Vânia Sofia Moreira Moreno
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de
Vida dos Idosos na Cidade da Praia
Universidade Jean Piaget de Cabo Verde
Campus Universitário da Cidade da Praia
Caixa Postal 775, Palmarejo Grande
Cidade da Praia, Santiago
Cabo Verde
17.7.15
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Vânia Sofia Moreira Moreno
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de
Vida dos Idosos na Cidade da Praia
Universidade Jean Piaget de Cabo Verde
Campus Universitário da Cidade da Praia
Caixa Postal 775, Palmarejo Grande
Cidade da Praia, Santiago
Cabo Verde
17.7.15
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Vânia
Sofia
Moreira
Moreno,
autora
da
monografia intitulada O papel dos Centros de Dia
na Qualidade de Vida dos Idosos na Cidade da
Praia, declara que, salvo fontes devidamente
citadas e referidas, o presente documento é fruto
do meu trabalho pessoal, individual e original.
Cidade da Praia ao 11 de Fevereiro de 2015
Vânia Sofia Moreira Moreno
Memória
Monográfica
apresentada
à
Universidade Jean Piaget de Cabo Verde como
parte dos requisitos para a obtenção do grau de
Licenciatura em Psicologia.
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Sumário
Segundo os dados da OMS (2001), nas últimas décadas têm-se verificado um aumento
populacional com um incremento significativo na população idosa.
O Centro de Dia como uma resposta social, que presta um conjunto de serviços que
contribuem para a manutenção dos idosos no seu meio sociofamiliar, vem actuando,
juntamente com a família, o Estado e a comunidade em geral um papel muito importante na
sociedade. Nesse sentido optamos por fazer um estudo, cujo tema é “O papel dos Centros de
Dia na Qualidade de Vida dos Idosos na cidade da Praia”, onde recorremos ao método
quantitativo, com uma amostra de 28 idosos, do Centro de Cruz Vermelha e do Centro de
Castelão.
Reconhecendo a influência e a importância que os Centros de Dia vêm tendo sobre os
comportamentos das pessoas idosas que os frequentam, traçamos como objectivo geral,
conhecer qual o papel dos centros de dia na qualidade de vida dos idosos e como objectivos
específicos, saber os dados sociodemográficos dos idosos que frequentam os centros de dia;
conhecer as actividades que desempenham; saber qual a percepção destes sobre os centros de
dia; saber na perspectiva do utente, quais os benefícios de frequentar os centros de dia. Os
resultados apontam que os centros de dia têm desempenhado uma grande importância na
melhoria da qualidade de vida desses utentes.
Palavras-chave: Idosos, Centro de Dia, Qualidade de Vida.
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Agradecimentos
Faço uso desta página para agradecer a todos aqueles que directa ou indirectamente,
contribuíram para que este trabalho deixasse de ser um sonho e passasse a ser uma realidade
nomeadamente os idosos dos Centros de Dia da Cruz Vermelha e de Castelão, pelo tempo
disponibilizado e pela paciência em responder às questões colocadas, apresento um muito
obrigado.
Agradeço e honro os meus pais, José Manuel L. Moreno e Cecília Mendes Moreira Moreno
pelo incentivo, pela transmissão de valores sociais e éticos que pautam a minha vida e pelos
exemplos práticos de uma vida sofrida para alcançar os objectivos, extensivos também ao
meu filho Dárius Correia, ao Elton Correia e aos meus familiares.
A Mestre, Elisângela Barros e Barros por ter aceitado orientar este trabalho com tanta
dedicação e pelos conhecimentos compartilhados.
Ao professor Euclides Furtado pelo apoio e ricos conhecimentos partilhados.
Aos profissionais dos centros que sempre foram carinhosos durante o processo da recolha de
dados, nomeadamente ao Presidente da Cruz Vermelha, Sr. Mário Moreira, pela
disponibilidade e aceitação para que o estudo fosse realizado na íntegra.
À Directora do Centro de Dia de Castelão, Sra. Isabel Delgado, pelo tempo disponibilizado,
pela simpatia e contribuição dada, para que este trabalho seja digno da confiança que em mim
foi depositada, tanto por mim como pelos meus professores e os demais.
A todos, os meus sinceros e gratos agradecimentos. Obrigado!
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
“Com o passar dos anos, as árvores tornam-se mais fortes e os rios, mais largos. De igual
modo, com a idade, os seres humanos adquirem uma profundidade e amplitude
incomensurável de experiência e sabedoria. É por isso que os idosos deveriam ser não só
respeitados e reverenciados, mas também utilizados como o rico recurso que constituem para
a sociedade”.
Kofi Annan
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Siglas
INE – Instituto Nacional de Estatística
INPS – Instituto Nacional de Previdência Social
OMS – Organização Mundial da Saúde
ONU – Organização das Nações Unidas
SPSS – Statistical Package for Social Sciences
WHOQOL – World Health Organization Quality of Life
Abreviaturas
ART - Artigo
CD – Centro de Dia
CDC – Centro de Dia Castelão
CDCV – Centro de Dia Cruz Vermelha
Cit in – Citado em
CVCV – Cruz Vermelha de Cabo Verde
Et al – E outros
IDEM – do mesmo autor, na mesma obra, no mesmo ano.
IDRF – Inquérito às Despesas e Receitas Familiares.
SIC – Termo latino utilizado para salvaguardar que o erro ou falha na escrita é do/a autor/a
original do documento consultado
QV – Qualidade de Vida
VS – Versus
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Conteúdo
1.
Introdução ...................................................................................................................... 1
Capítulo 1:
Revisão da Literatura ................................................................................................... 6
1.1
Centros de Dia: Origem e resenha histórica ........................................................................... 6
1.2
Definição e objectivos dos Centros de Dia .............................................................................. 8
1.3
Envelhecimento Demográfico ................................................................................................. 9
1.4
Qualidade de vida.................................................................................................................. 11
1.4.1
1.5
Instrumentos de avaliação/ medição da Qualidade de Vida ........................................ 14
Idosos, Velhice e Envelhecimento ......................................................................................... 15
1.5.1
Idosos ............................................................................................................................ 15
1.5.2
Velhice ........................................................................................................................... 17
1.5.3
Envelhecimento ............................................................................................................. 21
1.6
Qualidade de vida no Idoso ................................................................................................... 28
1.7
O Idoso, o Centro de Dia e a Família ..................................................................................... 30
1.7.1
Capítulo 2:
A convivência familiar ................................................................................................... 30
Metodologia do estudo ................................................................................................ 32
2.1
Enquadramento do capítulo ................................................................................................. 32
2.2
Natureza e Método de estudo .............................................................................................. 32
2.3
Da população à definição da amostra ................................................................................... 33
2.4
Instrumento de recolha de dados ......................................................................................... 34
2.5
Procedimentos da recolha de dados ..................................................................................... 34
2.6
Procedimentos de tratamentos e análise de dados.............................................................. 37
Capítulo 3: Apresentação e Interpretação dos resultados ............................................................... 38
3.1
Enquadramento do capítulo ................................................................................................. 38
3.2
Análise dos dados sociodemográficos .................................................................................. 38
3.3
Análise e discrição das escalas .............................................................................................. 46
3.3.1
Escala de conforto ......................................................................................................... 46
3.3.2
Escala das competências funcionais ............................................................................. 49
3.3.3
Escala de Privacidade .................................................................................................... 51
3.3.4
Escala de dignidade ....................................................................................................... 53
3.3.5
Escala de actividades significativas ............................................................................... 55
3.3.6
Escala de relacionamento ............................................................................................. 59
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
3.3.7
Escala de autonomia ..................................................................................................... 62
3.3.8
Escala de satisfação com os alimentos.......................................................................... 64
3.3.9
Escala de bem-estar espiritual ...................................................................................... 66
3.3.10
Escala de segurança ...................................................................................................... 69
3.3.11
Escala de individualidade .............................................................................................. 71
3.4
Inferência Estatística ............................................................................................................. 73
3.5
Reflexões finais do capítulo................................................................................................... 80
3.6
Discussão dos Resultados...................................................................................................... 81
Conclusão
85
Bibliografia Conceptual ...................................................................................................................... 90
Sitografia
94
Anexos
1
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Tabelas
Tabela 1 – Nível de escolaridade .......................................................................................................... 40
Tabela 2 – Vive Sozinho CDCV ........................................................................................................... 41
Tabela 3 – Vive Sozinho CDC .............................................................................................................. 41
Tabela 4 – Como acha que seria a sua vida sem o centro CDCV ......................................................... 42
Tabela 5 – Como acha que seria a sua vida sem o centro CDC ............................................................ 42
Tabela 6 – Motivo para frequentar o centro .......................................................................................... 44
Tabela 7 – Sente menos solidão ............................................................................................................ 46
Tabela 8 – Costuma sentir frio/calor no centro ..................................................................................... 47
Tabela 9 – Costuma ficar com dores de ficar sempre na mesma posição ............................................. 47
Tabela 10 – Costuma ser incomodado pelo barulho ............................................................................. 48
Tabela 11 – Costuma deslocar-se bem aqui no centro .......................................................................... 48
Tabela 12 – Consegue descansar quando está aqui no centro ............................................................... 49
Tabela 13 – Consegue chegar ao centro sozinho .................................................................................. 49
Tabela 14 – Consegue andar sozinho dentro do centro ......................................................................... 50
Tabela 15 – Consegue chegar facilmente às coisas que precisa ............................................................ 50
Tabela 16 – Consegue chegar facilmente à casa de banho .................................................................... 51
Tabela 17 – Consegue encontrar um lugar para ficar sozinho .............................................................. 51
Tabela 18 – Consegue ficar sozinho para ler ou fazer outras actividades ............................................. 52
Tabela 19 – Funcionários respeitam quando quer ficar sozinho ........................................................... 52
Tabela 20 – Consegue ficar sozinho na hora das refeições ................................................................... 53
Tabela 21 – Os funcionários são bem- educados consigo ..................................................................... 53
Tabela 22 – Sente que é tratado com respeito ....................................................................................... 54
Tabela 23 – Os funcionários são cuidadosos consigo ........................................................................... 54
Tabela 24 – Os funcionários respeitam quando não quer participar em algo........................................ 55
Tabela 25 – Os funcionários ouvem-no quando quer dizer alguma coisa ............................................. 55
Tabela 26 – Sai do centro quando quer ou tem uma hora de entrada e saída ........................................ 56
Tabela 27 – Costumam fazer visitas fora do centro .............................................................................. 56
Tabela 28 – Gosta das actividades feitas pelo centro ............................................................................ 57
Tabela 29 – O centro costuma fazer actividades nos finais de semana ................................................. 58
Tabela 30 – Costuma ajudar outros utentes, familiares ou outras pessoas ............................................ 58
Tabela 31 – Os dias parecem-lhe demasiados longos ........................................................................... 59
Tabela 32 – É fácil fazer amigos aqui ................................................................................................... 59
Tabela 33 – Alguns dos outros utentes é seu amigo próximo ............................................................... 60
Tabela 34 – No último mês algum funcionário costuma parar para falar consigo como amigo ........... 61
Tabela 35 – Considera algum funcionário seu amigo ........................................................................... 61
Tabela 36 – Acha que o centro facilita e tenta ser agradável quando precisa ....................................... 62
Tabela 37 – Pode chegar ao centro à hora que quiser ou tem uma hora estipulada .............................. 62
Tabela 38 – Pode almoçar à hora que quiser ......................................................................................... 63
Tabela 39 – Pode participar das actividades que quiser ........................................................................ 63
Tabela 40 – Consegue mudar a programação da televisão quando não te agrada................................. 63
Tabela 41 – Gosta da comida do centro ................................................................................................ 64
Tabela 42 – Gosta que chegue a hora das refeições .............................................................................. 65
Tabela 43 – Consegue comer os seus pratos preferidos aqui ................................................................ 65
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Tabela 44 – Acha a comida do centro variada ...................................................................................... 65
Tabela 45 – Costumam fazer celebrações religiosas no centro ............................................................. 66
Tabela 46 – As celebrações religiosas são importantes para si ............................................................. 67
Tabela 47 – Sente que a sua vida tem sentido ....................................................................................... 67
Tabela 48 – Algumas entidades religiosas costumam visitar o centro .................................................. 68
Tabela 49 – Sente-se em paz ................................................................................................................. 68
Tabela 50 – Sente-se seguro aqui no centro .......................................................................................... 69
Tabela 51 – Alguma vez levou algum objecto para o centro e perdeu.................................................. 70
Tabela 52 – Sente que terá ajuda quando precisa .................................................................................. 70
Tabela 53 – Se se sentir mal consegue um enfermeiro ou medico rapidamente ................................... 70
Tabela 54 – Alguma vez sentiu medo pela forma como você ou algum outro utente foi tratado ......... 71
Tabela 55 – Os funcionários sabem do que gosta ................................................................................. 71
Tabela 56 – Os funcionários conhecem-no bem ................................................................................... 72
Tabela 57 – Os funcionários interessam.se pelo que fez na sua vida .................................................... 72
Tabela 58 – Os funcionários levam a sério as suas preferências........................................................... 72
Tabela 59 – Os outros utentes conhecem-no bem ................................................................................. 73
Tabela 60 – Os seus interesses e desejos pessoais são respeitadas no centro ....................................... 73
Tabela 61 – Gosta da comida do centro ................................................................................................ 74
Tabela 62 – Consegue comer os seus pratos preferidos aqui ................................................................ 74
Tabela 63 – Acha que a comida do centro é variada ............................................................................. 74
Tabela 64 – Sente que é tratado com respeito ....................................................................................... 76
Tabela 65 – Os funcionários são cuidadosos consigo ........................................................................... 76
Tabela 66 – Os funcionários ouvem-no quando quer dizer alguma coisa ............................................. 76
Tabela 67 – Sente que terá ajuda quando precisa .................................................................................. 78
Tabela 68 – Se se sentir mal consegue um enfermeiro ou medico rapidamente ................................... 78
Tabela 69 – Sente-se Feliz no centro .................................................................................................... 79
Tabela 70 – Sente menos solidão .......................................................................................................... 79
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Figuras
Gráfico 1 – Idade dos inquiridos do CDCV .......................................................................................... 39
Gráfico 2 – Idade dos inquiridos do CDC ............................................................................................. 39
Gráfico 3 – Sexo dos inquiridos ............................................................................................................ 39
Gráfico 4 – Estado civil CDCV............................................................................................................. 41
Gráfico 5 – Estado civil CDC ............................................................................................................... 41
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
1. Introdução
1.1 A problemática do envelhecimento e Qualidade de Vida
O envelhecimento é, certamente, o fenómeno biológico mais partilhado pelo reino animal e
vegetal, ainda que cada um tenha o seu processo, uns mais rápidos do que os outros. O
envelhecimento resulta da incapacidade de grande maioria dos organismos para se manter
num estado funcional igual e inalterado, que permita a regeneração contínua de todos os
componentes do organismo, à medida que consomem e degradam (Ladislas, 1995).
Ora pois, o envelhecimento é, nada mais nada menos que, um fenómeno natural em que todos
preferimos que seja de forma adequada e digna. No entanto é preciso apoiar essa parte da
população e trabalhar para a sua autonomia. Segundo Depalma (2003) cit in Silva (2011),
para que isso aconteça, há que se criar ou desenvolver vários recursos comunitários para
poder chegar a esse fim. Para esse mesmo autor, os centros de dia, têm-se popularizado mais e
apesar de serem recentes, desenvolveram-se muito rapidamente.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) (2001), a terceira idade tem início entre os
60 e 65 anos. Tendo em conta que todos preferimos chegar na terceira idade e levar uma vida
digna e adequada, seria muito interessante sabermos os cuidados a serem levados em conta no
tocante a essa faixa etária e levar em consideração a qualidade de vida das mesmas.
Por esta razão, a qualidade de vida tem recebido um crescente interesse dos estudiosos de
diferentes áreas do conhecimento. Embora ainda não exista um consenso, há uma
unanimidade nos diferentes conceitos (WHOQOL Group, 1998).
Existem opiniões diversas sobre o conceito da qualidade de vida. Para muitas pessoas, por
exemplo, qualidade de vida significa ausência da enfermidade ou doença, ter as necessidades
básicas supridas, quer física, económica, social ou psicologicamente, isso de acordo com a
cultura e valores de cada um. De acordo com Souza e Coutinho (2006), a OMS define a
qualidade de vida como a percepção que o individuo tem a respeito da sua posição na vida,
dentro do contexto, da cultura e do sistema de valores no qual ele vive, e em relação aos seus
objectivos, expectativas, padrões e preocupações.
1
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
De acordo com os mesmos autores a qualidade de vida é um conceito multidimensional que
abrange os domínios da saúde física, estado psicológico, o nível de independência, os
relacionamentos sociais e as crenças pessoais.
A preocupação com a qualidade de vida dos idosos ganhou mais importância nos últimos
anos, isto devido ao crescimento da população idosa. Em consequência, surgiram os centros
de dia que auxiliam os idosos que não têm um lar durante o dia, ou não têm quem cuide deles
para suprir as necessidades básicas.
O que são então centros de dia?
Cid e Dapía (2007) cit in Silva (2011), defendem que o Centro de Dia (CD) é um recurso
social de utilização diurna, alternativo à institucionalização, e revela-se concebido para
pessoas idosas que sofram algum grau de deficiência física ou psíquica.
Os centros de dia vêm para substituir os internamentos dos idosos em lares, e surgem
integrados no meio social do idoso. Nele está inserido um conjunto de serviços como a
alimentação, a higiene pessoal, o convívio com outros idosos, a ocupação e também
acompanhamentos médicos e de carris social, tentando suprir as necessidades dos utentes,
promovendo assim, a saúde, os aspectos sociais e culturais, prevenir o isolamento fazendo
aumentar auto-ajuda, autodeterminação e inter-ajuda. Serve para complementar e apoiar a
família, pois esta não deve abrir mão dos seus papéis (Arrazola, 2003).
Em Cabo Verde, o primeiro centro a entrar em funcionamento foi o centro de dia da Cruz
Vermelha e de acordo com a coordenadora do centro funciona desde 1986. Podemos concluir
com isso que Cabo Verde, assim como outros países que adoptam o sistema de Centros de
Dia, tem um grande interesse em ajudar a suprir algumas necessidades dos idosos
melhorando, portanto, a qualidade de vida dos mesmos.
1.2
Justificativa da escolha do tema
O estudo que ora se apresenta, é de grande relevância, quer para os utentes dos centros de dia,
como para os profissionais e os familiares que os acompanham diariamente, pois poderá ser
possível identificar os benefícios desses centros para os utentes, bem como, conhecer a
dinâmica dessas instituições.
2
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
O envelhecimento da população é um fenómeno de amplitude mundial, a OMS prevê que em
2025 existirão 1,2 bilhões de pessoas com mais de 60 anos, sendo que muitos idosos (com 80
ou mais anos) constituem o grupo etário de maior crescimento (OMS, 2001). Tendo em conta
a previsão do aumento de idosos, segundo dados da (idem) é provável que cada vez mais seja
necessário investir nos centros para os idosos.
É de salutar, a importância desse estudo aprofundado, acerca do papel dos centros de dia, na
qualidade de vida dos idosos, uma vez que os mesmos passam a maior parte do dia no centro,
para além de conhecer as melhorias da qualidade de vida. A importância desse estudo será de
acordo com a consciencialização, que dela pode resultar. Queremos contribuir com este
estudo, para uma maior consciencialização do processo de envelhecimento, assim como a
importância que os centros de dia possam ter como resposta social a este fenómeno.
A pertinência desse estudo assenta também, na escassez de estudos produzidos sobre a relação
entre os centros de dia e a qualidade de vida dos idosos que os frequentam.
1.3 Pergunta de Partida
Tendo em consideração as conjecturas acima referidos delineamos a pergunta de partida que
será o pivô para conclusão desta investigação.
Será que os centros de dia melhoram a qualidade de vida dos idosos?
1.4 Hipóteses
Com o desígnio de responder à nossa pergunta de partida, surge então, a necessidade de
postular as seguintes premissas que serão validadas com base no método quantitativo,
contribuindo para a formulação das hipóteses:
H1 – A maioria dos idosos que frequentam os centros de dia está satisfeita com a alimentação.
H2 – A maioria dos idosos sente que são tratados com respeito.
H3 – A maioria dos idosos que frequentam os centros de dia tem uma percepção positiva
sobre o atendimento facultado pelo centro.
H4 – A maioria dos idosos que frequentam os centros de dia sente-se mais felizes.
3
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
1.5 Objectivo
1.5.1
Objectivo Geral
Tendo em conta a pertinência do estudo, traçou-se o seguinte objectivo geral:
Conhecer o papel dos centros de dia na qualidade de vida dos idosos.
Inerente ao objectivo geral dessa investigação, foram traçados os seguintes objectivos
específicos:
1.5.2
Objectivos específicos e as respectivas hipóteses de pesquisa
 Saber os dados sociodemográficos dos idosos que frequentam os centros de dia;
 Conhecer as actividades que desempenham;
 Saber qual a percepção dos idosos sobre os centros de dia;

Saber, na perspectiva do utente, quais são os benefícios de frequentar os centros de
dia.
1.6 Estrutura do trabalho
Primeiramente terá uma parte introdutória, com um enquadramento e a justificativa da escolha
do tema, a pergunta de partida e as respectivas hipóteses e os objectivos que norteiam esse
estudo. O presente trabalho está dividido em três capítulos.

Primeiro capítulo será a revisão da literatura onde iremos debruçar sobre a origem dos
Centros de Dia (CD) bem como os conceitos. Falaremos também sobre o
envelhecimento demográfico e a qualidade de vida. Faremos uma breve comparação
entre idoso, velhice e envelhecimento e os aspectos sociais e psicológicos do
envelhecimento. Vamos abordar sobre os idosos nos CD, seu dia-a-dia e como
funcionam os centros. A aceitação do idoso e a convivência no seio familiar, assim
como, os novos papéis dos idosos serão outros pontos que irão ser debruçados ao
longo do trabalho.

O segundo capítulo é dedicado à metodologia utilizada na elaboração dessa
investigação.
 No terceiro capítulo, explana-se os resultados da pesquisa, analisados e interpretados.
Faz parte ainda deste capítulo, as conclusões, a bibliografia e os anexos deste trabalho.
4
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
5
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Capítulo 1:
Revisão da Literatura
1.1 Centros de Dia: Origem e resenha histórica
Os alicerces dos Centros de Dia remontam aos anos 20, na Rússia, onde se iniciam programas
de cuidados diurnos, dirigidos às pessoas com doença mental, cujo principal objectivo, terá
sido, encontrar alternativas ao processo de internamento hospitalar (Castiello, 1996 cit in
Silva, 2011). Após a segunda guerra mundial, foi criado o primeiro hospital de dia na
Inglaterra, com o intuito de perceber as necessidades dos idosos da comunidade (Gaugler,
2003 cit in Silva, 2011). A intervenção estava direccionada para os cuidados de saúde,
tentando juntar os recursos hospitalares e comunitários, no modelo de atenção geriátrica
(Castiello, 1996 cit in Silva, 2011).
Nos anos 60, os Centros de Dia para Idosos ganharam relevância nos Estados Unidos, durante
o movimento de desinstitucionalização (Weissert, 1976 cit in Gaugler, Zarit & Townsend,
2003). No entanto, no resto da Europa, a adaptação deste tipo de programas e estruturas foi
demorado e conceptualmente confuso, existindo em simultâneo programas estritamente
direccionados para a reabilitação física enquanto outros detinham uma intervenção de carácter
psicossocial (Castiello, 1996 cit in Silva, 2011). Terá sido a partir deste período que os
Centros de Dia para adultos aumentaram substancialmente nos Estados Unidos e passaram a
assumir a função de cuidados a longo prazo (Conrad et al., 1993 cit in Silva, 2011).
6
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
O “Community Care” surge na década de 70, na área da saúde mental, como uma vertente
dissidente à modalidade de prestação de serviços em contexto institucional (Clarke, cit in
Serapioni, 2005). Esta corrente possui raiz histórica nas actividades comunitárias
desenvolvidas por voluntários que prestavam apoio aos mais necessitados (Sousa, Figueiredo
& Cerqueira, 2004). O modelo comunitário de intervenção defende que as dificuldades dos
indivíduos têm que ser resolvidos sem que este seja desenraizado do seu ambiente (Arrazola,
Méndez & Lezaun, 2003).
Durante muito tempo, o internamento definitivo da pessoa idosa, foi o único método
encontrado como sendo uma resposta de apoio formal existente, no entanto, a tomada de
consciência dos custos excessivos, da ineficiência das estruturas de apoio e do processo de
separação do indivíduo do seu meio, contribuíram para a implementação de um conjunto de
serviços de proximidade (Pimentel, 2005).
O Centro de Dia surge como um recurso “intermédio”, que veio colmatar uma dicotomia
existente nos serviços de apoio, que, por um lado, se baseavam nos cuidados domiciliários e,
por outro lado, nos cuidados residenciais (Arrazola, Méndez & Lezaun, 2003).
O surgimento dos Centros de Dia foi um pouco desigual uma vez que existem vários tipos de
centros de dia, diversificando também, em objectivos à seguir.
Os estudos de Conrad (1993) cit in Silva (2011) contribuíram, de uma certa forma, para um
conhecimento mais aprofundado sobre o tema, sendo dos poucos trabalhos realizados nesta
área.
Em Cabo Verde, falando do Centro de Dia da Cruz Vermelha (CDCV), e de acordo com a
coordenadora do mesmo centro, há dados que apontam a data da criação do espaço para 1984
e outras apontam para 1986. Entretanto, segundo a coordenadora a segunda data é a mais fiel
para situarmos o início do funcionamento do centro.
