UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO HOSPITAL DE REABILITAÇÃO DE ANOMALIAS CRANIOFACIAIS Rede Nacional de Associações de Pais e Portadores com Lesões Labiopalatais (Rede PROFIS) e a Telessaúde: Uma parceria para a capacitação profissional da área da fissura labiopalatina. Relatório final de Pesquisa Projeto CNPq nº 478508/2010-7 Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/USP) Autora: Silvana Aparecida Maziero Custódio. BAURU 2013 1. INTRODUÇÃO. O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC-USP), criado em 1967, é hoje um exemplo concreto do avanço técnicocientífico e das possibilidades de reabilitação. Tem por finalidade o ensino, a pesquisa e a extensão de serviços a pessoas com anomalias craniofaciais, síndromes relacionadas e/ou distúrbios da audição. É considerado, por profissionais nacionais e estrangeiros, um dos mais completos centros especializados de reabilitação na área. (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 2009). O atendimento prestado é integral, suportado financeiramente com recursos da Universidade de São Paulo (USP) e Ministério da Saúde especialmente por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Ao todo, são mais de 80 mil pacientes matriculados (até dezembro de 2012) com diferentes anomalias craniofaciais e deficiências auditivas, e de várias localidades do Brasil. Especificamente os pacientes com fissuras labiopalatinas são procedentes das diferentes regiões do país, assim distribuídos: Sudeste (61%), Sul (18%), Centro-Oeste (11%), Norte (5,0%), Nordeste (4,7%); além do Exterior (0,3%) 1. De um total de 5.565 municípios existentes no Brasil (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2010), 3.701 (67%) estão cadastrados no HRAC-USP. Na sua maioria, esses pacientes pertencem a estratos baixos ou médios, de acordo com a classificação socioeconômica utilizada no HRAC, que compreende os seguintes indicadores: situação econômica da família, número de membros, escolaridade, ocupação e habitação, sistematizados em seis estratificações: baixa inferior (BI) 24%, baixa superior (BS) 47%, média inferior (MI) 20,5%, média (ME) 7%, média superior (MS) 1,4% e alta (A) 0,1%. Tal classificação baseia-se na metodologia de Graciano, Lehfeld (2010). Independentemente dos indicadores adotados, esses índices vão de encontro aos índices estabelecidos pelos Critérios de Classificação Econômica Brasil (CCEB) (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE PESQUISA, 2012), que separa os consumidores em classes (A, B, C, D e E ) nas seguintes distribuições: A1 (1%), A2 (5%), B1(5%), B2 ( 9%), C (36%), D ( (31%) e E (4%). Portanto, a maior parte da população brasileira também pertence às camadas menos favorecidas. 1 Fonte: Serviço de Informática Hospitalar (SIH) - HRAC-USP, dezembro de 2012. 1 Como forma de prestar assistência social aos pacientes em tratamento no HRAC, em 1975 foi criada em Bauru, a Sociedade de Promoção Social do Fissurado Lábio Palatal denominada PROFIS sendo esta a primeira associação de pais e pacientes. (www.profis.com.br) A existência das associações de pais e pessoas com fissuras labiopalatinas é uma realidade em muitas cidades. Em um estudo sobre o processo histórico de associações de pais e portadores de lesões labiopalatinas no país, Graciano (1996) destaca que a organização desse segmento da sociedade civil vem construindo diferentes espaços de luta e tem como eixo central à questão da solidariedade em função de um problema comum – as fissuras labiopalatinas. Esse processo de organização social é um exemplo de luta pela conquista de direitos garantidos pela Constituição, numa sociedade em fase de construção da democracia. O número de associações atualmente é de 33 (até dezembro de 2012) 2. A partir de 2004, foi criada, com apoio de um programa de políticas públicas, a Rede Nacional de Associações de Pais e Portadores de Fissuras Labiopalatais denominada REDE PROFIS cuja finalidade principal é congregar, integrar, representar e defender os interesses institucionais de suas associadas, colaborando com o desenvolvimento da solidariedade social (BAURU, 2004). A REDE PROFIS atualmente congrega 33 associações nas cinco regiões, com potencial de cobertura de aproximadamente 28 mil pacientes 3. Como o hospital tem um compromisso assumido com os seus usuários na viabilização dos serviços de apoio à reabilitação nas diferentes regiões do país, mediante parcerias com associações, núcleos, fundações (subsedes), prefeituras municipais e outros, foi desenvolvida pesquisa de doutorado, para conhecer os serviços de reabilitação utilizados pelos usuários do HRAC, diagnosticando as necessidades e interesse de capacitação dos reabilitadores (CUSTÓDIO, 2007). Diante da confirmação dos profissionais pesquisados sobre a necessidade e interesse na capacitação (94%), foram estudadas várias propostas viáveis e, dentre elas, a criação da comissão de telemedicina e telessaúde do HRAC por meio da Portaria 024/2007, com objetivo de consolidar a Telessaúde no âmbito hospitalar, por meio de projetos sociais e de pesquisas multicêntricas, cursos de teleducação interativa e teleconsultoria e/ou 2 3 Fonte: Serviço Social de Projetos Comunitários – HRAC-USP. Fonte: Serviço Social de Projetos Comunitários e Serviço de Informática Hospitalar do HRAC 2 teleassessoria, agregando e socializando conhecimentos. (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 2007) Soma-se a essa iniciativa, o iminente convênio do HRAC-USP com a Rede Nacional de Associações de Pais e Portadores de Fissuras Lábiopalatais (REDE PROFIS) que poderá apropriar-se dessas novas tecnologias fazendo das associações pontos de apoio para o seu desenvolvimento a partir da capacitação dos profissionais em suas cidades ou regiões de origem (teleconsultoria e/ou teleassessoria), descentralizando os serviços do hospital, procurando manter a excelência do atendimento nele oferecido. O HRAC-USP em julho de 2009 foi convidado a participar da Rede Universitária de Telemedicina (RUTE) que visa apoiar o aprimoramento de projetos em telemedicina já existentes e incentivar o surgimento de futuros trabalhos interinstitucionai. Na fase atual, o HRAC encontra-se na etapa teste de equipamentos para homologação dos serviços, participando das atividades da RUTE por meio dos profissionais de diversas áreas, representados na Comissão de Telemedicina e Telessaúde do HRAC-USP. ( RUTE, 2012) A relevância deste estudo é inquestionável viabilização da disseminação de conhecimentos aos interessados, independentemente de sua localização. Tal iniciativa propiciou a integração das equipes de profissionais de saúde vinculados as Associações e à REDE PROFIS, diminuindo custos, evitando deslocamentos desnecessários de pacientes além de possibilitar a qualificação de profissionais dos serviços existentes e a segunda opinião especializada formativa, que foca a transmissão do conhecimento de forma dirigida para a construção do raciocínio. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA. 2.1 - A política nacional de saúde. Com a promulgação da Constituição Federal (BRASIL, 1988), a Política Nacional de Saúde passou a ser elaborada de acordo com os dispositivos nela contidos referentes à saúde, adquirindo uma nova face do ponto de vista jurídico. A Constituição anterior (1969) apenas mencionava a saúde como direito do cidadão, reduzindo-a ao conceito de “Assistência Sanitária Hospitalar e Médico-Preventiva” (LIMA, 1996, p.17). Já o sistema de saúde implantado pelo SUS e o que o antecedeu são opostos, destacando-se no sistema atual a ampliação do entendimento do que é a saúde, ou seja, que esta não se limita à presença de enfermidade e sua cura, mas sim à ausência de doenças, 3 como resultado de múltiplas condições sociais, econômicas, sanitárias e alimentares que permeiam o cotidiano das pessoas. Atualmente, a saúde não é mais considerada como mera assistência médicohospitalar, curativa ou preventiva; é o resultado de políticas públicas do Governo. Na Lei Orgânica da Saúde – Lei 8080 (BRASIL, 1990, p.1), o art. 3° dispõe que “a saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais; os níveis de saúde da população expressam a organização social econômica do país”. Pela Constituição, a Saúde, a Previdência Social e a Assistência Social compõem a Política de Seguridade Social, que compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos sociais, substituindo as políticas sociais compensatórias, capazes de processar a garantia e o acesso aos mínimos de dignidade e cidadania (BRASIL, 1988). Na Constituição de 1988 a saúde se apresenta como a área que mais sofreu transformações significativas, como: ♦ Alteração do conceito de saúde - como um processo de convergência de políticas públicas, econômica e sociais; ♦ A instituição da saúde como direito de cidadania e dever do Estado; ♦ A estratégia do SUS como profundo reordenamento setorial – novo olhar e atuação sobre a saúde individual e coletiva; ♦ A construção de um novo modelo de atenção à saúde; ♦ A descentralização das ações para esfera estadual e municipal, delegando poderes para formulação de política de saúde de acordo com as prioridades locais; ♦ A democratização do poder local, mediante o estabelecimento de novos mecanismos de gestão, por meio dos conselhos. Essas mudanças se referem à incorporação do princípio da universalidade, que indica ampliação do