LUSO Edition n°33 du 23 octobre 2008 Crianças Lusa - Paulo Novais P.3: Journal franco-portugais gratuit Conselheiros tomaram posse Três crianças belgas alegadamente raptadas pelo pai, foram encontradas perto de Viseu e resgatadas pela mãe. Pintura LusoJornal - José Lopes P.11: Pedro Rupio e José António Gonçalves O pintor Mário Gastão vive em Bruxelas e faz uma ‘pintura geométrica’. DR Teve enfim lugar, em Lisboa, a primeira reunião do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) 2 Opinião LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008 Fiche technique LusoJornal Bélgica Crónica de opinião Língua Portuguesa na Europa: integração, identidade, competitividade Edité par: Aniki Communications 47 avenue de Stalingrad 94400 Vitry sur Seine - France Et par: Association pour la promotion de la culture lusophone en Belgique – APCLB, asbl Rue du Champion, 5 1070 Anderlecht/Bruxelles - Belgique Pagination: Michaël Leite Directeur de la publication: Carlos Pereira Directeur adjoint: Paulo Carvalho Colaboraram nesta edição: Clara Teixeira Mónica Fins Manuel Martins Sylvie Crespo António Catalina José Lopes Francisco Barradas Pedro Rupio Contact: [email protected] www.lusojornal.com Maria Carrilho ■ Deputada (PS) à Assembleia da República Na Europa dos 27 países membros há 23 línguas oficiais e falam-se, no dia-a-dia mais de 60 e há 3 alfabetos. Que espaço e que futuro para a língua portuguesa, nesta autêntica Babel do século XXI? Pode parecer paradoxal, mas creio que a posição e perspectivas da nossa língua são hoje mais favoráveis do que há várias décadas. Isto, devido a duas ordens de factores: uns, ligados à nossa pertença europeia, outros ligados ao espaço da lusofonia.O próprio alargamento da União Europeia (UE) veio lançar mais luz sobre o debate referente às línguas europeias, até porque aumentou o número de interessados no tema. Passou-se de um período em que, embora de forma não assumida, era tácita a ten- ■ Carlos Gonçalves Deputado (PSD) Impression: Corélio Print Belgique 10.000 exemplaires LusoJornal est un concept de Aniki Communications. O projecto de revisão constitucional que está a decorrer em França prevê que os franceses residentes no estrangeiro venham a estar representados na Assembleia Nacional da mesma forma que o são actualmente no Senado. Quanto ao número de Deputados estima-se que para os representantes dos franceses residentes no estrangeiro possam vir a ser criados entre 10 e 12 novos lugares de Deputados. Actualmente residem no estrangeiro 1.326.087 Abonnement ❏ Oui, je veux recevoir chez moi, ✁ segundas gerações. Actualmente estamos numa nova fase. É reconhecido o papel das línguas maternas na formação do indivíduo e na construção da sua própria identidade, e nesse sentido é recomendado o apoio por parte dos países de acolhimento.Além disso o conhecimento de uma língua de alcance mundial, como é o caso do Português é um instrumento de competitividade, numa Europa que também por necessidade, acentuada com a actual crise, tem cada vez mais que interligar-se aos novos grandes espaços e, de entre eles, ao Brasil e à África de expressão Portuguesa. Assim todos – autoridades governativas, agentes políticos, sociedade civil – saibamos rumar na mesma direcção, aproveitando a maré favorável que vem da União Europeia e que esperamos ver confirmada na reunião do Conselho de Ministros que irá realizar-se em Novembro. ■ Participação e representação política dos cidadãos residentes no estrangeiro: Portugal e França com duas concepções diferentes Publicité: APCLB, asbl Tel : 0032 (0) 485 89 84 09 Les publicités sont de la responsabilité des annonceurs! 10 numéros de LusoJornal (20 euros). Mon nom et adresse complète (j’écris bien lisible) Nom Prénom Adresse: Code é o da valorização das diferentes línguas europeias. É neste contexto que se desenham novas oportunidades para a afirmação do Português na Europa. Se tomarmos o exemplo do Português em França,é fácil verificar que, a uma evolução sociológica – emigração destinada, nas primeiras décadas, principalmente à mão de obra, à qual se seguem fluxos migratórios diversificados, para além das alterações dos projectos de vida das famílias, e que passaram a originar as segundas gerações, em vez do regresso à terra de origem – correspondem necessidades diferentes quanto à aprendizagem de línguas. Se na primeira fase podiam os portugueses sobreviver em França praticamente só com o conhecimento do Português; já uma evolução na vida laboral – serviços, comércio, trabalho em empresas, etc. – exigiu uma suficiente, ou mesmo boa, aprendizagem do Francês. Isso permitiu uma melhor integração e também melhores perspectivas para as Crónica de opinião Distribution: Portugalnet Consulting LusoJornal est gratuit dência para privilegiar duas línguas – a do país de residência e o Inglês – para uma fase recente, em que se reconhece, na UE, a importância do domínio de três línguas. E com a intensificação dos fluxos migratórios, que caracterizam o século da globalização também na Europa, é cada vez mais evidenciada a vantagem da ligação à língua materna. Confirmando a nova atenção da UE a esta esfera, central quanto à própria construção e coesão europeias, algumas iniciativas marcantes se têm registado ao longo de 2008. Sublinho apenas a mais recente e de maior dimensão e alcance, pois que envolveu cerca de 700 participantes, entre autoridades europeias e nacionais, agentes culturais, intelectuais e profissionais da esfera da comunicação: os Estados Gerais do Multilinguismo, organizados no âmbito da Presidência francesa da UE (realizados na Sorbonne, em Paris, a 26/09/2008). Devo dizer que tive ocasião de constatar a vivacidade de um autêntico combate cultural que Ville cidadãos franceses e, apesar de muitos não estarem inscritos nos cadernos eleitorais, a ‘tradição republicana francesa’ prevê que para a criação ou repartição de círculos eleitorais o que conta é os efectivos de população e não o número de inscritos. Assim, passaremos a ter em França representantes dos franceses no estrangeiro tanto no Senado como na Assembleia Nacional o que demonstra a atenção que este país dá à sua diáspora não hesitando em alterar a sua Constituição no sentido de lhe proporcionar uma maior intervenção nas decisões do seu país. Esta decisão não é única na União Europeia que tem visto vários países como a Itália, República Checa e outros consagrar ou aumentar direitos cívicos e eleito- Rádio Voz de Portugal Ouça a rádio que fala de si. Sábado,das 12h00 às 13h00,em FM 101,9 Domingo, das 9h00 às 11h00, em FM 87,7 Segunda, das 19h00 às 20h00, em FM 101,9 Tel. : Ma date de naissance: J’envois ce coupon-réponse avec un chèque de 20 euros à l’ordre de l’APCLB, à l’adresse suivante : Association pour la promotion de la culture lusophone en Belgique – APCLB, asbl Rue du Champion, 5 - 1070 Anderlecht - Bruxelles Rádio Alma «Café Central» (101.9 FM) As terças-feiras, das 17h00 às 18h00 rais aos seus cidadãos residentes no estrangeiro. A revisão constitucional francesa deveria ser um bom exemplo para um país como Portugal que dentro da União Europeia é um dos países em que a emigração em termos de efectivos de população ou de dependência económica são mais elevados. Convém lembrar que são vários milhões os portugueses residentes no estrangeiro e que a nossa economia, ao contrário do que se tenta afirmar, ainda depende muito das remessas, dos investimentos e do turismo das nossas comunidades. Infelizmente o que se passa em Portugal é precisamente o contrário. Com efeito, o Grupo Parlamentar do Partido Socialista, cujo o silêncio tem sido o principal atributo do seu desempenho em termos de Comunidades Portuguesas, apresentou um projecto-lei que pretende que a votação para as eleições para a Assembleia da República venha a ser exercida única e exclusivamente de forma presencial sem que esta proposta seja acompanhada de soluções alternativas para quem resida longe dos Consulados onde virão a ser instaladas as mesas de voto. Ou seja, para o PS é líquido que um português residente a centenas ou milhares de quilómetros tem todas as condições para poder exercer o voto presencial. Interessante… Esta proposta é uma clara demonstração de como o PS vê as nossas comunidades, apresentando um projecto que vai ter como principal consequência a forte diminuição da participação dos emigrantes portugueses na vida política nacional. Quando se compara esta proposta do PS com a revisão Constitucional francesa somos confrontados com duas concepções bem diferentes. Uns receiam as comunidades porque não as controlam dado que vivem no estrangeiro e por isso cerceiam a sua acção e sua participação política. Os outros, neste caso os franceses, entendem a importância da sua diáspora e, independentemente de ser claro que há uma área política que vai ser beneficiada com esta alteração constitucional, a classe política francesa não parece hesitar em alargar os seus direitos e a sua representação. ■ Contagem de tempo de tropa Os Deputados da Assembleia da República discutiram a Proposta de Lei n.º 220/X apresentada pelo Governo, que Regula os efeitos jurídicos dos períodos de prestação de serviço militar de Antigos Combatentes para efeitos de atribuição dos benefícios previstos na Lei n.º 9/2002, de 11 de Fevereiro e na Lei n.º21/2004, de 5 de Junho. Estiveram no Parlamento,para apresentar a proposta,o Ministro da Defesa Nuno Severiano Teixeira e o Secretário de Estado da Defesa João Mira Gomes. No debate, o Deputado Carlos Gonçalves realçou “a injustiça que continua a ser feita em relação aos ex-combatentes emigrantes, que apesar de todas as promessas do actual Governo, continuam a ver goradas as suas expectativas”. A proposta de Lei foi aprovada e desce agora à Comissão para discussão na especialidade. Sociedade 3 LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008 Alegadamente raptadas pelo pai, moravam numa auto-caravana Um cidadão belga que alegadamente terá raptado as três filhas menores em Janeiro deste ano, foi detido recentemente em Viseu.As crianças de 14,10 e 7 anos desapareceram em Janeiro deste ano da localidade de Deurne, Antuérpia, tendo sido levadas para Portugal pelo pai Cornelius Otto numa auto-caravana contra a vontade da mãe de quem está separado. Desde Janeiro que a Polícia belga e a organização não governamental de apoio a crianças desaparecidas ou sexualmente exploradas "Child Focus" estão a averiguar o paradeiro das três meninas.As autoridades acreditavam que as crianças estavam em trânsito pela Europa,acampando em parques de campismo por tempo indeterminado e, segundo o IAC, poderiam estar em Portugal. O homem e as três crianças viajavam numa auto-caravana e como meio de subsistência dedicava-se à mendicidade com as raparigas, tocando um realejo em locais públicos. O pai das meninas foi detido pela PSP num bairro próximo do hospital de Viseu, depois de um morador ter dado o alerta para a polícia, por ter estranhado a forma como estavam a fazer um peditório.“Vi crianças e um adulto de uma maneira muito estranha a fazerem um peditório, com uma caixa de ressonância musical. Quando as pessoas fazem peditório vão para uma rua movimentada, mas eles andavam por trás das casas”, Lusa - Paulo Novais Meninas belgas foram encontradas perto de Viseu A mãe Marie-Louise, depois de ter recuperado as três filhas e antes de regressar à Bélgica contou José Alcides, de 63 anos. Cornelius Otto foi imediatamente ouvido no Tribunal da Relação de Coimbra. Após a detenção do pai, as crianças foram entregues a um lar de acolhimento da cidade,onde no dia seguinte a sua mãe, Marie-Louise, as reencontrou. Marie-Louise chegou acompanhada pelo Cônsul belga Axel Cumps, uma funcionária do serviço consular, o companheiro, o irmão e a cunhada. O grupo entrou no lar e, depois do encontro com as filhas, Marie-Louise saiu junto com as elas para prestar declarações aos jornalistas.“Sinto-me tão feliz, tão aliviada. Toda a minha vida está aqui agora, estamos todas juntas”, afirmou. A progenitora contou que, nessa ocasião, chorou muito de felicidade, porque esteve muito tempo afastada das meninas. “Cornelius Otto tem de dizer ‘leva as crianças, vão’”, contou a mãe, mostrando-se indignada por precisar de uma autorização do pai das meninas quando ela já provou ter a sua guar- da.A progenitora frisou não ser ela a criminosa e lembrou que se deslocou a Viseu com o intuito de levar para a Bélgica as filhas que o pai tinha raptado.“Estou zangada. Não é justo, eu não sou a criminosa, é ele”, sublinhou, admitindo que “as pessoas estão a fazer o melhor, mas não o melhor para elas (as filhas)”. Marie-Louise contou que as meninas perguntam constantemente “mãe, quando podemos sair, ir para casa” e que se sentem impacientes por estarem fechadas num quarto.