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DIRECTOR Pe. José Mario O. Mandía | ANO 67 | Nº 27 | 14 de NOVEMBRO de 2014 | SEXTA-FEIRA
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EDIÇÃO TRILINGUE | TRILINGUAL EDITION | SEMANÁRIO CATÓLICO DE MACAU | PREÇO 12.00 Mop
www.oclarim.com.mo
SUPLEMENTO PÁGs. I
Portugal reabre
consulado em Cantão
A
VIII
CHEFE DO EXECUTIVO FAZ BALANÇO DO ÚLTIMO ANO DE MANDATO
Caminho para a Luz?
LOCAL PÁG. 5
Alexis Tam e Raimundo
do Rosário em destaque
LOCAL PÁG. 5
Os Livros
Apócrifos
ECLESIAL PÁG. 11
DESTAQUE PÁG. 2
14 de Novembro de 2014 | SEXTA-FEIRA | O CLARIM
AUDI MOTORSPORT
EDOARDO MORTARA QUER VENCER PELA SÉTIMA VEZ EM SEIS ANOS
«A competição é mais forte este ano»
O italiano Edoardo Mortara
apresenta-se no Grande Prémio
de Macau com a pretensão
de conquistar a sétima vitória
consecutiva num dos traçados
que lhe deu a possibilidade de se
manter no desporto automóvel
como profissional. Em entrevista
a’O CLARIM o piloto da Audi
Motorsport deixa elogios ao
Circuito da Guia, mas é cauteloso
sobre o desfecho na Taça GT,
ao prever a forte concorrência
dos “velhos conhecidos” Marco
Wittmann, Augusto Farfus, JeanKarl Vernay, Laurens Vanthoor,
Maro Engel e Ranger van der
Zande.
O CLARIM – Vem a Macau para tentar vencer pela sétima vez em seis anos
consecutivos. Como se sente ao ser
apelidado de “Senhor Macau”?
EDOARDO MORTARA – Para ser
honesto, não me nutre nenhum sentimento em especial. Estou apenas feliz
por ter a oportunidade de voltar todos
os anos porque gosto deste lugar.
CL – Espera vencer e quebrar outro
recorde de vitórias?
E.M. – Claro que gostaria de vencer, mas não espero nada em especial.
Vencer requer muitas coisas. O fim-de-semana deve ser perfeito, não apenas
do meu lado, mas também da parte técnica. Já é fantástico ter conseguido vencer seis vezes consecutivas. Além disso,
a competição vai sei mais forte este ano.
CL – O que lhe atrai assim tanto no
Circuito da Guia?
E.M. – A pista é fantástica. Há muitas curvas rápidas para uma traçado
citadino. É muito pouco usual e o ambiente é óptimo.
CL – Está feliz por fazer parte da família Audi Motorsport?
E.M. – Certamente que estou.
CL – Terminou a temporada em 5º
lugar no DTM, o seu melhor resultado até ao momento na categoria. Na
Taça GT Macau terá a concorrência
de Marco Wittmann, actual campeão
do DTM, e de Augusto Farfus, ambos
num BMW. Adivinha-se uma corrida
difícil...
E.M. – Sim, será. E vou encará-los
numa pista amigável para nós, com um
carro que provou ser competitivo este
ano. Por isso, estou muito feliz em poder correr contra eles em Macau. Para
mim será uma oportunidade de obter
uma espécie de vingança [do DTM].
É preciso não esquecer outros pilotos:
Jean-Karl Vernay, Laurens Vanthoor,
Maro Engel, [Ranger] van der Zande.
São muitos.
CL – Num “post” publicado na sua
conta do Facebook, imediatamente
após a última corrida do DTM deste
ano, mencionou que Macau é a sua segunda casa. Porquê?
E.M. – Por causa dos resultados que
obtive e porque sem todas estas boas
prestações em Macau a minha carreira
não teria sido a mesma.
CL – Como descreve a sua progressão no DTM desde a primeira temporada em 2011?
E.M. – É difícil falar sobre a minha
progressão. O campeonato do DTM é
muito estranho. Às vezes tem-se a impressão que se faz um trabalho muito
bom, mas os resultados não aparecem.
Outras vezes é o contrário. Nunca se
sabe se estamos ou não a ser competitivos. A única coisa que posso dizer é
que sinto que progredi desde 2011, e
isto é o mais importante.
CL – Quais os maiores feitos que
conquistou no desporto motorizado?
E.M. – Foram as seis vitórias em Macau, na F3, na Taça Audi R8 LMS e na
Taça GT; o título na F3 Euro Series, em
2010; e a vitória nas 24 Horas de Daytona
[em 2013, na classe GT, fazendo equipa
com Filipe Albuquerque, Olivier Jarvis
e Dion von Moltke]. Todos estes resultados foram muito importantes para a
minha carreira, porque permitiram que
atingisse um patamar superior. Sem estes resultados nunca teria a possibilidade de ser um piloto profissional.
CL – E as piores experiências?
E.M. – Vão para a temporada de
2009 no GP2; a temporada de 2013 no
DTM; e a última corrida de 2014 no
DTM.
CL – A Fórmula 1 ainda está nos
seus planos?
E.M. – Não, não está mais. Estou feliz onde estou e espero continuar por
muito tempo no desporto motorizado,
com a esperança de continuar na família Audi.
CURRÍCULO
Edoardo Mortara, natural da Suíça,
mas actualmente a correr com bandeira
italiana, competiu nos karts entre 1999
e 2005. No ano seguinte terminou em 4º
lugar na Fórmula Renault Italiana. Em
2007 classificou-se em 8º na Fórmula 3
Euro Series e, ao estrear-se no Grande
Prémio de Macau, obteve a 10ª posição
na Fórmula 3. As boas exibições continuaram na época seguinte, ao terminar
em 2º na Fórmula 3 Euro Series e em 2º
na corrida de Fórmula 3 do Grande Prémio de Macau. A consagração no Circuito da Guia surgiu em 2009, ao volante de
um Fórmula 3, apesar do 14º lugar na
GP2 Series e do 11º na Asia GP2 Series.
