1 ANDRÉ ANTÔNIO CAMPOS VIANA CABRAL ANÁLISE CINEMÁTICA DO MOVIMENTO DE ALCANCE EM JOVENS E IDOSOS UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO SÃO PAULO 2009 2 ANDRÉ ANTÔNIO CAMPOS VIANA CABRAL ANÁLISE CINEMÁTICA DO MOVIMENTO DE ALCANCE EM JOVENS E IDOSOS Dissertação apresentada como exigência parcial para obtenção do Título de Mestre em Fisioterapia junto `a Universidade Cidade de São Paulo UNICID sob orientação da Profa. Dr. Léia B. Bagesteiro. UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO SÃO PAULO 2009 3 COMISSÃO JULGADORA 4 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO……………………………………………………………................... 11 1.1 Objetivo……………………………………………………………………………..... 17 1.2 Hipóteses…………………………………………………………………………...... 17 2 MATERIAIS E MÉTODOS………………………………………….………………... 18 2.1 Delineamento……………………………………………………………………….... 18 2.2 Amostra…….…………………………………………………………………….…... 18 2.3 Aparato experimental.....…………………………………………………………..... 18 2.4 Procedimento experimental...…………………………………………………..….. 20 2.5 Variáveis cinemáticas……………………………………………………………….. 23 2.6 Análise dos dados………………………………………………………………….... 26 2.7 Análise estatística………………………………………………………………..….. 26 3 RESULTADOS……………………………………………………...…………………. 27 3.1 Caracterização da amostra…………………………………………………………. 27 3.2 Dados cinemáticos……………………………………………………………….….. 28 3.3 Variáveis cinemáticas……………………………………………………………….. 30 3.3.1 Aceleração.........................................................................................…….…. 30 3.3.2 Velocidade.............................................................………………………….…. 31 3.3.3 Distância percorrida...……………………………………………….…………..... 32 3.3.4 Duração do movimento....................…………………………………………..… 33 3.3.5 Erro de posição final....................................................................................... 34 3.3.6 Desvio de linearidade..................................................................................... 35 3.3.7 Duração da aceleração...................................................................................36 3.3.8 Área da aceleração.........................................................................................37 3.3.9 Área da desaceleração................................................................................... 38 3.3.10 Duração da desaceleração........................................................................... 38 3.3.11 Excursão do ombro....................................................................................... 49 3.3.12 Excursão do cotovelo.................................................................................... 40 4 DISCUSSÃO………………………………………………………………….………... 42 5 CONCLUSÃO....................................................................................................... 47 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS…………………………………………….…….. 48 5 ANEXO A – Questionário Edinburgh Inventory (versão modificada)………………. 51 ANEXO B – Mini Examne do estado Mental …………………………………………. 52 ANEXO C – Tabela Optométrica de Snellen………………………………………….. 53 6 RESUMO Estudos realizados com idosos têm demonstrado que com o avançar da idade, os indivíduos modificam vários aspectos em relação ao controle motor, sugerindo que existem diferenças entre jovens e idosos. Outros estudos relacionados a movimentos de alcance no plano horizontal mostram a maior dificuldade em se realizar movimentos para a diagonal contra-lateral do movimento, ou seja, movimentos que requerem mais de um segmento. Dessa maneira o objetivo do estudo foi comparar o desempenho entre jovens e idosos em relação a coordenação motora dos membros superiores, mais especificamente examinar se estas modificações estão relacionadas a diferenças no controle intersegmentar (das articulações cotovelo e ombro) entre os membros (direito e esquerdo) através da análise de variáveis cinemáticas específicas. Foram examinados 20 jovens (22.50±3.15 anos) e 20 idosos (70.45±3.73 anos). Sensores magnéticos de posição (seis graus de liberdade) foram utilizados para avaliação do movimento de alcance de ambos os braços no plano horizontal em três direções distintas em relação ao eixo horizontal (alvo-0: 45; alvo-1: 90 e alvo-2: 135). Participantes realizaram uma sessão para familiarização com a tarefa seguida de outra sessão composta de 30 tentativas para cada alvo, apresentadas aleatoriamente. Treze variáveis cinemáticas foram calculadas para investigar a diferença entre os membros superiores dos grupos: desvio de linearidade, erro de posição final, velocidade tangencial máxima do membro, aceleração tangencial máxima do membro, duração da aceleração, duração da desaceleração, duração do movimento, área da aceleração, área da desaceleração, excursão da articulação do ombro, excursão da articulação do cotovelo e distância do movimento. Como resultado a ANOVA demonstrou interações significativas entre grupos e alvos nas seguintes variáveis: desvio de linearidade, velocidade tangencial máxima da mão, aceleração tangencial máxima da mão, duração do movimento, área da aceleração, área da desaceleração, duração da desaceleração, excursão da articulação do ombro, excursão, da articulação do cotovelo, distância percorrida. Após análises dos resultados, estes confirmaram o já esperado declínio na coordenação motora dos indivíduos idosos, bem como maior dificuldade em realizar movimentos para os alvos que necessitam de movimentos de mais de um segmento, conseqüência da interação de torques e resistência inercial e também devido aos idosos utilizarem mecanismos de processamento mais vagarosos, do tipo ciclo-fechado. Palavras-chave: envelhecimento, controle motor, análise cinemática, alcance. 7 ABSTRACT Elderly studies have shown that many aspects of motor control change with aging suggesting differences between young and old adults. Other studies on reaching movements in the horizontal plane have shown that movements towards the contralateral diagonal (i.e. movements requiring more than one segment) present greater difficulty. The purpose of this study was to compare movement performance of young and elderly participants associated with upper limbs motor coordination. Moreover to verify changes in the intersegmental control (elbow and shoulder joints) in the upper limbs (right and left) by analyzing specific kinematics variables. We tested 20 young adults (22.50±3.15 years) and 20 older adults (70.45±3.73 years). Position magnetic sensors (6 DOF) were applied to evaluate reaching movements of the upper limbs on three different horizontal targets (target 0: 45º, target 1: 90º, and target 2: 135º). Participants performed a familiarization session followed by the experimental session (30 trials randomly presented to each target). Thirteen kinematics variables were calculated to investigate groups’ interlimb differences: deviation from linearity, final position error, peak tangential velocity, peak tangential acceleration, acceleration duration, deceleration duration, movement duration, acceleration area, deceleration area, shoulder excursion, elbow excursion and movement distance. Our ANOVA revealed significant interactions between group and target on the following variables: deviation from linearity, peak tangential velocity, peak tangential acceleration, movement duration, acceleration area, deceleration area, deceleration duration, shoulder excursion, elbow excursion and movement distance. Our results confirmed the expected motor coordination decline for the elderly group, as well as a greater difficulty when moving towards targets requiring more than one segment. This was caused by the interaction torques and arm’s inertial resistance, along with slower processing mechanisms (e.g. feedback) used by the elderly. Keywords: aging, motor control, kinematic analysis, reaching. 8 LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 - Aparato experimental ………….……………………………................... 19 FIGURA 2 - Alvos ………….…………………………………………………………..... 22 FIGURA 3 - Variáveis cinemáticas (erro de posição final e linearidade)………...... 24 FIGURA 4 - Variáveis cinemáticas (aceleração e velocidade da mão)...………….. 25 FIGURA 5 - Variáveis cinemáticas (excursão do ombro e cotovelo)....................... 25 FIGURA 6 - Trajetória da mão durante o movimento de alcance .……………….... 