Anais do Seminário Nacional Literatura e Cultura
Vol. 1, agosto de 2009 – ISSN 2175-4128
06 e 07 de agosto de 2009
UFS – São Cristóvão, Brasil
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A DEGRADAÇÃO HUMANA: PECADO E CRUELDADE NO CONTO A
CONFISSÃO, DE VASCONCELOS MAIA.
Synara Silva de Pinho – Mestranda (PPGLDC - UEFS)
Por mais equilibrados que sejamos, certa hora uma
demoníaca força íntima, irrefreável, nos lança a um ato
de injustiça.
Vasconcelos Maia
(A Confissão)
A maldade, a crueldade e a imoralidade são conceitos e valores exclusivos da realidade
dos seres pensantes do reino animal, nós, os seres humanos. A literatura, por se tratar de um
dos espelhos da nossa realidade, como um veículo de percepção das manifestações da vida,
nos tem dado diversos exemplos de como a temática do crime e da crueldade acompanha os
atos e as ações humanas. Perpassamos entre ações de crueldade veladas, como as torturas
psicológicas sofridas por alguns famosos personagens – a exemplo Luíza, de O Primo Basílio,
de Eça de Queirós, que foi torturada psicologicamente pelas chantagens cruéis da sua
empregada Mariana – até chegarmos à violência explícita já vista em Machado de Assis, a
exemplo do conto “A causa secreta”. Em nossa literatura brasileira contemporânea essa
temática já vem sendo largamente demonstrada em clássicos exemplos como “Feliz Ano
Velho”, de Rubem Fonseca e em alguns contos de Guimarães Rosa.
Desta forma, de acordo com os estudos realizados sobre a temática da crueldade
presente na literatura, e as suas mais diversas causas e conseqüências, feitos na disciplina
Tópicos da Narrativa, nos propomos no presente trabalho A degradação humana: pecado e
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crueldade no conto “A Confissão” de Vasconcelos Maia discutir a questão do pecado da inveja que
acomete o narrador-protagonista do conto, que o leva a cometer atos de crueldade contra o
seu amigo, levando-os à degradação.
O conto “A confissão”, do livro de contos O leque de Oxum publicado em 1961, tratase de uma narrativa metalingüística, visto que o narrador-protagonista é Antônio, um escritor
de baixezas humanas, que cansado de escrever com “tintas de sangue e pus” (MAIA, 1961, p.
80) as suas histórias, elege Olavo Pessoa, seu amigo próximo, como o protagonista do seu
novo livro, um livro que estaria fora do campo sujo, baixo e sórdido das suas antigas histórias.
Ele pretendia penetrar em um “terreno limpo e saneado” (MAIA, 1961, p. 80), repleto de
beleza e doçura: a luminosa e calma vida de Olavo Pessoa. Olavo Pessoa era considerado um
homem bem dotado de qualidades físicas, morais e intelectuais, a verdadeira representação da
bondade. Em uma espécie de relação telepática, Antônio que a princípio pensava apenas
visualizar mentalmente os atos de Olavo, descobre que na verdade ele domina e comanda os
pensamentos e os atos de Olavo, levando-o a cometer todo o tipo de vício e pecado, maldade
e leviandades.
Estamos diante de uma crueldade que permeia o âmbito do psíquico, não há presença
de sangue ou violência física. Antônio pratica a maldade de transformar um homem perfeito
em um homem sórdido e mesquinho movido pela inveja da sua vida e da sua perfeição. Olavo
era tudo aquilo que Antônio não conseguira ser, tinha tudo que Antônio não tinha e nunca
conseguiria ter. A crueldade aqui é nascida da inveja e sobrevive no vício da existência do julgo
do mais fraco pelo mais forte.
Quando os seres humanos começaram a conviver em grupos, comunidades, para que
fosse a possível a boa convivência entre os indivíduos, certos valores e regras foram criados.
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Entre eles, está o conceito cristão do pecado, que é intrinsecamente pertencente aos seres
humanos. Dentre os vários conceitos de pecado que foram criados, temos a inveja, que será a
mola propulsora das ações do conto “A confissão” de Vasconcelos Maia, que segundo o
dicionário quer dizer: s. f. 1 ciúme, emulação. 2 cobiça, ganância, ambição pelo que é do outro;
desgosto, ódio ou pesar por prosperidade ou alegria de outrem.
