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Savana 14-08-2015
NO CENTRO DO FURACÃO
Savana 14-08-2015
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Embaixador-cessante da Dinamarca em entrevista ao SAVANA
“Há espaço para mais descentralização”
-“Ematum é uma mancha negra, é uma pedra no sapato para o futuro do país, ainda não estamos muito esclarecidos, o caso não está 100% transparente e claro, há aspectos que ainda faltam por esclarecer”
Por Ricardo Mudaukane/Fotos Naíta Ussene
D
e malas feitas para uma
nova etapa, após cumprir
a sua missão em Moçambique, o embaixador-cessante da Dinamarca em Moçambique, Mogens Pedersen, partilhou
com o SAVANA o seu olhar sobre o
país onde serviu nos últimos anos.
Diz que Moçambique registou
enormes progressos nos 40 anos
de independência, principalmente em áreas sociais, mas ainda enfrenta desafios colossais.
Pedersen considera que o país ainda tem um longo caminho para
conseguir a separação entre o partido no poder e o Estado. Esse objectivo, entende o diplomata, esbarra com o interesse de algumas
elites ligadas ao partido no poder
de se manterem agarradas ao Estado, para assegurar os dividendos
que tiram dessa ligação.
“Há grupos que têm mais interesse em manter essa ligação forte entre o partido e o Estado”.
O diplomata dinamarquês também entende que o país pode aprofundar o seu processo de descentralização, dando mais poder aos
municípios e províncias.
Mogens Pedersen olha para a intolerância política como uma das
causas da instabilidade no país,
mas considera anormal que um
partido continue ainda armada.
Pedersen defende que o combate à
corrupção não deve visar apenas a
chamada pequena corrupção, mas
deve também atacar a grande corrupção.
Qualifica o caso Ematum como
“uma mancha negra, uma pedra no
sapato para a economia do país”,
que levou a Dinamarca a congelar
parte do seu apoio ao Orçamento
Geral do Estado.
Já terminou a sua missão em Moçambique. Qual é a imagem que
leva do país?
Acho que Moçambique, em 40
anos, tem feito progressos importantes em vários sectores, nomeadamente na saúde, educação e acesso à água. Se se lembrar, em 1992,
quando terminou a guerra, com a
assinatura do Acordo Geral de Paz
(AGP), Moçambique era o país
mais pobre do mundo. Hoje ainda
há muita pobreza, mas registam-se
progressos assinaláveis.
Temos, contudo, de estar claros que
ainda temos vários desafios. A nível
económico, Moçambique, efectivamente, figura no “top” 10 em termos
de taxa de crescimento económico. É uma posição impressionante,
mas o maior desafio é transformar
o crescimento económico, para um
crescimento mais inclusivo, que
beneficie toda a população. O país
tem registado taxas de crescimento
entre 7% e 8% mas para que servem
essas taxas, se a pobreza não diminui? Uma coisa é declarar intenções
e outra coisa é a implementação de
políticas de crescimento económico
inclusivo. Eu acho que não podemos
continuar pensando que os recursos
naturais vão salvar Moçambique,
não é certo esse pensamento. Bem
geridos, os recursos naturais podem
contribuir para o desenvolvimento,
mas penso que devemos, necessariamente, colocar mais ênfase na
agricultura, porque 80% da população está na agricultura. O país tem
de encontrar formas de promover
a agricultura, em particular. Mas
como podemos promover a agricultura familiar? Há uma tendência se de pensar que necessitamos
de grandes investimentos externos
para desenvolver a agricultura. Esses investimentos podem contribuir,
mas temos de conjugar e conciliar
os interesses dessas empresas com a
agricultura familiar.
A agricultura familiar tem um grande potencial, mas esse potencial não
pode ser aproveitado, se não há
acesso ao crédito, se não há acesso
aos mercados, se as estradas rurais
são dificilmente transitáveis.
A ênfase no papel da agricultura
para o combate à pobreza é referida desde a independência, o que
lhe parece que está a falhar para
que a agricultura dê o salto?
Eu acho que o que aconteceu depois
da independência foi que havia a
ideia de que os camponeses deviam
estar organizados em cooperativas
agrícolas. Os camponeses não concordaram muito com esse princípio,
a ideia de serem forçados a trabalhar
juntos. Penso que não era uma boa
abordagem, apesar de esse modelo
ter sido seguido noutros países que
escolheram o socialismo, assente
numa agricultura baseada em grandes empresas estatais e cooperativas,
essa lógica falhou. Acho que não foram tomadas as medidas mais acertadas.
