Universidade do Vale do Paraíba
Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento
“Variação das capacidades físicas entre diferentes modelos de
treinamento: Uma abordagem no planejamento anual do futebol”
Márcio Figueiredo de Castro Júnior
Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-Graduação em Ciências
Biológicas, como complementação dos
créditos necessários para obtenção do título
de Mestre em Ciências Biológicas.
São José dos Campos, SP
2003
Universidade do Vale do Paraíba
Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento
“Variação das capacidades físicas entre diferentes modelos de
treinamento: Uma abordagem no planejamento anual do futebol”
Márcio Figueiredo de Castro Júnior
Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-Graduação em Ciências
Biológicas, como
complementação dos
créditos necessários para obtenção do título
de Mestre em Ciências Biológicas.
Orientadora: Profª. Dr.ª Patrícia Mara Danella
Co-orientador: Prof. Dr. José Carlos Cogo
São José dos Campos, SP
2003
“Variação das capacidades físicas entre diferentes modelos de
treinamento: Uma abordagem no planejamento anual do futebol”
Márcio Figueiredo de Castro Júnior
Banca Examinadora
Prof. Dr. Rodrigo A. B. Lopes Martins, Presidente_______________________
Profª. Dr.ª Patrícia Mara Danella, Orientadora (Univap)____________________
Prof. Dr. Paulo Roberto de Oliveira (Unicamp)___________________________
Prof. Dr. Marcos Tadeu Tavares Pacheco
Diretor do IP&D
São José dos Campos, 26 de Junho de 2003
AGRADECIMENTOS
Agradeço aos meus pais por todo apoio durante a elaboração do
trabalho;
À Profª. Dr.ª Patrícia Mara Danella, pela orientação e confiança;
Ao Prof. Dr. José Carlos Cogo, pela paciência;
Ao Prof. Dr. Paulo Roberto de Oliveira pela atenção, auxilio e
críticas indispensáveis para realização do trabalho.
À Pedro Paulo, Beto e a todos os jogadores participantes da
pesquisa, com os quais criei grande amizade.
Ao amigo Enrique Oswaldo, pela ajuda direta na realização do
trabalho.
Ao Prof. Ms. Alexandre Moreira, por me incentivar nos estudos, e
me auxiliar nas análises do trabalho.
RESUMO
O presente trabalho objetivou observar a dinâmica da variação das
capacidades físicas força máxima (FM), força explosiva (FE), velocidade cíclica
(VC), Índice de manifestação de força (IMF) avaliado por dinamometria
isocinética, resistência anaeróbia (RAN), e resistência aeróbia (RA) dentro de
dois grupos (F e NF) de jogadores de futebol com idade entre 18,5± 0,8 anos.
Para o grupo F foi montado um macrociclo de treinamento baseado na
proposta de Verkhoshansky- modelo de cargas concentradas de força. Para o
grupo NF foi montado um macrociclo de treinamento seguindo os conceitos da
periodização tradicional, ou cargas distribuídas. O macrociclo de treinamento
do grupo F foi dividido em três etapas: A, B e C que se estenderam por 31
semanas. A etapa A, etapa das cargas concentradas de força, é subdividida
em: A1, A2 e A3 com 2 semanas de duração cada. A etapa B, etapa de
desenvolvimento do metabolismo específico e velocidade, teve duração de 6
semanas; e a etapa C, período competitivo, apresentou 16 semanas. As
semanas de testes controle foram realizadas antes do inicio do treinamento
(microetapa A1), depois de A3,ao final da etapa B e no meio da etapa C. Foi
realizado o teste de FM no Leg Press 45°, teste de FE com salto vertical na
plataforma de salto Cybex Reactor, teste de velocidade máxima em 35m,
torque avaliado em dinamômetro Isocinético mensurando aos 100ms, teste de
RAN com 6X35m e teste de RA com corrida de 2400m . o tratamento
estatístico foi a análise de covariância com medidas repetidas seguida por teste
de Scheffe, e nível de significância de 5%. Para o Grupo F os níveis de FM, FE,
IMF, RAN e VC aumentaram significativamente (p<0,05), quando comparamos
a etapa inicial e a etapa competitiva. Diferentemente a RA não apresentou
melhora significativa. Para todos os testes, observou-se uma queda nos índices
destas capacidades biomotoras no final da etapa B. Tal queda dos índices
provavelmente se deve a sobrecarga metabólica do período. A etapa C
observou-se o que chamamos de Efeito Posterior e Duradouro do Treinamento
(EPDT), com elevação do estado funcional e das capacidades biomotoras dos
atletas. No grupo NF, a análise da FM, FE, IMF, RAN não apresentou diferença
significativa entre o inicio do treinamento e o período competitivo. A VC e RA
mostraram elevação significativa no período competitivo. Quando comparamos
os grupos, percebemos que as cargas concentradas de força, aplicadas como
no presente estudo, podem ser responsáveis pelo desenvolvimento da FM, FE
e VC, RAN e IMF no grupo F. Apesar da grande redução dos índices
observada na etapa B, as capacidades físicas estudadas apresentaram
evolução posterior dentro da etapa competitiva.
Palavra-chave: Treinamento, Força, Futebol.
ABSTRACT
The present work has aimed to study the dynamics of the variation of the
physical capacities maximum force (FM), explosive force (FE), cyclical speed
(VC), Index of manifestation of force (IMF) evaluated by isokinetic, anaerobic
resistance (RAN), and aerobic resistance (RA) inside of two groups (F and NF)
of football players with age ranging from 18,5± 0,8 years. For group F a
macrocycle of training based on the proposal of Verkhoshansky- pattern of
concentrated loads of power. For group NF a macrocycle of training was
following the concepts of the traditional periodization, or distributed loads. The
macrocycle of training of group F was divided in three stages: A, B and C
developed during 31 weeks. The stage A, stage of intent loads of force, is
subdivided in: A1, A2 and A3 with 2 weeks of duration each. Stage B, stage of
development of the specific metabolism and speed, had duration of 6 weeks;
and stage C, competitive period, presented 16 weeks. The weeks of tests it has
controlled had been carried through before initiating the training (microstage
A1), after A3, to the end of stage B and in the way of stage C. Was carried
through the test of FM in the Leg Press 45°, test of FE with vertical jump in the
platform of Cybex Reactor, test of maximum speed in 35m, torque evaluated in
Isokinetic Biodex at 100ms, test of RAN with 6X35m, and test of RA with race of
2400m. The statistical work accomplished was analysis of covariância with
repeated measures followed by test of Scheffe, and level of significance of 5%.
For Group F the levels of FM, FE, IMF, RAN and VC had increased significantly
(p<0,05), when we compare the initial stage and the competitive period.
Differently, the RA did not present significant improvement. For all the tests, a
fall in the indices of these biomotoras capacities in the end of stage B. Such fall
of the indices probably if must the metabolic overload of the period. In group
NF, the analysis of the FM, FE, IMF, RAN did not present significant difference
enters the beginning of the training and the competitive period. VC and the RA
had shown significant rise in the competitive period. When we compare the
groups, we perceive that the intent loads of force, applied as in the present
study, can be responsible for the development of the FM, FE and VC, RAN and
IMF in group F. Despite the great reduction of the capacities observed in the
stage B, they had inside presented posterior evolution of the competitive stage.
Key-words: Training, Power, Soccer
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 1
1.1TREINAMENTO ...................................................................................................... 3
1.1.1 PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO FÍSICO.......................................................... 4
1.1.2 MEIOS E MÉTODOS DO TREINAMENTO FÍSICO............................................ 5
1.1.3 FONTES ENERGÉTICAS E TREINAMENTO FÍSICO ....................................... 5
1.1.3.1 SISTEMA ANAERÓBIO ALÁTICO .................................................................. 6
1.1.3.2 SISTEMA ANAERÓBIO LÁCTICO .................................................................. 6
1.1.3.3 SISTEMA AERÓBIO....................................................................................... 7
1.1.4 CAPACIDADES BIOMOTORAS........................................................................ 7
1.1.4.1 FORÇA ............................................................................................................ 7
1.1.4.2 RESISTÊNCIA ................................................................................................ 8
1.1.4.3 VELOCIDADE.................................................................................................. 9
1.2 TREINAMENTO NO FUTEBOL ........................................................................... 9
1.2.1 QUANTIFICAÇÃO DO TRABALHO FÍSICO NO FUTEBOL..............................10
1.2.2 METABOLISMO ENERGÉTICO NO FUTEBOL ...............................................11
1.3
MODELOS DE TREINAMENTO .......................................................................13
1.4 JUSTIFICATIVA...................................................................................................16
2. OBJETIVO GERAL................................................................................................17
2.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ................................................................................17
3. HIPÓTESES DE TRABALHO ................................................................................17
3.1 HIPÓTESE NULA .............................................................................................17
3.2 HIPÓTESE EXPERIMENTAL............................................................................17
4. METODOLOGIA .....................................................................................................18
4.1 GRUPO DE ESTUDO ...........................................................................................18
4.2 MODELO EXPERIMENTAL : GRUPO F..............................................................18
4.2.1 BLOCO A – BLOCO DE FORÇA......................................................................19
4.2.2 BLOCO B – BLOCO DO METABOLISMO ESPECÍFICO ..................................20
4.2.3 BLOCO C – COMPETITIVO ............................................................................20
4.3 MODELO EXPERIMENTAL : GRUPO NF ............................................................21
4.4 PADRÃO DE TREINAMENTO .............................................................................21
4.5 CONTROLE DO PROCESSO DE TREINAMENTO .............................................23
4.6 PADRONIZAÇÃO DOS TESTES..........................................................................23
4.6.1 LOCAL DOS TESTES .......................................................................................23
4.7 CAPACIDADES BIOMOTORAS..........................................................................23
4.8 TESTES MOTORES ............................................................................................24
4.8.1 TESTE DE FORÇA MÁXIMA...........................................................................24
4.8.2 TESTE DE FORÇA EXPLOSIVA .....................................................................24
4.8.3 TESTE DE VELOCIDADE DE DESLOCAMENTO CÍCLICO ...........................25
4.8.4 TESTE DE RESISTÊNCIA ANAERÓBIA.........................................................26
4.8.5 TESTE DE RESISTÊNCIA AERÓBIA..............................................................26
4.8.6 TESTE DO ÍNDICE DE MANIFESTAÇÃO DE FORÇA AVALIADO POR
DINAMÔMETRO ISOCINÉTICO.................................................................................27
4.9 ANÁLISE ESTATÍSTICA. ....................................................................................28
5. RESULTADOS e DISCUSSÃO..............................................................................29
5.1 DINÂMICA DE ALTERAÇÕES DA FORÇA VOLUNTÁRIA MÁXIMA ..................29
5.1.1 COMPARAÇÃO ENTRE GRUPOS....................................................................31
5.2 DINÂMICA DA ALTERAÇÃO DO ÍNDICE DE MANIFESTAÇÃO DE FORÇA TORQUE AVALIADO AOS 100ms.............................................................................33
5.3 DINÂMICA DAS ALTERAÇÕES DA FORÇA EXPLOSIVA.................................35
5.3.1 COMPARAÇÃO ENTRE GRUPOS....................................................................37
5.4 DINÂMICA DA ALTERAÇÃO DO TEMPO NA CORRIDA DE 35m VELOCIDADE DE DESLOCAMENTO CÍCLICO ........................................................38
5.4.1 COMPARAÇÃO ENTRE GRUPOS....................................................................40
5.5 DINÂMICA DAS ALTERAÇÕES DA RESISTÊNCIA ANAERÓBIA....................41
5.5.1 COMPARAÇÃO ENTRE GRUPOS....................................................................43
5.6 DINÂMICA DAS ALTERAÇÕES DA RESISTÊNCIA AERÓBIA.........................44
5.6.1 COMPARAÇÃO ENTRE GRUPOS....................................................................46
6. CONCLUSÕES .......................................................................................................47
7. REFERÊNCIAS.......................................................................................................48
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Organograma da divisão em etapas e microetapas do treinamento.. ...........18
Figura 2: Teste de 1 RM realizado no Leg Press.........................................................24
Figura 3: Teste de Salto vertical com contramovimento realizado na plataforma de
salto no Laboratório de Biodinâmica da UNIVAP. ................................................25
Figura 4: Atleta executando corrida em velocidade máxima em 35 m. Local da
realização dos testes de velocidade cíclica e resistência anaeróbia. ....................26
Figura 5: As curvas força-tempo A e B, registrada por dinamometria isocinética. Em A,
curva antes do treinamento; em B, curva com inclinação acentuada,
representando maior manifestação de força nos momentos iniciais do movimento.
