PROGRAMA DE ORIENTAÇÃO SEXUAL: INTERVENÇÃO JUNTO A EDUCADORES E ADOLESCENTES VERONICA APARECIDA PEREIRA – UFGD – [email protected] ANA ALICE BRITES DE BARROS - UFGD – [email protected] LÍGIA MARIA RUEL CABREIRA – UFGD - [email protected] PATRÍCIA BARRETO CHAVES - UFGD – [email protected] FRANCIELY OLIANI PIETROBOM - UFGD – [email protected] Financiador: PROEX - UFGD INTRODUÇÃO A construção da sexualidade ocorre a partir de suas determinações históricas, socioculturais, antropológicas e psicossociais. Na visão de Foucault (1976), a história aponta períodos em que a sociedade caracterizava-se principalmente pela repressão. As crianças eram tidas seres assexuados, vivenciando um contexto de famílias moralistas e rígidas. Neste ambiente, as mulheres cumpriam papéis sociais de uma condição familiar socialmente aceita: a procriação. Os homens, por sua vez, usufriam de uma “figura de poder”, podendo gozar de seus prazeres sexuais como bem entendessem. No início do Século XX, houve uma grande contribuição de Freud (1987), ao ousar anunciar a uma sociedade conservadora e repressora sua teoria sobre a sexualidade infantil. Sua concepção de sexualidade extrapola as constantes denominações reprodutoras, apresentando-se como uma fonte de energia vital, organizada diferentemente durante as fases da vida de cada indivíduo. Em contrapartida, ainda na atualidade, verificam-se muitas questões polêmicas em torno da sexualidade. Comumente, estas questões encontram-se relacionadas às mais variadas sensações, percepções e descobertas dos indivíduos, sendo, por vezes, associadas a situações vulgares, tornando-se alvo de julgamentos morais. Destarte, apesar de diversos fatores culturais, como o movimento feminista, e o avanço nos meios de comunicação, terem contribuído fortemente para a aceitação das abordagens neste assunto, ainda existe muita repressão em torno da sexualidade. 2 Segundo Bento, Gonçalves & Prizmic (2007), o termo sexualidade, muitas vezes é confundido com o ato da relação sexual. Porém é necessário compreender que o sexo é acima de tudo uma necessidade fisiológica, básica e instintiva, ao passo que a sexualidade engloba muitos fatores sexuais humanos, dentre eles a relação sexual. É necessário tomar consciência de que o estímulo sexual vem impresso no ser humano: A sexualidade é o nome dado a um dispositivo histórico (...) à grande rede de superfície em que a estimulação dos corpos, a intensificação dos prazeres, a incitação ao discurso, a formação dos conhecimentos, o reforço dos controles, das resistências, encadeiam-se uns aos outros, segundo algumas estratégias de saber e poder (Foucault, 1984, p.67). Segundo a definição da Organização Mundial da Saúde a sexualidade humana é parte integrante da responsabilidade de cada um. As definições restritas ao ato sexual e o que ele pode proporcionar, descrevendo também a energia que motiva a busca por afeto, contato e intimidade. Está relacionada à expressão de sentimentos, nos movimentos das pessoas e como estas se tocam e são tocadas (OMS, 2011). A relação discernida por Foucault (1976) mostra que a repressão foi o modo de ligação entre poder, saber e sexualidade, uma eclosão de verdade condicionada politicamente. Para o autor a questão principal não é saber o que dizer do sexo, mas a liberdade de afirmar sua importância ou negar seus efeitos, ou seja, colocá-lo em discurso, que se possa adquirir o direito de se falar em sexualidade. As crianças e adolescentes vem mostrando uma descoberta da sexualidade de forma cada vez mais precoce. No entanto, encontram em seu ambiente uma série de informações distorcidas ou incompletas, por meio da mídia, internet ou amigos. Estes últimos, muitas vezes, têm as mesmas dúvidas, mas arriscam respostas passando-se por mais experientes e espertos. Este excesso de informações, muitas vezes contraditórias, 3 acaba por gerar ainda mais dúvidas. Também os pais e até mesmo os professores, nem sempre se encontram capacitados para responder aos questionamentos das mesmas. Para Ribeiro (1990), a família é uma instituição social importante para nortear padrões comportamentais no processo de educação sexual, mas a escola tem a responsabilidade e o dever de assumir a orientação sexual formal. Segundo Laviola (2006), as crianças aprendem sobre sexualidade primeiramente através dos comportamentos e significados fornecidos pela família, ampliando a compreensão a respeito do assunto e, mais tarde, pelas informações fornecidas por meio da educação formal. Pais e educadores precisam de orientações para adequação de informações à criança e/ou adolescente, primando sempre por informação