UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ JULIANA APARECIDA GOMES NATO Trabalho de Iniciação Científica COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRO: AÇÕES DO GOVERNO FEDERAL PARA A DESBUROCRATIZAÇÃO DOS PROCESSOS DE EXPORTAÇÃO ITAJAÍ 2015 JULIANA APARECIDA GOMES NATO Trabalho de Iniciação Científica COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRO: AÇÕES DO GOVERNO FEDERAL PARA A DESBUROCRATIZAÇÃO DOS PROCESSOS DE EXPORTAÇÃO Trabalho de Iniciação Científica desenvolvido para o Estágio Supervisionado do Curso de Comércio Exterior do Centro de Ciências Sociais Aplicadas – Gestão da Universidade do Vale do Itajaí. Orientador: Prof. MSc. Júlio Cesar Schmitt Neto ITAJAÍ 2015 Agradeço em primeiro lugar à Deus, à minha família, amigos, e aos professores, por todo o conhecimento adquirido e por terem sido exemplos não somente como profissionais mas principalmente como pessoas. Em especial agradeço ao professor Julio, pela orientação para a realização deste trabalho. “Quase sempre a maior ou menor felicidade depende do grau de decisão de ser feliz.” (Abraham Lincoln) EQUIPE TÉCNICA a) Nome da estagiária Juliana Aparecida Gomes Nato b) Área de estágio Sistemática de Exportação c) Orientador de conteúdo Prof. MSc. Julio Cesar Schmitt Neto d) Responsável pelo Estágio Profª. MSc. Natalí Nascimento RESUMO A burocracia nos processos de comércio exterior foi apontada como um dos principais entraves para os exportadores brasileiro, em uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional das Indústrias, publicada em Janeiro de 2014. Com a necessidade de aumentar o fluxo de comércio internacional, a Organização Mundial do Comércio (OMC), lançou o Acordo de Facilitação de Comércio durante a Conferência de Bali em dezembro de 2013, com o intuito de harmonizar e simplificar os processo aduaneiros. Para tanto, o governo brasileiro vem implementando medidas e programas que, além de a reduzir a burocracia dos processos de comércio exterior, promoverá o crescimento da economia do país. Diante do exposto, o presente trabalho tem como objetivo apresentar as ações do governo federal brasileiro para a desburocratização dos processos de comércio exterior nas exportações. Os objetivos específicos compreendem em apontar os principais entraves burocráticos nas exportações brasileiras, apresentar as principais discussões nacionais e internacionais sobre a desburocratização dos processos de comércio exterior e apresentar as últimas medidas do Governo Federal Brasileiro para minimizar a burocracia dos processos de exportação. A metodologia utilizada foi de abordagem qualitativa, de caráter descritivo e utilizou-se de dados secundários. Através da pesquisa foi possível apontar os principais entraves burocráticos encontrados pelos exportadores brasileiros, divulgados pela pesquisa da Confederação Nacional das Indústrias. A importância das discussões nacionais e internacionais em prol da desburocratização dos processos de comércio exterior, das quais destacouse a nona conferência ministerial ocorrida em Bali onde foi lançado o Acordo de Facilitação de Comércio, que deve ser adotado pelos países membros da OMC. O governo brasileiro vem atendendo esse acordo internacional, através de programas e medidas implementados recentemente, mas com expectativas de ganhos significativos para as exportações brasileiras no futuro, principalmente em relação à diminuição de custos e à agilidade na liberação de cargas. Palavras-chave: Desburocratização. Exportações brasileiras. Ações governamentais. 7 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 8 1.1 Objetivo geral ................................................................................................... 9 1.2 Objetivos específicos ........................................................................................ 9 1.3 Justificativa da realização do estudo ................................................................ 9 1.4 Aspectos metodológicos ................................................................................. 10 1.5 Técnicas de coleta e análise dos dados ......................................................... 11 2 COMÉRCIO INTERNACIONAL ......................................................................... 12 2.1 Comércio exterior brasileiro ............................................................................ 14 2.1.1 Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC)....... 16 2.1.2 Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) ..................................................... 17 2.1.3 Secretaria de Comércio Exterior (Secex) .................................................... 19 2.1.4 Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX) 21 2.1.5 Receita Federal do Brasil (RFB) ................................................................. 22 2.1.6 Banco Central do Brasil (Bacen) ................................................................. 22 2.1.7 Ministério das Relações Exteriores (MRE) .................................................. 23 2.2 Exportação ..................................................................................................... 24 3 ÓRGÃOS INTERNACIONAIS E NACIONAIS DE APOIO AO COMÉRCIO EXTERIOR ................................................................................................................ 29 3.1 Organização Mundial do Comércio - OMC ..................................................... 29 3.2 Associção de Comércio Exterior Brasileiro - AEB .......................................... 32 3.3 Confederação Nacional das Indústrias - CNI.................................................. 34 4 OS PRINCIPAIS ENTRAVES BUROCRÁTICOS E AS PRINCIPAIS DISCUSSÕES SOBRE A DESBUROCRATIZAÇÃO NAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS ........................................................................................................... 36 4.1 Conferência Ministerial de Bali ....................................................................... 38 4.2 ENAEX ........................................................................................................... 41 4.3 Encomex......................................................................................................... 43 5 AS MEDIDAS DO GOVERNO FEDERAL BRASILEIRO PARA MINIMIZAR A BUROCRACIA NOS PROCESSOS DE EXPORTAÇÃO .......................................... 45 5.1 Portal Único do Comércio Exterior ................................................................. 45 5.2 Programa Brasileiro de Operador Econômico Autorizado (OEA) ................... 52 5.3 Porto Sem Papel ............................................................................................ 57 5.4 Plano Nacional de Exportação ....................................................................... 60 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................... 63 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 65 ASSINATURA DOS RESPONSÁVEIS ...................................................................... 72 8 1 INTRODUÇÃO O processo de globalização, que permite a integração entre as mais diversas nações, fez com que os países se tornassem interdependentes, principalmente no que diz respeito à compra e venda de produtos. Essas relações comerciais contribuem para o crescimento e o desenvolvimento econômico dos países. Com a participação do Brasil no comércio internacional, surgem novas possibilidades de se estabelecer parcerias e acordos comerciais importantes para o aumento de seus negócios. Segundo Keedi (2011), as exportações possuem um importante papel para a economia de um país pois permite o aumento de compradores, proporcionando assim uma diluição de riscos mediante à uma crise no mercado interno; aumenta a produção gerando assim maior empregabilidade; permite a entrada de divisas que serão utilizadas para compras internacionais, pagamentos de juros e dívidas, pagamentos de serviços e promove equilíbrio econômico. Sendo o comércio internacional de suma importância para o desenvolvimento do país, faz-se necessária a intervenção do governo para que as exportações brasileiras tenham maior incentivo junto às empresas como forma de impulsionar a economia. Mas quais são os principais entraves que impedem essa expansão e o que se têm feito para mudar esse cenário? Para entender melhor essa questão este trabalho tem como objetivo apresentar as ações do Governo Federal Brasileiro para a desburocratização nos processos de exportação brasileira. Para tanto apresenta-se as principais discussões nacionais e internacionais sobre a desbrurocratização dos processos de comércio exterior, aponta-se os principais entraves burocráticos nas exportações brasileiras e apresenta-se as últimas medidas do Governo Federal brasileiro para minimizar a burocracia dos processos de exportação. O presente trabalho encontra-se estruturado da seguinte maneira: o primeiro capítulo apresenta a metodologia e as fontes utilizadas para a pesquisa. Já o segundo capítulo aborda o comércio internacional, o comércio exterior brasileiro e sua estrutura e o processo de exportação. O terceiro capítulo apresenta os órgãos nacionais e internacionais de apoio ao comércio exterior. No quarto capítulo são apontados os principais entraves burocráticos e as principais discussões sobre a 9 desburocratização nas exportações brasileiras. E por fim, o quinto capítulo aborda as medidas do governo federal brasileiro para minimizar a burocracia no comércio exterior. 1.1 Objetivo geral O presente trabalho tem como objetivo geral apresentar as principais ações do governo federal brasileiro para a desburocratização dos processos de exportação. 1.2 Objetivos específicos Apontar os principais entraves burocráticos nas exportações brasileiras. Apresentar as principais discussões nacionais e internacionais sobre a desburocratização dos processos de comércio exterior Apresentar as últimas medidas do Governo Federal Brasileiro para minimizar a burocracia dos processos de exportação. 1.3 Justificativa da realização do estudo As exportações são de suma importância para o desenvolvimento de um país pois interferem diretamente na sua economia. As exportações brasileiras não possuem uma participação expressiva no comércio internacional, e alguns aspectos burocráticos nos procedimentos impedem esse crescimento econômico. Com isso, este trabalho justifica-se para um maior conhecimento das dificuldades que impedem a expansão das exportações brasileiras, e o que se tem feito para que essas barreiras sejam minimizadas. 10 Para a Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) e para o curso de Comércio Exterior, as informações disponibilizadas poderão levantar discussões para melhorias no âmbito político. Para a sociedade a pesquisa é relevante pois ajudará a entender e verificar quais as principais barreiras encontradas pelas empresas brasileiras que impedem a expansão de suas vendas no comércio internacional. Para a acadêmica proporcionou o conhecimento em relação às dificuldades enfrentadas pelos exportadores no cenário atual, assim como os novos procedimentos disponbilizados pelo governo para a desburocratização do comércio exterior brasileiro. A pesquisa tornou-se viável devido a facilidade da coleta de dados, que teve como base a pesquisa realizada pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI) intitulada ‘Entraves às exportações brasileiras’ publicada em 2014, assim como sites especializados e artigos científicos. 1.4 Aspectos metodológicos Para a realização do presente trabalho foi utilizada a abordagem qualitativa, a qual procura não enumerar ou medir os eventos estudados e não se utiliza de instrumental estatístico. O pesquisador, que é a peça fundamental, obteve os dados descritivos de processos, pessoas e lugares, através do contato direto com as fontes, e analisou o fenômeno segundo a perspectivas dos sujeitos que participaram da situação estudada. (GODOY, 1995). A pesquisa realizada teve caráter bibliográfico. A pesquisa bibliográfica procura explicar um problema a partir de referências teóricas publicadas em documentos. Pode ser realizada independentemente ou como parte da pesquisa descritiva ou experimental. Em ambos os casos, busca conhecer e analisar as contribuições culturais ou científicas do passado existentes sobre um determinado assunto, tema ou problema. (CERVO; BERVIAN, 1996, p. 48). Em relação aos objetivos, é uma pesquisa de caráter descritivo. Segundo Cervo e Bervian (1996, p. 50) “Trata-se do estudo e da descrição das características, 11 propriedades ou relações existentes na comunidade, grupo ou realidade pesquisada.”. 1.5 Técnicas de coleta e análise dos dados Os dados necessários para a realização deste trabalho foram obtidos e analisados através de pesquisa à fontes secundárias, que refere-se a todo material publicado pertinente ao assunto, como por exemplo, monografias, teses, livros, pesquisas, sites especializados, entre outros. (MARCONI; LAKATOS, 1999). Para melhor compreensão esses dados são apresentados na forma de texto descritivo, figuras e tabelas. 12 2 COMÉRCIO INTERNACIONAL O comércio internacional compreende a troca de bens e serviços entre países, ocorrendo a movimentação de capitais. Essa troca é regida por normas e regras, as quais são estabelecidas através de acordos negociados com a intervenção de órgãos internacionais e posteriormente adotados pelos países signatários.