ESCOLA SECUNDÁRIA ALVES MARTINS
VISEU
Datas da visita: 12 e 13 de Abril de 2007
Relatório de Avaliação Externa
I – Introdução
A Lei n.º 31/2002, de 20 de Dezembro, aprovou o sistema de avaliação dos estabelecimentos de educação
pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, definindo orientações gerais para a auto-avaliação e para a
avaliação externa. Por sua vez, o programa do XVII Governo Constitucional estabelece o lançamento de um
“programa nacional de avaliação das escolas básicas e secundárias que considere as dimensões fundamentais
do seu trabalho”.
Após a realização de uma fase piloto, da responsabilidade de um Grupo de Trabalho (Despacho conjunto n.º
370/2006, de 3 de Maio), a Senhora Ministra da Educação incumbiu a Inspecção-Geral da Educação de acolher e dar continuidade ao processo de avaliação externa das escolas. Neste sentido, apoiando-se no modelo
construído e na experiência adquirida durante a fase piloto, a IGE está a desenvolver esta actividade.
O presente relatório expressa os resultados da avaliação externa da Escola Secundária Alves Martins, realizada pela equipa de avaliação que visitou a Escola em 12 e 13 de Abril de 2007.
Os diversos capítulos do relatório – caracterização da unidade de gestão, conclusões da avaliação, avaliação
por domínio-chave e considerações finais - decorrem da análise dos documentos fundamentais da Escola, da
apresentação de si mesmo efectuada pela Escola e da realização de múltiplas entrevistas em painel.
Espera-se que o processo de avaliação externa fomente a auto-avaliação e resulte numa oportunidade de
melhoria para a Escola, constituindo este relatório um instrumento de reflexão e de debate. De facto, ao identificar pontos fortes e pontos fracos, bem como oportunidades de desenvolvimento e constrangimentos, a
avaliação externa oferece elementos para a construção ou o aperfeiçoamento de planos de melhoria e de
desenvolvimento de cada escola, em articulação com a administração educativa e com a comunidade em que
se insere.
A equipa de avaliação congratula-se com a atitude de colaboração demonstrada pelas pessoas com quem
interagiu na preparação e no decurso da avaliação.
O texto integral deste relatório, bem como um eventual contraditório apresentado pela Escola, será oportunamente disponibilizado no sítio internet da IGE (www.ige.min-edu.pt).
Escala de avaliação utilizada – níveis de classificação dos cinco domínios
Muito Bom - A escola revela predominantemente pontos fortes, isto é, o seu desempenho é mobilizador e evidencia uma
acção intencional sistemática, com base em procedimentos bem definidos que lhe dão um carácter sustentado e sustentável
no tempo. Alguns aspectos menos conseguidos não afectam a mobilização para o aperfeiçoamento contínuo.
Bom - A escola revela bastantes pontos fortes, isto é, o seu desempenho denota uma acção intencional frequente, relativamente à qual foram recolhidos elementos de controlo e regulação. Alguns dos pontos fracos têm impacto nas vivências dos
intervenientes. As actuações positivas são a norma, mas decorrem frequentemente do empenho e iniciativa individuais.
Suficiente - A escola revela situações em que os pontos fortes e os pontos fracos se contrabalançam, mostrando frequentemente uma acção com alguns aspectos positivos, mas pouco determinada e sistemática. As vivências dos alunos e demais
intervenientes são empobrecidas pela existência dos pontos fracos e as actuações positivas são erráticas e dependentes do
eventual empenho de algumas pessoas. As acções de aperfeiçoamento são pouco consistentes ao longo do tempo.
Insuficiente - A escola revela situações em que os pontos fracos ultrapassam os pontos fortes e as vivências dos vários intervenientes são generalizadamente pobres. A atenção prestada a normas e regras tem um carácter essencialmente formal, sem
conseguir desenvolver uma atitude e acções positivas e comuns. A capacidade interna de melhoria é muito limitada, podendo
existir alguns aspectos positivos, mas pouco consistentes ou relevantes para o desempenho global.
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II – Caracterização da Unidade de Gestão
A Escola encontra-se situada no centro da cidade de Viseu, capital de distrito que, nos últimos anos, tem
assistido a um importante surto de desenvolvimento, projectando o concelho para um contexto socio-cultural
alto. Possui uma grande área envolvente arborizada, ajardinada e apetrechada com equipamentos desportivos
e estacionamento autónomo. As instalações específicas foram modernizadas e as salas de aula estão em bom
estado de conservação. Os corredores do edifício são amplos, havendo facilidade de circulação. Os espaços
estão devidamente identificados e existe sinalética para uma eventual necessidade de evacuação dos utentes,
com iluminação de emergência adequada. Existe também equipamento de detecção de intrusão e incêndio e
armazém de reagentes. Importa também referir que o edifício está devidamente apetrechado para alunos com
mobilidade condicionada (com rampas e elevadores), podendo estes deslocar-se autonomamente por toda a
Escola. Os espaços específicos são variados, destacando-se: laboratórios de ciências e de informática, auditório, anfiteatro, biblioteca/centro de recursos, gabinetes e salas de trabalho diversificados. Entretanto, ainda ao
nível das infra-estruturas, são evidentes aspectos que condicionam o desenvolvimento das actividades de
educação física, nomeadamente a existência de: um pavilhão gimnodesportivo, que se encontra desactivado
por não oferecer as mínimas condições de segurança e de trabalho; um polidesportivo exterior a necessitar de
novo piso e vedação.
No corrente ano lectivo, a Escola serve uma população escolar de 2259 alunos, predominantemente oriundos
do meio urbano, havendo, no entanto, alunos provenientes das freguesias periurbanas e de outros territórios
educativos, designadamente dos concelhos limítrofes, que a procuram por oferecer cursos inexistentes nas
suas localidades. Sendo uma Escola exclusivamente com ensino secundário, prevalece a oferta de cursos
científico-humanísticos (1415 alunos - 62,6%), cursos tecnológicos (69 alunos - 3,1%), ensino recorrente
modular (196 alunos - 8,7%) e ensino recorrente por Sistema de Unidades Capitalizáveis –SUCS - (579 alunos
- 25,6%).
