0 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM AVALIAÇÃO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE DAS CRIANÇAS E DOS ADOLESCENTES VIVENDO COM HIV/AIDS DE SANTA MARIA/RS/BR DISSERTAÇÃO DE MESTRADO Letícia do Nascimento Santa Maria, RS, Brasil 2014 1 AVALIAÇÃO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE DAS CRIANÇAS E DOS ADOLESCENTES VIVENDO COM HIV/AIDS DE SANTA MARIA/RS/BR Letícia do Nascimento Dissertação de mestrado apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. Área de Concentração: Cuidado, educação e trabalho em enfermagem e saúde, Linha de Pesquisa: Cuidado e Educação em Enfermagem e Saúde da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, RS), como requisito para obtenção do grau de Mestre em Enfermagem Orientadora: Prof. Drª Cristiane Cardoso de Paula Coorientadora: Prof. Drª Tânia Solange Bosi de Souza Magnago Santa Maria, RS, Brasil 2014 2 © 2014 Todos os direitos autorais reservados a Letícia do Nascimento. A reprodução de partes ou do todo deste trabalho só poderá ser feita mediante a citação da fonte. E-mail: [email protected] 3 4 Dedico esse trabalho ao meu esposo Evandro e aos meus filhos Caroline e Henrique, que me apoiaram e estimularam, tornando possível concluir mais esta importante etapa de qualificação profissional. Amo vocês!!! 5 AGRADECIMENTOS Agradeço, primeiramente, a Deus que iluminou esta trajetória me fortalecendo na caminhada. À Universidade Federal de Santa Maria e ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, por possibilitar-me a qualificação de mestrado. À professora Drª Cristiane Cardoso de Paula, que aceitou orientar este trabalho, pelo comprometimento, amizade, apoio, orientação segura e decisiva para a concretização desta pesquisa, meus sinceros agradecimentos. Tenho imensa admiração por você! À professora Drª Tânia Bosi de Souza Magnago, pela paciência, dedicação, amizade, por suas valiosas sugestões para a construção deste estudo e apoio incondicional. Obrigada por tudo! À professora Drª Eliane Tatsch Neves, pelo incentivo para a inserção no mestrado. Serei eternamente grata a você. Você faz parte desta conquista! Ao Dr Erno Harzhein pelas relevantes contribuições sem as quais não seria possível o êxito desta pesquisa. A banca de qualificação de projeto de mestrado e de defesa de dissertação pelas importantes contribuições para a qualificação desta pesquisa. Ao Grupo de Pesquisa Cuidado à Saúde das Pessoas, Famílias e Sociedade (PEFAS) pelo acolhimento e pela contribuição nas etapas desta pesquisa. Sem o apoio de todos seria impossível à concretização deste estudo. À colega e amiga Clarissa Bohrer da Silva, pelo ombro amigo, apoio, dedicação e carinho. Sua contribuição foi essencial para o desenvolvimento desta pesquisa. Conte sempre comigo! À colega e amiga Daniela Kinalski por toda dedicação em seu TCC que culminou em uma fonte de pesquisa bibliográfica para a construção desta dissertação. À minha mãe Maria, pela torcida, auxílio, pelas lições de perseverança na superação de obstáculos. És o meu porto seguro, mãe e avó exemplar! Com você aprendo todos os dias, a acreditar mais no meu potencial, a ser mãe e a ser ativa! Amo você! Às minhas irmãs Rubia e Daiana, pela disponibilidade em me escutar, auxiliar e aconselhar em todos os momentos desta trajetória! Amo vocês! Ao meu cunhado Alexandre Fuentefria, pelas palavras de incentivo, por acreditar no meu potencial profissional e pelo carinho. Tenho em você um exemplo a ser seguido! A minha cunhada Ana Paula, por estar sempre disposta a me auxiliar, pelas dicas de APS e pelo carinho constante! Amo você! Aos meus sogros Roberto e Laureci, pela torcida, incentivo e orações. Amo vocês! Aos meus amores Evandro, Carol e Ique pela compreensão das minhas ausências. Vocês caminharam de mãos dadas comigo nesta trajetória! Às minhas amigas enfermeiras e colegas de mestrado Greice Pieszak, Tassiana Potrich, Laura F. Cortes, Tatiane C. Trojahn, Andressa Rodrigues, Graciele Erthal pelo carinho, amizade e parceria em todos os momentos desta trajetória. A todos os amigos, colegas, professores que contribuíram direta ou indiretamente para a construção desta pesquisa. A Secretaria de Município de Saúde de Santa Maria e aos profissionais da APS do município de Santa Maria/RS, agradeço pela contribuição para esta pesquisa. 6 RESUMO Dissertação de Mestrado Programa de Pós-Graduação em Enfermagem - Mestrado Universidade Federal de Santa Maria AVALIAÇÃO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE DAS CRIANÇAS E DOS ADOLESCENTES VIVENDO COM HIV/AIDS DE SANTA MARIA/RS/BR AUTORA: LETICIA DO NASCIMENTO ORIENTADORA: CRISTIANE CARDOSO DE PAULA COORIENTADORA: TÂNIA SOLANGE BOSI DE SOUZA MAGNAGO Data e Local da Defesa: Santa Maria, 26 de fevereiro de 2014. Dissertação de mestrado integrante do projeto matricial “Avaliação da atenção primária à saúde das crianças e dos adolescentes com HIV/AIDS”, na qual foi desenvolvida a avaliação dos serviços de Santa Maria/RS/BR, versão profissionais. Estas crianças e adolescentes exigem demandas de acompanhamento em saúde além do habitual, devido às especificidades de sua condição sorológica. No entanto, dificuldades no acesso aos serviços de Atenção Primária de Saúde (APS) resultam na busca da resolução dos problemas de saúde de baixa e média densidade tecnológica nos hospitais. Isso gera um viés do sistema, atribuindo ao serviço de referência à porta de entrada do mesmo. Questão norteadora: qual a qualidade da APS às crianças e aos adolescentes vivendo com HIV/AIDS no município de Santa Maria/RS/BR, na experiência dos profissionais? Objeto de estudo: os atributos da APS às crianças e aos adolescentes vivendo com HIV/AIDS. Objetivo: medir a presença e a extensão dos atributos da APS às crianças e aos adolescentes vivendo com HIV/AIDS do município de Santa Maria/RS/BR, segundo o PCATool-Brasil versão Profissionais. Metodologia: Pesquisa de abordagem quantitativa com delineamento transversal. A coleta de dados foi desenvolvida de fevereiro a julho de 2013, nos serviços de APS de Santa Maria/RS/BR. A população do estudo contemplou os profissionais dos serviços de APS. A coleta dos dados foi realizada por meio de entrevista com aplicação do protocolo de pesquisa (questionário de caracterização e PCATool-Brasil versão Profissionais). Este instrumento avalia o quanto os serviços de saúde estão orientados para os atributos definidores da APS. Os dados foram organizados no Programa Epi Info 6.04, com dupla digitação independente. Após correção de erros e inconsistências, a análise foi realizada no Programa Predictive Analytics SoftWare, versão 18.0, for Windows. Foram construídos escores por atributo, escore dos atributos essenciais, dos derivados e escore geral de APS. Foram respeitados os aspectos éticos das pesquisas com seres humanos, seguindo a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Resultados: Na avaliação geral, longitudinalidade, coordenação integração de cuidados e coordenação sistema de informações apresentaram avaliação satisfatória. O valor atribuído ao Escore Geral foi insatisfatório. Os profissionais da Estratégia Saúde da família (ESF) pontuaram significativamente maiores médias nos itens integralidade serviços prestados e orientação comunitária quando comparados aos da UBS. Na análise de regressão, mostraram-se associadas ao alto escore: possuir especialização em APS, possuir outro emprego, trabalhar na ESF e ter vínculo estatutário. Conclusão: Estratégias que qualificam a APS incluem o investimento nos atributos com avaliação insuficiente, ampliação da cobertura de ESF, qualificação dos profissionais e promoção de concurso público para efetivação destes. Palavras chave: Saúde da Criança. Saúde do adolescente. HIV. Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. Serviços de Saúde. Atenção Primária à Saúde. Enfermagem. 7 LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Atributos da Atenção Primária à Saúde...................................................................15 Figura 2 - Mapa do município de Santa Maria/RS segundo regiões administrativas...............20 8 LISTA DE TABELAS Artigo Tabela 1 – Distribuição dos profissionais segundo características sociodemográficas, laborais e escore para APS, Santa Maria, 2013......................................................................................30 Tabela 2 - Perfil de formação dos profissionais de acordo com a avaliação de alto e baixo escore para APS, Santa Maria, 2013.........................................................................................31 Tabela 3 - Estatísticas descritivas dos atributos da APS, aferidos a partir da percepção dos profissionais em relação à atenção a saúde das crianças e adolescentes vivendo com HIV/AIDS.................................................................................................................................33 Tabela 4 - Comparação dos escores dos atributos da Atenção Primária à Saúde (APS) em relação à atenção à saúde da criança e adolescente vivendo com HIV/AIDS, atribuídos pelos profissionais da APS do município de Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil......................34 Tabela 5 – Regressão bruta e ajustada para o Escore Geral da Atenção Primária à Saúde (APS) de Santa Maria (RS) atribuído pelos profissionais à atenção a Saúde da criança e adolescente vivendo com HIV/AIDS. Santa Maria, RS, Brasil, 2013......................................35 9 LISTA DE ANEXOS ANEXO A - Carta de apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa ........................................56 ANEXO B – Questionário de caracterização dos profissionais da APS. ................................. 58 ANEXO C – Instrumento PCATool-Brasil versão Profissionais ............................................ 59 ANEXO D - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para os profissionais da Atenção Primária de Saúde ..................................................................................................................... 68 ANEXO E - Termo de Confidencialidade dos Dados..............................................................69 10 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 11 ARTIGO .................................................................................................................................. 26 Resumo .................................................................................................................................... 26 Introdução ............................................................................................................................... 27 Método ..................................................................................................................................... 28 Resultados ............................................................................................................................... 31 Discussão ................................................................................................................................. 37 Conclusão ................................................................................................................................ 41 Referências .............................................................................................................................. 41 CONCLUSÃO......................................................................................................................... 46 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 48 ANEXOS ................................................................................................................................. 