1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO FACULDADE DE AGRONOMIA E MEDICINA VETERINÁRIA Programa de Pós-graduação em Agricultura Tropical ATRIBUTOS FÍSICOS E QUÍMICOS DE UM LATOSSOLO FERTIRRIGADO COM EFLUENTE DE SUÍNOS JOSIMAR BRITO DA SILVA C U I A B Á – MT 2011 2 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO FACULDADE DE AGRONOMIA E MEDICINA VETERINÁRIA Programa de Pós-graduação em Agricultura Tropical ATRIBUTOS FÍSICOS E QUÍMICOS DE UM LATOSSOLO FERTIRRIGADO COM EFLUENTE DE SUÍNOS JOSIMAR BRITO DA SILVA Engenheiro Agrônomo Orientador: Prof. Dr. Aloísio Bianchini Co-orientadora: Profa. Dra. Oscarlina Lucia dos Santos Weber Co-orientadora: Profa. Dra. Walcylene L. M. P. Scaramuzza Dissertação apresentada à Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade Federal de Mato Grosso, para obtenção do título de Mestre em Agricultura Tropical. C U I A B Á – MT 2011 FICHA CATALOGRÁFICA S586a Silva, Josimar Brito da. Atributos físicos e químicos de um latossolo fertirrigado com efluente de suínos / Josimar Brito da Silva. – 2011. 46 f. : il. Orientador: Prof. Dr. Aloísio Bianchini. Co-orientadora: Prof.ª Dr.ª Oscarlina Lucia dos Santos Weber. Co-orientadora: Prof.ª Dr.ª Walcylene L. M. P. Scaramuzza. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Mato Grosso, Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, Pós-Graduação em Agricultura Tropical, 2011. Inclui bibliografia. 1. Solo – Propriedades físico-químicas. 2. Solo – Fertirrigação – Efluente de suínos. 3. Latossolo – Fertirrigação. 4. Latossolo – Atributos químicos. 5. Latossolo – Atributos físicos. 6. Solo – Adubação orgânica. I. Título. CDU – 631.412 Ficha elaborada por: Rosângela Aparecida Vicente Söhn – CRB-1/931 3 DEDICATÓRIA Aos meus pais, João Brito de Melo e Marluce Coimbra da Silva pelo amor e carinho. A minha esposa Viviam pela compreensão e apoio, e aos meus filhos Elisama e Josimar. 4 AGRADECIMENTOS A Deus, pela vida, saúde e oportunidade concedida para a realização deste sonho do mestrado. A minha família, em especial aos meus pais João Brito de Melo e Marluce Coimbra da Silva, aos meus irmãos João, Josemy, Jocilene, Janeluce que sempre acreditaram em mim. A minha esposa Viviam Patrícia e aos meus diletos filhos, Elisama e Josimar (Junior) que me apoiaram de maneira indizível nesta caminhada. Ao Prof. Dr. Aloisio Bianchin pela orientação impar na execução deste mestrado. A Profa. Dra. Oscarlina L. S. Weber pela co-orientação, pelo companheirismo, pela motivação, pelas críticas construtivas, pelo carinho e paciência dispensados. A Profa. Dra. Walcylene L. M. P. Scaramuzza pela co-orientação, apoio, consideração, sinceridade e honestidade, virtudes pelas quais me permitiram a inserção neste mestrado. Ao corpo docente do Programa de Pós Graduação em Agricultura Tropical (PPAT), por todo conhecimento proporcionado. Aos companheiros, Thales, Kelly Maas, Janaine, Jader, Mariana, Larissa, Rafael Noetzold, Rafaelli, Aline, Andréia Quintino, Liliane, Cristiane Ramos, Everton, Fabio, Franciele Caroline, Daniel, Geovani, Indira, Regiane, Marta Furquim que compartilhamos momentos de estresse, alegria e companheirismo. Aos amigos da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso - SEMA – MT (Willian Campolin, Jesus, Elaine Regina, Helen, Lilian, Marçal, Orlando, Gilberto, Ana Cláudia); que me apoiaram durante esta jornada. A minha amiga Mariana Fidelis Guardiola, que sempre me ajudou financeiramente, um exemplo de humildade, lisura de caráter e honestidade. 5 Aos proprietários do local do estudo que abriram as suas porteiras para realização desta pesquisa de maneira incondicional. À Marcela Quina e Dona Severiana pela amizade, compartilhamento dos lanches e almoços de improviso, e principalmente a ajuda prestada no laboratório de Fertilidade do Solo da UFMT Aos estagiários: Diogo, Fernanda, Flávia, Pedro, Giuliano, Reinaldo e Ane Carolina, por me ajudarem nas análises laboratoriais. Aos funcionários do PPGAT, em especial Denise, Maria Minervina, Berenice, Senna e Renata. As pessoas do grupo da limpeza das salas, em especial, Dona Célia que sempre nos atendeu em momento oportuno. Aos meus irmãos de fé, Pr. Valter, Doroty Topanoti, Benedito, Celismar, Estevão, João Batista, Fernando Borges, Moises pelas intercessões em oração nos momentos difíceis. Aos meus tios (Pedro Brito, Cidinília Brito, Iracy Brito) referências de vida pra mim. Aos meus primos e primas que sempre partilharam de minhas alegrias. Ao Engº Agrônomo Otávio Bruno Nogueira Borges, que sempre acreditou e colaborou na minha formação profissional. Ao Prof. Dr. Carlos Alberto Ceretta, cuja nobreza e insigne presença, abrilhantou minha banca de qualificação. A Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT) pela concessão da bolsa. A Profa. Dra. Aline Regina Piedade que com muita generosidade aceitou o convite para participar da banca de defesa desta dissertação. Ao Prof. Dr. Marcio Wilian Roque pelo apoio e dedicação em transmitir conhecimento durante a realização das análises laboratoriais. Aos Engenheiros da Sadia S/A, Paulo Sérgio Trentin e Diogo, que muito contribuíram para execução desta pesquisa. 6 ATRIBUTOS FÍSICOS E QUÍMICOS DE UM LATOSSOLOO FERTIRRIGADO COM EFLUENTE DE SUÍNOS RESUMO - O objetivo deste trabalho foi avaliar as alterações físicas e químicas de um Latossolo fertirrigado com efluentes de suínos. Foi realizado um experimento em delineamento inteiramente casualizado, contendo seis tratamentos, com doses crescentes de efluentes. A amostragem para as analises físicas do solo foram feitas nas camadas de 0 a 15 e, 15 a 30 cm enquanto para as químicas a amostragem foi nas camadas de 0 a 5, 5 a 10, 10 a 20, 20 a 40, 40 a 60 cm. As variáveis analisadas foram: a condutividade hidráulica, a densidade do solo, a porosidade (total, macro e micro), os diâmetros médio geométrico e médio ponderado, índice de estabilidade de agregados, pH, nitrogênio total, fósforo, potássio, sódio, zinco e cobre disponíveis. Os resultados indicaram que os atributos físicos e químicos do solo, são fortemente modificados quando se adiciona efluentes de suínos, sendo necessário monitorar o perfil do solo, com vistas em minimizar possíveis riscos de contaminação e de poluição do solo e das águas subsuperficiais. Palavras-chave - fertirrigação, propriedades físicas e químicas do solo, adubação orgânica 7 PHYSICAL AND CHEMICAL ATTRIBUTES OF AN OXISOL FERTILIZED WITH EFFLUENT PIG ABSTRACT - This study aimed to evaluate the physical and chemical changes in an Oxisol fertilized with swine effluent. An experiment was conducted in a randomized design with six treatments with increasing doses of sewage. Sampling for chemical and physical analysis of the soil were made in layers of 0-30 and 0-60 cm respectively. The variables were hydraulic conductivity, bulk density, porosity (total, macro and micro), geometric mean diameter, mean weight diameter of aggregates stability index, pH, total nitrogen, phosphorus, potassium, sodium, zinc and copper available. The results indicate that the physical and chemical soil properties are strongly modified when added to swine effluent, requiring monitoring in the soil profile in order to reduce the risk of contamination and pollution of soil and subsurface waters. Keywords: fertigation, physical and chemical properties of soil, organic fertilizer 8 SUMÁRIO RESUMO ...................................................................................................... VI ABSTRACT .................................................................................................. VII CAPITULO 1 ................................................................................................ 