UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação Residência Integrada Multiprofissional em Saúde Área de Concentração em Atenção á Saúde Oncológica Projeto de pesquisa O Estilo Defensivo dos Cuidadores de Pacientes Oncológicos em Cuidados Paliativos Rejimara Alves Fernandes . Pelotas, 2011 2 REJIMARA ALVES FERNANDES O ESTILO DEFENSIVO DOS CUIDADORES DE PACIENTES ONCOLÓGICOS EM CUIDADOS PALIATIVOS Projeto de pesquisa apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Residência Integrada Multiprofissional em Saúde - Área de Concentração em Atenção á Saúde Oncológica da Universidade Federal de Pelotas, como requisito parcial à obtenção do título de Especialista. Orientador: Me. Psicª. Marta Solange Streicher Janelli da Silva Co-Orientador: Drª. Enfª. Eda Schwartz Pelotas, 2011 3 Sumário 1 Delimitação do problema...................................................................................... 4 1.2 Objetivos ............................................................................................................. 6 2 Revisão de literatura.............................................................................................. 7 3 Metodologia ......................................................................................................... 15 3.1 Delineamento..................................................................................................... 15 3.2 População total.................................................................................................. 15 3.3 Definição das variáveis .................................................................................... 15 3.4 Instrumentos...................................................................................................... 15 3.5 Coleta de dados................................................................................................. 16 3.6 Processamento e análise de dados................................................................. 16 3.7 Aspectos éticos................................................................................................. 17 3.8 Cronograma....................................................................................................... 17 Referências.............................................................................................................. 18 Apêndices................................................................................................................ 22 Anexos..................................................................................................................... 24 4 1 Delimitação do problema O câncer representa um conjunto de mais de 100 doenças, sendo na maioria tumores malignos localizados em diferentes partes do corpo, Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) é a segunda causa de morte na população desde 2003, em 2007 representou 17% dos óbitos de causa conhecida. No Brasil, estimou-se para o ano de 2010 e também 2011 à ocorrência de 489.270 novos casos de câncer, sendo esperado em 2010 nosexo masculino 236.240 e para sexo feminino 253.030 novos casos. Este cenário formou-se a partir do contínuo crescimento populacional e do seu envelhecimento (INCA, 2009). Neste contexto, além dos vários pacientes oncológicos, surge à figura do cuidador, ou seja, aquele indivíduo que passa a ser responsável pelo auxílio no diaa-dia do paciente e que, em geral, é do próprio núcleo familiar. Deste modo, cuidar significa dedicar longos períodos de tempo ao paciente, aliado a isto, aparece o desgaste físico, custos financeiros, sobrecarga emocional e exposição a riscos mentais e físicos (RABOW; HAUSER; ADAMS, 2004). Wennman-Larsen e Tieshelman (2002) em um estudo com famílias de pacientes dependentes mostra que a escolha do cuidador não costuma ser ao acaso e que a opção pelos cuidados nem sempre é do cuidador, mas, muitas vezes, expressão de um desejo do paciente, ou falta de outra opção, podendo também, ocorrer de um modo inesperado para um familiar que sentindo-se responsável, acaba assumindo este cuidado. Atualmente, além do tratamento objetivando à cura do câncer, também pode ser realizado um tratamento paliativo, que visa o alivio dos sintomas sem perspectiva de cura. O cuidado paliativo é uma abordagem que aumenta a qualidade de vida de pacientes e seus familiares através da prevenção e alívio do sofrimento físico, psicossocial e espiritual. Desta forma, com o objetivo de atuar no cuidado paliativo aos pacientes oncológicos o Hospital Escola e Fundação de Apoio Universitário da Universidade Federal de Pelotas (HE/FAU-UFPel) implantou-se em 2005 o Programa de Internação Domiciliar Interdisciplinar (PIDI). Neste, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos, assistentes 5 espirituais, entre outros não menos importantes que atuam de forma integral na assistência em domicílio, visando supriralgumas das muitas necessidades físicas, emocionais, sociais e espirituais dos usuários, incluindo em especial a família no processo de cuidar do paciente e no enfrentamento do luto. Tendo como base a prática clínica vivenciada no PIDI, pode-se observar e constatar nos familiares uma exaustiva carga emocional, e em alguns casos, um sentimento expresso de culpa, por não estarem sendo suficientemente eficientes no cuidado para com o familiar, mas também observamos que estes familiares reagem de forma a buscar uma maior proteção emocional para si, utilizando em diversos momentos mecanismos para lidar com o processo de cuidar e vivenciar a terminalidade. Caracterizamos o modo como estes cuidadores agem para proteger-se emocionalmente, de estilo defensivo ou mecanismo de defesa do ego, isto é, o indivíduo deixa de confrontar-se com seus problemas, pois cria uma estrutura de defesa, que lhe possibilita enfrentar determinadas situações sem a carga emocional que esta lhe causaria, estes estilos defensivos dividem-se em três fatores sendo: imaturos/primitivos, neuróticos/de nível superior e maduros. Essa distinção dos mecanismos, torna relevante o estudo, visto que, busca averiguar qual o estilo defensivo destes cuidadores e a defesa mais adaptativa para que torne-se possível em outro momento aplicar protocolos de tratamento e suporte psicológico para os cuidadores, e também tornou-se relevante a medida que para a equipe de saúde passa a direcionar suas ações para o paciente e para o cuidador, desta forma atendendo aos preceitos de um cuidado humanizado. Neste sentido a questão norteadora é: Qual o estilo defensivo presente no principal cuidador do paciente oncológico em cuidado paliativo internado no Programa de Internação Domiciliar Interdisciplinar. 6 1.2 Objetivos Objetivo geral: Identificar o estilo defensivo presente no principal cuidador dos pacientes oncológicos que encontram-se em cuidados paliativos no Programa de Internação Domiciliar Interdisciplinar. Objetivo específico: Avaliar a defesa de maior prevalência nos cuidadores. Relacionar a capacidade funcional do paciente, o estilo de defesa e a sobrecarga do cuidador. 