.............................................................................................................................27
Figura 6: Índice de Manifestação de Força (Força explosiva), avaliada
no
Dinamômetro Isocinético, do Laboratório de Biodinâmica da UNIVAP..................28
Figura 7: Comparação entre os grupos F e NF em relação às alterações de força
máxima durante todo o período de treinamento. Os valores são individuais, e a
média de cada grupo está representada pela linha preta em destaque. .............29
Figura 8: Nível de força avaliado pelo Isocinético nos primeiros 100ms na extensão do
joelho no momento inicial (A1) e no momento (A3). Comparação entre grupo F e
NF.........................................................................................................................33
Figura 9: Comparação entre os grupos F e NF em relação as alterações do nível de
força explosiva durante todo o período de treinamento. Os valores são individuais,
e a média de cada grupo esta representada pela linha preta em destaque. ........35
Figura 10: Comparação entre os Grupos F e NF em relação as alterações da
velocidade de deslocamento cíclico durante todo o período de treinamento. Os
valores são individuais e média de cada grupo está representada pela linha preta
em destaque. ........................................................................................................38
Figura 11: Comparação entre os grupos F e NF em relação às alterações da
resistência anaeróbia durante todo o período de treinamento. Os valores são
individuais e a média de cada grupo está representada pela linha preta em
destaque...............................................................................................................41
Figura 12: Comparação entre os grupos F e NF das alterações da resistência aeróbia
durante todo o período de treinamento. Os Valores são individuais e a média de
cada grupo esta representada pela linha preta em destaque................................44
LISTA DE TABELAS
Tabela 1: Características dos esforços dentro do volume total de corridas durante uma
partida em 3 jogadores. ........................................................................................10
Tabela 2: corridas em diferentes intensidade verificadas durante um jogo..................11
Tabela 3: Objetivos e Exemplos de exercícios desenvolvidos nas Etapas de
treinamento do ciclo anual do Grupo F (Verkhoshansky,1995 adaptado para o
presente estudo)...................................................................................................22
Tabela 4: Objetivos e Exemplos de exercícios desenvolvidos nas Etapas de
treinamento do ciclo anual do Grupo NF. ( Matveev,1997 adaptado para o
presente estudo)...................................................................................................22
Tabela 5: Média e desvio padrão das cargas máximas (kg) e significância estatística
ANCOVA, para as alterações no nível de força máxima nas etapas de
treinamento...........................................................................................................29
Tabela 6: Média e desvio padrão do torque (N/m) avaliado em 100ms e significância
estatística ANCOVA, para as alterações no nível do IMF dos atletas nas etapas de
treinamento...........................................................................................................33
Tabela 7: Média e desvio padrão do salto vertical (cm) - Força Explosiva e significância
estatística ANCOVA para as alterações no nível da altura vertical nas etapas de
treinamento...........................................................................................................35
Tabela 8: Média e desvio padrão da velocidade de deslocamento cíclico (seg.) e
significância estatística ANCOVA dentro das etapas de treinamento....................38
Tabela 9: Média e desvio padrão da resistência anaeróbia (seg.) e significância
estatística ANCOVA dentro das etapas de treinamento .......................................41
Tabela 10: Média e desvio padrão da resistência aeróbia (seg.) e significância
estatística ANCOVA dentro das etapas de treinamento .......................................44
1
1. INTRODUÇÃO
O treinamento desportivo representa um processo pedagogicamente
organizado, cuja base é constituída pelos métodos de exercícios físicos
(estímulos) que visam o aperfeiçoamento máximo de todas as potencialidades
do organismo do desportista (ZAKHAROV,1992).
Para otimizar o desempenho esportivo é necessário uma reorganização
orgânica e funcional do indivíduo; a qual recebe o nome de adaptação
(WEINECK,1991). O estímulo ou “carga” do treinamento gera perturbação da
homeostase, e a conseqüente elevação do estado funcional (WEINECK,1999).
Matveev (1997) ,ainda diz que, alterações biológicas de adaptações (funcionais
e morfológicas) operam-se por influência do treinamento. O treinamento induz
alterações fisiológicas em quase todos os sistemas do corpo, particularmente
nos músculos esqueléticos e no sistema cardiorespiratório. Entende-se então
que o treinamento físico causa alterações em nível tecidual, ou seja, alterações
bioquímicas e estruturais no músculo e também causa mudanças sistêmicas,
ou seja, as que afetam os sistemas circulatório e respiratório. (FOX,1991).
Para melhorar as capacidades físicas de um atleta (força, velocidade e
resistência), devem ser dados exercícios e tarefas (estímulos) que trabalhem
com a musculatura específica (grupo muscular exigido no desporto). O maior
desenvolvimento dessa musculatura, no que se refere a capacidade de
executar contrações rápidas e fortes e tolerar fadiga, é o objetivo do
treinamento físico. ( VERKHOSHANSKY, 2000).
Dentro do processo de treinamento, o maior desafio é conseguir as
adaptações orgânicas que possibilitem a melhor performance do atleta. Desta
forma, a metodologia de treinamento a ser aplicada é responsável pelo
resultado e o sucesso do atleta. Os meios e métodos aplicáveis dentro do
treinamento determinam a eficácia do processo, sendo assim, podemos atingir
ou não desenvolvimento otimizado do organismo dependendo da metodologia
aplicada.
Organizar um plano de treinamento requer então conhecimento das
teorias do treinamento, assim como das características do desporto em
questão.
2
O futebol atual, devido à característica do jogo, forma do campeonato, e
calendário anual, exige estruturação do treinamento de forma otimizada e
racional. A necessidade de se obter ganhos fisiológicos e de rendimento em
pouco tempo, ou de manter a “forma” dentro das competições, reflete a busca
por metodologias de treinamento mais adequadas.
Dentre as formas de treinamento podemos citar a metodologia
tradicional, que emprega o desenvolvimento simultâneo das capacidades
físicas - cargas distribuídas; e não consideram as influências negativas que
uma capacidade pode causar sobre a outra. (MATVEEV, 1997). E em contra
partida a metodologia contemporânea, defendida por Verkhoshansky (1990),
onde a força motora é pré requisito para desenvolvimento da coordenaçãocargas concentradas. O autor defende a idéia de que através do
desenvolvimento individualizado da força motora, criam-se condições para
aquisição de potência e velocidade no gesto motor. (VERKHOSHANSKY,
1990; VERKHOSHANSKY, 2000).
O presente estudo propõem uma comparação entre metodologias de
treinamento dentro do desporto futebol. Já que atualmente a forma tradicional é
a que parece predominar neste desporto, um confronto com metodologia
contemporânea parece relevante.
3
1.1 TREINAMENTO
O treinamento desportivo é um processo complexo, visando obter
efeitos sobre todas as características do atleta; é planificado, pois os objetivos,
métodos, os processos e a organização são previamente estabelecidos; e é
orientado, dado que todas as ações e procedimentos levam a um caminho
direto para se atingir os objetivos conforme Carl, (1989) (citado por
WEINECK,1999). Para Matveev (1997) e Zakharov (1992), o treino é um
processo especializado e orientado diretamente para obtenção de elevado
desempenho desportivo.
Os estímulos ou “carga” do treinamento geram perturbações da
homeostase1, e a conseqüente elevação do estado funcional: adaptação
(WEINECK,1999).
Matveev (1997) ainda diz que, alterações biológicas de adaptação
(funcionais e morfológicas) ocorrem por influência do treinamento. Os possíveis
tipos ou modelos de treinamento são desenvolvidos com o propósito de
alcançar tais alterações orgânicas (FOX,1991). Estes modelos de treinamento
tem como objetivo criar perturbações na homeostase de forma organizada. Os
seguidos estímulos dos exercícios, acumulados, acabam gerando a adaptação
fisiológica necessária. A programação, organização e controle do treino
norteiam o modo como os estímulos serão aplicados no organismo, além de
sua distribuição temporal (ao longo de todo o processo de treino) (GOMES,
2002; VERKHOSHANSKY, 2001; VERKHOSHANSKY, 1990).
Desta forma, fica claro que o treinamento tem como objetivo principal,
através dos estímulos dos exercícios, gerar adaptações biológicas no
organismo, e assim aprimorar o desempenho em tarefas específicas
(McARDLLE,1998).
Conhecer estes fatores tem grande relevância ao estabelecer um
treinamento eficaz. Os princípios do treinamento esportivo servem para
otimizar a escolha e execução de métodos pelos treinadores.
1
Entende-se por homeostase o estado de equilíbrio bioquímico dinâmico do meio interno do organismo
(McARDLLE,1998; WEINECK,1999).
4
1.1.1 PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO FÍSICO
O treinamento físico, ou preparação física, constitui parte do sistema de
treinamento do atleta, cujo objetivo é o aprimoramento do desempenho
desportivo. Isto é conseguido pela educação das capacidades físicas
(ZAKHAROV,1992).
Capacidades físicas ou funcionais podem ser definidas como o conjunto
de propriedades orgânicas que se revelam no processo da interação:
organismo-exercício (ZAKHAROV,1992). Podemos citar como capacidades
biomotoras ou principais requisitos motores: Força, Velocidade e Resistência
(ZAKHAROV,1992; WEINECK,1991).
O que deve ser entendido é que qualquer interação; tarefa motora ou
exercício realizado, são resolvidos graças a essas propriedades do organismo,
ou
seja,
as
capacidades
biomotoras
(ZAKHAROV,1992).
Sendo
as
capacidades biomotoras as propriedades psicomotoras que asseguram a
efetividade útil da atividade muscular, é de extrema importância conhecer os
mecanismos fisiológicos que as desenvolvam. ( GOMES, 2002).
Sendo a musculatura específica alvo do treino físico, qualquer programa
de condicionamento ou treinamento deve seguir estes princípios básicos: (1)
reconhecer a principal fonte energética utilizada na realização da atividade do
atleta treinado (princípio da especificidade); e (2) construir um programa com
seus meios e métodos aplicáveis capaz de desenvolver essas fontes
energéticas em particular mais do que qualquer outra (princípio da sobrecarga)
(FOX,1989; WEINECK,1991)
Dentro dessa visão, percebe-se que na montagem de um treinamento
físico, a preocupação deve ser com os meios e métodos empregados, para se
atingir desenvolvimento das fontes energéticas predominantes.
É claro que aqui estamos dando ênfase na preparação física
propriamente dita, não nos preocupando com a coordenação, a técnica e a
tática; partes fundamentais de toda a metodologia do treinamento.
5
1.1.2 MEIOS E MÉTODOS DO TREINAMENTO FÍSICO
Quando falamos de meios e métodos do treinamento estamos nos
referindo aos exercícios e de que forma estes serão aplicados durante toda a
programação. Esta forma de aplicação dos exercícios dentro de um modelo de
treinamento pretende criar as já citadas perturbações na homeostase. Dentro
do processo de treinamento o maior desafio será atingir a eficácia, integrando
no treino os diferentes estímulos necessários para desenvolver as diferentes
capacidades físicas. (GONZALEZ,2001). Os meios e métodos aplicáveis
deverão de forma organizada e cronológica distribuir-se ao longo do processo
de treinamento. (ZAKHAROV, 1992).
Para cada capacidades biomotoras ( força, velocidade e resistência),
existem diferentes estímulos de treino, ou seja, meios e métodos específicos
de exercícios. (TOLEDO, 2000).
1.1.3 FONTES ENERGÉTICAS E TREINAMENTO FÍSICO
Como citamos anteriormente, um dos princípios básicos do treinamento
envolve descobrir a principal fonte de energia utilizada na atividade do atleta.
Sendo assim, conhecer os sistemas de fornecimento energético do organismo
é relevante.
O fornecimento do ATP, ou sua ressíntese ocorre através de reações
bioquímicas baseadas em três mecanismos energéticos:
1) Sistema anaeróbio alático, ou sistema do ATP-CP, onde a
fosfocreatina (CP) é hidrolisada para formação de ATP.
2) Glicólise Anaeróbia, sistema anaeróbio láctico ou sistema do ácido
láctico, onde há formação de ATP a partir da degradação parcial da glicose ou
glicogênio.
3)
Glicólise Aeróbia ou sistema aeróbio,
formando o ATP com a
degradação total dos carboidratos e das gorduras pelo processo oxidativo.
(GASTIN, 2001;MCARDLE, 1998; FOX,1991; PLATONOV, 1991; ZAKHAROV,
1992).
Sabemos portanto que a fonte energética utilizada no desporto será o
ATP; nos resta agora saber qual o(s) mecanismo(s) vai ser responsável pela
6
seu fornecimento ou ressíntese. Segundo McArdle(1998), as atividades físicas
podem ser classificadas em função do sistema específico de transferência de
energia que ativam predominantemente; isto quer dizer que conforme a
intensidade e duração do gesto motor, serão exigidos sistemas energéticos
diferentes, e classificados diferentemente. Reconhecendo quais são as fontes
energéticas utilizadas em maior grau em uma atividade, poderemos prescrever
os exercícios e sua forma de execução para desenvolver esse sistema
energético em particular, mais do que qualquer outro (FOX,1991).
