ATUALIZA CURSO VANESSA GOMES SOUZA NEFROPATIA DIABÉTICA – FATORES DE RISCO E SUA PREVENÇÃO PÓS GRADUAÇÃO EM NEFROLOGIA SALVADOR-BA 2010 NEFROPATIA DIABÉTICA – FATORES DE RISCO E SUA PREVENÇÃO Autor: Vanessa Gomes Souza Ana Marcia Chiaradia Mendes Castillo RESUMO A Nefropatia Diabética representa atualmente a principal determinante de Insuficiência Renal Terminal no mundo. Resultam de excreção de albumina pela urina e diminuição no ritmo de filtração glomerular. Apresenta-se em três fases evolutivos: nefropatia incipiente ou fase de microalbuminúria, nefropatia clínica ou fase de macroalbuminúria e insuficiência renal terminal. Trata-se de um estudo revisional onde descreveremos os fatores de riscos para a nefropatia diabética, a prevenção e a terapêutica da doença. A coleta de dados ocorreu utilizando-se, como objeto de estudo, livros e artigos tanto nacionais com internacionais. Observou-se que os fatores de riscos são fundamentais para o desenvolvimento da nefropatia diabética e a prevenção é essencial para a população de risco. Então apesar de todos os avanços na saúde em pesquisas o número de renais crônicos aumenta cada vez mais mostrando que o tratamento não é o principal foco para tentar diminuir o número de doentes e sim através da detecção precoce da nefropatia diabética, sendo possível atuar nos fatores de risco mudando o curso da doença. PALAVRAS – CHAVE: Nefrologia, nefropatia diabética e prevenção. Aluna do curso de especialização em Enfermagem em Nefrologia Atualiza Pós-graduação E-mail: [email protected] 1 INTRODUÇÃO Os rins são um par de estruturas de coloração castanho avermelhada , colocadas simetricamente nos lados da coluna vertebral, na região lombar e sua principal finalidade é atuar como um depurador ou filtro do resto dos produtos metabólicos e orgão alvo para a nefropatia diabética (SMELTZER,BARE,2006). A Nefropatia Diabética (ND) representa atualmente a principal determinante de Insuficiência Renal Terminal (IRT) nos Estados Unidos da América (EUA), e sua freqüência está em ascensão. Dados apontam que em 1985, pacientes com ND representavam 30% de todos aqueles admitidos para tratamento dialítico, dez anos mais tarde esse índice já abordava cerca de 43%.( GONÇALVES et al. , 2007). A nefropatia diabética (ND), tida como uma das principais complicações decorrentes do quadro de diabetes mellitus, surge com o tempo de evolução crônica da enfermidade e é caracterizada por alterações nos vasos dos rins, fazendo com que haja a perda de proteína pela urina (PERES et al. , 2007). É ainda caracterizada como uma situação em que os órgãos reduzem seu funcionamento lentamente, no entanto de forma progressiva, até sua paralisação total (PERES et al. , 2007). Valendo-se dessa premissa, a nefropatia diabética atinge o bom funcionamento dos rins, fazendo com que eles percam a capacidade de filtrar adequadamente elementos vitais (proteínas) e de eliminar componentes provenientes do metabolismo através da urina (PERES et al. , 2007, GONÇALVES et al. , 2007 e MURUSSI et al., 2003). A Nefropatia Diabética é conhecida pela excreção crescente de proteínas pela urina, elevação da pressão arterial e falência renal, sendo uma enfermidade que envolve, além dos pacientes, a família como um todo, representando uma das principais complicações relacionadas com a diabetes mellitus (DM) (GONÇALVES et al. , 2007 e MURUSSI et al., 2003). Em virtude do prognóstico desfavorável das fases avançadas da nefropatia diabética, o mais indicado é identificar o envolvimento renal de maneira precoce, evitando-se dessa maneira complicações decorrentes desta como as complicações cardiovasculares (responsável pela alta incidência das mortes) (MURUSSI et al.,2008). A diabetes mellitus (DM) é uma das principais manifestações das doenças renais terminais (DRT). Cerca de 20-30% dos