Universidade Camilo Castelo Branco Instituto de Engenharia Biomédica ANNE SHIRLEY MENEZES COSTA ESTUDO DAS ALTERAÇÕES DA VARIABILIDADE DA PRESSÃO ARTERIAL E DA FUNÇÃO RESPIRATÓRIA APÓS CIRURGIA DE REVASCULARIZAÇÃO DO MIOCÁRDIO STUDY OF CHANGES IN BLOOD PRESSURE VARIABILITY AND RESPIRATORY FUNCTION AFTER CORONARY ARTERY BYPASS SURGERY São José dos Campos, SP 2014 II Anne Shirley Menezes Costa ESTUDO DAS ALTERAÇÕES DA VARIABILIDADE DA PRESSÃO ARTERIAL E DA FUNÇÃO RESPIRATÓRIA APÓS CIRURGIA DE REVASCULARIZAÇÃO DO MIOCÁRDIO Orientador: Prof. Ovidiu Constantin Baltatu, MD PhD Tese de doutorado defendida no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Biomédica da Universidade Camilo Castelo Branco, como complementação dos créditos necessários para obtenção do título de Doutor em Engenharia Biomédica. São José dos Campos, SP 2014 III IV V DEDICATÓRIA Ao meu pai, Laércio, exemplo de vida, sempre presente apesar da ausência, sinônimo de dedicação, carinho, compreensão, lealdade, companheirismo, honestidade, coragem, perseverança e amor, valores que me guiam até hoje. A minha mãe, Janete, pela infinita dedicação e exemplo de coragem e amor, seguidos por mim para conseguir chegar ao término desta caminhada. Aos meus irmãos e cunhadas, sobrinhos, tios e primos pelo incentivo e torcida. Ao meu marido Paulo Henrique pela construção de uma história de vida que permanecerá através de nossos filhos. Aos meus filhos Isabella, Bruno e Lucas, Bênçãos Divinas, pelo incentivo e compreensão nas ausências e nos muitos momentos difíceis dessa caminhada. VI AGRADECIMENTOS A Deus, pelo dom da vida, que me inspira e me fortalece em todas as horas A Ovidiu Constantin Baltatu, pelo inesgotável apoio, confiança, paciência e transmissão de conhecimentos durante toda elaboração, análise e conclusão desta tese A Luciana Aparecida Campos Baltatu pelas importantes contribuições durante a elaboração deste estudo Ao Prof Balbin Villaverde, que nos momentos necessários soube oferecer sua amizade e compreensão além de sua experiência para finalização de mais essa etapa acadêmica A Luiz Evaldo de Moura Pádua pela amizade, confiança e importantes contribuições na formatação e na estatística dessa pesquisa. A Carlos Eduardo Batista de Lima, pela amizade e paciência nas avaliações deste estudo As minhas amigas de doutorado do Piauí, pela convivência e amizade, principalmente àquelas que, ao longo dessa caminhada, se tornaram mais próximas A Maria Ester pelo constante incentivo e apoio nas horas difíceis Aos meus amigos voluntários e colaboradores Gabriella Siqueira, Jivago Moreira, Mayson Laercio, Saulo Albuquerque e Noeme Soares, que me ajudaram ao longo desta pesquisa A toda equipe multidisciplinar da ambulatório, enfermaria e unidade de terapia intensiva do Hospital São Marcos pelo apoio e confiança na realização dessa etapa específica deste estudo VII A equipe de cirurgia cardíaca do Hospital São Marcos pela atenção, apoio e confiança com que me ajudaram no desenvolvimento das atividades desta pesquisa As secretárias Marcia, Domingas e Ana pela grande ajuda na marcação e registro de dados de cirurgias Aos pacientes que, sem eles não seria possível a realização desta pesquisa A equipe docente da UNICASTELO – Universidade Camilo Castelo Branco – pela atenção e confiança na elaboração da tese A Nídia Almeida pela paciência, dedicação, competência e amizade nos momentos certos A direção do Hospital Getúlio Vargas em Teresina, Piauí, através da coordenação do ambulatório de fisioterapia, pela liberação profissional para realização dessa tese de doutorado A Universidade Estadual do Piauí – Centro de Ciências da Saúde, através da coordenação do curso de fisioterapia, pelo incentivo e confiança para realização do doutorado A Cecilia Paz pela disponibilidade, amizade e atenção A Biotronic pelo incentivo incondicional a pesquisa A Dixtal, através de Aristides e Edilson pela disponibilidade e apoio durante toda etapa especifica deste estudo E a todos aqueles que de alguma forma, contribuíram para a realização deste trabalho VIII “Ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo. Mas qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.” Chico Xavier IX ESTUDO DAS ALTERAÇÕES DA VARIABILIDADE DA PRESSÃO ARTERIAL E DA FUNÇÃO RESPIRATÓRIA APÓS CIRURGIA DE REVASCULARIZAÇÃO DO MIOCÁRDIO RESUMO A doença coronariana é responsável pelo alto índice de mortalidade e a revascularização do miocárdio é a opção principal de tratamento. Complicações pulmonares são frequentes no pós-operatório de cirurgia cardíaca, por este motivo a avaliação pré-operatória é importante para diminuir os riscos cirúrgicos e prevenir complicações pós-operatórias. A alteração da musculatura respiratória pode ser um importante fator que eleva o índice de morbidade e mortalidade pós-cirúrgica. O objetivo dessa pesquisa foi avaliar se os parâmetros pré, intra ou pós-operatórios poderiam indicar ou prever o grau de depressão respiratória que ocorre depois da cirurgia. Estudo prospectivo, com 44 pacientes submetidos à cirurgia eletiva de revascularização do miocárdio com circulação extracorpórea. Como parâmetros préoperatório, avaliou-se o índice EuroSCORE (European System for Cardiac Operative Risk Evaluation), pressões respiratórias (pressão inspiratória máxima PImáx e pressão expiratória máxima - PEmáx) e pico de fluxo expiratório (PFE). Como intra-operatórios, volume de cardioplegia, tempo de circulação extracorpórea (CEC), tempo de pinçamento aórtico e tipo e número de enxertos. Como parâmetros pós-operatórios, os índices de variabilidade da pressão arterial média (PAM) durante a Unidade de Terapia Intensiva (UTI); e pressões respiratórias e PFE no pósoperatório tardio. Os índices pré, intra e pós-operatórios foram submetidos a análise de correlação com o ponto máximo de comprometimento da função respiratória no pós-operatório. A (PAM) foi monitorada durante 3 dias na UTI. A variabilidade da PAM foi avaliada através do desvio padrão (DP), coeficiente de variação (CV), variação independente de média (VIM) e variabilidade sucessiva média (VSM). A avaliação da PImáx, PEmáx e PFE foram realizados um dia antes da cirurgia e nos dias 3 a 7 pós-operatórios e foram significativamente diminuídos no 4, 4 e 5 dias pós-operatórios, respectivamente. De todos os parâmetros de variabilidade de PAM, a VSM teve uma correlação de Spearman significativamente positiva com o ponto X máximo de depressão do PFE no terceiro dia após a cirurgia, porém o CV e VIM da PAM foram associados com o pico de depressão respiratória pela PEmáx e PFE. A VSM da PAM em UTI pode ter valor preditivo para a depressão da função respiratória após cirurgia determinado pelo pico de fluxo expiratório. Palavras chave: Pressão Arterial; Revascularização Miocárdica; Complicações pósoperatórias. XI STUDY OF CHANGES IN BLOOD PRESSURE VARIABILITY AND RESPIRATORY FUNCTION AFTER CORONARY ARTERY BYPASS SURGERY ABSTRACT Coronary heart disease is responsible for high mortality and CABG is the main treatment option. Pulmonary complications are frequent in the postoperative period of cardiac surgery, for this reason the preoperative evaluation is important to decrease the surgical risks and prevent postoperative complications. The respiratory muscles dysfunction may be an important factor that increases the morbidity and postoperative mortality. The aim of this study was to evaluate whether the pre, intra and post-operative parameters could indicate or predict the degree of respiratory depression that occurs after surgery. A prospective study with 44 patients undergoing elective coronary artery bypass grafting with cardiopulmonary by-pass was carried out. As preoperative parameters, the EuroSCORE index (European System for Cardiac Operative Risk Evaluation), respiratory pressures (maximum inspiratory pressure - MIP and maximal expiratory pressure - MEP) and peak expiratory flow (PEF) were evaluated. As intraoperative, volume of cardioplegia, Cardiopulmonary bypass time, aortic clamping time and number of grafts were evatuated. The postoperative, rate of blood pressure variability during the Intensive Care Unit (ICU); PEF and respiratory pressures in the late postoperative period were used. The pre, intra and postoperative index underwent correlation analysis with the peak of impaired respiratory function postoperatively. Mean arterial pressure (MAP) was monitored for 3 days in the ICU. The variability of MAP was assessed using the standard deviation (SD), coefficient of variation (CV), independent variation of mean (VIM) and mean successive variability (VSM). The evaluations of MIP, MEP and PEF were performed the day before surgery and on days 3 to 7 and postoperative were significantly decreased on day 4, 4 and 5 day postoperatively, respectively. Of all parameters of variability of MAP, VSM had a significantly positive Spearman correlation with the peak of depression PEF with in third day after surgery. Also, CV and VIM of MAP were significantly associated with nadir days of MEP and PEF.The XII variability of VSM MAP in ICU may have predictive value for depression of respiratory function after surgery determined for peak expiratory flow . Keywords: complications Blood Pressure; Myocardial Revascularization; postoperative XIII LISTA DE FIGURAS Figura 1: Bomba de circulação extracorpórea.................................................. 28 Figura 2: Modelo estrutural da circulação extracorpóre................................... 28 Figura 3: Calculadora EuroScore..................................................................... 32 Figura 4: Barorreceptores................................................................................. 35 Figura 5: Volumes e capacidades pulmonares................................................. 39 Figura 6: Monitor cardíaco da UTI.................................................................... 42 Figura 7: Leito da UTI....................................................................................... 43 Figura 8: Equipamentos para avaliação respiratória. A – Manovacuometro e Peak Flow; B – manovacuometria; C – Peak Flow........................ 43 Figura 9. Parâmetros coletados........................................................................ 44 Figura 10: Coeficientes de correlação de Spearman (rs) entre EuroScore e os parâmetros respiratórios PImáx, PEmáx e PFE em pacientes submetidos à CRM com CEC............................................................ 50 Figura 11: Parâmetros respiratórios no pré e pós-operatório............................. 52 Figura 12: Correlação de Spearman’s entre os parâmetros intraoperatórios (volume de cardioplegia) e entre eles e os parâmetros pósoperatórios, variabilidade da pressão arterial média e parâmetros respiratórios...................................................................................... 54 Figura 13: Correlação de Spearman’s entre os parâmetros intraoperatórios (tempo de CEC) e entre eles e os parâmetros pós-operatórios, variabilidade da pressão arterial média e parâmetros respiratórios. 55 Figura 14: Correlação de Spearman’s entre os parâmetros intraoperatórios (tempo de clamp aórtico) e entre eles e os parâmetros pósoperatórios, variabilidade da pressão arterial média e parâmetros respiratórios....................................................................................... 56 Figura 15: Correlação de Spearman’s entre os parâmetros intraoperatórios (número e enxertos) e entre eles e os parâmetros pós-operatórios, variabilidade da pressão arterial média e parâmetros respiratórios.. 57 Figura16:. Correlação de Spearman’s entre DP da PAM na UTI e parâmetros respiratórios, p < 0,05........................................................................ 58 XIV Figura 17: Correlação de Spearman’s entre CV da PAM na UTI e parâmetros respiratórios, p < 0,05....................................................................... 