10 1 INTRODUÇÃO GERAL ............................................................................. 10 1.1 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................................ 14 CAPITULO 2 ................................................................................................ 16 ALTERAÇÕES NOS ATRIBUTOS FÍSICOS DE UM LATOSSOLO FERTIRRIGADO COM EFLUENTE DE SUÍNOS ........................................ 16 RESUMO ..................................................................................................... 16 ABSTRACT .................................................................................................. 17 2 INTRODUÇÃO ....................................................................................... 18 2.1 2.2 2.3 2.4 MATERIAL E MÉTODOS ................................................................................................ 19 RESULTADOS E DISCUSSÃO ........................................................................................ 23 CONCLUSÕES .................................................................................................................. 26 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................................ 27 CAPÍTULO 3 ................................................................................................ 29 ALTERAÇÕES NOS ATRIBUTOS QUIMICOS DE UM LATOSSOLO FERTIRRIGADO COM EFLUENTE DE SUÍNOS ........................................ 29 RESUMO ..................................................................................................... 29 ABSTRACT .................................................................................................. 30 3 INTRODUÇÃO ...................................................................................... 31 3.1 3.2 3.3 3.4 MATERIAL E MÉTODOS ............................................................................................... 32 RESULTADOS E DISCUSSÃO ........................................................................................ 34 CONCLUSÕES .................................................................................................................. 42 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................................ 43 4 CONCLUSÕES ......................................................................................... 46 9 LISTA DE TABELAS Página 1 Característica química do efluente do suíno utilizado no experimento............................................................................. 23 2 Diâmetro médio ponderado (DMP), diâmetro médio geométrico (DMG) e índice de estabilidade de agregados (IEA) em diferentes níveis de adubação em função do ano................................................................................... 25 3 Variação da condutividade hidráulica (Ks), densidade aparente (Ds), porosidade total (PT), microporosidade (Mi) nas profundidades em função do ano............................................................................................................. 26 4 Característica química do solo da área experimental antes do plantio......................................................................................................... 34 5 Exemplo da exportação de nutrientes pela produção da cultura da soja............................................................................................................. 34 6 Nitrogênio (NT), fósforo (P2O5), potássio (K2O), cobre (Cu) e zinco (Zn) incorporados ao solo ao ano em diferentes doses de efluentes de suínos........................................................................................................ 35 7 Teores de fósforo variando em profundidade em função do ano............................................................................................................. 8 pH, teores de nitrogênio total (NT), potássio (K), sódio (Na), cobre (Cu), zinco (Zn) em diferentes doses de aplicação de efluentes de suínos em função da profundidade (cm)................................................................... 37 10 CAPITULO 1 1 INTRODUÇÃO GERAL O Estado de Mato Grosso vem se consolidando como uma das principais regiões produtoras de gado de corte e grãos do país, e apresenta hoje um novo ciclo de desenvolvimento, que consiste no incremento de atividades intensivas de criação animal. Assim, atividades como avicultura, suinocultura, e bovinocultura, têm sido atraídas pela disponibilidade de grãos, a um custo menor, e de um ambiente de agricultura comercial que permite operações de larga escala. A região do médio norte mato-grossense tem sido um dos pólos desse atual ciclo de crescimento agrícola. A consolidação de um complexo de criação de suínos, com investimentos de R$ 86.000.000,00, com capacidade de abater 5.000 suínos por dia-1, envolve a participação de aproximadamente 86 produtores integrados, com forte tendência à expansão. (Br Foods, 2010) A suinocultura é uma atividade de grande potencial poluidor. Os efluentes gerados por essa atividade deverão ter destinação adequada de maneira a evitar problemas de contaminação e poluição ambiental A ineficiência do uso da água no sistema de manejo e de limpeza das granjas produz uma diluição maior dos dejetos gerando consequentemente um volume alto de efluentes a serem disposto nos solos e/ou nas lavouras. As modalidades de criação das granjas (unidade de produção de leitão e de terminação) desse complexo, produzirão cerca 5.000.000 m3 ano1 de efluentes. (Br Foods, 2010) As características químicas dos dejetos estão relacionadas à composição nutricional das dietas alimentares dos suínos, que é rica em elementos como N, P e K, Ca, Mg, Zn, Cu e Mn. Estima-se que 92 a 96% do Zn, 72 a 80% do total de Cu (Bonazzi et al., 1994) e 60 a 70% do N ingerido pelos animais sejam excretados em suas fezes e urina (Oliveira, 2000). Dessa forma, práticas correntes de utilização e manejo incorreto desse dejeto podem contribuir, potencialmente, para a degradação da qualidade do 11 solo, da água e do ar (Zebarth et al., 1999). Uma alternativa adotada para os efluentes é a disposição no solo, como fonte de adubação para culturas anuais ou perenes, visto que a sua composição química é rica em nutrientes tais como nitrogênio, fósforo, potássio, metais pesados e matéria orgânica (M.O), proporcionando melhor estruturação do solo e ao mesmo tempo servindo como fonte de adubação para as plantas. Scherer et al. (1996) relatam que o dejeto de suíno quando utilizado de forma equilibrada constitui-se num fertilizante capaz de substituir parte ou, em determinadas situações, totalmente a adubação química das culturas, dependendo das condições existentes e dos propósitos do agricultor. Ao contrário dos fertilizantes minerais, que possuem composição mínima definida para cada condição de cultura e/ou solo, a composição do dejeto é extremamente desbalanceada, variando conforme a alimentação, manejo da água, condições de armazenamento e idade dos animais (Scherer et al., 1995; Konzen et al., 1997) o que dificulta uma recomendação padronizada. Por isso, aplicações contínuas poderão causar desequilíbrios de nutrientes no solo e a gravidade do problema dependerá do tempo de aplicação, da composição