DETERMINANTES DOS HONORÁRIOS DE AUDITORIA: UM ESTUDO NAS EMPRESAS LISTADAS NA BMF&BOVESPA, BRASIL Autoria: Walther Bottaro de Lima Castro, Ivam Ricardo Peleias, Glauco Peres da Silva RESUMO Foram analisados os determinantes dos honorários de auditoria pagos por empresas listadas na BMF&BOVESPA. Análise de regressão múltipla com dados de 2012 obtidos junto à CVM. Relação positiva entre honorários, porte, complexidade do cliente e auditores Big N. Risco percebido pelo auditor, nível de governança e a troca do auditor apontaram diferenças por tamanho dos clientes. Risco apresenta resultados pelo porte da empresa e forma de cálculo: positivo e significativo para clientes maiores, medido pela liquidez; negativo para clientes menores, medido pela alavancagem. Clientes menores e com melhores práticas de governança e clientes maiores pagam menos na primeira auditoria. 1 1 INTRODUÇÃO A supervisão do desempenho e a asseguração da responsabilidade na gestão são essenciais na governança corporativa. A auditoria externa, cujo segmento de mercado para serviços profissionais é concentrado, é um instrumento importante para a manutenção de bons níveis de governança. Nos anos 1980 e 1990, as firmas de auditoria externa (doravante firmas) passaram por megafusões que reduziram o número de grandes firmas de oito - Big 8 para cinco – Big 5 - (ABIDIN; BEATTIE; GOODCARE, 2008). Somados aos escândalos contábeis havidos nos anos 2000, dentre os quais o da Enron, que levou ao fechamento da Arthur Andersen, as últimas décadas presenciaram a consolidação do segmento em torno das atuais Big 4 (doravante Big N). Esta concentração acentua ainda mais o valor atribuído à qualidade da informação contábil. O caso Enron revela que a reputação das firmas possui estreita ligação com a auditoria independente por elas realizada. A auditoria tem valor na medida em que os investidores e o mercado creem que o auditor é independente e reportará distorções relevantes na empresa auditada, reduzindo os gastos com comportamentos oportunistas dos gestores (custos de agências) (WATTS; ZIMMERMAM, 1983). A concentração do segmento de auditoria prejudica a competitividade e reduz as opções das empresas auditadas. Esta concentração, os escândalos contábeis e a importância da auditoria para a governança corporativa, trazem à luz as questões da independência profissional e da determinação dos honorários dos auditores externos (doravante honorários). Estudos sobre a determinação dos honorários ocorrem desde 1980 (SIMUNIC, 1980), com ênfase nos países de língua inglesa. Alguns apontam convergência no sentido de que o tamanho e complexidade dos clientes são os principais determinantes dos honorários cobrados pelos auditores. Outros apontam que o mercado paga maiores valores para as grandes do setor (PALMROSE, 1986; THINGGAARD; KIERTZNER, 2008), talvez devido à reputação das firmas e à concentração de mercado. Este campo de pesquisa ainda é embrionário no Brasil e pouco se estudou sobre os determinantes dos honorários das firmas aqui existentes. A BMF&BOVESPA é o lócus natural de pesquisa, por conta das exigências que as empresas que negociam suas ações devem atender. Assim, busca-se responder a seguinte questão: quais são os determinantes dos honorários de auditoria pagos por empresas listadas na BMF&BOVESPA em 2012? A obrigatoriedade de divulgação dos honorários existe no Brasil desde o ano base de 2009, não tendo sido localizadas pesquisas em outros anos. Assim, a contribuição e a relevância acadêmica deste trabalho se dão pela análise dos determinantes dos honorários de auditoria no contexto brasileiro, com o estudo de uma nova data base e pela inserção de novas variáveis: risco representado por prejuízos e liquidez, segmento, troca do auditor e análise individual de cada grande firma, ainda não observadas no contexto brasileiro. Pretende-se contribuir também para o mercado no que diz respeito ao entendimento de como são formados os honorários, fornecendo informações para negociação entre as firmas e seus clientes. Os resultados obtidos podem encorajar as empresas auditadas a buscarem novas opções de auditores, aumentando a competitividade do segmento e o desenvolvimento de novas firmas. O objetivo geral foi analisar os determinantes dos honorários de auditoria pagos por empresas listadas na BMF&BOVESPA em 2012. Os objetivos específicos foram: apresentar e verificar se as características da empresa auditada (tamanho e relevância, complexidade, risco, segmento e perfil de governança corporativa) são significativas e influenciam os honorários; descrever a participação do mercado das firmas em relação a quantidade de Companhias abertas e valores cobrados de honorários; analisar a existência de diferenças entre os honorários cobrados pelas diferentes firmas e na mudança de auditor. 