LUSO
Edition n°33 du 23 octobre 2008
Crianças
Lusa - Paulo Novais
P.3:
Journal franco-portugais gratuit
Conselheiros tomaram posse
Três crianças belgas alegadamente raptadas pelo
pai, foram encontradas
perto de Viseu e resgatadas
pela mãe.
Pintura
LusoJornal - José Lopes
P.11:
Pedro Rupio e
José António Gonçalves
O pintor Mário Gastão
vive em Bruxelas e faz uma
‘pintura geométrica’.
DR
Teve
enfim lugar,
em Lisboa, a
primeira reunião do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP)
2 Opinião
LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008
Fiche technique
LusoJornal Bélgica
Crónica de opinião
Língua Portuguesa na Europa: integração, identidade, competitividade
Edité par:
Aniki Communications
47 avenue de Stalingrad
94400 Vitry sur Seine - France
Et par:
Association pour la promotion
de la culture lusophone
en Belgique – APCLB, asbl
Rue du Champion, 5
1070 Anderlecht/Bruxelles - Belgique
Pagination:
Michaël Leite
Directeur de la publication:
Carlos Pereira
Directeur adjoint:
Paulo Carvalho
Colaboraram nesta edição:
Clara Teixeira
Mónica Fins
Manuel Martins
Sylvie Crespo
António Catalina
José Lopes
Francisco Barradas
Pedro Rupio
Contact:
[email protected]
www.lusojornal.com
Maria
Carrilho
■
Deputada (PS)
à Assembleia
da República
Na Europa dos 27 países membros
há 23 línguas oficiais e falam-se, no
dia-a-dia mais de 60 e há 3 alfabetos.
Que espaço e que futuro para a língua portuguesa, nesta autêntica
Babel do século XXI?
Pode parecer paradoxal, mas creio
que a posição e perspectivas da nossa língua são hoje mais favoráveis do
que há várias décadas. Isto, devido a
duas ordens de factores: uns, ligados
à nossa pertença europeia, outros ligados ao espaço da lusofonia.O próprio alargamento da União Europeia
(UE) veio lançar mais luz sobre o debate referente às línguas europeias,
até porque aumentou o número de
interessados no tema. Passou-se de
um período em que, embora de forma não assumida, era tácita a ten-
■ Carlos
Gonçalves
Deputado (PSD)
Impression:
Corélio Print
Belgique
10.000 exemplaires
LusoJornal est un concept de
Aniki Communications.
O projecto de revisão constitucional que está a decorrer em
França prevê que os franceses
residentes no estrangeiro venham
a estar representados na Assembleia Nacional da mesma forma
que o são actualmente no Senado.
Quanto ao número de Deputados
estima-se que para os representantes dos franceses residentes
no estrangeiro possam vir a ser
criados entre 10 e 12 novos lugares de Deputados. Actualmente
residem no estrangeiro 1.326.087
Abonnement
❏ Oui, je veux recevoir chez moi,
✁
segundas gerações.
Actualmente estamos numa nova
fase. É reconhecido o papel das línguas maternas na formação do indivíduo e na construção da sua própria identidade, e nesse sentido é
recomendado o apoio por parte dos
países de acolhimento.Além disso o
conhecimento de uma língua de alcance mundial, como é o caso do
Português é um instrumento de
competitividade, numa Europa que
também por necessidade, acentuada com a actual crise, tem cada vez
mais que interligar-se aos novos
grandes espaços e, de entre eles, ao
Brasil e à África de expressão Portuguesa.
Assim todos – autoridades governativas, agentes políticos, sociedade
civil – saibamos rumar na mesma direcção, aproveitando a maré favorável que vem da União Europeia e
que esperamos ver confirmada na
reunião do Conselho de Ministros
que irá realizar-se em Novembro.
■
Participação e representação política dos cidadãos residentes no
estrangeiro: Portugal e França com duas concepções diferentes
Publicité:
APCLB, asbl
Tel : 0032 (0) 485 89 84 09
Les publicités sont de la responsabilité des annonceurs!
10 numéros de LusoJornal (20 euros).
Mon nom et adresse complète (j’écris bien lisible)
Nom
Prénom
Adresse:
Code
é o da valorização das diferentes línguas europeias.
É neste contexto que se desenham
novas oportunidades para a afirmação do Português na Europa.
Se tomarmos o exemplo do Português em França,é fácil verificar que,
a uma evolução sociológica – emigração destinada, nas primeiras décadas, principalmente à mão de
obra, à qual se seguem fluxos migratórios diversificados, para além das
alterações dos projectos de vida das
famílias, e que passaram a originar
as segundas gerações, em vez do regresso à terra de origem – correspondem necessidades diferentes
quanto à aprendizagem de línguas.
Se na primeira fase podiam os portugueses sobreviver em França praticamente só com o conhecimento
do Português; já uma evolução na
vida laboral – serviços, comércio,
trabalho em empresas, etc. – exigiu
uma suficiente, ou mesmo boa,
aprendizagem do Francês. Isso permitiu uma melhor integração e também melhores perspectivas para as
Crónica de opinião
Distribution:
Portugalnet Consulting
LusoJornal est gratuit
dência para privilegiar duas línguas
– a do país de residência e o Inglês
– para uma fase recente, em que se
reconhece, na UE, a importância do
domínio de três línguas. E com a intensificação dos fluxos migratórios,
que caracterizam o século da globalização também na Europa, é cada
vez mais evidenciada a vantagem da
ligação à língua materna.
Confirmando a nova atenção da UE
a esta esfera, central quanto à própria construção e coesão europeias,
algumas iniciativas marcantes se
têm registado ao longo de 2008.
Sublinho apenas a mais recente e de
maior dimensão e alcance, pois que
envolveu cerca de 700 participantes, entre autoridades europeias e
nacionais, agentes culturais, intelectuais e profissionais da esfera da comunicação: os Estados Gerais do
Multilinguismo, organizados no âmbito da Presidência francesa da UE
(realizados na Sorbonne, em Paris, a
26/09/2008). Devo dizer que tive
ocasião de constatar a vivacidade de
um autêntico combate cultural que
Ville
cidadãos franceses e, apesar de
muitos não estarem inscritos nos
cadernos eleitorais, a ‘tradição republicana francesa’ prevê que
para a criação ou repartição de
círculos eleitorais o que conta é
os efectivos de população e não o
número de inscritos.
Assim, passaremos a ter em
França representantes dos franceses no estrangeiro tanto no Senado como na Assembleia Nacional o que demonstra a atenção
que este país dá à sua diáspora
não hesitando em alterar a sua
Constituição no sentido de lhe
proporcionar uma maior intervenção nas decisões do seu país.
Esta decisão não é única na União
Europeia que tem visto vários
países como a Itália, República
Checa e outros consagrar ou aumentar direitos cívicos e eleito-
Rádio Voz de
Portugal
Ouça a rádio que fala de si.
Sábado,das 12h00 às 13h00,em
FM 101,9
Domingo, das 9h00 às 11h00,
em FM 87,7
Segunda, das 19h00 às 20h00,
em FM 101,9
Tel. :
Ma date de naissance:
J’envois ce coupon-réponse avec un chèque de 20 euros à l’ordre de
l’APCLB, à l’adresse suivante :
Association pour la promotion de la culture lusophone en
Belgique – APCLB, asbl
Rue du Champion, 5 - 1070 Anderlecht - Bruxelles
Rádio Alma
«Café Central» (101.9 FM)
As terças-feiras, das 17h00 às
18h00
rais aos seus cidadãos residentes
no estrangeiro.
A revisão constitucional francesa
deveria ser um bom exemplo para um país como Portugal que
dentro da União Europeia é um
dos países em que a emigração
em termos de efectivos de população ou de dependência económica são mais elevados. Convém
lembrar que são vários milhões
os portugueses residentes no estrangeiro e que a nossa economia, ao contrário do que se tenta
afirmar, ainda depende muito das
remessas, dos investimentos e do
turismo das nossas comunidades.
Infelizmente o que se passa em
Portugal é precisamente o contrário. Com efeito, o Grupo Parlamentar do Partido Socialista, cujo
o silêncio tem sido o principal
atributo do seu desempenho em
termos de Comunidades Portuguesas, apresentou um projecto-lei
que pretende que a votação para
as eleições para a Assembleia da
República venha a ser exercida
única e exclusivamente de forma
presencial sem que esta proposta
seja acompanhada de soluções alternativas para quem resida longe
dos Consulados onde virão a ser
instaladas as mesas de voto.
Ou seja, para o PS é líquido que um
português residente a centenas ou
milhares de quilómetros tem todas
as condições para poder exercer o
voto presencial. Interessante…
Esta proposta é uma clara demonstração de como o PS vê as nossas
comunidades, apresentando um
projecto que vai ter como principal consequência a forte diminuição da participação dos emigrantes portugueses na vida política
nacional.
Quando se compara esta proposta
do PS com a revisão Constitucional francesa somos confrontados com duas concepções bem
diferentes.
Uns receiam as comunidades porque não as controlam dado que vivem no estrangeiro e por isso cerceiam a sua acção e sua participação política. Os outros, neste caso
os franceses, entendem a importância da sua diáspora e, independentemente de ser claro que há
uma área política que vai ser beneficiada com esta alteração constitucional, a classe política francesa
não parece hesitar em alargar os
seus direitos e a sua representação.
■
Contagem de tempo de tropa
Os Deputados da Assembleia da República discutiram a Proposta de Lei
n.º 220/X apresentada pelo Governo, que Regula os efeitos jurídicos dos
períodos de prestação de serviço militar de Antigos Combatentes para
efeitos de atribuição dos benefícios previstos na Lei n.º 9/2002, de 11 de
Fevereiro e na Lei n.º21/2004, de 5 de Junho.
Estiveram no Parlamento,para apresentar a proposta,o Ministro da Defesa
Nuno Severiano Teixeira e o Secretário de Estado da Defesa João Mira Gomes. No debate, o Deputado Carlos Gonçalves realçou “a injustiça que
continua a ser feita em relação aos ex-combatentes emigrantes, que apesar de todas as promessas do actual Governo, continuam a ver goradas as
suas expectativas”.
A proposta de Lei foi aprovada e desce agora à Comissão para discussão
na especialidade.
Sociedade 3
LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008
Alegadamente raptadas pelo pai, moravam numa auto-caravana
Um cidadão belga que alegadamente
terá raptado as três filhas menores
em Janeiro deste ano, foi detido recentemente em Viseu.As crianças de
14,10 e 7 anos desapareceram em Janeiro deste ano da localidade de
Deurne, Antuérpia, tendo sido levadas para Portugal pelo pai Cornelius
Otto numa auto-caravana contra a
vontade da mãe de quem está separado.
Desde Janeiro que a Polícia belga e a
organização não governamental de
apoio a crianças desaparecidas ou sexualmente exploradas "Child Focus"
estão a averiguar o paradeiro das três
meninas.As autoridades acreditavam
que as crianças estavam em trânsito
pela Europa,acampando em parques
de campismo por tempo indeterminado e, segundo o IAC, poderiam estar em Portugal.
O homem e as três crianças viajavam
numa auto-caravana e como meio de
subsistência dedicava-se à mendicidade com as raparigas, tocando um
realejo em locais públicos.
O pai das meninas foi detido pela
PSP num bairro próximo do hospital
de Viseu, depois de um morador ter
dado o alerta para a polícia, por ter
estranhado a forma como estavam a
fazer um peditório.“Vi crianças e um
adulto de uma maneira muito estranha a fazerem um peditório, com
uma caixa de ressonância musical.
Quando as pessoas fazem peditório
vão para uma rua movimentada, mas
eles andavam por trás das casas”,
Lusa - Paulo Novais
Meninas belgas foram encontradas perto de Viseu
A mãe Marie-Louise, depois de ter recuperado as três filhas e antes de regressar à Bélgica
contou José Alcides, de 63 anos.
Cornelius Otto foi imediatamente
ouvido no Tribunal da Relação de
Coimbra.
Após a detenção do pai, as crianças
foram entregues a um lar de acolhimento da cidade,onde no dia seguinte a sua mãe, Marie-Louise, as reencontrou.
Marie-Louise chegou acompanhada
pelo Cônsul belga Axel Cumps, uma
funcionária do serviço consular, o
companheiro, o irmão e a cunhada.
O grupo entrou no lar e, depois do
encontro com as filhas, Marie-Louise
saiu junto com as elas para prestar
declarações aos jornalistas.“Sinto-me
tão feliz, tão aliviada. Toda a minha
vida está aqui agora, estamos todas
juntas”, afirmou. A progenitora contou que, nessa ocasião, chorou muito
de felicidade, porque esteve muito
tempo afastada das meninas.
“Cornelius Otto tem de dizer ‘leva as
crianças, vão’”, contou a mãe, mostrando-se indignada por precisar de
uma autorização do pai das meninas
quando ela já provou ter a sua guar-
da.A progenitora frisou não ser ela a
criminosa e lembrou que se deslocou a Viseu com o intuito de levar para a Bélgica as filhas que o pai tinha
raptado.“Estou zangada. Não é justo,
eu não sou a criminosa, é ele”, sublinhou, admitindo que “as pessoas estão a fazer o melhor, mas não o melhor para elas (as filhas)”.
Marie-Louise contou que as meninas
perguntam constantemente “mãe,
quando podemos sair, ir para casa” e
que se sentem impacientes por estarem fechadas num quarto.“Sentimo-
nos prisioneiras.Eu posso ir para fora
(do edifício da instituição), mas elas
não”, afirmou, explicando que pertencem a uma comunidade que vive
em caravanas e que, por isso, dentro
de um edifício se sentem sufocadas.
