UNIVERSIDADE DO ALTO VALE DO RIO DO PEIXE CURSO DE PEDAGOGIA LEANDRA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO BULLYING ESCOLAR CAÇADOR 2011 LEANDRA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO BULLYING ESCOLAR Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência para a obtenção de título de Licenciada em Pedagogia, no Curso de Pedagogia ministrado, pela Universidade Alto Vale do Rio do Peixe - UNIARP sob orientação do Profº Paulo Roberto Gonçalves. CAÇADOR 2011 BULLYING ESCOLAR LEANDRA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS Este Trabalho de Conclusão de Curso foi submetido (o) ao processo de avaliação pelo professor Orientador de TCC, para a obtenção do Título de: Licenciada em Pedagogia E aprovada na sua versão final em ____/____/___, atendendo às normas da legislação vigente da Universidade do Alto Vale do Rio do Peixe e Projeto Pedagógico do Curso de Pedagogia. _____________________________________________ Prof. Msc. Paulo Roberto Gonçalves Coordenação de Pedagogia ______________________________________________ Prof. Msc Paulo Gonçalves Professor Orientador do TCC DEDICATÓRIA A Deus, razão da minha existência. Ao meu querido e amado pai Iracy Santos (in memorian), pelo incentivo aos meus estudos e por ser um exemplo de pessoa para mim. Saudades. A minha amada mãe Gleci Santos, sempre presente nas dificuldades, um baluarte em minha vida. Ao meu adorado filho João Vitor, que é o responsável pela minha luta em terminar essa graduação. Meu eterno amor. AGRADECIMENTOS Minha gratidão, em primeiro lugar, a Deus, por estar comigo em todos os momentos e iluminando-me, sendo meu refúgio e fortaleza nos momentos mais difíceis. A ele, minha eterna gratidão. A todos os que compartilharam o trilhar de mais esse caminho percorrido, contribuindo, direta e indiretamente, para que eu realizasse este trabalho, auxiliando-me e dando-me forças nos momentos em que mais precisei. Agradeço à minha família, pelo apoio para que eu concretizasse essa pesquisa, em especial a minha mãe Gleci pelo incentivo, dedicação, compreensão e estímulo nas horas mais difíceis. E que através do seu silêncio me ensinou o diálogo da vida. A meu filho amado João Vitor pela paciência e compreensão nos momentos de ausência. A meus professores que fizeram dos meus estudos um significativo aprender, transformando meus pensamentos e alargando meus entendimentos acerca da educação. E a todos que de alguma forma me ajudaram na conclusão do meu curso. Muito obrigada. EPÍGRAFE “Amas muito os teus pequeninos, não é assim? Ama-os, que bem to merecem; mas se lhes queres deixar uma riqueza inigualável, que nenhuma outra suplantará, educa-os no amor de Deus, no culto ao bem e no hábito do trabalho. Se ficarem pobres de bens terrenos, ficarão riquíssimos de virtude.” Eça de Queiroz RESUMO Este Trabalho de Conclusão de Curso será o resgate de nossa trajetória no curso de Pedagogia da UNIARP, curso com mais de 40 anos e que já formou centenas de profissionais para atuar nas escolas da região. Durante o curso tivemos a oportunidade de conhecer as diversas teorias educacionais desde a origem da escola até os dias de hoje. O Currículo do curso nos ajudou a entender o desenvolvimento do sujeito enquanto nos seus aspectos social, filosófico e psicológico, bem como as diversas metodologias que contribuem para a atuação do profissional na docência da educação infantil, anos iniciais, educação de adultos e especialmente na educação especial. Durante o curso muitos problemas foram levantados a respeito da atuação do profissional pedagogo nas escolas. Escolhemos para aprofundar nossos estudos a violência nas escolas, no caso o Bullying. Este fenômeno chamado de bullying é uma prática já enraizada no comportamento de alguns estudantes e difícil de ser abolida do ambiente escolar. Sendo assim, buscou-se verificar quais as estratégias desenvolvidas pelas escolas para reduzir o bullying, identificar suas conseqüências e quais as soluções tomadas diante deste comportamento. Com este estudo evidenciamos que os professores sabem conceituar o Bullying, porém tem dificuldade para identificar, conhecer e agir em caso de Bullying. Palavras-chave: Bullying, ambiente escolar, docentes, estratégias. ABSTRACT This work of Course Completion will be the redemption of our track record in the Faculty of Education UNIARP, stroke over 40 years and has trained hundreds of professionals to work in local schools. During the course we had the opportunity to meet the various educational theories from the beginning of school until the present day. The curriculum has helped us understand the development of the subject while in their social, philosophical and psychological as well as the various methodologies that contribute to the professional's performance in teaching early childhood education, early years, adult education and especially in education special. During the course of many issues were raised about the performance of the professional educator in schools. We chose to further our studies on violence in schools, in the case Bullying. This phenomenon is called bullying as a practice rooted in the behavior of some students and difficult to be abolished in the school environment. Therefore, we sought to determine which strategies developed by schools to reduce bullying, identify consequences and the solutions taken before this behavior. With this study showed that the teachers know conceptualize bullying, but finds it difficult to identify, understand and act in case of bullying. Keywords: Bullying, school environment, teachers, strategies SUMÁRIO INTRODUÇÃO .................................................................................................................................10 1. A PEDAGOGIA .............................................................................................................................. 12 1.1 Formação de Pedagogos .................................................................................... 12 1.2 A Pedagogia ........................................................................................................ 13 1.3 Pedagogia no Brasil ............................................................................................ 15 1.4 Ramos da Pedagogia .......................................................................................... 15 1.5 O Curso de Pedagogia na Uniarp ....................................................................... 17 2. A PEDAGOGIA E O BULLYING ESCOLAR ..................................................................... 19 2.1 Histórico do Bullying ............................................................................................ 20 2.2 O bullying: causas e consequências ................................................................... 22 2.3 A contribuição do estudo sobre bullying na formação do pedagogo ................... 33 CONCLUSÃO.......................................................................................................................... 37 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................................... 