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CASTRO ALVES E A POESIA HUMANITÁRIA E SOCIAL DE COMBATE À
ESCRAVIDÃO
GT6 Educação, Gênero e Diversidade
Ellen dos Santos Oliveira1
Foi na fazenda Boa Vista que
Castro Alves, com 13 anos, viu
pela primeira vez o açoite de um escravo.
O poeta jamais esqueceria esta cena
RESUMO: Este traz à discussão a representação do negro escravo como um ser inferiorizado
nos discursos políticos que justificaram a escravidão no Brasil. E ainda apresentar a
contribuição do poeta Castro Alves, nesse contexto, e como os negros ganham voz em seus
poemas. Este trabalho está fundamentado em SANTOS (2000). ALBUQUERQUE; FRAGA
FILHO (2006), FERREIRA (2004), FANON (2008) e RODRIGUES (2010). CANDIDO
(1944, 1997, 2004, 2006), TUFANO (1985), VERÍSSIMO, BANDEIRA (1960).
ANDERSON (2008), HALL(2001,2009). Pretende-se com esse estudo contribuir com as
discussões contemporâneas acerca da representação do negro na literatura e na sociedade de
forma geral.
Palavras - chave: Escravidão, Romantismo, Castro Alves, Poesia humanitária e social.
ABSTRACT: This moots the representation of the black slave as a being inferior political
discourse that justified slavery in Brazil. And present the contribution of the poet Castro
Alves, in this context, and how blacks gain voice in his poems. This work is based on
SANTOS (2000). ALBUQUERQUE, FRAGA SON (2006), FERREIRA (2004), FANON
(2008), RODRIGUES (2010). CANDIDO (1944, 1997, 2004, 2006), TUFANO (1985),
VERISSIMO, FLAG (1960), ANDERSON (2008), HALL (2001.2009). The intention of this
study contribute to contemporary discussions about the representation of black literature and
society in general.
Keywords: Slavery, Romanticism, Castro Alves, Poetry humanitarian and social.
INTRODUÇÃO
Este trabalho consiste em um estudo da representação do negro escravo como um
ser inferiorizado nos discursos políticos que justificaram a escravidão no Brasil. Pois foi a
partir de infâmias criadas contra os negros que foi construída uma identidade de inferioridade
para a raça negra. Sendo o negro uma figura marginalizada na nova nação Brasileira, que
prefere lançar a culpa do atraso do país aos negros, e assim os lança a um lugar à margem na
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Graduada em Letras Português e suas respectivas Literaturas pela Faculdade São Luís de França (FSLF/SE),
Pós-Graduanda em Cultura e Literatura pelo Centro Universitário Barão de Mauá (CUBM/SP), e assistente de
pesquisa do Núcleo de Estudos de Cultura da UFS (NEC-UFS). E-mail: [email protected]
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sociedade brasileira. É com o poeta Castro Alves que os negros ganham voz em seus poemas.
O poeta dos escravos, poderia não ter se preocupado com a escravidão no Brasil e ter feito
como outros poetas que preferiram exaltar à figura, idealizada, do índio tão em moda nos
tempos de Romantismo. No entanto o poeta trás à lembrança, através de sua poesia, as
atitudes desumanas cometidas aos negros escravizados no Brasil, onde foram tratados como
coisa.
Para o que se propõe será feita uma revisão da análise dos discursos que legitimou
a inferioridade do negro no Brasil, feita por SANTOS (2000). E ainda sobre o assunto da
Escravidão no Brasil, ALBUQUERQUE; FRAGA FILHO (2006),FERREIRA (2004),
FANON (2008) e RODRIGUES (2010). Servindo-se de apoio fundamental no campo literário
CANDIDO (1944, 1997, 2004, 2006). TUFANO (1985), VERÍSSIMO(?). E ainda
BANDEIRA (1960).Sobre a identidade foram úteis ANDERSON (2008), HALL(2001,2009).
Pretende-se com esse estudo contribuir com as discussões contemporâneas acerca
da representação do negro na literatura e na sociedade de forma geral.
