REVISTA DE BIOLOGIA E CIÊNCIAS DA TERRA ISSN 1519-5228 Volume 10 - Número 1 - 1º Semestre 2010 O Ensino de Geologia, Paleontologia e Química no Centro Universitário do Planalto de Araxá (Uniaraxá). A importância da Geociências Rosa Carrijo1; Carlos Roberto dos Anjos Candeiro2 RESUMO O artigo trata algumas questões e problemas concernentes ao ensino de Geologia, Paleontologia e Química no Centro Universitário do Planalto de Araxá. Os objetivos são os de apresentar um quadro geral da situação destas disciplinas na instituição e contribuir ao conhecimento de geociências. Palavras-chave: Ensino, Geociências, Graduação Geology, Paleontology and Chemistry learning at Universitário do Planalto de Araxá (Uniaraxá). Geosciences importance ABSTRACT The article considers some questions and problems concerning teaching of the Geology, Paleontology and Chemistry at Centro Universitário do Planalto de Araxá. The objectives are a general overview of the current situation of the mentioned subjects and to contribute to the development of geosciences at the institution. Keywords: Teaching, Geosciences, Undergraduate studies 1 INTRODUÇÃO A finalidade do ensino em Geociências (área do conhecimento relacionada às ciências da Terra) é preparar o discente para uma adequada inserção na sociedade e através dos conteúdos e interdisciplinaridade colaborar com as diferentes disciplinas relacionadas no meio acadêmico (e.g., biologia, geologia, geografia) (AVANZO, 1974; CANAITO, 1987). Segundo Santana e Barbosa (1993), estas linhas de estudos devem estar focadas e desenvolver conhecimento no âmbito das outras disciplinas de ciências naturais no ensino superior (e.g., zoologia, pedologia, biogeografia). É de responsabilidade dos docentes e legisladores educativos proporcionarem um currículo atualizado que responda a essas necessidades distribuindo as cargas horárias acadêmicas entre as diversas disciplinas que compõem dotando-os dos conteúdos mais adequados direcionados ao ensino básico de geociências. O conhecimento de Geologia, Paleontologia e Química no Centro Universitário do Planalto de Araxá (UNIARAXÁ) compõem a relação didáticopedagógico e científico, resulta imprescendivelmente para compreender o desenvolvimento social, econômico e tecnológico em que nos encontramos; assim 62 como para poder participar com critérios próprios diante alguns grandes problemas de compreensão da sociedade de fenômenos ambientais na atualidade. Este artigo trata do ensino de disciplinas de Geociências (Geologia/Paleontologia e Química) no UNIARAXÁ. O objetivo é mostrar alguns aspectos da problemática relacionada ao tema, trazer acréscimo à escassa bibliográfica sobre o assunto, tentar promover debate sobre a interdisciplinaridade e contribuir com recomendações que possam refletir sobre o quadro a ser descrito. 2 A IMPORTÂNCIA DA GEOLOGIA, PALEONTOLOGIA E QUÍMICA NO CURRÍCULO DO CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS DO UNIARAXÁ A Química e Geologia/Paleontologia disponibilizadas respectivamente nos 1º e 3º períodos no Curso de Ciências Biológicas do UNIARAXÁ constituem-se das principais disciplinas da área de Geociências existentes atualmente na Instituição e são imprenscidiveis para a compreensão do mundo natural pelos discentes, podendo destacar alguns pontos: - Formam parte de uma linha de conhecimento que colabora para o entendimento da evolução da Terra e os aportes dos conhecimentos científicos atuais. - Proporciona as bases para compreender o desenvolvimento econômico, social e tecnológico que caracteriza a civilização humana desde os seus primórdios que tem permitido ao homem por um grande tempo uma melhoria da sua qualidade de vida. Proporcionam um evidente enriquecimento pessoal porque despertam e ajudam a formação de um espírito crítico e prático. - Colabora na formação de bases relacionadas à compreensão da forma de trabalhos científicos. Devido ao caráter prático das disciplinas ocorre uma aproximação do discente de conhecer e praticar a metodologia cientifica. - Permite ao discente refletir com critérios próprios em muitos dos grandes temas ambientais presentes na sociedade atual: mudança climática, utilização de alimentos trangênicos; sustentabilidade energética; evolução da Terra, etc. 3 A GEOLOGIA/PALEONTOLOGIA E QUÍMICA NA ESTRUTURA DO UNIARAXÁ Como é conhecido desde a institucionalização do Curso de Ciências Biológicas (CCB) do UNIARAXÁ em 2000 prevê a obrigatoriedade de algumas disciplinas das disciplinas Geologia/Paleontologia e Química no ciclo básico. As disciplinas Geologia/Paleontologia e Química formam parte deste grupo no ciclo básico do Curso de Ciências Biológicas (CCB) do UNIARAXÁ que possui caráter obrigatório como previsto na institucionalização deste curso em janeiro de 2000. A Geologia/Paleontologia e Química no CCB As referidas disciplinas são oferecidas semestralmente. Estas matérias são responsáveis pelo desenvolvimento dos conteúdos básicos relacionados a geoquímica, geologia ambiental, química ambiental entre outras, as quais atualmente são ministradas por professores formados na área. A Geologia/Paleontologia e a Química aparecem