SOLANGE BRESSAN AVALIAÇÃO DA INGESTÃO DE MACRONUTRIENTES E DO PERCENTUAL DE GORDURA EM ATLETAS DE BASQUETEBOL PORTADORES DE DEFICIÊNCIA FÍSICA CENTRO UNIVERSITÁRIO FEEVALE INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE CURSO DE NUTRIÇÃO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO PROFESSORA ORIENTADORA: MARIA HELENA WEBER NOVO HAMBURGO, NOVEMBRO DE 2004 FOLHA DE APROVAÇÃO Autora: Solange Bressan Título: Avaliação da Ingestão de Macronutrientes e do Percentual de Gordura em Atletas de Basquetebol Portadores de Deficiência Física. Centro Universitário Feevale, Instituto de Ciências da Saúde, Ciências da Nutrição, Trabalho de Conclusão de Curso. Local e data de aprovação: Novo Hamburgo, 25 de Novembro de 2004. BANCA EXAMINADORA: _____________________________________ Nome do Professor ____________________________________ Nome do Professor _____________________________________ Nome do Professor DEDICATÓRIA Aos meus pais: que me deram o mais importante, à vida. Á minha orientadora e mestre Maria Helena Weber. Aos atletas portadores de deficiência física pela paciência e comprometimento. Aos professores de Educação Física Ângela e Luciano. Às minhas amigas Denise Dani e Ana Paula Menon. E ao meu namorado Max Muller. 4 As palavras vestem as idéias, mas é, indubitavelmente, a ação que as realiza. Noely Gehrke 5 RESUMO O presente trabalho objetivou a avaliação da ingestão de macronutrientes e do percentual de gordura em atletas de basquetebol portadores de deficiência física da Cidade de Caxias do Sul. Foram analisados 10 atletas do sexo masculino, engajados em competições esportivas. Os atletas apresentam idade média de 33,5anos (± 7,94), peso médio de 58,73Kg (± 11,83) e altura média de 1,71m (± 0,07). Dos 10 atletas, 8 adquiriram a deficiência devido a lesões traumáticas e 2 através de lesões atraumáticas. O tempo de prática do esporte é de 22,9 ± 9,52 meses, com dois treinos semanais de 1h e 30min.Identificou-se um consumo médio de calorias de 1533,43calorias (± 676,21), um consumo médio de carboidratos de 51,93% (±11,16), um consumo médio de proteínas de 20,14% (±5,85) e um consumo médio de lipídios de 28,53% (±10,57). A média de percentual de gordura encontrado no grupo, através de protocolo de Faulkner, foi de 13,53%. Verifica-se que, o percentual de gordura encontrado no grupo está dentro da normalidade e que a ingestão de macronutrientes pode ser mais adequada, de forma atender melhor as necessidades do esporte praticado. Por isso, este estudo tem um caráter de conscientização, da importância de um trabalho nutricional voltado às necessidades destes atletas, como também identifica a necessidade de avaliações físicas periódicas, para controle e manutenção da composição corporal dos atletas. Palavras-chaves: Percentual de gordura, Ingestão de Macronutrientes e Basquetebol em Cadeira de Rodas. ABSTRACT This present assignment intends to describe the disabled basketball athletes’ nutritional and anthropometric evaluation from the city of Caxias do Sul. It was analyzed ten male athletes who are engaged in sport competitions. Their mean ages are 33,5 (± 7,94); their average weight is 58,73Kg (± 11,83) and their average height is 1,71m (± 0,07). Eight out of ten of them had acquired disability due to trauma injuries. The activity period is 22,9 months (± 9,52). It was developed two practices a week of an hour and half each. It was identified a mean consumption of 1533,43kca (± 676,21); 51,93 of carbohydrates (± 11,16%); 20,14 of protein (+ 5,85%) and 28,53 of lipid (± 10,57). The mean body fat percentile found in the group was 13,53% trough Faulkner Protocol. It was verified the fat body percentile found in the group is normal and including macronutrients ingestion they would be able to get better results. So that their needs would be supplied in an improved way for the sport activity. Therefore this study has a conscientious character about the importance of a nutritional focus on these athletes needs, as well as the identification of periodic physique evaluation in order to athletes’ body composition control and maintenance. Keywords: fat percentile, macronutrients and basketball on wheelchair. 7 SUMÁRIO FOLHA DE ROSTO.....................................................................................................1 FOLHA DE APROVAÇÃO...........................................................................................2 DEDICATÓRIA............................................................................................................3 EPÍGRAFE ..................................................................................................................4 RESUMO.....................................................................................................................5 ABSTRACT .................................................................................................................6 SUMÁRIO....................................................................................................................7 1.INTRODUÇÃO .........................................................................................................9 2.REFERENCIAL TEÓRICO .....................................................................................11 2.1. Lesão Medular Espinhal..............................................................................11 2.2 O Esporte Adaptado.....................................................................................14 2.3.Avaliação Nutricional....................................................................................17 2.3.1 Antropometria............................................................................................18 2.3.2 Análise Dietética........................................................................................25 2.4 Gasto energético ..........................................................................................27 2.5.1 Carboidratos..............................................................................................30 2.5.3 Lipídios......................................................................................................35 3.METODOLOGIA.....................................................................................................37 3.1.Universo de estudo ......................................................................................37 3.2. Materiais e métodos ....................................................................................38 4. RESULTADOS ......................................................................................................43 8 5. DISCUSSÃO .........................................................................................................46 6. CONCLUSÃO........................................................................................................52 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................54 APÊNDICES..............................................................................................................58 9 1.INTRODUÇÃO Hoje, o País possui 24,5 milhões de pessoas acometidas por algum tipo de deficiência. Sendo que, 3,91%, ou seja, 6,59 milhões, enquadram-se nas deficiências físicas ou motoras (INTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, IBGE,2004) O esporte pode ser para essa população, diferenciada por suas capacidades, uma forma de superação de suas dificuldades motoras. Com a prática esportiva pode-se perceber uma melhora do desenvolvimento físico do atleta, da auto-estima, criando assim, uma imagem corporal positiva. Assim, o basquete em cadeira de rodas, destaca-se por ser um dos esportes adaptados que possui o maior número de participantes. Isto se deve, pela facilidade de execução dos movimentos sobre uma cadeira de rodas. Ela auxilia a locomoção e a prática dos movimentos (CASTELLANO,2001). técnicos e táticos, exigidos pelo esporte 10 A competição tem um caráter saudável, pois permite desenvolver a cooperação, união e espírito de grupo, demonstrando que a deficiência não é uma barreira que impede a prática esportiva (BRAZUNA e CASTRO, 2001). Assim, vê-se uma preocupação de que o atleta mantenha uma composição física adequada para manutenção da prática esportiva e uma alimentação equilibrada que contemple todas as necessidades exigidas pelo esporte competitivo. Com este intuito, o objetivo geral deste trabalho é realizar uma avaliação da ingestão de macronutrientes e percentual de gordura em atletas de basquetebol portadores de deficiência física. Os objetivos específicos consistem em identificar a importância de um trabalho nutricional voltado às necessidades destes atletas e demonstrar a importância de avaliações periódicas do percentual de gordura dos mesmos. A hipótese sustentada é que a ingestão de macronutrientes por atletas de basquetebol, portadores de deficiência física, não está adequada para a atividade que praticam, o que ocasiona um aumento do peso e do percentual de gordura. 