www.brasileconomico.com.br
mobile.brasileconomico.com.br
SEGUNDA-FEIRA, 2 DE MAIO, 2011 | ANO 3 | Nº 421 | DIRETOR RICARDO GALUPPO | DIRETOR ADJUNTO COSTÁBILE NICOLETTA
Aggreko, comandada por Ruppert
Soames, mira na Copa 2014 e nas
obras do PAC para aumentar seu
negócio de energia no país ➥ P26
Bloomberg
São Caetano (SP) municipaliza
escolas estaduais e oferece aulas
de inglês e informática a todos
os alunos do ensino público ➥ P18
R$ 2,00
Portos saturados podem anular
benefícios da Norte-Sul e BR-163
Itaqui (MA) e Santarém (PA) não têm atualmente capacidade para escoar a produção de grãos do Centro-Oeste
Os projetos da ferrovia e da rodovia, que
começam a se concretizar, permitirão
que a produção de Mato Grosso, Goiás,
Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia tenha
acesso aos portos de Santarém (PA), e
Itaqui (MA), na tentativa de evitar Santos
(SP) e Paranaguá (PR). Mas os dois portos
precisam ter sua capacidade ampliada.
Em Itaqui, foi aprovada a licitação para a
concessão do terminal de grãos, enquanto empresas exportadoras programam investimentos na região de Santarém. ➥ P4
Produtores do Nordeste e do
Centro-Oeste pedem parcerias
público-privadas para rodovias.
Antonio Milena
Pequenas
auditorias
disputam
médias
empresas
➥ P32
“África do Sul
não combina
com Bric”
José Maurício
D’Isep, da Vicunha:
estratégia é ter
base de produção
distribuídas
nas Américas
Argentina e Colômbia são a rota
para a Vicunha chegar aos EUA
Fabricante brasileira de fios têxteis e tecidos negocia duas fábricas no parceiro de Mercosul e se prepara para
entrar no mercado colombiano, em uma estratégia que tem como objetivo chegar aos Estados Unidos. ➥ P22
Envelhecimento Inflação vai
alerta para fim do limitar alta dos
bônus demográfico salários em 2011
Censo de 2010 comprova alta no número O aumento nos índices de preços deve
de idosos, queda na natalidade e aumenta reduzir o percentual de reajuste real nas
preocupação sobre futuro do país. ➥ P10
negociações trabalhistas neste ano. ➥ P14
Para economista criador da sigla,
país africano não tem tamanho
para integrar grupo. ➥ P38
INDICADORES
TAXAS DE CÂMBIO
▼ Dólar Ptax (R$/US$)
▼ Dólar comercial (R$/US$)
▼ Euro (R$/€)
▲ Euro (US$/€)
▼ Peso argentino (R$/$)
JUROS
■ Selic (a.a.)
BOLSAS
▲ Bovespa - São Paulo
▲ Dow Jones - Nova York
▲ Nasdaq - Nova York
▲ S&P 500 - Nova York
FTSE 100 - Londres
▼ Hang Seng - Hong Kong
29.4.2011
COMPRA
1,5725
1,5710
2,3312
1,4825
0,3853
META
12,00%
VAR. %
0,70
0,48
0,06
0,23
VENDA
1,5733
1,5730
2,3326
1,4826
0,3860
EFETIVA
11,92%
ÍNDICES
66.132,86
12.824,50
2.874,12
1.363,57
feriado
-0,36 23.720,81
2 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011
OPINIÃO
Sérgio Vale
Marcelo Mariaca
João Geraldo Ferreira
Economista-chefe da MB Associados
Presidente do Conselho de sócios
da Mariaca e professor da Brazilian
Business School
Presidente da General Eletric Brasil
Relembrando Simonsen
Prevenir o assédio moral
Em busca da inovação
Como dizia Keynes, somos escravos de algum economista morto, como se sempre voltássemos a velhas ideias recauchutadas. Mas no caso de Mário
Henrique Simonsen, trata-se de uma escravidão
com lições para toda a vida de um economista.
Atualmente, mais ainda, com a discussão sobre os
rumos da inflação no país.
Lembrei-me de Simonsen ao ver o governo alinhado numa bancada em Brasília, a postos para
uma guerra anunciada contra a inflação. Alguns
esforços têm sido feitos na área fiscal pelos dados
que foram divulgados em março, mas o governo
continua errando a estratégia de longo prazo.
Ao optar por uma política fiscal de ajuste durante este ano, mas com clara opção de volta a crescimento acima do PIB a partir do ano que vem (basta
lembrar do aumento nominal de 14% do salário
mínimo em 2012), e também optar por uma política
monetária gradualista, o governo negligencia mais
uma vez a demanda. E é aqui que entra Simonsen.
Em seu estudo clássico, “Gradualismo versus
tratamento de choque”, preparado na década de
70, Simonsen tratou a inflação brasileira (e, na verdade, as inflações em geral), por três componentes:
um autônomo, dado por choques de oferta, a realimentação (inércia) e a demanda. Para ele, a causa
maior da inflação é o último componente. Ele é que
permite que a inflação se propague em cima de um
nível existente de indexação, sendo que os choques
de oferta, por serem temporários, não deveriam
receber tanta atenção.
Os planos heterodoxos de combate à inflação
tentavam conter a indexação, mas se esqueciam da
demanda e logo ela voltava a ser propagadora de
aumentos de preços. O Plano Real permitiu um
choque eficiente na indexação, mas seguido de um
controle estrito de demanda. Inércia e demanda
andam de mãos dadas e são os dois elementos que
têm que ser combatidos.
O abuso moral é uma questão que recebe, cada vez
mais, a atenção das organizações. A maior conscientização das pessoas e a pressão da sociedade
organizada exigem das empresas políticas e práticas que coíbam a exposição de trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e
no exercício de suas funções.
O principal fator que torna o abuso moral mais
indefectível é a forma como é manipulado. Antigamente, era possível culpar as reações de fúria de
um chefe, mas, hoje, são usadas formas mais sutis.
Isolar um funcionário, deixá-lo sem nada para fazer ou sobrecarregá-lo com tarefas inúteis são atitudes que arruínam a saúde mental de qualquer
profissional, ao mesmo tempo em que minam seu
futuro dentro da empresa.
No ano passado, o Brasil investiu US$ 18 bilhões em
inovação. A previsão é de que este investimento chegue a US$ 19,4 bilhões em 2011. Embora este dado represente um avanço, países como os Estados Unidos
chegam a aplicar um montante 20 vezes maior na
criação de soluções inovadoras.
Segundo dados do Ministério da Ciência e Tecnologia, em 2009, o Brasil investiu 1,19% do PIB em
pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias.
Nos Estados Unidos e no Japão esse percentual está
entre 2,5% a 3%, anualmente. Não por acaso, a liderança no ranking de registros de patentes pertence a
esses países. Mais de 246 mil nos Estados Unidos e 86
mil no Japão só em 2009. O Brasil, na outra ponta,
registrou apenas 497 patentes no mesmo período.
Acabamos de lançar a edição 2011 do Barômetro
de Inovação da GE, pesquisa independente realizada
pela StrategyOne, em doze países, com 1.000 executivos em cargos de decisão de grandes empresas.
Esse estudo global, que incluiu o Brasil pela primeira vez, busca entender, numa perspectiva multicultural, a percepção dos executivos sobre a inovação
em seus países.
Para o capítulo brasileiro da pesquisa, entrevistamos 100 líderes das maiores empresas do país. Na
opinião desses executivos, o Brasil tem a oportunidade de despontar como modelo de tecnologia e inovação do futuro. Somos o país mais otimista em relação
às oportunidades de inovação que temos pela frente.
Além disso, 98% desses líderes acreditam que a
inovação é a melhor maneira de criar empregos localmente, contribuindo assim para a sustentabilidade econômica do país.
Ao optar por uma política fiscal de
ajuste e crescimento acima do PIB já
a partir do ano que vem, o governo
negligencia mais uma vez a demanda
Agora, o governo dá importância máxima ao
choque de oferta e negligencia a demanda e a inércia. É uma releitura inusitada do que se estudou e
pensou sobre inflação nos últimos quarenta anos.
Um exemplo na vizinhança ajuda a lembrar da importância da demanda. O Chile passa por um processo inflacionário parecido com o nosso, por pressão de demanda, mas também concomitante com
alta nos preços de commodities. Mas o Banco Central chileno é explícito em aumentar sua taxa básica de juros de 0,5% anual para os esperados 7% ou
8% no final deste ano para conter a expansão de
demanda. Um aumento significativo, sem pensar
em medidas macroprudenciais — hoje adotadas
com certa frequência no Brasil —, para conter o que
aumenta a propagação da inflação: a demanda.
O experimentalismo pelo qual estamos passando
no Banco Central está de acordo com a visão antiga
dos integrantes do governo de que um pouquinho
de inflação não é problema, sendo o principal manter o ritmo de crescimento num patamar razoável.
É por isso que nada do que o governo fez nas semanas passada muda a impressão de que se aceitará
naturalmente um IPCA de 6% nos próximos anos.
No contraditório brasileiro, Geisel e Simonsen
foram do mesmo governo, mas hoje precisamos
mais do bom lado teórico de Simonsen do que das
irresponsabilidades do período Geisel. ■
Os gestores devem se conscientizar
de que o assédio moral é um tipo
de violência intolerável. Por isso,
deve ser punido de forma exemplar
Qualquer um pode sofrer com esse tipo de
agressão, mas as principais vítimas são as mulheres. Segundo pesquisa feita com cerca de 2.000
funcionários de 97 empresas de São Paulo, 42 %
dos entrevistados afirmaram ter vivido histórias de
humilhação no ambiente de trabalho. Desses, 65%
eram mulheres e 29%, homens.
Ser ignorado por um colega de trabalho, pelo
chefe ou ainda levar uma bronca não significa necessariamente abuso moral. O problema reside no
comportamento intimidador, persistente e abusivo, detonado com o único objetivo de deixar a pessoa humilhada, chateada e aterrorizada. Outro
ponto a esclarecer: o assédio moral pode ser praticado por chefes ou colegas de trabalho, ocupantes
de qualquer escalão das companhias.
Algumas pesquisas traçam o comportamento
padrão do algoz, que tende a adotar táticas como
culpar os outros pelos erros, viver criticando a habilidade profissional dos colegas, fazer exigências
sem sentido ou mesmo cometer delitos, como roubar os créditos profissionais dos integrantes da
equipe. As vítimas não são as únicas que perdem.
As empresas também são afetadas pela queda na
produtividade, pelo envenenamento do clima organizacional, perda de bons profissionais e, em casos extremos, por processos judiciais que resultam
em pagamento de indenizações.
Para prevenir a prática de assédio moral, as empresas devem estabelecer políticas claras, a começar pela criação de códigos de ética e de conduta,
cujos princípios e orientações devem ser difundidos por toda a companhia. Antes de qualquer coisa, é preciso deixar bastante explícito para os profissionais quais comportamentos são aceitos e
quais não são tolerados pela organização.
A parte mais difícil, contudo, é a vigilância no
dia a dia. Em primeiro lugar, os gestores devem se
conscientizar de que o assédio moral é um tipo de
violência intolerável, que não se admite mais na
sociedade em que vivemos e deve ser punido de
forma exemplar. Além disso, pode trazer graves
consequências para o agressor e para a própria instituição em que atua.
Em segundo lugar, os gestores também devem
estar atentos a qualquer tipo de conduta de seus liderados que possa resultar em alguma espécie de
assédio moral e tomar as providências necessárias
para prevenir essas práticas e não deixar que se
instaure a cultura da impunidade. ■
Profissionais e equipes criativas,
investimento em conhecimento
técnico e respaldo governamental
são ítens fundamentais à inovação
Outro dado extremamente relevante, apontado
pelo nosso estudo, diz respeito à visão dos executivos
sobre a origem da inovação: 96% dos entrevistados
acham que o desenvolvimento da inovação deve estar localizado no país, para poder suprir com maior
adequação as necessidades do mercado local.
Profissionais e equipes criativas, que “pensem
fora da caixa”, investimento em conhecimento técnico avançado, além de um maior respaldo financeiro e institucional por parte do governo e das autoridades, foram os três ítens apontados como os mais
importantes para que a inovação encontre um cenário propício para se desenvolver.
A formação e qualificação da mão-de-obra local
também apareceu com grande destaque na pesquisa,
como pilar importante no desenvolvimento de novas
soluções para as demandas do país.
Para 91% dos executivos entrevistados as inovações do futuro serão aquelas que trarão valor à sociedade como um todo e não apenas aos consumidores
individualmente. O que significa isso? Que devemos
ir além de apenas criar as melhores soluções para os
problemas locais, precisamos ajudar a educar a sociedade a assimilar soluções inovadoras ao seu diaa-dia e ao seu modo de pensar e ver o mundo.
Para finalizar, os entrevistados acreditam no
trabalho em conjunto entre governos, empresas e
sociedade civil para o crescimento do espírito inovador do país. A inovação tem um papel social
fundamental. Inovar é preciso. Queremos promover a inovação local, em parceria com o governo e
a sociedade, com investimentos consistentes para
posicionar, de vez, o Brasil entre as maiores potências da atualidade. ■
Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 3
NESTA EDIÇÃO
EFE
Fabricante de máquinas agrícolas,
AGCO vai ao mercado de energia
PAPA JOÃO PAULO 2º É BEATIFICADO DIANTE DE MULTIDÃO
Fundação
1990
Catálogo
tratores, colheitadeiras, equipamentos
para fenação e forragem, pulverizadores,
equipamentos para preparo de solo,
implementos e peças de reposição
relacionadas
Marcas
Challenger, Fendt, Massey Ferguson e Valtra
Distribuição
mais de 2,6 mil concessionárias
e distribuidores independentes
Presença
140 países
Receita líquida
de vendas
em 2010
US$ 6,9 bilhões
Fonte: empresa
Em agosto, a Sisu Power, divisão de
motores do grupo AGCO, passará a fábricar
equipamentos para geração de energia
na linha de montagem de Mogi das Cruzes (SP).
A companhia planeja investir US$ 10 milhões
na ampliação da fábrica. ➥ P24
Oi e Telefônica investem na
revitalização do telefone fixo
Operadoras apostam na oferta de serviços de
banda larga e em ações com os consumidores
para recuperar o mercado de telefonia fixa
que nos últimos anos perde espaço
sistematicamente para as linhas celulares. ➥ P28
Itacaré instala a primeira fábrica
de chocolates finos em Ilhéus
A região é maior produtora de cacau do país
e exporta a matéria-prima há um século,
mas só agora ganha uma unidade industrial.
A produção inicial é de 200 quilos por dia,
na Fazenda Berg Frut distrito de Rio do Engenho,
mas a meta é chegar a mil quilos/dia. ➥ P20
Atenção do investidor na semana
será voltada para dados de inflação
Em uma semana neutra em relação
a indicadores no Brasil e no mundo,
investidores devem manter o monitoramento
dos índices de preços, com divulgação
do IPCA e do IPC-Fipe de abril. No front externo,
balanços corporativos são destaque. ➥ P34
O papa João Paulo 2º foi beatificado ontem em cerimônia que atraiu cerca de 1,5 milhão de
pessoas — a maior multidão reunida em Roma desde seu funeral, seis anos atrás. “De agora em
diante o papa João Paulo será chamado beato”, proclamou em latim o papa Bento 16. Um lugar
de honra foi reservado para a irmã Marie Simon-Pierre Normand, freira francesa que sofria
da doença de Parkinson e cuja cura inexplicável foi atribuída à intercessão de João Paulo 2º junto
a Deus para fazer um milagre. O fato foi a justificativa para a beatificação do último papa.
Para que ele possa ser canonizado, o Vaticano terá que atribuir outro milagre à sua intercessão.
Presidente do Conselho de Administração
Maria Alexandra Mascarenhas Vasconcellos
Diretor-Presidente José Mascarenhas
Diretores Executivos
Alexandre Freeland, Paulo Fraga
e Ricardo Galuppo
[email protected]
BRASIL ECONÔMICO é uma publicação
da Empresa Jornalística Econômico S.A.
Redação, Administração e Publicidade
Avenida das Nações Unidas, 11.633 - 8º andar,
CEP 04578-901, Brooklin, São Paulo (SP),
Tel. (11) 3320-2000. Fax (11) 3320-2158
Diretor de Redação Ricardo Galuppo
Diretor Adjunto Costábile Nicoletta
Brasília Maeli Prado, Simone Cavalcanti
Rio de Janeiro Daniel Haidar, Ricardo Rego Monteiro
Editores Executivos Arnaldo Comin, Gabriel de Sales, Jiane
Carvalho, Thaís Costa, Produção Editorial Clara Ywata
Editores Conrado Mazzoni (On-line), Elaine Cotta (Brasil), Fabiana Parajara (Destaque), Rita Karam (Empresas)
Arte Pena Placeres (Diretor) , Betto Vaz (Editor) ,
Evandro Moura, Letícia Alves, Maicon Silva, Paulo
Roberto Argento, Renata Rodrigues, Renato B. Gaspar, Tania Aquino (Paginadores), Infografia Alex Silva (Chefe), Anderson Cattai, Monica Sobral Fotografia Antonio Milena (Editor), Marcela Beltrão (Subeditora), Henrique Manreza, Murillo Constantino
(Fotógrafos), Angélica Breseghello Bueno, Thais
Moreira (Pesquisa) Webdesigner Rodrigo Alves Tratamento de imagem Henrique Peixoto, Luiz Carlos
Costa Secretaria/Produção Shizuka Matsuno
Subeditores Estela Silva, Isabelle Moreira Lima (Empresas), Ivone Portes (Brasil),Luciano Feltrin (Finanças), Micheli Rueda (On-line)
Repórteres Amanda Vidigal, Ana Paula Machado,
Ana Paula Ribeiro, Bárbara Ladeia, Carolina Alves,
Carolina Pereira, Cintia Esteves, Claudia Bredarioli,
Daniela Paiva, Domingos Zaparolli, Dubes Sônego,
Eva Rodrigues, Fabiana Monte, Fábio Suzuki, Felipe
Peroni, Françoise Terzian, João Paulo Freitas, Juliana Rangel, Karen Busic, Luiz Silveira, Lurdete Ertel,
Maria Luiza Filgueiras, Mariana Celle, Mariana Segala, Martha S. J. França, Michele Loureiro, Natália
Flach, Nivaldo Souza, Paulo Justus, Pedro Venceslau, Priscila Dadona, Priscila Machado, Regiane de
Oliveira, Ruy Barata Neto, Thais Folego, Vanessa
Correia, Weruska Goeking
Departamento Comercial Paulo Fraga (Diretor Executivo Comercial), Mauricio Toni (Diretor Comercial), Júlio César Ferreira (Diretor de Publicidade) ,
Ana Carolina Corrêa, Sofia Khabbaz, Valquiria Rezende, Wilson Haddad (Gerentes Executivos), Paulo Fonseca (Gerente Comercial) , Celeste Viveiros,
Dervail Cabral Alves, Mariana Sayeg, Simone Franco (Executivos de Negócios), Jeferson Fullen (Gerente de Mercados), Ana Paula Monção (Assistente Comercial)
Consórcios ampliam ofertas e
reconquistam confiança do público
Além do cliente tradicional sistema agrega
pessoas da classe média emergente, com
a predominância dos jovens. Antes concentrado
na oferta de veículos, hoje portfólio oferecido
aos consorciados abrange pacotes turísticos,
cirurgias e até pneus. ➥ P30
Projetos Especiais Márcia Abreu (Gerente), Alexandre de
Vicencio (Coordenador), Daiana Silva Faganelli (Analista)
Publicidade Legal Marco Panza (Diretor de Publicidade Legal e Financeira), Marco Aleixo (Gerente Executivo), Adriana Araújo, Valério Cardoso, Carlos Flores (Executivos de
Negócios), Tatiana Benevides (Assistente Comercial)
Departamento de Marketing Evanise Santos (Diretora),
Rodrigo Louro (Gerente de Marketing), Giselle Leme,
Roberta Baraúna (Coordenadores de Marketing), João
Felippe Macerou Barbosa (Coordenadores)
Operações Cristiane Perin (Diretora)
Departamento de Mercado Leitor Nido Meireles (Diretor), Nancy Socegan Geraldi (Assistente Diretoria), Denes Miranda (Coordenador de Planejamento)
Central de Assinantes e Venda de Assinaturas Marcello Miniguini (Gerente de Assinaturas), Helen Tavares
da Silva (Supervisão de Atendimento), Conceição Alves
(Supervisão)
São Paulo e demais localidades 0800 021 0118
Rio de Janeiro (Capital) (21) 3878-9100
De segunda a sexta-feira - das 6h30 às 18h30.
Sábados, domingos e feriados - das 7h às 14h.
[email protected]
Central de Atendimento ao Jornaleiro (11) 3320-2112
Sucursal RJ Leila Garcia (Diretoria Comercial),
Cristina Diogo (Gerente Comercial)
Rua Joaquim Palhares, 40 Torre Sul – 7 º andar –
CidadeNova – CEP: 20260-080 – Rio de Janeiro – RJ
Tel.: (21) 2222-8701 e (21) 2222-8707
Jornalista Responsável Ricardo Galuppo
TABELA DE PREÇOS
Assinatura Nacional
Trimestral
Semestral
Anual
R$ 165,00
R$ 276,00
R$ 459,00
Condições especiais para pacotes e projetos corporativos
e-mail [email protected]
tel: (11) 3320-2015
(circulação de segunda a sexta, exceto nos feriados nacionais)
Impressão:
Editora O Dia S.A. (RJ)
Diário Serv Gráfica & Logística (SP)
FCâmara Gráfica e Editora Ltda. (DF/GO)
4 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011
ESPECIAL
Editora: Fabiana Parajara [email protected]
Logística do
agronegócio ruma
para o Norte
1
Recuperação da BR-163 no Pará e construção da ferrovia NorteSul abrem caminho para escoar a produção do Centro-Oeste
Priscila Machado e Luiz Silveira
AGRONEGÓCIO
6
[email protected]
Dois projetos que começam a se
concretizar darão a uma boa parte
da produção agropecuária brasileira um caminho mais curto para
chegar no seu destino. “A recuperação da BR-163 até Santarém e a
construção da Ferrovia Norte-Sul
são os projetos logísticos de curto
prazo com impacto para o agronegócio”, diz a coordenadora do
Grupo de Pesquisa e Extensão em
Logística Agroindustrial da Escola
Superior de Agricultura Luiz de
Queiroz, Priscilla Nunes.
A produção dos estados de
Maranhão, Piauí, Tocantis, Bahia,
Mato Grosso e Goiás ganharão
acesso a portos mais próximos das
lavouras e dos compradores internacionais. Em tese, as novas
rotas também reduzirão a saturação de portos como Santos (SP) e
Paranaguá (PR). “A solução para
os portos do Sul e Sudeste está nos
portos do Norte e Nordeste”, diz o
diretor de grãos e processamento
de soja da Cargill, Paulo Sousa.
O ganho logístico de se escoar
a produção agrícola por meio da
BR-163 e da Norte-Sul, no entanto, ameaça ficar só na teoria. Os
portos nos quais elas desembocam, Santarém (PA) e Itaqui
(MA), não têm capacidade para
movimentar os volumes de grãos
que já disponíveis. “Itaqui é um
gargalo para a Norte-Sul, e não
terá condições de nos atender
quando a ferrovia chegar ao Centro-Oeste”, diz Mauro Ramos,
superintendente da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias,
responsável pelas obras.
A Valec garante que em cinco
anos poderá escoar 50% dos
grãos do país, o que equivale a
cerca de 25 milhões de toneladas.
