Faculdade de Economia da Universidade do Porto
Dissertação de Mestrado em Economia e Gestão Internacional
Spin offs de origem académica e processo de
internacionalização. Um contributo empírico
Carlos Cordeiro
Orientadora: Aurora A. C. Teixeira
Julho 2009
Agradecimentos
À Profª Aurora Teixeira, minha orientadora, pelas suas ideias, sugestões e apoio,
incutindo-me ao longo de todo o processo de elaboração da tese uma enorme motivação
para que este fosse levado até ao fim.
À Gabriela, minha esposa, pelo apoio e compreensão.
Ao Gustavo, meu filho, pelo tempo que deixei de passar com ele.
Deixo também aqui o mais sincero agradecimento aos responsáveis e colaboradores da
UPTEC - Clara Gonçalves e Alberto Mendonça (Universidade do Porto), da TecMinho Clara Silva e Teresa Martins (Universidade do Minho) e da IEUA e UATEC (Universidade
de Aveiro), pela ajuda na divulgação do estudo e recolha de resposta junto das empresasalvo.
A todas as empresas que colaboraram através da sua disponibilidade na resposta ao
inquérito, que suportou a componente empírica deste trabalho.
Finalmente a todas as pessoas que duma forma directa ou indirecta me apoiaram neste
trabalho.
i
Resumo
As empresas spin offs universitárias são regra geral geradoras de produtos e/ou serviços de
alta tecnologia, os quais lhes permitem potenciar vantagens competitivas em termos do
mercado global. Tal, à partida, poderia potenciar o seu processo de internacionalização. No
entanto, a literatura referente ao processo de internacionalização de empresas spin offs
universitárias é muito escassa. De forma análoga, na literatura mais especializada em
processos de internacionalização de empresas jovens, como é o caso das Born Globals, não
há grande evidência quanto à caracterização das origens que estiveram na base do seu
processo de formação. O presente trabalho pretende colmatar esta lacuna da literatura.
Assim, baseando-nos num conjunto de 31 spin offs de universidades mais recentes e
conotadas como ‘empresariais/empreendedoras’ (Universidades de Aveiro e Minho) e uma
universidade mais antiga e com um perfil mais híbrido no que concerne o mix educaçãotransferência de tecnologia (Universidade do Porto), efectuamos uma análise quantitativa
sobre o processo de geração de spin offs universitáris, focando em particular o
processo/capacidade de internacionalização das empresas geradas e aferindo em que
medida esta dinâmica de internacionalização depende do tipo de universidades em que tais
spin offs, emergiram.
Com base na análise de dados primários recolhidos via implementação de um inquérito
junto de um universo de 91 empresas identificadas como spin offs de 3 universidades
portuguesas - Universidade de Aveiro, do Minho e Universidade do Porto -, constatamos
que 35.5% iniciaram já o seu processo de internacionalização, valor muito superior à
média nacional (8.0%). Verificamos que as empresas que tiveram origem na universidade
do Porto, apresentam, em média, uma maior propensão para a internacionalização, facto
que parece não estar alheio da existência, nesta universidade, de reputadas e experientes
organizações de interface entre a universidade e a indústria (e.g., INESC Porto e INEGI).
Dos resultados obtidos decorrem importantes implicações de política económica. Em
concreto, sublinhamos a importância do suporte público à criação de spin-offs de origem
académica como forma de criar empresas com fortes competências tecnológicas e de
elevada propensão para a internacionalização, que representam um potencial enorme de
fomento da competitividade da economia nacional a nível dos mercados globais.
Palavras-Chave: Spin offs, Universidades; Internacionalização
ii
Índice de conteúdos
Agradecimentos .........................................................................................................................i
Resumo
............................................................................................................................ii
Índice de conteúdos .................................................................................................................iii
Índice de quadros .....................................................................................................................v
Índice de figuras ......................................................................................................................vi
Introdução
............................................................................................................................1
Capítulo 1.
Spin offs de origem universitária, processo de internacionalização e
modelos universitários de transferência de tecnologia e conhecimento. Uma
síntese de literatura ................................................................................................3
1.1. Considerações iniciais .....................................................................................................3
1.2. Definição dos conceitos chave: spin outs vs spin offs, processo de
internacionalização e modelos universitários de transferência de tecnologia e
conhecimento.....................................................................................................................3
1.3. A emergência de novas empresas e o processo de internacionalização ..........................9
1.4. Spin offs académicas e modelos universitários de transferência de tecnologia e
conhecimento...................................................................................................................12
Capítulo 2.
Spin offs de origem universitária, processo de internacionalização e
modelos universitários de transferência de tecnologia e conhecimento.
Aspectos metodológicos........................................................................................16
2.1. Considerações iniciais ...................................................................................................16
2.2. Descrição da população (empresas/universidade), amostra e processo de recolha dos
dados................................................................................................................................17
2.3. Descrição do inquérito...................................................................................................18
2.4. Breve descrição da amostra e respectiva representatividade.........................................19
Capítulo 3.
Spin offs de origem universitária, processo de internacionalização e
modelos universitários de transferência de tecnologia e conhecimento.
Resultados empíricos ............................................................................................21
3.1. Considerações iniciais ...................................................................................................21
iii
3.2. Análise descritiva ..........................................................................................................21
3.3. Spin off académicas e o tipo/modelo de universidade: uma análise da diferença de
médias..............................................................................................................................27
3.4. Spin-offs académicas, processo de internacionalização e o tipo/ modelo de
universidade: uma análise multivariada ..........................................................................29
Conclusões
..........................................................................................................................37
Referências
..........................................................................................................................40
Anexos
..........................................................................................................................44
Anexo I: Lista das empresas spin offs de origem académica ...............................................45
Anexo II: Lista das empresas spin offs respondentes ...........................................................47
Anexo III: Inquérito..............................................................................................................48
iv
Índice de quadros
Quadro 1: Diferenças de características das spin off académicas entre modelos
universitários ..................................................................................................... 28
Quadro 2: Estatísticas descritivas e correlações entre as variáveis do modelo .................. 34
Quadro 3: Explicando o log odds (propensão) à internacionalização das spin offs de
origem académica .............................................................................................. 35
v
Índice de figuras
Figura 1: Categorias de spin offs académicos........................................................................ 5
Figura 2: Idade e Dimensão das spin offs de origem académica ......................................... 21
Figura 3: Tipo de capital humano dos trabalhadores das spin offs de origem académica:
formação em gestão versus formação tecnológica ............................................... 22
Figura 4: Spin offs académicas por grupo de Intensidade em I&D (peso da I&D nas
Vendas, em percentagem)..................................................................................... 23
Figura 5: Processo de internacionalização das spin offs académicas .................................. 24
Figura 6: Número de spin offs por categoria de gap, em termos de número de anos, entre a
criação do negócio e o inicio do processo de internacionalização ....................... 24
Figura 7: Peso das exportações (no volume de negócio da empresa), dos clientes
internacionais (no total dos clientes) e diversificação do comércio internacional
por países de destino............................................................................................. 25
Figura 8: Factores potenciadores do processo de internacionalização das spin offs
académicas............................................................................................................ 26
vi
Introdução
Podemos encontrar na literatura (e.g., Casper et al., 2003) que empresas geradas a partir de
spin offs de universidades possuem um enfoque no desenvolvimento de produtos/serviços
de alta tecnologia, o qual advém dos resultados obtidos a partir de programas de I&D e que
estão muitas vezes na própria origem da empresa spin off. É referido ainda que empresas
de produtos/serviços de alta tecnologia tomam a decisão estratégica de optar pela
internacionalização dado esses produtos/serviços gerarem vantagens competitivas a nível
global (Saarenketo et al., 2004). Parece assim depreender-se destes factos que empresas
geradas em spin offs de universidades, pelo facto de possuírem vantagens tecnológicas que
estão subjacentes à sua génese, deveriam ter naturalmente um percurso de
internacionalização. Pelo nosso conhecimento, não parece existir ainda investigação que
relacione as empresas geradas em contexto universitário e o seu eventual percurso de
internacionalização. Por um lado, a literatura existente sobre empresa spin offs geradas em
contexto universitário debate essencialmente o processo de geração dessas empresas
(Aguirre et al., 2006), a relação entre essas empresas e as universidades que lhes deram
origem (Casper et al., 2003), bem como a relação entre a capacidade empreendedora das
universidades e a geração dessas spin offs (Aguirre et al., 2006). É ainda debatida a
necessidade de promover programas específicos que ajudem a criar um ambiente propício
ao aparecimento de spin offs universitárias (Aguirre et al., 2006), e a importância dos
diferentes stakeholders que participam no processo (Aguirre et al., 2006). Por outro, em
termos de processo de internacionalização de novas empresas, constata-se que a actual
literatura sobre as chamadas Born Globals debate essencialmente as características dessas
empresas (Lockett et. al, 2003; Grimaldi, 2005; Aguirre et. al., 2006) e os factores que
estão subjacentes ao seu rápido processo de internacionalização (Wilkinson et al., 1997;
Casper, 2003; Saarenketo et. al., 2004).
Na presente dissertação, pretende-se realizar uma reflexão teórica e uma análise empírica
sobre a relação das empresas geradas em contexto universitário e o seu eventual percurso
de
internacionalização.
Em
concreto,
pretende-se
analisar
o
processo
de
internacionalização das empresas spin offs universitárias oriundas de diferentes pólos
universitários que possuam características distintas, em termos de processo de
transferência de tecnologia e conhecimento, i.e., com base na experiência adquirida ao
longo dos anos e na implementação de políticas de apoio ao empreendedorismo.
1
Assim, as principais questões do presente estudo são: 1) terão as empresas spin offs de
origem académica um percurso de efectiva internacionalização?; e 2) estará a propensão à
internacionalização dependente do tipo de Universidade de onde emergiram?
Para responder a estas questões recorremos à recolha de dados primários através da
implementação de um inquérito junto de um universo de 91 empresas identificadas como
spin offs de 3 universidades portuguesas com distintas características: mais ‘empresariais’
(Universidade de Aveiro e do Minho) e mais híbridas, combinando características
empresariais com uma forte componente de ensino e investigação (Universidade do Porto).
Foram obtidas 31 respostas (taxa de resposta de 34.1%), sendo 45% respeitantes a spin offs
das Universidades de Aveiro e Minho e 55% compreendendo spin offs da Universidade do
Porto. Das 31 empresas que responderam ao inquérito, 35.5% afirmaram ter iniciado o seu
processo de internacionalização, um valor muito superior à média nacional (8.0%).1
A presente dissertação estrutura-se da seguinte forma. No Capítulo 1 é apresentada uma
síntese de literatura crítica sobre as empresas spin offs de origem universitária/académica,
processo de internacionalização e modelos universitários de transferência de tecnologia e
conhecimento. Posteriormente (Capítulo 2), detalham-se os aspectos metodológicos do
trabalho empírico, No Capítulo 3 analisam-se e discutem-se os resultados, respondendo às
questões de investigação subjacentes à dissertação. Por fim, em Conclusões sintetizamos
os principais pontos do estudo e tecemos algumas considerações de política económica.
1
Em 2006, existiam em Portugal cerca de 28 000 empresas exportadoras, num total de cerca de 350 000, com
as 20 maiores a representar mais de 30% das exportações totais (Fonte: Intervenção do presidente da AEP Associação Empresarial de Portugal, José António de Barros, na sessão plenária de abertura do dia da
Internacionalização, integrado na 1ª Semana Europeia das PME09, Porto, Edifício da Alfândega, 7 de Maio
de 2009).
2
Capítulo 1. Spin offs de origem universitária, processo de
internacionalização e modelos universitários de transferência
de tecnologia e conhecimento. Uma síntese de literatura
1.1. Considerações iniciais
Este capítulo tem por objectivo realizar uma síntese de literatura sobre as empresas spin
offs de origem universitária e o seu processo de internacionalização. Pretende-se também
avaliar a literatura existente no que concerne à associação entre a internacionalização
destas spin offs e o modelo universitário (mais académico versus mais empreendedor) onde
tiveram a sua origem.
