Etapas da auditoria e exame dos registros Objetivo e planejamento da auditoria (etapa inicial do processo) A auditoria tem fornecido sólidas informações e opiniões que possibilitam uma melhor qualidade na gestão dos negócios. Os gestores necessitam de elementos de formação de juízo e de escolha, fundamentada na realidade dos fatos, para uma decisão mais adequada na condução das empresas. Além do mais, os gestores precisam fornecer aos investidores, e demais interessados na gestão dos negócios, uma posição embasada em documentos que convalidam a afirmação pesquisada, baseada em provas concretas e opinião independente. O objetivo final de toda auditoria é emitir uma opinião técnica sobre o tema auditado por meio de um parecer no qual será relatado o que foi apurado, quais os documentos que serviram de subsídio e a confiabilidade destes, os tipos de análise e testes empregados, e a motivação que gerou a conclusão final. A atividade de auditoria desenvolve-se em etapas, iniciando-se com o planejamento geral, no qual deve constar o programa de trabalho detalhado e por escrito, que deverá descrever o responsável pelo processo de auditoria, quando ocorrerá e qual o objetivo a ser alcançado em termos de natureza, oportunidade ou profundidade dos exames e extensão do trabalho, sendo que esta atividade de planejar deve ser consoante às Normas Brasileiras de Contabilidade. Dessa forma, pontua-se que o planejamento da auditoria deve documentar todos os procedimentos de auditoria programados, segundo o objetivo predeterminado, bem como sua extensão e oportunidade de aplicação, objetivando comprovar que todos os pontos da empresa considerados relevantes foram observados e tratados pelo auditor independente. Pode-se estruturar a auditoria em três grandes etapas. A primeira etapa é quando da avaliação para a contratação dos serviços, na qual devem ser levantadas as informações necessárias para conhecer o tipo de atividade da empresa. A segunda etapa 39 é a elaboração do planejamento em que o auditor define o seu plano de trabalho e o detalhamento dos procedimentos de auditoria a serem aplicados. É nesta etapa que o auditor estabelece a estratégia geral dos trabalhos a executar na empresa ou na área a ser auditada, elaborando o plano a partir da contratação dos serviços, estabelecendo a natureza, a oportunidade e a extensão dos exames, de modo que possa desempenhar uma auditoria eficaz. E a terceira etapa, o parecer final do auditor, que é o relato técnico da opinião formada por esse profissional, fundamentada nos documentos e nas evidências apuradas bem como arquivadas através dos papéis de trabalho, nos quais se verificará o que foi feito e como foram feitos os trabalhos. “Ao se iniciar qualquer trabalho de auditoria, este deve ser cuidadosamente planejado, tendo em vista seu objetivo. Os exames e verificação serão orientados conforme o alcance visado pela auditoria” (FRANCO; MARRA, 1991, p. 224). A auditoria poderá apresentar-se de diversas formas, sendo cada uma delas com características próprias que poderão ser assim classificadas. Conforme a sua natureza: auditoria permanente; continuada; periódica; auditoria eventual ou especial que poderá ser geral, ou parcial; auditoria de balanços com fim específico. Conforme a profundidade dos exames: auditoria integral (revisão analítica de todos os registros contábeis); auditoria por teste (amostragem). Conforme a extensão do trabalho: auditoria geral (de todas as demonstrações contábeis, em conjunto); auditoria parcial ou específica (de uma ou algumas demonstrações ou itens); revisão limitada (exames parciais, sem aplicação de todas as normas). Auditoria Conforme os fins a que se destina: 40 acautelar interesses de acionistas e investidores; permitir melhor controle administrativo; apurar erros e fraudes; julgar concessão de crédito; apurar o valor real do patrimônio líquido; dar cumprimento a obrigações fiscais; atender a exigências legais; confirmar a exatidão das demonstrações contábeis. Conforme a relação do auditor com a empresa: auditoria externa; auditoria interna. Dado isso, é de fundamental importância que o auditor entenda o conteúdo e a estrutura da área a ser auditada, se esta