1.1.3.1 SISTEMA ANAERÓBIO ALÁTICO
O Sistema Anaeróbio alático, ou do ATP-CP possui a maior velocidade
de liberação de energia, assegurando o trabalho muscular já nos primeiros
segundos de atividade. Sem esse sistema, os movimentos rápidos, vigorosos e
curtos não poderiam ser realizados, pois essas atividades exigem muito mais
um fornecimento rápido do que uma grande quantidade de energia de ATP. Os
motivos de ser essa via a mais rápida, é pelo fato de que não depende de uma
longa série de reações químicas, não depende do transporte do oxigênio, e
ATP e CP estão armazenados no próprio músculo. Esse sistema assegura
energia para trabalho potente até 10 segundos, e não mais do que 30
segundos, onde as reservas de CP já se esgotaram (MCARDLE,1998;
ZAKHAROV, 1992; WEINECK,1991; PLATONOV, 1991).
1.1.3.2 SISTEMA ANAERÓBIO LÁCTICO
A Glicólise Anaeróbia, assim como o sistema anterior ressintetiza ATP
sem a presença de oxigênio. A desintegração parcial do glicose gera o ácido
láctico. A glicólise anaeróbia pode ser considerada mais complicada do que o
sistema anaeróbio alático quimicamente falando, pois requer várias reações
químicas para sua concretização. Na realização dos exercícios a glicólise
anaeróbia é extremamente importante já que proporciona ATP de uma forma
relativamente rápida. Esse sistema não é tão potente quanto o anterior, porém
tem mais capacidade energética; isto é, assegura o trabalho muscular potente
entre 1 e 3 minutos. Sua capacidade é limitada pela concentração de lactato no
7
sangue (fadiga muscular2). (MCARDLE,1998; WEINECK,1991; ZAKHAROV,
1992).
1.1.3.3 SISTEMA AERÓBIO
A Glicólise Aeróbia ressintetiza ATP com a presença de oxigênio. A
desintegração completa do carboidrato garante a essa via grande capacidade
máxima, porém tem pouca potência na produção de ATP. Isso significa que tal
via garante suporte energético por até 60 minutos ou mais para exercícios
moderado,
porém
não
garante
energia
de
uma
forma
imediata
(MCARDLE,1998; WEINECK,1991; ZAKHAROV, 1992).
Podemos perceber com as descrições acima que a intensidade do
trabalho realizado, assim como a duração desse gesto motor influencia
diretamente a via energética utilizada pelo organismo.
1.1.4 CAPACIDADES BIOMOTORAS
Reconhecer as capacidades físicas e entender como desenvolve-las é
de grande importância para alcançar bom desempenho esportivo. São elas:
1.1.4.1 FORÇA
Em todas as atividades esportivas a melhora da força constitui um fator
importante, e de certa forma determinante. Se desenvolvida de maneira correta
não será prejudicial ao esportista.
A força no âmbito esportivo, é entendida como a capacidade do músculo
de produzir tensão ao ativar-se ou contrair-se (GONZALEZ,2001). Os fatores
básicos que a determinam são de caráter morfológico e fisiológico, isto é, a
força é determinada pela própria estrutura muscular (tipo de fibras, reservas
energéticas ), e pela ativação nervosa imposta ( recrutamento e freqüência de
ativação nervosa), além de fatores hormonais.
²
Fadiga muscular é o estado de desconforto e de menor eficiência que resulta de um esforço prolongado e
excessivo. (Fox, 1989)
8
A força pode ser dividida em: Força Máxima, Força Explosiva e
Resistência de Força (GONZALEZ,2001; WEINECK,1999). O conhecimento
desses tipos de força é de grande importância para a montagem de um
programa de treinamento.
Força Máxima – “É a força máxima que o sistema nervo-músculo pode
realizar dentro de uma seqüência de movimento, com uma contração”
(WEINECK,1991). Se analisarmos essa definição com o que foi citado
anteriormente, percebemos que a força máxima é expressada com ativação de
quase, senão todas, as unidades motoras( FLECK,1999; GONZALEZ,2001).
Força Explosiva – A Força Explosiva compreende a capacidade do
sistema neuromuscular que desenvolve alta velocidade de ação, ou de
conseguir manifestar níveis consideráveis de força em condições limitadas de
tempo (VERKHOSHANSKY,1995; GONZALEZ,2001; ZATSIORSKY,1999). A
força explosiva baseia-se na capacidade de desenvolver uma grande força pelo
recrutamento
instantâneo
de
maior
número
de
unidades
motoras
(GONZALEZ,2001).
Resistência de Força – Representa a capacidade de resistência à
fadiga
da
musculatura
em
desenvolvimento
prolongado
de
força
(WEINECK,1999). Verkhoshansky (1990) descreve que a resistência local
manifesta-se na capacidade de expressar, a longo prazo, o componente de
força do exercício.
1.1.4.2 RESISTÊNCIA
Podemos compreender resistência como a capacidade do esportista
resistir à fadiga; ou realizar trabalho muscular durante um tempo prolongado
mantendo parâmetros do movimento Podemos dividir o treinamento de
resistência, quanto a sua mobilização energética, em resistência aeróbia e
anaeróbia. (WEINECK,1991;ZAKHAROV,1992; VERKHOSHANSKY,2001).
Resistência Aeróbia – É a capacidade de resistir a esforços aeróbios,
ou seja, manter/sustentar condições de trabalho muscular de exercícios que
utilizam
a
via
da
glicólise
aeróbia.
A
resistência
aeróbia
depende
9
principalmente da capacidade dos sistemas cardiovascular, respiratórios e
metabólico conforme HOLLMANN (1980) (citado por WEINECK,1991).
Resistência Anaeróbia – É a capacidade de resistir à estímulos de alta
intensidade e curta duração. Depende do sistema anaeróbio (alático e láctico)
como
via
de
obtenção
de
energia
(MCARDLE,1998;
FOX,1991;
PLATONOV,1991).
1.1.4.3 VELOCIDADE
Velocidade é a capacidade de completar a ação motora, sob
determinadas condições, em curto espaço de tempo (ZAKHAROV,1992;
WEINECK,1991). Segundo este último autor, podemos dividir a velocidade em:
velocidades de reação, cíclica e acíclica. Para o presente estudo somente a
velocidade cíclica será abordada.
Velocidade Cíclica – Velocidade de Deslocamento Progressivo –
Consiste na realização de ações motoras seqüenciais ritmicamente repetidas
(WEINECK,1991). A velocidade depende da força da musculatura, tipo de fibra
envolvida, impulsos por parte do SNC,
das reservas energéticas
e sua
mobilização e coordenação (WEINECK,1999; VERKHOSHANSKY,2001).
Uma melhora na força , no que refere aos ganhos citados acima, vem
sempre acompanhada de um aumento da velocidade de movimento segundo
Buehrle-Schmidtbleicher,1981 (citado por WEINECK, 1991). Um impulso de
força tem grande influência sobre a amplitude dos passos, ou sobre sua
freqüência; isso quer dizer que, o impulso de força é determinante na
velocidade da corrida (GONZALEZ,2001).
Quando se trata de velocidade, tais ações são sustentadas pelas vias
anaeróbias aláticas ou lácticas dependendo da intensidade e tempo de esforço.
1.2 TREINAMENTO NO FUTEBOL
Baseado nos dados descritos, o importante, durante a realização do
treinamento, é identificar as variáveis metabólicas e motoras que intervêm
predominantemente no rendimento de um atleta, e buscar no treinamento os
10
meios e métodos aplicáveis para melhora do desempenho (TOLEDO,2000).
Parece necessário descobrir quais são as principais ações no futebol, sua
intensidade e freqüência, grupos musculares envolvidos e, desta forma, tentar
determinar os sistemas metabólicos de produção de energia.
A organização do treinamento no futebol se faz extremamente
necessária pelo fato deste ser considerado um desporto complexo. Essa
complexidade está diretamente ligada as características do jogo, que apresenta
atividades diversificadas ( corridas curtas para frente, trás e para os lados,
além dos saltos e dribles) e não uniformes (corridas aceleradas, lentas
explosivas) (TOLEDO,2000).
1.2.1 QUANTIFICAÇÃO DO TRABALHO FÍSICO NO FUTEBOL
Para que façamos a estruturação do treinamento, devemos conhecer as
particularidades das ações físicas no futebol, tais como: distância total
percorrida pelos atletas, distâncias percorridas com diferentes intensidades,
formas de deslocamentos e gestos particulares do jogo (TOLEDO,2000).
Conhecendo as características motoras do desporto talvez possamos destacar
o metabolismo exigido, assim como as respostas fisiológicas correspondentes.
A freqüência cardíaca, o consumo de O2, a pressão arterial e o lactato são
variáveis fisiológicas que nos trazem parâmetros variados em função do
jogador analisado, da posição do mesmo, do jogo em questão e de condições
climáticas (TOLEDO, 2000; AMORIN, 1998).
Dentro do volume total do jogo, alguns autores analisaram as formas de
deslocamento em diferentes intensidades. Fernandes (1994) citados por
Toledo(2000), propõe os seguintes valores:
Tabela 1: Características dos esforços dentro do volume total de corridas durante uma partida em 3
jogadores. (Fernandes, 1994)
Características dos Esforços
Corrida Lenta
Velocidade
Submáxima
Sprint
Corrida para Trás
2095m
1588m
789m
498m
4040m
2159m
1063m
498m
2769m
1752m
1068m
498m
11
Godik, 1996( citado por Toledo (2000), mostra os seguintes valores:
Tabela 2: corridas em diferentes intensidades verificadas durante um jogo. (Godik, 1996)
Características dos Esforços
Corrida Lenta
Velocidade
Submáxima
800m
Sprint
Jogador 1
2000m
600m
Jogador 2
2100m
1000m
800m
Jogador 3
1900m
900m
700m
Jogador 4
2300m
700m
200m
Bosco,1990 descreve em seu trabalho que do volume total percorrido
durante a partida, 15% a 39% é desenvolvido em velocidades máximas.
Segundo Fernandes,1994 (citado por TOLEDO,2000), os deslocamentos
em intensidade máxima ocorrem em distâncias que variam de 3 a 30 metros
em sua maioria, predominando distâncias entre 10 e 15 metros.
Amorim (1998), mostra que a deslocamento das corridas rápidas
concentram-se entre 3 e 20 metros; e que distâncias maiores que 40 metros
poucas vezes são realizadas.
Podemos antecipadamente analisar os dados acima e perceber que
existe grande participação das corridas de alta velocidade no futebol, as quais
são realizadas em metragens curtas. As corridas lentas são realizadas em
ações não decisivas, geralmente sem a posse da bola ou em momentos de
recuperação. Assim, como na maioria das modalidades esportivas, as ações
rápidas são as que determinam o jogo.
Quantificar os esforços no futebol é importante para que se possa dar ao
treinamento físico um caráter mais específico de trabalho. A especificidade é
alcançada analisando-se também os fatores metabólicos desses esforços.
1.2.2 METABOLISMO ENERGÉTICO NO FUTEBOL
Para Ananias ,1998 (citado por TOLEDO,2000) as ações motoras no
futebol tem um predomínio aeróbio, devido a distância total percorrida ao final
da partida.
12
Porém, não podemos esquecer que o envolvimento de corridas em
velocidade
máxima
e
submáxima
é
também
expressivo.
As
ações
determinantes que predominam nos momentos de maior importância durante o
jogo são as de velocidade máxima, que exigem o metabolismo alático e lático.
Tradicionalmente os preparadores físicos dão prioridade para o
desenvolvimento das capacidades aeróbicas do atleta. O que parece acontecer
é que alguns preparadores consideram que estas capacidades respiratórias
possam assegurar a força explosiva, resistência de força e velocidade. Devido
a complexidade das ações motoras do futebol, sua capacidade não se limita à
resistência aeróbica; e segundo Bosco(1990) e Amorin(1998), os esforços
decisivos realizados pelos atletas de futebol durante a partida caracterizam-se
como anaeróbico alático com pequena participação do metabolismo anaeróbio
láctico. Entende-se desta forma que os arranques ofensivos e defensivos
(corridas de 5-25m) apresentam característica de utilização do metabolismo
anaeróbio. ( GASTIN, 2001; TOLEDO, 2000)
Parece que o metabolismo anaeróbico proporciona energia para ações
motoras decisivas e determinantes, e o sistema aeróbico passa a ter um
importante significado no que se refere ao processo de recuperação ativa entre
as
ações
intensas
do
desporto
futebol
(FOX,1991;
MCARDLE,1998;
TOLEDO,2000).
A via do metabolismo aeróbio é requerida nos momentos de
recuperação, passando a ter importância nos intervalos de descanso entre os
esforços curtos e intensos. (TOLEDO, 2000; VERKHOSHANSKY, 2000).
