R. Periodontia - Março 2008 - Volume 18 - Número 01
INFLUÊNCIA DOS HORMÔNIOS SEXUAIS SOBRE OS
TECIDOS PERIODONTAIS EM USUÁRIAS DE
CONTRACEPTIVOS HORMONAIS
Influence of sexual hormones on periodontal tissues in hormonal contraceptives users
Priscilla Alves Tavares dos Santos1, Tania Maria Vieira Fortes2, Marlos Cesar Bomfim Cabral3, Sônia Maria Alves Novaes4
RESUMO
Com o objetivo de avaliar a influência da ação dos
contraceptivos hormonais sobre os tecidos periodontais,
realizou-se uma pesquisa, considerando a relevância de alguns aspectos: a duração de uso e o tipo da droga utilizada, a concentração dos hormônios sexuais presentes, o
grau de higiene bucal e a presença de fatores de risco locais associados. A amostra foi constituída por 60 mulheres,
entre 17 e 47 anos de idade, sendo 30 mulheres representando o grupo teste (usuárias da droga) e 30 fazendo parte do grupo controle (não-usuárias). Os dados foram
coletados por meio de roteiro de entrevista e de exame
clínico utilizando os índices IPC e IHO-S. Os resultados obtidos mostraram que o uso de contraceptivos hormonais
não influenciou na ocorrência da doença periodontal. As
péssimas condições de higiene bucal, associadas à presença de cálculo, apresentaram-se de forma homogênea na
população estudada. O tempo de uso de contraceptivos
hormonais, bem como diferenças nos tipos e concentrações hormonais de estrógeno e progesterona não representaram grandes mudanças na condição periodontal das
mulheres usuárias da droga.
UNITERMOS: hormônios sexuais; doença periodontal;
contraceptivos hormonais. R Periodontia 2008; 18:55-63.
1
Cirurgiã-Dentista graduada pela UFS
2
Mestre em Patologia Oral pela UFRN e Professora Adjunta de Periodontia da UFS e UNIT
3
Especialista em Saúde da Família pela UFS e em Odontologia em Saúde Coletiva pelo
SINODONTO-SE
4
Doutora em Odontopediatria pela UPE e Professora Adjunta de Odontopediatria da UFS e UNIT
Recebimento: 16/12/07 - Correção: 19/01/08 - Aceite: 02/02/08
INTRODUÇÃO
Ao avaliar a doença periodontal em indivíduos
do sexo feminino, percebe-se a necessidade de compreender como as variações hormonais associadas
ao seu ciclo reprodutivo podem alterar a resposta
dos tecidos orais e periodontais aos fatores de risco
locais, criando dilemas para o diagnóstico e terapêutica de algumas doenças (OTOMO-CORGEL &
STEINBERG, 2002).
De acordo com GUYTON, 1988, o início do ciclo
reprodutivo da mulher ocorre por volta dos 10 a 14
anos de idade, quando o ovário, regulado por
hormônios liberados pela glândula hipófise anterior,
adquire o potencial de secretar o estrógeno e a
progesterona, os quais se constituem nos hormônios
sexuais femininos responsáveis pelo desenvolvimento sexual feminino e pelas alterações sexuais mensais.
Os tecidos periodontais, em especial a gengiva,
são considerados tecidos-alvo à ação dos hormônios
esteróides e alterações clínicas do periodonto podem
ser identificadas durante os períodos de flutuação
hormonal (puberdade, menstruação, gravidez, menopausa, com o uso de contraceptivos hormonais
ou sob efeito da terapia de reposição hormonal). Os
níveis aumentados de inflamação observados nes55
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tes períodos de flutuação podem ser resultado de uma
interação de estrogênio e progesterona com mediadores da
inflamação (MARIOTTI, 1994, SOORY, 2000, MASCARENHAS
et al., 2003, PALMER & SOORY, 2005).
Em se tratando especificamente dos contraceptivos
hormonais, CORMACK, 1993, relatou que estes são compostos por análogos sintéticos dos hormônios ovarianos e
simulam um estado de gravidez, através da elevação dos
níveis hormonais do plasma. Além disto, os anticoncepcionais hormonais inibem a ovulação através da supressão dos
hormônios folículo-estimulante e luteinizante (secretados
pela glândula hipófise anterior).
