SOCIEDADE DE EDUCAÇÃO DO VALE DO IPOJUCA LTDA.
FACULDADE DO VALE DO IPOJUCA
COORDENAÇÃO DE NUTRIÇÃO
CURSO DE GRADUAÇÃO EM NUTRIÇÃO
ESTADO NUTRICIONAL E PERFIL LIPÍDICO DE PACIENTES COM
DIABETES MELLITUS
DANIELY ROMERA ALVES LIMA
CARUARU
2008
1
Prof. Vicente Jorge Espindola Rodrigues
Diretor Presidente da FAVIP
Profa. Ms.c. Mauricélia Bezerra Vidal
Diretora Executiva da FAVIP
Profa. Ms.c. Shirley Cristina de Lima e Silva
Coordenadora do Curso de Nutrição
2
DANIELY ROMERA ALVES LIMA
ESTADO NUTRICIONAL E PERFIL LIPÍDICO DE PACIENTES COM
DIABETES MELLITUS
Monografia apresentada ao Curso
de graduação em Nutrição da
Faculdade do Vale do Ipojuca,
como parte dos requisitos para
obtenção do grau de bacharel em
Nutrição.
ORIENTADORA: Profa. Adriana Monteiro Fernandes de Paula Lopes
CARUARU
2008
3
Lima, Daniely Romera Alves.
Estado nutricional e perfil lipídico de pacientes com
diabetes Mellitus / Daniely Romera Alves Lima. – Caruaru :
FAVIP, 2008.
34 f.
Orientador (a): Adriana Monteiro Fernandes de Paula
Lopes.
Trabalho de conclusão de curso (Nutrição) -- Faculdade
do Vale do Ipojuca.
1. Diabettes Mellitus. 2. IMC. 3. Alteração lipídica.
I. Título.
Elaborada pelo Bibliotecário: Jadinilson Afonso CRB-4/1367
4
DANIELY ROMERA ALVES LIMA
ESTADO NUTRICIONAL E PERFIL LIPÍDICO DE PACIENTES COM
DIABETES MELLITUS
Monografia apresentada ao Curso
de
Nutrição
da
FAVIP,
para
obtenção do grau de Bacharel em
Nutrição.
Aprovada em 10/12/2008
BANCA EXAMINADORA
______________________________________________________________________
Profa. Adriana Monteiro Fernandes de Paula Lopes (Orientadora)
______________________________________________________________________
Profa. Simone do Nascimento Fraga
______________________________________________________________________
Profa. Márcia Virgínia Bezerra Ribeiro
5
“Uma mudança de atitudes é a atitude mais correta
para se alcançar qualquer êxito nunca obtido antes,
mesmo porque se não a fizer, estará fadado à derrota
eminente.”
Ivan Teorilang
6
Este trabalho é dedicado à Deus e aos meus pais:
Moacir Valberto Alves Santos e Creuza Maria de Lima
Santos, que sempre confiaram em mim e nunca
pouparam esforços para apoiar minhas escolhas.
7
AGRADECIMENTOS
À Deus, que sempre esteve presente na minha vida, me abençoando, me guiando e me
dando motivação para realização deste trabalho;
Aos meus pais e avô: Moacir Valberto Alves Santos, Creuza Maria de Lima Santos
e José Ferreira de Lima, pelo incentivo, paciência e por sempre acreditarem em mim e
em meus sonhos, fazendo o impossível para que eles se tornassem realidade. Por toda
compreensão e apoio em todos os momentos de angustia e desespero, por sempre
estarem junto quando preciso, por me ajudarem a enfrentar os obstáculos e vibrar com
minhas vitórias como se fossem suas;
Às professoras, Adriana Lopes; Taciana Fernandes; Wanessa Albuquerque; Shirley
Silva e Larissa Viana, pelas orientações, dedicação, paciência e incentivo a mim
prestada;
Á todos os Professores, pela amizade, disponibilidade e esclarecimentos necessários no
decorrer da graduação;
Às amigas: Riselda Barbosa; Fernanda Rafaella; Jucivânia Valdenice; Juliana
Oliveira e Érika Silva, pelas orientações, incentivo, por sempre estarem presentes
quando necessitei e por tantos momentos bons vividos durante a graduação e tantos
sonhos compartilhados nesses quatros anos;
Aos amigos: Elyelson Santana; Estácio Luís; Josemar Silveira Rodrigues e Rui
Luiz, pelas orientações, incentivo e orações;
Por fim, agradeço a todos que direta ou indiretamente contribuíram para a elaboração
deste trabalho.
