EDUCAÇÃO COOPERATIVA: a metodologia formativa dos catadores do grupo Reciclar é Viver Edson Alex da Silva Especialista em Processos Educacionais e Gestão de Pessoas – FAINTVISA [email protected] Jaqueline Barbosa da Silva Profª Drª em Educação/Núcleo de Formação Docente – CAA/UFPE [email protected] INTRODUÇÃO A transformação da realidade dos sujeitos em situação de desigualdade social: pobres, miseráveis, desempregados, crianças em situação de rua, dentre outros, tem despertado em vários setores da sociedade uma preocupação referente às alternativas de superação deste mal histórico, porém as iniciativas surgidas no âmbito social são tímidas em relação à extensão do problema. No Brasil se expande corriqueiramente o quantitativo de sujeitos que compõe o conjunto dos excluídos, aqueles e aquelas que de alguma forma são acometidos pelas desigualdades, representado pela diversidade étnica, religiosa, econômica, entre outras. Entre estes aspectos causadores, o mais latente é o gerado pelo processo econômico, de acúmulo de capital e concentração bens. A desigualdade social produzida pela prática econômica capitalista e privada, constitui uma grande roda-viva, um ciclo vicioso quase intransponível, mantido em prol do próprio sistema econômico que silencia as reações contrahegemônicas. No entanto, é notório que tanto a manutenção quanto a superação das desigualdades estão ligadas a posição que cada sujeito tem em relação a ela. O reconhecimento de sua existência e de sua ação maléfica fica evidenciada na forma de enfrentamento da vida que cada sujeito recria (REIS, 2005). O enfretamento sugerido pelas esferas do poder público tem como alicerce às políticas sociais (CAMARGO, 2004), focando a eliminação dos fenômenos gerados pelos desajustes do sistema econômico. E por entender que o problema central está ligado a economia, destina a maior parte dos recursos para ações de distribuição de capital, na tentativa de resolver problemas de mercado e de assistência às camadas desprestigiadas da sociedade. Por outro lado, mesmo com os recursos públicos minimizados destinados as camadas mais necessitadas da população, alargam-se os espaços representativos, sendo esses ocupados pelos sujeitos excluídos (RAICHELIS, 2000), constituindo um movimento de autonomia popular através de processos organizativos para superação dos fenômenos da desigualdade social. Na contraposição das propostas de enfrentamento das desigualdades sugeridas pelas políticas sociais de reparação econômica, algumas organizações do Movimento Social vêm constituindo empreendimentos de economia solidária, alternativa viável, porém permeada por ações que enfatizam relações de poder, de clientelismo, de dominação política e interesses individuais e coletivos (GONÇALVES, 2008). Assim, no cenário aparentemente desfavorável, existe o desejo de organização social voltado para propostas alternativas de inclusão, autogestão, cooperação, equidade e solidariedade, que desdobram em agendas comuns de trabalho, ações sociais articuladas, espaços populares de debates e deliberações políticas. As organizações sociais que estão neste movimento atuam de maneira incisiva nas desigualdades sociais. No processo organizativo desejado pelas organizações sociais que atuam com estes jeitos de enfretamento das desigualdades, tem a solidariedade e cooperação como base e as ações educativas enquanto ferramenta de transformação que revisita valores e princípios que oportunizam a dignidade da vida com a geração de trabalho e garantia de renda, desdobrando em autonomia e libertação dos sujeitos (BAIOTA, 2008; FRANTZ, 2001; BRANDÃO, 1985; DEMO, 2002; FREIRE, 2000). Partindo do pressuposto de que o cooperativismo, baseado no sentido de cooperação e solidariedade, pode desdobrar em metodologias de enfrentamento as desigualdades sociais, este artigo buscou, a partir de pesquisas bibliográficas e observações na prática educativa, de um grupo de catadores de resíduos sólidos no processo embrionário de formação cooperativa, compreender as contribuições metodológicas na formação dos sujeitos cooperados, bem como identificar a constituição das relações sociais no processo de formação do grupo cooperativo. Solidariedade e cooperação na formação do sujeito cooperado Há uma movimentação dos sujeitos e das organizações sociais em busca de viabilizar propostas de enfretamentos alternativos das desigualdades sociais, principalmente da pobreza. As iniciativas têm mostrado resultados significantes de autonomia e libertação, principalmente na perspectiva organizativa, de trabalho cooperativo e solidário. Uma das coisas mais significativas de que nos tornamos capazes mulheres e homens ao longo da história que, feita por nós a nós nos faz e refaz, é a possibilidade que temos de reinventar o mundo