O primeiro contraceptivo hormonal foi a pílula Enovid®,
contendo 150 µg de mestranol (estrógeno) e 9,85 mg de
noretinodrel (progesterona). Esta droga foi aprovada pela
Food and Drug Administration (FDA) para uso nos Estados
Unidos em 1960 e, desde então, os contraceptivos orais se
tornaram a forma de contracepção hormonal reversível mais
utilizada. A fim de reduzir os efeitos colaterais, os
contraceptivos orais, ao longo dos anos, passaram a apresentar doses diminuídas, sobretudo de estrógeno (30-35 µg
de etinil-estradiol), sem, no entanto, interferir na efetividade
contraceptiva (AMERICAN SOCIETY OF REPRODUCTIVE
MEDICINE, 2004).
Os contraceptivos orais produzem uma mudança similar à gravidez e têm sido associados ao aumento na
prevalência de gengivite e no fluido do sulco gengival. Em
verdade, as mudanças clínicas obser vadas na gengivite
induzida por placa são acentuadas pelos níveis circulantes
dos hormônios sexuais através de mecanismos como supressão imune parcial, aumento do exsudato, estimulação da
reabsorção óssea e estimulação da atividade sintética de
fibroblastos (SOORIYAMOORTHY & GOWER, 1989). Outra
modificação importante ocorre na microbiota gengival, com
o aumento no número de espécies P. intermédia (principal
espécie periodontopatogênica envolvida na periodontite
agressiva). A elevação no número destes microrganismos
pode estimular a síntese de prostaglandinas pelos monócitos
e alterar o sistema vascular, desencadeando a formação
de edema, eritema, exsudato e sangramento
gengival (MARIOTTI, 1994, KLINGER et al., 1998,
STEINBERG, 2001).
Diversos fatores devem ser levados em consideração ao
se afirmar que o uso de contraceptivos hormonais influencia
na ocorrência da doença periodontal, como por exemplo, o
tipo e a concentração dos hormônios presentes na droga, a
duração da terapia, a presença de fatores de risco locais e o
grau de higiene bucal.
Estudos antigos envolvendo contraceptivos orais com-
binados, contendo altas concentrações de hormônios (> 50
µg de estrógeno e > 1 mg de progesterona), demonstraram
que estas drogas aumentavam o risco de doenças gengivais,
podendo causar efeito adverso nos tecidos periodontais de
suporte (EL- ASHIRY et al., 1971; KALKWARF, 1978). Entretanto, estudos recentes demonstraram que os contraceptivos
orais atuais, por possuírem uma concentração menor de
hormônios, cerca de 2 a 20 vezes menor que os
contraceptivos da década de 70, não influenciam na doença
periodontal (PERSHAW et al., 2001, TALCHMAN & EKLUND,
2005).
Quanto à duração da terapia hormonal, sabe-se que
níveis aumentados de inflamação gengival podem ser verificados com uso prolongado do contraceptivo (KNIGHT &
WADE, 1973, PANKHURST et al., 1981, TILAKARATNE et al.,
2000). Além disto, pôde-se observar uma maior perda de
inserção periodontal em pacientes que utilizavam a droga
por mais de 1 ano e meio (KNIGHT & WADE, 1973) ou por 2
a 4 anos (TILAKARATNE et al., 2000).
A presença de fatores irritantes locais associada a péssimas condições de higiene oral pode resultar na exacerbação
da resposta inflamatória gengival, frente ao biofilme dental,
em usuárias de pílula anticoncepcional (SOORIYAMOORTHY
& GOWER, 1989, STEINBERG, 2001, OTOMO-CORGEL &
STEINBERG, 2002, PALMER & SOORY, 2005).
Considerando o biofilme o principal fator etiológico da
doença periodontal, torna-se imprescindível uma atenção
maior aos indivíduos do gênero feminino no sentido de ressaltar, através de orientações de higiene bucal, a importância de se manter uma condição de saúde bucal favorável,
visto que a mulher está sujeita aos efeitos das variações
hormonais associadas ao seu ciclo reprodutivo ou derivadas
da terapia hormonal.
