www.brasileconomico.com.br mobile.brasileconomico.com.br SEGUNDA-FEIRA, 2 DE MAIO, 2011 | ANO 3 | Nº 421 | DIRETOR RICARDO GALUPPO | DIRETOR ADJUNTO COSTÁBILE NICOLETTA Aggreko, comandada por Ruppert Soames, mira na Copa 2014 e nas obras do PAC para aumentar seu negócio de energia no país ➥ P26 Bloomberg São Caetano (SP) municipaliza escolas estaduais e oferece aulas de inglês e informática a todos os alunos do ensino público ➥ P18 R$ 2,00 Portos saturados podem anular benefícios da Norte-Sul e BR-163 Itaqui (MA) e Santarém (PA) não têm atualmente capacidade para escoar a produção de grãos do Centro-Oeste Os projetos da ferrovia e da rodovia, que começam a se concretizar, permitirão que a produção de Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia tenha acesso aos portos de Santarém (PA), e Itaqui (MA), na tentativa de evitar Santos (SP) e Paranaguá (PR). Mas os dois portos precisam ter sua capacidade ampliada. Em Itaqui, foi aprovada a licitação para a concessão do terminal de grãos, enquanto empresas exportadoras programam investimentos na região de Santarém. ➥ P4 Produtores do Nordeste e do Centro-Oeste pedem parcerias público-privadas para rodovias. Antonio Milena Pequenas auditorias disputam médias empresas ➥ P32 “África do Sul não combina com Bric” José Maurício D’Isep, da Vicunha: estratégia é ter base de produção distribuídas nas Américas Argentina e Colômbia são a rota para a Vicunha chegar aos EUA Fabricante brasileira de fios têxteis e tecidos negocia duas fábricas no parceiro de Mercosul e se prepara para entrar no mercado colombiano, em uma estratégia que tem como objetivo chegar aos Estados Unidos. ➥ P22 Envelhecimento Inflação vai alerta para fim do limitar alta dos bônus demográfico salários em 2011 Censo de 2010 comprova alta no número O aumento nos índices de preços deve de idosos, queda na natalidade e aumenta reduzir o percentual de reajuste real nas preocupação sobre futuro do país. ➥ P10 negociações trabalhistas neste ano. ➥ P14 Para economista criador da sigla, país africano não tem tamanho para integrar grupo. ➥ P38 INDICADORES TAXAS DE CÂMBIO ▼ Dólar Ptax (R$/US$) ▼ Dólar comercial (R$/US$) ▼ Euro (R$/€) ▲ Euro (US$/€) ▼ Peso argentino (R$/$) JUROS ■ Selic (a.a.) BOLSAS ▲ Bovespa - São Paulo ▲ Dow Jones - Nova York ▲ Nasdaq - Nova York ▲ S&P 500 - Nova York FTSE 100 - Londres ▼ Hang Seng - Hong Kong 29.4.2011 COMPRA 1,5725 1,5710 2,3312 1,4825 0,3853 META 12,00% VAR. % 0,70 0,48 0,06 0,23 VENDA 1,5733 1,5730 2,3326 1,4826 0,3860 EFETIVA 11,92% ÍNDICES 66.132,86 12.824,50 2.874,12 1.363,57 feriado -0,36 23.720,81 2 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011 OPINIÃO Sérgio Vale Marcelo Mariaca João Geraldo Ferreira Economista-chefe da MB Associados Presidente do Conselho de sócios da Mariaca e professor da Brazilian Business School Presidente da General Eletric Brasil Relembrando Simonsen Prevenir o assédio moral Em busca da inovação Como dizia Keynes, somos escravos de algum economista morto, como se sempre voltássemos a velhas ideias recauchutadas. Mas no caso de Mário Henrique Simonsen, trata-se de uma escravidão com lições para toda a vida de um economista. Atualmente, mais ainda, com a discussão sobre os rumos da inflação no país. Lembrei-me de Simonsen ao ver o governo alinhado numa bancada em Brasília, a postos para uma guerra anunciada contra a inflação. Alguns esforços têm sido feitos na área fiscal pelos dados que foram divulgados em março, mas o governo continua errando a estratégia de longo prazo. Ao optar por uma política fiscal de ajuste durante este ano, mas com clara opção de volta a crescimento acima do PIB a partir do ano que vem (basta lembrar do aumento nominal de 14% do salário mínimo em 2012), e também optar por uma política monetária gradualista, o governo negligencia mais uma vez a demanda. E é aqui que entra Simonsen. Em seu estudo clássico, “Gradualismo versus tratamento de choque”, preparado na década de 70, Simonsen tratou a inflação brasileira (e, na verdade, as inflações em geral), por três componentes: um autônomo, dado por choques de oferta, a realimentação (inércia) e a demanda. Para ele, a causa maior da inflação é o último componente. Ele é que permite que a inflação se propague em cima de um nível existente de indexação, sendo que os choques de oferta, por serem temporários, não deveriam receber tanta atenção. Os planos heterodoxos de combate à inflação tentavam conter a indexação, mas se esqueciam da demanda e logo ela voltava a ser propagadora de aumentos de preços. O Plano Real permitiu um choque eficiente na indexação, mas seguido de um controle estrito de demanda. Inércia e demanda andam de mãos dadas e são os dois elementos que têm que ser combatidos. O abuso moral é uma questão que recebe, cada vez mais, a atenção das organizações. A maior conscientização das pessoas e a pressão da sociedade organizada exigem das empresas políticas e práticas que coíbam a exposição de trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. O principal fator que torna o abuso moral mais indefectível é a forma como é manipulado. Antigamente, era possível culpar as reações de fúria de um chefe, mas, hoje, são usadas formas mais sutis. Isolar um funcionário, deixá-lo sem nada para fazer ou sobrecarregá-lo com tarefas inúteis são atitudes que arruínam a saúde mental de qualquer profissional, ao mesmo tempo em que minam seu futuro dentro da empresa. No ano passado, o Brasil investiu US$ 18 bilhões em inovação. A previsão é de que este investimento chegue a US$ 19,4 bilhões em 2011. Embora este dado represente um avanço, países como os Estados Unidos chegam a aplicar um montante 20 vezes maior na criação de soluções inovadoras. Segundo dados do Ministério da Ciência e Tecnologia, em 2009, o Brasil investiu 1,19% do PIB em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias. Nos Estados Unidos e no Japão esse percentual está entre 2,5% a 3%, anualmente. Não por acaso, a liderança no ranking de registros de patentes pertence a esses países. Mais de 246 mil nos Estados Unidos e 86 mil no Japão só em 2009. O Brasil, na outra ponta, registrou apenas 497 patentes no mesmo período. Acabamos de lançar a edição 2011 do Barômetro de Inovação da GE, pesquisa independente realizada pela StrategyOne, em doze países, com 1.000 executivos em cargos de decisão de grandes empresas. Esse estudo global, que incluiu o Brasil pela primeira vez, busca entender, numa perspectiva multicultural, a percepção dos executivos sobre a inovação em seus países. Para o capítulo brasileiro da pesquisa, entrevistamos 100 líderes das maiores empresas do país. Na opinião desses executivos, o Brasil tem a oportunidade de despontar como modelo de tecnologia e inovação do futuro. Somos o país mais otimista em relação às oportunidades de inovação que temos pela frente. Além disso, 98% desses líderes acreditam que a inovação é a melhor maneira de criar empregos localmente, contribuindo assim para a sustentabilidade econômica do país. Ao optar por uma política fiscal de ajuste e crescimento acima do PIB já a partir do ano que vem, o governo negligencia mais uma vez a demanda Agora, o governo dá importância máxima ao choque de oferta e negligencia a demanda e a inércia. É uma releitura inusitada do que se estudou e pensou sobre inflação nos últimos quarenta anos. Um exemplo na vizinhança ajuda a lembrar da importância da demanda. O Chile passa por um processo inflacionário parecido com o nosso, por pressão de demanda, mas também concomitante com alta nos preços de commodities. Mas o Banco Central chileno é explícito em aumentar sua taxa básica de juros de 0,5% anual para os esperados 7% ou 8% no final deste ano para conter a expansão de demanda. Um aumento significativo, sem pensar em medidas macroprudenciais — hoje adotadas com certa frequência no Brasil —, para conter o que aumenta a propagação da inflação: a demanda. O experimentalismo pelo qual estamos passando no Banco Central está de acordo com a visão antiga dos integrantes do governo de que um pouquinho de inflação não é problema, sendo o principal manter o ritmo de crescimento num patamar razoável. É por isso que nada do que o governo fez nas semanas passada muda a impressão de que se aceitará naturalmente um IPCA de 6% nos próximos anos. No contraditório brasileiro, Geisel e Simonsen foram do mesmo governo, mas hoje precisamos mais do bom lado teórico de Simonsen do que das irresponsabilidades do período Geisel. ■ Os gestores devem se conscientizar de que o assédio moral é um tipo de violência intolerável. Por isso, deve ser punido de forma exemplar Qualquer um pode sofrer com esse tipo de agressão, mas as principais vítimas são as mulheres. Segundo pesquisa feita com cerca de 2.000 funcionários de 97 empresas de São Paulo, 42 % dos entrevistados afirmaram ter vivido histórias de humilhação no ambiente de trabalho. Desses, 65% eram mulheres e 29%, homens. Ser ignorado por um colega de trabalho, pelo chefe ou ainda levar uma bronca não significa necessariamente abuso moral. O problema reside no comportamento intimidador, persistente e abusivo, detonado com o único objetivo de deixar a pessoa humilhada, chateada e aterrorizada. Outro ponto a esclarecer: o assédio moral pode ser praticado por chefes ou colegas de trabalho, ocupantes de qualquer escalão das companhias. Algumas pesquisas traçam o comportamento padrão do algoz, que tende a adotar táticas como culpar os outros pelos erros, viver criticando a habilidade profissional dos colegas, fazer exigências sem sentido ou mesmo cometer delitos, como roubar os créditos profissionais dos integrantes da equipe. As vítimas não são as únicas que perdem. As empresas também são afetadas pela queda na produtividade, pelo envenenamento do clima organizacional, perda de bons profissionais e, em casos extremos, por processos judiciais que resultam em pagamento de indenizações. Para prevenir a prática de assédio moral, as empresas devem estabelecer políticas claras, a começar pela criação de códigos de ética e de conduta, cujos princípios e orientações devem ser difundidos por toda a companhia. Antes de qualquer coisa, é preciso deixar bastante explícito para os profissionais quais comportamentos são aceitos e quais não são tolerados pela organização. A parte mais difícil, contudo, é a vigilância no dia a dia. Em primeiro lugar, os gestores devem se conscientizar de que o assédio moral é um tipo de violência intolerável, que não se admite mais na sociedade em que vivemos e deve ser punido de forma exemplar. Além disso, pode trazer graves consequências para o agressor e para a própria instituição em que atua. Em segundo lugar, os gestores também devem estar atentos a qualquer tipo de conduta de seus liderados que possa resultar em alguma espécie de assédio moral e tomar as providências necessárias para prevenir essas práticas e não deixar que se instaure a cultura da impunidade. ■ Profissionais e equipes criativas, investimento em conhecimento técnico e respaldo governamental são ítens fundamentais à inovação Outro dado extremamente relevante, apontado pelo nosso estudo, diz respeito à visão dos executivos sobre a origem da inovação: 96% dos entrevistados acham que o desenvolvimento da inovação deve estar localizado no país, para poder suprir com maior adequação as necessidades do mercado local. Profissionais e equipes criativas, que “pensem fora da caixa”, investimento em conhecimento técnico avançado, além de um maior respaldo financeiro e institucional por parte do governo e das autoridades, foram os três ítens apontados como os mais importantes para que a inovação encontre um cenário propício para se desenvolver. A formação e qualificação da mão-de-obra local também apareceu com grande destaque na pesquisa, como pilar importante no desenvolvimento de novas soluções para as demandas do país. Para 91% dos executivos entrevistados as inovações do futuro serão aquelas que trarão valor à sociedade como um todo e não apenas aos consumidores individualmente. O que significa isso? Que devemos ir além de apenas criar as melhores soluções para os problemas locais, precisamos ajudar a educar a sociedade a assimilar soluções inovadoras ao seu diaa-dia e ao seu modo de pensar e ver o mundo. Para finalizar, os entrevistados acreditam no trabalho em conjunto entre governos, empresas e sociedade civil para o crescimento do espírito inovador do país. A inovação tem um papel social fundamental. Inovar é preciso. Queremos promover a inovação local, em parceria com o governo e a sociedade, com investimentos consistentes para posicionar, de vez, o Brasil entre as maiores potências da atualidade. ■ Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 3 NESTA EDIÇÃO EFE Fabricante de máquinas agrícolas, AGCO vai ao mercado de energia PAPA JOÃO PAULO 2º É BEATIFICADO DIANTE DE MULTIDÃO Fundação 1990 Catálogo tratores, colheitadeiras, equipamentos para fenação e forragem, pulverizadores, equipamentos para preparo de solo, implementos e peças de reposição relacionadas Marcas Challenger, Fendt, Massey Ferguson e Valtra Distribuição mais de 2,6 mil concessionárias e distribuidores independentes Presença 140 países Receita líquida de vendas em 2010 US$ 6,9 bilhões Fonte: empresa Em agosto, a Sisu Power, divisão de motores do grupo AGCO, passará a fábricar equipamentos para geração de energia na linha de montagem de Mogi das Cruzes (SP). A companhia planeja investir US$ 10 milhões na ampliação da fábrica. ➥ P24 Oi e Telefônica investem na revitalização do telefone fixo Operadoras apostam na oferta de serviços de banda larga e em ações com os consumidores para recuperar o mercado de telefonia fixa que nos últimos anos perde espaço sistematicamente para as linhas celulares. ➥ P28 Itacaré instala a primeira fábrica de chocolates finos em Ilhéus A região é maior produtora de cacau do país e exporta a matéria-prima há um século, mas só agora ganha uma unidade industrial. A produção inicial é de 200 quilos por dia, na Fazenda Berg Frut distrito de Rio do Engenho, mas a meta é chegar a mil quilos/dia. ➥ P20 Atenção do investidor na semana será voltada para dados de inflação Em uma semana neutra em relação a indicadores no Brasil e no mundo, investidores devem manter o monitoramento dos índices de preços, com divulgação do IPCA e do IPC-Fipe de abril. No front externo, balanços corporativos são destaque. ➥ P34 O papa João Paulo 2º foi beatificado ontem em cerimônia que atraiu cerca de 1,5 milhão de pessoas — a maior multidão reunida em Roma desde seu funeral, seis anos atrás. “De agora em diante o papa João Paulo será chamado beato”, proclamou em latim o papa Bento 16. Um lugar de honra foi reservado para a irmã Marie Simon-Pierre Normand, freira francesa que sofria da doença de Parkinson e cuja cura inexplicável foi atribuída à intercessão de João Paulo 2º junto a Deus para fazer um milagre. O fato foi a justificativa para a beatificação do último papa. Para que ele possa ser canonizado, o Vaticano terá que atribuir outro milagre à sua intercessão. Presidente do Conselho de Administração Maria Alexandra Mascarenhas Vasconcellos Diretor-Presidente José Mascarenhas Diretores Executivos Alexandre Freeland, Paulo Fraga e Ricardo Galuppo [email protected] BRASIL ECONÔMICO é uma publicação da Empresa Jornalística Econômico S.A. Redação, Administração e Publicidade Avenida das Nações Unidas, 11.633 - 8º andar, CEP 04578-901, Brooklin, São Paulo (SP), Tel. (11) 3320-2000. Fax (11) 3320-2158 Diretor de Redação Ricardo Galuppo Diretor Adjunto Costábile Nicoletta Brasília Maeli Prado, Simone Cavalcanti Rio de Janeiro Daniel Haidar, Ricardo Rego Monteiro Editores Executivos Arnaldo Comin, Gabriel de Sales, Jiane Carvalho, Thaís Costa, Produção Editorial Clara Ywata Editores Conrado Mazzoni (On-line), Elaine Cotta (Brasil), Fabiana Parajara (Destaque), Rita Karam (Empresas) Arte Pena Placeres (Diretor) , Betto Vaz (Editor) , Evandro Moura, Letícia Alves, Maicon Silva, Paulo Roberto Argento, Renata Rodrigues, Renato B. Gaspar, Tania Aquino (Paginadores), Infografia Alex Silva (Chefe), Anderson Cattai, Monica Sobral Fotografia Antonio Milena (Editor), Marcela Beltrão (Subeditora), Henrique Manreza, Murillo Constantino (Fotógrafos), Angélica Breseghello Bueno, Thais Moreira (Pesquisa) Webdesigner Rodrigo Alves Tratamento de imagem Henrique Peixoto, Luiz Carlos Costa Secretaria/Produção Shizuka Matsuno Subeditores Estela Silva, Isabelle Moreira Lima (Empresas), Ivone Portes (Brasil),Luciano Feltrin (Finanças), Micheli Rueda (On-line) Repórteres Amanda Vidigal, Ana Paula Machado, Ana Paula Ribeiro, Bárbara Ladeia, Carolina Alves, Carolina Pereira, Cintia Esteves, Claudia Bredarioli, Daniela Paiva, Domingos Zaparolli, Dubes Sônego, Eva Rodrigues, Fabiana Monte, Fábio Suzuki, Felipe Peroni, Françoise Terzian, João Paulo Freitas, Juliana Rangel, Karen Busic, Luiz Silveira, Lurdete Ertel, Maria Luiza Filgueiras, Mariana Celle, Mariana Segala, Martha S. J. França, Michele Loureiro, Natália Flach, Nivaldo Souza, Paulo Justus, Pedro Venceslau, Priscila Dadona, Priscila Machado, Regiane de Oliveira, Ruy Barata Neto, Thais Folego, Vanessa Correia, Weruska Goeking Departamento Comercial Paulo Fraga (Diretor Executivo Comercial), Mauricio Toni (Diretor Comercial), Júlio César Ferreira (Diretor de Publicidade) , Ana Carolina Corrêa, Sofia Khabbaz, Valquiria Rezende, Wilson Haddad (Gerentes Executivos), Paulo Fonseca (Gerente Comercial) , Celeste Viveiros, Dervail Cabral Alves, Mariana Sayeg, Simone Franco (Executivos de Negócios), Jeferson Fullen (Gerente de Mercados), Ana Paula Monção (Assistente Comercial) Consórcios ampliam ofertas e reconquistam confiança do público Além do cliente tradicional sistema agrega pessoas da classe média emergente, com a predominância dos jovens. Antes concentrado na oferta de veículos, hoje portfólio oferecido aos consorciados abrange pacotes turísticos, cirurgias e até pneus. ➥ P30 Projetos Especiais Márcia Abreu (Gerente), Alexandre de Vicencio (Coordenador), Daiana Silva Faganelli (Analista) Publicidade Legal Marco Panza (Diretor de Publicidade Legal e Financeira), Marco Aleixo (Gerente Executivo), Adriana Araújo, Valério Cardoso, Carlos Flores (Executivos de Negócios), Tatiana Benevides (Assistente Comercial) Departamento de Marketing Evanise Santos (Diretora), Rodrigo Louro (Gerente de Marketing), Giselle Leme, Roberta Baraúna (Coordenadores de Marketing), João Felippe Macerou Barbosa (Coordenadores) Operações Cristiane Perin (Diretora) Departamento de Mercado Leitor Nido Meireles (Diretor), Nancy Socegan Geraldi (Assistente Diretoria), Denes Miranda (Coordenador de Planejamento) Central de Assinantes e Venda de Assinaturas Marcello Miniguini (Gerente de Assinaturas), Helen Tavares da Silva (Supervisão de Atendimento), Conceição Alves (Supervisão) São Paulo e demais localidades 0800 021 0118 Rio de Janeiro (Capital) (21) 3878-9100 De segunda a sexta-feira - das 6h30 às 18h30. Sábados, domingos e feriados - das 7h às 14h. [email protected] Central de Atendimento ao Jornaleiro (11) 3320-2112 Sucursal RJ Leila Garcia (Diretoria Comercial), Cristina Diogo (Gerente Comercial) Rua Joaquim Palhares, 40 Torre Sul – 7 º andar – CidadeNova – CEP: 20260-080 – Rio de Janeiro – RJ Tel.: (21) 2222-8701 e (21) 2222-8707 Jornalista Responsável Ricardo Galuppo TABELA DE PREÇOS Assinatura Nacional Trimestral Semestral Anual R$ 165,00 R$ 276,00 R$ 459,00 Condições especiais para pacotes e projetos corporativos e-mail [email protected] tel: (11) 3320-2015 (circulação de segunda a sexta, exceto nos feriados nacionais) Impressão: Editora O Dia S.A. (RJ) Diário Serv Gráfica & Logística (SP) FCâmara Gráfica e Editora Ltda. (DF/GO) 4 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011 ESPECIAL Editora: Fabiana Parajara [email protected] Logística do agronegócio ruma para o Norte 1 Recuperação da BR-163 no Pará e construção da ferrovia NorteSul abrem caminho para escoar a produção do Centro-Oeste Priscila Machado e Luiz Silveira AGRONEGÓCIO 6 [email protected] Dois projetos que começam a se concretizar darão a uma boa parte da produção agropecuária brasileira um caminho mais curto para chegar no seu destino. “A recuperação da BR-163 até Santarém e a construção da Ferrovia Norte-Sul são os projetos logísticos de curto prazo com impacto para o agronegócio”, diz a coordenadora do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Priscilla Nunes. A produção dos estados de Maranhão, Piauí, Tocantis, Bahia, Mato Grosso e Goiás ganharão acesso a portos mais próximos das lavouras e dos compradores internacionais. Em tese, as novas rotas também reduzirão a saturação de portos como Santos (SP) e Paranaguá (PR). “A solução para os portos do Sul e Sudeste está nos portos do Norte e Nordeste”, diz o diretor de grãos e processamento de soja da Cargill, Paulo Sousa. O ganho logístico de se escoar a produção agrícola por meio da BR-163 e da Norte-Sul, no entanto, ameaça ficar só na teoria. Os portos nos quais elas desembocam, Santarém (PA) e Itaqui (MA), não têm capacidade para movimentar os volumes de grãos que já disponíveis. “Itaqui é um gargalo para a Norte-Sul, e não terá condições de nos atender quando a ferrovia chegar ao Centro-Oeste”, diz Mauro Ramos, superintendente da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias, responsável pelas obras. A Valec garante que em cinco anos poderá escoar 50% dos grãos do país, o que equivale a cerca de 25 milhões de toneladas. Mas, no porto do Itaqui, a capacidade atual é de 2,8 milhões de toneladas por ano. De acordo com Ramos, hoje os custos para o produtor de soja do