Abrafrigo
até que
enfim!
O dragão do PIS-COFINS foi
finalmente vencido. No último dia
13 de outubro o presidente da
república assinou a lei que isenta
os frigoríficos do pagamento
desses tributos
ta
is
Revista da
O responsável pelo
departamento de
Comércio Exterior,
Thomas C.S. Kim, fala
sobre tendências
do mercado
ev
tr
en
eD. Nº 3 | ANO 1 | Nov. DE 2009
ja
› ABRAFRIGO muda estatuto para
se modernizar e cria Conselho de
Administração
ve
› ABRAFRIGO cria
Departamento de Comércio
Exterior para seus associados
Uma decisão histórica
Expediente
redação e
Projeto gráfico
Editora Ecocidade
www.ecocidade.com.br
[email protected]
41 3082-8877
jornalista
responsável
Bernardo Staviski
impressão
Gráfica Capital
tiragem
5.000
Esta edição da Revista da Abrafrigo tem muito o que comemorar.
Afinal, foram quase cinco anos de
uma luta diária em quase todos os
escalões da área econômica do governo federal para convencer o governo a
restabelecer o equilíbrio e um retorno a uma mais leal competição no setor de carnes.
Conseguimos juntar um belo time de deputados e
senadores para levar adiante a desoneração do PIS/
Cofins, livrando os pequenos e médios frigoríficos brasileiros de impostos que não podiam pagar
porque não possuíam capacidade contributiva para
isso. E o resultado saiu no dia 14 de outubro passado, quando o Diário Oficial da União publicou a Lei
12.058 assinada pelo Presidente Luis Inácio Lula da
Silva, que finalmente tornou uma realidade definitiva esta isenção tão importante para o setor. Sem os
4,5% sobre o faturamento bruto que eram obrigados
a pagar, as empresas terão, a partir de agora, melhores condições de investir em qualidade e atualizar
sua tecnologia reduzindo os riscos de simplesmente
fecharem as portas. No fundo porém, quem ganhou
foi o povo brasileiro que terá mais produtos inspecionados pelos serviços governamentais e uma melhor garantia sobre o que consome, já que com a Lei
não existe mais motivo para existir o abate clandestino que deverá diminuir e muito em todo o país.
Além dos integrantes e associados da Abrafrigo, que colaboraram em todas as situações com a
estratégia de ir convencendo o governo aos poucos
para a realidade e as dificuldades do setor, o sucesso
da empreitada muito se deve ao apoio obtido junto
ao Vice-Presidente da República, José Alencar, ao
Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, ao exsenador pelo PMDB do Tocantins, Leomar Quintanilha, e aos deputados federais Colbert Martins da
Silva Filho (PPS BA), Marcos Montes (DEM-MG),
Silas Brasileiro (PMDB-MG) e o paranaense Luiz
Carlos Setim (DEM). E a muitos outros que direta
ou indiretamente contribuíram para que um setor da
economia brasileira ficasse mais eficiente e produtivo e, sobretudo, mais justo.
Péricles Pessoa Salazar
Presidente
Associação Brasileira de Frigoríficos
Av. Cândido de Abreu, 427 - 16º andar - sala 1601/1602 - Centro Cívico - CEP 80530-000
Fone (41) 3021-3221 Fax (41) 3254-7977
e-mail: [email protected]
Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009 .3
Índice
Indicadores do Trimestre
Capa
Ainda em
baixa
ATÉ QUE
ENFIM!
Em setembro
foram exportadas
104,7 mil toneladas, volume que
representou queda
de 22% em compa-
O dragão do PIS-COFINS foi finalmente
vencido. No último dia 13 de outubro o
presidente da república assinou a Lei que isenta
os frigoríficos do pagamento desses tributos
Pág
08
Indicadores do Trimestre
pg 05
Defesa Sanitária
pg 15
Pesquisa e Desenvolvimento
pg 19
Investimentos
pg 24
Novo Status: A Secretaria de Defesa Sanitária do Mapa
apresentou em João Pessoa, seu programa para 2010.
A nanotecnologia chega a pecuária para auxiliar no
controle de doenças como a febre aftosa.
No seu melhor momento na história do país, a farinha de
carne e ossos volta a ser rentável para os frigoríficos.
Boi em pé
Ampliar a
liderança é
questão de tempo
O responsável pelo departamento
de Comércio Exterior, Thomas
C.S. Kim, fala sobre tendências
do mercado e os novos rumos
para exportação brasileira de
carne bovina
Pág
16
Meio-Ambiente
Pressão contra o desmatamento
Ação de
ambientalistas
faz com que
frigoríficos da
Região Amazônica
se adaptem Pág
aos novos
tempos
20
4. Revista da ABRAFRIGO maio
novembro
de 2009
de 2009
pg 27
Exportações: preços sobem
e a tendência é de melhorar
em volume até o final do ano
Mês
2008
2009
Ton.
US$*
Ton.
US$
Jan.
124.711
465,3
81.840
255,7
271,2
O aumento da exportação de boi vivo continua afetando
a cadeia produtiva segundo o estudo “Desvantagens
Econômicas da Exportação de gado em pé”.
Fev.
105.733
341,5
90.339
Mar.
112.891
364,3
112.061
336
Abr.
120.109
412
112.538
343,3
Setor de Carnes
Mai.
127.312
478,2
101.741
325
Jun
112.065
442,3
118.732
384,3
Jul.
124.220
513,7
107.333
365,4
Ago.
125.678
533,2
97.834
344,3
pg 31
Operações da FBS/Friboi e Mafrig vão colocar os
produtores diante de poucas opções para comercializar
seus animais.
Entrevista
ração ao resultado de
setembro de 2008
Mercado
pg 36
Diretriz
pg 40
* milhões
Fonte: Secex/Decex/MDIC
Setor de carne bovina já vive relativa estabilidade e tem
claro que 2010 pode ser o ano de retomada.
Ministério da Agricultura quer mudar regulamento da
exportação de despojos bovinos.
Biocombustível
pg 42
Para os frigoríficos, a importância econômica do sebo e do
couro já é a mesma. A queda dos preços do couro é uma
das maiores da história.
Comércio Exterior
pg 44
Recém-criado departamento da ABRAFRIGO terá como
ação prioritária a inclusão de novas plantas pequenas e
médias no rol de empresas exportadoras.
ABRAFRIGO
pg 46
Notas
pg 48
Abrafrigo cria cargo de Presidente Executivo e seu
Conselho de Administração. O crescimento da entidade
e de sua representatividade, além de sua maior presença
junto aos órgãos públicos, levaram a necessidade de se
instituir uma mais moderna estrutura de gestão.
Retomada
A retomada
das compras pelo
Chile, que chegou
a estar entre os
Embora os números de janeiro a setembro de 2009 ainda
demonstrem queda em comparação com o mesmo período de
2008, o mercado já vislumbra
que existe uma tendência de
normalização das exportações
brasileira de carne bovina. A retomada das compras pelo Chile,
que chegou a estar entre os cinco maiores importadores da carne brasileira até o final de 2006,
com cerca de 100 mil toneladas
anuais, e a ampliação das aquisições pela Rússia, nosso maior
cliente, e a União Européia, é
que apontam nessa direção.
Enquanto os números não
se tornam positivos, o levantamento feito pela Abrafrigo, com
base nas informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) informa que em setembro
foram exportadas 104,7 mil toneladas, volume que representou
queda de 22% em comparação
ao resultado frente a setembro
do ano passado. Em receita, as
vendas externas somaram US$
367,7 milhões em setembro, desempenho que demonstra uma
queda de 36% sobre a receita do
mesmo período do ano passado.
No acumulado de janeiro a
setembro deste ano, as exportações brasileiras de carne bovina
cinco maiores
importadores
da carne
brasileira até o
final de 2006
Aumento
Para a Rússia, houve
um aumento de
1,31% no volume
exportado e para a
União Europeia,
o volume exportado
cresceu 10,16%.
Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009 .5
Por outro lado
A carne bovina
exportada pelo Brasil
subiu 18,8% em dólar
entre janeiro e agosto.
A tonelada vendida a
US$ 2.976,4 em
janeiro passou para US$
3.535,8, em agosto.
somaram 927,1 mil toneladas,
volume 15% inferior ao registrado no mesmo período do ano
passado, quando foram exportadas 1,086 mil toneladas. Já a
receita com estas exportações
foi de US$ 2,9 bilhões, ou seja:
retração de 27% em comparação ao mesmo período de 2008,
quando se registrou US$ 4,1 bi.
Os resultados poderiam ser
bem piores, não fosse o fato de
que os preços da carne bovina
exportada pelo Brasil subiram
18,8% em dólar entre janeiro e
agosto. A tonelada vendida a
US$ 2.976,4 em janeiro passou
para US$ 3.535,8, em agosto.
No entanto, essa valorização foi
praticamente engolida pela desvalorização do dólar frente ao
Real desde o início do ano, também, de 18%, embora o dólar tenha parado de cair nos últimos
tempos. Na média, os preços da
carne brasileira no mercado internacional apresentaram uma
valorização mensal de 2,25%
neste ano. Segundo a Scot Consultoria, mantendo-se esta tendência, é possível que os frigoríficos registrem um ganho real
ainda em 2009 com o mercado
exportador, já que no mercado
interno eles já conseguiram essa
melhora nos resultados.
Maiores Compradores
A Rússia continua sendo o
principal destino da carne bovina brasileira embora este mercado não tenha recuperado os
mesmos níveis de anos anteriores à crise econômica. De janeiro a agosto o Brasil vendeu para
os russos 228,2 mil toneladas
ou 22% a menos que as 291 mil
toneladas comercializadas nos
mesmos meses do ano passado.
Em preço, houve uma queda de
42%. O nosso segundo maior
mercado, Hong Kong, que por
vias transversas introduz nossa
carne bovina na China, incrementou suas compras em 29%,
passando de 103 mil toneladas
em 2008 para 133 mil toneladas
em 2009, com crescimento de
31% na receita. O Egito, que era
nosso quinto maior comprador,
passou para a terceira posição,
aumentando suas compras em
12%, de 56 mil toneladas para 63
mil toneladas. O quarto maior
Porta de
entrada
Hong Kong,
que por vias
transversas introduz
nossa carne
bovina na China,
incrementou
suas compras
em 29%.
cliente continua sendo os Estados
Unidos apesar de uma queda nas
importações de 34 mil toneladas
para 32 mil toneladas. Na quinta
colocação está o Irã que era o sexto em 2008, com compras de 40
mil toneladas até agosto.
Por região, a maior consumidora da carne bovina brasileira é a
do Leste Europeu, com 10 países e
233 mil toneladas importadas, vindo em seguida o Extremo Oriente,
com 5 países e 144 mil toneladas;
a África, com 35 países e 135 mil
toneladas; o Oriente Médio com
13 países e 128 mil toneladas adquiridas no Brasil. A Europa Ocidental, com 27 países, comprou
apenas 90 mil toneladas, sofrendo
ainda os efeitos dos embargos promovidos pela União Européia, que
começam a desaparecer na medida
em que mais fazendas brasileiras
são habilitadas a exportar para
aquele grupamento econômico.
Atualmente, estão habilitadas para
vender carne bovina a União Européia perto de 1.400 propriedades
em todo o Brasil. O necessário, no
entanto, para retomar os níveis
de vendas de 2006, por exemplo,
quando foram comercializadas 314
mil toneladas para o bloco econômico, seriam pelo menos 5 mil
propriedades habilitadas.
Região consumidora
O maior
consumidor
da carne bovina
brasileira é o Leste
Europeu, com
10 países e 233
mil toneladas
importadas.
Os principais estados
exportadores
São Paulo, onde está instalada a maior parte do
parque industrial de processamento da carne bovina brasileira, continua sendo o estado com maior
produção destinada a exportação: entre janeiro e
agosto de 2009, o estado comercializou com o exterior 325 mil toneladas, contra 422 mil toneladas
no mesmo período de 2008, ou seja: uma queda de
23%. Na segunda posição está o Mato Grosso com
107,5 mil toneladas vendidas, perseguido por Goiás
que exportou 107,1 mil toneladas e ficou no terceiro
lugar. Na quarta posição vem o Mato Grosso do
Sul, com 88 mil toneladas exportadas e em quinto lugar está Minas Gerais, com 58 mil toneladas.
Minas Gerais e o Mato Grosso do Sul, ressalte-se,
são estados que estão recuperando suas exportações
porque possuem o maior número de fazendas habilitadas a vender para a União Européia. Entre 2008
e 2009 as vendas para o exterior cresceram 25% em
Minas Gerais e 42% no Mato Grosso do Sul.
1o Lugar
São Paulo › 325 mil ton.
2 º Mato Grosso › 107,5 mil toneladas
3º Goiás › 107,1 mil toneladas
4º Mato Grosso do Sul › 88 mil toneladas
5º Minas Gerais › 58 mil toneladas
*entre janeiro e agosto de 2009
6. Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009
Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009 .7
Foto: SEFOT - Secom
Capa
aTÉ QUE
ENFIM!
O dragão do PIS-COFINS foi finalmente vencido. No último dia 13 de outubro o Presidente
da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou a Lei que isenta os frigoríficos que operam
no mercado interno do pagamento desses tributos. A economia para o setor será de R$ 140
milhões anuais que poderão ser usados na modernização das empresas.