28 FIGURA 7 - Velocidade tangencial da mão para cada alvo………………………… 29 FIGURA 8 - Aceleração tangencial da mão para cada alvo. ……………………..... 29 FIGURA 9 - Interação entre grupo e alvo da variável aceleração…….....……..….. 31 FIGURA 10 - Interação entre grupo e alvo da variável velocidade …...………….. 32 FIGURA 11 - Interação entre grupo e alvo da variável distância percorrida ……… 33 FIGURA 12 – Interação entre grupo e alvo da variável duração do movimento..... 34 FIGURA 13 - Interação entre grupo e alvo da variável erro de posição final...…… 35 FIGURA 14 - Interação entre grupo e alvo da variável desvio de linearidade..…… 36 FIGURA 15 - Interação entre grupo e alvo da variável duração da aceleração...… 36 FIGURA 16 - Interação entre grupo e alvo da variável área da aceleração.....…… 37 FIGURA 17 - Interação entre grupo e alvo da variável área da desaceleração...… 38 FIGURA 18 - Interação entre grupo e alvo da variável duração da desaceleração 39 FIGURA 19 - Interação entre grupo e alvo da variável excursão do ombro........… 40 FIGURA 20 - Interação entre grupo e alvo da variável excursão do cotovelo.....… 41 9 LISTA DE TABELAS TABELA 1 - Médias ( desvio-padrão) das características dos participantes…..... 27 10 LISTA DE ABREVIATURAS MEEM – Mini Exame do Estado Mental D – Membro dominante ND – Membro não dominante AVD – Atividade de vida diária AIVD – Atividade instrumental de vida diária 11 1 INTRODUÇÃO Atualmente pessoas com idade mais avançada estão se tornando cada vez mais comum, este fato está ocorrendo em diversos países do mundo, devido ao rápido envelhecimento populacional. Segundo relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU) o número de pessoas com 60 anos ou mais pode triplicar até o ano de 2050, chegando a dois bilhões de pessoas, o que representaria um quarto da população mundial, de 9,2 milhões de pessoas previstas. No Brasil, segundo estatísticas do ministério da saúde, a faixa etária de 65 anos ou mais é a que mais ascende em termos proporcionais; 8,6% da população é constituída por idosos, e estima-se que esta porcentagem aumente para 13% em 2020 1. Em 2025, a faixa etária dos idosos crescerá 16 vezes em relação à população total, que só crescerá cinco vezes nesse mesmo período, o que colocará o Brasil, em termos absolutos, como a sexta população de idosos do mundo, representando 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais 2. O rápido crescimento desta população, faz com que haja um foco de atenção na melhoria da saúde e capacidade funcional do idoso. Esse crescimento tem sido motivo de grande interesse dos estudiosos do envelhecimento populacional, de vários países do mundo 3. Estudos envolvendo a população idosa têm como um dos principais objetivos desenvolver métodos preventivos para que estes alcancem e mantenham níveis de função física e mental, criando um estado de saúde que permita alcançar sua máxima expectativa de vida 4. Em relação à função física, esta está relacionada com as funções e estruturas do corpo; sendo que a coordenação das estratégias de movimentos tem grande importância para uma funcionalidade normal. Os efeitos do envelhecimento podem gerar prejuízos durante as funções realizadas com o membro superior, este fato é de grande importância, pois pode afetar as atividades de vida diárias (AVD’s) e atividades instrumentais de vida diária (AIVD’S) 5, fazendo com que os idosos diminuam sua funcionalidade, prejudicando sua atividade e participação em um contexto social. O movimento do membro superior pode ser definido como o posicionamento voluntário da mão em um local desejado, requerendo a coordenação das articulações, envolvendo o sistema músculo-esquelético, nervoso e cognitivo 6. Esta 12 habilidade é de grande importância para realização das AVD’s e AIVD’s, como por exemplo: vestir-se, higiene pessoal, alimentação, mobilidade e locomoção, tarefas domésticas e externas, dentre outras. Recentes estudos avaliaram o controle da coordenação das articulações, indicando a importância de compreender o controle neural em movimentos de alcance 6, 7, 8, 9 . Para produzir uma trajetória desejada, as forças dos músculos devem ser coordenadas com as forças externas impostas pelo ambiente, e forças internas adicionais produzidas pelo sistema músculo-esquelético. As forças internas incluem forças de interação impostas em um dado segmento do membro e as forças resultantes do estiramento e compressão de tecidos não contráteis. As forças ambientais incluem aquelas que agem externamente ao sistema músculoesquelético, como a gravidade e o contato com outros tipos de objeto 9. A análise da trajetória da mão, coordenação entre as articulações (movimento intersegmentar) e análise de dinâmica inversa são métodos utilizados em vários estudos para investigar as diferenças entre os membros superiores no controle da coordenação de movimento do braço. Estes estudos dão suporte a idéia de que existem dois diferentes controles de mecanismos de movimento do membro superior: 1) Dinâmico, especializado pelo controle da trajetória; e 2) Postural, especializado pelo controle da posição final. Esta hipótese surgiu em estudos que demonstraram a superioridade do membro superior dominante (direito) no controle dinâmico intersegmentar requerido para a especificação da trajetória da mão durante movimentos de alcance do membro superior, enquanto o membro superior nãodominante (esquerdo) mostrou maior aptidão no controle preciso da posição final em movimentos sem retorno visual 7, 8, 9 . Estudos realizados anteriormente examinaram o movimento do membro superior dominante e quantificaram o tempo de reação, o tempo do movimento, e a posição final de movimentos rápidos do membro superior. Essas medidas de desempenho espelham-se nos mecanismos de ciclo-aberto, que não são afetados pelo feedback (retorno) sensorial, e ciclo-fechado, que são mediados por feedback sensorial. Esta divisão foi estabelecida a partir das teorias de Woodworth Fitts 11 10 (1899) e (1954) e são confirmadas por estudos que analisaram movimentos rápidos; onde o programa motor sempre produz movimentos imprecisos, independente de sua característica cinemática ou precisão da tarefa e por estudos que realizaram tarefas motoras com e sem o uso sensorial, mais especificamente a visão 12, 13 . 13 Estudos realizados com idosos durante várias tarefas motoras demonstram 14, 15 que o controle motor é afetado com o envelhecimento , este fato pode ser baseado em declínios que abrangem todos os aspectos do sistema motor, incluindo 16, 17, 18 o sistema muscular, sensorial e cognitivo . Em comparação aos indivíduos jovens, os idosos têm uma diminuição na velocidade do movimento 21 19, 20 aumento na duração do movimento coativação de músculos antagonistas , diminuição na freqüência 22 ,menor precisão, e maior 23 ; parecendo existir uma diferença nas estratégias de controle motor entre jovens e idosos. Estudos precedentes sugerem que as pessoas idosas apresentam uma diminuição na coordenação motora, relacionada a maior dependência em processamento de informações do tipo ciclo-fechado ao invés de processos sensoriais do tipo ciclo-aberto. Devido ao processo de envelhecimento que gera déficits no planejamento central de movimentos realizados com o membro superior 15, 19, 24, 25, 26 ; este déficit é compensado através de estratégias visuais comumente utilizadas por indivíduos idosos 25, 27, 28 . O declínio da função do membro superior em idosos pode ser resultante das mudanças que ocorrem no sistema nervoso periférico, tais como, diminuição da velocidade da condução nervosa, diminuição da percepção sensorial, diminuição da excitação-contração de unidades motoras 29 . Estas mudanças afetam vários fatores na vida dos idosos, por exemplo; diminuição da atividade física, e estilo de vida mais sedentário, estes aspectos contribuem como um impedimento para a função da mão 30, 31 . Porém têm-se pouco conhecimento sobre o uso assimétrico do membro superior que se modifica com o avançar da idade 32 . Kalisch et al.32, (2006) realizaram uma série de tarefas unimanuais, com ambos os membros (dominante e não dominante) relacionadas ao desempenho motor da mão, e uma avaliação do uso da mão dominante em atividades diárias numa população de idosos. Em seus resultados pode ser verificado uma correlação entre o uso de ambas as mãos e a idade; ou seja; indivíduos idosos têm uma diminuição da lateralidade, onde estes tendem a utilizar tanto o membro dominante quanto