pacientes com Diabetes Tipo 1 (DM1) e Tipo 2 (DM2) desenvolvem a nefropatia, com maior probabilidade de progressão a DM1(GUIMARÃES et al.,2007). A taxa de filtração glomerular (TFG) em jovens adultos é aproximadamente 125(+-20) ml/min/1,73m². No entanto, com o avançar da idade este índice cai cerca de 10ml/min/1,73m² por década (após os 40 anos) e este declínio é superior nos hipertensos, por isso um valor de 60-90ml/min/1,73m² pode ser normal num indivíduo idoso; sendo portanto valores inferiores a 60 ml/min/1,73m² sempre patológicos(GUIMARÃES et al.,2007). Somado a uma prevalência elevada, a ND apresenta uma mortalidade significativa. Uma vez instalada a insuficiência renal, o aumento da mortalidade dos pacientes com DM2 é dramático; tendo como tempo de sobrevida em 2 anos apenas 50% e a principal causa de morte é a doença cardiovascular(MORAES, COLICIGNO , SACCHETTI,2009 e GROSS et al.,2007) No que se diz respeito ao curso clínico, a ND apresenta-se em três estágios evolutivos: nefropatia incipiente (microalbuminúria), nefropatia clínica (macroalbuminúria) e insuficiência renal terminal (IRT) ( GONÇALVES et al. , 2007 , MURUSSI et al., 2003 e LEITÃO et al., 2006). Diante da pesquisa realizada, verificou-se a importância de identificar os fatores de risco relacionados à nefropatia diabética e à progressão da doença e de descrever estratégias de prevenção e os recursos terapêuticos que podem ser empregados para evitar a instalação ou postergar a progressão da nefropatia. 2 OBJETIVOS Identificar os fatores de risco relacionados à nefropatia diabética e à progressão da doença. Descrever estratégias de prevenção e os recursos terapêuticos que podem ser empregados para evitar a instalação ou postergar a progressão da nefropatia. 4 JUSTIFICATIVA A nefropatia diabética é definida pelo aumento da excreção urinária de albumina na ausência de outras doenças renais e tem sido classificada em estágios e é considerada a principal causa de insuficiência renal crônica naqueles pacientes que ingressam em programa de tratamento para a substituição renal ( ALMEIDAet al,2009). Durante o meu trabalho como enfermeira assistencial observei um relevante número de casos de pacientes renais crônicos que possuíam a diabetes e a hipertensão como doença de base assim constatei a importância de uma pesquisa que abordasse a principal motivo de insuficiência renal, sendo a nefropatia diabética atualmente a principal causa determinante desta doença. No Brasil foram detectados alguns artigos que abordem está temática da pesquisa, tornando-se relevante o seu desenvolvimento, podendo ser futuramente utilizada como embasamento teórico de futuros pesquisas a serem desenvolvidos na área da nefrologia, facilitando a compreensão das causas de uma doença em ascensão no mundo. 3 METODOLOGIA No estudo será feita uma revisão bibliográfica onde descreveremos os fatores de riscos para a nefropatia diabética, a prevenção e a terapêutica da doença. O período de publicação selecionado será de 2000 a 2010, para refletir as produções mais recentes sobre o tema. Para a coleta dos dados optou-se por acessar a Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) disponível em www.bireme.br na qual foram acessadas as bases de dados LILACS, Scielo, BDENF e ainda a busca em livros, na busca bibliográfica das palavras chaves: nefrologia, nefropatia diabética e prevenção. Foram utilizados 12 artigos e 2 livros nacionais e internacionais para discutir os fatores de risco, a prevenção e a terapêutica relacionada ao desenvolvimento e à progressão da nefropatia diabética, assim como as estratégias de prevenção e os recursos terapêuticos que podem ser empregados para evitar a instalação ou postergar a progressão da nefropatia. 