acesso, na medida em que toda a população passa a ter direito aos serviços de saúde até então restritos aos contribuintes da Previdência Social. A formulação de uma política voltada para a organização de um sistema de saúde equânime, integral e resolutivo requer, para o atendimento efetivo dos problemas de saúde da população, a realização de um conjunto de ações articuladas entre os diferentes níveis de 4 complexidade da atenção à saúde. O modelo atual de organização da atenção está estruturado em três níveis hierárquicos complementares de atenção à saúde: atenção básica, de média e alta complexidade (BRASIL, 2009a). Atenção básica à Saúde Constitui o primeiro nível de atenção à saúde, de acordo com o modelo adotado pelo SUS. Engloba um conjunto de ações de caráter individual ou coletivo, que envolve a promoção da saúde, a prevenção de doenças, o diagnóstico, o tratamento e a reabilitação dos pacientes. Nesse nível da atenção à saúde, o atendimento aos usuários deve seguir uma cadeia progressiva, garantindo o acesso aos cuidados e às tecnologias necessárias e adequadas à prevenção e ao enfrentamento das doenças, para prolongamento da vida. A atenção básica é dispensada pelas seguintes especialidades básicas: clínica médica, pediatria, obstetrícia, ginecologia, inclusive as emergências referentes a essas áreas. Cabe também à atenção básica da Saúde encaminhar os usuários para os atendimentos de média e alta complexidade. Uma atenção básica bem organizada garante resolução de cerca de 80% das necessidades e problemas de saúde da população de um município e consolida os pressupostos do SUS: eqüidade, universalidade e integralidade. A estratégia adotada pelo Ministério da Saúde como prioritária para a organização da atenção básica é a estratégia Saúde da Família, que estabelece vínculo sólido de coresponsabilização com a comunidade descrita. A responsabilidade pela oferta de serviços de atenção básica à saúde é da gestão municipal, sendo o financiamento para as ações básicas à saúde de responsabilidade das três esferas de governo (BRASIL, 2009a). Média Complexidade Compõe-se por ações e serviços que visam atender aos principais problemas de saúde e agravos da população, cuja prática clínica demande disponibilidade de profissionais especializados e o uso de recursos tecnológicos de apoio diagnóstico e terapêutico. Os grupos que compõem os procedimentos de média complexidade do Sistema de Informações Ambulatoriais são os seguintes: procedimentos especializados realizados por profissionais médicos, outros de nível superior e nível médio; cirurgias ambulatoriais especializadas; procedimentos traumato-ortopédicos; ações especializadas em odontologia; patologia clínica; anatomopatologia e citopatologia; radiodiagnóstico; exames ultrasonográficos; diagnose; fisioterapia; terapias especializadas; próteses e órteses; anestesia (BRASIL, 2009a). 5 O gestor deve adotar critérios para a organização regionalizada das ações de média complexidade, considerando a necessidade de qualificação e especialização dos profissionais para o desenvolvimento das ações; os dados epidemiológicos e sócio demográficos de seu município; a correspondência entre a prática clínica e capacidade resolutiva diagnóstica e terapêutica; a complexidade e o custo dos equipamentos; a abrangência recomendável para cada tipo de serviço; economias de escala e métodos e técnicas requeridas para a realização das ações (BRASIL, 2009a). Alta Complexidade Conjunto de procedimentos que, no contexto do SUS, envolve alta tecnologia e alto custo, objetivando propiciar à população acesso a serviços qualificados, integrando os serviços aos demais níveis de atenção à saúde (atenção básica e de média complexidade). As principais áreas que compõem a alta complexidade do SUS, e que estão organizadas em "redes", são: assistência ao paciente com doença renal crônica (por meio dos procedimentos de diálise); assistência ao paciente oncológico; cirurgia cardiovascular; cirurgia vascular; cirurgia cardiovascular pediátrica; procedimentos da cardiologia intervencionista; procedimentos endovasculares extracardíacos; laboratório de eletrofisiologia; assistência em traumato-ortopedia; procedimentos de neurocirurgia; assistência em otologia; cirurgia de implante coclear; cirurgia das vias aéreas superiores e da região cervical; cirurgia da calota craniana, da face e do sistema estomatognático; procedimentos em fissuras labiopalatais4; reabilitação protética e funcional das doenças da calota craniana, da face e do sistema estomatognático; procedimentos para a avaliação e tratamento dos transtornos respiratórios do sono; assistência aos pacientes com queimaduras; assistência aos pacientes com obesidade (cirurgia bariátrica); cirurgia reprodutiva; genética clínica; terapia nutricional; distrofia muscular progressiva; osteogênese imperfecta; fibrose cística e reprodução assistida (BRASIL, 2009a). Na tentativa de superar a fragmentação das políticas e programas de saúde, a qualificação da gestão e o reconhecimento da autonomia dos entes federados, o Ministério da Saúde por meio da PORTARIA Nº 399/GM, de 22 de fevereiro de 2006 (BRASIL, 4 O HRAC foi cadastrado como um serviço de alta complexidade na área das fissuras labiopalatinas em 1994, conforme portaria n. 62 de 19 de abril de 1994 estabelece normas para cadastramento de hospitais que realizem procedimentos integrados para realização estético-funcional dos portadores de má-formação lábiopalatal para o sistema único de saúde – Ministério da Saúde. (BRASIL, 1994). 6 2006a), Divulga o Pacto pela Saúde - Consolidação do SUS e aprova as Diretrizes Operacionais do Referido Pacto. O Pacto pela Saúde é um conjunto de reformas institucionais do SUS pactuado entre as três esferas de gestão (União, Estados e Municípios) com o objetivo de promover inovações nos processos e instrumentos de gestão, visando alcançar maior eficiência e qualidade das respostas do SUS. Ao mesmo tempo, o Pacto pela Saúde redefine as responsabilidades de cada gestor em função das necessidades de saúde da população e na busca da equidade social. O Pacto pela Saúde implicará o exercício simultâneo de definição de prioridades articuladas e integradas nos três componentes: Pacto pela Vida, Pacto em Defesa do SUS e Pacto de Gestão do SUS (BRASIL, 2006a). O Pacto pela Vida está constituído por um conjunto de compromissos sanitários, expressos em objetivos de processos e resultados e derivados da análise da situação de saúde do País e das prioridades definidas pelos governos federal, estaduais e municipais. As prioridades do Pacto pela Vida são: saúde do idoso; câncer de colo de útero e de mama; mortalidade infantil e materna; doenças emergentes e endemias, com ênfase na dengue, hanseníase, tuberculose, malária e influenza; promoção da saúde; atenção básica à saúde. O Pacto em Defesa do SUS envolve ações concretas e articuladas pelas três instâncias federativas no sentido de reforçar o SUS como política de Estado mais do que política de governos; e de defender, vigorosamente, os princípios básicos dessa política pública, inscritos na Constituição Federal. As prioridades do Pacto em Defesa do SUS são: ♦ Implementar um projeto permanente de mobilização social; 5 ♦ Elaborar e divulgar a carta dos direitos dos usuários do SUS. O Pacto de Gestão estabelece as responsabilidades claras de cada ente federado de forma a diminuir as competências concorrentes e a tornar mais claro quem deve fazer o quê, contribuindo, assim, para o fortalecimento da gestão compartilhada e solidária do SUS. 5 Tal projeto tem a finalidade de: mostrar a saúde como direito de cidadania e o SUS como sistema público universal garantidor desses direitos; alcançar, no curto prazo, a regulamentação da Emenda Constitucional nº 295, pelo Congresso Nacional; garantir, no longo prazo, o incremento dos recursos orçamentários e financeiros para a saúde; aprovar o orçamento do SUS, composto pelos orçamentos das três esferas de gestão, explicitando o compromisso de cada uma delas. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria 399/GM, de 22 de fevereiro de 2006 (BRASIL,2006). Divulga o pacto pela saúde – Consolidação do SUS e aprova as diretrizes operacionais do referido pacto. [on-line] 23 fev 2006 [Consultado em 10 mar 12; [127 telas]. Disponível: http://www.cvs.saude.sp.gov.br/pdf/pacto_portaria_399_06.pdf 7 As prioridades do Pacto de Gestão são: definir de forma inequívoca a responsabilidade sanitária de cada instância gestora do SUS; estabelecer as diretrizes para a gestão do SUS, com ênfase na descentralização; regionalização; financiamento; programação pactuada e integrada; regulação; participação e controle social; planejamento; gestão do trabalho e educação na saúde. (BRASIL, 2006a) O Pacto pela Saúde do SUS o efetivará como “política pública em defesa da vida", reconhecendo que estados, municípios e serviços de saúde estão implantando e implementando práticas de humanização nas ações de atenção e gestão, com bons resultados. 2.2 - As malformações labiopalatinas. 