Questionada sobre o que espera venha a acontecer a Cornelius Otto,
disse não se importar:“eu quero é o
melhor para as crianças e o melhor é
ir para casa”.
Marie-Louise contou que a primeira
reacção das filhas foi dizerem que
sentiram muito a sua falta.A menina
mais velha, Godelieve, disse aos jornalistas estar “muito contente por ver
a mãe de novo”, depois de ter passado estes meses “em Portugal, em
vários sítios”.
“Senti muito a falta da minha mãe,
mas estava com o meu pai”, referiu,
acrescentando ter passado “dias normais”, sem “nada de especial” e lamentando ter faltado à escola, da
qual gosta muito.
Vários familiares das meninas, incluindo os avós maternos,tinham entretanto chegado a Viseu em duas auto-caravanas. O grupo tinha saído há
já vários dias da Bélgica com a intenção de afixar cartazes das meninas
em vários pontos de Portugal. Foi
com eles que Marie-Louise e as crianças - Godelieve, Gerda e Truke - regressaram à Bélgica.
■ Manuel
Martins com Lusa
4 Destaque
O Deputado Jorge Machado do
Partido Comunista Português
questionou o Ministério das Finanças e da Administração Pública sobre a assistência na doença dos Professores de português
no estrangeiro.
“São muitos os Professores que,
pelo facto de estarem a leccionar
no estrangeiro, vêem o acesso a
ADSE negado” escreve o deputado.“De acordo com informação
recebida, por atrasos e por burocracia do Ministério das Finanças
e da Administração Pública, há
centenas de professores que ficam vários meses sem os cartões
da ADSE, isto é sem qualquer sistema de assistência na saúde, não
obstante já descontarem para a
ADSE”.
Jorge Machado considera que esta situação “não é aceitável e não
é compreensível uma vez que se
trata de um problema recorrente”.
O Deputado interroga-se como é
que o Ministério explica os sucessivos atrasos na emissão dos
cartões da ADSE para estes Professores e que medidas vai tomar
para, de uma vez por todas, resolver este problema.
Governo quer
preservar arquivo
‘não oficial’ dos
Consulados
O Governo português “tem todo
o interesse e está fortemente empenhado na conservação de toda
a documentação que constitui a
memória ‘não oficial’ dos Consulados”. Esta foi a resposta dada
pelo Gabinete do Ministro dos
Negócios Estrangeiros Luis Amado, a uma pergunta feita pela
Deputada eleita pelo círculo eleitoral da emigração, Maria Carrilho.
Do Gabinete do Ministro, Maria
Carrilho obteve ainda a informação que “o uso de novas tecnologias tem permitido a digitalização e o arquivo em suporte informático de documentação diversa
que, de outro modo, não seria
possível”.
O Ministério garante que, sempre
que ocorra uma mudança de instalações, “existe da parte do Governo a preocupação de assegurar um espaço para arquivo.Aliás,
importa aqui fazer uma referência especial ao caso de Paris, onde as benfeitorias realizadas no
edifício permitiram não só um
atendimento mais célere e eficaz
aos utentes, como também uma
ocupação mais racional e eficiente de todos os espaços, assegurando-se excelentes condições
de conservação para todo o acervo documental”.
Não se apresentou às eleições e deixa definitivamente o Conselho
Carlos Pereira deixa a Presidência do CCP
O anterior Presidente do Conselho
das Comunidades Portuguesas,
Carlos Pereira terminou na semana
passada as suas funções tendo sido
substituído no posto pelo Conselheiro de Macau Fernando Gomes. Apresentou em Lisboa o relatório do seu mandato e respondeu
à entrevista do LusoJornal.
pio e gostei da participação dele no
Plenário. A motivação dele não
passou despercebida. Quanto ao
Conselheiro José Gonçalves, apenas conhecia de nome, mas também fiquei muito bem impressionado. Penso que a Bélgica ganhou
com esta questão das nomeações
de Conselheiros pelo Secretário de
Estado e passa a ter dois membros
no CCP.
LusoJornal: Porque não se candidatou ao CCP?
Carlos Pereira: Não me candidatei
porque dei 11 anos da minha vida
ao Conselho das Comunidades e
agora estimo que deva deixar o
lugar a outros elementos. Por outro
lado depois de ter sido Presidente
do órgão, o melhor é mesmo retirar-me.
LusoJornal: Se tivesse concorrido em Abril deste ano, teria
ganho as eleições?
Carlos Pereira: Penso pelo menos
que não teria sido muito difícil encontrar equipa para ser eleito. Pessoas de vários quadrantes tentaram
convencer-me a voltar a apresentar
candidatura. Mas nestas questões,
penso que é sempre melhor sair
por cima.
LusoJornal: Considera que fez
um bom mandato?
Carlos Pereira: Considero que fiz,
pelo menos, o melhor mandato
possível, num contexto desfavorável. Passaram três Secretários de
Estado e quatro Ministros durante
este mandato e por isso nem sempre houve estabilidade. Por outro
lado os Governos nem sempre ouviram as nossas recomendações e
por isso fizeram algumas asneiras.
Mas o mais importante é que o
nosso trabalho tenha sido feito.
LusoJornal: O Relatório que
apresentou em Lisboa não foi
aprovado por unanimidade...
Carlos Pereira: Foi como que se tivesse sido aprovado por unanimidade. Apenas um Conselheiro não
estava na sala e entrou só no
momento da votação. Deve ser por
isso que se absteve... Mas todos os
outros votaram de pé e com aplausos. Por isso estou contente porque
reconheceram o nosso trabalho.
LusoJornal: O Conselheiro que
se absteve foi Eduardo Dias, e
era membro do anterior Conselho Permanente...
Carlos Pereira: Não se pode agradar a todos...
LusoJornal
PCP preocupado
com assistência na
doença a Professores de português
no estrangeiro
LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008
Carlos Pereira deixou a Presidência do CCP
mentos mais importantes do
seu mandato?
Carlos Pereira: O trabalho à volta
do ensino do português no estrangeiro, os protestos argumentados
contra o encerramento dos Consulados e a nova Lei do CCP. Mas o
Conselho esteve em muitas mais
frentes, como por exemplo a contagem do tempo de tropa para efeitos de reforma e o apoio à vida
associativa.
Por isso, considero que os Ministros deviam encontrar-se connosco
pelo menos uma vez por ano. Teresa Gouveia não quis saber de
nós, Freitas do Amaral reuniu-se
connosco um dia antes de se demitir e Luis Amado só reuniu uma vez
connosco e nunca mais acedeu ter
reuniões com o CCP. Apenas o
Ministro António Monteiro se reuniu connosco alguns dias depois
de ter tomado posse.
LusoJornal: Durante a apresentação do relatório queixou-se de
não ser ouvido pelo Governo...
Carlos Pereira: Pelos Governos,
sim. Sei que o CCP é um órgão de
consulta, mas, modéstia à parte,
tivemos intervenções muito interessantes, que podiam ter sido seguidas pelos Governos. Mas também é
verdade que houve coisas positivas... Nós é que estamos sempre
descontentes e queremos sempre
mais. Também foi para isso que
fomos eleitos.
LusoJornal: Acha que o novo
Presidente do CCP vai ser um
bom Presidente?
Carlos Pereira: Não o conhecia antes da semana passada e por isso
não sei. Mas um bom Presidente é
aquele que sabe ouvir os restantes
Conselheiros e quando toma posições em público, elas são o mais
concensuais possíveis no Conselho
Permanente.
LusoJornal: No seu Relatório
disse que não se encontrou com
a Ministra Teresa Gouveia. Isso é
grave?
Carlos Pereira: O Conselho das Comunidades é tutelado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros.
LusoJornal: Foi o seu caso?
Carlos Pereira: Sempre tentei que
assim fosse. Por isso ouvia mais do
que falava.
LusoJornal: E os novos Conselheiros da Bélgica, tiveram boa
participação no Plenário?
Carlos Pereira: Claro que sim. Já conhecia há alguns anos o Pedro Ru-
Carlos Pereira: 11 anos no CCP
Carlos Pereira foi eleito pela primeira vez para o Conselho das
Comunidades Portuguesas, em 1997. Em 2003 foi novamente reeleito
e assumiu então as funções de Vice-Presidente do Conselho
Permanente. Em 2005 foi eleito Presidente mundial do órgão até à passagem de poderem que decorreu em Lisboa, na semana passada.
LusoJornal: Quais foram os mo-
LusoJornal: Teve boas relações
com o Secretário de Estado das
Comunidades?
Carlos Pereira: Considero que as
boas relações são as relações francas, frontais e abertas. Nunca tentei
fazer jogos de bastidores e sempre
falei com frontalidade aos Secretários de Estado José Cesário, Carlos Gonçalves e António Braga.
Eles também foram frontais comigo
e eu gosto disso.
LusoJornal: Acha que António
Braga é um bom Secretário de
Estado?
Carlos Pereira: Isso só os Portugueses o vão dizer nas próximas eleições. Eu considero que ele não conhecia a emigração e que está muito mal enquadrado, por pessoas
que, apesar de simpáticas não têm
competência nesta matéria.
LusoJornal: Depois de ter sido
Presidente do Conselho das Comunidades, vai candidatar-se às
próximas eleições legislativas?
Carlos Pereira: Não (risos). Para se
ser candidato, é necessário ser militante num partido político, o que
não é o meu caso. Por isso vou
dedicar mais tempo à minha vida
pessoal e à minha vida profissional,
que foram bastante afectadas pela
minha implicação no CCP.
LusoJornal: Porque não milita
em nenhum partido?
Carlos Pereira: Respeito muito as
pessoas que militam nos Partidos
políticos, mas acontece que eu
encontrei no Conselho das Comunidades uma forma de fazer política sem ter de estar ligado a nenhum Partido. Neste mundo de hoje,
estar num Partido é estar em oposição aos outros Partidos. Ora, eu
constato que todos os Partidos têm
ideias boas e todos têm ideias más.
.
■ Entrevista amavelmente
realizada por Rogério Azevedo
António Braga pede maior participação política
dos Portugueses no estrangeiro
O Secretário de Estado das Comunidades apelou na semana passada para uma maior mobilização para o
recenseamento e participação política dos portugueses residentes no
estrangeiro, admitindo que este é
“um problema”que o Governo tenta
resolver. “Temos este problema: a
mobilização para o recenseamento
e a participação eleitoral”, disse An-
tónio Braga na sessão de abertura do
Plenário do Conselho das Comunidades Portugueses (CCP).
De acordo com António Braga, dos
5,5 milhões de portugueses e lusodescendentes no estrangeiro, apenas 200 mil estão recenseados e só
80 mil é que votam.“Há que incentivar a participação ao voto e aumentar o número de votantes”, apelou o
Secretário de Estado.
Na sua intervenção, António Braga
falou ainda da alteração à Lei Eleitoral para a Assembleia da República,
que acaba com o voto por correspondência, para garantir que “as mesas de votos serão criadas onde fazem falta”.
“O número de mesas de voto será
realizado em função das necessida-
des”, assegurou António Braga, que
defendeu que o voto presencial vai
“reforçar” a participação dos portugueses no estrangeiro.
Relativamente ao CCP, disse acreditar que o novo Conselho será mais
dinâmico e mais participativo. “O
CCP tem agora uma organização
mais dinâmica e mais desenvolvida
através das Comissões temáticas”.
Destaque 5
LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008
Pedro Rupio é Vice-Presidente da Comissão Associativismo e Comunicação Social
O Conselheiro de Macau Fernando
Gomes foi eleito na semana passada
Presidente do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas,
em substituição de Carlos Pereira,de
França, de ocupava estas funções
desde 2005. António Fonseca (França) foi escolhido para vice-Presidente e Alcides Martins (Brasil) para
Secretário.
A eleição dos dirigentes do Conselho Permanente, órgão que tutela o
Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), realizou-se ao fim da
tarde do segundo dia de plenário do
novo CCP, que decorreu no Centro
Cultural de Belém, em Lisboa.
A escolha do Presidente do CCP
ocorreu quase 24 horas depois da
eleição do Conselho Permanente,na
qual venceu a Lista B (António Fonseca, de França, Fernando Gomes,
Macau, Alcides Martins, Brasil,
Clementina Santos, Canadá, e Teresa
Heimans, Holanda), com 31 votos.A
Lista A (José João Morais, Estados
Unidos, José Alves, Brasil, Eduardo
Dias, Luxemburgo, Ana Pereira,
Austrália, e Maria Fernandes, África
do Sul) obteve 29 votos. Foram também contados quatro votos nulos.
Integram também o Conselho Permanente os Presidentes das Comissões Temáticas eleitos quarta-feira:
Paulo Marques, França (Comissão da
Participação Cívica e Política), Silvério Soares da Silva, África do Sul
(Assuntos Económicos), Amadeu
Batel, Suécia (Língua, Educação e
Cultura),Luís Jorge,Venezuela (Associativismo e Comunicação Social),
José Pereira Coutinho, Macau (Assuntos Consulares e Apoio aos
Cidadãos) e Manuel Beja, Suíça (Assuntos Sociais e Fluxos Migratórios).
Segundo a agência Lusa, a eleição
realizou-se no meio de grande polémica, com ameaças de impugnação
por parte do Conselheiro Eduardo
Dias,do Luxemburgo,que perdeu as
LusoJornal
Conselheiro de Macau é o novo Presidente do CCP
Os 11 membros do Conselho Permanente do CCP
eleições. Durante a eleição, denúncias de irregularidades da única lista
que se apresentou candidata ao
CPCP - a lista A - fizeram com que o
Presidente da mesa do plenário
optasse por suspender o acto eleitoral por meia hora,para que novas listas se apresentassem.
