Universidade Federal de São Carlos Secretaria Geral de Recursos Humanos Curso de Especialização em Gestão Pública Competências necessárias para servidores técnico- administrativos atuarem junto às secretarias dos Departamentos do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal de São Carlos Anna Lucia de Souza Filho Sentanin São Carlos – SP 2010 Universidade Federal de São Carlos Secretaria Geral de Recursos Humanos Curso de Especialização em Gestão Pública Competências necessárias para servidores técnicoadministrativos atuarem junto às secretarias dos Departamentos do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal de São Carlos Anna Lucia de Souza Filho Sentanin Monografia apresentada ao Curso de Especialização em Gestão Pública da Secretaria Geral de Recursos Humanos da Universidade Federal de São Carlos Orientador: Prof. Dr. Roniberto Morato do Amaral São Carlos – SP 2010 Aos amores de minha vida: Vado (meu marido), Anna Cristina, Anna Claudia e Carlos Eduardo (nossos filhos) AGRADECIMENTOS À Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) pela oportunidade; À Secretaria Geral de Recursos Humanos, Prof. Dr. Mauro Côrtes, pela criação e coordenação do Curso de Especialização em Gestão Pública; Ao Prof. Dr. Roniberto Morato do Amaral pela orientação e pela paciência com que sempre me atendeu e esclareceu minhas dúvidas; Às amigas Heloisa e Inês pelas contribuições neste trabalho; Ao meu marido, aos nossos filhos, por não terem me deixado desistir; À minha mãe, que sempre se interessou em saber do andamento deste trabalho; Ao namorado de minha filha Enzo, pela ajuda na confecção dos gráficos e figuras; À Eliana, que sempre disse que eu seria capaz; Ao Prof. Dr. José Eduardo, por ter me incentivado a fazer o Curso; Aos colegas do CCBS, que, pacientemente, contribuíram com suas experiências respondendo aos questionários; A todos aqueles que de uma forma ou de outra colaboraram para a realização deste estudo. Muito obrigada. “Quando o mar estava calmo, todos os navios, sem distinção mostravam competência... flutuando!” William Shakespeare RESUMO Com o intuito de contribuir para a implantação da GC no setor público, o objetivo deste estudo foi identificar as competências (conhecimentos, habilidades e atitudes) dos servidores técnico-administrativos a serviço das secretarias dos departamentos de Medicina, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Enfermagem, Morfologia e Patologia, Educação Física e Motricidade Humana, Botânica, Hidrobiologia, Ciências Fisiológicas, Ecologia e Biologia Evolutiva do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal de São Carlos, objeto deste estudo. Foi aplicado o método de mapeamento de competência apresentado por Amaral et al (2006), que compreendeu análise dos documentos de descrição dos cargos, aplicação dos questionários para identificação das atividades desempenhadas e competências necessárias aos funcionários técnico-administrativos das secretarias de departamento do CCBS. Como resultados foram: a) identificadas as principais atividades desempenhadas; b) competências necessárias; c) glossário de competências; d) indicadores de importância e domínio da competência. Concluí-se que o trabalho contribui para a Gestão de Pessoas no Setor Público. Palavras chaves: Competência. Gestão por Competências. Mapeamento de Competências. LISTA DE SIGLAS CCBS - Centro de Ciências Biológicas e da Saúde CHA - Conhecimento, Habilidade, Atitude DB - Departamento de Botânica DCF - Departamento de Ciências Fisiológicas DEBE - Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva DeFisio - Departamento de Fisioterapia DEFMH - Departamento de Educação Física e Motricidade Humana DEnf - Departamento de Enfermagem DGE - Departamento de Genética e Evolução DHb - Departamento de Hidrobiologia DMed - Departamento de Medicina DMP - Departamento de Morfologia e Patologia DTO - Departamento de Terapia Ocupacional GC - Gestão por Competências IFES – Instituições Federais de Ensino Superior PCCTAE – Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação PDI – Plano de Desenvolvimento Institucional PE – Planejamento Estratégico PUCRCE - Plano Único de Classificação e Retribuição de Cargos e Empregos SRH – Secretaria Geral de Recursos Humanos UFSCar - Universidade Federal de São Carlos LISTA DE FIGURAS Figura 1 Formação da competência organizacional .................................................16 Figura 2 Elementos da competência (CHA) .............................................................18 Figura 3 Competência como fonte de valor para o indivíduo e para a organização ....................................................................................................................................19 Figura 4 Fluxo do procedimento metodológico .........................................................31 Figura 5 – Relação entre os atributos de competência essenciais para os servidores técnico administrativos de secretarias de departamento do CCBS e o número de seus indicadores........................................................................................................42 LISTA DE QUADROS Quadro 1 Gestão tradicional e Gestão por competências.........................................21 Quadro 2 Passos metodológicos do mapeamento de competências.......................30 Quadro 3 Funcionários técnico-administrativos/cargos do CCBS a serviço das secretarias de seus departamentos ..........................................................................35 Quadro 4 Lista das atividades indicadas pelos servidores a serviço das secretarias consideradas como executadas além das atividades previstas nos cargos e não contempladas no questionário 1................................................................................37 Quadro 5 Principais atividades das secretarias do CCBS ........................................38 Quadro 6 Atributos de competência necessários ao desempenho das atividades nas secretarias dos departamentos do CCBS..................................................................40 Quadro 7 Glossário dos atributos de competência para o desempenho de um servidor de secretaria de departamento do CCBS ....................................................56 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO......................................................................................................11 1.1 Objetivo..............................................................................................................11 1.2 Justificativa.........................................................................................................12 2 COMPETÊNCIA....................................................................................................13 2.1 Conhecimento, Habilidade e Atitude .................................................................17 2.2 Gestão por competências..................................................................................19 2.2.1 Gestão por competências nas instituições públicas.......................................23 2.2.2 Gestão por competências na UFSCar............................................................24 2.3 Mapeamento de competências..........................................................................25 2.3.1 Ambiente organizacional.................................................................................27 2.3.2 Plano de carreira dos cargos técnico-administrativos em educação.............28 3 METODOLOGIA ..................................................................................................29 3.1 Abordagem da Pesquisa ..................................................................................29 3.2 Método .............................................................................................................29 3.3 Objeto de estudo ..............................................................................................31 4 RESULTADOS.....................................................................................................36 4.1 Atividades desempenhadas..............................................................................36 4.2 Atributos de competência..................................................................................39 4.3 Glossário dos atributos de competência...........................................................40 4.4 Indicadores de competência ............................................................................41 4.4.1 Indicadores de domínio do atributo de competência.....................................41 4.4.2 Indicadores de importância do atributo de competência...............................42 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...............................................................................44 REFERÊNCIAS......................................................................................................46 FONTES CONSULTADAS....................................................................................48 APÊNDICE A.........................................................................................................49 11 1 INTRODUÇÃO Considerando que o Governo Federal está reestruturando o serviço público federal no âmbito do servidor público há que citar seus objetivos para a fundamentação deste estudo. Em 1998, o governo Federal havia instituído um decreto sobre a Política Nacional de capacitação dos Servidores para a Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional. Foi revogado através do Decreto 5707 de 23 de fevereiro de 2006, que instituiu a atual Política e as Diretrizes para o Desenvolvimento de Pessoal da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional, e que também regulamenta dispositivos da Lei 8112 de 11 de dezembro de 1990. Com a implantação do Decreto 5707 de 23 de fevereiro de 2006 o governo federal tem a intenção de implantar a Gestão por Competências (GC). Este decreto norteia a política de pessoal de servidores públicos, procurando sua valorização e também a melhoria dos serviços prestados à sociedade. A GC visa conhecer e ampliar conhecimentos, habilidades e atitudes dos indivíduos e com isso, agregar valor ao indivíduo e a organização (DUTRA, 2001). Algumas instituições públicas já adotaram o modelo de Gestão por Competências, porém enfrentam problemas como as Instituições Públicas de Ensino Superior. Isto porque o governo federal não apresenta diretrizes claras em relação ao modelo a ser adotado para a aplicação da Gestão por Competências no setor público (PIRES, A. 2005). 