O contexto socio-económico e cultural da maioria das famílias é médio-alto, daí a reduzida percentagem de
alunos que beneficiam do apoio da acção social escolar. Presentemente, só 11% dos alunos beneficia do referido apoio (escalão A – 81 – 3,6%; escalão B – 76 – 3,4%). No que respeita às categorias socioprofissionais
dos pais dos alunos, é de realçar que 37,6% trabalha no comércio e serviços, 14% no sector da educação
(docentes) e 13,7% são empresários da indústria e do comércio. Também ao nível das habilitações académicas é de destacar que 30% dos pais dos alunos possui um curso do ensino superior, 23,5% o ensino secundário, 15% o 3.º ciclo, 16% o 2.º ciclo e 15% o 1.º ciclo. É ainda de registar que 1407 alunos (62%) dispõem de
computador em casa, sendo que 1085 (48%) possuem uma ligação à Internet.
O corpo docente é bastante estável: de um total de 194 docentes, 151 são do quadro, 5 do quadro de zona
pedagógica, 16 destacados e 22 contratados. A maioria dos docentes revela uma larga experiência profissional
(88 docentes situam-se entre os 25 e 35 anos de experiência profissional e 52 docentes entre os 15 e 25 anos
de experiência profissional). O corpo de pessoal não docente é constituído por 63 elementos, distribuídos
pelos diferentes sectores, sendo que 37 pertencem ao quadro, possuindo, em média, como habilitações literárias o ensino secundário.
III – Conclusões da avaliação
1. Resultados
Bom
A Escola tem vindo a proceder a uma análise dos resultados escolares dos alunos, de forma a poder definir,
em tempo útil, estratégias e planos de melhoria. É reconhecido pelos diferentes profissionais que os resultados escolares alcançados pelos alunos atingem níveis de sucesso bastante satisfatórios, quando comparados a
nível nacional e/ou com outras escolas da região, embora ainda não atinjam o nível desejado (sucesso a
100%).
Efectivamente, os dados revelam uma redução no número de retenções nos 10.º e 11.º anos de escolaridade.
Com efeito, em 2003/2004, a taxa de insucesso no 10.º ano foi de 24,5%; em 2004/2005 decresceu para
19,2% e em 2005/2006 situou-se nos 9,12%. Por sua vez, a taxa de insucesso no 11.º ano, em 2003/2004,
foi de 12,58%, sendo que em 2004/2005 reduziu para cerca de metade (6,58%).
No entanto, relativamente ao 12.º ano de escolaridade, a taxa de sucesso dos alunos, verificada em 2006, foi
apenas de 58,4%. Um exercício de análise, relativo ao último ciclo de alunos matriculados em 2003/2004,
revela que a taxa de sucesso dos que concluíram o ciclo de três anos, sem retenções, não vai além dos
53,30%, pois, dos 403 alunos inscritos no 10.º ano, só 215 concluíram o ciclo de estudos sem qualquer retenção, traduzindo-se num desperdício considerável.
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Entretanto, o abandono escolar não é significativo (1%). Por exemplo, no presente ano lectivo, dos 10 alunos
do 10.º ano que abandonaram a Escola, cinco matricularam-se numa Escola Profissional; um continua os
estudos no estrangeiro e dos restantes quatro alunos a Escola não tem ainda dados.
As taxas de conclusão do ensino recorrente por sistema de unidades capitalizáveis são elevadas, sendo muitos
os alunos que acabam por ingressar no ensino superior (134 alunos em 2004/2005). Por sua vez, o ensino
recorrente por módulos apresenta um nível de aproveitamento de 95% (10.º e 11.º anos).
A Escola valoriza e estimula a participação dos alunos nas actividades de âmbito curricular e extracurricular,
como forma de contribuir para a sua formação integral. São muitas e de qualidade as actividades extracurriculares em que os alunos se envolvem anualmente.
Os alunos têm, de um modo geral, um comportamento disciplinado, conhecendo e cumprindo as regras de
conduta instituídas, quer de âmbito geral, quer ao nível da turma e da sala de aula. Os diversos elementos da
comunidade educativa mostram-se satisfeitos com a ordem estabelecida e com o clima de respeito mútuo
entre todos.
A Escola tem conhecimento do impacto da sua acção educativa não só junto da comunidade local, mas também junto de instituições de âmbito regional e nacional, personalidades e estabelecimentos de ensino superior. A Escola é fundamentalmente reconhecida como um estabelecimento de ensino secundário de qualidade,
vocacionado para o prosseguimento de estudos.
2. Prestação do serviço educativo
Bom
A articulação intra-departamental tem evoluído positivamente, sendo reconhecida como um dos factores indispensáveis à garantia da qualidade do serviço educativo. A Escola reconhece esta realidade e tem procurado
desenvolver estratégias para a consolidação de uma cultura institucionalizada do trabalho de equipa ao nível
do corpo docente.
Os departamentos acompanham o desenvolvimento dos programas e realizam a supervisão e a monitorização
dos resultados escolares dos alunos e a qualidade pedagógica e científica da actividade lectiva. Todavia, não
existe ainda um trabalho profundo de articulação com os conselhos de turma, no sentido de ajustar o planeamento às dificuldades de aprendizagem identificadas. Assim como não se verifica, também, a existência de
uma cultura devidamente assimilada para o acompanhamento e a supervisão interna da prática lectiva em
sala de aula. Desta forma, não estão previstos mecanismos específicos de actuação para o enquadramento
dos docentes que manifestem dificuldades na leccionação.
A Escola promove a integração activa de todos os alunos, dando particular atenção aos que revelam necessidades educativas especiais.
A Escola é procurada, essencialmente, por alunos que pretendem prosseguir estudos nas vertentes dos cursos
científico-humanísticos, com especial preferência pelas ciências e tecnologias. É fomentado um conjunto de
actividades e projectos para o desenvolvimento das dimensões culturais e artísticas que tem garantido uma
forte adesão dos alunos e o reconhecimento da comunidade.
3. Organização e gestão escolar
Muito Bom
A Escola apresenta um planeamento de qualidade, devidamente calendarizado, estruturado, articulado e alinhado com os objectivos e prioridades do Projecto Educativo.
A Direcção da Escola faz uma gestão correcta dos seus recursos humanos. Conhece as competências profissionais e pessoais de cada um e têm-nas em conta na distribuição das diversas tarefas.
A Escola dispõe de recursos financeiros capazes de satisfazer as despesas correntes e com isso proporcionar
os bens e as condições necessárias ao desenvolvimento das actividades educativas. A Escola não se limita a
gerir os recursos financeiros oriundos do Orçamento de Estado, desenvolvendo uma política, bem sucedida, de
angariação de verbas junto das autoridades locais, regionais e nacionais.
É evidente a existência de uma política no sentido de atrair os pais e os encarregados de educação à Escola e
de os co-responsabilizar pelo processo educativo.