área for a da contabilidade que é a ciência que deu origem ao surgimento dessa especialização chamada de auditoria, é necessário que esse profissional entenda das demonstrações financeiras, pois são elas que proporcionam meios de comparação das mais variadas operações. Além de permitir, por meio de mensuração, comparação e análise, elementos indicativos de liquidez, solvência, endividamento, rentabilidade e, sobre tudo, da eficiência ou não da gestão dos negócios. Determinações da abrangência do trabalho Existe a necessidade e obrigatoriedade da auditoria ser fundamentada e embasada em provas documentais, ou elementos comprobatórios, porque serão essas evidências formais que formarão o juízo do auditor, isto é, servirão de base e fundamentação para o convencimento sobre o fato auditado e a formulação do parecer do auditor. Dessa forma, será o auditor que irá determinar qual ou quais os procedimentos mais adequados ao caso em questão, a fim de obter as provas necessárias. A avaliação desses elementos fica a critério do auditor, obedecido o seguinte: o simples registro contábil, sem outras comprovações, não constitui elemento comprobatório; na ausência de comprovante idôneo, auxiliam na determinação da validade dos registros contábeis, sua objetividade, sua tempestividade e sua correlação com outros registros contábeis ou elementos extracontábeis; Etapas da auditoria e exame dos registros Os procedimentos de auditoria diante dessa prerrogativa devem ser desenvolvidos e alargados até a obtenção de elementos probatórios da afirmação que se está auditando. 41 para ser aceitável, a correlação deve ser legítima e relevante, dependendo das seguintes circunstâncias: quando a correlação pode ser verificada, relativamente à fonte externa, ela proporciona maior grau de confiança do que quando verificada na própria empresa; quando as condições do sistema contábil e do controle interno são satisfatórias, os registros e as demonstrações financeiras proporcionam maior grau de confiança; o conhecimento direto e pessoal, obtido pelo auditor por meio de verificações físicas, observações, cálculos e inspeções, oferecem maior segurança do que as informações colhidas indiretamente; desde que praticável e razoável, e quando o ativo envolvido for de expressivo valor material, em relação à posição patrimonial e financeira e o resultado das operações, as contas a receber devem ser confirmadas através de comunicação direta com os devedores e da mesma forma o levantamento físico de inventários deve ser observado pelo auditor; como regra geral, existe relação entre o custo da obtenção de uma comprovação e seu benefício para o exame. Entretanto, a dificuldade ou o custo não constituem razões suficientes para a sua dispensa, quando o auditor a julgar necessária. (ATTIE, 1998, p. 66) Como se observa, o auditor deve ir buscar elementos comprobatórios idôneos e substâncias que determinem a validade dos documentos utilizados a fim de auditar a afirmação em questão. “A extensão e a profundidade das informações preliminares a serem obtidas do pessoal do cliente, bem como o modo em que os procedimentos específicos deste programa devam ser aplicados, irão variar de acordo com: tamanho, complexidade e continuidade das operações do cliente.”( FRANCO; MARRA, 1991, p. 239) Devendo ainda, a priori verificar a qualidade do objeto em análise, isto é, no caso de registros contábeis se estes representam efetivamente um ato empresarial real, bem como o tempo em que foi produzida essa informação e se existem relações com outros dados contábeis, sendo que esta busca não deverá ser interrompida, seja por dificuldades físicas ou técnicas, ou ainda devido a custos elevados. Toda essa preocupação com um correto e transparente procedimento deve-se ao fato de proporcionar maior grau de confiança nos documentos que irão, ou não, validar a afirmação. Procedimento da primeira auditoria Auditoria Os procedimentos de auditoria tratam das investigações técnicas que devem ser executadas pelo auditor, a fim de atingir os objetivos previamente estabelecidos no planejamento, devendo evidenciar as etapas e as épocas em que serão executados os trabalhos, de acordo com o teor da proposta de prestação de serviços e sua aceitação pela empresa auditada. 