(LOPEZ;GAMA, 2010). Além de promover harmonia entre os países, o comércio contribui para a descoberta da tecnologia, ocasionando o progresso mundial. A tendência é um crescimento contínuo dessas trocas comerciais, devido ao constante aumento da população e a diversificação de gostos e especialização. (CAMPOS, 1990). O comércio internacional sempre se expande mais rápido do que o crescimento econômico. Entre o final de 1940 e 2013, esse pressuposto torna-se realidade. O comércio cresceu aproximadamente duas vezes mais rápido que a economia mundial por ano, novos mercados se abriram, os governos assinaram acordos de livre comércio, novas indústrias e consumidores surgiram, e o avanço tecnológico criou um comércio internacional mais barato e mais rápido. (KURLANTZIK, 2013, p.1, tradução nossa). De acordo com Di Sena, (2003, p.47) “Desde a II Guerra Mundial, as barreiras alfandegárias foram paulatinamente reduzidas[…]. A eliminação das barreiras naturais ao comércio impulsionou a globalização e fez crer que os benefícios dela advindos atingiriam a todos.”. Entre os organismos internacionais intervenientes no comércio internacional encontra-se a Organização Mundial do Comércio (OMC), “Instituída para administrar um novo sistema regulador do comércio internacional que pudesse atender às exigências do mercado internacional […] auxiliando a inserção […] dos menos desenvolvidos no ambiente global.” (LOPEZ; GAMA, 2010, p. 109). Além da OMC, segundo Gomez e Gama (2011) entre os principais organismos intervenientes do comério internacional pode-se citar: Organização das Nações Unidas (ONU), instituída após a 2ª Grande Guerra, para promover o desenvolvimento econômico e social de todos os povos. 13 Fundo Montário Internacional (FMI), que tem como objetivos garantir o bom andamento do sistema financeiro internacional, favorecendo um crescimento equilibrado do comércio, intervir no sistema cambial e moderar desequilíbrios graves nos balanços de pagamentos evitando assim perigos à prosperidade em nível nacional e internacional. Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), assim como o FMI, foi criado após a 2ª Grande Guerra, com o objetivo de financiar programas junto à países em desenvolvimento, em prol da melhoria nas condições de vida dos povos. Organização Mundial das Aduanas (OMA), trata exclusivamente sobre questões aduaneiras, mas também é responsável pela adminstração do Sistema Harmonizado de Nomenclatura e Classificação de Mercadorias (SH) e dos aspectos técnicos dos Acordos da OMC sobre Valoração Aduaneira e Regras de Origem. Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), criado em 1959, tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento econômico de seus Países membros, assim como para o crescimento do comércio exterior. Unctad, “[…] Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, estabelecida em 1964, […] Ela promove a integração entre os paíse sem desenvolvimento na economia mundial[…]” (KEEDI, 2011, p. 33). Conforme dados divulgados pela Organização Mundial do Comércio (OMC), o fluxo de comércio tem aumentado drasticamente nas últimas três décadas. No período de 1980 à 2011 as exportações subiram de US$ 2,03 trilhões para US$ 18,26 trilhões, já os serviços tiveram um crescimento maior no mesmo período, dos US$ 367 bilhões chegaram à US$ 4,17 trilhões. A causa dessa expansão deve-se à um conjunto de fatores, e um deles coincidiu com a redução das barreiras comerciais, as quais pode-se citar: as barreiras políticas (tarifárias e não-tarifárias), os custos de transporte, custos de execução de contratos, procedimentos de desembaraço aduaneiro, a burocracia administrativa, dentre outros. (WORLD TRADE ORGANIZATION, 2013). 14 2.1 Comércio exterior brasileiro Para a atuação do Brasil no Comércio Internacional, são necessárias regras e normas para que se possa ter controle dos processos e trâmites necessários afim de se concretizar a compra ou a venda de mercadorias ou serviços. Para Vazquez (2012, p.179, grifo do autor) o “[...]comércio exterior representa a relação comercial de um país específico com os demais, expressa em termos, regras e normas internas (legislação), em função de propósitos, prioridades, limitações e exigências [...].” Essa relação não precisa necessariamente estar ligada à abundância ou à falta de recurso, clima, capital, trabalho, dentre outros, mas a sua importância pode ir além de motivos comerciais e fazer parte de contatos e ações entre países. Quando se mantém relações comerciais com mercados alternativos, elimina-se ocorrências e eventos que existiriam trabalhando somente com um único mercado. (KEEDI, 2011). A principal diferença entre o comércio interno e o exterior, é que o vendedor e o comprador estão em dois países diferentes, sendo assim as regras e normas a serem respeitadas serão as internas dos países intervenientes e as leis internacionais. Segundo Werneck (2007), nessa operação quatro pontos devem ser levados em conta: O aspecto negocial: compreende a negociação do preço, termos de pagamento, contrato e emissão da fatura. Para facilitar a negociação foram criados os os INCOTERMS, que de terminam a responsabilidade de cada parte, no que diz respeito ao transporte , seguro e onde será disponibilizada a mercadoria. O aspecto logístico: envovolve a embalagem, as condições da mercadoria, todo o transporte interno ou internacional, embarques , desembarque , armazenagens e a entrega no destino final. O aspecto cambial: envolve toda a operação necessária para o pagamento ao exportador, entre escolha da moeda, conversões necessárias e o contrato de câmbio. O aspecto fiscal: abrange a emissão dos documentos , os desembaraços de exportação e de importação. 15 A inserção de um país no comércio mundial, faz com que os processos de desenvolvimento e crescimento de sua economia acelerem. E quanto maior essa inserção melhor será a condição de competitividade do país e das suas empresas. (KEEDI, 2011). As principais razões pelas quais um país decide entrar no comércio internacional segundo Maluf (2000, p. 23-24) são: Alternativa de mercado; Redução dos custos; Redução de tributos; Aprimoramento na qualidade, tecnologia e geral da empresa; Informações e tendências de mercado; Oportunidades vislumbradas. Os países sempre terão a necessidade de importar mercadorias que não produzem, assim como exportar o excesso de sua produção. Mas além das mercadorias, temos também a entrada e saída de pessoas com seus pertences em outros países, promovida pela curiosidade, lazer, conhecimento, congressos, seminários , intercâmbios de estudantes, e isso influencia diretamente na saúde e na empregabilidade daquele Estado. Para isso o Brasil utiliza-se de instrumentos, sejam eles de política interna e de política externa (tratados internacionais), para se proteger e se desenvolver. (WERNECK, 2007). A política de comércio exterior Pode ser definida como o ato de governar do Estado com vistas à consecução e à salvaguarda dos “objetivos nacionais”, no que concerne ao comércio do país com os demais. Assim, o governo é quem deve dar as condições necessárias aos empresários/comerciantes para que os mesmos possam adotar sistemas e procedimentos compatíveis com o interesse nacional do momento. (MALUF, 2000, p. 26). É importante o incentivo do governo à iniciativa privada através de sistemas e procedimentos utilizando-se de mecanimos e instrumentos de apoio, que aumentem a sua participação no comércio exterior, tendo como base o interesse nacional do momento. As principais áreas para essa intervenção, segundo Lopez e Gama (2010) são: Administrativa: regulamentar as operações de forma que o produto seja competitivo. 16 Fiscal/Tributária: cobranças de impostos diferente na exportação e na importação,através de regimes especiais, como na importação para a industrialização e posterior exportação. Financiamento: linhas de créditos especiais, para promover o aumento das exportações, e a garantia de créditos para tarefas e giros financeiros mais longos. Cambial/Monetária:procurar equilibrar a moeda . Promoção: ajudar os exportadores à encontrar parceiros com menor custo. Infraestrutura: Porporcionar estruturas e meio físicos para a movimentação das cargas assim como a expedição ao exterior. Logística: promover a integração e facilitação dos processos de comércio exterior. Dependendo da intervenção feita pelo governo em algumas dessas áreas poderá fazer muita diferença na hora da venda ou da compra de mercadorias estrangeiras, chegando a dificultar ou até mesmo inviabilizar a operação. Para auxiliar o governo brasileiro a controlar e fiscalizar o comércio exterior, serão apresentados nos próximos subcapítulos os principais órgãos intervenientes no comércio exterior. 2.1.1 Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) O MDIC é o principal órgão envolvido no comércio exterior brasileiro, e segundo Brasil (2014a, p. 1), sua missão é “Formular, executar e avaliar políticas públicas para a promoção da competitividade, do comércio exterior, do investimento e da inovação nas empresas e do bem-estar do consumidor.” Ele é responsável por todas as políticas e ações assim como regulamentação e execução de programas relacionados ao comércio exterior brasileiro, além de realizar missões comerciais, levando empresários em visitas à outros países afim de aumentar o número de compradores e apresentar produtos. (KEEDI, 2011). 17 De acordo com Brasil (2014a), os órgão vinculados ao MDIC são: Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO),Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); já as seguintes entidades sem fins lucrativos possuem um contrato de gestão e recebem recursos do ministério: Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimento (Apex-Brasil). 2.1.2 Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) A CAMEX, juntamente com o MDIC, é o órgão interveniente que está diretamente relacionado com a política aduaneira, desde a formulação até a sua coordenaçãos. “[...] é um órgão integrante do Conselho de Governo da Presidência da República e tem por objetivo a formulação, adoção, implementação e coordenação de políticas e atividades relativas ao comércio exterior de bens e serviços, incluindo o turismo.” (BRASIL, 2014b, p. 1). A Camex tem como órgão de deliberação superior e final um Conselho de Ministros composto pelos seguintes Ministros: do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Presidente), das Relações Exteriores, da Fazenda, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, do Planejamento, Orçamento e Gestão, do Desenvolvimento Agrário e Chefe da Casa Civil da Presidência da República. (RATTI, 2006, p. 220) De acordo com Keedi (2011), titulares de outros órgãos ou entidades poderão ser chamados para participar das reuniões desse Conselho, sempre que na pauta constar um assunto referente à sua área de atuação. Outros órgãos que integram a CAMEX são: GECEX (Comitê Executivo de Gestão), responsável por avaliar o impacto; supervisionar e aperfeiçoar qualquer trâmite, barreira ou exigência burocrática em relação ao comércio exterior, incluindo cargas ou pessoas. 18 COFIG (Comitê de Financiamento e Garantia das Exportações), atua diretamente nos programas PROEX (Programa de Financiamento às Exportações e o FGE (Fundo estabelecendo parâmetros e de Garantia à Exportação), condições de assistência financeira e garantia à União. CONEX (Conselho Consultivo do Setor Privado), formado por 20 representantes do setor privado (da produção, da importação, da exportação), que assessoram o GECEX através da utilização de estudos e propostas para o aperfeiçoamento da política de comércio exterior. Secretaria Executiva, assistência direta ao Presidente do Conselho de Ministros; preparação das reuniões, acompanhamento da implementação das deliberações e diretrizes, do Conselho de Ministros e da GECEX; realização e promoção estudos e preparação de propostas para o Conselho de Ministros, GECEX e CONEX. De acordo com Brasil (2014b, p. 1-3) entre as competências da Camex, destacam-se: • definir diretrizes e procedimentos relativos à implementação da política de comércio exterior; • coordenar e orientar as ações dos órgãos que possuem competências na área de comércio exterior; • definir, no âmbito das atividades de exportação e importação, diretrizes e orientações sobre normas e procedimentos, para os seguintes temas, observada a reserva legal: a) racionalização e simplificação do sistema administrativo; b) habilitação e credenciamento de empresas para a prática de comércio exterior; c) nomenclatura de mercadoria; d) conceituação de exportação e importação; e) classificação e padronização de produtos; f) marcação e rotulagem de mercadorias; e g) regras de origem e procedência demercadorias; • estabelecer as diretrizes para as negociações de acordos e convênios relativos ao comércio exterior, de natureza bilateral, regional ou multilateral; • orientar a política aduaneira, observada a competência específica do Ministério da Fazenda; • formular diretrizes básicas da política tarifária na importação e exportação; • estabelecer diretrizes e medidas dirigidas à simplificação e racionalização do comércio exterior; • estabelecer diretrizes e procedimentos para investigações relativas a práticas desleais de comércio exterior; • fixar diretrizes para a política de financiamento das exportações de bens e de serviços, bem como para a cobertura dos riscos de operações a prazo, inclusive as relativas ao seguro de crédito às exportações; 19 • fixar diretrizes e coordenar as políticas de promoção de mercadorias e de serviços no exterior e de informação comercial; • opinar sobre política de frete e transportes internacionais, portuários, aeroportuários e de fronteiras, visando à sua adaptação aos objetivos da política de comércio exterior e ao aprimoramento da concorrência; • orientar políticas de incentivo à melhoria dos serviços portuários, aeroportuários, de transporte e de turismo, com vistas ao incremento das exportações e da prestação desses serviços a usuários oriundos do exterior; • fixar as alíquotas do imposto de exportação, respeitadas as condições estabelecidas em lei; • fixar as alíquotas do imposto de importação, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei; • fixar e suspender salvaguardas, direitos antidumping e compensatórios, provisórios ou definitivos; • estender as medidas antidumping e compensatórias a terceiros países, bem como a partes, peças e componentes dos produtos objeto de medidas vigentes; • homologar compromissos de preços no âmbito dos processos de defesa comercial; • definir a utilização das receitas oriundas da cobrança dos direitos antidumping e compensatórios, bem como sua extensão, e das receitas oriundas da cobrança das salvaguardas; • alterar, na forma estabelecida nos atos decisórios do Mercado Comum do Sul - MERCOSUL, a Nomenclatura Comum do MERCOSUL; • adotar medidas para proteger os interesses comerciais brasileiros nas relações comerciais com países que descumprirem acordos firmados bilateral, regional ou multilateralmente, inclusive de retaliação; • deliberar sobre as matérias submetidas pelos membros e órgãos integrantes. A CAMEX tem um papel importante para o desenvolvimento do comércio exterior brasileiro, pois pode intervir nas políticas aduaneiras, de promoção de mercadorias e serviços e no estabelecimento de diretrizes de negociação para acordos e convênios entre um ou mais países. Essa intervenções influenciam diretamente na decisão e na efetiva entrada de uma empresa que pretende iniciar sua atuação no mercado internacional. 