A ORIGEM DA ESCRAVIDÃO
Desde Antiguidade e Idade Média pode-se perceber uma espécie de escravidão
emuma de xenofobia que era bem frequente nessa época, em que a relação entre os povos se
dividia entre “vencedor” e “cativo” e que muito lembra a escravidão que o negro vem sofrido
desde os primórdios de colonização. A escravidão negra começou quando o europeu chega à
África no século XV e percebe que lá havia uma escravidão doméstica que ocorria, desde os
séculos VII e VIII, quando um membro de um vilarejo vencido era aprisionado e forçado a
trabalhar na agricultura familiar. Os filhos desses cativos também se tornavam escravos, o que
oportunizou a ampliação da mão de obra escrava. Nesse contexto, eram escravizadas,
também, as pessoas condenadas por práticas de roubo, assassinato, feitiçaria, e às vezes,
adultério. As pessoas escravas também eram vendidas e trocadas por mercadorias e,
principalmente, por comida. Esse tipo de escravidão se intensifica com a ocupação do Egito e
da África, corroborando para a expansão do comércio escravocrata, que se ampliava com a
escravidão islâmica. Assim, no século XV, com a presença do Europeu na África, a
escravidão adquire proporções internacionais, e passa a ser praticada pelos holandeses,
franceses, ingleses, espanhóis e, principalmente, portugueses (ALBUQUERQUE; FRAGA
FILHO, 2006, p. 13 a 19).
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Com o Iluminismo no século XVIII, buscou-se construir um conceito de homem,
tendo como base os padrões do homem europeu e com um olhar intolerável aos homens
pertencentes a outros povos que se distanciam desse padrão. Com o estudo das teorias
racialistas e o “Racismo Científico” surge a ideologia de que a raça negra é uma espécie de
sub-raça da espécie humana. Sob a justificativa de que o“negro” era “menos inteligente” e
“mais criminoso” em comparação ao “branco”. Difundindo assim, o discurso de inferioridade
do negro em relação ao branco europeu (SANTOS, 2005, p. 21 a 60). E assim surgiram as
principais ideologias que contribuiu para fortalecer os laços do preconceito que justificou a
dominação cultural do europeu sob os outros povos, principalmente os negros. E por isso a
participação do negro na sociedade, até então, vem sido marcada pela submissão do negro em
relação ao branco, tanto na ordem social, política, econômica e cultural.
A escravidão no Brasil
Acredita-se que entre o século XVI e XIX, mais de 11 milhões de escravos
(homens, mulheres e crianças) foram traficados para as Américas. Desses, 4 milhões foram
trazidos para o Brasil. Unindo para sempre a história do Brasil à da África. No entanto, no
início da colonização eram escravizados também os índios. Inclusive, havia uma distinção na
identificação: o índio escravo era chamado de “negro da terra”, já o escravo africano era
chamado de “negro da guiné”. A partir da segunda metade do século XVI, os escravos
indígenas são substituídos pelos africanos. Pois, os negros da África passam a serem os
preferidos pelos senhores escravocratas, por afirmarem serem “os negros” menos rebeldes que
os índios e mais conformados com a escravidão. O Brasil foi um dos países que lucrou muito
com esse comércio humano (ALBUQUERQUE; FRAGA FILHO, 2006, p. 39 a 41).
No entanto, é com a escravidão e, principalmente, com o tráfico de escravo que se
inicia o processo de inferiorização da Raça negra e relação as outras raças. A esse respeito
FANON em Pele negra e máscaras brancas comenta que:
O negro, na medida em que fica no seu país, tem quase o mesmo destino do
menino branco. Mas indo à Europa terá de reconsiderar a vida. Pois o preto,
na França, seu país, se sentirá diferente dos outros. Já pretenderam
apressadamente: o preto se inferioriza. A verdade é que ele é inferiorizado.
(FANON, 2008, p.133, grifo meu)
Houve quem considerou o tráfico uma missão evangelizadora, como, por
exemplo, o padre Antonio Vieira que pregava em seus sermões a ideia de que o tráfico era um
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grande milagre de Nossa Senhora do Rosário, pois os negros quando tirados da África pagã
encontrava, no Brasil Católico, chances de salvação da alma (ALBUQUERQUE; FRAGA
FILHO, 2006, p. 39 a 41). Outro discurso que tentou justificar e amenizar a escravidão no
Brasil foi o de José Bonifácio, que argumentava que a escravidão foi “um ato de
caridade”poistrazer os escravos e dar-lhes uma chance de conversão, além de livrá-los da
guerra também conservavaa vida, mesmo que em cativeiro. Com esse argumento, Bonifácio
dizia fazer um favor aos escravos quando os escravizava (SANTOS, 2005, p. 67-68).
No Brasil a emancipação dos escravos surgiu do interesse político-social de
construção de uma nação. Assim, obedecendo aos ideais iluministas, surgiu a necessidade de
definir o que é ser brasileiro e o lugar do negro nesse Brasil. Percebe-se no, discurso de José
Bonifácio, as ideias liberais no Brasil e uma a preocupação com a construção da nação
brasileira, e para isso a escravidão parecia não ser mais interessante e era até um empecilho.
Pois para receber o status de nação era preciso que o país fosse primeiro um estado forte,
cujos cidadãos vivem plenamente seus direitos e deveres. E isso não era a realidade brasileira.