42 Deve-se elaborar um cronograma de trabalho, no qual devem-se ficar evidenciadas áreas, unidades e partes relacionadas que serão atingidas pela auditoria, para comunicar e comprovar a todos que os compromissos assumidos com a empresa auditada serão cumpridos. Em suma, os procedimentos de auditoria tratam dos passos a serem seguidos pelo auditor, durante a realização de seu trabalho. O planejamento adequado pressupõe a formulação de programa de auditoria. O programa de auditoria consiste no plano de trabalho para exame de área específica. Ele prevê os procedimentos que deverão ser aplicados para que se possa alcançar o resultado desejado. Deve, entretanto, ser bastante amplo e flexível, para permitir alterações durante o andamento das verificações, segundo aconselham as circunstâncias, isto é, a maior ou menor eficiência dos controles internos do cliente. Haverá casos em que os controles internos se revelam, de tal modo, excelentes que dispensam a aplicação de grande número de procedimentos. Entretanto, o reverso poderá também acontecer, aconselhando a aprofundar mais as verificações. ( FRANCO; MARRA, 1991, p. 224) A atividade de realizar a primeira auditoria contábil numa empresa requer alguns cuidados especiais da parte do auditor independente, sendo que se pode adotar tal procedimento para auditoria em outras áreas, podendo ocorrer três situações básicas, segundo a Resolução CFC 1.035/2005 que aprovou a NBC T 11.4: 11.4.5.1. [...] quando a entidade nunca foi auditada, situação que requer atenção do auditor independente, visto que ela não tem experiência anterior de um trabalho de auditoria; quando a entidade foi auditada no período imediatamente anterior, por auditor independente, situação que permite uma orientação sobre aquilo que é requerido pelo auditor independente; e quando a entidade não foi auditada no período imediatamente anterior, situação que requer atenção do auditor independente, porquanto as Demonstrações Contábeis que servirão como base de comparação não foram auditadas. 11.4.5.2. Assim sendo, nessas circunstâncias, o auditor independente deve incluir no planejamento de auditoria: análise dos saldos de abertura, procedimentos contábeis adotados, uniformidade dos procedimentos contábeis, identificação de relevantes eventos subsequentes ao exercício anterior e revisão dos papéis de trabalho do auditor anterior. A execução dos procedimentos de auditoria deve ser realizada através de provas seletivas, testes e amostragens, em razão da complexidade e volume das operações, ficando sob a responsabilidade do auditor, com base na análise de risco de auditoria e outros elementos de que dispuser. Assim deverá o auditor determinar a amplitude dos exames necessários à obtenção dos elementos de convicção que sejam válidos para o todo. 11.1.2.2 – Os testes de observância visam à obtenção de razoável segurança de que os procedimentos de controle interno, estabelecidos pela administração, estão em efetivo funcionamento e cumprimento. 11.1.2.3 – Os testes substantivos visam à obtenção de evidência quanto à suficiência, exatidão e validade dos dados produzidos pelo sistema contábil da entidade, dividindo-se em: testes de transações e saldos; e procedimentos de revisão analítica. Etapas da auditoria e exame dos registros Nesse contexto afirma-se que as etapas da atividade de auditoria estão fundamentadas em testes de observância e substantivos dos fatos e atos apurados e documentados, afastando e evitando assim as suposições ou “achômetros”. A NBC T 11 conceitua os testes de observância e substantivos da seguinte maneira: 43 O processo de teste em auditoria deverá ser exercido através de procedimentos formais e passíveis de verificação por todos os interessados, bem como deve ser suficiente para formar uma opinião técnica, sólida e coerente. A Resolução CFC 1024/05 aprova a NBC T 11.3 que trata dos papéis de trabalho e da documentação de auditoria. 11.3.1.1 – Esta norma estabelece procedimentos e critérios relativos à documentação mínima obrigatória a ser gerada na realização dos trabalhos de auditoria das demonstrações contábeis. 