TÍTULO: COMPARAÇÃO DO NÍVEL DE APTIDÃO FÍSICA EM UNIVERSITÁRIOS DE ACORDO COM O
PERÍODO LETIVO E SEXO
CATEGORIA: CONCLUÍDO
ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE
SUBÁREA: EDUCAÇÃO FÍSICA
INSTITUIÇÃO: FACULDADES DE DRACENA
AUTOR(ES): DAIANE CRISTINA TEIXEIRA, THALITA CRISTINE RODRIGUES DOS SANTOS
ORIENTADOR(ES): FABRÍCIO EDUARDO ROSSI, LUCIANA SANAE OTA TAKAHASHI
RESUMO
Em face ao aumento de gordura corporal ao longo dos anos de faculdade, o
que pode ser atribuído ao estresse, e mudanças de hábitos logo após ingressarem na
universidade, como poucas horas de sono, vida noturna agitada e ingestão de álcool
elevada, além da piora dos hábitos alimentares, e tendo em vista a relação estilo de
vida e aptidão física, o presente estudo teve como objetivo verificar o nível de aptidão
física de universitários de acordo com o ano letivo e sexo. Para tanto, foram avaliados
61universitários, sendo 26 do sexo masculino e 12 do sexo feminino, estudantes do
2º termo, e 12 do sexo masculino e 11 do sexo feminino, estudantes do 6º termo,
todos estudantes do curso de Educação Física na cidade de Dracena/SP. Os sujeitos
foram submetidos a uma bateria de avaliações, incluindo avaliação antropométrica
(massa corporal total, estatura e IMC), de parâmetros hemodinâmicos e de aptidão
física: flexibilidade – pelo teste de sentar e alcançar, força muscular de membros
superiores – teste de flexão de braços – e inferiores – teste de impulsão vertical parado
– e força/resistência abdominal. Na análise estatística, para comparação dos grupos,
foi realizada a Anova one-way, seguida do Post hoc de Tukey para identificar as
possíveis diferenças entre os grupos. Todas as análises foram realizadas no software
estatístico BioEstat (versão 5.0) e o nível de significância foi estabelecido em 5%. Ao
analisar-se a diferença entre sexos nos componentes da aptidão física de
universitários do curso de Educação Física, observou-se diferença estatisticamente
significante entre sexos do mesmo termo e entre sexos de termos diferentes nas
variáveis de massa corporal total, pressão arterial sistólica, força de membros
inferiores e força/resistência abdominal. Não foram encontradas diferenças entre
sexos no IMC, pressão arterial diastólica, flexibilidade e força de membros inferiores.
Acredita-se que achados de estudos como este contribuem sobremaneira para a
compreensão e o reforço da relação entre atividade física e saúde, além de embasar
o papel do profissional de Educação Física, inclusive como exemplo e agente
incentivador pela busca de melhores índices de aptidão física relacionada à saúde.
INTRODUÇÃO
Atualmente o sedentarismo é visto como um problema de saúde pública, tanto
em países desenvolvidos, quanto em países em desenvolvimento. A inatividade física
é um importante fator de risco para as doenças cardiovasculares como hipertensão
arterial, resistência à insulina, diabetes, dislipidemia e obesidade (SOUZA, 2010).
Além das complicações para a saúde, o sedentarismo pode resultar em elevado
custos econômicos, tanto para o indivíduo, como para os órgãos de saúde pública.
Embora as taxas de morbimortalidade tenham decaído nos últimos anos, em
consequência dos elevados investimentos em saúde pública, estudos têm
demonstrado que as mudanças no estilo de vida parecem ser de extrema importância
para a prevenção de doenças crônico-degenerativas (OLIVEIRA et al., 2014).
Dessa forma, manter níveis adequados de atividade física, pode contribuir para
uma boa aptidão física. Dentre os parâmetros da aptidão física relacionada à saúde,
podemos destacar a força e resistência muscular, capacidade aeróbia, flexibilidade e
composição corporal, sendo caracterizada como a capacidade de um indivíduo em
realizar suas atividades da vida diária (AVDs) sem esforço excessivo, além de essas
valências serem importantes em todas as fases da vida (CONTE et al.,2008).
