Projeto Minas Raízes - Artesanato, Cultura e
Design: Capacitação de Artesãos em Nova Lima MG
Project Minas Raízes - Handcrafts, Culture e Design: Training of Craftsmen in
Nova Lima - MG
Rios, Igor G. T.; Mestrando; Universidade do Estado de Minas Gerais
[email protected]
Martins, Daniela M.; Pós- graduanda; Universidade do Estado de Minas Gerais
[email protected]
Freitas, Lucas G. de; Graduado; Universidade do Estado de Minas Gerais
[email protected]
Otoni, Luiza S.; Graduada; Universidade do Estado de Minas Gerais
[email protected]
Borges, Fernando H. M.; Graduando; Universidade do Estado de Minas Gerais
[email protected]
Souza, Vivian B.; Graduanda; Universidade do Estado de Minas Gerais
[email protected]
Resumo
O Projeto Minas Raízes foi desenvolvido por equipe multidisciplinar da Escola de
Design - ED/UEMG, a partir das características dos modos tradicionais de produção
artesanal, hábitos e costumes dos artesãos de Nova Lima - MG. Desenvolveu-se uma
metodologia que suprisse as carências e explorasse as potencialidades, sem
descaracterizar o artesanato local. As reflexões sobre a cultura e o uso sustentável de
matéria-prima proporcionaram o desenvolvimento de novos produtos e a diferenciação
do artesanato. O design social se configura assim agente de transformação para artesãos
e designers, contribuindo para a formação de cidadãos comprometidos com a ética e a
responsabilidade social.
Palavras Chave: artesanato; cultura; design social e extensão universitária.
Abstract
The project Minas Raízes was developed by a multidisciplinary team of Escola de
Design - ED/UEMG, from the characteristics of traditional crafts production modes,
habits and customs of Craftsmen of Nova Lima - MG. Developed a methodology that
provide the shortcomings and strengths without accommodate the local crafts.
Projeto Minas Raízes: Capacitação de Artesãos em Nova Lima - MG
Reflections on culture and the sustainable use of raw material provided new product
development and differentiation of crafts. Social design configures thus processing
agent for craftsmen and designers, contributing to the training of citizens committed to
ethics and social responsibility.
Keywords: handicrafts; culture; social design and university extension.
9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design
Projeto Minas Raízes: Capacitação de Artesãos em Nova Lima - MG
1. Introdução
O Projeto Minas Raízes – Artesanato, Cultura e Design desenvolvido no Núcleo
de Design e Responsabilidade Social do Centro de Extensão da Escola de
Design/UEMG teve início em 2008, a partir da percepção da grande demanda por
projetos sociais de inclusão produtiva que reconectem os valores culturais regionais à
produção artesanal, descaracterizada em função da homogeneização dos produtos e das
pressões de mercado.
O projeto foi aprovado no edital nº 01/2008 do Programa Institucional de Apoio
a Extensão da Universidade do Estado de Minas Gerais – PAEX/UEMG, e sua
continuidade foi garantida, em 2009, pela aprovação no edital nº 01/2008 do Programa
de Extensão Universitária do Ministério da Cultura do Governo Federal –
PROEXT/MINC. Nas duas edições contamos com a participação de vários alunos
voluntários e professores colaboradores, consolidando a vocação da Escola de
Design/UEMG para trabalhar junto a comunidades, desenvolvendo uma conscientização
do aspecto político da atuação do designer, menos como projetista, e cada vez mais
como articulador e gestor de processos socialmente sustentáveis.
Tendo como base a experiência das duas edições deste projeto foi possível
consolidar a implementação de um programa que concentra as ações da Escola de
Design/UEMG que abordam a relação entre design e artesanato.
Para o pleno desenvolvimento do projeto, diversas parcerias foram estabelecidas.
A Prefeitura Municipal de Nova Lima, através da Secretaria Munic ipal de Cultura; a
Associação dos Artesãos de Nova Lima - Artes da Terra; e o Centro da Imagem da
Escola de Design/UEMG; para citar alguns exemplos, foram atores imprescindíveis
para o sucesso dos trabalhos.
A partir da percepção das características do setor da produção artesanal de Nova
Lima, desenvolveu-se uma metodologia de trabalho específica, procurando suprir as
carências e explorar as potencialidades, sem descaracterizar o artesanato da região. As
reflexões sobre a cultura regional propostas pelo curso de capacitação proporcionaram
uma maior diferenciação aos produtos, visando à competitividade no segmento. Além
disso, foi possível verificar o crescimento da autonomia por parte dos artesãos. A
renúncia à cópia e à utilização de projetos prontos encontrados em revistas
especializadas demonstra a preocupação crescente em valorizar a cultura local,
despertada nos artesãos.
