As Condições de Produção textual dos alunos da 4ª série do Ensino Fundamental. Charles Gomes Martins1 Mariana de Lima Castro2 Maria Lúcia Ferreira de Figueiredo Barbosa3 RESUMO O objetivo desta pesquisa é identificar os elementos das condições de produção textual de duas escolas: pública e privada, condições essas oferecidas por professoras das duas redes de ensino para crianças da quarta série do ensino fundamental. Realizamos oito observações em sala de aula da disciplina de língua portuguesa e entrevistamos quatro professoras, sendo duas educadoras de cada instituição. Constatamos que, das duas escolas, as professoras não conseguiram, pelo menos em nossas observações, oferecer condições de produção textual adequadas. Palavras–chave: escrita, condições de produção e interlocução. 1. INTRODUÇÃO Os Parâmetros Curriculares Nacionais tem como finalidade auxiliar os educadores na execução do seu trabalho em sala de aula. E para isso foram sistematizados parâmetros que regulam os conteúdos a serem ensinados no ensino fundamental. Um dos objetivos a serem alcançados é que o aluno deve ser orientado a compreender a sua cidadania, sendo capaz de produzir textos coerentes, coesos e eficazes. A escola tem uma grande responsabilidade em proporcionar condições que favoreçam as crianças a possibilidade de tornarem-se produtoras de textos, que saibam utilizar a leitura e a escrita em sua vida, e que as conduza a adquirir uma percepção do mundo de forma crítica. Quanto a prática de produção de texto, os PCNs nos afirmam que: “Formar escritores competentes supõe, portanto, uma prática continuada de produção de texto na sala de aula, situações de produção de uma grande variedade de textos, de fato, e uma aproximação das condições de produção às circunstâncias mais gerais que produzem esses textos. Diferentes objetivos exigem diferentes gêneros e estes, por sua vez, têm suas formas características que precisam ser apreendidas” (Brasil, 1997, p. 49). 1 Graduando em Pedagogia – Centro de Educação – UFPE [email protected] 2 Graduanda em Pedagogia – Centro de Educação – UFPE [email protected] 2 Professora do Departamento de Métodos e Técnicas de Ensino – Centro de Educação - UFPE [email protected] 2 Sendo assim, as condições de produção textual devem ser proporcionadas tanto nas escolas da rede pública quanto nas da rede particular de ensino. Os alunos podem adquirir o mesmo nível de aprendizagem nas duas instituições, mas não foi isto que constatamos. Fomos motivados inicialmente a escolher esta temática durante as observações das disciplinas de Pesquisa e Prática Pedagógica IV e V, em que coletamos muitos dados relacionados à produção textual e constatamos muitas dificuldades de ensino-aprendizagem no que se refere à apropriação da escrita dos alunos. O nosso objetivo com este trabalho é identificar quais são as condições de produção textual à indicação, propiciadas aos alunos pelas professoras observadas (nas escolas pública e privada), sobretudo no que se refere a elementos do contexto de produção tais como: o gênero, a finalidade e o destinatário dos textos dos aprendizes. Durante o estudo foram realizadas oito observações em salas de aula das duas escolas (quatro observações em cada escola), resultando em um total de 16 horas e foi aplicado um questionário com dez perguntas destinadas, oralmente, a cada professora e registradas em um caderno que continha informações sobre a formação profissional de cada uma das docentes entrevistadas. Todas as perguntas se relacionavam com a prática de produção textual no cotidiano de aula de cada educadora. Para facilitar a compreensão da análise de dados, utilizamos a letra “P” para identificar cada uma das professoras. O nosso trabalho será desenvolvido com base nos pressupostos dos seguintes autores: Smolka e Góes (2001), Leal e Mendonça (2005), Marcuschi (2002), Geraldi (1997), Ferreiro e Teberosky (1986), Kaufman e Rodríguez (1995), Marinho (1997) dentre outros. A estrutura do nosso trabalho será organizada da seguinte forma: inicialmente vamos discorrer sobre a escola como interlocutora na produção de texto em sala de aula, em seguida vamos discorrer sobre o papel do professor como interlocutor na produção de texto dos alunos. Após a nossa abordagem bibliográfica vamos apresentar o momento de coleta de dados em sala de aula, as entrevistas e a análise deste material coletado. 