Mato Grosso levar o produto aos portos do Sul e Sudeste chega a US$ 67 a tonelada. Em Itaqui, seria de US$ 30. Uma parte do problema está mais perto de ser resolvida. A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) aprovou, na semana passada, a licitação para a Portos podem pôr a perder os ganhos da BR-163 e da ferrovia Norte-Sul, porque não têm capacidade para movimentar os volumes de grãos que já estão disponíveis concessão do Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), em Itaqui. O projeto prevê quatro armazéns, concedidos a grupos diferentes, somando 500 mil toneladas de capacidade. Na primeira fase, que deve entrar em operação em 2013, a capacidade de embarque será de 5 milhões de toneladas. “A licitação deve ser aberta em junho e as obras devem começar em setembro”, afirma o diretor da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), Daniel Vinent. Até 2024, a capacidade do Tegram será de 10 milhões de toneladas, um investimento de R$ 339 milhões pago pela iniciativa privada. Além do Tegram, a mineradora Vale investirá R$ 135 milhões em seu terminal de grãos da Ponta da Madeira, na área de Itaqui. Esse terminal da Vale é o único pelo qual o porto exporta grãos hoje, na casa de 2 milhões de toneladas por ano. Com isso, a capacidade passará para 4,3 milhões por ano. No caso da BR-163, que levará a safra do norte do Mato Grosso até Santarém (PA), a iniciativa privada se prepara para responder com estrutura portuária à recuperação da estrada. “Creio que a rodovia estará toda trafegável no segundo semestre de 2012”, diz Sousa, da Cargill. A empresa é a única a ter um terminal de grãos no porto de Santarém, com capacidade para um milhão de toneladas por ano. “Podemos saltar para três milhões de toneladas quando conseguirmos o licenciamento ambiental”, diz Sousa. Outras empresas, como Amaggi e Bunge, também têm soluções logísticas em vista para operar quando a BR-163 estiver recuperada. ■ Evandro Monteiro 2 Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 5 LEIA MAIS No Mato Grosso, projeto busca levantar R$ 170 milhões por ano para obras de logística, por meio de arrecadação de 1% do valor de cada saca de soja. Modelo mato-grossense de parceria público-privada está sendo copiado na Bahia, para conseguir R$ 200 milhões para rodovia que beneficiará área produtiva de 600 mil hectares. Eraí Maggi, do grupo Bom Futuro, mobiliza empresários do Centro-Oeste em torno da infraestrutura, que pode dar mais competitividade ao agronegócio local. Fernando Fernandes/Lunapress Aos poucos, ferrovias ganham espaço Cada vez mais soja e açúcar chegam aos portos em trens, mas o ganho logístico fica longe do produtor rural 1 Benefícios da ferrovia Norte-Sul, que chega em breve ao Centro-Oeste, podem ser anulados por falta de capacidade dos portos; 2 “A solução para portos do Sul e Sudeste está nos portos do Norte e Nordeste”, diz Paulo Sousa, diretor de grãos e processamento de soja da Cargill; 3 Em Itaqui, no Maranhão, custo de exportação é de US$ 30 por tonelada de grão, contra US$ 67 no Sul e Sudeste Christian Tragni/Folhapress 3 A construção de novas linhas ferroviárias e a revitalização de trechos já existentes está ampliando o uso de trens pelo agronegócio, mas os problemas nos portos e a falta de alternativas logísticas prejudicam a conversão desses ganhos em benefícios para os agricultores. “O preço do frete tem uma tendência constante de alta, porque a infraestrutura logística não acompanha o crescimento da produção”, diz a coordenadora do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Priscilla Nunes. O custo de frete sobe até mesmo em regiões que passam a contar com a opção do transporte ferroviário. “As ferrovias estão aumentando sua participação no transporte da safra, mas o preço do frete ferroviário é definido com base no rodoviário”, afirma o diretor de grãos e processamento de soja da Cargill, Paulo Sousa. “Em alguns períodos do ano, o frete ferroviário chega a custar mais que o rodoviário”, completa o gerente de logística da multinacional, Rodrigo Koelle. Em ano de safra recorde de grãos, os preços dos fretes em reais subiram entre 5% e 20% com relação ao ano passado. “Se considerarmos que o real se valorizou nesse período, a competitividade brasileira em dólares caiu mais ainda”, diz Sousa. Mas o ganho de eficiência nas ferrovias contribuiu para o agronegócio, sobretudo para a soja e o açúcar, na visão de Priscilla. Cerca de 30% da produção de açúcar deve chegar ao porto de Santos de trem neste ano. “Mas não há construção de novas ferrovias fora do Nordeste”, ressalta ela. Aos poucos, projetos que aguardam o aval do governo há muito tempo começam a receber atenção. A Valec publicou neste mês dois editais para a contratação da empresa que vai elaborar os estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental (EVTEA) dos novos ramais da Ferroeste. A estatal está alocando R$ 6,5 milhões para a realização do levantamento que irá contemplar a implantação da ligação ferroviária de Maracaju (MS) ao Porto de Paranaguá, com extensão de 1.116 quilômetros. A implanta- “ Em alguns períodos do ano, o frete ferroviário chega a custar mais que o rodoviário Rodrigo Koelle, gerente de logística da Cargill ção da extensão da Ferrovia Norte-Sul, no trecho de Panorama (SP) ao Porto de Rio Grande (RS) também será contemplada e para seu estudo foram alocados mais R$ 8,3 milhões. “Essa licitação vai nos posicionar quanto ao cronograma das obras”, diz o presidente da Ferroeste, Maurício Querino Theodoro. Para o executivo, passou da hora de esses ramais entrarem em operação. “Não conseguimos atender a produção do Paraná, Mato Grosso do Sul e Paraguai. Nós perdemos nesta safra 80 mil a 100 mil toneladas de grãos porque não foi possível escoar a tempo”, afirma. A perda siginificativa foi provocada não só pela falta de armazéns, mas também pela dificuldade no escoamento até o Porto de Paranaguá. “Em todo o país, os piores gargalos no transporte da safra estão entre os armazéns e os portos”, afirma Sousa. Para reverter esse cenário, o governo do Paraná tem um plano de expansão de R$ 1,1 bilhão para Paranaguá, que elevaria a capacidade do porto em grãos de 30 milhões para 45 milhões de toneladas. O projeto, no entanto, não está licenciado e ainda não tem prazo. Da mesma forma que ocorre nos portos da chamada saída norte (Belém, Santarém e Itaqui), o processo de licitação e implementação do projeto encontra-se em uma fase mais atrasada que as obras terrestres. ■ P.M. e L.S. 6 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011 ESPECIAL Agricultores do Nordeste e do Centro Oeste buscam PPP para logística Mato Grosso pode ter R$ 170 milhões por ano com 1% do valor de cada saca de soja destinado à infraestrutura Antonio Milena Ruy Barata Neto e Luiz Silveira AGRONEGÓCIO 6 [email protected] Projetos de parcerias públicoprivadas para solucionar gargalos de logística no escoamento de produção do agronegócio brasileiro começam a se expandir pelo país. O governo do Mato Grosso, por exemplo, estuda ampliar o Fundo Estadual de Transporte e Habitação (o Fethab), imposto obtido junto a agricultores e usado para financiar a construção de rodovias na gestão de Blairo Maggi. O projeto em análise criaria um fundo similar a partir da arrecadação de 1% do valor sobre a venda de cada saca de soja. Segundo o economista Paulo Rabello de Castro, que procura levar a ideia adiante com o governo local, seria possível garantir anualmente cerca de R$ 170 milhões para investimento no setor logístico da região. “O governo federal não vai comparecer com aportes suficientes para solucionar o caos logístico regional porque já enfrenta dificuldades para executar até o PAC 2”, diz Rabello. “É o governo do Mato Grosso que precisa agir de forma independente, organizando o empresariado, para vencer o problema”. Mecânica similar aparece em outros estados. A Bahia deve ser a próxima a receber investimentos em rodovias rateados entre agricultores e governo estadual, em um projeto chamado Rodoagro. A previsão é que dentro de 60 dias saiam todas as licenças para a construção de uma estrada de 222 quilômetros no Oeste Baiano, segundo o produtor e coordenador do projeto, Sérgio Pitt. O investimento nessa rodovia, que interligará duas importantes vias da região produtora, será de cerca de R$ 120 milhões. “Ele vai beneficiar uma área produtiva de 600 mil hectares e, se todos contribuírem, o custo médio para o produtor será de cerca de 2,5 sacas de soja por hectare”, afirma Pitt. As propriedades mais próximas da rodovia deverão pagar mais, e aquelas mais distantes desembolsarão valores menores, como ocorre no Mato Grosso. Além da nova rodovia, foram mapeados cerca de 600 quilômetros de estradas existentes para serem recuperadas pela parceria público-privada da Bahia. As obras dos primeiros 114 quilômetros desse total também devem receber todos os licenciamentos necessários nos próximos dois meses. O passo seguinte, tanto da nova rodovia quanto Estradas de terra, comuns no Norte e Centro-Oeste do país, são inviáveis para transporte de cargas dos trechos a serem reformados, será a redação e publicação dos editais para licitar as obras. Marcela Beltrão A elaboração de modelos de financiamento por meio de arrecadação junto ao setor privado é prioridade dos planos da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), na gestão do ministro Wellington Moreira Franco. Segundo o ministro, um programa do seu antecessor, Mangabeira Unger, de integração da Amazônia, Nordeste e Cen- tro-Oeste, está sendo retomado, o que falta é encontrar maneiras de execução rápida das obras. “O desenho de um plano estratégico para resolver as questões de logística e transporte está feito. Agora, é discutir qual a modelagem financeira adequada para o financiamento”, afirma Franco. O ministro diz que será necessário buscar também instrumentos nos mercado de capitais. “Se cada estado fizesse isso, teríamos uma capacidade de resposta mais rápida do PAC”. ■ RECURSOS PRIVADO PERDAS R$ 120 mi é o custo estimado para a R$ 3 bi são as perdas estimadas construção de uma estrada no Oeste baiano por meio de parceria público-privada. A obra vai beneficiar uma área produtiva de 600 mil hectares. causadas por problemas logísticos à produção do agronegócio matogrossense, responsável por 27% da safra nacional de soja. Planos federais Paulo Rabello de Castro economista “O Estado do Mato Grosso precisa agir de forma independente, organizando o empresariado para solucionar caos logístico” Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 7 8 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011 ESPECIAL ENTREVISTA ERAÍ MAGGI Presidente do grupo Bom Futuro Divulgação Maggi diz que obras atrasaram, mas reconhece avanços “Mato Grosso poderia ganhar três vezes mais com exportação” Empresário pressiona governo por investimentos em infraestrutura para ter mais competitividade mundial Ruy Barata Neto AGRONEGÓCIO 6 [email protected] Conhecido como um dos maiores produtores individuais de soja e de algodão do mundo, Eraí Maggi, dono do grupo Bom Futuro, não tem olhos apenas para as plantações, para as pequenas centrais hidrelétricas e para os tanques de peixes que renderão R$ 1 bilhão este ano à empresa. “Estou dedicando a minha energia para melhorar a infraestrutura do Mato Grosso, principalmente a parte logística”, afirma. Como ele mesmo conta, o estado está no centro do Brasil, e tem a vantagem de ter saídas para exportação por todos os lados, para o Norte e o Sudeste do país e também para os países vizinhos. O que falta são boas condições em todos os sentidos: as estradas estão ruins, os portos e ferrovias sobrecarregados, prejudicando a competitividade do produto agrícola local. Isso explica porque o tema passou a ocupar o tempo do empresário. Como tem sido a sua atuação? Coloco avião à disposição para trazer ministros aqui, vou a Brasília constantemente para tratar dessa questão. Acho que é o grande desafio a ser vencido. O Estado poderia ganhar pelo menos três vezes mais do que ganha hoje com a exportação. Hoje, gastamos cerca de US$ 120 para colocar uma tonelada de grãos para exportação. A média mundial é US$ 50. O alto custo diminui a competitividade ? Sim. O nosso potencial de produção é muito maior do que outros países. Podemos chegar a 10 toneladas de algodão, soja ou milho por hectare. Nenhum outro país do mundo conta com isso, porque tem geada, neve e tantas outras intempéries climáticas. Quem realmente consegue esse nível de produtividade? No Mato Grosso, é possível ter duas safras por ano, apesar dos seis meses de chuva e dos seis meses de seca. A produtividade cresce se tirar o alumínio da terra, a toxicidade mais profunda. O agricultor vai gastar mais, claro, mas se tiver renda dá para bancar os custos. Quando chega a seca, as raízes buscam umidade mais profundamente, o que é bom para o algodão, por exemplo que busca umidade no solo e não apodrece. “ Hoje, gastamos cerca de US$ 120 para colocar uma tonelada de grãos para exportação. A média mundial é US$ 50 A Região Sul deveria se concentrar em fazer máquina, trator e fertilizante. Tudo o que precisamos para aumentar as exportações As obras de infraestrutura estão muito atrasadas? Deveriam que ter andado mais rapidamente. Mas, ainda podemos resolver. A BR-163 (que liga Cuiabá a Santarém, no Pará) está saindo do papel. Temos 20 empreiteiras trabalhando na obra e conseguiremos ampliar bastante o escoamento de nossa carga para o Norte. Outro exemplo é a Ferrovia Oeste-Leste, que facilita o escoamento da soja. As perspectivas então são otimistas... A política para a região está correta. O Brasil tem que olhar o Mato Grosso como uma solução e não como o patinho feio, que atrapalha os produtores do sul. Eles ficam sofrendo por estarmos produzindo, entupindo-os de milho — o que barateia a produção deles —, e por não terem a logística necessária para escoar a produção para o Centro-Oeste nem a facilidade de exportação para a Ásia. A classe inteira deveria entender o Mato Grosso como uma solução para gerar mais emprego e atrair mais divisas ao país. O Sul deveria se concentrar em fazer máquina, trator e fertilizante. Tudo o que precisamos para aumentar as exportações. ■ Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 9 Participe e conheça o INNOVABILITY, um conceito pioneiro de inovação. Muito além de uma junção dos conceitos de inovação e sustentabilidade, INNOVABILITY é a capacidade que as pessoas e empresas têm de inovar em todas as suas dimensões. Venha para a 2a edição do Fórum de Inovação para juntos pensarmos sobre esta e outras ideias que podem melhorar a nossa relação com o mundo. 11 de maio, em São Paulo Inscrições pelo site www.brasileconomico.com.br/edp 10 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011 DESTAQUE CENSO 2010 Editoras: Elaine Cotta e Fabiana Parajara [email protected] Soa o alerta para fim do bônus demográfico Proporção da população economicamente ativa cai de 68,5% para 45% em 10 anos e expõe risco de colapso da Previdência Daniel Haidar, do Rio [email protected] Os brasileiros estão envelhecendo. De acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), no ano passado, o país tinha 14 milhões de pessoas com mais de 65 anos, 7,4% da população. Em 2000, eles eram 5,8% do total. O dado é positivo, pois mostra melhora na qualidade e na expectativa de vida da população nos últimos 10 anos. Mas também impõe desafios ao país e o principal deles está no futuro da Previdência pública (mais informações no texto ao lado). O Brasil, que vive hoje o que os especialistas chamam de “bônus demográfico”, está cada dia mais próximo de perdê-lo. Ou seja, a evolução etária da população caminha para uma realidade que já aflige países da Europa, onde há mais aposentados dependendo dos recursos públicos da Previdência do que jovens em idade economicamente ativa para contribuir com ela. É realidade também apontada pelo Censo de 2010: a participação dos jovens entre 0 e 29 anos é menor hoje do que era há 10 anos. Em compensação, a proporção de brasileiros com idade acima de 50 anos aumentou. No ano passado, a população em idade economicamente ativa era 68,5% da população ou 130,7 milhões de pessoas. Em 2000, esse percentual era de aproximadamente 45%. “O Brasil ainda tem uma população muito jovem, mas um nível de gastos com idosos igual ao dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE)”, afirma o diretor do Banco Mundial no Brasil, Makhtar Diop. Estudo dos professores Cássio Turra e Bernardo Queiroz, da Universidade Federal de Minas Gerais, mostra que o bônus demográfico brasileiro deve atingir seu melhor momento em 2022, quando a proporção dos que terão idade para trabalhar deve atingir um pico de 71%. Mas depois, a tendência é de recuo. O economista e ex-ministro da Fazenda “ O Brasil ainda tem uma população muito jovem, mas com nível de gastos com idosos iguais ao de países da OCDE (onde a proporção de pessoas com mais de 65 anos em relação ao total de pessoas já é maior) Makhtar Diop, diretor do Banco Mundial no Brasil Delfim Netto, por exemplo, prevê que a população brasileira comece a diminuir entre 2035 e 2040. Com isso, o número de idosos poderá até superar o de jovens que contribuem com a Previdência. “O Brasil vai envelhecer antes de ficar rico”, já afirmou Delfim em diversas ocasiões. Futuro incerto As projeções de futuro ficam ainda mais preocupantes quando se olha para a realidade atual. O já elevado déficit da Previdência — que chegou a 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010 — pode piorar ainda mais. Isso porque, sem alterar as regras de aposentadoria do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), esse déficit pode chegar a 5,75% do PIB em 2050, segundo estudo recente do Ministério da Previdência. Em 2009, último dado disponível, o INSS tinha 41,3 milhões de contribuintes. O contingente de pessoas ocupadas somava 92,6 milhões de pessoas, mas só 32,3 milhões eram trabalhadores com carteira assinada e contribuíam efetivamente com a Previdência, segundo estimativas da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (Pnad). A boa notícia é que, portanto, há chances de a quantidade de contribuintes aumentar junto com a formalização do mercado de trabalho, uma tendência clara na opinião de especialistas. “A informalidade tende a cair porque as gerações mais jovens chegam no mercado de trabalho mais escolarizadas, fator crucial para reduzir o problema”, avalia o economista Paulo Tafner, especializado em Previdência. “Nos próximos 10 anos, temos que fazer a economia crescer e avançar nas reformas previdenciárias para o futuro”, diz. O presidente do IBGE, Eduardo Nunes Ferreira, afirma que o envelhecimento da população deve trazer outras consequências, além do risco previdenciário. Para ele, os padrões de construção civil devem mudar para atender aos idosos. “A acessibilidade, por exemplo, tem que mudar”, diz. ■ PROJEÇÕES DA ONU 49 milhões esse será o total de brasileiros com idade acima de 65 anos em 2050, segundo projeções de estudo da Organização das Nações Unidas (ONU). 