2.1.3 Secretaria de Comércio Exterior (Secex) A Secex é o órgão licenciador do comércio exterior, responsável pela parte comercial do tratamento administrativo. Utiliza-se de ações e ferramentas para tornar o produto brasileiro mais competitivo no cenário mundial, através da promoção da cultura exportadora, do aperfeiçoamento dos mecanismos adequação do setor do produtivo. (LOPEZ;GAMA, 2010). operacionais e 20 Conforme Brasil (2014c), Lopez e Gama (2010), Keedi (2011), Ratti (2006) e Werneck (2007), para realizar todas as atividades às quais a Secex está incumbida, foram criados quatro departamentos: DEAEX - Departamento de Estatística e Apoio à Exportação: antigo Departamento de Planejamento e Desenvolvimento do Comércio Exterior (Depla) disseminar a cultura exportadora, através da capacitação e qualificação dos profissionais de comércio exterior, gestores públicos , empresários. Garantir a celeridade , simplificação e segurança dos sistemas de informação e gestão de comércio exterior; DECEX - Departamento de Operações de Comércio Exterior: responsável pela administração do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX), pelas operações de comércio exterior como a análise e deliberação do Licenciamento de Importação (LI), Registro de Exportação (RE), Atos concessórios de Drawback (AC), nas modalidades isenção e suspensão, importação de bens usados, desenvolvimento de estratégias de comercialização externa. DEINT - Departamento de Negociações Internacionais: participação das negociações de Tratados Internacionais de bens e serviços juntamente com outros órgãos governamentais, administra o Sistema Geral de Preferências (SGP) e o Sistema Global de Preferêncas Comerciais (SGPC), estuda e propõem alterações na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). DECOM - Departamento de Normas e Competitividade: examina e conduz os pedidos de investigação de dumping, apóia as empresas submetidas às investigações no que se refere ao dumping, promove a cultura exportadora através de parcerias e financiamentos. DECOE - Departamento de Competitividade no Comércio Exterior: atuar na promoção comercial dos produtos brasileiros no exterior, e garantir a harmonia nas normas e procedimentos das operações de comércio exterior. A última reestruturação da Secex foi ano de 2013, onde foram criados o DEAEX e o DECOE conforme definido no Decreto n° 8.058/2013. Conforme o secretário do comércio exterior, Daniel Godinho, essa não foi somente uma 21 mudança de títulos mas sim de processos, rotinas e tarefas necessário para suprir a demanda existente. (BRASIL, 2014d). 2.1.4 Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX) A Apex é um órgão independente mas que trabalha em conjunto com o MDIC, e promove as exportações de bens e serviços, trabalhando diretamente com cerca de 60 entidades de classes de setores industriais, auxiliando empresas que ainda não são exportadoras até aquelas que buscam mais avanços na internacionalização. (LOPEZ; GAMA, 2010; KEEDI, 2011). “A APEX atua para promover os produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira.” (BRASIL, 2015b, p. 1). De acordo com Ratti (2006, p. 233) , a APEX possui a seguinte estrutura: a) Conselho deliberativo – composto por representantes do Ministério do Desenvolvimento, Ministério das Relações Exteriores, Camex, BNDES, Confederação Nacional da Indústria (CNI), Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas empresas (Sebrae); b) Conselho Fiscal – Composto por um representante do Ministério do Desenvolvimento, da Camex e do Sebrae; c) Diretoria Executiva: Composta por um presidente, indicado pelo presidente da República, e por dois diretores, indicados pelo Conselho Deliberativo. Dentre as principais atividades desempenhadas pela APEX pode-se citar: prospecção de mercados, promover eventos tendo o Brasil como tema, fazer acordos de cooperação com redes internacionais, promover a participação de empresas brasileiras em feiras e encontros internacionais e inserir as empresas no mercado internacional. (KEEDI,2011) 22 2.1.5 Receita Federal do Brasil (RFB) A RFB é um dos órgãos mais importantes do Ministérios da Fazenda (MF). “O MF é o órgão que na estrutura administrativa da República Federativa do Brasil cuida basicamente da formulação e execução da política econômica.” (BRASIL, 2014f, p. 1). É de competência da RFB, a política, administração, fiscalização, arrecadação tributária e aduaneira, assim com a fiscalização e controle do comércio exterior. Está presente em todos os portos, aeroportos e pontos de fronteiras, e também na zona secundária onde é permitida a nacionalização ou desnacionalização de mercadorias. Além disso também realiza, atualiza e aplica a nomenclatura brasileira de mercadorias e participa de discussões internas e internacionais a esse respeito. (KEEDI, 2011) 2.1.6 Banco Central do Brasil (Bacen) O Bacen também está vinculado ao MF e foi criado em 1964 em substituição à Superintedência da Moeda e do Crédito (Sumoc), que exercia o controle monetário no país e preparava a organização de um banco central no país. Antes da atuação do Bacen, o Banco do Brasil era quem respondia pelas operações de comércio exterior e execução de operações de câmbio. (KEEDI, 2011). Segundo Brasil (2014g, p. 1),o Bacen É o principal executor das orientações do Conselho Monetário Nacional e responsável por garantir o poder de compra da moeda nacional , tendo por objetivos: zelar pela adequada liquidez da economia; manter as reservas internacionais em nível adequado; estimular a formação de poupança; zelar pela estabilidade e promover o permanente aperfeiçoamento do sistema financeiro. De acordo com Brasil (2014h, p.1) 23 O Conselho Monetário Nacional (CMN) é o órgão superior do Sistema Financeiro Nacional e tem a responsabilidade de formular a política da moeda e do crédito, objetivando a estabilidade da moeda e o desenvolvimento econômico e social do País. Dentre as principais atuações do Bacen dentro do comércio exterior brasileiro, cita-se a autorização para as instituições bancária poderem atuar na área de câmbio. Essa autorização pode ser direta, uma decisão pontual ou indireta com base nas normas, sem necessidade de consulta. (KEEDI, 2011). 2.1.7 Ministério das Relações Exteriores (MRE) O MRE é um órgão interveniente muito importante para o comércio exterior principalmente em relação à prospecção de mercados. Para Maluf (2000, p. 47), O Ministério das Relações Exteriores tem um papel fundamental no desenvolvimento do comércio exterior do Brasil, uma vez que ele atua no campo da política internacional, das relações diplomáticas e consulares dos Programas de Cooperação Internacional, participa nas negociações bilaterais, comerciais, financeiras, técnicas e outras com países e entidades estrangeiras. O MRE mantém departamento e pessoal exclusivo para atividades relacionadas ao comércio exterior, assim como fazem as demais nações, pois é uma das principais atividades nas relações entres os países. As representações diplomáticas brasileiras localizadas em áreas estrangeiras são obrigadas a apontar as oportunidades de negócios que surjam no mercado onde estão presentes. Esse acompanhamento in loco permite a avalição da economia daquele país, seu desenvolvimento, crises, produção, aceitação, além de promover missões internacionais e assim estabelecer novos negócios e desenvolver novos mercados. (KEEDI, 2011). 24 O comércio exterior brasileiro possui muitos órgãos envolvidos nas operações, neste item foram apresentados os principais. Além das muitas atribuições, alguns desses órgãos ajudam na promoção comercial de produtos no exterior, de suma importância para as empresas que buscam a internacionalização. A maneira mais fácil de ingressar no comércio internacional é a exportação, que será abordada no próximo capítulo. 2.2 Exportação Exportação é a saída da mercadoria do território aduaneiro. Segundo Keedi (2011, p. 19) “Exportar é o ato de remeter a outro país mercadorias produzidas em seu próprio ou em terceiros países, […] que proporcione a ambos envolvidos vantagens na sua comercialização ou troca.”. A exportação é diretamente responsável pelo desenvolvimento econômico da empresa e do país simultaneamente. A atuação no mercado internacional permitirá à empresa um confronto direto com outros concorrentes, outras realidades, que tornará a empresa mais competitiva em relação aos concorrentes nacionais. (MINERVINI, 2012). Segundo Castro (2011), Keedi (2011), Lopez (2010), Minervini (2012). Ratti (2006) e Vazques (2012), entre as vantagens para a exportação, encontram-se: a entrada de divisas no país, permitindo assim a aquisição de produtos importados não fabricados no mercado interno, pagamento de juros e dívidas e para manter o equilíbrio econômico; a diversificação de mercados, aumentando assim o número de compradores no exterior para superar dificuldades de vendas no mercado interno ou a sazonalidade do produto, além de evitar riscos de instabilidade decorrentes de eventuais alterações na política econômica nacional; a redução de custos de fabricação devido a melhor utilização das instalações através da economia de escala na produção, maiores 25 quantidades de unidades produzidas e adquiridas, assim como devido a capacidade de negociação de matérias-primas, e a diminuição da carga tributária por meio de incentivos fiscais; maior desenvolvimento tecnológico para melhorar a qualidade do produto devido às exigências do mercado internacional, e atribuindo prestígio e status ao produto no mercado interno, e aumentando assim a sua competitividade. De acordo com Castro (2011), para que a exportação represente uma alternativa segura, e permita a abertura de novas fronteiras, a expansão e a consolidação de mercados que já tenham sido conquistados, é importante o conhecimento do seguintes aspectos: informação é essencial no comério exterior, conhecer o importador, assim como a situação econômica do país, suas reservas internacionais, situação politica e social, dívida externa entre outros; o bom conhecimento do inglês ou do idioma do importador poderá evitar constrangimentos, mal-entendidos e dificuldades, e aumentar suas vendas; os resultados de uma exportação demandam tempo para concretizarem-se, por isso é necessário persistência para viabilizar-lá; É importante salientar que, ainda no início do processo de exportação a empresa faça uma avaliação sobre a sua capacidade exportadora. Segundo Minervini (2012, p. 5, grifo do autor), Capacidade Exportadora é a aptidão que tem a empresa de adequar-se às variáveis do mercado internacional, realizando internamente uma série de alterações, tanto na área de recursos humanos quanto na área de projetos, produtividade, comunicação e gestão. Por variáveis de mercado entende-se a cultura, moeda, normas, concorrências, dentre outras. A entrada no comércio internacional deve ser analisada antes de tomar uma decisão, pois muitas empresas decidem entrar nesse mercado por não estarem mais tendo sucesso no mercado interno. É necessário avaliar se não seria mais fácil talvez melhorar a participação no mercado doméstico. (MINERVINI, 2012). 