59 Figura 18: Correlação de Spearman’s entre VIM da PAM na UTI e parâmetros respiratórios, p< 0,05 de significância estatística. (– 1) corresponde ao pré-operatório.......................................................... 60 Figura 19: Correlação de Spearman’s entre VSM da PAM na UTI e parâmetros respiratórios, p<0,05...................................................... 61 XV LISTA DE TABELAS Tabela 1: Perfil da população .......................................................................... 47 Tabela 2: Frequência de faixa etária, gênero, tabagismo e comorbidades 48 Tabela 3: Frequência das variáveis números e tipos de enxertos .................. 49 Tabela 4: Coeficientes de correlação entre os parâmetros respiratórios (pressão inspiratória máxima, pressão expiratória máxima e pico de fluxo expiratório) com idade, gênero, tabagismo no pósoperatório tardio (do terceiro ao sétimo dia pós-cirúrgico)............. 50 Tabela 5: Parâmetros respiratórios (pressão inspiratória máxima, pressão expiratória máxima e pico de fluxo expiratório) no pré-operatório e do terceiro ao sétimo dia pós-cirúrgico............................................ 51 Tabela 6: Parâmetros respiratórios (pressão inspiratória máxima, pressão expiratória máxima e pico de fluxo expiratório) relacionados com os intra-operatórios (número e tipo de ponte, tempo de clamp, volume de cardioplegia e tempo de circulação extracorpórea)....... 53 XVI LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ANOVA - Análise de variância ATI - Artéria torácica interna esquerda AVC - Acidente vascular cerebral CASS - Coronary Artery Surgery Study CC - Cirurgias cardíacas CEC - Circulação extracorpórea CEP - Comitê de ética em pesquisas CPT - Capacidade pulmonar total CREFITO - Conselho regional de fisioterapia e terapia ocupacional CRM - Cirurgia de revascularização do miocárdio CV - Coeficiente de variação DCNT - Doenças crônicas não transmissíveis DCV - Doença cardiovascular DP - Desvio padrão DP VSM - Desvio padrão da variabilidade sucessiva da média EuroScore - European system for cardiac Operative - Sistema europeu para avaliação de risco em cirurgia cardíaca FACIME - Faculdade de Ciências Médicas FC - Frequência Cardíaca IMC - Índice de Massa Corpórea MS - Ministério da Saúde NAV - Nódulo Atrio-Ventricular OMS - Organização Mundial da saúde PA - Pressão arterial PAM - Pressão arterial média pCO2 Pressão parcial de dióxido de carbono PEmáx - Pressão expiratória máxima PFE - Pico de fluxo expiratório máximo pH - Pressão de hidrogênio PImáx - Pressão inspiratória máxima PO - Pós-operatório XVII pO2 - Pressão parcial de oxigênio RM - Revascularização do miocárdio RX - Raios X - radiografia SNA - Sistema nervoso autônomo SNC - Sistema nervoso central SNS - Sistema nervoso simpático SUS - Sistema único de saúde UESPI - Universidade estadual do Piauí UTI - Unidade de terapia intensiva VIM - Variação independente da média VPA - Variabilidade da pressão arterial VPAM - Variabilidade da pressão arterial média VR - Volume residual VSM - Variabilidade sucessiva da média XVIII SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO............................................................................................... 20 1.1. Objetivos gerais ...................................................................................... 22 1.2. Objetivos específicos............................................................................... 22 2. REVISÃO DE LITERATURA.......................................................................... 23 2.1. Cirurgia de Revascularização do Miocárdio............................................ 23 2.1.1. Enxertos coronarianos.......................................................................... 25 2.1.2. Alterações da função pulmonar............................................................ 25 2.1.2.1. Anestesia geral.................................................................................. 26 2.1.2.2. Esternotomia mediana....................................................................... 27 2.1.2.3. Circulação extracorpórea.................................................................. 27 2.1.2.4. Disfunção muscular respiratória........................................................ 30 2.2. EuroScore................................................................................................ 31 2.3. Sistema Nervoso Autônomo.................................................................... 32 2.4. Variabilidade da pressão arterial............................................................. 33 3. MATERIAL E MÉTODOS............................................................................... 37 3.1. Aspectos éticos....................................................................................... 37 3.2. Tipo de pesquisa..................................................................................... 37 3.3. Amostra................................................................................................... 37 3.3.1. Critérios de inclusão............................................................................. 37 3.3.2. Critérios de exclusão............................................................................ 38 3.4. Coleta de dados...................................................................................... 39 3.4.1. Pré-operatório...................................................................................... 39 3.4.2. Intra-operatório..................................................................................... 40 3.4.2.1. Técnica anestésica............................................................................ 40 3.4.2.2. Técnica cirúrgica............................................................................... 41 3.4.3. Pós-operatório...................................................................................... 42 3.4.3.1. Pós-operatório imediato.................................................................... 42 3.4.3.2. Pós-operatório tardio......................................................................... 43 3.5. Análise estatística.................................................................................... 45 4. RESULTADOS............................................................................ 47 4.1. Perfil pré-operatório................................................................................. 47 XIX 4.1.1. Dados antropométricos........................................................................ 47 4.1.2. Avaliação do EuroScore associado aos parâmetros respiratórios....... 50 4.1.3. Pressões respiratórias e pico de fluxo expiratório máximo no préoperatório comparados ao pós-cirúrgico........................................................ 51 4.2. Variáveis intraoperatórias........................................................................ 53 4.2.1. Cardioplegia, tempo de CEC, tempo de Clamp, número e tipo de enxertos.......................................................................................................... 53 4.3. Variáveis pós-cirúrgicas.......................................................................... 58 4.3.1. Variabilidade da pressão arterial média em UTI.................................. 58 5. DISCUSSÃO................................................................................................... 62 5.1. Perfil da população.................................................................................. 62 5.2. EuroScore e parâmetros respiratórios..................................................... 62 5.3. PImáx, PEmáx e PFE no pré-operatório e pós-cirúrgico......................... 63 5.4. Variáveis intraoperatórias: cardioplegia, tempo de CEC, tempo de clamp, número e tipo de enxertos com parâmetros respiratórios.............................. 66 5.5. Variáveis pós-cirúrgicas.......................................................................... 66 5.5.1. Variabilidade da pressão arterial média em UTI.................................. 66 6. CONCLUSÕES............................................................................................... 69 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................... 70 ANEXO A - Avaliação Fisioterapêutica............................................................... 79 ANEXO B - Termo De Consentimento Livre E Esclarecido................................ 83 ANEXO C - Comissão de Ética do Hospital São Marcos................................... 85 ANEXO D - Aprovação do Comitê de Ética da UESPI....................................... 86 20 1. INTRODUÇÃO No mundo ocidental, a doença coronariana ainda é responsável pelo alto índice de mortalidade em todo o mundo e encontra-se em grande crescimento nos países em desenvolvimento. Apesar de várias abordagens para o tratamento, como por exemplo o controle dos fatores de risco, a cirurgia de revascularização do miocárdio é amplamente utilizada, constituindo uma opção com indicações precisas e com bons resultados a médio e longo prazo, proporcionando a remissão dos sintomas anginosos e contribuindo para o aumento da expectativa e qualidade de vida dos pacientes.1-5 Em 2008, segundo a organização mundial de saúde, das 57 milhões de mortes ocorridas no mundo, 36 milhões (63%) foram devido a doenças crônicas não transmissíveis, principalmente as doenças cardiovasculares. No Brasil, as doenças crônicas não transmissíveis correspondem atualmente a pelo menos 72% de todas as causas de morte com destaque para as doenças cardiovasculares, que são responsáveis por 29,4% de todas as mortes registradas no Brasil por ano, havendo predominância daqueles indivíduos que se encontram em grupos vulneráveis, que são os idosos e os que possuem baixo nível social e econômico.6,7 A avaliação pré-operatória é importante para minimizar os riscos cirúrgicos e prevenir complicações pós-operatórias. Mesmo com avanços nos procedimentos cirúrgicos, melhora nos cuidados pré, intra e pós-operatórios, os pacientes submetidos a cirurgia eletiva de revascularização do miocárdio, com frequência desenvolvem alterações pulmonares, como atelectasias, distúrbios ventilatórios e hipoxemia. Devido a mobilização da caixa torácica, a dor, o receio pós-operatório associado às disfunções na mecânica respiratória tornam essas alterações pulmonares uma das principais causas de elevação do índice de morbidade e mortalidade no pós-operatório.8-10 Fatores relacionados tanto a cirurgia (anestesia, posição do paciente na maca, efeitos da circulação extracorpórea e hipotermia) quanto ao paciente (idade avançada, obesidade, tabagismo, sedentarismo, alcoolismo, estado nutricional) assim como dor, inabilidade de respirar profundamente influenciam no aparecimento de complicações pulmonares no pós-operatório. Alguns fatores como idade ≥ 70 anos, tosse produtiva, diabetes mellitus e tabagismo, são também fatores de risco 21 pré-operatório para complicação pulmonar pós-operatória. A dinâmica respiratória apropriada depende da força dos músculos respiratórios.10-12 As complicações pulmonares tem importante influencia no período de internação hospitalizar, além de interferir também na taxa de morbidade e mortalidade.13,14 A disfunção respiratória pós-operatória em pacientes submetidos a cirurgia de revascularização do miocárdio é observada através da redução da pressão inspiratória máxima (PImáx), pressão expiratória máxima (PEmáx) e pico de fluxo expiratório máximo (PFE), quando comparados aos valores pré-operatório. É elevado o índice de complicações pulmonares pós-cirurgia cardíaca. 