DESIGN DE JOIAS A PARTIR DE ASPECTOS PLÁSTICOS DA DANÇA CONTEMPORÂNEA Eliana Paula Calegari UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA CENTRO DE ARTES E LETRAS CURSO DE DESENHO INDUSTRIAL – PROJETO DE PRODUTO DESIGN DE JOIAS A PARTIR DE ASPECTOS PLÁSTICOS DA DANÇA CONTEMPORÂNEA TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Eliana Paula Calegari Santa Maria, RS, Brasil 2010 DESIGN DE JOIAS A PARTIR DE ASPECTOS PLÁSTICOS DA DANÇA CONTEMPORÂNEA por Eliana Paula Calegari Monografia apresentada ao Curso de Desenho Industrial, Habilitação em Projeto de Produto, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, RS), referente à Disciplina Trabalho de Conclusão de Curso II. Orientador: Prof. Carlos Gustavo Martins Hoelzel Santa Maria, RS, Brasil 2010 FICHA CATALOGRÁFICA Calegari, Eliana Paula, 1984Design de joias a partir de aspectos plásticos da dança contemporânea – Santa Maria, RS: Desenho Industrial – Projeto de Produto/UFSM, 2010. 82p.: Il. – (Trabalho de Conclusão de Curso – Curso de Desenho Industrial – Projeto de Produto, Universidade Federal de Santa Maria). 1. Design 2. Joias 3. Dança contemporânea © 2010 Todos os direitos autorais reservados a Eliana Paula Calegari. A reprodução de partes ou do todo deste trabalho só poderá ser com autorização por escrito do autor. Endereço: Rua José de Souza Lima, n. 180, Bairro São José, Santa Maria, RS, 97095-340 Fone 55 32250326; Celular 99132176; E-mail: [email protected] Universidade Federal de Santa Maria Centro de Artes e Letras Curso de Desenho Industrial – Projeto de Produto A Comissão Examinadora, abaixo assinada, aprova a Monografia DESIGN DE JOIAS A PARTIR ASPECTOS PLÁSTICOS DA DANÇA CONTEMPORÂNEA elaborada por Eliana Paula Calegari como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Desenho Industrial COMISSÃO EXAMINADORA: Carlos Gustavo Martins Hoelzel, Dr. (Presidente/Orientador) Fabiane Viera Romano, Dra. (UFSM) Ronaldo Martins Glufke, Ms. (UFSM) Santa Maria, 01 de dezembro de 2010. Aos meus pais pelo que sou. AGRADECIMENTOS Meus agradecimentos vão, primeiramente, aos meus pais pelo apoio incondicional, para que eu consiga alcançar meus objetivos. À minha família e aos amigos, por estarem sempre dispostos a ajudar de alguma forma, especialmente pelo incentivo e amor de Felipe. Ao professor orientador pelo acompanhamento do projeto e participação na sua concretização, que proporcionaram novas experiências que renderam crescimento acadêmico de grande relevância. As minhas queridas colegas, Danieli, Júlia, Helena e Roseane pelo companheirismo e principalmente pela amizade. A verdadeira chave para se ter uma ideia nova é acreditar que o conhecimento é a matéria-prima das novas ideias. SEBRAE RESUMO Monografia Curso de Desenho Industrial – Projeto de Produto Universidade Federal de Santa Maria DESIGN DE JOIAS A PARTIR DE ASPECTOS PLÁSTICOS DA DANÇA CONTEMPORÂNEA AUTORA: ELIANA PAULA CALEGARI ORIENTADOR: CARLOS GUSTAVO MARTINS HOELZEL Data e Local da Defesa: Santa Maria, 01 de dezembro de 2010. O trabalho em questão consiste em mostrar de maneira objetiva e clara as etapas do projeto de uma coleção de joias a partir de aspectos plásticos da dança contemporânea, fazendo uso da metodologia de Löbach (2001) e Olver (2003) como ferramenta referência de desenvolvimento. Para alcançar esse objetivo, foram realizadas pesquisas em torno de três focos de pesquisa, o primeiro aborda a joalheria com estudos sobre a história da joalheria no mundo e no Brasil e a joia contemporânea; o segundo trata de conteúdos sobre o design de joias que correspondem a estética e a criatividade; por fim, é feita uma pesquisa acerca da dança contemporânea, sendo utilizada como referência no processo criativo durante a projetação da coleção de joias. Desenvolveram-se alternativas de solução através de desenhos e traços de composição de referenciais plásticos da dança onde procurou-se seguir uma linguagem visual nos esboços, a fim de materializá-los em modelos artesanais, com as características dos valores estéticos simbólicos da dança contemporânea. Palavras-chaves: Design, joias, dança contemporânea. ABSTRACT Monograph Course of Industrial Design – Product Design Federal University of Santa Maria JEWELRY DESIGN FROM PLASTIC ASPECTS OF CONTEMPORARY DANCE AUTHOR: ELIANA PAULA CALEGARI SUPERVISOR: CARLOS GUSTAVO MARTINS HOELZEL Date and Place of the Defense: Santa Maria, December 01, 2010. The work in question is to show in an objective and clear design steps of a collection of jewelry from plastic aspects of contemporary dance, using the methodology of Löbach (2001) and Olver (2003) as a reference tool for development. To achieve this goal, the searches were conducted around three foci of research, the first deals with the study of jewelry history of jewelry in the world and in Brazil and contemporary jewelry, the second deals with content about jewelry design matching aesthetics and creativity and, finally, a search is performed on the contemporary dance and is used as reference in the creative process while projecting from the collection of jewels. Have developed alternative solutions through drawings and sketches of the composition of reference plastic dance where she tried to follow a visual language in the drafts in order to materialize them in handmade models, with the characteristics of symbolic aesthetic values of contemporary dance. Key-words: Design, jewelry, contemporany dance. LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Levantamento de informações. ....................................................................... 6 Figura 2 – Sistematização do conceito. ............................................................................ 7 Figura 3 – Sistematização do desenvolvimento da materialização. ..................................... 8 Figura 5 – Par de discos etruscos do século IV a.c. Fonte: Arte em números, 2010. ............ 10 Figura 6 – Pendente com figura de tritão em ouro, esmalte, diamantes, rubis e pérolas, século XVI. Fonte: Gola, 2008. ................................................................................ 10 Figura 7 – Placa de comendador da ordem de Cristo, constituída de prata, granada, pedras brancas e minas novas. Fonte: Magtaz, 2008 . .......................................................... 11 Figura 8 – Pendente de ouro, com marfin esculpido, safira, esmalte e pingente de diamante. Fonte: Gola, 2008. ................................................................................................. 11 Figura 9 – Bracelete de 1934, por Suzanne Belperron e Maison Bernard Herz . Fonte: Multimoda, 2010. .................................................................................................. 12 Figura 10 – Pantera criada por Cartier com pavé de diamantes, safiras lapidadas e cabochão de safira. Fonte: Gola, 2008. .................................................................................. 12 Figura 11 – Par de brincos carajá. Fonte: Magtaz, 2008. .................................................. 13 Figura 12 – Pingente com monograma das letras IHS. Fonte: Gola, 2008. .......................... 14 Figura 13 – Insígnia, constituída de prata, granada, pedras brancas. Fonte: Magtaz, 2008. . 14 Figura 14 – Colar de ouro, Lívio Leve. Fonte: Magtaz, 2008. ............................................. 15 Figura 15 – Anel de prata, Antônio Bernardo. Fonte: Bernardo, 2010. ............................... 16 Figura 16 – As etapas da criatividade. Fonte: Baxter, 2003. ............................................. 28 Figura 17 – Painel semântico, imagens do Grupo Corpo. Fonte: Grupo corpo, 2010. ........... 35 Figura 18 – Painel semântico com imagens selecionadas. Fonte: Grupo corpo, 2010.......... 35 Figura 19 – Grupo corpo, espetáculo “Nazareth”. Fonte: Grupo corpo, 2010. .................... 37 Figura 20 – Geração de alternativas correspondente a imagem referência da figura 19. ... 38 Figura 21 – Grupo corpo, espetáculo “Nazareth”. Fonte: Grupo corpo, 2010. .................... 39 Figura 22 – Geração de alternativas correspondente a imagem referência da figura 21. .... 40 Figura 23 – Grupo corpo, espetáculo “Nazareth”. Fonte: Grupo corpo, 2010. .................... 41 Figura 24 – Geração de alternativas correspondente a imagem referência da figura 23. .... 42 Figura 25 – Grupo corpo, espetáculo “Nazareth”. Fonte: Grupo corpo, 2010. .................... 43 Figura 26 – Geração de alternativas correspondente a imagem referência da figura 25. ... 44 Figura 27 – Grupo corpo, espetáculo “O corpo”. Fonte: Grupo corpo, 2010. ..................... 45 Figura 28 – Geração de alternativas correspondente a imagem referência da figura 27...... 45 Figura 29 – Grupo corpo, espetáculo “O corpo”. Fonte: Grupo corpo, 2010. ..................... 46 Figura 30 – Geração de alternativas correspondente a imagem referência da figura 29...... 46 Figura 31 – Grupo corpo, espetáculo “Benguelê”. Fonte: Grupo corpo, 2010. ................... 47 Figura 32 – Geração de alternativas correspondente a imagem referência da figura 31...... 47 Figura 33 – Grupo corpo, espetáculo “Benguelê”. Fonte: Grupo corpo, 2010. ................... 48 Figura 34 – Geração de alternativas correspondente a imagem referência da figura 33, com a alternativa escolhida em evidência. ................................................... 49 Figura 35 – Grupo corpo, espetáculo “O corpo”. Fonte: Grupo corpo, 2010. ..................... 50 Figura 36 – Geração de alternativas correspondente a imagem referência da figura 35, com a alternativa escolhida em evidência. ...................................................................... 50 Figura 37 – Grupo corpo, espetáculo “7 ou 8”. Fonte: Grupo corpo, 2010. ........................ 51 Figura 38 – Geração de alternativas correspondente a imagem referência da figura 37, com a alternativa escolhida em evidência. ...................................................................... 51 Figura 39 – Verificação da solução formal 1. .................................................................. 52 Figura 40 – Verificação da solução formal 2. .................................................................. 53 Figura 41 – Verificação da solução formal 3. ................................................................... 53 Figura 42 – Modelagem da solução formal 1. ................................................................. 54 Figura 43 – Modelagem da solução formal 2. ................................................................. 55 Figura 44 – Modelagem da solução formal 3. ................................................................. 55 Figura 45 – Esboços da solução formal 1 em forma de brinco e presilha para cabelo. ........ 56 Figura 46 – Solução formal 1, alternativa 1. ................................................................... 56 Figura 47 – Solução formal 1, alternativa 2. ................................................................... 57 Figura 48 – Esboços da solução formal 2, pingente, broche alfinete e palito de cabelo. ...... 58 Figura 49 – Solução formal 2, alternativa 1. ................................................................... 59 Figura 50 – Solução formal 2, alternativa 2. ................................................................... 59 Figura 51 – Solução formal 2, alternativa 3. ................................................................... 60 Figura 52 – Esboços da solução formal 3 em forma de brinco e broche. ............................ 