DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ PODER EXECUTIVO I) FUNÇÕES TÍPICAS: Atos de chefia de Estado, chefia de governo, administrar e executar as leis. II) FUNÇÕES ATÍPICAS: Legislar, como por exemplo, na edição de medida provisória e julgar como no caso de julgamento de multas de trânsito em havendo recurso administrativo, julgamento em processos disciplinares contra servidores públicos (PAD), etc. O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República, Governadores de Estados e DF e Prefeitos, sendo estes auxiliados pelos ministros de estados, secretários de estados e secretários municipais, respectivamente. OBS.: Nos territórios, a direção será por governador nomeado pelo Presidente da República, após aprovação pelo Senado Federal (arts. 33, §3º, 52, III, “c” e 84, IV, todos da CF/88). “Art. 33. A lei disporá sobre a organização administrativa e judiciária dos Territórios. (...) § 3º -Nos Territórios Federais com mais de cem mil habitantes, além do Governador nomeado na forma desta Constituição, haverá órgãos judiciários de primeira e segunda instância, membros do Ministério Público e defensores públicos federais; a lei disporá sobre as eleições para a Câmara Territorial e sua competência deliberativa.” “Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: (...) III - aprovar previamente, por voto secreto, após argüição pública, a escolha de: (...) c) Governador de Território;” _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 1 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ “Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: (...) IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução;” III) ATRIBUIÇÕES DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA Estão elencadas no art. 84 CF/88, cujo rol é meramente exemplificativo. “Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: I - nomear e exonerar os Ministros de Estado; II - exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal; III - iniciar o processo legislativo, na forma e nos casos previstos nesta Constituição; IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; V - vetar projetos de lei, total ou parcialmente; VI - dispor, mediante decreto, sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos;(Incluída pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) VII - manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos; VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional; IX - decretar o estado de defesa e o estado de sítio; X - decretar e executar a intervenção federal; XI - remeter mensagem e plano de governo ao Congresso Nacional por ocasião da abertura da sessão legislativa, expondo a situação do País e solicitando as providências que julgar necessárias; XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei; _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 2 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ XIII - exercer o comando supremo das Forças Armadas, nomear os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, promover seus oficiais-generais e nomeá-los para os cargos que lhes são privativos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 23, de 02/09/99) XIV - nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, os Governadores de Territórios, o ProcuradorGeral da República, o presidente e os diretores do banco central e outros servidores, quando determinado em lei; XV - nomear, observado o disposto no art. 73, os Ministros do Tribunal de Contas da União; XVI - nomear os magistrados, nos casos previstos nesta Constituição, e o Advogado-Geral da União; XVII - nomear membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII; XVIII - convocar e presidir o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional; XIX - declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso Nacional ou referendado por ele, quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas, e, nas mesmas condições, decretar, total ou parcialmente, a mobilização nacional; XX - celebrar a paz, autorizado ou com o referendo do Congresso Nacional; XXI - conferir condecorações e distinções honoríficas; XXII - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente; XXIII - enviar ao Congresso Nacional o plano plurianual, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias e as propostas de orçamento previstos nesta Constituição; XXIV - prestar, anualmente, ao Congresso Nacional, dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa, as contas referentes ao exercício anterior; XXV - prover e extinguir os cargos públicos federais, na forma da lei; XXVI - editar medidas provisórias com força de lei, nos termos do art. 62; XXVII - exercer outras atribuições previstas nesta Constituição. Parágrafo único. O Presidente da República poderá delegar as atribuições mencionadas nos incisos VI, XII e XXV, primeira parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 3 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ República ou ao Advogado-Geral da União, que observarão os limites traçados nas respectivas delegações.” Pode delegar as atribuições dos incisos VI, XII e XXV (1ª parte) aos Ministros de Estado, Procurador Geral da República ou ao Advogado Geral da União. Art. 79 Substituirá o Presidente da República, no caso de impedimento, e suceder-lhe-á, no caso de vacância, o Vice Presidente da República. “Art. 79. Substituirá o Presidente, no caso de impedimento, e suceder- lhe-á, no de vaga, o Vice-Presidente.” Diferença entre vacância e impedimento: Vacância é definitiva, como ocorre por exemplo, no caso de cassação, renúncia ou morte. Já o impedimento é temporário ou provisório, como por exemplo, em caso de férias ou doença do presidente. O cargo será declarado vago tanto do Presidente da República quanto de seu vice, se deixarem de assumi-lo no prazo de 10 dias contados da data da posse, salvo motivo de força maior (art. 78, parágrafo único c/c art. 79, “caput”, ambos da CF/88). “Art. 78. O Presidente e o Vice-Presidente da República tomarão posse em sessão do Congresso Nacional, prestando o compromisso de manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil. Parágrafo único. Se, decorridos dez dias da data fixada para a posse, o Presidente ou o Vice-Presidente, salvo motivo de força maior, não tiver assumido o cargo, este será declarado vago.” Linha sucessória no cargo de presidente da república: 1) Vice Presidente da República; _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 4 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ 2) Presidente da Câmara dos Deputados Federais; 3) Presidente do Senado Federal; 4) Presidente do Supremo Tribunal Federal. Caso haja a vacância de ambos os cargos (presidente e vice) nos dois primeiros anos de mandato, será realizada eleição direta no prazo de 90 dias após aberta a última vaga (art. 81, “caput”, da CF/88). Se a vacância de ambos os cargos ocorrer nos dois últimos de mandato, será realizada eleição indireta pelo Congresso Nacional, no prazo de 30 dias após a abertura da última vaga (art. 81, §1º, da CF/88). “Art. 81. Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, far-se-á eleição noventa dias depois de aberta a última vaga. § 1º - Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei.” IV) MINISTROS DE ESTADO Auxiliam o chefe do Poder Executivo em suas atribuições e são subordinados, diretamente, ao Presidente da República, sendo a sua nomeação e exoneração feita livremente por este, uma vez que se trata de cargos de natureza comissionada (ad nutum). Hipóteses de crime de responsabilidade praticado pelos Ministros de Estado: A) Quando convocado pela Câmara Federal, Senado Federal ou comissões para prestar informações sobre assuntos de suas atribuições e deixar de comparecer (art. 50, “caput” e 58, III, ambos da CF/88); “Art. 50. A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ou qualquer de suas Comissões, poderão convocar Ministro de Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 5 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ subordinados à Presidência da República para prestarem, pessoalmente, informações sobre assunto previamente determinado, importando crime de responsabilidade a ausência sem justificação adequada.”(Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 2, de 1994) “Art. 58. O Congresso Nacional e suas Casas terão comissões permanentes e temporárias, constituídas na forma e com as atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato de que resultar sua criação. (...) III - convocar Ministros de Estado para prestar informações sobre assuntos inerentes a suas atribuições;” B) Quando recusar a fornecer informações ou as faz de forma falsa quando pedido pela Mesa da Câmara Federal ou Senado Federal (art. 50, §2º, da CF/88); “Art. 50. (...) § 2º - As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal poderão encaminhar pedidos escritos de informações a Ministros de Estado ou a qualquer das pessoas referidas no caput deste artigo, importando em crime de responsabilidade a recusa, ou o não - atendimento, no prazo de trinta dias, bem como a prestação de informações falsas.” (Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 2, de 1994) C) Quando praticar crimes de responsabilidade conexos e da mesma natureza com os crimes de responsabilidade praticados pelo Presidente da República. OBS.: No caso de crimes de responsabilidade sem qualquer conexão com o Presidente da República e nos crimes comuns, os Ministros de Estado serão processados e julgados pelo Supremo Tribunal Federal (art. 102, I, “c”). _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 6 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I - processar e julgar, originariamente: (...) c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art. 52, I, os membros dos Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente;”(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 23, de 1999) Na hipótese de crimes de responsabilidade conexos com os do Presidente da República, o órgão julgador será o Senado Federal (art. 52, I e parágrafo único, da CF/88). “Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 23, de 02/09/99) (...) Parágrafo único. Nos casos previstos nos incisos I e II, funcionará como Presidente o do Supremo Tribunal Federal, limitando-se a condenação, que somente será proferida por dois terços dos votos do Senado Federal, à perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis.” V) CONSELHO DA REPÚBLICA Órgão superior de consultas do Presidente da República, sendo que tais manifestações não terão caráter vinculativo. A Lei nº 8041/90 regula as competências e dentre elas estão, o dever o Conselho pronunciar sobre: - Intervenção federal; _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 7 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ - Estado de defesa; - Estado de sítio; - Questões instituições democráticas. relevantes para a estabilidade das VI) CONSELHO DE DEFESA NACIONAL Também é órgão de consulta nos assuntos relacionados com a soberania nacional e a defesa do estado democrático de direito. Competência: - Opinar nas hipóteses de declaração de guerra e celebração de paz; - Decretação do estado de defesa, estado de sítio e intervenção federal; - Opinar sobre áreas indispensáveis à segurança nacional e faixa de fronteira. CRIMES DE RESPONSABILIDADE São infrações político administrativas e são submetidas ao processo de impeachment. São atos que atentem contra: a) existência da união; b) livre exercício dos Poderes Legislativos, Judiciário, Ministério Público e poderes constitucionais; c) exercício de direitos políticos, individuais e sociais; d) segurança interna do país; e) probidade na administração; _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 8 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ f) lei orçamentária. Podem incorrer em crimes de responsabilidade: - Presidente e Vice Presidente da República; - Ministros de Estado; - Ministros do STF; - Membros do CNJ; - Membros do CNMP; - Procurador Geral da República; - Advogado Geral da União; - Governador; - Prefeito. PROCEDIMENTO É bifásico, envolvendo a Câmara e o Senado Federal PRIMEIRA FASE Ocorre na Câmara Federal, onde se realiza o juízo de admissibilidade do processo. É também chamado de tribunal de pronúncia. A Câmara Federal, por maioria qualificada (2/3), autoriza a instauração do processo. SEGUNDA FASE Ocorre no âmbito do Senado Federal. _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 9 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ Havendo autorização, o Senado deverá instaurar o processo sob a presidência do Presidente do STF, assegurando ampla defesa e contraditório. Instaurado o processo, o Presidente da República ficará suspenso por 180 dias de suas funções. Se o julgamento não tiver sido concluído nesse prazo, cessará o afastamento do cargo do Presidente da República, ou seja, este voltará a desempenhar as suas funções. A sentença condenatória materializar-se-á por meio de RESOLUÇÃO do Senado Federal, que somente será proferida se obtido 2/3 dos votos, limitando-se a condenação à perda do cargo e inabilitação para exercício de qualquer função pública por oito anos. OBS.: O julgamento realizado pelo Senado Federal não poderá ser alterado pelo Poder Judiciário, sob pena de ferir o princípio da separação dos poderes. O Poder Legislativo realiza um julgamento de natureza política, levando em consideração os critérios de conveniência e oportunidade. CRIMES COMUNS A Constituição Federal autorizará ou não o recebimento da denúncia ou queixa crime pelo STF através do voto de 2/3 de seus membros. Crimes comuns englobam todos os demais (eleitorais, crimes contra a vida e até contravenções penais). IMUNIDADE PRESIDENCIAL Art. 86, §4º da CF/88. _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 10 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ O Presidente da República, durante a vigência do mandato, não poderá ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções. Ele só poderá ser responsabilizado por atos praticados em razão do seu cargo, funções ou atribuições (in officio ou propter officium). As infrações penais praticadas antes do início do mandato ou durante a sua vigência, porém sem qualquer relação com a função presidencial, não poderão ser objeto da persecutio criminis, que ficará, provisoriamente, inibida, acarretando a suspensão do curso do prazo prescricional. Trata-se da teoria da irresponsabilidade penal relativa, pois a imunidade só abrange ilícitos penais praticados antes do mandato ou durante, sem relação funcional. No tocante às infrações de natureza civil, política (crime de responsabilidade), administrativa, fiscal ou tributária, poderá o Presidente da República ser responsabilizado. OBS.: Oferecida a denúncia no STF, havendo autorização da Câmara Federal, julgando-se procedente o pedido formulado pelo Procurador Geral da República, a condenação aplicada será a prevista no tipo penal, e não a perda do cargo (como pena principal), que só ocorrerá no caso de crime de responsabilidade. No caso de crime comum, a perda do cargo será por via reflexa, ou seja, em decorrência da suspensão temporária dos direitos políticos, enquanto durarem os efeitos da sentença penal condenatória, transitada em julgado. “Art. 86. Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade. (...) § 4º - O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.” _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 11 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DAS AUTORIDADES PELA PRÁTICA DE CRIMES COMUNS E CRIMES DE RESPONSABILIDADE Crime comum Presidente Presidente República e Crime responsabilidade de Vice STF (art. 102, I, ‘b”, Senado Federal (art. 52, I, da CF/88) da CF/88) Ministros de Estado Crimes comuns e responsabilidade sem conexão com o Presidente da República= STF (art. 102, I, “c”, da CF/88) Conexos com o Presidente da República= Senado (art. 52, I, da CF/88) Comandante da Crime comum e Conexo com Presidente Marinha, Exército ou responsabilidade sem da República. Aeronáutica conexão com o Presidente da Senado (art. 52, I, da CF/88) República STF (art. 102, I, “c”, da CF/88) Ministro do STF STF (art. 102, I, “b”, Senado (art. 52, II, da da CF/88) CF/88) Membros do CNJ e De acordo com o cargo Senado (art. 52, II, da CNMP de origem de cada um CF/88) Procurador Geral da STF (art. 102, I, “b” da Senado (art. 52, II, da República CF/88) CF/88) Advogado Geral da STF (art. 102, I, “c”, da Senado (art. 52, II, da _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 12 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ União CF/88) CF/88) Deputados Federais e STF (art. 102, I, “b” e Casa correspondente (art. 55, §2º, da CF/88) Senadores da 53,§1º, da CF/88) República Membros do STJ, TSE, STF (art. 102, I, “c”, da STF (art. 102, I, “c”, da CF/88) TST, STM, TCU e CF/88) chefes de missão diplomática de caráter permanente. Des. TJ e DFT, STJ (art. 105, I, “a”, da STJ (art. 105, I, “a”, da CF/88) membros dos TCE e CF/88) DFT, membros do TRF, TRT, TER, membros do TCM e MPU que oficiem perante tribunais. Juízes federais, TRF da área da TRF da área da incluídos os da justiça jurisdição (art. 108, I, jurisdição (art. 108, I, “a”, da CF/88) militar, do trabalho e “a”, da CF/88) membros do MPU Governador STJ Vice Governador Depende da Depende da Constituição de cada Constituição de cada Estado Estado Depende da Constituição de cada Estado Procurador Geral de TJ (art. 96, III, da Assembleia Legislativa Justiça CF/88) Juízes estaduais, DF e TJ, ressalvado os TJ, ressalvado os membros do MPE. crimes eleitorais (TRE) crimes eleitorais (TRE) Deputados Estaduais Depende da Assembleia Legislativa Constituição de cada _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 13 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ Estado Prefeito (art. 27, §3º, da CF/88) TJ (art. 29, X, da Crimes de CF/88) responsabilidade (natureza criminal)= TJ (art. 29, X, c/c art. 1º do Decreto-Lei nº 201/67) Crimes de natureza político administrativa= Câmara de Vereadores (art. 31 da CF/88 c/c art. 4º do Decreto-Lei nº 201/67) Crimes federais= TRF Crimes eleitorais= TRE O Tribunal de Justiça (pleno ou órgão fracionário) julgará o prefeito, também nos seguintes casos: A) Crimes dolosos contra a