e não apenas de repetí-lo ou reproduzí-lo. (...) É exatamente porque somos condicionados e não determinados que somos seres da decisão e da ruptura. E a responsabilidade se tornou uma exigência fundamental da liberdade. Se fossemos determinados, não importa porquê, pela raça, pela cultura, pelo gênero, não tínhamos como falar em liberdade, decisão, ética, responsabilidade (FREIRE, 2000, p. 121). Ao propor à autonomia e a libertação, com a proposta cooperativista, a cooperação e a solidariedade precisam fazer parte da organização e se integrar às práticas de trabalho, econômicas, sociais e políticas. E pelo fato do cooperativismo ser fundamentado na geração de renda sugere-se, ainda, a postura da economia solidária popular, como alternativa a lógica econômica que causa as desigualdades sociais. A verdadeira experiência da economia solidária é a que rompe com a lógica do sistema capitalista. Que não só garanta a renda, mas que trabalhe a questão da cidadania, do protagonismo dos trabalhadores, tendo como base sólida, os princípios da igualdade e solidariedade (GONÇALVES, 2008, p. 134). Existe uma fragilidade no cooperativismo popular do ponto de vista mercadológico, da viabilidade econômica e da estabilidade organizativa. Os grupos populares partem do zero e na sua maioria dependem de ajudas financeiras e apoios técnicos governamentais para iniciar o processo. Esta relação de dependência quando não extinta no momento certo, gera mazelas clientelistas e de dominação política que atrofia a organização cooperativista. No entanto, o caminho da ajuda governamental é opcional, e mesmo sendo fácil, não é escolhido para todas as organizações cooperativistas que optam por outras abordagens quanto à gestão e geração de capital. Quando o entendimento de economia solidária nasce junto com a proposta cooperativista, algumas dificuldades podem ser superadas mais facilmente. A proposta cooperativista tem como base as relações de trabalho e econômica construídas de forma solidária entre os sujeitos que garantem seus enfrentamentos e, assim, se ampliam. O cooperativismo envolve um conjunto de princípios que parte das metodologias de cooperação e das propostas econômicas solidárias. O princípio da cooperação considera a relação entre os seres na natureza, integrando cada ser a um tecido dialético de preservação da espécie dentro de um macrossistema (DEMO, 2002). Ou seja, sua essência baseia-se no entendimento complexo e na teia de mutualidade harmônica da natureza, desconsiderando o sentido egoísta de dependência da atuação plena. Minha hipótese é que a cooperação animal nos mostra o que esperar quando a trama complexa das redes sociais humanas, bem como as leis e normas encontradas em todas as sociedades humanas, estão ausentes, e assim tais estudos agem como espécie de linha básica a partir da qual operar (DUGATKIN in DEMO, 2002, p. 91). As relações sociais de cooperação podem encarnar característica de interesses e vantagens próprias e, mesmo nas ações solidárias, estes aspectos podem ser identificados, desdobrando relações de poder entre quem ajuda e quem é ajudado, como afirma Demo (2002, p. 261) “[...] o efeito de poder se impõe desvirtuando a relação de maneira farsante, a gosto das artimanhas do poder, tendo por resultado principal evitar que o marginalizado se confronte”. Assim, a solidariedade é algo tão necessário quanto perigoso. No entanto, a cooperação e a solidariedade são necessárias para as organizações populares contemporâneas, como aponta Edgar Morin apud Baiota (2008, p. 22) “Cada vez mais, nossos espaços naturais e sociais de vida são interdependentes. A solidariedade e a cooperação se impõem mais como necessidades que como meras opções”. Já em relação à cooperação Frantz (2001, p. 242) afirma ser [...] um processo social, embasado em relações associativas, na interação humana, pela qual um grupo de pessoas busca encontrar respostas e soluções para seus problemas comuns, realizar objetivos comuns, busca produzir resultados, através de empreendimentos coletivos com interesses comuns. A organização baseada na cooperação demanda outros encaminhamentos para a convivência humana e aproveitamento das potencialidades dos sujeitos. A cooperação agiliza e fortalece as ações dos sujeitos envolvidos. Para se constituir uma organização social baseada na cooperação, Demo (2002) aponta quatro possíveis caminhos: O primeiro caminho como “tudo em família” no qual a cooperação segue tendências do parentesco. [...]. O segundo caminho indica que uma boa ação merece outra [...], olho por olho [...]