Mas, no porto do Itaqui, a capacidade atual é de 2,8 milhões de toneladas por ano. De acordo com
Ramos, hoje os custos para o produtor de soja do Mato Grosso levar
o produto aos portos do Sul e Sudeste chega a US$ 67 a tonelada.
Em Itaqui, seria de US$ 30.
Uma parte do problema está
mais perto de ser resolvida. A
Agência Nacional de Transportes
Aquaviários (Antaq) aprovou, na
semana passada, a licitação para a
Portos podem pôr a
perder os ganhos da
BR-163 e da ferrovia
Norte-Sul, porque
não têm capacidade
para movimentar os
volumes de grãos que
já estão disponíveis
concessão do Terminal de Grãos
do Maranhão (Tegram), em Itaqui. O projeto prevê quatro armazéns, concedidos a grupos diferentes, somando 500 mil toneladas de capacidade.
Na primeira fase, que deve entrar em operação em 2013, a capacidade de embarque será de 5
milhões de toneladas. “A licitação
deve ser aberta em junho e as
obras devem começar em setembro”, afirma o diretor da Empresa
Maranhense de Administração
Portuária (Emap), Daniel Vinent.
Até 2024, a capacidade do Tegram
será de 10 milhões de toneladas,
um investimento de R$ 339 milhões pago pela iniciativa privada.
Além do Tegram, a mineradora
Vale investirá R$ 135 milhões em
seu terminal de grãos da Ponta da
Madeira, na área de Itaqui. Esse
terminal da Vale é o único pelo
qual o porto exporta grãos hoje,
na casa de 2 milhões de toneladas
por ano. Com isso, a capacidade
passará para 4,3 milhões por ano.
No caso da BR-163, que levará
a safra do norte do Mato Grosso
até Santarém (PA), a iniciativa
privada se prepara para responder
com estrutura portuária à recuperação da estrada. “Creio que a
rodovia estará toda trafegável no
segundo semestre de 2012”, diz
Sousa, da Cargill.
A empresa é a única a ter um
terminal de grãos no porto de
Santarém, com capacidade para
um milhão de toneladas por ano.
“Podemos saltar para três milhões de toneladas quando conseguirmos o licenciamento ambiental”, diz Sousa. Outras empresas, como Amaggi e Bunge,
também têm soluções logísticas
em vista para operar quando a
BR-163 estiver recuperada. ■
Evandro Monteiro
2
Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 5
LEIA MAIS
No Mato Grosso, projeto
busca levantar R$ 170
milhões por ano para obras
de logística, por meio de
arrecadação de 1% do valor
de cada saca de soja.
Modelo mato-grossense de
parceria público-privada
está sendo copiado na Bahia,
para conseguir R$ 200 milhões
para rodovia que beneficiará área
produtiva de 600 mil hectares.
Eraí Maggi, do grupo Bom
Futuro, mobiliza
empresários do Centro-Oeste
em torno da infraestrutura, que
pode dar mais competitividade
ao agronegócio local.
Fernando Fernandes/Lunapress
Aos poucos,
ferrovias
ganham espaço
Cada vez mais soja e açúcar
chegam aos portos em trens,
mas o ganho logístico fica longe
do produtor rural
1 Benefícios da ferrovia Norte-Sul, que chega em breve ao Centro-Oeste, podem ser anulados por
falta de capacidade dos portos; 2 “A solução para portos do Sul e Sudeste está nos portos do Norte
e Nordeste”, diz Paulo Sousa, diretor de grãos e processamento de soja da Cargill; 3 Em Itaqui, no
Maranhão, custo de exportação é de US$ 30 por tonelada de grão, contra US$ 67 no Sul e Sudeste
Christian Tragni/Folhapress
3
A construção de novas linhas
ferroviárias e a revitalização de
trechos já existentes está ampliando o uso de trens pelo agronegócio, mas os problemas nos
portos e a falta de alternativas
logísticas prejudicam a conversão desses ganhos em benefícios
para os agricultores. “O preço do
frete tem uma tendência constante de alta, porque a infraestrutura logística não acompanha
o crescimento da produção”, diz
a coordenadora do Grupo de
Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de
Queiroz, Priscilla Nunes.
O custo de frete sobe até mesmo em regiões que passam a contar com a opção do transporte
ferroviário. “As ferrovias estão
aumentando sua participação no
transporte da safra, mas o preço
do frete ferroviário é definido com
base no rodoviário”, afirma o diretor de grãos e processamento de
soja da Cargill, Paulo Sousa. “Em
alguns períodos do ano, o frete
ferroviário chega a custar mais
que o rodoviário”, completa o gerente de logística da multinacional, Rodrigo Koelle.
Em ano de safra recorde de
grãos, os preços dos fretes em
reais subiram entre 5% e 20%
com relação ao ano passado. “Se
considerarmos que o real se valorizou nesse período, a competitividade brasileira em dólares
caiu mais ainda”, diz Sousa.
Mas o ganho de eficiência nas
ferrovias contribuiu para o agronegócio, sobretudo para a soja e o
açúcar, na visão de Priscilla. Cerca de 30% da produção de açúcar
deve chegar ao porto de Santos de
trem neste ano. “Mas não há
construção de novas ferrovias
fora do Nordeste”, ressalta ela.
Aos poucos, projetos que
aguardam o aval do governo há
muito tempo começam a receber atenção. A Valec publicou
neste mês dois editais para a
contratação da empresa que vai
elaborar os estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental (EVTEA) dos novos ramais da Ferroeste.
A estatal está alocando R$ 6,5
milhões para a realização do levantamento que irá contemplar
a implantação da ligação ferroviária de Maracaju (MS) ao Porto
de Paranaguá, com extensão de
1.116 quilômetros. A implanta-
“
Em alguns períodos
do ano, o frete
ferroviário chega
a custar mais
que o rodoviário
Rodrigo Koelle,
gerente de logística da Cargill
ção da extensão da Ferrovia
Norte-Sul, no trecho de Panorama (SP) ao Porto de Rio Grande
(RS) também será contemplada
e para seu estudo foram alocados
mais R$ 8,3 milhões. “Essa licitação vai nos posicionar quanto
ao cronograma das obras”, diz o
presidente da Ferroeste, Maurício Querino Theodoro.
Para o executivo, passou da
hora de esses ramais entrarem
em operação. “Não conseguimos atender a produção do Paraná, Mato Grosso do Sul e Paraguai. Nós perdemos nesta safra
80 mil a 100 mil toneladas de
grãos porque não foi possível
escoar a tempo”, afirma.
A perda siginificativa foi provocada não só pela falta de armazéns, mas também pela dificuldade no escoamento até o Porto
de Paranaguá. “Em todo o país,
os piores gargalos no transporte
da safra estão entre os armazéns e
os portos”, afirma Sousa.
Para reverter esse cenário, o
governo do Paraná tem um plano de expansão de R$ 1,1 bilhão
para Paranaguá, que elevaria a
capacidade do porto em grãos
de 30 milhões para 45 milhões
de toneladas. O projeto, no entanto, não está licenciado e ainda não tem prazo. Da mesma
forma que ocorre nos portos da
chamada saída norte (Belém,
Santarém e Itaqui), o processo
de licitação e implementação do
projeto encontra-se em uma
fase mais atrasada que as obras
terrestres. ■ P.M. e L.S.
6 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011
ESPECIAL
Agricultores do Nordeste e do Centro
Oeste buscam PPP para logística
Mato Grosso pode ter R$ 170 milhões por ano com 1% do valor de cada saca de soja destinado à infraestrutura
Antonio Milena
Ruy Barata Neto e Luiz Silveira
AGRONEGÓCIO
6
[email protected]
Projetos de parcerias públicoprivadas para solucionar gargalos de logística no escoamento
de produção do agronegócio
brasileiro começam a se expandir pelo país. O governo do
Mato Grosso, por exemplo, estuda ampliar o Fundo Estadual
de Transporte e Habitação (o
Fethab), imposto obtido junto a
agricultores e usado para financiar a construção de rodovias na
gestão de Blairo Maggi. O projeto em análise criaria um fundo
similar a partir da arrecadação
de 1% do valor sobre a venda de
cada saca de soja.
Segundo o economista Paulo
Rabello de Castro, que procura
levar a ideia adiante com o governo local, seria possível garantir anualmente cerca de
R$ 170 milhões para investimento no setor logístico da região. “O governo federal não vai
comparecer com aportes suficientes para solucionar o caos
logístico regional porque já enfrenta dificuldades para executar até o PAC 2”, diz Rabello. “É
o governo do Mato Grosso que
precisa agir de forma independente, organizando o empresariado, para vencer o problema”.
Mecânica similar aparece em
outros estados. A Bahia deve ser
a próxima a receber investimentos em rodovias rateados
entre agricultores e governo estadual, em um projeto chamado
Rodoagro. A previsão é que
dentro de 60 dias saiam todas as
licenças para a construção de
uma estrada de 222 quilômetros
no Oeste Baiano, segundo o
produtor e coordenador do projeto, Sérgio Pitt.
O investimento nessa rodovia, que interligará duas importantes vias da região produtora,
será de cerca de R$ 120 milhões.
“Ele vai beneficiar uma área
produtiva de 600 mil hectares e,
se todos contribuírem, o custo
médio para o produtor será de
cerca de 2,5 sacas de soja por
hectare”, afirma Pitt. As propriedades mais próximas da rodovia deverão pagar mais, e
aquelas mais distantes desembolsarão valores menores, como
ocorre no Mato Grosso.
Além da nova rodovia, foram
mapeados cerca de 600 quilômetros de estradas existentes
para serem recuperadas pela
parceria público-privada da Bahia. As obras dos primeiros 114
quilômetros desse total também
devem receber todos os licenciamentos necessários nos próximos dois meses. O passo seguinte, tanto da nova rodovia quanto
Estradas de terra, comuns no Norte
e Centro-Oeste do país, são inviáveis
para transporte de cargas
dos trechos a serem reformados,
será a redação e publicação dos
editais para licitar as obras.
Marcela Beltrão
A elaboração de modelos de financiamento por meio de arrecadação junto ao setor privado
é prioridade dos planos da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), na gestão do ministro Wellington Moreira Franco.
Segundo o ministro, um programa do seu antecessor, Mangabeira Unger, de integração
da Amazônia, Nordeste e Cen-
tro-Oeste, está sendo retomado, o que falta é encontrar maneiras de execução rápida das
obras. “O desenho de um plano
estratégico para resolver as
questões de logística e transporte está feito. Agora, é discutir qual a modelagem financeira adequada para o financiamento”, afirma Franco. O ministro diz que será necessário
buscar também instrumentos
nos mercado de capitais. “Se
cada estado fizesse isso, teríamos uma capacidade de resposta mais rápida do PAC”. ■
RECURSOS PRIVADO
PERDAS
R$
120 mi
é o custo estimado para a
R$
3 bi
são as perdas estimadas
construção de uma estrada
no Oeste baiano por meio
de parceria público-privada.
A obra vai beneficiar uma área
produtiva de 600 mil hectares.
causadas por problemas
logísticos à produção do
agronegócio matogrossense,
responsável por 27%
da safra nacional de soja.
Planos federais
Paulo Rabello
de Castro
economista
“O Estado do Mato Grosso
precisa agir de forma
independente, organizando
o empresariado para
solucionar caos logístico”
Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 7
8 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011
ESPECIAL
ENTREVISTA ERAÍ MAGGI Presidente do grupo Bom Futuro
Divulgação
Maggi diz que obras
atrasaram, mas
reconhece avanços
“Mato Grosso poderia ganhar
três vezes mais com exportação”
Empresário pressiona governo por investimentos em infraestrutura para ter mais competitividade mundial
Ruy Barata Neto
AGRONEGÓCIO
6
[email protected]
Conhecido como um dos maiores produtores individuais de
soja e de algodão do mundo, Eraí
Maggi, dono do grupo Bom Futuro, não tem olhos apenas para
as plantações, para as pequenas
centrais hidrelétricas e para os
tanques de peixes que renderão
R$ 1 bilhão este ano à empresa.
“Estou dedicando a minha energia para melhorar a infraestrutura do Mato Grosso, principalmente a parte logística”, afirma.
Como ele mesmo conta, o estado
está no centro do Brasil, e tem a
vantagem de ter saídas para exportação por todos os lados,
para o Norte e o Sudeste do país e
também para os países vizinhos.
O que falta são boas condições
em todos os sentidos: as estradas estão ruins, os portos e ferrovias sobrecarregados, prejudicando a competitividade do
produto agrícola local. Isso explica porque o tema passou a
ocupar o tempo do empresário.
Como tem sido a sua atuação?
Coloco avião à disposição para
trazer ministros aqui, vou a
Brasília constantemente para
tratar dessa questão. Acho que é
o grande desafio a ser vencido.
O Estado poderia ganhar pelo
menos três vezes mais do que
ganha hoje com a exportação.
Hoje, gastamos cerca de US$ 120
para colocar uma tonelada de
grãos para exportação. A média
mundial é US$ 50.
O alto custo diminui a
competitividade ?
Sim. O nosso potencial de produção é muito maior do que outros
países. Podemos chegar a 10 toneladas de algodão, soja ou milho
por hectare. Nenhum outro país
do mundo conta com isso, porque tem geada, neve e tantas outras intempéries climáticas.
Quem realmente consegue
esse nível de produtividade?
No Mato Grosso, é possível ter
duas safras por ano, apesar dos
seis meses de chuva e dos seis
meses de seca. A produtividade
cresce se tirar o alumínio da
terra, a toxicidade mais profunda. O agricultor vai gastar mais,
claro, mas se tiver renda dá para
bancar os custos. Quando chega a seca, as raízes buscam
umidade mais profundamente,
o que é bom para o algodão, por
exemplo que busca umidade no
solo e não apodrece.
“
Hoje, gastamos
cerca de US$ 120
para colocar uma
tonelada de grãos
para exportação.
A média mundial
é US$ 50
A Região Sul deveria
se concentrar em
fazer máquina,
trator e fertilizante.
Tudo o que precisamos
para aumentar
as exportações
As obras de infraestrutura
estão muito atrasadas?
Deveriam que ter andado mais
rapidamente. Mas, ainda podemos resolver. A BR-163 (que liga
Cuiabá a Santarém, no Pará) está
saindo do papel. Temos 20 empreiteiras trabalhando na obra e
conseguiremos ampliar bastante
o escoamento de nossa carga
para o Norte. Outro exemplo é a
Ferrovia Oeste-Leste, que facilita o escoamento da soja.
As perspectivas então
são otimistas...
A política para a região está correta. O Brasil tem que olhar o
Mato Grosso como uma solução e
não como o patinho feio, que
atrapalha os produtores do sul.
Eles ficam sofrendo por estarmos
produzindo, entupindo-os de
milho — o que barateia a produção deles —, e por não terem a logística necessária para escoar a
produção para o Centro-Oeste
nem a facilidade de exportação
para a Ásia. A classe inteira deveria entender o Mato Grosso como
uma solução para gerar mais emprego e atrair mais divisas ao
país. O Sul deveria se concentrar
em fazer máquina, trator e fertilizante. Tudo o que precisamos
para aumentar as exportações. ■
Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 9
Participe e conheça o INNOVABILITY,
um conceito pioneiro de inovação.
Muito além de uma junção dos conceitos de inovação e sustentabilidade,
INNOVABILITY é a capacidade que as pessoas e empresas têm de inovar
em todas as suas dimensões. Venha para a 2a edição do Fórum de
Inovação para juntos pensarmos sobre esta e outras ideias que podem
melhorar a nossa relação com o mundo.
11 de maio, em São Paulo
Inscrições pelo site
www.brasileconomico.com.br/edp
10 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011
DESTAQUE CENSO 2010
Editoras: Elaine Cotta e Fabiana Parajara [email protected]
Soa o alerta para
fim do bônus
demográfico
Proporção da população economicamente ativa cai de 68,5%
para 45% em 10 anos e expõe risco de colapso da Previdência
Daniel Haidar, do Rio
[email protected]
Os brasileiros estão envelhecendo. De acordo com o Censo
2010 do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatísticas (IBGE),
no ano passado, o país tinha 14
milhões de pessoas com mais de
65 anos, 7,4% da população. Em
2000, eles eram 5,8% do total.
O dado é positivo, pois mostra
melhora na qualidade e na expectativa de vida da população
nos últimos 10 anos. Mas também impõe desafios ao país e o
principal deles está no futuro da
Previdência pública (mais informações no texto ao lado).
O Brasil, que vive hoje o que
os especialistas chamam de
“bônus demográfico”, está cada
dia mais próximo de perdê-lo.
Ou seja, a evolução etária da população caminha para uma realidade que já aflige países da Europa, onde há mais aposentados
dependendo dos recursos públicos da Previdência do que jovens em idade economicamente
ativa para contribuir com ela. É
realidade também apontada
pelo Censo de 2010: a participação dos jovens entre 0 e 29 anos
é menor hoje do que era há 10
anos. Em compensação, a proporção de brasileiros com idade
acima de 50 anos aumentou.
No ano passado, a população
em idade economicamente ativa
era 68,5% da população ou 130,7
milhões de pessoas. Em 2000,
esse percentual era de aproximadamente 45%. “O Brasil ainda tem uma população muito jovem, mas um nível de gastos
com idosos igual ao dos países
da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE)”, afirma o diretor do Banco Mundial no Brasil,
Makhtar Diop.
Estudo dos professores Cássio
Turra e Bernardo Queiroz, da
Universidade Federal de Minas
Gerais, mostra que o bônus demográfico brasileiro deve atingir
seu melhor momento em 2022,
quando a proporção dos que terão
idade para trabalhar deve atingir
um pico de 71%. Mas depois, a
tendência é de recuo. O economista e ex-ministro da Fazenda
“
O Brasil ainda tem
uma população muito
jovem, mas com nível
de gastos com idosos
iguais ao de países
da OCDE (onde a
proporção de pessoas
com mais de 65 anos
em relação ao total
de pessoas já é maior)
Makhtar Diop,
diretor do Banco
Mundial no Brasil
Delfim Netto, por exemplo, prevê
que a população brasileira comece a diminuir entre 2035 e 2040.
Com isso, o número de idosos
poderá até superar o de jovens
que contribuem com a Previdência. “O Brasil vai envelhecer antes de ficar rico”, já afirmou Delfim em diversas ocasiões.
Futuro incerto
As projeções de futuro ficam
ainda mais preocupantes quando se olha para a realidade atual.
O já elevado déficit da Previdência — que chegou a 1,1% do
Produto Interno Bruto (PIB) em
2010 — pode piorar ainda mais.
Isso porque, sem alterar as regras de aposentadoria do Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS), esse déficit pode chegar
a 5,75% do PIB em 2050, segundo estudo recente do Ministério da Previdência.
Em 2009, último dado disponível, o INSS tinha 41,3 milhões
de contribuintes. O contingente
de pessoas ocupadas somava
92,6 milhões de pessoas, mas só
32,3 milhões eram trabalhadores com carteira assinada e contribuíam efetivamente com a
Previdência, segundo estimativas da Pesquisa Nacional de
Amostra por Domicílios (Pnad).
A boa notícia é que, portanto,
há chances de a quantidade de
contribuintes aumentar junto
com a formalização do mercado
de trabalho, uma tendência clara na opinião de especialistas.
“A informalidade tende a cair
porque as gerações mais jovens
chegam no mercado de trabalho
mais escolarizadas, fator crucial
para reduzir o problema”, avalia
o economista Paulo Tafner, especializado em Previdência.
“Nos próximos 10 anos, temos
que fazer a economia crescer e
avançar nas reformas previdenciárias para o futuro”, diz.
O presidente do IBGE, Eduardo Nunes Ferreira, afirma que o
envelhecimento da população
deve trazer outras consequências, além do risco previdenciário. Para ele, os padrões de
construção civil devem mudar
para atender aos idosos. “A
acessibilidade, por exemplo,
tem que mudar”, diz. ■
PROJEÇÕES DA ONU
49 milhões
esse será o total de brasileiros
com idade acima de 65 anos
em 2050, segundo projeções
de estudo da Organização
das Nações Unidas (ONU).
218
milhões
essa será a população total do
Brasil em 2050, de acordo com
o mesmo estudo da ONU. Desse
total, 22,5% serão idosos. Em
2010, eles eram 7,4% do total.
Brechas legais
Aumento da participação de
pessoas com mais de 65 anos
no total populacional traz
riscos às contas públicas
Carolina Alves
[email protected]
Com um déficit acumulado em
R$ 43,3 bilhões (até fevereiro
de 2011) no balanço da Previdência Social, o envelhecimento da população brasileira,
confirmado na divulgação do
Censo 2010, acende um novo
alerta para o equilíbrio das
contas públicas. A participação dos idosos com mais de 65
anos na população total do país
tem crescido substancialmente
nos últimos 20 anos: em 1991,
4,8% dos brasileiros estavam
nessa faixa etária, índice que
passou para 5,9% em 2000 e
7,4% em 2010.
Na outra ponta, o ingresso da
população com essa faixa etária
no mercado formal de trabalho
tem crescido em média 7% ao
ano, segundo informações do
Ministério do Trabalho e Emprego, ao menos desde 2006.
Não há detalhamento de quantas pessoas, nesse universo, estão aposentadas, mas especialistas alertam para a tendência
Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 11
LEIA MAIS
Na década, caiu quase
pela metade a
participação dos brasileiros
nas faixas de renda mais
baixas, chegando a 13,5%
do total das famílias.
Eduardo Ferreira,
presidente do IBGE, chama
atenção para o total de famílias
chefiadas por crianças, que
é de 132 mil no país, segundo
dados preliminares do Censo.
Aumento do número de
domicílios, em razão
da reestruturação familiar,
aponta para oportunidades
de ajustes no processo de
crescimento cidades.
Paulo Araujo/O Dia
Melhora da qualidade
de vida do brasileiro favorece
o envelhicimento da
população acima de 65 anos
aumentam o déficit previdenciário
de rombos maiores nos cofres
públicos.
Segundo a economista Meiriane Nunes Amaro, consultora
jurídica do Senado Federal, o
ingresso da terceira idade no
mercado formal não tem refletido aumento na idade média de
aposentadoria, que beira 54
anos (a legislação impõe contribuição até 60 anos para mulheres e 65 anos para os homens). Isso significa que, no
geral, as pessoas têm se aposentado cedo e voltado para o
mercado de trabalho em busca
de complemento de renda.
Se fosse apenas isso, não ha-
■ PRECOCE
Idade média de aposentadoria
proporcional no Brasil é de
54
anos
■ TRABALHO
Pessoas com mais de 65 anos
no mercado somam
7,4
%
veria tanto problema. O perigo
está num procedimento conhecido como “desaposentadoria”, cada vez mais comum
nas disputas judiciais. Conforme explica Meiriane, o brasileiro tem se aposentado antes
do tempo e recebido do governo todo mês um valor proporcional por tempo de serviço.
Entretanto, o aposentado entra
na Justiça e normalmente ganha o direito de somar os anos
extras trabalhados à atual aposentadoria, conquistando o valor integral. “Isso é um perigo
para a Previdência, que tem de
pagar o valor completo para
uma pessoa que, no fundo, não
teria direito a ele”.
Além disso, a contribuição à
Previdência de um aposentado
que esteja trabalhando no mercado formal é pequena em relação ao déficit. “Os aposentados
receberão 100% de contribuição,
mas estão pagando apenas 11%
de INSS, descontados na folha”,
explica o consultor em previdência pública Renato Follador.
Na Justiça, contudo, os casos
de “desaposentadoria” são aprovados na maioria das vezes.