9,15,16 Durante a utilização da circulação extracorpórea (CEC), o sangue passa por um circuito artificial, impondo uma mudança no fluxo, ocorrendo uma elevação de temperatura e estresse mecânico sobre os elementos figurados do sangue devido ao contato com superfícies não endoteliais, iniciando-se reações inflamatórias que são mais evidentes e deletérias em idosos e neonatos.17 Como um importante fator de risco, a hipertensão está presente em grande percentual de pacientes e está associada a doença coronariana. Sabendo-se que na doença cardiovascular ocorre alterações tanto no coração quanto nos vasos, essas alterações na pressão arterial resultam da disfunção do sistema de controle, onde grande parte é realizada pelo sistema nervoso autônomo, principalmente o ramo simpático.18-20 A variabilidade da pressão arterial no pós-operatório ocorre pela estimulação do sistema nervoso simpático (SNS), havendo alteração dos níveis de noradrenalina, renina-angiotensina e vasopressina. Associado a utilização de CEC, na presença de hipertensão pode ocorrer sangramentos ou alteração nas suturas, aumento do consumo de oxigênio pelo miocárdio podendo levar a disfunção respiratória.21 Desta forma o presente estudo buscou demonstrar a relação das alterações pulmonares pós-operatórias com os parâmetros de função pulmonar e pressão arterial no pré, intra-operatório revascularização do miocárdio. e pós-operatório de cirurgia eletiva de 22 1.1. Objetivos gerais Verificar se os parâmetros pré-operatórios, intra-operatórios ou pós-operatórios podem indicar ou prever o grau máximo de depressão respiratória que ocorre depois da cirurgia eletiva de revascularização do miocárdio com circulação extracorpórea. 1.2. Objetivos específicos Pré e pós-operatório: Avaliar a variabilidade dos parámetros de pressão arterial nas primeiras 48 horas Avaliar alterações respiratórias através das pressões respiratórias máximas (manovacuometria) e Pico de Fluxo Expiratório Máximo (PFE). Comparar as modificações na função respiratória no pré e pós-operatório com as alterações da variabilidade da pressão arterial na unidade de terapia intensiva (UTI). Comparar as modificações na função respiratória com o EuroScore. 23 2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1. Cirurgia de Revascularização do Miocárdio A cirurgia de revascularização do miocárdio (CRM) é um procedimento em que uma veia ou artéria de outra parte de corpo, é utilizada para criar um caminho alternativo para o fluxo sanguíneo do coração, ultrapassando o bloqueio arterial, através de anastomoses feitas nas artérias coronárias.21 A existência de pequenas comunicações entre a circulação coronariana normal e o suprimento vascular em torno das estruturas extracardíacas (diafragma, brônquios e pericárdio) foi descrito por L. Langer em 1880, quando surgiu a ideia para realização de cirurgia de coronária.22 No final do século XIX e início do século XX, o tratamento cirúrgico para doença coronariana, a revascularização do miocárdio, era considerado uma opção difícil de ser realizada. A partir dos anos 1950, com o advento da circulação extracorpórea (CEC), possibilitou a realização da cirurgia cardíaca. Apesar de início discreto até a segunda metade do século XX, a partir dos anos 1960, obteve significante repercussão. Grandes nomes passaram a ser conhecidos como Dr Christiaan Barnard, Denton Cooley, Michael DeBakey e Norman Shumway e no Brasil os professores Euryclides Zerbini e Adib Jatene.23 Em 1964, Garret e colaboradores23 realizaram em Houston a primeira cirurgia de revascularização miocárdica bem sucedida com veia safena, com seguimento por sete anos, em seguida foi realizada uma angiografia que demonstrou a patência do enxerto. Este caso foi relatado em 1973. Ainda em 1964, Kolessov, na Rússia realizou a primeira anastomose da artéria torácica interna esquerda, porém com pouca aceitação nos meios internacionais, onde afirmavam que essa artéria apresentava um fluxo inferior ao das pontes de veia safena. A partir de 1967, René Favarolo divulgou e demonstrou com bases científicas o tratamento da insuficiência coronária com as pontes de veia safena. Foi desenvolvida uma nova técnica e 15 pacientes com obstrução grave da artéria coronária direita foram submetidos a cirurgia utilizando-se a veia safena com bons resultados. Esse procedimento também foi realizado no Brasil, em 1968 pelos Drs Euryclides Zerbini e Adib Jatene.23,24 24 O tratamento cirúrgico da doença coronariana passou por diversas etapas como cirurgias com denervação simpática, neovascularização, implantação de artéria no miocárdio, revascularização com veia safena, artéria torácica interna, radial, sempre com aperfeiçoamento das técnicas para melhor sobrevida dos pacientes.22 A mortalidade desse tipo de cirurgia varia de hospital para hospital. Existem vários fatores que interferem no resultado desse procedimento, além da habilidade técnica do cirurgião, como a dificuldade de atendimento pelo especialista, fazendo com que ocorra demora para confirmação do diagnostico, o estágio evolutivo da doença, estrutura hospitalar, equipe de saúde, cuidados no pós-operatório, além do nível social e educacional do paciente.25 A cirurgia de revascularização do miocárdio (CRM), proporcionou melhora dos sintomas anginosos e a efetividade no tratamento da insuficiência coronariana, que pode ser comprovada em vários estudos prospectivos, randômicos e multicêntricos, assim como o aumento e melhora da qualidade de vida. Quanto maior a gravidade da doença maior o benefício obtido com o procedimento cirúrgico.8,25 De acordo com a atualização da II Diretriz de Avaliação Perioperatória da Sociedade Brasileira de Cardiologia (2013), o intervalo que engloba os períodos pré, intra e pós-operatório é conhecido como período perioperatório e é composto de várias etapas.26 Na etapa I – são verificadas as condições clínicas do paciente, identificação das variáveis de risco associadas a alterações cardíacas como dados da história, exame físico e testes diagnósticos; Etapa II – é avaliada a capacidade funcional, limites em relação a realização de atividades domésticas, exercícios físicos, dentre outros. A presença ou não de sintomatologia mostra a probabilidade da evolução no pós-operatório; Etapa III – estabelece risco de complicações cardiovasculares associadas ao tipo de procedimento. A detecção precoce de eventos cardiovasculares é fundamental para a redução da mortalidade. De acordo com Piegas et al.27 em estudo de revisão sobre cirurgia de revascularização do miocárdio relativos aos anos de 2005, 2006 e 2007, no Brasil, 79,03% da população está coberta pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para tratamento médico. Essa cirurgia foi a mais realizada no país (com e sem extracorpórea) e aproximadamente 80% delas coberta pelo SUS. A mortalidade 25 encontrada foi de 6,22%, sendo maior em mulheres e idosos em hospitais com menor volume de cirurgias. 2.1.1. Enxertos coronarianos Em 1967, René Favarolo revolucionou o tratamento cirúrgico da insuficiência coronariana, utilizando a veia safena para a revascularização direta do miocárdio e, na Rússia, Kolesov realizava as primeiras anastomoses de artéria torácica interna esquerda.22,24 Na cirurgia de revascularização do miocárdio, o emprego da artéria mamária interna esquerda para a artéria descendente anterior é considerado uma excelente opção. Essa artéria possui vantagem sobre os demais enxertos em relação à mortalidade e à sua perveabilidade. A escolha pelos cirurgiões por enxertos arteriais, sobretudo dupla mamária, deve-se ao fato de ser um bom tratamento a longo prazo, evitando reoperações e elevações das taxas de morbidade e mortalidade.2,28 Loures et al.,29 em seu estudo sobre perveabilidade do enxerto venoso afirmam que os resultados dependem do manuseio cirúrgico, retirada e preparo da veia, anastomoses e qualidade das artérias coronárias. Os enxertos venosos representam maior incidência de reoperações quando comparados com os enxertos arteriais. 2.1.2. Alterações da função pulmonar A cirurgia cardíaca predispõe a mudanças na mecânica respiratória, volumes pulmonares e trocas gasosas podendo ocasionar alterações no pós-operatório, como perda de força muscular respiratória o que leva a evidente disfunção diafragmática.30,31 A morbidade e mortalidade da CRM são atribuídas na sua maioria ao uso de circulação extracorpórea, apesar de haver alguns fatores que também contribuem, como a disfunção diafragmática, atelectasias, incisão torácica assim como a pressão exercida pelo coração nos pulmões que determina alterações mecânicas na caixa torácica que implicam na redução da capacidade vital forçada, da capacidade residual funcional e volume expiratório forçado no primeiro segundo.32-34 26 A lesão pulmonar nem sempre é causada pela CEC e sim pela necessidade de transfusão sanguínea. Quando ocorre a disfunção pulmonar no pós-operatório, está relacionada a presença de atelectasia, independente se a cirurgia utilizou ou não circulação extracorpórea.35 Além das complicações comuns, como atelectasias, hipersecreção, broncoespasmo, é preciso enfatizar a paralisia e a paresia diafragmática assim como a lesão do nervo frênico. Em função da técnica e da via de acesso, na CRM há extensa manipulação intratorácica desenvolvendo disfunção muscular pós-operatória com redução importante dos volumes, prejuízos na mecânica respiratória, diminuição na complacência pulmonar e aumento do trabalho respiratório.2,36,37 A lesão de nervo frênico pode ocorrer devido ao uso de solução salina gelada, sendo considerada lesão por resfriamento, ou também pode ser ocasionada durante a dissecção da artéria torácica interna (ATI). No paciente observa-se presença de dispneia com movimento paradoxal do tórax e ao exame de raios-X é identificada elevação de cúpula diafragmática, confirmando esse quadro.2,13,38 O resultado da associação do efeito da anestesia geral, esternotomia mediana, circulação extracorpórea, disfunção diafragmática, hipotermia, dor, além de drenos torácico pode interferir na oximetria, no grau de alteração da função pulmonar induzindo a complicações respiratórias com prejuízo nos reflexos de defesa das vias aéreas.10,13,36,39,40 Apesar de haver controvérsias de alguns autores, o tempo de ventilação mecânica superior a 12 horas, reoperação decorrente de sangramento pósoperatório, número de enxertos e tempo de CEC tem influência no período de internação na UTI, assim como também contribuem no aparecimento de complicações pulmonares, podendo levar à insuficiência respiratória.21,41,42 2.1.2.1. Anestesia geral Na CRM, a anestesia tem como objetivo promover analgesia ao paciente, perda reversível da percepção e bloqueio temporário da resposta geral ao estímulo criando condições favoráveis a cirurgia. Preconiza-se uma anestesia rápida, facilitando a extubação, evitando assim complicações associadas ao uso de anestésicos.21 27 Atualmente, é utilizada a anestesia geral balanceada, com o uso de agentes inalantes e venosos, permitindo a extubação precoce nas primeiras seis horas de pós-operatório, diminuindo as alterações no volume pulmonar e diafragmática, evitando a redução da capacidade residual funcional, que induz a formação de atelectasias, diminuição da complacência pulmonar e aumento da resistência vascular pulmonar consequentemente alterando as trocas gasosas.2,9 A posição supina e o relaxamento do diafragma também podem contribuir para redução dos volumes pulmonares. A ventilação mecânica com pressão positiva desloca passivamente no sentido caudal sua posição anterior pela menor impedância do movimento, Isto ocorre porque o diafragma possui uma maior área e maior número de fibras em sua região posterior.9 2.1.2.2. Esternotomia mediana A CRM é realizada por meio de esternotomia mediana. A incisão na pele é feita desde a fúrcula esternal até o processo xifoide e é dividido longitudinalmente na linha mediana. O pericárdio é aberto anteriormente para expor o coração.21,43 Frequentemente a cirurgia de revascularização do miocárdio é realizada por esternotomia mediana para realização de pontes de veia safena e/ou da artéria torácica interna. Quando a ATI é retirada pode haver alteração da função pulmonar pela diminuição do aporte sanguíneo para os músculos intercostais reduzindo a força muscular, aumentando o trabalho respiratório, e independente das variáveis pré e