56 11 INTRODUÇÃO Passaram-se mais de três décadas (1980-2014) desde a descoberta da síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) e, nesse período, ocorreram importantes transformações tanto no perfil epidemiológico quanto nas políticas públicas de enfrentamento da epidemia (BERKMAN et al., 2005; SOUSA et al., 2012). A transformação do perfil epidemiológico reflete que a doença que acometia adultos e homossexuais passou a atingir também a população feminina, aumentando significativamente os índices de infecção nas mulheres. Esta feminização do perfil, especialmente devido aos casos de mulheres em idade reprodutiva, resultou no nascimento de crianças expostas ao HIV (FONSECA, BASTOS, 2007; SILVA et al., 2010). A principal categoria de exposição em crianças é a transmissão vertical, que ocorre da mãe para o seu bebê durante a gestação, trabalho de parto, parto e/ou aleitamento materno. Entre os adolescentes a infecção ocorre por transmissão vertical e horizontal. Este perfil evidencia a tendência de juvenização da epidemia como consequência do aumento da distribuição dos casos entre mulheres, crianças e adolescentes (SILVA et al., 2010). No ano de 2012 no Brasil, houve notificação de 135 casos na categoria de exposição de transmissão vertical, 584 de diagnóstico de AIDS em crianças e 923 em adolescentes. A detecção de novos casos na população de crianças e adolescentes no mesmo ano representa 9,4 casos para cada 100.000 habitantes. Os dados epidemiológicos do Brasil, de 1980 até 2012, totalizam 18.807 casos de AIDS na população de crianças e 15.480 de adolescentes (BRASIL, 2013a). O panorama epidemiológico do Rio Grande do Sul em relação ao restante dos estados brasileiros é preocupante, pois atualmente se destaca como primeiro estado da região Sul com maior número de casos acumulados de AIDS. Do total de casos registrados entre 1980 e junho de 2012, 367.540 (56%) são da Região Sudeste; 130.942 (19,9%) da Região Sul; 88.830 (13,5%) da Região Nordeste; 37.244 (5,7%) da Região Centro-Oeste; e 32.140 (4,9%) da Região Norte. A região Sul ocupa o segundo lugar no Brasil nestas notificações, perdendo somente para a região Sudeste (BRASIL, 2013). Devido a magnitude dos casos notificados, a AIDS caracterizou-se como um problema de saúde pública, atribuído ao seu potencial epidêmico, ao impacto na sociedade, resultado da morbidade e mortalidade e dos custos do tratamento para a sociedade. Além de ser uma 12 infecção com possibilidade de controle, considerando o acesso gratuito, no Brasil, à profilaxia da transmissão vertical e ao tratamento com terapia antirretroviral (TARV). Soma-se ao impacto na vida da pessoa, em termos de gravidade, desconforto e extensão de incapacidade, que se reflete pelo índice de mortes prematuras, por ser uma doença ainda sem cura. Há impacto na família, que resulta na dependência de cuidado, na reorganização familiar e na repercussão socioeconômica (COSTA, VICTORA, 2006; PAULA, PADOIN, 2013a; 2013b). Estas transformações no perfil epidemiológico implicaram na ampliação do conceito de grupo de risco para comportamento de risco, incluindo os indivíduos que não eram considerados pertencentes àqueles grupos, mas que apresentavam um comportamento suscetível à infecção pelo HIV. Esta alteração ainda não foi suficiente para conter o avanço da doença e potencializou o estigma, o preconceito e a discriminação às pessoas, principalmente pela compreensão equivocada de ser uma doença do outro (KNAUTH, 1996; 1997; 1998). Assim, para desenvolver as ações de prevenção à infecção pelo HIV ampliaram-se as discussões em direção ao constructo da vulnerabilidade. A vulnerabilidade visa reconhecer as diferentes susceptibilidades de indivíduos a expor-se a infecção pelo HIV ou adoecimento pela AIDS, ou seja, maior ou menor contato com a infecção e as chances de se defender dela. Contempla três planos interdependentes: individual, social e programático. O plano individual se refere aos comportamentos que criam a oportunidade de se infectar e/ou adoecer. O plano social analisa o acesso às informações, serviços de saúde, condições de saúde e de bem-estar social. O plano programático se configura como aglutinador de informações e recursos investidos nas áreas de saúde e de educação (AYRES, 2006; MANN, 1993; CALAZANS et al., 2006; SCHAURICH, MEDEIROS, MOTTA, 2007; SCHAURICH, FREITAS, 2011; SOUZA, MIRANDA, FRANCO, 2011). Diante desse panorama, o perfil epidemiológico da AIDS na população de crianças e de adolescentes é resultado tanto da sobrevivência das crianças infectadas por transmissão vertical, quanto da vulnerabilidade à exposição horizontal ao HIV, sendo esta por via sexual ou por uso de drogas injetáveis. A preocupação com a AIDS na população infantil e na adolescência fica evidente por tratar-se de populações vulneráveis tanto biologicamente, devido ao processo de crescimento e desenvolvimento, quanto socialmente, pela dependência de cuidados. As implicações para a atenção à saúde pautam-se na demanda de cuidados contínuos e na prevenção da transmissão para outros e da reinfecção (PAULA, PADOIN, 13 2013a; 2013b). Frente a estas transformações epidemiológicas, houve investimento no avanço do tratamento com TARV, modificando a tendência da mortalidade e da morbidade por AIDS (BROWN, LOURIE, 2000). Esta modificação é resultado das ações de controle da infecção, da profilaxia da transmissão vertical do HIV e do manejo clínico da infecção e das doenças oportunistas (BRASIL 2009; 2010a). Assim, a AIDS pode ser caracterizada como uma doença crônica (SCHAURICH, COELHO, MOTTA, 2006), que evidencia novas perspectivas na infância e na adolescência (PAULA, CABRAL, SOUZA, 2008; 2009; 2011). Por meio da política pública brasileira de enfrentamento da epidemia se conseguiu estruturar e manter um programa de acesso universal ao tratamento com TARV pelo Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil (BRITO et al., 2006; DOURADO et al., 2006; SOUSA et al., 2012). Inclui-se a aquisição e distribuição gratuita de medicamentos, cobertura de consultas, dos custos de exames e procedimentos, atendimentos hospitalares, entre outros. Isso em decorrência da resposta nacional à epidemia, que se sustenta na noção de saúde como direito fundamental de todo ser humano, aliada a mobilização permanente da sociedade civil para sua efetivação plena (SOUSA et al., 2012). A partir de 1994, o Departamento Nacional de DST/AIDS passou a publicar um guia de tratamento clínico da infecção pelo HIV em crianças e adolescentes, revisto e atualizado periodicamente, tem incluído temas cada vez mais abrangentes, com o intuito de tornar-se uma referência para os profissionais. Prima que a atenção integral deve ser garantida em todo atendimento em saúde; porém, em casos de doenças crônicas e de longa duração, como a AIDS, certas particularidades devem ser levadas em consideração (BRASIL, 2004b). As crianças e adolescentes com HIV/AIDS podem ser caracterizadas como portadoras de necessidade especial de saúde, resultado de terem uma doença crônica e até então sem cura. A demanda de cuidados de populações sobreviventes a doenças evitáveis apresenta desafios de cuidado que podem ser apresentados sob dois aspectos centrais: a fragilidade clínica e a vulnerabilidade social (NEVES, CABRAL, 2008; PAULA, PADOIN, 2013a; 2013b). A fragilidade clínica envolve a condição de saúde dessas crianças e adolescentes devido à condição sorológica, ou seja, demandam de cuidados de saúde contínuos, necessitam de atendimento em saúde por profissionais de diversas especialidades, mantêm uso contínuo de medicamentos para sobreviver, precisam de serviços de suporte emocional e 14 comportamental podendo apresentar limitações de atividades (GOMES et al., 2011; PAULA, PADOIN, 2013a; 2013b). Já a vulnerabilidade social diz respeito sua dependência de cuidados, seja profissional, seja familial. Potencializa-se essa vulnerabilidade quando os pais também têm HIV/AIDS e nos casos de orfandade. Soma-se as dificuldades econômicas e culturais, reflexo da pauperização no perfil da epidemia, o que remete à renda per capita insuficiente para atender as demandas mínimas e da baixa escolaridade. Isso reflete, inclusive, na compreensão das informações acerca da doença e dos direitos da criança e dos adolescentes aos programas sociais, resultando em exposição aos agravos sociais. Somam-se, ainda, as dificuldades da inclusão dessas crianças e adolescentes em creches e escolas, uma vez que a epidemia envolve uma resposta social preconceituosa e atitudes de discriminação (PAULA, PADOIN, 2013a; 2013b; PADOIN et al., 2012). Neste sentido, a criança e o adolescente vivendo com HIV/AIDS precisam manter acompanhamento permanente em serviços de saúde, visando à prevenção do adoecimento somada a recuperação e/ou manutenção da saúde. No cotidiano da organização do serviço de saúde, destacam-se as questões de acesso, acolhimento, qualidade do atendimento, estabelecimento e manutenção do vínculo entre profissionais, criança e sua família (GOMES, CABRAL, 2010; GUERRA, SEIDL, 2009; PAULA, et al., 2012 a). Dessa forma, precisam de condições que favoreçam o seu processo de crescimento e desenvolvimento, tais como acesso adequado a saúde e educação, convivência em família, lazer, cultura e recreação, políticas publicas especificas, respeito de seus direitos de cidadania, entre outras (SCHAURICH, MEDEIROS, MOTTA, 2007). Quanto ao crescimento, faz-se necessária uma avaliação sistemática já que as crianças e adolescentes infectados pelo HIV podem apresentar dificuldade de ganho de peso e estatura aquém do esperado para a idade (BRASIL, 2009 a). Quanto ao desenvolvimento, contempla a avaliação da dessa população quanto a socialização, construção de identidade, capacidade cognitiva, estado emocional e comportamental. Sendo que a mesma está constantemente exposta a situações de discriminação (BRAGHETO, CARVALHO, 2013). O acompanhamento terapêutico inclui desde o estabelecimento do diagnóstico, o processo de revelação, a adesão a TARV, a orientação alimentar, entre outras ações integrantes do acompanhamento permanente de saúde (PADOIN, PAULA, 2013b; PADOIN et al., 2009). 15 Esse cotidiano assistencial acontece, majoritariamente, em serviço de referência para atendimento de pessoas vivendo com HIV/AIDS, onde crianças e adolescentes mantêm acompanhamento permanente. Este acesso se justifica pela organização do serviço e experiência dos profissionais (BRASIL, 2009; PALÁCIO, 2012; BARRETT, VICTOR, 1994). No entanto, os serviços de referência são, na maioria, hospitais universitários, nos quais o fluxo de estudantes e profissionais é intenso, o que resulta em fragilidade nos vínculos para continuidade do tratamento. A relação entre o profissional e a família aponta a necessidade de vínculos com o serviço de saúde, para haver segurança e compromisso no percurso clínico, social e existencial (RIBEIRO et al., 2010). Recomenda-se que esses serviços de referência contem com os serviços de APS pela importância da integração entre estruturas especializadas e mecanismos de assistência descentralizada (NEMES et al., 2008). Desde a Conferência Internacional de Cuidados Primários em Saúde, na cidade de Alma-Ata, em 1978, a APS foi definida como: são cuidados essenciais de saúde baseados em métodos e tecnologias práticas, cientificamente bem fundamentadas e socialmente aceitáveis, colocadas ao alcance universal de indivíduos e famílias da comunidade, mediante sua plena participação e a um custo que a comunidade e o país possam manter em cada fase de seu desenvolvimento, no espírito de autoconfiança e automedicação. Fazem parte integrante tanto do sistema de saúde do país, do qual constituem a função central e o foco principal, quanto do desenvolvimento social e econômico global da comunidade. Representam o primeiro nível de contato dos indivíduos, da família e da comunidade com o sistema nacional de saúde, pelo qual os cuidados de saúde são levados o mais proximamente possível aos lugares onde pessoas vivem e trabalham, e constituem o primeiro elemento de um continuado processo de assistência à saúde. (OPAS/OMS, 1978). A organização dos serviços de saúde vislumbra o cumprimento do previsto desde a Constituição Federal de 1988, ou seja, a saúde como direito de todos e dever do Estado (BRASIL, 1988). Está ao encontro da regulamentação do SUS (Lei Orgânica da Saúde de 1990, Lei 8.080), sob os princípios da universalidade de acesso aos serviços de saúde e da igualdade da assistência à saúde (BRASIL, 1990a). Em 1992, em uma releitura da Declaração de Alma-Ata, Starfield definiu atributos que caracterizam um serviço quanto à orientação para APS, quais sejam: acesso de primeiro contato com o sistema de saúde, longitudinalidade, integralidade da atenção, coordenação da 16 assistência e atenção centrada na família e comunidade (STARFIELD, 1992; 2004), representados na Figura 1. Figura 1: Atributos da Atenção Primária à Saúde Fonte: Starfield, 1992. Os atributos essenciais são conceituados conforme a seguir (STARFIELD, 2002; BRASIL, 2010b): • Acesso de primeiro contato do indivíduo com o sistema único de saúde: acessibilidade e utilização do serviço de saúde como fonte de cuidado a cada novo problema ou novo episódio de um novo problema de saúde, com exceção de urgências e emergências. • Longitudinalidade: existência de uma fonte continuada de atenção. Deve ser uma relação interpessoal intensa que expresse a confiança mútua entre os usuários e os profissionais de saúde. • Integralidade: Ações que o serviço de saúde deve oferecer para que os usuários recebam atenção integral, tanto no aspecto biopsicossocial como nas ações de promoção da saúde, desde a prevenção, recuperação e manutenção da saúde no contexto da APS. Incluem os encaminhamentos aos especialistas, hospitais. 