Uma vez que os escravos eram excluídos da cidadania e negociados como coisa, e isso
impedia que o Brasil adotasse uma constituição federal. Assim Bonifácio conclui que a
emancipação dos escravos era uma tarefa necessária para elevar o Brasil à condição de nação
liberal brasileira, pois se assim não o fizesse não conseguiria “aperfeiçoar” as raças existentes.
Percebe-se, então, que há diferença e hierarquia entre as raças (idem, 65-81).
A partir do século XIX no Brasil foi reproduzida, com discurso de Couty, a ideia
de que os negros não eram mal tratados e que havia igualdade entre as raças, e, ainda, que a
culpa da escravidão era dos negros que eram incapazes de se libertarem e viver socialmente
como cidadãos. Com a imigração e extinção da mão de obra escrava o negro vai ocupando um
lugar à margem na sociedade, uma vez que o conceito que se tinha de ordem e progresso
estava relacionado com os de seleção étnica. E mais adiante, Nabuco ao defender o
abolicionismo, tentou afastar o negro desse processo político ao mesmo tempo em que
pregava a paz entre as raças, e assim, passando uma ilusória ideia de que não havia racismo.
No entanto, percebe-se nesse discurso a ideia de inferioridade do negro, pois atribuía a culpa
pela escravidão à mentalidade atrasada da raça negra (idem, 65-118).
Com a abolição da escravidão, criou-se uma imagem do negro com traços de
inferioridade, vagabundagem e incompetência, que se aliou a vários mitos e assim contribuiu
para a criação da identidade do negro, nos limites do racismo. Uma vez que, as teorias
racialistas buscavam confirmar a inferioridade dos negros e a superioridade dos brancos,
atestando que no Brasil não havia racismo, mas sim a igualdade entre as raças. Gerando com
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isso, um sentimento de aversão do branco pelo negro e submetendo o negro a sua condição de
inferioridade. A repulsa pelo negro foi tão grande, que no Brasil foi almejado o
embranquecimento a fim de evitar o enegrecimento da nação. (idem, 118-127)
Com a chegada da República, foram reproduzidos no Brasil os preconceitos
europeus. E os negros foram duramente perseguidos e sua condição de inferioridade era
retratada em jornais da época que circulava pelo país e pelo mundo. Nota-se um racismo
explícito quando os negros são excluídos das atividades trabalhistas e jogados à
marginalidade. E quando valorizou a imigração e desvalorizou o negro. E, mais ainda, quando
criado argumentos racistas que impossibilitassem a entrada do negro no país e a convivência
deste em sociedade nas mesmas condições sociais que o branco. E com a nova República o
negro vai sendo esquecido das folhas de jornais e passa a ser um estranho na sociedade, passa
a ser o outro indesejável.
Quando se pensa que já havia uma imagem negativa e naturalizada que definia o
ser negro, SANTOS (2002), aponta mais dois elementos que contribuiu para a invenção do
negro e para fortalecer os laços do preconceito racial, tais elementos foram: o discurso médico
e jurídico de Nina Rodrigues e a antropologia de Gilberto Freyre. O primeiro, Nina
Rodrigues, com uma visão positivista e crente que havia diferenças naturais entre grupos e
classes sociais. A leitura de seu texto “As raças humana e a responsabilidade penal no
Brasil”, feita pela autora citada, conduz a concluir que negros, índios e mestiços são incapazes
de desenvolver uma civilização e de produzir uma cultura elevada, devendo ser tratados como
doentes e dementes. Pois, sendo eles criminosos e loucos deveriam ser excluídos e jogados
em asilos (SANTOS, 2005, p. 132-148). Essa visão preconceituosa de Nina Rodrigues
também é percebida em sua obra “Os Africanos no Brasil”, em que o autor ao mencionar o
negro o aborda como um problema para o Brasil, atribuindo à Raça Negra a culpa pelo atraso
do país e um dos fatores pelo qual o país ser um povo inferior. É o que se pode observar no
fragmento extraído da obra e citado abaixo:
A Raça Negra no Brasil, por maiores que tenham sido os seus
incontestáveis serviços à nossa civilização, por mais justificadas que sejam
as simpatias de que a cercou o revoltante abuso da escravidão, por maiores
que se revelem os generosos exageros dos seus turiferários, há de constituir
sempre um dos fatores da nossa inferioridade como povo.