e da quantidade de dejeto aplicado, além do tipo de solo e da capacidade de extração das culturas pelas plantas. O teor de N no esterco e o requerimento desse nutriente pelas culturas são parâmetros freqüentemente usados para estabelecer as dosagens a serem utilizadas, podendo-se assim, evitar a lixiviação do N na forma de nitrato e a possível contaminação de águas subterrâneas. Micronutrientes como o Cu e Zn, embora sejam encontrados naturalmente no solo e essenciais ao crescimento das plantas, podem ser tóxicos quando em elevadas concentrações. A acumulação de metais pesados tem recebido atenção especial, pois reagem com os constituintes coloidais e biológicos, quer na camada superficial do solo ou dissociados na água (Mattias, 2006). O solo, devido às suas características, controla a transferência desses 12 elementos para a atmosfera, hidrosfera e a biota. A presença destes contaminantes no ambiente possibilita a bioacumulação na cadeia alimentar, proporcionando distúrbios metabólicos nos seres vivos e no próprio homem. Desse modo, a contaminação de solo com metais pesados tem sido reconhecida como um importante problema ambiental, podendo causar riscos ainda desconhecidos para o homem e gerações futuras. No solo, a fase sólida, composta pelas frações orgânica e mineral, é responsável pela retenção destes elementos, devido principalmente às suas características químicas. Além do conhecimento das interações ocorridas nas propriedades químicas do solo, os atributos físicos devem ser estudados, pois influenciam de maneira direta nos processos de lixiviação e escoamento superficial de nutrientes que contribuirá na contaminação de águas superficiais e subterrâneas. O conhecimento das propriedades físicas do solo constitui-se numa ferramenta imprescindível para o monitoramento do solo pela condutividade hidráulica (Ks), densidade do solo (Ds), índice de estabilidade de agregados (IEA), macroporosidade (Ma), microporosidade (Mi) e porosidade total (PT). O aumento na Ds resulta na diminuição da PT, do arejamento e da Ks. A Ds é um importante indicativo das condições de manejo do solo, pois reflete o arranjo das partículas do solo, que por sua vez define as características do sistema poroso. O aumento da Ds restringe o crescimento radicular à medida que a raiz encontra poros menores e em menor número (Fernandes, 1982). De modo geral, com o aumento da intensidade de cultivo tem sido observada alteração no tamanho dos agregados do solo, aumento da Ds, redução da PT e aumento da resistência à penetração (Rp) e a capacidade de retenção de água (Silva e Mielniczuk, 1997) De acordo com Castamann (2005), a poluição provocada pelo manejo inadequado dos dejetos de suínos cresce em importância a cada dia, seja pela maior consciência ambiental dos produtores, seja pela crescente preocupação das instituições de pesquisa, universidades e órgãos 13 ambientais fiscalizadores em estabelecer critérios de avaliação dos impactos ambientais e gerar tecnologias na busca de uma produção menos impactante possível. Há um consenso entre pesquisadores da área de que a disposição de efluentes no solo, como uma forma de tratamento, traz riscos ambientais quando não monitorados ou em desrespeito às legislações ambientais vigentes no país. Em função da relevância do uso de efluentes na agricultura no sistema de produção e do risco potencial de contaminação ambiental devido aos impactos causados na estrutura do solo, o presente estudo objetivou avaliar as modificações ocorridas nas propriedades físicas e químicas de um Latossolo fertirrigado com efluentes de suínos. Esta Dissertação está fundamentada da seguinte forma: No Capitulo I faz-se uma breve introdução, no Capitulo 02 encontram-se os atributos físicos do solo e no terceiro e último Capitulo os atributos químicos. 14 1.1 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BONAZZI, G.; CORTELLINI, L.; PICCININI, S. Presenza di rame e zinco nei liquami suinicoli e rischio di contaminazione dei suoli. L’Informatore agrario, n. 36, p. 55–59, 1994. BRASIL FOODS – Banco de dados de projetos agropecuários. Gerência de atividades agropecuárias. Mato Grosso. Unidade de Lucas do Rio Verde. 2011. CASTAMANN, A. Aplicação de dejetos líquidos de suínos na superfície e no sulco em solo cultivado com trigo. 2005, 132 f. Dissertação (Mestrado em Agronomia), Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, 2005 FERNANDES, M. R. Alterações em propriedade de um Latossolo VermelhoAmarelo distrófico, fase cerrado, decorrentes da modalidade de uso e manejo. 1982, 65f. Dissertação (Mestrado em Agronomia), Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 1982. KONZEN, E. A. & BARROS, L. C. de. Lagoas de estabilização natural para armazenamento de dejetos líquidos de suínos. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 14 p, 1997. (Embrapa Milho e Sorgo). MATTIAS, J. L. Metais pesados em solos sob aplicação de dejetos líquidos de suínos em duas Microbacias hidrográficas de Santa Catarina. 2006, 165f. Tese (Doutorado em Ciências do Solo), Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2006. OLIVEIRA, P. A. V. Produção de suínos em sistemas deep bedding.: experiência brasileira. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE SUINOCULTURA, 2000, São Paulo. Anais... São Paulo: [s.n.], 2000. SCHERER, E. E.; BALDISSERA, I. T.; DIAS, L. F. X. Método rápido para determinação da qualidade do esterco líquido de suínos a campo. Agropecuária Catarinense, Concórdia: EMPASC, v. 8, n. 2, p.40-43, 1995. SCHERER, E.E.; AITA, C. & BALDISSERA, I.T. Avaliação da qualidade do esterco líquido de suíno da região Oeste Catarinense para fins de utilização como fertilizante. Florianópolis, EPAGRI, 1996. 46p. (Boletim Técnico, 79) SILVA, I. F.; MIELNICZUK, J. Ação do sistema radicular de plantas na formação e estabilização de agregados do solo. Rev. Bras. Ci. Solo, n. 21, p. 113-117, 1997. ZEBARTH, B. J.; PAUL, J. W.; KLEECK, R. V. The effect of nitrogen management in agricultural production on water and air quality: evaluation on 15 a regional scale. Agricultural Ecosystems Environmental, n. 72, 1999. p. 35-52. SECRETARIA DE ESTADO DO MEIO AMBIENTE – (SEMA-MT). 16 CAPITULO 2 ALTERAÇÕES NOS ATRIBUTOS FÍSICOS DE UM LATOSSOLO FERTIRRIGADO COM EFLUENTE DE SUÍNOS RESUMO – Este trabalho objetivou avaliar as alterações ocorridas nas propriedades físicas de um Latossolo fertirrigado com efluentes de suínos. O experimento foi instalado num delineamento inteiramente casualizado, contendo seis tratamentos (T1= 0 m3 ha-1, T2= 160 m3 ha-1, T3= 270 m3 ha-1, T4= 0 m3 ha-1 + adubo químico, T5= 160 m3 ha-1 + adubo químico, T6= +270 m3 ha-1 + adubo químico) e cinco repetições. A amostragem do solo foi feita nas camadas 0 a 15 e 15 a 30 cm. Os atributos físicos avaliados foram a estabilidade de agregados em água, o diâmetro médio ponderado (DMP) e geométrico (DMG), a condutividade hidráulica (Ks), a porosidade total (macro e microporosidade) e a densidade aparente do solo (Ds). De modo geral, os atributos físicos do solo não alteraram com os tratamentos. Palavras-chaves: condições físicas do solo, adubação orgânica 17 CHAPTER 2 ALTERATION IN PHYSICAL ATTRIBUTES OF A OXISOL FERTILIZED WITH EFFLUENT FROM PIGS ABSTRACT - This study aimed to evaluate the changes in the physical properties of a soil fertilized with swine effluent. The experiment was a completely randomized design with six treatments (T1= 0 m3 ha-1, T2= 160 m3 ha-1, T3= 270 m3 ha-1, T4= 