1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS PROGRAMA NACIONAL ESCOLA DE GESTORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA INSTRUMENTOS PEDAGÓGICOS E SUA IMPORTÂNCIA NA PEDAGOGIA DA ALTERNÂNCIA1 Claudia Maria Alves Martins Colinas do Tocantins, dezembro de 2011 1 Relatório analítico apresentado ao Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Coordenação Pedagógica, como exigência parcial para obtenção do título de Especialista em Coordenação Pedagógica, sob a orientação da professora Ms. Raquel Castilho de Souza. 2 RESUMO O presente relatório, resultado de uma pesquisa-ação, cujo tema é “Os Instrumentos Pedagógicos e sua Importância na Pedagogia da Alternância”, teve como objetivo diagnosticar as dificuldades encontradas por três monitores da Escola Família Agrícola (EFA) Zé de Deus, em trabalhar os instrumentos pedagógicos utilizados na Pedagogia da Alternância. A pesquisa foi desenvolvida por meio de observação e questionário, visita em outra EFA e oficina, que contribuiu na identificação das reais dificuldades encontradas pelos sujeitos da pesquisa. Os resultados apontaram que, apesar de terem certo conhecimento sobre pedagogia da alternância todos necessitavam de uma formação específica para garantir a qualidade do ensino. PALAVRAS–CHAVE: Pedagogia da Alternância, Instrumentos Pedagógicos e monitores. 1. INTRODUÇÃO O presente relatório que traz como tema e foco de estudo “Instrumentos Pedagógicos e sua Importância na Pedagogia da Alternância”,com a finalidade de apresentar as dificuldades de três monitores da Escola Municipal Família Agrícola Zé de Deus de Colinas do Tocantins na utilização dos mesmos. A Escola Família Agrícola (EFA) Zé de Deus de Colinas do Tocantins, pertence à rede municipal, e foi criada em fevereiro de 2000. Ela está situada na zona rural a 8 km da cidade. A escola atende atualmente 45 alunos do Ensino Fundamental do 7º ao 9º ano e 42 alunos da 1ª série do Curso Técnico em Agropecuária Integrado ao Ensino Médio. A Pedagogia da Alternância é um método utilizado nas Escolas Famílias Agrícola, e nela são utilizados alguns instrumentos Pedagógicos que de forma organizada, busca resultados satisfatórios que possam ser objeto de contribuição para a vida do jovem estudante do campo, tais como: Plano de Estudo a partir de temas geradores, Colocação em Comum, Caderno da Realidade, Caderno de Acompanhamento, Intervenção Externa, Serão de Estudos, visita as Famílias e visita de Estudos. Segundo Gimonet (1998, p.7) Ele é o meio e a oportunidade de observações, de pesquisas, de discussões e de reflexões com os atores do meio, mas também de expressão oral, escrita, gráfica. Ele é o instrumento essencial para captar a cultura na qual vive o jovem, pegar-lhe os componentes, as riquezas, os limites para interpelar as práticas existentes, até mesmo as rotinas, o que em seguida, pode iniciar às vezes, graças às tomadas de consciência, mudanças e desenvolvimento. 3 Para a realização deste trabalho, foi desenvolvida uma pesquisa bibliográfica e de campo, que veio contribuir para a pesquisa-ação, dando subsídios ao pesquisador para um trabalho satisfatório. O monitor ao chegar à Escola se depara com uma Pedagogia diferenciada. Dai pode-se perceber que muitas são as dificuldades e limitações enfrentadas pelo monitor na utilização dos Instrumentos Pedagógicos. Há certa resistência ao trabalhar a Pedagogia da Alternância, isso porque os mesmos vêm de escolas convencionais que trabalham uma proposta comum. Nesse sentido o objetivo desse trabalho foi diagnosticar junto aos monitores as dificuldades encontradas e por meio de um questionário subjetivo com cinco questões buscouse identificar respostas para diagnosticar às reais necessidades. Para ampliar os estudos foi feita uma viagem com os monitores sujeitos da pesquisa, à Escola Família Agrícola de Porto Nacional para que pudessem de perto vivenciar um pouco do dia-a-dia de outra realidade. Com essa visita foi possível perceber que os problemas são os mesmos, ou melhor, as escolas têm muito em comum tanto nos aspectos positivos quanto nos negativos. Para que haja um empenho maior dos monitores e um planejamento de qualidade percebeu-se que é necessária capacitação para os profissionais que atuam na