XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012
PRÁTICA DOCENTE: PERCEPÇÕES DE BOLSISTAS DO PIBID DE
CIÊNCIAS BIOLÓGICAS DA FACEDI ACERCA DAS PRIMEIRAS
VIVÊNCIAS NA DISCIPLINA DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO
Maria Luciete dos Santos
Universidade Estadual do Ceará (UECE)
Isabel Cristina Higino Santana
Universidade Estadual do Ceará (UECE)
Francisco Mirtiel Frankson Moura Castro
Universidade Federal do Ceará (UFC)
Ana Vérica de Araújo
Universidade Estadual do Ceará (UECE)
Francisca Maria Teixeira de Sousa
Universidade Estadual do Ceará (UECE)
RESUMO
Este trabalho teve por objetivo analisar as impressões dos bolsistas do Programa
Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) de Biologia acerca da primeira
vivência na disciplina de estágio supervisionado, identificando as possíveis semelhanças
entre os dois momentos de formação, enquanto bolsistas do PIBID e alunos da
disciplina de estágio. O trabalho foi desenvolvido especificamente com quatro
licenciandos que ingressaram neste programa cursando o primeiro ano do curso de
Ciências Biológicas na Faculdade de Educação de Itapipoca (FACEDI), tendo suas
primeiras experiências com a prática pedagógica através do referido programa e no
terceiro ano do curso vivenciaram sua primeira disciplina de Estágio Supervisionado no
Ensino Fundamental II. Portanto, o motivo que levou a realização dessa pesquisa foi
compreender como os bolsistas visualizaram essa disciplina de estágio já tendo
vivenciado vários momentos referentes à prática pedagógica antecipados pelas ações
desencadeadas pelo PIBID. A pesquisa de caráter qualitativo se concretizou
inicialmente com elaboração de um questionário, o qual contemplou cinco questões
abertas direcionadas a coletar as percepções dos bolsistas sobre a relação das atividades
desenvolvidas na primeira disciplina de estágio com as atividades desenvolvidas no
PIBID, este foi aplicado aos sujeitos da pesquisa como forma de obtenção de dados.
Conclui-se que existe semelhança entre o PIBID e o estágio supervisionado, visto que,
as atividades desenvolvidas nesses dois contribuintes de formação docente apresentam o
mesmo objetivo, preparar os licenciando para o exercício da docência. Dessa forma,
pode-se perceber também que os alunos participantes do PIBID possuem uma
preparação com índices qualitativos melhores para a formação docente, quando
comparados aos alunos que não participam do programa, fato que certamente contribui
de maneira significativa para a profissão destes, considerando os elementos da prática
docente.
Palavras–chave: PIBID. Estágio. Formação Docente. Prática de Ensino.
Junqueira&Marin Editores
Livro 2 - p.003174
XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012
2
Introdução
O Estágio supervisionado é uma das etapas primordiais no que se refere à
formação do futuro profissional docente, pois é nessa fase que o licenciando é inserido
no ambiente escolar, visando uma vivência mais aprofundada do contexto de sua futura
profissão. Portanto, é a partir do estágio que o estudante se descobrirá
profissionalmente, podendo se identificar ou não com a carreira docente. O Estágio
Supervisionado possibilita esse momento de decisão profissional através de vivências
prévias do licenciando na prática pedagógica. Assim, Lima (2001), considera o estágio
como instrumento fundamental na formação do professor, pois é o elemento que prepara
o aluno estagiário para o mundo do trabalho, tendo a escola como espaço de formação
de consciência, além de permitir a união entre teoria e prática.
O papel da universidade é preparar o estudante para o exigente mercado de
trabalho. Nessa perspectiva, cabe aqui concordar com Castro e Nunes (2010) quando
eles afirmam que a cada dia que passa o mercado de trabalho vem se tornando mais
competitivo, exigindo dos jovens a formação superior. Os cursos de licenciatura
trabalham com a formação de professores, na tentativa de atender a demanda da área
educacional, oferecendo subsídios necessários a essa formação, levando o licenciando a
refletir sobre o cotidiano docente, aproximando-o de modo mais significativo dos
dilemas escolares e dos fazeres docente.