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4. Liderança
Bom
A Escola tem metas claras e avaliáveis para a sua acção educativa. As prioridades e os objectivos subjacentes
ao Projecto Educativo foram estabelecidos para que a Escola se assuma como uma comunidade de aprendizagens e um espaço de socialização e de intervenção ética e cívica.
A Escola goza de uma liderança forte, atenta e motivadora, capaz de gerar compromissos e responsabilidades
partilhadas a diferentes níveis, por forma a que todos os agentes se tornem corresponsáveis pelo desenvolvimento das tarefas e pelos resultados produzidos.
Os diferentes profissionais da Escola possuem um conhecimento das suas áreas de acção e mostram-se
empenhados e motivados na definição e implementação de estratégias para a melhoria do serviço educativo,
subsistindo um discurso de expectativas elevadas face ao desempenho escolar dos alunos. Contudo, as coordenações dos departamentos e dos conselhos de turma não revelam um desempenho significativo ao nível da
articulação e sequencialidade das aprendizagens, bem como no âmbito da monitorização das práticas lectivas.
A Escola está aberta à inovação, patente na diversidade de actividades de enriquecimento curricular e no
desenvolvimento e envolvimento em projectos, abertos à participação dos alunos, dos professores, dos funcionários, das famílias e da comunidade em geral e na celebração de parcerias e protocolos com entidades
locais e regionais.
5. Capacidade de auto-regulação e melhoria da escola
Bom
A Escola faz uma avaliação do seu trabalho traduzida na produção de relatórios de balanço final pelas diferentes estruturas educativas. Estes balanços são objecto de reflexão e de análise conjunta em sede de Conselho
Pedagógico, onde se procura definir planos de acção para a melhoria das debilidades identificadas.
A Escola tem também por hábito fazer a recolha de dados estatísticos, no final de cada período, para proceder
à monitorização dos resultados escolares dos alunos e para definir algumas estratégias para os casos problema. Os dados analisados, no final do ano, são comparados com os resultados obtidos nos exames nacionais.
Apesar dos progressos verificados em torno das actividades de auto-avaliação, não são abrangidos, de forma
sistemática e consistente, as quatro áreas-chave do trabalho da Escola – resultados; processo ensinoaprendizagem; gestão; factores contextuais –, bem como ainda não foram produzidos os efeitos desejados.
IV – Avaliação por domínio-chave
1. Resultados
1.1 Sucesso académico
A Escola analisa de forma regular os resultados académicos dos alunos. No final de cada período, o Conselho
Executivo elabora um histograma relativo às classificações atribuídas aos alunos, sendo subsequentemente
analisado em Conselho Pedagógico, nos diversos Departamentos Curriculares e na Assembleia de Escola.
Acresce que, no final de cada ano lectivo, é solicitado a cada estrutura educativa a elaboração de um relatório
crítico sobre o trabalho realizado, a fim de ser analisado em sede de Conselho Pedagógico e de Assembleia de
Escola.
Assim, os dados revelam uma redução no número de retenções nos 10.º e 11.º anos de escolaridade. Com
efeito, em 2003/2004, a taxa de insucesso no 10.º ano foi de 24,5%; em 2004/2005 decresceu para 19,2% e
em 2005/2006 situou-se nos 9,12%. Por sua vez, a taxa de insucesso no 11.º ano, em 2003/2004, foi de
12,58%, sendo que em 2004/2005 reduziu para cerca de metade (6,58%). No entanto, relativamente ao 12.º
ano de escolaridade, a taxa de sucesso dos alunos, verificada em 2006, não foi além de 58,4%.
Porém, um exercício de análise, relativo último ciclo de alunos matriculados em 2003/2004, revela que a taxa
de sucesso dos que concluíram o ciclo de três anos, sem retenções, foi apenas de 53,30%, pois, dos 403
alunos inscritos no 10.º ano, só 215 concluíram o ciclo de estudos sem qualquer retenção, o que faz questionar as razões do desperdício verificado.
Entretanto, o abandono escolar não é significativo (1%). Por exemplo, no presente ano lectivo, dos 10 alunos
do 10.º ano que abandonaram a Escola, cinco matricularam-se numa Escola Profissional; um continua os
estudos no estrangeiro e dos restantes quatro alunos a Escola não tem ainda dados.
As taxas de conclusão do ensino recorrente por sistema de unidades capitalizáveis são elevadas, sendo muitos
os alunos que acabam por ingressar no ensino superior (134 alunos em 2004/2005). Por sua vez, o ensino
recorrente por módulos apresenta um nível de aproveitamento de 95% (10.º e 11.º anos).
A Escola tem vindo a proceder a uma análise dos resultados escolares dos alunos, de forma a poder definir,
em tempo útil, estratégias e planos de melhoria. No entanto, é reconhecido pelos diferentes profissionais que
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os resultados alcançados ficam aquém do valor esperado, apesar de atingirem níveis de sucesso bastante
satisfatórios quando comparados a nível nacional e/ou com outras escolas da região.
1.2 Participação e desenvolvimento cívico
A Escola envolveu os alunos e restantes membros da comunidade educativa na elaboração do Projecto Educativo, através do preenchimento de inquéritos sobre os problemas e as prioridades de acção educativa.
A Escola valoriza e estimula a participação dos alunos nas actividades de âmbito curricular e extracurricular,
como forma de contribuir para a sua formação integral. Evidencia-se, pelo nível de excelência alcançado, o
Grupo de Iniciativas Editorais. Alguns dos trabalhos produzidos e consequentes ilustrações são, na maioria dos
casos, da autoria dos alunos e, devido à sua qualidade, foram objecto de publicação. Destacam-se, a título de
exemplo, as seguintes edições: “Vai Haver Natal”, “Contos de Nós” e “Poemas D’Água”. Sobressaem ainda
outras actividades directamente relacionadas com a participação e desenvolvimento cívico, tais como: recolha
de sangue; construção e equipamento da Escola de Mwanona em Moçambique, projecto de solidariedade no
qual se empenharam os alunos da Escola; participação no Parlamento Europeu dos Jovens; participação regular em actividades (olimpíadas) de âmbito nacional e internacional; projecto de voluntariado e de decoração
das salas de pediatria do Hospital Distrital de Viseu, concebido e em fase de implementação pelos alunos de
Artes Visuais, no âmbito da Área de Projecto; Projecto de Educação para a Saúde; Gabinete de Apoio à Saúde
do Adolescente.
Existe uma Associação de Estudantes. Nas últimas eleições, apresentaram-se a sufrágio três listas de alunos,
o que, por si só, é demonstrativo do espaço de abertura, participação responsável e convivência democrática
desenvolvido pela Escola. A Direcção da Associação de Estudantes é directamente responsável pela organização de algumas actividades, como sejam: Festa de Natal, Festa de final de ano e Torneios de Futebol e de
Voleibol.