8
APRESENTAÇÃO
Trabalho apresentado sob a forma de um artigo de revisão, com o título “ESTADO
NUTRICIONAL E PERFIL LIPÍDICO DE PACIENTES COM DIABETES
MELLITUS” acerca de uma pesquisa de revisão bibliográfica, que objetivou descrever
o estado nutricional e o perfil lipídico de pacientes com diabetes mellitus tipos 1 e 2,
através da descrição da prevalência de obesidade e identificação das principais
alterações lipídicas nos pacientes com diabetes mellitus. Este artigo será submetido para
avaliação da Revista Discente de Ciência e Cultura Veredas da Faculdade do Vale do
Ipojuca.
9
LISTA DE ABREVIATURAS
CT: colesterol total
DM 1: diabetes mellitus tipo 1
DM 2: diabetes mellitus tipo 2
HDL: lipoproteína de densidade alta
IMC: Índice de Massa Corpórea
LDL: lipoproteína de densidade baixa
TG: triglicérides
VLDL: lipoproteínas de densidade muito baixa
10
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO...............................................................................................................12
METODOLOGIA............................................................................................................17
DESENVOLVIMENTO..................................................................................................18
PREVALÊNCIA DE OBESIDADE EM PACIENTES DIABÉTICOS.........................18
PRINCIPAIS ALTERAÇÕES LIPÍDICAS NOS PACIENTES DIABÉTICOS............23
CONCLUSÃO.................................................................................................................27
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................28
11
ESTADO NUTRICIONAL E PERFIL LIPÍDICO DE PACIENTES COM
DIABETES MELLITUS
Daniely Romera Alves Lima ¹
Adriana Monteiro Fernandes de Paula Lopes ²
FAVIP – Faculdade do Vale do Ipojuca – FAVIP, Av. Adjair Case, 800. Indianópolis.
Caruaru-PE. CEP: 55.6024-901
¹ Graduanda do curso de nutrição da Faculdade do Vale do Ipojuca – FAVIP, Avenida Estácio Coimbra,
nº 82, São Joaquim do Monte – PE. CEP: 55670-000. E-mail: [email protected]
2
Nutricionista pela UFPE; Especialista em Nutrição Clinica pelo HC/UFPE; Professora da FAVIP
RESUMO
O aumento da prevalência do diabetes está associado ao crescimento do número de
pessoas obesas e fisicamente inativas. O objetivo deste trabalho foi revisar a literatura
dos últimos dez anos com relação ao estado nutricional de pacientes com diabetes
mellitus, descrevendo a prevalência de obesidade e identificando as principais
alterações lipídicas ocorridas nos pacientes com diabetes mellitus tipo 1 e 2. Conclui-se
que pacientes com diabetes mellitus tipo 1 possuem índice de massa corpórea (IMC)
normal ou até abaixo da normalidade. Mas, o ganho excessivo de peso também pode ser
observado em portadores em tratamento intensivo com insulina. Já no tipo 2, a
prevalência de obesidade é elevada e mais comum. Também podem ser observados
níveis elevados de colesterol total (CT), Lipoproteína de Densidade Baixa (LDL) e
triglicérides (TG), além de valores abaixo da normalidade de Lipoproteína de Densidade
Alta (HDL), mesmo com o controle glicêmico adequado.
Palavras-chave: diabetes mellitus, IMC, alteração lipídica.
ABSTRACT
The increase in the prevalence of diabetes is associated with the growth in the number
of obese people and inactive physically. The purpose of this study was to review the
literature of the last ten years with respect to the nutritional status of patients with
diabetes mellitus, describing the mayor lipid changes that occurred in patients with
diabetes mellitus type 1 and 2. Concluded that patients with type 1 diabetes mellitus
have normal body mass index (BMI) or even below the normal. But the gain excessive
weight can also be observed in patients in intensive treatment with insulin. Already in
type 2, the prevalence of obesity is high and more common. They can also be found
elevaled levels of total cholesterol (TC), lipoproteins of densedade low (LDL) and
triglycerides (TG) in the normal of high density lipoprotein (HDL), even with adequate
glycemic control.