39 10 INTRODUÇÃO Este trabalho de conclusão de curso tem o propósito de analisar a nossa formação enquanto profissionais da educação. Durante quatro anos tivemos a oportunidade de ter o conhecimento sobre as diversas áreas das ciências que contribuem para o desenvolvimento do ser humano, a pedagogia traz-nos o entendimento de como podemos desenvolver o trabalho desde a alfabetização na educação infantil, passando pelos anos iniciais e também como trabalharmos com a alfabetização de jovens e adultos e especialmente com as pessoas com deficiência através da educação especial. Prepara-nos para conhecermos melhor a gestão escolar. Durante o Curso muitos assuntos e problemas foram levantados. Escolhemos para nos aprofundar o tema: O bullying escolar, assunto tratado aqui, é uma forma de violência caracterizada por agressões físicas ou morais entre alunos, sejam crianças ou adolescentes, no interior da escola. O bullying se encontra presente, possivelmente, em variadas situações, tais como, colocar apelidos, ofender, zoar, gozar, humilhar, discriminar, excluir, isolar, ignorar, intimidar, perseguir, assediar, aterrorizar, amedrontar, tiranizar, dominar, agredir, bater, chutar, empurrar, ferir, difusão de boatos, fofocas, ofensas raciais, étnicas ou de gênero, além de roubar e quebrar pertences de suas vítimas. A escola é palco dessas agressões dia após dia sendo assim, ela é de suma importância, e mais que qualquer outro ambiente e/ou meio é capaz de combater, e acima de tudo conscientizar seus alunos de que bullying é uma agressão que afeta não só a aprendizagem, mas também o lado afetivo de quem sofre, podendo causar grandes tragédias, porém muitas escolas enfrentam esse tipo de agressão como comportamento passageiro de períodos de vida muitas vezes deixando passar impunes vítimas e agressores pelo fato de não realizarem um trabalho eficaz e continuo. A escola é um ambiente onde se espera, traga crescimento, aprendizado, valores, e não qualquer forma de violência. Presumi-se que haja domínio por parte dos educadores sobre as atitudes que não condizem com o papel da escola. A expectativa sempre será que a instituição de ensino controle seus alunos, através da disciplina, da educação, da orientação, mostrando assim, que é um espaço seguro para eles. 11 Este trabalho esta dividido: Sobre a Pedagogia, sua historia e o desenvolvimento do curso na Uniarp, o estudo sobre o tema Bullying e sua contribuição para a formação do pedagogo. 12 1. A PEDAGOGIA 1.1 Formação de Pedagogos Atualmente, denomina-se pedagogo o profissional cuja formação é a Pedagogia, que no Brasil é uma graduação e que, por parte do MEC - Ministério da Educação e Cultura é um curso que cuida dos assuntos relacionados à Educação por excelência, portanto se tratam de uma Licenciatura, cuja grade horário-curricular atual estipulada pelo MEC confere ao pedagogo, de uma só vez, as habilitações em educação infantil, ensino fundamental, educação de jovens e adultos, coordenação educacional, gestão escolar, orientação pedagógica, pedagogia social e supervisão educacional, sendo que o pedagogo também pode, em falta de professores, lecionar as disciplinas que fazem parte do Ensino Fundamental e Médio, além se dedicar à área técnica e científica da Educação, como por exemplo, prestar assessoria educacional. Sobre o sistema de formação de pedagogos Libâneo diz: [...] O curso de pedagogia deve favorecer o pedagogo stricto sensu, isto é, um profissional qualificado para atuar em vários campos educativos para atender demandas socioeducativas de tipo formal e não formal decorrentes de novas realidades, novas tecnologias, novos atores sociais, ampliação das formas de lazer, mudanças nos ritmos de vida, presença dos meios de comunicação e informação, mudanças profissionais, desenvolvimento sustentando, preservação ambiental, não apenas na gestão, supervisão e coordenação pedagógica de escolas, como também na pesquisa, na administração dos sistemas de ensino, no planejamento educacional, na definição de políticas educativas, nos movimentos sociais, nas empresas, nas várias instâncias de educação de adultos, nos serviços de psicopedagogia e orientação educacional, nos programas socais, nos serviços para a terceira idade, nos serviços de lazer e animação cultural, na televisão, no rádio, na produção de vídeos, filmes, brinquedos, na requalificação profissional e etc. (LIBÂNEO, 2000, P, 31) Devido a sua abrangência, a Pedagogia engloba diversas disciplinas, que podem ser reunidas em três grupos básicos: disciplinas filosóficas, disciplinas científicas e disciplinas técnico-pedagógicas. 13 O pedagogo não possui quanto ao seu objeto de estudo um conteúdo intrinsecamente próprio, mas um domínio próprio (a educação), e um enfoque próprio (o educacional), que lhe assegurara seu caráter científico. Como todo cientista da área sócio-humana, o pedagogo se apóia na reflexão e na prática para conhecer o seu objeto de estudo e produzir algo novo na sistemática mesma da Pedagogia. Tem ele como intuito primordial o refletir acerca dos fins últimos do fenômeno educativo e fazer a análise objetiva das condições existenciais e funcionais desse mesmo fenômeno. Apesar de o campo educativo ser lato em sua abrangência, estritamente é as práticas escolares que constituem seu enfoque principal no seu olhar epistêmico, embora a ação não-escolar venha ganhando, contemporaneamente, espaço significativo na ação e atuação do pedagogo. O objeto de estudo do pedagogo compreende os processos formativos que atuam por meio da comunicação e intercâmbio da experiência humana acumulada. Estuda a educação como prática humana e social naquilo que modifica os indivíduos e os grupos em seus estados físicos, mentais, espirituais e culturais. Portanto, o pedagogo estuda o processo de transmissão do conteúdo da mediação cultural - ensino - que se torna o patrimônio da humanidade e a realização nos sujeitos da humanização plena e o processo pelo qual a apropriação desse conteúdo ocorre - aprendizagem. No plano das idéias, o grego Platão (427-347 a.C.) foi de fato o primeiro pedagogo, não só por ter concebido um sistema educacional para o seu tempo, mas, principalmente, por tê-lo integrado a uma dimensão ética e política. Para ele, o objeto da educação era a formação do homem moral, vivendo em um Estado justo. 1.2 A Pedagogia A palavra Pedagogia tem origem na Grécia antiga, paidós (criança) e agogé (condução). No decurso da história do Ocidente, a Pedagogia firmou-se como correlato da educação é a ciência do ensino. Entretanto, a prática educativa é um fato social, cuja origem está ligada à da própria humanidade. A compreensão do fenômeno educativo e sua intervenção intencional fez surgir um saber específico que modernamente associa-se ao termo pedagogia. 14 Assim, a indissociabilidade entre a prática educativa e a sua teorização elevou o saber pedagógico ao nível científico. Com este caráter, o pedagogo passa a ser, de fato e de direito, investido de uma função reflexiva, investigativa e, portanto, científica do processo educativo. Autoridade que não pode ser delegada a outro profissional, pois o seu campo de estudos possui uma identidade e uma problemática própria. A história levou séculos para conferir o status de cientificidade à atividade dos pedagogos apesar de a problemática pedagógica estar presente em todas as etapas históricas a partir da Antiguidade. Para Libâneo: [...] Pedagogia é o campo do conhecimento que se ocupa do estudo sistemático da educação, isto é, do ato educativo, da prática educativa concreta que se realiza na sociedade como um dos ingredientes básicos da configuração da atividade humana. Nesse sentido, educação é o conjunto das ações, processos, influências, estruturas, que intervêm no desenvolvimento humano de indivíduos e grupos na sua relação ativa com o meio natural e social, num determinado contexto de relações entre grupos e classes sociais. (LIBÂNEO, 2000, P.22) São esses processos formativos que constituem o objeto de estudo da Pedagogia, sendo que o campo educativo é bastante vasto, porque a educação ocorre na família, no trabalho, na rua, na fabrica, nos meios de comunicação, na política. A Pedagogia é um campo de estudos com identidade e problemáticas próprias. Seu campo compreende os elementos de ação educativa e sua contextualização, tais como o aluno como sujeito do processo de socialização e aprendizagem; os agentes de formação (inclusive a escola e o professor); as situações concretas em que se dão os processos formativos (entre eles o ensino); o saber como objeto de transmissão/assimilação; o contexto socioinstitucional das instituições (entre elas as escolas e salas de aula). Resumidamente, o objeto do pedagógico se configura na relação entre os elementos da prática educativa: o sujeito que se educa o educador, o saber e os contextos em que ocorre. O termo pedagogo, como é patente, surgiu na Grécia Clássica, da palavra (παιδαγωγός) cujo significado etimológico é preceptor, mestre, guia aquele que 15 conduz; era o escravo que conduzia os meninos até o paedagogium. No entanto, o termo pedagogia, designante de um fazer escravo na Hélade, somente generalizouse na acepção de elaboração consciente do processo educativo a partir do século XVIII, na Europa Ocidental. 