“Sentimo- nos prisioneiras.Eu posso ir para fora (do edifício da instituição), mas elas não”, afirmou, explicando que pertencem a uma comunidade que vive em caravanas e que, por isso, dentro de um edifício se sentem sufocadas. Questionada sobre o que espera venha a acontecer a Cornelius Otto, disse não se importar:“eu quero é o melhor para as crianças e o melhor é ir para casa”. Marie-Louise contou que a primeira reacção das filhas foi dizerem que sentiram muito a sua falta.A menina mais velha, Godelieve, disse aos jornalistas estar “muito contente por ver a mãe de novo”, depois de ter passado estes meses “em Portugal, em vários sítios”. “Senti muito a falta da minha mãe, mas estava com o meu pai”, referiu, acrescentando ter passado “dias normais”, sem “nada de especial” e lamentando ter faltado à escola, da qual gosta muito. Vários familiares das meninas, incluindo os avós maternos,tinham entretanto chegado a Viseu em duas auto-caravanas. O grupo tinha saído há já vários dias da Bélgica com a intenção de afixar cartazes das meninas em vários pontos de Portugal. Foi com eles que Marie-Louise e as crianças - Godelieve, Gerda e Truke - regressaram à Bélgica. ■ Manuel Martins com Lusa 4 Destaque O Deputado Jorge Machado do Partido Comunista Português questionou o Ministério das Finanças e da Administração Pública sobre a assistência na doença dos Professores de português no estrangeiro. “São muitos os Professores que, pelo facto de estarem a leccionar no estrangeiro, vêem o acesso a ADSE negado” escreve o deputado.“De acordo com informação recebida, por atrasos e por burocracia do Ministério das Finanças e da Administração Pública, há centenas de professores que ficam vários meses sem os cartões da ADSE, isto é sem qualquer sistema de assistência na saúde, não obstante já descontarem para a ADSE”. Jorge Machado considera que esta situação “não é aceitável e não é compreensível uma vez que se trata de um problema recorrente”. O Deputado interroga-se como é que o Ministério explica os sucessivos atrasos na emissão dos cartões da ADSE para estes Professores e que medidas vai tomar para, de uma vez por todas, resolver este problema. Governo quer preservar arquivo ‘não oficial’ dos Consulados O Governo português “tem todo o interesse e está fortemente empenhado na conservação de toda a documentação que constitui a memória ‘não oficial’ dos Consulados”. Esta foi a resposta dada pelo Gabinete do Ministro dos Negócios Estrangeiros Luis Amado, a uma pergunta feita pela Deputada eleita pelo círculo eleitoral da emigração, Maria Carrilho. Do Gabinete do Ministro, Maria Carrilho obteve ainda a informação que “o uso de novas tecnologias tem permitido a digitalização e o arquivo em suporte informático de documentação diversa que, de outro modo, não seria possível”. O Ministério garante que, sempre que ocorra uma mudança de instalações, “existe da parte do Governo a preocupação de assegurar um espaço para arquivo.Aliás, importa aqui fazer uma referência especial ao caso de Paris, onde as benfeitorias realizadas no edifício permitiram não só um atendimento mais célere e eficaz aos utentes, como também uma ocupação mais racional e eficiente de todos os espaços, assegurando-se excelentes condições de conservação para todo o acervo documental”. Não se apresentou às eleições e deixa definitivamente o Conselho Carlos Pereira deixa a Presidência do CCP O anterior Presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas, Carlos Pereira terminou na semana passada as suas funções tendo sido substituído no posto pelo Conselheiro de Macau Fernando Gomes. Apresentou em Lisboa o relatório do seu mandato e respondeu à entrevista do LusoJornal. pio e gostei da participação dele no Plenário. A motivação dele não passou despercebida. Quanto ao Conselheiro José Gonçalves, apenas conhecia de nome, mas também fiquei muito bem impressionado. Penso que a Bélgica ganhou com esta questão das nomeações de Conselheiros pelo Secretário de Estado e passa a ter dois membros no CCP. LusoJornal: Porque não se candidatou ao CCP? Carlos Pereira: Não me candidatei porque dei 11 anos da minha vida ao Conselho das Comunidades e agora estimo que deva deixar o lugar a outros elementos. Por outro lado depois de ter sido Presidente do órgão, o melhor é mesmo retirar-me. LusoJornal: Se tivesse concorrido em Abril deste ano, teria ganho as eleições? Carlos Pereira: Penso pelo menos que não teria sido muito difícil encontrar equipa para ser eleito. Pessoas de vários quadrantes tentaram convencer-me a voltar a apresentar candidatura. Mas nestas questões, penso que é sempre melhor sair por cima. LusoJornal: Considera que fez um bom mandato? Carlos Pereira: Considero que fiz, pelo menos, o melhor mandato possível, num contexto desfavorável. Passaram três Secretários de Estado e quatro Ministros durante este mandato e por isso nem sempre houve estabilidade. Por outro lado os Governos nem sempre ouviram as nossas recomendações e por isso fizeram algumas asneiras. Mas o mais importante é que o nosso trabalho tenha sido feito. LusoJornal: O Relatório que apresentou em Lisboa não foi aprovado por unanimidade... Carlos Pereira: Foi como que se tivesse sido aprovado por unanimidade. Apenas um Conselheiro não estava na sala e entrou só no momento da votação. Deve ser por isso que se absteve... Mas todos os outros votaram de pé e com aplausos. Por isso estou contente porque reconheceram o nosso trabalho. LusoJornal: O Conselheiro que se absteve foi Eduardo Dias, e era membro do anterior Conselho Permanente... Carlos Pereira: Não se pode agradar a todos... LusoJornal PCP preocupado com assistência na doença a Professores de português no estrangeiro LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008 Carlos Pereira deixou a Presidência do CCP mentos mais importantes do seu mandato? Carlos Pereira: O trabalho à volta do ensino do português no estrangeiro, os protestos argumentados contra o encerramento dos Consulados e a nova Lei do CCP. Mas o Conselho esteve em muitas mais frentes, como por exemplo a contagem do tempo de tropa para efeitos de reforma e o apoio à vida associativa. Por isso, considero que os Ministros deviam encontrar-se connosco pelo menos uma vez por ano. Teresa Gouveia não quis saber de nós, Freitas do Amaral reuniu-se connosco um dia antes de se demitir e Luis Amado só reuniu uma vez connosco e nunca mais acedeu ter reuniões com o CCP. Apenas o Ministro António Monteiro se reuniu connosco alguns dias depois de ter tomado posse. LusoJornal: Durante a apresentação do relatório queixou-se de não ser ouvido pelo Governo... Carlos Pereira: Pelos Governos, sim. Sei que o CCP é um órgão de consulta, mas, modéstia à parte, tivemos intervenções muito interessantes, que podiam ter sido seguidas pelos Governos. Mas também é verdade que houve coisas positivas... Nós é que estamos sempre descontentes e queremos sempre mais. Também foi para isso que fomos eleitos. LusoJornal: Acha que o novo Presidente do CCP vai ser um bom Presidente? Carlos Pereira: Não o conhecia antes da semana passada e por isso não sei. Mas um bom Presidente é aquele que sabe ouvir os restantes Conselheiros e quando toma posições em público, elas são o mais concensuais possíveis no Conselho Permanente. LusoJornal: No seu Relatório disse que não se encontrou com a Ministra Teresa Gouveia. Isso é grave? Carlos Pereira: O Conselho das Comunidades é tutelado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros. LusoJornal: Foi o seu caso? Carlos Pereira: Sempre tentei que assim fosse. Por isso ouvia mais do que falava. LusoJornal: E os novos Conselheiros da Bélgica, tiveram boa participação no Plenário? Carlos Pereira: Claro que sim. Já conhecia há alguns anos o Pedro Ru- Carlos Pereira: 11 anos no CCP Carlos Pereira foi eleito pela primeira vez para o Conselho das Comunidades Portuguesas, em 1997. Em 2003 foi novamente reeleito e assumiu então as funções de Vice-Presidente do Conselho Permanente. Em 2005 foi eleito Presidente mundial do órgão até à passagem de poderem que decorreu em Lisboa, na semana passada. LusoJornal: Quais foram os mo- LusoJornal: Teve boas relações com o Secretário de Estado das Comunidades? Carlos Pereira: Considero que as boas relações são as relações francas, frontais e abertas. Nunca tentei fazer jogos de bastidores e sempre falei com frontalidade aos Secretários de Estado José Cesário, Carlos Gonçalves e António Braga. Eles também foram frontais comigo e eu gosto disso. LusoJornal: Acha que António Braga é um bom Secretário de Estado? Carlos Pereira: Isso só os Portugueses o vão dizer nas próximas eleições. Eu considero que ele não conhecia a emigração e que está muito mal enquadrado, por pessoas que, apesar de simpáticas não têm competência nesta matéria. LusoJornal: Depois de ter sido Presidente do Conselho das Comunidades, vai candidatar-se às próximas eleições legislativas? Carlos Pereira: Não (risos). Para se ser candidato, é necessário ser militante num partido político, o que não é o meu caso. Por isso vou dedicar mais tempo à minha vida pessoal e à minha vida profissional, que foram bastante afectadas pela minha implicação no CCP. LusoJornal: Porque não milita em nenhum partido? Carlos Pereira: Respeito muito as pessoas que militam nos Partidos políticos, mas acontece que eu encontrei no Conselho das Comunidades uma forma de fazer política sem ter de estar ligado a nenhum Partido. Neste mundo de hoje, estar num Partido é estar em oposição aos outros Partidos. Ora, eu constato que todos os Partidos têm ideias boas e todos têm ideias más. . ■ Entrevista amavelmente realizada por Rogério Azevedo António Braga pede maior participação política dos Portugueses no estrangeiro O Secretário de Estado das Comunidades apelou na semana passada para uma maior mobilização para o recenseamento e participação política dos portugueses residentes no estrangeiro, admitindo que este é “um problema”que o Governo tenta resolver. “Temos este problema: a mobilização para o recenseamento e a participação eleitoral”, disse An- tónio Braga na sessão de abertura do Plenário do Conselho das Comunidades Portugueses (CCP). De acordo com António Braga, dos 5,5 milhões de portugueses e lusodescendentes no estrangeiro, apenas 200 mil estão recenseados e só 80 mil é que votam.“Há que incentivar a participação ao voto e aumentar o número de votantes”, apelou o Secretário de Estado. Na sua intervenção, António Braga falou ainda da alteração à Lei Eleitoral para a Assembleia da República, que acaba com o voto por correspondência, para garantir que “as mesas de votos serão criadas onde fazem falta”. “O número de mesas de voto será realizado em função das necessida- des”, assegurou António Braga, que defendeu que o voto presencial vai “reforçar” a participação dos portugueses no estrangeiro. Relativamente ao CCP, disse acreditar que o novo Conselho será mais dinâmico e mais participativo. “O CCP tem agora uma organização mais dinâmica e mais desenvolvida através das Comissões temáticas”. Destaque 5 LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008 Pedro Rupio é Vice-Presidente da Comissão Associativismo e Comunicação Social O Conselheiro de Macau Fernando Gomes foi eleito na semana passada Presidente do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas, em substituição de Carlos Pereira,de França, de ocupava estas funções desde 2005. António Fonseca (França) foi escolhido para vice-Presidente e Alcides Martins (Brasil) para Secretário. A eleição dos dirigentes do Conselho Permanente, órgão que tutela o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), realizou-se ao fim da tarde do segundo dia de plenário do novo CCP, que decorreu no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. A escolha do Presidente do CCP ocorreu quase 24 horas depois da eleição do Conselho Permanente,na qual venceu a Lista B (António Fonseca, de França, Fernando Gomes, Macau, Alcides Martins, Brasil, Clementina Santos, Canadá, e Teresa Heimans, Holanda), com 31 votos.A Lista A (José João Morais, Estados Unidos, José Alves, Brasil, Eduardo Dias, Luxemburgo, Ana Pereira, Austrália, e Maria Fernandes, África do Sul) obteve 29 votos. Foram também contados quatro votos nulos. Integram também o Conselho Permanente os Presidentes das Comissões Temáticas eleitos quarta-feira: Paulo Marques, França (Comissão da Participação Cívica e Política), Silvério Soares da Silva, África do Sul (Assuntos Económicos), Amadeu Batel, Suécia (Língua, Educação e Cultura),Luís Jorge,Venezuela (Associativismo e Comunicação Social), José Pereira Coutinho, Macau (Assuntos Consulares e Apoio aos Cidadãos) e Manuel Beja, Suíça (Assuntos Sociais e Fluxos Migratórios). Segundo a agência Lusa, a eleição realizou-se no meio de grande polémica, com ameaças de impugnação por parte do Conselheiro Eduardo Dias,do Luxemburgo,que perdeu as LusoJornal Conselheiro de Macau é o novo Presidente do CCP Os 11 membros do Conselho Permanente do CCP eleições. Durante a eleição, denúncias de irregularidades da única lista que se apresentou candidata ao CPCP - a lista A - fizeram com que o Presidente da mesa do plenário optasse por suspender o acto eleitoral por meia hora,para que novas listas se apresentassem. “Foram três dias de árduo trabalho mas extremamente enriquecedores e produtivos” disse Pedro Rupio ao LusoJornal.