UNIVERSIDADE DO ALTO VALE DO RIO DO PEIXE
CURSO DE PEDAGOGIA
LEANDRA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
BULLYING ESCOLAR
CAÇADOR
2011
LEANDRA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
BULLYING ESCOLAR
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
como exigência para a obtenção de título de
Licenciada em Pedagogia, no Curso de Pedagogia
ministrado, pela Universidade Alto Vale do Rio do
Peixe - UNIARP sob orientação do Profº Paulo
Roberto Gonçalves.
CAÇADOR
2011
BULLYING ESCOLAR
LEANDRA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS
Este Trabalho de Conclusão de Curso foi submetido (o) ao processo de avaliação
pelo professor Orientador de TCC, para a obtenção do Título de:
Licenciada em Pedagogia
E aprovada na sua versão final em ____/____/___, atendendo às normas da
legislação vigente da Universidade do Alto Vale do Rio do Peixe e Projeto
Pedagógico do Curso de Pedagogia.
_____________________________________________
Prof. Msc. Paulo Roberto Gonçalves
Coordenação de Pedagogia
______________________________________________
Prof. Msc Paulo Gonçalves
Professor Orientador do TCC
DEDICATÓRIA
A Deus, razão da minha existência.
Ao meu querido e amado pai Iracy Santos
(in memorian), pelo incentivo aos meus
estudos e por ser um exemplo de pessoa
para mim. Saudades.
A minha amada mãe Gleci Santos,
sempre presente nas dificuldades, um
baluarte em minha vida.
Ao meu adorado filho João Vitor, que é o
responsável pela minha luta em terminar
essa graduação. Meu eterno amor.
AGRADECIMENTOS
Minha gratidão, em primeiro lugar, a Deus, por estar comigo em todos os
momentos e iluminando-me, sendo meu refúgio e fortaleza nos momentos mais
difíceis. A ele, minha eterna gratidão.
A todos os que compartilharam o trilhar de mais esse caminho percorrido,
contribuindo, direta e indiretamente, para que eu realizasse este trabalho,
auxiliando-me e dando-me forças nos momentos em que mais precisei.
Agradeço à minha família, pelo apoio para que eu concretizasse essa
pesquisa, em especial a minha mãe Gleci pelo incentivo, dedicação, compreensão e
estímulo nas horas mais difíceis. E que através do seu silêncio me ensinou o diálogo
da vida.
A meu filho amado João Vitor pela paciência e compreensão nos momentos
de ausência.
A meus professores que fizeram dos meus estudos um significativo aprender,
transformando meus pensamentos e alargando meus entendimentos acerca da
educação.
E a todos que de alguma forma me ajudaram na conclusão do meu curso.
Muito obrigada.
EPÍGRAFE
“Amas muito os teus pequeninos,
não é assim?
Ama-os, que bem to merecem;
mas se lhes queres deixar uma riqueza
inigualável,
que nenhuma outra suplantará,
educa-os no amor de Deus,
no culto ao bem e no hábito do trabalho.
Se ficarem pobres de bens terrenos,
ficarão riquíssimos de virtude.”
Eça de Queiroz
RESUMO
Este Trabalho de Conclusão de Curso será o resgate de nossa trajetória no curso de
Pedagogia da UNIARP, curso com mais de 40 anos e que já formou centenas de
profissionais para atuar nas escolas da região. Durante o curso tivemos a
oportunidade de conhecer as diversas teorias educacionais desde a origem da
escola até os dias de hoje. O Currículo do curso nos ajudou a entender o
desenvolvimento do sujeito enquanto nos seus aspectos social, filosófico e
psicológico, bem como as diversas metodologias que contribuem para a atuação do
profissional na docência da educação infantil, anos iniciais, educação de adultos e
especialmente na educação especial. Durante o curso muitos problemas foram
levantados a respeito da atuação do profissional pedagogo nas escolas. Escolhemos
para aprofundar nossos estudos a violência nas escolas, no caso o Bullying. Este
fenômeno chamado de bullying é uma prática já enraizada no comportamento de
alguns estudantes e difícil de ser abolida do ambiente escolar. Sendo assim,
buscou-se verificar quais as estratégias desenvolvidas pelas escolas para reduzir o
bullying, identificar suas conseqüências e quais as soluções tomadas diante deste
comportamento. Com este estudo evidenciamos que os professores sabem
conceituar o Bullying, porém tem dificuldade para identificar, conhecer e agir em
caso de Bullying.
Palavras-chave: Bullying, ambiente escolar, docentes, estratégias.
ABSTRACT
This work of Course Completion will be the redemption of our track record in the
Faculty of Education UNIARP, stroke over 40 years and has trained hundreds of
professionals to work in local schools. During the course we had the opportunity to
meet the various educational theories from the beginning of school until the present
day. The curriculum has helped us understand the development of the subject while
in their social, philosophical and psychological as well as the various methodologies
that contribute to the professional's performance in teaching early childhood
education, early years, adult education and especially in education special. During
the course of many issues were raised about the performance of the professional
educator in schools. We chose to further our studies on violence in schools, in the
case Bullying. This phenomenon is called bullying as a practice rooted in the
behavior of some students and difficult to be abolished in the school environment.
Therefore, we sought to determine which strategies developed by schools to reduce
bullying, identify consequences and the solutions taken before this behavior. With
this study showed that the teachers know conceptualize bullying, but finds it difficult
to identify, understand and act in case of bullying.
Keywords: Bullying, school environment, teachers, strategies
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO .................................................................................................................................10
1. A PEDAGOGIA .............................................................................................................................. 12
1.1 Formação de Pedagogos .................................................................................... 12
1.2 A Pedagogia ........................................................................................................ 13
1.3 Pedagogia no Brasil ............................................................................................ 15
1.4 Ramos da Pedagogia .......................................................................................... 15
1.5 O Curso de Pedagogia na Uniarp ....................................................................... 17
2. A PEDAGOGIA E O BULLYING ESCOLAR ..................................................................... 19
2.1 Histórico do Bullying ............................................................................................ 20
2.2 O bullying: causas e consequências ................................................................... 22
2.3 A contribuição do estudo sobre bullying na formação do pedagogo ................... 33
CONCLUSÃO.......................................................................................................................... 37
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................................... 39
10
INTRODUÇÃO
Este trabalho de conclusão de curso tem o propósito de analisar a nossa formação
enquanto profissionais da educação. Durante quatro anos tivemos a oportunidade de ter o
conhecimento sobre as diversas áreas das ciências que contribuem para o desenvolvimento
do ser humano, a pedagogia traz-nos o entendimento de como podemos desenvolver o
trabalho desde a alfabetização na educação infantil, passando pelos anos iniciais e também
como trabalharmos com a alfabetização de jovens e adultos e especialmente com as
pessoas com deficiência através da educação especial. Prepara-nos para conhecermos
melhor a gestão escolar. Durante o Curso muitos assuntos e problemas foram levantados.
Escolhemos para nos aprofundar o tema: O bullying escolar, assunto tratado aqui, é
uma forma de violência caracterizada por agressões físicas ou morais entre alunos,
sejam crianças ou adolescentes, no interior da escola.
O bullying se encontra presente, possivelmente, em variadas situações, tais
como, colocar apelidos, ofender, zoar, gozar, humilhar, discriminar, excluir, isolar,
ignorar, intimidar, perseguir, assediar, aterrorizar, amedrontar, tiranizar, dominar,
agredir, bater, chutar, empurrar, ferir, difusão de boatos, fofocas, ofensas raciais,
étnicas ou de gênero, além de roubar e quebrar pertences de suas vítimas.
A escola é palco dessas agressões dia após dia sendo assim, ela é de suma
importância, e mais que qualquer outro ambiente e/ou meio é capaz de combater, e
acima de tudo conscientizar seus alunos de que bullying é uma agressão que afeta
não só a aprendizagem, mas também o lado afetivo de quem sofre, podendo causar
grandes tragédias, porém muitas escolas enfrentam esse tipo de agressão como
comportamento passageiro de períodos de vida muitas vezes deixando passar
impunes vítimas e agressores pelo fato de não realizarem um trabalho eficaz e
continuo.