11 2.REFERENCIAL TEÓRICO 2.1. LESÃO MEDULAR ESPINHAL Conforme Ribeiro (2002), a medula espinhal possui a proteção óssea da coluna vertebral. De acordo com a localização do nervo e respectiva vértebra, tais partes do organismo humano são divididas em regiões: • Região Cervical, constituída por sete vértebras (simbolizadas pela letra C); • Região toráxica (dorsal), constituída por doze vértebras (simbolizadas pela letra T); • Região lombar, formada por cinco vértebras (simbolizadas pela letra L); • Região Sacra, formada pela fusão de cinco vértebras (simbolizadas pela letra S) • Região coccígea, formada pela fusão de quatro a cinco vértebras. 12 Segundo Ribeiro (2002), as deficiências ocorrem em diferentes graus, com maior ou menor comprometimento de funções físicas. O sistema nervoso tem um papel fundamental estabelecendo conexões entre o cérebro e o restante do organismo, transmitindo sensações, controlando movimentos e funções motoras. Quando ocorrem lesões, o sistema nervoso passa a ser afetado. E esses tipos de lesões podem ser de duas formas: Atraumáticas • Causas infecciosas: principalmente causada pelo vírus da poliomelite, doença que em geral destrói os neurônios motores. Pode-se ainda citar as infecções por: tuberculose espinhal, esclerose múltipla e AIDS, como importantes causadoras de lesões da medula espinhal; • Lesões como conseqüências de aneurisma, tumores e mielopatias; • Escolioses, deformidades congênitas e osteo-reumatismos. Traumáticas Decorrem de ferimentos de acidentes ou ferimentos por arma de fogo. Quando a medula é afetada, as conseqüências podem ser mais graves como: • Paralisia, que é a alteração ou ausência do poder muscular abaixo da lesão; 13 • Perda sensorial, caracterizada por alteração ou perda de sensação abaixo do nível neurológico da lesão. As lesões nas regiões superiores da coluna (C1 a T1) resultam em tetraplegia, enquanto as lesões em níveis mais baixos (T2 a L1) resultam em paraplegia, com envolvimento da pelve e membros inferiores (RIBEIRO, 2002). As pessoas portadoras de paraplegia que participam de atividades físicas possuem menos depressão, confusão, e tensão. Os grupos que participam de esportes mostraram uma percepção mais positiva da vida, melhorando sua saúde e bem estar do que os que não praticam esportes (PAULSEN et al, 1990). Conforme estudo realizado por Poços e Hooker (1990), uma pessoa que perdeu um dos membros após o nascimento, teve uma extensão de vida de somente 10,5 anos após o início de sua inatividade. Aqueles que perderam um membro por uma doença, tendem a experimentar atrofia muscular. Quando isto ocorre, os membros podem aumentar o acúmulo de gordura e diminuir a quantidade de massa muscular. O funcionamento físico geral do corpo tende a ser menos eficaz. As doenças cardiovasculares, respiratórias e infecciosas podem transformarse em problemas fatais para esse grupo de pessoas. 14 2.2 O ESPORTE ADAPTADO Após a Segunda Guerra Mundial, os soldados voltavam para casa com lesões medulares e, pela falta de atividade física e de maiores conhecimentos dos médicos sobre este trauma, os soldados acabavam morrendo. Então, Sir Lidwig Guttmman iniciou o esporte como forma de reabilitação. Uma das modalidades surgidas nesta época foi o basquete em cadeira de rodas. Inicialmente era praticado apenas por lesados medulares e atualmente praticado por pessoas com outros tipos de deficiência (CALEFFI, 2003). O esporte para pessoas portadoras de deficiência nasceu no Brasil, em 1958 com Robson de Almeida, portador de paraplegia. Foi ele quem fundou no Rio de Janeiro o primeiro clube de esporte do gênero: o Clube Otimismo. Após, o esporte adaptado foi crescendo e formando associações nacionais para atender a necessidade em todas as áreas de deficiência. O esporte adaptado possui 18 modalidades, sendo 14 destas paraolímpicas: arco e flecha, atletismo, basquetebol, bocha, ciclismo, equitação, esgrima, futebol de campo e de salão, golbol, halterofilismo, iatismo, judô, natação, rugby, tênis de campo, tênis de mesa, tiro e voleibol (BRAZUNA e CASTRO, 2001). O basquete em cadeira de rodas foi um dos esportes que mais se difundiu entre os portadores de deficiência. Originou-se em decorrência do último conflito mundial. A partir do qual, alguns países mais desenvolvidos concentraram seus esforços em implantar e implementar centros de reabilitação que atendessem o 15 grande contingente de pessoas com deficiências adquiridas no pós-guerra (CASTELLANO, 2001). Este esporte é praticado por pessoas acometidas de traumatismos medulares, seqüelas de poliomielite, amputações ou quaisquer comprometimentos motores permanentes que as impossibilitem da prática do basquetebol convencional (CASTELLANO, 2001). Conforme a Federação Brasileira de Cadeirantes do Rio de Janeiro (2004), o Brasil possui 60 equipes masculinas e 6 equipes femininas atuantes no esporte hoje. Os dois principais mecanismos de ingresso no esporte adaptado são: a reabilitação (que segue a proposta de um médico ou fisioterapeuta) e a oportunidade de engajamento social com outros portadores (um grupo de atletas, ou praticantes de uma mesma atividade). Dentre os benefícios encontram-se: a melhora da qualidade de vida, aspectos físicos relacionados à saúde, aspectos pessoais e interpessoais (BRAZUNA e CASTRO, 2001). Conforme Dalquano et al (2003), os motivos que levam um portador de deficiência a praticas esportivas são: a própria prática do exercício físico para o lazer, saúde e principalmente, pela competição esportiva. O lazer é um componente importante para a qualidade de vida de todos. Especialmente, no caso dos portadores de lesão medular, pois proporciona a 16 integração na sua comunidade, manutenção do bem estar, melhoria da auto-estima e desenvolvimento das potencialidades individuais (RAPOSO, 2003). O desempenho atlético está associado com ganhos significativos, não só da capacidade física e manutenção da independência, mas também, para a saúde mental, incluindo a percepção de competência e identidade pessoal. O ambiente competitivo permite ao atleta criar um senso de responsabilidade, cooperação e aprendizado ajudando outros competidores a superar a deficiência e a baixa-estima. (BRAZUNA e CASTRO, 2001). O mesmo autor cita que,a competição para o portador de deficiência é uma meta, um objetivo, uma simples disputa entre o corpo e o limite físico. Essa vitória significa um ganho sobre suas próprias dificuldades e uma realização pessoal, não tendo a competição um caráter negativo ou maléfico. Existe uma diferença na atitude em torno da competição entre portadores e não portadores de deficiência. No primeiro caso, a competição associa-se à superação da deficiência e, para o segundo, associa-se à motivação externa provocada pelo adversário ou requerimento da prova atlética (BRAZUNA e CASTRO, 2001). 