3 1. A escola como interlocutora da produção de texto em sala de aula O ato de produzir textos, na escola, é visto como um momento em que o professor de língua portuguesa quase sempre se preocupa em verificar o nível de aprendizagem de seus alunos. Esta prática promove a discordância entre os educadores que acreditam em um processo de ensino-aprendizagem, em que o aluno deve participar não como um produtor de texto, tenha como finalidade agradar ao seu professor, mas descobrir-se enquanto autor de suas próprias idéias, ou seja, como sujeito da sua linguagem. Como afirma Geraldi (1997 p. 128): “Ao descaracterizar o aluno como sujeito, impossibilita-se-lhe uso da linguagem. Na redação, não há um sujeito, que diz, mas um aluno que devolve ao professor a palavra que lhe foi dita pela escola”. As chamadas, “aulas de redação nas escolas”, têm sido motivo de preocupação para os professores. Muitas crianças não conseguem redigir textos que possam ser lidos pelo leitor. “O fracasso escolar nas aprendizagens infantis é fato constatável por qualquer observador”. (FERREIRO e TEBEROSKY, 1986, p. 16). A partir da década de 1980, a psicogênese da língua escrita auxilia o educador a entender como se dá a apropriação da leitura e escrita. Emília Ferreiro e Ana Teberosky acreditam que a criança não é passiva no processo de aprendizagem: “No lugar de uma criança que espera passivamente o reforço externo de uma resposta produzida pouco menos que ao acaso, aparece uma criança que procura ativamente compreender a natureza da linguagem que se fala à sua volta, e que, tratando de compreendê-la, formula hipótese, busca regularidade, coloca á prova suas antecipações e cria sua própria gramática”. (FERREIRO E TEBEROSKY, 1986, p.22). 4 Nesse sentido, as dificuldades dos alunos com a escrita de textos podem ser minimizadas quando o professor deixa de observar nas produções dos alunos somente: os erros ortográficos, sintáticos, morfológicos e de caligrafia. O professor deixa de observar os momentos que antecedem a esta escrita e não percebe que para que o aluno atinja seu desenvolvimento cognitivo e emocional esperado, deve der proporcionadas condições de produção textual que favoreçam esta escrita bem direcionada. Estas condições de produção são explicitadas pelo PNLD (Programa Nacional de Análise do Livro Didático, 2004) em relação às atividades de produção de texto, nos manuais didáticos de língua portuguesa, devendo seguir as orientações abaixo: “Indicação, para o aluno, de objetivos para produção, indicação de destinatário (s) para o texto, indicação do contexto social de circulação do texto (escola, família, bairro etc), indicação do veículo ou suporte (jornal, revista, livro, cartaz, mural, rádio, TV), indicação do gênero e/ou tipo, e a indicação de dialeto e/ou registro”. O direcionamento equivocado em que a escrita passa a ser uma reprodução da realidade, cujo aluno não interage com o texto de sua autoria, faz com que o destinatário dos textos produzidos pelos aprendizes seja o professor. Este se colocando como crítico da escrita dos alunos elabora seus critérios individuais para a avaliação das escrita dos discentes. Este fato tem se repetido nas práticas de ensino de produção de texto em sala de aula. Ao contrário dessa postura, o professor deve permitir que os alunos possam tornar-se sujeito de sua produção textual. O fato de dialogar com o seu texto possibilita ao aluno assumir o papel de interlocutor no processo da interação escrita como nos mostra (TEBEROSKY E FERREIRO, 1986, p. 26). É no ambiente escolar que a criança passa boa parte de sua vida. A escola tem um papel de grande importância para o seu desenvolvimento psicossocial. É nas relações sociais que a criança se reconhece como indivíduo que constrói a sua própria imagem de língua. Para Britto (1997, p. 120): 5 “A escola não apenas surge como interlocutor privilegiado do estudante (não nego a possibilidade de existirem outros), como passa a ser determinante da própria estrutura de seu discurso. Enquanto interlocutor, ela determinará a própria imagem de língua do aluno”. O papel da escola como interlocutora, na mediação entre o aluno e o texto, cria no aluno uma forma de escrita que muitas vezes não é o modo como os alunos escrevem em suas vidas. O aprendiz muda sua escrita e adota padrões comunicativos que não são os seus. Desse modo: “Na situação escolar existem relações muito rígidas e bem definidas. O aluno é obrigado a escrever dentro de padrões previamente estipulados e, além disso, o seu texto será julgado, avaliado”.(BRITTO, 1997, p. 120). É nesta escola onde esta relação de rigidez pode ocorrer que acreditamos que pode haver uma transformação tanto no nível dos alunos quanto à sua escrita, como no modo como o professor direciona seu trabalho em sala de aula. Mendonça e Leal (2005, p. 58), vê a escola como um lugar onde os gêneros textuais são de fundamental importância para a ampliação das capacidades de produção e compreensão de textos dos alunos. Os gêneros textuais variados segundo as autoras, atendem a diversos tipos de finalidade social. Elas defendem que: “Cabe ao professor promover situações de reflexão sobre os textos, considerando as características dos gêneros textuais (sociointerativas e estruturais) e as peculiaridades dos textos em foco”. Para Mendonça e Leal, os pesquisadores Dolz e schnewwly (1999), abordam em seus trabalhos três modos que descrevem como a escola atua com o trabalho com gênero textual. São eles: “O desaparecimento da comunicação, onde não há preocupação em inserir no contexto escolar os textos que circulam na sociedade; a escola como um lugar de comunicação, onde os gêneros são usados como instrumento de comunicação, e não como objetos de reflexão, e a negação da escola como um lugar específico de comunicação, em que os 6 alunos não são conduzidos a pensar sobre os textos e estratégias em diferentes situações”. (MENDONÇA E LEAL, 2005, p. 60 e 61). 