7 2 Revisão de literatura A maioria dos estudos concorda em reconhecer que o câncer desenvolve-se a partir de alterações no material genético no interior da célula. Quanto aostipos de câncer, esses correspondem aos vários tipos de células do corpo que têm em comum o crescimento desordenado de células anormais que invadem os tecidos e órgãos, podendo disseminar-se formando metástases em outras regiões do corpo. Quando o câncer tem início em tecidos epiteliais como, pele ou mucosas ele é denominado carcinoma em casos onde começa em tecidos conjuntivos como, osso, músculo ou cartilagem é chamado de sarcoma (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2010). O problema no tratamento implica, portanto, levar em conta não apenas o tipo, mas seu objetivo curativo, ou seja, com intenção de cura, ou paliativo, onde não há perspectiva de cura da doença, assim o cuidado paliativo é uma abordagem que promove a qualidade de vida, por meio do alivio do sofrimento. Surgido em Roma no século IV, essa abordagem do cuidado teve origem nos hospicesda era cristã pela iniciativa de Fabíola, discípula de São Jerônimo. Com o objetivo de alimentar os famintos e sedentos, enfermos e prisioneiros e acolher os estrangeiros de Roma, África, Ásia e leste da Europa (CORTES, 1997; STONEBERG, GUNTEN, 2006; PESSINI, 2003). Paliativo deriva-se do latim palliare, que significa encobrir. Desta forma o tratamento paliativo é àquele que reduz ou ameniza o dano da doença sem remover sua causa ou efetuar uma cura. O movimento hospice foi crescendo e, em 1985, foi fundada a Associação de Medicina Paliativa da Grã Bretanha e Irlanda, que definiu os cuidados paliativos como: O estudo e controle de pacientes com doença ativa e progressiva em fase avançada, para os quais o prognóstico é limitado e o foco dos cuidados é a qualidade de vida (PESSINI, 2003). Em 1995, a Associação Canadense de Cuidados Paliativos conceituou os cuidados paliativos como uma filosofia do cuidar, combinando terapias ativas que 8 buscam o conforto e o suporte individual e familiar de quem está vivendo com doenças crônico-evolutivas (DOYLE; HANKS; MACDONALD, 1998). No Brasil, foi fundada em 1997 a Associação Brasileira de Cuidados Paliativos, que visa proporcionar a vinculação científica e profissional entre a equipe de saúde que estuda e pratica as disciplinas ligadas aos cuidados paliativos nas enfermidades crônico-evolutivas, em fase avançada e na terminalidade (WEISSMAN; BLUST, 2005). Segundo Rodrigues e Zago (2003), o conceito de dor total, considera que a dor física não é isolada e sim associada à dor psicológica, espiritual e social. Medina (2000) aponta quatro dimensões da dor, que envolvem os aspectos físicos que se referem a dor que o paciente sente em seu corpo, sociais que são relativos à falta que o indivíduo sente do convívio com seu círculo familiar, de amigos, no seu trabalho, os psíquicos que estão relacionados à estrutura mental e psíquica e aos mecanismos de defesa que o paciente desenvolve para enfrentar a dor, e espirituais associados às concepções que o indivíduo traz em sua trajetória de vida. Essas dimensões poderão dar sustentação para que ele possa vivenciar a dor de modo mais singular, amenizando o seu sofrimento. Elisabeth Kübler-Ross (1985) psiquiatra suíça, que após entrevistar mais de 500 pacientes terminais, divulgou uma nova visão sobre a psicologia do paciente em fase final. Salientou que durante o processo de morrer o paciente passa por fases emocionais que o levam à aceitação da sua condição incurável. A partir, destas pesquisas e estudos podemos perceber a importância do foco no paciente, começando então a surgir à figura do cuidador. Waldow (1998) menciona que o processo de cuidar envolve, entre outros, confortar, ajudar, favorecer, promover, restabelecer e restaurar. O cuidador principal é o responsável pelo auxilio ao paciente e é aquele indivíduo que toma as decisões relacionadas à qualidade de vida e os tratamentos. (PENDLEBURY; SOLOMON, 1996). Os cuidadores na maioria das vezes são mulheres, cônjuges, pais ou filhos, os quais vivem junto com o doente e o entorno 9 da enfermidade vivenciada. (GARRIDO, MENEZES, 2004; SINCLAIR, 1990; UNGERSON, 1987; STONEet al, 1987; LEWIS, MEREDITH,1988). Néri (2001) ressaltou a diferença entre os termos cuidador primário e secundário, considerando a frequência dos cuidados e o grau de envolvimento, sendo que cuidador primário é aquele que tem a maior responsabilidade pelos cuidados prestados no domicílio geralmente um membro da família e o cuidador secundário aquele que presta atividades remuneradas complementares as do cuidador primário. Com o adoecimento do familiar ocorrem alterações fisiológicas e biológicas e o aumento da complexidade dos cuidados, assim é comum a família obrigar-se a reajustar papéis (PELZER; FERNADES, 1997). Desta forma, o cuidador encontra-se com numerosos fatores, que inclui a aceitação do diagnóstico, aumento da responsabilidade, lidar com um stress cada vez maior, ter mais paciência, administrar os conflitos dentro da família, planejar o futuro e oferecer o cuidado sem garantia de retribuição. Ficando assim também mais vulnerável a doenças físicas, emocionais e abuso de substâncias como álcool e medicamentos psicotrópicos (PENDLEBURY, SOLOMON, 1996; GUTERMAN, LEVOVITZ, 1998). A qualidade de vida do cuidador depende da sua frequente auto- avaliação, de confrontar-se consigo mesmo, de ter conhecimento do que é importante para si e do medo que o impede de viver. Escolher uma vida satisfatória que permita sentir-se em harmonia consigo e com o mundo não é fácil, requer coragem, decisão e reconhecimento de que cada pessoa é responsável por uma atitude de felicidade (Leitão; Almeida, 2000). Floriani (2004), mostra em seu estudo que, 20% dos cuidadores perderam seus empregos após a ocorrência de uma patologia incapacitante no membro da família, 31% das famílias perderam quase o total de suas reservas financeiras e 29% das famílias perderam a principal fonte de renda. No estudo de Silveira, Caldas e Carneiro (2006) evidenciou-se o desejo de receber ajuda por parte dos cuidadores, mas não de abandonar o cuidado, mesmo após terem relatado as dificuldades e limitações impostas às suas vidas. Fonseca e 10 Penna (2008), justificam esses comportamentos aparentemente contraditório, pela relação afetiva estabelecida, e a sensação de ser útil perante a família e a sociedade. Calvente, Rodríguez e Navarro (2004), relatam que os cuidadores vivenciam mudanças no estilo de vida que reduzem, modificam e podem gerar insatisfação na vida dos mesmos, devido às condições limitantes impostas pela dependência. O papel do cuidador é vinculado ao ônus e estresse, destacando como fatores estressantes: os cuidados diretos, contínuos, intensos e a necessidade de vigilância constante; o desconhecimento ou a falta de informações para o desempenho do cuidado; a sobrecarga de trabalho para um único cuidador; e, especialmente, os problemas de saúde na maioria das vezes desencadeados pela idade avançada dos cuidadores que estão ligados ao trabalho solitário e ao não reconhecimento por parte dos demais familiares (DIOGO; CEOLIM; CINTRA, 2005). Mendes (1995) evidenciou que o cuidador, ao assumir sozinho os cuidados do familiar no domicílio, manifesta frequentemente seu desconforto e sentimento de solidão, quando não sente apoio de outros membros da família. Luzardo e Waldman (2004) afirmam que a necessidade de dividir com outras pessoas o desgaste provocado pelas situações de enfrentamento de eventos negativos indica a vontade de suavizar o impacto provocado pela carga de tarefas. Mediante a isto Nakataniet al., (2003), afirmam que a problemática vivenciada pelos cuidadores revela a necessidade de incremento das modalidades de apoio a esses indivíduos, por meio de programas de atendimento domiciliar, dos serviços de cuidador substituto, bem como informação, orientação, encaminhamento e apoio dos profissionais da equipe da saúde. Bocchi (2004), afirma que a sobrecarga física está relacionada aos indivíduos mais dependentes, e que esses cuidados consomem tempo e levam os cuidadores a se queixarem de que não podem tratar da própria saúde. Ao observar a teoria e a demanda dos cuidadores pode-se perceber a grande necessidade de proteção para o enfrentamento desta configuração cuidador 11 paciente e sobrecarga física e emocional, desta maneira cabe analisar o modo como estes cuidadores refugiam-se emocionalmente das vivências diárias e como defendem-se da exaustiva exigência física e psíquica. Anna Freud (1972) relata que estes mecanismos de defesa são ataques do ego contra os impulsos do id. Onde o ego parte para o território do id buscando defender-se das pulsões de vida e de morte, em períodos determinados o ego ora seleciona um método de defesa ora outro. Nas vivencias do cotidiano revela-se a consciência, métodos de defesa e medidas