REVISTA APAVT · EDIÇÃO Nº 29
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REVISTA APAVT · EDIÇÃO Nº 29
“Ao correr da pena...”
João Passos,
Presidente da Direcção da APAVT
Chegam ao fim seis anos
de presidência da nossa
APAVT, a mais importante
associação turística
nacional. Seis anos de
presidência, que se
seguiram a mais de 20
anos de trabalho
associativo, sempre
norteado pelo desejo de
bem servir e de valorizar,
qualificar e prestigiar a
classe, a minha classe de
há mais de 40 anos.
Caros Amigos,
sempre, convosco.
Certamente, ao lerem a nossa Revista, a última
deste ano, e a minha habitual mensagem, está a
iniciar-se o XXXVII Congresso da APAVT. É pois
motivo incontornável que me debruce sobre este
nosso Congresso, e também sobre os 36 já
realizados.E é com particular satisfação que o
faço, pois tenho o especial privilégio de ter
assistido e participado em 34 desses
Congressos.
Esta é também, a última "conversa" que tenho
convosco através da nossa Revista. Chegam ao
fim seis anos de presidência da nossa APAVT, a
mais importante Associação turística nacional.
Seis anos de presidência, que se seguiram a mais
de 20 anos de trabalho associativo, sempre
norteado pelo desejo de bem servir e de
valorizar, qualificar e prestigiar a classe, a minha
classe de há mais de 40 anos.
Vale a pena recordar que todos eles, sem
excepção, tiveram uma importância
inquestionável para o sector. Houve sempre o
cuidado em agregar fornecedores, parceiros,
políticos e governantes, tornando os Congressos
da APAVT em verdadeiros fóruns do Turismo
nacional, onde se discutiram temas que sempre
apelaram ao desenvolvimento da actividade no
seu todo, na qual os Agentes de Viagens
desempenham um papel incontornável.
Sinto que não há trabalhos acabados, que há
sempre algo que fica por fazer. Sinto que não há
desempenhos livres de críticas, sobretudo de
auto-crítica que desde sempre caracterizou a
paixão que dedico a tudo a que entrego o meu
compromisso. Como muitas vezes afirmei, a
nossa Associação reflecte aquilo que os seus
Associados querem que ela seja. Competiu-me a
mim, e aos colegas que comigo partilharam as
direcções a que presidi, pôr em prática esse
querer. E sempre o fizemos com isenção,
transparência e sentido de missão.
Ano após ano os Congressos da APAVT têm
reafirmado e consolidado essa sua vocação,
sempre com indesmentível sucesso, reconhecido
por todos, privados e institucionais. Sucesso que
lhe é conferido, sobretudo, pela natureza do seu
próprio negócio - os Agentes de Viagens são,
indubitavelmente, a principal ponte entre a
oferta e a procura - e a sua Associação
representa não só a esmagadora maioria de
negócio gerado pelos seus Associados, mas
também, a não menos importante qualidade e
excelência dos serviços prestados aos seus
clientes, sejam nacionais ou estrangeiros que nos
procuram.
Por tudo isto, estou certo que mais uma vez, o
nosso Congresso vai ser seguramente exemplo
de tudo isto.
À margem de todos os escolhos que tivemos que
ultrapassar, e dos ruídos de fundo que muitas
vezes não passam de manifestações de egos de
quem os provoca e diversão de quem os ecoa, a
Associação logrou, mais uma vez, e com o apoio
dos seus Associados, parceiros e Amigos, bem
como do Turismo do Centro de Portugal, e em
especial do seu sempre inexcedível e
voluntarioso Presidente, montar em tempo um
Congresso que vai de novo escrever História. Os
próximos dias serão, estou certo, o reflexo desta
convicção, e o resultado desta conjugação de
vontades.
Foram tempos extremamente difíceis e
complexos, durante os quais muitas decisões
tiveram que ser tomadas; a APAVT não esteve
nem está imune à enorme turbulência que se
abateu sobre todos nós. Mas tudo foi feito no
sentido de permitir que os Agentes de Viagens
saibam que podem continuar a contar com a sua
Associação como garante da defesa
intransigente das suas legítimos expectativas.
Difíceis serão também os tempos que esperam o
meu sucessor nesta tarefa e a quem desejo, com
toda a Amizade e respeito que me merece, o
maior dos sucessos.
Sucessos esses que serão musculados não só na
reconhecida competência e capacidade do novo
presidente e na equipa que o acompanha, mas
também na capacidade de sacrifício e espírito
associativo do pessoal da Associação, bem como
no devotado trabalho dos assessores que em
tanto me ajudaram.
Termino, com o habitual
Um forte abraço,
Mais uma vez espero a vossa participação activa,
sobretudo num tempo de incertezas quanto ao
futuro, e de cenários adversos que têm que ser
equacionados e profundamente discutidos no
sentido de serem ultrapassados. Conto, como
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Nº 29 - 2011, WWW.APAVTNET.PT
CAPA
Pedro Machado
(Turismo Centro de Portugal):
"A nossa marca é claramente
a diversidade"
Presidente da Direcção:
João Passos
Conselho Editorial:
João Passos, Filipe Machado
Santos, Rui Colmonero, Paulo
Brehm
Confia nos agentes de viagens para o crescimento do
turismo no Centro de Portugal, fala sobre a estratégia
e os recursos da região para 2012, considera que o
mapa das regiões tem ainda ajustes a fazer, assegura que não vai substituir-se
aos privados na comercialização do destino através de portais, alvitra que quem
fez o PENT desconhece o Centro, assim como afirma o desconhecem muitos dos
delegados do Turismo de Portugal no exterior. Entrevista ao presidente do Turismo
Centro de Portugal, Pedro Machado.
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Edição Gráfica e Layout:
Pedro António e Maria Duarte
Publicidade:
Jorge Reis
[email protected]
Tel. 91 758 53 10
Impressão e Acabamento:
MX3-Artes Gráficas, Lda.
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Park Armazem 16 Fracção Q
2635-446 Rio de Mouro
Tiragem:
3.000 exemplares
Distribuição: APAVT
Propriedade:
APAVT-Associação Por tuguesa das
Agências de Viagens e Turismo
Rua Duque de Palmela, 2-1º Dtº
1250-098 Lisboa
Tel. 21 3553010 / Fax. 21 3145080
[email protected]
www.apavtnet.pt
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António Loureiro (Travelport/Galileo):
"Quota de mercado do Galileo em
Portugal é de 82%"
Redacção:
Catarina Delduque, Guilherme Pereira da Silva
Tel. 21 3142256 / Fax. 21 3525157
[email protected]
Fotografia:
Rafael G. Antunes, Arquivos APAVT,
Arquivos Publituris
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e-Entrevista
REVISTA APAVT
Director Editorial:
Paulo Brehm
[email protected]
Colaborações:
Sebastião Boavida, Silvério do Canto
(Agência PressTur)
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Vida Associativa
XXXVII CONGRESSO:
O turismo no centro das atenções
De 1 a 4 de Dezembro, o congresso da APAVT centra as atenções de Portugal
sobre o Turismo, promovendo o debate em torno do tema "Turismo: Prioridade
Nacional". Ao longo de três dias, a associação vai reunir em Viseu centenas de
quadros e gestores de agências de viagens e outras empresas e instituições do
sector, bem como governantes, políticos e imprensa.
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Análise
Distribuição turística: ventos de mudança
Está longe de esgotado o debate sobre o futuro modelo de relacionamento
entre Operadores Turísticos e Agentes de Viagens, mas antevê-se que o actual
paradigma venha a sofrer alterações num futuro mais ou menos próximo. Se na
generalidade dos países da Europa a comercialização directa por parte dos
operadores turísticos é uma realidade há já vários anos, da vizinha Espanha
chegam os primeiros sinais de que essa é uma tendência que se poderá alastrar
à Península Ibérica.