área. Em momentos anteriores já foram realizadas capacitações, por um órgão maior que é a AEFACOT - Associação das Escolas Famílias Agrícolas do Centro Oeste e Tocantins, porém, há dois anos que esse trabalho não foi mais desenvolvido por esse órgão, ficando a cargo da escola oportunizar esses momentos de capacitação. Por esse motivo e pelas necessidades que os monitores demonstraram, a escola durante cinco etapas procurou atender por meio de oficinas, o passo a passo de como trabalhar todos os instrumentos Pedagógicos realizados no ambiente escolar. Os instrumentos pedagógicos envolvem direção, coordenação, monitores, famílias e comunidade. É importante observar que tais instrumentos é uma estratégia de trabalho que vai descobrir quais as dificuldades dos estudantes, famílias e monitores e assim tentar solucionar e procurar sanar da melhor forma possível. A Pedagogia da Alternância é uma alternativa para a educação do campo que pode proporcionar condições favoráveis à aprendizagem, pois os estudantes permanecem na escola em semi-internato. Isso favorece a convivência com toda a equipe da escola, família e o meio cultural que o cercam, possibilitando o vínculo afetivo com os pais e a comunidade onde mora. 4 Portanto essa proposta pedagógica se torna um instrumento de transformação para o jovem do campo, pois favorece a convivência e os laços entre a escola, família e comunidade, unindo a teoria e a prática. Na EFA o monitor deixa de ser um mero repassador de conteúdos. O monitor não só exerce uma função, mas também acompanha todo o desenvolvimento do aluno, passa a ser seu guia no aprendizado e dá direção para que o aluno construa seu conhecimento. Ele vai além da sala de aula, tendo uma participação maior na vida do estudante. Segundo Gimonet (1999, p. 126) “as funções e responsabilidades do Monitor são definidas numa lógica de educação sistêmica”. Tais funções são associadas com as interrelações múltiplas do sistema de alternância. As funções educativas e formativas envolvem uma dimensão de formação integral da pessoa humana. Formar atitudes, caráter, ajudar o aluno a encontrar-se, a construir sua identidade. As condições necessárias ao exercício da função de Monitor numa EFA são complexas e não muito fácil. Conforme afirma Gimonet (1999) exercer esta função exige certas condições fundamentais: a) critérios para uma boa escolha dos candidatos a serem Monitores; b) um ambiente profissional favorável; c) um processo de formação pedagógica inicial e continuada, pois uma profissão não se improvisa. As funções pedagógicas se referem às competências no uso dos instrumentos pedagógicos específicos da alternância e outros tantos que se fazem necessários para aperfeiçoar as aprendizagens. No fazer pedagógico do dia a dia o monitor está obrigado a saber utilizar um conjunto de instrumentos e desenvolver uma série de atividades. Ele precisa conhecer toda a metodologia de um Plano de estudo, desde a sua motivação na EFA, juntamente com os alunos, a preparação dos alunos para a pesquisa junto à família ou na comunidade, empresa, entidade etc., saber dinamizar uma colocação em comum da pesquisa realizada pelos alunos ao retornar a escola. Enfim, saber colocar esses conhecimentos que surgem na vida dos alunos com os conhecimentos escolares. Segundo afirma RouIller (1989) numa EFA as aulas preparadas devem partir de dados das pesquisas dos alunos, da realidade local. Os alunos quando motivados interessam, participam e não apenas suportam as aulas que não tem sentido, utilidade para a vida deles. Importante ressaltar que a pedagogia da alternância não se contenta com professores fechados em suas disciplinas ou áreas de conhecimentos e isolados em suas salas de aula. 5 Uma das condições fundamentais para que isto não ocorra são as reuniões pedagógicas e o trabalho em equipe. Como afirma Gimonet (1999, p.126), o Monitor é um ator da complexidade, com tantas atribuições, compromissos, encontros e confrontos. Por isso tudo, pode dizer que o Monitor está mais para um educador/formador. O verdadeiro educador numa EFA seria, portanto, aquele “facilitador de processos”; aquele que articula os vários parceiros, colaboradores no processo de formação dos alunos, numa lógica do fazer descobrir por si mesmo, com criticidade, disciplina e diálogo, buscando construir conhecimentos, valorizando e integrando os diversos saberes da cultura camponesa com os saberes da cultura escolar, das ciências, das tecnologias, das tradições religiosas, culturais, de sabedorias, entre outros. 