“Tenho a convicção que o novo Presidente desempenherá muito bem as suas funções, confio nas suas competências e já lhe trans- miti a minha vontade de o apoiar e colaborar em tudo o que for necessário”. Pedro Rupio integra a Comissão do Associativismo e Comunicação Social e foi eleito vice-Presidente desta Comissão. “Estes temas são de primeira importância para as Comunidades e a Comissão já planeou uma base de trabalho para os próximos meses. Julgo que conseguiremos sensibilizar o Governo se emitirmos propostas claras e realistas. É nesse sentido que iremos trabalhar” disse ao LusoJornal. O novo Conselho Permanente do CCP Fernando Gomes (Macau), Presidente António Fonseca (França),Vice-Presidente Alcides Martins (Brasil), Secretário Clementina Santos (Canadá) Teresa Heimans (Holanda) Paulo Marques (França), Comissão da Participação Cívica e Política Silvério Soares da Silva (África do Sul),Comissão dos Assuntos Económicos Amadeu Batel (Suécia), Comissão da Língua, Educação e Cultura Luís Jorge (Venezuela), Comissão Associativismo e Comunicação Social José Pereira Coutinho (Macau), Comissão Assuntos Consulares Manuel Beja (Suíça), Comissão dos Assuntos Sociais e Fluxos Migratórios. A Bélgica tinha apenas um Conselheiro, mas o Conselho das Comunidades Madeirenses acabou por escolher José António Gonçalves.“Tive a possibilidade de conhecer melhor o Conselheiro José António Gonçalves que faz parte da Comissão dos Assuntos Económicos e fiquei satisfeito por ter recebido ecos positivos dos meus colegas que me manifestaram um grande contentamento em relação à produtividade do Sr. Gonçalves nas reuniões que ocorreram” diz Pedro Rupio. “Julgo que poderia ser interessante juntar forças para desenvolver projectos em conjunto na Bélgica, vamos proximamente abordar essa possiblidade”. No mês passado, Pedro Rupio enviou uma carta às associações para convidá-las a reflectir sobre uma hipotética criação de Federação de Associações Portuguesas na Bélgica. Segundo o Conselheiro, o passo a seguir será a marcação de uma primeira reunião geral para debater a questão. “2009 será ano de eleições paras as comunidades portuguesas que poderão votar para as europeias e as legislativas. Vou pôr em prática vários instrumentos de modo a promover a participação cívica na Bélgica e julgo que a organização duma conferência poderia ser um bom ponto de partida. Espero que a comunidade portuguesa da Bélgica continue a ser um exemplo em comparação com as outras comunidades, pois temos sempre das melhores taxas de participação do mundo. Porém, a média de 600/700 votantes é ainda muito reduzida e teremos que trabalhar estrategicamente este ponto para regozijar-nos dum balanço amplamente satisfatório no final do próximo ano”. ■ Em representação do Conselho das Comunidades Madeirenses A Bélgica passou a ter dois elementos no Conselho das Comunidades Portuguesas com a nomeação de José António Gonçalves em representação do Conselho das Comunidades Madeirenses. Com a alteração da Lei do CCP, para além dos 63 Conselheiros eleitos, 8 foram nomeados pelo Secretário de Estado das Comunidades Portugueses, entre os Luso-eleitos e os dirigentes associativos. Um foi designado pelo Conselho das Comunidades Madeirenses e outro será designado mais tarde pelo Conselho das Comunidades Açoreanas. José António Gonçalves é madeirense, claro, e veio para a Bélgica em 1982 por “transferência profissional”. Começou por trabalhar na Região de Turismo da Madeira mas depois optou por uma carreira no sector privado. Foi uma multinacional no ramo do turismo que o trouxe para Bruxelas onde acabou por fixar residência e formar família, casando com uma cidadã belga. “Durante alguns anos, praticamente vivia em Bruxelas mas corria a Europa, cheguei a ter escritório em Amesterdão, em Paris e depois em DR José António Gonçalves também integra o CCP Conselheiro José António Gonçalves Madrid” segundo os postos que foi ocupando na empresa. Na Bélgica foi elemento fundador da Associação dos Empresários Portugueses e também foi administrador da Câmara de Comércio Luso-Belga, até que um dia o seu nome foi citado pelo Embaixador de Portugal para integrar o Congresso das Comunidades Madeirenses. “O Congresso reúne-se todos os quatro anos e junta dirigentes associativos e madeirenses de destaque nos diferentes países”. José Augusto Gonçalves foi logo eleito para o Conselho Permanente daquele órgão em representação dos Madeirenses radicados na Europa, excepto no Reino Unido, que pelo número importante de Madeirenses que aí residem, tem um elemento no Conselho Permanente. “Desde 1984 que sempre tive a honra de ser escolhido como Portavoz do Congresso” diz ao LusoJornal. Desta vez, os membros do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Madeirenses elegeram-no para representar o órgão no CCP. “Cheguei aqui como Madeirense mas tive um acolhimento excepcional por parte de todos os Conselheiros. O ambiente motivoume para continuar e estou muito contente” disse ao LusoJornal. “A Bélgica pode estar descansada porque tem um Conselheiro dinâmico e motivado na pessoa do Pedro Rupio” diz José António Gonçalves.“Tudo o que o Pedro necessitar, terá o meu apoio, porque eu acredito muito na juventude”. O Conselheiro também destacou o trabalho já realizado anteriormente pelo CCP.“Recebi um relatório antes da reunião, exaustivo, e que me deu as informações de que necessitava para a minha entrada neste Conselho”. José António Gonçalves integra a Comissão dos Assuntos Económicos no CCP. ■ Relatório do Conselho Permanente cessante O Relatório do Conselho Permanente cessante foi aprovado por larga maioria na semana passada em Lisboa, tendo tido apenas uma abstenção. O relatório final de actividades do CCP, apresentado durante o primeiro dia de trabalhos do Plenário que inicia um novo mandato daquele órgão de consulta do Governo sobre emigração, aponta falhas aos sucessivos Secretários de Estado na preparação das reuniões de trabalho. “Durante o nosso mandato, tivemos três Secretários de Estado das Comunidades Portuguesas como interlocutor directo: José Cesário, Carlos Gonçalves (PSD) e António Braga (PS). (...) Estávamos à espera que, para cada uma das reuniões do CCP com o Secretário de Estado, o governante preparasse uma lista de assuntos a debater.Tal nunca aconteceu”, lê-se no documento apresentado por Carlos Pereira, Presidente cessante do CCP. O Conselho Permanente lamenta ainda não ter sido consultado com mais frequência e acusa o actual executivo de ter deixado cair as promessas de organização de um congresso de dirigentes associativos e de um fórum de luso-eleitos para escolher os 10 membros designados que passaram a incluir a estrutura do CCP. O documento aponta ainda dificuldades de relacionamento do CCP com os gabinetes do Primeiro-Ministro e do Ministro dos Negócios Estrangeiros e destaca a relação "permanente" e o debate "franco e aberto" com a Presidência da República. Relativamente aos orçamentos do CCP, o relatório sustenta que os governos nunca atribuíram os subsídios suficientes ao bom funcionamento do Conselho, mas não deixa de notar que também o CCP nunca gastou todas as verbas que estavam ao seu dispor. O Relatório, de 74 páginas, passa ainda em revista o trabalho dos 96 Conselheiros ao longo de cinco anos destacando a aprovação do manifesto "Uma política Global para as comunidades portuguesas", que serviu de base a todo o trabalho do CCP. Os Conselheiros chamam a si os louros de terem conseguido travar o encerramento de vários postos consulares previsto no projecto de reestruturação consular do então governo do PSD, mas lamentam terem sido confrontados pelo actual executivo do PS com uma proposta "pronta" de reformulação da rede de Consulados. O Relatório dá conta ainda da "estranheza" dos Conselheiros por não terem sido chamados a pronunciarse sobre o fim do voto por correspondência dos emigrantes, aprovado em Setembro, no Parlamento, por proposta socialista. O associativismo, o ensino do português no estrangeiro, a contagem do tempo de tropa para efeitos de reforma e a diplomacia económica foram outras questões que ocuparam os 96 Conselheiros ao longo do mandato que agora termina. 6 Política 1 Terra,Terra,Terra Estão-te tratando tão mal Como se fosses uma fera Um terrível animal 2 Mas eu não me vou esquecer Que foste tu que me viste nascer E também crescer Até me deste de comer E de beber Depois viste-me viver Para tanto sofrer E serás tu que me hás-de ver morrer 3 Vais estando muito doente Fazem de ti um saco de lixo Ninguém te vai tendo respeito Tratando-te como se fosses um mau bicho 4 Não te querem respeitar Algo de mau lhes vai acontecer Irão ter que te pagar Um dia vão-se arrepender 5 Já te estás a revoltar Pelo mal que te têm feito Há já quem esteja a pagar Por não te terem respeito 6 A uns dás-lhe água demais A outros de menos Não seremos todos iguais Neste mundo em que vivemos? 7 Planeta de enorme riqueza A onde há tanta divisão A maior parte está na pobreza Não têm água nem pão É uma grande tristeza Mas faltar às crianças e idosos Isso NÃO NÃO NÃO!!!! ■ Álvaro Hortas Senhor empresário tenha confiança no LusoJornal 0485 89 84 09 www.lusojornal.com Projecto do PSD teve votos contra do PS e abstenção dos outros Partidos Parlamento: Projecto de apoio à Comunicação social portuguesa no estrangeiro foi chumbado O projecto de lei do PSD de apoio aos meios de comunicação social no estrangeiro foi chumbado na semana passada, no Parlamento, com os votos contra do PS e a abstenção das restantes bancadas parlamentares. Na sessão plenária, o Deputado do PSD por Fora da Europa José Cesário defendeu medidas de incentivo aos meios de comunicação social portugueses no estrangeiro para contrariar algumas decisões do Governo como o fim do porte pago e a criação de um portal de imprensa para as comunidades. “Há dois anos que o Governo decidiu liquidar o porte pago. Foi uma das suas primeiras grandes machadadas na sua relação com as comunidades portuguesas. O portal nunca existiu”, afirmou o Deputado. Nesse sentido, José Cesário defendeu que se desenvolvessem incentivos para fomentar o lançamento de novos títulos, promover o associativismo entre órgãos de comunicação social e dinamizar o intercâmbio entre os órgãos da diáspora e os que existem em Portugal, entre outros. Do lado do PS, a Deputada socialista por Fora da Europa, Maria Carrilho, questionou porque é que o PSD nunca tomou essas medidas quando esteve no Governo. Garantindo que o porte pago existe, a Deputada afirmou que o projecto de lei do PSD tem limitações, nomeadamente nos critérios definidos para o controlo e avaliação dos projectos a serem apoiados. Jorge Machado, do PCP, responsabilizou o PSD pelas "más políticas" de emigração que disse terem sido produzidas ao longo dos anos, em que LusoJornal Momento de poesia O Planeta Terra LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008 Deputado José Cesário, autor do projecto chumbado as "comunidades foram colocadas para segundo plano". "Na questão do fim do porte pago, convém lembrar que quem iniciou o processo foi o PSD", sublinhou. Apesar de considerar que o projecto está "mal elaborado, é vago, e não tem em conta a realidade da comunicação social portuguesa no estrangeiro", o Deputado defendeu que "é preciso apoiar essa comunicação social", pelo que o PCP decidiu abster-se. Por seu lado, o Deputado Hélder Amaral, do CDS-PP, centrou a sua intervenção na importância da comunicação social portuguesa no estrangeiro para a promoção da língua e cultura portuguesas. Hélder Amaral defendeu ainda que o PSD pode- Em que consistia o projecto do PSD “Muito concretamente, trata-se de desenvolver a política que iniciámos aquando da nossa passagem pelo Governo entre 2002 e 