2.2.1 - Etiologia, conceituação e classificação. A palavra fissura, de etiologia latina, significa fenda, abertura (SILVA FILHO; FREITAS, 2007). Com base em conceitos vigentes na etiologia das fissuras labiopalatinas, Capelozza Filho et al (1988) afirmam que as deformidades congênitas estruturais que afetam a face humana manifestam-se de diferentes formas clínicas, variando desde as fissuras labiopalatinas mais comuns ou raras, até as mais complexas malformações craniofaciais. Essas malformações, também denominadas de fissuras ou lesões, são resultantes da falta de coalescência dos processos maxilar, mandibular e frontonasal. Assim, o desenvolvimento insuficiente de um ou mais desses processos ou a ocorrência de falhas na desintegração da superfície epitelial nas regiões de contato entre os processos resultarão na ocorrência das mais variadas fissuras. Entre as malformações que atingem a face do ser humano, os defeitos congênitos identificados como fissuras labiopalatinas são comuns e ocorrem com uma prevalência média entre 1 e 2 indivíduos brancos para cada mil nascimentos. No Brasil, admite-se que a incidência de fissuras labiopalatinas oscila em torno de 1:650 (SILVA FILHO; FREITAS, 2007). Os autores ainda relatam que as malformações são estabelecidas precocemente na vida intra-ulterina, mais precisamente no período embrionário e no período fetal, o que significa dizer até a 12ª semana gestacional. A classificação das fissuras labiopalatinas utilizada pelo HRAC baseia-se em Spina, Psillskis, Lapa, (1972), com uma modificação proposta por Silva Filho et al. (1992) e 8 Silva Filho e Freitas (2007), especialmente na inclusão das fissuras medianas também no grupo II, como demonstrado na figura sinóptico. Grupo I Fissuras completa pré- forame incisivo direita Unilateral incompleta esquerda Bilateral completa completa incompleta incompleta Mediana completa incompleta Grupo II Fissuras direita Unilateral transforame incisivo Esquerda Bilateral Mediana Grupo III Completa Fissuras pós-forame Incompleta incisivo Grupo IV Fissuras raras da face Fonte: TRINDADE, I.L.K.; SILVA FILHO, O.G, coordenadores. In: FISSURAS LABIOPALATINAS: uma abordagem interdisciplinar. 2007. p.21. Figura 2 - Sinóptico. Essa classificação, simples e objetiva, fundamenta-se na teoria embriológica que reconhece os mecanismos independentes de formação das estruturas anteriores (palato primário) e posteriores (palato secundário) ao forame incisivo, ponto anatômico de referência elegido para essa categorização. 9 Para melhor entendimento, as fendas pré-forames são as de lábio, as pós-forame são as do palato (céu da boca) e as transforame são as que envolvem lábio, alvéolo (gengiva) e palato, e são popularmente conhecidas como lábio-leporino (fissuras labiais) e/ou goela de lobo (fissuras palatais). Há uma controvérsia muito grande na literatura e muito pouco se conhece sobre a etiologia das fissuras de lábio e/ou palato. Para tentar explicá-las, dois fatores são imputados: os fatores genéticos e os ambientais que podem atuar isoladamente ou associados. Contudo, a determinação dos fatores hereditários e sua comprovação são difíceis na espécie humana. Assim, a maior parte das fissuras é ocasionada pela interação de muitos fatores genéticos e ambientais, individualmente indistinguíveis que consiste em causas multifatoriais. Essa teoria, por permitir avaliar os riscos de recorrência, é a mais aceita na literatura (CAPELOZZA FILHO et al. 1988). No entanto, independentemente das “causas”, sabe-se que as fissuras labiopalatinas interferem intensamente na vida dos pacientes, desde o nascimento em virtude das alterações funcionais e estéticas, provocando transtornos psicológicos e sociais. 2.2.2 - Aspectos estéticos funcionais e psicossociais. A alimentação, como fator de sobrevivência, é uma das primeiras preocupações dos pais, diante do nascimento de um filho. Essa preocupação se agrava com a presença das fissuras labiopalatinas, pelo temor frente a intercorrências como refluxo nasal do leite, engasgos, e a demora no processo da administração alimentar, que pode prejudicar o ganho ponderal (MARQUES et al. 2007). Segundo Marques et al. (2007), a comunicação entre a cavidade oral e a nasal nas crianças com fissuras labiopalatinas pode levar a maior freqüência de infecções, desde resfriados comuns até quadros de broncopneumonia. A presença de fissura de palato pode facilitar o refluxo de alimentos e secreções, que favorece sua aspiração para a trompa de Eustaquio e uma freqüência considerável de otites por disfunção tubária, que levam a perdas auditivas. No entanto, essas infecções do ouvido médio tendem a reduzir, após a realização de cirurgias primárias (MONTAGNOLLI; ROCHA, 1990). Montagnolli e Rocha (1990) ressaltam que as crianças com fissura apresentam problemas fonéticos, pois a aquisição de linguagem é um mecanismo complexo e é 10 necessário que os órgãos envolvidos na formação dos sons estejam anatomicamente adequados. Essas crianças poderão adquirir uma fala característica decorrentes da chamada incompetência ou disfunção velofaríngea, o que provoca hipernasalidade (comunicação nasal-oral); além disso, a dentição irregular gera desvio na articulação. Segundo Altmann et al. (1997), os indivíduos com fissuras labiopalatinas podem apresentar as seguintes alterações fonoaudiológicas: audição, linguagem, fala, voz, órgãos fonoarticulatórios (OFA), e de leitura e escrita; a terapia fonoaudiológica pode ser direcionada para todos esses fatores concomitantemente. De acordo com Genaro et al. (2007) geralmente os distúrbios da fala repercutem negativamente junto à sociedade, e a fala é justamente um dos aspectos mais estigmatizantes no caso da fissura labiopalatina. As alterações são as mais variadas, podendo ocorrer desde uma leve distorção de algum fonema causada por deformidade dentofacial até o desenvolvimento de hipernasalidade e de mecanismos compensatórios que tornam a fala ininteligível. Os autores ressaltam, ainda, que das alterações da fala presentes na fissura palatina, grande parte relaciona-se direta ou indiretamente à disfunção no mecanismo velofaríngeo, que pode comprometer o desenvolvimento da fala quanto aos aspectos fonético e fonológico. Os pacientes com fissuras labiopalatinas, de modo geral, podem apresentar os seguintes distúrbios da fala: - distúrbios articulatórios do desenvolvimento, que correspondem a alterações comuns da fase de aquisição dos fonemas; - distúrbios articulatórios compensatórios, que correspondem a distúrbios do aprendizado, decorrentes de alterações estruturais, provocadas pela própria fissura palatina ou pela presença de fístulas do palato; - distúrbios obrigatórios, que correspondem a alterações decorrentes exclusivamente da disfunção velofaríngea como a hipernasalidade e a emissão de ar nasal; e adaptação compensatória relacionada a distorções na produção articulatória frente a alterações estruturais, como as deformidades dentofaciais (GENARO et al.; 2007). Segundo Gomide e Costa (2007), a ocorrência de dentes natais e neonatais na região da fenda é comum em bebês com fissuras transforame incisivo unilateral e o desenvolvimento de dentição, com a irrupção dos dentes decíduos é semelhante ao da população em geral, demonstrando atraso de irrupção no lado da fissura, sendo esse 11 significativo apenas para o incisivo lateral superior da região da fenda, que pode irromper com atraso de até dois anos nas fissuras labiopalatinas completas. Em crianças com fissuras com envolvimento do rebordo alveolar é comum a presença de dente decíduo supranumerário e/ou numerário mal posicionado adjacentes à fissura, cuja permanência é importante para preservar o tecido ósseo que se encontra deficiente nessa região. Por isso, os cuidados orientados aos pais, relativos aos procedimentos de higiene específicos para tais dentes, proporcionam sua manutenção em boas condições. “As anomalias dentárias de forma, de número e de posição, particularmente na área da fissura, podem ter efeito deletério no desenvolvimento maxilo-mandibular e comprometem não só a estética como também as funções de mastigação, respiração, deglutição e fonação” (ANDRÉ et al.; 1997, p.239). Roxo et al. (1997) ressaltam que as cirurgias visam ao restabelecimento anatômico e funcional, favorecem o equilíbrio muscular, que é o grande colaborador e orientador do crescimento do terço médio da face e da obtenção de uma fala e voz adequadas, propiciando ao paciente uma auto-imagem positiva e, conseqüentemente, melhor integração social. O HRAC-USP objetiva não só a reabilitação estética e funcional, como também a reabilitação psicossocial do paciente e sua família. A atenção psicossocial se revela como um importante instrumento para reabilitação mais efetiva dos pacientes com fissuras labiopalatinas (GRACIANO et al.; 2007). Segundo Amaral (1997), com relação aos aspectos psicossociais, as fissuras labiopalatinas trazem aos indivíduos contingências físicas, psicológicas, afetivas e sociais que produzem conseqüências manifestadas em algumas características comumente levantadas no grupo, como: redução de autoconceito, mais dependência dos pais, isolamento, esquiva de contatos sociais em situações novas, redução da capacidade verbal, entre outras. Segundo Graciano, Tavano, Bachega (2007), as repercussões da doença no desenvolvimento físico e/ou psicológico do paciente, bem como o impacto psicossocial na família devem ser compreendidos pelos profissionais de saúde que compõem a equipe de atendimento. 