o membro não dominante para realização de tarefas; quando comparados a indivíduos jovens. Em estudos relacionados ao efeito do envelhecimento através de neuroimagem, surgiram algumas hipóteses, como por exemplo a hipótese de 14 diferenciação e compensatória 33 e modelos como por exemplo, HERA (Hemispheric Encoding/retrieval Asymmetry) e HAROLD (Hemispheric Asymmetry Reduction in Older Adults) 33, 34 ;sugerindo que indivíduos idosos possuem uma diminuição da assimetria cortical, essa redução pode ser explicada através de uma forma de compensação do idoso, pois esta população possui várias mudanças deletérias em seu sistema nervoso; estas hipóteses tem apoio em um estudo de Cabeza et al 33 (2002) que mensurou a atividade no córtex pré-frontal em adultos jovens e idosos durante atividades de memória; os resultados demonstraram a redução da assimetria hemisférica relacionada à idade. Um outro estudo descrito por Cabeza 35 (2002), também confirma a hipótese de redução da assimetria de ativação cortical com a idade. As modificações na coordenação e controle motor pelo envelhecimento são caracterizadas por grandes problemas à população idosa, pois como consequência são gerados déficits durante a realização de tarefas, seja esta para desenvolver um trabalho, como digitar ou escrever um texto, ou tarefas do dia-a-dia, como pentear o cabelo, vestir-se, abrir uma tampa, telefonar, dentre outras. Estas tarefas muitas vezes necessitam de um controle entre várias articulações, para serem realizadas com sucesso. Cada movimento gerado em uma articulação tem grande interferência no movimento da outra articulação, devido a um torque passivo, ou seja, quando realizamos movimento somente com a articulação do cotovelo existe um torque gerado somente nesta articulação, porém quando realizamos um movimento com a articulação do ombro e cotovelo, como por exemplo pegar um copo de água, o torque gerado na articulação do ombro interfere no torque gerado na articulação do cotovelo, chamamos este fato de interação intra-membro 21, 36 . Vários pesquisadores 21, 37 estudaram as modificações na coordenação e controle do membro superior que ocorrem com o envelhecimento durante atividades de vida diária, porém tarefas como pegar um copo de água e pentear o cabelo, são complexas, envolvendo tanto o sistema visual, quanto o sistema somato-sensorial. Sendo assim para entendermos melhor as estratégias e efeitos do envelhecimento nos movimentos do membro superior são utilizados movimentos mais simples, por exemplo: movimento de alcance no plano horizontal. Desta forma conseguimos entender um pouco melhor os movimentos dos membros superiores e como conseqüência entendemos as tarefas necessárias para sobreviver. 15 Movimentos no plano horizontal vem sendo utilizados em vários estudos 21, 36 7, 8, 9, para entender os efeitos do envelhecimento na coordenação e controle motor dos movimentos realizados com os membros superiores, mais especificamente movimentos de alcance. Em uma série de estudos realizados por Gordon e colaboradores 38 (1994) foi verificado que durante o movimento no plano horizontal para oito alvos distintos, radialmente distribuídos; os indivíduos executaram movimentos com maior pico de velocidade e menor duração de movimento em determinadas direções quando comparadas com as outras. Eles concluíram que os indivíduos planejam o mesmo nível de força para todas as direções sem levar em consideração as diferenças na inércia do braço dentro da região de trabalho (área de movimento), ou seja, ocorreu um déficit no desempenho do movimento quando estes foram realizados para a diagonal contra-lateral do membro movimentado. Esta dificuldade está relacionada a região conhecida como elipse inercial, posicionada na diagonal; e a também conhecida anisotropia inercial do braço. Desta maneira podemos relatar que movimentos em direção a alvos orientados a 45º do eixo horizontal são mais fáceis de serem realizados quando comparados a movimentos realizados para alvos orientados a 90º e 135º do eixo horizontal. Dounskaia e colaboradores 36 (2002), realizaram um estudo com uma população de jovens adultos verificando a influência do torque interativo, aceleração angular e torque muscular no movimento de alcance do membro direito no plano horizontal. Estes movimentos foram realizados com três ritmos pré-definidos e para diferentes direções (horizontal, vertical, diagonal esquerda e diagonal direita). Os resultados mostraram um maior torque interativo, maior torque muscular na articulação do ombro e maior excursão do ombro quando o movimento foi realizado para a diagonal esquerda. Em contra partida, durante os movimentos realizados para a diagonal direita, os resultados demonstram que o ombro se movimento muito pouco, demonstrando um maior torque e maior excursão na articulação do cotovelo. Estes dados demonstram que o movimento de alcance, depende da coordenação entre as duas articulações (ombro e cotovelo) e que há diferentes estratégias para realização dos movimentos. Como descrito anteriormente, o torque de interação está diretamente ligada a coordenação e controle motor do movimento de alcance no plano horizontal, pois a maioria dos movimentos ocorrem em mais de um segmento, ou seja, mais de uma 16 articulação é movimentada, neste caso ombro e cotovelo. Diante disso estudos confirmam que o ombro tem um papel importante no movimento com um todo, e o cotovelo tem a responsabilidade de ajustar o movimento durante uma tarefa específica, ou seja, ajustar o movimento para que este seja realizado de forma eficaz para um determinado alvo 36 . Em recente estudo, Lee et al. 21 (2007) verificaram os efeitos do envelhecimento no controle do membro superior, através de várias variáveis cinemáticas, durante movimentos de alcance no plano horizontal realizados em várias direções e com frequência pré-definida de três ritmos distintos. Como resultados os autores descreveram que os idosos têm uma diminuição na freqüência dos movimentos, diminuição da velocidade, e diferentes estratégias em relação a resistência inercial, torque muscular e torque interativo, quando comparados aos jovens. A importância de compreendermos melhor o controle motor dos membros superiores em indivíduos idosos vai além dos processos do envelhecimento, pois o melhor entendimento destes aspectos pode ajudar na prevenção e reabilitação de indivíduos idosos,. Devido a estes fatores, há grande importância em compreenderse como o controle motor e estratégias de movimento se modificam com o envelhecimento, já que as técnicas de reabilitação são baseadas em processos neurofisiológicos e de controle motor. Embora existam diversos estudos relacionados com o envelhecimento, poucos estudos demonstram os efeitos do envelhecimento no controle motor do membro superior; sendo que um melhor entendimento dos mecanismos de controle motor durante a movimentação do membro superior em pessoas idosas é de grande importância, principalmente para o aprimoramento das técnicas de reabilitação impostas à população idosa. 17 1.1 Objetivo O objetivo principal deste estudo foi comparar o desempenho entre jovens e idosos em relação a coordenação motora dos membros superiores, mais especificamente examinar se estas modificações estão relacionadas a diferenças no controle intersegmentar (das articulações cotovelo e ombro) entre os membros (direito e esquerdo) através da análise de variáveis cinemáticas específicas. 1.2 Hipóteses 1) Os idosos terão diferenças no controle motor quando comparado aos jovens. 2) Os jovens e idosos apresentarão um pior desempenho no movimento de alcance para o alvo orientado a 135 graus do eixo horizontal. 3) Os idosos terão um desempenho inferior ao dos jovens quando o movimento for realizado para o alvo orientado a 135˚ do eixo horizontal. 18 2 MATERIAIS E MÉTODOS 2.1 Delineamento Este estudo foi do tipo transversal descritivo, e obteve a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Cidade de São Paulo (Parecer 0006.0.186.000-06). 2.2 Amostra A amostra deste estudo foi dividida em dois grupos: grupo 1, composto de 20 voluntários jovens saudáveis de ambos os sexos, com idade entre 18 e 30 anos; grupo 2, composto de 20 voluntários idosos saudáveis de ambos os sexos, com idade entre 65 e 79 anos. Todos os voluntários foram destros, sem queixas de distúrbios visuais ou auditivos nas atividades cotidianas com ou sem o uso de auxílio para estas funções, não possuiam nenhum tipo de comprometimento neurológico e não tinham nenhum relato de dor nos membros superiores nos últimos 3 meses. Os indivíduos canhotos foram excluídos do estudo por não representarem uma população homogênea tanto comportamentalmente 39 como neurologicamente 40 em relação a movimentos de alcance. 