BIOLOGIA COMENTÁRIO DA PROVA DE BIOLOGIA Este ano a UFPR mostrou claramente uma preocupação em modernizar o estilo de prova na área de Biologia, adequando os conteúdos às tendências atuais. Destacamos, entretanto, a falta de abrangência da prova em relação aos conteúdos propostos no edital. Assim, as questões poderiam ser mais bem exploradas no sentido de avaliar com mais amplitude os diferentes assuntos trabalhados em Biologia. Um pequeno problema ocorreu na questão 28 de Botânica, com a afirmação de que cariopse é semente, quando na realidade se trata de um tipo de fruto seco e indeiscente. Além disso, essa questão fugiu ao princípio geral da prova de não valorizar a memorização excessiva de temas secundários da Biologia. Comentário: Questão tradicional de botânica básica, envolvendo produtos vegetais e suas respectivas classificações. O enfoque do tema se sustentou, simplesmente, na memorização de nomes, privilegiando um aspecto que as práticas atuais de ensino vêm procurando evitar. Observação: Devemos ressaltar, também, o equívoco conceitual presente no enunciado da questão: Cariopse é, na realidade, um tipo de fruto seco característico das gramíneas (família Poaceae) e não um tipo de semente. Tal fato pode ter causado certa estranheza e confundido o candidato mais atento e preparado. 1 BIOLOGIA BIOLOGIA Comentário: 1. Falsa. A polispermia não é responsável pela formação de gêmeos na espécie humana. 2. Falsa. O meio de cultura não induz à separação do blastocisto para a formação de gêmeos univitelínicos. 3. Verdadeira. Normalmente são implantados alguns embriões no útero materno para aumentar as chances de sucesso da fertilização “in vitro”. 4. Falsa. Um único zigoto implantado no útero origina apenas um único embrião. 2 BIOLOGIA BIOLOGIA Comentário: O mimetismo é uma adaptação biológica na qual um ser vivo se assemelha em aparência a outro ser vivo, levando alguma vantagem como, por exemplo, o inseto predador se confundir com a vegetação para não ser percebido pela presa. Observe as imagens a seguir que mostram dois casos de mimetismo. Bicho-folha bicho-pau a) Falsa – A lei do Uso e Desuso de Lamarck não apresenta uma base sólida para explicar fenômenos evolutivos, pois o uso contínuo de um órgão só pode alterar suas características externas (fenótipo) dentro de certos limites que são estabelecidos pelos genes (genótipo). Assim, a noção de que o uso e desuso de uma parte corpórea do inseto o tornará parecido com uma folha é totalmente sem sentido. b) Falsa – A deriva genética é um mecanismo que altera as características das espécies ao longo do tempo. É um processo aleatório que age nas populações, alterando a frequência de genes alelos e a predominância de certas características na população. Este tópico não apresenta relação direta com o enunciado do teste. c) Falsa – O isolamento geográfico explica o processo de formação de raças e não características particulares como a semelhança de animais e folhas nos casos de mimetismo. d) Verdadeira – A seleção natural é o processo evolutivo pelo qual organismos portadores das melhores características apresentam maiores chances de sobrevivência. Assim, aqueles insetos que acidentalmente apresentam semelhança corpórea com as folhas de vegetais tendem a serem menos percebidos pelas presas incapazes de distinção. Desta forma, este inseto predador consegue se alimentar melhor e produzir um maior número de descendentes portadores dos genes que determinam tal semelhança. Geração após geração, o processo de seleção natural vai aprimorando a semelhança até que se atinja os níveis verificados em certas espécies. e) Falsa – Uma única mutação não é capaz de alterar o número de genes necessários para que um inseto se assemelhe em aparência com uma folha ou um galho. 3 BIOLOGIA BIOLOGIA Comentário: Quando dois genes estiverem situados num mesmo cromossomo, deve-se empregar a Lei de Morgan. O cruzamento fica sendo: 4 BIOLOGIA BIOLOGIA Comentário: Os eritrócitos são glóbulos do sangue responsáveis pelo transporte de gases. Para realizar tal função, são ricos em hemoglobina que transporta a maior parte do oxigênio necessário ao metabolismo. A quantidade de eritrócitos apresenta uma relação inversamente proporcional a oferta de oxigênio pelo sistema respiratório. Menores quantidades de oxigênio presente no ar inalado estimulam aumento na produção de eritrócitos para o sangue a fim de transportar com maior eficiência este gás. A concentração de gás oxigênio do ar reduz significativamente na medida em que a altitude aumenta. Quanto mais alto se sobe, menos oxigênio conseguimos obter por inalação de nosso sistema respiratório. Assim, quanto maior a altitude de uma cidade (La Paz – Bolívia), menor será a oferta de oxigênio e maior será a quantidade de eritrócitos por volume de sangue. 