17 • Coordenação da atenção: Pressupõe uma forma de atendimento continuo seja pelo mesmo profissional, por meio de prontuários médicos, ou ambos. Reconhecimento de problemas abordados em outros serviços e a integração deste cuidado no cuidado global do paciente. Integração do cuidado por meio da coordenação dos serviços. Os atributos derivados que são as características que qualificam as ações da APS são conceituados conforme a seguir (STARFIELD, 2002; BRASIL, 2010b): • Atenção à saúde centrada na família (orientação familiar): na avaliação dos cuidados individuais para a atenção integral do usuário deve se considerar o contexto familiar, suas condições de cuidado ou de ameaça à saúde, com ferramentas de abordagem familiar. • Orientação comunitária: reconhecimento por parte do serviço de saúde das necessidades de saúde da comunidade através de dados epidemiológicos e do contato direto com a comunidade, com planejamento e avaliação conjunta do serviço. • Competência cultural: adaptação da equipe dos profissionais de saúde às características culturais especiais da população para facilitar a relação e a comunicação com a mesma. Estes atributos se apresentam inter-relacionados na prática assistencial, individual ou coletivamente, dos serviços de APS. Essa definição pode guiar as estratégias de avaliação e investigação dos serviços e sistemas de saúde baseados na APS (BRASIL, 2010b). Há uma frequente discussão sobre a terminologia para nomear os serviços primários de atenção à saúde. No Brasil, a expressão “Atenção Básica” foi oficializada pelo Governo Federal, embora, em documentos oficiais brasileiros, identifique-se uma crescente utilização de “Atenção Primária à Saúde” (FONTENELLE, 2012). No Brasil, a Portaria Nº 2.488/2011 define a Atenção Básica à Saúde como: um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, redução de danos e a manutenção da saúde com o objetivo de desenvolver uma atenção integral que impacte na situação de saúde e autonomia das pessoas e nos determinantes e condicionantes de saúde das coletividades. É desenvolvida por meio do exercício de práticas de cuidado e gestão, democráticas e participativas, sob forma de trabalho em equipe, dirigidas a populações de territórios definidos, pelas quais assume a responsabilidade sanitária, considerando a dinamicidade existente no território em que vivem essas populações. Utiliza tecnologias de cuidado complexas e variadas que devem auxiliar no manejo das demandas e necessidades de saúde de maior freqüência e relevância em seu território, observando critérios de risco, vulnerabilidade, resiliência e o imperativo ético de que toda demanda, necessidade de saúde ou sofrimento devem ser acolhidos (BRASIL, 2011). 18 Para a efetivação de redes de atenção à saúde, de modo a promover a integração entre serviço especializado e de APS, faz-se necessária a estruturação da política pública de saúde nacional, estadual e municipal, além da implementação de sistema de transferência, da definição das atividades que podem/devem ser realizadas na APS e da educação permanente dos profissionais. Assim, os profissinais da APS precisam conhecer os usuários com HIV/AIDS de sua área de abrangência e desenvolver ações de acolhimento, de acesso resolutivo, de fortalecimento de vínculos, mediante a definição de responsabilidades (SILVA et al., 2005; ACIOLI et al., 2007; PEREIRA, LIMA, 2008). Por meio dessa integração, algumas questões estratégicas podem ser compartilhadas entre os serviços, tais como: conhecimento do quantitativo de pacientes transferidos ao serviço de referência, quais serviços de APS estão fazendo este encaminhamento e quais pacientes efetivamente chegam ao serviço. Assim, poderia ser compartilhada a busca ativa dos pacientes em situação de absenteísmo e o apoio à adesão a TARV (NEMES et al., 2008; SILVA et al., 2005; ACIOLI et al., 2007). No entanto, a dificuldade de acesso aos serviços de APS culmina na busca da resolução dos problemas de saúde de baixa densidade tecnológica nos hospitais, principalmente nos serviços de emergência. Isso gera um viés do sistema, atribuindo ao serviço de referência à porta de entrada preferencial do mesmo (SHIMIZU, PAMELA, SANCHEZ, 2012). Sendo assim, algumas ações que são desenvolvidas no serviço de referência devido à demanda de atenção à saúde das crianças e dos adolescentes vivendo com HIV/AIDS poderiam ser atendidas nos serviços de APS. Destaca-se que se fossem atendidos precocemente na APS poderia prevenir a gravidade que, por vezes, chegam ao serviço hospitalar, decorrente da espera de atendimento por profissional especializado. Se esse viés de atendimento no sistema de saúde fosse corrigido, também teria resultados positivos para o acesso de outras crianças e outros adolescentes que necessitam dessa especialidade oferecida nos serviços de média e alta densidade tecnológica. Além disto, os profissionais da APS possuem dificuldades no atendimento as pessoas vivendo com HIV/AIDS, justificada pela sobrecarga de trabalho, falta de privacidade nos serviços de saúde para atendimento e o estigma que eles possuem para trabalhar com esta população (SILVA et al., 2005; ACIOLI et al., 2007; MUGALA et al., 2010). Neste sentido, o fortalecimento de ações de promoção da saúde na APS é uma estratégia importante para acompanhar e intensificar os cuidados de saúde a grupos 19 específicos e vulneráveis. As ações realizadas na APS são essenciais para o acompanhamento permanente de saúde, com atenção às necessidades individuais e coletivas, estabelecendo o vínculo. Isso possibilita uma identificação precisa das prioridades locais em seu contexto de abrangência, bem como o desenvolvimento das ações de saúde adequadas à melhoria na qualidade de vida das pessoas, de suas famílias e da comunidade (FARIA et al., 2010; SANT’ANNA et al., 2011; DIAS, 2012). Para avaliação da APS faz-se necessário a identificação da presença e extensão dos atributos essenciais e derivados. Desta forma, um serviço de APS pode ser considerado provedor da mesma, quando apresenta os quatro atributos essenciais, aumentando o seu poder de interação com os indivíduos e com a comunidade ao apresentar também os atributos derivados, sendo capaz de promover a atenção integral, do ponto de vista biopsicossocial da comunidade adscrita. (HARZHEIM et al., 2006a; 2006b). Um serviço de APS que não se responsabiliza para além da demanda espontânea é considerado incompleto no que se refere à magnitude de serviços oferecidos e sem a interação e complementação adequada dos outros serviços de atenção não são caracterizados como estratégias de APS. Faz-se necessária uma avaliação rigorosa em diferenciar a APS da atenção mínima à saúde (HARZHEIM et al., 2006a; 2006b). Neste sentido, a identificação empírica dos atributos da APS permite verificar a associação entre estes atributos e os resultados – a efetividade – da atenção sobre a saúde da população. Sendo que a avaliação minuciosa dessas iniciativas é essencial para a definição de políticas públicas e privadas relacionadas à prática de APS (HARZHEIM et al., 2006a; 2006b). Justifica-se o desenvolvimento da presente pesquisa, primeiramente considerando o panorama epidemiológico, social, clínico, e político da atenção à saúde das crianças e dos adolescentes vivendo com HIV/AIDS, no qual ainda permanecem desafios do cotidiano assistencial, que alcancem resultados almejados e fundamentado nos princípios do SUS do Brasil. Perante a possibilidade de recuperação/manutenção da saúde dessa população, evidencia-se a importância da atuação do enfermeiro, em conjunto com a equipe interdisciplinar. Destaca-se a atuação do enfermeiro diante de estratégias de acolhimento e de aconselhamento, de busca ativa dos usuários, de consultas de enfermagem desde o acompanhamento do processo de crescimento e desenvolvimento até o processo da adesão, de grupos de apoio, entre outras. 20 Neste sentido, no decorrer destes 30 anos de epidemia da AIDS se observa a preocupação crescente da comunidade científica com pesquisas que envolvem o cuidado à saúde da criança e adolescente vivendo com HIV/AIDS, entretanto estas em sua grande maioria são realizadas em serviço de referência (SHERLOCK et al., 2011; BRASIL, 2009; BARRETT, VICTOR, 1994). Ainda são poucos os estudos que envolvam esta população na APS (SILVA et al, 2005; PAULA et al, 2013). Destaca-se que este estudo está ao encontro da Agenda Nacional de Prioridades de Pesquisa em Saúde, convergindo com a subagenda Saúde da criança e do adolescente e a subagenda Doenças transmissíveis que define avaliação de intervenções, estratégias e políticas e indica qualidade, impacto e resolutividade da assistência integral à populações de soropositivos (BRASIL, 2004a; 2008a). Diante do exposto, apresenta-se como questão de pesquisa: qual a qualidade da APS às crianças e aos adolescentes vivendo com HIV/AIDS no município de Santa Maria/RS/BR, na experiência dos profissionais? Sendo o objeto de estudo: os atributos da APS às crianças e aos adolescentes vivendo com HIV/AIDS. Tem-se como objetivo geral: medir a presença e a extensão dos atributos da APS às crianças e aos adolescentes vivendo com HIV/AIDS do município de Santa Maria/RS/BR, segundo o instrumento PCATool-Brasil versão Profissionais e objetivos específicos: caracterizar os profissionais da APS quanto ao perfil sociodemográfico, laboral e de formação acadêmica; descrever os resultados encontrados na aplicação do PCATool-Brasil versão profissionais para questões relacionadas aos atributos essenciais e derivados dos serviços de APS através da produção de escores padronizados; avaliar a qualidade de atenção a saúde de criança e adolescente vivendo com HIV/AIDS entre os diferentes tipos de serviço de APS em Santa Maria/Rio Grande do Sul, por meio do instrumento PCATool-Brasil, versão profissionais. Trata-se de uma pesquisa de abordagem quantitativa com delineamento transversal, integrante do projeto matricial “Avaliação da atenção primária à saúde das crianças e dos adolescentes com HIV/AIDS”, aprovada pelo Comitê de Ética (CEP) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) CAAE: 12223312.3.0000.5346, em 08/01/2013 (ANEXO A). O estudo foi realizado no município de Santa Maria, Rio Grande do Sul (RS), Brasil, situado na região central do Estado. A população do município totaliza 261.031 pessoas (IBGE, 2010). Contempla oito (8) regiões administrativas (centro urbano; norte; centro leste; 21 leste; nordeste; sul; centro oeste e oeste) além de nove (9) distritos (Arroio do Só; Arroio Grande; Boca do Monte; Pains; Palma; Passo do Verde; Santa Flora; Santo Antão e São Valetim) (Figura 2). Figura 2: Mapa do município de Santa Maria/RS segundo regiões administrativas. Fonte: Prefeitura Municipal de Saúde, 2012. 22 Em Santa Maria, a rede pública de APS é constituída por diferentes tipos de serviços, sob a responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde (SMS-SM), quais sejam: Unidades Básicas de Saúde (UBS), contendo nestas a Estratégia de Agentes Comunitários de Saúde (EACS), e Estratégia de Saúde da Família (ESF). A cobertura de atenção básica no município é de 49,63% considerando a ESF com cobertura de 21% da população do município (BRASIL, 2013b). Quanto à composição da equipe, as UBS, de maneira geral, são constituídas por clínico geral, pediatra, ginecologista, enfermeiro e odontólogo, podendo contar com outros profissionais, sendo que algumas possuem agentes comunitários de saúde (ACS). As ESF são constituídas de médico, enfermeiro, técnico de enfermagem, ACS e algumas equipes possuem odontólogos e atendente de consultório dentário (ACD). O campo de coleta de dados foram os serviços de APS do município de Santa Maria/RS/BR. A população do estudo foram os profissionais de saúde da APS do referido município: médicos, enfermeiros e odontólogos. Os profissionais foram acessados nos serviços de APS, que contemplaram 31 serviços de APS, destas 18 UBS (13 urbanas e 5 distritais), das quais 5 contam com EACS e 13 ESF, que contam com 16 equipes. A coleta de dados foi realizada no período de fevereiro a julho de 2013 por auxiliares de pesquisa certificados. Foi utilizado o instrumento Primary Care Assessment Tool (PCATool), que foi criado na Johns Hopkins Primary Care Policy Center (PCPC) (STARFIELD et al., 2000; STARFIELD, 2004; STARFIELD, XU, SHI, 2001) com base no modelo de avaliação da qualidade de serviços de saúde proposto por Donabedian (2005). Este questionário avalia o quanto os serviços de saúde estão orientados para os atributos definidores da APS, a partir de respostas de profissionais/gestores de saúde (versão Profissionais), de usuários (versão Adulto) ou de cuidadores (versão Criança). Neste estudo foi utilizada a versão Profissional. O manual do instrumento foi elaborado pelo Departamento de Atenção Básica da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde do Brasil (BRASIL, 2010b). Mediante a validação no Brasil, o grupo de pesquisadores da UFRGS o denominou de Instrumento de Avaliação da Atenção Primária (PCATool-Brasil). Originalmente o PCATool apresenta versões autoaplicáveis, sendo que ao adaptá-lo para a realidade brasileira cada versão do instrumento foi transformada em uma ferramenta aplicável por meio de entrevista. Foi utilizado um protocolo de pesquisa composto por um questionário para 23 caracterização (ANEXO B) e pelo instrumento PCATool-Brasil versão Profissionais (ANEXO C). Este é composto por 77 itens divididos nos oito (8) componentes, da seguinte maneira: 1. Acesso de Primeiro Contato – Acessibilidade (A). Constituído por 9 itens (A1 a A9). 2. Longitudinalidade (B). Constituída por 13 itens (B1 a B13). 3. Coordenação – Integração de Cuidados (C). Constituído por 6 itens (C1 a C6). 