(RODRIGUES, p.14-15, grifo meu)
Outro que contribuiu para a invenção do negro como um ser inferior foi Gilberto
Freyre, só que esse adotou um método diferente dos outros racialistas, esse fez uma
abordagem darwinista, spencerianos, e propôs uma diferenciação intelectual entre negros e
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brancos. Ele apesar do ataque negativo feito aos negros e mestiços, Freyre reconhece a
contribuição do negro na cultura brasileira. E mesmo o vendo como um objeto, ele fez
apologia à miscigenação, justificando, que apesar do aspecto negativo, acredita que será ela
um fator favorável para elevar o Brasil à condição de uma sociedade mais democrática em
termos raciais. Pois ele irá contribuir para a criação de um passado nacional, justificando a
colonização brasileira. Passando uma imagem de inocência do colonizador português, que é
seduzido pelas belezas exóticas das mulheres negras e índias. É, então, com a mestiçagem que
Freyre irá inventar um povo brasileiro e a valoriza em oposição ao que é legitimamente negro.
Assim, Freyre contribui para a invenção de uma identidade para os negros, brancos e
mestiços, e para a configuração de um sistema e identidade nacional, sob uma suposta
democracia racial e uma visão romântica da colonização (SANTOS, 2005, p. 149-161).
Percebe-se que de acordo com as teorias racialistas o negro e o mestiço não tinha
lugar nessa na sociedade brasileira em que se pretendia formar, uma sociedade baseada na
ordem e no progresso e com o status de nação. E essas teorias motivaram e justificaram as
desigualdades entre os seres humanos, usando um conceito de “raça” para classificar e
hierarquizar a sociedade.
O ROMANTISMO NO BRASIL
No início do século XIX o Brasil vivia uma situação contraditória, tanto no
sentido político, como também cultural. O Brasil ainda era colônia de Portugal, um país
atrasado em relação aos outros países da Europa. Nesse período havia projetos abolicionistas,
e o desejo de elevar o país ao status de nação Brasileira. Havia também, uma insatisfação
quanto à situação da cultura intelectual, pois devido à falta de Universidades, não havia
homens instruídos para administrar, com competência, os cargos que exerciam na metrópole
Alguns homens conseguiam se formar, através de intercâmbio, no entanto era muito difícil a
entrada de livros no país. Havia poucos homens das Letras e das Ciências, da produção local
só há destaque para as artes e pinturas. Havia no país uma contradição política, social e
cultural.
Com a transferência da Família Real Portuguesa para o Brasil, as coisas começam
mudar. Pois o Brasil passa por um processo de independência, no entanto fica sem resolver o
problema da escravidão no país, que será abolida apenas em 1889. Mas, do ponto de vista
cultural há uma melhora significativa, pois o governo português no Brasil, instalado no Rio de
Janeiro, começa a investir no desenvolvimento artístico e cultural do país. A partir de 1808,
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surgem as tipografias e são impressos os primeiros livros, criando também uma biblioteca
pública, facilitando a importação de obras estrangeiras para o país. Criaram-se cursos e
escolas de ensino superior. Surgiram os primeiros jornais, com destaque para o Correio
Brasiliense que era publicado em Londres, onde residia o redator. A população do Rio de
Janeiro, antes com cinquenta mil habitantes, dobrou. E ainda com a chegada uma côrte
europeia a cidade se transformou-se socialmente e culturalmente, começa o rompimento com
os costumes arcaicos. Com a intensificação da migração, chega ao país homens instruídos
para ocupar os cargos públicos e para o comércio em geral. A partir de 1816, na França, surge
uma missão artística que mais tarde será chamada de Academia de Belas Artes, com vários
cursos, entre eles: desenho, escultura, pintura, gravura, entre outros. Com isso rompe com a
tradição local barroca e instaura o Neoclassicismo. Surge no Brasil, um sentimento de
civismo, representado pelo apreço ilustrado ao bom governo. E os intelectuais do século
XVIII passam a louvar a ação de seus governantes esclarecidos pelos ideais iluministas. No
entanto, no começo do século XIX, principalmente depois da Independência, há uma mudança
nesse ponto de vista, pois o cidadão brasileiro começa a participar da vida política do Brasil.
Surge assim um desejo crescente de autonomia que culminou na separação de Portugal. Esse
sentimento foi expresso, nos discursos orais e escrito, pelos intelectuais que almejavam
promover reformas para civilizar e modernizar o Brasil de acordo com as novas ideias
iluministas, e os projetos elaborados para isso eram aqueles que visavam: liberdade comercial
e intelectual, criar um sentimento nacionalista, instrução pública, abolição da escravatura,
entre outros.
Um dos homens que mais influenciou a mentalidade desse período foi José
Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838), um grande naturalista, que em 1819 torna-se
patriarca da Independência, seus discursos sobre a escravidão embora liberais eram
contraditórios. No entanto, foi poeta e percebeu algumas transformações no movimento
literário, apesar de neoclássico, leu Byron e Scott, também traduziu Ossian e ainda deixou
alguns poemas com características pré-românticas.
