1 UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ TEMPO E MOTIVOS DISPENDIDOS PELOS ENFERMEIROS NAS RESPOSTAS ÀS AUDITORIAS CURITIBA 2011 2 KELLY ADAM TEMPO E MOTIVOS DISPENDIDOS PELOS ENFERMEIROS NAS RESPOSTAS ÀS AUDITORIAS Monografia apresentada ao Curso Auditoria e Gestão em Saúde, da Universidade Tuiuti do Paraná, como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Auditoria e Gestão em Saúde. Profª. Ana Maria Dyniewicz CURITIBA 2011 3 KELLY ADAM TEMPO E MOTIVOS DISPENDIDOS PELOS ENFERMEIROS NAS RESPOSTAS ÀS AUDITORIAS Monografia apresentada ao Curso Auditoria e Gestão em Saúde, como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Auditoria e Gestão em Saúde, Universidade Tuiuti do Paraná, pela Comissão Formada pelos Professores. Nome/Assinatura- Profª. Orientadora Ana Maria Dyniewicz Nome/Assinatura - Prof.º Nome/Assinatura - Prof.º DATA DEFESA MÉDIA OBTIDA LOCAL CURITIBA-PARANÁ 4 RESUMO Este estudo tratou da minha observação frente ao impacto das anotações de enfermagem no contexto das glosas hospitalares. Tive como objetivo identificar o tempo que o enfermeiro dispensa ao sair da assistência de enfermagem para realizar as auditorias nos prontuários evidenciando os principais tipos decorrentes destes registros em uma UTI de um hospital privado de pequeno porte na cidade de Curitiba. Para o desenvolvimento deste estudo foi utilizada a abordagem quantitativa de pesquisa, cuja análise foi feita de forma exploratória dos dados obtidos. Também se optou para complementar o trabalho a pesquisa bibliográfica sendo que todo o material recolhido foi submetido a uma triagem e um plano de leitura. O estudo se materializou com a utilização de uma planilha contendo mês e ano, data, se o prontuário estava conforme ou não, observação, ação, assinatura do enfermeiro responsável e o tempo gasto para as correções. A auditoria de apenas um prontuário era realizada todos os dias de 2ª a 6ª feira pelo enfermeiro coordenador da UTI. Após o término do mês o enfermeiro realizava o levantamento dos dados, nestes levantamentos emergiram duas tabelas sendo a primeira de quanto tempo o enfermeiro deixava de prestar a assistência para realizar as correções dos prontuários e a segunda tabela quais eram as principais ações corretivas sendo faltas de checagem % e falta evolução enfermagem % entre outras citadas no trabalho. Desta forma procurei expor a importância de um enfermeiro auditor na instituição no processo de diminuição de glosas hospitalares, visto que a auditoria era realizada pelo enfermeiro coordenador. Também verifiquei que é de interesse de todo a equipe multidisciplinar que o prontuário esteja com o preenchimento correto já que o profissional de enfermagem é a ferramenta fundamental neste contexto. Observei também a necessidade de avaliação por parte dos enfermeiros, de como estão sendo realizados os registros de sua equipe focalizando para a educação continuada, realizando treinamentos sistematizados, capacitando sua equipe para a valorização dos registros, visto que, a instituição não tinha um enfermeiro somente para a educação continuada. Palavras – Chave: auditoria; enfermeiro auditor; glosas hospitalares. 5 ABSTRACT This study was aimed at my notes? the face of the impact of the notes nursing in the context of glosses hospital. Had as objective to identify the time the nurse to leave the dispensing assist. NCIA nursing to perform audits in prontu rivers showing the primary results of records in an ICU of a small private hospital in the city of Curitiba. To develop this study we used a quantitative research, which and analysis was done exploratory estuary of the data. Too was chosen to complement the work to bibliographic search being is that all the material collected was subjected to a screening and a reading plan. The study was realized with the use of a spreadsheet containing month and year, date if the record was compliant or not, observation, action, signature of the nurse in charge and the time spent on corrections. The audit of only one record was held every day from 2nd to 6th Tuesday by the nurse coordinator of the ICU. After the end of the month the nurse performed the data collection, surveys have emerged in these two tables the first being how long the nurse failed to provide any assistance to make the corrections and the second table of the records which were the primary corrective actions and failures to check %% and nursing shortage trend among other cited work. Thus I tried to expose the importance of a nurse auditor at the institution in the decline of glosses hospital, since the audit was performed by the nurse coordinator. I also checked that is of interest to the entire multidisciplinary team that is the chart with the correct completion as the nursing staff is the key tool in this context. I also observed the need for assessment by nurses are being made as the records of his team for continuing education focusing on conducting systematic training, enabling his team to the recovery of records, since the institution was not only a nurse for education continued. Key Words: glosses hospital: nurse auditor; audits. 6 LISTA DE QUADROS, TABELAS E GRÁFICOS QUADRO 1 - TAREFAS E FINS DA AUDITORIA..................................... QUADRO 2 - QUADRO SINÓTICO: DIFERENÇAS ENTRE AUDITOR INTERNO E AUDITOR EXTERNO................................................... - PRONTUÁRIOS ANALISADOS/CORRIGIDOS PELO ENFERMEIRO NAS RESPOSTAS ÀS AUDITORIAS ...... - PRONTUÁRIOS ANALISADOS/CORRIGIDOS PELO ENFERMEIRO NAS RESPOSTAS ÀS AUDITORIAS....... - PRINCIPAIS MOTIVOS PELAS “EVENTUAIS GLOSAS” NOS PRONTUÁRIOS – COLETADAS ENTRE OS MESES DE SETEMBRO/2010-FEVEREIRO/2011 ............ - PRINCIPAIS MOTIVOS PELAS “EVENTUAIS GLOSAS” NOS PRONTUÁRIOS – COLETADAS ENTRE OS MESES DE SETEMBRO/2010-FEVEREIRO/2011............. TABELA 1 GRÁFICO 1 TABELA 2 GRÁFICO 2 15 18 40 40 41 41 7 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AMB - Associação Médica Brasileira BRASINDICE - Guia Farmacêutico CBHPM CID - Classificação Brasileira Hierárquica de Procedimento - Classificação Internacional de Doenças CIEFAS - Comitê Integrado Entidades Fechadas Assistência Saúde COFEN - Conselho Federal de Enfermagem COREN - Conselho Regional de Enfermagem DENASUS - Departamento Nacional de Auditoria SUS GREMES - Grupo de Empregados de Auto Gestão Saúde IAA - Instituto Administração Automativa IAPB - Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Bancários IAPI - Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários INPS - Instituto Nacional de Previdência Social IPASE - Instituto de Pensão e Aposentadoria dos Servidores Estaduais ISO - Organização Internacional para Padronização MS - Ministério Saúde OMS - Organização Mundial de Saúde ONA - Organização Nacional de Acreditação SAE - Sistematização Assistência de Enfermagem SAS - Secretaria Assistência a Saúde SNA - Sistema Nacional de Auditoria SOBEAS SSVV - Sociedade Brasileira em Enfermeiros Auditores em Saúde - Sinais Vitais SUS - Sistema Único de Saúde UTI - Unidade Terapia Intensiva 8 SUMÁRIO RESUMO ........................................................................................................... 02 ABSTRACT...................................................................................................... 03 LISTA DE QUADROS, TABELAS E GRÁFICOS............................................ 04 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS.......................................................... 05 INTRODUÇÃO.................................................................................................. 07 1 AUDITORIA................................................................................................... 10 1.1 TAREFAS E FINS DA AUDITORIA............................................................ 14 1.2 FINALIDADES E BENEFÍCIOS DA AUDITORIA........................................ 15 1.3 CLASSIFICAÇÃO DA AUDITORIA............................................................. 16 1.4 TIPOS DE AUDITORIA............................................................................... 19 1.5 O ENFERMEIRO........................................................................................ 20 1.5.1 Perfil do Enfermeiro Auditor................................................................. 21 1.5.2 Objetivos do Enfermeiro Auditor...................................................... 22 1.5.3 Ferramentas de Trabalho do Enfermeiro Auditor............................... 23 1.5.4 Atribuições do Enfermeiro Auditor no Convênio............................... 25 1.5.5 Atribuições do Enfermeiro Auditor no Hospital................................. 26 1.6 DISCUSSÃO DA VIABILIDADE DA AUDITORIA DE ENFERMAGEM FRENTE AO PLANEJAMENTO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM 2 HISTÓRIA DA AUDITORIA........................................................................... 26 30 2.1 HISTÓRIA DA AUDITORIA NO BRASIL.................................................... 32 3 METODOLOGIA............................................................................................ 38 3.1 DESCRIÇÃO DO LOCAL DE ESTUDO...................................................... 38 3.2 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS ................................................... 40 3.3 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS............................................................. 42 CONCLUSÃO................................................................................................... 46 REFERÊNCIAS................................................................................................ 49 APÊNDICE 1 - MODELO PLANILHA: AUDITORIA INTERNA DE PRONTUÁRIOS... 52 ANEXO 1 - ATIVIDADES DO ENFERMEIRO AUDITOR - RESOLUÇÃO COFEN - NR. 266/2002................................................................ ANEXO 2 - REGULAMENTAÇÃO DA LEI NR. 7498/86 DE 25 JUNHO DE 1986.... 54 58 9 INTRODUÇÃO Em suas múltiplas atribuições, o enfermeiro está constantemente avaliando problemas de enfermagem e buscando solucioná-los. A natureza dos problemas de enfermagem será influenciada pela filosofia, teoria, dores, crenças e metas da instituição e da equipe de enfermagem. Compete ao enfermeiro identificar, julgar e resolver os problemas de enfermagem. A qualidade da enfermagem como um todo está na dependência da tomada de decisão do enfermeiro. O problema pode ser caracterizado como uma necessidade do ser humano diante de um fato e buscar meios de resolução que constituem a própria essência do problema, ressaltando a importância da exatidão quanto aos resultados que se pretende obter. Nas ações de enfermagem, com relação à qualidade da assistência existem diversas influências que podem interferir como: formação profissional, número de profissionais, mercado de trabalho e legislação específica urgente além da política, da estrutura da organização das instituições. As ações de enfermagem são executadas em conjunto com outros trabalhos realizados por distintos agentes da equipe multiprofissional de saúde. Ou seja, médico, nutricionista, terapeuta ocupacional, psicólogo e outros especialistas. Esse trabalho realizado em equipe pode ser executado de forma fragmentada, com a mera justaposição das ações dos diferentes profissionais, de que forma articulada, o que favorece a oferta de assistência integral de enfermagem e de atenção integral à saúde (CIAMPONE PEDUZZI, 2000; PEDUZZI, 2001). Assim impõe-se a necessidade de os serviços de saúde aprimorar e garantirem assistência contínua de qualidade. Os enfermeiros vêm assumindo novo papel e tendo novas oportunidades no sistema de saúde nos hospitais: a auditoria. 