“Foram três dias de árduo trabalho
mas extremamente enriquecedores
e produtivos” disse Pedro Rupio ao
LusoJornal.“Tenho a convicção que
o novo Presidente desempenherá
muito bem as suas funções, confio
nas suas competências e já lhe trans-
miti a minha vontade de o apoiar e
colaborar em tudo o que for necessário”.
Pedro Rupio integra a Comissão do
Associativismo e Comunicação Social e foi eleito vice-Presidente desta
Comissão. “Estes temas são de primeira importância para as Comunidades e a Comissão já planeou
uma base de trabalho para os próximos meses. Julgo que conseguiremos sensibilizar o Governo se emitirmos propostas claras e realistas. É
nesse sentido que iremos trabalhar”
disse ao LusoJornal.
O novo Conselho Permanente do CCP
Fernando Gomes (Macau), Presidente
António Fonseca (França),Vice-Presidente
Alcides Martins (Brasil), Secretário
Clementina Santos (Canadá)
Teresa Heimans (Holanda)
Paulo Marques (França), Comissão da Participação Cívica e Política
Silvério Soares da Silva (África do Sul),Comissão dos Assuntos Económicos
Amadeu Batel (Suécia), Comissão da Língua, Educação e Cultura
Luís Jorge (Venezuela), Comissão Associativismo e Comunicação Social
José Pereira Coutinho (Macau), Comissão Assuntos Consulares
Manuel Beja (Suíça), Comissão dos Assuntos Sociais e Fluxos Migratórios.
A Bélgica tinha apenas um Conselheiro, mas o Conselho das
Comunidades Madeirenses acabou
por escolher José António Gonçalves.“Tive a possibilidade de conhecer melhor o Conselheiro José António Gonçalves que faz parte da
Comissão dos Assuntos Económicos
e fiquei satisfeito por ter recebido
ecos positivos dos meus colegas que
me manifestaram um grande contentamento em relação à produtividade do Sr. Gonçalves nas reuniões
que ocorreram” diz Pedro Rupio.
“Julgo que poderia ser interessante
juntar forças para desenvolver projectos em conjunto na Bélgica,
vamos proximamente abordar essa
possiblidade”.
No mês passado, Pedro Rupio enviou uma carta às associações para
convidá-las a reflectir sobre uma
hipotética criação de Federação de
Associações Portuguesas na Bélgica.
Segundo o Conselheiro, o passo a
seguir será a marcação de uma primeira reunião geral para debater a
questão.
“2009 será ano de eleições paras as
comunidades portuguesas que
poderão votar para as europeias e as
legislativas. Vou pôr em prática
vários instrumentos de modo a promover a participação cívica na Bélgica e julgo que a organização duma
conferência poderia ser um bom
ponto de partida. Espero que a
comunidade portuguesa da Bélgica
continue a ser um exemplo em
comparação com as outras comunidades, pois temos sempre das melhores taxas de participação do
mundo. Porém, a média de 600/700
votantes é ainda muito reduzida e
teremos que trabalhar estrategicamente este ponto para regozijar-nos
dum balanço amplamente satisfatório no final do próximo ano”.
■
Em representação do Conselho das Comunidades Madeirenses
A Bélgica passou a ter dois elementos no Conselho das Comunidades
Portuguesas com a nomeação de
José António Gonçalves em representação do Conselho das Comunidades Madeirenses.
Com a alteração da Lei do CCP, para
além dos 63 Conselheiros eleitos, 8
foram nomeados pelo Secretário de
Estado das Comunidades Portugueses, entre os Luso-eleitos e os dirigentes associativos. Um foi designado pelo Conselho das Comunidades Madeirenses e outro será
designado mais tarde pelo Conselho
das Comunidades Açoreanas.
José António Gonçalves é madeirense, claro, e veio para a Bélgica em
1982 por “transferência profissional”. Começou por trabalhar na
Região de Turismo da Madeira mas
depois optou por uma carreira no
sector privado. Foi uma multinacional no ramo do turismo que o
trouxe para Bruxelas onde acabou
por fixar residência e formar família,
casando com uma cidadã belga.
“Durante alguns anos, praticamente
vivia em Bruxelas mas corria a
Europa, cheguei a ter escritório em
Amesterdão, em Paris e depois em
DR
José António Gonçalves também integra o CCP
Conselheiro José António Gonçalves
Madrid” segundo os postos que foi
ocupando na empresa.
Na Bélgica foi elemento fundador da
Associação dos Empresários Portugueses e também foi administrador
da Câmara de Comércio Luso-Belga,
até que um dia o seu nome foi citado pelo Embaixador de Portugal
para integrar o Congresso das Comunidades Madeirenses. “O Congresso reúne-se todos os quatro
anos e junta dirigentes associativos e
madeirenses de destaque nos diferentes países”.
José Augusto Gonçalves foi logo
eleito para o Conselho Permanente
daquele órgão em representação
dos Madeirenses radicados na Europa, excepto no Reino Unido, que
pelo número importante de Madeirenses que aí residem, tem um
elemento no Conselho Permanente.
“Desde 1984 que sempre tive a
honra de ser escolhido como Portavoz do Congresso” diz ao LusoJornal.
Desta vez, os membros do Conselho
Permanente do Conselho das
Comunidades Madeirenses elegeram-no para representar o órgão no
CCP. “Cheguei aqui como Madeirense mas tive um acolhimento
excepcional por parte de todos os
Conselheiros. O ambiente motivoume para continuar e estou muito
contente” disse ao LusoJornal.
“A Bélgica pode estar descansada
porque tem um Conselheiro dinâmico e motivado na pessoa do Pedro Rupio” diz José António Gonçalves.“Tudo o que o Pedro necessitar, terá o meu apoio, porque eu
acredito muito na juventude”.
O Conselheiro também destacou o
trabalho já realizado anteriormente
pelo CCP.“Recebi um relatório antes
da reunião, exaustivo, e que me deu
as informações de que necessitava
para a minha entrada neste Conselho”. José António Gonçalves integra a Comissão dos Assuntos Económicos no CCP.
■
Relatório do Conselho Permanente
cessante
O Relatório do Conselho Permanente cessante foi aprovado por larga maioria na semana passada em
Lisboa, tendo tido apenas uma abstenção.
O relatório final de actividades do
CCP, apresentado durante o primeiro dia de trabalhos do Plenário
que inicia um novo mandato daquele órgão de consulta do Governo sobre emigração, aponta falhas
aos sucessivos Secretários de Estado na preparação das reuniões de
trabalho. “Durante o nosso mandato, tivemos três Secretários de Estado das Comunidades Portuguesas
como interlocutor directo: José Cesário, Carlos Gonçalves (PSD) e António Braga (PS). (...) Estávamos à
espera que, para cada uma das reuniões do CCP com o Secretário de
Estado, o governante preparasse
uma lista de assuntos a debater.Tal
nunca aconteceu”, lê-se no documento apresentado por Carlos Pereira, Presidente cessante do CCP.
O Conselho Permanente lamenta
ainda não ter sido consultado com
mais frequência e acusa o actual
executivo de ter deixado cair as
promessas de organização de um
congresso de dirigentes associativos e de um fórum de luso-eleitos
para escolher os 10 membros designados que passaram a incluir a
estrutura do CCP.
O documento aponta ainda dificuldades de relacionamento do CCP
com os gabinetes do Primeiro-Ministro e do Ministro dos Negócios
Estrangeiros e destaca a relação
"permanente" e o debate "franco e
aberto" com a Presidência da República.
Relativamente aos orçamentos do
CCP, o relatório sustenta que os
governos nunca atribuíram os subsídios suficientes ao bom funcionamento do Conselho, mas não deixa
de notar que também o CCP nunca
gastou todas as verbas que estavam
ao seu dispor.
O Relatório, de 74 páginas, passa
ainda em revista o trabalho dos 96
Conselheiros ao longo de cinco
anos destacando a aprovação do
manifesto "Uma política Global para as comunidades portuguesas",
que serviu de base a todo o trabalho do CCP.
Os Conselheiros chamam a si os
louros de terem conseguido travar
o encerramento de vários postos
consulares previsto no projecto de
reestruturação consular do então
governo do PSD, mas lamentam
terem sido confrontados pelo actual executivo do PS com uma proposta "pronta" de reformulação da
rede de Consulados.
O Relatório dá conta ainda da "estranheza" dos Conselheiros por não
terem sido chamados a pronunciarse sobre o fim do voto por correspondência dos emigrantes, aprovado em Setembro, no Parlamento,
por proposta socialista.
O associativismo, o ensino do português no estrangeiro, a contagem
do tempo de tropa para efeitos de
reforma e a diplomacia económica
foram outras questões que ocuparam os 96 Conselheiros ao longo do
mandato que agora termina.
6 Política
1
Terra,Terra,Terra
Estão-te tratando tão mal
Como se fosses uma fera
Um terrível animal
2
Mas eu não me vou esquecer
Que foste tu que me viste nascer
E também crescer
Até me deste de comer
E de beber
Depois viste-me viver
Para tanto sofrer
E serás tu que me hás-de ver morrer
3
Vais estando muito doente
Fazem de ti um saco de lixo
Ninguém te vai tendo respeito
Tratando-te como se fosses um mau
bicho
4
Não te querem respeitar
Algo de mau lhes vai acontecer
Irão ter que te pagar
Um dia vão-se arrepender
5
Já te estás a revoltar
Pelo mal que te têm feito
Há já quem esteja a pagar
Por não te terem respeito
6
A uns dás-lhe água demais
A outros de menos
Não seremos todos iguais
Neste mundo em que vivemos?
7
Planeta de enorme riqueza
A onde há tanta divisão
A maior parte está na pobreza
Não têm água nem pão
É uma grande tristeza
Mas faltar às crianças e idosos
Isso NÃO NÃO NÃO!!!!
■
Álvaro Hortas
Senhor empresário
tenha confiança
no LusoJornal
0485 89 84 09
www.lusojornal.com
Projecto do PSD teve votos contra do PS e abstenção dos outros Partidos
Parlamento: Projecto de apoio à Comunicação social portuguesa no estrangeiro foi chumbado
O projecto de lei do PSD de apoio
aos meios de comunicação social no
estrangeiro foi chumbado na semana passada, no Parlamento, com os
votos contra do PS e a abstenção das
restantes bancadas parlamentares.
Na sessão plenária, o Deputado do
PSD por Fora da Europa José Cesário
defendeu medidas de incentivo aos
meios de comunicação social portugueses no estrangeiro para contrariar algumas decisões do Governo
como o fim do porte pago e a criação de um portal de imprensa para
as comunidades.
“Há dois anos que o Governo decidiu liquidar o porte pago. Foi uma
das suas primeiras grandes machadadas na sua relação com as comunidades portuguesas. O portal nunca
existiu”, afirmou o Deputado.
Nesse sentido, José Cesário defendeu que se desenvolvessem incentivos para fomentar o lançamento de
novos títulos, promover o associativismo entre órgãos de comunicação
social e dinamizar o intercâmbio entre os órgãos da diáspora e os que
existem em Portugal, entre outros.
Do lado do PS, a Deputada socialista
por Fora da Europa, Maria Carrilho,
questionou porque é que o PSD
nunca tomou essas medidas quando
esteve no Governo. Garantindo que
o porte pago existe, a Deputada afirmou que o projecto de lei do PSD
tem limitações, nomeadamente nos
critérios definidos para o controlo e
avaliação dos projectos a serem
apoiados.
Jorge Machado, do PCP, responsabilizou o PSD pelas "más políticas" de
emigração que disse terem sido produzidas ao longo dos anos, em que
LusoJornal
Momento de poesia
O Planeta Terra
LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008
Deputado José Cesário, autor do projecto chumbado
as "comunidades foram colocadas
para segundo plano".
"Na questão do fim do porte pago,
convém lembrar que quem iniciou
o processo foi o PSD", sublinhou.
Apesar de considerar que o projecto
está "mal elaborado, é vago, e não
tem em conta a realidade da comunicação social portuguesa no estrangeiro", o Deputado defendeu que "é
preciso apoiar essa comunicação
social", pelo que o PCP decidiu abster-se.
Por seu lado, o Deputado Hélder
Amaral, do CDS-PP, centrou a sua
intervenção na importância da comunicação social portuguesa no estrangeiro para a promoção da língua
e cultura portuguesas. Hélder Amaral defendeu ainda que o PSD pode-
Em que consistia o projecto do PSD
“Muito concretamente, trata-se de desenvolver a política que iniciámos
aquando da nossa passagem pelo Governo entre 2002 e 2004 e que o
actual Governo tristemente interrompeu” diz José Cesário.
“O que está em causa é sermos capazes de realizar acções que de uma
forma estruturada atinjam objectivos como: Fomentar o lançamento de
novos títulos e projectos jornalísticos;Apoiar a evolução qualitativa dos
órgãos já existentes; Incentivar o associativismo entre tais órgãos de
comunicação social; Promover a formação e a contratação de jornalistas portugueses; Dinamizar o intercâmbio entre órgãos da Diáspora e
os que existem em Portugal.
ria ter "ido mais longe" no projecto
de lei porque todas as soluções apresentadas passam por "atirar mais dinheiro" para os órgãos de comunicação social portugueses no estrangeiro.