Keywords: diabetes mellitus, BMI, lipid change.
12
INTRODUÇÃO
O estado nutricional adequado é o reflexo do equilíbrio entre a ingestão balanceada de
alimentos e o consumo de energia necessário para manter as funções diárias do
organismo. Sempre que existir algum fator que interfira em qualquer uma das etapas
desse equilíbrio, há riscos de o indivíduo desenvolver desnutrição ou obesidade. A
desnutrição é um estado mórbido secundário a uma deficiência ou excesso, relativo ou
absoluto, de um ou mais nutrientes essenciais (CORREIA, 2002, p. 159). Já a obesidade
é definida como um acúmulo excessivo de tecido adiposo, que, na maioria das vezes,
coincide com um aumento do peso corporal (FÉLIX; SILVA, 2002, p. 189).
Segundo Kaufman & Francine (2008, p. 5), diabetes mellitus é uma desordem crônica
caracterizada pela hiperglicemia; associada com as anomalias principais no hidrato de
carbono, na gordura, e no metabolismo de proteína; e acompanhada de uma propensão
em desenvolver formas específicas de doenças renais, ocular, neurológicas, e
cardiovasculares. O diabetes abrange um espectro clínico largo. A maioria dos casos de
diabetes tem duas categorias etiopatogenéticas: diabetes tipo 1, que é uma deficiência
absoluta da secreção de insulina; diabetes tipo 2, causada pela combinação de
resistência à ação da insulina (redução da capacidade da insulina de estimular a
captação de glicose pelos músculos esqueléticos e de bloquear a síntese hepática de
glicose) e a uma resposta a secreção de insulina compensatória inadequada (secreção de
insulina inadequada relativamente aos níveis plasmáticos de glicose).
A insulina é o produto da secreção endócrina do pâncreas sintetizada pelas células beta
das ilhotas de Langerhans. É o principal hormônio anabolizante do organismo e atua a
13
nível hepático, muscular e adiposo. É responsável pela síntese e armazenamento
hepático de glicogênio, triglicérides e colesterol VLDL e pela inibição da glicogenólise,
gliconeogênese e cetogênese. A nível muscular, sintetiza e armazena proteínas e
glicogênio. No tecido adiposo, é responsável pelo estímulo à lipogênese e ativação do
sistema de transporte de glicose para dentro do músculo e células adiposas,
armazenamento de TG e inibição da lipólise dos TG sintetizados (FERREIRA, 2002, p.
408).
Os sintomas típicos conhecidos como tríade clássica do DM 1 são poliúria (urinar com
freqüência), polidpsia (sede aumentada com aumento da ingesta de líquidos), polifagia
(apetite aumentado), podendo ocorrer também perda de peso, decorrentes da
hiperglicemia (CALLIARI; KOCHI, 2004, p. 1060). Já o DM 2 se caracteriza pela
combinação de resistência à ação da insulina e à incapacidade da célula beta em manter
uma adequada secreção de insulina (GABBAY et al., 2003, p. 202).
Atualmente, o diabetes mellitus é um dos maiores e mais sérios problemas de saúde
pública em países desenvolvidos e em desenvolvimento devido à sua elevada
prevalência, morbidade e mortalidade. Estimativas recentes da Organização Mundial de
Saúde (OMS) calculam que em 2030 existirão, aproximadamente, 333 milhões de
pacientes diabéticos, sendo projetado para o nosso país um universo de 11 milhões de
indivíduos. No Brasil, na década de 80, a prevalência média de diabetes mellitus era de
7,6% na faixa etária de 30 a 70 anos, com cerca de 30 a 50% dos casos não
diagnosticados. Entretanto, dados recentes de Ribeirão Preto-SP, demonstram aumento
de aproximadamente 79% nesta prevalência (OLIVEIRA et al., 2007, p. 269).
