Saúde Coletiva
ISSN: 1806-3365
[email protected]
Editorial Bolina
Brasil
DE SOUZA SANTOS, GERSON; MANFREDO, RICARDO; DA SILVA SANTOS, ÁLVARO
Compreendendo o Perfil e a Prática do Auxiliar de Enfermagem no PSF
Saúde Coletiva, vol. 1, núm. 1, 2004, pp. 8-14
Editorial Bolina
São Paulo, Brasil
Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=84226088001
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Compreendendo o Perfil e a Prática do Auxiliar
de Enfermagem no PSF
GERSON DE SOUZA SANTOS
Enfermeiro Sanitarista
RICARDO MANFREDO
Enfermeiro Sanitarista
ÁLVARO DA SILVA SANTOS
Doutor em Ciências Sociais. Professor na disciplina Enfermagem em Saúde Coletiva
Universidade Nove de Julho e Universidade Anhembi Morumbi.
sta investigação, de caráter quantitativo, exploratório e descritivo, realizado em julho de 2003, teve por objetivo
conhecer o perfil dos Auxiliares de Enfermagem do PSF, na Coordenadoria de Saúde Moóca. A análise dos dados
demonstra: 54% destes profissionais possuem idade entre 41 e 50 anos, 92% do sexo feminino, 61,5% casados, 70%
possuem ensino médio completo, 46% possuem renda familiar acima de 10 salários mínimos, 46% desempenham a
função de auxiliar de enfermagem há mais de 10 anos, 69% atuam no PSF entre 2 e 4 anos; vêem o PSF como uma
nova proposta de assistência à população; sobre as diferenças de práticas entre o PSF e os hospitais, apontam a
criação de vínculos; destacaram a visita domiciliar como principal atividade no PSF; entre as dificuldades destacou-se
o relacionamento entre profissionais e como principal sugestão a oferta de ações de capacitação.
E
Descritores: Perfil profissional, Auxiliar de enfermagem, Programa de Saúde da Família
his investigation of quantitative, exploratory and descriptive character was accomplished in July, 2003 and aimed to
know the nursing assistant’s profile in PSF, at Coordenadoria de Saúde da Moóca. The analysis of the data
demonstrates: 54% of these professionals are between 41 and 50 years old, 92% feminine, 61,5% are married, 70%
possess complete medium teaching, 46% possess family income above 10 minimum wages, 46% carry out the nursing
assistant function over 10 years, 69% act in PSF between 2 and 4 years; they see PSF as a new proposal of attendance to
the population; concerning the differences in practices between PSF and the hospitals, they point the creation of entails;
they detached the domiciliary visit as the main activity in PSF; among the difficulties it was saliented the relationship among
professionals, as main suggestion for offering training actions.
T
Descriptors: Professional profile, Nursing assistant, Family health program
n Julio de 2003 fué hecha una investigación de caracter cuantitativa, exploratoria y descriptiva, desarollada en julio
de 2003 con el objectivo de conocer el perfil de los auxiliares de enfermería de lo PSF en la coordenadoría de
Saúde da Moóca. El analisis de los datos demuestra que: 54% de estos profissionales tienen entre 41 y 50 años de
edad, 92% son del sexo feminino, 61% son casados, 70% poseen la enseñanza media completa, 46% poseen el
ingresso familiar sobre 10 salarios minimos, 46% desempeñam la función de auxiliar de enfermeria hace más de 10
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años, 69% actuam en el PSF entre 2 y 4 años, ellos vem él PSF como una nueva propuesta de asistencia a la
población. En las diferencias de practicas del PSF y los hospitales, apuntam la creación de vinculaciones; destacarón
la visita domiciliar comp la principal actividad de PSF; entre las dificuldades destacaron la relación entre lo
profesionales como principal sugestión a la oferta de acciones de capacitación.