0 m3 ha-1 + fertilizer, T5= 160 m3 ha-1 + fertilizer, T6 = 270 m3 ha-1 + fertilizer) and five replications. Soil sampling was done in layers 0-15, 15-30 cm. The physical attributes evaluated were stable in water, the mean weight diameter (MWD) and geometric (DMG), hydraulic conductivity (Ks), the total porosity (macro and micro) and density of the soil. in general the physical attributes of soil did not change with treatments Keywords: physical conditions of soil, organic fertilizer 18 2 INTRODUÇÃO O uso de efluentes de suínos na agricultura constitui-se numa alternativa de destinação final do resíduo gerado pela atividade, podendo ser usado como um fertilizante alternativo com potencial de contribuir na melhoria das condições físicas do solo. A adição de dejetos de suínos no solo pode modificar a dinâmica do processo de agregação e alterar as propriedades físicas do solo dependentes da estrutura. Essas alterações variam conforme o solo e atuam conjuntamente com atributos biológicos e químicos na determinação dos impactos dos dejetos no ambiente (Seganfredo, 2007). Atributos físicos do solo como a densidade do solo, a condutividade hidráulica e a distribuição do tamanho de poros e de agregados, sensíveis às modificações volumétricas, podem ser utilizados como indicadores da condição estrutural do solo e para avaliar a qualidade física do solo. Entre os efeitos benéficos estão o decréscimo da densidade do solo, o aumento do tamanho e da estabilidade dos agregados em água, o decréscimo do encrostamento superficial, o aumento da condutividade hidráulica e a melhoria na capacidade de retenção de água. No entanto, as alterações nos atributos estruturais podem ocorrer de forma mais lenta caso o solo naturalmente possua uma boa estrutura (Mello et al. 2004). A estrutura é um fator chave no funcionamento do solo, pois permite que o mesmo suporte a vida de plantas e de animais, intermedia a qualidade ambiental, influenciando no movimento e retenção de água no solo, erosão, formação de crosta superficial, reciclagem de nutrientes, penetração de raízes e rendimento das culturas. Externalidades como escoamento superficial, poluição de recursos hídricos e emissões de CO 2 também são influenciadas pela estrutura do solo (Bronick e Lal, 2005). Henklain et al. (1994) avaliaram os efeitos dos resíduos de suínos sobre as características físicas do solo em sistema de plantio convencional e observaram reduções significativas na infiltração da água que 19 conseqüentemente, poderão agravar os problemas de erosão, principalmente em áreas que possuam outras condições favoráveis ao escorrimento de água. Em função da relevância do uso de efluentes na agricultura, no sistema de produção, e do risco potencial de contaminação ambiental devido aos impactos causados na estrutura do solo, o presente trabalho objetivou avaliar as modificações ocorridas nas propriedades físicas de um Latossolo fertirrigado com efluentes de suínos 2.1 MATERIAL E MÉTODOS A área experimental localiza-se numa propriedade agrícola privada, no município de Sorriso - MT, nas coordenadas geográficas 12º42’41”S e 55º53’38”W, em clima subtropical úmido tipo Aw (Koppen), com chuvas concentradas no verão (outubro a abril) e um período seco bem definido nos meses de inverno (maio a setembro). A temperatura média anual de 24ºC, com precipitação de 1700 a 1900 mm. Solo de textura argilosa, com 510 g kg_1, classificado pelo Sistema Brasileiro de Classificação do Solo – SiBCS, Embrapa (1999), como LATOSSOLO VERMELHO-AMARELO Distrófico. O experimento foi instalado num delineamento inteiramente casualizado, sob área de plantio de soja em sistema de plantio direto, fertirrigado com efluentes de suínos e adubação química, distribuídos em seis tratamentos de um hectare cada um, nas dosagens de (T1= 0 m3 ha-1, T2= 160 m3 ha-1, T3= 270 m3 ha-1, T4= 0 m3 ha-1 + adubo químico, T5= 160 m3 ha-1 + adubo químico, 270 m3 ha-1 + adubo químico). A coleta das amostras do solo dentro dos tratamentos, cujas dimensões eram de 100 x 100 m cada um, procedeu dispensando as bordaduras de 30 m de cada lado, e coletando o material em 5 pontos dentro dos 6.000 m2 de área útil no tratamento, compreendida no intervalo dos 30 a 70 m representado na delimitação das linhas verticais expressas na Figura 1. Essa metodologia de coleta das amostras de solo teve como objetivo atingir uma maior homogeneidade na amostragem dentro dos tratamentos, 20 nas doses de 160 e 270 m3 ha-1 de efluentes onde verificou-se uma sobreposição durante a aplicação. O efluente aplicado nos tratamentos via canhão autopropelido foi coletado para caracterização físico-química durante a avaliação da Uniformidade de Distribuição (UD) do equipamento. Este coeficiente foi determinado pelo material coletado nos 50 coletores distribuídos a cada 2m, numa linha de 100 m, transversalmente à faixa de aplicação do sistema de irrigação (Figura 1). Entretanto, após acompanhamento percebeu-se uma desuniformidade na aplicação. Dessa forma, as doses reais foram de 160 e 270 m3 ha-1. Para a caracterização numérica da uniformidade de distribuição do autopropelido foi utilizado método de MERRIAN e KELLER (1978), definida pela equação 1: eq (1) A adubação química convencional consistiu na aplicação de 450 kg ha-1 de N – P2O5 – K2O (0-20-20) no sulco da semeadura. A fertirrigação e a adubação química foram definidas de acordo com a produtividade esperada, aplicadas oito dias antes da semeadura da soja nas safras de 2008/09 e 2009/2010. A amostragem do solo, para análises físicas foi realizada após a colheita da soja nas safras 2008/09 e 2009/10, nas profundidades de 0-15 cm e 15-30 cm, contendo 05 repetições. 21 Figura. 1. Perfil de distribuição do efluente de suínos via canhão autopropelido. Local: Fazenda Pejuçara Data: 10/2010 Foram coletados dois tipos de amostras do solo: (1) - deformadas com preservação parcial da estrutura: para a análise da agregação do solo representada pelo diâmetro médio geométrico, diâmetro médio ponderado e índice de estabilidade de agregados. Também foram coletadas amostras de estrutura semi preservada, sendo cinco por tratamento, para isso foi aberta uma pequena trincheira de 0-15 cm de profundidade e com o auxílio de um enxadão, retirava-se a fatia de solo mais intacta possível e a acondicionava em um vasilhame plástico com tampa; (2) - indeformadas: para determinação da densidade aparente, porosidade (total, macro e micro), condutividade hidráulica, foram coletadas amostras de estrutura preservada, obtidas com um amostrador de Kopeck, com anel metálico de 50 mm de diâmetro e 50 mm de altura, na profundidade de 0-15 e 15-30 cm. Essas amostras, em cada época de coleta eram obtidas em número de dez por tratamento, sempre de forma aleatória, totalizando 60 amostras. Após as coletas, as amostras foram acondicionadas de forma a manter suas características originais durante o seu transporte até ao laboratório para posterior análise. 