2. OS INSTRUMENTOS PEDAGÓGICOS NA PEDAGOGIA DA ALTERNÂNCIA A metodologia denominada Pedagogia da Alternância consiste em dividir a formação escolar no meio rural em períodos de tempo que se alternam entre a, vivencia escola e na família, buscando dessa forma, conciliar a escola e a vida, não permitindo que o jovem desligue do seu ambiente, valorizando o tempo escola e o tempo comunidade - família. Para Silva (2003) é necessário construir uma verdadeira alternância, que integre no processo de formação os conteúdos e as vivencias dos alunos no meio escolar e família, numa dinâmica capaz de reconhecer a soma das partes. Vale destacar que esta didática da alternância só tem sentido, segundo Gimonet (1998, p. 8-9) se situado numa ação pedagógica. No conjunto do percurso, a organização geral (sucessão de temas, progressão dos conteúdos) é dada pelo Plano de Formação que representa a orquestração do conjunto dos componentes do dispositivo pedagógico. Assegura a colocação em prática da alternância. Integra as finalidades do projeto educativo, enuncia os objetivos e as etapas, articula os tempos, as atividades e conteúdos do campo sócioprofissional com aqueles do programa. Ele reúne numa terceira lógica, duas lógicas muitas vezes contraditórias: a da vida e a do programa escolar. As EFAs quando conseguem programar um plano de formação de forma orgânica com os instrumentos pedagógicos adequados elas traduzem na prática o ciclo de aprendizagem proposto pelas mesmas. 6 Os instrumentos pedagógicos utilizados nas Escolas Famílias Agrícolas sugiram na junção entre a teoria e a prática e uma complexidade entre a escola-família. De acordo com Duffaure apud Chartier (1993), os instrumentos pedagógicos são meios de fazer com que haja aprendizagem contínua numa descontinuidade de atividades e de espaço e tempos- escola – família. Os instrumentos pedagógicos trabalhados na Pedagogia da Alternância foram surgindo para ajudar os alunos a darem forma e sentido às suas experiências, mostrando assim que a vida também ensina e que as ações e reflexões não são separadas, que a teoria não antecede a prática e que as práticas não acontecem sem teorias. Essa visão da Pedagogia da Alternância proporciona aos alunos um novo sentido de vida e força para lutar pelos seus ideais. Segundo Duffaure apud Chartier (1993, p.72) A alternância questiona a escola tradicional e a sua maneira de aprender, o saber não está somente nos livros, mas também na vida; aprender a aprender, aprender a ser, se realizar por uma confrontação com a vida;... priorizar a experiência, o fazer concreto, se aprende fazendo etc. Nas escolas Famílias Agrícolas os jovens coloca em prática o que vê na teoria em sala de aula com a utilização dos Instrumentos Pedagógicos utilizando de experiência sua propriedade. 2.1 Desenvolvimento da Pesquisa-Ação Este trabalho trata-se de uma pesquisa-ação qualitativa que teve como foco de estudo os Instrumentos Pedagógicos utilizados na Pedagogia da Alternância pelos monitores da Escola Municipal Família Agrícola de Colinas do Tocantins e na sua prática. Para realizar foi feito pesquisa bibliográfica e de campo. Segundo Thiollent (2005, p.16), uma das possíveis definições para esse tipo de pesquisa é a seguinte: A pesquisa-ação é um tipo de investigação social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo no qual os pesquisadores e os participantes representativo da situação ou problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. Este tipo de pesquisa contribui para que a investigação fosse firmada em uma ação concreta, pois ela oportuniza ao pesquisador uma participação direta entre a situação e o problema, dando assim condições de verificar e comprovar os dados colhidos. Foi apresentado o projeto Instrumentos Pedagógicos e sua Importância na Pedagogia da Alternância aos monitores que não possuem formação na Pedagogia da Alternância. Os 7 mesmos sentiram a necessidade do envolvimento nesse projeto e não mostraram dificuldade em