26 Podem exportar pessoa jurídica e física, desde que estejam inscritas no REI (Registro de exportadores e importadores) da Secex, que ocorre no momento da primeira operação realizada no SISCOMEX. A pessoa física poderá exportar mercadorias em quantidade que não caracterize prática de comércio e não seja habitual, com exceção para os seguintes casos: agricultor ou pecuarista, cujo imóvel rural esteja cadastrado no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), ou artesão, artista ou assemelhado, registrado como profissional autônomo. Não há necessidade de inscrição no REI para exportação por remessa postal, com ou sem cobertura cambial, até US$ 50.000,00 (ou valor equivalente em outra moeda), com exceção para donativos, produto com exportação proibida ou suspensa, exportação com margem não sacada de câmbio, exportação vinculada a regimes aduaneiros especiais e atípicos e exportação sujeita a Registro de Operações de Crédito - RC. A inscrição ao REI poderá ser cancelada, negada ou suspensa até dois anos devido à infrações de natureza fiscal, cambial e de comércio exterior, ou abuso de poder econômico. (BRASIL, 2014i). A escolha do produto e do mercado estrangeiro a ser explorado para comercialização depende de alguns aspectos importantes. Segundo Lopez e Gama (2010) e Minervini (2012), deve-se identificar, dentro da linha de produtos, qual será aquele que atenderá o consumidor e também terá vantagens competitivas. Muitos países colocam barreiras para a importação de alguns produtos, como controles de ordem sanitária, burocrática e documental, assim como limites quantitativos, o que poderá inviabilizar a comercialização. Os fatores que podem exigir algumas adaptações aos produtos são: culturais, ergonômicos, climáticos e normativos. Além desses pontos, é importante destacar que a inovação, o controle de qualidade, materiais utilizados na fabricação e exigências à segurança, são importantes requisitos para uma próspera e duradoura exportação. Outro importante ponto, é conhecer o mercado-alvo no qual se pretende atuar. A busca por esses mercados podem ser realizadas através de escritórios de promoção comercial das embaixadas brasileiras, câmaras de comércio bilaterais, revistas especializadas, feiras internacionais, bancos, sites governamentais, principalmente aqueles do MDIC e da APEX, dentre outros. Os mercados mais procurados geralmente são: os mais próximos, em franco crescimento, similares culturalmente, com competições menos agressivas e que apresentem grande 27 potencial para o produto, geralmente grandes mercados como Índia, China, Estados Unidos, dentre outros. De acordo com Keedi (2011), Lopez e Gama (2010) as formas de exportação, podem ser as seguintes: Direta: a empresa é responsável por todo o controle do processo, desde a negociação até a entrega efetiva da mercadoria ao exportador, também a emissão de documentos internos e externos, contratação de câmbio, e demais procedimentos operacionais. Para todos os efeitos legais e comerciais, o fabricante terá os benefícios, ônus, problemas, gastos, ganhos, perdas, dentre outros. Apesar de grande exigência por parte da empresa, esta é a melhor forma de conseguir maior lucratividade e crescimento internacional. Indireta: o fabricante vende para uma comercial exportadora no mercado interno, a qual realizará exportação própria a posteriori, e em muitos casos sem o conhecimento do próprio fabricante. Outra forma de exportação indireta é através de trading companies. É como se o fabricante tivesse feito a exportação, contrata-se o serviço da trading que será responsável por todo o trâmite legal de exportação e controle do processo, assumindo eventuais riscos e tendo custos. A desvantagem dessa forma de exportação é o preço de venda reduzido, e o desaparecimento da sua marca e seu nome pois eles não aparecerão no exterior, no caso da comercial exportadora. Consórcio: empresas de pequeno porte, com pouca estrutura para o comércio exterior, que se juntam para otimizar a exportação. “O consórcio de exportação é um grupo de empresas cujo objetivo é unir sinergias e aumentar a competitividade, reduzindo assim os riscos e os custos da internacionalização.” (MINERVINI, 2012, p. 237). As vantagens são: redução de custos, maior oferta de mercadorias, maior poder de aquisição de matéria-prima, maior facilidade para obter financiamento, possibilidade de criação de marca própria no exterior. A exportação é reponsável direta e simultaneamente para o crescimento da empresa e o crescimento econômico do país, e as empresas podem ainda contar com o apoio de órgãos e entidades. Esses órgãos e entidades realizam pesquisas, congressos, conferências e consultas à empresários, e utilizam-se desses meios 28 para propor ao governo mudanças de ordem política e normativa, e assim facilitar o processo de exportação. Para tanto, o capítulo 3 apresenta os principais órgãos de apoio ao comércio exterior. 29 3 ÓRGÃOS INTERNACIONAIS E NACIONAIS DE APOIO AO COMÉRCIO EXTERIOR Nesse capítulo são identificados os órgãos nacionais e internacionais de apoio ao comércio exterior, facilitando as negociações e as trocas comerciais, para tanto, propondo a redução de tarifas e aplicação correta das regras e a adoção de medidas para a expansão do comércio entre os países. 3.1 Organização Mundial do Comércio - OMC Em 1944, na cidade de Bretton Woods nos Estados Unidos, os países vencedores da segunda guerra mundial se reuniram para instituir órgãos reguladores da economia internacional. Para tanto, tinha-se em pauta a criação de uma organização que regulamentasse os fluxos comerciais. Mas a criação dessa organização não foi aprovado pelos Estados Unidos, o que tornou a situaço impraticável, levando em consideração a importância deste Estado para o comércio mundial. Diante disso, os países aprovaram o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), direcionado para a redução das tarifas alfandegárias no comércio internacional, que passou a ser objeto de negociações em rodadas peródicas. (BARRAL, 2005). Ao longo dos anos, o objetivo de liberalização do comércio foi se consolidando a partir de rodadas de negociações e períodos extensos de implementação para as novas regras negociadas. Foram oito as rodadas iniciadas na década de 50, [...] com o objetivo de reduzir [...] as tarifas praticadas por seus membros. A partir dos anos de 1970, novas barreiras foram identificadas e negociadas novas regras para minimizar seus efeitos sobre o comércio. (JANK; THORSTENSEN, 2005) Estas novas barreiras e outros diversos temas envolvendo o comércio mundial, estavam na pauta da rodada de negociações no Uruguai, iniciada em 1986, 30 e concluída somente em 1994. Um dos principais resultados alcançados foi a criação da Organização Mundial do Comércio. (BARRAL, 2005). A OMC, é o principal dos órgãos relacionados ao comércio internacional, ao qual a maioria dos países está filiado. A OMC foi estabelecida em 01/01/1995, através do acordo de Marrakech, tendo sido criada a partir das negociações da Rodada Uruguai de 1986 a 1994. (KEEDI, 2011). De acordo com Costa (2013, p. 28), “A OMC cumpre o importante papel de fomentar a prosperidade e a interdependência resultantes do incremento dos fluxos comerciais.”. [...] a OMC tem como principais funções: administrar os acordos de comercio da organização; ser um fórum para os negócios sobre comércio; tratar as disputas comerciais entre os seus membros; monitorar as políticas comerciais dos países membros, dar assistência e treinamento técnico aos países em desenvolvimento; e cooperar com outras organizações internacionais. (KEEDI, 2011, p. 32) A OMC é o único órgão internacional que estabelece regras para o comércio entre as nações, tendo como objetivo ajudar os produtores de bens e serviços, exportadores e importadores à conduzir seus negócios. Atualmente conta com 161 países filiados, tem sua sede localizada em Genebra na Suíça, conta com uma equipe de 640 secretários e o Diretor-Geral é o brasileiro Roberto Azevêdo. No fórum de negociações, todas as decisões são tomadas pelos membros de cada Estado-membro, sejam eles ministros, representantes ou embaixadores, sob a coordenação de seus secretários. Dentre os acordos da OMC, que cobrem os bens, serviços e propriedade intelectual, incluem-se os compromissos de cada país em reduzir as tarifas alfandegárias entre outras barreiras comerciais, estabelecer procedimentos para a solução de controvérsias de forma que o comércio flua sem problemas. Esses acordos não são estáticos mas sim renegociados ao longo dos tempos e outros ainda são adicionados. Uma das exigências desses acordos é a transparência da política e práticas comerciais dos países, que devem notificar a OMC em relação à criação de novas leis e medidas tomadas. Comitês e conselhos da OMC fiscalizam para que todas essas exigências sejam cumpridas. Além da notificação os países devem enviar um relatório de suas políticas e práticas comerciais, como forma de exame periódico. (WTO, 2014a, tradução nossa). 31 A OMC procura desenvolver as habilidades e infraestrutura necessária para expandir o comércio, principalmente para ajudar os países em desenvolvimento. Esses países possuem maior tempo para implementar os acordos e compromissos, possuem apoio para construir sua capacidade comercial e implementar novas técnicas, além de possibilitar a participação em cursos em Genebra para os funcionários do governo. (WTO, 2014a, tradução nossa). As Conferências Ministeriais, que geralmente ocorrem a cada dois anos, reúnem todos os representantes dos países membros, e são discutidos e tomadas decisões de todos os assuntos relacionados aos Acordos Comerciais Multilaterais. (WTO, 2015e, tradução nossa). O quadro 1 apresenta a relação das Conferências Ministeriais realizadas desde a criação da OMC. Quadro 1 – Conferências Ministeriais da OMC Fonte: Elaborado pela acadêmica com base em WTO (2015f). No ano 2000 iniciaram-se novos assuntos para pauta das Conferências Ministeriais, os quais foram incorporados à Agenda de Doha para o Desenvolvimento, lançada na Quarta Conferência realizada em Doha, no Qatar, em Novembro de 2001. (WTO, 2015g, tradução nossa). A Rodada de Doha foi lançada com “[...] o objetivo de prosseguir o processo de liberalização do comércio e o crescimento econômico, principalmente dos países em desenvolvimento.” (JANK; THORSTENSEN, 2005, p. 22). De acordo com Fontana (2014, p.27), 32 A quantidade e a diversidade de assuntos tratados durante a Rodada Doha fazem dela a Rodada mais complexa desde a criação da OMC. Embora tenha sido registrado algum avanço na Conferência Ministerial de Bali, a Rodada Doha já dura 13 anos e ainda não alcançou o seu fim. A Conferência Ministerial de Bali, realizada na capital da Indonésia em dezembro de 2013, foi a nona Conferência Ministerial da OMC. A Conferência em questão permitiu que a Rodada Doha, que há alguns anos estava estagnada, progredisse. O papel da OMC no comércio internacional é de suma importância, pois através dele os países conseguem solucionar os problemas nas relações comérciais, e também denunciá-los caso se sintam prejudicados. Isso torna o comércio internacional mais justo. A Conferência Ministerial de Bali, que deu prosseguimento nas negociações da Rodada de Doha, será apresentada no capítulo 4 deste trabalho. 3.2 Associção de Comércio Exterior Brasileiro - AEB A Associação de Comércio Exterior Brasileiro (AEB) é uma entre as principais entidades de apoio ao exportador brasileiro. A AEB é uma associação privada sem fins lucrativos, que congrega empresas exportadoras e importadoras de mercadorias e serviços, bem como de atividade de apoio ao comércio exterior. (MINERVINI, 2012). A AEB tem sua importância uma vez que consegue reunir através de seus eventos, tanto o setor privado quanto o público, e assim promover discussões que gerem melhorias em âmbito político, afim de simplificar as práticas dentro do comércio exterior brasileiro. A AEB foi fundada em 20 de agosto de 1970, com a denominação de Associação dos Exportadores do Brasil, que em agosto de 1985 foi alterada para Associação de Comércio Exterior do Brasil, mas manteve-se a sigla devido ao prestígio já adquirido. A Associação defende o interesse de seus associados junto aos organismos públicos e privados, requerendo adoção de medidas para a expansão sutentável do comércio exterior. Promove também a aproximação de 33 segmentos relacionados ao comércio exterior com o intuito de defender interesses comuns em prol do desenvolvimento econômico do país. (AEB, 2014a). Dentre os objetivos da AEB podem-se citar ainda (AEB, 2014a): realizar estudos, pesquisas e eventos, assim como propor soluções, e servir de base para novas políticas visando a expansão e facilitação do comércio exterior; ajudar no aprimoramento da produção, comercialização, logística e transporte, com o intuito de reduzir custos, ocasionando a competitividade do produto no comércio internacional; fornecer informações técnicas especializadas e dar assistência aos associados; promover aproximação à outras entidades, sejam elas ,nacionais ou internacionais, com interesses comum; promover práticas de comércio exterior que tragam benefícios e colaborem com o desenvolvimento social e econômico do país. A AEB está presente nos principais eventos onde envolvam debates sobre a expansão do comércio exterior, facilitando a interlocução entre o poder Executivo e Legislativo, com objetivo de facilitar e apoiar as atividades e expandir as exportações e importações. Para tanto, de acordo com AEB (2014a, p. 1), a AEB apoia as seguintes reformas sugeridas pelo Estado: a liberdade de negócios, a desoneração do investimento, da produção e do comércio exterior, em especial das exportações um sistema tributário simplificado e justo, a expansão e a melhoria da infraestrutura, a desburocratização e facilitação do comércio exterior, a consolidação e simplificação da legislação, a ampliação do financiamento e garantia ao comércio exterior, a adoção de medidas que incentivem o comércio justo e a livre concorrência, sem olvidar o combate às práticas desleais. Um dos principais eventos promovidos pela AEB, é o Encontro Nacional de Comércio Exterior (ENAEX), que ocorre anualmente, e terá uma abrangência maior no próximo capítulo. 