D
A sessão do
Congresso que
aprovou a MP
462 entrou noite
adentro
8. Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009
emorou anos, mas finalsão importantes reguladores do
mente o Diário Oficial
mercado. São alternativas para os
da União trouxe em suas
pecuaristas e têm sua importânpáginas as novas regras
cia que, afinal, acabou sendo repara a tributação de PIS/Cofins
conhecida depois de uma árdua e
e do pagamento e compensação
demorada batalha que envolveu o
do crédito presumido dos frigotrabalho da Abrafrigo e da Abiec
ríficos brasileiros. O see de dezenas de políticos
tor esperava esta notícia
"A partir de todo o país, a comehá quase cinco anos e a
de agora a çar pelo próprio Vicepartir de 1º de novemPresidente da Repúblibro, quando entrou em tendência é que ca, José Alencar, um
vigor, nova Lei passou a mais frigoríficos dos maiores defensores
se formalizem do estabelecimento do
corrigir uma das maiores distorções tributáporque equilíbrio no setor.
rias de um importante
Na prática, o govermuitas micro
segmento da economia
no
suspendeu
desde 1º
e pequenas
brasileira que fazia pede novembro passado,
empresas o pagamento da contriquenos e médios frigonão tinham buição para o PIS/Pasep
ríficos pagarem 4,5%
condições de e Cofins incidente sobre
de impostos sobre o seu
faturamento, enquanarcar com os a receita bruta de venda
to as grandes empresas
impostos" no mercado interno de
eram beneficiadas com
toda a cadeia produtiva
isenções e incentivos.
da carne bovina. A
Era uma concorrência
medida constou
desleal onde os pequenos não poda Lei 12.058 publicadiam concorrer com os grandes
da no Diário Oficial e
e acabavam engolidos, mais cedo
foi sancionada numa
ou tarde. Com isenção dos imposquarta-feira, dia 14 de
tos haverá um maior equilíbrio no
outubro, pelo presimercado. Afinal, é importante que
dente Luiz Inácio Lula
o Brasil tenha grandes indústrias
da Silva. A Lei teve como
frigoríficas, atuando com força
base a Medida Provisória 462,
no mercado internacional, mas
aprovada pelo Congresso no final
não é possível deixar de lado a
de setembro, cujo objeto principal
relevância dos pequenos e médios
é o repasse de R$ 1 bilhão aos mufrigoríficos para o setor como vinicípios para cobrir as perdas de
nha ocorrendo. Essas indústrias
receitas do Fundo de Participação
Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009 .9
Fotos: SEFOT - Secom
Os políticos que mais
ajudaram o setor
A adesão do quadro político brasileiro e do governo à proposta da
Abrafrigo desoneração do PIS/Cofins foi se realizando aos poucos, num
trabalho de convencimento que era feito diuturnamente. Pela adesão de
primeira hora ou pelo esforço com que se engajaram no processo que levou
a aprovação das Medidas Provisórias que redundaram na Lei definitiva que
livrou os frigoríficos dos impostos, alguns nomes merecem uma homenagem
e um agradecimento especial do setor. São eles:
Luiz Carlos Setim
O deputado federal pelo DEM do Paraná, Luiz
Carlos Setim é agropecuarista, advogado e
administrador de Empresas. Primeiro vicepresidente da Comissão de Agricultura, Pecuária,
Abastecimento e Desenvolvimento Rural foi
prefeito de São José dos Pinhais e também
presidente da Empresa Frigorífico Argus na mesma
cidade, além de Presidente do Comitê de Bacias
do Alto Iguaçu e Alto Ribeira. Ocupou a presidência
do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados
do Paraná e é Vice-Presidente da Federação das
Indústrias do Estado do Paraná
José Alencar Gomes da Silva
Como empresário, em 1967 ajudou a fundar em Montes
Claros (MG) a Companhia de Tecidos Norte de Minas –
Coteminas, hoje um dos maiores grupos industriais têxteis
do país e foi presidente da Associação Comercial de Ubá,
Diretor da Associação Comercial de Minas, Presidente do
Sistema Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais
e Vice-Presidente da Confederação Nacional da Indústria. Em
1998 elegeu-se Senador por Minas Gerais com consagradora
votação: quase três milhões de votos e em 2002, compôs a
chapa do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, elegendo-se
Vice-Presidente da República para o período 2003/2006.
Dep. Colbert Martins
O médico e Deputado federal Colbert Martins,
do PPS da Bahia, está na sua segunda legislatura
na Câmara. Entre outras atividades, foi diretor
do sindicato da categoria em seu estado onde
também exerceu o cargo de professor na
Universidade de Feira de Santana, cidade onde
também foi chefe de medicina social do extinto
Inamps. Foi eleito o melhor Deputado Estadual da
Legislatura 1991-1995 pela imprensa da Bahia.
Reinhold Stephanes
Em 22 de março de 2007, foi nomeado Ministro da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento e é deputado federal
licenciado (PMDB). Formado em Economia pela Universidade
Federal do Paraná (UFPR) e especializado em Administração
Pública, na Alemanha, e em Desenvolvimento Econômico, pela
CEPAL/ONU. Trabalhou no Ministério da Agricultura durante
oito anos, no início dos anos 70, e foi Secretário da Agricultura
do Paraná de 1979 a 1981. Foi presidente do Instituto
Nacional da Previdência Social (INPS) – 1974 a 1979; Ministro
de Estado do Trabalho e Previdência Social - de 20 de janeiro
a 5 de outubro de 1992; Ministro de Estado da Previdência e
Assistência Social – de 1 de janeiro a 31 de janeiro de 1995 e
Ministro de Estado da Previdência e Assistência Social - de 2
de fevereiro de 1995 a 3 de abril de 1998.
Marcos Montes
O deputado federal Marcos Montes Cordeiro pelo DEM de Minas
Gerais é Professor de Medicina e Médico do Trabalho. Foi
prefeito de Uberaba e Secretário de Estado de Desenvolvimento
Social e Esportes, Governo de Minas Gerais, 2004-2006;
Membro do Corpo Clínico do Hospital-Escola da Universidade
Federal do Triângulo Mineiro, UFTM, Uberaba, MG, 1979- ;
Secretário Municipal de Turismo, Esporte e Lazer em Uberaba,
MG, 1992-1996; Presidente da Companhia Habitacional do Vale
do Rio Grande (COHAGRA), Uberaba, MG, 1993-1996. Já foi
presidente da Comissão Agricultura, Pecuária, Abastecimento e
Desenvolvimento Rural de 14/2/2007-6/2/2008
10. Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009
silas brasileiro
O deputado federal Silas Brasileiro (PMDB-MG)
é empresário e produtor rural. Foi secretárioexecutivo do Ministério da Agricultura até abril
de 2009, o segundo cargo em importância do
órgão, na gestão de Reinhold Stephanes. Foi
também diretor-executivo do Conselho Nacional
do Café (CNC), além de Secretário de Estado da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas
Gerais.
Leomar Quintanilha
O Senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO) licenciouse do mandato dia 17 de outubro para assumir o
cargo de secretário de Educação do Tocantins. Fez
carreira no Banco do Brasil, tendo atuado em Arraias,
Araguaína, Paraíso e Gurupi, quando estes pertenciam
à região Norte de Goiás. Formou-se em Direito e
estreou na vida política disputando a prefeitura de
Araguaína, em 1976 e em 1982. Essas experiências
foram importantes para se eleger deputado federal,
em 1988 – a primeira eleição realizada no recémcriado Estado do Tocantins. Foi secretário da
Educação e Cultura no período de 1989/1990.
Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009 .11
Foto: SEFOT - Secom
dos Municípios (FPM). No entanA opinião dos políticos
to, na tramitação pela Câmara e
Senado, a MP ganhou 22 emen“Foi uma luta dura e difícil e
das, chamadas de "contrabando",
que durou muito tempo”, recoque trataram de outros temas,
nheceu o ex-senador pelo PMDB
incluindo o PIS/Cofins incidente
do Tocantins, Leomar Quintasobre os frigoríficos.
nilha, atualmente Secretário de
O presidente da Abrafrigo,
Educação daquele estado. "É uma
Péricles Salazar, vê a lei como um
medida que acaba com a desimarco histórico. "Vamos nos regualdade no setor e dá competiferir ao setor como antes e depois
tividade aos 800 frigoríficos que
do PIS e Cofins", disse. Segundo
só operam no mercado interno",
ele, a partir de agora a tendência
disse o deputado federal Marcos
é que mais frigoríficos se formaMontes (DEM-MG), ex-presilizem porque muitas micro e pedente e membro da Comissão de
quenas empresas não tinham conAgricultura da Câmara. Para ele,
dições de arcar com os impostos
a redução na alíquota para até
e agora não terão mais
zero deve diminuir a
razão para continuar "A recuperação informalidade no setor
com o abate clandesti- da rentabilidade de abate bovinos. Esno. Por sinal, a medida
indicam que
vai trazer novas timativas
acaba beneficiando toda
37,5% do abate nacional
a cadeia, de pecuaristas e grandes
é irregular, ou seja, dos
a consumidores, pas- empresas como 40 milhões de cabeças
sando pelos frigoríficos, a BRFoods e as de gado abatidos anualaumentando o potencial cooperativas
mente, 15 milhões saem
do mercado de carne para setor. Isso
de frigoríficos sem nebovina e derivados. “A
nhum tipo de fiscalizadeve diminuir
recuperação da rentabição. "Houve consenso,
lidade vai trazer novas e a concentração inclusive na área ecograndes empresas como que está
nômica do governo, e
a BRFoods e as coope- ocorrendo no
muito boa vontade do
rativas para setor. Isso setor"
presidente Lula, por isso
deve diminuir a concena medida saiu", afirmou
tração que está ocorrenMontes que junto com o
do”, afirmou o dirigente.
deputado Colbert MarO movimento do setor não
tins da Silva Filho ( PPS BA) teve
é nada desprezível: a cadeia progrande atuação na defesa da desodutiva da carne bovina, com toneração.
dos os segmentos, inclusive o do
Outro deputado atuante na
couro, é responsável por 8% do
defesa da desoneração, o paranaProduto Interno Bruto (PIB), braense Luiz Carlos Setim (DEM),
sileiro e somente os frigoríficos
primeiro vice-presidente da Coempregam, diretamente, 400 mil
missão de Agricultura da Câmara
pessoas no país. Em 2008, as exafirma que a isenção significa o
portações do setor foram de US$
fim da concorrência desleal e que
5,3 bilhões. Dentro da nova Lei,
com ela muitas empresas em dios frigoríficos que atuam apenas
ficuldades vão voltar ao normal.
no abastecimento do mercado in“A Lei atende o frigorífico que
terno pretendem economizar R$
exporta e o que não exporta e,
140 milhões por ano com a procom certeza, vai diminuir o ritmo
posta de isenção na cobrança de
de concentração do setor porque
PIS/Cofins.
muitas empresas vão recuperar
12. Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009
Votação no
Congresso
Orientação de Liderança
para votação da MPV nº
462/2009 que deu origem a
Lei 12.058. Na foto, Dep. Luis
Carlos Heinze (PP-RS), Dep.
Ronaldo Caiado (líder do DEM),
Dep. Cândido Vaccarezza (líder
do PT) e Henrique Fontana
(líder do governo)
sua rentabilidade e não serão mais
vendidas”, disse ele.
O deputado Duarte Nogueira
(PSDB-SP) vice-líder da bancada
tucana na Câmara, lembrou que o
setor de frigoríficos cortou 22 mil
empregos desde o início da crise
econômica mundial, no último
trimestre de 2008 e que a desoneração tributária pode incentivar
a produção e a recontratação de
muitos destes trabalhadores. Já os
criadores pediram a extensão da
medida de desoneração a toda a
cadeia produtiva: "Para o produtor, que paga PIS e Cofins sobre
uma série de produtos, a medida
não traz qualquer benefício", afirma Antenor Nogueira, presidente
da comissão de pecuária da CNA
(Confederação de Agricultura e
Pecuária do Brasil). Já Luciano
Vacari, superintendente da Associação dos Criadores do Mato
Grosso (Acrimat), disse que “é
uma questão de lobby. Vamos nos
articular para que isso se estenda
para os demais elos," garantiu.