O destino dos cursos de formação de educadores deve está voltado para a
formação de profissionais adequados a sua realidade vivenciada, e deste modo sujeitos a
possíveis mudanças no campo educacional. Portanto, Barreiro e Gebran (2006)
consideram que o estágio deve contemplar a formação do professor capaz de atender às
demandas de uma realidade que se faz nova e diferente a cada dia. De acordo com
Borges (2010), a vivência da prática docente faz parte da formação e realização dessa
profissão, tornando o futuro professor interado de sua realidade, dos problemas e
desafios enfrentados pela comunidade escolar. Cabe mencionar que a qualidade de
formação do professor refletirá diretamente em sua qualificação profissional, e como
ressalta Pimenta (1997) a importância da qualificação profissional conduz a melhoria da
qualidade do ensino, ocasionando, assim, a re-significação da didática.
Junqueira&Marin Editores
Livro 2 - p.003175
XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012
3
As disciplinas de Estágio Supervisionado estão inseridas no currículo do Curso
de Licenciatura em Ciências Biológicas da Faculdade de Educação de Itapipoca
(FACEDI), unidade da Universidade Estadual do Ceará (UECE) como componentes
curriculares obrigatórios, consideradas como um dos complexos componentes que
envolvem a formação docente. Entretanto, o estágio não poderá ser analisado como uma
simples disciplina dos cursos de formação docente, mas, sim, como um meio viável que
permite ao estudante em processo de formação inicial, experienciar de forma prática o
aprendizado teórico em sala de aula. Dessa forma, é aplicada a associação entre teoria e
prática, onde o licenciando consegue fazer uso dessas duas dimensões tão relevantes
para o exercício da docência, compreendendo não haver uma dicotomia entre elas. “[...]
refletir sobre a prática cotidiana, tomando-a como ponto de partida e de chegada, é uma
necessidade que se transforma em desafio constante a ser enfrentados nos processos
formativos” (FARIAS, 2008, p.71).
No Projeto Político Pedagógico (PPP) do Curso de Ciências Biológicas da
instituição citada, o Estágio Supervisionado está organizado em 24 créditos, com carga
horária total de 408 horas, distribuídas em quatro disciplinas, denominadas como:
Estágio Supervisionado no Ensino Fundamental II, Estágio Supervisionado no Ensino
Médio I, Estágio Supervisionado no Ensino Médio II e Estágio Supervisionado no
Ensino Médio III. Desse modo, o curso de Biologia prioriza os dois últimos anos do
curso para inserir essas disciplinas na grade curricular dos estudantes.
O aluno estagiário é acompanhado pelo professor da universidade que nessa
disciplina é nomeado como professor orientador. O mesmo orienta o estagiário quanto à
execução das atividades desenvolvidas no espaço escolar, bem como, observação de
sala de aula, planejamentos, regências, leituras, discussão e reflexão de textos e teóricos,
dentre outras atividades propostas pela disciplina. Sendo assim, os licenciandos têm a
possibilidade de conhecer o seu futuro ambiente de trabalho ainda na condição de aluno,
se familiarizando com todos os elementos básicos que compõem esse ambiente.
A escola oferece espaço para o formando desenvolver suas pesquisas, ou seja, o
licenciando utiliza-se de cada componente, desde a parte física até a pedagógica,
funcionários, professores e alunos, funcionando como um verdadeiro “laboratório” para
este realizar suas experiências quanto à prática pedagógica. Através do estágio se
percebe a possibilidade de uma boa parceria, além uma grande e favorável interação
Junqueira&Marin Editores
Livro 2 - p.003176
XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012
4
entre universidade e escola, onde essas duas instituições trabalham em um bem comum,
formar professores capacitados a formar cidadãos críticos reflexivos e conhecedores de
direitos, deveres e ensino e aprendizado.
Com propostas de atividades similares às desenvolvidas nas disciplinas de
Estágio Supervisionado surge o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à
Docência (PIBID) que apresenta como foco “A vida Docente na Escola: aprender e
ensinar pela pesquisa”, onde o licenciando é inserido na escola com a pretensão de
vivenciar o trabalho docente, se apropriando da pesquisa. A pesquisa é deste modo,
considerada como fator de aprendizagem docente, ao visar a uma maior apropriação do
conhecimento através de reflexão, crítica, investigação e intervenção, processos a serem
integrados na docência (AZEVEDO, 2010, p.275).
O programa prioriza a inserção dos estudantes nos trabalhos característicos da
prática pedagógica, em especial os estudantes que se encontram no início do curso, afim
de que estes possam se familiarizar com o exercício docente logo nesse período.