A escola é um ambiente onde se espera, traga crescimento, aprendizado,
valores, e não qualquer forma de violência. Presumi-se que haja domínio por parte
dos educadores sobre as atitudes que não condizem com o papel da escola. A
expectativa sempre será que a instituição de ensino controle seus alunos, através da
disciplina, da educação, da orientação, mostrando assim, que é um espaço seguro
para eles.
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Este trabalho esta dividido: Sobre a Pedagogia, sua historia e o
desenvolvimento do curso na Uniarp, o estudo sobre o tema Bullying e sua
contribuição para a formação do pedagogo.
12
1. A PEDAGOGIA
1.1 Formação de Pedagogos
Atualmente, denomina-se pedagogo o profissional cuja formação é a
Pedagogia, que no Brasil é uma graduação e que, por parte do MEC - Ministério da
Educação e Cultura é um curso que cuida dos assuntos relacionados à Educação
por excelência, portanto se tratam de uma Licenciatura, cuja grade horário-curricular
atual estipulada pelo MEC confere ao pedagogo, de uma só vez, as habilitações em
educação infantil, ensino fundamental, educação de jovens e adultos, coordenação
educacional, gestão escolar, orientação pedagógica, pedagogia social e supervisão
educacional, sendo que o pedagogo também pode, em falta de professores, lecionar
as disciplinas que fazem parte do Ensino Fundamental e Médio, além se dedicar à
área técnica e científica da Educação, como por exemplo, prestar assessoria
educacional.
Sobre o sistema de formação de pedagogos Libâneo diz:
[...] O curso de pedagogia deve favorecer o pedagogo stricto sensu, isto é,
um profissional qualificado para atuar em vários campos educativos para
atender demandas socioeducativas de tipo formal e não formal decorrentes
de novas realidades, novas tecnologias, novos atores sociais, ampliação
das formas de lazer, mudanças nos ritmos de vida, presença dos meios de
comunicação e informação, mudanças profissionais, desenvolvimento
sustentando, preservação ambiental, não apenas na gestão, supervisão e
coordenação pedagógica de escolas, como também na pesquisa, na
administração dos sistemas de ensino, no planejamento educacional, na
definição de políticas educativas, nos movimentos sociais, nas empresas,
nas várias instâncias de educação de adultos, nos serviços de
psicopedagogia e orientação educacional, nos programas socais, nos
serviços para a terceira idade, nos serviços de lazer e animação cultural, na
televisão, no rádio, na produção de vídeos, filmes, brinquedos, na
requalificação profissional e etc. (LIBÂNEO, 2000, P, 31)
Devido a sua abrangência, a Pedagogia engloba diversas disciplinas, que
podem ser reunidas em três grupos básicos: disciplinas filosóficas, disciplinas
científicas e disciplinas técnico-pedagógicas.
13
O pedagogo não possui quanto ao seu objeto de estudo um conteúdo
intrinsecamente próprio, mas um domínio próprio (a educação), e um enfoque
próprio (o educacional), que lhe assegurara seu caráter científico. Como todo
cientista da área sócio-humana, o pedagogo se apóia na reflexão e na prática para
conhecer o seu objeto de estudo e produzir algo novo na sistemática mesma da
Pedagogia.
Tem ele como intuito primordial o refletir acerca dos fins últimos do fenômeno
educativo e fazer a análise objetiva das condições existenciais e funcionais desse
mesmo fenômeno. Apesar de o campo educativo ser lato em sua abrangência,
estritamente é as práticas escolares que constituem seu enfoque principal no seu
olhar
epistêmico,
embora
a
ação
não-escolar
venha
ganhando,
contemporaneamente, espaço significativo na ação e atuação do pedagogo.
O objeto de estudo do pedagogo compreende os processos formativos que
atuam por meio da comunicação e intercâmbio da experiência humana acumulada.
Estuda a educação como prática humana e social naquilo que modifica os indivíduos
e os grupos em seus estados físicos, mentais, espirituais e culturais.
Portanto, o pedagogo estuda o processo de transmissão do conteúdo da
mediação cultural - ensino - que se torna o patrimônio da humanidade e a realização
nos sujeitos da humanização plena e o processo pelo qual a apropriação desse
conteúdo ocorre - aprendizagem.
No plano das idéias, o grego Platão (427-347 a.C.) foi de fato o primeiro
pedagogo, não só por ter concebido um sistema educacional para o seu tempo,
mas, principalmente, por tê-lo integrado a uma dimensão ética e política. Para ele, o
objeto da educação era a formação do homem moral, vivendo em um Estado justo.
1.2 A Pedagogia
A palavra Pedagogia tem origem na Grécia antiga, paidós (criança) e agogé
(condução). No decurso da história do Ocidente, a Pedagogia firmou-se como
correlato da educação é a ciência do ensino. Entretanto, a prática educativa é um
fato social, cuja origem está ligada à da própria humanidade.
A compreensão do fenômeno educativo e sua intervenção intencional fez
surgir um saber específico que modernamente associa-se ao termo pedagogia.
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Assim, a indissociabilidade entre a prática educativa e a sua teorização elevou o
saber pedagógico ao nível científico. Com este caráter, o pedagogo passa a ser, de
fato e de direito, investido de uma função reflexiva, investigativa e, portanto,
científica do processo educativo.
Autoridade que não pode ser delegada a outro profissional, pois o seu campo
de estudos possui uma identidade e uma problemática própria. A história levou
séculos para conferir o status de cientificidade à atividade dos pedagogos apesar de
a problemática pedagógica estar presente em todas as etapas históricas a partir da
Antiguidade.
Para Libâneo:
[...] Pedagogia é o campo do conhecimento que se ocupa do estudo
sistemático da educação, isto é, do ato educativo, da prática educativa
concreta que se realiza na sociedade como um dos ingredientes básicos da
configuração da atividade humana. Nesse sentido, educação é o conjunto
das
ações,
processos,
influências,
estruturas,
que
intervêm
no
desenvolvimento humano de indivíduos e grupos na sua relação ativa com o
meio natural e social, num determinado contexto de relações entre grupos e
classes sociais. (LIBÂNEO, 2000, P.22)
São esses processos formativos que constituem o objeto de estudo da
Pedagogia, sendo que o campo educativo é bastante vasto, porque a educação
ocorre na família, no trabalho, na rua, na fabrica, nos meios de comunicação, na
política.
A Pedagogia é um campo de estudos com identidade e problemáticas
próprias. Seu campo compreende os elementos de ação educativa e sua
contextualização, tais como o aluno como sujeito do processo de socialização e
aprendizagem; os agentes de formação (inclusive a escola e o professor); as
situações concretas em que se dão os processos formativos (entre eles o ensino); o
saber como objeto de transmissão/assimilação; o contexto socioinstitucional das
instituições (entre elas as escolas e salas de aula).
Resumidamente, o objeto do pedagógico se configura na relação entre os
elementos da prática educativa: o sujeito que se educa o educador, o saber e os
contextos em que ocorre.
O termo pedagogo, como é patente, surgiu na Grécia Clássica, da palavra
(παιδαγωγός) cujo significado etimológico é preceptor, mestre, guia aquele que
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conduz; era o escravo que conduzia os meninos até o paedagogium. No entanto, o
termo pedagogia, designante de um fazer escravo na Hélade, somente generalizouse na acepção de elaboração consciente do processo educativo a partir do século
XVIII, na Europa Ocidental.
1.3 Pedagogia no Brasil
O curso de Pedagogia foi criado no Brasil em 1939 como bacharelado, na
Faculdade Nacional de Filosofia na Universidade do Brasil, numa Seção de
Pedagogia, servindo de modelo para os cursos ofertados por outras IES. O
bacharelado em Pedagogia tinha a duração de três anos, com o objetivo de formar
técnicos em educação.