. Entretanto, dois temas são importantes para a reciprocidade: primeiro, a cooperação e movida pela expectativa de interações futuras com um parceiro, [...] segundo, parcelando os benefícios pelo tempo, haveria razão para cooperação, à medida que isso induz as partes a cooperarem continuamente para obter valor pleno associado com a interação [...] O terceiro caminho põe a pergunta: que ganho com isso? Aponta para algo aparentemente contraditório: a cooperação egoísta. Coopera-se porque é necessário, inevitável [...]. O quarto caminho é rotulado “para o bem dos outros”. [...]. Mas há um lado sombrio: o viés da posição corporativa para dentro (p. 99). Estes caminhos carregam consigo certa complexidade quanto à ideia de solidariedade dentro do processo cooperativo, pois parecem ter a maioria das direções apontadas para o autointeresse, vontade em se ter vantagens para os mais próximos e para si. Essa ideia de cooperação e solidariedade parece ser paradoxal, quando se interroga: como o solidário pode dialogar com o autointeresse no processo cooperativo? No processo cooperativo o autointeresse não parece ser um entrave, pois nas situações de vulnerabilidade exposta aos sujeitos, o que se aspira primeiro é o desejo de autossatisfação, conquista de melhores condições para si. A vontade de conquistar algo que ajude melhorar a vida parece ser ação motivadora que une os sujeitos na proposta cooperativa. O que se pressupõe é que o autointeresse canaliza o estímulo para o trabalho cooperativo. A solidariedade quanto ação feita para o bem é a possibilidade de cuidar do outro e do mundo (BOFF, 1999). Ela costuma ser orientada para a ajuda dos mais necessitados e os mais sofridos, capaz de sobressair-se do autointeresse, fazendo pelo o outro além do que se espera, de maneira proativa e sem o desejo de retorno vantajoso. A solidariedade é a possibilidade de se cooperar para o bem de si e de todos, melhorando a vida de todos, junto com a própria vida. O sujeito solidário mostra a competência de pensar em si, no outro e no mundo. No entanto, a solidariedade carrega um grande número de subjetividades, exigindo o cuidado de não transformá-la em utopia, tornando-a um desejo não realizável, “que diz sobretudo o que as sociedades concretas não são, nem poderiam ser, porquanto utopia realizada deixa de ser” (DEMO, 2002, p. 144). A solidariedade tem que ser algo executável, com formas de ações simples. Para que não se tornem utopismo, como alerta Demo (2002), criado quando: a) sociedades que foram marcadas por guerras, colonialismos, censura, prepotência física e cultural, de repente tornam-se baluarte dos direitos humanos e da solidariedade [...]. b) experiências localizadas, feitas em circunstâncias muito especiais, são universalizadas como se a história inteira coubesse em modelo tão minúsculo, [...]. c) confundindo-se questões de principio com questões práticas, procura-se dobrar a história concreta ante pretensões éticas e religiosas, [...]. d) ao som do modismo que sempre surgem para divertir a academia, lançam-se perspectivas em si pertinentes, mas que perdem o sentido da ambivalência das histórias concretas, [...]. e) assumir que gente solidária é “povo eleito” (p. 149). É preciso considerar que ela não seja uma ação mantenedora das desigualdades, assistencialista das necessidades imediatas dos sujeitos, dando apenas o pão de cada dia, comprometendo diretamente a autonomia e a libertação da realidade estabelecida pelas desigualdades sociais. O sentido que mais se aproxima do que se quer com a solidariedade nasce do sentimento altruísta, de lutar pela melhoria da vida de todos, de ações cotidianas pelo bem do mundo e de todos os espaços de convívio. Viabilidades encontradas na organização cooperativa A aproximação dos catadores envolvidos no Grupo Reciclar é Viver na cidade de Gravatá – Pernambuco e da experiência no processo embrionário de formação de cooperativa deste grupo, a partir de visitas a famílias de catadores, de encontros de formação cidadã e do trabalho de coleta seletiva de resíduos sólidos, provocou inquietações e o desejo de investigar este grupo e a proposta de se organizarem em cooperativa. A pesquisa de caráter bibliográfico percorreu, metodologicamente, por investigações feitas a partir de teóricos que levantam discussões relativas à cooperação, solidariedade e educação cooperativa solidária. Em linhas gerais, a pesquisa bibliográfica é um apanhado sobre os principais trabalhos científicos já realizados sobre o tema escolhido e que são revestidos de importância por serem capazes de fornecer dados atuais e relevantes. Ela abrange: publicações avulsas, livros, jornais, revistas, vídeos, internet, etc. (BONI e QUARESMA, 2005, p. 71). O levantamento, estudo e análise bibliográfica tomou como referência a literatura da área através de artigos acadêmicos publicados em revistas eletrônicas criadas pelas universidades e jornal on-line. Os pressupostos referentes ao processo metodológico a partir da cooperação e a