Faculdade de Economia da Universidade do Porto Dissertação de Mestrado em Economia e Gestão Internacional Spin offs de origem académica e processo de internacionalização. Um contributo empírico Carlos Cordeiro Orientadora: Aurora A. C. Teixeira Julho 2009 Agradecimentos À Profª Aurora Teixeira, minha orientadora, pelas suas ideias, sugestões e apoio, incutindo-me ao longo de todo o processo de elaboração da tese uma enorme motivação para que este fosse levado até ao fim. À Gabriela, minha esposa, pelo apoio e compreensão. Ao Gustavo, meu filho, pelo tempo que deixei de passar com ele. Deixo também aqui o mais sincero agradecimento aos responsáveis e colaboradores da UPTEC - Clara Gonçalves e Alberto Mendonça (Universidade do Porto), da TecMinho Clara Silva e Teresa Martins (Universidade do Minho) e da IEUA e UATEC (Universidade de Aveiro), pela ajuda na divulgação do estudo e recolha de resposta junto das empresasalvo. A todas as empresas que colaboraram através da sua disponibilidade na resposta ao inquérito, que suportou a componente empírica deste trabalho. Finalmente a todas as pessoas que duma forma directa ou indirecta me apoiaram neste trabalho. i Resumo As empresas spin offs universitárias são regra geral geradoras de produtos e/ou serviços de alta tecnologia, os quais lhes permitem potenciar vantagens competitivas em termos do mercado global. Tal, à partida, poderia potenciar o seu processo de internacionalização. No entanto, a literatura referente ao processo de internacionalização de empresas spin offs universitárias é muito escassa. De forma análoga, na literatura mais especializada em processos de internacionalização de empresas jovens, como é o caso das Born Globals, não há grande evidência quanto à caracterização das origens que estiveram na base do seu processo de formação. O presente trabalho pretende colmatar esta lacuna da literatura. Assim, baseando-nos num conjunto de 31 spin offs de universidades mais recentes e conotadas como ‘empresariais/empreendedoras’ (Universidades de Aveiro e Minho) e uma universidade mais antiga e com um perfil mais híbrido no que concerne o mix educaçãotransferência de tecnologia (Universidade do Porto), efectuamos uma análise quantitativa sobre o processo de geração de spin offs universitáris, focando em particular o processo/capacidade de internacionalização das empresas geradas e aferindo em que medida esta dinâmica de internacionalização depende do tipo de universidades em que tais spin offs, emergiram. Com base na análise de dados primários recolhidos via implementação de um inquérito junto de um universo de 91 empresas identificadas como spin offs de 3 universidades portuguesas - Universidade de Aveiro, do Minho e Universidade do Porto -, constatamos que 35.5% iniciaram já o seu processo de internacionalização, valor muito superior à média nacional (8.0%). Verificamos que as empresas que tiveram origem na universidade do Porto, apresentam, em média, uma maior propensão para a internacionalização, facto que parece não estar alheio da existência, nesta universidade, de reputadas e experientes organizações de interface entre a universidade e a indústria (e.g., INESC Porto e INEGI). Dos resultados obtidos decorrem importantes implicações de política económica. Em concreto, sublinhamos a importância do suporte público à criação de spin-offs de origem académica como forma de criar empresas com fortes competências tecnológicas e de elevada propensão para a internacionalização, que representam um potencial enorme de fomento da competitividade da economia nacional a nível dos mercados globais. Palavras-Chave: Spin offs, Universidades; Internacionalização ii Índice de conteúdos Agradecimentos .........................................................................................................................i Resumo ............................................................................................................................ii Índice de conteúdos .................................................................................................................iii Índice de quadros .....................................................................................................................v Índice de figuras ......................................................................................................................vi Introdução ............................................................................................................................1 Capítulo 1. Spin offs de origem universitária, processo de internacionalização e modelos universitários de transferência de tecnologia e conhecimento. Uma síntese de literatura ................................................................................................3 1.1. Considerações iniciais .....................................................................................................3 1.2. Definição dos conceitos chave: spin outs vs spin offs, processo de internacionalização e modelos universitários de transferência de tecnologia e conhecimento.....................................................................................................................3 1.3. A emergência de novas empresas e o processo de internacionalização ..........................9 1.4. Spin offs académicas e modelos universitários de transferência de tecnologia e conhecimento...................................................................................................................12 Capítulo 2. Spin offs de origem universitária, processo de internacionalização e modelos universitários de transferência de tecnologia e conhecimento. Aspectos metodológicos........................................................................................16 2.1. Considerações iniciais ...................................................................................................16 2.2. Descrição da população (empresas/universidade), amostra e processo de recolha dos dados................................................................................................................................17 2.3. Descrição do inquérito...................................................................................................18 2.4. Breve descrição da amostra e respectiva representatividade.........................................19 Capítulo 3. Spin offs de origem universitária, processo de internacionalização e modelos universitários de transferência de tecnologia e conhecimento. Resultados empíricos ............................................................................................21 3.1. Considerações iniciais ...................................................................................................21 iii 3.2. Análise descritiva ..........................................................................................................21 3.3. Spin off académicas e o tipo/modelo de universidade: uma análise da diferença de médias..............................................................................................................................27 3.4. Spin-offs académicas, processo de internacionalização e o tipo/ modelo de universidade: uma análise multivariada ..........................................................................29 Conclusões ..........................................................................................................................37 Referências ..........................................................................................................................40 Anexos ..........................................................................................................................44 Anexo I: Lista das empresas spin offs de origem académica ...............................................45 Anexo II: Lista das empresas spin offs respondentes ...........................................................47 Anexo III: Inquérito..............................................................................................................48 iv Índice de quadros Quadro 1: Diferenças de características das spin off académicas entre modelos universitários ..................................................................................................... 28 Quadro 2: Estatísticas descritivas e correlações entre as variáveis do modelo .................. 34 Quadro 3: Explicando o log odds (propensão) à internacionalização das spin offs de origem académica .............................................................................................. 35 v Índice de figuras Figura 1: Categorias de spin offs académicos........................................................................ 5 Figura 2: Idade e Dimensão das spin offs de origem académica ......................................... 21 Figura 3: Tipo de capital humano dos trabalhadores das spin offs de origem académica: formação em gestão versus formação tecnológica ............................................... 22 Figura 4: Spin offs académicas por grupo de Intensidade em I&D (peso da I&D nas Vendas, em percentagem)..................................................................................... 23 Figura 5: Processo de internacionalização das spin offs académicas .................................. 24 Figura 6: Número de spin offs por categoria de gap, em termos de número de anos, entre a criação do negócio e o inicio do processo de internacionalização ....................... 24 Figura 7: Peso das exportações (no volume de negócio da empresa), dos clientes internacionais (no total dos clientes) e diversificação do comércio internacional por países de destino............................................................................................. 25 Figura 8: Factores potenciadores do processo de internacionalização das spin offs académicas............................................................................................................ 26 vi Introdução Podemos encontrar na literatura (e.g., Casper et al., 2003) que empresas geradas a partir de spin offs de universidades possuem um enfoque no desenvolvimento de produtos/serviços de alta tecnologia, o qual advém dos resultados obtidos a partir de programas de I&D e que estão muitas vezes na própria origem da empresa spin off. É referido ainda que empresas de produtos/serviços de alta tecnologia tomam a decisão estratégica de optar pela internacionalização dado esses produtos/serviços gerarem vantagens competitivas a nível global (Saarenketo et al., 2004). Parece assim depreender-se destes factos que empresas geradas em spin offs de universidades, pelo facto de possuírem vantagens tecnológicas que estão subjacentes à sua génese, deveriam ter naturalmente um percurso de internacionalização. Pelo nosso conhecimento, não parece existir ainda investigação que relacione as empresas geradas em contexto universitário e o seu eventual percurso de internacionalização. Por um lado, a literatura existente sobre empresa spin offs geradas em contexto universitário debate essencialmente o processo de geração dessas empresas (Aguirre et al., 2006), a relação entre essas empresas e as universidades que lhes deram origem (Casper et al., 2003), bem como a relação entre a capacidade empreendedora das universidades e a geração dessas spin offs (Aguirre et al., 2006). É ainda debatida a necessidade de promover programas específicos que ajudem a criar um ambiente propício ao aparecimento de spin offs universitárias (Aguirre et al., 2006), e a importância dos diferentes stakeholders que participam no processo (Aguirre et al., 2006). Por outro, em termos de processo de internacionalização de novas empresas, constata-se que a actual literatura sobre as chamadas Born Globals debate essencialmente as características dessas empresas (Lockett et. al, 2003; Grimaldi, 2005; Aguirre et. al., 2006) e os factores que estão subjacentes ao seu rápido processo de internacionalização (Wilkinson et al., 1997; Casper, 2003; Saarenketo et. al., 2004). Na presente dissertação, pretende-se realizar uma reflexão teórica e uma análise empírica sobre a relação das empresas geradas em contexto universitário e o seu eventual percurso de internacionalização. Em concreto, pretende-se analisar o processo de internacionalização das empresas spin offs universitárias oriundas de diferentes pólos universitários que possuam características distintas, em termos de processo de transferência de tecnologia e conhecimento, i.e., com base na experiência adquirida ao longo dos anos e na implementação de políticas de apoio ao empreendedorismo. 