fidedigna, em linguagem acessível e breve. Segundo Moizés & Bueno (2010), é imprescindível trabalhar educação sexual em instituições de ensino porque temas como este estão incluídos na formação integral do aluno. A adolescência é um período de profundas transformações em todas as áreas da vida, onde tudo passa a ser visto e sentido com outra intensidade. Nesse período, a vivência da sexualidade passa por “uma avalanche de sensações” (Bento, Gonçalves & Prizmic, 2007, p.34). Dessa forma se faz necessário além da educação sexual, propor aos pais um diálogo franco sobre as questões relacionadas a sexualidade e saúde, elucidando as mudanças típicas da puberdade e as questões sócio culturais que envolvem o adolescer. A partir da puberdade e das transformações hormonais ocorridas no corpo de meninos e meninas, é comum a curiosidade e o desejo da experimentação erótica a dois. É a partir da puberdade que a potencialidade erótica do corpo se manifesta sob a primazia da região genital, expressando-se na busca do prazer. Por outro lado, ainda que das formas mais diversas, a sexualidade sempre teve papel importante na vida do ser humano (Brasil, 1998). 4 Em ambientes educacionais, diversos Nunes & Silva (2000), Maia (2004) e Vergueiro & Silva (2007) defendem a ideia de que o ensino da sexualidade deve integrar a proposta pedagógica, possibilitando aos educadores e dirigentes condições para atuar como educadores sexuais. É papel da educação proporcionar orientação aos jovens para que assim, através da colocação do sexo em discurso na escola, haja um complexo aumento do controle dos indivíduos sobre a relação que estabelecem com a sua sexualidade. Há um cuidado para que a intervenção não ocorra por meio de proibições, punições, e sim pelo autocontrole respeito ao espaço individual e coletivo. É comum que as escolas e instituições solicitem projetos de orientação sexual pautados em prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e/ou prevenção da gravidez. Há um cuidado, sobretudo, para não estabelecer neste discurso a perpetuação da repressão. Nesta direção, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) instruem que, ao tratar sobre doenças sexualmente transmissíveis, os professores e professoras não devem “acentuar a ligação entre sexualidade e doença ou morte”, mas fornecer informações sobre as doenças tendo como “foco a promoção da saúde e de condutas preventivas”. A mensagem a ser transmitida aos alunos e alunas não deve ser “AIDS mata”, mas “A AIDS pode ser prevenida” (BRASIL, 1998). Sobretudo, a além de conteúdos informativos e promotores da saúde de modo geral, é necessário estabelecer sempre um ponto de partida para intervenção. Este ponto de partida deve caracterizar a necessidade e interesse do atendido, promovendo participação, adesão e compromisso. JUSTIFICATIVA O programa de orientação sexual para adolescentes justifica-se pela necessidade de considerar a sexualidade presente em todas as etapas da vida. Diante disso, é necessária a veiculação de informações acerca do conhecimento do próprio corpo e a promoção de uma vivência saudável da sexualidade. A educação sexual é de fundamental importância para o esclarecimento de muitas dúvidas que os adolescentes apresentam, caso contrário, os mesmos passam a acessar a informações em fontes não confiáveis. 5 Outro ponto, que faz com que a educação sexual nas escolas seja de extrema importância, é que no contexto familiar, temas como a sexualidade não são postos em discussão. Muitas vezes são considerados como tabus, ou mesmo, se deparam com a falta de preparo ou instrução de muitos pais frente a essa temática. Programas de orientação e educação sexual justificam-se ainda, no âmbito da saúde pública, como instrumentos importantes para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e planejamento familiar. Em relação ao adolescente, a preocupação também se refere à ocorrência de gravidez precoce, visto que uma gestação não planejada interpõe condições de risco à mãe e ao bebê, além de muitas vezes interromper ou dificultar um período de formação e preparo de projetos futuros. OBJETIVOS Objetivo Geral: - Caracterizar possíveis dúvidas de adolescentes sobre a sexualidade, - Disponibilizar informações sobre a sexualidade e adolescência, - Promover um espaço de diálogo entre educadores, adolescentes e familiares sobre as questões que envolvem a adolescência e as manifestações da sexualidade. Objetivos Específicos Com os educadores: - Investigar entre os professores os principais questionamentos trazidos pelos adolescentes em sala de aula; - Orientar os educadores sobre questões da sexualidade