Esta capacitação se deu de forma integrada, envolvendo professores e alunos dos
cursos de Design de Produto e Design Gráfico, além de professores e profissionais de
diferentes áreas do conhecimento: História, Biologia, Arquitetura, Literatura, Turismo,
Meio Ambiente, Cultura Popular, Museografia, que ministraram palestras, guiaram as
visitas técnicas e avaliaram o desenvolvimento dos artesãos no decorrer do processo de
capacitação.
2. Contextualização
2.1. Artesanato
O artesanato está ligado à história do homem e a sua necessidade de produzir
utensílios e adornos de uso cotidiano. Entendido por uns como expressão artística e por
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outros como atividade produtiva, o certo é que as manifestações artesanais traduzem a
cultura e a capacidade criativa de uma comunidade.
O objeto artesanal é produzido à mão com ferramentas e equipamentos
rudimentares utilizando técnicas transmitidas através de gerações, e matérias primas
abundantes na região. Ele estabelece uma ligação com uma comunidade e seu lugar de
origem, e assim passa a contar uma história. Segundo o Termo de Referência SEBRAE
para o Artesanato (2004), o objeto artesanal se apropria de elementos que constituem a
cultura material e imaterial se valendo de cores e formas das paisagens locais, da fauna
e flora, do patrimônio histórico, da arquitetura típica, das lendas e festas populares, dos
tipos humanos.
No entendimento do escritor mexicano Octávio Paz (2006), o artesanato está no
centro de uma balança que pesa a beleza e a utilidade, a arte e a tecnologia. Assim
podemos entender que o artesanato além de ser uma atividade produtiva, é também um
meio de expressão cultural do homem comum.
2.2. Design Social
O design é muitas vezes percebido como atividade que contempla, com seus
esforços, apenas o desenho industrial, a comunicação, a publicidade e o marketing, no
contexto de um ambiente puramente comercial que visa estritamente a geração de
lucros. Porém, de forma contrária, esta profissão está fortemente relacionada ao
desenvolvimento da inovação e da comunicação. Ela é capaz de transformar
necessidades e desejos humanos em produtos e sistemas criativos e eficazes, adequados
não somente do ponto de vista econômico, mas também, social, cultural e ambiental.
O design social refere-se à prática do design voltada, principalmente, para a
responsabilidade frente aos imperativos sociais, nos quais se apóia a idéia da construção
e desenvolvimento da sociedade. Nele, não há o interesse em aguçar o consumo livre e
inconseqüente de produtos, idéias e serviços.
Direcionar o foco da prática do design no resgate e na valorização da cultura
brasileira, através do artesanato, é uma das possíveis maneiras de aplicação dos
princípios do design social. A produção artesanal é uma das áreas em que a metodologia
de design pode ser aplicada ao se identificar uma comunidade em que se percebe algum
potencial de mão de obra e de matéria prima para produção de artesanato.
Estratégias de fomento ao artesanato brasileiro, por meio da participação do
designer como tradutor e mediador entre o consumidor e o artesão, viabilizam uma
melhor inserção dos produtos artesanais em mercado altamente competitivo. Assim é
possível gerar a auto-suficiência das atividades artesanais do país, além de propiciar
melhoria da qualidade de vida do artesão através do incentivo de sua prosperidade
sócio-econômica.
2.3. Inserção do Design no Artesanato
A inserção de metodologias de design no segmento artesanal nem sempre é vista
com bons olhos. O designer deve fazer um trabalho de reconhecimento na comunidade,
entender suas tradições e seus costumes, do contrário esta aproximação não será
assimilada por parte dos artesãos.
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Para Adélia Borges (2003), a interferência do designer no artesanato quando
bem planejada, resulta em uma parceria muito produtiva. Com respeito e diálogo, o
designer consegue se aproximar sem interferir de maneira negativa. O argumento em
defesa da não inserção do design nestes pro cessos de criação e de produção artesanal
tem origem no temor da possibilidade de descaracterização dos produtos originais,
podendo provocar o desaparecimento de certas tipologias, padrões e outros elementos
de reconhecimento e identificação cultural de uma determinada região ou grupo social.
O designer não deve se questionar se deve ou não interferir no artesanato, mas
sim se preocupar em como intervir sem descaracterizar, valorizando e reforçando as
tradições regionais, a habilidade dos artesãos e as relações existentes nos grupos de
artesãos.