Reg. no ICS como nº 122699
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Nota do Editor: Os artigos de
opinião são da
responsabilidade exclusiva dos
seus autores.
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MENSAGEM DO PRESIDENTE
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ESTATÍSTICA
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editorial
E
Paulo Brehm
stá a ter início o congresso da APAVT que, como
das agências de viagens e do Turismo de uma forma geral. Seria
habitualmente, fecha o calendário dos mais importantes
bom, pois, que todos se unissem em torno da APAVT,
eventos do Turismo Nacional. A deslocalização do congresso, de
colocando acima dos interesses pessoais o interesse do
Fortaleza para Viseu, não foi nem uma decisão nem uma tarefa
colectivo. Foi isso que Passos fez, estou certo é isso que Costa
fáceis. A evolução da economia ditou a necessidade de o fazer e
Ferreira fará, pois um e outro, objectivamente, fizeram os seus
a decisão da direcção revelou-se a mais acertada, como estou
percursos profissionais, com reconhecido sucesso, sem o
certo o demonstrarão os próximos dias. O sector, como o País,
protagonismo da associação. Nesta última edição deste ano
vive tempos difíceis, e a união de todos é a única forma eficaz de
deixamos a síntese do programa da direcção que se apresenta a
enfrentar estas dificuldades. O congresso ganha assim especial
eleições a 14 de Dezembro e tomará posse em Janeiro. Num
relevância, quer como momento de reafirmação do sector, quer,
outro registo, escolhemos para a entrevista de capa o
sobretudo, como veículo da reafirmação da importância do
presidente do Turismo Centro de Portugal, primeiro
Turismo enquanto actividade económica. Este é também o tempo
responsável pela escolha de Viseu para sede do 37º congresso.
em que se inicia um novo ciclo na vida associativa: João Passos
Dedicamos também espaço de análise a um dos temas que
está a terminar o seu último mandato e Pedro Costa Ferreira
estará em discussão na magna reunião dos agentes de viagens,
prepara-se para assumir a liderança da APAVT. Para quem, como
as relações entre agentes de viagens e operadores turísticos,
eu, teve o privilégio de acompanhar de perto os mais recentes
questão recorrente mas cada vez mais pertinente. Uma e-
anos na vida da associação, é muito claro que o ainda presidente
Entrevista a António Loureiro, do Galileo, dá-nos a conhecer o
é absolutamente merecedor do louvor que, acredito, a História
posicionamento deste GDS no mercado português e finalizamos
Associativa lhe outorgará. Quanto ao próximo presidente, que
com uma mensagem do anfitrião do congresso, opresidente da
reúne qualidades humanas e profissionais para o bom exercício
Câmara Municipal de Viseu, Fernando Ruas.
desta liderança, espera-o um desafio que tudo indica será ainda
mais exigente. O entusiasmo e a determinação que deixou já
Resta pois agradecer o apoio de todos, entrevistados, leitores e
transparecer na apresentação da sua candidatura levam-nos,
anunciantes, ao longo de 2011, reafirmando o nosso propósito
contudo, a acreditar que conseguirá superar, tanto mais
de vos continuar a servir no próximo ano.
facilmente quanto mais os associados se unirem à causa
associativa. Mais importante que as pessoas que a governam é a
Boas Leituras, melhores negócios e, já agora, vostos de um
própria associação, que ao longo dos seus mais de sessenta anos
Santo Natal e um Ano Novo com garra para ultrapassar todos
de vida, tem contribuído para o desenvolvimento do negócio
os desafios.
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Análise Estatística
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Apesar da recessão em Portugal e do
acentuado abrandamento da aviação a nível
mundial, as vendas de voos regulares pelas
agências
de
viagens
portuguesas
completaram em Outubro três meses
consecutivos de crescimento, que, embora
ligeiros, permitiram reduzir em quase 30% a
queda que se verificou nos primeiros cinco
meses deste ano.
Os dados das vendas de voos regulares
pelas agências de viagens portuguesas (BSP
Portugal) a que o PressTUR teve acesso
indicam que no mês de Outubro totalizaram
71,48 milhões de euros, mais 2,2% ou mais
1,55 milhões que há um ano.
No conjunto dos dez meses de Janeiro a
Outubro, os dados do PressTUR indicam
que as vendas ascendem a praticamente 700
milhões de euros (699,8 milhões), menos 9,5
milhões que há um ano, mas mais 30,1
milhões que em 2009, quando Portugal
também estava em recessão.
A informação mostra que essa queda
homóloga se deve à evolução negativa nos
primeiros cinco meses, designadamente em
Março, em que baixaram 9,6 milhões de
euros, parcialmente pelo efeito Páscoa mais
tarde este ano.
Fontes do sector das agências de viagens
contactadas pelo PressTUR comentaram que
"é algo surpreendente" o que se está a
passar com o BSP (sigla que vem da
designação em inglês Billing and Settlement
Plan), sistema da IATA que contabiliza as
vendas de voos pelas agências de viagens
reservados através dos GDS.
A "surpresa" começa desde logo por a
conjuntura económica que Portugal está a
viver ter normalmente como corolário um
decréscimo das vendas das agências de
viagens, porque a percepção que existe é
que as viagens são das primeiras despesas
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Vendas BSP contrariam "tendência natural" e registam crescimento em Outubro
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que famílias e empresas cortam quando os
tempos são de "apertar o cinto".
Esta visão, porém, tem sido cada vez mais
contestada, porque segundo várias
organizações, entre as quais a OMT, cada vez
menos as famílias e particulares estão dispostos
a abdicar de viajar, embora contendo as
despesas de viagens, optando por destinos
mais próximos e estadas mais curtas.
Ao nível das empresas, dizem ao PressTUR
fontes da aviação, o que se está a passar é que
com o mercado doméstico em retracção, as
empresas vêem-se compelidas a investir mais
em exportar, o que obriga a mais contactos
internacionais, o que aliás transparece nas
vendas BSP.
Se estes dois factores podem explicar em
grande medida o comportamento do BSP
nestes primeiros dez meses de 2011, a verdade
é que a austeridade não é o único desafio que
as vendas de voos nas agências de viagens
têm que enfrentar.
O maior desses desafios é o aumento muito
forte das vendas próprias das companhias
aéreas, especialmente através dos seus
websites, que não entram em BSP, numa
tendência que é estimulada pela crescente
penetração das low cost e da percepção pelos
consumidores de que "é mais barato comprar
na internet".
Não existem dados que permitam quantificar
qual o montante que está em causa, a não ser
da parte da TAP, cuja directora de Vendas
para Portugal, Paula Canada, revelou que no
primeiro semestre registou um aumento de
30%, para 52,3 milhões, o que fez baixar para
74% a percentagem do produto da
companhia que é vendido através das
agências de viagens. Mas esse é apenas um
exemplo, porque todas as companhias estão
activas no mercado a promover as vendas nos
seus websites, com realce para as low cost e
entre estas para a
Ryanair,
que
lidera o tráfego de
e
para
os
aeroportos
do
Porto e de Faro,
que não admite
outras formas de
comercialização
dos voos, embora
sejam conhecidos
cada vez mais
casos de vendas
de
voos
da
Ryanair
por
agências
de
viagens, que os
c o m p r a m
directamente no
site em nome dos
clientes.