2 REVISÃO DA LITERATURA 2 2.1 Honorários de auditoria A fixação dos honorários é um assunto delicado, no qual a ética profissional e o interesse da auditoria não permitem que os valores sejam orçados excessivamente altos ou demasiadamente baixos. Franco e Marra (2001) sugerem que a melhor forma de cobrar os honorários, para os clientes, seria por um valor fixo e invariável. Isto poderia ocasionar honorários excessivamente altos, prejudicando o cliente, ou demasiadamente baixos, prejudicando o auditor, pois os valores são orçados levando em consideração as horas ou dias para execução. A Norma Brasileira de Contabilidade (NBC) P1, aprovada pela Resolução CFC nº 976/2003, estabelece aspectos e critérios que o auditor deve considerar ao orçar os honorários. A Resolução prescreve que o auditor deve ser independente, não podendo deixar-se influenciar por fatores estranhos, preconceitos ou outros elementos materiais ou afetivos que resultem perda efetiva ou aparente de sua independência. Os fatores descritos pela NBC P1 visam orientar e estabelecer critérios gerais para determinar os honorários. A análise revela a correlação entre alguns fatores, como no caso dos custos dos serviços, das horas estimadas e da dificuldade de estabelecer métricas ou proxies que permitam o estudo de outros fatores, como a qualificação técnica dos profissionais que executarão os serviços. Fatores relativos ao risco do trabalho e níveis de governança corporativa não constam no texto da norma, mas afetam o custo dos serviços a executar e o número de horas estimadas. Devido ao descrito nos dois parágrafos anteriores e, para alinhar os fatores descritos pela NBC P1 com os estudos anteriores, os fatores que afetam a determinação dos honorários foram divididos em dois grupos: globais e específicos. Os globais abrangem o "Custo dos Serviços e Horas estimadas", alcançando boa parte dos determinantes listados na NBC P1, e o fator "Oportunidades de Mercado", que engloba os fatores não relacionados ao custo e extensão dos trabalhos, mas trata de oportunidades e particularidades de mercado ou clientes. Os específicos estão apresentados no decorrer deste trabalho. Um fator importante para avaliar os riscos do cliente e definir a extensão dos testes de auditoria, é a avaliação do ambiente de controle interno. A Resolução CFC Nº 1.212/2009 recomenda que, além de avaliar a estrutura de controles internos, para identificar os riscos relevantes, o auditor deve avaliar, entre outros, fatores de riscos inerentes ao segmento do cliente e a sua forma de financiamento (CFC, 2009). Simunic (1980) e Palmorose (1986, 1989) apontam que o segmento do cliente afeta significativamente os honorários. Ao determinar a extensão e amostragem dos testes, o auditor avalia o risco de auditoria das contas contábeis e processos relevantes. Esta avaliação normalmente ocorre após a contratação e, numa eventual falha na estimativa dos honorários, o auditor poderá ter prejuízos, pois honorários adicionais poderão ser negociados; mas a cobrança não é garantida. Franco e Marra (2001) observam que a probabilidade de erros na estimativa dos honorários de auditoria seria menor se o auditor pudesse fazer um levantamento antes de orçar o custo de auditoria. Porém, o cliente precisa estar disposto a pagar o custo dos levantamentos, independente de contratar ou não os serviços. Assim, uma avaliação geral dos riscos do cliente ocorre antes da contratação da auditoria, no processo de aceitação do cliente, para que o auditor possa estimar as horas necessárias e os honorários. Essa avaliação é importante para o planejamento e decisão de aceitar ou não o cliente. Se uma firma de auditoria aceita um cliente de sucesso, honesto, com uma gestão competente e controles internos adequados, o uso de procedimentos de auditoria normais permitirá ao auditor emitir sua opinião de forma adequada, sendo o inverso também verdadeiro (HUSS; JACOBS, 1991). 3 2.2 Estudos anteriores Parte dos estudos acadêmicos efetuados sobre a relação dos riscos e governança corporativa não são totalmente convergentes. O quanto constatado está a seguir sintetizado. Hogan e Wilkins (2008) investigaram como os auditores respondem aos maiores níveis de risco de controle interno. Analisaram 410 empresas listadas na bolsa de valores dos Estados Unidos da América, que reportaram deficiências materiais de controle interno. Constataram que os honorários de auditoria são significativamente maiores para empresas que apresentaram deficiências relevantes de controle interno. Munsif et al. (2011) reforçam essa visão ao analisar o comportamento dos honorários de auditoria em empresas que remediaram deficiências de controle interno. Demonstraram que os honorários pagos tenderam a reduzir quando comparados com outras empresas que continuavam reportando deficiências de controle interno. Em linha similar Felix, Gramlinga e Maletta (2001), constataram que a auditoria interna contribui