defensivas onde os instintos promovem à adaptação do indivíduo à realidade externa. E para Braconnier (2011) Freud avaliou que a função desses mecanismos é proteger o ego contra as exigências instintivas e internas, ou seja, processos mentais e conflitos do que poderiam levar a uma neurose. Assim sendo, estilo defensivo é o modo como os indivíduos agem para se preservar ou para proteger-se de acontecimentos e fatos que lhes são dolorosos ou de difícil enfrentamento. E esse modo defensivo pode ser avaliado através do DefenseStyleQuestionnaire - DSQ-40 (BLAYAet al., 1993). O DSQ-40 é um questionário auto-aplicável onde são verificados de forma restrita os fatores maduro, imaturo/primitivo e/ou neurótico/de nível superior, indicando assim o estilo defensivo de um individuo. O objetivo desse instrumento é identificar o estilo característico de como as pessoas de forma consciente ou inconsciente lidam com o conflito, baseadas na ideia de que elas podem fazer comentários precisos sobre seu comportamento (BLAYA, et al., 2004). Na criação deste instrumento formado de 67 itens, Bond, Gardner, Christian e Sigal utilizaram uma amostra composta de 98 pacientes psiquiátricos e 111 em um grupo controle. Em forma de perguntas foram avaliados os estilos defensivos e agrupados podendo ser classificados como mais ou menos adaptáveis (BOND, et al.,1983). A validação oficial e reorganizada deu-se por Andrews, Singh e Bond, onde o DSQ apareceu como o primeiro questionário para descrever fielmente estilos de defesa, composto por 40 itens, relacionados às defesas descritas no DSM-III-R. 12 Para esta validação o questionário foi aplicado em 388 pacientes e 324 controles (ANDREWS; SINGH; BOND, 1993). Com a utilização do DSQ-40 uma pesquisa analisou as defesas e sua correlação com a escolha profissional. O DSQ-40 foi aplicado em 241 estudantes no momento da admissão dos alunos dos cursos de Medicina (93 alunos), Engenharia (70 alunos) e Direito (78 alunos). Teve-se como resultado que os calouros da Medicina apresentam como defesas de maior prevalência o pseudo-altruísmo, a sublimação, a formação reativa e a anulação; nos calouros de Engenharia prevalece o isolamento; já nos calouros de Direito sobressai a projeção, acting-out, negação e a cisão. Sendo que na Medicina apenas a sublimação é defesa de fator maduro, as outras são de fator neurótico; na Engenharia e no Direito as defesas são de fator imaturo/primitivo (ANDRADE, 2000). Outra pesquisa teve como objetivo de avaliar o uso dos estilos defensivos utilizados por pacientes deprimidos e ansiosos (sem comorbidades), comparados com pacientes-controle, mostraram que pacientes deprimidos e ansiosos diferem dos controles no uso do estilo defensivo, esta pesquisa mostrou também que cada patologia tem seu padrão particular. Nos pacientes deprimidos mostrou-se maior prevalência de projeção, nos obsessivo-compulsivos prevaleceu acting-out e nos pacientes com transtorno de pânico sublimação. Neste estudo o DSQ-40 foi aplicado em 167 pacientes psiquiátricos e 36 controles (BLAYA, et al., 2006). Uma pesquisa feita com adolescentes concluiu que o DSQ-40 é valido e confiável quanto a sua aplicação nesta faixa etária. Este estudo examinou as propriedades psicométricas do DSQ-40 em adolescentes, onde foramtestados 211 pacientes psiquiátricos ambulatoriais e 199 controles com idades entre 13 e 19 anos. Os resultados foram que os adolescentes do grupo de pacientes psiquiátricos ambulatoriais apresentaram em maior numero defesas de nível primitivo do que neurótico e maduros. E o grupo controle ainda apresentou maior numero desta defesa que o grupo tratado (RUUTTU, et al., 2006). Em um estudo do DSQ sobre as propriedades psicométricas para a aplicação na população prisional, teve como resultados dez defesas com carga fatorial satisfatória (superior a 0,30) no fator imaturo, duas no fator maduro e três no fator 13 neurótico.Neste estudo o DSQ foi aplicado a uma amostra de 271 presidiários, sendo 208 homens e 63 mulheres (GALVÃO, 2007). Gana e K’Delant (2011), realizaram um estudo com 72 idosos enlutadas onde foi verificado o estilo de defesa, neste estudo foi constatado que lutos mais patológicos estavam relacionadas a defesas mais primitivas. Gouvernet, Combaluzier e Viaux (2011), avaliaram os mecanismos de defesa de setenta pacientes soropositivos e a correlação destes estilos com os efeitos adversos do tratamento antiretroviral. Como resultado constatou-se que o aumento de efeitos adversos leva ao aumento das defesas mais primitivas, e que o manejo destas defesas proporciona uma melhor qualidade de vida aos pacientes. Um estudo pareado com oitenta pacientes diagnosticadas com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) analisou o estilo de defesa destes pacientes e correlacionou com a qualidade de vida destes. Observou-se que as defesas de somatização, negação e anulação estão ligadas a pior qualidade de vida, e que o estilo mais prevalentes foi o primitivo nos pacientes com DPOC se comparado aos controles (ALBUQUERQUE, et al., 2011). Bornstein, Gottdiener e Winarick (2010) realizaram um estudo com cem pacientes internados com transtorno por uso de substancias, onde foi avaliado o estilo defensivo e grau personalidade dependente. Outro estudo correlacionou o transtorno de pânico e uso mecanismo de defesa primitivo, sendo que foi verificado que os pacientes com pânico que tiveram remissão completa dos sintomas também manifestaram defesas mais adaptativas enquanto que os que não tiveram remissão usaram ainda mais defesas imaturas ou primitivas (MARCHESI,et al., 2010). A partir da observação de vários estudos relacionando os estilos de defesas com escolha vocacional, diversos transtornos e quadros clínicos, percebeu-se que à a possibilidade observar o estilo defensivo dos cuidadores de pacientes oncológicos e provavelmente correlacionar com o tempo de cuidado, permanência com o doente, localização do tumor e/ou estadiamento da doença. 14 15 3 Metodologia 3.1. Delineamento: Estudo transversal descritivo de abordagem quantitativa. 3.2. População total: Serão aplicados questionários em todos os cuidadores de pacientes oncológicos em cuidados paliativos que estiverem internados no HE/FAU-UFPel no Programa de Internação Domiciliar Interdisciplinar (PIDI) no período de Setembro à Outubro de 2011. 3.3. Definição das variáveis Variáveis dependentes: DSQ-40: um instrumento de auto-relato que avalia estilo defensivo inconscientes de cada indivíduo da pesquisa. Variáveis independentes: Parentesco do cuidadores com o paciente: Se o cuidador é primário ou secundário, e sendo primário, qual o grau de parentesco com o doente. Tempo de dependência do cuidado: Tempo estipulados em horas por dia. E tempo em meses ou ano desde o inicio dos cuidados prolongados. Sobrecarga do cuidador e capacidade funcional do doente. 3.4 Instrumento DSQ-40: É um questionário em formato Likert composto de 40 perguntas auto respondido que identifica e avalia o estilo defensivo consciente ou inconsciente. O DSQ-40 pode fornecer escores para as 20 defesas individuais e para os três fatores (imaturo/primitivo, neurótico/de nível superior e maduro). Os escores das defesas individuais são calculados pela média dos dois itens de cada estilo defensivo e os fatores dos escores são calculados pelos escores médios das defesas que pertencem a cada fator (Apêndice A). Cada item é avaliado em uma escala de 1 a 9, na qual 1 indica ―discordo totalmente‖ e 9 indica ―concordo totalmente‖. As defesas estão divididas em grupos de acordo com os fatores, onze relacionadas ao fator imaturo/primitivos sendo: projeção, agressão, Acting out, isolamento, desvalorização, fantasia autística, negação, deslocamento, dissociação, cisão e somatização; quatro delas estão relacionadas ao fator neurótico sendo: 16 pseudo-altruísmo, idealização; formação reativa e anulação; e cinco, relacionadas ao fator maduro sendo: antecipação, humor, supressão, sublimação e racionalização (BLAYA, et al., 2004). Escala de Performance Status de Zubrod: Avalia o estado funcional do doente oncológico, estabelecendo um escore de 0 a 5. Sendo que 0 indica que o paciente é completamente ativo e capaz de realizar atividades normais e 5 é atribuído ao paciente morto. Foi elaborada pelo Eastern Cooperative Oncologic Group (ECOG) dos Estados Unidos e validada pela Organização Mundial da Saúde. 