Quando se observa esses parâmetros em jovens universitários, Santos et al.
(2014) em estudo realizado com acadêmicos do curso de educação física, observou
um aumento de gordura corporal ao longo dos anos de faculdade, o que pode ser
atribuído ao estresse, e mudanças de hábitos logo após ingressarem na universidade,
como poucas horas de sono, vida noturna agitada, ingestão de álcool elevada.
Rechenchosky (2012) comparou universitários iniciantes e concluintes do curso de
educação física e demonstraram que os mais jovens apresentaram piores hábitos
alimentares, porém menor estresse em relação aos alunos do último ano do curso.
Apesar de estudos recentes terem analisado os hábitos de vida de
universitários, não está claro se o nível de aptidão física difere entre os períodos
letivos e sexo. Assim, o objetivo do presente estudo foi verificar o nível de aptidão
física de universitários de acordo com o ano letivo e sexo.
METODOLOGIA
Estudo de caráter transversal que consistiu em avaliar a aptidão física
relacionada à saúde de jovens estudantes do curso de Educação física das
Faculdades de Dracena da cidade de Dracena-SP, Brasil. Participaram desse estudo
61 universitários, sendo 26 do sexo masculino e 12 do sexo feminino, estudantes do
2º termo (1º ano), e 12 do sexo masculino e 11 do sexo feminino, estudantes do 6º
termo (3º ano).
Como critério de inclusão, os participantes deveriam: 1) estar devidamente
matriculados no primeiro ou terceiro ano do curso de educação física; 2) realizar todos
os testes previamente determinados.
DESENVOLVIMENTO
Massa corporal total, estatura e IMC
Para a avaliação da massa corporal total foi utilizada uma balança digital da
marca Sanny, com precisão de 0,01kg. A estatura foi medida com um estadiômetro
da marca Sanny, fixado à parede, com precisão de 0,01 cm. Os participantes foram
orientados a ficarem de costas para a escala de medida, descalços, braços ao longo
do corpo e olhar no plano de Frankfurt. Após obter os valores de peso e estatura, o
índice de massa corporal (IMC) foi calculado, dividindo o peso corporal em
Quilogramas pela estatura em metros ao quadrado (Kg/m2).
Parâmetros hemodinâmicos
Para a medida de pressão arterial sistólica e diastólica foi utilizado um
esfignomanômetro digital arterial de braço (OMRON M3I). Os participantes
permaneceram sentados, com o braço esquerdo apoiado no nível do coração, no qual
a medida foi realizada. Foi solicitado para que nenhum estimulante fosse utilizado 24
horas prévias à realização das medidas.
Avaliação da aptidão física
Flexibilidade
Para avaliação da flexibilidade foi realizado o teste de sentar e alcançar
realizado no banco de Wells. O teste foi realizado em um banco de madeira, de
dimensões 30,5 x 30,5 x 30,5cm, tendo a parte superior plana e uma tábua de madeira
com 56,5 cm de comprimento fixada à parte superior e uma escala de medida de 1
em 1 cm. O teste foi aplicado três vezes aceitando-se a melhor medida para utilização
neste estudo.
Força Muscular
Força muscular de Membros Superiores (MMSS)
O teste de flexão de braços foi realizado para determinar a força muscular de
membros superiores. O avaliado permaneceu em decúbito ventral, com braços em
extensão na linha dos ombros e deveriam abaixar o tronco até 5 centímetros do solo
e voltando a posição inicial. Para o sexo feminino foi realizado o teste com posição
modificada, na qual, permaneciam em quatro apoios (joelhos apoiados no chão e pés
cruzados). Todos deveriam fazer o maior número de repetições durante 1 minuto e o
maior número de repetições corretas realizadas foi registrado.
Força muscular de Membros Inferiores (MMII)
Para determinar a força muscular de MMII foi realizado o teste de impulsão
vertical parado. Para realização do teste foi utilizada uma fita adesiva, para assinalar
a linha de partida e uma fita métrica de metal foi fixada ao solo. O indivíduo
permaneceu com os pés paralelos no ponto de partida (linha zero da fita métrica fixada
ao solo) e após a voz de comando "Atenção! Já!!!" o avaliado saltou no sentido
horizontal, com impulsão simultânea das pernas, objetivando atingir o ponto mais
distante da fita métrica. Foi permitido o movimento livre dos braços. Foram realizadas
três tentativas, sendo utilizado o maior resultado.
