f
Artigo
O presente t r a b a l h o busca d i s c u t i r u m tema a t é então p r e v a l e c e n t e no c a m p o
da p s i c o l o g i a e p r o f u n d a m e n t e a r r a i g a d o a u m a concepção g e n é t i c a e d e t e r m i n i s ta de h o m e m - a s u p e r d o t a ¬
ção. N u m c o n t r a p o n t o , propomos uma leitura psicanalít i c a d o t e m a , e n f o c a n d o prep o n d e r a n t e m e n t e casos de
n e u r o s e , p a r t i n d o da h i p ó t e s e
de q u e a c o n s t i t u i ç ã o c o g n i tiva se e n c o n t r a em estreita
relação com a constituição
p s í q u i c a do s u j e i t o . A p a r t i r
dessa p r e m i s s a , p r o p o m o s
uma a r t i c u l a ç ã o entre o desejo de saber em Freud e em
L a c a n , t e n d o c o m o pressuposto q u e as q u e s t õ e s referentes à i n t e l i g ê n c i a , neste referencial, sofrem u m deslocam e n t o dos a s p e c t o s b i o l ó g i co, a m b i e n t a l i s t a e / o u interac i o n i s t a , estabelecendo-se sob
p r i m a d o da s e x u a l i d a d e ,
e s t a n d o , em m u i t o , a s s o c i a d a
ao m o d o c o m o o s u j e i t o se
e n c o n t r a referido à c a s t r a ç ã o
e à d e m a n d a do Outro.
Superdotação; psicanálise;
desejo; saber; sexualidade
A SUPERDOTAÇÃO
NA NEUROSE: UMA
ARTICULAÇÃO
ENTRE O DESEJO DE
SABER E O GOZO
1
Elizabeth
"O
THE GIFTED CHILD ON THE
NEUROSIS: AN ARTICULATION
BETWEEN THE WISH OF KNOWING AND THE JOUISSANCE
This work seeks for a
discussion
on a prevailing
issue — until now, at least —
in the field of
Psychology,
which is deeply rooted on a
genetic and deterniinist
concept of man: the gifted.
On
the other hand, we propose
a Psycho-analytic
reading on
the issue focusing
on the
neurosis cases since the
hypothesis
that the
cognitive
constitution
is closely
related
with the Psychic
constitution
the subject. Starting
from
this premise,
we propose an
articulation
between the wish
of knowing
on Freud and
Lacan, presupposing
that the
issues concerning
to intelligence, in this reference,
suffer
a displacement
of the biologic, environmental
and/or interactional
factors, setting itself under the primacy of sexuality, and being
strongly
associated
to the way the
subject is referred to castration and the Other's
demand.
Gifted
child;
Psycho-analysis; wish; knowing;
sexuality
uma
sujeito
maneira
repetindo
dos R e i s
é levado
Sanada
a comportar-se
essencialmente
indefinidamente
propriamente
de
significante,
algo
que
lhe
falando,
é,
mortal."
Jacques Lacan
O
presente trabalho busca discutir psicana¬
l i t i c a m e n t e u m t e m a até e n t ã o p r e v a l e c e n t e n o c a m po da psicologia e p r o f u n d a m e n t e arraigado a u m a
concepção genética e determinista
de h o m e m
superdotação. T e n d o e m vista que a
cognitiva
se e n c o n t r a
constituição
em estreita
- a
constituição
relação
com a
psíquica, t e n t a r e m o s d e m o n s t r a r a ne-
c e s s i d a d e d e e s t a b e l e c e r u m a n o v a l e i t u r a p a r a a sup e r d o t a ç ã o , c a p a z d e a b o r d a r as q u e s t õ e s referentes à
s i n g u l a r i d a d e d o sujeito, apresentando-se para
u m estudo n o referencial psicanalítico
isso
lacaniano.
Doutoranda e mestre em Psicologia pelo Instituto de
Psicologia da U S P .
É a p a r t i r d e s t a p r o p o s i ç ã o q u e d i s c u t i r e m o s a c o n c e p ç ã o psic a n a l í t i c a d o p r o c e s s o de e s t r u t u r a ç ã o p s í q u i c a , d a n d o ênfase e x c l u sivamente à constituição neurótica, buscando abordar, entre
outros,
c o n c e i t o s c o m o o de d e m a n d a , desejo, a l i e n a ç ã o , s e p a r a ç ã o , traço
u n á r i o e metáfora paterna; a fim de circunscrever de q u e m a n e i r a
o s u j e i t o se e n c o n t r a
referido ao significante s u p e r d o t a d o
e como
i s s o se r e f l e t i r á e m s u a r e l a ç ã o c o m o s a b e r e o g o z o .
A s s i m , p a r a i n i c i a r , nos r e m e t e m o s ao i n s t a n t e e m q u e a c r i a n ç a
c o m e ç a a i n t e r r o g a r d e o n d e v ê m os b e b ê s , n a t e o r i a
freudiana,
p a r a d i z e r q u e e m L a c a n esse m o m e n t o
questiona-
eqüivaleria a u m
m e n t o d o s u j e i t o s o b r e o l u g a r q u e ele o c u p a n o d e s e j o d o
Outro
- " O q u e ele q u e r de m i m , a l é m d o q u e m e d e m a n d a ? "
Essa p a s s a g e m c o r r e s p o n d e ao m o m e n t o
te, a o m o m e n t o
da a l i e n a ç ã o s i g n i f i c a n -
d a c a r ê n c i a d o s u j e i t o , n o q u a l este a p a r e c e a p a g a -
d o s o b o s i g n i f i c a n t e S . A d e s a p a r i ç ã o dar-se-á a p a r t i r d o s u r g i 2
m e n t o d e Sj n o c a m p o d o O u t r o q u e , p o r s u a v e z , r e p r e s e n t a r á
sujeito para outro significante - S
sob o
2
-, condenando-o
o
a desaparecer
mesmo.
Desta operação resulta o saber. Saber e s c a n d i d o pelo significante, m a r c a n d o a divisão do
V e j a m o s de que m o d o
sujeito.
essa l ó g i c a se d e s e n v o l v e n o
processo
de e s t r u t u r a ç ã o do sujeito; para isso, c o m e c e m o s por pensar
como
se d á a e n t r a d a d e s s e s u j e i t o n o c a m p o d a l i n g u a g e m .
C a l l i g a r i s ( 1 9 8 6 ) a b o r d a essa q u e s t ã o c o l o c a n d o q u e o q u e se
encontra, a p r i n c í p i o , no processo de estruturação é u m a hetero¬
geneidade entre
o q u e ele d e m a r c o u
como
sendo
o campo
do
O u t r o , o c a m p o da l i n g u a g e m , e o c a m p o do sujeito - n a q u i l o e m
q u e este se a p r e s e n t a c o m o r e a l d o
corpo.
N o p r i m e i r o c a s o , e s t a r í a m o s frente a o c a m p o d a l i n g u a g e m ,
d o q u a l se p o d e d i z e r q u e "Isso fala". N o s e g u n d o c a s o ,
se-ia o s u j e i t o a i n d a n ã o c o n s t i t u í d o ,
dendo-se designá-lo c o m o
O
puro
corpo,
encontrar-
objeto
a, p o -
significante, ao
campo
nada.
q u e fará o sujeito a c e d e r à o r d e m
d a l i n g u a g e m ? U m a questão sobre o desejo d o
Outro.
S e esse O u t r o , se e s s e I s s o f a l a , Isso d e s e j a . N o
entanto,
o
fato de q u e "Isso d e s e j a " n ã o s i g n i f i c a a i n d a q u e deseje a l g u m a
coisa. O desejo não i m p l i c a em n e n h u m
objeto c o m o
a l v o a ser
a l c a n ç a d o : p a r a q u e h a j a o b j e t o é p r e c i s o q u e o d e s e j o se t r a n s forme em
demanda.
É p r e c i s o q u e esse O u t r o se c o n s t i t u a n o l u g a r d a fala q u e , ao
ser e n u n c i a d a p e l a p r i m e i r a v e z , v e n h a a l e g i f e r a r , c o n f e r i n d o ,
o u t r o real, s e g u n d o Q u i n e t
ao
( 1 9 9 8 ) , sua o b s c u r a a u t o r i d a d e e pro-
vocando o fantasma ( f a n t ô m e )
instala a d e m a n d a do sujeito.
d a o n i p o t ê n c i a d o O u t r o e m q u e se
Assim, diríamos que a simples
suposição
d e s a b e r (S ) a c e r c a
desejo
Outro
2
do
já r e s u l t a
do
numa
mesmo
do ato de n o m e a ç ã o , o
permite
ao
sujeito
que
reconhecer-se
c o m o n ã o - t o d o , c o m o b a r r a d o , e as-
operação crucial para a constituição
sim, expor sua carência. O
subjetiva.
e n t a n t o , n ã o s i g n i f i c a c o n d i ç ã o sufi-
É essa s u p o s i ç ã o de saber
que
do s u r g i r o sujeito. É nesse
to
lógico estrutural
fazen-
momen-
- situado
Lacan em diversos m o m e n t o s
obra
um
por
de sua
no
ciente para que ocorra a separação.
permitirá u m a ligação entre o c a m p o
do O u t r o e o real do corpo,
que,
O q u e se o b t é m , c o m o
resultado
dessa p r i m e i r a operação, é u m
suposto
- S
2
saber
- q u e se s u p e r p õ e
ao
desejo d o O u t r o , d e m o d o q u e o sujeito que era n a d a - a - para esse dese-
- , q u e se p o d e d i z e r q u e
há
jo p o d e c o n s t i t u i r - s e c o m o u m a s i g n i -
significante ( S ) que produz
su-
f i c a ç ã o p a r a esse s a b e r . D e
1
jeito ($) para u m outro significante
qualquer
f o r m a , trata-se de u m desejo q u e é in-
(S ) , o p r i m e i r o s i g n i f i c a n t e e x i s t i n -
d e t e r m i n a d o , s e n d o essa p r o p r i e d a d e o
do somente
q u e irá d e f i n i r a s i g n i f i c a ç ã o d o sujei-
2
por
um
efeito
retroati-
vo deste ú l t i m o .
to t a m b é m c o m o
E, n e s s e s e n t i d o , p o d e - s e
falar
Em
indeterminada.
outras palavras, poder-se-ia
desse p r i m e i r o s i g n i f i c a n t e , desse S
dizer que o sujeito que resulta dessa
como
primeira metáfora
1
aquele
como
que
se
constituirá
t r a ç o u n á r i o , t e n d o seu s i g n i -
ficado
pautado
no desejo
materno,
processo
rio -, embora
metaforizado
pelo
ao c a m p o
Nome-do-Pai
em torno do
qual
se c o n s t i t u i c o m o
1
desse
originá-
se e n c o n t r e
e encontrando-se
- S
- produto
de r e c a l c a m e n t o
referido
da l i n g u a g e m , a i n d a
um
não
sujeito
dese-
o sujeito articulará a cadeia signifi-
jante. Encontra-se enlaçado à d e m a n -
cante
-,
da
como
sujeito d i v i d i d o .
sendo
marcado
por
ele
É desse trajeto q u e n a s c e a l g u m a
coisa,
definida
por
Lacan
c o m o perda - o objeto
absoluta
e indeterminada
Outro materno.