solidariedade foram confrontados na pesquisa, acarretando em apontamentos quanto a real necessidade de se levantar discussões sobre a organização em cooperativa. As ações formativas financiadas pela Prefeitura Municipal de Gravatá, através da Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural, são acompanhadas pela Diretoria de Meio Ambiente, que representa o governo municipal, desenvolvendo atividades que busca articular ações de sustentabilidade social e preservação do meio ambiente, com o objetivo de despertar, apoderar e formar lideranças comunitárias comprometidas com o desenvolvimento local, focando o cuidado com o meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida das famílias de catadores. Em 2007, com o afastamento da Organização Não governamental (ONG) Amigos do Meio Ambiente - AMA GRAVATÁ, que iniciou em 2005 o processo de organização do grupo dos catadores, entrou em cena a Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural através do financiamento de três ONGs: (1) Associação Luterana Pró-Desenvolvimento e Universalização dos Direitos Sociais – Pró-Ludus O Caminho, (2) Obra de Defesa a Infância Pobre – ODIP e (3) Casa da Mulher de Gravatá com apoio institucional e indicação de mobilizadores sociais, agentes que acompanham os catadores. Nesse grupo, 70 catadores foram tomados como sujeitos da pesquisa, representantes de três bairros da periferia de Gravatá: Maria Auxiliadora, Área Verde e Riacho do Mel. As iniciativas para a formação do grupo sugiram em 2005, através da elaboração do Projeto “Coleta de Resíduos Sólidos, Comércio e Reciclagem” – Projeto CRESCER, realizado pela AMA GRAVATÁ, que inicialmente cadastrava famílias catadoras de materiais recicláveis no município e promovia reuniões semanais para construção da proposta do referido Projeto. O aprofundamento bibliográfico realizado na fase inicial da pesquisa contribuiu para a entrada no campo, realizando entrevista e observação junto ao grupo de interesse, buscando levantar dados referentes à organização do grupo, as relações de poder, as questões de gênero, a capacidade de geração de renda, o nível de envolvimento dos catadores, nível de formação e conhecimento para a prática cooperativa, a capacidade produtiva dos catadores (coleta seletiva) e o envolvimento do poder local na proposta de constituição da cooperativa. O estudo aprofundado levanta discussões em torno da compreensão sobre a cooperação e a solidariedade, ligada ao fator da relação social que pode ter viés opressor ou de libertação do sujeito, dependendo de como se articula no contexto social. Nas observações de campo buscou-se “identificar e obter provas a respeito de objetivos sobre os quais os indivíduos não têm consciência, mas que orientam seu comportamento” (LAKATOS, 1996, p. 79), direta, nãoparticipativa e assistemática (BONI e QUARESMA, 2005) realizadas nas visitas e entrevistas feitas a catadores, nos encontros de formação, no acompanhamento ao trabalho de coleta seletiva e no dialogo com o poder público local. A pesquisa tem caráter descritivo, priorizando as concepções teóricas sobre a cooperação e solidariedade, bem como considerando as análises realizadas a partir das observações no grupo de catadores do Programa Reciclar é Viver e de entrevistas in locus. Utilizada quando o pesquisador deseja obter o maior número possível de informações sobre determinado tema, segundo a visão do entrevistado, e também para obter um maior detalhamento do assunto em questão. Ela é utilizada geralmente na descrição de casos individuais, na compreensão de especificidades culturais para determinados grupos e para comparabilidade de diversos casos (MINAYO, 2004 apud BONI e QUARESMA, 2005, p. 74). As observações e entrevistas da pesquisa foram realizadas em três encontros, um em cada comunidade e na visita a 20 famílias indicadas pelos mobilizadores sociais, agentes que acompanham as comunidades, um para cada, indicados pelas ONGs. A pesquisa identificou que o interesse dos sujeitos na formação da possível cooperativa está inicialmente ligado ao sentido do ganho imediato, ficando a proposta de ajuda mútua e solidariedade como sentidos secundários da motivação em participar do processo cooperativo. Os sujeitos passam a fazer parte do Grupo Reciclar é Viver com a pergunta: “o que ganho com isso?” (DEMO, 2002, p. 99). As grandes privações fazem que eles pensem, quase que inconscientes, em ter algum ganho antes de qualquer coisa. Assim, para estes sujeitos, a cooperativa é primeiramente a possibilidade de melhorar a própria vida. Já como participantes do Grupo Reciclar é Viver, com convivência nos encontros de formação e festividades, o compartilhamento das perspectivas com a cooperativa e as ações comunitárias de arborização, de mutirão de limpeza, de