para reduzir os honorários. Isso reforça a premissa de que a qualidade das estruturas de controle interno contribui para reduzir as despesas de auditoria, revelando que a qualidade da auditoria interna afeta a qualidade dos controles internos da empresa. Em dezembro de 2000 a BM&FBOVESPA criou os Níveis de Governança Corporativa. Estes segmentos diferenciados de listagem foram desenvolvidos para propiciar um ambiente de negociação que estimulasse o interesse dos investidores e a valorização das companhias com práticas diferenciadas de Governança Corporativa. As empresas que aderem aos níveis de governança corporativa são mais rentáveis e oferecem mais segurança aos investidores (SIQUEIRA; MACEDO, 2006). Assim, espera-se quem possuam maiores níveis de exigência quanto à organização e composição do conselho de administração, o que permite usar os níveis diferenciados de governança corporativa da BM&FBOVESPA como uma proxy para indicar empresas com melhores controles internos e observar se contribuem para a redução dos honorários. Estudos sobre as práticas de governança corporativa e os custos de auditoria não são convergentes. Berdard e Johnstone (2004) apontam que melhores práticas podem reduzir os honorários. De forma oposta, Stewart e Kent (2006) evidenciaram que empresas com maiores estruturas de governança pagam maiores honorários. Yatim, Kent e Clarkson (2006) observaram uma relação positiva dos honorários com a independência do conselho, comitê de auditoria, bem como a frequência das reuniões da comissão de auditoria. Segundo os pesquisadores este fato talvez exija maior interação destes agentes com os auditores externos, demandando um número maior de reuniões. Os resultados também são divergentes em nosso País. Bortolon, Sarlo e Santos (2013) observaram a relação negativa entre governança corporativa e custos de auditoria, sugerindo que melhores práticas de governança reduziram os riscos da auditoria externa, levando à cobrança de valores menores. Já Hallak e Silva (2012) observaram que empresas com melhores níveis de governança corporativa gastam mais com auditoria. Griffin, Lont e Sun (2008) estudaram a relação controversa entre a governança corporativa e os honorários de auditoria. Os resultados sugerem que uma melhor governança corporativa reduziu custos de auditoria, após a Sarbanes Oxley. Melhores níveis de governança demandam mais serviços de auditoria; porém, o auditor parece perceber a melhora na qualidade das demonstrações financeiras e controles internos, o que permite diminuir os honorários. Nos estudos aplicados ao caso brasileiro, os resultados também são divergentes. Bortolon, Sarlo e Santos (2013) observaram a relação negativa entre governança corporativa e custos de auditoria, sugerindo que melhores práticas de governança reduziram os riscos da auditoria externa, levando à cobrança de valores menores. Já Hallak e Silva (2012) 4 observaram que empresas com melhores níveis de governança corporativa gastam mais com auditoria. Uma relação inversa à esperada para bons níveis de controles internos pode ser esperada quando há alta alavancagem, pouca liquidez e perdas. Tais fatores foram usados em estudos anteriores como proxies do risco percebido pelo o auditor, também sem conclusões convergentes. Primeiro, Zaman, Hudaib e Haniffa (2011) usaram a alavancagem financeira como medida de risco. Observaram uma relação positiva com as despesas de auditoria, concluindo que empresas alavancadas requerem maior monitoramento para se protegerem de riscos financeiros e de mercado e que o auditor pode cobrar maiores honorários como prêmio pelo risco. De forma oposta Naser, Abdullhameed e Nuseibeh (2007) e Hallak e Silva (2012) observaram relação significativa negativa entre a alavancagem e os gastos com auditoria. Sandra e Patrick (1996) e Thinggaard e Kiertzner (2008) usaram alavancagem e liquidez para medir o risco dos clientes de auditoria; porém, os resultados foram insignificantes. Karim e Molzer (1996) observaram que os riscos dos clientes são estatisticamente insignificantes para determinar os honorários. Outros autores usaram a liquidez dos clientes (BRIN; PELL; ROBERTS, 1994; BELL; LANDSMAN; SCHACKELFORD, 2001) para representar o risco das auditoria e obtiveram evidências que tal variável é significativa na determinação dos honorários. Outra proxy usada em estudos anteriores para medir o risco das firmas é se o cliente teve prejuízos nos últimos 3 anos (IRELEAND; LENNOX 2002). Como já citado, um fator relevante para determinar os honorários é o tamanho dos clientes, usado em várias pesquisas como variável explicativa dos determinantes das despesas de auditoria, com resultados significativos. Desde o primeiro estudo (SIMUNIC, 1980), a variável “total de ativos” é a mais usada para mensuração do tamanho da empresa. Joshi e Hasan (2000) citam vários autores que concluíram ser