Descriptores: Perfil profesional, Auxiliar de enfermaria, Programa de salud de la familia
INTRODUÇÃO
sta investigação se realizou no bairro da Mooca na
Zona Leste da Cidade de São Paulo. A primeira citação encontrada referente ao bairro da Mooca é de
1556, quando a governança de Santo André da Borda
do Campo, comunicava que todos estavam "obrigados
a participar da construção da ponte do Rio Tameteai
(Tamanduateí)". Esta ponte se fazia necessária para a
ligação entre zona leste e a freguesia eclesiástica da
Sé. A região leste era habitada pelos índios da tribo
Guaiana (Tupi Guarani), que deixaram algumas marcas tradicionais no bairro, inclusive seu próprio
nome. Segundo historiadores, o vocábulo é oriundo
do Tupi Guarani e possui duas versões, MOO-KA
(ares amenos, secos, sadios) e MOO-OCA (fazer casa),
expressão usadas pelos índios da Tribo Guarani para
denominar os primeiros habitantes brancos, que erguiam suas casas de barro.1
O desenvolvimento urbano da Mooca está associada à história econômica de São Paulo e as rápidas
transformações que nas décadas finais do século XIX
e primeira metade do século XX, fizeram da capital
paulistana uma grande metrópole industrial. Fator importante para a evolução da Zona Leste foi à instalação de duas ferrovias: em 1868 a São Paulo Railway
(Estrada de Ferro Santos Jundiaí) que ligava São Paulo
ao porto de Santos. Entre os novos bairros surgidos,
destacam-se Belém e Mooca que atraíram numerosas
fábricas. As áreas próximas das ferrovias foram preferidas pelas indústrias, já que o transporte de matérias
primas e combustíveis importados, bem como a produção para fora de São Paulo dependia dos trens.
Estas Indústrias utilizavam a mão de obra imigrante que aportava em Santos e era trazida para a Casa
da Imigração (hoje Museu dos Imigrantes), que depois de estarem trabalhando nestas Indústrias, instalavam-se nas proximidades. Após a primeira guerra
mundial, a industrialização de São Paulo ganhou
novo impulso, acarretando a ampliação do parque
industrial desta região.
Esta região que era considerada periférica na épo-
E
ca da sua formação já estava densamente povoada na
década de 1960. A região como todo a cidade de São
Paulo acompanhou todas mudanças nas políticas de
saúde, bem como as ocorridas em todas as áreas sócias. Em 2002, foi aprovada a lei das Subprefeituras,
que agregou, à Mooca, os distritos do Brás e de Pari,
de onde está alocada a Coordenadoria de Saúde da
Mooca.
A vivência da prática do Auxiliar de Enfermagem
(AE) do modelo hospitalocêntrico/biologicista, levounos a refletir sobre a formação e papel deste profissional, onde a prestação dos cuidados de enfermagem
são voltados principalmente para a cura de doenças.
Tal experiência mostra que diferente do que se repetiu ao longo da história, a perspectiva da saúde coletiva e mais especificamente o da proposta Saúde da Família, (SF), prevê que espaços de saúde onde
tradicionalmente focavam a promoção/prevenção
(Atenção Primária à Saúde - APS), necessitavam por
vezes atender até situações de emergência/urgência,
e o contrário também poderia ser verdadeiro; ou seja,
a área hospitalar pode muitas vezes fazer ações de
promoção/prevenção.
A nova saúde coletiva tenta abandonar a dicotomia
que distancia as ações de promoção e prevenção nas
práticas voltadas aos cuidados das doenças. É nesta
perspectiva que vemos a inserção do AE ou dos vários profissionais de saúde com ações que busquem a
qualidade de vida das famílias e comunidades.
Durante o sexto semestre do curso de graduação,
mais especificamente nas aulas da disciplina Enfermagem em Saúde Coletiva, nossa reflexão direcionouse dentre outras, para o conhecimento da Estratégia
Saúde da Família, bem como algumas questões ligadas
à equipe de saúde nesta proposta. Percebemos que
há a intenção de que o AE da Equipe de Saúde da Família (ESF), preste assistência visando à promoção da
saúde e prevenção das doenças, levando em conta a
qualidade de vida das famílias e comunidades. E em
contra partida, o AE do modelo hospitalar, presta os
cuidados de enfermagem visando somente à cura.