vacinação coletiva e de soluções habitacionais, os catadores passam a despertar para o sentido do “para o bem dos outros” (DEMO, 2002, p. 99). No entanto, no grupo o sentimento egoísta de vantagens individuais ainda é forte. A formação desenvolvida pelas organizações participantes no processo de formação do Grupo Reciclar é Viver traz ideias de políticas sociais, diferentes das políticas governamentais, ultrapassando fatores econômicos, considerado primordialmente pelo governo. Baseia-se fundamentalmente na solidariedade e a cooperação. O apoio destas organizações parceiras, em si já traz o sentido de ajuda mútua, do cuidado com o outro e cria uma rede de fortalecimento à proposta do cooperativismo para o enfretamento das desigualdades sociais pela futura cooperativa. A ideia de cooperativismo trazida para o grupo nasce dos princípios e valores de bem estar econômico e social compartilhado por todos. Baseia-se em valores de ajuda mútua, responsabilidade, democracia, igualdade, equidade e solidariedade. Assim, de acordo com 29º Congresso da Aliança Cooperativa Internacional (1988): 1. Valores de auto-ajuda, que compreende a criatividade, o dinamismo, a responsabilidade, a independência e o espírito do “faça você mesmo o que estiver ao seu alcance”. 2. Valores de ajuda mútua, como cooperação unidade, ação coletiva, solidariedade e paz. 3. Valores de interesse não-lucrativo, quais sejam da conservação de recursos, eliminação do lucro como força orientadora, responsabilidade social e não-exploração do trabalho alheio. 4. Valores democráticos, como os da igualdade, participação e equidade. 5. Valores do esforço voluntário, como os da fidelidade do poder criativo e do pluralismo. 6. Valores do universalismo que significam abertura e mente esclarecida, sensibilidade a uma visão de globalidade. 7. Valores educacionais que apreciam o desejo por mais conhecimento [...]. 8. Valores de determinação no esforço e na busca de benefícios para os membros (SCHNAIDER, 2005, p. 77). Quanto aos princípios têm-se, segundo o mesmo Congresso citado anteriormente: a) Adesão Livre: garante a liberdade das pessoas de serem cooperadas ou não, de entrarem e saírem da sociedade, independente da sua raça, credo, posição social e política [...]. b) Controle democrático pelos sócios: quem deve participar do controle e da gestão das cooperativas são seus próprios associados [...]. c) Participação Econômica dos Sócios: os sócios contribuem de forma equitativa e controlam democraticamente o capital [...]. d) Autonomia e Independência: a cooperativa deve ter sempre a sua autonomia preservada. Seu controle deve ser sempre exercido pelos seus cooperados [...]. e) Educação, Treinamento e Informação: todos os associados que fazem parte de uma cooperativa, diretores ou não, necessitam de educação e treinamento, a fim de contribuir para o desenvolvimento dela e para que possam realmente ser gestores, além de executores de tarefas [...]. f) Cooperação entre Cooperativas: as cooperativas devem formar estruturas entre si, sejam em nível local, estadual, nacional e mundial. Essa intercooperação deve ser realizada de forma a atender os objetivos comuns de seus associados e fortalecer o sistema como um todo. g) Preocupação com a Comunidade: o desenvolvimento das cooperativas deve ocorrer de forma a fomentar o desenvolvimento das comunidades onde estão inseridas. É o compromisso social, não apenas econômico (BAIOTA, 2008, p. 43). Sendo assim, o Cooperativismo é uma doutrina humanista, tendo o ser humano como principal fator de suas preocupações, considerando seus interesses e aspirações. Preza fundamentalmente pela liberdade, principalmente econômica, mas não se abstém da liberdade social e democrática. A construção semântica do termo “cooperativismo” se coloca diretamente relacionado ao sentido de cooperação e solidariedade; atuando em oposição ao sentido de competição, encontramos a relação do termo como uma conotação de ação em um sentido de movimento coletivo, sempre em oposição à perspectiva individual e individualista (BAIOTA, 2008, p. 33). A cooperação e a solidariedade devem ser princípios básicos do cooperativismo, além da igualdade que não permite a existência discriminação, quer seja de cor, credo, sexo, política, etc., da valorização do saber de cada sujeito como fator da formação coletiva, da dinâmica de correção e regulação das dificuldades com a participação de todos. Estes fatores favorecem a opção pela organização cooperativa. “O principal diferencial da proposta cooperativa reside no sentido de ser sua centralidade relacionada desde sua origem no trabalho, e não no capital, na posse dos meios de produção, na autogestão e nas relações democráticas dos cooperados” (BAIOTA, 2008, p. 36). A cooperativa se torna uma alternativa viável para a superação dos fenômenos da desigualdade social, por desenvolver atividades econômicas, o que pode gerar renda e acesso a bens de consumo e serviços privados, o que não é garantido pelos governos. De acordo com a declaração da Identidade Cooperativa, divulgada no Congresso da Aliança Cooperativa Internacional (1995) em Manchester – Reino Unido/Inglaterra: Cooperativa é uma associação autônoma de pessoas unidas voluntariamente, para atender suas necessidades e aspirações econômicas, sociais e culturais comuns, através de uma empresa coletiva e democraticamente controlada [...]