5 RESULTADOS A nefropatia ou doença renal secundária são alterações microvasculares no rim sendo assim uma complicação comum da diabetes. Das pessoas com diabetes tipo1 e 2 cerca de 20 a 30% desenvolvem nefropatia este número é maior no tipo 1 (SMELTZER,BARE,2006). Os pacientes com diabetes tipo 1 demonstram sinais de lesão renal depois de 10 a 15 anos, já os pacientes com o tipo 2 desenvolvem doença renal em torno de dez anos.Na população brasileira a prevalência da diabetes tipo 2 era de 7,6% no início da década de 90, e estima-se que, no ano de 2025, ocorra um aumento de 178%, sendo a ND a complicação crônica microvascular freqüente no DM 2(MURRUSSI et al.,2003 e SMELTZER,BARE,2006). O quadro clínico da nefropatia diabética é baseado na excreção de albumina pela urina e no ritmo de filtração glomerular. A ND apresenta-se em três fases evolutivos: nefropatia incipiente ou fase de microalbuminúria, nefropatia clínica ou fase de macroalbuminúria e insuficiência renal terminal (GONÇALVES et al. , 2007 , MURUSSI et al., 2003 e LEITÃOet al., 2006). Na nefropatia incipiente, ou fase de microalbuminúria, ocorre um aumento da excreção urinária de albumina, na nefropatia clínica, também conhecida como fase de proteinúria, os pacientes apresentam EUA > 200 µg/min (macroalbuminúria) ou proteinúria > 500 mg/24h e nesta fase a ausência de intervenção específica, acontece uma perda progressiva da função renal e ocorre uma queda da filtração glomerular(LEITÃO et al., 2006). Categoria Urina de 24 horas Amostra de urina casual Normoalbuminúria <20µg/min <17mg/l Microalbuminúria 20 a 200µg/min 17 a 174mg/l Macroalbuminúria 200µg/min >174mg/l Fonte:*MURUSSI, 2003 Quadro 1: 1Classificação da albuminúria em indivíduos com diabetes melitos Fatores de risco A vários fatores de risco os genéticos e não-genéticos que têm sido implicados no desenvolvimento e progressão da ND (MURRUSSIet al.,2003). Predisposição herdada para ND é fortemente sugerida por estudos que demonstram que essa complicação do DM ocorre com mais freqüência em determinadas famílias. Seaquist e cols observaram existência de nefropatia em 83% dos irmãos diabéticos de indivíduos com ND, contra 17% dos irmãos daqueles livres da complicação renal(GONÇALVES et al. , 2007). A predisposição familiar à hipertensão arterial poderia aumentar o risco de lesão renal em pacientes com DM1.Verificaram que pais não-diabéticos de indivíduos com nefropatia tinham níveis mais elevados de pressão arterial, comparando-se com a pressão dos pais de diabéticos sem nefropatia ( GONÇALVES et al. , 2007 ). Estudos entre irmãos portadores de diabetes tipo 1confirmam o papel genético do desenvolvimento da ND ao aumento de quatro vezes a chance de ter a doença( GONÇALVES et al. , 2007 ). Dos fatores de risco não-genéticos relacionados ao desenvolvimento e à progressão da ND, destacam-se: hiperglicemia, hipertensão arterial sistêmica, hiperfiltração glomerular, fumo, dislipidemia, níveis de excreção urinária de albumina, ingestão protéica, presença de retinopatia diabética e presença de neuropatia autonômica. Sendo que os 7 primeiros seriam fatores de risco causais (ligados ao mecanismo da doença) e os dois últimos seriam não-causais (determinantes em comum) (MURRUSSIet al.,2003). A hipertensão arterial é um fator importante para o desenvolvimento da ND e promotor de progressão mais relevante apesar de ser uma variável de difícil controle os seus benefícios obtidos justifica os esforços empregados no seu controle (MURRUSSI et al.,2003 e GONÇALVES et al. , 2007 ). Nos estudos de intervenção têm confirmado os benefícios do tratamento da HAS na prevenção das complicações microvasculares e vem avaliando o controle rigoroso da pressão arterial em pacientes com DM2,ocorrendo uma diminuição do surgimento das complicações microvasculares(MURRUSSI et al.,2003 e GONÇALVES et al. , 2007 ). Os estudos recentes estabeleceram como objetivo