vida; B) Crimes comuns tipificados no art. 1º do Decreto-Lei nº201/67 (natureza criminal); C) Crimes funcionais previstos no Código Penal (exemplo: arts. 150, §2º, 300, 301, 312 à 326, 359-A à 359-H); D) Abuso de autoridade (Lei nº 4898/65); E) Crime de prefeito em detrimento de bens, serviços ou interesse do município (QUANDO JÁ INCORPORADO OU INTERLIGADO AO PATRIMÔNIO DO MUNICÍPIO). Ex.: desvio de verbas federais repassadas ao município no caso de saúde. _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 14 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ Por outro lado, pode haver crimes de prefeito em detrimento de bens, serviços ou interesses da União, empresas públicas e autarquias federais, além da malversação de verbas recebidas da União sob condição e sujeitas a prestação de contas ao TCU, como por exemplo, desvio de verbas do fundo nacional de desenvolvimento da educação, fundo de participação dos municípios, fraude contra FGTS. Nos casos descritos no parágrafo anterior, o prefeito será julgado pelo TRF. No caso do prefeito ser réu em Ação Civil Pública e Ação Popular, ele será julgado pelo juízo de primeiro grau, nas Varas Especializadas da Fazenda Pública. PODER JUDICIÁRIO I) FUNÇÃO TÍPICA: Jurisdicional, ou seja, julgar as ações e resolver as lides e conflitos que lhes são apresentadas por meio de advogados, defensores públicos, promotores de justiça ou até mesmo pela própria parte, como no caso de impetração de habeas corpus. II) FUNÇÕES ATÍPICAS: Executiva (organização de suas secretarias, concessão de férias, licenças, etc) e legislativa (elaboração de seu regimento interno, código de organização judiciária, etc) III) GARANTIAS III.1) INSTITUCIONAIS _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 15 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ Orgânica e administrativa, conforme previsto no art. 96 da CF/88, bem como a independência financeira, estabelecida no art. 99 da CF/88. “Art. 96. Compete privativamente: I - aos tribunais: a) eleger seus órgãos diretivos e elaborar seus regimentos internos, com observância das normas de processo e das garantias processuais das partes, dispondo sobre a competência e o funcionamento dos respectivos órgãos jurisdicionais e administrativos; b) organizar suas secretarias e serviços auxiliares e os dos juízos que lhes forem vinculados, velando pelo exercício da atividade correicional respectiva; c) prover, na forma prevista nesta Constituição, os cargos de juiz de carreira da respectiva jurisdição; d) propor a criação de novas varas judiciárias; e) prover, por concurso público de provas, ou de provas e títulos, obedecido o disposto no art. 169, parágrafo único, os cargos necessários à administração da Justiça, exceto os de confiança assim definidos em lei; f) conceder licença, férias e outros afastamentos a seus membros e aos juízes e servidores que lhes forem imediatamente vinculados; II - ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores e aos Tribunais de Justiça propor ao Poder Legislativo respectivo, observado o disposto no art. 169: a) a alteração do número de membros dos tribunais inferiores; b) a criação e a extinção de cargos e a remuneração dos seus serviços auxiliares e dos juízos que lhes forem vinculados, bem como a fixação do subsídio de seus membros e dos juízes, inclusive dos tribunais inferiores, onde houver; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) c) a criação ou extinção dos tribunais inferiores; d) a alteração da organização e da divisão judiciárias; III - aos Tribunais de Justiça julgar os juízes estaduais e do Distrito Federal e Territórios, bem como os membros do Ministério Público, nos crimes comuns e de responsabilidade, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral.” “Art. 99. Ao Poder Judiciário é assegurada autonomia administrativa e financeira. _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 16 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ § 1º - Os tribunais elaborarão suas propostas orçamentárias dentro dos limites estipulados conjuntamente com os demais Poderes na lei de diretrizes orçamentárias. § 2º - O encaminhamento da proposta, ouvidos os outros tribunais interessados, compete: I - no âmbito da União, aos Presidentes do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, com a aprovação dos respectivos tribunais; II - no âmbito dos Estados e no do Distrito Federal e Territórios, aos Presidentes dos Tribunais de Justiça, com a aprovação dos respectivos tribunais. § 3º Se os órgãos referidos no § 2º não encaminharem as respectivas propostas orçamentárias dentro do prazo estabelecido na lei de diretrizes orçamentárias, o Poder Executivo considerará, para fins de consolidação da proposta orçamentária anual, os valores aprovados na lei orçamentária vigente, ajustados de acordo com os limites estipulados na forma do § 1º deste artigo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) § 4º Se as propostas orçamentárias de que trata este artigo forem encaminhadas em desacordo com os limites estipulados na forma do § 1º, o Poder Executivo procederá aos ajustes necessários para fins de consolidação da proposta orçamentária anual. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) § 5º Durante a execução orçamentária do exercício, não poderá haver a realização de despesas ou a assunção de obrigações que extrapolem os limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias, exceto se previamente autorizadas, mediante a abertura de créditos suplementares ou especiais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)” III.2) FUNCIONAIS INDEPENDÊNCIA (art. 95, I a III, da CF/88): * Vitaliciedade: O magistrado, após o estágio probatório de dois anos, adquire a garantia da vitaliciedade, ou seja, somente perderá o cargo após sentença judicial condenatória transitada em julgada. _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 17 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ Importante lembrar que a possibilidade do magistrado ser aposentado compulsoriamente por decisão administrativa (CNJ ou decisão plenária do TJ que está vinculado) não significa perda do cargo, mas sim desligamento de suas funções judicantes, pois, mesmo com a aplicação da pena administrativa de aposentadoria compulsória, o magistrado continua recebendo os subsídios proporcionais ao tempo de serviço, utilização da identidade funcional, etc. * Inamovibilidade: Tal garantia tem como fundamento impedir que o magistrado seja removido para uma comarca distante por conta de uma decisão por ele proferida, ou seja, o magistrado não pode ser punido com a sua remoção somente por causa de suas decisões. Isso não significa que ele não possa ser transferido da comarca onde se encontra, pois tal regra não é absoluta. Pode haver remoção por interesse público, cuja decisão será tomada pelo pleno do tribunal de justiça. * Irredutibilidade de vencimentos: Significa que o magistrado não pode ter os seus subsídios reduzidos. Todas as garantias acima servem ou tem o objetivo de proporcionar ao magistrado a independência para desempenhar as suas funções. IMPARCIALIDADE parágrafo único, I a IV, da CF/88): DOS ÓRGÃOS (art. 95, Vedações: Aos magistrados é vedado: * Exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério; * Receber, a qualquer título, custas processuais; * Dedicar-se a atividade político partidária; _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 18 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ * Exercer advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos 3 anos do afastamento por aposentadoria ou exoneração. IV) ESTRUTURA DO PODER JUDICIÁRIO No ápice da estrutura está o Supremo Tribunal Federal (STF). Abaixo do STF, estão os tribunais superiores, sendo estes: Superior Tribunal de Justiça (STJ), Tribunal Superior do Trabalho (TST), Superior Tribunal Militar (STM) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Abaixo dos tribunais superiores, estão os tribunais locais, regionais ou federais: Tribunais Regionais Federais (TRF´s), Tribunais Regionais do Trabalho (TRT´s), Tribunais de Justiça (TJ´s), Tribunais de Justiça Militar (TJM) e Tribunais Regionais Eleitorais (TRE´s). Por fim e, na base da estrutura da justiça, estão os juízes de primeiro grau, como os juízes federais, estaduais, do trabalho, eleitorais, etc. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF) Composição: 11 Ministros, indicados e nomeados pelo Presidente da República, devendo o nome indicado passar pela sabatina do Senado Federal e aprovado por maioria absoluta. Requisitos: A) ser brasileiro nato; B) ser mais de 35 e menos de 65 anos de idade; C) estar em pleno gozo dos direitos políticos; _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 19 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ D) notório saber jurídico e reputação ilibada. Competência: Art. 102, da CF/88 Analisar e julgar matéria eminentemente constitucional, seja o questionamento feito diretamente como no caso das ações diretas de inconstitucionalidade (ADI) ou indiretamente, como por exemplo, afronta ao direito constitucional de ampla defesa e contraditório no âmbito de uma ação penal ou civil. Excepcionalmente pode analisar matérias diversas da constituição, como exemplo, ação penal de competência originária do Supremo (deputado federal, senador da república, ministros de estado). “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I - processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) b) nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice-Presidente, os membros do Congresso Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República; c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art. 52, I, os membros dos Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 23, de 1999) d) o "habeas-corpus", sendo paciente qualquer das pessoas referidas nas alíneas anteriores; o mandado de segurança e o "habeas-data" contra atos do Presidente da República, das Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de Contas da União, do Procurador-Geral da República e do próprio Supremo Tribunal Federal; e) o litígio entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e a União, o Estado, o Distrito Federal ou o Território; _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 20 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ f) as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o Distrito Federal, ou entre uns e outros, inclusive as respectivas entidades da administração indireta; g) a extradição solicitada por Estado estrangeiro; i) o habeas corpus, quando o coator for Tribunal Superior ou quando o coator ou o paciente for autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à jurisdição do Supremo Tribunal Federal, ou se trate de crime sujeito à mesma jurisdição em uma única instância; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 22, de 1999) j) a revisão criminal e a ação rescisória de seus julgados; l) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões; m) a execução de sentença nas causas de sua competência originária, facultada a delegação de atribuições para a prática de atos processuais; n) a ação em que todos os membros da magistratura sejam direta ou indiretamente interessados, e aquela em que mais da metade dos membros do tribunal de origem estejam impedidos ou sejam direta ou indiretamente interessados; o) os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e quaisquer tribunais, entre Tribunais Superiores, ou entre estes e qualquer outro tribunal; p) o pedido de medida cautelar das ações diretas de inconstitucionalidade; q) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição do Presidente da República, do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das Mesas de uma dessas Casas Legislativas, do Tribunal de Contas da União, de um dos Tribunais Superiores, ou do próprio Supremo Tribunal Federal; r) as ações contra o Conselho Nacional de Justiça e contra o Conselho Nacional do Ministério Público; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) II - julgar, em recurso ordinário: a) o "habeas-corpus", o mandado de segurança, o "habeasdata" e o mandado de injunção decididos em única instância pelos Tribunais Superiores, se denegatória a decisão; b) o crime político; III - julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo desta Constituição; b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 21 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição. d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) § 1.º A argüição de descumprimento de preceito fundamental, decorrente desta Constituição, será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, na forma da lei. (Transformado em § 1º pela Emenda Constitucional nº 3, de 17/03/93) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) § 3º No recurso extraordinário o recorrente deverá demonstrar a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que o Tribunal examine a admissão do recurso, somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois terços de seus membros. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)” SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ) Composição: 33 Ministros, sendo: 1/3 provenientes dos TRF´s 1/3 de Desembargadores dos TJ´s 1/6 Advogados (OAB) 1/6 do Ministério Público (MP) No caso da cota destinada aos TRF´s e TJ´s, o STJ elaborará uma lista tríplice, a qual será encaminhada ao Presidente da República que indicará um nome, sendo que o indicado deverá passar pela sabatina do Senado Federal. _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 22 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ No caso da vaga destinada à OAB e ao MP, estes elaborarão uma lista sêxtupla, a qual será submetida à apreciação do STJ. O STJ, em sessão plenária, transformará a lista sêxtupla em lista tríplice, a qual será encaminhada ao Presidente da República, que indicará um nome, sendo que este não passará pelo crivo da sabatina do Senado Federal. Requisitos: A) ter mais de 35 e menos de 65 anos de idade; B) ser brasileiro nato ou naturalizado; C) notório saber jurídico e reputação ilibada. Competência: Art. 105, da CF/88 Analisar matéria de ordem infraconstitucional e uniformizar a jurisprudência no âmbito dos tribunais inferiores. Importante ressaltar que o STJ e o STF não analisam matéria probatória. Só analisam questão de direito. “Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: I - processar e julgar, originariamente: a) nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal, e, nestes e nos de responsabilidade, os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, os dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do Ministério Público da União que oficiem perante tribunais; b) os mandados de segurança e os habeas data contra ato de Ministro de Estado, dos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica ou do próprio Tribunal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 23, de 1999) _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 23 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ c) os habeas corpus, quando o coator ou paciente for qualquer das pessoas mencionadas na alínea "a", ou quando o coator for tribunal sujeito à sua jurisdição, Ministro de Estado ou Comandante da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 23, de 1999) d) os conflitos de competência entre quaisquer tribunais, ressalvado o disposto no art. 102, I, "o", bem como entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes vinculados a tribunais diversos; e) as revisões criminais e as ações rescisórias de seus julgados; f) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões; g) os conflitos de atribuições entre autoridades administrativas e judiciárias da União, ou entre autoridades judiciárias de um Estado e administrativas de outro ou do Distrito Federal, ou entre as deste e da União; h) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição de órgão, entidade ou autoridade federal, da administração direta ou indireta, excetuados os casos de competência do Supremo Tribunal Federal e dos órgãos da Justiça Militar, da Justiça Eleitoral, da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal; i) a homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas rogatórias;(Incluída pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) II - julgar, em recurso ordinário: a) os "habeas-corpus" decididos em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão for denegatória; b) os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão; c) as causas em que forem partes Estado estrangeiro ou organismo internacional, de um lado, e, do outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no País; III - julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida: a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência; _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 24 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal. Parágrafo único. Funcionarão junto ao Superior Tribunal de Justiça: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) I - a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados, cabendo-lhe, dentre outras funções, regulamentar os cursos oficiais para o ingresso e promoção na carreira; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) II - o Conselho da Justiça Federal, cabendo-lhe exercer, na forma da lei, a supervisão administrativa e orçamentária da Justiça Federal de primeiro e segundo graus, como órgão central do sistema e com poderes correicionais, cujas decisões terão caráter vinculante. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)” TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS (TRF´s) Composição: No mínimo, 7 juízes recrutados quando possível, na mesma região. 