A época de 2010 foi corada de sucessos,
após conquistar o título no campeonato
da Formula 3 Euro Series e a 1ª posição
no Grande Prémio de Macau em Fórmula 3. EM 2011 juntou-se à Audi e começou a competir no DTM, terminando em
9º na classificação geral. Em 2012 registou progressos assinaláveis no DTM, ao
classificar-se em 5º, em contraste com o
21º posto do ano passado. Contudo, em
2013 também venceu as míticas 24 Horas
de Daytona (classe GT) e alcançou vitórias no duplo fim-de-semana do Grande
Prémio de Macau, na Taça Audi R8 LMS
e na Taça GT Macau. Pelos seus feitos alcançados no Circuito da Guia é frequentemente apelidado de “Senhor Macau”
ou “Rei de Macau”.
O CLARIM
Semanário Católico de Macau
SEXTA-FEIRA | 14 de Novembro de 2014
II
CAMPEONATO DO MUNDO DE CARROS DE TURISMO
Monteiro defende quarto lugar da geral
O português Tiago Monteiro pode
garantir o melhor resultado de sempre
no Campeonato do Mundo de Carros
de Turismo (WTCC, na sigla inglesa),
caso mantenha a 4ª posição da geral
que ostenta à entrada para derradeira
etapa da temporada, a ser disputada no
Circuito da Guia.
Quando ainda pode conquistar 55
pontos no máximo – cinco pelo melhor
tempo na qualificação e 25 pela vitória
em cada uma das duas corridas – o piloto oficial da Honda, com 174 pontos,
vai ter que se defender de quatro adversários que ainda têm hipóteses matemáticas de ascenderem ao 4º lugar
do mundial. Ou seja, Norbert Michelisz
(169), Gabriele Tarquini (167), Tom
Coronel (148) e Tom Chilton (144).
O argentino José Maria López (422),
a grande revelação do campeonato, vai
confirmar o título em Macau. A última
etapa do calendário será também palco de decisão dos 2º e 3º classificados,
entre os franceses Yvan Muller (305) e
Sébastien Loeb (275), colegas de equipa de López na Citroën.
Na ronda inaugural, disputada em
Marrocos no segundo fim-de-semana
de Abril, o argentino mostrou todo o
seu potencial ao vencer a primeira prova e ao ficar em 2º lugar na segunda
corrida (venceu Loeb), enquanto Monteiro não foi além das 5ª e 10ª posições.
Yvan Muller, detentor do ceptro
mundial, apareceu em força no fim-de-semana seguinte, ao terminar em
1º e 2º na etapa francesa, com José
Maria López a levar a melhor na segunda corrida. Tiago Monteiro também esteve em plano de evidência, ao
cruzar a linha de chegada em 8º e 3º
na jornada dupla realizada no circuito de Paul Ricard.
Partindo da 10ª posição na primeira
corrida, o piloto da Honda tentou ganhar posições aos seus adversários, embora tivesse consciência que não podia
arriscar demasiado já que as hipóteses
de conseguir um bom resultado estavam depositadas na segunda prova –
largava em 3º – de forma que terminou
a primeira corrida em 8º.
Na segunda prova fez um arranque
notável até à liderança e após ganhar
uma margem confortável para os seus
adversários viu a intenção de vencer
ficar mais distante com a entrada do
“safety-car” em pista, o que originou a
junção do grupo perseguidor e colocou
os Citroën na traseira do seu carro.
A partir daí a hipótese de fazer frente aos principais rivais tornou-se numa
tarefa difícil de concretizar face à maior
velocidade das máquinas de José Maria
López e de Yvan Muller, acabando Monteiro por terminar em 3º.
As boas exibições do português continuaram na Hungria, ao cruzar a linha
de chegada em 3º e 2º no traçado de
Hungaroring. O piloto da Honda subia
assim ao 4º posto da geral (65 pontos),
atrás de Sébastien Loeb (84), Yvan Muller (105) e José María López (115).
LOPÉZ EM FORÇA
Na Eslováquia aconteceu algo pouco usual no WTCC, ao ser anulada a
segunda corrida por causa do temporal que se abateu na pista. Na primeira
prova tinha ganho o francês Sébastien
Loeb, nove vezes campeão do mundial
de ralis com a Citroën.
A jornada da Áustria consagrou Yvan
Müller e José Maria Lopéz como vencedores das duas corridas disputadas no
circuito de Salzburgring, o que permitiu reforçar a liderança da marca gaulesa nos construtores.
A grande surpresa na Rússia foi a vitória na segunda corrida do chinês Ma
Qing Hua, enquanto José Maria Lopéz
mantinha a liderança do campeonato
ao vencer a primeira prova. O registo
de Tiago Monteiro quedou-se pelo 7º
lugar, seguido de abandono, resultados
que mantinham o português em 4º no
mundial.
José Maria Lopéz continuou o seu
passeio triunfal no circuito belga de
Spa-Francorchamps ao classificar-se em
2º e 1º na jornada dupla, enquanto Tiago Monteiro não foi além do 6º e do 4º
postos.
A correr em casa o argentino fez o
pleno no Autódromo Termas de Río
Hondo, ao vencer ambas as corridas.
O francês Yvan Müller ficou em 3º nas
duas provas, imediatamente atrás do
húngaro Norbert Michelisz (Honda),
na primeira corrida, e do britânico
Robert Huff (Lada), na segunda. Tiago Monteiro também assinou uma boa
prestação ao conseguir dois 5os lugares.