Baseado nesta abordagem, o presente estudo teve por
objetivo avaliar, através de uma pesquisa de campo, a influência da ação dos contraceptivos hormonais sobre os tecidos periodontais em mulheres, considerando a duração de
uso, o tipo da droga utilizada e a concentração dos
hormônios sexuais presentes, bem como o grau de higiene
bucal e a presença de fatores de risco locais associados.
MATERIAL E MÉTODOS
Após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da
Universidade Federal de Sergipe (CEP/UFS), em reunião realizada no dia 03/09/2005, foi desenvolvida uma pesquisa de
campo descritiva e analítica, e de natureza quantitativa e
transversal.
O estudo foi realizado em duas Unidades de Saúde da
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ROTEIRO DE ENTREVISTA
Nome: _____________________________________
Idade: _______
Sobre a Saúde Bucal
1)
Com que freqüência costuma ir ao dentista?
( ) Nunca foi ao dentista ( ) Mensalmente ( ) De 6/6 meses
( ) Anualmente ( ) Só quando sente dor, desconforto
2)
Sente retenção de alimentos entre os dentes? (
3)
Sente sua gengiva irritada, inchada ou dolorida? (
4)
Usa alguma substância para bochechar? ( ) Sim ( ) Não
Qual? __________________
Com que freqüência? ( ) Não se aplica ( ) De vez em quando
( ) 1 vez ao dia ( ) 2 vezes ou mais por dia
5)
Sente mau gosto na boca? (
6)
Sente mobilidade nos dentes? (
7)
Quantas vezes por dia você escova os dentes?
( ) Nenhuma ( ) 1 vez ( ) 2 vezes ( ) 3 vezes ou mais
8)
Quantas vezes por dia você higieniza a língua?
( ) Nenhuma ( ) 1 vez ( ) 2 vezes ( ) 3 vezes ou mais
9)
Usa fio dental?
( ) Sim ( ) Não
Com que freqüência?
( ) Não se aplica ( ) 1 vez ao dia ( ) Sempre após as refeições
( ) Só quando sente alguma retenção alimentar
10) Sua gengiva sangra?
( ) Sim ( ) Não
Quando?
( ) Não se aplica (
) Sim
(
) Sim
) Sim
) Sim
(
) Não
(
) Não
) Não
(
) Não
) Durante à escovação
(
) Espontaneamente
Sobre o Uso de Contraceptivo Hormonal (C.H.)
1)
Usa contraceptivo hormonal (C.H)? (
2)
) Sim
(
) Não
(
Há quanto tempo usa C.H.? ( ) Não se aplica ( ) Há menos de 3 meses
) 3 / 6 meses ( ) 6 meses / 1 ano ( ) Há mais de 1 ano
(
Qual o tipo de C.H. que usa? (
) Adesivo
3)
4)
) Não se aplica
(
) Injetável
(
) Pílula
Qual o nome da droga que usa? _____________________________
5)
(
Sentiu alguma alteração na gengiva desde que começou a utilizar o C.H.?
) Não se aplica ( ) Sim ( ) Não
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Família localizadas no município de Ribeirópolis – SE (Centro
de Saúde de Ribeirópolis e Centro de Saúde Irmã Alice de
Jesus Fernandes), no período de 04/10/05 a 26/10/05. A
pesquisa foi realizada por uma única examinadora, devidamente calibrada para coletar os dados.
A amostra foi composta por 60 mulheres cadastradas
nas Unidades de Saúde, com idades entre 17 e 47 anos e
divididas em dois grupos: um grupo teste (GRUPO I), composto por 30 mulheres que faziam uso de contraceptivo
hormonal, e por um grupo controle (GRUPO II) de 30 mulheres que não faziam uso do medicamento. A seleção da
amostra foi feita de maneira aleatória.
Foram excluídas da pesquisa mulheres que apresentavam qualquer comprometimento sistêmico que pudesse interferir na saúde periodontal, fumantes e etilistas, usuárias
de aparelho ortodôntico fixo, gestantes e mulheres que estivessem no período da puberdade ou da menopausa.
