Aula 1 O que é e como se desenvolveu o DESIGN. Prof. Ms. Alexandre A. Giorgio [email protected] Design Podemos dizer com alguma tranquilidade que Leonardo di Ser Piero da Vinci (1452 - 1519), pode ser considerado como o primeiro designer com seus estudos científicos de anatomia, ótica e mecânica. Seus conhecimentos de engenharia e projeto podem defini-lo também como precursor do conhecimento de máquinas, mas foram seus desenhos e técnicas criativas que o tornam apto candidato ao "cargo" de precursor do design. Figura - Busto de Leonardo da Vinci em amboise França. Cortesia de mco4684 em sxc.hu. Vitruvius, engenheiro e construtor romano (cerca de 80 - 10 AC), porém, foi responsável por uma série de escritos que estão entre os mais antigos documentos da história do design. São 10 livros sobre a arte da construção que estão entre os primeiros registros sobre arquitetura. Marcos Vitrúvio Polião (em latim, Marcus Vitruvius Pollio) Homem vitruviano de da Vinci. A ideia de proporção aplicada ao Homem Vitruvius foi o autor de uma das frases mais famosas do design: "Toda construção deve obedecer a três categorias: a solidez (firmitas), a utilidade (utilitas) e a beleza (venustas)" (BÜRDEK, 2006, p. 17). Com esta frase, Vitruvius lançou "... as bases para um conceito do funcionalismo, que somente no século 20 foi retomado para o mundo e que determinou o moderno no design" (op. cit.). Giorgio Vasari (1511 - 1574), pintor, arquiteto e autor de textos sobre arte, ao descrever o princípio de uma obra de arte, usou o termo disegno (lê-se "disenho") como esboço ou desenho. Segundo o Bürdek: "Disegno" significa em todos os tempos a idéia (SIC) artística e por isso havia na época a diferença entre "disegno interno", o conceito para uma obra de arte (o esboço, o projeto, ou o plano) e o "disegno externo", a obra de arte completa (desenho, quadro, plástica) (BÜRDEK, 2006, p. 13). Ainda segundo o autor, "Vasari elevou o desenho, o 'disegno', a pai de três artes: pintura, plástica e a arquitetura" (op. cit.). Portanto, a origem mais remota do termo design vem do latim, língua de Vasari. A palavra DESIGN Design "A origem mais remota do termos design vem do latim designare, verbo que abrange ambos os sentidos, o de designar e o de desenhar. Percebe-se que, do ponto de vista etimológico, o termo já contém nas suas origens uma abigüidade (SIC), uma tensão dinâmica, entre o aspecto abstrato de conceber/ projetar/ atribuir e outro concreto de registrar/configurar/formar" (CARDOSO, 2008, p. 21). Desenho Industrial O termo desenho industrial foi adotado no Brasil desde a década de 1950, quando o primeiro curso superior de design foi aqui foi implantado, pois naquela época era proibido o uso de termos estrangeiros para a designação de cursos em universidades nacionais. O termo que descreve o profissional formado em desenho industrial é desenhista industrial, contudo, vem caindo no desuso e o termo designer vem tomando seu lugar. Atualmente a legislação do MEC entende e reconhece o termo design. Industrialização e o design A necessidade de produção em massa direcionou os esforços nacionais em todo o mundo. O aumento da procura por produtos veio acompanhando o crescente aumento da população no mundo inteiro, mas foi nos séculos 17 e 18 que todos os países europeus investem na produção através das manufaturas reais, ou da coroa. Segundo Cardoso "... principalmente artigos considerados de luxo, como louças, têxteis e móveis" (CARDOSO, 2008, p. 28). Industrialização e o design Foi na frança de Luiz XIV, o rei sol, a quem atribuem a famosa frase "L'État c'est moi" (o Estado sou eu), que o sistema mais completo de manufaturas reais foi iniciado. Jean Baptiste Colbert, superintendente de construções do rei, funda em 1667 a fábrica de Gobelins; segundo Cardoso A idéia (SIC) de Colbert era criar um pólo (SIC) que centralizasse toda espécie de oficinas fabricando artigos para mobiliar os edifícios reais, a fim de racionalizar essa produção e fortalecer a hegemonia francesa na área (CARDOSO, 2008, p. 29). Industrialização e o design Nesta época, na França, já existia uma separação plena entre projeto e execução. O pintor Charles Le Brun (1619 1690) foi nomeado diretor da fábrica de Gobelins por Colbert e Segundo Cardoso: Entre suas tarefas, Le Brun exercia o papel de inventeur, ou criador das formas a serem fabricadas. Ele concebia o projeto (l'idée) para um objeto e gerava um desenho, o qual servia de base para as produções