Já em relação ao Centro de Dia de Castelão (CDC), foi criado em 1991 no âmbito da
campanha de solidariedade “Um tecto para o nosso velho”, promovida pela ex-secretaria de
Estado de Juventude e Promoção Social. Foi inaugurado a 10 de Dezembro de 1993 pelo
Senhor 1º Ministro, Carlos Veiga.
7
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
1.2 Definição e objectivos dos Centros de Dia
Não é de hoje que as famílias recorrem aos centros de convivência para idosos para
usufruírem dos serviços. Esses idosos muitas vezes ficam sobre o cuidado dos filhos, e estes
por causa do trabalho e da correria do quotidiano acabam por recorrer aos centros de dia ou
lares para idosos, afim de, deixarem os seus pais.
Cabe a este ponto referir que, em Cabo Verde, existe apenas um lar de idosos que pertence à
Cruz Vermelha, que fica situado em São Vicente, mais precisamente em Ribeirinha.
Retomando então ao Centro de Dia, e de acordo com Silva (2001), este é uma resposta social,
desenvolvida em equipamento que consiste na prestação de um conjunto de serviços que
contribuem para a manutenção dos idosos no seu meio sociofamiliar.
Segundo o mesmo autor, o centro de dia, tem por objectivo, melhorar a qualidade de vida em
geral e em especial, ao nível das necessidades básicas, desenvolvendo actividades que os
satisfaçam.
De acordo com Caldas (1998) cit in Inácio (2011):
Frequentando os grupos de terceira idade, proporciona-se uma melhoria da qualidade
de vida, nos aspectos referentes à saúde física e mental. Buscam, também, aumentar o
período de vida activa, prevenindo perdas funcionais e recuperando capacidades. Ter
um grupo de referência, no qual se possam compartilhar alegrias, tristezas,
conhecimentos, entre outros, propicia ao idoso um suporte emocional e motivação
para que este indivíduo tenha objectivos em sua vida. Ao frequentar o grupo, as
mulheres têm oportunidade de resgatar sua vaidade, o que não aconteceria caso
permanecesse no ambiente doméstico. A participação de idosos nos grupos de
convivência leva a um aprendizado, uma vez que compartilham ideias, experiências e,
também, ocorre reflexão sobre o quotidiano da vida dessas pessoas (p.2).
Cid e Dapía (2007), cit in Silva (2011) defendem que o Centro de Dia (CD) é um recurso
social de utilização diurna, alternativo à institucionalização, e revela-se concebido para
pessoas idosas que sofram algum grau de deficiência física ou psíquica.
O objectivo básico de um Centro de Dia, é o de manter, desenvolver ou melhorar as funções
físicas e/ou mentais dos idosos, tendo como principais áreas de intervenção, a manutenção da
saúde, as actividades da vida diária e a interacção social (Conrad et al., 1993 cit in Silva,
2011).
8
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Através da convivência com os outros utentes, das actividades desempenhadas pelo centro,
das intervenções de profissionais de diversas áreas, os idosos podem melhorar o seu estado de
saúde, tanto físico como mental.
Castiello (1996) destaca de uma forma mais aprofundada, os principais objectivos deste tipo
de estrutura de apoio social:
1º - Recuperar ou manter ao máximo o grau de autonomia dos indivíduos que permitam elevar
as suas potencialidades.
2º - Prevenir, através das intervenções reabilitadoras, para que o individuo não torne
dependente.
3º - Ser um meio facilitador do desenvolvimento das relações e das actividades sociais,
gratificantes para o individuo.
4º - Retardar as institucionalizações precoces e indesejadas.
5º - Promover a permanência do individuo no seu meio.
6º - Proporcionar a realização das actividades básicas do dia-a-dia, fornecendo apoio aos
idosos.
7º - Melhorar e manter o nível de saúde dos utentes através do controlo e prevenção das
doenças.
De um modo geral, os Centros de Dia favorecem condições de vida condignas aos idosos e
seus familiares, contribuindo para uma manutenção e continuidade do seu modo de vida e
maior nível de autonomia (Castiello, 1996).
1.3 Envelhecimento Demográfico
O envelhecimento e a consequência dela resultante, a velhice, são uma das preocupações da
humanidade desde o início da civilização e vários autores vêm debruçando sobre a
complexidade deste fenómeno natural. Sendo um tema muito pertinente e complexo, existem
diferentes opiniões de diferentes autores em relação ao seu conceito.
9
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
O envelhecimento, assim como a infância, a adolescência, a maturidade, é um processo de
vida que passa por mudanças biopsicossociais específicas, associados à passagem do tempo.
Contudo, este fenómeno varia de indivíduo para indivíduo, do estilo de vida que se leva, do
meio ambiente em que se encontra e da vida nutricional de cada individuo (Ávila, Guerra &
Meneses, 2007).
O envelhecimento demográfico, ou seja a evolução da estrutura etária, que se traduz por uma
redução da importância dos indivíduos mais jovens e o aumento da importância dos
indivíduos com uma idade mais avançada, é uma das principais características da sociedade
actual.
Cabo Verde não é excepção a este panorama, pois se verifica um aumento exponencial de
idosos, não só, nos meios rurais mas também nos meios urbanos. É de se notar que, há um
número crescente dos idosos frequentando os centros de dia.
À semelhança do que se passa na maior parte do mundo, Cabo Verde tem vindo a assistir um
aumento significativo da esperança de vida ao longo das últimas décadas. De acordo com o
Censo (Instituto Nacional de Estatísticas, 2010) se em 2000 a esperança de vida era de 75
anos para as mulheres e 67 para os homens, comparativamente, em 2010 tínhamos 79,1 para
elas e 69,7 para eles, com as projecções, apontando sempre para um acréscimo contínuo.
Tendo em conta os dados mais recentes do Relatório Mundial de Estatísticas de Saúde (OMS,
2014), divulgado ao 15 de Maio de 2014, a esperança de vida das pessoas aumentou
mundialmente.
Segundo o mesmo relatório, uma criança do sexo feminino nascida em 2012 deve viver 73
anos e o do sexo masculino, 68 anos. Esses números nos indicam que, há uma subida de seis
anos em comparação às crianças nascidas em 1990.
Eis então, uma comparação em relação à esperança média de vida entre Cabo Verde e alguns
países, como o Brasil, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Angola, Moçambique, GuinéBissau e outros países da África Subsariana:
Tal como o Brasil, Cabo Verde apresenta a esperança média de vida de 74 anos, mais
oito anos que em 1990.
10
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Em São Tomé e Príncipe, a esperança média de vida à nascença é de 67 anos (mais
seis que em 1990), enquanto em Timor-Leste é de 66 anos, tendo este país registado
um crescimento de 16 anos.
Angola, Moçambique e Guiné-Bissau estão entre os países africanos onde a esperança
de vida para homens e mulheres é inferior a 55 anos.
De acordo com as estatísticas, Angola tinha, em 2012, uma esperança média de vida, à
nascença, de 51 anos, mais oito que em 1990. As mulheres podem viver até aos 52
anos, em média, enquanto os homens não ultrapassam os 50.
Moçambique tem uma esperança de vida de 53 anos, um crescimento de 10 anos em
relação ao início da década de 1990. Os homens têm uma esperança de 52 anos, menos
dois que o sexo feminino.
Em Guiné-Bissau, a esperança média de vida é de 54 anos, mais cinco anos que em
1990. As mulheres podem esperar viver até aos 56 anos e os homens até aos 53.
Segundo a OMS, República Centro-Africana, Chade, Costa do Marfim, República
Democrática do Congo, Lesoto e Serra Leoa são os restantes países da África
subsariana onde a esperança de vida não ultrapassa os 55 anos.
O envelhecimento da população é um fenómeno de amplitude mundial, a OMS prevê que em
2025 existirão 1,2 bilhões de pessoas com mais de 60 anos, sendo que muitos idosos (com 80
ou mais anos) constituem o grupo etário de maior crescimento (OMS, 2001).
1.4 Qualidade de vida
Desde a antiguidade, muitos referenciais filosóficos buscaram conceituar o que seria viver
com qualidade. De acordo com a visão aristotélica (384-322 A.C.), a “boa vida” ou “bemestar”, estavam relacionados aos sentimentos de felicidade, realização e plenitude, e tendo
significados diferentes em épocas diferentes para cada ser humano (Belasco & Sesso, 2006 cit
in Celich, 2008). Portanto, desde essa época, qualidade de vida já era compreendida como
resultado de percepções individuais, podendo variar de acordo com a experiência da pessoa
em um determinado momento (Diniz, 2006 cit in Celich 2008).
Este termo, foi usado pela primeira vez em 1920, no livro de Pigou, intitulado The Economics
of Welfare, onde o autor relacionou a qualidade de vida ao suporte governamental oferecido
para a população de classes menos favorecidas e suas repercussões sobre a economia
11
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
americana e seu impacto na vida das pessoas, porém, não teve grande influência na sociedade,
assim o termo não foi notado, nem valorizado, caindo no esquecimento (Paschoal, 2001 cit in
Kluthcovskyl & Takayanagui, 2007).
Mais recentemente, ou seja, após a Segunda Guerra Mundial, o constructo qualidade de vida
assume o significado de melhoria do padrão de vida. Gradativamente este conceito vai sendo
ampliado, englobando o desenvolvimento no campo da medicina, da sociologia, da política,
da economia e na psicologia social, sendo valorizado a percepção das pessoas a respeito de
suas vidas (Paschoal, 2001 cit in Kluthcovsky1 & Takayanagui, 2007).
Vários são os autores que debruçaram sobre essa temática, tentando chegar a um consenso do
que seria a qualidade de vida. Estamos perante uma temática muito complexa e muito
subjectiva. Não é possível falar de qualidade de vida sem falar antes, da saúde. Esta é uma
área fulcral na qualidade de vida.
A OMS (2001) cit in Relatório Mundial de saúde (2001), define a saúde como “um estado de
completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afecções e
enfermidades”.
Tendo em conta que, a saúde representa um estado de bem-estar social, podemos falar
também de saúde social, parafraseando Gouveia (1960) cit in Kluthcovsky1 & Takayanagui
(2007):
“Saúde social” traduz-se na alegria de viver, no bem-estar físico, psíquico e
económico do indivíduo, relacionado a sua família e ao meio em que vive. “Ela não se
revela na cota de imposto de renda, no cadastro bancário, no gozo da propriedade e no
privilégio de prerrogativas político-sociais. O que a expressa é o comportamento
ajustado do indivíduo dentro da comunidade; é a aceitação e o exercício correctos dos
padrões de vida adoptados por esta; é a eficiência social do indivíduo bem integrado
na ordem e no esforço organizado da comunidade, quando busca resolver os
problemas fundamentais de sua gente; é a participação inteligente e interessada na
solução das necessidades sociais, suas próprias e da sua família; é manter boas
relações humanas; é ser livre; é ser feliz; é ser consciente de suas responsabilidades; é
sentir a vida e vencê-la com satisfação” (sic) (s.p).
O conceito da qualidade de vida foi introduzido na área da saúde, após a mudança da
abordagem biomédica da saúde para uma abordagem biopsicossocial (Paúl & col., 2005), ou
seja, as intervenções médicas passaram a dar mais enfase ao bem-estar geral nos seus
resultados, através da definição da saúde, proferida pela OMS (2001).
12
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
De acordo com Souza e Coutinho (2006), a OMS define a qualidade de vida como a
percepção que o individuo tem a respeito de sua posição de vida, dentro do contexto da
cultura e do sistema de valores, no qual ele vive e em relação aos seus objectivos,
expectativas, padrões e preocupações.
Souza e Coutinho (2006) referem ainda que a qualidade de vida é um conceito
multidimensional que abrange os domínios da saúde física, estado psicológico, o nível de
independência, os relacionamentos sociais e as crenças pessoais.
O grupo de especialistas em Qualidade de Vida da Organização Mundial da Saúde, que
elaborou um instrumento genérico de avaliação de qualidade de vida, construído através de
um método transcultural (WHOQOL) afirma que, embora não haja um consenso em relação
ao conceito da qualidade de vida, existe uma concordância considerável entre diferentes
pesquisadores, acerca de três constructos da qualidade de vida (Fleck & col., 1999, cit in
Kluthcovsky1 e Takayanagui, 2007)
1) Subjectividade – varia de pessoa para pessoa. Cada um tem o seu conceito de
qualidade de vida, do seu estado de saúde e sobre os aspectos não-médicos do contexto da
vida.
2) Multidimensionalidade – que se refere ao reconhecimento de que o constructo é
composto por diferentes dimensões, já é um consenso entre os pesquisadores. Qualidade de
Vida, diz o WHOQOL Group (1995), inclui, pelo menos, três dimensões – física, psicológica
e social, sempre na direcção da subjectividade (como os indivíduos percebem seu estado
físico, seu estado cognitivo, afectivo e suas relações interpessoais e os papéis sociais em suas
vidas).
3) Bipolaridade – que é um constructo que possui dimensões positivas (ex.
desempenho de papéis sociais, autonomia) e dimensões negativas (ex. dor, fadiga,
dependência).
Paschoal (2000) cit in Timm (2006) acrescenta uma quarta característica do constructo: sua
mutabilidade. A avaliação de qualidade de vida muda com o tempo, pessoa, lugar e contexto
cultural; para uma mesma pessoa, muda conforme seu estado de espírito ou de humor. Esta
característica aumenta a dificuldade de aferição.
13
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
1.4.1
Instrumentos de avaliação/ medição da Qualidade de Vida
A busca de um instrumento que avalie a qualidade de vida dentro de uma perspectiva
internacional fez com que a OMS organizasse um projecto colaborativo multicêntrico, e em
consequência, o resultado foi a elaboração do WHOQOL-100, um instrumento de avaliação
da qualidade de vida composto por 100 itens.
Temos alguns domínios ou aspectos que podem ser levados em conta na avaliação da
Qualidade de vida, de acordo com a OMS (1998), esses domínios deram-se devido ao
reconhecimento da multidimensionalidade do conceito que reflectiu-se na estrutura do
instrumento, baseados nos seguintes domínios:
 Domínio Físico
 Dor e desconforto;
 Energia e fadiga;
 Sono e repouso;
 Domínio psicológico
 Sentimentos positivos;
 Pensar, aprender, memoria, concentração;
 Auto-estima, imagem corporal e aparência;
 Sentimentos negativos;
 Nível de independência
 Mobilidade;
 Actividades da vida diária;
 Dependência de medicação;
 Dependência de tratamento médico;
 Capacidade de trabalho;
 Relações sociais
 Relações pessoais;
 Suporte social;
 Actividade sexual;
 Meio ambiente
 Segurança física e protecção;
 Ambiente e lar;
 Recursos financeiros;
14
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
 Cuidados de saúde e sociais: disponibilidade e qualidade
 Recreação e lazer;
 Ambiente física e tratamento;
 Aspectos espirituais
 Espiritualidade
 Religião e crenças pessoais;
1.5 Idosos, Velhice e Envelhecimento
1.5.1
Idosos
Segundo Fragoso e Vieira (sd), cit in Correia e col., (2000) o termo idoso é geralmente
aplicado à indivíduos com mais de 60 anos e representa hoje, o segmento da população com
maior crescimento em todo o mundo.
Uma maneira simples de classificar cronologicamente os idosos, segundo Kopiler (1997) cit
in Moreira (2001) é aquela que divide os idosos com base na idade cronológica: o idoso
jovem (65-75 anos), o idoso médio (75-85 anos) e muito velho (›85 anos). No entanto, essa
classificação não tem em conta as diferenças potenciais dos indivíduos.
Os estudos realizados nesta área, permitem uma base objectiva de classificação da idade.
Assim, segundo Shephard (1997) cit in Silva (2012), podemos distribuir os indivíduos nas
seguintes categorias: “Middle age”, que diz respeito à segunda parte da carreira de trabalho e
prolonga-se dos 40 aos 65 anos de idade; “Old age”, refere-se ao período imediato à entrada
na reforma e vai dos 65 aos 75 anos de idade (às vezes descrita como “young old age”); “Very
old age”, onde a pessoa sente uma diminuição substancial da capacidade, quando realiza
muitas das actividades diárias e decorre dos 75 aos 85 anos de idade (muitas vezes descrita
como “middle old age”) e “Oldest old age”, onde cuidados institucionais e/ou de enfermagem,
são normalmente necessários e acontece depois dos 85 anos de idade.
Segundo o I Relatório Nacional dos Direitos Humanos (2010), ninguém teria problemas em
classificar os idosos, como fazendo parte de um grupo vulnerável.
Os idosos assim como as crianças, os adolescentes, os deficientes, as mulheres, os
trabalhadores, os presos etc., estão protegidos por leis.
15
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
A 4ª edição da Constituição da Republica de Cabo Verde (2010) consagra no seu artigo 77º,
os Direitos dos Idosos, constituído por dois pontos:
1. Os idosos têm direito a especial protecção da família, da sociedade e dos poderes públicos.
2. Para garantir a protecção especial dos idosos e prevenir a sua exclusão social, incumbe aos
poderes públicos, designadamente:
a) Promover as condições económicas, sociais e culturais que facilitem aos idosos a
participação condigna na vida familiar e social.
b) Sensibilizar a sociedade e a família quanto aos deveres de respeito e de solidariedade para
com os idosos. Fomentando e apoiando as respectivas organizações de solidariedade.
c) Garantir aos idosos prioridade de atendimento nos serviços públicos e a eliminação de
barreiras arquitectónicas e outras no acesso a instalações públicas e a equipamentos sociais.
Segundo o I Relatório Nacional sobre os Direitos Humanos (2010), o grau de protecção dos
direitos dos idosos está num estágio de desenvolvimento incomparavelmente mais atrasado,
seja na esfera internacional, seja na interna Cabo-verdiana.
Tendo em conta tudo isto, podemos concluir que cabe às famílias e à sociedade em geral
contribuírem para que os idosos possam se sentir mais integrados e acolhidos, pois, a
implementação dessas leis que os protegem, ainda está pouco aplicada.
Não somente, precisam sentir integrados na família e na sociedade, bem como precisam de
apoios, não só físicos como também económicos, pois grande parte da população idosa, por
falta de meios de subsistência, não teve, durante o seu ciclo de vida, oportunidades de garantir
a sua protecção social na velhice e na doença, ficando dependentes de esquemas de protecção
social assegurados pelo Estado, (Estratégias para o Desenvolvimento da Protecção Social em
Cabo Verde, sd).
No decreto-lei nº 5/2004, de 16 de Fevereiro, no seu artigo 81º - Direito à Pensão de Velhice,
a INPS, consagra:
1. Têm direito à pensão de velhice os segurados que, havendo completado o prazo de
garantia, tenham sessenta e cinco ou sessenta anos de idade, conforme se trate,
respectivamente de homens ou mulheres.
16
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
2. O prazo de garantia é de quinze anos civis, seguidos ou interpolados, com registo de
remunerações.
Como vimos, os idosos estão protegidos por leis e subsidiados através de entidades
reguladoras, cabe ao estado, fazer aplicar e/ou cumprir as leis, enquanto às famílias e a
sociedade em geral, fazer com que o idoso se sinta acolhido e protegido, podendo viver em
harmonia, paz, para uma melhor qualidade de vida.
1.5.2
Velhice
A velhice é um conceito abstracto. De acordo com Beauvoir (1990) é o que serve para referir
o período de vida em que as pessoas “ficam velhas”.
A tendência da sociedade moderna é homogeneizá-la num único grupo etário normativamente
iniciado aos 65 anos. A ONU estabelece como critério para envelhecimento, no decorrer do
curso cronológico da vida, o ingresso nos 60 anos, no entanto, a velhice é um processo
individual e irreversível.
A velhice é caracterizada pelas mudanças que ocorrem, tais como, mudanças de papéis
profissionais, relações familiares (saída dos filhos de casa), redes sociais, a viuvez, a reforma,
etc. (Figueiredo, 2007 cit in Teixeira, 2010). O idoso terá de confrontar com essas perdas e
arranjar formas de adaptar-se a essas situações para manter a sua boa qualidade de vida.
Também existe a crença de que a velhice inicia-se com a reforma do individuo, e que tal
corresponde a uma perda, um declínio e deterioração das capacidades funcionais. Consoante
Figueiredo (2007) cit in Teixeira (2010), esta crença não corresponde à realidade, a reforma
marca a perda de papéis sociais activos, mas não a deterioração mental.
A reforma não quer dizer que o idoso não se encontra capaz mentalmente, mas sim, há uma
perda de execução de papéis como o laboral.
Em conformidade com Fernández-Ballesteros e Izal (1993) cit in Teixeira (2010), a perda do
estatuto profissional, acaba por levar a uma certa inactividade, uma vez que, o tempo
investido na actividade profissional pode ser encarado de uma forma negativa pelo idoso, já
que a maioria das suas rotinas é alterada. Assim, essa inactividade pode ter repercussões
negativas na saúde e no bem-estar do idoso.
Como já aludido, existem outros acontecimentos marcantes nessa fase como: a perda de
papéis, o afastamento dos familiares através da saída dos filhos de casa, os pais passarão a
17
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
enfrentar um novo desafio, entrando numa nova fase do ciclo de vida, a família pós-parental
(Figueiredo, 2007 cit in Teixeira, 2010). Perda de pessoas queridas, provocando
consequentemente, solidão e desânimo, tudo isto, pode conduzir ao aparecimento de
perturbações comportamentais reactivas que têm uma maior ocorrência nesta idade, como por
exemplo a depressão.
Veremos, então o que é a solidão e a depressão, e como são vividas na terceira idade.
 Solidão
A etimologia da palavra solidão é referida a “só”, termo que, por sua vez, vem do latim solus
e pode significar tanto “desacompanhado” e “solitário” como “único” (Cunha, 2001).
A solidão é um fenómeno muito complexo, com um significado amplo e subjectivo sendo
assim fundamental recorrer aos vários autores que retractaram sobre o tema.
Seguindo a linha de pensamento de Montero, Lopez e Sosa (2001) cit in Moreira e Callou
(2006), solidão é um fenómeno multidimensional, psicológico e potencialmente estressante;
resultado de carências afectivas, sociais e/ ou físicas, reais ou percebidas, que tem um impacto
diferencial sobre o funcionamento da saúde física e psíquica do sujeito.
De acordo com Neto (2000) cit in Teixeira (2010), vários são os autores que já tentaram
definir a solidão, mas ainda não existem conceitos mundialmente aceites pelos especialistas.
Contudo, segundo Neto (1992; 2000) cit in Teixeira (2010), nas definições atribuídas à
solidão, há três aspectos comuns que são partilhados por outras definições presentes na
literatura, nomeadamente:
i) É uma experiência subjectiva que pode não estar relacionada com isolamento
objectivo;
ii) Esta experiência é psicologicamente desagradável para o individuo;
iii) Resulta de uma forma de relacionamento deficiente.
A solidão pode acontecer tanto na presença como na ausência do outro. Na verdade, é esta a
tese de Ruggero (2004), quando, por um lado, define a solidão sociológica como um
fenómeno social que se revela pela ausência dos outros e, por outro, refere à solidão
ontológica, que tem a ver com a própria pessoa, enquanto ser, quando se revela na presença de
outros, designado, também, de solidão acompanhada. Reforça Ruggero (2004), que a solidão
18
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
é, actualmente, um dos mais graves problemas que desafiam a Cultura e o Homem. Aliás,
Jorge (1998), cit in Moreira (2002) já tinha defendido que:
O mundo da tecnologia e da crescente expansão dos meios de comunicação tem cada vez
mais, produzido homens solitários. O desenvolvimento técnico-científico, com suas
extraordinárias potencialidades de humanização e de socialização, contrapõe-se à crescente
solidão e ao individualismo gerados nas relações sociais (s.p).
Seguindo a linha de pensamento dos autores, acima referidos, podemos ver que o
individualismo gerado através das invenções das novas tecnologias contribui para que o
individuo se isole do relacionamento familiar, com os amigos, dos acontecimentos sociais,
fazendo com que, sentimentos conhecidos como características da solidão aparecem.
Num estudo realizado na população em geral, Rubenstein e Shaver (1982) cit in Neto (2000),
através de um inquérito, encontraram quatro conjuntos de sentimentos que as pessoas diziam
ter, quando se encontravam sós:
Desespero;
Depressão;
Aborrecimento impaciente;
Auto depreciação.
Ao fazer uma revisão da literatura, pudemos constatar que o conceito de solidão ainda não é
notório, nem preciso, uma vez que nenhuma das suas definições até hoje concebidas, não
foram aceites por entre os especialistas da área. Como podemos verificar, a solidão tem
muitos significados que variam de pessoa para pessoa e da forma como cada um avalie e lide
com o seu estado de espirito, como vimos nas referências de Peplau e Perman (1982) cit in
Neto (1992; 2000), por ser uma experiência subjectiva.
Nos idosos, por sua vez, não acontece de uma forma diferente do que já mencionamos, tendo
em conta que, com a idade já avançada, a maioria dos idosos, reduzem a sua participação na
vida comunitária, tornando-se, assim, menos activo.
Neto (1993), cit in Melo e Neto (2003), alega que a satisfação com a vida está negativamente
ligada com a solidão.
19
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Nos idosos, segundo estudo realizado por Savikko e col. (2005) cit in Fernandes (2007) em
2002, na Finlândia, numa amostra de 3925 indivíduos, com idade igual ou superior a 75 anos,
concluíram que existem agentes considerados potencializadores de solidão, como:
Fraco estado físico a nível funcional;
A viuvez;
Baixos rendimentos;
Por último, aludiram que as causas subjectivas mais comuns, para sofrer de solidão, são as
próprias doenças, a morte do companheiro e a falta de amigos, contudo, a presença activa de
amigos e familiares, ou seja, redes sociais fortes, podem contribuir para o não aparecimento
da solidão na terceira idade.
 Depressão
A depressão é considerada hoje em dia, um problema de saúde importante que atinge pessoas
de todas as idades, conduzindo a sentimentos de tristeza e isolamento social (Martins, 2008 cit
in Teixeira, 2010).