Quando não, chegam ao Supremo Tribunal Federal (STF). “Há
casos em análise para julga-
mento nos próximos meses. Se a
decisão for favorável ao aposentado, pode virar regra para todos os outros casos em trâmite
no país e a Previdência terá de
arcar com rombos cada vez
mais altos”, diz Follador.
Para evitar impactos ainda
maiores, ele defende uma nova
reforma da Previdência. “É preciso elevar o tempo de contribuição. O Brasil é o único país
que permite que as pessoas passem mais de um terço de suas
vidas sem trabalhar. Nos países
desenvolvidos, essa proporção
não é maior que 16% do tempo
de vida”, calcula. ■
12 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011
DESTAQUE CENSO 2010
André Az/O Dia
Aumento da renda
amplia poder aquisitivo
dos brasileiros
Diminui o número de pessoas
nas menores faixas de renda
Ganhos inferiores a um quarto de salário mínimo atingem 9,2% das famílias, ante 16,7% em 2010
Daniel Haidar, do Rio
[email protected]
O total de brasileiros com rendimento de até um quarto do
salário mínimo caiu quase pela
metade na última década: passou de 16,7% das famílias em
2000 para 9,2% nos dados do
Censo de 2010, quando esse
rendimento correspondia a
uma renda mensal inferior a
R$ 127,50, segundo informações preliminares divulgadas
ontem pelo IBGE. Esse volume
corresponde a cerca de 5,2 milhões de famílias brasileiras.
Ao mesmo tempo, 4,3% dos
domicílios não tinham rendimento em 2010, ante 4,8% em
2000. Com isso, os dados do
Censo apontam para redução significativa da participação da
população nas duas faixas de
renda mais baixas captadas pelo
levantamento.
A quantidade de famílias
com renda inferior a um quarto
de salário mínimo em 2010 era
mais representativa no Nordeste (20,5% dos domicílios) e no
Norte (17,4%). A proporção de
famílias com ganhos abaixo de
R$ 127,50 era mais signativa no
Quase 132 mil
domicílios, por outro
lado, são chefiados
por crianças
entre 10 e 14 anos,
provando o peso
do trabalho
infantil no sustento
das famílias
Maranhão, em que 26,51% dos
domicílios se enquadravam
nessa classe de rendimento. Em
Santa Catarina, só 2,1% dos domicílios tinham renda inferior a
esse valor.
Segundo o Censo, a população total do Brasil alcançou a
marca de 190.755.799 habitantes em 2010 — um aumento de
quase 20 vezes em relação ao
primeiro recenseamento, realizado em 1872, quando o país tinha 9.930.478 habitantes.
outros resultados do Censo, especialmente a quantidade de
pessoas com idade de 10 a 14 anos
que trabalham, para mensurar a
presença do trabalho infantil.
“Essa questão de quem é o chefe
do domicílio não é objetiva. O
chefe é quem se diz chefe”, afirma. “Como a população está envelhecendo, aumentaram domicílios em que pessoa mais velha e
quem de fato traz renda é a criança, porque há mais oportunidades para todo mundo”. ■ D.H.
Trabalho infantil
O presidente do IBGE, Eduardo
Nunes Ferreira, chamou a atenção
para o fato de que 132 mil domicílios eram chefiados por crianças
com idade entre 10 e 14 anos. Ferreira considerou que o número
não é expressivo, mas aponta
mais uma evidência do peso que o
trabalho infantil ainda representa
no sustento de muitas famílias.
O demógrafo Reinaldo Gregori, sócio da consultoria Cognatis,
destaca que é preciso aguardar
O ALARGAMENTO DA PIRÂMIDE ETÁRIA BRASILEIRA
EM 50 ANOS A POPULAÇÃO
MIGROU DAS ÁREAS RURAIS
PARA AS CIDADES
A fatia de pessoas até 25 anos diminuiu e a acima de 60 anos aumenta
FAIXA ETÁRIA
0 A 14
COMO ERA EM 2000,
EM % DO TOTAL DE HABITANTES
29,60
15 A 29
Distribuição do total da população,
em
%e
COMO FICOU EM 2010,
EM % DO TOTAL DE HABITANTES
1000
28,23
urbano
67,7
26,91
26,24
28,56
50 A 64
10,08
MAIS DE 65
54,9
63
TOTAL
Fonte: IBGE
03
42
81
21
6
169,8 milhões de habitantes
6
12
12
32,3
18,8
20
7,38
00
45,1
40
13,07
5,85
18
18
24
24
30
30
84,4
80
60
30 A 49
rural
81,2
24,08
36
36
190,8 milhões de habitantes
15,6
0
1960
1980
2000
2010
Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 13
Divulgação
Expansão urbana em áreas
sem saneamento básico
impede desenvolvimento
sustentável
Cidades têm oportunidade
de crescer de forma diferente
Para urbanistas, expansão de
centros de tamanho médio não
deve repetir erros do passado
Martha San Juan França
[email protected]
O Brasil segue a tendência mundial de concentrar a população
em áreas urbanas. A novidade,
segundo o arquiteto e urbanista
Nabil Bonduki é o crescimento
no número de domicílios. Existem hoje 57,3 milhões domicílios particulares e permanentes
no país, segundo o Censo 2010.
Dez anos atrás, eram 44,7 milhões. O aumento, de quase
28%, é mais que o dobro da expansão total da população brasileira que, no mesmo período,
cresceu 12,3%, de 169,8 milhões
para 190,7 milhões. “Esse aumento reflete as mudanças na
estrutura familiar e melhoria de
renda e pode resultar em um
impacto enorme nos serviços”,
afirma Bonduki.
“A verticalização e o adensamento urbano não são necessariamente ruins”, acrescenta o
Chama a atenção
o aumento no número
de domicílios, o que
reflete as mudanças
na estrutura familiar
e melhoria de renda
Essa é a receita que Wilheim e
outros urbanistas gostariam de
levar para as cidades médias
(entre 100 mil e 500 mil habitantes) que, de acordo com o
Censo 2010, são as que mais crescem. “A vantagem dessas cida-
des é que elas têm a oportunidade de fazer diferente”, afirma
Florence Laloe, diretora regional
da ONG internacional Iclei Governos Locais pela Sustentabilidade. “Isso significa investir em
planejamento de uso e ocupação
de solo, saneamento básico,
aproveitamento de lixo como
fonte de energia, inventários de
emissões de carbono etc”, afirma. “É mais fácil pensar antecipadamente nessas questões do
que consertá-las depois.”
“Nossas cidades não precisam reinventar a roda e nem repetir os erros do passado, mas se
antecipar e crescer com experiências bem sucedidas”, diz
Mauricio Broinizi, coordenador
executivo da Rede Nossa São
Paulo.”Nossa cultura e partidos
políticos estão atrasados em relação a isso.” ■
URBANIZAÇÃO
DÉFICIT
28%
é o aumento no número
55,4%
das moradias com rede de esgotos
de domicílios no país.
e 32,9% sem saneamento.
urbanista Jorge Wilheim. “O
problema é quando isso não é
acompanhado de planejamento
urbano.” Ele cita, por exemplo,
a construção de edifícios em
ruas pequenas que não comportam o aumento do tráfego. Ou a
expansão urbana em locais de
risco, próximo de mananciais
ou sem saneamento. “Desenvolvimento sustentável não é sinônimo de crescimento”, frisa
Wilheim. “Desenvolvimento é
melhoria de qualidade de vida e
diminuição das desigualdades.”
Sem reinventar a roda
UM PAÍS QUE NÃO PARA DE CRESCER
PRECISA DE UMA MARCA
QUE NÃO PARA DE EVOLUIR.
O Brasil está se tornando um grande canteiro de obras. Novas oportunidades surgem a todo momento. Para
aproveitá-las, você vai precisar da força e do know-how da Case, há mais de 90 anos no País. De máquinas
leves a mais pesadas, a Case tem uma linha completa de produtos e serviços que atendem a todas as
necessidades deste novo Brasil que cresce como nunca. Porque Case é sinônimo de alta tecnologia aliada a um
pós-venda eficiente e a uma rede que alcança todo o território nacional. Case, uma marca em constante evolução.
Acesse WWW.CASECE.COM.BR
e descubra tudo que a Case pode fazer por você.
14 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011
BRASIL
Editora: Elaine Cotta [email protected]
Subeditora: Ivone Portes [email protected]
Inflação vai limitar
aumento real de
salário em 2011
Somente segmentos com muita escassez de mão de obra
devem manter bons ganhos reais ao longo do ano
Eva Rodrigues
[email protected]
TAXA DE DESOCUPAÇÃO 2011
Antes da crise, em 2008, o Brasil
tinha a segunda maior taxa de
desocupação entre as 20 maiores economias do mundo. Hoje,
o país ocupa a 14ª posição no
mesmo ranking, segundo dados
elaborados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O avanço é resultado de um mercado
de trabalho aquecido, que melhorou renda, formalizou mais e
atualmente enfrenta falta de
mão de obra em vários setores.
Esse cenário elevou o poder de
negociação dos trabalhadores
nos últimos anos. Mas agora,
outro fator surge como limitante nessa equação: a inflação. Ela
deve levar a reajustes reais de
salário menores em relação aos
patamares verificados em 2010.
O maior crescimento da economia, por si só, estimula os
reajustes salariais e desde 2004
o Brasil registra paulatinamente
crescimento nos ganhos reais —
tanto no número de acordos
quanto no tamanho desses ganhos. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em 2008, 4% dos
acordos fechados registraram
reajuste real de salário superior
a 3%. Em 2009, foram 5% e em
2010, esse número triplicou e
chegou a 15% dos acordos.
A política de valorização do
salário mínimo, que atinge em
torno de 47 milhões de pessoas,
entre aposentados, pensionistas
e empregados domésticos, acaba servindo como parâmetro de
piso para as demais categorias
profissionais, também tem sido
influência positiva para as negociações dos trabalhadores.
Mas em 2011, a inflação em
alta deve exercer algum freio nas
conversas entre empresários e
trabalhadores — referência para
os reajustes, o Índice Nacional
de Preços ao Consumidor (INPC)
acumula alta de 6,31% em 12
meses. “A inflação é sempre um
elemento dificultador para os
20 maiores economias do mundo
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
ESPANHA
TURQUIA
ÍNDIA
FRANÇA
ITÁLIA
EUA
BÉLGICA
REINO UNIDO
CANADÁ
SUÍÇA
RÚSSIA
INDONÉSIA
ALEMANHA
BRASIL
AUSTRÁLIA
JAPÃO
MÉXICO
HOLANDA
CHINA
COREIA DO SUL
19,4
0
Fonte: FMI
11,4
10,8
9,5
8,6
8,5
8,4
7,8
7,6
7,4
7,3
6,7
6,6
6,3
5,0
4,9
4,5
4,4
4,0
3,3
3
5 10 15
20
ganhos reais. O mercado de trabalho deve continuar bom, as
margens de lucro das empresas
também, mas as pressões de
preços trazem ruído e refletem
nas negociações, que devem resultar em ganhos reais em patamar inferior ao do ano passado”,
diz o coordenador de Relações
Sindicais do Dieese, José Silvestre Prado de Oliveira.
Para além da inflação corrente, a taxa de desemprego baixa e
o maior poder de barganha do
trabalhador podem justamente
se reverter em maiores pressões
inflacionárias logo mais à frente, alerta o sócio da Opus Gestão
de Recursos, José Márcio Camargo. “Não tem nenhum problema nesse cenário se os salários crescerem na mesma taxa
de crescimento da produtividade — o problema é que os salários estão começando a crescer
mais que a produtividade e isso
vai gerar pressão inflacionária.”
Mão de obra escassa
O Sindicato dos Trabalhadores nas
Indústrias da Construção Civil de
São Paulo (Sintracon-SP) está
conduzindo as conversas com o
Sindicato patronal da categoria
que tem dissídio no mês de maio.
Depois de uma dezena de reuniões entre as partes, a reivindicação do INPC — em torno de 6,3%
— do período e aumento real de
5% ainda está longe do consenso. No ano passado, o reajuste foi
de 8,1%, sendo 2% de aumento
real, além de alguns avanços em
cláusulas trabalhistas.
Segundo o presidente do Sintracon-SP, Antônio de Sousa Ramalho, a inflação em alta está
sendo usada como “desculpa”
nas negociações. “Mas não tem
jeito, diante da enorme necessidade de mão de obra no segmento e considerando que os salários médios da construção civil
são baixos, é preciso dar uma
melhorada geral nesses rendimentos”, pondera. Se a categoria não fechar acordo até o início
de maio, a greve geral já está
marcada para o dia 11. ■
MERCADO DE TRABALHO
José Márcio Camargo, sócio
da Opus Gestão de Recursos
Cimar Azeredo, gerente
da PME do IBGE
“O problema no Brasil hoje
é que os salários estão
começando a crescer mais
que a produtividade e isso vai
gerar pressões inflacionárias”
“As disparidades regionais
são muito fortes no Brasil
e ainda é complicado
falar em situação de
pleno emprego por aqui”
Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 15
Murillo Constantino
Freire descarta fusão com DEM e PSDB
A ideia do governador paulista Geraldo Alckmin de fundir o PSDB
com o PPS e o DEM não agradou ao deputado federal e presidente
da legenda socialista, Roberto Freire. Defensor da proposta no
passado, ele afirma que o assunto não está sendo discutido em seu
partido. “Não temos identidade com o DEM”. Ele diz, porém, que
até aceitaria discutir uma fusão com o PSDB, desde que o partido
representasse “a hegemonia que o (José) Serra representa”.
João Laet
Construção civil: inflação deve ter influência
menor nas discussões sobre salário em
função da escassez de mão de obra
Pleno emprego
pede menos
disparidades
Em São Paulo, o rendimento
médio real é de R$ 1.615,00;
em Recife é de R$ 1.051,00
DESEMPREGO
INPC*
CONSTRUÇÃO CIVIL
Em % da PEA*
% acumulada em 12 meses
✽
8,20
6,70
7,93
6,43
7,65
7,10
5,35
6,55
6,55
6,00
JAN/09
6,31
6,02
4,67
4,00
JAN/10
Fontes: IBGE e Brasil Econômico
* População economicamente ativa
MAR/11
JAN/09
JAN/10
MAR/11
Fontes: IBGE e Brasil Econômico
* Índice nacional de preços ao consumidor
Mão de obra é
problema no setor
Em plena campanha salarial, os
trabalhadores da construção civil
apostam na escassez de mão de
obra do setor como aliada nas
negociações. “O país é hoje um
canteiro de obras que precisam
avançar e melhores salários
podem atrair mais os jovens”,
diz o presidente do Sintracon-SP,
Antônio de Sousa Ramalho.
O Brasil vive hoje um cenário de
baixas taxas de desocupação,
mas as disparidades regionais
ou mesmo entre gêneros vistas
no mercado de trabalho tornam
ainda distante a afirmação de
que o país chegou ao nível de
pleno emprego.
É fato que o índice de desemprego fechou 2010 em 6,7%, 5,6
pontos percentuais abaixo da
taxa de 12,4% registrada em
2003. Ao longo desse período, a
formalização no mercado de
trabalho brasileiro aumentou e o
rendimento médio real cresceu
19%. Os números mais recentes
também são bons: a taxa de
6,5% em março ficou estável em
relação a fevereiro e foi menor
que a de março de 2010 (7,6%).
Mas a evolução vista nos números gerais das seis regiões
metropolitanas precisa ser qualificada para se ter melhor medida das dificuldades que persistem no mercado de trabalho
brasileiro. Ainda há no país 1,5
milhão de pessoas desocupadas,
2,5 milhões de trabalhadores
não têm carteira assinada e outros 4 milhões trabalham por
conta própria.
As diferenças regionais também são importantes no Brasil.
Enquanto a taxa média de desocupação de 2010 foi de 6,7%; em
Recife ela era de 8,7%; em Salvador, de 11% e, na ponta contrária, Porto Alegre registrou
desocupação de 4,5%.
“As disparidades regionais
são muito fortes e dificultam a
defesa do pleno emprego no
país”, diz o gerente da Pesquisa
Mensal de Emprego (PME) do
Instituto Brasileiro de Geografia
Enquanto a taxa
média de desocupação
de 2010 foi de 6,7%,
em Recife a taxa foi
de 8,7%, em Salvador
foi de 11% e, na
ponta contrária,
Porto Alegre registrou
desocupação de 4,5%
e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo. Outras mazelas sociais se
arrastam no mercado de trabalho: a mulher brasileira ainda ganha 72% do rendimento do homem e a população negra recebe
52% do rendimento dos brancos.
“Isso sem falar nas dificuldades
enfrentadas pelo jovem para se
inserir no mercado de trabalho”,
observa Azeredo. ■ E.R.
MASSA REAL DE SALÁRIOS
Em R$ bilhões de mar/11*
40
35
30
25
20
15
10
5
0
34,69
17,13
JAN/91 JAN/93 JAN/95
Fonte: IBGE e Brasil Econômico
*Corrigidos pelo INPC
JAN/98 JAN/00
JAN/03 JAN/05 JAN/07
MAR/11
16 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011
BRASIL
Divulgação
NEGÓCIOS
OLIMÍPIADAS 2016
Ministro do Desenvolvimento diz que
balança comercial terá recorde em abril
Mudanças na cidade do Rio de Janeiro para
os Jogos Olímpicos serão divulgadas em site
Os dados da balança comercial brasileira de abril, que serão anunciados
hoje, devem apontar recorde, segundo o ministro do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. Sem antecipar números,
ele disse que o mês foi influenciado positivamente pelos embarques de
commodities. Até a quarta semana de abril, as exportações somam
US$ 14,285 bi e as importações, US$ 13,589 bi, com superávit de US$ 696 mi.
A prefeitura do Rio de Janeiro apresentou o projeto Cidade Olímpica.
Os interessados podem acompanhar pela internet as principais
transformações da cidade em razão dos Jogos Olímpicos de 2016.
O objetivo do projeto é documentar e divulgar obras como corredores
expressos, urbanização de favelas e a revitalização da zona portuária.
O material está disponível no portal www.cidadeolimpica.com.
ENTREVISTA EDUARDO CAMPOS Governador de Pernambuco
“Nordestinos bancam parte da
segurança pública de São Paulo”
Divulgação
Governador pernambucano critica
guerra fiscal e defende uso do pré-sal
para desenvolvimento regional
Pedro Venceslau
[email protected]
Desde os tempos em que era deputado federal, o governador de
Pernambuco, Eduardo Campos
(PSB), levanta a bandeira da reforma tributária. Nesta entrevista, ele faz uma cobrança enfática à presidente e aliada Dilma
Rousseff para que tome a iniciativa da reforma e adote uma política de desenvolvimento regional que tenha os estados como
protagonistas.
Campos: “Somos um
dos estados mais
preparados para
receber a Copa”
“
Em 2011, podemos
dar dois ou três
passos importantes
[na reforma política]
a começar com o
fim da reeleição.
É mais produtivo para
um gestor ter cinco
anos de mandato
Dificilmente a reforma política
valerá para as eleições do
ano que vem. Está frustrado?
É lamentável. Já não conto as vezes que vi ela chegar perto e não
acontecer. Não podemos ficar
assistindo em cada eleição uma
nova norma. Agora é o TSE (Tributal Superior Eleitoral) que está
normatizando o processo. Se não
fizermos a reforma este ano,
acho difícil que ela saia. Defendo
o fim das coligações e o financiamento público de campanha.
Podemos dar em 2011 dois ou três
passos importantes e começar
com o fim de reeleição e a coincidência de mandatos.
Por que é contra a reeleição?
É muito mais produtivo para um
gestor ter cinco anos de mandato. Existem várias engenhocas
legais que, em ano de eleição
municipal, não permitem convênios com prefeitos. E em ano
de eleição presidencial não podemos fazer parcerias.
Como evitar um confronto
entre as regiões Sudeste
e Nordeste no debate sobre
reforma tributária?
Temos que quebrar as fábricas
de desigualdades. Para isso, alguns terão que perder privilégios. O fundo de compensação
é uma maneira de compensar
isso. E esta aí o pré-sal, que
também é uma forma de bancar
essa travessia.
O Sr. acredita que a reforma
tributária vai sair do papel
ainda neste ano?
Temos que construir consensos e o
primeiro deles é a simplificação do
sistema. Nesse momento em que
as compras por meio eletrônico
crescem, vemos como o Nordeste
tem perdido arrecadação. As
grandes empresas que administram os sites de venda na web estão levando os recursos que são
devidos aos estados consumidores. Tem muita gente que, nos fóruns, fala de reforma tributária,
mas não quer fazê-la de fato. É
preciso acabar com a concentração dos tributos nos estados mais
ricos. O consumidor pernambu-
cano e nordestino banca parte da
segurança pública de São Paulo.
O que deve ser feito com
os royalties do petróleo?
O pré-sal vai trazer US$ 240 bilhões em investimentos no país só
pela Petrobras. É mais que o dobro
do que a Organização dos Países
Produtores de Petróleo (Opep) vai
investir. Os recursos dos royalties
não podem ficar concentrados em
poucos estados e municípios.
Precisamos que o pré-sal seja do
Brasil. Ele pode ajudar no fundo
de compensação dos municípios.
Como atrair indústrias
sem a guerra fiscal?
A guerra fiscal surgiu quando a
União deixou de ter uma política
de desenvolvimento regional
ativa. As políticas tributárias
não estão dando em nada.
Pernambuco está preparado
para a Copa?
Está indo bem e vamos concorrer a uma vaga na Copa das Confederações. Estamos com aeroporto em dia. Somos um dos estados que está dentro dos prazos
e de acordo com o caderno de
encargos da FIFA (Federação Internacional de Futebol). ■
Leia versão completa em
www.brasileconomico.com.br
Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 17
18 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011
INOVAÇÃO & EDUCAÇÃO
TERÇA-FEIRA
QUARTA-FEIRA
EMPREENDEDORISMO
GESTÃO
Editora Executiva: Thaís Costa [email protected]
Crianças participam
de aula de informática
no Centro Digital
São Caetano ensina informática e
Movimento Educar 2020 prevê transferir escolas estaduais de ensino médio ao poder municipal, ampliando
Thais Moreira
[email protected]
Enquanto famílias de diversas
cidades do Brasil apertam o orçamento para poder pagar uma
boa escola para seus filhos, a
Prefeitura de São Caetano do Sul,
na Grande São Paulo, uma das
cidades com maior IDH (Índice
de Desenvolvimento Humano)
do país, tem planos para melhorar a qualidade da educação em
suas escolas e justificar os impostos pagos pela população.
A cidade está desenvolvendo
o projeto Educar 2020, cujo objetivo é formar uma geração voltada ao futuro profissional e familiar. O plano é espelhado em
modelos de sucesso utilizados
por países como Canadá, Espanha e Japão, e facilmente replicáveis em outras cidades.
Lançado há dois meses, o Educar 2020 pretende que famílias,
educadores e sociedade se reúnam para construir uma geração
economicamente ativa e sustentável. Para isto foram definidas
dez diretrizes de trabalho (ver tabela), dentre as quais está o plano
da cidade de municipalizar todo
os níveis de ensino. Hoje, o fundamental, que vai do 1º ao 9º ano,
é de responsabilidade da Prefeitura. O ensino médio (antigo colegial), que tradicionalmente fica
sob a responsabilidade do Estado,
também passará para a gestão do
José Auricchio Jr.
prefeito de
São Caetano do Sul
“O desenvolvimento escolar,
do ensino infantil ao superior,
é mais bem aproveitado
quando a família participa. ”
município. A cidade ainda conta
com a Universidade Municipal de
São Caetano do Sul (USCS).