14
Um estudo recente da Organização Mundial de Saúde revelou que, em 2000, o diabetes
causou 154.308 mortes e custou 6,7 bilhões de dólares em cuidados médicos e 37,7
bilhões em custos indiretos aos países da América do Sul, sendo para o Brasil da ordem
de 3,9 e 18,6 bilhões, respectivamente (VOLTARELLI, 2004).
O DM 1, responde por 10% a 20% dos casos de diabetes e ocorre mundialmente, com
uma incidência bastante variável. Mostra-se mais comum na Finlândia (30/100.000/ano)
e menos no Japão (30/100.000/ano). Nos Estados Unidos, a incidência anual é de
aproximadamente 15/100.000 crianças, com uma prevalência de 2-3/1.000. No nosso
meio, a incidência anual estimada é de 8,4/100.000 habitantes. A doença predomina em
crianças e adolescentes e cerca de 80% dos casos surgem antes dos 18 anos (FORTI et
al., 2006, p. 540).
A incidência da DM 1 varia muito entre os diversos países, sendo 60 vezes maior na
Finlândia com 42,9 por 100.000 nascimentos/ano em relação à China com 0,7 por
100.000 nascimentos/ano (1-3). No Brasil, estudo realizado em Londrina-PR sobre
diabetes mellitus do tipo 1, mostrou incidência de 12,7/100.000 (RODRIGUES, 2001,
p. 109).
A prevalência mundial de diabetes já tomou proporções epidêmicas no mundo em
desenvolvimento. O aumento da prevalência do diabetes está associado ao crescimento
do número de pessoas obesas e fisicamente inativas. O custo financeiro do diabetes é
enorme e está aumentando ao longo do tempo, sendo que aproximadamente 2/3 do
custo é devido às complicações micro e macrovasculares. Além disto, o impacto na
15
qualidade de vida dos indivíduos portadores de diabetes relacionados às complicações
crônicas e a redução da expectativa de vida causadas pela disfunção vascular
determinada pela hiperglicemia crônica, motivam a discussão da forma mais efetiva em
prevenir ou adiar o início do DM 2 (LEITE, 2008).
Tanto nos países desenvolvidos como em desenvolvimento, o DM 2 tem sido
considerado umas das grandes epidemias do século XXI e problema de saúde pública.
As crescentes incidência e prevalência são atribuídas ao envelhecimento populacional,
aos avanços terapêuticos no tratamento da doença, mas, especialmente, ao estilo de vida
atual, caracterizado por inatividade física e hábitos alimentares que predispõem ao
acúmulo de gordura corporal (FERREIRA, 2008).
Na infância e adolescência, a prevalência da obesidade está crescendo intensamente, e
tende a persistir na vida adulta. Cerca de 50% de crianças obesas aos seis meses de
idade e 80% das crianças obesas aos cinco anos de idade permanecerão obesas
(ABRANTES et al., 2002, p. 336).
O aumento da obesidade e conseqüentemente do diabetes mellitus atingem níveis
alarmantes. Na população geral a prevalência de diabetes mellitus tipo 2 é de 7-8% e em
pronto-socorro ocorre em torno de 30-40% dos pacientes. A principal causa de morte
em DM 2 é a doença arterial coronária. O infarto do miocárdio em DM 2 apresenta
mortalidade duas vezes superior à dos não diabéticos. A hiperglicemia na fase aguda do
infarto do miocárdio agrava o prognóstico, principalmente em pacientes não diabéticos
(NERY; OLIVEIRA, 2007).
16
Diante do exposto, faz-se necessário ampliar o conhecimento relativo às desordens
nutricionais que influenciam o metabolismo glicídico de pacientes com diabetes
mellitus tipo 1 e 2, sendo o estudo realizado através da revisão da literatura, visando
descrever o estado nutricional e o perfil lipídico dos pacientes diabéticos, a fim de
possibilitar, melhor entendimento, atendimento e acompanhamento pelos profissionais
da área da saúde a esses indivíduos que tem uma patologia tão comprometedora da
saúde e bem-estar.
O presente trabalho teve como objetivo descrever o perfil nutricional e lipídico de
pacientes com diabetes mellitus tipos 1 e 2. Através da descrição da prevalência de
obesidade em diabéticos tipo 1 e 2 e identificação das principais alterações lipídicas
nesta patologia.