3.5 Coleta de dados O instrumento será entregue aos cuidadores durante a visita domiciliar, estes receberão todas as informações necessárias para responder o questionário, que será devolvido ao pesquisador após três dias da entrega em visita posterior. O questionário será apresentado ao cuidador mediante a aceitação e assinatura do consentimento livre e esclarecido. Os dados obtidos neste estudo após a analise serão arquivados no setor da Psicologia na Residência Integrada Multiprofissional em Saúde - Área de Concentração em Atenção á Saúde Oncológica da UFPel por um tempo de no mínimo 5 anos. Os escores da escala de Zubrod serão coletados dos prontuários dos pacientes, após a aplicação pela enfermeira do setor. Sendo que estes dados permanecerão armazenados no setor administrativo do PIDI. 3.6 Processamento e análise de dados Para a análise dos dados, será realizada uma dupla entrada dos dados dos instrumentos no programa EPI-INFO e uma checagem automática dos dados no momento da digitação com CHECK do mesmo software, permitindo assim, a identificação de inconsistências na digitação. Para análise dos dados será utilizado o programa estatístico STATA: Data Analysis and Statistical Softwer, sendo realizado analises descritivas com cruzamentos de dados, descrição de medias e desvio padrão. 17 3.7 Aspectos éticos O presente estudo será encaminhado a Comissão de Ensino e Pesquisa do HE -UFPel para autorização e aprovação. Após será enviado ao Comitê de Ética em Pesquisa do HE -UFPel, órgão vinculado a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa – CONEP. A realização da aferição de elevada sintomatologia nos cuidadores, sobrecarga emocional, doenças mentais leves e desordens relacionadas ao câncer, implicarão no oferecimento de tratamento adequado. E aqueles que apresentarem outra sintomatologia não relacionada a doença do familiar internado, será encaminhado aos serviços de saúde mental disponíveis na cidade. Antes de coletar os dados será solicitada a assinatura do termo de consentimento livre esclarecido pelos cuidadores que aceitarem participar da aplicação do instrumento, de acordo com as normas da resolução N° 196 do CONEP - Ministério da Saúde. 3.8 Cronograma: Ano Meses Atualização da Revisão de Literatura 2011 A M J J A S O N D 2012 J F Envio para a Comissão de Ensino e Pesquisa e o Comitê de ética em pesquisa do HE-UFPel Aplicação do instrumento Analise dos dados Criação do artigo Apresentação para a banca Envio do artigo para avaliação correção e publicação *A coleta de dados será iniciada após a aprovação do projeto pelo comitê de ética. Referências 18 ALBUQUERQUE, S. C., et al. Ego defense mechanisms in COPD: impact on healthrelated quality of life and dyspnoea severity. Qual Life Res. 4 March 2011. DOI 10.1007/s11136-011-9884-9 ANDRADE, M.P.M., As defesas psíquicas dos estudantes de medicina, in Universidade Federal de São Paulo 2000: São Paulo. ANDREWS, G., M. SINGH, and M. 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Scandinavian Journal of Caring Sciences. 2002; 16:240-247. 22 Apêndice A – Distribuição dos itens do DSQ-40, segundo o fator, as defesas e as questões. Fator Defesas Questões Maduro Antecipação 30 35 Humor 05 26 Supressão 02 25 Sublimação 03 38 Racionalização 04 16 Pseudo-altruismo 01 39 Idealização 21 24 Formação Reativa 07 28 Anulação 32 40 Projeção 06 29 Agressão passiva 23 36 Acting out 11 20 Isolamento 34 37 Desvalorização 10 13 Fantasia Autística 14 17 Negação 08 18 Deslocamento 31 33 Dissociação 09 15 Cisão 19 22 Somatização 12 27 Neurótico Imaturo 23 Apêndice B – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido Universidade Federal de Pelotas - UFPel Residência Integrada Multiprofissional em Saúde - Área de Concentração em Atenção á Saúde Oncológica Orientanda: Psicª. Rejimara Alves Fernandes Telefone: 99588103 Orientadora: Me. Psicª. Marta Solange Streicher Janelli da Silva Titulo do projeto: O estilo defensivo dos cuidadores de paciente oncológicos em cuidados paliativos O objetivo desta pesquisa é identificar o estilo defensivo presentes no principal cuidador dos pacientes oncológicos que encontram-se em cuidados paliativos no Programa Interdisciplinar de Internação Domiciliar. Os dados coletados em entrevistas estarão sob sigilo e serão utilizados apenas para publicação dos resultados gerais obtidos, sem identificação individual. A realização da aferição de elevada sintomatologia nos cuidadores, sobrecarga emocional, doenças mentais leves e desordens relacionadas ao câncer, implicarão no oferecimento de tratamento adequado. E aqueles que apresentarem outra sintomatologia não relacionada a doença do familiar internado, será encaminhado aos serviços de saúde mental disponíveis na cidade Eu____________________________________________________________ concordo voluntariamente e estou ciente da finalidade da pesquisa a qual estou participando, caso queira deixar de participar do estudo poderei retirar meu consentimento sem prejuízo ao meu atendimento e minha assistência psicológica. Assinatura do participante 24 ANEXO I - Instrumento de Pesquisa Quanto tempo em horas por dia eu dedico para o cuidado do meu doente: ( ) menos de 3horas/dia ( ) de 3 à 5 horas/dia ( ) de 10 à 12 horas/dia ( ) de 5 à 10 horas/dia ( ) 24 horas ou o dia todo À ________ meses ele depende do meu cuidado. DSQ-40 — versão em português brasileiro Código:_______ Este questionário consiste de 40 afirmativas relacionadas a como você pensa e funciona em sua vida. Não há questão certa ou errada. Marque o grau em relação ao qual você concorda ou discorda de cada afirmativa e assinale sua resposta, de 1 a 9. Por exemplo, um escore de 5 indicaria que você nem concorda e nem discorda da afirmativa, um escore de 3 indicaria que você discorda moderadamente e um escore de 9 que você concorda plenamente. 1. Eu fico satisfeito em ajudar os outros e, se eu não puder fazer 1. Pseu _ _ isso, eu fico deprimido. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 2. Eu consigo não me preocupar com um problema até que eu 2. Supr _ _ tenha tempo para lidar com ele. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 3. Eu alivio a minha ansiedade fazendo coisas construtivas e 3. Subl _ _ criativas, como pintura ou trabalho em madeira. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 4. Eu sou capaz de achar bons motivos para tudo que eu faço. 4. Raci _ _ Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 5. Eu sou capaz de rir de mim mesmo com bastante facilidade. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 5. Humo _ _ 25 6. As pessoas tendem a me tratar mal. 6. Proj _ _ Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 7. Se alguém me assalta e rouba o meu dinheiro, eu prefiro 7. Form _ _ que essa pessoa seja ajudada ao invés de punida. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 8. As pessoas dizem que eu costumo ignorar os fatos 8. Neg _ _ desagradáveis como se eles não existissem. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 9. Eu costumo ignorar o perigo como se eu fosse o Super- 9. Dis _ _ homem. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 10. Eu me orgulho da minha capacidade de reduzir as pessoas 10. Desv _ _ aos seus devidos lugares. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 11. Eu freqüentemente ajo impulsivamente quando alguma 11. Acti _ _ coisa está me incomodando. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 12. Eu fico fisicamente doente quando as coisas não estão 12. Som _ _ indo bem para mim. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 13. Eu sou uma pessoa muito inibida. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 13. Desv _ _ 26 14. Eu fico mais satisfeito com minhas fantasias do que com a 14. Fant _ _ minha vida real. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 15. Eu tenho qualidades especiais que me permitem levar a vida 15. Diss _ _ sem problemas. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 16. Há sempre boas razões quando as coisas não dão certo para 16. Raci _ _ mim. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 17. Eu resolvo mais as coisas sonhando acordado do que na vida 17. Fant _ _ real. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 18. Eu não tenho medo de nada. 18. Neg _ _ Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 19. Às vezes, eu acho que sou um anjo e, outras vezes, acho que 19. Cis _ _ sou um demônio. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 20. Eu fico francamente agressivo quando me sinto magoado. 20. Acti _ _ Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 21. Eu sempre acho que alguém que eu conheço é como um anjo 21. Idea _ _ da guarda. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 22. Tanto quanto eu sou, ou as pessoas são boas ou más. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 22. Cis _ _ 27 23. Se o meu chefe me repreendesse, eu poderia cometer um erro 23. Agre _ _ ou trabalhar mais devagar só para me vingar dele. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 24. Eu conheço alguém que é capaz de fazer qualquer coisa e é 24. Idea _ _ absolutamente justo e imparcial. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 25. Eu posso controlar os meus sentimentos se eles interferirem no 25. Supr _ _ que eu estiver fazendo. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 26. Eu freqüentemente sou capaz de ver o lado engraçado de uma 26. Humo _ _ situação apesar de ela ser desagradável. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 27. Eu sinto dor de cabeça quando tenho que fazer algo de que não 27. Som _ _ gosto. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 28. Eu freqüentemente me vejo sendo muito simpático com 28. Form _ _ pessoas com quem, pelo certo, eu deveria estar muito brabo. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 29. Eu tenho certeza de que a vida é injusta comigo. 29. Proj _ _ Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 30. Quando eu sei que vou ter que enfrentar uma situação difícil, eu tento imaginar como isso será e planejo um jeito de lidar com a situação. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 30. Ante _ _ 28 31. Os médicos nunca realmente entendem o que há de errado 31. Desl _ _ comigo. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 32. Depois de lutar pelos meus direitos, eu tenho a tendência de 32. Anul _ _ me desculpar por ter sido tão firme. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 33. Quando estou deprimido ou ansioso, comer faz com que eu 33. Desl _ _ me sinta melhor. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 34. Freqüentemente me dizem que eu não mostro os meus 34. Isol _ _ sentimentos. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 35. Se eu puder prever que vou ficar triste mais adiante, eu 35. Ante _ _ poderei lidar melhor com a situação. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 36. Não importa o quanto eu reclame, eu nunca consigo uma 36. Agre _ _ resposta satisfatória. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 37. Freqüentemente eu me dou conta de que eu não sinto nada 37. Isol _ _ em situações que deveriam me despertar fortes emoções. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 38. Manter-me muito ocupado evita que eu me sinta deprimido ou ansioso. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 38. Subl _ _ 29 39. Se eu estivesse passando por uma crise, eu me aproximaria de 39. Pseu _ _ pessoas que tivessem o mesmo problema. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 40. Se eu tenho um pensamento agressivo, eu sinto a necessidade de fazer algo para compensá-lo. Discordo completamente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Concordo plenamente 40. Anul _ _ 30 UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação Residência Integrada Multiprofissional em Saúde - Área de Concentração em Atenção á Saúde Oncológica Artigo O Estilo Defensivo dos Cuidadores de Pacientes Oncológicos em Cuidados Paliativos Rejimara Alves Fernandes Orientador: Me. Psicª. Marta Solange Streicher Janelli da Silva Co-Orientador: Drª. Enfª. Eda Schwartz Pelotas, 2012 31 O Estilo Defensivo dos Cuidadores de Pacientes Oncológicos em Cuidados Paliativos¹ The Defensive Style of Caregivers of Palliative Care in Oncology Patients¹ Rejimara Alves Fernandes² Marta Solange Streicher Janelli da Silva³ Eda Schwartz4 Resumo: Este estudo buscou identificar através do Defense Style Questionnaire (DSQ-40) o estilo defensivo e a defesa de maior intensidade presente em 15 cuidadores de pacientes oncológicos em cuidados paliativos que estiveram internados em um Programa de Internação Domiciliar Interdisciplinar (PIDI) no período de agosto a outubro de 2011. Trata-se de um estudo transversal descritivo de abordagem quantitativa que evidenciou nos cuidadores uma maior intensidade das defesas pertencentes ao estilo defensivo maduro, como a antecipação, o que prediz um bom enfrentamento da situação vivida, demonstrando resiliência e sugerindo o amadurecimento dos cuidadores no processo adaptativo enquanto individuo que oferece cuidados a seu familiar em processo de fim de vida. Palavras chave: cuidador; estilo defensivo; cuidado paliativo; oncologia. Abstract: This study sought to identify, through the Defense Style Questionnaire (DSQ-40), the defensive style and protection of greater intensity in 15 caretakers of cancer patients in palliative care who were admitted to the Programa de Internação Domiciliar Interdisciplinar (PIDI) in the period from August to October 2011. This is a cross sectional study of quantitative approach who showed that caretakers have greater intensity of defenses belonging to the mature defensive style, as the anticipation, which predicts a good confront with the lived situation, demonstrating resilience and suggesting the maturation of the caretakers in the adaptive process as individual who provides care to your family in the process of end of life. Keywords: caretaker, defensive style, palliative care, oncology. 32 1 Introdução O câncer tem se apresentado em sua maioria como tumores sólidos, localizados em diferentes partes do corpo, representando um conjunto de mais de 100 doenças. É a segunda causa de morte na população desde 2003, este cenário formouse a partir do contínuo crescimento populacional e do seu envelhecimento (INCA, 2009). Devido ao aumento da sobrevida dos pacientes com neoplasias malignas, tem-se trabalhado frequentemente com o enfoque no cuidado paliativo, abordagem de tratamento oferecida quando, não há, possibilidade de cura da doença, porém com possibilidade de manejo adequado dos sintomas, visando promover a qualidade de vida e bem estar ao doente por meio do alivio do sofrimento físico, psicológico, social e espiritual. Desta forma, o tratamento paliativo é àquele que procura, reduzir ou amenizar os danos da doença, sem remover sua causa ou garantir uma cura. Os cuidados paliativos tiveram início no final dos anos 60, a partir de Cicely Saunders que, ao criar um hospice, atuou com o conceito de dor total, considerando que a dor física do doente não é isolada, mas sim associada à dor psicológica, espiritual e social. Medina (2000) aponta que: Os aspectos físicos da dor referem-se a dor que o paciente sente em seu corpo; os sociais aos que são relativos à falta que o indivíduo sente do convívio com seus familiares, amigos e seu trabalho; os psíquicos estão relacionados à estrutura mental e psíquica e aos mecanismos de defesa que o paciente desenvolve para enfrentar o sofrimento; e espirituais associados às concepções e crenças que o indivíduo traz em sua trajetória de vida. No ano de 2005, foi implantado o Programa de Internação Domiciliar (PIDI) do Hospital Escola e Fundação de Apoio Universitário da Universidade Federal de Pelotas (HE/FAU-UFPel, com o objetivo de atender os pacientes com câncer e sem ou poucas possibilidades de cura. Neste, o trabalho tem uma perspectiva paliativista, com seu foco principal a qualidade de vida e possivelmente uma morte digna. No programa atuam: médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos e um capelão hospitalar que auxiliam em necessidades físicas, emocionais, sociais e espirituais dos usuários, incluindo ainda especialmente a participação da família no processo de cuidar do paciente e o difícil enfrentamento do luto em muitos casos. 