o tamanho do cliente a variável mais importante para explicação dos honorários. Brin, Pell e Roberts (1994) observaram que o tamanho e a complexidade dos clientes foram os fatores mais importantes na determinação das despesas de auditoria. Outro fator estudado sobre a determinação dos honorários é o tamanho das firmas. As grandes firmas, conhecidas como Big N, se consolidaram no mercado. Estudos apontam a relação positiva entre o tamanho da firma e a qualidade de seus serviços (PALMROSE 1986; BRIN; PELL; ROBERTS, 1994; KARIM; MOLZER, 1996; THINGGAARD; KIERTZNER, 2008). Em complemento outros estudos apontam que as Big N cobram honorários premium, em relação às firmas menores do setor (FRANCIS, 1984; PALMORSE 1986; WHISENATS; SANLARAGURUSWAMY; RAGHUNANDAN, 2003; ANDRÉ et al., 2011). Karim e Molzer (1996) relatam que os honorários premium se justificam pelo argumento de que as Big N possuem equipes de maior qualidade e aplicam melhores procedimentos, logo espera-se que identifiquem erros. Outros estudos observam que os honorários premium pagos às Big N estariam relacionados ao fato do mercado reagir mais favoravelmente quando um cliente escolhe uma grande firma (NICHOLS; SMITH, 1983; LENNOX, 1999). Os resultados dos estudos sobre a qualidade da auditoria e o tamanho das firmas não são convergentes. Braunbeck (2010) concluiu que, no Brasil, as BIG N fornecem serviços de maior qualidade. Lawrence, Meza e Zhang (2011) estudaram a existência de diferenças entre qualidade da auditoria entre firmas Big N e não Big N e concluíram que tal diferença é insignificante. Outro fator estudado para determinação dos honorários é a troca de auditor. Quando um cliente decide trocar o auditor, entre outros aspectos, o novo auditor é eleito levando em conta as firmas com melhores preços e condições. Köhler e Ratzinger-Sakel (2012) 5 verificaram fortes reduções dos honorários na mudança dos auditores. Deis e Giroux (1996) e Simon e Francis (1988) apontaram que a mudança está associada a reduções significativas dos honorários. Este comportamento poderia ser justificável pelas firmas que, para conquistarem novos clientes, cobrariam valores iniciais baixos, reajustando-os posteriormente. Todavia, o custo da auditoria não necessariamente segue esta redução inicial. Em novas auditorias os auditores tendem a aplicar mais horas para compreender o negócio, os riscos e definir estratégias de auditoria. Este processo tende a ser mais rápido em auditorias recorrentes devido à expertise e aos conhecimentos obtidos nos anos anteriores. 3 METODOLOGIA E LIMITAÇÕES A pesquisa, descritiva e de caráter quantitativo, buscou descrever as características da população alvo e estabelecer relações entre variáveis (GIL, 1999). É uma investigação iniciada em documentos mantidos no interior de órgãos públicos (VERGARA, 2003), seguida de tratamento estatístico. Para a análise dos determinantes dos honorários de auditoria, foi aplicado um modelo de regressão múltipla no qual se pretende evidenciar a relação entre honorários de auditoria (variável dependente) com outras variáveis financeiras e de características das empresas envolvidas Os dados sobre os gastos de auditoria das empresas foram obtidos nos formulários de referência disponíveis no site da CVM, os de mercado e financeiros na Economática. A população inicial totalizava as 380 empresas listadas na BMF&BOVESPA que divulgaram as demonstrações contábeis de 2012 até o dia 26/08/2013. Foram excluídas 21 que não informaram os gastos com auditoria, além de 24 que não divulgaram ou não possuírem valores relativos à remuneração dos administradores totalizando a amostra de 335 empresas. 3.2 Limitações Em função do tempo necessário à conclusão da pesquisa e por dificuldades junto à CVM para obter os dados consolidados dos formulários de referência dos anos de 2009 a 2012, decidiu-se realizar a investigação abrangendo as despesas de auditoria do ano de 2012. Durante o acesso e coleta manual das despesas nos formulários de referência contidos no site da CVM, foram observadas as seguintes inconsistências nas informações: a) Em alguns casos não ficou claro se a observação era para o primeiro ou segundo ano de atuação dos auditores. Isto porque os contratos de auditoria são datados do início do ano. Não ficou claro se o auditor examinou as demonstrações financeiras do ano anterior, encerradas contabilmente no início do ano seguinte, ou se o auditor iniciou no ano corrente da contratação; b) Na maioria dos casos não ficou claro se os clientes não contrataram ou não informaram a contratação de consultoria com os auditores, o que impossibilitou o estudo da relação destas despesas com as de auditoria; c) Poucas firmas de auditoria informaram os honorários líquidos de impostos; d) Poucas holdings informaram apenas os honorários de auditoria individuais, sem considerar o resultado consolidado. Foram usadas as informações disponíveis, aplicando-se o máximo de independência na interpretação e seleção das informações. Após a compilação dos dados foi elaborado o primeiro modelo de regressão múltipla usando método dos mínimos quadrados (MMQ) para explicação das determinantes de auditoria. O MMQ é usado para desenvolver equações de regressão estimadas que melhor aproximam a relação em linha reta entre variáveis dependentes e independentes (ANDERSON; SWEENEY; WILLIAMS, 2000). 