17
METODOLOGIA
Este trabalho foi elaborado através da revisão de literatura, o qual se propõe a descrever
o estado nutricional e o perfil lipídico de pacientes com diabetes mellitus tipo 1 e 2. As
informações foram pesquisadas em livros, artigos e trabalhos apresentados em
congressos, referente às publicações dos últimos dez anos. Também foram incluídas,
pesquisas em sites científicos, tais como: www.bireme.br; www.diabetes.org.br,
utilizando como palavras-chaves: diabetes mellitus, IMC, alteração lipídica.
18
DESENVOLVIMENTO
Prevalência de obesidade em pacientes diabéticos.
A obesidade já é considerada uma epidemia mundial independente das condições
econômicas e sociais. No Brasil, as mudanças epidemiológicas, demográficas e
socioeconômicas ao longo do tempo permitiram que ocorresse a denominada transição
nos padrões nutricionais, com diminuição progressiva da desnutrição e aumento da
obesidade (GOVEIA; VIGGIANO, 2008).
As condições de vida que levam à obesidade nas sociedades desenvolvidas estão
atuando também nos países em desenvolvimento como o Brasil, aumentando sua
prevalência especialmente nas regiões mais ricas, como as regiões Sul e Sudeste
(OLIVEIRA et al., 2000). Dados de uma Pesquisa de Orçamento Familiar (POF),
realizada pelo IBGE em 2002/03, confirmaram essa tendência com a obesidade
acometendo 8,9% dos homens e 13,1% das mulheres (IBGE, 2004). Esse fato merece
destaque, já que o excesso de peso, localizado principalmente na região abdominal, está
diretamente associado às alterações no perfil lipídico, ao aumento da pressão arterial e à
hiperinsulinemia, fatores esses que aumentam o risco do DM 2 e das doenças
cardiovasculares (OLIVEIRA et al., 2004, p. 237).
A obesidade associa-se frequentemente a algumas condições patológicas tais como
dislipidemia, diabetes mellitus e hipertensão arterial, que favorecem a ocorrência de
eventos cardiovasculares. Souza et al. (2003, p. 672), em estudo de delineamento
19
transversal com 1039 adultos > 18 anos de Campos/RJ, registraram a prevalência de
excesso de peso ajustada pela idade em 50,6% dos indivíduos, sendo que destes, 32,8%
apresentaram sobrepeso e 17,8% eram obesos. Observaram também, que a prevalência
de obesidade aumentou com a idade, sendo cerca de duas vezes mais elevada a partir
dos 30 anos.
O DM 2 é uma condição clínica que se caracteriza por um estado de resistência à
insulina acompanhado por uma disfunção progressiva das células beta. Medidas como
mudanças no estilo de vida, redução de peso e exercícios contribuem para reduzir a
resistência insulínica, mas não impedem a perda progressiva da capacidade de secretar
insulina que estes pacientes apresentam com a evolução da doença (FRANCO, 2008). O
crescimento da prevalência do DM 2 está relacionado, principalmente ao aumento do
sobrepeso e da obesidade, associado às alterações no consumo alimentar e na
persistência de um estilo de vida sedentário (SARTORELII; FRANCO, 2003, p. 29).
A distribuição da gordura corporal parece exercer grande influência nas anormalidades
associadas à obesidade, e a resistência à insulina reflete um dos principais motivos para
ocorrência desta. A resistência à insulina significa uma diminuição na capacidade da
insulina em estimular a utilização de glicose, seja com deficiência no receptor de
insulina ou com defeito em algum mecanismo pós- receptor durante sua utilização. Uma
das explicações para o desenvolvimento da resistência periférica à ação da insulina nos
indivíduos obesos estaria relacionada à maior ingestão de lipídios, comum na dieta de
pessoas obesas, que não seria acompanhada por aumento imediato de sua oxidação, mas
20
o excesso de ácidos graxos livres seria estocado em diferentes tecidos, além das células
adiposas (PEREIRA et al., 2003, p. 115; 116).