Para a psicologia humana conceitos como estes a depender das suas manifestações
podem ser considerados problemáticos e de cunho patológico. E é isso que se faz presente no
decorrer na narrativa de Vasconcelos Maia. Em “A confissão” a inveja, inicialmente
inconsciente, para com o amigo Olavo Pessoa é que fará Antônio, o narrador-protagonista,
agir, aparentemente de uma forma telepática, de maneira cruel, maldosa e imoral sobre a vida
do seu amigo. Logo no início da narrativa, Antônio nos dá indícios de que a inveja moverá as
suas ações. Ele fala da sua admiração por Olavo como um modelo, um símbolo, uma
perfeição que ele nunca atingiu e nunca atingiria: “Todos nós o admirávamos, eu mais do que
todos, não só a admiração devida a um homem autêntico, mas também ao modelo que eu
nunca atingira.” (MAIA, 1961, p. 80).
O conto narra à história de inveja e degradação de Antônio, um escritor, ficcionista de
baixezas humanas, que decidi escrever o seu mais novo livro mudando seu foco temático, na
tentativa de habitar um ambiente mais sadio e asseado, resolvendo então utilizar como
personagem principal o seu amigo Olavo Pessoa, homem tido como bem dotado de
qualidades físicas, morais e intelectuais. A verdadeira bondade.
Para que buscar longe o que se me oferecia tão perto? O que eu conhecia tão
familiarmente – aquele homem perfeito, agraciado com resplendores incomuns aos
outros homens? E que obra maravilhosa poderia construir, maravilhosa e
dignificante, atendo-me exclusivamente em copiar aquele retrato excepcional! Sentia
euforia em planejar mentalmente aquela tarefa, minha primeira obra radiante.
(MAIA, 1961, p. 80-81).
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Olavo Pessoa era casado e tinha quatro filhos, não era odiado, já que não fazia mal a
ninguém, um homem verdadeiramente admirável. A intenção de Antônio era refugiar-se das
degradações que o inspiravam até então, lavar as contaminações das estórias sórdidas que
antes criava. Foi pela pureza e “perfeição sonhada, inatingida de todos os seres” (MAIA, 1961,
p. 80) que ele tomava seu amigo Olavo Pessoa para personagem. Cansado de escrever novelas
com tintas de sangue, vividas dos recalques, podridão e misérias humanas, desejava Antônio
adentrar em um universo limpo, sadio, luminoso, achou no amigo Olavo material tão perto,
real e vivo.
Antônio vai revelar a sua essência cruel quando se propõe a mudar o foco da sua
narrativa, visto que a sua temática literária permeava o mundo cruel e sórdido dos homens e
da vida. Ele inicia seu livro em estado de sublimação narrando em seu livro à vida de Olavo,
de sua infância até sua juventude digna e recheada de belos sonhos. A narrativa transcorria
normalmente encaminhando-se para a conclusão até que “o esquisito mal” (MAIA, 1961, p.
82) acometera-o. Uma espécie de transe tomou conta dos seus pensamentos e ações, fazendo
com que Antônio perdesse os sentidos e a noção dos seus atos.
O mundo exterior deixara de existir. Sons, cheiros, instintos, desejos, tudo
concentrava-se no pensamento e na mão que o transmitia. Mas o pensamento
nublou-se. E a mão emperrou. Antes, vivendo intensamente, toda a sensibilidade
vibrando, a consciência fraquejou, perdi a noção de tudo durante alguns segundos.
Ou o que julguei alguns segundos.
Ao voltar à realidade constatou pasmo que durante seu transe escrevera algo em
garranchos confusos e quase ininteligíveis, entretanto o pior ainda estava por vir. Percebeu
assombrado que havia escrito uma página completa de completa oposição ao que havia escrito
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centenas de páginas antes. Era uma ação injusta e inconcebida feita por Olavo, para qualquer
outro ser humano era normal e natural, mas para o homem Olavo era inadmissível.
Era incidente normal para a maioria dos homens, para a totalidade dos pais.
Inadmissível, porém, para Olavo Pessoa. Um negócio lhe fora mal sucedido. Ele
aborrecera-se. Chegara em casa, cheio de rancor. Tratara mal a esposa. A
traquinagem dum filho, surrara-o.
Antônio fica atordoado e resolve terminar seu livro no dia seguinte e sai para seu
encontro habitual no centro da cidade de Salvador. Encontra o amigo Olavo Pessoa,
notoriamente, não era o mesmo, e em desabafo conta a Antônio o que acontecera. “Por mais
equilibrados que sejamos, certa hora uma demoníaca força íntima, irrefreável, nos lança a um
ato de injustiça.” (MAIA, 1961, p. 83). Olavo foi tomado por um despeito incomensurável por
conta da sua promoção que saíra para outro funcionário. Ficou aborrecido, invejoso, e em
ímpeto respondeu brutalmente a sua esposa, Lavínia e batera no filho, e depois disso um
esquisito alívio apoderou-se de si, e constatou que no momento em que agia desta forma uma
momentânea inconsciência tomara conta dele. Antônio calado espantava-se. Em todas as
minúcias tudo era exato.
