A Valor agregado aos produtos Associação Brasileira dos Produtores Orgânicos (ABPO) nasceu em 2002 por um grupo de criadores de gado com o objetivo de sistematizar suas produções para atingir os requisitos da Certificação de Carne Orgânica, a incorporação dos conceitos modernos de qualidade, a social e ecológica responsabilidade e o desenvolvimento sustentável. Hoje, adotando o mesmo modelo, a Associação passou a englobar, também, a produção de frutas orgânicas e estimulou a criação da Bio Frutas, uma indústria processadora de frutas que agrega valor à produção dos agricultores associados. Para sabermos um pouco mais sobre a ABPO, o seu presidente, Leonardo Leite de Barros, durante a BioFach 2012, a maior feira de produtos orgânicos do mundo, em Nuremberg, Alemanha, concedeu à Revista BRAZIL EXPORT (BE) a entrevista que se segue: BE – Na edição anterior da BioFach, a ABPO apresentou apenas carne bovina orgânica. Há alguma novidade na edição deste ano? Leonardo – Após estudos internos na ABPO, chegou-se à conclusão que a Associação deveria aumentar o seu mix de produtos orgânicos produzidos de acordo com o mesmo modelo adotado para a carne bovina. Um modelo de associativismo comercial forte trazendo valor agregado aos associados, que são produtores rurais. Nesse sentido a ABPO vai ao mercado para identificar quais os produtos demandados pelo mercado, identifica os produtos que os seus associados têm aptidão para produzir, procura entender as cadeias produtivas envolvidas e estuda formas de inserção dos produtos no mercado. Isso envolve alianças mercadológicas de longo prazo, contratos de fornecimento com preços estabelecidos, enfim, providências concretas de negócios. Segundo esse modelo, resolvemos trazer para a Associação 40 famílias de agricultores oriundos da agricultura familiar e assentados. Identificamos que a vocação desses agricultores é para a produção orgânica. Dentro dessa produção, concluímos que a fruticultura é um segmento muito propício, uma vez que 24 - BRAZIL EXPORT Leonardo Leite de Barros não necessita de grandes extensões de área e seu cultivo demanda experiência no trato da terra. A ABPO fornece a esses agricultores, além de recursos, toda a infraestrutura necessária à implantação da lavoura. BE – A produção de frutas ocupa as mesmas áreas destinadas à criação do gado bovino? Leonardo – Não. Aliás, apenas uma fazenda reúne a produção de frutas e carne orgânica. BE – Quais as frutas que estão sendo expostas na BioFach 2012? Leonardo – Resolvemos trazer para a BioFach 2012 apenas o maracujá, uma vez que já possuímos produção em escala dessa fruta para inserção no mercado externo. BE – A ABPO criou, então, uma nova ramificação comercial voltada para a produção de frutas? Leonardo – Exatamente. A ABPO criou um braço comercial e foi além. Ela estimulou a criação de uma empresa chamada Bio Frutas. Essa empresa é muito importante porque processa as frutas, vendendo sucos, polpas e concentrados, agregando valor aos produtos dos nossos agricultores associados. E é esse exatamente o objetivo precípuo da Associação. BE – Como é que cada produtor pode ter certeza de qual é a sua parte na produção da Bio Frutas? Leonardo – A ABPO exercerá uma fiscalização rigorosa dos negócios entre os seus associados e essa nova indústria. Estamos muito otimistas com o sucesso dessa fórmula. BE – Já é possível pensar em exportar frutas? Leonardo – Ainda não. Estamos trabalhando voltados para o mercado interno, mas pretendemos iniciar as nossas exportações por volta de outubro deste ano, quando iremos enviar nosso primeiro contêiner para a Europa (Alemanha). BE – Quais as frutas que os associados da ABPO produzem? Leonardo – Estamos nos dedicando basicamente ao maracujá. Iniciamos a nossa produção de abacaxi e temos uma produção de manga voltada para o mercado interno. BE – A ABPO tem algum projeto futuro? Leonardo – Em primeiro lugar, gostaria de destacar a importância dos nossos parceiros, pois graças a eles estamos nessa trajetória bem sucedida. A parceria com a JBS na produção de carne orgânica tem sido fundamental. Na área de produção de frutas contamos com a parceria do Sebrae/MS (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Mato Grosso do Sul). Em conjunto com o Sebrae/MS temos um projeto que irá triplicar a nossa área de plantio de frutas até 2013. BE – Qual a maior dificuldade para se obter uma produção orgânica? Leonardo – A maior dificuldade é mudar a mentalidade do produtor, que só ocorre, realmente, quando ele acredita no negócio. Isso porque a produção orgânica implica em muitos novos procedimentos, que vão desde a forma de plantio e cultivo, passando pela rastreabilidade e sustentabilidade, até as certificações. São as certificações que conferem aos produtos a condição de orgânicos. BE – Quais as principais características do consumidor de produtos orgânicos? Leonardo – O consumidor de produtos orgânicos se preocupa, em primeiro lugar, com a segurança alimentar dele e de sua família. Ele quer ter a garantia de estar consumindo um produto puro e sem agrotóxico. Ele é um indivíduo que se importa muito com a preservação do meio-ambiente, além de ter uma forte preocupação com a questão social. A certificação de que um produto é orgânico dá a esse consumidor a certeza de que suas exigências foram realmente cumpridas. EXPORT