1.1 Objetivo Com o intuito de contribuir para a implantação da Gestão por Competências no setor público, o objetivo geral deste trabalho é mapear as competências dos servidores técnico-administrativos a serviço de secretarias de departamento do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) da 12 Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O objetivo geral pode ser desdobrado em dois objetivos específicos: a) Mapear as principais atividades dos servidores técnico- administrativos de secretarias dos departamentos do CCBS da UFSCar. b) Mapear as competências necessárias ao desempenho das funções dos servidores técnico-administrativos a serviço das secretarias de departamentos do CCBS. 1.2 Justificativa O interesse em mapear as competências dos servidores técnicoadministrativos que prestam serviços às secretarias de departamentos do CCBS surgiu em função da UFSCar ter a intenção de adotar a política de Gestão por Competências. A GC poderá contribuir para o alcance das metas da UFSCar através da conscientização disseminada sobre a importância da qualidade no serviço prestado pelo seu servidor. Desse modo, estimulará a busca pelo desenvolvimento de competências (CHA) necessárias ao desempenho de determinada função, pautado nos princípios da ética, da eficiência, da eficácia, enfim da efetividade. 13 2 COMPETÊNCIA Há uma grande diversidade de significados para o conceito de competência, pois “o conceito de competência está em construção” (LE BOTERF, 1995). Para Le Boterf (1995), a competência apresenta-se como um conjunto de aprendizagens tanto sociais como de comunicação, alimentadas pela formação do indivíduo e também pelo processo de avaliação. Zarifian (2005) procura propor uma definição de competência baseada na iniciativa e na responsabilidade dos indivíduos: “A competência é o „tomar iniciativa‟ e o „assumir responsabilidade‟ do indivíduo diante de situações profissionais com as quais se depara” (ZARIFIAN, 2005). Neste sentido, Zarifian (2005) atribui um menor grau de importância ao conhecimento técnico. As mudanças no trabalho, através dos conceitos de evento, comunicação e serviço mostra que “a competência não é uma negação da qualificação” mas sim, “o pleno conhecimento do valor da qualificação” (Zarifian, 2005). A competência funcional surge exatamente no momento de resolução de problemas, de análise, de decisão. Recentemente, o conceito de competência vem sendo analisado e discutido não só no âmbito pessoal (competências do indivíduo), mas, também no âmbito organizacional. É necessário que haja uma real interação entre as competências individuais e as competências organizacionais, sem as quais os objetivos da organização ficarão comprometidos, conforme Fleury & Fleury (2001). A situação ou o contexto em que o indivíduo se encontra, mostra de forma clara suas competências individuais. Segundo Dutra (2001), a entrega das pessoas à organização é muito relevante. Considera que as pessoas devem ser avaliadas pela sua forma de atuar e realizar seu trabalho de maneira que os objetivos da organização sejam alcançados. Para o autor, a entrega caracteriza uma diferenciação entre agregar valor à organização e ao cargo, onde a responsabilidade recai sobre o que as pessoas desempenham. 14 No momento em que os trabalhadores de uma organização voltaremse para ela e para seus objetivos haverá uma interação o que levará não somente a valorização e ao reconhecimento de seus trabalhadores mas também ao sucesso da própria organização. Segundo Zarifian (2005) “é necessária uma mudança de comportamento social dos seres humanos em relação ao trabalho e sua organização.” A consciência, a forma de pensar e a atitude farão a mudança. De acordo com Fleury & Fleury (2001), “A noção de competência aparece assim associada a verbos como: saber agir, mobilizar recursos, integrar saberes múltiplos e complexos, saber aprender, saber engajar-se, assumir responsabilidades, ter visão estratégica. Do lado da organização, as competências devem agregar valor econômico para a organização e valor social para o indivíduo” (FLEURY & FLEURY, 2001). Mostram a importância da comunicação para o desenvolvimento de competências individuais: “A competência individual encontra seus limites, mas não sua negação no nível dos saberes alcançados pela sociedade, ou pela profissão do indivíduo, numa época determinada. As competências são sempre contextualizadas. Os conhecimentos e o know how não adquirem status de competência a não ser que sejam comunicados e utilizados. A rede de conhecimento em que se insere o indivíduo é fundamental para que a comunicação seja eficiente e gere a competência”(FLEURY & FLEURY, 2001). Quer dizer, os indivíduos desenvolvem competências que colaboram com a organização, com o seu sucesso, estará investindo em si próprios, não somente como “cidadãos organizacionais, mas como cidadãos do próprio país e do mundo” (Fleury & Fleury, 2001). Dessa forma, esses autores definem competência como: 15 “um saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos e habilidades, que agreguem valor econômico à organização e valor social ao indivíduo. (FLEURY & FLEURY, 2001). Durand (1998) propõe o conceito de competência baseado em três elementos fundamentais, a saber: conhecimentos (C), habilidades (H), atitudes (A) O conhecimento como o conjunto de informações assimiladas e estruturadas pelo indivíduo. A habilidade como a capacidade do indivíduo em aplicar o conhecimento adquirido. A atitude como a predisposição em relação a adoção de uma ação. Amaral (2006) “considera competência o termo utilizado para qualificar a pessoa apta a realizar no presente, sua atividade com maestria, tendo, para tanto, suficientes conhecimentos, habilidades e atitudes”. Afirma que: “ser competente passa a ser a consequência da utilização adequada pelo profissional de seus atributos de competência, isto é, dos conhecimentos, habilidades e atitudes que possui e que são compatíveis com a função que ele desempenha” (AMARAL, 2006). As competências individuais fornecem estruturas e padrões para o sistema de recursos humanos, auxiliando as pessoas a se alinharem com os objetivos da organização, além de auxiliar para uma visão compartilhada que faz todos seguirem uma mesma direção. Assim, a observância ao CHA deve estar diretamente ligada não somente à construção das competências individuais, mas também em termos de competências organizacionais. Uma organização precisa ter suas competências bem definidas de forma a trabalhar de maneira adequada em relação à sua missão, a sua visão, seus valores e estratégia (Leme, 2008). As core competences ou competências organizacionais são variáveis e dependem do tipo de organização. Para Zarifian(2008), as competências são relacionadas ao processo de trabalho. 16 Segundo Fleury & Fleury (2001), as competências organizacionais relacionam “formação de competências à definição da estratégia organizacional” (Figura 1). ESTRATÉGIA APRENDIZAGEM COMPETÊNCIA Figura 1 – Formação da competência organizacional. Fonte: Adaptada de Fleury & Fleury (2001). Segundo esses autores, “a organização, situada em um ambiente institucional, define a estratégia e as competências necessárias para implementálas, num processo de aprendizagem permanente” (FLEURY & FLEURY, 2001). Os processos de aprendizagem determinarão suas competências essenciais. Para Dutra (2001), de acordo com Fleury e Fleury (2001), há uma estreita relação entre as competências organizacionais e as competências individuais. “A organização transfere seu patrimônio para as pessoas, enriquecendo-as e preparando-as para enfrentar novas situações profissionais e pessoais quer na organização ou fora dela. As pessoas ao desenvolverem sua capacidade individual, transferem para a organização seu aprendizado capacitando a organização para enfrentar novos desafios“ (DUTRA,2001). Para Dutra (2001), as competências organizacionais e as competências individuais são mutuamente influenciáveis. Para Rabaglio (2008), “as competências de uma empresa devem ser extraídas do seu universo cultural com base nos indicadores da empresa para expressar sua identidade”. 17 É importante identificá-las, pois através dessas competências a organização poderá cumprir “suas estratégias e atingir suas metas e objetivos” (RABAGLIO, 2008). 