Nacht e Recamier (sd) cit in Grinberg, (2000), definem a depressão como um estado
patológico de sofrimento psíquico consciente e de culpa, acompanhado por uma marcada
redução dos valores pessoais e uma diminuição da actividade psicomotora e orgânica.
Ainda, de acordo com a OMS (2008), a depressão pode ser conceituada como o conjunto de
manifestações que envolvem a necessidade de isolamento, a presença de pensamentos
negativos, desânimo, ansiedade, fadiga, insónia, sentimentos de tristeza, angústia, muito medo
e vontade de chorar.
De acordo com CID – 10 (2007), nos episódios típicos de cada um dos três graus de
depressão: leve, moderado ou grave, o paciente apresenta um rebaixamento do humor,
redução da energia e diminuição da actividade. Existe alteração da capacidade de
experimentar o prazer, perda de interesse, diminuição da capacidade de concentração,
associadas em geral à fadiga, mesmo após um esforço mínimo.
Mas a depressão é muito mais que um sentimento, ela pode ser uma doença mental grave e
incapacitante, interferindo no dia-a-dia das pessoas.
A depressão consiste, numa enfermidade mental frequente no idoso, associada ao elevado
grau de sofrimento psíquico. Na população em geral, a depressão tem prevalência em torno de
20
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
15%. Em idosos vivendo na comunidade essa prevalência situa-se entre 2 e 14%, e em idosos
que residem em instituições, a prevalência da depressão chega os 30% (Kaplan, Sadock &
Grebb, 1997).
As causas de depressão nos idosos têm influências de vários componentes, onde actuam
factores genéticos, eventos vitais, doenças incapacitantes, etc. Cabe ressaltar que, a depressão
nos idosos, frequentemente surgem num contexto de perda da qualidade de vida, associada ao
isolamento social, a perda do companheiro e ao surgimento de doenças clínicas graves.
Aspectos como sentimentos de frustrações, perante os anseios da vida não realizados, a
própria história de vida dos sujeitos, marcados por perdas progressivas dos companheiros, dos
familiares, o abandono, o isolamento social, a reforma, etc., esses são alguns dos factores que
comprometem a qualidade de vida e predispõem aos idosos o desenvolvimento da depressão,
(Pacheco, 2002).
1.5.3
Envelhecimento
O envelhecimento é um conceito de duplo sentido que engloba a senescência como expressão
do desenrolar do tempo biológico, e o avanço da idade como desenrolar do tempo cronológico
(Henrard, 1997 cit in Silva, 2006).
Simões (1994) caracteriza senescência como sendo um fenómeno fisiológico, arbitrariamente
identificado pela idade cronológica, que pode ser considerado como um envelhecimento
sadio, em que o declínio físico e mental é lento, sendo compensado, de certa forma, pelo
organismo.
De acordo com Acta (2005) cit in Inácio (2011) no panorama mundial, bem como nos países
em desenvolvimento, a população idosa aumenta significativamente e o contraponto dessa
realidade, aponta que o suporte para essa nova condição, não evolui com a mesma velocidade.
Diante disto, a preocupação com esse novo perfil populacional vem gerando, nos últimos
anos, inúmeras discussões e a realização de diversos estudos com o objectivo de fornecerem
dados que subsidiem o desenvolvimento de políticas e programas adequados para essa parcela
da população. Isto, devido ao facto que, a referida população, requer cuidados específicos e
direccionados às peculiaridades advindas, com o processo do envelhecimento sem segregá-los
na sociedade.
21
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Oficialmente, a OMS considera, idoso o indivíduo com idade igual ou superior a 65 anos
residentes em países desenvolvidos e com 60 anos ou mais para países em desenvolvimento
(Mazo, Lopes & Benedetti, 2001 cit in Silva, 2011).
Ainda, de acordo com os dados da OMS, a população mundial em 2005 era de 6,5 bilhões,
prevista para atingir 7 bilhões em 2021. O número de idosos actualmente, acima de 60 anos, é
de 600 milhões, podendo duplicar até 2025 e atingir 2 bilhões em 2050, desta forma, podemos
ver que, o envelhecimento humano pode ser compreendido como um processo complexo e
caracterizado por diferentes idades, a saber (idem):
Idade cronológica – é a idade que calcula a passagem do tempo decorrido em dias, meses e
anos, desde o nascimento do individuo, sendo um dos meios mais simples de obter
informações sobre uma pessoa. Porém, a idade é um conceito multidimensional e, por isso, a
idade cronológica não se torna uma boa medida da função desenvolvimental (Hoyer &
Roodin, 2003 cit in Schneider e Irigaray, 2008).
Para Schrots e Birren (1990) cit in Schneider e Irigaray (2008), a idade cronológica pode ser
entendida como algo absoluto e nela são fixadas propriedades que podem ser medidas, como
o tempo.
Idade Biológica – é definida pelas modificações corporais e mentais, que ocorrem ao longo
do processo de desenvolvimento e que caracterizam o processo do envelhecimento humano.
Pode ser compreendido como um processo que se inicia antes do nascimento do indivíduo e
se estende por toda a sua existência, onde as mudanças e perdas fazem parte do
envelhecimento. A partir dos 40 anos, a estatura do individuo diminui cerca de um centímetro
por década, principalmente devido à diminuição da altura vertebral ocasionada pela redução
da massa óssea e outras alterações degenerativas da coluna vertebral.
Temos também, mudanças na pele, na visão, e na audição. Com o envelhecimento, o peso e o
volume do encéfalo diminuem por perda de neurónios, mas, apesar desta redução, as funções
mentais permanecem preservadas até o final da vida (Costa & Pereira, 2005 cit in Schneider e
Irigaray, 2008).
Idade Social – é definida pela obtenção de hábitos e status sociais do individuo, para o
preenchimento de muitos papéis na sociedade ou expectativas em relação às pessoas de sua
idade, cultura e o seu grupo social.
22
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Um indivíduo pode ser considerado, mais velho ou mais jovem, dependendo de como ele se
comporta dentro de uma classificação definida pela sociedade ou cultura em particular.
Características como, tipos de vestuários, hábitos e linguagem, bem como, respeito social por
parte de outras pessoas, são algumas performances individuais que ajudem a medir o que seria
então a idade social. Ela também se relaciona com as idades cronológica e psicológica
(Schroots & Birren, 1990).
Segundo Neri (2005), a idade social, diz respeito à avaliação do grau de adequação de um
indivíduo, no desempenho de papéis e de comportamentos esperados para as pessoas de sua
idade, num dado momento da história de cada sociedade.
A experiência do envelhecimento e velhice pode variar no tempo histórico de uma sociedade,
pois o início dela é demarcado em cada época por critérios estabelecidos, para agrupar
categorias etárias. A sociedade não o faz, com base em pura invenção, mas, como resposta há
mudanças evolutivas compartilhadas pela maioria das pessoas dos vários grupos etários, seja
em virtude de determinação biológica, seja em virtude de determinação histórica e social
(Neri & Freire, 2000).
A pessoa pode ser considerada idosa socialmente, quando deixa de participar na vida laboral,
ou seja, quando deixa de desempenhar papéis que ocupava antes na sociedade, por
conseguinte, se encontra aposentada.
Schneider e Irigaray (2008), consideram a aposentadoria, como um caminho de passagem
para a velhice e ela acentua sua vinculação à terceira idade, numa sociedade consumista, na
qual apenas o novo é cultuado como fonte da renovação, do desejo e da posse.
Em oposição, a autora Debert (1999), diz que não considera a aposentadoria uma passagem
para a velhice, mas sim, deixou de ser um momento de descanso e recolhimento e tornou-se
um período de actividade e lazer.
Contudo, pode-se constatar que a velhice é uma experiência heterogénea e complexa, pois as
opiniões se divergem mas se complementam.
Idade Psicológica – esse conceito pode ser usada em dois sentidos, um se refere à relação que
existe entre a idade cronológica e o outro, em relação às capacidades psicológicas, tais como,
percepção, aprendizagem e memória, as quais prenunciam o potencial de funcionamento
futuro do indivíduo (Neri, 2005).
23
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Hoyer e Roodin (2003) cit in Schneider e Irigaray (2008), definem a idade psicológica, como
as habilidades adaptativas dos indivíduos para se adequarem às exigências do meio. Através
do uso de várias características psicológicas, como aprendizagem, memória, inteligência,
controle emocional, estratégias de coping etc., fazem com que as pessoas se adaptem ao meio.
Essas características podem variar no grau, pois há indivíduos que as possuem com maior
grau e, por isso, são considerados “jovens psicologicamente”, e outros que possuem tais
traços em graus menores e são considerados “velhos psicologicamente”.
Normalmente, o individuo começa a ser caracterizado como “velho”, quando começa a ter
lapsos de memória, dificuldade de aprendizagem e falhas de atenção, orientação e
concentração, comparativamente com suas capacidades cognitivas anteriores.
Estudo realizado por Argimon e Stein (2005), revela que o envelhecimento em si não
ocasiona mudanças significativas nas habilidades cognitivas: “os idosos, apesar da idade
avançada, apresentaram um desenvolvimento de habilidades cognitivas cujo declínio é de
intensidade leve, não sendo suficiente para acarretar mudanças significativas no seu padrão
cognitivo” (p. 71).
1.5.3.1 Aspectos Sociais do Envelhecimento
Pelo acréscimo acentuado na população mundial, tem-se notado também, um incremento
significativo sobre a população idosa. As alterações provocadas pelo envelhecimento, no
individuo, requerem esforços económicos, psicológicos e sociais mais intensos.
O envelhecimento social, faz com que, haja várias modificações, tanto no seu status de idoso
como no seu relacionamento com as outras pessoas.
De acordo com Zimerman (2000), ocorrem algumas modificações como:
Crise de Identidade;
Mudanças de papéis na família, no trabalho e na sociedade;
Aposentadoria;
Perdas Diversas;
Diminuição dos contactos sociais;
24
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
As redes sociais dão grande suporte ao individuo, contribuindo para o seu bem-estar físico,
psicológico, social. De acordo com Resende, Bonés, Sousa e Guimarães (2006), as redes de
relações sociais e o apoio social são tópicos actuais no âmbito da psicologia, particularmente
no que se refere às concepções de bem-estar e qualidade de vida de adultos e idosos.
Para suavizar tais problemáticas, é necessário ter de criar bases de apoio social, não só
familiares como também dos amigos, tendo em conta que, existem idosos que vivem
sozinhos, longe dos convívios familiares, dos vínculos afectivos entre amigos, ajudam
bastante na qualidade de vida e o bem-estar dos mesmos.
Os idosos estabelecem vínculos ao longo da vida, formadas pelo grupo familiar e por redes
sociais (amizades). Essas redes de apoio ajudam os idosos durante o seu processo de
envelhecimento, assegurando maior autonomia, independência, bem-estar e saúde (Triadó &
Villar, 2007 cit in Araújo, Cardoso, Moreira, Weger e Areosa, 2012).
As redes de apoio social são importantes e necessárias na saúde emocional, pois no decorrer
do ciclo de vida, ocorrem transformações na sua estrutura de acordo com as necessidades do
individuo.
Neri (2008) cit in Areosa, Benitez e Wichmann (2012), afirma que as redes de apoio social
têm determinadas funções que são importantes para os que estão na terceira idade, ou seja, os
idosos. Algumas dessas funções são:
Criar novos contactos sociais;
Fornecer e receber apoio emocional;
Obter garantia de que são respeitados e valorizados;
Manter sentimento de pertencimento a uma rede de relações comuns;
Fornecer suporte para aqueles idosos que sofreram perdas físicas e sociais;
Através das relações socias, da participação na sociedade, da convivência familiar, os idosos
sentem-se menos isolados, uma vez que, estas têm impactos significativos no bem-estar e na
qualidade de vida do individuo.
Através das relações sociais, aprende-se, troca-se afectos, informações, recebe-se e presta-se
apoios, constrói-se e mantêm-se as identidades, Gunther (2009) cit in Araújo et al, 2012).
25
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Todos temos ideias pré-concebidas sobre a “terceira idade”, ou seja, o envelhecimento. Para
muitos, o idoso é sinónimo de fraco, de invalidez, o que leva a um afastamento do convívio
social. O bem-estar, e a boa qualidade de vida no idoso, muitas vezes dependem também da
sociedade onde se encontra inserida.
Para Helman (2005) cit in Schneider e Irigaray (2008) na sociedade moderna as pessoas
idosas tendem a ter um status muito mais baixo, pois, actualmente, é o jovem que
frequentemente tem maiores habilidades e um conhecimento mais amplo em determinadas
áreas da vida.
Os jovens, através do fácil acesso às novas tecnologias de comunicação e informação, tornamse mais hábeis para compreenderem e absorverem os acontecimentos do quotidiano,
facilitando no apoio dos mais velhos, auxiliando-os e facultando na sua interacção com essas
ferramentas.
1.5.3.2 Aspectos Psicológicos do Envelhecimento
Existem vários aspectos que influenciam e contribuem para que haja um envelhecimento com
qualidade ou não. Na velhice, não é somente o corpo ou o físico é que sofre as alterações, mas
também, traz ao ser humano uma série de mudanças psicológicas.
De acordo com Zimerman (2000), essas mudanças psicológicas ocorridas na terceira idade,
podem resultar em:
Dificuldade de se adaptar a novos papéis.
Falta de motivação e dificuldade em planejar o futuro.
Necessidade de trabalhar as perdas orgânicas, afectivas e sociais.
Dificuldade de se adaptar às mudanças rápidas, que têm reflexos dramáticos nos
idosos.
Alterações psíquicas que exigem tratamento.
Depressão, hipocondria, somatização, paranóia, suicídios.
Baixas auto-imagem e auto-estima.
Tendo em conta essas mudanças que ocorrem na terceira idade, temos também, alguns
transtornos mentais que aparecem nessa faixa etária, as mais comuns, temos a demência, a
Depressão, o Alzheimer.
26
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Para Forlenza e Almeida (1997), factores neuropsiquiátricos como depressão e demência
estão entre os transtornos médicos que mais comprometem a qualidade de vida dos idosos.
1.5.3.3 Teoria Psicossocial do Desenvolvimento – Erik Erikson
Erikson propõe uma concepção de desenvolvimento em oito estágios psicossociais,
perspectivados em oito idades que decorrem do nascimento à morte. Assim, como Freud,
Piaget, Sullivan, entre outras figuras da época, Erikson optou por distribuir o
desenvolvimento humano em fases (Rabello, 2001).
Daremos enfase à teoria de Erikson, levando em consideração que desviou o foco
fundamental da sexualidade para as relações sociais. Além da infância, a sua proposta de
estágios psicossociais, envolvem outras partes do ciclo vital, ampliando a proposta de Freud.
Erikson chamou os estágios de psicossociais, onde ele descreveu algumas crises pelas quais
passa o ego ao longo do ciclo vital.
Focando no tema em estudo, e de acordo com Erikson (1985), cit in Papalia, Olds e Feldman,
(2006) a velhice se encontra no último estágio, Integridade Versus Desespero. De seguida
veremos o que diz esse estágio de desenvolvimento psicossocial.
Integridade vs Desespero
Para Erikson, a realização suprema da terceira idade é o senso de integridade do ego,
realização baseada na reflexão sobre a própria vida. Adultos mais velhos precisam avaliar,
resumir e aceitar sua vida para poderem aceitar a aproximação da morte. A partir dos
resultados das sete crises anteriores, eles se esforçam para obter um senso de coerência e de
integridade, ao invés de ceder ao desespero por sua incapacidade de reviver o passado de
forma diferente (Erikson & Kivinick, 1986 cit in Papalia, Olds & Feldman, 2006).
De acordo com Erikson (1985) cit in Papalia, Olds e Feldman, (2006) as pessoas que são
bem-sucedidas nessa tarefa final de integração adquirem um senso de ordem e significado de
sua vida na ordem social mais ampla, do passado, do presente e do futuro. A “virtude” que
pode desenvolver-se durante esse estágio é a sabedoria, uma “preocupação informada
e/imparcial com a própria vida diante da própria morte.
27
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Essa fase é tempo da pessoa se reflectir, rever sua vida, o que já fez, o que deixou de fazer.
Essa retrospectiva pode ser vivenciada de diferentes formas. A pessoa pode simplesmente
entrar em desespero ao sentir a morte se aproximando. Surge um sentimento de que tudo está
a chegar ao fim e que nada mais pode fazer pela sociedade, pela família. Vive em constante
nostalgia e tristeza por sua velhice.
Mas também pode ter uma vivência positiva. A pessoa sente a sensação de dever cumprido,
experimenta um sentimento de dignidade e integridade e divide sua experiência e sabedoria.
Existe também, o perigo da pessoa se sentir o mais sábio de todos e impor suas opiniões em
nome de sua idade e experiência.
Segundo Erikson (idem), a integridade do ego na terceira idade requer contínua estimulação e
desafio, a qual, para este escultor idoso, vem do trabalho criativo. As fontes de integridade do
ego variam amplamente, desde a actividade política e os programas de boa forma até a
formação de relacionamentos com os netos. Para o mesmo autor, mesmo quando as funções
corporais enfraquecem-se, a pessoa deve manter um envolvimento com a sociedade.
Contudo, podemos ver que ao ultrapassar bem, todas essas fases, ultrapassá-la com sabedoria,
teremos uma vida saudável da infância à velhice.
1.6 Qualidade de vida no Idoso
A qualidade de vida foi vista como um dos indicadores da adaptação ao envelhecimento e isso
fez com que surgisse cada vez mais, estudos sobre essa temática (Paúl & Fonseca, 2005 cit in
Teixeira 2010).
Tendo em conta que uma boa parte da população chegará à terceira idade, há uma necessidade
de compreender melhor e promover a qualidade de vida nessa faixa etária (James & Wink,
2006 cit in Ferreira, 2009).
Os idosos, independentemente do meio onde estão inseridos, necessitam de uma boa
qualidade de vida, prevenindo de problemas que possam surgir na falta desta.
A maior susceptibilidade dos idosos, em relação às doenças, sendo estes frágeis do ponto de
vista físico, mental, requer a intervenção de uma equipa multiprofissional (Zagher & col.,
2009 cit in Ferreira, 2009). A nível biológico, os idosos, estão mais susceptíveis a potenciais
28
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
problemas de saúde que poderão influenciar o seu bem-estar e, consequentemente, a sua
qualidade de vida (Fernandes, 1996 cit in Ferreira 2009).
Ainda de acordo com o mesmo autor, a qualidade de vida em gerontologia está relacionada
com a maneira como o sujeito experiencia o seu próprio envelhecimento e a sua velhice,
sendo ela subjectiva.
Já para Hortelão (2003) cit in Ferreira (2009), a qualidade de vida dos idosos, está relacionada
à conjugação entre a ausência de doença, o suporte social e o bom funcionamento físico e
cognitivo.
Silva (2003) cit in Ferreira (2009), realizou um estudo qualitativo sobre concepção que os
idosos têm sobre: “Ser pessoa idosa” e “Qualidade de vida”. De acordo com o estudo, em
relação ao primeiro aspecto, identificaram-se as seguintes representações: pessoa com
incapacidade funcional; com bastante idade mas com bastante saúde para trabalhar; com
muita experiência de vida; que já viveu muitos anos e cumpriu os seus objectivos de vida.
No tocante ao segundo aspecto, identificaram-se as seguintes representações: saúde física,
independência física, autonomia, psicológica, social, económica, família, religiosidade e
transcendência, meio ambiente e cidadania.
Papaléo (2000) cit in Inacio (2011), falando sobre a qualidade de vida nos idosos, refere que:
“O envelhecimento populacional é algo que tem sido almejado e que tem sido
conseguido, tanto nos países desenvolvidos como naqueles que se encontra em fase de
desenvolvimento. É óbvio, entretanto, que isto não é o bastante. Há necessidades de
que, paralelamente às modificações demográficas que estão sucedendo, haja também
transformações socioeconómicas profundas, visando melhor qualidade de vida aos
idosos e aqueles que estão em processo de envelhecimento. Nos países em
desenvolvimento, contudo esse objectivo está longe de ser atingido, pois que além de
ser economicamente dependentes de outros países, possuem uma estrutura
socioeconómica arcaica que privilegiam alguns em detrimento da maioria” (p.26).
Em Cabo Verde, muito ainda tem que ser feito, uma vez que deparamos com idosos que
vivem em condições precárias, sem ter como suprir as necessidades mais básicas, como por
exemplo, alguns têm que ir pedir esmolas para poder obter uma fonte de subsistência.
Para além de não terem pelo menos uma refeição ao dia, vivem em condições muito precárias,
e tendo em conta este indicador, aleado à qualidade de vida dos idosos, cabe ao governo e à
sociedade em geral, criarem condições para que estes se sintam bem acolhidos nessa fase da
vida.
29
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
1.7 O Idoso, o Centro de Dia e a Família
Com o aumento da população, e o aumento da população idosa, tem-se notado um aumento de
centros de convivência para idosos e lares que acabam por se tornar a principal residência
desses idosos. É, pois, importante saber quais sãos os benefícios que os Centros de Dia
oferecem aos seus utentes.
Como antes referido, Centros de Dia são vistos como um recurso social de utilização diurna,
alternativo à institucionalização, e revela-se concebido para pessoas idosas que sofram algum
grau de deficiência física ou psíquica (Cid & Dapía, 2007 cit in Silva, 2011).
Tendo em conta que é um recurso de utilização diurna, os utentes passam a maior parte do seu
dia no centro, desenvolvendo actividades, dialogando uns com os outros, etc.
1.7.1
A convivência familiar
O apoio social é um factor importante para a pessoa com idade mais avançada, pois contribui
para que este tenha um envelhecimento satisfatório, autónomo, sem grandes preocupações.
Pinazo (2006) cit in Areosa, Benitez e Wichmann (2012), aponta que as pessoas de idade que
participam de redes sociais de forma activa e que recebem apoio social informal são as que
possuem melhor saúde física e mental. Considera ainda, que a família é a principal fonte de
apoio informal.
A família e os amigos são considerados relações primárias, que se caracterizam por serem
relações emocionais, íntimas e duradouras (Hipp, 2006 cit in Areosa, Benitez e Wichmann,
2012). As amizades para os idosos são fontes significativas de satisfação e promovem
sentimentos de bem-estar ao idoso (Triadó & Villar, 2007 cit in Araújo et al, 2012).
Hernandis (2005) cit in Areosa, Benitez e Wichmann (2012) refere-se à família como fonte de
apoio e ajuda de maior importância, sobretudo para aqueles idosos com alguma dependência.
A família, os amigos e vizinhos são elementos importantes no cuidado das pessoas idosas. O
cônjuge é o elemento preferido pelo idoso ou pela idosa. Por isso temos grandes números de
idosos que vivem com os filhos quando o cônjuge morre ou está ausente. Buscam ajuda nas
filhas ou filhos, ou em outros familiares ou ainda em amigos.
30
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
A família é a principal fonte de apoio ao idoso. Normalmente as pessoas idosas não recebem
os cuidados adequados que esperam da família, principalmente porque os familiares têm de
trabalhar e cuidar de suas próprias necessidades (Neri, 1993). Daí recorrem aos CD e centros
de convívio para idosos, nos outros países recorrem também, há lares para idosos, para que
estes sirvam de suporte e auxiliam na ausência da família.
A família é muito importante, não só para os idosos, pois, tendo uma convivência familiar sã,
pode-se prevenir o desenvolvimento de vários factores negativos como a solidão, a depressão,
a insegurança, tristezas. O idoso ao fazer parte da família dos filhos, viver na casa dos filhos,
passa a ter outros papéis que antes não desempenhava. Os idosos quanto mais idades viverem,
têm a oportunidade de conhecerem filhos, netos, bisnetos, ou seja, assumem papéis que só
assumem porque viveram muitos anos. Assim, percebe-se que a convivência entre diferentes
gerações e as interacções pessoais aumenta significativamente na actualidade (Guerra &
Caldas, 2010 cit in Areosa, Benitez e Wichmann, 2012).
O idoso na família passa a desempenhar papéis como, avô, bisavô, sogros e sogras, etc.
Temos a juncão das gerações, transmitindo ideias, opiniões, ensinamentos, partilhando
conhecimentos, um auxiliando o outro. Após reforma começa a desempenhar outros papéis
sociais. Começa a participar dos grupos de apoio, dos CD, dos centros de convívio, das
associações religiosas, etc., existe uma mudança de papéis. Perda de papéis que
desempenhavam anteriormente, como o laboral, e surgem-se novos papéis como cuidar dos
netos.
31
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Capítulo 2:
Metodologia do estudo
2.1 Enquadramento do capítulo
Todo e qualquer trabalho científico requerem que se faça uma explicação detalhada de todo o
processo utilizado pelo investigador durante o percurso da pesquisa.
Este trabalho irá explorar um tema pouco estudado no Curso de Psicologia Vertente área
clínica e Saúde que é a qualidade de vida nos idosos e para isso servirá dos centros de dia da
Cruz Vermelha e de Castelão para a recolha das informações.
A metodologia serve para descrever-nos como foi feito o trabalho, o tempo utilizado, como
foi feito a selecção da amostra, os caminhos percorridos bem como o processo utilizado para
recolha e tratamento dos dados. Pois então, serão esses aspectos metodológicos que
passaremos então a descrever.
2.2 Natureza e Método de estudo
Na nossa pesquisa foi utilizada o método quantitativo descritivo, uma vez que recorremos ao
inquérito por questionário para fazer a recolha de dados e a aplicação de uma escala. De
acordo com Quivy (2005), o inquérito por questionário consiste em colocar a um conjunto de
32
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
inquiridos, geralmente representativo de uma população, uma série de perguntas relativas à
sua situação social, profissional ou familiar, às suas opiniões, à sua atitude em relação a
opções ou às questões humanas e sociais, às suas expectativas, ao seu nível de conhecimento
ou de consciência de um acontecimento ou de um problema, ou ainda sobre qualquer outro
ponto que interesse os investigadores. Ainda de acordo com o mesmo autor, dado o grande
número de pessoas geralmente interrogadas e o tratamento quantitativo das informações que
deverá seguir-se, as respostas à maior parte das perguntas são normalmente pré-codificadas,
de forma que os entrevistados devem obrigatoriamente escolher as suas respostas entre as que
lhes são formalmente propostas.