6 A variável dependente estudada foi o total anual das despesas de auditoria em reais. A seguir está apresentada a equação explicativa, na qual é intercepto da equação e os betas ) correspondem aos coeficientes angulares das variáveis explicativas: seguintes ( Onde: DAud = Despesas de auditoria. TA = Tamanho e relevância da empresa. CM= Complexidade e vulto. RI = Risco percebido pelo auditor em relação à empresa. GC = Nível de governança corporativa e melhores práticas de controle interno. PA = Indica se é o primeiro ano de auditoria da empresa auditora. BIG N = Indica se empresa auditora é uma Big N. SEG= Segmento do Economática em que empresa se enquadra. ) obtidos na amostra foi possível avaliar o Através dos coeficientes angulares ( comportamento das variáveis e a relação destas com as despesas de auditoria. A seguir estão descritas as variáveis explicativas e as métricas adotadas. Paras as variáveis com duas ou mais métricas, foram rodados modelos para cada métrica, para verificar a que melhor se relaciona ao fator estudado. Manteve-se, nos modelos seguintes a métrica de maior significância estatística. Tamanho do cliente (TA): Usou-se o total de ativos, em milhões de reais; Complexidade e vulto do cliente (RA): Usou-se a remuneração total do conselho de administração, diretoria estatutária e conselho fiscal, em milhões de reias; Risco do cliente: foram usadas três métricas: alavancagem financeira (AL), liquidez geral (LQ) e prejuízo (PREJ); Níveis de controle interno e governança (GC): Usou-se uma variável dummy representando se o cliente está nos níveis diferenciados de governança corporativa da BMF&BOVESPA. Essa variável é uma proxy para refletir os melhores níveis de controle interno e práticas governança nas empresas; Mudança de auditor: Usou-se uma variável dummy para apontar se o ano da observação é o primeiro do auditor, ou não; Empresa Auditora: Usou-se a variável BIG N, para verificar se as grandes firmas cobram honorários premium em relação as demais. Adicionalmente foram realizadas outras regressões com quatro variáveis dummy, uma para cada grande firma (DTT, EY, KPMG, PWC), buscando identificar quais firmas cobram maiores ou menores honorários e verificar se o efeito dos honorários premium aplica-se às Big N; Segmento: Foram testados modelos com variáveis dummy representando o segmento que o cliente se enquadra (ABEB, QUI, S&M, SOFT), buscando identificar maior ou menor percepção de risco, na ótica do auditor, para determinados segmentos e consequente cobrança de maiores ou menores honorários. Nos modelos finais foram mantidas as variáveis dummy para os segmentos com efeito significativo. 4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS 4.1 Estatística descritiva Constatou-se a esperada concentração do mercado de auditoria nas Big N, que respondem por 96% dos honorários e 75% dos clientes auditados. Destacou-se a Price Waterhouse Coopers, com honorários 84% superiores aos da KPMG, a segunda maior em termos de valor cobrado. A análise da quantidade de clientes revela uma distribuição mais uniforme entre as 4 grandes e a parcela das outras firmas de auditoria (não Big N) torna-se mais representativa. A tabela 1 apresenta estes resultados. 7 Tabela 1 – Distribuição dos honorários de auditoria por empresa Valor dos honorários Clientes EMPRESA K R$ % Quantidade % PRICEWATERHOUSECOOPERS 167.346 41% 74 21% KPMG 90.751 22% 59 16% DELOITTE TOUCHE TOHMATSU 75.637 19% 60 17% ERNST & YOUNG 55.794 14% 75 21% OUTRAS 16.227 4% 91 25% TOTAL 405.755 100% 359 100% Valor médio K R$ 2.261 1.538 1.261 744 178 1.130 Constatou-se grande participação do setor financeiro, cerca de 30% dos honorários de auditoria e o maior valor médio. Em segundo o setor de energia elétrica com 8% do total e, diferente do financeiro, com honorários pulverizados em várias firmas (50), correspondendo a 14% da quantidade. Nota-se que 47% das empresas analisadas estão em segmentos diferenciados de governança corporativa. Em 55% dos casos, tratava-se do primeiro ano de auditoria do novo auditor, justificando-se por ser um ano de rodízio de auditoria. Como em outros estudos (CHAN; EZZAMEL; GWILLIAM, 1993; LENNOX, 1999; WHISENATS; SANLARAGURUSWAMY; RAGHUNANDAN, 2003; YATIM; KENT; CLARKSON, 2006) ocorreu heterocedasticidade, indicando que os determinantes dos honorários não são homogêneos na amostra estudada. Este fato pode se justificar