Entre as reformas do regime militar, a reordenação do ensino superior,
decorrente da Lei 5.540/68, teve como conseqüência a modificação do currículo do
curso de Pedagogia, fracionando-o em habilitações técnicas, para formação de
especialistas, e orientando-o tendencialmente não apenas para a formação do
professor do curso normal, mas também do professor primário em nível superior,
mediante o estudo da Metodologia e Prática de Ensino de 1° Grau
1.4 Ramos da Pedagogia
Na Grécia antiga, o velho pedagogo (παιδαγωγός) com sua lanterna,
conduzia a criança (παιδόσ) até a palestra (παλαίστρα) e exigia que ela realizasse
as lições recomendadas. Esse παιδόσ tinha a idade entre sete e quatorze anos e
era sempre do sexo masculino. Faixa etária que corresponde hoje à das crianças
das séries iniciais do Ensino Fundamental de Nove Anos no Brasil.
Hoje, a figura do pedagogo clássico converteu-se no professor generalista
das Séries Iniciais do Ensino Fundamental e nos educadores não docentes que
atuam na administração escolar, mas com formação em pedagogia.
Além da Pedagogia no âmbito escolar, atualmente o papel do pedagogo
envolve outros ambientes de educação informal. Na realidade a pedagogia se divide
contemporaneamente em dois ramos: a Pedagogia Escolar e a Pedagogia nãoescolar.
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A Pedagogia Escolar tem o olhar para o processo formativo-educativo de
ensino e aprendizagem nas Instituições de Ensino Formal, as escolas, onde o
processo ensino e aprendizagem são curriculares, ainda que complementado por
atividades extracurriculares e transversalidade de tema, voltado para a formação
educativa do cidadão e do ser humano produtivo ao mundo do trabalho.
A Pedagogia não-escolar tem o olhar para dois processos formativoeducativos de ensino e aprendizagem: a educação referencial-afetiva que deve ser
construída pela família, no viés da ancestralidade, da consaguineidade e/ou da
afinidade parental, e onde o pedagogo tem papel de assessoria, consultoria,
atendimento clínico individual ou em grupo, e onde as Escolas de País têm sido uma
constante, na busca da formação básica didático-pedagógica de pais e responsáveis
para bem conduzir suas funções educativo-formativas junto aos seus filhos ou
pupilos; e também o olhar para a socioeducação, que é a educação na comunidade,
no vivido-compartilhado, no dia-a-dia, na rotina, no cotidiano, no trabalho, nas
Organizações, nas relações religiosas, enfim na vida sócio-comunitária em geral
(excluída a família e a escola).
A Pedagogia empresarial se ocupa de conhecimentos e competências
necessárias à melhoria da produtividade. As habilidades são na qualificação,
requalificação e treinamento dentro da empresa, nas atividades como coordenar
equipe multidisciplinar, gerar mudanças culturais e acompanhar o desempenho do
funcionário.
O pedagogo social ou socioeducador, que atua junto a organizações
sociocomunitárias ou socioassistenciais, tendo, inclusive, o pedagogo sido
reconhecido como Trabalhador da Assistência Social (S.U.A.S.) pelo CNAS Conselho Nacional de Assistência Social na área de gestão e operacional.
O pedagogo social ou socioeducador cuida da socialização do sujeito, em
situações normalizadas ou especiais. Implica o conhecimento e a ação sobre os
seres humanos, em atividades como crianças abandonadas, orientação profissional
e atenção aos direitos da terceira idade.
O pedagogo hospitalar atende às necessidades educacionais de criança
hospitalizada. Requer trabalho dos processos afetivos de construção cognitiva.
Envolve atividades como promover a qualidade de vida de crianças hospitalizadas,
propiciarem uma rotina próxima ao período antes da internação e acesso à
educação.
17
Há ainda espaços não-escolares para a atuação profissional do pedagogo na
área de educação para o transito, para a saúde, ambiental ou para o meio-ambiente,
educação fiscal, educação cívica e política, desportiva, para e pelo trabalho, etc.
1.5 O Curso de Pedagogia na Uniarp
O Curso de Pedagogia deu origem a Universidade na região do Alto Vale do
Rio do Peixe, formando centenas de profissionais para atuar nas escolas da região.
Foram quatro anos de convivência em sala de aula com mestres que nos
incentivaram a chegar ao final desta graduação e neste caminho que trilhamos
juntos foram muitos os ensinamentos que obtivemos tanto na prática quanto na
teoria.
No decorrer do curso encontramos diversas matérias e algumas delas
contribuíram para a escolha do presente tema.
A Sociologia e a Filosofia que serviram de embasamento para a escolha do
tema Bullying, por estudar o comportamento humano analisando as pessoas em
suas relações de convívio sociais. Compreendendo as situações com que se
defrontam na vida cotidiana servindo de ponte para tentarmos entender esse
comportamento que atinge cada vez mais a sociedade.
As metodologias estudadas no decorrer do curso serviram de grande valia por
nos fazer captar e analisar as características dos vários métodos disponíveis,
mostrando caminhos para trabalhar com as dificuldades encontradas no ambiente
escolar.
Outra matéria importantíssima para ao estudo do tema foi a Psicologia da
Educação, pois é ela que nos mostra todos os danos psicológicos que o bullying
causa, desde tristeza até o mais grave que é o suicídio onde a depressão já tem
tomado para todos os envolvidos, sejam eles vitimas ou agressores.
Os Estágios foram essenciais, pois tivemos a oportunidade de ter contato com
a realidade, de estarmos em salas de aula, para aprendermos como realmente
funciona na prática. Infelizmente vimos muitas coisas que nos decepcionaram, como
atitudes de alguns professores e posicionamentos dos gestores, porem se
encararmos como um aprendizado podendo fazer a diferença quando estivermos
atuando. Por outro lado, aprendemos muito com professores dedicados,
18
preocupados com a aprendizagem de seus alunos e que fizeram questão de dividir
conosco seus conhecimentos e experiências.
Todo o curso e Pedagogia foi muito valioso abrindo vários leques onde
pudemos aprender e refletir qual o melhor caminho a seguir.
Desta forma, podemos concluir que tivemos muito a ganhar com o curso,
principalmente a construção do conhecimento através dos vários trabalhados e
estágios que nos deram a possibilidade de aplicar a teoria na prática.
19
2. A PEDAGOGIA E O BULLYING ESCOLAR
Pesquisas apontam que a maioria dos casos de bullying tem seu marco inicial
na sala de aula, sendo que muitas vezes podem se alastrar e serem considerados
irreversíveis de acordo com as atitudes tomadas, sendo assim primordial para nossa
formação enquanto educadores estudar os fundamentos da avaliação, pois através
da mesma aprendemos como avaliar nosso aluno, porque não temos o direito de
medir suas capacidades cognitivas e decidir quem é o melhor e quem é o pior, se
assim o fizermos estaremos praticando a exclusão dos mais fracos, ridicularizandoos perante seus colegas e dando motivos para que os mesmos sejam rotulados e
possíveis vítimas do bullying.
O Bullying é uma palavra de origem inglesa, que foi adotada por diversos
países, para conceituar alguns comportamentos agressivos e anti-sociais, e é um
termo muito utilizado nos estudos realizados sobre a problemática da violência
escolar.
Encontramos vários conceitos para o Bullying, porém a definição universal
trazida por alguns autores diz que o:
[...] Bullying é um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas que
ocorrem sem motivação evidente, adotado por um ou mais alunos contra outro (s),
causando dor, angústia e sofrimento. Insultos, intimidações, apelidos cruéis,
gozações que magoam profundamente, acusações injustas, atuação de grupos que
hostilizam, ridicularizam e infernizam a vida de outros alunos levando-os à exclusão,
além de danos físicos, morais e materiais, são algumas das manifestações do
“comportamento bullying” (FANTE, 2005, p. 28 e 29).