Segundo o prefeito de São
Caetano, José Auricchio Júnior, o
projeto tem suas bases no núcleo
familiar. “O desenvolvimento
escolar, do ensino infantil ao superior, é mais bem aproveitado
quando a família participa”,
lembra. “Ela é o elo que fecha o
ciclo virtuoso para a garantia do
cumprimento de nossas dez metas ao longo de uma década.”
Iniciativas
O Educar 2020 se baseia na capacitação dos jovens na língua
inglesa e no ensino de informática. Os dez mil estudantes que
integram a rede pública municipal passam a ter aulas de inglês.
Como a rede tem 8,5 mil vagas, a
Prefeitura complementa com
uma bolsa de estudos de R$ 180
mensais para os 1,5 mil alunos
excedentes, que devem buscar
escolas de idioma particulares.
O projeto também prevê aulas
gratuitas de informática no Centro Digital da cidade, onde estão
disponíveis cerca de 100 computadores, equipamentos para apresentações de vídeo e outras mídias, e uma biblioteca informatizada. Lá, os alunos dos níveis fundamental e médio podem realizar
conferências e acessar a internet.
Os professores passam igualmente por cursos de capacitação.
Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 19
QUINTA-FEIRA
SEXTA-FEIRA
SUSTENTABILIDADE
TECNOLOGIA
Fotos: divulgação
FRANCINE REIS
ESCOLAS
Gerente de educação a distância
da Kroton Educacional
Prefeitura
alcança melhores
resultados
De 2007 a 2010, a Prefeitura de
São Caetano do Sul tornou municipais 10 escolas estaduais de
ensino fundamental. A iniciativa
atingiu 5.430 alunos da antiga
rede estadual. Foram feitas reformas nas dependências, trazendo a possibilidade do acesso
de mais moradores às práticas
educacionais já desenvolvidas
pelas unidades municipais de
ensino fundamental.
As escolas que foram municipalizas têm o conteúdo pedagógico padronizado. A mudança
trouxe o fim da progressão continuada, sistema que não reprova o aluno ao final do ano letivo.
Os estudantes que não atingem
o nível de conhecimento desejado recebem acompanhamento
dos professores, fora dos horários de aula, como recomenda a
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
De acordo com Alexandre
Oliveira, professor e fundador
da consultoria Meritt, o movimento da municipalização contém vantagens e desvantagens.
“O benefício é a maior proximidade com o poder executivo,
que permite que as demandas
das escolas cheguem ao gestor
municipal”, afirma. Em muitos
municípios, o diretor da escola
tem interlocução direta com o
secretário de educação.
A desvantagem, explica Oliveira, é que o município possui
menor poder de barganha na
A municipalização
em São Caetano
acabou com o
sistema que não
reprova o aluno ao
final do ano letivo
compra de produtos ou contratação de serviços. “A realização
de um curso de capacitação em
alfabetização, por exemplo, implica em um custo fixo, às vezes
alto, de transporte, alimentação
e hospedagem para a pessoa que
irá ministrar o curso”, explica.
A cidade de São Caetano tem
duas escolas estaduais de ensino
fundamental II, que obtiveram
Ideb de 4.5 em 2009 (abaixo da
meta de 4.7), enquanto as escolas municipalizadas do mesmo
nível atingiram 5.7.
A Prefeitura tem apenas duas
escolas de ensino médio sob sua
administração. O objetivo do
projeto é municipalizar as outras 9 estaduais e chegar ao próximo ano com 11 escolas. Considerados todos os níveis, a rede
abrange 70 unidades. ■ T.M.
PROJETO EDUCAR 2020
inglês
total de beneficiados
Diretrizes que prometem revolucionar o ensino público da cidade
1
Resultados
De acordo com a consultoria
Meritt, o Índice da Educação
Básica (Ideb) observado no
município para o fundamental
I (1º ao 4º ano) é de 5.9, enquanto as escolas municipais
do Brasil exibem 4.4 para o
mesmo nível. O Ideb mede a
proficiência dos alunos (em
português e matemática) versus a frequência (ritmo de progressão dos alunos ao longo
das séries). “Temos um grupo
dentro da secretaria da educação voltado para a legislação e
reciclagem do ensino que também monitora as avaliações do
MEC”, afirma o prefeito José
Auricchio. ■
Garantia da oferta de ensino
integral infantil e universalização
do ensino integral no
fundamental (1º a 9º ano)
2
Garantia da municipalização
do ensino fundamental
3
Garantia do avanço da
educação tecnológica
4
Garantia de ensino de um
segundo idioma aos alunos
da rede pública
5
Ampliação dos programas
de formação, capacitação
e treinamento dos profissionais
e estruturas de apoio à educação
Fonte: Prefeitura Municipal de São Caetano
6
Valorização dos profissionais de
educação
7
Aperfeiçoamento e estímulo do
ensino técnico profissionalizante,
acompanhando o desenvolvimento local e nacional
8
Garantia de manutenção de
programa de acesso ao ensino
superior com recursos do
Tesouro Municipal
9
Ampliação do número de vagas
do ensino superior gratuito
através das instituições de
ensino de São Caetano do Sul
10
10
Garantia do ensino médio
municipalizado, independentemente do Estado e da União
Educar a distância, o
caminho sem fronteiras
No Brasil, investir tempo e dinheiro na retomada dos estudos envolve uma série de requisitos, como definir o
curso de preferência, determinar a área de formação e
eleger a instituição educacional capaz de aliar excelência, preço e logística ao percurso diário. Diante das intempéries e do trânsito que assolam o país, a localização
tornou-se fator determinante para essa escolha.
Frente a esse cenário, a educação a distância (EAD)
ultrapassa fronteiras e quebra velhos paradigmas. De
acordo com o Censo da Educação Superior de 2009, realizado pelo MEC, houve um crescimento de 30,4% em
relação a 2008 na graduação a distância, sendo que nos
presenciais o aumento foi de 12,5%. Os alunos que cursam graduação a distância representam 14,1% do total de
matrículas neste nível. Isto significa que 1 em cada 7 alunos ingressa em um curso na modalidade a distância.
A educação a distância, assim como a conhecemos
hoje, com os recursos disponíveis das Tecnologias da Informação e Comunicação, foi uma aposta das empresas,
que identificaram uma valiosa solução para treinamento
e desenvolvimento dos funcionários, bem como para a
disseminação da informação de forma ágil, segura e com
custos reduzidos. A vanguarda dessa iniciativa permitiu
que as organizações vislumbrassem o valor da aprendizagem como um ativo empresarial.
Diferente das companhias, as instituições educacionais e os órgãos regulatórios brasileiros resistiram em
aceitar a EAD como
uma forma de aprendizagem de qualidade.
A Universidade de
Cercada de preconceiLondres, primeira
tos, já foi considerada
como uma educação de
instituição a
segunda categoria, de
distância de que se
pouca credibilidade, que
tem notícia no
não forma adequadamente indivíduos para o
mundo, formou
de trabalho.
Nelson Mandela em mercado
Fatores que não condiDireito por
zem com exemplos positivos em países desencorrespondência
volvidos, cuja modalienquanto ele
dade já é uma realidade
estava na prisão
aceita há muitos anos.
Um bom exemplo é a
Universidade de Londres, primeira instituição aberta a distância de que se
tem notícia no mundo, existente há 152 anos. Por meio
dos cursos por correspondência formou grandes figuras
da humanidade: Nelson Mandela obteve o diploma em
Direito por correspondência enquanto estava na prisão e
Gandhi também conquistou o diploma de curso superior
na mesma instituição de ensino, uma das maiores do
mundo. Então, por que o Brasil não aproveita e segue o
caminho dessas boas referências?
Muito já avançamos, mas é preciso e possível progredir mais. A EAD ainda é vista com certa desconfiança
pela sociedade, porém as perspectivas nesse horizonte
são boas. Estudos feitos pelo Inep na comparação das
notas médias dos alunos de cursos a distância nos exames Enade nos anos de 2005 a 2007 mostraram que, na
média, os alunos a distância alcançaram notas com 6,70
pontos percentuais acima das notas dos alunos presenciais de cursos equivalentes. A nota média dos alunos de
cursos presenciais foi de 40,89 pontos, diante de 47,59
pontos para os alunos a distância.
A janela de oportunidade na educação a distância está
aberta. Cabe às empresas e às instituições educacionais se
prepararem para atuar com êxito dentro desta realidade flexível, com um portfólio voltado para as necessidades atuais
e com milhares de polos espalhados em todo o Brasil. ■
20 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011
ENCONTRO DE CONTAS
LURDETE ERTEL
Filippo Monteforte/AFP
DO CACAUEIRO
À BOCA
Maior produtor de cacau
do Brasil e exportador
da matéria-prima há um
século, Ilhéus (Bahia) só
agora ganhou sua primeira
fábrica de chocolates finos.
A indústria Itacaré começou
a produzir na Fazenda Berg
Frut, em Rio do Engenho,
distrito de Ilhéus (BA), com
capacidade inicial de 200
quilos de chocolate por dia.
Mas a expectativa é
engordar o volume para
1.000 quilos diários.
Para abastecer a fábrica,
a fazenda fez um upgrade
no sistema de controle
de produção, colheita
e seleção do cacau
colhido na propriedade.
O empreendimento
pretende aproveitar
a tradição cacaueira da
região para firmar seu
produto como ‘melhor
chocolate do mundo’.
A pretensão tem a
chancela do governo
do Estado, que está
estimulando a implantação
de outras fábricas de
chocolates finos na região.
Gente grande
A Fraldas Capricho, empresa
familiar com 36 anos de
mercado, está ampliando sua
fábica em Capivari (SP).
Com investimento de R$ 6,7
milhões, a unidade terá sua
capacidade esticada em 20%,
para 60 milhões de unidades
por mês. Com a expansão, a
Capricho pretende passar de
quarta para segunda maior
fabricante brasileira de fraldas
em um ano, atrás somente do
grupo nacional Hypermarcas.
Para isso, a empresa também
está investindo em novo nicho de
mercado: consumidores adultos.
Sem carpete
Famoso por servir de QG a um
dos maiores festivais de cinema
da América Latina, o hotel
Serrano, de Gramado (RS)
será novamente ampliado.
No próximo ano, o grupo GJP
vai investir na construção de
mais 90 apartamentos no
complexo, hoje com 272 quartos.
Hollywood à italiana
Roma, na Itália, ganhou nova atração
turísticas por alguns meses.
Depois de 74 anos, pela primeira vez
estão sendo abertos à visitação pública
os fabulosos estúdios da Cinecittá,
complexo cinematográfico italiano
no qual foram rodados filmes míticos
como Quo Vadis?, Cleopatra e Ben Hur.
O local também foi moldura de parte
da produção de diretores antológicos
como Rosellini, Fellini, Visconti e
De Sicca, que inscreveram a Itália
na história do cinema mundial.
Criados em abril de 1937, os estúdios
abrigaram ainda as filmagens de
grandes produções americanas
God Save The Queen
Uma gravação rara do famoso
tema God Save The Queen, dos
Sex Pistols, foi apontada como
o vinil mais valioso do mundo.
O valor da peça foi estimado
em aproximadamente € 9100.
O ranking da revista Record
Collector escolheu os 51 vinis
mais valiosos de sempre.
A banda britânica deixou para
trás grupos como os Beatles
e os Rolling Stones.
recentes, como Gangues de Nova York,
com Leonardo di Caprio.
Os espetaculares cenários da Hollywood
italiana poderão ser visitados até novembro,
como parte dos festejos dos 150 anos da
unificação da Itália. Também é possível espiar
figurinos memoráveis, como o hábito de frade
usado por Sean Connery em O Nome da Rosa.
“Achávamos que
seria menos,
porque as pessoas
ainda têm muito
preconceito.
Vivemos em
uma sociedade
heteronormativa.
E, de repente,
a gente constata
que há 60 mil
casais. E esse
número é só a
ponta do iceberg.
Daqui a 10 anos,
serão 600 mil”
Toni Reis, presidente da ABGLT,
comentando dados do último
censo do IBGE, que contabilizou
60 mil casais homossexuais no país.
Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 21
Fotos: divulgação
MARCADO
Sabores da Itália
Para celebrar o ano da Itália no Brasil, que começa em outubro, alguns
dos mais renomados restaurantes paulistanos realizam a Temporada da
Culinária Italiana, que acontece entre os dias 16 de maio e 10 de junho.
A ação vai proporcionar ao público a oportunidade de realizar uma
viagem gastronômica por 11 regiões italianas. Participarão do evento os
restaurantes Benvenuto, Così, Empório Ravioli, La Vecchia Cucina, Nello’s,
Piselli, Quattrino, Ravióli Cucina Casalinga, Spadaccino, Vitrô e Zzi Luca.
● O ex-presidente do Banco Central
Henrique Meirelles, o presidente do
BNDES, Luciano Coutinho e o prefeito
do Rio de Janeiro, Eduardo Paes,
são alguns dos líderes já confirmados
para o 9º Annual Latin American
Leadership Forum, que será realizado
no Rio, entre os dias 9 e 11 de maio.
[email protected]
Trampolim
GIRO RÁPIDO
Os investimentos da Siemens no
Brasil estamparam a companhia
na capa da edição de maio da
respeitada revista americana
Forbes. A publicação dá destaque
à estratégia da Siemens de
crescer na carona do aumento
demográfico nas grandes cidades.
O Brasil é o grande destaque
entre os países emergentes na
América Latina, África e Ásia: os
contratos para os modernos metrôs
da Via Quatro, modernização
da estrutura energética do país
e os futuros eventos esportivos
são algumas das oportunidades
da companhia por aqui.
Bola na rede
A marca esportiva Stadium
anuncia hoje, em são Paulo, o
patrocínio do jogador Rivaldo.
O endosso ao pentacampeão
é parte de um projeto
maior de fortalecimento
institucional da marca.
Carona federal
O Aeroporto de Brasília
finalmente ganhou uma
linha de ônibus executivo.
O serviço, inédito na capital
federal, é preparativo para
a Copa do Mundo de 2014.
O ‘frescão’, como foi batizado
por causa do ar condicionado
a bordo, vai ligar o terminal
à Esplanada dos Ministérios, à
rodoviária do Plano Piloto e aos
setores hoteleiros Sul e Norte.
A linha terá saídas a cada
30 minutos, todos os dias da
semana, com passagem a R$ 8.
Mais sorrisos
A Abbott Brasil está apoiando
a Operação Sorriso do Brasil.
A organização realiza
cirurgias gratuitas em
crianças e jovens portadores
de fissura lábio palatina no
mundo todo. Neste ano serão
350 cirurgias no Brasil.
Em movimento
Arroz de festa
O arroz, ingrediente básico da
culinária de várias coordenadas,
inspira o novo restaurante que
os chefs Daniela Amendoa e
Márcio Silva estão abrindo no
bairro Higienópolis, em São Paulo.
O Oryza foi instalado em um
antigo casarão na Rua Mato
Grosso e reinventa diversas
receitas com o grão.
Os dois chefs se conheceram
na cozinha do D.O.M.
Lugar de homem é na cozinha
O chef Alex Atala foi eleito o Homem
do Mês na segunda edição da GQ Brasil,
que chega hoje às bancas de todo o país.
A publicação é considerada referência
de estilo e comportamento do homem
moderno e sofisticado.
Recentemente, Atala brindou a escolha
de seu restaurante, D.O.M., como
o 7º melhor do mundo pelo júri
de especialistas da publicação
The World’s Best Restaurants.
“O que pesa não é representar o Brasil
lá fora, mas sim a responsabilidade de
saber passar o bastão para a nova geração.”
Reprodução
NA CAPA
A atriz e
apresentadora
Fernanda Lima
vai estampar a
próxima capa
da revista RG.
Fotografada por
J.R. Duran, a bela
abriu o jogo sobre
o relacionamento
com Rodrigo
Hilbert e sobre a
relação de amizade
e parceria criativa
que mantém com
Ricardo Waddington,
seu ex-namorado
e diretor dos
programas
Amor e Sexo e
Por toda a
Minha Vida.
A fisioterapeuta e presidente
da Associação Brasileira de
Ginástica Holística, Patrícia
Lacombe, acaba de inaugurar,
em Campinas (SP), a sede
do Instituto Patrícia Lacombe
para atendimento de
pacientes e treinamento de
profissionais de fisioterapia.
O investimento total foi de
R$ 2 milhões.
Estampado
Disputas esportivas históricas
acabam de ganhar estampas
em nova linha da Liga Retrô.
A nova coleção de T-shirts
remete a disputas marcantes
de diversos esportes,
como futebol, vôlei, boxe,
basquete e atletismo.
A linha conta com com seis
modelos, cada um custando
R$ 79,90.
Negando a origem
Na mesma semana em que o presidente Barack Obama apresentou a
certidão de nascimento para dar fim aos boatos sobre sua origem americana,
outro famoso sobrinho do Tio Sam tomou iniciativa oposta: o personagem
Superman aparece em uma nova história renunciando à cidadania americana.
- Estou cansado de que minhas ações sejam interpretadas como instrumentos
da política dos Estados Unidos - justifica o superherói criado em 1938.
Depois da reação de alvoroço entre os políticos americanos no HQ,
o homem da capa vermelha pedirá asilo político. A proposta mais rápida
de acolhida virá de... Fidel Castro.
Com Karen Busic
[email protected]
22 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011
EMPRESAS
Seja um profissional diferenciado,
capacite-se na Academia FBM.
Editora: Rita Karam [email protected]
Subeditoras: Estela Silva [email protected]
Isabelle Moreira Lima [email protected]
www.grupofbm.com.br
Vicunha costura compras
na Argentina e Colômbia
Fabricante brasileira de fios têxteis e tecidos planeja adquirir três fábricas nos países
vizinhos neste ano, enquanto avalia a possibilidade de investir também no México
Amanda Vidigal Amorim e
Nivaldo Souza
[email protected]
Após anunciar um contrato de
produção com a argentina
Ullum, em janeiro, a Vicunha
Têxtil se prepara não só para
concluir o acordo. A brasileira
também negocia a aquisição de
duas fábricas de fios têxteis e tecelagem no país parceiro do
Mercosul, sendo uma da própria
Ullum. É com este objetivo que
o diretor financeiro José Maurício D´Isep desembarca hoje em
Buenos Aires. “Nossa estratégia
está desenhada. Queremos entrar na Argentina e na Colômbia. No México, vai depender de
oportunidades”, afirma.
O executivo já esteve na Colômbia. O país será o próximo
passo após a conclusão da investida na Argentina. Produzir
no mercado colombiano, segundo D’Isep, é a estratégia
para entrar nos Estados Unidos. Os dois países mantêm
acordo comercial. “Duas fábricas colombianas estão sendo
estudadas, uma será comprada.
O país tem bons acordos com
os EUA, o que para a nossa estratégia é fundamental.”
Como os americanos não
compram o tecido pronto, apenas as peças já confeccionadas,
a empresa pretende produzir na
Colômbia e distribuir por meio
de atacadistas instalados no
México. “Hoje as grandes marcas não são mais os nossos
clientes diretos. Elas terceirizam a produção, o que de certa
maneira nos ajuda. Com uma
venda pulverizada, é possível
manter as margens de lucro.”
O investimento na Colômbia
seria parecido ao executado na
Argentina, onde entre aquisição e modernização a Vicunha
espera gastar US$ 40 milhões
em cada unidade fabril que adquirir. “Conseguimos um incentivo do Fundo do Bicentenário da Argentina, uma instituição controlada pelo governo,
com 10% de juros ao ano.”
Na fábrica de San Antonio
de Pichincha, que mantém no
Equador, a empresa aplica recursos obtidos junto ao Banco
Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco do Brasil.
Companhia pretende
reforçar musculatura
fabril em países
com acordos
comerciais com
os Estados Unidos
As instituições emprestaram
US$ 10 milhões e US$ 15 milhões, respectivamente.
A unidade equatoriana foi beneficiada pelo fechamento da
concorrente Tavex, que encerrou
atividades no Chile. “Ganhamos
de graça todos os clientes que a
Tavex atendia”, afirma D’Isep.
PRODUÇÃO ARGENTINA
4 milhões
de metros é quanto a
Vicunha pretende produzir
nas duas futuras fábricas
da empresa na Argentina.
Cada unidade receberá
investimento de US$ 40 milhões.
Estratégia sul-americana
Os investimentos fora do Brasil
são parte da estratégia de recuperação traçada por D´Isep,
após a crise vivida pela Vicunha
em 2006, quando amargou um
prejuízo de R$ 400 milhões. “A
melhor maneira de proteger as
operações no Brasil é ter plataformas fora do país”, observa o
executivo (leia mais ao lado).
Segundo ele, para ser rentável, cada unidade deve produzir no mínimo 2 milhões de
metros de tecido por mês. A
meta é produzir 8 milhões de
metros nos vizinhos sul-americanos — incluindo a Colômbia. O volume pode ser atingido em 2013. Atualmente, a
Ullum produz 300 mil metros
mensais. A segunda unidade
argentina seria menor. Contudo, ambas devem ser ampliadas para 4 milhões de metros
de capacidade. Hoje, a produção total da Vicunha é de 15
milhões de metros por mês —
sendo 2 milhões no Equador.
Em 2013, chegará a 24 milhões
— contando as unidades argentina, brasileira, colombiana e equatoriana. “Apesar do
dólar desvalorizado prejudicar
a exportação, ele facilita a
compra de ativos. Queremos
ter plataformas industriais na
América do Sul.”
O plano é que parte do consumo brasileiro seja abastecido
pela produção argentina. Com
isso, a Vicunha deve cumprir as
cotas estabelecidas pelo governo portenho para manter a concessão de incentivos fiscais.
A estratégia de aquisições
internacionais está dando certo. Em 2010, a empresa teve lucro de R$ 70 milhões — ante
prejuízo de R$ 5 milhões no ano
anterior. Para 2011, as estimativas são otimistas. “A previsão
para o lucro deste ano é de R$
80 milhões”, indica o diretor
financeiro da Vicunha. ■
PRODUÇÃO TOTAL
15,5
mi
de metros de tecido serão
produzidos por mês até 2013.
O montante já conta com a
produção de 2 milhões de metros
de uma fábrica na Argentina.
RECUPERAÇÃO
R$ 70 mi
foi o lucro que a Vicunha
Têxtil atingiu no ano passado.
O valor representa a recuperação
da empresa após anos
de crise. Em 2011 o lucro
estimado é de R$ 80 milhões.
José M. D’Isep, diretor
da Vicunha: aportes
de US$ 40 milhões em
cada unidade no exterior
Modernização
Fundo financia 50% dos R$ 400
milhões que a Vicunha investirá
em quatro fábricas do Nordeste
O Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE)
liberou R$ 200 milhões para a Vicunha Têxtil modernizar quatro
fábricas no Ceará e Rio Grande do
Norte. Os recursos foram repassados na semana passada e vão
integrar um pacote de investimentos costurado pela fabricante
de fios e tecidos para ter capaci-
dade produtiva de 16 milhões de
metros por mês até 2013. “Vamos
expandir a produção com um
crescimento marginal com novas
máquinas”, afirma o diretor financeiro José Maurício D’Isep.
Os novos equipamentos devem adicionar 3 milhões de
metros à capacidade mensal.
“Estamos falando de um investimento de aproximadamente
R$ 400 milhões”, diz o executivo.
A Vicunha terá dez anos para
ressarcir o fundo de desenvolvi-
Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 23
Michael Nagle/Bloomberg
Motorola Solutions tem venda concluída
A joint-venture Nokia Siemens Networks, fabricante de equipamentos
para comunicação móvel, concluiu na sexta-feira a aquisição da unidade
de dispositivos móveis da Motorola Solutions por US$ 975 milhões, quatro
meses após o previsto no cronograma inicial. Com o acordo, a empresa
espera ter maior acesso ao aquecido mercado americano, além de se
proteger contra rivais chinesas. A Motorola reduziu o preço de US$ 1,2
bilhão para US$ 975 milhões para garantir o andamento da aquisição.