A participação das sujeitas da pesquisa era efetivada após
a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Inicialmente, as mulheres eram submetidas a uma entrevista através de um roteiro contendo perguntas relativas
à saúde bucal e perguntas específicas quanto ao uso de
contraceptivos hormonais.
Em seguida, realizava-se um exame clínico utilizando-se
o Índice Periodontal Comunitário (IPC) e o Índice de Higiene
Oral Simplificado (IHO-S). Os dados encontrados foram
registrados numa ficha de exame clínico elaborada exclusivamente para a pesquisa.
O Índice Periodontal Comunitário (IPC), criado por
AINAMO et al. em 1982, referidos por PAPAPANOU &
LINDHE, 2005, é um índice periodontal que avalia três indicadores das condições atuais do periodonto: presença de
sangramento gengival, cálculo e bolsa periodontal. Buscando facilitar a tabulação dos dados encontrados no IPC, estabeleceu-se um critério de diagnóstico sugerido por PINTO,
2000, no qual apenas a condição mais grave, ou seja, o escore mais alto presente no indivíduo, foi levado em consideração. Entretanto, sextantes com menos de dois dentes presentes ou com ausência de dentes índices (códigos X e 9 do
IPC, respectivamente) não fizeram parte da avaliação; se um
destes códigos estivesse presente, o escore máximo era determinado pelos códigos de 0 a 4 (0 – saúde periodontal; 1 –
sangramento; 2 – cálculo; 3 – bolsas superficiais, ou seja, de
4 a 5mm; e 4 – bolsas profundas, ou seja, de 6mm ou mais).
Para análise da condição de higiene bucal, avaliando a
presença de biofilme, indutos e cálculo, foi utilizado o Índice
FICHA DE EXAME CLÍNICO
Nome: _____________________________________
IPC
IHO-S
Dente
IB
IC
16 (V)
11 (V)
Idade: _______
26 (V)
36 (L)
31 (V)
IB = ________
IC = ________
IHO-S = ________
Higiene Bucal: (
(
(
(
) Satisfatória
) Regular
) Deficiente
) Péssima
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46 (L)
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Figura 1
CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM OS HÁBITOS E SINAIS CLÍNICOS RELACIONADOS À SAÚDE BUCAL
GRUPO I (30)
GRUPO II (30)
Visita ao dentista
Dor/desconforto
43,3%
46,7%
Gengiva inchada,
SIM
33,3%
50%
irritada ou dolorida
NÃO
46,7%
43,3%
Escovação dentária
3 vezes ou mais/dia
56,7%
63,3%
Nenhuma vez/dia
60%
43,3%
Escovação
50%
50%
Fio dental
Sangramento gengival
de Higiene Oral Simplificado (IHO-S), criado por GREENE &
VERMILLION em 1964, referidos por PINTO, 2000. Os critérios diagnósticos foram estabelecidos através de códigos referentes a um Índice de Biofilme e um Índice de Cálculo,
somando os valores obtidos de cada índice, e dividindo-os
pelo número de dentes examinados. Por fim, o IHO-S foi
avaliado pela soma do Índice de Biofilme com o Índice de
Cálculo e, a partir do escore obtido, classificou-se a higiene
oral da seguinte forma: 0 – 1 (higiene satisfatória); 1,1 – 2
(regular); 2,1 – 3 (deficiente); 3,1 ou mais (higiene péssima).