1 Assim, as principais questões do presente estudo são: 1) terão as empresas spin offs de origem académica um percurso de efectiva internacionalização?; e 2) estará a propensão à internacionalização dependente do tipo de Universidade de onde emergiram? Para responder a estas questões recorremos à recolha de dados primários através da implementação de um inquérito junto de um universo de 91 empresas identificadas como spin offs de 3 universidades portuguesas com distintas características: mais ‘empresariais’ (Universidade de Aveiro e do Minho) e mais híbridas, combinando características empresariais com uma forte componente de ensino e investigação (Universidade do Porto). Foram obtidas 31 respostas (taxa de resposta de 34.1%), sendo 45% respeitantes a spin offs das Universidades de Aveiro e Minho e 55% compreendendo spin offs da Universidade do Porto. Das 31 empresas que responderam ao inquérito, 35.5% afirmaram ter iniciado o seu processo de internacionalização, um valor muito superior à média nacional (8.0%).1 A presente dissertação estrutura-se da seguinte forma. No Capítulo 1 é apresentada uma síntese de literatura crítica sobre as empresas spin offs de origem universitária/académica, processo de internacionalização e modelos universitários de transferência de tecnologia e conhecimento. Posteriormente (Capítulo 2), detalham-se os aspectos metodológicos do trabalho empírico, No Capítulo 3 analisam-se e discutem-se os resultados, respondendo às questões de investigação subjacentes à dissertação. Por fim, em Conclusões sintetizamos os principais pontos do estudo e tecemos algumas considerações de política económica. 1 Em 2006, existiam em Portugal cerca de 28 000 empresas exportadoras, num total de cerca de 350 000, com as 20 maiores a representar mais de 30% das exportações totais (Fonte: Intervenção do presidente da AEP Associação Empresarial de Portugal, José António de Barros, na sessão plenária de abertura do dia da Internacionalização, integrado na 1ª Semana Europeia das PME09, Porto, Edifício da Alfândega, 7 de Maio de 2009). 2 Capítulo 1. Spin offs de origem universitária, processo de internacionalização e modelos universitários de transferência de tecnologia e conhecimento. Uma síntese de literatura 1.1. Considerações iniciais Este capítulo tem por objectivo realizar uma síntese de literatura sobre as empresas spin offs de origem universitária e o seu processo de internacionalização. Pretende-se também avaliar a literatura existente no que concerne à associação entre a internacionalização destas spin offs e o modelo universitário (mais académico versus mais empreendedor) onde tiveram a sua origem. Para o efeito, e tendo em vista a concretização deste objectivo, é apresentada uma secção (Secção 1.2) onde se definem os conceitos de spin offs, processo de internacionalização e modelos universitários de transferência de tecnologia e conhecimento. Tal permite garantir um alinhamento em termos das diversas correntes de pensamento associadas a estes conceitos e seleccionar a(s) que no(s) parecem mais apropriadas para o nosso estudo. Posteriormente apresenta-se duas secções onde se estabelece a emergência de novas empresas (start-ups) e o processo de internacionalização (Secção 1.3) e a relação entre spin offs académicas, processo de internacionalização e modelos universitários (Secção 1.4). 1.2. Definição dos conceitos chave: spin outs vs spin offs, processo de internacionalização e modelos universitários de transferência de tecnologia e conhecimento Spin outs vs Spin offs Spin-outs e Spin offs são conceitos relacionados que usualmente são utilizados de forma alternadas para apresentar o mesmo fenómeno. Não obstante, diversos autores (e.g., De Cleyn e Braet, 2007) argumentam que existe uma diferença clara entre eles: uma empresa spin off compreende a criação de uma entidade completamente nova fora de uma organização existente, enquanto uma empresa spin out respeita a separação de uma entidade existente (divisão, unidade de negócio etc.) da organização-mãe. Apesar de ambos os conceitos deverem ser considerados como fenómenos separados, é importante frisar que spin offs e spin-outs estão intimamente relacionados pois partilham múltiplas características semelhantes. Em ambos os tipos, transferência de recursos humanos e 3 conhecimento estão envolvidos. Adicionalmente, o objectivo final subjacente à sua criação – geração de valor económico via exploração comercial do conhecimento – é partilhada pelas spin offs e spin-outs. Assim, na presente dissertação estes conceitos são apresentados como sinónimos, sendo a expressão spin off a que mais extensivamente referiremos. Lowe (2002) refere-se às spin offs com a designação genérica de start-ups, as quais segundo Jensen e Thursby (2001), têm por objectivo o desenvolvimento de inventos que se encontram numa fase inicial de pré protótipo em termos do seu ciclo de vida. Estes inventos são caracterizados por uma substancial incerteza tecnológica, a qual desencoraja as empresas existentes de realizar investimentos avultados no licenciamento e desenvolvimento dessa tecnologia. Em face desta situação os investigadores recorrem ao financiamento público que lhes permita desenvolver seu negócio e posteriormente obter a atenção de investidores e empresas privadas. Segundo Roberts e Malone (1996), a definição de spin off universitária consiste no mecanismo em que os governos procuram obter contrapartidas económicas a partir da actividade de I&D das instituições públicas, por via da transferência de tecnologia para organizações com actividade comercial. Alguns investigadores produziram diversas definições de spin off tendo por base os elementos principais transferidos para essas empresas: tecnologia e/ou pessoas. Quando o elemento de transferência principal é a tecnologia, esta pode ser interpretada de duas formas: a) formalização por via de uma patente, em que neste caso a spin off é considerada uma nova empresa fundada para a exploração e comercialização da propriedade intelectual dentro de uma instituição académica (AUTM, 2002; Di Gregório e Shane, 2003), ou b) por via não formal de conhecimento produzido na universidade, neste caso as spin off universitárias são considerados novas empresas geradas para explorar comercialmente algum conhecimento, tecnologia ou resultados de investigação desenvolvidos dentro da universidade (Pirnay, Surlemont e Nlemvo, 2003). Em relação à transferência de pessoas Smilor et al. (1990) excluem a possibilidade da spin off ter apenas por base a transferência pura e simples de tecnologia, sem o recurso à transferência de pessoas da instituição que lhe deu origem. Por conseguinte, consideram que uma spin off é uma nova empresa formada por (1) indivíduos que pertenciam anteriormente à instituição geradora do spin off e 2) é baseada em tecnologia core transferida pela instituição de origem. Esta interpretação das spin offs não é completamente partilhada por Nicolaou e Birley (2003a) que consideram que a transferência de tecnologia por via da criação de uma nova empresa, pode ser realizada por empreendedores externos sem a necessidade de envolvimento dos 4 investigadores académicos. Esta definição por sua vez é partilhada por Djokovic e Souitaris (2006). Segundo Lambert (2003), as spin offs universitárias são vistas pelos cientistas e gabinetes de transferência tecnológica (TTOs) como a alternativa empreendedora face ao simples licenciamento de tecnologia. Estas spin offs são concebidas como novas empresas que comercializam alta tecnologia proprietária de um departamento universitário e com investimento proveniente de capital de risco. Uma definição também associada às spin offs universitárias, as Research Based Start-Ups (RBSUs), i.e. start-ups sustentadas na investigação, é que, são empresas cujo negócio consiste no desenvolvimento e comercialização de novos produtos ou serviços cuja tecnologia ou competências são proprietárias (Gartner, 1985; Utterback et al., 1988; Roberts, 1991; Hanks et al., 1993; Woo et al., 1994; Shane, 2001; Heirman, 2004). Bercovitz (2006) simplesmente considera as spin offs universitárias como uma nova entidade gerada a partir da sua capacidade de investigação ou de uma licença universitária. Enquanto, que para Birley (2002), as spin offs académicas são empresas formadas nas universidades com o objectivo de comercializar a propriedade intelectual dessas universidades e promover a transferência tecnológica. Segundo Druille (2004) existem 5 categorias de spin offs universitárias (ver Figura 1), as quais são classificadas em função da experiência dos empreendedores e dos recursos necessários à sua actividade. Figura 1: Categorias de spin offs académicos Fonte: Druille (2004) 5 Processo de Internacionalização A internacionalização tem sido suportada em duas escolas de pensamento: a escola processual e a escola económica (Gabrielsson e Kirpalani, 2004). A primeira escola de pensamento pressupõe que a empresa assume uma abordagem comportamental (Cyert eMarch, 1963); a segunda escola assenta na racionalidade económica da empresa por via dos custos de transacção (Williamson, 1975). Segundo Gabrielsson e Kirpalani, (2004), os estudos realizados sobre o modelo processual, focalizam-se sobre o modo como acontece a internacionalização, que neste caso se baseia numa abordagem gradual por fases. Esta abordagem faseada começa pela exportação com o objectivo de minimizar o risco da empresa em mercados externos, aumentando gradualmente o seu grau de envolvimento no mercado em função do eventual aumento da procura desse mercado (Gabrielsson e Kirpalani, 2004). O modelo por fases foi também identificado por investigadores suecos, com base em múltiplos estudos sustentados em empresas nacionais (Johanson e Vahlne, 1977, Luostarinen, 1970, 1979), tendo sido precursor da escola de Upsala. Segundo o modelo de Upsala (U-M), o processo de internacionalização refere que as empresas se internacionalizam de uma forma gradual e incremental (Johanson e Wiedersheim-Paul, 1975; Johanson e Vahlne, 1977) devido à falta de conhecimento do mercado externo, elevada aversão ao risco e elevada percepção de incerteza entre outros factores. No entanto, este modelo de internacionalização por fases é visto por alguns autores (e.g., Reid, 1983; Turnbull, 1987) como um modelo limitado, dado que surgem cada vez mais empresas que não seguem este padrão de internacionalização. Estas últimas empresas são as referenciadas, entre outras designações, por Born Globals (Rennie, 1993; Knight e Cavusgil, 1996) ou International New Ventures (Oviatt e McDougall, 1994). O modelo de internacionalização, segundo a escola de pensamento económica, assume que a política da empresa é “homo economicus”, i.e. o gestor da empresa tem total conhecimento dos mercados e por conseguinte escolherá a solução mais racional (Gabrielsson e Kirpalani, 2004). Este modelo conduz a abordagens em função dos custos de transacção (Williamson, 1975; Anderson e Gatignon, 1986;) e/ou baseada no paradigma eclético (Dunning, 1988). Segundo Welch e Luostarinen, (1988), a internacionalização consiste no processo do envolvimento crescente da empresa em operações internacionais, enquanto que Reid (1983) refere que os padrões de internacionalização das empresas em termos individuais parecem ser únicos e específicos de cada empresa. Ainda dentro da escola de pensamento económico, para Oviatt e McDougall, (1994) a internacionalização 6 consiste na procura pela empresa de importantes vantagens competitivas, através da utilização de recursos e realização de vendas de produtos ou serviços, em múltiplos mercados. À partida poderia parecer mais adequado a utilização do modelo processual para sustentar a eventual internacionalização das spin offs universitárias, dado que novas empresas à partida seriam induzidas a implementar uma política gradual de internacionalização dada a sua escassa base de conhecimento e experiência, bem como os (elevados) custos de transacção associados. No entanto, o facto de existirem empresas que nascem globais, as “born globals”, impõe que se considere como possíveis outros modelos de internacionalização. Esta é de resto a primeira questão subjacente à presente investigação. A análise dos processos de internacionalização das spin offs universitárias alvo do nosso estudo, certamente nos proporcionará evidência sobre qual o modelo que melhor se adequa ao processo de internacionalização destas mesmas empresas. Modelos Universitários de transferência de