Os efeitos da nova Lei, todavia, não vão demorar a aparecer: no Rio Grande do Sul, por
exemplo, o esperado é que mais
frigoríficos sejam legalizados. O
presidente do Sicadergs, Ronei
Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009 .13
Defesa Sanitária
Lauxen, prevê queda nos percenequilíbrio e cria condições para o
tuais de gado abatido sem inspeempresário trabalhar, diante de sição oficial. As indústrias gaúchas
tuações de dificuldade e insolvêndevem fechar 2009 com o abate
cia pelas quais vinham passando”.
de 1,3 milhão a 1,4 milhão de boSegundo ele, a isenção dos imposvinos e a estimativa do Sicadergs
tos vai trazer mais investimento,
é que, historicamente, a clandestimodernização e aporte de tecnonidade representa de 20% a 25%
logia para os pequenos e médios
do volume inspecionado. Para
frigoríficos. “Em última instância
Ronei Lauxen, a carga tributária é
quem ganhou foi o Brasil porque
o maior motivo para as empresas
com tudo isso quem vai passar a
se mantenham na ilegalidade mas
ter produtos de melhor qualidade
a medida é um incentivo muito
é o consumidor”, afirma. “Além
grande para que as empresas se
disso vai acabar o que conheceorganizem, cresçam e se
mos como “frigorífico
"Em última
qualifiquem”, explicou.
floresta”, ou seja, o abaAlém de propiciar a instância quem te clandestino”, conta.
formalidade do setor, a ganhou foi o
Ele cita como exemplo
lei ainda coloca em si- Brasil porque
dos efeitos da Lei no
tuação de igualdade os
futuro a possibilidade
com tudo
frigoríficos exportadode quase 4 mil matares - que já contavam isso quem
douros municipais que
com a suspensão - e os vai passar a
existem no país, e que
que vendem para o mer- ter produtos
na verdade são empresas
cado interno. "É uma de melhor
privadas, se legalizarem
situação nova para a in- qualidade é o
e passarem a ter inspedústria brasileira", disse
ção federal, melhorando
consumidor"
Ronei Lauxen. Os diseus produtos. “E esta
rigentes não acreditam
é uma conquista defique a medida possa renitiva. Agora é Lei. É
sultar em aumento de preços ao
uma questão de saúde pública e o
consumidor. Com a suspensão da
assunto foi exaurido em todos os
cobrança dos frigoríficos, o crédiseus aspectos”, diz José João Bato presumido do varejo, que era
tista Stival. Ele reconhece o grande
de 100% sobre o valor de compra
trabalho realizado pela Abrafrigo,
da matéria-prima, cai para 40%.
da qual é um dos vice-presidentes,
Além da suspensão da cobrane dos políticos que participaram da
ça de PIS e Cofins, o segmento do
aprovação dos Decretos transforvarejo terá 40% de crédito premados em Lei. Destaca também o
sumido na entrada dos produtos
papel da FIESP – Federação das
(antes o percentual era de 60%),
Indústrias de São Paulo que “junmas fica mantida sua carga normal
tou num intenso debate a Abrafrina saída. O crédito presumido dos
go e a Abiec para que se chegasse
exportadores passou de 60% para
no entendimento entre as associa50%, mas o setor ganhou liquidez
ções do setor, num ponto comum
porque poderá realizar compende reivindicações que atendesse
sações de PIS e Cofins com qualtanto os frigoríficos que atuam soquer outro tributo federal.
mente no mercado interno como
No centro do país, o empretambém os que exportam: “Isso
sário e suplente de senador pelo
feito, foi mais fácil encaminhar as
Tocantins, José João Batista Stival
questões às autoridades econômitambém comemora a medida, diz
cas para que decidissem pela isenque ela é “histórica”e que “traz
ção”, conclui ›‹
14. Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009
Novo
status
A Secretaria de Defesa
Sanitária do Mapa apresentou
em João Pessoa, seu programa
para 2010
A
Setor de carne bovina
Participação do PIB
8% do Produto Interno Bruto
Empregos diretos
400 mil
Exportações em 2008
US$ 5,3 bilhões
Abate anual
40 milhões de cabeças
Abate clandestino
6 milhões de cabeças
Abate sem fiscalização
15 milhões de cabeças
Fonte: Abrafrigo
estruturação dos serviços
de defesa sanitária nos
estados,
fortalecimento
dos serviços veterinários
nas áreas livres de doenças, consolidação do serviço de rastreabilidade de bovinos, ampliação do
ações de defesa sanitária animal
acesso aos mercados internacionais
no País”, afirmou ele no encontro.
e conquista do status de Brasil liEle também destacou que alvre de febre aftosa com vacinação.
guns estados brasileiro mudaram
Estas são as prioridades
de um cenário ruim
para 2010 apresentadas "Busca-se
para se tornar exempela Secretaria de Defesa também
plo aos demais estados
Agropecuária, do Minisda federação em pouco
tério da Agricultura, Pe- harmonizar os
tempo em questões de
cuária e Abastecimento procedimentos
sanidade. “O Gover(SDA/Mapa), na 1ª edi- técnicos
no Federal uniu esforção do Encontro Nacio- relativos
ços e tem investido em
nal de Defesa Sanitária aos diversos
equipamentos de ponta,
Animal (Endesa), reali- Programas de
meios de comunicação,
zado em João Pessoa/
como rádios e telefones
PB, dia 19 de outubro. Saúde Animal
via satélite, transportes,
Segundo Inácio Kro- desenvolvidos
como motos e camioneetz, responsável pela no Brasil, bem
tes com tração nas quasecretaria, as ações do como, aumentar tro rodas, além da insministério vão procurar o conhecimento talação de postos fixos
também dar maior visibi- técnico/
e móveis para controlar
lidade ao trabalho desentodo o tipo de doenvolvido pelo Serviço Ve- científico dos
ça”, explicou. Ele citou
terinário Oficial em prol profissionais
Rondônia como um
da sociedade brasileira. envolvidos"
exemplo dessa mudança.
“Busca-se também harNo encontro, o semonizar os procedimencretário de Defesa
tos técnicos relativos aos diversos
Agropecuária, Inácio Kroetz,
Programas de Saúde Animal dedisse ainda que a regulamensenvolvidos no Brasil, bem como,
tação do Serviço de Defesa
aumentar o conhecimento técnico/
Sanitária Animal, hoje decientífico dos profissionais envolnominado Departamento
vidos, direta ou indiretamente, nas
de Saúde Animal, comple-
ta 75 anos. “Quero parabenizar o
trabalho dos médicos veterinários
brasileiros, que atuaram, nesse período, na erradicação, controle e
prevenção de doenças como febre
aftosa, doença de Newcastle, tuberculose, brucelose, peste suína e
bovina”, enfatizou. Para ele, o investimento em defesa agropecuária
é necessário e dá retorno. “Para
isso, é necessário trabalhar com o
tripé: governo federal, estadual e
setor privado”, disse. Ele destacou
o trabalho desenvolvido pelo setor
privado e, principalmente, pelos
produtores, que têm participado
das campanhas de vacinação contra a febre aftosa. “Essa ação confere alto índice de
imunização aos
rebanhos”, finalizou ›‹
15
Entrevista
Ampliar a liderança
é questão de tempo
(3) a consolidação do setor de indústria de carnes no Brasil iniciada pelas
operações dos grupos JBS/Bertin e
Marfrig. Sobre o primeiro item, nos
últimos anos, o Brasil vem abatendo grande número de fêmeas além
de animais mais novos, criando-se
um vácuo na produção. No entanto,
tudo indica que essa situação poderá melhorar a partir do ano que vem
quando teremos maior oferta de animais para o abate.
E a segunda situação? › Revista da
Abrafrigo
Thomas C.S. Kim › Ela é mais
complexa, pois a crise mundial tiThomas C.S. Kim,
rou boa parte do crédito que essas
responsável pelo
empresas vinham utilizando para
Departamento de
suas operações e o corte desse fluxo
Comércio Exterior
de capital provocou um tremendo
da ABRAFRIGO
buraco nas suas finanças. Um dos
problemas envolve dívidas com peThomas C. S. Kim, 54 anos, nascido na Coréia do Sul, e no
cuaristas, o que e deixou muitas seBrasil desde 1971, ingressou na área da carne em 2004 como diretor
quelas. Uma das consequências desde desenvolvimento de negócios e de exportação da Cooperfrigu,
sa situação é a condição de venda
de Gurupi, Tocantins. Formado em administração de empresas, foi
picada e à vista praticada pelos peda Shell Petróleo de 1982 a 1995 e, depois disso, ajudou a montar o
cuaristas hoje. Não é bom que essa
Consórcio ATL de Telecomunicações (Algar Telecom Leste), que
situação continue, pois isso prejudiganhou a licença de exploração de Banda B do Rio de Janeiro em
ca a montagem de escala dos frigo1997/1998. Foi consultor de empresas coreanas como LG, Samsung,
ríficos além de exigir maior capital
Kia, SK e Lotte. Há algum tempo colabora com a Abrafrigo como
de giro para o pagamento à vista.
diretor executivo e, a partir, de novembro, tornou-se responsável pelo
Não está sendo bom também para
departamento de comércio exterior da entidade. Aqui ele faz uma
pecuaristas que sentem muita inseampla avaliação do mercado externo, suas dificuldades, oportunidades
gurança para fazer negócios, além
e necessidades. A seguir, a entrevista:
de perder dinheiro por não conseguir vender animais no seu melhor
momento. Portanto, o setor torce para que essas emComo o Sr está vendo o mercado para a carne bovina brasileira
presas recuperem sua situação financeira mais breve
atualmente? › Revista da Abrafrigo
possível.
Thomas C.S. Kim › O mercado de carne bovina braE o terceiro ponto? › Revista da Abrafrigo
sileira passa hoje por um processo de ajuste bastante
complexo. Há basicamente três questões: (1) Queda de
Thomas C.S. Kim › A terceira situação é muito renúmero de animais prontos para o abate, (2) a recucente e não sabemos como isso vai afetar o mercado
peração dos frigoríficos com dificuldade financeira, e
16. Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009
de carne. É importante mencionar também que essas
empresas como JBS/Bertin já não são empresas somente brasileiras, hoje são multinacionais atuando em
vários países do mundo além de operar em diferentes
tipos de carne como frango e suíno. Há pecuaristas
preocupados pensando que perderão o poder de negociação com esses grandes grupos. É possível, se a
oferta de animais for maior que a demanda. Por isso,
continuo defendendo a expansão da nossa exportação
para os mercados em que ainda não estamos atuando.
O mercado interno já está bem consolidado sendo o
consumo per capita brasileiro em torno de 36 kgs/
ano, mas no mercado mundial, temos muito espaço
para crescer e relativamente rápido.
ocorrido no ano passado em que o presidente coreano
assinou um acordo com os americanos para “trocar”
carne americana, com vaca louca, com carros coreanos,
tem provocado uma ira da população coreana que saiu
na rua quebrando tudo, com vários ministros renunciando o cargo, é um exemplo do que se espera nessa
disputa pelo mercado desses países. Só para se ter uma
idéia, a Coréia do Sul mais o Japão representam mais de
50% da exportação de carne americana. Acha que eles
largarão esse osso facilmente? Temos que mobilizar o
governo federal para viabilizar esses mercados.
E a China? › Revista da Abrafrigo
Thomas C.S. Kim › O mercado de China, como
todos sabem, é enorme e o potencial de consumo é
praticamente infinito. Apesar de ser o terceiro maior
possuidor de rebanho e da produção de carne, isso não
Thomas C.S. Kim › Nós estamos bem posicionados é nada em comparação ao número de habitantes nanos Países Árabes, Rússia, África e na Euquele país continental. A última viagem mi"O Brasil nha na China, tive reuniões com membros
ropa. Este último, o mercado europeu, apesar de estarmos enfrentando ainda alguns
está firme na da associação dos importadores da carne e
problemas com relação a rastreabilidade,
negociação de também dos economistas chineses. Eles disavançamos bastante no último ano. Hoje há
aumento de seram que a China tem sistema de produção
um número significativo das fazendas aproboi baseado numa estrutura de produção
Cota Hilton ou de
vadas para esse mercado. O que está aconfamiliar que dificulta o crescimento sendo
um programa que o mercado chinês de carne bovina vem
tecendo no momento é uma questão cosimilar com a crescendo numa taxa anual de 4%. Como na
mercial em que o preço e o consumo desse
mercado sofreram um ajuste e ele está bem
comunidade China existem cerca de 300 milhões de pesmenor que antes da crise econômica do ano
européia cujo soas pertencente a classe média, algo maior
passado. O Brasil está firme na negociação
resultado que a população brasileira, e que vem incorde aumento de Cota Hilton ou um prograproteína de animal na mesa, imagisaberemos em porando
ma similar com a comunidade européia cujo
ne o potencial desse mercado. Entretanto, os
breve" chineses parecem ter descoberto uma porta
resultado saberemos em breve. O próximo
passo é conquistar o mercado asiático, que
não convencional para abastecer carne no
se divide em três, na minha concepção: (1)
seu mercado. É sabido hoje que a carne entra
Coréia do Sul, Japão e Taiwan; (2) China; (3) Sudes- na China através de Hong Kong e também através de
te Asiático – Indonésia, Malásia, Filipinas, Vietnam, Vietnam. Apesar de alguns frigoríficos terem sido haSingapura, etc.
bilitados para exportar para a China recentemente, os
importadores não conseguem licença de importação.
Quais as características destes mercados? › Revista da Aliás, talvez nem tenham interesse em consegui-la. O
Abrafrigo
motivo é que o imposto de importação na China é de
40%, sendo que a carne que entra na China via Hong
Thomas C.S. Kim › Sobre o primeiro grupo, estes Kong ou Vietnam “paga” um “adicional” de cerca de
países alegam que o Brasil não atingiu ainda a condi- 25%. Como já se criou um “mercado” que funciona
ção sanitária de Livre de Febre Aftosa Sem Vacina- dessa maneira, a posição oficial do governo de Chição, porém vejo que o problema não é técnico; é ne- na pode continuar “tapeando” os países membros da
cessário vencermos o lobby americano e australiano. OMC. Portanto, o papel do governo federal é extremaDe tanta pressão, inclusive com ameaças de ir a OMC, mente importante para a abertura do mercado chinês.
os coreanos marcaram uma visita ao Brasil para veri- Eles precisam flexibilizar as condições, principalmenficar a condição sanitária do estado de Santa Catarina te tributárias, para que o Brasil possa exportar para lá.
nos próximos meses, o único estado brasileiro livre Na minha opinião, isso só acontecerá no momento em
de febre aftosa sem vacinação, porém sem represen- que China sentir necessidade de negociar com Brasil
tatividade no setor de carne bovina. Um episódio algo realmente importante para eles.
Onde podemos fazer as exportações crescerem? › Revista da
Abrafrigo
Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009 .17
Pesquisa
Meio Ambiente
& Desenvolvimento
E o terceiro grupo, o Sudeste Asiático? › Revista da Abrafrigo
em crescimento. Assim, continuo acreditando que Brasil reúne condições mais favoráveis a médio e longo
prazo. Quanto a novos concorrentes, a Índia continua
vendendo seus búfalos a um preço bem inferior. Apesar do sabor e a dureza de sua carne, os asiáticos e árabes ampliaram a importação dessa carne por questão
de preço. No futuro, talvez, tenhamos que enfrentar
o continente africano, que tem condições de ocupar
um lugar expressivo na pecuária mundial, porém isso é
uma questão ainda para longo prazo, basicamente devido à condição sanitária dos países africanos.
Thomas C.S. Kim › A abertura do terceiro grupo está
mais próxima de ser realizada por vários motivos: em
primeiro lugar, esses países estão melhorando de vida,
o que permite o consumo maior de proteína de animal.