Portanto, o PIBID de certa forma antecipa a fase do estágio supervisionado, visto que,
esta fase só é vivenciada nos dois últimos anos do curso de Ciências Biológicas. Cabe
ressaltar que tal programa, de forma alguma substitui o estágio, mas oferece um
momento rico dentro do processo formativo de um aluno de graduação. Pimenta (1997)
enfatiza que se tornou comum denominar o estágio como a “parte mais prática” do
curso e as demais disciplinas são consideradas como a “parte mais teórica”,
compreendendo que o estágio e as outras disciplinas estão inseridas no currículo do
curso, portanto, é obrigatório o cumprimento de ambas para sua conclusão.
Diante do que foi apresentado, o objetivo deste trabalho é analisar as percepções
de bolsistas do PIBID de Biologia acerca das primeiras impressões quanto às vivências
na disciplina de estágio supervisionado, identificando as possíveis semelhanças das
atividades desenvolvidas na disciplina com as atividades desenvolvidas no programa.
Assim, a seguir têm-se as considerações sobre o caminho metodológico da pesquisa.
Metodologia: traçando o percurso da pesquisa
Esta pesquisa é de caráter qualitativo e teve como procedimento metodológico a
elaboração, construção e aplicação de um questionário, onde este possibilitou a coleta
de informações ricas para a efetivação da pesquisa. O questionário, segundo Xavier
Junqueira&Marin Editores
Livro 2 - p.003177
XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012
5
(2011) possibilita a ampliação do conhecimento geral e específico sobre o sujeito, além
de explicar suas características em face ao contexto que o envolve. Pereira (2008)
entende que o questionário busca os fatos observados, opiniões sobre os
acontecimentos, sobre os outros e a própria pessoa. Marconi e Lakatos (1999) apontam
o questionário como sendo um instrumento desenvolvido cientificamente, estruturado
por perguntas ordenadas de acordo com um critério predeterminado, o qual deve ser
respondido sem a presença do entrevistador.
O questionário contemplou cinco questões abertas direcionadas as percepções
dos bolsistas sobre a relação das atividades desenvolvidas na primeira disciplina de
estágio com as atividades desenvolvidas no PIBID. Após a elaboração do questionário,
este foi aplicado aos sujeitos envolvidos na investigação, que puderam dispor de um
tempo necessário para analisar cada interrogação antes de respondê-lo.
O trabalho foi desenvolvido especificamente com quatro licenciandos que
ingressaram no programa PIBID cursando o primeiro ano do Curso de Ciências
Biológicas, tendo suas primeiras experiências com a prática pedagógica através do
referido programa e no terceiro ano do curso vivenciaram sua primeira disciplina de
estágio, o Estágio Supervisionado no Ensino Fundamental II. Após a aplicação dos
questionários, foi realizada uma leitura sucinta de suas respostas, em seguida analisadas
buscando um entendimento claro a cerca dos sentimentos dos envolvidos na pesquisa
sobre o assunto questionado. Com a intenção de facilitar a análise dos dados, e preservar
a identidade dos sujeitos, os alunos foram nomeados como Estagiário I, Estagiário II,
Estagiário III e Estagiário IV.
A prática de ensino na percepção dos interlocutores da pesquisa
As repostas do questionário trouxeram a tona os mais variados
sentimentos dos licenciandos bolsistas do PIBID quanto à semelhança do programa com
a disciplina de Estágio Supervisionado. Os alunos identificaram aspectos em comum
entre o estágio e o projeto, fato que segundo eles vieram a facilitar suas desenvolturas
na referida disciplina e consequentemente terão fundamental importância no
desenvolvimento da futura profissão.
Considerações dos sujeitos sobre a categoria pratica de ensino
Junqueira&Marin Editores
Livro 2 - p.003178
XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012
6
A primeira questão teve como proposta levar os sujeitos a refletir sobre suas
primeiras vivências na prática pedagógica, que se deu através do PIBID. Os
participantes refletiram sobre a importância das vivências no programa para sua
formação inicial.