AGENDA DO DIA
● Começa hoje a 18ª edição
da Agrishow, feira agropecuária
que será realizada até sexta-feira (6)
em Ribeirão Preto, em São Paulo.
O evento reunirá 765 expositores
e espera receber 145 mil
profissionais ligados à
agricultura e pecuária.
Antonio Milena
Mato Grosso
Unidade será construída caso
demanda continue crescendo
A proximidade ao maior polo
produtor de algodão do país
e a oferta de incentivos fiscais
pelo governo matogrossense
fizeram a Vicunha Têxtil firmar
um acordo para a instalação
de uma fábrica em Cuiabá.
A empresa espera, agora,
a manutenção do ritmo
de crescimento do consumo
de tecidos no país para construir
a unidade com capacidade
de 6 milhões de metros por
mês. O investimento ainda
não foi definido, mas a empresa
espera captar a maior parte
dos recursos junto ao Fundo
Constitucional de Financiamento
do Centro-Oeste (FCO), a exemplo
dos R$ 200 milhões repassado
pelo fundo nordestino de
desenvolvimento FNE (leia
mais abaixo). “Se o Brasil
continuar crescendo 4%, 5%,
vai faltar tecido. Mato Grosso
é uma mola propulsora. Se
virmos que haverá demanda,
colocaremos a fábrica de pé”,
indica o diretor financeiro
José Maurício D’Isep.
Segundo ele, o governo estadual
já garantiu incentivos fiscais,
incluindo uma redução de 99%
do Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS).
O incentivo é maior do que
o concedido no Nordeste,
onde as fábricas da Vicunha
no Ceará e Rio Grande do Norte
têm 75% de isenção de ICMS.
A empresa negocia, agora,
com o Senai a criação de cursos
para capacitar a mão de obra
matogrossense. A Vicunha
também está deslocando
profissionais do Nordeste para
acompanhar o treinamento.
Enquanto isso, o governo executa
um projeto de recuperação
ambiental no terreno doado
pelo estado. “O compromisso
do governo é entregar o terreno
até o final de 2012, já com o
tratamento de efluentes concluído”,
diz D’Isep. A.V.A. e N.S.
de unidades levará R$ 200 mi do FNE
mento nordestino. A empresa
conta com uma carência de 36
meses, ao final da qual começa a
pagar os R$ 200 milhões com
taxas de juros de 7,5% e 8,5%.
O FNE estendeu por mais 15
anos a isenção fiscal para as duas
fábricas (fios e índigo) de Maracanaú, a de índigo em Pacajus,
ambas no Ceará, e a de índigo e
brim de Natal. Entre os benefícios, está a redução de 75% do
Imposto sobre a Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS).
A Vicunha obteve o
crédito com taxas
de até 8,5% ao ano.
O capital será usado
em fábricas no Ceará
e no Rio Grande do
Norte, onde a produção
será ampliada
em 3 milhões de
metros por mês
O diretor financeiro diz que
os outros R$ 200 milhões do
projeto serão compostos por capital próprio, por linhas de financiamento de bancos privados e pelo Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES). “Neste ano, investiremos R$ 165 milhões”, diz.
Reestruturação finalizada
A Vicunha procura um controller. A contratação do especialista em contabilidade será o
último passo de um processo de
reestruturação administrativa,
iniciada em 2008. A investida
começou após a empresa perder
R$ 400 milhões em uma operação de proteção de câmbio, em
2006. “Isso provocou nos acionistas um alerta”, conta.
D’Isep, ex-diretor da Santista, foi contratado justamente
para elaborar um plano estratégico para fazer a Vicunha voltar
ao azul. O processo envolveu a
criação de um conselho admi-
nistrativo separado da gestão do
dia a dia e definiu o brim e o denim como áreas de negócios. A
decisão passou pela venda de
ativos em poliéster e malhas e,
agora, envolve as de viscose.
O resultado veio em 2010, com
a redução da dívida líquida da
empresa para R$ 277 milhões,
ante R$ 501 milhões em 2009. A
recuperação se manteve, segundo D’Isep, com um primeiro semestre “excelente” e “melhor
que o de 2010”. ■ A.V.A. e N.S.
24 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011
EMPRESAS
Antoine Antoniol/Bloomberg
AVIAÇÃO
EADS considera inevitável alianças entre
fabricantes de aeronaves comerciais
Os fabricantes de aeronaves comerciais terão que formar alianças para
compartilhar demanda insuficiente no setor no futuro, afirmou o
presidente-executivo do grupo europeu EADS. Haverá seis grandes
fabricantes de aviões comerciais no futuro, conforme empresas da China,
Rússia, Canadá e Brasil invadem o duopólio da Airbus e da Boeing no
setor, disse Louis Gallois, em entrevista ao jornal espanhol Expansion.
Grupo AGCO entra
no mercado de
geradores no Brasil
Divisão de motores da controladora da Massey Ferguson e
Valtra passa a produzir os equipamentos a partir de agosto
Priscila Machado
[email protected]
A AGCO, fabricantes de máquinas agrícolas, prepara sua entrada no mercado brasileiro de
geradores. A partir de agosto, a
Sisu Power, divisão de motores
da companhia, passará a fabricar na unidade de Mogi das
Cruzes (SP) os equipamentos
para geração de energia com a
expectativa de até o final de
2011 distribuir entre 100 e 200
dispositivos de 60 a 250 KVA.
Para o próximo ano a meta é ultrapassar mil unidades.
A princípio, o mercado que
será abastecido com esses equipamentos deverá ser absorvido
pelas próprias concessionárias
do grupo que, no Brasil, somam
mais de 400 unidades. A pulverização desses clientes é vista
como uma vantagem estratégica por Ricardo Huhtala, diretor
da AGCO Sisu Power, já que a
quantidade de fabricantes de
geradores no Brasil é reduzida e
o número de distribuidores
também é limitado.
Apesar de hoje atuar em um
mercado aparentemente muito
diferente, na fabricação de máquinas agrícolas, Huhtala destaca
o diferencial competitivo que isso
pode representar. “O componente mais caro dentro do gerador é o motor, e isso nós já temos
dentro da casa”, diz. Vale lembrar que a companhia é pioneira
na produção de motores 100%
biodiesel na América Latina e
esse diferencial atenderá também
a produção de geradores.
Segundo o executivo, pela sinergia com a área de motores o
investimento na produção de
geradores não será muito alto e
não deve alterar os planos de
investimento já previstos. A
AGCO havia anunciado que planeja investir US$ 10 milhões na
unidade fabril de Mogi nos próximos três anos. No último ano,
a unidade alcançou a produção
recorde de 100 mil motores.
“
O componente
mais caro dentro
do gerador é o
motor, e isso nós
já temos na casa
Ricardo Huhtala,
diretor da AGCO Sisu Power
Além da vantagem na obtenção de componentes, o diretor
da AGCO reconhece que a geração de negócios impulsionada
por eventos como a Copa do
Mundo de 2014 e as Olimpíadas
de 2016, ambas no Brasil, terão
um impacto positivo na nova
área de atuação.
Globalmente, a fabricação de
geradores não é novidade para o
grupo. Em países da Europa, a
AGCO já produz esse tipo de
equipamentos há muitos anos e
na China, desde 2008, é fornecedora exclusiva da Kone Crane
e Kalmar. “Já tínhamos expertise dentro de casa. Lá fora, fornecemos para a irlandesa AJ
Power”, diz Huhtala.
Agrishow
Os novos geradores serão apresentados ao público a partir de
hoje quando começa a 18º edição da Agrishow, em Ribeirão
Preto (SP). O evento costuma
ser um dos principais geradores
de vendas de máquinas agrícolas para a companhia.
Nesta edição, além das empresas do grupo ACGO, cerca
de 760 marcas estarão presentes. A recuperação dos preços
das commodities nas principais Bolsas mundiais devem
garantir a superação da marca
de vendas da ordem de R$ 1,2
bilhão atingida no ano passado. “O agronegócio brasileiro
atravessa momento positivo e
está mais capitalizado”, diz
Cesário Ramalho, presidente
da feira que garante que o
evento “não sai nunca mais de
Ribeirão Preto”. ■
FATURAMENTO
APORTE
US$
6,9 bi
é a receita líquida em vendas
R$
10 mi
é o investimento que a AGCO
que o grupo AGCO registrou
em 2010 com suas principais
marcas: Challenger, Fendt,
Massey Ferguson e Valtra.
irá fazer na unidade Sisu Power,
em Mogi das Cruzes, nos
próximos três anos, para
ampliar a produção de motores.
Ricardo Huhtala,
diretor da AGCO Sisu
Power, quer colocar
mil geradores no
mercado em 2012
Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 25
Divulgação
PETRÓLEO
MÁQUINAS
Petrolífera francesa Total tem lucro líquido
de € 3,1 bilhões, com crescimento de 35%
Americana Caterpillar registra lucro líquido
de US$ 1,23 bi no primeiro trimestre
A companhia informa que o resultado referente ao primeiro trimestre
foi impulsionado pelo aumento dos preços das commodities, apesar
da queda da sua produção de petróleo devido aos conflitos na Líbia.
A produção da companhia recuou para 2,371 milhões de barris
de petróleo equivalente por dia no primeiro trimestre deste ano,
ante 2,427 milhões de barris diários no mesmo período de 2010.
O desempenho financeiro da fabricante de máquinas agrícolas foi bem
superior ao registrado no primeiro trimestre do ano passado, quando a
companhia lucrou US$ 233 milhões. A receita saltou 57% no período, para
US$ 12,95 bilhões, enquanto a margem bruta aumentou de 28,5% para
30,1%. A Cartepillar elevou a meta de lucro do ano atual para entre
US$ 6,25 e US$ 6,75 por ação, antes a previsão era de US$ 6,00 por ação.
Claudio Gatti
Fabricante avança no
projeto de trator flex
Técnica de injeção eletrônica
de veículos leves permitirá nova
tentativa de lançar o produto
Apesar da forte alta nos preços
do etanol, a AGCO avança nos
planos de colocar o primeiro
trator flex (movido a diesel e
etanol )produzido em escala
industrial no mercado brasileiro. O projeto, que hoje seria
um risco comercial, deve chegar ao mercado com uma produção inicial de até 1,5 mil máquinas por ano.
O próprio diretor da Sizu
Power, unidade da AGCO que
está desenvolvendo o produto,
Ricardo Huhtala, admite que
hoje não valeria a pena lançar o
projeto, mas prevê um cenário
mais atrativo em 2012 com o
motor flex representando uma
redução de custos para o produtor. “Assim como o biodiesel, o
Trator movido a
diesel e etanol deve
chegar no mercado
com preço de
10% a 15% acima
do produto
similar não-flex
Inverno 2011
Ex
flex depende do interesse do governo incentivar”, diz.
O produtor de açúcar e álcool
é o principal público que a AGCO
quer atingir com o motor flex. O
equipamento será implementado, a princípio, em tratores da linha pesada (acima de 160 cavalos), hoje o carro-chefe da Valtra, que detém cerca de 70% do
mercado sucrolacooleiro. Essas
máquinas chegarão ao mercado
com preços de 10% a 15% acima
do produto similar não-flex.
No início da década de 1980, a
Valtra — ainda com o nome Valmet — tentou introduzir no
mercado tratores flex. Mas a tecnologia da época, sistemas mecânicos no controle da injeção
dos dois combustíveis limitou
que o projeto avançasse. Hoje é
possível aplicar nos motores a
técnica de injeção eletrônica de
veículos leves. ■ P.M.
ade
alid
clu
Qu
siv
ida
de
ra
ventu
A
forto
Con
Fam
ília
Buenos Aires
e Bariloche
6 noitesA
A partir de R$ 2.551
ou 10x
R$
255
saídas 19 Jun a 3 Set
Waldorf Buenos Aires
Crans Montana Bariloche
Alma del Lago
(Cat. Luxo)
R$
A partir de R$ 2.937
ou 10x
R$
293
Cacique Inacayal
359
A partir de R$ 4.169
ou 10x
R$
Ayres de Nahuel
(Cat. Primeira)
A partir de R$ 3.133
ou 10x
R$
313
Panamericano
(Cat. Primeira Superior)
A partir de R$ 3.998
ou 10x
R$
399
Llao Llao Hotel
(Cat. Luxo)
(C
(Cat. Luxo)
A partir de R$ 3.597
ou 10x
Hosteria Aitue
(Cat. Turística)
416
A partir de R$ 4.539
ou 10x
R$
453
Voos di
V
diretos:
t
Saídas,
S íd
25
5 JUN | 22, 9
9, 16
16, 23
23, 30 JUL | 6
6, 13 AGO
O
Confirmação imediata
Inclui: Passagem aérea, 7 noites de hospedagem, traslados,
passeios, 5 dias de aluguel de roupa de neve e seguro viagem..
Preços em R$ por pessoa, em apto. duplo, calculados ao câmbio de US$ 1= R$ 1,68 de 29/04/2011 sujeitos a variação de cálculo na data da compra. Pacotes e preço sujeitos à disponibilidade
e a alterações sem prévio aviso. 10 x iguais no cartão de crédito. Taxas de segurança, embarque e serviços não inclusas. Passagem aérea com saídas de São Paulo, classe econômica. Tarifas não
válidas para feriados, exceto se mencionadas. Consulte seu agente de viagens. ABAV 017/SP
26 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011
EMPRESAS
Divulgação
CIMENTO
AGRONEGÓCIOS
Cemex sofre prejuízo maior que o esperado,
mas prevê melhora na lucratividade
Desaceleração dos Estados Unidos reduz
pressão sobre commodities, diz Bunge
As vendas líquidas subiram 11%, para US$ 3,4 bilhões no trimestre
passado, em um sinal de que Cemex, uma das maiores empresas
latino-americanas, está deixando para trás a pior crise de sua história
centenária. A companhia divulgou prejuízo líquido de US$ 276 milhões
ante perda de US$ 342 milhões registrada um ano antes. As vendas
em volume de cimento subiram 1% no México.
O arrefecimento da recuperação econômica dos Estados Unidos deve
desacelerar a pressão sobre os preços das commodities, como a soja,
segundo o presidente-executivo da Bunge no Brasil, Pedro Parente.
“Vai ter uma pressão menor agora por causa dos Estados Unidos”, disse
Parente. No entanto, o executivo avalia que a demanda mundial crescente
por commodities alimentícias vai impedir que os preços recuem mais.
PAC e Copa reforçam
a estratégia da
Aggreko no país
Desde 2003 no Brasil, companhia de energia amplia número de
bases para aumentar sua carteira de clientes industriais locais
Ricardo Rego Monteiro
[email protected]
A britânica Aggreko definiu o
Brasil como uma das prioridades estratégicas para os próximos anos. A empresa de geração de energia espera repetir no
país, em 2011, os mesmos 20%
de crescimento alcançados no
ano passado em território nacional e no mundo. Disposta a
pegar carona nos grandes projetos de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a companhia tem
ampliado o número de bases
para prosseguir na conquista de
clientes industriais no país.
Além disso, pretende servir à
Copa do Mundo de 2014, no
Brasil, assim como fez ano passado, na Copa da África do Sul.
“Na América do Sul, que
respondeu por uma receita de
US$ 200 milhões no ano passado, empregamos cerca de 700
funcionários. No Brasil, o faturamento alcançou, no mesmo
período, US$ 50 milhões”, compara o presidente mundial da
Aggreko, Rupert Soames. “Ou
seja, o Brasil, onde empregamos
250 pessoas, responde por praticamente um quarto da receita do
continente e por quase um terço
do total de funcionários. Isso,
por si só, já demonstra a importância do país para nós.”
Soames lembra que o desempenho da companhia, nos últimos anos, foi impulsionado pelo
crescimento global. O executivo
adverte, no entanto, que essa
mesma alta do Produto Interno
Bruto (PIB) também expandiu
perigosamente o consumo mundial de energia a patamares acima da oferta. Se não ocorrer um
reequilíbrio do consumo, alerta
Soames, o fenômeno deverá
afetar o crescimento global em
cinco a dez anos.
Prestadora de serviço nos
segmentos industrial e de infraestrutura, a Aggreko consolidou-se nos últimos anos como
“
O Brasil, onde
empregamos 250
pessoas, responde
por praticamente
um quarto da receita
do continente e por
quase um terço do
total de funcionários.
Isso, por si só,
já demonstra a
importância do
país para nós
Rupert Soames
uma das mais importante companhias de geração de energia,
resfriamento de processos e climatização para empresas do
porte da Petrobras. Em todo o
mundo, dispõe de 6 mil megawatts (MW) de energia, por
meio de geradores móveis.
Após um ano de forte crescimento em faturamento e lucro,
os investimentos da Aggreko
para 2011 devem alcançar o recorde de US$ 519 milhões (£320
milhões) — valor 26% superior
ao investido no ano anterior. Os
desembolsos serão destinados
não só ao aumento da frota de
geradores movidos a gás natural, como à inauguração de novas bases locais pelo mundo.
A divisão internacional da
empresa, da qual o Brasil faz parte, registrou no último ano um
aumento de quase 19% do faturamento, para US$ 1,5 bilhão
(£899,20 milhões). No mesmo
período, também registrou aumento de 16% do lucro operacional, que chegou a US$ 517 milhões (£315,80 milhões).
Desde 2003 no Brasil, a empresa fornece soluções temporárias de energia para as refinarias do Paraná (Repar) e do Planalto Paulista (Replan), em
Paulínia, atualmente a maior do
Brasil. Também atende concessionárias de energia e empresas, como a mineradora Vale,
além de assegurar suporte a
grandes eventos internacionais.
Depois de operar na Copa da
África do Sul e nos Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver,
no Canadá, no ano passado, a
companhia prepara-se para
oferecer os mesmos tipos de
serviços, em 2012, para os Jogos
Olímpicos de Londres.
Foi a Aggreko, como lembra
Soames, que, desde o mês passado, fornece energia de emergência, no Japão, para a usina
nuclear de Fukushima Daishi,
destruída pelo terremoto seguido de tsunami que devastou boa
parte do país asiático. ■
EXPANSÃO
Companhia expande suas bases para o Norte
Presente no Brasil com centros
de serviços em municípios como
Campinas (SP) e Macaé (RJ),
a Aggreko deverá inaugurar
ainda neste ano novas bases em
cidades como Paraupebas (PA) e
Recife (PE), no rastro de grandes
projetos de infraestrutura da
indústria. O presidente mundial
da empresa britânica, Rupert
Soames esclarece que, da mesma
forma que as unidades paulista
e fluminense atendem projetos
da Petrobras já existentes, como
a refinaria de Paulínia (Replan),
os novos centros estão previstos
para dar o mesmo tipo de
suporte para projetos da Vale,
no Pará, e da própria Petrobras
no porto de Suape (PE) – a futura
Refinaria Abreu Lima (Rnest),
ainda em construção.
“Acreditamos que o Brasil iniciou
um longo ciclo de crescimento,
que deverá se estender pelos
próximos anos, e que demandará
a expansão da oferta de energia
do país”, justifica Soames.
“Para isso, estamos prontos a dar
o necessário suporte também para
Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 27
Divulgação
PAPEL E CELULOSE
COSMÉTICOS
Medidas do governo para conter a inflação
e parada de fábrica afetarão Klabin
Presidente da Natura descarta
novos aumentos de preço este ano
A Klabin planeja para este trimestre uma grande parada para manutenção
na fábrica de Monte Alegre (PR), sua maior unidade, que afetará
o Ebitda no segundo trimestre, disse o diretor-geral, Fábio Schvartsman.
“Essas medidas de aumento de taxas de juros podem influenciar
a demanda depois de três a seis meses... a visibilidade do segundo
semestre ainda está um pouco difícil em função dessas medidas.”
A declaração é de Alessandro Carlucci, presidente da companhia.
A Natura elevou os preços em fevereiro e espera que o reajuste,
associado à valorização do real, compense a alta das commodities,
disse Carlucci. A Natura reportou na útlima semana um lucro líquido
de R$ 150,5 milhões no primeiro trimestre do ano, um acréscimo
de 6,3% em relação ao mesmo período de 2010.
Bloomberg
Samarco vai buscar
US$ 1,5 bi no exterior
Subsidiária da Vale e BHP Billiton negocia com bancos estrangeiros
crédito de até 50% da nova pelotizadora orçada em US$ 3 bilhões
Nivaldo Souza
[email protected]
A mineradora Samarco está
montando a estrutura financeira necessária para acessar até
US$ 1,5 bilhão em linhas de crédito de bancos internacionais. O
montante equivale a metade dos
US$ 3 bilhões que serão investidos, até 2014, na construção da
quarta pelotizadora da unidade
mantida pela empresa em Anchieta, no Espírito Santo. A outra metade dos recursos serão
do próprio caixa.
O presidente da companhia,
José Tadeu de Moraes, assegura
já ter consultado o “apetite” de
pelo menos 20 instituições financeiras fora do Brasil. Segundo o executivo, há disposição
suficiente para obter crédito.
A empresa avalia, agora, junto aos controladores o perfil de
dívida que será contratada. “Estamos discutindo com nosso
acionistas a melhor engenharia
financeira”, diz Moraes.
A Samarco é uma joint venture entre a anglo-australiana
BHP Billiton e a Vale — ambas
donas 50% da empresa de capital fechado. A brasileira aprovou, na sexta-feira, a instalação
da pelotizadora capixaba.
Ruppert Soames, presidente
mundial da Aggreko:
companhia faz investimentos
para aumentar sua frota
de geradores a gás natural
e Nordeste
as concessionárias de energia, que
vão precisar expandir rapidamente
a capacidade de atendimento
desse consumo. Dispomos de uma
capacidade instalada, no mundo
todo, de 6 mil MW de energia,
por meio de gerados móveis
a gás natural ou a óleo diesel.”
De olho na Copa do Mundo de
2014, a empresa traçou uma
estratégia de cerco às
oportunidades, que prevê o
contato – já iniciado – e o
estreitamento de relações
com todos os comitês estaduais
de organização do evento.
A expectativa, pelo menos para
2011, é manter o padrão médio
de crescimento de 5% ao ano,
no Brasil, mantido em todo o
mundo, desde 2005. A tarefa
para a Aggreko revela-se menos
árdua do que parece inicialmente,
levando-se em consideração
o que Soames identifica como
um sensível desequilíbrio entre
oferta e demanda de energia
não só no Brasil, mas em todo
o mundo, principalmente
entre os emergentes. R.R.M.
Minerioduto
O projeto inclui a construção de
um minerioduto com 396 quilômetros e a modernização do terminal marítimo Ponta Ubu (ES).
O porto receberá novos equipamentos para ampliar a capacidade de movimentação de atuais
23 milhões de toneladas anuais
para 33 milhões. “Esse é o nosso
terceiro ciclo de expansão. Vamos aumentar a capacidade de
pelotização de 22 milhões para
30,5 milhões de toneladas por
ano”, diz o superintendente do
projeto, Maury de Souza Júnior.
A Samarco não fará novos investimentos para ampliar o volume de minério extraído em
Mariana e Ouro Preto (MG).
Com reservas estimadas em 2,1
bilhões de toneladas de minério, a empresa processa anualmente 35 milhões de toneladas.