ÁSIA
Chegados ao continente asiático, os
britânicos Tom Chilton e Robert Huff
venceram a primeira e segunda corridas no Circuito de Goldenport Park
(Pequim), enquanto Tiago Monteiro,
apesar de não ter pontuado, manteve o
4º lugar com 146 pontos.
A caravana do WTCC deslocou-se
depois para Xangai, com o argentino
José Maria Lopéz a vencer a primeira
corrida, tendo o marroquino Mehdi
Bennani levado a melhor na segunda
prova, enquanto Tiago Monteiro se
quedava nas 7ª e 2ª posições.
O argentino viria a sagrar-se virtual
campeão do WTCC, após vencer e ficar
em 6º na jornada dupla realizada em
Suzuka (Japão). A sorte foi madrasta
para o piloto português, que não foi
além de um duplo 9º.
Além de José Maria Lopéz, o Circuito da Guia vai também consagrar os
outros campeões mundiais: A Citroën
nos construtores, o alemão Franz Engstler no Troféu Yokohama de Pilotos e
a ROAL Motorsport no Troféu Yokohama de Equipas.
O CLARIM
Semanário Católico de Macau
SEXTA-FEIRA | 14 de Novembro de 2014
III
FÓRMULA 3
Verstappen e Ocon contra todos
O holandês Max Verstappen e o francês
Esteban Ocon são os principais favoritos
a vencer o Grande Prémio de Macau em
Fórmula 3.
Max Verstappen, filho do antigo piloto de Fórmula 1, Jos Verstappen, ficou
em 3º lugar na presente temporada do
Campeonato Europeu de Fórmula 3
e conduziu um Toro Rosso nos treinos
livres de sexta-feira durante os Grandes
Prémios de Fórmula 1 do Japão e dos Estados Unidos.
O holandês da equipa Van Amersfoort
Racing vai estar sobre grande pressão
em obter um bom resultado no Circuito
da Guia, porque já foi confirmado como
piloto oficial da Toro Rosso, substituindo no próximo ano o francês Jean-Éric
Vergne, que ainda poderá permanecer
na formação italiana, após ser confirmada a saída de Sebastian Vettel no final da
temporada, da Red Bull para a Ferrari.
O principal obstáculo de Verstappen
será o desconhecimento que tem do circuito de Macau, visto tratar-se de um estreante. Os treinos livres vão servir para
se adaptar ao traçado citadino, devendo
depois mostrar todo o potencial na pro-
va classificativa de sábado e na corrida
decisiva de Domingo.
O grande rival será o francês Esteban
Ocon (SJM Theodore Racing by Prema),
que venceu o Campeonato Europeu de
Fórmula 3 e disputou três corrida na
Fórmula Renault 3.5. O piloto, que está
integrado no programa de jovens pilo-
48º GRANDE PRÉMIO DE MOTOS
Rutter quer a desforra
O britânico Michael Rutter (Yamaha), vencedor por oito vezes da corrida de motos, vai tentar contrariar o
favoritismo do compatriota Ian Hutchinson (Kawasaki), o campeão do
ano passado que tinha voltado à competição após 18 meses de ausência devido a lesão.
Rutter, prestes a cumprir a vigésima
participação no Circuito da Guia, não
pôde na edição do ano passado desferir o ataque final à liderança devido
ao acidente de Dean Harrison, que
desencadeou a amostragem da bandeira vermelha a duas voltas do fim da
corrida, facto que o impossibilitou de
repetir a presença no degrau mais alto
do pódio, ao invés do que tinha acontecido em 2012.
Outro forte candidato à vitória final
é John McGuinness (Honda) que, tal
como os compatriotas Rutter e Hutchinson, tem competido em prestigiadas corridas de estrada, com destaque para a Ilha de Man. McGuiness vai
apresentar-se em Macau com intenção
de conquistar a sua segunda vitória,
depois de ter alcançado a glória em
2001, bem como a obtenção de cincos
segundos lugares em dezasseis participações no Circuito da Guia.
Os olhares deverão estar igualmente centrados no vencedor da edição de
2010, o britânico Stuart Easton (Kawasaki), que tem como cartão de visita as
três vitórias no Grande Prémio de Macau
(2008, 2009 e 2010) e o título britânico
de Supersport (2013). Também Gary Johnson, outro representante de terras de
Sua Majestade, vai querer fazer melhor
do que o 3º lugar do ano passado.
As surpresas podem surgir do norte-americano Jeremy Toye (Kawasaki), 3º
em 2010, do britânico Martin Jessopp
(BMW), 2º em 2011, e do austríaco
Horst Saiger (Kawasaki), 5º em 2012.
O contingente português limita-se à
participação de André Pires (Yamaha),
que repete a presença após o 13º posto
em 2013, e de Nuno Caetano (Kawasaki), que tem como melhor resultado
o 24º lugar alcançado em três edições.
Outro foco de interesse é acompanhar
as prestações do canadiano Dan Kruger (Kawasaki), do britânico Peter Hickman (BMW) e do irlandês Michael
Sweeney (Kawasaki), todos estreantes
em Macau.
tos da Lotus F1, deu boas indicações no
recente teste efectuado na pista de Fiorano (Itália) pela Ferrari, uma semana
após ter conduzido pela primeira vez
um bólide de Fórmula 1, no circuito de
Valência (Espanha) com um Lotus de
2012.
O espanhol Roberto Merhi será outro
adversário a ter em conta, depois de ter
ficado em 3º na Fórmula Renault 3.5 e
de fazer o treino livre de sexta-feira do
Grande Prémio de Itália de Fórmula 1
pela Catherham.