10 Para a instituição hospitalar, os principais benefícios encontram-se no fato de a auditoria ser um meio de verificar o alcance dos seus objetivos, auxiliar no controle de custos e avaliar o conjunto de atividades desenvolvido por uma equipe de trabalho. A auditoria tem ampliado seu campo de atuação para a análise da assistência prestada, tendo em vista a qualidade e seus envolvidos: o paciente, hospital e as operadoras de saúde. Sendo assim, a enfermagem tem um papel importante na auditoria: avaliar a assistência que o paciente está recebendo, assim como a integridade e exatidão da documentação dessa assistência. No prontuário, 60% da conta hospitalar refletem diretamente o serviço de enfermagem. Kurcgant et al. (1991) mostra que a aplicação da auditoria em enfermagem contínua por algumas instituições, permitiu não só a caracterização do nível de atuação da enfermagem, como também serviu para identificar os aspectos deficientes relacionados à assistência da enfermagem prestada. Para que uma auditoria ocorra em uma instituição, é necessário a participação e o entendimento de toda a equipe sobre sua real finalidade: esclarecer que não estará sendo avaliado o profissional, mas o conjunto de todas as atividades desenvolvidas pela equipe de trabalho. Caso contrário, o não entendimento dos benefícios e a forma de sua realização neste processo, poderão levar a equipe a restringir o trabalho do Auditor e assim, prejudicar o resultado final (MOTTA et al., 2003). O auditor não tem a função do fiscal e sim de orientador, pacificador, agente de mudança, de efetividade, de economicidade e eficiência. Com a crescente preocupação das instituições hospitalares e operadoras de planos de saúde, no que diz respeito à qualidade da assistência prestada ao cliente e no âmbito financeiro, tendo a enfermagem como o seu foco principal no cuidado. 11 Apontou-se entre os problemas relativos ao serviço de enfermagem o tempo gasto pelo enfermeiro para a correção do prontuário, visto que, a revisão do prontuário do paciente não é realizada por um enfermeiro auditor e sim, um auditor administrativo. OBJETIVOS Objetivo Geral O objetivo deste estudo é analisar o tempo dispendido pelo enfermeiro no auxílio à auditoria. Objetivos Específicos - Identificar as atividades do enfermeiro auditor nas instituições. - Identificar o impacto causado pelo não-registro de enfermagem, contrapondo às eventuais glosas, evidenciando os principais tipos decorrentes destes registros. 12 1 AUDITORIA Magalhães Filho (1996) e Sá (1994), conceituam auditoria como uma atividade que cuida da verificação a veracidade de dados contábeis, cumprimento de obrigações e a adequação do que se evidencia em confronto com a realidade, com a finalidade de opinar sobre o examinado, tendo também o lado preventivo, relacionado com dados de prejuízos que possam ocorrer ao patrimônio da entidade auditada. Já Moura (1990) diz que “a auditoria é uma técnica que consiste na verificação dos elementos contábeis e físicos para determinar a opinião do auditor com relação à exatidão e à fidedignidade das demonstrações financeiras ou contábeis em determinada data”. Pode-se dizer que “a auditoria é uma estratégia para melhorar o cuidado através de levantamento prévio e identificação da deficiência na organização e assistência prestada” (SOUZA, 2001). Segundo Falk (2001) “o conjunto de ações utilizadas na avaliação e fiscalização dos prestadores de serviços de saúde e na conferência de contas relativas aos procedimentos executados, do atendimento ao gasto, do custo à qualidade a ser alcançada”. É um sistema de revisão e controle para informar a administração sobre a eficiência dos programas em desenvolvimento. Sua função não é somente indicar as falhas e os problemas, mas também, apontar sugestões e soluções, assumindo, portanto, um caráter eminentemente educacional (SCARPARO, 2005, p.46). Souza (2001) define auditoria como “um conjunto de medidas através as quais, perito interno ou externo revisa as atividades operacionais de determinados 13 setores de uma instituição, com a finalidade de mensurar a qualidade dos serviços prestados”. A qualidade do registro das ações assistenciais reflete a qualidade da assistência e a produtividade do trabalho. E com base nesses registros, pode-se permanentemente construir melhores práticas assistenciais, além de implementar ações que visem melhorias nos resultados operacionais (FONSECA, 2005, p.8). Uma referência importante Falk (2001) consiste na conferência da conta ou procedimento, pelo auditor analisando o documento no sentido de corrigirem falhas ou perdas, objetivando a elevação dos padrões técnicos e administrativos, bem como a melhoria das condições hospitalares, e um melhor atendimento à população. É uma atividade profissional da área saúde que analisa, controla e autoriza os procedimentos para fins de diagnose e condutas terapêuticas, propostas e/ou realizadas, respeitando-s a autonomia profissional e preceitos éticos, que ditam as ações e relações humanas e sociais FALK (2001, p.32). Em saúde, a auditoria tem ampliado seu campo de atuação para a análise da assistência prestada, tendo em vista a qualidade e seus envolvidos, que são paciente, hospital e operadora de saúde, conferindo os procedimentos executados com os valores cobrados, para garantir um pagamento justo. Essa análise envolve aspectos quantitativos e qualitativos da assistência, ou seja, avaliação da eficácia e eficiência do processo de atenção à saúde. (SCARPARO, 2005). A auditoria em Serviços de Saúde é um tema dos mais relevantes às Instituições e operadoras de plano de Saúde, porquanto essencial à manutenção da própria saúde financeira de tais organizações. (FALK, 2001) Segundo Falk (2001, p.42), 14 sua existência, necessidades e objetivos são plenamente reconhecidos pela Legislação e pelos Códigos de Ética da área de saúde, além e reconjugado pelas Normas Administrativas das Instituições de Saúde. Portanto,a Equipe de Auditoria deve estar atenta aos seus limites, claramente definidos nos respectivos Códigos de Ética, e embasados em Normas Técnicas próprias e Pareceres de Sociedades Científicas. Conforme Motta (2008), auditoria de enfermagem trabalho desenvolvido exclusivamente pelo profissional enfermeiro (a), vem constituir um crescente campo de trabalho abrindo novos espaços para esses profissionais. Uma referência importante Souza (2005) auditoria pressupõe avaliação e revisão detalhada de registros clínicos selecionados por profissionais qualificados para verificação da qualidade da assistência. O conceito mais ampliado de auditoria refere-se a analise das atividades realizadas pela equipe de enfermagem, através do prontuário e geral, principalmente das anotações, tendo em vista a qualidade da assistência prestada. Inclui ainda, a condição de diminuir custos, conciliando a qualidade do cuidado prestado com a sustentabilidade financeira da instituição de saúde. Segundo Motta (2008), auditoria de enfermagem avalia continuamente a qualidade da assistência de enfermagem prestada ao paciente, desde a internação até alta por mio da análise da documentação da assistência registrada no prontuário do paciente, verificação das condições do atendimento prestado ao paciente durante o período de internação, por meio de visitas in loco, a fim de assegurar o pagamento com exatidão. De acordo com Kurcgant (2000, p.24): “Auditoria de enfermagem é a avaliação sistemática da qualidade da assistência de enfermagem, verificada através das anotações de enfermagem no prontuário do paciente”. A auditoria em enfermagem representa a função de controle do processo administrativo,verificando se os resultados da assistência estão de acordo com os objetivos. (SETZ, 2009) 15 O Prontuário do paciente espelha a eficiência dos cuidados instituídos, sendo a única prova de veracidade do tratamento e dos cuidados realizados, sendo necessário o seu preenchimento exato e completo, como garantia para os profissionais de saúde e para o paciente, 60% da conta hospitalar reflete diretamente o serviço de enfermagem. Todo processo assistencial deve sempre ser acompanhado com uma visão holística, pois a análise fragmentada não permite uma aferição da qualidade e, muito menos, dos custos. O processo assistencial ou de atendimento ao cliente deve ser visto em sua integridade: a consulta, os exames, as terapias, a hospitalização, a convalescença. Para que uma auditoria ocorra em uma instituição, é necessário a participação e o entendimento de toda equipe sobre sua real finalidade, esclarecer que não estará sendo avaliado o profissional, mas o conjunto de todas as atividades desenvolvidas pela equipe de trabalho. Caso contrário, o não entendimento dos benefícios e a forma de sua realização deste processo poderão levar a equipe a restringir o trabalho do Auditor e assim, prejudicando o resultado final. (MOTTA et al., 2005) Para Motta, Leão e Zagatto (2005), no caso das empresas hospitalares a enfermagem desempenha um papel importante relacionado aos materiais de consumo, pois ela é a usuária da maior parte deles, devendo haver uma grande preocupação por parte de toda a equipe quanto ao custo desses materiais. Tal como citado auditoria de enfermagem vem tomando novas dimensões ao longo dos anos e mostrando sua importância dentro das instituições hospitalares e no sistema saúde suplementar. (MOTTA, 2008) Desta forma, constata-se que a auditoria de enfermagem vem ganhando cada vez mais espaço nas instituições. 16 1.1 TAREFAS E FINS DA AUDITORIA O objetivo principal da auditoria pode-se dizer que é a verificação da veracidade das demonstrações financeiras preparadas pelas companhias auditadas (ATTIE, 1993). O mesmo autor afirma que para a auditoria ser efetuada deve-se seguir as normas usuais da auditoria e deve ser executada por pessoas com capacidade técnica, competência, independência e ética profissional. Moura (1990), diz que a auditoria é executada por um profissional (auditor) que na execução de seu trabalho deve usar de seus conhecimentos, de seu bom senso, ser franco, honesto e sincero ao executar seu trabalho. Deve ser justo e não permitir que prevenção ou preconceitos influenciem sua objetividade, deve manter atitude imparcial e ao mesmo tempo ser e parecer livre de qualquer interesse que possa ser considerado como sendo incompatível com honestidade e objetividade. Segundo Sá (1994), o auditor para executar um bom trabalho deve planejar, organizar, executar, coordenar as conclusões e aí então emitir a sua opinião ou parecer. Muitos são os fins para os quais uma auditoria é feita, entre algumas temos o detectar fraudes e erros; oferecer um parecer sobre um balanço; manter o controle sobre vida da empresa; prevenir a empresa contra fraudes; opinar sobre o pagamento de tributos; possibilitar decisões administrativas; opinar sobre o cumprimento de contrato (SÁ, 1994). Já em 1998, o mesmo autor diz que auditor não pode estabelecer barreiras na obtenção dos seus fins e por isso deverá integrar-se e todo o conhecimento acessório necessário. 17 Quanto às tarefas e fins da auditoria, o quadro a seguir (QUADRO 1) apresenta detalhes. QUADRO 1 – TAREFAS E FINS DA AUDITORIA 1. Comprovação de exatidão dos fatos patrimoniais, pelo registro; 2. Comprovação da propriedade na identificação dos mesmos fatos em face da dinâmica patrimonial. 3. Comprovação do tempo e do valor como medidas dos mesmos fatos em face da dinâmica patrimonial. 