Força de Atrito: um Experimento Didático com Recursos de Mídias Lucas Pereira de Mendonça1 Resumo Este trabalho trata de um experimento didático para subsidiar o desenvolvimento de competências e habilidades propostas pelo PCN+ na área de ciências da natureza e suas tecnologias. O tema tratado foi força de atrito e o experimento teve duração de duas horasaula. Ao final do experimento os alunos tiveram que realizar um relatório orientado com algumas questões que permeavam deste a pesquisa e escrita sobre a teoria de força de atrito e suas consequências na vida cotidiana, a confecção de tabelas e gráficos e a realização de cálculos e análises interpretativas dos resultados. Para este experimento foi utilizado câmeras digitais ou celulares que possuíam filmadoras, algo muito comum entre os alunos. Palavras chave: Competências. Experimento Didático. Aspectos Lúdicos. 1. Introdução Apesar de ter transcorrido treze anos da apresentação dos parâmetros curriculares nacionais, cujo intento foi normatizar e mudar a prática pedagógica, temos, ainda, um grande abismo entre a normatização e a prática de ensino. O ensino de física no Ensino Médio passa por este mesmo problema como qualquer outra disciplina. (BRASIL, 1997) Este abismo é causado pela mudança cujos parâmetros colocaram, pois o ponto fulcral ficou na questão do “para que” se ensinar física, ou seja, tínhamos a questão anteriormente proposta como uma física “no que ensinar da física”, qual conteúdo ensinar – mecânica, eletromagnetismo, termologia, etc. 1 Mestrando em Ensino de Física pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Exatas (PPGECE) – UFScar. Email: [email protected] Com esta inversão a física passa a não mais ser um conteúdo fechado em si, mas ter necessidade de ser integrada com outras áreas do conhecimento humano como a biologia, a química, a matemática e as próprias ciências humanas. Este “para que” se remete ao significado que a física terá na vida do alunado, ou seja, ser muito mais do que simples aplicações de fórmulas, pois se o ensino médio tornou-se necessário para a formação de um cidadão, mais que a simples preparação para o ensino universitário, que interage com o meio na qual vive, fazê-lo compreender o significado de sua conta de luz, a interpretação de manuais de aparelhos elétricos, os significados de cada variável existente nos valores nominais dos equipamentos eletroeletrônicos, a questão de potência e energia elétrica, assuntos ambientais envolvidas em sua geração, torna-se mais importante do que a descrição detalhada de um movimento cujas equações só servem para um tipo de movimento que o alunado nunca mais irá ver. Levando a física a um significado vazio. O desenvolvimento da autonomia de pensamento, do espírito crítico, da compreensão do processo científico-tecnológico da humanidade incluindo a formação ética do alunado são pilastras fundadoras da nova forma de se ensinar ciências. (BRASIL, 1996) Todavia, esta nova forma de ensinar é tão complexa quanto foi a composição destes parâmetros, pois articular toda a estrutura de conhecimento que se havia para uma nova proposição em um tempo muito curto foi tarefa árdua, pois as mudanças foram muitas e as discussões poucas, porque os conteúdos fragmentados das ciências naturais são caminhos para o desenvolvimento de uma série de competências supracitadas, onde cada competência se desmembra em vários feixes de habilidades. (MENEZES, 2000) Entretanto, nas escolas onde há ensino médio temos duas fases que estão começando a se acoplar. Uma relacionada a este novo ensino médio, voltado para a formação de cidadão cujo desenvolvimento de competências é alvo de grandes discussões em reuniões de planejamento. A outra vertente ainda é a questão do produto final, ou seja, taxa de alunos com bom desempenho em avaliações externas: SARESP, ENEM e vestibulares. Com estas duas linhas que inicialmente possuíam frequência com fases opostas, tenta-se sempre um acoplamento de modo a se conseguir a melhor eficiência possível. Assim, sob este bojo de acontecimentos, o tema escolhido para o desenvolvimento deste trabalho foi às leis de Newton, mais especificamente a questão da força de atrito. Para tanto, desenvolveu-se uma sequência didática com algumas aulas teóricas onde se discutiu sobre a força de atrito atuando em movimentos lineares apenas, ou seja, dificultando movimento de arraste de uma mesa ou mesmo atuando como possibilitador de alguns 2 movimentos como caminhar, as rodas dos carros girarem no asfalto sem haver escorregamento, como em casos de chuva, lama e óleo na pista de rodagem. (LUZ e ÁLVARES, 2005) Após este momento foi trabalhado um experimento didático cuja abordagem foi mostrar ao alunado como se utiliza a teoria para se calcular os coeficientes de atritos estáticos e cinéticos entre uma superfície e um objeto que está sendo arrastado (SÉRÉ, COELHO e NUNES, 2003), e como podemos explicar alguns fatos, por exemplo, a questão trazida nos livros didáticos que a força de atrito cinética é uma constante e o que observamos quando levantamos os dados é que ela oscila em torno de uma média. (MOSSMANN, CATELLI, et al., 2002) Mossmann, Catelli, et at (2002) desenvolveram um trabalho com aquisição de dados automáticos para a força de atrito. Utilizando um sensor de força ligado a um sistema computacional puderam levantar a força de atrito entre várias superfícies e objetos. Nesta aquisição a fração de tempo é muito pequena entre uma tomada de dado e outra, ficando nítida que a força de atrito possui um pico máximo e depois esta mesma força oscila em torno de um ponto de equilíbrio. Os autores deixam claro que a força de atrito estático é uma média dos valores oscilantes. Tendo em vista este experimento e a utilização de máquinas fotográficas digitais que possuem, também, a função de filmadora (SISMANOGLU, GERMANO, et al., 2009), este trabalho retratara como foi o experimento para se observar e se calcular o coeficiente de atrito entre dois corpos para alunos do primeiro aluno do ensino médio. A escola onde se aplicou este trabalho pertence a uma rede particular e será denominada de escola alvo e a série envolvida foi à primeira série do ensino médio. Esta classe possui um número reduzido de alunos, vinte alunos, alguns já pertenciam a escola e outros vieram de outras instituições escolares. Apesar de ser uma classe pequena ela é um tanto heterogenia, possuindo uma parcela de alunos interessadas e disposta a trabalhar e outra cuja motivação tem que ser constante. Entretanto, apensar deste aspecto é uma sala cujo rendimento está ascendendo, pois a filosofia da rede é tentar encontrar um equilíbrio entre as novas concepções de ensino proposta por Brasil (1997) e as questões das avaliações externas. 