2. O papel do professor como interlocutor na produção de texto do aluno. Reconhecer o destinatário dos textos produzidos pelos alunos tem sido uma dificuldade observada por aqueles que estudam as condições de produção textual. Os alunos demonstram que muitas vezes não sabem para quem estão escrevendo. Britto, analisando o papel do professor no processo de interlocução, nos diz que o aluno ao direcionar o seu texto para agradar o professor pode criar um interlocutor falso. “Atrás da figura estereotipada do professor está a escola e todas as relações próprias da instituição: a autoridade, o superior, o culto, aquele que diz o que é como deve ser feito” (BRITTO, 1997, p. 120). O texto produzido pelo aluno terá como leitor exclusivo o próprio professor de redação. Que muitas vezes deixa de analisar o conteúdo do texto da escrita produzida pelo aluno e concentra-se somente no uso da norma culta. Franchi (1998) nos diz que o professor deve mudar o seu olhar dos erros de pontuação, ortografia e concordância e vê o que o aluno se propôs a comunicar. Deve ser verificada também a sua capacidade de dialogar consigo mesmo como interlocutor de seu próprio texto. Sobre a interlocução, Britto, (1997, p. 128) afirma que este interlocutor pode ser “real” ou imaginário, individual ou coletivo, pode estar mais ou menos próximo, muda em cada situação concreta. Segundo este autor, o intelocutor pode estar definido numa carta, numa petição, bem como pode ser genérico ou um determinado segmento social, como num jornal. Pode ser virtual como numa ficção literária. Geraldi (1997, p. 128) vê o professor como um interlocutor que deve dialogar com o aluno, que discorde, questione e que conduza o educando ao exercício de sua subjetividade. Franchi (1998, p. 44) ressalta que, em geral, na escola, as crianças não conseguem redigir textos criativos e que apresentem originalidade. Os alunos são conduzidos a cumprir uma tarefa descrita pelo professor sem as orientações que os conduzam com eficiência e os orientem para que saibam o 7 que estão escrevendo: para quem escrevem, onde irá circular o texto, e qual a finalidade da escrita. “Vítimas aos padrões de avaliação dessa escola, os próprios alunos já não valorizam a si próprios: colocavam-se à margem da escola, mesmo dentro dela, sem qualquer estímulo para uma atividade criativa e produtiva; eles já sabiam que eram “ incapazes “ou “casos perdidos” e certamente rejeitavam interagir num sistema que não era para eles e que não tinha qualquer relação com sua vida real”. (Franchi, 1998, p. 44). No momento que antecede a produção textual o professor deve ter planejado sua aula antes de direcionar a produção de seus alunos. O professor pode utilizar gêneros textuais diversos, deixar claro o destinatário, dando comandos aos alunos que os ajudem a entender a finalidade desta atividade, ou seja, proporcionar as condições adequadas de produção textual. Smolka e Góes (2001, p.62), mostram que o professor deve proporcionar momentos da produção de texto, quando nos diz: “O processo de produzir o texto não começa e termina com as primeiras e as últimas palavras registradas. A situação que desencadeia a atividade já começa a prefigurar o texto, pois caracteriza seus propósitos e destinação e antecipa as possibilidades de repercussão”. Esta situação desencadeadora descrita por Smolka e Góes (2001) irá surgir a partir de experiências como a leitura, dos conhecimentos prévios dos alunos e de sua visão de mundo. Para facilitar este processo de estruturação do conhecimento Smolka e Góes (2001, p. 63) sugerem que o professor proporcione a produção textual em pares, e não utilize a escrita individual. Sobre esta escolhe nos diz: “A produção em pares ou grupos oportuniza inúmeras aprendizagens que não transcorrem, porém, de modo mais fácil, dada à exigência de se negociar idéias e lidar com as posições ocupadas pelos indivíduos na interação”. 8 Assim como Smolka e Góes, Antônio Neto afirma que deve existir uma relação entre o leitor e o autor, o texto e o contexto. Devendo haver uma relação dialógica para trocas de experiências e de crítica. Esta troca compreende tanto a relação dos professores com o texto dos alunos como a relação dos alunos enquanto lêem os textos produzidos por seus pares. Essa afirmação ressalta a importância de se realizar trabalhos também com a produção textual em grupo e não apenas individualmente. Embora seja fundamental que o aluno realize sozinho a sua produção textual, a fim de alcançar maior autonomia na escrita. Marinho (1997), refletindo sobre a produção de texto na escola, destaca a importância de se trabalhar com gêneros temáticos com os alunos como mais uma forma de se trabalhar às condições de produção textual e afirma que quando o professor interage com o aluno e se coloca como interlocutor, ocorre a melhora na qualidade do texto do aprendiz. Segundo esta autora, o professor dever seguir as seguintes orientações: “Em primeiro lugar deve realizar com os alunos um trabalho