12 Tal postura é efetivada no HRAC por uma equipe de profissionais que, por meio de uma ação interdisciplinar junto à pessoa com fissuras labiopalatinas, seus familiares e a comunidade, procura minimizar seus problemas, favorecendo as condições para o pleno desenvolvimento de suas capacidades físicas, psicológicas afetivas e sociais (GRACIANO TAVANO, BACHEGA; 2007). Os autores ressaltam, ainda que a equipe interdisciplinar deve estar atenta a todas as fases do desenvolvimento, desde o nascimento até a fase adulta, a fim de que alcance com sucesso os objetivos da tarefa de reabilitar, estimulando o envolvimento da família/paciente no processo de reabilitação que, por sua complexidade, exige esforços conjuntos para se efetivar. 2.3 - A formação e a capacitação dos profissionais de saúde. A formação profissional, segundo Silva (1984), não pode se reduzir ao período da graduação ou da pós-graduação. A formação profissional é entendida como um processo dialético, portanto, aberto, dinâmico e permanente, incorporando as contradições decorrentes da inserção da profissão e dos profissionais na própria sociedade. Esse processo contínuo de preparação científica e técnica de profissionais fornecerá subsídios para dar resposta às demandas sociais que se apresentam para profissão, de produção de conhecimento de extensão de profissão. O Conselho Nacional de Saúde (BRASIL, 1997) reconhece, conforme resolução n.º218, de 6 de março de 1997, como profissionais de saúde de nível superior as seguintes categorias: assistentes sociais, biólogos, profissionais de educação física, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, médicos, médicos veterinários, nutricionistas, odontólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais. Este reconhecimento reflete a importância da ação interdisciplinar no âmbito da saúde e a imprescindibilidade das ações realizadas pelos diferentes profissionais de nível superior, constituindo-se num avanço que tende à concepção de saúde e à integralidade da atenção. De acordo com o Conselho Nacional de Educação (CNE) (BRASIL, 2002), A formação do profissional de saúde tem por objetivo dotar o profissional dos conhecimentos requeridos para o exercício das seguintes competências e habilidades gerais: I - Atenção à saúde: os profissionais de saúde, dentro de seu âmbito profissional, devem estar aptos a desenvolver ações de prevenção, promoção, proteção e reabilitação da 13 saúde, tanto em nível individual quanto coletivo. Cada profissional deve assegurar que sua prática seja realizada de forma integrada e contínua com as demais instâncias do sistema de saúde, sendo capaz de pensar criticamente, de analisar os problemas da sociedade e de procurar soluções para os mesmos. Os profissionais devem realizar seus serviços dentro dos padrões de qualidade e dos princípios da ética/bioética, tendo em conta que a responsabilidade da atenção à saúde não se encerra com o ato técnico, mas sim, com a resolução do problema de saúde, tanto em nível individual como coletivo; II - Tomada de decisões: o trabalho dos profissionais de saúde deve estar fundamentado na capacidade de tomar decisões visando ao uso apropriado, à eficácia e ao custoefetividade da força de trabalho, de medicamentos, de equipamentos, de procedimentos e de práticas. Para este fim, os mesmos devem possuir competências e habilidades para avaliar, sistematizar e decidir as condutas mais adequadas, baseadas em evidências científicas; III - Comunicação: os profissionais de saúde devem ser acessíveis e devem manter a confidencialidade das informações a eles confiadas, na interação com outros profissionais de saúde e o público em geral; envolve comunicação verbal, não-verbal e habilidades de escrita e leitura; o domínio de, pelo menos, uma língua estrangeira e de tecnologias de comunicação e informação; IV - Liderança: no trabalho em equipe multiprofissional, os profissionais de saúde deverão estar aptos a assumir posições de liderança, sempre tendo em vista o bem-estar da comunidade. A liderança envolve compromisso, responsabilidade, empatia, habilidade para tomada de decisões, comunicação e gerenciamento de forma efetiva e eficaz; V - Administração e gerenciamento: os profissionais devem estar aptos a tomar iniciativas, fazer o gerenciamento e administração tanto da força de trabalho, dos recursos físicos e materiais e de informação, da mesma forma que devem estar aptos a atuar como empreendedores, gestores, empregadores ou lideranças na equipe de saúde; VI - Educação permanente: os profissionais devem ser capazes de aprender continuamente, tanto na sua formação, quanto na sua prática com responsabilidade e compromisso com a sua educação e o treinamento/estágios das futuras gerações de profissionais, mas proporcionando condições para que haja beneficio mútuo entre os futuros 14 profissionais e os profissionais dos serviços, inclusive, estimulando e desenvolvendo a mobilidade acadêmico/profissional, a formação e a cooperação por meio de redes nacionais e internacionais (BRASIL, 2002). Santana e Christófaro (2003) refletem sobre as repercussões desses processos entre elas, o aumento da cultura científica das populações, concorrendo para mudanças nas suas formas de demandar, selecionar, consumir e avaliar os serviços e produtos disponíveis. A incorporação da Internet, da telemedicina e da miniaturização de equipamentos e outros avanços tecnológicos na área deverão transformar a maneira de planejar, organizar, administrar e realizar os cuidados à saúde, a partir da atenção básica na forma de meios de apoio diagnóstico e terapêutico que se agregarão ao arsenal de recursos tradicionalmente manejados nesse nível de atendimento. Compreender essa realidade e entender seus desdobramentos específicos para o trabalho e para a educação no setor saúde representa um desafio, a começar pela definição de papéis e ações no espaço de trabalho e de formação/capacitação profissional do setor que extrapolam normas e processos de auto-regulação profissional. As articulações entre o processo de formação de profissionais e trabalhadores de saúde e a produção de serviços do setor expressam particularidades da relação geral entre educação e trabalho na sociedade. Na atualidade brasileira, esse duelo foi levado para o âmbito jurídico e institucional, ao fazer-se constar na Constituição Federal (BRASIL, 1988) que compete ao SUS ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde. Uma idéia recorrente na história das relações entre o setor educação e saúde, gira em torno da utilização de incentivos propiciados pelo sistema de saúde para a reordenação curricular das profissões da saúde. O Ministério da Educação e do Desporto, em consonância com o Conselho Nacional de Educação, estabelecerá diretrizes curriculares nacionais, constantes de carga horária mínima do curso, conteúdos mínimos, habilidades e competências básicas, por área profissional (SANTANA; CHRISTÓFARO, 2003). Dificuldades existem para o processo de reordenação do ensino superior que se somam à das dificuldades no contexto geral das instituições universitárias. Não basta adotar um conceito de competência, entre os muitos existentes, para pensar a educação profissional dirigida à produção de serviços de saúde. Pensar em 15 formação profissional hoje exige mais que adotar um conceito e um método, uma vez que esse espaço é um mundo onde se inscrevem a educação básica, a educação continuada e especializada e onde é preciso considerar os modelos, as teorias, a legislação e a regulamentação da própria educação, do trabalho, da saúde. Pensar a educação profissional é refletir sobre as práticas reais dos atores e das instituições de educação e de produção de cuidados à saúde (SANTANA; CHRISTÓFARO, 2003). A efetiva integração entre os processos de ensino-aprendizagem e de produção de serviços é requisito indispensável para o desenvolvimento de competências profissionais. A complexidade que envolve as relações entre os mundos do trabalho e da educação e como lidar com suas decorrências são questões presentes na agenda dos gestores de recursos humanos do SUS. A análise permanente dessa problemática torna-se um exercício indispensável para o bom desempenho de suas responsabilidades, tanto que uma política específica foi criada pelo Governo Federal (SANTANA; CHRISTÓFARO, 2003). 