Para o efeito, e tendo em vista a concretização deste objectivo, é apresentada uma secção
(Secção 1.2) onde se definem os conceitos de spin offs, processo de internacionalização e
modelos universitários de transferência de tecnologia e conhecimento. Tal permite garantir
um alinhamento em termos das diversas correntes de pensamento associadas a estes
conceitos e seleccionar a(s) que no(s) parecem mais apropriadas para o nosso estudo.
Posteriormente apresenta-se duas secções onde se estabelece a emergência de novas
empresas (start-ups) e o processo de internacionalização (Secção 1.3) e a relação entre spin
offs académicas, processo de internacionalização e modelos universitários (Secção 1.4).
1.2. Definição dos conceitos chave: spin outs vs spin offs, processo de
internacionalização e modelos universitários de transferência de
tecnologia e conhecimento
Spin outs vs Spin offs
Spin-outs e Spin offs são conceitos relacionados que usualmente são utilizados de forma
alternadas para apresentar o mesmo fenómeno. Não obstante, diversos autores (e.g., De
Cleyn e Braet, 2007) argumentam que existe uma diferença clara entre eles: uma empresa
spin off compreende a criação de uma entidade completamente nova fora de uma
organização existente, enquanto uma empresa spin out respeita a separação de uma
entidade existente (divisão, unidade de negócio etc.) da organização-mãe. Apesar de ambos
os conceitos deverem ser considerados como fenómenos separados, é importante frisar que
spin offs e spin-outs estão intimamente relacionados pois partilham múltiplas
características semelhantes. Em ambos os tipos, transferência de recursos humanos e
3
conhecimento estão envolvidos. Adicionalmente, o objectivo final subjacente à sua criação
– geração de valor económico via exploração comercial do conhecimento – é partilhada
pelas spin offs e spin-outs. Assim, na presente dissertação estes conceitos são apresentados
como sinónimos, sendo a expressão spin off a que mais extensivamente referiremos.
Lowe (2002) refere-se às spin offs com a designação genérica de start-ups, as quais
segundo Jensen e Thursby (2001), têm por objectivo o desenvolvimento de inventos que se
encontram numa fase inicial de pré protótipo em termos do seu ciclo de vida. Estes
inventos são caracterizados por uma substancial incerteza tecnológica, a qual desencoraja
as empresas existentes de realizar investimentos avultados no licenciamento e
desenvolvimento dessa tecnologia. Em face desta situação os investigadores recorrem ao
financiamento público que lhes permita desenvolver seu negócio e posteriormente obter a
atenção de investidores e empresas privadas. Segundo Roberts e Malone (1996), a
definição de spin off universitária consiste no mecanismo em que os governos procuram
obter contrapartidas económicas a partir da actividade de I&D das instituições públicas,
por via da transferência de tecnologia para organizações com actividade comercial.
Alguns investigadores produziram diversas definições de spin off tendo por base os
elementos principais transferidos para essas empresas: tecnologia e/ou pessoas. Quando o
elemento de transferência principal é a tecnologia, esta pode ser interpretada de duas
formas: a) formalização por via de uma patente, em que neste caso a spin off é considerada
uma nova empresa fundada para a exploração e comercialização da propriedade intelectual
dentro de uma instituição académica (AUTM, 2002; Di Gregório e Shane, 2003), ou b) por
via não formal de conhecimento produzido na universidade, neste caso as spin off
universitárias são considerados novas empresas geradas para explorar comercialmente
algum conhecimento, tecnologia ou resultados de investigação desenvolvidos dentro da
universidade (Pirnay, Surlemont e Nlemvo, 2003). Em relação à transferência de pessoas
Smilor et al. (1990) excluem a possibilidade da spin off ter apenas por base a transferência
pura e simples de tecnologia, sem o recurso à transferência de pessoas da instituição que
lhe deu origem. Por conseguinte, consideram que uma spin off é uma nova empresa
formada por (1) indivíduos que pertenciam anteriormente à instituição geradora do spin off
e 2) é baseada em tecnologia core transferida pela instituição de origem. Esta interpretação
das spin offs não é completamente partilhada por Nicolaou e Birley (2003a) que
consideram que a transferência de tecnologia por via da criação de uma nova empresa,
pode ser realizada por empreendedores externos sem a necessidade de envolvimento dos
4
investigadores académicos. Esta definição por sua vez é partilhada por Djokovic e
Souitaris (2006).
Segundo Lambert (2003), as spin offs universitárias são vistas pelos cientistas e gabinetes
de transferência tecnológica (TTOs) como a alternativa empreendedora face ao simples
licenciamento de tecnologia. Estas spin offs são concebidas como novas empresas que
comercializam alta tecnologia proprietária de um departamento universitário e com
investimento proveniente de capital de risco.
Uma definição também associada às spin offs universitárias, as Research Based Start-Ups
(RBSUs), i.e. start-ups sustentadas na investigação, é que, são empresas cujo negócio
consiste no desenvolvimento e comercialização de novos produtos ou serviços cuja
tecnologia ou competências são proprietárias (Gartner, 1985; Utterback et al., 1988;
Roberts, 1991; Hanks et al., 1993; Woo et al., 1994; Shane, 2001; Heirman, 2004).
Bercovitz (2006) simplesmente considera as spin offs universitárias como uma nova
entidade gerada a partir da sua capacidade de investigação ou de uma licença universitária.
Enquanto, que para Birley (2002), as spin offs académicas são empresas formadas nas
universidades com o objectivo de comercializar a propriedade intelectual dessas
universidades e promover a transferência tecnológica. Segundo Druille (2004) existem 5
categorias de spin offs universitárias (ver Figura 1), as quais são classificadas em função da
experiência dos empreendedores e dos recursos necessários à sua actividade.
Figura 1: Categorias de spin offs académicos
Fonte: Druille (2004)
5
Processo de Internacionalização
A internacionalização tem sido suportada em duas escolas de pensamento: a escola
processual e a escola económica (Gabrielsson e Kirpalani, 2004). A primeira escola de
pensamento pressupõe que a empresa assume uma abordagem comportamental (Cyert
eMarch, 1963); a segunda escola assenta na racionalidade económica da empresa por via
dos custos de transacção (Williamson, 1975). Segundo Gabrielsson e Kirpalani, (2004), os
estudos realizados sobre o modelo processual, focalizam-se sobre o modo como acontece a
internacionalização, que neste caso se baseia numa abordagem gradual por fases. Esta
abordagem faseada começa pela exportação com o objectivo de minimizar o risco da
empresa em mercados externos, aumentando gradualmente o seu grau de envolvimento no
mercado em função do eventual aumento da procura desse mercado (Gabrielsson e
Kirpalani, 2004). O modelo por fases foi também identificado por investigadores suecos,
com base em múltiplos estudos sustentados em empresas nacionais (Johanson e Vahlne,
1977, Luostarinen, 1970, 1979), tendo sido precursor da escola de Upsala. Segundo o
modelo de Upsala (U-M), o processo de internacionalização refere que as empresas se
internacionalizam de uma forma gradual e incremental (Johanson e Wiedersheim-Paul,
1975; Johanson e Vahlne, 1977) devido à falta de conhecimento do mercado externo,
elevada aversão ao risco e elevada percepção de incerteza entre outros factores. No
entanto, este modelo de internacionalização por fases é visto por alguns autores (e.g., Reid,
1983; Turnbull, 1987) como um modelo limitado, dado que surgem cada vez mais
empresas que não seguem este padrão de internacionalização. Estas últimas empresas são
as referenciadas, entre outras designações, por Born Globals (Rennie, 1993; Knight e
Cavusgil, 1996) ou International New Ventures (Oviatt e McDougall, 1994).
O modelo de internacionalização, segundo a escola de pensamento económica, assume que
a política da empresa é “homo economicus”, i.e. o gestor da empresa tem total
conhecimento dos mercados e por conseguinte escolherá a solução mais racional
(Gabrielsson e Kirpalani, 2004). Este modelo conduz a abordagens em função dos custos
de transacção (Williamson, 1975; Anderson e Gatignon, 1986;) e/ou baseada no paradigma
eclético (Dunning, 1988). Segundo Welch e Luostarinen, (1988), a internacionalização
consiste no processo do envolvimento crescente da empresa em operações internacionais,
enquanto que Reid (1983) refere que os padrões de internacionalização das empresas em
termos individuais parecem ser únicos e específicos de cada empresa. Ainda dentro da
escola de pensamento económico, para Oviatt e McDougall, (1994) a internacionalização
6
consiste na procura pela empresa de importantes vantagens competitivas, através da
utilização de recursos e realização de vendas de produtos ou serviços, em múltiplos
mercados.
À partida poderia parecer mais adequado a utilização do modelo processual para sustentar
a eventual internacionalização das spin offs universitárias, dado que novas empresas à
partida seriam induzidas a implementar uma política gradual de internacionalização dada a
sua escassa base de conhecimento e experiência, bem como os (elevados) custos de
transacção associados. No entanto, o facto de existirem empresas que nascem globais, as
“born globals”, impõe que se considere como possíveis outros modelos de
internacionalização. Esta é de resto a primeira questão subjacente à presente investigação.
A análise dos processos de internacionalização das spin offs universitárias alvo do nosso
estudo, certamente nos proporcionará evidência sobre qual o modelo que melhor se adequa
ao processo de internacionalização destas mesmas empresas.
Modelos Universitários de transferência de tecnologia e conhecimento
Na literatura sobre modelos universitários de transferência de tecnologia e conhecimento
podemos identificar dois tipos principais (Teixeira e Costa, 2006): o modelo mais
académico ou tradicional e o modelo mais empreendedor reflectindo já uma acentuada
dinâmica ou pelo menos propósito explícito de ligação à indústria.
O modelo universitário tradicional tem por missão principal promover a investigação e
transmitir conhecimento às comunidades, académica e de estudantes (Geiger, 1993; Bok,
2003). Estas universidades são uma fonte de conhecimento técnico devidamente
codificado, o qual é disponibilizado através dum processo de aprendizagem e vivência
universitária (Segal, 1986). Esse tipo de conhecimento disponibilizado pelas universidades,
faz parte de uma cultura de ciência aberta de livre acesso a todos, a qual se poderá perder
por via da criação de patentes da propriedade intelectual (Nelson, 2001; Sampat, 2006). As
universidades ditas ‘tradicionais’ contribuem indirectamente para a transferência
tecnológica para a indústria por via do desenvolvimento de quadros qualificados
(Carayannis et al., 1998).
O termo ‘universidades empreendedoras’ foi estabelecido por Etzkowitz (1993) para
descrever as transformações necessárias a um papel mais activo por parte das
universidades com vista à promoção directa da transferência tecnológica, resultante da
investigação académica. Este modelo encontra alguns opositores entre académicos e
7
economistas (e.g., Rogers, 1986; Lee, 1996; Mazzoleni e Nelson, 1998) que argumentam
que este modelo desfoca a universidades do seu papel principal, i.e., da formação de
recursos e investigação sem carácter comercial (Dasgupta e David, 1994).
Nas universidades ditas ‘empreendedoras’ a promoção da transferência tecnológica pode
ser feita por via de licenciamento ou criação de novas empresas – spin offs (Lambert,
2003). O licenciamento tem sido tradicionalmente a forma mais vulgar para a
comercialização de tecnologia universitária (Siegel et al., 2003b), no entanto, a criação de
empresas como mecanismo de comercialização de tecnologia tem vindo a ganhar
protagonismo (Siegel et al., 2007). Com o objectivo de facilitar o processo de transferência
tecnológica, quer por via do licenciamento, quer por via da criação de spin offs, estas
universidades têm vindo a criar organismos próprios para o efeito designados por
Transference Technology Offices (TTOs) (Siegel et al., 2007).
As universidades mais empreendedoras são responsáveis pela criação da maioria das spin
offs nos países mais desenvolvidos (O’ Shea, 2007). Este facto foi constatado em estudos
recentes realizados por O’Shea et al. (2005), nos Estados Unidos, e por Lockett e Wright
(2005), no Reino Unido. Segundo O’Shea (2007), o empreendedorismo nas universidades
está relacionado com os seguintes factores: 1) competências e características pessoais dos
empreendedores académicos; 2) as capacidades e recursos disponibilizados pelas
universidades; 3) políticas e organização das universidades com vista à comercialização de
tecnologia; e os 4) factores de enquadramento local que promovam o empreendedorismo
académico. Ainda segundo este autor, a investigação recente revela que universidades que
detêm políticas e normas que suportem actividades de comercialização de tecnologia,
tendem a conseguir maiores índices de comercialização e de actividades de spin off.