Seguindo ensinamentos de Richardson (1989), este método caracteriza-se pelo emprego da
quantificação, tanto nas modalidades de colecta de informações, quanto no tratamento dessas
através de técnicas estatísticas, desde as mais simples até as mais complexas.
Ramos, Ramos e Busnello (2005), também classificam a pesquisa quantitativa como sendo
tudo que pode ser mensurado em números, classificados e analisados. Utiliza-se técnicas
estatísticas.
Minayo (1994) refere que, uma pesquisa quantitativa pode conduzir o investigador à escolha
de um problema particular a ser analisado em toda sua complexidade, através de métodos e
técnicas qualitativas e vice-versa. Deste modo, para a elaboração deste trabalho, recorremos à
revisão bibliográfica a respeito do tema e utilizamos a pesquisa exploratória pois visa
proporcionar maior familiaridade com o fenómeno da qualidade de vida dos idosos nos
centros que frequentam (Gil, 2008).
2.3 Da população à definição da amostra
Segundo Guéguen (1999), uma amostra é uma porção ou subconjunto da população a partir da
qual se deseja obter um certo número de medições, em que os resultados serão posteriormente
utilizados para tirar conclusões em relação à população de onde se extraiu a amostra.
Para esse estudo, inicialmente, foi proposto constituir uma amostra de 30 idosos (15 idosos de
cada centro em estudo). No entanto, no momento da recolha de dados, que teve início no mês
de Novembro de 2013 e prosseguiu até à última semana do mês de Dezembro do mesmo ano,
conseguimos obter dados apenas de 13 idosos do CDCV por motivos de saúde e ausência no
centro. Deste modo, foi possível abranger um total de 28 utentes sendo 15 idosos do CDC e
33
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
13 idosos do CDCV. Tendo isto, a nossa população alvo são os idosos que frequentam os
centros de dia da Cruz Vermelha e de Castelão, sendo todos maiores de 60 anos.
É relevante aludir, também, que durante a recolha das informações, foram encontrados
participantes dos centros de dia com menos de 60 anos, os quais não foram contemplados por
terem idades inferiores à faixa etária definida inicialmente. Isto significa, que a nossa amostra
é do tipo convencional.
2.4 Instrumento de recolha de dados
Para a realização deste trabalho foi utilizado o questionário como instrumento de recolha das
informações. Segundo Gil (1999), o questionário define-se como uma “técnica de
investigação composta por um número mais ou menos elevado de questões apresentadas por
escritos as pessoas, tendo por objectivos o conhecimento de opiniões, crenças, sentimentos,
interesses, expectativas, situações vivenciadas etc.” (p.128). Foi lançado um questionário aos
idosos que frequentam os centros de dia em estudo, 15 idosos de cada centro, em que cada um
dos questionários foi realizado em tempo diferente, e com respostas diferentes. O questionário
continha questões distribuídas em dois grupos (A e B). Grupo A com 13, incidindo na recolha
de dados sociodemográficos. O grupo B consiste na Escala de Qualidade de Vida para lares
de idosos, criada por Kane et al., (2003), adaptada em português por Póvoa e Martin (2010).
De referirmos que a escala estava estruturada com questões relacionadas à estadia no centro.
Continha escalas que mediam o conforto, as competências funcionais, a privacidade, a
dignidade, as actividades significativas, o relacionamento, a autonomia, a satisfação com os
alimentos, o bem-estar espiritual, a segurança e a individualidade dos participantes da
pesquisa. No total eram 11 escalas e cada escala continha de 4-6 questões de acordo com a
categoria pertencente.
2.5 Procedimentos da recolha de dados
Este trabalho teve início na elaboração de um projecto de pesquisa, entregue e aprovado pela
Comissão de Ética. Com o projecto aprovado, demos inicio à recolha dos dados.
A colecta dos dados, aplicação dos questionários, teve início no mês de Novembro de 2013 e
prosseguiu até a última semana de Dezembro do mesmo ano. O questionário foi lançado como
se fosse uma entrevista, pois levando em conta a faixa etária dos participantes, nem todos
34
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
conseguiriam ler e responder sozinho. No questionário continha perguntas abertas em que
cada um dos participantes podia dar a sua opinião livremente.
No momento do lançamento do questionário foi explicado a cada um dos participantes para
quê iriam servir os dados que iriam ser recolhidos e todos assinaram um termo de
consentimento antes de responder qualquer pergunta. Os questionários foram aplicados nos
centros de dia em estudo, com a orientação e auxílio dos funcionários, indicando os idosos
que preenchem os requisitos da amostra. Foi importante salientar aos idosos que as respostas
eram confidenciais.
Achamos pertinente fazer uma pequena caracterização dos centros onde foram feitas as
recolhas de dados.
 Caracterização do Centro de Dia da Cruz Vermelha
O CDCV situa-se na fazenda e funciona das 8 horas às 16 horas. Os beneficiários são
recolhidos nas suas casas pelo carro do centro, chegam e tomam o pequeno-almoço que segue
a seguir com as actividades lúdicas e recreativas. Para além das refeições que fazem no
centro, também recebem uma refeição para levarem à casa pois nem todos têm uma família.
Em relação aos beneficiários que não conseguem deslocar-se até ao centro devido aos
problemas de saúde, também recebem as mesmas regalias que os que deslocam para o centro.
Os profissionais do centro deslocam-se até ao domicílio desses utentes beneficiários e levam
as refeições, recebem tratamento médico e outros benefícios que os outros recebem.
A Cruz Vermelha de Cabo Verde (CVCV), dentro das suas políticas, sociais e humanitárias,
criou este centro para apoiar idosos que estão em situações de vulnerabilidade e precariedade.
Tendo em conta a situação social, problemas específicos e o valor que os idosos têm, vem
actuando, há longos anos, e é conhecida como uma das instituições que apoia socialmente a
terceira idade. Sendo pioneira no desenvolvimento de acções solidárias em espaços de
acolhimento apropriado, a tempo parcial, estes, tem ajudado em muito a melhorar o
quotidiano deste grupo desfavorecido.
Neste momento o espaço funciona com 36 idosos, sendo 20 do sexo masculino e 16 feminino.
Também desse total 14 idosos são acamados ou estão em casa devido a problemas de saúde
que os impossibilitam de se deslocar ao centro. Os beneficiários têm de 45 a 93 anos de idade.
O Centro de Dia da Cruz Vermelha tem objectivos que considera crucial no desempenho das
suas funções que são:
35
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Promover o bem-estar das pessoas idosas particularmente, no contexto cabo-verdiano,
onde as pessoas vivem até uma idade muito avançada;
Dar mais atenção aos factores de qualidade de vida, com enfase no equilíbrio de
funcionamento da família melhorar as condições habitacionais, melhor saúde, mais
liberdade de escolha e melhores recursos;
Respeitar a espiritualidade/ religiosidade bem como cultiva-las;
De acordo com a coordenadora do centro, o trabalho desenvolvido, tem corrido bem mas que
é preciso sempre fazer mais. Segundo a coordenadora é preciso mais interacção/ apoio da
família e da sociedade em geral.
Pelas palavras da Coordenadora,
«Se tivéssemos uma maior colaboração da família, uma melhor valorização do idoso pela
sociedade, se os nossos idosos não estivesse numa fase de vida tão degradada, porque uma
coisa é cuidar de um idoso que está em casa no seio de uma família equilibrada e outra coisa é
cuidar de um idoso totalmente desprotegido que não tem nem familiares nem é reconhecido no
seu verdadeiro valor pela comunidade e não tem as suas faculdades físicas e mentais para
exigir mais dignidade».
A coordenadora acrescenta ainda que o trabalho do centro é bastante condicionado pelas
famílias e pela própria sociedade.
 Caracterização do Centro de Dia de Castelão
O Centro funciona durante o ano (12 meses) de 2ª a 6ª feira das 8H00 às 15h30. Tem
capacidade de albergar 35 idosos. Neste momento, o centro alberga 31 idosos, sendo 12 do
sexo masculino e 19 do sexo feminino, mas nem todos são assíduos uma vez que alguns se
encontram impossibilitados de deslocar-se até o centro.
O centro tem por finalidade prestar serviços que satisfaçam necessidades básicas;
 Fomentar as relações interpessoais ao nível de idoso e deste com outros grupos etários
a fim de evitar isolamento;
 Recuperar ou manter ao máximo o grau de autonomia individual que permite a
potencialidade do individuo;
 Ser um meio facilitador de desenvolvimento de relação e actividades sociais
gratificantes para o sujeito;
 Promover a permanência do indivíduo no seu meio;
36
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia

Proporcionar realizações de actividades básicas da vida quotidiano fornecendo apoio
ao adulto idoso, assim como aos elementos pertencentes ao seu núcleo familiar;

Melhorar e manter o nível de saúde aos utilizadores através do controlo e prevenção da
doença.
Para que o centro funcione, é preciso de auxílio dos funcionários, desempenhando cada um o
seu papel, contribuindo assim, para o funcionamento do centro. O CDC é composto por uma
coordenadora, um auxiliar administrativo, um condutor, uma cozinheira, cinco guardas, uma
ajudante de cozinha e cinco auxiliares de serviços gerais. É dirigida pela Dra. Isabel Delgado.
No centro, para além das refeições diárias, são desenvolvidas várias actividades como:
cuidados de higiene; tratamento de roupas; rastreios; palestras; acompanhamento a consulta;
assistência medicamentosa; actividade física e motora; actividade expressão corporal e
comunicação; actividade lúdica; actividade de expressão plástica.
Essas actividades são desenvolvidas nos finais de semana e não só, para celebrar alguma data,
para acompanhar a saúde os utentes. Costumam fazer palestras sobre assuntos que têm a ver
com os idosos com o objectivo de informá-los melhor sobre as doenças, sobre os avanços do
universo, sobre as problemáticas, etc.
2.6 Procedimentos de tratamentos e análise de dados
Para o tratamento e análise dos dados, foi utilizado o software estatístico SPSS versão 20,
amplamente utilizado em estudos realizados na área das ciências sociais. Segundo Pestana e
Guerreiro (2008), este programa permite fazer testes estatísticos tais como os testes de
correlação, multicolineridade, e de hipóteses. Utilizamos gráficos e tabelas para representar
diversas frequências relativamente aos dados obtidos.
37
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Capítulo 3: Apresentação e Interpretação dos resultados
3.1
Enquadramento do capítulo
Este capítulo procura apresentar os dados empíricos do presente estudo, a começar pelos
dados sociodemográficos dos inquiridos e se estende aos resultados que têm a ver com os seus
julgamentos ou satisfação com o centro de acolhimento, passando pela análise das escalas
aplicadas no questionário.
A partir deste capítulo, com o apoio na estatística descritiva, passaremos a apresentar e
interpretar os resultados obtidos da pesquisa. Como já referido, as perguntas tiveram respostas
diferentes, e de acordo com a opinião de cada participante. Passaremos então a analisar as
respostas facultadas pelos utentes.
3.2
Análise dos dados sociodemográficos
Faixa Etária
Como podemos constatar no gráfico 1 abaixo indicado, os dados referentes à faixa etária dos
inquiridos do CDCV nos mostra que a maioria dos inquiridos, perfazendo um total de 61,53%
dos inquiridos estão na faixa etária dos 60 a 75 e 38,47% dos inquiridos estão na faixa etária
dos 75 a 90 anos. Em relação ao CDC os dados referentes à faixa etária nos indicam que uma
38
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
boa parte dos inquiridos, num total de 42,86% constituem a faixa etária entre 60 a 75 anos e a
maioria dos inquiridos (57,15%) pertencem à faixa etária entre 75 a 95 anos (ver gráfico 2).
Gráfico 1 – Idade dos inquiridos do CDCV
Gráfico 2 – Idade dos inquiridos do CDC
A maioria dos inquiridos num total de 64,29% são do sexo feminino e somente 35,71% são do
sexo masculino (ver gráfico 3). As mulheres são as que mais frequentam os centros tentando
por si só, cessar a rotina diária, fazer novas amizades, desenvolver várias actividades e trocar
experiências. Daí temos mais mulheres a procurarem os centros de que os homens. Será que a
esperança média de vida tem a ver com o facto de termos mais mulheres a frequentarem os
centros? Os homens morrem mais do que as mulheres?
Gráfico 3 – Sexo dos inquiridos
Como já vimos anteriormente de acordo com o Censo (Instituto Nacional de Estatísticas,
2010), se em 2000 a esperança de vida era de 75 anos para as mulheres e 67 para os homens,
comparativamente, em 2010 tínhamos 79,1 para elas e 69,7 para eles, com as projecções,
apontando sempre para um acréscimo contínuo.
Com esses dados podemos verificar que há uma média de 10 anos de diferença em relação à
esperança média de vida entre homens e mulheres.
39
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Nível de escolaridade
Em relação ao nível de escolaridade, podemos verificar que relativamente ao CDCV, a
maioria dos utentes que não frequentou a escola é do sexo feminino. A maioria dos utentes
que participaram do questionário frequentou somente a escola básica. E somente um utente do
sexo masculino frequentou o ensino secundário.
Quanto ao CDC, a maioria dos utentes não frequentou a escola e, igualando ao CDCV, a
maioria é do sexo feminino. Somente dois utentes do sexo masculino frequentaram somente a
escola básica. Podemos verificar esses dados na tabela 1 que se segue.
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
Sexo
Nível de Escolaridade
Nível de Escolaridade
Não frequentou a escola
Frequentou somente a
escola básica
Frequentou
o
ensino
secundário
Não frequentou a escola
Frequentou somente a
escola básica
Total
M
2
4
F
3
3
5
7
1
0
1
1
2
12
0
13
2
Tabela 1 – Nível de escolaridade
Ao compararmos os dois centros, podemos verificar que o CDC tem o maior número de
pessoas que não frequentaram a escola e a maioria do sexo feminino. Terá isso impacto sobre
a qualidade de vida desses utentes?
Podemos ressaltar que antigamente muitos pais limitavam-se a colocar os seus filhos na
escola principalmente se for do sexo feminino. Daí a taxa de alfabetização em idosos ser
elevado. Mas nos tempos modernos, nota-se o contrário.
De acordo com INE (1998) “no domínio da educação, avanços consideráveis são já visíveis,
com a implementação da reforma do sistema de ensino e a luta contra o analfabetismo. A
educação é um sector eleito como prioritário. Cabo Verde tem uma elevada cobertura escolar
com uma taxa bruta de escolarização de 64% para as mulheres e 81% para os homens, em
1995. A nível do ensino básico integrado, em 1998, cerca de 97% dos rapazes e 96% das
meninas em idade escolar encontravam-se a frequentar o sistema de ensino” p.2.
Vive sozinho
Referente aos dados da questão se vivem sozinhos, obtivemos no CDCV uma maioria dos
inquiridos (61,5%) que não vivem sozinhos. (ver tabela 2 que se segue). Dos inquiridos que
40
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
não vivem sozinhos, vivem com tias, filhos, netos, e sobrinhos. Em relação ao CDC podemos
verificar na tabela 3, que a maioria, perfazendo um total de 73,3% dos inquiridos não vive
sozinha. Estes vivem com filhos, sobrinhos, companheiro.
Sim
Não
Total
Frequência
5
8
13
Percentagem
38,5
61,5
100,0
Tabela 2 – Vive Sozinho CDCV
Sim
Não
Total
Frequência
4
11
15
Percentagem
26,7
73,3
100,0
Tabela 3 – Vive Sozinho CDC
Muitos dos idosos acabam por viver sozinhos ou mesmo com outros familiares quando ficam
viúvos. Como pudemos constatar anteriormente, a viuvez é um dos potencializadores da
solidão, e os centros vêm actuando no sentido de amenizarem a dor dessa perda que é a
conjugal, tentando manter os idosos ocupados e integrados na sociedade. Como disse o
filósofo Aristóteles, “O Homem que vive só ou é um Deus ou é uma besta”. Ninguém nasceu
para viver sozinho, todos somos seres sociais e precisamos um dos outros.
Estado civil
Relativamente ao estado civil dos utentes inquiridos no CDCV, podemos constatar que uma
percentagem significativa (46,15%) é solteira. É importante ressaltar, também, que uma
percentagem considerável (38,46%) dos inquiridos é viúvo (ver gráfico 4 que se segue). Em
relação ao CDC podemos verificar que a maior parte (53,33%) dos inquiridos é solteira e uma
percentagem significativa (26,67%) dos inquiridos é viúvo (ver gráfico 5 que se segue).
Gráfico 4 – Estado civil CDCV
Gráfico 5 – Estado civil CDC
O estado civil, o número de filhos e o facto de os utentes viverem sozinhos, terão impacto
sobre a solidão e consequentemente na sua Qualidade de Vida? Terão influência sobre a
procura dos centros de dia?
41
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Segundo o estudo, já referido, de Savikko e col. (2005) cit. in Fernandes (2007), a viuvez é
considerado como um dos potencializadores de solidão. Mas, em contrapartida, constataram,
que aspectos como a presença activa dos familiares, redes sociais fortes, pode contribuir para
o não aparecimento da solidão. Ao longo do trabalho teremos a oportunidade de verificar se
os idosos inquiridos sentem solidão ou não mesmo frequentando os centros.
Vida sem o centro
Nos dados a seguir, sobre a questão como achava que seria a sua vida sem o centro,
obtivemos muitas respostas. Ao lançarmos a questão no CDCV, uma percentagem
significativa (38,5%) dos inquiridos respondeu que a sua vida seria triste se não frequentasse
o centro. Vários são os outros sentimentos, mencionados pelos inquiridos se não
frequentassem o centro como podemos verificar na tabela 4 que se segue.
Frequência
Confortada
1
Desenrasca
1
Muito mau
1
Péssimo
1
Solitária e doente
1
Triste
5
Triste e doente
1
Triste e pedir esmola
1
Triste, não tinha uma refeição
1
Total
13
Tabela 4 – Como acha que seria a sua vida sem o centro CDCV
Percentagem
7,7
7,7
7,7
7,7
7,7
38,5
7,7
7,7
7,7
100,0
Em relação ao CDC, sobre a mesma questão, obtivemos 26,7% dos inquiridos que
responderam que a sua vida seria triste se não frequentassem o centro. É de salientar também
que 13,3% dos inquiridos responderam que seria triste e solitário. Os outros demais
sentimentos pontuados pelos inquiridos, temos 6,7% das respostas como podemos verificar na
tabela 5 que se segue.
Confortável mas com algum problema
Diferente
Solitária e sem opções
Solitário
Solitário e dependente do filho
Sozinha
Triste
Triste e pedir esmola
Triste e sem as refeições
Triste e sem opções
Triste e solitário
Total
Frequência
1
1
1
1
1
1
4
1
1
1
2
15
Percentagem
6,7
6,7
6,7
6,7
6,7
6,7
26,7
6,7
6,7
6,7
13,3
100,0
Tabela 5 – Como acha que seria a sua vida sem o centro CDC
42
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Essa pergunta remete-nos ao nosso objectivo geral, que é conhecer qual o papel desses centros
em relação a QV dos idosos. Através dessas respostas pudemos verificar que os centros em
estudo têm contribuído muito para que esses idosos tenham uma vida digna e com qualidade.
Através dos dados obtidos pudemos ver que os centros servem não somente como um lugar
para passar o dia mas também têm estado a servir como uma fonte de suprir as necessidades
básicas dos utentes. Vários dos utentes não teriam sequer uma refeição ao dia, não teriam com
quem conversar, se não fosse a existência dos centros de convivência diurna.
Os idosos inquiridos relataram que esse sentimento de tristeza muitas vezes vem pelo facto de
viverem sozinhos, e se não frequentassem o centro, muitos não teriam com quem conversar, o
que comer, quem cuide deles.
A seguir serão explícitos os motivos que levam esses idosos a frequentarem os centros, de
acordo com os idosos inquiridos.
Motivo de frequentar o centro
Os utentes já frequentam os centros há muitos anos, uns já os frequentam desde a sua criação.
O motivo da ida ao centro são vários. Essa era uma pergunta de múltipla escolha e podia ser
mais do que um motivo é que leva o utente a frequentar o centro.
No CDCV pudemos verificar que motivos como passar o tempo é o que prevalece em relação
aos outros motivos que os levam a frequentar o centro. É importante referir também que
temos idosos que só frequentam o centro para poderem ter as refeições do dia (ver tabela 6
que se segue). Temos outros motivos que levam os utentes a frequentarem os centros como:
Não gosta de ficar isolado;
Porque gosta (tendo vários utentes que deram essa resposta);
Porque já reformou;
Porque não tem alternativa;
No CDC o cenário se repete só que temos maior número de idosos a frequentarem o centro
para poderem ter as refeições do dia (ver tabela 6 que se segue). Temos também, outros
motivos que os levam a frequentar o centro como:
Para conversar;
Foi sugerido pelo médico;
43
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Nome do Centro
Cruz Vermelha
1
2
4
3
3
Por opção
Por falta de opção
Para passar tempo
Para ter uma refeição
Para divertir
Castelão
2
3
5
8
7
Tabela 6 – Motivo para frequentar o centro
Em relação ao horário de chegada ao centro, todos os participantes, de ambos os centros,
costumam chegar cedo para tomarem o pequeno-almoço, e se tiverem algo pessoal por
resolver como consultas médicas, visitas aos familiares, saem do centro e voltam para o
almoço e o resto das actividades diárias.
Actividades desenvolvidas
As actividades que desenvolvem diariamente são diversas. No CDCV as actividades variam
desde ver televisão, jogos, actividades lúdicas, passeios fora do centro a programas de
alfabetização e controle de doenças como a diabete.
No CDC as actividades também são diversas, tais como ver televisão, desenhos, ginástica,
passeios, celebrações religiosas, artesanato, actividades lúdicas como confeccionar tapetes,
costura. As actividades são realizadas durante o dia em que permanecem no centro, e são
intercaladas entre as refeições.
Tendo em consideração os domínios a serem levados em conta para a avaliação da qualidade
de vida, pensamos que essas actividades auxiliam no desenvolvimento desses domínios e o
bem-estar dos mesmos.
Sente-se feliz
A pergunta que se segue é para sabermos se ao frequentarem o centro, os idosos sentem-se
felizes ou não. Ao analisar os dados pudemos ver que estamos perante uma unanimidade nas
respostas, em que todos responderam que sim, sentem-se felizes no centro. Mas os motivos
que os deixam felizes são vários.
Em relação ao CDCV temos a presença de motivos como:
 Diverte-se;
 Porque conversa e desabafa com os outros utentes;
 Porque pode fazer várias actividades e em casa não;
44
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
 Está satisfeito com tudo;
 Está acompanhado, não está sozinho;
 Está em paz;
 Porque é ajudado;
 Recupera a saúde;

No centro está livre de maus pensamentos;
São esses os vários motivos que segundo os idosos, fazem com que os seus dias sejam felizes
e amenizam os acontecimentos menos bons da vida relatando, portanto, que se sentem em
paz. Alguns idosos relataram que estão livres de maus pensamentos, uma vez que muitas
vezes quando se encontram sozinhos em casa, pensam que são inválidos, já não são úteis para
a sociedade e que morrer seria o melhor remédio. Portanto, frequentar os centros, foi a forma
encontrada para libertar desses maus pensamentos.
No CDC também, vários são os motivos que deixam os idosos felizes. Motivos esses como:

Sente-se acompanhado;

Tem as refeições diárias;

Sente-se satisfeito e distraído;

Diverte-se;
Obs: As respostas que obtiveram maior número de pessoas a considerá-la por ser o motivo
que a deixa feliz é o facto de estar acompanhada. Terá isto, influência sobre a qualidade de
vida desses utentes?
Ao frequentarem o centro fazem novas amizades e partilhando do mesmo pensamento de
Triadó & Villar, (2007) cit in Araújo et al, (2012), consideramos que essas redes de apoio são
muito importantes pois, ajudam os idosos durante o seu processo de envelhecimento,
assegurando maior autonomia, independência, bem-estar e saúde.
Sente menos solidão
A pergunta seguinte do nosso questionário é sobre a solidão. Se os utentes que frequentam os
CDCV e o CDC sentem-se menos solidão. Também em unanimidade nas respostas, em
ambos os centros, todos responderam que sentem menos solidão, como podemos verificar na
tabela 7 que se segue.
45
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
Total
Frequência
13
15
28
Percentagem
46,4
53,6
100,0
Tabela 7 – Sente menos solidão
Consideramos ser muito importante que o idoso se sinta bem consigo mesmo, se sinta acolhido
e satisfeito. Tudo isso nos faz recordar Neto (1993), cit in Melo e Neto (2003), quando alegam
que a satisfação com a vida está negativamente ligada com a solidão. Portanto estando
satisfeito com a vida que se tem é um grande ponto para que a pessoa não desenvolva solidão.
Tudo isso faz-nos concordar com Silva et al., (2011) quando diz que sentir-se feliz, alegre, de
bem com a vida e consigo mesmo é fundamental e singular na fase do envelhecimento, pois
alcançar a terceira idade com aspectos psicológicos elevados, optimismo, controle pessoal,
auto-estima elevada permitirá uma maior segurança e confiança para viver a última fase do
ciclo vital.
As próximas perguntas que se seguem, pertencem à escala de QV para utentes de lar de idosos,
em que as perguntas foram adaptadas para centros de dia uma vez que em Cabo Verde não
temos lar de idosos na cidade da Praia. A escala adaptada foi de Kane et al., (2003) versão
portuguesa de Póvoa e Martin (2010).