2.4 – Política de Educação e Desenvolvimento para o SUS. O artigo 200, da Constituição Federal de 1988, em seu inciso III, atribui ao SUS a competência de ordenar a formação na área da Saúde (BRASIL, 1988). Portanto, as questões da educação na saúde passam a fazer parte do rol de atribuições finalísticas do sistema. Para observá-lo e efetivá-lo, o Ministério da Saúde tem desenvolvido, ao longo do tempo, várias estratégias e políticas voltadas para a adequação da formação e qualificação dos trabalhadores de saúde às necessidades de saúde da população e ao desenvolvimento do SUS. O Governo Federal tem como uma de suas diretrizes principais a formulação e implementação de políticas de recursos humanos para a saúde. Essa diretriz está sendo desenvolvida pela Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde (SGETES/MS) por meio de suas várias estratégias. Na saúde, são várias as ações: Política Nacional de Educação Permanente como estratégia do SUS para a formação e o desenvolvimento de trabalhadores para o setor; o AprenderSUS, política direcionada para as mudanças na graduação em coerência com as diretrizes e princípios do SUS; o VER-SUS, que visa proporcionar aos estudantes diversificadas experiências do mundo de trabalho e do controle social do sistema, o MultiplicaSUS, que tem o objetivo de promover espaços de reflexão, de discussão e de troca de conhecimento com os trabalhadores da área de saúde, tornando-os sujeitos ativos e 16 críticos – agentes de mudança – de seus processos de trabalho para o aperfeiçoamento do SUS e, por meio de portaria interministerial, foi instituído no âmbito do SUS o Programa de Educação para Trabalho em saúde (PET). No seu conjunto, as políticas em desenvolvimento buscam a interação entre os segmentos da formação, da atenção, da gestão e do controle social: o quadrilátero da Educação Permanente em Saúde (EPS). A Educação Permanente em Saúde impulsiona a transformação dos processos formativos, das práticas pedagógicas e de saúde e para a organização dos serviços, empreendendo um trabalho articulado entre o sistema de saúde, em suas várias esferas de gestão, e as instituições formadoras (BRASIL, 2004b). A educação permanente requer ações no âmbito da formação técnica, de graduação e de pós-graduação, da organização do trabalho, da interação com as redes de gestão e de serviços de saúde e do controle social neste setor. Na educação permanente em saúde, não se esgotam o conceito e a noção de educação para o trabalho técnico, uma vez que ocorrem na dimensão das equipes de trabalho e da gestão do trabalho, propiciando, em sua implementação, a discussão sobre os programas e o sistema de saúde, as novidades tecnológicas ou epidemiológicas e a integralidade da atenção à saúde, os protocolos de atenção à saúde e a clínica ampliada criando, continuamente, processos de análise e de problematização. Para a implantação da Política de Educação Permanente em Saúde, tornou-se necessário que o Departamento de Gestão da Educação na Saúde (DEGES) articulasse agenda e compromissos de ação com os diversos órgãos do Ministério da Saúde (MS), com o Conselho Nacional de Saúde, com o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (CONASS) e com as Secretarias Estaduais de Saúde e Conselhos Estaduais de Saúde, com o Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (CONASEMS) e com as Secretarias Municipais de Saúde, e Conselhos Municipais de Saúde, com o Ministério da Educação (MEC), com as entidades de profissionais e de ensino das profissões de saúde, com as entidades estudantis e com os movimentos e práticas de educação popular em saúde, entre outros (BRASIL, 2004b). O Ministro de Estado da Saúde por meio da Portaria GM/MS nº 1.996, de 20 de agosto de 2007(BRASIL, 2007) instituiu as diretrizes para a implementação da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde e outras providências, dentre elas; definiu novas diretrizes e estratégias para a implementação da Política Nacional de Educação 17 Permanente em Saúde adequando-a as diretrizes operacionais e ao regulamento do Pacto pela Saúde e a que condução regional da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde se dará por meio dos Colegiados de Gestão Regional, com a participação das Comissões Permanentes de Integração Ensino-Serviço (CIES). O Ministério da Saúde é responsável pela Política de Educação na Saúde que inclui, entre suas várias ações, a utilização das modernas tecnologias de informação e comunicação, visando à qualificação da atenção à saúde. O atendimento em saúde depende da troca de informações sobre o paciente, daí vem a possibilidade de uso de ferramentas para ampliar os horizontes dessa rotina, alterando paradigmas, como a telemedicina e a telessaúde. 2.5. A internet a serviço da saúde 2.5.1 - Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) Foi criada em 1989 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) com o objetivo de construir uma infra-estrutura de rede Internet nacional para a comunidade acadêmica. A RNP oferece conexão gratuita à Internet para instituições federais de ensino superior ligadas ao Ministério da Educação (MEC), unidades federais de pesquisa ligadas ao MCT, agências de ambos os ministérios e outras instituições de ensino e de pesquisa públicas e privadas. 2.5.2 A Rede Universitária de Telemedicina (RUTE) A RUTE é uma iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia, apoiada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pela Associação Brasileira de Hospitais Universitários (Abrahue), sob a coordenação da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). (RUTE, 2009) A RUTE visa apoiar o aprimoramento da infra-estrutura para telemedicina já existente em hospitais universitários, bem como promover a integração de projetos entre as instituições participantes. O HRAC como hospital de ensino, foi convidado a participar da RUTE. A RUTE vai possibilitar, em um primeiro momento, a utilização de aplicativos que demandam mais recursos de rede e o compartilhamento dos dados dos serviços de telemedicina dos hospitais universitários e instituições de ensino e pesquisa participantes da iniciativa. Em um segundo momento, a RUTE poderá levar os serviços desenvolvidos nos 18 hospitais universitários do país a profissionais que se encontram em cidades distantes, por meio do compartilhamento de arquivos de prontuários, consultas, exames e segunda opinião. Sua implantação trará impactos científicos, tecnológicos, econômicos e sociais para os serviços médicos já existentes, permitindo a adoção de medidas simples e de baixo custo, como a implantação de sistemas de análise de imagens médicas com diagnósticos remotos, que pode contribuir muito para diminuir a carência de especialistas, além de proporcionar treinamento e capacitação de profissionais da área médica sem deslocamento para os centros de referência. A implantação da infra-estrutura de suporte às atividades de Telemedicina na RUTE compreende sete etapas: Diagnóstico, Apresentação de propostas, Assinatura de contrato, Licitação dos equipamentos e serviços, Implantação da infra-estrutura, Teste dos equipamentos e serviços, Ativação dos hospitais na RNP, Homologado e operacional na RNP. 2.5.3 Telessaúde De acordo com a Organização Mundial da Saúde (World Health Oranization 2010), a telessaúde pode ser utilizada entre os centros distantes, para discussão de casos entre profissionais da área da saúde, por meio de tecnologia de informação, auxiliando no diagnostico, prevenção e tratamento de doença, alem do desenvolvimento de pesquisas, especialmente onde a distancia é uma barreira aos cuidados de saúde. 2.5.3.1 Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes (Telessaúde Brasil Redes). O Art. 1º da Portaria - 2.546, DE 27 DE OUTUBRO DE 2011 (BRASIL, 2011) redefine e amplia o Programa Telessaúde Brasil, que passa a ser denominado Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes (Telessaúde Brasil Redes). O Telessaúde tem por objetivo apoiar a consolidação das Redes de Atenção à Saúde ordenadas pela Atenção Básica no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O Telessaúde Brasil Redes fornecerá aos profissionais e trabalhadores das Redes de Atenção à Saúde no SUS os seguintes serviços: 19 I - Teleconsultoria: consulta registrada e realizada entre trabalhadores, profissionais e gestores da área de saúde, por meio de instrumentos de telecomunicação bidirecional, com o fim de esclarecer dúvidas sobre procedimentos clínicos, ações de saúde e questões relativas ao processo de trabalho, podendo ser de dois tipos: a) síncrona - teleconsultoria realizada em tempo real, geralmente por “chat”, web ou videoconferência;ou b) assíncrona - teleconsultoria realizada por meio de mensagens off-line; II - Telediagnóstico: serviço autônomo que utiliza as tecnologias da informação e comunicação para realizar serviços de apoio ao diagnóstico através de distância e temporal; III - Segunda Opinião Formativa: resposta sistematizada, construída com base em revisão bibliográfica, nas melhores evidências científicas e clínicas e no papel ordenador da atenção básica à saúde, a perguntas originadas das teleconsultorias, e selecionadas a partir de critérios de relevância e pertinência em relação às diretrizes do SUS; e IV - Tele-educação: conferências, aulas e cursos, ministrados por meio da utilização das tecnologias de informação e comunicação. Art. 3º O Telessaúde Brasil Redes é integrado por gestores da saúde, instituições formadoras de profissionais de saúde e serviços de saúde do SUS, sendo constituído por: I - Núcleo de Telessaúde Técnico-Científico: instituições formadoras e de gestão e/ou serviços de saúde responsáveis pela formulação e gestão de Teleconsultorias, Telediagnósticos e Segunda Opinião Formativa; e II - Ponto de Telessaúde: serviços de saúde a partir dos quais os trabalhadores e profissionais do SUS demandam Teleconsultorias e/ou Telediagnósticos. As Teleconsultorias, os Telediagnósticos, as Segundas Opiniões Formativas e as ações de Tele-educação demandadas pelos profissionais de saúde do SUS poderão ser elaborados e respondidos por Teleconsultores a partir de qualquer Núcleo de Telessaúde Técnico-Científico ou Ponto de Telessaúde. O Programa Telessaúde Brasil Redes é uma ação nacional que busca melhorar a qualidade do atendimento e da atenção básica no Sistema Único da Saúde (SUS), integrando ensino e serviço por meio de ferramentas de tecnologias da informação, que oferecem condições para promover a Teleassistência e a Teleducação. (BRASIL, 2011) “Construir possibilidades para além dos limites de territórios de saberes é uma exigência ético-política para a produção de mais e melhor saúde". (BRASIL, 2009b p. 20) 20 Essa pesquisa, certamente reduziu a sensação de isolamento dos profissionais de Saúde dos serviços de reabilitação cadastrados na REDE PROFIS e demais profissionais do HRAC favorecendo o intercambio de conhecimentos a otimizando da prestação de serviços na área da fissura lábiopalatina. 