O minério é para por um processo de concentração, no qual
“
Já checamos o apetite
do mercado em nos
emprestar. Mas ainda
estamos discutindo
com nossos sócios
a melhor engenharia
financeira
José Tadeu Moraes,
presidente da Samarco
atinge o teor ideal de 65% de
ferro, para depois ser transportado via minerioduto até o Espírito Santo. Na planta capixaba, a
polpa do minério é transformada em pelotas, utilizadas como
insumo para a produzir coque
siderúrgico nos altos-fornos das
usinas — o coque serve de base
para a fabricação do aço. ■
PELOTAS
8,3
milhões
de toneladas é a capacidade da
nova pelotizadora da Samarco em
Anchieta (ES). A empresa também
ampliará seu terminal no porto de
Ubu em 10 milhões de toenaldas.
COMPENSAÇÃO
R$
2 milhões
será o investimento da empresa
em ações ambientais para mitigar
o impacto das obras do projeto,
cuja emissão de CO2 é estimada
em 152 mil toneladas até 2014.
28 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011
EMPRESAS
Divulgação
SMARTPHONES 1
SMARTPHONES 2
Vendas do iPhone, da Apple, dobram
e aparelho conquista 5% do mercado
HTC projeta faturar US$ 4,18 bilhões no
trimestre com vendas do equipamento
Os dados referentes ao primeiro trimestre do ano são do IDC. Segundo
o instituto, as vendas do iPhone foram ajudadas pelo desempenho da
Verizon Wireless. O desempenho do equipamento foi melhor nas regiões
economicamente mais desenvolvidas, como América do Norte e Europa.
Com isso, a Apple aproximou-se da LG, que detém 6,6% de participação.
A Nokia, que detinha 29% do mercado, ficou com 25%.
A empresa tailandesa informou que o volume de vendas de seu
smartphone, HTC Desire, deve crescer no segundo trimestre para entre 11
milhões e 11,5 milhões de unidades, ante 9,7 milhões no primeiro trimestre.
O modelo é acionado pelo sistema operacional Android, do Google,
e já ocupa a quinta posição no mercado global. Concorrentes como Nokia,
Samsung Electronics e LG Electronics perderam mercado.
Oi e Telefônica revitalizam telefone
Operadoras investem na banda larga para recuperar vendas
do serviço tradicional que perde mercado para linhas celulares
Fabiana Monte
Divulgação
[email protected]
Em pouco mais de uma década,
o papel do telefone fixo mudou
radicalmente. Antes da privatização, em 1998, o serviço era
restrito a poucos consumidores
e caro. Desde 1997, o número
de telefones fixos no país cresceu 142,35%, mas, nos últimos
anos, o mercado está estável, na
casa de 42 milhões de linhas em
serviço. A tendência mundial é
de estabilização ou queda, devido à substituição do fixo pelo
celular. Oi e Telefônica, que detêm as maiores bases de assinantes de telefonia fixa do país,
enfrentam o desafio de revitalizar o telefone fixo.
“Nosso desafio não é na telefonia móvel e na banda larga, é
fazer com que a telefonia fixa
pare de cair e que as pessoas continuem usando o telefone”, disse
Alex Zornig, diretor de finanças e
relações com investidores da Oi,
em entrevista sobre os resultados
da empresa no primeiro trimestre. A companhia teve um prejuízo líquido de R$ 395 milhões no
período, pressionada por R$ 600
milhões em despesas não recorrentes, como conciliações de depósitos judiciais, adequação de
gastos com contingenciamento
trabalhista e provisões de disputas judiciais. Mas Zornig admite
que o desempenho do celular e da
banda larga não foi suficiente
para compensar a retração das
receitas de telefonia fixa.
Surya Mendonça
diretor de
marketing
residencial da
Telefônica
“Encontramos um nicho
de clientes que não tinham
linha fixa e colocamos
um vendedor para mostrar
o valor do produto.”
Experiência portuguesa
Para mudar este cenário, a Oi
contratou uma consultoria externa que fará o planejamento
estratégico para os próximos
três anos. A estratégia da Oi será
oferecer outros produtos junto
com o telefone fixo, como, por
exemplo, banda larga e televisão paga. A ideia é aproveitar a
experiência da Portugal Telecom (PT), que assumiu 25,6%
da empresa em março, na nova
estratégia. A PT promoveu uma
grande expansão do serviço de
televisão sobre IP em Portugal.
“No exterior, temos telefone
fixo com tráfego ilimitado, com
banda larga e TV, como um pacote de serviços na casa do
cliente. No fim do dia, o que segura o fixo é a banda larga”, diz
PRIMEIRO TRIMESTRE
Flávia Bittencourt, diretora de
marketing da Oi. No primeiro
trimestre de 2011, a base de telefones fixos da Oi recuou 6,3%
ante 2010 e a receita líquida do
serviço, no mesmo período,
caiu 8,7%. “No mercado de
consumo, a oferta está cada vez
mais migrando para banda larga
e conteúdo. O serviço de telefonia vai começar a se transformar em serviço de valor adicionado”, afirma Luis Minoru Shibata, diretor de consultoria da
PromonLogicalis.
A Telefônica conseguiu um
avanço de 0,3% em linhas fixas
em serviço no ao passado, o
que, segundo Surya Mendonça,
diretor de marketing residencial da empresa, é resultado de
ações da companhia para reconquistar clientes. Mas, ao
contrário da Oi, Mendonça afirma que a estratégia do grupo espanhol é mostrar os benefícios
do telefone fixo, como tarifas
menores do que as cobradas em
ligações de celulares. “O Speedy
vem como complemento”, diz.
Neste sentido, a empresa adotou uma estratégia pró-ativa
em relação à classe C, para comercializar telefones fixos porta a porta. Hoje, este canal representa 25% das vendas. “Encontramos um nicho de clientes
que não tinham linha fixa e colocamos um vendedor para
mostrar o valor do produto”.
A GVT, uma das principais
competidoras de Telefônica e
Oi, que está avançando no eixo
São Paulo-Rio, estima que 95%
de suas vendas compreendem
banda larga e telefonia fixa. O
cliente pode comprar os serviços separadamente, mas quanto
mais ofertas ele adquire, menor
é o custo para a operadora e
maior é a agressividade da empresa em relação a preço. “A
banda larga ajudou a revitalizar
a telefonia fixa”, diz Ricardo
San Felice, diretor de marketing
e produtos da companhia. ■
TELEFONIA FIXA
14
milhões
42
milhões
é o número de conexões à banda
é o total de telefones fixos
larga fixa no Brasil, segundo
a Associação Brasileira de
Telecomunicações (Telebrasil).
em serviço no Brasil, de
acordo com dados da consultoria
Teleco referentes a 2010.
Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 29
Denis Doyle/Bloomberg
CARREIRA
TECNOLOGIA LTE
Tim abre 130 vagas para estagiários e
espera contratar 50% a mais que em 2010
Chinesas ZTE e Huawei abrem processos
uma contra a outra por infração de patente
O programa Estágio Sem Fronteiras da TIM está com 130 vagas em
todo Brasil para jovens universitários das áreas de Rede, TI, Comercial,
Marketing, Financeiro, Jurídico, Recursos Humanos, entre outros.
Para se candidatar, os interessados devem se cadastrar no site
www.tim.com.br até o dia 15 deste mês. A expectativa da empresa é que
até o fim deste ano sejam contratados 50% a mais que em 2010.
A fabricante chinesa de equipamentos de telecomunicações alega que
a rival Huawei, também chinesa, infringiu sua patente sobre a tecnologia
LTE, considerada quarta geração da telefonia móvel. O processo foi
aberto um dia depois que a ZTE foi acionada pela Huawei na Europa.
A Huawei também afirma que a ZTE infringiu uma série de patentes
da empresa relacionadas a cartões de dados e tecnologia LTE.
fixo
Murillo Constantino
Alex Zornig, da Oi: plano
estratégico para dar
atratividade a telefone fixo
30 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011
CONSUMO POPULAR
PAULO VIEIRA LIMA
EXPRESSAS
No comércio
eletrônico, o que faz
alguém ser fiel?
Pesquisa O Observador reflete um
traço marcante do consumidor
situado na base da pirâmide
social brasileira e que já se
habituou a fazer compra pela
Internet. A esmagadora maioria
dos entrevistados da classe D/E
valoriza a segurança do
site e na classe C este item
é importante para 77% dos
entrevistados. Em segundo lugar,
o cliente da classe C destaca
o preço como quesito para ele
ser fiel. Outro fator importante
para 100% do pessoal D/E
é o atendimento pós-venda.
Pra que marido?
Construção civil
tem a resposta
Público redescobre o consórcio. Casas, viagens, equipamentos, carros, pneus... Para tudo o consórcio serve como alternativa
Um setor que reconquista
a confiança do consumidor
Crédito restrito inibe
demanda mas não afeta
quem prefere o consórcio
O sistema de consórcio reconquista a confiança do consumidor tradicional, enquanto agrega um público novo, formado
pela classe média emergente e
com predominância de jovens.
Na década de 1960, quando surgiram as primeiras administradoras, os consórcios, no Brasil,
tiveram papel importante no
escoamento da produção de
veículos e facilitaram a vida de
quem precisava de dinheiro
para adquirir um carro.
A economia ganhou outros
contornos, os consórcios ampliaram o leque de produtos.
Além de casas, carros e serviços, há quem venda viagens, financie cirurgias e até pneus. A
Embracon, por exemplo, uma
das líderes do mercado, atua em
parceria com a D. Paschoal, distribuidora de pneus com uma
rede nacional de lojas.
A gerente de marketing da
Embracon, Gisele Paula, está
otimista com a retomada deste
segmento. É um processo que
teve início há dois anos, a partir
“
da instituição da lei que regulamentou o setor. Para a executiva, o ganho real nos salários, a
melhoria do poder de compra e
a seletividade na oferta de crédito são fatores que levam para o
consórcio as pessoas que preferem investir com segurança em
bens sem necessidade de se
submeter aos rigores dos financiamentos. Hoje, nenhuma turbulência prejudica o setor.
Ela cita a pressão de demanda
na construção civil e indica o
consórcio como opção tranquila
para quem planeja comprar casa
ou apartamento. ■
R$ 1.000,00 e pode comprar motos.
orientação para que nosso
cliente possa assinar um contrato
em condições de cumprir o
compromisso sem problemas.
O leque de produtos
cresceu. Hoje,
nenhuma turbulência
traz prejuízos
TRÊS PERGUNTAS A...
O novo consumidor é quem
movimenta os consórcios e faz
crescer a procura por esta forma
de financiar de bens e serviços.
...GISELE PAULA
Gerente de marketing da Embracon
A Embracon bateu o próprio
recorde ao superar em 34% os
R$ 270 milhões de abril de 2010.
Quem é o responsável por isto?
Na área de imóveis, 80%
do público tem renda entre
R$ 1.500,00 e R$ 5.000,00 por
mês. Nos veículos temos quem
recebe entre R$ 800,00 e
O ponto forte ainda é o setor
imobiliário. Qual o teto para
o financiamento? Há alguma
orientação sobre eventuais
dificuldades com as prestações?
Lançamos um plano que aumenta
de 150 para 180 meses o prazo
de financiamento. O valor muda
de R$ 330 mil para R$ 500 mil
e a prestação máxima vai para
algo como R$ 3 mil. Seja para
qualquer bem ou serviço, damos
Os carros chineses estão
chegando. Prometem preço
acessível. Vêm com itens
que a concorrência considera
opcional. Como ficam
os consórcios neste quadro?
Ficamos bem. Os consórcios
podem escoar a produção dos
carros chineses, sem dúvida.
O Instituto Data Popular revela
que 26 milhões de famílias
brasileiras pretendem fazer
algum tipo de reforma até
o final de 2011. A pesquisa diz
que nem sempre o dono da casa
assumirá as tarefas. Crescem
as chances de empresas que
atendem residências, comércio
e manutenção de prédios.
Na franqueadora Praquemarido,
que tem Rita Ortega na direção
comercial, uma franquia exige
capital inicial entre R$ 39,9 mil
e R$ 75 mil. O retorno
do investimento vem,
em média, após dois anos.
Densia chegou
e seu público
maior é feminino
A Danone colocou no mercado
o iogurte Densia, marca
mundial da empresa na área
de lácteos frescos. O produto
teve o lançamento focado
principalmente no público
feminino que precisa de
alimentos que contribuam
para ajudar a suprir a carência
de cálcio no organismo.
A indústria cita o Estudo
Brasileiro de Osteoporose em que
se observa que nove entre dez
brasileiras não consomem cálcio
em quantidade ideal para
fortalecimento dos ossos.
Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 31
Fotos: divulgação
Idosos, novo alvo da Odontoclinic
Carlos Leão, presidente da Odontoclinic, quer se aproximar da
população idosa e de baixa renda. Até o final do ano ele pretende
dobrar o número das suas atuais 100 clínicas que funcionam
nas principais cidades do país. O foco são 15 milhões de idosos,
potenciais pacientes de implante dentário. O presidente da
empresa acredita em uma receita de sucesso que prescreve preço
acessível e qualidade nos produtos, fornecedores e atendimento.
[email protected]
Goh Seng Chong/Bloomberg
Empregada doméstica desaparece
do mercado de trabalho
A estabilidade econômica ajuda
no sumiço de um tipo de trabalhador, antes muito disponível.
Melhora a renda, aumenta a
chance de qualificação, as empregadas domésticas entram
para o grupo da população reconhecido como emergente e, na
primeira chance, trocam de
profissão. “Por favor, não escreva aí que sou doméstica”, é uma
frase comum na contratação,
segundo comenta o advogado
Marcelo Cavichio Unti, responsável pelo departamento jurídico do Sindicato dos Empregadores Domésticos de São Paulo. A
falta de mão de obra influencia a
remuneração. No mercado de
trabalho paulista e, particularmente na cidade de São Paulo, o
salário médio (com registro em
carteira e condução) varia entre
R$ 700,00 e R$ 750,00 e se a atividade for para cuidar de idoso
ou criança a remuneração chega
a R$ 1.300,00. O sindicato tem
até um manual que já está na sétima edição. Escrito pela presidente da entidade, Margareth
Galvão Carbinato, o titulo do livro é Paz para Empregadores e
Empregados Domésticos.
Severino Silva/Ag. O Dia
Prazo de pagamento (ainda) longo estimula a busca por crédito
Juros não impedem
compra de presentes
Redução no volume de compras
e Dia das Mães não têm nada em
comum. Ao menos por enquanto. Miguel de Oliveira, vicepresidente de Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), diz que a elevação na taxa de juros não inibe a
decisão de compra, porque os
prazos de pagamento continuam longos e as prestações
cabem no bolso do consumidor.
Com o dólar em queda, muita
gente optou para buscar o pre-
sente para a mãe indo às compras no exterior. No mercado
interno, um dos setores que
mais acreditam no aumento de
vendas é a indústria de shoppings. Para a Associação Brasileira de Shopping Centers
(Abrasce), o Dia das Mães assegura um crescimento de 13% no
volume de vendas. No grande
varejo popular, em centros de
concentração de comércio
como o Brás em São Paulo ou a
Saara no Rio, o otimismo também está presente.
Educação financeira faz
bem à saúde da economia
Marcela Beltrão
visando o equilíbrio
da economia e acreditam que é fundamental a educação
financeira, em especial para segmentos
da sociedade recémparticipantes do
mundo das compras. A entidade tem
programas de orienConsumidor deve saber seu limite
tação e os executivos argumentam que
esta preocupação não ocorre
A educação está no centro das
somente agora. A Acrefi, coatenções da Associação Nacional
mentam eles, assume este comdas Instituições de Financiamenpromisso desde sua criação, no
to e Investimento (Acrefi). Antoinício dos anos 1960, e trabalha
nio Augusto de Almeida Leite, dipara que o mercado financeiro
retor-superintendente da enticompreenda as reações do condade, e o economista-chefe, Nisumidor e que o público perceba
cola Tingas, confiam nas diretrios limites do endividamento.
zes estabelecidas pelo governo
Um tipo de trabalhador que pode ficar cada vez mais raro de encontrar no Brasil
Mais um bairro classe
média em São Gonçalo
Grande centro de compras
do Nordeste
North Shopping
Caruaru
No sábado, em Caruaru, a direção do North Shopping reuniu a
imprensa, empresários e potenciais empreendedores para
mostrar a reforma de ampliação. O projeto envolve R$ 40
milhões e prevê escritórios,
restaurantes, parque de diversões e cinemas. Nos planos da
empresa o shopping será o
maior centro de compras do
Nordeste com opções formatadas para os públicos A/B/C. Caruaru, com uma geração anual
de riquezas em torno de R$ 2
bilhões, lidera a economia daquela região em Pernambuco.
Em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de janeiro, a
Construtora Mudar lança neste
sábado três condôminos com 83
casas e 880 apartamentos. São
imóveis com preços a partir de
R$ 82.600,00 com dois quartos e
mensalidade de R$ 225,00. O
projeto mistura 83 casas (de dois
e quatro quartos) e 880 apartamentos (de dois e três quartos) ,
dando um caráter de bairro ao
conjunto que, conforme ressalta
Augusto Martinez de Almeida,
presidente da Mudar, tem infraestrutura completa, com área
de lazer, segurança, conforto e
segue na linha de atender a nova
classe média brasileira, públicoalvo da construtora. O comprador tem o perfil de quem adquire
o primeiro imóvel, tem faixa de
idade entre 35 e 50 anos e vive em
São Gonçalo, Niterói ou Maricá.
Piscina de um dos conjuntos habitacionais da Mudar
32 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011
FINANÇAS
Subeditora: Priscila Dadona [email protected]
Fusões acirram disputa
por auditoria de pequena
e média empresa
Recente movimento de consolidação amplia concentração, mas deixa em aberta a
briga para saber qual será a quinta colocada do segmento, atrás apenas das Big Four
Luciano Feltrin
[email protected]
O mercado de auditoria e contabilidade nunca esteve tão agitado.
Uma onda de fusões que atingiu
de frente Terco e a antiga Trevisan
— absorvidas por Ernst & Young e
KPMG, duas das quatro maiores
do ramo —, ampliou a concentração e acirrou a disputa pela quinta
posição no segmento. Não é pouca coisa. Estar logo abaixo das gigantes do setor significa ser a opção natural das pequenas e médias empresas. Pouco auditada no
país, essa massa de clientes é cada
vez mais desejada.
A luta para ser a maior entre
as menores tem três candidatas:
BDO RCS, Grant Thornton e
Baker Tilly Brasil.
À frente das operações da BDO
após o acordo entre o então parceiro da bandeira no país com a
KPMG, Raul Correa da Silva quer
aproveitar o bom momento do
Brasil e a experiência no atendimento às pequenas e médias para
sair na frente. Com a expectativa
de fechar 2011 com faturamento
de R$ 45 milhões, a nova empresa quer dobrar de tamanho em
dois anos. Sabe, porém, que para
isso terá de ganhar espaço entre
empresas de capital aberto. E
pode ir às compras. Uma opção é
adquirir uma concorrente de
menor porte com um punhado
de clientes listados na bolsa em
sua carteira. “Estamos abertos à
possibilidade de fusões”, diz
Correa da Silva. “Desde que do
outro lado estejam empresas com
valores e culturas similares às do
nosso time, pois isso não dificultaria a integração.”
Um trunfo que pode beneficiar
a empresa na briga pela quinta
posição é o fato de a BDO internacional enxergar o país como um
mercado estratégico. Quer manter por aqui a mesma colocação
que tem no ranking global. Levantamento da empresa mostra
que a rede foi a que mais cresceu
entre as cinco maiores firmas de
auditoria e consultoria internacionais. Um avanço de 5% em receita em 2010, com destaque para
uma alta de 60% na China.
A nova BDO sai na
frente, porém Grant
Thornthon e Baker
Tilly Brasil dizem
estar no páreo para
auditar e prestar
serviços às empresas
de menor porte
Volta por cima
Recuperar parte do terreno perdido desde que sua parceria local
— a Terco — associou-se à Ernst
& Young, em agosto, é a principal
estratégia da Grant Thornton no
Brasil. A empresa, que após o fim
da união se juntou à Pryor, especializada em contabilidade e terceirização, não pretende fazer
novas parcerias. A aposta do momento é buscar, entre empresas
insatisfeitas com a concentração
do mercado, novos clientes em
auditoria, explica o sócio Laércio
Ros Soto Jr. “O plano inicial era
fechar o ano com quinze clientes
de auditoria entre empresas de
capital aberto. Mas o número
pode ser superado. Já temos quatro garantidas e outras dez propostas em aberto”, comemora.
Para conseguir auditar mais
balanços de companhias com
ações na bolsa, a Grant Thornton
manteve parte da equipe que,
ainda sob a bandeira da Terco,
participou ativamente de diversas aberturas de capital realizadas antes da crise. A casa segurou executivos que estiveram à
frente das ofertas da Amil, Le Lis
Blanc e do banco Sofisa.
Outro segmento em que pretende atuar com destaque é o de
due diligenge, serviço de checagem de dados ao qual é submetida uma empresa que se prepara
para ser vendida. Com o mercado doméstico de fusões em alta,
a Grant Thornton foi contratada
para 25 operações desse tipo
desde outubro.
Também atenta a esse nicho
está a Baker Tilly, bastante requisitada por intermediários de operação de compra e venda de empresas em busca do serviço de
avaliação de ativos. Associada à
oitava maior rede de auditoria do
mundo, a empresa se fundiu no
país à pequena Villas Rodil no final do ano. E corre por fora para
ficar entre a quinta e sexta posições do ranking. Para dobrar de
tamanho até 2012, a Baker busca
novas fusões. “Tenho viajado o
país todo em busca de parceiros.
Pretendo concretizar alguns negócios em breve”, diz seu presidente, Osvaldo Nieto. ■
Barreira de entrada
Empresas menores encontram
dificuldades para concorrer
Tamanho é documento. A expressão
parece feita sob medida para
empresas de auditoria. Quanto
menor, mais reduzidas são as
chances de competir por grandes
clientes em um segmento cada
vez mais concentrado. Escolha
de mercado, dizem em coro as
Big Four. Pode ser. O fato é que as
menores reclamam da existência
de uma espécie de cláusula de
barreira. Ela é imposta, alegam
as firmas de menor porte,
principalmente por bancos de
investimento que participam
de ofertas de ações.
“É relativamente comum que
empresas menores sejam nossos
clientes. Quando começam a
crescer e se preparar para abrir
o capital, porém, acabam sendo
levadas a uma das quatro grandes
pelo intermediários da oferta”,
lamenta Rubens Gelbcke, à
frente da Directa Auditores.
Paulo Moreira, da UHY Moreira,
diz que limitações também são
impostas em editais de licitação
de auditoria. “Há bancos menores
que impõem cláusulas que
restringem a participação de
firmas menores. Exigem que já
tenham auditado um dos dez
maiores bancos”, exemplifica.
Agora sob o comando
de Raul Correa da Silva,
BDO quer se firmar
como opção às Big Four
Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 33
Murillo Constantino
Antônio Cassio preside a Zurich na AL
A seguradora Zurich anunciou dois novos presidentes executivos (CEOs).
Assumirá o cargo de Seguros Gerais para a América Latina Antônio
Cassio dos Santos, sucedendo Peter Rebrin. Antônio Cassio foi
presidente da Mapfre Brasil, onde ocupou o cargo desde 2000. Na Zurich,
será responsável por impulsionar o crescimento na região. A seguradora
designou também o americano Michael Raney para o recém criado
posto de presidente executivo de Global Corporate América Latina.
AGENDA DO DIA
● Às 8 horas, a FGV
divulga o IPC semanal.
● Às 10 horas sai a balança
comercial de abril.
● Às 11 h, nos Estados Unidos,
o mercado acompanha gastos
com construção e o índice
de atividade industrial.