Os dados encontrados na pesquisa foram processados
através do programa Microsoft Excel XP® e apresentados em
forma de gráficos e quadros tanto em valores relativos quanto
Figura 2
DISTRIBUIÇÃO DAS MULHERES DE ACORDO COM
O TEMPO DE USO DO CONTRACEPTIVO HORMONAL
absolutos. As principais variáveis foram submetidas a uma
análise estatística através do teste Qui-quadrado (x2) de
Figura 3
RELAÇÃO DOS CONTRACEPTIVOS ORAIS UTILIZADOS PELAS MULHERES
Concentração dos hormônios presentes
Estrógeno
Progesterona
Etinil-estradiol (EE)
(0,03 mg)
Levonorgestrel
(LNg)(0,15 mg)
Droga
Nº de pacientes
%
®
8
56,7
®
5
®
3
Microvlar
Levogen
Nordette
EE (0,02 mg)
Gestodeno(0,075 mg)
Nociclin®
1
Allestra®
1
3,3
Tamisa 20
1
3,3
®
4
13,3
®
1
3,3
®
1
3,3
®
EE (0,02 mg)
Desogestrel(0,15 mg)
EE (0,05 mg)
Dl-norgestrel(0,5 mg)
Minian
Anfertil
EE
(0,035 mg)
Acetato de Ciproterona
(2 mg)
Selene
EE(0,05 mg)
LNg(0,25 mg)
Evanor®
1
3,3
®
1
3,3
EE(0,015 mg)
Gestodeno(0,060 mg)
Siblima
EE
(0,03 mg)
(0,04 mg)
(0,03 mg)
LNg
(0,05 mg)
(0,075 mg)
(0,125 mg)
Triquilar®
(6 pílulas)
(5 pílulas)
(10 pílulas)
2
6,7
-
-
Não soube referir
1
3,3
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Figura 4
Figura 5
DISTRIBUIÇÃO DAS MULHERES DE ACORDO COM A INFLUÊNCIA DO USO DE
DISTRIBUIÇÃO DAS MULHERES DE ACORDO COM A CONDIÇÃO DE
CONTRACEPTIVOS HORMONAIS NA OCORRÊNCIA DA DOENÇA PERIODONTAL
HIGIENE ORAL EM RELAÇÃO AO USO DE CONTRACEPTIVOS HORMONAIS
Pearson, com nível de significância de 5%. Este teste é aplicado sempre que uma freqüência observada possa ser comparada com uma freqüência esperada, baseada numa hipótese (MOTTA & WAGNER, 2003).
Por meio da análise estatística, utilizando-se o teste Quiquadrado (x2), algumas hipóteses foram formuladas a fim de
investigar as possíveis relações entre as principais variáveis
encontradas na pesquisa:
Uso do contraceptivo hormonal X condição
periodontal;
Uso do contraceptivo hormonal X condição de higiene oral;
Tempo de uso do contraceptivo hormonal X condição periodontal;
Concentração hormonal de estrógeno X condição
periodontal;
Concentração hormonal de progesterona X condição periodontal.
Ao relacionar o uso de contraceptivos hormonais com a
condição periodontal presente, observou-se que o uso destes medicamentos não influenciou na ocorrência da doença
periodontal. A presença de cálculo não foi significativamente diferente entre o grupo de usuárias da droga e o grupo
controle, sendo prevalente em ambos os grupos: 83,3% GRUPO I e 86,7% - GRUPO II (FIG. 04).
Comprovando a situação revelada pelo IPC, cuja presença
de cálculo foi elevada, o IHO-S mostrou que a quantidade
de fatores de risco locais (biofilme, indutos e cálculo) tam-
RESULTADOS
Do total da amostra pesquisada, 50% faziam parte do
grupo teste (GRUPO I), representando as mulheres que utilizavam a droga freqüentemente, e 50% faziam parte do
grupo controle (GRUPO II), representando as mulheres que
não faziam uso do medicamento.
Através dos dados coletados no roteiro de entrevista,
observaram-se algumas diferenças entre os grupos quanto
aos hábitos e sinais clínicos relacionados à saúde bucal (FIG.
01).
Em relação às mulheres que faziam uso de contraceptivo
hormonal, constatou-se que 76,7% faziam uso há mais de
1 ano (FIG. 02) e que 100% delas faziam uso de pílulas
(contraceptivos orais), não havendo nenhuma que utilizasse
o tipo injetável, adesivo ou outros. Quanto à concentração
dos hormônios presente na droga, verificou-se que a maioria (56,7%) utilizava drogas com 0,03 mg de Etinil-estradiol
(EE) e 0,15 mg de Levonorgestrel (LNg) (FIG. 03).