tecnologia e conhecimento Na literatura sobre modelos universitários de transferência de tecnologia e conhecimento podemos identificar dois tipos principais (Teixeira e Costa, 2006): o modelo mais académico ou tradicional e o modelo mais empreendedor reflectindo já uma acentuada dinâmica ou pelo menos propósito explícito de ligação à indústria. O modelo universitário tradicional tem por missão principal promover a investigação e transmitir conhecimento às comunidades, académica e de estudantes (Geiger, 1993; Bok, 2003). Estas universidades são uma fonte de conhecimento técnico devidamente codificado, o qual é disponibilizado através dum processo de aprendizagem e vivência universitária (Segal, 1986). Esse tipo de conhecimento disponibilizado pelas universidades, faz parte de uma cultura de ciência aberta de livre acesso a todos, a qual se poderá perder por via da criação de patentes da propriedade intelectual (Nelson, 2001; Sampat, 2006). As universidades ditas ‘tradicionais’ contribuem indirectamente para a transferência tecnológica para a indústria por via do desenvolvimento de quadros qualificados (Carayannis et al., 1998). O termo ‘universidades empreendedoras’ foi estabelecido por Etzkowitz (1993) para descrever as transformações necessárias a um papel mais activo por parte das universidades com vista à promoção directa da transferência tecnológica, resultante da investigação académica. Este modelo encontra alguns opositores entre académicos e 7 economistas (e.g., Rogers, 1986; Lee, 1996; Mazzoleni e Nelson, 1998) que argumentam que este modelo desfoca a universidades do seu papel principal, i.e., da formação de recursos e investigação sem carácter comercial (Dasgupta e David, 1994). Nas universidades ditas ‘empreendedoras’ a promoção da transferência tecnológica pode ser feita por via de licenciamento ou criação de novas empresas – spin offs (Lambert, 2003). O licenciamento tem sido tradicionalmente a forma mais vulgar para a comercialização de tecnologia universitária (Siegel et al., 2003b), no entanto, a criação de empresas como mecanismo de comercialização de tecnologia tem vindo a ganhar protagonismo (Siegel et al., 2007). Com o objectivo de facilitar o processo de transferência tecnológica, quer por via do licenciamento, quer por via da criação de spin offs, estas universidades têm vindo a criar organismos próprios para o efeito designados por Transference Technology Offices (TTOs) (Siegel et al., 2007). As universidades mais empreendedoras são responsáveis pela criação da maioria das spin offs nos países mais desenvolvidos (O’ Shea, 2007). Este facto foi constatado em estudos recentes realizados por O’Shea et al. (2005), nos Estados Unidos, e por Lockett e Wright (2005), no Reino Unido. Segundo O’Shea (2007), o empreendedorismo nas universidades está relacionado com os seguintes factores: 1) competências e características pessoais dos empreendedores académicos; 2) as capacidades e recursos disponibilizados pelas universidades; 3) políticas e organização das universidades com vista à comercialização de tecnologia; e os 4) factores de enquadramento local que promovam o empreendedorismo académico. Ainda segundo este autor, a investigação recente revela que universidades que detêm políticas e normas que suportem actividades de comercialização de tecnologia, tendem a conseguir maiores índices de comercialização e de actividades de spin off. Para além de avaliar o processo de internacionalização das spin offs académicas (Questão de investigação nº 1), o presente estudo pretende relacionar essa internacionalização como o modelo universitário das instituições que estiveram na base da criação dessas spin offs (Questão de investigação nº 2). Assim, torna-se de especial relevância avaliar o que a literatura na área indicia sobre a relação existente entre a geração de spin offs académicas e o modelo universitário associado ao processo de transferência de tecnologia e conhecimento. 8 1.3. A emergência de novas empresas e o processo de internacionalização O processo de internacionalização das empresas, segundo Johanson e Valhne (2001), pode manifestar-se sobre diferentes formas, como por exemplo, via subsidiárias, joint-ventures internacionais, contratos de licenciamento, exportação, ou múltiplos eventos e actividades (e.g., campanhas de publicidade internacionais). No processo de internacionalização das empresas, a envolvente em que elas operam leva-as a optar por determinados modelos, cuja escolha procura maximizar a persecução dos seus objectivos. Entre os vários modelos existentes podemos referir, em particular, o Modelo dos estágios (ou processo) (Johanson e Wiedersheim-Paul, 1975; Johanson e Valhne, 1977), o da Teoria da Reacção Oligopolista (Knickerboker, 1973) e os Modelos das Redes (Johanson e Mattsson, 1988). No modelo de estágios ou processo encontramos uma abordagem gradual de internacionalização, a qual reflecte o modelo desenvolvido pela “escola” de Uppsala (Johanson e Valhne, 1977), em que a empresa começa por ter um baixo comprometimento, entrando em mercados mais próximos em termos geográficos e culturais; posteriormente, vai alterando o seu posicionamento com um maior comprometimento local e procurando mercados mais distantes. No modelo das redes, encontramos uma visão do mundo em que as empresas e organizações não podem funcionar de um modo isolado, mas pelo contrário necessitam de interagir entre si criando um efeito de interdependência (Johanson e Mattsson 1988). As empresas não são entidades isoladas. O sucesso competitivo de uma empresa está dependente das relações com fornecedores de matérias-primas, componentes, serviços equipamentos, distribuidores, clientes. (Richardson, 1972) No contexto internacional a empresa poderá estar em fases distintas em diferentes mercados regionais. No entanto, quanto mais avançado estiver o seu processo de internacionalização, mais forte será o seu posicionamento nas diferentes redes e consequentemente, maior a força das suas relações, o posicionamento da empresa nas redes pode influenciar a sua estratégia de internacionalização (Hollensen 1999), gerando motivações pró-activas e reactivas. Mckinsey and Co. (1993) realizou um estudo com 310 empresas na Austrália e concluiu que existiam duas categorias de empresas: 1) as que exportavam pouco e tinham começado a exportar após vários anos de actividade no mercado nacional; e 2) as que tinham começado a exportar num curto espaço de tempo e exportavam a maioria dos produtos que produziam (as designadas Born Globals). Esta última categoria distinguia-se por produzir 9 tecnologia de ponta e para nichos no mercado internacional. Posteriormente, Rennie (1993) descreveu-as como competindo através qualidade e criação de valor por via da inovação tecnológica e design de produto. Jolly et al. (1992) referem que as start-ups são, em regra, pequenas empresas, com recursos limitados e por esse facto têm de recorrer a parceiros e a networking para aceder aos mercados externos, por via de acesso à rede de operações e distribuição, marketing e comercialização dos seus produtos. Christensen e Jacobsen (1996) concluíram que a velocidade com que as empresas se internacionalizavam depende dos contactos, relações, educação e das funções que os empreendedores tinham tido anteriormente. Complementarmente, Johanson e Mattsson (1988) tendem a explicar o processo de internacionalização através do modelo de redes industriais, em que em vez da empresa iniciar a sua internacionalização para um mercado anónimo, ela inicia o processo através da rede que possui com outras empresas. Tais factos evidenciam o capital humano como um dos factores de maior importância no aparecimento das Born Globals. Neste caso, a internacionalização da empresa depende mais da rede de contactos internacionais do que qualquer outra vantagem específica (Coviello e McAuley, 1999). Para Wiedersheim-Paul (1980), o conhecimento prévio do mercado é um factor fundamental na decisão para a internacionalização. Mesmo no modelo de internacionalização por fases, o processo de internacionalização está associado ao conhecimento incremental dos mercados, o qual leva a uma abordagem cada vez mais profunda desses mercados (Johanson e Vahlne, 1977, 1990) – inicia-se com a exportação e culmina com o Investimento Directo Estrageiro (IDE). Segundo Andersen (1997), o modelo de Upsala é estruturado com base na teoria “resource-based”, em que um maior conhecimento do mercado leva a um maior comprometimento e vice-versa. No entanto, o facto desta teoria se basear apenas no “conhecimento experimental” (Saarenketo et al., 2004) acaba por evidenciar algumas fraquezas, dado apresentar-se como um processo sequencial, que contempla o cumprimento “quasi” obrigatório de diversas etapas não considerando a possibilidade de outras abordagens mais eficazes, nomeadamente em sectores de evolução tecnológica mais rápida e de elevada competitividade. Comummente consideradas como Born Globals, as Pequenas e Médias Empresas (PMEs) na área das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) apresentam um processo de internacionalização muito rápido e intensivo diferente dos actuais modelos de internacionalização baseados em fases progressivas (Saarenketo et al., 2004). Também 10 nestas empresas o processo de internacionalização é impulsionado pela utilização de recursos externos, como por exemplo parcerias e networks (Bell, 1995; Coviello e Munro, 1997). A evidência empírica relativa à rápida internacionalização de high-tech PMEs, em particular das TICs, constitui um desafio às teorias clássicas de internacionalização (Saarenketo et al., 2004). Mais do que seguirem um modelo gradual, estas empresas estrategicamente assumem o mercado internacional como o seu mercado natural, sendo nesse sentido consideradas Born Globals (Saarenketo et al., 2004). Para esta situação contribuem também as políticas de desregulamentação e liberalização dos mercados, as quais criam oportunidades a nível internacional, mesmo para as PMEs (Saarenketo et al., 2004). A estandardização de produtos e serviços a nível internacional permite também criar um mercado mais competitivo à escala global. Nas palavras de Bowers (1993), citado por Saarenketo et al. (2004), “Those who learn the quickest will be the winners”. A necessidade das empresas high-tech em fazer uma abordagem rápida aos mercados internacionais, ao invés de adoptarem um processo de aprendizagem gradual, deve-se ao facto deste ser demasiado lento para este tipo de empresas. Estas têm de concorrer em mercados que mudam muito rapidamente (Saarenketo et al., 2004) em virtude da tecnologia se tornar rapidamente obsoleta nestes mercados (Preece et al., 1998). Internacionalização rápida exige aprendizagem rápida (Hubber, 1991; Forsgren, 2001), aprendizagem por via de networking, rede de contactos e parceiros, aprendizagem por aquisição de outras empresas acedendo a recursos e conhecimento detido pela empresa adquirida; aprendizagem por imitação de outras empresas; aprendizagem através da procura de informação. Outro factor que contribui para a globalização dos mercados das empresas high-tech, é a sua maior especialização em determinados nichos de produtos e serviços o que se traduz na necessidade de economias de escala (Saarenketo et al., 2004). Confirma-se também que quantos maiores forem as capacidades tecnológicas e de marketing das empresas no seu início, maior será também o seu nível de internacionalização (Saarenketo et al., 2004). A conjugação das competências a nível das capacidades tecnológicas, factor humano, rede de contactos internacionais, aprendizagem e educação, existentes nas Born Globals podem potencialmente ser encontradas em empresas geradas em contexto universitário (Saarenketo et al., 2004). Na presente dissertação avaliamos até que ponto o processo de internacionalização das Born Globals se aplica ao contexto dos spin offs de origem universitária. Espera-se que o estudo permita 11 obter resultados e conclusões sobre a propensão e intensidade dos spin offs no que respeita ao seu processo de internacionalização. 