de levantamento de idéias relacionadas aos temas, propostos por ele ou a turma; segundo sugerir – lhes roteiros, promover discussões com argumentações em favor ou contra idéias apresentadas; em terceiro, motivá-los a escrever” fertilizar suas mentes “, em quarto, levá-los a pensar sobre os temas que possam escrever e em quinto, o professor deve colocar-se como um interlocutor dos alunos e não mais como avaliador de seus textos”. Leal (2003) tem o mesmo posicionamento dos autores citados neste estudo e acredita que deve haver a relação de interlocução para que o processo de ensino–aprendizagem ocorra. O professor é responsável por proporcionar que seus alunos sejam produtores de textos competentes e capazes de interagir utilizando a escrita, e que isto possa ser realizado em diferentes instâncias interlocutivas. Para Leal (2003), o professor deve explicar melhor os objetivos da escrita e definir os propósitos antes dela. O aluno que desconhece os objetivos de sua escrita não conseguirá nem mesmo elaborar 9 textos coerentes. A postura do professor deve ser de mediador das relações de interlocução instaurando no aluno uma consciência dialógica. A autora afirma que os determinantes desta interação são: “os conhecimentos prévios sobre o assunto, objetivos, propostas, jogos de imagem, conhecimentos lingüísticos e uma visão de mundo” (2003 ,p. 65). O resultado desta interlocução pode ser visto quando os alunos conseguem estabelecer relação de sua vida com o contexto social. (Smolka e Góes (2001, p. 53) afirmam que ao estabelecer relações podemos ver se estes alunos conseguiram utilizar a escrita para refletir a sua própria intersubjetividade neste processo de internalização). Como no trabalho em sala de aula muitos professores não estão preparados para conduzir seus alunos na produção de texto, Kaufman e Rodrigues (1995, p. 51), consideram que deve haver um receptor para os materiais escritos dos alunos. Estas autoras nos dizem que: “Não é fácil imaginar que alguém escreve” para ninguém “, fora dos muros escolares. Sempre há um destinatário dos materiais escritos: esse destinatário pode ser ou outra pessoa ou quem escreveu”. Antes do trabalho em sala de aula o professor deve preparar os seus alunos para trabalharem modelos textuais. As autoras recomendam que o professor deve trabalhar em sala de aula diversos textos, que podem ser: literários, jornalísticos, textos de informação científica, instrucionais, epistolares, humorísticos e publicitários. A Alternativa para o professor pode ser o uso de planejamento de projetos didáticos. O objetivo esperado é de que o professor planeje e dê condições para que seus alunos possam produzir textos após o conhecimento dos modelos textuais. Como sugestão para o trabalho em sala de aula, Rossi, (2005), desenvolveu um projeto nas escolas públicas de São Paulo, onde o trabalho com gêneros discursivos auxiliou no trabalho de leitura e produção de texto. O uso de gêneros discursivos proporciona práticas de linguagem que são atividades dos alunos.Acerca disso Rossi diz que: 10 “Cabe ao professor, portanto, criar condições para que os alunos possam apropriar-se de características discursivas e lingüísticas de gêneros diversos”.(2005, p. 80). Neste projeto proposto por Rossi (2005), os professores tiveram como finalidade o desenvolvimento de competências em que o aluno lê, discute o texto, produz o texto e possibilita a circulação social do mesmo. Esta mesma autora sugere que em sala de aula os professores devam trabalhar os seguintes gêneros: “Rótulos de produtos, bulas de remédio, propagandas de produtos, propagandas políticas, etiqueta de roupas, manuais de instrução de equipamentos, contratos e nota fiscal”, como mais um subsídio para se gerar a produção textual dos alunos. As autoras Rossi, Kaufman e Rodrïgues concordam quando dizem que antes da produção textual os alunos devem conhecer um modelo textual, para depois se apropriar das características destes gêneros e produzir bem seus próprios textos. Para compreendermos as condições de produção textual, Rossi, (2005, p. 84), nos diz que neste momento de produção os alunos devem: “Questionar-se sobre quem escreve esse gênero discursivo? Com que propósito? Onde? Quando? Como? Com base em que informações? Como o redator obtém as informações? Quem escreveu esse texto que estou lendo? Quem lê esse gênero? Por que o faz? Onde o encontra? Que tipo de resposta pode dar o texto? Que influência pode sofrer devido a essa leitura? Em que condições esse gênero pode ser produzido e pode circular na nossa sociedade?”. Estes elementos citados por Rossi compreendem elementos fundamentais de condições de produção textual. Cabe ao professor fazer uso de condições que proporcionem ao aluno ser orientado sobre questões que o conduzirão a escrita de seu texto. O aluno deve saber o destinatário do texto, sua finalidade, quais os objetivos a serem alcançados, onde irá circular esta produção, indicando o contexto social e que gênero estará sendo trabalhado. 