1.3 Pedagogia no Brasil O curso de Pedagogia foi criado no Brasil em 1939 como bacharelado, na Faculdade Nacional de Filosofia na Universidade do Brasil, numa Seção de Pedagogia, servindo de modelo para os cursos ofertados por outras IES. O bacharelado em Pedagogia tinha a duração de três anos, com o objetivo de formar técnicos em educação. Entre as reformas do regime militar, a reordenação do ensino superior, decorrente da Lei 5.540/68, teve como conseqüência a modificação do currículo do curso de Pedagogia, fracionando-o em habilitações técnicas, para formação de especialistas, e orientando-o tendencialmente não apenas para a formação do professor do curso normal, mas também do professor primário em nível superior, mediante o estudo da Metodologia e Prática de Ensino de 1° Grau 1.4 Ramos da Pedagogia Na Grécia antiga, o velho pedagogo (παιδαγωγός) com sua lanterna, conduzia a criança (παιδόσ) até a palestra (παλαίστρα) e exigia que ela realizasse as lições recomendadas. Esse παιδόσ tinha a idade entre sete e quatorze anos e era sempre do sexo masculino. Faixa etária que corresponde hoje à das crianças das séries iniciais do Ensino Fundamental de Nove Anos no Brasil. Hoje, a figura do pedagogo clássico converteu-se no professor generalista das Séries Iniciais do Ensino Fundamental e nos educadores não docentes que atuam na administração escolar, mas com formação em pedagogia. Além da Pedagogia no âmbito escolar, atualmente o papel do pedagogo envolve outros ambientes de educação informal. Na realidade a pedagogia se divide contemporaneamente em dois ramos: a Pedagogia Escolar e a Pedagogia nãoescolar. 16 A Pedagogia Escolar tem o olhar para o processo formativo-educativo de ensino e aprendizagem nas Instituições de Ensino Formal, as escolas, onde o processo ensino e aprendizagem são curriculares, ainda que complementado por atividades extracurriculares e transversalidade de tema, voltado para a formação educativa do cidadão e do ser humano produtivo ao mundo do trabalho. A Pedagogia não-escolar tem o olhar para dois processos formativoeducativos de ensino e aprendizagem: a educação referencial-afetiva que deve ser construída pela família, no viés da ancestralidade, da consaguineidade e/ou da afinidade parental, e onde o pedagogo tem papel de assessoria, consultoria, atendimento clínico individual ou em grupo, e onde as Escolas de País têm sido uma constante, na busca da formação básica didático-pedagógica de pais e responsáveis para bem conduzir suas funções educativo-formativas junto aos seus filhos ou pupilos; e também o olhar para a socioeducação, que é a educação na comunidade, no vivido-compartilhado, no dia-a-dia, na rotina, no cotidiano, no trabalho, nas Organizações, nas relações religiosas, enfim na vida sócio-comunitária em geral (excluída a família e a escola). A Pedagogia empresarial se ocupa de conhecimentos e competências necessárias à melhoria da produtividade. As habilidades são na qualificação, requalificação e treinamento dentro da empresa, nas atividades como coordenar equipe multidisciplinar, gerar mudanças culturais e acompanhar o desempenho do funcionário. O pedagogo social ou socioeducador, que atua junto a organizações sociocomunitárias ou socioassistenciais, tendo, inclusive, o pedagogo sido reconhecido como Trabalhador da Assistência Social (S.U.A.S.) pelo CNAS Conselho Nacional de Assistência Social na área de gestão e operacional. O pedagogo social ou socioeducador cuida da socialização do sujeito, em situações normalizadas ou especiais. Implica o conhecimento e a ação sobre os seres humanos, em atividades como crianças abandonadas, orientação profissional e atenção aos direitos da terceira idade. O pedagogo hospitalar atende às necessidades educacionais de criança hospitalizada. Requer trabalho dos processos afetivos de construção cognitiva. Envolve atividades como promover a qualidade de vida de crianças hospitalizadas, propiciarem uma rotina próxima ao período antes da internação e acesso à educação. 17 Há ainda espaços não-escolares para a atuação profissional do pedagogo na área de educação para o transito, para a saúde, ambiental ou para o meio-ambiente, educação fiscal, educação cívica e política, desportiva, para e pelo trabalho, etc. 1.5 O Curso de Pedagogia na Uniarp O Curso de Pedagogia deu origem a Universidade na região do Alto Vale do Rio do Peixe, formando centenas de profissionais para atuar nas escolas da região. Foram quatro anos de convivência em sala de aula com mestres que nos incentivaram a chegar ao final desta graduação e neste caminho que trilhamos juntos foram muitos os ensinamentos que obtivemos tanto na prática quanto na teoria. No decorrer do curso encontramos diversas matérias e algumas delas contribuíram para a escolha do presente tema. A Sociologia e a Filosofia que serviram de embasamento para a escolha do tema Bullying, por estudar o comportamento humano analisando as pessoas em suas relações de convívio sociais. Compreendendo as situações com que se defrontam na vida cotidiana servindo de ponte para tentarmos entender esse comportamento que atinge cada vez mais a sociedade. As metodologias estudadas no decorrer do curso serviram de grande valia por nos fazer captar e analisar as características dos vários métodos disponíveis, mostrando caminhos para trabalhar com as dificuldades encontradas no ambiente escolar. Outra matéria importantíssima para ao estudo do tema foi a Psicologia da Educação, pois é ela que nos mostra todos os danos psicológicos que o bullying causa, desde tristeza até o mais grave que é o suicídio onde a depressão já tem tomado para todos os envolvidos, sejam eles vitimas ou agressores. Os Estágios foram essenciais, pois tivemos a oportunidade de ter contato com a realidade, de estarmos em salas de aula, para aprendermos como realmente funciona na prática. Infelizmente vimos muitas coisas que nos decepcionaram, como atitudes de alguns professores e posicionamentos dos gestores, porem se encararmos como um aprendizado podendo fazer a diferença quando estivermos atuando. Por outro lado, aprendemos muito com professores dedicados, 18 preocupados com a aprendizagem de seus alunos e que fizeram questão de dividir conosco seus conhecimentos e experiências. Todo o curso e Pedagogia foi muito valioso abrindo vários leques onde pudemos aprender e refletir qual o melhor caminho a seguir. Desta forma, podemos concluir que tivemos muito a ganhar com o curso, principalmente a construção do conhecimento através dos vários trabalhados e estágios que nos deram a possibilidade de aplicar a teoria na prática. 