4. Interpretação e critica dos exames a que se procedeu; 5. Orientação para o governo do patrimônio; 6. Proteção contra fraudes; 7. Pesquisas patrimoniais sobre fatos ocorridos; 8. Previsão de fatos patrimoniais; 9. Exame da eficácia; 10. Exame de eficiência; 11. Exame dos riscos patrimoniais; 12. Exame da capacidade de equilíbrio da empresa; 13. Exames da capacidade de produtividade; 14. Exames da capacidade de elasticidade; 15. Exames da economicidade ou da capacidade de sobrevivência; 16. Exames da capacidade de pagamento; 17. Exames da capacidade de obtenção de resultados; 18. Orientação e opinião sobre os exames. FONTE: SÁ, A.L. Curso de Auditoria. São Paulo: Atlas, 1998. Por último, Sá (1998) fala que meios usados para desempenhar suas tarefas são: documentos, fichas de lançamento, fitas, livros ou fichas de registro, discos e disquetes de computadores, demonstrações de balanços, lucros e perdas, estoques, bens móveis, impressos de rotina, pesquisa direta com os funcionários, chefes de setores e outros informes de qualquer natureza que possa vir a ser útil. 1.2 FINALIDADES E BENEFÍCIOS DA AUDITORIA Monteiro (2002); Kurcgant et al (1991); Feldman (1982), concordam em dizer que as finalidades da auditoria em enfermagem servem para a identificação das áreas (unidades) deficientes do serviço de enfermagem, quanto ao número de profissionais e qualidade de assistência prestada, auxiliando assim, para que as 18 decisões quanto ao remanejamento e aumento de pessoal sejam tomadas com base e dados concretos; fornecer dados para a melhoria da qualidade do cuidado de enfermagem e obter dados para a programação de reciclagem e atualização do pessoal de enfermagem. Por meio da auditoria em enfermagem obtêm-se benefícios para os pacientes possibilitando para eles uma assistência de melhor qualidade, segura e eficaz; para a equipe de enfermagem fornecendo subsídios e reflexão profissional; para a instituição verificando os seus objetivos alcançados, continuidade da programação e auxílio no controle de custos e para a profissão que tem a possibilidade de desenvolvimento de indicadores de assistência, estabelecimento de critérios de avaliação, geração de novos conhecimentos, levantamento de problemas e as condutas adotadas para cada um deles e a resolutividade destas (MONTEIRO, 2002 e KURCGANT et al, 1991). 1.3 CLASSIFICAÇÃO DA AUDITORIA A auditoria pode ser classificada como Interna ou Externa. A auditoria Interna é uma atividade de extrema importância para a administração da empresa. Por esse motivo, quando uma auditoria interna é eficiente e atuante, considera-se como um ponto forte para um eficiente controle interno. A administração da empresa utiliza-se da auditoria interna para uma identificação de todos os procedimentos internos, política definida pelas empresas e se os sistemas contábeis e de controle interno estão sendo efetivamente seguidos (ATTIE, 1983). 19 A auditoria interna é realizada por um profissional enfermeiro contratado pela instituição registrado, responsável pela análise das contas após a alta do paciente (MOTTA, 2005). A auditoria interna é desenvolvida por um profissional da própria empresa. Ou seja, possui vínculo empregatício (MAGALHÃES FILHO, 1996; SÁ, 1994). Tem como vantagem maior profundidade no trabalho, tanto pelo conhecimento da estrutura administrativa como das inovações e expectativas nos serviços, o que possibilita a elaboração de uma análise mais profunda, com recomendações mais apropriadas à realidade organizacional. Tem como desvantagens a dependência administrativa, que pode limitar a amplitude das conclusões e recomendações finais do trabalho de auditoria; e também o envolvimento afetivo do profissional com a instituição poderá intervir nos julgamentos a serem realizados, prejudicando e até mesmo invalidando os resultados (JUNQUEIRA, 2001). A auditoria externa é desenvolvida por um profissional ou empresa contratada, não possuindo assim um vínculo com a empresa auditada. (MAGALHÃES FILHO, 1996; SÁ, 1994) A auditoria externa é realizada por um profissional enfermeiro contratado pela operadora de plano de saúde, podendo realizar a auditoria enquanto o paciente está internado pela análise do seu prontuário ou visitando o paciente (MOTTA, 2005). A auditoria externa é realizada por pessoas contratadas pela instituição, especificamente para a realização desta. Este tipo de auditoria traz como vantagem a imparcialidade dos auditores pela falta de vínculo afetivo à instituição. Tem por desvantagens a falta de maior conhecimento sobre os aspectos organizacionais e técnicos da empresa, por não vivenciar a realidade da instituição, podendo impedir a apresentação de uma análise mais profunda e específica (CALEMAN, 2000). 20 O trabalho executado pela auditoria interna é o mesmo executado pela auditoria externa. Ambas realizam seus trabalhos se utilizado das mesmas técnicas de auditoria, tem sua atenção voltada ao controle interno, formulam sugestões de melhorias para as deficiências encontradas e ambas modificam a extensão do seu trabalho de acordo com as observações e eficiência dos sistemas contábeis e controle internos existentes (ATTIE, 1983). Mas, segundo Almeida (1990) e Attie (1983), o serviço executado pelos auditores internos e externos tem suas diferenças, como apresentado no quadro a seguir. (QUADRO 2) QUADRO 2 – QUADRO SINÓTICO: DIFERENÇAS ENTRE AUDITOR INTERNO E AUDITOR EXTERNO AUDITOR INTERNO - É empregado da empresa auditada. - O objetivo principal é atender as necessidades da administração. - Executa auditoria contábil e operacional. - A revisão das operações e do controle interno é principalmente realizada para desenvolver aperfeiçoamento e para induzir ao cumprimento da política e normas, sem estar restrito aos assuntos financeiros. - O trabalho é subdividido em relação às áreas operacionais e às linhas de responsabilidade administrativa. - O auditor diretamente se preocupa com a intercessão e prevenção da fraude. - O auditor deve ser independente em relação às pessoas cujo trabalho ele examina, porém subordinado às necessidades e desejos da alta administração. - A revisão das atividades da empresa é contínua. AUDITOR EXTERNO - Não há vínculo empregatício. - O objetivo principal é atender as necessidades de terceiros no que diz respeito à fidedignidade das informações financeiras. - Executa apenas auditoria contábil. - A revisão das operações e do controle interno é principalmente realizada para determinar a extensão do exame e a fidedignidade das demonstrações financeiras. - O trabalho é subdividido em relação às principais contas do balanço patrimonial e da demonstração do resultado. - O auditor incidentalmente se preocupa com a intercepção e prevenção da fraude, a não ser que haja possibilidade de substancialmente afetar as demonstrações financeiras. - O auditor deve ser independente em relação à administração, de fato e de atitude mental. - O exame das informações comprobatórias das demonstrações financeiras é periódica, geralmente anual. FONTE: ATTIE, W. Auditoria: conceitos e aplicações. São Paulo: Atlas, 1983. Em relação à cooperação da auditoria externa com a interna Attie (1983), diz que uma não eliminaria a outra, pois cada uma tem funções e objetivos diferentes. Trabalhando em conjunto, podem evitar a duplicidade de trabalho. 21 Ainda Segundo Attie (1983) Uma eficiente integração entre a auditoria interna e a auditoria externa pode promover, entre outros, os seguintes benefícios. - Redução dos honorários; - Maior segurança ao auditor externo em função da extensão e qualidade dos trabalhos realizados pelo auditor interno; - Cumprimento de prazos por parte do auditor externo; - Intercâmbio de informações técnicas ou operacionais; - Direcionamento de trabalhos em função das recomendações formuladas; - Identificação de problemas que para efeito das demonstrações financeiras tomadas em conjunto não seja material, mas importante para efeito de uma boa questão administrativa. 1.4 TIPOS DE AUDITORIA A) Auditoria Retrospectiva "É aquela realizada após a alta do paciente, onde se utiliza o prontuário para avaliação; portanto, os dados obtidos não reverterão em benefícios deste paciente diretamente, mas para assistência de maneira global" (KURCGANT et al., 1991). A auditoria retrospectiva "é aquela orientada para a análise das atividades, numa revisão dos resultados finais, dos cuidados prestados; é realizada após o paciente receber os serviços" (FALK, 2001). A Auditoria Retrospectiva realiza a análise de documentos, de relatórios encaminhados, da auditoria concorrente, de autorizações prévias, da conta médica propriamente dita, com análise do auditor médico e de enfermagem, emitindo um, conforme o caso, detalhando itens e distorções detectadas (SCARPAZO, 2005) B) Auditoria Operacional ou Concorrente Segundo Kurcgant et al. (1991) 22 É aquela realizada enquanto o paciente está hospitalizado ou em atendimento ambulatorial, podendo ser realizada através do exame do paciente e confronto das necessidades levantadas com a prescrição da enfermagem e/ou avaliação dos cuidados in loco; entrevista com o próprio funcionário logo após a prestação do cuidado, levando-o à reflexão; avaliação feita pelo paciente e sua família, verificando a percepção destes quanto à assistência prestada; pesquisa junto à equipe médica, verificando o cumprimento da prescrição médica e interferências das condutas de enfermagem na terapêutica médica. Denominada em alguns locais como visita hospitalar ou auditoria externa, tem sido praticada, cada vez mais, como forma de analisar previamente as contas médicas. A auditoria concorrente é, na realidade, um acompanhamento contínuo das hospitalizações, enfocando os custos e a qualidade dos serviços prestados. (FALK, 2001). A auditoria operacional ou concorrente desenvolve-se enquanto o cliente está internado. Envolve a análise e avaliação dos registros de enfermagem, entrevista com o paciente ou familiar, exame físico e observação do ambiente. Ela é mais dinâmica, por permitir tomar providências se problemas forem detectados. (MARQUES, 2004) 1.5 O ENFERMEIRO O enfermeiro em sua formação tem quatro funções importantes: educacional, assistencial, de planejamento e administrativa. Como gerente do serviço de enfermagem ou como responsável por uma unidade de serviço, o enfermeiro inserido neste sistema tem que se posicionar cada vez mais como administrador de uma unidade que gera custos e envolver-se nas questões relativas a ela: gastos, falhas e estratégias (FONSECA, 2005). Goto (2001) enfatiza que atualmente há um reconhecimento cada vez maior do que é possível separar a contribuição da enfermagem no resultado obtido com o 23 paciente; esse reconhecimento de resultados sensíveis à enfermagem cria uma responsabilidade para os enfermeiros enquanto profissionais, importante no desenvolvimento da enfermagem como profissão. A qualidade dos serviços de enfermagem inclui não só a formação do enfermeiro, o processo de restauração da saúde do cliente ou quando esta não é possível a melhoria das condições de vida, as orientações quanto ao auto-cuidado, a simplificação e a esperança nos procedimentos de enfermagem, mas também o resultado do produto hospitalar, medido por meio da qualidade da documentação e do registro de todas as ações de enfermagem (FONSECA, 2005). 1.5.1 Perfil do Enfermeiro Auditor Compõem o Perfil do Enfermeiro Auditor: Respeitar em qualquer circunstância, os níveis hierárquicos existente em toda organização; Manter comportamento ético e sigiloso absoluto a respeito de informações confidenciais; Observar os comportamentos internos; Procurar, continuamente, melhorar sua capacidade e efetividade de trabalho, sempre atualizando seus conhecimentos; Manter espírito independente isenta de influências das áreas de revisão, e muito equilibrado, sem representar arrogância ou impassividade; Expressar sua opinião sempre apoiada em evidências suficientes. Cultivar o senso de proporção e julgamento, alicerçando seu ponto de vista impessoal e imparcial; 24 Ser afável no trato com as pessoas, pois o relacionamento auditado/auditor não pode ser frívolo e casuístico, mas harmônico e humano; Relatar possíveis deficiências objetivamente; Cada auditor representa a imagem da organização a qual está ligado, daí a importância de seus atos e mesmo de sua apresentação; Nenhum auditor pode prescrever, evoluir ou alterar evoluções / informações no prontuário do paciente; É vedado ao auditor tecer comentários de qualquer natureza com pacientes, familiares e / ou funcionários do hospital, de observações feitas através de prontuário, ainda que seja arquido por eles. É vedado a auditor discutir sobre procedimentos realizados indevidamente pelo prestador de serviço em ambientes estranhos à auditoria. A postura e o respeito deverão ser mantidos sempre nas discussões e apresentações realizadas com prestadores de serviços. É vedado ao auditor trabalhar na Instituição a ser auditada, ou receber qualquer tipo de remuneração ou vantagens da mesma. 