Segundo Verkhoskansky(1990), aumentar a resistência depende não só
do aumento do aumento do oxigênio no sangue, mas também da melhora no
transporte e aumento da capacidade do músculo em utilizar melhor o oxigênio
(dif.A-V02.). Pode-se dizer que a condição interna do músculo (capacidade
contrátil e oxidativa, além do conteúdo das reservas energéticas), submetido a
treinamento intenso, é quem determina o nível de resistência, e não somente a
capacidade respiratória. Portanto, o desenvolvimento da resistência depende
não só do aperfeiçoamento da capacidade respiratória, mas também da
especialização funcional do sistema muscular. Entenda especialização como
13
tornar o músculo com maior capacidade de suportar a fadiga em trabalhos
intensos e/ou prolongados ( aumentar suas reservas energéticas, capacidade
contrátil e condução nervosa). ( VERKHOSHANSKY, 2001; McARDLE, 1998).
Esta melhora do sistema muscular depende exclusivamente do tipo de
treinamento empregado. O jogo de futebol apresenta gestos motores que
causam sobrecarga no sistema músculo-esquelético; e desta forma, exige
preparação do atleta futebolista para aquisição de capacidades biomotoras que
preparem o músculo ou grupo muscular para reagir em alta velocidade, resistir
a
estímulos
repetitivos
e
suportar
grandes
cargas.
Como
descrito
anteriormente, as capacidades biomotoras que satisfazem esta necessidade
muscular são a força ( explosiva, máxima) e resistência (anaeróbia e aeróbia).
Dentro dessa idéia, deve ser criado um programa que desenvolva a
capacidade muscular, no que se refere a especialização morfo-funcional, e
neuromuscular.
Esta
especialização
objetivará
melhorar
os
processos
contráteis da fibra muscular pela hipertrofia sarcoplasmática e miofibrilar, além
de aumento do número de mitocôndrias, das reservas de glicogênio e
mioglobina. Ainda há o desenvolvimento dos processos neurais, que são o
desenvolvimento na capacidade de recrutar mais unidades motoras e aumentar
sua frequencia de ativação. (VERKHOSHANSKY, 2000; VERKHOSHANSKY,
1995; McARDLE, 1998; SALE, 1988; HAKKINEN, 1986). Essa adaptação
neuromuscular é responsável pelo desenvolvimento da força, resistência e
aumento da eficiência dos gestos motores (MCARDLE,1998; FOX,1991;
WEINECK,1991). Os sistemas de treinamento que podem desenvolver esta
especialização morfofuncional serão ferramentas deste presente estudo e
estarão descritos à seguir.
1.3
MODELOS DE TREINAMENTO
Com o passar dos anos a periodização do treinamento desportivo
modificou-se freqüentemente. Um modelo de treinamento nada mais é do que
um esquema teórico do sistema que se elabora como objetivo de facilitar sua
organização. ( GOMES, 2002)
14
O que observa-se nos diferentes modelos apresentados na literatura é
que alguns já não são suficientes para dar suporte aos requisitos do calendário
desportivo atual. ( GOMES, 2002; TOLEDO, 2000).
Dentre os mais conhecidos e utilizados modelos de treinamento no
mundo desportivo temos:
MODELOS TRADICIONAIS; onde as idéias principais são:
Predomínio do trabalho de preparação geral do atleta (enfase nos
exercícios que geram a base, ou condições fisiológicas básicas necessárias
para os treinos futuros) (MATVEEV,1997).
Desenvolvimento simultâneo de diferentes capacidades (biomotoras) em
um mesmo período de tempo ( ou seja, o organismo do atleta é submetido a
diferentes estímulos metabólicos, devendo se adaptar a cada um deles dentro
do processo de treino) (MATVEEV,1997).
Pouca importância ao trabalho específico ( não havia preocupação em
destacar os exercícios com características competitivas) ( VERKHOSHANSKY,
1990).
(GOMES, 2002).
MODELOS CONTEMPORÂNEOS; caracterizado por:
Concentração das cargas de treinamento da mesma orientação em
períodos de curta duração com distribuição destas de forma organizada. ( o
organismo do atleta era estimulado com os exercícios a se adaptar em uma
única orientação fisiológica, isto é, as adaptações orgânicas, que eram objetivo
do treinamento, eram resultados específicos de estímulos orientados. Não
havia
conflito
entre
diferentes
estímulos,
para
diferentes
adaptações
fisiológicas). (OLIVEIRA, 1998; TOLEDO, 2000)
Ênfase no trabalho específico de treinamento (diferentemente dos
conceitos tradicionais, neste modelo a preocupação era com os exercícios
semelhantes aos da competição – exercícios de grande mobilização dos
recursos maximizados do organismo). (OLIVEIRA, 1998).
(GOMES, 2002).
15
O que observamos é a diferença extrema entre modelos de treinamento
que procuram da mesma forma alcançar as capacidades ótimas do desportista;
desenvolver fisiológicamente todo seu potencial orgânico para realização do
gesto esportivo.
O que na verdade se busca com o treinamento desportivo é o melhor
desempenho do atleta, que somente é atingido por desenvolvimento
particularizado
de
(ZAKHAROV, 1992).
suas
funções
orgânicas
associadas
ao
desporto.
16
1.4 JUSTIFICATIVA
Por ser o futebol um desporto complexo, devido à habilidade técnica e
preparação física, e pelo fato que muito do que conhecemos no futebol
modificou-se com o passar dos anos, em relação as características do jogo,
forma do campeonato, calendário anual, além das influências da organização
empresarial, torna-se relevante um estudo que reavalie o método tradicional.
Criar um treinamento mais específico para adaptações morfo-funcionais
(neuromusculares), objetivando alcançar o aperfeiçoamento do metabolismo
específico, e dessa forma obter possível ganho em velocidade e coordenação
parece adequado para o desporto futebol.
Dessa forma, este trabalho sugere dentro do planejamento do treino,
uma
periodização
Verkhoshansky.
do
mesmo
em
blocos,
segundo
a
proposta
de
17
2. OBJETIVO GERAL
Organizar a periodização de um treinamento para jogadores de futebol,
através de preparação física especial.
2.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- Controlar as diferentes capacidades Biomotoras adquiridas ( Força
Máxima, Força Explosiva, Resistência Aeróbia e Anaeróbia e Velocidade
Cíclica), observando a dinâmica da alteração de diferentes indicadores
externos do processo de treinamento.
- Comparar a metodologia das cargas concentradas e distribuídas e sua
influência na dinâmica de alterações de diferentes indicadores externos.
3. HIPÓTESES DE TRABALHO
3.1 HIPÓTESE NULA
Os níveis de capacidade biomotora selecionadas não apresentam
significativa alteração nas diferentes etapas do modelo proposto.
3.2 HIPÓTESE EXPERIMENTAL
Os níveis de capacidade biomotora selecionadas apresentam alterações
significativas nas diferentes etapas do modelo proposto.
18
4. METODOLOGIA
4.1 GRUPO DE ESTUDO
Participaram da pesquisa 24 jogadores de futebol do sexo masculino,
com idade de 18,5 ± 0,8 anos. Os atletas fazem parte da equipe de Juniores do
São José Esporte Clube (SJEC), participante do Campeonato Paulista de
Futebol. Os atletas foram divididos em dois grupos de 12 jogadores, sendo
aplicado para cada grupo uma metodologia de treinamento diferente. O
jogadores que treinaram seguindo a metodologia proposta por Verkhoshanshy
formaram o Grupo F; já os atletas que seguiram a metodologia tradicional
foram chamados de Grupo NF.
4.2 MODELO EXPERIMENTAL : GRUPO F
Este modelo experimental, com característica longitudinal, estabelecido
de acordo com o conceito de modelação de atividade desportivas formulada
por Verkhoshansky (1990) e adaptado por Oliveira (1998). Tal estruturação
apresenta algumas adaptações peculiares, mas foi elaborada a partir das
informações coletadas na literatura desportiva, e foi baseada na proposta de
outro trabalho que já fez uso desta concepção (Toledo,2000).
O macrociclo que teve 31 semanas de duração foi dividido em três
etapas (A, B, C).
TREINAMENTO
ETAPA
A
MICROETAPA MICROETAPA
PREPARATÓRIA
A1
3 SEMANAS
2 SEMANAS
ETAPA
B
ETAPA
C
MICROETAPA
A2
MICROETAPA
A3
MICROETAPA
B
MICROETAPA
C1
MICROETAPA
C2
2 SEMANAS
2 SEMANAS
6 SEMANAS
10 SEMANAS
6 SEMANAS
Figura 1: Organograma da divisão em etapas e microetapas do treinamento. (
o ciclo de treinamento.
) testes realizados durante
19
O treinamento foi dividido em 3 etapas, para que pudéssemos estruturar
nestas divisões a metodologia proposta. Dentro do que esta sendo sugerido
como modelo de treinamento, as três etapas ou blocos se dividem em:
Bloco A - etapa inicial com características de desenvolvimento neuromuscular
e colocando a força motora como condição prévia para um alto nível de
desenvolvimento de outras capacidades, Bloco B – etapa onde se objetiva o
desenvolvimento do metabolismo específico da modalidade, Bloco C – etapa
competitiva onde a meta é a melhora do gesto esportivo e velocidade.
4.2.1 BLOCO A – BLOCO DE FORÇA
A etapa A se caracterizou pela aplicação de cargas concentradas de
força que se apresentam como exercícios preparatórios especiais de volume
crescente de carga. Esse bloco visa desenvolver a estrutura morfológica e
neural do sistema muscular dos atletas para suporte das etapas posteriores. O
Bloco A foi dividido em 3 etapas ( A1, A2 e A3), e foi precedido de uma etapa
preparatória.
A Etapa preparatória constituiu-se do aprendizado dos exercícios e dos
testes de controle e desta forma serviu como preparação para as demais
etapas. A Etapa A1 foi caracterizada por exercícios preparatórios especiais, ou
seja, adequar e criar adaptações no aparelho de sustentação dos atletas –
exercícios de força e saltos generalizados. Na Etapa A2 predominou o maior
volume dos exercícios de força e a inclusão do treinamento complexo –
exercícios de força de alta intensidade seguido de exercícios em condições
facilitadas ou normais. A Etapa A3 se apresentou com o inicio dos trabalhos de
esforços
explosivos
balísticos
(saltos
pliométricos)
e
estimulação
neuromuscular de menor volume e alta intensidade.
As etapas A1, A2, e A3 seguiram o principio da sucessão e interconexão
proposto por Verkhoshansky (1990); ou seja, ordem crescente de intensidade
das cargas.
20
4.2.2 BLOCO B – BLOCO DO METABOLISMO ESPECÍFICO
No presente estudo, o bloco B teve como prioridade a execução de
atividades que objetivem o aprimoramento do metabolismo energético
anaeróbico alático e láctico (metabolismo específico), das velocidades das
ações motoras e da técnica individual e coletiva. Como já descrito
anteriormente, metabolismo anaeróbio está presente nas atividades de curta
duração e de alta potência (velocidade e força). Considerando a característica
dos principais gestos motores do desporto, como as corridas rápidas, rápidas e
de curta duração; os meios utilizados nesse bloco para desenvolver o
metabolismo específico envolvem ações motoras características do futebol
realizados em grande velocidade (corridas curtas, em diferentes direções com
e sem bola). Exercícios de velocidade e resistência de velocidade são
aplicados simulando as ações peculiares do jogo com intervalos variados de
descanso. O treino intervalado mobiliza o metabolismo anaeróbio alático e
láctico (ROBERTS,1982; GAITANOS,1993). Através do método intervalado
mobilizar-se a via do ATP-CP, bem como a glicólise anaeróbia dependendo da
intensidade e duração do estímulo. Não podemos desconsiderar que neste tipo
de treino as adaptações aeróbias aparecem quando no descanso de uma
atividade anaeróbia. (OLIVEIRA, 1998).
4.2.3 BLOCO C – COMPETITIVO
O Bloco C, visou o aprimoramento técnico/tático do atleta em situações
próximas de jogo, além do aproveitamento das influências positivas das
capacidades adquiridas nas etapas A e B. O bloco C foi dividido em etapas C1
e C2, que representam os jogos iniciais e as oitavas de final respectivamente.
Para manter os níveis adquiridos nas etapas anteriores, (força explosiva,
velocidade e resistência anaeróbia) foram dados semanalmente aos atletas
estímulos de força e estímulos metabólicos, porém, com um volume menor do
que o aplicado nos blocos anteriores. Tais estímulos são os mesmos exercícios
aplicados dos blocos anteriores como forma de “manutenção” dos índices.