A mesma autora, ainda acrescenta que:
[...] definimos o Bullying como um comportamento cruel intrínseco nas
relações
interpessoais, em que os mais fortes convertem os mais frágeis em objetos de
diversão e prazer, através de “brincadeiras” que disfarçam o propósito de maltratar e
intimidar (FANTE, 2005, p. 29).
Como não existe um só termo na Língua Portuguesa que seja capaz de
manifestar todas as situações de Bullying possíveis de ocorrer, a ABRAPIA
20
(Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência) nos
traz um quadro, onde estão relacionadas algumas ações que podem estar presentes
no fenômeno Bullying.
São elas: colocar apelidos, ofender, gozar, encanar, sacanear, humilhar,
aterrorizar, tiranizar, fazer sofrer, discriminar, isolar, ignorar, intimidar, perseguir,
amedrontar, agredir, bater, chutar, empurrar, ferir, roubar, quebrar pertences,
dominar, assediar, entre outras. Assim, no Brasil adotamos a termologia Bullying,
como a maioria dos países.
Cleo Fante esclarece que Bully, enquanto nome é traduzido como valentão,
tirano, e como verbo, brutalizar, tiranizar, amedrontar. (Fante, 2005).
Portanto, segundo a autora, a expressão Bullying é entendida como “um
subconjunto de comportamentos agressivos, sendo caracterizado por sua natureza
repetitiva e por desequilíbrio de poder” (FANTE 2005 p. 28), onde a vítima fica
impossibilitada de se defender com facilidade.
2.1 Histórico do Bullying
O Bullying começou a ser pesquisado na Europa, durante a década de 90,
quando na Noruega descobriram o que estava resultando nas inúmeras tentativas
de suicídio entre os adolescentes. A partir de então, foram realizadas inúmeras
pesquisas e campanhas para reduzir os casos de comportamentos agressivos nas
escolas.
Cleo Fante ao descrever o histórico do fenômeno diz que foi o professor Dan
Olweus, pesquisador da Universidade de Bergen, na Noruega, que relatou os
“primeiros critérios para detectar o problema de forma específica, permitindo
diferenciá-lo de outras possíveis interpretações, como incidentes e gozações ou
relações de brincadeiras entre iguais, próprias do processo de amadurecimento do
indivíduo” (FANTE, 2003, P. 45).
Seguindo a mesma linha trazida por Fante, a ABRAPIA (Associação Brasileira
Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência), acrescenta que:
21
Tudo teve início com os trabalhos do Professor Dan Olweus, na Universidade
de Bergen – Noruega (1978 a 1993) e com a Campanha Nacional AntiBULLYING nas escolas norueguesas (1993). No início dos anos 70, Dan
Olweus iniciava investigações na escola sobre o problema dos agressores e
suas vítimas, embora não se verificasse um interesse das instituições sobre o
assunto. Já na década de 80, três rapazes entre 10 e 14 anos, cometeram
suicídio. Estes incidentes pareciam ter sido provocados por situações graves
de BULLYING, despertando, então, a atenção das instituições de ensino para
o problema.
Olweus pesquisou inicialmente cerca de 84.000 estudantes, 300 a 400
professores e 1.000 pais entre os vários períodos de ensino. Um fator fundamental
para a pesquisa sobre a prevenção do BULLYING foi avaliar a sua natureza e
ocorrência. Como os estudos de observação direta ou indireta são demorados, o
procedimento adotado foi o uso de questionários, o que serviu para fazer a
verificação das características e extensão do BULLYING, bem como avaliar o
impacto das intervenções que já vinham sendo adotadas.
Nos estudos noruegueses utilizou-se um questionário proposto por Olweus,
consistindo de um total de 25 questões com respostas de múltipla escolha, onde se
verificava a freqüência, tipos de agressões, locais de maior risco, tipos de
agressores e percepções individuais quanto ao número de agressores (Olweus,
1993a).
Este instrumento destinava-se a apurar as situações de vitimização/agressão
segundo o ponto de vista da própria criança. Ele foi adaptado e utilizado em diversos
estudos, em vários países, inclusive no Brasil, pela ABRAPIA, possibilitando assim,
o estabelecimento de comparações interculturais.
Os primeiros resultados sobre o diagnóstico do bullying foram informados por
Olweus (1989) e por Roland (1989), e por eles se verificou que 1 em cada 7
estudantes estava envolvido em caso de bullying. Em 1993, Olweus publicou o livro
“bullying at school” apresentando e discutindo o problema, os resultados de seu
estudo, projetos de intervenção e uma relação de sinais ou sintomas que poderiam
ajudar a identificar possíveis agressores e vítimas.
Essa obra deu origem a uma Campanha Nacional, com o apoio do Governo
Norueguês, que reduziu em cerca de 50% os casos de bullying nas escolas. Sua
22
repercussão em outros países, como o Reino Unido, Canadá e Portugal, incentivou
essas nações a desenvolverem suas próprias ações.
O programa de intervenção proposto por Olweus tinha como características
principais desenvolver regras claras contra o bullying nas escolas, alcançar um
envolvimento ativo por parte de professores e pais, aumentar a conscientização do
problema, avançando no sentido de eliminar alguns mitos sobre o bullying, e prover
apoio e proteção para as vítimas.
Segundo Olweus (apud FANTE, 2005, p. 46), “os dados de outros países
indicam que as condutas Bullying existem com relevância similar ou superior as da
Noruega, como é o caso da Suécia, Finlândia, Inglaterra, Estados Unidos, Canadá,
Países Baixos, Japão, Irlanda, Espanha e Austrália”.
Fante (2005) acrescenta que nos Estados Unidos, o Bullying cresceu muito
entre os alunos das escolas americanas. Os pesquisadores já estão classificando o
Bullying como um conflito global, e destacam que se essa tendência permanecer,
haverá muitos jovens que “se tornarão adultos abusadores e delinqüentes” (FANTE,
2005 p. 46).
Percebemos então que o fenômeno Bullying está ocorrendo nas escolas do
mundo inteiro, inclusive no Brasil, apesar de não termos muitas pesquisas e estudos
referentes a este assunto. Alguns estudos da Associação Brasileira Multiprofissional
de Proteção à Infância e Adolescência (ABRAPIA), nos mostram que nas escolas
brasileiras o Bullying apresenta índices superiores aos países europeus.
Esses estudos da ABRAPIA apontam uma diferença em relação aos dados
internacionais, pelo fato “de que aqui os estudantes identificaram a sala de aula
como o local de maior incidência desse tipo de violência, enquanto, em outros
países, ele ocorre principalmente fora da sala de aula, no horário do recreio”
(ABRAPIA).
2.2 O bullying: causas e conseqüências
Antes de explicar quando a agressividade torna-se Bullying, é necessário
esclarecer os termos: agressão, agressividade e violência. Arrieta (2000) esclarece
que utilizamos o termo:
23
[...] agressão para identificar a conotação negativa ou destrutiva da ação
agressiva e agressividade para designar seu significado construtivo, a serviço
da vida, como se pode encontrar na conduta do homem para preservar-se
como indivíduo e como espécie (ARRIETA, 2000 P. 17).
Já a respeito da violência, afirma Arrieta (2000 p.18) que “é ela o grau
extremo da conduta agressiva com finalidades destrutivas”
Violência, como a define Jurandir Freire Costa, é a palavra empregada para
denominar a série de atos intencionais que se caracterizam pelo uso da força
em situações de conflito, transgressão às leis que visam ao bem comum e
predomínio da crueldade sobre a solidariedade no convívio humano (Arrieta,
2000 p. 18).