pós-operatórias, a esternotomia pode provocar diminuição da função respiratória no pós-cirúrgico, pela instabilidade do esterno e pelos vários comprometimentos musculares devido a incisão, o musculo peitoral maior é fortemente acometido.36 2.1.2.3. Circulação extracorpórea A circulação extracorpórea (CEC) envolve um circuito externo que fornece fluxo sanguíneo para o corpo enquanto o coração e o pulmão não estão em atividade (Figuras 1 e 2). As anastomoses nos vasos são realizadas durante a CEC e parada cardíaca, com utilização de cardioplegia e clampeamento intermitente.2,44 28 Figura 1: Bomba de circulação extracorpórea. Fonte: Bomba de CEC, google, imgens, Internet Figura 2: Modelo estrutural da circulação extracorpórea. Fonte: Google imagens, Internet 29 A utilização dos aspiradores para retirada do sangue do pericárdio e câmeras cardíacas é a causa de microagregação de elementos do sangue. As alterações ocorridas durante a CEC podem ser de múltiplas causas, desde hemodinâmicas até bioquímicas. A oscilação do padrão de fluxo de pulsátil para contínuo gera mudanças na resistência vascular periférica, na função renal e na perfusão cerebral.2,17,44 Essa mudança no fluxo sanguíneo durante a CRM é imposta pela passagem de sangue por um circuito artificial na CEC, ocorrendo aumento do gradiente de temperatura e estresse mecânico sobre os elementos figurados do sangue devido ao seu contato com superfícies não endoteliais, filtros, compressão e turbulências. Neste processo, há início de uma cascata de reações inflamatórias ocasionando aumento da permeabilidade vascular e extravasamento de líquido para o interstício com consequências pós-cirúrgicas. Estas reações sempre acontecem, em menor ou maior grau, sendo mais evidentes e deletérias em idosos e neonatos.17,45 É imprescindível o uso de heparina que age no fim da cascata de coagulação. A exposição do sangue heparinizado nas superfícies sintéticas do circuito de CEC estimula a trombose e ativa parcialmente, as proteínas da coagulação, comprometendo a hemostasia. Portanto, a utilização da circulação extracorpórea está associada a um maior sangramento intra e pós-operatório.2 A disfunção pulmonar ainda é uma das mais importantes causas de morbidade no pós-operatório de CRM. Apesar de haver alguns estudos onde relaciona este fato como sendo influência da síndrome da resposta inflamatória sistêmica que ocorre com o uso de CEC, ainda há controvérsias, porque independente de seu uso ou não, a maioria dos pacientes apresenta alteração pulmonar.17,44-46 As possíveis causas para o maior comprometimento da função respiratória nas cirurgias com CEC estariam relacionadas a diminuição da complacência pulmonar e da capacidade vital forçada consequente da reação inflamatória citada anteriormente, porém, apesar do decréscimo na oxigenação e troca gasosa, a CEC, por si só pode não ser responsável pela disfunção pulmonar no pós-operatório.36,45,46 Durante a CEC ocorre a interrupção da ventilação pulmonar, alterando a produção de surfactante alveolar, aumentando a tensão superficial potencializando o colapso alveolar comprometendo assim a função respiratória. cardioplégica pode causar lesão térmica do nervo frênico.13,47 A solução 30 2.1.2.4. Disfunção muscular respiratória A disfunção diafragmática é comum e em alguns casos tem recuperação espontânea. Porém quando há presença de algum sintoma característico de esforço respiratório, e não há melhora com o tratamento clínico é indicado intervenção cirúrgica, onde é realizado uma plicadura no diagfragma deixando em posição de grande expansão pulmonar. Há muitas controvérsias em relação a essa conduta.48 O quadro respiratório muitas vezes é tolerado porque o organismo utiliza mecanismos compensatórios, como incremento da musculatura acessória. O treinamento muscular inspiratório realizado pela fisioterapia precoce pode ser benéfica aumentando a mobilidade diafragmática evitando tratamentos mais agressivos. Menos de cinco por cento dos pacientes não melhoram com a intervenção fisioterapêutica.48 A presença de alteração da função pulmonar no pós-operatório é multifatorial, os eventos podem ocorrer de forma isolada ou associada, são evidenciadas por hipoxemia, respiração superficial, aumento do trabalho respiratório, alteração no raios X de tórax (RX), na ausculta pulmonar dentre outros.13,49 A estreita relação do nervo frênico com a retirada da ATI e a cardioplegia pode explicar alguns casos de paresia ou paralisia do diafragma observados no período pós-operatório, além da diminuição do aporte sanguíneo para a musculatura intercostal alterando a força muscular, que pode ser verificada através das pressões respiratórias máximas (Pressão Inspiratória máxima – PImáx e Pressão Expiratória Máxima - PEMáx). A associação entre a PImáx e consumo de oxigênio sugere que que a musculatura inspiratória é determinante para manter capacidade funcional após a CRM.13,15,50 A disfunção muscular respiratória, identificada pela verificação das pressões respiratórias máximas pode prolongar o período de recuperação quando estão abaixo do valor previsto. Boa força muscular inspiratória pré-operatória diminui o aparecimento de complicações pulmonares no pós-operatório, por este motivo, considera-se que os valores de PImáx próximo a normalidade é um fator protetor e parecem reduzir o tempo de internação pós-operatória.51-53. 31 Os pacientes submetidos a CRM apresentam redução da função pulmonar nos primeiros dias. A alteração da força muscular respiratória e do volume pulmonar são observados pela diminuição da PImáx, PEmáx e PFE. Estudos demonstram que o treinamento muscular respiratório iniciado logo após a cirurgia é eficaz na reversão do quadro de disfunção muscular.13,30,50,54 2.2. EuroScore Vários modelos de estratificação de risco tem sido idealizados com o objetivo de prevenir a mortalidade e morbidade na cirurgia cardíaca, entre eles o Sistema Europeu para Avaliação de Risco em Cirurgia Cardíaca (EuroScore).55,56 O EuroScore começou a ser elaborado em 1995. Foram estudados 68 fatores de risco pré-operatórios e 29 operatórios que poderiam ter influência na mortalidade hospitalar em 19030 pacientes adultos submetidos a cirurgia cardíaca, desses 63% foram de cirurgia coronária isolada em 128 centros de oito estados europeus. Após estudos estatísticos, foi identificado 17 fatores de risco reais, e para cada um deles atribuídos um escore, e ao final, foi estruturada uma calculadora (Figura 3) permitindo assim a classificação de acordo com o resultado em três grupos de risco: baixo risco (0-2), médio risco (3-5) e alto risco (>6). Os autores concluíram que o número de fatores de risco contribui para a mortalidade em cirurgia cardíaca na Europa.55 A utilização deste modelo em alguns serviços de cirurgia cardíaca no Brasil ocorreu de várias maneiras: para confirmação de diferentes taxas de mortalidade, afirmando ser mais elevada em hospitais públicos; avaliação de estratégicas cirúrgicas; questionamento sobre a utilização do mesmo em todas as regiões e estados, o que neste aspecto há controvérsias, porque alguns autores argumentam sobre a as diferenças regionais, culturais e socioeconômicas, que influenciam sobre o resultado final.57,58,59,60 Nesta pesquisa, esse método foi utilizado para tentar identificar relação entre os fatores de risco estabelecidos pelo EuroScore para doença coronariana e a presença de alterações da função pulmonar no pós-operatório de cirurgia eletiva de revascularização do miocárdio. Esse percentual foi calculado de acordo com o peso 32 de cada fator de risco já previamente estabelecidos e em calculadora específica (Figura 3) para esse modelo.55,56 Figura 3: Calculadora EuroScore. 55 Fonte: Nashef et al, 2.3. Sistema Nervoso Autônomo As fases de contração do coração são rítmicas e involuntárias, desse seu funcionamento resultam ciclos cardíacos, que consiste numa fase de relaxamento, diástole, seguida pela fase de contração, sístole.20 O estímulo elétrico para a contração miocárdica se origina no conjunto de células especiais denominadas de nódulo sinusal, que por mecanismos químicos, geram seu próprio impulso, que garante a automaticidade e a ritmicidade da estimulação cardíaca. Esse estímulo gerado neste nódulo, se propaga pelos átrios e alcança o nódulo átrio-ventricular e o feixe de Hiss, onde sofre um pequeno retardo e rapidamente alcança os feixes direito e esquerdo e as fibras terminais de Purkinje, que por sua vez, estimulam o miocárdio ventricular. O nódulo sinusal, o nódulo átrioventricular e o feixe de Purkinje recebem terminações nervosa simpáticas e parassimpáticas.20 O sistema nervoso autônomo influencia tônica e reflexamente o sistema cardiovascular. Evidências mostram a importância da hiperatividade simpática na fisiologia da hipertensão. Da mesma forma, a redução da função parassimpática 33 parece contribuir para o aumento da variabilidade da pressão arterial e, podendo atingir também as lesões de órgãos-alvo.61 A manutenção de estabilidade cardíaca sofre interferência do sistema nervoso autônomo com seus ramos simpáticos e parassimpáticos, porém em relação a variabilidade da pressão arterial, o sistema simpático torna-se mais influente. Quando ocorre a estimulação simpática, liberam-se as catecolaminas adrenalina e noradrenalina, que produzem aumento da frequência dos impulsos elétricos do nódulo sinusal. A estimulação parassimpática ou vagal, se faz através da acetilcolina e tem o efeito oposto, reduzindo a frequência dos impulsos.20,62 2.4. Variabilidade da pressão arterial A doença cardiovascular é causada por desordens no coração e nos vasos e apesar da melhora de estratégias para prevenir doença coronariana, o número de procedimentos cirúrgicos estão em constante crescimento, devido principalmente ao aumento da população idosa. Dentre vários fatores que contribui para o aparecimento da doença cardiovascular, um dos mais frequentes e importantes é a hipertensão.63 A hipertensão arterial, ou seja, nível pressórico sistólico igual ou superior a 140 mmHg e/ou nível pressórico diastólico igual ou superior a 90 mmHg, pode ocasionar alterações funcionais e/ou estruturais além de metabólicas, levando a lesões de órgãos-alvo (coração, encéfalo, rins e vasos sanguíneos). Estas lesões crônicas e às vezes assintomáticas, podem justificar os 25% das mortes dos pacientes por doença arterial coronariana. Este fato faz com que a hipertensão seja considerada um dos principais fatores de risco modificáveis e grande problema de saúde pública, sendo importante na elevação da taxa de morbidade e mortalidade cardiovascular.64 A alteração da pressão arterial e/ou da frequência cardíaca é um fator de risco importante. A verificação domiciliar está sendo incentivado para identificação da variabilidade desses dois fatores. Este índice pode fornecer dados para estratificação de risco, podendo evitar ou diminuir a ocorrência de eventos cardiovasculares.65 Atualmente quando os pacientes submetidos a CRM apresentam hipertensão arterial sistólica, constata-se o aparecimento de alguns quadros adversos como 34 acidente vascular cerebral (AVC), doença renal e insuficiência cardíaca que podem sugerir que o controle da pressão arterial foi inadequado, porém esse fato necessita ser suficientemente estudado, porque até pouco tempo só era importante a pressão diastólica. A variabilidade da pressão arterial intraoperatória é considerada preditora de mortalidade em 30 dias de pós-operatório18,66. Em 2011, Schillaci and Pucci67 constataram que a VPAM é um forte preditor de acidente vascular cerebral e eventos coronarianos, o que demonstra uma mudança em relação a pressão arterial como fator de risco. A flutuação dos valores médios da pressão arterial média, tanto em curtos como em longos períodos é resultado de uma interação complexa entre o estímulo ambiental externo e o mecanismo de resposta cardiovascular. Apesar de ser necessária a realização de mais estudos, a monitorização da VPA dia e noite, é