4/5 das vagas são destinadas aos juízes de carreira e 1/5 destinada ao MP e à OAB. Competência: Art. 108 e 109, ambos da CF/88. “Art. 108. Compete aos Tribunais Regionais Federais: I - processar e julgar, originariamente: a) os juízes federais da área de sua jurisdição, incluídos os da Justiça Militar e da Justiça do Trabalho, nos crimes comuns e de responsabilidade, e os membros do Ministério Público da União, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral; b) as revisões criminais e as ações rescisórias de julgados seus ou dos juízes federais da região; _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 25 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ c) os mandados de segurança e os "habeas-data" contra ato do próprio Tribunal ou de juiz federal; d) os "habeas-corpus", quando a autoridade coatora for juiz federal; e) os conflitos de competência entre juízes federais vinculados ao Tribunal; II - julgar, em grau de recurso, as causas decididas pelos juízes federais e pelos juízes estaduais no exercício da competência federal da área de sua jurisdição.” “Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho; II - as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e Município ou pessoa domiciliada ou residente no País; III - as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou organismo internacional; IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral; V - os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente; V-A as causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5ºdeste artigo;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira; VII - os "habeas-corpus", em matéria criminal de sua competência ou quando o constrangimento provier de autoridade cujos atos não estejam diretamente sujeitos a outra jurisdição; VIII - os mandados de segurança e os "habeas-data" contra ato de autoridade federal, excetuados os casos de competência dos tribunais federais; IX - os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da Justiça Militar; _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 26 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ X - os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a execução de carta rogatória, após o "exequatur", e de sentença estrangeira, após a homologação, as causas referentes à nacionalidade, inclusive a respectiva opção, e à naturalização; XI - a disputa sobre direitos indígenas. § 1º - As causas em que a União for autora serão aforadas na seção judiciária onde tiver domicílio a outra parte. § 2º - As causas intentadas contra a União poderão ser aforadas na seção judiciária em que for domiciliado o autor, naquela onde houver ocorrido o ato ou fato que deu origem à demanda ou onde esteja situada a coisa, ou, ainda, no Distrito Federal. § 3º - Serão processadas e julgadas na justiça estadual, no foro do domicílio dos segurados ou beneficiários, as causas em que forem parte instituição de previdência social e segurado, sempre que a comarca não seja sede de vara do juízo federal, e, se verificada essa condição, a lei poderá permitir que outras causas sejam também processadas e julgadas pela justiça estadual. § 4º - Na hipótese do parágrafo anterior, o recurso cabível será sempre para o Tribunal Regional Federal na área de jurisdição do juiz de primeiro grau. § 5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal.”(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO (TST) Composição: 27 Ministros, sendo: 4/5 destinados aos juízes dos TRT´s, indicados pelo próprio TST, nomeados pelo Presidente da República após sabatina do Senado Federal, onde deverá ser aprovado por maioria absoluta. _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 27 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ 1/5 das vagas destinadas ao MP e OAB. O Ministério Público e a OAB elaboram listas sêxtuplas e o TST transformará estes seis nomes apresentados em uma lista tríplice, a qual será encaminhada ao Presidente da República, o qual indicará um nome. Competência: Art. 111-A, §1º, da CF/88. Art. 111-A. O Tribunal Superior do Trabalho compor-se-á de vinte e sete Ministros, escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos, nomeados pelo Presidente da República após aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (...) § 1º A lei disporá sobre a competência do Tribunal Superior do Trabalho.”(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) TRIBUNAIS REGIONAIS DO TRABALHO (TRT´s) Composição: No mínimo 7 juízes recrutados quando possível, na mesma região e nomeados pelo Presidente da República 4/5 das vagas são destinadas aos juízes de carreira e 1/5 destinada ao MP e à OAB. O MP e a OAB realizam listas sêxtuplas e o TRT transformará os nomes apresentados em uma lista tríplice, a qual será encaminhada ao Presidente da República, que por sua vez, escolherá um nome. Competência: Art. 114 da CF/88 _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 28 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ Ações de dano moral ou patrimonial, decorrente da relação de trabalho. Mandado de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato questionado for de sua jurisdição, ou seja, quando emanados da própria justiça do trabalho. “Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) I as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) II as ações que envolvam exercício do direito de greve; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) III as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) IV os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data , quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) V os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, ressalvado o disposto no art. 102, I, o; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) VI as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) VII as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) VIII a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a , e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) IX outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) § 1º - Frustrada a negociação coletiva, as partes poderão eleger árbitros. _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 29 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ § 2º Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho, bem como as convencionadas anteriormente. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) § 3º Em caso de greve em atividade essencial, com possibilidade de lesão do interesse público, o Ministério Público do Trabalho poderá ajuizar dissídio coletivo, competindo à Justiça do Trabalho decidir o conflito.” (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL (TSE) Composição: 7 Ministros, sendo: 3 provenientes do STF, que escolherá mediante votação secreta; 2 provenientes do STJ, que também escolherá mediante votação secreta; 2 advogados. O STF elaborará uma lista sêxtupla e encaminhará ao Presidente da República, que escolherá os dois advogados, sendo que os nomes indicados não passarão pela sabatina do Senado Federal. Os cargos de Presidente e Vice Presidente do TSE serão exercidos pelos Ministros provenientes do STF, ao passo que o cargo de Corregedor será desempenhado pelo Ministro oriundo do STJ. TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL (TRE) Composição: 7 desembargadores, sendo: _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 30 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ 2 desembargadores do Tribunal de Justiça local; 2 juízes de direito do mesmo Tribunal de Justiça; 1 juiz federal, com atuação na seção judiciária da capital e escolhido pelo TRF; 2 advogados O TJ local elabora uma lista sêxtupla e encaminha ao Presidente da República, o qual escolherá 2 advogados. Os cargos de Presidente e Vice Presidente do TRE serão ocupados pelos desembargadores oriundos do TJ. SUPERIOR TRIBUNAL MILITAR (STM) Composição: 15 Ministros, sendo: 3 oficiais da Marinha com as mais altas patentes; 4 oficiais do Exército com as mais altas patentes; 3 oficiais da Aeronáutica, com as mais altas patentes; 5 civis, os quais serão: - 3 advogados; - 1 juiz auditor; - 1 Ministério Público Militar. O Presidente da República indica os 15 nomes a ocuparem as vagas, seguintes os critérios acima expostos e o Senado Federal faz a sabatina de todos eles, devendo os nomes indicados serem aprovados por maioria simples. Após, os mesmos serão nomeados pelo Presidente da República. _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 31 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ Importante registrar que os nomes indicados pelo Presidente e oriundos das forças armadas (marinha, exército ou aeronáutica), deverão ser brasileiros natos. Já os civis poderão ser brasileiros natos ou naturalizados. A justiça militar da União é composta pelo STM, auditoria de correição, conselhos de justiça, juízes auditores e juízes auditores substitutos. Não julga matéria disciplinar, pois isto é função das corregedorias. TRIBUNAL DE JUSTIÇA MILITAR (TJM) (ESTADUAL) A justiça militar estadual é realizada pelo Tribunal de Justiça. Somente haverá um tribunal próprio, ou seja, somente haverá um tribunal específico para processar e julgar apenas militares, caso haja mais de 20.000 integrantes efetivos militares, conforme estabelece o art. 125, §3º, da CF/88. “Art. 125. Os Estados organizarão sua Justiça, observados os princípios estabelecidos nesta Constituição. (...) § 3º A lei estadual poderá criar, mediante proposta do Tribunal de Justiça, a Justiça Militar estadual, constituída, em primeiro grau, pelos juízes de direito e pelos Conselhos de Justiça e, em segundo grau, pelo próprio Tribunal de Justiça, ou por Tribunal de Justiça Militar nos Estados em que o efetivo militar seja superior a vinte mil integrantes.” (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) No Brasil há TJM em pelo menos 3 Estados (SP, MG e RS). _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 32 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ TRIBUNAL DE JUSTIÇA (TJ) Composição: Depende de número de habitantes relacionados com o número de processos existentes naquela localidade Competência: Residual, ou seja, tudo aquilo que não for de competência da justiça especializada (federal, eleitoral, do trabalho, militar, etc.), será de competência da justiça estadual. Assim, a sua competência é fixada por exclusão. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA (CNJ) Composição: 15 Conselheiros, sendo que: - o STF indica um desembargador do TJ e um juiz estadual; - o STJ indica um Ministro do próprio STJ, um desembargador federal e um juiz federal; - o TST indica um Ministro do próprio TST, um desembargador do trabalho e um juiz do trabalho; - o Procurador Geral da União indica um membro do MPU e um membro do MPE; - o Conselho Federal da OAB indica dois advogados; - a Câmara dos Deputados Federais indica um cidadão e; - o Senado Federal também indica um cidadão. _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 33 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ O Presidente do STF será o Presidente do CNJ e exercerá mandato de 2 anos, sendo que em casos de impedimentos e ausência, quem responderá será o Vice Presidente do STF. A atuação do CNJ é apenas administrativa e financeira para cumprimento dos deveres funcionais da magistratura. Pode receber reclamações contra juízes, auxiliares e serventias (cartórios extrajudiciais). Pode rever processos administrativos disciplinares contra magistrados. OBS.: Não pode rever as decisões dos magistrados no âmbito do processo. MINISTÉRIO PÚBLICO (MP) O Ministério Público é uma instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais homogêneos (art. 127 da CF/88). Funções: art. 129 da CF/88. “Art. 127. O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. § 1º - São princípios institucionais do Ministério Público a unidade, a indivisibilidade e a independência funcional. § 2º Ao Ministério Público é assegurada autonomia funcional e administrativa, podendo, observado o disposto no art. 169, propor ao Poder Legislativo a criação e extinção de seus cargos e serviços auxiliares, provendo-os por concurso público de provas ou de provas e títulos, a política remuneratória e os planos de carreira; a lei disporá sobre sua organização e funcionamento. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 34 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ § 3º - O Ministério Público elaborará sua proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias. § 4º Se o Ministério Público não encaminhar a respectiva proposta orçamentária dentro do prazo estabelecido na lei de diretrizes orçamentárias, o Poder Executivo considerará, para fins de consolidação da proposta orçamentária anual, os valores aprovados na lei orçamentária vigente, ajustados de acordo com os limites estipulados na forma do § 3º. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) § 5º Se a proposta orçamentária de que trata este artigo for encaminhada em desacordo com os limites estipulados na forma do § 3º, o Poder Executivo procederá aos ajustes necessários para fins de consolidação da proposta orçamentária anual. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) § 6º Durante a execução orçamentária do exercício, não poderá haver a realização de despesas ou a assunção de obrigações que extrapolem os limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias, exceto se previamente autorizadas, mediante a abertura de créditos suplementares ou especiais.” (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) “Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: I -promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei; II - zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia; III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos; IV - promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção da União e dos Estados, nos casos previstos nesta Constituição; V - defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas; VI - expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei complementar respectiva; VII - exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei complementar mencionada no artigo anterior; _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 35 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ VIII - requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais; IX - exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas. § 1º - A legitimação do Ministério Público para as ações civis previstas neste artigo não impede a de terceiros, nas mesmas hipóteses, segundo o disposto nesta Constituição e na lei. § 2º As funções do Ministério Público só podem ser exercidas por integrantes da carreira, que deverão residir na comarca da respectiva lotação, salvo autorização do chefe da instituição. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) § 3º O ingresso na carreira do Ministério Público far-se-á mediante concurso público de provas e títulos, assegurada a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em sua realização, exigindo-se do bacharel em direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica e observando-se, nas nomeações, a ordem de classificação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) § 4º Aplica-se ao Ministério Público, no que couber, o disposto no art. 93. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) § 5º A distribuição de processos no Ministério Público será imediata.” (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) Lei nº 8625/93 (Lei Orgânica do Ministério Público Estadual) Lei Complementar nº 75/93 (Lei Orgânica do Ministério Público da União). O MP é composto pelo Ministério Público da União (MPU) e dos Estados (MPE), sendo que o MPU abrange o Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Militar (MPM) e Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 36 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ - Chefe do MPU: Procurador Geral da República, nomeado pelo Presidente da República após aprovação por maioria absoluta do Senado Federal. Exercerá mandato de dois anos, sendo possível haver várias reconduções. - Chefe do MPE: Procurador Geral de Justiça. Há eleição interna dentro do MPE, sendo que os três membros mais votados formarão a lista tríplice, a qual será encaminhada ao Governador do Estado, que por sua vez, nomeará um nome. É costume o Governador (em todos os Estados da federação) nomear o mais votado, mais isso não é obrigatório. Em alguns Estados, Mato Grosso por exemplo, podem participar da eleição para Procurador Geral de Justiça não só os Procuradores de Justiça, como também os Promotores de Justiça. O mandato será de dois anos, permitida uma única recondução. PRINCÍPIOS INSTITUCIONAIS 1) Unidade: A instituição é única, sendo que a divisão existente é apenas e tão somente administrativa. 2) Indivisibilidade; É consequência do princípio anterior. Assim, é possível que um promotor de justiça realize um parecer no lugar de outro promotor. 3) Independência funcional. O promotor é livre, funcionalmente, para desempenhar as suas atividades, sendo que a sua vinculação ao Procurador Geral é _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 37 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ apenas de ordem administrativa, como ocorre, por exemplo, no caso em que o promotor opine pelo arquivamento de inquérito policial por entender que não elementos para o oferecimento de denúncia (ação penal) – art. 28 do CPP. GARANTIAS INSTITUCIONAIS A) Autonomia funcional; B) Autonomia administrativa; C) Autonomia financeira Devido às autonomias acima mencionadas, discute-se no âmbito da doutrina, se o Ministério Público é ou não um quarto poder, pois possui todas as características de poder, ou seja, é autônomo e independente. No entanto, a doutrina majoritária entende que não, pois os poderes são apenas e tão somente três, ou seja, o sistema organizacional e político brasileiro adotou a teoria tripartite de poder de Montesquieu, embora o poder seja uno e emana do povo, que o exerce direta ou indiretamente, como afirma o art. 1º, parágrafo único, da nossa atual CF. IMPEDIMENTOS: * Receber honorários, percentagens ou custas processuais; * Exercer advocacia perante o juízo ou tribunal 3 anos após a sua aposentadoria ou exoneração; * Exercer atividade político partidária; Aquelas pessoas que ingressaram no Ministério Público antes da Constituição Federal de 1988, poderão exercer a advocacia privada, desde que não seja contra a fonte pagadora ou tenha ações no juízo desempenha as suas funções ministeriais. _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 38 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ Estas mesmas pessoas poderão exercer atividade político