do controle da pressão arterial, em pacientes com DM, níveis de pressão arterial inferiores a 130 x 80mmHg, porque esses níveis estão relacionados à redução de mortalidade . Já em pacientes com proteinúria acima de 1g, é preconizada a obtenção de níveis ainda mais baixos de pressão arterial como meta terapêutica, da ordem de 120 x 70mmHg (MURRUSSI et al.,2003 e GONÇALVES et al. , 2007 ). O não controle glicêmico é visto como fator de risco tanto para o desenvolvimento quanto para a progressão de complicações microvasculares, em ambas as manifestações da DM (DM1 e DM2), porque é importante ressaltar que o controle intensivo da glicemia é capaz de prevenir a instalação da ND, acarretando numa eficaz prevenção primária, tanto no DM1 quanto no DM2. (MURRUSSIet al.,2003). Em relação a dislipidemia o seu desenvolvimento na progressão da ND é de suma importância, embora aparentemente nocivo.Estudos sugerem a associação positiva dos lipídeos séricos com a ND descritas em relação aos valores de colesterol total, colesterol LDL, triglicerídeos, VLDL e apolipoproteína B, além de alterações no tamanho das partículas de LDL(ALMEIDA et al.,2009 e MURUSSI et al., 2003). É provável que as alterações lipídicas precedam o desenvolvimento da micro ou macroalbuminúria embora não esteja completamente esclarecido. Um dos prováveis mecanismos pelo qual a dislipidemia contribui para o desenvolvimento e progressão da ND pode estar relacionada ao efeito nefrotóxico dos lipídeos séricos através da mediação e da progressão de lesão glomerular inicial para glomeruloesclerose (ALMEIDA et al.,2009 e MURUSSIet al., 2003). Nas fases mais avançadas da doença os valores elevados de colesterol sérico parecem ser determinantes para a perda de função renal em pacientes com DM (ALMEIDA et al.,2009 e MURUSSI et al., 2003). Em fases mais avançadas ocorre o declínio da TFG sendo mais perceptível nos pacientes com níveis de colesterol mais elevados promovendo a intervenção através da redução de lipídeos desacelera a perda de função renal nestes pacientes (ALMEIDA et al., 2009 e MURUSSI et al., 2003). Estudos evidenciam, que o fumo é mais um fator de risco para a nefropatia diabética, assim os tabagistas têm um risco 2,8 vezes maior de apresentar albuminúria em relação a não- fumantes (GIANELLA, VIEIRA,2008 e MURUSSIet al., 2003). O fumo está associado na progressão mais rápida da doença renal em pacientes com nefropatia diabética e não-diabética e com maior risco de doença cardiovascular ( BASTOS et al.,2004). Observou-se em indivíduos sem DM ou HAS, foi recentemente evidenciado que o fumo está associado com dano renal, através da constatação de proteinúria e diminuição da TFG ( GIANNELLA, VIEIRA,2008 e MURUSSI et al., 2003). Os pacientes com diabetes tipo II apresentam o maior risco de ter microalbuminúria do que pacientes não-fumantes e ainda um mais rápida progressão da doença terminal se desenvolver duas vezes mais rápida. Com isso a recomendação de suspender o fumo é válida para evitar a progressão da ND, além de ser uma conduta indiscutível face ao risco de macroangiopatia no paciente com DM e nefropatia( GIANNELLA,VIEIRA, 2008 e MURUSSI et al., 2003). A retinopatia diabética (RD) seria um "marcador de risco" para ND e não um fator de risco para doença microvascular, sendo uma complicação ocular mais severa e está entre as principais causas de cegueira irreversível no Brasil e no mundo.Os sinais clínicos iniciais da sua presença incluem a presença de microaneurismas, pequenos exsudatos e hemorragias puntiformes intrarretinianas(SAMPAIO,ALMEIDA,DELFINO,2007 e MURUSSI et al.,2003). Estudo realizado por Sampaio e cols. houve associação entre a ocorrência de retinopatia diabética (RD) e ND (p< 0,01). Entre os portadores de retinopatia, 88,2% eram portadores de albuminúria, enquanto que, entre os