3. Justificativa
Grande parte da produção artesanal brasileira encontra-se desconectada dos
valores culturais regionais, descaracterizada em função da homogeneização dos
produtos e das pressões de mercado. Os artesãos que dependem desta atividade como
fonte ou complementação da renda familiar trabalham, normalmente, com pouca
margem de lucro, devido ao baixo valor agregado dos produtos. A falta de uma visão
holística do sistema produtivo do artesanato por parte do a rtesão gera dificuldades para
a inserção competitiva dos produtos no mercado.
O artesanato da região de Nova Lima especificamente carece de uma identidade
própria, que valorize os produtos a partir do diferencial cultural. Através de diagnóstico
realizado na região, identificou-se também a inconstância na qualidade do produto,
acabamento e matéria-prima; ausência de critérios na elaboração de custos; além de
falta de informações sobre as demandas do mercado.
Sob esse aspecto, a inserção do design na produção artesanal tem se mostrado
importante para fornecer subsídios para agregar valor ao produto, aumentando assim o
rendimento desses artesãos, melhorando a qualidade dos produtos e resgatando a autoestima destes cidadãos, muitas vezes marginalizados pela falta de acesso ao
conhecimento formal.
4. Objetivos
O objetivo do projeto foi capacitar a produção artesanal de comunidades
mineiras promovendo um desenvolvimento econômico sustentável através do resgate da
cultura local como ferramenta para agregar va lor ao produto artesanal. Além de restituir
a auto-estima da população envolvida, o projeto visou consolidar a autonomia no
planejamento e desenvolvimento de novos produtos, favorecendo a ampliação do valor
cultural, da diferenciação e da competitividade do artesanato local, e conseqüente
melhoria da qualidade de vida das comunidades.
O projeto visou também à articulação de parcerias buscando a ampliação da
participação do artesanato local, promovendo o fortalecimento do setor no mercado
nacional, além de promover o estudo de tecnologias, visando o aumento e a melhoria da
capacidade produtiva artesanal, otimizando custos da produção e do produto.
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5. Parcerias
Foi estabelecida parceria com a Prefeitura Municipal de Nova Lima, através da
Secretaria Municipal de Cultura, com o objetivo de viabilizar o transporte dos artesãos
para o curso de capacitação realizado na Escola de Design/UEMG e para as visitas
técnicas, além do lanche fornecido aos artesãos. A Secretaria de Cultura ainda apoiou
todas as ações realizadas no município, tais como divulgação das ações no jornal e no
site da Prefeitura, além disponibilização de espaço na Escola Casa Aristides Atelier de
Artes e Ofícios para realização de encontros, reuniões e exposição de lançamento dos
novos produtos.
A Associação dos Artesãos de Nova Lima – Artes da Terra também contribuiu
para a divulgação do processo seletivo do curso de capacitação entre seus associados,
além de disponibilizar espaço nas suas dependências para a realização de uma das
etapas das entrevistas com os artesãos.
Para viabilizar a realização do documentário e do registro fotográfico foi
necessário firmar parceria com o Cento da Imagem da Escola de Design/UEMG, que
cedeu equipamentos necessários para captação das imagens em movimento, além de
disponibilizar o estúdio fotográfico para realização do material fotográfico para o
catálogo. A edição e editoração do DVD foram realizadas conjuntamente com a equipe
do Centro da Imagem e a equipe de trabalho do projeto.
6. Metodologia
A metodologia utilizada pelo projeto foi a da pesquisa-ação que parte de análises
sobre o contexto da realidade das comunidades envolvidas, consideradas ricas em
expressões culturais, porém com perdas importantes ao longo do tempo por múltiplos
fatores sócio-econômicos que impedem a revalidação dos elementos culturais regionais
e que favorecem os fatores universais ou globalizantes, a saber: novas necessidades de
consumo e produção.
Figura1- Alunos realizando pesquisa em campo
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Inicialmente foi feito um levantamento das características dos produtos criados
pelos artesãos da região de Nova Lima, através de questionários contendo informações
sobre tipologia, função, material utilizado, fornecedores, equipamentos e ferramentas
utilizadas, tempo gasto na produção, embalagem, posicionamento de mercado, média de
vendas e preços, incluindo levantamento fotográfico. A partir da análise deste
levantamento foi possível realizar a seleção dos artesãos participantes do processo de
capacitação e identificar as necessidades mais latentes do grupo, além de identificar
participantes com potencial multiplicador.