Que tipo de medidas deviam ter
sido tomadas?
Estamos a falar de infra-estruturas,
põe-se grande ênfase em infra-estruturas viradas à facilitação de
exportações de matérias-primas, de
recursos naturais. Pode ser importante a aposta nos corredores para
exportações, mas devem ser também
transformados em corredores de desenvolvimento inclusivo. Porque, de
repente, o comboio que circula de
Cuamba a Nampula nunca vai parar
mais para permitir que os campo-
neses tenham acesso e escoem a sua
produção. Aqui devemos pensar em
fortalecer todas a infra-estruturas
que alcancem os distritos e as comunidades rurais. Para além disso,
existe toda a problemática de falta
de extensão agrícola.
As importações beneficiam elites
Acha que essa orientação está a ser
seguida, essa ligação com a produção?
Acho que ainda há grandes desafios,
porque têm sido alocados poucos
fundos para as estradas rurais e nas
infra-estruturas dos distritos. Mas
são aplicados enormes fundos em
grandes projectos de investimentos sem impacto significante sobre
as comunidades rurais. Seria conveniente considerar uma redistribuição dos fundos de investimento
públicos para facilitar o desenvolvimento da agricultura familiar, a
pequena agricultura.
Outro elemento importante a considerar é a importação de produtos
básicos alimentares, por exemplo
verifica-se uma outorga de licenças
para importar arroz, favorecendo
alguns grupos da elite, que recebem
as licenças. Mas este processo pode
prejudicar grandemente a produção
nacional.
Eu acho que Moçambique tem um
grande potencial, mas esse potencial
tem de ser dinamizado para se relançar a produção nacional.
Eu acho que é preciso pensar em
como criar um quadro de políticas
que facilitem a agricultura familiar.
Há vários bons exemplos, como no
sector de tabaco, em que uma grande empresa de produção que conta
com mais de 120 mil famílias de
camponeses, que têm contribuído
para a melhoria do bem-estar das
suas famílias incluindo a sua produção alimentar.
Outro elemento importante é assegurar que haja consultas efectivas
com a população rural e camponesa, quando se instalam as empresas
para evitar conflitos. Neste sentido
acho que a iniciativa “Terra Segura”
é muito importante, uma vez que
aposta em dar DUAT’s às comunidades rurais e camponeses.
O Governo moçambicano tem-se
pronunciado no sentido de que
o país evite a chamada “doença
holandesa”, de forma a acautelar
o risco de o país depender dos recursos minerais. Como é que olha
para esse compromisso?
A doença holandesa vem do facto
de que há grandes fundos de investimento externos com uma maior
demanda à moeda nacional o que
leva à sobrevalorização da mesma e
reduz a competitividade da produ-
“Acho que Moçambique, em 40 anos, tem feito progressos importantes em vários sectores, nomeadamente na saúde, educação e acesso à água”, Mogens Pedersen, embaixador-cessante da Dinamarca
ção nacional. Uma resposta a isto
é pôr mais ênfase na produtividade
nacional.
Outro sector importante para a economia moçambicana é a pequena e
média indústria, porque é onde se
pode gerar emprego para os jovens.
São anualmente 300 mil jovens que
procuram emprego e só uma parte mínima desses consegue algum
trabalho no sector formal. O país
precisa de uma massa de pequenas e
médias indústrias, que podem criar
emprego e oportunidades para os
sectores sociais mais desfavorecidos.
Infelizmente, as pequenas e médias
empresas são aquelas empresas que
têm mais dificuldades de acesso ao
crédito, para ter licença, porque não
pertencem à elite política e económica. Tem de haver uma separação
entre o político e o económico, o
cargo político não pode ser uma via
para o enriquecimento. Deve ser o
mérito como empresário, a ditar o
sucesso empresarial.
Tem-se afirmado que a indústria
extractiva tem de fornecer recursos para que o país possa ter espaço
fiscal com o objectivo de angariar
mais receitas. Será possível gerar
essa capacidade financeira através
dos recursos naturais, tendo em
conta os incentivos fiscais concedidos aos mega-projectos?