Vendas de voos domésticos nas
agências estão "em vias de extinção"
As
vendas
de
voos
domésticos
representaram em Outubro apenas 9% das
vendas BSP das agências de viagens
portuguesas antes de taxas e sobretaxas,
que é o nível mais baixo de sempre.
Neste mês, as vendas líquidas de voos
domésticos caíram para 4,6 milhões de
euros, menos 20,1% ou menos 1,16 milhões
que há um ano e ficaram 51% ou 4,8 milhões
abaixo do mês homólogo de 2007, que foi o
melhor Outubro desde 2005 em vendas
dessas ligações.
Fontes do mercado têm atribuído a contínua
queda das vendas BSP de voos domésticos à
tendência cada vez mais forte dos
consumidores para comprarem online nos
websites das companhias aéreas, por terem a
percepção que encontram aí melhores
preços.
Esta tendência, dizem, tem origem na
entrada da easyJet na rota Lisboa - Funchal,
que é a que tradicionalmente tem mais peso
no BSP dos voos domésticos.
A easyJet, segundo essas fontes, não só
levou consumidores para o seu website,
como para os de outras companhias,
nomeadamente a TAP, que continua a ser a
transportadora aérea com maior número de
voos e de lugares nessa rota.
Os dados a que o PressTUR teve acesso
indicam que antes de taxas e sobretaxas,
com a queda em Outubro as vendas de voos
domésticos acumulam nos dez meses desde
o início de 2011 um decréscimo homólogo
de 13,9% ou 9,3 milhões de euros, para 59,4
milhões, e ficam 41,6% ou 42,25 milhões
abaixo de 2006, em que se situavam em
101,69 milhões. Relativamente aos voos
internacionais, os dados do BSP antes de
taxas e sobretaxas, indicam que em Outubro
foi praticamente atingido o valor do mês
homólogo de 2010 (-0,1%), com 46,9
milhões de euros, e que de Janeiro a
Outubro a queda é de 5,1% ou 24,2 milhões,
para 445,96 milhões.
Estes dados antes de taxas e sobretaxas têm
apenas relevância por permitirem ter uma
percepção da evolução por voos
domésticos e internacionais, uma vez que as
taxas e sobretaxas das companhias aéreas
são parte integrante do preço dos bilhetes,
sendo obrigatória a publicitação do valor
final, e cada vez mais as companhias fazem
oscilar tarifas e/ou sobretaxas em função da
concorrência nas diversas rotas.
Até Outubro, as taxas e sobretaxas incluídas
nos preços dos bilhetes ascendem a 194,4
milhões de euros, mais 14,1% ou mais 24
milhões que há um ano, tendo registado em
Outubro um aumento de 16,1% ou 2,76
milhões, para 19,9 milhões.
REVISTA APAVT · EDIÇÃO Nº 29
Análise Estatística
Porto de Lisboa mais perto de superar meio milhão de passageiros
Lisboa teve em Outubro o melhor mês de
sempre em passageiros de cruzeiros no
seu porto, com um total de 86.923, e não
só travou uma sequência de quatro meses
consecutivos de quedas homólogas como
ficou com um novo ano recorde ao alcance,
como perspectiva a APL -Administração do
Porto de Lisboa.
Os dados da APL indicam que em Outubro o
Porto de Lisboa recebeu 53 escalas, mais
dez que há um ano, com 76.226
passageiros em trânsito e 10.697 que
iniciaram e/ou terminaram cruzeiros na
capital portuguesa.
Relativamente ao mês homólogo de 2010,
o Porto de Lisboa teve crescimentos de
28,8% no segmento dos passageiros em
trânsito, a que corresponde um
incremento de 17.056, e de 19,3% ou
1.734 nos chamados turnaround, com
5.223 embarques, mais 20,2% ou mais
878 que no ano passado, e 5.474
desembarques, em alta de 18,5% ou 856.
Depois de quatro meses consecutivos de
quebras, que tinham levado a que o
crescimento homólogo este ano tivesse
caído de 50,5% no fim dos primeiros cinco
meses para 4,9% depois de completados
nove meses, com Outubro o Porto de
Lisboa volta a uma taxa de crescimento
REVISTA APAVT · EDIÇÃO Nº 29
próxima dos dois dígitos, em 9,8%, e já
ultrapassou o total do ano de 2009.
De acordo com os dados da APL, nos dez
meses de Janeiro a Outubro a capital
portuguesa soma 276 escalas, mais 18 que
há um ano, e 418.627 passageiros de
cruzeiro, mais 37.474 que no período
homólogo de 2010, que foi o melhor ano de
sempre, e já ultrapassa em 2.869
passageiros o total de 2009, que foi o
segundo melhor ano de sempre.
O crescimento dos trânsitos, designação
usada para os passageiros que passam por
Lisboa em rota de e para outros portos e
que em muitos casos aproveitam as horas na
capital portuguesa para visitas, é o
segmento que está a impulsionar o
crescimento, com um aumento em 12,3%
face a 2010, para 379.874, o que
corresponde a mais 41.558 que há um ano.
Já da parte dos turnaround, que é um
segmento mais depende do mercado
doméstico português, nos dez meses até
Outubro o Porto de Lisboa soma 38.753,
menos 9,5% ou menos 4.084 que há um
ano, com decréscimos de 10,8% ou 2.328
embarques, para 19.326, e de 8,3% ou
1.756 desembarques, para 19.427.
O Porto de Lisboa tem registado sucessivos
recordes de passageiros de cruzeiros, que o
levaram a passar de pouco mais de cem mil
em 1997 (113.476), para mais de 200 mil
em 2003 (211.979), mais de 300 mil em
2007 (305.185) e mais de 400 mil em 2008
(407.508).
Em 2009, apesar do impacto negativo da
crise económico-financeira mundial nas
viagens e turismo, o Porto de Lisboa
registou o que foi então um novo máximo,
com 415.758 passageiros, que ultrapassou
em 2010, com 448.497.
A perspectiva avançada para este ano
pela APL - Administração do Porto de
Lisboa é que será atingido um novo
recorde, o que confirmou em meados de
Outubro ao anunciar que prevê que no
trimestre em curso 114 escalas e 178 mil
passageiros, com aumentos de 36% em
número de escalas e 31% em número de
passageiros.
De acordo com estas previsões, o Porto
de Lisboa ultrapassará este ano, pela
primeira vez, o meio milhão de
passageiros, ficando próximo de 510 mil,
mais cerca de 60 mil que em 2010, e irá
bater o recorde de 308 escalas atingido
em 2008, ficando próximo das 340.
No final de Setembro, o Porto de Lisboa
somava 223 escalas e 331.704
passageiros.
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Análise Estatística
Portugueses cortaram viagens de lazer em 13,7% no 1º Semestre
A crise em Portugal já conta com as
viagens de lazer dos portugueses entre
as suas vítimas, segundo os dados
publicados pelo INE, que indicam um
corte de 13,7% nas viagens de lazer,
recreio ou férias no primeiro semestre.
Ainda assim, de acordo com a mesma
informação, os portugueses viajaram
mais, havendo um aumento de 2,7% no
número de viagens turísticas, para 6,2
milhões, porque em contrapartida à
queda das viagens de lazer, recreio ou
férias houve um forte aumento de
18,9% nas viagens classificadas em
"visita a familiares ou amigos", que
representaram quase metade (48,4%)
do total de deslocações nos primeiros
seis meses, quando um ano antes
representavam cerca de 42%.
Ora, conforme mostram os dados do
INE, enquanto nas viagens de lazer,
recreio ou férias o "alojamento
particular gratuito" foi uma opção que
representou 51,8% das dormidas, nas
deslocações para "visita a familiares ou
amigos" essa atinge quase 96% das
dormidas.