60 Figura 53 – Solução formal 3, alternativa 1. .................................................................... 61 Figura 54 – Solução formal 3, alternativa 2. .................................................................... 62 Figura 55 – Solução formal 3, alternativa 2. .................................................................... 62 Figura 56 – Fundição da prata com maçarico em um cadinho refratário e a prata derramada em forma de lingote. ............................................................................................ 65 Figura 57– Laminação da prata, com a chapa resultante desse processo........................... 65 Figura 58 – Modelo sobre a chapa para gravação e desenho na prata. ............................. 66 Figura 59 – Recorte do modelo com serra de ourivesaria. ............................................... 66 Figura 60 – Modelo recortado recebendo acabamento primário com a lima. .................... 67 Figura 61 – Solda.......................................................................................................... 67 Figura 62 – Acabamento final, lixa para tirar riscos da lima e polimento em máquina politriz. ............................................................................................................................ 68 Figura 63 – Imagem referência do “Grupo Corpo” e imagens do brinco por Patrício Orozco. ............................................................................................................................ 69 Figura 64 – Imagem referência do “Grupo Corpo” e imagens da presilha para cabelo por Patrício Orozco...................................................................................................... 70 Figura 65 – Imagem referência do “Grupo Corpo” e imagens do pingente por Patrício Orozco. ............................................................................................................................ 71 Figura 66 – Imagem referência do “Grupo Corpo” e imagens do pingente alfinete por Patrício Orozco. ................................................................................................................ 72 Figura 67 – Imagem referência do “Grupo Corpo” e imagens do palito de cabelo por Patrício Orozco. ................................................................................................................ 73 Figura 68 – Imagem referência do “Grupo Corpo” e imagens do brinco por Patrício Orozco. ............................................................................................................................ 74 Figura 69 – Imagem referência do “Grupo Corpo” e imagens do broche por Patrício Orozco. ............................................................................................................................ 75 SUMÁRIO Resumo ...................................................................................................................... vii Abstract ......................................................................................................................viii Lista de Figuras ............................................................................................................. ix Capítulo 1 ..................................................................................................................... 1 Introdução .................................................................................................................... 1 1.1. Objetivos............................................................................................................. 2 1.2. Justificativa ......................................................................................................... 2 1.3. Focos de pesquisa ................................................................................................ 3 1.3.1. Joalheria ....................................................................................................... 3 1.3.2. Design de joias .............................................................................................. 4 1.3.3. Dança contemporânea ................................................................................... 4 1.4. Metodologia aplicada ao produto .......................................................................... 4 Capítulo 2 ..................................................................................................................... 9 Referencial teórico ......................................................................................................... 9 2.1. História da joalheria no mundo e no Brasil.............................................................. 9 2.2. Design de joias ................................................................................................... 17 2.2.1. Joia contemporânea .................................................................................... 18 2.2.2. Estética ...................................................................................................... 19 2.2.2.1. Estética do objeto .................................................................................... 20 2.2.2.2. Estética de valor ....................................................................................... 24 2.2.3. Princípios da criatividade.............................................................................. 25 2.2.4. Processo de criação ..................................................................................... 27 2.2.5. A criatividade no design de joias ................................................................... 28 2.3. A dança contemporânea ..................................................................................... 29 2.3.1. Expressão corporal ...................................................................................... 30 2.3.2. O corpo ...................................................................................................... 31 2.3.3. 2.4. Movimento ................................................................................................. 32 Considerações finais deste capítulo ..................................................................... 32 Capítulo 3 ................................................................................................................... 34 Desenvolvimento projetual ........................................................................................... 34 3.1. Conceitualização ................................................................................................ 34 3.2. Geração de alternativas ...................................................................................... 36 3.2.1. Geração de desenhos a partir de referencial fotográfico ................................. 37 3.2.2. Soluções formais ......................................................................................... 52 Capítulo 4 ................................................................................................................... 54 Materialização ............................................................................................................. 54 4.1. Modelagem ....................................................................................................... 54 4.1.1. Alternativas para as soluções formais ............................................................ 55 4.1.1.1. Solução formal 1 ..................................................................................... 56 4.1.1.2. Solução formal 2 ...................................................................................... 58 4.1.1.3. Solução formal 3 ...................................................................................... 60 Capítulo 5 ................................................................................................................... 63 Execução do modelo .................................................................................................... 63 5.1. Desenvolvimento do desenho técnico .................................................................. 63 5.2. Produção........................................................................................................... 63 5.2.1. Material...................................................................................................... 63 5.3. Etapas da produção artesanal do modelo final ...................................................... 64 5.4. Modelo final ...................................................................................................... 68 5.5. Considerações a respeito do produto ................................................................... 76 Capítulo 6 ................................................................................................................... 77 Considerações Finais .................................................................................................... 77 Referências Bibliográficas ............................................................................................. 79 Bibliografia .................................................................................................................. 81 Anexo ......................................................................................................................... 82 Desenho Técnico ......................................................................................................... 82 Capítulo 1 INTRODUÇÃO As joias vêm participando da construção cultural da sociedade desde o início da história da humanidade como forma de expressão, diferenciação e comunicação. Para o design, a joia é um produto simbólico sendo definido culturalmente. De acordo com Santos (2010), ela pode ser símbolo de individualidade e coletividade, valores morais e estéticos, da alma humana, de suas tradições, heranças e antepassados, rituais, crenças, compromisso, comportamento, desenvolvimento tecnológico, além de ser um objeto de adoração, contemplação e desejo. Hoje, penso as questões relativas à linguagem das formas através da beleza colorida das gemas e das estruturas miniaturizadas executadas em ouro e prata. Emociono-me ao ver essas arquiteturas delicadas sobre os corpos e compreendo a grandiosidade desses objetos, que há mais de 5000 anos adornam a vida humana. Como destacou o professor Muniz Sodré, os designers de joias são analistas do simbólico e lidam com o significado para além do valor material dos objetos. As jóias hoje não valem mais somente “o quanto pesam”, mas, sobretudo, “o quanto pensam”, ou o quanto nos fazem pensar e emocionar (SOARES, 2010). Neste trabalho será desenvolvida uma coleção de joias cujos requisitos para a linguagem visual são os valores estéticos simbólicos da dança contemporânea, isto é, a plasticidade da dança é a referência para o processo de criação das joias. A partir disso, no decorrer do trabalho pretende-se entender brevemente os valores estéticos da joalheria contemporânea para posterior projetação de uma coleção de joias. Fazendo uso da literatura disponível, a monografia apresenta suscintamente três focos de pesquisa, a joalheria, que trata sobre a história da joalheria no mundo e no Brasil e aborda a joia contemporânea; o design de joias engloba estudos sobre estética e criatividade. Além disso, expõe resumidamente conteúdo sobre a dança contemporânea, focando na questão 2 da expressão corporal. A seguir, a estrutura do tralho é composta pelo desenvolvimento projetual que compreende a canceitualização e geração de alternativas; na materialização consta a modelagem volumétrica juntamente co mas soluções formais; o próximo capítulo aborda da execução onde é descrito o processo de produção e apresentado o modelo final. 