2004 e que o actual Governo tristemente interrompeu” diz José Cesário. “O que está em causa é sermos capazes de realizar acções que de uma forma estruturada atinjam objectivos como: Fomentar o lançamento de novos títulos e projectos jornalísticos;Apoiar a evolução qualitativa dos órgãos já existentes; Incentivar o associativismo entre tais órgãos de comunicação social; Promover a formação e a contratação de jornalistas portugueses; Dinamizar o intercâmbio entre órgãos da Diáspora e os que existem em Portugal. ria ter "ido mais longe" no projecto de lei porque todas as soluções apresentadas passam por "atirar mais dinheiro" para os órgãos de comunicação social portugueses no estrangeiro. A Deputada Helena Pinto, do Bloco de Esquerda (BE), afirmou que a intenção do PSD "é boa", mas "não é inteiramente clara". "A promoção da língua e cultura portuguesas no estrangeiro deve ser uma das componentes da política externa portuguesa", defendeu a Deputada, acrescentando que o projecto do PSD "precisa de ser muito trabalhado". Numa intervenção que atacou frontalmente o Governo socialista, José Cesário disse que “em suma, não existe qualquer esboço de uma política de comunicação social dirigida quer às nossas Comunidades, quer a outros públicos externos que se interessam por Portugal”. O Deputado do PSD quer “dar sinais concretos de incentivo a todos aqueles que, abnegadamente e muitas vezes sem qualquer interesse pessoal, têm sido capazes de espalhar pelo Mundo a nossa Língua e a nossa Cultura através de largas dezenas de canais e programas de rádio e televisão e jornais com enorme visibilidade pública”. José Cesário terminou a sua intervenção apelando os Deputados socialistas. “Só esperamos que uma vez mais o PS não meta a cabeça na areia e seja capaz de abandonar a sua postura petulante, ostracizante e até persecutória relativamente aos Portugueses que vivem e labutam fora de Portugal”. Contra o voto por correspondência José Lello defende o voto presencial Realizou-se no passado dia 19 de Setembro, na Assembleia da República, a discussão do Projecto de Lei nº562/X sobre a introdução do voto presencial no estrangeiro para as eleições legislativas, para substituir o voto por correspondência.A proposta foi apresentada pelo ex-Secretário de Estado das Comunidades, José Lello mas curiosamente não foi assinada pela única Deputada socialista eleita para a Assembleia da república. “Chegou o momento de dar coerência ao exercício do voto no exterior, optando por um método fiável, em que são assegurados os requisitos constitucionais da pessoalidade e sigilo do exercício do direito de sufrágio. Presencialidade já assegurada, aliás, nas eleições para o Presidente da República, para o Parlamento Europeu e para o Conselho das Comunidades Portuguesas” explicou no Parlamento José Lello. “É que, ao voto por correspondência, são-lhe apontadas muitas imperfeições e, indiscutivelmente, o facto de poder ser potencialmente permeável à fraude”. Na sua intervenção no Parlamento, o Deputado socialista disse que “propomos esta substituição do voto por correspondência pelo voto presencial porque é fundamental dignificar a real participação dos portugueses nos actos eleitorais no estrangeiro.Acresce que a uniformização dos processos eleitorais trará a vantagem de proporcionar uma mais clara percepção da participação eleitoral”. “Por outro lado, parece-nos lógico que, se o voto para o Presidente da República, para o Parlamento Europeu e para o Conselho das Comunidades é presencial, por que razão deveríamos manter o voto por correspondência nas legislativas, quando todos lhe reconhecem falhas, mesmo aqueles que o defendem?” José Lello diz que “argumenta-se com motivos de comodidade e maior abrangência do universo de eleitores, mas perante a necessidade de privilegiar a verdade democrática, tais argumentos revelam-se insuficientes e meramente instrumentais.Privilegiamos,assim,um sistema de votação mais transparente e democrático, o mesmo que já permitiu a eleição dum presidente apoiado à esquerda e a de outro que recebeu o apoio eleitoral dos partidos à direita do espectro parlamentar”. E explica “alguns factos bem estranhos falam por si. Nas últimas eleições legislativas, a imprensa deu conta do desaparecimento inexplicável de várias centenas de boletins de voto destinados à emigração; perto de uma centena de votos oriundos do Brasil foram enviados para... Espanha, tendo acabado depois por chegar ao STAPE já fora do tempo útil para serem contabilizados. Por outro lado, no último escrutínio,a disparidade de critérios para a validação dos votos gerou resultados diferentes, tendo por base situações idênticas”. “Que valor pode ter um sistema de voto que nas últimas eleições legislativas gerou 8,4 por cento de votos nulos na Europa e 8,1 por cento no círculo Fora da Europa, o equivalente a 3.043 votos num universo de 37.700 votos,mais do que suficiente para modificar o resultado duma eleição. Em contrapartida, é importante sublinhar que a percentagem de votos nulos na eleição presencial para o Presidente da República em 2006 foi nos dois círculos de apenas de 0,49 por cento, o equivalente a meros 92 votos”. “Mas há outros aspectos de natureza processual que convém chamar à colação. A começar pelo facto da votação nas comunidades se iniciar bem antes do arranque da campanha oficial, ao arrepio, portanto duma escolha informada e consciente. Assim, assiste-se ao contra-senso de, quando a campanha está a começar em Portugal, já praticamente ter terminado a votação nas Comunidades!” Por outro lado, quanto ao voto electrónico, José Lello disse que “o relatório da Comissão Nacional de Protecção de Dados, elaborado após a experiência feita nas últimas eleições legislativas, é bem elucidativo quanto à permeabilidade dos sistemas informáticos a intrusões abusivas e às imensas dificuldades que um tal sistema apresenta para garantir a fiabilidade de um acto eleitoral. Países como a Grã-Bretanha,Bélgica, França e Irlanda abandonaram a intenção de introduzirem os processos de votação electrónica devido à fragilidade dos sistemas informáticos, em que inclusivamente é possível alterar o resultado das votações sem que ninguém se aperceba. O voto electrónico pode até vir a ser uma possibilidade no futuro, mas não para já”. ■ Manuel Martins 8 Empresas Representantes das 120 mil empresas portuguesas da diáspora reúnem-se em Novembro, em Lisboa, no I Fórum Mundial dos Empresários Portugueses, disse à Agência Lusa o Secretário de Estado das Comunidades. António Braga acrescentou que a iniciativa resulta de uma parceria do Ministério dos Negócios Estrangeiros com a Confederação Mundial das Câmaras de Comércio Portuguesas. “Este I Fórum Mundial dos Empresários Portugueses pretende potenciar as capacidades verificadas no conjunto de empresas, que são propriedade de portugueses que vivem fora de Portugal, e também a ambição de Portugal em internacionalizar as suas empresas e a sua economia”, disse. O objectivo é encontrar “formas de cooperação e de parcerias entre as empresas tituladas por portugueses que vivem no estrangeiro e empresas portuguesas sediadas em Portugal”, enumerou. A iniciativa vai decorrer a 28, 29 e 30 de Novembro. António Braga destacou que, a par da realização do Fórum, o Governo vai apresentar um programa de incentivo à internacionalização dos empresários portugueses. “Este programa, a que chamamos NetInvest, permitirá criar uma rede de informações e conhecimentos, também em parceria com a Confederação, não só para a oportunidade de negócios como para a troca de informações e oportunidades de investimento também em Portugal”, salientou. Este programa recorrerá a capitais de risco e a outros incentivos, "no sentido dessas parcerias poderem vir a estabelecer uma cooperação estratégica entre as diferentes empresas, dando por essa via um curso à internacionalização das empresas portuguesas", precisou. António Braga adiantou que "um trabalho entretanto realizado no Ministério dos Negócios Estrangeiros permitiu identificar mais de 120 mil empresas no mundo inteiro, tituladas por portugueses. Destas, 20 mil são consideradas grandes empresas, em todas as áreas e em todos os domínios de negócios". Na presença do novo Embaixador de Portugal Empresários portugueses reunidos no Horeca Life Presidência da Associação dos Empresários Portugueses na Bélgica reuniu com alguns dos principais órgãos oficiais portugueses na Bélgica. No passado dia 7 de Outubro a Presidência da AEPB reuniu com alguns representantes oficiais no salão de Exposições Horeca Life, num encontro promovido pelo Presidente da Federação Horeca Bruxelas Ivan Roque. Sentados na mesma mesa estiveram o Embaixador de Portugal Vasco Bramão Ramos e Duarte Alves representante da Embaixada de Portugal, Rui Cunha Presidente da Câmara de Comércio Luso-Belga, Patrícia Tavares, Representante da AICEP, Paulo Carvalho e Pedro de Miranda, respectivamente Presidente e VicePresidente da AEPB, António Tomé da empresa Delta Cafés. Estiveram ainda presentes algumas figuras públicas belgas ligadas à área política. Entre outros, um dos objectivos deste encontro era o de dar a conhecer ao novo Embaixador de Portugal, os representantes das respectivas instituições e ao mesmo tempo avançar com algumas ideias para que este grupo possa trabalhar de uma forma mais próxima e eficaz. Paulo Carvalho, Presidente da AEPB afirma ao LusoJornal que este Portugalnet Governo vai organizar o I Fórum Mundial de empresários das Comunidades LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008 Aspecto do jantar na Horeca Life encontro já estava no programa apresentado pela sua lista, na campanha eleitoral para a Presidência da associação, no passado mês de Abril. Ao ser convidado pelo Presidente da Horeca a estar presente no evento Horeca Life, estimou oportuno salientar a importância da presença dos outros convidados. Era de facto um local estratégico para se dar início a este projecto lançado na campanha. “Uma iniciativa com esta dimensão é um ponto de partida crucial para o avanço de grandes negócios para a comunidade empresarial”. “No ano passado Portugal teve uma forte representação neste salão” disse Paulo Carvalho. “Fiquei com pena que este ano, o mesmo não tenha sucedido por motivos de ordem burocrática. Mas estou convencido que para o ano voltaremos a estar presentes, tendo mais tempo para se poder organizar uma participação com a dimensão que este tipo de evento exige”. O Horeca Life está em ascensão de ano para ano, tendo cada vez um nível de exigência de qualidade superior. É por sinal a grande aposta da organização do mesmo. Se as bases não forem sólidas será muito difícil estar presente e à altura do evento. Ivan Roque salientou a importância da presença da comunidade portuguesa, começando pelo dever cívico de voto.