De acordo com a Historiografia Literária, nesse período há uma produção literária
considerada mista, com características do arcadismo e alguns traços percursores do
Romantismo. No entanto começa a perceber um sentimento de nacionalismo, e algumas
características românticas em alguns autores, como: Frei Francisco de São Carlos (17631829); Domingos Borges de Barro (1779-1855) e Frei Francisco de Monte Alverne (17841857). Após a Independência, há uma “autonomia literária”, e os poetas passam a se dedicar a
uma produção que valorizasse o nacional. Pois era preciso exaltar e afirmar a nova nação
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criada, no entanto era preciso criar uma identidade nacional. E assim, começa a aparecer, no
Brasil, uma produção literária que passa a identificar o país, com características próprias.
Nesse contexto, Ferdinand Denis fundou a teoria e a historiografia da literatura Brasileira,
com seu Résumé de l’histoir elittéraire du Portugal suividu résumé de l’histoire littéraire Du
Brésil (1826), com o argumento de que o Brasil, como um país independente, deveria ter sua
própria literatura relacionada com sua natureza e sociedade, em particular. Então, a missão
dos artistas das Letras já estava definida. Eles deveriam se concentrar na descrição de sua
natureza, seus costumes, dando ênfase a figura romântica do índio como autêntico habitante
primitivo. As ideias de Denis prevaleceram e influenciaram até o fim do Romantismo.
Três jovens brasileiros, residentes em Paris de 1832 a 1838, desde que escolhidos
por franceses do Institut Historique para divulgarem sua nação no exterior, foram eles:
Domingo José Gonçalves de Magalhães; Manuel de Araújo Porto Alegre (1806-1879); e
Gonçalves Dias. Esses poetas, influenciados pelas novas tendências literárias que circulavam
na França, incorporou tais concepções e técnicas que foram consideradas renovadoras no
Brasil. Como: a religiosidade, função moralista, exaltação da natureza brasileira, originalidade
formal, passando-se a rejeitar às formas fixas e adotar os versos livres. Passa-se a valorizar a
questão da originalidade.
Assim, O Romantismo brasileiro foi, em grande parte, sobretudo um movimento
nacionalista, que significou escrever sobe coisas locais. Por isso as narrativas ficcionais em
prosa se destacam nesse contexto, pois é mais acessível ao leitor e também mais eficaz na
construção de uma identidade nacional que se pretendia formar, pois como enfatizado por
Benedict Anderson (2008) e Stuart Hal (2001), as narrativas tem um papel fundamental na
construção de uma nação, isto é, uma identidade nacional. Pois é através delas que é a herança
histórica e cultural é enraizada e perpassada de geração a geração. É nesse contexto que o
romance alcança a aceitação do publico e se populariza. As primeiras narrativas são lidas em
folhetins, e são episódios melodramáticos que se constituem na forma de contos e novelas.
Considera-se o primeiro romancista Antonio Gonçalves Teixeira de Souza (1812-1861). Os
leitores brasileiros pareciam mais receptíveis aos romances de costumes, que descreviam
hábitos e lugares. Nesse período, no Rio de Janeiro, a narrativa A moreninha (1844) de
Joaquim Manuel Macedo, conquista o público da literatura brasileira. A romance alcança o
status de grande gênero literário. Um autor considerado um grande talento do Romantismo
Brasileiro foi Antonio Gonçalves Dias (1823-1864) Sua obra foi considerada, pelos
considerado por seus contemporâneos, como um conjunto de boa qualidade, principalmente
no tangente à temática indígena. Sua produção é fortemente marcada pela cadencia
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melancólica, e pela acuidade no uso das palavras, um forte sentimentalismo e musicalidade. O
sopro poético e a forma com que retratou a figura do índio, como bom selvagem, os
conservando vivos, contribuindo para a redefinição na tradição da literatura ocidental através
de novas imagens, referidas a uma diversidade de pessoas.
A partir de 1850, há no Brasil, uma aparente paz devido à extinção do tráfico de
escravos, sendo liberados investimentos para ser aplicados no desenvolvimento de um sistema
de crédito e nos investimentos modernizadores de vários tipos, principalmente nas estradas de
ferro. Nesse período na literatura, há a consagração do Romantismo, devido as suas
manifestações mais nacionais, o indianismo, que teve nele um momento de maior prestígio
quando extravasando da lírica alcança o romance e a epopeia. Nesse cenário Alencar destacase ao narrar os temas indianistas, com sua obra O guarani (1857), alcança grande êxito
tornando-se o mais lido pelo público brasileiro.