(1970)
surge
a partir
Demanda
do
próprio
Em s u m a , é dessa o p e r a ç ã o
que
que
efeito
i m a g i n á r i o , a d v i n d o da operação
r e c a l c a m e n t o , e frente
a.
do
esta
j e i t o se c o l o c a c o m o
de
à q u a l o suobjeto
imagi-
o sujeito extrai u m a significação mí-
n á r i o i n d e t e r m i n a d o , cuja significa-
nima
ção é simbólica.
c a p a z de i n t r o d u z i - l o
na
lin-
g u a g e m . S e n d o essa p a s s a g e m c o r r e s p o n d e n t e a o efeito
afânise,
descrito
Como
d e c o r r ê n c i a , a i n d a , desse
p r o c e s s o , tem-se a a r t i c u l a ç ã o d e
um
p o r L a c a n ( 1 9 6 4 ) , e q u e se refere a o
supereu, que v e m falar do l u g a r des-
m o m e n t o da alienação significante,
sa d e m a n d a i n d e t e r m i n a d a d o
m o m e n t o da c a r ê n c i a do sujeito, n o
- supereu arcaico, representado
pela
q u a l este a p a r e c e a p a g a d o s o b o sig-
figura materna -, e que é b e m
dife-
nificante
r e n t e d a q u e l e q u e se e s t a b e l e c e
S .
2
E m b o r a se c o n s t i t u a e m a l i e n a ç ã o , c a b e m a r c a r q u e esse efeito pressupõe a intervenção da função
signi-
ficante
meio
do
Nome-do-Pai,
por
ocasião do
partir do
Complexo
Outro
por
de É d i p o ,
a
pai.
Apreende-se, no
primeiro
caso,
u m m a n d a t o de gozo, m a s que dife¬
re d o " G o z a ! "
tomar
do segundo
o próprio
tempo
e d í p i c o . Tratar-se-ia, antes, de
corpo da criança c o m o
pertencente
ao
corpo
m a t e r n o , n ã o tendo o sujeito outra saída senão atender à exigência
d e g o z o e n d e r e ç a d a p e l a m ã e . O u seja, n o l u g a r d e "Goza!", e n c o n ¬
trar-se-ia o i m p e r a t i v o " M e faça g o z a r c o m seu
corpo!".
Nesse p o n t o , s e g u n d o C a l l i g a r i s ( 1 9 8 6 ) , o q u e se e s t a b e l e c e p o r
p a r t e d o s u j e i t o s ã o defesas e m p r e e n d i d a s n o s e n t i d o d e p r o t e g ê - l o
da d e m a n d a terrificante do O u t r o . S e g u n d o o autor, defesas a u t í s ¬
ticas, neuróticas, psicóticas, e d i r í a m o s t a m b é m perversas, a partir
d a s q u a i s p o d e r á se p o s i c i o n a r frente a tal
demanda.
N o c a s o d a n e u r o s e , p o r e x e m p l o , p a r a q u e se d ê a t r a n s p o s i ç ã o d a a l i e n a ç ã o à s e p a r a ç ã o faz-se n e c e s s á r i o q u e se p r o d u z a
o
recobrimento
-
de d u a s c a r ê n c i a s - a do sujeito e a do O u t r o
s e n d o esta a s a í d a n e u r ó t i c a i d e a l .
A s s i m , p a r a q u e o s u j e i t o p u d e s s e se ver l i v r e d e s s a
condição
a l i e n a n t e , e constituir-se e f e t i v a m e n t e c o m o sujeito d o desejo, h a v e r i a
que entrar em cena u m a segunda operação de recalque, u m a
nova
m e t á f o r a . A p a r t i r d a q u a l u m t e r c e i r o viesse a se i n t e r p o r n a relaç ã o d u a l m ã e - c r i a n ç a , s e n d o c a p a z de d e l i m i t a r a d e m a n d a
indetermi-
n a d a do O u t r o . A l g u é m suposto saber sobre o desejo da m ã e .
Estamos a falar do recalque s e c u n d á r i o , n o q u a l o pai surgirá
c o m interditor, v e i c u l a d o pelo desejo m a t e r n o , a fim de instituirlhe limites, que p e r m i t i r ã o ao sujeito reconhecer sua p r ó p r i a
através da constatação da i n c o m p l e t u d e do
D i t o de o u t r o m o d o ,
paterna, função
trata-se aqui da função
da
limite
se e s t e n d e r á à d e m a n d a d o O u t r o . Esta, a
p a r t i r d e e n t ã o , se t o r n a r á u m a d e m a n d a d e t e r m i n a d a ,
pelo saber do
metáfora
que irá circunscrever o saber, dar-lhe u m
que, conseqüentemente,
falta,
Outro.
dominada
pai.
A p a r t i r dessa i n t e r v e n ç ã o , m u d a n ç a s se v e r i f i c a r ã o t a m b é m
nível do supereu que, u m a vez alicerçada a metáfora
paterna,
t i n u a r á a consistir n u m i m p e r a t i v o de gozo, m a s , c o m o
anteriormente,
no
con-
falávamos
d e s t a feita, será u m i m p e r a t i v o e n d e r e ç a d o a o
pró-
p r i o s u j e i t o , c o m o a l h e d i z e r " G o z a ! " . J á n ã o se r e f e r i r á m a i s a o
gozo do O u t r o , m a s s i m ao g o z o fálico.
É por m e i o da intervenção da metáfora paterna que o sujeito
p o d e r á a p r e e n d e r a f a l t a d o O u t r o e, a s s i m , s u a p r ó p r i a
falta.
S e g u n d o L a c a n ( 1 9 6 6 ) , será a o i n t r o d u z i r s u a q u e s t ã o - a c e r c a
da o r i g e m dos bebês, por e x e m p l o - que o sujeito atacará a cadeia
s i g n i f i c a n t e d o O u t r o , n o seu p o n t o m a i s d é b i l , o d o
entre os s i g n i f i c a n t e s de sua d e m a n d a , entre S
1
e s c o n d e sua falta, e n c o n t r a n d o - s e ,
intervalo
e S , ali onde
2
assim, c o m o desejo d o
se
Outro.
E n c o n t r a r esse d e s e j o n o O u t r o e c o l o c a r - s e n e s s e l u g a r , e n quanto
f a l o i m a g i n á r i o (-
φ,
é c o n d i ç ã o p a r a q u e se p r o d u z a
a
s e p a r a ç ã o . É nesse m o m e n t o q u e se p a s s a d o efeito
d a a l i e n a ç ã o s i g n i f i c a n t e - p a r a a função
afânise,
afânise
-
efeito
q u a n d o o sujeito
se faz o b j e t o d a f a l t a d o O u t r o , e se l i b e r a d o p e s o a f a n í s i c o
do
S , excluindo-se da cadeia significante e e n t r a n d o
a.
2
c o m o objeto
V e j a m o s , p o r t a n t o , c o m o esse m o m e n t o c r u c i a l d a
psíquica do sujeito pode contribuir
constituição
p a r a os e n l a c e s d e s u a
consti-
tuição cognitiva.
O
c o n c e i t o de i n t e l i g ê n c i a , n u m
r e f e r e n c i a l p s i c a n a l í t i c o , so-
fre u m d e s l o c a m e n t o de ênfase n o s a s p e c t o s b i o l ó g i c o s , a m b i e n t a i s
e/ou
i n t e r a c i o n i s t a s p a r a c e n t r a l i z a r - s e n a s q u e s t õ e s r e f e r e n t e s à se-
x u a l i d a d e e ao desejo, i n t r o d u z i n d o
questões relacionadas à lin-
g u a g e m e ao e s t a b e l e c i m e n t o de u m a o r d e m
fálica, que p e r m e i a o
ser f a l a n t e .
S e n d o assim, p a u t a d o s n o processo de e s t r u t u r a ç ã o do
sujeito
na neurose, passamos à discussão das vicissitudes da s e x u a l i d a d e
infantil, começando
por
circunscrever a dimensão
do
falo
nesse
processo.
N e s s e s e n t i d o , L a c a n ( 1 9 5 7 ) c o l o c a q u e " o f a l o só p o d e ser
p o s t o e m j o g o n a m e d i d a e m q u e seja n e c e s s á r i o , n u m
dado
mo-
m e n t o , s i m b o l i z a r a l g u m a c o n t e c i m e n t o , seja este a v i n d a t a r d i a d e
u m a c r i a n ç a p a r a a l g u é m q u e esteja e m r e l a ç ã o i m e d i a t a c o m
ela
ou, ainda, para o p r ó p r i o sujeito, a questão levantada sobre a sua
m a t e r n i d a d e e a posse de u m a c r i a n ç a " (p. 9 9 ) .
P a r a e x p l i c a r m o s , m a i s d e t a l h a d a m e n t e , esse m o m e n t o ,
recorre-
r e m o s a o s textos de F r e u d n o s q u a i s ele se p õ e a f a l a r d a s i n v e s t i g a ç õ e s s e x u a i s i n f a n t i s , a b r i n d o e s p a ç o p a r a a f o r m u l a ç ã o d o desejo d e s a b e r e p e r m i t i n d o
situar a superdotação
a l i d a d e , n a q u i l o q u e esta c o m p o r t a
É a p a r t i r d o texto s o b r e as Teorias
em
1908, que u m
qual Freud
caminho
em r e l a ç ã o à sexu-
de desejo e de g o z o .
diferente
c o l o c a o fator s e x u a l c o m o
sexuais
infantis,
publicado
c o m e ç a a se c o n s t r u i r ,
a mola propulsora
no
do
de-
senvolvimento intelectual.
Nesse t e x t o , F r e u d ( 1 9 0 8 ) c o m e ç a a d i s t i n g u i r o q u e
constitui
o c a m p o b i o l ó g i c o e p s í q u i c o n o q u e c o n c e r n e à s e x u a l i d a d e , des¬
v i n c u l a n d o - a de u m
fator
meramente
d e s e n v o l v i m e n t i s t a , e ad-
m i t i n d o sua influência decisiva - sobretudo no que corresponde
teorias sexuais infantis -, para a formação dos
às
sintomas.
A c u r i o s i d a d e s e x u a l se e s t a b e l e c e , s e g u n d o F r e u d ( 1 9 0 8 ) ,
não
p o r " a l g u m a n e c e s s i d a d e i n a t a de c a u s a s e s t a b e l e c i d a s ; s u r g e s o b
o
a g u i l h ã o dos instintos egoístas que d o m i n a m
é
surpreendida
de u m
a criança, quando
- t a l v e z a o f i m d o seu s e g u n d o a n o - p e l a c h e g a d a
n o v o bebê" (p. 2 1 5 ) .
A o se i n t e r p o r
um
terceiro na r e l a ç ã o entre a c r i a n ç a e os
p a i s , coloca-se a a m e a ç a de p e r d a d o a m o r p a r e n t a l , o q u e l h e d e s ¬
perta
uma
gama
de
sentimentos
agressivos e de c i ú m e s e m relação ao
recém-chegado.