na infância e adolescência; - Realizar encontros de discussão para esclarecimento de dúvidas. Com os adolescentes: - Investigar os questionamentos dos adolescentes acerca da sexualidade; - Propiciar informações sobre o desenvolvimento na adolescência e da sexualidade, - Realizar encontros educativos com enfoque no desenvolvimento da sexualidade e relações afetivas; 6 - Propiciar o acesso a informações sobre práticas promotoras da saúde, apontando os benefícios em longo prazo. - Conscientizá-los sobre a importância dos métodos contraceptivos e de prevenção à saúde. MÉTODO Participaram do projeto 80 adolescentes de 12 a 16 anos, divididos em seis salas de acordo com a idade. Os participantes freqüentavam uma instituição filantrópica de uma cidade do interior do Mato Grosso do Sul no período de Setembro à Dezembro de 2010, local onde foi realizado o projeto. Procedimento Inicialmente, as pesquisadoras visitaram as salas dos adolescentes, convidando-os a depositar em uma caixa lacrada, por escrito, suas dúvidas sobre a questão da sexualidade. A partir dos dados coletados na caixa, buscou-se promover encontros para orientação e discussão das questões apontadas. Ao longo do segundo semestre de 2010 foram realizados quatro encontros temáticos. Encontro 1 Objetivo Investigar as dúvidas dos educadores em relação aos comportamentos dos alunos em sala de aula; Identificar práticas preconceituosas e estereótipos no contexto educacional. Refletir e planejar possibilidades de ação que promovam o respeito ao 7 espaço individual e coletivo. 2 Caracterizar as dúvidas dos adolescentes e estabelecer um ponto de partida para a intervenção. 3 Realizar devolutiva aos adolescentes sobre as questões apontadas. Ampliar a visão de sexualidade e possibilitar condições para o autoconhecimento. Informar processos importantes decorrentes do processo da puberdade e adolescência. 4 Promover conscientização entre os adolescentes sobre a importância dos métodos contraceptivos e prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis para a promoção da saúde. RESULTADOS Os encontros foram realizados na fase de diagnóstico e intervenção, ocorrendo da seguinte forma: Primeiro encontro Inicialmente foi realizada uma apresentação aos educadores do centro, norteando-os sobre a importância de se discutir a sexualidade nas faixas etárias atendidas, utilizando como base às classificações dos Parâmetros Curriculares Nacionais, dando ênfase as categorias a serem abordadas. As pesquisadoras realizaram uma exposição dialogada, a partir de perguntas apresentadas pelos professores sobre questões trazidos por eles de comportamentos dos alunos em sala de aula. Foram discutidas as questões culturais que visavam contextualizar a sexualidade, resgatando o contexto e a construção histórica em nossa cultura. Nas questões trabalhadas, levantaram-se temas relacionados a gênero, comportamentos típicos femininos e masculinos, partindo, por exemplo, da concepção 8 gerada sobre brinquedos e brincadeiras que influenciam comportamentos designados femininos e masculinos. As questões levantadas foram esclarecidas por meio de exemplos práticos da realidade local. Os professores puderam discriminar práticas preconceituosas e a utilização de estereótipos em torno da sexualidade. Juntos, conseguiram apontar formas alternativas e respeitosas de lidar com as situações do cotidiano dos educandos. Houve apresentação sobre as manifestações da sexualidade nas diferentes fases do desenvolvimento. Situações do cotidiano foram apresentadas, possibilitando discutir questões pontuais como jogos sexuais, masturbação, namoro e risco de gravidez na adolescência. Como possibilidade de ação as pesquisadoras indicaram a construção de regras com os adolescentes de modo a: respeitar o espaço do outro, compreender que há lugares e condições para que algumas situações possam ocorrer e que as pessoas precisam pensar nas consequências de suas ações, para si e para o outro, de modo a propiciar o bem estar coletivo. Segundo encontro Para conhecer os interesses dos adolescentes, buscou-se promover a participação garantindo o sigilo. Solicitou-se aos adolescentes que escrevessem o que gostariam de saber e/ou discutir sobre sexualidade. Desta forma, as questões foram apresentadas por escrito, de forma anônima e voluntária. Depois de escrever, os adolescentes depositavam as questões em uma urna, confeccionada com caixa de sapato. As pesquisadores, antes de recolher as questões, apresentaram uma breve descrição sobre o tema, de forma a estimular a participação. Solicitaram então que escrevessem sobre dúvidas, temas específicos a serem esclarecidos ou aprofundados. Depois da coleta de questões, as pesquisadoras analisaram as questões, agrupando questões comuns. As questões nortearam o planejamento dos próximos encontros. Os encontros três e quatro foram realizadas por turmas, e cada dupla de pesquisadoras, ficou responsável por uma turma de aproximadamente vinte alunos. 