À espreita de algum deslize de Vestarppen, Ocon e Merhi, bem como de um
lugar no pódio, vão estar o italiano Antonio Fuoco e o canadiano Nicholas Latifi
(ambos da Theodore), o norte-americano Gustavo Menezes (Van Amersfoort
Racing), o britânico Tom Blomqvist (Jagonya Ayam with Carlin), o sueco Felix
Rosenqvist (Kashbet.com by Mucke Motorsport) e o monegasco Stefano Coletti
(EuroInternational).
Outro ponto de interesse é saber se a
SJM Theodore Racing by Prema irá revalidar o título conquistado na edição do
ano passado pelo britânico Alex Lynn.
O CLARIM
Semanário Católico de Macau
SEXTA-FEIRA | 14 de Novembro de 2014
IV
JOÃO MANUEL COSTA ANTUNES, COORDENADOR DA COMISSÃO DO GRANDE PRÉMIO DE MACAU
«Tentamos seleccionar os melhores»
O Grande Prémio de Macau
entra numa nova era com a
introdução no programa de
corridas exclusivamente com
registo internacional, ficando
por isso de fora as provas de
apoio para os pilotos locais. A’O
CLARIM, João Manuel Costa
Antunes, coordenador do evento
há vinte e cinco anos, falou sobre a
evolução da estrutura organizativa,
a selecção dos melhores
profissionais e o futuro do evento
que tem projectado o território no
mundo. E de uma coisa disse estar
certo: «O Circuito da Guia é seguro».
O CLARIM – Lidera a coordenação do
Grande Prémio desde 1988, apenas com
uma interrupção em 1999 por estar destacado para o Gabinete de Coordenação
da Cerimónia de Transferência [de Macau]. Esperava que o evento de desporto
motorizado tivesse assim tanto sucesso
após todos estes anos?
COSTA ANTUNES – Desde o início
houve sempre um forte apoio tanto do
Governo, como de Macau, em relação
a este projecto, do qual me foi dada a
possibilidade de desenvolvê-lo. Em 1988
o Grande Prémio de Macau já era reconhecido mundialmente. Por isso não se
pode dizer que começámos do zero, porque já tinha no seu programa corridas
de grande gabarito, tais como o Grande
Prémio de Fórmula 3, a corrida de motos e a célebre Corrida da Guia que ao
longo dos anos teve vários figurinos.
CL – De que forma evoluiu a estrutura organizativa?
C.A. – Quando iniciei funções a parte
técnica era praticamente toda importada. Existia um número muito restrito
de pessoas de Macau que trabalhava
na organização, até porque havia toda
uma coordenação externa, mais concretamente de Hong Kong. Foi então possível começar a formar um corpo local
inicialmente treinado através do Automóvel Clube de Portugal e, mais tarde,
conjuntamente com os técnicos da FIA.
Ao dar-se a constituição do Automóvel
Clube de Macau foi possível criar a estrutura agora existente, praticamente
toda local, excepto os técnicos internacionais que vêm exercer as funções de
“steward” ou de “race director”.
CL – Que novidades para a edição de
2014?
C.A. – É o primeiro ano em que todas as corridas do programa têm registo internacional, por isso não temos as
chamadas corridas de apoio ou corridas
locais. Significa isto que todos os pilotos
ANA MARQUES
têm de ter uma licença desportiva internacional e também foram dadas condições aos pilotos locais para atingirem
esta plataforma. Tem havido uma grande preocupação em apoiar os pilotos locais para se conseguir um nível cada vez
mais internacional [da competição].
CL – Será que o facto de ter liderado
a Direcção dos Serviços de Turismo durante vinte e três anos também ajudou
a projectar o Grande Prémio além-fronteiras?
C.A. – É evidente que sim. Desde 1988
até 2001 o Grande Prémio era organizado dentro do Turismo, numa estrutura
de projectos especiais. Pensou-se que era
vantajoso criar uma comissão organizadora que por si só não estivesse dentro da
estrutura organizativa dos Serviços de Turismo, e continuei a acumular funções.
Mas na realidade o Turismo, a par da
Polícia de Segurança Pública, da Saúde,
das Obras Públicas, etc., tem assento na
Comissão Organizadora do Grande Prémio e nas subcomissões dessa comissão,
além de também ser responsável por uma
matéria muito importante, ao ter a liderança da parte promocional do Grande
Prémio. Daí haver anúncios publicitários
durante o Grande Prémio nos vários canais de televisão e de haver acções promocionais na feiras de turismo, etc.
CL – É dos poucos eventos que real-
mente promove Macau no mundo...
C.A. – Penso que actualmente – e
preso pessoalmente por ter participado na sua génese – o Festival Internacional de Música, agora dirigido pelo
Instituto Cultural de Macau, já tem um
impacto muito grande e um reconhecimento, senão mundial, pelo menos
internacional e regional. O próprio
Concurso Internacional de Fogo de
Artifício é impar no mundo. Também
foi criado pelo Turismo. Temos o Open
de Golfe de Macau, as Regatas Internacionais de Barcos-Dragão e o Grande
Prémio Internacional de Karting...
CL – Que evolução denota existir em
Macau com toda esta série de eventos?
C.A. – Diria que se há algo que regista
um bom desenvolvimento ao longo dos
anos em Macau é que a organização de
eventos a nível internacional ajuda não
só a desenvolver todo um espírito na
cidade que envolve a sua comunidade,
mas também o reconhecimento internacional. O impacto do Grande Prémio de
Macau a nível mundial é muito grande.
Para esta edição temos já inscritos cerca
de mil profissionais da Imprensa e quarenta canais de televisão.
CL – O caso Mike Trimby – deixou
de estar ligado à organização do Grande Prémio de Motos após 2011 – já está
esquecido?
C.A. – Todos os anos tentamos seleccionar o melhor programa para o Grande Prémio, da mesma forma que tentamos seleccionar os melhores assessores
e consultores.
CL – O Circuito da Guia é seguro?
