Ano 6 l 12ª Edição l Setembro 2013
A aula passeio auxilia no aprendizado
teórico da sala de aula
Quando se
canta todo
mundo bole...
“O chefe da polícia pelo telefone mandou me avisar/
Que na Carioca tem uma roleta para se jogar (...)”
A rima acima faz referência ao
primeiro samba registrado no Brasil, em
1916. Consta nos arquivos da Biblioteca
Nacional, que a obra musical “Pelo telefone” é de autoria dos músicos Ernesto Joaquim Maria dos Santos (Donga) e Mauro de Almeida. Esses e outros grandes
sambistas se encontravam na casa de Tia
Ciata, no Rio de Janeiro, famosa na época
por reunir os maiores músicos do período,
em rodas de samba animadas. Essas e
outras informações históricas fazem parte
de uma pesquisa, realizada pelos alunos
do 5º ano vespertino, que adentraram no
universo da música popular brasileira e
conheceram, de perto, a arte do samba.
Através desse estudo, a professora Kátia relacionou o assunto aos conhecimentos das diferentes disciplinas: História
do Brasil, Língua Portuguesa (através da
interpretação das letras das músicas) e
Geografia. Visita a uma escola de samba
de Natal, conversa com o maestro Gilberto Cabral da Silva sobre o assunto e apre-
Visita do 5o ano vespertino à
escola de samba Balanço do
Morro, localizada nas Rocas
sentações de seminários para os pais estiveram entre as atividades realizadas em
torno do tema.
“Entrar pelo viés do samba foi
oferecer aos alunos a possibilidade de ter
contato com a origem de uma cultura tão
enraizada. Também foi uma forma de valorizar as diferentes camadas sociais, quebrando axiomas, para que esses estudantes se tornem mais questionadores e mais
críticos em relação à sua própria história”,
destaca a diretora Ana Priscila Griner.
Um modo especial
de ser Casa Escola
A segunda metade do ano letivo,
reserva-nos ainda muito por fazer, mesmo que cada dia deixe a sensação de
missão cumprida. Projetos por turma,
Semana da Poesia, Dialogando com os
Pais, Viveiro, Jogos Internos, Vernissage, Comemoração do Dia da Família,
Olimpíada da Astronomia, lançamento
de foguetes, passeios, festa junina, colônia de férias, assembleias, conselhos
de classe, grupos de responsabilidade,
calourada – eventos e atividades da nossa rotina escolar que representam uma
cultura peculiar e identifica o modo especial de ser Casa Escola. Nessa mesma
atmosfera, de aprofundamento nas pequenas coisas, o portfólio da Educação
Infantil ficou mais consistente e o ensino
da Língua Inglesa ganhou um espaço
maior. Dentro desta perspectiva, estamos nos preparando para a chegada da
Exposição Pedagógica, na qual serão
comemorados os 30 anos da escola.
Portanto, sintam-se previamente convidados a participar de mais um momento
absorvente, em que os alunos revelarão
ser os principais atores de suas conquistas e aprendizagens. Nesta edição do Informativo mostramos um pouquinho das
nossas conquistas ao longo de 2013.
Mundo das
artes visuais
Durante o 1º semestre, as aulas de artes do
Ensino Fundamental I e II foram preenchidas com
cores, texturas e traçados. Os alunos conheceram
o trabalho de 13 artistas do Estado e sensibilizaram
seus olhares para a contemplação de suas obras.
Entre os nomes que participaram do Projeto, estiveram os artistas Ammer Jácome, Darcy Dalva e João
Natal. Após esse contato com os artistas e inspirados em suas obras, os alunos recriaram releituras,
cuja estética encantou os visitantes durante o Vernissage, que ocorreu no mês de maio.
Visita do 2º ano matutino ao
estúdio de Ammer Jácome
Hora da Verdade
“Fui aluna da Casa Escola por cerca de 10 anos e hoje ainda lembro com carinho dos
momentos e das pessoas que fizeram todo esse período especial. A Casa Escola representa
uma grande parte do que sou hoje e das coisas que aprendi a amar, como ler. Desde pequena, o
projeto da biblioteca, com o incentivo à leitura, mesmo aos que não sabiam ler, contribuiu para
minha formação e a minha paixão pelos livros. Crescer em um ambiente plural, onde as diferenças eram respeitadas e incentivadas, não oprimidas, apenas trouxe influências positivas. De
forma geral, possuo boas lembranças da Casa Escola, principalmente do sentimento acolhedor,
dos amigos que passaram e dos que continuaram na minha vida”.
Anna Beatriz Ubarana Oliveira, 19 anos
Ex-aluna da Casa Escola, atualmente cursa Direito na UERN
Priscila Griner
Diretora
Interdisciplinaridade
revela avanços no
processo de aprendizagem
Alunos fazem um manifesto contra
a indiferença dos governantes em
relação às reais necessidades do
povo sertanejo
Português, Matemática, História e Ciências. Disciplinas aparentemente dissociadas que
se mesclam e ampliam o alcance dos conhecimentos adquiridos pelos alunos em sala de aula.