3 2. A teoria da força de atrito Os fenômenos envolvendo atrito foi alvo de questionamento e observações desde tempos remotos da humanidade onde o atrito entre madeira seca era utilizado para se produzir fogo. As primeiras civilizações tinham um conhecimento vasto sobre este problema, pois para poderem construir as primeiras grandes construções os materiais, como as grandes pedras que compõem as pirâmides do Egito tinham que ser transportadas de um local a outro sendo arrastadas por escravos e para evitar o rápido desgaste dos escravos a tentativa era se diminuir este atrito por meio de gordura animal e água. (SILVEIRA et al., 2005). Leonardo da Vinci (1452-1519) percebeu que o atrito entre duas superfícies dependia da compressão que dois corpos faziam um sobre o outro e não dependia da área de contato entre eles. Entretanto, Da Vinci não tornou este fato público. Em 1699, G. Amontons tomando conhecimento dos experimentos de Leonardo Da Vinci observou estes dois fatos com relação ao atrito e ainda acrescentou um terceiro, o atrito é independente da velocidade dos corpos quando entre os corpos não há excesso de humanidade ou nenhum outro lubrificante. (MOSSMANN, CATELLI, et al., 2002) Leonhard Euler (1707-1783), baseando-se, novamente, nos experimentos de Da Vinci obteve uma solução analítica para o atrito cujos fatores eram a rugosidade tanto da superfície quanto do objeto em contato com ela. Tais experimentos foram os de plano inclinado, onde Euler imaginava que os entrocamentos entre as superfícies impediam o bloco de deslizar, vendo que a força de atrito dependia da força gravitacional. α θ FIGURA 1: os entroncamentos vistos microscopicamente, proposição de Euler . Euler desenvolveu um modelo geométrico para compreender o problema dos entroncamentos entre os dois corpos, concluindo que a inclinação (θ) entre o plano inclinado e a horizontal deveria ser maior que o ângulo de entroncamento (α) para haver deslizamento. Assim, notou que quando o corpo estava na iminência de deslizar sobre o bloco o coeficiente de atrito é equivalente a tangente da inclinação entre o plano inclinado e a horizontal. Sendo ele o primeiro a definir o coeficiente de atrito estático (µe) e coeficiente de atrito cinético (µc) e mostrar que este último coeficiente independe da velocidade com que o 4 corpo desce o plano inclinado e que o coeficiente de atrito estático é, em geral, maior que o coeficiente de atrito cinético. Assim, foi Euler que propôs pela primeira vez um modelo microscópico para definir o atrito entre superfícies e mostrar que a força de atrito é diretamente proporcional ao módulo da força normal entre um corpo e a superfície de contato, segundo a Eq. (1) abaixo: Eq. (1) Um contemporâneo de Euler, Charles Augustin Coulomb (1736-1806), relacionou o coeficiente de atrito estático com o tempo. A Eq. (2) mostra esta relação: Eq. (2) onde C1, C2 e C3 eram coeficientes do material, t o tempo e s possuía o valor empírico de 0,2. Ele publicou seus resultados na obra “Essai sur La theorie Du frottiment” onde publicou quatro leis sobre o atrito, conhecidas como as quatro leis de atrito de Coulomb: I. A forca de atrito estática é proporcional à reação da superfície do plano para com a superfície do objeto; II. A forca de atrito independe da velocidade, a forca de atrito cinética é muito menor do que a forca de atrito estática para longos períodos de repouso; III. A forca de atrito cinética entre duas superfícies metálicas lubrificadas é proporcional a reação entre ambas, onde o coeficiente de atrito estático é igual ao coeficiente de atrito cinético; IV. No deslizamento de metais sobre a madeira, o atrito estático irá aparecer com o passar do tempo (4 ou mais dias). No deslizamento de metais com metais, o atrito estático é imediato, já no deslizamento de madeira com madeira o atrito estático ocorre após um ou dois minutos, para deslizamento de madeira com madeira e metais com metais, o atrito cinético em ambos não é imediato, mas no caso de deslizamento de madeira com metal, o atrito cinético ocorre naturalmente. (SILVEIRA, et al., 2005) Apesar destes modelos terem sido desenvolvidos na mesma época, o modelo de Coulomb não fez tanto sucesso, e não foi tão aceito quanto o de Euler, pois este era mais simples para descrever o fenômeno. Nos anos de 1950, Bowden e Tabor desenvolveram um modelo que explica a adesão entre as superfícies de contato entre dois materiais, onde a razão entre a força de atrito e a área 5 de contato é dita como coeficiente de reforço transverso. Assim, segundo este modelo a energia dissipada durante o atrito em escala microscópica é transferida para a deformação elástica da região áspera de contato, onde se assumiu que o atrito é de origem eletromagnética (JÚNIOR, TEDESCO e QUEIROZ, 2005) Outra possibilidade de tratamento matemático para o atrito é o calculo tensorial. (HART, 1972) Os livros de física do ensino médio e mesmo muito universitários utilizam a expressão de Euler (JÚNIOR, TEDESCO e QUEIROZ, 2005) para definir o atrito. Entretanto, neste modelamento trata-se somente observando os módulos dos vetores, Eq. (1). Neste tratamento, temos o atrito como um tensor de segunda ordem, cuja definição segue abaixo: Sendo dois vetores: Eq. (3) Eq. (4) Sendo um tensor definido por: Sendo Então: Onde Então, se e a ortogonalidade entre as unidades dos vetores são utilizadas. , e não precisam ser colineares se for simplesmente um escalar. O coeficiente de atrito é visto como tensor, pois módulo da força de atrito como sendo o produto entre o coeficiente de atrito e o módulo da força normal, não define a ortogonalidade entre estas duas forças. Logo, o coeficiente de atrito é um tensor de segunda ordem. A Figura 2 representa um caso de um plano inclinado com relação à horizontal de um ângulo θ e um bloco na iminência do escorregamento devido à ação da força gravitacional apenas, levando se em consideração o tensor de segunda ordem coeficiente de atrito. 6 FIGURA 2: plano inclinado e a orientação adotada para a realização do modelamento da força de atrito segundo um vetor. (HART, 1972) As forças são definidas segundo a coordenada adotada: Eq.(5) Eq. (6) O coeficiente de atrito é dado por: Eq. (7) Considerando que não existem forças de atrito perpendiculares ao movimento, teremos µyx e µyy iguais a zero. Também, µxx é comumente definido como coeficiente de atrito. O modelamento matemático deste problema é dado por: Eq. (8) O total de forças dissipativas é dada por: Eq. (9) Onde o termo pode ser interpretado como a força de resistência do ar. Temos assim, uma definição mais moderna e que explica como a força de atrito é ortogonal a força normal, pois a o coeficiente de atrito é um tensor de segunda ordem cujo coeficiente é dado em . Com relação ao Ensino Fundamental e Médio, Cunha e Caldas (2000) realizaram um trabalho onde avaliaram sete livros didáticos para analisarem a questão de erros e confusões conceituais sobre o fenômeno de atrito e sobre a força de atrito. Suas análises podem ser divididas em duas grandes categorias. A primeira foram os livros que faziam total confusão com relação a força de atrito e o fenômeno propriamente dito. Na segundo categoria, além de haver esta mesma comparação tinha o fator de alguns erros com relação a exemplos e atuação da força de atrito, por exemplo, alguns livros didáticos, por eles analisados, trazia a questão da força de atrito sempre se opor ao movimento. Eles derrubam tal argumentação lembrando-se 7 da questão da força de atrito no momento em que caminhamos, pois é esta força que nos empurra para frente segundo a terceira de lei de Newton. Assim, a definição para força de atrito segundo os autores pode ser sugerida como: (...) o fenômeno do atrito é modelado (ou representado) por uma força tangencial às superfícies em contato (na verdade é uma resultante da forças tangenciais) que se exerce em cada uma destas superfícies, obedecendo a 3ª Lei de Newton. (CUNHA e CALDAS, 2000) Dois livros observados para o ensino médio, a questão do atrito, Figura 2, em geral se inicia de modo semelhante, uma força que se opõe ao movimento horizontal de translação. (SAMPAIO e CALÇADA, 2005; LUZ e ÁLVARES, 2005) Talvez, a maior ressalva que se deva fazer a este tipo de modelo é o de levar o aluno ao erro e se entender que o atrito só age contra o movimento, pois quando se trata como o descrito abaixo, onde uma força tenta fazer um corpo se mover ao longo de uma superfície horizontal, o fenômeno de atrito é modelado como sendo algo que dificulta este movimento. (CUNHA e CALDAS, 2000) Figura 3: Representação das forças somente horizontais agindo sobre um objeto. é a força de um agente externo para tentar se realizar o movimento – algums literaturas trazem o no nome força motriz – é a força de atrito do solo sobre o bloco.2 Com relação às forças de adesão e de coesão Sampaio e Calçada (2005) trazem uma definição interessante onde as forças de adesão ocorrem entre materiais diferentes e as de coesão ocorrem entre superfícies compostas de um mesmo material. Esta definição já é a mais moderna para força de atrito, onde se leva a questão de forças eletromagnéticas, mas este fato não é comentado pelos autores. 2 Esta figura se encontra no site Mundo Educação, onde há uma breve descrição teórica das Forças de Atrito. (EDUCAÇÃO, 2005-2010) 8 Para uma ilustração e para modelarmos a questão da força de atrito e introduzirmos as definições de coeficientes de atrito foi utilizada a Figura 4, onde há a representação da força de atrito pela força motriz aplicada em um objeto. Figura 4: Representação da força de atrito em função da força motriz aplicada em um objeto. Notase que a força de atrito possui a mesma intensidade da força aplicada até se iniciar o movimento (força de atrito estático). Na iminência do movimento temos a força de atrito estática máxima. Entrando em movimento temos a força de atrito cinética que se torna constante. Atualmente o fenômeno de atrito tornou-se um ramo da ciência conhecida como tribologia, iniciada na década de sessenta do século passado. Esta palavra originada do grego (tribo cujo significado é atritar, esfregar, friccionar e logia significando estudo) possui um vasto campo de pesquisa que vão deste desgastes de peças em máquinas, motores por exemplo, passando para grandes metalurgias e siderurgias aos problemas de desgastes ósseos e de implantes em humanos. O estudo deste fenômeno no corpo humano é conhecido como biotribologia.3 Esta nova técnica veio responder uma questão interessante, o porquê carros de formula 1 necessitam ter pneus tão largos, pois segundo estudado por Euler e Coulomb e mesmo Da Vinci o atrito é independe da área de contato. A independência da área de contato só é vista para materiais sólidos e não formados por polímeros, pois materiais formados por polímeros, como pneus de carro de fórmula 1, o atrito diminui com a força aplicada sobre ele. Assim, tem-se a necessidade de se ter pneus largos, pois se ampliando a área de contato aumenta-se a aderência com o solo, no caso o asfalto ou concreto que são feitas as pistas de fórmula 14. Além do atrito em meio sólidos, outro estudo para o atrito é em meio viscoso. O ar, por exemplo. Este tema é muito pouco tratado no ensino médio, mas vela pena discutir estes tópicos. 3 WIKIPÉDIA, Tribologia. Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Tribologia>. Acesso em 28 jun 2010. ENGINEERING-ABC.COM, Tribology-ABC: Formule one race. Disponível em: < http://www.tribologyabc.com/sub6.htm> Acesso em: 28 jun 2010. 4 9 Um caso simples é o paraquedista. Ao saltar de um avião sua velocidade vai aumentando, até o momento em que abre o paraquedas e sua velocidade torna-se constante e menor do que estava anteriormente. O modelamento para este fenômeno segue abaixo e consideraremos uma esfera caindo em meio viscoso. A Figura 5 traz um esquema geométrico da representação das forças e iremos calcular a velocidade limite de queda desta esfera. FIGURA 5: paraquedista descendo em queda na atmosfera. X representa o eixo da coordenada a adotada, mg é a força peso e F r é a força de atrito com o ar. No movimento temos: Eq. (10) Sendo , onde ρ é a densidade do fluido, A é a área de contato , onde com o objeto em movimento no fluido e δ um coeficiente que depende da forma do material. (SANTANA, 2010) Notemos que a dependência da força de atrito em meio viscoso é com relação à área de contato e à densidade do material e à forma do objeto. Assim, quanto maior a área de contato do objeto no fluido e maior a densidade deste fluido maior será à força de atrito. A densidade do ar apesar de variar com a altura, pois tem uma dependência com a temperatura é utilizado ρ = 1,29 kg/m3. O coeficiente da dependência do formato do objeto possui alguns valore na Tabela 1. Realizando o cálculo dimensional, notamos que este coeficiente é adimensional. Forma do objeto Disco circular Esfera Avião Valor aproximado de δ 1,2 0,4 0,06 TABELA 1: Valores do coeficiente da dependência do formato do objeto, o valor médio desta tabela para os valores é 0,55. 10 A velocidade limite ocorre quando a força resultante se anula, logo a aceleração resultante também será nula e teremos: Eq. (11) A Figura 6 apresenta um gráfico para a velocidade limite (vl) de um objeto em queda na atmosfera (6a) e para um paraquedista (6b). a b FIGURA 6: a figura a representa um objeto em queda livre na atmosfera e sua velocidade limite. A figura b é a de um paraquedista. Observamos que o objeto em queda livre possui uma velocidade limite, ou seja, depois de certo tempo em queda a velocidade torna-se constante. Com o paraquedista ocorre o mesmo. Todavia, a velocidade limite é dada pelo paraquedas aberto e é menor do que estava sem ele aberto, como é observado na Figura 6b. Isto ocorre, pois se aumentando a área de contato, aumenta-se o valor da constante K. Com isso temos uma velocidade limite menor do que o sem paraquedas aberto, Eq. (11). A equação do movimento para esta queda é dada segundo a integração da Eq. (10). Realizando a mudança de variável, vl = z.v0, temos: Eq. (12) Desfazendo-se do termo da mudança de variável e explicitando-se v em função de (t – t0), temos a Eq. (5) onde temos a velocidade de queda em função do tempo de queda. 