pela comunidade escolar. Cabe mencionar que a qualidade de formação do professor refletirá diretamente em sua qualificação profissional, e como ressalta Pimenta (1997) a importância da qualificação profissional conduz a melhoria da qualidade do ensino, ocasionando, assim, a re-significação da didática. Junqueira&Marin Editores Livro 2 - p.003175 XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012 3 As disciplinas de Estágio Supervisionado estão inseridas no currículo do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Faculdade de Educação de Itapipoca (FACEDI), unidade da Universidade Estadual do Ceará (UECE) como componentes curriculares obrigatórios, consideradas como um dos complexos componentes que envolvem a formação docente. Entretanto, o estágio não poderá ser analisado como uma simples disciplina dos cursos de formação docente, mas, sim, como um meio viável que permite ao estudante em processo de formação inicial, experienciar de forma prática o aprendizado teórico em sala de aula. Dessa forma, é aplicada a associação entre teoria e prática, onde o licenciando consegue fazer uso dessas duas dimensões tão relevantes para o exercício da docência, compreendendo não haver uma dicotomia entre elas. “[...] refletir sobre a prática cotidiana, tomando-a como ponto de partida e de chegada, é uma necessidade que se transforma em desafio constante a ser enfrentados nos processos formativos” (FARIAS, 2008, p.71). No Projeto Político Pedagógico (PPP) do Curso de Ciências Biológicas da instituição citada, o Estágio Supervisionado está organizado em 24 créditos, com carga horária total de 408 horas, distribuídas em quatro disciplinas, denominadas como: Estágio Supervisionado no Ensino Fundamental II, Estágio Supervisionado no Ensino Médio I, Estágio Supervisionado no Ensino Médio II e Estágio Supervisionado no Ensino Médio III. Desse modo, o curso de Biologia prioriza os dois últimos anos do curso para inserir essas disciplinas na grade curricular dos estudantes. O aluno estagiário é acompanhado pelo professor da universidade que nessa disciplina é nomeado como professor orientador. O mesmo orienta o estagiário quanto à execução das atividades desenvolvidas no espaço escolar, bem como, observação de sala de aula, planejamentos, regências, leituras, discussão e reflexão de textos e teóricos, dentre outras atividades propostas pela disciplina. Sendo assim, os licenciandos têm a possibilidade de conhecer o seu futuro ambiente de trabalho ainda na condição de aluno, se familiarizando com todos os elementos básicos que compõem esse ambiente. A escola oferece espaço para o formando desenvolver suas pesquisas, ou seja, o licenciando utiliza-se de cada componente, desde a parte física até a pedagógica, funcionários, professores e alunos, funcionando como um verdadeiro “laboratório” para este realizar suas experiências quanto à prática pedagógica. Através do estágio se percebe a possibilidade de uma boa parceria, além uma grande e favorável interação Junqueira&Marin Editores Livro 2 - p.003176 XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012 4 entre universidade e escola, onde essas duas instituições trabalham em um bem comum, formar professores capacitados a formar cidadãos críticos reflexivos e conhecedores de direitos, deveres e ensino e aprendizado. Com propostas de atividades similares às desenvolvidas nas disciplinas de Estágio Supervisionado surge o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) que apresenta como foco “A vida Docente na Escola: aprender e ensinar pela pesquisa”, onde o licenciando é inserido na escola com a pretensão de vivenciar o trabalho docente, se apropriando da pesquisa. A pesquisa é deste modo, considerada como fator de aprendizagem docente, ao visar a uma maior apropriação do conhecimento através de reflexão, crítica, investigação e intervenção, processos a serem integrados na docência (AZEVEDO, 2010, p.275). O programa prioriza a inserção dos estudantes nos trabalhos característicos da prática pedagógica, em especial os estudantes que se encontram no início do curso, afim de que estes possam se familiarizar com o exercício docente logo nesse período. Portanto, o PIBID de certa forma antecipa a fase do estágio supervisionado, visto que, esta fase só é vivenciada nos dois últimos anos do curso de Ciências Biológicas. Cabe ressaltar que tal programa, de forma alguma substitui o estágio, mas oferece um momento rico dentro do processo formativo de um aluno de graduação. Pimenta (1997) enfatiza que se tornou comum denominar o estágio como a “parte mais prática” do curso e as demais disciplinas são consideradas como a “parte mais teórica”, compreendendo que o estágio e as outras disciplinas estão inseridas no currículo do curso, portanto, é obrigatório o cumprimento de ambas para sua conclusão. Diante do que foi apresentado, o objetivo deste trabalho é analisar as percepções