218 milhões essa será a população total do Brasil em 2050, de acordo com o mesmo estudo da ONU. Desse total, 22,5% serão idosos. Em 2010, eles eram 7,4% do total. Brechas legais Aumento da participação de pessoas com mais de 65 anos no total populacional traz riscos às contas públicas Carolina Alves [email protected] Com um déficit acumulado em R$ 43,3 bilhões (até fevereiro de 2011) no balanço da Previdência Social, o envelhecimento da população brasileira, confirmado na divulgação do Censo 2010, acende um novo alerta para o equilíbrio das contas públicas. A participação dos idosos com mais de 65 anos na população total do país tem crescido substancialmente nos últimos 20 anos: em 1991, 4,8% dos brasileiros estavam nessa faixa etária, índice que passou para 5,9% em 2000 e 7,4% em 2010. Na outra ponta, o ingresso da população com essa faixa etária no mercado formal de trabalho tem crescido em média 7% ao ano, segundo informações do Ministério do Trabalho e Emprego, ao menos desde 2006. Não há detalhamento de quantas pessoas, nesse universo, estão aposentadas, mas especialistas alertam para a tendência Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 11 LEIA MAIS Na década, caiu quase pela metade a participação dos brasileiros nas faixas de renda mais baixas, chegando a 13,5% do total das famílias. Eduardo Ferreira, presidente do IBGE, chama atenção para o total de famílias chefiadas por crianças, que é de 132 mil no país, segundo dados preliminares do Censo. Aumento do número de domicílios, em razão da reestruturação familiar, aponta para oportunidades de ajustes no processo de crescimento cidades. Paulo Araujo/O Dia Melhora da qualidade de vida do brasileiro favorece o envelhicimento da população acima de 65 anos aumentam o déficit previdenciário de rombos maiores nos cofres públicos. Segundo a economista Meiriane Nunes Amaro, consultora jurídica do Senado Federal, o ingresso da terceira idade no mercado formal não tem refletido aumento na idade média de aposentadoria, que beira 54 anos (a legislação impõe contribuição até 60 anos para mulheres e 65 anos para os homens). Isso significa que, no geral, as pessoas têm se aposentado cedo e voltado para o mercado de trabalho em busca de complemento de renda. Se fosse apenas isso, não ha- ■ PRECOCE Idade média de aposentadoria proporcional no Brasil é de 54 anos ■ TRABALHO Pessoas com mais de 65 anos no mercado somam 7,4 % veria tanto problema. O perigo está num procedimento conhecido como “desaposentadoria”, cada vez mais comum nas disputas judiciais. Conforme explica Meiriane, o brasileiro tem se aposentado antes do tempo e recebido do governo todo mês um valor proporcional por tempo de serviço. Entretanto, o aposentado entra na Justiça e normalmente ganha o direito de somar os anos extras trabalhados à atual aposentadoria, conquistando o valor integral. “Isso é um perigo para a Previdência, que tem de pagar o valor completo para uma pessoa que, no fundo, não teria direito a ele”. Além disso, a contribuição à Previdência de um aposentado que esteja trabalhando no mercado formal é pequena em relação ao déficit. “Os aposentados receberão 100% de contribuição, mas estão pagando apenas 11% de INSS, descontados na folha”, explica o consultor em previdência pública Renato Follador. Na Justiça, contudo, os casos de “desaposentadoria” são aprovados na maioria das vezes. Quando não, chegam ao Supremo Tribunal Federal (STF). “Há casos em análise para julga- mento nos próximos meses. Se a decisão for favorável ao aposentado, pode virar regra para todos os outros casos em trâmite no país e a Previdência terá de arcar com rombos cada vez mais altos”, diz Follador. Para evitar impactos ainda maiores, ele defende uma nova reforma da Previdência. “É preciso elevar o tempo de contribuição. O Brasil é o único país que permite que as pessoas passem mais de um terço de suas vidas sem trabalhar. Nos países desenvolvidos, essa proporção não é maior que 16% do tempo de vida”, calcula. ■ 12 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011 DESTAQUE CENSO 2010 André Az/O Dia Aumento da renda amplia poder aquisitivo dos brasileiros Diminui o número de pessoas nas menores faixas de renda Ganhos inferiores a um quarto de salário mínimo atingem 9,2% das famílias, ante 16,7% em 2010 Daniel Haidar, do Rio [email protected] O total de brasileiros com rendimento de até um quarto do salário mínimo caiu quase pela metade na última década: passou de 16,7% das famílias em 2000 para 9,2% nos dados do Censo de 2010, quando esse rendimento correspondia a uma renda mensal inferior a R$ 127,50, segundo informações preliminares divulgadas ontem pelo IBGE. Esse volume corresponde a cerca de 5,2 milhões de famílias brasileiras. Ao mesmo tempo, 4,3% dos domicílios não tinham rendimento em 2010, ante 4,8% em 2000. Com isso, os dados do Censo apontam para redução significativa da participação da população nas duas faixas de renda mais baixas captadas pelo levantamento. A quantidade de famílias com renda inferior a um quarto de salário mínimo em 2010 era mais representativa no Nordeste (20,5% dos domicílios) e no Norte (17,4%). A proporção de famílias com ganhos abaixo de R$ 127,50 era mais signativa no Quase 132 mil domicílios, por outro lado, são chefiados por crianças entre 10 e 14 anos, provando o peso do trabalho infantil no sustento das famílias Maranhão, em que 26,51% dos domicílios se enquadravam nessa classe de rendimento. Em Santa Catarina, só 2,1% dos domicílios tinham renda inferior a esse valor. Segundo o Censo, a população total do Brasil alcançou a marca de 190.755.799 habitantes em 2010 — um aumento de quase 20 vezes em relação ao primeiro recenseamento, realizado em 1872, quando o país tinha 9.930.478 habitantes. outros resultados do Censo, especialmente a quantidade de pessoas com idade de 10 a 14 anos que trabalham, para mensurar a presença do trabalho infantil. “Essa questão de quem é o chefe do domicílio não é objetiva. O chefe é quem se diz chefe”, afirma. “Como a população está envelhecendo, aumentaram domicílios em que pessoa mais velha e quem de fato traz renda é a criança, porque há mais oportunidades para todo mundo”. ■ D.H. Trabalho infantil O presidente do IBGE, Eduardo Nunes Ferreira, chamou a atenção para o fato de que 132 mil domicílios eram chefiados por crianças com idade entre 10 e 14 anos. Ferreira considerou que o número não é expressivo, mas aponta mais uma evidência do peso que o trabalho infantil ainda representa no sustento de muitas famílias. O demógrafo Reinaldo Gregori, sócio da consultoria Cognatis, destaca que é preciso aguardar O ALARGAMENTO DA PIRÂMIDE ETÁRIA BRASILEIRA EM 50 ANOS A POPULAÇÃO MIGROU DAS ÁREAS RURAIS PARA AS CIDADES A fatia de pessoas até 25 anos diminuiu e a acima de 60 anos aumenta FAIXA ETÁRIA 0 A 14 COMO ERA EM 2000, EM % DO TOTAL DE HABITANTES 29,60 15 A 29 Distribuição do total da população, em %e COMO FICOU EM 2010, EM % DO TOTAL DE HABITANTES 1000 28,23 urbano 67,7 26,91 26,24 28,56 50 A 64 10,08 MAIS DE 65 54,9 63 TOTAL Fonte: IBGE 03 42 81 21 6 169,8 milhões de habitantes 6 12 12 32,3 18,8 20 7,38 00 45,1 40 13,07 5,85 18 18 24 24 30 30 84,4 80 60 30 A 49 rural 81,2 24,08 36 36 190,8 milhões de habitantes 15,6 0 1960 1980 2000 2010 Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 13 Divulgação Expansão urbana em áreas sem saneamento básico impede desenvolvimento sustentável Cidades têm oportunidade de crescer de forma diferente Para urbanistas, expansão de centros de tamanho médio não deve repetir erros do passado Martha San Juan França [email protected] O Brasil segue a tendência mundial de concentrar a população em áreas urbanas. A novidade, segundo o arquiteto e urbanista Nabil Bonduki é o crescimento no número de domicílios. Existem hoje 57,3 milhões domicílios particulares e permanentes no país, segundo o Censo 2010. Dez anos atrás, eram 44,7 milhões. O aumento, de quase 28%, é mais que o dobro da expansão total da população brasileira que, no mesmo período, cresceu 12,3%, de 169,8 milhões para 190,7 milhões. “Esse aumento reflete as mudanças na estrutura familiar e melhoria de renda e pode resultar em um impacto enorme nos serviços”, afirma Bonduki. “A verticalização e o adensamento urbano não são necessariamente ruins”, acrescenta o Chama a atenção o aumento no número de domicílios, o que reflete as mudanças na estrutura familiar e melhoria de renda Essa é a receita que Wilheim e outros urbanistas gostariam de levar para as cidades médias (entre 100 mil e 500 mil habitantes) que, de acordo com o Censo 2010, são as que mais crescem. “A vantagem dessas cida- des é que elas têm a oportunidade de fazer diferente”, afirma Florence Laloe, diretora regional da ONG internacional Iclei Governos Locais pela Sustentabilidade. “Isso significa investir em planejamento de uso e ocupação de solo, saneamento básico, aproveitamento de lixo como fonte de energia, inventários de emissões de carbono etc”, afirma. “É mais fácil pensar antecipadamente nessas questões do que consertá-las depois.” “Nossas cidades não precisam reinventar a roda e nem repetir os erros do passado, mas se antecipar e crescer com experiências bem sucedidas”, diz Mauricio Broinizi, coordenador executivo da Rede Nossa São Paulo.”Nossa cultura e partidos políticos estão atrasados em relação a isso.” ■ URBANIZAÇÃO DÉFICIT 28% é o aumento no número 55,4% das moradias com rede de esgotos de domicílios no país. e 32,9% sem saneamento. urbanista Jorge Wilheim. “O problema é quando isso não é acompanhado de planejamento urbano.” Ele cita, por exemplo, a construção de edifícios em ruas pequenas que não comportam o aumento do tráfego. Ou a expansão urbana em locais de risco, próximo de mananciais ou sem saneamento. “Desenvolvimento sustentável não é sinônimo de crescimento”, frisa Wilheim. “Desenvolvimento é melhoria de qualidade de vida e diminuição das desigualdades.” Sem reinventar a roda UM PAÍS QUE NÃO PARA DE CRESCER PRECISA DE UMA MARCA QUE NÃO PARA DE EVOLUIR. O Brasil está se tornando um grande canteiro de obras. Novas oportunidades surgem a todo momento. Para aproveitá-las, você vai precisar da força e do know-how da Case, há mais de 90 anos no País. De máquinas leves a mais pesadas, a Case tem uma linha completa de produtos e serviços que atendem a todas as necessidades deste novo Brasil que cresce como nunca. Porque Case é sinônimo de alta tecnologia aliada a um pós-venda eficiente e a uma rede que alcança todo o território nacional. Case, uma marca em constante evolução. Acesse WWW.CASECE.COM.BR e descubra tudo que a Case pode fazer por você. 14 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011 BRASIL Editora: Elaine Cotta [email protected] Subeditora: Ivone Portes [email protected] Inflação vai limitar aumento real de salário em 2011 Somente segmentos com muita escassez de mão de obra devem manter bons ganhos reais ao longo do ano Eva Rodrigues [email protected] TAXA DE DESOCUPAÇÃO 2011 Antes da crise, em 2008, o Brasil tinha a segunda maior taxa de desocupação entre as 20 maiores economias do mundo. Hoje, o país ocupa a 14ª posição no mesmo ranking, segundo dados elaborados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O avanço é resultado de um mercado de trabalho aquecido, que melhorou renda, formalizou mais e atualmente enfrenta falta de mão de obra em vários setores. Esse cenário elevou o poder de negociação dos trabalhadores nos últimos anos. Mas agora, outro fator surge como limitante nessa equação: a inflação. Ela deve levar a reajustes reais de salário menores em relação aos patamares verificados em 2010. O maior crescimento da economia, por si só, estimula os reajustes salariais e desde 2004 o Brasil registra paulatinamente crescimento nos ganhos reais — tanto no número de acordos quanto no tamanho desses ganhos. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em 2008, 4% dos acordos fechados registraram reajuste real de salário superior a 3%. Em 2009, foram 5% e em 2010, esse número triplicou e chegou a 15% dos acordos. A política de valorização do salário mínimo, que atinge em torno de 47 milhões de pessoas, entre aposentados, pensionistas e empregados domésticos, acaba servindo como parâmetro de piso para as demais categorias profissionais, também tem sido influência positiva para as negociações dos trabalhadores. Mas em 2011, a inflação em alta deve exercer algum freio nas conversas entre empresários e trabalhadores — referência para os reajustes, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumula alta de 6,31% em 12 meses. “A inflação é sempre um elemento dificultador para os 20 maiores economias do mundo 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 ESPANHA TURQUIA ÍNDIA FRANÇA ITÁLIA EUA BÉLGICA REINO UNIDO CANADÁ SUÍÇA RÚSSIA INDONÉSIA ALEMANHA BRASIL AUSTRÁLIA JAPÃO MÉXICO HOLANDA CHINA COREIA DO SUL 19,4 0 Fonte: FMI 11,4 10,8 9,5 8,6 8,5 8,4 7,8 7,6 7,4 7,3 6,7 6,6 6,3 5,0 4,9 4,5 4,4 4,0 3,3 3 5 10 15 20 ganhos reais. O mercado de trabalho deve continuar bom, as margens de lucro das empresas também, mas as pressões de preços trazem ruído e refletem nas negociações, que devem resultar em ganhos reais em patamar inferior ao do ano passado”, diz o coordenador de Relações Sindicais do Dieese, José Silvestre Prado de Oliveira. Para além da inflação corrente, a taxa de desemprego baixa e o maior poder de barganha do trabalhador podem justamente se reverter em maiores pressões inflacionárias logo mais à frente, alerta o sócio da Opus Gestão de Recursos, José Márcio Camargo. “Não tem nenhum problema nesse cenário se os salários crescerem na mesma taxa de crescimento da produtividade — o problema é que os salários estão começando a crescer mais que a produtividade e isso vai gerar pressão inflacionária.” Mão de obra escassa O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP) está conduzindo as conversas com o Sindicato patronal da categoria que tem dissídio no mês de maio. Depois de uma dezena de reuniões entre as partes, a reivindicação do INPC — em torno de 6,3% — do período e aumento real de 5% ainda está longe do consenso. No ano passado, o reajuste foi de 8,1%, sendo 2% de aumento real, além de alguns avanços em cláusulas trabalhistas. Segundo o presidente do Sintracon-SP, Antônio de Sousa Ramalho, a inflação em alta está sendo usada como “desculpa” nas negociações. “Mas não tem jeito, diante da enorme necessidade de mão de obra no segmento e considerando que os salários médios da construção civil são baixos, é preciso dar uma melhorada geral nesses rendimentos”, pondera. Se a categoria não fechar acordo até o início de maio, a greve geral já está marcada para o dia 11. ■ MERCADO DE TRABALHO José Márcio Camargo, sócio da Opus Gestão de Recursos Cimar Azeredo, gerente da PME do IBGE “O problema no Brasil hoje é que os salários estão começando a crescer mais que a produtividade e isso vai gerar pressões inflacionárias” “As disparidades regionais são muito fortes no Brasil e ainda é complicado falar em situação de pleno emprego por aqui” Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 15 Murillo Constantino Freire descarta fusão com DEM e PSDB A ideia do governador paulista Geraldo Alckmin de fundir o PSDB com o PPS e o DEM não agradou ao deputado federal e presidente da legenda socialista, Roberto Freire. Defensor da proposta no passado, ele afirma que o assunto não está sendo discutido em seu partido. “Não temos identidade com o DEM”. Ele diz, porém, que até aceitaria discutir uma fusão com o PSDB, desde que o partido representasse “a hegemonia que o (José) Serra representa”. João Laet Construção civil: inflação deve ter influência menor nas discussões sobre salário em função da escassez de mão de obra Pleno emprego pede menos disparidades Em São Paulo, o rendimento médio real é de R$ 1.615,00; em Recife é de R$ 1.051,00 DESEMPREGO INPC* CONSTRUÇÃO CIVIL Em % da PEA* % acumulada em 12 meses ✽ 8,20 6,70 7,93 6,43 7,65 7,10 5,35 6,55 6,55 6,00 JAN/09 6,31 6,02 4,67 4,00 JAN/10 Fontes: IBGE e Brasil Econômico * População economicamente ativa MAR/11 JAN/09 JAN/10 MAR/11 Fontes: IBGE e Brasil Econômico * Índice nacional de preços ao consumidor Mão de obra é problema no setor Em plena campanha salarial, os trabalhadores da construção civil apostam na escassez de mão de obra do setor como aliada nas negociações. “O país é hoje um canteiro de obras que precisam avançar e melhores salários podem atrair mais os jovens”, diz o presidente do Sintracon-SP, Antônio de Sousa Ramalho. O Brasil vive hoje um cenário de baixas taxas de desocupação, mas as disparidades regionais ou mesmo entre gêneros vistas no mercado de trabalho tornam ainda distante a afirmação de que o país chegou ao nível de pleno emprego. É fato que o índice de desemprego fechou 2010 em 6,7%, 5,6 pontos percentuais abaixo da taxa de 12,4% registrada em 2003. Ao longo desse período, a formalização no mercado de trabalho brasileiro aumentou e o rendimento médio real cresceu 19%. Os números mais recentes também são bons: a taxa de 6,5% em março ficou estável em relação a fevereiro e foi menor que a de março de 2010 (7,6%). Mas a evolução vista nos números gerais das seis regiões metropolitanas precisa ser qualificada para se ter melhor medida das dificuldades que persistem no mercado de trabalho brasileiro. Ainda há no país 1,5 milhão de pessoas desocupadas, 2,5 milhões de trabalhadores não têm carteira assinada e outros 4 milhões trabalham por conta própria. As diferenças regionais também são importantes no Brasil. Enquanto a taxa média de desocupação de 2010 foi de 6,7%; em Recife ela era de 8,7%; em Salvador, de 11% e, na ponta contrária, Porto Alegre registrou desocupação de 4,5%. “As disparidades regionais são muito fortes e dificultam a defesa do pleno emprego no país”, diz o gerente da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia Enquanto a taxa média de desocupação de 2010 foi de 6,7%, em Recife a taxa foi de 8,7%, em Salvador foi de 11% e, na ponta contrária, Porto Alegre registrou desocupação de 4,5% e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo. Outras mazelas sociais se arrastam no mercado de trabalho: a mulher brasileira ainda ganha 72% do rendimento do homem e a população negra recebe 52% do rendimento dos brancos. “Isso sem falar nas dificuldades enfrentadas pelo jovem para se inserir no mercado de trabalho”, observa Azeredo. ■ E.R. MASSA REAL DE SALÁRIOS Em R$ bilhões de mar/11* 40 35 30 25 20 15 10 5 0 34,69 17,13 JAN/91 JAN/93 JAN/95 Fonte: IBGE e Brasil Econômico *Corrigidos pelo INPC JAN/98 JAN/00 JAN/03 JAN/05 JAN/07 MAR/11 16 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011 BRASIL Divulgação NEGÓCIOS OLIMÍPIADAS 2016 Ministro do Desenvolvimento diz que balança comercial terá recorde em abril Mudanças na cidade do Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos serão divulgadas em site Os dados da balança comercial brasileira de abril, que serão anunciados hoje, devem apontar recorde, segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. Sem antecipar números, ele disse que o mês foi influenciado positivamente pelos embarques de commodities. Até a quarta semana de abril, as exportações somam US$ 14,285 bi e as importações, US$ 13,589 bi, com superávit de US$ 696 mi. A prefeitura do Rio de Janeiro apresentou o projeto Cidade Olímpica. Os interessados podem acompanhar pela internet as principais transformações da cidade em razão dos Jogos Olímpicos de 2016. O objetivo do projeto é documentar e divulgar obras como corredores expressos, urbanização de favelas e a revitalização da zona portuária. O material está disponível no portal www.cidadeolimpica.com. ENTREVISTA EDUARDO CAMPOS Governador de Pernambuco “Nordestinos bancam parte da segurança pública de São Paulo” Divulgação Governador pernambucano critica guerra fiscal e defende uso do pré-sal para desenvolvimento regional Pedro Venceslau [email protected] Desde os tempos em que era deputado federal, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), levanta a bandeira da reforma tributária. Nesta entrevista, ele faz uma cobrança enfática à presidente e aliada Dilma Rousseff para que tome a iniciativa da reforma e adote uma política de desenvolvimento regional que tenha os estados como protagonistas. Campos: “Somos um dos estados mais preparados para receber a Copa” “ Em 2011, podemos dar dois ou três passos importantes [na reforma política] a começar com o fim da reeleição. É mais produtivo para um gestor ter cinco anos de mandato Dificilmente a reforma política valerá para as eleições do ano que vem. Está frustrado? É lamentável. Já não conto as vezes que vi ela chegar perto e não acontecer. Não podemos ficar assistindo em cada eleição uma nova norma. Agora é o TSE (Tributal Superior Eleitoral) que está normatizando o processo. Se não fizermos a reforma este ano, acho difícil que ela saia. Defendo o fim das coligações e o financiamento público de campanha. Podemos dar em 2011 dois ou três passos importantes e começar com o fim de reeleição e a coincidência de mandatos. Por que é contra a reeleição? É muito mais produtivo para um gestor ter cinco anos de mandato. Existem várias engenhocas legais que, em ano de eleição municipal, não permitem convênios com prefeitos. E em ano de eleição presidencial não podemos fazer parcerias. Como evitar um confronto entre as regiões Sudeste e Nordeste no debate sobre reforma tributária? Temos que quebrar as fábricas de desigualdades. Para isso, alguns terão que perder privilégios. O fundo de compensação é uma maneira de compensar isso. E esta aí o pré-sal, que também é uma forma de bancar essa travessia. O Sr. acredita que a reforma tributária vai sair do papel ainda neste ano? Temos que construir consensos e o primeiro deles é a simplificação do sistema. Nesse momento em que as compras por meio eletrônico crescem, vemos como o Nordeste tem perdido arrecadação. As grandes empresas que administram os sites de venda na web estão levando os recursos que são devidos aos estados consumidores. Tem muita gente que, nos fóruns, fala de reforma tributária, mas não quer fazê-la de fato. É preciso acabar com a concentração dos tributos nos estados mais ricos. O consumidor pernambu- cano e nordestino banca parte da segurança pública de São Paulo. O que deve ser feito com os royalties do petróleo? O pré-sal vai trazer US$ 240 bilhões em investimentos no país só pela Petrobras. É mais que o dobro do que a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) vai investir. Os recursos dos royalties não podem ficar concentrados em poucos estados e municípios. Precisamos que o pré-sal seja do Brasil. Ele pode ajudar no fundo de compensação dos municípios. Como atrair indústrias sem a guerra fiscal? A guerra fiscal surgiu quando a União deixou de ter uma política de desenvolvimento regional ativa. As políticas tributárias não estão dando em nada. Pernambuco está preparado para a Copa? Está indo bem e vamos concorrer a uma vaga na Copa das Confederações. Estamos com aeroporto em dia. Somos um dos estados que está dentro dos prazos e de acordo com o caderno de encargos da FIFA (Federação Internacional de Futebol). ■ Leia versão completa em www.brasileconomico.com.br Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 17 18 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011 INOVAÇÃO & EDUCAÇÃO TERÇA-FEIRA QUARTA-FEIRA EMPREENDEDORISMO GESTÃO Editora Executiva: Thaís Costa [email protected] Crianças participam de aula de informática no Centro Digital São Caetano ensina informática e Movimento Educar 2020 prevê transferir escolas estaduais de ensino médio ao poder municipal, ampliando Thais Moreira [email protected] Enquanto famílias de diversas cidades do Brasil apertam o orçamento para poder pagar uma boa escola para seus filhos, a Prefeitura de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, uma das cidades com maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país, tem planos para melhorar a qualidade da educação em suas escolas e justificar os impostos pagos pela população. A cidade está desenvolvendo o projeto Educar 2020, cujo objetivo é formar uma geração voltada ao futuro profissional e familiar. O plano é espelhado em modelos de sucesso utilizados por países como Canadá, Espanha e Japão, e facilmente replicáveis em outras cidades. Lançado há dois meses, o Educar 2020 pretende que famílias, educadores e sociedade se reúnam para construir uma geração economicamente ativa e sustentável. Para isto foram definidas dez diretrizes de trabalho (ver tabela), dentre as quais está o plano da cidade de municipalizar todo os níveis de ensino. Hoje, o fundamental, que vai do 1º ao 9º ano, é de responsabilidade da Prefeitura. O ensino médio (antigo colegial), que tradicionalmente fica sob a responsabilidade do Estado, também passará para a gestão do José Auricchio Jr. prefeito de São Caetano do Sul “O desenvolvimento escolar, do ensino infantil ao superior, é mais bem aproveitado quando a família participa. ” município. A cidade ainda conta com a Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS). Segundo o prefeito de São Caetano, José Auricchio Júnior, o projeto tem suas bases no núcleo familiar. “O desenvolvimento escolar, do ensino infantil ao superior, é mais bem aproveitado quando a família participa”, lembra. “Ela é o elo que fecha o ciclo virtuoso para a garantia do cumprimento de nossas dez metas ao longo de uma década.” Iniciativas O Educar 2020 se baseia na capacitação dos jovens na língua inglesa e no ensino de informática. Os dez mil estudantes que integram a rede pública municipal passam a ter aulas de inglês. Como a rede tem 8,5 mil vagas, a Prefeitura complementa com uma bolsa de estudos de R$ 180 mensais para os 1,5 mil alunos excedentes, que devem buscar escolas de idioma particulares. O projeto também prevê aulas gratuitas de informática no Centro Digital da cidade, onde estão disponíveis cerca de 100 computadores, equipamentos para apresentações de vídeo e outras mídias, e uma biblioteca informatizada. Lá, os alunos dos níveis fundamental e médio podem realizar conferências e acessar a internet. Os professores passam igualmente por cursos de capacitação. Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 19 QUINTA-FEIRA SEXTA-FEIRA SUSTENTABILIDADE TECNOLOGIA Fotos: divulgação FRANCINE REIS ESCOLAS Gerente de educação a distância da Kroton Educacional Prefeitura alcança melhores resultados De 2007 a 2010, a Prefeitura de São Caetano do Sul tornou municipais 10 escolas estaduais de ensino fundamental. A iniciativa atingiu 5.430 alunos da antiga rede estadual. Foram feitas reformas nas dependências, trazendo a possibilidade do acesso de mais moradores às práticas educacionais já desenvolvidas pelas unidades municipais de ensino fundamental. As escolas que foram municipalizas têm o conteúdo pedagógico padronizado. A mudança trouxe o fim da progressão continuada, sistema que não reprova o aluno ao final do ano letivo. Os estudantes que não atingem o nível de conhecimento desejado recebem acompanhamento dos professores, fora dos horários de aula, como recomenda a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. De acordo com Alexandre Oliveira, professor e fundador da consultoria Meritt, o movimento da municipalização contém vantagens e desvantagens. “O benefício é a maior proximidade com o poder executivo, que permite que as demandas das escolas cheguem ao gestor municipal”, afirma. Em muitos municípios, o diretor da escola tem interlocução direta com o secretário de educação. A desvantagem, explica Oliveira, é que o município possui menor poder de barganha na A municipalização em São Caetano acabou com o sistema que não reprova o aluno ao final do ano letivo compra de produtos ou contratação de serviços. “A realização de um curso de capacitação em alfabetização, por exemplo, implica em um custo fixo, às vezes alto, de transporte, alimentação e hospedagem para a pessoa que irá ministrar o curso”, explica. A cidade de São Caetano tem duas escolas estaduais de ensino fundamental II, que obtiveram Ideb de 4.5 em 2009 (abaixo da meta de 4.7), enquanto as escolas municipalizadas do mesmo nível atingiram 5.7. A Prefeitura tem apenas duas escolas de ensino médio sob sua administração. O objetivo do projeto é municipalizar as outras 9 estaduais e chegar ao próximo ano com 11 escolas. Considerados todos os níveis, a rede abrange 70 unidades. ■ T.M. PROJETO EDUCAR 2020 inglês total de beneficiados Diretrizes que prometem revolucionar o ensino público da cidade 1 Resultados De acordo com a consultoria Meritt, o Índice da Educação Básica (Ideb) observado no município para o fundamental I (1º ao 4º ano) é de 5.9, enquanto as escolas municipais do Brasil exibem 4.4 para o mesmo nível. O Ideb mede a proficiência dos alunos (em português e matemática) versus a frequência (ritmo de progressão dos alunos ao longo das séries). “Temos um grupo dentro da secretaria da educação voltado para a legislação e reciclagem do ensino que também monitora as avaliações do MEC”, afirma o prefeito José Auricchio. ■ Garantia da oferta de ensino integral infantil e universalização do ensino integral no fundamental (1º a 9º ano) 2 Garantia da municipalização do ensino fundamental 3 Garantia do avanço da educação tecnológica 4 Garantia de ensino de um segundo idioma aos alunos da rede pública 5 Ampliação dos programas de formação, capacitação e treinamento dos profissionais e estruturas de apoio à educação Fonte: Prefeitura Municipal de São Caetano 6 Valorização dos profissionais de educação 7 Aperfeiçoamento e estímulo do ensino técnico profissionalizante, acompanhando o desenvolvimento local e nacional 8 Garantia de manutenção de programa de acesso ao ensino superior com recursos do Tesouro Municipal 9 Ampliação do número de vagas do ensino superior gratuito através das instituições de ensino de São Caetano do Sul 10 10 Garantia do ensino médio municipalizado, independentemente do Estado e da União Educar a distância, o caminho sem fronteiras No Brasil, investir tempo e dinheiro na retomada dos estudos envolve uma série de requisitos, como definir o curso de preferência, determinar a área de formação e eleger a instituição educacional capaz de aliar excelência, preço e logística ao percurso diário. Diante das intempéries e do trânsito que assolam o país, a localização tornou-se fator determinante para essa escolha. Frente a esse cenário, a educação a distância (EAD) ultrapassa fronteiras e quebra velhos paradigmas. De acordo com o Censo da Educação Superior de 2009, realizado pelo MEC, houve um crescimento de 30,4% em relação a 2008 na graduação a distância, sendo que nos presenciais o aumento foi de 12,5%. Os alunos que cursam graduação a distância representam 14,1% do total de matrículas neste nível. Isto significa que 1 em cada 7 alunos ingressa em um curso na modalidade a distância. A educação a distância, assim como a conhecemos hoje, com os recursos disponíveis das Tecnologias da Informação e Comunicação, foi uma aposta das empresas, que identificaram uma valiosa solução para treinamento e desenvolvimento dos funcionários, bem como para a disseminação da informação de forma ágil, segura e com custos reduzidos. A vanguarda dessa iniciativa permitiu que as organizações vislumbrassem o valor da aprendizagem como um ativo empresarial. Diferente das companhias, as instituições educacionais e os órgãos regulatórios brasileiros resistiram em aceitar a EAD como uma forma de aprendizagem de qualidade. A Universidade de Cercada de preconceiLondres, primeira tos, já foi considerada como uma educação de instituição a segunda categoria, de distância de que se pouca credibilidade, que tem notícia no não forma adequadamente indivíduos para o mundo, formou de trabalho. Nelson Mandela em mercado Fatores que não condiDireito por zem com exemplos positivos em países desencorrespondência volvidos, cuja modalienquanto ele dade já é uma realidade estava na prisão aceita há muitos anos. Um bom exemplo é a Universidade de Londres, primeira instituição aberta a distância de que se tem notícia no mundo, existente há 152 anos. Por meio dos cursos por correspondência formou grandes figuras da humanidade: Nelson Mandela obteve o diploma em Direito por correspondência enquanto estava na prisão e Gandhi também conquistou o diploma de curso superior na mesma instituição de ensino, uma das maiores do mundo. Então, por que o Brasil não aproveita e segue o caminho dessas boas referências? Muito já avançamos, mas é preciso e possível progredir mais. A EAD ainda é vista com certa desconfiança pela sociedade, porém as perspectivas nesse horizonte são boas. Estudos feitos pelo Inep na comparação das notas médias dos alunos de cursos a distância nos exames Enade nos anos de 2005 a 2007 mostraram que, na média, os alunos a distância alcançaram notas com 6,70 pontos percentuais acima das notas dos alunos presenciais de cursos equivalentes. A nota média dos alunos de cursos presenciais foi de 40,89 pontos, diante de 47,59 pontos para os alunos a distância. A janela de oportunidade na educação a distância está aberta. Cabe às empresas e às instituições educacionais se prepararem para atuar com êxito dentro desta realidade flexível, com um portfólio voltado para as necessidades atuais e com milhares de polos espalhados em todo o Brasil. ■ 20 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011 ENCONTRO DE CONTAS LURDETE ERTEL Filippo Monteforte/AFP DO CACAUEIRO À BOCA Maior produtor de cacau do Brasil e exportador da matéria-prima há um século, Ilhéus (Bahia) só agora ganhou sua primeira fábrica de chocolates finos. A indústria Itacaré começou a produzir na Fazenda Berg Frut, em Rio do Engenho, distrito de Ilhéus (BA), com capacidade inicial de 200 quilos de chocolate por dia. Mas a expectativa é engordar o volume para 1.000 quilos diários. Para abastecer a fábrica, a fazenda fez um upgrade no sistema de controle de produção, colheita e seleção do cacau colhido na propriedade. O empreendimento pretende aproveitar a tradição cacaueira da região para firmar seu produto como ‘melhor chocolate do mundo’. A pretensão tem a chancela do governo do Estado, que está estimulando a implantação de outras fábricas de chocolates finos na região. Gente grande A Fraldas Capricho, empresa familiar com 36 anos de mercado, está ampliando sua fábica em Capivari (SP). Com investimento de R$ 6,7 milhões, a unidade terá sua capacidade esticada em 20%, para 60 milhões de unidades por mês. Com a expansão, a Capricho pretende passar de quarta para segunda maior fabricante brasileira de fraldas em um ano, atrás somente do grupo nacional Hypermarcas. Para isso, a empresa também está investindo em novo nicho de mercado: consumidores adultos. Sem carpete Famoso por servir de QG a um dos maiores festivais de cinema da América Latina, o hotel Serrano, de Gramado (RS) será novamente ampliado. No próximo ano, o grupo GJP vai investir na construção de mais 90 apartamentos no complexo, hoje com 272 quartos. Hollywood à italiana Roma, na Itália, ganhou nova atração turísticas por alguns meses. Depois de 74 anos, pela primeira vez estão sendo abertos à visitação pública os fabulosos estúdios da Cinecittá, complexo cinematográfico italiano no qual foram rodados filmes míticos como Quo Vadis?, Cleopatra e Ben Hur. O local também foi moldura de parte da produção de diretores antológicos como Rosellini, Fellini, Visconti e De Sicca, que inscreveram a Itália na história do cinema mundial. Criados em abril de 1937, os estúdios abrigaram ainda as filmagens de grandes produções americanas God Save The Queen Uma gravação rara do famoso tema God Save The Queen, dos Sex Pistols, foi apontada como o vinil mais valioso do mundo. O valor da peça foi estimado em aproximadamente € 9100. O ranking da revista Record Collector escolheu os 51 vinis mais valiosos de sempre. A banda britânica deixou para trás grupos como os Beatles e os Rolling Stones. recentes, como Gangues de Nova York, com Leonardo di Caprio. Os espetaculares cenários da Hollywood italiana poderão ser visitados até novembro, como parte dos festejos dos 150 anos da unificação da Itália. Também é possível espiar figurinos memoráveis, como o hábito de frade usado por Sean Connery em O Nome da Rosa. “Achávamos que seria menos, porque as pessoas ainda têm muito preconceito. Vivemos em uma sociedade heteronormativa. E, de repente, a gente constata que há 60 mil casais. E esse número é só a ponta do iceberg. Daqui a 10 anos, serão 600 mil” Toni Reis, presidente da ABGLT, comentando dados do último censo do IBGE, que contabilizou 60 mil casais homossexuais no país. Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 21 Fotos: divulgação MARCADO Sabores da Itália Para celebrar o ano da Itália no Brasil, que começa em outubro, alguns dos mais renomados restaurantes paulistanos realizam a Temporada da Culinária Italiana, que acontece entre os dias 16 de maio e 10 de junho. A ação vai proporcionar ao público a oportunidade de realizar uma viagem gastronômica por 11 regiões italianas. Participarão do evento os restaurantes Benvenuto, Così, Empório Ravioli, La Vecchia Cucina, Nello’s, Piselli, Quattrino, Ravióli Cucina Casalinga, Spadaccino, Vitrô e Zzi Luca. ● O ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, são alguns dos líderes já confirmados para o 9º Annual Latin American Leadership Forum, que será realizado no Rio, entre os dias 9 e 11 de maio. [email protected] Trampolim GIRO RÁPIDO Os investimentos da Siemens no Brasil estamparam a companhia na capa da edição de maio da respeitada revista americana Forbes. A publicação dá destaque à estratégia da Siemens de crescer na carona do aumento demográfico nas grandes cidades. O Brasil é o grande destaque entre os países emergentes na América Latina, África e Ásia: os contratos para os modernos metrôs da Via Quatro, modernização da estrutura energética do país e os futuros eventos esportivos são algumas das oportunidades da companhia por aqui. Bola na rede A marca esportiva Stadium anuncia hoje, em são Paulo, o patrocínio do jogador Rivaldo. O endosso ao pentacampeão é parte de um projeto maior de fortalecimento institucional da marca. Carona federal O Aeroporto de Brasília finalmente ganhou uma linha de ônibus executivo. O serviço, inédito na capital federal, é preparativo para a Copa do Mundo de 2014. O ‘frescão’, como foi batizado por causa do ar condicionado a bordo, vai ligar o terminal à Esplanada dos Ministérios, à rodoviária do Plano Piloto e aos setores hoteleiros Sul e Norte. A linha terá saídas a cada 30 minutos, todos os dias da semana, com passagem a R$ 8. Mais sorrisos A Abbott Brasil está apoiando a Operação Sorriso do Brasil. A organização realiza cirurgias gratuitas em crianças e jovens portadores de fissura lábio palatina no mundo todo. Neste ano serão 350 cirurgias no Brasil. Em movimento Arroz de festa O arroz, ingrediente básico da culinária de várias coordenadas, inspira o novo restaurante que os chefs Daniela Amendoa e Márcio Silva estão abrindo no bairro Higienópolis, em São Paulo. O Oryza foi instalado em um antigo casarão na Rua Mato Grosso e reinventa diversas receitas com o grão. Os dois chefs se conheceram na cozinha do D.O.M. Lugar de homem é na cozinha O chef Alex Atala foi eleito o Homem do Mês na segunda edição da GQ Brasil, que chega hoje às bancas de todo o país. A publicação é considerada referência de estilo e comportamento do homem moderno e sofisticado. Recentemente, Atala brindou a escolha de seu restaurante, D.O.M., como o 7º melhor do mundo pelo júri de especialistas da publicação The World’s Best Restaurants. “O que pesa não é representar o Brasil lá fora, mas sim a responsabilidade de saber passar o bastão para a nova geração.” Reprodução NA CAPA A atriz e apresentadora Fernanda Lima vai estampar a próxima capa da revista RG. Fotografada por J.R. Duran, a bela abriu o jogo sobre o relacionamento com Rodrigo Hilbert e sobre a relação de amizade e parceria criativa que mantém com Ricardo Waddington, seu ex-namorado e diretor dos programas Amor e Sexo e Por toda a Minha Vida. A fisioterapeuta e presidente da Associação Brasileira de Ginástica Holística, Patrícia Lacombe, acaba de inaugurar, em Campinas (SP), a sede do Instituto Patrícia Lacombe para atendimento de pacientes e treinamento de profissionais de fisioterapia. O investimento total foi de R$ 2 milhões. Estampado Disputas esportivas históricas acabam de ganhar estampas em nova linha da Liga Retrô. A nova coleção de T-shirts remete a disputas marcantes de diversos esportes, como futebol, vôlei, boxe, basquete e atletismo. A linha conta com com seis modelos, cada um custando R$ 79,90. Negando a origem Na mesma semana em que o presidente Barack Obama apresentou a certidão de nascimento para dar fim aos boatos sobre sua origem americana, outro famoso sobrinho do Tio Sam tomou iniciativa oposta: o personagem Superman aparece em uma nova história renunciando à cidadania americana. - Estou cansado de que minhas ações sejam interpretadas como instrumentos da política dos Estados Unidos - justifica o superherói criado em 1938. Depois da reação de alvoroço entre os políticos americanos no HQ, o homem da capa vermelha pedirá asilo político. A proposta mais rápida de acolhida virá de... Fidel Castro. Com Karen Busic [email protected] 22 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011 EMPRESAS Seja um profissional diferenciado, capacite-se na Academia FBM. Editora: Rita Karam [email protected] Subeditoras: Estela Silva [email protected] Isabelle Moreira Lima [email protected] www.grupofbm.com.br Vicunha costura compras na Argentina e Colômbia Fabricante brasileira de fios têxteis e tecidos planeja adquirir três fábricas nos países vizinhos neste ano, enquanto avalia a possibilidade de investir também no México Amanda Vidigal Amorim e Nivaldo Souza [email protected] Após anunciar um contrato de produção com a argentina Ullum, em janeiro, a Vicunha Têxtil se prepara não só para concluir o acordo. A brasileira também negocia a aquisição de duas fábricas de fios têxteis e tecelagem no país parceiro do Mercosul, sendo uma da própria Ullum. É com este objetivo que o diretor financeiro José Maurício D´Isep desembarca hoje em Buenos Aires. “Nossa estratégia está desenhada. Queremos entrar na Argentina e na Colômbia. No México, vai depender de oportunidades”, afirma. O executivo já esteve na Colômbia. O país será o próximo passo após a conclusão da investida na Argentina. Produzir no mercado colombiano, segundo D’Isep, é a estratégia para entrar nos Estados Unidos. Os dois países mantêm acordo comercial. “Duas fábricas colombianas estão sendo estudadas, uma será comprada. O país tem bons acordos com os EUA, o que para a nossa estratégia é fundamental.” Como os americanos não compram o tecido pronto, apenas as peças já confeccionadas, a empresa pretende produzir na Colômbia e distribuir por meio de atacadistas instalados no México. “Hoje as grandes marcas não são mais os nossos clientes diretos. Elas terceirizam a produção, o que de certa maneira nos ajuda. Com uma venda pulverizada, é possível manter as margens de lucro.” O investimento na Colômbia seria parecido ao executado na Argentina, onde entre aquisição e modernização a Vicunha espera gastar US$ 40 milhões em cada unidade fabril que adquirir. “Conseguimos um incentivo do Fundo do Bicentenário da Argentina, uma instituição controlada pelo governo, com 10% de juros ao ano.” Na fábrica de San Antonio de Pichincha, que mantém no Equador, a empresa aplica recursos obtidos junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco do Brasil. Companhia pretende reforçar musculatura fabril em países com acordos comerciais com os Estados Unidos As instituições emprestaram US$ 10 milhões e US$ 15 milhões, respectivamente. A unidade equatoriana foi beneficiada pelo fechamento da concorrente Tavex, que encerrou atividades no Chile. “Ganhamos de graça todos os clientes que a Tavex atendia”, afirma D’Isep. PRODUÇÃO ARGENTINA 4 milhões de metros é quanto a Vicunha pretende produzir nas duas futuras fábricas da empresa na Argentina. Cada unidade receberá investimento de US$ 40 milhões. Estratégia sul-americana Os investimentos fora do Brasil são parte da estratégia de recuperação traçada por D´Isep, após a crise vivida pela Vicunha em 2006, quando amargou um prejuízo de R$ 400 milhões. “A melhor maneira de proteger as operações no Brasil é ter plataformas fora do país”, observa o executivo (leia mais ao lado). Segundo ele, para ser rentável, cada unidade deve produzir no mínimo 2 milhões de metros de tecido por mês. A meta é produzir 8 milhões de metros nos vizinhos sul-americanos — incluindo a Colômbia. O volume pode ser atingido em 2013. Atualmente, a Ullum produz 300 mil metros mensais. A segunda unidade argentina seria menor. Contudo, ambas devem ser ampliadas para 4 milhões de metros de capacidade. Hoje, a produção total da Vicunha é de 15 milhões de metros por mês — sendo 2 milhões no Equador. Em 2013, chegará a 24 milhões — contando as unidades argentina, brasileira, colombiana e equatoriana. “Apesar do dólar desvalorizado prejudicar a exportação, ele facilita a compra de ativos. Queremos ter plataformas industriais na América do Sul.” O plano é que parte do consumo brasileiro seja abastecido pela produção argentina. Com isso, a Vicunha deve cumprir as cotas estabelecidas pelo governo portenho para manter a concessão de incentivos fiscais. A estratégia de aquisições internacionais está dando certo. Em 2010, a empresa teve lucro de R$ 70 milhões — ante prejuízo de R$ 5 milhões no ano anterior. Para 2011, as estimativas são otimistas. “A previsão para o lucro deste ano é de R$ 