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Compreender a Estratégia Saúde da Família torna neEsta pesquisa baseia-se na importância deste processário o entendimento do próprio Sistema Único de
fissional na prestação de serviços de saúde à popuSaúde (SUS).
lação, já que o AE que atua na ESF tem grande resA partir da promulgação da Constituição Federal
ponsabilidade no cumprimento de suas atribuições,
em 1988, foram definidas como diretrizes do SUS: a
fazendo parte do elo entre os profissionais de saúde
universalização, a eqüidade, a integralidade, a descene a comunidade que usufrui deste serviço. Para a sotralização, a hierarquização e a participação da comuciedade é importante conhecer mais sobre o perfil
nidade. Ao ser desenvolvido sobre esses princípios, o
do AE em saúde da família, uma vez que, este não
processo de construção do SUS visa reduzir o hiato
está limitado somente a prestar cuidados de enferainda existente entre os direitos sociais garantidos em
magem visando somente a cura da doença, mas eslei e a capacidade efetiva de oferta de ações e servipecialmente a promoção da saúde e a prevenção de
ços públicos de saúde à população brasileira.2,3
agravos em busca da qualidade de vida da família e
A Estratégia Saúde da Família vem para facilitar a imcomunidade. Para a categoria profissional, é fundaplementação do SUS, e pode ser em determinado momental conhecer mais sobre o desempenho do AE
mento, Programa dos Agentes Comunitários de Saúde
em saúde da família, pois este alcança maiores re(PACS) e em outro, Programa de Saúde da Família
sultados no exercício de sua função, desde que te(PSF). É importante destacar que um dos pressupostos
nha consciência que os indivíduos devem ser analimais importantes do PSF é promover
sados em seu contexto geral de
o trabalho de equipe, o que requer o
“ A NOVA SAÚDE COLETIVA onde estão inseridos.
estabelecimento de respeito profisTENTA ABANDONAR A
sional entre todos os membros e a
OBJETIVOS
DICOTOMIA QUE DISTANCIA • Descrever o perfil do AE da ESF;
percepção de que a formação dos
demais profissionais não é subalterAS AÇÕES DE PROMOÇÃO E • Demonstrar a diferença da prática
na à formação médica.4
AE da Saúde da Família com a
PREVENÇÃO NAS PRÁTICAS do
A Equipe que compõe o PSF é:
área hospitalar;
VOLTADAS AOS CUIDADOS
um médico, um enfermeiro, um au• Mostrar dificuldades e sugestões
xiliar de enfermagem e quatro a
na prática do AE no PSF.
DAS DOENÇAS.”
seis agentes comunitários de saúde;
o ACS por sua vez deve residir no local onde atue, traMETODOLOGIA
balhando em dedicação exclusiva.5
rata-se de uma pesquisa de campo, do tipo quantiO AE é um dos membros importantes na ESF, que
tativo, descritivo e exploratório, de caráter amosjunto a outros profissionais busca a melhoria da qualitral, com uso de entrevistas semi estruturadas, tendo
dade de vida da comunidade que assiste. A equipe
como referencial teórico metodológico Tobar e Yadeve atender a situações sócio-sanitárias na comunilour.7 Os entrevistados foram os Auxiliares de Enferdade, demanda espontânea e ainda visitar as famílias
magem da Coordenadoria de Saúde Móoca, inseridos
com a periodicidade necessária ao fornecimento de
em nove Equipes de Saúde da Família, formando um
informação de várias naturezas, detectando ainda pretotal de 15 profissionais. Os dados foram coletados
cocemente os riscos e agravos existentes.6
através de um instrumento de coleta de dados com
Ao nosso ver, no panorama das pesquisas ligadas à
15 questões das quais 8 eram fechadas, 2 semi abertas
Estratégia Saúde da Família, sobretudo no que diz rese 5 abertas. O período foi de 01 a 15 de julho de
peito à avaliação dos profissionais de saúde, o AE é
2003, e os dados foram tabulados e analisados a partir
possivelmente o menos pesquisado/avaliado. É neste
daqueles de maior relevância, seguidos por comentácontexto que este trabalho se insere, na medida que
rios dos pesquisadores.
busca compreender este ator social, nesta nova forma
de fazer saúde. Com base nas atribuições do AE exigiAPRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO
das pelo Conselho Regional de Enfermagem (CODOS RESULTADOS
REN), levantou-se um questionamento: Existe um gruos entrevistados, 54% tem idade compreendida
po de práticas definidas, que diferenciam o AE no
entre 41 e 50 anos, seguido de 31% de 31 a 40
hospital com relação à Unidade Básica de Saúde
anos. Possivelmente o PSF é um cenário ideal para
(UBS) e/ou Unidade de Saúde da Família (USF)?