Nesse sentido, Cleo Fante (2005) relata que muitos acreditam que agressão e
agressividade são sinônimas, pois não identificam às diferenças que existem entre
as duas termologias. A autora cita então que para a Associação Norte-Americana de
Psiquiatria,
[...] a agressão se define como um comportamento repetitivo e persistente,
que, na confrontação com a vítima viola seus direitos. O termo
agressividade é utilizado cotidianamente (...), seja para expressar violência,
seja para expressar coragem. Portanto, considerando as diversas definições
dadas pelos mais renomados autores definimos violência como todo ato,
praticado de forma consciente ou inconsciente, que fere, magoa, constrange
ou causa dano a qualquer membro da espécie humana (FANTE 2005 P.
156, 157).
Como podemos perceber os termos, acima citados, estão interligados entre
si. Por esse motivo “é imprescindível que os profissionais de educação, ao se
qualificarem qualquer aluno como violento ou agressivo, considere os inúmeros
fatores que recaem sobre suas relações interpessoais” (FANTE, 2005, p. 157 a 161),
classifica as diversas formas de violência e suas principais conseqüências. Ela fez
essa classificação, para que seja possível diferenciar atos de violência e atos de
indisciplina, pois acredita que os profissionais os confundem freqüentemente. Então,
é necessário sabermos “distinguir os comportamentos violentos das más relações
escolares”, apesar das semelhanças existentes.
As más relações são problemas mais generalizados, porém menos intensos,
que surgem com a disciplina ou com o mau comportamento dos alunos. Não deixam
de perturbar o bom andamento das atividades escolares, entretanto não podem ser
consideradas como violência. Os atos de indisciplina são comportamentos que vão
contra as normas da escola e estão previstos no Regimento Interno Escolar. (...). Já
os atos de violência ou agressividade dos alunos acontecem com grande freqüência,
24
porém nem sempre são identificados pelos professores e podem tomar a forma
explicitar ou velada como podemos conferir na classificação a seguir:
Quanto ao grau:
 Violência simples ou pontual: aquela em que um ou mais agressores atacam
esporadicamente uma vítima, motivados por um desentendimento que acaba
gerando um conflito;
 Violência complexa ou freqüente: aquela que uma ou mais agressores atacam
habitualmente e repetidamente uma mesma vítima, sem motivação evidente
Quanto à forma:
 Violência direta: contra as pessoas, interpessoal;
 Violência indireta: contra utensílios, bens ou patrimônios (destroços ou
vandalismos, furtos);
 Violência implícita, velada;
 Violência explícita, identificada.
Quanto ao tipo de violência:
 Violência física e sexual;
 Violência verbal;
 Violência psicológica;
 Violência fatal.
Quanto ao nível:
 Discentes;
 Docentes;
 Funcionários;
 Pais;
 Instituição.
Quanto às dimensões:
 Violência no interior da escola (nas relações interpessoais; micro violências,
furtos, uso e tráfico de armas e drogas);
 Violência no entorno da escola (nas relações interpessoais, uso e tráfico de
drogas e armas);
 Violência da escola (institucional e simbólica; disciplinarização dos corpos e
das mentes, métodos de ensino, relação da comunidade escolar e
desesperança quanto ao papel da escola).
25
Quanto às determinantes:
 Fatores biológicos;
 Fatores pessoais;
 Fatores familiares;
 Fatores sociais;
 Fatores cognitivos;
 Fatores ambientais.
Quanto às conseqüências da violência:
No corpo discente
 Absentismo (falta de assistência às aulas)
 Problemas somáticos e psicológicos (ansiedade, tédio, depressão)
 Desencanto pela escola
 Queda do rendimento escolar
 Falta de perspectiva de futuro melhor via educação
 Queda da auto-estima
 Evasão escolar
 Retenção escolar
 Descrença no poder público.
No corpo docente e no quadro dos funcionários:
 Desesperança e desencanto pela profissão
 Absentismo
 Descrença no sistema educacional
 Queda da auto-estima
 Problemas somáticos e psicológicos
 Síndrome de Burnout (problemas relativos ao estresse profissional)
 Descrença no poder público
Na família e na sociedade:
 Falta de perspectiva de futuro melhor via educação
 Desvalorização do ensino E descrença no sistema educacional
 Descrença no poder público
26
A autora ainda apresenta alguns determinantes do comportamento agressivo
ou violento na escola. Ela salienta que isso é hoje, um fenômeno social muito
complexo e que atinge todas as escolas, atingindo diretamente seus alunos.
Esse fenômeno é resultado de fatores externos (influências da família, da
sociedade e dos meios de comunicação) e internos (ambiente escolar, relações
interpessoais, comunidade escolar) à escola, e são caracterizados pelos tipos de
interações, sejam elas, familiares, sociais ou sócios educacionais, e pelos
comportamentos agressivos que se manifestam nessas relações interpessoais.
Fante conclui então, que a instituição de ensino, precisa prevenir o fenômeno
violência que está acontecendo no ambiente escolar, impedindo o seu crescimento.
[...] Entretanto, para que isso aconteça, seus profissionais devem ser
capacitados para atuar na melhoria do ambiente escolar e das relações
interpessoais, promovendo a solidariedade, a tolerância e o respeito às
características individuais, utilizando estratégicas adequadas à realidade
educacional que envolvem toda a comunidade escolar (FANTE, 2005, p.169)
Nesse
contexto,
os
educadores
precisam
saber
então,
quando
a
agressividade passa a ser Bullying. E é essa informação que nos fornece a
ABRAPIA (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e
Adolescência), pois esclarece que as crianças passam por algumas situações, em
que elas sentem-se fragilizadas, tornando-se então temporariamente agressivas.
Porém, normalmente essa tempestade aos poucos vai passando e volta a calmaria.
Então essa etapa é apenas agressividade. Entretanto, se essa agressividade não for
apenas temporária e sim permanente, pode ser considerada Bullying.
E ainda, segundo Pereira:
É a intencionalidade de fazer mal e a persistência de uma prática a que a
vítima é sujeita o que diferencia o bullying de outras situações ou
comportamentos agressivos. (PEREIRA 2002, P.18)
27
Pereira ainda apresenta três fatores que são fundamentais e que
normalmente identificam o Bullying. São eles:
1) O mal causado a outrem não resultou de uma provocação, pelo menos
por ações que possam ser identificadas como provocações.
2) As intimidações e a vitimização de outros têm caráter regular, não
acontecendo ocasionalmente.
3) Geralmente os agressores são mais fortes (fisicamente), recorrem ao uso
de arma branca, ou tem um perfil violento e ameaçador. As vítimas
freqüentemente não estão em posição de se defender ou de procurar
auxílio. (PEREIRA, 2002 P.18)
Fante ( 2005 ) , baseada nos estudos do professor Dan Olweus, acrescenta
que é normal em uma classe, existir entre os alunos, vários conflitos e tensões.
Existem também várias outras “interações agressivas” que ocorrem quando o
aluno quer se divertir ou se auto-afirmar, mostrando-se mais forte que seus colegas.
Se existir na sala de aula, um ou mais agressores, o seu comportamento
agressivo vai interferir nas atividades dos colegas, resultando em “interações
ásperas, veementes e violentas” (FANTE, 2005, p. 47). Como o agressor sente a
necessidade de dominar e ameaçar os seus colegas, ele pode impor a sua força, o
que faz das adversidades e das pequenas frustrações, conflitos extremos em sala
de aula.
Portanto, se existir na classe um aluno tímido, que demonstra insegurança,
ansiedade e uma grande dificuldade de se impor, mostrando-se indefeso,
certamente ele será descoberto pelo agressor. Pois o agressor percebe que esse
aluno não vai responder a sua ofensa com outra maior, e sim, que ele vai se
amedrontar, sem ao menos se defender.
Normalmente a vítima do Bullying não vai contar aos seus professores e aos
seus pais o que está acontecendo na escola. Assim, esse aluno, vai aos poucos se
isolando dos seus colegas, por acreditar que não tem uma boa reputação, pois a
maioria acaba realizando constantes gozações, em virtude do seu medo.