17 2.3.AVALIAÇÃO NUTRICIONAL As principais características físicas podem ser modificadas em função de múltiplos fatores, dentre eles: hábitos do cotidiano, hábitos alimentares e quantidade de atividade física (NÓBREGA apud SANTOS et al, 2002). Conforme Ribeiro e Tirapegui (1999), a ausência ou diminuição da mobilidade leva a mudanças metabólicas, que trazem conseqüências nutricionais como: balanço nitrogenado negativo, diminuição da albumina sérica, aumento da perda de cálcio no osso e tecido colagenoso, além da perda de peso corporal. De acordo com Sullivan e De Looze et al apud Ribeiro et al (1998), outros fatores que acometem os pacientes que permanecem em cadeiras de rodas são: hipercalciúria, cálculos renais e alterações funcionais no intestino. Segundo Cuppari (2002), a avaliação do estado nutricional tem como objetivo identificar os distúrbios nutricionais, possibilitando uma interação adequada de forma a auxiliar na recuperação e ou manutenção do estado nutricional de saúde do indivíduo. A avaliação nutricional proporciona identificar a real situação do indivíduo e consiste em diferentes abordagens: • Métodos Objetivos: antropometria, composição corporal, parâmetros bioquímicos e consumo alimentar; • Métodos Subjetivos: Exame físico e avaliação global subjetiva. 18 A avaliação nutricional deve abordar, além das necessidades nutricionais básicas, aspectos sobre a ingestão, digestão, absorção, metabolismo e eliminação dos alimentos da dieta humana (RIBEIRO, 2002). 2.3.1 ANTROPOMETRIA Segundo Ribeiro e Tirapegui (1999), o estudo das dimensões do corpo reflete, muitas vezes, o estado nutricional do indivíduo. A avaliação antropométrica é realizada a partir de várias medidas, índices, fórmulas e protocolos. A prática da avaliação física pode necessitar adaptações, devido à constituição física de portadores de deficiência: a)Peso O portador de deficiência muitas vezes não consegue ficar em pé na balança. Assim, algumas alternativas são propostas (RIBEIRO e TIRAPEGUI, 1999): • Utilizar uma balança para pacientes acamados, dificilmente encontrada em clubes ou instituições esportivas; • Acomodar o atleta com as pernas cruzadas em cima da plataforma da balança. Este método só possui validade se a plataforma da balança for ampla; 19 • Calcular o peso por diferença. Onde, o avaliador carrega o atleta e sobe juntamente com este, em cima da balança.Do total obtido, retirase o peso do avaliador assim, identificando o peso do atleta. A grande dificuldade é quando estes pacientes possuem uma estrutura grande ou são obesos; • Segundo Chumlea et al apud Ribeiro e Tirapegui (1999), quando não se consegue realizar nenhuma das metodologias anteriores, a estimativa de peso, através de equações, podem ser uma forma viável para obtenção deste dado, conforme tabela abaixo: TABELA 1.0 Fórmulas Propostas para Estimativa do Peso Corporal Idade Raça Equação SEXO FEMININO 6-18 NEGRA PESO=(CJ X 0,71) + (CB X 2,59) – 50,43 6-18 BRANCA PESO=(CJ X0,77) +(CB X 2,47) – 50,16 19-59 NEGRA PESO=(CJ X 1,24) +(CB X 2,97)-82,48 19-59 BRANCA PESO=(CJ X 1,01)+(CBX2,81)-66,04 60-80 NEGRA PESO=(CJ X 1,50) + (CB X 2,58) – 84,22 60-80 BRANCA PESO= (CJ X 1,09) + (CB X 2,68) – 65,51 SEXO MASCULINO Raça Equação 6-18 NEGRA PESO=(CJ X 0,59) + (CB X 2,73) – 48,32 6-18 BRANCA PESO=(CJ X0,68) +(CB X 2,64) – 50,08 19-59 NEGRA PESO=(CJ X 1,09) +(CB X 3,14)-83,72 19-59 BRANCA PESO=(CJ X 1,19)+(CBX3,21)-86,82 60-80 NEGRA PESO=(CJ X 0,44) + (CB X 2,86) – 39,21 60-80 BRANCA PESO= (CJ X 1,10) + (CB X 3,07) – 75,81 Fonte: CHUMLEA et al apud RIBEIRO et al (1999). Nota: CJ = comprimento do joelho, medida na perna esquerda CB= circunferência do braço, medida no ponto médio entre os ossos acrômio e olecrano. 20 Este método de estimativa pode conter uma margem de erro alta. Por isso, deve ser utilizado para pessoas que não conseguem se adaptar aos outros métodos (RIBEIRO e TIRAPEGUI, 1999). b)Altura A altura pode ser determinada em indivíduos acima de dois anos, que consigam manter-se em pé (RIBEIRO e TIRAPEGUI, 1999). Para indivíduos portadores de deficiência física, as alternativas para medir a altura são: • O comprimento dos braços do indivíduo em posição de cruz (envergadura) corresponde a sua altura. Mede-se desde o dedo médio da mão direita até o mesmo dedo da mão esquerda. Esse tipo de estimativa pode constituir uma ferramenta mais apropriada no caso de paraplegia, desde que não haja comprometimento de membros superiores (JARZEM apud RIBEIRO, 2002); • Através da fórmula de estimativa da estatura (CHUMLEA et al apud RIBEIRO et al, 1999): TABELA 2.0 Fórmula para Estimativa da Estatura de Indivíduos Idade Equação Sexo feminino, raça negra >60 anos Altura= 58,72 + (1,96 xCJ) 19-60anos Altura= 68,10 + (1,86 xCJ)-(0,06 x idade em anos) 6-18anos Altura= 46,59 + (2,02 xCJ) 21 Sexo feminino, raça branca >60 anos 19-60anos 6-18anos Sexo masculino, raça negra >60 anos 19-60anos 6-18anos Sexo feminino, raça branca >60 anos 19-60anos 6-18anos Altura= 75,00 + (1,91 xCJ)- 90,17 x idade em anos) Altura= 70,25+ (1,87 xCJ)-(0,06 x idade em anos) Altura= 43,21 + (2,14 xCJ) Altura= 95,79 + (1,37 xCJ) Altura= 73,42 + (1,79 xCJ) Altura= 39,60 + (2,18 xCJ) Altura= 59,01 + (2,08 xCJ) Altura= 71,85 + (1,88 xCJ) Altura= 40,54 + (2,22 xCJ) Fonte: CHUMLEA et al apud RIBEIRO et al (1999). Nota: CJ= comprimento da perna, que deve ser medido do joelho até o pé esquerdo, com a perna em um ângulo de 90°. • A estatura recumbente é outro método para verificar a estatura. O indivíduo deverá estar em posição supina em uma superfície horizontal completa. Marca-se a altura, pela extremidade da cabeça e a base do pé no lado direito do indivíduo. Com o auxílio de um triângulo, mede-se posteriormente à distância entre as marcas com uma fita métrica flexível (CUPPARI, 2002). C) Composição Corporal A determinação da composição corporal em portadores de deficiência pode ser realizada por diversas técnicas como: pesagem hidrostática, bioimpedância elétrica, água corporal total, potássio corporal total, análise por ativação de nêutrons, densidade mineral óssea (DEXA), circunferências e dobras cutâneas (RIBEIRO, 2002). 22 Um dos meios mais práticos e de baixo custo para avaliação da gordura corporal de populações entre 20 e 50 anos é, o uso de dobras cutâneas. Isso porque, aproximadamente metade do conteúdo corporal total de gordura fica localizada nos depósitos adiposos existentes debaixo da pele. Essa gordura localizada está diretamente relacionada com a gordura total (LOHMAN apud COSTA, 2001). Conforme Ribeiro (2002), a predisposição da composição corporal por equações, a partir de circunferências e dobras cutâneas, é o método mais amplamente utilizado, por várias razões: • É uma boa medida da gordura subcutânea; • A soma de várias dobras constitui-se uma boa estimativa da gordura corporal total; • Quando feitas corretamente, correlaciona-se eficientemente com método considerado padrão ouro. A estimativa da composição corporal por meio de medidas antropométricas, pode ser uma forma viável de avaliação das equipes ou de atletas, devido a praticidade e pouco custo da técnica (RIBEIRO, 2001). 23 A técnica constitui da medida da espessura das dobras cutâneas. Sendo assim, estas são aferidas utilizando um adipômetro. As medidas devem ser realizadas no hemicorpo direto do avaliado e as principais são: bíceps, subescapular, tríceps, abdominal, supra-ilíaca, coxa e panturrilha (COSTA, 2001). Para portadores de lesões medulares, a composição pode alterar devido à perda do controle voluntário de um dos segmentos de maior parte do corpo: os braços ou as pernas. Como resultado desta condição, o tecido adiposo aumenta em proporção à massa magra. Além disso, o conteúdo mineral ósseo e a densidade corporal estão acometidos, especialmente no membro imobilizado (RIBEIRO et al, 1999). A massa adiposa ideal, relativa ao peso corporal (percentual de gordura) conforme protocolo de Pollock , é de 18 a 20% para adultos do sexo masculino com idade entre 26 a 35 anos (COSTA 1999). Indivíduos sedentários portadores de deficiência tendem a apresentar um nível de gordura maior que pessoas sedentárias, fisicamente normais (KOCINA, 2002). Segundo WELLS et al apud RIBEIRO (2002), o percentual de gordura mensurado, através do padrão ouro (DEXA), em atletas de elite portadores de deficiências é de 17%, altamente treinados é 22,3%, não altamente treinados é 25% e ativos 20,5%. 