1.5.2 Objetivos do Enfermeiro Auditor Garantir a qualidade da assistência prestada ao usuário; Viabilizar economicamente a Instituição; Conferir a correta utilização / cobrança dos recursos técnicos disponíveis; Efetuar levantamentos dos custos assistenciais para determinar metas gerenciais e subsidiar decisões d corpo diretivo da Instituição. Educar os prestadores de serviços; Proporcionar um ambiente de diálogo permanente entre o prestador e a empresa; 25 Proporcionar aos usuários confiabilidade e segurança na relação Prestador / Instituição / Usuário. 1.5.3 Ferramentas de Trabalho do Enfermeiro Auditor O auditor para desenvolver suas atividades profissionais necessita de um conjunto de elementos classificados como ferramentas de trabalho, elementos indispensáveis para o bom desenvolvimento da tarefa. Não pode um auditor realizar sua atividade em toda sua plenitude se não conhecer: Seu papel de auditor no processo; Relação dos Prestadores de Serviços; Detalhes do Contrato firmado entre as partes envolvidas; Diagnóstico da doença em código (CID – 10); Tabela de honorários médicos (Tabelas AMB, CBHPM, GREMES/CIEFAS, etc). Tabela de negociação adotada (Taxas e Diárias); Tabela de materiais descartáveis; Tabela de órteses e próteses; Tabela de valores BRASINDICE; Dicionários de especialidades farmacêuticas e de Genéricos; Conta hospitalar; Prontuários clínicos com os relatórios médicos e de enfermagem; Antigamente as ferramentas de trabalho colocadas à disposição atendiam as necessidades de um auditor apenas o Código Internacional de Doenças, as Tabelas de Procedimentos Médicos e as listas de preços de materiais e medicamentos. 26 Hoje, com o surgimento da lei dos planos de saúde e o código de defesa do consumidor, os dispositivos colocados para o auditor como fonte de consulta e elementos de trabalho, assumiram pelo mercado e suas exigências, características próprias, o que obrigou de modo indispensável o conhecimento do contrato de prestação de serviço oferecido e acordado entre as partes. As tabelas de procedimentos permitem ao auditor tanto na pré-análise como na fase de auditoria analítica melhor poder de decisão, tanto na adequação do código do procedimento quanto nos valores a serem pagos pelos procedimentos realizados tanto para diagnose terapêutica, atendendo aos procedimentos clínicos e os cirúrgicos. Neste caso estabelecendo número de auxiliares e portes anestésicos e ainda orientado cobrança para procedimentos cirúrgicos associados pela mesma via ou vias distintas, pela mesma equipe ou por mais de uma equipe e ainda duplicando valores dos honorários profissionais nos casos pertinentes. São alguns dos elementos colocados à mão do auditor, entre tantos outros que as tabelas de procedimentos médicos oferecem (LOUVERDOS, 2000) Os materiais e medicamentos utilizados por um paciente quando submetido a um procedimento, tem como ponto de referência de seus valores a tabela BRASÍNDICE. Este referencial de uso universal no Brasil, alguns itens utilizados durante a realização de um procedimento podem por vários motivos não estar presente no BRASÍNDICE, neste caso são feitos acordos e formas de pagamento. Sendo a mais comum o pagamento pelo valor da nota fiscal de compra desde que esteja anexada, em outras ocasiões se paga o preço de mercado e ainda há casos em que se paga por similaridade de produto. Segundo Louverdos (2000) é importante o auditor estar ciente que sobre o valor do produto cobrado e que a tabela apresenta para cada produto um valor de preço mínimo e o 27 máximo de comercialização, sobre o qual deverá incidir a taxa de comercialização, a qual permite variação no percentual a ser cobrado, motivo de negociação. O Dicionário de Especialidades Farmacêuticas e atualmente o de Medicamentos Genéricos é outra ferramenta de consulta do auditor.Quando do fechamento dos prontuários e contas médicas nas auditorias analíticas, a diversificação de medicamentos, sua apresentações e embalagens não permite que o auditor guarde tantas informações na cabeça, assim sendo por mais familiarizado com os produtos habitualmente usados, há momentos em que se torna necessário fazer consulta para permitir uma melhor análise (LOUVERDOS, 2000). 1.5.4 Atribuições do Enfermeiro Auditor no Convênio Avaliar a assistência de enfermagem prestada ao cliente através do prontuário médico; Verificar a observância dos procedimentos frente aos padrões e protocolos estabelecidos; Adequar o custo do procedimento; Elaborar relatórios / planilhas através das quais se define o perfil do prestador; custo por dia, custo por procedimento, comparativos entre prestadores por especialidade; Participar de visitas hospitalares; Avaliar, controlar (com emissão de parecer) as empresas prestadoras de serviços, fornecendo dados para a manutenção / continuidade do convênio (assessoria do credenciado); Elo entre as partes = parceria. 28 1.5.5 Atribuições do Enfermeiro Auditor no Hospital Análise do Prontuário Médico, verificando se está completa e corretamente preenchido nos seus diversos campos tanto médico como de enfermagem, como por exemplo: história clínica, registro diário da prescrição e evolução médica e de enfermagem, checagem dos serviços, relatórios de anestesia e cirurgia; Avaliar e analisar a conta hospitalar, se condiz com evento realizado; Fornecer subsídios e participar de treinamentos do pessoal de enfermagem; Analisar contas e glosas, além de estudar e sugerir reestruturação das tarefas utilizadas, quando necessário; Fazer relatórios pertinentes: glosa negociada aceita ou não, atendimentos feitos, dificuldades encontradas e áreas suscetíveis de falhas e sugestões; Manter-se atualizado com as técnicas de enfermagem, com os serviços e recursos oferecidos pelo hospital, colocando-se a par (inclusive) e preços, gastos e custos alcançados: Utilizar, quando possível os dados coletados para otimizar o Serviço de Auditoria; saber apontar custos de cada setor, locais onde pode ser feita a redução nos gastos, perfil dos profissionais envolvidos e dados estatísticos. 1.6 DISCUSSÃO DA VIABILIDADE DA AUDITORIA DE ENFERMAGEM FRENTE AO PLANEJAMENTO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM No Brasil a saúde é um dos setores mais conservadores e tradicionais em termos de gesta impermeável às inovações. O modelo de saúde no Brasil nunca foi concebido para atender as necessidades de saúde da população, mas sempre determinado para cumprir funções estruturais dominantes. 29 A enfermagem incorporou esse papel no processo de trabalho taylorista (disciplina militar e autoritário), voltado para o cumprimento do objetivo com obtenção de lucro dando menor valor a qualidade da assistência prestada. Cabe ao enfermeiro romper com a distância entre o saber e o fazer na atual prática da enfermagem, substituindo o modelo taylorista de trabalho por uma gestão participativa com integração do saber técnico e planejamento, execução, avaliação e organização coletiva das ações de enfermagem. No modelo positivista as leis da ciência moderna privilegiam as causas em razão da funcionalidade das coisas, não focalizando o conhecimento do agente e o seu fim, o que provoca uma ruptura entre o conhecimento científico e o senso comum. Desta forma o conhecimento científico só pode ser obtido se for possível de ser medido, ou seja, a realidade só existe no âmbito de que é perceptível, em que o fato é isento de valores ou de subjetividade, porque buscar as causas não é tarefa da ciência positiva. A medicina entende também a positividade como mecanismo para a compreensão do corpo, e a doença enquanto espaço de sua projeção. Observa-se que a construção do saber e da prática de enfermagem foi praticamente subsidiada pela abordagem positivista de concepção de mundo, da natureza do objeto e dos princípios e instrumentos de assistir em saúde. É importante dizer que o positivismo ou os conhecimentos nele pautado não devem ser descartados, pois foram criados em situações determinadas pelo contexto econômico, cultural e político da sociedade. Torna-se assim necessário o uso do planejamento da assistência de enfermagem que nada mais é que a determinação das ações de enfermagem, pela utilização de um método de trabalho, a fim de atender as necessidades da clientela (KURCGANT et al., 1991). 30 A mesma acredita que o planejamento da assistência em enfermagem é a função que possibilita ao enfermeiro exercer a administração da assistência de enfermagem de forma global, coerente e responsável. O decreto nº. 94406, de 08 de junho de 1987, que regulamenta a lei do exercício profissional, no seu artigo 8º, diz: "o enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem, cabendo-lhe privativamente, entre outras atividades, o planejamento, a organização, a coordenação, a execução e a avaliação dos serviços de assistência de enfermagem" (KURCGANT et al., 1991). A mesma afirma que a administração da assistência de enfermagem tem como centro o paciente, é orientado para a assistência e envolve o planejamento, a direção, a supervisão e a avaliação das atividades desenvolvidas pela equipe de enfermagem, visando ao atendimento das necessidades dos pacientes. Por isso fazer a auditoria de enfermagem é difícil no que se refere ter quantidade e qualidade da assistência de enfermagem, buscando ainda reduzir custos e para tanto, assegurar uma assistência mínima onde se valoriza o improvisar, quebrar galho, fiscalizar e justificar insuficiências e erros. Para uma boa realização de auditoria e principalmente auditoria de enfermagem deve existir a flexibilidade da estrutura organizacional da instituição, podendo sofrer modificações nas normas e rotinas de acordo com as condições internas e externas que a influenciam. Isso implica naturalmente no uso constante de concepções inovadoras, mas que exige mudanças de valores, padrões e serviços. Mulhall et al. (1992), referiu que a qualidade da assistência de enfermagem não depende somente do conhecimento e habilidade prática, mas também da provisão e adequação dos materiais necessários para seu uso. 31 Portanto, na legislação da auditoria de enfermagem, no que se refere a custo-qualidade, custo-benefício poucos são os hospitais que tem empreendido uma análise. Crítica do real significado desse sinônimo e o que eles representam no gerenciamento de recursos materiais. Castilho e Leite (1991), relatou que os recursos materiais representam um custo da ordem de 30 a 45% das despesas das instituições de saúde. Sendo assim, o hospital deve restringir os gastos no que for possível, sem danos para o paciente e transmitir à equipe de enfermagem uma consciência do custo da assistência prestada a fim de conseguir o uso adequado de materiais e equipamentos, bem como evitar dependências por ser usuário de uma gama considerável dos mesmos, além de estar ligada diretamente a eles. A sistematização da assistência de enfermagem é fundamental na administração da assistência, pois, além de nortear a caracterização de recursos humanos e materiais, facilita a avaliação da assistência prestada, o que permite verificar o alcance dos padrões mínimos de assistência, oferecendo subsídios dos indicadores de custos e rendimentos, indicando também áreas que requeiram aprimoramento (KURCGANT et al., 1991). A mesma conclui que a mensuração da qualidade da assistência de enfermagem realizada através da auditoria pode auxiliar o encaminhamento para uma enfermagem científica a qual necessita de ações comprovadas que levem à constituição de um saber específico. A auditoria surge com a fase final do processo de planejamento da assistência de enfermagem. 