contribuir para a execução do mesmo. Após ter observado a forma de como os monitores aplicavam e utilizavam os Instrumentos Pedagógicos, o que é essencial na Pedagogia da Alternância, foi aplicado um questionário com cinco questões subjetivas, onde foi possível identificar certa dificuldade. Essa estratégia metodológica foi utilizada nesse estudo a fim de diagnosticar os eventuais problemas para capacitar os monitores. A pesquisadora entregou o instrumento de pesquisa individualmente para cada sujeito que pode levar o questionário, responder e entregar separadamente após dois dias que recebeu o mesmo. Posteriormente a aplicação do questionário e para um melhor entendimento de como funciona a Pedagogia da Alternância e de como é utilizado os Instrumentos Pedagógicos, foi realizada uma visita a Escola Família Agrícola de Porto Nacional. Participaram da visita os monitores sujeitos da pesquisa e a coordenação. Após a coleta de dados obtida com a aplicação do questionário e visita a Escola Família Agrícola de Porto Nacional, desenvolveu-se uma oficina, dividida em cinco etapas. Essa ação teve como objetivo contribuir para melhor utilização dos instrumentos Pedagógicos da Pedagogia da Alternância, para que haja um ensino voltado para a teoria e na prática. 2.2 Análise dos Resultados A partir dos resultados obtidos pelo questionário previamente elaborado e aplicado aos monitores da Escola Família Agrícola Zé de Deus de Colinas, da visita à EFA de Porto Nacional e das oficinas realizadas, foi possível a concretização deste trabalho. Por meio do questionário respondido pelos monitores, pôde-se analisar as dificuldades encontradas pelos mesmos. Quando se perguntou “Qual é o seu conhecimento sobre a Pedagogia da Alternância” obteve-se as seguintes respostas: A monitora D.R.S.M. respondeu que muito pouco, pois o que sabe foi repassado pela equipe diretiva da escola principalmente pela coordenação que sempre os auxilia nos momentos de dificuldades. Além disso, usa como recurso de pesquisa a internet que também melhora seu desempenho em sala, porque ainda não tem formação na área como alguns já tiveram. Monitor Z.C. V. professor de História e Geografia: Não tenho um conhecimento amplo da Pedagogia da alternância, mas o pouco que conheço é suficiente para que eu possa 8 entender que uma forma de ensino eficaz principalmente para os estudantes da Zona Rural que passam uma semana na escola e a outra com sua família. O Monitor E. R. M. Agrônomo: diz: o conhecimento que tenho e o que foi passado pela escola é que na Pedagogia da Alternância são utilizados alguns Instrumentos Pedagógicos que trabalham a realidade dos alunos. A respeito dos enraizamentos da Pedagogia da Alternância, Gimonet (1998, p 1) afirma: [...] a alternância não é uma facilidade pedagógica. Sua introdução modifica, de fato, os componentes em jogo em toda situação educativa. Com a alternância deixa-se uma pedagogia plana para uma pedagogia no espaço e no tempo. Não nos encontramos mais somente na clássica triangulação professor – aluno - saber no seio de uma classe. Analisando a idéia do autor, os monitores vêem a Pedagogia da alternância como uma ação educativa que requer uma contínua reflexão e fundamentação, buscando tornar-se apropriada a cada lugar e tempo, ou seja, dentro da realidade do aluno. Buscando compreender melhor a contribuição da Pedagogia Pedagógica e seus instrumentos, a segunda pergunta procurou investigar se a Pedagogia da Alternância favorece o elo entre escola, família e comunidade para a utilização dos Instrumentos Pedagógicos. Nesse questionamento os sujeitos explicaram de que forma acontece esse elo e como os instrumentos são utilizados. Monitora D. R. S. M. com certeza, porque através dos instrumentos em especial o caderno da realidade, tanto a escola quanto a família fica inteirada do que acontece. Além disso, facilita o trabalho desenvolvido em sala de aula e na comunidade. Monitor Z. C. V. Sim, a partir do momento em que os alunos saem de seus lares e vão para a escola, onde ficam em forma de internato por um determinado período, faz com que a escola faça parte da sua família. Pode dizer que o elo entre a escola e a família se torna muito mais intenso. Monitor E. R. M. sim, porque com os instrumentos