É nesse m o m e n t o c r u c i a l d e s u a
constituição que a criança verá aguçarem-se suas emoções e t a m b é m
c a p a c i d a d e de p e n s a m e n t o ,
sua
o que lhe
permitirá empreender-se em direção à
busca de u m
sentido
para sua
exis-
tência - a princípio, através da
m u l a ç ã o das teorias sexuais
e, p o s t e r i o r m e n t e ,
por
m e i o d a su¬
b l i m a ç ã o , através de seu
vimento
desenvol-
intelectual.
Freud
"sob
(1908)
descreve
a instigação desses
tos e p r e o c u p a ç õ e s ,
começa
for-
infantis
que
a refletir sobre
a
o
é
criança
primeiro
grande problema
da vida e
tar
'De
a si m e s m a :
que
sentimen-
pergun-
onde
vêm
os
bebês?'" (p. 2 1 6 ) .
Ao
introduzir
essa q u e s t ã o
endereçá-la aos a d u l t o s ,
aos pais a q u e m
supõe
e
sobretudo
um
saber, a
criança n ã o almeja apenas resolver o
enigma
do
nascimento
Trata-se antes de u m
dos
bebês.
momento
q u a l e l a se vê c o n f r o n t a d a
no
como
su-
jeito ao desejo do O u t r o parental, o
que significa estender a questão
cial para:
'O que você quer de
inimim
além d a q u i l o que d e m a n d a ? " , ou aind a , " D e q u e d e s e j o eu n a s c i ? " .
Trata-se
de u m
nente ao próprio
tuição do
criança
ponto
concer-
processo de
sujeito. Processo
passaria
de
um
constionde
a
primeiro
m o m e n t o de p u r o n a r c i s i s m o
dual,
de c o m p l e t a a l i e n a ç ã o a o O u t r o
ma-
t e r n o , p a r a u m s e g u n d o e s t á d i o , caracterizado pelo C o m p l e x o de
Édipo,
o que instituiria u m a relação triádi¬
ca, h a v e n d o a a t u a ç ã o de u m
terceiro
elemento interditor da m ô n a d a
mãe-
criança, p o s s i b i l i t a n d o , assim, a instauração do
desejo.
É na passagem do primeiro
mo-
m e n t o desse p r o c e s s o à c o n c l u s ã o
de
seu s e g u n d o t e m p o , q u e i r á se c o l o car por
parte da criança u m a
de p e r g u n t a s
endereçadas ao
série
adulto
e que refletem que o sujeito
barrou,
de a l g u m a forma, o l u g a r d o
Outro
até e n t ã o
a b s o l u t o . Nas p a l a v r a s de
V i d a l ( 1 9 9 9 ) , "está aí a m a r c a de origem do inconsciente como u m
saber
b a r r a d o " (p. 22).
Freud nos traz a questão
da
origem
dos
bebês,
acerca
mas
outras
p e r g u n t a s p o d e m ser c o n t a d a s
como
e q u i v a l e n t e s s i m b ó l i c o s dessa p r i m e i ra. A s r e s p o s t a s o b t i d a s p e l a c r i a n ç a ,
p o r s u a vez, r e s u l t a m f a l h a s ,
do
quando
colocam
fronte de sua p r ó p r i a
sobretu-
o adulto
de-
falta e m
ser,
d i a n t e d e s u a p r ó p r i a d i v i s ã o e m rel a ç ã o a o saber. Q u a n d o n ã o s ã o evasivas, são repressivas ou a i n d a
lógicas, gerando decepção e
com
mito-
fazendo
que aquela prossiga cada
vez
m a i s e m s u a i n v e s t i g a ç ã o , só q u e desta feita de m o d o v e l a d o .
No
que diz respeito, m a i s dire-
t a m e n t e , às q u e s t õ e s a c e r c a da s e x u a lidade, Freud
(1908) coloca que, a
p a r t i r d e s s a " p r i m e i r a d e c e p ç ã o , as
crianças começam
a desconfiar
dos
a d u l t o s e a s u s p e i t a r q u e estes l h e s
escondem
algo proibido,
passando
como resultado a manter
em segre-
do
suas investigações
posteriores"
(p. 2 1 7 ) .
S e g u n d o L e m é r e r ( 1 9 9 9 ) , as respostas d a d a s pelos a d u l t o s às questões
dirigidas pelas crianças resultam
satisfatórias, por não fazerem
in-
outra
c o i s a q u e r o d e a r e escavar o l u g a r d e
uma
falta, a falta de resposta
que
o f e r e c e r i a a o s u j e i t o o a c e s s o a o sa-
frontamento com a incompletude
ber e ao gozo
O u t r o , por sua vez, o que lhe susci-
sexuais.
Resultam insatisfatórias
quanto
porque,
sibilidade
de
saber
produzindo-se,
fechamento,
com a impossobre
o
sexo,
a cada tentativa
u m furo
de
de saber.
ções e d ú v i d a s tornam-se,
entretanto,
o p r o t ó t i p o de todo trabalho
lectual posterior
de p r o b l e m a s ,
fracasso
um
efeito
primeiro
cerceante
sobre
t o d o o futuro da c r i a n ç a " (p. 2 2 2 ) .
Em
1907, no texto
sexual
da
O
esclareci-
criança,
Freud
a s s i n a l a v a os e f e i t o s d e v e r d a d e
se
vez
produzem
sobre
decorrência dessa
opera-
a atividade intelectual da criança
n ã o se l i m i t a r á s o m e n t e a
der ao desejo do
sobretudo,
correspon-
Outro, à imagem
o sujeito
já
que
Conforme
que, nesse caso, o levarão a sua pri-
saber.
Lacan (1970) mencio-
n a a o d i s c u t i r O poder
síveis:
dos
impos-
"O efeito de v e r d a d e é a p e n a s
uma
queda
que
faz
produto
de saber. É essa
produção"
podemos
(p.
queda
178),
cujo
verificar,
por
exemplo, através das teorias sexuais
infantis.
Essas t e o r i a s se c o n s t i t u e m
cada
q u e a l g o de seu saber fracassa e
e n c o n t r a r - s e - á a g o r a a ser-
viço do desejo de
inte-
aplicado à solução
t e n d o esse
Como
ção,
esperada pelas figuras parentais, mas,
Para Freud (1908), "essas hesita-
mento
tará u m a insaciável sede de saber.
m a i s a c r i a n ç a b u s c a esse sa-
b e r , m a i s se d e f r o n t a
do
camente
basi-
na crença das crianças
na
indiferenciação sexual anatômica, que
m e i r a tentativa de a u t o n o m i a
intelec-
traz c o m o conseqüência a atribuição
tual a partir da c r i a ç ã o das
teorias
da
Quanto
a isto, Nobre
(1999)
acrescenta que, na insuficiência
um
saber, o desvelamento
verdade
sujeito
se i m p õ e ,
a buscar
posse
de u m
pênis
tanto
para
h o m e n s c o m o p a r a m u l h e r e s ; n a teo-
sexuais infantis.
no
de
uma
empurrando
Outro,
de
o
ria
c l o a c a l , a p a r t i r d a q u a l os b e b ê s
seriam expelidos como
numa
excremento,
e v a c u a ç ã o e, a i n d a , n a
da concepção sádica do
Segundo Freud
pelas
crença
coito.
(1908),
embora
vias da suposição de u m saber todo,
essas t e o r i a s s e j a m f a l s a s , " c a d a
a r e s p o s t a q u e l h e falta.
delas contém
Assim, segundo Lemérer
(1999),
as i n v e s t i g a ç õ e s s e x u a i s i n f a n t i s
efetivamente
dirigidas a
o saber p r o i b i d o
supostamente
conquistar
d e q u e os
podem
adultos
desfrutar.
s a m a o g o z o , i s t o é, à c o n q u i s t a
um
saber que viria conjugar
jeito com
são
o
Vide
su-
s e u ser s e x u a d o , o q u e é
E n t r e t a n t o , a o d e p a r a r c o m essa
fragmento
dade". Donde podemos
uma
de ver-
concluir que
é dessa a r t i c u l a ç ã o entre
um
saber
não-todo c o m u m a verdade - verdade d a i m p o s s i b i l i d a d e , d o
impossível
d o s e x o e, p o r t a n t o , m e i a - v e r d a d e
que
se f a z
prossiga
em
possível
que
sua busca
o
sujeito
de saber
que daí possa, inclusive, vir a
duzir
impossível.
um
e
pro-
conhecimento.
Começa-se a perfazer o
caminho
i m p o s s i b i l i d a d e , a c r i a n ç a se m a n t é m
que marca o sujeito - e
n a e x p e c t a t i v a d e q u e a l g u m d i a esse
q u e a q u i se t r a t a d o s u j e i t o
s a b e r l h e seja c o n c e d i d o .
c o - , a p a r t i r d o m o m e n t o q u e este
E é o de¬
lembramos
neuróti-
é inserido no
campo
da l i n g u a g e m
e n a d i a l é t i c a d a c a s t r a ç ã o , e q u e se
constitui
na prevalência da
tisfatoriamente
suas hipóteses acerca
da concepção dos
ordem
bebês.
A esse r e s p e i t o ,
f á l i c a . O q u e p o d e ser v i s t o , p r i n c i -
descreve que
p a l m e n t e , se r e c o r r e r m o s
criança respeita, c o m o
à primeira
teoria a r t i c u l a d a pelas crianças, isto
têm o pênis por
é, a a t r i b u i ç ã o
ela,
ser m u l h e r
mo
de n ã o
de u m
pênis
a
to-
d o s os s e r e s .
Essa q u e s t ã o se e n c o n t r a
da, de m o d o
por
Freud
ainda mais
(1923) em
organização
genital
coloca-
enfático,
seu
infantil,
texto
ao dizer
que, "em relação à organização
fantil,
para
ambos
em consideração
genital,
ou
A
os s e x o s ,
in-
entra
apenas um
lheres p o d e m
somente
em
1908
que
Freud
nesse
período
prazer auto-erótico
turbação, menção
de u m
to
uma
de
de t o d a
não
ter o falo
após
de
1 9 1 0 , Leonardo
da
e m seu
da
tex-
Vinci
sua
e
infância,
permane-
a dissolução
Édipo,
como
o
do
pivô
a r t i c u l a ç ã o da s e x u a l i d a d e
q u e e s t a se a s s o c i a
ao interesse pela p e s q u i s a e p e l o conhecimento.
de
q u e i r á se r e p e t i r
m o d o diferente
lembrança
à busca
a d v i n d o da mas¬
perde
Essa q u e s t ã o d a d i a l é t i c a f á l i c a ,
e, i n c l u s i v e , n o
É ainda
nascimento,
a mãe
seu p ê n i s " (p. 183).
Complexo
sociada
dar-lhes
então também
tanto,
m e n c i o n a a a m e a ç a d e c a s t r a ç ã o , as-
probledos
mesmo
falo"
tarde,
os
mu-
ce,
180).