Essas vivências contribuíram em minha decisão pela docência, pois
ao entrar na licenciatura ainda não tinha certeza do que realmente
queria. (Estagiário I)
O PIBID veio dar inicio as minhas primeiras experiências como
educador, tornando, assim, a minha formação “alicerçada sobre a
rocha”, pois esse programa funciona de forma muito especial na
formação do futuro professor. (Estagiário II)
Minhas primeiras vivências com a prática pedagógica através do PIBID
me proporcionaram estudos mais específicos sobre a docência, pois no
inicio da licenciatura ainda não tinha vivenciado algo tão específico
assim. (Estagiário III)
Essas vivências possibilitaram os meus primeiros passos rumo à
aprendizagem docente. (Estagiário IV)
Após a análise e interpretação da primeira questão foi possível observar que os
participantes consideram as vivências no PIBID importante para a formação docente e
que foi através dessas vivências que a vontade de ser professor se consolidou. Tais
relatos evidenciaram que os licenciandos descobriram no programa algo decisório para
a construção da identidade profissional. Farias (2008), ressalta que a formação
possibilita ao professor reconhecer-se como profissional, deste modo, observa-se que os
bolsistas através das experiências no programa “se encontraram” profissionalmente,
visto que a formação inicial pode ser considerada como o inicio da busca de uma base
para o exercício da atividade docente.
A segunda questão permitiu que os envolvidos na pesquisa identificassem
alguma semelhança por eles observada, entre o PIBID e a disciplina de estágio a qual
estavam vivenciando naquele período.
O PIBID é semelhante ao estágio, pois os dois nos preparam para a
docência. (Estagiário I)
O PIBID e o estágio se fundamentam especificamente na formação
do futuro professor, trabalhando a parte teórica através de estudos
em sala como aluno e a parte prática em sala de aula da educação
básica, frente como professor através das regências. (Estagiário II)
No PIBID temos o acompanhamento de um supervisor que é professor
Junqueira&Marin Editores
Livro 2 - p.003179
XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012
7
da educação básica e no estágio também temos acompanhamento de um
orientador que é o nosso próprio professor da disciplina, esses dois nos
direcionam quanto às atividades propostas. (Estagiário III)
As atividades que desenvolvemos no PIBID são semelhantes às
desenvolvidas na disciplina de estágio, sendo que no PIBID
dispomos de mais tempo para a realização destas. (Estagiário IV)
A partir das considerações encontradas entre as respostas dos investigados para o
segundo questionamento, percebeu-se o estabelecimento de uma relação entre as duas
dimensões anteriormente apresentadas. Estas apontaram vários aspectos similares, onde
o funcionamento dessas duas dimensões torna-se análogo, como por exemplo, as
propostas de planejamento, observações das atividades e dinâmicas na escola, entre
outras.
Porém, houve um destaque quanto ao critério relacionado ao horário disponível,
visto que, no PIBID há maior tempo disponível para a excursão dos trabalhos do que na
disciplina de estágio. O Estágio Supervisionado no Ensino Fundamental II consta de
uma carga horária de 102 horas, onde estas são distribuídas em encontros presenciais e
atividade docente, planejada segundo o projeto pedagógico do curso. Já o PIBID dispõe
de 24 meses para a realização de todas essas atividades referentes à prática pedagógica.
A terceira questão obteve dos sujeitos suas primeiras ideias acerca de vivenciar o
estágio depois de vivenciar a escola no projeto.
Ao iniciar minha primeira disciplina de estágio, já me sentia
preparada para desenvolver as atividades propostas, pois o PIBID
já tinha me proporcionado essas vivências. (Estagiário I)
Não senti dificuldades em realizar as atividades da disciplina, pois
como eu já estava inserido no PIBID, de certa forma já havia
antecipado essas vivências. (Estagiário II)
Senti-me em um “degrau” a mais, em relação aos meus colegas que não
participam do PIBID, pois pude perceber as dificuldades destes no
desenvolvimento das atividades propostas pela disciplina. (Estagiário
III)
Senti-me realizada ao iniciar minha primeira disciplina de estágio
já dispondo de muitos conhecimentos sobre a prática pedagógica.
(Estagiário IV)
Junqueira&Marin Editores
Livro 2 - p.003180
XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012
8
Diante dos relatos citados a cima, pode-se entender que os bolsistas do PIBID
conferem enorme significado ao programa, tendo em vista a preparação pedagógica que
o mesmo possibilitou, facilitando a vivência na primeira disciplina de estágio. Barreiro
e Gebran (2006) reconhecem a importância das primeiras experiências com a prática
pedagógica, pois estas se tornam pontos decisivos na construção da identidade docente.
A identificação de diferenças entre a atuação dos bolsistas do PIBID na
disciplina de estágio e a atuação dos alunos não bolsista foi o assunto da quarta questão.