atuação de pessoas maduras, por outro lado nossa ex-
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periência tem mostrado também a inserção de indivínova proposta de assistência à população; 2°) prevenduos jovens como Auxiliares de Enfermagem. A poção de agravos à saúde; 3°) visão da família como um
pulação pesquisada é predominantemente feminina
todo; 4°) oferece educação em saúde; 5°) mudança
92%, parece-nos que existe uma procura maior do
que demorará adequar-se à realidade; 6°) assistência a
sexo feminino em relação ao PSF, ou possivelmente
acamados; e 7°) forma de promoção da saúde. Somos
existe maior facilidade deste sexo com as famílias; toadeptos de que o PSF é uma nova proposta de assisdavia o gênero feminino é historicamente predomitência à população, pois este funciona em conforminante na área da enfermagem. Em relação ao estado
dade com o SUS. Em outras palavras, é a possibilidade
civil, 61,5% são casados e 15% são solteiros. Se de um
de efetivação do SUS. A prevenção de agravos à saúlado a condição de solteiro possibilita maior disponide, além de prevenir conseqüências às famílias e cobilidade ao Programa, a condição casado, possivelmunidades, otimiza os gastos com a saúde, pois esta
mente oferece maior experiência em relação à quesação está focada no sentido de prevenir complicações
tão familiar. Quanto ao grau de instrução 70%
e até invalidez. Só não entendemos porque a promopossuem ensino médio completo, seguido de 15%
ção da saúde não é focada logo no início e sim no fique possuem ensino superior incompleto e 7,5% sunal. Quanto à visão da família como um todo é uma
perior completo. De modo geral, os entrevistados
novidade que precisa ser amadurecida, pois, a atenpossuem um nível de formação elevado. Se por um
ção á saúde sempre esteve voltada para o tratamento
lado isto mostra boa formação, de
individual. Por outro lado, a educaoutro pode haver dificuldade de in- “ A EDUCAÇÃO EM SAÚDE É O ção em saúde visa entender o inditerpretação da realidade da comunivíduo a partir do seu contexto amCONJUNTO DE ATIVIDADES
dade, dada à distância que estes
biental e posteriormente buscar
TENDENTES A INFLUENCIAR estratégias para facilitar o cuidado
AEs possam ter devido ao seu nível
de escolaridade.
de sua saúde. Estamos começando a
OU MODIFICAR
De acordo com a distribuição
do ambiente individual para a
CONHECIMENTOS, ATITUDES, sair
da renda familiar, 23% possuem
família, esta é uma evolução e noviVISANDO A MELHORIA DA
renda familiar de 5 a 7 salários mínidade do PSF. Dentre os entrevistamos e 46% possuem renda familiar
dos existe um baixo percentual dos
SAÚDE DO INDIVÍDUO.”
acima de 10 salários mínimos. Veque acreditam que o PSF é uma mumos com isto, que os entrevistados possuem excelendança que demorará em adequar-se à realidade. Esses
te remuneração, mas ao mesmo tempo, seu trabalho
possivelmente o confundem com serviço de assistêntem a maior parcela de renda no PSF.
cia a acamados, mas que ao nosso ver, o PSF não tem
Quanto ao tempo de profissão, 46% desempenham
principalmente este foco de atenção, embora esta
a função de AE há mais de 10 anos; este fato possivelseja uma de suas ações.
mente está ligado à idade, como visto anteriormente.
Quando questionados sobre as diferenças de prátiVemos indivíduos com experiência profissional, mas
cas entre o PSF e os hospitais, os entrevistados aponnão necessariamente no PSF. 69% dos entrevistados
tam que no PSF o AE em 10 lugar desenvolve vínculos.
Somos de acordo, porem, sabemos que não é apenas
atuam como AE no PSF entre 2 e 4 anos. Supomos
o AE que desenvolve vínculos com as famílias e coque esta realidade está ligada à história do PSF em São
munidades, mas toda ESF busca alcançar este objetiPaulo que é recente, com exceção do QUALIS que
vo, em especial os ACSs. De qualquer forma, no PSF,
existe desde 1996; 38,5% dos entrevistados tem outro
o AE desenvolve vínculo, o que é incomum em hospivínculo empregatício com outras Instituições de Saútais. Em 20 lugar que no PSF o AE realiza procedimende. Vemos com isso que não existe dedicação exclusitos. Sabemos que, tal ação não pode caracterizar esta
va ao programa, fato que possivelmente está ligado à
estratégia, embora o PSF tenha como parte de suas
necessidade de complementação salarial; 77% dos enações a assistência domiciliar terapêutica. Também, é
trevistados possuem filhos. Se pensarmos que o PSF
destacado em 30 que o hospital prioriza-se o tratamenexige dedicação exclusiva, a possibilidade de filhos
to individual. Somos de acordo que o modelo biomépode trazer relativa sobrecarga, já que estes precisam
dico de assistência, além de focar o tratamento individe atenção.