2.1 Conhecimento, Habilidade e Atitude (CHA) É fundamental que se entenda o que significa o CHA, apesar de já definido anteriormente. O CHA não deve ser dissociado, pois como afirma Leme (2008) o “profissional pode ser excelente tecnicamente e péssimo no relacionamento interpessoal.” Dessa forma, o profissional não será completo para a organização e nem para si mesmo. Daí a importância dos três elementos, conhecimento, habilidade e atitude. A integração dos três é o que dá a noção clara de competência. Um desses aspectos visto de forma isolada descaracteriza o conceito de competência. Desse ponto de vista, Leme (2008), considera adequada a utilização do CHA da seguinte forma: CH (Conhecimento e Habilidade) como Competências Técnicas e A (Atitude) como Competências Comportamentais. Mostra ainda que com essa proposta fica mais clara a forma de mapeamento, pois o risco de incorrer em erros ou conflitos entre conhecimentos e habilidades fica muito menor. Este estudo não irá trabalhar dessa forma e sim com o conceito simples de competência no que diz respeito a entender o Conhecimento como algo que a pessoa domina e acumula no decorrer do tempo. Seria o “saber “. A Habilidade como o “saber fazer”, quer dizer, saber utilizar os conhecimentos que possui de forma a obter resultados não somente para si mas, também para a organização. A Atitude, como a ação propriamente dita, ou seja, o indivíduo ter iniciativa frente a acontecimentos variados, sem deixar que as coisas aconteçam e sem precisar receber ordens para fazê-lo. Seria o “querer fazer”. A Figura 2 ilustra que o indivíduo precisa unir os três elementos da competência (CHA) com a finalidade de obter eficiência e eficácia em todas as suas ações, para obter resultados de alto desempenho. 18 SABER SABER FAZER QUERER FAZER Conhecimento RESULTADO Habilidade Atitude Figura 2 – Elementos da Competência (CHA) Atualmente, procura-se um profissional que seja capaz de combinar os três elementos. Para as organizações atuais é muito difícil conseguir profissionais que tenham atitude. Isto porque não há como ensinar a uma pessoa o como “querer fazer”. Quer dizer, mesmo que todas as informações sejam passadas para a pessoa, isso não implica que ela vá assimilá-las. É praticamente intrínseco ao indivíduo, pois ele precisa ter a característica de envolvimento dentro de si. O indivíduo precisa envolver-se com a organização o que é um grande desafio, pois somente assim ele poderá compreender seus objetivos, os de seu trabalho e, então, desenvolver suas tarefas a contento, agregando valor a si próprio e à organização conforme afirmam Fleury & Fleury, 2001 ao discutir competência como fonte de valor para o indivíduo (Figura 3). 19 Saber agir Saber mobilizar Saber transferir Saber aprender Saber se engajar Ter visão estratégica Assumir responsabilidades Indivíduo Conhecimentos Habilidades Atitudes social Agregar Valor Organização econômico Figura 3 – Competência como fonte de valor para o indivíduo e para a organização Fonte: Fleury & Fleury, 2001, com adaptações. Rabaglio (2008), define o CHA dividindo o Conhecimento em duas formas. Uma do ponto de vista do cargo e a outra do ponto de vista de quem ocupa o cargo. Assim, para essa autora o conhecimento seria “a necessidade que o cargo tem de formação acadêmica, conhecimentos técnicos, especialidades”. No que diz respeito a quem irá ocupar o cargo, conhecimento “referese à especificidade de sua formação, escolaridade, idiomas, informática, para atender as necessidades do cargo, etc.” Como habilidade entende: “experiência, prática, domínio do conhecimento”. Como atitudes, “valores, emoções sentimentos expressos através do comportamento humano que, por meio de uma metodologia, torna possível identificar o perfil comportamental necessário para o cargo” (RABAGLIO, 2008). 2.2 Gestão por competências O conceito de competência leva a um novo modelo de gestão, segundo autores como, Fleury & Fleury (2001), Zarifian (2005) dentre outros. 20 Há diferença entre gestão por competências e gestão de competências, apesar de alguns autores as tratarem igualmente. A gestão de competência refere-se: “à forma como a organização planeja, organiza, desenvolve, acompanha e avalia as competências necessárias ao seu negócio, o segundo sugere que a organização divida o trabalho de suas equipes segundo as competências. A gestão de competências pode incluir, ou não, a gestão por competências” (BRANDÃO & GUIMARÃES, 2001). A gestão por competências conforme Brandão & Guimarães (2001) “refere-se à divisão das tarefas na equipe conforme as competências de cada um”. Para Rabaglio (2008): “as ferramentas da Gestão por Competências entregam aos gestores uma forma muito prática de gerir e desenvolver pessoas continuamente, de forma homogênea, com o objetivo de estabelecer uma cultura organizacional também homogênea. Cultura essa em que as lideranças se percebam remando na mesma direção, somando força para o alcance de objetivos comuns”(RABAGLIO, 2008). A gestão de pessoas, atualmente, sofre uma grande transformação e a forma tradicional de gerir não mais se aplica à realidade, que era baseada no cargo e na estratégia de controle. Deixa espaço para uma nova forma de gestão, a gestão por competências, baseada no indivíduo e na estratégia de comprometimento (Amaral, 2006). O quadro 1 ilustra a diferença entre os dois modelos. 21 Quadro 1 – Gestão tradicional e Gestão por competências. Fonte: Albuquerque (2002) citado por Amaral (2006). 22 A Gestão por Competências é uma forma moderna e dinâmica, contribuindo não somente ao desempenho de organizações privadas, mas também, ao desempenho das organizações públicas. A Gestão por Competências compreende diversos aspectos que devem ser considerados como a carreira, treinamento, avaliação, remuneração, saúde ocupacional, etc. Conforme Amaral (2008), esse novo modelo de gestão propicia a substituição do cargo pelo indivíduo. No serviço público esses aspectos deverão ser considerados e verificadas as “brechas” existentes para o seu atendimento. Segundo Brandão & Guimarães (2001): “a gestão por competências propõe-se a orientar esforços para planejar, captar, desenvolver e avaliar, nos diferentes níveis da organização – individual, grupal ou organizacional – as competências necessárias à consecução de seus objetivos” (BRANDÃO & GUIMARÃES, 2001). Pode-se dizer que o maior diferencial na gestão de pessoas por competências seja dar maior atenção às inúmeras variáveis comportamentais que o indivíduo apresenta como, por exemplo, valores, interesses, características de personalidade, que devem ser consideradas no desempenho de atividades ou funções. Cabe à organização que tem a intenção de implantar esse modelo de gestão enfrentar eventuais mudanças organizacionais, bem como assumir a responsabilidade de organizar e ter a iniciativa de implantar e criar condições para que o novo modelo de Gestão tenha exito (BLATTMAN (1996) citado por AMARAL, 2008). Algumas responsabilidades das organizações podem ser enumeradas como: “iniciar, acompanhar, assessorar, medir resultados, dar feedbacks necessários, ter um planejamento estratégico condizente com o projeto, sinalizar as competências individuais e organizacionais que serão valorizadas” (SILVA, citado por AMARAL, 2008). 23 2.2.1 Gestão por competências nas instituições públicas Para Guimarães (2000) citado por Brandão& Bahry (2005) o setor público tem procurado “adotar a gestão por competências como alternativa de gestão flexível e empreendedora que possibilite melhorar a qualidade e a eficiência dos serviços públicos.” A gestão por competências é um modelo de gerenciamento de pessoas que deverá ser adotado pelas Instituições Públicas de Ensino Superior conforme decreto 5707/2006. O Decreto expõe a intenção do Governo Federal em melhorar a eficiência, a eficácia e a qualidade dos serviços públicos prestados à sociedade. Os incisos do Artigo 1º do decreto 5707/2006, demonstram as finalidades dessa Política. Art. 1o Fica instituída a Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoal, a ser implementada pelos órgãos e entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional, com as seguintes finalidades: I melhoria da eficiência, eficácia e qualidade dos serviços públicos prestados ao cidadão; II - desenvolvimento permanente do servidor público; III adequação das competências requeridas dos servidores aos objetivos das instituições, tendo como referência o plano plurianual; IV - divulgação e gerenciamento das ações de capacitação; e V - racionalização e efetividade dos gastos com capacitação. O Decreto 5707/2006 entende a Gestão por Competências como “a gestão da capacitação orientada para o desenvolvimento do conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias ao desempenho das funções dos servidores, visando ao alcance dos objetivos da instituição”. Porém, no setor público ainda é preciso fazer várias discussões para a implantação da gestão de pessoas por competências, uma vez que há vários aspectos que entravam a adoção desse tipo de gestão. Entre eles, oferecer aos seus servidores oportunidades de crescimento na carreira. 24 Conforme Amaral (2008), “os resultados do setor privado não podem ser transportados para o setor público, pois precisam passar por uma adequação às particularidades do setor público”. 