11 Eq. (13) Quando temos um fluido mais viscos do que o ar, utilizamos a formulação de Osborne Reynolds5 (1842-1912), um físico e engenheiro hidráulico irlandês. A Eq. (6) fornece este modelamento (SANTANA, 2010): Eq. (14) Onde Cp é denominado coeficiente de arraste, ρf é a densidade do meio e A é a área transversal de contato com o meio viscoso. Este coeficiente de arraste é uma função do número de Reynolds (Re), que definirá se o comportamento do fluído viscoso é laminar ou turbulento. A Eq. (15) apresenta este número: Eq. (15) Onde l é o comprimento do objeto medido através de sua secção transversal e η é o coeficiente de viscosidade do meio. O coeficiente de arraste (Cp) para um amplo espectro de número de Reynolds pode ser dado pela Eq. (8): Eq. (16) Quando o Re<1, o primeiro termo se sobressai sobre o primeiro e levando-se em consideração uma esfera de raio R, cujo comprimento com relação a secção transversal é 2R e sua área de secção transversal é πR2, temos a Eq. (17): Eq. (17) Nota-se que esta força de arraste é diretamente proporcional a velocidade e não a velocidade ao quadrado, pois está se tratando do caso de uma esfera e cujo número de Reynolds é muito pequeno. Esta formulação acima é conhecida como Fórmula de Stokes. Para o número de Reynolds muito grande, 1000 < Re < 2000, a força de arraste passa ser proporcional a velocidade ao quadrado e o coeficiente de arraste, cujo valor fica na ordem de 0,4 a Eq. (9) é reformulado e temos a Eq. (18) Eq. (18) 5 WIKIPÉDIA, Coeficiente de Reynolds. Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Número_de_Reynolds>. Acesso em 28 jun 2010. 12 4. Competências e Habilidades a serem desenvolvidas nos alunos e a questão das avaliações externas Competências e habilidades é a nova configuração do Ensino de Ciências da natureza e suas tecnologias. O PCN+ (BRASIL, 1997) traz a relação das disciplinas física, química, biologia e matemática pertencentes a um único grupo e como elas se relacionam segundo suas competências mais gerais: investigação e compreensão. Elas estão no eixo de representação e comunicação levando as linguagens e códigos utilizados pela ciência para representar o mundo. A Figura 4, extraída de Brasil (1997), fornece estas relações. Figura 7: Representação da configuração das competências mais gerais do grupo de ciências da natureza e matemática e suas relações com a representação por meio de linguagens e códigos. (BRASIL, 1997) Observando, ainda, Brasil (1998), a competência mais específica onde se encontra o tópico referente a força de atrito e como foram preparadas as aulas tanto teóricas quanto experimental para os alunos estão de acordo com: Na área de Ciências da Natureza e Matemática: Ler, articular e interpretar símbolos e códigos em diferentes linguagens e representações: sentenças, equações, esquemas, diagramas, tabelas, gráficos e representações geométricas. Em Física:6 Ler e interpretar corretamente tabelas, gráficos, esquemas e diagramas apresentados em textos. Por exemplo, interpretar um gráfico de crescimento, ou da variação de temperaturas ambientes; compreender o esquema de uma montagem elétrica; ler um medidor de água ou de energia elétrica; interpretar um mapa meteorológico ou uma fotografia de radiação infravermelha, a partir da leitura de suas legendas. 6 Destaques em negrito meus. 13 Interpretar símbolos e códigos entra na questão de saber representar a força de atrito através de seu modelamento matemático por meio de tabelas e diagramas de forças e gráficos. O experimento nesta escola alvo foi para abarcar esta competência mais especifica em física de se conseguir interpretar gráficos de crescimento entre duas variáveis e qual o seu significado neste caso para força de atrito. Também, para se realizar os cálculos dos coeficientes de atrito estático e cinético e levantar hipóteses do por que a força de atrito cinética possui flutuações e não realmente constante como é apresentada nos livros didáticos. As aulas sobre este tópico foram realizadas em quatro horas-aula, sendo duas teóricas com a discussão da força de atrito, apresentação de sua atuação e seu modelamento e a resoluções de problemas de lápis e papel. Este procedimento inicial começou com perguntas aos alunos sobre o quê eles compreendiam sobre atrito. Fomentou-se, com as respostas, uma discussão no grande grupo e uma apresentação de slides ocorreu após este primeiro momento. A aula experimental correu em duas horas-aulas subsequentes, onde os alunos filmaram um dinamômetro acoplado a um corpo maciço sobre uma superfície áspera e móvel feita de lixa para madeira a qual era puxada por outro aluno. Este aparato experimental será descrito detalhadamente nas próximas seções. 5. As dificuldades de um experimento didático Montar experimentos didáticos que não sejam apenas demonstrativos onde o alunado possa coletar dados, levantar tabelas e gráficos realizar cálculos e discutir sobre a teoria tratada é algo muito trabalhoso e muitas vezes envolvem mais tempo que o previsto para a atividade. A escola alvo não possui um espaço para laboratório, logo todos os experimentos são realizados na própria sala de aula. As configurações das carteiras são alteradas e agrupadas para se montar as bancadas necessárias. Esta escola possui alguns materiais para laboratório, mas muitos materiais são fornecidos pelo próprio professor ou são comprados em comum acordo com os alunos quando os materiais não são dispendiosos. Para o tema de força de atrito a ideia do experimento surgiu por meio de vários artigos já citados. 14 Kleer et al. (1997) realizaram um trabalho para a determinação do coeficiente de atrito estático entre os pneus de um automóvel e a pista de rodagem por meio das marcas deixada de um automóvel em uma pista em um rodovia no Rio Grande do Sul. Estes autores construíram um pequeno aparato experimental com pedaços de pneu e com o auxilio de um dinamômetro medem a força peso do aparato. Em sequência, colocam o aparato na horizontal ainda conectado ao dinamômetro e o puxam. Observando quando o objeto entra em movimento determinaram o coeficiente de atrito estático máximo entre o pneu e o asfalto da rodovia. Realizaram novamente o experimento para calcularem o coeficiente de atrito cinético e levantaram, através do teorema da energia cinética, uma relação entre a velocidade com que o veículo iniciou a frenagem, à distância percorrida arrastando o pneu, supondo que o mesmo tenha parado ao final do trajeto, e o coeficiente de atrito cinético. Outra fonte de inspiração foi o artigo de Sèrè, Coelho et al. (2003) onde é apresentado um experimento didático para o tópico de óptica geométrica cujas diferentes abordagens envolvendo a Lei de Snell-Descartes são realizadas. Assim, com um mesmo experimento eles sugerem explorar quatro facetas diferentes: 1) Verificação da lei de Snell-Descartes, onde é informada a relação simples entre os senos dos ângulos incidente e refratado e o índice de refração do ar e o alunado realiza o cálculo do índice de refração do material e comprova experimentalmente; 2) comparação de modelos. Neste momento o aluno compara modelos de comportamento, ou seja, até onde o modelo utilizado consegue descrever a realidade física. Isso é muito comum com a Lei de Ohm, por exemplo, onde o resistor é constante depois de estabilizada sua temperatura; 3) Comparação de métodos experimentais. Neste momento o alunado mediria o ângulo de refração e em seguida mediria o ângulo de reflexão total para a determinação do índice de refração do material; 4) Conceber um experimento. Agora o aluno poderia propor um experimento segundo um problema colocado pelo professor, por exemplo, medir o índice de refração da água. Em cada um destes quatro enfoques os alunos desenvolveriam habilidades dentro de competências muitas vezes iguais. Indo deste a simples comprovação de uma teoria até a criatividade para se montar um aparato experimental próprio. Nota-se que nos quatro aspectos propostos temos sempre a confecção de tabelas, com a possibilidade de formação de gráficos e realização de cálculos. A importância de se ressaltar estes fatos está na consequência de trabalhar a linguagem da ciência com os alunos, pois além de se trabalhar o conteúdo há a necessidade de alfabetizálos na linguagem científica. 