32 2 HISTÓRIA DA AUDITORIA Pfaltzgroff (1975), conta que os primeiros indícios da existência das funções da auditoria ocorreram no Antigo Oriente, devido aos proprietários que confiavam seus bens a terceiros e mais tarde iriam conferir os rendimentos, praticando dessa forma funções de auditoria. Somente em meados do século XIII foi dado início à auditoria na Inglaterra, quando Eduardo I, em 1285, mencionou o termo auditor e disse que quando um proprietário dono de bens, contratasse uma determinada pessoa para verificar seus rendimentos e que se tais informações verificadas não condissessem com a realidade, seria motivo para punição dos infratores. Cruz (1997; Franco e Marra 1982) discordam do autor citado anteriormente no que diz respeito ao início da auditoria, mas concordam em dizer que ela iniciouse primeiramente na Inglaterra, devido às necessidades de confirmação dos registros contábeis, em virtude do aparecimento das grandes empresas e da taxação do imposto de renda, pois era a Inglaterra que na época dominava os mares e controlava o comércio mundial. Segundo Santi (1998), o nome do primeiro auditor permanecerá ignorado, pois a história da auditoria se perdeu no tempo. Supõe-se que a auditoria se estabeleceu como profissão distinta da atividade contábil quando utilizada para assessorar os especialistas e mercadores, transformando-se assim em consultor público liberal. Quanto ao aperfeiçoamento dos procedimentos de auditoria conhecidos, Pfaltzgroff (1975), diz que se deu por volta do século XVIII devido à revolução industrial, que aperfeiçoou a atividade econômica da Inglaterra. Sendo a Inglaterra o berço da moderna auditoria, foi então exportada para outros países, inclusive o Brasil, junto com seus investidores com o objetivo de 33 administrar construções de estradas de ferro e outros serviços de utilidade pública (SANTI, 1998). (Cruz, 1997; Franco e Marra 1982; Pfaltzgroff, 1975) concordam ao dizer que por volta de 1850 criaram-se as primeiras associações da classe dos auditores, para proteção dessa integridade e moral que havia sido denegrida, devido à negligência e incompetência de muitos profissionais. Sendo assim, só poderiam executar as funções de auditor os profissionais que estivessem habilitados legalmente nas associações de classe. O desenvolvimento econômico em todos os países do mundo vem exigindo cada vez mais utilização da auditoria em virtude de dois fatores principais _ crescimento das sociedades anônimas e taxação do imposto de renda (FRANCO e MARRA, 1982). Em 1580, na Itália, Camilo de Lellis passou a exigir que, dentre os documentos dos pacientes, constasse a prescrição médica individual, prescrição alimentar, passagem de plantão e relatórios de enfermagem em cada plantão. Em 1877, o Hospital Gera de Massachussets, nos Estados Unidos, começou a arquivar os documentos clínicos, organizando assim o Serviço de Arquivo Médico e Estatística e, em 1928 foi fundada a Associação Americana de Arquivo Médico (RIOLINO, 2003). Segundo a autora Motta (2008), a auditoria tem origem na área contábil, é a partir do século XII que passou a receber o nome de auditoria contratando na Inglaterra seu maior desenvolvimento. Com a Revolução Industrial no século XVII, a prática da auditoria recebe novas diretrizes, na busca de atender às necessidades das grandes empresas, tendo continuidade até nos nossos dias atuais. Em 1918 a auditoria surge no estudo realizado pelo médico George Gray Ward, nos Estados Unidos, no qual foi verificada a qualidade da assistência médica prestada ao paciente por meio dos registros em prontuário. (Kurcgant, 2000). 34 No ano de 1952, no Brasil, foi criada a Lei Alípio Correia Neto na qual era dever dos hospitais filantrópicos a documentação das histórias clínicas completas de todos os pacientes. No Brasil foi fundada em 18 de julho de 1966 a Associação Brasileira de Arquivo Médico e Estatístico (MEZZOMO, 2001). Em 1955 um dos primeiros trabalhos de auditoria em enfermagem desenvolvido no Hospital Progress nos Estados Unidos. A qualidade das ações de enfermagem vem influenciada por diversos fatores, como: formação do profissional, número de profissionais e auxiliares, mercado de trabalho e legislação específica vigente, política, estrutura e organização das instituições (KURCGANT, 2000). 2.1 HISTÓRIA DA AUDITORIA NO BRASIL Em agosto de 1960 a política de saúde do País estava a cargo das caixas de assistência e benefícios da saúde, que atendiam seus associados e dependentes agrupadas de acordo com a categoria profissional a que pertencia o trabalhador. Muitos ainda se lembram dos institutos IAPI, IAPTEC, IPASE, IAA, IAPB, etc. (FALK, 2001). Com a unificação dos institutos, para atender a demanda no campo da saúde, dois fatos novos surgiram: o primeiro ligado à necessidade da compra de serviços de terceiros, e o segundo, afeto à importância do atendimento à clientela, de maneira individualizada, por classe social e pelo direito de escolha do atendimento ( LOUVERDOS, 2000). A terceirização dos serviços de saúde levou o Governo, como órgão comprador, a adotar medidas analisadoras, controladoras e corregedoras, prevenindo o desperdiço, a cobrança indevida e a manutenção da qualidade dos 35 serviços oferecidos. Para garantir o programa proposto e a integridade do sistema em funcionamento, tornou-se necessário a criação de um quadro de pessoal habilitado em auditoria médica, surgindo assim, o corpo funcional de auditores da previdência social. (FALK, 2001) Segundo Louverdos (2000) a evolução da medicina e as imposições sociais levaram as profundas alterações no sistema de saúde do país para atender a crescente demanda do mercado, significava os planos de medicina de grupo, e, com estas, a maior necessidade de adequação dos serviços para acompanhar a revolução Médica Social. Na década de 70, houve o aparecimento da necessidade de um sistema de controle e avaliação da assistência médica, tanto por parte do INPS, quanto por parte do Sistema Supletivo. Esta necessidade deve-se ao fato de que começaram a surgir fraudes criminosas e outros desvios graves, com a evasão de recursos financeiros, tanto no sistema público quanto no suplementar. (LOUVERDOS, 2000) Cabe ressaltar, que antes do ano de 1976, as atividades de auditoria com base no então Instituto Nacional da Previdência Social (INPS) eram realizadas pelos supervisores, por meio de apuração de prontuários de clientes e contas hospitalares, porque nesta época não havia auditoria direta em hospitais. Neste mesmo ano, as contas hospitalares transformam-se em guia de internação hospitalar, ficando as atividades de auditoria estabelecidas como controle formal e técnico. Logo no de 1978, foi criada a Coordenadoria de Controle e Avaliação nas Capitais e o Serviço de Medicina Social nos municípios. Assim no ano de 1983, se reconhece o cargo de médico auditor, e a auditoria passa a ser feita nos próprios hospitais. E acontece no Brasil, o início de experiências isoladas com auditoria médica, com lista ao fornecimento de 36 informação para decisões administrativas e para o corpo clínico, realizada no hospital de Ipanema, no Rio de Janeiro. Quanto à auditoria na área de enfermagem, surgiu no hospital Universitário de São Paulo como um processo implantado desde 1983, com padrões estabelecidos para sustentar a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), com o mesmo objetivo ouros hospitais universitários implantaram na década de 80 o método avaliativo. Logo no ano de 1985, a demanda por serviços de saúde de qualidade, mobilizou tanto profissionais individualmente, quanto instituições. Um exemplo foi o documento a Organização Mundial de Saúde (OMS), quando foi estabelecido como meta a ser atingida: “Saúde para Todos”. Embora não concretizada, houve a proposta de estabelecer métodos de monitorização sistemática dos cuidados ministrados, visualizou-se a avaliação e o controle como componentes permanentes das atividades profissionais e institucionais. No ano de 1990, a lei nº. 8.080, estabelece a necessidade de criação do Sistema Nacional de Auditoria (SNA) como instrumento fiscalizados atribuindo a este uma coordenação da avaliação técnica e financeira do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o território nacional. O Decreto nº. 1651, de 28 de setembro de 1995, regulamenta o SNA, e define suas competências nos três níveis de gestão: Federal, Estadual e Municipal. E a lei nº. 9.649, de 27 de maio de 1991, define ainda as áreas de competência, como função legal a coordenação, fiscalização do SUS. A portaria do Ministério da Saúde (MS) nº. 169, do gabinete do ministro, de 19 de agosto de 1999, estabelece uma nova organização de atividades do SNA, são elas: as de controle e avaliação ficam com a Secretaria de Assistência a Saúde (SAS), e as atividades de auditoria com o Departamento Nacional de Auditoria do 37 SUS (DENASUS), representada em todos os estados da federação no distrito federal. No mês de dezembro de 1999, foi criada a Sociedade Brasileira em Enfermeiros Auditores em Saúde (SOBEAS), tendo como finalidade agregar profissionais de todo o país, sendo enfermeiros envolvido e/ou interessados em auditoria. No ano de 2000 (decreto nº. 3496) compete ao DENASUS, determinar as responsabilidades dos órgãos de auditoria, controlar e avaliar a correção de irregularidades praticadas no SUS, e ainda da assistência direta e imediata ao Gabinete do Ministro. Existe atualmente uma série de organizações que praticam a avaliação da qualidade da saúde em instituições de forma global, como exemplo: Organização Internacional para Padronização (ISO) e a Organização Nacional de Acreditação (ONA). Além de comissões internas que possibilitam a execução de avaliação, sendo esta a comissão da auditoria em enfermagem, responsável por atuar em vários hospitais. Desta forma, percebemos que no Brasil, a auditoria vem tomando impulso nos últimos cinqüenta anos, necessitando ainda de alguns arranjos que melhor se adaptem ao processo da nossa realidade. Segundo Albuquerque et. al (2008), em 1976, o Ministério da Previdência sistematizou a avaliação dos serviços médicos prestados, através da auditagem médica e administrativa das contas a serem pagas. O sistema Supletivo também trilhou o mesmo caminho, e na década de 80 tivemos a consolidação da Auditoria Médica como uma atividade necessária a todas as modalidades referência. Hoje os planos e seguro de saúde são os responsáveis por quase toda assistência à saúde do País, sendo importante para a manutenção do equilíbrio do sistema uma equipe multiprofissional de auditoria a análise dos serviços realizados, 38 tanto em ambulatório como em regime de internação hospitalar, seja em caráter eletivo, ou seja, em caráter urgência/emergência. Os profissionais da área de saúde, agrupados em equipe tem, portanto um papel fundamental no sistema e na política da saúde do País. As mais antigas práticas de auditoria que aconteciam no Brasil ocorriam no seio das civilizações indígenas e com todas as limitações e concepções em um estágio rudimentar e não convencional. Os povos indígenas adotavam a seu próprio modo uma forma para o controle do resultado das operações (CRUZ, 1997). O mesmo autor conta que há hipóteses de que o início da auditoria no Brasil se deu devido às primeiras expedições marítimas que aqui chegaram. (Cruz, 1997; Almeida, 1990), concordam em dizer que há possibilidades da auditoria no Brasil ter sido iniciada por empresas estrangeiras instaladas no país que estavam habituadas ao controle interno de suas operações, seguindo o exemplo dessas empresas, que os dirigentes nacionais mudaram seus hábitos gerenciais e passaram a adotar a nova técnica, que posteriormente seriam aperfeiçoadas e, em 1965, estabeleceuse a Lei n.