2.2.2 Gestão por competências na UFSCar Apesar do enfoque do Governo Federal através do Decreto 5707/2006 ser de capacitar cada vez mais seus servidores, acredita-se que apenas a capacitação não baste para que se tenha um gerenciamento positivo nas instituições federais. É de grande relevância a capacitação, porém a batalha é maior, uma vez que não se pode resumir competência à capacitação. O conhecimento só deve ser considerado se utilizado e comunicado segundo Fleury & Fleury (2001). É preciso buscar competências tridimensionais como relata Carbone et al. citado por Sousa & Silva (2008). Este estudo centraliza-se no CHA para designar Conhecimento, Habilidade e Atitude. O conhecimento está relacionado ao processo de aprendizagem, ao saber, a deter as informações técnicas e cultura geral. Habilidade é o método, é saber como fazer, empregar os conhecimentos adquiridos de maneira eficiente e eficaz. Por último, atitude é querer fazer, é ter motivação para executar as atividades (CARBONE et al. apud SOUSA & SILVA, 2008). O conhecimento não será considerado apenas como um aprendizado formal e nem somente o que o indivíduo precisa saber para desempenhar uma tarefa, mas sim como uma união do aprendizado formal somado a sua experiência, conforme Fleury & Fleury (2001). Essa visão vem de encontro e complementa as competências necessárias. Não se pode descartar em uma organização a experiência dos indivíduos, ou seja, o seu conhecimento tácito. O conhecimento acumulado, os erros, os acertos, são fundamentais para o desenvolvimento dos processos institucionais e pessoais. 25 Um traçado das funções existentes é fundamental para que seja possível detectar as competências técnicas e comportamentais dos servidores conforme relata Leme (2005). Quando a organização puder mensurar suas competências através de indicadores pré estabelecidos de seus servidores, poderá cobrar resultados e também adotar uma política de avaliação de desempenho coerente, através de ferramentas e mecanismos que venham a contemplar os seus objetivos. Destaca-se a importância exposta por Brandão & Bahry (2005), referente a gestão por competências: “a eficácia e a aplicabilidade, em organizações públicas, ainda carecem de discussões mais aprofundadas e investigações empíricas a respeito.” Algumas organizações públicas e também universidades, já adotam a gestão de pessoas por competências, mas ainda ajustes periódicos são feitos tanto nas competências organizacionais como individuais, uma vez que representa um processo dinâmico na organização (BRANDÃO & BAHRY, 2005). A UFSCar tem várias iniciativas para a implantação da GC, dentre elas destaca-se o Curso de Especialização em Gestão Pública, a reestruturação da SRH que tem ações efetivas como a criação de blog, o incentivo a participação de servidores técnico-administativos e docentes em eventos que tenham a temática da GC no sentido de engajá-los na construção de um modelo próprio de Gestão por Competências para a UFSCar. 2.3 Mapeamento de competências Para a implantação da Gestão por Competências é necessário como passo inicial o mapeamento de competências. Há vários modelos e formas de mapeamento de competências. “Um dos primeiros passos para a implantação da GPPC em uma organização é a realização do mapeamento das competências, que servirá para o processo de GPPC” (AMARAL,2008). 26 É preciso que as competências sejam analisadas não somente do ponto de vista de seu grau de importância no momento, mas também que se possa ter uma visão futura de sua relevância (Brandão & Bahry, 2005). Assim, o mapeamento de competências busca como apresenta Rabaglio (2008), “a estratificação criteriosa e organizada de todos os conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias para eficácia e resultados em um cargo específico.” Diferentemente de Amaral (2008), para Rabaglio (2008), “é incontestável que a fórmula mais consistente de mapear competências é construída tendo como base as atribuições do cargo”. Quer dizer, segundo a autora: “nada pode ser inventado nem criado sem uma metodologia criteriosa, consistente, clara e objetiva, vinculada à realidade do cargo, que evolui passo a passo, de acordo com os indicadores do cargo constantes na descrição de cargos” (RABAGLIO,2008). O mapeamento de competências para Leme (2008) deve considerar os três elementos da competência Conhecimentos, Habilidades e Atitudes, não pode ser dissociado. De acordo com Leme, “mapear competências separando Conhecimento, da Habilidade e da Atitude levará a um exaustivo trabalho que não contribuirá para o processo, além de promover uma miscelânea com as tarefas”. Para um mapeamento focado em resultados, propõe que se “utilize o conjunto CH como Competências Técnicas e o A como Competências Comportamentais”. Rabaglio (2008) adota um critério de mapeamento com 5 passos: 1º) encontrar quais os indicadores de competências do cargo; 2º) Extrair as competências Técnicas e Comportamentais dos indicadores de competências do cargo: 3º) Relacionar as Competências Técnicas; Organizar as Competências Comportamentais em Grupos de Competências Similares e nomeá-los; 4º) Justificar a necessidade de cada Grupo de Competências Similares para o Cargo e 5º) Mensuração das Competências. Leme (2008) propõe que para a execução do mapeamento de competências seja feito o Inventário Comportamental que define como: 27 “uma Lista de Indicadores de Competências que traduz a conduta do Comportamento Ideal desejado e necessário para que a Organização possa agir alinhada ao MVVE. (MVVE = Missão, Valores, e Estratégia da Organização)” (LEME,2008). O mapeamento de competências através da sistemática proposta por Amaral et al. (2008) possibilita detectar e visualizar as competências necessárias ao bom desempenho dos indivíduos na organização. A sistemática compreende um ferramental de apoio (glossário de atributos de competência) e etapas bem definidas, conforme é apresentado no Quadro 2. 2.3.1 Ambiente organizacional A compreensão do ambiente organizacional é de grande relevância para o estudo em questão, uma vez que define o local de trabalho do indivíduo. O ambiente organizacional está diretamente ligado ao indivíduo, a sua forma de pensar, interpretar, vivenciar as normas, os costumes, a cultura da organização. Segundo Moresi (2001), o ambiente organizacional é construído abstratamente, podendo variar de acordo com o seu grau de complexidade e de mudança. Tudo o que envolve uma organização tanto no aspecto interno como externo determina o seu ambiente organizacional, podendo mesmo até mudar seus objetivos, suas metas para se compatibilizar com o meio externo. A sociedade, outras organizações também influenciam de forma direta uma dada organização. Do ponto de vista interno, os costumes, a forma de pensar dos indivíduos e as mudanças fazem com que a organização tome rumos diferenciados. O ambiente organizacional também pode ser visto de outra forma. Segundo mostra Barbosa (2002), “como fonte de recursos (financeiros, humanos, tecnológicos,etc.) dos quais a organização depende.” 28 Dessa forma, considera-se o ambiente organizacional como sendo um conjunto de fatores que a organização depende para desenvolver suas atividades e cumprir seus objetivos. É possível afirmar que a competência está relacionada ao ambiente organizacional já que este influencia no conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes (CHA) do indivíduo. O indivíduo sofrerá uma relação direta com o ambiente organizacional ao qual está inserido. 2.3.2 Plano de carreiras dos cargos técnico-administrativos em educação Para Chiavenato (2004) “cada cargo e/ou função é ocupado por pessoas e estas precisam de uma determinada competência mínima para exercer suas atividades com a máxima efetividade (eficiência com eficácia ao longo do tempo)”. Segundo Fleury & Fleury (2001) o alinhamento de competências com os cargos e postos da instituição são muito importantes. As Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), assim como outros órgãos públicos não dispõe de autonomia para modificar a descrição de seus cargos, uma vez que os mesmos são atrelados aos planos de carreira propostos pelo Governo Federal. O governo federal tem demonstrado há algum tempo o interesse em desenvolver a carreira funcional de seus servidores. Assim, através da Lei no. 11.091/2005 que dispõe sobre a estruturação do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (PCCTAE, 2002), no âmbito das Instituições Federais de Ensino vinculadas ao Ministério da Educação, estruturou o Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação, conforme art. 1º. dessa Lei. A Lei 11.091 de 12 de janeiro de 2005 norteou as Instituições de Ensino Superior a enquadrar seus servidores no que estabelece. 29 3 METODOLOGIA 3.1 Abordagem da Pesquisa Esta pesquisa tem uma abordagem qualitativa baseada nas percepções dos servidores envolvidos. É uma pesquisa de caráter teórico e aplicativa. A parte teórica foi baseada fundamentalmente em artigos, revistas e livros. A descrição das atividades e tarefas inerentes aos cargos dos servidores envolvidos também foi fonte consultada. 