80 milhões”, indica o diretor financeiro da Vicunha. ■ PRODUÇÃO TOTAL 15,5 mi de metros de tecido serão produzidos por mês até 2013. O montante já conta com a produção de 2 milhões de metros de uma fábrica na Argentina. RECUPERAÇÃO R$ 70 mi foi o lucro que a Vicunha Têxtil atingiu no ano passado. O valor representa a recuperação da empresa após anos de crise. Em 2011 o lucro estimado é de R$ 80 milhões. José M. D’Isep, diretor da Vicunha: aportes de US$ 40 milhões em cada unidade no exterior Modernização Fundo financia 50% dos R$ 400 milhões que a Vicunha investirá em quatro fábricas do Nordeste O Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) liberou R$ 200 milhões para a Vicunha Têxtil modernizar quatro fábricas no Ceará e Rio Grande do Norte. Os recursos foram repassados na semana passada e vão integrar um pacote de investimentos costurado pela fabricante de fios e tecidos para ter capaci- dade produtiva de 16 milhões de metros por mês até 2013. “Vamos expandir a produção com um crescimento marginal com novas máquinas”, afirma o diretor financeiro José Maurício D’Isep. Os novos equipamentos devem adicionar 3 milhões de metros à capacidade mensal. “Estamos falando de um investimento de aproximadamente R$ 400 milhões”, diz o executivo. A Vicunha terá dez anos para ressarcir o fundo de desenvolvi- Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 23 Michael Nagle/Bloomberg Motorola Solutions tem venda concluída A joint-venture Nokia Siemens Networks, fabricante de equipamentos para comunicação móvel, concluiu na sexta-feira a aquisição da unidade de dispositivos móveis da Motorola Solutions por US$ 975 milhões, quatro meses após o previsto no cronograma inicial. Com o acordo, a empresa espera ter maior acesso ao aquecido mercado americano, além de se proteger contra rivais chinesas. A Motorola reduziu o preço de US$ 1,2 bilhão para US$ 975 milhões para garantir o andamento da aquisição. AGENDA DO DIA ● Começa hoje a 18ª edição da Agrishow, feira agropecuária que será realizada até sexta-feira (6) em Ribeirão Preto, em São Paulo. O evento reunirá 765 expositores e espera receber 145 mil profissionais ligados à agricultura e pecuária. Antonio Milena Mato Grosso Unidade será construída caso demanda continue crescendo A proximidade ao maior polo produtor de algodão do país e a oferta de incentivos fiscais pelo governo matogrossense fizeram a Vicunha Têxtil firmar um acordo para a instalação de uma fábrica em Cuiabá. A empresa espera, agora, a manutenção do ritmo de crescimento do consumo de tecidos no país para construir a unidade com capacidade de 6 milhões de metros por mês. O investimento ainda não foi definido, mas a empresa espera captar a maior parte dos recursos junto ao Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), a exemplo dos R$ 200 milhões repassado pelo fundo nordestino de desenvolvimento FNE (leia mais abaixo). “Se o Brasil continuar crescendo 4%, 5%, vai faltar tecido. Mato Grosso é uma mola propulsora. Se virmos que haverá demanda, colocaremos a fábrica de pé”, indica o diretor financeiro José Maurício D’Isep. Segundo ele, o governo estadual já garantiu incentivos fiscais, incluindo uma redução de 99% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O incentivo é maior do que o concedido no Nordeste, onde as fábricas da Vicunha no Ceará e Rio Grande do Norte têm 75% de isenção de ICMS. A empresa negocia, agora, com o Senai a criação de cursos para capacitar a mão de obra matogrossense. A Vicunha também está deslocando profissionais do Nordeste para acompanhar o treinamento. Enquanto isso, o governo executa um projeto de recuperação ambiental no terreno doado pelo estado. “O compromisso do governo é entregar o terreno até o final de 2012, já com o tratamento de efluentes concluído”, diz D’Isep. A.V.A. e N.S. de unidades levará R$ 200 mi do FNE mento nordestino. A empresa conta com uma carência de 36 meses, ao final da qual começa a pagar os R$ 200 milhões com taxas de juros de 7,5% e 8,5%. O FNE estendeu por mais 15 anos a isenção fiscal para as duas fábricas (fios e índigo) de Maracanaú, a de índigo em Pacajus, ambas no Ceará, e a de índigo e brim de Natal. Entre os benefícios, está a redução de 75% do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A Vicunha obteve o crédito com taxas de até 8,5% ao ano. O capital será usado em fábricas no Ceará e no Rio Grande do Norte, onde a produção será ampliada em 3 milhões de metros por mês O diretor financeiro diz que os outros R$ 200 milhões do projeto serão compostos por capital próprio, por linhas de financiamento de bancos privados e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Neste ano, investiremos R$ 165 milhões”, diz. Reestruturação finalizada A Vicunha procura um controller. A contratação do especialista em contabilidade será o último passo de um processo de reestruturação administrativa, iniciada em 2008. A investida começou após a empresa perder R$ 400 milhões em uma operação de proteção de câmbio, em 2006. “Isso provocou nos acionistas um alerta”, conta. D’Isep, ex-diretor da Santista, foi contratado justamente para elaborar um plano estratégico para fazer a Vicunha voltar ao azul. O processo envolveu a criação de um conselho admi- nistrativo separado da gestão do dia a dia e definiu o brim e o denim como áreas de negócios. A decisão passou pela venda de ativos em poliéster e malhas e, agora, envolve as de viscose. O resultado veio em 2010, com a redução da dívida líquida da empresa para R$ 277 milhões, ante R$ 501 milhões em 2009. A recuperação se manteve, segundo D’Isep, com um primeiro semestre “excelente” e “melhor que o de 2010”. ■ A.V.A. e N.S. 24 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011 EMPRESAS Antoine Antoniol/Bloomberg AVIAÇÃO EADS considera inevitável alianças entre fabricantes de aeronaves comerciais Os fabricantes de aeronaves comerciais terão que formar alianças para compartilhar demanda insuficiente no setor no futuro, afirmou o presidente-executivo do grupo europeu EADS. Haverá seis grandes fabricantes de aviões comerciais no futuro, conforme empresas da China, Rússia, Canadá e Brasil invadem o duopólio da Airbus e da Boeing no setor, disse Louis Gallois, em entrevista ao jornal espanhol Expansion. Grupo AGCO entra no mercado de geradores no Brasil Divisão de motores da controladora da Massey Ferguson e Valtra passa a produzir os equipamentos a partir de agosto Priscila Machado [email protected] A AGCO, fabricantes de máquinas agrícolas, prepara sua entrada no mercado brasileiro de geradores. A partir de agosto, a Sisu Power, divisão de motores da companhia, passará a fabricar na unidade de Mogi das Cruzes (SP) os equipamentos para geração de energia com a expectativa de até o final de 2011 distribuir entre 100 e 200 dispositivos de 60 a 250 KVA. Para o próximo ano a meta é ultrapassar mil unidades. A princípio, o mercado que será abastecido com esses equipamentos deverá ser absorvido pelas próprias concessionárias do grupo que, no Brasil, somam mais de 400 unidades. A pulverização desses clientes é vista como uma vantagem estratégica por Ricardo Huhtala, diretor da AGCO Sisu Power, já que a quantidade de fabricantes de geradores no Brasil é reduzida e o número de distribuidores também é limitado. Apesar de hoje atuar em um mercado aparentemente muito diferente, na fabricação de máquinas agrícolas, Huhtala destaca o diferencial competitivo que isso pode representar. “O componente mais caro dentro do gerador é o motor, e isso nós já temos dentro da casa”, diz. Vale lembrar que a companhia é pioneira na produção de motores 100% biodiesel na América Latina e esse diferencial atenderá também a produção de geradores. Segundo o executivo, pela sinergia com a área de motores o investimento na produção de geradores não será muito alto e não deve alterar os planos de investimento já previstos. A AGCO havia anunciado que planeja investir US$ 10 milhões na unidade fabril de Mogi nos próximos três anos. No último ano, a unidade alcançou a produção recorde de 100 mil motores. “ O componente mais caro dentro do gerador é o motor, e isso nós já temos na casa Ricardo Huhtala, diretor da AGCO Sisu Power Além da vantagem na obtenção de componentes, o diretor da AGCO reconhece que a geração de negócios impulsionada por eventos como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, ambas no Brasil, terão um impacto positivo na nova área de atuação. Globalmente, a fabricação de geradores não é novidade para o grupo. Em países da Europa, a AGCO já produz esse tipo de equipamentos há muitos anos e na China, desde 2008, é fornecedora exclusiva da Kone Crane e Kalmar. “Já tínhamos expertise dentro de casa. Lá fora, fornecemos para a irlandesa AJ Power”, diz Huhtala. Agrishow Os novos geradores serão apresentados ao público a partir de hoje quando começa a 18º edição da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP). O evento costuma ser um dos principais geradores de vendas de máquinas agrícolas para a companhia. Nesta edição, além das empresas do grupo ACGO, cerca de 760 marcas estarão presentes. A recuperação dos preços das commodities nas principais Bolsas mundiais devem garantir a superação da marca de vendas da ordem de R$ 1,2 bilhão atingida no ano passado. “O agronegócio brasileiro atravessa momento positivo e está mais capitalizado”, diz Cesário Ramalho, presidente da feira que garante que o evento “não sai nunca mais de Ribeirão Preto”. ■ FATURAMENTO APORTE US$ 6,9 bi é a receita líquida em vendas R$ 10 mi é o investimento que a AGCO que o grupo AGCO registrou em 2010 com suas principais marcas: Challenger, Fendt, Massey Ferguson e Valtra. irá fazer na unidade Sisu Power, em Mogi das Cruzes, nos próximos três anos, para ampliar a produção de motores. Ricardo Huhtala, diretor da AGCO Sisu Power, quer colocar mil geradores no mercado em 2012 Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 25 Divulgação PETRÓLEO MÁQUINAS Petrolífera francesa Total tem lucro líquido de € 3,1 bilhões, com crescimento de 35% Americana Caterpillar registra lucro líquido de US$ 1,23 bi no primeiro trimestre A companhia informa que o resultado referente ao primeiro trimestre foi impulsionado pelo aumento dos preços das commodities, apesar da queda da sua produção de petróleo devido aos conflitos na Líbia. A produção da companhia recuou para 2,371 milhões de barris de petróleo equivalente por dia no primeiro trimestre deste ano, ante 2,427 milhões de barris diários no mesmo período de 2010. O desempenho financeiro da fabricante de máquinas agrícolas foi bem superior ao registrado no primeiro trimestre do ano passado, quando a companhia lucrou US$ 233 milhões. A receita saltou 57% no período, para US$ 12,95 bilhões, enquanto a margem bruta aumentou de 28,5% para 30,1%. A Cartepillar elevou a meta de lucro do ano atual para entre US$ 6,25 e US$ 6,75 por ação, antes a previsão era de US$ 6,00 por ação. Claudio Gatti Fabricante avança no projeto de trator flex Técnica de injeção eletrônica de veículos leves permitirá nova tentativa de lançar o produto Apesar da forte alta nos preços do etanol, a AGCO avança nos planos de colocar o primeiro trator flex (movido a diesel e etanol )produzido em escala industrial no mercado brasileiro. O projeto, que hoje seria um risco comercial, deve chegar ao mercado com uma produção inicial de até 1,5 mil máquinas por ano. O próprio diretor da Sizu Power, unidade da AGCO que está desenvolvendo o produto, Ricardo Huhtala, admite que hoje não valeria a pena lançar o projeto, mas prevê um cenário mais atrativo em 2012 com o motor flex representando uma redução de custos para o produtor. “Assim como o biodiesel, o Trator movido a diesel e etanol deve chegar no mercado com preço de 10% a 15% acima do produto similar não-flex Inverno 2011 Ex flex depende do interesse do governo incentivar”, diz. O produtor de açúcar e álcool é o principal público que a AGCO quer atingir com o motor flex. O equipamento será implementado, a princípio, em tratores da linha pesada (acima de 160 cavalos), hoje o carro-chefe da Valtra, que detém cerca de 70% do mercado sucrolacooleiro. Essas máquinas chegarão ao mercado com preços de 10% a 15% acima do produto similar não-flex. No início da década de 1980, a Valtra — ainda com o nome Valmet — tentou introduzir no mercado tratores flex. Mas a tecnologia da época, sistemas mecânicos no controle da injeção dos dois combustíveis limitou que o projeto avançasse. Hoje é possível aplicar nos motores a técnica de injeção eletrônica de veículos leves. ■ P.M. ade alid clu Qu siv ida de ra ventu A forto Con Fam ília Buenos Aires e Bariloche 6 noitesA A partir de R$ 2.551 ou 10x R$ 255 saídas 19 Jun a 3 Set Waldorf Buenos Aires Crans Montana Bariloche Alma del Lago (Cat. Luxo) R$ A partir de R$ 2.937 ou 10x R$ 293 Cacique Inacayal 359 A partir de R$ 4.169 ou 10x R$ Ayres de Nahuel (Cat. Primeira) A partir de R$ 3.133 ou 10x R$ 313 Panamericano (Cat. Primeira Superior) A partir de R$ 3.998 ou 10x R$ 399 Llao Llao Hotel (Cat. Luxo) (C (Cat. Luxo) A partir de R$ 3.597 ou 10x Hosteria Aitue (Cat. Turística) 416 A partir de R$ 4.539 ou 10x R$ 453 Voos di V diretos: t Saídas, S íd 25 5 JUN | 22, 9 9, 16 16, 23 23, 30 JUL | 6 6, 13 AGO O Confirmação imediata Inclui: Passagem aérea, 7 noites de hospedagem, traslados, passeios, 5 dias de aluguel de roupa de neve e seguro viagem.. Preços em R$ por pessoa, em apto. duplo, calculados ao câmbio de US$ 1= R$ 1,68 de 29/04/2011 sujeitos a variação de cálculo na data da compra. Pacotes e preço sujeitos à disponibilidade e a alterações sem prévio aviso. 10 x iguais no cartão de crédito. Taxas de segurança, embarque e serviços não inclusas. Passagem aérea com saídas de São Paulo, classe econômica. Tarifas não válidas para feriados, exceto se mencionadas. Consulte seu agente de viagens. ABAV 017/SP 26 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011 EMPRESAS Divulgação CIMENTO AGRONEGÓCIOS Cemex sofre prejuízo maior que o esperado, mas prevê melhora na lucratividade Desaceleração dos Estados Unidos reduz pressão sobre commodities, diz Bunge As vendas líquidas subiram 11%, para US$ 3,4 bilhões no trimestre passado, em um sinal de que Cemex, uma das maiores empresas latino-americanas, está deixando para trás a pior crise de sua história centenária. A companhia divulgou prejuízo líquido de US$ 276 milhões ante perda de US$ 342 milhões registrada um ano antes. As vendas em volume de cimento subiram 1% no México. O arrefecimento da recuperação econômica dos Estados Unidos deve desacelerar a pressão sobre os preços das commodities, como a soja, segundo o presidente-executivo da Bunge no Brasil, Pedro Parente. “Vai ter uma pressão menor agora por causa dos Estados Unidos”, disse Parente. No entanto, o executivo avalia que a demanda mundial crescente por commodities alimentícias vai impedir que os preços recuem mais. PAC e Copa reforçam a estratégia da Aggreko no país Desde 2003 no Brasil, companhia de energia amplia número de bases para aumentar sua carteira de clientes industriais locais Ricardo Rego Monteiro [email protected] A britânica Aggreko definiu o Brasil como uma das prioridades estratégicas para os próximos anos. A empresa de geração de energia espera repetir no país, em 2011, os mesmos 20% de crescimento alcançados no ano passado em território nacional e no mundo. Disposta a pegar carona nos grandes projetos de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a companhia tem ampliado o número de bases para prosseguir na conquista de clientes industriais no país. Além disso, pretende servir à Copa do Mundo de 2014, no Brasil, assim como fez ano passado, na Copa da África do Sul. “Na América do Sul, que respondeu por uma receita de US$ 200 milhões no ano passado, empregamos cerca de 700 funcionários. No Brasil, o faturamento alcançou, no mesmo período, US$ 50 milhões”, compara o presidente mundial da Aggreko, Rupert Soames. “Ou seja, o Brasil, onde empregamos 250 pessoas, responde por praticamente um quarto da receita do continente e por quase um terço do total de funcionários. Isso, por si só, já demonstra a importância do país para nós.” Soames lembra que o desempenho da companhia, nos últimos anos, foi impulsionado pelo crescimento global. O executivo adverte, no entanto, que essa mesma alta do Produto Interno Bruto (PIB) também expandiu perigosamente o consumo mundial de energia a patamares acima da oferta. Se não ocorrer um reequilíbrio do consumo, alerta Soames, o fenômeno deverá afetar o crescimento global em cinco a dez anos. Prestadora de serviço nos segmentos industrial e de infraestrutura, a Aggreko consolidou-se nos últimos anos como “ O Brasil, onde empregamos 250 pessoas, responde por praticamente um quarto da receita do continente e por quase um terço do total de funcionários. Isso, por si só, já demonstra a importância do país para nós Rupert Soames uma das mais importante companhias de geração de energia, resfriamento de processos e climatização para empresas do porte da Petrobras. Em todo o mundo, dispõe de 6 mil megawatts (MW) de energia, por meio de geradores móveis. Após um ano de forte crescimento em faturamento e lucro, os investimentos da Aggreko para 2011 devem alcançar o recorde de US$ 519 milhões (£320 milhões) — valor 26% superior ao investido no ano anterior. Os desembolsos serão destinados não só ao aumento da frota de geradores movidos a gás natural, como à inauguração de novas bases locais pelo mundo. A divisão internacional da empresa, da qual o Brasil faz parte, registrou no último ano um aumento de quase 19% do faturamento, para US$ 1,5 bilhão (£899,20 milhões). No mesmo período, também registrou aumento de 16% do lucro operacional, que chegou a US$ 517 milhões (£315,80 milhões). Desde 2003 no Brasil, a empresa fornece soluções temporárias de energia para as refinarias do Paraná (Repar) e do Planalto Paulista (Replan), em Paulínia, atualmente a maior do Brasil. Também atende concessionárias de energia e empresas, como a mineradora Vale, além de assegurar suporte a grandes eventos internacionais. Depois de operar na Copa da África do Sul e nos Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver, no Canadá, no ano passado, a companhia prepara-se para oferecer os mesmos tipos de serviços, em 2012, para os Jogos Olímpicos de Londres. Foi a Aggreko, como lembra Soames, que, desde o mês passado, fornece energia de emergência, no Japão, para a usina nuclear de Fukushima Daishi, destruída pelo terremoto seguido de tsunami que devastou boa parte do país asiático. ■ EXPANSÃO Companhia expande suas bases para o Norte Presente no Brasil com centros de serviços em municípios como Campinas (SP) e Macaé (RJ), a Aggreko deverá inaugurar ainda neste ano novas bases em cidades como Paraupebas (PA) e Recife (PE), no rastro de grandes projetos de infraestrutura da indústria. O presidente mundial da empresa britânica, Rupert Soames esclarece que, da mesma forma que as unidades paulista e fluminense atendem projetos da Petrobras já existentes, como a refinaria de Paulínia (Replan), os novos centros estão previstos para dar o mesmo tipo de suporte para projetos da Vale, no Pará, e da própria Petrobras no porto de Suape (PE) – a futura Refinaria Abreu Lima (Rnest), ainda em construção. “Acreditamos que o Brasil iniciou um longo ciclo de crescimento, que deverá se estender pelos próximos anos, e que demandará a expansão da oferta de energia do país”, justifica Soames. “Para isso, estamos prontos a dar o necessário suporte também para Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 27 Divulgação PAPEL E CELULOSE COSMÉTICOS Medidas do governo para conter a inflação e parada de fábrica afetarão Klabin Presidente da Natura descarta novos aumentos de preço este ano A Klabin planeja para este trimestre uma grande parada para manutenção na fábrica de Monte Alegre (PR), sua maior unidade, que afetará o Ebitda no segundo trimestre, disse o diretor-geral, Fábio Schvartsman. “Essas medidas de aumento de taxas de juros podem influenciar a demanda depois de três a seis meses... a visibilidade do segundo semestre ainda está um pouco difícil em função dessas medidas.” A declaração é de Alessandro Carlucci, presidente da companhia. A Natura elevou os preços em fevereiro e espera que o reajuste, associado à valorização do real, compense a alta das commodities, disse Carlucci. A Natura reportou na útlima semana um lucro líquido de R$ 150,5 milhões no primeiro trimestre do ano, um acréscimo de 6,3% em relação ao mesmo período de 2010. Bloomberg Samarco vai buscar US$ 1,5 bi no exterior Subsidiária da Vale e BHP Billiton negocia com bancos estrangeiros crédito de até 50% da nova pelotizadora orçada em US$ 3 bilhões Nivaldo Souza [email protected] A mineradora Samarco está montando a estrutura financeira necessária para acessar até US$ 1,5 bilhão em linhas de crédito de bancos internacionais. O montante equivale a metade dos US$ 3 bilhões que serão investidos, até 2014, na construção da quarta pelotizadora da unidade mantida pela empresa em Anchieta, no Espírito Santo. A outra metade dos recursos serão do próprio caixa. O presidente da companhia, José Tadeu de Moraes, assegura já ter consultado o “apetite” de pelo menos 20 instituições financeiras fora do Brasil. Segundo o executivo, há disposição suficiente para obter crédito. A empresa avalia, agora, junto aos controladores o perfil de dívida que será contratada. “Estamos discutindo com nosso acionistas a melhor engenharia financeira”, diz Moraes. A Samarco é uma joint venture entre a anglo-australiana BHP Billiton e a Vale — ambas donas 50% da empresa de capital fechado. A brasileira aprovou, na sexta-feira, a instalação da pelotizadora capixaba. Ruppert Soames, presidente mundial da Aggreko: companhia faz investimentos para aumentar sua frota de geradores a gás natural e Nordeste as concessionárias de energia, que vão precisar expandir rapidamente a capacidade de atendimento desse consumo. Dispomos de uma capacidade instalada, no mundo todo, de 6 mil MW de energia, por meio de gerados móveis a gás natural ou a óleo diesel.” De olho na Copa do Mundo de 2014, a empresa traçou uma estratégia de cerco às oportunidades, que prevê o contato – já iniciado – e o estreitamento de relações com todos os comitês estaduais de organização do evento. A expectativa, pelo menos para 2011, é manter o padrão médio de crescimento de 5% ao ano, no Brasil, mantido em todo o mundo, desde 2005. A tarefa para a Aggreko revela-se menos árdua do que parece inicialmente, levando-se em consideração o que Soames identifica como um sensível desequilíbrio entre oferta e demanda de energia não só no Brasil, mas em todo o mundo, principalmente entre os emergentes. R.R.M. Minerioduto O projeto inclui a construção de um minerioduto com 396 quilômetros e a modernização do terminal marítimo Ponta Ubu (ES). O porto receberá novos equipamentos para ampliar a capacidade de movimentação de atuais 23 milhões de toneladas anuais para 33 milhões. “Esse é o nosso terceiro ciclo de expansão. Vamos aumentar a capacidade de pelotização de 22 milhões para 30,5 milhões de toneladas por ano”, diz o superintendente do projeto, Maury de Souza Júnior. A Samarco não fará novos investimentos para ampliar o volume de minério extraído em Mariana e Ouro Preto (MG). Com reservas estimadas em 2,1 bilhões de toneladas de minério, a empresa processa anualmente 35 milhões de toneladas. O minério é para por um processo de concentração, no qual “ Já checamos o apetite do mercado em nos emprestar. Mas ainda estamos discutindo com nossos sócios a melhor engenharia financeira José Tadeu Moraes, presidente da Samarco atinge o teor ideal de 65% de ferro, para depois ser transportado via minerioduto até o Espírito Santo. Na planta capixaba, a polpa do minério é transformada em pelotas, utilizadas como insumo para a produzir coque siderúrgico nos altos-fornos das usinas — o coque serve de base para a fabricação do aço. ■ PELOTAS 8,3 milhões de toneladas é a capacidade da nova pelotizadora da Samarco em Anchieta (ES). A empresa também ampliará seu terminal no porto de Ubu em 10 milhões de toenaldas. COMPENSAÇÃO R$ 2 milhões será o investimento da empresa em ações ambientais para mitigar o impacto das obras do projeto, cuja emissão de CO2 é estimada em 152 mil toneladas até 2014. 