3.3 Análise e discrição das escalas
No total foram lançados onze escalas onde obtivemos as seguintes respostas:
3.3.1
Escala de conforto
As perguntas dessa escala são sobre o nível de conforto e a ajuda que recebe para ficar mais
confortável. Nessa escala continha cinco perguntas, que são as seguintes.
1. Costuma sentir frio/ calor no centro?
De acordo com a tabela 8 podemos verificar que, no CDCV, os inquiridos consideram que
raramente ou quase nunca sentem calor/frio no centro, tendo portanto, 28,6% dos utentes que
responderam que raramente e nunca. Em relação ao CDC nota-se o contrário pois verifica-se
que 28,6% responderam que as vezes sentem calor/frio no centro.
46
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Costuma sentir frio / calor aqui
no centro?
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Nunca
Total
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
0,0%
10,7%
17,9%
28,6%
10,7%
7,1%
17,9%
7,1%
46,4%
53,6%
Total
10,7%
46,4%
17,9%
25,0%
100,0%
Tabela 8 – Costuma sentir frio/calor no centro
Isto leva-nos a crer que o espaço físico dos centros não são muito confortáveis, tendo em
conta que são espaços abertos e ao ar livre. Desta forma, se a qualidade do espaço físico dos
centros interfere na mobilização, na estadia e bem-estar dos utentes, poderia desta forma,
sugerir uma melhoria nos espaços físicos para melhor servir os seus utentes. Estar confortável
é muito importante tanto para o bem-estar como para se sentirem dispostos e poderem
participar em actividades diárias do centro.
2. Costuma ficar com dores de ficar sempre na mesma posição?
Na tabela 9 podemos ver o grau de desconforto em relação às dores se ficar muito tempo na
mesma posição. Em relação ao CDCV podemos verificar que uma percentagem significativa
(32,1%) dos inquiridos respondeu que muitas vezes. E no CDC uma percentagem muito
significativa (42,9%) respondeu que às vezes.
Costuma ficar com dores de
ficar sempre na mesma
posição?
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Nunca
Total
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
32,1%
0,0%
10,7%
42,9%
3,6%
3,6%
0,0%
7,1%
46,4%
53,6%
Total
32,1%
53,6%
7,1%
7,1%
100,0%
Tabela 9 – Costuma ficar com dores de ficar sempre na mesma posição
Podemos constatar que a forma adoptada para sentarem ou descansarem podem não ser o
mais adequado uma vez que não têm muitas opções e se ficarem muito tempo na mesma
posição a maioria sente-se desconfortável. Enquanto estão no centro podem optar por ficar no
pátio ou na sala de televisão. Em ambas as salas só existem cadeiras não existem poltronas
mais confortáveis, que de vez enquanto poderiam descansar mais confortavelmente.
3. Costuma ser incomodado pelo barulho?
Na tabela 10 podemos verificar que no CDCV, boa parte dos inquiridos (39,3%) respondeu que
nunca são incomodados pelo barulho. Em relação ao CDC, uma percentagem significativa
(50,0%) dos inquiridos respondeu que raramente e nunca são incomodados pelo barulho.
47
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Costuma ser incomodado pelo
barulho?
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Nunca
Total
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
0,0%
3,6%
3,6%
0,0%
3,6%
32,1%
39,3%
17,9%
46,4%
53,6%
Total
3,6%
3,6%
35,7%
57,1%
100,0%
Tabela 10 – Costuma ser incomodado pelo barulho
Uma boa parte dos inquiridos consideram não ser incomodados pelo barulho e relataram que
o ambiente é calmo, acolhedor e todos respeitam-se uns aos outros. Embora os centros se
localizarem em zonas agitadas, tanto pelo trânsito como por pessoas, os idosos relataram que
os centros são calmos, e agradáveis.
4. Consegue deslocar-se bem aqui no dentro?
Como podemos verificar na tabela 11, no CDCV, uma percentagem significativa (35,7%) dos
inquiridos responderam que muitas vezes. Em relação ao CDC, a maior parte dos inquiridos
(50,0%) respondeu que muitas vezes conseguem deslocar-se no centro.
Costuma deslocar-se bem aqui
no centro?
Muitas vezes
Às vezes
Nunca
Maioria Não
Total
Nome do centro
Cruz Vermelha
35,7%
0,0%
7,1%
3,6%
46,4%
Total
Castelão
50,0%
3,6%
0,0%
0,0%
53,6%
85,7%
3,6%
7,1%
3,6%
100,0%
Tabela 11 – Costuma deslocar-se bem aqui no centro
Embora considerarem que não têm muito conforto e às vezes sentem frio/calor, a maioria dos
inquiridos, de ambos os centros, considera que consegue deslocar-se bem. É importante
salientar também que os que não conseguem deslocar-se sozinhos dentro do centro, por
problemas motores, recebem auxílio tanto dos outros utentes como dos funcionários.
A autonomia nos idosos é muito importante e, no entanto, concordamos com Gonçalves,
Santos e Silva (1992), quando colocam que encontramos idosos que abrem mão de sua
autonomia em troca de segurança, de atenção, de companhia, de um tecto, principalmente
entre aqueles que necessitam de ajuda no seu dia-a-dia, na realização das actividades da vida
diária. Referem ainda que, ter autonomia implica ter responsabilidade para o autocuidado e
ser capaz de solicitar ajuda quando necessário.
48
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
5. Consegue descansar quando está aqui no centro?
Na tabela 12 podemos constatar que relativamente ao CDCV, 14,3% dos inquiridos
responderam que às vezes e 25,0% responderam que raramente. Em relação ao CDC, 21,4%
dos idosos responderam que muitas vezes, e uma percentagem significativa (28,6%)
responderam que às vezes conseguem descansar no centro.
Consegue descansar quando
está aqui no centro?
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Total
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
7,1%
21,4%
14,3%
28,6%
25,0%
3,6%
46,4%
53,6%
Total
28,6%
42,9%
28,6%
100,0%
Tabela 12 – Consegue descansar quando está aqui no centro
Levando em consideração que estamos perante um CD e não um lar e não existem
dormitórios, ou mesmo espaços para se deitarem ou ficarem mais confortáveis, têm que ficar
sentados ou no quintal ou nas cadeiras da sala de televisão. Seria muito interessante que
houvesse, nos centros, salas onde possam descansar mais confortavelmente durante o dia,
levando em consideração que os idosos passam a maior parte do dia nos centros.
3.3.2
Escala das competências funcionais
As perguntas dessa escala questionavam sobre a facilidade que os utentes têm em fazer as
coisas e continha quatro questões.
1. Consegue chegar ao centro sozinho?
Na tabela 13, temos dados sobre a capacidade de chegar ao centro sozinho e obtivemos as
seguintes percentagens. Relativamente ao CDCV pudemos constatar que 21,4% dos
inquiridos responderam muitas vezes. Já em relação ao CDC pudemos verificar que uma
percentagem significativa (50,0%) dos inquiridos relatou que conseguem chegar sozinhos.
Consegue chegar ao centro
sozinho?
Total
Muitas vezes
Às vezes
Nunca
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
21,4%
50,0%
7,1%
3,6%
17,9%
0,0%
46,4%
53,6%
Total
71,4%
10,7%
17,9%
100,0%
Tabela 13 – Consegue chegar ao centro sozinho
Podemos constatar que uma boa parte dos inquiridos, de ambos os centros, conseguem chegar
ao centro sozinhos, mas também uma boa parte dos utentes não conseguem e dependem do
49
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
carro do centro ou de outras pessoas, para conseguir chegar ao centro. Muitos não conseguem
devidos há problemas motores e dependem do carro do centro ou de algum familiar. É
importante salientar também, que a maioria dos idosos consegue chegar sozinho no centro o
que nos remete ao grau de independência dos idosos.
2. Consegue andar sozinho dentro do centro?
Em relação à questão sobre o deslocamento dentro do centro, podemos verificar na tabela 14
que relativamente ao CDCV, uma percentagem considerável (35,7%) dos inquiridos
responderam que muitas vezes. Em relação ao CDC 50,0% dos inquiridos também
responderam que muitas vezes.
Consegue andar sozinho
dentro do centro?
Muitas vezes
Às vezes
Nunca
Total
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
35,7%
50,0%
0,0%
3,6%
10,7%
0,0%
46,4%
53,6%
Total
85,7%
3,6%
10,7%
100,0%
Tabela 14 – Consegue andar sozinho dentro do centro
É importante salientar que, a percentagem dos inquiridos que não conseguem deslocar-se
mesmo estando dentro do centro, são utentes com problemas motores, como já referido
anteriormente, que necessitam do auxilio dos funcionários e mesmo dos outros utentes para ir
à casa de banho, para se sentar à mesa e até para participar de actividades diárias.
3. Consegue chegar facilmente às coisas que precisa?
Relativamente aos dados da próxima pergunta, a tabela 15 nos mostra que em relação ao
CDCV, 35,7% dos idosos responderam que muitas vezes. Relativamente ao CDC 50,0% dos
idosos responderam que muitas vezes.
Consegue chegar facilmente às
coisas que precisa?
Total
Muitas vezes
Às vezes
Nunca
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
35,7%
50,0%
0,0%
3,6%
10,7%
0,0%
46,4%
53,6%
Total
85,7%
3,6%
10,7%
100,0%
Tabela 15 – Consegue chegar facilmente às coisas que precisa
Embora a maioria dos utentes são independentes e conseguem manter-se dentro e fora do
centro sem auxílio dos outros, é importante frisar que existe utentes que são totalmente
dependentes tanto dos funcionários como dos familiares. Necessitam sempre, de alguém que
os ajude a ir buscar um copo de água, ir comer, ir lavar as mãos.
50
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
4. Consegue chegar facilmente à casa de banho?
Em relação à questão sobre a facilidade em usar a casa de banho, a tabela 16 nos mostra que
relativamente ao CDCV, uma percentagem significativa (35,7%) dos inquiridos responderam
que muitas vezes. Relativamente ao CDC pudemos constatar que uma percentagem muito
significativa (50,0%) dos inquiridos também respondeu que muitas vezes.
Consegue chegar facilmente à
casa de banho?
Muitas vezes
Às vezes
Nunca
Total
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
35,7%
50,0%
0,0%
3,6%
10,7%
0,0%
46,4%
53,6%
Total
85,7%
3,6%
10,7%
100,0%
Tabela 16 – Consegue chegar facilmente à casa de banho
Como já referimos anteriormente, as percentagens dos inquiridos que relataram que nunca
conseguem, pertencem aos utentes com dificuldades motores, de locomoção. Podemos
verificar que a maior parte dos inquiridos que não conseguem, são utentes que frequentam o
CDCV. O centro dispõe de um veículo que faz a recolha dos utentes diariamente.
3.3.3
Escala de Privacidade
Esta escala questionava sobre a privacidade ou falta de privacidade dos utentes no centro.
Continha nela quatro questões.
1. Consegue encontrar um lugar para ficar sozinho?
Nessa questão, como podemos verificar na tabela 17 que se segue, relativamente ao CDCV
21,4% dos inquiridos responderam que às vezes e uma mesma percentagem (21,4%)
respondeu que raramente conseguem encontrar um lugar para ficarem sozinhos. Já em relação
aos utentes do CDC, uma percentagem significativa (35,7%) responderam às vezes. Levando
em consideração que estamos perante um centro de dia para convívios e não um lar de idoso.
Consegue encontrar um lugar
para ficar sozinho?
Total
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
3,6%
17,9%
21,4%
35,7%
21,4%
0,0%
46,4%
53,6%
Total
21,4%
57,1%
21,4%
100,0%
Tabela 17 – Consegue encontrar um lugar para ficar sozinho
2. Consegue ficar sozinho em algum lugar para ler ou fazer outras actividades?
Relativamente à essa questão, os dados obtidos dos idosos do CDCV revelam que, 21,4% dos
inquiridos disseram que às vezes e 17,9% responderam que raramente. Em relação aos idosos
51
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
do CDC, constatamos que 17,9% dos inquiridos responderam que muitas vezes enquanto que,
32,1% responderam às vezes, conforme descrita na tabela 18 que se segue.
Consegue ficar sozinho em
algum lugar para ler ou fazer
outras actividades?
Total
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
7,1%
17,9%
21,4%
32,1%
17,9%
3,6%
46,4%
53,6%
Total
25,0%
53,6%
21,4%
100,0%
Tabela 18 – Consegue ficar sozinho para ler ou fazer outras actividades
Podemos ver que temos uma quantidade razoável de utentes que nem sempre conseguem ter
um espaço para estarem com mais privacidade. Isto deve-se ao facto do centros disporem
somente de salas da directoria, de casas de banho, cozinha, área de refeição, sala de televisão
e pátio. Não dispõe de dormitórios nem de espaços para que os utentes possam ficar com mais
privacidade.
3. Os funcionários respeitam quando quer ficar sozinho?
Quando questionados se os funcionários os respeitam quando querem ficar sozinhos,
relativamente aos dados obtidos dos idosos do CDCV, 39,3% responderam muitas vezes. Os
dados referentes aos utentes do CDC não se mostraram diferentes uma vez que uma
percentagem muito significativa (42,9%) dos inquiridos também respondeu que muitas vezes.
A tabela 19, a seguir, representa os dados relativos a esta análise.
Os funcionários respeitam
quando quer ficar sozinho?
Total
Muitas vezes
Às vezes
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
39,3%
42,9%
7,1%
10,7%
46,4%
53,6%
Total
82,1%
17,9%
100,0%
Tabela 19 – Funcionários respeitam quando quer ficar sozinho
Portanto estamos perante uma maioria que considera os funcionários respeitosos. De acordo
com os idosos, isso significa muito, tendo em conta que os idosos vêm de uma outra geração
em que o respeito pelos mais velhos é muito importante, não só para os idosos mas também
como fazendo parte da educação das pessoas. Embora alguns considerarem que nem sempre
os funcionários são cuidadosos a maioria considera que são respeitosos. Sentir que tem quem
cuide deles, que são respeitados, faz com que os idosos se sintam aceites e não rejeitados.
52
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
4. Consegue ficar sozinho na hora das refeições?
Na tabela 20, que se segue, podemos verificar que quando questionados se conseguem ficar
sozinhos na hora das refeições, relativamente aos utentes do CDCV, uma percentagem muito
significativa (42,9%) respondeu que nunca. Já em relação aos idosos do CDC, os dados
permite-nos observar que o mesmo acontece, tendo em conta que 42,9% dos inquiridos
respondeu também que nunca.
Consegue ficar sozinho na
hora das refeições?
Muitas vezes
Raramente
Nunca
Total
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
0,0%
3,6%
3,6%
3,6%
42,9%
46,4%
46,4%
53,6%
Total
3,6%
7,1%
89,3%
100,0%
Tabela 20 – Consegue ficar sozinho na hora das refeições
Isso porque, devido às regras do centro, todos devem sentar-se à mesa na hora estipulada para
as refeições. Às vezes devido ao atraso por parte dos utentes, este pode fazer a sua refeição
num outro horário.
3.3.4
Escala de dignidade
As próximas perguntas faziam referência ao respeito pela dignidade dos utentes. Continha
cinco questões e são as seguintes.
1. Os funcionários são bem-educados consigo?
De acordo com os dados obtidos em relação à questão “os funcionários são bem-educados
consigo” a tabela 21 nos mostra que, relativamente aos utentes do CDCV podemos ver que
estamos perante uma unanimidade, pois, todos os utentes do centro (46,4%) responderam que
os funcionários são bem-educados. No entanto, os mesmos dados nos revelam que enquanto
uma percentagem significativa (46,4%) dos inquiridos do CDC responderam muitas vezes,
existe uma percentagem que, embora pouco significativo (7,1%), respondeu que às vezes.
Os funcionários são bemeducados consigo?
Total
Muitas vezes
Às vezes
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
46,4%
46,4%
0,0%
7,1%
46,4%
53,6%
Total
92,9%
7,1%
100,0%
Tabela 21 – Os funcionários são bem- educados consigo
53
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Mesmo sendo pouco significativo a percentagem que considera que os funcionários são bemeducados às vezes, é importante que esteja frisado uma vez que estão demonstrando que não
estão totalmente satisfeitos com a forma que estão sendo tratados pelos funcionários.
2. Sente que é tratado com respeito?
Em relação à questão “sente que é tratado com respeito”, observamos na tabela 22 que no
CDCV, a maior parte (42,9%) dos inquiridos respondeu que muitas vezes. A percentagem dos
que responderam muitas vezes continua sendo significativa (46,4%) para os idosos do CDC.
Sente que é tratado com
respeito?
Total
Muitas vezes
Às vezes
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
42,9%
46,4%
3,6%
7,1%
46,4%
53,6%
Total
89,3%
10,7%
100,0%
Tabela 22 – Sente que é tratado com respeito
A maioria dos utentes considera que são tratados com respeito. Para além dos idosos
considerarem que os funcionários são bem-educados, estes sentem que são tratados com
respeito, o que é muito importante quando se frequenta uma instituição de convivência.
3. Os funcionários são cuidadosos consigo?
Na tabela 23 podemos verificar que relativamente à essa questão, no CDCV 25,0% dos
inquiridos responderam que muitas vezes e uma percentagem também considerável (21,4%)
dos inquiridos responderam que às vezes. Em relação aos idosos do CDC a percentagem dos
que responderam muitas vezes continua sendo significativa (35,7%) enquanto que uma
percentagem menor (17,9%) respondeu que às vezes.
Os funcionários são
cuidadosos consigo?
Total
Muitas vezes
Às vezes
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
25,0%
35,7%
21,4%
17,9%
46,4%
53,6%
Total
60,7%
39,3%
100,0%
Tabela 23 – Os funcionários são cuidadosos consigo
Devemos levar sempre em consideração que os idosos necessitam de mais cuidados e atenção
do que os jovens ou os adultos. Daí pensamos ser muito importante a forma como quem lida
com os idosos, os tratam.
54
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
4. Os funcionários respeitam quando não quer participar em algo?
Na tabela 24 podemos verificar que, em relação aos dados obtidos no CDCV, uma
percentagem significativa (35,7%) dos inquiridos respondeu que muitas vezes. No tocante aos
idosos do CDC, uma percentagem muito significativa (42,9%) respondeu muitas vezes.
Os funcionários respeitam
quando não quer participar em
algo?
Total
Muitas vezes
Às vezes
Nunca
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
35,7%
42,9%
7,1%
10,7%
3,6%
0,0%
46,4%
53,6%
Total
78,6%
17,9%
3,6%
100,0%
Tabela 24 – Os funcionários respeitam quando não quer participar em algo
A maioria relatou que os funcionários os respeitam quando não quer participar em algo mas
existe também, utentes que responderam que não são respeitados quando não querem
participar em algo. Será que esse facto interfere na qualidade de vida desses utentes?
5. Os funcionários ouvem-no quando quer dizer alguma coisa?
Na tabela 25 podemos verificar que uma percentagem representativa (14,3%) dos inquiridos
do CDCV respondeu que muitas vezes e uma percentagem maior (32,1%) respondeu às vezes.
Relativamente aos inquiridos do CDC, enquanto que 21,4% responderam muitas vezes, uma
percentagem maior (32,1%) respondeu às vezes.
Os funcionários ouvem-no
quando quer dizer alguma
coisa?
Total
Muitas vezes
Às vezes
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
14,3%
21,4%
32,1%
32,1%
46,4%
53,6%
Total
35,7%
64,3%
100,0%
Tabela 25 – Os funcionários ouvem-no quando quer dizer alguma coisa
Podemos ver que a maioria considera que nem sempre são ouvidos quando têm algo para
dizer. Deve-se apostar mais no diálogo, pois são idosos, pode-se partilhar experiências de
vida, ensinamentos, desabafos. O diálogo é muito importante e pode contribuir para que o
idoso se sinta menos sozinho e contribuir para a melhoria da qualidade de vida.
3.3.5
Escala de actividades significativas
Essa escala continha questões sobre como os utentes passam o seu tempo, tendo no total seis
questões.
55
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
1. Sai do centro quando quer ou tem um horário de entrada e saída?
Na tabela 26 podemos verificar que uma percentagem maior (17,9%) dos inquiridos
respondeu que poucas vezes. Em relação ao CDC, os dados obtidos referente à mesma
questão nos mostra que uma percentagem significativa (28,6%) respondeu que maioria não.
Sai do centro quando quer
ou tem uma hora de
entrada e saída?
Tantas vezes quando quer
Demasiadas vezes
Poucas vezes
Maioria sim
Maioria Não
Total
Nome do centro
Cruz
Castelão
Vermelha
10,7%
7,1%
7,1%
0,0%
17,9%
17,9%
3,6%
0,0%
7,1%
28,6%
46,4%
53,6%
Total
17,9%
7,1%
35,7%
3,6%
35,7%
100,0%
Tabela 26 – Sai do centro quando quer ou tem uma hora de entrada e saída
Essas diferenças nas respostas devem-se ao facto de existirem utentes que dependem do
transporte do centro para se deslocar de casa para o centro e vice-versa, portanto nunca saem
do centro sem a ajuda dos outros. Existem outros utentes que podem sair, ir resolver outros
assuntos e regressam novamente ao centro. Mas têm que pedir a autorização da coordenadora
uma vez que a partir do momento que frequentam o centro passa a ser responsabilidade do
centro cuidar da sua segurança. O centro funciona com regras e horários para entrada e saída.
2. Costumam fazer visitas fora do centro?
Relativamente à esta questão podemos observar que as respostas dos utentes do CDCV são
bastante disparas destacando que 25,0% dos inquiridos responderam que demasiadas vezes.
As disparidades também se verificou no CDC sendo que a maior percentagem das respostas
(35,7%) pertencem ao item demasiadas vezes, (consultar a tabela 27).
Costumam fazer visitas
fora do centro?
Total
Tantas vezes quando quer
Demasiadas vezes
Poucas vezes
Maioria sim
Maioria Não
Nome do centro
Cruz
Castelão
Vermelha
10,7%
7,1%
25,0%
35,7%
10,7%
0,0%
0,0%
7,1%
0,0%
3,6%
46,4%
53,6%
Total
17,9%
60,7%
10,7%
7,1%
3,6%
100,0%
Tabela 27 – Costumam fazer visitas fora do centro
O centro costuma fazer visitas fora do centro, para que os idosos possam conhecer melhor a
ilha onde habitam, uma vez que nem todos são naturais da ilha de Santiago, mas para alguns
utentes essas visitas não são suficientes, há que se fazer mais. Os idosos relataram que deve-se
56
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
fazer mais visitas pois, quando são feitas são nos finais de semana e com isso podem garantir
mais um dia de alimentação, já que o centro disponibiliza refeições também para passeios. De
acordo com alguns idosos, quando não fazem visitas nos finais de semana, alguns costumam
ir pedir esmolas para poder passar o dia.
Tudo isto leva-nos a questionar, de que são feitas as leis que protegem os idosos, visto que
existe uma lei que os protege. Tudo isso faz-nos recordar o I Relatório Nacional sobre os
Direitos Humanos (2010), onde relataram que, o grau de protecção dos direitos dos idosos
está num estágio de desenvolvimento incomparavelmente mais atrasado, seja na esfera
internacional, seja na interna Cabo-verdiana.
Já existe lei que os protege, cabe, portanto, às entidades de direito, fazer cumprir ou aplicar
essas leis, garantindo e melhorando a qualidade de vida dos idosos.
3. Gosta das actividades feitas pelo centro?
No que diz respeito à pergunta “ gostas das actividades feitas pelo centro”, a tabela 28 nos
mostra que no CDCV, a maior parte (32,1%) dos inquiridos respondeu que demasiadas vezes.
Relativamente ao CDC, uma percentagem significativa (39,3%) dos inquiridos também
respondeu que demasiadas vezes à mesma questão.
Gosta das actividades
feitas pelo centro?
Total
Tantas vezes quando quer
Demasiadas vezes
Poucas vezes
Maioria sim
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
10,7%
0,0%
32,1%
39,3%
3,6%
7,1%
0,0%
7,1%
46,4%
53,6%
Total
10,7%
71,4%
10,7%
7,1%
100,0%
Tabela 28 – Gosta das actividades feitas pelo centro
Os utentes inquiridos consideram as actividades desenvolvidas pelo centro, diversas e muito
úteis para que se sintam bem e também sair da rotina das actividades que costumam fazer em
casa. Relatam ainda que através das actividades lúdicas conseguem tanto aprender novas
coisas como pôr em prática o que aprenderam a fazer há muito tempo.
Concordamos com Diaz (2009) quando defende que actividades de lazer são espaços na vida
onde as pessoas podem desfrutar prazeres, tranquilidade e até descanso. Quando se faz algo
que se gosta consegue-se até ser usado como uma terapia. Mesmo estando num centro, com
regras de funcionamento, relatam os idosos que conseguem fazer várias actividades de que
57
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
gostam pois, são livres para escolherem e desenvolverem o que sabem, juntando o útil ao
agradável, e desenvolvendo mais competências nos utentes.
4. O centro costuma fazer actividades nos finais de semana?
Relativamente à questão “ o centro costuma fazer actividades nos finais de semana” na tabela
29, podemos verificar que, uma percentagem muito significativa (32,1%) dos inquiridos
respondeu que poucas vezes. Em relação ao CDC o mesmo se repete e uma boa parte (35,7%)
dos inquiridos respondeu também que poucas vezes.
O centro costuma fazer
actividades nos finais de
semana?
Demasiadas vezes
Poucas vezes
Maioria sim
Maioria Não
Total
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
10,7%
7,1%
32,1%
35,7%
3,6%
7,1%
0,0%
3,6%
46,4%
53,6%
Total
17,9%
67,9%
10,7%
3,6%
100,0%
Tabela 29 – O centro costuma fazer actividades nos finais de semana
A maioria considera que o centro faz poucas actividades nos finais de semana. Como já
referido, gostariam que o centro fizesse mais pois, alguns idosos, nos finais de semana nem
sempre conseguem fazer as refeições, devido à falta de condições. Mais actividades nos finais
de semana seria uma forma de suprir as necessidades daquele dia uma vez que sempre que
fazem incluem a alimentação.