24 Conforme Ribeiro (2002), a mensuração da gordura corporal em pacientes portadores de deficiência pode ser realizada através da equação de densidade corpórea (Dc) proposta por Bulbulian et al e convertida a densidade corporal para percentual de gordura através da fórmula de Siri : Dc = 1,09092 = 0,00296 (diâmetro do tórax,cm) – 0,00072(dobra cutânea subescapular,mm) – 0,00182 (circunferência da cintura,cm) + 0,00124(circunferência da batata da perna, cm) % de Gordura= ((4,95 / Dc) - 4,50) x 100 Segundo Ribeiro (2002), outro método é pela fórmula de densidade corporal de Jackson e Pollock e convertida em percentual de gordura pela fórmula de Siri anteriormente citada, onde: Dc= 1,1714 – 0,0671 log10(DCT+DCSI+DCab) Onde: DC: Dobra cutânea do tríceps; DCSI:dobra cutânea supra- ilíaca; Dcab: dobra cutânea abdominal. Em estudo comparativo Ribeiro et al (1998), utilizou o protocolo de Faulkner para obtenção do percentual de gordura em portadores de deficiência física a seguinte fórmula: % de Gordura= (DCT +DCSE +DCAb +DCSI) x 0,153 + 5,783 Onde DCT: dobra cutânea do tríceps; DCSE: dobra cutânea subescapular; DCAb: dobra cutânea abdominal DCSI: dobra cutânea supra-ilíaca 25 Onde, o percentual ideal de gordura para homens adultos, acima de 35 anos não praticantes de atividade física, é de 15%. Com o incremento da atividade física o percentual de gordura para homens até 30 anos é de 10% e acima de 40 anos 14%. (FAULKNER,1968) A redução do nível de atividade física, determinada por ocorrência de lesões na coluna vertebral, resulta em alterações na massa muscular, na mineralização óssea e na massa adiposa. A massa muscular diminui após a lesão, pela atrofia do membro. Ocorre também, declínio do conteúdo mineral ósseo e na densidade óssea, especialmente nos membros paralisados. Além disso, o aumento da gordura corporal conduz à obesidade e a alterações metabólicas que podem ocasionar doenças cardiovasculares e diabetes mellitus Tipo II (KOCINA, 2002). A atividade física pode conter algum aumento da gordura corporal na população, com lesões de coluna vertebral (KOCINA, 2002). A ausência ou diminuição da mobilidade leva a mudanças metabólicas como balanço nitrogenado negativo, diminuição da albumina sérica, aumento da perda de cálcio no osso e tecido colagenoso, além de peso corporal total (RIBEIRO e TIRAPEGUI, 1999). 2.3.2 ANÁLISE DIETÉTICA Segundo Ribeiro (2002), a análise dietética tem como objetivo: identificar a partir de um inquérito, a ingestão de nutrientes diários e principalmente, o que o atleta ingere antes, durante e após o exercício ou treinamento. Tendo em vista, a 26 importância de se conhecer o padrão dietético de atletas portadores de deficiência física. Destacam-se os seguintes pontos para uma análise dietética: • A prática esportiva requer determinadas determinados períodos competitivos; • A classe sócio-econômica dos atletas o que poderia dificultar a realização de registro alimentar por vários dias. modificações em Os Recordatórios sucessivos de 24hs propõem ao indivíduo recordar e descrever todos os alimentos ingeridos no período prévio de 24horas. Esse método pode ser empregado por vários dias qualificando a metodologia. As quantidades de alimentos consumidos são usualmente estimadas em medidas caseiras (CUPPARI, 2002). O recordatório alimentar evidencia possíveis carências nutricionais, excessos alimentares e identifica a conduta nutricional a ser traçada para que estes atletas melhorem sua alimentação e performance (RIBEIRO, 2002). O questionário de freqüência alimentar é um método de análise dietética onde, o indivíduo registra ou descreve sua ingestão usual com base em uma lista de diferentes alimentos e sua freqüência de consumo por dia, semana, mês ou ano. O grande problema neste método é que as informações obtidas são qualitativas, não fornecendo dados quantitativos da ingestão de alimentos ou nutrientes. Assim, não tendo dados possíveis para micronutrientes (CUPPARI, 2002). quantificar realmente os macronutrientes e 27 O registro alimentar pesado é empregado através de pesagem dos alimentos que serão consumidos, o que pode ocasionar um consumo alterado nos dias de registro. O avaliado necessita de tempo para pesar e anotar os alimentos, tornando sua aplicação difícil em equipes esportivas (CUPPARI, 2002). 2.4 GASTO ENERGÉTICO Os pacientes portadores de paraplegia devem ter suas necessidades energéticas calculadas visando 5-6Kg abaixo do peso padrão (PEIFFER, 1988). Essas observações são feitas com base na inatividade gerada pela posição sentada dos portadores de paraplegia e com o conseqüente acúmulo de tecido adiposo ( WILLIANS, 1993). Conforme Ribeiro (2002), no caso de atletas portadores de deficiência física, as necessidades nutricionais devem ser estimadas levando em conta o gasto de energia resultante da atividade física praticada. Aspectos como hidratação e ingestão energética, durante a atividade física, seguem o mesmo critério dos atletas sem deficiências, salvo os casos de comprometimento renal. Os excessos de peso e adiposidade contribuem para o aparecimento de úlceras de pressão (escaras), que são áreas necrosadas decorrentes da pressão prolongada, causada pela posição sentada e pelas doenças relacionadas com a obesidade, que são também fatores que merecem cuidados (RIBEIRO, 2002). 28 Conforme Ribeiro (2002), várias são as formas de se predizer o gasto energético calórico de um indivíduo. Pode-se citar Harris-Benedict (1919), entre outras, mas dadas às diferenças da composição corporal de portadores de deficiência física, há necessidade de se levantar a possibilidade das fórmulas convencionais determinarem valores superestimados para esse tipo de população. Conforme estudo realizado por Alexandre (1995), onde foi avaliada a taxa metabólica de repouso em indivíduos paraplégicos com e sem escaras de decúbito, identificou-se que, a taxa de metabolismo destes indivíduos é significativamente diminuída, quando comparada a indivíduos normais. Por outro lado, a existência de escaras de decúbito, torna os indivíduos hipermetabólicos, o que se deve destacar em um acompanhamento nutricional. Outro estudo realizado por Spungen (1993), mostra que a diminuição na taxa metabólica em pacientes paraplégicos está relacionada com a composição corporal: quanto maior a quantidade de gordura, menor a taxa metabólica basal. Segundo Cunninghan (1991), o uso fórmulas que utilizem apenas o peso da massa magra, tornam-se mais eficientes em portadores de paraplegia, porque quanto menor a quantidade de músculos menor o metabolismo basal. Por isso, utiliza-se a seguinte fórmula: • Gasto energético basal = 21,6 x (massa magra em Kg) + 370 • Gasto energético diário = 26 (massa magra em Kg) + 682 29 A demanda energética relacionada ao metabolismo de repouso refere-se à energia necessária para manutenção da temperatura do corpo em estado de repouso e dos sistemas integrados às funções orgânicas básicas e essenciais. Seus valores se aproximam da demanda energética mínima necessária à manutenção da vida ou do metabolismo basal. A demanda energética referente ao metabolismo voluntário, refere-se a toda participação energética relacionada às contrações musculares voluntárias, e que portanto está associada às atividades físicas (HILL apud GUEDES, 1996). Na realização de esforços físicos intensos, pode-se alcançar elevações na demanda energética de 10 a 15 vezes maior do que a situação de repouso (GUEDES, 1996). 2.5 Macronutrientes Os nutrientes representados por carboidratos, gorduras e proteínas fornecem energia necessária para as funções corporais em repouso e durante as atividades físicas (MCARDLE et al, 1998). Os nutrientes se dividem em macro e micronutrientes. Os carboidratos, gorduras, proteínas e água são chamados de macronutrientes e as vitaminas e minerais, os micronutrientes (GUEDES, 1998). 