um importante marcador de risco cardiovascular. As alterações da pressão arterial (PA) resultam da disfunção dos sistemas de controle. A modulação do sistema cardiovascular é complexa e é realizado em grande parte pelo Sistema Nervoso Autônomo (SNA), com seus ramos simpático e parassimpático que contribuem para resposta cardiovascular tanto em estados fisiológicos quanto nos patológicos, porém, o que mais tem influência sobre a PA é sistema nervoso simpático.20,62 Diferentes fatores funcionais influenciam na variação do tônus vascular, dentre eles, destaca-se a atividade simpática. Três grandes arcos reflexos estão envolvidos na modulação e são ligados aos barorreceptores arteriais, aos receptores cardiopulmonares e aos quimiorreceptores arteriais, que operam para manter a PA próximo ao normal.19,20 35 Figura 4: Barorreceptores. Fonte: Google imagens, Internet O reflexo barorreceptor é o mais conhecido no controle da PA. São terminações nervosas, tipo buquê, localizadas nas paredes das artérias. São abundantes na parede de cada artéria carótida interna, no seio carotídeo e na parede do arco aórtico. É desencadeado por receptores de estiramento, e é responsável pelo controle da PA momento a momento. Menor sensibilidade dos barorreceptores é provavelmente a maior influência no aumento da variabilidade da PA em indivíduos hipertensos e indiretamente está associada e lesões de órgãosalvo.19,20 O aumento da pressão arterial estira os barorreceptores, fazendo com que transmitam sinais para o sistema nervoso central. Sinais de "feedback" são enviados de volta pelo sistema nervoso autônomo para a circulação reduzindo a PA até seu nível normal. Apesar de os barorreceptores arteriais serem importante na regulação da mesma minuto-a-minuto, sua atuação no controle a longo prazo ainda é controversa.20 Os receptores cardiopulmonares possuem três grupos que são ativados por mudanças na pressão das câmaras cardíacas. O primeiro grupo, localizado nas junções veno-atriais, é ativado pelo enchimento e contração atriais. A distensão mecânica dessas regiões estimula esses receptores, que reflexamente promovem aumento da frequência cardíaca devido à elevação da atividade simpática para o nodo sino-atrial.19 36 O segundo grupo de receptores cardiopulmonares, comporta-se, quando ativado, como os mecanorreceptores carotídeos e aórticos, reduzindo a atividade simpática e aumentando a atividade do vago para o coração.19 O terceiro grupo segue junto aos aferentes cardíacos simpáticos até a medula espinhal e são ativados por estímulos mecânicos ou por estímulos químicos gerados em áreas isquêmicas do miocárdio, quando também ocorre sensação dolorosa.19 Os quimiorreceptores arteriais são constituídos por células altamente especializadas, capazes de detectar alterações da pressão parcial de oxigênio (pO2), pressão parcial de dióxido de carbono (pCO2) e pressão hidrogeniônica do sangue. Encontram-se distribuídos em corpúsculos carotídeos e aórticos, localizados bilateralmente na bifurcação da carótida comum (quimiorreceptores carotídeos) ou em pequenos corpúsculos espalhados entre o arco aórtico e a artéria pulmonar (quimiorreceptores aórticos).19,20 A ativação dos quimiorreceptores periféricos, quando a PA diminui a um nível crítico, ocorre porque a diminuição do fluxo sanguíneo provoca a redução dos níveis de oxigênio e o acúmulo de dióxido de carbono e de íons hidrogênio que não são removidos pela circulação. São necessários ajustes ventilatórios. A variabilidade da pressão arterial durante a cirurgia é associada a eventos pós-operatórios adversos exercendo, portanto, um importante papel no controle reflexo da ventilação.19,20,66 37 3. MATERIAL E MÉTODOS 3.1. Aspectos éticos Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisas (CEP) da Faculdade de Ciências Médicas (FACIME) da Universidade Estadual do Piauí (UESPI) sob número de registro 128/11 seguindo as recomendações da resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde – Ministério da Saúde, envolvendo pesquisa em seres humanos e pela Comissão de Ética do Hospital São Marcos, aonde foi realizado o estudo clínico. 3.2. Tipo de pesquisa Estudo longitudinal, prospectivo, observacional e analítico. Foi realizado no Hospital São Marcos na cidade de Teresina – Piauí com pacientes submetidos a cirurgia eletiva de revascularização do miocárdio com circulação extracorpórea. O estudo foi registrado no clinicaltrials.gov. com o número NCT02074371. 3.3. Amostra Sessenta e nove pacientes foram recrutados para o estudo, porém 25 não se estavam de acordo com os critérios de inclusão e/ou exclusão. No total para a pesquisa foram incluídos 44 pacientes, de ambos os sexos, maiores de 18 anos que foram submetidos a cirurgia eletiva de revascularização do miocárdio com circulação extracorpórea no Hospital São Marcos, na cidade de Teresina – Piauí, no período de novembro de 2011 a maio de 2012. 3.3.1. Critérios de inclusão Ambos os sexos; Idade maior que 18 anos; Doença coronariana comprovada por estudo cinecoronariográfico; 38 Primeira cirurgia eletiva de revascularização do miocárdio com circulação extracorpórea; Uso da artéria torácica interna esquerda e/ou safena; Fração de ejeção ventricular maior que 50%; Pacientes que, após o procedimento cirúrgico, mantiveram-se em ventilação espontânea no primeiro dia de pós-operatório; Ausência de doença pulmonar crônica ou aguda; Assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido concordando com a participação no estudo. 3.3.2. Critérios de exclusão Alteração da técnica cirúrgica no intra-operatório; Complicações transoperatórias e/ou na Unidade de Terapia Intensiva; Reoperação em caráter de urgência; Insuficiência renal; Não concordância em continuar a participar do estudo; Presença de outras cardiopatias; Presença de doenças pulmonares. 3.4. Coleta de dados 3.4.1. Pré-operatório Os dados da história e exame clinico foram registrados em uma ficha de avaliação específica, elaborada para esta pesquisa contendo dados pessoais, avaliação da função pulmonar, fatores de risco para doença coronariana e doenças associadas, como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, tabagismo, dentre outras (ANEXO A) 39 Figura 5: Volumes e capacidades pulmonares. VC – volume corrente; VRI – volume de reserva inspiratória; VRE – volume de reserva expiratória; VR - volume residual; CI – capacidade inspiratória; CV – capacidade vital; CPT – capacidade pulmonar total; CRF – capacidade residual funcional. Fonte: Google imagens, internet Os dados da história e exame clinico foram registrados em uma ficha de avaliação específica, elaborada para esta pesquisa contendo dados pessoais, avaliação da função pulmonar, fatores de risco para doença coronariana e doenças associadas, como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, tabagismo, dentre outras (ANEXO A) Através da análise do Índice de Massa Corpórea (IMC) foi determinado o estado nutricional calculado pela relação peso/altura² (Kg/m2). Onde, segundo a organização mundial de saúde, é considerado normal entre 18,5 e 24,99; abaixo do peso ≤ 18,5; moderado e severa magreza ≤ 17; sobrepeso ≥ 25; pré-obeso entre 25,0 e 29,99; obeso - ≥ 30. Para avaliação da força muscular respiratória foi utilizado um manovacuômetro analógico, marca WIKA modelo MV 300® com escala de +/- 300 cmH2O (WIKA Brasil Industria Comercio, Iperó, Brasil), com os pacientes sentados e os pés apoiados. As narinas ocluídas com o clip nasal e bocal do equipamento acoplado à boca. A verificação foi realizada conectando o manômetro ao paciente através de conectores específicos. Antes da realização do exame, o procedimento foi explicado para cada paciente e foi essencial que o terapeuta observasse a presença de vazamento pela região próxima a boca, assim como a utilização em excesso da musculatura acessória. 40 A pressão inspiratória máxima foi aferida iniciando-se com a inspiração a partir do volume residual (Figura 5) ocluindo-se o orifício próximo ao bocal e solicitado uma inspiração máxima até a capacidade pulmonar total permanecendo a sustentação por aproximadamente dois segundos. A pressão expiratória máxima, foi verificada com a expiração a partir da capacidade pulmonar total até o volume residual, mantendo também a sustentação por aproximadamente dois segundos.68 A manobra foi realizada por três vezes, sendo considerada a maior medida. De acordo com Azeredo,11 as pressões respiratórias são classificadas em fraqueza (PImáx entre -70 e -45 cmH2O), fadiga (PImáx entre -40 e -25 cmH2O) e falência muscular (PImáx < -25 cmH2O). A taxa de pico de fluxo expiratório máximo, foi avaliada com o equipamento Assess Peak Flow® (Philips Respironics) e aferida com os pacientes na posição sentada, realizaram uma inspiração máxima até a capacidade pulmonar total, seguida de pausa inspiratória rápida de aproximadamente dois segundos, e logo após realizaram uma expiração forçada. Este procedimento foi repetido por três vezes e considerado o maior valor.68 Como já foi descrito anteriormente, o Euroscore foi inicialmente utilizado como ferramenta de prevenção de morbidade e mortalidade em cirurgia cardíaca. Nesta pesquisa esse método foi utilizado para tentar identificar relação entre os fatores de risco estabelecidos pelo EuroScore para doença coronariana e a presença de alterações da função pulmonar no pós-operatório de cirurgia eletiva de revascularização do miocárdio. Esse percentual foi calculado de acordo com o peso de cada fator de risco já previamente estabelecidos e em calculadora específica (Figura 3) para esse modelo.55,56 3.4.2. Intra-operatório. 3.4.2.1. Técnica anestésica Todos os pacientes receberam semelhante técnica anestésica, para este tipo de procedimento neste hospital. Durante a cirurgia os parâmetros hemodinâmicos foram monitorados continuamente de acordo com as normas utilizadas no serviço de cirurgia cardíaca. 41 Segundo o médico responsável pela anestesia da equipe de cirurgia cardíaca do hospital em que foi realizado a pesquisa, a cirurgia cardíaca corresponde a um dos maiores desafios para os anestesiologistas. Demanda conhecimentos profundos das patologias cardíacas, circulação extracorpórea, farmacologia e a influência dos anestésicos venosos e inalatórios no sistema cardiovascular. Avaliação pré-anestésica é fundamental e imperativa em todos os pacientes. além dos dados corriqueiros, é preciso saber: peso, altura, dados laboratoriais, principalmente coagulograma, hematócrito, hemoglobina, ureia, creatinina, glicemia e eletrólitos, raios X de toráx, ecocardiograma, cineangiocoronariografia e os medicamentos que estão em uso. O preparo da sala de operação é de extrema importância antes da chegada do paciente assim como as drogas que serão utilizadas. Como midazolam, propofol e fentanil, opióides, relaxante muscular. Também são utilizados noradrenalina, dobutamina e nitroprussiato para minimizar o desconforto da monitorização hemodinâmica, salientando a influência do efeito dessas medicações na mecânica respiratória. Segundo o anestesista é evidente que cada paciente é visto individualmente. É importante lembrar a rotina de coleta de sangue para realização de gasometria antes, durante e logo após a CEC. Ao final da cirurgia, manter sedação leve visando o transporte para a UTI, o objetivo é que o paciente seja extubado em torno de quatro a cinco horas após a cirurgia. 