3.2 Método O método escolhido para o desenvolvimento deste estudo foi o proposto por Amaral (2006), porque através das etapas de seu método é possível mapear competências de forma mais próxima à realidade. Além disso, o acesso a esclarecimentos para utilização da metodologia ficou mais fácil, tendo em vista que seu autor é professor da Universidade Federal de São Carlos. Dessa forma, os passos metodológicos adotados são representados no quadro 2. O primeiro passo refere-se a aplicação do questionário (Apêndice A) que enfoca as atividades dos cargos que foi construído com base no Plano Único de Classificação e Retribuição de Cargos e Empregos (PUCRCE,1987) e no Plano de Carreira dos Cargos Técnico-administrativos em Educação (PCCTAE, 2005). Foram analisadas as atividades comuns aos cargos descritos e condensadas, uma vez que muitas delas são comuns a todos os cargos. Para Brandão et al. (2005), a aplicação de questionários é “talvez a técnica mais utilizada para mapear competências relevantes para um contexto organizacional”. 30 Atividades 1 2 3 Descrição Ferramentas Resultados Coleta das atividades desenvolvidas pelos servidores de secretarias Questionário objetivo Atividades Coleta das percepções dos servidores -O respondente indica quais características positivas que aprecia em um servidor de secretaria de departamento (GOSTO). - O respondente indica quais características negativas em um servidor de secretaria de departamento (NÃO GOSTO). - O respondente indica quais características positivas um servidor de secretaria deveria possuir (IDEAL SERIA). Conversão das percepções em características positivas Questionário aos servidores Percepções de competência sobre para Conversão das percepções em características positivas Glossário de atributos de desenvolvidas nas secretarias as características positivas, negativas e que servidores de secretarias apreciariam Características positivas competência (Amaral(2006) e Rabaglio(2008) 4 Classificação das características positivas em atributos de competência Características positivas Elaboração dos indicadores de competência • indicador de importância dos atributos de competência; • indicador do nível de domínio dos atributos de competência Base de referência Construção Atributos Glossário de dos competência (CHA) para o CCBS/UFSCar 5 Indicadores de competência para servidores do CCBS/UFSCar Quadro 2 Passos metodológicos do mapeamento de competência, adaptado de Amaral (2008). Após a aplicação do primeiro questionário (1º. Passo), passou-se à coleta das percepções dos servidores envolvidos no estudo, ou seja, a aplicação propriamente dita do método proposto por Amaral (2006) (2º. Passo). No 3º passo, as percepções obtidas foram analisadas e transformadas em características positivas. Após a classificação dessas características (4º passo), foi construído o glossário, que servirá de base de referência, para a comunicação dos conceitos envolvidos pelos CHA mapeados entre os servidores da UFSCar. O último passo do mapeamento foi a elaboração dos indicadores de competência classificados pela sua importância e domínio. A aplicação dessa sistemática resultou nas competências necessárias para que um servidor possa assumir e desenvolver as atividades pertinentes às secretarias de departamentos do CCBS. Dessa forma, este estudo teve um caráter exploratório, descritivo e explicativo, uma vez que, além de descrever, caracterizou e também identificou fatores envolvidos. A Figura 4 ilustra o fluxo do procedimento metodológico deste trabalho. 31 Pesquisa Bibliográfica sobre o tema Elaboração de Questionários Aplicação dos questionários aos servidores das secretarias do CCBS Apuração e análise dos resultados Figura 4 – Fluxo do procedimento metodológico do trabalho 3.3 Objeto de estudo (CCBS/UFSCar) A Universidade Federal de São Carlos, objeto de estudo deste trabalho, foi criada em 1968 e em 1970 teve início suas atividades acadêmicas. Atualmente, tem mais de 30 cursos de graduação e possui 20 programas de pósgraduação que agregam 35 cursos de pós-graduação (20 de mestrado e 35 de doutorado) também oferece cursos de Especialização Lato Sensu, distribuídos em três campi, localizados em São Carlos, Sorocaba e Araras. O Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal de São Carlos, foi criado efetivamente em 02/09/1977 e conta, atualmente, com 11 departamentos: Departamento de Botânica (DB); Departamento de Ciências Fisiológicas (DCF); Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva (DEBE); Departamento de Hidrobiologia (DHb); Departamento de Genética e Evolução (DGE); Departamento de Fisioterapia (DFisio); Departamento de Terapia Ocupacional (DTO); Departamento de Educação Física e Motricidade Humana (DEFMH); Departamento de Enfermagem (DEnf); Departamento de Morfologia e Patologia (DMP) e Departamento de Medicina (DMed). O CCBS oferece 10 cursos de Graduação, a saber: Bacharelado em Enfermagem, Bacharelado em Gerontologia; Bacharelado Terapia Ocupacional, Licenciatura em Educação Física, Bacharelado em Fisioterapia; Bacharelado em Medicina; Licenciatura em Ciências Biológicas, Bacharelado em Ciências Biológicas; Bacharelado em Gestão e Análise Ambiental e Bacharelado em Biotecnologia. Para 2010, estão previstos novos cursos. O CCBS oferece cursos de Pós-Graduação em Fisioterapia (Mestrado e Doutorado); Enfermagem (Mestrado), Genética e Evolução (Mestrado e 32 Doutorado); Ciências Fisiológicas (Mestrado e Doutorado) e em Ecologia e Recursos Naturais (Mestrado e Doutorado). Oferece também Cursos de Especialização em Intervenção em Neuropediatria; em Psicoterapias de Orientação Psicoanalítica; em Terapia da Mão e Reabilitação do Membro Superior; em Treinamento Corretivo Postural (TCP) e em Fisiologia do Exercício. Dentre os onze departamentos do CCBS, há 177 servidores docentes e 14 funcionários técnico-administrativos, dentre os quais um marceneiro a serviço de suas secretarias, além de 5 estagiários. Os departamentos apresentam estrutura diferenciada e em alguns há apenas um servidor do quadro no atendimento às chefias e aos professores, bem como ao público que venha procurar o departamento. O ambiente organizacional deste estudo é o ambiente em que os servidores do CCBS foram enquadrados em conformidade com seus cargos. No CCBS há uma variedade de cargos que são caracterizados pelo atendimento às secretarias de Departamento e estão no ambiente organizacional administrativo. Os ambientes organizacionais foram descritos pelo Decreto 5824/06 de 29 de junho de 2006. Este trabalho considera o ambiente organizacional administrativo, uma vez que o perfil dos servidores será daqueles a serviço de secretarias de departamentos do CCBS. Em linhas gerais, o Decreto 5824/06 fornece a descrição desse ambiente de uma forma bem ampla: Gestão administrativa e acadêmica envolvendo planejamento, execução e avaliação de projetos e atividades nas áreas de auditoria interna, organização e métodos, orçamento, finanças, material, patrimônio, protocolo, arquivo, administração e desenvolvimento de pessoal, saúde do trabalhador, higiene e segurança no trabalho, assistência à comunidade interna, atendimento ao público e serviços de secretaria em unidades acadêmicas e administrativas. Os cargos que envolvem este estudo são os de auxiliar administrativo, atual auxiliar em administração; assistente em administração, administrador, técnico em assuntos educacionais. Os estagiários também se encontram no ambiente 33 organizacional, mas não serão analisados. Dessa forma, o Departamento de Genética e Evolução (DGE) não será incluído no estudo, uma vez que sua secretaria não possui um servidor administrativo do quadro. O cargo de assistente em administração é descrito por atividades na área administrativa e é um cargo de nível médio. Os requisitos de qualificação para o cargo de assistente em administração são: Escolaridade: Ensino médio profissionalizante ou médio completo mais experiência. A descrição do cargo é a seguinte: Dar suporte administrativo e técnico nas áreas de recursos humanos, administração, finanças e logística; atender usuários, fornecendo e recebendo informações; tratar de documentos variados, cumprindo todo o procedimento necessário referente aos mesmos; preparar relatórios e planilhas; executar serviços áreas de escritório. Assessorar nas atividades de ensino, pesquisa e extensão. (PCCTAE,2005) O outro cargo do ambiente organizacional deste estudo é o cargo de Administrador, que como requisito de qualificação para ingresso é necessário o nível de escolaridade é superior em Administração além da necessidade de registro junto ao Conselho competente (Lei no. 4769 de 09 de setembro de 1965) que regulamenta a profissão. Com relação às atividades desenvolvidas pelos ocupantes desse cargo, o PCCTAE (2005) descreve as atividades gerais do cargo, a saber: Planejar, organizar, controlar e assessorar as organizações nas áreas de recursos humanos, patrimônio, materiais, informações, financeira, tecnológica, entre outras; implementar programas e projetos; elaborar planejamento organizacional; promover estudos de racionalização e controlar o desempenho organizacional; prestar consultoria administrativa. Assessorar nas atividades de ensino, pesquisa e extensão. Para ocupar o cargo de Técnico em Assuntos Educacionais é preciso que o ocupante tenha qualificação superior e apresente Curso Superior em Pedagogia ou Licenciaturas. O cargo de Técnico em Assuntos Educacionais foi criado através do PCCTAE (2005), e suas atividades são as seguintes: 34 Coordenar as atividades de ensino, planejamento e orientação, supervisionando e avaliando estas atividades, para assegurar a regularidade do desenvolvimento do processo educativo. Assessorar nas atividades de ensino, pesquisa e extensão. O cargo de auxiliar administrativo que aparece no ambiente organizacional deste estudo está em extinção, porém, ainda permanece na estrutura de cargos da UFSCar, uma vez que há ocupantes nesse cargo. Apesar de poucos servidores ocuparem esse cargo, não há como deixar de considerá-lo, uma vez que está presente em secretarias do CCBS. A definição das atividades do cargo de Auxiliar Administrativo está descrito no Decreto no. 94664 de 23/06/1987 que aprova o Plano Único de Classificação e Retribuição de Cargos e Empregos (PUCRCE) A descrição do cargo de Auxiliar Administrativo constante do PUCRCE (1987) é a seguinte: “Executar sob avaliação e supervisão, serviços de apoio à administração.” Como requisito para o cargo é necessário o 1º. Grau completo e datilografia. Atualmente, o referido cargo está em extinção, não mais havendo contratações nesse nível administrativo. Esses cargos estão presentes nas secretarias como já citado mas, também, há outros cargos em que suas atividades não pertencem a área administrativa e seus ocupantes desempenham funções administrativas como demonstra o resultado da aplicação do questionário de atividades O Quadro 3 mostra o número de servidores técnico-administrativos alocados nas secretarias de departamentos do CCBS e seus cargos. 