A Deputada Helena Pinto, do Bloco
de Esquerda (BE), afirmou que a intenção do PSD "é boa", mas "não é
inteiramente clara".
"A promoção da língua e cultura
portuguesas no estrangeiro deve ser
uma das componentes da política
externa portuguesa", defendeu a
Deputada, acrescentando que o projecto do PSD "precisa de ser muito
trabalhado".
Numa intervenção que atacou frontalmente o Governo socialista, José
Cesário disse que “em suma, não
existe qualquer esboço de uma política de comunicação social dirigida
quer às nossas Comunidades, quer a
outros públicos externos que se
interessam por Portugal”.
O Deputado do PSD quer “dar sinais
concretos de incentivo a todos
aqueles que, abnegadamente e muitas vezes sem qualquer interesse
pessoal, têm sido capazes de espalhar pelo Mundo a nossa Língua e a
nossa Cultura através de largas dezenas de canais e programas de rádio e
televisão e jornais com enorme visibilidade pública”.
José Cesário terminou a sua intervenção apelando os Deputados
socialistas. “Só esperamos que uma
vez mais o PS não meta a cabeça na
areia e seja capaz de abandonar a
sua postura petulante, ostracizante e
até persecutória relativamente aos
Portugueses que vivem e labutam
fora de Portugal”.
Contra o voto por correspondência
José Lello defende o voto presencial
Realizou-se no passado dia 19 de
Setembro, na Assembleia da
República, a discussão do Projecto
de Lei nº562/X sobre a introdução
do voto presencial no estrangeiro
para as eleições legislativas, para
substituir o voto por correspondência.A proposta foi apresentada pelo
ex-Secretário de Estado das
Comunidades, José Lello mas curiosamente não foi assinada pela única
Deputada socialista eleita para a
Assembleia da república.
“Chegou o momento de dar coerência ao exercício do voto no exterior,
optando por um método fiável, em
que são assegurados os requisitos
constitucionais da pessoalidade e
sigilo do exercício do direito de
sufrágio. Presencialidade já assegurada, aliás, nas eleições para o
Presidente da República, para o
Parlamento Europeu e para o
Conselho
das
Comunidades
Portuguesas”
explicou
no
Parlamento José Lello. “É que, ao
voto por correspondência, são-lhe
apontadas muitas imperfeições e,
indiscutivelmente, o facto de poder
ser potencialmente permeável à
fraude”.
Na sua intervenção no Parlamento,
o Deputado socialista disse que
“propomos esta substituição do
voto por correspondência pelo voto
presencial porque é fundamental
dignificar a real participação dos
portugueses nos actos eleitorais no
estrangeiro.Acresce que a uniformização dos processos eleitorais trará
a vantagem de proporcionar uma
mais clara percepção da participação eleitoral”.
“Por outro lado, parece-nos lógico
que, se o voto para o Presidente da
República, para o Parlamento
Europeu e para o Conselho das
Comunidades é presencial, por que
razão deveríamos manter o voto por
correspondência nas legislativas,
quando todos lhe reconhecem falhas, mesmo aqueles que o defendem?”
José Lello diz que “argumenta-se
com motivos de comodidade e
maior abrangência do universo de
eleitores, mas perante a necessidade
de privilegiar a verdade democrática, tais argumentos revelam-se
insuficientes e meramente instrumentais.Privilegiamos,assim,um sistema de votação mais transparente e
democrático, o mesmo que já permitiu a eleição dum presidente
apoiado à esquerda e a de outro que
recebeu o apoio eleitoral dos partidos à direita do espectro parlamentar”.
E explica “alguns factos bem estranhos falam por si. Nas últimas eleições legislativas, a imprensa deu
conta do desaparecimento inexplicável de várias centenas de boletins
de voto destinados à emigração;
perto de uma centena de votos
oriundos do Brasil foram enviados
para... Espanha, tendo acabado
depois por chegar ao STAPE já fora
do tempo útil para serem contabilizados. Por outro lado, no último
escrutínio,a disparidade de critérios
para a validação dos votos gerou
resultados diferentes, tendo por
base situações idênticas”.
“Que valor pode ter um sistema de
voto que nas últimas eleições legislativas gerou 8,4 por cento de votos
nulos na Europa e 8,1 por cento no
círculo Fora da Europa, o equivalente a 3.043 votos num universo de
37.700 votos,mais do que suficiente
para modificar o resultado duma
eleição. Em contrapartida, é importante sublinhar que a percentagem
de votos nulos na eleição presencial
para o Presidente da República em
2006 foi nos dois círculos de apenas
de 0,49 por cento, o equivalente a
meros 92 votos”.
“Mas há outros aspectos de natureza
processual que convém chamar à
colação. A começar pelo facto da
votação nas comunidades se iniciar
bem antes do arranque da campanha oficial, ao arrepio, portanto
duma escolha informada e
consciente. Assim, assiste-se ao
contra-senso de, quando a campanha está a começar em Portugal,
já praticamente ter terminado a
votação nas Comunidades!”
Por outro lado, quanto ao voto electrónico, José Lello disse que “o relatório da Comissão Nacional de
Protecção de Dados, elaborado após
a experiência feita nas últimas eleições legislativas, é bem elucidativo
quanto à permeabilidade dos sistemas informáticos a intrusões abusivas e às imensas dificuldades que
um tal sistema apresenta para garantir a fiabilidade de um acto eleitoral.
Países como a Grã-Bretanha,Bélgica,
França e Irlanda abandonaram a
intenção de introduzirem os processos de votação electrónica devido à
fragilidade dos sistemas informáticos, em que inclusivamente é possível alterar o resultado das votações
sem que ninguém se aperceba. O
voto electrónico pode até vir a ser
uma possibilidade no futuro, mas
não para já”.
■ Manuel
Martins
8 Empresas
Representantes das 120 mil
empresas portuguesas da diáspora reúnem-se em Novembro,
em Lisboa, no I Fórum Mundial
dos Empresários Portugueses,
disse à Agência Lusa o Secretário
de Estado das Comunidades.
António Braga acrescentou que a
iniciativa resulta de uma parceria
do Ministério dos Negócios Estrangeiros com a Confederação
Mundial das Câmaras de Comércio Portuguesas. “Este I Fórum
Mundial dos Empresários Portugueses pretende potenciar as
capacidades verificadas no conjunto de empresas, que são propriedade de portugueses que vivem fora de Portugal, e também a
ambição de Portugal em internacionalizar as suas empresas e a
sua economia”, disse.
O objectivo é encontrar “formas
de cooperação e de parcerias entre as empresas tituladas por portugueses que vivem no estrangeiro e empresas portuguesas sediadas em Portugal”, enumerou.
A iniciativa vai decorrer a 28, 29
e 30 de Novembro.
António Braga destacou que, a
par da realização do Fórum, o
Governo vai apresentar um programa de incentivo à internacionalização dos empresários portugueses. “Este programa, a que
chamamos NetInvest, permitirá
criar uma rede de informações e
conhecimentos, também em parceria com a Confederação, não só
para a oportunidade de negócios
como para a troca de informações e oportunidades de investimento também em Portugal”,
salientou.
Este programa recorrerá a capitais de risco e a outros incentivos, "no sentido dessas parcerias
poderem vir a estabelecer uma
cooperação estratégica entre as
diferentes empresas, dando por
essa via um curso à internacionalização das empresas portuguesas", precisou.
António Braga adiantou que "um
trabalho entretanto realizado no
Ministério dos Negócios Estrangeiros permitiu identificar mais
de 120 mil empresas no mundo
inteiro, tituladas por portugueses. Destas, 20 mil são consideradas grandes empresas, em todas
as áreas e em todos os domínios
de negócios".
Na presença do novo Embaixador de Portugal
Empresários portugueses reunidos no Horeca Life
Presidência da Associação dos
Empresários Portugueses na Bélgica
reuniu com alguns dos principais
órgãos oficiais portugueses na Bélgica.
No passado dia 7 de Outubro a
Presidência da AEPB reuniu com
alguns representantes oficiais no
salão de Exposições Horeca Life,
num encontro promovido pelo Presidente da Federação Horeca Bruxelas Ivan Roque.
Sentados na mesma mesa estiveram
o Embaixador de Portugal Vasco Bramão Ramos e Duarte Alves representante da Embaixada de Portugal, Rui
Cunha Presidente da Câmara de
Comércio Luso-Belga, Patrícia Tavares, Representante da AICEP, Paulo
Carvalho e Pedro de Miranda, respectivamente Presidente e VicePresidente da AEPB, António Tomé
da empresa Delta Cafés. Estiveram
ainda presentes algumas figuras
públicas belgas ligadas à área política.
Entre outros, um dos objectivos
deste encontro era o de dar a conhecer ao novo Embaixador de Portugal, os representantes das respectivas instituições e ao mesmo tempo
avançar com algumas ideias para
que este grupo possa trabalhar de
uma forma mais próxima e eficaz.
Paulo Carvalho, Presidente da AEPB
afirma ao LusoJornal que este
Portugalnet
Governo vai organizar o I Fórum
Mundial de empresários das
Comunidades
LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008
Aspecto do jantar na Horeca Life
encontro já estava no programa
apresentado pela sua lista, na campanha eleitoral para a Presidência da
associação, no passado mês de Abril.
Ao ser convidado pelo Presidente da
Horeca a estar presente no evento
Horeca Life, estimou oportuno
salientar a importância da presença
dos outros convidados. Era de facto
um local estratégico para se dar início a este projecto lançado na campanha. “Uma iniciativa com esta
dimensão é um ponto de partida
crucial para o avanço de grandes
negócios para a comunidade empresarial”.
“No ano passado Portugal teve uma
forte representação neste salão”
disse Paulo Carvalho. “Fiquei com
pena que este ano, o mesmo não
tenha sucedido por motivos de
ordem burocrática. Mas estou
convencido que para o ano voltaremos a estar presentes, tendo mais
tempo para se poder organizar uma
participação com a dimensão que
este tipo de evento exige”.
O Horeca Life está em ascensão de
ano para ano, tendo cada vez um
nível de exigência de qualidade
superior. É por sinal a grande aposta
da organização do mesmo. Se as
bases não forem sólidas será muito
difícil estar presente e à altura do
evento.
Ivan Roque salientou a importância
da presença da comunidade portuguesa, começando pelo dever cívico
de voto.“Penso que é muito importante termos uma participação
activa na vida política da Bélgica.
Estamos a trabalhar num projecto
que visa a possibilidade dos portugueses adquirirem dupla nacionalidade e assim puderem participar em
todas as eleições na Bélgica. Não é
uma certeza mas possivelmente iremos lá chegar” disse.
Um intercâmbio de tradições, ideias
e projectos entre os dois países seria
muito de salutar.Será uma ideia a ser
desenvolvida proveitosa para ambos.
No próximo mês de Novembro a
Federação Horeca de Bruxelas irá a
Portugal com aproximadamente 70
pessoas do ramo hoteleiro, com o
objectivo de mostrar o que de melhor se faz em Portugal na área da
gastronomia. “Porque não Portugal
fazer o mesmo? Levamos essa ideia a
propor em mente” diz Yvan Roque.
■
Colóquio organizado pelo Instituto Camões
Literaturas e culturas em diálogo em Antuérpia
O Departamento de Português do
HIVT e o Centro de Língua Portuguesa do Instituto Camões organizam um Colóquio sobre “Literaturas e culturas em diálogo”,
entre os dias 23 e 25 de Outubro.
Este Colóquio, organizado em
colaboração com a Embaixada de
Portugal na Bélgica e o PEN Clube Português, pretende “apresentar as literaturas contemporâneas
belga e portuguesa em confronto,
num espaço de debate em domínios que nos podem aproximar”.
Como é que a língua que a literatura cria pode estruturar a identidade de um país? Em que medida
é que a literatura representa essa
identidade? Qual o papel das culturas e das literaturas dominantes
na constelação da literatura e da
cultura internacionais, no que respeita à relação com as literaturas
e as culturas periféricas? O que
significa escrever no interior de
um país ou para fora dele? Estas
são algumas das questões que os
organizadores irão colocar neste
debate, de modo a também melhor entendermos o nosso lugar
no interior da cultura europeia.
Vários escritores e ensaístas belgas e portugueses foram convidados.
Arne Sierens é um artista e escritor multifacetado, conhecido
também como libretista e encenador, cultiva na sua obra uma língua e um estilo muito pessoais.
Foi traduzido para português,
tendo quatro das suas peças sido
representadas e acolhidas com
muito entusiasmo em Portugal.
Benno Barnard nasceu nos Paí-
ses Baixos, mas vive na Flandres.
Poeta, tradutor, dramaturgo e ensaísta manifesta-se sobretudo como crítico subtil da cultura flamenga.Tem ganho vários prémios
literários ao longo da sua carreira.
Caroline Lamarche é poeta e
novelista, romancista e dramaturga a viver em Liège. Aborda na
sua obra temas nem sempre fáceis do quotidiano como a transgressão, o desejo, a morte e a
memória. Consagrada com vários
prémios literários, é editada pela
Gallimard.
Hélia Correia é romancista, mas
também poetisa e dramaturga.
Revelada nos anos 80, tem recebido desde então o acolhimento
do público e da crítica, a ponto
de ser reconhecida como uma
das vozes mais importantes da
escrita feminina na literatura portuguesa.
Hilde Keteleer é poetisa e tradutora de alemão e de francês. Editora durante dez anos do jornal
literário flamengo Deus Ex Machina, é neste momento uma das
responsáveis pelo PEN clube flamengo.