“Penso que é muito importante termos uma participação activa na vida política da Bélgica. Estamos a trabalhar num projecto que visa a possibilidade dos portugueses adquirirem dupla nacionalidade e assim puderem participar em todas as eleições na Bélgica. Não é uma certeza mas possivelmente iremos lá chegar” disse. Um intercâmbio de tradições, ideias e projectos entre os dois países seria muito de salutar.Será uma ideia a ser desenvolvida proveitosa para ambos. No próximo mês de Novembro a Federação Horeca de Bruxelas irá a Portugal com aproximadamente 70 pessoas do ramo hoteleiro, com o objectivo de mostrar o que de melhor se faz em Portugal na área da gastronomia. “Porque não Portugal fazer o mesmo? Levamos essa ideia a propor em mente” diz Yvan Roque. ■ Colóquio organizado pelo Instituto Camões Literaturas e culturas em diálogo em Antuérpia O Departamento de Português do HIVT e o Centro de Língua Portuguesa do Instituto Camões organizam um Colóquio sobre “Literaturas e culturas em diálogo”, entre os dias 23 e 25 de Outubro. Este Colóquio, organizado em colaboração com a Embaixada de Portugal na Bélgica e o PEN Clube Português, pretende “apresentar as literaturas contemporâneas belga e portuguesa em confronto, num espaço de debate em domínios que nos podem aproximar”. Como é que a língua que a literatura cria pode estruturar a identidade de um país? Em que medida é que a literatura representa essa identidade? Qual o papel das culturas e das literaturas dominantes na constelação da literatura e da cultura internacionais, no que respeita à relação com as literaturas e as culturas periféricas? O que significa escrever no interior de um país ou para fora dele? Estas são algumas das questões que os organizadores irão colocar neste debate, de modo a também melhor entendermos o nosso lugar no interior da cultura europeia. Vários escritores e ensaístas belgas e portugueses foram convidados. Arne Sierens é um artista e escritor multifacetado, conhecido também como libretista e encenador, cultiva na sua obra uma língua e um estilo muito pessoais. Foi traduzido para português, tendo quatro das suas peças sido representadas e acolhidas com muito entusiasmo em Portugal. Benno Barnard nasceu nos Paí- ses Baixos, mas vive na Flandres. Poeta, tradutor, dramaturgo e ensaísta manifesta-se sobretudo como crítico subtil da cultura flamenga.Tem ganho vários prémios literários ao longo da sua carreira. Caroline Lamarche é poeta e novelista, romancista e dramaturga a viver em Liège. Aborda na sua obra temas nem sempre fáceis do quotidiano como a transgressão, o desejo, a morte e a memória. Consagrada com vários prémios literários, é editada pela Gallimard. Hélia Correia é romancista, mas também poetisa e dramaturga. Revelada nos anos 80, tem recebido desde então o acolhimento do público e da crítica, a ponto de ser reconhecida como uma das vozes mais importantes da escrita feminina na literatura portuguesa. Hilde Keteleer é poetisa e tradutora de alemão e de francês. Editora durante dez anos do jornal literário flamengo Deus Ex Machina, é neste momento uma das responsáveis pelo PEN clube flamengo. Isabel da Nóbrega começou a escrever nos anos 50, sendo sobretudo conhecida pelas suas crónicas regulares na imprensa portuguesa. A sua obra tem feito dela uma voz atenta à realidade portuguesa contemporânea, nomeadamente no que se refere à condição da mulher. Jaime Rocha foi jornalista durante muitos anos, escritor de ficção e dramaturgo. As suas peças, com as quais obteve vários prémios, foram representadas em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente nos Países Baixos. Miriam van Hee é especialista em línguas eslavas, traduziu entre outros poesia de Anna Achmatova, Osip Mandelstam e Josif Brodski. Esta poetisa, premiada regularmente, ganhou por duas vezes o Prémio Herman De Coninck. Rui Mário Gonçalves é professor jubilado da Faculdade de Letras de Lisboa é considerado um dos mais importantes críticos de arte em Portugal. Tem publicado numerosos trabalhos no âmbito da História de Arte e é também membro de vários associações de críticos de arte. Teolinda Gersão foi catedrática na área dos Estudos Alemães na Universidade Nova de Lisboa. Começou a escrever nos anos 80 tendo publicado desde aí vários romances e volumes de contos, alguns dos quais traduzidos para francês, inglês e alemão. Ganhou vários prémios literários em Portugal e é considerada uma das mais vozes importantes da literatura portuguesa contemporânea. Teresa Salema é professora da Faculdade de Letras de Lisboa, romancista e ensaísta. A sua obra está traduzida para alemão e têmlhe sido atribuídos alguns prémios literários. É também tradutora da obra de Friedrich Schiller para português, sendo membro da direcção do PEN Clube Português desde há vários anos. A organização está a cargo da Professora Doutora Anne Quataert e José Nobre da Silveira Na quinta-feira 23 e na sexta-feira 24, os trabalhos decorrem no Centro de Língua Portuguesa do Instituto Camões (HIVT - Schildersstraat 41) em Antuérpia e a abertura do Colóquio está a cargo de Jacques Peeters, Director Artesis Hogeschool Antwerpen e do Embaixador Vasco Bramão Ramos. Estão previstas intervenções sobre “A literatura portuguesa contemporânea” e “As artes plásticas portuguesas contemporâneas”. No sábado, dia 25 de Outubro, os trabalhos decorrerão na VlaamsNederlands Huis deBuren (Leopoldstraat 6) em Bruxelas para um debate sobre “Literatura e tradução na Bélgica e Portugal”. Por fim, na Livraria portuguesa Orfeu (Willem de Zwijgerstraat 43), também em Bruxelas, haverá um encontro com os escritores portugueses, às 17 horas. Política 9 LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008 Era Director-Geral da Política Externa no Ministério Vasco Bramão Ramos é o novo Embaixador de Portugal na Bélgica. Nasceu em 26 de Maio de 1946, em Lisboa e é licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, tendo sido aprovado no concurso de admissão aos lugares de Adido de Embaixada, aberto em 28 de Setembro de 1969. Antes de chegar à Bélgica já foi Adido de Embaixada, na Secretaria de Estado, em 12 de Março de 1970, Secretário do Ministro dos Negócios Estrangeiros, de 19 de Março do mesmo ano a 28 de Março de 1972, terceiro-Secretário de Embaixada,na Secretaria de Estado, em 19 de Agosto dos mesmo ano, segundo-Secretário de Embaixada,em 7 de Dezembro de 1974. Foi nomeado para a Embaixada em Washington, em 22 de Março de 1976,para a Embaixada em Budapeste, em 1 de Janeiro de 1980, para a Delegação Permanente junto do Conselho do Atlântico Norte, em 8 de Setembro do mesmo ano, Chefe da Repartição Europa e América, da Direcção-Geral dos Negócios Políticos, em 5 de Janeiro de 1985, Director dos Serviços da América, da Direcção-Geral dos Negócios Político-Económicos, em 17 de Julho de 1986. Em Abril de 1989 foi para a Embaixada em S.Tomé, para exercer as funções de adjunto do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Repú- DR Vasco Brandão Ramos novo Embaixador Embaixador de Portugal blica Democrática de S. Tomé e Príncipe. De novo em Lisboa, foi SubdirectorGeral dos Negócios Político-Económicos, Presidente da Comissão para o Estudo do Relacionamento Político-Militar com a República Federal da Alemanha, Chefe da delegação encarregada das negociações relativas à cessação da utilização pela Força Aérea alemã da Base Aérea n°.11 em Beja, Presidente da Comis- são para o Estudo do Relacionamento Político-Militar com os Estados Unidos da América, Chefe da delegação encarregada da negociação de um Acordo de Cooperação e Defesa com os Estados Unidos da América do Norte, Director-geral adjunto na Direcção-Geral de Política Externa da Comissão Europeia, Director-Geral dos Assuntos Multilaterais e Director-Geral do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa e Militares. Vasco Bramão Ramos foi ainda Embaixador de Portugal em Caracas, Coordenador das iniciativas de carácter político-diplomático e organização e logística, necessárias à realização de reunião preparatória e à participação na Cimeira Ibero-Americana, Embaixador em Viena e Representante Permanente junto dos Organismos internacionais sedeados naquele cidade, e finalmente Director-Geral da Política Externa desde 1 de Dezembro de 2006. O Embaixador Vasco Bramão Ramos recebeu a Grã-cruz da Ordem de Mérito, é Grande-Oficial da Ordem do Rio Branco, do Brasil, Comendador da Ordem do Libertador, da Venezuela, Oficial da Ordem do Mérito Civil, da Espanha, Oficial da Ordem do Império Britânico, da Grã-Bretanha e a Medalha do Mérito Aeronáutico de 1ª classe. ■ Trabalhadores do Instituto Camões ainda sem estatuto A Deputada independente Luísa Mesquita (ex-PCP) questionou o Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre os trabalhadores dos Centros Culturais e dos Centros de Língua do Instituto Camões no estrangeiro que “há muito reclamam um estatuto autónomo ou em alternativa a sua inclusão nos quadros do pessoal dos serviços externos do MNE”. O Ministério responde que já deu início ao “enquadramento do pessoal necessário à prossecução da missão da generalidade dos serviços públicos”, apesar “das dúvidas que subsistem quanto ao regime final a definir no quadro das soluções legislativas consagradas em diplomas relevantes nesta matéria”. Os Centros de língua não dispõem de outro pessoal para além dos Leitores de língua e cultura portuguesa “sendo certo que, pese embora a circunstância de não ter sido, ainda, aprovado o respectivo estatuto legal, os mesmos têm regularizada a sua situação contratual e garantidos os direitos sociais”. Por outro lado, a situação contratual do pessoal dos Centros Culturais Portuguesas no estrangeiro “tem sido objecto de condicionantes que resultam, essencialmente, das profundas alterações introduzidas no regime de vinculação,de carreiras e de remunerações dos trabalhadores afectos ao desempenho das funções na generalidade dos serviços públicos pela Lei n°12-A/2008, de 27 de fevereiro, alterações essas que carecem de novos desenvolvimentos para o desenho final das soluções já enunciadas no texto legal” diz a resposta enviada à Deputada Luísa Mesquita. “No caso particular do pessoal dos serviços periféricos externos do estado, a aplicabilidade de tais soluções exige (...) desenvolvimentos específicos para efeitos de uma adquada comptabilização com regimes localmente vigentes, o que implica uma rigorosa definição de regimes legais específicos, dado que, para além de reflectir os princípios de direito internacional a que o Estado Português se encontra vinculado, o estatuto do pessoal dos serviços periféricos externos do Estado – categoria em que se terá de inscrever o pessoal dos 14 Centros e dos 5 Pólos culturais já criados”. “Estamos perante uma matéria que urge resolver, de elementar justiça para com trabalhadores que, ao serviço do Estado português, desempenham funções que nos dignificam e que se encontram há demasiados anos numa situação precária, violadora dos seus direitos fundamentais” diz Luísa Mesquita. ■ Manuel Martins 10 Cultura LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008 Empresa especialista na arte de formação de protocolo de empreendimento Dulce Rodrigues sai novo livro para o Natal ■ Maria Fernanda Pinto Exposição “Lá Fora” continua em Viana do Castelo A exposição “Lá Fora”, que está patente desde o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades no edifício nascente da Praça da Liberdade vai continuar an Viana do Castelo até ao dia 23 de Novembro e vai ser alvo de uma visita guiada, esta semana, a cargo do Comissário da mostra, João Pinharanda. “Lá Fora”, organizada pelo Museu da Presidência da República em colaboração com a Câmara Municipal de Viana do Castelo no âmbito das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões das Comunidades que decorreram em Viana do Castelo, é uma das maiores mostras de artistas portugueses emigrados.Alguns quadros de Vieira da Silva, Paula Rego, Amadeo Souza Cardoso, Bordalo Pinheiro, Júlio Resende ou Júlio Pomar integram a exposição. A exposição, já visita por mais de três mil pessoas, pretende assim aproximar o público português dos principais artistas portugueses e luso-descendentes que vivem lá fora. DR Dulce Rodrigues, que reside na Bélgica, publica para o Natal uma peça de teatro juvenil (bilingue francês/português), nas Éditions Publibook em Paris, mas será comercializado também na Bélgica. “Le Père Noël est enrhumé”/“O Pai Natal está constipado”passa-se algures na Suécia, em véspera de Natal. O momento ideal para adoecer... Sobretudo, tratando-se do próprio Pai Natal! Como entregar os presentes a tempo e horas? O seu ajudante,um duende,sonha poder desempenhar essa tarefa, no entanto outra decisão é tomada: será um jovem que já uma vez substituiu o Pai Natal da Finlândia que se encarregará da distribuição... Livro de 16x24 cm, 94 páginas. Preço:10 euros. Em todas as livrarias de França e DOM. Igualmente nos países francófonos como a Bélgica ou a Suíça. E ainda em linha directamente à Editora. Blustamp organizou acções de promoção de Portugal Alguns dos aspectos da animação da Blustamp junto das crianças A Blustamp organizou do 9 ao 17 de Outubro passado em Bruxelas, um evento dedicado a Portugal denominado ‘Blustamp Portugal Lab’ estruturando-se em diversas acções: a Feira do Livro Português, boutique de Produtos Nacionais, actividades Infantis e workshops de provas de vinhos e gastronomia portuguesa. ‘Dinners chez Protocol’, foi o jantar no qual os presentes aprenderam as regras de etiqueta à volta de uma mesa. Durante a semana contou-se com a participação da Livraria Orféu e do The Sol Ar. Decorreram-se algumas actividades de promoção da leitura com os alunos que frequentam a escola portuguesa. As crianças manifestaram-se muito motivadas com as histórias portuguesas, tendo a oportunidade de tocar nos livros e de os ler. Sendo a leitura de histórias em português, um bom complemento para a aprendizagem da língua portuguesa. Foi integrada igualmente na feira do Livro Blustamp, a Girassol Edições que lançou o livro “50 Histórias de quem foi criança”, uma edição particularmente original, cuja receita irá reverter, numa percentagem significativa, para os projectos sociais da Fundação Rotária Portuguesa. “O interessante neste livro é que os contadores dessas histórias são cidadãos com as mais diversas formações, experiências de vida e ocupações profissionais, que aceitaram responder a um desafio e partilhar um gesto de solidariedade. Todas as histórias que os adultos elaboram para as crianças têm o seu quê de histórias feitas por crianças grandes, sendo afinal histórias para crianças pequenas. É dessa ambivalência e dessa variedade que a presente recolha tira o seu principal encanto”, explicita Vasco Graça Moura, numa passagem do seu prefácio. O livro será também apresentado em Lisboa no dia 24 de Outubro no auditório da livraria Byblos no Amoreiras Shoping. O evento foi organizado para os Portugueses assim como para a promoção de Portugal junto dos estrangeiros que vivem em Bruxelas. Quanto à Escola Internacional de Protocolo de Bruxelas, do grupo EIP de Madrid está a promover em parceria exclusiva com a Blustamp - Protocol and Image uma pós-graduação em Protocolo Evènement Festival CineBrasil a eu lieu à Bruxelles Le Centre Culturel d'Etterbeek/Espace Senghor, en partenariat avec l'Ambassade du Brésil à Bruxelles et le magazine Brazuca, ont organisé le Festival CineBrasil - Rio 50 ° du 16 au 19 octobre. Après le succès des deux premières éditions (consacrées successivement au cinéma afro-brésilien et au peuple brésilien), l'Ambassade du Brésil, associée au magazine Brazuca, a proposé, cette année à l’Espace Senghor, le Troisième Festival CineBrasil.