º 4728, que obrigava a prática da auditoria governamental no Brasil. No relato de Santi (1988), nos conta que não se tem ao certo divulgações de pesquisas sobre os primórdios da auditoria no Brasil, talvez tendo ocorrido em 1903 com a publicação do primeiro parecer de auditoria. Segundo o mesmo, em 1909 já existia o registro de uma firma de auditoria no Rio de Janeiro, atualmente com o nome de Arthur Andersen S/C. A auditoria foi oficialmente reconhecida em 1968 em São Paulo com a formação dos Institutos dos Contadores Públicos do Brasil. As firmas de auditoria abriram escritórios no Brasil e sob a supervisão de auditores estrangeiros os brasileiros estavam desempenhando suas funções. 39 O fortalecimento da atividade de auditoria ocorreu em 1972 com a regulamentação do Conselho Federal de Contabilidade e a criação de um órgão para esses profissionais, o Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (SANTI, 1988). 40 3 METODOLOGIA Foi realizado em um primeiro momento o levantamento de dados através dos prontuários dos pacientes da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) conveniados de prestadoras como Unimed, Petrobras, Amil, Cassi antes de serem enviados às operadoras de saúde. Para esta coleta de dados, como proposta de controle das atividades da enfermagem pelo auditor, foi utilizada como instrumento uma Planilha, (APÊNDICE 1) contendo mês e ano, data, se o prontuário estava conforme (ou não), observação, ação, assinatura do enfermeiro responsável e o tempo gasto para as correções. A seguir, foram analisados os dados e mensurados os resultados. Optou-se para complementar o trabalho de pesquisa bibliográfica: todo o material recolhido foi submetido a uma triagem e um plano de leitura. Tratou-se de uma leitura atenta e sistemática que se fez acompanhar de anotações que serviram de fundamentação teórica do estudo. A pesquisa bibliográfica teve como objetivo conhecer as diferentes contribuições científicas disponíveis para determinado tema, uma vez que auxiliou na definição do problema, na fundamentação da justificativa da escolha do tema e na elaboração do relatório final. 3.1 DESCRIÇÃO DO LOCAL DE ESTUDO A pesquisa foi desenvolvida em uma instituição privada de assistência à saúde da cidade de Curitiba, abrangendo os meses de setembro de 2009 - fevereiro 41 de 2010 em uma UTI com 10 leitos tanto clínicos como cirúrgicos, tendo como objetivo prestar assistência integral à saúde constituindo-se num centro de alta complexidade e referência em neurologia e cardiologia clínica-cirúrgica. O quadro funcional da UTI era de 04 enfermeiros, 01 para cada turno e o quadro de funcionários técnicos de enfermagem num total de 24, sendo 06 funcionários em cada turno, tendo uma jornada de trabalho de 36 horas semanais. O enfermeiro coordenador da UTI realizava a função também de assistencialismo no período da manhã (06 horas) e o restante do seu horário como administrativo (02 horas), totalizando sua carga horária de 40 horas semanais. A auditoria de apenas 01 prontuário era realizada todos os dias de 2ª a 6ª feira menos aos sábados, domingos e feriados pelo Enfermeiro Coordenador. Após o término do mês o enfermeiro realizava o levantamento dos dados de quanto tempo e quais os motivos dispendidos nas respostas às auditorias, visto que a Instituição não possui um enfermeiro auditor para a realização deste trabalho. Para o desenvolvimento deste estudo foi utilizada a abordagem quantitativa de pesquisa, cuja análise foi feita de forma exploratória dos dados obtidos. Abordagem quantitativa caracteriza-se pela formulação de hipóteses, definições operacionais das variáveis, quantificação nas modalidades de coleta de dados e informações, utilização de tratamentos estatísticos. Amplamente utilizada, a abordagem quantitativa tem, em princípio, a intenção de garantir a precisão dos resultados, evitar distorções de análise e interpretação. 42 3.2 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS TABELA 1 – PRONTUÁRIOS ANALISADOS/CORRIGIDOS PELO ENFERMEIRO NAS RESPOSTAS ÀS AUDITORIAS PERÍODO/TOTAL NÚMERO DE PRONTUÁRIOS ANALISADOS AÇÃO CORRETIVA S 13 13 11 13 14 12 TEMPO (HORAS) N 09 08 11 10 07 08 PERCENTAGEM PRONTUÁRIOS ANALISADOS/CORRIGID OS (%) 59,9 61,9 50,0 56,5 66,6 60,0 Setembro/10 22 175 Outubro/10 21 208 Novembro/10 22 178 Dezembro/10 23 199 Janeiro/11 21 226 Fevereiro/11 20 182 6 TOTAL 110 prontuários 53 1168 76 69,9 meses FONTE: DADOS COLETADOS EM UM HOSPITAL DA REDE PRIVADA, CURITIBA-PR, 2010-2011 GRÁFICO 1 – PRONTUÁRIOS ANALISADOS/CORRIGIDOS RESPOSTAS ÀS AUDITORIAS 60,0% PELO ENFERMEIRO 59,9% 61,90% 66,6% 56,5% NAS set/10 out/10 nov/10 dez/10 jan/11 fev/11 50,0% FONTE: DADOS COLETADOS EM UM HOSPITAL DA REDE PRIVADA, CURITIBA-PR, 2010-2011 43 TABELA 2 – PRINCIPAIS MOTIVOS PELAS “EVENTUAIS GLOSAS” NOS PRONTUÁRIOS – COLETADAS ENTRE OS MESES DE SETEMBRO/2010-FEVEREIRO/2011 PRINCIPAIS MOTIVOS SET/10 OUT/10 NOV/10 DEZ10 JAN/11 FEV/11 TOTAL 1 -Falta de checagem 02 03 03 02 03 05 18 2 - Fa l ta e v ol ução e n fer mag em 02 01 02 03 02 01 11 3 - Prontuários desorganizados 02 02 02 02 02 01 11 4 - Falta prescrição médica 02 02 01 01 01 01 08 5 -Rasuras _ 02 01 01 02 02 08 6 - Falta evolução procedimentos invasivos 02 01 02 01 06 7 - Falta balanço hídrico _ 01 01 01 02 01 06 8 - Dados incompletos no balanço hídrico 01 01 01 02 05 9 - Anotação enfermagem 01 01 trocada 02 10 - Falta evolução 01 01 procedimentos médicos FONTE: DADOS COLETADOS EM UM HOSPITAL DA REDE PRIVADA, CURITIBA-PR, 2010-2011 GRÁFICO 2 – PRINCIPAIS MOTIVOS PELAS “EVENTUAIS GLOSAS” NOS PRONTUÁRIOS – COLETADAS ENTRE OS MESES DE SETEMBRO/2010-FEVEREIRO/2011 5 4 3 2 1 0 1 2 3 4 set/10 5 out/10 6 7 nov/10 8 dez/10 9 10 jan/11 fev/11 FONTE: DADOS COLETADOS EM UM HOSPITAL DA REDE PRIVADA, CURITIBA-PR, 2010-2011 44 Dentre as situações de falhas em evolução de enfermagem identificou-se que: - 11 ausências de evolução do dia de internação; - 18 não checagem de medicamentos em todos os turnos, especialmente durante os turnos manhã e tarde; - 11 desorganização de prontuários, especialmente nos finais de semana e feriados. Destaca-se aqui situações de documentos de pacientes em prontuários que não eram seus. Ou seja, troca de exames, balanço, evolução, prescrições anexadas em prontuários errados; - 08 rasuras nos horários de prescrição, ora checado, ora cancelado, de tal maneira que, não era compreensível se a medicação tinha sido administrada ou não. - 06 prontuários em anotação de balanço hídrico; -06 evoluções de procedimentos invasivos, tais como acesso central; swangganz, PICC entre outros. 3.3 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS De acordo com o meu objetivo de identificar o tempo e motivos dispendidos pelo enfermeiro evidenciando os principais tipos decorrentes do não registro de enfermagem contrapondo as eventuais glosas em uma Unidade de Terapia Intensiva de um hospital privado de pequeno porte na cidade de Curitiba através da coleta de dados elaborados na planilha no Programa Microsoft Excel sendo esta realizada no período de setembro de 2010 a Fevereiro de 2011 com um total de 110 prontuários atendidos num tempo gasto de 1168 horas e um total de 10 tipos de itens glosados. A rotina na Instituição estabelece que todos os prontuários de alta e óbitos na UTI tenham os prontuários revistos pela enfermeira da Unidade. Acrescente-se 45 que o faturamento recebe primeiramente os prontuários e os encaminha para UTI já com as anotações daqueles que precisam de ajustes. Elaborei 2 tabelas sendo a primeira o período de coleta de dados, o número de prontuários revisados, destes quantos precisavam de ação corretiva e quantos estavam corretos e o tempo gasto que a enfermagem deixa de prestar assistência para realizar as correções. Na segunda tabela descrevi os respectivos motivos pelas “eventuais glosas” como: • Falta evolução de enfermagem; • Falta de checagem; • Falta prescrição médica; • Falta evolução de procedimentos médicos; • Dados incompletos no balanço hídrico; • Falta evolução procedimentos invasivos; • Prontuários desorganizados; • Anotação de enfermagem trocada; • Falta balanço hídrico; • Rasuras. Na tabela 1 vimos que no mês de Dezembro o número de prontuários corrigidos foi de 23, sendo que somente 13 precisaram de ação corretiva num tempo gasto de 199 horas. Já no mês de Janeiro o número de prontuários corrigidos foi de 21, sendo que somente 14 precisaram de ação corretiva, sendo que neste mês foi o maior tempo gasto pelo enfermeiro para realizar as correções 226 horas. 46 Já no mês de setembro o número de prontuários foi quase o mesmo, a ação corretiva a mesma, mas o tempo gasto foi menor: 175 horas. Na tabela 2 o que chama a atenção é que dos 110 prontuários analisados, em 11 faltam solução da enfermagem (10 %) e 18 falta checagem (61,1%) e apenas em 1 prontuário falta evolução de procedimentos médicos. Estes desacertos que vêm ocorrendo, é na maioria das vezes, a enfermagem atuando com certa desatenção nas anotações. As anotações de enfermagem são incompletas, não dando a informação necessária e gerando dúvidas sobre o tratamento realizado, basta que a instituição possua o prontuário eletrônico. Salvo em alguns casos onde o sistema é inoperante por alguns minutos, horas ou dias, traduzindo em informações não disponíveis. Observamos também que em todos os meses faltou prescrição médica; nos meses de outubro e fevereiro não houve erro quanto aos dados incompletos no balanço hídrico como: falta SSVV (sinais vitais), oferta de líquidos via oral ou via sonda enteral e ou nasogástrica, planos de soroterapia. Já nos meses de novembro – janeiro / 2011 não houve erro quanto a falta evolução de procedimentos invasivos como acesso central, PICC (pressão intracraniana) cateter SWAN-G'ANZS, cateter diálise, passagem sonda nasogástrica enteral e vesical. Observei durante o estudo que os prontuários desorganizados aconteciam mais nos finais de semana e feriados, visto que o enfermeiro administrativo não se encontrava no setor devido sua carga horária, sendo que o quadro dos prontuários era realizado nas segundas-feiras. Já nos meses de setembro e outubro as anotações enfermagem trocadas ocorreu no período noturno e as rasuras ocorreram em todos os turnos. 47 É importante destacar que as anotações não abrangem toda a prática assistencial da enfermagem, mas é por meio das informações registradas que as ações criativas são evidenciadas, possibilitando a avaliação dos procedimentos assistenciais por meio de auditoria. Dentre o tempo dispendido pela enfermeira na correção de prontuários somam-se 76 ações para completar ou corrigir dados da enfermagem. Destaca-se que não é somente uma ação de correção, mas de busca para completar ou corrigir corretamente. Ou seja, buscar por recursos diversos para tomar ciência do que havia acontecido no plantão para depois fazer as devidas anotações nos prontuários. Nesta busca foi necessário recorrer aos registros dos médicos; contatos com a farmácia que fornece os medicamentos e materiais; discussões com a equipe de enfermagem; recorrer à colega supervisora de fim de semana e dos termos. Considera-se que tais atividades dispenderam um total de 1168 horas que divididos em 6 meses, correspondem a 195 horas/mês. A enfermeira que realizava esta ação corretiva dos prontuários, tinha 48 horas semanais. Isso se configura numa demanda de quase 85% de seu tempo em correção de prontuários. Em relação de correções de procedimentos médicos somou-se 9 ações, às quais a enfermeira tinha como responsabilidade fazer contato com estes profissionais para o complemento de anotações. Esta era uma tarefa difícil pois houve situações em que o prontuário ficou dias na unidade por dificuldade do médico em preenchê-lo. 48 CONCLUSÃO Na área da saúde, a auditoria consiste na análise crítica e sistemática da assistência prestada, comparando-a com padrões de atendimento e utilização de recursos considerados de excelência. O perfil do enfermeiro para atuar nesta área deverá ser de alguém sistemático, ético, detalhista, com bom nível de atenção e de memória, capacidade de liderança, gosto por desafios e capacidade de se comunicar; além de atuar em educação continuada em serviço, na emissão de relatórios e indicadores mensais de identificação do número de glosas e eventuais intercorrências detectadas. Com a evolução da assistência à saúde, a elevação de custos e a busca da qualidade dos serviços, percebem-se o desenvolvimento do enfermeiro na área de auditoria, pois ele e o profissional mais envolvido em tal assistência. A auditoria de enfermagem vem tomando novas dimensões ao longo dos anos e mostrando sua importância dentro das instituições hospitalares e no sistema saúde suplementar. A partir desta nova abordagem, as instituições de saúde começaram a constatar a necessidade de diminuir perdas, reduzir custos e extirpar desperdícios. Os enfermeiros vêm assumindo um novo papel e tendo novas oportunidades no sistema de saúde relacionado à administração dos serviços. Esta é uma realidade em se tratando de alguns hospitais aonde o enfermeiro vem progressivamente ocupando cargos nas áreas de autorização, revisão de contas médico-hospitalares, faturamento, entre outras. Com isso surge a necessidade da aquisição de conhecimento inicialmente fundamentais sobre auditoria e as leis que a regulamentam; reduzindo custos e aumentando a qualidade dos serviços prestados. 