28 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011 EMPRESAS Divulgação SMARTPHONES 1 SMARTPHONES 2 Vendas do iPhone, da Apple, dobram e aparelho conquista 5% do mercado HTC projeta faturar US$ 4,18 bilhões no trimestre com vendas do equipamento Os dados referentes ao primeiro trimestre do ano são do IDC. Segundo o instituto, as vendas do iPhone foram ajudadas pelo desempenho da Verizon Wireless. O desempenho do equipamento foi melhor nas regiões economicamente mais desenvolvidas, como América do Norte e Europa. Com isso, a Apple aproximou-se da LG, que detém 6,6% de participação. A Nokia, que detinha 29% do mercado, ficou com 25%. A empresa tailandesa informou que o volume de vendas de seu smartphone, HTC Desire, deve crescer no segundo trimestre para entre 11 milhões e 11,5 milhões de unidades, ante 9,7 milhões no primeiro trimestre. O modelo é acionado pelo sistema operacional Android, do Google, e já ocupa a quinta posição no mercado global. Concorrentes como Nokia, Samsung Electronics e LG Electronics perderam mercado. Oi e Telefônica revitalizam telefone Operadoras investem na banda larga para recuperar vendas do serviço tradicional que perde mercado para linhas celulares Fabiana Monte Divulgação [email protected] Em pouco mais de uma década, o papel do telefone fixo mudou radicalmente. Antes da privatização, em 1998, o serviço era restrito a poucos consumidores e caro. Desde 1997, o número de telefones fixos no país cresceu 142,35%, mas, nos últimos anos, o mercado está estável, na casa de 42 milhões de linhas em serviço. A tendência mundial é de estabilização ou queda, devido à substituição do fixo pelo celular. Oi e Telefônica, que detêm as maiores bases de assinantes de telefonia fixa do país, enfrentam o desafio de revitalizar o telefone fixo. “Nosso desafio não é na telefonia móvel e na banda larga, é fazer com que a telefonia fixa pare de cair e que as pessoas continuem usando o telefone”, disse Alex Zornig, diretor de finanças e relações com investidores da Oi, em entrevista sobre os resultados da empresa no primeiro trimestre. A companhia teve um prejuízo líquido de R$ 395 milhões no período, pressionada por R$ 600 milhões em despesas não recorrentes, como conciliações de depósitos judiciais, adequação de gastos com contingenciamento trabalhista e provisões de disputas judiciais. Mas Zornig admite que o desempenho do celular e da banda larga não foi suficiente para compensar a retração das receitas de telefonia fixa. Surya Mendonça diretor de marketing residencial da Telefônica “Encontramos um nicho de clientes que não tinham linha fixa e colocamos um vendedor para mostrar o valor do produto.” Experiência portuguesa Para mudar este cenário, a Oi contratou uma consultoria externa que fará o planejamento estratégico para os próximos três anos. A estratégia da Oi será oferecer outros produtos junto com o telefone fixo, como, por exemplo, banda larga e televisão paga. A ideia é aproveitar a experiência da Portugal Telecom (PT), que assumiu 25,6% da empresa em março, na nova estratégia. A PT promoveu uma grande expansão do serviço de televisão sobre IP em Portugal. “No exterior, temos telefone fixo com tráfego ilimitado, com banda larga e TV, como um pacote de serviços na casa do cliente. No fim do dia, o que segura o fixo é a banda larga”, diz PRIMEIRO TRIMESTRE Flávia Bittencourt, diretora de marketing da Oi. No primeiro trimestre de 2011, a base de telefones fixos da Oi recuou 6,3% ante 2010 e a receita líquida do serviço, no mesmo período, caiu 8,7%. “No mercado de consumo, a oferta está cada vez mais migrando para banda larga e conteúdo. O serviço de telefonia vai começar a se transformar em serviço de valor adicionado”, afirma Luis Minoru Shibata, diretor de consultoria da PromonLogicalis. A Telefônica conseguiu um avanço de 0,3% em linhas fixas em serviço no ao passado, o que, segundo Surya Mendonça, diretor de marketing residencial da empresa, é resultado de ações da companhia para reconquistar clientes. Mas, ao contrário da Oi, Mendonça afirma que a estratégia do grupo espanhol é mostrar os benefícios do telefone fixo, como tarifas menores do que as cobradas em ligações de celulares. “O Speedy vem como complemento”, diz. Neste sentido, a empresa adotou uma estratégia pró-ativa em relação à classe C, para comercializar telefones fixos porta a porta. Hoje, este canal representa 25% das vendas. “Encontramos um nicho de clientes que não tinham linha fixa e colocamos um vendedor para mostrar o valor do produto”. A GVT, uma das principais competidoras de Telefônica e Oi, que está avançando no eixo São Paulo-Rio, estima que 95% de suas vendas compreendem banda larga e telefonia fixa. O cliente pode comprar os serviços separadamente, mas quanto mais ofertas ele adquire, menor é o custo para a operadora e maior é a agressividade da empresa em relação a preço. “A banda larga ajudou a revitalizar a telefonia fixa”, diz Ricardo San Felice, diretor de marketing e produtos da companhia. ■ TELEFONIA FIXA 14 milhões 42 milhões é o número de conexões à banda é o total de telefones fixos larga fixa no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil). em serviço no Brasil, de acordo com dados da consultoria Teleco referentes a 2010. Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 29 Denis Doyle/Bloomberg CARREIRA TECNOLOGIA LTE Tim abre 130 vagas para estagiários e espera contratar 50% a mais que em 2010 Chinesas ZTE e Huawei abrem processos uma contra a outra por infração de patente O programa Estágio Sem Fronteiras da TIM está com 130 vagas em todo Brasil para jovens universitários das áreas de Rede, TI, Comercial, Marketing, Financeiro, Jurídico, Recursos Humanos, entre outros. Para se candidatar, os interessados devem se cadastrar no site www.tim.com.br até o dia 15 deste mês. A expectativa da empresa é que até o fim deste ano sejam contratados 50% a mais que em 2010. A fabricante chinesa de equipamentos de telecomunicações alega que a rival Huawei, também chinesa, infringiu sua patente sobre a tecnologia LTE, considerada quarta geração da telefonia móvel. O processo foi aberto um dia depois que a ZTE foi acionada pela Huawei na Europa. A Huawei também afirma que a ZTE infringiu uma série de patentes da empresa relacionadas a cartões de dados e tecnologia LTE. fixo Murillo Constantino Alex Zornig, da Oi: plano estratégico para dar atratividade a telefone fixo 30 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011 CONSUMO POPULAR PAULO VIEIRA LIMA EXPRESSAS No comércio eletrônico, o que faz alguém ser fiel? Pesquisa O Observador reflete um traço marcante do consumidor situado na base da pirâmide social brasileira e que já se habituou a fazer compra pela Internet. A esmagadora maioria dos entrevistados da classe D/E valoriza a segurança do site e na classe C este item é importante para 77% dos entrevistados. Em segundo lugar, o cliente da classe C destaca o preço como quesito para ele ser fiel. Outro fator importante para 100% do pessoal D/E é o atendimento pós-venda. Pra que marido? Construção civil tem a resposta Público redescobre o consórcio. Casas, viagens, equipamentos, carros, pneus... Para tudo o consórcio serve como alternativa Um setor que reconquista a confiança do consumidor Crédito restrito inibe demanda mas não afeta quem prefere o consórcio O sistema de consórcio reconquista a confiança do consumidor tradicional, enquanto agrega um público novo, formado pela classe média emergente e com predominância de jovens. Na década de 1960, quando surgiram as primeiras administradoras, os consórcios, no Brasil, tiveram papel importante no escoamento da produção de veículos e facilitaram a vida de quem precisava de dinheiro para adquirir um carro. A economia ganhou outros contornos, os consórcios ampliaram o leque de produtos. Além de casas, carros e serviços, há quem venda viagens, financie cirurgias e até pneus. A Embracon, por exemplo, uma das líderes do mercado, atua em parceria com a D. Paschoal, distribuidora de pneus com uma rede nacional de lojas. A gerente de marketing da Embracon, Gisele Paula, está otimista com a retomada deste segmento. É um processo que teve início há dois anos, a partir “ da instituição da lei que regulamentou o setor. Para a executiva, o ganho real nos salários, a melhoria do poder de compra e a seletividade na oferta de crédito são fatores que levam para o consórcio as pessoas que preferem investir com segurança em bens sem necessidade de se submeter aos rigores dos financiamentos. Hoje, nenhuma turbulência prejudica o setor. Ela cita a pressão de demanda na construção civil e indica o consórcio como opção tranquila para quem planeja comprar casa ou apartamento. ■ R$ 1.000,00 e pode comprar motos. orientação para que nosso cliente possa assinar um contrato em condições de cumprir o compromisso sem problemas. O leque de produtos cresceu. Hoje, nenhuma turbulência traz prejuízos TRÊS PERGUNTAS A... O novo consumidor é quem movimenta os consórcios e faz crescer a procura por esta forma de financiar de bens e serviços. ...GISELE PAULA Gerente de marketing da Embracon A Embracon bateu o próprio recorde ao superar em 34% os R$ 270 milhões de abril de 2010. Quem é o responsável por isto? Na área de imóveis, 80% do público tem renda entre R$ 1.500,00 e R$ 5.000,00 por mês. Nos veículos temos quem recebe entre R$ 800,00 e O ponto forte ainda é o setor imobiliário. Qual o teto para o financiamento? Há alguma orientação sobre eventuais dificuldades com as prestações? Lançamos um plano que aumenta de 150 para 180 meses o prazo de financiamento. O valor muda de R$ 330 mil para R$ 500 mil e a prestação máxima vai para algo como R$ 3 mil. Seja para qualquer bem ou serviço, damos Os carros chineses estão chegando. Prometem preço acessível. Vêm com itens que a concorrência considera opcional. Como ficam os consórcios neste quadro? Ficamos bem. Os consórcios podem escoar a produção dos carros chineses, sem dúvida. O Instituto Data Popular revela que 26 milhões de famílias brasileiras pretendem fazer algum tipo de reforma até o final de 2011. A pesquisa diz que nem sempre o dono da casa assumirá as tarefas. Crescem as chances de empresas que atendem residências, comércio e manutenção de prédios. Na franqueadora Praquemarido, que tem Rita Ortega na direção comercial, uma franquia exige capital inicial entre R$ 39,9 mil e R$ 75 mil. O retorno do investimento vem, em média, após dois anos. Densia chegou e seu público maior é feminino A Danone colocou no mercado o iogurte Densia, marca mundial da empresa na área de lácteos frescos. O produto teve o lançamento focado principalmente no público feminino que precisa de alimentos que contribuam para ajudar a suprir a carência de cálcio no organismo. A indústria cita o Estudo Brasileiro de Osteoporose em que se observa que nove entre dez brasileiras não consomem cálcio em quantidade ideal para fortalecimento dos ossos. Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 31 Fotos: divulgação Idosos, novo alvo da Odontoclinic Carlos Leão, presidente da Odontoclinic, quer se aproximar da população idosa e de baixa renda. Até o final do ano ele pretende dobrar o número das suas atuais 100 clínicas que funcionam nas principais cidades do país. O foco são 15 milhões de idosos, potenciais pacientes de implante dentário. O presidente da empresa acredita em uma receita de sucesso que prescreve preço acessível e qualidade nos produtos, fornecedores e atendimento. [email protected] Goh Seng Chong/Bloomberg Empregada doméstica desaparece do mercado de trabalho A estabilidade econômica ajuda no sumiço de um tipo de trabalhador, antes muito disponível. Melhora a renda, aumenta a chance de qualificação, as empregadas domésticas entram para o grupo da população reconhecido como emergente e, na primeira chance, trocam de profissão. “Por favor, não escreva aí que sou doméstica”, é uma frase comum na contratação, segundo comenta o advogado Marcelo Cavichio Unti, responsável pelo departamento jurídico do Sindicato dos Empregadores Domésticos de São Paulo. A falta de mão de obra influencia a remuneração. No mercado de trabalho paulista e, particularmente na cidade de São Paulo, o salário médio (com registro em carteira e condução) varia entre R$ 700,00 e R$ 750,00 e se a atividade for para cuidar de idoso ou criança a remuneração chega a R$ 1.300,00. O sindicato tem até um manual que já está na sétima edição. Escrito pela presidente da entidade, Margareth Galvão Carbinato, o titulo do livro é Paz para Empregadores e Empregados Domésticos. Severino Silva/Ag. O Dia Prazo de pagamento (ainda) longo estimula a busca por crédito Juros não impedem compra de presentes Redução no volume de compras e Dia das Mães não têm nada em comum. Ao menos por enquanto. Miguel de Oliveira, vicepresidente de Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), diz que a elevação na taxa de juros não inibe a decisão de compra, porque os prazos de pagamento continuam longos e as prestações cabem no bolso do consumidor. Com o dólar em queda, muita gente optou para buscar o pre- sente para a mãe indo às compras no exterior. No mercado interno, um dos setores que mais acreditam no aumento de vendas é a indústria de shoppings. Para a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), o Dia das Mães assegura um crescimento de 13% no volume de vendas. No grande varejo popular, em centros de concentração de comércio como o Brás em São Paulo ou a Saara no Rio, o otimismo também está presente. Educação financeira faz bem à saúde da economia Marcela Beltrão visando o equilíbrio da economia e acreditam que é fundamental a educação financeira, em especial para segmentos da sociedade recémparticipantes do mundo das compras. A entidade tem programas de orienConsumidor deve saber seu limite tação e os executivos argumentam que esta preocupação não ocorre A educação está no centro das somente agora. A Acrefi, coatenções da Associação Nacional mentam eles, assume este comdas Instituições de Financiamenpromisso desde sua criação, no to e Investimento (Acrefi). Antoinício dos anos 1960, e trabalha nio Augusto de Almeida Leite, dipara que o mercado financeiro retor-superintendente da enticompreenda as reações do condade, e o economista-chefe, Nisumidor e que o público perceba cola Tingas, confiam nas diretrios limites do endividamento. zes estabelecidas pelo governo Um tipo de trabalhador que pode ficar cada vez mais raro de encontrar no Brasil Mais um bairro classe média em São Gonçalo Grande centro de compras do Nordeste North Shopping Caruaru No sábado, em Caruaru, a direção do North Shopping reuniu a imprensa, empresários e potenciais empreendedores para mostrar a reforma de ampliação. O projeto envolve R$ 40 milhões e prevê escritórios, restaurantes, parque de diversões e cinemas. Nos planos da empresa o shopping será o maior centro de compras do Nordeste com opções formatadas para os públicos A/B/C. Caruaru, com uma geração anual de riquezas em torno de R$ 2 bilhões, lidera a economia daquela região em Pernambuco. Em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de janeiro, a Construtora Mudar lança neste sábado três condôminos com 83 casas e 880 apartamentos. São imóveis com preços a partir de R$ 82.600,00 com dois quartos e mensalidade de R$ 225,00. O projeto mistura 83 casas (de dois e quatro quartos) e 880 apartamentos (de dois e três quartos) , dando um caráter de bairro ao conjunto que, conforme ressalta Augusto Martinez de Almeida, presidente da Mudar, tem infraestrutura completa, com área de lazer, segurança, conforto e segue na linha de atender a nova classe média brasileira, públicoalvo da construtora. O comprador tem o perfil de quem adquire o primeiro imóvel, tem faixa de idade entre 35 e 50 anos e vive em São Gonçalo, Niterói ou Maricá. Piscina de um dos conjuntos habitacionais da Mudar 32 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011 FINANÇAS Subeditora: Priscila Dadona [email protected] Fusões acirram disputa por auditoria de pequena e média empresa Recente movimento de consolidação amplia concentração, mas deixa em aberta a briga para saber qual será a quinta colocada do segmento, atrás apenas das Big Four Luciano Feltrin [email protected] O mercado de auditoria e contabilidade nunca esteve tão agitado. Uma onda de fusões que atingiu de frente Terco e a antiga Trevisan — absorvidas por Ernst & Young e KPMG, duas das quatro maiores do ramo —, ampliou a concentração e acirrou a disputa pela quinta posição no segmento. Não é pouca coisa. Estar logo abaixo das gigantes do setor significa ser a opção natural das pequenas e médias empresas. Pouco auditada no país, essa massa de clientes é cada vez mais desejada. A luta para ser a maior entre as menores tem três candidatas: BDO RCS, Grant Thornton e Baker Tilly Brasil. À frente das operações da BDO após o acordo entre o então parceiro da bandeira no país com a KPMG, Raul Correa da Silva quer aproveitar o bom momento do Brasil e a experiência no atendimento às pequenas e médias para sair na frente. Com a expectativa de fechar 2011 com faturamento de R$ 45 milhões, a nova empresa quer dobrar de tamanho em dois anos. Sabe, porém, que para isso terá de ganhar espaço entre empresas de capital aberto. E pode ir às compras. Uma opção é adquirir uma concorrente de menor porte com um punhado de clientes listados na bolsa em sua carteira. “Estamos abertos à possibilidade de fusões”, diz Correa da Silva. “Desde que do outro lado estejam empresas com valores e culturas similares às do nosso time, pois isso não dificultaria a integração.” Um trunfo que pode beneficiar a empresa na briga pela quinta posição é o fato de a BDO internacional enxergar o país como um mercado estratégico. Quer manter por aqui a mesma colocação que tem no ranking global. Levantamento da empresa mostra que a rede foi a que mais cresceu entre as cinco maiores firmas de auditoria e consultoria internacionais. Um avanço de 5% em receita em 2010, com destaque para uma alta de 60% na China. A nova BDO sai na frente, porém Grant Thornthon e Baker Tilly Brasil dizem estar no páreo para auditar e prestar serviços às empresas de menor porte Volta por cima Recuperar parte do terreno perdido desde que sua parceria local — a Terco — associou-se à Ernst & Young, em agosto, é a principal estratégia da Grant Thornton no Brasil. A empresa, que após o fim da união se juntou à Pryor, especializada em contabilidade e terceirização, não pretende fazer novas parcerias. A aposta do momento é buscar, entre empresas insatisfeitas com a concentração do mercado, novos clientes em auditoria, explica o sócio Laércio Ros Soto Jr. “O plano inicial era fechar o ano com quinze clientes de auditoria entre empresas de capital aberto. Mas o número pode ser superado. Já temos quatro garantidas e outras dez propostas em aberto”, comemora. Para conseguir auditar mais balanços de