-Rio 50 °. La ville de Rio de Janeiro sera cette fois à l’honneur à l’occasion de deux anniversaires: le 50ème anniversaire de la Bossa Nova, ainsi que celui de la conquête du premier championnat du monde de football par l’équipe nationale (Mondial de Suède1958). Le festival a présenté une sélection de films inspirés, d'une manière ou d'une autre, par l’univers culturel et social de Rio de Janeiro. Le troisième Festival Cinebrasil a proposé pour son ouverture le polémique film ‘Tropa de Elite’, du réalisateur José Padilla, récent vainqueur de L’Ours d’Or au Festival de Berlin (février 2008). Ce film a défrayé la chronique en montrant le quotidien du Bope, le corps d’élite de la police militaire de Rio, et raconte l’histoire du capitaine Nascimento qui a une dernière mission à effectuer avant de décrocher: assurer sa relève au sein de la section, ainsi que la sécurité du Pape en visite officielle, en “nettoyant” certaines favelas. Dans le film ‘A Cartomante’ des réalisateurs Wagner de Assis et Paulo Uranga, basé sur le roman de Machado de Assis, une jeune femme partagée entre deux amours et en proie au doute quant à son avenir, décide de consulter une cartomancienne. Mais les cartes lui révèlent une autre voie que celle conseillée par sa psychologue. Le secret du football brésilien consiste en une seule parole:‘Ginga’. Ce documentaire produit par Fernando Meirelles et réalisé par Hank Levine, Marcelo Machado et Tocha Alves, montre cette habilité si particulière des joueurs brésiliens qui a pour effet d’éclipser les équipes adverses. Mais la ginga ne s_apprend pas, elle est inhérente à la personnalité brésilienne. Les personnages racontent leur passion pour le football et l’importance de la ginga dans leur vie. Le film ‘Faixa de Areia’, de Daniella Kallmann et Flavia Lins e Silva propose une véritable étude anthropologique qui a pour terrain les 60 km de plage de Rio de Janeiro, avec leurs habitués issus de toutes les différentes couches de la société et qui assurent en permanence le spectacle sur le sable. ‘Onde a coruja dorme’, un documentaire de Márcia Derraik et Simplicio Neto, nous montre la relation du chanteur et compositeur Bezerra da Silva avec ses partenaires anonymes, plusieurs fois récrutés dans les collines et la périphérie de Rio. De là vont surgir des sambas créées par des ouvriers, chroniques caustiques mais amusantes des gens simples qui vivent dans les favelas et qui racontent leur quotidien à travers la musique. Le documentaire ‘Coisa Mais Linda’, du réalisateur Paulo Thiago,a clôturé le Festival. Ce documentaire plonge le spectateur au coeur des années 50, époque à laquelle la Bossa Nova prit son envol. A travers les concerts qui a proposé le Festival, est tracée une ligne historique de l’évolution de la MPB (musique populaire brésilienne) avec Mombaça, partenaire de la chanteuse Mart’nalia et Mu Chebabi, partenaire du compositeur Lenine; le rappeur BNegão et son Turbo Trio influencé par différents styles musicaux tel que le Rock, reggae, hip hop, Miami bass et funk carioca entre autres. On a eu aussi la présence des DJ Marcelinho da Lua (membre de Bossacucanova, le collectif qui revisite les classique de la bossa nova à la sauce électronique) et DJ Barata et Pezão. Un hommage à Tom Jobim et à la Bossa Nova a été rendu par le biais d’une exposition inédite du photographe Januário Garcia. Cela a été l’occasion de retrouver aujourd’hui un Tom Jobim comme vous ne l’avez jamais vu, que ce soit dans son studio, derrière son piano ou dans l’intimité. Le spectacle de danse, ‘Les Commandements d’un Déraciné’, des chorégraphes et danseurs brésiliens Milton Paulo et Raffaella Pollastrini, mettent en scène les premiers pas d’un individu poussé hors de son milieu naturel qui fait des pieds et des mains pour s’adapter et assurer sa survie. ■ e Cerimonial que vai começar no dia 22 de Novembro e termina no dia 16 de Maio de 2009, um total de 200 horas. Serão dois sábados por mês.As aulas serão em inglês, estando desde já abertas as inscrições. A Blustamp é especialista na arte de formação de protocolo de empreendimento para indivíduos, grupos e consultores. Tratando também o protocolo empresarial, a etiqueta social ou ainda o protocolo internacional. ■ Clara Teixeira www.blustamp.com Juventude será prioridade para Secretário de Estado O Secretário de Estado das Comunidades afirmou que vai empenhar-se "pessoalmente" na criação do Conselho Consultivo da Juventude portuguesa na diáspora, tema que elege como uma das três prioridades para o final de mandato. "Os jovens terão decididamente uma abordagem neste final de mandato que nós queremos sublinhar e reforçar, e por isso a urgência de criar o Conselho Consultivo da Juventude no contexto do Conselho Consultivo das Comunidades é total e empenhar-me-ei pessoalmente nos próximos tempos para que seja constituído", afirmou o secretário de Estado António Braga. "Só é possível mobilizar os jovens se os ouvirmos e levarmos a sério, e isso passa por envolvê-los nestes programas e nestas acções, empenhá-los nos diversos movimentos associativos", disse o Secretário de Estado. O objectivo, afirmou, é não apenas "cooperar nos programas da Secretaria de Estado dirigidos à juventude" mas também, "eventualmente, encontrar outros que nasçam das sugestões e ideias" do Conselho, além de "optimizar aqueles que estão em curso". ■ Cultura 11 LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008 Pintor é originário de Santarém mas vive em Bruxelas desde 1966 Apresentação do livro de Rita Mello Ferreira Mário Gastão pinta figuras geométricas Rita Mello Ferreira esteve no início deste mês na livraria Orfeu para o lançamento do livro Prometeia. A autora tem exercido a sua actividade profissional enquanto tradutora, revisora e mais recentemente como intérprete para a Comissão Europeia. O seu percurso académico foi feito na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde foi aluna do poeta Manuel Gusmão e teve oportunidade de consolidar um estilo poético próprio. Este é o seu primeiro livro a ser editado e representa uma súmula da sua actividade poética entre 2001 e 2006. Os poemas alternam entre referências mitológicas e clássicas e elementos decididamente modernos. Foi apresentada por Ana Mendes. LusoJornal - José Lopes Nuno Júdice em Bruxelas Pintor Mário Gastão em entrevista ao LusoJornal com as cores e as diferentes formas”. Os quadros vão dando origem e leitura a outros quadros. Foi por volta dos seus 60 anos que o artista se concentrou mais neste tipo de pintura.Anteriormente dedicava a sua paixão criando esculturas, misturando entre outros, a madeira com a pedra.“Fazia totems, bonecos, cavalos de madeira, etc. Conforme as alturas e o meu estado de espírito pintava por vezes de uma certa forma mais agressiva ou mais maldosa”, recorda. Mário Gastão vem de Santarém mas reside na Bélgica desde 1966.Poucoa-pouco foi-se achando estrangeiro no seu próprio país. Considerava Portugal demasiado cinzento para aí morar e resolveu então emigrar. Já em Bruxelas, começou a trabalhar em publicidade e em banda desenhada, e pouco-a-pouco foi-se dedicando à pintura.“Na realidade nunca fui um verdadeiro pintor, ou desenhador, pintava bem, certo, mas havia períodos em que pintava mais do que outros”. Foi sobretudo quando encontrou esta forma de pintar ligada à geometria que despertou mais o seu interesse pela arte. As suas obras podem ser vistas no seu atelier e de vez em quando estão expostas em livrarias e galerias.“De vez em quando vendo os meus quadros, contudo não são forçosamente os que me dão mais regozijo de fazer que são os mais rentáveis”, diz a sorrir. Apesar das belas paisagens do Ribatejo de que tanto gosta, Mário Gastão não se inspirou de imagens realistas e preferiu fazer aquilo que se pode chamar de “pintura geométrica”. Apesar de estar ligado a Portugal, seguindo regularmente a economia e a política do seu país natal,sente-se muito bem na Bélgica. Actualmente com 68 anos, não exclui porém a possibilidade de um dia regressar a Portugal. ■ Clara Teixeira e Carlos Pereira LusoJornal - José Lopes O artista português Mário Gastão descobriu recentemente uma nova forma de pintura com base em figuras geométricas. Foi a colocar azulejos em casa quando lhe veio a ideia de poder brincar com a maneira de colocar as quatro faces do mesmo quadrado. Desde então Mário Gastão pinta quadros sem fim,com várias sequências quase infinitas, que só ele próprio compreende mas que resultam em conjuntos agradáveis para quem vê as suas obras. “Nada é aleatório tudo obedece a regras bem estipuladas, contudo organizo as combinações dos quadrados ou dos triângulos como quero, dando-me assim uma liberdade de acção.Pois se multiplicarmos as 4 faces de um quadrado por 4 e assim sucessivamente dá-nos 256 combinações. O que corresponde por conseguinte a 256 formas com a mesma superfície e sem perder atributo algum”, explica ao LusoJornal. “Daí não poder haver algum erro, têm que estar todas representadas”, acrescenta sorrindo. As sequências parecem infinitas porque são em número extremamente grande, mas são matematicamente calculadas. A sua multiplicação dá conjuntos complexos com interpretações variadas. Este princípio das sequências pode ser adaptado a qualquer forma geométrica, desde o triângulo, ao quadrado, do plano ao relevo... “Às vezes torna-se um pouco aborrecido porque nunca mais acaba mas aos poucos vai dando uma visão e gosto do resultado”. Precisamente Mário Gastão resolveu recentemente dar mais complexidade à sua obra,passando a utilizar o suporte informático. Com o computador, descobriu novas potencialidades para a sua obra.