11 3. Apresentação e análise de resultados A nossa pesquisa foi realizada em duas escolas, sendo uma escola da rede Municipal de Ensino de Recife e outra Escola da rede particular. Estas escolas estão localizadas no mesmo bairro e estão próximas. Foram realizadas oito observações em sala de aula na disciplina de língua portuguesa, sendo quatro observações em cada escola. Também aplicamos entrevistas para os quatro professores. Inicialmente vamos identificar se estas escolas proporcionam as condições de produção para a atividade de produção de texto, e em seguida, vamos analisar e comparar estas instituições. 3.1. A relação de interlocução do professor da escola pública Nas observações realizadas na aula de língua portuguesa em que a proposta da aula foi à produção de texto dos alunos, podemos verificar que a educadora não exerceu a sua função de interlocutor do aluno de forma a atender a condições que favoreçam este aluno ao desenvolvimento de sua produção. Expomos neste trabalho a importância do papel do professor quanto à interlocução no processo de escrita dos textos dos alunos. Os autores Geraldi (1997), Franchi (1998), Smolka e Góes (2001), Marinho (1997) e outros, nos mostram que o professor deve assumir o seu papel nesta interlocução em sala de aula. Durante o momento em que os alunos estavam produzindo o seu texto, muitos deles perguntavam a quem destinavam o texto e se podiam copiar do livro. A professora sentada em sua cadeira só repetia a frase: “vocês já fizeram isto antes”. Constatamos durante as observações que há a ausência de interlocutor. Esta ausência de interlocutor terá como resultado a incompletude de orações e a falta de coesão textual. Costa Val (1991, p. 05) afirma que a coerência e a coesão são responsáveis pelo sentido do texto e este depende do compartilhamento de conhecimento entre os interlocutores. Como estas crianças podem produzir um texto coeso e coerente se não conseguem 12 interagir com o seu professor? A falta do diálogo em sala de aula nos mostra que a postura da professora interfere no processo de ensino aprendizagem dos alunos. Sendo assim, o professor não pode oferecer condições que conduzam os alunos a escreverem com objetivos determinados. Nesta produção, o texto não é direcionado a nenhum interlocutor. Os alunos não sabem para quê estão escrevendo ou porquê. Vemos que em muitas escolas a redação não obtém resultados esperados porque os alunos escrevem para “ninguém”. Britto (1997), nos afirma que os alunos não sabem para quem escreve e porquê. É atribuição do professor garantir que o seu aluno tenha uma boa comunicação com ele e possa estabelecer uma relação de interlocução que possibilite o crescimento do aluno e de seu mestre. A professora P2 não tem um desempenho diferente de sua colega de trabalho quanto à interlocução. O perfil desta educadora é de autoritarismo e pouco diálogo. Durante a entrevista ela afirma que os alunos reclamam dos seus gritos para que eles façam silêncio em sala de aula. É um fato conhecido que a profissão docente chega, às vezes, ser desgastante, devido à precariedade nas condições de trabalho. Mesmo que existam na escola problemas que não possam ser mudados somente pelo professor, entendemos que os alunos não podem ser prejudicados com esta ausência de interlocução, em um espaço no qual deveria haver a construção do conhecimento. Os alunos eram orientados a escrever um texto que foi escrito pela professora no quadro. Após esta escrita, vimos que os alunos perguntaram o que deveriam escrever, e a professora disse: “escolham uma frase e escrevam que depois eu dou o visto”. Durante essa aula, não houve interação com os alunos nem diálogo que auxiliassem os aprendizes nesse processo de ensino-aprendizagem. 3.2. O destinatário do texto na produção do aluno da escola pública A professora P1 não faz a indicação do destinatário do texto produzido pelos alunos. Ao ser entrevistada sobre a destinação dos textos escritos, perguntamos: “quem decide por quem os textos serão lidos? Você ou seus alunos? Comente”. A professora respondeu: “Eu descido tudo na sala de aula, as crianças não têm condições de decidir nada”. Podemos ver que há uma 13 centralização das decisões em sala de aula, não havendo a interação professor–aluno. O interesse das crianças é escrever para obter o visto da professora. A docente P1 disse durante a aula: “se não fizerem vão para o recreio, venham para eu dar o visto”. A professora P2 responde a mesma questão sobre quem decide o destinatário com as seguintes palavras: “Temos um contrato didático. Fazemos avaliação deste contrato. Eles sugerem como deve ser as atividades”. Na resposta desta professora é visto o interesse em ouvir o aluno e permitir a sua participação durante a aula. Mas, não é isto que observamos em sua prática em sala de aula. Há uma incoerência entre o discurso e a prática. 