Para além de avaliar o processo de internacionalização das spin offs académicas (Questão
de investigação nº 1), o presente estudo pretende relacionar essa internacionalização como
o modelo universitário das instituições que estiveram na base da criação dessas spin offs
(Questão de investigação nº 2). Assim, torna-se de especial relevância avaliar o que a
literatura na área indicia sobre a relação existente entre a geração de spin offs académicas e
o modelo universitário associado ao processo de transferência de tecnologia e
conhecimento.
8
1.3. A emergência de novas empresas e o processo de internacionalização
O processo de internacionalização das empresas, segundo Johanson e Valhne (2001), pode
manifestar-se sobre diferentes formas, como por exemplo, via subsidiárias, joint-ventures
internacionais, contratos de licenciamento, exportação, ou múltiplos eventos e actividades
(e.g., campanhas de publicidade internacionais). No processo de internacionalização das
empresas, a envolvente em que elas operam leva-as a optar por determinados modelos,
cuja escolha procura maximizar a persecução dos seus objectivos.
Entre os vários modelos existentes podemos referir, em particular, o Modelo dos estágios
(ou processo) (Johanson e Wiedersheim-Paul, 1975; Johanson e Valhne, 1977), o da Teoria
da Reacção Oligopolista (Knickerboker, 1973) e os Modelos das Redes (Johanson e
Mattsson, 1988). No modelo de estágios ou processo encontramos uma abordagem gradual
de internacionalização, a qual reflecte o modelo desenvolvido pela “escola” de Uppsala
(Johanson e Valhne, 1977), em que a empresa começa por ter um baixo comprometimento,
entrando em mercados mais próximos em termos geográficos e culturais; posteriormente,
vai alterando o seu posicionamento com um maior comprometimento local e procurando
mercados mais distantes. No modelo das redes, encontramos uma visão do mundo em que
as empresas e organizações não podem funcionar de um modo isolado, mas pelo contrário
necessitam de interagir entre si criando um efeito de interdependência (Johanson e
Mattsson 1988).
As empresas não são entidades isoladas. O sucesso competitivo de uma empresa está dependente das
relações com fornecedores de matérias-primas, componentes, serviços equipamentos, distribuidores,
clientes. (Richardson, 1972)
No contexto internacional a empresa poderá estar em fases distintas em diferentes
mercados regionais. No entanto, quanto mais avançado estiver o seu processo de
internacionalização, mais forte será o seu posicionamento nas diferentes redes e
consequentemente, maior a força das suas relações, o posicionamento da empresa nas redes
pode influenciar a sua estratégia de internacionalização (Hollensen 1999), gerando
motivações pró-activas e reactivas.
Mckinsey and Co. (1993) realizou um estudo com 310 empresas na Austrália e concluiu
que existiam duas categorias de empresas: 1) as que exportavam pouco e tinham começado
a exportar após vários anos de actividade no mercado nacional; e 2) as que tinham
começado a exportar num curto espaço de tempo e exportavam a maioria dos produtos que
produziam (as designadas Born Globals). Esta última categoria distinguia-se por produzir
9
tecnologia de ponta e para nichos no mercado internacional. Posteriormente, Rennie (1993)
descreveu-as como competindo através qualidade e criação de valor por via da inovação
tecnológica e design de produto.
Jolly et al. (1992) referem que as start-ups são, em regra, pequenas empresas, com recursos
limitados e por esse facto têm de recorrer a parceiros e a networking para aceder aos
mercados externos, por via de acesso à rede de operações e distribuição, marketing e
comercialização dos seus produtos. Christensen e Jacobsen (1996) concluíram que a
velocidade com que as empresas se internacionalizavam depende dos contactos, relações,
educação
e das
funções
que os
empreendedores
tinham
tido
anteriormente.
Complementarmente, Johanson e Mattsson (1988) tendem a explicar o processo de
internacionalização através do modelo de redes industriais, em que em vez da empresa
iniciar a sua internacionalização para um mercado anónimo, ela inicia o processo através
da rede que possui com outras empresas. Tais factos evidenciam o capital humano como
um dos factores de maior importância no aparecimento das Born Globals. Neste caso, a
internacionalização da empresa depende mais da rede de contactos internacionais do que
qualquer outra vantagem específica (Coviello e McAuley, 1999). Para Wiedersheim-Paul
(1980), o conhecimento prévio do mercado é um factor fundamental na decisão para a
internacionalização. Mesmo no modelo de internacionalização por fases, o processo de
internacionalização está associado ao conhecimento incremental dos mercados, o qual leva
a uma abordagem cada vez mais profunda desses mercados (Johanson e Vahlne, 1977,
1990) – inicia-se com a exportação e culmina com o Investimento Directo Estrageiro
(IDE). Segundo Andersen (1997), o modelo de Upsala é estruturado com base na teoria
“resource-based”, em que um maior conhecimento do mercado leva a um maior
comprometimento e vice-versa. No entanto, o facto desta teoria se basear apenas no
“conhecimento experimental” (Saarenketo et al., 2004) acaba por evidenciar algumas
fraquezas, dado apresentar-se como um processo sequencial, que contempla o
cumprimento “quasi” obrigatório de diversas etapas não considerando a possibilidade de
outras abordagens mais eficazes, nomeadamente em sectores de evolução tecnológica mais
rápida e de elevada competitividade.
Comummente consideradas como Born Globals, as Pequenas e Médias Empresas (PMEs)
na área das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) apresentam um processo de
internacionalização muito rápido e intensivo diferente dos actuais modelos de
internacionalização baseados em fases progressivas (Saarenketo et al., 2004). Também
10
nestas empresas o processo de internacionalização é impulsionado pela utilização de
recursos externos, como por exemplo parcerias e networks (Bell, 1995; Coviello e Munro,
1997).
A evidência empírica relativa à rápida internacionalização de high-tech PMEs, em
particular das TICs, constitui um desafio às teorias clássicas de internacionalização
(Saarenketo et al., 2004). Mais do que seguirem um modelo gradual, estas empresas
estrategicamente assumem o mercado internacional como o seu mercado natural, sendo
nesse sentido consideradas Born Globals (Saarenketo et al., 2004). Para esta situação
contribuem também as políticas de desregulamentação e liberalização dos mercados, as
quais criam oportunidades a nível internacional, mesmo para as PMEs (Saarenketo et al.,
2004). A estandardização de produtos e serviços a nível internacional permite também
criar um mercado mais competitivo à escala global. Nas palavras de Bowers (1993), citado
por Saarenketo et al. (2004), “Those who learn the quickest will be the winners”.
A necessidade das empresas high-tech em fazer uma abordagem rápida aos mercados
internacionais, ao invés de adoptarem um processo de aprendizagem gradual, deve-se ao
facto deste ser demasiado lento para este tipo de empresas. Estas têm de concorrer em
mercados que mudam muito rapidamente (Saarenketo et al., 2004) em virtude da
tecnologia se tornar rapidamente obsoleta nestes mercados (Preece et al., 1998).
Internacionalização rápida exige aprendizagem rápida (Hubber, 1991; Forsgren, 2001),
aprendizagem por via de networking, rede de contactos e parceiros, aprendizagem por
aquisição de outras empresas acedendo a recursos e conhecimento detido pela empresa
adquirida; aprendizagem por imitação de outras empresas; aprendizagem através da
procura de informação. Outro factor que contribui para a globalização dos mercados das
empresas high-tech, é a sua maior especialização em determinados nichos de produtos e
serviços o que se traduz na necessidade de economias de escala (Saarenketo et al., 2004).
Confirma-se também que quantos maiores forem as capacidades tecnológicas e de
marketing das empresas no seu início, maior será também o seu nível de
internacionalização (Saarenketo et al., 2004). A conjugação das competências a nível das
capacidades tecnológicas, factor humano, rede de contactos internacionais, aprendizagem e
educação, existentes nas Born Globals podem potencialmente ser encontradas em
empresas geradas em contexto universitário (Saarenketo et al., 2004). Na presente
dissertação avaliamos até que ponto o processo de internacionalização das Born Globals se
aplica ao contexto dos spin offs de origem universitária. Espera-se que o estudo permita
11
obter resultados e conclusões sobre a propensão e intensidade dos spin offs no que respeita
ao seu processo de internacionalização.
1.4. Spin offs académicas e modelos universitários de transferência de
tecnologia e conhecimento
A análise da literatura sobre a geração de spin offs universitários (Samson e Gurdon, 1993;
Franklin et al., 2001; Grimaldi, 2005; Aguirre et al., 2006; Wright et al., 2007) permite
depreender que estes surgem através da criação de oportunidades tecnológicas pelos
investigadores universitários sendo a tecnologia uma competência chave que está na base
do elevado crescimento destas empresas (Aguirre et al., 2006). Uma oportunidade
tecnológica é aquela que é obtida pelo desenvolvimento ou evolução da tecnologia (Molian
e Le Leux, 1997; Shane, 2001; Katila e Mang, 2003) e que muitas vezes é explorada via as
designadas New Tecnological Based Firms (NTBF). Simultaneamente, verifica-se que as
oportunidades de alta tecnologia provêm maioritariamente de programas de investigação
universitários (Veciana, 2005).
A comercialização de tecnologia de base universitária tem vindo a merecer atenção
redobrada nas políticas de países como os Estados Unidos e o Reino Unido (Lockett et al.,
2003). Nos Estados Unidos a transferência de tecnologia do sector público para o sector
privado está intrinsecamente ligada à geração de novos negócios, expansão dos actuais e
criação de novos empregos (Siegel et al., 1999). Esta transferência é feita
preferencialmente através das universidades as quais começam a estar motivadas pelo
sucesso, tanto em termos comerciais como académicos, por via da comercialização da sua
tecnologia (Powell e Owen-Smith, 1998). Uma forma de comercialização é por via de spin
offs de empresas geradas em contexto universitário (Samson e Gurdon, 1993; Franklin et
al., 2001).
Os governos e instituições públicas estão conscientes da importante contribuição das spin
offs de origem académica para o desenvolvimento económico e tecnológico (Grimaldi,
2005). Em alguns países, estas spin offs têm vindo a ter um papel cada vez mais relevante
no panorama económico por via de alterações organizacionais e institucionais das próprias
universidades (Grimaldi, 2005). As spin offs representam uma fonte de benefícios para as
próprias universidades, dado que providenciam novas fontes de rendimento e aumento do
seu prestígio e reputação (Grimaldi, 2005), permitindo atrair mais e melhores estudantes,
12
os quais podem concretizar novas oportunidades tendo por base o conhecimento por si
desenvolvido (Grimaldi, 2005).
O aparecimento das spin offs está também relacionado com a capacidade de
empreendedorismo individual apresentado pelos diversos stakeholders (Aguirre et al.,
2006). De facto, os empreendedores exploram uma oportunidade esperando um elevado
retorno (Shane e Venkataraman, 2000). Os empreendedores avaliam simultaneamente
outros factores como custos de oportunidade (Schumpeter, 1934; Kirzner, 1973), nível de
incerteza (Schumpeter, 1934; Kirzner, 1973), custos de capital (Shane, 1996), o volume da
procura (Schumpeter, 1934; Schnmookler, 1966), competência (Hannan e Freeman, 1984)
e o ciclo de vida da tecnologia (Utterback, 1994). Antes de avançar para um plano de
negócios formal os empreendedores devem reflectir na viabilidade económica e técnica da
ideia e da sua probabilidade de sucesso; factores ambientais, sociais, culturais,
tecnológicos (Long e McMullan, 1984), políticos, económico e de mercado devem
inclusivamente ser avaliados na reflexão. As redes universitárias a nível externo,
constituídas por instituições e indivíduos, tendem a ser fundamentais para o processo de
spin off (Lockett et al., 2003).