15 Entretanto, ainda havia um problema, como levantar dados de força de atrito? A ideia inicial era montar um gráfico como o representado na Figura 3 da seção 3. O problema maior é a rápida variação da força de atrito, pois ela acompanha a força motriz, logo fazer isso sem um aparato eletrônico torna-se complicado. Então, eis a luz! Mossmann et al. (2002) realizam uma tomada de dados para a força de atrito por meio automático. Eles conectam um dinamômetro em um bloco que está sobre uma superfície que é puxada por um motor. A aquisição de dados é feita por meio da força dada pelo dinamômetro, neste caso possui a mesma intensidade da força de atrito, ao longo do tempo no qual o motor puxa o plano horizontal. É utilizada uma série de planos horizontais constituídos de materiais diferentes, assim como vários blocos com materiais diferentes. Uma série de dados é apresentada na Figura 5. São os resultados de um plano feito de madeira e um bloco de borracha, neste caso o bloco possuía massa de 1,218 kg. Figura 8: Distribuição dos dados da força de atrito em função do tempo. Resultados de Mossmann et al. (2002) Nota-se pela Figura 5 a flutuação da força de atrito cinético entre 1,5s e 3,5s tornandose quase estável após 3,5s. Ela é assintótica em torno de uma média dos valores de atrito estático não realmente constante como apresenta os livros didáticos. Esta foi uma questão a ser tratada pelos alunos. Mas tínhamos outro problema, se observamos atentamente o gráfico entre 0,7s e 1,5s temos nove pontos de força de atrito, ou seja, divisões de 0,1s. Impossível de se fazer manualmente, pois se o nosso tempo de reação é aproximadamente 0,5s (tempo medido com alunos em sala). A saída para este problema veio com Sismanoglu et al. (2009), onde eles utilizaram uma filmadora digital para realizar um experimento de estudo de movimentos. Foi trabalho dois momentos. No primeiro, uma corrente com gomos de densidade homogenia e presos 16 eram soltos em um sensor para se observar que a aceleração da corrente era a mesma da gravidade local. No segundo, o sensor é colocado na vertical e a corrente fica em formato de uma catenária de pouca abertura. Este experimento é mais complexo que o primeiro, pois agora a corrente apresenta uma aceleração superior ao da gravidade. O filme gerado foi colocado em um conversor de vídeo que era possível arrastar quadro a quadro da filmagem e se levantar a posição da corrente, pois o tamanho da corrente esticada foi medido. Logo, ao soltá-la realiza-se a filmagem de sua posição ao longo do tempo. Um fato interessante é o caráter lúdico que se torna o experimento, pois utilizar filmadoras digitais atrai o alunado, mesmo por que atualmente muitos alunos possuem câmeras digitais. Quando eles montam um experimento e a utilizam eles se dedicam na montagem e tomadas de dados. Com os problemas resolvidos, montou-se um aparato experimental com um dinamômetro preso por uma extremidade em uma base fixa e na outra em um objeto massivo sobreposto a uma folha de lixa com um fio de náilon onde era puxado por um aluno. 6. Descrição do experimento didático O aparato experimental foi constituído de um dinamômetro, uma haste fixa, um objeto feito de metal, uma fita de lixa número 100. A Figura 9 abaixo é um esquema do aparato. A i B v iii iv ii FIGURA 9: A figura A é um visão do experimento como um todo, temos: i) o suporte no caso feito com uma caneta; ii) a lixa; iii) a peça de metal; iv) o dinamômetro; v) o fio de náilon para puxar a lixa. Na figura B há uma visão mais próxima do aparato experimental. A Figura 6 é um exemplo de como foi o aparato experimental na sala de aula, pois o professor não registrou com fotos ou filmes o momento do experimento por ter se esquecido 17 devido à correria e a utilização de sua câmera por um dos grupos cujo celular não fazia uma boa filmagem. Nota-se que a fita de lixa possui em fio de náilon. Ela é puxada enquanto o dinamômetro preso na haste fixa por uma extremidade e na outra no objeto de metal indica a força de intensidade igual à força de atrito. Sendo a fita de lixa pequena, utilizamos uma câmera digital para realizar as filmagens, pois o tempo no qual a fita era puxada é muito pequeno. A Figura 10 é um exemplo da filmagem. A C B Figura 10: Filmagem realizada por alunos. As letras são: A) mesa; B) dinamômetro e C) lixa sendo puxada. A seta em amarelo aponta para a indicação do dinamômetro no momento da foto. Os vídeos foram analisados no quicktime® e as tabelas e os gráficos levantados no Excel®. Este executor de vídeo tem vantagem de se analisar cada frame da filmagem. Como a filmadora produz 25 quadros por segundo, temos um frame a cada 0,04s. Isso possibilitou vários pontos em um curto intervalo de tempo. Cada filme variou em torno de dois a três segundos. 7. Aplicação do Experimento, Resultados dos Alunos e Algumas Análises. O experimento não teve um roteiro definido passo-a-passo indicando cada procedimento aos alunos. Uma semana antes foi requisitado aos alunos apenas que levassem para a aula de física, que seria uma aula dupla, ou seja, de cem minutos, uma câmera digital ou celular que pudesse filmar. Foi montado para eles cinco bancadas antes da aula começar. Logo, foram cinco grupos entre três a cinco alunos que realizaram o experimento. Totalizando vinte alunos. 18 Em cada bancada tinha um suporte para colocar o dinamômetro na horizontal. Uma fita de lixa 100 e um disco de metal. O dinamômetro foi acoplado no disco. Um fio de náilon foi colocado na fita. Enquanto um aluno segurava o suporte, outro filmava as marcações no dinamômetro enquanto a lixa era puxada pelo fio de náilon por um terceiro aluno. A lixa, ao deslizar sob o disco, fazia-o se mover alterando a indicação no dinamômetro, indicando assim a intensidade da força de atrito. Com a filmagem foi possível se levantar o gráfico da força de atrito para se observar o comportamento do atrito estático e dinâmico. Quando um grupo terminava a filmagem, o vídeo era baixado da câmera para o laptop do professor que fazia um CD com os vídeos para os alunos. Este vídeo foi analisado no quicktime®, por se conseguir trabalhar quadro a quadro da filmagem. Para cada intervalo entre 5 a 10 quadros observava-se a força marcada pelo dinamômetro. Os gráficos foram analisados pelos alunos cujos cálculos dos coeficientes de atrito estático máximo e dinâmico foram realizados. Os gráficos apresentados pelos grupos, juntamente com os cálculos serão apresentados em tabelas subsequentes. Um relatório dirigido com seis questões foi entregue para cada grupo. As questões eram: 1) A força de atrito foi tema estudado tanto teoricamente quanto experimentalmente em nossas últimas aulas de física. Faça uma pequena descrição do que é a força de atrito e como ela está envolvida em nossas vidas. Utilize a equação da força de atrito e explicite os tipos de força de atrito estudados. Se necessário consulte sites, livros didáticos e outros materiais que falem sobre este assunto; 2) Com relação às aulas experimentais sobre este tema, faça um pequeno desenho representando as forças envolvidas no experimento. Descreva as forças na forma de índice; 3) Faça um pequeno desenho esquemático do aparato utilizado no experimento, ou seja, faça um esboço do experimento. Descreva as principais partes em forma de índice; 4) Neste espaço, coloque o gráfico que você obteve no experimento e calcule com a força normal da massa utilizada os coeficientes de atrito estático e dinâmico entre a massa e a lixa que foi utilizada como superfície rugosa; 5) Observando o gráfico, podemos dizer que o atrito estático é constante ou sofre variações no decorrer do movimento? Qual a explicação para estes fatos? 