34 3.3 Confederação Nacional das Indústrias - CNI A Confederação Nacional das Indústrias (CNI) é a mais importante representação das indústrias no Brasil e dentre as principais atividades cita-se: propostas para reforma política em relação ao comércio exterior e investimentos externos; suporte à negociação no âmbito regional e hemisferial, recepção das missões estrangeiras, manutenção de banco de dados inerentes ao comércio exterior, negociação de acordos internacionais de cooperação e participação em comitês bilaterais e multilaterais. (MINERVINI, 2012, p.36). O objetivo dessa entidade é defender e representar as indústrias brasileiras e apoiar os interesses e a posição do setor em relação a pauta no país, dentro das seguintes áreas: assuntos legislativos, poder judiciário, desburocratização, economia, infraestrutura, meio ambiente, tecnologia e inovação, internacional, educação, responsabilidade social, trabalho e apoio a micro e pequena empresa. (CNI, 2014a). A CNI possui sede em Brasília, e sua estrutura é constituída da seguinte maneira: Conselho de Representantes, Presidência, Diretoria, o Conselho Fiscal, Conselho Temático (formado por líderes empresarias, representates das federações e associações setoriais), Diretoria Executiva, Diretoria de Serviços Corporativos, Diretoria de Comunicação e a Diretoria Jurídica. As contribuições para a realização das atividades são recebidas das Federações das Indústrias de cada estado e do Distrito Federal, do Fórum Nacional da Indústria (FNI) e da Coalizão Empresarial Brasileira (CEB). (CNI, 2014b). Com a divulgação regular de pesquisas, estudos e indicadores, a CNI fornece subsídios para a tomada de decisão dos empresários. A entidade também busca, constantemente, firmar parcerias estratégicas, que tenham como objetivo o fortalecimento da indústria e o crescimento sustentado do país. (CNI, 2014c, p.1). A CNI apoia a internacionalização de produtos, para tanto promove missões internacionais, ações de cooperação técnica e capacitação e rodada de negociações internacionais, contribuindo assim para com o crescimento econômico do país, o 35 fortalecimento do setor industrial brasileiro e a competitividade no mercado internacional. (CNI, 2014d). A CNI também administra o SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Nacional, o SESI – Serviço Social da Indústria, e o IEL – Instituto Euvaldo Lodi. Juntamente com as federações estaduais e os sindicatos patronais da industriais, forma-se o Sistema Indústria, que é uma rede nacional de caráter privado. A partir da demanda identificada pelas federações e sindicatos, o Sistema oferece educação básica, e formação profissional e soluções técnicas e tecnológicas para o setor industrial. (CNI, 2015b). A CNI também atua como secretariado da Coalização Empresrial Brasileira (CEB), através da sua Unidade de Negociações Internacionais. A CEB, é um mecanismo informal coordenado pela setor privado, que acompanha as negociações internacionais, principalmente de processos de integração comercial em que o Brasil está envolvido. A CEB foi criada pela CNI em 1996 para suprir as demandas do processo negociador da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). É formada pelas federações e sindicatos, entidades de classe e empresas de diferentes setores e sua missão é influenciar as estratégias e posições do Brasil nas negociações internacionais, assim como contribuir com a política comercial nos diferentes foros e frentes em que o país está envolvido. Com isso cria uma aproximação entre o setor público e privado, aumentando a cooperação e a transparência entre os mesmos. E coordena a atuação dos representantes empresarias para dar mais peso à influência do setor nas negociações internacionais. (CNI, 2015c). Através dos estudos e pesquisas realizadas a CNI propõe aos órgãos governamentais, a adoção de novas medidas políticas ou a reformulação daquelas já existentes, buscando a desburocratização de processos no comércio exterior brasileiro. 36 4 OS PRINCIPAIS ENTRAVES BUROCRÁTICOS E AS PRINCIPAIS DISCUSSÕES SOBRE A DESBUROCRATIZAÇÃO NAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS Através de pesquisas, estudos e eventos realizados pela CNI e pela AEB, são criadas propostas de novas políticas e modificações das mesmas para apoiar a expansão das exportações brasileiras. De acordo com a CNI (2014e), É preciso simplificar e imprimir maior racionalidade ao conjunto de leis e normas que orientam a atividade de comércio exterior no Brasil. Tais normas, por seu volume, complexidade e, muitas vezes, conflito entre si, criam um ambiente de incerteza para os agentes econômicos e de aumento significativo de custos para o seu cumprimento. [...] A reforma das leis e normas que regem a exportação e a importação no Brasil é fundamental para a competitividade das empresas que participam do comércio exterior. A burocracia onera as empresas: gera tantos custos de transação para o cumprimento de leis e normasquanto para disputas administrativas e legais sobre sua aplicação. A CNI publicou uma pesquisa em 2014 intitulada, ‘Entraves às exportações brasileiras’, teve a participação de 639 empresas, as quais representam 4,9% das empresas industriais exportadoras em 2012 e 3,83% do valor por elas exportado no mesmo ano. Número de empresas suficiente para gerar resultado com margem de erro de 3,8%, cerca de 1,2 ponto percentual e grau de confiabilidade de 98,0%. O objetivo da pesquisa foi identificar as dificuldades enfrentadas pelas empresas que impedem a expansão das exportações. De acordo com a pesquisa, o primiero obstáculo para o crescimento das exportações é a taxa de câmbio e o segundo é a burocracia alfandegária/aduaneira. Cerca de 78% das empresas, já enfrentaram algum problema com a burocracia alfandegária, que envole processos a quantidade de documentos exigidos, a baixa agilidade na liberação de cargas, entre outros; e esse número cresce para 88,7% quando as exportações correspondem a 50% do faturamento. (CNI, 2014). O gráfico 1 apresenta os principais entraves burocráticos alfandegários/aduaneiros. Entre os diferentes portes e perfis exportadores, a liberação de cargas/desembaraço aduaneiro segue como o processo cuja burocracia mais afeta negativamente a exportação. Chama a atenção a elevada assinalação de processamento de documentos e parametrização entre as microempresas (48,3%) e 37 a assinalação de pagamentos de honorários e taxas aduaneiras entre as pequenas (44,4%). (CNI, 2014f, p. 34). Gráfico 1 – Processos cuja burocracia alfandegária/aduaneira mais impacta negativamente as exportações (%) Fonte: CNI (2014f, p. 34) A pesquisa também apontou que a principal preocupação não está relacionada somente ao custo da operação, mas principalmente com o fator tempo. A lentidão nas liberações de carga, é um dos procedimentos alfandegários que torna o processo mais oneroso devido ao custo de armazenagem. Para a inserção do Brasil no cenário global competitivo, além de preço é necessário cumprir os prazos de entrega sem imprevistos. Para isso faz-se necessário a deburocratização dos processos. Entre os principais problemas encontrados cita-se: o excessivo número de documentos exigidos e a baixa agilidade nas análises dos documentos. (CNI, 2014f). Um fator amplamente citado como uma barreira para as exportações que envolve o governo são o trâmites burocráticos. As barreiras governamentais reduzem a capacidade da empresa de competir, exigindo uma série de requisitos que geram tempo e dinheiro. Essas exigências ao invés de incentivar, acabam 38 desanimando muitas das organizações que pretendem exportar, especialmente as pequenas e médias empresas. (ROMERO; GARCÍA, 2013, tradução nossa). Para que esses entraves diminuam, os órgãos e entidades de apoio ao comércio exterior, promovem palestras, encontros e simpósios para discutir e elaborar propostas para medidas e ações governamentais. Para tanto neste capítulo serão apresentadas as principais discussões, nacionais e internacionais, em prol da desburocratização dos processos de exportação. 4.1 Conferência Ministerial de Bali As tomadas de decisões na OMC ocorrem nas Conferências Ministeriais que geralmente são realizadas a cada dois anos, e “[...] reúne todos os membros da OMC, todos os quais são países ou uniões aduaneiras. A Conferência Ministerial pode tomar decisões sobre todos os assuntos sob qualquer um dos acordos comerciais.” WTO (2015a, p.1, tradução nossa). A nona Conferência Ministerial, realizada em Bali na Indonésia, no período de 3 à 7 de dezembro de 2013, teve a apresentação do “Pacote de Bali” que além de decisões rotineiras e da aprovação do Iêmen como mais novo membro da OMC, teve o acordo de Facilitação de Comércio para a simplificação dos procedimentos portuários e impulsionar o comércio para os países em desenvolvimento. (WTO, 2015b, tradução nossa). A maior preocupação apontada tantos pelos países desenvolvidos e em desenvolvimento, está ligada à grande quantidade de burocracia que ainda existe na movimentação de mercadorias através das fronteiras. A falta de transparência e o requerimento de documentação em duplicidade, mostra a falta de cooperação entre os órgãos governamentais e os operadores de comércio exterior1. Apesar dos avanços tecnológicos, a apresentação dos dados não é automática para todos os países. A UNCTAD estimou que a operação alfandegária média envolve 20 a 30 partes diferentes, 40 documentos, e redigitação de 60 a 70 por cento de todos os dados, pelo menos uma vez. No ambiente empresarial moderno de produção e 1 Entende-se por “[...]operadores de comércio exterior - exportadores, importadores, transportadores, depositários, despachantes aduaneiros, terminais portuários, etc.[...]”. (BRASIL, 2015a, p. 1). 39 entrega just-in-time, os comerciantes precisam que a liberação das mercadorias seja feita rapidamente. (WTO, 2015c, tradução nossa). A OMC sempre tratou de assuntos relacionados à Facilitação de Comércio, buscando priorizar o aumento de transparência e manter o mínimo de procedimentos possíveis. Mesmo assim, algumas áreas careciam de disposições dentro dos acordos já existentes, especialmente em relação à documentação e procedimentos aduaneiros e à transparência. Com o aumento do fluxo de produtos comercializados mundialmente, da velocidade de informação e das transações comerciais com o avanço tecnológico, trouxe à essa matéria um senso de urgência, faz-se necessário modificar as regras para que sejam de fácil utilização e eficientes. (WTO, 2015c, tradução nossa). A primeira vez que a Facilitação de Comércio entrou na pauta de negociações da OMC, foi na Conferência Ministerial de Singapura em Dezembro de 1996, quando foi realizado um trabalho exploratório e analítico sobre a simplificação dos procedimentos comerciais, com a finalidade de avaliar a possibilidade de estabelecer regras para esta matéria na OMC. Na quarta Conferência Ministerial em Doha no ano de 2001, os ministros acordaram que as negociações iniciariam na Conferência Ministerial de Cancún em setembro de 2003. Um Grupo de Negociação foi criado, e na sua primeira reunião, em 15 de Novembro de 2004, foi aprovado um plano de trabalho. Desde então foram realizadas negociações regulares e o texto de negociação foi simplificado, esclarecido e melhorado até chegar ao texto final na nona Conferência Ministerial em Bali. Para a primeira reunião foram convidados o FMI, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a UNCTAD, a Organização Mundial das Alfândegas (OMA) e o Banco Mundial. (WTO, 2015c, tradução nossa). Nas negociações, foram revisados e melhorados os aspectos relevantes do artigo 5 (liberdade de trânsito), o artigo 8 (taxas e formalidades ligadas à importação e exportação) e o artigo 10 (Publicação e Administração de regulamentos comerciais do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio em 1994), com a finalidade de acelerar a movimentação, liberação e desembaraço de mercadorias, incluindo mercadorias em trânsito. As negociações também tinham como objetivo estabelecer a cooperação efetiva entre os serviços aduaneiros ou quaisquer outras autoridades competentes na matéria de Facilitação de Comércio e questões de conformidade aduaneira. (WTO, 2015c, tradução nossa). 