1.4. Spin offs académicas e modelos universitários de transferência de tecnologia e conhecimento A análise da literatura sobre a geração de spin offs universitários (Samson e Gurdon, 1993; Franklin et al., 2001; Grimaldi, 2005; Aguirre et al., 2006; Wright et al., 2007) permite depreender que estes surgem através da criação de oportunidades tecnológicas pelos investigadores universitários sendo a tecnologia uma competência chave que está na base do elevado crescimento destas empresas (Aguirre et al., 2006). Uma oportunidade tecnológica é aquela que é obtida pelo desenvolvimento ou evolução da tecnologia (Molian e Le Leux, 1997; Shane, 2001; Katila e Mang, 2003) e que muitas vezes é explorada via as designadas New Tecnological Based Firms (NTBF). Simultaneamente, verifica-se que as oportunidades de alta tecnologia provêm maioritariamente de programas de investigação universitários (Veciana, 2005). A comercialização de tecnologia de base universitária tem vindo a merecer atenção redobrada nas políticas de países como os Estados Unidos e o Reino Unido (Lockett et al., 2003). Nos Estados Unidos a transferência de tecnologia do sector público para o sector privado está intrinsecamente ligada à geração de novos negócios, expansão dos actuais e criação de novos empregos (Siegel et al., 1999). Esta transferência é feita preferencialmente através das universidades as quais começam a estar motivadas pelo sucesso, tanto em termos comerciais como académicos, por via da comercialização da sua tecnologia (Powell e Owen-Smith, 1998). Uma forma de comercialização é por via de spin offs de empresas geradas em contexto universitário (Samson e Gurdon, 1993; Franklin et al., 2001). Os governos e instituições públicas estão conscientes da importante contribuição das spin offs de origem académica para o desenvolvimento económico e tecnológico (Grimaldi, 2005). Em alguns países, estas spin offs têm vindo a ter um papel cada vez mais relevante no panorama económico por via de alterações organizacionais e institucionais das próprias universidades (Grimaldi, 2005). As spin offs representam uma fonte de benefícios para as próprias universidades, dado que providenciam novas fontes de rendimento e aumento do seu prestígio e reputação (Grimaldi, 2005), permitindo atrair mais e melhores estudantes, 12 os quais podem concretizar novas oportunidades tendo por base o conhecimento por si desenvolvido (Grimaldi, 2005). O aparecimento das spin offs está também relacionado com a capacidade de empreendedorismo individual apresentado pelos diversos stakeholders (Aguirre et al., 2006). De facto, os empreendedores exploram uma oportunidade esperando um elevado retorno (Shane e Venkataraman, 2000). Os empreendedores avaliam simultaneamente outros factores como custos de oportunidade (Schumpeter, 1934; Kirzner, 1973), nível de incerteza (Schumpeter, 1934; Kirzner, 1973), custos de capital (Shane, 1996), o volume da procura (Schumpeter, 1934; Schnmookler, 1966), competência (Hannan e Freeman, 1984) e o ciclo de vida da tecnologia (Utterback, 1994). Antes de avançar para um plano de negócios formal os empreendedores devem reflectir na viabilidade económica e técnica da ideia e da sua probabilidade de sucesso; factores ambientais, sociais, culturais, tecnológicos (Long e McMullan, 1984), políticos, económico e de mercado devem inclusivamente ser avaliados na reflexão. As redes universitárias a nível externo, constituídas por instituições e indivíduos, tendem a ser fundamentais para o processo de spin off (Lockett et al., 2003). Parecem coexistir diversos factores na génese das spin offs universitárias, nomeadamente competências tecnológicas, motivação das universidades em promover condições para a comercialização da sua tecnologia, bem como redes constituídas por instituições e indivíduos a nível nacional e internacional (Aguirre et al., 2006). Tais factores poderão gerar as condições necessárias ao impulsionamento de spin offs cujas vantagens tecnológicas e humanas permitam a sua rápida internacionalização. Este aspecto parece não ter sido ainda alvo de investigação nos meios académicos. Nos últimos anos tem havido um crescente aumento da actividade empresarial por parte das universidades (Wright et al., 2007), sobre a forma de patentes, licenciamento, “jointventures” de investigação com empresas privadas e a criação de spin offs. As universidades são reconhecidas como organizações que detêm um activo de conhecimento cientifico resultado da investigação que produzem, o qual pode ser um factor de promoção do desenvolvimento económico; no entanto, a presença de uma universidade numa dada região poderá não ser suficiente para garantir o desenvolvimento dessa região na indústria do conhecimento (Bercovitz et. al, 2006). Com o objectivo de melhorar as ligações comerciais entre as universidades e a indústria, algumas universidades 13 recorrem a organismos específicos para a transferência de tecnologia (Technology Transference Offices - TTOs), que visam suportar a criação de spin offs universitárias (Hague e Oakley, 2000). As universidades europeias e americanas recorreram aos TTOs para tornar mais efectivo o processo de transferência de tecnologia, em que os quais têm por objectivo facilitar a difusão da tecnologia de base universitária, através de licenciamento ou criação de empresas, assumindo cada vez mais um papel activo no processo de comercialização de tecnologia, através do registo de patentes, licenciamento e promoção de start-ups (Lockett et al., 2005). As actividades comerciais não se enquadram contudo no modelo académico tradicional, cujas carreiras assentam na investigação e ensino (Wright et al., 2007). A criação de empresas através de spin offs é uma actividade que consome mais tempo do que a actividade de licenciamento (Franklin et al., 2001). Adicionalmente, os sistemas de gestão universitária são concebidos para garantir a integridade académica podendo não ser compatíveis com actividades de comercialização e tomadas de decisão em tempo útil, necessárias na vida das empresas (Wright et al., 2007). Entretanto, a pressão existente por parte das políticas governamentais no sentido de gerar proveitos económicos a partir da actividade de investigação realizada nas universidades, vem contribuir para a pertinência de encontrar modelos de transferência tecnológica universidades-empresas (O’Shea et al., 2007). Este facto é confirmado pelo crescente número de políticas e publicações sobre os factores que influenciam as actividades de spin off a nível das instituições de ensino (O’Shea et al., 2007). Djokovic e Souitaris (2007) concordam com a visão de que a mudança do papel das universidades em direcção a actividades de comercialização de tecnologia associadas a mecanismos e políticas governamentais e institucionais, estão a criar condições para a geração de spin offs universitários. A actividade de spin off das universidades é um reflexo do seu comportamento institucional, com as universidades que se regem por normas que suportam actividades de comercialização a apresentar elevados níveis de actividades de spin off. Kenney e Goe (2004) concluíram também que o envolvimento de professores em actividades empreendedoras é influenciado pelas suas relações sociais e instituições com as quais têm ligações. As infra-estruturas de conhecimento de uma região são também um factor determinante na actividade de geração de spin offs, os quais estão associados ao fenómeno das universidades empreendedoras associadas a pólos tecnológicos de incubação de empresas (O’ Shea et al., 2007). 14 Os factos supra apresentados levam-nos a concluir que as universidades com um modelo mais empreendedor tenderão à partida a gerar mais spin offs, sem no entanto estabelecer qualquer relação com o seu processo de internacionalização. Será que podemos inferir que as características das universidades mais empreendedoras que potencialmente promoverão a criação de um maior número de spin offs influenciarão também o seu processo de internacionalização? Por outras palavras, será que as spin offs geradas nos meios universitários conotados como ‘mais empreendedores’ são também as que apresentam uma maior propensão à internacionalização? Estas questões são analisadas no Capítulo 3, tendo por base o estudo de spin offs que emergiram em dois tipos distintos de meios universitários: um com características mais híbridas académica-empresarial (Universidade do Porto) e um outro com características conotadas como mais empreendedoras (Universidade do Minho e Aveiro). No capítulo seguinte apresentamos as considerações metodológicas subjacentes ao trabalho empírico da presente dissertação. 15 Capítulo 2. Spin offs de origem universitária, processo de internacionalização e modelos universitários de transferência de tecnologia e conhecimento. Aspectos metodológicos 2.1. Considerações iniciais Com o objectivo de realizar o estudo empírico enunciado e a obtenção de respostas para as questões formuladas, foram seleccionados os pólos universitários do Minho, Aveiro e Porto. O estudo empírico teve por base a recolha de informação detalhada junto destas três universidades, as quais possuem, segundo a literatura da área (e.g., Teixeira e Costa, 2006) diferentes características em termos de empreendedorismo, isto é, de grau de envolvimento com o mundo empresarial. O pólo universitário do Porto representa um modelo mais híbrido, combinando uma forte componente académica (i.e., mais ‘tradicional’) com uma razoável, embora não explícita, função empresarial. Os restantes pólos, Minho e Aveiro, são conotados como modelos de universidades mais empreendedoras. Por ‘empreendedorismo’ considera-se neste estudo a maior proximidade do meio académico ao meio empresarial. Em face da actualidade deste assunto, sendo este relativamente recente no contexto universitário português, e também tendo em conta a idade dos pólos universitários de Minho e Aveiro, propõe-se a definição de um período temporal de 15 anos para a realização do estudo. Sendo assim só serão consideradas no nosso estudo as empresas que tiveram a sua génese a partir de 1992. Foi adoptada a seguinte metodologia. Numa primeira fase, foram identificados os diferentes organismos associados a cada um dos pólos universitários, aos quais estavam associados processos de spin offs. Após a realização desta identificação estabeleceram-se contactos com representantes destes organismos (e..g., TECMINHO, UPIN, UPTEC, UATEC), que nos permitiram identificar os diversos spin offs que surgiram no período estipulado para o nosso estudo (cf. Anexo I). A recolha de informação foi feita directamente junto das empresas spin offs identificadas, através de um inquérito especificamente concebido para o propósito (cf. Anexo III) e baseado na revisão de literatura efectuada no Capítulo 2. Para aferir a propensão para a internacionalização das empresas geradas em contexto universitário e da influência das características das universidades para essa propensão, avaliamos as seguintes variáveis para cada um dos pólos universitários seleccionados: 1) 16 Número de spin offs gerados no período definido para o estudo, 2) Número de spin offs resultantes do ponto anterior, que se internacionalizaram durante esse período. Para aferir a intensidade de internacionalização dos spin offs identificados no ponto 2) anterior, à luz da literatura existente (Saarenketo et al., 2004), inquirimos as empresas em termos das seguintes variáveis 1) Tempo que mediou desde a sua origem e o início das operações internacionais, 2) Percentagem dos clientes no mercado internacional face ao total; 3) Número de parceiros internacionais; 4) Número de países em que a empresa actua; e 5) Percentagem de receitas nos mercados internacionais face ao total. O objectivo das análises supra mencionadas é o de contribuir com evidência adicional sobre a relação entre o tipo de universidade e o nível de propensão e intensidade do processo internacionalização das empresas que ‘incubaram’. 