Pereira (2002) acrescenta que quase sempre os professores identificam quem
são os agressores, porém apresentam maior dificuldade de apontar os alunos que
estão sendo vítimas do Bullying.
28
Segundo Olweus, apud Fante (2005),
[...] não há dúvidas de que a maioria dos casos de Bullying acontece no
interior
da escola. Entretanto, para
que um
comportamento seja
caracterizado Bullying, é necessário distinguir os maus-tratos ocasionais e
não graves dos maus-tratos habituais e graves (FANTE, 2005 P. 49).
Relata ainda, que os comportamentos Bullying acontecem de duas formas:
direta ou indireta. A direta é aquela em que há agressões físicas e verbais; e a
indireta, ocorre quando existe a exclusão e a discriminação da vítima por parte do
seu grupo social.
Conforme
Pereira
(2002)
outro
aspecto
muito
importante
para
o
desenvolvimento do Bullying são os recreios. Pois é durante os intervalos que a
vítima fica mais exposta a atos violentos do agressor, já que durante o recreio o
educador não está presente.
Algumas vítimas, por apresentarem uma grande dificuldade de interação e
relacionamento, procuram um lugar isolado para se “esconder” durante o recreio.
Agindo assim, esse aluno fica ainda mais distante do professor ou de outro
funcionário da escola.
Procurando proteção nos espaços calmos, podem encontrar quem os agrida,
sem ninguém a que recorrer para pedir ajuda (PEREIRA, 2002, p. 15).
Essas agressões que ocorrem nos recreios são freqüentemente mais sérias,
pois os agressores agem livremente, já que não há nenhuma testemunha que possa
acusá-lo ou que venha a ajudar a vítima. E é esse um dos objetivos do agressor:
amedrontar a vítima, para que esta sofra em silêncio.
Afirma Cleo Fante (2005, p. 71 a 74), que os estudiosos dos comportamentos
Bullying, identificam e classificam, entre os envolvidos no fenômeno, os tipos de
papéis que cada um desempenha. São eles:
 Vítima típica: é aquele aluno, pouco sociável, que sofre as conseqüências dos
atos agressivos de outro colega e que não possui recursos ou habilidades
para reagir às agressões.
 Vítima provocadora: é aquela que provoca e atrai reações agressivas,
entretanto, não consegue lidar contra elas com eficiência. Essa vítima tenta
revidar quando atacada, mas de maneira ineficaz; “é, de modo geral, tola,
29
imatura, de costumes irritantes, e quase sempre é responsável por causar
tensões no ambiente em que se encontra”.
 Vítima agressora: é aquele educando que reproduz as agressões que sofreu,
buscando indivíduos mais frágeis que ele para agredir, aumentando assim o
número de vítimas do Bullying.
 Agressor: é aquele que agride os mais indefesos, manifestando pouca
empatia. “Ele sente uma necessidade imperiosa de dominar e subjugar os
outros, de se impor mediante o poder e a ameaça e de conseguir aquilo a que
se propõe”.
 Expectador: é aquele aluno que presencia o Bullying, porém não é vítima e
nem agressor. “Representa a grande maioria dos alunos que convive com o
problema e adota a lei do silêncio por temer se transformar em novo alvo para
o agressor”.
A autora Cleo Fante, afirma que o “Bullying tem como característica principal
a violência oculta” (Fante, 2005p. 74). Por esse motivo é essencial que os
profissionais da educação saibam identificar quem são os alunos que estão
envolvidos nessa problemática. Como a maioria das vítimas fica em silêncio é
necessário ficarmos atentos a alguns sinais. Assim, de acordo com o pesquisador
Dan Olweus, apud Fante (2005, p. 74, 75), para que um aluno seja identificado como
vítima, o professor deve observar se ele apresenta alguns destes comportamentos:
 Durante o recreio está freqüentemente isolado e separado do grupo, ou
procura ficar próximo do professor ou de algum adulto?
 Na sala de aula tem dificuldades em falar diante dos demais, mostrando-se
inseguro ou ansioso?
 Nos jogos em equipe é o último a ser escolhido?
 Apresenta-se comumente com aspecto contrariado, triste, deprimido ou
aflito?
 Apresenta desleixo gradual nas tarefas escolares?
 Apresenta ocasionalmente contusões, feridas, cortes, arranhões ou a roupa
rasgada, de forma não-natural?
 Falta ás aulas com certa freqüência (absentismo)?
 Perde constantemente os seus pertences.
30
O mesmo procedimento deve acontecer quando for preciso identificar o
agressor. Seus comportamentos mais comuns são:
 Faz brincadeiras ou gozações, além de rir de modo desdenhoso e hostil?
 Colocar apelidos ou chama pelo nome ou sobrenome dos colegas de forma
malsoante; insulta, menospreza, ridiculariza, difama?
 Faz ameaças, dá ordens, domina e subjuga? Incomoda, intimida, empurra,
picha, bater, dar socos, pontapés, beliscão puxa os cabelos,
 Envolve-se em discussões e desentendimentos?
 Pega dos outros colegas materiais escolares, dinheiro, lanches e outros
pertences, sem o seu consentimento?
Nesse mesmo contexto a ABRAPIA (Associação Brasileira Multiprofissional
de Proteção à Infância e Adolescência) nos acrescenta que na maioria dos casos os
autores de Bullying, ou seja, os agressores procuram para serem suas vítimas
pessoas com algumas características específicas que sirvam de foco para “justificar”
as suas agressões.
Assim, é comum eles abordarem pessoas que apresentem algumas
diferenças em relação ao grupo no qual estão inseridos, como por exemplo:
obesidade, baixa estatura, deficiência física, ou outros aspectos culturais, étnicos ou
religiosos.
Essas crianças são então alvos mais visados, tornando-se então mais
vulneráveis ao Bullying. Entretanto, elas não podem ser responsabilizadas por
apresentarem essas características. Portanto, essa aparente “diferença” é apenas
um pretexto do aluno agressor para satisfazer sua necessidade de agredir. Outro
aspecto muito importante trazido pela ABRAPIA, é a preocupação e a atenção, que
os professores devem ter com as crianças com necessidades educativas especiais,
pois elas constituem um grupo de risco.
Em virtude de elas apresentarem dificuldades de aprendizagem e de
comportamento na sala de aula e nos recreios, é possível identificar três fatores que
as condicionam a tornarem-se vítimas.
São eles:
1º) as características dessas crianças podem ser vistas como um pretexto para os
agressores;
2º) as crianças com NEE podem não ter tantos amigos como as outras crianças,
tendo, então alguma falta de apoio que é assegurado pelos amigos;
31
3º) como suas competências sociais são pobres, muitas vezes são vistas como
vítimas provocativas.
Por tudo isso que foi apresentado, é essencial que tanto os pais quanto a
escola, ensinem as suas crianças a lidarem e respeitarem essas diferenças.
A autora Cleo Fante, em seu livro Fenômeno Bullying deixa claro que as
conseqüências desse fenômeno:
[...] afetam todos os envolvidos e em todos os níveis, porém especialmente
a vítima, que pode continuar a sofrer seus efeitos negativos muito além do
período escolar. Pode trazer prejuízos em suas relações de trabalho, em
sua futura constituição familiar e criação de filhos, além de acarretar
prejuízo para a sua saúde física e mental (FANTE, 2005, P. 79).
A vítima pode ou não superar os traumas causados pelo Bullying, e essa
superação vai depender das suas características individuais, do seu relacionamento
consigo mesmo e com a sociedade, principalmente com a sua família.
Caso essa superação não aconteça, o trauma que foi estabelecido
prejudicará o seu comportamento e a sua inteligência,
[...] gerando sentimentos negativos e pensamentos de vingança, baixa autoestima, dificuldades de aprendizagem, queda do rendimento escolar,
podendo desenvolver transtornos mentais e psicopatologias graves, além
de sintomatologia e doenças de fundo psicossomático, transformando-a em
um adulto com dificuldades de relacionamentos e com outros graves
problemas (FANTE, 2005, p. 79).