Outro indicador do impacto da
austeridade, como aliás é assinalado
pelo INE, é que enquanto as viagens em
território português
aumentaram 3,8% e
representaram
aproximadamente 90%
do total de viagens
turísticas do semestre
(cerca de 5,6 milhões),
as desl o ca ç õ e s a o
estrangeiro diminuíram
6,9%,
para
aproximadamente 620
mil.
"A este facto não é
alheio o período de
retracção económica
vivido, com reflexos
negativos tanto nas
deslocações por lazer
como nas profissionais,
em que os destinos no
estrangeiro são menos
procurados devido ao
maior
custo
associado", escreve o
Instituto, que não
especifica qual foi a
evolução do número de
viagens por razões
"pro fi ssi o na i s e de
negócios" e por "outros
motivos", como por
"razões religiosas ou
8
de saúde", referindo apenas que
representaram, respectivamente, 8%
(501 mil) e 6,2% (cerca de 400 mil) dos
6,2 milhões de viagens realizadas nos
primeiros seis meses do ano por 2,3
milhões de turistas portugueses, 53,7%
deles mulheres.
A informação do INE relativamente às
pernoitas originadas pelas viagens
turísticas indica que totalizaram quase
19,6 milhões, em queda de 4,6% em
relação aos primeiros seis meses de
2010, designadamente por queda da
estada média, que baixou de 3,4 para 3,1
noites.
De acordo com os dados do INE, desses
19,6 milhões de dormidas originadas
pelas viagens turísticas, 66,4% foram em
estabelecimento "particular gratuito"
(cerca de 13 milhões), 24,9% foram em
hotéis e pensões (cerca de 4,9 milhões),
5% em estabelecimento "particular pago"
(cerca de 970 mil) e 3,8% em outros tipos
de alojamento colectivo (cerca de 720
mil). As viagens de lazer, recreio ou férias
foram as que originaram mais dormidas
(cerca
de
8,2
milhões
ou
aproximadamente 41% do total), 51,8%
das quais em alojamento "particular
gratuito" (cerca de 4,16 milhões), 39,3%
em hotéis e pensões (cerca de 3,16
milhões), 5,1% em alojamento
"particular pago" (cerca de 407 mil) e
3,8% em outros estabelecimentos
colectivos (cerca de 308 mil).
Depois vêm as cerca de 7,6 milhões de
dormidas (38,6% do total) realizadas
em visitas a familiares ou amigos,
95,9% das quais em alojamento particular
gratuito (cerca de 7,2 milhões)e 3,3% em
hotéis e pensões (cerca de 250 mil).
As dormidas em viagens profissionais e de
negócios foram aproximadamente 2,3
milhões (11,7% do total), 47,6% das
quais em hotéis e pensões (cerca de 1,1
milhões), 25,6% em alojamento particular
gratuito (cerca de 590 mil), 22,1% em
alojamento particular pago (cerca de 510
mil) e 4,8% em outros (cerca de 110 mil).
As viagens por outros motivos, entre os
quais o INE cita "razões religiosas ou de
saúde", geraram cerca de 1,7 milhões de
dormidas (aproximadamente 8,7% do
total), maioritariamente (59,6%) em
alojamento particular gratuito (1,01
milhões).
Seguem-se hotéis e pensões, com 386 mil
(22,8%), outro colectivo, com 292 mil
(17,2%), e alojamento particular pago,
com seis mil (0,4%).
REVISTA APAVT · EDIÇÃO Nº 29
Análise Estatística
Turismo e transporte aéreo de passageiros
geram receita líquida externa de 4.892 milhões
As exportações portuguesas de turismo
de passagens aéreas geraram um
excedente para Portugal de 4.892
milhões de euros nos nove meses até
Setembro, em alta de 15,3% ou 647,5
milhões em relação ao período
homólogo de 2010, de acordo com os
dados da Balança Corrente publicados
pelo Banco de Portugal.
A informação mostra que esse excedente
permitiu reduzir em 33,7% o défice da
Balança Corrente, quando há um ano a
contribuição estava em 25,7%.
Os dados do Banco de Portugal mostram
que embora as exportações de turismo e
transporte aéreo de passageiros, com
um aumento até Setembro em 9,3%,
tenham um crescimento inferior à
evolução das exportações totais de Bens
e Serviços, que crescem 14%, o seu
saldo é positivo, ao contrário do que
acontece com a totalidade das trocas
comerciais.
As exportações de turismo e transporte
aéreo de passageiros, com o montante
conjunto de 8.210 milhões de euros até
Setembro deste ano, representaram neste
período 17,9% das exportações totais de
Bens e Serviços, quando há um ano
representavam 18,6%, designadamente
porque a parcela do turismo internacional
baixou de 14,5% para 13,7%, e a do
transporte aéreo de passageiros teve uma
estagnação em baixa (-0,01 pontos) nos
4,1%, já que tiveram aumentos de
respectivamente 8% e 13,8%, enquanto as
exportações totais de Bens e Serviços
aumentaram 14%.
Do lado das importações, porém,
enquanto turismo e transporte aéreo de
passageiros têm uma redução de 0,3%,
com +0,6% na despesa dos portugueses
em viagens e turismo no estrangeiro e 4,6% nas saídas de capitais pela compra
de passagens aéreas, as importações totais
de bens e serviços cresceram 5,3%.
Desta forma, com um excedente de
3.422,6 milhões de euros até Setembro,
em alta de 13,1% ou 397,6 milhões, em
relação ao período homólogo de 2010,
o turismo internacional propiciou uma
redução em 26,2% do défice da Balança
Corrente, quando há um ano a
contribuição estava em 19,8%.
O transporte aéreo, cujo saldo tem um
aumento de 20,5% ou 249,6 milhões de
euros, para 1.469,4 milhões, contribuiu,
assim, com uma redução de 13,2%,
quando há um ano a taxa de cobertura
era de 9,1%.
Os dados do Banco de Portugal
mostram ainda que até Setembro as
exportações de turismo e transporte
aéreo de passageiros representaram
56,7% das exportações totais de
Serviços, menos 0,2 pontos que há um
ano, e geraram 83,6% do excedente da
Balança de Serviços, menos 0,4 pontos
que há um ano.
○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
Exportações portuguesas de passagens aéreas
sobem 13,8% até Setembro
As empresas portuguesas de transporte
aéreo de passageiros, a maior das quais
a TAP, que é a maior exportadora do
País, realizaram 1.895,37 milhões de
euros em vendas no estrangeiro nos
nove meses até Setembro deste ano, em
alta de 13,8% ou 229,5 milhões
relativamente a 2010, de acordo com os
dados divulgados pelo Banco de
Portugal.
O crescimento no último mês desse
período, porém, foi inferior, situando-se
em 8,6%, para 222,3 milhões, mais 17,5
milhões que há um ano.
Apesar do abrandamento em Setembro,
em média anual (12 meses de 1 de
Outubro a 30 de Setembro) o
crescimento das exportações de
serviços de transporte aéreo de
passageiros está em 16,6%, o que
REVISTA APAVT · EDIÇÃO Nº 29
equivale a um aumento de 352,4 milhões
de euros relativamente ao período
homólogo anterior, para 2.117,7 milhões.
A
evolução
da
receita
líquida,
descontadas as compras de passagens
aéreas a empresas estrangeiras, é, porém,
ainda superior, tendo um aumento médio
anualizado de 24,2%, porque as compras
ao estrangeiro mantém-se em queda,
tendo um decréscimo de 2,9%.