A resistência à ação da insulina é uma anormalidade primária e precoce no curso da
doença, DM 2. A resistência à ação da insulina no fígado leva ao aumento da produção
hepática de glicose. Numa fase inicial, a elevação nos níveis de glicemia é compensada
pelo aumento da secreção de insulina, mas, à medida que o processo persiste por
períodos prolongados, associa-se um efeito glicotóxico. Entende-se como efeito
glicotóxico o aumento da resistência à ação da insulina e diminuição da função da célula
beta, devido à hiperglicemia crônica (GABBAY et al., 2003, p. 203).
Em estudo, Gomes et al. (2006, p. 139), realizaram avaliação do IMC em 2.254
pacientes ambulatoriais com DM 2 em diferentes regiões do Brasil. Entre estes, 28
(1,2%) tinham baixo peso, 537 (23,8%) eram eutróficos, 948 (42,1%) tinham sobrepeso
e 741 (32,9%) apresentavam obesidade. O estudo também permitiu uma avaliação em
nível regional, na qual não foram observadas diferença de baixo peso entre as diferentes
regiões do Brasil. Em contrapartida, a obesidade apresentou maior prevalência na região
Sudeste e Sul quando comparada à região Nordeste. A região Nordeste apresentou
maior freqüência de diabéticos com peso normal quando em comparação à região Sul e
Sudeste. Os pacientes da região Nordeste apresentavam menor IMC, quando em
comparação aos pacientes das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, respectivamente. Já
os da região Sul e Sudeste tinham um maior IMC que os da região Centro-Oeste. Os
resultados encontrados mostraram que os pacientes em tratamento com associação de
duas ou mais drogas orais e associação de insulina e droga oral apresentavam maior
21
IMC do que os pacientes em tratamento com dieta, hipoglicemiante oral e insulina. Os
pacientes em tratamento com insulina, apresentavam menor IMC do que os pacientes
em tratamento com droga oral e tendência em comparação aos pacientes em tratamento
apenas com dieta.
Vasques et al. (2007, p. 1520), avaliando 145 pacientes com DM 2, encontraram
maiores níveis glicêmicos e de triglicerídeos presentes nos pacientes com excesso de
peso e adiposidade central e menores níveis de HDL associados ao excesso de peso.
Conclui-se que há associação entre o inadequado perfil metabólico e excesso de peso
e/ou adiposidade central, evidenciando a necessidade de intervenção nutricional e
clínica em pacientes DM 2 de forma a reduzir o risco de complicações crônicas futuras.
Embora não seja o mais comum, a obesidade se faz presente em pacientes DM 1. O
estado nutricional de DM 1 é caracterizado pela eutrofia ou baixo peso, mas, a literatura
aborda o aumento de peso, principalmente naqueles pacientes em tratamento intensivo
com insulina (JUNIOR, 2008, p. 143). Em um estudo, Junior et al. (2008, p. 144), que
consistiu na avaliação da prevalência de sobrepeso e obesidade em pacientes com DM
1, observaram que a prevalência de sobrepeso e obesidade neste grupo foi de,
respectivamente, 8 e 8%, o que difere de estudos anteriores, como o de Moraes et al.
(2003, p. 679), em que o risco de sobrepeso e obesidade em crianças e adolescentes foi
de 13,8 e 3%, respectivamente. Os erros alimentares, também, estão associados à
obesidade em pacientes com DM 1, desta forma, a adoção de hábitos alimentares de
acordo com as recomendações nutricionais é essencial na melhoria do controle
glicêmico do diabético (PEREIRA, 2003, p. 120-121).
22
As flutuações de peso são bons preditores indiretos. As perdas de peso, agudas ou
crônicas, são indicadores de doses insuficientes de insulina e o ganho é reflexo de
insulinização excessiva. Castro et al. (2000, p. 508), confirmaram a extrema
importância do controle metabólico adequado nestes pacientes, diante do efeito
anabólico da insulina. Em seu estudo, observaram que cerca de metade das crianças e
adolescentes diabéticos estavam com controle metabólico adequado, o que deve ter
contribuído para que os índices antropométricos estivessem equivalentes em relação aos
do grupo de controle.
Andrade et al. (2004, p. 888), estudando a influência da gordura corporal em 64
pacientes adultos com DM 1, encontraram 14 (21,9%) pacientes acima do peso ideal.