das peças em diversos materiais pelos mestres artesãos em suas oficinas (op. cit.). As primeiras iniciativas privadas de industrialização também começaram na Europa no século 18, notadamente em Lion (França) e na Catalunha (Itália), onde se desenvolveu uma importante indústria têxtil, chegando a contar com mais de 3000 pequenas fábricas (op. cit.). Industrialização e o design A partir da ideia de separar projeto e produção para a produção em série, a profissão do designer toma grande força, pois em vez de contratar muitos artesãos habilitados, bastava um bom designer para gerar o projeto, um bom gerente para supervisionar a produção e um grande número de operários sem qualificação nenhuma para executar as etapas, de preferência como meros operários de máquinas (op. cit., 34). Industrialização e o design A época do início da industrialização têxtil foi uma das mais proveitosas da história para os designers. O processo de mecanização durou mais do que os industriais esperavam e os custos eram altos. O alto valor monetário do projeto ia se tornando cada vez mais evidente. Industrialização e o design Um padrão de tecido bem sucedido, ou seja, com boa aceitação pelo público, significava grande lucratividade para a indústria com baixos custos de mão de obra, porém, com a facilidade de reprodução mecânica começou a aparecer um problema que a indústria enfrenta até os dias de hoje: a pirataria. o projeto, ou padrão do tecido, devia ser exclusivo e leis para a proteção dos direitos autorais começaram a aparecer na Grã Bretanha entre 1830 e 1860. Industrialização e o design Um dos fatos historicamente mais importantes que ligam o design à indústria foi a técnica que os irmãos Thonet desenvolveram entre 1830 e 1840, para curvar varas de madeira usando vapor e pressão. Para facilitar ainda mais a produção em série, os objetos (cadeiras mesas etc.) eram aparafusados, o que tornava simples e barato todo o processo Figura - Michel Thonet. Imagem Michael Thonet.jpg, cortesia de wikimedia Commons em http://pt.wikipedia.org/ wiki/Ficheiro:Michael_Th onet.jpg. Figura 6 - Cadeira Brentwood. Imagem: Thonet Bugholzstuhl.jpg, cortesia de wikimedia Commons em http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a2/T honet_Bugholzstuhl.jpg. Industrialização e o design Arts and Crafts O movimento Arts and Crafts (ARTES E OFÍCIOS) surgiu como reação à Revolução industrial, defendendo o design e o oficio da tipografia contra a produção em massa da Era Vitoriana. A principal figura do movimento arts and crafts britânico. William Morris (1834 -1896). era pintor, designer, impressor, editor, escritor, tipógrafo e criador de fontes Em 1861 fundou a Morris. Marshall Faulkner & Co. que mais tarde se chamaria Morris & Co. A empresa projetava e manufaturava tapeçarias, papel de parede e interiores completos. Era especialmente conhecida petos vitrais, cujos exemplos podem ser vistos em igrejas de toda a Grã-Bretanha. The Kelmscott Chaucer, William Morris, 1896 Arts and Crafts Industrialização e o design Morris produziu cerca de 150 composições, que geralmente se caracterizam por intricados padrões foliculares Seu inventivo uso de estampas, inspirado na arte e arquitetura góticas, era parte integrai dos trabalhos impressos pela Kelmscott Press, que publicava edições limitadas de Iivros de luxo. Morris Utilizava .marcas gráficas para indicar parágrafos e outras indicações de pontuação. Arts and Crafts Industrialização e o design A natureza do Gótico (The Nature of Gothic) por John Ruskin, impresso por Kelmscott Press. primeira página de texto, com ornamentações. Design de William Morris. Arts and Crafts Industrialização e o design Art Nouveau Já no final do século 19, outros movimentos do design, também ligados à industrialização, apareceram pela Europa como o Art Nouveau na França, o Modern Style na Inglaterra, o Jungendstil na Alemanha e o Sezessionstil na Áustria. Segundo Bürdek: "Em seu conjunto, era um sentido de vida artístico que acentuadamente deveria se refletir nos produtos da vida moderna" (BÜRDEK, 2006, p. 26). Figura - Theatro da Paz, Belém, Brasil. Exemplo do estilo Art Nouveau. Imagem cortesia de renataseg em morguefile.com. Industrialização e o design Art Nouveau Inspirado peto movimento arts and crafts. o art nouveau surgiu na Europa, no final dos anos 1860, e tornou-se um estilo de design universal. Abrangendo arquitetura, interiores, design de produtos e grafismo, o art nouveau rejeitou o historicismo