5. Costuma ajudar outros utentes, familiares ou outras pessoas?
Na tabela 30 podemos verificar que, relativamente aos dados do CDCV podemos verificar
que as respostas são um pouco disparas e constatamos que a maior percentagem (21,4%)
responderam que maioria não. Já em relação ao CDC, constatamos que 17,9% dos inquiridos
responderam que demasiadas vezes, uma mesma percentagem (17,9%) dos inquiridos
respondeu que poucas vezes.
Costuma ajudar outros
utentes, familiares ou
outras pessoas?
Total
Tantas vezes quando quer
Demasiadas vezes
Poucas vezes
Maioria sim
Maioria Não
Nome do centro
Cruz Vermelha Castelão
7,1%
0,0%
7,1%
17,9%
10,7%
17,9%
0,0%
10,7%
21,4%
7,1%
46,4%
53,6%
Total
7,1%
25,0%
28,6%
10,7%
28,6%
100,0%
Tabela 30 – Costuma ajudar outros utentes, familiares ou outras pessoas
58
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Ao lançarmos essa questão, muitos inquiridos entenderam que se tratava de ajuda financeira,
explicando novamente a questão muitos inquiridos relataram que não ajudam não por que não
querem mas sim por causa de problemas como motores e força física que não os deixa.
6. Os dias parecem-lhe demasiados longos?
No que diz respeito à pergunta “os dias parecem-lhe demasiados longos”, os dados apurados
nos indicam que no CDCV, podemos constatar que uma percentagem significativa (35,7%)
dos inquiridos respondeu que maioria não. Em relação ao CDC podemos verificar que uma
percentagem muito significativa (28,6%) dos inquiridos respondeu que demasiadas vezes. As
distribuições desses dados encontram-se na tabela 31, que se segue.
Os dias parecem-lhe
demasiados longos?
Tantas vezes quando quer
Demasiadas vezes
Poucas vezes
Maioria sim
Maioria Não
Total
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
3,6%
3,6%
3,6%
28,6%
3,6%
10,7%
0,0%
7,1%
35,7%
3,6%
46,4%
53,6%
Total
7,1%
32,1%
14,3%
7,1%
39,3%
100,0%
Tabela 31 – Os dias parecem-lhe demasiados longos
Podemos verificar que relativamente ao CDCV a maior parte dos inquiridos não consideram
que os dias parecem-lhes demasiados longos. Justificaram dizendo que não gostam que o
tempo passe rápido pois, muitos quando chegam em casa não têm com quem conversar.
3.3.6
Escala de relacionamento
Essa escala questiona sobre o relacionamento dos utentes no centro e continha cinco questões.
1. É fácil fazer amigos aqui?
Na tabela 32 pudemos verificar que, em relação ao CDCV, uma boa parte (28,6%) dos
inquiridos respondeu muitas vezes quando questionados se “é fácil fazer amigos aqui”.
Relativamente aos utentes do CDC, pudemos verificar que também uma boa parte (42,9%)
dos inquiridos respondeu que muitas vezes à mesma questão.
É fácil fazer amigos aqui?
Total
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Maioria Não
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
28,6%
42,9%
10,7%
7,1%
7,1%
0,0%
0,0%
3,6%
46,4%
53,6%
Total
71,4%
17,9%
7,1%
3,6%
100,0%
Tabela 32 – É fácil fazer amigos aqui
59
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Alguns utentes relataram que já se conhecem antes mesmo de frequentarem o centro e
consideram todos seus amigos. É importante salientar que manter vínculos afectivos fortes e
redes sociais (amizades) firmes, ajudam muito os idosos a se sentirem acolhidos e integrados.
Tudo isto faz-nos recordar Triadó & Villar, (2007) cit in Araújo et al, (2012) quando nos
referem que os idosos estabelecem vínculos ao longo da vida, formadas pelo grupo familiar e
por redes sociais (amizades). Essas redes de apoio ajudam os idosos durante o seu processo de
envelhecimento, assegurando maior autonomia, independência, bem-estar e saúde.
2. Algum dos outros utentes é seu amigo próximo?
Na tabela 33 podemos verificar que relativamente à essa questão, as respostas dos utentes do
CDCV se mostram bastante disparas, tendo a maior parte (17,9%) dos inquiridos, respondido
que às vezes. Relativamente aos idosos do CDC verificamos que as disparidades também se
fizeram presentes, tendo uma percentagem bastante significativa (32,1%) dos inquiridos,
respondido que muitas vezes.
Alguns dos outros utentes é
seu amigo próximo?
Total
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Nunca
Maioria sim
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
7,1%
32,1%
17,9%
14,3%
7,1%
3,6%
14,3%
0,0%
0,0%
3,6%
46,4%
53,6%
Total
39,3%
32,1%
10,7%
14,3%
3,6%
100,0%
Tabela 33 – Alguns dos outros utentes é seu amigo próximo
As respostas são diversas a essa questão, uma boa parte dos utentes responderam que às vezes
sente que os outros utentes são seus amigos mas também uma boa parte responderam que
nunca e não consideram que outros utentes são seu amigo próximo. Alguns idosos referiram
que têm boas relações com todos os utentes mas que nenhum é seu amigo próximo.
3. No último mês algum funcionário costuma parar para falar consigo como amigo?
Em relação à essa questão apuramos que em relação ao CDCV, 17,9% dos inquiridos
responderam que às vezes e uma percentagem considerável (14,3%) dos inquiridos respondeu
que raramente. Quanto aos idosos do CDC, pudemos constatar que uma percentagem
significativa (25,0%) respondeu que às vezes (ver tabela 34 que se segue).
60
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
No último mês algum
funcionário costuma parar para
falar consigo como amigo?
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Nunca
Maioria Sim
Total
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
10,7%
7,1%
17,9%
25,0%
14,3%
14,3%
3,6%
3,6%
0,0%
3,6%
46,4%
53,6%
Total
17,9%
42,9%
28,6%
7,1%
3,6%
100,0%
Tabela 34 – No último mês algum funcionário costuma parar para falar consigo como amigo
Há quem considere que os funcionários são seus amigos, e uma minoria das percentagens
consideram que os funcionários não são seus amigos próximos que cada um desempenha a
sua função.
4. Considera algum funcionário seu amigo?
Tendo em conta essa questão, verificamos que em relação aos utentes do CDCV, uma
percentagem considerável (14,3%) dos inquiridos respondeu que muitas vezes, e uma
percentagem maior (25,0%) responderam que às vezes. Relativamente à mesma questão, uma
percentagem muito significativa (32,1%) dos inquiridos do CDC responderam que muitas
vezes e 17,9% dos inquiridos responderam que às vezes (consultar tabela 35).
Considera algum funcionário
Seu amigo?
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Nunca
Maioria sim
Total
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
14,3%
32,1%
25,0%
17,9%
3,6%
0,0%
3,6%
0,0%
0,0%
3,6%
46,4%
53,6%
Total
46,4%
42,9%
3,6%
3,6%
3,6%
100,0%
Tabela 35 – Considera algum funcionário seu amigo
A maior parte dos utentes considera que os funcionários são seu amigo e uma pequena
percentagem não considera que nenhum funcionário seja seu amigo.
Alguns idosos relatam que os funcionários exercem as suas funções e muitas vezes tentam
manter relações mais próximas.
5. Acha que o centro facilita e tenta ser agradável quando precisa?
Em relação à essa questão, conforme podemos constatar na tabela 36, dos inquiridos do
CDCV uma percentagem muito significativa (39,3%) dos inquiridos respondeu que às vezes.
Relativamente à mesma questão, 21,4% dos inquiridos do CDV responderam que muitas
vezes enquanto que uma percentagem maior (28,6%) respondeu que às vezes.
61
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Acha que o centro facilita ou
tenta ser agradável quando
precisam?
Total
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
3,6%
21,4%
39,3%
28,6%
3,6%
3,6%
46,4%
53,6%
Total
25,0%
67,9%
7,1%
100,0%
Tabela 36 – Acha que o centro facilita e tenta ser agradável quando precisa
A maioria dos utentes considera que às vezes o centro facilita e tenta ser agradável. Isto pelo
facto dos centros funcionarem com regras pré-estabelecidas não podendo atender
prontamente, aos pedidos de todos os utentes de imediato.
3.3.7
Escala de autonomia
As próximas perguntas questionam sobre as escolhas e o controlo que os utentes têm no
centro. Essa escala continha quatro questões.
1. Pode chegar ao centro ao centro à hora que quiser ou tem uma hora estipulada?
Na tabela 37 podemos verificar que as respostas dos inquiridos do CDCV são muito disparas
destacando a maior percentagem (17,9%) que respondeu muitas vezes. Em relação aos dados
apurados dos inquiridos do CDC, constatamos que uma percentagem considerável (21,4%)
respondeu que raramente e uma mesma percentagem (21,4%) responderam que nunca.
Pode chegar ao centro à hora
que quiser ou tem uma hora
estipulada?
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Nunca
Total
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
17,9%
7,1%
7,1%
3,6%
10,7%
21,4%
10,7%
21,4%
46,4%
53,6%
Total
25,0%
10,7%
32,1%
32,1%
100,0%
Tabela 37 – Pode chegar ao centro à hora que quiser ou tem uma hora estipulada
Mesmo tendo um horário estipulado para chegada e saída, o centro facilita para que os idosos
possam desenvolver outras actividades em paralelo como por exemplo tirar um documento, ir
visitar uma pessoa, ir às consultas no horário do funcionamento do centro e retornar para
continuar as actividades diárias. Essas possibilidades ajudam a não tornar a estadia no centro,
uma rotina, fazendo com que o idoso não se sinta preso e limitado.
2. Pode almoçar à hora que quiser?
Em relação à essa questão, como nos mostra a tabela 38, há uma unanimidade nas respostas
relativas aos inquiridos do CDCV, sendo que todos responderam que nunca. Em relação ao
62
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
CDC, uma percentagem muito significativa (50,0%) respondeu que nunca. Pois existe um
horário estipulado para desenvolverem as actividades e para fazerem as refeições.
Pode almoçar à hora que quiser?
Às vezes
Nunca
Total
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
0,0%
3,6%
46,4%
50,0%
46,4%
53,6%
Total
3,6%
96,4%
100,0%
Tabela 38 – Pode almoçar à hora que quiser
3. Pode participar de actividades que quiser?
Relativamente à essa questão, podemos verificar que a maior parte (35,7%) dos inquiridos do
CDCV reponderam que muitas vezes. Em relação aos inquiridos do CDC, as respostas são
disparas, tendo a maior percentagem (28,6%) respondido que às vezes. (consultar tabela 39,
que se segue). É importante ressaltar que existem actividades que nem todos os utentes podem
participar devido há problemas motores por exemplo.
Pode participar de actividades
que quiser?
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Total
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
35,7%
14,3%
7,1%
28,6%
3,6%
10,7%
46,4%
53,6%
Total
50,0%
35,7%
14,3%
100,0%
Tabela 39 – Pode participar das actividades que quiser
4. Consegue mudar a programação da televisão quando não te agrada?
Na tabela 40 podemos verificar que há uma unanimidade nas respostas dos utentes do CDCV,
relativamente à essa questão, pois, todos (46,4%) responderam que nunca. Também, a maior
parte (46,4%) dos inquiridos do CDC responderam que nunca.
Consegue mudar a
programação da televisão
quando não te agrada?
Total
Muitas vezes
Nunca
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
0,0%
7,1%
46,4%
46,4%
46,4%
53,6%
Total
7,1%
92,9%
100,0%
Tabela 40 – Consegue mudar a programação da televisão quando não te agrada
O centro funciona com regras e nessas regras está o facto de a programação da televisão só
pode ser mudada pelos funcionários do centro para evitar danos.
63
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
3.3.8
Escala de satisfação com os alimentos
As perguntas dessa escala questionam sobre as suas experiências com os alimentos no centro.
Essa escala continha quatro questões.
1. Gosta da comida do centro?
Na tabela 41 podemos verificar que, em relação à essa questão, há uma unanimidade nas
respostas dos utentes do CDCV, em que todos os utentes inquiridos responderam que muitas
vezes. Em relação ao CDC em relação à mesma questão, podemos verificar que as respostas
se divergem tendo em conta que a maior percentagem (25,0%), respondeu que raramente.
Gosta da comida do centro?
Mutas vezes
Às vezes
Raramente
Nunca
Total
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
46,4%
17,9%
0,0%
7,1%
0,0%
25,0%
0,0%
3,6%
46,4%
53,6%
Total
64,3%
7,1%
25,0%
3,6%
100,0%
Tabela 41 – Gosta da comida do centro
Tudo isso faz-nos referir Reed, Tanaka e Mc Daniel (2006) cit in Paula, Colares, Toledo e
Nóbrega (2008) quando referem que para além da capacidade de percepção do alimento, os
indivíduos podem interpretar sabores com diferentes graus de subjectividade e vínculos.
As alterações no gosto fazem parte do processo fisiológico de envelhecimento, pois, com a
idade há uma redução de receptores específicos para as percepções gustativas, como nos
refere Winkler et al (1999) cit in Paula, Colares, Toledo e Nóbrega (2008).
Podemos concluir que, os idosos do CDCV estão satisfeitos com a alimentação e o que lhes
vêm sendo facultado durante o período em que se encontram no centro. Já em relação ao CDC
podemos ver que a maioria dos utentes inquiridos não se encontra satisfeito com a
alimentação e que nem sempre os agrada.
2. Gosta que chegue a hora das refeições?
Em relação à questão que se segue, a tabela 42 nos mostra que, no CDCV 21,4% dos utentes
responderam que muitas vezes e uma mesma percentagem (21,4%) responderam que
raramente. Em relação ao CDC uma percentagem muito significativa (28,6%) dos utentes
responderam que muitas vezes e uma boa parte (17,9%) dos inquiridos responderam que às
vezes.
64
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Gosta que chegue a hora das
refeições?
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Total
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
21,4%
28,6%
3,6%
17,9%
21,4%
7,1%
46,4%
53,6%
Total
50,0%
21,4%
28,6%
100,0%
Tabela 42 – Gosta que chegue a hora das refeições
Podemos concluir que uma grande parte dos utentes gosta que chegue a hora das refeições
pois é a única forma que têm de alimentar-se. Como podemos ver anteriormente, na tabela 41,
embora os utentes do CDC não estão totalmente satisfeitos com a comida facultada pelo
centro, gostam que chegue a hora das refeições para poderem se alimentar.
3. Consegue comer os seus pratos preferidos aqui?
Na tabela 43 podemos verificar que em relação à essa questão no CDCV obtivemos uma
percentagem muito significativa (39,3%) que respondeu que às vezes. Relativamente ao CDC
uma percentagem muito significativa (35,7%) respondeu que raramente.
Consegue comer os seus pratos
preferidos aqui?
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Total
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
7,1%
10,7%
39,3%
7,1%
0,0%
35,7%
46,4%
53,6%
Total
17,9%
46,4%
35,7%
100,0%
Tabela 43 – Consegue comer os seus pratos preferidos aqui
Podemos verificar que, embora no CDCV os utentes gostam da comida do centro e que às
vezes conseguem comer os seus pratos preferidos, no CDC as respostas são outras e de acordo
com os dados obtidos, os idosos não gostam muito da comida e raramente conseguem comer
os seus pratos preferidos.
4. Acha que a comida do centro é variada?
Na tabela 44 podemos verificar que em relação à questão que se segue, no CDCV uma
percentagem significativa (28,6%) dos inquiridos responderam que muitas. Relativamente à
mesma questão, no CDC podemos verificar que a maior parte dos inquiridos (25,0%)
responderam que raramente.
Acha que a comida do centro é
variada?
Total
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
28,6%
10,7%
17,9%
17,9%
0,0%
25,0%
46,4%
53,6%
Total
39,3%
35,7%
25,0%
100,0%
Tabela 44 – Acha a comida do centro variada
65
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Segundo a coordenadora de cada centro, estes disponibilizam um cardápio variável, tentando
diversificar nos alimentos facultados. Os alimentos facultados variam desde peixes a carnes,
verduras, legumes, frutas feijões, etc. Como referido antes, segundo Leme (1996) os idosos
são de uma outra época e têm as suas “manias”, seus hábitos e nem sempre é possível agradálos. Daí verificamos essas diferenças nas respostas em que uns consideram que a comida do
centro é variada e outros nem tanto.
3.3.9
Escala de bem-estar espiritual
A próxima escala questiona sobre a vida espiritual dos utentes no centro. A escala continha
cinco questões.
1. Costumam fazer celebrações religiosas no centro?
Na tabela 45 podemos verificar que, em relação à essa questão, no CDCV os utentes
consideram que raramente ou nunca fazem celebrações religiosas sendo que 46,4% dos
inquiridos deram essa resposta. Relativamente ao CDC uma percentagem muito significativa
(42,9%) responderam que muitas.
Costumam fazer celebrações
Religiosas no centro
Total
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Nunca
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
0,0%
42,9%
0,0%
10,7%
14,3%
0,0%
32,1%
0,0%
46,4%
53,6%
Total
42,9%
10,7%
14,3%
32,1%
100,0%
Tabela 45 – Costumam fazer celebrações religiosas no centro
Podemos constatar que, relativamente ao CDCV, as celebrações religiosas quase que não são
feitas no centro. De acordo com os utentes inquiridos, existem várias ceitas religiosas que
visitam o centro mas, não são feitas celebrações e que gostariam que realizassem mais. Em
relação ao CDC podemos verificar que são feitas muitas celebrações no centro e de acordo
com os utentes inquiridos, todos os finais de semana são realizadas missas no pátio do centro.
2. As celebrações religiosas são importantes para si?
Relativamente à questão que se segue, no que diz respeito ao CDCV, pudemos verificar que
uma percentagem muito significativa (42,9%) respondeu que muitas vezes. Em relação ao
CDC podemos ver que estamos perante uma unanimidade nas respostas em que todos os
utentes (53,6%) responderam que muitas vezes (ver tabela 46 que se segue).
66
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
As celebrações religiosas são
importantes para si?
Total
Muitas vezes
Às vezes
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
42,9%
53,6%
3,6%
0,0%
46,4%
53,6%
Total
96,4%
3,6%
100,0%
Tabela 46 – As celebrações religiosas são importantes para si
Pudemos constatar que apesar do CDCV não fazer muitas celebrações religiosas, como visto
na questão anterior, os utentes consideram-na muito importante. E em relação ao CDC, que
realiza celebrações religiosas todas as semanas, também consideram-na muito importante.
3. Sente que a sua vida tem sentido?
Na tabela 47 pudemos verificar que, em relação à questão que se segue, as respostas são
diversas no CDCV, tendo uma percentagem significativa (25,0%) dos inquiridos, respondido
que muitas vezes. Em relação ao CDC uma percentagem muito significativa (35,7%)
respondeu que às vezes.
Sente que a sua vida tem
sentido?
Total
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
25,0%
10,7%
10,7%
35,7%
10,7%
7,1%
46,4%
53,6%
Total
35,7%
46,4%
17,9%
100,0%
Tabela 47 – Sente que a sua vida tem sentido
Essa é uma das questões muito importante para o nosso estudo uma vez que para um utente
considerar que não sente que a sua vida tem sentido é porque não esta feliz e se não esta feliz
remete-nos a pensar se esse utente tem ou não uma boa qualidade de vida.
Mas, em relação ao CDCV, os utentes que responderam raramente conferiram que sentem
que a sua vida não tem sentido pelo facto de viverem sozinhos e que frequentam o centro para
que o tempo passe mais rápido. Em relação ao CDC podemos ver que, embora uma boa
percentagem tenha respondido que “às vezes”, não quer dizer que estejam totalmente
satisfeitos com a vida que levam.
Muitos dos utentes consideram que já só lhes faltam a morte, e que somente vivem um dia de
cada vez com o que lhes são dadas. Esse sentimento acaba muitas vezes numa solidão, num
isolamento. É o que nos diz Neto (1993) cit. in Melo & Neto (2003), que alega que a
satisfação com a vida está negativamente ligada com a solidão. E para colmatar tal situação,
os centros têm trabalho no sentido de, sentimentos como a tristeza, baixa auto-estima,
inutilidade, etc., não apareçam melhorando, assim, a qualidade de vida desses idosos.
67
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
4. Algumas entidades religiosas costumam visitar o centro?
No que diz respeito à essa questão relativamente ao CDCV, pudemos verificar que uma
percentagem muito significativa (25,0%) respondeu que raramente. Em relação ao CDC
pudemos constatar que 25,0% dos utentes responderam que às vezes e 28,6% responderam
que raramente (ver tabela 48 que se segue).
Algumas entidades religiosas
costumam visitar o centro?
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Nunca
Total
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
3,6%
0,0%
10,7%
25,0%
25,0%
28,6%
7,1%
0,0%
46,4%
53,6%
Total
3,6%
35,7%
53,6%
7,1%
100,0%
Tabela 48 – Algumas entidades religiosas costumam visitar o centro
Os utentes do CDCV relataram ainda que, quem visita mais o centro são as outras ceitas
religiosas e que a igreja católica faz poucas visitas ou mesmo quase nunca fazem a não ser
que são convidados. Mas que o que for visitar recebem com amor uma vez que é a palavra de
Deus é que vão ouvir. Já em relação ao CDC, os idosos relataram que às vezes recebem
algumas visitas de outras ceitas religiosas, em épocas festivas, sobretudo, e que são celebradas
missas todos os finais de semana no centro.
5. Sente-se em paz?
Na tabela 49 pudemos verificar que, em relação à essa questão, no CDCV, uma percentagem
muito significativa (39,3%) dos inquiridos responderam que muitas vezes. Relativamente ao
CDC pudemos verificar que 28,6% dos inquiridos responderam que muitas vezes e 25,0%
responderam que às vezes.
Sente-se em paz?
Total
Muitas vezes
Às vezes
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
39,3%
28,6%
7,1%
25,0%
46,4%
53,6%
Total
67,9%
32,1%
100,0%
Tabela 49 – Sente-se em paz
Em relação ao CDCV, podemos concluir que a maioria considera estar em paz consigo
mesmo, no centro e em casa, e uma pequena parte não considera estar em paz totalmente
devido aos problemas de saúde, aos problemas financeiros e devido à sua condição de vida. Já
relativamente ao CDC, as opiniões se dividem onde a maior parte dos inquiridos considera
estar em paz consigo mesmo, confortável com a vida que leva mas, também, uma
68
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
percentagem significativa considera que nem sempre a paz os acalma uma vez que passam
por problemas de saúde, financeiros, habitacionais.
Tudo isso faz-nos recordar Souza e Coutinho (2006), quando refere que a qualidade de vida é
um conceito multidimensional que abrange os domínios da saúde física, estado psicológico, o
nível de independência, os relacionamentos sociais e as crenças pessoais. Para que haja uma
boa qualidade de vida, a pessoa precisa se sentir em paz consigo mesmo, ter supridas as
necessidades básicas, estar de boa saúde.
3.3.10 Escala de segurança
As perguntas dessa escala questionam sobre a segurança dos idosos nos centros. Essa escala
continha cinco questões.
1. Sente-se seguro aqui no centro?
Relativamente à questão que se segue, no CDCV estamos perante uma unanimidade nas
respostas, em que todos os inquiridos (46,4%) responderam que muitas vezes à questão. Já em
relação ao CDC pudemos constatar que uma percentagem muito significativa (50,0%)
respondeu que muitas vezes (ver tabela 50 que se segue).
Sente-se seguro aqui no
centro?
Total
Muitas vezes
Às vezes
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
46,4%
50,0%
0,0%
3,6%
46,4%
53,6%
Total
96,4%
3,6%
100,0%
Tabela 50 – Sente-se seguro aqui no centro
Pudemos verificar que ambos os centros oferecem muita segurança aos seus utentes como nos
mostra a tabela acima referida. A maioria dos utentes respondeu que muitas vezes tendo uma
percentagem pouco significativa, pertencente ao CDC que respondeu que às vezes. Sentir-se
seguro é muito importante para os idosos e para a sua qualidade de vida.
2. Alguma vez levou algum objecto seu para o centro e perdeu?
Na tabela 51 pudemos verificar que, em relação ao CDCV uma percentagem muito
significativa (42,9%) respondeu que nunca. Isto nota-se também no CDC, onde 39,3% dos
inquiridos também respondeu que nunca. Consideram o ambiente agradável e seguro, pois
consideram-se todos, uma família.
69
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Alguma vez levou algum
objecto para o centro e
perdeu?
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Nunca
Total
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
0,0%
3,6%
3,6%
3,6%
0,0%
7,1%
42,9%
39,3%
46,4%
53,6%
Total
3,6%
7,1%
7,1%
82,1%
100,0%
Tabela 51 – Alguma vez levou algum objecto para o centro e perdeu
3. Sente que terá ajuda quando precisa?
Na tabela 52 podemos verificar que, relativamente à essa questão, no CDCV uma
percentagem muito significativa (32,1%) dos inquiridos respondeu que muitas vezes. Em
relação ao CDC verificamos que uma percentagem muito significativa (35,7%) respondeu que
muitas vezes.
Sente que terá ajuda quando
precisa?
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Total
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
32,1%
35,7%
10,7%
17,9%
3,6%
0,0%
46,4%
53,6%
Total
67,9%
28,6%
3,6%
100,0%
Tabela 52 – Sente que terá ajuda quando precisa
Esses dados levam-nos principalmente aos utentes com problemas motores que necessitam de
auxílios e que nem sempre chega rápido. Precisa haver mais solidariedade com os utentes que
não conseguem deslocar-se facilmente mesmo quando precisam ir à casa de banho.