40 A OCDE também está envolvida nas negociações e, na qualidade de observador, fornece relatórios técnicos sobre os problemas atuais. De acordo com os últimos relatórios fornecidos, as medidas que teriam maior impacto em termos de redução de custos são as seguintes: harmonização dos documentos, simplificação dos procedimentos adunaneiros (por exemplo o desembaraço antes da chegada efetiva da carga) e previsibilidade na regulamentação aduaneira (tais como decisões antecipadas sobre quais as tarifas se aplicam a produtos específicos ou regras claras de funcionamento e disponibilidade de informação relacionada ao comércio. (WTO, 2015c, tradução nossa). As reformas propostas pelo Acordo de Facilitação de Comércio, estão diretamente ligadas ao desenvolvimento institucional e humano, pois aumentam a transparência das administrações públicas, ajudam a construir a confiança entre os setores de negócios, tornam os recursos públicos mais eficazes e eficientes, aumentam as receitas fiscais e ajudam a trazer os setores informais para a economia formal. (KITUYI, 2013). O Acordo de Facilitação de Comércio permitirá que o Brasil ofereça ao mercado internacional um produto mais competitivo, impulsionando assim a economia do país. Para Brasil (2015c, p. 1), Os resultados da Conferência Ministerial de Bali foram amplamente positivos para o Brasil. O acordo de Facilitação de Comércio, de grande interesse para o empresariado e para o governo brasileiros, impulsionará reformas que já estão sendo implementadas no país e facilitará o acesso de nossos produtos a mercados em todo o mundo, ao simplificar e desburocratizar procedimentos aduaneiros. [...] Além disso, a Conferência Ministerial pôs fim a anos de paralisia da Rodada Doha e mandatou a OMC a preparar, nos próximos doze meses, programa de trabalho para a retomada das negociações, com foco nos temas centrais da Rodada, de interesse primordial para o Brasil, sobretudo agricultura. O acordo possui três seções. A Seção I contém disposições para acelerar a movimentação, liberação e desembaraço de mercadorias, incluindo mercadorias em trânsito. Ele esclarece e melhora os artigos relevantes (V, VIII e X) do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio de 1994. Ele também estabelece disposições relativas à cooperação alfandegária. A Seção II contém o tratamento especial e diferenciado, para os países em desenvolvimento e os países menos desenvolvidos, para que 41 possam determinar quando serão implementados as disposições individuais e identificar aquelas que dependerão de apoio através de assistência técnica para a capacitação. A seção III contém disposições que estabelecem uma comissão permanente sobre a Facilitação do Comércio na OMC, exigem que os membros tenham um comitê nacional para facilitar a coordenação nacional e implementação das disposições do acordo. Também estabelece algumas disposições finais. (WTO, 2015d, tradução nossa). Com a formalização do Acordo de Facilitação de Comércio, a OMC consegue concluir finalmente um acordo desde de sua criação e do início da Rodada de Doha. Essa foi a demonstração de que os países membros estão dispostos a unir forças por um objetivo comum. (FONTANA, 2014). Desde a Rodada de Doha em 2001, as Conferências Ministerais vem tratando da Facilitação de Comércio, mas somente com a nona conferência em Bali foi possível realizar progressos referentes à este assunto. A importância dessa conferência para o Brasil e os processos de exportações, refletirá no desenvolvimento da economia, através da implantação progressiva de medidas e políticas para atender o acordo. As ações do governo para cumprir com esse acordo, que é o objetivo do presente trabalho e será abordado no capítulo 5. 4.2 ENAEX O Encontro Nacional de Comércio Exterior (ENAEX), ocorre anualmente e é promovido pela AEB, sendo um dos evento de referência para discussões, workshops em matéria de comércio exterior. No encontro ocorre também premiações para as empresas brasileiras que tiveram destaque pela sua atuação no comércio internacional. A 33ª edição do Enaex, ocorreu nos dias 7 e 8 de agosto de 2014, no Centro de Convenções Sulamérica, no Rio de Janeiro. O tema para este evento foi “Propostas para a Redução de Custos no Comércio Exterior”, que serve de base para as próximas políticas e ações governamentais. Além das palestras o evento ofereceu aos participantes workshops sobre Operações de Comércio Exterior de 42 Mercadorias, Licenciamento de Importação, Siscoserv e Drawback, e a oportunidade de participar de despachos executivos com técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, para tratar de assuntos específicos de interesse de sua empresa nas de operações de exportação e importação de mercadorias e serviços. Foi realizada a premição de empresas à instituições que tiverem destaque no comércio externo do Brasil no ano anterior. (ENAEX, 2015a). As palestras são o ponto alto do evento, pois envolvem ministros, secretários, diretores de entidades que estão diretamente relacionados com o comércio exterior brasileiro. Entre as palestras realizadas no Enaex em 2014, uma delas teve como tema, “Portal Único de Comércio Exterior: avanço na redução de custo”. Os palestrantes foram: Daniel Godinho, secretário de Comércio Exterior do MDIC e Ernani Argolo Checcucci Filho, subsecretário de Aduana e Relações Internacionais da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda. (ENAEX, 2015b). De acordo com Brasil (2015d, p. 1), “O Portal Único de Comércio Exterior irá permitir que as empresas apresentem as informações uma única vez aos órgãos federais, o que irá reduzir a burocracia e os custos de exportadores e importadores.” Esse programa do governo federal trará mais agilidade aos operadores de comércio exterior e simplificação dos processos. O Enaex é o principal evento sobre comércio exterior no Brasil, pois consegue reunir representantes do governo diretamente ligados aos Ministérios, sejam eles Ministros e secretários entre outros, que são responsáveis pelas políticas de melhorias, e os empresários, que são afetados diretamente por essas mudanças. A participação dos exportadores neste tipo de evento é de suma importância, uma vez que através do contato direto com esses agentes do governo, será possível sanar dúvidas sobre práticas aduaneiras referentes aos próprios processos, e principalmente apresentar um feedback sobre as dificuldades enfrentadas durante os processos de comério exterior. 43 4.3 Encomex O Encontro Nacional de Comércio Exterior (ENCOMEX), evento anual promovido pela Secex que possibilita o encontro de empresários e do setor público tendo como pauta principal as exportações.O Encomex foi implementado através de uma ação governamental para fomentar o desenvolvimento da exportações. A ação que originou o encontro faz parte do Plano Nacional da Cultura Exportadora, integrante do Plano Plurianual - PPA 2012/2015, com o objetivo de expandir as exportações em quantidade, qualidade e variedade de produtos, mercados de destino e empresas brasileiras participantes no mercado internacional. Dentro da programação do evento encontram-se desde palestras à atendimento individual aos participantes, e possibilitar o acesso às informações sobre as politicas, ações e estruturas do comércio exterior. Participam do evento a APEX, o SEBRAE, o BNDES, órgãos municipais e estaduais, entidades de classe entre outros. (BRASIL, 2015e). O secretário de Comércio Exterior do MDIC, Daniel Marteleto Godinho, durante a sua fala sobre O Brasil no Mercado Mundial, destacou que “[…] os desafios do comércio exterior são a difusão da cultura exportadora, a simplificação do processo e a busca de diversificação dos produtos oferecidos.” CHECCUCCI FILHO (2014, p. 2). Em 2014 o encontro foi realizado na cidade Jaraguá do Sul em Santa Catarina, no dia 05 de junho. Dentre as palestras realizadas nessa última edição, destaca-se aquela de José Manoel Cortiñas Lopez, intitulada “Logística em Comércio Exterior (situação e desafios)”. Na sua fala durante o evento, José Manoel apresentou o passo-a-passo de todo o processo logístico (da coleta da carga à sua entrega no destino final), o funcionamento dos portos, os “gargalos” nos portos brasileiros, o transporte multimodal e sobre as dificuldades encontradas durante o processo logístico do comércio exterior brasileiro. Segundo Lopez (2014, p. 17), Além da grande quantidade de tarefas inerentes ao comércio internacional de qualquer país, o Brasil possui muitos intervenientes no seu processo logístico de comércio exterior. Total de 27 intervenientes diretos de âmbito federal, bem como as fazendas estaduais, em tratamento administrativo ou operacional às cargas e/ou mercadorias transacionadas com o exterior. 44 Como consequência diante da quantidade de tarefas e de órgãos intervenientes, resulta-se uma legislação defasada, repetitividade e incompatibilidade de exigências, burocracia nos procedimentos, logística onerosa e insuficiente que ocasionam maiores custos e tempos e a perda de competitividade. (LOPEZ, 2014). Esses eventos promovem discussões em relação às dificuldades encontradas pelos operadores de comércio exterior, e principalmente apresentam as resoluções do governo com intuito de formentar a cultura exportadora e aumentar a participação do Brasil no comércio internacional. 45 5 AS MEDIDAS DO GOVERNO FEDERAL BRASILEIRO PARA MINIMIZAR A BUROCRACIA NOS PROCESSOS DE EXPORTAÇÃO Para atender ao Acordo de Facilitação de Comércio, o Governo Federal Brasileiro têm implementado medidas e programas, os quais serão abordados nesse capítulo e atender assim ao terceiro objetivo específico do presente trabalho. 5.1 Portal Único do Comércio Exterior A simplificação de procedimentos e a transparência dos processos do comércio exterior brasileiro serão possíveis através do novo programa do Governo Federal chamado de Portal Únido do Comércio Exterior que “[…]Da reformulação dos processos, […] passa ao desenvolvimento e integração dos fluxos de informações correspondentes a eles e dos sistemas informatizados encarregados de gerenciá-los”. Brasil (2015f, p. 1). Figura 1 – Os três pilares base para a criação do Portal Únido de Comércio Exterior. Fonte: Brasil (2015f). 46 Atualmente cerca de 22 órgãos intervenientes, sob a coordenação da Secretaria da Receita Federal do Brasil junto com a Secretaria de Comércio Exterior sob a supervisão da Casa Civil, atuam no comércio exterior. Esse programa possibilitará a integração entre os operadores de comércio exterior e esses órgãos. A integração que é o segundo pilar representado na Figura 1. Em um segundo nível busca-se harmonizar os processos, com o intuito de evitar que as exigências desses órgãos sejam redundantes e solicitadas em duplicidade, gerando retrabalho e gastos desnecessários, tanto para o governo como para o setor privado. (BRASIL, 2015f). A integração permitirá maior compartilhamento de dados e consequentemente a compreensão das partes envolvidas sobre as necessidades das informações, conforme ilustra a Figura 2. Figura 2 - O desenvolvimento da integração entre órgãos intervenientes no comércio exterior através do Programa Único de Comércio Exterior Fonte: BRASIL, 2015f Caso haja alguma tarefa comum para mais de um órgão, faz-se uma metodologia de trabalho em base a esse conhecimento, trazendo assim mais previsibilidade ao operador. Para implementar essa metodologia, desenvolvem-se ferramentas. Por exemplo, dois órgãos que entre as suas atividades de controle, tenha a necessidade de solicitar inspeção física da mercadoria, utilizarão da mesma 47 ferramenta. Com toda essa informação e evolução, chega-se a criação de sistemas de inteligência, que através de critérios de controles identificará fraudes e descumprimentos de normas e regulamentos. Com a intervenção de cada órgão e a ação conjunta e intregada de todos, a intervenção governamental será menor. Serão gerenciadas as operações de maior risco e aquelas com risco menor terão maior fluidez, reduzindo custos à todos os envolvidos. Atualmente, os processos de comércio exterior informatizados não integrados, não possuem comunicação entre si. Com essa integração busca-se o objetivo do SISCOMEX, quando da sua criação: “instrumento administrativo que integra as atividades de registro, acompanhamento e controle das operações de comércio exterior, mediante fluxo único, computadorizado, de informações (Decreto nº 660, de 1992)”. (BRASIL, 2015f). O SISCOMEX foi desenvolvido na década de 1990, sua base estrutural pode ser dizer está defasada, visto a evolução e o aumento do fluxo de comércio exterior. A criação de políticas públicas, em áreas como a saúde, o meio ambiente, segurança alimentar, exige mais etapas no procedimentos que ainda não estão harmonizadas com o processo geral de exportação e importação. Os gargalos surgem desse aumento de procedimentos e da quantidade de mercadorias a serem controladas. Com o redesenho dos processos, o segundo pilar da Figura 1, será feito o mapeamento de todos os procedimentos e a exigência de informações e documentos de cada orgão responsável, o que permitirá a eliminação de etapas redundantes e desnecessárias. O terceiro pilar, a tecnologia da informação, será informatização dos processos reformulados e a criação de novas ferramentas para gerenciar os processos e a integração de todos os sistemas utilizados no comércio exterior brasileiro. (BRASIL, 2015f). Durante o lançamento do programa, em 23 de Abril de 2014 em Brasília, Robson Braga de Andrade, presidente da CNI, declarou que programa “é um passo importante para a redução da burocracia e o aumento da competitividade dos exportadores brasileiros.[...] Estou certo de que essa ferramenta ajudará, e muito, as empresas brasileiras.” CNI (2015a, p. 1). A Tabela 1 apresenta um relatório gerado no site Doing business, um projeto do Grupo Banco Mundial, e mostra dados de 2014 sobre o comércio internancional no Brasil. 48 Tabela 1 - Conjuntos de dados históricos e dados de tendências Fonte: Grupo Banco Mundial (2015) A Tabela 1 mostra a classifcação do Brasil, em relação ao número de documentos, dias para a conclusão do desembaraço de exportação assim como o custo, considerando um conteiner de 20 pés. Em relação ao custo de uma operação de exportação de bens manufaturados, o estudo de Hummels (2001), indica que cada dia de viagem equivale em média de 0,8 por cento do valor do bem, um custo de 16% do valor do bem para uma viagem média via marítima. Para Brasil (2015f), com o Programa Portal Único de Comércio Exterior, pretende-se reduzir o tempo de exportação de 13 para máximo de 8 dias. Considerando o estudo de Hummels, e tendo-se por referência a corrente de comércio do Brasil em 2013 obtêm-se uma economia de até 23 bilhões de dólares para os exportadores e importadores brasileiros. Essa redução de dias decorrerá da metodologia e das ferramentas utilizadas no programa, que coordenarão, por exemplo a necessidade de inspeção física, que se for requerida por mais de um õrgão será feita em conjunto. Além de reduzir prazos na liberação de cargas, diminuirão custos de armazenagem e movimentação no recinto, assim como o risco de avaria, visto que as cargas serão abertas e manipuladas apenas uma vez. A implementação total do programa será de forma progressiva, que ocorrerá nos próximos quatro anos, e até lá todas as exigências, autorizações ou licenças serão demandas via SISCOMEX, e todos os operadores saberão de todos os requisitos para cumprir com as suas operações. Apesar de ser um período longo para a implementação de todo o programa, a parte de exportação já está sendo usada, e o resultado final pretender ser de grande melhoria para o comércio exterior brasileiro. 