O segundo motivo é que esses países tem a demanda
reprimida basicamente por conta de alto preço de carne
fornecida pelos países como Austrália, Nova Zelândia
e EUA. Para se ter uma idéia, Indonésia tem
240 milhões de habitantes, sendo que o con- "O Brasil está
sumo per capita de carne bovina é um pouco cumprindo
mais que 1 kg/ano. Já pensou se eles comeseu programa
rem apenas 1 kg a mais por ano? Seria 240
mil toneladas ! A situação não é muito dife- de defesa de
rente no Vietnam: é um país com 90 milhões saúde animal
de habitantes e consumo per capita é de 1 kg/ e investindo
ano. Eles consomem muita carne de búfalo e pesadamente
os cortes de músculo e peito tem a preferên- nisso. Tanto
cia do povo vietnamita. Portanto, esse grupo
MAPA como
tem um potencial enorme e nós estamos praticamente iniciando a nossa operação comer- estados
brasileiros
cial por lá.
Como estão os nosso principais concorrentes mundiais, como Austrália e Argentina? › Revista da
Abrafrigo
estão cientes
da importância
desse tema"
Thomas C.S. Kim › A Austrália tem presença já bem consolidada principalmente no mercado
asiático onde duas situações favorecem a sua exportação: a condição sanitária de livre de febre aftosa sem
vacinação e a distância que permite comercializar produtos resfriados. Também o tipo de carne que vendem,
com marmorização maior que nossa carne, tem melhor
aceitação nos steak houses dessas regiões. A Argentina está sendo favorecida pelo câmbio, onde o preço é
bem mais competitivo que o nosso, afetado pela valorização do Real. Entretanto, esses países não tem produção suficiente para atender a demanda do mercado
Feira de
Moscou em
Setembro
2009
18. Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009
Há muitos países impondo barreira sanitárias ao
Brasil hoje em dia? › Revista da Abrafrigo
Thomas C.S. Kim › Vários países fecharam
a porta depois do surgimento de febre aftosa no Mato Grosso do Sul em 2005 e alguns
continuam fechados.A África do Sul é um
exemplo. Recentemente, Brasil mandou uma
missão conjunta, comercial e sanitária, para
aquele país e eles prometeram avaliar a situação brasileira brevemente, porém até agora
não temos algo concreto sobre abertura desse
mercado. Vejo novamente aqui componentes
não-técnicos, mas algo político/comercial.
Sou defensor da ideia de que o governo federal tem que se envolver nessas negociações de
forma ativa, oferecendo e exigindo “trocas”.
Como o Sr. vê o futuro das nossas exportações? O Brasil é um
país com mercado consolidado? › Revista da Abrafrigo
Thomas C.S. Kim › A estatística projeta um aumento de quase 50% da população mundial nos próximos
50 anos, sendo que a área agricultável no mundo vai
diminuir significativamente inclusive por razões do
meio-ambiente. Há cada vez menor espaço para pecuária e o Brasil terá que também buscar melhoria de
produtividade com aprimoramento tecnológico na alimentação dos animais, seja nos pastos ou nos confinamentos. Também é necessário avançarmos alguns degraus na indústria de transformação da matéria-prima.
Além de ganharmos um valor agregado significativo,
poderemos evitar desperdícios e aumentar a segurança alimentar.O Brasil possui cerca de 20% do rebanho
mundial com 17% de abate total. A nossa produção de
carne bovina já representa mais de 15% da produção
mundial sendo o volume médio exportado nos últimos
anos foi mais de 2 milhões de toneladas/ano, representando mais ou menos 30% da exportação mundial.
Isso coloca o Brasil na liderança mundial de exportação de carne bovina. Isso tudo mesmo fora dos mercados como EUA, Coréia do Sul, Japão, Indonésia, etc.
Portanto, a tendência é esses números melhorarem nos
próximos anos ›‹
Nanotecnologia
no campo
A nanotecnologia, um dos mais impressionantes desenvolvimentos
científicos das últimas décadas, chega a pecuária para auxiliar no
controle de doenças como a febre aftosa
N
a Universidade de São
cos especiais que vão detectar a
Carlos, no interior paupresença de anticorpos", explica
lista, um grupo de cienValtencir Zucolotto, professor do
tistas da área de Biofísica
Instituto de Física da UFSCar. "
Molecular do Instituto de
Caso o animal já tenha
Física e do Instituto de "O que estamos apresentado sinais de
Estudos Avançados está
fazendo é a aftosa, ele desenvolveu
estudando a aplicação da
imobilização de anticorpos e os sennanotecnologia para desores detectarão isso",
nanopartículas acrescenta. Segundo
tectar a febre aftosa na
metálicas ele, aproximadamenpopulação brasileira de
sobre
circuitos te dentro de um ano e
bovinos. Hoje isso ainda
é feito via métodos imueletrônicos meio o primeiro protónológicos desenvolvidos
especiais que tipo para comercializapara quantificar a convão detectar ção deverá ser producentração de antígenos
zido e em dois anos, o
a presença de kit estará pronto para
e anticorpos, sendo o
anticorpos" comercialização.
principal deles o Leitor
Elisa (do inglês EnzymeHá vários outros
linked immuno sorbent
projetos de nanotecassay). No entanto, é um processo
nologia para o campo que estão
de alto custo e demorado, no qual
sendo desenvolvidos em vários
uma amostra de sangue do animal
pontos do país, com pesquisas
deve ser encaminhada para anáconcentradas no desenvollise em laboratório credenciado
vimento de sensores
pelo Ministério da Agricultura,
tidos como "línnormalmente distante das áreas
gua" e "nariz"
de produção e que tem provocaelet rôn icos,
dos muitos resultados duvidosos.
capazes
de
Esta é a primeira tentativa feirealizar tata no Brasil de se levar ao campo
refas como
um desenvolvimento científico
medição da
notável : a nanotecnologia, ciência
umidade do
da reorganização de moléculas e
solo e da
átomos numa escala quase inimiginável - 1 bilhão de vezes menor
que o metro.
“O que estamos pesquisando
é a imobilização de nanopartículas
metálicas sobre circuitos eletrôni-
maturação de frutos, detecção de
bactérias para embalagens de alimentos, nanofibras de celulose a
partir do derivados do leite ou a
descoberta da febre aftosa no rebanho bovino. No caso do rebanho brasileiro, a nanotecnologia
trará um processo mais barato e
rápido porque os testes de aftosa
poderão ser feitos in loco e com
resposta imediata. Para um país
que é o maior produtor e exportador de carne bovina do mundo,
certamente será um instrumento
valioso e que deverá evitar a criação de novas barreiras sanitárias
semelhantes às que forma impostas ao país depois da descoberta
de febre aftosa no Mato Grosso
em 2005 ›‹
Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009 .19
Pressão contra a
criação de gado em áreas
de preservação ambiental na
região amazônica. Na foto,
gado sendo retirado pela
Operação Boi Pirata 2 na
Flona da Jamanxim no Pará.
Meio-Ambiente
Pressão
D
contra o
desmatamento
Ação de ambientalistas do Greenpeace faz com
que frigoríficos que atuam na região amazônica
se adaptem aos novos tempos.
20. Revista da ABRAFRIGO novembro
de 2009
maio de 2009
epois da divulgação,
em junho passado, de
um relatório do Greenpeace, intitulado "A
Farra do Boi na Amazônia", que
detalhava a ligação entre a destruição da floresta e a expansão
da criação de gado na Amazônia, e que provocou enorme
repercussão mundial, algumas
empresas multinacionais, incluindo fabricantes de calçados
como Adidas, Nike e Timberland prometeram cancelar contratos a menos que recebessem
garantias de que seus produtos
não estavam associados ao gado
ou trabalho escravo na
Amazônia. Mais do que
isso: empresas que compram carne bovina como
McDonald's e Wal-Mart pressionaram os produtores a mudarem
suas práticas na Amazônia.
Com receio de que esta situação se alastrasse e provocasse
perdas inimagináveis na economia do setor, as maiores empresas
do país se movimentaram parta
deter o avanço da onda ambientalista. O resultado foi que, no dia
5 de outubro, a organização não
governamental Greenpeace assinou com os frigoríficos Marfrig,
Revista
da ABRAFRIGO
novembro
Revista
da ABRAFRIGO
maio de 2009 .21
Foto: Jefferson Rudy/MMA
Boi Pirata
Foto: Valter Campanato/ABr
Na foto, o Ministro
Carlos Minc
acompanha a retirada
de Boi Pirata de
dentro da Flona da
Jamanxim.
anos", segundo a ONG. Estudos
Bertin, JBS-Friboi e Minerva um
do Greenpeace apontam que um
compromisso para que estas emhectare da floresta é transformapresas não comprem mais carne
do em pasto para gado a cada 18
de produtores que contribuem
segundos, mas para a entidade,
com o desmatamento da floresem breve o consumidor brasileita. Segundo a entidade, 80% das
ro poderá comprar carne tendo
áreas desmatadas na Amazônia
certeza que não está contribuinsão ocupadas pela pecuária e para
do para o desmatamento. Estimao diretor da campanha do Grese que a destruição das florestas
enpeace, Paulo Adário, este é um
tropicais ao redor do mundo seja
passo fundamental no combate
responsável por cerca de 20%
ao desmatamento.
das emissões globais de
Outro fator de peso
gases do efeito estufa.
que impulsionou os su- "O prazo
perfrigoríficos à mo- depende do tipo Conforme o Instituto do Homem e Meio
ratória foi a crescente de fornecedor.
Ambiente da Amazônia
pressão derivada do Para o boi
(Imazon), a pecuária
fato de o BNDES conna Amazônia responde
tar com fatias relevan- de corte, os
por cerca de 44% das
tes nos controles dos frigoríficos têm
grandes frigoríficos, o seis meses para emissões de gases-esque inclusive ajudou a identificar todas tufa do Brasil. A conta
é simples: segundo o
influenciar e a acelerar as fazendas.
Imazon, o desmatamena consolidação da as- Já para os
to representa 55% das
sinatura do acordo. O
emissões brasileiras, e
banco também estava criadores de
a fatia pecuária corresrepresentado na sede da bezerros, por
ponde a 80% do total.
FGV, bem como o IFC, exemplo, são
Além de monitorar
braço de financiamen- dois anos"
suas cadeias de fornecetos privados do Banco
dores e estabelecer meMundial.
tas claras para o regisO compromisso intro das fazendas que fornecem o
cluiu uma agenda com seis pongado, tanto direta quanto indiretos, com o monitoramento do
tamente, os frigoríficos informadesmatamento na cadeia produtiram que conceberão medidas para
va e cadastro de todas as fazendas
colocar um fim à compra de gado
produtoras. "O prazo depende do
de áreas indígenas ou protegidas,
tipo de fornecedor. Para o boi
e de fazendas que usam o trabade corte, os frigoríficos têm seis
lho escravo. Até mesmo Blaimeses para identificar todas as
ro Maggi, governador do Mato
fazendas. Já para os criadores de
Grosso, o Estado brasileiro com
bezerros, por exemplo, são dois
22. Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009
Rebanho para
o Fome Zero
taxa mais alta de desmatamento
da Amazônia e o maior rebanho
bovino do país, e considerado o
inimigo número 1 das florestas
do Norte de seu Estado, disse na
ocasião que apoiaria os esforços
para proteger a Amazônia e forneceria imagens de alta resolução por
satélite para ajudar a monitorar a
região. A própria Associação Brasileira dos Supermercados também
assinou o acordo, assegurando ainda mais o cumprimento por parte
dos frigoríficos, mas nem todos ficaram felizes com o acordo: pecuaristas mostraram-se preocupados e,
para a Associação dos Criadores de
Mato Grosso (Acrimat), os critérios
do convênio são turvos e imprecisos com a tendência de que as cotações do boi sofram maior pressão e
a carne fique mais cara no varejo ›‹
Em outubro deste ano, o Ibama
doou ao Programa Fome Zero
625 cabeças de bois e 101 ovelhas apreendidas dentro da Floresta Nacional do Jamaxim,
uma unidade de conservação localizada no município de
Novo Progresso, no oeste do Pará, durante a Operação
Boi Pirata II.
Na foto, o resultado da primeira operação Boi Pirata, em
junho de 2008, em que foram apreendidas 3,5 mil cabeças
de gado na Estação Ecológica Terra do Meio (uma Unidade de Conservação de Proteção Integral), estado do Pará.
Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009 .23
Investimentos
Farinha de carne
No seu melhor momento de mercado na história do país, a farinha de
carne e ossos volta a ser um produto rentável para os frigoríficos
D
Na foto o Gerente
Comercial do Frigorífico
Argus, Ricardo José Di
Pretoro. "Não chegamos a
formar estoque porque a
demanda está alta"
24. Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009
epois que a Encefalopanha de carne e ossos o crescimentia Espongiforme Bovina
to foi de 225%. Já o couro, antigo
EEB (doença da vaca loucampeão de rentabilidade, perdeu
ca) se espalhou por vários
valor.
países e mercados mundiais imporA OIE recomenda aos países
tantes, a farinha de carne
esterilizar a farinha de
"Até pouco carne e osso a 133ºC due ossos foi considerada
tempo a rante 20 minutos e o Mium grande vilão e um
produção da nistério da Agricultura,
dos agentes disseminadores da doença. Resultafarinha de Pecuária e Abastecimendo: quem estava nesse necarne nem era to (Mapa) determina, por
gócio quebrou ou passou
interessante, meio da Instrução Normuito perto disso. No
mativa nº 15 de 2003, a
mas hoje ela já esterilização da farinha.