33 Sendo assim, ainda neste contexto, além dos vários pacientes oncológicos, surge a figura do indivíduo que presta cuidado ao doente. Esta passa a ser, responsável pelo auxílio diário, em geral este cuidador faz parte do núcleo familiar. O cuidar significa, dedicar longos períodos de tempo ao doente, o que acaba por gerar uma sobrecarga emocional, física e financeira, não raro este trabalho, acaba por ser muitas vezes, solitário e de pouco reconhecimento por parte dos demais familiares. Wennman-Larsen e Tieshelman (2002) mostraram que a escolha do cuidador não costuma ser ao acaso e que a opção pelos cuidados nem sempre é do cuidador, mas muitas vezes é expressão de um desejo do paciente, ou na falta de outra opção, um dos familiares acaba sentindo-se responsável e assume os cuidados. Os cuidadores, na maioria das vezes, são: mulheres, cônjuges, pais ou filhos, os quais geralmente vivem junto com o doente (GARRIDO, MENEZES, 2004). Silveira, Caldas e Carneiro (2006) evidenciaram o desejo por parte dos cuidadores de receber ajuda com as tarefas do cuidar, mas não abandonam o cuidado mesmo após relatar as dificuldades e limitações impostas às suas vidas. Fonseca e Penna (2008) justificam esses comportamentos aparentemente contraditórios, pela relação afetiva estabelecida, e a sensação de ser útil perante a família e a sociedade. Ao se verificar a grande necessidade de proteção para o enfrentamento desta configuração, cuidador/paciente e sobrecarga emocional, procurou-se analisar o modo como estes cuidadores refugiam-se emocionalmente das vivências diárias e ao mesmo tempo como se defendem da exaustiva exigência psíquica. Após revisarmos a literatura sobre este assunto, pode-se constatar que alguns autores correlacionam estilo defensivo com a escolha vocacional e ainda diversos transtornos, depressão, ansiedade, obsessões e compulsões, transtorno de pânico, fobia social, uso de substancias, idosos enlutadas; e quadros clínicos como doença pulmonar obstrutiva crônica, obesidade grau III e pacientes soropositivos. (ANDRADE, 2000; BLAYA, et al., 2006; BLAYA et al., 2002; MARCHESI, et al., 2010; BORNSTEIN, GOTTDIENER e WINARICK, 2010; GANA e K’DELANT, 2011; ALBUQUERQUE, et al., 2011; OLIVEIRA e YOSHIDA 2009; GOUVERNET, COMBALUZIER e VIAUX, 2011). O DSQ-40 também foi aplicado em diversas 34 populações: mulheres jovens depressivas, população carcerárias, adolescentes e transexuais (FERNANDES, et al., 2009; GALVÃO, 2007; RUUTTU, et al., 2006; LOBATO et al., 2009). Percebeu-se assim, à possibilidade de avaliar o estilo defensivo dos cuidadores de pacientes oncológicos. Esse modo de defesa pode ser avaliado através do Defense Style Questionnaire (DSQ-40) questionário auto-aplicável, no qual são verificados os fatores defensivos maduro, imaturo e neurótico bem como as defesas que os compõem (Figura 1). Desta forma, este estudo busca tem como objetivo principal, identificar o estilo defensivo presente no principal cuidador dos pacientes oncológicos em cuidados paliativos que estiveram internados em um Programa de Internação Domiciliar Interdisciplinar no período de agosto a outubro de 2011, avaliando também a defesa de maior intensidade nos cuidadores. 35 2 Metodologia Trata se de um estudo transversal descritivo de abordagem quantitativa, no qual foi aplicado um instrumento que avalia o estilo defensivo mais usado de uma determinada população. A amostra para este estudo foi de 15 cuidadores de pacientes que estiveram internado no Programa de Internação Domiciliar Interdisciplinar (PIDI) do Hospital Escola e Fundação de Apoio Universitário da Universidade Federal de Pelotas (HE/FAU-UFPel) no período de agosto à outubro de 2011. Nesta população usamos o DSQ-40. Questionário do tipo Likert, com 40 afirmações, auto respondido, que fornece escores, para o fator defensivo imaturo (Figura 2), no qual estão contida as defesas como: projeção, agressão, acting out, isolamento, desvalorização, fantasia autística, negação, deslocamento, dissociação, cisão e somatização; fator defensivo neurótico (Figura 3), que contém as defesas pseudo-altruísta, idealização; formação reativa e anulação; e fator defensivo maduro (Figura 4), composto por defesas de antecipação, humor, supressão, sublimação e racionalização. Os escores das defesas individuais, são calculados, pela média dos dois itens de cada estilo defensivo. Os fatores dos escores são calculados pelos escores médios das defesas que pertencem a cada fator. Cada item é avaliado em uma escala likert de 1 a 9, na qual 1 indica ―discordo totalmente‖ e 9 indica ―concordo totalmente‖ (BLAYA, et al., 2004). Como critérios de exclusão do estudo utilizamos: analfabetismo, dificuldade de compreender o questionário e falecimento do familiar/doente antes da coleta do questionário. Para inclusão na amostra, o sujeito, deveria ser cuidador principal, de um paciente oncológico paliativo, que estivesse internado no PIDI, e que aceitasse responder o questionário mediante a assinatura do consentimento livre e esclarecido. Para avaliarmos a performance, status do doente, utilizamos a escala de Zubrod, sendo possível analisar o grau de dependência do doente e fator gerador de sobrecarga. A Escala de Performance Status de Zubrod, avalia, o estado funcional do doente oncológico, estabelecendo um escore de 0 a 5. Sendo que, 0 indica que o paciente é completamente ativo e capaz de realizar atividades normais e, 5 é atribuído ao paciente em óbito. Esta escala foi elaborada, pelo Eastern Cooperative Oncologic Group (ECOG) dos Estados Unidos e validada pela 36 Organização Mundial da Saúde (POLO, MORAES, 2009). Esta escala foi utilizada para contextualizar os cuidadores estudados. O instrumento foi entregue aos cuidadores, que aceitaram participar da pesquisa mediante a assinatura do consentimento livre e esclarecido, de acordo com as normas da resolução N° 196/96, da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP). O estudo foi autorizado pela Comissão de Ensino e Pesquisa do HE -UFPel e aprovado sob o registro OF.47/11 pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Faculdade de Medicina (FAMED) da UFPEL. A apresentação e entrega dos questionários, aconteceu durante as visitas domiciliares (VD) onde, os cuidadores receberam todas as informações necessárias para responder ao questionário. A devolução do instrumento, respondido, foi feito após três dias em média, para o referido pesquisador ou outro membro da equipe. Os dados obtidos no estudo estão arquivados no setor da Psicologia na Residência Integrada Multiprofissional em Saúde - Área de Concentração em Atenção á Saúde Oncológica da UFPel por um período mínimo cinco anos a contar de outubro de 2011. A escala de Zubrod e sua aplicação, contou com a colaboração da equipe de enfermagem da Instituição, sendo que, os dados coletados e sua fonte advêm dos prontuários dos pacientes, estes permanecerão devidamente armazenados aos prontuários, no setor administrativo do PIDI. Para a análise dos dados, foi realizada uma dupla entrada dos dados dos instrumentos no programa EPI-INFO e uma checagem automática dos dados no momento da digitação com CHECK do mesmo software, permitindo-se a identificação de inconsistências na digitação. Para análise dos dados foi utilizado o programa estatístico STATA: Data Analysis and Statistical Software, sendo realizado analises descritivas com cruzamentos de dados, descrição de medias e desvio padrão. Com a aferição de elevada sintomatologia nos cuidadores, sobrecarga emocional, doenças mentais leves e desordens relacionadas ao câncer, foi oferecido 37 um tratamento e acompanhamento psicológico pela psicóloga do serviço e psicólogas residentes. E aqueles pacientes que apresentaram outra sintomatologia não relacionada a doença do familiar internado, foram encaminhados aos serviços de saúde mental disponíveis no município. 