2.2. Descrição da população (empresas/universidade), amostra e processo de recolha dos dados A identificação das empresas relacionadas com o universo de cada uma das universidades seleccionadas para o nosso estudo foi realizada através dos sites das universidades e dos organismos associados a estas que participam no processo de apoio à criação de empresas, nomeadamente, IEUA e UATEC, no caso da Universidade de Aveiro, TECMINHO, no caso da Universidade do Minho e UPIN, UPTEC, INESC e INEGI, no caso da Universidade do Porto. Tendo por base informação oficial obtida junto das universidades sobre o processo de criação de spin offs de base tecnológica, a partir de conhecimento gerado dentro destas, verificou-se que só recentemente as universidades começam a oficializar o processo de spin off das empresas geradas no seu contexto. Efectivamente, os estatutos das spin offs só recentemente foram aprovados pelos conselhos das universidades em análise. No caso da universidade do Porto os regulamentos foram publicados a 12 de Março de 2008. No caso da universidade do Minho não tivemos acesso a qualquer regulamento publicado mas antes a um guião de procedimentos. No caso da universidade de Aveiro não tivemos acesso a qualquer documentação publicada. Este facto reflecte que embora já existissem empresas geradas em contexto universitário, as quais contavam com o apoio das próprias universidades, só recentemente o seu estatuto de spin off tem vindo a ser reconhecido e oficializado. Consequentemente, no nosso estudo estão representadas empresas que embora não tenham o estatuto oficial de spin off da universidade em análise, dado serem 17 anteriores ao processo de promulgação dos referidos estatutos, são consideradas, para fins do nosso estudo, como spin offs de facto, pois o contexto em que surgiram e se desenvolveram é um contexto universitário. O universo das empresas identificadas no âmbito do nosso estudo foi de 32 spin offs para a universidade do Minho, 29 spin offs para a Universidade de Aveiro e 42 spin offs para a universidade do Porto, perfazendo o total de 103 spin offs (cf. Anexo I). Das empresas identificadas, em 12 (11.7% do total) não se conseguiu obter qualquer contacto (células a cinza no quadro do Anexo I). Assim sendo, no total, a nossa população inclui 91 spin offs. O primeiro contacto foi efectuado por e-mail em 14 de Março de 2009. Em face do número reduzido de respostas (4), no dia 16 de Abril de 2009 enviou-se faxes para todas as empresas (havendo algumas sido contactadas por telefone para que se conseguisse o número de fax). Com esta segunda ronda de contactos conseguiu-se aumentar ligeiramente (mais 8 empresas responderam) o número de respostas. Com vista a tornar mais eficiente o processo de contactos, decidimos contactar a UATEC, TECMINHO e UPTEC no sentido de obter da parte destas instituições a colaboração neste âmbito, nomeadamente através do envio por parte destas instituições de um email às empresas em estudo solicitando a participação das mesmas. Esta abordagem permitiu optimizar o processo tendo aumentado o número de respostas de 12 para 31, no total (cf. Anexo II). 2.3. Descrição do inquérito O inquérito que elaborámos para realizar o nosso estudo e poder assim analisar a propensão para a internacionalização das spin-offs universitárias, bem como relacionar essa propensão com o modelo universitário, é composto por duas partes (ver Anexo III). A primeira parte descreve a empresa/spin-off e a segunda parte descreve o seu (eventual) processo de internacionalização. Na descrição da empresa recolheu-se informação sobre o ano do início da actividade de forma a verificar se o tempo de vida da empresa poderá influenciar o seu processo de internacionalização, considerando-se uma eventual abordagem gradual por fases (Johanson e Vahlne, 1977, 1990); o sector de actividade, que categorizamos em Ciências da Vida, Tecnologias de Informação (TI), Engenharia, e Outras para aferir em que medida existirão sectores que mais facilmente sejam internacionalizáveis, o caso por exemplo das TICs (Saarenketo et al., 2004), tipo de actividade - produtos ou serviços; a composição do capital social, dada a importância dos stakeholders no desenvolvimento das spin-offs 18 (Aguirre et al., 2006); a estrutura dos quadros da empresa (peso dos licenciados em áreas técnicas e de gestão), o que devido às suas competências e experiência poderá contribuir para uma maior propensão e celeridade para o processo de internacionalização (Christensen e Jacobsen, 1996); o peso do investimento em I&D, variável tida como fundamental na criação de produtos tecnologicamente inovadores para competir a nível internacional (Rennie, 1993). Na descrição do processo de internacionalização foram consideradas duas vertentes: a vertente via exportação e a vertente via subsidiárias, as quais podem ocorrer faseadamente (Johanson e Vahlne, 1977, Gabrielsson e Kirpalami, 2004). Para cada uma das vertentes, datou-se e quantificou-se o processo de internacionalização. Em concreto, considerou-se o ano de início das exportações/criação da 1ª subsidiária, considerou-se o volume das exportações/vendas das subsidiárias face ao total das vendas da empresa, considerou-se também o número de países exportação/número de subsidiárias e, finalmente, o número de clientes internacionais face ao total para ambas as situações. A recolha desta informação vai ao encontro do modelo proposto por Saarenketo et al. (2004) para aferir a intensidade de internacionalização das spin offs. Ainda na segunda parte do questionário, e posteriormente à descrição do processo de internacionalização, procurou-se colocar um conjunto de questões de avaliação mais qualitativa sobre a importância que determinados factores poderão ter tido no processo de internacionalização das empresas. Estes factores pretendem avaliar a importância da universidade, dos colaboradores, da rede de contactos, os quais se têm revelado de grande importância no processo de internacionalização das pequenas empresas (Jolly et al., 1992; Christensen e Jacobsen, 1996; Coviello e McAuley, 1999), para além da composição do capital da empresa (Aguirre et al., 2006) e do carácter inovador do produto/serviço (Mckinsey and Co., 1993; Rennie, 1993). 2.4. Breve descrição da amostra e respectiva representatividade No universo das empresas identificadas como spin offs das universidades do nosso estudo, foram obtidas 31 respostas (cf. Anexo II), distribuídas da seguinte forma: 6 respostas de empresas do universo da Universidade de Aveiro, 8 respostas de empresas do universo da Universidade do Minho e 17 respostas de empresas do universo da Universidade do Porto. O total das respostas corresponde a 34.5% do universo total de empresas identificadas. O rácio de respostas por universidade é 24.0% para a U. Aveiro, 30.7% para a U.Minho e 42.5% para a U. Porto. Em virtude do baixo número de respostas das empresas das 19 universidades de Aveiro e Minho, decidimos proceder à sua análise conjunta pois pertencem a um mesmo grupo de universidades, as do tipo ‘empreendedoras’, ou seja, que apresentam uma grande proximidade ao meio empresarial. No universo das 31 empresas que responderam ao inquérito, 11 afirmaram ter iniciado o seu processo de internacionalização, o que representa uma percentagem de 35.5%, muito superior à média nacional que se cifrava em 2006 em 8%.2 2 Fonte: Intervenção do presidente da AEP - Associação Empresarial de Portugal, José António de Barros, na sessão plenária de abertura do dia da Internacionalização, integrado na 1ª Semana Europeia das PME09, Porto, Edifício da Alfândega, 7 de Maio de 2009) 20 Capítulo 3. Spin offs de origem universitária, processo de internacionalização e modelos universitários de transferência de tecnologia e conhecimento. Resultados empíricos 3.1. Considerações iniciais O objectivo deste capítulo é produzir uma avaliação dos resultados obtidos através dos inquéritos realizados às empresas analisadas neste estudo e que tiveram a sua génese nos três pólos universitários: Aveiro, Minho e Porto. 3.2. Análise descritiva A maioria das empresas inquiridas são muito jovens e de pequena dimensão (cf. Figura 1). Têm entre 2 a 5 anos de vida, representando este grupo 57% da amostra total. Em termos de frequências acumuladas, constatamos que 97% das empresas tem um tempo no negócio inferior a 10 anos. Esta análise vem corroborar o facto de que em Portugal o advento das spin-offs universitárias ser um fenómeno recente. Adicionalmente, estas empresas são essencialmente microempresas. De facto, a maioria das empresas tem um número de trabalhadores inferior a 5, representando este grupo 48% da amostra total. Em termos de acumulado verificamos que 72% das empresas tem um número de trabalhadores inferior a 10, sendo por conseguinte consideradas microempresas. As restantes empresas têm um número de trabalhadores que no máximo atingem os 30, pelo que são consideradas pequenas empresas. 5-10 anos 13% >10 anos 3% [10; ...[ trabalhadores 28% < 2 anos 27% [1; 5[ trabalhadores 48% [5; 10[ trabalhadores 24% 2-5 anos 57% Figura 2: Idade e Dimensão das spin offs de origem académica 21 As spin-offs universitárias, são empresas como expectável, com um nível de capital humano bastante elevado, embora pouco diversificado em termos qualitativos. Quase 80% das empresas da amostra apresenta uma força de trabalho concentrada em torno de indivíduos com formação tecnológica (Figura 3). A percentagem de trabalhadores com formação em áreas de gestão é relativamente baixa – em média, uma spin off académica tem 20.2% de trabalhadores com formação em áreas de gestão. Gestão 20 Tecnológica 2 4 0% 11 10% 20% [0%; 50%[ 30% 40% 50% [50%; 75%[ 60% 70% 80% [75%; 100%[ 90% 100% 100% Figura 3: Tipo de capital humano dos trabalhadores das spin offs de origem académica: formação em gestão versus formação tecnológica O valor das spin offs universitárias reside em grande parte na capacidade que têm em investir no desenvolvimento tecnológico, em particular em Investigação e Desenvolvimento (I&D) (Shane, 2004). Apesar de serem spin offs de base académica, as empresas inquiridas apresentam uma intensidade em I&D (rácio I&D nas vendas) relativamente baixa – 45% não tem ou não contabiliza despesas em I&D e cerca de 75% das empresas (mais concretamente 23 empresas) têm um volume de I&D inferior a 20% das vendas (cf. Figura 4). Estudos internacionais (Mustar, 1997; Blair e Hitchens, 1998) mostraram que as spin-offs universitárias são muito mais intensivas em I&D do que uma start up típica, com a intensidade em I&D a exceder os 20% das vendas na maioria dos casos. Neste cômputo, portanto, o que podemos referir quanto ao potencial destas spin-offs gerarem investimento no desenvolvimento tecnológico e assim o valor destas empresas na 22 geração de avanço tecnológicos na indústria, é que são bastante mais limitados do que os aferidos em termos internacionais. [75%;100%]; 3; 10% [50%;75%[; 2; 6% [20%; 50%[; 3; 10% [0%; 20%[; 23; 74% Figura 4: Spin offs académicas por grupo de Intensidade em I&D (peso da I&D nas Vendas, em percentagem) Das 31 spin-offs em análise, um elevado número (20) não iniciou ainda seu processo de internacionalização, seja via exportação, seja via criação de subsidiárias ou ambas. Não obstante, as 11 empresas ‘internacionalizadas’ representam uma fracção muito superior muito superior à média nacional que se cifrava, segundo dados da AEP referentes a 2006, em 8.0%.3 Das 11 empresas que iniciaram o seu processo de internacionalização, este é manifestamente um fenómeno muito recente, com a maioria destas empresas a iniciar o seu processo de internacionalização nos últimos 3 anos (2007-2009) (cf. Figura 5). Este facto pode ser interpretado tendo por base o fenómeno das spin-offs universitárias ser relativamente recente e, portanto em certa medida, corroborar o modelo de Upsala (U-M) segundo o qual as empresas encetariam o seu processo de internacionalização de uma forma gradual, passado algum tempo após a sua criação. 3 Em 2006, existiam em Portugal cerca de 28 000 empresas exportadoras, num total de cerca de 350 000 (Fonte: Intervenção do presidente da AEP - Associação Empresarial de Portugal, José António de Barros, na sessão plenária de abertura do dia da Internacionalização, integrado na 1ª Semana Europeia das PME09, Porto, Edifício da Alfândega, 7 de Maio de 2009). 23 70,0 64,5 60,0 % total 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 3,2 3,2 2003 2005 9,7 9,7 9,7 2007 2008 2009 0,0 . Não iniciaram processo de internacionalização Iniciaram processo de internacionalização (35.5%) Figura 5: Processo de internacionalização das spin offs académicas No entanto, contrariando de alguma forma o modelo de Upsala, as empresas que iniciaram o seu processo de internacionalização fizeram-no num espaço de tempo relativamente curto: duas empresas (do total das 11 que apresentam processo de internacionalização) iniciaram a exportação/criação de subsidiária simultaneamente à criação do negócio (Figura 6). 2 anos; 3 3anos; 2 1 ano; 3 4 anos; 1 0 anos; 2 Figura 6: Número de spin offs por categoria de gap, em termos de número de anos, entre a criação do negócio e o inicio do processo de internacionalização A análise da variável “Rácio Exportações sobre as Vendas Totais (%)”, permite-nos verificar que 55% das empresas apresenta um rácio inferior a 25%, sendo que 82% das empresas apresenta um rácio inferior a 50%. Comparativamente com um estudo realizado pela AIP (apresentado no “Seminário - Internacionalizar Portugal: um modelo de futuro” de 23 Junho 2009) sobre um universo de 626 PMEs exportadoras de diversos sectores de actividade, verifica-se que 51.4% das empresas desse estudo apresentam um rácio inferior a 25%, com 63% das empresas a apresentarem um rácio inferior a 50%. 