19 2. A PEDAGOGIA E O BULLYING ESCOLAR Pesquisas apontam que a maioria dos casos de bullying tem seu marco inicial na sala de aula, sendo que muitas vezes podem se alastrar e serem considerados irreversíveis de acordo com as atitudes tomadas, sendo assim primordial para nossa formação enquanto educadores estudar os fundamentos da avaliação, pois através da mesma aprendemos como avaliar nosso aluno, porque não temos o direito de medir suas capacidades cognitivas e decidir quem é o melhor e quem é o pior, se assim o fizermos estaremos praticando a exclusão dos mais fracos, ridicularizandoos perante seus colegas e dando motivos para que os mesmos sejam rotulados e possíveis vítimas do bullying. O Bullying é uma palavra de origem inglesa, que foi adotada por diversos países, para conceituar alguns comportamentos agressivos e anti-sociais, e é um termo muito utilizado nos estudos realizados sobre a problemática da violência escolar. Encontramos vários conceitos para o Bullying, porém a definição universal trazida por alguns autores diz que o: [...] Bullying é um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas que ocorrem sem motivação evidente, adotado por um ou mais alunos contra outro (s), causando dor, angústia e sofrimento. Insultos, intimidações, apelidos cruéis, gozações que magoam profundamente, acusações injustas, atuação de grupos que hostilizam, ridicularizam e infernizam a vida de outros alunos levando-os à exclusão, além de danos físicos, morais e materiais, são algumas das manifestações do “comportamento bullying” (FANTE, 2005, p. 28 e 29). A mesma autora, ainda acrescenta que: [...] definimos o Bullying como um comportamento cruel intrínseco nas relações interpessoais, em que os mais fortes convertem os mais frágeis em objetos de diversão e prazer, através de “brincadeiras” que disfarçam o propósito de maltratar e intimidar (FANTE, 2005, p. 29). Como não existe um só termo na Língua Portuguesa que seja capaz de manifestar todas as situações de Bullying possíveis de ocorrer, a ABRAPIA 20 (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência) nos traz um quadro, onde estão relacionadas algumas ações que podem estar presentes no fenômeno Bullying. São elas: colocar apelidos, ofender, gozar, encanar, sacanear, humilhar, aterrorizar, tiranizar, fazer sofrer, discriminar, isolar, ignorar, intimidar, perseguir, amedrontar, agredir, bater, chutar, empurrar, ferir, roubar, quebrar pertences, dominar, assediar, entre outras. Assim, no Brasil adotamos a termologia Bullying, como a maioria dos países. Cleo Fante esclarece que Bully, enquanto nome é traduzido como valentão, tirano, e como verbo, brutalizar, tiranizar, amedrontar. (Fante, 2005). Portanto, segundo a autora, a expressão Bullying é entendida como “um subconjunto de comportamentos agressivos, sendo caracterizado por sua natureza repetitiva e por desequilíbrio de poder” (FANTE 2005 p. 28), onde a vítima fica impossibilitada de se defender com facilidade. 2.1 Histórico do Bullying O Bullying começou a ser pesquisado na Europa, durante a década de 90, quando na Noruega descobriram o que estava resultando nas inúmeras tentativas de suicídio entre os adolescentes. A partir de então, foram realizadas inúmeras pesquisas e campanhas para reduzir os casos de comportamentos agressivos nas escolas. Cleo Fante ao descrever o histórico do fenômeno diz que foi o professor Dan Olweus, pesquisador da Universidade de Bergen, na Noruega, que relatou os “primeiros critérios para detectar o problema de forma específica, permitindo diferenciá-lo de outras possíveis interpretações, como incidentes e gozações ou relações de brincadeiras entre iguais, próprias do processo de amadurecimento do indivíduo” (FANTE, 2003, P. 45). Seguindo a mesma linha trazida por Fante, a ABRAPIA (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência), acrescenta que: 21 Tudo teve início com os trabalhos do Professor Dan Olweus, na Universidade de Bergen – Noruega (1978 a 1993) e com a Campanha Nacional AntiBULLYING nas escolas norueguesas (1993). No início dos anos 70, Dan Olweus iniciava investigações na escola sobre o problema dos agressores e suas vítimas, embora não se verificasse um interesse das instituições sobre o assunto. Já na década de 80, três rapazes entre 10 e 14 anos, cometeram suicídio. Estes incidentes pareciam ter sido provocados por situações graves de BULLYING, despertando, então, a atenção das instituições de ensino para o problema. Olweus pesquisou inicialmente cerca de 84.000 estudantes, 300 a 400 professores e 1.000 pais entre os vários períodos de ensino. Um fator fundamental para a pesquisa sobre a prevenção do BULLYING foi avaliar a sua natureza e ocorrência. Como os estudos de observação direta ou indireta são demorados, o procedimento adotado foi o uso de questionários, o que serviu para fazer a verificação das características e extensão do BULLYING, bem como avaliar o impacto das intervenções que já vinham sendo adotadas. Nos estudos noruegueses utilizou-se um questionário proposto por Olweus, consistindo de um total de 25 questões com respostas de múltipla escolha, onde se verificava a freqüência, tipos de agressões, locais de maior risco, tipos de agressores e percepções individuais quanto ao número de agressores (Olweus, 1993a). Este instrumento destinava-se a apurar as situações de vitimização/agressão segundo o ponto de vista da própria criança. Ele foi adaptado e utilizado em diversos estudos, em vários países, inclusive no Brasil, pela ABRAPIA, possibilitando assim, o estabelecimento de comparações interculturais. Os primeiros resultados sobre o diagnóstico do bullying foram informados por Olweus (1989) e por Roland (1989), e por eles se verificou que 1 em cada 7 estudantes estava envolvido em caso de bullying. Em 1993, Olweus publicou o livro “bullying at school” apresentando e discutindo o problema, os resultados de seu estudo, projetos de intervenção e uma relação de sinais ou sintomas que poderiam ajudar a identificar possíveis agressores e vítimas. Essa obra deu origem a uma Campanha Nacional, com o apoio do Governo Norueguês, que reduziu em cerca de 50% os casos de bullying nas escolas. Sua 22 repercussão em outros países, como o Reino Unido, Canadá e Portugal, incentivou essas nações a desenvolverem suas próprias ações. O programa de intervenção proposto por Olweus tinha como características principais desenvolver regras claras contra o bullying nas escolas, alcançar um envolvimento ativo por parte de professores e pais, aumentar a conscientização do problema, avançando no sentido de eliminar alguns mitos sobre o bullying, e prover apoio e proteção para as vítimas. Segundo Olweus (apud FANTE, 2005, p. 46), “os dados de outros países indicam que as condutas Bullying existem com relevância similar ou superior as da Noruega, como é o caso da Suécia, Finlândia, Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, Países Baixos, Japão, Irlanda, Espanha e Austrália”. Fante (2005) acrescenta que nos Estados Unidos, o Bullying cresceu muito entre os alunos das escolas americanas. Os pesquisadores já estão classificando o Bullying como um conflito global, e destacam que se essa tendência permanecer, haverá muitos jovens que “se tornarão adultos abusadores e delinqüentes” (FANTE, 2005 p. 46). Percebemos então que o fenômeno Bullying está ocorrendo nas escolas do mundo inteiro, inclusive no Brasil, apesar de não termos muitas pesquisas e estudos referentes a este assunto. Alguns estudos da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (ABRAPIA), nos mostram que nas escolas brasileiras o Bullying apresenta índices superiores aos países europeus. Esses estudos da ABRAPIA apontam uma diferença em relação aos dados internacionais, pelo fato “de que aqui os estudantes identificaram a sala de aula como o local de maior incidência desse tipo de violência, enquanto, em outros países, ele ocorre principalmente fora da sala de aula, no horário do recreio” (ABRAPIA). 