Ainda em 1850, surge o Ultra - Romantismo. Começa-se a perder o interesse
pelos temas referentes ao patriotismo e indianismo. As temáticas mais desenvolvidas são às
referentes à natureza e à morte. E nesse período, o Romantismo passa a ser visto como
rebeldia e mal-do-século. No entanto, em 1858, poeta erudito, Odorico Mendes (1799-1864),
identificava quatro temas na literatura brasileira, referentes a outros tipos humanos que
estavam esquecidos com a valorização que deram ao índio, entre eles os sertanejos, que
mereciam maior atenção dos escritores. Acrescenta entre esses humanos esquecidos na
literatura, os negros, e conclui com o argumento que ao abordar os elementos característicos a
eles, os autores contribuíam para a construção de uma literatura nacional. Começa-se a
perceber o interesse pelo romance regionalista e pela temática envolvendo o negro.
A partir de 1860 vivencia-se a maior guerra já vivida na América Latina. Com a
Guerra do Paraguai surgem dois problemas que vai aumentando até considerar prejudicial à
situação econômica e institucional do Brasil, que foram a escravidão e a propaganda
republicana. Durante os anos que se passam em 1860 e 1870 há um grande progresso
material, há o desenvolvimento das vias férreas e a inauguração telegráfico submarino. Foram
fundadas ou reorganizadas as escolas de ensino superior, e o jornalismo se modernizou,
passou-se a produzir mais, assim como um aumento na tradução de obras. Surge a Revista
Popular (1859-62), em que se exprime o amadurecimento dos pontos de vista dos críticos do
Romantismo. Na poesia e no romance alguns traços se acentuam e começa a perceber alguns
desenvolvimentos novos. E a partir de 1870, a questão social passa a ser a grande novidade,
sendo cultivada pelos poetas Fagundes Varela e Castro Alves. Nesse contexto, Castro Alves
se destaca pela sua visão social de cunho messiânico, o poeta era dotado de inspiração
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generosa, como diziam. Produziu muitos poemas comprometidos pela temática social.
Ficando conhecido pelo povo como “O poeta dos Escravos”, devido à sua poesia humanitária
e social. O poeta deixa de lado a figura do índio e dedicou-se ao negro, expressando um
ânimo libertário que fez de sua obra uma grande aliada nos movimentos abolicionistas.
Através dele o negro passou a ser um tema nobre da literatura e dando voz ao negro em seu
ânimo poético.
CASTRO ALVES: O POETA DOS ESCRAVOS
Um pouco sobre a vida do poeta dos escravos2
Imagem 1: Castro Alves
No dia 14 de março de 1847, nasceu na
Fazenda Cabeceiras, na Freguesia de Muritiba,
Comarca de Cachoeira, e a poucas léguas de
Curralinho, na Bahia, Antônia de Castro Alves, filho
de Dr. Antônio José Alves, um apaixonado pela
carreira e pelas artes, e de D. Clécia Brasília da Silva
Castro, da qual herdou a doçura e o lirismo. Foi
batizado em 09 de julho, do mesmo ano, com o nome
de Antônio Frederico de Castro Alves. Entre 1852 a
1853 em companhia de sua família transfere-se para
Muritiba e depois para S. Félix, às Margens do rio
Fonte: Silva, 2001, p.31.
Paraguaçu. Aprende as primeiras letras no primário
com o professor José Antônio da Silva. Nesse mesmo ano passa a frequentar a escola de
Antônio Frederico Loup, em Cachoeira, do lado oposto de Paraguaçu.
No início de 1954, vai morar em Salvador com sua família, na rua do Rosério, nº
1, no mesmo sobrado em que, segundo a lenda, foi assassinada, pelo seu noivo, a bela Júlia
Feital, recebendo uma bala de ouro. Em 1855, o pai do poeta, Dr. Antônio José Alves abre seu
consultório médico na Rua do Paço, em Salvador. Por volta de 1856 e 1857,Castro Alves
passa a frequentar os cursos do Colégio Sebão. E em 1858, transfere-se para o Ginásio
Baiano, do Dr. Abílio César Borges, e mais tarde barão de Macaúbas. Nesse mesmo ano a
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Ver Silva, 2001.
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família muda-se para a chácara de Boa Vista, no arrabalde de Brotas. E um ano mais tarde,
em 1859, sua mãe falece.