Eu acho que os recursos naturais
podem contribuir para o desenvolvimento do país, mas sabemos que
o impacto desse tipo de actividades
é muito conjuntural. Sabemos o que
se passa em Tete, com a queda do
preço do carvão. Mas é possível melhorar a capacidade de o país ganhar
espaço fiscal através dos recursos
naturais, desde que haja transparência dos contratos. Conseguiu-se
muito neste campo, mas ainda falta
o acesso público a todos os contratos, sem reservas, para que não haja
espaço de manipulação. Os recursos
minerais podem contribuir para
o financiamento de outros sectores, nomeadamente a melhoria das
infra-estruturas. Mas Moçambique
não é como a Noruega no anos 70,
porque, quando a Noruega descobriu os grandes depósitos de gás e
petróleo, já tinha uma grande capacidade industrial, de modo que não
se pode pensar que os recursos naturais vão salvar a vida dos moçambicanos, porque a capacidade industrial do país que promova emprego
ainda é incipiente. Pode haver um
risco de a actividade extractiva de
recursos naturais ficar um enclave
isolado do resto da economia.
Ou seja, apesar desses importantes desenvolvimentos no sector
extractivo, Moçambique ainda
precisa do apoio internacional
para o combate à pobreza, no entanto, é confrontado com a saída
de alguns parceiros e redução da
ajuda.
Vejo como positiva a possibilidade de Moçambique incrementar a
sua capacidade de auto-financia-
mento orçamental, porque, quando
se compara com a situação há 10
anos, em que a ajuda internacional correspondia a 50% a 60% do
Orçamento Geral do Estado, hoje,
essa fatia cobre entre 20% e 25%. É
um bom sinal de desenvolvimento
que Moçambique possa ser capaz
de financiar o seu próprio desenvolvimento. É importante continuar a apoiar o fortalecimento da
Autoridade Tributária, para que
possa aproveitar essa grande oportunidade dos recursos minerais e
arrecadação de mais impostos. A
comunidade internacional não vai
jogar o mesmo papel que antes, há
outros actores em cena, os BRICS
(economias emergentes). Essa diversificação de parceiros é positiva.
Também, a agenda dos parceiros
tradicionais está a mudar, em vez de
se focar em temas como governação
e gestão de finanças públicas, já vai
no sentido mais comercial. Acho
que se pode conjugar os dois, promover o investimento no país, mas
também não esquecer a importância
da boa governação e da luta contra a
corrupção. O que acho é que ainda
não terminou o ciclo de cooperação.
A cooperação em áreas prioritárias
de boa governação, gestão de finanças públicas, combate à corrupção,
promoção da liberdade de imprensa,
são temas ainda muito importantes
na agenda, não só para promover
a agenda de crescimento inclusivo,
mas também para promover um
desenvolvimento político inclusivo.
Acho que ainda se está nesse processo de transição de um sistema
monopartidário para multipartidário mais amplo. É necessário apoiar
a sociedade civil e a imprensa independente, para que possa jogar um
papel positivo neste processo.
Outro apoio é na profissionalização
do Estado, porque a separação entre
Estado e partido ainda tem de percorrer um longo caminho. Devido
à história política de Moçambique,
sabemos que há grupos que têm
mais interesse em manter essa ligação forte entre o partido e o estado.
Na sua opinião, porque há esse interesse em manter essa forte ligação entre o partido e o Estado?
Porque se utiliza essa ligação também para promover os próprios interesses…
Grupos ligados ao partido no poder?
Eu acho que há aí quem também
vê nessa ligação, essa dominação do
partido no poder sobre o Estado,
como uma maneira de promover os
seus próprios interesse económicos.
Também olha para esse apego ao
Estado como um dos factores da
actual tensão política?
Eu acho que é efectivamente um
dos factores. Sabemos muito bem
que esse foi um dos temas discutidos no Centro de Conferências
Joaquim Chissano. Foi assinado um
plano, mas ainda fica pendente a sua
efectiva implementação. Eu também tomo nota de que no discurso
de tomada de posse o presidente
Filipe Nyusi enfatiza a importância
de um estado profissional, independente das cores políticas. Evidentemente, uma coisa é declarar, outra
é implementar, mas foi uma declaração de intenção forte. Nós somos
parte dos países nórdicos, com uma
larga tradição de diálogo e separação clara entres os poderes do Estado. A inclusão política é parte fundamental dos nossos valores e que
pretendemos promover.
Vai ser um caminho fácil?