2.2 O bullying: causas e conseqüências Antes de explicar quando a agressividade torna-se Bullying, é necessário esclarecer os termos: agressão, agressividade e violência. Arrieta (2000) esclarece que utilizamos o termo: 23 [...] agressão para identificar a conotação negativa ou destrutiva da ação agressiva e agressividade para designar seu significado construtivo, a serviço da vida, como se pode encontrar na conduta do homem para preservar-se como indivíduo e como espécie (ARRIETA, 2000 P. 17). Já a respeito da violência, afirma Arrieta (2000 p.18) que “é ela o grau extremo da conduta agressiva com finalidades destrutivas” Violência, como a define Jurandir Freire Costa, é a palavra empregada para denominar a série de atos intencionais que se caracterizam pelo uso da força em situações de conflito, transgressão às leis que visam ao bem comum e predomínio da crueldade sobre a solidariedade no convívio humano (Arrieta, 2000 p. 18). Nesse sentido, Cleo Fante (2005) relata que muitos acreditam que agressão e agressividade são sinônimas, pois não identificam às diferenças que existem entre as duas termologias. A autora cita então que para a Associação Norte-Americana de Psiquiatria, [...] a agressão se define como um comportamento repetitivo e persistente, que, na confrontação com a vítima viola seus direitos. O termo agressividade é utilizado cotidianamente (...), seja para expressar violência, seja para expressar coragem. Portanto, considerando as diversas definições dadas pelos mais renomados autores definimos violência como todo ato, praticado de forma consciente ou inconsciente, que fere, magoa, constrange ou causa dano a qualquer membro da espécie humana (FANTE 2005 P. 156, 157). Como podemos perceber os termos, acima citados, estão interligados entre si. Por esse motivo “é imprescindível que os profissionais de educação, ao se qualificarem qualquer aluno como violento ou agressivo, considere os inúmeros fatores que recaem sobre suas relações interpessoais” (FANTE, 2005, p. 157 a 161), classifica as diversas formas de violência e suas principais conseqüências. Ela fez essa classificação, para que seja possível diferenciar atos de violência e atos de indisciplina, pois acredita que os profissionais os confundem freqüentemente. Então, é necessário sabermos “distinguir os comportamentos violentos das más relações escolares”, apesar das semelhanças existentes. As más relações são problemas mais generalizados, porém menos intensos, que surgem com a disciplina ou com o mau comportamento dos alunos. Não deixam de perturbar o bom andamento das atividades escolares, entretanto não podem ser consideradas como violência. Os atos de indisciplina são comportamentos que vão contra as normas da escola e estão previstos no Regimento Interno Escolar. (...). Já os atos de violência ou agressividade dos alunos acontecem com grande freqüência, 24 porém nem sempre são identificados pelos professores e podem tomar a forma explicitar ou velada como podemos conferir na classificação a seguir: Quanto ao grau: Violência simples ou pontual: aquela em que um ou mais agressores atacam esporadicamente uma vítima, motivados por um desentendimento que acaba gerando um conflito; Violência complexa ou freqüente: aquela que uma ou mais agressores atacam habitualmente e repetidamente uma mesma vítima, sem motivação evidente Quanto à forma: Violência direta: contra as pessoas, interpessoal; Violência indireta: contra utensílios, bens ou patrimônios (destroços ou vandalismos, furtos); Violência implícita, velada; Violência explícita, identificada. Quanto ao tipo de violência: Violência física e sexual; Violência verbal; Violência psicológica; Violência fatal. Quanto ao nível: Discentes; Docentes; Funcionários; Pais; Instituição. Quanto às dimensões: Violência no interior da escola (nas relações interpessoais; micro violências, furtos, uso e tráfico de armas e drogas); Violência no entorno da escola (nas relações interpessoais, uso e tráfico de drogas e armas); Violência da escola (institucional e simbólica; disciplinarização dos corpos e das mentes, métodos de ensino, relação da comunidade escolar e desesperança quanto ao papel da escola). 25 Quanto às determinantes: Fatores biológicos; Fatores pessoais; Fatores familiares; Fatores sociais; Fatores cognitivos; Fatores ambientais. Quanto às conseqüências da violência: No corpo discente Absentismo (falta de assistência às aulas) Problemas somáticos e psicológicos (ansiedade, tédio, depressão) Desencanto pela escola Queda do rendimento escolar Falta de perspectiva de futuro melhor via educação Queda da auto-estima Evasão escolar Retenção escolar Descrença no poder público. No corpo docente e no quadro dos funcionários: Desesperança e desencanto pela profissão Absentismo Descrença no sistema educacional Queda da auto-estima Problemas somáticos e psicológicos Síndrome de Burnout (problemas relativos ao estresse profissional) Descrença no poder público Na família e na sociedade: Falta de perspectiva de futuro melhor via educação Desvalorização do ensino E descrença no sistema educacional Descrença no poder público 26 A autora ainda apresenta alguns determinantes do comportamento agressivo ou violento na escola. Ela salienta que isso é hoje, um fenômeno social muito complexo e que atinge todas as escolas, atingindo diretamente seus alunos. Esse fenômeno é resultado de fatores externos (influências da família, da sociedade e dos meios de comunicação) e internos (ambiente escolar, relações interpessoais, comunidade escolar) à escola, e são caracterizados pelos tipos de interações, sejam elas, familiares, sociais ou sócios educacionais, e pelos comportamentos agressivos que se manifestam nessas relações interpessoais. Fante conclui então, que a instituição de ensino, precisa prevenir o fenômeno violência que está acontecendo no ambiente escolar, impedindo o seu crescimento. [...] Entretanto, para que isso aconteça, seus profissionais devem ser capacitados para atuar na melhoria do ambiente escolar e das relações interpessoais, promovendo a solidariedade, a tolerância e o respeito às características individuais, utilizando estratégicas adequadas à realidade educacional que envolvem toda a comunidade escolar (FANTE, 2005, p.169) Nesse contexto, os educadores precisam saber então, quando a agressividade passa a ser Bullying. E é essa informação que nos fornece a ABRAPIA (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência), pois esclarece que as crianças passam por algumas situações, em que elas sentem-se fragilizadas, tornando-se então temporariamente agressivas. Porém, normalmente essa tempestade aos poucos vai passando e volta a calmaria. Então essa etapa é apenas agressividade. Entretanto, se essa agressividade não for apenas temporária e sim permanente, pode ser considerada Bullying. E ainda, segundo Pereira: É a intencionalidade de fazer mal e a persistência de uma prática a que a vítima é sujeita o que diferencia o bullying de outras situações ou comportamentos agressivos. (PEREIRA 2002, P.18) 27 Pereira ainda apresenta três fatores que são fundamentais e que normalmente identificam o Bullying. São eles: 1) O mal causado a outrem não resultou de uma provocação, pelo menos por ações que possam ser identificadas como provocações. 2) As intimidações e a vitimização de outros têm caráter regular, não acontecendo ocasionalmente. 3) Geralmente os agressores são mais fortes (fisicamente), recorrem ao uso de arma branca, ou tem um perfil violento e ameaçador. As vítimas freqüentemente não estão em posição de se defender ou de procurar auxílio. (PEREIRA, 2002 P.18) Fante ( 2005 ) , baseada nos estudos do professor Dan Olweus, acrescenta que é normal em uma classe, existir entre os alunos, vários conflitos e tensões. Existem também várias outras “interações agressivas” que ocorrem quando o aluno quer se divertir ou se auto-afirmar, mostrando-se mais forte que seus colegas. Se existir na sala de aula, um ou mais agressores, o seu comportamento agressivo vai interferir nas atividades dos colegas, resultando em “interações ásperas, veementes e violentas” (FANTE, 2005, p. 47). Como o agressor sente a necessidade de dominar e ameaçar os seus colegas, ele pode impor a sua força, o que faz das adversidades e das pequenas frustrações, conflitos extremos em sala de aula. Portanto, se existir na classe um aluno tímido, que demonstra insegurança, ansiedade e uma grande dificuldade de se impor, mostrando-se indefeso, certamente ele será descoberto pelo agressor. Pois o agressor percebe que esse aluno não vai responder a sua ofensa com outra maior, e sim, que ele vai se amedrontar, sem ao menos se defender. Normalmente a vítima do Bullying não vai contar aos seus professores e aos seus pais o que está acontecendo na escola. Assim, esse aluno, vai aos poucos se isolando dos seus colegas, por acreditar que não tem uma boa reputação, pois a maioria acaba realizando constantes gozações, em virtude do seu medo. Pereira (2002) acrescenta que quase sempre os professores identificam quem são os agressores, porém apresentam maior dificuldade de apontar os alunos que estão sendo vítimas do Bullying. 