Observei que os meus colegas não participantes do PIBID
demonstravam sentimentos de insegurança na realização das
atividades da disciplina, principalmente nas simulações de
regências. (Estagiário I)
Percebi que os meus colegas apresentavam muitas dificuldades nas
simulações de regências, e quanto a mim já me sentia
familiarizado com essa atividade. (Estagiário II)
Encarei a disciplina como algo normal, fato que não observei em meus
demais colegas, pois eles demonstravam medo com relação a essa
disciplina. (Estagiário III)
Acredito que a fase do estágio é sem dúvida a mais temida pelos
licenciandos, meus colegas apresentavam insegurança nas
atividades, porém eu já tinha vivenciado essa insegurança através
de minhas primeiras experiências no PIBID. (Estagiário IV)
Com os dados obtidos e analisados na quarta questão tornou-se claro que os
bolsistas do PIBID demonstraram uma melhor desenvoltura na primeira disciplina de
estágio, em relação aos seus demais colegas, tal fato foi percebido pelos próprios. Sabese que a inserção do licenciando no cotidiano escolar passa a ser uma das etapas
acadêmicas que desencadeia uma série de dificuldades por parte do aluno. Nessa fase
vários sentimentos permeiam os estudantes, bem como entusiasmo, insegurança,
ansiedade, incertezas, inquietações e outros, porém esses sentimentos já foram
vivenciados antecipadamente pelos participantes do programa citado, enquanto que os
não participantes do programa estavam sentindo “na pele” naquele exato momento do
estágio o que significa esses sentimentos para a vida do estudante de licenciatura.
Na quinta e última questão foi sugerido aos participantes da investigação que
apontassem suas considerações sobre as dificuldades vivenciadas com os trabalhos
característicos da docência, destacando a experiência com o PIBID ou com a primeira
Junqueira&Marin Editores
Livro 2 - p.003181
XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012
9
disciplina de estágio, identificando qual desses dois subsídios lhe apresentou maior
dificuldade em vivenciar.
Apresentei dificuldade em minha inserção no PIBID, pois até então
não havia vivenciado nenhuma atividade como professora, portanto,
não foi fácil encarar a sala de aula sem experiências. (Estagiário I)
Ao iniciar as atividades do PIBID apresentei insegurança, pois foi
através do programa que tive o meu primeiro contato com o
cotidiano escolar o que tornou-se um desafio para mim que não
tinha experiências como educador. (Estagiário II)
Senti bastante dificuldade no inicio do PIBID, pois como também me
encontrava no inicio do curso foi difícil encarar tão cedo a sala de aula
já na condição de professor. (Estagiário III)
O PIBID proporcionou o meu primeiro contato com a prática
pedagógica, porém confesso que não foi fácil se apropriar dessa prática
sem nenhuma experiência. (Estagiário IV)
Com as respostas, observou-se que os licenciandos inseridos no PIBID, que
tiveram suas primeiras experiências docentes através do programa, no inicio
apresentaram dificuldades, aspecto não observado com relação a sua primeira disciplina
de estágio supervisionado. Neste sentido, cabe concordar com Santana (2010) quando
considera que o impacto da primeira experiência em sala pode ser visto pelo licenciando
como momento de apreensão, sendo o PIBID o articulador que possibilitou com
antecipação essas primeiras experiências.
A partir da leitura e análise dos dados foi possível se ter um maior
esclarecimento a respeito das idéias dos alunos quanto as vivencias no programa PIBID
o qual promoveu suas primeiras vivencias no trabalho característico ao exercício
docente, além de ter permitido um esclarecimento acerca da experiência na primeira
disciplina de Estágio Supervisionado. Por conseguinte pôde-se observar ainda que
ambos os processos formativos mantêm certo grau de semelhança.
Conclusão
Mediante a metodologia utilizada neste trabalho, foi possível concluir que o
programa PIBID, na proposta de projeto “A vida docente na escola: aprender e ensinar
pela pesquisa” apresentou importante significado no início de formação docente dos
Junqueira&Marin Editores
Livro 2 - p.003182
XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012
10
futuros professores de Biologia da Faculdade de Educação de Itapipoca. As experiências
vivenciadas no PIBID anteciparam aos estudantes conhecimentos mais específicos
sobre a profissão de professor, implicando diretamente em sua atuação na primeira
disciplina de estágio supervisionado.