Para
e nascimento
a c r e s c e n t a : " O q u e está p r e s e n t e , por-
(p.
pênis. Mais
origem
ter o u
genitais, mas u m a primazia do
ter
mas
do
órgãos
longo tempo.
ainda não é sinôni-
b e b ê s e a d v i n h a q u e a p e n a s as
E
não é a p r i m a z i a dos
a
s u a m ã e , re-
a criança retoma
da
(1923)
a quem
quando
órgão
seja, o m a s c u l i n o " .
Freud
"mulheres
Em
Leonardo
lembrança
plo,
da
Vinci
da sua infância,
e
uma
por exem-
Freud ( 1 9 1 0 ) busca d e l i m i t a r de
que maneira o contato privilegiado
de
Leonardo
com
sua
mãe
e
seu
provável e m p r e e n d i m e n t o
em investi-
q u a n d o a a m e a ç a d e c a s t r a ç ã o se en-
gações sexuais durante
a infância,
contrará
mostraram-se
mais claramente dissociada
cruciais para o
desen-
d o ó r g ã o g e n i t a l e m si, e r e l a c i o n a -
v o l v i m e n t o de sua g e n i a l i d a d e artísti-
da ao caráter de p o t ê n c i a fálica
ca e c i e n t í f i c a .
lhe
que
é atribuído.
É nesse texto p r e c i s a m e n t e
Freud (1908) situa que, no
caso
que
Freud estreita a questão da sexualida-
da m e n i n a , se estabelece u m a equivalên-
de e d a i n t e l i g ê n c i a , o q u e n o s
cia
n a p i s t a de a l g o q u e p o s s a se c o l o c a r
entre pênis e clitóris, sendo
este
último o que "produz excitabilidade,
como
conferindo
perdotação.
à atividade sexual da me-
n i n a u m caráter m a s c u l i n o " (p. 2 2 0 ) .
É i m p o r t a n t e m a r c a r q u e a crian-
peculiaridade no
caso da
põe
su-
Ele n o s d i z q u e " a p e s -
q u i s a p s i c a n a l í t i c a oferece-nos a e x p l i cação completa m o s t r a n d o
que a mai-
ça, e m b o r a j á t e n h a d e p a r a d o c o m a
oria das crianças, ou pelo m e n o s
diferenciação sexual, acredita que sua
mais
mãe ainda é possuidora
r í o d o de p e s q u i s a s sexuais i n f a n t i s "
nis,
de u m
pê-
o q u e a i m p e d e d e c o n c l u i r sa-
(p.
inteligentes,
72 - grifo
atravessam u m
nosso).
as
pe-
Freud (1910) acrescenta que, por
o c a s i ã o d a s i n v e s t i g a ç õ e s s e x u a i s , as
crianças "já têm u m a noção do
ato
s e x u a l , q u e l h e s p a r e c e ser a l g u m a
coisa hostil e violenta. M a s c o m o a
sua própria constituição sexual a i n d a
n ã o a t i n g i u o p o n t o d e fazer b e b ê s ,
sua investigação sobre o p r o b l e m a
o r i g e m d o s bebês a c a b a t a m b é m
solução, sendo finalmente
da
sem
abandona-
da" (p. 73).
Entretanto, h a v e r i a a i n d a nesse
processo a transformação
das
forças
psíquicas instintivas, o que possibilit a r i a à c r i a n ç a se e n v e r e d a r p e l o s caminhos do desenvolvimento
intelec-
tual, agora por m e i o de investigações
a c e i t a s s o c i a l m e n t e . A essa
Freud
denomina
operação
sublimação, o
que
c o n s i s t i r i a n a " s u b s t i t u i ç ã o d o objetivo i m e d i a t o da p u l s ã o por
outros
d e s p r o v i d o s de caráter s e x u a l e que
p u d e s s e m ser m a i s a l t a m e n t e v a l o r i z a d o s " (p. 72).
Nesse
sentido,
ainda o que Kupfer
cabe-nos
(1990)
citar
discute
a c e r c a d a a s s o c i a ç ã o d a p u l s ã o d e saber à p u l s ã o de d o m í n i o e à p u l s ã o
de ver, a m b a s c i t a d a s p o r Freud
seu
em
texto.
Kupfer
(1990) coloca que,
final da época do conflito
ao
edipiano,
parte da i n v e s t i g a ç ã o sexual cai sob
o domínio
da
repressão, sendo
restante
sublimado
em
pulsão
domínio
e p u l s ã o de ver.
o
de
Enfatiza,
a i n d a , q u e essas p u l s õ e s s e r ã o os i n s trumentos fundamentais
p a r a o de-
senvolvimento intelectual da criança,
a partir do m o m e n t o em que, transformados
tam-se no
pela s u b l i m a ç ã o , manifesprazer de pesquisar,
no
interesse p e l a o b s e r v a ç ã o d a n a t u r e z a ,
no gosto pela leitura, entre
outros.
Sobre a pulsão escópica,
( 1 9 1 0 ) n o s d i z q u e e l a se
atuante
antes m e s m o
Freud
encontra
que a criança
seja d o m i n a d a p e l o c o m p l e x o de castração, o que a impele a mover
sua
curiosidade para o órgão sexual materno,
que supõe
gundo
Freud,
ser u m
"com
a
leva, m u i t a s vezes, a colocar-se desde
u m a posição masculina no quadro
sexuação, b u s c a n d o de a l g u m a
v e l a r s u a falta, s e n d o esse m e c a n i s m o
bastante presente nos casos de m e n i nas
superdotadas.
p ê n i s . Sedescoberta
da
forma
É já a p a r t i r d o t e x t o A
lução
do
Complexo
disso-
de Édipo,
que
q u e f a r á , m a i s t a r d e , d e q u e as m u -
Freud (1924) começa a i n t r o d u z i r
l h e r e s n ã o p o s s u e m p ê n i s , esse desejo
especificidades
m u i t a s v e z e s se t r a n s f o r m a
o r g a n i z a ç ã o sexual f e m i n i n a . Se, por
oposto, dando
no
origem a um
seu
senti-
m e n t o de repulsa..." (p. 89).
Freud
um
no
que
as
se r e f e r e
l a d o , a a u s ê n c i a de u m
à
pênis
coloca a questão da castração para a
( 1 9 1 0 ) situa essa r e p u l s a
menina
como
a p r e s e n t a a c o n s t a n t e a m e a ç a frente à
do
o
órgão, por
menino
outro
se
não
é
s e m r e s i s t ê n c i a s q u e a m e n i n a se de-
gura masculina.
N o e n t a n t o , t o m a m o s esse m a t e rial c o m o u m i m p o r t a n t e
analisar
perda
para
consumado,
p o t ê n c i a ou m e s m o de h o m o s s e x u a l i n e s s e p o n t o à fi-
que
fato
ao
dade, referindo-se
passo
um
c o m o a causa futura de casos de im-
os c a s o s de
fator
fronta
para
superdotação
a c o m p a n h a d o s nessa p e s q u i s a , o n d e o
c o m a falta de u m
pênis.
N a s p a l a v r a s de F r e u d ( 1 9 2 4 ) , " a
renúncia
ao
pênis
não
é
tolerada
pela m e n i n a sem a l g u m a tentativa de
conhecimento
s u r g e c o m o u m a espé-
c o m p e n s a ç ã o . Ela d e s l i z a - a o
cie
tamponador
da l i n h a de u m a e q u a ç ã o s i m b ó l i c a ,
de objeto
empreendida
a partir
m e n t o c o m castração
do
da
falta
defronta¬
materna.
poder-se-ia d i z e r - d o p ê n i s p a r a
bebê. Seu C o m p l e x o
Nesse processo, v e m o s que m u i -
longo
mina
em
um
um
de É d i p o
cul-
desejo, m a n t i d o
por
tas v e z e s se a r t i c u l a u m a a t i t u d e rei¬
muito
t e m p o , de receber d o pai
um
v i n d i c a t ó r i a ou m e s m o de
confronto
bebê c o m o presente - de dar-lhe
um
por
relação à
filho" (p. 2 2 3 ) .
parte
mãe,
nas.
da criança em
sobretudo no
caso das
Embora, nos textos
até o m o m e n t o ,
Freud
meni-
abordados
privilegie a
especificidade da estruturação
edípica
Num
trecho
seguinte,
suir u m
pênis e u m
filho -
consciente
namento
criatura do sexo f e m i n i n o
s u a o b r a . E m textos c o m o A
lidade,
minina,
de
femini-
1 9 2 3 , e a Sexualidade
de 1931, b e m c o m o
de
fe-
n o s es-
pos-
perma-
necem fortemente catexizados no in-
m a s c u l i n a , s a b e m o s q u e seu d i r e c i o se m o d i f i c a r á a o l o n g o
Freud
c o l o c a q u e esses " d o i s d e s e j o s -
e ajudam
papel posterior"
(pp.
a preparar
a
seu
223-4).
Essa c i t a ç ã o de F r e u d
situar a questão
para
permite
da superdotação
a
tudos lacanianos, obtemos dados
que
p a r t i r de d o i s vieses d i s t i n t o s .
nos p e r m i t i r ã o verificar de que
ma-
m e i r a m e n t e , p e l o l a d o d o s u j e i t o su-
neira
contra
a menina
também
a figura materna
se
rebela
a partir
da
c o n s t a t a ç ã o de s u a c a s t r a ç ã o . O q u e a
perdotado.
No
caso, a m e n i n a ,
Pripara
a qual acrescentaríamos a posse
um conhecimento
como um
de
possível
substituto
d o p ê n i s . E, e m s e g u n d o l u g a r , far-se-ia n e c e s s á r i o
con-
s i d e r a r o q u e está e m j o g o n a d i a l é t i c a d o d e s e j o d e u m a m ã e q u e
concebe u m
filho
superdotado,
e que o toma de a l g u m m o d o
o b j e t o s u t u r a d o r d e s u a falta. Trata-se d e u m a m a n e i r a m u i t o
por
pecu-
l i a r d e a f i r m a r s u a s u p r e m a c i a fálica e q u e , p o r s u a v e z , n ã o é s e m
conseqüências para a criança.
Freud
( 1 9 1 0 ) c i r c u n s c r e v e essa q u e s t ã o a o a b o r d a r
a relação
mãe-criança, dizendo que "sua natureza é a de u m a relação
amoro-
sa p l e n a m e n t e s a t i s f a t ó r i a q u e n ã o s o m e n t e g r a t i f i c a t o d o s os desejos m e n t a i s , m a s t a m b é m
t o d a s as n e c e s s i d a d e s
físicas;
e se i s s o re-
presenta u m a das formas possíveis da felicidade h u m a n a ,
em
será d e v i d o à p o s s i b i l i d a d e q u e oferece de satisfazer, sem
ção, desejos i m p u l s i v o s há m u i t o
ser c o n s i d e r a d o s
como
tempo
um
m e n t e a o desejo
reprimidos e que
podem
perversos" (p. 106).
C a b e acrescentar que, ao usufruto
corresponde
parte
reprova-
desse a m o r
preço - o de r e s p o n d e r
também
incondicional,
incondicional-
materno.