49 A guisa de finalização vale dizer que todas as informações atinentes às ações e observações cumpridas pela equipe de enfermagem, são registradas para gerencial a assistência e avaliar a qualidade do atendimento ao paciente. Tendo as auditorias externas provenientes dos convênios de saúde os as interno da própria instituição, que visa apurar a desatenção na assistência e assim reavaliar as contas que são detectadas freqüentemente a ausência de dados fundamentais para o esclarecimento de ações realizadas, bem como a falta de registros. Ressalta-se que a anotação de enfermagem não deve ser encarada como um simples cumprimento de norma burocrática, possível de esquecimento, é preciso que se tenha a noção de sua real importância e das implicações decorrentes do não preenchimento correto deste documento. Desta feita conclui que é de interesse de toda a equipe multidisciplinar que o prontuário esteja com o preenchimento correto, pois o mesmo é obrigatório, quando a informação entre a equipe multidisciplinar, sendo um documento na eventualidade de um litígio entre as partes e diante dos procedimentos que não comprovados ou feitos dificilmente, repercutem em glosas e a instituição tem efeitos diretos no financeiro. O quantitativo de profissional muitas vezes, não é suficiente para a execução de da forma completa das ações pertinentes a equipe de enfermagem cabendo a empresa atentar-se se mais vale a pena ter poucos profissionais e assim acarretar em futuras glosas ou se no lugar contratar mis profissionais, seria a solução. Sendo assim, acredito na necessidade de avaliação por parte dos enfermeiros, de com estão sendo realizados os registros, tendo uma visão crítica e propositora de sua atuação, pois devemos desempenhar as atividades, ficando sempre na qualidade da assistência administrativamente gerenciando sua equipe. prestada aos pacientes e aturar 50 Neste estudo observei que os enfermeiros passem a auditar como estão os registros de sua equipe fazendo um planejamento das atividades, visando a educação continuada, realizando treinamento sistematizado, capacitando sua equipe para a valorização das anotações sendo esta um indicador de qualidade dos cuidados restado ao cliente e de uma questão eficaz. É indispensável neste processo o pleno conhecimento da equipe, a padronização do processo de trabalho com protocolo, a capacitação continua e sistematizada, reflexão sobre o conteúdo das informações e dos impressos para anotação. Cabe também salientar a importância do compromisso, da responsabilidade, da competência técnico-científica e o resgate do trabalho da enfermagem expresso nas anotações acerca da assistência prestada. Diante do exposto, espero que este estudo possa contribuir no sentido de proporcionar uma maior reflexão dos profissionais de enfermagem, quanto à importância de seus registros e na trajetória a de disseminação como exercício fundamental e aumento do conhecimento diante deste importante contexto e assim colaborar para a linha de pesquisa do ensino permanente e da qualidade na assistência. 51 REFERÊNCIAS ALBUQUERQUE, C.; PIOVESAN, et. Al. A situação atual do mercado da saúde suplementar no Brasil e apontamentos para o futuro. Ciência e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro. v. 13, n. 5, p. 1421-30, set./out., 2008. ALMEIDA, M. C. Auditoria: um curso moderno e completo. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 1996. Apostila da ESPMT - Saúde do adulto, idoso e do trabalhador, 2002. ATTIE, W. 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Disponível em http://www.portaleducacao.com.br/enfermagem/artigos/1735/decreto-n-94406-87regulamentacao-da-lei-n-7498-86 Acesso em 02 mar. 2011 RIOLINO, A. N.; KLIUKAS, G.B.V. Relato de experiência de enfermeiros no campo de auditoria de prontuário: uma ação inovadora. Nursing 65 (6); 35-8; out. 2003. SÁ, A.L. Auditoria Básica. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1994. _______ Curso de Auditor. 8ª ed. São Paulo: Atlas, 1998. SANTI, P. A. Introdução à auditoria. São Paulo: Atlas, 1998 SETZ , V. G.; DINNOCENZO, M. Avaliação da qualidade dos registros de enfermagem no prontuário por meio da auditoria. Disponível em < http://www.scielo.br/pdf/ape/v22n3/a12v22n3.pdf> Acesso em 13 dez 2010. SCARPARO, A. F. Auditoria em enfermagem: revisão de literatura. SENAC, 2007. 80(8): 46-50, jan. 2005. SOBEAS – SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENFERMEIROS AUDITORES EM SAÚDE. Disponível em http://www.sobeas.org.br Acesso em 03 mar. 2011. SOUZA, D.A; FONSECA, A.S. Auditoria em enfermagem: visão das enfermeiras do município de São Paulo. V.8, n. 84, p. 8. São Paulo: Nursing, 2005. 54 APÊNDICE 1 MODELO PLANILHA - AUDITORIA INTERNA DE PRONTUÁRIOS 55 AUDITORIA INTERNA DE PRONTUÁRIOS Mês DATA Ano C N OBSERVÇAO C C: Conforme NC: Não Conforme FONTE: ELABORAÇÃO PRÓPRIA, 2010 AÇÃO RESPONSÁVEL 56 ANEXO 1 ATIVIDADES DO ENFERMEIRO AUDITOR RESOLUÇÃO - COFEN - NR. 266/2002 1 1 FONTE: POSSARI, J. Auditoria de Enfermagem. Pátria, 2005. 57 RESOLUÇÃO - COFEN - NR. 266/2002 I- É da competência privativa do Enfermeiro Auditor no Exercício de suas atividades: Organizar, dirigir, planejar, coordenar e avaliar, prestar consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre os serviços de Auditoria de Enfermagem. II- Quanto integrante de equipe de Auditoria em Saúde: a) Atuar no planejamento, execução e avaliação da programação de saúde; b) Atuar na elaboração, execução e avaliação dos planos assistenciais de saúde; c) Atuar na elaboração de medidas de prevenção e controle sistemático de danos que possam ser causados aos pacientes durante a assistência de enfermagem; d) Atuar na construção de programas e atividades que visem a assistência integral à saúde individual e de grupos específicos, particularmente daqueles prioritários e de alto risco; e) Atuar na elaboração de programas e atividades da educação sanitária, visando a melhoria da saúde do indivíduo, da família e da população em geral; f) Atuar na elaboração de Contratos e Adendos que dizem respeito à assistência de Enfermagem e de competência do mesmo; g) Atuar em bancas examinadoras, em matérias específicas de Enfermagem, nos concursos para provimentos de cargo ou contratação de Enfermeiro ou pessoal Técnico de Enfermagem, em especial Enfermeiro Auditor, bem como de provas e títulos de especialização em Auditoria de Enfermagem, devendo possuir o título de Especialização em Auditoria de Enfermagem; h) Atuar em todas as atividades de competência do Enfermeiro e Enfermeiro Auditor, de conformidade com o previsto nas Leis do Exercício da Enfermagem e Legislação pertinente; i) O Enfermeiro Auditor deverá estar regularmente J) O Enfermeiro Auditor, quando da constituição de Empresa Prestadora de Serviço de Auditoria e afins, deverá registrá-la no COREN da jurisdição onde se estabelece e se identificar no COREN da jurisdição fora do seu Foro de origem, quando na prestação de serviço; k) O Enfermeiro Auditor, em sua função, deverá identificar-se fazendo constar o número de registro no COREN sem, contudo, interferir nos registros do prontuário do paciente; 58 l) O Enfermeiro Auditor, segundo a autonomia legal conferida pela Lei e Decretos que tratam do Exercício Profissional de Enfermagem, para exercer sua função não depende da presença de outro profissional; m) O Enfermeiro Auditor tem autonomia em exercer suas atividades sem depender de prévia autorização por parte de outro membro auditor, Enfermeiro, ou multiprofissional; n) O Enfermeiro Auditor para desempenhar corretamente seu papel, tem o direito de acessar os contratos e adendos pertinentes à Instituição a ser auditada; o) O Enfermeiro Auditor, para executar suas funções de Auditoria, tem o direito de acesso ao prontuário do paciente e toda documentação que se fizer necessário; p) O Enfermeiro Auditor, no cumprimento de sua função, tem o direito de visitar/entrevistar o paciente, com o objetivo de constatar a satisfação do mesmo com o serviço de Enfermagem prestado, bem como a qualidade. Se necessário acompanhar os procedimentos prestados no sentido de dirimir quaisquer dúvidas que possam interferir no seu relatório. III- Considerando a interface do serviço de Enfermagem com os diversos serviços, fica livre a conferência da qualidade dos mesmos no sentido de coibir o prejuízo relativo à assistência de Enfermagem, devendo o Enfermeiro Auditor registrar em relatório tal fato e sinalizar aos seus pares auditores, pertinentes à área específica, descaracterizando sua omissão. IV- O Enfermeiro Auditor, no exercício de sua função, tem o direito de solicitar esclarecimento sobre fato que interfira na clareza e objetividade dos registros, com fim de se coibir interpretação equivocada que possa gerar glosas/desconformidades, infundadas. V- O Enfermeiro, na função de auditor, tem o direito de acessar, in loco toda a documentação necessária, sendo-lhe vedada a retirada dos prontuários ou cópias da instituição, podendo, se necessário, examinar o paciente, desde que devidamente autorizado pelo mesmo, quando possível, ou por seu representante legal. Havendo identificação de indícios de irregularidades no atendimento do cliente, cuja comprovação necessite de análise do prontuário do paciente, é permitida a retirada de cópias exclusivamente para fins de instrução de auditoria. VI- O Enfermeiro Auditor, quando no exercício de suas funções, deve ter visão holística, como qualidade de gestão, qualidade de assistência e quântico- 59 econômico-financeiro, tendo sempre em vista o bem estar do ser humano enquanto paciente/cliente. VII- Sob o Prisma Ético. a) O Enfermeiro Auditor, no exercício de sua função, deve fazê-lo com clareza, lisura, sempre fundamentado em princípios Constitucional, Legal, Técnico e Ético; b) O Enfermeiro Auditor, como educador, deverá participar da interação interdisciplinar e multiprofissional, contribuindo para o bom entendimento e desenvolvimento da Auditoria de Enfermagem, e Auditoria em Geral, contudo, sem delegar ou repassar o que é privativo do Enfermeiro Auditor; c) O Enfermeiro Auditor, quando integrante de equipe multiprofissional, deve preservar sua autonomia, liberdade de trabalho, o sigilo profissional, bem como respeitar autonomia, liberdade de trabalho dos membros da equipe, respeitando a privacidade, o sigilo profissional, salvo os casos previstos em lei, que objetive a garantia do bem estar do ser humano e a preservação da vida; d) O Enfermeiro Auditor, quando em sua função, deve sempre respeitar os princípios Profissionais, Legais e Éticos no cumprimento com o seu dever; e) A Competência do Enfermeiro Auditor abrange todos os níveis onde há a presença da atuação de Profissionais de Enfermagem; VIII- Havendo registro no Conselho Federal de Enfermagem de Sociedade de Auditoria em Enfermagem de caráter Nacional, as demais Organizações Regionais deverão seguir o princípio Estatutário e Regimental da Sociedade Nacional. IX- Os casos omissos serão resolvidos pelo Conselho Federal de Enfermagem. 