pela precificação dos honorários considerar fatores de mercado e oportunidades comerciais variáveis por causa do tamanho do cliente. Por exemplo, o auditor poderá cobrar maiores honorários de clientes maiores devido à sua capacidade financeira. Assim, adicionou-se uma variável para clientes com ativos totais a partir de 1 bilhão de reais, cujos resultados dos 4 modelos gerados estão no apêndice 1. Foram gerados mais 8 modelos com a amostra segregada em duas partes pelo tamanho, usando-se o critério de total de ativos, para verificar a existência de comportamentos distintos nos determinantes dos honorários de auditoria em clientes de maior e menor porte, cujos resultados estão no apêndice 1. Devido à heterocedasticidade, todos os modelos foram corrigidos e calculados pelo estimador de erros robustos de White (1980). Ao final, foram testados doze modelos. 4.2 Resultados das regressões O apêndice 1 demonstra os modelos com todos os dados obtidos. Foram testados os mesmos modelos, dividindo-se a amostra em dois grupos, o primeiro com clientes de ativos menores que 1 bilhão de reais; o segundo com clientes de ativos a partir de 1 bilhão de reais. Buscou-se verificar se clientes de portes distintos alteram a percepção do auditor sobre os determinantes dos honorários, por exemplo: em clientes menores o auditor pode levar mais em consideração o risco assumido, pois o prêmio que este cliente pagará possui um limitador natural devido ao tamanho e capacidade financeira. Observou-se, em todos os modelos, que o tamanho dos clientes (TA) teve impacto positivo e significativo nos honorários de auditoria. Estes resultados reforçam o poder explicativo desta variável e corroboram pesquisas anteriores (SIMUNIC, 1980, PALMROSE, 1986; BRIN; PELL; ROBERTS, 1994; JOSHI; HASAN, 2000; KÖHLER; RATZINGERSAKEL, 2012; HALLAK; SILVA, 2012). Quanto ao tamanho dos clientes, observou-se que os de maior porte (variável "1BI"), pagam maiores honorários em relação aos demais. Este fato pode estar relacionado à maior capacidade financeira destes clientes e à oportunidade de cobrança de maiores honorários. Corroborou-se a expectativa inicial de que a representatividade do segmento financeiro (FIN) afetaria os honorários. Este segmento é significativo e com um impacto negativo, permitindo supor que as firmas observam menor risco ou complexidade nas empresas financeiras em relação às demais, acarretando em esforço e honorários menores. 8 O segmento de alimentos e bebidas (ABEB) afetou positivamente as despesas de auditoria. É possível supor, ao determinar os honorários para clientes deste segmento, o auditor percebe maior risco ou estima maior esforço de horas necessárias para realizar a auditoria, devido à, por exemplo, uma maior complexidade do segmento. Para os demais segmentos da amostra não foram observadas relações significativas com os honorários. Quando dividido em dois grupos de maiores e menores clientes, o segmento de softwares (SOFT) apresentou resultados controversos. Nos de maior porte, o segmento afeta os honorários de forma significativa e negativa, nos de menor porte o impacto é positivo. O segmento químico (QUI) demonstrou afetar de forma negativa os clientes de menor porte. O de segmento de siderurgia e metalurgia (S&M) afetou de forma positiva os honorários pagos por clientes maiores. A análise da complexidade das empresas, representada pela variável remuneração dos administradores (RA), revelou que este fator afetou positivamente os honorários, permitindo supor que clientes mais complexos exigem esforço e honorários maiores, corroborando estudos anteriores (SULLIVAN, 2000; LARCKER; RICHARDSON, 2004; KÖHLER; RATZINGER-SAKEL, 2012). Sobre a cobrança de honorários premium pelas grandes firmas, os resultados com a variável BIG_N em todos os modelos reforçaram os estudos anteriores (FRANCIS, 1984; PALMROSE 1986; BRIN; PELL; ROBERTS, 1994; KARIN; MOLZER, 1996; WHISENATS; SANLARAGURUSWAMY; RAGHUNANDAN, 2003; THINGGAARD; KIERTZNER, 2008; ANDRÉ et al., 2011; HALLAK; SILVA, 2012) apontando a cobrança de maiores honorários pelas Big N. A razão pode estar ligada à reputação dessas firmas ou à concentração do mercado brasileiro, o que limita as opções de escolha dos clientes. De forma inovadora em relação aos estudos anteriores, foram testados 3 modelos, um para cada amostra, buscando observar a existência de diferenças significativas entre as Big N. O resultado do modelo 4 demonstra que, com exceção da Ernst & Young (EY), as grandes firmas cobram honorários premium, em relação às demais. Destacou-se a Price Waterhouse Coopers (PWC), com os maiores honorários, cujo beta é 126% superior ao da Deloitte (DTT), a segunda do setor. Ao analisar a amostra das clientes com ativos menores que 1 bilhão, os resultados foram divergentes e apontaram a cobrança de honorários premium por todas as firmas, exceto a Deloitte (DTT). Pode-se