. As cooperativas estão baseadas nos valores de auto-ajuda, responsabilidade própria, democracia, igualdade, equidade e solidariedade. Com base na tradição de seus fundadores, os membros da cooperativa acreditam nos valores éticos de honestidade, sinceridade, responsabilidade social e preocupação com os outros (BAIOTA 2008, p. 39). Assim, o que faz a cooperativa ser uma proposta viável para o enfrentamento das desigualdades sociais é sua opção pelo trabalho coletivo e pelo enfretamento centrado na atuação dos sujeitos. A libertação dos oprimidos deverá provir deles mesmos, na medida em que se conscientizam da injustiça de sua situação, se organizam entre si e começam com práticas que visam transformar estruturalmente as relações sociais iníquas (BOFF, 1999, p. 141). Nessa proposta a ação cooperativista considera os aspectos metodológicos da cooperação e enfatiza a solidariedade no processo educativo, podendo experimentar uma proposta formativa diferenciada das que corriqueiramente é utilizada na constituição dos grupos. Na proposta de formação dos sujeitos cooperados propõe-se aqui, considerar a compreensão das contribuições metodológicas desdobradas das ideias de cooperação entre os sujeitos. As metodologias que surgem neste processo apontam para o trabalho pedagógico de autonomia e libertação dos envolvidos. As concepções metodológicas de cooperação consideram: a livre iniciativa dos sujeitos no empreendimento de ações solidárias e cooperadas, formação permanente dos sujeitos dentro do contexto vivido, igualdade como base da valorização dos sujeitos envolvidos no processo cooperativo, a solidariedade como ação de fortalecimento e da significação da cooperação, democracia como princípio decisório e autonomia dos sujeitos na busca alternativas viáveis para o enfrentamento das dificuldades. Educação Cooperativa Solidária para a formação dos sujeitos A organização social, principalmente popular, tem demonstrado nas lutas de enfretamento das desigualdades sociais, que é possível uma nova interação entre os sujeitos e a realidade. Apesar da existência das forças opressoras, os sujeitos excluídos demonstram um mecanismo de resiliência histórica frente aos fenômenos de exclusão social e pobreza. Se fossemos determinados, não importa porquê, pela raça, pela cultura, pelo gênero, não tínhamos como falar em liberdade, decisão, ética, responsabilidade. Não seríamos educáveis, mas adestráveis. Somos ou nos tornamos educáveis porque, ao lado da constatação de experiências negadoras da liberdade, verificamos também possível à luta pela liberdade e pela autonomia contra a opressão e o arbítrio (FREIRE, 2000, p. 121). Uma ação educativa a partir de metodologias de cooperação e solidariedade pode ser uma possível alternativa de libertação e autonomia, transformando as ideias de superação das desigualdades sociais em mecanismos viáveis. Este entendimento materializou-se no processo organizativo dos catadores do Grupo Reciclar é Viver, que vislumbra nos encontros formativos discussões sobre cooperativismo, a possibilidade em melhorar de vida e enfrentar estigmas sociais. Os catadores podem ser definidos, entre outros aspectos, como uma categoria profissional que sofre o impacto da semântica negativa do lixo e que por isso seria alvo de estigmas. O estigma se deve à repugnância ao lixo, visto apenas pelas suas características negativas (CARMO, 2009, p. 598). As atividades desenvolvidas pelos catadores possibilitam geração de renda, mas não consegue suprir suas necessidades básicas. A coleta seletiva está atrelada fundamental a sobrevivência, sem considerar seu efeito ecológico, são elas: (1) debate dos problemas sociais, (2) propostas de superação dos problemas locais, (3) elaboração e participação de planos estratégicos de soluções ambientais sustentáveis, (4) envolvimento familiar e fortalecimento comunitário, (5) viabilização de propostas em coleta seletiva (residências, condomínios, casa comerciais, departamentos públicos, etc.), (6) mutirão de cidadania (limpeza e arborização) e (7) organização e geração de renda. Os catadores envolvidos na pesquisa, na sua maioria, falam sobre as contribuições ao meio ambiente, mas na prática