3.4.2.2. Técnica cirúrgica De acordo com o cirurgião cardíaco da equipe de cirurgia cardíaca deste hospital em Teresina – Piauí, o procedimento cirúrgico é realizado através da esternotomia mediana longitudinal, dissecção de mamária interna esqueletizada (sem pedículo, só exclusivamente a artéria), os ramos intercostais são fixados com clips, com menor agressão para o esterno e a musculatura. A safena magna é dissecada e o pericardio é amplamente aberto, ocorre a heparinização sistêmica e canulação da aorta e auriculeta direita, iniciando assim a circulação extracorpórea. Orientado pelo cateterismo (cineangiocoronariografia) analisado previamente, localiza-se os vasos que serão revascularizados com mamária e safena. Em seguida 42 é realizado o clampeamento da aorta ascendente e infusão de cardioplegia gelada a cada 20 min para proteção miocárdica. Preferencialmente é utilizada a ponte da mamaria esquerda para descendente anterior (interventricular anterior), porque os resultados cirúrgicos são efetivamente melhores. Assim que o equilíbrio hemodinâmico é atingido, a circulação extracorpórea é interrompida. Realizada revisão de hemostasia, drenado mediastino e tórax, quando as pleuras são abertas. Colocado fio de marcapasso em ventrículo direito. Fechamento do tórax por planos anatômicos (muscular, subcutâneo e pele). Durante todo o procedimento cirúrgico, os padrões hemodinâmicos como pressão arterial média, temperatura, frequência e ritmo cardíaco foram monitorados continuamente. 3.4.3. Pós-operatório 3.4.3.1. Pós-operatório imediato Figura 6: Monitor cardíaco da UTI. Fonte: Pesquisa 43 Figura 7: Leito da UTI. Fonte: Pesquisa Ao final da cirurgia, os pacientes foram transferidos para a unidade de pósoperatório de cirurgia cardíaca e foram seguidos os procedimentos de rotina (ventilação mecânica, fisioterapia, extubação, etc.) deste setor. A monitorização contínua de frequência cardíaca e pressão arterial foi verificada através de esfigmomanômetro posicionado no braço direito a cada 30 min e visualizado através do monitor DIXTAL 2220®, e salvos em uma central específica para a pesquisa. As variáveis analisadas foram: Desvio padrão (DP), Coeficiente de variação (CV), Variação Independente da Média (VIM), Variedade Sucessiva da Média (VSM), de acordo com o estudo realizado em 2010 por Dolan e O'Brien.69 3.4.3.2. Pós-operatório tardio A B C Figura 8: Equipamentos para avaliação respiratória. A – Manovacuometro e Peak Flow; B – manovacuometria; C – Peak Flow. Fonte: Pesquisa e google imagens, internet 44 Em quarenta e quatro pacientes, de ambos sexos, após o período de unidade de terapia intensiva (UTI UTI) até o sétimo dia pós-cirúrgico, a monitorização diária da PA foi verificada através do esfigmomanômetro esfigmomanômetro BIC e estetoscópio Littmann. Lit Os parâmetros da função o pulmonar através da verificação das pressões respiratórias (PImáx e PEmáx), pico ico de fluxo expiratório expiratór (Figuras 8A, 8B e 8C, C, conforme descrito no item 3.4.1). As avaliações do antes e depois da cirurgia foram fo realizada de forma realizadas padronizada pela autora: autora parâmetros respiratórios – antes da cirurgia, durante a cirurgia, pós-operatório operatório imediato (UTI) e pós-operatório pós operatório tardio, tardio de acordo com a figura abaixo (Figura 9). ). Parâmetros da cirurgia Parâmetros depois da cirurgia (UTI e PO tardio) Parâmetros antes da cirurgia Parâmetros respiratórios Antes da cirurgia EuroScore PMáx PEmáx PFE Durante a cirurgia Cardioplegia Tempo de CEC Tempo de Clamp Nº e tipo de enxertos Pós-cirúrgico UTI Pós-cirúrgico Tardio VPAM DP CV VIM VSM PImáx PEmáx PFE Figura 9. Parâmetros coletados. Fonte: Pesquisa 45 Medidas de variabilidade da pressão arterial média69 Desvio padrão (DP) = Raiz quadrada [soma (leitura individual – média)2 / número de leituras] Coeficiente de variação (CV) = DP / média Variação independente da média (VIM) = DP / médiax, onde x é um parâmetro de ajuste da função VIM á curva DP vs. média. VIM é semelhante com o CV, porem não é correlata com a PA média Variabilidade sucessiva da média (VSM) = Média da diferença absoluta entre os valores sucessivos 3.5. Análise estatística Para esta pesquisa, a amostra contemplou os indivíduos que foram submetidos a procedimento eletivo de cirurgia de revascularização do miocárdio com circulação extracorpórea no período de novembro de 2011 a maio de 2012, respeitando para utilização dos critérios de inclusão e exclusão. Construiu-se um banco de dados alimentado através dos procedimentos adotados nos pacientes desde a fase pré-operatória até uma semana após o procedimento cirúrgico. No banco de dados as variáveis foram categorizadas nos níveis de mensuração nominal, ordinal e intervalar e passaram por uma análise estatística descritiva. Estes procedimentos geraram descrição do perfil da amostra quanto às características relacionadas à idade do paciente, gênero, tabagismo, doenças associadas e índice de massa corpórea. Além disso, descreveu-se também o número e tipos de enxertos utilizados. Para a associação das variáveis de natureza quantitativa que não se apresentaram com distribuição normal, constatação observada através do teste de Shapiro-Wilk ao nível de significância de 5% de probabilidade e àquelas de natureza nominal ou ordinal, procedeu-se ao uso do teste de correlação não paramétrico de Spearman (rs) enquanto nas outras usou-se a correlação de Pearson (r). 46 As variáveis respiratórias (PImáx e PEmáx) que apresentaram distribuição normal foram submetidas à ANOVA adotando-se o nível de 5% de significância. Os dados analisados usando software estatístico, Prisma 6®. 47 4. RESULTADOS 4.1. Perfil pré-operatório. 4.1.1. Dados antropométricos. O estudo foi realizado em um hospital situado na cidade de Teresina, Piauí no período de novembro de 2011 a maio de 2012. O grupo estudado foi homogêneo, os dados revelados a seguir mostram as variáveis do estudo que definem o perfil da população quanto à idade do paciente, gênero, IMC, tabagismo, comorbidades associadas, tipos e número de enxertos (Tabelas 1, 2 e 3). Em relação a ausculta pulmonar e frequência respiratória, todos os pacientes foram observados no pré-operatório, tendo sido considerados dentro da normalidade. Os parâmetros respiratórios PImáx, PEmáx e PFE após a saída dos pacientes da Unidade de Terapia Intensiva no terceiro dia de pós-operatório foram correlacionados com a idade; gênero; tabagismo e IMC dos sujeitos da pesquisa e são apresentados na Tabela 4. Tabela 1: Perfil da população revelando IMC por gênero. Perfil Média ± DP Mínimo Máximo IMC (Kg/m2) - Geral (n=44) 26,25 ± 3,93 19,50 36,50 - Feminino (n=11) 25,85 ± 4,43 19,50 35,00 - Masculino (n=33) 26,38 ± 3,81 20,20 36,50 48 Tabela 2: Frequências de faixa etária, gênero, tabagismo e comorbidades associadas. Frequência (N) Percentagem (%) - Até 50 anos 4 9,09 - Entre 51 e 60 anos 13 29,55 - Entre 61 e 70 anos 19 43,18 - Entre 71 e 80 anos 8 18,18 - Feminino 11 25,00 - Masculino 33 75,00 - Sim 3 6,82 - Não 16 36,36 - Ex-Fumante 25 56,82 - Hipertensão 13 30,23 - Diabetes 3 6,98 - Dislipidemia 1 2,33 - Hipertensão + Diabetes 7 16,28 - Hipertensão + Dislipidemia 8 18,60 - Hipertensão + Diabetes + Dislipidemia 1 2,33 - Hipertensão + Diabetes + Dislipidemia + Outras 2 4,65 - Hipertensão + Diabetes + Outras 4 9,30 - Hipertensão + Dislipidemia + Outras 1 2,33 - Outras 1 2,33 - Nenhuma 3 4,65 Dados Categóricos Faixa Etária Gênero Tabagismo Comorbidades associadas (n=44) (n=44) (n=44) (n=44) 49 Tabela 3: Frequências das variáveis números de enxertos e tipos de pontes Frequência (N) Percentagem (%) - Um 4 9,09 - Dois 7 15,91 - Três 23 52,27 - Quatro 9 20,45 - Acima de quatro 1 2,27 - Mamária 6 13,64 - Safena 1 2,27 - Mista 37 84,09 Dados Categóricos Número de enxertos Tipos de Enxertos (n=44) (n=44) Tabela 4: Coeficientes de correlação entre os parâmetros relacionados à PImáx, PEmáx, PFE com a idade; gênero; tabagismo no pós-operatório tardio N r(1) p - Idade 39 0,3822 0,0163 - Gênero 39 -0,2544 0,1180 - Tabagismo 39 0,0692 0,6755 - IMC 39 0,0784 0,6351 - Idade 36 -0,4365 0,0077 - Gênero 36 0,2516 0,1387 - Tabagismo 36 0,0751 0,6632 - IMC 36 0,0336 0,8459 - Idade 38 -0,2739 0,0961 - Gênero 38 0,4003 0,0127 - Tabagismo 38 0,3128 0,0558 - IMC 38 0,1466 0,3866 Parâmetro PImáx PEmáx PFE (1) - Correlações de Pearson (r), exceção para as variáveis: gênero e tabagismo em que se fez uso da Correlação de Spearman (rs). 50 Estes resultados permitiram caracterizar a população quanto aos critérios estabelecidos para a realização da pesquisa. 4.1.2. Avaliação do EuroScore associado aos parâmetros respiratórios A média do EuroScore neste estudo foi de 0,68 ± 0,2 obtido no pré-operatório e foi associado aos parâmetros respiratórios após a saída dos pacientes da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do terceiro ao sétimo dia após a CRM. As correlações entre EuroScore e os parâmetros respiratórios PImáx, PEmáx e PFE são apresentadas na Figura 10. Figura 10: Coeficientes de correlação de Spearman (rs) entre EuroScore e os parâmetros respiratórios PImáx, PEmáx e PFE em pacientes submetidos à CRM com CEC. 51 4.1.3. Pressões respiratórias e pico de fluxo expiratório máximo no préoperatório comparados ao pós-cirúrgico Os parâmetros respiratórios PImáx, PEmáx, PFE foram avaliados no pré-operatório (controle) e nos dias que sucederam a saída dos pacientes da UTI. Os dados submetidos à ANOVA são apresentados na Tabela 5. Tabela 5: PImáx, PEmáx e PFE no pré-operatório e a partir do terceiro ao sétimo dia após CRM. Parâmetro Avaliado n Média ± DP Valor Valor Mínimo Máximo PImáx p 0,0255 - Pré-operatório 44 -76,82 ± 38,73 -240,00 -20,00 - 3° dia PO 39 -57,69 ± 32,58 -150,00 -20,00 - 4° dia PO 37 -69,32 ± 50,88 -240,00 -20,00 - 5° dia PO 30 -75,67 ± 45,48 -200,00 -20,00 - 6° dia PO 24 -90,00 ± 48,81 -200,00 -20,00 - 7° dia PO 13 -96,92 ± 47,33 -180,00 -40,00 PEmáx 0,0136 - Pré-operatório 42 88,21 ± 37,12 15,00 150,00 - 3° dia PO 36 63,61 ± 35,77 15,00 150,00 - 4° dia PO 36 70,00.± 37,34 20,00 200,00 - 5° dia PO 30 79,00 ± 39,64 25,00 170,00 - 6° dia PO 23 91,09 ± 40,73 30,00 180,00 - 7° dia PO 13 91,92 ± 27,27 45,00 135,00 PFE < 0,0001 - Pré-operatório 44 372,25 ± 111,98 150,00 630,00 - 3° dia PO 38 207,50 ± 67,60 100,00 430,00 - 4° dia PO 38 237,24 ± 73,36 90,00 410,00 - 5° dia PO 32 279,69 ± 78,27 100,00 450,00 - 6° dia PO 25 318,00 ± 79,74 150,00 450,00 - 7° dia PO 14 338,57 ± 84,29 200,00 500,00 52 Foi procedida também a correlação de Spearman (rs) entre parâmetros respiratórios e os dias após a CRM. Os resultados são apresentados na Figura 11. Figura 11: Parâmetros respiratórios no pré e pós-operatório. *p<0,05, **p<0,01, #p,0,001 53 4.2. Variáveis intraoperatórias 4.2.1. Cardioplegia, tempo de CEC, tempo de Clamp, número e tipo de enxertos Os parâmetros respiratórios foram avaliados no pós-operatório, após a saída dos pacientes da UTI e associados com os parâmetros intraoperatórios. Os resultados são apresentados na Tabela 6. Tabela 6: Coeficientes de correlação entre os parâmetros relacionados à PImáx, PEmáx e PFE com o número de enxertos, tipos de enxerto, tempo de clamp (min), cardioplegia (mL) e tempo de CEC (min). n r(1) p - Nº de Enxertos 39 0,0509 0,7584 - Tipo de Enxerto 39 -0,0017 0,9919 - Tempo de Clamp (min) 37 -0,0248 0,8842 - Cardioplegia (ml) 35 0,0205 0,9068 - Tempo de CEC (min) 39 0,0692 0,6755 - Nº de Enxertos 35 0,3021 0,0777 - Tipo de Enxerto 36 0,1133 0,5105 - Tempo de Clamp (min) 34 0,1102 0,5348 - Cardioplegia (ml) 32 -0,0587 0,7497 - Tempo de CEC (min) 36 -0,0048 0,9779 - Nº de Enxertos 38 -0,1147 0,4929 - Tipo de Enxerto 38 -0,0014 0,9932 - Tempo de Clamp (min) 36 -0,0256 0,8821 - Cardioplegia (ml) 34 -0,1592 0,3683 - Tempo de CEC (min) 38 0,0466 0,7813 Parâmetro PImáx PEmáx PFE (1) - Correlações de Pearson (r), exceção para a variável tipo de enxerto em que se fez uso da Correlação de Spearman (rs). 