Isabel da Nóbrega começou a
escrever nos anos 50, sendo sobretudo conhecida pelas suas
crónicas regulares na imprensa
portuguesa. A sua obra tem feito
dela uma voz atenta à realidade
portuguesa contemporânea, nomeadamente no que se refere à
condição da mulher.
Jaime Rocha foi jornalista durante muitos anos, escritor de ficção
e dramaturgo. As suas peças, com
as quais obteve vários prémios,
foram representadas em Portugal
e no estrangeiro, nomeadamente
nos Países Baixos.
Miriam van Hee é especialista
em línguas eslavas, traduziu entre
outros poesia de Anna Achmatova, Osip Mandelstam e Josif
Brodski. Esta poetisa, premiada regularmente, ganhou por duas
vezes o Prémio Herman De Coninck.
Rui Mário Gonçalves é professor jubilado da Faculdade de
Letras de Lisboa é considerado
um dos mais importantes críticos
de arte em Portugal. Tem publicado numerosos trabalhos no
âmbito da História de Arte e é
também membro de vários associações de críticos de arte.
Teolinda Gersão foi catedrática
na área dos Estudos Alemães na
Universidade Nova de Lisboa. Começou a escrever nos anos 80
tendo publicado desde aí vários
romances e volumes de contos,
alguns dos quais traduzidos para
francês, inglês e alemão. Ganhou
vários prémios literários em
Portugal e é considerada uma das
mais vozes importantes da literatura portuguesa contemporânea.
Teresa Salema é professora da
Faculdade de Letras de Lisboa,
romancista e ensaísta. A sua obra
está traduzida para alemão e têmlhe sido atribuídos alguns prémios literários. É também tradutora da obra de Friedrich Schiller
para português, sendo membro
da direcção do PEN Clube
Português desde há vários anos.
A organização está a cargo da
Professora Doutora Anne Quataert e José Nobre da Silveira
Na quinta-feira 23 e na sexta-feira
24, os trabalhos decorrem no
Centro de Língua Portuguesa do
Instituto Camões (HIVT - Schildersstraat 41) em Antuérpia e a
abertura do Colóquio está a cargo
de Jacques Peeters, Director Artesis Hogeschool Antwerpen e do
Embaixador Vasco Bramão Ramos.
Estão previstas intervenções sobre “A literatura portuguesa contemporânea” e “As artes plásticas
portuguesas contemporâneas”.
No sábado, dia 25 de Outubro, os
trabalhos decorrerão na VlaamsNederlands Huis deBuren (Leopoldstraat 6) em Bruxelas para
um debate sobre “Literatura e tradução na Bélgica e Portugal”.
Por fim, na Livraria portuguesa
Orfeu (Willem de Zwijgerstraat
43), também em Bruxelas, haverá
um encontro com os escritores
portugueses, às 17 horas.
Política 9
LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008
Era Director-Geral da Política Externa no Ministério
Vasco Bramão Ramos é o novo Embaixador de Portugal na Bélgica.
Nasceu em 26 de Maio de 1946, em
Lisboa e é licenciado em Direito
pela Universidade de Lisboa, tendo
sido aprovado no concurso de admissão aos lugares de Adido de
Embaixada, aberto em 28 de Setembro de 1969.
Antes de chegar à Bélgica já foi
Adido de Embaixada, na Secretaria
de Estado, em 12 de Março de 1970,
Secretário do Ministro dos Negócios
Estrangeiros, de 19 de Março do
mesmo ano a 28 de Março de 1972,
terceiro-Secretário de Embaixada,na
Secretaria de Estado, em 19 de Agosto dos mesmo ano, segundo-Secretário de Embaixada,em 7 de Dezembro de 1974. Foi nomeado para a
Embaixada em Washington, em 22
de Março de 1976,para a Embaixada
em Budapeste, em 1 de Janeiro de
1980, para a Delegação Permanente
junto do Conselho do Atlântico Norte, em 8 de Setembro do mesmo
ano, Chefe da Repartição Europa e
América, da Direcção-Geral dos
Negócios Políticos, em 5 de Janeiro
de 1985, Director dos Serviços da
América, da Direcção-Geral dos
Negócios Político-Económicos, em
17 de Julho de 1986.
Em Abril de 1989 foi para a
Embaixada em S.Tomé, para exercer
as funções de adjunto do Ministro
dos Negócios Estrangeiros da Repú-
DR
Vasco Brandão Ramos novo Embaixador
Embaixador de Portugal
blica Democrática de S. Tomé e
Príncipe.
De novo em Lisboa, foi SubdirectorGeral dos Negócios Político-Económicos, Presidente da Comissão para
o Estudo do Relacionamento Político-Militar com a República Federal
da Alemanha, Chefe da delegação
encarregada das negociações relativas à cessação da utilização pela
Força Aérea alemã da Base Aérea
n°.11 em Beja, Presidente da Comis-
são para o Estudo do Relacionamento Político-Militar com os Estados Unidos da América, Chefe da
delegação encarregada da negociação de um Acordo de Cooperação e
Defesa com os Estados Unidos da
América do Norte, Director-geral
adjunto na Direcção-Geral de Política Externa da Comissão Europeia,
Director-Geral dos Assuntos Multilaterais e Director-Geral do Serviço de
Informações Estratégicas de Defesa
e Militares.
Vasco Bramão Ramos foi ainda Embaixador de Portugal em Caracas,
Coordenador das iniciativas de
carácter político-diplomático e organização e logística, necessárias à realização de reunião preparatória e à
participação na Cimeira Ibero-Americana, Embaixador em Viena e Representante Permanente junto dos
Organismos internacionais sedeados naquele cidade, e finalmente
Director-Geral da Política Externa
desde 1 de Dezembro de 2006.
O Embaixador Vasco Bramão Ramos
recebeu a Grã-cruz da Ordem de
Mérito, é Grande-Oficial da Ordem
do Rio Branco, do Brasil, Comendador da Ordem do Libertador, da
Venezuela, Oficial da Ordem do
Mérito Civil, da Espanha, Oficial da
Ordem do Império Britânico, da
Grã-Bretanha e a Medalha do Mérito
Aeronáutico de 1ª classe.
■
Trabalhadores do Instituto
Camões ainda sem estatuto
A Deputada independente Luísa Mesquita (ex-PCP) questionou o Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre os trabalhadores dos Centros
Culturais e dos Centros de Língua do
Instituto Camões no estrangeiro que
“há muito reclamam um estatuto autónomo ou em alternativa a sua inclusão nos quadros do pessoal dos
serviços externos do MNE”.
O Ministério responde que já deu início ao “enquadramento do pessoal
necessário à prossecução da missão
da generalidade dos serviços públicos”, apesar “das dúvidas que subsistem quanto ao regime final a definir
no quadro das soluções legislativas
consagradas em diplomas relevantes
nesta matéria”.
Os Centros de língua não dispõem
de outro pessoal para além dos Leitores de língua e cultura portuguesa
“sendo certo que, pese embora a circunstância de não ter sido, ainda,
aprovado o respectivo estatuto legal,
os mesmos têm regularizada a sua situação contratual e garantidos os direitos sociais”.
Por outro lado, a situação contratual
do pessoal dos Centros Culturais Portuguesas no estrangeiro “tem sido
objecto de condicionantes que resultam, essencialmente, das profundas
alterações introduzidas no regime de
vinculação,de carreiras e de remunerações dos trabalhadores afectos ao
desempenho das funções na generalidade dos serviços públicos pela Lei
n°12-A/2008, de 27 de fevereiro, alterações essas que carecem de novos
desenvolvimentos para o desenho
final das soluções já enunciadas no
texto legal” diz a resposta enviada à
Deputada Luísa Mesquita.
“No caso particular do pessoal dos
serviços periféricos externos do
estado, a aplicabilidade de tais soluções exige (...) desenvolvimentos específicos para efeitos de uma adquada comptabilização com regimes
localmente vigentes, o que implica
uma rigorosa definição de regimes
legais específicos, dado que, para
além de reflectir os princípios de
direito internacional a que o Estado
Português se encontra vinculado, o
estatuto do pessoal dos serviços periféricos externos do Estado – categoria em que se terá de inscrever o pessoal dos 14 Centros e dos 5 Pólos culturais já criados”.
“Estamos perante uma matéria que
urge resolver, de elementar justiça
para com trabalhadores que, ao serviço do Estado português, desempenham funções que nos dignificam
e que se encontram há demasiados
anos numa situação precária, violadora dos seus direitos fundamentais”
diz Luísa Mesquita.
■
Manuel Martins
10 Cultura
LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008
Empresa especialista na arte de formação de protocolo de empreendimento
Dulce Rodrigues
sai novo livro
para o Natal
■
Maria Fernanda Pinto
Exposição “Lá
Fora” continua em
Viana do Castelo
A exposição “Lá Fora”, que está
patente desde o Dia de Portugal,
de Camões e das Comunidades
no edifício nascente da Praça da
Liberdade vai continuar an Viana
do Castelo até ao dia 23 de
Novembro e vai ser alvo de uma
visita guiada, esta semana, a cargo
do Comissário da mostra, João
Pinharanda.
“Lá Fora”, organizada pelo Museu
da Presidência da República em
colaboração com a Câmara Municipal de Viana do Castelo no
âmbito das Comemorações do
Dia de Portugal, de Camões das
Comunidades que decorreram
em Viana do Castelo, é uma das
maiores mostras de artistas portugueses emigrados.Alguns quadros
de Vieira da Silva, Paula Rego,
Amadeo Souza Cardoso, Bordalo
Pinheiro, Júlio Resende ou Júlio
Pomar integram a exposição.
A exposição, já visita por mais de
três mil pessoas, pretende assim
aproximar o público português
dos principais artistas portugueses e luso-descendentes que
vivem lá fora.
DR
Dulce Rodrigues, que reside na
Bélgica, publica para o Natal uma
peça de teatro juvenil (bilingue
francês/português), nas Éditions
Publibook em Paris, mas será
comercializado também na Bélgica.
“Le Père Noël est enrhumé”/“O
Pai Natal está constipado”passa-se
algures na Suécia, em véspera de
Natal. O momento ideal para
adoecer... Sobretudo, tratando-se
do próprio Pai Natal! Como entregar os presentes a tempo e horas?
O seu ajudante,um duende,sonha
poder desempenhar essa tarefa,
no entanto outra decisão é
tomada: será um jovem que já
uma vez substituiu o Pai Natal da
Finlândia que se encarregará da
distribuição...
Livro de 16x24 cm, 94 páginas.
Preço:10 euros. Em todas as livrarias de França e DOM. Igualmente
nos países francófonos como a
Bélgica ou a Suíça. E ainda em
linha directamente à Editora.
Blustamp organizou acções de promoção de Portugal
Alguns dos aspectos da animação da Blustamp junto das crianças
A Blustamp organizou do 9 ao 17
de Outubro passado em Bruxelas,
um evento dedicado a Portugal
denominado ‘Blustamp Portugal
Lab’ estruturando-se em diversas
acções: a Feira do Livro Português, boutique de Produtos Nacionais, actividades Infantis e
workshops de provas de vinhos e
gastronomia portuguesa.
‘Dinners chez Protocol’, foi o jantar no qual os presentes aprenderam as regras de etiqueta à volta
de uma mesa.
Durante a semana contou-se com
a participação da Livraria Orféu e
do The Sol Ar. Decorreram-se algumas actividades de promoção da
leitura com os alunos que frequentam a escola portuguesa. As
crianças manifestaram-se muito
motivadas com as histórias portuguesas, tendo a oportunidade de
tocar nos livros e de os ler. Sendo
a leitura de histórias em português, um bom complemento para
a aprendizagem da língua portuguesa.
Foi integrada igualmente na feira
do Livro Blustamp, a Girassol
Edições que lançou o livro “50
Histórias de quem foi criança”,
uma edição particularmente original, cuja receita irá reverter,
numa percentagem significativa,
para os projectos sociais da
Fundação Rotária Portuguesa. “O
interessante neste livro é que os
contadores dessas histórias são
cidadãos com as mais diversas
formações, experiências de vida e
ocupações profissionais, que aceitaram responder a um desafio e
partilhar um gesto de solidariedade. Todas as histórias que os
adultos elaboram para as crianças
têm o seu quê de histórias feitas
por crianças grandes, sendo afinal
histórias para crianças pequenas.
É dessa ambivalência e dessa
variedade que a presente recolha
tira o seu principal encanto”,
explicita Vasco Graça Moura,
numa passagem do seu prefácio.
O livro será também apresentado
em Lisboa no dia 24 de Outubro
no auditório da livraria Byblos no
Amoreiras Shoping.
O evento foi organizado para os
Portugueses assim como para a
promoção de Portugal junto dos
estrangeiros que vivem em
Bruxelas.
Quanto à Escola Internacional de
Protocolo de Bruxelas, do grupo
EIP de Madrid está a promover
em parceria exclusiva com a
Blustamp - Protocol and Image
uma pós-graduação em Protocolo
Evènement
Festival CineBrasil a eu lieu à Bruxelles
Le Centre Culturel d'Etterbeek/Espace Senghor, en partenariat avec
l'Ambassade du Brésil à Bruxelles et
le magazine Brazuca, ont organisé le
Festival CineBrasil - Rio 50 ° du 16
au 19 octobre.
Après le succès des deux premières
éditions (consacrées successivement au cinéma afro-brésilien et au
peuple brésilien), l'Ambassade du
Brésil, associée au magazine Brazuca, a proposé, cette année à l’Espace Senghor, le Troisième Festival
CineBrasil.-Rio 50 °.