Pereira divide os efeitos do Bullying para as vítimas, em efeitos imediatos e
efeitos ao longo da vida. O efeito imediato mais evidente é a fraca auto-estima, que
terá o aluno vitimizado. Isso ocorre porque elas vivenciam pouca aceitação, sendo
assim “menos escolhidas como melhores amigos e apresentam fracas competências
sociais tais como cooperação, partilha e ser capaz de ajudar os outros” (Pereira,
2002, p. 21)
Sobre os efeitos em longo prazo, Olweus (1993b) apud Pereira (2002, p. 22)
diz que “a freqüência de ser vítima decresce com a idade”. As vítimas deixam de o
ser, mudados os contextos, parecendo normalizar quando jovens adultos. Há,
32
contudo, uma relação entre o ter sido vítima na escola e certa depressão na vida
adulta.
O mesmo autor ao fazer referência a Smith & Madsen (1996), descreve que a
conseqüência mais severa do Bullying é o suicídio, sendo esse o resultado da
“vitimização constante a que se é sujeito (...) até ao limite da sua capacidade de
suportar as agressões” (Pereira, 2002, p.23).
Assim,
[...]
estas
situações
estão
associadas
a
uma
série
de
comportamentos ou atitudes que se vão agravando e mantendo por toda a
vida e que arrastam consigo conseqüências negativas, na maior parte dos
casos de alguma gravidade, que estarão sempre presentes, influenciando
todas as decisões, imagens, atitudes, comportamentos que a pessoa
constrói em relação a si, aos outros, ao mundo e até a própria vida
(PEREIRA, 2002, p. 23).
Os agressores, segundo Fante, normalmente se distanciam e não se adaptam
aos objetivos da escola, supervalorizando a violência como forma de obter poder, e
desenvolvendo habilidades para condutas delituosas, as quais, futuramente os
levarão ao mundo do crime.
Assim, ele poderá adotar comportamentos delinqüentes como: agressão,
drogas, furtos, porte ilegal de armas, entre outros. O agressor acredita que fazendo
uso da violência conseguirá tudo o que deseja, pois foi assim no período escolar.
Àqueles alunos que não são nem vítimas, nem agressores, apesar de não se
envolverem
diretamente
ao
Bullying,
acabam
sofrendo
também
as
suas
conseqüências. Isso acontece, porque o direito que eles tinham a uma escola
segura e saudável foi se dissipando, à medida que o Bullying corrompeu suas
relações interpessoais, prejudicando o seu desenvolvimento sócio educacional.
Ainda nesse sentido, Pereira (2002, p.25) apresenta resumidamente, as
conseqüências do Bullying para as vítimas e agressores:
Conseqüências para a Vítima:
 Vidas infelizes, destruídas, sempre sob a sombra do medo;
 Perda de autoconfiança e confiança nos outros, falta de auto-estima e
autoconceito negativo e depreciativo;
 Vadiagem;
33
 Falta de concentração;
 Morte (muitas vezes suicídio ou vítima de homicídio);
 Dificuldades de ajustamento na adolescência e vida adulta, nomeadamente
problemas nas relações íntimas.
Conseqüências para o Agressor :
 Vidas destruídas;
 Crença na força para a solução dos problemas;
 Dificuldade em respeitar a lei e os problemas que daí advém, compreendendo
as dificuldades na inserção social;
 Problemas de relacionamento afetivo e social;
 Incapacidade ou dificuldade de autocontrole e comportamentos anti-sociais.
Portanto, com todas as conseqüências apresentadas, pode-se dizer que o
fenômeno Bullying passou a ser considerado um problema de saúde pública.
Esse problema deve ser reconhecido não só pelos professores como também
pelos profissionais de saúde.
2.3 A contribuição do estudo sobre bullying na formação do pedagogo
Quando nos referimos a problemas que ocorrem no âmbito escolar, em
especial na sala de aula, fica evidente o papel do professor, ainda mais se envolver
seus alunos e seu desempenho escolar. O bullying está presente na maioria das
salas de aula e com casos de agressões físicas e verbais, muitas vezes na presença
do professor. Mas porque essas agressões ocorreram na presença do professor? O
professor simplesmente não interferiu ou sua atitude perante a sala não bastou para
que os alunos entendessem que o respeito deve existir em um ambiente escolar. O
professor que critica constantemente o seu aluno, o compara com outros, o ignora,
está expondo esse aluno a ser mais uma das vítimas do bullying e de certa forma
está agindo com desrespeito ao espaço pedagógico.
A crítica injusta é uma das formas de má comunicação, que provoca
ressentimento, hostilidade e deterioração de desempenho, seja em que idade
for. (LOBO, 1997, p.91).
34
Atitudes indiretamente relacionadas ao aluno, também o influenciam, como
por exemplo, quando o professor se remete a alguém de forma desrespeitosa. O
aluno que tem a tendência a desrespeitar o próximo certamente se baseará nas
atitudes desse docente.
Não podemos, no entanto, atribuir ao professor toda responsabilidade da
ocorrência de bullying na sala de aula. Os alunos podem certamente cometer o
bullying sem se basear nas atitudes do professor. Porém, atitudes do professor para
com os alunos, assim como foi dito anteriormente, podem sim, gerar chances para
que estes cometam bullying na sala de aula. No entanto, se o professor transmitir
aos alunos a importância do respeito e tiver conhecimentos sobre os direitos das
crianças, ser o mediador de um ambiente de amizade e companheirismo, interferir
de maneira coesa nas chamadas brincadeiras de mau gosto, casos de bullying
poderão não acontecer no interior da sala de aula.
Para que o bullying não aconteça no cotidiano escolar é necessário tanto a
participação do professor quanto dos alunos. O professor de um lado tem o dever de
transmitir o papel ético, que envolve a importância do respeito mútuo, do diálogo, da
justiça e da solidariedade e os alunos o papel de entender e cooperar com as ações.
Este estudo constitui-se de uma abordagem qualitativa e quantitativa, teve
como população professores e orientadores de uma escola estadual A análise foi
feita através das abordagens qualitativas partindo dos dados obtidos pelo
questionário.
Para buscar elementos da realidade foi elaborado um questionário com o
objetivo de relacionar a prática e a teoria. O principal enfoque do questionário
direcionado aos professores foi saber se realmente sabem o que é o bullying, se já
enfrentaram e/ou enfrentam isso no seu dia-a-dia, como procedem ao perceberem
que existe esse tipo de comportamento em sua sala de aula e que conseqüências
podem causar as vitimas e também aos agressores.
Segundo dados coletados com a pesquisa os professores sabem conceituar o
bullying, porém não tem preparo suficiente para identificar e acima de tudo agir.
Pudemos perceber pelas respostas os professores procuram conversar com
os agressores, mas que acabam jogando a culpa ou pelo menos a responsabilidade
nos órgãos que julgam competentes para resolver esse tipo de problema e
comunicam às famílias que nem sabem o que significa o bullying e que muitas vezes
não comparecem na escola para saber o que esta acontecendo, o descaso por parte
35
das famílias é grande dificultando ainda mais a redução desse mal que vem
atingindo as escolas.
Também ficou evidente que a maioria das escolas tem feito pouco para
prevenir esse tipo de comportamento. O que fazem é somente conversar e informar
os alunos a respeito do assunto. Nenhuma delas tem algum programa ou
desenvolve projetos específicos de combate ao Bullying.
Assim, conforme a ABRAPIA, fica claro que se por um lado, o problema
existe, é necessário combatê-lo. Portanto, se desejamos evitar a proliferação do
Bullying, é preciso implantar medidas de prevenção. A ABRAPIA aconselha a adotar
uma política anti-bullying, que envolva toda a comunidade escolar.