Em Setembro essa queda foi de 9,1% ou
4,8 milhões de euros, para 48,3 milhões, e
nos nove meses de Janeiro a Setembro o
decréscimo é de 4,6% ou 20,4 milhões de
euros, para 425,9 milhões.
E, ao contrário do que acontece com as
exportações, em que o aumento de
229,5 milhões até Setembro face ao
período homólogo de 2010 ocorre em
cima de um aumento de 236,2 milhões
em 2010, que mais que anulou a queda
de 141,5 milhões, no caso das
importações a tendência de queda
v e m d e s d e 2 0 0 7, a n o e m q u e n o s
primeiros nove meses tinham um
crescimento de 29,4 milhões.
Em 2008, esse aumento já estava
anulado, com uma queda de 32,38
milhões, agravando-se em 2009, com
uma queda de 29,6 milhões, e em
2010, com -2,4 milhões, pelo que nos
primeiros nove meses deste ano a
quebra face ao período homólogo de
2007 atinge 84,8 milhões.
Essa queda, e sobretudo o aumento das
exportações, que entre os primeiros
nove meses de 2007 e 2011 se situa em
428,5 milhões, leva a que a receita
líquida tenha um incremento de 53,7%
ou 513,4 milhões
9
10
REVISTA APAVT · EDIÇÃO Nº 29
REVISTA APAVT · EDIÇÃO Nº 29
11
e-Entrevista
António Loureiro (Travelport/Galileo):
"Quota de mercado do Galileo
em Portugal é de 82% em 2011"
Q
ual o balanço de 2011 já possível
oferta hoteleira, podendo pesquisar os hotéis
de fazer?
em todo o mundo através de múltiplos critérios
A nossa produção registou uma quebra de
- desde preço, a fornecedor, a quem dá mais
2,85% até Setembro, quando comparada com
comissão.
o
pela
TMA (Galileo nos sistemas móveis IPhone e
conjuntura actual. Em Outubro, no entanto,
IPad ) (ver caixa), que permite que o agente de
registámos um crescimento de 16,85% e em
viagens aceda ao GDS através do seu telefone
Novembro de 14,36%.
ou Tablet aonde se encontre e exista disponível
período
homólogo,
motivada
internet.
Como evoluiu a quota de mercado?
Em relação a esta ferramenta, integralmente
De acordo com os dados disponíveis no MIDT
desenvolvida em Portugal, ela é pioneira em
(Marketing Information Data Transfer) a quota
todo o Universo GDS mundialmente falando e
de mercado da Travelport/Galileo em Portugal é
foi lançada em Portugal, Brasil e Espanha,
de 82% em 2011. Esta quota de mercado é
sendo que já foram feitos mais de 600
afectada, pela negativa, pela contabilização no
downloads da Apple Store em mercados tão
mercado português de um operador online
díspares como os EUA, Portugal, Brasil
internacional num outro GDS, o que é um facto
Austrália, Itália e Reino Unido.
meramente técnico. Não considerando este
Inovação produzida em Portugal para todos o
efeito, a quota de mercado seria seguramente
Mundo .
superior.
Vamos lançar até ao fim do ano a ferramenta
"White label Bol", que é um motor de pesquisa
Pela adesão de mais agências ou pelo
para ser incorporado nos sites informativos do
aumento de produção das que já
cliente permitindo assim a sua reserva no site.
integravam a vossa carteira?
O mercado prefere clara e com uma expressiva
Como perspectiva 2012?
maioria a nossa oferta e a nossa performance
Vai ser o ano de todas as batalhas no mercado
resulta dessa preferência. A opção dos
português. Vencer na conjuntura mais adversa
Operadores Turísticos por realizarem as suas
dos últimos 20 anos vai ser difícil, mas vamos
operações em voos regulares e a remoção dos
procurar apoiar o sector com novidades para
Sistemas de emissão e reserva directa colocados
combater essa conjuntura.
pela TAP - cuja relação custo/benefício, em
Vamos também apoiar os nossos clientes através
particular no plano da produtividade dos
do apoio a criação de soluções que permitam -
agentes, era claramente desfavorável em
congregando sinergias e concentrando
relação à oferta do Galileo - contribuíram para
esforços de investimento - dinamizar uma oferta
que a performance seja melhor que a
ao mercado que adaptando-se às realidades do
performance do mercado, excluindo os factos
mesmo - em termos de poder de compra -
acima referidos alheios à dinâmica do mercado
possam dar uma resposta competitiva e mais
português.
eficiente no plano das operações.
Quais as novidades, em termos de
O Presidente da IATA, Tony Tyler,
ferramentas, que apresentaram este ano
afirmou recentemente estar em curso uma
ao mercado?
reflexão sobre o modelo de distribuição,
Travelport Rooms and More, um "one stop
defendendo que os GDS's não estão a
shop booking tool" ou seja num único ponto o
assegurar a necessária diferenciação e
agente de viagens pode encontrar a mais vasta
que a venda directa pelas companhias
12
aéreas lhes permite reduzir custos. Como
comenta?
O Presidente da IATA, apesar de recente no
cargo, deveria saber que nenhuma outra
entidade, a não ser os GDS's, como a
Travelport,
disponibiliza ao mercado uma
solução com uma performance e um custo/
beneficio tão eficaz, quer para as Companhias
Aéreas como ao sector da Distribuição de
Produtos e Serviços Turísticos.
Mas lendo todas as declarações do Presidente
da IATA percebe-se que a questão vai muito
além dos GDS´s, pretendendo chegar à
verdadeira questão que é a distribuição do
produto transporte aéreo por terceiros,
nomeadamente pelas agências de viagens. E
isto não tem a ver com a distribuição em si, pois
todos os Associados da IATA conhecem os
custos da distribuição directa e mesmo alguns
não associados da IATA - nomeadamente a
EasyJet - já trabalham com os GDS, ou seja,
reconhecem aos GDS uma utilidade que não
reconhecem à própria IATA.
Mesmo no Brasil, mercado onde as principais
companhias locais não usavam os GDS ´s, a
TAM e a GOL já colocaram todo o seu
inventário de voos nacionais nos GDS´s,
reconhecendo também a utilidade destes
serviços e aceitando a sua relação custo/
beneficio.
Por outro lado, a própria Comissão Europeia
em devido tempo reconheceu o papel dos
GDS´s em assegurar o acesso do consumidor
ao transporte aéreo e sobretudo a sua
contribuição para a transparência do mercado,
assegurando a comparação de alternativas de
oferta e de preço.
No actual contexto em que o mercado associados da IATA e agentes de viagens - se
interroga qual razão de ser da IATA,
nomeadamente a respectiva relação custo/
beneficio, é tentador opinar sobre esta questão
em relação a terceiros, ao invés de reflectir qual
o valor que a própria organização acrescenta
ao mercado em função do respectivo custo.
REVISTA APAVT · EDIÇÃO Nº 29
Noticiário
REVISTA APAVT · EDIÇÃO Nº 29
13
Vida Associativa
XXXVII CONGRESSO DA APAVT
O turismo no centro das
atenções
De 1 a 4 de Dezembro, o congresso da APAVT centra as atenções
de Portugal sobre o Turismo, promovendo o debate em torno do
tema "Turismo: Prioridade Nacional". Ao longo de três dias, a
associação vai reunir em Viseu centenas de quadros e gestores
de agências de viagens e outras empresas e instituições do sector,
bem como governantes, políticos e imprensa.