24 Em termos comparativos, as spin-offs analisadas no nosso estudo apresentam um rácio semelhante para uma intensidade de internacionalização abaixo dos 25%, mas um rácio bastante superior no nível de intensidade de 50%. Este facto induz que a maioria das spin-offs do nosso estudo tem um baixo nível de exportações comparativamente com as PMEs em geral, o que pode ser interpretado pelo facto de serem empresas recentes e consequentemente terem um baixo envolvimento internacional, confirmando o modelo de Upsala (U-M). No entanto, existem 2 empresas criadas em 2003 e 2008 que apresentam um rácio de 100% e 85%, respectivamente; este facto parece induzir que a nível das spin-offs universitárias existem também vários modelos de internacionalização, nomeadamente do tipo Born Globals. 10 ou mais países 10% 100% 80% [50%; 100%] 60% [25%; 50%[ Entre 5 e 10 países 20% 40% [0%; 25%[ 20% Menos de 5 países 70% 0% X/Vendas Clientes Internacionais/Clientes Totais Figura 7: Peso das exportações (no volume de negócio da empresa), dos clientes internacionais (no total dos clientes) e diversificação do comércio internacional por países de destino A análise da variável “Nr. de Países de Exportação”, permite-nos verificar que 70% das spin offs exporta para menos de 5 países. Tal evidencia que a maioria das spin offs em análise tem exportações para um pequeno número de países, o pode ser explicado à luz do modelo de Upsala (Johanson e Valhne, 1977), pelo facto de as empresas se internacionalizam gradualmente, começando em mercados mais próximos e posteriormente avançando para outros mercados. Os custos de transacção associados à internacionalização (Williamson, 1975) poderão também justificar alguma racionalização na entrada em novos mercados. A análise da variável “Rácio Clientes Internacionais/Clientes Totais”, vem confirmar a análise da variável anterior i.e., as spin offs apresentam um baixo índice de internacionalização, dado que o grosso (88%) da empresas que internacionalizam têm poucos clientes internacionais ou seja, apresentam um rácio clientes internacionais/clientes totais abaixo de 50%. 25 Apenas 3 empresas referiram estar em processo de internacionalização via subsidiárias, o que nos leva a fazer uma análise mais fina sobre este caso. Entre as 3 empresas, uma abriu a sua primeira subsidiária em 2005 e as restantes só em 2009. Cada uma das empresas apresenta apenas 1 subsidiária, sendo que apenas a empresa que abriu a subsidiária em 2005, a qual apresenta representa 40% do total de vendas da empresa. Esta empresa actua na área da biotecnologia, tem um volume de vendas de €1.200.000 (sendo a que tem o maior volume de vendas entre todas as empresas do estudo), investe 30% das vendas em I&D, tem 22 funcionários (bastante acima da média das empresas do estudo) sendo que 90% têm formação de base tecnológica. De acordo com as empresas inquiridas os factores mais relevantes no processo de internacionalização são o ‘carácter inovador do produto ou serviço’, confirmando o estudo da Mckinsey and Co. (1993) e de Rennie (1993), bem como a ‘rede de contactos internacionais’, o que corrobora os trabalhos de Jolly et al. (1992) e Coviello e McAuley (1999) Os recursos humanos apresentam aqui uma importância também bastante assinalável, nomeadamente os colaboradores com formação tecnológica (cf. Figura 8). Carácter inovador do produto ou serviço Rede de contactos internacionais Ter colaboradores com formação tecnológica Ter colaboradores com formação de gestão A importância de ser um spin off da Universidade Possuir capital nacional externo Rede de contactos da Universidade O apoio que recebeu da Universidade Possuir capital estrangeiro Possuir capital da universidade 1,000 1,500 2,000 2,500 3,000 3,500 4,000 4,500 5,000 1- Pouco Importante ... 5 - Muito Importante Figura 8: Factores potenciadores do processo de internacionalização das spin offs académicas Pelo menos directamente, a Universidade não parece ter neste processo um papel muito relevante, não obstante as empresas reconhecerem que ser uma spin off da universidade é 26 relativamente importante (3.6 em 5.0) enquanto factor potenciador do processo de internacionalização. A ‘rede de contactos da universidade’ e sobretudo o ‘apoio que recebeu da universidade’ e a ‘posse de capital da universidade’ são factores pouco importantes neste âmbito. Parece assim, que a questão da imagem veiculada pelo facto de serem spin-offs das universidades é muito mais relevante que uma intervenção/apoio mais directo e concreto da universidade na dinâmica de internacionalização dos spin-offs inquiridos. 3.3. Spin off académicas e o tipo/modelo de universidade: uma análise da diferença de médias De forma a analisar as diferenças entre as spin-offs que emergiram nas Universidades de Aveiro e Minho versus os que emergiram na Universidade do Porto, ou seja, respectivamente, um modelo conotado como mais entrepreneurial-driven versus um modelo mais tradicional (ainda que com uma componente empresarial não negligenciável) (Teixeira e Costa, 2006), recorremos ao teste não paramétrico de Kruskal-Wallis para aferir da diferença de médias entre estes dois grupos. O p-value associado a este teste indica se podemos rejeitar a hipótese nula (de igual média nas populações). Mais especificamente, se o p-value não for superior a 10%, podemos rejeitar a hipótese nula de médias idênticas e portanto concluir que existem diferenças entre o modelo mais empresarial e o mais híbrido no que respeita às variáveis em análise (cf. Quadro 1). A análise do Quadro 1 permite-nos constatar que as spin-offs associadas à Universidade do Porto (UP) apresentam médias mais elevadas para todas as variáveis em análise, com excepção dos anos em actividade (em que as spin offs da UP são mais novas, isto é, estão no mercado há cerca de 2 anos e meio, ao passo que as restantes estão em actividade há praticamente 4 anos). Aproximadamente metade das spin-offs da UP já iniciaram o processo de internacionalização, enquanto na amostra das spin-offs da UA e UM se cifra em 21.4% (portanto menos de metade da percentagem das spin offs da UP). As spin offs da UP são de maior dimensão do que as da UA e UM (10 versus 6 trabalhadores), tendem a centrar-se em maior extensão do que estas últimas em actividades associadas ao produto (64.7% versus 28.6%) e às tecnologias de informação (41.2% versus 21.4%). São ainda mais intensivas em I&D (21.9% versus 15.4%) e com uma mão-de-obra mais qualificada em termos tecnológicos (o peso dos trabalhadores com formação 27 tecnológica ascende, no caso das spin-offs da UP a 83.4% contra os 67.4% das spin-offs da UA e UM). Quadro 1: Diferenças de características das spin off académicas entre modelos universitários Processo de Internacionaliza ção Dimensão Experiência no negócio Actividade Modelo empresarial Modelo híbrido (educação/emp resarial) Spin offs da UA e UM Spin offs da UP Todos os spin offs Chi2 p-value 0,214 0,471 0,355 2,132 0,144 6 10 8 2,739 0,098 3,8 2,5 3,0 1,876 0,171 Produto 0,286 0,647 0,484 3,884 0,049 Actividade relacionada com Tecnologias de Informação? (Sim=1; Não=0) 0,214 0,412 0,323 1,326 0,250 Intensidade em I&D (I&D/Vendas) 0,154 0,219 0,190 0,251 0,617 Peso dos trabalhadores com formação tecnológica 0,674 0,838 0,761 1,282 0,258 A importância de ser uma spin off da Universidade (1 se respondeu importante ou muito importante; 0 caso contrário) 0,143 0,235 0,194 0,407 0,524 O apoio que recebeu da Universidade (1 se respondeu importante ou muito importante; 0 caso contrário) 0,071 0,176 0,129 0,729 0,393 0,214 0,412 0,323 1,326 0,250 0,143 0,353 0,258 1,713 0,191 Rede de contactos internacionais (1 se respondeu importante ou muito importante; 0 caso contrário) 0,214 0,353 0,290 0,693 0,405 Rede de contactos da Universidade (1 se respondeu importante ou muito importante; 0 caso contrário) 0,143 0,235 0,194 0,407 0,524 Possuir capital da universidade (1 se respondeu importante ou muito importante; 0 caso contrário) 0,000 0,118 0,065 1,704 0,192 Possuir capital estrangeiro (1 se respondeu importante ou muito importante; 0 caso contrário) 0,000 0,118 0,065 1,704 0,192 Possuir capital nacional externo (1 se respondeu importante ou muito importante; 0 caso contrário) 0,071 0,294 0,194 2,361 0,124 Carácter inovador do produto ou serviço (1 se respondeu importante ou muito importante; 0 caso contrário) 0,214 0,471 0,355 2,132 0,144 Internacionalizou? (Sim=1; Não=0) Nº trabalhadores Anos em actividade Competências Percepção sobre a importância de diferentes factores para o processo de internacionaliza ção Ter colaboradores com formação tecnológica (1 se respondeu importante ou muito importante; 0 caso contrário) Ter colaboradores com formação de gestão (1 se respondeu importante ou muito importante; 0 caso contrário) No que respeita à percepção da importância dos diversos factores no processo de internacionalização, nomeadamente os factores associados à universidade, as spin-offs da UP reconhecem em maior proporção a relevância da universidade, designadamente a ‘importância de ser uma spin off da universidade’ e a ‘rede de contactos da universidade’. Cerca de 18% das spin-offs da UP reconhecem o apoio dado pela universidade contra 28 apenas 7% das spin-offs da UA e UM e 12% dizem que têm capital da universidade enquanto no caso das spin-offs da UA e UM nenhuma possui capital da universidade. Não obstante as diferenças assinaladas entre as spin-offs da UP e as da UA e UM, apenas em 2 variáveis – dimensão e produto – tais diferenças são estatisticamente significativas (de acordo com o teste não paramétrico de Kruskal Wallis). Esta análise descritiva necessita de ser complementada com uma análise mais de causalidade em que possamos inferir que determinantes estão subjacentes ao processo de internacionalização das spin-offs de origem académica. Em concreto, temos por objectivo, num contexto multivariável, entender que variáveis (dimensão, experiência no negócio, actividade, competências de negócio e inovação) estão relacionadas com esse mesmo processo de internacionalização. A próxima secção é destinada a responder a tal objectivo. 3.4. Spin-offs académicas, processo de internacionalização e o tipo/ modelo de universidade: uma análise multivariada Segundo a literatura relevante (cf. Capítulo 1), a internacionalização de uma empresa é explicada por um miríade de factores que incluem, factores associados às características das empresas, nomeadamente dimensão, experiência no negócio, tipo de actividade e competências (designadamente em termos de inovação), e factores de contexto (local de origem). Relativamente a este último conjunto de factores é objectivo do presente estudo perceber a influência do papel da universidade no processo de internacionalização. Assim, propomo-nos aqui estudar quais destes factores acima referidos emergem como estatisticamente relevantes na explicação de uma spin-off de origem académica ter já iniciado o seu processo de internacionalização. A natureza binária dos dados observados relativos à variável dependente [spin off académica iniciou o seu processo de internacionalização? (1) Sim; (0) Não] restringe a escolha do modelo de estimação. Além disso, os pressupostos necessários para testar a hipótese numa análise de regressão convencional são necessariamente violados (por exemplo, não é viável assumir aqui que a distribuição dos erros sejam normal). Os valores previstos numa análise de regressão múltipla não podem ser interpretados como probabilidades porque não restringe o ao intervalo entre 0 e 1. Por isso, as técnicas convencionais de estimação no contexto de uma variável dependente discreta, não constituem uma opção válida. Com base nas restrições mencionadas acima, a análise deste estudo será conduzida no contexto do enquadramento geral dos modelos probabilísticos. 