Parecem coexistir diversos factores na génese das spin offs universitárias, nomeadamente
competências tecnológicas, motivação das universidades em promover condições para a
comercialização da sua tecnologia, bem como redes constituídas por instituições e
indivíduos a nível nacional e internacional (Aguirre et al., 2006). Tais factores poderão
gerar as condições necessárias ao impulsionamento de spin offs cujas vantagens
tecnológicas e humanas permitam a sua rápida internacionalização. Este aspecto parece
não ter sido ainda alvo de investigação nos meios académicos.
Nos últimos anos tem havido um crescente aumento da actividade empresarial por parte
das universidades (Wright et al., 2007), sobre a forma de patentes, licenciamento, “jointventures” de investigação com empresas privadas e a criação de spin offs.
As universidades são reconhecidas como organizações que detêm um activo de
conhecimento cientifico resultado da investigação que produzem, o qual pode ser um
factor de promoção do desenvolvimento económico; no entanto, a presença de uma
universidade numa dada região poderá não ser suficiente para garantir o desenvolvimento
dessa região na indústria do conhecimento (Bercovitz et. al, 2006). Com o objectivo de
melhorar as ligações comerciais entre as universidades e a indústria, algumas universidades
13
recorrem a organismos específicos para a transferência de tecnologia (Technology
Transference Offices - TTOs), que visam suportar a criação de spin offs universitárias
(Hague e Oakley, 2000). As universidades europeias e americanas recorreram aos TTOs
para tornar mais efectivo o processo de transferência de tecnologia, em que os quais têm
por objectivo facilitar a difusão da tecnologia de base universitária, através de
licenciamento ou criação de empresas, assumindo cada vez mais um papel activo no
processo de comercialização de tecnologia, através do registo de patentes, licenciamento e
promoção de start-ups (Lockett et al., 2005).
As actividades comerciais não se enquadram contudo no modelo académico tradicional,
cujas carreiras assentam na investigação e ensino (Wright et al., 2007). A criação de
empresas através de spin offs é uma actividade que consome mais tempo do que a
actividade de licenciamento (Franklin et al., 2001). Adicionalmente, os sistemas de gestão
universitária são concebidos para garantir a integridade académica podendo não ser
compatíveis com actividades de comercialização e tomadas de decisão em tempo útil,
necessárias na vida das empresas (Wright et al., 2007). Entretanto, a pressão existente por
parte das políticas governamentais no sentido de gerar proveitos económicos a partir da
actividade de investigação realizada nas universidades, vem contribuir para a pertinência
de encontrar modelos de transferência tecnológica universidades-empresas (O’Shea et al.,
2007). Este facto é confirmado pelo crescente número de políticas e publicações sobre os
factores que influenciam as actividades de spin off a nível das instituições de ensino
(O’Shea et al., 2007).
Djokovic e Souitaris (2007) concordam com a visão de que a mudança do papel das
universidades em direcção a actividades de comercialização de tecnologia associadas a
mecanismos e políticas governamentais e institucionais, estão a criar condições para a
geração de spin offs universitários. A actividade de spin off das universidades é um reflexo
do seu comportamento institucional, com as universidades que se regem por normas que
suportam actividades de comercialização a apresentar elevados níveis de actividades de
spin off. Kenney e Goe (2004) concluíram também que o envolvimento de professores em
actividades empreendedoras é influenciado pelas suas relações sociais e instituições com as
quais têm ligações. As infra-estruturas de conhecimento de uma região são também um
factor determinante na actividade de geração de spin offs, os quais estão associados ao
fenómeno das universidades empreendedoras associadas a pólos tecnológicos de incubação
de empresas (O’ Shea et al., 2007).
14
Os factos supra apresentados levam-nos a concluir que as universidades com um modelo
mais empreendedor tenderão à partida a gerar mais spin offs, sem no entanto estabelecer
qualquer relação com o seu processo de internacionalização. Será que podemos inferir que
as características das universidades mais empreendedoras que potencialmente promoverão
a criação de um maior número de spin offs influenciarão também o seu processo de
internacionalização? Por outras palavras, será que as spin offs geradas nos meios
universitários conotados como ‘mais empreendedores’ são também as que apresentam uma
maior propensão à internacionalização?
Estas questões são analisadas no Capítulo 3, tendo por base o estudo de spin offs que
emergiram em dois tipos distintos de meios universitários: um com características mais
híbridas académica-empresarial (Universidade do Porto) e um outro com características
conotadas como mais empreendedoras (Universidade do Minho e Aveiro). No capítulo
seguinte apresentamos as considerações metodológicas subjacentes ao trabalho empírico
da presente dissertação.
15
Capítulo 2. Spin offs de origem universitária, processo de
internacionalização e modelos universitários de transferência
de tecnologia e conhecimento. Aspectos metodológicos
2.1. Considerações iniciais
Com o objectivo de realizar o estudo empírico enunciado e a obtenção de respostas para as
questões formuladas, foram seleccionados os pólos universitários do Minho, Aveiro e
Porto. O estudo empírico teve por base a recolha de informação detalhada junto destas três
universidades, as quais possuem, segundo a literatura da área (e.g., Teixeira e Costa, 2006)
diferentes características em termos de empreendedorismo, isto é, de grau de envolvimento
com o mundo empresarial. O pólo universitário do Porto representa um modelo mais
híbrido, combinando uma forte componente académica (i.e., mais ‘tradicional’) com uma
razoável, embora não explícita, função empresarial. Os restantes pólos, Minho e Aveiro,
são
conotados
como
modelos
de
universidades
mais
empreendedoras.
Por
‘empreendedorismo’ considera-se neste estudo a maior proximidade do meio académico ao
meio empresarial.
Em face da actualidade deste assunto, sendo este relativamente recente no contexto
universitário português, e também tendo em conta a idade dos pólos universitários de
Minho e Aveiro, propõe-se a definição de um período temporal de 15 anos para a
realização do estudo. Sendo assim só serão consideradas no nosso estudo as empresas que
tiveram a sua génese a partir de 1992. Foi adoptada a seguinte metodologia. Numa
primeira fase, foram identificados os diferentes organismos associados a cada um dos
pólos universitários, aos quais estavam associados processos de spin offs. Após a
realização desta identificação estabeleceram-se contactos com representantes destes
organismos (e..g., TECMINHO, UPIN, UPTEC, UATEC), que nos permitiram identificar
os diversos spin offs que surgiram no período estipulado para o nosso estudo (cf. Anexo I).
A recolha de informação foi feita directamente junto das empresas spin offs identificadas,
através de um inquérito especificamente concebido para o propósito (cf. Anexo III) e
baseado na revisão de literatura efectuada no Capítulo 2.
Para aferir a propensão para a internacionalização das empresas geradas em contexto
universitário e da influência das características das universidades para essa propensão,
avaliamos as seguintes variáveis para cada um dos pólos universitários seleccionados: 1)
16
Número de spin offs gerados no período definido para o estudo, 2) Número de spin offs
resultantes do ponto anterior, que se internacionalizaram durante esse período. Para aferir a
intensidade de internacionalização dos spin offs identificados no ponto 2) anterior, à luz da
literatura existente (Saarenketo et al., 2004), inquirimos as empresas em termos das
seguintes variáveis 1) Tempo que mediou desde a sua origem e o início das operações
internacionais, 2) Percentagem dos clientes no mercado internacional face ao total; 3)
Número de parceiros internacionais; 4) Número de países em que a empresa actua; e 5)
Percentagem de receitas nos mercados internacionais face ao total.
O objectivo das análises supra mencionadas é o de contribuir com evidência adicional
sobre a relação entre o tipo de universidade e o nível de propensão e intensidade do
processo internacionalização das empresas que ‘incubaram’.
2.2. Descrição da população (empresas/universidade), amostra e
processo de recolha dos dados
A identificação das empresas relacionadas com o universo de cada uma das universidades
seleccionadas para o nosso estudo foi realizada através dos sites das universidades e dos
organismos associados a estas que participam no processo de apoio à criação de empresas,
nomeadamente, IEUA e UATEC, no caso da Universidade de Aveiro, TECMINHO, no
caso da Universidade do Minho e UPIN, UPTEC, INESC e INEGI, no caso da
Universidade do Porto.
Tendo por base informação oficial obtida junto das universidades sobre o processo de
criação de spin offs de base tecnológica, a partir de conhecimento gerado dentro destas,
verificou-se que só recentemente as universidades começam a oficializar o processo de
spin off das empresas geradas no seu contexto. Efectivamente, os estatutos das spin offs só
recentemente foram aprovados pelos conselhos das universidades em análise. No caso da
universidade do Porto os regulamentos foram publicados a 12 de Março de 2008. No caso
da universidade do Minho não tivemos acesso a qualquer regulamento publicado mas antes
a um guião de procedimentos. No caso da universidade de Aveiro não tivemos acesso a
qualquer documentação publicada. Este facto reflecte que embora já existissem empresas
geradas em contexto universitário, as quais contavam com o apoio das próprias
universidades, só recentemente o seu estatuto de spin off tem vindo a ser reconhecido e
oficializado. Consequentemente, no nosso estudo estão representadas empresas que
embora não tenham o estatuto oficial de spin off da universidade em análise, dado serem
17
anteriores ao processo de promulgação dos referidos estatutos, são consideradas, para fins
do nosso estudo, como spin offs de facto, pois o contexto em que surgiram e se
desenvolveram é um contexto universitário.
O universo das empresas identificadas no âmbito do nosso estudo foi de 32 spin offs para a
universidade do Minho, 29 spin offs para a Universidade de Aveiro e 42 spin offs para a
universidade do Porto, perfazendo o total de 103 spin offs (cf. Anexo I). Das empresas
identificadas, em 12 (11.7% do total) não se conseguiu obter qualquer contacto (células a
cinza no quadro do Anexo I). Assim sendo, no total, a nossa população inclui 91 spin offs.
O primeiro contacto foi efectuado por e-mail em 14 de Março de 2009. Em face do número
reduzido de respostas (4), no dia 16 de Abril de 2009 enviou-se faxes para todas as
empresas (havendo algumas sido contactadas por telefone para que se conseguisse o
número de fax). Com esta segunda ronda de contactos conseguiu-se aumentar ligeiramente
(mais 8 empresas responderam) o número de respostas. Com vista a tornar mais eficiente o
processo de contactos, decidimos contactar a UATEC, TECMINHO e UPTEC no sentido
de obter da parte destas instituições a colaboração neste âmbito, nomeadamente através do
envio por parte destas instituições de um email às empresas em estudo solicitando a
participação das mesmas. Esta abordagem permitiu optimizar o processo tendo aumentado
o número de respostas de 12 para 31, no total (cf. Anexo II).
2.3. Descrição do inquérito
O inquérito que elaborámos para realizar o nosso estudo e poder assim analisar a
propensão para a internacionalização das spin-offs universitárias, bem como relacionar essa
propensão com o modelo universitário, é composto por duas partes (ver Anexo III). A
primeira parte descreve a empresa/spin-off e a segunda parte descreve o seu (eventual)
processo de internacionalização.
Na descrição da empresa recolheu-se informação sobre o ano do início da actividade de
forma a verificar se o tempo de vida da empresa poderá influenciar o seu processo de
internacionalização, considerando-se uma eventual abordagem gradual por fases (Johanson
e Vahlne, 1977, 1990); o sector de actividade, que categorizamos em Ciências da Vida,
Tecnologias de Informação (TI), Engenharia, e Outras para aferir em que medida existirão
sectores que mais facilmente sejam internacionalizáveis, o caso por exemplo das TICs
(Saarenketo et al., 2004), tipo de actividade - produtos ou serviços; a composição do
capital social, dada a importância dos stakeholders no desenvolvimento das spin-offs
18
(Aguirre et al., 2006); a estrutura dos quadros da empresa (peso dos licenciados em áreas
técnicas e de gestão), o que devido às suas competências e experiência poderá contribuir
para uma maior propensão e celeridade para o processo de internacionalização
(Christensen e Jacobsen, 1996); o peso do investimento em I&D, variável tida como
fundamental na criação de produtos tecnologicamente inovadores para competir a nível
internacional (Rennie, 1993).