G
OVERNO E P OLÍTICOS NO
CONGRESSO
O Ministro-Adjunto e dos Assuntos
Parlamentares, Miguel Relvas, o Miistro
da Economia, Álvaro Santos Pereira, a
Secretária de Estado do Turismo, Cecília
Meireles, o presidente e um dos vicepresidentes da Comissão de Economia e
Obras
Públicas,
respectivamente
deputados Luis Campos Ferreira (PSD) e
Helder Amaral (CDS-PP), a deputada
Hortense Martins (PS), também ela
membro da mesma comissão parlamentar,
o deputado e secretário-geral do PSD,
José de Matos Rosa, o deputado João
Ramos (PCP) e o presidente da Câmara
Municipal de Viseu, Fernando Ruas (PSD),
são alguns dos governantes e políticos
com presença confirmada no congresso
deste ano. Além destes políticos no
activo, também o ex-ministro da Justiça e
histórico socialista, José Vera Jardim, que
desempenha as funções de Provedor do
Cliente das Agências de Viagens e
Turismo, e o ex-Secretário de Estado do
Turismo, Vitor Neto, vão participar na 37ª
edição da magna reunião da APAVT.
"É sempre uma satisfação constatar o
reconhecimento que a associação merece
por parte do Governo e do poder político
nas mais diversas ocasiões, em particular
nos nossos congressos, espaços de
debate
que
constituem
também
oportunidades
para
que
melhor
identifiquem os desafios com que se
debate o sector", afirma João Passos,
presidente da APAVT, relembrando que,
ao longo da sua história, a associação
sempre pautou a sua conduta por uma
permanente disponibilidade para o
diálogo no sentido da construção do
Turismo e na defesa dos interesses dos
seus associados. "Todos reconhecerão
que a APAVT nunca se coibiu de criticar o
que entendeu criticável, da mesma forma
que nunca deixou de aplaudir o que
entendeu meritório, sempre com total
frontalidade mas também com total
lealdade" acrescenta Passos.
A PAVT R EÚNE A SSOCIAÇÕES
S ECTOR
DO
Pela segunda vez, a associação promove
no seu congresso um debate que reúne
os líderes das principais associações do
sector. Tal como nos Açores, em 2006, o
congresso de Viseu inclui um painel, desta
vez com o tema "Turismo: Os Desafios do
Presente", no qual participam, além do
presidente da APAVT, João Passos, os
presidentes da AHP, Miguel Júdice, da
AHETA, Elidérico Viegas, da APR e do
CNIG, Diogo Gaspar Ferreira, e os
secretários-gerais da AHRESP, José
Manuel Esteves e da ARAC, Robalo de
Almeida. Esta "cimeira" do turismo, como
a intitulou um dos jornais online do
14
REVISTA APAVT · EDIÇÃO Nº 29
Vida Associativa
s e c t o r, v i s a i d e n t i f i c a r o s m a i s
importantes desafios com que se debate
o sector na actual conjuntura e propor
soluções, contando também com a
presença dos representantes dos quatro
maiores
partidos
com
assento
parlamentar, PSD, PS, CDS e PCP. "A
legislação e a fiscalidade serão
certamente temas abordados, pelo
menos por parte da APAVT", antecipa o
presidente da associação.
A CTIVIDADE DOS A GENTES DE
V IAGENS EM A NÁLISE
Além dos temas mais abrangentes que
visam a reafirmação do Turismo enquanto
actividade prioritária do País, o
congresso constitui igualmente um
espaço para a análise do negócio das
empresas associadas. Neste contexto,
Viseu vai ser palco de um debate sobre as
tendências de futuro nas relações entre
Agências de Viagens e Operadores
Turísticos, um tema que tem sido objecto
de debate em anteriores congressos e
nos capítulos da Distribuição e Operação
t u r í s t i c a d a A s s o c i a ç ã o ( v. a r t i g o n a
página 16).
"São duas vertentes de um mesmo
negócio, que embora por vezes
conflituantes
são,
sobretudo,
complementares e com um propósito
comum, que é o de servir o mercado",
explica João Passos, para quem "uma das
claras vantagens da APAVT em ter sob o
mesmo tecto agentes e operadores é
precisamente conseguirmos diálogos mais
fáceis, mais construtivos e mais profícuos
sobre os modelos que melhor sirvam os
REVISTA APAVT · EDIÇÃO Nº 29
interesses de cada um e dos clientes".
O Incoming é outra das actividades em
foco no congresso. Os painéis "Portugal:
Retomar o Crescimento Turístico" e
"Portugal-Brasil: Turismo nos dois
sentidos", qualquer um deles com a
participação de reputados especialistas
neste domínio, constituem contributos
para o debate de soluções que visem o
aumento do turismo receptivo, tema de
particular importância na actual
conjuntura. O segundo painel referido
inclui também uma componente de
outgoing, na medida em que pretende
debater a evolução e perspectivas do
turismo português para o Brasil, um dos
mais importantes destinos de férias.
NETWORKING FORA DOS
A UDITÓRIOS
Parte integrante dos congressos e uma
das mais-valias que estes oferecem aos
participantes é o networking que se
proporciona fora dos auditórios. Além
das conversas, sejam pessoais ou de
negócios, que são travadas entre os
congressistas nos intervalos das sessões
e pelos corredores do centro de
congressos,
os
jantares
oficiais
constituem também oportunidades para
A IMPRENSA NO CONGRESSO
Mais de duas dezenas de jornalistas
asseguram a cobertura do congresso,
quer da imprensa sectorial como da
imprensa generalista e económica,
incluindo suportes da imprensa escrita,
rádio, televisão e online.
ver e rever amigos, colegas e parceiros
de negócio.
Na edição deste ano, a TravelPort/Galileo
e a TAP, a par da Controlvet, empresa da
área da segurança alimentar sediada em
Viseu, são os anfitriões dos três jantares
oficiais do congresso.
O p r i mei r o ja n ta r, a c onvi te d a
Controlvet, decorre no Montebelo Hotel
& Spa, hotel-sede do XXXVII Congresso.
No sai seguinte, a banda portuguesa de
rock G.N.R. anima a já tradicional noite
Trav e l p o r t / G a l i l e o,
com
actuação
agendada para depois do jantar, no
Expocenter de Viseu.
À TAP cabe mais uma vez o jantar de
encerramento, na noite de sábado, dia 3,
que irá ter lugar na Casa da Ínsua, em
Penalva do Castelo, deslumbrante
espaço histórico que constitui uma das
atracções turísticas da região, além de
albergar no palácio um hotel de charme.
P ROGRAMA
A COMPANHANTES
PARA
Além dos jantares, os acompanhantes
dos congressistas podem usufruir de
duas excursões matinais, ficando com as
tardes livres para o (re)conhecimento de
Viseu. Na sexta-feira, a Excursão
"Respirar Ar Puro" , pela Serra do
Caramulo, um dos segredos mais bem
guardados de Portugal, onde se respira
saúde, tranqui lidade e bem-estar,
sentindo a natureza na sua plenitude,
incluindo visita ao Museu do Caramulo.
"Vinho do Dão" - Importância vitivinícola
da Região Demarcada dos Vinhos do Dão
é o tema da excursão de sábado, que
inclui apresentação e prova de vinhos.
15
Análise
Distribuição Turística:
Ventos de mudança
Está longe de esgotado o debate sobre o futuro modelo de relacionamento entre Operadores Turísticos e
Agentes de Viagens, mas antevê-se que o actual paradigma venha a sofrer alterações num futuro mais
ou menos próximo. Se na generalidade dos países da Europa a comercialização directa por parte dos
operadores turísticos é uma realidade há já vários anos, da vizinha Espanha chegam os primeiros sinais
de que essa é uma tendência que se poderá alastrar à Península Ibérica
Por Paulo Brehm
“E
m algum momento os operadores
turísticos da Orizonia venderão
directamente através da internet para o
nicho de clientes que preferem este canal",
disse ao diário online "Nexotur" José Duato,
o director-geral da holding que integra os
operadores Iberojet e Solplan, entre outros.