29 Prob (ocorre evento j) = Prob (Y=j) = F [efeitos relevantes: parâmetros]. em que Y = 1 se a spin off académica já iniciou o seu processo de internacionalização Y = 0, caso contrário Sendo assim, para explicar, por exemplo, a relevância empírica das características das empresas – dimensão, competências -, para o processo de internacionalização da spin off, é necessário incluir um outro conjunto de factores relevantes que potencialmente explicam esse mesmo processo, pelo que: Pr ob(Y = 1) = F ( X , β ) e Pr ob (Y = 0) = 1 − F ( X , β ) O vector X inclui um conjunto de factores, susceptíveis de influenciar a emergência/processo de internacionalização da spin off académica. Este conjunto de factores divide-se em três grandes grupos: um relacionado com as características estruturais das empresas – dimensão e tipo de actividade e sector -, e um outro relacionado com as competências das empresas – experiência negócio; intensidade em I&D; peso trabalhadores com formação tecnológica – e um último grupo que respeita a Universidade de origem da spin off [proxy para o modelo universitário – mais empreendedor (UA+UM) versus mais híbrido (UP)]. O conjunto de parâmetros β reflecte o impacto das alterações de X na probabilidade da spin off ter já iniciado o respectivo processo de internacionalização. Para um dado vector de repressores X, será de esperar que a probabilidade permaneça entre 0 e 1. A abordagem adoptada está no âmbito dos modelos probabilísticos, ou seja, lim Pr ob(Y = 1) = 1 e β ′X →+∞ lim Pr ob(Y = 1) = 0 β ′X →−∞ Dado que o modelo de probabilidade é uma regressão: E (Y \ X ) = 0[1 − F (β ′X )] + 1[F (β ′X )] = F ( β ′X ) Como qualquer modelo de regressão não linear, independentemente qual for a distribuição usada, os parâmetros do modelo de probabilidade não são necessariamente os efeitos marginais. Sendo assim, ∂E (Y \ X ) dF ( β ′X ) = β = f ( β ′X ) β ∂X d ( β ′X ) 30 Sendo f (.) a função de densidade que corresponde à distribuição cumulativa, F(.). Escolhendo para F a distribuição logística obtemos o modelo logit: ′ dΛ( β ′X ) eβ X = = Λ( β ′X )[1 − Λ( β ′X )] ′ d ( β ′X ) (1 + e β X ) 2 No modelo logit, a derivada da probabilidade em ordem a um elemento de X varia com X. Uma maneira mais conveniente de rescrever a derivada é: ∂E [Y \ X ] = Λ( β ′X )[1 − Λ( β ′X )]β ∂X Segundo Johnston e Dinardo (2001), o modelo logit como forma funcional conveniente para modelos com variáveis endógenas binárias. A formação do modelo assegura que as probabilidades estimadas permanecem entre 0 e 1. A principal diferença entre a distribuição normal e a distribuição logística é que esta última tem mais peso nas abas. De acordo com Greene (1993), em alguns casos por conveniência matemática, existem razões práticas para privilegiar uma ou outra, mas é difícil justificar a escolha de uma distribuição sobre outra com base em razões teóricas. Portanto, na maioria dos casos de aplicações, não parece fazer muita diferença na escolha de uma ou outra. Para explicar da melhor forma o resultado, calcula-se os coeficientes que ajudam na interpretação das estimativas do modelo. Por isso, no modelo regressão logística, os parâmetros são estimados usando o método da máxima verosimilhança (MV). Ou seja, dados os pressupostos assumidos face à distribuição dos erros, são seleccionados os coeficientes para tornar os resultados mais fáceis de observar. No caso concreto utilizamos a estimação da regressão logística geral com as seguintes especificações: P(iniciou processo int ernacionalização) = 1 ; 1 + e− Z with Z = β 0 + β1 ln dim ensão + β 2 Activ _ Pr oduto + β3 Activ _ Engenharia + 1444444444442444444444443 Características estruturais do spin offo + β 4 ln anosactividade + β5 IntensidadeID + β 6 prop _ trab _ tecnológi cos + β7Universidade + ε i 14444444444444244444444444443 1442443 competências do spin offo Modelo Universidade Optamos por proceder a um ajustamento da equação do modelo logística para o modelo reescrito em termos dos odds do evento ocorrer, o que ajuda a interpretar de forma mais clara e directa dos coeficientes da função logística. 31 Nesse caso, obtém-se o modelo logit de seguinte forma: Pr ob.Internacionalização = β 0 + β1 ln dim ensão + β 2 Activ _ Pr oduto + β 3 Activ _ Engenharia + log 1444444444442444444444443 Pr ob.Não Internacionalização Características estruturais do spin offo + β 4 ln anosactividade + β 5 IntensidadeID + β 6 prop _ trab _ tecnológi cos + β7Universidade + ε i 14444444444444 4244444444444444 3 1442443 competências do spin offo Modelo Universidade Uma maneira de interpretar o coeficiente logístico seria a alteração no rácio de odds associada a uma alteração unitária na variável independente: β 0 + β1 ln dim ensão + β 2 Activ _ Pr oduto + β 3 Activ _ Engenharia + 144444444444 42444444444444 3 Caracterís ticas estruturais do spin offo Pr ob.Internacio nalização =e Pr ob.Não Internacionalização + β 4 ln anosactivi dade + β 5 IntensidadeID + β 6 prop _ trab _ tecnológi cos + β 7Universida de + ε i 1444444444444442444444444444443 1442443 competências do spin offo Modelo Universidade Neste caso, o е elevado a βi é o factor pelo qual os odds se alteram quando a ith variável independente aumenta em uma unidade. Quando βi é positivo, este factor será maior do que 1, o que significa o odds (‘propensão’) aumenta e o factor influencia de forma positiva a internacionalização da spin-off; se βi é negativo, este factor será inferior a 1, o que significa que os odds reduziram, então o factor influência de forma negativa a propensão à internacionalização; quando βi é igual a 0, o factor será igual a 1, o que significa que os odds mantêm inalterados, por isso, o factor não evidencia impacto sobre a propensão à internacionalização. Por exemplo se a estimativa de β7 é positiva e estatisticamente significativa, então ser uma spin-off da Universidade do Porto (versus ser uma spin-off das Universidades de Aveiro e/ou Minho), está associado a uma maior propensão à internacionalização, independentemente do tipo de actividade (produto versus serviço e Engenharias versus Tecnologias de Informação ou Ciência da Saúde) e níveis de competência tecnológicos e de negócio do spin off. Ou seja, o modelo universitário influencia a propensão/odds à internacionalização. Antes de apresentar o resultado da estimação do modelo é importante aferir o grau de correlação entre as variáveis desse mesmo modelo para evitar problemas de multicolinearidade. Conforme se constata no Quadro 2, com exclusão da variável dimensão que aparece fortemente correlacionada com a experiência de negócio (anos em actividade) e o tipo de universidade. As restantes variáveis independentes do modelo não evidenciam coeficientes de correlação de Pearson preocupantes no que respeita a constituírem potencial problema de multicolinearidade do modelo a estimar. 32 Assim, optamos por estimar dois modelos, um completo (Modelo I) que inclui todas as variáveis e um outro (Modelo II) que exclui a variável dimensão, que se constata (cf. Quadro 2) ser positiva e significativamente relacionada com a internacionalização. Ou seja, em média, as spin-offs de maior dimensão, em termos de número de trabalhadores, tendem a já ter iniciado o seu processo de internacionalização em maior extensão do que os de pequena dimensão). 33 0,552 (7) Universidade de origem (1=UP; 0=UA e UM) 1,289 (4) Anos em actividade (ln) 0,787 0,586 (3) Engenharia (1=Engenharia; 0=Tecnologias de Informação; Ciências da Vida; Outras) (6) Peso dos trabalhadores com formação avançada em tecnologias 0,483 (2) Produto (1= Produto; 0=Exclusivamente Serviços) 0,189 1,659 (1) Dimensão (ln) (5) Intensidade em I&D (I&D/Vendas) 0,379 Média (0) Já iniciou Internacionalização (1=Sim; 0=Não) Variáveis Nota: estatisticamente significante a ***(**)[*] 1%(5%)[10%]. Modelo universitário Competências de negócio e tecnológicas da empresa Características estruturais da empresa Grupo de variáveis 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 Min 1,000 1,000 0,900 2,485 1,000 1,000 3,401 1,000 Max Quadro 2: Estatísticas descritivas e correlações entre as variáveis do modelo 34 0,506 0,301 0,275 0,500 0,501 0,509 0,958 0,494 Desvio padrão 1,000 (0) 1,000 0,418** (1) 1,000 0,134 0,098 (2) 1,000 0,111 -0,285 0,224 (3) 1,000 -0,334* 1,000 -0,110 0,043 0,354* 0,098 0,446** -0,363* -0,105 (5) 0,156 (4) 1,000 0,113 0,037 -0,008 0,069 0,079 0,250 (6) 1,000 0,189 0,181 -0,232 -0,194 0,316 0,349* 0,276 (7) No Quadro 3 são apresentados os resultados da estimação relativa aos determinantes da propensão à internacionalização. Quadro 3: Explicando o log odds (propensão) à internacionalização das spin offs de origem académica Modelo I 1,677** (1) Dimensão (ln) Características estruturais da empresa Competências de negócio e tecnológicas da empresa Modelo universitário Qualidade de ajustamento Legenda: *** Modelo II (2) Produto (1= Produto; 0=Exclusivamente Serviços) (3) Engenharia (1=Engenharia; 0=Tecnologias de Informação; Ciências da Vida; Outras) 0,133 1,134 2,835** 2,996** 2,807** (4) Anos em actividade (ln) (5) Intensidade em I&D (I&D/Vendas) -2,514 -3,422 (6) Peso dos trabalhadores com formação avançada em tecnologias 3,960 3,550 (7) Universidade de origem (1=UP; 0=UA e UM) 1,504 3,167** Constante -8,799 -10,714 N 29 29 Internacionalizaram 11 11 Ainda não internacionalizaram 18 18 82,8 82,8 8,702 (0,368) 5,711 (0,680) % correctos Teste Hosmer e Lameshow (p-value) significativo a 1%; ** * significativo a 5%; significativo a 10% Os dois modelos estimados representam a realidade bem (como se pode constatar nos valores associados ao teste de Hosmer and Lameshow)4 e a percentagem de observações estimadas correctamente (83% nos dois casos). Quando incluímos a variável dimensão da empresa na estimação (Modelo I), os resultados apontam que a propensão à internacionalização é explicada essencialmente pela dimensão e actividade da empresa. Mais especificamente, tudo o resto constante, spin-offs académicas com maior número de trabalhadores e que desenvolvem actividades de engenharia (não incluindo as associadas às tecnologias de informação) tendem a ser mais propensas à internacionalização. Neste modelo, as competências de negócio e de inovação (designadamente, intensidade em I&D e peso dos trabalhadores com formação avançada em áreas tecnológicas) e o tipo de universidade de origem falham em emergir como 4 O teste de Hosmer e Lameshow tem subjacente uma hipótese nula (H0) de que o modelo representa a realidade bem. Donde, para obtermos um modelo estimado de razoável qualidade de ajustamento é necessário que se aceite H0, ou seja, o p-value associado ao qui-quadrado terá que ser maior que 10% (limite do nível de significância estatística usualmente considerado). 35 factores determinantes da propensão à internacionalização das spin-offs académicas. Quando excluímos a variável dimensão (Modelo II), em virtude da forte correlação que esta apresenta com as variáveis anos em actividade e tipo de universidade, constatamos que, desta feita, o tipo de universidade - mais empresarial, como as universidades de Aveiro e Minho, ou de um modelo mais híbrido, combinando uma forte vertente de formação/educação com uma razoável ligação ao mundo empresarial, como é o caso da Universidade do Porto (UP) -, emerge como estatisticamente relevante para explicação da propensão à internacionalização das spin-offs académicas. Em concreto, o Modelo II indica que, independentemente das competências de negócio e de inovação das spin-offs e do tipo de actividade que exercem, as spin offs que emergiram na Universidade do Porto tendem, em média, a ser mais propensas à internacionalização. Da análise descritiva efectuada atrás (ver Quadro 1), havíamos já concluído que as spin offs da UP atribuíam um maior nível de importância ao apoio prestado pela universidade do que as suas homólogas das universidades de Aveiro e Minho. Contudo, o número reduzido de observações aconselhanos algumas cautelas em derivar daqui resultados mais gerais. Não obstante estar para além do âmbito necessariamente limitado da presente dissertação, seria interessante e pertinente investigar que tipo de apoios e mecanismos se estabelecem na UP que eventualmente potencie a maior propensão à internacionalização das suas spin-offs. 36 Conclusões A literatura analisada sobre spin-offs de origem universitária tende a incidir essencialmente sobre o processo de formação dessas mesmas spin-offs, nomeadamente sobre os factores que estão na sua origem e nas condições que propiciam o seu surgimento. Em outra vertente, na literatura sobre a internacionalização de empresas ‘jovens’ podemos encontrar a identificação de modelos que estiveram subjacentes ao seu processo de internacionalização, factores que originam e potenciam esse processo, sectores de actividade mais propensos à internacionalização, entre outros. No entanto, não se encontrou estudos que se debruçassem sobre as origens dessas empresas e, em particular, sobre se essas empresas teriam tido origem em spin-offs académicas. A constatação supra referida motivou-nos a avançar com o presente estudo para