Figura 6
DISTRIBUIÇÃO DAS MULHERES DE ACORDO COM A INFLUÊNCIA DO TEMPO DE USO DOS CONTRACEPTIVOS HORMONAIS NA OCORRÊNCIA DA DOENÇA PERIODONTAL
Condição Periodontal
Tempo de Uso (C.H.)
Saúde
Sangramento
Cálculo
Bolsa Superficial
Bolsa Profunda
Total
Menos de 3 meses
0
0
2
0
0
2
3 a 6 meses
0
0
1
1
0
2
6 meses a 1 ano
0
0
3
0
0
3
Mais de 1 ano
0
1
19
2
1
23
Total
0
1
25
3
1
30
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Figura 7
DISTRIBUIÇÃO DAS MULHERES DE ACORDO COM A INFLUÊNCIA DA CONCENTRAÇÃO DE ESTRÓGENO NA OCORRÊNCIA DA DOENÇA PERIODONTAL
Condição Periodontal
Concentração (Estrógeno)
Saúde
Sangramento
Cálculo
Bolsa Superficial
Bolsa Profunda
Total
Etinil-estradiol (0,015 mg)
0
0
1
0
0
1
Etinil-estradiol (0,02 mg)
0
0
4
1
1
6
Etinil-estradiol (0,03 mg)
0
1
15
1
0
17
Etinil-estradiol (0,035 mg)
0
0
1
0
1
1
Etinil-estradiol (0,05 mg)
0
0
1
1
0
2
Total
0
1
22
3
1
27
bém foi considerável, resultando numa condição de higiene
oral péssima, em sua maioria, e em ambos os grupos (GRUPO I - 70,0% e GRUPO II - 73,3%). Nenhuma das mulheres
estudadas possuía higiene bucal satisfatória (FIG. 05).
Avaliando-se o tempo de uso do contraceptivo hormonal
em relação à condição periodontal presente nas mulheres
do GRUPO I, verificou-se que seu uso prolongado não aumentou os riscos de ocorrência da doença periodontal. A
presença de cálculo foi prevalente nas mulheres que utilizavam a droga por até 3, 6, 12 meses ou mais, totalizando 25
mulheres, das 30 que faziam uso de contraceptivos
hormonais (FIG. 06).
No tocante à concentração hormonal, a pesquisa revelou que drogas com concentrações mais elevadas, seja de
estrógeno ou de progesterona, não aumentaram os riscos
de ocorrência da doença periodontal. Para realizar esta análise, foram excluídas três mulheres do GRUPO I (duas usuárias
de Triquilar® - droga que apresentada variadas concentrações de hormônios – e uma usuária que não soube referir o
nome da droga). Das 27 mulheres examinadas, 17 utilizavam contraceptivos com 0,03 mg de etinil-estradiol e 0,15
mg de levonorgestrel. Mais uma vez, a prevalência de cálculo foi generalizada nos diferentes tipos e concentrações de
estrógeno e progesterona, não havendo diferenças
significantes entre a presença de sangramento e bolsas
periodontais (FIG. 07 e FIG. 08).
DISCUSSÃO
Corroborando com os resultados da pesquisa, EL-ASHIRY
et al., 1971, também descobriram presença de cálculo semelhante entre os grupos teste e controle numa pesquisa
realizada com 175 mulheres para avaliar os efeitos dos
contraceptivos orais na gengiva. Entretanto, estes autores
encontraram uma maior inflamação gengival associada ao
uso de contraceptivos orais ao nível de significância de 1%.