Desta forma, concluíram que alguns destes apresentaram características da síndrome
metabólica, o que pode ser reflexo da prevalência da obesidade, o que torna a síndrome
e suas conseqüências, complicações desencadeantes raras na faixa etária de crianças e
adolescentes. O aumento desta prevalência reflete também no aumento da prevalência
de patologias que até então não eram comuns nessa faixa etária.
Moraes et al. (2003, p. 679-981), estudaram 170 pacientes com DM 1 para avaliar a
prevalência de sobrepeso e obesidade. No IMC dos adultos, 25 (23,9%) estavam
alterados, 22 (21%) com sobrepeso e 3 (2,9%) com obesidade. Já no grupo de crianças e
adolescentes, havia 11 (16,9%) pacientes com IMC alterado, sendo 9 (13,8%) com risco
de sobrepeso (3 crianças e 6 adolescentes) e 2 (3,0%) com sobrepeso (1 criança e 1
adolescente). A prevalência de sobrepeso e obesidade na população adulta foi de,
respectivamente, 21% e 2,9%, enquanto a de risco de sobrepeso e sobrepeso em
23
crianças e adolescentes foi de 13,8% e 3,0%. Sendo assim, concluíram que a
prevalência de sobrepeso e obesidade em DM 1 parece refletir a tendência mundial de
aumento de peso, o que reforça a necessidade de um melhor controle de peso destes
pacientes.
Junior et al. (2008, p. 144-145), em estudo com 77 portadores de DM 1, com idade
entre três e dezoito anos, observaram que 8% dos pacientes apresentavam obesidade e
8%, sobrepeso. Nesta casuística de pacientes diabéticos, a prevalência de sobrepeso e
obesidade não se mostra diferente da população não diabética do estudo, parecendo,
desta forma, refletir a tendência mundial de aumento de peso na população pediátrica
em geral. Diante das possíveis conseqüências a curto e longo prazo que o diabetes e a
obesidade podem trazer a esses pacientes, faz-se necessário um acompanhamento
também nutricional de pacientes com DM 1, por ser de fundamental importância o
controle de ganho de peso.
Arcanjo et al. (2005, p. 952), perceberam que a intensificação do tratamento insulínico
no DM 1 tem resultado na melhora do controle clínico e metabólico desses pacientes,
entretanto, com aumento da prevalência de sobrepeso e obesidade, o que contribuiria
para um maior risco cardiovascular.
Principais alterações lipídicas nos pacientes diabéticos.
A anomalia lipídica mais observada em diabéticos é a elevação do conteúdo dos TG
plasmáticos. É vista em aproximadamente 75% dos pacientes e, aparentemente, está
24
relacionada ao papel crítico da insulina tanto na produção quanto na remoção das VLDL
plasmáticas. As hiperlipidemias podem aparecer em crianças, embora muitas formas
genéticas só se expressem na vida adulta. Nestas crianças os níveis de CT e TG
plasmáticos podem estar elevados e as principais conseqüências são as doenças
cardiovasculares prematuras na vida adulta e episódios periódicos de pancreatite aguda
(CISTERNAS; MONTE, 1998, p. 276-278).
Moraes et al. (2003, p. 681), observaram que pacientes DM 1 que adquiriram excesso
de peso com tratamento intensivo com insulina, apresentavam também níveis mais
elevados de CT, TG, LDL e menores níveis de HDL, alterações estas que são similares
às encontradas na síndrome metabólica e podem implicar no risco para doenças
coronarianas. O aumento do risco é mais prevalente na mulher e em grupos mais jovens.
Além disso, pacientes com diabetes tem um risco de mortalidade hospitalar 50% maior
e um risco duas vezes maior de morte após um infarto agudo do miocárdio, em um
período de 2 anos (WAJCHENBERG et al., 2008).
Os dados de um outro estudo, Souza et al. (2003, p. 674), são, entretanto, semelhantes
ao descrito, apresentando a frequência de dislipidemia substancialmente superior nos
obesos (36,8%) do que nos não obesos (26,7%). A principal dislipidemia associada ao
sobrepeso e à obesidade é caracterizada por elevações leves a moderadas nos TG e
diminuição do HDL, caracterizando assim, as principais dislipidemias dos obesos em
hipertrigliceridemia e redução do HDL.