A Escola desenvolve uma estratégia para a valorização do desempenho dos alunos. Desta forma, aos alunos
com melhores resultados académicos, é atribuído um certificado de mérito e aos alunos que se destacam na
promoção de acções de cariz humanitário é também concedido um diploma de mérito.
Infere-se do discurso dos alunos a existência de uma relação de pertença, decorrente do bom relacionamento
entre os diversos membros da comunidade educativa, onde predomina, em regra, o reconhecimento da autoridade e o respeito mútuo.
1.3 Comportamento e disciplina
Os alunos têm, de um modo geral, um comportamento disciplinado, conhecendo e cumprindo as regras de
conduta instituídas, quer de âmbito geral, quer ao nível da turma e da sala de aula. Os diversos elementos da
comunidade educativa mostram-se satisfeitos com a ordem estabelecida e com o clima de respeito mútuo
entre todos.
Os casos de indisciplina são esporádicos, não havendo registos de situações que tenham constituído um problema alarmante. A Escola tem efectuado alguns estudos internos sobre este fenómeno. Assim, no ano lectivo
de 2004/2005, por exemplo, das 15 participações efectuadas ao Conselho Executivo, 11 deram origem a procedimento disciplinar, sendo que as sanções aplicadas variaram entre a mera repreensão e a suspensão das
actividades lectivas até a um máximo de 7 dias. No presente ano lectivo, ocorreram 9 casos de natureza disciplinar que se traduziram na aplicação de medidas educativas de suspensão. Na origem destas participações
estão principalmente prejuízos causados em equipamentos, faltas de respeito entre alunos, ameaças e agressões e comportamento inadequado ao nível da sala de aula. Mesmo tendo em conta a existência de comportamentos esporádicos de indisciplina, a opinião geral é a de que subsiste um bom relacionamento entre alunos, professores e funcionários, sendo por todos reconhecida a existência de um clima tranquilo e bem organizado, propício ao desenvolvimento das relações de ensino e de aprendizagem.
A Escola realiza um levantamento semanal da assiduidade dos alunos e, caso algum esteja a faltar injustificadamente, é comunicado ao encarregado de educação, sendo solicitada a sua presença para um reunião com o
director de turma, por forma a que a situação seja devidamente normalizada.
1.4 Valorização e impacto das aprendizagens
A Escola tem conhecimento do impacto da sua acção educativa não só junto da comunidade local, mas também junto de instituições de âmbito regional e nacional, personalidades e estabelecimentos de ensino superior. A Escola é fundamentalmente reconhecida como um estabelecimento de ensino secundário de qualidade,
vocacionado para o prosseguimento de estudos. Com efeito, dos 1484 alunos matriculados no ensino diurno,
no presente ano lectivo, 1415 (95%) estão inscritos em Cursos Científico-Humanísticos, enquanto que os
Cursos Tecnológicos são frequentados por 69 alunos (5%).
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Os pais e encarregados de educação manifestam elevada satisfação com o trabalho desenvolvido pela Escola.
Asseguram que os docentes formam um corpo profissional muito competente, sendo esta a razão principal da
escolha da Escola para a matrícula dos filhos, após a conclusão do 9.º ano numa das escolas básicas do concelho e mesmo da região. Aliado ao discurso do bom desempenho profissional dos professores, os pais dizem
conhecer os resultados escolares dos alunos, incluindo os dos exames nacionais, e entendem que as classificações obtidas são elevadas. De um modo geral, mostram também agrado com o desempenho dos auxiliares
de acção educativa e dos restantes funcionários, bem como com os serviços disponibilizados.
A Escola tem promovido um leque diversificado de actividades que visam a formação integral dos alunos,
fomentando uma educação multifacetada e plural.
Os alunos, tal como os pais e professores, também são portadores de um discurso de elevadas expectativas
face ao impacto das aprendizagens ministradas na Escola. Os alunos, na sua maioria, são portadores de um
projecto de vida, que passa, essencialmente, por ingressar e concluir um curso superior, ideia que é partilhada também por muitos dos alunos que frequentam o ensino nocturno.
2. Prestação do serviço educativo
2.1 Articulação e sequencialidade
A Escola investe na articulação intra-departamental como factor indispensável para garantir a qualidade do
serviço educativo que presta. Neste sentido, foram instituídas algumas estratégias promotoras do trabalho
cooperativo, nomeadamente a criação do tempo de escola (TE) destinado a desenvolver um trabalho conjunto
entre professores, designadamente, para a preparação de materiais, do planeamento e da elaboração de
matrizes, bem como para a troca de experiências. Os proveitos desta política têm gerado formas positivas de
articulação entre os docentes da mesma disciplina, reflectidas na partilha e troca de materiais, na definição e
aplicação de critérios comuns de avaliação e no desenvolvimento de instrumentos de trabalho de suporte à
actividade lectiva.
Contudo, não há registo de evidências que demonstrem a existência de uma interacção, consistente e sistemática, no âmbito da articulação e sequencialidade das aprendizagens. Também não se verifica a existência
de interacção com outras escolas, donde provém grande parte dos alunos, na comparação dos resultados e na
definição de uma política de cooperação e de interajuda, que permita colmatar as dificuldades dos alunos à
entrada do ensino secundário. Em tempos, foi encetada uma experiência de articulação com as escolas básicas do Concelho de Viseu, no sentido de se aferirem os resultados escolares obtidos pelos alunos na transição
para o ensino secundário. O objectivo desta iniciativa era devolver informação de retorno que permitisse às
escolas definir linhas de actuação para colmatar eventuais divergências. Acontece que esta prática não foi
continuada, perdendo-se a oportunidade de aproveitar dados qualitativos e quantitativos de referência para
fomentar a reflexão interna e interescolas.
Os Serviços de Psicologia e Orientação Escolar têm apoiado as famílias e os alunos na definição das opções
sobre os percursos escolares. Os alunos consideram-se devidamente informados e aconselhados sobre o leque
de escolhas e ofertas educativas disponibilizadas. De qualquer forma, nos últimos anos, o número de atendimentos efectuados pelos Serviços de Psicologia e Orientação tem vindo a diminuir, facto que a psicóloga responsável associa à sucessiva desvalorização do serviço e ao desconhecimento que os alunos possuem do
mesmo. Também não é evidente que sejam desenvolvidas acções de articulação com os Serviços de Psicologia
e Orientação de outras escolas e/ou agrupamentos, designadamente daqueles donde provém a maioria dos
alunos que prosseguem estudos na Escola.