isso é totalmente desconsiderado, o que justifica a pouca preocupação com o lixo gerado por eles, que não pode ser reciclado. O Grupo Reciclar é Viver tem como metas: conscientizar para o entendimento ecológico, potencializar as formas de geração de renda a partir da coleta seletiva de resíduos sólidos e buscar ferramentas que melhorem a cadeia produtiva. O processo que se verifica desde a coleta até a destinação final dos resíduos é bastante complexo e envolve diversos segmentos: catador (coleta e venda), cooperativa e/ou sucateiro (compra, triagem e acúmulo), atravessador (compra e acúmulo) e indústria (compra, processamento e retorno ao ciclo de produção). Esses segmentos variam muito em número e características, conforme o tipo de material e a região onde ocorre a coleta, a comercialização e a industrialização. Isso dificulta a descrição/delimitação dos segmentos da cadeia, pois a mercadoria pode passar por diversos desses segmentos (pequenos e médios), antes de chegar ao seu destino final (CARMO, 2009, p. 594). O Grupo Reciclar é Viver, composto de 70 catadores, sendo 80% destes participantes mulheres, consideradas chefes de família, quanto a manutenção financeira. No entanto, permanecem sendo as responsáveis diretas pelas atividades do lar, além de algumas sofrerem com a violência doméstica. Quanto aos homens, são machistas e com a ideia de senhor e dono do lar. Muitos deles são alcoólatras e violentos com seus filhos e mulheres. A maioria deles tem o desejo de melhores condições de vida para seus familiares. As famílias destes catadores são formadas em média por cinco membros, com pouca noção de planejamento familiar, de saúde preventiva e de direitos fundamentais básicos. Quanto à perspectiva educacional dos catadores, as observações apontaram para o índice 60% de analfabetismo, considerando todas as faixas etárias. E mesmo com a existência de uma sala de aula de educação de jovens e adultos destinada a eles, o quadro permaneceu estagnado. A sala foi oferecida pela Secretaria Municipal de Educação, com a indicação de um professor para desenvolver o trabalho de alfabetização nas três comunidades, mas apenas o grupo de uma comunidade aderiu inicialmente, e depois houve o esvaziamento total da sala. Os catadores conhecem a necessidade de ter uma formação também educativa, do ponto de vista de saber ler e escrever, questões essenciais para o desenvolvimento no grupo. Isso foi identificado quanto às observações apontadas para 100% dos sujeitos, considerando a educação de seus filhos como alternativa de melhores condições de vida. Porém as tentativas de se fazer um trabalho educativo com os próprios catadores não teve êxito. Existe uma problemática, ainda não analisada profundamente, nas tentativas de criar processos permanentes de alfabetização dos catadores. No entanto, as metodológicas de formação que consideram a realidade dos sujeitos e suas necessidades humanas são atraentes a eles. A proposta apresentada pelas organizações envolvidas com o Grupo Reciclar é Viver está voltada para a cooperação e solidariedade e ainda não atua pedagogicamente na escrita e leitura. As metodologias cooperativas com ênfase na solidariedade são feitas principalmente em espaços não escolares, considerando a proposta de fazê-la no dialogo com a realidade dos sujeitos, seja no espaço que for, entendo-se como [...] uma prática social (como a saúde pública, a comunicação, o serviço militar) cujo fim é o desenvolvimento do que na pessoa humana pode ser apreendido entre os tipos de saber existentes em uma cultura, para a formação de tipos de sujeitos, de acordo com as necessidades e exigências de sua sociedade, em um momento da história de seu próprio desenvolvimento (BRANDÃO, 2007, p. 74). Ou ainda, Ajuda a pensar tipos de homens, mais do que isso, ela ajuda a criá-la, através do pensar de uns para os outros o saber que os constitui e legitima. Mais ainda, a educação participa do processo de produção de crenças e idéias, de qualificações e especialistas que envolvem as trocas de símbolos, bens poderes que, em conjunto, constroem tipos de sociedades (Ibid, p. 11). Não se quer fazer educação simplesmente por querer fazer, pois se entende seu vínculo com os interesses e a realidade dos sujeitos e sua essência imutável de opção em favor ou contra algo ou alguém. Não se espera por uma reinvenção da educação, buscadas no interior de suas políticas educacionais. Pretende provocar a emersão das necessidades e interesses das camadas populares, propondo aprendizagens nos espaços de mobilização, reunião, organização, cooperação, associação comunitária e liderança popular. Entre os modos de fazer esta nova educação, considera aqui como possibilidade, às metodologias que surgem do processo cooperativo e solidário, firmando-os