La ville de Rio de Janeiro sera cette
fois à l’honneur à l’occasion de deux
anniversaires: le 50ème anniversaire
de la Bossa Nova, ainsi que celui de
la conquête du premier championnat du monde de football par l’équipe nationale (Mondial de Suède1958).
Le festival a présenté une sélection
de films inspirés, d'une manière ou
d'une autre, par l’univers culturel et
social de Rio de Janeiro.
Le troisième Festival Cinebrasil a
proposé pour son ouverture le polémique film ‘Tropa de Elite’, du réalisateur José Padilla, récent vainqueur
de L’Ours d’Or au Festival de Berlin
(février 2008). Ce film a défrayé la
chronique en montrant le quotidien
du Bope, le corps d’élite de la police
militaire de Rio, et raconte l’histoire
du capitaine Nascimento qui a une
dernière mission à effectuer avant
de décrocher: assurer sa relève au
sein de la section, ainsi que la sécurité du Pape en visite officielle, en
“nettoyant” certaines favelas.
Dans le film ‘A Cartomante’ des réalisateurs Wagner de Assis et Paulo
Uranga, basé sur le roman de
Machado de Assis, une jeune femme
partagée entre deux amours et en
proie au doute quant à son avenir,
décide de consulter une cartomancienne. Mais les cartes lui révèlent
une autre voie que celle conseillée
par sa psychologue.
Le secret du football brésilien consiste en une seule parole:‘Ginga’. Ce
documentaire produit par Fernando
Meirelles et réalisé par Hank Levine,
Marcelo Machado et Tocha Alves,
montre cette habilité si particulière
des joueurs brésiliens qui a pour
effet d’éclipser les équipes adverses.
Mais la ginga ne s_apprend pas, elle
est inhérente à la personnalité brésilienne. Les personnages racontent
leur passion pour le football et l’importance de la ginga dans leur vie.
Le film ‘Faixa de Areia’, de Daniella
Kallmann et Flavia Lins e Silva propose une véritable étude anthropologique qui a pour terrain les 60 km
de plage de Rio de Janeiro, avec
leurs habitués issus de toutes les différentes couches de la société et qui
assurent en permanence le spectacle sur le sable.
‘Onde a coruja dorme’, un documentaire de Márcia Derraik et Simplicio Neto, nous montre la relation
du chanteur et compositeur Bezerra
da Silva avec ses partenaires anonymes, plusieurs fois récrutés dans les
collines et la périphérie de Rio. De
là vont surgir des sambas créées par
des ouvriers, chroniques caustiques
mais amusantes des gens simples
qui vivent dans les favelas et qui
racontent leur quotidien à travers la
musique.
Le documentaire ‘Coisa Mais Linda’,
du réalisateur Paulo Thiago,a clôturé
le Festival. Ce documentaire plonge
le spectateur au coeur des années
50, époque à laquelle la Bossa Nova
prit son envol.
A travers les concerts qui a proposé
le Festival, est tracée une ligne historique de l’évolution de la MPB
(musique populaire brésilienne)
avec Mombaça, partenaire de la
chanteuse Mart’nalia et Mu Chebabi, partenaire du compositeur Lenine; le rappeur BNegão et son
Turbo Trio influencé par différents
styles musicaux tel que le Rock, reggae, hip hop, Miami bass et funk
carioca entre autres. On a eu aussi la
présence des DJ Marcelinho da Lua
(membre de Bossacucanova, le collectif qui revisite les classique de la
bossa nova à la sauce électronique)
et DJ Barata et Pezão.
Un hommage à Tom Jobim et à la
Bossa Nova a été rendu par le biais
d’une exposition inédite du photographe Januário Garcia. Cela a été
l’occasion de retrouver aujourd’hui
un Tom Jobim comme vous ne l’avez
jamais vu, que ce soit dans son studio, derrière son piano ou dans l’intimité.
Le spectacle de danse, ‘Les Commandements d’un Déraciné’, des
chorégraphes et danseurs brésiliens
Milton Paulo et Raffaella Pollastrini,
mettent en scène les premiers pas
d’un individu poussé hors de son
milieu naturel qui fait des pieds et
des mains pour s’adapter et assurer
sa survie.
■
e Cerimonial que vai começar no
dia 22 de Novembro e termina no
dia 16 de Maio de 2009, um total
de 200 horas. Serão dois sábados
por mês.As aulas serão em inglês,
estando desde já abertas as inscrições.
A Blustamp é especialista na arte
de formação de protocolo de
empreendimento para indivíduos, grupos e consultores.
Tratando também o protocolo
empresarial, a etiqueta social ou
ainda o protocolo internacional.
■
Clara Teixeira
www.blustamp.com
Juventude será
prioridade para
Secretário de
Estado
O Secretário de Estado das
Comunidades afirmou que vai
empenhar-se "pessoalmente" na
criação do Conselho Consultivo
da Juventude portuguesa na diáspora, tema que elege como uma
das três prioridades para o final
de mandato. "Os jovens terão
decididamente uma abordagem
neste final de mandato que nós
queremos sublinhar e reforçar, e
por isso a urgência de criar o
Conselho Consultivo da Juventude no contexto do Conselho
Consultivo das Comunidades é
total e empenhar-me-ei pessoalmente nos próximos tempos para
que seja constituído", afirmou o
secretário de Estado António
Braga.
"Só é possível mobilizar os jovens
se os ouvirmos e levarmos a sério,
e isso passa por envolvê-los nestes programas e nestas acções,
empenhá-los nos diversos movimentos associativos", disse o
Secretário de Estado. O objectivo,
afirmou, é não apenas "cooperar
nos programas da Secretaria de
Estado dirigidos à juventude" mas
também, "eventualmente, encontrar outros que nasçam das sugestões e ideias" do Conselho, além
de "optimizar aqueles que estão
em curso".
■
Cultura 11
LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008
Pintor é originário de Santarém mas vive em Bruxelas desde 1966
Apresentação do
livro de Rita Mello
Ferreira
Mário Gastão pinta figuras geométricas
Rita Mello Ferreira esteve no início deste mês na livraria Orfeu
para o lançamento do livro
Prometeia.
A autora tem exercido a sua actividade profissional enquanto tradutora, revisora e mais recentemente como intérprete para a
Comissão Europeia. O seu percurso académico foi feito na
Faculdade
de
Letras
da
Universidade de Lisboa, onde foi
aluna do poeta Manuel Gusmão e
teve oportunidade de consolidar
um estilo poético próprio. Este é
o seu primeiro livro a ser editado
e representa uma súmula da sua
actividade poética entre 2001 e
2006. Os poemas alternam entre
referências mitológicas e clássicas e elementos decididamente
modernos.
Foi apresentada por Ana Mendes.
LusoJornal - José Lopes
Nuno Júdice em
Bruxelas
Pintor Mário Gastão em entrevista ao LusoJornal
com as cores e as diferentes formas”. Os quadros vão dando origem
e leitura a outros quadros.
Foi por volta dos seus 60 anos que o
artista se concentrou mais neste
tipo de pintura.Anteriormente dedicava a sua paixão criando esculturas, misturando entre outros, a
madeira com a pedra.“Fazia totems,
bonecos, cavalos de madeira, etc.
Conforme as alturas e o meu estado
de espírito pintava por vezes de
uma certa forma mais agressiva ou
mais maldosa”, recorda.
Mário Gastão vem de Santarém mas
reside na Bélgica desde 1966.Poucoa-pouco foi-se achando estrangeiro
no seu próprio país. Considerava
Portugal demasiado cinzento para aí
morar e resolveu então emigrar. Já
em Bruxelas, começou a trabalhar
em publicidade e em banda desenhada, e pouco-a-pouco foi-se dedicando à pintura.“Na realidade nunca
fui um verdadeiro pintor, ou desenhador, pintava bem, certo, mas havia
períodos em que pintava mais do
que outros”. Foi sobretudo quando
encontrou esta forma de pintar
ligada à geometria que despertou
mais o seu interesse pela arte. As
suas obras podem ser vistas no seu
atelier e de vez em quando estão
expostas em livrarias e galerias.“De
vez em quando vendo os meus quadros, contudo não são forçosamente
os que me dão mais regozijo de
fazer que são os mais rentáveis”, diz
a sorrir.
Apesar das belas paisagens do
Ribatejo de que tanto gosta, Mário
Gastão não se inspirou de imagens
realistas e preferiu fazer aquilo que
se pode chamar de “pintura geométrica”. Apesar de estar ligado a
Portugal, seguindo regularmente a
economia e a política do seu país
natal,sente-se muito bem na Bélgica.
Actualmente com 68 anos, não
exclui porém a possibilidade de um
dia regressar a Portugal.
■ Clara Teixeira
e Carlos Pereira
LusoJornal - José Lopes
O artista português Mário Gastão
descobriu recentemente uma nova
forma de pintura com base em figuras geométricas. Foi a colocar azulejos em casa quando lhe veio a ideia
de poder brincar com a maneira de
colocar as quatro faces do mesmo
quadrado.
Desde então Mário Gastão pinta
quadros sem fim,com várias sequências quase infinitas, que só ele próprio compreende mas que resultam
em conjuntos agradáveis para quem
vê as suas obras. “Nada é aleatório
tudo obedece a regras bem estipuladas, contudo organizo as combinações dos quadrados ou dos triângulos como quero, dando-me assim
uma liberdade de acção.Pois se multiplicarmos as 4 faces de um quadrado por 4 e assim sucessivamente
dá-nos 256 combinações. O que corresponde por conseguinte a 256 formas com a mesma superfície e sem
perder atributo algum”, explica ao
LusoJornal. “Daí não poder haver
algum erro, têm que estar todas
representadas”, acrescenta sorrindo.
As sequências parecem infinitas porque são em número extremamente
grande, mas são matematicamente
calculadas. A sua multiplicação dá
conjuntos complexos com interpretações variadas. Este princípio das
sequências pode ser adaptado a
qualquer forma geométrica, desde o
triângulo, ao quadrado, do plano ao
relevo... “Às vezes torna-se um
pouco aborrecido porque nunca
mais acaba mas aos poucos vai
dando uma visão e gosto do resultado”.
Precisamente Mário Gastão resolveu
recentemente dar mais complexidade à sua obra,passando a utilizar o
suporte informático. Com o computador, descobriu novas potencialidades para a sua obra.“O que me permite trabalhar novas ideias, de jogar
O poeta Nuno Júdice participou
no passado dia 4 na Nuit de la
Poesie Européenne, na Maison de
la Bellone, em Bruxelas.
Nuno Júdice é algarvio da região
de Portimão e foi durante vários
anos Adido Cultural na Embaixada de Portugal em Paris e
Director do Instituto Camões na
capital francesa.Depois regressou
a Lisboa onde ensina literatura
comparativa na universidade.
Senhor empresário
tenha confiança
no LusoJornal
www.lusojornal.com
0485 89 84 09
12 Medias
A SIC Internacional estreou no
passado dia 13 de Outubro uma
nova telenovela intitulada “Podia
Acabar o Mundo”.
A novela inicia-se em 1975 com o
retorno a Portugal, de muitas
famílias que viviam em Angola
aquando da independência das
ex-colónias portuguesas. Ao
longo da novela vamos poder conhecer o passado das personagenns através de imagens desses
tempos.
“Podia Acabar o Mundo” é a história da disputa entre Vera e Rodrigo pelo seu filho João que tem
a idade de onze anos.
Vera e Rodrigo casam-se embriagados por uma intensa paixão.
Deste amor inebriante nasce
João. Depois o casamento oscila
entre o fogo da paixão e os conceitos de vida de cada um que
representam os opostos.
Vera é uma advogada em ascensão, e Rodrigo, engenheiro agrónomo. Vera é uma mulher urbana. Rodrigo adora o campo e o
mundo dos touros. Vera não se
adapta à vida rural, e Rodrigo, à
vida da cidade. Para destabilizar
ainda mais este casamento acrescenta-se a influência perversa de
Eduardo, o patrono do escritório
de advogados, onde trabalha
Vera.
Eduardo é um advogado brilhante. E tem uma mente diabólica. É sua vontade que não haja
hipótese de reconciliação entre
Vera e Rodrigo. E que Vera fique
com a guarda do filho. São fortíssimas as suas pérfidas motivações. No passado em Angola,
quando cumpria o serviço militar, Eduardo jurou vingança a
João Maria, pai de Rodrigo. Esse
desejo de vingança e ódio encarnam em Rodrigo. Eduardo pela
primeira vez na sua vida sente-se
apaixonado, precisamente por
Vera. E não suporta que ela continue a desejar um homem que ele
odeia.
A história dos pais de Rodrigo
está ligada à saga dos retornados
de Angola. Rodrigo era bebé
quando em 1975 desembarcou
em Portugal com os pais. Recriase um momento de alta emotividade com narrativas que marcaram de forma dramática a recente História Portuguesa. E é nesse
desembarque, cheio de acontecimentos, que João Maria, o pai de
Rodrigo, desaparece misteriosamente. É encontrado mais tarde
pela mulher num hospital. Fora
espancado, atirado ao rio e salvo
por pescadores.
Esta novela, que se desenrola
paralelamente entre Lisboa e
uma herdade e vila na região de
Santarém, reflecte também a tensão entre o urbano e rural. É um
retrato de um Portugal cada vez
mais urbano, mas com uma nostalgia das grandes paisagens.
A vila com o seu largo e um original café que é explorado por
ex-emigrantes portugueses em
Londres surge como a componente humorística e de crítica
social.