Através da pesquisa percebeu-se a existência de similaridades que o PIBID
mantém com o estágio supervisionado, visto que, as atividades desenvolvidas nesses
dois contribuintes de formação docente apresentam objetivos em comum, como a
preparação dos licenciandos para o exercício da docência. Neste sentido, torna-se
vantajoso participar do PIBID, pois é um componente a mais para a formação do futuro
docente.
A formação inicial do professor é um processo que carece de uma atenção
especial, por se tratar do momento onde a identidade profissional é construída, visando,
assim, uma docência capaz de suprir as supostas deficiências do ensino. O PIBID é um
suporte a mais para a licenciatura, possibilitando aos estudantes uma inserção mais
aprofundada nas atividades docentes, exercitando de modo mais amplo a reflexão sobre
a profissão, o que pode resultar em uma formação mais completa. O Estágio
Supervisionado faz parte do currículo das licenciaturas, considerado disciplina
imprescindível e obrigatória para a conclusão do curso. Sendo assim, tanto o PIBID
como o Estágio Supervisionado representam importantes meios que estão diretamente
vinculados com a promoção do futuro professor, cabendo aos estudantes a
responsabilidade de saber utilizar os conhecimentos apreendidos nesse processo
formativo.
Vale lembrar que a qualidade da educação e da formação docente está
diretamente ligada ao estabelecimento e implementações de políticas educacionais que
valorizem o magistério contemplado tanto a formação inicial como a formação
continuada do professor.
Referências Bibliográficas
AZEVEDO, Maria Raquel de Carvalho. A docência universitária face ao desafio de
integrar ensino e pesquisa: reflexões sobre o “aprender na prática”. Vozes da FACEDI:
reflexões, experiências e perspectivas em educação. Fortaleza: EdUECE, 2010.
Junqueira&Marin Editores
Livro 2 - p.003183
XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012
11
BARREIRO, Iraíde Marques Freitas; GEBRAN, Raimunda Abou. Prática de Ensino:
elemento articulador da formação do professor. Prática de Ensino e Estágio
Supervisionado na Formação de Professores. São Paulo: Avercamp, 2006.
BORGES, Maria Célia. A formação de professores na UFTM: o PIBID como
experiência desafiadora. 2010. Disponível em:
http://www.uftm.edu.br/revistaeletronica/index.Php/revstatriangulo/article/view/152.
Acesso em 21/10/2011.
CASTRO, Mirtiel Frankson Moura; NUNES, Ana Ignez Lima. A função da escola e o
ensino médio como espaço de aprendizagens: contradições e desafios. Vozes da
FACEDI: reflexões, experiências e perspectivas em educação. Fortaleza: EdUECE,
2010.
FARIAS,Isabel Maria Sabino de. Identidade e fazer docente: aprendendo a ser e estar na
profissão. Didática e Docência: aprendendo a profissão. Fortaleza: Realce Editora e
Indústria Gráfica Ltda, 2008.
LIMA, Maria Socorro Lucena. Estágio supervisionado enquanto mediação entre a
formação inicial do professor e a formação contínua. A hora da prática: reflexões
sobre o estágio supervisionado e a ação docente. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha,
2001.
MARCONI. M. A.; LAKATOS, E. M. Técnicas de pesquisa. São Paulo: Atlas, 1999.
PEREIRA, Potiguara Acácio. O que é pesquisa em educação? São Paulo: Editora
Paulus, 2008.
PIMENTA, Selma Garrido. O Estágio na Formação de Professores: Unidade Teoria e
Prática? São Paulo: Cortez, 1997.
PIMENTA, Selma Garrido. Para uma re-significação da didática – ciências da
educação, pedagogia e didática (uma revisão conceitual e uma síntese provisória).
Didática e formação de professores: percursos e perspectivas no Brasil e em Portugal.
São Paulo: Cortez, 1997.
SANTANA, Isabel Cristina Higino. O Estágio Supervisionado num curso de Ciências
Biológicas: reflexões de uma professora em formação. Vozes da FACEDI: reflexões,
experiências e perspectivas em educação. Fortaleza: EdUECE, 2010.
XAVIER, Antonio Carlos. Gêneros textuais acadêmicos. Como fazer a apresentar
trabalhos científicos em eventos acadêmicos. Recife: Editora Rêspel, 2010.
Junqueira&Marin Editores
Livro 2 - p.003184
Download

PRÁTICA DOCENTE: PERCEPÇÕES DE BOLSISTAS DO