38 3. Resultados e discussão Participaram do estudo, 15 cuidadores de pacientes oncológicos que se encontravam em tratamento paliativo internados no PIDI, no período de agosto a outubro de 2011, sendo que 4 (26,6%) cuidadores eram do sexo masculino e 11 (73,3%) cuidadores do sexo feminino. Entre os familiares entrevistados, o grau de parentesco com o paciente foi de 7 (46,6%) filhos, 5 (33,3%) cônjuges, 1 (6,6%) mãe, 1 (6,6%) pai, 1 (6,6%) irmãos. Confirmando que as mulheres, na maioria das vezes, são responsáveis pelos cuidados dos doentes ou idosos (KARSCH, 2003) sendo vista como a cuidadora tradicional (KINSELLA e TAEUBER, 1992), por causas predominantemente culturais, o cuidado ainda é uma atribuição da mulher, esperado pela sociedade (NERI, 1993). Ao relacionar os dados clínicos encontramos 5 (33,3%) pacientes com diagnóstico primário de câncer de aparelho digestivo, 3 (20,0%) pacientes com câncer ginecológico, 2 (13,3%) pacientes com câncer de cabeça e pescoço e 5 (33,3%) pacientes com outras neoplasias (primário desconhecidos, sistema nervoso central, pâncreas e fígado). Todos com o curso bastante evoluído da doença, e na maioria já com doença metastáticas e sem possibilidade de cura. A performance status dos 15 pacientes foi avaliada através da escala de Zubrod, na qual foi encontrado o seguinte resultado: 1 paciente (6,6%) apresentava sintomas da doença, mas deambula e levava seu dia a dia normal, 4 (26,6%) pacientes permaneciam fora do leito mais de 50% do tempo, 5 (33,3%) pacientes no leito mais de 50% do tempo e 5 (33,3%) pacientes restrito ao leito. Apenas um paciente tinha boa capacidade funcional e a maioria dependia do cuidado a maior parte do tempo ou de cuidado em tempo integral, o que possivelmente leve o seu cuidador a ter uma responsabilidade emocional e física excessiva, gerando uma sobrecarga acompanhada por diversos sentimentos impossíveis de serem expressos, pelo fato de sentirem culpa se o fizer, já que é o seu familiar que está adoecido e necessitando de apoio, manejo e atenção. Quanto ao tempo dedicado ao cuidado com o doente observou-se que 9 cuidadores dedicaram 24 horas por dia ao cuidado do paciente, 4 cuidadores 39 dedicaram de 12 a 10 horas por dia ao paciente, 1 cuidador dedicou de 10 a 3 horas e 1 menos de 3 horas ao cuidado diário do seu familiar doente. Os resultados que se referem ao cuidado integral ao paciente em meses, assim, 5 (33%) cuidadores dedicaram 6 a 12 meses ao cuidado, 4 (26%) cuidadores de 3 a 6 meses dedicados ao cuidado do paciente, 4 (26%) cuidadores dedicaram de 1 a 3 mês ao paciente, 1 (6,6%) cuidador de 12 a 18 meses e 1 (6,6%) cuidador dedicou-se de 18 a 24 meses ao cuidado de seu familiar doente. Estes dados indicam que grande parte dos cuidadores permanecem o dia ou grande parte do dia prestando assistência ao doente, sendo que esse cuidado teve grande variação de tempo em meses, apesar de a maioria estarem 3 a 12 meses sendo cuidadores. Ao avaliar o estilo defensivo (tabela 1) as medias encontradas foram: media de 6,0 (dp 0,96) para o estilo defensivo maduro, media 5,6 (dp 0,96) para o estilo neurótico e media 4,2 (dp 0,88) para o estilo defensivo imaturo. O que evidencia o predomínio do estilo de defesa maduro nestes cuidadores. Nas médias dos estilos defensivos quanto ao sexo apresentaram-se da seguinte forma: estilo imaturo no sexo masculino media foi 3,9 (dp 0,19), no sexo feminino 4,3 (dp 0,30); no estilo neurótico a média no sexo masculino foi 5,7 (dp 0,35), no sexo feminino 5,6 (dp 0,32); no estilo maduro a média foi no sexo masculino 5,7 (dp 0,39) e no sexo feminino 6,1 (dp 0,31). O que indica que as mulheres manifestam o estilo maduro como superior aos demais, enquanto que, os homens mostram a mesma intensidade entre o estilo defensivo neurótico e o maduro. O estilo defensivo maduro que apresentou maior intensidade prenuncia que estes cuidadores, usam de defesas mais adaptadas para controlar o impulso do id, ajustando-se adequadamente à realidade e ao mundo externo (OLIVEIRA e YOSHIDA, 2009). Sendo os mecanismos de defesa são ataques do ego contra os impulsos do id. No qual o ego parte para o território do id buscando defender-se das pulsões de vida e de morte, em períodos determinados o ego ora seleciona um método de defesa ora outro. Nas vivencias do cotidiano revela-se a consciência, métodos de defesa e medidas defensivas onde os instintos promovem à adaptação do indivíduo à realidade externa (FREUD, 1972). Assim, a função destes mecanismos é proteger o ego do individuo de conflitos que poderiam levá-lo a uma 40 neurose, atuando de forma a preservar a saúde mental do individuo (BRACONNIER, 2011). As defesas que obtiveram uma maior media, aparecendo com maior intensidade foram: Antecipação 6.8 (sendo que os valores atribuídos variaram de 1 a 9), Pseudo Altruísmo 6.4 (sendo que os valores atribuídos variaram de 5 a 8.5), Racionalização 6.3 (sendo que os valores atribuídos variaram de 3.5 a 8.5). E as defesas que apresentaram menores médias e apareceram com menor intensidade foram: Projeção 3,2 (sendo que os valores atribuídos variaram de 1 a 7.5), Fantasia Autística 3,3 (sendo que os valores atribuídos variaram de 1 a 9), Dissociação 3,8 (sendo que os valores atribuídos variaram de 1 a 7,5). Sendo que, a antecipação e a racionalização, pertencem a um conjunto de defesa contido no estilo defensivo maduro (tabela 2), já o pseudo-altruísmo é uma das defesas que compõem o estilo defensivo neurótico (tabela 3). A projeção, a fantasia autística e a dissociação fazem parte das defesas pertencentes ao estilo defensivo imaturo (tabela 4). Sendo que o estilo maduro é aquele mais adaptativo e saudável, o estilo neurótico é o mais comum, e diferentemente o imaturo atua de forma mais primitiva comuns em fases pueris. Porem o que define uma melhor ou pior capacidade adaptativa é a intensidade, freqüência e o uso de forma hierárquica dos mecanismos de defesa. Já a defesa que teve maior média ao ser avaliada pertence ao estilo maduro, à antecipação define-se por um ensaio afetivo no qual o individuo antecipa emoções ou planeja de forma realista uma situação futura permitindo assim, atenuar os efeitos de um conflito futuro. Essa defesa requer capacidade de tolerar ansiedade, pois antecipar resultados negativos e potencialmente indesejados pode ser um fator ansiogênica e angustiante (KAPLAN e SADOCK, 1997; WIETHAEUPER e YOSHIDA, 1997). 