6) Coloque neste espaço todas suas fontes para pesquisa: livros, sites da internet, etc. 19 A Tabela 02 fornece as repostas dadas por cada grupo a primeira questão. Grupos Respostas a questão 01 G1 G2 G3 20 G4 G5 Foi necessário refazer. Tabela 2: Respostas dos alunos para a primeira questão Nota-se que cada grupo fez a sua interpretação da força de atrito. Apenas o Grupo 2 foi mais categórico com relação ao enunciado que dizia para utilizar expressões matemáticas para expressar força de atrito e defini-la. O Grupo 1 apenas faz uma pequena definição da força de atrito, mas sem falar de atrito estático e dinâmico. O Grupo 3 inicia falando de atrito estático, faz confusão com relação as forças de atrito cinético e dinâmico colocando definições diferentes para ambos, quando é a mesma definição, para as mesmas denominações. Com relação ao Grupo 4, não é feito uma definição direta das forças de atrito estático e dinâmico, mas ao longo do discurso, através de um exemplo. O Grupo 5 apenas imprimiu várias páginas de um site e entregou. O relatório deles será devolvido após uma discussão e melhor explicação para ser refeito e entregue posteriormente. Apesar de confusões os conceitos, ou as explicações serem breves, observa-se que cada grupo tentou responder cada questão do modo que melhor compreendeu o fenômeno. Isso é um avanço com relação à questão das competências descritas pelos PCN+ relacionadas as habilidades de escrita segundo a linguagem científica, pois é sabido que descrever fenômenos naturais de um modo formal é algo complexo até mesmo para alunos de cursos de pós graduação, quando se trata de alunos de nível médio, torna-se mais trabalhoso. Este fenômeno de atrito se tratado mais profundamente chegamos a conceitos de força eletromagnética. Todavia, este nível de profundidade não foi discutido com os alunos. 21 Também, com conversas com os alunados, eles se empenharam em procurar soluções e a melhor maneira de responder à primeira pergunta. Muitos foram em horários extraclasse à escola somente para realizar a atividade. Alguns, ainda, recorreram, desesperadamente, ao professor via comunicação eletrônica como Orkut, MSN, etc. Isso foi interessante, pois mostrou o interesse do alunado frente ao desafio de se realizar o relatório, mesmo que este fosse para se conseguir uma nota melhor, mas a questão do empenho é algo necessário a se ressaltar. A Tabela 3 traz as respostas do alunado com relação à questão 02. Grupos Respostas a questão 02 G1 G2 G3 22 G4 G5 Tabela 3: Desenhos representativos das forças atuando no disco. Nesta questão o principal intuito era observar se a representação de forças no disco, principalmente. A questão diz a necessidade de um índice onde se deveria colocar o significado de cada símbolo para cada força representada. Entretanto, somente os grupos 1, 4 e 5 fizeram esta descrição sendo o grupo 4 o mais completo. Novamente, nota-se a não compreensão ou a falta de atenção para no enunciado. O grupo 2 escreve a força de atrito, mas não a representa por diagrama de flecha na figura. Todos os grupos representam a força peso e a normal e alguns ainda indicam na própria figura que elas são iguais fazendo-se dois riscos em paralelo sobre as forças. Observase que o grupo 5 apresenta a direção e sentido do movimento por meio de uma seta com um sinal de mais na ponta. Apesar de alguns erros na representação, todos os grupos de alguma forma representaram as forças agindo sobre o disco, alguns colocam as forças como flutuando sobre o desenho e sem estar conectada a um objeto. Isto mostra a dificuldade deste conceito para assimilação dos alunos. Sendo a concepção de força algo abstrato, quando puxamos um objeto não vemos uma seta indicando uma força. Esta foi somente uma forma encontrada por nós de representar uma entidade física. Contudo, para a força peso, sempre há uma representação de força indicando para baixo e a força de reação normal da superfície horizontal sobre o disco para cima. A força que a pessoa fazia sobre a lixa ao puxá-la, apesar de que em alguns desenhos estar flutuando, ela está representada, menos no grupo 2. Não houve tempo para perguntar a 23 este grupo o porquê da falta desta força e mesmo discutir com os alunos de não se colocar as forças sobre os objetos ao invés de se coloca flutuando. Uma possível hipótese é devido à abstração do conceito, como já discutido. A Tabela 4 possui as respostas dos grupos para a questão três que pedia um esboço do aparato experimental e um indicando os nomes dos componentes do aparato. Grupos Respostas a questão 03 G1 G2 G3 24 G4 G5 Tabela 4: Respostas dos grupos para a questão 3 do relatório dirigido O grupo 5 é o que melhor representa o aparato experimental com detalhes no desenho e explicação. Os grupos 1 e 4 são mais simplificados no desenho. Todavia, o primeiro grupo faz uma anotação errônea com relação ao peso do disco, chamado de pedra pelo alunado, indicando um peso de 50 kgf. Na explanação inicial sobre o experimento para os alunos foi discutido a respeito do dinamômetro novamente, pois não foi o primeiro contato deles com este instrumento. Eles sabiam que este aparelho era um medidor de força e que a cada grama-força, representava, também, um grama. Assim, temos duas hipóteses para a anotação errada: i) falta de atenção ao se realizar o desenho; ii) o não entendimento da medida. Para se ilustrar este fato, outro estava cometendo o mesmo erro quando estava pedindo orientação ao professor sobre o relatório, quando foi explicado, novamente, o significado de grama-força e a proporção para um grama e perguntando se um disco daquele tamanho poderia ter 50 kg, como a aluna estava escrevendo, ela percebeu o erro e corrigiu o que estava fazendo. Logo, este fato de erro na escrita da unidade pode estar atrelado a questão da abstração, pois quando o alunado compreende o significado daquilo que está medindo e consegue relacionar com o seu cotidiano, aparenta uma compreensão maior e mais rápida do significado físico da medida da variável em questão. As respostas dos alunos com relação a quarta questão estão contidas na Tabela 4. Nesta questão tratava de se levantar os dados com o quicktime® e com o Excel ®. Com as 25 tabelas de dados realizadas, os alunos levantaram os gráficos da força de atrito com relação aos frames. O intervalo de frames variou para cada experimento. O gráfico foi para auxiliar no cálculo dos coeficientes de atrito estático e cinético. Grupos Respostas a questão 04 G1 G2 26 G3 G4 G5 Tabela 5: Respostas dos alunos a quarta questão do relatório dirigido Analisando-se os grupos, nota-se que apenas o grupo 1 e 4 fizeram os cálculos do coeficiente de atrito estático e dinâmico proposto no enunciado da quarta questão. Entretanto, todos levantaram os gráficos, seja via Excel® ou mesmo manualmente, grupo 3. Este mesmo grupo foi o único que indicou a tabela com os valores de frames e das forças de atrito. 