A integração das disciplinas escolares a partir da
compreensão dos fatores que intervêm sobre a realidade é uma das marcas da interdisciplinaridade.
Ela possibilita, aos estudantes, estender a capacidade de interpretar a realidade à sua volta, no desenvolvimento de um olhar crítico, aberto a diferentes formas de contextualização e pontos de vista.
O recurso educacional está entre as prioridades da filosofia de ensino do Instituto Educacional Casa Escola, que desenvolve projetos, eventos
escolares e aulas de campo voltados à formação
de cidadãos críticos, conscientes e com maior autonomia sobre as suas atitudes. “A partir de uma
temática específica, como esportes ou sobre a
estrutura das favelas, por exemplo, os alunos são
incitados a relacionarem os diversos saberes às
suas vivências pessoais e a desenvolverem impressões particulares sobre o mundo e suas diversidades”, destaca Ana Priscila Griner, diretora da
Casa Escola.
Quem foi à festa junina do IECE teve a
oportunidade de conferir como a interdisciplinaridade pôde ser trabalhada até mesmo nas comemorações da escola. Durante a celebração, além
das tradicionais quadrilhas, brincadeiras e delícias
típicas da data, os alunos realizaram um manifesto
sobre a lamentável situação vivida pelo povo nordestino em decorrência da seca, principalmente a
deste ano. No evento, a poesia e as charges (parte
da decoração do palco) ganharam espaço através
de homenagens a grandes artistas, como Patativa
do Assaré e Luiz Gonzaga, que redesenharam a
seca como retrato do descaso de governantes, e
não como um reflexo da pobreza na região.
Jogos Internos
No JIECE 2013, as brincadeiras antigas foram
trabalhadas como resgate da cultura popular, dentre
elas a queimada e o cabo-de-guerra, sem deixar de
lado os esportes tradicionais, como natação e atletismo.
Em cada prova, os alunos se mostraram solidários uns
com outros independentemente de estarem em equipes diferentes. E o melhor: durante todos os jogos, os
participantes arrecadaram donativos para a Cruz Vermelha a fim de amenizar o sofrimento enfrentado pelas
vítimas da Seca. Que venha o próximo JIECE!
A decoração da festa junina do IECE
foi inspirada em charges, ressaltando
a crítica à Indústria da Seca.
O trabalho
dos alunos
chamou a
atenção da
imprensa e
virou notícia
Alunos participam da Olimpiada
Brasileira de Astronomia
Duas garrafas pet, água e ar
comprimido, conhecimentos básicos
de astronomia e muita criatividade. Tais
elementos foram suficientes para que os
alunos do Ensino Fundamental I e II realizassem, em sala de aula, a confecção
de foguetes capazes de alçar voos de até
50 metros de distância . O que poderia
ser apenas uma brincadeira de criança
se tornou realidade no dia 05 de maio,
quando os alunos da Casa Escola participaram de mais uma etapa da Olimpíada
Brasileira de Astronomia (OBA), organizada anualmente pela Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), em parceria com a
Agência Espacial Brasileira (AEB).
Os protótipos de veículos espaciais montados pelos próprios estudantes, sob a atenta orientação dos
professores das diferentes turmas, foram lançados no CAIC de Lagoa Nova.
Durante a competição, os resultados de
cada voo foram registrados no site da
OBA, por uma convenção interna. Para o
professor de Ciências do IECE, responsável pelo andamento das distintas etapas
do projeto, Jorge Raminelli, a participação dos alunos em atividades paralelas,
agregando prática à teoria, foi importante
para expandir e sedimentar saberes acerca da Astronomia e de outras disciplinas
afins. “Livro didático não é tudo. É preciso
colocar o aluno para pensar. A ideia da
educação de hoje não é medir conhecimento, mas ajudar a desenvolver diversas habilidades ”, acredita.
Esta foi a primeira vez que a aluna
Sofia Latorraca, do 7º ano, participa da
competição. “A gente montou o foguete
durante a aula de Ciências, no laboratório
da escola. Foi uma ótima experiência”,
ressalta a aluna. “Nosso lançamento foi
de 28,70m, alcançamos a meta que buscávamos”, comemora satisfeito o aluno
Pedro Yuuki, do 6º ano. A participação
dos estudantes do IECE na competição
nacional pela 5ª vez consecutiva foi destaque na Inter TV Cabugi e no portal G1.
Do uso ao lixo
O projeto que surgiu em 2012, a partir do interesse dos
alunos do 1º ano matutino pelo uso exagerado das novas tecnologias, surpreendeu; e diante do sucesso, foi indicado para participar do concurso Construindo a Nação, promovido pelo Sesi.
A aposta obteve resultado positivo, pois em agosto deste ano, a
ex-professora da turma, Giselle Dionísio, e seus antigos alunos
receberam o prêmio na categoria Destaque Social. Através do
questionamento “Como cuidar do lixo eletrônico?”, o trabalho dos
alunos despertou a conscientização acerca da reutilização e bom
uso do lixo eletrônico.
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