dual, exclui uma parcela importante da população,
Em relação ao ponto de vista do AE sobre o PSF,
pois este sistema utiliza alta tecnologia (com baixa
os entrevistados destacam os principais pontos: 1°)
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resposta no coletivo), que são usufruídos por uma pementos. Sabemos que a visita domiciliar faz parte das
quena parcela da população. Não há garantia de acesatribuições do AE, embora deveria ser realizada em
so; o olhar coletivo e a integração com a atenção priperíodo trimestral (a todas as famílias independente
mária são baixos por parte do hospital. Em 40 os AEs
da presença de doença), esta ação contribui para o
destacam que o PSF é um novo jeito de fazer saúde.
controle de saúde das famílias e comunidades. TodaAo nosso ver, este novo jeito é a diferença do atual
via, esta colocação reafirma a realidade onde possivelmodelo hospitalocêntrico/biologicista. Lembramos
mente os AEs fazem mais VDs para realizar procedique este novo jeito de fazer saúde está alicerçado em
mentos e assim sendo, para indivíduos já doentes,
bases e princípios, tais como: promoção da saúde,
ficando de fora as famílias que não tiverem pessoas
prevenção de agravos, ambos na busca da qualidade
doentes; nestes casos só os ACSs visitariam.
de vida. Curiosamente, em 50 lugar aparecem as
Quanto às atividades desenvolvidas pelo AE no
ações de promoção e prevenção que deveriam ser
PSF, foi citado em 1° lugar a realização de visita domidestacadas em primeiro e/ou segundo lugar, que acaciliar, seguida de 20) procedimentos nos domicílios,
bam ficando por último, o que possivelmente nos
30) identificação de fatores de risco e 40) educação
leva a acreditar que o AE ainda não consegue comem saúde. Como discutido anteriormente, a visita dopreender na totalidade o alcance que a atenção primiciliar é realizada cotidianamente pelos ACSs para
mária à saúde pode proporcionar. Por último, em 60
garantir o vínculo e acesso ao contexto familiar e solugar é destacado que o PSF instrucial. A este respeito concordamos
mentaliza as famílias a cuidarem da
que as visitas domiciliares realiza“PARA A CATEGORIA
sua saúde. Ao nosso ver, este item
das pelos AEs, estão ligadas diretaPROFISSIONAL, É
parece ser um diferencial do PSF, e
mente à realização de procedimenFUNDAMENTAL CONHECER
que deveria ter maior importância,
tos. Na verdade a visita domiciliar
em relação a outros itens citados MAIS SOBRE O DESEMPENHO deveria ocorrer independente da
anteriormente.
DO AE EM SAÚDE DA FAMÍLIA, presença ou não de doença, como
Quanto à percepção do AE sojá referido. Ficamos surpresos quanPOIS ESTE ALCANÇA MAIORES do o AE destaca a identificação de
bre o desenvolvimento de sua prátiRESULTADOS NO EXERCÍCIO fatores de risco como parte das
ca direcionada ao atendimento e a
criação de vínculo com a comunisuas atividades no PSF, pois de cerDE SUA FUNÇÃO.”