A princípio sua ação pareceu realmente inconsciente. Para ele, tratava-se de um
espantoso fenômeno telepático que o deixava perplexo. Por que só nessas condições
deploráveis essa estranha transmissão acontecera? Sua impressão e perplexidade perduraram e,
ao retornar aos seus escritos para finalmente acabar com a narrativa, sente que o transe toma
conta de seu raciocínio novamente, desta vez “como um poderoso narcótico”. (MAIA, 1961,
p. 84).
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Basicamente, o decorrer da narrativa gira em torno dessa transmissão, ainda
inconsciente, de Antônio e Olavo. Antônio constatava a cada transe que tudo que ele escrevia
nos momentos de inconsciência se fazia verdade na vida de Olavo Pessoa de uma forma que
se tornou um vício. O personagem foi vencido pelo fenômeno que o apaixonou a ponto de se
tornar exclusivamente dele. Sua vida começa a depender unicamente dessa nova emoção.
Resolve então investigar tal fenômeno no intuito de dominá-lo, de descobrir a origem
e controlar essa nova emoção, ao ponto de se trancar em casa e não permitir visitas para que
não houvesse interferência. Nesse momento, Olavo Pessoa, seu amigo, deixa de ser a sua
preocupação, o que lhe importava era o fenômeno. Os prazeres, problemas, felicidade ou
infelicidade de Olavo estavam em segundo plano. Imerso no magnetismo do vício, na
obsessão esmagadora da entrega do transe, que com o passar do tempo passara a ser
espontâneo, acontecia quando ele queria, Antônio consegue controlar e vencer o fenômeno.
Começa a vencer essa desconhecida emoção que o apoderara e descobre que não se tratava de
uma simples transmissão de pensamento, era Antônio que controlava os pensamentos e
comandava as terríveis ações de Olavo.
E tive, então, o conhecimento da verdade cruel: em vez de, no transe, ter sido eu o
receptor dos pensamentos, sentimentos, ações e emoções de Olavo, muito ao
contrário, comandava-o. Por alguma maldade subconsciente era eu quem o
dominava, quem o tresvariava. (MAIA, 1961, p. 88).
Com essa descoberta de possuir o controle psíquico sobre Olavo, Antônio se vê na
exposição ao choque do ininteligível. Como seria isso possível? Como poderia ele controlar as
ações daquele homem? E o porquê dessas ações, constatando:
Podendo agora dissecar, desapaixonado, o meu íntimo, via a minha própria
perversidade e mesquinhez. Aquele sentimento de admiração que eu nutria por
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Olavo não era mais do que uma capa julgada até então sincera, escondendo o ódio e
a inveja às suas qualidades, aos bens que ele possuía, inveja e ódio que despontavam
e faziam seu trabalho justamente quando eu me encontrava inconsciente. (MAIA,
1961, p. 88).
Finalmente, a descoberta, a origem de tudo. Antônio era possuidor de um sentimento
de inveja por Olavo Pessoa. Inveja da sua vida, do seu caráter, da sua personalidade, da sua
perfeição enquanto homem, que só tomava forma e agia quando o narrador se encontrava
inconsciente, no transe. Antônio, que era um homem solteirão, solitário e triste, percebeu que
era a felicidade doméstica e pessoal de Olavo que nutria as suas ações contra Olavo. Seu
sentimento e ação nefasta fizeram com que Olavo Pessoa mudasse radicalmente.
Transformara aquele homem perfeito, de vida pública e privada inigualável, em mais um
homem comum, sórdido, mal-humorado, mesquinho, egoísta, vaidoso, mentiroso. Tornou-se
intolerante e cínico. O comando de Antônio quase o levou ao suicídio.
Sua crueldade pode de ser pensada a partir de sua experiência sensível causada pelo
conflito interior e exterior. Ou seja, no que ele é, e no que ele gostaria de ser mais não é,
projetado na figura do amigo Olavo Pessoa. A crueldade de Antônio não é uma crueldade que
podemos dizer de um exercício de mutilações no corpo ou agressões a anatomia pessoal, mas
trata-se da crueldade igualmente terrível podem exercer contra nós. Ou seja, não é apenas o
sadismo, o prazer do sofrimento do outro, nem o sangue que define a crueldade. A inveja que
alimenta os atos de maldade de Antônio está envolvida por uma crueldade sem controle,
como quem se compraz em fazer o mal ao outro, em atormentar ou prejudicar, só pelo prazer
e vício de tais ações, sendo duro e insensível.