Embora afirmando que "manteremos o
status quo com as agências de viagens, que
são o nosso cliente e o nosso canal de
distribuição fundamental e primeiro" e que
não prevê que as vendas directas na
Internet atinjam um "volume importante", as
afirmações de Duato não deixam margem
para dúvidas quanto à estratégia do autointitulado "grupo de operadores turísticos
líder em Espanha e Portugal".
De resto, como recorda o mesmo diário,
citado pela agência de notícias de turismo
PressTur, no início deste ano o operador
Pullmantur entrou na venda directa através
do seu website, o que na ocasião gerou
reacções
negativas
de
algumas
organizações de agências de viagens
independentes.
Mais recentemente, o operador turístico
Kuoni lançou em Espanha um novo site que
oferece ao consumidor a possibilidade de
obter orçamentos personalizados online,
comparar ofertas de última hora e beneficiar
de promoções especiais, convidando os
clientes a recorrer a uma das quatro lojas
que abriu em Madrid, Barcelona e Valência
para conhecer toda a oferta. Embora o site
não contemple ainda a venda, o Hosteltur
afirma tratar-se de "mais um passo na
direcção da venda directa", recordando que
há três anos o director geral da Kuoni, Carlos
López, tinha afirmado que "a venda directa
16
chegará a Espanha, sem dúvida",
questionando-se "se isso ocorreu com as
companhias aéreas e outros fornecedores,
porque não com os operadores turísticos?".
A PAVT P ROMOVE D EBATES
O início da venda directa por parte dos
operadores espanhóis pode bem ditar a
alteração do modelo vigente em Portugal,
que até agora têm formalmente mantido uma
estratégia
de
exclusividade
de
comercialização através das agências de
viagens. O tema não é novo, tendo sido
objecto de aceso debate no congresso da
APAVT em Búzios, em 2007 e tem vindo a ser
debatido em sede dos Capítulos de
Operadores e da Distribuição da associação.
No congresso deste ano, em Viseu, o
assunto voltará a ocupar destaque, num
painel intitulado "Distribuição: Novos
Modelos de Relacionamento", que conta,
como oradores, responsáveis de diversas
agências de viagens e operadores
turísticos.
Q UE D IZEM OS O PERADORES
T URÍSTICOS EM P ORTUGAL?
Para perspectivar o que poderá mudar e
quais as tendências em Portugal, a REVISTA
APAVT ouviu os principais operadores
turísticos no nosso País sobre esta matéria.
Se todos, sem excepção, afirmaram que
actualmente vendem os seus produtos
exclusivamente através das agências de
viagens e que não têm planos para qualquer
mudança imediata deste modelo, a maioria
considera que, num futuro mais ou menos
próximo, este status vai sofrer alterações.
"O modelo actual tem que ser alterado pelos
intervenientes, antes que seja imposto pelo
mercado e se torne uma inevitabilidade em
função da sobrevivência", afirma um dos
operadores consultados, no que espelha a
opinião da larga maioria dos inquiridos.
"É quase certo que o façamos", afirmou um
outro, embora sem precisar prazos. "Pode
ser para o próximo ano ou no seguinte, de
momento certo é que não comercializamos
directamente ao consumidor final, sendo o
nosso único canal de distribuição as
agências" acrescentou.
"A minha vontade é começar o mais rápido
possível mas é necessário um consenso
entre operadores para isto acontecer", diz
um terceiro, partilhando o mesmo tipo de
hesitação manifestada pelos operadores em
Espanha.
"Ao ritmo frenético que o mercado vai
evoluindo, não podemos pôr de parte
qualquer hipótese futura", "estamos atentos
às evoluções e mudanças do mercado e do
sector", "sei que se está atento à evolução
do mercado nesse sentido, especialmente no
mercado espanhol", são outras afirmações
de outros tantos operadores em Portugal.
"Tenho a tentação ou a necessidade de
comercializar directamente, o que, aliás,
mais não é do que o feito actualmente pelas
companhias aéreas e cadeias hoteleiras ou
hotéis isolados", conclui um outro.
Em sentido contrário, também houve
operadores que afastaram esse cenário.
"Não temos qualquer plano presente ou
futuro de comercializar a nossa programação
directamente ao público", "mantemo-nos
100% fiéis aos nossos parceiros de
comercialização, os agentes de viagens" ou
"permito-me afirmar categoricamente que o
REVISTA APAVT · EDIÇÃO Nº 29
Análise
nosso operador está vocacionado para
venda exclusiva através das agências de
viagens", são exemplos de afirmações dos
que não perspectivam esta alteração,
embora na realidade sejam em menor
número do que os que consideram a venda
directa uma inevitabilidade. "Um dia isto vai
acontecer. É inevitável. Na Europa somos
quase os únicos", conclui um dos inquiridos.
A S M OTIVAÇÕES
Margens cada vez mais esmagadas e
estranguladas, ampliação dos canais de
venda e por essa via do próprio mercado e a
"necessidade" de maior controlo de toda a
cadeia, são os principais argumentos dos
operadores inquiridos para justificar o
estarem a ponderar a alteração do actual
modelo.
"Sabemos que grande parte das agências
utiliza parte - grande parte - das comissões
para fazer desconto ao cliente e que nós,
operadores, somos obrigados a baixar os
preços para assim conseguirmos
vender",
desabafa
um
dos
operadores, para quem a eventual
aposta na comercialização directa "é
exactamente para não deixar fugir os
clientes". O mesmo diz um segundo,
para quem "no cenário actual o Tour
Operador quase não tem margem
para rentabilizar o negócio. Assim
(vendendo directamente) pode ter
mais margens e isto vai baixar os
preços das viagens, aumentar as
vendas. Muitas agências oferecem uma
parte da comissão que recebem aos
clientes, isto vai evitá-lo".
O argumento não é novo no mercado, tendo
sido, há alguns anos, uma das principais
bandeiras das companhias aéreas para
enveredar pela redução progressiva das
comissões até à sua quase eliminação. Em
Maio de 2002, em entrevista publicada na
primeira edição desta revista, Luiz Mór
afirmava não ser coerente a agência de
viagens "dizer que ganha pouca comissão e,
no entanto, repassá-la aos clientes". Na
época, a remuneração da TAP havia já
baixado dos 9% para os 7% e preparava-se
a introdução, na prática comercial dos
agentes, de uma service fee cobrada aos
clientes, o que veio a suceder em 2003. As
comissões das companhias aéreas
continuaram a baixar até que, a partir de 1
REVISTA APAVT · EDIÇÃO Nº 29
de Novembro de 2005, se fixaram no actual
1%.
O alargamento do mercado é outro
argumento invocado por alguns dos
inquiridos, que defendem também a
necessidade de reforçar a presença nos
canais Web, onde está também de forma
crescente o consumidor. Uma vez mais,
recorda-se que este foi também uma das
motivações alegadas pelas companhias
aéreas, que defendiam a necessidade de
estar presentes onde está o cliente,
considerando que o canal tradicional - as
agências de viagens - não dava resposta
adequada a essa necessidade.
Mas o alargamento de mercado, na opinião
dos operadores, passa também por uma
menor dependência do somatório dos
mercados das agências de viagens e redes
parceiras, no
pressuposto
de que
afirmaram
estar
a
ponderar
a
comercialização directa, embora todos
salvaguardando a necessidade de maior
estudo, que não está ainda feito, ou
concluído.