3. OBJETIVOS. Objetivo geral. Implantar via telessaúde, uma rede cooperativa para viabilizar a capacitação dos profissionais/instituições na área da Fissura Lábiopalatina no Brasil. Objetivos específicos. Caracterizar os serviços de reabilitação cadastrados na REDE PROFIS no que se refere à infra-estrutura para se integrar a telessaúde; Identificar as áreas de atuação que integram os serviços de reabilitação das instituições (medicina, odontologia, fonoaudiologia, enfermagem, nutrição, psicologia e serviço social); Identificar o conhecimento dos profissionais sobre o Projeto Nacional de Telessaúde e sua contribuição para a capacitação continuada e/ou segunda opinião formativa a distancia Verificar o interesse e necessidade de participação na capacitação via telessaúde com profissionais do HRAC; Estruturar um sistema de consultoria e/ou segunda opinião formativa entre especialistas do HRAC e os profissionais dos serviços vinculados a REDE PROFIS. Elaborar, desenvolver e avaliar programa de capacitação a distância. 4. MATERIAL E MÉTODO. De acordo com Minayo (2012), a metodologia é o caminho e o instrumental próprio de abordar a realidade; inclui as concepções teóricas de abordagem, o conjunto de técnicas que possibilitem a apreensão da realidade e também o potencial criativo do pesquisador. A pesquisa foi desenvolvida por meio de estudos exploratórios e descritivos. O exploratório permitiu ao investigador aumentar sua experiência em torno do assunto 21 pesquisado, buscando o aprimoramento de idéias ou descobertas de intuições; esclarecer e modificar conceitos e idéias. O estudo descritivo propiciou a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis (GIL, 2007). De acordo com Barros e Lehefeld (2000), a pesquisa descritiva englobou a pesquisa bibliográfica, documental e de campo. A abordagem foi quanti-qualitativa, sendo a abordagem qualitativa essencialmente interpretativa e a abordagem quantitativa de natureza analítica. Segundo Chizotti (1995), as pesquisas quantitativas provêm às mensurações de variáveis pré-estabelecidas, procurando verificar e explicar a sua influência sobre outras variáveis, mediante a análise da freqüência de incidência e de correlações estatística, fornecendo por meio de dados estatísticos condições necessárias para uma análise mais profunda dos resultados apresentados. As pesquisas qualitativas procuram compreender as experiências que os sujeitos têm, as representações que formam e os conceitos que elaboram, partindo do princípio que todos os sujeitos são igualmente dignos de estudo, permanecem únicos e todos os seus pontos de vista são relevantes. Alem disso, a pesquisa qualitativa tem como características gerais: o fato de ser descritiva, de ter ambiente natural como fonte direta de dados e o pesquisador como instrumento-chave (FURTADO, 2006). No inicio do projeto o HRAC contava com 37 associações de pais e pessoas com anomalias craniofaciais e destas, 19 prestavam serviços de reabilitação e estavam cadastrados na REDE PROFIS. Entre as 19, consideradas como universo da presente pesquisa, 13 associações prestavam serviços diretos e 06 estavam vinculadas a outros serviços especializados na área de fissura labiopalatina. Antes da coleta de dados, quatro associações foram desativadas,totalizando em 33 associações, sem, no entanto, alterar o universo de 19 associações que compuseram a pesquisa. É importante ressaltar que o número de profissionais pesquisados oscilou em cada associação e também em cada área ou seja: 66 profissionais (100%) distribuídos por áreas: 14 (21%) odontólogos, 12 (18%) fonoaudiólogos, 11(17%) psicólogos, 10 (15%) assistentes sociais, 08 (12%) pedagogos, 03 (4%) cirurgião plástico, 02 (3%) 22 fisioterapeutas, 02 (3%) educação, 02 (3%) educação especial, 01(2%) nutricionista, 01(2%) pediatra. Os Serviços pesquisados e que se constituíram da amostra estão relacionados a seguir: 1) APOFILAB – Associação de Fissurados de Cascavel – Cascavel/PR 2) CEFIL – Centro de Apoio e Reabilitação do .Portador de Fissura Lábio Palatal de Londrina e Região – Londrina/PR 3) AFIM – Associação Fissurados de Maringá – Maringá/PR 4) APPDF – Associação Pontagrosense de Portadores de Deformidades Faciais – Ponta Grossa/PR 5) AFIPP – Associação de Apoio ao Fissurado Lábio Palatal de Presidente Prudente e Região – Presidente Prudente/SP 6) AAFLAP – Associação Apoio F. L. Palatais – São José dos Campos/SP 7) AFISSORE - Associação dos Fissurados de Sorocaba e região – Sorocaba/SP 8) PROFIS – Joinville – Sociedade de Promoção Social do Fissurado Lábio Palatal Joinville/SC 9) AFILAPPE - Associação dos Fissurados Lábio Palatais de Pernambuco - Recife/PE Portanto a amostra foi constituída de 09 (47%) associações de pais e pessoas com fissura labiopalatinas e respectivos profissionais que aderiram ao estudo a partir da resposta do questionário que foi enviado no primeiro semestre de 2011. Foi caracterizada como não probabilística intencional, pois, seus elementos foram escolhidos intencionalmente, de acordo com as características pré-estabelecidas: acesso a internet, interesse e disponibilidade. Como instrumental técnico para a coleta de dados foi elaborado um questionário, com duas partes, a primeira para a instituição/serviço e a segunda para os profissionais dos serviços (anexo 1), com enfoque para os das áreas de medicina, fonoaudiologia, odontologia, psicologia e serviço social e outras pertinentes aos serviços prestados pelas associações. O questionário foi enviado pelo correio com uma carta explicativa sobre a natureza da pesquisa, sua importância e data de devolução, bem como dos termos de consentimento livre e esclarecido (anexo 2). A partir das respostas dos questionários, foi elaborado o programa de capacitação nas diferentes áreas atendendo as necessidades e sugestões dos pesquisados quanto as 23 temáticas, com a participação dos profissionais da Comissão de Telemedicina e Telessaúde do HRAC-USP. A avaliação do programa foi realizada via enquete “online”, após o término de cada atividade considerando, basicamente, o conteúdo, a didática e o domínio do assunto. 5. RESULTADOS Caracterização dos serviços de reabilitação cadastrados na REDE PROFIS no que se refere à infraestrutura para se integrar a telessaúde; Observou-se que 08 (89%) das associações, oferecem serviços de reabilitação diretos ao paciente e apenas 1 (11%), presta assistência social por existir um serviço habilitado pelo SUS em alta complexidade em seu município. Destes 09 (47%) verificou-se que 05 (55%) dos serviços são pertencentes a Região Sul, 03 (34%) da Região Sudeste e 01 (11%) da Região Nordeste. Os serviços, em sua totalidade, pertencem ao Terceiro Setor, prestando não só serviços de reabilitação, mas, também assistência social. A Constituição Federal, em seu art. 199, §1º17 (Brasil 1988) e a Lei Orgânica da Saúde (Brasil 1990), em seu art. 2518, prevêem que as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos têm preferência para participar de forma complementar no Sistema Único de Saúde, proporcionando a participação da sociedade civil na promoção de políticas sociais e abrindo novos espaços de atuação das organizações sociais. A totalidade das entidades possui parcerias/intercâmbios/convênios com as prefeituras municipais (100%), Universidades (55%), associações (33%) e outros (55%), entre esses, parceria/convênio com o próprio Estado, com a Organização Internacional “Smile Train” 6, com Laboratórios Protéticos e também com Clinicas Odontológicas. Tais parcerias garantem legitimidade e o cumprimento de exigências legais e também recursos físicos e humanos. 6 “Smile Train”, Organização não governamental – ONG tem como missão é oferecer a uma criança nascida com fissura as mesmas oportunidades de uma criança nascida sem este problema. Oferecem cirurgias de fissura gratuitas para milhares de crianças pobres que residem nos países em desenvolvimento, treinamento de médicos e profissionais da área médica em mais de 80 países,--tratam a criança “por completo” com um abrangente tratamento de reabilitação fonoaudiológica, dentária e ortodôntica. ( http://smiletrainbrasil.com/missao.html) 24 A palavra parceria (FERREIRA, 2012) significa reunião de pessoas para um fim de interesse comum, que é o entendimento corrente tanto na mídia como nas referencias utilizada em conversas cotidianas. Pode significar ainda convênio ou acordo. Segundo Di Pietro (2006), citado por Brasil (2007b p.12), “o convênio pode ser definido como forma de ajuste entre Poder Público e entidades públicas ou privadas, para a realização de objetivos de interesse comum, mediante mútua colaboração, todos os partícipes querem a mesma coisa”. Para Meirelles (2003), também citado por Brasil (2007b p12), “convênio é acordo onde os partícipes têm interesses comuns e coincidentes. Por essa razão, no convênio, a posição jurídica dos signatários é uma só, idêntica para todos, podendo haver apenas diversificação na cooperação de cada um, segundo suas possibilidades para a consecução do objetivo comum, desejado por todos. Assim, a realização de um convênio confere às entidades conveniadas a condição de parceira do Poder