Teste de Força e Resistência abdominal
O teste de força/resistência abdominal consistiu em o avaliado se deitar em
decúbito dorsal, joelhos flexionados, os pés afastados na linha do quadril, braços
cruzados na frente do tronco, com o dedo indicador tocando a parte anterior dos
ombros e o avaliador segurou os pés durante o teste. Repetições completas foram
contadas somente se o avaliado encostasse o cotovelo na coxa, sem desencostar os
braços do tronco e as escápulas no chão. O maior número de repetições corretas foi
registrado durante 1 minuto.
Análise Estatística
O teste de Levene foi realizado para verificar a normalidade do conjunto de
dados. A análise descritiva foi realizada para caracterização amostral e os dados
foram apresentados em valores de média e desvio padrão. Para comparação dos
grupos foi realizada a Anova one-way, seguida do Post hoc de Tukey para identificar
as possíveis diferenças entre os grupos. Todas as análises foram realizadas no
software estatístico BioEstat (versão 5.0) e o nível de significância foi estabelecido em
5%.
RESULTADOS
A figura 1 apresenta as comparações na massa corporal total de acordo com o
Massa Corporal Total (Kg)
período letivo e sexo.
120
2º Termo
6º Termo
110
100
90
80
70
*#
*#
60
50
40
Masculino Feminino Masculino Feminino
Fig 1: Massa corporal total de acordo com o período letivo e sexo. * = diferença
estatisticamente significante entre sexos do mesmo termo; # = diferença estatisticamente
significante entre sexos de termos diferentes.
A figura 2 apresenta as comparações no IMC de acordo com o período letivo e
sexo.
2º Termo
6º Termo
IMC (Kg/m2)
33
30
27
24
21
18
15
Masculino Feminino Masculino Feminino
Fig 2: Índice de massa corporal (IMC) de acordo com o período letivo e sexo.
Os valores médios de pressão arterial sistólica (PAS) e pressão arterial
diastólica (PAD), de acordo com o período letivo e sexo, são mostrados nas figuras 4
e 4, respectivamente.
PAS (mmHg)
180
170
160
150
140
130
120
110
100
90
80
2º Termo
6º Termo
*#
*#
Masculino Feminino Masculino Feminino
Fig 3: Pressão Arterial Sistólica (PAS) de acordo com o período letivo e sexo. * = diferença
estatisticamente significante entre sexos do mesmo termo; # = diferença estatisticamente
significante entre sexos de termos diferentes.
100
2º Termo
6º Termo
PAD (mmHg)
90
80
70
60
50
40
Masculino Feminino Masculino Feminino
Fig 4: Pressão Arterial Diastólica (PAD) de acordo com o período letivo e sexo. * = diferença
estatisticamente significante entre sexos do mesmo termo; # = diferença estatisticamente
significante entre sexos de termos diferentes.
Os valores médios do teste de sentar e alcançar de acordo com o período letivo
e sexo são apresentados na figura 5.
Flexibilidade (cm)
40
2º Termo
6º Termo
35
30
25
20
15
10
5
0
Masculino Feminino Masculino Feminino
Fig 5: Teste de flexibilidade de acordo com o período letivo e sexo.
A figura 6 apresenta as comparações no teste de força de membros inferiores,
medida em cm, de acordo com o período letivo e sexo.
Força de MMII (cm)
4.0
2º Termo
6º Termo
3.5
3.0
2.5
2.0
1.5
*#
*#
1.0
0.5
0.0
Masculino Feminino Masculino Feminino
Fig 6: Força de membros inferiores (MMII) de acordo com o período letivo e sexo. * = diferença
estatisticamente significante entre sexos do mesmo termo; # = diferença estatisticamente
significante entre sexos de termos diferentes.
A figura 7 apresenta as comparações no teste de força de membros superiores,
Força de MMSS (repetições)
em número de repetições, de acordo com o período letivo e sexo.