27 Com relação a se colocar o significado dos eixos nos gráficos, somente o grupo 1 fez de modo correto. Estas partes relacionadas às técnicas de confecção de gráficos e identificação de variáveis é algo que será mais trabalho em aulas posteriores com outros experimentos. Todavia, um fator que chama a atenção é que todos construíram os gráficos. Para esta construção, todos, de início, queriam fazer o levantamento por um caminho eletrônico, tanto que eles procuram o professor até mesmo via Orkut para se conseguir resolver este problema. Em uma conversa com o alunado, foi a primeira vez que eles realizaram um experimento como este, onde era necessário se realizar uma série atividades (levantamento de dados, gráficos, cálculos e escrever). Por isso, pode-se considerar que se obteve um sucesso relativo, pois muitos alunos que não conseguiam utilizar o uma planilha eletrônica, por exemplo, aprenderam, Também, o fator de ser filmado e de se utilizar computação atrai os alunos, este aspecto é considerado lúdico (SISMANOGLU, GERMANO, et al., 2009) e faz os alunos se dedicarem mais às aulas, pois quando vamos tratar de teorias cujos experimentos serão realizados ou começamos as aulas por experimentos o interesse dos alunos aumenta. Com a quinta questão foi possível se observar como os alunos realizaram uma interpretação do gráfico. Esta interpretação pautava-se na primeira questão, ou seja, sobre a definição da força de atrito. O principal intuito era explicar o porquê a força de atrito estático sofria a variação ao longo do tempo até um ponto máximo e depois esta força se torna assíntota com relação a um valor médio. O gráfico do grupo 1 possui a plotagem da média dos valores para a força de atrito cinético. As respostas dos alunos se encontram na Tabela 6. Grupos Respostas a questão 05 G1 28 G2 G3 G4 G5 Tabela 6: Respostas na íntegra dos alunos a quinta questão O único grupo que possui uma resposta considerável é o quarto. Todos os restantes responderam de modo errôneo. As respostas ficam desde problemas de atrito com o ar até a confusão de constante e variável. Nota-se esta última confusão, por exemplo, no grupo 2. Eles utilizam a palavra constante no lugar de variável para o atrito estático, mas explicam corretamente, segundo a linguagem de garotos contemporâneos de quinze anos. O grupo 1 diz que a força de atrito estática é variável devido as irregularidades do plano da lixa com o disco de metal utilizado. Não comentam sobre uma “compensação” de força como é utilizado pelo grupo 2. É interessante observar a questão da relação da variação da velocidade com a força de atrito apresentado pelo grupo 5. Apesar de se tratar da força de atrito estático, ou seja, não haver movimento para o objeto, pode-se inferir na questão de resistir ao movimento, isto é, dificultar a movimentação do objeto de metal sobre a lixa. Apesar das mais variadas formas de confusão de conceitos realizadas pelos alunos um ponto ficou em comum, a oposição do movimento, nem se for para pensar no atrito como o ar. Outro fator interessante é a justificativa para um fato. Os alunos justificaram do modo 29 que compreenderam o comportamento para a força de atrito. Pensando no aspecto de desenvolvimento cognitivo e desenvolvimento da habilidade de argüição, as respostas são validas. Todavia, focando-se apenas na questão do conteúdo físico, este conceito necessita ser mais bem trabalhado. A sexta questão era apenas para os alunos escrevem quais fontes eles utilizaram de pesquisa para realizarem o relatório dirigido. Entretanto, muitos aspectos são possíveis de comentários. Um deles foi colocar o próprio professor como fonte de pesquisa. O grupo 2 escreve apenas internet, não especificando o site. Alguns grupos colocam o livro didático e o nome do livro ou mesmo o capítulo. Estes fatos mostram que o alunado não está acostumado a escrever em seus trabalhos quais fontes bibliográficas usou e muito menos como a utilizou. Este fato precisa ser muito trabalho com os alunos para os ensinar não somente o modo correto de se apresentar uma fonte bibliográfica, mas deixar claro que um site é uma fonte bibliográfica. Assim, as respostas para a sexta questão estão na Tabela 7. Grupos Respostas a questão 06 G1 G2 G3 G4 G5 Não fez a questão. Tabela 7: Respostas dos alunos com relação à questão 06 8. Considerações Finais e Sugestões de melhoramento das aulas com este experimento 30 A utilização de experimentos didáticos cujo intuito seja maior que uma demonstração é sempre algo paulatino, pois com a configuração do ensino médio atual onde a primazia é a grande quantidade de conteúdos programáticos e a pouca quantidade de aulas de física conseguir se realizar estes experimentos de modo sistemático é mais que complicado. Todavia, alguns experimentos são possíveis e algumas escolas estão começando a priorizar estes conceitos. Esta escola alvo é uma delas. A filosofia da escola é tentar encontrar uma equação de equilíbrio onde se possa trabalhar as competências e habilidades científicas propostas pelos (BRASIL, 1997)e a cobrança de avaliações externas que ainda primam muito pelo conhecimento teórico e a rápida resolução de problemas de lápis e papel. Assim, deste experimento didático cujo tema foi força de atrito não se focou apenas na questão da compreensão do conteúdo, mas também no desenvolvimento de um espírito investigativo no aluno com relação a ir procurar as informações necessárias para se resolver um determinado problema, construção de tabelas e gráficos por meio de planilhas eletrônicas, realização de pequenos cálculos se entrelaçando com a questão de se utilizar ferramentas digitais de execução de vídeos e detecção de imagens. Estes aspectos deixaram o experimento muito mais interessante por parte dos alunos e o aprendizado extrapolou as questões dos conceitos físicos. Muito deles não conseguiam utilizar as planilhas eletrônicas (Excel®) e levantar gráficos e tiveram que aprender. Aprenderam a trabalhar com filmagens digitais na escola e perceberam que se pode construir algo além de filmar os colegas ou apenas um evento de entretenimento. O aspecto lúdico como apresentado por Sismanoglu, Germano, et al. (2009) e os modos criativos de se utilizar estas filmadoras conseguiu atrair a atenção dos alunos para o experimento mesmo que a tomada de dados em si não sejam automatizadas como sugerem Mossmann et al. (2002). A questão do conteúdo em física possui vários fatores que serão retomados e os relatórios discutidos com os alunos para serem refeitos, pois há a necessidade deles conhecerem os padrões da apresentação de um relatório, mesmo que destes vinte alunos nenhum siga a carreira em ciências exatas e muito menos acadêmica onde a padronização de