2.2 Acompanhamento da prática lectiva em sala de aula
Os departamentos curriculares, de acordo com as orientações do Conselho Pedagógico, asseguram a planificação, a longo e a médio prazos, das actividades pedagógicas a desenvolver pelos professores nos domínios da
implementação dos planos curriculares das diferentes componentes disciplinares, da proposta dos critérios de
avaliação das aprendizagens e ainda de outras actividades educativas. A planificação é formalizada em documentos próprios de registo, que são disponibilizados aos interessados. São também os departamentos curriculares que asseveram a análise do desenvolvimento dos programas no final de cada período, no que toca ao
seu cumprimento, à supervisão e à monitorização dos resultados escolares, bem como à qualidade pedagógica e científica da actividade lectiva. Contudo, não se verifica a existência de um trabalho profundo de articulação com os conselhos de turma, no sentido de ajustar o planeamento às dificuldades de aprendizagem identificadas. Assim como também não se verifica a existência de uma cultura devidamente assimilada para o
acompanhamento e a supervisão interna da prática lectiva em sala de aula. Muito embora os departamentos
curriculares prestem o apoio aos casos manifestos de dificuldades científicas e pedagógicas, não estão previsESCOLA SECUNDÁRIA ALVES MARTINS - VISEU
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tos mecanismos específicos de actuação para o enquadramento dos docentes que revelem dificuldades na
leccionação.
As diferentes estruturas pedagógicas da Escola têm promovido uma atitude concertada na definição de critérios de avaliação comuns, com o fim de garantir a confiança na avaliação interna e nos resultados. Por conseguinte, foi produzido um dispositivo geral de avaliação, que é público, conhecido e compreendido pelos docentes, pelos alunos e respectivas famílias. Por sua vez, os departamentos e os grupos disciplinares afins definiram dispositivos de avaliação próprios, subjugados aos critérios gerais de avaliação, que são analisados e
discutidos com os alunos. Por esta via, pretende-se calibrar testes e classificações coerentes com as práticas
de ensino, que passa, por vezes, pela aplicação do mesmo instrumento de avaliação a turmas diferenciadas. A
utilidade destes instrumentos é realçada pelo número diminuto de reclamações apresentadas pelos pais e
encarregados de educação sobre as avaliações dos seus educandos. Por outro lado, são efectuadas análises e
comparações das classificações internas com as externas, a partir dos exames nacionais das diversas disciplinas no ensino secundário, e que têm impulsionado a reflexão sobre os resultados alcançados e a definição de
estratégias com vista à melhoria contínua. Todavia, subsistem ainda contrariedades na análise dos resultados
da avaliação contínua dos alunos, que permita projectar esta avaliação como um processo formativo, regulador das aprendizagens dos alunos e orientador do seu percurso escolar. A Escola produz ainda dados estatísticos sobre os resultados dos seus alunos, no final de cada período lectivo, que são analisados e discutidos no
seio das estruturas pedagógicas, visando a definição de estratégias de melhoria.
Os docentes e não docentes são auscultados sobre as suas necessidades de formação e têm participado em
várias acções. Porém, não existem dados que permitam estabelecer uma análise sobre o seu impacto nas
práticas lectivas e no desempenho dos alunos.
2.3 Diferenciação e apoios
A Escola promove acções que visam a integração/inclusão de todos os alunos. No início de cada ano lectivo é
dispensada uma particular atenção ao acolhimento dos alunos do 10.º ano de escolaridade e aos que se
encontram integrados nas necessidades educativas especiais. Os directores de turma assumem, nesta vertente, as tarefas fundamentais. São eles que, no início de cada ano lectivo, recebem os alunos e procedem à
entrega e explicação de um desdobrável sobre um conjunto de informações úteis relacionadas com o funcionamento da Escola: direitos e deveres dos alunos, horários, calendário escolar, planta e serviços disponibilizados pela Escola. É também aos directores de turma que é incumbida a tarefa de efectuarem uma visita guiada
à Escola com os novos alunos, por forma a que estes se familiarizem com a localização e funcionamento dos
principais serviços. Por sua vez, a Direcção da Escola promove a realização de reuniões periódicas com os
delegados e subdelegados das turmas, onde são discutidos e analisados problemas relacionados com os interesses dos alunos.
O acompanhamento dos alunos com necessidades educativas especiais é adequado e realizado por professores e técnicos empenhados, com bom nível de participação e de trabalho colaborativo. Os alunos com necessidades educativas de carácter prolongado beneficiam de condições especiais de avaliação, apoio pedagógico
acrescido e de adaptações curriculares.
O trabalho conjunto entre os Serviços de Psicologia e Orientação e os Serviços de Apoio Educativo permite
que a sinalização e a avaliação psicológica dos alunos sejam efectuadas de forma adequada. Os planos educativos individuais são realizados em função da análise cuidada de cada aluno.
A Escola dispõe de núcleos de apoio educativo que têm por finalidade promover a integração dos alunos com
necessidades educativas especiais numa perspectiva de escola inclusiva, contando com o apoio e a colaboração de outros parceiros e instituições, designadamente do Hospital S. Teotónio de Viseu, da Câmara Municipal
de Viseu e do Centro de Saúde n.º 3. É de realçar que a taxa de abandono de alunos com necessidades educativas especiais é praticamente nula, muito por força do entusiasmo e empenho dos próprios alunos, dos
profissionais e das famílias, o que tem permitido alcançar patamares de sucesso significativo.
Os alunos do 10.º e 11.º anos, que revelem dificuldades de aprendizagem (não integradas nas necessidades
educativas especiais), também beneficiam de apoios específicos inseridos nos respectivos horários, nas disciplinas de Biologia e Geologia, Física e Química e ainda de outras disciplinas por indicação dos conselhos de
turma nas reuniões do 3.º período. O Centro de Recursos Educativos disponibiliza também espaços e actividades de apoio pedagógico em todas as disciplinas, aos quais os alunos podem aceder livremente.
2.4 Abrangência do currículo e valorização dos saberes e da aprendizagem
A Escola é procurada essencialmente por alunos que pretendem prosseguir estudos nas vertentes dos cursos
científico-humanísticos, com especial preferência pelas ciências e tecnologias. Por sua vez, a procura de cursos tecnológicos não tem expressão significativa, encontrando-se em funcionamento apenas o curso de multimédia, frequentado por uma única turma em cada ano de escolaridade.