11.3.1.3 – Os papéis de trabalho constituem a documentação preparada pelo auditor ou fornecida a este na execução da auditoria. Eles integram um processo organizado de registro de evidências da auditoria, por intermédio de informações em papel, meios eletrônicos ou outros que assegurem o objetivo a que se destinam. Procedimentos técnicos básicos O auditor, ao iniciar uma auditoria, irá avaliar os controles internos da empresa. Entende-se por controles internos todos os instrumentos da empresa destinados à vigilância à fiscalização e à verificação administrativa, que permitam prever, observar, dirigir os acontecimentos que ocorrem dentro da empresa e que por ventura produzam reflexos em seu patrimônio. Diante dessa afirmação, o principal instrumento de controle de que dispõe uma administração é a contabilidade, portanto, meios de controle interno serão todos os registros, livros, fichas, mapas, boletins, papéis, formulários, pedidos, notas, faturas, documentos, guias, impressos, ordens internas, regulamentos e demais instrumentos utilizados pela empresa. Esses instrumentos serão utilizados pelos gestores para exercer o controle sobre os fatos e atos ocorridos na empresa que de algum modo possam intervir no funcionamento ou em seu patrimônio. Para avaliar esses instrumentos de controle, o auditor terá que aplicar testes a fim de verificar a veracidade e qualidade destes. A seguir, apontam-se os procedimentos técnicos básicos que o auditor deve levar em consideração quando da aplicação dos testes de observância e substantivos, segundo a NBC T 11: 11.2.6.2 [...] inspeção – exame de registros, documentos e de ativos tangíveis; Auditoria observação – acompanhamento de processo ou procedimento quando de sua execução; 44 investigação e confirmação – obtenção de informações junto a pessoas ou entidades conhecedoras da transação, dentro ou fora da entidade; cálculo – conferência da exatidão aritmética de documentos comprobatórios, registros e demonstrações contábeis e outras circunstâncias; e revisão analítica – verificação do comportamento de valores significativos, mediante índices, quocientes, quantidades absolutas ou outros meios, com vistas à identificação de situação ou tendências atípicas. 11.2.6.3 – Na aplicação dos testes de observância, o auditor deve verificar a existência, efetividade e continuidade dos controles internos. 11.2.6.4 – Na aplicação dos testes substantivos, o auditor deve objetivar as seguintes conclusões: existência – se o componente patrimonial existe em certa data; direitos e obrigações – se efetivamente existentes em certa data; ocorrência – se a transação de fato ocorreu; abrangência – se todas as transações estão registradas; e mensuração, apresentação e divulgação – se os itens estão avaliados, divulgados, classificados e descritos de acordo com os Princípios Fundamentais de Contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade. [...] a auditoria faz seu trabalho através de testes e raramente executa exames integrais. Quando a seleção de testes recomendar o exame de lançamentos contábeis, o auditor não se deve satisfazer com a simples verificação do lançamento, mas deve ir além, examinando detidamente o documento que justifica, ou deu origem, ao lançamento. Com a devida atenção, o auditor verificará se o documento é legítimo e autêntico; se se refere realmente à operação escriturada; se essa operação corresponde aos objetivos da empresa; se o documento está corretamente preenchido, inclusive quanto a datas, destinatários, cálculos e outros dados intrínsecos. Verificará se o lançamento tem a correspondente contrapartida e se esta é adequada. ( FRANCO; MARRA, 1991, p. 235) Quanto à obtenção das informações necessárias à auditoria, observa-se que as fontes externas tendem a fornecer informações mais confiáveis do que as obtidas na entidade auditada. A circularização é o procedimento técnico através do qual se expede cartas dirigidas a pessoas ou empresas que conheçam as atividades da empresa que está sendo auditada. Essa correspondência tem a finalidade de confirmar ou não ao auditor a situação pesquisada, em resumo é a confirmação formal, por terceiros não ligados a auditada, de fatos gerados na empresa. A informação