companhias com ações na bolsa, a Grant Thornton manteve parte da equipe que, ainda sob a bandeira da Terco, participou ativamente de diversas aberturas de capital realizadas antes da crise. A casa segurou executivos que estiveram à frente das ofertas da Amil, Le Lis Blanc e do banco Sofisa. Outro segmento em que pretende atuar com destaque é o de due diligenge, serviço de checagem de dados ao qual é submetida uma empresa que se prepara para ser vendida. Com o mercado doméstico de fusões em alta, a Grant Thornton foi contratada para 25 operações desse tipo desde outubro. Também atenta a esse nicho está a Baker Tilly, bastante requisitada por intermediários de operação de compra e venda de empresas em busca do serviço de avaliação de ativos. Associada à oitava maior rede de auditoria do mundo, a empresa se fundiu no país à pequena Villas Rodil no final do ano. E corre por fora para ficar entre a quinta e sexta posições do ranking. Para dobrar de tamanho até 2012, a Baker busca novas fusões. “Tenho viajado o país todo em busca de parceiros. Pretendo concretizar alguns negócios em breve”, diz seu presidente, Osvaldo Nieto. ■ Barreira de entrada Empresas menores encontram dificuldades para concorrer Tamanho é documento. A expressão parece feita sob medida para empresas de auditoria. Quanto menor, mais reduzidas são as chances de competir por grandes clientes em um segmento cada vez mais concentrado. Escolha de mercado, dizem em coro as Big Four. Pode ser. O fato é que as menores reclamam da existência de uma espécie de cláusula de barreira. Ela é imposta, alegam as firmas de menor porte, principalmente por bancos de investimento que participam de ofertas de ações. “É relativamente comum que empresas menores sejam nossos clientes. Quando começam a crescer e se preparar para abrir o capital, porém, acabam sendo levadas a uma das quatro grandes pelo intermediários da oferta”, lamenta Rubens Gelbcke, à frente da Directa Auditores. Paulo Moreira, da UHY Moreira, diz que limitações também são impostas em editais de licitação de auditoria. “Há bancos menores que impõem cláusulas que restringem a participação de firmas menores. Exigem que já tenham auditado um dos dez maiores bancos”, exemplifica. Agora sob o comando de Raul Correa da Silva, BDO quer se firmar como opção às Big Four Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 33 Murillo Constantino Antônio Cassio preside a Zurich na AL A seguradora Zurich anunciou dois novos presidentes executivos (CEOs). Assumirá o cargo de Seguros Gerais para a América Latina Antônio Cassio dos Santos, sucedendo Peter Rebrin. Antônio Cassio foi presidente da Mapfre Brasil, onde ocupou o cargo desde 2000. Na Zurich, será responsável por impulsionar o crescimento na região. A seguradora designou também o americano Michael Raney para o recém criado posto de presidente executivo de Global Corporate América Latina. AGENDA DO DIA ● Às 8 horas, a FGV divulga o IPC semanal. ● Às 10 horas sai a balança comercial de abril. ● Às 11 h, nos Estados Unidos, o mercado acompanha gastos com construção e o índice de atividade industrial. Marcela Beltrão Resistentes lutam para não encolher Com a consolidação no alto do ranking definida, companhias menores buscam parcerias Não é fácil ser Davi em um cenário dominado com folga por quatro Golias. Gigantes, PwC, Deloitte, Ernst & Young e KPMG dominam o segmento e se alternam para auditar os números das grandes empresas. Se já é intensa a briga para ficar logo abaixo desse grupo de elite, conhecido como Big Four, ainda mais dura tem sido a vida das empresas de auditoria de menor porte. Vendo a disputa pelo quinto e sexto lugares pegar fogo, elas começam a se movimentar para não encolher. Com a concorrência faturando duas ou até três vezes mais, se preparam para manter clientes e buscar fontes alternativas de receita. Essa é uma das estratégias da tradicional Directa, que pretende apostar na terceirização de serviços de contabilidade para não ficar tão dependente das receitas com auditoria pura. A atividade, que em um passado recente, respondeu por 70% dos resultados, hoje gera 60%. O objetivo é inverter a proporção. “Nos próximos cinco anos, nossa ideia é que auditoria gere apenas 30% de nossa receita total”, diz o presidente da empresa, Rubens Gelbcke. Associada à PKF, a Directa busca em uma das especialidades da parceira estrangeira — serviços de consultoria para hotéis — uma boa oportunidade. Com Copa, Olimpíadas e a expectativa de que muitos negócios irão acontecer no setor, as empresas finalizam um acordo. Por ele, a Directa poderá usar a experiência da PFK e prospectar clientes no segmento. Outra empresa que sempre gerou a maior parte de sua receita com auditoria pura — a UHY Moreira —, também vê como irreversível o fato de ter de ampliar o leque de atividades para competir com as grandes empresas. Para acelerar essa estratégia, acaba de fechar um acordo de compra de uma fatia da Etae auditores. Além de reforçar sua presença no mercado paulista, a operação diversifica a atuação da UHY, explica Paulo Moreira, que comanda a empresa. “Com a aquisição, ficamos fortes em várias linhas de negócio, como au- Luiz Gomes Paulo Moreira Fundador da UHY Moreira “Estávamos muito concentrados no mercado de auditoria pura a instituições financeiras e entidades reguladas. O novo negócio nos deixa mais fortes em outras linhas de negócios e divide melhor as receitas” ditoria de segurança de Tecnologia da Informação e auditorias fiscal, tributária e industrial. Estávamos concentradas em auditoria pura para instituições financeiras e setores regulados”. O que foi alinhavado como acordo operacional — as empresas continuam com vida independente por enquanto — tem tudo para se tornar uma fusão em breve. Com ela, a UHY, que espera vencer a licitação para auditar Itaipu binacional nos próximos dias, saltaria da 13ª para 10ª posição entre as empresas brasileiras do setor. Colocação parecida pretende ocupar a Directa, que tem entre suas metas não ser adquirida por um dos Golias do mercado. “É uma questão de orgulho profissional. Sou da resistência”, avisa Gelbcke. ■ L.F. 34 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011 INVESTIMENTOS RENDA FIXA Natalia Flach [email protected] Agenda neutra na semana, mas fique atento ao IPCA e à produção industrial Tanto aqui quanto no exterior, o grande vilão da economia tem sido a alta constante dos preços. É por isso que a divulgação dos dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, na sexta-feira, é tão importante. A projeção do Banco Fator é de que o índice vai superar o teto da meta no acumulado de 12 meses, chegando a 6,52% com variação mensal de 0,78%. “Mesmo que isso não ocorra neste mês, o IPCA deve ficar bem próximo da banda superior e deve, de qualquer forma, ultrapassar esse teto nos próximos meses”, escreve José Francisco de Lima Gonçalves, economistachefe da instituição, em relatório. Sobre a atividade industrial brasileira de março, que será conhecida amanhã, a projeção do Banco Fator é de queda de 1,6%, em comparação com o ano passado, mas de alta de 0,7% em relação a fevereiro. Já André Perfeito, analista da Gradual, estima que a alta do mês será de apenas de 0,2%. “A produção industrial está passando por uma fase de acomodação, bem diferente das vendas de varejo que continuam bastante aceleradas”, afirma o especialista. Ainda no Brasil, outro indicador importante na semana é o IPC-Fipe de abril. Segundo Perfeito, o índice (divulgado amanhã) deve dobrar, passando de 0,35% para 0,70%. “Mas tem gente apostando em 0,80%”, acrescenta o economista. O Banco Fator também espera uma aceleração acentuada de 0,35% para 0,66%. É importante ficar de olho também na temporada de balanços que continua nesta semana. Hoje, são publicados os resultados da ADP, amanhã da Pfizer, Avon e Master- card, e na quinta da Kraft Food,Visa e Sara Lee. Na Europa, as atenções estão voltadas para o nível de atividade na Alemanha e na Zona do Euro (divulgadas hoje e na quartafeira). “Nos países em desenvolvimento, tem ocorrido alguma desaceleração nos PMIs, refletindo um pouco o aperto monetário que tem sido feito pelos países”, aponta Gonçalves. Por isso, é importante ficar de olho também na reunião de política monetária no Reino Unido e na Zona do Euro. “Após ter aumentado em 0,25 ponto percentual a taxa de reunião mais recente, o presidente do Banco Central Europeu , Jean -Claude Trichet, deixou claro que o movimento de elevação de juros não precisaria ser seguido necessariamente por outros aumentos”, diz o economista do Fator. Perfeito, por outro lado, acredita que a questão está em suspense. “A inflação está persistente, mas talvez não haja nova alta e, sim, um tom mais elevado na ata”, indica. Estados Unidos O destaque fica por conta dos dados de emprego de abril, nos EUA. A expectativa do Fator é de arrefecimento na criação de vagas no mercado de trabalho. Perfeito, por sua vez, diz que os economistas americanos têm indicado que os novos postos de trabalho somam 195 mil. Também vale olhar os índices de gerentes de compras (conhecidos por ISM, nos Estados Unidos). Segundo Perfeito, o índice deve ser de 59 pontos, o que indica expansão da economia. “Em relação ao mês passado deve haver leve queda, mas como continua acima de 50 significa otimismo”, afirma. ■ INDICADORES E EVENTOS DA SEMANA SEGUNDA-FEIRA (2/Maio) 5h 8h 8h30 10h 11h 11h 22h | (Europa) — PMI Indústria | (Brasil) — IPC-S | (Brasil) — Relatório Focus | (Brasil) — PMI Indústria | (Brasil) — Balança comercial (mensal) | (EUA) — Gastos com construção e ISM Indústria | (China ) — PMI não-Industrial 6h | (Europa) — Vendas no varejo 8h | (Brasil) — Sondagem de serviço 9h | (Brasil) — Produção industrial 9h15 | (EUA) — Criação de empregos do setor privado 11h | (EUA) — ISM composto 11h30 | (EUA) — Estoque de petróleo 12h30 | (Brasil) — Fluxo cambial semanal Fundo Data BB RENDA FIXA LP 50 MIL FICFI ITAU PERS MAXIME RF FICFI BB R FIXA LP PLUS ESTILO FIC FI CAIXA FIC EXEC RF LONGO PRAZO CAIXA FIC IDEAL RF LONGO PRAZO BB RENDA FIXA 5 MIL FIC FI BB RENDA FIXA 200 FIC FI BB RENDA FIXA 50 FIC FI ITAU PREMIO RENDA FIXA FICFI BB RENDA FIXA LP 100 FICFI 28/ABR 29/ABR 28/ABR 28/ABR 28/ABR 29/ABR 29/ABR 29/ABR 29/ABR 28/ABR Rent. (%) 12 meses No ano 10,00 10,00 9,99 9,57 8,98 8,77 7,58 7,10 6,65 6,50 Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) 3,25 3,35 3,25 3,13 2,95 2,94 2,59 2,43 2,32 2,22 1,00 1,00 1,00 1,10 1,50 2,00 3,00 3,50 4,00 4,00 50.000 80.000 50.000 30.000 5.000 5.000 200 50 300 100 DI Fundo Data BB REF DI LP PREM ESTILO FIC FI BB REF DI PLUS ESTILO FIC FI ITAU PERS MAXIME REF DI FICFI BB REF DI 5 MIL FIC FI BB NC REF DI LP PRINCIPAL FIC FI BB REFERENCIADO DI 200 FIC FI HSBC FIC REF DI LP POUPMAIS ITAU PREMIO REF DI FICFI BRADESCO FIC DE FI REF DI HIPER SANT FIC FI CLAS REF DI 28/ABR 29/ABR 29/ABR 29/ABR 28/ABR 29/ABR 29/ABR 29/ABR 29/ABR 29/ABR Rent. (%) 12 meses No ano 10,18 9,78 9,77 8,13 7,87 7,54 7,53 6,47 6,08 5,70 Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) 3,32 3,24 3,25 2,74 2,63 2,56 2,59 2,25 2,12 1,97 0,70 1,00 1,00 2,50 2,47 3,00 3,00 4,00 4,50 5,00 100.000 50.000 80.000 5.000 100 200 30 1.000 100 100 AÇÕES Fundo Data BB ACOES VALE DO RIO DOCE FI CAIXA FMP FGTS VALE I ITAU ACOES FI BRADESCO FIC DE FIA BRADESCO FIC DE FIA MAXI BRADESCO FIC DE FIA IV UNIBANCO BLUE FI ACOES SANTANDER FIC FI ONIX ACOES ALFA FIC DE FI EM ACOES BB ACOES PETROBRAS FIA 28/ABR 28/ABR 28/ABR 28/ABR 28/ABR 28/ABR 28/ABR 28/ABR 28/ABR 28/ABR Rent. (%) 12 meses No ano (1,55) (1,98) (3,69) (4,07) (4,28) (4,36) (5,45) (5,87) (9,48) (19,98) Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) (5,53) (5,89) (5,45) (5,94) (6,04) (6,06) (7,48) (6,92) (8,27) (6,21) 2,00 1,90 4,00 4,00 4,00 ND 5,00 2,50 8,50 2,00 200 1.000 200 100 200 MULTIMERCADOS Fundo Data ITAU EQUITY HEDGE ADV MULT FI ITAU EQUITY HEDGE MULTIM FI CAPITAL PERF FIX IB MULT FIC BB MULTIM TRADE LP ESTILO FICFI ITAU PERS K2 MULTIM FICFI ITAU PERS MULTIE MULT FICFI SANT FIC FI ESTRAT MULTIM SANT CAP PROTEGIDO 3 FI MULT ITAU PERS MULT ARROJADO FICFI SANT FICFI CAP PROT VG 6 BR MULT 28/ABR 28/ABR 28/ABR 28/ABR 28/ABR 28/ABR 28/ABR 28/ABR 28/ABR 28/ABR Rent. (%) 12 meses No ano 14,14 11,77 10,04 9,99 9,78 9,72 7,79 6,96 6,01 1,02 Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) 4,09 3,41 3,24 3,19 3,08 3,14 2,24 2,28 1,39 (3,09) 2,00 2,00 1,50 1,50 1,50 1,25 2,00 2,30 2,00 2,50 10.000 5.000 20.000 50.000 5.000 10.000 5.000 5.000 5.000 *Taxa de performance. Ranking por número de cotistas. Fonte: Anbima. Elaboração: Brasil Econômico QUINTA-FEIRA (5) TERÇA-FEIRA (3) 5h30 6h 7h 8h 9h 11h 18h | (Inglaterra) — PMI Indústria | (Europa) — Preços ao produtor | (Brasil) — IPC-FIPE | (Brasil) — Sondagem de serviços | (Brasil) — Produção industrial | (EUA) — Pedidos à indústria | (EUA) — Venda de veículos 5h30 | (Inglaterra) — PMI serviços 7h | (Alemanha) — Pedidos à Indústria 7h | (Inglaterra) — Taxa de juros 8h45 | (Europa) — Taxa de juros 9h30 | (EUA) — Custos do trabalho e auxílio desemprego 10h30 | (EUA) — Discurso do Bernanke 10h30 | (Brasil) — Venda e produção de veículos IBOVESPA (EM PONTOS) 66.400 66.100 65.800 SEXTA-FEIRA (6) QUARTA-FEIRA (4) 3h | (Inglaterra) — Preço dos imóveis 5h | (Europa ) — PMI serviços e composto 5h30 | (Inglaterra) — PMI construção e crédito ao consumidor 7h 9h 16h Fontes: Gradual Investimentos, Máxima Asset Management e Concórdia | (Alemanha) — Produção industrial | (EUA) — Taxa de desemprego e relatório de emprego (payroll) | (EUA) — Crédito ao consumidor | (Inglaterra) — Registro de carros novos Máxima Mínima Fechamento 65.500 66.293,78 65.460,92 66.132,86 65.200 11h Fonte: BM&FBovespa 12h 13h 14h 15h 16h 17h 18h Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 35 BOLSA Sobe e desce na semana 8,05% foi a valorização da ação ordinária da Redecard (RDCD3), maior alta da semana na carteira do Ibovespa. Na lanterninha, o papel da Usiminas (USIM3) perdeu 10,73% no período. HOME BROKER NA REDE Embraer ON, fechamento em R$ 14,50 14,14 2,1000003 14,00 13,79 5000003 “Mercado ainda como surdo em bingo, ou será cego em tiroteio? Acho que ambos...” 13,43 ,9000002 13,07 ,3000002 13,00 12,71 9,7000001 001 12,36 9,1000001 001 12,00 500000 12,30 7/JAN 1/FEV 1/MAR 1/ABR 29/ABR @FernandoGoes1, analista gráfico da Link Trade “Nunca temos todas as informações necessárias para tomar as decisões corretas. Nisso reside o risco do mercado!” Fontes: Erich Beletti, Economatica, BM&FBovespa e Brasil Econômico @Investimetria, blog homônimo Primeiro objetivo Suporte Segundo objetivo EMBR3 Papel da Embraer pode romper resistência Depois de patinarem desde a segunda quinzena de abril, as ações da Embraer dão sinais de que podem romper a resistência (ponto que, se superado, indica a possibilidade de continuidade do movimento de alta) de R$ 12,75. Na última sexta-feira, os papéis chegaram a ser negociados a R$ 12,50, mas acabaram fechando o pregão cotados a R$ 12,36, influenciados pelo mau humor do mercado. Um dos indicativos dessa valorização, segundo Erich Beletti, sócio da Conexão BR, foi exatamente o comportamento das ações na semana passada, que se mantiveram no patamar de R$ 12,30, mesmo com a queda de 1,38% da bolsa. “No primeiro trimestre, os papéis foram negociados a R$ 14”, lembra o especialista. É por isso que Beletti diz que o primeiro objetivo das ações é chegar a R$ 13 e o segundo, R$ 14. Ou seja, esse movimento de alta é uma retomada. Antes da crise econômica, os papéis chegaram a valer R$ 20 e a máxima histórica de R$ 22,60 foi obtida em junho de 2007. “São papéis que merecem atenção, e atraem, inclusive, o interesse de players estrangeiros”, afirma. No entanto, se os papéis despencarem para um patamar abaixo de R$ 12,30, o conselho se inverte: “venda”, aponta o especialista. “O fato do Dow Jones estar forte não altera o quadro aqui no Brasil. Ficamos anos mais forte e agora estamos mais fracos. Portanto, a decisão deve ser baseada no que acontece com seu dinheiro no momento e na preservação de capital, e não em adivinhação de futuro” @PredaBastter, Ricardo Hissa, autor de Verdades e lendas sobre opções “Enriquecer é um processo que depende mais de sua atitude ao fazer escolhas do que das escolhas propriamente ditas” @gcerbasi, consultor financeiro Gustavo Cerbasi Fundos Indústria de fundos brasileira é a sexta que mais cresceu no mundo no ano passado A indústria de fundos brasileira foi a sexta que mais cresceu no mundo em 2010, segundo relatório da International Investment Funds Association (IIFA). O aumento de 25% do patrimônio líquido (PL) coloca o Brasil na sexta posição como maior indústria de fundos no ranking mundial. Pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) com base nos dados do IIFA mostra que, com o desempenho de 2010, o PL da indústria brasileira passou a representar 4% do PL global, frente aos 3,4% de 2009. A indústria de fundos no mundo fechou 2010 com PL de US$ 25 trilhões, enquanto o brasileiro foi de US$ 980 bilhões. Desde 2005, o país cresceu 224% (em dólares), e o crescimento da indústria global foi de 7,6% ante 2009. “Em 2011, já batemos US$ 1 trilhão em PL e a tendência é de continuidade do crescimento”, diz Eduardo Penido, membro dos Comitês de Fundos de Ações e Multimercados. AÇÕES PALESTRAS OFERTA AUMENTO DE CAPITAL Nova carteira do Ibovespa, novamente com 69 ações, começa a vigorar a partir de hoje Aulas para iniciantes e interessados em análise técnica em SP BR Malls fará distribuiçãoestimada em R$ 598,4 mihões Acionista de B2W tem até 6 de maio para subscrição de sobras A corretora Um Investimentos promove, nesta semana, duas palestras gratuitas em São Paulo. Amanhã, será ministrada uma aula sob o título “Invista no mercado financeiro sem medo”, voltada a investidores iniciantes. Na quarta-feira, é dia de “Análise técnica na prática”, direcionada a quem deseja conhecer o tema e aprender a utilizar gráficos para determinar pontos de compra e venda de ações. O palestrante será Antonio Montiel. Inscrições pelo e-mail [email protected]. A BR Malls protocolou na CVM pedido de registro de oferta global de ações ordinárias, com distribuição primária estimada em R$ 598,4 milhões. O aumento de capital se dará dentro do limite de capital autorizado no Estatuto Social, sem prioridade aos atuais acionistas. As ações serão ofertadas no Brasil e nos Estados Unidos — neste caso para investidores qualificados e na forma de Global Depositary Shares (GDS), cada GDS representando duas ações. Acionistas da B2W que aderiram à subscrição de ações para aumento de capital têm entre 2 e 6 de maio para aderir ao rateio das sobras da subscrição. Aos sobras terão preço de R$ 21,62 por ação ordinária, na proporção de 0,1084 ação por ação já subscrita. No total, foram subscritas 41.729.862 ações, ao preço de emissão de R$ 21,62 por ação, totalizando R$ 902,2 milhões. As sobras são de 4.523.608 ações, que serão rateadas. Começa a valer hoje a nova carteira teórica do Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro. A nova composição, que vai vigorar até 31 de agosto, não apresenta novos papéis, nem registra a saída de nenhum. O índice segue contendo 69 ações, emitidas por 63 companhias, das quais 31 estão listadas no segmento Novo Mercado (de mais alto grau de governança corporativa). O que mudou foi o peso de cada papel no todo. As cinco ações com maior representatividade no índice agora são Vale PNA (10,4%), Petrobras PN (10,2%), OGX ON (4,9%), Itaú Unibanco PN (4,1%) e BM&FBovespa ON (3,7%). Na carteira vigente até sexta, os principais papéis eram os mesmos, no entanto, com pesos diferentes. Também começam a vigorar as novas composições de outros índices calculados pela BM&FBovespa. O que recebeu mais papéis novos foi o Índice Small Caps, no qual entraram 24 ações (e saíram outras seis). O Índice de Governança Corporativa Trade recebeu 19 novas ações e não perdeu nenhuma. 