partidária. Por outro lado, as pessoas que ingressaram no Ministério Público após a promulgação da nossa atual Constituição, estão proibidas de exercerem, concomitantemente à sua função ministerial, advocacia privada ou atividade político partidária. Se desejarem exercer atividade político partidária deverão pedir exoneração ou aposentadoria e não simples afastamento ou ocorria no passado. É o caso dos Senadores da República Pedro Taques (exoneração) e do ex Senador da República Demóstenes Torres (afastamento). * Participar de sociedade comercial; * Exercer outro cargo, ainda que disponível, salvo uma de magistério; * Exercer representação judicial e consultoria jurídica de entidades públicas, pois quem desempenha tal papel atualmente é a advocacia pública (AGU, PGE ou PGM). CONSELHO PÚBLICO (CNMP) NACIONAL DO MINISTÉRIO O CNMP foi criado com a EC 45/04 e tem a função de exercer o controle externo e administrativo de todo o Ministério Público. _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 39 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ ADVOCACIA PÚBLICA ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO (AGU) A AGU representa a União, judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe, nos termos da lei complementar, as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo (art. 131, “caput”, da CF/88). “Art. 131. A Advocacia-Geral da União é a instituição que, diretamente ou através de órgão vinculado, representa a União, judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe, nos termos da lei complementar que dispuser sobre sua organização e funcionamento, as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo.” Antes da CF/88, a advocacia pública era exercida pelo MPU. Com a CF/88, aos membros do MPU foi oportunizado o direito de escolha entre continuar no MPU ou a nova carreira jurídica (AGU), nos termos do art. 29, §2º do ADCT. “Art. 29. Enquanto não aprovadas as leis complementares relativas ao Ministério Público e à Advocacia-Geral da União, o Ministério Público Federal, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, as Consultorias Jurídicas dos Ministérios, as Procuradorias e Departamentos Jurídicos de autarquias federais com representação própria e os membros das Procuradorias das Universidades fundacionais públicas continuarão a exercer suas atividades na área das respectivas atribuições. (...) § 2º - Aos atuais Procuradores da República, nos termos da lei complementar, será facultada a opção, de forma irretratável, entre as carreiras do Ministério Público Federal e da Advocacia-Geral da União.” _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 40 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ O chefe da AGU é o Advogado Geral da União, de livre nomeação pelo Presidente da República dentre os cidadãos com mais de 35 anos, reputação ilibada e notório saber jurídico. Importante ressaltar que o Advogado Geral da União a ser nomeado pelo Presidente da República não precisa pertencer ao quadro de carreira da Advocacia Geral da União, ou seja, não precisa ser Advogado da União efetivo (concursado). Trata-se de ato discricionário do Chefe do Poder Executivo. O Advogado Geral da União tem status de Ministro de Estado. A execução das dívidas tributárias fica a cargo da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). PROCURADORIA GERAL DO ESTADO (PGE) A representação judicial e extrajudicial dos Estados e DF, bem como a assessoria jurídica é exercida pela PGE. Forma de ingresso na carreira: concurso público com a participação da OAB em todas as fases, inscrição como advogado junto à OAB e prática jurídica de 2 ou 3 anos, dependendo de cada Estado de nossa federação. Estágio probatório de 3 anos. Em alguns Estados, como por exemplo, MT, RN, RJ, PE, os Procuradores do Estado podem exercerem advocacia privada. O chefe da PGE é o Procurador Geral do Estado, nomeado pelo Governador do Estado, no entanto, o Procurador Geral deve pertencer ao quadro dos Procuradores do Estado efetivo (concursados). O Procurador Geral do Estado tem status de Secretário de Estado. _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 41 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ PROCURADORIA GERAL DO MUNCÍPIO (PGM) Quem exerce a advocacia pública, realizando a atividade de representação judicial e extrajudicial, bem como a assessoria jurídica dos municípios, é a PGM. O chefe da PGM é o Procurador Geral do Município, de livre nomeação pelo Prefeito do Município e não precisa pertencer à carreira dos Procuradores do Município efetivos (concursados). É ato discricionário do chefe do Poder Executivo municipal. DEFENSORIA PÚBLICA Foi criada com a CF/88 para atender o disposto no art. 5º, LXXIV, da CF/88, o qual prevê o acesso de todos à justiça, de forma integral e gratuita. “Art. 5º (...) LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos;” Quando se fala em acesso integral, significa a atuação do Defensor Público tanto na esfera judicial quanto administrativa para a exercício da defesa dos necessitados, ou seja, daqueles que não tem condições financeiras para constituírem advogado privado. A Defensoria Pública está prevista no art. 134 da CF/88 e na Lei Complementar nº 80/94. “Art. 134. A Defensoria Pública é instituição essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa, em todos os graus, dos necessitados, na forma do art. 5º, LXXIV.) § 1º Lei complementar organizará a Defensoria Pública da União e do Distrito Federal e dos Territórios e prescreverá _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 42 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ normas gerais para sua organização nos Estados, em cargos de carreira, providos, na classe inicial, mediante concurso público de provas e títulos, assegurada a seus integrantes a garantia da inamovibilidade e vedado o exercício da advocacia fora das atribuições institucionais. (Renumerado pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) § 2º Às Defensorias Públicas Estaduais são asseguradas autonomia funcional e administrativa e a iniciativa de sua proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias e subordinação ao disposto no art. 99, § 2º.” (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) A Defensoria Pública deve estar presente no âmbito da União, Estados, DF e Território, sendo que a Defensoria Pública da União poderá atuar nos Estados e DF e deverá atuar junto à justiça federal, do trabalho, eleitoral, militar, tribunais superiores e instâncias administrativas da União. AUTONOMIA - Funcional; - Administrativa; - Competência para apresentar proposta orçamentária (art. 134, §2º, da CF/88, alterado pela EC 45/04) PRERROGATIVAS - Intimação pessoal - Prazos processuais em dobro (art. 44, I, art. 89, I, art. 128, I, todos da LC nº 80/94) Não se aplica o prazo em dobro no âmbito dos juizados especiais em razão dos princípios da celeridade, isonomia e especialidade _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 43 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ (entendimento da Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais junto ao CNJ). - Vedação ao exercício da advocacia privada, mesmo àqueles que ingressaram na carreira antes de 1988 (art. 22 do ADCT). “Art. 22. É assegurado aos defensores públicos investidos na função até a data de instalação da Assembléia Nacional Constituinte o direito de opção pela carreira, com a observância das garantias e vedações previstas no art. 134, parágrafo único, da Constituição.” - Ação civil progressiva do art. 68, do CPP) ex delicto (inconstitucionalidade Segundo o Supremo Tribunal Federal, o MP pode atuar e tem legitimidade para propor tal ação, pois a Defensoria Pública ainda não está instalada de forma integral e efetiva em todo o território nacional. - Pode a Defensoria Pública propor Ação Civil Pública? Segundo o STF, a Lei nº 11448/07 que alterou o art. 5º da Lei nº 7347/85, pode a Defensoria Pública propor ação civil pública, desde que se adequada para missão constitucional específica da Defensoria, ou seja, orientação jurídica e a defesa dos necessitados. DEFESA DO ESTADO E DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS I) DEFESA DO ESTADO Quando se fala em defesa do Estado, subentende-se a defesa do território nacional contra eventuais invasões estrangeiras, defesa da soberania nacional e defesa da pátria. _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 44 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ A defesa das instituições democráticas caracteriza-se como o equilíbrio da ordem constitucional, não havendo preponderância de um grupo sobre o outro, mas, na realidade, o equilíbrio entre os grupos de poder (harmonia e independência entre os poderes). II) MECANISMOS PARA RESTAURAR A NORMALIDADE A) Decretação do estado de defesa; B) Decretação do estado de sítio; C) Forças armadas; D) Segurança pública. III) ESTADO DE DEFESA É utilizado como forma de preservar ou restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza. Art. 136, “caput” da CF: “Art. 136. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, decretar estado de defesa para preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza.” III.1) PROCEDIMENTO 1) Consulta aos Conselhos da República e Defesa Nacional. _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 45 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ Os referidos conselhos elaborarão pareceres sobre a viabilidade e necessidade de decretação do estado de defesa. Importante ressaltar que tais pareceres são meramente opinativos, ou seja, o Presidente da República não está vinculado aos mesmos e pode, mesmo com manifestação contrária dos conselhos, decretar o estado de defesa. 2) Decretação pelo Presidente da República, por meio de DECRETO PRESIDENCIAL e determinará: A) O tempo de duração; Sendo o estado de defesa uma instabilidade provisória, o estado de defesa tem prazo certo para começar e terminar. Assim, o estado de defesa terá prazo de 30 dias, podendo ser prorrogado, uma única vez, por mais 30 dias. B) A área a ser abrangida (locais restritos e determinados); C) Medidas coercitivas: C.1 – restrições aos direitos de reuniões, sigilo de correspondência e comunicação; C.2 – restrição quando a garantia prevista no art. 5º, LXI, da CF/88, ou seja, maior facilidade quanto à prisão. Importante frisar que embora haja restrição à referida garantia constitucional, deve a prisão ser comunicada ao juiz, que poderá relaxá-la. C.3 – ocupação e uso temporário de bens e serviços; C.4 – vedada a incomunicabilidade entre os presos. IV) ESTADO DE SÍTIO: _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 46 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ É decretada em caso de comoção grave de repercussão nacional (se fosse de repercussão restrita e em local determinado, seria hipótese, primeiro, de decretar estado de defesa). Pode haver estado de sítio quando se verificar a ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado de defesa, portanto, pressupõe uma situação de maior gravidade. Por fim, em caso de possível invasão do território brasileiro por país estrangeiro, há declaração de estado de guerra ou resposta à agressão armada estrangeira. Art. 137, “caput”, da CF: “Art. 137. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, solicitar ao Congresso Nacional autorização para decretar o estado de sítio nos casos de: I - comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado de defesa; II - declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira. Parágrafo único. O Presidente da República, ao solicitar autorização para decretar o estado de sítio ou sua prorrogação, relatará os motivos determinantes do pedido, devendo o Congresso Nacional decidir por maioria absoluta.” IV.1) PROCEDIMENTO 1) Consulta prévia aos Conselhos da República e de Defesa Nacional, que também elaborarão pareceres opinativos sobre a viabilidade e necessidade de decretação do estado de sítio. 2) Decretação pelo Presidente da República por meio de decreto. _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 47 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ Deve haver prévia solicitação pelo Presidente da República de autorização ao Congresso Nacional, que manifestará por maioria absoluta de seus membros. O Decreto presidencial de estado de sítio deverá: A) indicar a sua duração; Por ser uma gravidade maior, o estado de sítio não tem prazo para encerrar. Inicialmente será decretada pelo prazo de 30 trinta dias, podendo ser prorrogada sucessivas vezes. No caso de guerra não prorrogação, ou seja, o decreto vigorará pelo período que durar a guerra. B) as normas necessárias à sua exclusão; C) as garantias constituições que ficarão suspensas. Medidas coercitivas: - obrigação de permanência em localidade determinada; - restrições relativas à inviolabilidade da correspondência, sigilo das comunicações, prestação de informação à imprensa, rádio e TV; - suspensão da liberdade de reunião; - busca e apreensão em domicílio; - intervenção nas empresas de serviços públicos; - requisição de bens. Em caso de guerra, qualquer direito constitucional pode ser suspenso, desde que observados os princípios da necessidade e temporariedade e prévia autorização do Congresso Nacional. _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 48 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ V) FORÇAS ARMADAS É composta pelo: - Comando da Marinha; - Comando da Aeronáutica e; - Comando do Exército. Os comandos das forças armadas estão subordinados diretamente ao Ministério da Defesa e ao Presidente da República. OBS.: Importante frisar que não existe mais os Ministérios da Marinha, Exército e Aeronáutica, pois a Emenda Constitucional nº 23/99, transformou todos estes Ministérios em Comandos, e criou-se um Ministério próprio que engloba todas as forças armadas (Ministério da Defesa). As forças armadas são instituições nacionais permanentes e regulares, destinadas à defesa da pátria, a garantia dos poderes constitucionais, da lei e da ordem. Por estarem os comandos subordinados diretamente ao Presidente da República, pode este aplicar sanções disciplinares e administrativas. Art. 142, da CF: “Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.” VI) SEGURANÇA PÚBLICA A segurança pública é exercida e desempenhada pela polícia, que se divide em dois grandes grupos: polícia administrativa (preventiva ou ostensiva) e polícia judiciária (investigativa ou repressiva). _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 49 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ A polícia administrativa atua preventivamente, evitando que o crime aconteça, como é o caso da ocorrência de blitz nas ruas e estradas realizada pela polícia militar ou rodoviária para verificar as condições do veículo, se o condutor está com a CNH vencida, se está dirigindo com sinais de ter ingerido bebida alcoólica. Pelo mesmo motivo é que o corpo de bombeiros realiza vistorias, antes do pode público autorizar, o funcionamento de casas noturnas. São atos que visam evitar que ilícitos e danos ocorram, como por exemplo, evitar atropelamento e mortes no trânsito ou ainda, evitar crimes como o que aconteceu na Boate Kiss, em Santa Maria/RS. No âmbito federal, a polícia administrativa é exercida pela Polícia Federal (PF), Polícia Ferroviária Federal (PFF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF) e, no âmbito estadual pelo Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária Estadual (PRE) e Polícia Militar (PM). Já a polícia judiciária atua quando o ilícito penal já ocorreu, ou seja, o seu trabalho é investigar e recolher material probatório no intuito de descobrir quem foi o autor e o responsável pelo ilícito. No âmbito federal, é exercida pela Polícia Federal (PF) e na esfera estadual pela Polícia Civil (PJC ou PC). É possível a cooperação entre a União, Estados e DF e a Força Nacional de Segurança Pública (Lei nº 11473/07). A cooperação compreende operações conjuntas, transferência de recursos e desenvolvimento de atividades de capacitação e qualificação de profissionais. A Força Nacional de Segurança Pública atuará somente em atividades de policiamento ostensivo (preventivo), destinadas à preservação da ordem pública e da incolumidade (integridade) das pessoas e do patrimônio. Foi criada para auxiliar os Estados e Municípios em momentos de crise, como por exemplo, a ocupação do Morro do Alemão, Favela da Rocinha, quando houve a grave dos policiais no Estado da Bahia _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 50 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ um mês antes de começar o carnaval, ou ainda na operação arco de fogo em nosso Estado, quando o controle das queimadas estava fugindo do controle e capacidade de Mato Grosso. OBS.: Os policiais militares são integrantes das forças armadas (marinha, exército e aeronáutica), como também integrantes das forças auxiliares da reserva do exército. Fundamento: art. 42, §1º c/c art. 142, §3º, ambos da CF/88. “Art. 42 Os membros das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, instituições organizadas com base na hierarquia e disciplina, são militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) § 1º Aplicam-se aos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios, além do que vier a ser fixado em lei, as disposições do art. 14, § 8º; do art. 40, § 9º; e do art. 142, §§ 2º e 3º, cabendo a lei estadual específica dispor sobre as matérias do art. 142, § 3º, inciso X, sendo as patentes dos oficiais conferidas pelos respectivos governadores.” (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) “Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. (...) § 3º Os membros das Forças Armadas são denominados militares, aplicando-se-lhes, além das que vierem a ser fixadas em lei, as seguintes disposições: (...)” (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 51 DIREITO CONSTITUCIONAL (ORGANIZAÇÃO DO Estado) _____________________________________________________________________________________ Por fim, as guardas municipais correspondem apenas e tão somente ao policiamento administrativo da cidade e proteção do patrimônio público. _____________________________________________________________________________ Profº Rodolfo Cezar Cassiano 52