No Bloco C, o objetivo foi aprimorar a “forma” ou “estado de prontidão”
para os jogos competitivos. Exercícios técnicos e táticos foram exigidos em
21
grande volume; considerando que o aprimoramento físico é uma meta que
deve ser buscada dentro de toda a etapa C, acredita-se que os jogos
constituem no melhor estímulo de treinamento para aperfeiçoar o mais alto
nível. As competições são uma forma de consolidar e aperfeiçoar o
desempenho adquirido pelo treinamento segundo Hotz,1994 (citado por
WEINECK,1999).
4.3 MODELO EXPERIMENTAL : GRUPO NF
O modelo experimental com característica longitudinal representou o
treinamento tradicional. Esta estrutura tradicional previu um trabalho de
preparação generalizada (desenvolvimento simultâneo das capacidades
coordenativas biomotoras), com cargas de trabalho distribuídas ao longo do
processo e pouca ênfase ao trabalho específico.
O macrociclo de 31 semanas dividiu-se em Período Preparatório Geral,
Período Preparatório Especial e Período Competitivo.
Os exercícios de preparação geral com objetivos de ganho de resistência
aeróbia dominaram a primeira etapa. Nenhum trabalho com pesos foi utilizado
neste período. As ações técnico/táticas foram crescentes no decorrer da etapa.
No período Preparatório Especial predominou exercícios de corridas
rápidas, no entanto, alternando-se com corridas de longa duração, exercícios
técnicos e táticos, e jogos coletivos; os exercícios com pesos foram feitos
esporadicamente com mínimo volume. Na etapa competitiva predominaram os
jogos, treinos com bola e corridas longas.
4.4
PADRÃO DE TREINAMENTO
Os grupos F e NF treinaram separadamente as
capacidades
coordenativas biomotoras, assim como a parte física. Ambos os grupos se
uniam para treinos coletivos, ou jogos amistosos. O calendário de treinamento
semanal era o mesmo para as duas equipes (5-6 vezes/ semana).
22
Tabela 3: Objetivos e exemplos de exercícios desenvolvidos nas Etapas de treinamento do ciclo anual do
Grupo F (Verkhoshansky,1995 adaptado para o presente estudo).
ETAPAS
OBJETIVOS
EXERCÍCIOS DESENVOLVIDOS
A1
Melhorar a capacidade contrátil das fibras lentas
(tipoI) e rápidas (tipoII). Preparar o aparelho de
locomoção (muscular e ligamentar) para posterior
trabalho de alta intensidade.
Exercícios preparatórios gerais: extensora,
supino, puxador, flexora, desenvolvimento,
panturrilha e outros. Exercícios com carga
para
desenvolver
força
máxima,
principalmente mmii. Exercícios de saltos
generalizados com intensidade moderada.
A2
Aperfeiçoamento simultâneo da capacidade oxidativa
das fibras TipoI e Tipo IIa e da capacidade contrátil
das fibras TipoII.
A3
Importância para o desenvolvimento da capacidade
oxidativa das fibras TipoII. Trabalhos de estimulação
neuromuscular reativos, mais potentes do que na
etapa anterior. Atenção especial ao desenvolvimento
da potência anaeróbia.
Exercícios de saltos com carga, pequena
participação de saltos em profundidade.
Exercícios de força para membros
inferiores ( leg press, flexora, panturrilha),
e RML (resistência muscular localizada).
Ex: 3x3 90% / 3x30 50%.
Exercícios de corrida com sobrecarga
(corrida dificultada).
Exercícios de corrida com carga com
maior
intensidade.
Exercícios
de
velocidade e resistência de velocidade.
Ex: corrida de 15m/50m.
Exercícios de força máxima e saltos em
profundidade no regime reversivo.
B
Exercícios de velocidade e resistência de
Manutenção dos níveis de força adquiridos. velocidade.
Desenvolvimento da força explosiva, resistência de Exercícios de força máxima (mmii) e saltos
em profundidade para manutenção da
força e resistência de velocidade.
Aperfeiçoamento técnico e tático e ações específicas força máxima e explosiva.
Exercícios de jogo: corrida e chute, drible,
dos jogo.
saltos, acelerações e desacelerações.
C
Manutenção dos níveis de força.
Elevação da velocidade ds exercício competitivo.
Jogos amistosos e competitivos
Competição
Exercícios de força máxima e saltos em
profundidade(menor volume semanal).
Exercícios de estimulação da velocidade
( tiros curtos e intensos).
Trabalhos com bola e exercícios técnicos.
Jogos.
Tabela 4: Objetivos e exemplos de exercícios desenvolvidos nas Etapas de treinamento do ciclo anual do
Grupo NF. ( Matveev,1997 adaptado para o presente estudo).
ETAPAS
OBJETIVOS
EXERCÍCIOS DESENVOLVIDOS
pelo Exercícios de corrida de longas distâncias,
alternava-se
os
volumes
e
físicas.
Assimilação
e
ampliação
dos intensidades. 2400m/ 6000m
conhecimentos técnicos e táticos. Predomínio Exercícios técnicos e táticos com bola.
Exercícios de corrida tracionada (eventual)
do aumento do volume de trabalho.
Desenvolvimento as capacidades físicas Corridas rápidas e curtas. 20m/50m/100m
especificas do desporto. Técnica e tática mais Corridas longas como na etapa anterior.
estáveis. Predomínio da intensidade de Exercícios com bola mais específicos e
trabalho.
jogos amistosos e coletivos.
Obtenção e manutenção do nível máximo Jogos, coletivos, treinos táticos.
alcançado. Aperfeiçoamento das habilidades.
Corridas de curta e longa duração.
Elevar
as
capacidades
funcionais
PREPARAÇÃO desenvolvimento múltiplo das capacidades onde
GERAL
PREPARAÇÃO
ESPECIAL
COMPETITIVO
23
4.5 CONTROLE DO PROCESSO DE TREINAMENTO
Para controle do treinamento, foram realizados testes periódicos, com o
propósito de averiguar as possíveis alterações das diferentes capacidades
biomotoras.
Os testes foram realizados utilizando como calendário o macrociclo do
Grupo F, sendo assim, aconteceram antes da microetapa A1, após microetapa
A3, no final da etapa B e no meio da etapa C.
4.6 PADRONIZAÇÃO DOS TESTES
Para criar um padrão na realização dos testes, foram mantidos os locais
de coleta, os métodos empregados, os avaliadores, os instrumentos de
avaliação, os padrões de roupa, horários e aquecimentos.
Todos os atletas foram submetidos a um teste de aprendizagem, para
adaptação à mecânica do aparelho utilizado , assim como ao movimento.
4.6.1 LOCAL DOS TESTES
Os teste foram realizados no Estádio Martins Pereira do São José
Esporte Clube (SJEC); utilizo-se do campo de futebol, e da pista de atletismo.
Na Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP) - Faculdade de Ciências
da Saúde (FCS), foram realizados os testes no laboratório de biodinâmica
(Prédio da Fisioterapia) e na academia (Prédio da Educação Física).
4.7 CAPACIDADES BIOMOTORAS
Os testes para controle do treinamento foram escolhidos pelos seguintes
critérios: apresentar semelhança com o exercício realizado durante o
treinamento; envolver as mesmas capacidades físicas exigidas durante o jogo,
assim como o metabolismo específico exigido no desporto.
Para a realização dos testes foram escolhidas as seguintes capacidades
biomotoras: Força Máxima, Força Explosiva, Velocidade de deslocamento
cíclico, Resistência Anaeróbia, Resistência Aeróbia.
24
4.8
TESTES MOTORES
4.8.1 TESTE DE FORÇA MÁXIMA
Analisou-se no teste de Força Máxima a maior carga (peso) possível
para a realização da força voluntária máxima.
Para análise da força máxima dos membros inferiores utilizou-se o
exercício de extensão simultânea dos joelhos ( Leg Press. )
O atleta posicionou-se sentado, com apoio total das costas no aparelho,
os pés colocados sob a plataforma de apoio, e segurando na alça de
sustentação. Para iniciar o procedimento de teste, o atleta executou uma
tentativa inicial com o movimento de extensão dos joelhos. Após no máximo 5
tentativas foi determinado o peso máximo levantado. (GONZALEZ, 2001).
Figura 2: Teste de força voluntária máxima realizado no Leg Press.
4.8.2 TESTE DE FORÇA EXPLOSIVA
Para a análise da Força Explosiva de membros inferiores, utilizou-se o
Salto Vertical com contra movimento (CMJ); realizado por uma flexão-extensão
rápida de pernas, com mínima parada entre ambas as fases. As mãos foram
mantidas fixas, pegadas aos quadris,
o
tronco
vertical.
As
pernas
25
permaneceram estendidas durante o a fase aérea, contatando o solo com a
ponta dos pés e os joelhos estendidos. (GONZALEZ, 2001).
O Salto Vertical foi realizado na plataforma de contato CYBEXREACTOR, do Laboratório de Biodinâmica da UNIVAP. Essa plataforma mede
o tempo de vôo no salto e calcula imediatamente, por meio de um
microprocessador, a altura do salto (BOSCO,1983).
Cada atleta realizou 3 tentativas, sendo considerada como válida a do
salto correto mais alto.
Figura 3: Teste de Salto vertical com contramovimento realizado na plataforma de contato no Laboratório
de Biodinâmica da faculdade de Ciências da Saúde (FCS) da UNIVAP.
4.8.3 TESTE DE VELOCIDADE DE DESLOCAMENTO CÍCLICO
No presente estudo analisou-se a velocidade de deslocamento cíclico,
em uma distância de 35 metros (figura 4).
A distância escolhida representa a metragem em que os atletas do
futebol empregam ações decisivas, e ainda pelo fato de utilizar a via metabólica
anaeróbia (MANSO, VALDIVIELSO, CABALERO, 1996).
O atleta posicionou-se em pé atrás da linha de saída e aguardou os
sinais de comando. Os comandos “prepara” e “vai” que são acompanhados da
descida do braço com o objetivo de sinal visual, são as referências para o
atleta e para o cronometrista.
26
Figura 4: Atleta executando corrida em velocidade máxima em 35 m. Local da realização dos testes de
velocidade cíclica e resistência anaeróbia.
4.8.4 TESTE DE RESISTÊNCIA ANAERÓBIA
Para analisar a Resistência Anaeróbia Lática foi realizado o teste de
6x35 metros com intervalo de descanso de 10 segundos entre cada um. O
motivo para a escolha do teste é o alto nível de exigência anaeróbia imposta.
Por esse teste pode-se aferir a resistência anaeróbia do atleta medindo o
tempo total de execução da atividade. Quanto mais resistente, melhor o tempo
do atleta. (ANANIAS et al.,1998; TOLEDO, 2000).
O atleta posiciona-se em pé atrás da linha de saída e aguarda os sinais de
comando como descrito anteriormente. Foram realizadas 6 corridas de 35
metros cada com pausa de 10 segundos entre elas. Os testes foram realizados
em campo com chuteiras (figura 4).
4.8.5 TESTE DE RESISTÊNCIA AERÓBIA
Para averiguar a Resistência Aeróbia foi utilizada a corrida de 2400m. O
motivo da utilização dessa metragem é que com corridas de 2400m utiliza-se a
via da glicólise aeróbia pelo tempo do esforço físico. Também podemos
justificar a escolha do teste pelo fato ter na literatura exemplos de averiguação
da capacidade dos futebolistas com o teste de 2400. ( TOLEDO, 2000).
27
O atleta posicionou-se em pé atrás da linha de saída e aguarda os sinais
de comando, como descrito anteriormente. Verificou-se o tempo gasto para
completar o percurso com a máxima velocidade (TOLEDO,2000).
O teste foi realizado em pista de corrida com os atletas utilizando tênis.
4.8.6 TESTE DO ÍNDICE DE MANIFESTAÇÃO DE FORÇA AVALIADO
POR DINAMÔMETRO ISOCINÉTICO
A relação entre força manifestada e o tempo necessário para tanto é
conhecida como curva força-tempo(C.f-t). A C.f-t foi observada na avaliação em
Dinamômetro Isocinético - BIODEX. Parte desta curva representa a fase de
força explosiva ou Índice de Manifestação de Força (IMF), ou força de saída
(VERKHOSHANSKY, 1995). Tal índice representa a capacidade de manifestar
rapidamente o esforço no início da tensão muscular, e pode ser avaliada pelo
torque produzido nos momentos iniciais do movimento (figura 5).
Se a força aplicada pelo atleta, em determinado tempo, contra uma
resistência, aumentar com o treinamento, pode-se considerar que o atleta
desenvolveu sua capacidade de manifestar força rapidamente, ou melhorou
sua força explosiva. Em um mesmo indivíduo, o efeito do treinamento
manifesta-se por modificações na curva força-tempo (GONZALEZ, 2001).