Na descrição do processo de internacionalização foram consideradas duas vertentes: a
vertente via exportação e a vertente via subsidiárias, as quais podem ocorrer faseadamente
(Johanson e Vahlne, 1977, Gabrielsson e Kirpalami, 2004). Para cada uma das vertentes,
datou-se e quantificou-se o processo de internacionalização. Em concreto, considerou-se o
ano de início das exportações/criação da 1ª subsidiária, considerou-se o volume das
exportações/vendas das subsidiárias face ao total das vendas da empresa, considerou-se
também o número de países exportação/número de subsidiárias e, finalmente, o número de
clientes internacionais face ao total para ambas as situações. A recolha desta informação
vai ao encontro do modelo proposto por Saarenketo et al. (2004) para aferir a intensidade
de internacionalização das spin offs. Ainda na segunda parte do questionário, e
posteriormente à descrição do processo de internacionalização, procurou-se colocar um
conjunto de questões de avaliação mais qualitativa sobre a importância que determinados
factores poderão ter tido no processo de internacionalização das empresas. Estes factores
pretendem avaliar a importância da universidade, dos colaboradores, da rede de contactos,
os quais se têm revelado de grande importância no processo de internacionalização das
pequenas empresas (Jolly et al., 1992; Christensen e Jacobsen, 1996; Coviello e McAuley,
1999), para além da composição do capital da empresa (Aguirre et al., 2006) e do carácter
inovador do produto/serviço (Mckinsey and Co., 1993; Rennie, 1993).
2.4. Breve descrição da amostra e respectiva representatividade
No universo das empresas identificadas como spin offs das universidades do nosso estudo,
foram obtidas 31 respostas (cf. Anexo II), distribuídas da seguinte forma: 6 respostas de
empresas do universo da Universidade de Aveiro, 8 respostas de empresas do universo da
Universidade do Minho e 17 respostas de empresas do universo da Universidade do Porto.
O total das respostas corresponde a 34.5% do universo total de empresas identificadas. O
rácio de respostas por universidade é 24.0% para a U. Aveiro, 30.7% para a U.Minho e
42.5% para a U. Porto. Em virtude do baixo número de respostas das empresas das
19
universidades de Aveiro e Minho, decidimos proceder à sua análise conjunta pois
pertencem a um mesmo grupo de universidades, as do tipo ‘empreendedoras’, ou seja, que
apresentam uma grande proximidade ao meio empresarial. No universo das 31 empresas
que responderam ao inquérito, 11 afirmaram ter iniciado o seu processo de
internacionalização, o que representa uma percentagem de 35.5%, muito superior à média
nacional que se cifrava em 2006 em 8%.2
2
Fonte: Intervenção do presidente da AEP - Associação Empresarial de Portugal, José António de Barros, na
sessão plenária de abertura do dia da Internacionalização, integrado na 1ª Semana Europeia das PME09,
Porto, Edifício da Alfândega, 7 de Maio de 2009)
20
Capítulo 3. Spin offs de origem universitária, processo de
internacionalização e modelos universitários de transferência
de tecnologia e conhecimento. Resultados empíricos
3.1. Considerações iniciais
O objectivo deste capítulo é produzir uma avaliação dos resultados obtidos através dos
inquéritos realizados às empresas analisadas neste estudo e que tiveram a sua génese nos
três pólos universitários: Aveiro, Minho e Porto.
3.2. Análise descritiva
A maioria das empresas inquiridas são muito jovens e de pequena dimensão (cf. Figura 1).
Têm entre 2 a 5 anos de vida, representando este grupo 57% da amostra total. Em termos
de frequências acumuladas, constatamos que 97% das empresas tem um tempo no negócio
inferior a 10 anos. Esta análise vem corroborar o facto de que em Portugal o advento das
spin-offs universitárias ser um fenómeno recente.
Adicionalmente, estas empresas são essencialmente microempresas. De facto, a maioria
das empresas tem um número de trabalhadores inferior a 5, representando este grupo 48%
da amostra total. Em termos de acumulado verificamos que 72% das empresas tem um
número de trabalhadores inferior a 10, sendo por conseguinte consideradas microempresas.
As restantes empresas têm um número de trabalhadores que no máximo atingem os 30,
pelo que são consideradas pequenas empresas.
5-10 anos
13%
>10 anos
3%
[10; ...[
trabalhadores
28%
< 2 anos
27%
[1; 5[
trabalhadores
48%
[5; 10[
trabalhadores
24%
2-5 anos
57%
Figura 2: Idade e Dimensão das spin offs de origem académica
21
As spin-offs universitárias, são empresas como expectável, com um nível de capital
humano bastante elevado, embora pouco diversificado em termos qualitativos. Quase 80%
das empresas da amostra apresenta uma força de trabalho concentrada em torno de
indivíduos com formação tecnológica (Figura 3). A percentagem de trabalhadores com
formação em áreas de gestão é relativamente baixa – em média, uma spin off académica
tem 20.2% de trabalhadores com formação em áreas de gestão.
Gestão
20
Tecnológica
2
4
0%
11
10%
20%
[0%; 50%[
30%
40%
50%
[50%; 75%[
60%
70%
80%
[75%; 100%[
90%
100%
100%
Figura 3: Tipo de capital humano dos trabalhadores das spin offs de origem académica: formação em
gestão versus formação tecnológica
O valor das spin offs universitárias reside em grande parte na capacidade que têm em
investir
no
desenvolvimento
tecnológico,
em
particular
em
Investigação
e
Desenvolvimento (I&D) (Shane, 2004). Apesar de serem spin offs de base académica, as
empresas inquiridas apresentam uma intensidade em I&D (rácio I&D nas vendas)
relativamente baixa – 45% não tem ou não contabiliza despesas em I&D e cerca de 75%
das empresas (mais concretamente 23 empresas) têm um volume de I&D inferior a 20%
das vendas (cf. Figura 4). Estudos internacionais (Mustar, 1997; Blair e Hitchens, 1998)
mostraram que as spin-offs universitárias são muito mais intensivas em I&D do que uma
start up típica, com a intensidade em I&D a exceder os 20% das vendas na maioria dos
casos. Neste cômputo, portanto, o que podemos referir quanto ao potencial destas spin-offs
gerarem investimento no desenvolvimento tecnológico e assim o valor destas empresas na
22
geração de avanço tecnológicos na indústria, é que são bastante mais limitados do que os
aferidos em termos internacionais.
[75%;100%];
3; 10%
[50%;75%[; 2;
6%
[20%; 50%[; 3;
10%
[0%; 20%[; 23;
74%
Figura 4: Spin offs académicas por grupo de Intensidade em I&D (peso da I&D nas Vendas, em
percentagem)
Das 31 spin-offs em análise, um elevado número (20) não iniciou ainda seu processo de
internacionalização, seja via exportação, seja via criação de subsidiárias ou ambas. Não
obstante, as 11 empresas ‘internacionalizadas’ representam uma fracção muito superior
muito superior à média nacional que se cifrava, segundo dados da AEP referentes a 2006,
em 8.0%.3
Das 11 empresas que iniciaram o seu processo de internacionalização, este é
manifestamente um fenómeno muito recente, com a maioria destas empresas a iniciar o seu
processo de internacionalização nos últimos 3 anos (2007-2009) (cf. Figura 5). Este facto
pode ser interpretado tendo por base o fenómeno das spin-offs universitárias ser
relativamente recente e, portanto em certa medida, corroborar o modelo de Upsala (U-M)
segundo o qual as empresas encetariam o seu processo de internacionalização de uma
forma gradual, passado algum tempo após a sua criação.
3
Em 2006, existiam em Portugal cerca de 28 000 empresas exportadoras, num total de cerca de 350 000
(Fonte: Intervenção do presidente da AEP - Associação Empresarial de Portugal, José António de Barros, na
sessão plenária de abertura do dia da Internacionalização, integrado na 1ª Semana Europeia das PME09,
Porto, Edifício da Alfândega, 7 de Maio de 2009).
23
70,0
64,5
60,0
% total
50,0
40,0
30,0
20,0
10,0
3,2
3,2
2003
2005
9,7
9,7
9,7
2007
2008
2009
0,0
.
Não iniciaram
processo de
internacionalização
Iniciaram processo de internacionalização (35.5%)
Figura 5: Processo de internacionalização das spin offs académicas
No entanto, contrariando de alguma forma o modelo de Upsala, as empresas que iniciaram
o seu processo de internacionalização fizeram-no num espaço de tempo relativamente
curto: duas empresas (do total das 11 que apresentam processo de internacionalização)
iniciaram a exportação/criação de subsidiária simultaneamente à criação do negócio
(Figura 6).
2 anos; 3
3anos; 2
1 ano; 3
4 anos; 1
0 anos; 2
Figura 6: Número de spin offs por categoria de gap, em termos de número de anos, entre a criação do
negócio e o inicio do processo de internacionalização
A análise da variável “Rácio Exportações sobre as Vendas Totais (%)”, permite-nos
verificar que 55% das empresas apresenta um rácio inferior a 25%, sendo que 82% das
empresas apresenta um rácio inferior a 50%. Comparativamente com um estudo realizado
pela AIP (apresentado no “Seminário - Internacionalizar Portugal: um modelo de futuro”
de 23 Junho 2009) sobre um universo de 626 PMEs exportadoras de diversos sectores de
actividade, verifica-se que 51.4% das empresas desse estudo apresentam um rácio inferior
a 25%, com 63% das empresas a apresentarem um rácio inferior a 50%.
24
Em termos comparativos, as spin-offs analisadas no nosso estudo apresentam um rácio
semelhante para uma intensidade de internacionalização abaixo dos 25%, mas um rácio
bastante superior no nível de intensidade de 50%.
Este facto induz que a maioria das spin-offs do nosso estudo tem um baixo nível de
exportações comparativamente com as PMEs em geral, o que pode ser interpretado pelo
facto de serem empresas recentes e consequentemente terem um baixo envolvimento
internacional, confirmando o modelo de Upsala (U-M). No entanto, existem 2 empresas
criadas em 2003 e 2008 que apresentam um rácio de 100% e 85%, respectivamente; este
facto parece induzir que a nível das spin-offs universitárias existem também vários
modelos de internacionalização, nomeadamente do tipo Born Globals.
10 ou mais países
10%
100%
80%
[50%; 100%]
60%
[25%; 50%[
Entre 5 e 10
países
20%
40%
[0%; 25%[
20%
Menos de 5 países
70%
0%
X/Vendas
Clientes Internacionais/Clientes Totais
Figura 7: Peso das exportações (no volume de negócio da empresa), dos clientes internacionais (no total
dos clientes) e diversificação do comércio internacional por países de destino
A análise da variável “Nr. de Países de Exportação”, permite-nos verificar que 70% das
spin offs exporta para menos de 5 países. Tal evidencia que a maioria das spin offs em
análise tem exportações para um pequeno número de países, o pode ser explicado à luz do
modelo de Upsala (Johanson e Valhne, 1977), pelo facto de as empresas se
internacionalizam gradualmente, começando em mercados mais próximos e posteriormente
avançando para outros mercados. Os custos de transacção associados à internacionalização
(Williamson, 1975) poderão também justificar alguma racionalização na entrada em novos
mercados.
A análise da variável “Rácio Clientes Internacionais/Clientes Totais”, vem confirmar a
análise da variável anterior i.e., as spin offs apresentam um baixo índice de
internacionalização, dado que o grosso (88%) da empresas que internacionalizam têm
poucos clientes internacionais ou seja, apresentam um rácio clientes internacionais/clientes
totais abaixo de 50%.
25
Apenas 3 empresas referiram estar em processo de internacionalização via subsidiárias, o
que nos leva a fazer uma análise mais fina sobre este caso. Entre as 3 empresas, uma abriu
a sua primeira subsidiária em 2005 e as restantes só em 2009. Cada uma das empresas
apresenta apenas 1 subsidiária, sendo que apenas a empresa que abriu a subsidiária em
2005, a qual apresenta representa 40% do total de vendas da empresa. Esta empresa actua
na área da biotecnologia, tem um volume de vendas de €1.200.000 (sendo a que tem o
maior volume de vendas entre todas as empresas do estudo), investe 30% das vendas em
I&D, tem 22 funcionários (bastante acima da média das empresas do estudo) sendo que
90% têm formação de base tecnológica.