49 O programa foi criado para atender as exigências da OMC, de acordo com o relatado nas Declarações e Decisões Ministeriais da nona Conferência de Bali, Seção I, Artigo 10 - Formalidades ligadas à importação e exportação e trânsito , capítulo 4 – Janela Única. Conforme WTO (2015d, p. 13, tradução nossa): • janela, Os membros devem esforçar-se para estabelecer ou manter uma única permitindo que os operadores de comércio exterior apresentem documentação e / ou requisitos de dados para importação, exportação ou trânsito de mercadorias através de um único ponto de entrada para as autoridades ou agências participantes. Após a análise da documentação e / ou dados de participantes, por parte das autoridades ou organismos , os resultados serão comunicados aos operadores através da janela única em tempo hábil. • Nos casos em que a documentação e / ou de dados requisitos já foram recebidas através da janela única, a mesma documentação e / ou requisitos de dados não devem ser solicitada por autoridades ou agências participantes, exceto em circunstâncias urgentes e outras poucas exceções, que serão tornadas públicas. • Os membros devem notificar ao Comitê os detalhes da operação da plataforma única. • Os membros devem, na medida do possível , usar a tecnologia da informação para apoiar a janela única. A figura 3 exemplifica as exigências do acordo de Facilitação de Comércio, em relação à Janela Única para a adequação dos Membros da OMC. Figura 3 – O conceito da Janela Única 50 Fonte: CNI (2014g) A figura 4 é uma representação do programa brasileiro, em cumprimento ao acordo, que [...] ilustra, de modo simplificado, a estrutura dos processos de comércio exterior a partir do conceito de single window. As setas verdes indicam as informações prestadas pelos operadores privados, as vermelhas indicam as respostas e exigências dos órgãos de governo. (BRASIL, 2015f, p. 7). Figura 4 - Processos de comércio exterior brasileiro a partir do conceito de single window Fonte: Brasil (2015f) A Figura 4 mostra como funciona o programa Portal Único criado pelo governo brasileiro para atender as exigência do acordo de Bali, conforme mostra a Figura3. A eficiência com que as informações podem ser enviadas para órgãos oficiais está se tornando um fator-chave para a competitividade das empresas ou entidades envolvidas com as atividades transfronteiriças. Diariamente, os comerciantes internacionais têm de preparar e apresentar quantidades crescentes de informação a várias autoridades de controle governamentais, com cada autoridade, muitas vezes 51 tendo seu próprios sistemas específicos (automatizados) e formulários de papel. Esta grande quantidade de informação exigida, pode se tornar um obstáculo significativo para a empresa e pode prejudicar o desenvolvimento do comércio internacional. Com a crescente integração das economias ao redor do mundo, facilitar o fluxo de informações torna-se uma exigência de governos e empresas. Sistemas e procedimentos de informação eficiente podem aumentar significativamente a velocidade em que as mercadorias podem circular, reduzir custos, melhorar a eficiência dos negócios e melhorar o desempenho econômico global de um país. (UNECE, 2003, p. 2). Para uma maior transparência aos processos aduaneiros , e para simplificar a consulta , e indicar responsáveis e tempos para as etapas dos processos, foi criado o sistema Visão Integrada. Terão acesso ao sistema , o importador ou exportador e seus responsáveis ou representantes legais perante o Siscomex. (BRASIL, 2015g). O sistema permitirá a visualização de forma rápida e em uma única tela, da situação atual dos Registros de Exportação (RE) e Declarações de Exportação (DE) em andamento, além de um histórico com cada uma das etapas do andamento do processo, datas, horários e responsáveis. (BRASIL, 2015g). Figura 5 – Funcionalidade Minhas Exportações Fonte: BRASIL (2015g) 52 A figura 5 mostra a tela onde será possível visualizar os processos de exportações em andatamento. Facilitará o controle dos exportadores e trará maior clareza em relação aos processos. A implantação do programa Portal Único do Comércio Exterior permitirá a integração dos sistemas, fazendo com que os órgãos anuentes tenham mais informações sobre o processo, e através dos sistemas inteligentes possam identificar possíveis fraudes. Além disso facilitará os processos de comércio exterior, reduzindo a burocracia e os custos operacionais e aumentando a competitividade do produto brasileiro no comércio internacional. 5.2 Programa Brasileiro de Operador Econômico Autorizado (OEA) O Programa Operador Econômico Autorizado (OEA) foi criado a partir de um projeto desenvolvido e implantado em 2009 e 2010 pelo Comitê Estratégico de Logística de Exportação da Câmara Americana de Comércio – CELE, com a sede em São Paulo – American Chamber of Commerce for Brazil (AMCHAM-SP). O comitê é formado por empresas atuantes no comércio exterior brasileiro. A base do projeto foi a identificação dos principais entraves existentes nos serviços aduaneiros governamentais relacionados às operações de comércio exterior no país e aliadas às melhores práticas existentes em outros países, para garantir segurança na cadeia logística. (AMCHAM, 2015). O OEA é uma tendência mundial e visa identificar e qualificar os operadores, que possuem baixos riscos nas suas operações de comércio exterior e que cumpram com as obrigações fiscais aduaneiras. O Brasil firmará parceria e entrará para o rol dos países que possuem acordos de reconhecimento mútuo elevando o fluxo do comércio internacional. Essa cooperação aduaneira trará agilidade aos processos logísticos e segurança para a carga, uma vez que a aduana de destino confia no trabalho da aduana de origem, e vice e versa. (INTERNATIONAL FOREIGN TRADE, 2015). 53 O Programa foi instituído no país através da Instrução Normativa RFB Nº 1521, DE 04 de Dezembro de 2014, que altera a Instrução Normativa SRF nº 248, de 25 de novembro de 2002. (BRASIL, 2014j). Para Brasil (2015h), o OEA é […] uma parte envolvida no movimento internacional de mercadorias, a qualquer título, que tenha sido aprovado por, ou em nome de, uma administração aduaneira nacional como estando em conformidade com as normas da OMA ou com normas equivalentes em matéria de segurança da cadeia logística. Os operadores econômicos autorizados podem ser, entre outros, fabricantes, importadores, exportadores, despachantes aduaneiros, transportadores, agentes de carga, intermediários, administradores de portos e aeroportos, operadores de terminais, operadores de transporte multimodal, permissionários e concessionários de recintos alfandegados, distribuidores. As primeiras habilitações são de empresas que participaram de um projeto piloto com a aduana dos Estados Unidos, e fazem parte do CELE, dentre elas citamse: Embraer, DHL, 3M, Viracopos e CNH Industrial. (AMCHAM, 2015). De acordo com Brasil (2014k), para que a empresa posssa habilitar-se ao programa e ter a certificação OEA, os procedimentos são: Autoavalição: o requerente do Programa deverá responder ao Questionário de Autoavaliação (QAA) e, sempre que possível, comprovar com documentos as suas respostas. Formalização da Solicitação de Certificação: o requerente deverá solicitar a abertura formal do processo e entregar o QAA preenchido junto com a documentação necessária para análise do pedido. Exame dos requisitos de Admissibilidade: consiste na verificação do cumprimento dos requisitos obrigatórios abaixo descritos: Formalização da solicitação mediante Dossiê Digital; Adesão ao domicílio tributário eletrônico (DTE); Escrituração Contábil Digital (IN RFG 787/07); Regularidade Fiscal (mediante CND ou CPD-EN); Inscrição CNPJ e recolhimento tributos federais há 24 meses; Mínimo de 24 meses de atuação como interveniente passível de certificação; Inexistência de indeferimento em solicitação OEA nos últimos 6 meses; Despachante: 3 anos de experiência e aprovação no exame qualificação; Adesão ao Conhecimento de transporte eletrônico. De acordo com Brasil (2014k), o Questionário de Autoavalição avaliará os seguintes critérios: 54 Critérios de Elegibilidade: demonstra o grau de confiabilidade dos operadores em relação à: histórico de cumprimento da legislação aduaneira, sistema informatizado de gestão comercial, contábil, financeira e operacional, solvência financeira para manter e aperfeiçoar a segurança da cadeia logística e política de realização periódica de auditorias de controle internos. Critérios de Segurança: Parceiros Comerciais: que adotem procedimentos para a segurança da cadeia logística; Controle das Unidades de Carga: garantir a inviolabilidade das cargas evitando entrada de material não autorizado e manuseio por pessoas não autorizadas; Controle de Acesso Físico: restrição de acesso nos locais de manuseio, armazenagem e transporte de cargas para exportação; Políticas de Recursos Humanos: políticas que evitem a contratação e manutenção de pessoas que possam ir contra a segurança da cadeia logística; Procedimentos de Segurança: análise constante dos riscos contra a integridade das cargas; Treinamento em Segurança e Conscientização de Ameaças: análise das ameaças que comprometam a integridade das cargas; Segurança Física das Instalações: controle das aéreas externas e internas para garantir segurança física das instalações; Tecnologia da Informação: proteção das informações contra o acesso de pessoas não autorizadas. Será feita a Análise de Conformidade para verificar o cumprimento desses critérios e também os critérios de segurança aplicados à cadeia logística. Após toda a verificação será expedido o Certificado de OEA que reconhece a parceria AduanaEmpresa. Os OEA, estão sujeitos à monitoramento em relação aos requisitos e aos critérios exigidos pelo Programa. (BRASIL, 2014k, p. 2). Nos países onde o OEA já foi implementado, constatou-se maior rapidez e menos burocracia nos processos de importação e exportações, como exemplo de 55 programas cita-se, nos Estados Unidos o Customs-Trade Partnership Against Terrorism (C-TPAT), na União Europeia Authorized Economic Operator (AEO), e na China o Classified Management of Enterprises. (AMCHAM, 2015) A RFB começou a implantar o programa em 2014, e estará completo em 2016, conforme mostra a Figura 6, que mostra as 3 fases pelas quais o programa passará. Figura 6 - Planejamento de implementação Programa Brasileiro de OEA Fonte: Brasil (2014k) A primeira etapa tem foco na exportação para empresas que se habilitem e cumpram os requisitos de segurança de acordo com o Programa. Para a segunda etapa, o foco será a importação e a certificação exigirá o cumprimento dos critérios de segurança e dos procedimentos para o Despacho Aduaneiro da Linha Azul revisado; a empresa receberá a certificação de OEA Pleno. A terceira etapa será a integração de outros orgãos do Estado ao Programa, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa e o Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional Vigiagro. O resultado dessa integração será agilização, simplificação e integração dos procedimentos de controle do comércio exterior. (BRASIL, 2014k, p. 2). Conforme Brasil (2014k), as vantagens para as empresas que obtiverem o certificado OEA, são: 56 Medidas destinadas a acelerar a liberação da carga, reduzir a duração do trânsito e diminuir os custos de armazenagem Permitir aos OEA participantes o acesso a informações de seu interesse Medidas especiais em períodos de interrupção do comércio ou elevado nível de ameaça Exame prioritário para participação em todos os novos programas de processamento da carga. O reconhecimento mútuo entre uma administração aduaneira e outras aduanas será uma plataforma para que no futuro os sistemas internacionais reconheçam o status de Operador Econômico Autorizado, em níveis mundiais. Assim, uma decisão tomada ou uma autorização concedida em uma administração aduaneira, será reconhecida por outra administração aduaneira. (BRASIL, 2014k). A base para qualquer programa de segurança da cadeia de abastecimento é incorporar soluções eficazes e abragentes de gerenciamento da cadeia de suprimentos, incluindo os aspectos comerciais globais. Vai facilitar a integração de parceiros assim como de todos os processos, garantindo eficiência operacional e conformidade regulamentar, proporcionando visibilidade de ponta a ponta de todas transações comerciais mundiais. (PANNU, 2014, p. 55, tradução nossa). A certificação OEA beneficia as empresas em muitos níveis e reforça a sua posição no mercado através de compromisso de gestão de riscos, comércio global compatível e operações simplificadas. E hoje, demonstrar que a sua empresa é segura para fazer negócios, pode fazer a diferença e ajudará a ganhar o negócio. Considerando que o processo de adesão ao programa OEA, que - para grandes empresas - pode levar muitos meses para ser concluído, talvez as empresas devam começar a ter um olhar mais atento e aplicar o mais cedo possível. (PANNU, 2014, p. 55, tradução nossa). As exigências para requerer a certificação OEA são rigorosas mas trarão benefícios para a empresa, como aumento do fluxo de comércio internacional, abertura de novos negócios, segurança na cadeia logística, permitindo agilidade e menos burocracia na movimentação de cargas. 