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A Escola fomenta um conjunto de actividades e projectos para o desenvolvimento das dimensões culturais e
artísticas, procurando envolver a comunidade educativa. De entre esses dispositivos contam-se, entre outros:
publicação do jornal “Entre Nós”, na forma impressa e versão electrónica; edição de um Anuário; publicação
de várias obras (“O Liceu de Viseu – Subsídio para a sua história - 1999”, “Cancioneiro de Natal – 2002”, “Os
caminhos do pão – 2003”, “Contos de Nós – 2005”, “José Oliveira Berardo – 1.º Reitor do Liceu de Viseu –
2005”, “Poemas d’Água – 2006”); realização de diversas exposições; conferências de âmbito científico, cultural e artístico, com personalidades de prestígio nacional; tertúlias mensais; jornadas de cariz pedagógico;
participação regular nas Olimpíadas de Matemática, do Ambiente, da Física e da Química; semana da divulgação científica (anual); realização de peças de teatro, em parceria com várias companhias de teatro (ACERT,
Teatro Montemuro e Teatro Viriato); realização de actividades de solidariedade (dádiva de sangue, recolha de
fundos para a Liga Portuguesa contra o Cancro, Assistência Médica Internacional…); organização do concurso
de selecção do Parlamento Europeu dos Jovens (2005); participação regular no Jogo do Hemiciclo e Parlamento dos Jovens.
A aposta nas actividades de carácter pedagógico, cultural, científico e de solidariedade tem garantido uma
forte adesão dos alunos. Muitas destas actividades têm granjeado elogios de diversas personalidades e instituições e merecido a atribuição de diversos prémios, por exemplo: 1.º prémio ao jornal da Escola “Entre Nós”,
atribuído pelo Público (1999); Medalha de ouro nas Olimpíadas Ibero-Americanas de Física (2002); Prémio
“Ciência Viva” de astronomia, contemplando os alunos vencedores com uma viagem à Agência Espacial Europeia (2004); melhor deputado – jogo Hemiciclo da Cidadania (2005); prémio Público/Gradiva da Física
(2004). Os alunos destacaram a importância destas actividades e dos prémios conquistados na valorização
educativa de toda a comunidade escolar.
A Escola possui condições ideais para o desenvolvimento de actividades de carácter experimental, dispondo de
laboratórios modernizados e bem apetrechados. Os alunos referem realizar, com frequência, actividades experimentais, em contexto de laboratório, nas disciplinas das Ciências Físicas e Químicas e da Biologia.
3. Organização e gestão escolar
3.1 Concepção, planeamento e desenvolvimento da actividade
A Escola apresenta um planeamento de qualidade, devidamente calendarizado, estruturado, articulado e alinhado com os objectivos do Projecto Educativo. O Plano Anual de Actividades dá corpo a um conjunto de
actividades que procuram responder, de modo eficaz, às prioridades traçadas no Projecto Educativo. As actividades inseridas no referido plano estão também correlacionadas com os respectivos programas das diferentes
disciplinas do currículo.
As diversas estruturas de orientação pedagógica realizam uma planificação anual do trabalho pedagógico e
procedem aos reajustamentos necessários, de forma a dar resposta às necessidades dos alunos. Semanal ou
quinzenalmente, os professores do grupo disciplinar reúnem para elaborarem, em conjunto, diversos trabalhos relacionados com a prática lectiva e a avaliação dos alunos, bem como para procederem à apreciação do
grau de consecução das actividades lectivas e não lectivas já realizadas.
A concepção, planificação e organização das aulas de substituição têm merecido, no presente ano lectivo,
elogios por parte dos diversos interlocutores. Os alunos fazem ressaltar a facto de os professores se mostrarem disponíveis para irem de encontro aos seus interesses e necessidades e não ficarem “agarrados ao plano
de aula”, previamente elaborado e entregue na coordenação desta actividade.
3.2 Gestão dos recursos humanos
A Direcção da Escola realiza uma gestão adequada dos recursos humanos. Conhece as competências profissionais e pessoais de cada um e têm-nas em conta na distribuição das diversas tarefas.
A afectação dos docentes obedece às prioridades do Projecto Educativo, tendo em conta critérios como: equidade, continuidade pedagógica e rotatividade. A atribuição das direcções de turma obedece a critérios específicos, dando-se preferência aos professores que, além de pertencerem ao quadro, tenham mostrado competência e apetência pelo cargo em anos anteriores. Normalmente, é o mesmo director de turma que acompanha os alunos do 10.º ao 12.º anos. O Conselho Executivo alterou recentemente as práticas no que toca à
distribuição de serviço docente. Desta forma, entendeu dar prioridade à afectação dos docentes ao 10.º ano,
quando antes o enfoque estava colocado no 12.º ano. Assim, é o mesmo conjunto de professores que acompanha os alunos durante este ciclo de estudos.
A Escola está integrada no Centro de Formação da Associação de Escolas de Viseu (VISPROF), sendo que
todos os anos é efectuado um levantamento informal das necessidades de formação do pessoal docente e não
docente. Durante o presente ano lectivo, foi na área da utilização das novas tecnologias de informação e
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comunicação que os docentes realizaram mais formação, quer proporcionadas pelo Centro de Formação, quer
proporcionadas pela própria Escola. Por sua vez, o pessoal não docente tem realizado formação nas áreas de
acompanhamento dos adolescentes, das relações interpessoais, da saúde, da sexualidade, da utilização de
meios informáticos e da manutenção de equipamentos, facultadas pela Centro e Formação, pela Escola e por
outras organizações sedeadas na Cidade. De um modo geral, os diversos interlocutores mostram satisfação
com o grau de desempenho do pessoal não docente.
O corpo do pessoal docente e não docente goza de uma estabilidade consolidada. Os poucos professores que
chegam à Escola pela primeira vez mostram-se bem integrados, por força do bom acolhimento e das relações
de ajuda que lhes são proporcionados.
3.3 Gestão dos recursos materiais e financeiros
A Assembleia de Escola define as linhas orientadoras para a elaboração do orçamento, mediante informação
de enquadramento elaborada pelo Conselho Executivo, e procede à avaliação dos recursos físicos e financeiros
a partir da análise do relatório da conta de gerência. A Assembleia demonstra conhecer os problemas da Escola, revelando ter uma atitude pró-activa e solidária na procura das melhores soluções, em conjunto com
outros órgãos da Escola. A Assembleia, para lá do exercício das suas funções legalmente estatuídas, preocupa-se, de modo particular, com a análise dos resultados dos alunos. No entanto, desconhece-se o impacto das
apreciações deste órgão no seio da comunidade escolar.