Público”. “O convênio pode ser utilizado para regular a relação com entidades privadas sem fins lucrativos, entidades filantrópicas e, também, com entidades públicas quando houver o interesse mútuo em promover a saúde da população. Em razão do disposto no art. 199, §11 da Constituição Federal, entidades privadas sem fins lucrativos, entidades filantrópicas têm prioridade na participação complementar na rede pública de saúde” (BRASIL, 2007b p13). Especificamente quanto à infraestrutura para as instituições se integrar a telessaúde, observamos que a totalidade das instituições possui computadores e o acesso a internet (100%) e 04 (44%) fazem uso de “webcam”. O domínio das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) passou a ser condição necessária tanto para o sucesso em qualquer uma das atividades humanas quanto para a própria vida cotidiana e profissional dos cidadãos e mesmo para o avanço e a difusão do conhecimento cientifico e tecnológico. (BRASIL, 2010a, pág. 46) Identificou-se que a totalidade dos profissionais pesquisados, acessa a internet e o local deste acesso é em sua residência (80%) - mesmo as instituições contando com o equipamento - e também no próprio trabalho (68%). Observou-se que mesmo com os recursos disponíveis, a totalidade das instituições não desenvolve programas de capacitação dos profissionais via internet, mas apresentam o interesse em participar de atividades, via telessaúde, com enfoque na fissura lábiopalatina e 25 o processo de reabilitação. Elas também referem contar com equipamentos e espaço físico para tal atividade. A importância da capacitação/formação profissional para a vida das pessoas encontrase na possibilidade de acesso às oportunidades de trabalho que, por sua vez, têm suas características modificadas a cada dia. A capacitação não só oferece condições para o exercício de determinadas profissões, mas também objetiva preparar o profissional para o mundo do trabalho, oferecendo a oportunidade de uma melhor adaptação ao mercado competitivo, que exige das pessoas, prontidão e atitudes condizentes às exigências desse mercado. Na perspectiva do trabalho na sociedade do conhecimento, a criatividade e a disposição para capacitação permanente são requeridas e valorizadas, motivo pelo qual os serviços foram questionados quanto a programas/projetos de capacitação via internet. Identificação das áreas de atuação que integram os serviços de reabilitação das instituições As áreas de atuação identificadas nas Associações pesquisadas foram: - Fonoaudiologia: 100% - Odontologia: 100% - Serviço Social:100% - Psicologia: 90% - Medicina: 50% - Outras (Nutrição, Fisioterapia, Educação e Pedagogia): 40% A presença de diferentes áreas demonstra o interesse dessas organizações na reabilitação global dos pacientes do HRAC Identificação do conhecimento dos profissionais sobre o Projeto Nacional de Telessaúde e sua contribuição para a capacitação continuada e/ou segunda opinião formativa a distancia Mesmo com a facilidade de acesso a internet apenas 25% dos profissionais tinham conhecimento do Projeto de Telessaúde; 74% não conheciam e apenas 1% não respondeu. Observamos ainda, que 67% dos sujeitos nunca participaram de nenhuma atividade referente à telessaúde e 32% já haviam participado ao menos de videconferências. 26 Segundo os autores MACIEL; FERNANDES, (2011 p.), as tecnologias sociais têm emergido no cenário brasileiro como um movimento de "baixo para cima", que se caracteriza pela capacidade criativa e organizativa de segmentos da população em gerar alternativas para suprir as suas necessidades e/ou demandas sociais. Elas não se constituem, ainda, em políticas públicas, mas vêm obtendo um reconhecimento crescente no que se refere à sua capacidade de promover um novo modelo de produção da ciência e da aplicação da tecnologia em prol do desenvolvimento social. Quanto à contribuição esperada em relação à telessaúde, 75% dos entrevistados responderam que facilitaria o acesso a serviços especializados e também se integrariam em uma rede para acompanhar os problemas de saúde, das diferentes regiões, na área de fissura lábiopalatina. 66% dos profissionais sentem que reduziria a sensação de isolamento dos profissionais de saúde dos serviços de reabilitação vinculados a Rede Profis e o HRAC. Para 65% essa pratica racionalizaria o custo de saúde por meio da redução de deslocamentos desnecessários e intensificaria as atividades de prevenção de doenças e promoção de saúde e a agilização na solução de problemas regionais, como citado por 61% dos sujeitos. “Trabalhar em rede tornou-se em parte uma necessidade, a partir do momento em que a economia foi aos poucos deflagrando modos descentralizados de produção sustentada na informação e no conhecimento” GOMES (2010, p.98). Interesse e necessidade de participação na capacitação via telessaúde com profissionais do HRAC É unânime o interesse dos profissionais em participar de capacitação via telessaúde com os profissionais do HRAC, reforçando que a telessaúde efetiva a aproximação dos profissionais de saúde dos serviços de reabilitação vinculados a REDE PROFIS e o HRAC. A necessidade de participar de alguma atividade via telessaúde com os profissionais do HRAC foi expressa por 86% dos profissionais. Estruturação de um sistema de consultoria e/ou segunda opinião formativa entre especialistas do HRAC e os profissionais dos serviços vinculados a REDE PROFIS. 27 Os profissionais pesquisados foram questionados sobre o melhor dia da semana e melhor período para participarem da atividade de telessaúde: 29% dos participantes preferem às 2ª e 6ª feiras; 17% escolheram 4ª e 5ª feira e 14% não opinaram. Quanto ao período: 60% optaram pela manhã; 37% pela tarde e 20% noturno; e 05% não opinaram. Com relação aos meios para efetivar a “Telessaúde”, 67% dos profissionais optaram pela vídeoconferência 42% pela webcam e 06% não opinaram. A maioria dos profissionais (74%) sentem-se preparados pra participar dessa iniciativa Segundo Gomes, (2010, p.9) estamos caminhando para uma nova fase de convergência e integração de mídias. As mudanças que estão acontecendo na sociedade, mediadas pelas tecnologias em rede, são de tal magnitude que implicam – a médio prazo – em reinventar a educação como um todo, em todos os níveis e de todas as forma. Elaboração, desenvolvimento e avaliação do programa de capacitação à distância. Apesar da referência da capacitação “online” ser mediante vídeoconferencia, no momento de estruturação, ou seja, quando em contato para agendar a vídeoconferência, constatou-se que o meio a ser utilizado pelas Associações seria via webcam, por meio de Skype um recurso limitado em termos de abrangência quantitativa. Assim, as associações foram orientadas sobre a instalação do Skype que é um software que permite comunicação pela Internet através de conexões de voz sobre IP (VoIP). Pertence, desde maio de 2011, à Microsoft. É é uma empresa global de comunicação via Internet, permitindo comunicação de voz e vídeo grátis entre os usuários do software. Agendaram-se três Associações por dia para conferência que contaram com a participação de: Profis de Joinville, AFIPP de Presidente Prudente, Profis Bauru, AAFLAP de São José dos Campos, APOFILAP de Cascavel, AFISSORE de Sorocaba, CEFIL de Londrina, AFIM de Maringá e APPDF – Ponta Grossa. Nas atividades foram discutidos assuntos de atualização sobre as ações desenvolvidas no HRAC como: Rotina de Casos Novos, Recesso nas atividades do HRAC em dezembro, Critérios para matricula de novos casos, Agendamento de pacientes e outros. Quanto ao tratamento reabilitador do paciente com fissura lábiopalatina foram prestadas orientações quanto direitos e deveres (legislação pertinente), recursos comunitários e 28 institucionais disponíveis para tratamento (Carona Amiga, Tratamento Fora do Domicilio – TFD, pais coordenadores, Prefeituras Municipais e PROFIS), informações quanto exames solicitados e quanto encaminhamento para unidade de Saúde Auditiva, Secretarias de saúde e outros. Todos foram unânimes sobre a satisfação com a forma como a atividade foi desenvolvida e a oportunidade de aprenderam a utilizar essa ferramenta de tecnologia. As informações sobre as atividades e os profissionais participantes foram registradas para subsidiar o desenvolvimento das ações posteriores, mas não é suficiente para garantir a descentralização e disseminação das ações de telessáude do HRAC. Verificou-se que para o êxito do projeto, além do sistema utilizado ( Skype), faz se necessário ainda, uma maior conectividade com todos os envolvidos, por meio de diferentes formas de comunicação como por exemplo: Google + que é um sistema gratuito e que permite “hangouts” isto é, um chat por vídeo com nove pessoas ao mesmo tempo. Para tanto foi elaborado o manual explicativo de como criar uma conta no Google + para utilização do hangouts e este será enviado às associações para que as mesmas se inscrevam no Google, pois, o HRAC ainda não tem o sistema de Adobe® Connect™, um sistema seguro e flexível de comunicação via Web que permite aos profissionais de TI dar suporte e estender a funcionalidade do Adobe Acrobat® Connect Professional na Web e colaboração on-line. Quanto a realização de videoconferências, as mesmas serão agendadas assim que houver a inauguração dos equipamentos da Rede Universitária de Telemedicina do HRAC. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS 7. REFERÊNCIAS. 