4. Coordenação – Sistema de Informações (D). Constituído por 3 itens (D1 a D3). 5. Integralidade – Serviços Disponíveis (E). Constituído por 22 itens (E1 a E22). 6. Integralidade – Serviços Prestados (F). Constituído por 15 itens (F1 a F15).1 7. Orientação Familiar (G). Constituído por 3 itens (G1 a G3). 8. Orientação Comunitária (H). Constituído por 6 itens (H1 a H6). As respostas possíveis para cada um dos itens das duas versões são: “com certeza sim”, “provavelmente sim”, “provavelmente não”, “com certeza não” e “não sei/ não lembro”. Para o controle de qualidade da coleta de dados, a mesma foi organizada em três momentos: 1) Capacitação dos entrevistadores: foram inseridos nesta etapa de coleta de dados pelo menos quatro (4) auxiliares de pesquisa. A certificação se deu por meio da capacitação, que foi realizada em três encontros e teve como finalidade familiarização dos mesmos com todos os itens do instrumento e termos frequentemente utilizados no SUS do Brasil. Neste momento, foram realizadas as orientações pertinentes as seguintes questões: a) material necessário para realização das entrevistas (identificação como entrevistador desta pesquisa, carteira de identidade, lápis, borracha, apontador, caneta prancheta, pasta, instrumento PCATool, manual de instruções, cartão resposta e as duas vias do TCLE) – compondo um kit para cada entrevistador; b) apresentação do entrevistador ao entrevistado: orientação quanto à apresentação pessoal, motivo da pesquisa (objetivo), tempo médio de duração da entrevista, importância do estudo, orientações em caso de recusa de participação da pesquisa, reagendamento da entrevista conforme necessidade; c) desenvolvimento da entrevista (dramatização) com a aplicação do instrumento: 1 Nesta pesquisa foram excluídos os itens E14 a E22 do componente Integralidade – Serviços Disponíveis e F4 a F13 do componente Integralidade – Serviços Prestados, visto que não se referiam a população de crianças e adolescentes. 24 postura do entrevistador, formulação dos itens exatamente como estão escritos no instrumento, assim como as alternativas do cartão resposta, preenchimento legível em letra de forma, ,revisão ao termino do questionário para evitar que algum item tenha sido esquecido; d) telefone de contato do responsável pela pesquisa caso houvesse necessidade de acessálo durante a entrevista; e) local de armazenamento dos instrumentos sob a guarda do pesquisador responsável. 2) Coleta dos dados: O entrevistador realizou presencialmente a entrevista com os profissionais que compuserem a população do estudo. Foi solicitado em cada serviço um espaço para o desenvolvimento da entrevista a fim de garantir a privacidade. Em relação as recusas, foram realizadas três (3) tentativas para o desenvolvimento da entrevista, após foi considerado como perda. Esses dados coletados compuseram um banco de dados em pesquisa que é gerenciado pela pesquisadora responsável do projeto matricial Dra Cristiane Cardoso de Paula, servindo para futuros estudos. 3) Digitação dos dados: os dados foram digitados no programa Epi Info versão 6.04 com dupla digitação independente e verificação de erros e inconsistências a fim de garantir a exatidão dos dados. Esta pesquisa respeitou os aspectos éticos da pesquisa com seres humanos, conforme Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, vigente na época da coleta de dados, a saber: autonomia, beneficência, não maleficência, justiça e equidade (BRASIL, 1996). O princípio de autonomia foi garantido pela voluntariedade aos profissionais de saúde da APS na participação da entrevista respeitando-se o sigilo a identidade e foi aplicado o Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE) (ANEXO D) apresentado em duas vias, e uma cópia ficou para cada participante do estudo e outra para a pesquisadora, constando a assinatura de ambos. Por meio deste e do Termo de Confidencialidade dos Dados (ANEXO E) foi garantido o caráter confidencial e o anonimato. Em conformidade com os princípios norteadores da justiça e equidade, o acesso, convite e seleção dos profissionais que responderam à entrevista aconteceu de modo a contemplar aqueles que expressaram disposição para participar da pesquisa. Foi vetada qualquer forma de pagamento e/ou recebimento de quaisquer formas de gratificações em virtude de sua participação. As informações fornecidas pelos entrevistados tiveram sua privacidade garantida pelos pesquisadores responsáveis. 25 Os benefícios da pesquisa para os entrevistados foram indiretos, visto que pode contribuir na melhoria da atenção à saúde da criança e do adolescente vivendo com HIV/AIDS na APS. Os riscos: a participação nesta pesquisa representou um risco mínimo de ordem física ou psicológica para o entrevistado. Os dados coletados foram utilizados para execução deste projeto e composição de um banco de dados. Os instrumentos e os TCLE serão guardados por cinco anos na sala 1336 do Departamento de Enfermagem da UFSM no Centro de Ciências da Saúde (prédio 26) no Campus da UFSM, núcleo de pesquisa do GP-PEFAS, cadastrada no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), sob a guarda da pesquisadora responsável deste projeto Dra Cristiane Cardoso de Paula. Após esse período, os dados serão destruídos. Desta forma, esta dissertação será apresentada por meio de um artigo científico, conforme as normas de submissão da Revista Latino Americana de Enfermagem, classificado como periódico A1 pela CAPES. 26 ARTIGO Qualidade da Atenção Primária à Saúde de crianças e adolescentes vivendo com HIV/AIDS Resumo Objetivo: avaliar a qualidade de atenção à saúde da criança e adolescente vivendo com HIV/AIDS entre os diferentes tipos de serviço de Atenção Primária à Saúde (APS) de Santa Maria/Rio Grande do Sul. Método: estudo transversal, desenvolvido 118 profissionais da APS, no período de fevereiro a julho de 2013. Utilizou-se a versão brasileira do Primary Care Assessment Tool (PCATool), versão Profissionais. Resultados: Na avaliação geral, longitudinalidade, coordenação integração de cuidados e coordenação sistema de informações apresentaram avaliação satisfatória. O valor atribuído ao Escore Geral foi insatisfatório. Os profissionais da Estratégia Saúde da família (ESF) pontuaram significativamente maiores médias no escore geral e derivado bem como nos itens integralidade serviços prestados e orientação comunitária, quando comparados aos de Unidades Básicas de Saúde (UBS). Mostraram-se associadas ao alto escore: possuir especialização em APS, possuir outro emprego, trabalhar na ESF e ter vínculo estatutário. Conclusão: Em relação aos modelos de serviços em APS, destaca-se a ESF com o maior grau de orientação à APS. Evidencia-se como estratégias importantes para qualificação da APS: investimento na qualificação profissional direcionada para APS, ampliação da cobertura em ESF e efetivação dos profissionais da APS por meio de concurso público. Descritores: HIV; Síndrome de Imunodeficiência Adquirida; Atenção Primária à Saúde; Avaliação de Serviços de Saúde. 27 Introdução As crianças e os adolescentes vivendo com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) ou com a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) apresentam demandas específicas de sua condição sorológica, resultado de uma condição crônica e, até então, sem cura. Precisam de acompanhamento permanente nos serviços de saúde para prevenção do adoecimento e manutenção da saúde(1). Atualmente, este cuidado acontece, majoritariamente, em serviço de referência, devido a organização do serviço e a experiência dos profissionais(2). Se por um lado há um crescente quadro epidemiológico das condições crônicas no Brasil, dentre as quais está o HIV/AIDS, por outro os serviços de Atenção Primária à Saúde (APS) ainda estão voltados a atender os problemas agudos; interferindo negativamente na eficiência e na qualidade do acompanhamento permanente de saúde. A fragmentação na organização desses serviços prejudica a APS como centro de coordenação do cuidado(3). O fortalecimento de ações de promoção da saúde na APS é uma estratégia para intensificar os cuidados a grupos específicos e vulneráveis. Assim, a recomendação é que os cuidados aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil sejam partilhados em um sistema de redes de atenção à saúde, fazendo com que os serviços de referência contem com os serviços de APS. Dessa forma, os pontos dessa rede são igualmente importantes e se relacionam horizontalmente implicando num contínuo de atenção nos diferentes serviços(2-3). A APS pode ser definida como um conjunto de valores, princípios e atributos estruturais e complementares do sistema de saúde. A efetivação da APS se dá por meio dos seus atributos norteadores, denominados de essenciais (primeiro contato, longitudinalidade, integralidade da atenção e coordenação do cuidado) e derivados (atenção centrada na família e orientação comunitária)(4). Desta forma, a avaliação minuciosa destes atributos é essencial para subsidiar a definição de políticas públicas relacionadas à prática de APS(5). 28 Para a avaliação da qualidade da APS destaca-se o Primary Care Assessment Tool (PCATool), que mede a presença e a extensão dos atributos baseado na mensuração de aspectos de estrutura, de processo e de resultados dos serviços(4-5). Este instrumento, aplicável nas versões criança, adulto e profissionais, está sendo utilizado em pesquisas nacionais(6-8) e internacionais(9-11), inclusive para condições crônicas(12) e infecciosas e transmissíveis(13-15). Destaca-se a lacuna na produção do conhecimento com a população vivendo com HIV/AIDS. Assim, o objetivo deste artigo é avaliar a qualidade de atenção a saúde de criança e adolescente vivendo com HIV/AIDS entre os diferentes tipos de serviço de APS em Santa Maria/Rio Grande do Sul, por meio do instrumento PCATool-Brasil, versão profissionais. Método Esta pesquisa integra um projeto matricial intitulado “Avaliação da atenção primária à saúde das crianças e dos adolescentes com HIV/AIDS de Santa Maria/RS/BR” vinculado ao Programa de Pós-graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Trata-se de um estudo transversal, desenvolvido na APS do município de Santa Maria/RS. Em Santa Maria, a rede pública de APS é constituída por diferentes tipos de serviços, sob a responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde, quais sejam: Unidades Básicas de Saúde (UBS), contendo nestas a Estratégia de Agentes Comunitários de Saúde (EACS), e Estratégia de Saúde da Família (ESF. Contemplam 31 serviços de APS, destas 18 UBS (13 urbanas e 5 distritais), das quais 5 contam com EACS e 13 ESF, que contam com 16 equipes. A população de estudo foi constituída por todos os profissionais da saúde a partir dos dos critérios de inclusão: profissional médico, enfermeiro e odontólogo que atuassem na APS 29 de Santa Maria/RS. Foram excluídos os profissionais em período de férias, atestado de saúde ou afastamento do trabalho no período da coleta de dados. Para caracterização dos profissionais foi utilizado um instrumento com variáveis sociodemográficas, de formação acadêmica e de situação ocupacional (variáveis independentes). A avaliação da qualidade da atenção à saúde (variável dependente), neste estudo, é considerada como a presença e a extensão dos atributos essências e derivados da APS4. Para sua mensuração foi aplicado o “Primary Care Assessment Tool (PCATool)” validado no Brasil como Instrumento de Avaliação da Atenção Primária (PCATool-Brasil) versão Profissionais. O PCATool mede a presença e a extensão de cada atributo da APS por meio da média aritmética dos itens constantes no instrumento. As respostas são em escala Likert, sendo “com certeza sim” (valor=4), “provavelmente sim” (valor=3), “provavelmente não” (valor=2), “com certeza não” (valor=1) e “não sei / não lembro” (valor=9). Para fins de análise, as respostas marcadas com “não sei/não lembro” foram consideradas “provavelmente não”16. A coleta de dados foi realizada no período de janeiro a julho de 2013, por auxiliares de pesquisa previamente capacitados pela coordenadora da pesquisa. Os profissionais foram acessados nos serviços de saúde que atuam, durante o seu turno de trabalho, sendo solicitado um espaço para o desenvolvimento da entrevista a fim de garantir a privacidade. Para aplicação do instrumento os profissionais foram orientados a respondê-lo com foco no atendimento de crianças e/ou adolescentes com HIV/AIDS. Para a inserção dos dados foi utilizado o programa Epi-info®, versão 6.04, com dupla digitação independente, para garantir a exatidão dos dados. Após a verificação de erros e inconsistências a análise dos dados foi realizada no programa Predictive Analytics SoftWare (PASW) versão 18.0 for Windows. 