1.1. OBJETIVOS O objetivo geral deste trabalho é pesquisar e desenvolver uma coleção de joias, com ênfase no processo criativo abordando como fonte temática os valores estéticos da dança contemporânea. Têm-se como objetivos específicos: Realizar uma pesquisa exploratória sobre joalheria e design de jóias; Estudar a estética do objeto, percepção estética e estética de valor; Reconhecer os princípios da criatividade e processos de criação, a fim de aplicar ao desenvolvimento do projeto com o máximo aproveitamento. Investigar acerca da dança contemporânea, como se desenvolve, características, estilo e principalmente os aspectos plásticos através da expressão corporal envolvendo o corpo e o movimento; Relacionar conhecimentos de estética, criatividade e a plasticidade da dança contemporânea com o design de joias. Visando desenvolver um design de produto que se identifique com um público consumidor. 1.2. JUSTIFICATIVA O interesse em trabalhar com o assunto provém do gosto pessoal pelo desenho de joias, com o intuito de ampliar conhecimentos nessa área, visto que a joalheria está presente na sociedade desde tempos remotos representando significados para quem utiliza. É através das joias que usuários satisfazem suas necessidades psíquicas. No design de joias a função estética se destaca em detrimento da função prática, pois a joia é um 3 produto essencialmente estético embutido de simbologia. Soares (2010) afirma que, “em toda a sua história, o design das joias não se justificou por motivações no campo da funcionalidade. Sua criação é promovida no campo dos desejos e vem incorporando a dinâmica do pensamento do homem”. Assim, nota-se a importância da estética no desenvolvimento de joias. Já a dança é uma arte cênica que está presente em diversas culturas, como manifestação estética, divertimento e/ou cerimônia. Verificou-se que ela pode ser fonte de inspiração no sentido de que o corpo é o elemento chave para ser interpretado. No entanto, a dança é constituída de aspectos plásticos por meio da expressão corporal e emocional, que expressam ideias e conceitos através da sua linguagem. A partir dos valores estéticos simbólicos da dança, houve sensibilização da autora, motivo pelo qual foi optado pelo tema. O estilo de dança para compor a temática é o contemporâneo, já que privilegia em maior amplitude a expressão corporal e emocional, de extrema importância para o referencial do processo criativo. Além disso, a característica marcante na dança contemporânea é não possuir um padrão, técnica e regras específicas na composição de coreografias, sendo muitas vezes improvisadas. Isso se assemelha com o design de joias que permite liberdade no que tange a criação, como fontes de inspiração e conceitos, além de utilização de materiais e técnicas de produção não convencionais. Assim, a dança e a joia contemporânea ligadas pela criatividade desprovida de regras tornam-se focos de pesquisa que permitirão desenvolver design inovador para o contexto deste trabalho. FOCOS DE PESQUISA 1.3. 1.3.1. Joalheria As joias começaram a ser confeccionadas por artistas artesãos que faziam todo o processo, desde a concepção do desenho até a produção. Com o passar dos tempos a joalheria ganhou o aparato de designers que se preocupam principalmente com o processo 4 criativo. Dessa forma, a joalheria atual se ocupa do design para o desenvolvimento de joias com resultados estéticos originais e diferenciados. 1.3.2. Design de joias O design de joias consiste em agregar valores estéticos simbólicos por meio da criação levando em conta as técnicas de produção da joalheria. O processo criativo possui teor artístico e criativo que pode ser feito através de analogias para a inspiração. Na atualidade, o design de joias está cada vez mais presente nas indústrias joalheiras, já que pode promover diferenciação e inovação nos produtos, interessando o público consumidor. 1.3.3. Dança contemporânea Uma forma de expressão é a dança, principalmente a dança contemporânea que demostra liberdade tanto de movimentos quanto nos sentimentos. Nota-se que esse é um tema não convencional na área de design de joias, podendo ser amplamente explorado nas suas diversas características e formas de expressão, principalmente pela plasticidade da dança que envolve o corpo e seus movimentos. 1.4. METODOLOGIA APLICADA AO PRODUTO Para o desenvolvimento deste projeto usou-se uma metodologia específica com base nos métodos de Löbach (2001) e Olver (2003). A primeira, é designada de processo de design, dividida em quatro fases, sendo que durante o desenvolvimento de um produto essas fases não acontecem em uma seqüência fixa, avançam e retrocedem de forma diferente para cada caso. Löbach (2001), diz que o trabalho do designer industrial consiste em encontrar uma solução do problema, concretizado em um projeto de produto industrial, incorporando as 5 características que possam satisfazer as necessidades humanas, de forma duradoura. Para isso, ele propõe uma metodologia que pode ser considerada um processo criativo e um processo de solução de problemas. A seguir, são descritas brevemente as fases desse Processo de design: Fase de preparação: consiste basicamente na análise do problema e coleta de informações necessárias para a sua solução; Fase de geração: com base na análise do referencial teórico produzido na fase anterior são geradas alternativas; Fase de avaliação: verificação das alternativas geradas e processo de seleção das propostas mais condizentes; Fase de realização: incide na efetivação da solução, na qual são desenvolvidos desenhos técnicos, modelos tridimensionais, avaliação dos mesmos e correções necessárias até o projeto do produto estar adequado para a produção industrial. A segunda, é específica de joias e propõe maneiras de organizar o processo criativo desde a ideia até a concretização do projeto, citando exemplos de registros em caderno de desenho através da construção do diário visual que consiste na compilação de ideias inspiradoras e estimulantes, podendo ser um álbum de recortes que contenham informações que possam expandir a imaginação do designer tornando um recurso para auxiliar na produção do trabalho. Ainda segundo Olver (2003), compreender o que constitui o desenho é fundamental para obter êxito no seu desenvolvimento. Isso implica em pensar lateralmente, olhar para algo e ver além do que é evidente, para encontrar soluções originais e instigantes através de métodos indiretos, mantendo vínculo com o conceito. No design, há diversos processos metodológicos disponíveis na literatura para nortear as diretrizes de desenvolvimento projetual de produtos. Essas metodologias estão sujeitas a modificações, pode ser utilizada parte ou combinar com outra e até mesmo adaptar de acordo com os propósitos projetuais. Nesse sentido, Munari (2008) afirma que o método de projeto, para o designer, não é nem absoluto nem definitivo, pode ser modificado caso ele encontre outros valores que melhorem o processo. E isso tem a ver com a criatividade do projetista, que, ao aplicar o método, pode descobrir algo que o melhore. 6 Após estudo e análise dos métodos de Löbach (2001) e Olver (2003), foi feita uma sistematização do desenvolvimento projetual com requisitos considerados relvantes para a elaboração deste projeto, sendo descrita através das imagens a seguir: Figura 1 – Levantamento de informações. 7 Figura 2 – Sistematização do conceito. 8 Figura 3 – Sistematização do desenvolvimento da materialização. 9 Capítulo 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1. HISTÓRIA DA JOALHERIA NO MUNDO E NO BRASIL Desde que o homem começou a utilizar adornos para o corpo como conchas, sementes, ossos e outros, surgiu o desejo de ornamentar-se em busca de uma afirmação pessoal de destacar-se entre seus semelhantes. Apartir disso, a produção de joias se efetivou em um contínuo desenvolvimento estético e técnico, como resalta a autora a seguir: A história da joalheria no progresso da civilização humana compreende o trabalho, a criatividade e o talento de sucessivas gerações de artesãos ao desafio de transformar materiais preciosos em ornamentos pessoais de elevado valor artítstico (PEDROSA, 2000). O panorama histórico da joalheria começa com os povos da Antiguidade com a criação das primeiras técnicas de produção. Começando pelos egipcíos, passando por Mesopotâmicos, Persas, Gregos, Etruscos e Romanos, há predomínio de técnicas como a 1 granulação, 2filigrana, e 3reticulação. Sendo que a civilização etrusca se destaca pelo elevado grau técnico e artístico, observado na peça da figura 5: 1 Granulação: método que utiliza pequenos grânulos de metal para texturas. Filigrana: consiste no curvamento de fios de metal bem finos. 3 Reticulação: textura semelhante a uma rede ou trama, obtida do metal aquecido. 2 10 Figura 4 – Par de discos etruscos do século IV a.c. Fonte: Arte em números, 2010. No Renascimento, foram criadas joias decoradas com esmaltes e pedras preciosas, cujo nível estético é comparado aos da pintura e da escultura do mesmo período, exemplificado na figura 6. Já no Barroco, as joias tornaram-se símbolo de status social devido a grande quantidade de gemas, em detrimento da estética, expressando conceitos intelectuais, políticos e crenças religiosas intitulados na época, como pode ser visto na figura 7. Figura 5 – Pendente com figura de tritão em ouro, esmalte, diamantes, rubis e pérolas, século XVI. Fonte: Gola, 2008. 11 Figura 6 – Placa de comendador da ordem de Cristo, constituída de prata, granada, pedras brancas e minas novas. Fonte: Magtaz, 2008 . No século XIX, a joalheria volta-se para a criação de peças para o Império, sendo padronizadas na Europa simbolizando sentimentos, patriotismo e nostalgia, caracterizando o Romantismo que retorna o estilo de joias da antiguidade. O Art Noveau, acontecimento artístico europeu do século XX procurou interpretar a natureza através de formas assimétricas e orgânicas. René Lalique se destacou na produção de joias desse estilo, sua fonte de inspiração era a natureza, como mostra a figura 8. Figura 7 – Pendente de ouro, com marfin esculpido, safira, esmalte e pingente de diamante. Fonte: Gola, 2008. Na década de 1930, a Europa continuava ditando estilos, sendo que o movimento artístico dessa época foi denominado por Art Déco, com objetivo de simplificar as curvas excessivas do Art Noveau. As joias dessa época, foram inspiradas nas artes decorativas, 12 abstracionismo e o cubismo prezando pelas formas geométricas com visual limpo e simétrico, como mostra o bracelete da figura 9. Figura 8 – Bracelete de 1934, por Suzanne Belperron e Maison Bernard Herz . Fonte: Multimoda, 2010. A década seguinte, 1940, em meio a mudança social e crises devido a duas Guerras Mundiais, recebeu o nome de “coquetel” pela mistura de inspirações e temas. Os traços marcantes dessa época foram influenciados pelas características do Art Déco e pela industrialização, sendo que as linhas retas foram suavizadas em curvas tridimensionais e conduzidas para o figurativo. Além disso, as joias foram ganhando suavidade, cor e texturas, surge à produção de peças com materiais banhados a ouro, o design de falsas joias e das bijuterias. Nos anos 50, as joias eram produzidas com materiais de menor valor, no qual os elementos mais importantes eram os estéticos. Nessa época Louis François Cartier utilizava como inspiração elementos figurativos e desenhos de animais, como mostra a figura 10. Figura 9 – Pantera criada por Cartier com pavé de diamantes, safiras lapidadas e cabochão de safira. Fonte: Gola, 2008. 