Pedagógicos podemos monitorar os alunos na escola e fora através do caderno da realidade. De acordo com Pereira (2005, p.63), A Pedagogia da Alternância consiste num sistema de internato que alterna os tempos vividos pelos alunos dividindo o seu período escolar com o meio familiar. Ela consiste na formação da pessoa utilizando espaço e tempo diferentes divididos entre o meio sócio profissional (família, comunidade e trabalho) e o meio internato (com 9 monitores e outros colaboradores) guiando por uma proposta que visa a formação integral do educando e desenvolvendo o meio que está inserido. Além de todos os benefícios que os instrumentos pedagógicos trazem para a vida dos alunos, é importante ressaltar que o mesmo pode ser considerado como dispositivos de ação que efetivam a Pedagogia da Alternância, possibilitando ao estudante, relacionar-se com a família, com os parceiros da formação, com conhecimento cientifico e com o meio cultural. Esses Instrumentos têm espaço dentro da estrutura escolar e são utilizados de forma transversal, nas disciplinas curriculares. Sabendo da dificuldade em utilizar os Instrumentos Pedagógicos na Pedagogia da Alternância, na terceira pergunta perguntou-se: Que dificuldades você encontra para trabalhar com os Instrumentos Pedagógicos? Obteve-se as seguintes respostas: Monitora D. R. S. M. responde que a falta de uma formação continuada e de alguns materiais didáticos é que mais dificulta o desenvolvimento do nosso trabalho. No início foi muito difícil, devido a falta de experiência nesta área, mas com o apoio da coordenação, as atividades vem sendo desenvolvidas com maior êxito e tende a melhorar cada vez mais. Monitor Z. C. V.: para ser sincero não encontro nenhuma dificuldade em trabalhar com os Instrumentos Pedagógicos, mas acho que a escola deveria possuir mais instrumentos pedagógicos, pois com isso o trabalho tornaria bem mais fácil e eficaz. Monitor E. R. M.: falta de informação na área, onde precisamos de cursos, visitas nas propriedades. Conforme afirma Begnami (2002, p. 11) Na busca de uma Alternância significativa que não ficasse apenas na observação e análise crítica da realidade, mas que possibilitasse ao educando inquirir a sua realidade e partir em busca de soluções foram criados os Instrumentos Pedagógicos da Alternância: plano de estudo, colocação em comum, intervenção externa, viagem e visitas de estudos. Observando as idéias tanto do autor quanto dos monitores, a preocupação maior é trabalhar a realidade do aluno procurando colocar em prática os instrumentos Pedagógicos da Alternância, mesmo sabendo das dificuldades. Por ser uma pedagogia diferenciada e nova para os monitores recentes, na quarta pergunta: Qual ou quais são os Instrumentos Pedagógicos que você encontrou mais dificuldades para trabalhar, chegou-se as seguintes respostas 10 Monitora D. R. S. M. reponde que foi o plano de estudo e a forma de avaliação, primeiro porque alguns temas estão fora da realidade dos monitores e o que sabemos é teoria, poderia facilitar se tivéssemos a prática. Segundo porque avaliar não é uma tarefa fácil ainda mais no que se refere à convivência dos alunos fora da sala de aula. Monitor Z. C. V.: Não encontrei dificuldades ao usar nenhum instrumento Pedagógico existente na unidade escolar. Monitor E. R. M.: minha dificuldade maior está com o caderno da realidade onde são avaliados os planos de estudos, percebe-se que eles se auto - avalia, pois sabemos que nem sempre o mesmo é merecedor da nota. Fazendo um comparativo entre os três monitores percebe-se que há uma dificuldade nos planos de estudos, mesmo porque os temas nem sempre então dentro da área em que os monitores atuam. Buscando a opinião dos monitores na quinta questão, perguntou-se: Em sua opinião se faz necessário a utilização dos instrumentos Pedagógicos para a realização de um bom trabalho? A monitora D. R. S. M. Responde que sim, mas é necessário que todos os monitores tivessem uma formação antes de entrar na escola, pois isso facilitaria o trabalho e evitaria alguns erros que acontecem no que se refere a utilização dos instrumentos pedagógicos. Monitor Z. C. V.: Com toda certeza, quanto mais se usa os instrumentos pedagógicos, melhores e mais proveitosas são as aulas e o aprendizado