C.A. – O Circuito da Guia é seguro,
com certeza. Se não fosse seguro não estava licenciado pela FIA, nem pela Federação Internacional de Motociclismo...
CL – Trata-se de uma pista citadina,
sem escapatórias nem protecções que
atenuem a queda de um motociclista.
Neste circuito já morreram pilotos de
carros e de motos...
C.A. – Com certeza que é seguro! Em
todos os circuitos de deporto motorizado tem havido acidentes, alguns deles
mortais. Um dos principais objectivos
que pauta a organização é a segurança
dos pilotos.
CL – Que futuro para o Grande Prémio?
C.A. – Prevejo um futuro brilhante
na medida em que foi recentemente
reafirmado pelo Governo de Macau o
interesse em continuar a desenvolver o
projecto. Portanto, temos o apoio não
só do nosso presidente [da Comissão
do Grande Prémio, o secretário para
os Assuntos Sociais e Cultura], como
também do nosso Chefe do Executivo
[Fernando Chui Sai On].
O CLARIM
Macau Catholic Weekly
FRIDAY | 14TH November 2014
V
JOÃO MANUEL COSTA ANTUNES, COORDINATOR OF MACAU GRAND PRIX COMMITTEE
“We try to select the best”
The Macau Grand Prix is now
at dawn of a new era with the
introduction of races exclusively
integrated into international
competitions and for that there
are no more support races
for local pilots. Engineer João
Manuel Costa Antunes, event
coordinator for 25 years, talks
with O CLARIM about the
evolution of the organizational
structure, the selection of the best
professionals and the future of
the event that has projected the
Territory worldwide. He is also
sure about something: “The Guia
Circuit is safe.”
You have led the coordination of the
Macau Grand Prix since 1988, with only
one interruption in 1999 to join the Macau Handover Ceremony Coordination
Office. Did you expect that this motorsport event would have such success after
all these years?
From the beginning there has always
been a strong support of both the Government and Macau for the project
that I was given the opportunity to develop. In 1988 the GP was already recognized worldwide. So we cannot say that we
started from scratch, because there were
already prestigious races, such as Formula 3 GP, the motorcycle race and the
famous Guia Race with different competition formats throughout the years.
How was the evolution of the organizational structure?
When I started this project most of the
experts were from overseas. There was
a very limited number of people from
Macau who worked in the organization,
because there was an external coordination, namely from Hong Kong. It was
then possible to begin to form a local
body, initially trained by the Automobile
Club of Portugal and later together with
the officials of the FIA. After the foundation of the Automobile Club of Macau it
was possible to create the existing structure with local people, except for the
international officials who come to take
their roles as steward or race director.
What’s news for this edition?
This is the first time that all races are
integrated in an international program
basis, so we don’t have the so-called
support races or the races for local racers. This means each of the competitors must have an international driver’s
license and we also gave to local racers
the opportunity to reach this platform.
There has been a great concern to support them to achieve an increasingly
ANA MARQUES
international level (of the competition).
You led the Macau Government
Tourist Office (MGTO) for 23 years.
Did this fact contribute to promote the
GP overseas?
Yes, of course. From 1988 until 2001
the GP was organized within the MGTO
in a body for special projects. Afterwards came the idea that it would be more
expedient to create create a committee
that is separated from MGTO which I
could be able to accumulate functions.
Though in reality MGTO, along with
the Public Security Police, the Health
Bureau Services, the Public Works Bureau and others, takes part in the Macau
Grand Prix Committee and the related
subcommittees, it is also responsible for
a very important matter, which is to take
the leadership of the advertising strategy
for the GP. That’s why we may see [the
advertisements] during the GP in several TV channels. Besides, MGTO also
promotes the event in several tourism
roadshows and more.
It is one of the fewest events that actually projects Macau worldwide…
I think – and I proudly saying that I
have taken part of its genesis – the International Music Festival, now run by the
Macau Cultural Affairs Bureau, already
has a very big impact and a great recognition, if not worldwide, at least in an
international and a regional level. The
Macau International Fireworks is a unique one in the world. It was also created
by MGTO. We also have in the Territory
the Macau (Golf) Open, the International Dragon Boat Races, the International Kart Grand Prix…
Do you realize any progress for Macau due to this whole series of events?
If I would name any strong development throughout these years in Macau,
one would be the organization of the international events that helps not only to
develop the whole spirit in the city that
also embraces the community, but also the
international recognition. The impact of
the GP is huge worldwide. For this edition
he have the accreditation of around 1,000
staff press and 40 TV stations.
Is Mike Trimby’s case already forgotten? He was no longer linked to the organization of the Motorcycle GP after
2011…
We try every year to select the best
program for the GP in the same way we
try to select the best advisors and consultants.
Is it safe to race at Guia Circuit?
For sure the Guia Circuit is safe.
Otherwise it would not be licensed by
the FIA, or by the International Motorcycling Federation…
It’s a narrow street circuit without
protection that had resulted in the incident of a rider falling off. On this track
both car and motorcycle racers have already died.
Of course it is safe! In all circuits
around the world there have been accidents, some of them end up in fatalities.
One of the main concerns of the Grand
Prix Committee is to ensure the racers’
safety.
What’s the future for the Macau
Grand Prix?
I forecast a bright future because the
Macau Government has recently reaffirmed its interest in continuing to develop this project. Therefore, the support
came from our president (of the Grand
Prix Committee, the Secretary for Social
and Cultural Affairs), as well as from
Macau’s Chief Executive (Mr. Fernando
Chui Sai On).
O CLARIM
Macau Catholic Weekly
FRIDAY | 14TH November 2014
FORMULA 3 MACAU GRAND PRIX
FIA WTCC – GUIA RACE
Nº
DRIVER
NAT.
TEAM
Nº
DRIVER
NAT.