22 As análises de densidade do solo, da condutividade hidráulica saturada, do índice de estabilidade de agregados (IEA), do diâmetro médio geométrico (DMG), diâmetro médio ponderado (DMP), da densidade do solo (Ds) foram obtidos pelo método descrito por Embrapa (1997). A porosidade total (PT), macro (Ma) e a microporosidade (Mi), foram descritos pelo método da coluna de areia, de acordo com Silva et al. (2008). Os indicadores de estabilidade de agregados e a porcentagem de agregados por classes de diâmetro médio foram obtidos submetendo as amostras ao peneiramento a úmido, seguindo metodologia adaptada da Embrapa (1997). Para isso, foram pesadas 30 g de cada amostra, retidas na peneira de 2 mm, umedecidas com borrifador, colocadas no jogo de peneiras com malhas de 2,00; 1,00; 0,50; 0,25 e 0,10 mm, e submetidas à agitação no aparelho de Yoder (5/5) durante 4 minutos. Após esse tempo, o material retido em cada peneira foi retirado, separadamente, com o auxílio de jato d’água, colocado em latas previamente pesadas e identificadas, e levadas à estufa até massa constante. A característica química do efluente coletado durante a aplicação no experimento está disposta na Tabela 1. Tabela 1 – Característica química do efluente do suíno utilizado no experimento. pH CaCl2 N P2O5 K2O Cu Zn S Ca -------------------------------------------mg L-1--------------------------------------8,10 1 1102 712,51 564,10 0,63 1,60 21,22 55,03 DE1 g cm -3 0,97 Densidade do efluente Os resultados obtidos no índice de estabilidade de agregados, DMP, DMG, foram submetidos à análise de variância pelo teste F, em esquema de parcela subdividida. Os dados da Ks e Ds em esquema de parcela subsubdividida. As comparações de médias foram realizadas pelo teste Tukey a 5% de probabilidade de erro. 23 2.2 RESULTADOS E DISCUSSÃO O Coeficiente de Uniformidade de Distribuição (UD) do autopropelido foi de 64,35%, valor considerado alto nesse sistema de irrigação de acordo com FRIZZONE (1992). Porém com variabilidade na distribuição das doses dentro da faixa de coleta pré-estabelecido no intervalo dos 40 m no tratamento (Figura 1). Nesses dois anos de estudo, houve diminuição no índice de estabilidade de agregados, no T4, provavelmente devido ao incremento de matéria orgânica deixada pelos restos culturais da soja no sistema de plantio direto. Nos tratamentos T2 e T3, mesmo não havendo diferença, observouse tendência na diminuição da estabilidade de agregados, provavelmente devido aos efeitos da aplicação de doses com teores elevados de matéria orgânica, formando agregados maiores e, portanto mais suscetíveis à degradação. Arruda et al. (2010) verificaram redução da estabilidade de agregados em experimento quando da aplicação de doses crescentes de efluentes (50 e 100 m3 ha-1), em sistema de plantio direto. Entretanto, os tratamentos T5 e T6 tiveram tendência à maior estabilidade de agregados e menor diâmetro médio ponderado (DMP) em relação às doses com menor estabilidade (Tabela 2), indicando, portanto, a necessidade de uma maior energia cinética para destruir seus agregados do solo. Depreende-se, portanto, que em se aumentando o DMG, predomina a presença de agregados maiores e suscetível de destruição devido a sua menor estabilidade. 24 Tabela 2. Diâmetro médio ponderado (DMP), diâmetro médio geométrico (DMG) e índice de estabilidade de agregados (IEA) em diferentes níveis de adubação em função do ano. Tratamentos 3 -1 (m ha ) 2009 2,46 aA 2,29 aA 2,27 aA 1,66 bB 2,02 abA 2,10 abA T1 T2 T3 T4 T5 T6 DMP 2010 2,25 abA 2,19 abA 2,32 aA 2,18 abA 1,95 bA 1,84 bA 2009 DMG 2010 1,95aA 1,62 abA 1,64 abA 1,05 cB 1,45 bA 1,40 bA 1,66 aA 1,58 abA 1,78 aA 1,57 abA 1,36 abA 1,10 bA IEA (%) 2009 2010 37,34 cA 42,06 bA 42,25 bA 58,54 aA 38,29 cA 57,02 aA 42,28 bA 41,53 bA 38,94 bA 48,02 abB 40,63 bA 64,29 aA Médias seguidas pela mesma letra, minúscula na vertical e maiúscula na horizontal, não diferem estatisticamente entre si, pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro. A Ks diferiu nas camadas amostradas, sendo menor na camada de 15 a 30 cm em relação à superfície (Tabela 3), indicando compactação do solo devido ao sistema de plantio convencional (gradagem, aragem pesada no solo) em cultivos anteriores à implantação do experimento. Sidiras et al (1984) observaram mesma tendência de compactação do solo com aumento da densidade e microporosidade do solo, diminuição da porosidade total e, principalmente da macroporosidade em relação a camada mais superficial (0-15 cm). A alteração significativa obtida na densidade do solo (Tabela 3) foi devido ao aumento em profundidade, chegando a 5% entre a camada de 015 cm e 15-30 cm, chegando a valores de 1,12 Mg m3 e 1,18 Mg m3 respectivamente. Segundo Souza e Alves (2003a), o aumento da densidade com a profundidade, é devido principalmente à diminuição da matéria orgânica e ao peso das camadas subjacentes. Relatos como os de Roscoe e Buurman (2003); Souza e Alves (2003a) e Corbeels et al., (2006) foram feitos quanto à elevação da densidade do solo, quando se transforma um solo sob vegetação nativa em agricultura mecanizada. Sendo resultado principalmente da movimentação de maquinário e revolvimento do solo, quebrando os macroagregados e conseqüentemente, diminuindo o numero de macroporos. A distribuição de tamanhos de poros e a PT do solo não foram influenciadas pelos tratamentos aplicados. O volume de macroporos variou 25 entre as camadas, pois reduziu com a profundidade (15-30 cm) em relação à superfície (Tabela 3). Considerando que os macroporos são a rota principal para o movimento da água e ar no solo, observa-se que os valores encontrados na camada de 0 a 15 cm, durante os anos estudados estão acima do nível crítico de 0,10 m3 m3 estabelecidos por Reichert et al.( 2003). Ao contrário dos macroporos, a microporosidade dispôs-se em maior volume na camada 15 a 30 cm, provavelmente devido ao menor aporte de matéria orgânica em profundidade. Deve-se considerar que outros fatores, além da forma e quantidade de adubação, podem influenciar a qualidade física do solo, especialmente decorrentes do menor revolvimento do solo no sistema de semeadura direta, além dos efeitos do sistema radical das plantas, em termos de porosidade e agregação (Silva et al., 2005). A porosidade total também não diferiu entre os tratamentos e as camadas analisadas (Tabela 3), pois segundo Seganfredo (1998), o aumento da porosidade total com aplicação de efluentes de suínos pode ser verificada a partir do terceiro ano de estudo, o que neste experimento não foi possível já que forma observados os dois primeiros anos. Tabela 3. Variação da condutividade hidráulica (Ks), densidade aparente (Ds), porosidade total (PT), microporosidade (Mi) nas profundidades em função do ano. Parâmetros Profundidade(cm) Ano 0-15 15-30 2009 2010 Ks (mm/h ) 1722,48 A 135,06 B 989,95 A 867,58 A Ds (Mg m3) 1,12 B 1,18 A 1,14 A 1,16 A PT (m3 m3) 0,523 A 0,521 A 0,526 A 0,518 A Mi (m3 m3) 0,373 B 0,413 A 0,398 A 0,388 A Ma (m3 m3) 0,150 A 0,107 B 0,128 A 0,129 A -1 Médias seguidas pela mesma letra maiúscula na horizontal, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro. 26 2.3 CONCLUSÕES A aplicação de efluentes de suínos nas doses de 160 e 270 m3.ha-1, reduziram a estabilidade de agregados do solo; De modo geral os atributos físicos do solo não sofreram variação entre os dois anos de estudo, cabendo efetuar avaliações no longo prazo. 27 2.4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARRUDA, C. A.; ALVES, M.V.; MAFRA, A.L.; et al. Aplicação de dejeto suíno e estrutura de um latossolo vermelho sob semeadura direta. Ciência Agrotecnica, v. 34, n. 4, p. 804-809, 2010. BRONICK, C.J.; LAL, R. Soil structure and management: a review. Geoderma, p.124:3-22, 2005. 