e buscou inspiração nas formas naturais para criar desenhos foliáceos orgânicos e motivos curvilíneos. Alguns dos artistas e desenhistas de fontes mais originais surgirem durante a belle êpoque, como Alphonse Mucha, Georges Auriol e Emile Callé. Suas tipologias incluíam vinhetas e ornamentos usados para embelezar a página. O art nouveau utilizava um estilo figurativo simplificado de ilustração que incluía figuras afetadas, motivos florais, traços sinuosos e linhas hiperbólicas c parabólicas desenhadas com contornos caracteristicamente pesados. Industrialização e o design Art Nouveau O art nouveau utilizava um estilo figurativo simplificado de ilustração que incluía figuras afetadas, motivos florais, traços sinuosos e linhas hiperbólicas e parabólicas desenhadas com contornos caracteristicamente pesados. Industrialização e o design Art Nouveau Industrialização e o design Art Nouveau Nascido em Glasgow e formado na Glasgow School of Art, Charles Rennie Mackintosh rejeitou os estilos vitorianos, excessivamente decorados, em favor de uma simplicidade despojada com formas geométricas e superfícies sem adornos Entre 1899 e 1910. projetou várias casas perto de Glasgow nesse estilo, porém é reconhecido princípalnente por seus desenhos para a Glasgow School of Art. com austeras estruturas retangulares, curvas longas e simples e fachadas sem ornamentos. Industrialização e o design Art Nouveau Mackintosh foi também importante designer do interiores, e, entre 1897 e 1917, criou o padrão de decoração da cadeia de casas de chá Cranston, de Glesgow. Seus móveis, geralmente decorados com estampas de flores estilizadas delicadamente coloridas c ocasionais inserções de vidro de ametista, combinam linhas retas atenuadas com curvas sutis. Industrialização e o design A Bauhaus. Henry van de Velde fundou em 1902, na cidade de Weimar na Alemanha, um seminário de artes aplicadas que mais tarde, em 1906, transformou-se em uma escola de artes plásticas sob a direção de Walter Gropius chamada Staatliche Bauhaus Weimar, ou Casa de Construção Estatal de Weimar, que foi um dos grandes marcos da história do design no mundo. Figura - Sede da Bauhaus em Dessau. Imagem cortesia de macsony em sxc.hu. A história do design não termina, obviamente, com a Bauhaus, e nem é esta a intenção deste capítulo, mas o caminho percorrido até ela nos serviu para entendermos melhor a relação entre o estabelecimento da profissão de designer e a industrialização e permite seguir adiante com o propósito principal deste capítulo que é a produção e criação. Vamos em frente. Bibliografia BAER, L. Produção Gráfica. 5a Edição. ed. São Paulo: SENAC, 2004. BÜRDEK, B. E. História, teoria e prática do design de produtos. São Paulo: Edgard Blücher, 2006. CAMARGO, M. Gráfica: arte e indústria no Brasil. 2a Edição. ed. São Pailo: EDUSC, 2003. CARDOSO, R. O design brasileiro antes do design: aspectos da hist´[oria gráfica, 1870-1960. São Paulo: Cosac Naify, 2005. CARDOSO, R. Uma introdução à história do design. São Paulo: Blücher, 2008. COLLARO, A. C. Projeto gráfico: teoria e prática da diagramação. 3a Edição. ed. São Paulo: Summus, 1996. FONSECA, S. V. A tradição do moderno: uma reaproximação com valores fundamentais do design gráfico a partir de Jan Tschichold e Emil Ruder- Tese de doutorado. Rio de Janeiro: PUC, 2007. FUENTES, R. A prática do design gráfico: uma metodologia criativa. São Paulo: Rosari, 2006. Bibliografia FUENTES, R. A prática do design gráfico: uma metodologia criativa. São Paulo: Rosari, 2006. HOLLIS, R. Design gráfico: uma história concisa. São PAulo: Martins Fontes, 2000. IBM. Rational MEthod Composer. IBM Software. Disponivel em: <http://www142.ibm.com/software/products/br/pt/rmc/>. Acesso em: 10 janeiro 2013. MELO, C. H. D. Os desafios do designer & outros textos sobre design gráfico. São Paulo: Rosari, 2003. MUNARI, B. Design e comunicação visual. São Paulo: Martins Fontes, 1997. PÉON, M. L. Sistemas de identidade visual. 4a Edição. ed. Rio de Janeiro: 2AB, 2009. PEREZ, C. Signos da marca: expressividade e sensorialidade. São Paulo: Thomson Learning, 2004. PIGNATARI, D. Informação, linguagem, comunicação. São Paulo: Ateliê Editorial, 2002. RODRIGUES, A. B. Relações entre a composição gráfica e a tecnologia em anúncios publicitários. Dissertação de mestrado apresentada ao Instituto de Artes da UNICAMP. Campinas: [s.n.], 2009. SANTAELLA, L. Semiótrica aplicada. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004.