4. Se se sentir mal consegue um enfermeiro ou médico rapidamente?
Relativamente à questão que se segue, no CDCV pudemos constatar que uma percentagem
muito significativa (42,9%) respondeu que muitas vezes. Em relação ao CDC verificamos que
o cenário se repete uma vez que, também, uma percentagem muito significativa (50,0%)
respondeu que muitas vezes (ver tabela 53 que se segue).
Se se sentir mal consegue um
enfermeiro ou médico
rapidamente?
Total
Muitas vezes
Às vezes
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
42,9%
50,0%
3,6%
3,6%
46,4%
53,6%
Total
92,9%
7,1%
100,0%
Tabela 53 – Se se sentir mal consegue um enfermeiro ou medico rapidamente
É de realçar também que, no CDCV faz-se despistes de diabetes e o centro dispõe de um carro
para o deslocamento dos utentes quando precisam. E em relação ao CDC costumam
70
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
proporcionar feiras de saúde onde dirigem, ao centro, vários profissionais de saúde para
despistes e rastreios de doenças.
5. Alguma vez sentiu medo pela forma como você ou algum outro utente foi
tratado?
Na tabela 54 pudemos verificar que, em relação à questão que se segue, no CDCV a maior
parte dos inquiridos (35,7%) responderam que raramente ou nunca. Já em relação ao CDC
uma percentagem muito significativa (46,4%) responderam que nunca.
Alguma vez sentiu medo pela
forma como você ou algum
outro utente foi tratado?
Total
Às vezes
Raramente
Nunca
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
10,7%
0,0%
14,3%
7,1%
21,4%
46,4%
46,4%
53,6%
Total
10,7%
21,4%
67,9%
100,0%
Tabela 54 – Alguma vez sentiu medo pela forma como você ou algum outro utente foi tratado
3.3.11 Escala de individualidade
As perguntas dessa escala, a ultima escala aplicada, questionava sobre as preferências dos
utentes no centro. A escala continha seis questões.
1. Os funcionários sabem do que gosta?
Em relação à essa questão, no CDCV uma percentagem muito significativa (35,7%) dos
inquiridos responderam que muitas vezes. Relativamente à mesma questão, no CDC uma
percentagem muito significativa (35,7%) dos inquiridos respondeu que às vezes. É importante
salientar que alguns dos utentes inquiridos consideram que os funcionários são seus amigos
(ver tabela 55 que se segue).
Os funcionários sabem do que
gosta?
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Nunca
Total
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
35,7%
10,7%
10,7%
35,7%
0,0%
3,6%
0,0%
3,6%
46,4%
53,6%
Total
46,4%
46,4%
3,6%
3,6%
100,0%
Tabela 55 – Os funcionários sabem do que gosta
2. Os funcionários conhecem-no bem?
Na tabela 56 pudemos verificar que, em relação à essa questão, uma percentagem muito
significativa (39,3%) dos inquiridos do CDCV, responderam que muitas vezes. Relativamente
71
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
ao CDC, uma percentagem significativa (35,7%) dos inquiridos responderam que muitas
vezes e 14,3% dos inquiridos responderam que às vezes.
Os funcionários conhecem-no
bem?
Total
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
39,3%
35,7%
7,1%
14,3%
0,0%
3,6%
46,4%
53,6%
Total
75,0%
21,4%
3,6%
100,0%
Tabela 56 – Os funcionários conhecem-no bem
3. Os funcionários interessam-se pelo que fez na sua vida?
A tabela 57 nos mostra que, em relação à questão “os funcionários interessam-se pelo que fez
na sua vida”, no CDCV uma percentagem muito significativa (39,3%) dos inquiridos
respondeu que às vezes. Em relação ao CDC pudemos verificar que uma percentagem muito
significativa (46,4%) dos inquiridos, também respondeu que às vezes.
Os funcionários interessam-se
pelo que fez na sua vida?
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Total
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
7,1%
3,6%
39,3%
46,4%
0,0%
3,6%
46,4%
53,6%
Total
10,7%
85,7%
3,6%
100,0%
Tabela 57 – Os funcionários interessam.se pelo que fez na sua vida
De acordo com os utentes inquiridos, às vezes quando os funcionários tiverem tempo
costumam sentar-se para conversarem um pouco, sobre o dia-a-dia, sobre as suas angústias e
anseios da vida, um aconselhando o outro mas que isso acontece muito raramente.
4. Os funcionários levam a sério as suas preferências?
Na tabela 58 podemos verificar que no que diz respeito à questão “os funcionários levam a
sério as suas preferências” no CDCV uma percentagem muito significativa (39,3%)
respondeu que às vezes. Relativamente ao CDC, podemos verificar que o mesmo se repete em
que, também, uma percentagem muito significativa (39,3%).
Os funcionários levam a sério
as suas preferências?
Total
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
7,1%
3,6%
39,3%
39,3%
0,0%
10,7%
46,4%
53,6%
Total
10,7%
78,6%
10,7%
100,0%
Tabela 58 – Os funcionários levam a sério as suas preferências
72
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
De acordo com os idosos, a maioria dos funcionários são seus amigos, mas muitas vezes
sentem uma necessidade, uma falta de alguém para conversarem.
5. Os outros utentes conhecem-no bem?
Na tabela 59 podemos constatar que, em relação à questão “os outros utentes conhecem-no
bem” no CDCV uma percentagem significativa (35,7%) dos inquiridos respondeu que muitas
vezes. Relativamente ao CDC 28,6% dos inquiridos responderam que muitas e 25,0% dos
inquiridos responderam que às vezes.
Os outros utentes conhecemno bem?
Total
Muitas vezes
Às vezes
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
35,7%
28,6%
10,7%
25,0%
46,4%
53,6%
Total
64,3%
35,7%
100,0%
Tabela 59 – Os outros utentes conhecem-no bem
Alguns idosos relatam ainda que conhecem alguns dos utentes a muitos anos antes mesmo de
frequentarem o centro.
6. Os seus interesses e desejos pessoais são respeitados no centro?
Relativamente à essa questão as respostas estão divididas, onde temos 21,4% dos inquiridos
que responderam que muitas vezes e 25,0% dos inquiridos que responderam às vezes. No que
diz respeito ao CDC podemos verificar que o mesmo se repete uma vez que 21,4% dos
inquiridos responderam que muitas vezes e uma percentagem maior (32,1%) dos inquiridos
respondeu que às vezes (ver tabela 60 que se segue).
Os seus interesses e desejos
pessoais são respeitados no
centro?
Total
Muitas vezes
Às vezes
Nome do centro
Cruz Vermelha
Castelão
21,4%
21,4%
25,0%
32,1%
46,4%
53,6%
Total
42,9%
57,1%
100,0%
Tabela 60 – Os seus interesses e desejos pessoais são respeitadas no centro
Consideram o ambiente do centro harmonioso em que todos se respeitam. É importante que se
tenha esse ambiente num centro de convívio.
3.4 Inferência Estatística
No início da investigação, houve a necessidade de formularmos hipóteses. Nesta parte
daremos atenção à verificação dessas hipóteses.
73
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Passemos então a analisar se, de acordo com os dados obtidos, os centros de dia contribuem
para a melhoria da qualidade de vida dos seus utentes.
H1: A maioria dos idosos que frequentam os centros de dia está satisfeita com a
alimentação.
Em relação à nossa primeira hipótese pudemos verificar nos dados da tabela 61, onde
constatamos que uma percentagem muito significativa (64,3%) dos inquiridos está satisfeita
com a alimentação facultada pelo centro.
Frequência
Percentagem
Muitas vezes
18
64,3
Às vezes
Raramente
Nunca
Total
2
7
1
28
7,1
25,0
3,6
100,0
Tabela 61 – Gosta da comida do centro
É de realçar também que, embora a maioria dos utentes inquiridos estejam satisfeitos com a
alimentação, nem sempre conseguem comer os seus pratos preferidos, pois, como podemos
ver na Tabela 62 que se segue, uma percentagem significativa (46,4%) considera que às vezes
isso acontece. Todavia podemos verificar que as opiniões se divergem em relação à variação
dos alimentos facultados pelo centro, uma vez que 39,3% dos inquiridos responderam que
muitas vezes (ver tabela 63 que se segue).
Frequência
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Total
5
13
10
28
Percentagem
17,9
46,4
35,7
100,0
Tabela 62 – Consegue comer os seus pratos
preferidos aqui
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Total
Frequência
11
10
7
28
Percentagem
39,3
35,7
25,0
100,0
Tabela 63 – Acha que a comida do centro é
variada
Falando dos dois centros em que foram feitos o estudo, juntos, podemos dizer que a hipótese
confirma-se e os utentes encontram-se satisfeitos com a alimentação. Mas ao analisá-los
separadamente podemos verificar que a hipótese confirma-se em parte uma vez que no CDCV
constata-se que, todos os inquiridos responderam que muitas vezes e no que diz respeito ao
74
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
CDC uma percentagem significativa (25,0%) respondeu que raramente como já referido
anteriormente (ver tabela 41). O que leva-nos a confirmar que nem todos os utentes, do CDC,
encontram-se satisfeitos com a alimentação facultada pelo centro. Mas tendo em consideração
que a nossa hipótese trata-se da maioria, esta por sua vez, confirma-se.
A alimentação é muito importante para a sobrevivência e o bem-estar das pessoas, e nesta
faixa etária os cuidados são maiores.
Há que se levar em conta que nos idosos ocorrem perdas e uma delas é a perda da
sensibilidade das papilas gustativas como nos refere Ladislas (1994), acrescentando ainda que
essa perda modifica a percepção do gosto dos alimentos, e com a idade, o açucarado
predomina muitas vezes.
Segundo Winkler et al (1999) cit in Paula, Colares, Toledo e Nóbrega (2008), a perda
gustativa é mais acentuada no paladar para os sabores salgado e amargo, o que gera uma
tendência do indivíduo idoso a acrescentar condimentos ao alimento.
Portanto, ocorrem perdas não apenas nas habilidades de perceber, mas também de discriminar
o sabor que decresce com o avançar da idade e parece ter origem multicausal (Stevens et al,
2002 cit in Paula, Colares, Toledo e Nóbrega, 2008). Também ocorrem perdas da dentição,
acarretando uma hipertrofia da língua, que perde o seu tónus muscular, apesar de não diminuir
seu tamanho.
Candela e Fernandez (2004), acrescentam ainda dizendo que, nesta faixa etária, a garantia da
segurança alimentar é particularmente importante devido à diminuição da competência e
aumento da susceptibilidade às infecções; à diminuição da secreção gástrica, que pode
contribuir para maior propensão para infecções microbianas; ao aumento da severidade das
infecções e recuperações mais lentas; à menor tolerância para situações agudas que podem
comprometer o estado nutricional e o risco aumentado de infecção de um grande número de
indivíduos de uma só vez.
Dito isto, a alimentação, a forma como é confeccionada, os ingredientes utilizados para a sua
confecção, são muito importantes nos idosos, e torna-se em algo delicado e que tem que ser
feito cuidadosamente.
Apesar da dimensão da amostra ser reduzida, podemos concluir que, analisar a satisfação dos
utentes com os alimentos é muito importante e repensá-lo de acordo com as opiniões e críticas
dos utentes inquiridos, é fundamental para a melhoria da sua qualidade de vida.
75
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
H2: A maioria dos idosos sente que são tratados com respeito.
Relativamente à análise da nossa segunda hipótese, nos dados da Tabela 64, podemos
verificar que uma percentagem muito significativa (89,3%) dos inquiridos, respondeu que
muitas vezes e somente 10,7% dos utentes responderam que às vezes. Esses dados leva-nos a
aceitar a nossa hipótese acima referida uma vez que a maioria dos inquiridos considera que
são tratados com respeito e sentem-se gratos por isso.
Frequência
25
3
28
Muitas vezes
Às vezes
Total
Percentagem
89,3
10,7
100,0
Tabela 64 – Sente que é tratado com respeito
É importante realçar também que, ao analisarmos as questões “os funcionários são cuidadosos
consigo” e “os funcionários ouvem-no quando quer dizer alguma coisa” podemos constatar
que embora os inquiridos considerarem que são respeitados, uma percentagem significativa
(39,3%) dos inquiridos considera que às vezes os funcionários são cuidadosos e uma
percentagem muito significativa (64,3%) respondeu que às vezes os funcionários os ouvem
quando têm algo para dizer (ver Tabelas 65 e 66 que se seguem).
Isto leva-nos a crer que os utentes não estão totalmente satisfeitos com a atenção dada pelos
funcionários, e gostariam que pelo menos, conversassem mais.
Frequência
Percentagem
Muitas vezes
17
60,7
Às vezes
Total
11
28
39,3
100,0
Tabela 65 – Os funcionários são cuidadosos
consigo
Muitas vezes
Às vezes
Total
Frequência
10
Percentagem
35,7
18
28
64,3
100,0
Tabela 66 – Os funcionários ouvem-no quando
quer dizer alguma coisa
De acordo com os idosos inquiridos, os funcionários os respeitam mas devido à falta de
tempo, das ocupações e afazeres do centro, nem sempre têm tempo para conversarem e serem
atenciosos com os utentes.
Essa falta de diálogo acontece, não somente nas instituições em que frequentam mas também
no seio familiar. Tal como Jorge (1998), cit in Moreira (2002) ficamos com a ideia de que isso
é consequência dos avanços tecnológicos, onde referem que o individualismo gerado através
das invenções das novas tecnologias contribui para que o indivíduo se isole do relacionamento
76
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
familiar, do relacionamento com os amigos, dos acontecimentos sociais, fazendo com que
sentimentos conhecidos como características da solidão aparecem.
Mesmo os utentes considerando que os funcionários são cuidados consigo e os respeitam,
sentem falta de ter uma pessoa para conversarem pois, muitos idosos vivem sozinhos e
quando regressam a casa não têm com quem conversar.
Frequentando o centro, o idoso tenta partilhar experiências, conversar com os outros utentes,
mas segundo os idosos isso não tem sido suficiente e há sempre a necessidade de desabafarem
com alguém e partilhar as suas angústias e sentimentos.
Costa (2002) refere que do ponto de vista psicológico muitos dos idosos que requerem a
institucionalização fazem-no devido à necessidade de procura de vínculos alternativos numa
outra relação de apoio e de protecção, com a finalidade de viverem o resto dos seus dias em
segurança. Para que tal aconteça a qualidade oferecida pela instituição torna-se muito
importante, passando a instituição a ser rede de suporte formal e a substituir a rede de
cuidados informais e familiares.
H3: A maioria dos idosos que frequentam os centros de dia têm uma percepção positiva
sobre o atendimento facultado pelo centro.
Mediante a análise dos dados, podemos verificar que em relação à questão “sente que terá
ajuda quando precisa” uma percentagem significativa dos inquiridos (67,9%) respondeu que
muitas vezes, uma percentagem considerável (28,6%) respondeu que às vezes (ver tabela 67
que se segue). O que leva-nos a crer que o centro dispõe de atendimentos de primeiros
socorros eficazes ao qual os idosos terão acesso sempre que precisem.
Para irmos além e mais detalhadamente na análise da nossa hipótese, veremos uma outra
questão “se se sentir mal consegue um enfermeiro ou médico rapidamente” onde a Tabela 68
nos indica que uma percentagem muito significativa (92,9%) dos inquiridos respondeu que
muitas vezes e que são socorridos sempre que precisam.
É de salientar a importância dos centros disponibilizarem de meios de primeiros socorros que
poderão ser utilizados em caso de emergência.
77
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Total
Frequência
19
8
1
28
Percentagem
67,9
28,6
3,6
100,0
Tabela 67 – Sente que terá ajuda quando
precisa
Muitas vezes
Às vezes
Total
Frequência
26
2
28
Percentagem
92,9
7,1
100,0
Tabela 68 – Se se sentir mal consegue um
enfermeiro ou medico rapidamente
Os dados acima referidos nos indicam que a maioria dos inquiridos sentem, que o centro lhes
proporciona bom atendimento, principalmente no que se refere a saúde, pois segundo os
dados das tabelas (67 e 68), eles têm acesso a médicos e enfermeiros sempre que for
necessário, o que leva-nos a aceitar a nossa hipótese.
Na terceira idade ocorrem várias perdas, como já referido anteriormente. Perdas gustativas,
capacidades neurológicas, capacidades motoras, capacidades sensoriais etc. além de perdas,
de visão, audição, diminuição da forca muscular, dificuldade de se equilibrar que podem levar
à queda nos idosos. É importante que se tenha condições de primeiros socorros nos centros
para dar respostas o mais rapidamente possível há essas eventualidades uma vez que pode não
ser possível estar atento a cada idoso que frequenta o centro pois uma simples queda pode
levar há sérios problemas de saúde no idoso.
O bem-estar dos idosos nos centros dependem muitas vezes de como os funcionários exerce
as suas funções. Seguindo a linha de pensamento de Born (2002) a qualidade das instituições
depende das pessoas que trabalham dentro da instituição. Esses trabalhadores têm tarefas
importantes a cumprir, nomeadamente, a criação de um ambiente institucional favorável ao
idoso, onde a vida deve ser valorizada e a dignidade do idoso deverá ser reconhecida até no
leito de morte.
A instituição deve criar condições favoráveis para a estadia do idoso e contribuindo assim
para uma velhice sadia e sem grandes sobressaltos.
H4: A maioria dos idosos que frequentam os centros de dia sente-se mais felizes.
Mediante a análise dos dados obtidos pudemos verificar que estamos perante uma
unanimidade em relação às respostas dessa questão. Todos os inquiridos responderam que
sentem-se mais felizes no centro (ver tabela 69) o que leva-nos a aceitar a nossa hipótese.
Vários foram os motivos pelos quais, relataram os idosos, que os levam a sentir mais felizes
ao frequentarem o centro, tais como: Consegue divertir-se com os outros utentes e
78
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
funcionários; Conversam sobre as experiências vividas; Estão acompanhados e em casa
alguns vivem sozinhos; Está em paz consigo mesmo; Está feliz pela ajuda que lhe é facultado
no centro; Sente-se mais saudável ao frequentar o centro; Sente-se liberto de maus
pensamentos que ocorrem quando se encontra sozinho em casa; Porque consegue ter as
refeições do dia, o que não consegue se estiver em casa; Porque se diverte durante todo o dia;
Como já vimos vários são os motivos que levam com que os idosos frequentam os centros de
dia. Motivos esses que, de certeza, contribuem para que se sentem menos solidão. O que
podemos verificar também na tabela 70 que se segue, em que todos os utentes inquiridos
responderam que sentem menos solidão ao frequentarem o centro.
Frequência Percentagem
Sim
28
100,0
Tabela 69 – Sente-se Feliz no centro
Frequência Percentagem
Sim
28
100,0
Tabela 70 – Sente menos solidão
Como nos refere Montero, Lopez e Sosa (2001) cit in Moreira e Callou (2006), anteriormente
citado, solidão é um fenómeno multidimensional, psicológico e potencialmente estressante;
resultado de carências afectivas, sociais e/ ou físicas, reais ou percebidas, que tem um impacto
diferencial sobre o funcionamento da saúde física e psíquica do sujeito.
Em relação aos utentes inquiridos, muitos relataram que sentem-se felizes no centro e
divertem-se muito mas que quando chegam em casa sentem-se “sozinhos” e “vontade que
amanheça logo”, para poderem voltar ao centro. Os idosos que relataram esses aspectos vivem
sozinhos e têm pouco contacto com os familiares e filhos, e alguns nem tiveram filhos.
Uma das questões que nos chamou atenção durante a análise dessa hipótese é: “Como acha
que seria a sua vida sem o centro” como pudemos verificar na tabela 4 e 5 anteriormente
analisadas, houve também, quase uma unanimidade nas respostas, onde a maioria dos
inquiridos responderam que a sua vida seria “Triste”. Obtivemos respostas também que se não
frequentasse o centro estaria mais doente; Sedentária; Que “desenrascava-se”; Solitária; Não
tinha uma refeição; Muito mal pois tinha que ir pedir esmolas para ter o que comer; Sozinho;
Mas também houve idosos que disseram que se não frequentassem o centro estariam bem e
teriam uma vida digna, mas que ficariam em casa a dormir e ver televisão.
79
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Uma outra questão que nos chamou atenção na análise dessa hipótese é “sente que a sua vida
tem sentido ” onde a tabela 47 nos mostra que, uma percentagem considerável (25,0) dos
inquiridos do CDCV responderam que muitas vezes e uma percentagem significativa (35,7%)
dos inquiridos do CDC respondeu que às vezes. Como já referido anteriormente, a satisfação
com a vida está directamente ligada com a qualidade de vida.
É muito importante que os idosos que frequentam esses centros, sintam-se mais felizes, daí
podemos concluir que os centros têm trabalhado para preencher as lacunas que podem estar
em falta, onde muitas vezes desempenham papéis até mesmo mais do que os familiares que
estão, muitas vezes, ausentes no dia-a-dia desses idosos.
3.5 Reflexões finais do capítulo
Conforme deixamos explícito na introdução, este trabalho teve como objectivo principal
conhecer o papel dos centros de dia na qualidade de vida dos idosos na cidade da Praia. Deste
modo, esse objectivo serviu como fio condutor para que fossem elaboradas as hipóteses que
foram, agora, analisadas mediante os resultados dos dados averiguados.
Hipótese 1: A maioria dos idosos que frequentam os centros de dia está satisfeita com a
alimentação. Mediante a análise dos dados obtidos, podemos constatar que a maioria dos
inquiridos está satisfeita com a alimentação facultada pelos centros. Deste modo, aceitamos a
nossa H1. Analisando os mesmos dados dois aspectos importantes foram levados em conta
em relação à satisfação com a alimentação. Trata-se da variedade dos alimentos e os pratos
preferidos dos utentes inquiridos, em que verificamos que, nem sempre conseguem comer os
seus pratos preferidos mas, no entanto, a maioria considera que a comida é variada.
Hipótese 2: A maioria dos idosos sente que são tratados com respeito.
Mediante a análise dos dados, a nossa hipótese 2 também foi aceite, pois constatamos que, a
maioria dos inquiridos considera que é tratado com respeito. Também nessa análise, foram
levados em conta dois aspectos importantes: se os funcionários são cuidadosos e se os
funcionários os ouvem quando têm algo para dizer.
Verificamos que embora os funcionários os respeitam, não têm tempo para conversarem e
serem atenciosos com os idosos devido aos afazeres do centro.
80
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Hipótese 3: A maioria dos idosos que frequentam os centros de dia têm uma percepção
positiva sobre o atendimento facultado pelos centros.
Mediante a análise dos dados constata-se que a nossa hipótese 3 também foi aceite. Os idosos
inquiridos consideram que o centro dispõe de todos os mecanismos que possam precisar,
alimentação, diversão, primeiros socorros, assistência médica e têm uma percepção positiva
sobre o atendimento do centro.
Foram também levados em consideração nessa análise, dois aspectos importantes, se sentem
que terão ajuda quando precisam e o facto de se sentirem mal se conseguem um enfermeiro
ou médico rapidamente, em que a maioria considera ser verdadeiras essas afirmações.
Hipótese 4: A maioria dos idosos que frequentam os centros de dia sente-se mais felizes.
Mediante a análise dos dados a nossa hipótese 4 também foi aceite. Os idosos inquiridos
relataram na sua maioria, que sentem-se mais felizes ao frequentarem o centro. Relataram
ainda, que sentem-se mais felizes por vários motivos (por se sentirem acompanhados, por
terem uma refeição, por desenvolverem varias actividades, por conversarem, etc.,). Motivos
esses, considerados cruciais para que estes idosos não se sintam só, consequentemente
desencadearem uma depressão. Como vimos nos dados apresentados em que a maioria dos
idosos considera que sentem menos solidão ao frequentarem o centro.
3.6 Discussão dos Resultados
Estabelecendo uma ligação entre o que retractamos na fundamentação teórica, os resultados
obtidos nesta investigação acabam por complementar o objectivo que pretendíamos alcançar.
De facto, esse estudo e a recolha dos dados foram feitos de acordo com os nossos objectivos,
fazendo com que delimitássemos a ver a qualidade de vida desses idosos, de uma forma
global.
Os resultados obtidos nos deram a oportunidade de conhecer a importância dos CD na vida
dos utentes e o papel que têm desempenhado para a melhoria da qualidade de vida desses
idosos. Isto vê-se ao questionarmos os idosos de como seria a sua vida sem o centro em que a
maioria dos idosos considera:
Que “sem o centro a minha vida seria triste”; “sem o centro a minha vida seria triste e não
teria sequer uma refeição”; “sem o centro a minha vida seria triste e teria que ir pedir
81
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
esmolas”; (ver tabelas 6 e 7). Obtivemos várias vezes essas respostas e a questão de que a sua
vida seria triste sem o centro foi relatado por quase todos os utentes inquiridos.
Os motivos relatados pelos idosos como sendo estes que os levam a frequentar os centros (ver
tabela 4), veio de encontro com a ideia que tínhamos inicialmente e permitiu-nos perceber
melhor o trabalho feito por esses centros.
Através dos dados obtidos podemos perceber:
Que o papel que os centros vêm desempenhando na vida desses idosos é muito importante
para a melhoria da QV das mesmas. Em comparação a estudos efectuados e alguns citados ao
longo do trabalho, o papel desempenhado pelos centros será de acordo com as necessidades e
interesses dos seus utentes e do meio onde se está inserido (Conrad, 1993 cit in Silva, 2011).
Não sendo, portanto, apropriado ver os CD como um conjunto genérico de serviços e
actividades, instalações e população utilizadora, uma vez que existem claramente classes
deriváveis empíricas e logicamente destintas de CD, como nos refere o mesmo autor.
Percebe-se que muitos idosos que frequentam os CD, o façam para suprir as suas necessidades
básicas, principalmente a alimentação, tentando levar uma vida minimamente digna.