Figura 2 - Artesãos selecionados para capacitação
O processo de capacitação contemplou oficinas de Conceituação e de Produção
de Texto, além de palestras temáticas sobre: Metodologia do Design; Design e
Artesanato; Processos Criativos; História da Arte Moderna e História da Arte
Contemporânea e Patrimônio Natural Regional. Foram realizadas visitas aos ateliês,
oficinas e locais de trabalho dos artesãos para conhecer os métodos de produção e
processos criativos; além de visitas técnicas ao Centro de Artesanato Mineiro; Museu de
Artes e Ofícios; Roteiro Turístico Histórico e Cultural de Nova Lima; Centro de
Educação Ambiental AngloGold; Centro de Arte Contemporânea Inhotim; Centro das
Tradições do Rosário e UNILAR - Feira de Móveis, Decoração e Utilidades para o Lar para ampliação de repertório e referências. Simultaneamente os artesãos desenvolveram
novos produtos através de orientações projetuais em grupo e individuais, aplicando
metodologias tradicionalmente utilizadas no ensino de design.
Figura 3 - Exposição de lançamento dos novos produtos na Casa Aristides em Nova Lima
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Ao término do processo de capacitação a equipe de trabalho desenvolveu um
livro e um documentário em DVD contendo todas as etapas do desenvolvimento do
projeto, além do registro fotográfico dos novos produtos, com lançamento durante a
inauguração da exposição dos novos produtos na Escola Casa Aristides Atelier de Artes
e Ofícios em Nova Lima.
7. Sistema de Avaliação
O progresso econômico da comunidade envolvida na ação extensionista pode ser
verificado através da análise da evolução do preço médio dos produtos, volume de
vendas, margem de lucro média e quantidade de canais de distribuição dos produtos
artesanais, realizada por meio de questionários aplicados no início e no final da ação.
Além disso, foi feita a análise da evolução da qualidade técnica e estética dos
produtos e os aspectos culturais inerentes a eles, realizada em uma ficha de avaliação
por uma banca composta por professores e profissionais convidados.
Figura 4 - Artesã apresentando novos produtos para banca de avaliação
Estes convidados, com experiência acadêmica, prática projetual e conhecimento
de mercado, consumo e tendências, avaliaram os produtos desenvolvidos durante a
capacitação.
8. Resultados
O projeto disponibilizou 30 vagas para os artesãos de Nova Lima. Tendo em
vista que 87% dos artesãos concluíram o curso de capacitação, este percentual se mostra
favorável se comparado com a edição anterior do projeto, quando o índice de
desistência foi de 27% e aponta que o curso de capacitação vem suprindo a maioria das
necessidades apontadas no início do processo, visto que os artesãos se sentiram
interessados e estimulados a cumprirem a carga horária (70 horas/aula) proposta pelo
projeto até o final.
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Foi verificado através de pesquisas realizadas pela equipe de trabalho que houve
a adesão de 30% de artesãos do projeto junto à Associação dos Artesãos de Nova Lima,
passando de 40% para 70% de membros associados. Observando que a associação tem
os objetivos de representar os associados juridicamente, além de promover, divulgar e
apoiar a comercialização dos produtos, ampliando a participação do artesanato local,
percebe-se que a capacitação contribuiu para o aumento da confiança na atividade,
passando o artesão a encarar o artesanato como atividade produtiva e não mais um
passatempo. O fortalecimento do setor artesanal começa a ser notado não só pelos
artesãos, mas também pelas instituições municipais que demonstram maior apoio ao
setor.
Figura 5 - Fonte de referência e inspiração dos produtos antes da capacitação
Os artesãos apresentaram os novos produtos para uma banca avaliadora
constituída por professores e profissionais convidados, que puderam conhecer a
produção anterior e avaliar individualmente a evolução dos artesãos. Os novos produtos
utilizaram como referência a cultura material e imaterial da região de Nova Lima, sendo
os temas dos produtos distribuídos em: 29% sobre a fauna e flora, 27% sobre a
arquitetura e patrimônio histórico, 24% sobre a religiosidade, 14% sobre os recursos
naturais da região, 4% sobre manifestações culturais populares e 2% sobre resgate de
técnicas e tradições.
Figura 6 - Fonte de referência e inspiração dos novos produtos após a capacitação
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9. Conclusão
Através do processo de capacitação, os artesãos receberam suporte para
aperfeiçoar a produção e os produtos, ampliando seu referencial estético, artístico e
cultural, melhorando a qualidade técnica e desenvolvendo novas linhas de produtos
orientados ao mercado e que valorizam a cultura local.
Ao considerarmos as aproximações entre design, artesanato e cultura em todo o
processo de desenvolvimento da capacitação da produção artesanal, podemos acreditar
que é possível tornar um produto competitivo não apenas pelos seus atributos estéticos e
funcionais, mas também pelo seu valor cultural, social e econômico. Valorizando o
cidadão e seu território, o design pode contribuir de forma significativa para a
transformação pessoal e profissional dessas pessoas, além de fortalecer o setor
econômico do artesanato.
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