Evidentemente não vai ser fácil, não
será da noite para o dia, vai avançar-se nuns temas e noutros não. Não
é unicamente Moçambique, basta
ver os países vizinhos, é aparentemente muito difícil para um partido
de libertação dar espaço a outros
partidos. Também falamos de um
outro tema quente, que tem a ver
com a descentralização. Como referência aos países nórdicos, onde
temos uma descentralização muito forte. Por exemplo no meu país,
os municípios são responsáveis por
mais de 50% de todo o orçamento,
tem grande poder de decisão. Eu
acho que é um tema difícil, dada a
história de Moçambique, a guerra
de libertação, a guerra de 16 anos,
a guerra em si promove a centralização, talvez tenha sido correcto,
numa primeira fase, para garantir a
unidade nacional. Mas agora estamos numa outra fase nova em que
certa descentralização pode promover a unidade nacional, não é contrária à unidade nacional, porque se
não se descentraliza, se não se partilha certa forma de poder, podemos
ter grandes conflitos.
Mas temos a municipalização, este
processo pode ir mais longe do que
já foi feito?
Eu acho que sim, pode, ao nível do
município, há muito espaço para
promover a descentralização. Em
alguns sectores como educação, saúde, pode, gradualmente, ir se descentralizando. Havia esses planos,
mas depois, não se avançou muito.
Segundo, nota-se que, em alguns
municípios onde ganhou a oposição, começa um processo quase de
luta entre o poder central e as autoridades municipais. Eu acho que
estamos numa fase em que se deve
respeitar outras opções políticas.
A Renamo apareceu com uma
proposta de autonomia das províncias…
Eu não vou tomar posição sobre
um ou outro modelo. O que acho é
que a descentralização ao nível do
município e da província é no geral
uma boa ideia. Agora o modelo a
seguir, eu acho que deve ser resultado de um processo de diálogo amplo entre as várias forças políticas.
O diálogo deve ampliar-se a outros
sectores da sociedade civil.
A Ematum é uma mancha
negra
A saída de alguns parceiros de
cooperação no apoio a Moçambique tem sido relacionada com o
descontentamento com a falta de
avanços em alguns indicadores?
Eu não me posso pronunciar em
nome de todos, temos tido na Eu-
ropa crises económicas, em particular, com cortes orçamentais fortes.
O caso da Ematum não ajudou em
nada, fica como uma mancha negra
nas finanças públicas deste país, é
uma pedra no sapato dos esforços
de transparência na gestão pública
do país. Ainda não estamos muito
esclarecidos, o caso não está 100%
transparente e, claro, há aspectos
que ainda faltam esclarecer.
Como quais?
Bom, não sabemos muito bem
quem está por detrás da compra das
armas, qual é a ideia dessa Ematum,
é realmente uma empresa rentável?
É uma empresa que tem futuro? É
importante haver aspectos de transparência, de risco fiscal. Este caso
não animou certos doadores, entre
eles a Dinamarca, a desembolsar
todo o apoio. Ainda não desembolsamos todo o apoio e isso tem a ver
com a Ematum.
Qual é o montante da ajuda
que congelaram?
É anormal a Renamo estar armada
C
omo é que olha para a preocupação em relação à bipolarização entre Frelimo e Renamo
no debate de questões de interesse nacional?
Quando falamos de questões amplas de
importância para o desenvolvimento do País, como
desenvolvimento económico ou recursos naturais, é
preferível que todas as forças políticas e sociais participem e tenham a oportunidade de promover as suas
ideias.
Moçambique viveu entre 1992 e 2013 em paz e, afinal, o espectro de instabilidade política e militar
nunca esteve totalmente removido, há um impasse
em relação ao desarmamento da Renamo e a paz não
é um dado adquirido?
Evidentemente, não pensamos que é uma boa ideia ter
um partido político armado, é anormal, oxalá se possa
avançar com esse processo de desarmamento. Também sabemos que a grande questão é: porque depois
de 20 anos ressurgiu esse conflito, apesar de ser de baixa intensidade? O conflito teve impacto negativo sobre a economia, dificilmente se transitava do sul para
o norte. Achamos que este ressurgimento do conflito
também está relacionado com um sistema económico e político estreito, que não toma em conta outras
opiniões. Por isso é imperioso instalar e desenvolver
um diálogo amplo como algo inerente à cultura política. Acho que tem que ver também com a ausência
de criação de possibilidades iguais, para todos. Há um
fortalecimento de privilégios a favor de certos grupos
em detrimento de outros. A reconciliação também
tem que ver com oportunidades económicas para todos. Não se pode justificar que um partido se mantenha armado. Mas há que ampliar o espaço político e o
espaço económico, para se avançar no desarmamento.
Esses conflitos de baixa intensidade são um entrave
ao investimento, porque os investidores questionam se
vale a pena investir.