No conto temos uma crueldade que está na necessidade estranha das circunstâncias da
vida de Antônio, na sua imersão total ao seu sentimento de inveja. A crueldade de Antônio
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significa o prazer de manter o sofrimento, mesmo com o conflito de sentir complacência para
com seu objeto de inveja. O narrador possuía um sadismo desmedido, seu prazer também
estava em saber que Olavo se martirizava quando tomava consciência daquilo que se
transformara.
A sua contínua e irrefreáveis ações sobre os atos de Olavo se tornavam uma tirania,
uma necessidade das suas forças vitais imprevisíveis que irrompiam os limites da realidade e da
sua razão humana.
Esquálido, febril, o meu prazer consistia em poder dirigir um homem, em possuir
um fantoche humano. Esqueci que era meu amigo, um ser amado a sofrer por um
capricho. Não ligava tampouco à imagem de Lavínia. Nem às de seus filhos. Sem
energia para consertar o que havia feito, não tive coragem para abandonar tudo de
vez. Uma obsessão me possuía para o mal. E minha imaginação comprazia-se em
enredar Olavo, em afundá-lo na lama e na desgraça. Construía as aventuras mais
imundas, os atos mais pérfidos, forçando Olavo a vivê-los. Um sadismo jamais
imaginado me acicatava. Gozava com o suplício que infligia. Dono de seus
movimentos e pensamentos, não consentia que ele me fugisse. Não podia impedi-lo
de pensar em suicídio. Facilitava-lhe até este pensamento. Por outro lado, podia
impedi-lo de levar a cabo a própria morte. (MAIA, 1961, p. 93).
Ele agora transita para o pólo perverso, seus atos são agora só por gosto e diversão.
Torturava psicologicamente, já que seu prazer aumenta ainda mais quando percebe que depois
de lançar Olavo a todo o tipo de vício e sorte ele insuflava em sua mente o remorso:
Depois de fazê-lo passar por toda a sorte de vício e de pecado, da maldade e do
prejuízo, atacava-o com a tortura pior: lançava-lhe o remorso. Embriagava-me, riame, babava-me ao vê-lo, ao sabê-lo desesperado, roído de arrependimento,
chorando nas noites indormidas, penitenciando-se aos pés dos santos nas igrejas
solitárias. (MAIA, 1961, p. 93-94).
Olavo Pessoa fora abandonado pelos amigos, odiado e temido pelos filhos, expulso do
emprego, era desprezado por toda a gente, já que se tornara e agia como uma figura abjeta.
Por fim, Antônio não consegue desenredar, utilizando um termo roseano, de, enfim,
desfazer os efeitos do mal que ele produzira na vida de Olavo Pessoa. Em sua tentativa de
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redenção há uma frustrada tentativa do exercício do bem que é, paradoxalmente, alimentado
pela emergência e exigência do mal. Todas as suas tentativas de apagamento e restauração de
sentidos fora em vão, Olavo já tinha se tornado mais um dos inúmeros personagens de
Antônio, um homem sórdido e mesquinho. Não há remissão do mal para Antônio a não ser a
morte, pois nem através do sofrimento e do arrependimento sua salvação fora concedida.
A crueldade expressa uma potência de ação sobre o outro, indo em direção ao objeto
do desejo violento rompendo com os limites da sua própria auto-preservação. Ou seja, em vez
de ameaçar a integridade do outro, a crueldade se volta sobre o próprio. Antônio vive em um
binômio de "sedução e crueldade". Ele é seduzido e viciado pelo transe que o move para a
transgressão de Olavo revelando indiretamente a sua violência.
A sobreposição da perversão, com seu caráter continuísta, à transgressão, feita pela
sintonia com o corpo do outro, como possibilidade de enfrentamento do excesso, é que vai
caracterizar a crueldade para consigo mesmo, pois nela há algo mais do que a violência sádica
para como Olavo, mas a destruição a vida do próprio Antônio.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MAIA, Vasconcelos. A confissão. In.: O Leque do Oxum. Rio de Janeiro: Edições O
Cruzeiro, 1961. p. 79-96.
SCHOLLAMMER, Karl Erik. A crueldade do real. Anais do XI Congresso Internacional da
ABRALIC – Tessituras, Interações, Convergências. São Paulo: 2008.
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