25
Dentre os fatores de risco desencadeantes das doenças cardiovasculares, a dislipidemia
se encontra em um patamar bem significativo. Estes quando desenvolvidos na infância
tendem a persistir na vida adulta. Segundo Seki et al. (2001, p. 250), em estudo
retrospectivo realizado em um laboratório privado de Londrina-PR, com 624 casos, de
ambos os sexos, com idades variando de 3 a 19 anos, através da realização de exames
do perfil lipídico, identificaram e distribuiu 183 casos conforme as situações das
dislipidemias. A classificação destes revelou predomínio de HDL diminuído, isolado ou
associado às elevações de LDL e/ou TG (49,7%). Associação esta que tende a ser mais
aterogênica e, ao lado do tabagismo, está relacionada com precoce estágio de
aterosclerose em jovens. Os níveis de TG mostraram resultados alterados com
predomínio do grupo < 10 anos (37,1%) e tendência de equilíbrio entre os sexos. Silva
et al. (2007, p. 100), mostraram em seu estudo que os níveis médios de CT, LDL e TG
de pacientes obesos apresentaram-se superiores aos dos pacientes sem doença de base,
além disso, foi observado que os níveis médios das frações lipídicas de pacientes
diabéticos apresentavam-se mais elevados do que os dos pacientes sem doença de base
também, e mais elevados do que os valores médios dos pacientes obesos.
Voscaboinik et al. (2005, p. S715), estudando o perfil lipídico de escolares, registraram
aumento de TG para faixa etária em 55,6% das crianças avaliadas. Há que se considerar,
que as taxas de TG elevadas são mais freqüentes nas crianças com sobrepeso, no
entanto, as magras não estão livres de sofrerem tais alterações. Com isso, seria
necessária uma certa periodicidade na análise do perfil lipídico destes escolares, uma
vez que a dislipidemia infantil constitui uma patologia silenciosa e, que muitas vezes
não é de diagnóstico nos consultórios pediátricos.
26
Arcanjo et al. (2005, p. 955-956), estudando 72 pacientes com DM 1, observaram que
na população adulta de pacientes com DM 1, além de apresentarem menor sobrepeso
em relação a população não diabética do estudo, nestes também não foi encontrada
diferença no perfil lipídico entre essas populações. Já as crianças e adolescentes
diabéticas, apresentavam maior prevalência de CT e LDL alterados em comparação as
não diabéticas.
Grillo & Gorini (2007, p. 51), evidenciaram em seu estudo que níveis elevados de
colesterol são um fator de risco muito forte, onde o aumento dos níveis de LDL e baixos
de HDL, aliados as altas taxas de concentração de TG, indicam maior associação com
doenças macrovasculares nos pacientes com DM 2.
27
CONCLUSÃO
O diabetes mellitus é uma doença em ascensão. Sua prevalência no mundo deve
continuar subindo, como tem acontecido nas últimas décadas, apesar de diversos
avanços obtidos. Como se trata de uma doença progressiva e potencialmente debilitante,
com suas diversas complicações circulatórias que atingem considerável parte da
população economicamente ativa, tornou-se uma preocupação socioeconômica, mesmo
para os países desenvolvidos. Fazer o diagnóstico precoce e trazer os níveis glicêmicos
para valores próximos aos de um paciente não diabético, nem sempre é fácil, mas, ainda
mais desafiador é manter estes níveis controlados com o passar do tempo.
O estado nutricional de pacientes diabéticos tem se mostrado de extrema relevância e
importância. Em geral, pacientes com DM 1 possuem IMC normal ou até abaixo da
normalidade. Já o ganho excessivo de peso também pode ser observado quando os
portadores fazem tratamento intensivo com insulina. No DM 2, a prevalência de
obesidade é bem caracterizada.
Também podem ser notados nestes pacientes níveis mais elevados de CT, LDL e TG,
além de valores abaixo da normalidade de HDL, mesmo com níveis de glicose normais.
Desta forma, faz-se necessário o bom controle do estado nutricional, uma vez que,
poderá contribuir para a diminuição da prevalência de obesidade e conseqüente controle
glicêmico e lipídico.
28
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