ISOKINETIC BILATERAL: 5 REP AT 60/60 DEG/SEG
160
A
140
TORQUE IN N-m
120
B
100
80
60
40
EXTENSÃO
FLEXÃO
20
0
0,0
0,5
1,0
1,5
2,0
2,5
3,0
TIME IN SECONDS
Figura 5: Exemplos de curvas força-tempo A e B, registrada por dinamometria isocinética. O primeiro
cume representa a extensão do joelho e onde foi avaliado o IMF, o secundo cume é a flexão. Em A, curva
antes do treinamento; em B, curva com inclinação acentuada, representando maior manifestação de força
nos momentos iniciais do movimento.
28
Com o dinamômetro Isocinético consegue-se aferir o torque (N.m)
alcançados em qualquer momento do movimento. O IMF foi obtido pela análise
do torque nos 100ms iniciais do movimento de extensão do joelho
(GONZALEZ, 2001). Foram realizadas 5 repetições a 60°/s de extensão-flexão
da articulação do joelho.
Figura 6: Teste do Índice de Manifestação de Força (Força explosiva), avaliada no Dinamômetro
Isocinético, do Laboratório de Biodinâmica da Faculdade de Ciências da Saúde da UNIVAP.
4.9 ANÁLISE ESTATÍSTICA.
Os resultados foram avaliados estatisticamente através do Teste de
ANCOVA – análise de covariância, com medidas repetidas seguida por Teste
de Sheffe. O nível de significância adotado foi para valores de p<0,05.
Tal análise calcula as diferenças entre os atletas do mesmo grupo, e
entre os dois grupos; sendo relevante os valores iniciais dos índices dos
atletas.
29
5. RESULTADOS e DISCUSSÃO
5.1 DINÂMICA DE ALTERAÇÕES DA FORÇA VOLUNTÁRIA MÁXIMA
Na análise da Figura 7, observa-se a diferença entre os ganhos obtidos
do Grupo F quando comparados com o Grupo NF, para níveis de força máxima
verificada no teste de força voluntária máxima.
DINÂMICA DA ALTERAÇÃO DO NÍVEL DE FORÇA MÁXIMA
MEMBROS INFERIORES - LEG PRESS 45° - GRUPO(NF)
50%
50%
45%
45%
40%
40%
35%
DIFERENÇA PERCENTUAL
DIFERENÇA PERCENTUAL
DINÂMICA DA ALTERAÇÃO DO NÍVEL DE FORÇA MÁXIMA
MEMBROS INFERIORES - LEG PRESS 45° - GRUPO(F)
35%
30%
25%
20%
15%
10%
30%
25%
20%
15%
10%
5%
0%
5%
-5%
0%
A3
A1
C1
B
A1
C
B
A3
ETAPAS DE TREINAMENTO
-10%
ETAPAS DE TREINAMENTO
Figura 7: Comparação entre os grupos F e NF em relação às alterações de força máxima durante todo o
período de treinamento. Os valores são individuais, e a média de cada grupo está representada pela linha
preta em destaque.
Tabela 5: Média e desvio padrão das cargas máximas (kg) e significância estatística ANCOVA, para as
alterações no nível de força máxima nas etapas de treinamento.
GRUPO F
ETAPA
A1
A3
GRUPO NF
B
C
MÉDIA 299,09±29,73 409,54±37,31 365,0±39,30 340,90±34,77
A1
A3
B
C
*
*
*
*
*
*
*
*
*
*
*
*
* p<0,05
ETAPA
A1
A3
B
C
MÉDIA
A1
215±29,58
227,2±35,73
220±30,82
213,2±34,66
A3
*
B
C
*
Os ganhos em força observados para o Grupo F provavelmente devemse às cargas concentradas de força aplicadas no inicio do treinamento
(TOLEDO, 2000; MOREIRA, 2002); confirmado que a aplicação de exercícios
30
com pesos aumenta a força máxima voluntária (HAKKINEN,1983; SALE,1988;
FLECK,1999; VERKHOSHANSKY,1990). Os maiores ganhos foram obtidos
após o término da etapa A (final de A3), onde se concentrou a aplicação de
exercícios com pesos no próprio Leg Press, além de exercícios de salto.
Estudos mostram que os ganhos em força máxima são resultado de
específica adaptação neuromuscular e pode ser atribuída aos movimentos
balísticos (saltos) (HAKKINEN,1983; SALE,1994). Este estudo mostrou que o
aumento da força foi devido a maior ativação nervosa , assim como a maior
freqüência de ativação. Considerou que o aumento de unidades motoras
ativadas também foi motivo de adaptação neuromuscular e aumento da força.
Sabe-se que um grande aumento das adaptações neurais é observado
após um período de 6 à 10 semanas sob treinamento de força (SALE,1988).
Os
ganhos
em
força
estão
relacionados
com
a
coordenação
intramuscular (HAKKINEN,1985), onde unidades motoras são recrutadas de
modo mais coordenado, e por coordenação intermuscular pela aprendizagem
do movimento(GONZÁLEZ,2001).
O treinamento de força com aplicação de exercícios de salto promove
aumento, e considerável adaptação, na atividade
elétrica observada por
eletromiografia (HAKKINEN,1985). Este estudo mostra que a atividade elétrica
aumentou nos músculos trabalhados com cargas e exercícios de salto. O Autor
defende a idéia de que esta adaptação neural esta ligada à freqüência de
ativação dos neurônios motores.
No presente estudo os ganhos em força são estatisticamente
significativos (p<0,05) entre a Etapa A1 e as demais etapas durante o ano,
como mostra a tabela 5.
Observou-se queda do nível de força máxima na etapa B do Grupo F,
porém mantiveram-se os níveis de força acima do nível inicial. Essa queda na
força máxima pode ser referida ao fato de não mais predominarem os
exercícios de força durante esse período. Pesquisas mostram que estímulos
diminuídos de exercícios de força mostram queda dos seus índices
(HAKKINEN,1983; FLECK,1999). Essa etapa caracterizou-se por exercícios de
velocidade e resistência de velocidade, ou seja, atividades de grande exigência
31
metabólica, que contribuem para um maior estresse muscular, e maior fadiga
neuromuscular (TOLEDO,2000). Os exercícios de força para manutenção são
aqui aplicados para sustentar os índices alcançados.
Na etapa C, do Grupo F, a força manteve valores superiores aos obtidos
na etapa inicial (A1). Esses valores estatisticamente significativos (p<0,05)
provavelmente devem-se ao trabalho de tonificação neuromuscular feito nessa
etapa. Outro estudo mostrou que a força pode ser mantida mesmo quando
treinada em volume reduzido, como no caso de uma vez por semana
(FLECK,1999).
Observando a Figura 7, nota-se que não há variação significativa da
força máxima para o Grupo NF. A pequena evolução observada na força,
provavelmente ocorreu por adaptação ao teste, assim como, podemos supor
devido a melhora dos impulsos neurais por intermédio do treinamento com
pesos realizados esporadicamente, que não caracterizou-se como sendo um
treino de cargas concentradas, como no Grupo F.
A queda na curva observada na etapa de competição, (etapa C) do
Grupo NF, mostra que o grande volume de jogos e treinos provavelmente
contribui para a perda dos níveis de força inicialmente adquiridos. A carga
metabólica imposta aos jogadores nesse período, dado a soma dos treinos
aeróbios, os jogos e a falta de estímulos que visando desenvolver ou manter os
níveis de força, podem ser causas desta perda na força máxima observada.
5.1.1 COMPARAÇÃO ENTRE GRUPOS
A comparação entre os grupos nos permite observar que realmente o
trabalho de cargas concentradas de força aplicado no início do treinamento
desenvolveu a força máxima dos atletas; e os exercícios de manutenção
durante o período de treinamento foram suficientes para manter os níveis
significativos de força, ainda no período competitivo. Os resultados do grupo
NF, mostram que a falta deste estímulo não desenvolve força máxima
significativa, e em alguns casos, a ausência desse estímulo contribuiu para
valores menores do que os iniciais.
32
Tem-se claro que a força máxima não é uma capacidade física
necessária para atletas, jogadores de futebol. Porém, estes ganhos em força
máxima, ocorridos neste momento, têm íntima ligação com ganhos em força
explosiva, velocidade cíclica e também na resistência muscular. Entende-se
que a força máxima contribui para a aquisição e melhora dos processos
neurais, contráteis e metabólicos ( aláticos e láticos); fundamentais para a
velocidade, resistência e força explosiva. ( VERKHOSHANSKY, 2000).
33
5.2 DINÂMICA DA ALTERAÇÃO DO ÍNDICE DE MANIFESTAÇÃO DE
FORÇA - TORQUE AVALIADO AOS 100ms
A curva força-tempo(C.f-t), adquirida no teste do Dinamômetro
Isocinético, nos oferece o Índice de Manifestação de Força (IMF). O IMF
representa uma fase da C.f-t, exatamente a maior pendente, onde se produz o
maior incremento da tensão muscular. Este índice, que é observado nos
momentos iniciais da curva, representa a força explosiva (GONZÁLEZ, 2001).
O torque avaliado nos primeiros 100ms forneceu o valor quantitativo da
manifestação da força dos atletas. O Grupo F mostrou que o treino de força
aumentou de forma significativa (p<0,05) seu IMF. O Grupo NF não apresenta
mudança estatisticamente significativa.
200
190
180
170
N/ m 160
150
140
130
120
110
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
DINÂMICA DA VARIAÇÃO DO TORQUE MEDIDO AOS 100ms
NO DINAMÔMETRO ISOCINÉTICO - GRUPO(F)
240
DINÂMICA DA VARIAÇÃO DO TORQUE MEDIDO AOS 100ms
NO DINAMÔMETRO ISOCINÉTICO - GRUPO(NF)
220
200
N/m
180
160
140
120
100
80
60
40
20
A1
A3
0
A1
ETAPAS DE TREINAMENTO
A3
ETAPAS DE TREINAMENTO
Figura 8: Nível de força avaliado pelo Isocinético nos primeiros 100ms na extensão do joelho no
momento inicial (A1) e no momento (A3). Comparação entre grupo F e NF
Tabela 6: Média e desvio padrão do torque (N/m) avaliado em 100ms e significância estatística
ANCOVA, para as alterações no nível do IMF dos atletas nas etapas de treinamento.
GRUPO F
ETAPA
A1
MÉDIA 109,1±21,8
A1
A3
*
GRUPO NF
A3
144,5±21,1
*
*P<0,05
ETAPA
A1
MÉDIA 156,8±25,5
A1
A3
A3
158,0±24,5
34
Estudos com treinamento de força mostram que o aumento no IMF está
associado ao aumento da ativação nervosa local. Com comprovação
eletromiográfica, os estudos discutem que o treinamento de força caracterizase pelo aumento no número de unidades motoras recrutadas, e a freqüência de
impulsos nervosos da fibra (HAKKINEN,1983; SALE,1988; GONZÁLEZ,2001).
Outro estudo mostrou realmente que o aumento de força através de
treino no Leg Press, associado com treino de salto vertical (ambos aplicados no
treinamento do Grupo F ), podem aumentar a taxa de desenvolvimento de força
(IMF) (NEWTON,1999).
Cronin (2000), afirma que o treino de força máxima aumenta a força
inicial produzida no movimento. A força inicial está relacionada com a força
explosiva e representa a força manifestada no início da contração muscular
(GONZÁLEZ, 2001).
Hakkinen (1986), afirma que o treinamento com saltos explosivos não
melhora a força máxima, mas sim o tempo para produção da força, ou seja,
força explosiva. Para o autor, o aumento na freqüência de ativação é
responsável por essa melhora. Hakkinen (1983), também verificou através de
exercícios com salto, vários parâmetros, entre eles, a possível variação no
tempo para a produção de força, ou seja, a melhora na força explosiva.
Grande parte desta adaptação neural está vinculada ao treinamento de
força associado à saltos. Estes movimentos balísticos são responsáveis pela
melhora da atividade eletromiográfica, e conseqüente aumento do índice de
manifestação de força (HAKKINEN,1985; ZEHR,1994).
Exercícios de saltos são responsáveis pela melhora na performance
atlética
comprovada em equipes de voleibol e futebol (NEWTON,1999;
DIALLO,2001).
O Grupo NF não apresentou nenhum ganho estatisticamente significativo
nos valores do torque, medido à 100ms. Essa ausência de melhora pode estar
relacionada com pouca ou nenhuma adaptação neural para o grupo. Ao se
considerar que no treinamento do Grupo NF os exercícios de saltos e força
não caracterizaram o treinamento, poderíamos responsabilizar a ausência
destes estímulos pela falta de adaptação neural e muscular (TOLEDO,2000).
35
5.3 DINÂMICA DAS ALTERAÇÕES DA FORÇA EXPLOSIVA
As variações nos níveis de força explosiva, mensuradas pelo salto
vertical com contramovimento, está representada na Figura 9. O teste de salto
vertical foi utilizado para verificar resultados do treino de força explosiva
(HAKKINEN,1993; BOSCO,1986).