preencher este lacuna na literatura, potenciado pelo facto das políticas nacionais e internacionais considerarem como prioridade a internacionalização das empresas e a transferência tecnológica dos programas de I&D das universidades para o mercado. As próprias universidades começam a tomar consciência da importância desta transferência tecnológica, devido ao impacto que esta pode ter na respectiva sustentação financeira e nas economias regionais e nacionais onde se inserem. Com o intuito de realizar o objectivo proposto, o presente estudo avaliou a propensão para a internacionalização das spin-offs geradas em contexto universitário, averiguando mais especificamente se o contexto universitário (i.e. “empresarial” vs “mix académicoempresarial”), onde essas spin-offs foram geradas, potenciam o seu processo de internacionalização. Para o efeito identificamos universidades com distintos modelos; optando-se por seleccionar a universidade do Porto como representativa dum modelo híbrido ‘académicoempresarial’ e as universidades de Aveiro e Minho como representativas de modelos ditos “empresariais/empreendedores”. À partida, e de acordo com a literatura da área, esperaríamos que as spin-offs universitárias apresentassem uma elevada propensão para a internacionalização, por serem detentores de serviços/produtos de alta tecnologia gerados no âmbito de programas de I&D, os quais, segundo Saarenketo et al. (2004), geram vantagens competitivas a nível global. Seria também de esperar que as spin-offs geradas em universidades com modelos mais 37 “empresariais” pudessem apresentar uma maior propensão para a internacionalização dado o enfoque dessas universidades em promover o empreendedorismo (O’ Shea, 2007). Relativamente ao primeiro aspecto (maior propensão à internacionalização das spin offs académicos), a evidência recolhida parece corroborar a literatura. Das 31 empresas que analisadas, 35.5% afirmaram ter iniciado o seu processo de internacionalização, um valor muito superior à média nacional (8.0%). Assim, as empresas que possuem elevada incorporação tecnológica nos seus serviços/produtos, como parece ser o caso das spin offs académicas, tendem a ser mais propensas à internacionalização reflectindo a sua predisposição/necessidade para competir no mercado global. Consequentemente, podemos afirmar que as spin-offs geradas em contexto universitário possuem uma elevada propensão para a internacionalização.5 Relativamente ao segundo aspecto, embora a literatura refira que as universidades mais empreendedoras tendem a gerar mais spin-offs, a evidência recolhida no nosso estudo não parece corroborar completamente esta linha de pensamento. Em concreto, verificamos que as spin-offs da universidade do Porto, que constitui um modelo híbrido (educaçãoempresarial), apresentam uma taxa de internacionalização superior às suas congéneres das universidades do Minho e de Aveiro, universidades estas nitidamente mais apostadas num modelo empreendedor. Este facto leva-nos, por um lado, a afirmar que o contexto de origem, neste caso o tipo de universidade, é relevante para o processo de internacionalização das spin-offs. Por outro lado, um modelo exclusivamente entrepreneurial-led parece gerar spin offs menos propensas à internacionalização do que modelos mais híbridos, como é o caso do modelo da UP. É importante destacar aqui, que embora a universidade do Porto seja conotada a um modelo mais “académico” do que as universidade do Minho e de Aveiro, existem associados a aquela um maior número de entidades de transferência tecnológica com elevada reputação em termos de ligação ao mundo empresarial (e.g., INESC Porto, INEGI) do que no conjunto das universidades de Aveiro e Minho. Dada a importância destas entidades em potenciar o processo de transferência tecnológica através de spin-offs (Siegel et al., 2007), tal poderá explicar, pelo 5 Note-se que parte das empresas que falharam em responder ao nosso inquérito teve como um grande motivo (que depreendemos por os diversos emails que recebemos) o facto de não terem ainda iniciado o seu processo de internacionalização e portanto acharam que não seria relevante responderem ao inquérito. Tal, no entanto, tem como efeito a este nível a redução da propensão à internacionalização da amostra. Assim, a taxa de internacionalização obtida pode ser considerada como um valor conservador. A ‘real’ será provavelmente superior e, portanto, muito superior à média nacional. 38 menos em parte, o maior número (e maior sustentabilidade competitiva, e portanto internacionalização) das spin-offs associados á UP. O número relativamente reduzido de observações (não obstante a razoável taxa de respostas obtida) aconselha-nos algumas cautelas em generalizar os resultados do nosso estudo resultados para um âmbito mais alargado do que a nossa amostra. Sendo um estudo de cariz iminentemente quantitativo não permite explicar cabalmente porque é que as spin offs geradas na UP têm uma maior propensão para a internacionalização. A resposta a esta questão exigiria o recurso a metodologias mais qualitativas, nomeadamente análise das universidades em causa. Tal, no entanto, constituiria uma interessante e promissora pista para investigação futura. Uma outra pista interessante de investigação futura seria a avaliação da importância das organizações criadas para constituir uma interface entre o mundo académico e o mundo empresarial, como são o caso de organizações como o INESC Porto (Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto) ou o INEGI (Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial), enquanto organismos potenciadores de spin offs académicas e do processo de internacionalização dessas mesmas spin-offs. Em face da evidência recolhida pelo presente estudo, em termos de implicações de política, podemos com razoável confiança apontar que a disponibilização de apoios no sentido de sustentar e promover a emergência de spin offs de origem académica constituiria uma importante e eficaz medida de aumento do grau de internacionalização do tecido empresarial português, quer por via da exportação ou da criação de subsidiárias. 39 Referências Aguirre, I., Parellada, F., Campos, H. 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Biotempo - Consultoria em Biotecnologia, Lda. ByZymo – Investigação e Desenvolvimento em Leveduras CPC - Castro, Pinto & Costa, Lda. - Qualidade e Inovação DNAMiMics EDIT VALUE – Consultoria Empresarial, Lda. EDS – Engenharia, Desenvolvimento e Suporte, Lda. ESI – Engenharia, Soluções e Inovação, Lda. EXVA – Experts in Video Analysis GlyConStruct KEEP SOLUTIONS, Lda. Laboratório MeIntegra Micropolis - Produção e Desenvolvimento de Polímeros em Pó, SA NaturalConcepts PANGEO PMInnovation - Evaluation and Project Management Consulting PUR MEDIDA SAR – Soluções de Automação e Robótica, Lda. Simbiente- Engenharia e Gestão Ambiental, Lda. SINERGEO SOMATICA M&S - Materials & Solutions 45 Universidade do Porto (#42) spectralBlue - Pervasive Technologies, Lda. Spinvalor TECNOWAVE Ubisign ULTRAVISIOGRAPH Vinalia WeAdapt WIDECOLOUR – Colours Services and Systems X-treme materials 4VDO-Sistemas e Serviços Multimédia, SA Adclick Auditmark AUDOLICI - Sistemas Electrónicos de Audio, Lda Basetec BERD-Projecto, Investigação e Engenharia de pontes Biognosis Bioskin, Molecular and Cell Therapies, Lda BLB BlueMater Bullet Solutions - Sistemas Informação, SA Declarativa Delira.net Ecoinside - soluções em Ecoeficiência, Lda EWEN FiberSensing-Sistemas Avançados de Monitorização Fluidinova, Engenharia de Fluidos, SA FoodinTech Gema IDEIA.M iPortalmais, Serviços de Internet e Redes, Lda I-sensis-Investigação e desenvolvimento em Engenharia Quimica, Lda Medmat Innovation - Materiais Médicos, Lda MOG Solutions, SA Neoscopio-Open Source Solutions Newmensus Netflow NextToYou - Network Solutions, Lda Nonius Software OCeanScan OMNITA OPT-Optimização e Planeamento de Transportes SA Ownersmark Polight Sociedade Unipessoal Lda PlanetaVivo Pratical Way Services Process.net - Sistemas de Informação, Lda. SmartWatt - Eficiência Energética e Microgeração, S.A. SRE-Soluções Racionais de energia, SA Sysadvance-Sistemas de Engenharia, Lda Tomorrow Options- Microelectronics, S.A. TRENMO, Engenharia Lda Xarevision 46 Anexo II: Lista das empresas spin offs respondentes Universidade Spin-off Artescan - digitalização tridimensional, lda Biodevices - sistemas de engenharia biomédica, s.a. Aveiro (#6; 19.4%) Dreamlab - desenvolvimento e consultoria em multimédia, lda Idtour - unique solutions, lda iWorks - Soluções de engenharia, lda Micro I/O serviços de electrónica, lda Ambisys Edit Value - Consultoria Empresarial lda ESI - Engenharia, Soluções e Inovação lda Minho (#8; 25.8%) Exva - Experta in vidro analyses Pur Medida Sinergeo - Soluções Aplicada em Geologia, Hidrogeologia e Ambiente lda Tecnowave unipessoal lda Ubisign, Tecnologias de informação Auditmark lda Biosckin SA e medmat innoration (2 empresas) BLB - Bilobite Engenharia Lda Ecoinside - Soluções em ecoeficencia e sustentabilidade, lda Fluidinova, Engenharia Fluidos, S.A. IDEIA.M, Lda Media, Objects and Gadgets, soluções de software e hardware, SA Neoscopio, Open source Solutions S.A. Porto (#17; 54.8%) NewMensus, lda NoniusSoft, Software e Consultoria para Telecomunicações, S.A. OMNITA - Sistemas Autónomos para Monitorização Ownersmark Polight Practical Way Software Portugal SA ProcessNet, Sistemas de Informação SiliconGate lda Tomorrow Options - Microelectronics S.A. Xarevision 47 Anexo III: Inquérito Processo de Internacionalização de spin-offs universitários Este inquérito é confidencial e será apenas usado para efeitos de investigação no contexto da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP-UP). Agradecemos que tente responder a todas as perguntas. Por favor responda com X às questões de escolha múltipla. A. Descrição da Empresa Designação: _______________________________________________________ Ano de início de actividade: _________ Tipo de Actividade: Produtos: Serviços: Sector de Actividade Ciências da Vida: Tecnologias de Informação: Engenharia: Outra (por favor especifique) __________________________________ Composição do capital social da empresa em % do capital social total Universidade:______ Empresas nacionais:______ Estrangeiros: _______ Outros (por favor, especifique): ___________________________ - ______Reportando ao final de 2008 Volume de vendas (milhares €): ______________ % de I&D no total de vendas: _________ Nr. trabalhadores: _______ % de trabalhadores com formação em áreas tecnológicas:______ % de trabalhadores com formação em gestão:_______ B. Processo de internacionalização Se a vossa empresa já iniciou o processo de internacionalização a nível de exportações e/ou criação de subsidiárias em outros países, por favor continue a preencher o questionário caso contrário o inquérito termina aqui, agradecendo a sua valiosa colaboração. B.1 Via exportação B.2 Via subsidiárias 1. Ano de início das exportações: _______ 1. Ano de criação da 1ª subsidiária: _______ 2. % das exportações no volume de vendas: _______ 2. 3. Nº de países de exportação: _______ Peso (%) do volume de vendas das subsidiárias no volume de vendas total da empresa: _______ 4. % de clientes internacionais no total: _______ 3. Nº de subsidiárias: _______ 4. % de clientes internacionais no total: _______ Numa escala de 1 (Nada Importante) a 5 (Muitíssimo Importante), indique o grau de importância (sempre que aplicável) das questões seguintes no processo de internacionalização da sua empresa. 1 2 3 4 5 1. A importância de ser um spin-off da Universidade………………………………………………… 2. O apoio que recebeu da Universidade……………………… …………………………………………… 3. Ter colaboradores com formação tecnológica……………………………………………………… 4. Ter colaboradores com formação de gestão………………………………………………………… 5. Rede de contactos internacionais…………………………………………… …………………………… 6. Rede de contactos da Universidade……………………………………………………………………… 7. Possuir capital da universidade……………………………………………………………………………… 8. Possuir capital estrangeiro…………………………………………………………………………………… 9. Possuir capital nacional externo…………………………………………………………………………… 10. Carácter inovador do produto ou serviço……………………………………………………………… Outros (por favor, especificar) 11. ___________________________________________…………………………………………………………… 12. ___________________________________________…………………………………………………………… Muito obrigada pela valiosa colaboração Por favor, preencher e enviar, até 15 de Abril 2009, por fax (225505050) ao cuidado de Aurora Teixeira, ou por email [email protected] 48