portadores de nefropatia, 51,7% tinham comprometimento retiniano (SAMPAIO,ALMEIDA,DELFINO,2007 e MURUSSI et al.,2003). Pesquisas demonstram que retinopatia antecipa o acompanhamento do surgimento futuro da ND comprovando o inter-relacionamento e ao realizar-se o diagnóstico de lesão retiniana, há um risco maior para surgimento da ND, assim como também há um risco maior para RD em pacientes portadores de microalbuminúria (SAMPAIO,ALMEIDA,DELFINO,2007 e MURUSSI et al., 2003). Provavelmente os dois diagnósticos compartilhem os mesmos fatores de risco, principalmente a duração do DM, a hipertensão e o controle glicêmico onde já foram apontados em estudos prospectivos tanto para ND como para RD(SAMPAIO,ALMEIDA,DELFINO,2007 e MURUSSI et al.,2003). A diferença fundamental entre as duas complicações, que justificaria, inclusive, a maior prevalência de retinopatia em relação à ND, seria a presença de um determinante genético para a ND, limitando a sua ocorrência àqueles pacientes geneticamente suscetíveis, o que não ocorre na retinopatia diabética que, por sua vez, incide continuamente ao longo dos anos no diabetes ( SAMPAIO,ALMEIDA,DELFINO,2007 e MURUSSI et al.,2003). A neuropatia autonômica pode auxiliar no desenvolvimento da ND comprovado através de estudos, onde observam-se a disfunção autonômica em pacientes com DM1 representada por uma maior atividade simpática durante a noite, associada à elevação da EUA que está relacionada à homeostase pressórica anormal e pode representar alterações precoces em pacientes sob risco futuro de desenvolver ND, já em pacientes com DM2, a EUA está independentemente relacionada à neuropatia autonômica (MURUSSI et al.,2003). Os níveis de albuminúria mais elevados, ainda que dentro da faixa de normoalbuminúria, têm sido indicados como marcadores de risco para o desenvolvimento de ND. Estudos prospectivos de pacientes com diabetes mostram que mesmo níveis "normais altos" de EUA podem refletir o processo patológico que leva à ND(MURUSSI et al.,2003). Os pacientes com risco para progressão da ND poderiam ser identificados anteriormente antes de chegarem ao valor definido como microalbuminúria (20µg/min) e em pacientes com nefropatia clínica, níveis de proteinúria acima de 2g/24h estão relacionados a um maior risco de progressão para insuficiência renal terminal (MURUSSI et al.,2003). Esses dados sugerem que, seja na fase inicial do surgimento da ND, seja nas etapas mais avançadas, à medida que aumenta a EUA, aumenta o risco de progressão para estágios evolutivos subseqüentes de lesão renal e assim confirmando o papel direto da perda urinária de albumina no mecanismo de promoção de dano renal(MURUSSI et al.,2003). Estudos vêm demonstrando que dietas com restrição protéica apresentam efeito nefroprotetor e evidenciado a desaceleração do declínio da TFG em pacientes com DM1 macroalbuminúricos e a redução da EUA em pacientes com DM1 microalbuminúricos(MURUSSI et al,2003). O tipo e a quantidade da ingesta protéica na da dieta parecem interferir no surgimento e no curso da doença renal estabelecida, sendo recomendada a prescrição de dietas com 0,6 a 0,8g/kg de proteínas para pacientes com macroalbuminúria, reduzindo significativamente a velocidade de progressão da insuficiência renal em DM1(MURUSSI et al.,2003 e GONÇALVES et al. , 2007 ). Em pacientes com diabetes do tipo 2 não temos observado uma alteração em relação a dieta hipoprotéica, com isso tem sido empregado uma dieta sem restrição protéica, na qual a carne e o frango tem sido as únicas fontes de proteína , poderia ser benéfica para os DM2 e microalbuminúria( GONÇALVES et al. , 2007 e MURUSSI et al.,2003). Prevenção Na nefropatia diabética é essencial para a prevenção de toda a população de risco apresentando um elevado custo benefício principalmente para os cofres públicos devido