Televisão transmitiu o Plenário do Conselho das Comunidades
APE lançou rádio e televisão para emigrantes
A Associação dos Portugueses no
Estrangeiro (APE) lançou na quarta-feira da semana passada uma
rádio e televisão on-line dirigida
aos emigrantes com a transmissão
em directo do Plenário do Conselho das Comunidades Portuguesas, entrevistas aos Conselheiros e
debates.
Com um investimento em material na ordem dos 100 mil dólares
por parte do empresário português nos Estados Unidos e também Presidente da APE, José João
Morais, esta é “uma ideia antiga”
da associação.“Trata-se de um serviço multimédia. O que vai estar a
funcionar em permanência é a
rádio. Na parte de televisão,
vamos transmitir pontualmente
conferências, convenções e debates, entre outros, com temas que
interessam aos portugueses no
estrangeiro”, disse o Secretário
Geral da APE, Gabriel Fernandes.
“A ideia surgiu logo quando fizemos os estatutos da APE. E lá indicávamos que tentariamos utilizar
os meios electrónicos actuais
LusoJornal - Carlos Pereira
SIC Internacional
estreou nova
novela portuguesa
LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008
Gabriel Fernandes, Secretário-Geral da APE Portugal
para atingir os Portugueses que
residem no estrangeiro” disse ao
LusoJornal Gabriel Fernandes. “A
realidade não é passada como nós
queremos e por isso justifica-se a
nossa acção”.
O canal comunidades “trata de
coisas que as rádios e as televisões tradicionais não falam”. Só
estão disponíveis na internet.
“Sempre que se justificar, a televisão funciona, mas por enquanto
será pontualmente. Por exemplo,
este mês de Agosto, transmitimos
a Convenção mundial das Comunidades realizada em Santa
Maria da Feira” disse Gabriel Fernandes. “Foi um teste e desta vez
transmitimos a sério”.
A APE difunde e grava os eventos
que ficam depois disponíveis no
site da associação. Gabriel fernandes diz que há muita gente a ver
os programas e a ouvir a rádio. O
próximo evento deve ser um
Colóquio sobre língua portuguesa
na Universidade de Toronto.
“Também estamos a captar imagens da história da emigração.
História de pessoas desde pequenino até agora. Vamos à procura
de amigos e professores com a
cumplicidade da família. Depois
vamos fazer uma gala” diz Gabriel
Fernandes.
Criada em Janeiro de 2007, a APE
é uma associação de defesa dos
direitos dos trabalhadores portugueses no estrangeiro, com sede
em Portugal.
A televisão e a rádio on-line estão
disponíveis através da página de
Internet da Associação dos Portugueses no Estrangeiro, em
www.apeportugal.com.
■
Carlos Pereira
CLP TV está sem sinal há duas semanas
O canal de televisão CLP TV
(Canal de Língua Portuguesa),
criado por cerca de 30 empresários portugueses radicados em
Paris, e a emitir para toda a
Europa, deixou de ter sinal há
duas semanas.
A CLP TV tinha uma programação
vocacionada para portugueses
residentes no estrangeiro, mas o
canal acabou por nunca ter verdadeiramente começado a sua actividade comercial pelo que estava
a ser um verdadeiro “saco sem
fundo” em que os principais
accionistas investiram, aparentemente, mais de 4 milhões de euros.
Segundo fontes próximas do canal, apenas foram vendidas, em
um ano e meio de emissões, cerca
de 17.000 euros e desta forma o
canal não é rentável.
Os membros do Conselho de
administração não se entendem
quanto ao recrutamento do Director do canal e as dívidas acumulam-se. A equipa de jornalistas,
técnicos e produtores está há
duas semanas sem saber qual o
destino a dar ao canal. Não podem trabalhar porque o sinal não
está a ser difundido, mas também
não sabem se os accionistas vão
guardar o canal.
Os operadores de cabo e de Adsl
podem suprimir completamente
a CLP TV das suas listas de difusão, alegando os sucessivos problemas que o canal tem.
Pela Direcção do canal já passou
António Cardoso (primeiro Direc-
tor), Pedro Mariano, António Larangeira e Olivier Berton. O Director de informação é o conhecido jornalista Carlos Narciso, um
dos fundadores da SIC.
O Director Geral é António Costa,
um empresário que fez fortuna na
área da construção civil.
Na Bélgica não se conhecem
acções comerciais por parte
deste canal.
■
Descoberta 13
LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008
Apoiada pelos comerciantes portugueses
Importância
dos emigrantes
na captação de
investimento
Numa mini digressão ao estrangeiro para a divulgação do cd da
Tuna com o título “Para Ti”, a Tuna
Feminina de Medicina do Porto
passou por França e Bélgica.
Na Bélgica estiveram na cidade
de Bruxelas onde deixaram a simpatia e as saudades de grandes
músicas portuguesas, algumas
bem conhecidas dos presentes,
que não deixaram de as acompanhar em todas as actuações.
A tuna existe desde 1996. Cristina Pinto, porta-voz do grupo,
informou que normalmente nas
saídas que fazem “é quase 100%
para Comunidades portuguesas...
é gratificante o carinho que recebemos, vemos que as pessoas
naquele momento esquecem tudo e matam saudades do seu
país”.
Esta Tuna já foi mista mas agora é
composta só por meninas.
Os restaurantes Le Marquis de
Pombal, Algarve, Café Portugal,
Residencial Hó Fadista e Pub
2000, foram os presenteados com
uma noite de música diferente
para os hábitos destes locais.
Foram estes empresários que
acolheram e patrocinaram a estadia do jovem grupo.
Mariana Cunha é natural do Porto
e toca cavaquinho. Quando entrou para a Tuna não tinha conhecimentos musicais, mas agora
Portunalnet
Tuna Feminina de Medecina do Porto esteve em Bruxelas
Tuna Feminina de Medecina do Porto, actuando em Bruxelas
toca e canta. “Nunca tinha tocado... só conhecia as notas e nem
por isso cantava muito bem, mas
agora já canto muito melhor...
dizem elas”!
Para o grupo, a maior dificuldade
foi conseguir um local onde dormir. Helena Pinto, irmã de Cristina diz que “para chegarmos
aqui, fiz muitos contactos por te-
lefone, pesquisas na Internet, e só
tenho a dizer que em todos eles
fui bem acolhida.Alguns estabelecimentos não puderam aceitar
devido à dimensão do grupo, mas
agradecemos a todos eles a simpatia demonstrada”.
A jovem insistiu em “aproveitar
esta oportunidade que o LusoJornal nos dá para agradecer a to-
dos, principalmente os que nos
receberam, não vamos mencionar
nenhum porque foram todos maravilhosos. Comemos, bebemos,
dormimos e também nos divertimos bastante. Tudo simpatia dos
comerciantes de Bruxelas”.
■
Paulo Carvalho
Empresários vão poder ter acesso a verbas comunitárias
Os empresários portugueses no
estrangeiro vão poder ter acesso a
verbas comunitárias em parceria
com empresas de Portugal ao
abrigo do programa governamental NetIvest, o Secretário de Estado
das Comunidades, António Braga.
"Haverá pela primeira vez um pro-
grama organizado dirigido aos
empresários das comunidades portuguesas, numa parceria inédita
com as câmaras de comércio",
disse António Braga em Lisboa, à
margem da assinatura de um protocolo com a Confederação Internacional dos Empresários Portu-
gueses (CIEP). Segundo António
Braga, o novo programa "cria
condições para favorecer o desenvolvimento de parcerias no sentido de estimular a internacionalização da economia portuguesa".
Na prática, explicou, o relacionamento entre as empresas de portu-
gueses no estrangeiro e as empresas em Portugal assentará na procura de oportunidades comuns de
negócio e no acesso aos fundos do
Quadro de Referência Estratégico
Nacional (QREN).
■
O Secretário de Estado do Comércio, Fernando Serrasqueiro, destacou a importância das comunidades portuguesas no estrangeiro
para facilitar a diplomacia económica e como fonte para a captação de investimento em Portugal.
Em declarações aos jornalistas
em Lisboa à margem da conferência "O Empreendedorismo e a
Diáspora Portuguesa", o Secretário de Estado afirmou que "há
comunidades portuguesas que
servem para alavancar a política
de diplomacia económica, que
tem de ter um suporte". O governante deu o exemplo da Venezuela e dos negócios que têm sido realizados entre os dois países,
afirmando tratar-se de uma diplomacia que "está a ser suportada
pela existência de uma comunidade portuguesa naquele país",
estimada em meio milhão de pessoas.
Questionado sobre os resultados
dessa diplomacia económica
noutros países, referiu que está a
ser feito o mesmo trabalho em
países como Angola, Brasil ou
África do Sul, em particular, e em
todos os países onde haja comunidades portuguesas, no geral.
De acordo com Serrasqueiro, é
importante trabalhar também
com os governos dos países de
acolhimento "que acham que as
comunidades portuguesas têm
impacto", sendo um "factor de
grande afirmação" de Portugal no
mundo.
Por outro lado, o governante falou da importância de captar
investimento em Portugal junto
dos empresários portugueses que
vivem no estrangeiro. "Queremos
dar-lhes uma nova mostra de
Portugal, porque muitos deles
estão já afastados (muitos de terceira geração) do que é a realidade portuguesa hoje, mostrar as
diferentes fileiras onde há oportunidades de negócio", disse.
"Portugal mudou muito desde
que eles ou os seus pais saíram
daqui e temos vindo a mostrar
qual é o ambiente de negócios
(…) para mostrarmos que têm
aqui também oportunidades
idênticas ou até melhores do que
têm nesses países", acrescentou
Fernando Serrasqueiro.
Por seu lado, o Director-geral dos
Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas, Costa Arsénio, afirmou que, na perspectiva
de captar investimento por parte
de empresários portugueses no
estrangeiro, realiza-se em Portugal, em Novembro, um Fórum de
Empresários, por iniciativa do
Secretário de Estado das Comunidades,António Braga.
Em declarações à Agência Lusa à
margem da conferência promovida pela Universidade Lusófona,
em Lisboa, Costa Arsénio afirmou
que se trata de um "movimento
de ambos os lados", tendo em
conta o "interesse da parte de
Portugal em captar investimento", mas também "ajudar os
empresários nas suas iniciativas".
14 Desporto
A Selecção portuguesa de râguebi
de sub-21 qualificou-se no passado
dia 12 de Outubro para as meiasfinais do Campeonato da Europa da
categoria, ao vencer a sua congénere da Bélgica por 38-9, na cidade
alemã de Heidelberg.
Aos 10 minutos, Portugal já vencia
os belgas por 10-0, inaugurando o
marcador com uma penalidade
convertida, logo aos seis minutos,
por Yannick Ricardo, jogador que
viria a transformar, quatro minutos
depois, um ensaio de Francisco
Tavares.
Até ao intervalo, Portugal conseguiu mais um ensaio, alcançado por
João Marques (35 minutos), enquanto a Bélgica mexeu no marcador com uma penalidade e dois
pontapés de ressalto.
Na segunda parte, Portugal continuou a dominar totalmente a Bélgica e reforçou a vantagem no resultado com mais três ensaios:dois por
Eduardo Salgado (47 e 66 minutos)
e o terceiro por Duarte Bravo (75).
Voleibol: Noliko
de Nuno Pinheiro
passeia na Taça
da Bélgica
O Noliko Maaseik, equipa do distribuidor Nuno Pinheiro e do zona 4
André Lopes, iniciou da melhor
forma a defesa do título de vencedor da Taça da Bélgica ao derrotar,
com facilidade (25/15, 25/19 e
25/15), o Aquacare Halen nos oitavos-de-final.
Nos quartos-de-final, agendados
para o dia 8 de Novembro, o líder
do principal campeonato belga vai
defrontar o VBC Scheldenatie Kapellen,equipa de um escalão secundário.
Cristiano Ronaldo e
Pepe nomeados
para a Bola de Ouro
Cristiano Ronaldo e Pepe, com alguma surpresa, são os dois portugueses que figuram na lista dos 30
nomeados para o troféu Bola de Ouro, divulgada domingo pela revista
bi-semanal France Football.
O extremo do Manchester United e
da Selecção portuguesa, que em
2007/08 foi premiado com a Bota
de Ouro pelos seus 31 golos apontados no Campeonato inglês, perdeu o troféu de 2007 para o brasileiro Kaká (AC Milan), que também
compõe a lista. O vencedor deste
ano será anunciado a 2 de Dezembro.
Se for eleito,o jovem jogador português, de 23 anos, será o terceiro
português a receber o prémio,
depois de Eusébio, em 1965, e Luís
Figo, em 2000.
Já o luso-brasileiro Pepe,de 25 anos,
Campeão de Espanha, surge pela
primeira vez entre os nomeados,
aparecendo juntamente com o
espanhol Sérgio Ramos, seu companheiro do eixo defensivo do Real
Madrid.
Com vários projectos de intercâmbio e de passeio
Lusobiker´s: novo moto-clube português na Bélgica
Licínio Dias, Sérgio Pina e Gonçalo Neves são três dos muitos
amigos que se juntaram para a
realização de um sonho, a criação
de um clube de motards na
Bélgica.
Sérgio afirma que têm participado em várias concentrações
tanto na Bélgica como no estrangeiro. Muitas das vezes são o grupo mais animado e bem organizado, mas como até este momento não tinham moto-clube no
final na entrega de prémios
nunca eram reconhecidos como
clube motard. “A nossa última ida
ao Luxemburgo foi a gota de
água. Quando chegámos a Bruxelas começamos logo a avançar no
projecto. Nesta iniciativa, contámos também com o apoio de
membros de dois antigos motards, já habituados a estas andanças pela participação que tiveram
nos antigos clubes que existiram
por estas paragens ‘Enigma Bikers
Club’ e ‘Ases das Rodas’” dizem.