30 2.5.1 CARBOIDRATOS Os carboidratos se apresentam de acordo com sua estrutura química, de formas simples e complexos. No grupo dos carboidratos simples estão incluídos os monossacarídeos ou os açúcares de uma única molécula, como a glicose, a frutose e a galactose; e os dissacarídeos ou açúcares de duas moléculas de monossacarídeos, como sacarose, a lactose e a maltose. Os carboidratos complexos são compostos por combinações de três ou mais moléculas de monossacarídeos, que formam os polissacarídeos, que podem ser encontrados nos vegetais como forma de amido e celulose, e nos tecidos animais, na forma de glicogênio (GUEDES, 1998). O papel dos carboidratos está relacionado ao metabolismo energético e à realização dos exercícios As principais fontes de carboidratos são: cereais, bolos, pães, doces, frutas e verduras (MCARDLE et al, 1996). Conforme Guedes (1998), organismo humano somente utiliza os carboidratos como fonte de energia quando estes se encontram à disposição na forma de açúcares simples. Conseqüentemente, no caso dos dissacarídeos e dos polissacarídeos, estes serão desdobrados pelo processo digestivo em monossacarídeos antes de serem absorvidos e transportados pela corrente sanguínea até o fígado, onde podem ser: 31 • Transformados em glicose e enviados a todas as células do organismo para serem utilizados diretamente como combustível energético; • Convertidos em glicogênio e estocados no próprio fígado e nos músculos esqueléticos para serem utilizados como energia; • Convertidos em ácidos graxos livres e armazenados no tecido adiposo como fonte de energia futura. A ingestão recomendada de carboidratos deve ser de 50 a 60 % sendo esta suficiente para manter as reservas corporais de glicogênio (MCARDLE et al, 1996). Mas, quando a atividade física passar de duas a três horas com intensidade de 60% - 80% do VO²máx ou após, 15-30 minutos de exercícios intervalados intensos, de 90%-130% do VO²máx, o glicogênio se esgota. Portanto, atletas que treinam nessa intensidade, podem aumentar sua ingestão de carboidratos para 70 a 80% do valor calórico total, o que ajuda, mas não garante total eficiência na reposição das concentrações intramusculares de glicogênio (Lancha, 2002). Para se manter ou até aumentar os estoques de glicogênio, durante os períodos de treinamento, a ingestão recomendada de carboidratos é de 6 a 10g/Kg de peso corporal (BURKE apud GUERRA, 2002). Deve-se utilizar,preferencialmente,os carboidratos complexos, por serem absorvidos mais lentamente pelos intestinos, o que também preenche de maneira mais lenta as reservas de glicogênio hepático. Os carboidratos simples, por sua 32 rápida absorção, além de preencherem as reservas de glicogênio, são depositados sob forma de triglicerídeos, em razão de os tecidos muscular e hepático não conseguirem absorver toda a glicose colocada rapidamente à sua disposição (YUDKIN apud GUEDES, 1998). A ingestão demasiada de carboidrato pode causar um aumento da gordura corporal, porque os açúcares, em excesso, vão ser depositados em forma de gordura pelo organismo (GUEDES, 1998). Dietas que limitam excessivamente a ingestão de carboidratos ocasionam redução rápida de peso corporal, e odem levar ao surgimento de fadiga excessiva, hipoglicemia e cetose. A baixa ingestão de carboidratos está associada com a perda do efeito conservador das proteínas. Quando as reservas de glicogênio diminuem, as necessidades de glicose do organismo se satisfazem mediante a decomposição de proteínas musculares e dietas de alto conteúdo protéico,com ingestão de carboidratos demasiadamente baixa, favorece também essa perda muscular (MCARDLE et al , 1996). 2.5.2 Proteína As proteínas são constituídas de seqüências de aminoácidos. Oito aminoácidos, denominados essenciais, não podem ser sintetizados pelo corpo e, portanto, terão que ser fornecidos pelos alimentos. Estes aminoácidos são: isoleucina, leucina, lisina, metionina, fenilalanina, treonina, triptofano e valina 33 (MCARDLE et al, 1996). A ausência ou a ingestão inadequada de qualquer um destes aminoácidos leva a um balanço nitrogenado negativo e a perda de peso (MAHAM et al, 1998). Os aminoácidos não-essenciais são: alanina, ácido aspártico, asparagina, ácido glutâmico, glutamina, glicina, prolina e serina, se estes não estiverem presentes na síntese da proteína, podem ser sintetizados a partir de aminoácidos essenciais ou de precursores de carbono e nitrogênio. Os aminoácidos condicionalmente essenciais são aqueles que se tornam essenciais sob certas circunstâncias clínicas (MAHAM et al, 1998). De acordo com o conteúdo dos aminoácidos essenciais, designa-se determinado valor biológico às proteínas. Quanto maior o número de aminoácidos essenciais, mais elevado é o seu valor biológico. Do ponto de vista nutricional as melhores proteínas de origem animal são encontradas nos ovos, pescados, leite e carne bovina. Entre as proteínas vegetais, destaca-se a soja, feijões, trigo e milho (LEMON apud GEDES, 1998). A função da proteína alimentar é o fornecimento de aminoácidos destinados aos vários processos anabólicos e catabolizada para a produção de energia (MCARDLE et al, 1996). A necessidade protéica de um atleta deve ser de 15 % do VCT, devido ao reparo de lesões induzidas pelo exercício nas fibras musculares, uso de pequena 34 quantidade de proteína como fonte de energia e ganho de massa magra (AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE apud GUERRA, 2002). A ingestão recomendada para atletas em geral é de 1,2 a 1,5g/Kg de proteína de peso ao dia ou de 10 a 15% do valor energético total (LEMON apud GUERRA, 2002). Úlceras severas requerem cuidados nutricionais extras, como necessidade protéica de 1,5 -2g/Kg de peso ao dia, suplementos de vitamina C e zinco (WILLIANS, 1993). A contribuição da proteína, para o exercício de endurance, não pode ultrapassar 5% - 15% do valor energético total (GONTZEA apud BACURAU, 2001) A ingestão demasiada de proteína pode comprometer a ingestão de carboidratos, causando desidratação e o excesso de proteína estocado como tecido adiposo (GUERRA, 2002). A elevação da ingestão protéica acima das necessidades diárias implica na alteração da funcionalidade renal, visto que processos de desaminação aumentam as concentrações de uréia, o que implica em maior diálise renal (LANCHA, 2002). Os atletas portadores de deficiência possuem um balanço nitrogenado negativo, causado pela própria deficiência, por isso deve ser mantido um balanço positivo por meio de uma dieta balanceada em energia e proteína. Dependendo do caso, suplementos de proteínas podem ser uma opção válida. Entretanto 35 parâmetros renais e dados bioquímicos são fundamentais para essa tomada de decisão (RIBEIRO, 2002). 2.5.3 LIPÍDIOS Os lipídios são substâncias que proporcionam maior reserva energética para o funcionamento orgânico, as gorduras servem como meio de transporte para as vitaminas lipossolúveis e possuem função importante na conservação da temperatura corporal (FERREIRA apud GUEDES, 1998). A maior parte do substrato lipídico é proveniente dos ácidos graxos livres mobilizados do tecido adiposo. Sua mobilização acentuada durante os exercícios prolongados de intensidade moderada (GUERRA, 2002). Os ácidos graxos são divididos em saturados e não saturados. Os ácidos graxos saturados são mais predispostos a serem utilizados como energia metabólica, e os ácidos graxos instaurados desempenham função estrutural como parte das membranas de todas as células e organelas (FERREIRA apud GUEDES, 1998). Os ácidos graxos saturados originam elevação plasmática do colesterol total, á os ácidos graxos polinsaturados têm o papel de diminuir os lipídios e as lipoproteínas plasmáticas (GUEDES, 1998). 