dos alunos. Monitor E. R. M.: responde que sim, facilita o desenvolvimento do nosso trabalho, pois os instrumentos nos auxiliam durante a Alternância. Os instrumentos pedagógicos da Pedagogia da Alternância surgiram para contribuir de forma significativa em suas experiências de vida, dando um sentido diferente em suas vivências. Esses Instrumentos não são simplesmente meios para facilitar a relação triangular: professor – ensino – aluno, mas sim para apontar uma relação mais complexa que envolve o meio situacional do aluno e sua família, fazendo uma ponte entre a vida e a Escola. Contudo percebe-se que estes questionamentos mostraram que os Instrumentos Pedagógicos utilizados na Pedagogia da Alternância fazem sim diferença na vida dos alunos, e contribui de forma significativa em sua formação integral. Não somente os alunos, mas os professores afirmam que essa nova metodologia de ensino trabalha realmente a realidade dos 11 alunos atendendo suas reais necessidades e facilitando o trabalho do educador em relação à contribuição dos ensinamentos. Para evidenciar melhor os resultados e proporcionar uma melhor discussão foi mencionada no trabalho a visita realizada a EFA de Porto Nacional, onde a mesma oportunizou esclarecimentos e ampliou muito os conhecimentos dos monitores que participaram. A visita de estudo a EFA de Porto nacional teve uma duração de 8 horas, e esse período foi muito proveitoso, pois as horas que foi possível passar na escola concedeu uma participação ativa das atividades propostas, os funcionários da Escola Família Agrícola Zé de Deus de Colinas do Tocantins que participarão, foram a coordenadora pedagógica e mais três monitores. Estava acontecendo na EFA de Porto Nacional a Semana da Cultura, onde o objetivo foi resgatar a cultura camponesa e também de propiciar um espaço de lazer e divertimento para os estudantes e familiares. O que não é diferente na EFA de Colinas que acontece no final do primeiro semestre com momento de lazer, oficinas e palestras. A visita foi essencial, pois os monitores de Colinas puderam tirar algumas dúvidas e observar que a forma de trabalho de Porto não diferencia da EFA de Colinas. Observou-se que a estrutura física de Porto dá uma comodidade maior aos alunos, bem diferente da EFA de Colinas que é bem menor, mas já na aparência percebeu-se que a EFA de Colinas tem um aspecto melhor. Verificou-se que a grade curricular do Curso Técnico em Agropecuária na EFA de Porto é distribuída em quatro anos, com aulas de sessenta minutos enquanto que em Colinas são de apenas três anos com aulas de noventa minutos. O que os diferencia também é que a EFA de Colinas é trabalhado plano de estudo, mas não como disciplina e sim como temas para estudo. Os mesmos Instrumentos Pedagógicos utilizados em Porto são utilizados em Colinas, apenas diferencia a quantidade de Planos de Estudos, Colinas, aplicam seis temas que é trabalhado por duas semanas e Porto apenas quatro, o tema é trabalhado por três semanas. Os monitores acharam mais fácil de como é distribuído às funções, por ter mais funcionários Porto distribui para cada dia um monitor responsável, todos os acontecimentos do dia é passado ao monitor que discutirá com o coordenador que é escolhido entre os alunos. 12 Isso facilita o trabalho da coordenação, direção e do monitor em sala que na maioria das vezes os problemas não são passados nem para a direção, os mesmos têm a autonomia de resolver. Os monitores tiveram a liberdade de perguntar sobre a estadia do aluno na escola e sobre o comportamento dos mesmos, quanto ao namoro na escola, saídas constantes, quais as providências tomadas quando adoeciam, se chegavam no dia e horário estabelecido e qual era o procedimento para os alunos que desrespeitavam as normas. Os monitores puderam perceber que os problemas as dificuldades existentes na EFA são os mesmos e sobre os Instrumentos Pedagógicos de Colinas não são diferentes da EFA de Porto. Achamos positiva essa visita foram tiradas muitas dúvidas e esclarecidas outras e com muitas idéias novas. Após o resultado dos questionários e visita de estudo, a oficina foi realizada em cinco etapas pelos dois monitores que já passaram pela formação, cada etapa refere-se a um instrumentos pedagógicos, na primeira