Brasil, embora não tenham ocorrido casos da está na terceira Para isso, os frigoríficos
posição entre e graxarias independendoença, o receio da contaminação também exis- os produtos que tes devem dispor dos
tiu e o produto passou a
mais trazem equipamentos necessáser quase que ignorado
rentabilidade a rios para a esterilização.
pelos grandes consumiHoje, poucas empresas
um frigorífico" não executam o processo
dores, os fabricantes de
rações para suínos, aves e
graças a rigorosa fiscalianimais de estimação.
zação do Mapa.
Graças a uma política severa
Como o país se tornou propriede qualidade e higiene implantatário do maior rebanho do mundo
da a partir de novas regras de fae no maior exportador de carne,
bricação criadas pela Organização
a produção de farinha de carne e
Mundial de Saúde Animal (OIE),
ossos tem aumentado na mesma
a farinha de carne e ossos vem recuperando seu antigo posicionamento no mercado. Medidas como
a obrigatoriedade da esterilização
efetivamente permitiram a reclassificação do Brasil junto à OIE como
país de risco desprezível para Encefalopatia Espongiforme Bovina.
Assim, o produto voltou a ser um
componente importante de receita para os frigoríficos e graxarias.
Basta ver o que aconteceu com os
preços: de março de 2007 a agosto
de 2009, o preço boi gordo em São
Paulo subiu 41%. Para a carne no
atacado (boi casado), a alta foi de
47%; para o sebo, 38%. Para a fari-
Nova
Estrutura
A mais moderna
instalação para a produção
de farinha de carne e ossos
do país foi inaugurada dia
23 de outubro pelo frigorífico
Argus, em São José dos
Pinhais-PR.
Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009 .25
Boi em pé
Mais Prejuízos
A cada ano, o crescente aumento da exportação de boi vivo vem afetando
negativamente a economia da cadeia produtiva do setor e reduzindo o potencial
de geração de renda interna e emprego no país. É isso que aponta um estudo
intitulado de “Desvantagens Econômicas da Exportação de gado em pé”.
A
Trituração
da matéria-prima
no processo de
produção de farinha
de carne e ossos
proporção. Só que ela é utilizada
somente para o abastecimento do
mercado interno. “Até pouco tempo a produção da farinha de carne
nem era interessante, mas hoje ela
já está na terceira posição entre os
produtos que mais trazem rentabilidade a um frigorífico. Em primeiro lugar estão os miúdos, em
segundo o sebo e ela é a terceira
colocada”, explica Ricardo José
Di Pretoro, gerente comercial do
Frigorífico Argus, de São José
dos Pinhais, no Paraná. O couro,
quarto colocado, já foi o primeiro. O Argus está apostando neste
mercado. Investiu R$ 8 milhões
em novas instalações que foram
inauguradas no último dia 23 de
outubro com capacidade de produção da ordem de 1 mil toneladas mensais e se tornou referência sobre como tratar o produto.
“Vem gente de outros estados
para ver como fazemos e nosso
estoque estão sempre próximos do
zero. Nossa graxaria é modelo”,
acrescenta o gerente comercial.
Na verdade, a farinha de carne
está no melhor momento de sua
história. Apesar da produção ter
aumentado bastante em função
do crescimento do abate no país,
o consumo interno cresceu tanto
que absorve tudo que é fabricado.
“A linha Pet de rações contribuiu
muito para isso”, conta Di Pretoro. “Na época da vaca louca o preço chegou a cair para 10 centavos
o quilo, mas nem assim tínhamos
compradores. Hoje está em 75 centavos o quilo, o que não é exagerado, mas há demanda crescente e
acredito ainda em um pouco mais
de alta neste ano”, acrescenta ele ›‹
O que um Bovino adulto gera
202 kg
de carne
12 kg
de sebo
26. Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009
40 kg
de peles
27 kg
de peles
48 kg
de miúdos
exportação de produtos
2009, houve crescimento de quase
primários como alimen20% no total de bovinos vendidos
tos, bebidas, matérias-priao exterior, atingindo uma receita
mas agrícolas,
de US$ 308,117 milhões.
etc, tem características "Os inúmeros
Segundo a conclupróprias que a distin- problemas
são de um estudo intiguem da atividade de
tulado
Desvantagens
associados à
exportação de produEconômicas da Exportos manufaturados e exportação de
tação de gado em pé, “O
de serviços. Para países gado em pé
gado deve ser abatido o
em desenvolvimento, são evidências
mais próximo possível
o modelo de economia categóricas
da fazenda de origem e
primário-exportadora da ineficiência
a exportação de bovinos
oferece uma série de dideve ser substituída pela
deste tipo
ficuldades, como a deteexportação de carne,
rioração dos termos de de comércio,
couro e subprodutos.
troca: a tendência de, a especialmente
Os inúmeros problemas
longo prazo, ocorrer a para um país
associados à exportação
queda dos preços dos em forte e
de gado em pé são eviprodutos primários em desenvolvimento dências categóricas da
relação aos preços dos
ineficiência deste tipo
como o Brasil"
produtos manufaturade comércio, especialdos. Assim, atingir pamente para um país em
tamares mais elevados
forte desenvolvimento
de desenvolvimento requer que
como o Brasil”. O autor, o professe evite esse modelo de economia
sor Dr. Reinaldo Gonçalves, Tituprimário-exportadora, inclusive
quando se trata da movimentação
de carga viva.
O crescente aumento da exportação do “boi em pé”, ou seja,
a exportação de gado vivo para o
abate, vem afetando negativamente a oferta doméstica deste produto no mercado interno e reduz
o potencial de geração de valor
agregado (renda interna) e emprego no país. E para aflição da cadeia produtiva, a cada ano, nota-se
um ritmo firme de aumento dos
embarques. Em relação ao período de janeiro a outubro de 2008,
comparado ao mesmo período de
Menos
empregos
A exportação do "boi em
pé" afeta negativamente a
oferta doméstica deste produto
no mercado interno e reduz o
potencial de geração de valor
agregado, ou seja, de renda
interna e emprego no país
Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009 .27
lar de Economia Internacional do
Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro,
justifica mostrando que o bovino
é o insumo básico não somente de
toda a cadeia produtiva da carne
bovina (frigoríficos, indústria de
processamento de alimentos, supermercados e açougues) como
também da cadeia produtiva do
couro (veja quadro). “Os efeitos
de encadeamento da pecuária são
expressivos visto que atingem as
indústrias de alimentos, artefatos
de couro, vestuário, mobiliário,
calçados e material de transporte
(setor automotivo). Neste sentido,
a lógica econômica mais evidente
é que o deslocamento da produção
de gado para o exterior afeta negativamente a oferta doméstica deste
produto no mercado interno e reduz o potencial de geração de valor
agregado, ou seja, de renda interna
e emprego no país”, afirma o professor.
Principal exportador mundial
de carne bovina em volume, o Brasil aparece como o quarto maior
vendedor de gado vivo a outros
países, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA. É
superado pelos países que fornecem bovinos para engorda para os
Estados Unidos - Canadá e México
(primeiro e terceiro do ranking) e pela Austrália (a segunda), que
atende o Sudeste Asiático.
Péricles Salazar, presidente da
Abrafrigo, qualifica a exportação
de gado vivo como retrocesso, por
"não agregar valor" à cadeia produtiva. Salazar diz temer que a
prática se espalhe, "num momento em que o rebanho nacional diminui, pela preferência do produ-
Exportação
de bois para
o Líbano:
retrocesso
para a cadeia
produtiva
Receitas com exportação de bois vivos Mesmo diminuindo o número de embarques, os bons preços do mercado
internacional aumentaram a receita do produtor.
Produtos
Químicos
Pecuária de
Corte
Indústria de
Componentes
Artefatos de
Outros
Materiais
Calçados de
Couro
Curtumes
Frigorífico
Calçados de
Outros
Materiais
Artigos de
Couro
Coureiro
Importações de
Couro
Indústria
Têxtil
Indústria
Moveleira em
Couro
Indústria de
Confecções em
Couro
Máquinas e
Equipamentos
28. Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009
Componentes
em Couro para
Estofamentos
onde os animais foram criados,
não só terminaria com a crueldade do transporte por longas distâncias como criaria empregos e
geraria arrecadação de tributos
no Brasil.”, ressalta Gonçalves no
estudo ›‹
tor por outras atividades".
Segundo Salazar, para se contrapor ao crescimento do embarque de "boi em pé", a indústria
precisa de "novos nichos", levando
ao consumidor produtos cada vez
mais elaborados, e não peças inteiras, com pouco processamento.
lação. Além disso, experimentam
estresse e exaustão pelo manejo
inadequado. A taxa de mortalidade pode chegar a 10% durante a jornada de até 21 dias. “O
abate humanitário, realizado em
um frigorífico próximo à fazenda
Maus tratos
mercado Participação no mercado internacional de boi vivo e carne fresca,
refrigerada e congelada 2003 - 2007 (% na receita de exportações)
Além do ponto de vista econômico, existem também um
agravante desse tipo de prática: as
condições de maus-tratos a que os
animais são submetidos durante
longas jornadas. Já foi cientificamente comprovado que o transporte por longas distâncias causa
extremo sofrimento aos animais,
com restrições de espaço, água
e alimentação, sendo que muitas
vezes a adaptação à nova dieta
não é adequada. Confinados em
ambientes impróprios e em condições de superlotação, eles também têm que suportar mudanças
extremas de temperatura e venti-
13,2
12,9
11,2
10,5
6,9
4,6
0,0
0,1
0,7
1,3
Boi vivo
Carne fresca, refrigerada e congelada
Fonte: Nações Unidas (COMTRADE)
Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009 .29
Setor de Carnes
Exportação
de bois para
o Líbano:
retrocesso
para a cadeia
produtiva
Mais Concentração
As operações da FBS/Friboi, comprando o frigorífico Bertin, e da Mafrig,
alugando as instalações do Margen e do Mercosul, vão colocar os
produtores diante de poucas opções para comercializar seus animais e
surge o receio de que estas empresas ditem os preços no mercado
A
recente aquisição do frimenos e consumidores pagarem
gorífico Bertin pelo JBSmais.
Friboi e o protocolo de
E o pior é que isso está senintenções firmado pelo
do bancado pelo próprio governo
Mafrig com os Frigorífibrasileiro porque foi o
cos Margen e Mercosul
"o poder BNDES (Banco Naciopara o arrendamento de
em mãos nal do Desenvolvimen11 unidades frigoríficas
de poucas to Econômico e Social)
que, juntas, possuem capatrocinou a conempresas faz quem
pacidade de abate de 8,8
glomerização do setor de
fornecedores carne no país, fornecenmil cabeças de gado por
receberem do os recursos para as
dia e de uma indústria de
charquearia com produmenos e grandes empresas absorção de 1.700 toneladas de
consumidores verem seus concorrentes,
produtos industrializa- pagarem mais" numa iniciativa temerádos por mês, trazem inria e contraproducente
dicadores preocupantes.
que pode vir a desorganiComo ocorreu no setor
zar uma cadeia produtiva
de cítricos, a excessiva concentracomplexa e competitiva.
ção pode trazer problemas enorA compra do Bertin somada a
mes aos fornecedores e ao mercada norte-americana Pilgrim's Pride
do, como o simples fato de que o
deve fazer com que o faturamento
poder em mãos de poucas empredo JBS-Friboi chegue próximo ao
sas faz fornecedores receberem
das maiores empresas brasileiras,
Ranking Mundial
das empresas
de Proteína
1o
1a Petrobras
2a Vale
3a JBS + Bertin + Pilgrim´s
215,1
70,5
60,7*
*Estimativa
US$ 28,1 BI
US$ 28,7 BI*
4o Smithfield (EUA)
US$ 12,5 bi
30. Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009
Receita líquida em 2008.
Tyson Foods (EUA)
JBS + Bertin + Pilgrim´s (Brasil)
3o Vio (Holanda)
US$ 12,7 bi
Algumas marcas
do grupo
Friboi • Swift •
Maturatta • Bertin
Danúbio • Vigor
Leco • Faixa Azul
Empresa será a 3a maior do
Brasil em receita
5o Brasil Foods
(Brasil)
US$ 12,1 bi
*Estimativa
Fonte: JBS
Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009 .31
Sede
da JBS
Friboi
Na foto vista da matriz da
JBS Friboi, em São Paulo.
Com as aquisições, a JBS
S.A., que já era a primeira
no ranking do comércio
mundial de carne bovina,
passou a liderança em
proteína animal - incluindo
32. Revista da ABRAFRIGO novembrofrangos
de 2009e suínos.
Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009 .33
como a Vale do Rio Doce, transformar a Brasil Foods. Para Joesformando o frigorífico no maior
ley Batista, presidente-executivo
do mundo em carne bovina. O JBS
da JBS, que junto com cinco irteve um faturamento de R$ 35,9 bimãos dirige o grupo, “sem o apoio
lhões entre julho de 2008 e junho
do BNDES não teria sido possível
de 2009. Se for somado o faturaa transformação da empresa numa
mento do Bertin, - R$ 7,5 bilhões
multinacional e na líder do merno ano passado - e do Pilgrim's R$
cado mundial de carnes”, segundo
15,3 bilhões em 2008, a receita todeclarou aos jornais.
tal do JBS sobe R$ 58,7 bilhões. A
O Banco Nacional de DesenVale, por exemplo, obteve faturavolvimento Econômico e Social
mento de R$ 61,6 bilhões nos últi(BNDES) informou em nota ofimos 12 meses, menor apenas que o
cial que vê como positiva a união
da Petrobras.
entre os frigoríficos JBS Friboi e a
Na avaliação do presidente da
Bertin, que criou a maior empreAbrafrigo, Péricles Salazar, as consa de proteína animal do mundo.
dições de competição entre pequeO banco, que é acionista das duas
nos, médios e grandes
empresas, informou que
"A aquisição a sua participação aciofrigoríficos se tornarão
amplia nária resultante da asainda mais discrepantes
ainda mais a sociação será de 22,4%
com a união entre JBS
e Bertin. "Essa notícia é
concentração dos negócios integrados.
muito preocupante para
no segmento, Atualmente, a BNDES
os médios e pequenos
(BNDESo que dificulta Participações
frigoríficos, uma vez que
Par) detém 26,9% do caacesso à pital do Bertin e 19,4%
a aquisição amplia ainda
matéria-prima
mais a concentração no
do capital do JBS/Frisegmento, o que dificulta e reduz o poder boi. Em nota, o banco
acesso à matéria-prima e
de negociação destacou que também
reduz o poder de negojunto a considera positivo o
ciação junto a atacadisde internacioatacadistas e processo
tas e varejistas", diz ele.
nalização do JBS/ Frivarejistas" boi, que tem planos de
Além destas operações,
a Marfrig, que chegou a
abrir capital nos Estados
negociar uma fusão com
Unidos. "A estratégia de
a Bertin, anunciou a compra da
crescimento destas empresas visa
Seara, unidade de carnes da ameriao aproveitamento de sinergias no
cana Cargill e, em maio deste ano,
processo de agregação de valor
Perdigão e Sadia se juntaram para
na cadeia produtiva por meio do
aumento da industrialização, da
verticalização, dos investimentos
em logística, em canais de distribuição nacionais e internacionais,
além dos ganhos de escala inerentes ao processo de consolidação
em curso", afirma o banco no seu
comunicado. Só para a aquisição
a norte-americana Pilgrim’s Pride
a JBS contará com algumas linhas
de crédito suficientes para financiar dívida de aproximadamente
US$ 1,5 bilhão, segundo revelou a
empresa.
34. Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009
Capacidade
de abate
A JBS-Bertin, em todo o
mundo, conta com capacidade
de processamento diário de
90,4 mil bovinos, 48,5 mil
suínos, 7,2 milhões de aves,
19,5 animais de pequeno porte
(ovinos e caprinos), 148,5 mil
metros quadrados de couro e
1.266 toneladas de lácteos.
Maior do mundo
A Bertin, fundada há cerca de
30 anos é também uma das maiores exportadoras de produtos de
origem animal da América Latina,
como carne bovina in natura e processada, lácteos e couros. A empresa tem 38 unidades produtivas no
Brasil e no exterior e emprega mais
de 35 mil funcionários. A JBS possui uma capacidade global de abate
de 73,9 mil cabeças/dia, com operações em 25 plantas industriais em
9 Estados brasileiros, 6 plantas em
4 províncias argentinas, além de 16
plantas nos EUA, 10 na Austrália
e 8 na Itália. A empresa, maior exportadora mundial de carne bovina, tem capacidade total de abates
no Brasil de aproximadamente 26
mil animais por dia. A nova empresa que deverá resultar da operação,
será responsável, sozinha, por 15%
das exportações brasileiras e 10%
do mercado interno.
Em alguns locais esta concentração alcançará níveis nunca imaginados: a Associação dos Criadores do Mato Grosso revelou que,
no estado, a JBS passará a controlar quase 50% dos abates. Dos 29
frigoríficos em operação naquele
estado, a JBS e a Bertin controlam
11. A Sociedade Rural do Paraná,
por sua vez, disse que “vê surgir
um oligopólio com características
de monopólio, o que desequilibra
ainda mais a relação entre produto-
res e a indústria, segundo disse seu
presidente, Alexandre Kireeff. Para
Antenor Nogueira, presidente do
Fórum Permanente da Pecuária de
Corte, “o momento já é ruim para
o produtor e quanto mais concentrado o mercado mais o produtor
perde poder na formação dos preços”, declarou num encontro da
Associação Nacional dos Confinadores realizada em Goiânia em
setembro passado.
Após a fusão com a Bertin e
a compra da Pilgrim's, a JBS será
líder em processamento de carne
bovina no Brasil, na Austrália,
na Argentina, na Itália e uma das
maiores dos EUA, com capacidade de abate de 90,4 mil bovinos
por dia. Será a terceira em suínos
nos EUA, com capacidade de abate de 48,5 mil cabeças por dia, e
uma das maiores em aves naquele
país e globalmente, com capacidade de abate de 7,2 milhões frangos
por dia ›‹
Posicionamento Nota oficial da ABRAFRIGO sobre as fusões Friboi-Bertin,
Marfrig-Margen-Mercosul, aborda os seguintes pontos:
• A ABRAFRIGO tem sistematicamente se posicionado contrária a concentração
industrial no ramo de frigoríficos;
• Não concordamos com a injeção de recursos públicos nas empresas, na condição
de sócio, pelo BNDES, os quais têm sido a fonte maior da concentração industrial no
nosso segmento;
• Todavia, não nos restam outras alternativas que possam evitar estas fusões e
incorporações, senão a de continuarmos esclarecendo a opinião pública, os poderes
constituídos da nação e também as entidades de representação dos pecuaristas,
sobre as prováveis conseqüências deste processo;
• Reconhecemos, porém, que o país eventualmente poderá se beneficiar, uma vez
que estas empresas terão maior poder de competitividade nos mercados externos,
colaborando para a nossa balança comercial;
• Entretanto, a ABRAFRIGO espera que no dia-a-dia dos mercados do boi e da carne
possa haver concorrência leal e salutar entre todas as empresas, e que, sob nenhuma
hipótese, vamos tolerar quaisquer indícios de manipulação de preços e distorção do
padrão de comportamento comercial que deve haver nestes mercados;
• A entidade deposita um crédito de confiança nestas fusões, mas esclarece que não
hesitará em tomar as medidas administrativas, legais e judiciais caso algum mínimo
sinal de irregularidade no campo comercial seja detectado por quaisquer das nossas
entidades e empresas filiadas.
• Continuaremos monitorando permanentemente estes mercados, em todas as
regiões do país, na esperança de que continuem sendo objeto das relações normais de
oferta e procura agregadas, com os preços sendo definidos como resultantes destas
duas variáveis, sem artifícios e sem manipulações.
Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009 .35
Mercado
Luz no fim
do túnel
Numa época de definições e ajustes, depois dos meses de crise e das
incorporações de empresas ocorridas, o setor de carne bovina já vive relativa
estabilidade e tem claro que 2010 pode ser o ano de retomada plena da
atividade. Prova disso é a tentativa da Brasil Foods entrar no setor.
D
36. Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009
Retorno
Depois de terem
saído do mercado anos
atrás, Sadia e Perdigão
querem voltar ao setor
de carne bovina pela
via da nova empresa, a
recém-criada BRFoods
(foto), uma associação
entre as duas
Foto: divulgação
os mais presentes no
2010 devei começar a ver uma luz
noticiário
econômico
no fim do túnel. Por exemplo: a
brasileiro nos
paralisação e a recupeúltimos
tem- "Os preços, no ração judicial de alguns
final de 2009, empreendimentos acapos, graças a grandes
negociações e também a
estão estáveis baram gerando mercado
grandes dificuldades, o
na faixa de para outras empresas. A
setor de frigoríficos foi
Foods (BRFooR$ 77,00. Não Brasil
um dos que mais sofreu
ds), resultado da fusão
teremos em entre as empresas de
retração com a crise.
médio
prazo, a alimentos Sadia e PerdiQuatro grandes frigorepetição dos gão, já mostrou que tem
ríficos, desde setembro
de 2008, pediram recuR$ 88,00 que interesse em comprar
peração judicial e aprose registraram o frigorífico Indepenximadamente 30 mil
um dos maiores
em 2008" dência,
pessoas que estavam
exportadores de carne
empregadas direta ou
bovina do país, depois
indiretamente
nessas
que este reestruturar sua
empresas, perderam sua
dívida, segundo noticiáocupação.
rio de agências internaAs dificuldades que
cionais. Claro que isso é
nos foram impostas
um primeiro reflexo da
depois de setembro de
desoneração do PIS/Co2008, com a crise fifins que restabeleceu o
nanceira mundial, ainda
e qu i l í br io
não foram totalmente recuperano setor. Agora, a
das. As exportações continuam
BRFoods quer exabaixo da média histórica dos úlpandir a sua atuação
timos meses anteriores a setemna comercialização
bro, embora tenham aumentado
de carne bovina, já
mês a mês.
que em relação ao
O que se observa é que, apecomércio de frango,
sar da forte retração, o setor tem
a empresa já detém
reagido, aos "trancos e barranuma posição de lidecos”, o que pressupõe que até
rança, mas mesmo
o final de 2009 ele vai ficar se
que a operação enajustando o tempo todo. E em
tre Independência e
Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009 .37
preços Variação do preço da arroba do boi gordo em 2009 – Barretos – SP
Janeiro
R$ 85,00
Junho
R$ 82,00
Fevereiro
R$ 82,00
Julho
R$ 81,00
Março
R$ 78,00
Agosto
R$ 78,00
Abril
R$ 80,00
Setembro
R$ 79,00
Maio
R$ 81,50
Outubro
R$ 77,00
Fonte : Scot Consultoria
Brasil Foods não se concretize, a
animais disponíveis está visivelindústria de alimentos vai contimente maior e a tendência é que
nuar se consolidando.
os preços cedam no curto/médio
Atualmente, os frigoríficos
prazo. “Os preços, no final de
brasileiros estão operando com
2009, estão estáveis na faixa de
apenas 60% de sua capacidade
R$ 77,00. Não teremos em médio
de produção. A queda da produprazo, a repetição dos R$ 88,00
ção dos frigoríficos, no entanto,
que se registraram em 2008”, exestá relacionada também à miplica o suplente de senador pelo
gração de alguns criadores para
Tocantins, José João Batista Stia produção de cana-deval,
vice-presidente
açúcar. Alguns pecua- "Precisamos
da Abrafrigo. “Mas o
ristas têm sido bastante também mudar
grande acontecimento
tentados pelo eucalipto
deste ano foi a consa estrutura de
porque empresas do setatação de que o mertor de papel e celulose pagamento
cado interno é muito
preocupadas com uma do boi para o
forte e absorveu quase
possibilidade falta de pecuarista para
tudo o que deixou de
matéria-prima futura o quilograma do
ser exportado no períestão oferecendo, em boi vivo e não
odo de crise, o que dá
arrendamento,
algo
segurança ao
mais arroba dele maior
próximo de R$800,00/
produtor com vistas ao
alqueire, algo com que já abatido, o que futuro da atividade”,
fica realmente difícil da dá uma sensação acrescenta.
pecuária competir.
Lá fora os preços
ao produtor
A oferta de bovinos de que é só o
começaram a melhorar
ainda não está absolu- frigorífico que
e os exportadores contamente regular para
seguiram em média vaestá ganhando,
os frigoríficos e em
lores 15% maiores em
algumas regiões há di- o que não
dólar que os que estaficuldade de aquisição corresponde a
vam sendo praticados
de bois como no Nor- realidade"
no início do ano. No
te de Minas Gerais. No
entanto, esta conquista
entanto, no Paraná,
foi inteiramente anulaSul de Minas Gerais,
da pela desvalorização
Triângulo Mineiro, Goiás e Mato
do Real frente ao dólar no períoGrosso do Sul há tendência de
do. Outro fator de desequilíbrio
queda de preço em virtude do aue mantém de certa forma a situmento de oferta. Em relação aos
ação delicada é o preço baixo do
últimos dois anos, o número de
couro, um dos itens de maior ren38. Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009
tabilidade dos frigoríficos brasileiros e que responde por 18%
do seu faturamento, entre os 78
itens de produção. “Neste quadro, o novo desafio é o aumento
da produtividade”, diz José João
Batista Stival. “Precisamos também mudar a estrutura de pagamento do boi para o pecuarista
para o quilograma do boi vivo e
não mais arroba dele já abatido, o
que dá uma sensação ao produtor
de que é só o frigorífico que está
ganhando , o que não corresponde a realidade. Acho que é hora
de lançarmos isso em debate”,
conclui ele ›‹
Margens do varejo continuam altas Mesmo com os preços da carne oscilando bastante desde o início
do ano, as margens do varejo continuam elevadas e nada é repassado ao consumidor final.
Atacado
Varejo
02/11 a 06/11
02/11 a 06/11
Diferença
Margem Bruta
supermercados
Alcatra - Miolo
R$ 10,65
R$ 19,06
R$ 8,41
78,97 %
Contra File
R$ 9,87
R$ 16,35
R$ 6,48
65,65 %
Coxão Mole
R$ 8,28
R$ 14,38
R$ 6,58
79,47 %
File Mignon s/ cordão
R$ 17,51
R$ 30,12
R$ 12,61
72,02 %
Lagarto
R$ 7,70
R$ 13,15
R$ 5,45
70,78 %
Patinho
R$ 7,69
R$ 15,32
R$ 7,63
99,22 %
Fonte: Scot Consultoria - Preços Médios SP
Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009 .39
Diretriz
Novas Regras Ainda em vigor, a Circular que disciplina a manipulação de despojos bovinos poderá ser alterada em breve
CERTIFICADO
VETERINÁRIO DE
SANIDADE ANIMAL
E DE SAÚDE
PÚBLICA
pelo Ministério da Agricultura. Segue abaixo a instrução:
Novas Regras
Ministério da Agricultura quer mudar regulamento da exportação de despojos bovinos.
Os estudos estão em andamento no Dipoa e, pelo que se sabe, só frigoríficos habilitados
a exportar poderão realizar operações de venda de despojos exportáveis, mesmo nas
vendas entre empresas feitas no mercado doméstico.