"São hipóteses em discussão, uma vez que
não existem ainda indicadores seguros do
peso das vendas online tendo em conta os
produtos que comercializamos", afirma um,
enquanto outro defende que chegará ao
mercado "possivelmente optando pelas duas
vertentes". Já um terceiro afirma que
"utilizaremos uma rede de estabelecimentos
com marca própria para o fazer e outro diz
exactamente o contrário. "Tem que ser
exclusivamente online, senão não faz
sentido. Seria mais uma agência de viagens".
Em suma, as estratégias são diferenciadas,
nomeadamente porque há operadores que
estão integrados em grupos com redes de
agências próprias e outros que não, o
que naturalmente permite a adopção de
diferentes modelos.
COMISSÕES EM BAIXA
há uma
franja
de
mercado que escapa a
este canal.
Naturalmente, há também quem não veja
qualquer necessidade de optar por um
modelo diferente. "Dado que prestamos
serviços com conteúdos a nível mundial e
muito específicos, destinados a vários tipos e
segmentos
de
consumidores,
a
comercialização directa não se enquadra no
interesse da maioria destes. Assim,
acreditamos na importância do agente de
viagens como acréscimo de valor", sublinha
um dos operadores inquiridos.
A S O PÇÕES
A abertura de balcões, a venda exclusiva
através da Web ou um misto de ambas, são
as opções referidas pelos operadores que
Independentemente da estratégia que
venha a ser seguida, a maioria dos
operadores inquiridos afirmam que o
nível de remuneração aos agentes de
viagens terá de ser revisto em baixa.
"É incomportável manter comissões de
16%, 17%, 18%" destaca um,
enquanto
outro
afirma
ser
"recomendável uma diminuição dos níveis
de comissionamento, uma vez que os actuais
obrigam a um aumento dos preços finais, por
vezes desencorajadores para o consumidor
final, tendo-se depois de recorrer a
promoções que se reflectem em perda de
ganho ou mesmo prejuízo para o vendedor".
Ao diminuir as comissões, argumenta, " o
consumidor final compra um produto mais
barato, o operador evita fazer promoções e
o agente de viagens mantém o seu ganho".
A aposta em preços net é referida por
alguns, conquanto não seja consensual.
Enquanto um inquirido defende essa opção,
na qual os agentes de viagens poderiam
colocar as suas próprias margens e/ou
cobrar ao cliente uma taxa de serviço,
outros repudiam totalmente a ideia, ficandose pela diminuição das comissões ou, melhor,
a
sua
indexação
a
resultados.
"Perspectivamos, e em verdade já
testemunhamos, evoluções díspares
17
Análise
conforme os operadores, alguns no
sentido da baixa de comissões, outros no
sentido do seu aumento. Em geral, estas
tendências inversas prendem-se com a
mai o r capacida de de fi de l i z a ç ã o do
cliente - intermédio e final - dos primeiros,
e a falta de melhores argumentos
comerciais dos segundos", afirma um
outro.
Também nesta matéria há quem defenda
a manutenção do actual status. "Sendo
Portugal um mercado muito pequeno, com
perspectivas de baixar nos próximos
anos, o nível de comissionamento terá de
se manter elevado de acordo com o
respectivo valor acrescentado (serviços
especializados). Os serviços que tiverem
pouco valor acrescentado só terão
interesse para os operadores sediados
em mercados de grande consumo, por
exemplo espanhóis, havendo, neste
caso, uma canibalização de margens e de
encerramentos
ou
falências
em
Portugal".
M ODELO D UAL
A adopção de um modelo dual, de
convivência entre a comercialização
directa e através das agências de
viagens, como existe na maioria dos
países europeus, é aquele que é
defendido pelo maior número dos
operadores inquiridos que perspectivam
a venda directa, embora com diferentes
visões quanto à alteração do acordo
comercial que implicaria com a
distribuição.
"Seguramente a relação comercial com os
agentes de viagem seria alterada até por
18
imposição
dos
próprios
balcões.
Achamos
que
o
cenário
mais
provável
seria
manter as condições
para os clientes com
elevado nível de
facturação", diz um,
enquanto outro afirma
p er emp to r i a mente
que
"as
comissões
seriam
reduzidas para o
canal agente de
viagens". Para um
terceiro, "a minha opinião é que não
alteraria a forma tradicional de
comercialização nem as comissões. O
lógico seria que ambas formas de venda
(b2b e b2c) co-existissem, respeitando
sempre na venda b2c o operador os PVP
aos quais comercializa o seu produto no
b2b, sem que existissem vantagens para
o consumidor pelo facto de fazer uma
compra directa ao operador". Esta é, de
resto, a opinião partilhada por outros
inquiridos.
T RAVÕES
À M UDANÇA
A "ruptura do status", como um dos
operadores apelida a eventual alteração
do modelo, conta com obstáculos que são
objecto de análise, e travão, à decisão
de adoptar uma estratégia b2c por parte
dos operadores.
A previsível "reacção" dos agentes de
viagens, os custos de implementação das
necessárias plataformas tecnológica, a
reestruturação das próprias empresasoperadores, são alguns dos factos
apontados. As opiniões sobre o peso de
cada
obstáculo
são
contudo
diferenciadas. Se uns afirmam que "tendo
em conta os custos de manutenção da
plataforma e a necessária publicidade,
provavelmente não haveriam grandes
ganhos", outros há que asseguram que,
com a associada diminuição de custos de
distribuição com o canal tradicional, a
"poupança seria uma realidade" ou que "o
quadro económico-financeiro e político
que atravessamos, que se irá manter por
longos anos, não nos indica que os
portugueses tenham qualquer força ou
vontade de investir em negócios que
assentam bem em mercados com outro
tipo de dimensão e maturidade (Europa,
nomeadamente Espanha) ".
"O único obstáculo é a falta de consenso
entre operadores. Existem grupos
grandes com operadores e agências e há
conflitos de interesse", elege um outro.
V ANTAGENS
DO A CTUAL M ODELO
Nenhum dos operadores contesta as
virtudes e a necessidade de manutenção
de uma relação com os agentes de
viagens, a quem reconhecem, mormente
nos produtos mais especializados, ou
menos massificados, uma capacidade de
apoio técnico ao consumidor final e uma
p er s o n a l i za ç ã o q u e outro mod e lo
dificilmente permitirá. O actual modelo
permite também a possibilidade de
concentração e concepção de um melhor
produto, como aponta um dos inquiridos,
destacando que a exclusividade da
venda através das agências evita o
investimento que, de outra forma, teria
de ser feito em recursos humanos, quer em
número como meios e formação. O menor
investimento de marketing junto ao
consumidor é também apontado por alguns,
enquanto outros referem que só fará
sentido manter o actual paradigma no caso
dos operadores especializados. Outros, mais
determinados à mudança, afirmam não
reconhecer
qualquer
vantagem
à
manutenção
do
actual
modelo,
nomeadamente por sentirem que "no
momento actual, com o cenário de crise que
vivemos, vender exclusivamente através de
agentes de viagens não é negócio. Grandes
grupos de agências estão a obrigar os
Operadores Turísticos a oferecer comissões
altas e não há forma de os combater porque
há sempre quem ceda".
A discussão, como referimos, está longe
de esgotada, mas tudo indica que se
impõem alterações, sejam de que
natur eza fo r, como re fe re um dos
operadores entrevistados.
"Em resumo, isto não está fácil e algo tem
que ser feito, venda directa, menos oferta,
aumento dos preços, diminuição das
comissões, preços net, comissões com
montantes fixos por valor de venda, ou
outros ainda não citados. Mas algo tem que
mudar!"
REVISTA APAVT · EDIÇÃO Nº 29
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