de bolsistas do PIBID de Biologia acerca das primeiras impressões quanto às vivências na disciplina de estágio supervisionado, identificando as possíveis semelhanças das atividades desenvolvidas na disciplina com as atividades desenvolvidas no programa. Assim, a seguir têm-se as considerações sobre o caminho metodológico da pesquisa. Metodologia: traçando o percurso da pesquisa Esta pesquisa é de caráter qualitativo e teve como procedimento metodológico a elaboração, construção e aplicação de um questionário, onde este possibilitou a coleta de informações ricas para a efetivação da pesquisa. O questionário, segundo Xavier Junqueira&Marin Editores Livro 2 - p.003177 XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012 5 (2011) possibilita a ampliação do conhecimento geral e específico sobre o sujeito, além de explicar suas características em face ao contexto que o envolve. Pereira (2008) entende que o questionário busca os fatos observados, opiniões sobre os acontecimentos, sobre os outros e a própria pessoa. Marconi e Lakatos (1999) apontam o questionário como sendo um instrumento desenvolvido cientificamente, estruturado por perguntas ordenadas de acordo com um critério predeterminado, o qual deve ser respondido sem a presença do entrevistador. O questionário contemplou cinco questões abertas direcionadas as percepções dos bolsistas sobre a relação das atividades desenvolvidas na primeira disciplina de estágio com as atividades desenvolvidas no PIBID. Após a elaboração do questionário, este foi aplicado aos sujeitos envolvidos na investigação, que puderam dispor de um tempo necessário para analisar cada interrogação antes de respondê-lo. O trabalho foi desenvolvido especificamente com quatro licenciandos que ingressaram no programa PIBID cursando o primeiro ano do Curso de Ciências Biológicas, tendo suas primeiras experiências com a prática pedagógica através do referido programa e no terceiro ano do curso vivenciaram sua primeira disciplina de estágio, o Estágio Supervisionado no Ensino Fundamental II. Após a aplicação dos questionários, foi realizada uma leitura sucinta de suas respostas, em seguida analisadas buscando um entendimento claro a cerca dos sentimentos dos envolvidos na pesquisa sobre o assunto questionado. Com a intenção de facilitar a análise dos dados, e preservar a identidade dos sujeitos, os alunos foram nomeados como Estagiário I, Estagiário II, Estagiário III e Estagiário IV. A prática de ensino na percepção dos interlocutores da pesquisa As repostas do questionário trouxeram a tona os mais variados sentimentos dos licenciandos bolsistas do PIBID quanto à semelhança do programa com a disciplina de Estágio Supervisionado. Os alunos identificaram aspectos em comum entre o estágio e o projeto, fato que segundo eles vieram a facilitar suas desenvolturas na referida disciplina e consequentemente terão fundamental importância no desenvolvimento da futura profissão. Considerações dos sujeitos sobre a categoria pratica de ensino Junqueira&Marin Editores Livro 2 - p.003178 XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012 6 A primeira questão teve como proposta levar os sujeitos a refletir sobre suas primeiras vivências na prática pedagógica, que se deu através do PIBID. Os participantes refletiram sobre a importância das vivências no programa para sua formação inicial. Essas vivências contribuíram em minha decisão pela docência, pois ao entrar na licenciatura ainda não tinha certeza do que realmente queria. (Estagiário I) O PIBID veio dar inicio as minhas primeiras experiências como educador, tornando, assim, a minha formação “alicerçada sobre a rocha”, pois esse programa funciona de forma muito especial na formação do futuro professor. (Estagiário II) Minhas primeiras vivências com a prática pedagógica através do PIBID me proporcionaram estudos mais específicos sobre a docência, pois no inicio da licenciatura ainda não tinha vivenciado algo tão específico assim. (Estagiário III) Essas vivências possibilitaram os meus primeiros passos rumo à aprendizagem docente. (Estagiário IV) Após a análise e interpretação da primeira questão foi possível observar que os participantes consideram as vivências no PIBID importante para a formação docente e que foi através dessas vivências que a vontade de ser professor se consolidou. Tais relatos evidenciaram que os licenciandos descobriram no programa algo decisório para a construção da identidade profissional. Farias (2008), ressalta que a formação possibilita ao professor reconhecer-se como profissional, deste modo, observa-se que os bolsistas através das experiências no programa “se encontraram” profissionalmente, visto que a formação inicial pode ser considerada como o inicio da busca de uma base para o exercício da atividade docente. A segunda questão permitiu que os envolvidos na pesquisa identificassem alguma semelhança por eles observada, entre