Pensamos que é da responsabilidade das autoridades dispor de meios para auxiliar esses
idosos no que tange a essa parte. E supomos a criação de outros centros, com objectivos mais
alargados e que abrangesse outras localidades carenciadas da cidade da Praia.
O idoso, sentindo que a sua vida tem sentido, estando bem consigo mesmo, será muito mais
fácil participar tanto nas actividades desenvolvidas pelo centro como na comunidade em
geral, fazendo com que melhore cada vez mais a sua QV. Tendo esse sentimento presente no
seu dia-a-dia, o idoso terá menos possibilidade de sentir-se solitário. Seguindo a linha de
pensamento de Neto (1993) cit in Melo e Neto (2003) quando alegam que a satisfação com a
vida está negativamente ligada com a solidão. Não estando satisfeito com o estilo de vida que
se leva é um grande factor para o surgimento da solidão e consequentemente desencadear
perturbações como a depressão.
Tudo isso faz-nos recordar Pacheco (2002) quando diz que a própria história de vida dos
sujeitos, marcados por perdas progressivas dos companheiros, o abandono, o isolamento
social, a reforma, etc.; são alguns dos factores que comprometem a QV e predispõem aos
idosos o desenvolvimento da depressão. A solidão e a depressão têm grande influência na QV
82
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
e nos idosos, como tivemos a oportunidade de referir ao longo do trabalho, o abandono e o
isolamento social são factores prejudiciais e causam mais tristeza nos idosos. Estes factores
associados com a perda do companheiro, supõe-se serem factores que influenciam
negativamente a QV.
Em Cabo Verde, muitos idosos acabam por viver sozinhos com a saída dos filhos de casa e
posteriormente a perda do companheiro. Supomos ser isso, portanto, um dos motivos que
contribuem para a procura de centros de convivência, tentando por si só, melhorar a sua QV.
Levamos estes aspectos em consideração tendo em conta que uma percentagem considerável
dos inquiridos relatou que vivem sozinhos. Como podemos ver nas tabelas 2 e 3
anteriormente apresentadas, em que 38,5% dos utentes que frequentam o CDCV vivem
sozinhos e um total de 26,7% dos utentes que frequentam o CDC vivem sozinhos.
Tal como Jorge (1998) cit in Moreira (2002), ficamos com a ideia de que o mundo da
tecnologia e da crescente expansão dos meios de comunicação, tem cada vez mais, produzido
homens solitários.
Numa fase em que se vive num mundo de tecnologias de ponta vê-se que o diálogo e o
convívio estão sendo cada vez mais menos valorizados. E levando em consideração que nem
todos os idosos acompanham o avanço das tecnologias, estes acabam por levar uma vida
solitária mesmo não vivendo sozinhos.
Em Cabo Verde não se vive o contrário e o avanço das tecnologias também afecta os idosos
que muitas vezes procuram centros de convivência para suprirem essa necessidade de
dialogar, trocar experiências e melhorar a QV.
Dito isto, pensamos ser necessário uma intervenção no seio familiar onde existem idosos e
não só, uma vez que, como vimos na apresentação dos resultados, a maioria dos idosos
relataram que se não frequentassem os centros teriam uma vida triste.
Tendo em conta que, embora uma percentagem considerável dos inquiridos vive sozinho (ver
tabelas 2 e 3), a maioria vive com parentes (tias, sobrinhos, companheiros, filhos). Vê-se,
portanto, a necessidade de trabalhar com as famílias no sentido de incluírem mais os idosos
nos assuntos do dia-a-dia da família e desmistificar a ideia de que idoso é sinónimo de
invalidez como nos refere Helman (2005) cit in Schneider e Irigaray (2008), dizendo ainda
que na sociedade moderna as pessoas idosas tendem a ter um status muito mais baixo, pois,
83
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
actualmente, é o jovem que frequentemente tem maiores habilidades e um conhecimento mais
amplo em determinadas áreas da vida.
Muito ainda terá que ser feito para libertar-nos da ideia de que o idoso é sinónimo de não ser
mais capaz de desempenhar certas funções como laborais, tomar decisões, e resolver
determinados problemas. Essas ideias fazem com que o próprio idoso se sinta inválido ou
incapaz de decidir sobre algo, acabando esse por se considerar “inútil”. Isto tudo acaba por
influenciar negativamente a QV desses idosos.
Outro aspecto que supomos que influencia negativamente a QV dos idosos é o suporte e a
convivência familiar. Seguindo a linha de pensamento de Triadó & Villar (2007) cit in Araújo
et al, (2012) as amizades para os idosos são fontes significativas de satisfação e promovem
sentimentos de bem-estar ao idoso.
Em Cabo Verde pode-se verificar muitas famílias que vivem e convivem diariamente com
idosos no seio familiar. Mas é de considerar que há uma necessidade de intervir junto das
famílias no sentido de sensibiliza-los, pois muitos dos idosos que frequentam os centros, o
fazem para se sentirem acompanhados como já referido anteriormente na apresentação dos
resultados. Muitos, mesmo vivendo com as suas famílias, relatam não sentirem
acompanhados daí a procura dos centros de convivência.
Em suma, é de salientar que o papel que os centros em estudo vêm desempenhando desde a
sua inauguração, muito tem contribuído para a melhoria da QV dos idosos que os frequenta.
Mas, é importante salientar também, que embora o trabalho desenvolvido pelos centros serem
eficazes, há que se levar em conta as condições em que se vivem os idosos quando voltem
para as suas residências. Muitos idosos em Cabo Verde vivem em condições precárias
passando necessidades e sem opções. Segundo o IDRF (Inquérito às Despesas e Receitas
Familiares), das pessoas com 65 anos e mais, 4.695 são pobres e 4.954 são muito pobres. A
mesma fonte refere a existência de mais de 3.000 idosos vivendo sozinhos (Estratégias para o
Desenvolvimento da Protecção Social em Cabo Verde, sd).
Como foi referido na apresentação dos resultados, alguns idosos relataram que se não
frequentassem o centro teriam que ir pedir esmolas para poderem sobreviver. Dito isto,
supomos que para além dos centros existentes e dos trabalhos desenvolvidos, ainda há muito
que se fazer para complementar o que tem vindo a ser feito.
84
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Conclusão
Durante esta investigação foram vários os aspectos que foram realçados com o objectivo de
sabermos qual o papel dos centros de dia na qualidade de vida dos idosos. Concluímos a partir
de relatos dos utentes que participaram do inquérito que os centros muito têm feito para que
vivam cada vez mais com qualidade. Mas relataram também que muito ainda há que ser feito
para os idosos pois nem todos conseguem levar uma vida com qualidade, quando se
encontram fora dos centros. Através dos resultados obtidos pudemos verificar que os idosos
sentem grande necessidade de ter uma pessoa com quem conversar e partilhar as suas
emoções, ou seja, há uma falta no que diz respeito às relações interpessoais, sendo este uma
grande mais-valia para a qualidade de vida.
O método utilizado para a recolha de dados, o questionário, da forma que foi feita, oralmente,
contribuiu para maior e melhor obtenção de dados o que ajudou com que explorássemos
várias áreas, mas também poderíamos aprofundar mais se tivéssemos a oportunidade de
utilizar outros meios de obtenção dos dados como por exemplo a observação directa, estar
com os idosos, participando das suas rotinas diárias.
Este trabalho permitiu- nos, verificar vários aspectos que contribuem para uma melhoria da
qualidade de vida dos idosos.
Verificamos que factores como a alimentação, presenças de redes de apoio, saúde, etc.,
contribuem para uma boa qualidade de vida, sendo que são encontrados nos centros que
frequentam. Os dados alcançados vão de encontro com a linha de pensamento de Arrazola
(2003) quando nos refere que centros de dia está inserido um conjunto de serviços como a
alimentação, a higiene pessoal, o convívio com outros idosos, a ocupação e também
acompanhamentos médicos e de carris social, tentando suprir as necessidades dos utentes,
promovendo assim, a saúde, os aspectos sociais e culturais, prevenir o isolamento fazendo
aumentar auto-ajuda, autodeterminação e interajuda.
Para além desses factores que podem influenciam a qualidade de vida dos idosos,
encontramos também factores como a percepção que o idoso tem de si mesmo e do papel que
o centro tem na sua qualidade de vida o que leva-nos a confirmar a nossa hipótese 3 tendo em
consideração que a maioria dos idosos que frequentam os centros de dia têm uma percepção
positiva sobre o atendimento nos centros.
85
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Com tudo isto pudemos ver também a importância centros de dia e dos trabalhos
desenvolvidos, isto porque muitos dos idosos inquiridos frequentam os centros a mais de 20
anos e relatam que se não fosse o centro hoje não teriam o que comer e teriam que ir pedir
esmolas.
As nossas hipóteses 1 e 2 permitiram-nos ampliar a nossa visão para os aspectos básicos da
qualidade de vida onde a hipótese 1, também confirmada, remete-nos à satisfação com os
alimentos visto que a maioria dos idosos que frequentam os centros de dia está satisfeito com
a alimentação. Apesar de a nossa hipótese ser confirmada não podemos generalizar esses
dados uma vez que, através de um contacto informal, pudemos constatar que muitos desses
idosos não têm sequer uma refeição ao dia se não frequentassem o centro. A segunda
hipótese, também foi confirmada, onde a maioria dos idosos sente que são tratados com
respeito.
Em relação à nossa quarta e última hipótese, que também foi confirmada, em que a maioria
dos idosos que frequentam os centros sente-se mais felizes o que faz-nos acreditar que os
centros inquiridos têm trabalhado para a melhoria da qualidade de vida dos seus utentes. Para
isso, os centros realizam várias actividades que privilegiam a relação interpessoal, que de
acordo com Conrad et al., (1993) cit in Silva (2011) o objectivo básico de um Centro de Dia,
é o de manter, desenvolver ou melhorar as funções físicas e/ou mentais dos idosos, tendo
como principais áreas de intervenção, a manutenção da saúde, as actividades da vida diária e a
interacção social).
Respondendo à nossa pergunta de partida cabe-nos agora aludir, de acordo com os dados
obtidos, que os centros de dia têm contribuído para a melhoria da qualidade de vida dos
idosos através de um programa de acolhimento que abrange tanto suprir as necessidades
básicas como a saúde, atendimentos médicos e psicológicos aos utentes como também a parte
emocional de cada utente. Obtivemos várias vezes, respostas de que, se não frequentassem o
centro estariam doentes, isolados, com maus pensamentos e que o trabalho feito pelo centro
ajuda-lhes a melhorar a saúde tanto física como emocional. Tudo isso pode desencandear
danos como o aparecimento da depressão no idoso.
Nesse sentido, é importante destacar que muitos estudos têm apontado que as causas de
depressão nos idosos têm influências de vários componentes, onde actuam factores genéticos,
eventos vitais, doenças incapacitantes, etc. (Kaplan, Sadock & Grebb, 1997).
86
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Cabe ressaltar que, a depressão nos idosos, frequentemente surgem num contexto de perda da
qualidade de vida, associada ao isolamento social, a perda do companheiro e ao surgimento de
doenças clínicas graves, como já referido.
Ora, para além desses resultados, este trabalho permitiu-nos conhecer a importância de viver
uma vida serena e com qualidade na terceira idade. Embora os centros têm trabalhado para
atingir esse objectivo, a falta que o convívio da família faz é presente na vida desses idosos.
Isto levando em consideração que muitos utentes inquiridos vivem sozinhos e sem nenhum
contacto com a família e alguns desses utentes sequer tiveram filhos.
É de se notar, através dos resultados obtidos, que a criação dos centros de dia foi uma
iniciativa muito boa uma vez que cada vez mais, temos mais idosos no meio urbano, passando
a viver com os filhos ou sozinhos. Tendo em conta a rotina dos filhos, os afazeres, estes
acabam por ficar sozinhos em casa. Pensamos que a criação desses centros de convivência,
ajudam muito, fazendo com que esses idosos, através da convivência com pessoas da mesma
faixa etária, possam trocar experiências, desenvolver várias actividades ao longo do dia e sair
da vida rotineira do meio urbano.
Como vimos ao longo do trabalho, são vários os domínios utilizados na avaliação da
qualidade de vida, em que para se dizer que se leva uma vida com qualidade, essas dimensões
têm que estar supridas. Temos domínios como psicológicos, físicos, relações sociais, aspectos
religiosos, espirituais e crenças, etc., em que os centros têm tentando abranger, no seu
programa de trabalho.
Levando em consideração os aspectos que já foram referidos, seria muito proveitoso se os
idosos fossem atendidos por uma equipe multidisciplinar, tentando por esta via, desenvolver
todas as faculdades da vida (físico, cognitivo, social, etc.), facto este constatado nos centros,
pois no momento da recolha dos dados, somente o CDCV tinha uma psicóloga,
desenvolvendo actividades em grupo e no CDC não havia nenhum. Pensamos ser uma maisvalia pois, nota-se que mesmo os idosos frequentando os centros há a necessidade “vontade”
de conversar com alguém, dialogar, e referiram que os funcionários nem sempre têm tempo
para sentar e conversarem.
Quisemos com este trabalho científico, dar a nossa minúscula contribuição, deixando em
aberto a possibilidade de futuras explorações sobre a temática tendo em consideração a
pertinência do tema e levando em consideração que, de acordo com dados da OMS (2001)
87
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
têm-se verificado na últimas décadas um aumento populacional, com um incremento
significativo na população idosa tanto no panorama mundial como nos países em
desenvolvimento. Cabo Verde não é excepção a este panorama, pois se verifica um aumento
exponencial de idosos, não só, nos meios rurais mas também nos meios urbanos. Como nos
refere o Censo (Instituto Nacional de Estatísticas, 2010) Cabo Verde tem vindo a assistir um
aumento significativo da esperança de vida ao longo das últimas décadas.
Esperamos que este estudo sirva também para sensibilizar a população em geral
principalmente os profissionais envolvidos não só a conhecerem, a partir dos relatos dos
inquiridos como se sentem frequentando os centros, o quão importante é levar uma vida com
qualidade seja em qual faixa etária se encontre, mas também fazer com que reflictam sobre o
que mais pode ser feito para que os idosos tenham uma vida com qualidade tanto no centro
como fora deste.
Limitações do Estudo
A primeira limitação prende-se ao facto de não conseguirmos fazer um estudo com todos os
centros nacionais pois encontravam-se inactivos no momento da recolha dos dados, como por
exemplo o centro de dia da Várzea, do Tira-chapéu e do Pensamento.
Prende-se também em relação ao número de participantes do nosso inquérito que aquando da
nossa recolha de dados, alguns idosos encontravam-se acamados, hospitalizados, o que
delimitou a abrangência da nossa amostra, inicialmente estipulada.
E por fim, a falta de dados estatísticos nacionais e de artigos científicos que retractassem a
realidade dos idosos em cabo verde no que tange à esperança média de vida dos CaboVerdianos, ao número de idosos residentes na cidade da Praia, pois pretendíamos no decorrer
do trabalho citar dados estatísticos sobre a população idosa nacional mas não foi possível
obter todos os dados pretendidos. Demos por falta, também, dados que retractassem a situação
em que se vivem os idosos em Cabo Verde, pois é visível por todos, idosos a dormirem nas
ruas da cidade sem terem o que comer e onde se alojar.
88
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
Sugestão para investigações futuras
Apesar de Cabo Verde ser um país jovem, a população idosa tem aumentado nos últimos
anos, e este tem estado um pouco esquecida. Nesse sentido, seria interessante que se fizesse
um estudo a nível nacional, sobre as condições que se vivem os idosos.
Estudos relacionados exclusivamente à importância da convivência familiar na terceira idade
seriam importantes para se compreender melhor a importância de uma família presente na
vida dos seus membros.
Seriam pertinentes também, que se realizassem estudos comparativos sobre idosos que
frequentam instituições e idosos que não frequentam, ajudaria para sabermos se existem
diferenças entre esses dois grupos de idosos em relação à qualidade de vida.
Sugerimos também a criação de mais centros de convivência para os idosos em outros bairros
ou melhor, que reactivassem os centros existentes em alguns bairros como (Pensamento, TiraChapéu, Várzea) que não funcionam. Alguns desses centros só funcionam em épocas festivas
fornecendo cestas básicas para os idosos da mesma localidade.
89
O papel dos Centros de Dia na Qualidade de vida dos Idosos na Cidade da Praia
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Anexos
1. Questionário Aplicado aos Idosos.
2. Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
3. Autorização do Comité de Ética e da Saúde.
Anexo 1
Questionário
O presente questionário insere-se no quadro de um trabalho de investigação
para a obtenção de grau de licenciatura em Psicologia Clínica e da Saúde e
tem como objectivo saber qual O papel dos Centros de Dia na qualidade de
vida dos idosos.
Por essa razão, torna-se indispensável que leia cada frase cuidadosamente e
que responda com o máximo de sinceridade a todas as questões
apresentadas.
Agradecemos
desde
já
a
vossa
colaboração
e
garantimos
a
confidencialidade das vossas respostas.
Nome do centro ___________________________________
A. Dados de identificação – dados sociodemográficos
Por favor responda as seguintes questões relacionadas com os seus dados de identificação
e sócio- demográficos.
A.1 Sexo: Masculino
Feminino
A.2 Idade:__________ anos
A.3 Estado civil:
1. Solteira
2. Casada
5. União de facto
A.4 Nível de escolaridade
3.Viúvo
4. Separado/ Divorciado
1.
2.
3.
4.
Não frequentou a escola
Frequentou somente a escola básica
Frequentou o ensino secundário
Frequentou o ensino superior
A.5 Tem filhos:
1. Sim
2. Não
3.Se sim, quantos?
Masculino
Feminino
A.6 Você vive sozinho?
1. Sim
2. Não
3. Se não com quem?______________________________________________
A.7 Há quanto tempo frequenta o centro? ________
A.8 Porquê que frequenta o centro?
1. Por opção
2. Por falta de opção
3. Para passar o tempo
4. Para ter uma refeição
5. Para divertir
6. Outros__________________________________________________________
A.9 Que hora costuma vir para o centro?
1. Logo cedo
2.
Somente na hora da refeição
3. Outros _______________________________________
A.10 Que actividades costumam desenvolver no centro?
1. Jogos
2. Ver televisão
3. Brincadeiras
4. Celebrações religiosas
5. Outros___________________________________________________
A.11 Sente-te feliz no centro?
Sim
Não
Porquê? ____________________________________________________
A.12 Sente menos solidão?
________________________________________________________________________
______________________________________________________________
A.13 Como acha que seria a sua vida sem o centro?
________________________________________________________________________
______________________________________________________________
B. Escala de qualidade de vida para utentes de lar de idosos
(Kane et al., 2003; versão portuguesa de Póvoa e Martin, 2010)
Não responde
Não sabe
Maioria Não
Maioria Sim
Nunca
Raramente
Às vezes
Escala de Conforto - As primeiras perguntas são
sobre o seu nível de conforto e a ajuda que recebe
para ficar mais confortável
Muitas Vezes
As seguintes questões estão relacionadas com aspectos da sua estadia no centro. Responda
colocando uma cruz na alternativa que melhor descreva a sua situação. Por favor responda
com o máximo de sinceridade.
1. Costuma sentir frio/ calor aqui no centro?
2. Costuma ficar com dores de ficar sempre na mesma
posição?
1. Consegue chegar ao centro sozinho?
2. Consegue andar sozinho dentro do centro
3. Consegue chegar facilmente às coisas que
precisa?
Não Responde
Não sabe
Maioria Não
Maioria Sim
Nunca
Raramente
Às vezes
Escalas de Competências Funcionais – As próximas
perguntas são sobre a facilidade que tem em fazer
as coisas.
Muitas Vezes
3. Costuma ser incomodado pelo barrulho?
4. Consegue deslocar-se bem aqui dentro?
5. Consegue descansar quando está aqui no centro?
Não Responde
Não sabe
Maioria Não
Maioria Sim
Nunca
Raramente
Às vezes
Escalas de Privacidade – As próximas perguntas são
sobre a privacidade ou falta de privacidade
Muitas Vezes
4. Consegue chegar facilmente à casa de banho?
1. Consegue encontrar um lugar para ficar sozinho?
2. Consegue ficar sozinho em algum lugar para ler ou
fazer outras actividades?
Não Responde
Não sabe
Maioria Não
Maioria Sim
Nunca
Raramente
Às vezes
Escalas de Dignidade – As próximas perguntas são sobre o
respeito pela sua dignidade
Muitas Vezes
3. Os funcionários respeitam quando quer ficar
sozinho?
4. Consegue ficar sozinho na hora das refeições?
1. Os funcionários são bem-educados consigo?
2. Sente que é tratado com respeito?
3. Os funcionários são cuidadosos consigo?
1. Sai do centro quando quer ou tem um horário de
entrada e saída?
2. Costumam fazer visitas fora do centro?
3. Gosta das actividades feitas pelo centro?
4.O centro costuma fazer actividades nos finais de
semana?
5. Costuma ajudar outros utentes, famílias ou outras
pessoas?
Não Responde
Não sabe
Maioria Não
Maioria sim
Poucas Vezes
Demasiadas vezes
Escalas de Actividades significativas – As próximas
perguntas são sobre como passa o seu tempo
Tantas vezes quando quer
4. Os funcionários respeitam quando não quer participar
em algo?
5. Os funcionários ouvem-no quando quer dizer alguma
coisa?
Não Responde
Não Sabe
Maioria Não
Maioria Sim
Nunca
Raramente
Às vezes
Escalas de Relacionamento - As próximas
perguntas são sobre o seu relacionamento aqui
no centro
Muitas vezes
6.Os dias parecem-lhe demasiados longos?
1. É fácil fazer amigos aqui?
2. Algum dos outros utentes é seu amigo
próximo?
3. No último mês algum funcionário costuma
parar para falar consigo como amigo?
Não Responde
Não Sabe
Maioria Não
Maioria Sim
Nunca
Raramente
Às vezes
Escala de Autonomia - As próximas perguntas
são sobre as escolhas e o controlo que tem no
centro.
Muitas vezes
4. Considera algum funcionário seu amigo?
5. Acha que o centro facilita e tenta ser
agradável quando precisam?
1. Pode chegar ao centro à hora que quiser ou
tem uma hora estipulada?
Não Responde
Não Sabe
Maioria Não
Maioria Sim
Nunca
Raramente
Às vezes
Escala de satisfação com os alimentos – As
próximas perguntas são sobre as suas
experiências com os alimentos no centro.
Muitas vezes
2. Pode almoçar à hora que quiser?
3. Pode participar de actividades que quiser?
4. Consegue mudar a programação da televisão
quando não te agrada?
1. Costumam fazer celebrações religiosas no
centro?
Não Responde
Não Sabe
Maioria Não
Maioria Sim
Nunca
Raramente
Às vezes
Escala de bem-estar Espiritual – As próximas
perguntas são sobre a sua vida espiritual aqui no
centro
Muitas vezes
1. Gosta da comida do centro?
2.Gosta que chegue a hora das refeições?
3.Consegue comer os seus pratos preferidos
aqui?
4. Acha que a comida do centro é variada?
Não Responde
Não Sabe
Maioria Não
Maioria Sim
Nunca
Raramente
Muitas vezes
Escala de Segurança – O próximo conjunto de
perguntas são sobre se se sente seguro no centro.
Às vezes
2. As celebrações religiosas são importantes para
si?
3. Sente que a sua vida tem sentido?
4. Algumas entidades religiosas costumam visitar
o centro?
5. Sente-se em paz?
1. Sente-se seguro aqui no centro?
1. Os funcionários sabem do que gosta?
2. Os funcionários conhecem-no bem?
3. Os funcionários interessam-se pelo que fez na
sua vida?
4. Os funcionários levam a sério as suas
preferências?
5. Os outros utentes conhecem-no bem?
6. Os seus interesses e desejos pessoais são
respeitados no centro?
Não Responde
Não Sabe
Maioria Não
Maioria Sim
Nunca
Raramente
Às vezes
Escalas de Individualidade –As próximas perguntas
são sobre as suas preferências na sua vida.
Muitas vezes
2. Alguma vez levou algum objecto seu para o centro
e perdeu?
3. Sente que terá ajuda quando precisa?
4. Se se sentir mal consegue um enfermeiro ou
médico rapidamente?
5. Alguma vez sentiu medo pela forma como você ou
algum outro utente foi tratado?
Anexo 2
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Eu,__________________________________________________________________,
declaro, por meio deste termo, que concordei participar da investigação para a monografia
intitulada O Papel dos Centros de Dia na qualidade de vida dos idosos, da aluna Vânia Sofia
Moreira Moreno, do curso de Psicologia - Vertente Clínica e da Saúde, da Universidade Jean
Piaget de Cabo verde, sob a orientação da Professora Elisângela Barros.
Afirmo que aceitei participar voluntariamente, por minha própria vontade, sem receber ou
contribuir com qualquer incentivo financeiro e com a finalidade exclusiva de colaborar para a
obtenção de informações acerca do tema em estudo. Fui esclarecido(a) de que as informações
por mim oferecidas estarão submetidas às normas éticas de confidencialidade e anonimato.
Estou ciente de que, caso eu tenha dúvidas ou sinta-me prejudicado(a), poderei contactar a
Orientadora desta investigação, bem como a Universidade Jean Piaget e/ou a Comité Nacional
de Ética para Pesquisa em Saúde. Fui ainda informado(a) de que posso retirar-me deste
voluntariado a qualquer momento, sem prejuízo para o meu acompanhamento ou sofrer
quaisquer sanções ou constrangimentos. Foi-me ainda entregue uma cópia assinada deste
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
Cidade da Praia, ______ de _________________ 2013.
Assinatura do Participante: _____________________________________
Assinatura do Orientador: _______________________________________
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Vania Moreno - Universidade Jean Piaget de Cabo Verde