2.3 Aparato experimental A figura 1 ilustra o aparato experimental para avaliação dos movimentos do membro superior. 19 FIGURA 1: Aparato experimental Este aparato é constituído de: um projetor VGA, uma tela de projeção, um espelho (imagem virtual), uma cadeira com regulagem de altura, um sistema de ar comprimido tipo “planador”, sensores magnéticos de movimento (seis graus de liberdade – três posições e três ângulos) do tipo Flock of Birds (Ascension Technology) conectados a um computador Macintosh PowerMac G4 (Apple Inc.). Para aquisição dos dados foi utilizado um programa computacional Kinereach (desenvolvido em Real Basic), e para processamento dos dados utilizou-se rotinas de programação especificas desenvolvidas em IGOR Pro – WaveMetrics Inc. Outros instrumentos utilizados foram: Dinamômetro de preensão da marca Jamar Cadeira Escala optométrica de Snellen Mini exame do estado mental 20 Questionário Edinburgh inventory (versão modificada) 2.4 Procedimento experimental Inicialmente todos os voluntários receberam informações sobre o procedimento do estudo e assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido concordando em participar do mesmo. Para definir o nível de lateralidade foi utilizado o questionário “Edinburgh inventory” (Oldfield, 1971) - versão modificada (ver anexo A), constituído de 34 itens relacionados com a mão utilizada em determinadas tarefas. As perguntas do questionário foram lidas pelo examinador e ao final do questionário, verificou-se se o participante era destro, canhoto ou ambidestro. Somente os participantes com resultados maior ou igual a 85% destros participaram do estudo. Após foi aplicado o mini exame do estado mental (MEEM) (ver anexo B), este é validado no Brasil e traduzido para o português; é um instrumento que fornece informações sobre diferentes parâmetros cognitivos, contendo questões agrupadas, cada uma delas planejada com o objetivo de avaliar "funções" cognitivas específicas como: orientação temporal e espacial, memória de curto prazo (imediata ou atenção) e evocação, cálculo, praxia, e habilidades de linguagem e viso -espaciais. O escore do MEEM pode variar de um mínimo de 0 pontos, o qual indica o maior grau de comprometimento cognitivo dos indivíduos , até um total máximo de 30 pontos, o qual, por sua vez, corresponde a melhor capacidade cognitiva. Para este estudo foi utilizado como ponto de corte um escore 24, sendo assim nenhum participante apresentava déficit cognitivo 41, 42 . Foi avaliada a força de preensão de ambas as mãos dos participantes utilizando um dinamômetro manual da marca Jamar. Para a realização do teste o participante estava sentado em uma cadeira com o antebraço fletido a 90 e segurando o dinamômetro, então era dado o comando de voz ao participante, para apertar o equipamento o mais forte que conseguisse, posteriormente era verificado no visor do equipamento o valor da força aplicada pelo indivíduo; esta tarefa era realizada três vezes para ambas as mãos com intervalo de 60’’ entre as preensões e 21 o resultado era obtido através da média das três tentativas 43 . A avaliação da capacidade visual foi realizada através da escala optométrica de Snellen (ver anexo C), para esta avaliação o participante ficava sentado posicionado a cinco metros da escala, que ficava na altura de sua cabeça. Inicialmente era feito o teste com o olho direito, posteriormente com o olho esquerdo. Foi pedido ao participante realizar as leituras das linhas, até que o mesmo não conseguisse mais ler ou errasse alguma letra da linha, deste modo o indivíduo era pontuado, esta tarefa foi realizada com ambos os olhos e classificados separadamente; o escore de corte para este teste foi a linha quatro, pois indivíduos que possuem visão inferior a esta linha, têm algum comprometimento visual significativo. A análise do movimento de alcance foi realizada no aparato experimental (Figura 1); inicialmente foi realizada a calibração do aparato experimental, para que as análises dos resultados fossem realizadas de forma fidedigna. Posteriormente, os participantes executaram movimentos de alcance com o membro superior no plano horizontal. Os participantes sentaram em frente a tela de projeção horizontal com o membro direito e esquerdo suportados sobre a mesa, posicionados abaixo da altura do ombro, por um sistema de ar comprimido tipo “planador” (praticamente sem atrito). A articulação do punho foi imobilizada por uma órtese, permitindo movimento somente das articulações do cotovelo e ombro. A posição e orientação de cada segmento do membro superior foi feita utilizando os sensores magnéticos de posição. Cada sensor foi acoplado a um dos segmentos do membro superior, no segmento do antebraço através do apoio do planador de ar e no segmento do braço através de um bracelete de plástico ajustável. Os dados foram adquiridos a 100Hz no computador, que controlou os sensores de movimento usando as portas seriais (1, 2, 3 e 4), e armazenou esses dados para processamento. Este computador controlou a apresentação do experimento/tarefa e monitorou os movimentos do membro superior em tempo real. Os alvos e o retorno visual a respeito do desempenho da tarefa foram projetados na tela horizontal, posicionada acima do espelho que reflete a imagem virtual ao participante (ambiente de realidade virtual). A posição inicial e o alvo foram projetados juntamente com um cursor, que representa a posição real ou virtual da mão no espaço experimental. O ambiente de realidade virtual é projetado de maneira a garantir uma relação verídica entre o cursor (posição virtual) e a mão (posição real) em condições de controle. A posição 22 da mão foi projetada como um cursor de tela no início do movimento e no final do mesmo. Durante o movimento os participantes não possuíam uma visão da posição do cursor (posição da mão). O movimento de alcance foi iniciado a partir de uma posição inicial, e finalizado em um alvo; para este estudo foram utilizados três alvos (alvos D1 e ND1: orientado a 45 (relativo ao eixo horizontal), alvos D2 e ND2: orientado a 90 (relativo ao eixo horizontal), e alvos D3 e ND3: orientado a 135 (relativo ao eixo horizontal)) (ver figura 2). Essa orientação para os alvos foi proposta pois durante a realização do movimento para os alvos D1 e ND1 espera-se um movimento maior com a articulação do cotovelo; para os alvos D2 e ND2 espera-se que o movimento ocorra tanto na articulação do cotovelo quanto na articulação do ombro, e para os alvos D3 e ND3, espera-se uma maior movimentação do ombro em relação ao cotovelo. FIGURA 2: Alvos do membro superior dominante (D1, D2, D3) e não-dominante (ND1, ND2, ND3) Os participantes foram orientados a manter o cursor no círculo inicial por 1.5 segundos, e então o movimento deveria ser iniciado após um sinal audio-visual. Os mesmos foram orientados para mover a mão até o alvo com um movimento único, rápido e sem correção. O estudo foi composto por quatro sessões; duas para cada membro superior (dominante e não-dominante), a primeira sessão realizada pelo participante foi uma prática contendo 30 repetições, dez repetições para cada alvo, permitindo a familiarização dos participantes com o equipamento e tarefa; após a realização da prática foi realizada a sessão real; onde desta foram obtidos os dados para análises 23 posterior. A sessão real foi composta por 90 repetições, sendo 30 para cada alvo. Os alvos foram apresentados de forma aleatória e cada participante completou as sessões experimentais (prática e real) com ambos os membros superiores (dominante e não-dominante). A ordem destas sessões foi alternada entre os participantes; por exemplo, se o primeiro participante iniciou o experimento com o membro superior dominante (direito), o próximo participante iniciou com o membro superior não-dominante (esquerdo), essa regra foi seguida ao longo do estudo. 