concluir pela existência de diferença de cobrança de honorários premium de acordo com o porte dos clientes. Para a relação entre a governança corporativa (GC) e os honorários, observou-se relação insignificante nos modelos da amostra consolidada e nos clientes de maior porte. Para os de menor porte, constatou-se uma relação significativa e positiva. Contrariou-se a expectativa inicial de que clientes com melhores práticas de controles internos e governança corporativa teriam menores despesas de auditoria por fornecerem maior conforto ao auditor e consequentemente redução do esforço e do custo para a auditoria. Os resultados com os clientes de menor porte corroboram estudos anteriores, os quais apontam que clientes com maiores estruturas de governança tendem a gastar mais com auditoria (STEWART, 2006; YATIM; KENT; CLARKSON, 2006; HALLAK; SILVA, 2012). Para verificar se o risco percebido pelo auditor afeta os honorários, foram testados os três modelos 1, 2 e 3 com três proxies distintas para medir o risco: prejuízos (PREJ), liquidez (LQ) e alavancagem (AL). Assim como Sandra e Patrick (1996) e Thinggaard e Kiertzner (2008) as variáveis usadas para representar o risco foram estatisticamente insignificantes nos modelos testados com a amostra consolidada, cujos resultados estão nas quatro primeiras colunas do apêndice 1. Nos clientes de menor porte as métricas liquidez e prejuízo apresentaram resultados não significativos. No modelo 9, a alavancagem apresentou forte nível de significância, menor 9 que 1%, porém o beta obtido é negativo, sugerindo que o auditor cobraria menores honorários para clientes alavancados, corroborando Hallak (2011); porém, contrariando a hipótese de que o auditor cobraria maiores honorários como prêmio pelo risco assumido. Nos modelos para as empresas de maior porte, as variáveis alavancagem e prejuízo foram insignificantes. Porém, a variável liquidez, usada no modelo 6, apresentou forte significância e relação negativa, corroborando que clientes com maior risco demandam maiores honorários. Diferente da alavancagem (quanto maior, maior o risco), a liquidez possui relação inversa, pois índices maiores apontam maior capacidade financeira de pagar as obrigações e menores apontam menor capacidade financeira, consequentemente maior risco. Constatou-se que, para clientes de maior porte, o auditor cobra maiores honorários na presença de maior risco, reforçando estudos anteriores (BRIN; PELL; ROBERTS, 1994; BELL; LANDSMAN; SCHACKELFORD, 2001). Corrobora-se a hipótese de que para clientes com maior risco o auditor cobra maiores honorários, devido ao maior esforço em monitorar os riscos, e pela cobrança de um prêmio pelo risco. Diferente dos estudos anteriores que apontaram redução dos honorários no primeiros ano de auditoria (DEIS; GIROUX,1996; GREGORY; COLLIER, 1996; WHISENATS; SANLARAGURUSWAMY; RAGHUNANDAN, 2003), os resultado obtidos com a amostra consolidada apontam uma relação não significativa. A análise da amostra segregada pelo tamanho dos clientes retornou resultados diferentes. Os de menor porte continuaram a apresentar relação insignificante; os de maior porte uma relação significativa e negativa. Corroborou-se a hipótese de que, ao menos para os de maior porte, cobram-se honorários menores no primeiro ano de auditoria, sugerindo que o auditor cobra menos no primeiro ano para conquistar novos clientes, compensando nos anos seguintes do contrato. Os resultados sugerem o auditor possui maior motivação para conquistar clientes de maior porte, reduzindo os honorários no primeiro ano de auditoria. Vale observar porém que tal prática pode afetar a independência do auditor, além de não ser admitida pelo CFC (2003), por meio na NBC P1, e por caracterizar quebra do código de ética do contabilista. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS E POSSIBILIDADES FUTURAS Buscou-se analisar quais fatores determinam os honorários de auditoria e apresentar a distribuição do mercado de auditoria brasileiro das empresas de capital aberto. Os resultados obtidos indicam que os honorários relacionam-se positivamente ao tamanho, complexidade dos clientes, nível de governança corporativa e com o fato do auditor ser uma grande firma. Verificou-se que a complexidade, medida pela remuneração dos administradores relaciona-se positivamente aos honorários cobrados, corroborando a hipótese de que clientes mais complexos exigem maior esforço do auditor e por consequência, maiores honorários. Quanto ao efeito das grandes firmas sobre os honorários cobrados observou-se uma relação positiva, corroborando estudos anteriores que apontaram a cobrança de honorários premium pelas grandes firmas (PALMROSE 1986; BRIN; PELL; ROBERTS, 1994; KARIM; MOLZER, 1996; THINGGAARD; KIERTZNER, 2008; HALLAK; SILVA, 2012). Os resultados sugerem que, no mercado brasileiro, paga-se maiores honorários a essas firmas pelo argumento de que as Big N possuem equipes de maior qualidade e aplicam melhores procedimentos. (KARIM; MOLZER, 1996). A segregação da amostra em dois grupos (clientes com ativos menores e a partir de 1 bilhão de reais), apontou diferenças do comportamento dos fatores que determinam os honorários, não observáveis no consolidado. Entre as diferenças, destaca-se: a cobrança de menores honorários no primeiro ano de auditoria nos clientes de grande porte, diferença na percepção do risco entre maiores e menores clientes e maiores despesas de auditoria nos clientes de menor porte com melhores níveis governança corporativa. 