1. ALTMANN, E.B.C. et al. Tratamento fonoaudiológico. In: ALTMANN, E.B.C. Fissuras labiopalatinas. 4a. ed. Carapicuíba: Pró- Fono, 1997. p. 367-403. 2. AMARAL, V.L.A.R. Aspectos psicossociais. In: ALTMANN, E.B.C. Fissuras labiopalatinas. 4a. ed. Carapicuiba: Pró-Fono, 1997. p. 501-14. 3. ANDRÉ, M. et al. Tratamento odontopediátrico. In: ALTMANN, E.B.C. Fissuras labiopalatinas. 4a. ed. Carapicuiba: Pró-Fono, 1997. p. 237-248. 4. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE PESQUISA. Critérios de classificação econômica Brasil [on-line]. [Consultado em 20 de jun. 2012; [12 telas]. Disponível: http://www.abep.org/codigosguias/ABEP_CCEB.pdf 29 5. BARROS, J.P.; LEHFELD, N.A.S. Fundamentos da metodologia científica: um guia para a iniciação cientifica. 2. ed. Ampl. São Paulo: Markron Books, 2000. 6. Bauru. Estatuto social. Rede Nacional de Associações de Pais e Portadores de Fissuras Lábio Palatais: Rede PROFIS. Bauru: PROFIS, 2004. 11p 7. BRASIL. Constituição, 1988. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado; 1988. 8. BRASIL. Presidência da República. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências [online] 19 set 1990 [Consultado em 1 jul 2010]; Disponível: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/LEI8080.pdf 9. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria 62 de 19 de abril de 1994. Estabelece normas para cadastramento de hospitais que realizem procedimentos integrados para realização estético-funcional dos portadores de má-formação lábio-palatal para o sistema único de saúde. [online] Disponível em: sna.saude.gov.br/legisla/legisla/alta...p/SAS_P62_94alta_lab_p.doc 10. BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução n.º218, de 6 de março de 1997, [a importância da ação interdisciplinar no âmbito da saúde; e o reconhecimento da imprescindibilidade das ações realizadas pelos diferentes profissionais de nível superior, constitui um avanço no que tende a concepção de saúde e a integralidade da atenção resolve] [online] 5 maio 1997 [Consultado em 6 ago 2010]; Disponível: http://www.saudeemovimento.com.br/profissionais/legislation/profi_saude/resolution 218.htm 11. BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes curriculares para os cursos de graduação. [on-line]. 2002 ; [Consultado em: 03/ago/2010]. Disponível: http://www.mec.gov.br/SEsu/diretriz.shtm 12. BRASIL. Ministério da Saúde. Política de educação e desenvolvimento para o SUS: caminhos para a educação permanente em saúde: pólos de educação permanente em saúde. Brasília: Ministério da Saúde; 2004. (Série C. Projetos, Programas e Relatórios). 13. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria 399/GM, de 22 de fevereiro de 2006. Divulga o pacto pela saúde 2006 – Consolidação do SUS e aprova as diretrizes 30 operacionais do referido pacto. [on-line] 23 fev 2006a [Consultado em 10 mar 2010]; [127 telas]. Disponível: http://www.cvs.saude.sp.gov.br/pdf/pacto_portaria_399_06.pdf 14. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria 561/GM de 16 de março de 2006. Institui no âmbito do Ministério da Saúde a Comissão Permanente de Telessaúde [on line] 16 mar 2006b [ consultado em 23 de abr 2009] disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/portaria561.pdf 15. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria 1996 GM/MS de 27 de agosto de 2007. Institui as diretrizes para implementação da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde e outras providências. [on line] 27 ago 2007a [consultado em 10 set 2010] disponível em: 16. Brasil. Ministério da Saúde. Manual de orientações para contratação de serviços do SUS. Brasília: Ministério da Saúde; 2007b. (Série A. Normas e Manuais Técnicos). p. 12. 17. BRASIL. Ministério da Saúde. O SUS de A a Z: garantindo saúde nos municípios / Ministério da Saúde, Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde. – 3. ed. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2009a. 480 p. [on_line]; [Consultado em 14 mar 2010]; [1 tela]. Disponível: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/sus_3edicao_completo.pdf 18. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão do SUS. Redes de produção de saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2009b. 44 p. – (Série B. Textos Básicos de Saúde) 19. BRASIL, Ministério da Saúde, Portaria 2.546, DE 27 DE OUTUBRO DE 2011 [Redefine e amplia o Programa Telessaúde Brasil, que passa a ser denominado Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes (Telessaúde Brasil Redes).]. [on line]. Consultado em [28 set 2012] Disponível em http://www.brasilsus.com.br/legislacoes/gm/110256-2546.html 20. CAPELOZZA FILHO. L. et al. 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GRACIANO, M.I.G.; TAVANO, L.A.; BACHEGA, M.I. Aspectos psicossociais da reabilitação. In: Trindade, I.L.K.; Silva Filho, O.G., coordenadores. Fisuras labiopalatinas: uma abordagem interdisciplinar. São Paulo: Livraria Santos; 2007. p.311-33. 32 32. GRACIANO, M. I. G.; LEHFELD, N. A. S. Estudo socioeconômico: indicadores e metodologia numa abordagem contemporânea. Serv. Soc. Saúde. Campinas, v. 9, n. 9, p 157-185, jul. 2010. 33. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2010 [online] [consultado 21 jan 2013]; [1 tela]. Disponível: http://www.censo2010.ibge.gov.br/sinopse/ 34. LIMA, V.L.A.F.M.; APRIGLIANO, M. Sistema Único de Saúde: SUS. In: [Anais] V Semana do Serviço Social: Curso a prática do serviço social na área da saúde; [Bauru], Brasil. [Bauru: Hospital de Pesquisa e Reabilitação de Lesões Labiopalatais, Universidade de São Paulo]; 1996. [p.17.26]. 35. MACIEL A. L. S; FERNANDES R. M. C. 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Não possui recursos necessários para conferência. ok - add no skype 18-3223-5770 Ass. Social: Maria Inês sim ok - add no skype 30/11 09h00 6-Associação Apoio F. L. Palatais – (AAFLAP) São José dos Campos/SP 12-3942-5059 Ass. Social: Graciane Direrora: Eliana Bonadio sim ok - add no skype 29/11 14h00 7-Associação dos Fissurados de Sorocaba e região ( AFISSORE) – Sorocaba/SP 15-3211-3697 sim ok-add no skype 04/12 14h00 8-Sociedade de Promoção Social do Fissurado Lábio Palatal (PROFIS – Joinville) Joinville/SC 47-3433-1800 sim ok-add no skype 27/nov 14h00 4-Associação Pontagrosense de Portadores de Deformidades Faciais – (APPDF) - Ponta Grossa/PR 42-3222-9238 5-Associação de Apoio ao Fissurado Lábio Palatal de Presidente Prudente e Região – (AFIPP) Presidente Prudente/SP Ass. Social: Olga Diretora: Tânia Kanashiro Ass. Social: Ana Paula Diretora: Tatiane Selbch 36 - 9-Associação dos Fissurados Lábio Palatais de Pernambuco - (AFILAPPE) Recife/PE Ass. Social: Gabriela Diretora: Valéria 81-3222-4515 Dispostos a instalar Não - - Sistema Gandhi foi criado para profissionais registrem sua produção. Inserir dados do ganhi Odonto Fono 14 Psico 12 SSocial 11 Pedag 10 08 C. Fisio Plástico Educação 02 Educação Nutrição Pediatria 01 01 Especial 02 03 02 Acesso a internet Sim 14(100) 12(100) 11 10 08 03 02 02 13(93) 11(92) 11(1 08 01 03 02 01 02 01 01 01 01 Local de acesso Residência 52 (80%) Trabalho45 00) 08(57) 08(67) 05 09 07 02 01 02 02 01 - - 01 - - - - - - - - (69%) Outros Conhece o programa de Telessaúde Sim 16(25%) 02(14) 05(42) 03 04 - 01 - - - - 01 Não 48 ((74%) 12(86) 07(58) 08 04 08 02 02 02 02 01 - Não respondeu - - - 02 - - - - - - - 14(100) 12(100) 11 10 08 03 02 02 02 01 01 01 1 (1%) Total Participou de atividades como videoconferência, Sim 21 (32%) 03(21) 07(58) 05 02 - 01 01 01 - - Não 44(67%) 11(79) 05(42) 06 07 08 02 01 01 02 01 Não resp.1(1%) Total 01 14(100) 12(100) 11 10 08 03 02 02 02 01 01 Sente necessidade de participar Sim 57 (86%) 14 11(92) 10 09 06 02 02 01 - 01 01 Não 7 (11%) - 01(08) - - 02 01 - 01 02 - - Não respondeu - - 01 01 - - - - - - - 14 12 11 10 08 03 02 02 02 01 01 2 (3%) TOTAL Tem interesse de participar 37 Sim 100% 14 12 11 10 08 03 02 02 02 01 01 Melhor dia da semana para participação 2º feira 03(21) - 01 02 07 01 - 02 02 01 - 01(7) - 04 01 - - - - - - - 01(7) 02(17) 04 02 01 - - - - 01 - 02(14) 02(17) 02 04 - - 01 - - - - 07(50) 06(50) 01 03 - - 01 - - - 01 Sábado 2 (3%) - 02(17) - - - - - - - - - Não Respondeu 01(7) 04(33) - 02 - 02 - - - - - 19(29%) 3º feira 6 (9%) 4º feira 11 (17%) 5º feira 11(17%) 6º feira 19(29%) 9 (14%) Qual melhor Período Manhã 39(60%) 12 (86) 08 03 05 06 01 01 01 01 - 01 Tarde 24(37%) 02 (14) 03 08 07 01 - 01 01 01 - - Noite 13(20%) 03 (21) 02 01 03 01 02 - - - 01 - Não Respondeu - 01 - 02 - - - - - - - 3 (5%) Número de participantes 1 18(28%) 02 02 04 06 01 01 01 - - 01 - + 2 28(43%) 04 05 03 03 07 - 01 02 02 - 01 Não Respondeu 08 - - 01 - 02 - - - - - 06(43) 10 04 04 - 02 01 - - 01 - 09(64) 07 07 06 08 01 02 02 01 01 01(7) 01 01 - - - 01 - - - - 11(15%) Quais os meios de comunicação Web cam 28(42%) Videoconferênc ia 44(67%) Outros 4 (6%) Instituição está preparada Sim 49(74%) 11(79) 08 07 08 08 02 - 02 02 - 01 Não 13(20%) 02(14) 04 03 01 - 01 02 - - - - Não Respondeu 01(7) - 01 01 - - - - - 01 - 14 12 11 10 08 03 02 02 02 01 01 4 (6%) Na sua opinião qual contribuição 38 Facilitar 07(50) 11 08 09 07 - 01 02 02 01 01 07(50) 09 06 05 07 - 01 02 02 - 01 10(71) 10 07 06 07 02 01 02 02 01 01 09(64) 07 06 07 08 - - 02 02 - 01 07(50) 09 07 06 06 01 01 02 02 01 01 02(14) 01 02 02 01 - - - - - - 49(75%) Agilizar 40(61%) Formar 49(75%) Racionalizar 42 (65%) Reduzir 43 (66%) Outros 8 (12%) 39