9 Terceiro encontro No terceiro encontro, para cada sala foi preparada uma caixa de bombons envolvida com as perguntas anteriormente coletadas, selecionadas e organizadas pelas pesquisadoras. A informação sobre os bombons foi ocultada. As pesquisadoras solicitaram aos alunos que se organizassem em forma de circulo e, enquanto batiam palmas, a caixa de bombons com as perguntas circulava na roda, passando de mão em mão. Quando se pausava as palmas, o adolescente que ficasse com a caixa na mão, desencapava-a e lia a pergunta. A partir da pergunta lida, se a pessoa soubesse a resposta ela diria conforme seu conhecimento, caso isso não acontecesse, a pergunta era respondida por uma das monitoras utilizando-se de exemplos de fácil entendimento, instigando uma discussão acerca do que fora perguntado. A caixa de bombons rodava sucessivamente até ser totalmente desencapada e todas as perguntas respondidas. O aluno que lia a última pergunta ganhava a caixa de bombons. Logo após, o grupo foi estimulado a fazer uma reflexão sobre o encontro do dia, as monitoras promoveram uma discussão sobre a importância dos conhecimentos discutidos e como deveriam ser aplicadas em seu cotidiano. Entretanto, quando percebiam a resistência dos alunos em participar dos comentários, as pesquisadoras intervinham, incentivando a participação. Quarto Encontro No quarto houve maior sistematização das questões apresentadas no terceiro encontro, complementando informações acerca da puberdade e adolescência. Também foram abordados os temas apontados como importantes pela instituição: Métodos contraceptivos e doenças sexualmente transmissíveis/AIDS, com o cuidado de assegurar informações de prevenção e cuidado com a saúde. Como no encontro anterior, os adolescentes fizeram um semi-círculo, formação que favorece o diálogo e participação. As pesquisadoras apresentaram o conteúdo em slides (data show) de forma ilustrada, buscando promover a compreensão de cada assunto tratado. As perguntas eram respondidas ao final de cada tema. 10 Após as apresentações, houve efetiva participação dos adolescentes, com apresentação de perguntas e questionamentos. A todo o momento demonstraram interesse, permanecendo na sala, fazendo anotações e apresentando dúvidas ao final. Constataram o quanto tinham informações errôneas e precipitadas sobre o cuidado com o corpo e a vivência da sexualidade. Indicaram como positiva a possibilidade de participar de encontros para discussão sobre as questões que envolvem a sexualidade, dando indicativos para a continuidade do projeto. O projeto continua em 2011, em continuidade às temáticas de adolescentes que já participaram dos encontros supramencionados e também em atendimento à demanda infantil. CONSIDERAÇÕES FINAIS De acordo com os objetivos propostos para o presente projeto, observou-se a partir da coleta de dados que o interesse dos adolescentes, em relação à sexualidade, estava principalmente voltado para a questão das mudanças ocorridas no corpo, em relação à puberdade e as situações que envolviam o namoro e/ou relações afetivas. Iniciar o projeto pelo interesse dos participantes garantiu a participação efetiva dos adolescentes e um espaço de diálogo favorável. As pesquisadoras também demonstraram sensibilidade ao atendimento da demanda da instituição, tendo, sobretudo, o cuidado de não o fazê-lo de modo repressor. As perguntas mais freqüentes apontavam dúvidas que envolviam questões abrangentes da sexualidade como: o conhecimento e cuidado com o corpo, início da atividade sexual, relações afetivas, namoro, casamento e afetividade. Com os educadores, a orientação sobre temas relacionados à sexualidade possibilitou a discussão sobre as questões mais frequentes apontadas pelos alunos em sala de aula. Foi criado um espaço de diálogo e troca, entre pesquisadores e educadores, indicando a importância de planejar ações educativas em conjunto, com um discurso integrado e coerente com as necessidades do adolescente. Durante os encontros, foi possível refletir sobre o conceito de sexualidade pautado no desenvolvimento social, respeito ao outro, possibilidade de vivências 11 afetivas e conquistas prazerosas de modo responsável, dentro do espaço individual e coletivo, consciente de regras e condições sociais da sociedade na qual estão