2.5 Variáveis cinemáticas As seguintes variáveis foram analisadas no estudo: Desvio de linearidade: esta medida foi obtida a partir dos dados da trajetória da mão, através da divisão entre o eixo mínimo e o eixo máximo da trajetória do dedo (ver figura 3). O eixo máximo é definido pela maior distância entre dois pontos da trajetória, enquanto que o eixo mínimo é definido como a maior distância entre dois pontos, perpendicular ao eixo máximo. Erro de posição final: esta medida foi calculada como a distância bidimensional entre o ponto final da posição da mão e o ponto de localização do centro do alvo (ver figura 3). Velocidade tangencial máxima da mão: ponto de máximo da curva da velocidade. (ver figura 4A) Aceleração tangencial máxima da mão: ponto de máximo da curva de aceleração. (ver figura 4B) Duração da aceleração: intervalo de tempo utilizado para a mão atingir o ponto de velocidade máxima. (ver figura 4A) Duração da desaceleração: intervalo de tempo do pico de velocidade máxima até o final do movimento. (ver figura 4A) Duração do movimento: tempo gasto para realizar o movimento. Área da aceleração: valor da integral do início (P1) até o final da aceleração (P2), (ver figura 4B), calculada por: P2 P1 a(t )dt . 24 Área da desaceleração: valor da integral do início da fase de desaceleração (P2) até o final do movimento (P3), (ver figura 4B), calculada por: P3 P2 a(t )dt Excursão da articulação do ombro: deslocamento angular do braço em relação a linha horizontal do tronco durante o movimento (ver figura 5). Excursão da articulação do cotovelo: deslocamento angular do antebraço em relação a linha do braço durante o movimento (ver figura 5). Distância percorrida: distância linear entre o ponto de início do movimento e o ponto final do movimento. Calculado por: 2 2 dI F Yf Yi Xf Xi ; onde: dIF=distância da posição inicial até a posição final; Yf=posição final do dedo na coordenada y, Yi=posição inicial do dedo na coordenada y, Xf= posição final do dedo na coordenada x, Xi= posição inicial do dedo na coordenada x. FIGURA 3: Variáveis cinemáticas (erro de posição final e linearidade) 25 FIGURA 4: Variáveis cinemáticas de aceleração e velocidade tangencial da mão. (A) Velocidade tangencial máxima (Pv) e tempo decorrido até o pico da velocidade tangencial (duração da aceleração) e tempo decorrido do pico da velocidade tangencial até o final do movimento (duração da desaceleração). (B) Aceleração tangencial máxima (Pa) e tempo decorrido até o pico da aceleração tangencial (t a); área da aceleraçcão e área da desaceleração.. (em (A): eixo horizontal = Tempo (s), eixo vertical = Velocidade (m/s); em (B): eixo horizontal = Tempo (s), eixo vertical = Aceleração (m/s2)) FIGURA 5: Variáveis cinemáticas: excursão do ombro e cotovelo em termos de trajetória da mão e deslocamento angular. 2.6 Análise dos dados 26 Inicialmente os dados foram processados pelo programa IGOR Pro (WaveMetrics Inc.) utilizando um filtro passa baixa de 8Hz (Butterworth 3ºordem), após foi realizado uma análise individual de cada tentativa de todos os participantes do estudo afim de verificar os movimentos realizados; para esta análise foram utilizados os gráficos de velocidade, aceleração e trajetória da mão. As tentativas em que os movimentos foram em direção ao alvo errado, ou não chegaram até o alvo (50% do movimento) foram excluídas da análise dos resultados do estudo. Através do programa foi obtido o valor de cada variável testada, de todas repetições pertinentes para análise. Para a análise dos dados foi aplicado uma análise estatística descritiva, onde foram calculados a média e o desvio-padrão para cada variável a ser analisada. Após foram obtidos os gráficos comparativos (foi utilizado o valor da média de cada variável) através do programa, posteriormente foi realizado uma análise estatística para verificar o nível de significância em relação as variáveis. 2.7 Análise estatística As variáveis cinemáticas analisadas através da análise de variância (ANOVA medidas repetidas) com delineamento fatorial misto 2 (grupo: jovens e idosos) x 2 (membro superior: dominante e não-dominante) x 3 (alvo: 45, 90 e 135). Para todas as análises significância estatística foi testada utilizando um valor alfa de 0,05; e quando necessário foi utilizado análise post hoc usando o teste de Tukey. As análises e os índices estatísticos foram realizados no programa JMP Statistical Discovery Software. 27 3 RESULTADOS 3.1 Caracterização da amostra Participaram deste estudo 40 indivíduos, divididos em dois grupos: 20 participantes idosos e 20 participantes jovens. A tabela 1 mostra os dados descritivos das características demográficas da população (média e desvio padrão), índice de lateralidade, nível de cognição dos indivíduos (MEEM), força de preensão e escore da escala optométrica de Snellen. TABELA 1: Médias ( desvio-padrão) das características dos participantes idosos e jovens. Grupos Características Idosos Jovens (n=20) (n=20) Idade (anos) 70.45±3.73 22.50±3.15 Massa (kg) 69.34±13.38 73.15±14.71 Altura (m) 1.63±0.09 1.69±0.08 Nível Lateralidade 0.96±0.05 1.00±0.00 Mini exame do estado mental (MEEM) 27.65±1.69 29.05±1.19 318.13±85.40 333.35±81.83 296.93±80.07 320.45±93.36 6.71±1.27 7.75±0.96 5.50±1.29 8.00±1.23 Força Preensão (Newton) Mão Direita Mão Esquerda Teste Snellen Olho direito Olho esquerdo 28 3.2 Dados cinemáticos Os dados cinemáticos foram obtidos através do aparato experimental como descrito anteriormente (seção 2.3). As variáveis cinemáticas foram analisadas para cada grupo (jovens e idosos), para cada membro superior (dominante e nãodominante) e para cada alvo (D1, D2, D3, ND1, ND2 e ND3). A figura 6 mostra gráficos representativos da trajetória da mão, para os três alvos distintos e para ambos os grupos . FIGURA 6: Trajetória da mão durante o movimento de alcance nas 3 direções (alvos). (A) – Jovem com membro superior dominante. (B) - Jovem com membro superior não-dominante. (C) - Idoso com membro superior dominante. (D) - Idoso com membro superior não-dominante. (Eixo horizontal: coordenada X; Eixo vertical: coordenada Y) As figuras 7 e 8 mostram os gráficos representativos, dos valores das médias das variáveis cinemáticas velocidade e aceleração para os três alvos distintos e para ambos os grupos. 29 FIGURA 7: Velocidade tangencial da mão durante o movimento de alcance para cada um dos três alvos. (A) - Jovem com o membro superior dominante. (B) - Jovem com o membro superior não-dominante. (C) - Idoso com o membro superior dominante. (D) - Idoso com o membro superior não-dominante. (Eixo horizontal: Tempo (s); Eixo vertical: Velocidade (m/s)) FIGURA 8: Aceleração tangencial da mão durante o movimento de alcance para cada um dos três alvos. (A) – Jovem com o membro superior dominante. (B) - Jovem com o membro superior não-dominante. (C) - Idoso com o membro superior dominante. (D) - Idoso com o membro superior não-dominante. (Eixo horizontal: Tempo (s); Eixo vertical: Aceleração (m/s2)) 30 3.3 Variáveis cinemáticas 3.3.1 Aceleração Após análise estatística a ANOVA mostrou resultados significativos entre alvos (p<0.01) (Alvo 1: 14.4698.249 m/s2; Alvo 2: 11.2357.740 m/s2; Alvo 3: 7.8705.419 m/s2), grupos (p<0.01) (Jovens: 13.5497.455 m/s2 e Idosos: 8.0206.881 m/s2), e uma interação entre grupo e alvo (p<0.01) (Idosos Alvo 1: 9.8516.956 m/s2; Idosos Alvo 2: 8.1747.529 m/s2; Idosos Alvo 3: 5.9625.365 m/s2; Jovens Alvo 1: 18.1557.292 m/s2; Jovens Alvo 2: 13.5747.058 m/s2 e Jovens Alvo 3: 9.2405.032 m/s2 (figura 9) Nossos resultados mostram que os jovens obtiveram uma maior aceleração em relação aos idosos para todos os alvos; a aceleração máxima alcançada foi maior para o alvo 1 em relação aos outros alvos, ou seja, para o alvo que movimentou mais a articulação do cotovelo; e durante o movimento para o alvo 2 pode ser observado uma maior aceleração quando comparado com o movimento para o alvo 3. Estes resultados podem ser observados, tanto para o grupo dos idosos quanto para os jovens. Após as análises post hoc, pode ser constatado que a aceleração alcançada pelos idosos para o alvo 1, é semelhante a aceleração alcançada pelos jovens para o alvo 3. 31 Figura 9: Interação entre grupo e alvo da variável cinemática aceleração (m/sˆ2). Onde J=jovens I=idosos. 