ao custo do tratamento do diabetes aumentar em 65% na nefropatia incipiente, 195% na nefropatia clínica e 771% na insuficiência renal terminal, e o gasto com ND representa apenas 10% dos gastos a mais com DM( MURUSSI et al.,2008). A prevenção primária da nefropatia diabética inicia-se com a instalação da doença, a prevenção secundária é a passagem da fase de microalbuminúria para a fase de macroalbuminúria e, finalmente, a prevenção terciária estabelece medidas de intervenção que desaceleram o curso da ND, já na fase de macroalbuminúria observase uma fase de declínio acelerado da TFG e instalação de uremia(MURUSSI et al., 2008). A prevenção primária inicia com o controle da hiperglicemia e da hipertensão arterial diminuindo a incidência de ND, com o uso de agentes que bloqueiam o sistema renina angiotensina diminuem a EUA e a velocidade de queda da filtração glomerular nestes pacientes ( LEITÃOet al.,2006 e MURUSSI et al., 2008). A intervenção do controle glicêmico é capaz de prevenir a instalação da doença, promovendo a prevenção primária nos diabéticos de ambos os tipos. Em relação as fases de microalbuminúria e macroalbuminúria, o controle metabólico não parece ter um efeito protetor definido, embora em alguns estudos pareça haver desaceleração da perda de função renal em fases avançadas( LEITÃO et al.,2006). O controle dos níveis pressóricos através de anti-hipertensivo também é uma medida eficaz para retardar a evolução da doença, adiando a progressão de micro para macroalbuminúria e protelando o declínio da TFG nas fases avançadas da doença( MURUSSI et al.,2008). A suspensão do fumo é outra forma eficaz para evitar a progressão da ND, é uma medida indiscutível face ao risco de macroangiopatia no paciente com DM e nefropatia( MURUSSI et al.,2008). A prevenção secundária inicia-se com uma dieta hipoprotéica para os DM 1 onde têm sido observado o retardo da perda da taxa de filtração glomerular e redução da proteinúria em pacientes com ND.Em vários estudos compararam a restrição protéica com a evolução da função renal de pacientes com protéiuria e constataram uma diminuição da perda da TFG da ordem de 76 a 95% e também da proteinúria de cerca 35% (MELLO et al.,2005). Constataram os efeitos da restrição protéica sobre o rim não persistem após a suspensão da dieta hipoprotéica, ocorrendo rapidamente um aumento dos níveis de EUA e a TFG torna-se pior(MELLO et al.,2005). A dieta hipoprotéica a com o passar do tempo apresenta problemas de mal aderência e com possíveis efeitos prejudiciais sobre a nutrição protéica, em um estudo de dois anos com DM 1 a restrição protéica acabou retardando a TFG no primeiro ano da pesquisa( MELLO et al.,2005). No DM do tipo2 em um pequeno espaço de tempo a restrição protéica da dieta é capaz de reduzir a EUA tanto em pacientes com microalbuminúria como naqueles com proteinúria e nefropatia clínica e ainda não foi evidenciado o benefício o suficiente em longo prazo desta conduta dietoterápica (MELLO et al.,2005) A prevenção terciária são medidas que estabelecem a intervenção da ND desacelerando o curso da doença na fase de macroalbuminúria para a fase de declínio acelerado da TFG e instalação de uremia( LEITÃO et al.,2006 e MURUSSI et al., 2003). O diagnóstico precoce de microalbuminúria para valores mais baixos poderá identificar um maior número de indivíduos de risco que se beneficiariam do tratamento mais intensivo dos fatores de risco da ND e doença cardiovascular( MURUSSI et al.,2008). Tratamento O tratamento farmacológico tem como objetivo prevenir e retardar a progressão da nefropatia, reduzir o risco cardiovascular dos pacientes, o qual aumenta com a instalação e evolução da doença (GONÇALVES et al., 2007). Na fase normoalbuminúria o tratamento tem como objetivo a prevenção da doença renal secundária através do uso