De acordo com as empresas inquiridas os factores mais relevantes no processo de
internacionalização são o ‘carácter inovador do produto ou serviço’, confirmando o estudo
da Mckinsey and Co. (1993) e de Rennie (1993), bem como a ‘rede de contactos
internacionais’, o que corrobora os trabalhos de Jolly et al. (1992) e Coviello e McAuley
(1999) Os recursos humanos apresentam aqui uma importância também bastante
assinalável, nomeadamente os colaboradores com formação tecnológica (cf. Figura 8).
Carácter inovador do produto ou serviço
Rede de contactos internacionais
Ter colaboradores com formação tecnológica
Ter colaboradores com formação de gestão
A importância de ser um spin off da Universidade
Possuir capital nacional externo
Rede de contactos da Universidade
O apoio que recebeu da Universidade
Possuir capital estrangeiro
Possuir capital da universidade
1,000
1,500
2,000
2,500
3,000
3,500
4,000
4,500
5,000
1- Pouco Importante ... 5 - Muito Importante
Figura 8: Factores potenciadores do processo de internacionalização das spin offs académicas
Pelo menos directamente, a Universidade não parece ter neste processo um papel muito
relevante, não obstante as empresas reconhecerem que ser uma spin off da universidade é
26
relativamente importante (3.6 em 5.0) enquanto factor potenciador do processo de
internacionalização. A ‘rede de contactos da universidade’ e sobretudo o ‘apoio que
recebeu da universidade’ e a ‘posse de capital da universidade’ são factores pouco
importantes neste âmbito. Parece assim, que a questão da imagem veiculada pelo facto de
serem spin-offs das universidades é muito mais relevante que uma intervenção/apoio mais
directo e concreto da universidade na dinâmica de internacionalização dos spin-offs
inquiridos.
3.3. Spin off académicas e o tipo/modelo de universidade: uma análise da
diferença de médias
De forma a analisar as diferenças entre as spin-offs que emergiram nas Universidades de
Aveiro e Minho versus os que emergiram na Universidade do Porto, ou seja,
respectivamente, um modelo conotado como mais entrepreneurial-driven versus um
modelo mais tradicional (ainda que com uma componente empresarial não negligenciável)
(Teixeira e Costa, 2006), recorremos ao teste não paramétrico de Kruskal-Wallis para
aferir da diferença de médias entre estes dois grupos. O p-value associado a este teste
indica se podemos rejeitar a hipótese nula (de igual média nas populações). Mais
especificamente, se o p-value não for superior a 10%, podemos rejeitar a hipótese nula de
médias idênticas e portanto concluir que existem diferenças entre o modelo mais
empresarial e o mais híbrido no que respeita às variáveis em análise (cf. Quadro 1).
A análise do Quadro 1 permite-nos constatar que as spin-offs associadas à Universidade do
Porto (UP) apresentam médias mais elevadas para todas as variáveis em análise, com
excepção dos anos em actividade (em que as spin offs da UP são mais novas, isto é, estão
no mercado há cerca de 2 anos e meio, ao passo que as restantes estão em actividade há
praticamente 4 anos). Aproximadamente metade das spin-offs da UP já iniciaram o
processo de internacionalização, enquanto na amostra das spin-offs da UA e UM se cifra
em 21.4% (portanto menos de metade da percentagem das spin offs da UP).
As spin offs da UP são de maior dimensão do que as da UA e UM (10 versus 6
trabalhadores), tendem a centrar-se em maior extensão do que estas últimas em actividades
associadas ao produto (64.7% versus 28.6%) e às tecnologias de informação (41.2% versus
21.4%). São ainda mais intensivas em I&D (21.9% versus 15.4%) e com uma mão-de-obra
mais qualificada em termos tecnológicos (o peso dos trabalhadores com formação
27
tecnológica ascende, no caso das spin-offs da UP a 83.4% contra os 67.4% das spin-offs da
UA e UM).
Quadro 1: Diferenças de características das spin off académicas entre modelos universitários
Processo de
Internacionaliza
ção
Dimensão
Experiência no
negócio
Actividade
Modelo
empresarial
Modelo
híbrido
(educação/emp
resarial)
Spin offs da
UA e UM
Spin offs da
UP
Todos os
spin offs
Chi2
p-value
0,214
0,471
0,355
2,132
0,144
6
10
8
2,739
0,098
3,8
2,5
3,0
1,876
0,171
Produto
0,286
0,647
0,484
3,884
0,049
Actividade relacionada com Tecnologias de Informação?
(Sim=1; Não=0)
0,214
0,412
0,323
1,326
0,250
Intensidade em I&D (I&D/Vendas)
0,154
0,219
0,190
0,251
0,617
Peso dos trabalhadores com formação tecnológica
0,674
0,838
0,761
1,282
0,258
A importância de ser uma spin off da Universidade (1 se
respondeu importante ou muito importante; 0 caso
contrário)
0,143
0,235
0,194
0,407
0,524
O apoio que recebeu da Universidade (1 se respondeu
importante ou muito importante; 0 caso contrário)
0,071
0,176
0,129
0,729
0,393
0,214
0,412
0,323
1,326
0,250
0,143
0,353
0,258
1,713
0,191
Rede de contactos internacionais (1 se respondeu
importante ou muito importante; 0 caso contrário)
0,214
0,353
0,290
0,693
0,405
Rede de contactos da Universidade (1 se respondeu
importante ou muito importante; 0 caso contrário)
0,143
0,235
0,194
0,407
0,524
Possuir capital da universidade (1 se respondeu
importante ou muito importante; 0 caso contrário)
0,000
0,118
0,065
1,704
0,192
Possuir capital estrangeiro (1 se respondeu importante ou
muito importante; 0 caso contrário)
0,000
0,118
0,065
1,704
0,192
Possuir capital nacional externo (1 se respondeu
importante ou muito importante; 0 caso contrário)
0,071
0,294
0,194
2,361
0,124
Carácter inovador do produto ou serviço (1 se respondeu
importante ou muito importante; 0 caso contrário)
0,214
0,471
0,355
2,132
0,144
Internacionalizou? (Sim=1; Não=0)
Nº trabalhadores
Anos em actividade
Competências
Percepção sobre
a importância
de diferentes
factores para o
processo de
internacionaliza
ção
Ter colaboradores com formação tecnológica (1 se
respondeu importante ou muito importante; 0 caso
contrário)
Ter colaboradores com formação de gestão (1 se
respondeu importante ou muito importante; 0 caso
contrário)
No que respeita à percepção da importância dos diversos factores no processo de
internacionalização, nomeadamente os factores associados à universidade, as spin-offs da
UP reconhecem em maior proporção a relevância da universidade, designadamente a
‘importância de ser uma spin off da universidade’ e a ‘rede de contactos da universidade’.
Cerca de 18% das spin-offs da UP reconhecem o apoio dado pela universidade contra
28
apenas 7% das spin-offs da UA e UM e 12% dizem que têm capital da universidade
enquanto no caso das spin-offs da UA e UM nenhuma possui capital da universidade.
Não obstante as diferenças assinaladas entre as spin-offs da UP e as da UA e UM, apenas
em 2 variáveis – dimensão e produto – tais diferenças são estatisticamente significativas
(de acordo com o teste não paramétrico de Kruskal Wallis).
Esta análise descritiva necessita de ser complementada com uma análise mais de
causalidade em que possamos inferir que determinantes estão subjacentes ao processo de
internacionalização das spin-offs de origem académica. Em concreto, temos por objectivo,
num contexto multivariável, entender que variáveis (dimensão, experiência no negócio,
actividade, competências de negócio e inovação) estão relacionadas com esse mesmo
processo de internacionalização. A próxima secção é destinada a responder a tal objectivo.
3.4. Spin-offs académicas, processo de internacionalização e o tipo/
modelo de universidade: uma análise multivariada
Segundo a literatura relevante (cf. Capítulo 1), a internacionalização de uma empresa é
explicada por um miríade de factores que incluem, factores associados às características
das empresas, nomeadamente dimensão, experiência no negócio, tipo de actividade e
competências (designadamente em termos de inovação), e factores de contexto (local de
origem). Relativamente a este último conjunto de factores é objectivo do presente estudo
perceber a influência do papel da universidade no processo de internacionalização.
Assim, propomo-nos aqui estudar quais destes factores acima referidos emergem como
estatisticamente relevantes na explicação de uma spin-off de origem académica ter já
iniciado o seu processo de internacionalização. A natureza binária dos dados observados
relativos à variável dependente [spin off académica iniciou o seu processo de
internacionalização? (1) Sim; (0) Não] restringe a escolha do modelo de estimação. Além
disso, os pressupostos necessários para testar a hipótese numa análise de regressão
convencional são necessariamente violados (por exemplo, não é viável assumir aqui que a
distribuição dos erros sejam normal). Os valores previstos numa análise de regressão
múltipla não podem ser interpretados como probabilidades porque não restringe o ao
intervalo entre 0 e 1. Por isso, as técnicas convencionais de estimação no contexto de uma
variável dependente discreta, não constituem uma opção válida. Com base nas restrições
mencionadas acima, a análise deste estudo será conduzida no contexto do enquadramento
geral dos modelos probabilísticos.
29
Prob (ocorre evento j) = Prob (Y=j) = F [efeitos relevantes: parâmetros].
em que
Y = 1 se a spin off académica já iniciou o seu processo de internacionalização
Y = 0, caso contrário
Sendo assim, para explicar, por exemplo, a relevância empírica das características das
empresas – dimensão, competências -, para o processo de internacionalização da spin off, é
necessário incluir um outro conjunto de factores relevantes que potencialmente explicam
esse mesmo processo, pelo que:
Pr ob(Y = 1) = F ( X , β ) e
Pr ob (Y = 0) = 1 − F ( X , β )
O vector X inclui um conjunto de factores, susceptíveis de influenciar a
emergência/processo de internacionalização da spin off académica. Este conjunto de
factores divide-se em três grandes grupos: um relacionado com as características
estruturais das empresas – dimensão e tipo de actividade e sector -, e um outro relacionado
com as competências das empresas – experiência negócio; intensidade em I&D; peso
trabalhadores com formação tecnológica – e um último grupo que respeita a Universidade
de origem da spin off [proxy para o modelo universitário – mais empreendedor (UA+UM)
versus mais híbrido (UP)].
O conjunto de parâmetros β reflecte o impacto das alterações de X na probabilidade da
spin off ter já iniciado o respectivo processo de internacionalização.
Para um dado vector de repressores X, será de esperar que a probabilidade permaneça entre
0 e 1. A abordagem adoptada está no âmbito dos modelos probabilísticos, ou seja,
lim Pr ob(Y = 1) = 1 e
β ′X →+∞
lim Pr ob(Y = 1) = 0
β ′X →−∞
Dado que o modelo de probabilidade é uma regressão:
E (Y \ X ) = 0[1 − F (β ′X )] + 1[F (β ′X )] = F ( β ′X )
Como qualquer modelo de regressão não linear, independentemente qual for a distribuição
usada, os parâmetros do modelo de probabilidade não são necessariamente os efeitos
marginais. Sendo assim,
∂E (Y \ X ) dF ( β ′X )
=
β = f ( β ′X ) β
∂X
d ( β ′X )
30
Sendo f (.) a função de densidade que corresponde à distribuição cumulativa, F(.).
Escolhendo para F a distribuição logística obtemos o modelo logit:
′
dΛ( β ′X )
eβ X
=
= Λ( β ′X )[1 − Λ( β ′X )]
′
d ( β ′X )
(1 + e β X ) 2
No modelo logit, a derivada da probabilidade em ordem a um elemento de X varia com X.
Uma maneira mais conveniente de rescrever a derivada é:
∂E [Y \ X ]
= Λ( β ′X )[1 − Λ( β ′X )]β
∂X
Segundo Johnston e Dinardo (2001), o modelo logit como forma funcional conveniente
para modelos com variáveis endógenas binárias. A formação do modelo assegura que as
probabilidades estimadas permanecem entre 0 e 1. A principal diferença entre a
distribuição normal e a distribuição logística é que esta última tem mais peso nas abas. De
acordo com Greene (1993), em alguns casos por conveniência matemática, existem razões
práticas para privilegiar uma ou outra, mas é difícil justificar a escolha de uma distribuição
sobre outra com base em razões teóricas. Portanto, na maioria dos casos de aplicações, não
parece fazer muita diferença na escolha de uma ou outra.