A comunidade internacional tem agora um novo interlocutor, com o início de um novo ciclo político,
o novo chefe do Estado é um interlocutor credível?
Noto que há um espírito aberto para o diálogo. Há
que aprofundar esse diálogo com todos os actores sociais, ampliar o espectro de actores com que se pode
dialogar. Eu acho que é um cenário positivo, apesar de
não ser um processo fácil linear, todos estão a favor de
uma ampliação do espaço político e económico.
Apesar de todo o fluxo colossal de ajuda que entrou
no país, o combate à pobreza estagnou, como comenta esse cenário?
A última cifra da pobreza é de 2008, agora estamos
à espera dos resultados do novo Inquérito do Orçamento Familiar (IOF), mas o facto é que a política
económica até agora seguida não tem tido impacto suficiente para reduzir a pobreza. Por isso é que estamos
a falar da agricultura e da pequena e média indústria,
porque não podemos ter, todos os anos, 300 mil jovens
sem futuro. Há também as desigualdades regionais. A
economia de Moçambique tem conhecido um forte
crescimento, mas as desigualdades também se agravam, quando há jovens que ostentam BMW enquanto
outros tentam sobreviver, as tensões sociais aumentam
também. O desemprego jovem é também um desperdício económico, porque nos próximos anos não haverá poder de compra dessa camada. As desigualdades
crescentes não são apenas um problema moral, são
também uma questão económica uma vez que o país
desperdiça uma mão-de-obra significante que poderia
contribuir para desenvolvimento do país.
Como é olha para as relações Moçambique e Dinamarca nos próximos anos?
Vou sair de Maputo, porque terminei o meu tempo cá.
Dinamarca já tem mais de 40 anos de relacionamento
com Moçambique e temos tido uma boa relação de
cooperação em muitos campos.
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Savana 14-08-2015
NO CENTRO
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DO FURACAO
corrupção do enfermeiro, o combate a essa pequena corrupção
é importante também, porque é
algo grave para a população. Mas
esse combate não pode excluir a
grande corrupção. Onde queremos ver avanços é no combate
aos casos de grande corrupção,
não pode haver condenação apenas de professores, enfermeiros,
enquanto os grandes actores da
grande corrupção ficam impunes.
Não somos uma frente
comum contra o Governo
“Eu acho que os recursos naturais podem contribuir para o desenvolvimento do país, mas sabemos
que o impacto desse tipo de actividades é muito conjuntural”
É uma parte relativamente
pequena, o que está pendente são
cerca de 10 milhões de dólares
para 2016. Mas o seu desembolso
estava previsto para este ano, mas
queremos um esclarecimento cabal do caso Ematum.
Acha que a actuação do anterior
Governo não foi transparente?
Os acontecimentos mostram que
não informaram desde o início
sobre os contratos que foram assinados, mas eu acho que isso fica
como um desafio para o actual
Governo.
unite for
children
O actual Governo, a actual direcção do Ministério da Economia e Finanças, forneceu mais
informação sobre a operação e já
indicou que pretende restruturar
a dívida, o que não é coisa fácil.
Também responsabilizam a
dívida relacionada com a Ematum pelo aumento do stock da
dívida?
Não vou dizer que a dívida é ou
não sustentável. Um dos grandes
desafios é monitorar os grandes
projectos de investimento e assegurar que realmente têm impacto
positivo sobre a economia do país
e contribuem para redução da
pobreza. Efectivamente há uma
série de importantes projectos
de investimento público onde o
impacto sobre a população mais
desfavorecida não é visível.
Uma das preocupações que os
parceiros têm manifestado é a
corrupção…
Acho que o novo Código Penal é
um passo adiante. É certo que é
importante combater os pequenos
casos de corrupção do professor
que deu boa nota a uma aluna, a
O facto de haver doadores mais
exigentes que outros tem dividido a comunidade internacional?
Acho que é natural, não se pode
esperar que estejamos de acordo
em tudo, não vou menosprezar
os colegas que têm uma abordagem diferente da nossa.
Não temos de ser vistos como
uma frente comum contra o Governo, o diálogo tem diferentes ênfases, não queremos ser um grupo
unido para impor algo e não pode
ser uma filosofia dos doadores,
mas é natural haver divergências,
diferentes pontos de vista.
Há correntes que olham para o
vosso nível de exigência como
ingerência.