54 A correlação de Spearman’s entre os parâmetros intraoperatórios e entre eles e os parâmetros pós-operatórios, variabilidade da pressão arterial média e parâmetros respiratórios é mostrada nas Figuras 12, 13, 14 e 15. Correlação Spearman ρ -1.0 -0.5 0.0 0.5 1.0 vol. de cardioplegia (ml) tempo de CEC (min) tempo de clamp (min) *** no de enxertos DP PAM UTI CV PAM UTI VIM PAM UTI VSM PAM UTI DPVSM PAM UTI PImax pré-op PImax dia 3 PImax dia 4 PImax dia 5 PImax dia 6 PImax dia 7 PEmax pré-op PEmax dia 3 PEmax dia 4 PEmax dia 5 PEmax dia 6 PEmax dia 7 PFE pré-op PFE dia 3 PFE dia 4 PFE dia 5 PFE dia 6 PFE dia 7 . Figura 12: Correlação de Spearman’s entre os parâmetros intraoperatórios (volume de cardioplegia) e entre eles e os parâmetros pós-operatórios, variabilidade da pressão arterial média e parâmetros respiratórios. ***p<0,001 55 Correlação Spearman ρ -1.0 -0.5 0.0 0.5 1.0 vol. de cardioplegia (ml) tempo de CEC (min) tempo de clamp (min) no *** de enxertos DP PAM UTI CV PAM UTI VIM PAM UTI VSM PAM UTI DPVSM PAM UTI PImax pré-op PImax dia 3 PImax dia 4 PImax dia 5 PImax dia 6 PImax dia 7 PEmax pré-op PEmax dia 3 PEmax dia 4 PEmax dia 5 PEmax dia 6 PEmax dia 7 PFE pré-op PFE dia 3 PFE dia 4 PFE dia 5 PFE dia 6 PFE dia 7 Figura 13: Correlação de Spearman’s entre os parâmetros intraoperatórios (tempo de CEC) e entre eles e os parâmetros pós-operatórios, variabilidade da pressão arterial média e parâmetros respiratórios. ***p<0,001 56 Correlação Spearman ρ -1.0 -0.5 0.0 0.5 1.0 n o de enxertos tempo de clamp (min) vol. de cardioplegia (ml) *** tempo de CEC (min) DP PAM UTI CV PAM UTI VIM PAM UTI VSM PAM UTI DPVSM PAM UTI PImax pré-op PImax dia 3 PImax dia 4 PImax dia 5 PImax dia 6 PImax dia 7 PEmax pré-op PEmax dia 3 PEmax dia 4 PEmax dia 5 PEmax dia 6 PEmax dia 7 PFE pré-op PFE dia 3 PFE dia 4 PFE dia 5 PFE dia 6 PFE dia 7 Figura 14: Correlação de Spearman’s entre os parâmetros intraoperatórios (tempo de clamp aórtico) e entre eles e os parâmetros pós-operatórios, variabilidade da pressão arterial média e parâmetros respiratórios. ***p<0,001 57 Correlação Spearman ρ -1.0 -0.5 0.0 0.5 1.0 vol. de cardioplegia (ml) tempo de CEC (min) *** tempo de clamp (min) no de enxertos DP PAM UTI CV PAM UTI VIM PAM UTI VSM PAM UTI DPVSM PAM UTI PImax pré-op PImax dia 3 PImax dia 4 PImax dia 5 PImax dia 6 PImax dia 7 PEmax pré-op PEmax dia 3 PEmax dia 4 PEmax dia 5 PEmax dia 6 PEmax dia 7 PFE pré-op PFE dia 3 PFE dia 4 PFE dia 5 PFE dia 6 PFE dia 7 Figura 15: Correlação de Spearman’s entre os parâmetros intraoperatórios (número e enxertos) e entre eles e os parâmetros pós-operatórios, variabilidade da pressão arterial média e parâmetros respiratórios. ***p<0,001 58 4.3. Variáveis pós-cirúrgicas 4.3.1. Variabilidade da pressão arterial média em UTI A variabilidade pressão arterial média (PAM) avaliada através do Desvio Padrão (DP), do Coeficiente de Variação (CV), da Variação Independente da Média (VIM), da Variabilidade Sucessiva da Média (VSM) foram associadas com os parâmetros respiratórios (pré e pós-operatório). As correlações encontradas são mostradas nas Figuras 16 a 19. Desvio padrão (DP) da PAM na UTI e parâmetros respiratórios Figura16:. Correlação de Spearman’s entre DP da PAM na UTI e parâmetros respiratórios, *p < 0,05. 59 Coeficiente de variação (CV) da PAM na UTI e parâmetros respiratórios. Figura 17: Correlação de Spearman’s entre CV da PAM na UTI e parâmetros respiratórios, *p < 0,05. 60 Variação independente da média (VIM) da PAM na UTI e parâmetros respiratórios. Figura 18: Correlação de Spearman’s entre VIM da PAM na UTI e parâmetros respiratórios, p< 0,05 de significância estatística. (– 1) corresponde ao pré-operatório 61 Variabilidade sucessiva da média (VSM) da PAM na UTI e parâmetros respiratórios Figura 19: Correlação de Spearman’s entre VSM da PAM na UTI e parâmetros respiratórios, *p<0,05. 62 5. DISCUSSÃO 5.1. Perfil da população O grupo estudado foi homogêneo em relação aos dados antropométricos: idade, gênero e IMC, assim como as variáveis intraoperatórias (tipo e número de enxertos, tempo de CEC, tempo de clamp). Registrou-se uma maior prevalência para o sexo masculino dentro da população em decorrência do acaso na pesquisa, provavelmente devido ao tamanho da população discordando de Lima e Kubrusly,2 porém está de acordo com Gimenes et al.70 que em seu estudo de associação de variáveis pré e intraoperatórias com complicações pós-operatórias foram encontrados 67% de prevalência para o sexo masculino. Com relação as características clínicas, comorbidades e fatores de risco para doença arterial coronariana, o grupo também foi homogêneo, estando de acordo com Schnaider et al.71 A incidência de doenças associadas encontra-se na Tabela 2. 5.2. EuroScore e parâmetros respiratórios A utilização do EuroScore com o objetivo de correlacionar taxa de morbidade e de mortalidade em cirurgia cardíaca já é conhecido na literatura.55,57,72,73 A classificação neste método é realizada de acordo com o peso de cada fator de risco previamente estabelecido e os cálculos são realizados em calculadora específica de acordo com o estudo de Nashef et al.,55 nesta pesquisa a utilização do EuroScore consistiu na possível identificação da relação com a presença de alterações pulmonares no pósoperatório. A população estudada foi classificada como de baixo risco (0-2) quando avaliada junto aos critérios de inclusão e exclusão. Neste estudo foi encontrado uma relação estatisticamente significativa entre o EuroScore e a PImáx no 3º e 4º PO e durante todo o pós-operatório com a PEmáx. O maior efeito sobre as pressões respiratórias foram observados no 3º e 4º PO onde ambas se relacionaram estatisticamente, e o PFE foi significativo nos 5º e 6º PO (Figura 10). Como já foi descrito anteriormente 6,82% dos pacientes eram fumantes e 56,82 ex-fumantes, perfazendo um total de 63,6% (28 pacientes). Apesar de toda 63 população ter sido classificada no EuroScore como sendo de "baixo risco" (0-2), foi observado que o tabagismo está presente em importante percentual dos indivíduos estudados, embora neste método não possua este fator diretamente em seu cálculo específico, estudos mostram que este hábito contribui no aparecimento de alterações pulmonares e da mecânica respiratória, interferindo no volume pulmonar e facilitando o aparecimento de outras complicações como a disfunção diafragmática pelo aumento do trabalho respiratório.74,75 Santos et al.,76 em estudo retrospectivo com 100 pacientes submetidos a cirurgia eletiva de revascularização do miocárdio concluíram que o fumo (indivíduos fumantes e ex-fumantes) apresentou associação com o aparecimento de hipóxia e consequentemente alteração pulmonar. Em outro estudo, realizado em 2005 com 70 pacientes, foi analisada a função pulmonar e foi concluído que houve influência do tabagismo nas trocas gasosas no pós-operatório.77 Neste estudo, o EuroScore foi utilizado com a finalidade de comparar os dados pré-operatórios com as complicações pulmonares pós-operatórias. Encontra-se na literatura alguns estudos, que já o utilizam com objetivos diferentes além da previsão de mortalidade como já foi descrito, mas também para tempo de internação, complicações específicas de cirurgia cardíaca entre elas, as respiratórias.78,79 5.3. PImáx, PEmáx e PFE no pré-operatório e pós-cirúrgico Na verificação das medidas da função da musculatura respiratória na avaliação da depressão pós-operatória, a PImáx reflete a força diafragmática e outros músculos inspiratórios, enquanto a PEmáx reflete a força dos músculos abdominais e intercostais. O PFE é considerado fisiologicamente como substituto da medida do volume expiratório forçado no primeiro segundo.80,81 Ao relacionar a força muscular respiratória no pré-operatório com as alterações no pós, foi observado que ocorreu significativa diminuição. As correlações estabelecidas comprovam e revelam depressões para todos os parâmetros respiratórios, PImáx, PEmáx e PFE (Figura 18). Esses achados estão de acordo com Albu et al.82 em estudo onde avaliaram as vias aéreas e mecânica respiratória em 35 pacientes no dia anterior e por seis dias após a cirurgia cardíaca e concluíram 64 que é importante o atendimento na tentativa de reduzir alterações pulmonares, em virtude do declínio da força muscular respiratória. As complicações pulmonares são responsáveis pela morbimortalidade e pelo aumento dos custos hospitalares. McAllister et al.83 em estudo retrospectivo, observaram que houve relação na redução importante no volume expiratório forçado no primeiro segundo, com o tempo de internação hospitalar. A redução ou alteração da mecânica respiratória no pós-operatório, pode estar associada a fatores como os efeitos da cirurgia, esternotomia, circulação extracorpórea, dor, drogas anestésicas, drenos, ventilação mecânica. Algumas estratégias cirúrgicas podem minimizar esse quadro, por exemplo, técnicas minimamente invasivas e mobilização precoce da musculatura respiratória.36,46,84-86. A função respiratória na cirurgia cardíaca pode ser alterada através dos mecanismos acima citados como também pelas reações sistêmicas87 e respostas do sistema nervoso simpático.88,89 Nesta pesquisa ocorreu importante redução dos parâmetros respiratórios (PImáx, PEmáx e PFE) estando de acordo com o estudo realizado por Matheus et al.90 quando avaliaram se o treinamento muscular influenciaria no volume pulmonar de 47 pacientes submetidos a CRM onde os mesmos apresentaram redução desses parâmetros mostrada pela diminuição da capacidade vital e força muscular respiratória no pós-operatório. Ozkara et al.,91 estudaram o efeito da preparação da artéria torácica interna na função respiratória dos pacientes submetidos a revascularização do miocárdio, eles dividiram a amostra em dois grupos, o primeiro mantendo a pleura intacta e o segundo com abertura da pleura. Em ambos os grupos ocorreu redução da função pulmonar, porém os autores concluíram que o grupo em que houve preservação da integridade da pleura teve efeito satisfatório na função respiratória e na resposta clinica desses pacientes. Apesar da recuperação da função respiratória iniciar em torno do quarto dia pós-cirúrgico, até a alta hospitalar os valores não retornaram ao valor inicial, fato ocorrido nos estudo de Silva et al92 e Baumgarten et al.93 que avaliaram a função respiratória no pós-operatório de cirurgia cardíaca e constataram significante redução desses parâmetros quando comparados ao pré-operatório. Resultados semelhantes ocorreram no estudo de Riedi et al.94 quando avaliaram o comportamento da força muscular no pré-operatório em 63 pacientes 65 submetidos a cirurgia cardíaca com as complicações respiratórias no pós-cirúrgico, ficou constatado importante diminuição da função pulmonar no pós-operatório porém concluíram que as pressões respiratórias não podem ser utilizadas como preditor de complicações no pós-operatório. Morsch et al.49 em estudo sobre perfil ventilatório dos pacientes submetidos a CRM, também encontraram significante redução tanto nos volumes e capacidades pulmonares quanto na força muscular ventilatória no pós-operatório e apesar de iniciar recuperação, os valores permaneceram reduzidos até o sexto dia. O mesmo aconteceu com a pesquisa em 30 pacientes realizado por Giacomazzi; et al.95, onde concluíram que o prejuízo da função pulmonar não retornou aos valores do préoperatório até o quinto dia pós-operatório. A presença de drenos também podem ser responsáveis pela diminuição da função pulmonar em virtude da fricção provocada durante os movimentos respiratórios. Este fato foi observado em estudo com 28 pacientes submetidos a cirurgia de revascularização do miocárdio.10 Matheus et al.90 quando avaliaram a função pulmonar e força da musculatura respiratória em 47 pacientes submetidos a CRM com CEC, concluíram que as pressões respiratórias reduziram significantemente no pós-operatório, retornando gradativamente os valores iniciando a partir do dia 3 PO. Resultados semelhantes aos encontrados neste estudo, onde foi observado melhora das variáveis PImax, PEmax e PFE quando comparado ao período pré-operatório. Schnaider et al.71 quando realizaram um estudo com 24 indivíduos sobre a influência da força muscular respiratória pré-operatória na evolução clínica após CRM, concluíram que não ocorreu retorno dos valores das pressões respiratórias durante o período hospitalar, mais evidente no grupo onde não houve treinamento muscular pós-operatório e as pressões respiratórias eram mais baixas no préoperatório. Nos indivíduos estudados nesta pesquisa, foi encontrada alta incidência de disfunção muscular respiratória na fase pré-operatória, só 27,3% dos indivíduos apresentavam PImáx maior que 90 cmH2O, considerado normal segundo Azeredo11 e 36,4% apresentavam PEmáx acima de 100 cmH2O. Em relação ao PFE, 27,3% apresentaram acima da normalidade, 450 L/min. Estes dados estão de acordo com 66 Schnaider; et al.71 e Saglan et al.,52 que identificaram a prevalência de fraqueza muscular inspiratória em 48 pacientes no pré-operatório. 