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Revista Brasileira de Ciência do solo, Campinas, v.27, n.1, p.133-139, 2003a. 29 CAPÍTULO 3 ALTERAÇÕES NOS ATRIBUTOS QUIMICOS DE UM LATOSSOLO FERTIRRIGADO COM EFLUENTE DE SUÍNOS RESUMO – Objetivou-se neste estudo avaliar as alterações ocorridas nos atributos químicas de um Latossolo fertirrigado com efluentes de suínos. O experimento foi instalado num delineamento inteiramente casualizado, com seis tratamentos nas dosagens de (T1= 0 m3, T2= 160 m3, T3= 270 m3, T4= 0 m3 + adubo químico, T5= 160 m3 + adubo químico, T6= 270 m3 + adubo químico). A amostragem do solo foi realizada, nas profundidades de 0 a 5, 5 a 10, 10 a 20, 20 a 40 e 40 a 60 cm com cinco repetições. As variáveis avaliadas foram o N total; P disponível, K e Na trocáveis, Cu e Zn trocáveis e o pH. Os resultados indicam a necessidade do monitoramento do uso dessa fonte de adubação no perfil do solo, de modo a assegurar a sustentabilidade agrícola e ambiental desses sistemas de produção Palavras-chave: dinâmica de nutrientes, lixiviação, adubação orgânica 30 CHAPTER 3 ALTERATION IN CHEMICAL ATTRIBUTES OF A OXISOL FERTILIZED WITH EFFLUENT PIGS ABSTRACT - The objective of this study to evaluate the changes in the physical properties of a soil fertilized with swine effluent. The experiment was a completely randomized design with six treatments in five doses (T1= 0 m3, T2= 160 m3 ha-1, T3= 270 m3 ha-1, T4= 0 m3 ha-1 + fertilizer, T5= 160 m3 ha-1 + fertilizer, T6= 270 m3 ha-1 + fertilizer). Soil sampling was conducted at 0-5 cm, 5-10 cm, 10-20 cm, 20-40 cm and 40-60 cm with five replicates. The variables assessed were tot N, P, K, Na exchangeable, Cu and Zn exchangeable and pH. The results indicate the need to monitor the use of fertilizer source, especially in the soil profile, to ensure environmental sustainability and agricultural production systems of these. Keywords: nutrient dynamics, leaching, organic fertilizer 31 3 INTRODUÇÃO A suinocultura é considerada pelos órgãos ambientais, como atividade de grande potencial poluidor, face ao elevado número de contaminantes contido nos seus efluentes, cuja ação individual ou combinada, representem uma fonte potencial de contaminação e degradação do ar, dos recursos hídricos e do solo. Os efluentes dos suínos são fontes de matéria orgânica, nutrientes essenciais (N, P e K), e micronutrientes como o Zn, Mn, Cu e Fe que, em doses elevadas, podem ser potencialmente contaminantes do solo e tóxicos às plantas. A utilização dos efluentes em lavouras como adubos é uma prática rotineira e, às vezes, a única fonte de nutrientes às culturas comerciais, sendo uma forma de amenizar os custos de produção. Entre os elementos químicos dos efluentes de suínos, o P tem importância nutricional para as plantas e à biota quando o solo é deficiente, mas também pode ser um poluente, quando transferido aos mananciais de água superficial e subsuperficial. O N é um dos principais constituintes dos efluentes de suínos. Cerca de 50% desse N está na forma mineral (Barcellos, 1992), e ao ser aplicado tem efeito imediato no crescimento das plantas. Por sua vez, o escoamento superficial e a lixiviação no solo podem contaminar mananciais de água com nitrato. 32 Os efluentes podem conter ainda altas concentrações de metais pesados, maiores às vezes que os solos agrícolas e por isso, o uso contínuo desses resíduos pode aumentar as quantidades totais de Cu, Zn, Pb, Cd, Fe e Mn nos solos (McBride, 2004). Além disso, aplicações sucessivas de resíduos orgânicos ao solo podem incrementar as formas lábeis desses elementos (Giusquiani et al., 1992), oferecendo risco à saúde humana e animal pela possibilidade de contaminação da cadeia alimentar quando culturas, que servem de alimento ao homem e animais, crescerem nessas condições (Dar e Mishra, 1993) Nesse contexto, o objetivo deste estudo foi avaliar as alterações nos atributos químicos do solo fertirrigado com efluentes de suínos. 3.1 MATERIAL E MÉTODOS O estudo foi realizado numa propriedade agrícola privada no município de Sorriso – MT, localizada a 12º42’41”S e 55º53’38”W, sob clima subtropical úmido tipo Aw (Koppen), com chuvas concentradas no verão (outubro a abril) e um período seco bem definido nos meses de inverno (maio a setembro). A temperatura média anual de 24ºC, com precipitação de 1700 a 1900 mm, solo de textura argilosa classificado pelo Sistema Brasileiro de Classificação do Solo – SiBCS, EMBRAPA (1999), como LATOSSOLO VERMELHO-AMARELO Distrófico, cujas características químicas estão apresentadas na Tabela 4. O experimento foi instalado num delineamento inteiramente casualizado, sob área de plantio de soja em sistema de plantio direto, nas safras 2008/09 e 2009/10, fertirrigado com efluentes de suínos e adubação química, distribuídos em seis tratamentos nas dosagens de (T1= 0 m3 ha-1, T2= 160 m3 ha-1, T3= 270 m3 ha-1, T4= 0 m3 ha-1 + adubo químico, T5= 160 m3 ha-1 + adubo químico, T6= 270 m3 ha-1 + adubo químico). 33 Tabela 4 – Característica química do LATOSSOLO VERMELHO-AMARELO Distrófico na área experimental antes do plantio pH solo CaCl2 A 5,1 N g/kg 90,44 P 51,18 K Na mg dm-3 23,48 69,78 Al cmolcdm-3 0,18 Cu Zn mg dm-3 0,03 1,1 A fertirrigação e a adubação química foram aplicadas oito dias antes da semeadura da soja (23/10) para os anos estudados. A amostragem do solo foi realizada após a colheita, nas profundidades de 0 a 5, 5 a 10, 10 a 20, 20 a 40 e 40 a 60 cm contendo 05 repetições. As amostras foram secas ao ar, moídas e passadas em peneira de 2,0 mm, e submetidas às análises químicas para as variáveis N total, pelo método de Kjeldahl (oxidação úmida); P disponível, K, Na trocáveis, determinada com extrator Mehlich 1 com colorímetro e fotometria de chama, Cu e Zn trocáveis (Mehlich 1) por espectrofotometria de absorção atômica, e o pH em CaCl2, determinado em pH metro, segundo metodologia da Embrapa (1997). A produtividade média da soja foi de 4.000 kg ha-1. O efeito residual dos nutrientes foi obtido subtraindo os valores de sua incorporação, via aplicação de efluente, da quantidade exportada durante o cultivo, de acordo com a Tabela 5 e 6. Tabela 5. Exemplo da exportação de nutrientes pela produção da cultura da soja CULTURA Soja Produção kg ha-1 2.700 N 164 P2O5 Exportação em kg ha-1 14 K2O 51 Adaptado de: Yamada, (1994); Coelho & França, (1995); Faria et al., (1998) Os resultados foram submetidos à análise de variância, em esquema de parcelas subsubdivididas (adubação x profundidade de amostragem x ano) e as médias comparadas pelo teste Tukey a 5% de probabilidade. 34 3.2 RESULTADOS E DISCUSSÃO Considerando que a produtividade média da soja nos tratamentos foi de 4.000 kg ha-1 ano-1, e que a cultura exporta 21,58 kg ha-1 de P2O5, o efeito residual deixado no solo foi de 93,26 kg ha-1 ano-1 com aplicação da dose de 160 m3 há-1. Porém, quando é adicionado o adubo químico o valor residual aumenta 183,26 kg ha-1ano-1. O potássio na forma de K2O incorporado ao solo (Tabela 6) via efluente, indica que o efeito residual deixado no solo a cada ano foi de 15 e 77 kg ha-1 para as doses de 160 e 270 m3 ha-1, respectivamente, e com possibilidade de valores ainda maiores para as doses acrescidas de adubo químico. Tabela 6. Nitrogênio (NT), fósforo (P2O5), potássio (K2O), cobre (Cu) e zinco (Zn) incorporados ao solo ao ano em diferentes doses de efluentes de suínos. Tratamentos (m3/ha-1) NT P2O5 K2O Cu Zn -------------------------kg ha-1-------------------0 0 0 0,00 0,00 176 114 90 0,10 0,25 297 192 152 0,17 0,43 0 90 90 0,00 0,00 176 204 180 0,10 0,25 297 282 242 0,17 0,43 T1 T2 T3 T4 T5 T6 Segundo a classificação de Souza & Lobato (2002), o nível do teor de P no tratamento T1 é tido