o PIBID e a disciplina de estágio a qual estavam vivenciando naquele período. O PIBID é semelhante ao estágio, pois os dois nos preparam para a docência. (Estagiário I) O PIBID e o estágio se fundamentam especificamente na formação do futuro professor, trabalhando a parte teórica através de estudos em sala como aluno e a parte prática em sala de aula da educação básica, frente como professor através das regências. (Estagiário II) No PIBID temos o acompanhamento de um supervisor que é professor Junqueira&Marin Editores Livro 2 - p.003179 XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012 7 da educação básica e no estágio também temos acompanhamento de um orientador que é o nosso próprio professor da disciplina, esses dois nos direcionam quanto às atividades propostas. (Estagiário III) As atividades que desenvolvemos no PIBID são semelhantes às desenvolvidas na disciplina de estágio, sendo que no PIBID dispomos de mais tempo para a realização destas. (Estagiário IV) A partir das considerações encontradas entre as respostas dos investigados para o segundo questionamento, percebeu-se o estabelecimento de uma relação entre as duas dimensões anteriormente apresentadas. Estas apontaram vários aspectos similares, onde o funcionamento dessas duas dimensões torna-se análogo, como por exemplo, as propostas de planejamento, observações das atividades e dinâmicas na escola, entre outras. Porém, houve um destaque quanto ao critério relacionado ao horário disponível, visto que, no PIBID há maior tempo disponível para a excursão dos trabalhos do que na disciplina de estágio. O Estágio Supervisionado no Ensino Fundamental II consta de uma carga horária de 102 horas, onde estas são distribuídas em encontros presenciais e atividade docente, planejada segundo o projeto pedagógico do curso. Já o PIBID dispõe de 24 meses para a realização de todas essas atividades referentes à prática pedagógica. A terceira questão obteve dos sujeitos suas primeiras ideias acerca de vivenciar o estágio depois de vivenciar a escola no projeto. Ao iniciar minha primeira disciplina de estágio, já me sentia preparada para desenvolver as atividades propostas, pois o PIBID já tinha me proporcionado essas vivências. (Estagiário I) Não senti dificuldades em realizar as atividades da disciplina, pois como eu já estava inserido no PIBID, de certa forma já havia antecipado essas vivências. (Estagiário II) Senti-me em um “degrau” a mais, em relação aos meus colegas que não participam do PIBID, pois pude perceber as dificuldades destes no desenvolvimento das atividades propostas pela disciplina. (Estagiário III) Senti-me realizada ao iniciar minha primeira disciplina de estágio já dispondo de muitos conhecimentos sobre a prática pedagógica. (Estagiário IV) Junqueira&Marin Editores Livro 2 - p.003180 XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012 8 Diante dos relatos citados a cima, pode-se entender que os bolsistas do PIBID conferem enorme significado ao programa, tendo em vista a preparação pedagógica que o mesmo possibilitou, facilitando a vivência na primeira disciplina de estágio. Barreiro e Gebran (2006) reconhecem a importância das primeiras experiências com a prática pedagógica, pois estas se tornam pontos decisivos na construção da identidade docente. A identificação de diferenças entre a atuação dos bolsistas do PIBID na disciplina de estágio e a atuação dos alunos não bolsista foi o assunto da quarta questão. Observei que os meus colegas não participantes do PIBID demonstravam sentimentos de insegurança na realização das atividades da disciplina, principalmente nas simulações de regências. (Estagiário I) Percebi que os meus colegas apresentavam muitas dificuldades nas simulações de regências, e quanto a mim já me sentia familiarizado com essa atividade. (Estagiário II) Encarei a disciplina como algo normal, fato que não observei em meus demais colegas, pois eles demonstravam medo com relação a essa disciplina. (Estagiário III) Acredito que a fase do estágio é sem dúvida a mais temida pelos licenciandos, meus colegas apresentavam insegurança nas atividades, porém eu já tinha vivenciado essa insegurança através de minhas primeiras experiências no PIBID. (Estagiário IV) Com os dados obtidos e analisados na quarta questão tornou-se claro que os bolsistas do PIBID demonstraram uma melhor desenvoltura na primeira disciplina de estágio, em relação aos seus demais colegas, tal fato foi percebido pelos próprios. Sabese que a inserção do licenciando no cotidiano escolar passa a ser uma das etapas acadêmicas que desencadeia uma série de dificuldades por parte do aluno. Nessa fase vários sentimentos permeiam os estudantes, bem como entusiasmo, insegurança, ansiedade, incertezas, inquietações e outros, porém esses sentimentos já foram vivenciados antecipadamente pelos participantes do programa citado, enquanto que os não participantes do programa