35 DEPARTAMENTOS Assistentes em Administração DB 0 Auxiliares Administrativos Administradores - - 01 DHb - 01 01 - - - 0 01 0 - - 01 - - 01 - 0 DMed - - 01 0 01 0 DTO - - 01 - 0 DEFMH - - 01 - 0 DMP - - 01 - - DFisio - - - - 0 DEnf - - 01 - - DGE * - - DCF Outros** - DEBE Técnicos em Assuntos Educacionais - 01 - 01 Quadro 3 - Funcionários técnico-administrativos/cargos do CCBS a serviço das secretarias de seus departamentos. *O Departamento de Genética e Evolução não possui servidor do quadro em sua secretaria. **Refere-se a um marceneiro que desempenha funções administrativas. Fonte: Dados coletados junto às Secretarias de Departamentos do CCBS. 36 4 RESULTADOS As secretarias dos departamentos do CCBS apresentam 14 servidores técnico-administrativos e 5 estagiários. Os estagiários não fizeram parte deste estudo, assim o Departamento de Genética e Evolução não foi considerado, uma vez que não apresenta servidor do quadro da UFSCar em sua secretaria. 4.1 Atividades desempenhadas O questionário no. 1 (Apêndice A) foi aplicado aos 14 servidores técnico-administrativos do quadro da UFSCar a serviço das secretarias dos departamentos de Medicina, Morfologia e Patologia, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Educação Física e Motricidade Humana, Enfermagem, Ciências Fisiológicas, Hidrobiologia, Botânica, e Ecologia e Biologia Evolutiva e obteve-se resposta de 100% deles. No questionário 1 (Apêndice A) foram levantadas as atividades dos cargos que tem relação direta com o trabalho de secretaria em conformidade com o PUCRCE (1987) e com o PCCTAE (2005). Essas atividades foram analisadas e algumas agrupadas para que o questionário não ficasse repetitivo e nem muito extenso, uma vez que são semelhantes entre alguns dos cargos envolvidos no estudo. Todos os servidores a serviço das secretarias de departamento do CCBS responderam ao questionário, independente do cargo ocupado. O cargo foi citado no questionário para que o servidor pudesse se situar, mas não foi levado em consideração, uma vez que as atividades citadas englobaram todos os cargos. No Quadro 3 verifica-se a situação funcional desses servidores em relação aos cargos que ocupam nas secretarias de departamento. As respostas do questionário 1 (Apêndice A) foram analisadas com base nos percentuais de execução das atividades propostas e considerados os percentuais de 50% a 100% para determinar as principais atividades das secretarias dos departamentos. 37 Também foi solicitado no questionário 1 (Apêndice A) as atividades que os servidores poderiam, eventualmente ou rotineiramente, desenvolver além daquelas previstas no questionário e obteve-se variadas atividades como pode ser verificado no Quadro 4. A análise das atividades que não constavam no questionário 1 (Apêndice A) mostrou que, ou se enquadravam naquelas já apresentadas ou receberam percentuais tão pequenos que não foram considerados relevantes, ou seja, menor que 50%, apesar de 50% dos servidores terem declarado que executam outras atividades além daquelas indicadas no questionário 1 (Apêndice A). Comprar materiais Organizar eventos Dirigir veículos oficiais Entregar documentos Controlar serviços de xerox Atender e dar suporte administrativo a docentes, funcionários e alunos Auxiliar no cumprimento das atividades acadêmicas do ProGradWeb Digitar notas e freqüência Controlar o NEXOS Controlar o oferecimento de disciplinas Reservar salas de aula Controlar ligações telefônicas Executar serviços externos Preparar materiais e equipamentos para aulas Dar assistência a computadores Quadro 4 - Lista de atividades indicadas pelos servidores a serviço das secretarias do CCBS consideradas como executadas além das atividades previstas nos cargos e não contempladas no questionário 1. 38 As atividades principais foram destacadas através da aplicação do questionário 1 (Apêndice A) e foram consideradas aquelas citadas em mais de 50% dos questionários respondidos e podem ser observadas no Quadro 5. Controlar entrada e saída de documentos; emitir guias de processos e documentos. Elaborar, redigir, digitar e expedir documentos. Orientar a execução de trabalhos da unidade. Assistir e auxiliar a chefia. Conhecer e aplicar normas e legislação. Analisar e acompanhar processos; administrar materiais, recursos humanos, patrimônio, recursos financeiros e orçamentários. Manter contatos internos e externos; receber e transmitir mensagens telefônicas. Controlar e distribuir materiais em geral. Organizar e manter arquivos, material de consulta da unidade: leis, regulamentos, manuais, livros, documentos. Receber e divulgar informações, correspondências. Planejar, propor, executar atividades relativas a administração financeira e orçamentária. Auxiliar na preparação e controle do orçamento; coletar dados relativos a atividades mensuráveis. Providenciar levantamento de dados administrativos e estatísticos. Participar direta ou indiretamente de serviços relacionados às verbas, processos, convênios; efetuar cálculos. Secretariar reuniões e outros eventos. Identificar oportunidades e problemas; definir estratégias. Identificar fontes de recursos. Reestruturar atividades administrativas. Estabelecer rotinas de trabalho; avaliar resultados. Utilizar recursos de informática. Quadro 5 - Principais atividades das secretarias do CCBS 39 4.2 Atributos de competência Mapeadas as principais atividades das secretarias dos departamentos do CCBS, elaborou-se um segundo questionário (Apêndice A). O questionário 2 (Apêndice A) foi construído de acordo com o método de mapeamento proposto por Amaral (2006). Compreendeu 3 questões abertas nas quais os servidores deveriam responder quais as características que apreciam (GOSTO) em um servidor de secretaria de departamento, que não apreciam (NÃO GOSTO) e quais características julgam que um servidor de secretaria deveria possuir (IDEAL SERIA). Em cada uma dessas questões os servidores deveriam citar quatro percepções. Dos questionários enviados ao total de 14 servidores das secretarias do CCBS foram respondidos apenas por 9, representando 64,29% do total. Esses 9 servidores que responderam ao questionário forneceram 107 percepções, resultando em 99,07%. Um dos servidores deixou de informar uma percepção no questionário. Em seguida, essas percepções foram transformadas em características positivas, conforme Amaral (2006). Das 107 percepções, considerou-se apenas 96, uma vez que 11(10,28%) não se enquadraram como um indicador de competência, como por exemplo, “mobiliário adequado ao trabalho executado”. São questões que podem não ser desprezadas pela organização mas que, não cabem neste estudo. Assim, foram consideradas como percepções 89,72% do total das respostas dos servidores ao questionário 2. As percepções de competência foram analisadas e classificadas com base no glossário apresentado por Amaral (2006) e no dicionário de competências de Rabaglio (2006). Essas percepções foram agrupadas por similaridade e definidos os atributos de competência (CHA) para o desempenho das atividades das secretarias de departamento do CCBS (Quadro 6). 40 4.3 Glossário dos atributos de competência Após o grupamento das percepções por similaridade, foram definidos os atributos de competência (CHA) para o desempenho de um servidor que atue ou venha a atuar em secretarias do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde. Os atributos de competência foram separados em Atitudes, Habilidades e Conhecimentos. Aqueles classificados em Atitudes e Habilidades foram baseados nos dados fornecidos pelo questionário 2 (Apêndice A). ATITUDES Agilidade Esforço Assertividade Humildade Assiduidade Iniciativa Atenção Motivação Bom Humor Objetividade Comprometimento Paciência Confiabilidade Persistência Cooperação Pontualidade Cortesia Presteza Criatividade Receptividade Desenvoltura Relacionamento Interpessoal Detalhista Respeito Empatia Responsabilidade HABILIDADES Administração do Tempo Habilidade Comunicação Liderança Domínio das funções Saber Ouvir Capacidade Tomada de Decisão Quadro 6 – Atributos de competência necessários ao desempenho das atividades nas secretarias dos departamentos do CCBS. 41 Porém com relação ao outro elemento da competência, nenhuma percepção levou a considerá-lo. Quer dizer, nenhuma percepção enquadrou-se como atributo nesse elemento. O conhecimento não foi citado pelos servidores. Tendo em vista que o Conhecimento também se apresenta como parte fundamental do conceito de competência, analisaram-se as atividades dos cargos (Quadro 5) que envolveram este estudo e chegou-se aos atributos básicos para o desempenho das atividades neles descritas. Dessa forma, foram definidos os atributos de competência relativos ao Conhecimento. O glossário apresentado no Quadro 7 (Apêndice A) demonstra os atributos de competência necessários para o desempenho de um servidor de secretaria de departamento do CCBS. 4.4 Indicadores de competência Como indicador de competência, considerou-se neste estudo as respostas fornecidas pelos servidores através da atividade aplicada no questionário 2 que puderam ser utilizadas para o mapeamento. Quer dizer, os indicadores de competência são o resultado da quantificação das percepções advindas da aplicação da metodologia de Amaral (2006), enquadradas em GOSTO, NÃO GOSTO, IDEAL SERIA. Conforme Amaral (2008) os indicadores podem ser classificados como de importância e de domínio da competência. 