O
adquirem produtos que no Brasil
Ministério da Agricultura
normalmente são remetidos para
ainda não fez a divulgação
a graxaria e que em algumas regide nenhuma informação
ões do mundo são tratados como
sobre como seriam estas
iguarias. Esta exportação é feita
mudanças, mas a assessoria de cosomente por frigoríficos habilimunicação do Mapa confirmou
tados pelo Mapa para realizarem
que o Dipoa – Departamento de
vendas externas, mas muitas emInspeção de Produtos de Origem
presas locais vendem seus dejetos
Animal, está estudando alterapara estes frigoríficos exportadoções na atual regulamentação que
res. Atualmente, o setor é balizadá as diretrizes para a produção
do pela Circular 279, de
e exportação de produ2004, que regulamenta
tos que são classificados Neste setor, há
e permite estas exportacomo despojos do abate
um mercado
ções e as operações entre
de bovinos e bubalinos.
os frigoríficos do mercaNeste setor, há um mer- interessante
do interno, uma vez que
cado interessante para para vários
entre os compradores invários frigoríficos brasi- frigoríficos
ternacionais de despojos
leiros de pequeno e mé- brasileiros de
não há grandes exigêndio porte porque muitos pequeno e
cias de ordem sanitária.
países, com costumes e médio porte
Pelo que se comenta no
hábitos alimentares dimercado, a partir de agoferentes do brasileiro,
40. Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009
ra o Mapa quer que as vendas feitas
no mercado interno de frigorífico
para frigorífico tendo como objetivo a exportação de despojos seja
realizada somente entre empresas que possuem habilitação para
atuar no mercado externo, com o
que, na prática, muitos frigoríficos
teriam que correr para se adaptar
às regras do Ministério da Agricultura. A Abrafrigo é contrária a este
tipo de iniciativa que pode prejudicar muitas empresas de pequeno
médio porte que não teriam como
resolver o destino de parte de seus
despojos, o que pode até mesmo
criar problemas ambientais. Para
a entidade, a situação atual, como
prevalece pela Circular 279 é muito mais justa e satisfatória. Como
muita gente não conhece o teor
desta Circular, estamos publicando
o documento na sua íntegra ›‹
Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009 .41
Biocombustível
A vez do sebo
Para os frigoríficos, a importância econômica do sebo e do couro já é a
mesma. A queda dos preços do couro é uma das maiores da história
Mercado
do sebo bovino:
expansão
por causa do
biodiesel
N
40 quilos de couro e somente 12
a história econômica do
quilos de sebo, mas mesmo com
setor de carnes do Brasil
o valor de mercado mais alto,
é a primeira vez que isso
o sebo representa de
ocorre. Em 15
março de 2008, o quilo Para um material 1,5% a, no máximo,
2% da receita das indo sebo valia R$ 0,95 que até bem
dústrias
frigoríficas.
e o de couro verde, R$ pouco tempo
No entanto, segundo a
2,20. Em novembro, o era tratado
Scot Consultoria, a imquilo já valia R$ 1,70, o como resíduo,
portância econômica
mesmo valor do couro, queimado ou
dos dois produtos, para
que tinha iniciado uma
o frigorífico, se iguatrajetória de queda em enterrado,
meio a crise econômi- gerando passivos lou. Em setembro de
2007 o quilo do couro
ca. Em maio deste ano, ambientais,
valia 126% mais que o
o sebo já valia R$ 2,30, trata-se de uma
enquanto o quilo do grande mudança do sebo. Hoje ele vale
65% menos. Enquanto
couro, R$ 1,80. Um
que o mercado do sebo
animal adulto produz
42. Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009
Receita
Um animal adulto
produz 40 quilos de
couro e somente 12
quilos de sebo. No
entanto, a importância
econômica dos dois
produtos se igualou
para os frigoríficos
se expandiu no decorrer dos últimos anos, com o advento do biodiesel, o do couro encolheu, em
função do uso de produtos sintéticos. Resultado: não há mais
sobras de sebo no mercado.
A maior explicação para este
comportamento está no fato de
que a gordura animal, atualmente, é a segunda matéria-prima
mais utilizada para a produção de
biodiesel no Brasil, atrás apenas
do óleo de soja. Segundo o último Boletim Mensal de Biodiesel
da Agência Nacional do Petróleo,
Gás Natural e Biocombustíveis
(ANP) -, a gordura animal - sebo
bovino, quase em sua totalidade
- responde por 14,62% da produção nacional, enquanto que o óleo
de soja representa 78%. Conforme a ANP, o uso do sebo bovino
superou em mais que três vezes o
óleo de algodão (4,11%). Outras
oleaginosas como a mamona,
dendê, pinhão-manso, girassol e
a canola aparecem como “outros
materiais graxos” e equivalem a
apenas 2,57% do que se consome
para produzir o biodiesel.
Para um material que até bem
pouco tempo era tratado como
resíduo, queimado ou enterrado, gerando passivos ambientais,
trata-se de uma grande mudança,
ocorrida em função do crescimento da participação do Brasil
no mercado mundial da carne e
porque o sebo é uma matéria-prima mais barata que o óleo de soja.
A Bertin, por exemplo, apostou
nessa tendência e inaugurou em
agosto de 2007, a Brasbiodiesel
em Lins, no interior paulista, para
produzir 125 milhões de litros de
biodiesel por ano, 70% com sebo
de boi e 30% com óleo de soja.
A Biocapital, arrendada pelo JBS
Friboi, com sua usina localizada
em Charqueada (SP) é a maior do
país em aproveitamento exclusivo do sebo, mas outras 65 usinas
detêm autorização da
ANP para processar
gordura animal. Destas, pelo menos sete
- BrasBiodiesel, Frigol, BioCar Biodiesel, CLV Agrodiesel,
BioPar Parecis, Ouro
Verde e Amazon Bio,
localizadas em São
Paulo, Mato Grosso,
Mato Grosso do Sul
e Rondônia, usam o
sebo como matériaprima.
Já o couro é muito dependente do mercado externo, que vem
se retraindo neste ano por conta da menor demanda da Itália,
maior compradora do produto
brasileiro, e dos Estados Unidos
- o Brasil exporta 80% do couro
que produz. Até julho, as exportações brasileiras de couros registraram receita de US$ 588,62
milhões, com queda de 52%, em
relação ao mesmo período de
2008. segundo dados elaborados
pelo Centro das Indústrias de
Curtumes do Brasil (CICB), com
base no balanço da Secretaria de
Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior ›‹
Couro X Sebo
Em março de 2008,
o quilo do sebo valia R$
0,95 e o de couro verde,
R$ 2,20. Já em maio deste
ano, o sebo valia R$ 2,30,
enquanto o quilo do couro,
R$ 1,80.
Composição. Matéria-prima para Produção de Biodiesel
Outros*
Óleo de Algodão
4,11%
2,57%
Sebo Bovino
14,62%
soja
78%
*mamona, dendê,
pinhão-manso,
girassol e a canola
Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009 .43
Comércio Exterior
Novo passo
Recém-criado departamento da ABRAFRIGO terá como ação
prioritária a inclusão de novas plantas pequenas e médias no rol
de empresas exportadoras, além de prestar um valioso auxílio de
consultoria
P
or demanda dos seus associados, a Abrafrigo criou
no início de outubro, o seu
Departamento de Comércio Exterior. Daqui para frente, ele
deverá exercer um papel efetivo na
inserção de mais empresas no setor
de comércio exterior, cumprindo
um importante papel na manutenção da liderança brasileira no
mercado mundial de carnes no futuro. O Brasil possui cerca de 20%
do rebanho mundial com 17% do
abate total. A produção de carne
bovina representa mais de 15% da
produção mundial, sendo que o
volume médio exportado nos últimos anos foi mais de 2 milhões
de toneladas/ano, representando
mais ou menos 30% da exportação
mundial o que colocou o Brasil
na liderança mundial de exportação de carne bovina, mesmo fora
dos mercados como EUA, Coréia
do Sul, Japão, Indonésia, etc. Portanto, a tendência é esses números
melhorarem nos próximos anos
e, nesse aspecto, os associados da
Abrafrigo podem desempenhar
um papel relevante.
Para criar, organizar e tornar
operacional este departamento a
entidade convidou um dos maiores especialistas no setor, Thomas
C. S. Kim que já começou seu trabalho e está à disposição dos interessados. Segundo ele, o Departamento de Comércio Exterior da
Abrafrigo terá basicamente quatro
grandes áreas de atuação: (1) Informação do Mercado Internacional;
(2) Informação da Política Brasilei-
ra na Área de Comércio Exterior;
(3) Atuação nas Habilitações de
Plantas dos Associados; (4) Consultoria na Área de Comércio Exterior a Associados.
Para buscar e atualizar informações do mercado internacional,
o departamento terá uma participação ativa nas missões comerciais
e sanitárias do MAPA e do MDIC.
Com isso, deverá informar aos associados tudo que está acontecendo no mercado mundial de carne
em tempo dessas informações serem muito bem aproveitadas para
novos negócios. Também pretende
manter conversas com as associações dos países importadores para
firmar colaboração mútua de troca
de informações. O departamento manterá um colaborador que
44. Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009
O Brasil no mercado
mundial
Da esquerda para a direita,
Thomas C. S. Kim, Francisco
Turra (ABEF), Pedro Camargo
Neto (ABIPECS), Celio Porto
(Secretário de Relações
Internacionais – MAPA) – Na
embaixada em Moscou onde
foi tratada a questão de
cota de exportação de carne
com o governo russo.
Rebanho de
200 milhões de
cabeças
20% do rebanho
mundial
17% do abate total
15% da produção
mundial
30% das
exportações
2 milhões de ton/
ano de carne
das pelos importadores cuja regra
terá total transparência. Para isso,
talvez seja necessária uma préavaliação técnica por profissionais
competentes. O departamento poderá assessorar as plantas a se qualificarem técnica e comercialmente para conquistar habilitações”,
completou.
Ele também informou que sobre consultoria na área de comércio exterior, entre os associados
da entidade, alguns ainda não têm
experiência nessa área, ou talvez
venham a ter situações em que
poderão ter dúvidas ou necessitar
de alguma dica de soluções. “O
departamento pretende dar assistência permanente desses assuntos
aos associados”, garantiu. Segunvai estar próximo ao MAPA e ao
do ele, neste setor o papel do goMDIC para uma representação insverno federal é muito importante
titucional e auxiliar os associados.
na abertura de novos mercados,
Neste momento, o grande intealguns muito cobiçados pelos paresse dos associados, sem dúvida,
íses concorrentes tais como EUA
é o de saber como funcionará o
e Austrália. “Falo isso, no nível de
departamento para atuar nas habinegociações bilaterais, não técnica
litações de plantas. É bom lembrar
e sanitária. Isso envolve o Itamaque houve uma época
raty, especificamente o
"A nossa setor de negociações coem que isso parecia uma
política merciais do Itamaraty.
caixa preta, onde poucos
tinham privilégio de conserá total Na minha gestão, preseguir habilitações para
transparência tendo estabelecer um repaíses que melhor remuonde todos lacionamento próximo
neravam. “Na Abrafrigo,
saberão com esse setor para que
isso não acontecerá. A
a gente possa encontrar
exatamente “moeda de troca” que o
nossa política será total
qual é a regra Brasil possa utilizar nas
transparência onde todos
de jogo para negociações de abertura
saberão exatamente qual
participar nas do mercado de carne”,
é a regra de jogo para participar nas habilitações.
habilitações" informou. Thomas S.
Nós iremos colocar na
Kim acabou de retornar
mesa as condições exigide uma missão comerdas pelos países imporcial na Arábia Saudita
tadores e os próprios associados
- retornou em 06/11. Segundo ele,
participarão na avaliação técnica
“ no início do ano, em fevereiro de
de suas próprias plantas, e as que
2010, teremos uma feira em Dubai
tiverem condições, Abrafrigo irá
onde todos os importadores dos
recomendar para fazer parte da
países árabes estarão presentes. É
lista do MAPA”, explica Thomas
uma feira importante para a qual
C. S. Kim. Ele ressalta que serão
convido todos os associados da
“respeitadas as condições exigiAbrafrigo a participar”, finalizou ›‹
Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009 .45
Abrafrigo
Reestruturação
Abrafrigo cria cargo de Presidente Executivo e seu Conselho de Administração.
O crescimento da entidade e de sua representatividade, além de sua maior
presença junto aos órgãos públicos, levaram a necessidade de se instituir uma
mais moderna estrutura de gestão.
C
riada em 2004, como enIndústrias de São Paulo (FIESP),
tidade representativa do
foram criados os cargos de Presisegmento industrial da
dente Executivo da entidade e o
carne bovina que Quem irá
seu Conselho de Admiatua no mercado interno
(C.A.), além
exercer o cargo nistração
e no comércio exterior,
de se dar posse ao novo
com atuação nacional, de primeiro
diretor do recém-criado
congregando empresas, presidente
Departamento de Exsindicatos e associações do C.A. é o
portação, um setor que,
estaduais da indústria empresário e
com a ampliação da
de carnes, a Abrafrigo suplente de
atuação da Associação
fez sua primeira mudanpassou a ser necessário,
senador pelo
ça importante no seu
a partir da solicitação
formato institucional. Tocantins, José dos seus integrantes.
No último dia 6 de no- João Batista
Da reunião partivembro, numa reunião Stival
ciparam aproximadarealizada nas instalamente 35 integrantes
ções da Federação das
da diretoria da entidade
46. Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009
Nova
Diretoria
Da esquerda para a direita,
o presidente do Conselho de
Administração, o empresário
e suplente de senador pelo
Tocantins, José João Batista Stival,
o presidente executivo, Péricles
Salazar e o Diretor de Comércio
Exterior Thomas C. S. Kim.
que aprovaram a reforma dos estatutos e indicaram para exercer o
cargo de primeiro presidente do
C.A. o empresário e suplente de
senador pelo Tocantins, José João
Batista Stival. Para a Presidência
Executiva, o indicado foi o atual
presidente da Abrafrigo, Péricles
Salazar e na Diretoria de Comércio Exterior assumiu Thomas C.S.