13 A partir da segunda metade do século XX, surgiram novos conceitos e ideias bem como novos materiais e técnicas de produção. Houve crescimento no design associado á joalheria trazendo originalidade e diferenciação nas peças. Paralelamente aos acontecimentos mundiais na joalheria, o Brasil acompanhou as transformações sociais, culturais e religiosas. No século XVI, os portugueses chegaram á costa brasileira e encontraram povos indígenas que faziam uso de objetos de adorno cercados por simbolismo, demonstrando o poder de chefes e a glória de heróis, sendo muito usados em rituais e cerimônias. O principal material utilizado eram penas, possuindo tanto valor quanto uma peça de diamantes na cultura européia, esse valor dependia da raridade da ave. Os índios possuíam domínio sobre a técnica de execução desses adornos e um bom senso estético demonstrando sensibilidade principalmente com o uso de cores muito marcante nas penas, como pode ser visualizado no par de brincos da figura 11. Figura 10 – Par de brincos carajá. Fonte: Magtaz, 2008. As primeiras peças confeccionadas no Brasil evidenciavam a moda de países europeus, já que eram usadas pela corte e feitas por ourives vindos da Europa. Os agentes decorativos eram devocionais, como: cruzes, monogramas das letras IHS (figura 12), pequenas esculturas simbolizando a virgem e o menino, os navios, símbolos náuticos e mitológicos como as sereias e monstros marinhos. 14 Figura 11 – Pingente com monograma das letras IHS. Fonte: Gola, 2008. A descoberta do ouro no século XVI foi o princípio do uso de metais e gemas preciososas na joalheria brasileira. Dando início ao Ciclo do Ouro e do Diamante, tornando, nessa época a principal fonte para crescimento do país. Com a transferência da sede da coroa portuguesa para o Brasil, vários artistas e renomados ourives acompanharam a corte começando a produção de joias na colônia. Foi no estado de Minas Gerais, a partir de 1695, que a exploração do ouro se efetivou. No auge da exploração da mineração, desenvolveu-se o Barroco no Brasil, cem anos após o surgimento na Europa. Seu estilo é composto por uma mistura de tendências portuguesas, espanholas, italianas e francesas, no qual mestres portugueses se juntaram com filhos de europeus nascidos no Brasil para construir obras joalheiras, como a insígnia mostrada na figura 13. Nesse momento, as joias tornaram-se símbolo de status social pelo emprego do ouro e a grande quantidade de pedras preciosas, já que eram abundantes na região. Figura 12 – Insígnia, constituída de prata, granada, pedras brancas. Fonte: Magtaz, 2008. 15 O movimento para emancipação começa a despertar a identidade cultural brasileira. Isso é refletido na produção de joias que passaram a ter características nacionais. Nesse período, o Romantismo é o estilo que está em evidência na Europa, influenciando artistas e intelectuais brasileiros que usam como tema para criação a fauna, a flora e o índio. Foi na década de 50 com o desenvolvimento industrial e de tendências nacionais, que o Brasil começou a ter uma identidade cultural própria. A partir da segunda metade do século XX, há um crescimento no setor joalheiro com as oficinas transformando-se em fábricas. A indústria brasileira de joias nasce com empresas familiares que geralmente eram situadas no centro das principais cidades. Nessa época, começou o rompimento do padrão da joia tradicional européia tornando o conceito mais brasileiro. O Brasil se libertou, a duras penas e só muito recentemente, de sua tradição de exportador de matéria bruta e vem conquistando espaço na prateleira do luxo global disponibilizada às identidades culturais periféricas. Essa passagem precisa ser conscientizada (SOARES, 2010). O reconhecimento da joia brasileira, fez com que ela se expandisse para outros continentes. Em Paris, a capital da moda, valorizou a originalidade e a ousadia dos designers de joias brasileiros. Como é o caso de Clementina Duarte e Caio Mourão que criaram coleções para desfiles em Paris. Destacam-se também, Lívio Leve, com seu colar de formas livres e assimétricas, como mostra a figura 14 e Antônio Bernardo, pelo seu design contemporâneo, sendo demonstrado no anel da figura 15. Figura 13 – Colar de ouro, Lívio Leve. Fonte: Magtaz, 2008. 16 Figura 14 – Anel de prata, Antônio Bernardo. Fonte: Bernardo, 2010. A joalheria no Brasil, vem seguindo a tendência mundial nas últimas décadas, que procura adaptar-se a um mercado consumidor que além do uso, compra joias como investimento e interesse pelo design, como explica a autora a seguir: Atualmente, a joalheria brasileira está voltada para o desenvolvimento do design. As fronteiras entre a joalheria, a escultura, a arte performática e a moda estão constantemente em expansão e não existem mais preconceitos quanto à utilização de materiais e técnicas não-convencionais. As joias brasileiras já são identificadas pelo traço jovem e leve, pela variedade de cores e pela beleza das peças (MAGTAZ, 2008, p. 4). Logo, a joalheria teve diversas configurações ao longo da sua história possuindo alto valor simbólico em cada época. Começando como simples adornos de materiais naturais, passando pelas joias genuínas com predomínio de pedras preciosas sobre metais, joias de imitação com utilização de materiais baratos e atualmente a joalheria mundial está voltada para o design, que prima pela criatividade, correspondendo a um mercado consumidor crescente e ansioso por inovação. Isso faz com que os profissionais envolvidos busquem a qualidade, a criatividade e o estilo diferenciado. 17 DESIGN DE JOIAS 2.2. Pode-se considerar que o design de joias teve ínicio quando o homem começou a ornamentar o corpo. O homem primitivo adornava-se com ossos e marfim e naquela época o uso desses artefatos já significava prestígio social. Nesse contexto, Corbetta (2007) afirma que a joia não é apenas um objeto de adorno, mas sim, uma expressão da cultura e da criação humana. A utilização de joias pode marcar ritos de caráter emocional, simbologia espiritual e social. O nascimento, casamento, debutantes, bodas e outros eventos nos quais as joias são marcantes, com o intuito de simbolizar esses acontecimentos e geralmente permanecem com o usuário por um longo período, e até mesmo sendo transmitidas de gerações para gerações. A joia se insere no contexto social como um veículo de comunicação, pois ela traz consigo característica de quem a utiliza. Isso pode ser demonstrado pelo material e a configuração de determinada peça de joalheria, já que os metais, como o ouro a prata e as pedras preciosas denotam nobreza, fortuna e poder. Com isso, Corbetta (2007), ressalta que a joia possui um forte papel social, podendo promover distinção entre classes sociais. Além disso, a autora afirma que: Joias de design são joias cujas formas falam por si, criando-se uma interação entre quem as usa e quem as concebe. Cada joia é uma verdadeira obra de arte, que representa a fusão entre a sensibilidade, a alma, o interior de quem a idealizou (CORBETA, 2007, p. 89). Aliadas as questões simbólicas e sociais, o design de joias requer conhecimentos estéticos, desenhos de precisão, processos de produção e materiais. Normalmente o projeto de joalheria inicia-se com a criação, através de um tema ou inspiração utilizando analogias. Com o esboço da peça pronto, parte-se para o detalhamento, constituindo as especificações necessárias para a produção da joia, isto é, desenhos técnicos e representativos, materiais, acabamentos e processos de produção para que o ourives possa executar o projeto exatamente como o designer planejou. 18 O design de joias compreende uma diversificação de conceitos, inspirações e materiais. Atualmente, não há limites para a criação, e a tecnologia dos processos de produção permite o uso de diversas matérias-primas. Isso ocorre, porque os usuários buscam por produtos cada vez mais diferenciados e originais que tenham a ver com a singularidade. Portanto, no design de joias predomina o valor estético sobre o técnico, há uma variedade de conceitos, materiais e técnicas utilizados no design. Como pode ser observado em designers de joias brasileiros como Antônio Bernardo com seu estilo escultório, em que experimentação, sensibilidade empírica e rigor produtivo são conceitos centrais de seu design, valendo-se da delicadeza minimalista e da experimentação inovadora para expressar a sua identidade criativa. Além disso, as organizações H. Stern4 e Vivara5, com design contemporâneo e inovador, contam com designers que buscam as tendências mundiais além de realizarem constantes pesquisas de materiais e tecnologias de produção. 2.2.1. Joia contemporânea Até a década de 1950 a arte moderna se ateve a convenções, a partir desse período a arte contemporânea toma novos rumos, passando pelos limites impostos até então. Nessa época, a joalheria começou a se desvincular de processos artísticos e intuitivos, começando a ser desenvolvidos projetos e a utilização de metodologia. A maior inserção do designer no setor joalheiro propicia, também, a geração de uma conduta de produção mais otimizada, e o lançamento de linhas e/ou coleções que sedimentem a identidade da empresa no mercado, possibilitando o desenvolvimento de estratégias de marketing na divulgação destes produtos (SANTOS, 2010). Desde 1990 e seguindo no século XXI, é considerado profissional inovador aquele que concilia arte e individualismo com a moda, o comércio e a indústria, sendo que o propósito da joia atual foi redefinido com as novas tendências que muitas vezes revaloriza antigas produções (GOLA, 2008). Com isso, na joalheria contemporânea é necessário o 4 5 H. Stern: maior indústria joalheira do Brasil e quinta do mundo. Vivara: segunda maior indústria joalheria do Brasil. 19 conhecimento da estética e da técnica, para juntos explorarem as tendências de maneira satisfatória para atender o público consumidor. 2.2.2. Estética A estética dos produtos é elaborada pelo designer para atender as necessidades psíquicas do usuário. O termo estética provém da palavra grega aesthesis e significa algo como percepção sensorial. Assim, Löbach (2001) considera a estética como a ciência das aparências perceptíveis pelos sentidos (estética do objeto) e a sua percepção pelos homens (percepção estética) e a importância como parte de um sistema sócio-cultural (estética de valor). Nesse sentido, Bomfim (1998, p. 22) conceitua a estética da seguinte forma: Estética é a ciência que se ocupa do estudo da percepção sensorial e dos conhecimentos adquiridos através dela. Estético é tudo aquilo que se pode perceber sensorialemente através dos sentidos. Neste caso, quando o termo é compreendido em seu sentido mais amplo, a estética tem como objetivo estudar o conhecimento sobre a realidade que se pode alcançar através da percepção (conhecimento estético), ou seja, a compreensão da realidade que não se adquire pelo conhecimento noético. A comunicação estética do design elaborado por Löbach (2001), relaciona o designer, o produto industrial e o usuário, com a estética. Nesse caso, o designer é o emissor de uma mensagem em forma de produto, e o usuário o receptor da mensagem estética contida nesse objeto. Ampliando essa definição, Gomes Filho (2006, p. 43) afirma que “a função estética é o aspecto psicológico da percepção multissensorial que tem como atributo principal a fruição da beleza, do prazer e do bem estar contemplativo em relação a um dado objeto, por parte do usuário”. Além disso, Gomes Filho (2006) diz que a função estética é subordinada a vários aspectos sócio-culturais no que diz respeito ao conhecimento do usuário que envolve suas vivências e experiências estéticas. Nesse contexto, a joia é um produto comunicativo, que através do material e sua configuração estética transmite uma mensagem, que pode ser de 20 status social, por exemplo. Assim, pode-se considerar que na joalheria a característica estética é o fator mais importante, tornando-se determinante na hora da compra. 