proveniente dessa fonte provavelmente será mais confiável, pois é isenta de qualquer interesse ou protecionismo. Etapas da auditoria e exame dos registros De qualquer forma deve-se buscar informações sobre a empresa através de fontes internas e externas, entrevistando pessoas que conheçam as atividades da empresa auditada, a fim de se compreender o funcionamento dos processos descritos nos manuais da empresa. As fontes a serem pesquisadas internamente podem ser desde empregados operacionais até os gestores da empresa. Já as fontes externas podem ser clientes, fornecedores, bancos etc. O nome utilizado no processo de investigação e confirmação das informações externas é circularização. 45 Pedido de confirmação O pedido de confirmação é uma forma de o auditor validar as informações obtidas da auditada. Pode ser divido em positivo ou negativo. O pedido de confirmação positivo ocorre quando o auditor pede a terceiros que respondam à solicitação confirmando ou não a informação enviada. O pedido de confirmação pode ser branco ou preto. branco – quando os valores e os saldos a serem confirmados não são indicados na solicitação; preto – quando são indicados os valores e os saldos, em determinada data, a serem confirmados na solicitação. Já no pedido de confirmação negativo, entende-se que não havendo resposta por parte da pessoa a quem a confirmação foi solicitada, houve concordância em relação aos valores e saldos pesquisados. Esse procedimento é mais usado como complemento do pedido positivo. É aconselhável que essas solicitações sejam enviadas por carta registrada para garantir a confirmação do recebimento. Finalmente, o auditor deve proceder à revisão analítica considerando o grau de confiabilidade dos resultados alcançados, o objetivo dos procedimentos e, caso não obtenha informações objetivas suficientes para dirimir as questões suscitadas, deve efetuar verificações adicionais, até serem suficientes. Tempo estimado, referência e indicação dos exames Auditoria O tempo estimado é a indicação do tempo necessário para a execução dos procedimentos de auditoria, devendo-se levar em consideração a complexidade do trabalho, bem como a experiência profissional do auditor. A previsão, dentro do possível, não deve ser ultrapassada e, para isso, deve o auditor fazer previamente os levantamentos analíticos sobre a empresa, os controles internos e o sistema contábil. 46 Exames e testes devem ser planejados para serem executados inicialmente em áreas problemáticas. O julgamento profissional é essencial para assegurar que o tempo necessário e atenção apropriada sejam devotados aos assuntos mais importantes, e para minimizar o tempo nas áreas comuns ou itens normalmente usuais na auditoria. Na determinação de áreas prioritárias, a ênfase e o tempo devem ser baseados no conceito de relevância e nos riscos em que se fundamenta o conceito auditorial. (FRANCO; MARRA, 1991, p. 239) Ao formular a proposta de trabalho, segundo a NBC T 11.4 11.4.4.9 [...] o auditor independente deve apresentar uma estimativa de honorários e horas ao cliente – conforme determinam as Normas Profissionais de Auditoria Independente –, na qual prevê o cumprimento de todas as etapas do trabalho a ser realizado. No planejamento devem constar as horas distribuídas entre as várias etapas do trabalho e entre os integrantes da equipe técnica se houver. A referência ou REF. serve para indicar o papel de trabalho, devidamente codificado, em que o procedimento de auditoria foi realizado, auxiliando e facilitando a localização do serviço desenvolvido pelo profissional. Já a indicação dos exames é utilizada para indicar de que forma o procedimento de auditoria foi executado. Essa indicação é feita através de notas explicativas, letras explicativas1, ou ainda em tiques explicativos2, podendo também ser feito através de simples referências cruzadas. Revisões e atualizações no planejamento e nos programas de auditoria Tanto a supervisão quanto a revisão devem ser planejadas para monitorarem desde a etapa inicial dos trabalhos, abrangendo o próprio planejamento, até o término do trabalho contratado com a empresa, com o intuito de minimizar os riscos de auditoria. A auditoria é um