etapa foi realizado passo a passo a aplicação do plano de estudo, como motivar o aluno a fazer os questionamento para pesquisa, na segunda etapa foi feita a colocação em comum do questionário de pesquisa, já na terceira etapa uma intervenção externa sobre o assunto estudado, na quarta etapa foi realizada uma síntese de todo o trabalho desenvolvido pelos mesmos e na quinta etapa os monitores em estudo colocaram em prática demonstrando todo o processo, onde se colocaram no lugar de estudante em sala de aula e mostraram um ótimo trabalho. Pode-se observar pelos trabalhos apresentados, que os monitores, por meio da oficina, obtiveram melhor entendimento sobre os Instrumentos Pedagógicos e um entusiasmo maior em trabalhar esses Instrumentos. Após a oficina, a aceitação da forma de como é desenvolvido as atividades no decorrer de cada plano de estudo, foi unânime e as dificuldades encontradas no início puderam ser sanadas, conforme depoimento da Monitora D. R. M. “Apesar da coordenação passar muito bem de como se utilizava os instrumentos Pedagógicos, com a oficina foi possível vivenciar de uma forma mais concreta, sendo possível melhorar a forma de passar o conhecimento ao aluno”. Cada um pode perceber que são esses instrumentos que fazem a diferença na Pedagogia da Alternância, e a aplicação dos últimos P.E., por esses monitores, pode atender melhor os estudantes no que diz respeito a cada etapa desenvolvida. 13 3. CONCLUSÃO A pesquisa apresentada partiu de uma problemática entre os monitores que por não terem uma formação na Pedagogia da Alternância e se viam em dificuldades em trabalhar alguns dos Instrumentos Pedagógicos, esse estudo teve como o objetivo visualizar essas dificuldades. Considerou-se que a pesquisa foi de suma importância para obter um olhar crítico construtivo a respeito dessas dificuldades apresentadas pelos monitores participantes da pesquisa. A aplicação do questionário possibilitou esclarecer as dificuldades comumente encontradas pelos monitores. Ficou claro que, de alguma forma, os monitores em pesquisa, não tinham totalmente um conhecimento sobre a Pedagogia da Alternância o que refletiu em alguma dificuldade em trabalhar com os Instrumentos pedagógicos. Verificou-se então que a Pedagogia da Alternância favorece a convivência entre a equipe da escola com a família, oferecendo o desenvolvimento de um vinculo afetivo com os pais e a comunidade onde moram. Isso foi possível perceber pelo Caderno da Realidade, que é um dos Instrumentos Pedagógicos. Concluiu-se, portanto que pelo fato de não terem participado de uma capacitação os monitores em estudo após visitas e ao participarem das oficinas realizadas na própria escola puderam esclarecer de forma satisfatória as dúvidas existentes em cada Instrumento Pedagógico utilizado na Pedagogia da Alternância. Contudo pode-se observar que a pesquisa foi positiva, pois os dados mostraram que a Pedagogia da Alternância tem uma contribuição significativa na vida do jovem e toda a equipe escolar principalmente dos monitores. Mesmo com as dificuldades que a escola enfrenta, percebe-se a satisfação e anseios entre os monitores em trabalhar na Escola Municipal Família Agrícola Zé de Deus de Colinas do Tocantins. E por fim, espera-se que a pesquisa venha realmente contribuir para uma reflexão, no sentido de avaliar todo o processo do ensino-aprendizado da EFA, para melhor aplicabilidade da proposta, no que se refere o papel primordial dos monitores, direção, coordenação, família e alunos. Por isso, acredita-se que a pesquisa pôde colaborar na discussão sobre a Pedagogia da Alternância como instrumento a partir da sensibilização de todos os atores envolvidos com a proposta. 14 Considerando os resultados obtidos, é possível afirmar que os objetivos dessa investigação foram alcançados e que as ações desenvolvidas contribuíram para qualificar as práticas pedagógicas desses monitores. No entanto, tem-se consciência de que este não é um trabalho pronto e que o mesmo pode ser ampliado e/ou reformulado mediante novas pesquisas na evolução do conhecimento. 15 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BEGNAMI, J. B. Experiência das Escolas Famílias Agrícolas - EFAs do brasil. 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