O Presidente Licínio Dias quer
que este seja um clube “de todos,
para todos”. A ideia é “fazermos
grandes passeios, nada de muita
velocidade, só puro divertimento.
Os nossos sócios podem ter qual-
tilhar de culturas, porque o objectivo do moto-clube é receber também como sócios pessoas de outras nacionalidades, como o gosto
pelas motas e pela natureza. “Se
juntarmos todos estes atractivos
temos a boa receita para que este
projecto seja um sucesso” disse
ao LusoJornal.
Outro dos objectivos deste projecto é levar o mais longe possível o desporto radical e o gosto
pela aventura. Para atingir estes
fins o Clube irá promover encontros com grupos de outros países.
O primeiro encontro (inauguração) já está agendado para o dia 1
de Novembro, com a entrega do
cartão de sócio e respectiva tshirt do moto-clube.
Reserve já o seu lugar se não quer
ficar apeado.
Pubprint
Râguebi: Portugal
venceu a Bélgica no
Europeu Sub-21
LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008
Logotipo do clube de motards
quer idade. Até agora na nossa
lista de sócios contamos já com
um sócio de apenas 6 anos, a
pequena Mariana Osório”.
Mesmo aqueles que não têm mota
podem inscrever-se no motoclube e participar nos diferentes
eventos.“Temos já agendado para
inauguração do moto-clube um
grande passeio com partida e che-
gada a Bruxelas. O dia irá terminar com um banquete e muita
musica portuguesa com o grupo
dos Bombos do Arménio e o grupo musical Os Tótós, jogos tradicionais, entre outros”...
Gonçalo é o homem que gere as
contas, o Tesoureiro. Afirma que
esta ideia pode ser gratificante
em muitos aspectos, tanto no par-
Orçamento Geral do estado contempla fundo
para ensino do português no estrangeiro
O Secretário de Estado das Comunidades garantiu na semana passada que o Orçamento de Estado
para 2009 vai permitir "sustentar"
políticas reforçadas de promoção
da língua portuguesa, nomeadamente o alargamento do ensino
do português ao continente americano.
Em declarações aos jornalistas à
margem do plenário do Conselho
das Comunidades Portuguesas,
António Braga não quantificou a
verba prevista para o seu
Gabinete, apenas destacou a criação do Fundo da Língua Portuguesa, com uma dotação de 30
milhões de euros.
Senhor empresário
tenha confiança
no LusoJornal
www.lusojornal.com
0485 89 84 09
Este fundo, aprovado em
Conselho de Ministros em Julho,
"permitirá alocar recursos que
sustentem políticas reforçadas"
nas áreas da Comunidade dos
Países de Língua Portuguesa
(CPLP), das comunidades portuguesas e na internacionalização
da língua, precisou.
Relativamente às comunidades
portuguesas,António Braga destacou que vai ser alterado o modelo
de contratação de professores,
acabando com o que considera
ser uma injustiça em relação a
algumas comunidades, em que o
ensino do português não era
apoiado pelo Estado. Com a criação do fundo, frisou, "estão criadas as condições" para acabar
com a "injustiça" de apenas a
Europa comunitária e a África do
Sul terem o ensino do português
apoiado pelo Governo. "Essa presença noutros Continentes era
um défice", disse, especificando
que o ensino do português vai ser
alargado "à América do Norte, ao
Canadá e à América Latina".
O objectivo, acrescentou, é "garantir a maior qualificação desse
serviço prestado à comunidade e
preservar melhor a língua e cultura portuguesas junto dos jovens
luso-descendentes".
Questionado sobre a data prevista para o alargamento do
ensino do português, António
Braga afirmou que será "durante
o próximo ano" com a passagem
da tutela para o Ministério dos
Negócios Estrangeiros (MNE),
nomeadamente depois de concluída a reestruturação do Instituto Camões (IC), o que deverá
acontecer em Novembro, de
acordo com o chefe da diplomacia portuguesa, Luís Amado.
António Braga considerou que o
IC "não estava habilitado a responder a esta encomenda que é
realizar, montar e acompanhar o
ensino do português no estrangeiro".
À semelhança do que aconteceu
em 2008, a proposta de orçamento de Estado não especifica
os montantes destinados à área
das comunidades no âmbito dos
354 milhões de euros de despesa
total prevista para o MNE em
2009.
No plano dos investimentos, o
MNE vai ter uma verba total de
14,8 milhões de euros (mais 2,8
milhões que em 2008), destinada
principalmente ao desenvolvimento de projectos no âmbito do
consulado virtual, passaporte
electrónico e colocação na Internet do sistema de gestão consular.
O Fundo de Relações Internacionais (FRI), cujas verbas se destinam a apoiar as comunidades
portuguesas, terá este ano uma
dotação de 19,7 milhões de
euros, o que representa um acréscimo de 2,4 milhões de euros.
O documento aponta como prioridades para 2009 o melhor
conhecimento das comunidades
através do recém-criado Observatório da Emigração e o alargamento aos Consulados do projecto Cartão de Cidadão.
Será ainda criado um sistema de
gestão de crises, no âmbito do
Gabinete de emergência consular.
■
■
Paulo Carvalho
Lusobiker´s
Espace New Europe
Chaussée de Waterloo, 12
1060 Bruxelas
www.lusobikers.be
0476.32.77.66 - 0475.23.13.01
Porto é líder
do Campeonato
belga da FTF
O Porto é o líder incontestável
da primeira divisão de futebol
da FTF da Bélgica com 16 pontos depois de já ter disputado 6
jogos. Seguem-se o Vila Real e o
Belenenses com 13 e 11 pontos
respectivamente.
O Porto ganhou 5 dos seis jogos disputados e empatou outro. Tem um dos melhores ataques ao já ter marcado 22
golos, e tem a melhor defesa
que apenas sofreu 7 golos.
No meio da tabela classificativa
está o Alma Benfica, duplo campeão, mas que este ano tem
tido algumas dificuldades no
início do Campeonato: já perdeu um jogo, empatou 3 e apenas ganhou 2 dos jogos disputados.
No fim da tabela estão duas
outras equipas portuguesas. O
Cad Ixelles está em dificuldades, perdeu 5 jogos e apenas
ganhou um. Está em 13° lugar e
tem apenas 3 pontos. Esta
equipa é bastante irregular.
Desceu no campeonato de há
dois anos e valeu-lhe uma repescagem. No entanto fez uma
boa época para agora estar novamente com sérias dificuldades para se impôr face às outras
equipas.
Mas pior está o Vimieirense que
não conseguiu ganhar nenhum
ponto, ao ter perdido os 6 jogos
do início do Campeonato.
■
Carlos Pereira
Passatempos 15
LusoJornal Belgique n°33 d’octobre 2008
Brinque connosco
SuDoKu do LusoJornal
Sopa de letras: Literatura
3
X
R
H
T
S
D
P
R M R
L
S
E
S
A
I
S
E
O
P
A
I
A
U
E
A
E
I
I
U
I
C
P
I
R M
B
J
O
X
C
C
D
Q
L
L
R
N
E
A
A
I
T
Q
J
E
I
U
C
L
1
Q
H
I
D
E
E
S
B
L
M Q
R
E
U
E
L
L
N
D
O
2
L
U
N
R
V
P
Z
Q O G
L
U
O
L
H
H
R
C
U
U
S
O
I
I
Z
N
E
T
F
U
U
O
U
S
N
T
T
R
F
L
S
L
H
A
R
R
A
M
T
E
M
A
A
Q
R
O
F
A
Z
R
N
B
Z
F
F
R
T
V
T
N
O
A
L
A
O
E
E
A
A
A
H
C
G
I
A
D
G
B
Q M
Z
T
M H
T
S
L
H
X
A
E
D
B
N
O M
S
I
L
A
E
R
I
E
I
E
X
I
C
O G O
A
U
D
O
N
N
U
N
A
Z
O
L
R
T
A
L
V
M H
E
C
Q
S
A
V
O
R
T
I
T
U M
C
P
R
E
A
R
A
T
N
F
U
Q
E
Q
I
I
S
I
P
U
S
L
V
Q
R
L
O
U
G
S
P
U
T
D
Z
C
X
L
A
F
E
V
O
X
Q
U
T
S
D
E
L
I
S
E
L
O
E
A
J
X
Literatura
Paixão
Camões
Livros
Inspirar
Obras
Escrita
Barroco
Lírica
Z
Poesia
Romântico
Viagens
Ler
Realismo
Trovas
5
8
6
2
2
8
7
9
3
4
2
8
8
5
1
4
1
7
5
6
7
4
2
6
5
Regras do SuDoKu:
Sudoku é um puzzle de colocação de números. O puzzle
contém algumas pistas iniciais. Cada coluna, linha e região
só pode ter um número de cada (de 1 a 9).
O objectivo é preencher todos os campos com números.
Cada linha de 9 números tem de incluir todos os algarismos de 1 a 9 em qualquer ordem.
Cada coluna de 9 números tem de incluir todos os algarismos de 1 a 9 em qualquer ordem.
E cada sub quadro 3x3 tem de incluir todos os algarismos
de 1 a 9 em qualquer ordem.
Resolver o problema requer apenas raciocínio lógico e
algum tempo.
Viagem pela Europa
Um passeio muito especial pela Europa: os rebuçados dos 27, que bom!
Nesta epoca de halloween, os bombons e os rebuçados são preciosos.
Toda a gente pensa que esta festa é
americana, mas na realidade esta
festa é de origem Céltica e Anglosaxónica, célebre ainda na Irlanda.
Quando era miúda os rebuçados que
eu gostava eram uns pequeninos
que uma amiga me trazia de
Portugal. Depois havia os da Páscoa,
enormes e muito doces. Havia também os beijinhos e as amêndoas, no
Natal os chocolates e hoje todos os
miúdos conhecem os sugos caramelos de fruta, as gomas e as pastilhas
elásticas.
Os chupa-chupas da Espanha, deram
a volta ao mundo.A sua sigla foi desenhada pelo grande pintor espanhol
Salvador Dali. Conhecem os “Roudoudous” de França, uma concha de
marisco, recheada com rebuçado de
cor? E os “Camambars” caramelo
delicioso? As “Boulles de Mamoutes”,
as «Fraises Tagadas»…?
Na Inglaterra,temos os «Liquorice all
sort» rebuçados moles, às cores com
sabor a «réglisse». Na Itália, “Pasta”
com sabor a Nutela. Em Malta,
durante a quaresma, 40 dias antes da
Páscoa, os miúdos não podem comer guloseimas,devem esperar até à
Pascoa para se consolarem com os
“Karamelli tal Harrub”, quadradinhos de alfarroba com sabor a especiarias. Na Eslovénia, os “Kiki”, caramelos suaves com sabor a fruta. Na
Áustria os “Mozart Kigeln”, deliciosos bombons que enchem a boca.
Na Eslováquia e na República Checa,
os “Lentilkis”, tipo “Pintarolas”, pastilhas de chocolate preto forradas
com açúcar de todas as cores. Na
Hungria, o “Szalon Cukor” bombom
de chocolate recheado com amendoa e outras frutas, embrulhado em
papel dourado e que se coloca no
pinheirinho na época de Natal. O
“Alvita” da Roménia, deliciosa “nugatina” de mel e amêndoa, que se cola
nos dentes.
Na Bulgária, o delicioso “Lukcheta”
de menta. Na Grécia, um rebuçadinho de baunilha, um submarino
que se coloca em água fria, é o
“L’hypovrihio”. No Chipre temos os
“Karudaki”, nozes embrulhadas
numa pasta doce às cores e os
”Chouchouko” chocolates com uvas
ou amêndoas. Na Estónia os “Lily”,
chocolates recheados em papel
muito colorido, são lindos!
Na Letónia,uns rebuçadinhos que se
parecem com seixos da praia,
pequeninos e redondinhos com sabor a fruta. Na Lituânia, os “Burbuliai” bons para quem gosta do
ácido e que piquem na língua... até
estalam! Na Suécia,“Polkagris”, rebuçado longo, muito bicudo, que é
duro,embrulhado em papel às riscas
vermelho e cinzento. Na Finlândia,
os “Turkinpippuri”,“réglisse” recheado com especiarias que lembram a
Turquia. E os “Piratas” da Dinamarca,
pretos (réglisse), muito fortes, são os
piores piratas do mundo. Os da
Alemanha, o mais parecido com o
“Kinder” italiano, é o “Uberraschung
Eier” e o “Marzipan”, amêndoa forrada de chocolate preto. Na Polónia
temos os “Krowki, caramelos com
leite e manteiga, embrulhados num
papel às riscas com um desenho de
uma vaquinha; tão fofinha! Ao passar
pela Holanda, provem os famosos
caramelos de café, hummm! Na
Bélgica as famosas “Fritas” mas desta
vez são com sabores a fruta e cheias
de açúcar cristalizado que estala nos
dentes, os “Zockerstanger”, rebuçabos longos de açúcar, muito bicudos
e na Irlanda os “Bulls Eyes”,“olho de
boi” com sabor a menta.
Depois de tudo isto digam lá se não
apetece um bombom, um rebuçado
ou... sei lá!
■ Elisabete Lourenço
Professora de Português
Download

Pedro Rupio e José António Gonçalves