“O que me permite trabalhar novas ideias, de jogar O poeta Nuno Júdice participou no passado dia 4 na Nuit de la Poesie Européenne, na Maison de la Bellone, em Bruxelas. Nuno Júdice é algarvio da região de Portimão e foi durante vários anos Adido Cultural na Embaixada de Portugal em Paris e Director do Instituto Camões na capital francesa.Depois regressou a Lisboa onde ensina literatura comparativa na universidade. Senhor empresário tenha confiança no LusoJornal www.lusojornal.com 0485 89 84 09 12 Medias A SIC Internacional estreou no passado dia 13 de Outubro uma nova telenovela intitulada “Podia Acabar o Mundo”. A novela inicia-se em 1975 com o retorno a Portugal, de muitas famílias que viviam em Angola aquando da independência das ex-colónias portuguesas. Ao longo da novela vamos poder conhecer o passado das personagenns através de imagens desses tempos. “Podia Acabar o Mundo” é a história da disputa entre Vera e Rodrigo pelo seu filho João que tem a idade de onze anos. Vera e Rodrigo casam-se embriagados por uma intensa paixão. Deste amor inebriante nasce João. Depois o casamento oscila entre o fogo da paixão e os conceitos de vida de cada um que representam os opostos. Vera é uma advogada em ascensão, e Rodrigo, engenheiro agrónomo. Vera é uma mulher urbana. Rodrigo adora o campo e o mundo dos touros. Vera não se adapta à vida rural, e Rodrigo, à vida da cidade. Para destabilizar ainda mais este casamento acrescenta-se a influência perversa de Eduardo, o patrono do escritório de advogados, onde trabalha Vera. Eduardo é um advogado brilhante. E tem uma mente diabólica. É sua vontade que não haja hipótese de reconciliação entre Vera e Rodrigo. E que Vera fique com a guarda do filho. São fortíssimas as suas pérfidas motivações. No passado em Angola, quando cumpria o serviço militar, Eduardo jurou vingança a João Maria, pai de Rodrigo. Esse desejo de vingança e ódio encarnam em Rodrigo. Eduardo pela primeira vez na sua vida sente-se apaixonado, precisamente por Vera. E não suporta que ela continue a desejar um homem que ele odeia. A história dos pais de Rodrigo está ligada à saga dos retornados de Angola. Rodrigo era bebé quando em 1975 desembarcou em Portugal com os pais. Recriase um momento de alta emotividade com narrativas que marcaram de forma dramática a recente História Portuguesa. E é nesse desembarque, cheio de acontecimentos, que João Maria, o pai de Rodrigo, desaparece misteriosamente. É encontrado mais tarde pela mulher num hospital. Fora espancado, atirado ao rio e salvo por pescadores. Esta novela, que se desenrola paralelamente entre Lisboa e uma herdade e vila na região de Santarém, reflecte também a tensão entre o urbano e rural. É um retrato de um Portugal cada vez mais urbano, mas com uma nostalgia das grandes paisagens. A vila com o seu largo e um original café que é explorado por ex-emigrantes portugueses em Londres surge como a componente humorística e de crítica social. Televisão transmitiu o Plenário do Conselho das Comunidades APE lançou rádio e televisão para emigrantes A Associação dos Portugueses no Estrangeiro (APE) lançou na quarta-feira da semana passada uma rádio e televisão on-line dirigida aos emigrantes com a transmissão em directo do Plenário do Conselho das Comunidades Portuguesas, entrevistas aos Conselheiros e debates. Com um investimento em material na ordem dos 100 mil dólares por parte do empresário português nos Estados Unidos e também Presidente da APE, José João Morais, esta é “uma ideia antiga” da associação.“Trata-se de um serviço multimédia. O que vai estar a funcionar em permanência é a rádio. Na parte de televisão, vamos transmitir pontualmente conferências, convenções e debates, entre outros, com temas que interessam aos portugueses no estrangeiro”, disse o Secretário Geral da APE, Gabriel Fernandes. “A ideia surgiu logo quando fizemos os estatutos da APE. E lá indicávamos que tentariamos utilizar os meios electrónicos actuais LusoJornal - Carlos Pereira SIC Internacional estreou nova novela portuguesa LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008 Gabriel Fernandes, Secretário-Geral da APE Portugal para atingir os Portugueses que residem no estrangeiro” disse ao LusoJornal Gabriel Fernandes. “A realidade não é passada como nós queremos e por isso justifica-se a nossa acção”. O canal comunidades “trata de coisas que as rádios e as televisões tradicionais não falam”. Só estão disponíveis na internet. “Sempre que se justificar, a televisão funciona, mas por enquanto será pontualmente. Por exemplo, este mês de Agosto, transmitimos a Convenção mundial das Comunidades realizada em Santa Maria da Feira” disse Gabriel Fernandes. “Foi um teste e desta vez transmitimos a sério”. A APE difunde e grava os eventos que ficam depois disponíveis no site da associação. Gabriel fernandes diz que há muita gente a ver os programas e a ouvir a rádio. O próximo evento deve ser um Colóquio sobre língua portuguesa na Universidade de Toronto. “Também estamos a captar imagens da história da emigração. História de pessoas desde pequenino até agora. Vamos à procura de amigos e professores com a cumplicidade da família. Depois vamos fazer uma gala” diz Gabriel Fernandes. Criada em Janeiro de 2007, a APE é uma associação de defesa dos direitos dos trabalhadores portugueses no estrangeiro, com sede em Portugal. A televisão e a rádio on-line estão disponíveis através da página de Internet da Associação dos Portugueses no Estrangeiro, em www.apeportugal.com. ■ Carlos Pereira CLP TV está sem sinal há duas semanas O canal de televisão CLP TV (Canal de Língua Portuguesa), criado por cerca de 30 empresários portugueses radicados em Paris, e a emitir para toda a Europa, deixou de ter sinal há duas semanas. A CLP TV tinha uma programação vocacionada para portugueses residentes no estrangeiro, mas o canal acabou por nunca ter verdadeiramente começado a sua actividade comercial pelo que estava a ser um verdadeiro “saco sem fundo” em que os principais accionistas investiram, aparentemente, mais de 4 milhões de euros. Segundo fontes próximas do canal, apenas foram vendidas, em um ano e meio de emissões, cerca de 17.000 euros e desta forma o canal não é rentável. Os membros do Conselho de administração não se entendem quanto ao recrutamento do Director do canal e as dívidas acumulam-se. A equipa de jornalistas, técnicos e produtores está há duas semanas sem saber qual o destino a dar ao canal. Não podem trabalhar porque o sinal não está a ser difundido, mas também não sabem se os accionistas vão guardar o canal. Os operadores de cabo e de Adsl podem suprimir completamente a CLP TV das suas listas de difusão, alegando os sucessivos problemas que o canal tem. Pela Direcção do canal já passou António Cardoso (primeiro Direc- tor), Pedro Mariano, António Larangeira e Olivier Berton. O Director de informação é o conhecido jornalista Carlos Narciso, um dos fundadores da SIC. O Director Geral é António Costa, um empresário que fez fortuna na área da construção civil. Na Bélgica não se conhecem acções comerciais por parte deste canal. ■ Descoberta 13 LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008 Apoiada pelos comerciantes portugueses Importância dos emigrantes na captação de investimento Numa mini digressão ao estrangeiro para a divulgação do cd da Tuna com o título “Para Ti”, a Tuna Feminina de Medicina do Porto passou por França e Bélgica. Na Bélgica estiveram na cidade de Bruxelas onde deixaram a simpatia e as saudades de grandes músicas portuguesas, algumas bem conhecidas dos presentes, que não deixaram de as acompanhar em todas as actuações. A tuna existe desde 1996. Cristina Pinto, porta-voz do grupo, informou que normalmente nas saídas que fazem “é quase 100% para Comunidades portuguesas... é gratificante o carinho que recebemos, vemos que as pessoas naquele momento esquecem tudo e matam saudades do seu país”. Esta Tuna já foi mista mas agora é composta só por meninas. Os restaurantes Le Marquis de Pombal, Algarve, Café Portugal, Residencial Hó Fadista e Pub 2000, foram os presenteados com uma noite de música diferente para os hábitos destes locais. Foram estes empresários que acolheram e patrocinaram a estadia do jovem grupo. Mariana Cunha é natural do Porto e toca cavaquinho. Quando entrou para a Tuna não tinha conhecimentos musicais, mas agora Portunalnet Tuna Feminina de Medecina do Porto esteve em Bruxelas Tuna Feminina de Medecina do Porto, actuando em Bruxelas toca e canta. “Nunca tinha tocado... só conhecia as notas e nem por isso cantava muito bem, mas agora já canto muito melhor... dizem elas”! Para o grupo, a maior dificuldade foi conseguir um local onde dormir. Helena Pinto, irmã de Cristina diz que “para chegarmos aqui, fiz muitos contactos por te- lefone, pesquisas na Internet, e só tenho a dizer que em todos eles fui bem acolhida.Alguns estabelecimentos não puderam aceitar devido à dimensão do grupo, mas agradecemos a todos eles a simpatia demonstrada”. A jovem insistiu em “aproveitar esta oportunidade que o LusoJornal nos dá para agradecer a to- dos, principalmente os que nos receberam, não vamos mencionar nenhum porque foram todos maravilhosos. Comemos, bebemos, dormimos e também nos divertimos bastante. Tudo simpatia dos comerciantes de Bruxelas”. ■ Paulo Carvalho Empresários vão poder ter acesso a verbas comunitárias Os empresários portugueses no estrangeiro vão poder ter acesso a verbas comunitárias em parceria com empresas de Portugal ao abrigo do programa governamental NetIvest, o Secretário de Estado das Comunidades, António Braga. "Haverá pela primeira vez um pro- grama organizado dirigido aos empresários das comunidades portuguesas, numa parceria inédita com as câmaras de comércio", disse António Braga em Lisboa, à margem da assinatura de um protocolo com a Confederação Internacional dos Empresários Portu- gueses (CIEP). Segundo António Braga, o novo programa "cria condições para favorecer o desenvolvimento de parcerias no sentido de estimular a internacionalização da economia portuguesa". Na prática, explicou, o relacionamento entre as empresas de portu- gueses no estrangeiro e as empresas em Portugal assentará na procura de oportunidades comuns de negócio e no acesso aos fundos do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN). ■ O Secretário de Estado do Comércio, Fernando Serrasqueiro, destacou a importância das comunidades portuguesas no estrangeiro para facilitar a diplomacia económica e como fonte para a captação de investimento em Portugal. Em declarações aos jornalistas em Lisboa à margem da conferência "O Empreendedorismo e a Diáspora Portuguesa", o Secretário de Estado afirmou que "há comunidades portuguesas que servem para alavancar a política de diplomacia económica, que tem de ter um suporte". O governante deu o exemplo da Venezuela e dos negócios que têm sido realizados entre os dois países, afirmando tratar-se de uma diplomacia que "está a ser suportada pela existência de uma comunidade portuguesa naquele país", estimada em meio milhão de pessoas. Questionado sobre os resultados dessa diplomacia económica noutros países, referiu que está a ser feito o mesmo trabalho em países como Angola, Brasil ou África do Sul, em particular, e em todos os países onde haja comunidades portuguesas, no geral. De acordo com Serrasqueiro, é importante trabalhar também com os governos dos países de acolhimento "que acham que as comunidades portuguesas têm impacto", sendo um "factor de grande afirmação" de Portugal no mundo. Por outro lado, o governante falou da importância de captar investimento em Portugal junto dos empresários portugueses que vivem no estrangeiro. "Queremos dar-lhes uma nova mostra de Portugal, porque muitos deles estão já afastados (muitos de terceira geração) do que é a realidade portuguesa hoje, mostrar as diferentes fileiras onde há oportunidades de negócio", disse. "Portugal mudou muito desde que eles ou os seus pais saíram daqui e temos vindo a mostrar qual é o ambiente de negócios (…) para mostrarmos que têm aqui também oportunidades idênticas ou até melhores do que têm nesses países", acrescentou Fernando Serrasqueiro. Por seu lado, o Director-geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas, Costa Arsénio, afirmou que, na perspectiva de captar investimento por parte de empresários portugueses no estrangeiro, realiza-se em Portugal, em Novembro, um Fórum de Empresários, por iniciativa do Secretário de Estado das Comunidades,António Braga. Em declarações à Agência Lusa à margem da conferência promovida pela Universidade Lusófona, em Lisboa, Costa Arsénio afirmou que se trata de um "movimento de ambos os lados", tendo em conta o "interesse da parte de Portugal em captar investimento", mas também "ajudar os empresários nas suas iniciativas". 