Esse efeito q u e o desejo m a t e r n o p o d e a c a r r e t a r à c r i a n ç a é passível de ser v e r i f i c a d o , p o r e x e m p l o , ao a b o r d a r a s e x u a l i d a d e de Leonardo
da Vinci - análise que Freud
tece a p a r t i r d a
proximidade
e x a c e r b a d a de L e o n a r d o c o m s u a m ã e - , c o l o c a n d o tal p r o x i m i d a d e
c o m o u m d o s p o s s í v e i s fatores r e l a c i o n a d o s à p r i v a ç ã o d e s u a v i d a
sexual e à d e d i c a ç ã o , a i n d a q u e p l a t ô n i c a , a a m o r e s h o m o s s e x u a i s .
por
Lacan
( 1 9 5 7 ) , que a p o n t a , de m a n e i r a m a i s enfática, p a r a o m o d o
A n o s m a i s t a r d e , esse t e x t o d e F r e u d
como
Leonardo
p ô d e se c o l o c a r f r e n t e
é retomado
ao desejo de u m a
c o m o t a m b é m sua g e n i a l i d a d e constituiu-se n u m
m ã e fálica e
m o d o de
resposta
a esse d e s e j o .
N o q u e se refere a i n d a à q u e s t ã o d a s u b l i m a ç ã o , c a b e - n o s retomar
o q u e F r e u d ( 1 9 1 0 ) a c e n t u a a o d i z e r q u e essa
"transforma-
ç ã o d a força p s í q u i c a i n s t i n t i v a , d a m e s m a m a n e i r a q u e a
m a ç ã o d a s forças
físicas,
transfor-
n ã o p o d e r i a se r e a l i z a r s e m p r e j u í z o " ( p p .
6 9 - 7 0 ) . Essa p e r d a se m a r c a , s o b r e t u d o ,
no que tange à v i d a sexual
d o s u j e i t o , q u e , e m m u i t o s c a s o s , se t o r n a e x t r e m a m e n t e
a s s u m i n d o u m caráter s e c u n d á r i o e m prol do fator
restrita,
intelectual, o
q u e se e n c o n t r a v a b a s t a n t e m a r c a n t e n a v i d a d e L e o n a r d o d a V i n c i ,
e que também
dos
se e n c o n t r a ,
de formas v a r i a d a s , presente n a v i d a
superdotados.
Tendo
em vista o que discutíamos há pouco, acerca da
ç ã o d a c r i a n ç a frente às
figuras
parentais, cabe-nos interrogar
o que haveria oculto sob o p r e d o m í n i o
nho
intelectual dos
e exacerbação do
posiainda
desempe-
superdotados.
Poder-se-ia l e v a n t a r a h i p ó t e s e de h a v e r e m b u t i d o ,
nesse
pro-
cesso d e r e c a l q u e d a s e x u a l i d a d e , u m a c a r g a d e a m o r e n d e r e ç a d a à
mãe ou
ao pai, que não
p ô d e ser d e v i d a m e n t e
desviada para
a
e s c o l h a d e u m o u t r o o b j e t o s e x u a l e q u e , p o r t a n t o , afasta o s u j e i t o
de todo contato c o m a sexualidade, sob a a m e a ç a de incesto.
Essa s u p o s i ç ã o p a r e c e c o n f i r m a r - s e
Vinci, quando
nor
Freud
de sua l i b i d o c o n t i n u o u
presenta
n o caso de L e o n a r d o
(1910) nos diz que " u m a
orientada
para
fins
o amor
t i n h a p e l a m ã e foi r e p r i m i d o , essa p a r t e foi l e v a d a a t o m a r
no amor
me-
s e x u a i s e re-
a atrofiada vida sexual do adulto. Porque
atitude homossexual e manifestou-se
da
parte m u i t o
ideal por
que
uma
rapazes.
A fixação em sua m ã e e nas felizes l e m b r a n ç a s de suas relações
com
ela c o n t i n u o u
porém,
inativa por
preservada no
algum tempo.
inconsciente,
Desse
fixação e a sublimação desempenharam
contribuições
do instinto
modo,
permanecendo,
a repressão,
sua parte absorvendo
sexual para a vida mental
de
a
as
Leonar-
d o " (p. 120).
V e j a m o s , p o r t a n t o , d e q u e m a n e i r a F r e u d d e s c r e v e os p o s s í v e i s
c a m i n h o s a s e r e m t o m a d o s p e l a p u l s ã o d e saber, a p ó s c a í r e m s o b a
repressão sexual, a fim de obtermos m a i s dados para pensar a questão da
superdotação.
Freud
dentre
(1910) aponta
três d e s t i n o s
os q u a i s a b o r d a m o s
de Leonardo
saber, da
para o desejo de
saber,
o terceiro tipo ao falarmos do
caso
da Vinci, e que consiste na s u b l i m a ç ã o da avidez de
Wissbegierde,
que escapa ao recalque, p e r m i t i n d o
que a
p e s q u i s a i n t e l e c t u a l n ã o repita o fracasso das investigações sexuais
i n f a n t i s , j á q u e e l a d e s v i a a p e s q u i s a d e seu f i m s e x u a l . A c o n s e q ü ê n c i a desse processo t a m b é m
tamento
p ô d e ser a b o r d a d a , i s t o é, o
d o s t e m a s s e x u a i s , seja d o c o n t e ú d o
prática cotidiana do
da pesquisa ou
afasda
sujeito.
U m a o u t r a p o s s i b i l i d a d e q u e se c o l o c a é q u e o p r o c e s s o i n v e s t i g a t i v o d a c r i a n ç a se t o r n e e q u i v a l e n t e à s e x u a l i d a d e ,
como
t a l ser t a m b é m
desde então
talvez para
recalcado. O
desejo de saber
devendo
permanecerá
i n i b i d o e a livre atividade da inteligência l i m i t a d a ,
sempre.
H á a i n d a u m a t e r c e i r a s a í d a p o s s í v e l , i s t o é, q u e a a t i v i d a d e
i n t e l e c t u a l escape ao r e c a l c a m e n t o , m a s q u e p e r m a n e ç a
secretamente
l i g a d a à busca do gozo sexual que era objetivo das p r i m e i r a s investigações, l e v a n d o o sujeito a repetir o fracasso
quando
experimentado
da busca de resposta ao e n i g m a de sua e x i s t ê n c i a , e m p r e -
endendo-se
numa
b u s c a s e m f i m d e a l g o q u e se c o l o c a c a d a v e z
m a i s d i s t a n t e , m a s q u e p o r o u t r o l a d o se c o l o c a c o m o
d e s u a s p e s q u i s a s . Esse p a r e c e ser u m
a l g u n s casos de
o
motor
dos destinos adotados
em
superdotação.
S u b l i m a ç ã o , i n i b i ç ã o e c o m p u l s ã o s e r i a m , e n t ã o , as três v i c i s situdes da
Wissbegierde
após a repressão sexual.
D i a n t e do l e v a n t a m e n t o desses d a d o s , c o n s i d e r a m o s c r u c i a l a
d e t e n ç ã o m a i s a c u r a d a sobre a l g u n s aspectos a b o r d a d o s
anteriormen-
te, a f i m d e v i s l u m b r a r m o s u m a p o s s í v e l l e i t u r a a c e r c a d o s p r o c e s sos c o n s t i t u t i v o s q u e e n v o l v e m o " s u j e i t o
Para i n i c i a r essa d i f í c i l
superdotado".
tarefa, p r o p o m o s
a a n á l i s e de
p o n t o s , a saber: p r i m e i r a m e n t e , a r e s p o s t a i n c o n d i c i o n a l d o
três
sujeito
a o d e s e j o m a t e r n o ; s e g u n d o , a e s c o l h a d e u m o b j e t o s e x u a l e, p o r
ú l t i m o , a s u b l i m a ç ã o , s o b r e t u d o n o q u e esta p o d e ser r e l a c i o n a d a
à transgressão.
Tomaremos,
como
eixo principal
tese de d o u t o r a d o de M . C . K u p f e r
de
para
essa a r t i c u l a ç ã o , a
(1990), intitulada
O
desejo
saber.
Q u a n d o o p t a m o s p o r enfocar, n o v a m e n t e , a q u e s t ã o d a respos-
ta d a d a p e l o s u j e i t o a o desejo d o O u t r o , p r e t e n d e m o s , n a v e r d a d e ,
(re)instalar a dimensão
do
p r ó p r i o desejo do sujeito ou,
ainda,
a b r i r m a r g e m p a r a q u e se c o n j u g u e a l g o d e seu g o z o .
A esse r e s p e i t o
é importante
situar, por
conceituai que Lacan (1962-3) introduz
Angústia,
exemplo, a virada
a p a r t i r d o Seminário
a o m a r c a r q u e , se a n t e s o s u j e i t o se r e f e r i a
temente
em
relação ao desejo do
questionamento
O
da
predominan-
O u t r o , a g o r a o cerne de
seu
se c o l o c a r á frente a o q u e seja o g o z o .
que pretendemos,
em última instância, é apontar
f a t o d e q u e , se o s u j e i t o p e r m a n e c e
numa
determinada
para
o
posição
frente a o O u t r o , isto n ã o se d á s e m q u e h a j a u m g a n h o . S e c u n d á rio por suposto,
c o m o já a s s i n a l a v a Freud
ao l o n g o de sua
n o q u e se r e f e r i a a o s i n t o m a , m a s , d e q u a l q u e r f o r m a ,
de u m
obra
tratar-se-ia
ganho.
E n t r e t a n t o , h á q u e se p e r g u n t a r
sobre que g a n h o estamos a
f a l a r , u m a v e z q u e o s u j e i t o se e n c o n t r a
dividido em relação ao
seu s a b e r , s e n d o , p o r t a n t o , t o d a i m p r e s s ã o e c o n h e c i m e n t o s
m u l a d o s a p a r t i r d o Eu, p a r c i a i s , e q u i v o c a d o s , d a n d o
ao
for-
sujeito,
p a r a d o x a l m e n t e , u m a g a r a n t i a i l u s ó r i a acerca d o q u e seja g a n h a r
ou
perder em termos de subjetividade.
Talvez nessa busca de g a r a n t i a s resida o que é da o r d e m
g o z o , esse " t e r m o
designado por
Lacan (1970) em sentido
prio, que necessita a repetição" (p. 43). E que traz à tona
estudos
freudianos
acerca da p u l s ã o de m o r t e e do
objeto
do
próos
per-
d i d o . A s s i m , p o d e r - s e - i a d i z e r q u e , n a v e r d a d e , o s u j e i t o se e n contra
ração
d i a n t e de u m a
de
objeto
perdido
perda assinalada a partir da própria
castração. A busca
por
um
substituto
do
de prazer é o que a f i r m a a d i m e n s ã o desse objeto
para
ope-
primeiro
como
sempre.