Para que isso ocorra, é necessário que todos se sensibilizem e se
conscientizem que o problema existe. Isso pode ser feito através da discussão que
avaliem essa problemática. Salienta que os próprios alunos devem participar dessas
discussões.
No momento em que os alunos tomarem conhecimento do fenômeno, eles se
sentirão seguros para comunicar o educador, caso venham a se tornar vítimas do
Bullying. Da mesma forma, os alunos analisarão as conseqüências, antes de
decidirem tornar-se um possível agressor.
É de suma importância que a instituição de ensino, capacite e oriente os seus
educadores sobre essa problemática. Uma boa alternativa trazida pela ABRAPIA é
incluir no currículo a abordagem ao problema Bullying, através da discussão de
textos e de simulações, visando sensibilizar os alunos e alertando-os para que não
sejam obrigados a sofrer em silêncio. Organizar ações de formação para todos os
setores envolvidos sobre a temática e todas as suas implicações é também um vetor
de combate e prevenção do Bullying.
Para combater esse problema é necessário ter a cooperação de todos os
envolvidos: professores, funcionários, alunos e pais. Todos devem se comprometer
com o projeto, participando das suas decisões. A solução é criar um ambiente
escolar seguro e sadio, onde a escola possa trabalhar valores fundamentais, como
respeito, amizade, solidariedade.
Acreditamos que seja fundamental que se construa uma escola que não se
restrinja a ensinar apenas o conteúdo programático, mas também onde se eduquem
as crianças e adolescentes para a prática de uma cidadania.
36
Acreditamos que para prevenir as condutas do bullying é importante trabalhar
valores como o afeto, a tolerância e a solidariedade, valores básicos de um ser
humano em seus mais diversos aspectos. Sendo que estes deveriam ser
estabelecidos primordialmente na família através do dialogo e limites.
Sabemos que a escola é um ambiente muito importante para reforçar estes
valores. Porém muitas vezes não é o que acontece, devido ao fato de que os pais
não fazem o papel que lhes cabem, transferindo a tarefa ao professor, e este, no
entanto não está preparado para suprir esta deficiência.
O professor necessita de uma direção que se envolva e ajude a ter uma
relação mais afetiva com o aluno, pois a valorização dos laços afetivos no ambiente
escolar é importante tanto para a expressão do aluno, quanto para o controle da
violência na escola e, por conseqüência em longo prazo, na sociedade como um
todo.
Os principais envolvidos são crianças em fase de crescimento e aprendizado
que necessitam de olhares atentos, de profissionais especializados, para evitar
qualquer tipo de ameaça ao seu desenvolvimento e formação. Agressor, vítima ou
testemunha, independente do lugar em que se encontram na formação do bullying
sofrerão com as conseqüências dessa violência. Enquanto alguns conseguem se
livrar do passado atormentador, outros podem carregar para a vida adulta resquícios
do que participaram da adolescência.
A solução está na escola que com certeza é quem deve ter um papel mais
eficiente, primeiramente conscientizando-se que o problema existe e depois
fiscalizando, controlando, participando os pais dos fatos ocorridos no seu interior e
principalmente preparando seus profissionais para enfrentar esse tipo de agressão.
A família é o ponto de partida para a análise do comportamento infantil.
Através de um estudo da conduta de um agressor chega-se pontualmente ao
ambiente em que vive e é a partir daí que se identificam os problemas que um jovem
leva para escola. Suas ações e reações espelham o que ele presencia em casa. Por
esse motivo é que os pais ou responsáveis devem participar da vida escolar do filho
e no caso de omissão, ser responsabilizados solidariamente com a escola.
37
CONCLUSÃO
Ao concluirmos este trabalho, podemos afirmar que a Pedagogia estuda o
desenvolvimento do sujeito a partir de sua educação, portanto Pedagogia é um ramo
das ciências humanas que promove mudanças qualitativas no desenvolvimento e na
aprendizagem das pessoas, visando ajudá-las a se constituírem como sujeitos, a
melhorar sua capacidade de ação e as suas competências para viver e agir na
sociedade e na comunidade formando profissionais comprometidos com a tarefa de
ensinar e com a necessidade constante de se renovar.
A Pedagogia estimulou a nós futuros professores o gosto pelo conhecimento,
fazendo com que desenvolvamos habilidades, refletindo sobre nosso papel em sala
de aula.
O estudo sobre Bullying nos ajudou a entender o papel do pedagogo na
pratica escolar e de como é complexa a missão do educador. Os casos de Bullying
se multiplicam com mais intensidade a cada dia e cabe a nós profissionais da
educação, famílias e comunidade tentar resolver os casos sem aumentar o conflito e
encontrar formas, não só de combater o bullying, mas principalmente de evitar que
ele aconteça dentro das nossas escolas.
Acreditamos ser possível e viável as eliminações deste comportamento desde
que
haja
conscientização,
planejamento,
atitudes
de
compromisso
e
de
responsabilidade e cooperação por parte de todos os envolvidos com a educação,
pois se nós taparmos os olhos ou ouvidos também estaremos nos omitindo perante
esta forma de violência.
A solução está na escola que com certeza é quem deve ter um papel mais
eficiente, primeiramente conscientizando-se que o problema existe e depois
fiscalizando, controlando, participando os pais dos fatos ocorridos no seu interior e
principalmente preparando seus profissionais para enfrentar esse tipo de agressão.
Os programas para redução do bullying escolar têm sido muito eficientes nos locais
que são desenvolvidos e precisam ser mais utilizados pelas instituições de ensino.
Precisamos reconhecer que o bullying escolar não é uma brincadeira de
criança e é prejudicial para todos. Assumir nossa responsabilidade social e humana,
afastando esse tipo de violência dos nossos alunos, é uma finalidade a ser atingida.
38
Nestes quatro anos de curso tivemos muitos momentos bons, fizemos
amizades, trocamos experiências e percebemos o quanto precisamos buscar
conhecimento para nos tornamos um profissional qualificado.
Enfrentamos algumas angustias quando nos deparamos com novas
experiências, mas com o aprendizado que tivemos com nossos professores e
colegas conseguimos chegar ao final desta longa caminhada.
O curso de Pedagogia nos ofereceu uma grande oportunidade de crescermos
profissionalmente, pois nos fez entender a teoria para refletirmos quais as maneiras
de realizar mudanças na prática em sala de aula e assim melhoramos a educação.
39
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Libâneo, José Carlos. Pedagogia e Pedagogos, para quê?. 3ª edição. São Paulo.
Editora Cortez, 2000.
ABRAPIA (Associação Brasileira de proteção à Infância e Adolescência)
Disponível: http://www.bullying.com.br ([janeiro/2011]
ARRIETA, Gricelda Azevedo. A violência na Escola: a violência
contemporaneidade e seus reflexos na escola. Canoas: Ed. Ulbra, 2000.
na
BANDEIRA, Lúcia Regina. A afetividade na educação. Carazinho: ULBRA, 2003.
Monografia, Pós Graduação em Administração na Educação, Universidade Luterana
do Brasil, 2003.
FANTE, Cleo. Fenômeno Bullying – Como prevenir a violência nas escolas e
educar para a paz. 2ª edição. Campinas SP: Veros Editora, 2005.
FANTE, Cleo O fenômeno bullying e as suas conseqüências psicológicas.
Disponível em: http://www.psicologia.org.br/internacional/pscl84.htm. Acesso em
janeiro/2011.
LOBO, L. Escola de pais. 2 ed. Rio de Janeiro: Lacerda Editores, 1997
PEREIRA, Beatriz Oliveira. Para uma Escola sem violência: estudo e prevenção
das práticas agressivas entre crianças. Edição: Fundação Calouste Gulbenkian,
2002.
PORTAL DIA A DIA DA EDUCAÇÃO. Bullying – Notícias. Disponível em:
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Leandra Aparecida Pereira dos Santos