30 A análise de confiabilidade do instrumento PCATool foi feita por meio de α de Cronbach (foram considerados indicadores de consistência valores > 0,70). A distribuição de normalidade das variáveis foi avaliada pelo Teste Kolmogorov-Smirnov. As variáveis categóricas foram apresentadas em frequência absoluta e relativa e as variáveis contínuas em média, desvio padrão quando apresentaram distribuição simétrica e em mediana e intervalo interquartil quando assimétricas. Para caracterização dos entrevistados foram analisadas: variáveis sociodemográficas: sexo (feminino, masculino), idade (em anos e dicotômica); variáveis de formação acadêmica: formação; tempo de formado (em anos; dicotômica), pós-graduação (APS e outras) e variáveis de situação ocupacional: unidade de trabalho (UBS e ESF), vínculo (celetista, estatutário e terceirizado; estatutário e outro), tempo de serviço (em anos; dicotômica), turno de trabalho (manhã, tarde e misto; turno único e misto), outro emprego (sim e não), função neste serviço (sim e não). Para análise do PCATool, primeiramente, todos os profissionais tiveram calculados os escores dos atributos da APS. Os valores que originalmente variam em escala de 1 a 4, foram transformados em escala contínua de 0 a 1016. A partir daí, foi calculado os escores para os atributos essenciais; para os atributos derivados e o escore geral da APS (essencial + derivado), obtidos pela média aritmética dos itens que os compõem16. Para avaliação de alto e baixo escore para APS, foi utilizado valores de escores ≥ 6,6 foram definidos como extensão adequada (satisfatória) de cada atributo e equivalentes ao valor três ou mais na escala Likert16. Para comparação das proporções (escores dicotomizados dos atributos da APS), perfil sociodemográfico, de formação e situação ocupacional dos profissionais) foi utilizado o Teste Qui-quadrado de Pearson com correção quando necessário. Para a comparação dos escores médios dos atributos da APS atribuídos pelos profissionais da APS segundo o tipo de unidade 31 (ESF ou UBS) utilizaram-se os testes U de Mann Whitney e t Student. Para todas as análises estatísticas, foi adotado o nível de significância de 5%. Para verificação das variáveis associadas ao alto escore da APS foi utilizado a Regressão de Poisson com variância robusta, sendo estimada a razões de prevalência (RP) e o seus respectivos intervalos de confiança (IC95%). Foram incluídas nas análises bruta e ajustada, as variáveis independentes associadas ao alto escore da APS com valor de p< 0,25. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFSM (CAAE: 12223312.3.0000.5346), em 08/01/2013. Este estudo respeitou os preceitos éticos dispostos na Resolução n. 196/96. Resultados Dos 122 profissionais atuantes na APS de Santa Maria/RS, 118 (96,7%) participaram deste estudo. As perdas (N=04; 3,3%) foram devido a recusas em participar da pesquisa. A Tabela 1 apresenta as características sociodemográficas e laborais dos profissionais atuantes na APS do município de acordo com a avaliação de alto e baixo escore para APS. Tabela 1 – Distribuição dos profissionais segundo características sociodemográficas, laborais e escore para APS, Santa Maria, 2013. (N=118) Variável Sexo Masculino Feminino Idade ≤ 47 anos > 47 anos Unidade de trabalho UBS ESF Vínculo serviço (N=117) Celetista Estatutário Terceirizado (Continua) PCATOOL Baixo escore APS Alto Escore APS P (<6,6) (≥6,6) N % N % N % 43 75 36,4 63,6 19 37 44,2 49,3 24 38 55,8 50,7 0,590* 53 64 45,3 54,7 25 30 47,2 46,9 28 34 52,8 53,1 0,975* 89 29 75,4 24,6 48 8 53,9 27,6 41 21 46,1 72,4 0,014* 5 106 6 4,3 90,6 5,1 4 46 6 80 43,4 100 1 60 0 20 56,6 0 0,090† 32 Variável (Conclusão) PCATOOL P Baixo escore APS Alto Escore APS (<6,6) (≥6,6) N % N % N % Tempo de serviço ≤ 7 anos 61 51,7 26 42,6 35 > 7 anos 57 48,3 30 52,6 27 Turno trabalho Manhã 40 33,9 24 60 16 Tarde 17 14,4 8 47,1 9 Misto 61 51,7 24 39,3 37 Outro emprego Não 51 43,2 29 56,9 22 Sim 67 56,8 27 40,3 40 Função neste serviço Não 91 77,1 42 46,2 49 Sim 27 22,9 14 51,9 13 Qual função (N=26) Responsável técnico do serviço 16 61,5 10 62,5 6 Coordenador do serviço 7 26,9 2 28,6 5 Responsável pelos ACS 3 11,5 2 66,7 1 *Teste do qui-quadrado de Pearson; †Teste Qui-quadrado com correção de Monte Carlo. 57,4 47,4 40 52,9 60,7 0,277* 0,127* 43,1 59,7 0,074† 53,8 48,1 0,603* 37,5 71,4 33,3 0,289† Em relação às características sociodemográficas e laborais, os profissionais da APS de Santa Maria/RS são majoritariamente do sexo feminino (N=75; 63,6%), possuem idade entre 27 a 76 anos e com média de 47 anos e desvio padrão de 11,7. O maior percentual atua nas UBSs (N=89; 75,4%), são estatutários (N=106; 89,8%) com tempo de serviço de até sete anos (N=61; 51,7%). Em relação ao turno de trabalho, 51,7% (N= 61) dos profissionais trabalham em turno misto; 56,8% (N=67) possuem outro emprego; 22,9% (N=27) assumem alguma função, prevalentemente o de responsável técnico do serviço (61,5%; N=16) - Tabela 1. Quanto aos escores para a APS, evidenciou-se diferença estatística significativa entre os percentuais obtidos quanto ao tipo de unidade de trabalho. Os profissionais das ESF apresentaram maiores percentuais (72,4%; p=0,014) para alto escore da APS, quando comparados a UBS. As variáveis do perfil de formação dos profissionais com a avaliação de alto e baixo escore para APS podem ser observadas na Tabela 2. 33 Tabela 2 - Perfil de formação dos profissionais de acordo com a avaliação de alto e baixo escore para APS, Santa Maria, 2013. Variável PCATOOL Baixo escore APS Alto Escore APS (<6,6) (≥6,6) N % N % P N % Formação Clínico geral 34 28,8 13 38,2 21 61,8 Ginecologista 15 12,7 8 53,3 7 46,7 0,600* Pediatra 11 9,3 4 36,4 7 63,6 Enfermeiro 34 28,8 18 52,9 16 47,1 Odontólogo 24 20,4 13 54,2 11 45,8 Tempo Formado N= 117 0,778 ≤ 24 anos 59 50,4 29 49,2 30 50,8 * > 24 anos 58 49,6 27 46,6 31 53,4 Pós-graduação Não possui 18 15,3 11 61,1 7 38,9 0,378 Residência 41 34,7 16 39,0 25 61,0 * Especialização 51 43,2 26 51,0 25 49,0 Mestrado 8 6,8, 3 37,5 5 62,5 Tempo Formado Pós ≤ 9 anos 50 42,4 22 44,0 28 56,0 0,519* > 9 anos 68 57,6 34 50,0 34 50,0 Pós-graduação Não possui 18 15,3 11 61,1 7 38,9 Residência 41 34,7 16 39,0 25 61,0 0,378† Especialização 51 43,2 26 51,0 25 49,0 Mestrado 8 6,8 3 37,5 5 62,5 Residência (n=41) 1 Saúde coletiva/ Medicina da 5 12,2 1 20 4 80 0,375† família ‡ 2 Outras 36 87,8 15 41,7 21 58,3 Especializações§ (N=63) 1 Saúde comunitária/ coletiva/ 42 66,7 17 40,5 25 59,5 0,076† saúde da família/ Saúde pública 2 Outras 21 33,3 14 66,7 7 33,3 Mestrado (N=8) 1 Endodontia 1 12,5 0 0 1 100 2 Geomática 2 25 1 50 1 50 0,804† 3 Acadêmico em enfermagem 4 50 1 25 3 75 4 Engenharia da produção 1 12,5 1 100 0 0 Formação complementar Não 20 16,9 9 45 11 55 0,809* Sim 98 83,1 47 48 51 52 * Teste do qui-quadrado de Pearson †Teste Qui-quadrado com correção de Monte Carlo. ‡ Cirurgia Geral, Urologia, Clínico medica, Ginecologia e Obstetrícia, Pediatria, Gastroenterologia, Psiquiatria. §Alguns profissionais fizeram mais de uma especialização. Características de formação dos profissionais: Quanto à formação, há predomínio do médico clínico geral (28,8%, N= 34), com até 24 anos de formados (50,4%, N=59). Referente à qualificação, 84,7% (N=100) são pós-graduados, com especialização na área de 34 atuação APS (43,2%, N=51) (66,7%, N=42). Quando questionados quanto ao tempo que realizaram a última pós-graduação, as respostas variaram em tempo inferior a 1 ano até 36 anos, com mediana de 9 anos. O grau máximo de titulação foi a de mestre (6,8%, N=8). Ao serem avaliadas as características de formação e relacionadas aos escores da APS, não foi evidenciada diferença estatística entre os grupos. Na tabela 3 são apresentadas as estatísticas descritivas dos atributos da APS, aferidos a partir da experiência dos profissionais na atenção a saúde das crianças e adolescentes vivendo com HIV/AIDS. Tabela 3 - Estatísticas descritivas dos atributos da APS, aferidos a partir da percepção dos profissionais em relação à atenção a saúde das crianças e adolescentes vivendo com HIV/AIDS. Avaliação dos atributos essenciais da APS de Santa Maria /RS Atributos da APS Acesso de primeiro contato* Longitudinalidade* Integralidade serviços disponíveis† Integralidade serviços prestados* Coordenação integração de cuidados * Coordenação sistema de informações * Orientação Familiar* Orientação Comunitária* Média Desvio padrão Mediana Mín. Máx. Moda Skewness Range Variância Alfa de Cronbach 4,02 1,3 3,70 1 8 4 0,9 7 1,68 0,43 6,7 1,37 6,41 3 10 6 -0,009 7 1,87 0,73 6,13 1,54 6,28 2 10 7 -0,29 8 2,39 0,69 6,45 3,04 7,33 0 10 10 -0,61 10 9,23 0,86 6,97 1,56 6,94 3 10 7 -0,009 7 2,43 0,56 8,44 1,61 8,89 2 10 10 0,223 8 2,62 0,18 7,80 Avaliação dos atributos derivados da APS de Santa Maria /RS 2,36 8,89 0 10 10 -1,32 10 5,59 5,41 2,03 5,56 0 10 6 Avaliação Geral da APS Escore dos 6,45 1,06 6,63 3 9 3 atributos essenciais† 6,94 Escore dos 6,61 1,88 1 10 7 Atributos derivados* Escore Geral* 6,49 1,15 6,69 3 9 3 * Distribuição normal † Distribuição assimétrica -0,336 10 4,12 -0,653 6 1,12 0,74 0,69 0,83 -0,709 9 3,54 0,77 -0,69 6 1,32 0,87 35 Na avaliação geral da APS dos serviços de APS do referido município, pode-se observar que das seis dimensões essenciais pesquisadas, três apresentaram avaliação satisfatória (Média ≥ 6,6): longitudinalidade do cuidado (Média=6,7), coordenação integração de cuidados (Média=6,97) e coordenação sistema de informações (Média=8,44). Dos dois atributos derivados somente a orientação familiar ficou acima do ponto de corte (Média=7,80). Entre os atributos que receberam as piores avaliações destaca-se o acesso de primeiro contato com os serviços de saúde (Média=4,02). O valor atribuído ao Escore Geral da APS de Santa Maria/RS foi próximo ao ponto de corte (Média= 6,49). No entanto, ainda considerado insatisfatório. O Escore essencial também ficou abaixo do ponto de corte (Média= 6,45). Já a média geral dos atributos derivados apresentou valor acima do indicado (Média= 6,61) considerado extensão adequada. A consistência interna do instrumento (α=0,87) e seus atributos essenciais (α=0,83) e derivados (α=0,77) foi adequada. A Tabela 4 apresenta os escores dos atributos e os Escores Essencial e Geral da APS. Tabela 4 - Comparação dos escores dos atributos da Atenção Primária à Saúde (APS) em relação à atenção à saúde da criança e adolescente vivendo com HIV/AIDS, atribuídos pelos profissionais da APS do município de Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil. (continua) Atributos da APS Atributos essenciais Acesso de primeiro contato Longitudinalidade Integralidade (serviços disponíveis) Integralidade (serviços prestados) Coordenação (integração de cuidados) Coordenação (sistemas de informações) Atributos derivados Orientação familiar Orientação comunitária Escores (0-10) UBS (n=89) ESF (n=29) Média DP Mediana Média DP Mediana p 4,05 1,453 3,70 3,93 0,645 3,70 0,890* 6,58 1,391 6,41 7,06 1,257 6,67 0,199* 6,10 1,565 6,15 6,22 1,516 6,41 0,726† 5,89 3,207 6,67 8,16 1,498 8,00 0,002* 7,00 1,573 7,22 6,88 1,539 6,67 0,758* 8,3 1,717 8,89 8,85 1,206 8,89 0,158* 7,58 2,543 7,78 8,47 1,555 8,89 0,183* 4,98 2,012 5,00 6,76 1,417 6,67 <0,001* 36 (conclusão) Escores (0-10) UBS (n=89) ESF (n=29) Média DP Mediana Média DP Mediana Escore essencial da APS 6,32 1,119 6,53 6,85 0,725 6,78 Escore derivado da APS 6,28 1,934 6,67 7,61 0,128 7,78 Escore geral da APS 6,30 1,207 6,48 7,04 0,719 7,06 * Teste de Mann Whitney. † Teste t Student Atributos da APS p 0,201† 0,001* 0,003* Na avaliação dos atributos da APS segundo o tipo de unidade, os profissionais da ESF pontuaram significativamente maiores médias nos itens integralidade serviços prestados (8,16 vs 5,89) e orientação comunitária (6,76 vs 4,98), quando comparados aos de UBS. Da mesma forma, nos escores derivados (7,61 vs 6,28) e geral (7,04 vs 6,30) da APS. Nos demais itens avaliados não foram evidenciadas diferenças significativas (p>0,05). Na tabela 5, estão apresentadas análise bruta e ajustada entre os escores gerais da APS de Santa Maria (RS) atribuídos pelos profissionais à atenção à saúde da criança e adolescente vivendo com HIV/AIDS. Tabela 5 – Regressão bruta e ajustada para o Escore Geral da Atenção Primária à Saúde (APS) de Santa Maria (RS) atribuído pelos profissionais à atenção a Saúde da criança e adolescente vivendo com HIV/AIDS. Santa Maria, RS, Brasil, 2013. Variáveis Possuir especialização APS Outras Possuir outro emprego Sim Não Tipo de serviço ESF UBS Vínculo com o serviço Estatutário Outro RPb* 1,08 1,00 1,12 1,00 1,18 1,00 1,34 1,00 Alto Escore APS RPaj† IC95% p P 1,04-1,40 0,012 1,19 1,00 1,06-1,33 0,002 0,006 1,21 1,00 1,04-1,14 0,012 0,002 1,37 1,00 1,20-1,57 <0,001 0,96 – 1,22 0,182 0,99 – 1,26 0,074 1,05-1,33 1,11-1,62 1,21 1,00 IC95% IC 95% - intervalo de confiança de 95%. *RPb – Regressão de Poisson bruta. †RPa – Regressão de Poisson ajustada por:Tipo de serviço, especialização, Vinculo, Turno e Outro Emprego. 