Marcela Beltrão
Resistentes
lutam para
não encolher
Com a consolidação no alto do
ranking definida, companhias
menores buscam parcerias
Não é fácil ser Davi em um cenário dominado com folga por quatro Golias. Gigantes, PwC, Deloitte, Ernst & Young e KPMG
dominam o segmento e se alternam para auditar os números das
grandes empresas. Se já é intensa
a briga para ficar logo abaixo
desse grupo de elite, conhecido
como Big Four, ainda mais dura
tem sido a vida das empresas de
auditoria de menor porte.
Vendo a disputa pelo quinto e
sexto lugares pegar fogo, elas
começam a se movimentar para
não encolher. Com a concorrência faturando duas ou até três
vezes mais, se preparam para
manter clientes e buscar fontes
alternativas de receita.
Essa é uma das estratégias da
tradicional Directa, que pretende apostar na terceirização de
serviços de contabilidade para
não ficar tão dependente das receitas com auditoria pura. A atividade, que em um passado recente, respondeu por 70% dos
resultados, hoje gera 60%. O
objetivo é inverter a proporção.
“Nos próximos cinco anos,
nossa ideia é que auditoria gere
apenas 30% de nossa receita total”, diz o presidente da empresa, Rubens Gelbcke.
Associada à PKF, a Directa
busca em uma das especialidades da parceira estrangeira —
serviços de consultoria para hotéis — uma boa oportunidade.
Com Copa, Olimpíadas e a
expectativa de que muitos negócios irão acontecer no setor, as
empresas finalizam um acordo.
Por ele, a Directa poderá usar a
experiência da PFK e prospectar
clientes no segmento.
Outra empresa que sempre
gerou a maior parte de sua receita com auditoria pura — a UHY
Moreira —, também vê como irreversível o fato de ter de ampliar o leque de atividades para
competir com as grandes empresas. Para acelerar essa estratégia, acaba de fechar um acordo
de compra de uma fatia da Etae
auditores. Além de reforçar sua
presença no mercado paulista, a
operação diversifica a atuação
da UHY, explica Paulo Moreira,
que comanda a empresa. “Com a
aquisição, ficamos fortes em várias linhas de negócio, como au-
Luiz Gomes
Paulo Moreira
Fundador da
UHY Moreira
“Estávamos muito
concentrados no mercado
de auditoria pura a instituições
financeiras e entidades
reguladas. O novo negócio
nos deixa mais fortes em
outras linhas de negócios
e divide melhor as receitas”
ditoria de segurança de Tecnologia da Informação e auditorias
fiscal, tributária e industrial. Estávamos concentradas em auditoria pura para instituições financeiras e setores regulados”.
O que foi alinhavado como
acordo operacional — as empresas continuam com vida independente por enquanto — tem
tudo para se tornar uma fusão
em breve. Com ela, a UHY, que
espera vencer a licitação para
auditar Itaipu binacional nos
próximos dias, saltaria da 13ª
para 10ª posição entre as empresas brasileiras do setor.
Colocação parecida pretende
ocupar a Directa, que tem entre
suas metas não ser adquirida
por um dos Golias do mercado.
“É uma questão de orgulho
profissional. Sou da resistência”, avisa Gelbcke. ■ L.F.
34 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011
INVESTIMENTOS
RENDA FIXA
Natalia Flach
[email protected]
Agenda neutra na semana, mas fique
atento ao IPCA e à produção industrial
Tanto aqui quanto no exterior, o grande vilão da economia tem sido a alta constante
dos preços. É por isso que a divulgação dos
dados do Índice de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA) de abril, na sexta-feira, é tão
importante. A projeção do Banco Fator é de
que o índice vai superar o teto da meta no
acumulado de 12 meses, chegando a 6,52%
com variação mensal de 0,78%. “Mesmo
que isso não ocorra neste mês, o IPCA deve
ficar bem próximo da banda superior e
deve, de qualquer forma, ultrapassar esse
teto nos próximos meses”, escreve José
Francisco de Lima Gonçalves, economistachefe da instituição, em relatório.
Sobre a atividade industrial brasileira de
março, que será conhecida amanhã, a projeção do Banco Fator é de queda de 1,6%, em
comparação com o ano passado, mas de alta
de 0,7% em relação a fevereiro. Já André
Perfeito, analista da Gradual, estima que a
alta do mês será de apenas de 0,2%. “A produção industrial está passando por uma fase
de acomodação, bem diferente das vendas
de varejo que continuam bastante aceleradas”, afirma o especialista.
Ainda no Brasil, outro indicador importante na semana é o IPC-Fipe de abril. Segundo Perfeito, o índice (divulgado amanhã) deve dobrar, passando de 0,35% para
0,70%. “Mas tem gente apostando em
0,80%”, acrescenta o economista. O Banco
Fator também espera uma aceleração acentuada de 0,35% para 0,66%.
É importante ficar de olho também na
temporada de balanços que continua nesta
semana. Hoje, são publicados os resultados
da ADP, amanhã da Pfizer, Avon e Master-
card, e na quinta da Kraft Food,Visa e Sara Lee.
Na Europa, as atenções estão voltadas
para o nível de atividade na Alemanha e na
Zona do Euro (divulgadas hoje e na quartafeira). “Nos países em desenvolvimento,
tem ocorrido alguma desaceleração nos
PMIs, refletindo um pouco o aperto monetário que tem sido feito pelos países”, aponta Gonçalves. Por isso, é importante ficar de
olho também na reunião de política monetária no Reino Unido e na Zona do Euro.
“Após ter aumentado em 0,25 ponto percentual a taxa de reunião mais recente, o
presidente do Banco Central Europeu , Jean
-Claude Trichet, deixou claro que o movimento de elevação de juros não precisaria
ser seguido necessariamente por outros aumentos”, diz o economista do Fator. Perfeito, por outro lado, acredita que a questão
está em suspense. “A inflação está persistente, mas talvez não haja nova alta e, sim,
um tom mais elevado na ata”, indica.
Estados Unidos
O destaque fica por conta dos dados de
emprego de abril, nos EUA. A expectativa
do Fator é de arrefecimento na criação de
vagas no mercado de trabalho. Perfeito,
por sua vez, diz que os economistas americanos têm indicado que os novos postos de
trabalho somam 195 mil.
Também vale olhar os índices de gerentes
de compras (conhecidos por ISM, nos Estados Unidos). Segundo Perfeito, o índice deve
ser de 59 pontos, o que indica expansão da
economia. “Em relação ao mês passado deve
haver leve queda, mas como continua acima
de 50 significa otimismo”, afirma. ■
INDICADORES E EVENTOS DA SEMANA
SEGUNDA-FEIRA (2/Maio)
5h
8h
8h30
10h
11h
11h
22h
| (Europa) — PMI Indústria
| (Brasil) — IPC-S
| (Brasil) — Relatório Focus
| (Brasil) — PMI Indústria
| (Brasil) — Balança comercial (mensal)
| (EUA) — Gastos com construção e ISM Indústria
| (China ) — PMI não-Industrial
6h | (Europa) — Vendas no varejo
8h | (Brasil) — Sondagem de serviço
9h | (Brasil) — Produção industrial
9h15 | (EUA) — Criação de empregos do setor privado
11h | (EUA) — ISM composto
11h30 | (EUA) — Estoque de petróleo
12h30 | (Brasil) — Fluxo cambial semanal
Fundo
Data
BB RENDA FIXA LP 50 MIL FICFI
ITAU PERS MAXIME RF FICFI
BB R FIXA LP PLUS ESTILO FIC FI
CAIXA FIC EXEC RF LONGO PRAZO
CAIXA FIC IDEAL RF LONGO PRAZO
BB RENDA FIXA 5 MIL FIC FI
BB RENDA FIXA 200 FIC FI
BB RENDA FIXA 50 FIC FI
ITAU PREMIO RENDA FIXA FICFI
BB RENDA FIXA LP 100 FICFI
28/ABR
29/ABR
28/ABR
28/ABR
28/ABR
29/ABR
29/ABR
29/ABR
29/ABR
28/ABR
Rent. (%)
12 meses No ano
10,00
10,00
9,99
9,57
8,98
8,77
7,58
7,10
6,65
6,50
Taxa
Aplic. mín.
adm. (%) (R$)
3,25
3,35
3,25
3,13
2,95
2,94
2,59
2,43
2,32
2,22
1,00
1,00
1,00
1,10
1,50
2,00
3,00
3,50
4,00
4,00
50.000
80.000
50.000
30.000
5.000
5.000
200
50
300
100
DI
Fundo
Data
BB REF DI LP PREM ESTILO FIC FI
BB REF DI PLUS ESTILO FIC FI
ITAU PERS MAXIME REF DI FICFI
BB REF DI 5 MIL FIC FI
BB NC REF DI LP PRINCIPAL FIC FI
BB REFERENCIADO DI 200 FIC FI
HSBC FIC REF DI LP POUPMAIS
ITAU PREMIO REF DI FICFI
BRADESCO FIC DE FI REF DI HIPER
SANT FIC FI CLAS REF DI
28/ABR
29/ABR
29/ABR
29/ABR
28/ABR
29/ABR
29/ABR
29/ABR
29/ABR
29/ABR
Rent. (%)
12 meses No ano
10,18
9,78
9,77
8,13
7,87
7,54
7,53
6,47
6,08
5,70
Taxa
Aplic. mín.
adm. (%) (R$)
3,32
3,24
3,25
2,74
2,63
2,56
2,59
2,25
2,12
1,97
0,70
1,00
1,00
2,50
2,47
3,00
3,00
4,00
4,50
5,00
100.000
50.000
80.000
5.000
100
200
30
1.000
100
100
AÇÕES
Fundo
Data
BB ACOES VALE DO RIO DOCE FI
CAIXA FMP FGTS VALE I
ITAU ACOES FI
BRADESCO FIC DE FIA
BRADESCO FIC DE FIA MAXI
BRADESCO FIC DE FIA IV
UNIBANCO BLUE FI ACOES
SANTANDER FIC FI ONIX ACOES
ALFA FIC DE FI EM ACOES
BB ACOES PETROBRAS FIA
28/ABR
28/ABR
28/ABR
28/ABR
28/ABR
28/ABR
28/ABR
28/ABR
28/ABR
28/ABR
Rent. (%)
12 meses No ano
(1,55)
(1,98)
(3,69)
(4,07)
(4,28)
(4,36)
(5,45)
(5,87)
(9,48)
(19,98)
Taxa
Aplic. mín.
adm. (%) (R$)
(5,53)
(5,89)
(5,45)
(5,94)
(6,04)
(6,06)
(7,48)
(6,92)
(8,27)
(6,21)
2,00
1,90
4,00
4,00
4,00
ND
5,00
2,50
8,50
2,00
200
1.000
200
100
200
MULTIMERCADOS
Fundo
Data
ITAU EQUITY HEDGE ADV MULT FI
ITAU EQUITY HEDGE MULTIM FI
CAPITAL PERF FIX IB MULT FIC
BB MULTIM TRADE LP ESTILO FICFI
ITAU PERS K2 MULTIM FICFI
ITAU PERS MULTIE MULT FICFI
SANT FIC FI ESTRAT MULTIM
SANT CAP PROTEGIDO 3 FI MULT
ITAU PERS MULT ARROJADO FICFI
SANT FICFI CAP PROT VG 6 BR MULT
28/ABR
28/ABR
28/ABR
28/ABR
28/ABR
28/ABR
28/ABR
28/ABR
28/ABR
28/ABR
Rent. (%)
12 meses No ano
14,14
11,77
10,04
9,99
9,78
9,72
7,79
6,96
6,01
1,02
Taxa
Aplic. mín.
adm. (%) (R$)
4,09
3,41
3,24
3,19
3,08
3,14
2,24
2,28
1,39
(3,09)
2,00
2,00
1,50
1,50
1,50
1,25
2,00
2,30
2,00
2,50
10.000
5.000
20.000
50.000
5.000
10.000
5.000
5.000
5.000
*Taxa de performance. Ranking por número de cotistas.
Fonte: Anbima. Elaboração: Brasil Econômico
QUINTA-FEIRA (5)
TERÇA-FEIRA (3)
5h30
6h
7h
8h
9h
11h
18h
| (Inglaterra) — PMI Indústria
| (Europa) — Preços ao produtor
| (Brasil) — IPC-FIPE
| (Brasil) — Sondagem de serviços
| (Brasil) — Produção industrial
| (EUA) — Pedidos à indústria
| (EUA) — Venda de veículos
5h30 | (Inglaterra) — PMI serviços
7h | (Alemanha) — Pedidos à Indústria
7h | (Inglaterra) — Taxa de juros
8h45 | (Europa) — Taxa de juros
9h30 | (EUA) — Custos do trabalho e auxílio desemprego
10h30 | (EUA) — Discurso do Bernanke
10h30 | (Brasil) — Venda e produção de veículos
IBOVESPA
(EM PONTOS)
66.400
66.100
65.800
SEXTA-FEIRA (6)
QUARTA-FEIRA (4)
3h | (Inglaterra) — Preço dos imóveis
5h | (Europa ) — PMI serviços e composto
5h30 | (Inglaterra) — PMI construção e crédito ao consumidor
7h
9h
16h
Fontes: Gradual Investimentos, Máxima Asset Management e Concórdia
| (Alemanha) — Produção industrial
| (EUA) — Taxa de desemprego e relatório de emprego (payroll)
| (EUA) — Crédito ao consumidor
| (Inglaterra) — Registro de carros novos
Máxima
Mínima
Fechamento
65.500
66.293,78
65.460,92
66.132,86
65.200
11h
Fonte: BM&FBovespa
12h
13h
14h
15h
16h
17h
18h
Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 35
BOLSA
Sobe e desce na semana
8,05%
foi a valorização da ação ordinária da Redecard (RDCD3),
maior alta da semana na carteira do Ibovespa. Na lanterninha,
o papel da Usiminas (USIM3) perdeu 10,73% no período.
HOME BROKER
NA REDE
Embraer ON, fechamento em R$
14,50
14,14
2,1000003
14,00
13,79
5000003
“Mercado ainda como surdo em
bingo, ou será cego em tiroteio?
Acho que ambos...”
13,43
,9000002
13,07
,3000002
13,00
12,71
9,7000001
001
12,36
9,1000001
001
12,00
500000
12,30
7/JAN
1/FEV
1/MAR
1/ABR
29/ABR
@FernandoGoes1, analista gráfico da Link Trade
“Nunca temos todas as
informações necessárias para
tomar as decisões corretas.
Nisso reside o risco do mercado!”
Fontes: Erich Beletti, Economatica, BM&FBovespa e Brasil Econômico
@Investimetria, blog homônimo
Primeiro objetivo
Suporte
Segundo objetivo
EMBR3
Papel da Embraer pode romper resistência
Depois de patinarem desde a segunda quinzena de abril, as
ações da Embraer dão sinais de que podem romper a resistência
(ponto que, se superado, indica a possibilidade de continuidade
do movimento de alta) de R$ 12,75. Na última sexta-feira, os papéis
chegaram a ser negociados a R$ 12,50, mas acabaram fechando
o pregão cotados a R$ 12,36, influenciados pelo mau humor do
mercado. Um dos indicativos dessa valorização, segundo Erich
Beletti, sócio da Conexão BR, foi exatamente o comportamento
das ações na semana passada, que se mantiveram no patamar
de R$ 12,30, mesmo com a queda de 1,38% da bolsa. “No primeiro
trimestre, os papéis foram negociados a R$ 14”, lembra o
especialista. É por isso que Beletti diz que o primeiro objetivo das
ações é chegar a R$ 13 e o segundo, R$ 14. Ou seja, esse movimento
de alta é uma retomada. Antes da crise econômica, os papéis
chegaram a valer R$ 20 e a máxima histórica de R$ 22,60 foi
obtida em junho de 2007. “São papéis que merecem atenção,
e atraem, inclusive, o interesse de players estrangeiros”, afirma.
No entanto, se os papéis despencarem para um patamar abaixo
de R$ 12,30, o conselho se inverte: “venda”, aponta o especialista.
“O fato do Dow Jones estar forte
não altera o quadro aqui no Brasil.
Ficamos anos mais forte e agora
estamos mais fracos. Portanto, a
decisão deve ser baseada no que
acontece com seu dinheiro no
momento e na preservação de capital,
e não em adivinhação de futuro”
@PredaBastter, Ricardo Hissa, autor de
Verdades e lendas sobre opções
“Enriquecer é um processo
que depende mais de sua atitude
ao fazer escolhas do que das
escolhas propriamente ditas”
@gcerbasi, consultor financeiro Gustavo Cerbasi
Fundos
Indústria de fundos brasileira
é a sexta que mais cresceu
no mundo no ano passado
A indústria de fundos brasileira
foi a sexta que mais cresceu
no mundo em 2010, segundo
relatório da International
Investment Funds Association
(IIFA). O aumento de 25% do
patrimônio líquido (PL) coloca
o Brasil na sexta posição
como maior indústria de fundos
no ranking mundial. Pesquisa
da Associação Brasileira das
Entidades dos Mercados
Financeiro e de Capitais (Anbima)
com base nos dados do IIFA
mostra que, com o desempenho
de 2010, o PL da indústria
brasileira passou a representar
4% do PL global, frente aos
3,4% de 2009. A indústria de
fundos no mundo fechou 2010
com PL de US$ 25 trilhões,
enquanto o brasileiro foi de US$
980 bilhões. Desde 2005, o país
cresceu 224% (em dólares), e o
crescimento da indústria global
foi de 7,6% ante 2009. “Em 2011,
já batemos US$ 1 trilhão em PL e
a tendência é de continuidade do
crescimento”, diz Eduardo Penido,
membro dos Comitês de Fundos
de Ações e Multimercados.
AÇÕES
PALESTRAS
OFERTA
AUMENTO DE CAPITAL
Nova carteira do Ibovespa, novamente com
69 ações, começa a vigorar a partir de hoje
Aulas para iniciantes
e interessados em
análise técnica em SP
BR Malls fará
distribuiçãoestimada
em R$ 598,4 mihões
Acionista de B2W tem
até 6 de maio para
subscrição de sobras
A corretora Um Investimentos
promove, nesta semana, duas
palestras gratuitas em São Paulo.
Amanhã, será ministrada uma
aula sob o título “Invista no
mercado financeiro sem medo”,
voltada a investidores iniciantes.
Na quarta-feira, é dia de “Análise
técnica na prática”, direcionada
a quem deseja conhecer o tema
e aprender a utilizar gráficos para
determinar pontos de compra
e venda de ações. O palestrante
será Antonio Montiel. Inscrições
pelo e-mail [email protected].
A BR Malls protocolou na CVM
pedido de registro de oferta
global de ações ordinárias, com
distribuição primária estimada em
R$ 598,4 milhões. O aumento de
capital se dará dentro do limite
de capital autorizado no Estatuto
Social, sem prioridade aos
atuais acionistas. As ações
serão ofertadas no Brasil e nos
Estados Unidos — neste caso
para investidores qualificados
e na forma de Global Depositary
Shares (GDS), cada GDS
representando duas ações.
Acionistas da B2W que aderiram
à subscrição de ações para
aumento de capital têm entre
2 e 6 de maio para aderir ao
rateio das sobras da subscrição.
Aos sobras terão preço de
R$ 21,62 por ação ordinária,
na proporção de 0,1084 ação
por ação já subscrita. No total,
foram subscritas 41.729.862
ações, ao preço de emissão
de R$ 21,62 por ação,
totalizando R$ 902,2 milhões.
As sobras são de 4.523.608 ações,
que serão rateadas.
Começa a valer hoje a nova
carteira teórica do Ibovespa,
principal índice de ações do
mercado brasileiro. A nova
composição, que vai vigorar
até 31 de agosto, não apresenta
novos papéis, nem registra a
saída de nenhum. O índice segue
contendo 69 ações, emitidas
por 63 companhias, das quais
31 estão listadas no segmento
Novo Mercado (de mais alto grau
de governança corporativa).
O que mudou foi o peso de cada
papel no todo. As cinco ações
com maior representatividade
no índice agora são Vale PNA
(10,4%), Petrobras PN (10,2%),
OGX ON (4,9%), Itaú Unibanco
PN (4,1%) e BM&FBovespa ON
(3,7%). Na carteira vigente
até sexta, os principais papéis
eram os mesmos, no entanto,
com pesos diferentes.
Também começam a vigorar
as novas composições de
outros índices calculados pela
BM&FBovespa. O que recebeu
mais papéis novos foi o Índice
Small Caps, no qual entraram
24 ações (e saíram outras seis).
O Índice de Governança Corporativa
Trade recebeu 19 novas
ações e não perdeu nenhuma.
36 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011
INVESTIMENTOS
Augusto Vanazzin
Economista do Modal
Fim do programa
de compra de ativos
dos Estados Unidos
Desde meados de 2007, quando começaram a transparecer os problemas no mercado hipotecário e a economia começou a dar sinais de fraqueza, o Federal Reserve
(Fed, banco central americano) iniciou grande ciclo de
afrouxamento monetário e de mitigação dos riscos privados. O que temos visto, desde então, foi um amplo
processo de redução da taxa de juros que, atualmente,
está próxima a zero, além da implementação de diversos
programas de compras de ativos públicos e privados.
Diversos membros do Fed reconheceram os efeitos
benéficos de tais medidas sobre a economia, por meoi
da redução da queda do nível de atividade e da minimização dos riscos deflacionários. De fato, um trabalho do
Fed de São Francisco (Estimating the Macroeconomic
Effects of the Fed’s Asset Purchases, de janeiro) estima
que os programas impediram que a taxa de desemprego
atual estivesse 1,1 ponto percentual mais elevada e que
o núcleo da inflação fosse 0,9 p.p. mais baixo.
“
Diante da elevada injeção
de liquidez, o dólar se
depreciou contra a maior
parte das moedas e a
redução da taxa de juros
real, ensejada pela
elevação das expectativas
de inflação e pela redução
das taxas pagas pelos
títulos do Tesouro, ampliou
os incentivos à tomada
de riscos, elevando a
cotação das ações e das
commodities
BOLSAS INTERNACIONAIS (COMPORTAMENTO NA SEMANA)
(EM MIL PONTOS)
DOW JONES
13,00
12,85
12,70
12,55
12,40
23/AGO
29/ABR
23/AGO
29/ABR
23/AGO
29/ABR
23/AGO
29/ABR
23/AGO
29/ABR
S&P 500
1,370
1,362
1,354
1,346
1,338
1,330
NASDAQ
2,880
A execução do programa não
tende a ter efeitos significativos
sobre os preços dos ativos
2,868
2,856
Além dos efeitos econômicos extremamente positivos, as medidas tiveram impactos significativos sobre
as mais diversas classes de ativos. Diante da elevada
injeção de liquidez, o dólar se depreciou contra a maior
parte das moedas e a redução da taxa de juros real, ensejada pela elevação das expectativas de inflação e pela
redução das taxas pagas pelos títulos do Tesouro, ampliou os incentivos à tomada de riscos, elevando a cotação das ações e das commodities.
Em seus comunicados oficiais recentes, o Fed tem
deixado claro que não tem intenção de prorrogar o
programa de compras de títulos, o qual tem término
previsto para junho. Se tal decisão for adotada, qual
será o impacto sobre o preço dos ativos? Estamos diante de um ponto de inflexão, onde o dólar voltará a se
valorizar com concomitante queda dos ativos de risco?