36 O treinamento de resistência aumenta a capacidade de oxidação das gorduras, assim o organismo permanece mais tempo em atividade, antes de se instalar a fadiga, devido a depleção de glicogênio (COYLE apud CARVALHO, 2002). A ingestão de gorduras não deve ser inferior a 15% do valor calórico da alimentação diária, pois funções como absorção de vitaminas lipossolúveis, oferta de ácidos graxos essenciais, entre outras pode ser prejudicado. Recomenda-se então, ue as gorduras representem cerca de 25%-30% do valor calórico total (VCT), sendo menos de 10% do VCT na forma de gorduras saturadas (CARVALHO, 2002). A recomendação de ingestão de lipídios para atletas é de 30% do VCT, sendo esta quantidade capaz de garantir o suprimento energético durante a execução dos exercícios (AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE apud GUERRA, 2002). A alta ingestão de lipídios aumenta o risco de doenças cardiovasculares e supressão da função imunológica (PENDERGAST apud CARVALHO, 2002). 37 3.METODOLOGIA No sentido de viabilizar a pesquisa proposta e atender seus objetivos, o tipo de estudo utilizado foi observacional exploratório que conforme Goldim (2003), visa realizar a comparação entre as características de alguns poucos indivíduos, considerando-os, cada um deles, como unidades de estudo. A característica deste delineamento é considerar um grupo uma unidade e não mais cada indivíduo em particular . 3.1.UNIVERSO DE ESTUDO O basquete em cadeira de rodas é um dos esportes adaptados mais praticado por pessoas portadoras de deficiência física, devido a facilidade de execução do esporte sobre uma cadeira de rodas. A cadeira auxilia a mobilidade física do atleta o que melhora a qualidade dos movimentos. Sendo assim, a população estudada foi de 10 atletas portadores de deficiência física do sexo masculino, com idades entre 25 e 50 anos, praticantes de basquete em cadeira de rodas da Cidade de Caxias do Sul, engajados em treinamentos para torneios competitivos. 38 3.2. MATERIAIS E MÉTODOS Conforme Cuppari (2002), a avaliação nutricional permite identificar a real situação do indivíduo e consiste em diferentes abordagens. Neste estudo utilizaramse as seguintes abordagens: consumo alimentar e antropometria. Onde, a ingestão de macronutrientes permite identificar a alimentação realizada pelos atletas e o percentual de gordura, mensurado através de dobras cutâneas, identifica a avaliação antropométrica. A ingestão de macronutrientes foi avaliada através de recordatórios consecutivos de 24hs, durante a primeira e a última semana do mês. Onde, o atleta anotou em uma planilha (apêndice 2) todos os alimentos ingeridos neste período, tendo como base medidas caseiras. A pesquisadora mostrou aos atletas as medidas caseiras de copos, colheres, xícaras, pratos e porções. Para que, estes pudessem identificar e anotar com mais exatidão a porção de alimentos que iriam ingerir. O software utilizado para cálculo dos macronutrientes foi o DietWin Clínico 3.0, onde cada alimento foi cadastrado de forma individual, inclusive as preparações mais elaboradas. A pesquisadora preencheu uma ficha (apêndice1) contendo os seguintes dados de identificação de cada atleta: nome, idade, data de nascimento, altura, peso, tipo de lesão que ocasionou a deficiência e dobras cutâneas. 39 Através das dobras cutâneas, tríceps subescapular, supra-ilíaca e abdominal, aferidas manualmente pela pesquisadora, foi obtido o percentual de gordura de cada atleta, sendo utilizado o protocolo de Faulkner. Conforme Carnaval (1997), o percentual de gordura, pelo protocolo de Faulkner, pode ser calculado pela seguinte fórmula: % de gordura = soma das 4 dobras cutâneas x 0,153 + 5,783. Conforme Costa (2001), as dobras cutâneas devem ser realizadas no hemicorpo direito do avaliado. Utiliza-se o dedo indicador e o polegar da mão esquerda para diferenciar o tecido subcutâneo do tecido muscular. Aproximadamente um centímetro abaixo do ponto de reparo pinçado pelos dedos, deve ser introduzido às pontas do compasso. Para a leitura aguarda-se em torno de dois segundos. A aferição das dobras cutâneas foi realizada com o atleta sentado (figura 1), utilizando compasso Cescorf. O protocolo de Faulkner foi escolhido por utilizar as dobras cutâneas da região superior do corpo, visto que não foi encontrado um protocolo específico para avaliação deste grupo. O protocolo utilizado pode conferir um grau de confiabilidade maior ao resultado, pois essa região do corpo pode modificar-se pela prática da atividade física. 40 Figura 1: Aferição de dobra cutânea com atleta sentado Altura A altura mede-se através da distância da extremidade da cabeça e da base dos pés, com auxílio de uma régua triângulo, utilizando uma fita métrica flexível. Quando o atleta não possuir os membros inferiores, pode ser utilizado o protocolo de extensão de braços. Onde, os mesmos devem formar um ângulo de 90 graus, permitindo assim, medir à distância entre os dedos médios das mãos, utilizando fita métrica flexível. Para melhor execução da técnica, o atleta deve ficar apoiado em uma parede (CUPPARI , 2002). A medida da estatura foi realizada com o atleta em posição supina em uma superfície horizontal no chão ou deitado sobre um banco de madeira (figura2). Os atletas que conseguiram permanecer em posição ereta, ou seja, em pé foram medidos desta forma, apoiando o corpo na parede e utilizando a fita métrica para aferição da estatura. 41 Figura 2: Medida de altura sobre o banco Peso O peso foi obtido através de balança digital da marca Plenna. Em cima da plataforma da balança foi colocado um banco de madeira, que facilitou a acomodação do atleta na posição sentada (figura 3). O atleta estava vestindo camiseta, calça ou bermuda e sapatos. Esta metodologia foi empregada devido a dificuldade apresentada pela pesquisadora, em carregar cada atleta e subir na balança. Assim, utilizou-se um banco onde o atleta transferiu sua posição sentada da cadeira de rodas para o banco da balança. A seguir, retirando seus pés do chão, colocando-os nas hastes do banco ou se conseguisse sustentar suas pernas fora do chão, por alguns segundos. Após zerar a balança, o atleta sentou no banco e permaneceu na posição por alguns segundos, verificando-se o peso corporal do mesmo. 42 O teste piloto realizado para essa metodologia de pesagem, não constatou diferença entre o peso do atleta sentado ou em pé. Por isso, este protocolo pode torna-se um recurso viável para medir o peso corporal em atletas portadores de deficiência. Figura 3: Peso corporal do atleta sobre o banco A utilização do banco sobre a balança é uma metodologia diferente das empregadas em outros estudos com deficientes físicos. Por isso, esse método foi desenvolvido para obtenção do peso corporal sem ajuda de outra pessoa. Assim, além de fornecer dados para a pesquisa, essa técnica pode ser utilizada por pessoas portadoras de deficiências, para controle do seu peso corporal. Com os dados de percentual de gordura de cada atleta, pode-se traçar um perfil do grupo estudado. Também como, a utilização dos recordatórios proporcionou identificar a ingestão de macronutrientes pelo grupo de atletas. 