2.2.2.1. Estética do objeto A estética do objeto é compreendida através de um processo, em que são pesquisados os aspectos realmente estéticos para possível percepção do observador. Dessa maneira, o reconhecimento e a descrição dos pontos estéticos perceptíveis de um produto é o objetivo do designer. Löbach (2001), afirma que somente quando todas as características estéticas de um produto são conhecidas, é possível projetar um produto novo, que atenda aos valores fixados no processo de design pelo projetista e que corresponda ás necessidades estéticas do ususário. As características estéticas dos produtos são elaboradas durante o processo de configurar os mesmos. Para isso, é preciso levar em consideração os aspectos da estética do objeto através dos elementos configurativos. ELEMENTOS CONFIGURATIVOS As características estéticas de um produto são determinadas pelos elementos configurativos. Löbach (2001), explica que a seleção e combinação de elementos configurativos será definitiva na reação do ususário em contato com o produto. Com isso, cabe ao designer fazer experimentações sobre os efeitos resultantes da mistura desses elementos, pois com base nesses testes é possível fazer a combinação adequada e alcançar o resultado desejado. Nessa ótica, os elementos configurativos de produtos industriais de acordo com Löbach (2001), tornará um produto agradável aos sentidos humanos e no processo de uso através da ordenação dos elementos configurativos, juntamente com a percepção estética. Desse modo, esses componentes não devem ser considerados separadamente, pois a figura 21 se origina somente quando estão combinados, e mudando essa distribuição resultarão em outra forma com outro significado. Olver (2003), aborda os elementos configurativos no desenho de joias, que segundo ela, além da temática e do conceito é necessário considerar uma série de elementos para um processo de desenvolvimento completo. Nesse contexto, percebe-se que Löbach (2001), aborda os elementos configurativos de maneira geral, podendo ser aplicados a todos os produtos industriais, já Olver (2003), direciona esses componentes para a joalheria. Assim, é possível ter uma visão do todo e do específico no caso do design de joias, para posteriores complementações e reflexões para o presente trabalho. FORMA Löbach (2001) coloca a forma como sendo o elemento mais impotante de uma figura, fazendo distinção entre forma espacial e plana. No qual, aquela é a forma tridimenssional de um produto sendo determinada pela superfície e pode variar ao ser observada de diferentes ângulos. Já esta, é obtida pela projeção de um produto sobre um plano, é determinada por um contorno permanecendo sempre constante mesmo variando a observação. Já Olver (2003), salienta que na joalheria a forma de um desenho transmite a maior parte do impacto visual de uma peça. Para isso, é necessário compreender a identidade de cada forma, como exemplo, o quadrado é uma forma ordenada pois possui quatro lados iguais, o círculo é infinito por não ter início e fim e o triângulo é uma forma forte pois converge em um ponto. As formas básicas são fáceis de compreender e usar, porque seu impacto e seu caráter podem modificar ao serem alternadas, de modo que mude sua identidade. Além disso, é essencial estabelecer o pricípio da forma, referindo-se ao seu conceito e intenção do desenho, se deve ser uma forma forte, elegante, atraente, argânica ou outras. VOLUME A joalheria é uma disciplina tridimensional que remete a forma móvel e variável e oferece uma experiência visual e táctil (OLVER, 2003). Além disso, ela afirma que as formas 22 tridimensionais não devem ser pensadas sempre como objetos sólidos, pois o volume é algo que define um espaço, podendo ser formado por linhas. MATERIAL Löbach (2001), esclarece que a configuração de um produto não resulta apenas das propóstas estéticas mas também do uso de materiais e de processos de fabricação. A escolha de um material para um produto depende de sua fabricação e suas considerações econômicas, não levando em conta sempre os efeitos estéticos. Na visão de Olver (2003), não há limites quanto ao uso de materiais na joalheria. Depende do tratamento dado ao material para agregar valor e qualidade ao design, como ocorre na transformação de materiais modestos, como plástico e estanho. O ouro e a prata estão associados a joalheria devido a tradição, são metais caros e por consequência são uma maneira de demonstrar riqueza. Além disso, há razões práticas no uso de metais valiosos, o ouro e a prata são quimicamente inativos, não se oxidam em contato com o corpo, no estado puro são muito maleáveis perdendo sua forma rapidamente, por isso, são mesclados a outros metais, constituindo as ligas metálicas. Dessa maneira, Olver (2003) sugere que a combinação de materiais tradicionais com alternativos pode adicionar contraste a uma peça, adotando um estilo contemporâneo. Ela exemplifica a prata, que é um material tradicional, possui cor neutra sendo facilmente combinada com outros materiais. Além dessas características, Olver (2003) aponta para os significados dos materiais. As conotações simbólicas estão relacionadas com a força e a vulnerabilidade de determinado material, os cristais por exemplo, possuem qualidades que ajudam a curar. Assim, a simbologia de um material é importante para a intenção do design. SUPERFÍCIE O caráter da superfície de um produto tem uma grande influência sobre seu efeito visual, que geralmente depende da escolha dos materiais (LÖBACH, 2001). As superfícies dos materiais e suas combinações podem provocar associações de ideias nos usuários, como: limpeza, calor, frio e outros. Além disso, o autor afirma que por meio das 23 características da superfície dos materiais (brilho, fosco, polido ou rugoso) e sua forma (côncava, plana, convexa) é possível alcançar os resultados esperados em um produto. Olver (2003), coloca que a joalheria é um meio tátil e visual, é por meio da textura da superfície que há estímulo dos sentidos, sendo um poderoso elemento configurativo. Tendese a pensar que as joias são objetos polidos com acabamentos impecáveis. Porém, há muitas outras superfícies texturadas que podem ser exploradas pelo designer, que vão das polidas até as totalmente desordenadas. O metal, por exemplo, possui uma superfície dura, no entanto, aplicando processos adequados resulta em suave e atrativa. Assim, o uso de superfícies texturadas depende do conceito e da intenção da peça. COR Löbach (2001), diz que a cor é um elemento essencial nos produtos, utilizada para atingir a psique do usuário. Enfatiza que a cor é apropriada para designar contrastes. Dessa forma, há possibilidade de criar uma estrutura visual usando cores diferentes para as distintas partes que constituem um produto evitando uma monotonia da forma. Nesse sentido, a cor pode provocar sensações diferentes no observador, cores escuras provoca sensação de peso, os tons claros causam sensação de leveza. A partir desses conhecimentos, é possível aplicá-los nos aspectos de design do produto, considerando o efeito que se pretende obter com o uso das cores. Olver (2003), enfatiza que a cor é uma das maneiras mais imediatas e efetiva de atrair a atenção sobre um trabalho. Na joalheria, é uma ferramenta poderosa e usada com sensibilidade terá resultados excelentes. Ela comenta, que nos séculos passados, o uso de cores se restringiam a coloração dos metais e pedras preciosas. Porém na joalheria contemporânea, com a ampliação do uso de materiais as possibilidades de utilização de cores aumentaram. Além disso, Olver (2003) ressalta que as cores possuem significados causando reação no usuário. Algumas cores possuem personalidade particular, como o azul, que tranquiliza, o roxo é agressivo ou sugere luxúria. As cores possuem diferentes significados nas culturas, por exemplo, no ocidente não é comum ver noivas vestidas de roxo, já na cultura chinesa essa cor tem bom sentido sendo vinculada a religião. Assim, o significado de uma cor em um 24 contexto particular ajuda na sua aplicação em combinação com a forma, textura e outros elementos, para que o propósito de design seja facilmente realizado e compreendido. 2.2.2.2. Estética de valor Os produtos, assim como tudo o que nos cerca materialmente são portadores de valores estéticos. Löbach (2001), considera que a estética de valor aborda a importância dos objetos estéticos para o ususário a partir de três aspectos, valores estéticos, constituição de valores estéticos para normas estéticas e a valoração estética por pessoas e grupos no meio de um quadro sócio-cultural. A aparência estética dos objetos é condição para a formação do conceito de valor. O aspecto visual do produto pelo observador, proporciona um certo prazer que é proveniente do valor estético. Os valores estéticos dependem de pessoas e suas atitudes. Nesse sentido, as pessoas e os grupos se diferenciam na estrutura de suas consciencias e no tipo de percepção do entorno material. Assim, esses fatores influenciam os valores estéticos que dependem das aparências sociais, estão sujeitos a mudanças e são influenciados pelos fatores da vida social. Os efeitos estéticos são determinados pela forma como os grupos sociais se comportam diante das características estéticas dos produtos. Dessa maneira, o que é considerado belo pelo usuário hoje, talvez não seja amanhã, por terem sido estabelecidos novos valores estéticos. Assim, os padrões sofrem modificações na sociedade, mudando os valores estéticos. O sistema de valores estéticos é dinâmico, sofre constantes variações. As causas dessas variações se explicitam na busca do homem pelo novo e as pressões econômicas como maneira de dinamizar a economia. Isso mostra, porque os valores que vão surgindo não permanecem estáveis por muito tempo. Quando muitos membros da sociedade concentram a atenção em um produto, se trata de um valor estético generalizado. Desse modo, segundo Löbach (2001) é constituida uma norma estética que é determinada pelas empresas, pelo designer e pelo usuário. Por 25 outro lado, o gosto, não está relacionado com o meio social, é exclusivamente individual e se desenvolve e se transforma através da vivência estética. Uma norma surge como resultado de um processo de legitimação social e por isso não é permanente nem universal. As normas se desenvolvem justamente pela contradição entre suas limitações temporais e especiais, das quais são dependentes, e a validade absoluta que pretendem. Ao contrário das normas estéticas, que são “objetivadas” e legitimadas pelas academias de arte, galerias, museus e meios de comunicação, o gosto permanece único e original em sua objetividade (BOMFIM, 1998, p. 42). Um produto inovador pode se transformar em nova norma estética se for um fenômeno de vendas. Geralmente, os produtos de estética inovadora são vistos com ceticismo pela maioria, os consumidores só aceitam produtos da mesma linha de seus valores. Com isso, essas pessoas excercem grande influência na elaboração de novos valores estéticos, já que atualmente o mercado está saturado. No entanto, os produtos de uso individual, sofrem mudanças estéticas constantes para se diferenciarem da concorrência e atrair a atenção dos consumidores. O designer, como profissional treinado na produção estética, pode optar por utilizar normas ou implantar novas, dependendo da área de sua atividade. 