37 A análise de regressão bruta demonstrou que os profissionais das ESF e os que possuem vínculo estatutário possuem prevalências mais elevadas para alto escore de APS (RP=1,18; IC95%=1,05-1,33 e RP=1,34; IC95%=1,11-1,62, respectivamente). Após ajustes, mostraram-se associadas ao alto escore de APS: possuir especialização em APS (RP=1,21; IC95%= 1,04-1,40), possuir outro emprego (RP=1,19; IC95%=1,06=1,33), trabalhar na ESF (RP=1,21; IC95%=1,04-1,14) e ter vínculo estatutário (RP=1,37; IC95%= 1,20-1,57). Discussão As características sociodemográficas dos profissionais entrevistados no município de Santa Maria/RS convergem com os resultados encontrados em pesquisas desenvolvidas nacional e internacionalmente, as quais evidenciaram maiores freqüências de profissionais do sexo feminino e com idade média de 47 anos(9,17-18). As características laborais encontradas no presente estudo convergem com pesquisas realizadas em Porto Alegre/RS quanto a atuação em UBS(17-18) e diverge de estudo realizado em municípios do Vale do Taquari/RS quanto ao vínculo, visto que não sendo estatutário o profissional tem um tempo de atuação reduzido na ESF(19). Entretanto, a variável possuir outro emprego não foi investigada nas pesquisas. No que se refere à formação destacaram-se: o profissional médico clínico geral, com até 24 anos de formados; com pós-graduação voltada a APS. Esse perfil é semelhante ao encontrado em estudo desenvolvido na região Sul(18). Todavia, a titulação máxima de mestre dos profissionais da APS não foi mencionada nos estudos. Os profissionais das ESF apresentaram maiores percentuais para alto escore da APS do que os vinculados a UBS, corroborando com pesquisas comparativas(8,17). A avaliação geral dos serviços de APS foi satisfatória para os atributos longitudinalidade do cuidado, coordenação integração de cuidados, coordenação sistema de 38 informações e orientação familiar. Assim como estudos realizados na Ásia Oriental que evidenciaram que os cuidados primários apresentam maior desempenho nestes atributos(10-11). Da mesma forma que em outra pesquisa de Porto Alegre/RS(20), o valor atribuído ao Escore Geral e ao Essencial da APS de Santa Maria/RS foram considerados insatisfatórios. No entanto, a média geral dos derivados foi considerada extensão adequada, igualmente a estudos da Ásia Oriental que encontraram a maior média de pontuação nestes(10-11). Ao serem comparados os modelos de APS, evidenciou-se diferença estatística significativa entre as médias do escore geral apontando que a ESF apresenta maior grau de orientação à APS (7,04 vs 6,30). Estudo realizado em Porto Alegre/RS também apresentou diferença significativa à favor da ESF (7,08 vs 6,58)(17). Da mesma forma, evidenciou-se diferença estatística no escore derivado, convergente com as características inerentes a ESF (7,61 vs 6,28). Este resultado apresenta consonância com outros estudos comparativos apontando diferenças significativas à favor da ESF nos atributos derivados(6,8-17). Destacam-se com significância estatística os atributos integralidade serviços prestados (8,16 vs 5,89) e orientação comunitária (6,76 vs 4,98). Converge com a avaliação realizada em Porto Alegre/RS, que encontrou escores maiores e estatisticamente significantes na integralidade serviços prestados (8,27 vs 7,02) e orientação comunitária (6,75 vs 5,58)(17). Pesquisa que enfoca as condições crônicas demonstrou melhoria significativa na continuidade do tratamento entre os pacientes que receberam cuidados e orientações próximos de seu domicílio(12). Estudos apontam a necessidade de melhorias nas ações de parcerias sociais, na busca ativa e na participação da comunidade em doenças infecciosas e contagiosas(13-15). A análise da integralidade serviços disponíveis não distinguiu a ESF da UBS, ambas apresentaram escores abaixo do ideal. Divergente de estudos em que a ESF apresentou avaliação positiva neste atributo(6,17). Entretanto, estudo revelou que independente da 39 utilização dos serviços de APS, as pessoas vivendo com HIV/AIDS buscam preferencialmente o serviço especializado, visto que o consideram capaz de garantir a integralidade na atenção à saúde, interferindo negativamente na rede de serviços(2). O acesso de primeiro contato se configurou como o de pior desempenho, tanto na ESF quanto na UBS. Este achado converge com outros estudos que indicaram que este é o ponto de estrangulamento do sistema(7-8). Há dificuldades de acesso, embora as unidades de APS devessem estar próximas do local de moradia dos usuários, o que pode influenciar na organização do sistema, que prevê que esta seja a porta de entrada(21). Estudo realizado em João Pessoa/PB, com cuidadores de crianças que apresentam doença crônica, conferiu que a APS não está capacitada como porta de entrada do sistema e demonstra-se fragilizada para atender de modo resolutivo às demandas. Contribuindo, assim, para a busca pelos serviços de média e alta densidade tecnológica como opção preferencial(22). No entanto, cabe destacar que um estudo revelou que os pacientes obtiveram o diagnóstico tardiamente quando a APS foi serviço de primeira escolha para tratamento de doenças infecciosas e contagiosas, o que aponta a necessidade de investimento na qualidade da APS(23). A coordenação do cuidado apresentou avaliação satisfatória em ambos os modelos. Este dado confere com pesquisa em que essa característica é considerada presente na APS em geral(8,10), não destacando o modelo de ESF. A avaliação satisfatória evidenciada nesse atributo em ambos os modelos, talvez possa ser atribuída à percepção da necessidade de envolver a rede de atenção primária e especializada à saúde da população com HIV/AIDS(2-3). A avaliação da longitudinalidade foi satisfatória na ESF (p>0,05). Estudo realizado nos Estados de Goiás e Mato Grosso do Sul apontou que a ESF apresentou diferença significativa na vinculação com os usuários, quando comparado a UBS(8). Este vínculo é resultado da confiança no profissional, favorecendo a resolução e o encaminhamento dos 40 problemas de saúde, reduzindo a necessidade de utilização de serviços de alta densidade tecnológica (24) . Entretanto, um estudo realizado em Ribeirão Preto/SP com usuários do SUS vivendo com HIV/AIDS relatou a necessidade de aprimoramento na comunicação e no acolhimento por parte dos profissionais de saúde, sendo imprescindível para o processo de adesão e continuidade do acompanhamento em saúde(2). A avaliação da orientação familiar foi satisfatória em ambos modelos (p>0,05), igualmente em estudos que envolvem a APS (8-9,11,17). Pesquisa realizada em Florianópolis/SC com famílias de crianças vivendo com HIV/AIDS apontou que o diálogo e a interação com os profissionais de saúde favorece o vínculo, a confiança e melhoria do bem-estar familiar, ratificando a importância de um cuidado direcionado à família(25). A análise multivariada ajustada confirmou prevalências mais elevadas para alto escore de APS quando os profissionais possuem especialização na área, trabalhar na ESF, ter vínculo estatutário e possuir outro emprego. Os profissionais possuírem especialização em APS aparece como potencialidade para a transformação do modelo de atenção, a partir dos atributos da APS(17). O número elevado de profissionais estatutários é uma característica particular do município pesquisado e é positiva em favor da APS, o que em muitos municípios da região Sul é colocado como um impasse na implementação da ESF(19). Por fim, possuir outro emprego apareceu como um achado inédito, podendo estar associado a comparação que o profissional realiza nos diferentes serviços em que participa. Ressalta-se a importância de novos estudos que avaliem a qualidade da APS, considerando os limites do estudo, quais sejam: a APS foi avaliada apenas na visão do profissional de saúde, o que tende a torná-la mais positiva quando comparada com avaliação feita pelos usuários; os resultados estão limitados às características de um único município; e o possível viés da causalidade reversa comuns aos estudos transversais, os quais não garantem temporalidade. 41 Conclusão Em relação aos modelos de serviços em APS, destaca-se a ESF com o maior grau de orientação à APS. Entretanto, a cobertura de ESF no município ainda é baixa (21%) o que significa que a maior proporção da população recebe atenção à saúde com menor grau de orientação. Evidenciando a necessidade de ampliação da cobertura de ESF no município. Através da identificação das variáveis associadas ao alto escore de APS “especialização em APS”, “possuir outro emprego”, “trabalhar na ESF” e ter “vínculo estatutário”, evidencia-se que o investimento na qualificação do profissional direcionada para APS, bem como a ampliação da cobertura em ESF e da efetivação dos profissionais da APS por meio de concurso público são estratégias importantes para a qualificação da APS. Por fim, no Brasil, as discussões do Ministério da Saúde referentes a estratégias de inclusão da população vivendo com HIV/AIDS na APS, em particular com a população adulta, estão se iniciando, objetivando a mudança de paradigma de atenção à saúde para a lógica das redes de atenção. No entanto, a população de criança e adolescente com HIV/AIDS ainda não foi inserida pelo MS nesta discussão, este estudo corrobora com a necessidade da inclusão desta população nas políticas públicas. Referências 1. Paula CC, Cabral IE, Souza IEO, Brum CN, Silva CB, Padoin SMM. HIV/AIDS na infância e na adolescência: tendências da produção científica brasileira. Invest Educ Enferm. 2013; 31(2): 277-86. 2. Palácio MB, Figueiredo MAC, Souza LB. O Cuidado em HIV/AIDS e a Atenção Primária em Saúde: Possibilidades de Integração da Assistência. Psico (Porto Alegre). 42 2012; 43(3):350-67. 3. Mendes EV. As redes de atenção à saúde. Ciênc Saúde Coletiva. 2010; 15(5):2297-305. 4. Starfield B. Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia. Brasília: Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura/Ministério da Saúde; 2002. 725p. [Acesso em: 25 jan 2014]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_primaria_p1.pdf 5. Harzheim E, Oliveira MMC, Agostinho MR, Hauser L, Stein AT, Gonçalves MR et al. Validação do instrumento de avaliação da atenção primária à saúde: PCATool-Brasil adultos. Rev Bras Med Fam Comunidade. 2013; 8(29):274-84. 6. Leão CDA, Caldeira AP, Oliveira MMC. Atributos da atenção primária na assistência à saúde da criança: avaliação dos cuidadores. Rev Bras Saude Matern Infantil. 2011[Acesso em: 10 jan 2014]; 11(3):323-34. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbsmi/v11n3/a13v11n3.pdf. 7. Pereira MJB, Abrahão-Curvo P, Fortuna CM, Coutinho SS, Queluz MC, Campos LVO, et al. Avaliação das características organizacionais e de desempenho de uma unidade de atenção básica à saúde. Rev Gaúch Enferm. 2011 [Acesso em: 02 jan 2014]; 32(1):4855. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S198314472011000100006 8. Van Stralen CJ, Belisário AS, Van Stralen TB, Lima AMD, Massote AW, Oliveira CL. Percepção dos usuários e profissionais de saúde sobre atenção básica: comparação entre unidades com e sem saúde da família na Região Centro-Oeste do Brasil. Cad Saúde Pública. 2008; 24(Sup 1):S148-58. 43 9. Marsteller JA, Hsu YJ, Reider L, Frey K, Wolff J, Boyd C, et al . Physician Satisfaction with Chronic Care Processes: A Cluster-Randomized Trial of Guided Care. Ann Fam Med. 2010; 8(4):308-15. 10. Tsai J, Shi L, Yu WL, Lebrun LA. Usual Source of Care and the Quality of Medical Care Experiences: A Cross-Sectional Survey of Patients From a Taiwanese Community. Med Care. 2010; 48(7):628-34. 11. Jung JW, Sung NJ, Park KH, Kim SW, Lee JH. Patients' Assessment of comunity Primary and Non Primary care Physicians in Seoul City of South Korea. Korean J Fam Med. 2011; 32(4):226-33. 12. Clancy DE, Yeager DE, Huang P, Magruder KM. Further evaluating the acceptability of group visits in an uninsured or inadequately insured patient population with uncontrolled type 2 diabetes. Diabetes Educator. 2007; 33(2):309-14. 13. Curto M, Scatena LM, Andrade RLP, Palha PF, Assis EG, Scatolin BE, et al. Controle da tuberculose: percepção dos doentes sobre orientação a comunidade e participação comunitária. Rev Latino-Am Enfermagem. 2010[Acesso em: 02 jan 2014]; 18(5):983-9. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rlae/v18n5/pt_20.pdf 14. Ponce MAZ, Vendramini SHF, Santos MR, Santos MLSG, Scatena LM, Villa TCS. Vínculo profissional/doente no tratamento da tuberculose: desempenho da atenção básica em município do interior paulista. Rev Latino-Am Enfermagem. 2011[Acesso em: 02 jan 2014]; 19(5):1222-9. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rlae/v19n5/pt_21.pdf 15. Arakawa T, Arcêncio RA, Scatolin BE, Scatena LM, Ruffino-Netto A, Villa TCS. Acessibilidade ao tratamento de tuberculose: avaliação de desempenho de serviços de 44 saúde. Rev Latino-Am Enfermagem. 2011[Acesso em: 02 jan 2014]; 19(4):994-1002. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rlae/v19n4/pt_19.pdf 16. Departamento de Atenção Básica, Secretaria de Atenção em Saúde, Ministério da Saúde. Manual do instrumento de avaliação da atenção primária à saúde: Primary Care Assessment Tool. Brasília: Ministério da Saúde; 2010. 17. Castro RCL, Knauth DR, Harzhein E, Hauser L, Duncan BB. Avaliação da qualidade da atenção primária pelos profissionais de saúde: comparação entre os diferentes tipos de serviços. Cad Saúde Pública. 2012; 28(9): 1772-84. 