Ausência de efeito do milho geneticamente modificado YieldGard VT PRO2 sobre
Collembola
Marcos Cardoso Martins JUNIOR1, Janaiana Catarina da SILVA1, Henrique Francisco de MORAES1, Jian Izidro de
BORBA1, Daiane Heloisa NUNES2.
1
IFC - Campus Santa Rosa do Sul/ Graduando Eng. Agronômica/[email protected]
2
Orientador IFC - Campus Santa Rosa do Sul/[email protected].
Introdução
O milho geneticamente modificado YieldGard VT PRO2 (MON 89034 x NK603)
produz as proteínas Cry1A.105 e Cry2Ab2 de Bt (Bacillus thuringiensis) que controla, no
Brasil, a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), a lagarta-da-espiga (Helicoverpa zea) e
a broca-do-colmo (Diatraea saccharalis) (CTNBIO, 2010).
No Brasil, é relativamente nova a adoção de híbridos de milho transgênicos que
possuem toxinas que controlam insetos-praga, sendo cultivados desde 2008, no país. Por
causa da liberação de variedades e/ou híbridos transgênicos, grupos de pesquisas em
biossegurança, tanto nacional quanto internacional enfatizam a necessidade da avaliação de
plantas geneticamente modificadas que expressam toxinas de Bt sobre organismos que não
constituem o alvo de ação das mesmas, ou seja, sobre os organismos não-alvo (CAPALBO et
al., 2003).
Sabe-se que a quantidade da expressão da proteína Bt depende e varia ao longo do
desenvolvimento da cultura e em função das variáveis ambientais (MARVIER, 2002), sendo,
portanto, necessários estudos da avaliação de efeitos sobre organismos não-alvo como os
colêmbolas que entre outras funções, são importantes auxiliadores na decomposição da
matéria orgânica.
Material e Métodos
O estudo foi realizado em área anexa ao IFC-Santa Rosa do Sul. Utilizou-se o
delineamento de blocos casualizados com 4 repetições e cada bloco teve dois tratamentos
(milho Bt e isolinha). Cada parcela possuía 12 linhas com 10m de comprimento e
espaçamento de 0,7m entre linhas. O milho foi semeado no dia 31/10/2014, em área
previamente adubada. Após a semeadura foram colocadas as armadilhas de pitfall (NUNES,
2010), totalizando oito armadilhas por parcela. Em cada coleta, as armadilhas receberam
aproximadamente 100 mL de alcool 70% e permaneceram no campo por 48 horas. Os
colêmbolas coletados foram colocados em embalagens plásticas com tampa e levados a
laboratório para a identificação, com o auxilio de uma lupa e chave de identificação de
taxonômica de Christiansen e Janssens (2010).
Resultados e discussão
Foram coletados, no total, 3096 colêmbolas, distribuídos em cinco famílias (Tabela 1).
Não houve diferença significativa em todas as coletas para as famílias Entomobryidae e
Hypogastruridae. Considerando Paronellidade, foi observada maior densidade populacional
na isolinha (6 colêmbolas/armadilha) do que no milho Bt (2 colêmbolas/armadilha); Para
Isotomidae este resultado se inverteu sendo maior densidade no milho Bt (46
colêmbolas/armadilha),do que na isolinha (29 colêmbolas/armadilha); Em Katianidae não
foram
encontradas
colêmbola
no
milho
Bt,
na
isolinha
foram
encontrados
2
colêmbolas/armadilha. Nunes (2010) encontrou que o algodoeiro Bollgard® também não
exerceu influencia em Colêmbola.
Tabela 1: Colêmbolas coletados em milho transgênico (Bt) e na sua isolinha (Iso). Santa Rosa
do Sul, 2014.
Dias Após a Semeadura
Família
Paronellidae
Isotomidae
Katianidae
Entomobryidae
Hypogastruridae
* P<0,05 pelo teste t.
Tratamento
21
50
81
Bt
0
1
2*
Iso
2
1
6
Bt
2
8
46*
Iso
2
8
29
Bt
0
0*
0
Iso
0
2
1
Bt
4
4
8
Iso
5
5
11
Bt
1
0
1
Iso
0
0
1
Conclusão
Conclui-se que o milho Bt YieldGard® VT PRO2 não exerce influencia sobre as
populações de Collembola em Santa Rosa do Sul, SC.
Referências
BELLINGER, P.F.; CHRISTIANSEN, K.A.; JANSSENS, F. Checklist of the Collembola:
Families. Disponível em <www.collembola.org >. Acesso em 10 de outubro de 2014.
CAPALBO, D.M.F.; HILBECK, A.; ANDOW, D.; SNOW, A.; BONG, B.B.; WAN, F.-H.;
FONTES, E.M.G.; OSIR, E.O.; FITT, G.P.; JOHNSTON, J. Brazil and the development of
international scientific biosafety testing guidelines for transgenic crops.
Journal of
Invertebrate Pathology, San Diego, v. 83, p. 104-106, 2003.
CTNBIO, 2010. Disponível em <www.ctnbio.gov.br/index.php/content/view/15713.html>.
Acesso em 30 de setembro de 2015.
MARVIER, M.
Improving risk assessment for nontarget safety of transgenic crops.
Ecological applications, Tempe, v. 12, p. 1119-1124, 2002.
NUNES, D.H. Efeitos do algodoeiro geneticamente modificado (Bollgard®) em organismos
não-alvo. 2010. Tese (Doutorado em Entomologia) – Escola superior de Agricultura Luiz de
Queiroz,
Universidade
de
São
Paulo,
Piracicaba,
2010.
<http://www.teses.usp.br/teses>. Acesso em 30 de setembro de 2015.
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Ausência de efeito do milho geneticamente