Para explicar da melhor forma o resultado, calcula-se os coeficientes que ajudam na
interpretação das estimativas do modelo. Por isso, no modelo regressão logística, os
parâmetros são estimados usando o método da máxima verosimilhança (MV). Ou seja,
dados os pressupostos assumidos face à distribuição dos erros, são seleccionados os
coeficientes para tornar os resultados mais fáceis de observar.
No caso concreto utilizamos a estimação da regressão logística geral com as seguintes
especificações:
P(iniciou processo int ernacionalização) =
1
;
1 + e− Z
with Z = β 0 + β1 ln dim ensão + β 2 Activ _ Pr oduto + β3 Activ _ Engenharia +
1444444444442444444444443
Características estruturais do spin offo
+ β 4 ln anosactividade + β5 IntensidadeID + β 6 prop _ trab _ tecnológi cos + β7Universidade + ε i
14444444444444244444444444443 1442443
competências do spin offo
Modelo Universidade
Optamos por proceder a um ajustamento da equação do modelo logística para o modelo
reescrito em termos dos odds do evento ocorrer, o que ajuda a interpretar de forma mais
clara e directa dos coeficientes da função logística.
31
Nesse caso, obtém-se o modelo logit de seguinte forma:
 Pr ob.Internacionalização 
 = β 0 + β1 ln dim ensão + β 2 Activ _ Pr oduto + β 3 Activ _ Engenharia +
log
1444444444442444444444443
 Pr ob.Não Internacionalização 
Características estruturais do spin offo
+ β 4 ln anosactividade + β 5 IntensidadeID + β 6 prop _ trab _ tecnológi cos + β7Universidade + ε i
14444444444444
4244444444444444
3 1442443
competências do spin offo
Modelo Universidade
Uma maneira de interpretar o coeficiente logístico seria a alteração no rácio de odds
associada a uma alteração unitária na variável independente:
β 0 + β1 ln dim ensão + β 2 Activ _ Pr oduto + β 3 Activ _ Engenharia +
144444444444
42444444444444
3
Caracterís ticas estruturais do spin offo
Pr ob.Internacio nalização
=e
Pr ob.Não Internacionalização
+ β 4 ln anosactivi dade + β 5 IntensidadeID + β 6 prop _ trab _ tecnológi cos + β 7Universida de + ε i
1444444444444442444444444444443 1442443
competências do spin offo
Modelo Universidade
Neste caso, o е elevado a βi é o factor pelo qual os odds se alteram quando a ith variável
independente aumenta em uma unidade. Quando βi é positivo, este factor será maior do que
1, o que significa o odds (‘propensão’) aumenta e o factor influencia de forma positiva a
internacionalização da spin-off; se βi é negativo, este factor será inferior a 1, o que significa
que os odds reduziram, então o factor influência de forma negativa a propensão à
internacionalização; quando βi é igual a 0, o factor será igual a 1, o que significa que os
odds mantêm inalterados, por isso, o factor não evidencia impacto sobre a propensão à
internacionalização.
Por exemplo se a estimativa de β7 é positiva e estatisticamente significativa, então ser uma
spin-off da Universidade do Porto (versus ser uma spin-off das Universidades de Aveiro
e/ou
Minho),
está
associado
a
uma
maior
propensão
à
internacionalização,
independentemente do tipo de actividade (produto versus serviço e Engenharias versus
Tecnologias de Informação ou Ciência da Saúde) e níveis de competência tecnológicos e
de negócio do spin off. Ou seja, o modelo universitário influencia a propensão/odds à
internacionalização.
Antes de apresentar o resultado da estimação do modelo é importante aferir o grau de
correlação entre as variáveis desse mesmo modelo para evitar problemas de
multicolinearidade. Conforme se constata no Quadro 2, com exclusão da variável
dimensão que aparece fortemente correlacionada com a experiência de negócio (anos em
actividade) e o tipo de universidade. As restantes variáveis independentes do modelo não
evidenciam coeficientes de correlação de Pearson preocupantes no que respeita a
constituírem potencial problema de multicolinearidade do modelo a estimar.
32
Assim, optamos por estimar dois modelos, um completo (Modelo I) que inclui todas as
variáveis e um outro (Modelo II) que exclui a variável dimensão, que se constata (cf.
Quadro 2) ser positiva e significativamente relacionada com a internacionalização. Ou seja,
em média, as spin-offs de maior dimensão, em termos de número de trabalhadores, tendem
a já ter iniciado o seu processo de internacionalização em maior extensão do que os de
pequena dimensão).
33
0,552
(7) Universidade de origem (1=UP;
0=UA e UM)
1,289
(4) Anos em actividade (ln)
0,787
0,586
(3) Engenharia (1=Engenharia;
0=Tecnologias de Informação;
Ciências da Vida; Outras)
(6) Peso dos trabalhadores com
formação avançada em tecnologias
0,483
(2) Produto (1= Produto;
0=Exclusivamente Serviços)
0,189
1,659
(1) Dimensão (ln)
(5) Intensidade em I&D
(I&D/Vendas)
0,379
Média
(0) Já iniciou Internacionalização
(1=Sim; 0=Não)
Variáveis
Nota: estatisticamente significante a ***(**)[*] 1%(5%)[10%].
Modelo universitário
Competências de
negócio e tecnológicas
da empresa
Características
estruturais da empresa
Grupo de variáveis
0,000
0,000
0,000
0,000
0,000
0,000
0,000
0,000
Min
1,000
1,000
0,900
2,485
1,000
1,000
3,401
1,000
Max
Quadro 2: Estatísticas descritivas e correlações entre as variáveis do modelo
34
0,506
0,301
0,275
0,500
0,501
0,509
0,958
0,494
Desvio
padrão
1,000
(0)
1,000
0,418**
(1)
1,000
0,134
0,098
(2)
1,000
0,111
-0,285
0,224
(3)
1,000
-0,334*
1,000
-0,110
0,043
0,354*
0,098
0,446**
-0,363*
-0,105
(5)
0,156
(4)
1,000
0,113
0,037
-0,008
0,069
0,079
0,250
(6)
1,000
0,189
0,181
-0,232
-0,194
0,316
0,349*
0,276
(7)
No Quadro 3 são apresentados os resultados da estimação relativa aos determinantes da
propensão à internacionalização.
Quadro 3: Explicando o log odds (propensão) à internacionalização das spin offs de origem académica
Modelo I
1,677**
(1) Dimensão (ln)
Características
estruturais da
empresa
Competências de
negócio e
tecnológicas da
empresa
Modelo
universitário
Qualidade de
ajustamento
Legenda:
***
Modelo II
(2) Produto (1= Produto; 0=Exclusivamente
Serviços)
(3) Engenharia (1=Engenharia; 0=Tecnologias de
Informação; Ciências da Vida; Outras)
0,133
1,134
2,835**
2,996**
2,807**
(4) Anos em actividade (ln)
(5) Intensidade em I&D (I&D/Vendas)
-2,514
-3,422
(6) Peso dos trabalhadores com formação avançada
em tecnologias
3,960
3,550
(7) Universidade de origem (1=UP; 0=UA e UM)
1,504
3,167**
Constante
-8,799
-10,714
N
29
29
Internacionalizaram
11
11
Ainda não internacionalizaram
18
18
82,8
82,8
8,702 (0,368)
5,711 (0,680)
% correctos
Teste Hosmer e Lameshow (p-value)
significativo a 1%;
**
*
significativo a 5%; significativo a 10%
Os dois modelos estimados representam a realidade bem (como se pode constatar nos
valores associados ao teste de Hosmer and Lameshow)4 e a percentagem de observações
estimadas correctamente (83% nos dois casos).
Quando incluímos a variável dimensão da empresa na estimação (Modelo I), os resultados
apontam que a propensão à internacionalização é explicada essencialmente pela dimensão
e actividade da empresa. Mais especificamente, tudo o resto constante, spin-offs
académicas com maior número de trabalhadores e que desenvolvem actividades de
engenharia (não incluindo as associadas às tecnologias de informação) tendem a ser mais
propensas à internacionalização. Neste modelo, as competências de negócio e de inovação
(designadamente, intensidade em I&D e peso dos trabalhadores com formação avançada
em áreas tecnológicas) e o tipo de universidade de origem falham em emergir como
4
O teste de Hosmer e Lameshow tem subjacente uma hipótese nula (H0) de que o modelo representa a
realidade bem. Donde, para obtermos um modelo estimado de razoável qualidade de ajustamento é
necessário que se aceite H0, ou seja, o p-value associado ao qui-quadrado terá que ser maior que 10% (limite
do nível de significância estatística usualmente considerado).
35
factores determinantes da propensão à internacionalização das spin-offs académicas.
Quando excluímos a variável dimensão (Modelo II), em virtude da forte correlação que
esta apresenta com as variáveis anos em actividade e tipo de universidade, constatamos
que, desta feita, o tipo de universidade - mais empresarial, como as universidades de
Aveiro e Minho, ou de um modelo mais híbrido, combinando uma forte vertente de
formação/educação com uma razoável ligação ao mundo empresarial, como é o caso da
Universidade do Porto (UP) -, emerge como estatisticamente relevante para explicação da
propensão à internacionalização das spin-offs académicas. Em concreto, o Modelo II indica
que, independentemente das competências de negócio e de inovação das spin-offs e do tipo
de actividade que exercem, as spin offs que emergiram na Universidade do Porto tendem,
em média, a ser mais propensas à internacionalização. Da análise descritiva efectuada atrás
(ver Quadro 1), havíamos já concluído que as spin offs da UP atribuíam um maior nível de
importância ao apoio prestado pela universidade do que as suas homólogas das
universidades de Aveiro e Minho. Contudo, o número reduzido de observações aconselhanos algumas cautelas em derivar daqui resultados mais gerais. Não obstante estar para além
do âmbito necessariamente limitado da presente dissertação, seria interessante e pertinente
investigar que tipo de apoios e mecanismos se estabelecem na UP que eventualmente
potencie a maior propensão à internacionalização das suas spin-offs.
36
Conclusões
A literatura analisada sobre spin-offs de origem universitária tende a incidir essencialmente
sobre o processo de formação dessas mesmas spin-offs, nomeadamente sobre os factores
que estão na sua origem e nas condições que propiciam o seu surgimento. Em outra
vertente, na literatura sobre a internacionalização de empresas ‘jovens’ podemos encontrar
a identificação
de
modelos
que estiveram
subjacentes
ao
seu processo
de
internacionalização, factores que originam e potenciam esse processo, sectores de
actividade mais propensos à internacionalização, entre outros. No entanto, não se
encontrou estudos que se debruçassem sobre as origens dessas empresas e, em particular,
sobre se essas empresas teriam tido origem em spin-offs académicas.
A constatação supra referida motivou-nos a avançar com o presente estudo para preencher
este lacuna na literatura, potenciado pelo facto das políticas nacionais e internacionais
considerarem como prioridade a internacionalização das empresas e a transferência
tecnológica dos programas de I&D das universidades para o mercado. As próprias
universidades começam a tomar consciência da importância desta transferência
tecnológica, devido ao impacto que esta pode ter na respectiva sustentação financeira e nas
economias regionais e nacionais onde se inserem.
Com o intuito de realizar o objectivo proposto, o presente estudo avaliou a propensão para
a internacionalização das spin-offs geradas em contexto universitário, averiguando mais
especificamente se o contexto universitário (i.e. “empresarial” vs “mix académicoempresarial”), onde essas spin-offs foram geradas, potenciam o seu processo de
internacionalização.
Para o efeito identificamos universidades com distintos modelos; optando-se por
seleccionar a universidade do Porto como representativa dum modelo híbrido ‘académicoempresarial’ e as universidades de Aveiro e Minho como representativas de modelos ditos
“empresariais/empreendedores”.
À partida, e de acordo com a literatura da área, esperaríamos que as spin-offs universitárias
apresentassem uma elevada propensão para a internacionalização, por serem detentores de
serviços/produtos de alta tecnologia gerados no âmbito de programas de I&D, os quais,
segundo Saarenketo et al. (2004), geram vantagens competitivas a nível global. Seria
também de esperar que as spin-offs geradas em universidades com modelos mais
37
“empresariais” pudessem apresentar uma maior propensão para a internacionalização dado
o enfoque dessas universidades em promover o empreendedorismo (O’ Shea, 2007).