4.4.1 Indicadores de domínio do atributo de competência Os indicadores de domínio são aquelas percepções que os servidores reconhecem ter na aplicação do questionário 2 (GOSTO). Neste sentido a Figura 5, ilustra os atributos de competência gerados dessas percepções que reconhecidamente os servidores responderam possuir 42 (GOSTO). Esses atributos não devem deixar de ser vistos pela SRH, uma vez que representam pontos positivos já existentes. 4.4.2 Indicadores de importância do atributo de competência É formado pelos atributos que receberam o maior número de indicações (NÃO GOSTO + IDEAL SERIA). Dessa forma, somou-se o total dos indicadores colhidos na questão no. 2 e na questão no. 3 do questionário 2, como critério para selecionar aquelas mais importantes, ou melhor, necessárias ao desempenho das atividades das secretarias em estudo, conforme Amaral, 2008. A Figura 5 representa graficamente os indicadores de importância e domínio dos atributos de competência pelos servidores de secretarias do CCBS. Figura 5 – Relação entre os atributos de Competências essenciais para os servidores técnico administrativos de secretarias de departamento do CCBS e o número de seus indicadores. 43 A Figura 5 mostra o resultado da análise geral deste estudo e demonstra os pontos fracos (falta de domínio) desses atributos em relação aos servidores, ou seja, os pontos onde a Secretaria Geral de Recursos Humanos (SRH) deve atuar. Nota-se que a SRH deve atuar em todos os atributos, uma vez que todos apresentam essa necessidade. Por exemplo, comprometimento, cooperação, agilidade, iniciativa, capacidade, empatia, humildade, etc. Observa-se que os pontos fracos referem-se aos atributos de competência cujos indicadores de importância destacam-se e são caracterizados pela ausência do atributo (NÃO GOSTO + IDEAL SERIA), ou seja, a falta de domínio do atributo, segundo a percepção dos servidores respondentes. Os resultados visualizados na Figura 5 apresentam os atributos agilidade, comprometimento, iniciativa e capacidade como essenciais para os servidores no desempenho de suas funções junto aos departamentos do CCBS. As deficiências devem e podem ser sanadas através de um trabalho adequado da SRH, atuando em conjunto com os servidores, o que propiciará um ganho individual e um ganho para o CCBS e também para a UFSCar. Os resultados demonstram que faltam atributos de competência absolutamente essenciais aos servidores e que não basta ter servidores capacitados tecnicamente. É preciso que além do conhecimento puro e simples, tenham outros atributos que complementam sua formação individual, atitudes e habilidades. É nesse sentido que a SRH deve atuar. O glossário define cada um dos atributos de competência para os servidores em questão, o que poderá auxiliar também na execução desse trabalho pela SRH. 44 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O objetivo estabelecido neste trabalho foi atendido através do mapeamento das atividades e do mapeamento das competências dos servidores de secretarias de departamento do CCBS/UFSCar. Este estudo contribui para a Gestão de Pessoas no setor público, e especialmente, nas Instituições de Ensino Superior. Fornece dados importantes para a aplicação da Gestão por Competências conforme determinação do Governo Federal. O mapeamento das atividades mostrou o que as secretarias do CCBS apresentam como atividades principais e o mapeamento de competências, o perfil que um servidor precisa apresentar para desenvolver tais atividades com bom desempenho. Quanto a aplicação dos resultados na gestão de pessoas, o glossário poderá servir de base de referência não somente para servidores que façam parte ou que venham a fazer parte das secretarias do CCBS, mas também, da própria UFSCar. De forma imediata, os indicadores mostram os pontos fortes e fracos em que a Secretaria de Recursos Humanos deverá atuar. As competências mapeadas neste trabalho poderão ser utilizadas para selecionar candidatos não somente intelectualmente capacitados, mas também, que tenham um perfil adequado ao desempenho de um cargo ou função nas secretarias de departamentos do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, ou até mesmo, da Universidade Federal de São Carlos. Dessa forma, ficará mais fácil adequar os servidores nos espaços organizacionais do CCBS e da UFSCar quando consideradas suas competências. A análise e consideração do conjunto de competências também facilitarão o preenchimento de funções, mesmo que não sejam livres de nomeação, pois possibilitará uma escolha adequada do servidor a ser indicado. Outros trabalhos deverão ser realizados no sentido de mapear as competências organizacionais, além da continuidade de mapeamento de outros setores/departamentos da UFSCar e do acompanhamento contínuo desses mapeamentos e de seus resultados. Eles poderão servir-se deste trabalho que já 45 fornece um “insight” inicial para traçar as competências organizacionais, por meio da identificação dos indicadores de importância da competência. A implantação da GC será, provavelmente, em médio ou longo prazo e o envolvimento dos servidores será muito importante para o seu exito na UFSCar. Este trabalho contribui diretamente para a iniciativa de GC na UFSCar com os seus resultados. Um dos pontos fortes para a implantação da GC é a Secretaria de Recursos Humanos da UFSCar já ter assumido a iniciativa com a participação e o envolvimento de seus servidores. 46 REFERÊNCIAS AMARAL, R.M. Desenvolvimento e aplicação de um método para o mapeamento de competências em inteligência competitiva. 2006. 207 p. Dissertação de Mestrado, PPG-EP/CCeT/UFSCar, São Carlos, SP. 2006. AMARAL, R.M et al. Modelo para mapeamento de competências em equipes de inteligência competitiva. Revista de Ciência da Informação, v. 37, n.2, p.7-19, maio/ago, 2008. AMARAL, R.M. Gestão de pessoas por competências em organizações públicas. In: XV SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 2008. Anais XV Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias BARBOSA, R.R. Inteligência empresarial: uma avaliação de fontes de informação sobre o ambiente organizacional externo. Revista de Ciência da Informação, v.3, n.6, dez/02. BRANDÃO, H.P.; BAHRY, C.P. Gestão por competências: métodos e técnicas para mapeamento de competências. Revista do Serviço Público vol. 58 no. 2, abr/jun 2005. BRANDÃO, H.P.; GUIMARÃES, T.A. Gestão de competências e gestão de desempenho: tecnologias distintas ou instrumentos de um mesmo construto? Revista de Administração de Empresas, São Paulo, vol.41, n.1, jan/mar/2001. BRASIL. CASA CIVIL. Decreto 5707/09. Disponível em: http:// www.planalto. gov.br/CCIVIL/_ Ato2004-2006/2006/Decreto /D5707.htm. Acesso em: 13.mai.2009. CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas e o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 6. ed. Ed. Rio de Janeiro. Elsevier, 2004. DURAND, T. Forms of incompetence. In: FOURTH INTERNATIONAL CONFERENCE ON COMPETENCE-BASED MANAGEMENT. Oslo, Norwegian School of Management, 1998. DUTRA, J. de S. Gestão de pessoas com base em competências. In: DUTRA, J. de S. (org.) Gestão por competências. 2. ed. São Paulo: Editora, 2001. FLEURY, M.T.L.; FLEURY, A. Construindo o conceito de competência. Revista de Administração Contemporânea. Edição Especial, 183-196, 2001. 47 LE BOTERF, G. De la compétence. France: Editions d‟Organisations, 1995. LEME, R. Aplicação prática de gestão de pessoas por competências, 2. Ed., 2008. MORESI, E.A.D. O Contexto organizacional. In: TARAPANOFF, K (Org.). INTELIGÊNCIA ORGANIZACIONAL E COMPETITIVA, Brasília, Ed. Unb, 2002. PIRES, A. et al. Gestão por competências em organizações de governo. Brasília, ENAP,.2005. RABAGLIO, M.O. Gestão por competências: Ferramentas para atração e captação de talentos humanos. Rio de Janeiro, Qualitymark, 2008. SANTOS, A.P. Gestão por competências e avaliação de desempenho: da diversidade de teorias e instrumentos ao desafio de construir modelos adequados a administração pública. In: XIII CONGRESO INTERNACIONAL DEL CLAD SOBRE LA REFORMA DEL ESTADO U DE LA ADMINISTRACIÓN PÚBLICA, nov/2008, Anais XIII Congreso internacional del clad sobre la reforma del estado u de la administración pública, Buenos Aires, Argentina, 4-7. SOUZA, M.S. A gestão de e por competências como mecanismo de desenvolvimento profissional, 2008. Disponível em: http://www.administradores.com.br/artigos/agestaodeeporcompetenciascomomecani smodedesenvolvimentoprofissional/23922/ Acesso em: 13.mai.2009. ZARIFIAN, P. Objetivo Competência: Por uma nova lógica. São Paulo. Atlas, 2001. BRASIL. CASA CIVIL. Lei 11.091/2005. Plano de carreira dos cargos técnicoadministrativos em educação, PCCTAE, Brasília, 2005. BRASIL. CASA CIVIL. Lei 7596/87. Plano único de classificação e retribuição de cargos e empregos, PUCRCE, Brasília, 1987. 