24%
22%
22%
20%
20%
18%
DIFERENÇA PERCENTUAL
DIFERENÇA PERCENTUAL
18%
16%
14%
12%
10%
8%
6%
4%
DINÂMICA DA ALTERAÇÃO DO NÍVEL DE FORÇA EXPLOSIVA
SALTO VERTICAL - GRUPO(NF)
24%
DINÂMICA DA ALTERAÇÃO DO NÍVEL DE FORÇA EXPLOSIVA
SALTO VERTICAL - GRUPO(F)
16%
14%
12%
10%
8%
6%
4%
2%
0%
-2%
2%
A1
A3
-4%
C
B
0%
A1
B
A3
ETAPAS DE TREINAMENTO
C
ETAPAS DE TREINAMENTO
Figura 9: Comparação entre os grupos F e NF em relação as alterações do nível de força explosiva
durante todo o período de treinamento. Os valores são individuais, e a média de cada grupo esta
representada pela linha preta em destaque.
Tabela 7: Média e desvio padrão do salto vertical (m) - Força Explosiva e significância estatística
ANCOVA para as alterações no nível da altura vertical nas etapas de treinamento
GRUPO F
ETAPA
A1
A3
GRUPO NF
B
C
MÉDIA 0,326±0,024 0,367±0,033 0,340±0,039 0,387±0,044
A1
A3
B
C
*
*
*
*
*
*
*
*
*
*
ETAPA
A1
A3
B
C
MÉDIA 0,364±0,048 0,377±0,051 0,378±0,051 0,371±0,050
A1
A3
B
C
* p<0,05
O Grupo F apresentou elevados índices de força explosiva durante todas as
etapas de treinamento. A alteração positiva que ocorreu da etapa inicial (A1)
para a etapa A3 é estatisticamente significativa (p<0,05). Essa melhora
36
provavelmente se deve à melhora da atividade neural. Zatsiorsky (1999),
explica que a força depende da ativação das fibras musculares, ou seja, da
ativação neural (coordenação intramuscular).
Hakkinen(1985), descreve mudanças neuromusculares após treinamento
de força comprovadas pelo aumento da altura do salto vertical.
Sale (1994), mostrou que nos movimentos balísticos, como os saltos
aplicados no Bloco A, existe específica adaptação neuromuscular. O salto
vertical é colocado como exemplo de atividade que melhora a capacidade
neural, assim como, uma forma utilizada para avaliar seu desenvolvimento
(HAKKINEN,1983; SALE,1993).
O treinamento com cargas pesadas melhora a força explosiva registrada
pelo salto vertical (HAKKINEN,1983; VERKHOSHANSKY,1990).
A força explosiva que é a capacidade de manifestar esforços
consideráveis em condições limitadas de tempo (VERKHOSHANSKY,1995),
está totalmente ligada ao IMF registrado anteriormente. Percebe-se que o
aumento na força explosiva avaliada pelo salto vertical, coincide com o
aumento do IMF registrado pelo Dinamômetro Isocinético.
Observa-se que existe diferença estatisticamente significativa (p<0,05),
quando comparada a etapa B com as etapas A3 e C do Grupo F. Isto mostra
que a força explosiva apresentou grande diminuição de seus valores na etapa
B , assim como posterior elevação de seus índices na etapa C. Neste Grupo a
queda observada na etapa B , mais uma vez sugere que tenha sido devido aos
altos níveis de carga imposta ao atleta nesse período, causando fadiga
metabólica e neuromuscular. Verkhoshansky (1990), coloca que a força
explosiva apresenta uma tendência à diminuição no que chamou de etapa
competitiva, o que nos faz supor que o aumento do trabalho intenso de corrida
(Bloco B) pode ser responsável por este fenômeno.
Os níveis elevados de força explosiva na etapa C são estatisticamente
significativos, quando comparados com as demais etapas (p<0,05). Tais
índices são explicados pela diminuição dos exercícios de alta exigência
metabólica. Nessa etapa foram desenvolvidas atividades com volume
de
37
treinamento reduzido, que de certa forma contribuíram para uma manifestação
da força explosiva (TOLEDO,2000).
Oliveira (1998), coloca em seu trabalho, que a redução dos índices de
força ( absoluta, explosiva e inicial) acontece após o treinamento concentrado
de força de elevado volume. Por outro lado, cita ainda que terminada a
aplicação destas cargas, os níveis de força retornam gradativamente, e
aumentam de forma significativa na seqüência. Este fenômeno, é conhecido
como Efeito Posterior e Duradouro do Treinamento (EPDT), e ocorre neste
período de diminuição das cargas. ( OLIVEIRA, 1998).
Baseado nestes dados podemos entender o formato da curva nas etapas
A3, B e C. A queda da capacidade de força explosiva, e sua subsequente
elevação no período mais importante, o da competição.
Não houve ganho estatisticamente significativo na força explosiva do
grupo NF durante todo o período de treinamento. A falta de estímulo que
gerasse adaptação neural (saltos verticais e treinamento de força) pode ser a
causa da não evolução dessa capacidade para o Grupo NF. (TOLEDO,2000).
5.3.1 COMPARAÇÃO ENTRE GRUPOS
Pode-se observar que a influência de cargas concentradas de força,
aplicadas no inicio do treinamento, contribuíram para a manifestação da força
explosiva (Hakkinen,1983; Hakkinen,1985; Hakkinen,1986), principalmente se
comparar com o grupo NF, que não treinou nessas condições. Os ganhos em
força explosiva observados na Etapa A3, apesar de demostrarem queda na
Etapa B, reaparecem na Etapa Competitiva.
Os ganhos obtidos no grupo NF não ultrapassaram 5% da média do
grupo, e são muito inferiores aos aproximados 18% da média do grupo F.
38
5.4 DINÂMICA DA ALTERAÇÃO DO TEMPO NA CORRIDA DE 35m VELOCIDADE DE DESLOCAMENTO CÍCLICO
Observando a tabela 8, podemos notar que para o Grupo F houve
aumento estatisticamente significativo (p<0,05) da velocidade de deslocamento
cíclico, quando comparada a etapa inicial (A1) e as demais etapas do
treinamento. Valores não significativos entre A3 e C mostram que mesmo após
a queda dos índices de velocidade na etapa B, esta volta a adquirir valores
20%
19%
18%
17%
16%
15%
14%
13%
12%
11%
10%
9%
8%
7%
6%
5%
4%
3%
2%
1%
0%
DINÂMICA DA ALTERAÇÃO DO NÍVEL DA VELOCIDADE
DE DESLOCAMENTO CÍCLICO - CORRIDA DE 35m - GRUPO(F)
DINÂMICA DA ALTERAÇÃODONÍVEL DE VELOCIDADE
DE DESLOCAMENTO CÍCLICO - CORRIDA DE 35m- GRUPO(NF)
19,5%
18,0%
16,5%
15,0%
13,5%
DIFERENÇA PERCENTUAL
DIFERENÇA PERCENTUAL
elevados no período competitivo.
12,0%
10,5%
9,0%
7,5%
6,0%
4,5%
3,0%
1,5%
0,0%
A1
A3
C
B
-1,5%
A1
A3
B
C
ETAPAS DE TREINAMENTO
ETAPAS DE TREINAMENTO
Figura 10: Comparação entre os Grupos F e NF em relação as alterações da velocidade de deslocamento
cíclico durante todo o período de treinamento. Os valores são individuais e média de cada grupo está
representada pela linha preta em destaque.
Tabela 8: Média e desvio padrão da velocidade de deslocamento cíclico (seg.) e significância estatística
ANCOVA dentro das etapas de treinamento.
GRUPO F
GRUPO NF
ETAPA
A1
A3
B
C
ETAPA
A1
A3
B
C
MÉDIA
A1
5,00±0,14
4,50±0,23
4,67±0,21
4,38±0,23
5,19±0,18
5,07±0,19
5,03±0,16
5,01±0,21
*
*
*
*
MÉDIA
A1
*
*
A3
B
C
*
*
*
*
*
*
* p<0,05
A3
B
C
*
*
A elevação da velocidade de deslocamento cíclico, ocorrida na etapa A3,
pode ter acontecido provavelmente pela melhora da coordenação intramuscular
39
e intermuscular, já que podemos dizer que os trabalhos com cargas
concentradas de força desenvolvem o mecanismo neural, impondo condições
de manifestação da força (SALE,1988; MATAVULJ,2001).
A velocidade depende da organização do movimento, e da potência de
trabalho do sistema locomotor, que é a capacidade de gerar grande quantidade
de energia rapidamente. Desta forma, a velocidade depende da força
(coordenação inter e intramuscular) e do potencial energético do organismo
(VERKHOSHANSKY,2001).
Toledo(2000), em seu trabalho apresentou resultados similares quanto
ao ganho de velocidade após as cargas concentradas de força, assim como
seu aprimoramento no período competitivo.
Buhle, Shimidtbleicher ,1977( citado por WEINECK,1986), afirmam que
um elevado nível de força é condição necessária para a obtenção da
velocidade máxima.
Wisloff (1998), coloca que a melhoria do nível dos jogadores de futebol
depende de maior ênfase no desenvolvimento da força.
Segundo Weineck (1986), somente uma ótima coordenação inter e
intramuscular permitirá um maior recrutamento de unidades motoras, assim
como uma melhor coordenação dos músculos participantes do movimento.
Sugere-se que na etapa B
do Grupo F, a perda de velocidade
provavelmente ocorreu pela sobrecarga metabólica imposta ao organismo dos
atletas pelos exercícios de resistência especial, ocasionando o aparecimento
de uma fadiga neuromuscular acentuada (GREEN,1996; TOLEDO,2000).
A elevação dos índices de velocidade ocorridos na etapa C para o
Grupo F
pode ser pela diminuição da sobrecarga metabólica, até então
imposta aos atletas. Essa elevação ocorre também devido a execução de
exercícios específicos, que mantém o estímulo da velocidade, e atividade de
tonificação neuromuscular, que favorece a manutenção dos estímulos neurais
e consequentemente da força (ZEHR, 1994; ZATSIORSKY, 1999; TOLEDO,
2000).
Os índices observados na etapa C foram maiores do que os atingidos
em A3. Desta forma supõe-se que o EPDT manifestou-se com a redução das
40
cargas de trabalho. As cargas concentrada de força aplicadas no inicio do
treinamento, podem ter dado suporte para a elevação da velocidade neste
período.
Os valores médios de velocidade de deslocamento cíclico do grupo NF
apresentaram aumentos constantes durante todo o período de treinamento.
Essa elevação estatisticamente significativa(p<0,05) da etapa inicial A1 para as
etapas B e C, comprova o ganho de velocidade. Apesar de significantes, esses
valores apresentam-se muito baixos quando comparados com o Grupo F. Essa
elevação provavelmente se deve ao aprimoramento do gesto motor, pela
melhora coordenativa; ou pela aquisição de melhora metabólica através do
treinamento imposto ( WEINECK, 1986; VERKHOSHANSKY,1990).
A não significância estatística entre as etapas A3, B e C mostra que não
existe diferença dos níveis de velocidade adquiridos no inicio do processo de
treinamento e a etapa competitiva.
5.4.1 COMPARAÇÃO ENTRE GRUPOS
Novamente podemos supor que as cargas concentradas de força,
aplicadas no Grupo F criaram condições neurais, metabólicas (potencial
energético), e coordenativas para aquisição de ganho em velocidade
(FLECK,1999;
VERKHOSHANSKY,1990;
ZEHR,1994;
OLIVEIRA,1998;
ZATSIORSKY, 1999; TOLEDO, 2000).
Weineck (1986), afirma que o nível de força age imediatamente na
eficácia do treinamento a longo prazo, e também na sua manutenção.
O aparecimento do que podemos chamar de EPDT, mostra que a força,
aplicada no início do treinamento, e como forma de manutenção no período
competitivo, possibilita a manifestação duradoura da velocidade máxima de
deslocamento cíclico. Isto acaba contrariando treinadores tradicionais, que
colocam que o treino de força cria estímulos inadequados para o
desenvolvimento da velocidade.( TOLEDO, 2000).
A comparação com o Grupo NF nos comprova que a falta de estímulos
apropriados, ou a combinação de muitos estímulos pode levar a um
desenvolvimento não otimizado.
41
5.5 DINÂMICA DAS ALTERAÇÕES DA RESISTÊNCIA ANAERÓBIA
A resistência anaeróbia medida pelo teste de 6x35m do Grupo F,
mostrou elevação estatisticamente significativa (p<0,05) de seus índices,
comparando valores iniciais (A1) com as etapas seguintes (A3, B e C).