41 4 Conclusão Esse estudo evidenciou que os cuidadores de pacientes oncológico em cuidado paliativo com internação domiciliar apresentam com maior intensidade as defesas pertencentes ao estilo defensivo maduro, como a antecipação, usando as defesas como principal manifestação das angustias, como modelo de proteção ao cuidados prolongados e as sobrecargas geradas por prestar assistência ao familiar doente. Isso indica que esses cuidadores manifestam um bom enfrentamento da situação vivenciada, demonstrando resiliência. Entendendo-se por resiliência a habilidade de superar adversidades, o que não significa que o indivíduo saia da crise ileso, mas que se adapta ao contexto (ZIMMERMAN e ARUNKUMAR, 1994). É possível observar também que as mulheres apresentam maior intensidade do estilo defensivo maduro, talvez por estarem mais preparadas para vivenciar a sobrecarga da assistência continuada, que já vem imposto pelo estigma de ser responsável pelo cuidado dos familiares doentes. Desta forma, os mecanismos maduros sugeriram a evolução do processo adaptativo e sua maturidade enquanto individuo que oferece cuidados a seu familiar em processo de fim de vida. Sendo que o amadurecimento da vida humana é acompanhado pela evolução destes processos adaptativos e que a hierarquia descrita não reflete somente um continuum da criança ao adulto, mas também da doença até a saúde mental (GOMES, 2008). As contribuições desta pesquisa foram identificar o estilo defensivo e as defesas que pontuaram maior intensidade nos cuidadores de pacientes oncológicos em cuidados paliativos. Como eixo para futuros estudos se propõe a verificação das causas da maior utilização desta defesa especifica, e a necessidade de fortalecer de forma hierárquica e assertiva o uso frequente do estilo defensivo maduro e de defesas mais adaptativas. 42 Tabelas Tabela 1: Médias dos estilos defensivos. Variable Obs Mean Std. Dev. Min Max Estilo Maduro 15 6.0 0.96 4.7 8.2 Fator Neurótico 15 5.6 0.98 3.1 7 Estilo Imaturo 15 4.2 0.88 2.9 5.4 Tabela 2: Médias das defesas que compõem o Estilo Defensivo Maduro. Variable Obs Mean Std. Dev. Min Max Antecipação 15 6.8 1.9 Humor 15 5.9 2.4 1 9 5.8 1.7 1.5 8 1 9 Supressão 15 Sublimação 15 5.2 1.9 1 9 Racionalização 15 6.3 1.5 3.5 8.5 Min Max Tabela 3: Médias das defesas que compõem o Estilo Defensivo Neurótico. Variable Obs Mean Std. Dev. Pseudo Altruísmo 15 6.4 1.4 5 8.5 Idealização 15 5 2.3 1 9 Formação Reativa 15 5.5 1.3 3 8 Anulação 15 5.5 2.4 1 9 43 Tabela 4: Médias das defesas que compõem o Estilo Defensivo Imaturo. Variable Obs Mean Std. Dev. Projeção Min Max 15 3.2 2.0 1 7.5 Agressão Passiva 15 3.9 2.2 1 8.5 Acting Out 15 5.2 2.4 1.5 9 Isolamento 15 4.6 2.5 1 8 Desvalorização 15 3.6 1.9 1 7.5 Fantasia Autística 15 3.3 2.2 1 9 Negação 15 4.4 2.0 1 8.5 Deslocamento 15 3.9 2.4 1 8 Dissociação 15 3.8 1.7 1 7.5 Cisão 15 5.4 1.9 2 8.5 Somarização 15 5.1 2.7 1 9 44 Figuras Figura 1 – Distribuição dos itens do DSQ-40, segundo o fator, as defesas e as questões. Fator Defesas Maduro Antecipação Neurótico 30 35 Humor 05 Supressão 02 25 Sublimação 03 38 Racionalização 04 16 Pseudo-altruismo 26 01 39 Idealização 21 24 Formação Reativa 07 28 Anulação Imaturo Questões 32 40 Projeção 06 29 Agressão passiva 23 36 Acting out 11 20 Isolamento 34 37 Desvalorização 10 13 Fantasia Autística 14 17 Negação 08 Deslocamento 31 Dissociação 09 Cisão Somatização 19 12 18 33 15 22 27 45 *Figura 2 – Descrição das defesas que compõem o estilo defensivo Imaturo. Estilo defensivo Imaturo Projeção: Na projeção o individuo rejeita seus sentimentos, intenções ou experiências, atribuindo-os a outros, usualmente aqueles por quem se sente ameaçado e por quem sente alguma afinidade. O uso de projeção, portanto, obriga-o a uma continua preocupação com aqueles sobre os quais projetou seus sentimentos como uma forma de minimizar. Agressão passiva: Consiste em descarregar de sintomas de hostilidade e ressentimentos de uma maneira indireta contra si próprio como uma maneira de atingir o outro. Acting out: Expressar um desejo ou impulso por meio de atos evitar ter afeto atuação caráter impulsivo, afeto é demasiado intenso para ser descarregado em palavras. expressão de sintomas, desejos impulsos através do comportamento, sem controle preocupação. Isolamento: Desconectar ou separar uma idéia do afeto que a acompanha ausência de relações de objeto. Desvalorização: É quando o sujeito atribui qualidades exageradamente negativas sobre si ou outros. Os comentários negativos sobre outros usualmente encobrem um certo senso de vulnerabilidade, vergonha ou inutilidade. Defesas Fantasia Autística: O individuo lida com conflitos emocionais ou estressares externos e internos através de um excessivo ―sonhar acordado‖, ao mesmo tempo que o sujeito pode estar cociente da qualidade de ―eu estou apenas imaginando‖, ou seja ele conhece a diferença entre vida real e de fantasia. Negação: Evitar a consciência de algum aspecto doloroso da realidade negando anula a realidade externa. Evitando assim, a admissão ou a tomada de consciência de um fato psíquico que o sujeito acredita que poderia lhe trazer conseqüências adversas. Deslocamento: Consiste em deslocar uma emoção que permite a representação simbólica redirecionando os sentimentos e emoções de um objeto para outro menos ameaçador. Dissociação: Estados de fuga e reação de conversão histérica são manifestações comuns da dissociação, a qual também pode ser encontrada no transtorno dissociativo de identidade ou no êxtase religioso. Baseia-se na alteração temporária das funções integrativas da consciência ou da identidade, é quando o sujeito não tem consciência do que faz. Cisão: Tudo é vivido em pólos opostos, como se o mundo fosse dividido em dois campos: bom e mau. Somatização: Converter derivados psíquicos em sintomas corporais assim, o sofrimento emocional manifesta-se através de sintomas físicos. 46 *Figura 3 - Descrição das defesas que compõem o estilo defensivo Neurótico. Estilo defensivo Neurótico Pseudo-altruismo: Consiste em prestar serviço construtivo e instintivamente gratificante para outras pessoas para ter uma experiência vicária. Inclui a formação de reações benignas e construtivas ao ajudar os outros, e com isso preencher alguma necessidade sua, o altruísmo lida com conflitos emocionais através da ajuda aos outros. Idealização: É quando o individuo atribui qualidades exageradamente positivas sobre si ou a outros. O sujeito acredita que algumas pessoas sejam boas e poderosas de uma forma exagerada, embora seja capaz de perceber aspectos de faltas ou defeitos na pessoa idealizada, esses são minimizados. Defesas Formação Reativa: Transformar um impulso inaceitável em seu oposto. É quando o sujeito substitui seus sentimentos, pensamentos e emoções considerados inaceitáveis por sentimentos, pensamentos e emoções opostos ou de matriz oposto aquele evocado usualmente nas pessoas. Anulação: É quando o sujeito contradiz uma afirmação, ou seja, ofensas podem ser seguidas de atos de reparação com relação ao objeto da ofensa, ele parece compelido a apagar, desfazer ou cancelar simbolicamente sua ação original. *Figura 4 - Descrição das defesas que compõem o estilo defensivo Maduro. Estilo defensivo Maduro Antecipação: É um ensaio afetivo onde o individuo antecipa emoções ou planeja de forma realista uma situação futura permitindo atenuar os efeitos de um conflito prematuramente. Requer capacidade de tolerar ansiedade, pois antecipar resultados negativos e potencialmente indesejados pode ser um fator ansiogênica e angustiante. Humor: Usar o humor para expressar sentimentos e pensamentos abertamente sem desconforto pessoal e sem produzir um efeito desagradável no outro, alivia as tensões em torno dos conflitos, assim a frustração decorrente do conflito é temporariamente aliviada de tal forma que o sujeito pode sorri ou mesmo rir. Defesas Supressão: Postergar a atenção, um impulso, um conflito por algum tempo e trazer novamente o material suprimido de forma voluntária. Desta forma, uma situação é excluída, mas não evitada, sendo o desconforto reconhecido, mas minimizado. Sublimação: Acontece quando o individuo canaliza para expressões socialmente aceitáveis impulsos e desejos parcialmente negativos. Permite canalizar impulsos em vês de bloquea-los, assim os sentimentos são reconhecidos, modificados e direcionados para um objeto menos destrutivo e há uma satisfação modesta dos instintos. Racionalização: O sujeito busca razão plausível e explicações racionais para ações, impulsos, atitudes, crenças e comportamentos inaceitáveis. A racionalização usa desculpas para colocar um conflito fora da trilha da verdadeira experiência. *Figuras baseadas nas definições de Kaplan e Sadock (1997) e Wiethaeuper e Yoshida (1997). 47 5 Referências: ALBUQUERQUE, S. C., et al. 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