5 BIOLOGIA BIOLOGIA Comentário: a) Falsa. A doença de Chagas não é prevenida pelo saneamento básico, nem a cisticercose é evitada acondicionando pneus usados. b) Falsa. Cólera não é prevenida com destinamento correto de pneus. c) Falsa. Malária não é prevenida pelo saneamento básico. d) Verdadeira. e) Falsa. Teníase e ascaridíase não são prevenidas pelo destinamento correto de pneus. 6 BIOLOGIA BIOLOGIA Comentário: Segundo a Teoria da Rainha Vermelha cada espécie deve reagir e interagir com todas as demais espécies que, de alguma forma, exerçam influência sobre ela. A não interação com outras espécies pode determinar a sua extinção ou outros desdobramentos que a Teoria da Rainha Vermelha não é capaz de dar conta. Assim, analisando as relações apresentadas, podemos afirmar: 1. Mutualismo – Relação na qual um ser vivo mantém estreita relação de interdependência com outro ser vivo, como é o exemplo das algas e fungos no caso dos liquens – A Teoria da Rainha Vermelha dá conta desta relação. 2. Parasitismo – Tanto o parasita quanto o hospedeiro são afetados mutuamente. Aumentando o número de pulgas ocorrerá uma redução do número de cachorros em função das doenças e prejuízos causados pelo parasita. Na medida em que reduz o número de cães hospedeiros, a população de parasitas tende a diminuir, o que, por sua vez, leva a um aumento na população de cães hospedeiros – A Teoria da Rainha Vermelha dá conta desta relação. 3. Comensalismo – A rêmora que segue o tubarão para se alimentar de seus restos alimentares tem que se virar nos trinta para ficar no rastro do tubarão e garantir seu lanche. Caso ela se perca ou não consiga acompanhá-lo já era sua fonte de alimentação – A Teoria da Rainha Vermelha dá conta desta relação. 4. Amensalismo – Relação interespecífica também conhecida como antibiose. Nesta relação um ser inibe o desenvolvimento de outro como é o caso, por exemplo, do pinheiro ao inibir a germinação de plantas de grande porte que podem vir a competir por luz e solo. Neste caso, percebe-se claramente a inter-relação entre as espécies envolvidas – A Teoria da Rainha Vermelha dá conta desta relação. 5. Neutralismo – As duas espécies são independentes; nenhuma delas tem influência sobre a outra e daí o nome neutralismo. Ora, se as espécies envolvidas apresentam uma neutralidade entre si, isto significa que uma não afeta a outra, e neste caso, a Teoria da Rainha Vermelha não dá conta desta relação. 7 BIOLOGIA BIOLOGIA Comentário: 1. Verdadeira. Um aumento na quantidade de nutrientes no minioceano significa um aumento nos níveis de sais minerais dissolvidos na água. Com mais sais minerais na água, a população de vegetais do fitoplâncton tende a aumentar. Em princípio, este aumento de população vegetal consumiria mais CO2 e provocaria um aumento ainda maior na concentração de oxigênio em função da fotossíntese. O item 5, no entanto, prevê uma redução na iluminação do ambiente. Ora, estas duas medidas, aumento na população vegetal e redução na iluminação, manterão as espécies vegetais aquáticas abaixo do ponto de compensação fótico, fazendo com que estas plantas consumam mais oxigênio e liberem mais gás carbônico em seu processo respiratório, ou seja, a respiração irá superar a fotossíntese. 2. Falsa. Um aumento de animais herbívoros terrestres não mudaria muita coisa, uma vez que os vegetais terrestres consomem, em média, quase todo o oxigênio que produzem (prod. líquida = prod. bruta – consumo tende a zero – clímax). 3. Falsa. Não faria diferença, uma vez que o rio artificial desemboca no minioceano, e o esgoto voltaria a seu lugar original de despejo. 4. Falsa. Não adiantaria, uma vez que um aumento na quantidade de decompositores demandaria um aumento na quantidade de organismos mortos para mantê-los. Não há nenhuma evidência no enunciado de que os seres estão morrendo por causa do desequilíbrio entre oxigênio e gás carbônico. 5. Verdadeira. Diminuir a quantidade de luz implica uma menor taxa de fotossíntese. Com menos fotossíntese haverá uma taxa menor de fotólise da água e consequente redução na liberação de oxigênio para a atmosfera do experimento. Além disto, conforme comentado no item 1, a redução da iluminação contribuiria para manter os vegetais abaixo do ponto de compensação fótico – liberando mais CO2 e consumindo mais oxigênio, via respiração celular e, ainda por cima, liberando menos oxigênio, via redução de fotólise da água. 8 BIOLOGIA BIOLOGIA Comentário: a) Falsa. b) Falsa. c) Falsa. d) Verdadeira. O tecido epitelial mostra, de maneira clara, ausência de vascularização e que depende da nutrição proveniente de tecidos subjacentes (no caso, o tecido conjuntivo). As células epiteliais superficiais, por estarem muito distantes do tecido conjuntivo frouxo, responsável pela nutrição, acabam não tendo uma nutrição adequada. e) Falsa. 9 BIOLOGIA