28 Segundo Olweus, apud Fante (2005), [...] não há dúvidas de que a maioria dos casos de Bullying acontece no interior da escola. Entretanto, para que um comportamento seja caracterizado Bullying, é necessário distinguir os maus-tratos ocasionais e não graves dos maus-tratos habituais e graves (FANTE, 2005 P. 49). Relata ainda, que os comportamentos Bullying acontecem de duas formas: direta ou indireta. A direta é aquela em que há agressões físicas e verbais; e a indireta, ocorre quando existe a exclusão e a discriminação da vítima por parte do seu grupo social. Conforme Pereira (2002) outro aspecto muito importante para o desenvolvimento do Bullying são os recreios. Pois é durante os intervalos que a vítima fica mais exposta a atos violentos do agressor, já que durante o recreio o educador não está presente. Algumas vítimas, por apresentarem uma grande dificuldade de interação e relacionamento, procuram um lugar isolado para se “esconder” durante o recreio. Agindo assim, esse aluno fica ainda mais distante do professor ou de outro funcionário da escola. Procurando proteção nos espaços calmos, podem encontrar quem os agrida, sem ninguém a que recorrer para pedir ajuda (PEREIRA, 2002, p. 15). Essas agressões que ocorrem nos recreios são freqüentemente mais sérias, pois os agressores agem livremente, já que não há nenhuma testemunha que possa acusá-lo ou que venha a ajudar a vítima. E é esse um dos objetivos do agressor: amedrontar a vítima, para que esta sofra em silêncio. Afirma Cleo Fante (2005, p. 71 a 74), que os estudiosos dos comportamentos Bullying, identificam e classificam, entre os envolvidos no fenômeno, os tipos de papéis que cada um desempenha. São eles: Vítima típica: é aquele aluno, pouco sociável, que sofre as conseqüências dos atos agressivos de outro colega e que não possui recursos ou habilidades para reagir às agressões. Vítima provocadora: é aquela que provoca e atrai reações agressivas, entretanto, não consegue lidar contra elas com eficiência. Essa vítima tenta revidar quando atacada, mas de maneira ineficaz; “é, de modo geral, tola, 29 imatura, de costumes irritantes, e quase sempre é responsável por causar tensões no ambiente em que se encontra”. Vítima agressora: é aquele educando que reproduz as agressões que sofreu, buscando indivíduos mais frágeis que ele para agredir, aumentando assim o número de vítimas do Bullying. Agressor: é aquele que agride os mais indefesos, manifestando pouca empatia. “Ele sente uma necessidade imperiosa de dominar e subjugar os outros, de se impor mediante o poder e a ameaça e de conseguir aquilo a que se propõe”. Expectador: é aquele aluno que presencia o Bullying, porém não é vítima e nem agressor. “Representa a grande maioria dos alunos que convive com o problema e adota a lei do silêncio por temer se transformar em novo alvo para o agressor”. A autora Cleo Fante, afirma que o “Bullying tem como característica principal a violência oculta” (Fante, 2005p. 74). Por esse motivo é essencial que os profissionais da educação saibam identificar quem são os alunos que estão envolvidos nessa problemática. Como a maioria das vítimas fica em silêncio é necessário ficarmos atentos a alguns sinais. Assim, de acordo com o pesquisador Dan Olweus, apud Fante (2005, p. 74, 75), para que um aluno seja identificado como vítima, o professor deve observar se ele apresenta alguns destes comportamentos: Durante o recreio está freqüentemente isolado e separado do grupo, ou procura ficar próximo do professor ou de algum adulto? Na sala de aula tem dificuldades em falar diante dos demais, mostrando-se inseguro ou ansioso? Nos jogos em equipe é o último a ser escolhido? Apresenta-se comumente com aspecto contrariado, triste, deprimido ou aflito? Apresenta desleixo gradual nas tarefas escolares? Apresenta ocasionalmente contusões, feridas, cortes, arranhões ou a roupa rasgada, de forma não-natural? Falta ás aulas com certa freqüência (absentismo)? Perde constantemente os seus pertences. 30 O mesmo procedimento deve acontecer quando for preciso identificar o agressor. Seus comportamentos mais comuns são: Faz brincadeiras ou gozações, além de rir de modo desdenhoso e hostil? Colocar apelidos ou chama pelo nome ou sobrenome dos colegas de forma malsoante; insulta, menospreza, ridiculariza, difama? Faz ameaças, dá ordens, domina e subjuga? Incomoda, intimida, empurra, picha, bater, dar socos, pontapés, beliscão puxa os cabelos, Envolve-se em discussões e desentendimentos? Pega dos outros colegas materiais escolares, dinheiro, lanches e outros pertences, sem o seu consentimento? Nesse mesmo contexto a ABRAPIA (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência) nos acrescenta que na maioria dos casos os autores de Bullying, ou seja, os agressores procuram para serem suas vítimas pessoas com algumas características específicas que sirvam de foco para “justificar” as suas agressões. Assim, é comum eles abordarem pessoas que apresentem algumas diferenças em relação ao grupo no qual estão inseridos, como por exemplo: obesidade, baixa estatura, deficiência física, ou outros aspectos culturais, étnicos ou religiosos. Essas crianças são então alvos mais visados, tornando-se então mais vulneráveis ao Bullying. Entretanto, elas não podem ser responsabilizadas por apresentarem essas características. Portanto, essa aparente “diferença” é apenas um pretexto do aluno agressor para satisfazer sua necessidade de agredir. Outro aspecto muito importante trazido pela ABRAPIA, é a preocupação e a atenção, que os professores devem ter com as crianças com necessidades educativas especiais, pois elas constituem um grupo de risco. Em virtude de elas apresentarem dificuldades de aprendizagem e de comportamento na sala de aula e nos recreios, é possível identificar três fatores que as condicionam a tornarem-se vítimas. São eles: 1º) as características dessas crianças podem ser vistas como um pretexto para os agressores; 2º) as crianças com NEE podem não ter tantos amigos como as outras crianças, tendo, então alguma falta de apoio que é assegurado pelos amigos; 31 3º) como suas competências sociais são pobres, muitas vezes são vistas como vítimas provocativas. Por tudo isso que foi apresentado, é essencial que tanto os pais quanto a escola, ensinem as suas crianças a lidarem e respeitarem essas diferenças. A autora Cleo Fante, em seu livro Fenômeno Bullying deixa claro que as conseqüências desse fenômeno: [...] afetam todos os envolvidos e em todos os níveis, porém especialmente a vítima, que pode continuar a sofrer seus efeitos negativos muito além do período escolar. Pode trazer prejuízos em suas relações de trabalho, em sua futura constituição familiar e criação de filhos, além de acarretar prejuízo para a sua saúde física e mental (FANTE, 2005, P. 79). A vítima pode ou não superar os traumas causados pelo Bullying, e essa superação vai depender das suas características individuais, do seu relacionamento consigo mesmo e com a sociedade, principalmente com a sua família. Caso essa superação não aconteça, o trauma que foi estabelecido prejudicará o seu comportamento e a sua inteligência, [...] gerando sentimentos negativos e pensamentos de vingança, baixa autoestima, dificuldades de aprendizagem, queda do rendimento escolar, podendo desenvolver transtornos mentais e