dade, foi destacado em primeiro luta forma sabemos que é impossível
gar a educação em saúde. Concordamos que a saúde
para o AE realizar esta ação isoladamente, já que esta
não se resume apenas na existência de serviços de
requer planejamento e até mesmo operação conjunta
saúde; mas pode ser resultado de diversos fatores tais
de toda equipe. Ainda é destacada pelo AE, a educaquais: ambiente, condições de vida, capacidade de
ção em saúde. Se pensarmos na educação em saúde
mobilização, utilização de recursos que podem ser
como a mudança de hábitos, atitudes e comportamentos de saúde em indivíduos, acreditamos que o
transformados em serviços de saúde, decisões das faAE esteja ligado à educação em saúde de forma indivimílias e comunidades no tocante ao estilo de vida,
dual, já que em grupos na maioria das vezes é um
dentre outros. A educação em saúde é o conjunto de
profissional de nível superior, que coordena ou ao
atividades tendentes a influenciar ou a modificar conhecimentos, atitudes, crenças e comportamentos, vimenos se responsabiliza. Por outro lado, acreditamos
sando a melhoria da saúde do indivíduo. Ser elo de lino potencial do AE para realização de seções de edugação é destacado em segundo lugar pelos AEs como
cação em saúde em grupo.
parte de sua prática. Sabemos que é responsabilidade
Quanto às dificuldades encontradas pelo AE no
de toda ESF, desenvolver elo de ligação com as famíPSF, os entrevistados destacaram: 10) relacionamento
lias e comunidades. Sendo o AE integrante desta equicom profissionais; 20) falta de recursos materiais e 30)
pe, vemos preocupação deste profissional em ser um
problemas com a comunidade. Se considerarmos o
elo de ligação com as famílias, supomos que esta
histórico do PSF na região onde este trabalho foi realipreocupação não existia quando estes profissionais
zado, e ainda, que os entrevistados trabalham no PSF
trabalhavam no modelo hospitalocêntrico de assistênentre dois e quatro anos, e que 38,5% estão na função
cia. Ainda nesta seqüência, o AE aponta em terceiro
de AE há mais de dez anos, é possível entender as difilugar a realização de visita domiciliar para procediculdades citadas acima. Possivelmente os AEs encon12
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tram dificuldades na pessoa do ACS ou do médico, e
que possivelmente pode estar havendo alguma interferência nas atribuições de cada membro da equipe, o
que pode levar à geração de conflitos. Quanto à falta
de recursos materiais, possivelmente os entrevistados
estão referindo-se aos materiais utilizados em procedimentos terapêuticos, como foi visto anteriormente.
Os problemas com a comunidade devem ser analisados e posteriormente melhor estudados, pois nessa
questão os entrevistados não deixam claro, quais os
tipos de problemas enfrentados com a comunidade.
Supomos, que tais problemas estejam relacionados
com a falta de adesão das famílias ao PSF, falta de vínculo e ainda falta de percepção por parte das famílias
em relação à figura do AE como parte da ESF.
Por último os entrevistados apontam as seguintes
sugestões para melhorar sua prática no PSF: 10) maior
oferta de ações de capacitação. Esta sugestão a nosso
ver precisa ser considerada, avaliada e encaminhada.
De modo geral o desempenho do AE está prejudicado
por falta de capacitação, enfatizamos que estes profissionais são provenientes de um modelo de assistência
oposto ao qual ele está inserido no momento (seja de
formação ou de trabalhos anteriores). Em 20 lugar
temos melhores condições de trabalho sugerido pelos
AEs, somos de acordo que nesta questão os AEs fazem
referências às dificuldades específicas da UBS e não do
PSF, ou possivelmente estão referindo-se ao estresse,
carga horária ou até mesmo demanda excessiva.
que ele pede para capacitação? Procedimentos, já que
é o que ele mais faz? Ou será que há dificuldade de
compreensão de outros pontos como: SUS, o próprio
PSF, papel de cada profissional dentro do programa,
como entrevistar e/ou abordar uma família e outros?
Trabalhar com Agentes Comunitários é uma novidade
para toda a equipe de saúde, não seria diferente para
o AE. É possível que as dificuldades de relacionamento sejam maiores com o ACS.
Nossa experiência na realização deste trabalho levou-nos a uma reflexão mais abrangente em relação
ao Auxiliar de Enfermagem e sua prática no PSF. Ficamos surpresos pelo fato de que em algumas situações, o AE do PSF ainda traz consigo características
marcantes do modelo hospitalocêntrico. Por outro
lado, compreendemos que este ator possivelmente
não foi preparado para atuar nesta proposta de saúde.