10 Quanto à hipótese de redução dos honorários no primeiro ano de troca de auditoria os resultados com os clientes de maior porte convergem com estudos anteriores (WHISENATS, SANLARAGURUSWAMY, RAGHUNANDAN, 2003; DEIS, GIROUX, 1996; GREGORY, COLLIER, 1996) e apontam que no primeiro ano de troca do auditor os honorários tendem a reduzir, corroborando a hipótese de que os auditores cobrariam menos no primeiro ano de auditoria, para recuperação nos anos seguintes. Este comportamento não é perceptível nas empresas de menor porte. O risco percebido pelo auditor demonstrou afetar os valores dos honorários de forma diferente nos clientes de maior e menor porte. Nos de menor porte, a alavancagem apresentou forte significância, porém o resultado sugere que o auditor cobra menores honorários de clientes mais alavancados e com maior risco, contrariando a hipótese de que o auditor cobraria maiores honorários como prêmio pelo risco assumido. Tal comportamento poderia estar relacionado ao fato de clientes com problemas financeiros tenderem a pressionar mais seus auditores para terem menores gastos com auditoria. Já nos de maior porte os resultados reforçaram estudos anteriores (BRIN; PELL; ROBERTS, 1994; BELL; LANDSMAN; SCHACKELFORD, 2001), demonstrando que clientes com maior risco medido pela liquidez tendem a gastar mais com auditoria por conta do maior esforço para monitorar os riscos e pelo prêmio cobrado em função do maior risco. Quanto aos níveis de governança corporativa observou-se relação significativa e positiva com os honorários nos clientes de menor porte. Contrariou-se a hipótese inicial de que o auditor cobraria menores honorários em clientes com melhores níveis de governança corporativa (BEDARD; JOHNSTONE, 2004), por fornecerem maior segurança ao auditor. Tais resultados corroboram a hipótese estabelecida por Yatim, Kent e Clarkson (2006), de que níveis maiores de governança corporativa exigem maior esforço do auditor devido à maior demanda por reuniões e interações com os agentes. Apesar dos avanços observados no mercado brasileiro de auditoria nos últimos anos, principalmente pela obrigatoriedade legal de que empresas de grande porte sejam auditadas, a divulgação do parecer e dos honorários ainda não é obrigatória para as de capital fechado. Isto limita o campo de pesquisa dos honorários de auditoria às empresas de capital aberto. Dada a importância da auditoria para a sociedade, espera-se que no futuro setores regulados e estratégicos para o País, tais como: elétrico, financeiro, telecomunicações, transportes, exijam a divulgação dos honorários, abrindo uma nova frente de pesquisa dos determinantes dos honorários de auditoria em empresas de capital fechado e de segmentos específicos, assim como no Reino Unido (BRIN; PELL; ROBERTS, 1994). Estudos futuros poderão considerar mais de um ano, buscando verificar a ocorrência de mudanças nos determinantes dos honorários de auditoria ao longo do tempo, relacionadas a fatores não observáveis em único ano, tais como: efeito de crises financeiras, rodízios de auditoria, mudança de legislação, entre outros. Até o momento, não foram localizados estudos em outros países latinos. Pesquisas futuras poderão abordar outros países latinos, efetuando um comparativo similar ao de Haskins e Williams (1988), que estudaram e compararam as determinantes dos honorários de auditoria em países de língua inglesa: Estados Unidos da América, Reino Unido, Irlanda, Nova Zelândia e Austrália. REFERÊNCIAS ABIDIN, S.; BEATTIE, V.; GOODCARE, A. Audit Market Structure, Fees and Choice following the Andersen Break-up: Evidence from the UK. November 2008. Disponível em: < http://ssrn.com/abstract=1096464> Acessado em 25 de outubro de 2013. ANDERSON D.,R.; SWEENEY, D.,J., WILLIAMS, T.,A., Estatística Aplicada à Administração e Economia. 2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2000. 11 ANDRÉ, P., et al. - Audit Fees, Big Four Premium and Institutional Settings: The Devil is in the Details. Paris, ESSEC Business School, 2011. Disponível em: < http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1554842>, acessado em 12 de maio de 2013. BELL T.B.; LANDSMAN W.R.; SCHACKELFORD. 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