TEAM
01
Esteban OCON
FRA
SJMTheodore Racing by Prema
01
Yvan MULLER
FRA
Citroen Total WTCC
02
Antonio FUOCO
ITA
SJMTheodore Racing by Prema
02
Garbriele TARQUINI
ITA
Castrol Honda WTC Team
03
Nicholas LATIFI
CAN
SJMTheodore Racing by Prema
04
Tom CORONEL
NLD
ROAL Motorsport
05
Max VERSTAPPEN
NLD
Van Amersfoort Racing
05
Norbert MICHELISZ
HUN
Zengo Motorsport
06
Gustavo MENEZES
USA
Van Amersfoort Racing
09
Sébastien LOEB
FRA
Citroen Total WTCC
07
Kenta YAMASHITA
JPN
Tom’s
10
Gianni MORBIDELLI
ITA
ALL-INKL.COM Munnich Motorsport
14
Tom BLOMQVIST
GBR
Jagonya Ayam with Carlin
12
Robert HUFF
GBR
LADA Sport Lukoil
15
Antonio GIOVINAZZI
ITA
Jagonya Ayam with Carlin
18
Tiago MONTEIRO
POR
Castrol Honda WTC Team
20
Felix ROSENQVIST
SWE
JZR/ Mucke Motorsport
26
Filipe C. DE SOUZA
MAC
Liqui Moly Team Engstler
25
CHANG Wing Chung
MAC
Team West-Tec F3
33
Ma Qing Hua
CHN
Citroen Total WTCC
28
Roberto MERHI
SPA
W66.com Double R Racing
37
José Maria LÓPEZ
ARG
Citroen Total WTCC
29
Stefano COLETTI
MCO
EuroInternational
44
MAK Ka Lok
MAC
RPM Racing Team
MACAU ROAD SPORT CHALLENGE
MACAU GT CUP
Nº
DRIVER
NAT.
TEAM
01
WONG Wan Long
MAC
TIR Racing Team
02
WONG Tak Fai
MAC
World Racing Team
03
YAM Chi Yuen
HKG
YAM Chi Yuen
05
Tatsuya TANIGAWA
JPN
Vang Iec Racing Team
6
LEONG Iam Veng
MAC
Macau David Racing Team
07
LEI Kit Meng
MAC
RPM Racing Team Macau
18
Mitsuhiro KINOSHITA
JPN
Mitsuhiro KINOSHITA
69
MIAU, Scott Matthew
TPE
PTRS Racing Team
Nº
DRIVER
NAT.
TEAM
01
Edoardo MORTARA
ITA
Audi Race Experience
02
Laurens VANTHOOR
BEL
Audi Race Experience
04
Jean-Karl VERNAY
FRA
Absolute Bentley Racing
5
Maro ENGEL
GER
Mercedes-AMG Driving Academy
6
Renger VAN DER ZANDE
NED
Mercedes-AMG Driving Academy
10
André COUTO
MAC
Direction Racing
20
Rodolfo ÁVILA
MAC
ART Motorsports
23
Danny WATTS
GBR
United Autosports
38
Rui ÁGUAS
POR
Spirit of Race SA
55
Darryl O’YOUNG
HKG
Craft-Bamboo AMR
63
Renger VAN DER ZANDE
NED
Mercedes-AMG Driving Academy
72
Earl BAMBER
NZL
LKM Racing – Porsche
88
Keita SAWA
JPN
FUN88 Racing
Nº
DRIVER
NAT.
TEAM
91
Augusto FARFUS
BRA
Team AAI
01
LUI Man Kit
MAC
RPM Racing Team
92
Marco WITTMANN
GER
Team AAI
02
Rui VALENTE
MAC
24-32 Racing Team
93
Carlo VAN DAM
NED
Team AAI
03
YAN Cheuk Wai, Andy
HKG
亞遊集團車隊
04
CHOU Keng Kuan
MAC
Fu Lei Loi Racing Team
06
Hélder BRITO DA ROSA
MAC
Hélder LAM Brito DA ROSA
11
Célio ALVES DIAS
MAC
Fu Lei Loi Racing Team
13
MA Hon Wah, Kenneth
HKG
FRD Ford HK Racing Team
20
Álvaro MOURATO
MAC
Cheong Kun Racing Team
29
Charoensukhawatana NATTAVUDE
THA
Team Endless
45
ZHANG Han Biao
CHN
亞遊集團車隊
48TH MACAU MOTORCYCLE GRAND PRIX
MACAU TOURING CAR CUP
Nº
NOME
NAC.
MARCA
01
Ian HUTCHINSON
GBR
Paul Bird Motorsport Ltd.
02
Michael RUTTER
GBR
Milwaukee Yamaha
03
Horst SAIGER
AUT
Saiger-Racing.com
04
John MCGUINNESS
GBR
RAF Reserves
05
Stuart EASTON
GBR
Paul Bird Motorsport Ltd.
06
Michael DUNLOP
GBR
BMW UK-Hawk Racing Machine
07
Gary JOHNSON
GBR
Quattro Plant Motorsport
Nº
NOME
NAC.
09
James MCBRIDE
GBR
JV Racing
01
David ZHU
CHN
10
Mark MILLER
USA
Splitlath Motorsports
03
TSE Wing Kin, Kevin
MAC
14
André PIRES
POR
CF Racing Team 32
08
Denise YEUNG
HKG
18
Nuno CAETANO
POR
FMP Team Portugal
09
TSOU Ting Fu
TPE
22
Stephen THOMPSON
GBR
Penz13.com BMW Motorrad
16
Hélder ASSUNÇÃO
MAC
40
Martin JESSOPP
GBR
Riders Motorcycles BMW
66
POON Tak Chun, Paul
HKG
57
Jeremy TOYE
USA
AREA 57 Kawasaki Penz13.com
88
Joseph Rosa MERSZEI
MAC
CHINESE RACING CUP
VI
O CLARIM
Semanário Católico de Macau
SEXTA-FEIRA | 14 de Novembro de 2014
VII
ANDRÉ COUTO – V
Taça GT e Troféu Audi Ásia
MANUEL DOS SANTOS
Este fim-de-semana, no Grande Prémio
de Macau, André Couto irá enfrentar
um novo desafio. Tripular um carro desconhecido. De novo, irá dar um salto no
escuro, usando os treinos livres para ver
como se “porta” o carro, o que se poderá
fazer para o afinar para um circuito extremamente exigente e difícil. É preciso
coragem! Ainda consegue ser uma aventura mais interessante do que quando
se estreou ao volante de um Fórmula 3,
neste mesmo circuito, nos idos de 1995
do milénio passado.