36 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011 INVESTIMENTOS Augusto Vanazzin Economista do Modal Fim do programa de compra de ativos dos Estados Unidos Desde meados de 2007, quando começaram a transparecer os problemas no mercado hipotecário e a economia começou a dar sinais de fraqueza, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) iniciou grande ciclo de afrouxamento monetário e de mitigação dos riscos privados. O que temos visto, desde então, foi um amplo processo de redução da taxa de juros que, atualmente, está próxima a zero, além da implementação de diversos programas de compras de ativos públicos e privados. Diversos membros do Fed reconheceram os efeitos benéficos de tais medidas sobre a economia, por meoi da redução da queda do nível de atividade e da minimização dos riscos deflacionários. De fato, um trabalho do Fed de São Francisco (Estimating the Macroeconomic Effects of the Fed’s Asset Purchases, de janeiro) estima que os programas impediram que a taxa de desemprego atual estivesse 1,1 ponto percentual mais elevada e que o núcleo da inflação fosse 0,9 p.p. mais baixo. “ Diante da elevada injeção de liquidez, o dólar se depreciou contra a maior parte das moedas e a redução da taxa de juros real, ensejada pela elevação das expectativas de inflação e pela redução das taxas pagas pelos títulos do Tesouro, ampliou os incentivos à tomada de riscos, elevando a cotação das ações e das commodities BOLSAS INTERNACIONAIS (COMPORTAMENTO NA SEMANA) (EM MIL PONTOS) DOW JONES 13,00 12,85 12,70 12,55 12,40 23/AGO 29/ABR 23/AGO 29/ABR 23/AGO 29/ABR 23/AGO 29/ABR 23/AGO 29/ABR S&P 500 1,370 1,362 1,354 1,346 1,338 1,330 NASDAQ 2,880 A execução do programa não tende a ter efeitos significativos sobre os preços dos ativos 2,868 2,856 Além dos efeitos econômicos extremamente positivos, as medidas tiveram impactos significativos sobre as mais diversas classes de ativos. Diante da elevada injeção de liquidez, o dólar se depreciou contra a maior parte das moedas e a redução da taxa de juros real, ensejada pela elevação das expectativas de inflação e pela redução das taxas pagas pelos títulos do Tesouro, ampliou os incentivos à tomada de riscos, elevando a cotação das ações e das commodities. Em seus comunicados oficiais recentes, o Fed tem deixado claro que não tem intenção de prorrogar o programa de compras de títulos, o qual tem término previsto para junho. Se tal decisão for adotada, qual será o impacto sobre o preço dos ativos? Estamos diante de um ponto de inflexão, onde o dólar voltará a se valorizar com concomitante queda dos ativos de risco? É bom ressaltar que a não extensão do programa não implica que o Fed reverterá os estímulos monetários e o atual nível de liquidez. A política monetária apenas não se tornará ainda mais frouxa. Além disso, D’Amico e King (Flow and Stock Effects of Large-Scale Treasury Purchases, setembro de 2010) mostram que o impacto da compra de ativos ocorrem, majoritariamente, no ato da divulgação do programa. Ou seja, o mercado antecipa as compras e já embute tal informação no preço, de modo que a execução do programa não tende a ter efeitos significativos sobre os preços dos ativos. Em suma, dado que o Fed tem revelado suas intenções para o mercado, os agentes já incorporaram o fato de que os estímulos monetários não serão revertidos. Como o “efeito anúncio” tende a ser dominante, a simples comunicação do fim do programa de compras de ativos por parte do Fed não deve produzir impacto relevante sobre os preços dos ativos. O tímido movimento deve repetir o ocorrido no ano passado, quando o BC americano deu fim ao seu primeiro programa de compra de ativos e o efeito sobre os preços dos ativos foi bastante limitado. ■ 2,844 2,832 2,820 DAX 7,550 7,475 7,400 7,325 7,250 FTSE-100 6,0800 6,0625 6,0450 6,0275 6,0100 Fonte: Rosenberg Consultores Associados (www.rosenberg.com.br) Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 37 POUPANÇA Rendimento 0,51% este é o rendimento das cadernetas com aniversário hoje. Até o dia 20 de abril, a captação líquida (resgates menos depósitos) ficou negativa em R$ 2,2 bilhões. O saldo no período somou R$ 384,4 bilhões. MOEDAS (COTAÇÕES DE FECHAMENTO) DÓLAR (R$/US$) EURO (US$/€) 1,590 1,490 JURO FUTURO (CDI em % ao ano) COMMODITIES METÁLICAS (Índices - Base: 20/ABR=100) 28/MAR 102,0 13,33 1,474 1,575 US$ R$ 28/ABR 101,22 1,458 12,66 1,560 100,4 ,4 1,442 99,66 11,99 1,545 1,426 1,530 98,88 1,410 14/ABR 20/ABR 11,22 14/ABR 20/ABR 98,00 20/ABR 21/ABR 22/ABR 25/ABR 26/ABR 30d 60d 90d 120d 150d 180d 210d 240d 270d 300d 330d 360d 720d 840d 960d 1800d 3600d Fonte: Rosenberg Consultores Associados (www.rosenberg.com.br) Fonte: FSP. Elaboração: Rosenberg & Associados Balanço da indústria brasileira de fundos RENTABILIDADE ACUMULADA FUNDOS DE INVESTIMENTOS (em %) Tipos AÇÕES IBOVESPA Ativo Dividendos IBrX Ativo Livre Sustent/Governança RENDA FIXA Curto Prazo Referenciado DI Renda Fixa Renda Fixa Índices MULTIMERCADOS Macro Multiestrategia Juros e Moedas Semana Mês Ano 12 Meses 1,53 1,49 1,46 1,29 1,64 -0,48 0,52 -1,96 -0,01 -0,29 -1,48 2,65 -2,19 0,33 -0,65 -0,21 12,23 0,06 10,8 6,86 0,22 0,22 0,22 -0,06 0,7 0,71 0,76 0,41 3,34 3,42 3,75 2,64 10,55 10,79 12,21 4,55 0,01 0,15 0,26 0,01 -0,19 0,92 2,47 2,64 3,74 10,71 11,73 11,7 (EM R$ BILHÕES) APLICAÇÕES RESGATES CAPTAÇÃO LÍQUIDA 2.300 2.150 136 2.245 2.095 130 2.190 2.040 124 2.135 1.985 118 2.080 1.930 NOV/10 RENTABILIDADE HISTÓRICA ABR/11 NOV/10 ABR/11 CAPTAÇÃO LÍQUIDA HISTÓRICA (em R$ milhões) ÍNDICES CDI Ibovespa IBrX Dólar 2007 12,38 -41,22 -41,77 31,94 DISTRIBUIÇÃO POR CATEGORIA (Patrimônio líquido) Demais 10,55% Renda fixa 29,19% Previdência 11,02% Ações 10,51% Referenciado DI 12,15% 112 NOV/10 Fonte: Anbima (www.comoinvestir.com.br) (em %) Curto prazo 4,20% ABR/11 Multimercados 22,40% Fonte: Anbima (www.comoinvestir.com.br) 2008 9,88 82,66 72,84 -25,49 2009 9,75 1,04 2,62 -4,31 2010 3,37 -3,12 -1,55 -6,05 TRIMESTRE 1 2 3 4 2007 30.883,14 -17.892,58 -36.409,83 -32.489,28 2008 9.455,78 17.529,98 52.028,15 12.965,28 2009 29.752,15 27.741,03 37.715,60 22.514,67 2010 47.906,97 15.142,51 0,00 0,00 CAPTAÇÃO POR CATEGORIA (em R$ milhões) Categorias CURTO PRAZO REFERENCIADO DI RENDA FIXA MULTIMERCADOS CAMBIAL DÍVIDA EXTERNA AÇÕES PREVIDÊNCIA EXCLUSIVO FECHADO FIDC IMOBILIÁRIO PARTICIPAÇÕES OFF-SHORE TOTAL GERAL PL 75.326,62 218.055,28 524.047,20 402.098,52 807,30 491,30 188.706,32 197.762,97 2.239,33 63.445,69 3.206,86 65.255,77 53.894,52 1.795.337,68 Aplicações Semana Resgates Captação líquida Aplicações No Ano Resgates Captação líquida 12.060,01 9.207,81 16.544,62 3.939,26 6,67 0,00 664,25 1.233,34 0,00 1.722,07 NB 55,64 NB 45.433,67 12.593,61 9.290,21 14.316,84 5.642,44 12,85 0,04 528,37 751,76 0,00 2.875,85 NB 5,95 NB 46.017,92 -533,60 -82,40 2.227,78 -1.703,18 -6,18 -0,04 135,88 481,57 0,00 -1.153,78 NB 49,69 NB -584,25 182.352,75 138.103,74 234.794,27 112.608,37 139,37 32,39 13.521,71 20.952,19 802,08 44.683,96 0,00 1.330,47 0,00 749.321,31 167.244,81 134.439,71 187.997,91 126.777,51 153,35 1,20 15.770,97 12.537,72 0,00 41.109,01 0,00 239,64 0,00 686.271,83 15.107,94 3.664,03 46.796,37 -14.169,14 -13,98 31,19 -2.249,26 8.414,47 802,08 3.574,95 0,00 1.090,83 0,00 63.049,48 38 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011 MUNDO Editora: Elaine Cotta [email protected] Subeditora: Ivone Portes [email protected] “A África do Sul no Bric não faz o menor sentido” Para criador da sigla, Jim O’Neil, país está muito aquém dos demais membros. Inclusão do México ou Indonésia seria melhor Carolina Alves Divulgação [email protected] Sem incluir o “S” em suas menções ao Brics, o criador da sigla e presidente do banco Goldman Sacks, Jim O’Neil, já expressa sinais de desaprovação ao ingresso da África do Sul no acrônimo de Brasil, Rússia, Índia e China, mercados emergentes em rápida ascensão. O “S” representa hoje South Africa, nome em inglês da maior economia do continente africano. “Da perspectiva econômica, a inclusão da África do Sul não faz o menor sentido, pois o país está muito aquém dos membros do Bric(s). Dessa forma, o país não acrescenta nada ao grupo. Pelo contrário, o diminui”, disse O’Neil ao BRASIL ECONÔMICO. Segundo o Banco Mundial, o Produto Interno Bruto (PIB) sulafricano beira US$ 350 bilhões, seis vezes menor que o brasileiro, que somou US$ 2,1 trilhões em 2010, por exemplo. Rússia e a Índia juntas somam um PIB de US$ 1,7 trilhão, cinco vezes maior que o da África do Sul, e a China, o maior de todos, tem PIB de US$ 5,8786 trilhões. “Há outras economias que justificariam uma inclusão no Bric(s), como Indonésia, Coreia, México e Turquia. Isoladamente, elas são duas ou três vezes maiores que a África do Sul”, defende O’Neil. O convite para o ingresso da África do Sul veio da China no final do ano passado. Sem objeções, os demais membros do Brics acolheram oficialmente a África do Sul em dezembro passado. O Ministério das Relações Exteriores brasileiro chegou a divulgar nota de boas vindas ao país africano no último dia de 2010. “O novo membro trará importante contribuição ao grupo em razão de sua relevância econômica e de sua construtiva atuação política”, dizia. Para O’Neil, contudo, a África do Sul não traz contribuições relevantes para os demais membros. “Se eu forçar muito a ima- Yusuf Omar cônsul da África do Sul no Brasil “A África do Sul e os demais membros do Brics têm muito em comum e há diversas maneiras de nos beneficiarmos com essa nova parceria. Nosso ingresso no grupo não deveria ser surpresa para ninguém” ginação, acredito que essa oferta abra caminho para as commodities sul-africanas e, relativamente, pode contribuir para fomentar o setor financeiro dos demais países membros do grupo”, afirma o economista. Além da matemática Já para o cônsul da África do Sul no Brasil, Yusuf Omar, o ingresso no Brics tem muito a contribuir. “Todos podemos nos beneficiar com projetos em agricultura, pesquisa e desenvolvimento e serviços. Há milhões de possibilidades”, rebate. Ele destaca o seguimento de ciência e tecnologia sul-africano como um ponto forte do país. “Há muitas áreas em que o Brasil pode se beneficiar, mas se eu tivesse de escolher uma, seria inovação. Não é à toa que, das 100 maiores multinacionais, 60% possuem escritório na África”, explica. Em relação às facilidades para fechar negócios, no ranking Doing Business do Banco Mundial, a África do Sul está em posições bem mais elevadas que qualquer outro país do Brics. Ela ocupa o 34º lugar, enquanto o Brasil está em 127º, e a China, melhor colocada, é o 79º lugar. Segundo Omar, as críticas de oposição ao ingresso do país no Brics reflete a falta de conhecimento da demanda potencial da região. “É um problema de percepção. Temos sempre de lembrar ao mundo que não estamos falando de um único país, mas de um continente inteiro. A África do Sul é acesso para mais 50 outras nações”. Embora o Brics seja apenas uma sigla e seus países membros não atuem como bloco político e econômico, Omar destaca a relevância que o grupo possui na tomada de decisão de outros grupos, como o G20. “Olhando na perspectiva Sul-Sul (relação entre emergentes), daqui a 10 anos poderemos ser Bricsax — uma sigla enorme”, brinca. “O importante é nos unirmos para fortalecer parcerias bilaterais”, diz. ■ A LETRA "S" Economia da África do Sul caminha para o equilíbrio após 17 anos de democracia 2007 2008 2009 2010 EXPANSÃO DO PIB, EM % 5,6% 3,6% -1,7% 2,8% INFLAÇÃO, EM % 6,1% 9,9% 7,1% 4,3% TAXA DE INVESTIMENTO, % DO PIB 20,1% 23,1% 22,2% 19,6% CRESCIMENTO DO CRÉDITO, EM % 21,7% 18,3% 1,8% 4,2% RESERVAS INTERNACIONAIS, EM US$ BILHÕES 31,3 33,4 38,9 43,3 Fonte: South African Reserve Bank Segunda-feira, 2 de maio, 2011 Brasil Econômico 39 Donald Chan/Reuters Crescimento industrial chinês reduz ritmo No mês de abril, os esforços do governo da China para combater a inflação pesaram mais que o previsto e o índice oficial de compras caiu de 53,4 em março para 52,9 em abril, total menor do que as previsões de mercado, que eram de um aumento para 54,0. Em contrapartida, o índice indicou que as medidas governamentais alcançaram seus objetivos, ao menos parcialmente. Um sub-índice que mede os preços dos insumos caiu de 68,3 em março para 66,2 em abril, o nível mais baixo em sete meses. Henrique Manreza Jim O’Neil acredita que a inclusão não agrega valor ao BRICS TRÊS PERGUNTAS A... Arquivo pessoal ...JOSÉ AUGUSTO DE CASTRO Vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (Aeb) Com ou sem “S”, grupo ainda não explora sinergias Para o especialista, grupo desperdiça oportunidades de negócios, visto que não desenvolve alianças politicas nem econômicas por meio de acordos bilaterais. Castro reforça, ainda, que sem a China, “locomotiva do mundo”, a acrônimo não existira. O ingresso da África do Sul, portanto, não deve alterar os rumos do Brics nesse cenário. Como o ingresso da África do Sul pode contribuir para fortalecer o Brics? Na verdade, com ou sem o “S” (África do Sul), a sinergia entre os membros do Brics não tem sido bem explorada. Os membros não se reúnem como grupo para firmar acordos bilaterais, que envolvem redução de tarifas de importação. Sem a China, o maior comprador mundial e segunda economia do planeta, o Brics nem existiria nem como “status” para atrair investimentos. A Rússia está na sigla pelo petróleo, a Índia pelos serviços e o Brasil pelas commodities. No grupo, é cada um por si. O novo membro não agregará mudanças no modo como o Brics atua hoje. Qual é a vantagem de ter a África do Sul como membro? EQUILÍBRIO NA BALANÇA “Bloco” pode se tornar plataforma para agregar valor ao comércio bilateral com o Brasil Embora a corrente de comércio com a África do Sul tenha crescido 25% nos últimos dois anos, o Brasil importa apenas metade de todo o volume que exporta para o novo parceiro de Brics. Além disso, as transações são compostas por produtos de baixo valor agregado, como itens agrícolas e minérios. “Houve uma grande evolução nas nossas relações comerciais nos últimos anos, mas precisamos torná-las mais igualitárias. Hoje, a balança está mais favorável para o Brasil”, analisa o cônsul sul-africano Yusuf Omar. Ao citar quantas empresas brasileiras investem na África do Sul, Omar destaca novamente um desequilíbrio. “Há apenas três ou quatro companhias instaladas no país. Mas há cerca de 15 empresas sul-africanas no Brasil”, reforça. A adesão da África do Sul ao Brics pode contribuir para estreitar a parceria e agregar valor ao comércio bilateral. “Se imitarmos o que acontece hoje com o Ibsa (grupo formado por Índia, Brasil e África do Sul), podemos avançar muito. Claro que dentro do bloco algumas parcerias aceleram mais que as outras”, diz. Segundo Omar, Índia e África do Sul negociam acordos, fomentados pelo Ibsa, de mais de US$ 10 bilhões. “O mesmo pode acontecer com o Brasil e com a África do Sul”, projeta. “Tivemos três eleições desde 1994 e nenhuma gota de sangue derramada. Emergimos rápido da recessão assim como o Brasil. A Inflação caiu de dois dígitos para menos de 5% em pouco tempo. A África do Sul é muito atraente para investimentos”, completa. A África do Sul pode representar o ingresso em todo um continente. Não podemos esquecer que a economia do país é bem menor que a dos demais membros do Brics. A parceria pode gerar uma aproximação, portanto, com mercados maiores. O Brasil jamais negaria o ingresso da África. Embora não tenhamos uma cultura de acordos bilaterais, a África pode ser uma boa fornecedora de serviços, além de commodities par ao país. O Brasil tem acordos bilaterais dentro do Brics? Nenhum. Alíás, o Brasil só tem dois acordos bilaterais vigentes, um com Israel e outro com o Egito. No fundo, são acordos meramente simbólicos, então, na prática, não temos nada. 40 Brasil Econômico Segunda-feira, 2 de maio, 2011 BRASIL ECONÔMICO é uma publicação da Empresa Jornalística Econômico S.A, com sede à Avenida das Nações Unidas, 11.633, 8º andar - CEP 04578-901 - Brooklin - São Paulo (SP) - Fone (11) 3320-2000 Central de atendimento e venda de assinaturas: São Paulo e demais localidades 0800 021 0118 Rio de Janeiro (Capital) (21) 3878-9100 - [email protected] É proibida a reprodução total ou parcial sem prévia autorização da Empresa Jornalística Econômico S.A. ÚLTIMA HORA Dilma está com pneumonia leve Marcello Casal/ABr Costábile Nicoletta [email protected] Diretor Adjunto Gripada desde que voltou da China no último dia 17, a presidente Dilma Rousseff decidiu antecipar para ontem, em São Paulo, uma bateria de exames no Hospital Sírio-Libanês que aconteceria na quarta-feira. Os médicos constataram um quadro leve de pneumonia e receitaram antibióticos. A assessoria do Palácio do Planalto não informou se a agenda de hoje será alterada. A presidente tem dois compromissos oficiais: reunião com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, às 11h, e com o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt, às 15h. Na última sexta-feira, a assessoria da Presidência já havia confirmado que, devido à gripe, Dilma não participaria das comemorações do Dia do Trabalhador organizadas pela Força Sindical e pela CUT(Central Única dos Trabalhadores). Na sexta-feira, a presidente era esperada no Fórum Econômico Mundial para América Latina, no Rio de Janeiro, mas também não compareceu. Na segunda-feira passada (25), a presidente tomou a vacina contra a gripe no Palácio do Planalto para estimular as pessoas a aderirem à Campanha Nacional de Vacinação. Cerca de 6,4 milhões de pessoas foram vacinadas no sábado (30) contra a gripe em todo o país, segundo informe divulgado pelo Ministério da Saúde. ■ Pedro Venceslau Autoridades da ONU se retiram da Líbia Str/EFE As autoridades internacionais da Organização das Nações Unidas (ONU) que estavam trabalhando em Trípoli, capital da Líbia, decidiram ontem deixar o país. “Aparentemente, houve uma revolta em Trípoli e eles decidiram deixar a cidade”, disse ontem a porta-voz da ONU para assuntos humanitários, Stephanie Bunker. As embaixadas britânica e italiana em Trípoli foram atacadas e incendiadas ontem por manifestantes, horas depois de um ataque aéreo da aliança militar Otan matar um filho e três netos do ditador Muamar Kadafi. A GrãBretanha decidiu expulsar o embaixador líbio em Londres, Omar Jelban. O bombardeio da Otan atingiu a casa do filho de Kadafi, Saif al-Arab, na madrugada de sábado para domingo. O ditador e sua esposa estavam no local mas, segundo o governo líbio, saíram ilesos do ataque. “O que temos agora é a lei da selva”, afirmou o porta-voz de Kadafi, Mussa Ibrahim. “Cremos que agora está claro para todos que o que está acontecendo na Líbia não tem nada a ver com a proteção a civis”, acrescentou. A Otan negou ter realizado ataques contra Kadafi e sua família, mas afirmou que havia lançado a ofensiva contra alvos militares na mesma zona de Trípoli. Os funerais dos familiares de Kadafi serão realizados hoje na capital. Ao mesmo tempo, as forças leais ao ditador tentam avançar para Zintan, uma cidade controlada pelos rebeldes, e bombardeiam com foguetes a região. Também haveria conflitos na área de outra cidade, al-Rayayana. Reuters/Divulgação Exportar ainda é o que importa? O Brasil é um grande exportador de matérias-primas. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, dos quase US$ 202 bilhões de mercadorias embarcadas no ano passado para outros países, 44,6% constituíram-se de itens básicos (como minérios) e 14% foram semimanufaturados (como celulose). Esse perfil propiciou à economia brasileira passar quase que incólume pelas últimas crises financeiras mundiais. Por menos charmosos que sejam esses insumos, eles são praticamente gêneros de primeira necessidade não só para mercados como o chinês — para onde foram 15,3% de nossas exportações em 2010, tornando o país asiático nosso maior parceiro comercial —, mas para qualquer país desenvolvido e em desenvolvimento. Ser um grande exportador de matérias-primas tem sido motivo de críticas de toda ordem: em artigos de jornais, em comentários de “especialistas” no rádio e na televisão, em pleitos de lobbies no governo, nas teses de doutorado econômico, nas salas de café de entidades empresariais, etc. “O Brasil precisa exportar produtos de maior valor agregado” é uma cantilena que se ouve desde que os militares instituíram o slogan “Exportar é o que importa”, na década de 1970. Vale continua de interesse nacional, tanto que o Estado manteve poder de veto em algumas decisões da companhia Síria Na Síria, autoridades têm executado uma série de detenções na cidade de Deraa, em sua mais nova tentativa de reprimir protestos contra o governo do presidente Bashar al-Assad, afirmaram ontem moradores do local. Eles disseram ter visto uma série de ônibus cheios de homens algemados e encapuzados sendo levados na direção de um grande centro de detenção na cidade, que é controlada por serviços de segurança. Assad enviou tropas apoiadas por dezenas de tanques a Deraa em 25 de abril a fim de acalmar as revoltas contra seu governo que já dura 11 anos. ■ Reuters e AFP Encontrada caixa-preta de acidente da Air France Uma das duas caixas-pretas do voo 447 da Air France que caiu na costa brasileira em 2009 foi encontrada no mar após buscas em águas profundas, informaram os investigadores do caso ontem, reavivando esperanças de que se possa finalmente explicar o que teria causado o acidente. Os investigadores franceses disseram num comunicado que a caixa-preta, com gravações de dados do voo, tinha sido levada para um barco de buscas. Funcinários do órgão francês BEA (Le Bureau d’Enquêtes et d’Analyses) disseram que era muito cedo para dizer se a caixa-preta, que guarda dados dos instrumentos do avião mas não das vozes dos pilotos, poderia trazer informações sobre a causa do acidente. ■ Reuters Se for verdade que a intromissão do governo federal na mudança de comando da Vale decorreu de conflitos de interesse entre o que a presidente Dilma Rousseff esperava da mineradora e o que Roger Agnelli, o ex-chefão da empresa, pretendia, é de esperar que os críticos do modelo exportador brasileiro revejam sua posição. Um dos objetivos de Dilma e de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, era fazer com que a Vale investisse, por exemplo, em siderurgia para, em vez de minério, vender aço, um produto de maior valor agregado que o ferro em estado bruto, embora ainda um semimanufaturado. Ao que parecesse, não era esse o intuito de Agnelli. A troca de presidente na Vale transformou-se num ato de comoção nacional, mas poderia servir para uma discussão diferente. Compensa ganhar os tubos quando a cotação das commodities está nas alturas e ficar sujeito a perder esse mercado no futuro para sucedâneos? O que é mais importante para o Brasil, exportar minério de ferro, aço, automóveis? O etanol surgiu como opção brasileira ao petróleo depois que o preço desse combustível fóssil passou a corroer as divisas dos países que não dispunham dessa fonte de energia. Pichar o Brasil porque o país exporta minério e falar mal do governo porque intervém numa empresa por querer que ela agregue valor a esse minério é uma aparente incoerência. Apesar de privatizada, a Vale continua de interesse nacional, tanto que o Estado manteve poder de veto em algumas decisões da companhia. ■ w w w . b ra s i l e c o n o m i c o . c o m . b r