de anti hipertensivos, a intervenção no tabagismo , na dislipidemia e o controle glicêmicos(GONÇALVES et al., 2007). Na fase microalbuminúria o objetivo é normalizar a excreção urinária de albumina e reduzir o risco para doenças cardiovasculares através da utilização de anti hipertensivos e controle da glicemia(GONÇALVES et al., 2007). Na fase da macroalbuminúria utiliza anti hipertensivos com o intuito de reduzir a velocidade de decaimento do ritmo de filtração glomerular(GONÇALVES et al., 2007). A intervenção dietética em pacientes com diabetes do tipo um e nefropatia, o tratamento se inicia através da redução da ingestão de proteína, na diabetes do tipo dois não se tem observado benefício com a dieta hipoprotéica (GONÇALVES et al., 2007). O tratamento multifatorial inclui o controle rígido da pressão arterial, o uso de drogas que atuam no SRA, controle intensivo da glicemia, lipídeos, dieta hipotrotéica, hipossódica e com baixo quantidade de gordura, atividades físicas, ajuste de medicamentos à medida que a função renal se modifique, prevenção contra as substâncias nefrotóxicas, baixas doses de ácido acetilsalicílico e antioxidantes (GONÇALVES et al., 2007 e SMELTZER,BARE,2006). As metas da intervenção multifatorial é alcançar valores de pressão arterial abaixo de 130/80 mmHg, níveis de colesterol total sérico < 175 mg/dl, valores de triglicerídeos séricos < 150 mg/dl e valores de glico-hemoglobina < 6,5%( GROSS et al.,2007). O tratamento da insuficiência renal crônica ou em estágio terminal teremos disponível três tratamentos: a hemodiálise, a dialíse peritonial e o transplante renal (SMELTZER,BARE,2006). 6 CONCLUSÃO Na pesquisa identificou-se que a nefropatia diabética é a principal causa da morbidade e mortalidade em pacientes com Diabetes Mellitus e é considerada a principal doença renal terminal no mundo ocidental, devido a alta incidência de pacientes com essa patologia ( MORAES, COLICIGNO , SACCHETTI,2009). A ND apresenta-se em três fases evolutivas sendo na primeira fase a mais importante para o diagnostico precoce a fim de minimizar as lesões renais, como objetivo da manutenção da doença, e quando instalada a doença realizar o tratamento adequado, acompanhado de métodos que possam controlar a glicemia, a pressão arterial, controle na dieta alimentar e exercícios físicos, tendem a melhorar a qualidade de vida e retardar o aparecimento das complicações (MORAES, COLICIGNO , SACCHETTI,2009). Os estudos mostram a importância da identificação dos fatores de riscos porque são determinantes para o desenvolvimento da nefropatia diabética e permite a instituição de medidas específicas, no sentido de prevenir ou limitar a progressão da doença (GUIMARÃES et al.,2007). A existência de medidas terapêuticas eficazes, promotoras de prevenção primária, secundária e terciária da nefropatia diabética é altamente recomendada a adoção dessas estratégias para retardar a progressão da doença e aumentar a sobrevida dos pacientes, sendo necessário a implementação de políticas de saúde mais efetivas e abrangentes. Apesar de todos os avanços na saúde em pesquisas o número de renais crônicos aumenta cada vez mais mostrando que o tratamento não é o principal foco para tentar diminuir o número de doentes e sim através da detecção precoce da nefropatia diabética assim sendo possível atuar nos fatores de risco mudando o curso da doença. DIABETIC NEPHROPATHY – RISK FACTORS AND ITS PREVENTION Author: Vanessa Gomes Souza Ana Marcia Chiaradia Mendes Castillo ABSTRACT: The diabetic nephropathy is nowadays the main determinant cause of renal failure in the world. It's a result of the excretion of albumin by the urine and decreased of the glomerular filtration rate. It is presented in three phases: incipient nephropathy or microalbuminuria stage, clinical nephropathy or macroalbuminuria