Mas por que André vai ter todo este
trabalho?
A Audi, a fábrica do carro com que
tem corrido ultimamente, pertença da
Brother Racing Team, precisava de vários “updates” para poder voltar a ser
competitivo em Macau. Por razões não
explicadas, a fábrica não estava em posição de fornecer as peças necessárias.
Quando a equipa Direction Racing lhe
propôs a vinda ao Circuito da Guia, com
um Ferrari 458 GT3, André aceitou, apesar do risco. Segundo ele, está habituado
a competir ao mais alto nível e situações
deste tipo não são raras.
Dando uma vista de olhos à lista de
inscritos para a Taça GT, chegamos à
conclusão de que não terá uma corrida,
nem simples, nem fácil. Pela primeira
vez, irá correr numa prova, em Macau,
em que Rodolfo Ávila também se encontra inscrito.
Edoardo Mortara está de volta, com
um Audi R8 LMS Ultra, da Audi Race
Experience, para tentar uma incrível
sétima vitória no Circuito da Guia, sendo secundado pelo belga Laurens Vanthoor, um óptimo piloto que conhece
Macau de dentro de um Fórmula 3. A
Audi conta ainda com mais cinco carros,
três dos quais, R8 LMS Ultra – destaque
para Adderly Fong, de Hong Kong, um
piloto que poderá lutar por um lugar no
pódio – um Audi R8 Cup e um R8 LMS,
que devem apenas “ajudar à festa”.
A Mercedes Benz foi eliminada no
ano passado por dois problemas mecânicos que deixaram os carros de Estugarda
fora da corrida a duas voltas do fim. Os
mesmos pilotos, o alemão Maro Engel
e o sul-africano Van der Zande, voltam
com carros idênticos aos do ano passado, com especificações de 2014. Vão
tentar quebrar a série de vitórias consecutivas de Mortara e da Audi. O japonês
Takeshi Tsuchyia completa a esquadra
da Mercedes.
Em BMW Z4 GT3 participam dois
nossos velhos conhecidos, o brasileiro
Augusto Farfus e o alemão Marco Wittmann. O piloto francês Jean-Karl Vernay
vem a Macau com um fantástico Bentley
Continental GT3. Pensamos que não
DIRECTION RACING
será o carro ideal para o Circuito da
Guia, sendo demasiado pesado. É um
modelo mais adequado a provas de “endurance” do que a provas de velocidade,
ainda para mais quando se trata de um
circuito citadino com as características
do da Guia. Um carro muito veloz que
não tão rápido poderá deparar-se com
problemas de travões, especialmente no
final da zona rápida do circuito, tanto
na curva do Hotel Lapa (ex-Mandarim),
como na famosa Curva do Lisboa.
O japonês Keita Sawa regressa de
novo com um Lamborghini Gallardo
GT3. Sendo um “habitué” do Circuito da Guia, onde já venceu duas vezes,
Sawa é conhecido como um homem que
não gosta de perder e poderá impor-se
a muitos dos outros pilotos mais qualificados. Há um Nissan GTR-Nismo GT3,
tripulado por outro bom piloto, o japonês Katsuma Chyo que conhece bem o
carro, talvez não tanto o circuito, mas
que mesmo assim poderá impor a sua
potência.
A Ferrari junta em Macau uma mini-armada de cinco Ferraris 458 GT3.
André Couto vem este ano, como já
dissemos, com um destes carros, dos
quais desconhecemos as possibilidades reais. O português Rui Águas, o
singaporeano Mok Weng Sun, o chinês Liu Xu e o tailandês Pasin Lathouras são os outros pilotos que aposta-
ram na icónica marca italiana.
Nada menos que sete Porsches estão
inscitos para a edição deste ano da Taça
GT. Destaque absoluto para o neozelandês Earl Bamber, que no ano passado se graduou pela academia Porsche,
vencendo o Troféu Porsche em Macau,
e que vem com um competitivo GT3R,
e com vontade de ser o melhor. Audi,
Mercedes, BMW e Porsche, estamos perante um verdadeiro duelo germânico.
O piloto de Hong Kong, Siu Yuk
Lung, também vai tripular um GT3R,
mas não temos a certeza que seja um carro tão competitivo como o de Bamber,
que tem apoio de fábrica. Há mais cinco
Porsches 997 GT3 Cup 3.8, onde destacamos os pilotos macaenses Rodolfo Ávila e Vong Keng Fai, e os provenientes de
Hong Kong, Wayne, John Shen e Francis
Tjia. Ao que nos explicaram, trata-se de
carros menos competitivos que os 911
GT3 e não deverão andar lá muito na
frente.
Ainda teremos a oportunidade de ver
um Aston Martin Vantage GT3 nas mãos
do piloto chinês Jiang Xin. Os britânicos
Danny Watts e Richard Iain Meins trazem dois McLaren MP4-12C GT3. Não
estamos muito seguros do que estes pilotos possam fazer em Macau. No ano
passado, dois destes carros lutaram contra os Ferrari, a meio do pelotão, sendo
que as prestações este ano não deverão
ser diferentes. Samson Chan Kai Yiu, de
Hong Kong, apresenta-se com um Ford
GT3.