como proposta de formação educativa, voltadas ao enfrentamento das desigualdades sociais, suas estruturas opressoras de controle político, social e econômico. Ou seja, Educação Cooperativa Solidária como alternativa de formação educativa e organizativa de cooperativas populares. As contribuições metodológicas da educação solidária para formação dos sujeitos estão ligadas ao processo permanente de desenvolvimento integral e cooperativo dos sujeitos, ensejando a autocapacidade para a geração de conhecimento e de poder, viabilizando condições de progresso, formando um verdadeiro conjunto orgânico, onde as diferenças individuais são úteis para o desenvolvimento do próprio grupo (FRANTZ, 2001; SCHNEIDER, 2005). A proposta metodológica cooperativa tem princípios e valores do cooperativismo. Desdobra em um universo de ações para a formação do sujeito cooperado, que vai além dos conhecimentos gerais e das formas especificas das discussões do movimento cooperativo. A tarefa fundamental da educação cooperativa é difundir e colocar em prática os valores e os princípios cooperativos para que homens e mulheres, integrados, possam adaptar-se aos novos tempos e assumir objetivos futuros (BAIOTA, 2008). Assim a educação cooperativa solidária compõe-se dos sentidos da criatividade, do dinamismo, da independência, da ação coletiva, da solidariedade, da paz, da responsabilidade social e não exploração do trabalho alheio, da igualdade, da participação, da equidade, do esforço voluntário, da fidelidade, do pluralismo e da visão de globalidade (SCHNAIDER, 2005). Todos estes valores são imprescindíveis ao processo metodológico. Fundamenta-se na valorização da pessoa, considerando suas emoções, sentimentos, cultura, direitos e opções pessoais, visto que o ser humano é sujeito de subjetividade e de constantes transformações no fazer e refazer de sua existência. São propostas metodológicas de formação dos sujeitos que considera as relações de gênero, etnia, raça e nas relações sociais e de trabalho. Ela ser voltada para o trabalho formativo na cooperativa, tendo a liberdade, igualdade, a gestão democrática, a autonomia, o treinamento e informação, a intercooperação e a preocupação com a comunidade. (BAIOTA, 2008) como pontos a serem fortalecidos. A Educação Cooperativa Solidária, como foi dito anteriormente, pode ser uma alternativa de formação do sujeito cooperado. No entanto, sua principal função, como a de qualquer outra proposta de educação que opta pelos excluídos, é de afirmar as riquezas dos saberes dos sujeitos e fortalecer a luta pela liberdade e autonomia das minorias sociais. Breves considerações A Educação Cooperativa Solidária estimula a participação e a transformação social, com perspectiva de um projeto de sociedade diferente, a partir dos princípios de liberdade, autonomia, democracia e preocupação com a comunidade que faz parte das alternativas do novo projeto social. É uma proposta em construção, mas já aponta para uma significância dentro da formação de sujeitos cooperados, pois ao considerar aspectos como criatividade, dinamismo, ação coletiva, solidariedade, paz, responsabilidade social e não exploração do trabalho alheio, igualdade, participação, equidade, esforço voluntário, fidelidade, pluralismo e visão de globalidade, é capaz de apoiar a construção organizativa de uma modelo sustentável de empreendimento social. Necessita ainda de compreensão junto às classes populares oprimidas, quanto sua ação educativa, mobilizadora e organizativa, e sua potencialidade no processo emancipatório de libertação frente às estruturas opressoras, discriminatórias, excludentes. Os aspectos da cooperação e da solidariedade podem estabelecer um processo educativo de desenvolvimento integral do sujeito cooperado e da cooperativa onde ele está inserido. A cooperativa é o espaço propício para a formação de sujeitos autônomos e conscientes, capazes de promover a superação dos desafios e das distorções históricas, econômicas, sociais e políticas da realidade que vive. Referências BAIOTA, Carlos Daniel. Educação Cooperativa Solidária: perspectivas e limites. Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais, Dissertação (mestrado), São Leopoldo/RS, 2008. BOFF, Leonardo. Saber cuidar: ética do humano – compaixão pela terra, Petrópolis: Vozes, 1999. BONI Valdete; QUARESMA Sílvia Jurema. Aprendendo a entrevistar: como fazer entrevistas em Ciências Sociais. Santa Catarina: Revista Eletrônica dos Pós-Graduandos em Sociologia Política da UFSC, v. 2, n. 1 (3), janeirojulho/2005. p. 68-80. BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação. São Paulo: Brasiliense, 2007. CAMARGO, José Márcio. Política social no Brasil: prioridades erradas, incentivos perversos. 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