2.2.3. Princípios da criatividade O potencial criativo é inerente ao ser humano. A criatividade se configura através de estímulos, percebendo e ordenando relacionamentos que ocorrem ao seu redor e dentro de si. Por meio dessas conexões, o homem as configura em sua experiência de vida dando determinados significados. Dessa maneira, a motivação para criar, reside na busca de ordenações e significados, sendo a criação uma potencialidade que se converte em necessidade existencial, pois criando, ordenando e dando forma o homem cresce enquanto ser humano. Com isso, os potenciais criativos provêm de uma integração, que de acordo com Ostrower (1977) é a relação do consciente, do sensível e do cultural. Ainda segundo a autora: 26 Criar é, basicamente, formar. É poder dar uma forma a algo novo. Em qualquer que seja o campo de atividade, trata-se, nesse ‘novo’, de novas coerências que se estabelecem para a mente humana, fenômenos relacionados de modo novo e compreendidos em termos novos. O ato criador abrange, portanto, a capacidade de compreender; e esta, por sua vez, de relacionar, ordenar, configurar, significar (OSTROWER, 1997, p. 9). O poder criativo do homem é a capacidade de ordenar conhecimentos, o que ele pensa e imagina. Nesse sentido, o consciente está sempre atento a isso constituindo um fator fundamental de elaboração da criação, assim o homem fica apto para examinar seu trabalho e fazer novas opções. Além do consciente, os processos de criação estão interligados com a sensibilidade. É através dela que a criatividade se articula, pois é a sensibilidade o meio por onde as sensações são percebidas. Um ser sensível é capaz de fazer associações que o levam para o mundo da fantasia, gerando a imaginação experimental e as hipóteses. O que dá suporte a imaginação é a capacidade de associar objetos e eventos e manipulá-los mentalmente. A cultura é parte integrante da criatividade. Dessa forma, o ser humano age de acordo com a qual está inserido. De acordo com Ostrower (1977), a cultura se traduz como formas não materiais e espirituais, nas quais seres humanos se comunicam transmitindo experiências por vias simbólicas para gerações seguintes. Nesse sentido, o potencial criativo é influenciado pelo contexto da cultura e pelas experiências culturais. Isso é percebido no design de joias, no qual o designer é influenciado pelo meio onde vive expressando suas vivências e filosofias de vida na criação das joias, como aponta a autora a seguir: As peças refletem não só as criações de cada artista, como as tendências estilísticas de cada criador, seu país de origem, seus valores, sua cultura. Sintetizam o contexto sócio-cultural de quem as criou. Através de uma joia de criação podemos analisar tendências artísticas (CORBETTA, 2007, p. 89). Assim, a criatividade é elaborada na capacidade de selecionar, relacionar e integrar informações. Nesse contexto, Baxter (2003) afirma que a criatividade geralmente resulta de associações, combinações, expansões ou visão, sob um novo ângulo, de ideias existentes. 27 Ostrower (1977) ressalta que a criatividade deriva de uma atitude, não se tratando de momentos de inspiração e sim a capacidade de concentração e renovação, isto é, ao retomar determinado trabalho se consiga voltar ao estado inicial da criação, alcançar e manter a atenção no nível da sensibilidade. Assim, a criação é elaborada na capacidade de intuir a partir da concentração, sendo um processo cognitivo. Nesse sentido, os processos de criação no design ocorrem no nível da cognição, a respeito disso, Olver (2003) diz que um bom desenho é o resultado de um processo cognitivo centrado. A partir disso, percebe-se que a criação é um processo construtivo global. Envolve a personalidade, o modo de ordenar e relacionar-se em si e com os outros, pois criar é comunicar-se e integrar significados através de uma realidade mais profunda do conhecimento para desenvolver uma estrutura interior essencial para dar suporte á criatividade. Logo, criar significa dar forma em um contexto global, isto é, integrar um conhecimento novo interligando a outros já adquiridos. 2.2.4. Processo de criação A criatividade do designer industrial se manifesta quando, baseando-se em seus conhecimentos e experiências, ele for capaz de associar determinadas informações com um problema, estabelecendo novas relações entre elas. Para isso é necessário observar fatos conhecidos sob novos pontos de vista, abandonando-se a segurança daquilo que é conhecido e comprovado, por uma postura crítica em busca de novas respostas a antigos problemas (LÖBACH, 2001, p. 139). A criatividade é parte do design, sendo imprescindível para gerar novas ideias. Baxter (2003) coloca a importância da criatividade, como sendo o “coração do design”. Ele aborda a questão da concorrência acirrada entre empresas, na qual o uso do design pode promover diferenciações nos produtos. Dessa forma, o design requer a prática da criatividade durante o desenvolvimento dos produtos. Ainda segundo Baxter (2003), a criatividade não é totalmente conhecida, mas existem mecanismos que servem para estimular, não garantindo o sucesso, mas poderá aumentar as chances por meio desses métodos. Com isso, ele diz que a criatividade pode ser estimulada seguindo cindo etapas, visualizadas na figura 16: 28 Figura 15 – As etapas da criatividade. Fonte: Baxter, 2003. A inspiração geralmente surge como resposta a um problema e durante o processo de preparação, essas ideias começam a se organizar. Sendo assim, as duas primeiras etapas apresentam uma natureza lógica e racional. Com as ideias organizadas, o próximo passo é pensar inconscientemente, ou seja, incubá-las momentaneamente para explorar novas possibilidades. A seguir, a iluminação ocorre quando a ideia é selecionada, em seguida, na verificação é averiguada a opção escolhida. Portanto, o processo criativo citado, é composto por etapas, nas quais o designer pode percorrer durante o desenvolvimento de produtos de maneira flexível. Isso ocorre de acordo à interligação de experiências e vivencias de cada indivíduo. 2.2.5. A criatividade no design de joias Assim como no ser humano, no design a criatividade também é intrínseca. No entanto, depende do potencial criativo do designer. A criação no design de joias pode estar associada a temáticas que guiarão esse processo a fim de dar suporte estético e conceitual. Além disso, o design de joias está integrado com o processo de produção. A criação das peças de joalheria através de fontes temáticas é um processo que envolve estudo de objetos, estruturas, formas e outros, a fim de coletar informações necessárias para dar apoio ao processo criativo. Normalmente, é realizado um trabalho de observação, no qual surgem ideias resultando em um conjunto de esboços e a partir destes podem surgir outros. Com isso, a geração de alternativas a partir de um tema é um processo que vai se aprimorando por meio do potencial criativo, até chegar ao resultado desejado. 29 No design de joias, o alto teor estético deve ser aliado ao processo de produção, muitas vezes adaptando este ao projeto da peça. Na joalheria, a criação depende das preferências e estilo particular de cada designer, isso é resultado do seu potencial criativo, isto é, do nível de sensibilidade integrado com o repertório cultural e o consciente que relaciona os conhecimentos. Nesse sentido, cabe salientar a diferença entre designer e ourives, sendo este conhecedor da técnica, porém geralmente não possui potencial criativo apropriado, isto é, não possui informações e experiências de um designer. Nesse sentido, Corbetta (2007, p. 91) faz a seguinte afirmação: As joias devem ser admiradas á parte das gemas e metais nas quais são produzidas. Acima de tudo, deve ser considerado o seu valor artístico. Com tal propósito a criação do designer passa a ter completa liberdade de expressão, na qual pode misturar metais nobres com trabalhos artesanais, com gemas brutas ou sintéticas. Atingir harmonia e beleza – este é o propósito. A expressividade do artista criador não tem limites; a ele é dada liberdade total. Assim, o potencial criativo no design de joias é bastante explorado, pois não há restrições para criar. Isso pode ser realizado com o apoio de temas, inspirações e conhecimentos sobre processos de produção para aliar a estética com a técnica. Dessa forma, depende das preferências do designer a maneira como ele guiará esse processo. 2.3. A DANÇA CONTEMPORÂNEA A dança é considerada uma das artes mais antigas. Para cumprir sua função, ela depende do corpo e da vitalidade humana. Para Laban (1978), a dança é um dos meios através do quais todos os povos expressam sua cultura, sua relação com a natureza e com os homens. Além disso, é um meio de comunicação, de auto conhecimento, educação do sensível e principalmente é uma forma de expressar os sentimentos. Nesse sentido, Brikman (1989, p.110), afirma que “no aspecto artístico, segundo nossa experiência, a dança traz em si uma carga de energia que provoca um êxtase que é percebido na entrega, certa emoção estética que se transmite entre intérprete e o espectador”. 30 É do ponto de vista artístico, criativo e social que a dança contemporânea é construída. Surgiu na década de 1960 nos Estados Unidos, como uma forma de rompimento com a cultura clássica possuindo total liberdade de expressão. Após um período de inovações e experimentações, em 1980, esse estilo de dança começou a se definir desenvolvendo uma linguagem própria. Não possui técnicas e movimentos específicos. O intérprete, bailarino e/ou coreógrafo constroem as partituras coreográficas a partir de métodos e procedimentos de pesquisa como a improvisação, contato-improvisação e outros. Esses métodos permitem que o intérprete crie suas composições a partir de temas relacionados a questões políticas, sociais, culturais, autobiográficas, comportamentais e quotidianas, como também a fisiologia e a anatomia do corpo. Nesse contexto, Faro (2004) explica que para ser contemporâneo, não precisa buscar pelo inexplorado. A dança, como arte e como diversão, já se diversificou de tal forma que sua contemporaneidade implica o hoje, mas não necessariamente o novo. Assim, o repertório da dança contemporânea trata de questões atuais, relacionadas com a sociedade. Além disso, se propõe a fazer uma investigação de cada ser humano através do corpo. Para isso, ela faz com que os praticantes descubram os movimentos que expressem suas emoções, dúvidas e pensamentos fazendo com que encarem o corpo como uma forma de existir e de fazer trocas com o mundo. Assim, a dança contemporânea é um modo de pensar a dança na atualidade. Com isso, a criatividade das coreografias está relacionada com a temática, figurinos e cenários para que os bailarinos se expressem através do corpo e do movimento. 