48 FONTES CONSULTADAS ALBUQUERQUE, L.G; OLIVEIRA, P.M. Competências ou cargos: uma análise das tendências das bases para o instrumental de Recursos Humanos. Caderno de Pesquisas em Administração, São Paulo, volume 8, no. 4, out/dez 2001. BARBALHO, C.R.S. Gestão baseada nas competências. Disponível em: http:// www.sibi.ufrj.br/snbu/snbu2002/oralpdf/26.a.pdf. Acesso em: 13 mai. 2009. BERNARDES, J.F. As políticas de recursos humanos e suas influências na gestão universitária. Disponível em: http://rapes.unsl.edu.ar/Congresos_realizados/Congresos/III%20Encuentro/Complet os/Bernardes.pdf . Acesso em: 13 mai. 2009. FERNANDES, J.M. Acompanhamento de desenvolvimento profissional: Inovando a gestão de pessoas na universidade pública. Disponível em: http:// rapes. unsl.edu.ar/Congresosrealizados/Congresos/III%20Encuentro/Completos/Munhoz.pd f. Acesso em: 13 mai. 2009. PARENTE, C. Para uma análise da gestão de competências profissionais. http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/260.pdf. Acesso em: 13 mai.2009. 49 APÊNDICE A 50 INSTRUÇÕES PARA PREENCHIMENTO DO QUESTIONÁRIO. Este questionário destina-se a coleta de dados de minha monografia (referente ao Curso de Especialização em Gestão Pública) e não tem a intenção de resolver problemas de cunho pessoal de qualquer servidor que o responda. Peço que o mesmo seja respondido em conformidade com o cargo ocupado, ou seja, o servidor responderá as questões na coluna correspondente ao cargo que ocupa, marcando com um “X” a opção escolhida (“S” para Sim ou “N” para Não). Se o cargo que você ocupa não estiver listado, responda na coluna “Outros”. Caso queira complementar o questionário com atividades não descritas, o servidor poderá fazê-lo na parte inferior do questionário ou encaminhá-las em folha anexa. Antecipadamente agradeço a atenção por responder ao questionário e desde já me coloco a disposição para quaisquer esclarecimentos com relação ao seu preenchimento. Muito Grata. Anna Lucia de Souza Filho Sentanin 51 Questionário 1 - Atividades dos cargos de Auxiliar Administrativo, Assistente em Administração, Técnico em Assuntos Educacionais e Outros a serviço das Secretarias do CCBS Departamento: Cargos Auxiliar Administrativo ATIVIDADES S Controla entrada e saída de documentos; emite guias de processos e documentos? Elabora, redige, digita expede documentos? Orienta a execução trabalhos da unidade? e de Assiste e auxilia a chefia? Conhece e aplica normas e legislação? Analisa e acompanha processos; administra materiais,recursos humanos,patrimônio,recursos financeiros e orçamentários? Participa da elaboração de projetos da unidade ou da Instituição? Mantém contatos internos e externos; recebe e transmite mensagens telefônicas? Controla e distribui materiais em geral? Organiza e mantém arquivos, material de consulta da unidade: leis, regulamentos, manuais,livros,documentos? Recebe e divulga informações, correspondências? Planeja, propõe executa atividades relativa a administração financeira e orçamentária? Auxilia na preparação e controle do orçamento,coleta dados relativos a atividades mensuráveis ? Auxilia na elaboração relatórios e projetos? de Providencia levantamento de dados administrativos e estatísticos? N Assistente em Administração S N Administrador S N Técnico em Assuntos Educacionais S N Outros S N 52 Continuação do Questionário no.1 - Atividades dos cargos de Auxiliar Administrativo, Assistente em Administração, Técnico em Assuntos Educacionais e Outros a serviço das Secretarias do CCBS. Departamento: Cargos Auxiliar Administrativo ATIVIDADES S Participa direta ou indiretamente de serviços relacionados às verbas, processos, convênios, efetua cálculos? Secretaria reuniões e outros eventos Administra processos? sistemas, Gere recursos tecnológicos? Arbitra em administrativas? decisões Participa na definição da visão e missão do departamento? Analisa a organização no contexto interno e externo? Identifica oportunidades e problemas; define estratégias? Apresenta propostas de programas e projetos; avalia viabilidade; dimensiona amplitude; traça estratégias de implementação; coordena? Estabelece metas específicas? gerais e Identifica fontes de recursos? Reestrutura administrativas? atividades Analisa a organizacional? estrutura Diagnostica e descreve métodos, processos e rotinas de simplificação e racionalização de serviços? Elabora e revisa normas e procedimentos? Estabelece rotinas de trabalho; avalia resultados? Prepara relatórios? N Assistente em Administração S N Administrador S N Técnico em Assuntos Educacionais S N Outros S N 53 Continuação do Questionário no 1 - Atividades dos cargos de Auxiliar Administrativo, Assistente em Administração, Técnico em Assuntos Educacionais e Outros a serviço das Secretarias do CCBS. Departamento: Cargos Auxiliar Administrativo ATIVIDADES S N Assistente em Administração S N Administrador S Técnico em Assuntos Educacionais N Emite pareceres? Planeja, supervisiona, analisa e reformula o processo de aprendizagem, traçando metas, estabelecendo normas, orientando e supervisionando o cumprimento do mesmo e criando ou modificando processos educativos em estreita articulação com os demais componentes do sistema educacional, para proporcionar educação integral aos alunos? Elabora projetos de extensão? Realiza trabalhos estatísticos específicos? Elabora apostilas? Orienta acadêmicas? pesquisas Utiliza recursos informática? de Executa outras atividades? Descreva-as. Questões elaboradas com base no PUCRCE e no PCCTAE S N Outros S N 54 Prezado (a) Servidor (a) Para dar continuidade a minha monografia para conclusão de meu Curso de Especialização, peço mais uma vez a atenção e compreensão de todos vocês. Com base nas respostas dos questionários enviados a todos os servidores a serviço das secretarias do CCBS, observei que as principais atividades das secretarias do CCBS são as descritas em anexo. Com base nessas atividades é que solicito que respondam às três perguntas que se seguem. Caso tenham alguma dúvida por favor, entrem em contato comigo que poderei esclarecê-los. Solicito que enviem as respostas o mais breve possível, pois delas dependem o resultado deste trabalho. Fico muito grata a todos. Anna Lucia de Souza Filho Sentanin 55 Questionário 2 1 – Quais características você APRECIA no secretário de departamento do CCBS no desenvolvimento de sua função? (Obs.: Você deve citar suas percepções positivas, ou seja, aquelas que reconhece possuir no desenvolvimento de suas atividades) a) b) c) d) 2 – Quais características você NÃO APRECIA no secretário de departamento do CCBS no desenvolvimento de sua função? (Obs.: Você deve citar percepções negativas. Não devem ser inversas às respondidas na questão anterior. Devem ser características que faltem no servidor.) a) b) c) d) 3 – Quais as características que um secretário de departamento do CCBS DEVERIA possuir? (Obs.: Você deve citar as características que faltam para que os servidores das secretarias do CCBS sejam ainda melhores) a) b) c) d) 56 ATITUDES Agilidade – Otimizar as tarefas; eficiência e rapidez no atendimento. Ser dinâmico. Bom Humor – Saber manter o humor estável mesmo em situações adversas. Comprometimento – Ter compromisso com os interesses e assuntos do departamento; conhecer a estrutura organizacional; seus trâmites, normas e objetivos; envolver a formação acadêmica e a experiência no desenvolvimento de atividades. Cooperação – Interagir e colaborar com os colegas. Saber trabalhar em equipe. Cortesia – Atender ao público em geral com educação, eficiência e simpatia. Empatia – Saber colocar-se no lugar de outros servidores sabendo orientá-los; compreender as dificuldades para a interação entre setores. Humildade – Saber compartilhar sem arrogância. Saber assumir e aceitar erros e críticas. Iniciativa – Saber começar um trabalho sem precisar receber ordens e obter resultados. Motivação – Ter boa vontade no desempenho de funções, demonstrando interesse. Pré disposição ao trabalho. Pontualidade – Saber cumprir horários. HABILIDADES Administração do Tempo – Saber organizar o tempo para desempenhar com eficiência as funções sem ficar sobrecarregado. Ser organizado. Comunicação – Saber expressar idéias e pensamentos de maneira adequada e com clareza. Saber prestar informações completas. Domínio das funções – Saber fazer corretamente o trabalho; saber priorizar demandas. Capacidade – Buscar capacitação contínua, boa formação; desenvolver novas habilidades para o desempenho de funções, aprimorar-se, atualizar-se. Ter experiência administrativa. CONHECIMENTOS Domínio de redação – ter domínio da leitura e da escrita. Domínio básico de informática – ter conhecimento de digitação; conhecimento de editor de texto; conhecimento de execução de planilhas e gráficos. Domínio básico de matemática – dominar operações simples. Quadro 7 – Glossário dos atributos de competência para o desempenho de um servidor de secretaria de departamento do CCBS/UFSCar.