de forma independente, na matriz curricular do curso com uma carga letiva de 72 horas semestral, enquanto que o curso semanalmente possui uma carga letiva de 20 horas semanais. Atualmente não existe nenhuma disciplina relacionada a Geociências oferecida como disciplina optativa, mas em algumas disciplinas parte dos conteúdos de geociências são disponibilizados aos alunos (e., bioquímica, zoologia de invertebrados, zoologia de vertebrados, limnologia, ecologia e a química ambiental etc.). Por isto, a situação que se produz é que um grande número de alunos finaliza seus estudos obrigatórios havendo cursado Geologia/Paleontologia e Química cursando 4 horas semanais, mas podendo interagir com 63 outras disciplinas principalmente em estágios mais avançados da graduação. 4 O CURRÍCULO GEOLOGIA/PALEONTOLOGIA QUÍMICA A Geologia/Paleontologia e a Química no Bacharelado Do que foi exposto anteriormente se deduz que existe certa interação entre a relevância didática e científica que tem as referidas disciplinas que possuem cargas horárias equivalentes. Atualmente muito se solicita nos cursos de Ciências Biológicas o aumento ou mesmo diminuição de cargas horárias de disciplinas. Contudo, somente o aumento de horas não resolveria o problema de aplicação e contextualização de conteúdos. Fazse necessário analisar e adequar o currículo a época em que vivemos que contemple as inovações e os clássicos, também, e incorporálas as atividades formativas que adéqüem aos docentes. Atualmente a estrutura destas disciplinas no Bacharelado encontra-se na seguinte situação: No curso, aparecem a Geologia e a Paleontologia juntas com uma mesma carga letiva de quatro horas semanais na modalidade de Bacharelado de Ciências Biológicas. A referida disciplina possui com a Química áreas de interface de conteúdos que são compreendidos principalmente nos estudos de minerais, óxidos e tipos de datações (e.g., carbono, isótopos, etc.). Como disciplinas básicas e que apresentam interfaces entre si e com outras são oferecidas no início do curso, sendo a Química no primeiro período e com carga horário dividida em teórica e prática. A Geologia/Paleontologia é oferecida no terceiro período sem haver subdivisão das turmas para aulas práticas. Muitos são os conteúdos que apesar de estarem inseridos em disciplinas com ramificações diferentes são trabalhados de forma a conduzir a real necessidade e aplicabilidade da interface entre elas. (e.g., minerais para Geo-Paleontologia e compostos inorgânicos para química). A mencionada interface provém da estrutura destas disciplinas que conseqüentemente possibilita: - Aumento do nível de conhecimento necessário para realizar estudos já que as duas disciplinas interagem em alguns pontos. - “Uniformização” e contextualização do tipo de conteúdo apresentado nas duas disciplinas segundo consta no Plano de Estudo das matérias. - Compartilhamento do mesmo nível científico atual apresentado pelas disciplinas que se completam a disponibilização de um evidente enriquecimento pessoal e coletivo; porque despertam e ajudam na formação do espírito crítico. DE E Os conteúdos no Ensino Médio As finalidades do ensino médio é uma etapa obrigatória pouco semelhante com a que ocorre no ensino superior tomando como exemplo o currículo de instituições (e.g., UNIARAXÁ, Universidade Federal de Uberlândia, Universidade Federal de Goiás, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, etc.). No ensino superior as disciplinas se tornam extremamente específicas (e.g., Geologia, Paleontologia, Mineralogia, Química Geral, Química Orgânica, etc.). Enquanto que no Ensino Médio a Geologia/Paleontologia e Química Inorgânica/Orgânica e suas semelhantes são apresentadas no universo da Geografia, Biologia e Química. O caráter obrigatório destas disciplinas, tanto no ensino superior como médio, exige priorizar o caráter formativo dos docentes que são obrigados a adequar os conteúdos as finalidades da Geociência. Na maioria das vezes, principalmente, no Ensino Médio a aplicação e apresentação da Geociência são conceituais, numéricos e formulistas que prevalecem aqueles próximos ao cotidiano. Ao longo do Século XX a aplicação e apresentação dos temas relacionados a Geociências têm realizados avanços importantes, alguns do quais são preciso 64 incorporar, para evitar que se produzam uma separação cada vez maior entre a ciência escolar e a ciência presente na vida cotidiana, entre a ciência que se ensina nas salas de aula e os conhecimentos que cidadãos deveriam possuir para compreender minimamente os avanços científicos e tecnológicos e ser capazes de valorizar criticamente as implicações sociais que possuem. Analisando o Bacharelado em Biologia e tomando como exemplo o curso oferecido no UNIARAXÁ que por si é uma etapa bem que “terminal”, na realidade é que a maioria dos discentes que fazem as disciplinas adquire um conhecimento básico mínimo. Os conteúdos programáticos da Geologia/Paleontologia e Química de uma forma geral apresentam e contextualizam os conteúdos mínimos para necessidade e a formação discente. Nos laboratórios de aplicação, principalmente, são trabalhadas as partes