trabalho complexo, que envolve a aplicação de variados e sofisticados procedimentos para sua consecução. Em decorrência dessa complexidade e sofisticação, é inevitável que em todos os trabalhos de auditoria haja um grau de risco de que erros ou irregularidades existentes nos registros e nas demonstrações contábeis possam não ser detectados durante o procedimento auditorial. (FRANCO; MARRA, 1991, p. 248) Quando houver atualizações no planejamento e nos programas de auditoria, essas alterações têm de ser documentadas nos papéis de trabalho correspondentes, devendo ficar evidenciados, também, os motivos das modificações a que se procedeu. 1 Letras explicativas: utilizadas com o emprego de letra minúscula, tem como objetivo identificar algo mais que mera conferência documental, correspondem ao exame realizado pelo auditor, precisando de uma explicação adicional ao exame efetuado. 2 Tiques explicativos: sinais próprios que o auditor utiliza para indicar o exame realizado. Normalmente são empregados para evidenciar a fonte de obtenção ou conferência de um valor. Esse artifício procura economizar tempo e espaço, bem como extinguir a necessidade de repetir explicações e facilitar a revisão dos papéis de trabalho. Etapas da auditoria e exame dos registros Com essa colocação, finalmente pode-se concluir que o planejamento e os programas de auditoria devem ser revisados permanentemente, como forma de o auditor independente avaliar se houve algum erro ou irregularidade ou mesmo avaliar as modificações nas circunstâncias e os seus reflexos na extensão, oportunidade e natureza dos procedimentos de auditoria a serem aplicados. Principalmente quando algum evento importante ocorreu ou quando há movimentação de grandes valores. 47 Texto complementar Desmistificando o trabalho da auditoria (MÜLLER, 2008) O trabalho do auditor pode ser importante arma na luta contra a corrupção nas organizações. O trabalho de auditoria muitas vezes é percebido como mera avaliação das atividades do Departamento de Contabilidade de uma organização. Com a chegada do auditor, os funcionários normalmente se sentem vigiados e ficam intranquilos. O trabalho de auditoria, ainda que em algumas situações especiais necessite fazer fiscalizações rigorosas, não tem como objetivo policiar profissionais ou suas atividades. A auditoria deve ser compreendida como um conjunto de ações de assessoramento e consultoria. A verificação de procedimentos e a validação dos controles internos utilizados pela organização permitem ao profissional auditor emitir uma opinião de aconselhamento à direção ou ao staff da entidade em estudo, garantindo precisão e segurança na tomada de decisão. Muitas vezes o trabalho é executado com a finalidade de atender a interesses de acionistas, investidores, financiadores e do próprio Estado, ou para cumprir normas legais que regulam o mercado acionário. É comum, ao término de uma auditoria, a emissão de um documento formal, conhecido como Parecer da Auditoria, que serve para publicação junto às Demonstrações Financeiras ou Contábeis, no encerramento de um período ou do exercício social, por força de exigência da legislação. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é a entidade regulamentadora da profissão e do exercício profissional, sendo a responsável pela fiscalização do segmento. As formas de auditoria Auditoria As formas mais conhecidas de auditoria definem-se quanto à extensão, à profundidade e à tempestividade. 48 Extensão – segundo o juízo do auditor quanto à confiança que tenha nos controles internos e no sistema contábil, essa forma de auditoria pode ser: Geral – quando abrange todas as unidades operacionais. Parcial – quando abrange especificamente determinadas unidades operacionais. Por amostragem – a partir da análise do controle interno e recorrendo-se a um modelo matemático, identificam-se áreas de risco e centram-se os exames sobre essas áreas. Profundidade Integral – inicia-se nos primeiros contatos de uma negociação, estencompra pagamento dendo-se até as informações finais (pedido contabilização Demonstrações Contábeis). Compreende o exame minucioso dos documentos (origem, autenticidade, exatificação); dos registros (contábeis, extracontábeis, formais/informais e de controle); do sistema de controle interno (quanto à eficiência e à aderência); e das informações finais geradas pelo sistema. Por revisão analítica – esta é uma das metodologias para a qual emprega-se o conceito de Auditoria Prenunciativa, segundo o qual auditar é administrar o risco. Opera-se com trilhas de auditoria mais curtas, para obter razoável certeza quanto à fidedignidade das informações. Tempestividade Permanente – pode ser constante ou sazonal, porém em todos os exercícios sociais. Esse processo oferece vantagens à empresa auditada e aos auditores, especialmente quanto à redução de custos e de tempo de trabalho. Como as áreas de risco são detectadas no primeiro planejamento, o acompanhamento pelos auditores definirá aquelas já eliminadas e as novas que possam ter surgido. Assim, o auditor pode focar seu trabalho e diminuir as visitas, pela facilidade de detecção de problemas. Auditoria interna e externa Existem diferenças entre o trabalho do auditor externo, profissional contratado pela organização para a realização do trabalho de forma independente, sem vínculo empregatício, e o do auditor interno, funcionário integrante dos quadros da empresa. Enquanto este pretende testar a eficiência dos controles internos e dos sistemas utilizados, Etapas da auditoria e exame dos registros Eventual – sem caráter habitual ou periodicidade definida, exige completo processo de ambientação dos auditores e de planejamento todas as vezes em que vai ser feita. 49 o auditor externo é um consultor que pode auxiliar na melhor adequação dos registros contábeis da empresa, inclusive com a emissão do Parecer, se necessária. O auditor interno preocupa-se com o desenvolvimento do empreendimento da entidade e o auditor externo, com a confiabilidade dos registros. Embora operando em diferentes graus de profundidade/extensão‚ a auditoria interna e a auditoria externa têm interesses comuns, daí a conexão existente no trabalho de ambas. Notadamente no campo contábil, os exames são efetuados, geralmente, pelos mesmos métodos. A auditoria externa, em virtude de sua função garantidora no exame de fidedignidade das Demonstrações Financeiras, pode utilizar-se de parte dos serviços da auditoria interna, sem, contudo, deixar de cumprir o seu objetivo. Deve, portanto, coordenar suas ações de modo que seus programas adotem procedimentos idênticos e impeçam a execução de tarefas repetidas. Auditoria X corrupção O Brasil é um dos países menos auditados do mundo. A Ernst & Young, uma das principais e maiores empresas no ramo em todo o mundo, levantou alguns números interessantes sobre a relação entre o número de habitantes e a quantidade de auditores, parâmetro para medir o percentual do trabalho de auditoria em cada país. A Argentina possui 13 205 habitantes por auditor, o Chile, 8 711. Na Alemanha são 4 558 habitantes por auditor, na França, 4 310 e nos Estados Unidos, 2 327. Alguns países mostram números ainda mais significativos, como o Canadá, com 1 508 habitantes, a Inglaterra, com 1 316, ou ainda a Holanda, com 899 habitantes por profissional. Pode-se evitar ou eliminar o risco de fraudes e de erros nas organizações com o trabalho do auditor. O Brasil possui apenas um auditor para 24 615 habitantes! Talvez tivéssemos menos corrupção em nosso país se esses números fossem diferentes [...] Espera-se que essa visão possa trazer aos empresários e a todos os usuários do trabalho de auditoria uma percepção mais apurada da atividade desenvolvida e de sua importância, não apenas como promotora de uma ação específica, mas no acompanhamento da saúde dos controles organizacionais. Auditoria Atividades 50 1. A atividade de auditoria desenvolve-se em etapas. Descreva quais são essas etapas, seu desenvolvimento e objetivos. 2. A auditoria poderá apresentar-se de diversas formas, sendo que cada uma delas tem características próprias que poderão ser classificadas conforme o quê? Etapas da auditoria e exame dos registros 51 Auditoria 3. Aponte os procedimentos técnicos que o auditor deve levar em consideração quando da aplicação dos testes de observância e substantivos. 52 Etapas da auditoria e exame dos registros 53