inseridos. Tanto os educadores como os adolescentes expressaram a compreensão da necessidade de expressão da sexualidade por meio de demonstração de sentimentos, contatos, aproximações e as limitações de um ambiente público que se orienta por regras sociais. No que tange à promoção da saúde, buscou-se trabalhar com os métodos contraceptivos e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, sem caracterizar a repressão que normalmente está presente nestas mensagens. A concepção de relacionamento sexual foi abordada como algo importante para a vida de todo indivíduo, uma vez que somos pessoas sexuadas. A possibilidade de vivenciar a sexualidade de forma responsável verifica-se na medida em que a pessoa se conhece melhor, planeja suas ações em longo prazo e consegue integrar suas necessidades ao convívio e contexto social em que se encontra. Sabe-se que as questões sobre a sexualidade requerem ainda, seja neste espaço ou em tantos outros fóruns de discussão, requerem ainda maior aprofundamento e diálogo. Contudo, a aproximação gerada por essa iniciativa possibilitou nesta instituição uma maior atenção sobre as questões da sexualidade. A abertura para continuidade durante o ano de 2011, ampliando a participação aos pais e/ou cuidadores e também crianças de seis a onze anos de idade. Os encontros temáticos sobre sexualidade buscaram atender aos parâmetros curriculares nacionais, em relação aos temas uma vez que abordam o tema de forma interdisciplinar, enfocam aspectos biológicos, psicológicos e sociais e valorizam a participação dos diversos agentes da instituição. Possibilitaram ainda, a abertura de espaços diferenciados de reflexão e aprendizagem, estimulando a participação dos adolescentes e a abertura de diálogo. Ao atuar em programas de orientação sexual ou outros conteúdos formativos, há uma dimensão do ensino que é dual: o aluno tanto ensina como aprende. Há a possibilidade de vivenciar processos básicos para o desenvolvimento de habilidades do psicólogo que, uma vez inserido no contexto social, conscientiza-se da realidade do atendido. Ao promover práticas educativas, reflete e reorienta sua ação com tamanha flexibilidade que, ao final do trabalho, o tornam, além de um profissional mais 12 competente, alguém mais humano e comprometido com a universalização da universidade. Embora a instituição onde o projeto é realizado tenha uma orientação religiosa, o discurso dos educadores contrapõe regras rígidas em relação à sexualidade, abrindo-se ao diálogo da importância, por exemplo, do uso de preservativos, tendo consciência da vulnerabilidade de adolescentes que muitas vezes iniciam sua atividade sexual sem informação e proteção necessária. Os educadores apontaram os cuidados com a adolescência como uma preocupação que perpassa o âmbito valorativo para a atuação eficiente em saúde pública. Esta abertura, presente na fala, pode não ser condizente com algumas condutas do cotidiano, que ainda apresentam indicativos de repressão e preconceito. No entanto, o falar sobre a necessidade de promoção da saúde e bem estar gera um espaço articulador para possíveis mudanças. REFERÊNCIAS BRASIL. (1998). Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos: apresentação dos temas transversais. Brasília: MECSEF. BENTO, J. GONÇALVES M. C. & PRIZMIC, P. (2007) Sexualidade Autoconhecimento e Qualidade de Vida. São Paulo: Alaúde. FOUCAULT, M. (2007) A História da Sexualidade –I: a vontade de saber. (18a, ed) São Paulo: Graal. FOUCAULT, M. (2007) A História da Sexualidade – II: o uso dos prazeres. (12a, ed, 333p.2) Rio de Janeiro: Graal. 13 FOUCAULT, M.(2007) A História da Sexualidade - III: o cuidado de si. (19ª,ed,246p) Rio de Janeiro: Graal. FREUD, S. (1987). Três Ensaios para uma Teoria Sexual. In: Sigmund Freud – Obras Completas. (vol. 7, 2ª, ed). Rio de Janeiro: Imago. LAVIOLA, E. C.. (2006) Reações de educadoras de creche diante de manifestações de sexualidade infantil. Seminário Internacional Fazendo Gênero. Florianópolis, Editora mulheres, 2006. MAIA, A. C. B.. (2004) Orientação Sexual na Escola. In: RIBEIRO, Paulo Rennes Marçal (Org.) Sexualidade e Educação: aproximações necessárias. São Paulo: Arte & Ciência. NUNES, C.A & SILVA, E. (2000). A Educação Sexual da Criança. (Coleção polêmicas do nosso tempo). Campinas, SP: Ed Autores Associados. RIBEIRO, P. R. M..(1990) Educação Sexual além da informação. São Paulo: EPU. VERGUEIRO, F. V. & GALLI, R. M. de M.(2007). Masturbação Infantil. In: SILVA, M.C.P. (Org., pp.75-81). Sexualidade começa na infância. São Paulo: Casa do Psicólogo. World Health Organization: http://www.who.int/en/ acessado em 13/03/2011.