60
2º Termo
6º Termo
50
40
30
20
10
0
Masculino Feminino Masculino Feminino
Fig 7: Força de membros superiores (MMSS) de acordo com o período letivo e sexo.
Os valores médios do teste de força e resistência abdominal, de acordo com o
período letivo e sexo, são apresentados na figura 8.
Força/resistência abdominal (rep)
60
55
50
45
40
35
30
25
20
15
10
5
2º Termo
6º Termo
*#
Masculino Feminino Masculino Feminino
Fig 8: Força/resistência abdominal (número de repetições) de acordo com o período letivo e
sexo. * = diferença estatisticamente significante entre sexos do mesmo termo; # = diferença
estatisticamente significante entre sexos de termos diferentes.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No presente trabalho, ao analisar-se a diferença entre sexos nos componentes
da aptidão física de universitários do curso de Educação Física, observou-se diferença
estatisticamente significante entre sexos do mesmo termo e entre sexos de termos
diferentes nas variáveis de massa corporal total, pressão arterial sistólica, força de
membros inferiores e força/resistência abdominal. Não foram encontradas diferenças
entre sexos no IMC, pressão arterial diastólica, flexibilidade e força de membros
inferiores.
Em relação à massa corporal total, Madureira et al. (2009) verificaram maior
prevalência de sobrepeso no sexo masculino avaliando somente universitários
ingressantes de vários cursos, 501 do sexo masculino e 361 do sexo feminino. Os
resultados de Loch et al. (2006) também apontaram maior aptidão física dos homens
em relação às mulheres nas variáveis força abdominal e força de MMSS, além de
maior massa corporal e IMC, ao avaliarem 249 homens e 189 mulheres com idade
com idade entre 17 e 29 anos. Neste estudo, as mulheres apresentaram valores
estatisticamente maiores na flexibilidade de tronco, ao contrário do presente trabalho;
no entanto é preciso mencionar que o presente trabalho avaliou flexibilidade de
membros inferiores.
Conte et. al. (2008), ao analisar estudantes de Medicina, também observou
maior desempenho dos homens na força muscular de MMII, além de apresentarem
maior escore de IMC. Essas diferenças podem ser devido à maior quantidade de
massa muscular, determinada por reconhecidos fatores biológicos, podendo-se
considerar que, em média, os homens são mais pesados do que as mulheres. Quanto
ao desempenho inferior das mulheres nos testes de força, acredita-se que seja
determinado por níveis mais baixos de andrógenos e, consequentemente, de massa
muscular. Além disso, parece que o sexo masculino tende a apresentar maiores níveis
de atividade física quando comparado ao sexo feminino (BIELEMANN ET AL. 2007;
PALMA, ABREU E Cunha, 2007 e Ribeiro et al., 2013).
Quanto à pressão arterial, os achados do presente trabalho são condizentes
com a literatura, que aponta níveis pressóricos mais elevados na população masculina
em adultos jovens. No entanto, após os 50 anos a prevalência da hipertensão arterial
em mulheres aumenta rapidamente, até ultrapassar os índices dos homens, por volta
dos 75 anos. Alterações na pressão arterial aumentam 4 vezes o risco de doença
coronariana entre mulheres, além de ser um fator de risco independente para a
hipertrofia do miocárdio ventricular, cujo risco de mortalidade também é maior entre
mulheres (EIFERT et al., 2014).
Apesar da já reconhecida importância da avaliação da aptidão física
relacionada à saúde, o presente estudo possui a limitação de não controlar a atividade
física habitual dos participantes, o que poderia auxiliar a interpretação das diferenças
encontradas entre homens e mulheres e entre os termos.
No entanto, os achados de estudos como este contribuem sobremaneira para
o reforço da relação entre atividade física e saúde e o papel do profissional de
Educação Física neste contexto, como agente motivador e exemplo de seu próprio
discurso, já que bons níveis de aptidão física obtidos pela prática regular de atividades
físicas por parte do profissional pode também ser um estímulo para que seus alunos
se motivem e adotem um estilo de vida que contemple a prática de exercício físico.
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