Nesse s e n t i d o , L a c a n ( 1 9 7 0 ) c o l o c a q u e , " e m f u n ç ã o d e ser expressamente - e como
tal - r e p e t i d o , d e ser m a r c a d o p e l a r e p e t i ¬
ção,
o q u e se r e p e t e n ã o p o d e r i a es-
tar de o u t r o m o d o ,
em relação
que repete, senão e m perda. Em
da do
que quiserem, em
ao
c o m a mera palavra lúbrica da transgressão" (p. 2 1 ) .
per-
perda
de
v e l o c i d a d e , de força - há a l g o q u e é
Segundo
sa
L a c a n , os efeitos
"distinção radical tem
des-
suas
con-
seqüências ú l t i m a s d o p o n t o de vis-
perda. Freud insiste desde a origem,
ta d a p e d a g o g i a - o q u e c o n d u z
desde a articulação que estou
saber
mindo
pria
resu-
aqui, nessa perda - na
repetição
há
pró-
desperdício
de
não
é o desejo
que conduz
ao
de saber.
ao saber é o
O
discurso
da histérica" (p. 2 1 ) .
g o z o " (p. 44).
D e q u e s a b e r L a c a n está a falar?
E Lacan prossegue em sua arti-
S a b e m o s que ao l o n g o de sua
obra
culação entre repetição e gozo, pro¬
o s a b e r se a p r e s e n t a c o m d u p l o
sen-
pondo-se a introduzir
tido,
naquilo
que
uma
variante
anteriormente
Freud
colocara.
t o m o do
lhe
um
texto
de Freud
sentido
apontado,
que
a função
para
lá não
do traço
- quer dizer, da forma
saberes, como
Kupfer.
E, o r a
ao
denominado
bem
sendo
àquilo "que designa o conjunto
determinações que regem a vida
unário
propria-
sujeito - u m
saber, p o r é m
sujeito no sentido
algum
lhe
ignorân-
a m b í g u a , pois incide sobre
o que constitui
o tecido, o
tudo
próprio
p o d e r i a s e r d e s c a r t a d o , e v i t a d o , re-
ser d o s u j e i t o : o q u e ele e s q u e c e u
jeitado pelo psicanalista -, que é no
sua
traço
ele v i v i d o s , d o s p e n s a m e n t o s
unário
que tem
origem
tudo
mentos
como
ainda o constituem. É u m a
É nesse p o n t o q u e r e c o r r e m o s a
cia
prefere
(1990) acerca de u m a
aparen-
Kupfer,
te d i s s o n â n c i a , c o l o c a d a p o r
Lacan,
Kupfer
entre
o que
tange ao
conceito
s a b e r e d e desejo, e q u e n o s
de
impossi-
b i l i t a r i a , a p r i n c í p i o , de f a l a r m o s
da
Para i n i c i a r m o s essa d i s c u s s ã o ,
O
avesso
da psicanálise,
seminário
n o q u a l La-
can (1970) nos diz literalmente
"o desejo de saber n ã o tem
Se
não
por
e senti-
o constituíram
e
que
ignorân-
rejeição: o que
saber" (Silvestre,
ele
apud
1990, p. 83).
considerarmos
definição, somos
essa
segunda
levados, n u m
meiro momento a concordar
pri-
com
o
q u e L a c a n c o l o c a a c e r c a d o desejo d e
s a b e r e d e s u a n ã o - r e l a ç ã o c o m o sa-
existência de u m desejo de saber.
p a r t i m o s , desta feita, do
que
ativa, u m a
por
u m a questão posta anteriormente
de
história, dos acontecimentos
o que nos interessa, a nós analistas,
saber" (p. 4 4 ) .
do
que
de q u e ele o ig-
cia
tex-
das
e s c a p a (...). É u m saber q u e e s c a p a ao
a f i r m o i s s o - q u e n ã o se vê n o
m a s de m o d o
define
dar-
n o r a . É, e v i d e n t e m e n t e , u m a
de F r e u d ,
o
relacionado
mente, a origem do significante. E
to
conheci-
está
mais simples
d e m a r c a , q u e é, f a l a n d o
ora
m e n t o e p o d e n d o ser
por
Q u a n t o a i s s o , ele n o s d i z : " A í
referindo-se
que
ber, s o b r e t u d o se t i v e r m o s e m
conta
que o saber presente na p e d a g o g i a é
da o r d e m
do conhecimento
tanto, referido ao c a m p o dos
E n t r e t a n t o , se o s a b e r
qualquer
e, p o r saberes.
concer-
r e l a ç ã o c o m o saber". E acrescenta: " a
nente ao inconsciente é o que enreda
menos, é claro, que nos
o
contentemos
sujeito
em
toda
a sua
história,
d e t e r m i n a n d o - o - a i n d a q u e este n ã o
o s a i b a c o n s c i e n t e m e n t e - , n ã o estar i a esse s a b e r t a m b é m
envolvido
ato de a p r e e n d e r , i n c u t i d o na
de
no
busca
conhecimento?
Vários estudos
e trabalhos
fo-
r a m d e s e n v o l v i d o s v i s a n d o estabelecer
as r e l a ç õ e s e n t r e u m c a m p o e o u t r o
do
saber.
Para
Vidal (1999),
por
e x e m p l o , " a a p r e n d i z a g e m se s u s t e n t a
na suposição de que o O u t r o sabe.
O
Outro é o lugar dos significantes
que precedem o sujeito. U m
sujeito
se c o n s t i t u i a p a r t i r d o s s i g n i f i c a n t e s
desse c o r p o " . E c o n c l u i : " A p r e n d e r é
sempre apre(e)nder o significante do
O u t r o ; fazer p r ó p r i a s as p a l a v r a s q u e
formam
o tesouro
de u m a
língua"
(p. 2 2 ) .
Prossigamos, portanto, em nossa
leitura do texto l a c a n i a n o para const a t a r m o s q u e , e m b o r a este n o s p a r e ç a
contraditório
em alguns
em outros aponta
momentos,
p a r a as
questões
m e s m a s q u e t e n t a m o s l e v a n t a r , sobretudo no que diz respeito à articulação de saber, g o z o e
conhecimento.
Lacan (1970) coloca que "não há
nada em c o m u m
conhecimento
entre o sujeito
e o sujeito do
do
signifi-
cante". E acrescenta: "O significante,
e n t ã o , se a r t i c u l a p o r r e p r e s e n t a r
um
sujeito j u n t o a o u t r o significante. É
daí que p a r t i m o s para dar sentido a
essa r e p e t i ç ã o i n a u g u r a l , n a
medida
em que ela é repetição que visa
ao
g o z o " (p. 4 5 ) .
Trata-se de u m
gozo
proibido,
que Lacan insiste em diferenciar da
t r a n s g r e s s ã o . Ele n o s r e m e t e à d i m e n são d o Mehrlust,
d o mais-de-gozar, q u e
se i n s t i t u i a p a r t i r d e u m a p e r d a
de
gozo e de u m trabalho entrópico
do
saber a f i m de c o m p e n s a r essa p e r d a .
Começa-se a entrever u m
de c o n s o n â n c i a ,
isto porque
ponto
se-ia m e s m o
Lacan
muito
de u m
upokeimenon,
do sujeito
dividido
descreve que é por m e i o do mais-de-
da psicanálise. No entanto,
se c o n s i -
gozar que podemos
derarmos
distinguir o que
diferente
o processo
na
contramão,
se dá n o n í v e l " d o s saberes h a r m o n i ¬
olhando justamente para aquilo
zantes que ligam
c a u s a r i a a n e c e s s i d a d e d e se p r o d u z i r
nenwelt"
o
Umwelt
(p. 4 8 ) . Ou
externo ao
ao
seja, o
In¬
mundo
interno.
Pensamos
só ser
possível
d i s t i n g u i r o q u e se p a s s a n o s
traçar
as m a r g e n s , a s b a l i z a s a p a r t i r
das
interligados, mu-
sobredeterminados,
brando-nos o modelo
lem-
da banda
de
Moebius.
que o próprio
poderia
conhecimento
fazer parte desse p l u s
duzido
entropicamente,
por
pro-
um
ber i n c o n s c i e n t e , cujo objetivo
tentar
Poderíamos
que
"tal saber
su-
que
há
dizer, com
é meio
Lacan,
de gozo.
responder
a falta e m ser
do
p r o d u z é e n t r o p i a , esse p o n t o de perda, é o ú n i c o p o n t o , o ú n i c o
regular por
onde
temos
ponto
acesso
ao
pertence à incidência do
E Lacan
"isso pouco
a ver c o m
nos
dúvida
a
conclui
tem
dizendo
a ver c o m
que
a
fala
d o ser f a l a n t e , c o m s u a p a l a v r a . Isso
tem
"aí está o oco,
significante
n o d e s t i n o d o ser f a l a n t e " ( p . 4 8 ) .
aparelha. O
diz que
se
t r a d u z , se a r r e m a t a e se m o t i v a o q u e
C o r r o b o r a n d o e s s e s d a d o s , Lah i â n c i a , que de s a í d a u m
E
q u a n d o ele t r a b a l h a , r e p i t o , o q u e se
sa-
seria
sujeito.
can
veremos
q u e está e m j o g o n o g o z o . N i s s o
É d e s s a s u p o s i ç ã o q u e se d e p r e ende
entificado,
algo de u m o u t r o saber ali presente.
dois
campos, como, principalmente,
tuamente
i n d i v í d u o desse p a d r ã o , u m
jeito
não
q u a i s se e n c o n t r a m
um
que
nada
a estrutura,
ser h u m a n o ,
é assim
chamado
mais é que
que
que
o húmus
se
sem
porque
da
lin-
certo
nú-
m e r o de objetos v e m certamente
pre-
g u a g e m , só t e m q u e se
emparelhar,
algum
d i g o , se a p a l a v r a r c o m
esse
apare-
o que
Vidal
encher,
objetos
q u e s ã o , de
m o d o , p r é - a d a p t a d o s , feitos p a r a servir
lho"
Retomamos
de t a m p ã o " (p. 4 8 ) .
O conhecimento
nesse c a s o b e m
se a d e q u a a essa d e f i n i ç ã o de
Trata-se,
no
mundo
algo veiculado por
uma
objeto.
moderno,
t o d o s os
de acesso ao sujeito, sendo
rado
das fórmulas
de
meios
conside-
para
obter
gem
da
e de sua r e l a ç ã o ao
incompletude
questionar
do
ferentes à c o g n i ç ã o t ê m s i d o
aborda-
realmente
n ã o d e i x a m a r g e m p a r a q u e se p o s s a
a p r e e n d e r o q u e se p a s s a s o b o i m p é r i o , s o b a p r e v a l ê n c i a d o Eu.
To-
m a d o e m seu s e n t i d o e s t r i t o , t r a t a r ¬
apre(e)nder
Outro,
para
se n ã o se t r a t a r i a d e
m e s m o p o n t o d e e s t r u t u r a , tal
um
como
Lacan o marca acima.
De q u a l q u e r forma,
A m a n e i r a c o m o as q u e s t õ e s rena contemporaneidade
aqui
( 1 9 9 9 ) c o l o c a v a ao falar d a a p r e n d i z a -
sucesso e poder.
das
(p. 4 8 ) .
sário voltarmos
(1990) a fim
faz-se neces-
ao texto de
de p r e c i s a r m o s
Kupfer
ainda
algumas questões, sobretudo no
diz
respeito ao desejo de
que
saber.