3.3.2 Velocidade A análise estatística, ANOVA, mostrou resultados significativos para alvo (p<0,01) (Alvo 1: 1.0570.444 m/s; Alvo 2: 0.8910.391 m/s e Alvo 3: 0.7440.294); e grupo (p<0,01) (Idosos: 0.6700.357 m/s e Jovens: 1.0520.362 m/s). E também uma interação entre grupo e alvo (p<0.01) (Idosos Alvo 1: 0.7790.369 m/s; Idosos Alvo 2: 0.6960.382 m/s; Idosos Alvo 3: 0.5920.284 m/s; Jovens Alvo 1: 1.2790.368 m/s; Jovens Alvo 2: 1.0400.328 m/s e Jovens Alvo 3: 0.8530.250 m/s) (figura 10). Os resultados mostram que os jovens alcançaram um maior pico de velocidade quando comparado aos idosos, independente do alvo. Após as análise post hoc pode ser observado uma semelhança na velocidade entre os movimentos dos jovens para o alvo 1 e o movimento dos idosos para o alvo 3. 32 Figura 10: Interação entre grupo e alvo da variável cinemática velocidade (m/s). Onde J=jovens I=idosos. 3.3.3 Distância percorrida A análise estatística (ANOVA) mostrou resultados significativos para alvo (p<0,01) (Alvo 1: 0.1780.031 m; Alvo 2: 0.1560.022 m; Alvo 3: 0.1580.026 m), membros (p<0,01) (Membro dominante: 0.1630.029 m e membro não dominante: 0.1650.028 m) e grupo (p<0,05) (Idosos: 0.1580.025 m e Jovens: 0.1680.030 m). E também uma interação significativa entre grupo e alvo (p<0.05) (Idosos Alvo 1: 0.1740.028 m; Idosos Alvo 2: 0.1530.018 m; Idosos Alvo 3: 0.1470018 m; Jovens Alvo 1: 0.1820.034 m; Jovens Alvo 2: 0.1580.025 m e Jovens Alvo 3: 0.1650.027 m) (figura 11). Nossos resultados mostram que os jovens percorreram uma maior distância durante os movimentos de alcance independente do alvo, quando comparado com os idosos. Para o alvo 1 pode ser verificado que tanto os jovens quanto os idosos percorreram uma maior distância quando comparado com os outros alvos. Após análise post hoc pode ser verificado que os idosos e jovens percorreram distâncias semelhantes durante o movimento de alcance para os alvos 1 e 2. Os jovens percorreram distâncias semelhantes durante o movimento de 33 alcance para os alvos 2 e 3. Os idosos percorreram distâncias semelhantes durante o movimento de alcance para os alvos 2 e 3. Figura 11: Interação entre grupo e alvo da variável cinemática distância percorrida (m). Onde J=jovens I=idosos. 3.3.4 Duração do movimento A análise estatística a ANOVA mostrou resultados significativos para alvos (p<0,01) (Alvo 1: 0.4640.212 s; Alvo 2: 0.5730.192 s e Alvo 3: 0.5960.188 s), membros (p<0,01) (membro dominante: 0.5180.192 s e membro não dominante: 0.5720.215 s), e grupo (p<0,01) (Idosos: 0.6360.217 s e Jovens: 0.4770.167 s); e também uma interação marginalmente significativa entre grupo e alvo (p=0.0558) (Idosos Alvo 1: 0.5830.229 s; Idosos Alvo 2: 0.6550.211 s; Idosos Alvo 3: 0.6690.199 s; Jovens Alvo 1: 0.3690.135 s; Jovens Alvo 2: 0.5100.148 s e Jovens Alvo 3: 0.5440.162 s) (figura 12). Nossos resultados mostram que os idosos tiveram uma maior duração de movimento para os três alvos em questão, quando comparados com os jovens. 34 Após análise post hoc pode ser verificado que os jovens tiveram duração de movimento semelhante quando realizaram o movimento de alcance para os alvos 2 e 3. Os idosos tiveram duração de movimento semelhante quando realizaram o movimento de alcance para os alvos 2 e 3. Figura 12: Interação entre grupo e alvo da variável cinemática duração do movimento (s). Onde J=jovens I=idosos. 3.3.5 Erro de posição final A análise estatística (ANOVA) mostrou resultados significativos para alvo (p<0,01) (Alvo 1: 0.0350.028 m; Alvo 2: 0.0250.016 m e Alvo 3: 0.0270.021 m) e grupo (p<0,01) (Idosos: 0.0240.020 m e Jovens: 0.0320.024 m). Não foi verificado nenhuma interação estatisticamente significativa para esta variável. Porém ao analisar nossos resultados pode-se observar que os idosos possuem um menor erro de posição final quando comparado com os jovens, independente do alvo para o qual o movimento foi realizado (figura 13). 35 Figura 13: Interação entre grupo e alvo da variável cinemática erro de posição final (m) Onde J=jovens I=idosos. 3.3.6 Desvio de Linearidade A análise estatística (ANOVA) mostrou resultados significativos para alvo (p<0,01) (Alvo 1: 0.0570.031; Alvo 2: 0.1110.079 e Alvo 3: 0.0990.078); membros (p<0,01) (membro dominante: 0.0780.060 e membro não dominante: 0.1010.078) e uma interação entre grupo e alvo (p<0.01) (Idosos Alvo 1: 0.0470.030; Idosos Alvo 2: 0.0940.077; Idosos Alvo 3: 0.1010.091; Jovens Alvo 1: 0.0650.030; Jovens Alvo 2: 0.1240.078 e Jovens Alvo 3: 0.0980.066) (figura 14). Os resultados mostraram que os idosos tiveram uma maior linearidade, ou seja, movimentos menos curvos quando comparado aos jovens; para os movimentos realizados para os alvos 1 e 2. Após análise post hoc pode ser observado que os jovens e idosos tiveram linearidade semelhante durante o movimento de alcance para o alvo 3; pode ser observado também que os idosos realizaram os movimento para o alvo 2 obtiveram uma linearidade semelhante dos jovens, quando estes realizaram movimentos para o alvo 1. 36 Figura 14: Interação entre grupo e alvo da variável desvio de linearidade. Onde J=jovens I=idosos. 3.3.7 Duração da aceleração A análise estatística, ANOVA, mostrou resultados significativos para alvo (p<0,01) (Alvo 1: 0.1630.082 s; Alvo 2: 0.1870.085 s e Alvo 3: 0.2160.086 s); membros (p<0,01) (membro dominante: 0.1810.081 s e membro não dominante: 0.1980.092 s) e grupo (p<0,01) (Idosos: 0.2280.095 s e Jovens: 0.1600.067 s). Os resultados mostram que os idosos tiveram uma maior duração da aceleração para todos os alvos quando comparado aos jovens (figura 15). Figura 15: Interação entre grupo e alvo da variável duração da aceleração (s) Onde J=jovens I=idosos. 37 3.3.8 Área da aceleração A análise estatística, ANOVA, mostrou resultados significativos para alvo (p<0,01) (Alvo 1: 1.0130.413 (m/s2).(s); Alvo 2: 0.8560.362(m/s2).(s) e Alvo 3: 0.7210.278(m/s2).(s)) e grupo (p<0,01) (Idosos: 0.6670.331(m/s2).(s) e Jovens: 1.0100.335(m/s2).(s)), e uma interação entre grupo e alvo (p<0.01) (Idosos Alvo 1: 0.7520.342(m/s2).(s); Idosos Alvo 2: 0.6720.353(m/s2).(s); Idosos Alvo 3: 0.5760.267(m/s2).(s); Jovens Alvo 1: 1.2220.341(m/s2).(s); Jovens Alvo 2: 0.9970.301(m/s2).(s) e Jovens Alvo 3: 0.8260.235(m/s2).(s)) (figura 16). . Nossos resultados mostram que os jovens tiveram uma maior área de aceleração durante o movimento quando comparado aos idosos. Após análises post hoc pode ser observado que durante o movimento de alcance dos jovens para o alvo 3 a área de aceleração é semelhante para o movimento de alcance dos idosos para o alvo 1. Figura 16: Interação entre grupo e alvo da variável área da aceleração (m/s 2).(s). Onde J=jovens I=idosos. 38 3.3.9 Área de desaceleração A análise estatística (ANOVA) mostrou resultados significativos para grupo (p<0.01) (Idosos: -0.6790.347(m/s2).(s) e Jovens: -1.0290.352(m/s2).(s)) e alvo (p<0.01) (Alvo 1: -1.0310.428(m/s2).(s); Alvo 2: -0.8760.387(m/s2).(s) e Alvo 3: -0.7300.286(m/s2).(s)), e também uma interação entre grupo e alvo (p<0.01) (Idosos Alvo 1: -0.7620.353(m/s2).(s); Idosos Alvo 2: -0.6870.377(m/s2).(s); Idosos Alvo 3: -0.5840.278(m/s2).(s); Jovens Alvo 1:-1.2450.355(m/s2).(s); Jovens Alvo 2: -1.0200.327(m/s2).(s) e Jovens Alvo 3: -0.8350.243(m/s2).(s)) (figura 17). Nossos resultados mostram que os idosos tiveram uma maior área de desaceleração durante o movimento de alcance, quando comparado aos jovens; após análises post hoc pode ser observado que durante o movimento de alcance dos jovens para o alvo 3 a área de aceleração é semelhante para o movimento de alcance dos idosos para o alvo 1. Figura 17: Interação entre grupo e alvo da variável área da desaceleração (m/s2).(s). Onde J=jovens I=idosos 3.3.10 Duração da desaceleração A análise estatística (ANOVA) mostrou resultados significativos para grupo (p<0.01) (Idosos: 0.4080.1647 s e Jovens: 0.3170.139 s) e alvo (p<0.01) p<0.01) (Alvo 1: 0.3010.161 s; Alvo 2: 0.3860.151 s e Alvo 3: 0.3800.146 s), e 39 também uma interação entre grupo e alvo (p<0.01) (Idosos Alvo 1: 0.3780.175 s; Idosos Alvo 2: 0.4300.165 s; Idosos Alvo 3: 0.4140.148 s; Jovens Alvo 1: 0.2390.116 s; Jovens Alvo 2 s: 0.3520.129 e Jovens Alvo 3: 0.3550.139 s) (figura 18). Nossos resultados mostram que os idosos realizaram os movimentos de alcance com maior duração da desaceleração quando comparado aos jovens. Após as análises post hoc pode ser observado que os jovens tiveram a duração da desaceleração semelhante ao realizar os movimentos de alcance para os alvos 2 e 3; esta semelhança também pode ser observada no grupo dos idosos. Outra semelhança observada foi durante o movimento realizado pelos idosos para o alvo 1, é semelhante ao movimento de alcance dos jovens para os 2 e 3. Figura 18: Interação entre grupo e alvo da variável cinemática duração da desaceleração (s). Onde J=jovens I=idosos 3.3.11 Excursão do ombro A análise estatística (ANOVA) mostrou resultados significativos para grupo (p<0.01) (Idosos: 17.21212.961˚ e Jovens: 14.17113.799˚) e alvo (p<0.01) (Alvo 1:1034.368˚; Alvo 2: 18.7535.877˚ e Alvo 3: 28.2897.180˚), e também uma interação entre grupo e alvo (p<0.01) (Idosos Alvo 1: 1.1294.042˚; Idosos Alvo 2: 21.3584.922˚; Idosos Alvo 3: 29.4566.442˚; Jovens Alvo 1: -2.8853.759˚; Jovens Alvo 2: 16.7625.771˚ e Jovens Alvo 3: 27.4527.560˚) (figura 19). 