psicopatologias graves, além de sintomatologia e doenças de fundo psicossomático, transformando-a em um adulto com dificuldades de relacionamentos e com outros graves problemas (FANTE, 2005, p. 79). Pereira divide os efeitos do Bullying para as vítimas, em efeitos imediatos e efeitos ao longo da vida. O efeito imediato mais evidente é a fraca auto-estima, que terá o aluno vitimizado. Isso ocorre porque elas vivenciam pouca aceitação, sendo assim “menos escolhidas como melhores amigos e apresentam fracas competências sociais tais como cooperação, partilha e ser capaz de ajudar os outros” (Pereira, 2002, p. 21) Sobre os efeitos em longo prazo, Olweus (1993b) apud Pereira (2002, p. 22) diz que “a freqüência de ser vítima decresce com a idade”. As vítimas deixam de o ser, mudados os contextos, parecendo normalizar quando jovens adultos. Há, 32 contudo, uma relação entre o ter sido vítima na escola e certa depressão na vida adulta. O mesmo autor ao fazer referência a Smith & Madsen (1996), descreve que a conseqüência mais severa do Bullying é o suicídio, sendo esse o resultado da “vitimização constante a que se é sujeito (...) até ao limite da sua capacidade de suportar as agressões” (Pereira, 2002, p.23). Assim, [...] estas situações estão associadas a uma série de comportamentos ou atitudes que se vão agravando e mantendo por toda a vida e que arrastam consigo conseqüências negativas, na maior parte dos casos de alguma gravidade, que estarão sempre presentes, influenciando todas as decisões, imagens, atitudes, comportamentos que a pessoa constrói em relação a si, aos outros, ao mundo e até a própria vida (PEREIRA, 2002, p. 23). Os agressores, segundo Fante, normalmente se distanciam e não se adaptam aos objetivos da escola, supervalorizando a violência como forma de obter poder, e desenvolvendo habilidades para condutas delituosas, as quais, futuramente os levarão ao mundo do crime. Assim, ele poderá adotar comportamentos delinqüentes como: agressão, drogas, furtos, porte ilegal de armas, entre outros. O agressor acredita que fazendo uso da violência conseguirá tudo o que deseja, pois foi assim no período escolar. Àqueles alunos que não são nem vítimas, nem agressores, apesar de não se envolverem diretamente ao Bullying, acabam sofrendo também as suas conseqüências. Isso acontece, porque o direito que eles tinham a uma escola segura e saudável foi se dissipando, à medida que o Bullying corrompeu suas relações interpessoais, prejudicando o seu desenvolvimento sócio educacional. Ainda nesse sentido, Pereira (2002, p.25) apresenta resumidamente, as conseqüências do Bullying para as vítimas e agressores: Conseqüências para a Vítima: Vidas infelizes, destruídas, sempre sob a sombra do medo; Perda de autoconfiança e confiança nos outros, falta de auto-estima e autoconceito negativo e depreciativo; Vadiagem; 33 Falta de concentração; Morte (muitas vezes suicídio ou vítima de homicídio); Dificuldades de ajustamento na adolescência e vida adulta, nomeadamente problemas nas relações íntimas. Conseqüências para o Agressor : Vidas destruídas; Crença na força para a solução dos problemas; Dificuldade em respeitar a lei e os problemas que daí advém, compreendendo as dificuldades na inserção social; Problemas de relacionamento afetivo e social; Incapacidade ou dificuldade de autocontrole e comportamentos anti-sociais. Portanto, com todas as conseqüências apresentadas, pode-se dizer que o fenômeno Bullying passou a ser considerado um problema de saúde pública. Esse problema deve ser reconhecido não só pelos professores como também pelos profissionais de saúde. 2.3 A contribuição do estudo sobre bullying na formação do pedagogo Quando nos referimos a problemas que ocorrem no âmbito escolar, em especial na sala de aula, fica evidente o papel do professor, ainda mais se envolver seus alunos e seu desempenho escolar. O bullying está presente na maioria das salas de aula e com casos de agressões físicas e verbais, muitas vezes na presença do professor. Mas porque essas agressões ocorreram na presença do professor? O professor simplesmente não interferiu ou sua atitude perante a sala não bastou para que os alunos entendessem que o respeito deve existir em um ambiente escolar. O professor que critica constantemente o seu aluno, o compara com outros, o ignora, está expondo esse aluno a ser mais uma das vítimas do bullying e de certa forma está agindo com desrespeito ao espaço pedagógico. A crítica injusta é uma das formas de má comunicação, que provoca ressentimento, hostilidade e deterioração de desempenho, seja em que idade for. (LOBO, 1997, p.91). 34 Atitudes indiretamente relacionadas ao aluno, também o influenciam, como por exemplo, quando o professor se remete a alguém de forma desrespeitosa. O aluno que tem a tendência a desrespeitar o próximo certamente se baseará nas atitudes desse docente. Não podemos, no entanto, atribuir ao professor toda responsabilidade da ocorrência de bullying na sala de aula. Os alunos podem certamente cometer o bullying sem se basear nas atitudes do professor. Porém, atitudes do professor para com os alunos, assim como foi dito anteriormente, podem sim, gerar chances para que estes cometam bullying na sala de aula. No entanto, se o professor transmitir aos alunos a importância do respeito e tiver conhecimentos sobre os direitos das crianças, ser o mediador de um ambiente de amizade e companheirismo, interferir de maneira coesa nas chamadas brincadeiras de mau gosto, casos de bullying poderão não acontecer no interior da sala de aula. Para que o bullying não aconteça no cotidiano escolar é necessário tanto a participação do professor quanto dos alunos. O professor de um lado tem o dever de transmitir o papel ético, que envolve a importância do respeito mútuo, do diálogo, da justiça e da solidariedade e os alunos o papel de entender e cooperar com as ações. Este estudo constitui-se de uma abordagem qualitativa e quantitativa, teve como população professores e orientadores de uma escola estadual A análise foi feita através das abordagens qualitativas partindo dos dados obtidos pelo questionário. Para buscar elementos da realidade foi elaborado um questionário com o objetivo de relacionar a prática e a teoria. O principal enfoque do questionário direcionado aos professores foi saber se realmente sabem o que é o bullying, se já enfrentaram e/ou enfrentam isso no seu dia-a-dia, como procedem ao perceberem que existe esse tipo de comportamento em sua sala de aula e que conseqüências podem causar as vitimas e também aos agressores. Segundo dados coletados com a pesquisa os professores sabem conceituar o bullying, porém não tem preparo suficiente para identificar e acima de tudo agir. Pudemos perceber pelas respostas os professores procuram conversar com os agressores, mas que acabam jogando a culpa ou pelo menos a responsabilidade nos órgãos que julgam competentes para resolver esse tipo de problema e comunicam às famílias que nem sabem o que significa o bullying e que muitas vezes não comparecem na escola para saber o que esta acontecendo, o descaso por parte 35 das famílias é grande dificultando ainda mais a redução desse mal que vem atingindo as escolas. Também ficou evidente que a maioria das escolas tem feito pouco para prevenir esse tipo de comportamento. O que fazem é somente conversar e informar os alunos a respeito do assunto. Nenhuma delas tem algum programa ou desenvolve projetos específicos de combate ao Bullying. Assim, conforme a ABRAPIA, fica claro que se por um lado, o problema existe, é necessário combatê-lo. Portanto, se desejamos evitar a proliferação do Bullying, é preciso implantar medidas de prevenção. A ABRAPIA aconselha a adotar uma política anti-bullying, que envolva toda a comunidade escolar. Para que isso ocorra, é necessário que todos se sensibilizem e se conscientizem que o problema existe. Isso pode ser feito através da discussão que