60 ANEXO 2 REGULAMENTAÇÃO DA LEI NR. 7498/86 DE 25 JUNHO DE 1986 2 2 Disponível em http://www.portaleducacao.com.br/enfermagem/artigos/1735/decreto-n-94406-87regulamentacao-da-lei-n-7498-86 Acesso em 02 mar. 2011 61 REGULAMENTAÇÃO DA LEI 7498/86 DE 25 DE JUNHO DE 1986 DECRETO Nº. 94.406, DE 08 DE JUNHO DE 1987 REGULAMENTA A LEI Nº. 7.498, DE 25 DE JUNHO DE 1986, QUE DISPÕE SOBRE O EXERCÍCIO DA ENFERMAGEM, E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS. O Presidente da República, usando das atribuições que lhe confere o Art. 81, item III, da Constituição, e tendo em vista o disposto no Art. 25 da Lei nº. 7.498, de 25 de junho de 1986, DECRETA: Art. 1º - O exercício da atividade de Enfermagem, observadas as disposições da Lei nº. 7.498, de 25 de junho de 1986, e respeitados os graus de habilitação, é privativo de Enfermeiro, Técnico de Enfermagem, Auxiliar de Enfermagem e Parteiro e só será permitido ao profissional inscrito no Conselho Regional de Enfermagem da respectiva região. Art. 2º - As instituições e serviços de saúde incluirão a atividade de Enfermagem no seu planejamento e programação. Art. 3º - A prescrição da assistência de Enfermagem é parte integrante do programa de Enfermagem. Art. 4º - São Enfermeiros: I - o titular do diploma de Enfermeiro conferido por instituição de ensino, nos termos da lei; II - o titular do diploma ou certificado de Obstetriz ou de Enfermeira Obstétrica, conferidos nos termos da lei; III - o titular do diploma ou certificado de Enfermeira e a titular do diploma ou certificado de Enfermeira Obstétrica ou de Obstetriz, ou equivalente, conferido por escola estrangeira segundo as respectivas leis, registrado em virtude de acordo de intercâmbio cultural ou revalidado no Brasil como diploma de Enfermeiro, de Enfermeira Obstétrica ou de Obstetriz; IV - aqueles que, não abrangidos pelos incisos anteriores, obtiveram título de Enfermeira conforme o disposto na letra d do Art. 3º. do Decreto-lei Decreto nº 50.387, de 28 de março de 1961. Art. 5º. São técnicos de Enfermagem: I - o titular do diploma ou do certificado de técnico de Enfermagem, expedido de acordo com a legislação e registrado no órgão competente; 62 II - o titular do diploma ou do certificado legalmente conferido por escola ou curso estrangeiro, registrado em virtude de acordo de intercâmbio cultural ou revalidado no Brasil como diploma de técnico de Enfermagem. Art. 6º São Auxiliares de Enfermagem: I - o titular do certificado de Auxiliar de Enfermagem conferido por instituição de ensino, nos termos da Lei e registrado no órgão competente; II - o titular do diploma a que se refere a Lei nº. 2.822, de 14 de junho de 1956; III - o titular do diploma ou certificado a que se refere o item III do Art. 2º. da Lei nº. 2.604, de 17 de setembro de1955, expedido até a publicação da Lei nº. 4.024, de 20 de dezembro de 1961; IV - o titular de certificado de Enfermeiro Prático ou Prático de Enfermagem, expedido até 1964 pelo Serviço Nacional de Fiscalização da Medicina e Farmácia, do Ministério da Saúde, ou por órgão congênere da Secretaria de Saúde nas Unidades da Federação, nos termos do Decreto-lei nº. 23.774, de 22 de janeiro de 1934, do Decreto-lei nº. 8.778, de 22 de janeiro de 1946, e da Lei nº. 3.640, de 10 de outubro de 1959; V - o pessoal enquadrado como Auxiliar de Enfermagem, nos termos do Decreto-lei nº. 299, de 28 de fevereiro de 1967; VI - o titular do diploma ou certificado conferido por escola ou curso estrangeiro, segundo as leis do país, registrado em virtude de acordo de intercâmbio cultural ou revalidado no Brasil como certificado de Auxiliar de Enfermagem. Art. 7º - São Parteiros: I - o titular de certificado previsto no Art. 1º do nº. 8.778, de 22 de janeiro de 1946, observado o disposto na Lei nº. 3.640, de 10 de outubro de 1959; II - o titular do diploma ou certificado de Parteiro, ou equivalente, conferido por escola ou curso estrangeiro, segundo as respectivas leis, registrado em virtude de intercâmbio cultural ou revalidado no Brasil, até 26 de junho de1988, como certificado de Parteiro. Art. 8º - Ao enfermeiro incumbe: I - privativamente: a) direção do órgão de Enfermagem integrante da estrutura básica da instituição de saúde, pública ou privada, e chefia de serviço e de unidade de Enfermagem; b) organização e direção dos serviços de Enfermagem e de suas atividades técnicas e auxiliares nas empresas prestadoras desses serviços; 63 c) planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços da assistência de Enfermagem; d) consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria de Enfermagem; e) consulta de Enfermagem; f) prescrição da assistência de Enfermagem; g) cuidados diretos de Enfermagem a pacientes graves com risco de vida; h) cuidados de Enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos científicos adequados e capacidade de tomar decisões imediatas; II - como integrante da equipe de saúde: a) participação no planejamento, execução e avaliação da programação de saúde; b) participação na elaboração, execução e avaliação dos planos assistenciais de saúde; c) prescrição de medicamentos previamente estabelecidos em programas de saúde pública e em rotina aprovada pela instituição de saúde; d) participação em projetos de construção ou reforma de unidades de internação; e) prevenção e controle sistemático da infecção hospitalar, inclusive como membro das respectivas comissões; f) participação na elaboração de medidas de prevenção e controle sistemático de danos que possam ser causados aos pacientes durante a assistência de Enfermagem; g) participação na prevenção e controle das doenças transmissíveis em geral e nos programas de vigilância epidemiológica; h) prestação de assistência de enfermagem à gestante, parturiente, puérpera e ao recém-nascido; i) participação nos programas e nas atividades de assistência integral à saúde individual e de grupos específicos, particularmente daqueles prioritários e de alto risco; j) acompanhamento da evolução e do trabalho de parto; l) execução e assistência obstétrica em situação de emergência e execução do parto sem distocia; m) participação em programas e atividades de educação sanitária, visando à melhoria de saúde do indivíduo, da família e da população em geral; n) participação nos programas de treinamento e aprimoramento de pessoal de saúde, particularmente nos programas de educação continuada; 64 o) participação nos programas de higiene e segurança do trabalho e de prevenção de acidentes e de doenças profissionais e do trabalho; p) participação na elaboração e na operacionalização do sistema de referência e contra-referência do paciente nos diferentes níveis de atenção à saúde; q) participação no desenvolvimento de tecnologia apropriada à assistência de saúde; r) participação em bancas examinadoras, em matérias específicas de Enfermagem, nos concursos para provimento de cargo ou contratação de Enfermeiro ou pessoal Técnico e Auxiliar de Enfermagem. Art. 9º - Às profissionais titulares de diploma ou certificados de Obstetriz ou de Enfermeira Obstétrica, além das atividades de que trata o artigo precedente, incumbe: I - prestação de assistência à parturiente e ao parto normal; II - identificação das distócias obstétricas e tomada de providências até a chegada do médico; III - realização de episiotomia e episiorrafia com aplicação de anestesia local, quando necessária. Art. 10 - O Técnico de Enfermagem exerce as atividades auxiliares, de nível médio técnico, atribuídas à equipe de Enfermagem, cabendo-lhe: I - assistir ao Enfermeiro: a) no planejamento, programação, orientação e supervisão das atividades de assistência de Enfermagem; b) na prestação de cuidados diretos de Enfermagem a pacientes em estado grave; c) na prevenção e controle das doenças transmissíveis em geral em programas de vigilância epidemiológica; d) na prevenção e controle sistemático da infecção hospitalar; e) na prevenção e controle sistemático de danos físicos que possam ser causados a pacientes durante a assistência de saúde; f) na execução dos programas referidos nas letras i e o do item II do Art. 8º. II - executar atividades de assistência de Enfermagem, excetuadas as privativas do Enfermeiro e as referidas no Art. 9º deste Decreto: III - integrar a equipe de saúde. Art. 11 - O Auxiliar de Enfermagem executa as atividades auxiliares, de nível médio atribuídas à equipe de Enfermagem, cabendo-lhe: I - preparar o paciente para consultas, exames e tratamentos; 65 II - observar, reconhecer e descrever sinais e sintomas, ao nível de sua qualificação; III - executar tratamentos especificamente prescritos, ou de rotina, além de outras atividades de Enfermagem, tais como: a)ministrar medicamentos por via oral e parenteral; b)realizar controle hídrico c)fazer curativos; d) aplicar oxigenoterapia, nebulização, enteroclisma, enema e calor ou frio; e) executar tarefas referentes à conservação e aplicação de vacinas; f) efetuar o controle de pacientes e de comunicantes em doenças transmissíveis; g) realizar testes e proceder à sua leitura, para subsídio de diagnóstico; h) colher material para exames laboratoriais; i) prestar cuidados de Enfermagem pré e pós-operatórios; j) circular em sala de cirurgia e, se necessário, instrumentar; l) executar atividades de desinfecção e esterilização; IV - prestar cuidados de higiene e conforto ao paciente e zelar por sua segurança, inclusive: a) alimentá-lo ou auxiliá-lo a alimentar-se; b) zelar pela limpeza e ordem do material, de equipamentos e de dependência de unidades de saúde; V - integrar a equipe de saúde; VI - participar de atividades de educação em saúde, inclusive: a) orientar os pacientes na pós-consulta, quanto ao cumprimento das prescrições de Enfermagem e médicas; b) auxiliar o Enfermeiro e o Técnico de Enfermagem na execução dos programas de educação para a saúde; VII - executar os trabalhos de rotina vinculados à alta de pacientes: VIII - participar dos procedimentos pós-morte. Art. 12 - Ao Parteiro incumbe: I - prestar cuidados à gestante e à parturiente; II - assistir ao parto normal, inclusive em domicílio; e III - cuidar da puérpera e do recém-nascido. Parágrafo único - As atividades de que trata este artigo são exercidas sob supervisão de Enfermeiro Obstetra, quando realizadas em instituições de saúde, e, 66 sempre que possível, sob controle e supervisão de unidade de saúde, quando realizadas em domicílio ou onde se fizerem necessárias. Art. 13 - As atividades relacionadas nos arts. 10 e 11 somente poderão ser exercidas sob supervisão, orientação e direção de Enfermeiro. Art. 14 - Incumbe a todo o pessoal de Enfermagem: I - cumprir e fazer cumprir o Código de Deontologia da Enfermagem; II - quando for o caso, anotar no prontuário do paciente as atividades da assistência de Enfermagem, para fins estatísticos; Art. 15 - Na administração pública direta e indireta, federal, estadual, municipal, do Distrito Federal e dos Territórios será exigida como condição essencial para provimento de cargos e funções e contratação de pessoal de Enfermagem, de todos os graus, a prova de inscrição no Conselho Regional de Enfermagem da respectiva região. Parágrafo único - Os órgãos e entidades compreendidos neste artigo promoverão, em articulação com o Conselho Federal de Enfermagem, as medidas necessárias à adaptação das situações já existentes com as disposições deste Decreto, respeitados os direitos adquiridos quanto a vencimentos e salários. Art. 16 - Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Art. 17 - Revogam-se as disposições em contrário. Brasília, 08 de junho de 1987, 166º da Independência e 99º da República. JOSÉ SARNEY Eros Antonio de Almeida Publicado no DOU de 09.06.87 Seção I - fls. 8.853 a 8.855