57 5.3 Porto Sem Papel A Secretaria de Portos da Presidência da República (SEP/PR), foi criada pela Medida Provisória nº 369 de 07 de maio de 2007 e sua função principal é atuar na formulação de políticas e diretrizes para o desenvolvimento e o fomento do setor de portos e instalações portuárias marítimos, fluviais e lacustres, mas principalmente executar e promover a avaliação de medidas e programas de apoio ao desenvolvimento e fomento deste setor. Para facilitar a comunicação e o relacionamento entre os usuários e as autoridades, a SEP/PR contratou o Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO), que assinou um Acordo de Cooperação com os órgãos intervenientes para a criação e desenvolvimento do Sistema Porto Sem Papel. (PAIM, 2012). O Sistema Porto sem Papel (PSP), entrou em operação em 2011, com o objetivo de agilizar os trâmites de entrada de navios nos portos brasileiros, assim como a concessão da anuência de operação do navio para o início dos procedimentos de carga e descarga. O conceito utilizado é o de janela única, onde as informações e a documentação terão um único ponto de entrada de dados e serão transmitidos eletronicamente para os órgãos anuentes e autoridades, com o objetivo de cumprir toda a importação, exportação e cabotagem, e exigências reguladoras, evitando a redundância da informação e reduzindo tempo para as anuências. (BRASIL, 2015i). Conforme Brasil, (2015i, p. 1), O Porto Sem Papel é um sistema de informação que tem como objetivo principal reunir em um único meio de gestão as informações e a documentação necessárias para agilizar a análise e a liberação das mercadorias no âmbito dos portos brasileiros. […] Seguindo recomendações da Organização Marítima Internacional (IMO), o sistema atua como uma ferramenta de janela única portuária. O responsável pela embarcação, o armador ou a agência de navegação disponibiliza as informações obrigatórias e necessárias para a entrada ou liberação das mercadorias em uma única base de dados. A partir dela é possível a análise dos dados por parte das autoridades portuárias e órgãos de fiscalização obrigatória. As informações enviadas pelas agências marítimas para a liberação de atracação e início de operações dos navios chegam aos portos antes da atracação do navio, reduzindo a burocracia e a emissão de formulários, diminuindo o tempo e 58 custo operacional, e principalmente preservando todos os aspectos inerentes ao sigilo e segurança das informanções processadas. (BRASIL, 2011). Segundo o então Ministro dos Portos, Leônidas Cristino, com a redução do tempo de estadia dos navios nos portos, é possível a transferência dessa redução de custos para o valor do frete, tornando os produtos brasileiros mais competitivos. (BRASIL, 2012). A implantação do sistema em todos os portos brasileiros durou 3 anos. Conforme Brasil (2015i, p. 1) Em 2011 o sistema entrou em operação nos portos de Santos, Rio de Janeiro e Vitória. A implantação seguiu em 2012 nos portos de Niterói, Itaguaí, Angra dos Reis, Forno, Barra do Riacho, Fortaleza, Pecém, Recife, Suape, Natal, Areia Branca, Maceió, Cabedelo, Salvador, Aratú, Ilhéus, Itajaí, São Francisco do Sul, Imbituba, Laguna, Porto Alegre, Pelotas, Rio Grande, São Sebastião, Paranaguá e Antonina. A operação do PSP em 2013 teve início no mês de abril nos portos de Belém, Santarém, Vila do Conde, Itaqui e Macapá e foi concluída em maio com a entrada em operação no porto de Manaus. No procedimento tradicional, para as empresas obterem as licenças permissões, era necessário efetuar transações com múltiplas e agências governamentais e em posições múltiplas. Estima-se que cerca de 112 documentos eram entregues à seis desses órgãos. Apesar de haver 26 órgãos possíveis intervenientes, apenas 6 deles participam em 100% das ocorrências: Autoridade Portuária (Porto), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Departamento de Polícia Federal (Polícia Marítima), Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Vigiagro), a Marinha do Brasil (Autoridade Marítima) e a Secretaria da Receita Federal do Brasil (Autoridade Aduaneira) (BRASIL, 2015i). Caso exista alguma exigência por parte de órgãos anuentes, o sistema emite um alerta, e para atendê-la o responsável pode anexar documentos evitando a movimentação física destes. Caso haja a exigência de algum documento físico da parte do porto em relação à estadia da embarcação, esta será reportada ao respectivos órgãos. Isso reduz número de exigências, inspeções a bordo, e simplifica as operações. (BRASIL, 2015i). A Figura 7 mostra o esquema de como era o procedimento antes da implantação do intervenientes. programa usando como exemlo os 6 principais orgãos 59 Figura 7 – Esquema do Procedimento tradicional Fonte: RESANO (2010). Com a janela única, o concentrador de dados receberá de uma única vez essas informações que estarão disponíveis para os órgãos intervenientes, conforme esquema mostrado pela Figura 8. (BRASIL, 2015i). Figura 8 – Concentrador de Dados Portuários Fonte: RESANO (2010) 60 De acordo com Checcucci Filho, subsecretário de Aduana e Relações Internacionais do Fisco, “o programa será um dos módulos integrados ao Portal Único de Comércio Exterior, o que deve trazer ainda mais facilidade para as atividades portuárias.” (CAVALCANTI, 2015, p. 2). Através da eficiência do sistema, além da agilidade e racionalização de procedimentos, outro ponto importante é a eliminação do papel nos procedimentos, levando jus ao nome do sistema. 5.4 Plano Nacional de Exportação O Plano Nacional de Exportação foi anunciado durante a posse do Ministro do MDIC, Armando Monteiro, em Janeiro de 2015. O Ministro declarou que o plano servirá de apoio às exportações através: da desburocratização, da desoneração das exportações, do plano de investimentos e financiamentos para estimular micro, pequenas e médias empresas. (BRASIL, 2015j). Durante a primeira reunião ministerial de seu segundo mandato, a presidenta Dilma Roussef comentou sobre a importância do Plano. Segundo a presidenta (BRASIL, 2015k, p. 1), Se nossas empresas conseguirem competir no resto do mundo, elas conseguirão competir facilmente no Brasil, onde já desfrutam de vantagens locais. A melhora da competitividade depende, entre outras coisas, da simplificação e da desburocratização do dia a dia das empresas e dos cidadãos. As centrais sindicais participam das discussões sobre o PLN. A agenda é também definida pelo Conselho Nacional dos Secretários de Desenvolvimento Econômico (Consedic) que se reunem a cada 3 meses para definir políticas para a indústria. Participam do Consedic, representantes do governo, dos empresários e dos trabalhadores.(BRASIL, 2015l) Durante a 14ª reunião da Consedic realizada em 8 de abril de 2015 na sede do MDIC, em Brasília, o ministro Armando Monteiro declarou que há oportunidade para o Brasil aumentar seus canais de exportação à curto prazo, principalmente com 61 Estados Unidos, Chile, Colombia e México. E que para isso é necessário o governo e o setor privado elaborar um plano com estruturado com elementos de inteligência e promoção comercial, uma política ativa e pragmática e instrumentos de financiamento e garantias. (BRASIL, 2015l). Em relação ao Estados Unidos especificamente o ministro declarou que para acessar o mercado americano há problemas na área regulatória e de harmonização de normas e de qualidade industrial que se constituem numa barreira não tarifária. O problema do acesso ao mercado americano para o manufaturado brasileiro não é de tarifa, as tarifas médias são muito baixas. As dificuldades são regulatórias e de normas de qualidade. (BRASIL, 2015l, p. 1). No dia 15 de abril de 2015, houve a 17ª reunião do Conselho Consultivo do Setor Privado (Conex), presidida pelo então Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Armando Monteiro, que contou com a participação do governo e do setor privado, e trataram de melhorias nas políticas de comércio exterior. O Ministro defendeu a participação do setor privado para a deliberação de políticas de comércio exterior, afinal são as empresas privadas que exportam. Oitenta por cento do Plano Nacional de Exportação está sendo elaborado a partir de sugestões e propostas do setor privado. Dentre os pilares do Plano citam-se: internacionalização de empresas brasileiras, acesso a mercados, crédito, facilitação de comércio, promoção comercial e regimes tributários. (BRASIL, 2015m). Durante a reunião, a presidente Dilma Roussef defendeu a ideia que, sendo o Brasil atualmente a sétima economia do mundo, deva subir da 25ª posição para a de número 10 no comércio internacional, para que seja compatível com a economia do país. (MONTEIRO, 2015). Em 13 de maio de 2015, a presidenta Dilma Rousseff se reuniu por mais três horas no Palácio do Planalto, com o então Minstro do MDIC, Armando Monteiro, Aloizio Mercadante da Casa Civil, Nelson Barbosa do Planejamnto, Kátia Abreu da Agricultura, Tarcísio Godo, Ministro interino da Fazenda e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, para dar prosseguimento à elaboração do Plano Nacional de Exportação. A expectativa é que o plano seja lançado em junho de 2015. (PERES, 2015). Além das novas medidas e políticas que veem sendo adotadas pelo governo para facilitar a atuação do Brasil no comércio internacional, a participação dos 62 empresários na elaboração das mesmas é importante para que o governo tenha uma visão geral de todas dificuldades encontradas pelos exportadores. 63 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS As exportações tem uma relação direta com a economia de um país, pois colaboram com o aumento das vendas e, por consequência, o aumento da produção e a geração de novos empregos. Para poder comercializar seus produtos além de suas fronteiras, cada país deve obedecer às regras e normas impostas pelo próprio governo, além de atender as exigências do país importador. O comércio exterior brasileiro possui regras, normas e instruções que regulamentam a saída dos produtos do país, mas ao mesmo tempo fazem com que os produtos percam sua competitividade no mercado. Um desses entraves é o tempo para liberação da carga, devido à burocracia dos órgãos intervenientes. Em prol da desburocratização dos processos de comércio exterior, a OMC tem feito conferências e instituído novos acordos de facilitação de comércio entre os países membros. Através do acordo da Conferência de Bali em 2013, a OMC exige a reformulação dos processos de comércio exterior, com a finalidade de simplificar e reduzir a burocracia nos procedimentos portuários.O governo federal brasileiro tem lançado programas para cumprir essas exigências e ao mesmo tempo estimular as exportações. Diante das exigências da OMC a presente pesquisa teve como objetivo geral apresentar as ações do governo para a desburocratização dos processos nas exportações brasileiras. Para atender ao objetivo geral foram definidos três objetivos específicos. O primeiro objetivo específico apontou os principais entraves burocráticos indicados pelas indústrias exportadoras, através de um questionário para a pesquisa realizada pela CNI intitulada “Entraves às exportações brasileiras”, que foi divulgada em Janeiro de 2014. Através desta publicação constatou-se que entre as principais dificuldades enfrentadas pelas indústrias, em segundo lugar está a burocracia alfandegária e aduaneira. Em relação ao segundo objetivo foram apresentadas as principais discussões sobre a desburocratização das exportações brasileiras. Entre elas destaca-se a nona Conferência de Ministerial entre os países membros da OMC realizada em Bali. Nessa conferência foi acordada a Facilitação de comércio, com o intuito de reduzir a burocracia nos procedimentos portuários. 64 O terceiro objetivo específico apresentou as últimas medidas adotadas pelo governo federal brasileiro para atender ao acordo internacional de Facilitação de Comércio, assim como estimular as exportações brasileiras e aumentar o crescimento da economia do país. As medidas e políticas que vem sendo adotadas pelo governo, e reduzem a burocracia nos processos de comércio exterior, visam o cumprimento do Acordo de Facilitação de Comércio, como é o caso do Portal Único de Comércio Exterior. O sistema que foi implementado em abril de 2015, trará maior velocidade na liberação de cargas, redução de custos e tornará o produto brasileiro mais competitivo no mercado internacional. Outra ferramente importante é o sistema Visão Integrada, onde o exportador ou seu representante legal, terá a visualização da situação atual do seu processo. Seja para cumprir acordos internacionais ou impulsionar as exportações, a implementação dessas reformas que trarão mudanças nos processos de exportação irá aumentar as vendas dos produtos brasileiros e assim impulsionar a economia com a geração de novos empregos e por consequência aumentar a renda da população, que por sua vez gerará maior consumo. Percebe-se a importância de todas essas reformas realizadas pelo governo federal, quando elas afetam diretamente a vida de cada cidadão. Os programas e medidas do governo em prol da desburocratização de processos no comércio exterior apresentados nesse trabalho foram implementados recentemente, impedindo uma avaliação de resultado junto aos exportadores. Sendo assim essa seria uma sugestão para futuros trabalhos. 65 REFERÊNCIAS AMERICAN CHAMBER OF COMMERCE FOR BRAZIL (AMCHAM). Implementação do Operador Econômico Autorizado (OEA). 2015. 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