É bom ressaltar que a não extensão do programa não
implica que o Fed reverterá os estímulos monetários e
o atual nível de liquidez. A política monetária apenas
não se tornará ainda mais frouxa. Além disso, D’Amico
e King (Flow and Stock Effects of Large-Scale Treasury
Purchases, setembro de 2010) mostram que o impacto
da compra de ativos ocorrem, majoritariamente, no
ato da divulgação do programa. Ou seja, o mercado
antecipa as compras e já embute tal informação no
preço, de modo que a execução do programa não tende
a ter efeitos significativos sobre os preços dos ativos.
Em suma, dado que o Fed tem revelado suas intenções para o mercado, os agentes já incorporaram o fato
de que os estímulos monetários não serão revertidos.
Como o “efeito anúncio” tende a ser dominante, a
simples comunicação do fim do programa de compras
de ativos por parte do Fed não deve produzir impacto
relevante sobre os preços dos ativos. O tímido movimento deve repetir o ocorrido no ano passado, quando
o BC americano deu fim ao seu primeiro programa de
compra de ativos e o efeito sobre os preços dos ativos
foi bastante limitado. ■
2,844
2,832
2,820
DAX
7,550
7,475
7,400
7,325
7,250
FTSE-100
6,0800
6,0625
6,0450
6,0275
6,0100
Fonte: Rosenberg Consultores Associados (www.rosenberg.com.br)
Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 37
POUPANÇA
Rendimento
0,51%
este é o rendimento das cadernetas com aniversário hoje. Até o dia 20
de abril, a captação líquida (resgates menos depósitos) ficou negativa
em R$ 2,2 bilhões. O saldo no período somou R$ 384,4 bilhões.
MOEDAS (COTAÇÕES DE FECHAMENTO)
DÓLAR (R$/US$)
EURO (US$/€)
1,590
1,490
JURO FUTURO
(CDI em % ao ano)
COMMODITIES METÁLICAS
(Índices - Base: 20/ABR=100)
28/MAR
102,0
13,33
1,474
1,575
US$
R$
28/ABR
101,22
1,458
12,66
1,560
100,4
,4
1,442
99,66
11,99
1,545
1,426
1,530
98,88
1,410
14/ABR
20/ABR
11,22
14/ABR
20/ABR
98,00
20/ABR 21/ABR 22/ABR 25/ABR 26/ABR
30d 60d 90d 120d 150d 180d 210d 240d 270d 300d 330d 360d 720d 840d 960d 1800d 3600d
Fonte: Rosenberg Consultores Associados (www.rosenberg.com.br)
Fonte: FSP. Elaboração: Rosenberg & Associados
Balanço da indústria brasileira de fundos
RENTABILIDADE ACUMULADA
FUNDOS DE INVESTIMENTOS
(em %)
Tipos
AÇÕES
IBOVESPA Ativo
Dividendos
IBrX Ativo
Livre
Sustent/Governança
RENDA FIXA
Curto Prazo
Referenciado DI
Renda Fixa
Renda Fixa Índices
MULTIMERCADOS
Macro
Multiestrategia
Juros e Moedas
Semana
Mês
Ano
12 Meses
1,53
1,49
1,46
1,29
1,64
-0,48
0,52
-1,96
-0,01
-0,29
-1,48
2,65
-2,19
0,33
-0,65
-0,21
12,23
0,06
10,8
6,86
0,22
0,22
0,22
-0,06
0,7
0,71
0,76
0,41
3,34
3,42
3,75
2,64
10,55
10,79
12,21
4,55
0,01
0,15
0,26
0,01
-0,19
0,92
2,47
2,64
3,74
10,71
11,73
11,7
(EM R$ BILHÕES)
APLICAÇÕES
RESGATES
CAPTAÇÃO LÍQUIDA
2.300
2.150
136
2.245
2.095
130
2.190
2.040
124
2.135
1.985
118
2.080
1.930
NOV/10
RENTABILIDADE HISTÓRICA
ABR/11
NOV/10
ABR/11
CAPTAÇÃO LÍQUIDA HISTÓRICA
(em R$ milhões)
ÍNDICES
CDI
Ibovespa
IBrX
Dólar
2007
12,38
-41,22
-41,77
31,94
DISTRIBUIÇÃO POR CATEGORIA
(Patrimônio líquido)
Demais
10,55%
Renda fixa
29,19%
Previdência
11,02%
Ações
10,51%
Referenciado DI
12,15%
112
NOV/10
Fonte: Anbima (www.comoinvestir.com.br)
(em %)
Curto prazo
4,20%
ABR/11
Multimercados
22,40%
Fonte: Anbima (www.comoinvestir.com.br)
2008
9,88
82,66
72,84
-25,49
2009
9,75
1,04
2,62
-4,31
2010
3,37
-3,12
-1,55
-6,05
TRIMESTRE
1
2
3
4
2007
30.883,14
-17.892,58
-36.409,83
-32.489,28
2008
9.455,78
17.529,98
52.028,15
12.965,28
2009
29.752,15
27.741,03
37.715,60
22.514,67
2010
47.906,97
15.142,51
0,00
0,00
CAPTAÇÃO POR CATEGORIA
(em R$ milhões)
Categorias
CURTO PRAZO
REFERENCIADO DI
RENDA FIXA
MULTIMERCADOS
CAMBIAL
DÍVIDA EXTERNA
AÇÕES
PREVIDÊNCIA
EXCLUSIVO FECHADO
FIDC
IMOBILIÁRIO
PARTICIPAÇÕES
OFF-SHORE
TOTAL GERAL
PL
75.326,62
218.055,28
524.047,20
402.098,52
807,30
491,30
188.706,32
197.762,97
2.239,33
63.445,69
3.206,86
65.255,77
53.894,52
1.795.337,68
Aplicações
Semana
Resgates
Captação líquida
Aplicações
No Ano
Resgates
Captação líquida
12.060,01
9.207,81
16.544,62
3.939,26
6,67
0,00
664,25
1.233,34
0,00
1.722,07
NB
55,64
NB
45.433,67
12.593,61
9.290,21
14.316,84
5.642,44
12,85
0,04
528,37
751,76
0,00
2.875,85
NB
5,95
NB
46.017,92
-533,60
-82,40
2.227,78
-1.703,18
-6,18
-0,04
135,88
481,57
0,00
-1.153,78
NB
49,69
NB
-584,25
182.352,75
138.103,74
234.794,27
112.608,37
139,37
32,39
13.521,71
20.952,19
802,08
44.683,96
0,00
1.330,47
0,00
749.321,31
167.244,81
134.439,71
187.997,91
126.777,51
153,35
1,20
15.770,97
12.537,72
0,00
41.109,01
0,00
239,64
0,00
686.271,83
15.107,94
3.664,03
46.796,37
-14.169,14
-13,98
31,19
-2.249,26
8.414,47
802,08
3.574,95
0,00
1.090,83
0,00
63.049,48
38 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011
MUNDO
Editora: Elaine Cotta [email protected]
Subeditora: Ivone Portes [email protected]
“A África do Sul
no Bric não faz
o menor sentido”
Para criador da sigla, Jim O’Neil, país está muito aquém dos
demais membros. Inclusão do México ou Indonésia seria melhor
Carolina Alves
Divulgação
[email protected]
Sem incluir o “S” em suas menções ao Brics, o criador da sigla e
presidente do banco Goldman
Sacks, Jim O’Neil, já expressa sinais de desaprovação ao ingresso
da África do Sul no acrônimo de
Brasil, Rússia, Índia e China,
mercados emergentes em rápida
ascensão. O “S” representa hoje
South Africa, nome em inglês da
maior economia do continente
africano. “Da perspectiva econômica, a inclusão da África do Sul
não faz o menor sentido, pois o
país está muito aquém dos membros do Bric(s). Dessa forma, o
país não acrescenta nada ao grupo. Pelo contrário, o diminui”,
disse O’Neil ao BRASIL ECONÔMICO.
Segundo o Banco Mundial, o
Produto Interno Bruto (PIB) sulafricano beira US$ 350 bilhões,
seis vezes menor que o brasileiro, que somou US$ 2,1 trilhões
em 2010, por exemplo. Rússia e
a Índia juntas somam um PIB de
US$ 1,7 trilhão, cinco vezes
maior que o da África do Sul, e a
China, o maior de todos, tem
PIB de US$ 5,8786 trilhões.
“Há outras economias que
justificariam uma inclusão no
Bric(s), como Indonésia, Coreia,
México e Turquia. Isoladamente, elas são duas ou três vezes
maiores que a África do Sul”,
defende O’Neil.
O convite para o ingresso da
África do Sul veio da China no
final do ano passado. Sem objeções, os demais membros do
Brics acolheram oficialmente a
África do Sul em dezembro passado. O Ministério das Relações
Exteriores brasileiro chegou a
divulgar nota de boas vindas ao
país africano no último dia de
2010. “O novo membro trará
importante contribuição ao
grupo em razão de sua relevância econômica e de sua construtiva atuação política”, dizia.
Para O’Neil, contudo, a África
do Sul não traz contribuições relevantes para os demais membros. “Se eu forçar muito a ima-
Yusuf Omar
cônsul da África
do Sul no Brasil
“A África do Sul e os demais
membros do Brics têm muito
em comum e há diversas
maneiras de nos beneficiarmos
com essa nova parceria. Nosso
ingresso no grupo não deveria
ser surpresa para ninguém”
ginação, acredito que essa oferta
abra caminho para as commodities sul-africanas e, relativamente, pode contribuir para fomentar o setor financeiro dos
demais países membros do grupo”, afirma o economista.
Além da matemática
Já para o cônsul da África do Sul
no Brasil, Yusuf Omar, o ingresso
no Brics tem muito a contribuir.
“Todos podemos nos beneficiar
com projetos em agricultura,
pesquisa e desenvolvimento e
serviços. Há milhões de possibilidades”, rebate. Ele destaca o
seguimento de ciência e tecnologia sul-africano como um ponto
forte do país. “Há muitas áreas
em que o Brasil pode se beneficiar, mas se eu tivesse de escolher uma, seria inovação. Não é à
toa que, das 100 maiores multinacionais, 60% possuem escritório na África”, explica.
Em relação às facilidades para
fechar negócios, no ranking
Doing Business do Banco Mundial, a África do Sul está em posições bem mais elevadas que
qualquer outro país do Brics. Ela
ocupa o 34º lugar, enquanto o
Brasil está em 127º, e a China,
melhor colocada, é o 79º lugar.
Segundo Omar, as críticas de
oposição ao ingresso do país no
Brics reflete a falta de conhecimento da demanda potencial da
região. “É um problema de percepção. Temos sempre de lembrar ao mundo que não estamos
falando de um único país, mas
de um continente inteiro. A África do Sul é acesso para mais 50
outras nações”. Embora o Brics
seja apenas uma sigla e seus países membros não atuem como
bloco político e econômico,
Omar destaca a relevância que o
grupo possui na tomada de decisão de outros grupos, como o
G20. “Olhando na perspectiva
Sul-Sul (relação entre emergentes), daqui a 10 anos poderemos
ser Bricsax — uma sigla enorme”,
brinca. “O importante é nos
unirmos para fortalecer parcerias
bilaterais”, diz. ■
A LETRA "S"
Economia da África do Sul caminha para o equilíbrio
após 17 anos de democracia
2007
2008
2009
2010
EXPANSÃO DO PIB, EM %
5,6%
3,6%
-1,7%
2,8%
INFLAÇÃO, EM %
6,1%
9,9%
7,1%
4,3%
TAXA DE INVESTIMENTO, % DO PIB
20,1%
23,1%
22,2%
19,6%
CRESCIMENTO DO CRÉDITO, EM %
21,7%
18,3%
1,8%
4,2%
RESERVAS INTERNACIONAIS, EM US$ BILHÕES
31,3
33,4
38,9
43,3
Fonte: South African Reserve Bank
Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 39
Donald Chan/Reuters
Crescimento industrial chinês reduz ritmo
No mês de abril, os esforços do governo da China para combater
a inflação pesaram mais que o previsto e o índice oficial de compras caiu
de 53,4 em março para 52,9 em abril, total menor do que as previsões
de mercado, que eram de um aumento para 54,0. Em contrapartida,
o índice indicou que as medidas governamentais alcançaram seus objetivos,
ao menos parcialmente. Um sub-índice que mede os preços dos insumos
caiu de 68,3 em março para 66,2 em abril, o nível mais baixo em sete meses.
Henrique Manreza
Jim O’Neil acredita
que a inclusão não
agrega valor ao BRICS
TRÊS PERGUNTAS A...
Arquivo pessoal
...JOSÉ AUGUSTO DE CASTRO
Vice-presidente da Associação de
Comércio Exterior do Brasil (Aeb)
Com ou sem “S”,
grupo ainda não
explora sinergias
Para o especialista, grupo
desperdiça oportunidades
de negócios, visto que não
desenvolve alianças politicas nem
econômicas por meio de acordos
bilaterais. Castro reforça, ainda,
que sem a China, “locomotiva do
mundo”, a acrônimo não existira.
O ingresso da África do Sul,
portanto, não deve alterar os
rumos do Brics nesse cenário.
Como o ingresso da África
do Sul pode contribuir
para fortalecer o Brics?
Na verdade, com ou sem o “S”
(África do Sul), a sinergia entre
os membros do Brics não tem
sido bem explorada. Os membros
não se reúnem como grupo para
firmar acordos bilaterais, que
envolvem redução de tarifas de
importação. Sem a China, o maior
comprador mundial e segunda
economia do planeta, o Brics nem
existiria nem como “status” para
atrair investimentos.
A Rússia está na sigla pelo
petróleo, a Índia pelos serviços
e o Brasil pelas commodities. No
grupo, é cada um por si. O novo
membro não agregará mudanças
no modo como o Brics atua hoje.
Qual é a vantagem de ter a
África do Sul como membro?
EQUILÍBRIO NA BALANÇA
“Bloco” pode se tornar plataforma para agregar valor ao comércio bilateral com o Brasil
Embora a corrente de comércio
com a África do Sul tenha
crescido 25% nos últimos dois
anos, o Brasil importa apenas
metade de todo o volume que
exporta para o novo parceiro
de Brics. Além disso, as
transações são compostas por
produtos de baixo valor agregado,
como itens agrícolas e minérios.
“Houve uma grande evolução nas
nossas relações comerciais nos
últimos anos, mas precisamos
torná-las mais igualitárias.
Hoje, a balança está mais
favorável para o Brasil”, analisa o
cônsul sul-africano Yusuf Omar.
Ao citar quantas empresas
brasileiras investem na África do
Sul, Omar destaca novamente um
desequilíbrio. “Há apenas três ou
quatro companhias instaladas no
país. Mas há cerca de 15 empresas
sul-africanas no Brasil”, reforça.
A adesão da África do Sul ao
Brics pode contribuir para
estreitar a parceria e agregar
valor ao comércio bilateral.
“Se imitarmos o que acontece
hoje com o Ibsa (grupo formado
por Índia, Brasil e África do Sul),
podemos avançar muito. Claro
que dentro do bloco algumas
parcerias aceleram mais que as
outras”, diz. Segundo Omar, Índia
e África do Sul negociam acordos,
fomentados pelo Ibsa, de mais
de US$ 10 bilhões. “O mesmo
pode acontecer com o Brasil
e com a África do Sul”, projeta.
“Tivemos três eleições desde
1994 e nenhuma gota de sangue
derramada. Emergimos rápido
da recessão assim como o Brasil.
A Inflação caiu de dois dígitos para
menos de 5% em pouco tempo.
A África do Sul é muito atraente
para investimentos”, completa.
A África do Sul pode representar
o ingresso em todo um
continente. Não podemos
esquecer que a economia do país
é bem menor que a dos demais
membros do Brics. A parceria
pode gerar uma aproximação,
portanto, com mercados maiores.
O Brasil jamais negaria o ingresso
da África. Embora não tenhamos
uma cultura de acordos bilaterais,
a África pode ser uma boa
fornecedora de serviços, além
de commodities par ao país.
O Brasil tem acordos
bilaterais dentro do Brics?
Nenhum. Alíás, o Brasil só tem
dois acordos bilaterais vigentes,
um com Israel e outro com
o Egito. No fundo, são acordos
meramente simbólicos, então,
na prática, não temos nada.
40 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011
BRASIL ECONÔMICO é uma publicação da Empresa Jornalística Econômico S.A, com sede à Avenida das
Nações Unidas, 11.633, 8º andar - CEP 04578-901 - Brooklin - São Paulo (SP) - Fone (11) 3320-2000
Central de atendimento e venda de assinaturas: São Paulo e demais localidades 0800 021 0118 Rio de Janeiro (Capital) (21) 3878-9100 - [email protected]
É proibida a reprodução total ou parcial sem prévia autorização da Empresa Jornalística Econômico S.A.
ÚLTIMA HORA
Dilma está com pneumonia leve
Marcello Casal/ABr
Costábile Nicoletta
[email protected]
Diretor Adjunto
Gripada desde que voltou da China no último dia 17, a
presidente Dilma Rousseff decidiu antecipar para ontem, em São Paulo, uma bateria de exames no Hospital
Sírio-Libanês que aconteceria na quarta-feira. Os médicos constataram um quadro leve de pneumonia e receitaram antibióticos. A assessoria do Palácio do Planalto não informou se a agenda de hoje será alterada. A
presidente tem dois compromissos oficiais: reunião com
o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, às 11h, e
com o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Wagner
Bittencourt, às 15h.
Na última sexta-feira, a assessoria da Presidência já
havia confirmado que, devido à gripe, Dilma não participaria das comemorações do Dia do Trabalhador organizadas pela Força Sindical e pela CUT(Central Única
dos Trabalhadores). Na sexta-feira, a presidente era esperada no Fórum Econômico Mundial para América Latina, no Rio de Janeiro, mas também não compareceu.
Na segunda-feira passada (25), a presidente tomou a
vacina contra a gripe no Palácio do Planalto para estimular
as pessoas a aderirem à Campanha Nacional de Vacinação.
Cerca de 6,4 milhões de pessoas foram vacinadas no sábado (30) contra a gripe em todo o país, segundo informe divulgado pelo Ministério da Saúde. ■ Pedro Venceslau
Autoridades da ONU se retiram da Líbia
Str/EFE
As autoridades internacionais da Organização das Nações
Unidas (ONU) que estavam trabalhando em Trípoli, capital da Líbia, decidiram ontem deixar o país. “Aparentemente, houve uma revolta em Trípoli e eles decidiram
deixar a cidade”, disse ontem a porta-voz da ONU para
assuntos humanitários, Stephanie Bunker.
As embaixadas britânica e italiana em Trípoli foram
atacadas e incendiadas ontem por manifestantes, horas
depois de um ataque aéreo da aliança militar Otan matar
um filho e três netos do ditador Muamar Kadafi. A GrãBretanha decidiu expulsar o embaixador líbio em Londres, Omar Jelban.
O bombardeio da Otan atingiu a casa do filho de Kadafi, Saif al-Arab, na madrugada de sábado para domingo. O ditador e sua esposa estavam no local mas, segundo
o governo líbio, saíram ilesos do ataque. “O que temos
agora é a lei da selva”, afirmou o porta-voz de Kadafi,
Mussa Ibrahim. “Cremos que agora está claro para todos
que o que está acontecendo na Líbia não tem nada a ver
com a proteção a civis”, acrescentou. A Otan negou ter
realizado ataques contra Kadafi e sua família, mas afirmou que havia lançado a ofensiva contra alvos militares
na mesma zona de Trípoli. Os funerais dos familiares de
Kadafi serão realizados hoje na capital.
Ao mesmo tempo, as forças leais ao ditador tentam
avançar para Zintan, uma cidade controlada pelos rebeldes, e bombardeiam com foguetes a região. Também haveria conflitos na área de outra cidade, al-Rayayana.
Reuters/Divulgação
Exportar ainda
é o que importa?
O Brasil é um grande exportador de matérias-primas. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, dos quase US$ 202 bilhões de mercadorias embarcadas no ano passado
para outros países, 44,6% constituíram-se de itens
básicos (como minérios) e 14% foram semimanufaturados (como celulose). Esse perfil propiciou à economia brasileira passar quase que incólume pelas últimas crises financeiras mundiais. Por menos charmosos que sejam esses insumos, eles são praticamente gêneros de primeira necessidade não só para
mercados como o chinês — para onde foram 15,3%
de nossas exportações em 2010, tornando o país
asiático nosso maior parceiro comercial —, mas para
qualquer país desenvolvido e em desenvolvimento.
Ser um grande exportador de matérias-primas
tem sido motivo de críticas de toda ordem: em artigos de jornais, em comentários de “especialistas”
no rádio e na televisão, em pleitos de lobbies no governo, nas teses de doutorado econômico, nas salas
de café de entidades empresariais, etc. “O Brasil
precisa exportar produtos de maior valor agregado” é uma cantilena que se ouve desde que os militares instituíram o slogan “Exportar é o que importa”, na década de 1970.
Vale continua de interesse
nacional, tanto que o Estado
manteve poder de veto em
algumas decisões da companhia
Síria
Na Síria, autoridades têm executado uma série de detenções na cidade de Deraa, em sua mais nova tentativa
de reprimir protestos contra o governo do presidente
Bashar al-Assad, afirmaram ontem moradores do local.
Eles disseram ter visto uma série de ônibus cheios de
homens algemados e encapuzados sendo levados na direção de um grande centro de detenção na cidade, que é
controlada por serviços de segurança.
Assad enviou tropas apoiadas por dezenas de tanques
a Deraa em 25 de abril a fim de acalmar as revoltas contra seu governo que já dura 11 anos. ■ Reuters e AFP
Encontrada caixa-preta
de acidente da Air France
Uma das duas caixas-pretas do voo 447 da Air France que
caiu na costa brasileira em 2009 foi encontrada no mar
após buscas em águas profundas, informaram os investigadores do caso ontem, reavivando esperanças de que se
possa finalmente explicar o que teria causado o acidente.
Os investigadores franceses disseram num comunicado
que a caixa-preta, com gravações de dados do voo, tinha
sido levada para um barco de buscas.
Funcinários do órgão francês BEA (Le Bureau d’Enquêtes et d’Analyses) disseram que era muito cedo para
dizer se a caixa-preta, que guarda dados dos instrumentos do avião mas não das vozes dos pilotos, poderia trazer informações sobre a causa do acidente. ■ Reuters
Se for verdade que a intromissão do governo federal na mudança de comando da Vale decorreu de
conflitos de interesse entre o que a presidente Dilma
Rousseff esperava da mineradora e o que Roger Agnelli, o ex-chefão da empresa, pretendia, é de esperar que os críticos do modelo exportador brasileiro
revejam sua posição. Um dos objetivos de Dilma e de
seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, era fazer
com que a Vale investisse, por exemplo, em siderurgia para, em vez de minério, vender aço, um produto
de maior valor agregado que o ferro em estado bruto,
embora ainda um semimanufaturado. Ao que parecesse, não era esse o intuito de Agnelli.
A troca de presidente na Vale transformou-se
num ato de comoção nacional, mas poderia servir
para uma discussão diferente. Compensa ganhar os
tubos quando a cotação das commodities está nas alturas e ficar sujeito a perder esse mercado no futuro
para sucedâneos? O que é mais importante para o
Brasil, exportar minério de ferro, aço, automóveis?
O etanol surgiu como opção brasileira ao petróleo
depois que o preço desse combustível fóssil passou a
corroer as divisas dos países que não dispunham
dessa fonte de energia. Pichar o Brasil porque o país
exporta minério e falar mal do governo porque intervém numa empresa por querer que ela agregue
valor a esse minério é uma aparente incoerência.
Apesar de privatizada, a Vale continua de interesse
nacional, tanto que o Estado manteve poder de veto
em algumas decisões da companhia. ■
w w w . b ra s i l e c o n o m i c o . c o m . b r
Download

empresas - Brasil Econômico