Os diferentes actores são da opinião de que a Escola dispõe de recursos financeiros capazes de satisfazer as
despesas correntes e com isso proporcionar os bens e as condições necessárias ao desenvolvimento das actividades educativas. O orçamento global da Escola atinge o montante de € 10.281.162,26, o que significa que
cada aluno comporta anualmente um custo da ordem dos € 4.551,20. O orçamento de despesas com compensação em receita atinge o montante anual próximo dos € 100.000.
Nestes termos, a Escola não se limita a gerir os recursos financeiros oriundos do Orçamento Geral de Estado,
desenvolvendo uma política, bem sucedida, de angariação de verbas junto das autoridades locais, regionais e
nacionais e também através da candidatura a projectos financiados. A verba oriunda do orçamento de despesas com compensação em receitas tem servido para modernizar algumas instalações, para adquirir equipamentos de ensino e permitir o desenvolvimento das diversas acções constantes do Plano Anual de Actividades.
As instalações, os espaços e os equipamentos são adequados e não condicionam o desenvolvimento da qualidade das actividades educativas, sendo de referir apenas as deficiências estruturais no gimnodesportivo.
3.4 Participação dos pais e outros elementos da comunidade educativa
A Escola revela uma atitude pró-activa em relação aos pais e aos encarregados de educação e procura coresponsabilizá-los pelo processo educativo dos seus educandos. No início de cada ano lectivo é realizada uma
reunião com os pais, com a finalidade de fornecer informação variada sobre o funcionamento da Escola, regulamento interno, actividades lectivas, conteúdos programáticos das várias disciplinas, dispositivos de avaliação, estruturas de apoio a alunos, eleição dos representantes de pais em cada turma e hora de atendimento.
A presença dos pais é mais visível no início do ano e no final de cada período escolar, altura em que vão à
Escola receber as fichas de avaliação individual dos seus educandos.
A Escola desenvolve muitas actividades de elevada qualidade abertas à participação da comunidade, tais
como: exposições, conferências de âmbito científico, cultural e artístico, tertúlias, semana de divulgação científica e representações. Estes e outros momentos de encontro são reconhecidos e valorizados pelos diferentes
membros da comunidade educativa, sendo que algumas destas actividades se constituem como rituais consolidados e prestigiados.
Do Plano Anual de Actividades constam diversas acções dirigidas à comunidade educativa em geral e aos pais
e encarregados de educação, tais como: Distúrbios de comportamento alimentar; Prevenção da toxicodependência; Sexualidade. Contudo, os pais e encarregados de educação fazem sentir a necessidade de a Escola vir
a implementar, no futuro, mais acções direccionadas para a sua formação e ser mais eficaz na comunicação
das actividades que lhes são dirigidas.
A Associação de Pais e Encarregados de Educação, recentemente revitalizada, mostra conhecer os problemas
da Escola e, em conjunto com outros órgãos, tem procurado encontrar as melhores soluções. Refere-se, a
título exemplo, o empenhamento e o trabalho realizado por esta Associação, junto das autoridades competentes, na procura de meios que permitam a renovação completa do pavilhão gimnodesportivo.
3.5 Equidade e justiça
Os alunos, os pais e encarregados de educação referem que são tratados com equidade e justiça pelos responsáveis e de que todos têm acesso aos bens, equipamentos e projectos desenvolvidos pelo estabelecimento
de ensino.
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A Escola conta também com parcerias estabelecidas com outras entidades da comunidade, com quem trabalha, de forma activa e permanente, na procura de soluções para os problemas mais delicados e de difícil resolução. A título de exemplo, refira-se a parceria estabelecida com o Hospital de Viseu, tendo como finalidade o
acompanhamento de alunos, com distúrbios de ordem física e emocional, por uma equipa médica multifacetada.
A Escola é frequentada por alunos oriundos de diversos Países da Europa, dos PALOP, do Brasil e da China,
sendo reconhecida a existência de uma política bem sucedida de inclusão sócio-escolar das minorias culturais
e sociais.
4. Liderança
4.1 Visão e estratégia
A Escola tem metas para a sua acção educativa, centradas na melhoria constante da qualidade das aprendizagens dos alunos. O Projecto Educativo foi projectado para um horizonte de três anos e explicita os princípios,
os valores, as metas e as estratégias para que a Escola se assuma como uma comunidade de aprendizagens e
um espaço de socialização e de intervenção ética e cívica.
As metas e prioridades definidas estão contextualizadas à realidade da Escola e traduzem as preocupações
dos diversos actores da comunidade educativa. Existe uma aposta clara em gerar objectivos partilhados na
concretização de uma gestão e de uma liderança repartidas, na promoção do desenvolvimento profissional da
comunidade escolar e no desenvolvimento de políticas e práticas orientadas para as aprendizagens dos alunos. Esses objectivos e prioridades são comunicados a todos os membros da comunidade educativa, embora
não existam evidências de que os pais e encarregados de educação possuam um entendimento comum da sua
natureza e do que se está a tentar atingir.
O Conselho Executivo exerce uma liderança activa, demonstrando ter uma visão partilhada para a missão da
Escola e dos caminhos a seguir, revelando também capacidade de mobilização dos agentes para o desenvolvimento das diversas tarefas, incutindo em todos uma cultura de trabalho, de responsabilização e de prestação de contas.
Os docentes mostram-se empenhados no trabalho que realizam e preocupam-se com a qualidade das aprendizagens e com os resultados escolares dos alunos. Estão atentos aos problemas e procuram conceber e
implementar estratégias que visem ultrapassar as dificuldades identificadas.
São as lideranças informais que têm desempenhado um papel fundamental no desenvolvimento de grande
parte das actividades e dos projectos de melhoria, não sendo evidente este desempenho por parte de algumas
lideranças formais, nomeadamente, ao nível das coordenações dos departamentos e dos conselhos de turma.
A Escola desenvolve uma política de diferenciação que lhe permite ser conhecida e reconhecida interna e
externamente, através de iniciativas editoriais, com a publicação de várias obras (“Os Caminhos do Pão”,
“Contos de Nós”, “Cancioneiro de Natal”, “Poemas d’Água”,…), da realização de exposições (“Experimenta
Design - Voyager 03”, “Arte”, “Objecto” e “Cidade – 2005”), da realização de conferências de âmbito científico, cultural e artístico, com personalidades de prestígio nacional, da promoção de tertúlias, do desenvolvimento de jornadas de cariz pedagógico, da participação regular nas Olimpíadas da Matemática, do Ambiente, da
Física e da Química e da realização de peças de teatro.
4.2 Motivação e empenho
Os profissionais da Escola conhecem as suas áreas de acção e mostram-se empenhados e motivados na definição e implementação de estratégias para a melhoria do serviço educativo.