práticas das disciplinas que são extremamente importantes na “transformação” dos aspectos meramente teóricos para o prático das disciplinas. Os laboratórios de Ensino de Geo/Paleontologia e Química no UNIARAXÁ A Geologia/Paleontologia e Química são ciências teóricas e de cunho prático cujas práticas de laboratório são uma parte essencial das mesmas já que possibilitam os alunos a compreender conceitos além de permitir a aproximação dos mesmos à metodologia científica cumprindo parte dos objetivos gerais marcados no próprio currículo das disciplinas. A importância dos trabalhos práticos, nestas disciplinas, é reconhecida por todos os docentes. No caso da Geo/Paleontologia que não subdivide a turma para realizar aulas práticas há um comprometimento das mesmas já que as possibilidades ficam limitadas àquelas que podem ser realizadas com um grande número de alunos. Em se tratando da Química há um horário específico em laboratório com turmas subdivididas para execução de aulas práticas o que neste caso melhora muito a situação do trabalho experimental o qual também é imprescindível para desenvolver e corroborar conceitos dentro desta vasta área. A dificuldade encontrada no caso da Química está relacionada ao grande conteúdo programático e as limitações inerentes a especificidade da própria disciplina com relação aos aparatos necessários para desenvolver as aulas práticas. Daí a necessidade de constante estudo para adaptar condições sem perda ou comprometimento para os discentes, como por exemplo elaboração de aulas práticas condizentes com o curso e que utilizem técnicas simples. As ações que conduzam a solucionar problemas são de fundamental importância e imprescindível que são realizados dentro dos laboratórios e que ajudam a melhorar a qualidade de ensino e de aplicação científica das disciplinas. No UNIARAXÁ não existe um laboratório específico de Geologia/Paleontologia. As práticas são realizadas no Laboratório de Biologia Geral que possui uma coleção de minerais, rochas e fósseis utilizados nas aulas práticas. Nos últimos anos estas coleções vêm sendo incrementadas com a aquisição de espécimes e sendo organizada sistematicamente. No caso da coleção de fósseis a mesma está sendo organizada segundo os Códigos Internacionais de Zoologia e Botânica, pois desta forma auxiliam o compartilhamento de conhecimento com outras disciplinas na área de zoologia e botânica. No caso da disciplina de Química há no UNIARAXÁ um laboratório de química e bioquímica implantado com o objetivo de servir esta área no que diz respeito às aulas de caráter experimental. Esta área demanda esforços constantes para que seja viável e concretizado a realização e construção de conteúdos a partir da execução por parte dos discentes de aulas práticas. Isto vem de encontro as afirmações feitas por Paschoale (1984) que prediz que é extremamente necessário a interdisciplinaridade para que maior eficiência seja alcançada com esses esforços. 5 CONCLUSÕES A finalidade básica do ensino obrigatório de Geociências é preparar os discentes para uma 65 adequada formação básica na sociedade. Esta não será possível se não consideramos o papel que a ciência e tecnologia têm na forma do contexto atual. Hoje mais do que nunca se faz necessário buscar uma formação científica e tecnológica adequada que permita adquirir os conhecimentos mínimos para que os discentes, futuros cidadãos, possam integrar-se na sociedade participando com critério próprio frente aos grandes problemas da sociedade atual. Muitos são os pontos que poderiam ser elencados no que se refere a contribuição das disciplinas básicas citadas neste trabalho para o curso de ciências Biológicas, mas quando todo o projeto pedagógico é estudado e analisado podese constatar a real necessidade e importância dos conteúdos trabalhados nestas disciplinas para alinhavar e realçar a interdisciplinaridade do todo. Também é extremamente importante devido ao caráter experimental onde as características e caráter da metodologia científica podem ser introduzidos e trabalhados desde o início do curso concomitante com outras disciplinas específicas do curso. de Geociências, São Paulo, n. 23, v. 1, p. 98106, jun. 1993. [1] Química, Doutora em Química Orgânica, Professora o Centro Universitário do Planalto do Araxá [email protected] [2] Paleontólogo, Doutor em Geologia, Professor Adjunto da Universidade Federal de Uberlândia [email protected] REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AVANZO, P.E. Geociências, uma nova maneira de ver a Terra. São Paulo. Geologia, Ciência e Técnica/CEPEGE, Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, São Paulo, n. 4, v. 1, p. 7-24, out. 1974. CANAITO, R. Com Ciência na educação: Ideário e Prática de uma Alternativa Brasileira para o Ensino da Ciência. 1 ed. Campinas: Papirus, 1987. 127 p. PASCHOALE, C. Alice no pais da geologia e o que ela encontrou lá. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 33. 1984. ANAIS... p. 242-249. Rio de Janeiro: SBG, 1984. 1984. SANTANA, J.C.B.; BARBOSA, L.M. A realidade do ensino de Geociências no 2º Grau em Feria de Santana – Bahia. Revista Brasileira 66