and stage of lethal renal failure. This is a revisional study where we describe the risk factors for diabetic nephropathy, prevention and treatment of this disease. The data were collected using, as an object of study, books and articles in both national international. It was noted that risk factors are fundamental to the development of diabetic nephropathy and prevention is essential for the population at risk. So despite all the advances in health research, the number of chronic renals patients increases more and more, showing that treatment is not the main focus to try to decrease the number of patients, but the early detection of diabetic nephropathy, so it´s possible to act on the risk factors, changing the course of the disease. PALAVRAS – CHAVE: Nephropathy , diabetic nephropathy and prevention. REFERÊNCIAS ALMEIDA, Jussara C.;MELLO, Vanessa D.;CANANI, Luis H.; GROSS, Jorge L.;AZEVEDO, Mirela J. Papel dos lipídeos da dieta na nefropatia diabética. Arq Bras Endocrinol Metab vol.53 no.5 São Paulo July 2009. 1 BARROS,Elvino;GONÇALVES, Luiz Felipe e cols. Nefrologia no consultório.Porto Alegre.Ed.Arttmed 2007. BASTOS,Marcus G.;CARMO,Wander Barros;ABRITA,Rodrigo Reis;ALMEIDA,Ellen Christine;MAFRA,Denise;COSTA,Darcília Maria N.;GONÇALVES,Jacqueline de A. ;OLIVEIRA,Lúcia Antônia;SANTOS,Fabiane Rossi ;PAULA,Rogério B. Doença Renal Crônica: Problemas e Soluções.J Bras Nefrol Volume XXVI - nº 4 - Dezembro de 2004. GIANELLA,Maria Lúcia Corrêa;VIEIRA, Suzana Maria. A predisposição genética para o desenvolvimento da microangiopatia no DM1. Arq Bras Endocrinol Pinho;CANANI,Luís Henrique; Metab vol.52 no.2 São Paulo Mar. 2008. GROSS,Jorge Luiz ;SILVEIRO,Sandra FRIEDMAN,Rogério ;LEITÃO,Cristiane Bauermann ;AZEVEDO,Mirela Jobim. Nefropatia diabética e doença cardíaca. Arq Bras Endocrinol Metab vol.51 no.2 São Paulo Mar. 2007 GUIMARÃES,Joana; BASTOS, Margarida;MELO,Miguel; CARVALHEIRO, Manuela. Nefropatia Diabética Taxa de Filtração Glomerular Calculada e Estimada. Acta Med Port 2007; 20: 145-150. LEITÃO,Cristiane B.;CANANI,Luís Henrique;BOLSON,Patrícia B.;MOLON, Marcel P. ;SILVEIRO, Sandra Pinho;GROSS, Jorge Luiz. Que valores devem ser adotados para o diagnóstico de microalbuminúria no diabete melito? Arq Bras Endocrinol Metab vol.50 no.2 São Paulo Apr. 2006. MELLO,Vanessa D.F.;AZEVEDO,Mirela J.;ZELMANOVITZ,Themis;GROSS, Jorge L. Papel da dieta como fator de risco e progressão da nefropatia diabética. Arq Bras Endocrinol Metab vol.49 no.4 São Paulo Aug. 2005.Moraes, Carlos Alberto de; MORAES, Carlos Alberto de; COLICIGNO ,Paulo Roberto C.; SACCHETTI, , Julio Cesar Lemes. Nefropatia diabética. Ensaios e Ciência, Vol. XIII, Núm. 1, 2009, pp. 133-143. MURUSSI,Marcia ;COESTER, Ariane; GROSS, Jorge Luiz;SILVEIRO,Sandra Pinho. Nefropatia diabética no diabete melito tipo 2: fatores de risco e prevenção. Arq Bras Endocrinol Metab v.47 n.3 São Paulo jun. 2003 MURUSSI,Marcia ;MURUSSI, Nádia ;CAMPAGNOLO, Nicole;SILVEIRO,Sandra Pinho. Detecção precoce da nefropatia diabética. Arq Bras Endocrinol Metab vol.52 no.3 São Paulo Apr. 2008 PERES,Luis A.B.;MATSUO, Tiemi ; DELFINO,Vinicius D.A. ;PERES, Celeide P.A. ;NETTO, José Henrique de Almeida ;ANN, Hi K.;CAMARGO, Maurício T.A. ;ROHDE, Noris R.S. ;USCOCOVICH, Vanessa F.M.. Aumento na prevalência de diabete melito como causa de insuficiência renal crônica dialítica - análise de 20 anos na região Oeste do Paraná. Arq Bras Endocrinol Metab vol.51 no.1 São Paulo Feb. 2007. SAMPAIO,Emerson; ALMEIDA,Henriqueta G.G.eida;DELFINO,Vinicius Daher Alvares. Nefropatia e retinopatia em diabéticos do tipo 1 de um programa de atendimento multiprofissional universitário. Arq Bras Endocrinol Metab vol.51 no.3 São Paulo Apr. 2007 SMELTZER,Suzanne C.; BARE,Brenda G., Tratado de enfermagem médicocirúrgico.Rio de Janeiro,Ed.Guanabara Koogan,2006. .