40 Nossos resultados mostram que o a excursão do ombro foi maior para o alvo 3. A análise post hoc mostra que houve semelhança na excursão do ombro para ambos os grupos, quando o movimento foi realizado para o alvo 3. Em relação ao movimento para outros alvos, nota-se que os idosos tiveram uma maior excursão quando comparado aos jovens. Figura 19: Interação entre grupo e alvo da variável cinemática excursão do ombro (graus). Onde J=jovens I=idosos 3.3.12 Excursão do cotovelo A análise estatística (ANOVA) mostrou resultados significativos para alvo (p<0.01) (Alvo 1: -21.9746.875˚; Alvo 2: -32.2229.237˚ e Alvo 3: 30.2198.578˚) e grupo (p<0.05) (Idosos: -31.2968.466˚ e Jovens: -25.8929.417˚), e uma interação entre grupo e alvo (p<0.05) (Idosos Alvo 1: -24.3556.633˚; Idosos Alvo 2: -36.4437.139˚; Idosos Alvo 3: -33.0186.440˚; Jovens Alvo 1: 20.0736.463˚; Jovens Alvo 2: -28.9979.361˚ e Jovens Alvo 3: -28.2119.329˚) (figura 20). Nossos resultados mostram que os idosos tiveram uma menor excursão do cotovelo quando comparado aos jovens. A análise post hoc mostra que os jovens tiveram excursão do cotovelo semelhante quando realizaram o movimento para os alvos 2 e 3. 41 Figura 20: Interação entre grupo e alvo da variável cinemática excursão do cotovelo (graus). Onde J=jovens I=idosos 42 4 DISCUSSÃO A população idosa é a que mais cresce mundialmente, devido a este fato é de extrema importância conhecer melhor os efeitos que o envelhecimento causa no corpo. Existem diversos estudos que mostram diferenças entre jovens e idosos; mais especificamente em relação ao controle motor, estudos vêm demonstrando diferentes estratégias de movimentos quando comparando jovens e idosos 14, 15, 19, 21, 22, 23 . A análise do movimento do membro superior (movimento de alcance) tem grande importância, pois este tipo de tarefa pode promover uma maior independência funcional na população idosa. Com a importância em se verificar como a população idosa envelhece; este estudo teve como objetivo verificar os efeitos do envelhecimento em relação a coordenação intersegmentar de duas articulações (cotovelo e ombro) durante o movimento de alcance de ambos os membros superiores (dominante e não dominante), através de variáveis cinemáticas específicas. Os resultados confirmaram as diferenças existentes entre jovens e idosos, mostrando que os idosos apresentam menor velocidade, menor aceleração, e menor distância percorrida durante o movimento de alcance; quando comparados aos jovens. Estes resultados já eram esperados, inicialmente pela diminuição de força muscular característica da população idosa, relacionada principalmente pela sarcopenia 5, 44 ; pelas modificações existentes no sistema nervoso e muscular 16, 17, 18 , que são de forma deletéria e por estudos prévios mostrando que indivíduos idosos são entre 30 e 70% mais lentos quando comparados aos jovens em várias tarefas motoras 21, 45, 46. Ao analisarmos nossos resultados verificou-se que tanto os jovens quanto os idosos tiveram uma maior velocidade e aceleração quando o movimento de alcance foi realizado para o alvo 1, quando comparado com os movimentos realizados para os alvos 2 e 3. Verificou-se também que os indivíduos tiveram uma menor aceleração e velocidade quando o movimento foi realizado para o alvo 3; estes dados são confirmados por estudos que analisaram movimentos em várias direções no plano horizontal e como resultados mostraram uma menor velocidade e 43 aceleração para movimentos realizados na diagonal contra-lateral do movimento; devido a uma maior interação de torque e resistência inercial quando realizamos movimento que movem dois ou mais segmentos/articulações (cotovelo e ombro); já que para realizar movimentos para os alvos orientados a 90 e 135 graus do eixo horizontal necessita-se de uma maior coordenação intersegmentar, pois movimenta-se tanto a articulação do ombro quanto a articulação do cotovelo 21, 36, 47 . Quando os idosos realizaram o movimento de alcance para o alvo 1, estes tiveram velocidade semelhante dos indivíduos jovens quando estes realizaram movimento de alcance para o alvo 3, desta maneira verifica-se que os idosos mesmo em movimentos mais simples, ou seja, movimentos que requerem somente um segmento (cotovelo), possuem uma velocidade similar aos dos jovens quando estes realizam movimentos mais complexos, ou seja, movimentos com mais de um segmento. Para determinarmos a amplitude de movimento de cada articulação realizada durante os movimentos, analisamos as variáveis excursão do ombro e cotovelo. Como previsto, nossos resultados indicaram que os indivíduos tiveram uma maior excursão do ombro durante os movimentos realizados para os alvos 2 e 3; e para o movimento realizado para o alvo 1 a excursão do ombro foi pequena, desta maneira podemos relatar que para realizarmos movimentos para alvos orientados a 90 ou 135 graus do eixo horizontal, requeremos uma maior coordenação intersegmentar, devido à transferência de torque gerada de uma articulação para outra e uma maior resistência inercial. Os resultados mostram que os idosos tiveram uma maior excursão do ombro quando comparado aos idosos, e em relação a variável excursão do cotovelo os resultados demonstram que os jovens possuem uma maior excursão quando comparado aos idosos, estas dados sugerem que os idosos necessitam de uma maior amplitude de movimento na articulação do ombro para coordenar e controlar o movimento quando comprado com os jovens, ou seja, idosos utilizam mais a articulação do ombro durante os movimentos, mesmos movimentos mais simples que requerem somente a movimentação da articulação do cotovelo; este fato pode estar relacionado a outros estudos, pois o ombro este é responsável pela coordenação do movimento como um todo 36 . A coordenação e controle de movimentos, estão diretamente ligados a dois sistemas: visual e somato-sensorial. Ambos os sistemas são de extrema importância durante o movimento, já que o visual é responsável pela localização do alvo, direção 44 do movimento e velocidade de execução; e o somato-sensorial por mudanças de pressão, posição da cabeça, comprimento muscular, tensão teciduais e posição articular, diante disto têm-se a grande importância de se verificar se os efeitos do envelhecimento estão relacionados ao sistema sensorial ou somato-sensorial 48, 49 . Para entendermos melhor as modificações na coordenação e controle dos movimentos nos idosos, é de extrema importância separarmos ambos os sistemas de controle de movimento para determinarmos qual tipo de processamento foi utilizado; desta maneira utilizamos a estratégia dos indivíduos realizarem os movimentos sem o uso do retorno visual; desta forma em nosso trabalho não utilizamos a informação visual, ou seja, os indivíduos não viam o cursor durante o movimento. Após avaliarmos as variáveis para verificarmos as diferentes estratégias; onde duas variáveis estão diretamente ligadas à tipos de processamento (área da aceleração e área da desaceleração), sendo que a primeira está ligada a processamento mais rápidos do tipo ciclo-aberto e a segunda ligada a processamento mais lentos do tipo ciclo-fechado. Nossos resultados mostraram que os jovens tiveram uma maior área de aceleração durante os movimentos de alcance, em contra-partida os idosos tiveram uma maior área de desaceleração, estes dados tem suporte em estudos que verificaram que os idosos necessitam de uma estratégia diferente para realizar os movimentos, pois sub-movimentos ocorrem para que estes indivíduos consigam realizar movimentos com uma direção correta para o alvo específico. Estes dados sugerem que os idosos utilizam com maior freqüência mecanismos de ciclo-fechado para que haja um maior controle do movimento, para assim conseguir realizar um planejamento mais eficaz para determinada tarefa. Tem sido mostrado que esses indivíduos utilizam com maior