3.3. Os gêneros textuais na produção de texto do aluno da escola pública A professora P1, não utiliza o trabalho com os gêneros textuais. Quando questionada sobre os textos produzidos por seus alunos, a educadora afirmou que eles produzem: histórias, bilhetes e cartas. Mas, não é isto que constatamos em nossa observação. O que vemos é que não há uma relação entre teoria e prática no trabalho em sala de aula. O que ela respondeu no questionário não é apresentado em sua vivência em sala de aula. Mendonça (2005, p.38) relaciona o trabalho com gêneros textuais com a prática do letramento. A justificativa para trabalhar com gênero textual é de que o trabalho com gêneros textuais nos reporta as idéias socioconstrutivistas e sociointeracionistas. O trabalho com letramento em sala de aula possibilitará ao aluno a aquisição da escrita vinculada à prática social. Para ela, ninguém lê ou escreve no vazio, sem propósitos, sem a participação de interlocutores, os alunos devem escrever visando objetivos a serem alcançados. (MENDONÇA, 2005, p. 46). Verificamos que a proposta de ensino da Rede Municipal de Recife tem como orientação de que em sala de aula os alunos devem ser preparados para trabalhar com diversos gêneros. Não é isto que acontece nesta escola Municipal. A proposta pedagógica, ao ser analisada, nos mostrou que os resultados esperados não são atendidos. A proposta prever que quanto à escrita os alunos devem ser capazes de: 14 “Produzir textos considerando as características do sistema alfabético, elaborar textos de diversos gêneros, considerando suas especificidades, finalidades e usos sociais; produzir textos utilizando os recursos básicos da coesão e da coerência, expressando pensamento, sentimentos, experiências, idéias e posicionamento, com clareza, objetividade e adequação ao contexto de interação. Devendo revisar e refazer os próprios textos até considerá-los suficientemente bem escritos para a finalidade a que se destinam”. (Proposta Pedagógica da Rede Municipal de Ensino do Recife, 2002). Durante as observações vimos que as duas professoras não entendem o uso dos gêneros em sala de aula. Questionadas sobre que textos são produzidos normalmente pelos seus alunos elas respondem: P1: “Meus alunos produzem histórias, bilhetes e cartas”. P2: “Eles produzem poemas, receitas, textos narrativos, descritivos e informativos”. Mesmo tendo como recomendação o uso de gêneros em sala de aula em sua proposta do Município, elas dizem que trabalham com os gêneros, mais sua prática nos mostra sua falta de informação sobre este assunto. 3.4. A circulação do material produzido pelos alunos O material produzido pelos alunos não irá circular em nenhum espaço. Um dos elementos destas condições é a circulação do material, que deve ocorrer no interior da escola, comunidade e família. Segundo as professoras ao serem questionadas sobre quem serão os leitores dos seus alunos, nos disseram: P1: “Os leitores dos meus alunos são os próprios alunos”. P2: “Eles lêem entre si. Junto duas turmas e trocam textos”. 15 Mesmo com estas respostas não é isto que ocorre em sua realidade. O fato de não conhecerem com propriedade as condições de produção muito nos preocupou. Por entendermos que o professor de língua portuguesa tem uma grande responsabilidade que é de conduzir os alunos a se apropriarem da leitura e escrita para que o aluno saiba usufruir desta tecnologia que deve ter como finalidade tornar o indivíduo letrado com possibilidades para o seu crescimento enquanto ser atuante e crítico na sociedade. 3.5. O planejamento como prática do professor da escola pública Na aula de língua portuguesa ministrada pela professora P1, a mesma inicia a sua atividade de produção textual com a leitura de um texto escolhido na hora da aula. Com isto, vemos que não houve o planejamento para este momento de produção, conforme o esperado para o trabalho com a escrita em sala de aula. Não é isto que identificamos nesta aula de língua portuguesa, cuja finalidade deveria ser a produção textual dos alunos. Ao analisarmos a entrevista em que perguntamos se a professora planejava suas aulas, a mesma nos disse: “não planejo porque não dá tempo”. Observamos que esta lacuna quanto ao planejamento interfere na qualidade destas aulas. Com esta resposta, podemos dimensionar como esta professora não ofereceu condições de produção nas aulas observadas. Telma Ferraz (2005, p 76) tratando sobre a necessidade de que o professor tem de planejar o seu trabalho, em sala de aula, evidencia em seu estudo sobre este tema, que o professor precisa organizar o seu tempo pedagógico. Existe a necessidade do professor planejar a sua aula organizando o tempo pedagógico de cada atividade. Sendo através do planejamento, que o professor pode refletir sobre suas decisões e considerar os conhecimentos prévios dos alunos. Com isto irá prever possíveis dificuldades que possam surgir. A professora P2 inicia a sua aula conduzindo uma leitura compartilhada do texto. Após este momento, houve o resgate dos conhecimentos prévios dos alunos que foram escritos no quadro, sobre o que entenderam do texto. Após verificar o entendimento dos alunos, a educadora instrui sobre a produção de texto dos alunos. São indicados três temas que os alunos devem escolher e 16 escrever sobre eles. Foram escritas as seguintes frases: “As pessoas que gostam de colecionar coisas, as pessoas que não gostam de colecionar coisas e as pessoas que os pais não