4. RESULTADOS São apresentados os gráficos a seguir, conforme análise: 15,00% 13,00% 11,00% 9,00% 13,53% 7,00% 5,00% média de % de gordura Gráfico 1. Média do percentual de gordura do grupo DP ± 3,389% 58,73Kg Idade(anos) 33,5 Peso Altura 1,712m Idade(anos) Peso Altura Gráfico 2. Média de idade, peso e altura do grupo DP idade ± 7,94 anos DP peso ± 11,83 Kg DP altura ± 0,079m 44 22,9 Tempo(meses) Horas(semanal) 3 Tempo(meses) Horas(semanal) Gráfico 3. Tempo de prática do basquetebol e horas de treinos semanais DP tempo (± 9,52 meses) 80% 20% Traumática Traumática Atraumática Atraumática Gráfico 4. Tipo de lesão que acomete o grupo 1994,58 1460,45 GEB 1533,43 M E DIA DE CA L. CO NS UM IDA S GED GEB M E DIA DE CA L. CO NS UM IDA S GED Gráfico 5. Gasto energético basal (GEB), consumo médio de calorias e gasto energético diário (GED) DP calorias (± 676,21) DP GEB (± 184,30) DP GET (± 221,12) 45 51,93% Consumidos Ideal 50-60% Consumidos Ideal Gráfico 6. Consumo médio e ideal de carboidratos DP de carboidratos (± 11,16%) 20,14% 10-15% Consumidos Ideal Consumidos Ideal Gráfico 7. Consumo médio e ideal de consumo de proteínas DP de proteínas (± 5,85%) 28,53% 25-30% Consumidos Ideal Gráfico 8. Consumo médio e ideal de lipídios DP de lipídios (± 10,67%) Consumidos Ideal 46 6. DISCUSSÃO Através da análise destes gráficos, pode-se identificar um perfil do grupo estudado, onde foram analisados os seguintes fatores: a média de peso, altura e idade do grupo, o consumo médio de macronutrientes, o percentual de gordura médio do grupo, tempo de prática do esporte, o tipo de lesão que ocasionou a deficiência física e o gasto energético de repouso e total. O grupo estudado apresentou uma média de gordura corporal de 13,53% (± 3,38), como mostra o gráfico 1. Conforme Protocolo de Faulkner (1968), a normalidade para indivíduos do sexo masculino, praticantes de atividade física, varia de 10% a 14%. Assim, identifica-se que o grupo estudado apresentou um percentual de gordura dentro da normalidade, apesar deste protocolo não ser utilizado para portadores de deficiência física. Em decorrência das lesões da coluna vertebral, ocorre redução do nível de atividade física, resultando em alterações na massa muscular e adiposa. A massa muscular diminui após a lesão, pela atrofia do membro, e a gordura corporal aumenta, conduzindo à obesidade e a alterações metabólicas, que podem ocasionar doenças cardiovasculares e diabetes mellitus Tipo II (KOCINA, 2002). 47 Vê-se a necessidade da análise do percentual de gordura, em grupos portadores de deficiência física, para que com isso, sejam estabelecidas formas de diminuir o processo de atrofia e os males ocasionados pela diminuição da massa muscular, bem como o aumento da massa adiposa. A média de idade é de 33,5 anos (± 7,94) e a média de peso é de 58,73Kg (± 11,83), e a média de altura do grupo é de 1,71m (± 0,079), conforme mostra o gráfico 2. O tempo médio de prática do basquete em cadeira de rodas pelos atletas, foi de 22,9 meses (± 9,52), com treinamentos de duas vezes e duração de 3hs semanais respectivamente, conforme representado no gráfico 3. Assim, pode-se dizer que o perfil deste grupo, é de atletas adultos, que possuem em média 1 ano e 9 meses de prática do esporte, e que iniciantes não perfazem a maioria dos praticantes. A freqüência e duração dos treinos, talvez não sejam suficientes para a melhora da massa muscular e da habilidade motora exigida pelo esporte, por isso, vê-se a importância de que avaliações físicas periódicas sejam feitas nestes atletas, identificando se o treinamento realmente colabora para uma melhora da composição física, habilidade motora e qualidade de vida do indivíduo. Conforme Ribeiro (2002), as lesões decorrentes de ferimentos de acidentes ou ferimentos por arma de fogo são chamadas de traumáticas. As lesões atraumáticas têm causas como: poliomelite, tuberculose espinhal, esclerose múltipla 48 e AIDS. Em entrevista individual com cada atleta, detectou-se que, 80% possuem lesões traumáticas e 20% lesões atraumáticas, representado no gráfico 4. Indicando que a maioria dos atletas sofreu algum tipo de acidentes ou ferimentos por arma de fogo. Comparando-se o gasto energético basal (GEB), com o consumo médio de calorias e o gasto energético diário (GED), verificamos que o consumo de calorias pelo grupo é em média 1533,43 calorias (± 676,21), enquanto o GEB é 1460,45 calorias (± 184,30) e o GED 1994,58 calorias (±221,12). Analisando o consumo alimentar dos atletas com o GEB e GED, pode-se identificar que os atletas consomem somente 72,98calorias, acima do requerido pelo GEB, e 461,15 calorias a menos do que o estabelecido pelo GED, que é de 1994,58 calorias (±221,12). O que pressupõe, um consumo alimentar deficitário para a atividade esportiva que praticam, como mostra o gráfico 5. Quando o gasto energético total é maior que o consumo essa situação leva a um déficit calórico, e pode ocasionar perda de peso corporal, na medida que o organismo deverá recorrer aos estoques adicionas de nutrientes, na tentativa de atender às demandas energéticas (GUEDES, 1998). Por isso, vê-se a necessidade de um acompanhamento nutricional adequado para grupo, onde haja um equilíbrio entre o gasto energético e o consumo alimentar. 49 Quanto ao consumo carboidratos verificou-se que a média consumida por este grupo é de 51,93% (± 11,16), como mostra o gráfico 6. Portanto, o grupo encontra-se com um consumo adequado de carboidratos, mas aqueles atletas que apresentam um consumo de 50% de carboidrato, podem aumentar esse valor até 60% do VET. A ingestão recomendada de carboidratos deve ser de 50 a 60 %, sendo esta suficiente para manter as reservas corporais de glicogênio (MCARDLE et al, 1996). Quando a atividade física passar de duas a três horas com intensidade de 60% - 80% do VO²máx ou após, 15-30 minutos de exercícios intervalados intensos, de 90%-130% do VO²máx, o glicogênio se esgota. Portanto, atletas que treinam nessa intensidade, podem aumentar sua ingestão de carboidratos para 70 a 80% do valor calórico total (VCT), o que ajuda, mas não garante total eficiência na reposição das concentrações intramusculares de glicogênio (LANCHA, 2002). As dietas que limitam excessivamente a ingestão de carboidratos podem ocasionar redução rápida de peso corporal, decomposição de proteínas musculares, surgimento de fadiga excessiva, hipoglicemia e cetose (MCARDLE et al ,1996). Quanto as proteínas o consumo médio do grupo é de 20,14% (± 5,85), o que significa um consumo acima do recomendado, como mostra o gráfico 7. 50 A recomendação protéica para atletas deve ser de 15 % do VCT, sendo suficiente para o reparo de lesões induzidas pelo exercício nas fibras musculares, uso de pequena quantidade de proteína como fonte de energia e ganho de massa magra (AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE apud GUERRA, 2002). No caso de úlceras severas, que podem ocorrer em portadores de paraplegia, cuidados nutricionais extras são exigidos, como a necessidade protéica de 1,5 -2g/Kg de peso ao dia, suplementos de vitamina C e zinco (WILLIANS, 1993). A ingestão demasiada de proteína pode comprometer a ingestão de carboidratos, causando desidratação, e o excesso de calorias a partir destas podem ser estocadas como tecido adiposo (GUERRA, 2002). Por esses motivos, torna-se importante o controle da ingestão deste nutriente dentro de níveis adequados, assegurando assim sua funcionalidade. Quanto aos lipídios o consumo médio do grupo foi de 28,53% (±10,60),, como mostra o gráfico 8. A recomendação de ingestão de lipídios para atletas é de 30% do VCT, sendo esta quantidade capaz de garantir o suprimento energético durante a execução dos exercícios (AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE apud GUERRA, 2002). 51 Deve-se ter cuidado com o consumo de lipídios, porque quando consumidos acima do preconizado, estes podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares e supressão da função imunológica (PENDERGAST apud CARVALHO, 2002). Por isso, após essa investigação, identifica-se que apesar do consumo de lipídios estar adequado, trabalhos podem ser desenvolvidos com o objetivo de auxiliar os atletas na escolha de lipídios benéficos à saúde, diminuindo assim, a ingestão de gorduras saturadas. 52 7. CONCLUSÃO Atualmente, a alimentação esportiva pode ser vista como uma ferramenta positiva, que auxilia treinamentos e competições. No entanto, não se tem esta visão quando se trata de atletas portadores de deficiências. Tanto a alimentação, como o percentual de gordura são ferramentas pouco utilizadas na área de esporte adaptado. Por isso, este trabalho teve um caráter investigatório da necessidade calórica destes atletas e do percentual de gordura ideal para cada indivíduo. O percentual de gordura do grupo estudado está dentro da normalidade, diferente do sugerido na hipótese, este fator se deve a reduzida quantidade de calorias ingeridas pelos atletas, havendo a necessidade de mais estudos abordando a composição corporal e ingestão de calorias. O consumo de calorias e conseqüentemente dos macronutrientes é uma forma de investigação da realidade alimentar dos indivíduos, vê-se a necessidade de um trabalho nutricional voltado para esse grupo de forma equilibrada e adequada. Por isso, sugere-se que as equipes competitivas façam avaliações antropométricas e nutricionais periódicas. 