5.4. Variáveis intraoperatórias: cardioplegia, tempo de CEC, tempo de clamp, número e tipo de enxertos com parâmetros respiratórios. Nesse estudo, nenhum dos parâmetros intraoperatórios (volume de cardioplegia, tempo de CEC, tempo de pinçamento aórtico, número e tipo de enxertos) tiveram qualquer relação com a depressão respiratória no pós-operatório (Tabela 6). Estudos mostram que fatores intra-operatórios influenciam na função pulmonar, reduzindo os volumes com prejuízo na mecânica respiratória, aumentando o trabalho muscular. Embora algumas pesquisas apontem a morbidade relacionada na CRM45,46,49,94-96 essa pesquisa não revelou relação significantemente positiva entre eles, corroborando com o estudo de Guizilini et al.,10 que analisou 28 pacientes e concluíram que independentemente da posição do dreno, ocorre redução da função pulmonar e observaram também que a CEC como potencializadora da alteração pulmonar ainda é controversa. As pressões respiratórias apresentaram-se bem diminuídas nos dias 3, 4 e 5 no pós-operatório quando comparado ao pré-operatório, apesar dos fatores intraoperatórios, por exemplo CEC, ter influência nesse quadro,96 não foram encontradas significância nesse estudo, provavelmente devido aos critérios de exclusão, que favoreceu uma amostra homogênea. 5.5. Variáveis pós-cirúrgicas: 5.5.1. Variabilidade da pressão arterial média em UTI Há vários anos que a pressão arterial média vem sendo estudada como fator preditivo de morbidade e mortalidade cardiovascular apenas em consultório médico, atualmente a monitorização está mais ampla, podendo ser realizada também em casa ou posto de saúde. Já é confirmado que a pressão arterial média altera de acordo com alguns fatores como frequência com que é verificada, postura e horário.97 67 Em 2011, Stergiou e Parati97 fizeram uma ampla pesquisa para elaboração de um artigo de revisão e identificaram estudos sobre pressão arterial onde foi concluído que quanto maior a variabilidade maior o risco de ter um acidente vascular ou dano em algum órgão vital. Observaram também que variabilidade dentro de determinado intervalo de tempo possivelmente seria preditivo de algum evento cardiovascular. As alterações no balanço simpático que é induzida pelo stress cirúrgico, pode ser determinada através da avaliação da variabilidade da pressão arterial média.98,99 De acordo com os nossos resultados, a variabilidade da pressão arterial na UTI pode indicar precocemente o início do atendimento fisioterapêutico programado com treinamento muscular inspiratório sobre a força muscular respiratória no pósoperatório de CRM, podendo manter o fluxo nas vias aéreas, e recuperação da capacidade funcional evitando assim complicações pulmonares.9,15,54,100 Nesse estudo, foi observado através dos parâmetros de variabilidade sucessiva da média (VSM), coeficiente de variação (CV) e variação independente da média da pressão arterial média na UTI que a estimativa desses parâmetros podem ter valor preditivo de alteração respiratória após CRM determinada através do PFE. Existem alguns estudos sobre a PAM mas poucos são relacionados à cirurgia cardíaca associados a função respiratória.69 Di Iorio et al.,101 em estudo com pacientes submetidos a dialise e com seguimento por cinco anos, concluíram que a variabilidade da pressão arterial pode ser preditivo de mortalidade cardiovascular nesses pacientes e que pode também ser utilizado para controle da hipertensão. Neto et al.,98 estudaram o efeito da circulação extracorpórea sobre a variabilidade da pressão arterial média em 49 pacientes, divididos em três grupos, submetidos a cirurgia cardíaca eletiva e concluíram que quando ocorreu variação da PAM durante a CEC em algum grupo, esta foi reestruturada quando as intercorrências respiratória e cardíaca eram solucionadas. Com a realização desta pesquisa, mostrou que pode haver uma previsão com baixo custo da evolução do quadro de cada paciente com base na variabilidade da pressão arterial média calculada ainda na UTI. Planejamento de programa de atendimento individualizado, evitando assim futuras complicações já frequentemente descritas na literatura, podendo diminuir o tempo de hospitalização, 68 consequentemente os custos com a alta hospitalar precoce, além de favorecer a autoestima e retorno da realização de atividades para o paciente. 69 6. CONCLUSÕES A cirurgia de CRM, usando a ATI e/ou safena com CEC, induziu uma significante redução da função pulmonar no pós-operatório. O EuroScore revelou associações com os parâmetros das pressões respiratórias (PImáx e PEmáx) sendo positivo para PImáx e negativo para PEmáx. A estimativa dos parâmetros variabilidade sucessiva da média (VSM), coeficiente de variação (CV) e variação independente da média (VIM) da pressão arterial média (PAM) monitoradas em UTI apresentam valores preditivos para o ponto máximo da depressão da função respiratória após a cirurgia de CRM determinada pelo PFE. Maiores variabilidades desses parâmetros no pós-operatório em UTI pode predizer um agravamento das funções respiratórias. Este achado pode melhorar a assistência ao paciente iniciando um programa precoce de fisioterapia respiratória. Mais estudos podem ser realizados para descobrir benefício na redução da variabilidade da pressão arterial média na UTI, podendo prevenir eventos cardiovasculares no pós-operatório. 70 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Konstantinov IE. The first coronary artery bypass operation and forgotten pioneers. Ann Thorac Surg 1997; 64(5):1522-1523. 2. Lima RC, Kubrusly LF (editores). Diretrizes da Cirurgia de Revascularização Miocárdica. Arq Bras Cardiol 2004, 82, (supl V). 3. Gaziano TA, Bitton A, Anand S, Abrahams-Gessel S, Murphy A: Growing epidemic of coronary heart disease in low- and middle-income countries. Curr Probl Cardiol 2010; 35(2):72-115. 4. 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( ) Não ( ) Sim Quanto?_________anos/maço c) Há quanto tempo parou de fumar?_________________________________ - Doenças associadas / outras_______________________________________ Cirurgias anteriores _______________________________________________ 3) PRÉ-OPERATORIO AVALIAÇÃO RESPIRATÓRIA PImáx FC PEmáx FR Peak Flow Peso Sat O2 Altura PA IMC Cirtometria 80 Repouso Insp máx Exp máx C. amplitude Axilar Ap xifóide Cicatriz umbilical TOSSE / EXPECTORACAO a) Tosse habitualmente? ( ) Não ( ) Sim b) Elimina secreção? ( ) Não ( ) Sim c) Quantidade____________________________________________________ d) Aspecto/cor____________________________________________________ DISPNEIA a) Tem dificuldade para andar? ( ) Não ( ) Sim b) Tem que andar mais devagar, de acordo com as pessoas da mesma idade, devido a falta de ar? ( ) Sim ( ) Não c) Tem falta de ar para se vestir, tirar a roupa ou para realizar alguma atividade dentro de casa? ( ) Sim ( ) Não MEDICAMENTOS ________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________ Ventilação espontânea ( ) Não ( ) Sim ( ) AA ( ) Oxigenoterapia - quanto? __________________________________ Tipo de tórax ( ) longilíneo ( ) Brevelíneo Alterações ______________________________________________________ Padrão respiratório ( ) eupneico ( ) taquipneico ( ) outros ------------------------------------------------------- 81 Tipo respiratório ( ) predominantemente costal ( ) predominantemente abdominal Expansibilidade ( ) simétrica ( ) assimétrica Cianose ( ) Não ( ) Sim Tiragens intercostais ( ) Não ( ) Sim Ausculta pulmonar 4) EXAMES DO PRÉ-OPERATÓRIO Ecocardiograma /Fração de ejeção___________________________________ RX ____________________________________________________________ _______________________________________________________________ ECG ___________________________________________________________ Teste Ergométrico ________________________________________________ Cateterismo _____________________________________________________ Exames sanguíneos: ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ _______________________________________________________ 82 5) INTRA-OPERATÓRIO Nº de enxertos ___________________________________________________ ( ) Com CEC ( ) Drenos, posição ________________ Tempo de Clamp ________________ Tempo de Perfusão________________ Volume da cardioplegia _______________ Dat H Hto Hb Gas Ph PO2 PCO2 BE SO2 HCO3 Na K Ca++ G Lac FiO2 OBS ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 83 ANEXO B Termo de Consentimento Livre e Esclarecido Título do Projeto: Alterações da variabilidade da frequência cardíaca e alterações pulmonares na cirurgia eletiva de CRN com circulação extracorpórea. O objetivo deste projeto e de estudar as alterações da variabilidade circadiana dos parâmetros de pressão arterial e frequência cardíaca que ocorressem durante da recuperação da cirurgia eletiva de CRN com circulação extracorpórea (CEC). Associações entre as alterações da variabilidade cardiovascular e ocorrências e desenvolvimento das complicações pós-cirurgias cardíacas, respiratórias, renais serão estudadas. A avaliação da função pulmonar será verificada primeiras 48 h por meio de exames na UTI como gasometria arterial, RX toráx, manovacuometria e monitorização do ritmo cardíaco e após alta da UTI será mensurado a função pulmonar através de manovacuometria e monitorização de 1 (uma) hora diariamente de ritmo cardíaco com o equipamento holter. Antes da cirurgia e durante os dias sete primeiros dias pós-cirúrgico, os dados serão coletados pela fisioterapeuta mestre Anne Shirley Menezes Costa, CREFITO 9854-F, e-mail: [email protected] e que é a pesquisadora principal e fisioterapeutas participantes da equipe devidamente preparados para este estudo, Gabriela Naiara Silva de Siqueira, Jivago Gentil Moreira Pinto, Mayson Laércio de Araújo Sousa, Noeme Madeira Moura Fé Soares e Saulo Francisco Pinto Albuquerque. Desde já afirmamos que as informações colhidas com a avaliação e durante todo o tratamento bem como sua evolução serão utilizados apenas pelos pesquisadores no intuito de mostrar o possíveis benefícios de identificação das alterações pulmonares nos(nas) pacientes com esse perfil. Não haverá despesas pessoais para o participante em qualquer fase do estudo, incluindo exames e consultas. Também não haverá compensação financeira relacionada a sua participação. Qualquer informação relacionada ao estudo, por favor entre em contato com Profa. Anne S. Menezes Costa, pelo telefone 086-9984-2622. 84 Eu, ________________________________________.RG____________, abaixo assinado, tendo recebido informações sobre a pesquisa a ser desenvolvida e ciente dos meus direitos abaixo relacionados, concordo em participar. • Garantia de receber qualquer resposta a qualquer pergunta ou esclarecimento à dúvidas em relação ao presente estudo. • Liberdade de retirar meu consentimento a qualquer momento e deixar de participar do estudo, sem que isso traga prejuízo à continuação do cuidado e do tratamento ou qualquer tipo de despesa. • Segurança de que não serei identificado(a) e que será mantido o segredo da informação relacionado com minha privacidade. • Declaro que obtive de forma apropriada e voluntaria o consentimento livre e esclarecido deste paciente ou representante legal para participação neste estudo. ________________________________________ Assinatura do paciente ou Responsável ________________________________________ Pesquisador Testemunhas 01:_________________________________________ 02:_________________________________________ Teresina, ___/___/_______. 85 ANEXO C Comissão de Ética do Hospital São Marcos 86 ANEXO D Aprovação do Comitê de Ética da UESPI