Aos treze anos de idade, em 1860, Castro Alves viu pela primeira vez, na fazenda
Boa Vista o açoite de um escravo. Cena que jamais esqueceu. Nesse mesmo ano o poeta
começa a escrever suas primeiras poesias no “outeiro” do Ginásio Baiano. E, nesse mesmo
Ginásio, em julho de 1960 declama sua primeira poesia. Em 24 de Janeiro de 1862, seu pai
casa-se com a viúva Ramos Guimarães. Em junho desse mesmo ano, sua poesia “Destruição
de Jerusalém” é publicada no Jornal do Recife. Em 13 de março submete-se à prova para
matrícula na Faculdade de Direito do Recife, mas não atinge êxito. Nesse mesmo ano publica
seus primeiros versos abolicionistas “A Canção do Africano”, e em junho sua poesia “Meu
Segredo”. Ainda esse ano, seu irmão José Antonio, é internado com manifestações de
desequilíbrio Mental, vindo a se suicidar no ano seguinte. Em 1964, o poeta Castro Alves
entra no curso de Direito e redige um jornalzinho O futuro. Nesse ano escreve a poesia “O
Tísico”, que passa achamar-se de “Mocidade e Morte”. Ainda esse ano, viaja às pressas para a
Bahia e interrompe o curso de Direito. No ano de 1865, depois de retornar à Recife em
companhia de Fagundes Varela, declama seu poema “O século”, e passa a preparar os poemas
de “Os escravos”, e em seguida volta para a Bahia.
Em 1866, depois da morte de seu pai, Castro Alvos volta ao Recife e se
rematrícula no Curso de Direito. Nesse ano, funda uma sociedade abolicionista, com Rui
Barbosa, Regueiro da Costa, Plínio de Lima e outros colegas da academia. Nesse mesmo
período, morando em uma cela de convento, lança o jornal de ideias “A Luz”, que dá origem
a uma polêmica pela imprensa com Tobias Barreto. E ainda Recita no Teatro Santa Izabel o
poema “Pedro Ivo”, com grande sucesso. Nesse teatro, conhece Eugênia Câmara, e tornam-se
amantes, o poeta se entusiasma pela vida teatral. Ainda nesse ano, O jornal “O Tributa”
publicou anonimamente seus versos “O Povo no Poder”, contra a dissolução de um comício
Republicano. Em 1867, morando no povoado do Barro, passa a morar com Eugênia Câmara, e
conclui seu drama Gonzaga, que foi lido nesse mesmo ano em um círculo de intelectuais,
artistas e admiradores no teatro Santa Izabel. Nesse ano, o poeta assiste ao espancamento do
estudante Torres Portugal. Ainda em 1867, o poeta deixa de vez o Recife e volta para a Bahia
com sua esposa e filha. Onde sua peça é aprovada pelo Conservatório Dramático da Bahia, e
em 7 de setembro, Castro Alves estreia sua peça e é consagrado poeta.
Em 8 de fevereiro de 1968, Castro Alves viaja ao Rio de Janeiro, acompanhado de
sua esposa. Nesse ano, através de carta de apresentação do Dr. Fernandes Cunha, é recebido
por José de Alencar, a quem lê sua peça Gonzaga e algumas poesias. Por recomendação de
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Alencar, Machado de Assis também ouve a peça. Esse ano é um ano de grandes
apresentações. Em 2 de julho, declama “Ode ao Dous de Julho” no Teatro São José, em 7 de
setembro recita “O Navio Negreiro”, em sessão Magna, e em 25 de Outubro, representa
Gonzaga no Teatro São José. Em 25 de novembro sofre um acidente na calçada, a espingarda
dispara e o atinge no calcanhar esquerdo.
Em abril de 1969, devido ao enfraquecimento pulmonar, agravam-se os males de
doença. E em Junho, com ameaça de gangrena, o pé esquerdo é amputado. Em 31 de outubro
vai ao teatro Fênix Dramática para rever o desempenho de Eugênia Câmara, um ano após a
ruptura de suas ligações com a atriz. Em 25 de Novembro, embarca para a Bahia. Em 1870,
por recomendações médicas, segue para Curralinho, no sertão baiano, e depois para a fazenda
Santa Izabel do Orobó, que hoje é Itaberaba. Nesse mesmo ano retorna à capital baiana e
publica Espumas Flutuantes. Em janeiro de 1871, apaixona-se pela cantora Agnese Trinci
Murri, a quem dedica versos. Em 10 de fevereiro, faz sua última declamação em público “No
meeting do Comité do Pain”, em benefício das crianças francesas vítimas da guerra francoprussiana. Em Junho, a partir da meia noite do São João, agrava-se seu estado de saúde. E no
dia 06 de julho, às três e meia da tarde, aos 24 anos de idade, veio a óbito, sendo levado,
conforme seu último desejo, a uma janela banhada de sol.
Castro Alves e a Poesia Humanitária e Social de Combate à Escravidão
Castro Alves, devido a sua sensibilidade artística, é considerado um poeta maior,
uma vez que é ele foi capaz de “transfundir em seus poemas um sentido superior de vida, uma
visão do mundo ou do homem”. Capaz de em, uma palavra, pôr a sua inteligência não apenas
a serviço da forma ou da qualidade de emoção, mas também uma concepção das coisas da
existência humana, e uma compreensão filosófica da poesia. (CANDIDO, 1944, p.131) Em
sua obra abolicionista percebe-se o desejo de igualdade social e racial e de reformas sociais.