A Taça GT está ultrapassar o Campeonato do Mundo de Carros de Turismo
(WTCC) no que respeita ao espectáculo, competitividade e sucesso junto do
público – dentro de fora de Macau – devido a diversos factores que se prendem
com o abandono da categoria pelos fabricantes mais importantes, com o desgaste que a prova tem tido em termos de
audiência e com a competitividade da
Taça GT.
A prova deverá ser, como o foi nos últimos três anos, uma das corridas a ser
seguida, desde as primeiras voltas nos
treinos livres, até à bandeira de xadrez.
Depois de Macau, André Couto ainda tem que “acertar” as contas no Troféu Audi Ásia, onde se encontra em segundo lugar atrás do piloto malaio Alex
Yoong a apenas sete pontos de distância.
Para vencer o campeonato precisa de
vencer ou ficar no segundo lugar, desde
que Yoong não fique nos quatro primeiros lugares. André foi sempre o piloto
mais rápido do campeonato, com “pole
positions” consecutivas, tendo sofrido
três acidentes provocados por terceiros,
que lhe fizeram perder 75 pontos.
A última corrida será o tudo ou nada.
FIM
14TH November 2014 | FRIDAY | O CLARIM
EDOARDO MORTARA AIMS TO CLINCH HIS 7TH WIN IN SIX YEARS
“The competition is stronger this year”
Audi Motorsport’s Edoardo
Mortara has in his mind
to win his 7th race for six
years in a row in one of the
few tracks that gave him
the opportunity to become
a professional driver. To
O CLARIM he cheers the
fantastic circuit of Macau
Grand Prix and expects
great competition in GT
Cup from “old friends”
Marco Wittmann, Augusto
Farfus, Jean-Karl Vernay,
Laurens Vanthoor, Maro
Engel and Ranger van der
Zande.
You come to Macau Grand Prix
trying to win your 7th race for
six years in a row. How do you
feel by being called Mr. Macau?
It doesn’t give me any special
feeling to be honest. I’m just
happy to being able to come
back every year because I like
the place.
Do you expect to win and
break another victory record?
Of course I’d like to win again
but I don’t expect anything special. Winning requires many
things. Weekend should be perfect not only from my side but
also from the technical side. It
has already been fantastic to be
able to win six times in a row.
On top of that, competition will
be even stronger this year.
What attracts you so much
about Guia Circuit?
The track is fantastic. There
are a lot of fast corners in a city
track. It’s pretty unusual and
the entire environment is great.
Are you happy being part of
Audi Motorsport’s family?
Sure.
This season you have finished 5th overall in DTM, your
best result as far in the championship. In Macau GT Cup
you will be facing Marco Wittmann, the current DTM champion, and Augusto Farfus, both
driving for BMW. I suppose this
will be a tough competition…
It will be, yes. And I will be facing them in a friendly track for
us with a proven competitive
car this year. So I’m very happy
actually to face them in Macau.
It will be an opportunity for me
to get a sort of revenge [from
DTM]. Let’s not forget also the
others: Jean-Karl Vernay, Laurens Vanthoor, Maro Engel,
Ranger van der Zande. There
are many of them.
In a post made on your Facebook account right after the last
race of DTM season you claimed that Macau is your second
home. Why is that so?
Because of the results I claimed in Macau and because without all these good nice results
my career wouldn’t have been
the same.
Tell us a bit about your DTM
progression since your first season in 2011.
It’s difficult to speak about
my progression. DTM championship is very strange. Sometimes you have the feeling
you do a very good job but you
don’t get results. In other times
it’s the opposite. You sort of never know if you’re going to be
competitive or not. The only
thing I can tell is that I feel I’ve
improved since 2011 and this is
the most important thing.
What were your best achievements in motorsports? Please
elaborate.
They were my six Macau victories in F3 and GT, my F3 European Championship title in
2010 and my 24 Hours of Daytona victory [in 2013, on GT class,
with teammates Filipe Albuquerque, Olivier Jarvis and Dion von
Moltke.] All these results were
very important in my career and
allowed me to go to the “next
level”. Without them I wouldn’t
have had the possibility to become a professional driver.
How about your worst experiences?
That should be my 2009 season in GP2, my 2013 season
in DTM and last DTM race in
2014.
Is Formula 1 still in your
plans?
No, it’s not anymore. I’m
happy where I am and hope to
keep on working in motorsport
for a long time, hopefully in the
Audi family.
CURRICULUM
Born in Switzerland and currently race under the Italian
flag, Mr Edoardo Mortara started on karts in 1999 until 2005.
On the next year he competed
in Italian Formula Renault where he finished in 4th place. In
2007 he was 8th in Formula 3
Euro Series and on his debut in
Macau Grand Prix he finished
10th in Formula 3 race. On the
next year he did strong performances in both competition and
finished 2nd in Formula 3 Euro
Series and 2nd in Macau Grand
Prix Formula 3. The winning of
Guia Circuit happened in 2009
on the wheels of a Formula 3,
despite his 14th place in GP2
Series and 11th place in Asian
GP2 Series on that same season. 2010 was a successful year
for Mr. Mortara after he clinched the Formula 3 Euro Series championship and the 1st
place in Macau Grand Prix Formula 3 race. On the following
season he joined Audi and started to compete in DTM where
he finished 9th overall. In 2012
he could progress to 5th place
in DTM, but last year he had a
though season due to his 21st
place in the championship.
Yet, he was strong enough to
win the 24 Hours of Daytona
(GT class) and scored the double weekend victories in Macau Grand Prix Audi R8 LMS
Cup and Macau GT Cup races.
Thanks to his achievements in
Guia Circuit, he is often referred to as Mr. Macau or the King
of Macau.
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61º Grande