Kim. Fazem parte do Conselho, a
partir de agora, todos os presidentes de sindicatos filiados a entidade.
Com o Conselho de Administração e a Presidência Executiva,
a Abrafrigo adota um moderno
instrumento de gestão. Trata-se
de uma estrutura que substitui,
em certos casos, a instalação da
assembléia-geral, órgão societário
de quem a complexa burocracia
rouba a agilidade. Nele pode-se
reunir com certa regularidade as
pessoas que se interessam pelo setor para discutir o desempenho da
entidade, os desafios que ela vem
enfrentando, além das estratégias
que devem ser utilizadas para alcançar as metas oferecendo um
feedback ao Presidente Executivo
sobre a percepção do Conselho.
Durante o encontro com os
presidentes de Sindicatos, o Presidente Executivo da Abrafrigo,
Péricles Salazar aproveitou para
comunicar os resultados de sua
reunião com o Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico
(BNDES), realizada em outubro
com a participação da Abiec, sobre os problemas de desmatamento na Região Norte do País. “O
Banco nos comunicou que a partir de agora não irá mais financiar
empresas que ainda compram
animais que sejam originários de
regiões de Áreas de Preservação
da Amazônia. Daqui para frente
o rastreamento bovino será obrigatório nestas regiões para comprovar a origem do gado”, informou ele ›‹
Para a Abrafrigo, grandes
frigoríficos precisam
priorizar pagamentos de
pecuaristas
A Abrafrigo está
incluindo os matadouros
preocupada com as
municipais. O que ocorreu
conseqüências da onda de
nos últimos anos é que os
pedidos de recuperação
grandes grupos cresceram
judicial entre os frigoríficos e
e os pequenos e médios
está solicitando as empresas
foram acompanhando
que priorizem o pagamentos
marginalmente essa
de pecuaristas. Segundo o
evolução”, revelou.
presidente da entidade, Péricles
No último dia 5 de
Salazar “apesar de representar
novembro, por exemplo,
apenas os pequenos e médios
a situação do Frigorífico
frigoríficos, a
Independência
"Esse nó vai
Abrafrigo é afetada
começou a ser
indiretamente por
ter que ser
resolvida. São 1.524
esta tendência dos
desatado. Se o pecuaristas de MS,
grandes grupos”,
MT, MG, RO e GO
BNDES quiser
explicou. Ele disse
uma conta a
injetar recursos, com
que acredita ainda
receber da ordem de
os grupos terão R$ 194 milhões. Os
que essas empresas
fatalmente terão que que priorizar o
pecuaristas que estientrar em acordo
pagamento do
veram na assembleia
com seus credores:
geral dos credores
produtor"
“Esse nó vai ter
do Independência e
que ser desatado.
Nova Carne IndúsSe o BNDES
tria de Alimentos,
quiser injetar recursos, os
realizada no Centro de
grupos terão que priorizar
Convenções do Hotel Trano pagamento do produtor”,
samérica, em São Paulo,
afirmou. Ele informou que os
decidiram aceitar a proposta
pequenos e médios frigoríficos
do Plano de Recuperação
respondem atualmente por
Judicial apresentada pela
70% do abastecimento nacional empresa. Pelo plano, haverá
e que muitos produtores
pagamento à vista de quem
preferem vender para esses
tem a receber até R$ 100
pequenos grupos. “Nós temos
mil; os com crédito supeum número razoável de plantas rior receberão R$ 100 mil
frigoríficas atuando no país
de entrada e saldo dividido
hoje. Se nós computarmos
em 36 parcelas, sendo que
todas as pequenas, médias
na 24ª parcela a dívida será
e micro empresas, temos
quitada, corrigida pela taxa
algo ao redor de 2,5 mil,
Selic.
Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009 .47
Notas
Cajuru Alimentos
Eventos
Debatendo o futuro
Contratos
BNDES pula fora do Independência
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anunciou que quer
deixar a sociedade que possui na Independência
Participações, holding controladora da Independência S.A. e Nova Carne, as duas empresas do
mesmo grupo que controla o frigorífico. O banco
pretende também utilizar uma cláusula contratual
que obriga os proprietários do Independência
a recomprarem a participação de mais de 20%
que o BNDES possui na holding, alegando que a
empresa descumpriu termos contratuais, como o
próprio pedido de recuperação judicial a revelia
do banco. Na última assembléia de credores o
Independência sugeriu aos pecuaristas pagamento
integral das dívidas com limite até R$ 100 mil e o
saldo restante em 36 parcelas mensais.
Meio-ambiente
Sul e Leste do Pará terão
georreferenciamento
A partir de 1º de janeiro, as propriedades rurais
do Sul e Leste do Pará vão ser monitoradas pelo sistema de georreferenciamento por satélite para ajudar a
acabar com o desmatamento na Amazônia. A ideia do
projeto é acompanhar a evolução da pecuária em todo
o estado para que o setor não seja mais responsabilizado pela derrubada da vegetação amazônica. Dessa
forma, os produtores que forem flagrados pelo sistema desmatando perderão a Guia de Trânsito Animal
(GTA) de todo o rebanho. Sem o documento, que
passa a ser eletrônico, o proprietário fica impedido de
comercializar seus animais para outras unidades da
federação. O projeto
nasceu há oito meses
e das 14 mil propriedades previstas para
serem georreferenciadas, 12,5 mil já estão
prontas.
48. Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009
A concentração da
indústria frigorífica foi
um dos pontos altos em
debate junto com a nova
realidade de mercado e os desafios regulatórios do
setor por um grupo de 100 entre os mais destacados pecuaristas brasileiros que se reuniu de 21 a
25 de outubro, no EcoResort do Cabo, em Pernambuco, para a realização do "Meeting Agronegócios - Pecuária". O evento foi organizado pelo
grupo ProBiz e contou com o apoio da CNA, SRB
e ACNB, além do Canal Terraviva. "Não está fácil
ser agropecuarista neste país", explicou o diretor da
ProBiz, Silmar Muller. Para Silmar, além das pressões econômicas, com custos de produção elevados
e preços baixos para o boi, o pecuarista brasileiro
precisa atender requisitos de rastreabilidade sanitária, bem-estar animal, habilitação especial para
exportar para a União Europeia, reservas ambientais legais, áreas de proteção ambiental, o desafio
do novo Código Florestal, etc, além da insegurança
fundiária, de ter de permanentemente defender sua
propriedade de invasões de sem-terras, de índios ou
de ladrões de gado.
Recuperação
Arantes faz proposta
A Arantes Alimentos, frigorífico em
recuperação judicial
com dívidas da ordem
de R$ 1 bilhão, e um
dos maiores players
nacionais do setor de
proteínas animais,
com capacidade
instalada de abate
de 5.500 cabeças de
gado e 253.000 aves
por dia, e produção
de milhares de quilos
de embutidos diariamente, está propondo
pagar tudo o que
deve em 12 vezes. A
empresa gera mais de
5.000 mil empregos
diretos e outros 8.000
indiretos. O Grupo
faturou R$ 1,6 bi
em 2008. A empresa
informou que, para
concluir o processo
no menor prazo possível, são realizadas
reuniões com grupos
de credores para
apresentação do seu
plano e propostas.
O plano estabelece
condições para que a
Nova Arantes tornese um dos principais
players deste mercado
em um breve futuro.
Mais uma incorporação
Com produtos de alto valor
agregado, a Cajuru Alimentos,
empresa familiar
proprietária da
marca Gold
Meat de carnes temperadas, está
despertando o interesse do setor.
Com sede em Cajuru (SP) e proprietária de outras quatro marcas
de carnes, a empresa está em
negociações com três grandes
companhias do setor para ser
comprada. Alguns frigoríficos
estão com a intenção de entrar
num nicho do mercado que é
mais prestador de serviço para
agregar valor e não mais fazer
grandes aquisições para mostrar
aos acionistas. Sabe-se que representantes da empresa mantiveram conversas recentes com o
JBS, maior empresa de proteínas
no planeta, mas Mafrig, Minerva
e até mesmo Independência e
Arantes, que enfrentam processos de recuperação judicial, se
interessaram pelo negócio de
carne com grife.
Conduta
TAC’s agora no Mato Grosso
Três procuradores da República apresentaram em1º de
outubro a proposta de um Termo de Ajustamento de Conduta
(TAC) para o setor frigorífico
em Mato Grosso para evitar o
desmatamento provocado pela
pecuária. Representantes de
frigoríficos, do setor pecuário e
dos órgãos ambientais estadual e
federal iniciaram a discussão do
TAC, que propõe aos frigoríficos que se comprometam a não
comprar animais para o abate
oriundos de áreas que praticam
desmatamento ilegal, que não
possuam licenciamento ambiental, que exploram mão-de-obra
em condições de escravidão,
que estão localizadas em áreas
indígenas ou quilombolas, que
tenham registro de violência
agrária ou que sejam áreas de
desmatamento recente. Segundo
o procurador da República, Mário Lúcio de Avelar, o objetivo
é trazer os produtores do setor
pecuário de Mato Grosso para a
legalidade e garantir o controle
da sociedade sobre a atividade
produtiva.
Auditoria
Nova missão chilena vai começar
visita ao Brasil pelo Tocantins
O Tocantins não foi auditado pelo Serviço Agrícola
Ganadero do Chile entre os
dias 5 e 16 de outubro como estava previsto. A visita da missão
técnica ao Brasil foi adiada e a
informação repassada por meio
de ofício do Ministério da Agricultura à Adapec (Agência de
Defesa Agropecuária). Segundo
o diretor de Sanidade Animal
do Mapa, Jamil Gomes de
Souza, foi sugerido ao governo
chileno uma nova data, mas até
o momento o SAG não enviou
resposta. Além do Tocantins, a
missão irá auditar os sistemas de
defesa agropecuária dos estados
do Paraná, São Paulo, Minas
Gerais, Mato Grosso, Mato
Grosso do Sul, Goiás e Espírito Santo. Atualmente, o Chile
importa carne de oito empresas
do Rio Grande do Sul, sendo 16
unidades certificadas. Dentre
as exigências que deverão ser
cobradas estão a implementação do Programa de APPCC
- Análise de Perigo e Pontos
Críticos de Controle, os PPOHs - Procedimentos Padrão
de Higiene Operacional, e as
BPF - Boas Práticas de Fabricação e de testes microbiológicos
para avaliação dos processos de
produção.
Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009 .49
Notas Internacionais
Alimentação
Privando as crianças
de carne
De volta ao mercado
Rússia volta
ao mercado
brasileiro
da carne
“in natura”
O Ministério da Agricultura,
através do Secretário de Defesa
Agropecuária, Inácio Kroetz,
solicitou a Abrafrigo, no início
de maio, uma reunião com todos
os associados habilitados a
exportação de carne bovina
“in natura” para o mercado da
Rússia. O encontro foi para tratar
dos requisitos sanitários e de
procedimentos nos portos para exportação àquele país. Participaram
da reunião, além dos frigoríficos,
os representantes da DIPOA e da
Coordenação Geral de Vigilância
Agropecuária – Vigiagro.
Habilitação
que a cota seja para novilhos e
novilhas menores de 30 meses,
com um regime especial de
Os produtores do Uruguai
alimentação em confinamento, o
estão otimistas quanto a ter aces- Uruguai buscou ter acesso a essa
so à parte da cota adicional para cota e a UE aceitou, enviando
carne de animais confinados da
um documento pedindo uma
União Europeia. Recentemente
ampliação de informações. A
a UE habilitou a importação de
partir daí, a cadeia de carnes do
uma cota paralela à cota HilUruguai, através do Institon, de 20.000 toneladas,
tuto Nacional de Carpara carne proveniente
nes (INAC), preparou
de confinamentos
um documento de
que deve cumprir
quase 40 páginas para
com condições muiesclarecer as dúvidas
to específicas. Ainda
dos europeus.
Europa quer carne
uruguaia
O Instituto Americano de
Carnes dos Estados Unidos (American Meat Institute - AMI) está
pedindo que as Escolas Públicas
de Baltimore reconsiderem sua
decisão de manter as "Segundas
sem carne", dizendo que os produtos de carnes vermelhas e brancas
são partes essenciais de uma dieta
balanceada. Isso porque o sistema
de Escolas Públicas de Baltimore
se tornou em outubro o primeiro
dos EUA a se comprometer a não
servir carnes nas segundas-feiras.
Isso significa que 80.000 estudantes não terão carne como opção
no cardápio nas segundas-feiras.
"Vocês estão removendo os pratos
de carne vermelha ou branca
nas segundas-feiras, privando as
crianças e seus pais da capacidade
de determinar o que é apropriado
para suas dietas e suas próprias
circunstâncias pessoais", disse o
presidente da AMI, Patrick Boyle.
Austrália
Na Austrália
como aqui
As exportações de carne bovina e de vitelo da
Austrália durante setembro caíram em 9% com relação ao ano anterior. Os exportadores continuam enfrentando uma fraca demanda e um dólar australiano
valorizado, enquanto as ofertas se reduziram com os
processadores diminuindo os abates. As exportações
atingiram 75.778 toneladas, levando o total para os
primeiros nove meses de 2009 para 701.000 toneladas - um pouco a mais que os volumes no período
correspondente de 2008.
50. Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009
Já pensou seu veículo de
comunicação de cara nova?
Órgãos, Empresas, entre tantos outros, buscam através de veículos
informativos a fórmula ideal para atingir o seu público. Mais do que levar
informações, uma boa comunicação é um marco para a gestão que quer
aumentar sua proximidade com seus parceiros, colaboradores e clientes.
Com a Editora Ecocidade, o tratamento
Revista
da informação da sua instituição é diferenciado.
www.ecocidade.com.br
| 41.51
3082.8877
da ABRAFRIGO
novembro de 2009
52. Revista da ABRAFRIGO novembro de 2009
Download

até que enfim!