Nesse trabalho, a autora situa o
m o m e n t o de defrontação
da criança
em relação ao desejo do O u t r o
não
a partir de " u m
tuito, u m a
acontecimento
percepção
imposta
realidade, o nascimento
mãozinho..."
forpela
de u m
(p. 86). M a s a
ir¬
partir
Para M a s o t t a (1986), c i t a d o
Kupfer
(1990), não
haveria
d ê n c i a entre o saber, e m seu
do estrito, e o que Freud
senti-
propõe a
d o desejo de ver, da p u l s ã o de ver
respeito
da q u a l a c r i a n ç a deveria estar
fantil. "A criança, que é u m
im-
por
coinci-
da investigação sexual
in-
investi-
b u í d a . U m a v e z c o l o c a d o esse d e s e j o
g a d o r i n c a n s á v e l de coisas s e x u a i s ,
para
n a d a quer saber sobre a q u i l o
a c r i a n ç a , e s t a se
diante
de u m a
carência, diante
u m a ignorância do
de
saber.
Assim, segundo
cobrimento
encontraria
mesmo
que m o t i v a sua i n v e s t i g a ç ã o : a diferença dos sexos" (p. 89).
Kupfer,
o des-
d a c r i a n ç a n o q u e se re-
E c o n c l u i : "... o s u j e i t o
fere à a u s ê n c i a d e p ê n i s a l e v a , n o r -
a estrutura
m a l m e n t e , "a atravessar o
se a c e i t á - l a , t e r á t a m b é m
complexo
nada
q u e r s a b e r (e p o r i s s o r e c a l c a ) s o b r e
m e s m a da pulsão, pois,
de
admitir
de c a s t r a ç ã o , a r e c o n h e c e r a ' c a r ê n c i a '
q u e seu o b j e t o é l á b i l , i n d e f i n í v e l e,
como
p o r t a n t o , i n a l c a n ç á v e l " (p. 89).
Mas
c a u s a de seu
desejo
sexual.
t a m b é m a leva a r e c o n h e c e r
' c a r ê n c i a de saber' c o m o
sua
causa
do
Deparamos, m a i s u m a vez, c o m
a noção
de objeto
desejo de ver que a levou a desco-
funda
brir". Desse
pulsional.
modo,
ela c o n c l u i , ci-
t a n d o C l a v r e u l ( 1 9 6 8 ) , "o desejo
ver e de saber n ã o é
de
estruturalmente
d i s t i n t o do desejo s e x u a l " (p. 87).
Como
é q u e "o
perdido,
o
desejo
objeto
E, n e s s e s e n t i d o , K u p f e r
aponta
direção
do
q u e se m a r c a v a
que emerge da o p e r a ç ã o de castração
do
um
furo
do
se t r a n s f o r m a
desejo
que o objeto
seria e n c o n t r a d o .
procurado
uma
jamais
E, a i n d a q u e o fos-
E, n e s s e s e n t i d o , L a c a n ( 1 9 7 2 - 3 )
se, i s s o se d a r i a " d e m o d o
d i z : " . . . o inconsciente
é
tório, i n c o m p l e t o , u m a vez que algo
implica,
s e m p r e estaria s e n d o o c u l t a d o , m a s c a -
nos
que
o ser
pense,
entanto,
como
o que
não
o
é que
o ser,
cento,
nada.
não
falando,
goze
queira
saber
r a d o , e m b e n e f í c i o d o p r ó p r i o dese-
inconsciente
jo d o s u j e i t o d e n ã o s a b e r " ( p . 9 1 ) .
e, a c r e s de
mais
Acrescento
que isso quer
não
de
zer
-
(...)
não
há
saber
desejo
Wissentrieb
coisa
insatisfa-
na
d e l e se d i z
ciência tradicional - o
moso
as
i n v e s t i g a ç õ e s s e x u a i s i n f a n t i s se e n c o n t r a r i a m fadadas ao fracasso,
de n a d a saber" (p. 87).
em
que
vez
no
no
sen-
conhecimento
relação ao saber, d i a n t e do
é u m desejo de ver ou de saber, que
em seguida em
que
a labilidade do
texto freudiano, de 1910, c o m o
decorrência dessa equipa-
ração o que temos
na
toda
di-
alguma.
de saber,
esse fa-
que Freud
aponta
em a l g u m l u g a r " (p. 143).
A p a r t i r dessa p r e m i s s a , c o m o se
Traça-se, assim, u m a
disjunção
entre saber e desejo, no que tange à
leitura lacaniana.
A fim
de dar s u p o r t e
à teoria
desenvolvida por Freud em relação à
sexualidade infantil, Kupfer
recorre
novamente a Masotta (1986),
dizendo
q u e se v e r i f i c a n o r e f e r e n c i a l
s u s t e n t a r i a m e n t ã o as t e o r i a s s e x u a i s
a n o a presença de " u m c h o q u e
infantis?
desejos: o da criança e o do
freudientre
Outro
simbólico, representado
pelos
pais
reais" (p. 90).
Choque
que
as r e s p o s t a s d a d a s
pelos
a d u l t o s às p e r g u n t a s i n f a n t i s .
ao
qual
já
m e n ç ã o , de o u t r o m o d o ,
mos
sificarmos
as r e s p o s t a s
fazíamos
ao
dizer-
dadas
pelo
E,
em
última
q u e se a p r e s e n t a
instância,
no
o desenvolvimento
cerne de
é
o
todo
da ciência, isto
a d u l t o à criança n ã o satisfaziam por-
é, u m a
total
q u e , e l e m e s m o , se e n c o n t r a v a
campos
d o s a b e r e d a v e r d a d e , se-
provido
des-
de u m saber sobre o gozo.
paração
disjunção
que
funda
U m a vez que, ao sujeito, é v e d a d o
certo m o d o
responder
sobrepondo-se
ponder
p o r seu ser s e x u a d o , res-
c o m o sujeito do sexo. Trata-
se d e u m a i m p o s s i b i l i d a d e
da
própria
estrutura.
como
sujeito barrado, alienado e m relação
saber
de
absoluto, onisciente
ao saber d i v i n o
sobre
a qual
todo o progresso
que marca o sujeito
os
da
r e l i g i ã o . S e p a r a ç ã o s o b r e a q u a l repousa,
É p o r i s s o , p o r essa f a l t a e s t r u ¬
turante
um
entre
se
sustenta
científico.
Mas, recolocando nossa pergunta,
se o
sujeito
nada
quer
saber
a c e r c a da falta, a c e r c a d a h i â n c i a q u e
a o s e u saber, q u e a i n v e s t i g a ç ã o se-
o funda,
xual da criança tenderá a apagar-se
e x p l i c a r seu e m p r e e n d i m e n t o
sob o efeito d o recalque, a i n d a
n a s q u e s t õ e s s o b r e as o r i g e n s e so-
que
de que m a n e i r a
podemos
as q u e s t õ e s s o b r e a s e x u a l i d a d e per-
bre a lógica que e n g e n d r a o
m a n e ç a m de forma velada.
e se a r v o r a n a s c i ê n c i a s , n a s
E, n e s s e e n f o q u e ,
pfer
Cristina
d i s t i n g u e dois níveis de
Kuabor-
d a g e m d o s e x u a l : o p r i m e i r o é circunscrito c o m o o referente
"às per-
guntas objetivas sobre a procriação,
entre
voraz
mundo
artes,
outros?
O
que estaria, então, i m p l i c a d o
nas investigações sexuais infantis e
e m sua relação à atividade intelectual
da criança?
a n a t o m i a , e até sobre relações s e x u a i s .
U m a l u z s o b r e essa q u e s t ã o sur-
E, o s e g u n d o , b e m d i f e r e n t e , a r t i c u -
ge a p a r t i r d o s t e x t o s de A u l a g n e r
lado com
as i n t e r r o g a ç õ e s s o b r e
sujeito q u e está i m p l i c a d o e m
dades como
o
reali-
as d a c a s t r a ç ã o , d o
sejo i n c o n s c i e n t e , d a d i f e r e n ç a
dedos
( 1 9 6 7 - 8 0 ) , p a r a q u e m " t o d o desejo d e
saber é u m
desejo de saber sobre
Dessa forma,
poder-se-ia
sexos - t o d o s eles p r o b l e m a s registra-
q u e se, n u m
dos no
c r i a n ç a se d e s c o b r e o b j e t o d o
plano
do inconsciente"
(p.
9 0 ) . S e n d o esses a o s q u a i s se r e f e r e
da mãe, n u m
tatada a castração, o sujeito
rem saber a respeito.
Seria importante
dizer
primeiro momento,
a o d i z e r q u e as c r i a n ç a s n a d a
que-
a no-
a
desejo
segundo tempo,
consdepara
c o m o fato d e h a v e r u m d e s e j o
retomar
o
desejo".
que
p r é - e x i s t i a a o seu n a s c i m e n t o e, q u e ,
ção, colocada p r i m e i r a m e n t e , referida
ao m e s m o
a u m s e x u a l r e s t r i t o p u r a m e n t e a seu
a t u a l i d a d e . Isto é, ele n ã o é o ú n i c o
real b i o l ó g i c o , pois
o b j e t o c a p a z d e r e s p o n d e r à falta d o
falar a
partir
tempo,
o transcende
na
desse e n u n c i a d o é característico n ã o
O u t r o , e, p i o r , n ã o h á o b j e t o
só d a s c r i a n ç a s e m s u a s i n v e s t i g a ç õ e s ,
v e l d e tal f a ç a n h a . S e n d o essa d e s c o -
passí-
c o m o t a m b é m é p e r t i n e n t e p a r a clas-
b e r t a o q u e d e s p e r t a r á seu d e s e j o d e
s a b e r s o b r e o d e s e j o d o O u t r o e sobre o que
prio
fundamenta
o seu
pró-
desejo.
E, n e s s e s e n t i d o , v e m o s q u e
o
s u j e i t o n ã o faz o u t r a c o i s a q u e
con-
firmar o destino da pulsão, ou
seja,
o de r e t o r n o ao p r ó p r i o
eu.
A partir desse p o n t o ,
fazemos
nossa a pergunta da autora:
"Como
é possível passar do p r i m e i r o desejo,
do
qual não
se q u e r s a b e r , p a r a
desejo de saber sobre
a ordem
o
do
mundo?"
Para responder
encontramos
a essa
questão,
referência, no texto au-
lagneriano, à demanda
de saber, a
qual viria e m s u b s t i t u i ç ã o ao desejo
d e s a b e r - este i n c o n s c i e n t e - , s e n d o
esse o p r o c e s s o a t u a n t e n a s p e r g u n t a s
articuladas pela criança e envolvido
e m seu d e s e n v o l v i m e n t o i n t e l e c t u a l .
S o b r e esse n o v o
operador
nos é apresentado, Kupfer
que
se d e t é m
e m sua tese, d i z e n d o q u e "é j u s t a m e n te p o r q u e n ã o p o d e h a v e r d e s e j o d e
saber sobre o i n c o n s c i e n t e que
surgir, e m seu l u g a r , u m a
pode
demanda
d e saberes c o n s t i t u í d o s . O desejo n ã o
é e n u n c i á v e l , m a s u m a d e m a n d a o é,
e o faz v e i c u l a n d o esse d e s e j o . A n o ç ã o d e d e m a n d a é, e n t ã o , o n o s s o x,
a p o n t e que p e r m i t e a p a s s a g e m de
u m d e s e j o d e n a d a s a b e r s o b r e o desejo i n c o n s c i e n t e p a r a u m
movimen-
t o d e q u e r e r s a b e r t u d o s o b r e a ord e m do m u n d o " (p. 101).