freqüência que os jovens informações visuais, ou seja correções “on line” para atingir seus objetivos nas tarefas realizadas 14, 25, 27, 28 sugerindo que esses indivíduos utilizam mecanismos de processamento mais vagarosos, do tipo ciclo-fechado. Nossos resultados sugerem que idosos são mais precisos que os jovens, pois os idosos tiveram um menor erro de posição final. Este fato pode estar diretamente ligado a velocidade do movimento, pois idosos realizaram movimentos mais lentos. Esta diminuição da velocidade dos idosos confirma a hipótese comportamental, onde os idosos tem a tendência de realizarem movimentos mais lentos, porque são mais conservadores em relação à exatidão do movimento do que os jovens 50 . Esta 45 hipótese é baseada em uma consideração que movimentos rápidos tenham uma variabilidade elevada, e os idosos executam este tipo de movimento de forma mais lenta para tentar impedir reduções da exatidão final do mesmo; baseando-se na lei de Fitts 11 (1954), onde movimentos balísticos manuais em direção a um alvo, são inversamente proporcional entre velocidade e precisão, desta forma, quanto maior a exigência de uma tarefa, menor é a velocidade do movimento. Embora nossos resultados não tenham mostrado interação entre membros e grupo, vários estudos vêm demonstrando uma maior simetria entre os membros (direito e esquerdo) em pessoas idosas. Em relação à lateralidade manual dos indivíduos, vários estudos mostram que os idosos têm uma diminuição da lateralidade, consequentemente uma maior simetria entre os membros estudo desenvolvido por Kalish et al 32 32, 37 . Em um (2006), foi verificado uma diminuição da lateralidade com o envelhecimento, pois em seus resultados os autores observaram uma correlação entre a idade e o uso de ambos os membros para realizar movimentos motores finos e atividades de vida diária. Estudos relacionados a neuro-imagem também demonstram uma diminuição da assimetria cortical em indivíduos idosos. Cabeza et al 33 (2002) sugeriram algumas hipóteses, como por exemplo, a hipótese de compensação, que está diretamente ligada a diminuição da assimetria hemisférica, com o intuito de neutralizar danos neurocognitivos, comumente presente em idosos, e a hipótese de diferenciação, onde se tem uma diminuição da assimetria hemisférica, para refletir a uma dificuldade relacionada a idade em relação ao recrutamento especializado dos mecanismos neurais 33 . E modelos, como por exemplo o modelo de HERA posteriormente o modelo de HAROLD 35 34 e em relação a ativação cortical nos idosos, que posteriormente foram confirmadas, quando compararam indivíduos idosos e jovens, em uma série de tarefas cognitivas durante a realização de exames de neuro-imagem; corroborando a diminuição da assimetria cortical na população de idosos 33, 35. Em um recente estudo mais específico de análise do movimento de alcance em idosos; Poston e colaboradores 37 (2008), realizaram um estudo, sendo este baseado em movimentos de alcance no plano horizontal para três alvos distintos, onde os participantes realizaram os movimentos com ambos os membros superiores, os autores mensuraram e analisaram as variáveis: tempo de reação, velocidade, submovimentos e duração do movimento. Em seus resultados pode ser 46 observado uma maior simetria dos indivíduos idosos, ou seja, tiveram uma simetria entre membros em relação ao desempenho da tarefa, sugerindo que os idosos possuem uma semelhança em relação a estratégias de controle motor, e uma diminuição da lateralidade 37 . Mesmo após algumas evidências em relação a diminuição de lateralidade em idosos, como descrito anteriormente o presente estudo não obteve como resultado uma interação entre grupo e membro, como o esperado; este fato pode estar ligado ao não controle da velocidade durante o movimento de alcance, pois os jovens são mais rápidos em relação aos idosos, desta maneira para conseguirmos comparar com maior eficácia esta diminuição de lateralidade seria importante controlar a velocidade de ambos os grupos, ou seja, movimentos de alcance realizados com velocidades similares, para assim conseguirmos analisar as diferentes estratégias adotadas por jovens e idosos. 47 5 CONCLUSÃO O presente estudo confirmou a diferença entre jovens e idosos para realizar o movimento de alcance, conforme o esperado os jovens realizaram os movimentos de uma forma mais rápida; após análise das variáveis cinemáticas específicas, sugere-se que os idosos utilizam com maior freqüência correções “online”; ou seja utilizam mecanismos de processamento mais lento do tipo ciclo-fechado. Conforme a hipótese apresentada, assim como os jovens, os idosos tiveram maior dificuldade durante a realização dos movimentos que requerem torque em mais de um articulação, ou seja, movimentos com mais de um segmento, como mostrado nos resultados um pior desempenho das variáveis para os movimentos em direção ao alvo 3; devido a interação do torque e a resistência inercial influenciarem diretamente no movimento. Os idosos possuem estratégias diferentes durante o movimento de alcance, já que eles realizam o movimento com maior amplitude da articulação do ombro em relação aos jovens, sendo que neste caso, esta articulação tem o controle principal do movimento. 48 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, 2000. Política do idoso no Brasil Disponível em: http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/datas/idoso/politica_do_idoso_no_brasil.html. 2. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, 2002. . Perfil dos idosos responsáveis pelos domicílios. 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Can J Aging, 1990 9:371–385. 51 ANEXO A – Questionário Edinburgh inventory (versão modificada) Questionário de Dominância Manual: Este é um questionário para determinar qual lado você usa para realizar as atividades manuais. Nas questões seguintes, marque a letra (D) se você realiza certa atividade com a mão direita; (E) se você realiza com a mão esquerda; e (A) se você realiza facilmente com ambas as mãos. Em todas essas atividades, considere suas mãos vazias quando começar a realizálas. D E A 1. Com que mão você gira a maçaneta da porta para abrí-la? 2. Com que mão você arremessa uma bola? 3. Com que mão você usualmente pega um copo ou caneca, quando vai beber algo? 4. Com que mão você segura um martelo quando está martelando? 5. Com que mão você segura a tampa quando esta abrindo uma compota? 6. Com que mão você segura a tesoura quando está cortando algo? 7. Com que mão você aperta o interruptor da luz na parede? 8. Com que mão você distribui cartas quando está embaralhando-as? 9. Com que mão você segura o lenço quando esta assoando o nariz? 10. Com que mão você dá tchau? 11. Com que mão você joga a moeda para cima para fazer cara ou coroa? 12. Com que mão você risca um fósforo? 13. Com que mão você coloca o relógio? 14. Com que mão você segura a escova de dente? 15. Com que mão você tira o dinheiro da carteira? 16. Com que mão você segura a faca para cortar um baguete? 17. Com que mão você segura a linha para colocá-la na agulha? 18. Com que mão você segura uma colher quando está mexendo algo em uma panela? 19. Com que mão você segura o pente para pentear o cabelo? 20. Com que mão você vira as páginas de um livro? 21. Com que mão você segura a faca quando está descascando uma batata? 22. Com que mão você escreve? 23. Com que mão você usa a borracha no papel? 24. Com que mão você corta com a faca quando está comendo de garfo e faca? 25. Com que mão você usa o saleiro? 26. Com que mão você quica uma bola de basquete no chão? 27. Qual mão está acima quando você aplaude? 28. Com que mão você desenha uma figura? 29. Com que mão você abre uma torneira quando está com as duas mãos livres? 30. Com que mão você pega uma moeda que está no chão? 31. Com que mão você usa o apagador em um quadro negro? 32. Qual a mão que fica em cima quando você usa uma pá? 33. Com que mão você segura uma raquete de tênis (frescobol/squash/tênis de mesa)? 34. Com que mão você coloca a chave na fechadura? -Você se considera: Destro Canhoto Ambidestro - Há alguma atividade que não está listada acima que você consistentemente realiza com sua mão dominante, se sim, por favor, explique Adapted questionnaire from: Hull, C.J. “ Study of laterality test items.” J.Exp.Educ. 4, 287-290 (19 52 ANEXO B – Mini Exame do Estado Mental 53 ANEXO C – Tabela optométrica de Snellen