53 Como recomendação para trabalhos futuros, sugere-se a aplicação de programas voltados à conscientização dos atletas, quanto à importância de uma alimentação saudável e equilibrada para a manutenção da qualidade de vida e melhora do rendimento esportivo. 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALEXANDRE, L.R. Resting metabolic rate in subjects with paraplegia: the effect of pressure sores. Arch. Phys. Med. Rehabil.v.76, n.9., p.819-830,1995. BRAZUNA, R.M; DE CASTRO,M.E. A trajetória do atleta de deficiência no esporte adaptado de rendimento. Uma revisão de literatura. Revista de Educação Física Motriz, São Paulo, v.7, n.2, p. 115-123, jul./dez. 2001. CALEFFI, Graziela Dutra; LOPES, Kathya Augusta Thomé; LIMA, Margareth de Vasconcelos Monteiro. Basquete sobre rodas: Uma experiência universitária no Estado do Amazonas. 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WILLIANS, S.R. Nutrition and diet therapy. 7ªed. St Louis: Mosby. p. 759, 1993. 58 APÊNDICES 59 APÊNDICE 1: PLANILHA DE DADOS DE CADA ATLETA 1.Nome do atleta:__________________________Data de nascimento:____/___/__ 2.Peso:________________3.Altura___________ 4.Lesão ocasionada por:_______________________________________________ 5. Pratica basquete am cadeira de rodas a quanto tempo:_____________________ 6.Dobras Cutâneas Tríceps_____________ Subescapular________ Supra-ilíaca__________ Abdominal___________ 60 APÊNDICE 2: RECORDATÓRIO DE 24HS DIA DA SEMANA: ALIMENTOS CONSUMIDOS NO CAFÉ DA MANHÃ: ALIMENTOS CONSUMIDOS NO LANCHE DA MANHÃ: ALIMENTOS CONSUMIDOS NO ÃLMOÇO: ALIMENTOS CONSUMIDOS NO LANCHE DA TARDE: ALIMENTOS CONSUMIDOS NA JANTA: ALIMENTOS CONSUMIDOS NA CEIA: 61 APENDICE 3: TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (ATLETA) TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO Você está sendo convidado (a) para participar, como voluntário, em uma pesquisa. Após ser esclarecido (a) sobre as informações a seguir, no caso de fazer parte do estudo, assine ao final deste documento que está em duas vias. Uma delas é sua e a outra é da pesquisadora responsável. Em caso de recusa você não será penalizado (a) de forma alguma. Informações sobre a pesquisa: Título do Projeto: Avaliação da Ingestão de Macronutrientes e do Percentual de Gordura em atletas de basquetebol portadores de deficiência física. Pesquisador responsável: Solange Bressan Telefone para contato (inclusive ligações a cobrar): (54)2235442 ou (54)91310734 A pesquisa tem como objetivo avaliar nutricionalmente e antropométrica de atletas de basquete portadores de deficiência física. A avaliação será realizada por meio de dados antropométricos, avaliação de ingestão alimentar. Na antropometria será verificado pela pesquisadora; peso, altura e dobra cutânea tricipital, subescapular e abdominal dos pacientes/participantes. A avaliação de ingesta alimentar consiste no preenchimento pelo paciente/participante de um registro alimentar onde o mesmo listará em formulário padrão fornecido pela pesquisadora, os alimentos ingeridos durante quinze dias. 62 O paciente/participante não estará exposto a riscos e/ou prejuízos de qualquer natureza, bem como, lesões ou desconfortos durante a realização da pesquisa. O período da pesquisa compreende os meses de, junho, julho e agosto de 2004. Fica garantido ao paciente/participante o anonimato e sigilo da identidade, tendo o direto de retirar o consentimento e sua participação na pesquisa a qualquer tempo. Os resultados obtidos irão constar na monografia de conclusão do curso de nutrição da pesquisadora, respeitando o anonimato e sigilo da identidade dos pacientes/participantes. ________________________________ Solange Bressan Pesquisadora Autorização Eu,________________________________________________RG:______________ ______________,CPF:_______________________________,abaixo assinado, concordo em participar da pesquisa. Fui devidamente informado(a) e esclarecido(a) pela pesquisadora sobre a pesquisa, os procedimentos nela envolvidos, assim como os possíveis riscos e benefícios decorrentes da minha participação. Foi-me garantido que posso retirar meu consentimento a qualquer momento. Nome do Paciente/participante:_____________________________________________ 63 APENDICE 4: TERMO DE CONSENTIMENTO PARA A UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL (UCS) TERMO DE CONSENTIMENTO Através deste, dirijo-me à direção do Grupo de basquete em cadeira de rodas da Universidade de Caxias do Sul para obter o consentimento da mesma para a realização do Projeto de Pesquisa para o Trabalho de Conclusão de Curso de Nutrição do Centro Universitário Feevale em Novo Hamburgo. Título do Projeto: Avaliação da Ingestão de macronutrientes e do Percentual de Gordura em atletas de basquetebol portadores de deficiência física Pesquisador responsável: Solange Bressan Telefone para contato (inclusive ligações a cobrar): (54)2235442 ou (54)91310734 A pesquisa tem como objetivo avaliar a ingestão de macronutrientes e do percentual de gordura em atletas de basquetebol portadores de deficiência física. A avaliação será realizada por meio de dados antropométricos, avaliação de ingestão alimentar. Na antropometria será verificado pela pesquisadora; peso, altura e dobra cutânea tricipital, subescapular e abdominal dos pacientes/participantes. A avaliação de ingesta alimentar consiste no preenchimento pelo paciente/participante de um registro alimentar onde o mesmo listará em formulário padrão fornecido pela pesquisadora, os alimentos ingeridos durante 15 dias. O paciente/participante não estará exposto a riscos e/ou prejuízos de qualquer natureza, bem como, lesões ou desconfortos durante a realização da pesquisa. 64 O período da pesquisa compreende os meses de, junho, julho e agosto de 2004. Fica garantido ao paciente/participante o anonimato e sigilo da identidade, tendo o direito de retirar o consentimento e sua participação na pesquisa a qualquer momento. Os resultados obtidos irão constar na monografia de conclusão do curso de nutrição da pesquisadora, respeitando o anonimato e sigilo da identidade dos pacientes/participantes. Solange Bressan CPF 895539000-97 AUTORIZAÇÃO Eu,____________________________________________,RG:_________________ ___________CPF: ___________________________, responsável pela Coordenação do Grupo de deficientes físicos da Universidade de Caxias do Sul, fui devidamente informado e esclarecido pela pesquisadora sobre a pesquisa, os procedimentos nela envolvidos, e estando ciente do compromisso firmado com a pesquisadora, autorizo a realização do projeto acima citado. Caxias do Sul,_______ de ___________de 2004. ___________________________________________________________________ __ Professor Getúlio Vazatta Coordenador do Grupo de Deficientes físicos da Universidade de Caxias do Sul 65 APENDICE 5: DECLARAÇÃO DE RESPONSABILIDADE DO PESQUISADOR DECLARAÇÃO DE RESPONSABILIDADE Eu, Solange Bressan, responsável pela pesquisa denominada “Avaliação da Ingestão de macronutrientes e do Percentual de Gordura em atletas de basquetebol portadores de deficiência física ”, declaro que: • Assumo o compromisso de zelar pela privacidade e pelo sigilo das informações, que serão obtidas e utilizadas para o desenvolvimento da pesquisa. • As informações obtidas no desenvolvimento desta pesquisa serão utilizadas para se atingir o objetivo previsto na pesquisa. • Não há qualquer acordo restritivo à divulgação pública dos resultados, respeitando a privacidade e sigilo da identidade dos pacientes/participantes. Caxias do Sul, _____de___________________________de 2004. __________________________________________ Solange Bressan CPF: 895539000-97