O
que a d e m a n d a de saber visa
é a d o m i n a ç ã o s o b r e o q u e se a p r e s e n t a c o m o d e s c o n h e c i d o p a r a o sujeito, sobre o que lhe escapa,
concernente
a u m real, q u e
conhecimento
é c a p a z de
sendo
nenhum
abarcar,
m a s a o q u a l se o f e r e c e m o b j e t o s
ilu-
sórios que, ao m e n o s m o m e n t â n e a ¬
m e n t e , p a r e c e m r e s p o n d e r a o v a z i o , m a s q u e l o g o se r e v e l a m i n s a t i s f a t ó r i o s , l e v a n d o o s u j e i t o a d e m a n d a r m a i s , e m a i s , saber. T r a t a se, p o r isso, d e u m e n c o n t r o
fortuito, sempre faltoso. O que carac-
teriza, em g r a n d e parte, a busca desenfreada pelo c o n h e c i m e n t o ,
caso da s u p e r d o t a ç ã o , c o m o u m
no
sintoma.
C a m i n h o tortuoso o n d e o sujeito procura, e m vão, u m a trilha
q u e l h e p e r m i t a c o n c i l i a r - s e c o m a v e r d a d e d e seu ser, s e n d o
sem-
pre dela, e por ela m e s m a , d e s v i a d o .
U m a vez d i s c u t i d o s esses p o n t o s , h a v e r í a m o s q u e r e t o m a r
d u a s d a s três q u e s t õ e s c o l o c a d a s , a n t e r i o r m e n t e ,
ainda
o u seja, s o b r e a
escolha de u m objeto sexual e sobre a s u b l i m a ç ã o .
P e n s a m o s q u e , de certa f o r m a , a m b a s se e n c o n t r a m v i n c u l a d a s ,
intrinsecamente. No
q u e d i z r e s p e i t o à s u p e r d o t a ç ã o , j á foi
dito,
n o i n í c i o deste trabalho, acerca d o a f a s t a m e n t o da s e x u a l i d a d e empreendido
p o r esses s u j e i t o s . E q u a n d o m e n c i o n a m o s s e x u a l , a q u i ,
l o g i c a m e n t e d a m o s ênfase ao que é da o r d e m da s e x u a l i d a d e genital, m a s é s a b i d o q u e , e m a l g u n s c a s o s , esse a f a s t a m e n t o se e s t e n d e
p a r a os t e m a s s e x u a i s , de u m m o d o m a i s a m p l o , o u seja, m e s m o
no
interior das pesquisas intelectuais.
O s e x u a l se c o n s t i t u i , dessa f o r m a , c o m o u m t e m a
totalmente
d e s c o n h e c i d o , q u a n d o n ã o a t e r r o r i z a d o r , p a r a esses s u j e i t o s . A p r ó p r i a p r e v a l ê n c i a d o f a t o r i n t e l e c t u a l já a p o n t a
d e se r e s g u a r d a r d e s s e c o n t a t o ,
cumprir um
para u m a
tentativa
ponto no qual a sublimação vem
papel.
D i t o n a s p a l a v r a s de Freud
(1910), a partir da
sublimação
" p a r t e d o q u e s e r i a a p u l s ã o d e i n v e s t i g a ç ã o se s u b l i m a e m
pulsão
de saber", desse processo decorre que há u m a d i v i s ã o entre o m a t e r i a l s u b l i m a d o e a q u e l e q u e sofre a ç ã o d o r e c a l q u e .
Entendemos
ser esse c o n t e ú d o
r e c a l c a d o o q u e se refere a o sa-
ber s e x u a l , q u e r e m e t e o s u j e i t o a u m p e r í o d o d e s u a c o n s t i t u i ç ã o ,
o n d e a i n d a n ã o l h e era v e d a d o o a c e s s o a o p r i m e i r o o b j e t o d e seu
a m o r , e, s i m u l t a n e a m e n t e , a o a d v e n t o d a i n t e r d i ç ã o d e s s e a m o r .
que "o que
o
s u j e i t o o b t é m d i a n t e d e s u a d e m a n d a de s a b e r é o N o m e - d o - P a i ,
Kupfer
(1990) aborda
esse m o m e n t o d i z e n d o
a
Lei d o P a i , o ' n ã o t o c a r á s n e s t a m u l h e r ' - c o l o c a d o
por
Freud.
P e d i n d o , o u v e n ã o . Eis a face ' c a s t r a d o r a ' d a Lei q u e o p a i v e i c u l a .
Eis a a ç ã o d o r e c a l q u e s o b r e as i n v e s t i g a ç õ e s s e x u a i s i n f a n t i s . Eis o
que produz
No
u m desejo de n a d a saber" (p. 104).
e n t a n t o , p a r a q u e o s u j e i t o p o s s a se e n v e r e d a r n o
campo
d o c o n h e c i m e n t o , torna-se n e c e s s á r i o q u e ele d e s v i n c u l e seus o b j e t o s
d e p e s q u i s a d e q u a l q u e r r e l a ç ã o c o m esse s a b e r - c a u s a d e h o r r o r e
p r o v i d o de c o n o t a ç ã o
incestuosa.
É n e s s e i n s t a n t e q u e se vê o p e r a r o f r u t o d a s u b l i m a ç ã o , o u
seja, a p o s s i b i l i d a d e d e q u e u m m o v i m e n t o
t r a n s g r e s s i v o se a r t i c u l e
no sentido de possibilitar ao sujeito
aventurar-se no c a m p o
saberes, u m a vez tendo subvertido de a l g u m a forma
dos
a interdição,
imobilizadora, do pai.
Sendo assim, nosso
i n t u i t o , a partir de então, será
refletir
a c e r c a d o f a n t a s m a q u e p a i r a s o b r e o s u p e r d o t a d o , p a r a q u e m essa
questão do saber - a c o m p a n h a d o
d a q u i l o q u e ele p o r t a d e t r a n s -
g r e s s ã o - está p o s t a d e s d e o p r i n c í p i o .
N e s s e c a s o , ser s u p e r d o t a d o
corresponderia,
m í t i c o d a c o n s t i t u i ç ã o s u b j e t i v a , a ser o o b j e t o
num
momento
tamponador
falta m a t e r n a e, c o m o tal, m e r e c e d o r a b s o l u t o d e seu
Entretanto, u m a vez ocorrendo
P a i , o s u j e i t o se e n c o n t r a r i a
tado dessa i n t e r d i ç ã o , u m a
por
um
demanda
a intervenção do
Nome-do-
d i v i d i d o . Instituir-se-ia, c o m o
situação bastante
resul-
c o m p l e x a , a saber:
lado o sujeito estaria, de certa forma,
resguardado
i n d e t e r m i n a d a e absoluta do O u t r o materno,
constituir-se como
narcísico que isso lhe inflige.
sofrimento
E, a i n d a - e e s t e é o p o n t o
mais
complexo -, conviver com u m a marca que o remete a todo
àquela primeira posição ocupada, colocando-o
a m e a ç a da fúria
mo-
à mercê da
paterna.
E m b o r a esteja s a c r a m e n t a d o o i n t e r d i t o , a o r e s p o n d e r
superdotado,
da
podendo
desejante. Por outro, d e i x a r i a de o c u p a r o lu-
gar de e x c l u s i v i d a d e anterior, t e n d o que arcar c o m o
mento
da
amor.
o sujeito n ã o d e i x a de r e s p o n d e r
como
a u m ideal narcísi-
co. S u a i n t e l i g ê n c i a l h e p e r m i t e e n c u r t a r d i s t â n c i a s e n t r e o q u e s ã o
seus o b j e t i v o s e os m e i o s p a r a a l c a n ç á - l o , ao c o n f e r i r - l h e u m a c a p a c i d a d e de a p r e e n s ã o e l e i t u r a d o m u n d o , q u e c r i a a i l u s ã o , n ã o só
d e q u e seja p o s s í v e l s a b e r a c e r c a d o d e s e j o d o O u t r o , c o m o
d e q u e seja ele o d e t e n t o r
desse saber. A p a r e n t e m e n t e , n ã o
ainda
haven-
do limites para sua ação.
M a s , ao m e s m o t e m p o , p a r a d o x a l m e n t e , será essa m e s m a capac i d a d e q u e o c o l o c a r á frente a frente c o m as q u e s t õ e s
concernentes
à v i d a e à m o r t e , escavando-lhe cada vez m a i s p r o f u n d a
a falta.
Esse i d e a l q u e é i m p u t a d o a o s u j e i t o , a p r i n c í p i o p e l a m ã e , se
e s t e n d e r á , p o s t e r i o r m e n t e , p a r a o c a m p o s o c i a l , n o q u a l t a m b é m se
e n c o n t r a r á p r e s e n t e , s o b a esfera d o sucesso, o r i s c o d e u m a
de u m a represália, de u m a
perda,
punição.
Os efeitos dessa a m e a ç a p o d e m
se m a n i f e s t a r , n o s u j e i t o , d a s
m a i s v a r i a d a s f o r m a s : f o b i a s , r i t u a i s o b s e s s i v o s e, m e s m o , n a i m p o s s i b i l i d a d e de obter êxito u s u f r u i n d o
seu p r ó p r i o
potencial
in-
telectual.
A i n d a que haja u m m e c a n i s m o de transgressão e n v o l v i d o na
b u s c a de c o n h e c i m e n t o , a m a r c a da c a s t r a ç ã o estará s e m p r e
p a r a o n e u r ó t i c o . E, o o b j e t o s u p o s t o
presente
c o m p l e t á - l o j a m a i s s e r á en-
c o n t r a d o , p o s t o q u e está p e r d i d o d e s d e s e m p r e . A s s i m , m e s m o
que
seja i n f i n d á v e l
sua d e m a n d a
de
ber,
esgotará
busca,
ele n u n c a
pois nada
sua
será c a p a z de
sa-
satisfazê-lo
completamente.
Em
s u m a , s a b e r fazer, s a b e r
codificar
os m e i o s
desvendar
de acesso
mistérios
depara
e enigmas
que
resulta.m, p a r a a g r a n d e m a i o r i a
das
pessoas, inacessíveis, não
ções
ao
todo.
sujeito
Pois
não
de
dá
que
condi-
possa
é o fato
de
ser
conhe-
cer q u e r e s o l v e r á s u a q u e s t ã o
acerca
d o q u e é ser, d o falasser, d e s u a falt a a ser... P a r a e s s a q u e s t ã o
solução.
não
E prosseguir
é outra coisa que
de manter-se
caminha
não
nessa
uma
forma
vivo à medida
para morte.
REFERÊNCIAS
há
busca
que
se
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1
Este texto
é parte
integrante
ção
de M e s t r a d o
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seminário:
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Jacques-Alain
livro
17
Texto
esta-
Miller
(Ari
Recebido
em
abril/2002.
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a superdotação na neurose: uma articulação entre o desejo