estavam sentindo “na pele” naquele exato momento do estágio o que significa esses sentimentos para a vida do estudante de licenciatura. Na quinta e última questão foi sugerido aos participantes da investigação que apontassem suas considerações sobre as dificuldades vivenciadas com os trabalhos característicos da docência, destacando a experiência com o PIBID ou com a primeira Junqueira&Marin Editores Livro 2 - p.003181 XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012 9 disciplina de estágio, identificando qual desses dois subsídios lhe apresentou maior dificuldade em vivenciar. Apresentei dificuldade em minha inserção no PIBID, pois até então não havia vivenciado nenhuma atividade como professora, portanto, não foi fácil encarar a sala de aula sem experiências. (Estagiário I) Ao iniciar as atividades do PIBID apresentei insegurança, pois foi através do programa que tive o meu primeiro contato com o cotidiano escolar o que tornou-se um desafio para mim que não tinha experiências como educador. (Estagiário II) Senti bastante dificuldade no inicio do PIBID, pois como também me encontrava no inicio do curso foi difícil encarar tão cedo a sala de aula já na condição de professor. (Estagiário III) O PIBID proporcionou o meu primeiro contato com a prática pedagógica, porém confesso que não foi fácil se apropriar dessa prática sem nenhuma experiência. (Estagiário IV) Com as respostas, observou-se que os licenciandos inseridos no PIBID, que tiveram suas primeiras experiências docentes através do programa, no inicio apresentaram dificuldades, aspecto não observado com relação a sua primeira disciplina de estágio supervisionado. Neste sentido, cabe concordar com Santana (2010) quando considera que o impacto da primeira experiência em sala pode ser visto pelo licenciando como momento de apreensão, sendo o PIBID o articulador que possibilitou com antecipação essas primeiras experiências. A partir da leitura e análise dos dados foi possível se ter um maior esclarecimento a respeito das idéias dos alunos quanto as vivencias no programa PIBID o qual promoveu suas primeiras vivencias no trabalho característico ao exercício docente, além de ter permitido um esclarecimento acerca da experiência na primeira disciplina de Estágio Supervisionado. Por conseguinte pôde-se observar ainda que ambos os processos formativos mantêm certo grau de semelhança. Conclusão Mediante a metodologia utilizada neste trabalho, foi possível concluir que o programa PIBID, na proposta de projeto “A vida docente na escola: aprender e ensinar pela pesquisa” apresentou importante significado no início de formação docente dos Junqueira&Marin Editores Livro 2 - p.003182 XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012 10 futuros professores de Biologia da Faculdade de Educação de Itapipoca. As experiências vivenciadas no PIBID anteciparam aos estudantes conhecimentos mais específicos sobre a profissão de professor, implicando diretamente em sua atuação na primeira disciplina de estágio supervisionado. Através da pesquisa percebeu-se a existência de similaridades que o PIBID mantém com o estágio supervisionado, visto que, as atividades desenvolvidas nesses dois contribuintes de formação docente apresentam objetivos em comum, como a preparação dos licenciandos para o exercício da docência. Neste sentido, torna-se vantajoso participar do PIBID, pois é um componente a mais para a formação do futuro docente. A formação inicial do professor é um processo que carece de uma atenção especial, por se tratar do momento onde a identidade profissional é construída, visando, assim, uma docência capaz de suprir as supostas deficiências do ensino. O PIBID é um suporte a mais para a licenciatura, possibilitando aos estudantes uma inserção mais aprofundada nas atividades docentes, exercitando de modo mais amplo a reflexão sobre a profissão, o que pode resultar em uma formação mais completa. O Estágio Supervisionado faz parte do currículo das licenciaturas, considerado disciplina imprescindível e obrigatória para a conclusão do curso. Sendo assim, tanto o PIBID como o Estágio Supervisionado representam importantes meios que estão diretamente vinculados com a promoção do futuro professor, cabendo aos estudantes a responsabilidade de saber utilizar os conhecimentos apreendidos nesse processo formativo. Vale lembrar que a qualidade da educação e da formação docente está diretamente ligada ao estabelecimento e implementações de políticas educacionais que valorizem o magistério contemplado tanto a formação inicial como a formação continuada do professor. Referências Bibliográficas AZEVEDO, Maria Raquel de Carvalho. A docência universitária face ao desafio de integrar ensino e pesquisa: reflexões sobre o “aprender na prática”. Vozes da FACEDI: reflexões, experiências e perspectivas em educação. Fortaleza: EdUECE, 2010. 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