2.3.1. Expressão corporal A necessidade de expressão corporal é universal, entretanto, manifesta-se de acordo com cada cultura, como uma necessidade de integração grupal dessa sociedade. Segundo Brikman (1989, p. 23), “a expressão corporal é o cumprimento, por parte do ser humano, de sua possibilidade de manifestar-se através de seu corpo”. Para o ser humano expressar seus próprios atos, não precisa de instrumentos, o corpo passa a ser o próprio instrumento, pode sentir-se, perceber-se, conhecer-se e manifestar-se. 31 A expressão corporal é, então, considerada como um aprendizado em si mesmo e um estilo pessoal, o que a liga diretamente com a dança, no sentido de que esta pode ser considerada como o meio para manifestação de conteúdos próprios, expressando sensações, emoções, sentimentos e pensamentos com seu corpo. Brikman (1989), afirma que o movimento é o tema central da expressão corporal. Com isso, é através do movimento proporcionado pelo corpo que a expressão corporal se manifesta. Sendo inerente à dança, isto é, dança é o corpo em movimento resultando em expressão corporal. Assim, Laban (1978, p. 48) salienta que “dançar o contemporâneo é dançar o que está dentro de quem dança, não há regras a seguir; é a expressão corporal”. 2.3.2. O corpo É através do corpo que o homem se comunica e se expressa. De acordo com Siqueira (2006, p. 4), “no estudo do não verbal, o corpo é o instrumento básico para análise e reflexão. É a matriz geradora da dança, das performances, dos gestos plenos de significação e dos movimentos espontâneos e/ou inconscientes”. Assim, em se tratando de dança, o corpo é um elemento fundamental, pois é por meio dele que ocorrerá o movimento. Como a dança contemporânea não se define em técnicas ou movimentos específicos, o corpo é mais livre, dotado de maior autonomia e visa estabelecer diálogo e comunicação. Busca um sentido mais experimental, menos estratificado. Na dança contemporânea, a ideia de corpo é colocada em questão, o corpo não está só dependente da mobilidade, da elasticidade, mas também de características de ordem psicológica, antropológica e cultural (Duarte, 2010). Para Laban (1978), o controle da fluência do movimento está intimamente relacionado ao controle dos movimentos das partes do corpo. Guiados pela música, os bailarinos de dança contemporânea vão interpretando os impulsos do corpo, traçando movimentos, reconhecendo que as várias partes do corpo podem mexer-se ao mesmo tempo de forma autônoma e diferente. 32 2.3.3. Movimento Dança é movimento, cada indivíduo deve descobrir sua essência através do seu próprio corpo. O coreógrafo Ivaldo Bertazzo, criador do método de educação do movimento, diz que, como o corpo se constitui de vários pedaços, o movimento possibilita juntar as peças e criar unidade, Santos (2010). Sendo assim, a correta execução dos movimentos básicos normais do corpo humano é a unidade para a diversidade de combinações e para a diversidade de seus empregos. Nesse sentido, Brikman (1989) salienta que o desenvolvimento criativo no movimento corporal implica a disponibilidade de um amplo repertório de movimentos. Nesse aspecto, Fahlbusch (1990, p.85) enfatiza: Para o indivíduo especializado nos desportos, na ginástica e na dança, o movimento não é somente um resultado físico, deslocamento de matéria e a força que o determina. É sempre uma força resultante de uma reação psíquica e emocional que, atuando sobre nosso corpo, determina desprendimento de energia e variações de tensão muscular que podem resultar no deslocamento de um ou mais segmentos do corpo. Da mesma forma que a dança contemporânea se preocupa com a anatomia, ela usa as leis físicas, como a gravidade e a força peso do corpo, a favor do movimento corporal. Assim, o movimento na dança pode ser definido como as mudanças de posição de todo o corpo no espaço ou de alguns segmentos com relação a outros. Segundo Laban (1978), os movimentos visíveis do corpo na dança concedem ao espectador, reações ao nível de sensação. Os desenhos visíveis da dança podem ser descritos em palavras, porém seu significado mais profundo é verbalmente inexprimível. 2.4. CONSIDERAÇÕES FINAIS DESTE CAPÍTULO De acordo com o estudo do referencial teórico, foram obtidas conlusões bem como pontos importantes para a projetação da coleção de joias, listados a seguir. Analisando o histórico da joalheria, percebeu-se que as joias são impregnadas de simbolismo de acordo com a cultura e a época em que foram feitas. Dessa forma, nota- 33 se a importância em desenvolver um produto dentro do contexto sócio-cultural em que ele está inserido. Atualmente a joalheria está aliada ao design, trazendo originalidade e diferenciação. A joia contemporânea possui alto teor estético e criativo, além de ser produzida com diversos materiais e utilizadas técnicas de produção não convencionais. Assim, o designer tem uma grande possibilidade de inovar esteticamente. O estudo sobre estética, coloca o produto como sendo o emissor de uma mensagem, no caso das joias isso é de extrema relevância por serem objetos comunicativos, que através da estética podem representar conceitos, símbolos e identidades. Além disso, ressalta que entre todos elementos configurativos, o mais importante é a forma, porém a combinação deles pode agregar valores estéticos em um produto. O reconhecimento dos princípios da criatividade e processo de criação, permite considerar que o fator preponderante no design de joias é a criatividade, pois esse produto é essencialmente estético não possuindo funcionalidade prática. Dessa forma, o processo criativo é decisivo no resultado desse produto. A partir da investigação acerca da dança contemporânea, foi concluído que a sua plasticidade, através dos movimentos corporais, pode ser representada na forma das joias. Capítulo 3 DESENVOLVIMENTO PROJETUAL 3.1. CONCEITUALIZAÇÃO A partir do estudo do referencial teórico sobre a temática dança contemporânea, pode-se definir o conceito para a projetação das joias. Este foi definido como sendo o movimento, pois é por meio dele que a dança é criada e desenvolvida. Brikman (1989, p.110), diz que na dança “ o intérprete sensibiliza com seu movimento, nascido de sua própria proposta, movimento que move o movimento, move desejos e fantasias e o faz particípe de uma forma realizável”. Foram pesquisadas imagens fotográficas de grupos de dança contemporânea e verificou-se que elas podem ser fonte de inspiração, reiterando o conceito, já que mostram os movimentos congelados dos bailarinos. Inicialmente, foi montado um painel semântico com imagens do grupo de dança brasileiro “Grupo Corpo”, (figura 17). Após a observação e análise do mesmo foram escolhidas algumas imagens, painel semântico da figura 18, que mais provocaram a sensibilidade para o processo criativo, compondo, dessa forma, o repertório de referência para a geração de alternativas. 35 Figura 16 – Painel semântico, imagens do Grupo Corpo. Fonte: Grupo corpo, 2010. Figura 17 – Painel semântico com imagens selecionadas. Fonte: Grupo corpo, 2010. 36 3.2. GERAÇÃO DE ALTERNATIVAS Nesta fase, foi desenvolvido o processo criativo, na qual são geradas possíveis soluções sem a preocupação com detalhes técnicos, que posteriormente serão feitas as devidas verificações das alternativas geradas. O processo criativo está atrelado ao conceito, que neste caso é o movimento, e as imagens de referência compostas principalmente por bailarinos. Dessa maneira, procurou-se criar formas para as joias a partir da síntese do corpo, resaltando o movimento e por consequência a plasticidade da dança. Para isso, é utilizada uma linguagem visual que pretende representar nos desenhos a iconografia das imagens fotográficas. A seguir são expostas as alternativas de solução formal juntamente com a imagem referência e as melhores opções em evidencia, que serão verificadas posteriormente. Cabe salientar que a geração de alternativas é apresentada em ordem cronológica de desenvolvimento para apontar o gradual desenvolvimento do processo criativo. 37 3.2.1. Geração de desenhos a partir de referencial fotográfico Figura 18 – Grupo corpo, espetáculo “Nazareth”. Fonte: Grupo corpo, 2010. 38 Figura 19 – Geração de alternativas correspondente a imagem referência da figura 19. 39 Figura 20 – Grupo corpo, espetáculo “Nazareth”. Fonte: Grupo corpo, 2010. 40 Figura 21 – Geração de alternativas correspondente a imagem referência da figura 21. 41 Figura 22 – Grupo corpo, espetáculo “Nazareth”. Fonte: Grupo corpo, 2010. 42 Figura 23 – Geração de alternativas correspondente a imagem referência da figura 23. 43 Figura 24 – Grupo corpo, espetáculo “Nazareth”. Fonte: Grupo corpo, 2010. 44 Figura 25 – Geração de alternativas correspondente a imagem referência da figura 25. 45 Figura 26 – Grupo corpo, espetáculo “O corpo”. Fonte: Grupo corpo, 2010. Figura 27 – Geração de alternativas correspondente a imagem referência da figura 27. 46 Figura 28 – Grupo corpo, espetáculo “O corpo”. Fonte: Grupo corpo, 2010. Figura 29 – Geração de alternativas correspondente a imagem referência da figura 29. 47 Figura 30 – Grupo corpo, espetáculo “Benguelê”. Fonte: Grupo corpo, 2010. Figura 31 – Geração de alternativas correspondente a imagem referência da figura 31. 48 Figura 32 – Grupo corpo, espetáculo “Benguelê”. Fonte: Grupo corpo, 2010. 49 Figura 33 – Geração de alternativas correspondente a imagem referência da figura 33, com a alternativa escolhida em evidência. 50 Figura 34 – Grupo corpo, espetáculo “O corpo”. Fonte: Grupo corpo, 2010. Figura 35 – Geração de alternativas correspondente a imagem referência da figura 35, com a alternativa escolhida em evidência. 51 Figura 36 – Grupo corpo, espetáculo “7 ou 8”. Fonte: Grupo corpo, 2010. Figura 37 – Geração de alternativas correspondente a imagem referência da figura 37, com a alternativa escolhida em evidência. 52 3.2.2. Soluções formais A partir da geração de alternativas, foram verificadas as opções que melhor correspondem ao conceito e melhor representam iconograficamente as imagens referência. Além disso, outro ponto importante nessa averiguação é a linguagem visual, no qual todas as soluções devem seguir a mesma, já que fazem parte de uma coleção de produtos. A partir disso, foram escolhidas três soluções formais que cumprem os requisitos citados, ressaltando que todas as formas seguem a linha do orgânico, com curvas e sinuosidades que representam o movimento do corpo na dança contemporânea. A solução formal 1, apresentada na figura 39, é uma síntese do corpo do bailarino, que traduz de maneira clara a posição e o movimento do mesmo na imagem fotográfica. A figura 40, mostra a solução formal 2 que representa iconograficamente a imagem referência apesar de não seguir constantemente as linhas do corpo do bailarino. O último desenho escolhido, é a solução formal 3 da figura 41, o qual também não segue fielmente o contorno do corpo, mas apresenta-se bem resolvida, principalmente por possui um prolongamento na parte superior da forma com traços sinuosos, pois a posição dos bailarinos na fotografia aponta para uma força no sentido vertical, do bailarino da esquerda a fim de levantar a dançarina que está sobre o chão. Figura 38 – Verificação da solução formal 1. 53 Figura 39 – Verificação da solução formal 2. Figura 40 – Verificação da solução formal 3. Capítulo 4 MATERIALIZAÇÃO 4.1. MODELAGEM Na materialização, inicialmente, foram feitos modelos em material alternativo para verficação da forma, dimensões, espessura e outros. O material utilizado para esse propósito foi o lado interno da caixa tetra pak, pois possui espessura suficiente para testes e a coloração prateada simula a cor e lembra a textura da prata, material este utilizado nos modelos finais, podendo ser observado nas figuras 42, 43 e 44, que mostram as três soluções formais. Figura 41 – Modelagem da solução formal 1. 