18. Hauser L, Castro RCL, Vigo A, Trindade TG, Gonçalves MR, Stein AT, et al. Tradução, adaptação, validade e medidas de fidedignidade do Instrumento de Avaliação da Atenção Primária à Saúde (PCATool) no Brasil: versão profissionais de saúde. Rev Bras Med Fam Comunidade. 2013; 8(29):244-55. 19. Medeiros CRG, Junqueira AGW, Schwingel GCI, Jungles LAP, Saldanha OMFL. A rotatividade de enfermeiros e médicos: um impasse na implementação da Estratégia de Saúde da Família. Ciênc Saúde Coletiva. 2010;15(supl.1):1521-31. 20. Oliveira EB, Bozzetti MC, Hauser L, Duncan BB, Harzheim E. Avaliação da qualidade do cuidado a idosos nos serviços da rede pública de atenção primária à saúde de Porto Alegre, Brasil. Rev Bras Med Fam Comunidade. 2013; 8(29):264-73. 21. Sala A, Luppi CG, Simoes O, Marsiglia RG. Integralidade e Atenção Primária à Saúde: avaliação na perspectiva dos usuários de unidades de saúde do município de São Paulo. Saúde Soc. 2011; 20(4):948-60. 22. Nóbrega VM, Damasceno SS, Rodrigues PF, Reichert APS, Collet N. Atenção à criança com doença crônica na Estratégia Saúde da Família. Cogitare Enferm. 2013; 18(1):5763. 45 23. Silva-Sobrinho RA, Andrade RLP, Ponce MAS, Wysocki AD, Brunello ME, Scatena LM, et al. Retardo no diagnóstico da tuberculose em município da tríplice fronteira Brasil, Paraguai e Argentina. Rev Panam Salud Publ. 2012; 31(6):461-8. 24. Baratieri T, Mandu ENT, Marcon SS. Longitudinalidade no trabalho do enfermeiro: relatos da experiência profissional. Rev Esc Enferm USP. 2012; 46(5):1260-7. 25. Vieira M, Padilha MICS. O cotidiano das famílias que convivem com o HIV: um relato de experiência. Esc Anna Nery Rev Enferm. 2007; 11(2): 351-7. 46 CONCLUSÃO Os resultados deste estudo apontam, por meio da experiência dos profissionais, para a necessidade de melhoria de alguns atributos da APS referentes às práticas assistenciais na atenção à saúde das crianças e adolescentes vivendo com HIV/AIDS. Os atributos acesso de primeiro contato com os serviços de saúde, integralidade da assistência e orientação comunitária apontaram entraves para a qualificação da APS. Urge-se a necessidade de investimentos na estrutura e no processo de atenção para que a APS do município de Santa Maria/RS/Brasil exerça seu papel de coordenadora do cuidado nas redes de atenção à saúde. Da mesma forma, a expansão da cobertura do modelo de ESF, o qual demonstrou melhores resultados na avaliação, ratifica esta como uma estratégia importante para qualificação da APS. Além disto, as variáveis dos profissionais possuir especialização em APS, possuir mais que um emprego, trabalhar em ESF e ser estatutário, se apresentaram como potencializadoras do alto escore de orientação do serviço para a APS, corroborando a necessidade de investimento na qualificação profissional e na promoção de concurso público para efetivação dos servidores. Por fim, este estudo apresentou contribuições para a tríade pesquisa, ensino e prática assistencial. Para a pesquisa, pelo ineditismo da aplicação deste instrumento de avaliação da APS com foco nos profissionais que atendem a população de crianças e adolescentes vivendo com HIV/AIDS. O investimento nesta temática foi convergente com a Agenda Nacional de Prioridades de Pesquisa em Saúde. Aponta-se a necessidade de pesquisas, que visem avaliar os serviços de APS com foco no HIV/AIDS em populações distintas, como familiares/cuidadores, gestantes, adultos e gestores, assim como em diferentes municípios e estados. Esta investigação reafirma a qualificação do instrumento em pesquisas avaliativas em APS. Soma-se a contribuição para o grupo de pesquisa no que se refere a ampliação e aprofundamento dos conhecimentos investigativos, assim como a contemplação em editais de financiamento de recursos que possibilitam o planejamento, a execução e a divulgação dos resultados em trabalhos científicos a nível nacional e internacional. Para o ensino, a partir do conhecimento da realidade da APS do município, possibilita a ampliação de discussões acerca da atenção à saúde das crianças e dos adolescentes vivendo 47 com HIV/AIDS, mais especificamente do cuidado de enfermagem. Desta forma, propõe-se a associação de teoria e prática para um direcionamento das atividades dos graduandos que contemple esta população e sua família de modo a fortalecer os atributos da APS. Destaca-se o compromisso da universidade com a formação qualificada dos alunos que tem como campos práticos os serviços de APS do município estudado. Para a assistência, a partir do reconhecimento das fragilidades evidenciadas nos atributos da avaliação da APS sugere-se: no acesso de primeiro contato a ampliação do horário de funcionamento e a disponibilização de contato telefônico para as necessidades dos usuários; na integralidade remete-se as dificuldades estruturais dos serviços como a disponibilização de recursos materiais e/ou humanos, os quais não dependem exclusivamente do profissional de saúde; e na orientação comunitária, a aproximação dos profissionais com a comunidade e com a prática de incentivo à população em participar dos conselhos de saúde. Diante deste diagnóstico situacional da APS no município de Santa Maria/RS/BR evidenciase a possibilidade de articulação entre os serviços, permitindo que os cuidados às crianças e adolescentes vivendo com HIV/AIDS sejam partilhados em um sistema de redes de atenção à saúde. Assim, contribui-se para a discussão da política pública municipal no sentido de identificar aspectos de estrutura e processo dos serviços que exigem reafirmação ou reformulação, na busca de maior qualidade no planejamento e na execução das ações. Essa avaliação pode nortear o gestor a proporcionar serviços de atenção primária de qualidade para essa população. Assim, propõem-se o (re)pensar das ações desenvolvidas e da reorganização do fluxo das crianças e dos adolescentes com HIV/AIDS nos serviços de saúde, a fim de promover a aproximação entre os profissionais do serviço de referência e da APS para facilitar o acesso e a adesão ao tratamento. 48 REFERÊNCIAS ACIOLI, S. et al. Produção científica sobre a prática do enfermeiro frente à AIDS na atenção básica de saúde. Rev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro, v.15, n.3, p.400-5, 2007. AYRES, J. R. C. M. et al. Vulnerability, human rights, and comprehensive health care needs of young people living with HIV/AIDS. Am. J. Public Health, v.96, n.6, p. 1001-6, 2006. BARRETT, G.; VICTOR, C. R. 'We just want to be a normal family...' Paediatric HIV/AIDS services at an inner-London teaching hospital. AIDS Care, v.6, n.4, p.423-33, 1994. BERKMAN, A. et al. A critical analysis of the Brazilian response to HIV/AIDS: lessons learned for controlling and mitigating the epidemic in developing counties. Am. J. Public Health, v.95, n.7, p.162-72, 2005. BRAGHETO, A. C. M.; CARVALHO A. M. P. Desempenho escolar, comportamental e desenvolvimento cognitivo e emocional de crianças infectadas pelo HIV: estudo preliminar. Rev. enferm. V.21, n. 1, p. 29-33, 2013. BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. 292 p. ________. Lei n° 8080, de 19 de Setembro de 1990. Dispõe sobre inclusão da Saúde do Trabalhador no campo de atuação do Sistema Único de Saúde. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 19 set. 1990a. p. 2. ________. Conselho Nacional de Saúde. Resolução 196/96 – Diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos. Brasília, 1996. ________. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Ciência e Tecnologia. Contribuições para a agenda de prioridades de pesquisa. Brasília, 2004a. 306p. (Serie B. Textos Básicos em Saúde). 49 ________. Ministério da saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e Aids. Guia de tratamento clínico da infecção pelo HIV em crianças. Brasília, 2004b. 49p. ________. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Atenção Primária e Promoção da Saúde. Brasília: CONASS, 2007. 232p. (Coleção Progestores - para entender a gestão do SUS, 8). ________. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Ciência e Tecnologia. Agenda Nacional de prioridades de pesquisa em saúde. Brasília, 2008a. 68p. (Serie B. Textos Básicos em Saúde). ________. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e Aids. Recomendações para Terapia Antirretroviral em Crianças e Adolescentes Infectados pelo HIV. Brasília, 2009. 200p. (Série Manuais, n 85). ________. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e AIDS. Recomendações para Profilaxia da Transmissão Vertical do HIV e Terapia Antirretroviral em Gestantes. Brasília, 2010a. 172p. (Série Manuais, n. 46). ________. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção em Saúde. Manual do instrumento de avaliação da atenção primária à saúde: primary care assessment tool pcatool - Brasil / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção em Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2010b. 80 p. (Série A. Normas e Manuais Técnicos). ________. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.488, de 21 de outubro de 2011. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes e normas para a organização da Atenção Básica, para a Estratégia Saúde da Família (ESF) e o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS). Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 21 de out. 2011. ________. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção em Saúde. Departamento de Atenção Básica. Nota Técnica. Informações sobre ações e programas do departamento de Atenção Básica. Município: Santa Maria. Estado: RS. Site: http://dab.saude.gov.br/portaldab/. Brasília: Brasília: Ministério da Saúde, 2013. ________. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância Sanitária, Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais. Boletim Epidemiológico AIDS/DST. Brasília, 2011a. Disponível em: <http://www.aids.gov.br/sites/default/files/anexos/publicacao/2011/50652/ 50 boletim_aids_2011_final_m_pdf_26659.pdf>. Acesso em: 02 set. 2012. ________. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância Sanitária, Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais. Boletim Epidemiológico AIDS/DST. Brasília, 2013. Disponível em: http://www.aids.gov.br/sites/default/files/anexos/publicacao/2013/55559/_p_boletim_2013_in ternet_pdf_p__51315.pdf. Acesso em: 03 fev. 2013. BRITO, A. M et al. Tendência da transmissão vertical de Aids após terapia anti-retroviral no Brasil. Rev. Saúde Pública., São Paulo, v.40, suppl.1, p.18-22, 2006. BROWN, L. K.; LOURIE, K. J. Children and adolescents living with HIV and AIDS: A review. Journal of Child Psychology and Psychiatry, v.41, p.81-96, 2000. CALAZANS, G. J. et al. O conceito de vulnerabilidade. In: PADOIN, S. M. M.; PAULA, C. C.; SCHAURICH, D.F.; VANEZA, A. (org.) Experiências Interdisciplinares em aids: interfaces de uma epidemia. Santa Maria. Editora UFSM. p.43-62, 2006. COSTA, J. S. D.; VICTORA, C. G. O que é “um problema de saúde pública”? R. Bras. Epidemiol., Brasília, v.9, n.1, p. 144-51, 2006. DIAS, M. P. Estratégias de coordenação entre a atenção primária e secundária à saúde no município de Belo Horizonte. 2012. 205 p. Dissertação (Mestrado em Ciências na área de Saúde Pública) - Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Rio de Janeiro, 2012. DONABEDIAN, A. Evaluating the quality of medical care, 1966. The Milbank quarterly, United States, v.83, n.4, p.691-729, 2005. DOURADO, I. et al. Tendências da epidemia de Aids no Brasil após a terapia anti-retroviral. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v.40, suppl.1, p.9-17, 2006. FARIA, H. P. et al. Modelo assistencial e atenção básica à saúde. Belo Horizonte. Nescon UFMG. Editora Coopmed. 2ª edição. 2010. FONSECA, M. G. R.; BASTOS, F.I. Vinte e cinco anos da epidemia de HIV e Aids no Brasil: principais achados epidemiológicos. Cad Saude Publica, Rio de Janeiro, v. 23, suppl.3, p. S333-S343, 2007. 51 FONTENELLE,L.F. Mudanças recentes na Política Nacional de Atenção Básica: uma análise crítica. Rev. Bras. Med.Fam. Comunidade, Florianópolis, v.7, n.22, p.5-9, jan.-mar. 2012. GOMES, A. M. T.; CABRAL, I. Silêncio, silenciamento e ocultamento na terapia antiretroviral: desvelando o discurso de cuidadores de crianças. R. Bras. Enferm., Brasília, v.63, n.5, p.719-26, 2010. GOMES, A. M. T. et al. As representações sociais de enfermeiros sobre a criança soropositiva para HIV: interface com o cuidar. R. Enferm. UERJ, Rio de Janeiro, v.19, n.1, p.14-9, 2011. GUERRA, C. P. P.; SEIDL, E. M. F. Crianças e adolescentes com HIV/Aids: revisão de estudos sobre revelação do diagnóstico, adesão e estigma. Paideia, Ribeirão Preto, v.19, n.42, p.59-65, 2009. HARZHEIM, E. et al. Consistência interna e confiabilidade da versão em português do Instrumento de Avaliação da Atenção Primária (PCATool-Brasil) para serviços de saúde infantil. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.22, n.8, p.1649-59, 2006a. HARZHEIM, E. et al. Quality and effectiveness of different approaches to primary care delivery in Brazil. BMC Health Serv. Res., v.6, n.156, p. 1-7, 2006b. IBGE, Censo Demográfico 2010. Rio Grande do Sul, Santa Maria, censo demográfico 2010: resultados da amostra - características da população. Link: http://cod.ibge.gov.br/D15 KNAUTH, D. R. Uma doença dos outros: a construção da identidade entre mulheres portadoras do vírus da Aids. Corpus - Cadernos do NUPACS, Porto Alegre, v.1, 1996. KNAUTH, D. R. O vírus procurado o vírus adquirido. Revista Estudos Feministas, Rio de Janeiro, v.5, n.2, p.291-301, 1997. KNAUTH, D. R.; VÍCTORA, C. G; LEAL, O. F. A banalização da Aids. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, v.4, n.9, p.171-202, 1998. MANN, J. (org.). A Aids no mundo. Rio de Janeiro: Relume-Dumara; ABIA; 1993. 321 p. 52 MUGALA, N. et al. Barriers to implementation of the HIV guidelines in the IMCI algorithm among IMCI trained health workers in Zambia. BMC Pediatrics, v.10, n.93, 2010. NEMES, M. I. B. et al. QUALIAIDS - Avaliação e monitoramento da qualidade da assistência ambulatorial em Aids no SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2008. 100 p. NEVES, E. T.; CABRAL, I. E. A fragilidade clínica e vulnerabilidade social das crianças com necessidades especiais de saúde. R. Gaúcha Enferm., Porto Alegre, v.29, n.2, p.182-90, 2008. OPAS/OMS. Declaração de Alma-Ata. Conferência Internacional sobre Cuidados Primários em Saúde. 1978, Casaquistão, URSS. Disponível em: <http://www.opas.org.br>. Acesso em: 12 set. 2012. PADOIN, S. M. M. et al. Crianças que têm HIV/AIDS e seus familiares e/ou cuidadores: experiência de acompanhamento multiprofissional. Revista Saúde, Santa Maria, v.35, n.2, p.7-11, 2009. PADOIN, S. M. M. et al. Cuidado ao cuidador de crianças e de adolescentes com HIV/AIDS: estratégias para potencializar os atributos da família. In: LACERDA, M. R., COSTENARO R. G. S. (Org.). O cuidado e o cuidador: teias de possibilidades de quem cuida, 2012. PALÁCIO MB, FIGUEIREDO MAC, SOUZA LB. O Cuidado em HIV/AIDS e a Atenção Primária em Saúde: Possibilidades de Integração da Assistência. PSICO, Porto Alegre. 2012 jul/set; 43(3):350-67. PAULA C. C. et al. Caracterização da morbimortalidade de crianças com HIV/AIDS em serviço de referência no sul do Brasil. Revista Saúde, Santa Maria, v.38, n.2, p.25-36, 2012a. PAULA C. C. et al. Acompanhamento ambulatorial de crianças que tem HIV/AIDS: cuidado centrado na criança e na família. R. Ciência, Cuidado e Saúde, Maringá, v.11, n.1, p.196201, 2012b. PAULA CC et al. Avaliação da atenção Primária à Saúde das crianças e dos adolescentes com HIV/AIDS. Revista de Enfermagem, UFPE On Line., Recife, v. 7, n.esp, p. 5051-4, jul., 2013. 53 PAULA, C. C.; CABRAL, I. E.; SOUZA, Í. E. O. O cotidiano de crianças infectadas pelo HIV no adolescer: compromissos e possibilidades do cuidado de si. DST J Bras Doenças Sex Transm., Rio de Janeiro, v. 20, n.3-4, p.173-8, 2008. PAULA, C. C.; CABRAL, I. E.; SOUZA, Í. E. O. O cotidiano do ser-adolescente com aids: movimento ou momento existencial ? Esc. Anna Nery R. Enferm., Rio de Janeiro, v.13, n.3, p.632-9, 2009. PAULA, C. C.; CABRAL, I. E.; SOUZA, Í. E. O. O (não)dito da aids no cotidiano de transição da infância para a adolescência. Rev Bras Enferm., Brasília, v. 64, n. 4, p.658-64, 2011. PAULA, C. C.; PADOIN, S. M. M. Cuidado de enfermagem à criança com HIV/AIDS. Programa de Atualização em Enfermagem (PROENF) Saúde da Criança e do Adolescente. v.7, n.2, 2013a. PAULA, C. C.; PADOIN, S. M. M. Cuidado de enfermagem ao adolescente com HIV/AIDS. Programa de Atualização em Enfermagem (PROENF) Saúde da Criança e do Adolescente. v.7, n.4, 2013b. PEREIRA, I. B.; LIMA, J. C. F. Dicionário da educação profissional em saúde. Fundação Oswaldo Cruz. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. 2.ed. rev. ampl. - Rio de Janeiro: EPSJV, 2008. 478 p. PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTA MARIA-RS. Secretaria de município da saúde. Plano Municipal de Saúde. Primeira versão 2013- 2016. Santa Maria, 2012. RIBEIRO, A. C. et al. Perfil clínico de adolescentes que têm AIDS. Cogitare Enferm., Curitiba, v.15, n.2, p.256-62, 2010. SANT'ANNA, C. F. et al. Comunidade: objeto coletivo do trabalho das enfermeiras da estratégia de Saúde da Família. Acta Paul. Enferm., São Paulo, v.24, n.3, p. 341-47, 2011. SCHAURICH. D.; COELHO, D. F.; MOTTA, M. G. C. Repensando a AIDS depois dos antiretrovirais. R Enferm UERJ, Rio de Janeiro, v.14, n.3, p.455-62, 2006. SCHAURICH, D.; MEDEIROS, H. M. F.; MOTTA, M. G. C. Vulnerabilidades no viver de 54 crianças com AIDS. R. Enferm. UERJ, Rio de Janeiro, v.15, n.2, p.284-290, 2007. SCHAURICH, D.; FREITAS, H. M. O referencial de vulnerabilidade ao HIV/AIDS aplicado às famílias: um exercício reflexivo. Rev Esc Enferm USP, São Paulo, v.45, n.4, p.989-95, 2011. SHERLOCK, M. S. M. et al. Imunização em criança exposta ou infectada pelo HIV em um serviço de imunobiológicos especiais. Esc. Anna Nery R. Enferm., Rio de Janeiro, v.15, n.3, p.573-80, 2011. SHIMIZU, H. R.; PAMELA, X.; SANCHEZ, M. N. Representações sociais do SUS: um sistema permeado pela dificuldade de acesso à atenção integral. Tempus - Actas de Saúde Coletiva, Brasília, v.6, n.3, p. 295-306, 2012. SILVA, L. M. S. et al. Integralidade em saúde: avaliando a articulação e a coresponsabilidade entre o Programa Saúde da Família e um serviço de referência em HIV/aids. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília, v.14, n.2, p.97-104, 2005. SILVA, S. F. R. et al. Aids no Brasil: uma epidemia em transformação. R. Brasileira de Análises Clínicas, Rio de Janeiro, v.42, n.3, p.209-12, 2010. SOUSA, A. M. et al. A política de AIDS no Brasil: uma revisão de literatura. J. Manag. Prim. Health Care, v.3, n.1, p.62-66, 2012. SOUSA, P. K. R.; MIRANDA, K. C. L.; FRANCO, A. C. Vulnerabilidade: análise do conceito na prática clínica do enfermeiro em ambulatório de HIV/AIDS. Rev Bras Enferm, Brasília, v.64. n.2, p.381-4, 2011. STARFIELD, B. Primary care: concept, evolution and policy. New York: Oxford University Press, 1992. STARFIELD, B. et al. Measuring consumer experiences with primary care. Pediatrics, United States, v.105, n.4, p.998-1003, 2000. STARFIELD, B. Atención Primaria: equilibrio entre necesidades de salud, servicios y tecnologia. Barcelona: Masson, 2004. 55 STARFIELD, B.; XU, J.; SHI, L. Validating the Adult Primary Care Assessment Tool. The Journal of Family Practice, v.50, n.2, p.161-75, 2001. 56 ANEXOS 57 Anexo A – Carta de Aprovação Comitê de Ética em Pesquisa 58 59 Anexo B – Questionário de caracterização dos profissionais da APS. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM PROGRAMA DE PÓS-GRADUACAO EM ENFERMAGEM GRUPO DE PESQUISA CUIDADO À SAÚDE DAS PESSOAS, FAMÍLIAS E SOCIEDADE No da entrevista: _____________ Data da entrevista: ___/___/___ Entrevistador: ____________________ UBS ______________________________ ESF ______________________________ A1 Qual a sua data de nascimento? Data de nascimento: ___/____/___ A2 Qual o seu sexo? 1. masculino 2. feminino 1. convive com esposo/a ou companheiro/a 2. solteiro/a 3. separado/a, divorciado/a ou viúvo/a 1. medicina 2. enfermagem Ano: ______ 1 superior completo 2. especialização incompleta 3. especialização completa 4 mestrado incompleto 5. mestrado completa 6. doutorado incompleto 7. doutorado completo Ano: ______ __________ meses 1. sim 2. não A3 A4 A5 Qual a sua situação conjugal? Qual a sua formação? Quando você concluiu sua faculdade? Qual a sua escolaridade? A5 A6 A7 A8 Quando você concluiu sua ultima pos-graduação? Há quanto tempo você trabalha neste serviço de saúde? Você trabalha em algum outro serviço de saúde, público ou privado? (dia) (mês) (ano) 60 Anexo C – Instrumento PCATool-Brasil versão Profissionais 61 62 63 64 65 66 67 68 69 Anexo D - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para os profissionais da Atenção Primária de Saúde∗ No do instrumento: ________ Título da pesquisa: AVALIAÇÃO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES VIVENDO COM HIV/AIDS. Objetivo do estudo: Medir a presença e a extensão dos atributos da APS às crianças e adolescentes expostos com HIV/AIDS, segundo o instrumento PCATool-Brasil. Pesquisador(es) responsável(is): Profa Dra Cristiane Cardoso de Paula Instituição/Departamento: Universidade Federal de Santa Maria – Departamento de Enfermagem e Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. Local da coleta de dados: Unidades Básicas de Saúde e Estratégias de Saúde da Família de Santa Maria/RS Prezado(a) Senhor(a): Você está sendo convidado(a) a responder às perguntas deste questionário de forma voluntária. Antes de concordar em participar desta pesquisa, é importante que você compreenda as informações contidas neste documento. A concordância ou não em participar da pesquisa em nada irá alterar sua condição profissional na Unidade de Saúde em que você trabalha e você poderá, a qualquer momento, desistir da pesquisa. Procedimentos: Sua participação compreenderá responder um instrumento para avaliar a qualidade da atenção à saúde prestada no seu serviço de saúde, que irá compor um banco de dados de pesquisa. A entrevista será realizada no seu ambiente de trabalho e contamos com cerca de 40 minutos da sua atenção. Benefícios: Esta pesquisa ampliará com o conhecimento no tema saúde da criança/adolescente com HIV/AIDS. Espera-se contribuir para as ações desenvolvidas no acompanhamento do crescimento e desenvolvimento e no acompanhamento específico da condição sorológica, no sentido de, a partir desse diagnóstico situacional da APS apontar as possibilidades de articulação entre os níveis de atenção à saúde para promover o acesso e a adesão ao tratamento. Riscos: Este estudo não implica em nenhum risco para sua saúde ou da criança/adolescente, apenas a disponibilidade de tempo para responder ao instrumento. Sigilo: O pesquisador responsável garante que seu nome será preservado e que nenhum dado sobre sua pessoa do conteúdo individual de sua entrevista será divulgado. Eu ______________________________________(profissional de saúde), fui informado dos objetivos da pesquisa de maneira clara, detalhada e livre de qualquer forma de constrangimento ou coerção. Recebi informações a respeito do método que será utilizado. Sei que a qualquer momento poderei solicitar novas informações e modificar minha decisão se assim eu desejar. Fui informado da garantia de que não serei identificado quando da divulgação dos resultados e que as informações obtidas serão utilizadas apenas para fins científicos vinculados a este projeto de pesquisa. Em caso de dúvidas sobre estar pesquisa, estou ciente de que poderei telefonar, a cobrar, para o pesquisador. ____________________________________________ Data: ___/___/___ Assinatura do profissional de saúde ____________________________________________ Data: ___/___/___ Assinatura do entrevistador ______________________________ Telefone: (55) 32208938 ou (55) 99993282 ∗ Se você tiver alguma consideração ou dúvida sobre a ética da pesquisa, entre em contato: Comitê de Ética em Pesquisa – UFSM - Cidade Universitária - Bairro Camobi, Av. Roraima, nº1000 - CEP: 97.105.900 Santa Maria – RS. Telefone: (55) 3220-9362 – Fax: (55)3220-8009 Email: [email protected]. Web: www.ufsm.br/cep 70 Anexo E - Termo de Confidencialidade Título do estudo: AVALIAÇÃO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE DAS CRIANÇAS E DOS ADOLESCENTES VIVENDO COM HIV/AIDS NO MUNICÍPIO DE SANTA MARIA/RS/BRASIL. Pesquisador responsável: Profa Drª Cristiane Cardoso de Paula. Instituição/Departamento: Universidade Federal de Santa Maria (UFSM/RS) – Departamento de Enfermagem e Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. Telefone para contato: (55) 32208938 ou (55) 99993282. Local da coleta de dados: Ambulatório de Pediatria do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM/RS), Unidades Básicas de Saúde e Estratégias de Saúde da Família de Santa Maria/RS. Os pesquisadores do presente projeto se comprometem a preservar a privacidade dos profissionais cujos dados serão coletados em forma de entrevista com aplicação de questionário PCATool-Brasil versão Criança e versão Profissionais. Concordam, igualmente, que estas informações serão utilizadas única e exclusivamente para execução do presente projeto e composição de um banco de dados. As informações somente poderão ser divulgadas de forma anônima. Os instrumentos e os TCLE serão guardados por cinco anos na sala 1336 do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) no Centro de Ciências da Saúde (prédio 26) no Campus da UFSM, núcleo de pesquisa do Grupo de pesquisa: “Cuidado à Saúde das Pessoas, Família e Sociedade” (GP-PEFAS), cadastrada no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), sob a guarda da pesquisadora responsável deste projeto Dra Cristiane Cardoso de Paula. Após esse período, os dados serão destruídos. Este projeto de pesquisa foi revisado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFSM em ...../....../......., com o número do CAAE ......................... Santa Maria,..........de ............................de 20...... ......................................................................... Cristiane Cardoso de Paula – pesquisador responsável