Não, não pode ser visto como
ingerência, acho que não. Queremos um diálogo, um debate, uma
parceria em que se invoquem es-
ses temas sensíveis. É nesse marco
de cooperação que se acordou que
tem de haver diálogo político, eu
não considero isso como ingerência, é um processo de diálogo, de
conversa que toca temas sensíveis.
Uma vez que o nosso apoio acordado com o Governo visa essencialmente o combate à pobreza,
é natural que queiramos dialogar sobre as diferentes medidas
políticas relevantes que concorrem para aquele objectivo.
As perspectivas são de uma
maior autonomia orçamental nos próximos anos, se essa
tendência é positiva, pensa-se
que o Governo tenderá a ficar
mais arrogante…
A nossa perspectiva é de ver o
fortalecimento de todos os actores políticos e sociais locais. O
parlamento deve jogar o seu papel de fiscalização, a sociedade
civil também e, aliás, temos já um
sector da sociedade muito proactivo, a imprensa também tem de
se fortalecer, para poder dar luz
sobre casos, esta ampliação do
cenário político já em processo é
muito positiva. Nesse sentido, a
Lei do Direito à Informação joga
um papel chave. É uma boa lei,
mas também tem de ser implementada. Já passaram seis meses
da sua promulgação e ainda não
tem regulamento. O acesso à
informação permite fiscalizar a
acção governamental, o que é de
suma importância para ampliar o
exercício democrático.
Trabalhe para o UNICEF – Unidos pelas crianças
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em Moçambique procura cidadãos moçambicanos altamente motivados e qualificados para contribuir para a promoção dos direitos das crianças no país.
Procuramos candidatos altamente proficientes nas suas áreas técnicas
e que estejam interessados em contribuir para o desenvolvimento de
Moçambique, numa equipa constituída de profissionais de diferentes
horizontes e culturas.
Se é uma pessoa competente no trabalho em equipa, que respeita a
diferença de género, aprecia a integração cultural, é dedicada e gostaria
de contribuir para a implementação dos direitos das crianças em Moçambique, candidate-se à vaga de:
ASSISTENTE DE COMUNICAÇÃO, Serviço Geral de Nível 5,
sediado em MAPUTO, ref. MOZ/VN/2015/020
O/a candidato/a seleccionado/a prestará apoio administrativo ao sector de Comunicação, Advocacia, Participação e Parcerias do UNICEF.
Irá apoiar para que as questões relacionadas com às crianças tenham
a visibilidade necessária para a sensibilização dos decisores, doadores,
sociedade civil, entre outros, com a participação das próprias crianças.
PROCESSO DE CANDIDATURA
Todos os candidatos, deverão ser fluentes em português, com bom conhecimento de inglês. O Termo de Referência completo do posto está
disponíveis no portal www.unicef.org/mozambique, na secção “Work
with us”, sob a referência acima mencionada.
O seu trabalho será gratificado ou remunerado através de salários competitivos e benefícios, em conformidade com a escala salarial da ONU
e com base na sua experiência. Se seleccionado/a, terá um contracto de
um ano, renovável com base no seu desempenho e disponibilidade de
financiamento.
Os Candidatos deverão submeter um Formulário, devidamente preenchido e assinado e/ou um Curriculum Vitae e cópias das credenciais
endereçadas ao seguinte correio electrónico: [email protected], até
ao fim do dia 31 de Agosto de 2015 (o formulário poderá ser encontrado no portal www.unicef.org/mozambique, na secção “Work with us”).
Adicionalmente, os membros do pessoal da ONU, deverão submeter as
últimas duas Avaliações de Desempenho. Queiram por favor observar
que os candidatos internos qualificados terão prioridade.
Só serão aceites candidaturas recebidas por correio electrónico e só serão contactados candidatos que satisfaçam todos os requisitos.
QUALIFICAÇÕES e COMPETÊNCIAS
Educação: Ensino Secundário Completo. Conhecimento básico de comunicação, incluindo das redes sociais, bem como das regras protocola- MULHERES qualificadas são particularmente encorajadas a candires. Deve possuir grande capacidade organizativa e de gestão financeira. datar-se!
O UNICEF é um ambiente não fumador.
Experiência profissional: Cinco anos de experiência progressiva na área
de apoio à comunicação e áreas afins. Experiência na gestão de base O UNICEF não cobra quaisquer taxas em qualquer fase do processo
de dados de contactos e organização de eventos será considerada uma de recrutamento (aplicação , testes, entrevistas, etc) e ou solicita quais
vantagem.
queres informações relacionadas com contas bancárias .
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