Este trabalho não teve a pretensão de esgotar o estudo sobre o AE atuante no PSF. Dado a isto pensamos
que algumas questões que esta investigação levantou,
gerou hipóteses que podem ser melhor estudadas por
outros pesquisadores que se sintam desafiados pela temática advindas deste estudo. Esta investigação pretendeu trazer conhecimento deste ator tão importante (e
ao mesmo tempo pouco conhecido), a fim de viabilizar
sua prática e fazer com que "este novo jeito de fazer
saúde" alcance dentro dos objetivos propostos, as famílias e comunidades na busca da qualidade de vida.
COMENTÁRIOS FINAIS
Auxiliar de Enfermagem é um dos profissionais
mais antigos da enfermagem no Brasil.2 A nosso
ver é ainda um dos principais elementos da enfermagem, e por isto necessitam de atividades de capacitação. No PSF, a ação do Auxiliar de Enfermagem, realmente esta mais ligada ao procedimento, (o que não
foi diferente da história), no entanto, o PSF pede ao
AE outras possibilidades de prática, daí vem à questão
da própria visita domiciliar, visando atividades de
educação em saúde, de elo de ligação, ações não especificas só a este profissional, mas novas no corolário geral de suas atividades.
Parece evidente a facilidade de que os AEs pesquisados tiveram em identificar a diferença da prática
hospitalar para o PSF. Questão que nos deixou surpresos é que a 1ª sugestão colocada pelos AEs é a necessidade de capacitação, que não foi colocada nas dificuldades. Aspectos que precisam ser trabalhados em
educação permanente. Daí questiona-se: O que será
Referências bibliográficas
O
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5. Souza, M. F. Agentes Comunitários de Saúde: choque do povo.
São Paulo: Hucitec, 2001. 155p.
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127p.
7. Tobar, F. ; Yalour, M. R. Como fazer teses em saúde pública:
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pessoais. São Paulo: Fiocruz, 2001. 170 p.
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Interpretações. Rio de Janeiro, Revinter, 1995.
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ANEXO I - INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS
1) Idade:
( ) até 20 anos
( ) 41 a 50 anos
( ) 21 a 30 anos
( ) 51 a 60 anos
2) Sexo:
( ) masculino
( ) feminino
3) Estado civil:
( ) solteiro
( ) casado
( ) amasiado
( ) separado
( ) divorciado
( ) viúvo
4) Grau de instrução:
( ) ensino fundamental
( ) nível médio
( ) nível superior
( ) completo
( ) completo
( ) completo
( ) incompleto
( ) incompleto
( ) incompleto
5) Renda familiar:
( ) 1 a 2 salários mínimos
( ) 3 a 4 salários mínimos
( ) 5 a 6 salários mínimos
( ) 7 ou mais salários mínimos
( ) 31 a 40 anos
( ) 61 anos e mais
6) Há quanto tempo é Auxiliar de Enfermagem?
( ) até 2 anos
( ) de 2 a 4 anos
( ) de 4 a 6 anos
( ) de 6 a 8 anos
( ) de 8 a 10 anos
( ) mais de 10 anos
7) Há quanto tempo esta atuando como Auxiliar de Enfermagem na Estratégia Saúde da Família?
( ) menos de 1 ano
( ) de 1 a 3 anos
( ) de 3 a 6 anos
( ) 6 anos e mais
8) Tem outro emprego ?
( ) sim
( ) não
9) Tem filhos ?
10) No seu ponto de vista, o que significa o Programa Saúde da Família?
11) Que diferenças você destaca na prática do Auxiliar de Enfermagem em Saúde da Família para a área hospitalar?
12) Qual a importância do Auxiliar de Enfermagem para a comunidade?
13) Quais são as atividades que você desenvolve dentro do PSF ? Se for mais que uma, numere em ordem crescente.
( ) grupos de educação em saúde
( ) visitas domiciliares
( ) identificação de fatores de risco
( ) acompanhamento mensal das famílias
( ) realização de procedimentos nos domicílios
( ) outras, especificar:
14) Quais são as dificuldades que você encontra no PSF? Se for mais que uma, numere em ordem crescente.
( ) falta de material
( ) dificuldade de relacionamento com outros profissionais
( ) problemas com a comunidade
( ) dificuldade de relacionamento com a chefia
( ) dificuldade de vínculos com a comunidade
( ) baixa remuneração
( ) outros, especificar:
15) Que sugestões você apontaria para melhorar o seu desempenho no dia-a-dia?
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Nursing Saúde Coletiva 2004;01(1):08-14
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