Os diversos actores, entrevistados nos painéis, revelaram-se unânimes em considerar que a Escola goza de
uma liderança forte, atenta e motivadora, procurando que as responsabilidades sejam distribuídas e partilhadas a diferentes níveis. Nesta perspectiva, consideram ainda que o Conselho Executivo exerce uma acção
importante sobre a distribuição de responsabilidades pelos diferentes órgãos de gestão e estruturas educativas, garantindo a congruência nas finalidades e nas actividades.
Os auxiliares da acção educativa são atenciosos na relação com os restantes membros da comunidade educativa e zelam pelo cumprimento das ordens e tarefas que lhes são dirigidas, granjeando bons níveis de satisfação por parte dos docentes, dos pais e encarregados de educação e dos alunos.
A Assembleia reúne regularmente, conta com a participação efectiva de todos os seus membros e tem tido
uma intervenção activa na procura de soluções para algumas das dificuldades com que a Escola se debate no
seu dia-a-dia. Ultimamente, a sua acção tem-se feito sentir na resolução do problema do pavilhão gimnodesportivo, contando com o apoio e a mobilização activa dos pais e encarregados de educação.
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O Conselho Executivo exerce também uma intervenção activa sobre as situações de absentismo que, nos
casos dos alunos mais problemáticos, passa pelo envolvimento de outras entidades parceiras e de mediadores. Ao nível dos docentes, o absentismo diminuiu significativamente no presente ano lectivo, sendo que a
Escola tem implementado um projecto devidamente estruturado para a ocupação dos alunos. De qualquer
modo, esta não é uma problemática premente da Escola, pois os casos existentes, quer de alunos quer de
professores e restantes profissionais, são esporádicos e devidamente tratados.
4.3 Abertura à inovação
A Escola está aberta à inovação, patente na diversidade de actividades de enriquecimento curricular e no
desenvolvimento e envolvimento em projectos abertos à participação dos alunos, dos professores, dos funcionários, das famílias e da comunidade em geral e na utilização activa das novas tecnologias de informação e
comunicação. A este respeito, é evidente a existência de uma acção pró-activa no sentido de integrar as
novas tecnologias de informação e comunicação no quotidiano da Escola, mediante a dinamização de actividades internas de formação informal na óptica do utilizador. O funcionamento dos diversos serviços (Serviços
Administrativos, Biblioteca/Centro de Recursos, cartão do aluno, …) reflecte a importância e o impacto da
utilização dos recursos informáticos na gestão diária da Escola e na procura de novos caminhos e novas soluções para problemas persistentes. A Escola tem revelado capacidade para mobilizar os apoios financeiros,
materiais e humanos necessários para tornar as actividades de inovação consistentes, estabelecendo facilmente protocolos e parcerias com os diversos parceiros, por forma que sejam proporcionados a todos os alunos novos contextos e oportunidades de aprendizagem.
4.4 Parcerias, protocolos e projectos
A Escola tem várias parcerias activas com diversas entidades da comunidade envolvente, a saber: Associação
Empresarial da Região de Viseu, Câmara Municipal de Viseu, Governo Civil, Hospital Distrital de Viseu, Instituto Politécnico de Viseu, Instituto Superior Técnico, Teatro Viriato, INATEL, Instituto Português da Juventude e
Museu Grão-Vasco.
Para além das parcerias instituídas, a Escola tem promovido e participado em projectos institucionais e outras
iniciativas semelhantes: Rede de Bibliotecas Escolares, Observatório de Trajectos dos Estudantes do Ensino
Secundário, Grupo de Avaliação e Acompanhamento da Implementação da Reforma do Ensino Secundário e
Equipa de Missão “Computadores, Redes e Internet na Escola”.
5. Capacidade de auto-regulação e melhoria da escola
5.1 Auto-avaliação
A Escola analisa o impacto das suas actividades, através do trabalho produzido ao longo do ano pelas diversas
estruturas de orientação educativa. Neste sentido, cada estrutura pedagógica é responsável pela elaboração
de um relatório final, afim de ser apresentado, para análise, no Conselho Pedagógico. A Escola faz também a
recolha de dados estatísticos no final de cada período, para proceder à monitorização dos resultados escolares
dos alunos e definir algumas estratégias para os casos problema. Os dados analisados no final do ano são
comparados com os resultados obtidos nos exames nacionais.
Em tempos, a Escola constituiu uma equipa para a avaliação interna, que efectuou uma análise dos resultados
do aproveitamento escolar dos alunos que, no ano lectivo de 2004/2005, frequentaram o 10.º ano de escolaridade. O relatório final produzido pela equipa é revelador das dificuldades da implementação do referido processo de avaliação interna, deixando claro que esta experiência foi um fracasso por duas ordens de razão: a
incompreensão do conceito de auto-avaliação e a falta de motivação para a auto-avaliação. No sentido de
ultrapassar “o fracasso bem sucedido”, como foi registado, foi formada uma nova equipa que procura dar
corpo a um projecto de avaliação interna mais consistente e sistemática.
5.2 Sustentabilidade do progresso
As actividades de auto-avaliação desenvolvidas pela Escola, mesmo não sendo consistentes e sistemáticas,
têm permitido a identificação de alguns pontos fortes e debilidades do trabalho efectuado. O recente Projecto
Educativo da Escola reflecte esta visão e define uma estratégia de melhoria que visa ultrapassar as debilidades encontradas.
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Existem sinais positivos que podem assegurar a sustentabilidade do progresso: motivação e empenho dos
profissionais; planeamento articulado e alinhado com os objectivos do projecto educativo; expectativas elevadas dos diversos actores educativos; bom clima educativo.
V – Considerações finais
A Escola Secundária Alves Martins apresenta um conjunto de pontos fortes, entre os quais se destacam:
•
Oferta de um leque variado de projectos e actividades de complemento curricular;
•
Valorização dos trabalhos elaborados pelos alunos, através de uma produção editorial relevante;
•
Organização e funcionamento de aulas de substituição;
•
Desenvolvimento de parcerias activas com diversas entidades da comunidade envolvente;
•
Liderança de Conselho Executivo.
Apresenta também algumas debilidades, designadamente:
•
Falta de mecanismos internos para a monitorização das práticas lectivas, em contexto de sala de aula;
•
Dificuldades no processo de articulação e sequencialidade das aprendizagens;
•
Insuficiente consolidação do processo de auto-avaliação.
Oportunidade de melhoria:
•
Dinamização de um processo de auto-avaliação, abrangendo as principais áreas-chave do trabalho da
Escola.
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