como bom (> 8,0 mg dm3) para a camada de 0 a 20 cm de profundidade (Tabela 4) em solos sob Cerrados com teor de argila de 510 g kg-1 . Sharpley et al. (1996) afirmam que teores acima de 120 mg kg-1 não se recomenda aplicar P de qualquer origem até que seus teores diminuam significativamente. Contudo, Sharpley & Halvorson (1994) atestam que valores entre 50 e 120 mg kg-1 são considerados muito altos, 35 independentemente da cultura. Logo os teores de P verificados na profundidade de 10 a -20 cm na interação profundidade e ano (Tabela 7), indicam a necessidade do monitoramento da aplicação constante de efluentes de suínos na área de cultivo de grãos, como forma de assegurar que não sejam atingidos valores críticos desse elemento no solo. A aplicação de doses crescentes de efluentes de suínos com e sem adubo químico (Tabela 7) expressam valores dos teores de P 2O5 acima da exigência nutricional da cultura da soja (Tabela 5), indicando que o efeito residual deixado no solo pode ser perdido por erosão e/ou lixiviação, e elevar seu teor no solo e nos corpos hídricos acima do permitido pela legislação. Na interação entre o ano e a profundidade, dentro dos tratamentos (Tabela 8), os teores de P tendem a aumentar nas profundidades entre 0 a 20 cm, isso indica segundo. que doses altas de efluentes de suínos podem superar à capacidade suporte do solo, de modo a promover movimentação do nutriente para camadas mais profundas. Hountin et al (2000), verificaram incrementos de 16, 26, 33 e 50% em todas as formas de P até a profundidade de 1 m após aplicação de 30, 60, 90 e 120 m3 ha-1 de esterco líquido de suínos, respectivamente. Nesse sentido, devido ao fato de os fertilizantes orgânicos, ricos em fosfatos, serem aplicados na superfície do solo sob sistema plantio direto, os sítios de adsorção com maior afinidade pelo fosfato são rapidamente saturados por causa do pequeno volume de solo em contato. Apesar de o fosfato ser considerado pouco móvel no solo, reaplicações constantes, em doses superiores às de saída, podem proporcionar a transferência de P solúvel por percolação de acordo com Stamm et al., (1998) e Hooda et al., (1999). Entende-se, portanto, de acordo com os autores supra citados que isso é um indicativo da mobilidade do P no perfil do solo, o que pode representar um risco de contaminação das águas subsuperficiais (Hountin et al., 2000; Ceretta et al., 2003). A adoção de valores referenciais para a aplicação de efluentes de 36 suínos, nos solos do Estado de Mato Grosso, auxiliaria nas tomadas de decisões com relação às doses suportáveis ambientalmente, no entanto, considerando o principio da prevenção, recomenda-se a adotar os valores da CQFSRS/SC (2004), preconizando que os teores de P extraído pelo método Mehlich-1 para solos com 210 a 400 g kg-1 de argila na profundidade de 0 a 10 cm sob sistema plantio direto não ultrapassem 24 mg kg-1 (classe alta), para evitar perdas e desperdícios de fertilizantes, além de possíveis problemas de contaminação das águas superficiais por fosfato. Tabela 7. Distribuição dos teores de fósforo em profundidade em função do ano. Profundidade (cm) 0-5 5-10 10-20 20-40 40-60 P disponível (mg dm-3) 2009 2010 60,61 aA 66,43 aA 49,36 aA 89,03 aA 51,61 aA 103,52 aA 65,33 aA 53,67 aA 56,72 aA 57,41 aA 1. Médias seguidas pela mesma letra, minúscula na coluna e maiúscula na linha, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Os valores do pH do solo indicam que doses crescentes de efluentes de suínos mais adubo químico tendem à alteração mínima no solo (Tabela 8), concordando com as observações de Scherer et al., (1984). Ceretta et al. (2003) verificaram em experimento com aplicação de dejetos de suínos sob pastagem que, apesar de ter sido detectada diferença pelo teste de comparação de médias, pode-se, mais criteriosamente, considerar que o pH do solo praticamente não foi alterado com a aplicação do dejeto de suínos, devido ao poder tamponante do solo. 37 Tabela 8. pH, teores de nitrogênio total (NT), potássio (K), sódio (Na), cobre (Cu), zinco (Zn) em diferentes doses de aplicação de efluentes de suínos em função da profundidade (cm). Tratamentos (m3.ha-1) T1 T2 T3 T4 T5 T6 T1 T2 T3 T4 T5 T6 T1 T2 T3 T4 T5 T6 T1 T2 T3 T4 T5 T6 T1 T2 T3 T4 T5 T6 T1 T2 T3 T4 T5 T6 pH (CaCl2) 5-10 cm 10-20 cm pH (CaCl2) 5,36 aAB 5,66 aA 5,03 aC 4,92 aA 5,00 bA 4,92 aA 5,21 aA 4,94 bA 5,00 aA 5,35 aA 4,90 bB 4,97 aB 4,77 aB 4,89 bAB 4,85 aAB 4,79 aAB 4,95 bA 4,91 aA -1 NT (g.kg ) 75,60 aA 76,30 aA 67,06 aA 71,40 aAB 63,56 aB 73,36 aAB 75,04 aB 78,40 aB 100,52 aA 76,16 aA 80,64 aA 81,20 aA 80,64 aA 75,60 aA 70,56 aA 73,92 aA 71,96 aA 74,20 aA K disponível (mg.dm-3) 18,53 aB 17,14 abB 40,31 aA 10,65 aA 14,68 bA 17,60 bcA 16,68 aA 16,68 abA 13,43 cA 5,56 aB 11,12 bB 5,56 cB 13,43 aB 24,09 abAB 30,12 abA 8,34 aB 29,65 aA 8,80 cB Na disponível (mg.dm-3) 48,56 aC 62,23 aBC 115,04 aA 19,33 bA 24,98 bA 28,28 cA 65,06 aA 66,47 aA 62,23 bA 12,25 bB 27,34 bAB 33,00 cA 20,27 bA 27,81 bA 19,33 cA 18,85 bB 52,33 aA 21,21 cB Cu disponível (mg.dm3) 0,02 bA 0,01 aA 0,05 aA 0,10 abA 0,10 aA 0,14 aA 0,14abA 0,05 aA 0,07 aA 0,18 aA 0,14 aAB 0,13 aAB 0,03 bB 0,11 aAB 0,18 aA 0,11 abA 0,09 aA 0,04 aA Zn disponível (mg.dm-3) 3,20 aA 2,00 aB 1,29 aBC 1,72 abA 1,59 aA 1,69 Aa 1,26 bA 1,14 aA 1,43 aA 1,33 bA 1,61 aA 1,09 aA 1,30 bA 1,33 aA 1,74 aA 1,17 bA 1,72 aA 0,91 aA 0-5 cm 20-40 cm 40-60 cm 5,21 aBC 5,07 abA 5,13 abA 5,12 abAB 5,12 abA 4,57 bB 5,09 aBC 5,12 aA 5,02 aA 4,98 aB 4,78 aB 4,67 aAB 74,62 aA 80,64 aA 80,92 aB 72,52 aA 71,12 aA 71,40 aA 61,32 aA 83,72 aA 83,72 aB 71,96 aA 64,68 aA 64,32 aA 20,85 abB 9,73 bA 10,65 bA 25,48 aA 19,1 abAB 10,19 bB 12,97 aB 17,60 aA 16,68 aA 10,65 aB 21,89 aAB 10,19 aB 76,37 aB 23,5 bcdA 43,84 bB 40,07 bcA 17,91 dA 20,27 cdB 57,52 aC 26,87 bA 23,10 bC 26,40 bAB 16,38 bA 16,97 bB 0,10 aA 0,15 aA 0,69 aA 0,12 aAB 0,14 aAB 0,074 aA 0,03 aA 0,15 aA 0,11 aA 0,06 aB 0,14 aAB 0,06 aA 2,16 aAB 1,93 aA 1,40 aA 1,72 aA 1,61 aA 1,51 aA 0,79 aC 1,82 aA 1,77 aA 1,409aA 1,32 aA 1,54 aA 1. Médias seguidas pela mesma letra, minúscula na coluna e maiúscula na linha, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade 38 Maggi et al. (2011), após avaliarem o percolado de lisimetros instalados na cultura da soja com aplicação de águas residuárias de suínos, constataram que os valores de pH não variaram em função dos tratamentos, bem como com adição ou não da adubação química. Desdobrando a interação entre a dose e a profundidade ocorrida para nitrogênio total, evidenciou que no T2 (Tabela 8), as maiores concentrações do nutriente se deram nas camadas mais profundas do solo (20 a 60 cm), confirmando os resultados obtidos por Basso, (2005); Aita et al., (2006); e Miyazama et al., (2009) que ao aplicarem doses crescentes de dejetos de suínos em algumas culturas, observaram lixiviação do NT em profundidade. O uso de efluentes de suínos na atividade de fertirrigação incrementa os teores de matéria orgânica no solo, melhorando sua estrutura e porosidade total, principalmente em sistemas de plantio direto. Tal fato, corroborado pela precipitação pluviométrica e a aplicação de doses crescentes deste resíduo líquido, propicia o deslocamento do N para camadas mais profundas do solo (Tabela 8). A tendência de aumento dos agregados com doses crescentes de efluentes de suínos (Tabela 2), estabelecendo o aumento da macroporosidade, da condutividade hidráulica, e diminuição da densidade na camada superior do solo entre 0-15 cm (Tabela 3), favorece a percolação do N oriundo da mineralização da matéria orgânica contida no efluente. Queiroz et al. (2004) verificaram esse evento, em experimento com aplicação de dejetos de suínos, através da percolação gradativa do N em direção às camadas mais profundas. Os teores iniciais de K (Tabela 4) na área do experimento são considerados médios para solos sob Cerrados de acordo com a classificação de Souza & Lobato (2002). Os teores desse nutriente, verificados na testemunha (Tabela 8) indicam concentrações com significância na profundidade de 10 a 20 cm, porém na camada de 5 a 10 cm, as concentrações de K aumentaram com as doses crescentes de efluente mais adubo químico. As doses crescentes de efluentes combinada com adubo químico 39 (Tabela 8) foram fatores para o aumento nas concentrações de K em profundidade (40-60 cm), provavelmente devido à rápida mineralização da matéria orgânica (MO) disponibilizando-o na solução do solo. Werle et al. (2008) afirmam que a movimentação do K no perfil independe do teor de argila do solo e que sua lixiviação se relaciona diretamente com seu teor inicial no solo. A presença do K, na profundidade de 40 a 60 cm, deve ser considerada como um indicativo da importância da sua exportação pela cultura, pois é para maiores profundidades do solo que se concentram as raízes (Ceretta et. al, 2003). Além disso, parte do K aplicado pode ter lixiviado além das camadas amostradas. De acordo com Van Raij (1981), sais de K têm, em geral, alta solubilidade e as concentrações de K na solução do solo podem também atingir concentrações elevadas. Isso confere ao potássio maior mobilidade, permitindo movimentação na forma de sais e lixiviação através do solo. Com aplicação de doses crescentes de efluentes sem adubo (270 m 3 ha-1), maiores teores de sódio foram observadas nas profundidades de 0 a 20 cm (Tabela 8) em relação às demais. Queiroz et. al., (2004) observaram essa tendencia na camada de 0 a 20 cm, em experimento com aplicação de águas residuárias de suinocultura, e recomendam que seja feito monitoramento das características químicas do solo, ao longo do perfil. Nas doses crescentes combinadas (efluente + adubo químico) as maiores concentrações do sódio tendem a aumentar na camada 5 a 10 cm e decrescerem nas demais camadas. Segundo Toze (2006), o aumento das concentrações desse elemento pode concorrer para significativa diminuição da condutividade hidráulica do solo, confirmando, portanto, com os valores de Ks obtidos na Tabela 3, que tendem a diminuir anualmente na camada superficial do solo (0-15 cm), provavelmente devido às ações direta do sódio floculando ou dispersando as argilas do solo. Os teores dos elementos-traços do solo tiveram interação significativa entre dose e profundidade, quando foram observadas no T4, concentrações maiores de Cu na profundidade de 0 a 5 cm (Tabela 8), provavelmente 40 devido ao baixo teor de MO, e a acidez do solo com pH 5,0. Croué et al., (2003) afirmaram que teor de Cu livre na solução do solo é muito baixo devido à alta reatividade com os grupos funcionais, sobretudo aqueles da matéria orgânica do solo. Doses crescentes do efluente com e sem adubo químico (Tabela 8) propiciaram a percolação do Cu nas camadas mais profundas (40 a 60 cm) do solo, mesmo não havendo alteração nos teores do metal pesado. Resultado este contrário aos encontrados por Matos et al., (1997) e Queiroz et al., (2004). Esses autores atribuíram à menor disponibilidade do nutriente à medida que se aumentam as doses de efluentes, isso se deve à complexação pela MO. Em relação ao tratamento testemunha, os teores de cobre nos tratamentos não diferiram. Porém, verificou-se interação significativa entre a profundidade e o T5, onde as maiores concentrações foram percebidas na camada de 10 a 20 cm (Tabela 8). Constatou-se a presença do nutriente em concentrações baixas em todas as camadas amostradas, devido provavelmente à disponibilização do elemento contido na matéria orgânica mineralizada após aplicação do efluente, e sua percolação em função de elevadas precipitações pluviométricas. Para solos sob Cerrado, os teores de Cu encontrados na caracterização química do solo (Tabela 4) são classificados como baixo (0,34 mg dm3), conforme os critérios de interpretação de Souza e Lobato, (2002). Inferimos, portanto, que com a aplicação de doses elevadas do efluente durante o estudo, o elemento não trouxe risco quanto à poluição e nem contaminação do solo da área experimental, pois foram incorporados ao solo 0,34 kg ha-1. No que tange à legislação ambiental, os teores de Cu estão abaixo do estabelecido pela Resolução Conama nº 375/2006, que define as concentrações que poderão ser aplicadas em solos agrícolas via lodo de esgoto, ou produtos derivados (137 kg ha-1). 41 Verificou-se ainda que doses crescentes do efluente com e sem adubo químico (Tabela 8), propiciaram percolação do Cu nas camadas mais profundas (40-60 cm), mesmo não havendo diferença entre os tratamentos, confirmando os resultados encontrados por Kozen et al., (2003). Esses autores, verificaram um sério risco de acúmulo de Cu em profundidade dentro do perfil em doses acima de 135 m3 ha-1. Os maiores teores de Zn encontrados na camada de 0-5 cm na testemunha (Tabela 8) se deve ao efeito residual do tempo de uso da área de cultivo de grãos, e do baixo teor de MO atuando na complexação do elemento nos agregados do solo. Em relação à testemunha, os teores de Zn não sofreram alteração, contudo o elemento foi encontrado em profundidade (40-60 cm) indicando que houve percolação do nutriente com os tratamentos aplicados. A presença do Zn em profundidade provavelmente é atribuída às doses elevadas de efluentes, e às altas precipitações na área de estudo (1700 a 1900 mm ) ocasionando grande fluxo de água para o lençol freático em solos bem permeáveis como os Latossolos, propiciando o transporte do metal pesado que em níveis elevados podem contaminar o solo e águas superficiais e subsuperficiais. Do ponto de vista ambiental, assim como para o Cu, os teores de Zn estiveram bem abaixo daquele preconizado pela Resolução Conama 375/2006 (445 kg ha-1), visto que foram incorporados ao solo (0,86 kg ha -1) durante o estudo. 42 3.3 CONCLUSÕES Há uma tendência de aumento nos teores do N, P, K e Na, nas camadas amostradas dos tratamentos com aplicação de efluentes com e sem adubo químico, durante os anos estudados. Os resultados indicam a necessidade do monitoramento do uso dessa fonte de adubação, principalmente no perfil do solo, de modo a assegurar a sustentabilidade agrícola e ambiental desses sistemas de produção 43 3.4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AITA, C.; PORT, O. & GIACOMINI, S.J. Dinâmica do nitrogênio no solo e produção de fitomassa por plantas de cobertura no outono/inverno com o uso de dejetos de suínos. . R. Bras. Ci. Solo, v. 30, p.901-910. 2006. BASSO, C.J.; CERETTA, C.A.; DURIGON, R.; POLETTO, N. & GIROTTO, E. Dejeto líquido de suínos: II – perdas de nitrogênio e fósforo por percolação no solo sob plantio direto. R. Ci. Rural, v.35, 2005. p. 13051312. BARCELLOS, L. A. R. Avaliação do potencial fertilizante do esterco líquido de bovinos. 1992. 108 f. Dissertação (Mestrado em Agronomia) Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 1992. BEAUCHEMIN, S.; SIMARD, R.R. e CLUIS, D. Phosphorus sorptiondesorption kinetics of soil under contrasting land uses. J. Environ. 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