A figura a seguir mostra a variação dos índices de resistência anaeróbia
18%
17%
16%
15%
14%
13%
12%
11%
10%
9%
8%
7%
6%
5%
4%
3%
2%
1%
0%
DINÂMICA DA ALTERAÇÃO DA RESISTÊNCIA ANAERÓBIA
CORRIDA 6X35 - GRUPO(F)
18,0%
DINÂMICA DA ALTERAÇÃO DO NÍVEL DE RESISTÊNCIA ANAERÓBIA
CORRIDA 6X35m- GRUPO(NF)
16,5%
15,0%
13,5%
12,0%
DIFERENÇA PERCENTUAL
DIFERENÇA PERCENTUAL
para o Grupo F e Grupo NF.
10,5%
9,0%
7,5%
6,0%
4,5%
3,0%
1,5%
0,0%
A1
A3
C
B
-1,5%
A3
A1
B
C
ETAPAS DE TREINAMENTO
ETAPAS DE TREINAMENTO
Figura 11: Comparação entre os grupos F e NF em relação às alterações da resistência anaeróbia durante
todo o período de treinamento. Os valores são individuais e a média de cada grupo está representada pela
linha preta em destaque.
Tabela 9: Média e desvio padrão da resistência anaeróbia (seg.) e significância estatística ANCOVA
dentro das etapas de treinamento .
Grupo F
Grupo NF
ETAPA
A1
A3
B
C
ETAPA
A1
A3
B
C
MÉDIA
A1
5,47±0,14
4,90±0,22
5,05±0,16
4,75±0,18
5,50±0,24
5,38±0,25
5,41±0,20
5,45±0,23
A3
*
*
*
*
*
*
MÉDIA
A1
B
C
*
*
A3
B
C
* p<0,05
Os ganhos em resistência obtidos na etapa A3, podem estar relacionado
provavelmente à melhora do potencial energético do organismo, ou seja,
42
maiores reservas de ATP-CP e glicogênio, conseguidas pelo treinamento de
força segundo McDougall,1977( citado por FLECK,1999). Essa melhora pode
ser atribuída ao aumento na capacidade do músculo para trabalhar de forma
duradoura (ZATSIORSKY,1999).
Saltin 1973, Jakowlew,1975( citados por WEINECK ,1986), mostram que
o treino de força pode levar a um aumento das reservas de glicogênio e de
fosfocreatina. Estas alterações são responsáveis pelo aumento da resistência
anaeróbia e tem íntima relação com fatores periféricos (TOLEDO,2000). Para
um teste como o que foi aplicado aos atletas, a soma das corridas de curta
distância e alta intensidade, induzem a participação da via glicolítica com
conseqüente
produção
de
lactato.
A
oxidação
do
lactato
ocorre
predominantemente no músculo esquelético (VERKHOSHANSKY,2001), e por
isso, os fatores periféricos são responsáveis pela melhora da resistência.
Pode-se sugerir que o aumento das reservas energéticas, a capacidade
de ressíntese de ATP e a melhor remoção do lactato foram conseqüências dos
exercícios aplicados. O objetivo do trabalho para o grupo F era desenvolver a
especialização morfofuncional. Assegurado pelo trabalho de Toledo(2000),
Oliveira(1998), poderíamos supor que os ganhos na resistência anaeróbia
observados podem ser devido aos exercícios aplicados. As modificações
ocorridas na estrutura muscular, eram objetivo do treinamento e apesar de não
observadas diretamente, podem ter ocorrido.
A queda observada na etapa B deve-se provavelmente aos grandes
estímulos metabólicos ocorridos neste período. A fadiga neuromuscular e
metabólica geram diminuição da capacidade de performance, pois a grande
exigência desta fase diminui muito as reservas de energia do músculo
(GREEN,1996).
No bloco B predominaram exercícios de alta intensidade que priorizam
esforços anaeróbios. Sendo assim, ainda segundo Green (1996), os músculos
neste período estão sob extrema perturbação metabólica.
Na etapa C observou-se níveis elevados de resistência anaeróbia para o
Grupo F. Esta elevação estatisticamente significativa (p<0,05), foi encontrada
em relação as etapas A1 e A3. Parece que o trabalho de força desenvolvido
43
inicialmente, o qual proporcionou melhora metabólica, seguido de trabalho
específico (anaeróbio), proporcionou aumento da resistência anaeróbia no
período competitivo (Etapa C). (TOLEDO, 2000).
Como podemos observar, o Grupo NF não apresentou alteração
estatisticamente significativa em nenhum momento do período de treinamento.
Apesar de não significativos, pequenos ganhos foram observados no Grupo NF
no inicio do treinamento. Porém, na etapa competitiva seus valores chegam a
apresentar índices muito baixos, até negativos. A exigência da competição
somada ao pouco ganho em resistência,
podem ter contribuído para que
aconteça esta queda na performance.
5.5.1 COMPARAÇÃO ENTRE GRUPOS
A análise dos gráficos mostra que a falta de estímulos adequados, ou a
não orientação dos mesmos, como é o caso do Grupo NF, não cria
desenvolvimento otimizado da qualidade física.
O grupo F apresentou níveis elevados de resistência anaeróbia,
provavelmente devido a organização do treino e as cargas concentradas de
força, seguidas de trabalho especial.
Os jogadores do futebol atual necessitam da resistência de velocidade, e
parece que ao modificações morfológicas na musculatura esquelética
proporcionaram ganhos na resistência anaeróbia.
A força mostrou ser pré
requisito para aquisição de resistência anaeróbia e conseqüente resistência de
velocidade.
44
5.6 DINÂMICA DAS ALTERAÇÕES DA RESISTÊNCIA AERÓBIA
A resistência aeróbia não foi a base do desenvolvimento do
treinamento para o Grupo F, porém, foi amplamente treinada pelo Grupo NF.
18%
16%
DINÂMICA DA ALTERAÇÃODONÍVEL DE RESISTÊNCIA AERÓBIA
TESTE DE 2400m- GRUPO(F)
14%
10%
8%
6%
4%
2%
0%
-2%
A1
C
B
A3
-4%
-6%
-8%
DIFERENÇA PERCENTUAL
DIFERENÇA PERCENTUAL
12%
18%
17%
16%
15%
14%
13%
12%
11%
10%
9%
8%
7%
6%
5%
4%
3%
2%
1%
0%
DINÂMICA DA ALTERAÇÃO DO NÍVEL DE RESISTÊNCIA AERÓBIA
TESTE DE 2400m - GRUPO(NF)
A1
A3
ETAPAS DE TREINAMENTO
B
C
ETAPAS DE TREINAMENTO
Figura 12: Comparação entre os grupos F e NF das alterações da resistência aeróbia durante todo o
período de treinamento. Os Valores são individuais e a média de cada grupo esta representada pela linha
preta em destaque.
Tabela 10: Média e desvio padrão da resistência aeróbia (seg.) e significância estatística ANCOVA dentro
das etapas de treinamento .
Grupo F
ETAPA
A1
A3
MÉDIA 553,8±21,24 538,2±17,11
A1
Grupo NF
B
C
537±20,93
566,3±21,12
A3
B
C
*
*
ETAPA
A3
MÉDIA 559,1±20,01
A1
A3
*
*
A1
B
C
* p<0,05
*
*
*
491±11,09
B
500,6±15,02 503,5±21,98
*
*
Os dados apresentados na Figura 12 e Tabela 10 mostram que o Grupo
F apresentou, em seus valores médios, elevação dos seus níveis de resistência
aeróbia entre etapa A1 e A3, porém tais valores não foram estatisticamente
significativos.
Esta
etapa
se
caracterizou
por
exercícios
C
de
cargas
*
45
concentradas de força, ou seja, atividade onde predomina o metabolismo
anaeróbio.
Verkhoshansky(1990), coloca que o treinamento de resistência aeróbia
depende não somente do aperfeiçoamento da capacidade respiratória, como
também da especialização funcional dos sistemas musculares, ou seja, o
aumento da capacidade de força e coordenação que conduz à economia de
energia.
A pequena elevação observada é conseqüência portanto da caraterística
do treino desta etapa.
Alguns especialistas colocam que a capacidade aeróbia de jogadores de
futebol deveria estar entre 60 e 65 ml/kg/min Cazorla; Farhi ,1998, Wisloff,1998
(citados por TOLEDO,2000). Os índices dos atletas, durante as fases de
treinamento, estavam sempre abaixo do que os autores propunham,
provavelmente pela metodologia empregada no processo de treino. Os níveis
de resistência aeróbia alcançados devem-se também a preparação acentuada
da força (VERKHOSHANSKY, 1990).
Podemos observar também que existe sim uma queda estatisticamente
significativa desta capacidade no que chamamos de período competitivo (Etapa
C), quando comparada com as etapas A3 e B. A queda neste período deve-se
provavelmente a característica do treinamento desta fase; que se apresentou
com exercícios extremamente técnicos e de velocidade que são curtos e
intensos, com pouca mobilização aeróbia (TOLEDO, 2000).
Foram observadas quedas nos níveis de VO2máx entre o período
preparatório e o competitivo em alguns trabalhos conforme Bachaualov,1974;
Serafinov,1974;
Volkov,
1974;
Zatsciorsky,1992,
(citados
por
VERKHOSHANSKY,1990).
Verkhoshansky
(2001),
coloca
que
muitos
dados
experimentais
testemunham a diminuição do VO2máx no período competitivo, e que sua
correlação com o resultado diminui.
A mesma tendência foi observada no trabalho de Toledo(2000), onde a
queda na resistência aeróbia aconteceu no período competitivo.
46
Para o desenvolvimento de uma boa base desportiva não é desejável
que o jogador tenha o desempenho aeróbio de um corredor, já que um grande
desempenho em resistência implica prejuízo na capacidade anaeróbia
segundo Dickhut, 1981; Hollmann,1981, (citados por WEINECK,1999).
O Grupo NF apresentou melhora estatisticamente significativa (p<0,05)
dos índices de resistência aeróbia, comparando a etapa inicial (A1) com as
demais etapas do ano. Os ganhos obtidos pelo Grupo NF podem ser devido a
melhora oxidativa dos grupamentos musculares envolvidos, assim como, uma
melhora cardiovascular adquirida pelo treinamento de corridas contínuas, que
predominaram durante o macrociclo (MCARDLLE, 1998; FOX,1989).
O Grupo NF também apresentou queda dos índices de resistência
aeróbia no período competitivo. Provavelmente devido a predominância do
treinamento de corridas contínuas, mesmo neste período, esta queda não foi
significativa.
5.6.1 COMPARAÇÃO ENTRE GRUPOS
A aplicação das cargas concentradas de força no treinamento do Grupo F e
apesar das capacidades aeróbias terem sido treinadas indiretamente nos
períodos de descanso das sessões anaeróbias, não observamos elevação
significativa dos níveis de resistência aeróbia. Verkhoshansky(1990), afirma
que o VO2máx. de nível elevado não garante bons resultados.
O resultado mostrado esta em função do teste de 2400m, que é um teste
contínuo. Caso o grupo F fosse submetido à um teste intermitente com as
características do futebol, provavelmente apresentaria melhores resultados.
Suas capacidades aeróbias foram constituídas nos treinamentos anaeróbios,
ou seja intermitentes.
O grupo NF, pela característica do seu treinamento, com aplicação de
corridas contínuas e a preocupação em desenvolver a capacidade aeróbia,
realmente apresentou aumento desta capacidade em níveis superiores aos
observados no grupo F.
47
6. CONCLUSÕES
Pode-se concluir que as cargas concentradas de força, ou o modelo de
estruturação proposto por Verkhoshansky, quando aplicado como no presente
estudo criam condições de melhora significativa das forças máxima, explosiva,
velocidade cíclica, resistência anaeróbia e índice de manifestação de força.
A resistência aeróbia não apresentou melhora significativa quando
aplicou-se cargas concentradas de força.
Em
todas
as
capacidades
avaliadas,
foi
observado
níveis
individualizados de respostas adaptativas dos atletas; provavelmente devido as
diferenças na Reserva Atual de Adaptação (RAA).
A aplicação da metodologia das cargas concentradas de força para o
futebol parece ser eficaz; principalmente se comparada com a metodologia de
cargas distribuídas.
A metodologia tradicional, como aplicada no presente estudo, mostrouse pouco eficiente para as variáveis neuromusculares e ligadas ao
metabolismo
anaeróbio,
talvez
pela
ausência
de
caracterização,
ou
intensificação de qualquer qualidade física. Porem mostro-se eficiente para
adaptações aeróbias medidas em testes contínuos.
Talvez a metodologia tradicional mostrou adaptações concorrentes entre
as capacidades, ou seja, destaque para as capacidades aeróbias e pouca
significância para as capacidades neuromusculares.
48
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Download

Variação das capacidades físicas entre diferentes