avaliem essa problemática. Salienta que os próprios alunos devem participar dessas discussões. No momento em que os alunos tomarem conhecimento do fenômeno, eles se sentirão seguros para comunicar o educador, caso venham a se tornar vítimas do Bullying. Da mesma forma, os alunos analisarão as conseqüências, antes de decidirem tornar-se um possível agressor. É de suma importância que a instituição de ensino, capacite e oriente os seus educadores sobre essa problemática. Uma boa alternativa trazida pela ABRAPIA é incluir no currículo a abordagem ao problema Bullying, através da discussão de textos e de simulações, visando sensibilizar os alunos e alertando-os para que não sejam obrigados a sofrer em silêncio. Organizar ações de formação para todos os setores envolvidos sobre a temática e todas as suas implicações é também um vetor de combate e prevenção do Bullying. Para combater esse problema é necessário ter a cooperação de todos os envolvidos: professores, funcionários, alunos e pais. Todos devem se comprometer com o projeto, participando das suas decisões. A solução é criar um ambiente escolar seguro e sadio, onde a escola possa trabalhar valores fundamentais, como respeito, amizade, solidariedade. Acreditamos que seja fundamental que se construa uma escola que não se restrinja a ensinar apenas o conteúdo programático, mas também onde se eduquem as crianças e adolescentes para a prática de uma cidadania. 36 Acreditamos que para prevenir as condutas do bullying é importante trabalhar valores como o afeto, a tolerância e a solidariedade, valores básicos de um ser humano em seus mais diversos aspectos. Sendo que estes deveriam ser estabelecidos primordialmente na família através do dialogo e limites. Sabemos que a escola é um ambiente muito importante para reforçar estes valores. Porém muitas vezes não é o que acontece, devido ao fato de que os pais não fazem o papel que lhes cabem, transferindo a tarefa ao professor, e este, no entanto não está preparado para suprir esta deficiência. O professor necessita de uma direção que se envolva e ajude a ter uma relação mais afetiva com o aluno, pois a valorização dos laços afetivos no ambiente escolar é importante tanto para a expressão do aluno, quanto para o controle da violência na escola e, por conseqüência em longo prazo, na sociedade como um todo. Os principais envolvidos são crianças em fase de crescimento e aprendizado que necessitam de olhares atentos, de profissionais especializados, para evitar qualquer tipo de ameaça ao seu desenvolvimento e formação. Agressor, vítima ou testemunha, independente do lugar em que se encontram na formação do bullying sofrerão com as conseqüências dessa violência. Enquanto alguns conseguem se livrar do passado atormentador, outros podem carregar para a vida adulta resquícios do que participaram da adolescência. A solução está na escola que com certeza é quem deve ter um papel mais eficiente, primeiramente conscientizando-se que o problema existe e depois fiscalizando, controlando, participando os pais dos fatos ocorridos no seu interior e principalmente preparando seus profissionais para enfrentar esse tipo de agressão. A família é o ponto de partida para a análise do comportamento infantil. Através de um estudo da conduta de um agressor chega-se pontualmente ao ambiente em que vive e é a partir daí que se identificam os problemas que um jovem leva para escola. Suas ações e reações espelham o que ele presencia em casa. Por esse motivo é que os pais ou responsáveis devem participar da vida escolar do filho e no caso de omissão, ser responsabilizados solidariamente com a escola. 37 CONCLUSÃO Ao concluirmos este trabalho, podemos afirmar que a Pedagogia estuda o desenvolvimento do sujeito a partir de sua educação, portanto Pedagogia é um ramo das ciências humanas que promove mudanças qualitativas no desenvolvimento e na aprendizagem das pessoas, visando ajudá-las a se constituírem como sujeitos, a melhorar sua capacidade de ação e as suas competências para viver e agir na sociedade e na comunidade formando profissionais comprometidos com a tarefa de ensinar e com a necessidade constante de se renovar. A Pedagogia estimulou a nós futuros professores o gosto pelo conhecimento, fazendo com que desenvolvamos habilidades, refletindo sobre nosso papel em sala de aula. O estudo sobre Bullying nos ajudou a entender o papel do pedagogo na pratica escolar e de como é complexa a missão do educador. Os casos de Bullying se multiplicam com mais intensidade a cada dia e cabe a nós profissionais da educação, famílias e comunidade tentar resolver os casos sem aumentar o conflito e encontrar formas, não só de combater o bullying, mas principalmente de evitar que ele aconteça dentro das nossas escolas. Acreditamos ser possível e viável as eliminações deste comportamento desde que haja conscientização, planejamento, atitudes de compromisso e de responsabilidade e cooperação por parte de todos os envolvidos com a educação, pois se nós taparmos os olhos ou ouvidos também estaremos nos omitindo perante esta forma de violência. A solução está na escola que com certeza é quem deve ter um papel mais eficiente, primeiramente conscientizando-se que o problema existe e depois fiscalizando, controlando, participando os pais dos fatos ocorridos no seu interior e principalmente preparando seus profissionais para enfrentar esse tipo de agressão. Os programas para redução do bullying escolar têm sido muito eficientes nos locais que são desenvolvidos e precisam ser mais utilizados pelas instituições de ensino. Precisamos reconhecer que o bullying escolar não é uma brincadeira de criança e é prejudicial para todos. Assumir nossa responsabilidade social e humana, afastando esse tipo de violência dos nossos alunos, é uma finalidade a ser atingida. 38 Nestes quatro anos de curso tivemos muitos momentos bons, fizemos amizades, trocamos experiências e percebemos o quanto precisamos buscar conhecimento para nos tornamos um profissional qualificado. Enfrentamos algumas angustias quando nos deparamos com novas experiências, mas com o aprendizado que tivemos com nossos professores e colegas conseguimos chegar ao final desta longa caminhada. O curso de Pedagogia nos ofereceu uma grande oportunidade de crescermos profissionalmente, pois nos fez entender a teoria para refletirmos quais as maneiras de realizar mudanças na prática em sala de aula e assim melhoramos a educação. 39 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Libâneo, José Carlos. Pedagogia e Pedagogos, para quê?. 3ª edição. São Paulo. Editora Cortez, 2000. ABRAPIA (Associação Brasileira de proteção à Infância e Adolescência) Disponível: http://www.bullying.com.br ([janeiro/2011] ARRIETA, Gricelda Azevedo. A violência na Escola: a violência contemporaneidade e seus reflexos na escola. Canoas: Ed. Ulbra, 2000. na BANDEIRA, Lúcia Regina. A afetividade na educação. Carazinho: ULBRA, 2003. Monografia, Pós Graduação em Administração na Educação, Universidade Luterana do Brasil, 2003. FANTE, Cleo. Fenômeno Bullying – Como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz. 2ª edição. Campinas SP: Veros Editora, 2005. FANTE, Cleo O fenômeno bullying e as suas conseqüências psicológicas. Disponível em: http://www.psicologia.org.br/internacional/pscl84.htm. Acesso em janeiro/2011. LOBO, L. Escola de pais. 2 ed. Rio de Janeiro: Lacerda Editores, 1997 PEREIRA, Beatriz Oliveira. Para uma Escola sem violência: estudo e prevenção das práticas agressivas entre crianças. Edição: Fundação Calouste Gulbenkian, 2002. PORTAL DIA A DIA DA EDUCAÇÃO. Bullying – Notícias. Disponível em: http://www.pedagogia.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=11. Acesso em junho/2011 OLWEUS, Dan. Bullying. Disponível em www.wikipedia.com.br. Acesso em junho/2011 SILVA, Ana Beatriz B. Bullying: Mentes perigosas nas escolas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010.