14 Desporto A Selecção portuguesa de râguebi de sub-21 qualificou-se no passado dia 12 de Outubro para as meiasfinais do Campeonato da Europa da categoria, ao vencer a sua congénere da Bélgica por 38-9, na cidade alemã de Heidelberg. Aos 10 minutos, Portugal já vencia os belgas por 10-0, inaugurando o marcador com uma penalidade convertida, logo aos seis minutos, por Yannick Ricardo, jogador que viria a transformar, quatro minutos depois, um ensaio de Francisco Tavares. Até ao intervalo, Portugal conseguiu mais um ensaio, alcançado por João Marques (35 minutos), enquanto a Bélgica mexeu no marcador com uma penalidade e dois pontapés de ressalto. Na segunda parte, Portugal continuou a dominar totalmente a Bélgica e reforçou a vantagem no resultado com mais três ensaios:dois por Eduardo Salgado (47 e 66 minutos) e o terceiro por Duarte Bravo (75). Voleibol: Noliko de Nuno Pinheiro passeia na Taça da Bélgica O Noliko Maaseik, equipa do distribuidor Nuno Pinheiro e do zona 4 André Lopes, iniciou da melhor forma a defesa do título de vencedor da Taça da Bélgica ao derrotar, com facilidade (25/15, 25/19 e 25/15), o Aquacare Halen nos oitavos-de-final. Nos quartos-de-final, agendados para o dia 8 de Novembro, o líder do principal campeonato belga vai defrontar o VBC Scheldenatie Kapellen,equipa de um escalão secundário. Cristiano Ronaldo e Pepe nomeados para a Bola de Ouro Cristiano Ronaldo e Pepe, com alguma surpresa, são os dois portugueses que figuram na lista dos 30 nomeados para o troféu Bola de Ouro, divulgada domingo pela revista bi-semanal France Football. O extremo do Manchester United e da Selecção portuguesa, que em 2007/08 foi premiado com a Bota de Ouro pelos seus 31 golos apontados no Campeonato inglês, perdeu o troféu de 2007 para o brasileiro Kaká (AC Milan), que também compõe a lista. O vencedor deste ano será anunciado a 2 de Dezembro. Se for eleito,o jovem jogador português, de 23 anos, será o terceiro português a receber o prémio, depois de Eusébio, em 1965, e Luís Figo, em 2000. Já o luso-brasileiro Pepe,de 25 anos, Campeão de Espanha, surge pela primeira vez entre os nomeados, aparecendo juntamente com o espanhol Sérgio Ramos, seu companheiro do eixo defensivo do Real Madrid. Com vários projectos de intercâmbio e de passeio Lusobiker´s: novo moto-clube português na Bélgica Licínio Dias, Sérgio Pina e Gonçalo Neves são três dos muitos amigos que se juntaram para a realização de um sonho, a criação de um clube de motards na Bélgica. Sérgio afirma que têm participado em várias concentrações tanto na Bélgica como no estrangeiro. Muitas das vezes são o grupo mais animado e bem organizado, mas como até este momento não tinham moto-clube no final na entrega de prémios nunca eram reconhecidos como clube motard. “A nossa última ida ao Luxemburgo foi a gota de água. Quando chegámos a Bruxelas começamos logo a avançar no projecto. Nesta iniciativa, contámos também com o apoio de membros de dois antigos motards, já habituados a estas andanças pela participação que tiveram nos antigos clubes que existiram por estas paragens ‘Enigma Bikers Club’ e ‘Ases das Rodas’” dizem. O Presidente Licínio Dias quer que este seja um clube “de todos, para todos”. A ideia é “fazermos grandes passeios, nada de muita velocidade, só puro divertimento. Os nossos sócios podem ter qual- tilhar de culturas, porque o objectivo do moto-clube é receber também como sócios pessoas de outras nacionalidades, como o gosto pelas motas e pela natureza. “Se juntarmos todos estes atractivos temos a boa receita para que este projecto seja um sucesso” disse ao LusoJornal. Outro dos objectivos deste projecto é levar o mais longe possível o desporto radical e o gosto pela aventura. Para atingir estes fins o Clube irá promover encontros com grupos de outros países. O primeiro encontro (inauguração) já está agendado para o dia 1 de Novembro, com a entrega do cartão de sócio e respectiva tshirt do moto-clube. Reserve já o seu lugar se não quer ficar apeado. Pubprint Râguebi: Portugal venceu a Bélgica no Europeu Sub-21 LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008 Logotipo do clube de motards quer idade. Até agora na nossa lista de sócios contamos já com um sócio de apenas 6 anos, a pequena Mariana Osório”. Mesmo aqueles que não têm mota podem inscrever-se no motoclube e participar nos diferentes eventos.“Temos já agendado para inauguração do moto-clube um grande passeio com partida e che- gada a Bruxelas. O dia irá terminar com um banquete e muita musica portuguesa com o grupo dos Bombos do Arménio e o grupo musical Os Tótós, jogos tradicionais, entre outros”... Gonçalo é o homem que gere as contas, o Tesoureiro. Afirma que esta ideia pode ser gratificante em muitos aspectos, tanto no par- Orçamento Geral do estado contempla fundo para ensino do português no estrangeiro O Secretário de Estado das Comunidades garantiu na semana passada que o Orçamento de Estado para 2009 vai permitir "sustentar" políticas reforçadas de promoção da língua portuguesa, nomeadamente o alargamento do ensino do português ao continente americano. Em declarações aos jornalistas à margem do plenário do Conselho das Comunidades Portuguesas, António Braga não quantificou a verba prevista para o seu Gabinete, apenas destacou a criação do Fundo da Língua Portuguesa, com uma dotação de 30 milhões de euros. Senhor empresário tenha confiança no LusoJornal www.lusojornal.com 0485 89 84 09 Este fundo, aprovado em Conselho de Ministros em Julho, "permitirá alocar recursos que sustentem políticas reforçadas" nas áreas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), das comunidades portuguesas e na internacionalização da língua, precisou. Relativamente às comunidades portuguesas,António Braga destacou que vai ser alterado o modelo de contratação de professores, acabando com o que considera ser uma injustiça em relação a algumas comunidades, em que o ensino do português não era apoiado pelo Estado. Com a criação do fundo, frisou, "estão criadas as condições" para acabar com a "injustiça" de apenas a Europa comunitária e a África do Sul terem o ensino do português apoiado pelo Governo. "Essa presença noutros Continentes era um défice", disse, especificando que o ensino do português vai ser alargado "à América do Norte, ao Canadá e à América Latina". O objectivo, acrescentou, é "garantir a maior qualificação desse serviço prestado à comunidade e preservar melhor a língua e cultura portuguesas junto dos jovens luso-descendentes". Questionado sobre a data prevista para o alargamento do ensino do português, António Braga afirmou que será "durante o próximo ano" com a passagem da tutela para o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), nomeadamente depois de concluída a reestruturação do Instituto Camões (IC), o que deverá acontecer em Novembro, de acordo com o chefe da diplomacia portuguesa, Luís Amado. António Braga considerou que o IC "não estava habilitado a responder a esta encomenda que é realizar, montar e acompanhar o ensino do português no estrangeiro". À semelhança do que aconteceu em 2008, a proposta de orçamento de Estado não especifica os montantes destinados à área das comunidades no âmbito dos 354 milhões de euros de despesa total prevista para o MNE em 2009. No plano dos investimentos, o MNE vai ter uma verba total de 14,8 milhões de euros (mais 2,8 milhões que em 2008), destinada principalmente ao desenvolvimento de projectos no âmbito do consulado virtual, passaporte electrónico e colocação na Internet do sistema de gestão consular. O Fundo de Relações Internacionais (FRI), cujas verbas se destinam a apoiar as comunidades portuguesas, terá este ano uma dotação de 19,7 milhões de euros, o que representa um acréscimo de 2,4 milhões de euros. O documento aponta como prioridades para 2009 o melhor conhecimento das comunidades através do recém-criado Observatório da Emigração e o alargamento aos Consulados do projecto Cartão de Cidadão. Será ainda criado um sistema de gestão de crises, no âmbito do Gabinete de emergência consular. ■ ■ Paulo Carvalho Lusobiker´s Espace New Europe Chaussée de Waterloo, 12 1060 Bruxelas www.lusobikers.be 0476.32.77.66 - 0475.23.13.01 Porto é líder do Campeonato belga da FTF O Porto é o líder incontestável da primeira divisão de futebol da FTF da Bélgica com 16 pontos depois de já ter disputado 6 jogos. Seguem-se o Vila Real e o Belenenses com 13 e 11 pontos respectivamente. O Porto ganhou 5 dos seis jogos disputados e empatou outro. Tem um dos melhores ataques ao já ter marcado 22 golos, e tem a melhor defesa que apenas sofreu 7 golos. No meio da tabela classificativa está o Alma Benfica, duplo campeão, mas que este ano tem tido algumas dificuldades no início do Campeonato: já perdeu um jogo, empatou 3 e apenas ganhou 2 dos jogos disputados. No fim da tabela estão duas outras equipas portuguesas. O Cad Ixelles está em dificuldades, perdeu 5 jogos e apenas ganhou um. Está em 13° lugar e tem apenas 3 pontos. Esta equipa é bastante irregular. Desceu no campeonato de há dois anos e valeu-lhe uma repescagem. No entanto fez uma boa época para agora estar novamente com sérias dificuldades para se impôr face às outras equipas. Mas pior está o Vimieirense que não conseguiu ganhar nenhum ponto, ao ter perdido os 6 jogos do início do Campeonato. ■ Carlos Pereira Passatempos 15 LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008 Brinque connosco SuDoKu do LusoJornal Sopa de letras: Literatura 3 X R H T S D P R M R L S E S A I S E O P A I A U E A E I I U I C P I R M B J O X C C D Q L L R N E A A I T Q J E I U C L 1 Q H I D E E S B L M Q R E U E L L N D O 2 L U N R V P Z Q O G L U O L H H R C U U S O I I Z N E T F U U O U S N T T R F L S L H A R R A M T E M A A Q R O F A Z R N B Z F F R T V T N O A L A O E E A A A H C G I A D G B Q M Z T M H T S L H X A E D B N O M S I L A E R I E I E X I C O G O A U D O N N U N A Z O L R T A L V M H E C Q S A V O R T I T U M C P R E A R A T N F U Q E Q I I S I P U S L V Q R L O U G S P U T D Z C X L A F E V O X Q U T S D E L I S E L O E A J X Literatura Paixão Camões Livros Inspirar Obras Escrita Barroco Lírica Z Poesia Romântico Viagens Ler Realismo Trovas 5 8 6 2 2 8 7 9 3 4 2 8 8 5 1 4 1 7 5 6 7 4 2 6 5 Regras do SuDoKu: Sudoku é um puzzle de colocação de números. O puzzle contém algumas pistas iniciais. Cada coluna, linha e região só pode ter um número de cada (de 1 a 9). O objectivo é preencher todos os campos com números. Cada linha de 9 números tem de incluir todos os algarismos de 1 a 9 em qualquer ordem. Cada coluna de 9 números tem de incluir todos os algarismos de 1 a 9 em qualquer ordem. E cada sub quadro 3x3 tem de incluir todos os algarismos de 1 a 9 em qualquer ordem. Resolver o problema requer apenas raciocínio lógico e algum tempo. Viagem pela Europa Um passeio muito especial pela Europa: os rebuçados dos 27, que bom! Nesta epoca de halloween, os bombons e os rebuçados são preciosos. Toda a gente pensa que esta festa é americana, mas na realidade esta festa é de origem Céltica e Anglosaxónica, célebre ainda na Irlanda. Quando era miúda os rebuçados que eu gostava eram uns pequeninos que uma amiga me trazia de Portugal. Depois havia os da Páscoa, enormes e muito doces. Havia também os beijinhos e as amêndoas, no Natal os chocolates e hoje todos os miúdos conhecem os sugos caramelos de fruta, as gomas e as pastilhas elásticas. Os chupa-chupas da Espanha, deram a volta ao mundo.A sua sigla foi desenhada pelo grande pintor espanhol Salvador Dali. Conhecem os “Roudoudous” de França, uma concha de marisco, recheada com rebuçado de cor? E os “Camambars” caramelo delicioso? As “Boulles de Mamoutes”, as «Fraises Tagadas»…? Na Inglaterra,temos os «Liquorice all sort» rebuçados moles, às cores com sabor a «réglisse». Na Itália, “Pasta” com sabor a Nutela. Em Malta, durante a quaresma, 40 dias antes da Páscoa, os miúdos não podem comer guloseimas,devem esperar até à Pascoa para se consolarem com os “Karamelli tal Harrub”, quadradinhos de alfarroba com sabor a especiarias. Na Eslovénia, os “Kiki”, caramelos suaves com sabor a fruta. Na Áustria os “Mozart Kigeln”, deliciosos bombons que enchem a boca. Na Eslováquia e na República Checa, os “Lentilkis”, tipo “Pintarolas”, pastilhas de chocolate preto forradas com açúcar de todas as cores. Na Hungria, o “Szalon Cukor” bombom de chocolate recheado com amendoa e outras frutas, embrulhado em papel dourado e que se coloca no pinheirinho na época de Natal. O “Alvita” da Roménia, deliciosa “nugatina” de mel e amêndoa, que se cola nos dentes. Na Bulgária, o delicioso “Lukcheta” de menta. Na Grécia, um rebuçadinho de baunilha, um submarino que se coloca em água fria, é o “L’hypovrihio”. No Chipre temos os “Karudaki”, nozes embrulhadas numa pasta doce às cores e os ”Chouchouko” chocolates com uvas ou amêndoas. Na Estónia os “Lily”, chocolates recheados em papel muito colorido, são lindos! Na Letónia,uns rebuçadinhos que se parecem com seixos da praia, pequeninos e redondinhos com sabor a fruta. Na Lituânia, os “Burbuliai” bons para quem gosta do ácido e que piquem na língua... até estalam! Na Suécia,“Polkagris”, rebuçado longo, muito bicudo, que é duro,embrulhado em papel às riscas vermelho e cinzento. Na Finlândia, os “Turkinpippuri”,“réglisse” recheado com especiarias que lembram a Turquia. E os “Piratas” da Dinamarca, pretos (réglisse), muito fortes, são os piores piratas do mundo. Os da Alemanha, o mais parecido com o “Kinder” italiano, é o “Uberraschung Eier” e o “Marzipan”, amêndoa forrada de chocolate preto. Na Polónia temos os “Krowki, caramelos com leite e manteiga, embrulhados num papel às riscas com um desenho de uma vaquinha; tão fofinha! Ao passar pela Holanda, provem os famosos caramelos de café, hummm! Na Bélgica as famosas “Fritas” mas desta vez são com sabores a fruta e cheias de açúcar cristalizado que estala nos dentes, os “Zockerstanger”, rebuçabos longos de açúcar, muito bicudos e na Irlanda os “Bulls Eyes”,“olho de boi” com sabor a menta. Depois de tudo isto digam lá se não apetece um bombom, um rebuçado ou... sei lá! ■ Elisabete Lourenço Professora de Português