Vindo de um período de Indianismo de Gonçalves Dias e de grandes exageros sentimentais do
Ultra-Romantismo, Castro Alves escreveu poesias que mostram uma libertação do
egocentrismo absoluto, abrindo-se para uma compreensão dos grandes problemas sociais e
expressando, em suas poesias, sua indignação contra as tiranias e as opressões. A poesia
abolicionista é considerada sua melhor realização, nesse contexto social, em que atribui o
poeta assume como sua principal missão a de denunciar as injustiças sociais, refletidas no
país, e de clamar pela liberdade dos escravos negros que vivia sobre maltrato, injustiças e
infâmias. Essa sua poesia humanista se realiza através de metáforas, comparações, hipérboles,
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antíteses, apóstrofes, e são empregados elementos da natureza, que criam ideia de imensidão,
majestade, força, como por exemplo: cordilheiras, montanhas, tempestades, oceanos, astros,
furacões, cachoeiras e outros, enquadrando-se em um estilo chamado Condoreirismo.
(TUFANO, 1985, p. 45-46) Essa classificação, condoreirismo, é devido aos arroubos poéticos
que presumiam semelhar-se ao surto do condor. Denominação inventada pelos críticos
literários de nossa literatura. Havia em Castro Alves o fogo sagrado, parecia gênio, devido ao
seu grande talento verbal, e sua sincera eloquência comunicativa. Com Castro Alves é
possível dizer que se alarga a inspiração poética, os poetas passam a perceber o mundo visível
que existe. Foi um poeta nacional, poeta social, humano e humanitário. Cantou, em sua
poesia, os problemas sociais e humanos sempre com muita sensibilidade e emoção de poeta
(VERÍSSIMO, p.285-295). Observam-se abaixo os quadros que retratam a inspiração do
poeta dos escravos. E mais adiante, alguns trechos retirados do de poema “Navio Negreiro”,
que demonstram a inquietação do poeta:
Imagem 02: Mercado de Negros – Rugendas
Imagem 03: Navio Negreiro - Rugendas
Fonte: Silva, 2001, p.20.
Fonte: Silva, 2001, p.24.
Mas que vejo eu aí... Que quadro d’amarguras!
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!
(Navio Negreiro, Canto III)
Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
(Navio Negreiro, Canto IV)
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
(Navio Negreiro, Canto V)
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Existe um povo que a bandeira empresta
P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
(Navio Negreiro, Canto VI)
Suas obras mais representativas da escravidão dos negros trazidos da África ao
Brasil, são: A cachoeira de Pauto Afonso, “Os Escravos”, poema que o faz ser reconhecido
com o poeta da abolição; “Vozes da África”, obra em que o poeta invoca a Deus justiça para
os negros do continente escravizado; e “Navio Negreiro”, obra de evocação dantesca dos
sofrimentos dos negros durante a travessia da África para o Brasil.
A obra Navio Negreiro, de Castro Alves, é considerada uma obra prima.
Ocupando um papel importante na evolução literária brasileira, pois se percebe em sua
mensagem a presença dos homens, das coisas, dos lugares. Sendo uma das obras a refletir as
expressões do pensamento e sensibilidade (CANDIDO, 2006, p.157).
Nesse poema percebe-se a uma marcante e crítica denúncia social, feita às práticas
do serviço escravo. O poeta expressa-se horrorizado com as condições desumanas em que os
negros escravos viviam e os tratamentos dado a eles. Criticando aqueles que, covardemente e
friamente, usaram uma bandeira de nacionalismo para encobrir, com tanta infâmia, o sangue e
o sofrimento de tanta gente inocente e escravizada.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se que o negro e o mestiço não tinham lugar nessa na sociedade brasileira
construída como um status de nação. Graças às contribuições dos ideais políticos, através de
seus discursos, tentou-se amenizar e justificar a escravidão, e assim contribuiu para
legitimação da inferioridade do negro.
Enquanto que no Romantismo muitos poetas se
preocupam em criar uma literatura que desse sentido e enraizasse as bases de uma história,
literatura e cultura nacional, voltando-se para a figura idealizada do índio, sempre tido como
um bom selvagem a La Roussel, Castro Alves se dedica a cantar os negros incluídos da
sociedade. Refletindo as expressando, em suas obras, uma poesia humanitária e social de
combate à escravidão negra.
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REFERÊNCIAS
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VERÍSSIMO, José. História da Literatura Brasileira. [?]
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CASTRO ALVES E A POESIA HUMANITÁRIA E SOCIAL DE