deixam colecionar coisas”. Após os alunos terminarem de escrever os textos a professora escreveu no quadro a porcentagem dos alunos de cada escolha. Esta professora não planejou a sua aula. Ela confessou, no momento de entrevista, que na escola pública exerce a profissão de professora no turno da manhã, coordenadora à tarde e ensina em outra escola à noite. A pergunta foi: “Você costuma planejar as aulas de produção de texto? Como? A sua resposta foi a seguinte:” Não tenho tempo para planejar, às vezes, planejo em casa “. Para alcançar os objetivos didáticos da produção de texto, o docente precisa pensar nos elementos que compreendem a produção do texto escrito. Na escola particular observamos quatro aulas de língua portuguesa, cuja finalidade foi identificar dados que nos mostrassem a aplicação das condições de produção durante a produção de texto. Os alunos desta escola estão inseridos numa realidade privilegiada. Possuem geralmente condições sociais e econômicas que favorecem os seus desenvolvimentos físicos, emocionais e intelectuais. 3.6. A relação de interlocução do professor da escola particular A P4 procurava estabelecer um diálogo com os seus alunos antes e durante da produção. Quando em sua aula expôs um texto de Manuel Bandeira, chamado “O bicho”, a mesma fez várias perguntas como: quem é esse bicho? Por que esse bicho encontra-se nesta situação?... Perguntas pertinentes e voltadas à conscientização do problema da desigualdade social. O fato de dialogar com o aluno possibilita que ocorra a interlocução, oportunizando aos mesmos, a construção de seu conhecimento. O relacionamento professor-aluno nessa rede de ensino é recíproco e nos mostra que o professor pode oferecer condições para que os alunos sejam produtores de textos, que escrevem não para o professor, mas os familiares, amigos e a sociedade mais ampla. 3.7 O destinatário do texto na produção do aluno da escola particular 17 As professoras P3 e P4 não indicam o destinatário do texto aos alunos. Quando questionadas sobre quem seria o leitor do material produzido pelos alunos elas nos disseram que os alunos podem escolher para quem escrever os seus textos. Estas professoras acreditam que os alunos, mesmo na quarta série, já podem escolher o destinatário de seus textos. 3.8 Os gêneros textuais na produção de texto do aluno da escola particular De acordo com as observações, a professora P3 não trabalhou com gêneros textuais em sua aula. Mas questionada sobre que textos são produzidos por seus alunos nos disse: “Eles produzem todos os tipos textuais: bilhetes, cartas, lendas, fábulas, poemas e receitas. Possivelmente, essa professora não compreende a diferença das terminologias gênero textual e tipo textual. Sobre essa questão, Marcuschi (2002, p.22) distingue o uso de gênero textual de tipo textual. Para ele, distinguir gênero textual de tipo textual é de fundamental importância para a compreensão do trabalho com o texto.O tipo textual é utilizado para designar uma seqüência teoricamente definida e os gêneros textuais têm características sócio-comunicativas com um número maior de possibilidade de uso”. A professora P4 é a única que trabalha com os gêneros textuais. Ao iniciar a aula, ela perguntou para a turma quem já tinha recebido uma carta ou bilhete, e se ambos são a mesma coisa, ou se existe diferença entre os dois. A professora respondeu: “meninos, carta e bilhete são a mesma coisa, mas um escreve mais do que outro”. Com a explicação dessa educadora podemos ver que não ocorre uma justificativa que possa conduzir os alunos a diferenciar o uso da carta ou do bilhete. Mas entendemos que o seu trabalho teve maior contribuição para os alunos do que o da a sua colega da mesma escola. As autoras Kaufman e Rodríguez (1995, p.37), nos afirmam que quando trabalhamos com o texto epistolar, como a carta, podemos estabelecer uma comunicação por escrito com um destinatário que está ausente, que pode ser qualquer pessoa de nossa relação, como familiares, (amigos e outros). A estrutura da carta oferece ao escritor alguns elementos que podem ajudá-lo em 18 sua aprendizagem, como cabeçalho, os dados do destinatário, o corpo da mensagem e a despedida. Para estas autoras, o autor da carta dialoga à distância com um receptor de sua escolha. A professora P4 pede aos alunos que escrevam um bilhete para alguém de sua escolha. Os alunos perguntaram para quem deveria escrever e a professora disse que poderia ser para qualquer pessoa. Após a finalização do bilhete a professora pediu que eles transformassem o bilhete em carta. Neste momento alguns alunos disseram que não entenderam o que fazer. Imediatamente a educadora ajuda individualmente cada discente em sua cadeira e eles conseguem executar a tarefa. Quando todos os alunos terminaram a transformação de bilhete para carta, a professora solicitou que eles lessem em voz alta as suas respectivas produções. Muitos deles se sentiram envergonhados em ler em voz alta, mas a educadora os ajudava dando-lhes incentivo. 