55 Figura 42 – Modelagem da solução formal 2. Figura 43 – Modelagem da solução formal 3. 4.1.1. Alternativas para as soluções formais Os testes seguintes verificam as possibilidades de transformar as soluções formais em peças de joalheria. A partir da modelagem formal, percebeu-se que a forma traduz a maneira de utilizar a joia, isto é, a forma corresponde à função, para isso, foram feitos ajustes nas soluções formais. As opções das peças apresentadas a seguir, responderam a essa proposta e mostraram-se interessantes e resolvidas. A seguir são mostrados esboços das soluções e testes com os modelos. 56 4.1.1.1. Solução formal 1 Figura 44 – Esboços da solução formal 1 em forma de brinco e presilha para cabelo. ALTERNATIVA 1 Esta alternativa, visualizada na figura 46, testada como brinco, encaixa-se na orelha quando colocada pela parte inferior do modelo, assim a forma é adequada para a utilização da peça como brinco. Para isso, foram feitos ajustes na parte superior do brinco, que consiste em um prolongamento para colocar a tarracha, como mostra o esboço acima da figura 45. Figura 45 – Solução formal 1, alternativa 1. 57 ALTERNATIVA 2 Utilizada como presilha para cabelo, esta forma parece entrar no cabelo lembrando um pente. Esta alternativa não possui ajustes na sua forma, sendo acrescentada uma faixa atrás do modelo para prender a presilha no cabelo, como mostra o esboço da figura 45. Esta peça, pode ser utilizada de duas maneiras, visualizadas na figura 47, na qual o cabelo é transpassado através do modelo, e o outro modo de uso é o convencional, isto é, o modelo totalmente por cima do cabelo. Figura 46 – Solução formal 1, alternativa 2. 58 4.1.1.2. Solução formal 2 Figura 47 – Esboços da solução formal 2, pingente, broche alfinete e palito de cabelo. ALTERNATIVA 1 A figura 49 mostra o modelo de um pingente, sua forma alongada corresponde de maneira adequada a utilização para esse fim. A forma não sofreu ajustes, foi adicionado um fio em forma de “U” atrás do modelo para passar um cordão, como mostra o esboço da figura 48. 59 Figura 48 – Solução formal 2, alternativa 1. ALTERNATIVA 2 A solução formal 2, possui um prolongamento afunilado na parte inferior da forma que remete a alfinete. Dessa maneira, foram feitos ajustes na forma para essa finalidade, que consiste em diminuir a área da parte inferior da forma até entrar facilmente no tecido, como pode ser visto na figura 50. Figura 49 – Solução formal 2, alternativa 2. 60 ALTERNATIVA 3 Assim como na alternativa anterior, o palito de cabelo também surgiu da configuração da parte inferior da solução formal 2. Foi feito um prolongamento da parte inferior da forma, como pode ser visto no esboço da figura 48. O teste da figura 51 mostra a demonstração de uso dessa peça. Figura 50 – Solução formal 2, alternativa 3. 4.1.1.3. Solução formal 3 Figura 51 – Esboços da solução formal 3 em forma de brinco e broche. 61 ALTERNATIVA 1 Esta alternativa, derivada da solução formal 3 avaliada como brinco, encaixa-se na orelha pela parte superior, como pode ser visualizada na figura 53. Foram feitos ajustes nas curvas da forma, com diminuição dessas sinuosidades para melhor composição do modelo com a orelha, pois esta já possui diversas curvas, além de prolongar a parte superior para colocar a tarracha do brinco como mostra o esboço da figura 52. Figura 52 – Solução formal 3, alternativa 1. ALTERNATIVA 2 A solução formal 3 possui a estrutura com várias curvas que permite transpassar tecido entre essas sinuosidades. Dessa maneira, esta forma remete a broche como mostra a figura 54, que está sendo testada em um lenço e a figura 55 no decote de uma blusa. Este modelo sofreu alteração na forma, que consiste na diminuição de uma curva da parte superior, como mostra o esboço da figura 52. 62 Figura 53 – Solução formal 3, alternativa 2. Figura 54 – Solução formal 3, alternativa 2. Capítulo 5 EXECUÇÃO DO MODELO DESENVOLVIMENTO DO DESENHO TÉCNICO 5.1. As pranchas com todos os desenhos completos, obedecendo as normas da ABNT encontram-se em anexo. PRODUÇÃO 5.2. Foi optada pela produção artesanal do modelo final, pois já é de conhecimento da acadêmica o processo, que foi proporcionado através de disciplinas de joalheria durante o Curso de Desenho Industrial – Projeto de Produto. Além disso, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) possui em suas instalações um ateliê de ourivesaria que se encontra nas dependências do Curso de Desenho Industrial, que pode ser utilizado para a produção das peças. Essa escolha, possibilitou um envolvimento total da acadêmica com todas as etapas de produção e a participação ativa desde a fundição até o polimento. 5.2.1. Material A prata é um material bastante utilizado na fabricação de joias. Em seu estado puro é um metal muito maleável sendo necessário o uso de liga para auxiliar no seu manuseio. A 64 liga mais usada na joalheria é a 950, ou seja, de 1.000 partes, 5% é liga de cobre. Para a confecção artesanal das peças foi optada pela prata, devido a fácil prototipação nas dependências da UFSM. 5.3. ETAPAS DA PRODUÇÃO ARTESANAL DO MODELO FINAL A técnica da ourivesaria é uma das artes mais antigas praticada pelo homem. Atualmente, ainda existem muitos ourives que trabalham com ferramentas manuais. Além disso, há casas de fornituras6 que possuem equipamentos elétricos para auxiliar e facilitar a confecção de joias. O processo de joalheria artesanal consiste basicamente nas seguintes etapas: fundição, laminação, soldagem e acabamento, além de possuir ferramentas básicas como o laminador, maçarico, politriz e outras. A confecção dos modelos finais é exposta por meio das imagens, a seguir, que ilustram passo a passo as etapas, sendo praticamente o mesmo processo para todos os modelos projetados neste trabalho, mudando somente na solda, que em algumas peças há necessidade. A explicação do processo das imagens se encontra resumida nos textos das legendas. 6 Fornituras: lojas que disponibilizam ferramentas para fabricação de joias. 65 Figura 55 – Fundição da prata com maçarico em um cadinho refratário e a prata derramada em forma de lingote. Figura 56– Laminação da prata, com a chapa resultante desse processo. 66 Figura 57 – Modelo sobre a chapa para gravação e desenho na prata. Figura 58 – Recorte do modelo com serra de ourivesaria. 67 Figura 59 – Modelo recortado recebendo acabamento primário com a lima. Figura 60 – Solda. 68 Figura 61 – Acabamento final, lixa para tirar riscos da lima e polimento em máquina politriz. 5.4. MODELO FINAL A seguir são apresentadas em sequência, imagens do referencial imagético, modelos finais, e por fim, simulações de uso dos produtos. 69 Figura 62 – Imagem referência do “Grupo Corpo” e imagens do brinco por Patrício Orozco. 70 Figura 63 – Imagem referência do “Grupo Corpo” e imagens da presilha para cabelo por Patrício Orozco. 71 Figura 64 – Imagem referência do “Grupo Corpo” e imagens do pingente por Patrício Orozco. 72 Figura 65 – Imagem referência do “Grupo Corpo” e imagens do pingente alfinete por Patrício Orozco. 73 Figura 66 – Imagem referência do “Grupo Corpo” e imagens do palito de cabelo por Patrício Orozco. 74 Figura 67 – Imagem referência do “Grupo Corpo” e imagens do brinco por Patrício Orozco. 75 Figura 68 – Imagem referência do “Grupo Corpo” e imagens do broche por Patrício Orozco. 76 CONSIDERAÇÕES A RESPEITO DO PRODUTO 5.5. A produção artesanal das joias foi fácil, porém trabalhosa por serem formas curvas que dificultam o recorte do modelo na chapa de prata. Por esse motivo, o acabamento ficou prejudicado, pois houve dificuldade de limar, lixar e polir as peças que possuem curvaturas próximas. Capítulo 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS No design de joias, a função estética simbólica do objeto é preponderante no suporte de requisitos de linguagem visual para a projetação e sensibilização do designer. Neste projeto procurou-se seguir a linguagem visual de traços orgânicos através de referenciais da dança contemporânea para a criação de uma coleção de joias. Durante a fase de pesquisas percebeu-se que a joalheria possui características simbólicas que dependem do contexto social e cultural em que são inseridas. Isso ficou claro no estudo da história da joalheria, no qual as mudanças sociais refletem na configuração das joias. Além disso, pode-se perceber as mudanças estéticas de cada época, principalmente com a joia dita genuída, utilizada pela coroa portuguesa carregada de gemas e representava a religião, em contra partida a joia contemporânea que presa pelo design e está sendo constantemente redesenhada. O domínio do estudo por meio de desenho e traços de composição de referenciais plásticos, como a dança, além de dados descritivos sócio-culturais são essenciais para o designer, pois permitem configurar um produto com valores formais e de alta identidade com o usuário. A geração de alternativas foi feita a partir de referencial fotográfico, levando em consideração o conceito movimento e a linguagem visual. Os primeiros desenhos gerados não condiziam com essa proposta, no decorrer do processo houve sensibilização do designer e após a análise das alternativas foram feitas outras até obter o resultado desejado. Assim, o processo de geração de alternativas foi sendo melhorado a medida que eram geradas. Podese perceber que esse procedimento segue etapas do processo criativo e ocorre um melhoramento a partir da sensibilização, assimilação e compreensão da proposta. 78 O conhecimento da técnica de produção de ourivesaria é importante para a projetação, pois permite ao designer uma visão do todo facilitando até mesmo o processo criativo que é onde serão geradas as formas das joias, paralelamente a escolha de materiais, especificações e ajustes decididos nessa fase para adaptar a técnica de produção. Portanto, o fato do designer ter desenvolvido o protótipo foi decisivo para atingir a forma e acabamento desejado antes de uma produção em série. A partir das pesquisas, projetação e materialização dos modelos, com a experiência de processos de produção em bancada, o resultado atingido revelou um produto iconograficamente conciso e marcante, executado de acordo com os desenhos propostos. Sendo assim, o resultado segue critérios estéticos que puderam ser expressos em um produto identificado com a dança contemporânea e a sua plástica. 79 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARTE EM NÚMEROS. Joias clássicas. Disponível em <http://artenumeros.blogspot.com/2008_11_01_archive.html>. Acesso em: 10 mai 2010. BAXTER, Mike. Projeto de produto: Guia prático para o design de novos produtos. São Paulo: Edgard Blücher, 2003. BERNARDO, Antônio. Galeria. Disponível em: <http://www.antoniobernardo.com.br/>. Acesso em: 20 maio 2010. BONFIM, Gustavo Amarante. Ideias e formas na história do design: uma investigação estética. João Pessoa: Editora Universitária, 1998. BRIKMAN, Lola. A linguagem do movimento corporal. São Paulo: Summus, 1989. CORBETTA, Glória. Joalheria de arte. Porto Alegre: AGE, 2007. DUARTE, Mariana. O que é dança contemporânea. Disponível em: <http://jpn.icicom.up.pt/2008/12/22/o_que_e_a_danca_contemporanea.html>. Acesso em: 12 maio 2010. FAHLBUSCH, Hannelore. 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