Relativamente ao primeiro aspecto (maior propensão à internacionalização das spin offs
académicos), a evidência recolhida parece corroborar a literatura. Das 31 empresas que
analisadas, 35.5% afirmaram ter iniciado o seu processo de internacionalização, um valor
muito superior à média nacional (8.0%). Assim, as empresas que possuem elevada
incorporação tecnológica nos seus serviços/produtos, como parece ser o caso das spin offs
académicas, tendem a ser mais propensas à internacionalização reflectindo a sua
predisposição/necessidade para competir no mercado global. Consequentemente, podemos
afirmar que as spin-offs geradas em contexto universitário possuem uma elevada
propensão para a internacionalização.5
Relativamente ao segundo aspecto, embora a literatura refira que as universidades mais
empreendedoras tendem a gerar mais spin-offs, a evidência recolhida no nosso estudo não
parece corroborar completamente esta linha de pensamento. Em concreto, verificamos que
as spin-offs da universidade do Porto, que constitui um modelo híbrido (educaçãoempresarial), apresentam uma taxa de internacionalização superior às suas congéneres das
universidades do Minho e de Aveiro, universidades estas nitidamente mais apostadas num
modelo empreendedor. Este facto leva-nos, por um lado, a afirmar que o contexto de
origem, neste caso o tipo de universidade, é relevante para o processo de
internacionalização das spin-offs. Por outro lado, um modelo exclusivamente
entrepreneurial-led parece gerar spin offs menos propensas à internacionalização do
que modelos mais híbridos, como é o caso do modelo da UP. É importante destacar aqui,
que embora a universidade do Porto seja conotada a um modelo mais “académico” do que
as universidade do Minho e de Aveiro, existem associados a aquela um maior número de
entidades de transferência tecnológica com elevada reputação em termos de ligação ao
mundo empresarial (e.g., INESC Porto, INEGI) do que no conjunto das universidades de
Aveiro e Minho. Dada a importância destas entidades em potenciar o processo de
transferência tecnológica através de spin-offs (Siegel et al., 2007), tal poderá explicar, pelo
5
Note-se que parte das empresas que falharam em responder ao nosso inquérito teve como um grande motivo
(que depreendemos por os diversos emails que recebemos) o facto de não terem ainda iniciado o seu processo
de internacionalização e portanto acharam que não seria relevante responderem ao inquérito. Tal, no entanto,
tem como efeito a este nível a redução da propensão à internacionalização da amostra. Assim, a taxa de
internacionalização obtida pode ser considerada como um valor conservador. A ‘real’ será provavelmente
superior e, portanto, muito superior à média nacional.
38
menos em parte, o maior número (e maior sustentabilidade competitiva, e portanto
internacionalização) das spin-offs associados á UP.
O número relativamente reduzido de observações (não obstante a razoável taxa de
respostas obtida) aconselha-nos algumas cautelas em generalizar os resultados do nosso
estudo resultados para um âmbito mais alargado do que a nossa amostra. Sendo um estudo
de cariz iminentemente quantitativo não permite explicar cabalmente porque é que as spin
offs geradas na UP têm uma maior propensão para a internacionalização. A resposta a esta
questão exigiria o recurso a metodologias mais qualitativas, nomeadamente análise das
universidades em causa. Tal, no entanto, constituiria uma interessante e promissora pista
para investigação futura. Uma outra pista interessante de investigação futura seria a
avaliação da importância das organizações criadas para constituir uma interface entre o
mundo académico e o mundo empresarial, como são o caso de organizações como o
INESC Porto (Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto) ou o INEGI
(Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial), enquanto organismos
potenciadores de spin offs académicas e do processo de internacionalização dessas mesmas
spin-offs.
Em face da evidência recolhida pelo presente estudo, em termos de implicações de política,
podemos com razoável confiança apontar que a disponibilização de apoios no sentido de
sustentar e promover a emergência de spin offs de origem académica constituiria uma
importante e eficaz medida de aumento do grau de internacionalização do tecido
empresarial português, quer por via da exportação ou da criação de subsidiárias.
39
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43
Anexos
44
Anexo I: Lista das empresas spin offs de origem académica
Spin-offs
9 idiots
Activespacetech
Artscan
Aveiservis
biodevices
bridging knowledge
clustermedialabs
co2eficiente
cogninvest
Dreamlab
Foodmetric
Gestica
isegeo
iuz
Universidade Aveiro
iworks
(#29)
Lusitânia planeamento
Medialink
Metatheke
Micro i/o
Moai
Navegante (Sapo)
Netplus
peakplants
Pedamb
portalogica
Primarius
selfenergy
ubiwhere
Zoltrix
Universidade do
Acutus
Minho (#32)
AMBISYS, SA
ArborValue - Valorização do Património Vegetal, Lda.
Biotempo - Consultoria em Biotecnologia, Lda.
ByZymo – Investigação e Desenvolvimento em Leveduras
CPC - Castro, Pinto & Costa, Lda. - Qualidade e Inovação
DNAMiMics
EDIT VALUE – Consultoria Empresarial, Lda.
EDS – Engenharia, Desenvolvimento e Suporte, Lda.
ESI – Engenharia, Soluções e Inovação, Lda.
EXVA – Experts in Video Analysis
GlyConStruct
KEEP SOLUTIONS, Lda.
Laboratório MeIntegra
Micropolis - Produção e Desenvolvimento de Polímeros em Pó, SA
NaturalConcepts
PANGEO
PMInnovation - Evaluation and Project Management Consulting
PUR MEDIDA
SAR – Soluções de Automação e Robótica, Lda.
Simbiente- Engenharia e Gestão Ambiental, Lda.
SINERGEO
SOMATICA M&S - Materials & Solutions
45
Universidade do
Porto (#42)
spectralBlue - Pervasive Technologies, Lda.
Spinvalor
TECNOWAVE
Ubisign
ULTRAVISIOGRAPH
Vinalia
WeAdapt
WIDECOLOUR – Colours Services and Systems
X-treme materials
4VDO-Sistemas e Serviços Multimédia, SA
Adclick
Auditmark
AUDOLICI - Sistemas Electrónicos de Audio, Lda
Basetec
BERD-Projecto, Investigação e Engenharia de pontes
Biognosis
Bioskin, Molecular and Cell Therapies, Lda
BLB
BlueMater
Bullet Solutions - Sistemas Informação, SA
Declarativa
Delira.net
Ecoinside - soluções em Ecoeficiência, Lda
EWEN
FiberSensing-Sistemas Avançados de Monitorização
Fluidinova, Engenharia de Fluidos, SA
FoodinTech
Gema
IDEIA.M
iPortalmais, Serviços de Internet e Redes, Lda
I-sensis-Investigação e desenvolvimento em Engenharia Quimica, Lda
Medmat Innovation - Materiais Médicos, Lda
MOG Solutions, SA
Neoscopio-Open Source Solutions
Newmensus
Netflow
NextToYou - Network Solutions, Lda
Nonius Software
OCeanScan
OMNITA
OPT-Optimização e Planeamento de Transportes SA
Ownersmark Polight Sociedade Unipessoal Lda
PlanetaVivo
Pratical Way Services
Process.net - Sistemas de Informação, Lda.
SmartWatt - Eficiência Energética e Microgeração, S.A.
SRE-Soluções Racionais de energia, SA
Sysadvance-Sistemas de Engenharia, Lda
Tomorrow Options- Microelectronics, S.A.
TRENMO, Engenharia Lda
Xarevision
46
Anexo II: Lista das empresas spin offs respondentes
Universidade
Spin-off
Artescan - digitalização tridimensional, lda
Biodevices - sistemas de engenharia biomédica, s.a.
Aveiro
(#6; 19.4%)
Dreamlab - desenvolvimento e consultoria em multimédia, lda
Idtour - unique solutions, lda
iWorks - Soluções de engenharia, lda
Micro I/O serviços de electrónica, lda
Ambisys
Edit Value - Consultoria Empresarial lda
ESI - Engenharia, Soluções e Inovação lda
Minho
(#8; 25.8%)
Exva - Experta in vidro analyses
Pur Medida
Sinergeo - Soluções Aplicada em Geologia, Hidrogeologia e Ambiente lda
Tecnowave unipessoal lda
Ubisign, Tecnologias de informação
Auditmark lda
Biosckin SA e medmat innoration (2 empresas)
BLB - Bilobite Engenharia Lda
Ecoinside - Soluções em ecoeficencia e sustentabilidade, lda
Fluidinova, Engenharia Fluidos, S.A.
IDEIA.M, Lda
Media, Objects and Gadgets, soluções de software e hardware, SA
Neoscopio, Open source Solutions S.A.
Porto
(#17; 54.8%)
NewMensus, lda
NoniusSoft, Software e Consultoria para Telecomunicações, S.A.
OMNITA - Sistemas Autónomos para Monitorização
Ownersmark Polight
Practical Way Software Portugal SA
ProcessNet, Sistemas de Informação
SiliconGate lda
Tomorrow Options - Microelectronics S.A.
Xarevision
47
Anexo III: Inquérito
Processo de Internacionalização de spin-offs universitários
Este inquérito é confidencial e será apenas usado para efeitos de investigação no contexto da Faculdade de Economia da
Universidade do Porto (FEP-UP). Agradecemos que tente responder a todas as perguntas. Por favor responda com X às questões de
escolha múltipla.
A. Descrição da Empresa
Designação: _______________________________________________________
Ano de início de actividade: _________
Tipo de Actividade:
Produtos: Serviços: Sector de Actividade
Ciências da Vida: Tecnologias de Informação: Engenharia: Outra (por favor especifique) __________________________________
Composição do capital social da empresa em % do capital social total
Universidade:______
Empresas nacionais:______
Estrangeiros: _______
Outros (por favor, especifique): ___________________________ - ______Reportando ao final de 2008
Volume de vendas (milhares €): ______________
% de I&D no total de vendas: _________
Nr. trabalhadores: _______
% de trabalhadores com formação em áreas tecnológicas:______
% de trabalhadores com formação em gestão:_______
B. Processo de internacionalização
Se a vossa empresa já iniciou o processo de internacionalização a nível de exportações e/ou criação de subsidiárias em outros
países, por favor continue a preencher o questionário caso contrário o inquérito termina aqui, agradecendo a sua valiosa
colaboração.
B.1 Via exportação
B.2 Via subsidiárias
1.
Ano de início das exportações: _______
1.
Ano de criação da 1ª subsidiária: _______
2.
% das exportações no volume de vendas: _______
2.
3.
Nº de países de exportação: _______
Peso (%) do volume de vendas das subsidiárias no
volume de vendas total da empresa: _______
4.
% de clientes internacionais no total: _______
3.
Nº de subsidiárias: _______
4.
% de clientes internacionais no total: _______
Numa escala de 1 (Nada Importante) a 5 (Muitíssimo Importante), indique o grau de importância (sempre que aplicável) das
questões seguintes no processo de internacionalização da sua empresa.
1 2 3 4 5
1.
A importância de ser um spin-off da Universidade…………………………………………………
2.
O apoio que recebeu da Universidade……………………… ……………………………………………
3.
Ter colaboradores com formação tecnológica………………………………………………………
4.
Ter colaboradores com formação de gestão…………………………………………………………
5.
Rede de contactos internacionais…………………………………………… ……………………………
6.
Rede de contactos da Universidade………………………………………………………………………
7.
Possuir capital da universidade………………………………………………………………………………
8.
Possuir capital estrangeiro……………………………………………………………………………………
9.
Possuir capital nacional externo……………………………………………………………………………
10. Carácter inovador do produto ou serviço………………………………………………………………
Outros (por favor, especificar)
11. ___________________________________________…………………………………………………………… 12. ___________________________________________…………………………………………………………… Muito obrigada pela valiosa colaboração
Por favor, preencher e enviar, até 15 de Abril 2009, por fax (225505050) ao cuidado de Aurora Teixeira, ou por email [email protected]
48
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Faculdade de Economia da Universidade do Porto