3.9. A circulação do material produzido pelos alunos As professoras questionadas sobre a circulação do material produzido pelos alunos nos disseram: P3: “Eu, os amigos de sala, a família e os integranes da escola. Como um todo, pois sempre ocorre a exposição das produções em murais colocados nos corredores da escola”. P4: “Os leitores serão os colegas, a família e a escola”. É somente nesta escola que há a circulação do material produzido pelos alunos. 3.10. O planejamento como prática do professor da escola particular A professora P3 inicia a sua atividade de produção, resgatando os conhecimentos prévios dos alunos sobre o tema da aula que neste dia foi o carnaval. Questiona sobre essa festa popular e em seguida pede aos alunos que produzam um texto em que o título seria livre, mas o tema deveria ser o 19 carnaval. Eles poderiam também desenhar sobre este tema após terminar a escrita do texto. Foram orientados a não escrever gírias, e que seguissem uma seqüência lógica de escrita. É observado por parte da educadora a preocupação com questões gramaticais e não com o conteúdo escrito do texto. Em nosso trabalho expusemos o fato de que um dos problemas na aula de redação é que os professores deixam de oferecer condições adequadas de produção e se preocupam em avaliar o aluno, como também quantifica uma nota para este exercício (FRANCHI, 1998). O texto depois de escrito foi lido por todos os alunos em sala de aula. A professora finaliza sua aula discorrendo sobre a importância histórica dessa festa e como brincar o carnaval e não deixar a violência interferir nesta. As professoras P3 e P4 demonstraram que planejam a sua aula. Questionadas sobre se costumavam planejar as aulas de produção de textos, elas nos dizem: P3: “É feito um planejamento semanal, onde a produção textual está incluída por duas vezes por semana”. P4: “A escola entrega o material pedagógico e nós, professoras, fazemos um planejamento anual de todas as disciplinas, inclusive, língua portuguesa. Nós dividimos por semana. 4. Conclusões Nas observações realizadas em sala de aula, nas duas escolas, podemos ver que as professoras não proporcionam aos seus alunos condições de produção textual que possibilitem aos mesmos, o desenvolvimento de sua escrita. Mesmo que estas duas escolas não atendam de modo satisfatório às condições de produção que nos propomos a identificar, verificamos que é na escola particular que encontramos a presença de alguns elementos das condições de produção nas orientações que as professoras dão aos alunos no ato de eles produzirem textos. De modo geral, as professoras pesquisadas, quando responderam a entrevista, demonstraram que conheciam o trabalho com gêneros textuais, mas 20 não foi isto que verificamos na prática de ensino de produção de texto. Notamos que há uma incoerência entre o que elas dizem realizar e o que fazem de fato. Supomos que possa haver lacunas quanto à formação dessas professoras. Quando analisamos os elementos que compõem as condições de produção de texto, vimos que a interlocução nas escolas pesquisadas não é direcionada no sentido de possibilitar ao aluno o crescimento como produtor de texto. Na escola particular a professora P4, é a única que demonstra ter mais proximidade com os alunos e os ajuda coletivamente e individualmente. Percebemos grande dificuldade em orientar os alunos quanto ao destinatário do texto, em todas as observações. Destacamos o fato de que a produção dos alunos da escola particular circula nesta e os atores sociais envolvidos podem conhecer a produção dos alunos. Temos que destacar o fato de somente na escola particular as professoras planejarem suas aulas e poderem prever os resultados que querem alcançar. Mesmo não estando presente nos elementos às condições de produção, concluímos estas análises com a idéia de que o planejamento é indispensável para o trabalho em sala de aula, desse modo, o ensino de produção de texto ao partir de planos de aula organizados e sistematizados permite considerar os aspectos como: a quem o texto se destina, em que gênero ele será escrito, em que espaço o mesmo circulará, e em que registro ou dialeto será escrito. São essas, pois as condições fundamentais para a produção de textos com sentido. 5. Referências Bibliográficas BRITO, Luiz Percival Leme. Em terra de surdos-mudos (um estudo sobre as condições de produção de textos escolares). In: Geraldi, João Wanderley (org.), O texto na sala de aula, São Paulo: Ática, 1997, p. 117 – 131. FERREIRO, Emília e TEBEROSKY, Ana. A Psicogênese da Língua Escrita. Porto Alegre: Artmed, 1986. FRANCHI, Eglê. A redação na escola, São Paulo: Martins Fontes editora LTDA, 1998. 21 GÓES, Maria Cecília Rafael; SMOLKA, Ana Luiza Bustamante. A criança e a linguagem escrita: considerações sobre a produção de textos. In. Alencar, Eunice Soriano de, et al. (org.), Novas contribuições da psicologia aos processos de ensino e aprendizagem. São Paulo: Cortez, 2001, p. 51 – 70. KAUFMAN, Ana Maria e Rodriguez, Maria Helena. Escola, leitura e produção de textos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. LEAL, Leiva de Figueiredo Viana. Reflexões sobre práticas escolares de produção de texto. Belo Horizonte: Autêntica, 2003. 22