trabalhos científicos é necessária, mas eles irão trabalhar nas mais diversas áreas e aprender a apresentar um trabalho, um relatório torna-se necessário para ele conseguir manter um emprego no futuro. Com relação à aplicação e extrapolação destes conceitos para a vida cotidiana como apresentando por Kleer et al. (1997) temos muitos resultados interessantes em discussões 31 realizadas em sala em pós-experimento, pois os alunos passam a compreender, por exemplo, o porquê nas estradas quando se está chovendo ou possui algum fluido no asfalto os motoristas diminuem a velocidade devido a diminuição da aderência, ou seja, do atrito entre os pneus e o asfalto. O empenho dos alunos na confecção de trabalhos foi algo que muito surpreendeu. A Figura 11 mostra algumas mensagens deixadas no Orkut com relação a seus empenhos. Figura 11: Questionamentos e pedidos deixados pelos alunos no Orkut do professor para a realização do relatório dirigido. Os nomes foram apagados deixando-se somente as iniciais para não expor os alunos da escola alvo. Nota-se o empenho dos alunos pelos questionamentos e pedidos acima, além da utilização do meio eletrônico para procurar resolver o problema. Estes meios tornam mais estreita à relação professor-aluno no sentido de se facilitar a identificação de dúvidas com relação ao conteúdo e a observância da evolução cognitiva do alunado. Um aprimoramento deste experimento é se trabalhar em conjunto com simulações computacionais quando a escola dispuser de uma sala com computadores conectados a internet. Algo que não foi possível nesta escola alvo, pois apesar da sala de computação existir o link com a web não está funcionando por ser uma sala nova. Também, um 32 questionamento prévio para se levantar os conhecimentos espontâneos dos alunos é uma recomendação deixada para um próximo evento com este experimento. Assim, este trabalho é fechado recorrendo novamente a Séré et al. (2003, p. 39) Graças às atividades experimentais, o aluno é incitado a não permanecer no mundo dos conceitos e no mundo das linguagens , tendo a oportunidade de relacionar esses dois mundos com o mundo empírico. Compreende-se, então, como as atividades experimentais são enriquecedoras para o aluno, uma vez que elas dão um verdadeiro sentido ao mundo abstrato e formal das linguagens. Elas permitem o controle do meio ambiente, a autonomia face aos objetos técnicos, ensinam as técnicas de investigação, possibilitam um olhar crítico sobre os resultados. Assim, o aluno é preparado para poder tomar decisões na investigação e na discussão dos resultados. O aluno só conseguirá questionar o mundo, manipular os modelos e desenvolver os métodos se ele mesmo entrar nessa dinâmica de decisão, de escolha, de inter-relação entre a teoria e o experimento. 9. Bibliografia BATISTA, M. C. et al. A experimentação no ensino de física e a motivação do aluno para a aprendizagem. XVIII Simpósio de Ensino de Física, Vitória, ES, p. 8, 26 a 30 Janeiro 2009. BRASIL. Lei das Diretrizes e Bases da Educação Brasileira. Presidência da República Casa Civil, 20 Dez 1996. Disponivel em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm>. Acesso em: 28 jun 2010. BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais, Ensino Médio. Parâmetros Curriculares Nacionais, Brasília, p. 141, 1997. CUNHA, A. L.; CALDAS, H. Sentido das forças de atrito e os livros da 8a série. Caderno Catarinense de Ensino de Física, Porto Alegre, v. 17, n. 1, p. 7-21, abr 2000. HART, F. X. The Coefficiente of Friction as a Second Rank Tensor. American Journal of Phisycs, v. 40, n. 1, p. 475-476, Março 1972. JÚNIOR, R. N. D. S.; TEDESCO, J. C. G.; QUEIROZ, G. P. A dependência da área real de contato no atrito entre superfícies sólidas. XVI Simpósio Nacional de Ensino de Física, Rio de Janeiro, p. 4, 24 a 28 Janeiro 2005. 33 KLEER, A. A.; THIELO, R. M.; SANTOS, A. D. C. K. A física na investigação de acidentes de trânsito. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, Rio Grande, RS, 14, n. 2, ago 1997. 160-169. LUZ, A. M. R.; ÁLVARES, B. A. Física: de olho no mundo do trabalho. 1a. ed. São Paulo: Scipione, v. único, 2005. ISBN 85-262-4904-5. MENEZES, L. C. Uma Física para o Novo Ensino Médio. Física na Escola, São Paulo, 1, n. 1, 2000. MOSSMANN, V. L. D. F. et al. Determinação dos Coeficientes de Atrito Estatático e Cinético Utilizando-se a Aquisição Automática de Dados. Revista Brasileira de Ensino de Física, 24, n. 2, Junho 2002. 146-149. SAMPAIO, J. L.; CALÇADA, C. S. Universo da Física. 2a. ed. São Paulo: Editora Atual, v. 01, 2005. ISBN 978-85-357-0590-4. SANTANA, E. Descendo de para quedas. Página Pessoal, 2010. Disponivel em: <http://www.fisica.ufs.br/CorpoDocente/egsantana/dinamica/paracaidista/paracaidista.html>. Acesso em: 28 jun 2010. SÉRÉ, M.-G.; COELHO, S. M.; NUNES, A. D. O Papel da Experimentação no Ensino da Física. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, 20, n. 1, abr 2003. 30-42. SISMANOGLU, B. N. et al. A utilização da filmadora digital para o estudo do movimento dos corpos. Revista Brasileira de Ensino de Física, 31, n. 1, 2009. 1501-1 1501-7. Anexo 01: Roteiro com as questões para serem entregues sobre o experimento. Relatório da Aula Experimental – Força de Atrito FÍSICA – PROFESSOR LUCAS MENDONÇA Integrantes do Grupo Nome completo: ________________________________________________no _________ 34 Nome completo: ________________________________________________no _________ Nome completo: ________________________________________________no _________ Nome completo: ________________________________________________no _________ INSTRUÇÕES: 1. Este relatório é uma avaliação e tem o valor de 1,0 a 10,0. 2. A data de entrega está escrita acima. 3. Trabalhos entregues fora desta data não serão considerados e os alunos receberão nota como não avaliados, significando nota ZERO. 4. As questões devem ser respondidas nos espaços delimitados para elas e os gráficos devem ser colados nos espaços delimitados para eles. Questões: 01. A força de atrito foi tema estudado tanto teoricamente quanto experimentalmente em nossas últimas aulas de física. Faça uma pequena descrição do que é a força de atrito e como ela está envolvida em nossas vidas. Utilize a equação da força de atrito e explicite os tipos de força de atrito estudados. Se necessário consulte sites, livros didáticos e outros materiais que falem sobre este assunto. R. 02. Com relação às aulas experimentais sobre este tema, faça um pequeno desenho representando as forças envolvidas no experimento. Descreva as forças na forma de índice. R.: 03. Faça um pequeno desenho esquemático do aparato utilizado no experimento, ou seja, faça um esboço do experimento. Descreva as principais partes em forma de índice. R.: 04. Neste espaço, coloque o gráfico que você obteve no experimento e calcule com a força normal da massa utilizada os coeficientes de atrito estático e dinâmico entre a massa e a lixa que foi utilizada como superfície rugosa. R.: 35 05. Observando o gráfico, podemos dizer que o atrito estático é constante ou sofre variações no decorrer do movimento? Qual a explicação para estes fatos? R.: 06. Coloque neste espaço todas suas fontes para pesquisa: livros, sites da internet, etc. 36