Apesar da presença de bolsa superficial ter sido maior
no GRUPO I (10%), comparado ao GRUPO II (3,3%), os valo-
Figura 8
DISTRIBUIÇÃO DAS MULHERES DE ACORDO COM A INFLUÊNCIA DA CONCENTRAÇÃO DE PROGESTERONA NA OCORRÊNCIA DA DOENÇA PERIODONTAL
Condição Periodontal
Concentração
(Progesterona)
Saúde
Sangramento
Cálculo
Bolsa Superficial
Bolsa Profunda
Total
Acetato de
Ciproterona (2 mg)
0
0
1
0
0
1
Desogestrel (0,15 mg)
0
0
3
0
1
4
Dl-norgestrel (0,5 mg)
0
0
0
1
0
1
Gestodeno (0,060 mg)
0
0
1
0
0
1
Gestodeno (0,075 mg)
0
0
1
1
0
2
Levonorgestrel (0,15 mg)
0
1
15
1
0
17
Levonorgestrel (0,25 mg)
0
0
1
0
0
1
Total
0
1
22
3
1
27
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res encontrados não representaram diferenças estatisticamente significativas. Tais resultados concordam com os estudos de KNIGHT & WADE, 1973, os quais não constataram
grandes diferenças entre os índices gengivais e de biofilme
ou de perda de inserção em mulheres usuárias e não-usuárias
de anticoncepcionais orais. Estes autores criticaram os achados de EL-ASHIRY et al., 1971, pois apesar de sua pesquisa
ter revelado uma relação existente entre o uso de
contraceptivos hormonais e a doença periodontal, estes examinaram apenas os segmentos anteriores.
O grupo teste apresentou uma condição de higiene oral
semelhante ao grupo controle, não sendo possível afirmar
que o agravamento da doença periodontal se deve ao uso
de contraceptivos hormonais. Contudo, para vários autores,
muitas mulheres que utilizam pílula anticoncepcional apresentam inflamação gengival mais severa e freqüente sob a
presença de fatores irritantes locais (SOORIYAMOORTHY &
GOWER, 1989, STEINBERG, 2001, OTOMO-CORGEL &
STEINBERG, 2002, PALMER & SOORY, 2005), ou até mesmo
quando a higiene oral é satisfatória (MARIOTTI, 1994).
O tempo de uso do contraceptivo hormonal não influenciou na ocorrência da doença periodontal. Diferente dos
resultados da pesquisa, KNIGHT & WADE, 1973, PANKHURST
et al., 1981, TILAKARATNE et al., 2000, encontraram relação
entre a duração da terapia hormonal e o aumento na ocorrência da inflamação gengival. Entretanto, apesar de
PANKHURST et al., 1981, não encontrarem relação entre a
perda de inserção periodontal e a duração da terapia, KNIGHT
& WADE, 1973, TILAKARATNE et al., 2000, evidenciaram uma
maior perda de inserção periodontal nas pacientes que faziam uso prolongado de contraceptivo oral.
A pesquisa demonstrou que as concentrações hormonais
de estrógeno e progesterona presentes nos contraceptivos
não influenciaram na ocorrência da doença periodontal. De
maneira similar, KALKWARF, 1978, apesar de ter encontrado
índices de inflamação gengival maiores em mulheres usuárias
de contraceptivo oral quando comparadas a um grupo controle, não encontrou disparidade significativa entre as usuárias
de diferentes tipos/concentrações de estrógeno e
progesterona contidos nas diversas marcas dos
contraceptivos orais pesquisados. Já KLINGER et al., 1998,
sugeriram que doses mais elevadas de etinil-estradiol ou de
progesterona podem alterar os parâmetros microbiológicos
do sulco gengival, favorecendo a proliferação de espécies P.
intermedia, principal espécie periodontopatogênica envolvida na periodontite de progressão rápida (atual periodontite
agressiva).
Por fim, de forma semelhante aos resultados encontra-
dos, PERSHAW et al., 2001, revelaram em sua pesquisa que
as baixas concentrações de hormônios presentes nas drogas atuais não tornam a mulher mais susceptível a desenvolver doenças gengivais. TALCHMAN & EKLUND, 2005, em
um estudo mais recente, não encontraram relação entre o
uso de contraceptivos orais de alta ou baixa dose e o risco
aumentado de gengivites e periodontites.
CONCLUSÕES
Baseado na pesquisa de campo realizada foi possível
concluir que:
O uso de contraceptivos hormonais não influenciou
na ocorrência da doença periodontal;
O tempo de uso de contraceptivos hormonais, bem
como diferenças nos tipos e concentrações hormonais de
estrógeno e progesterona não agravaram a condição
periodontal evidenciada nas mulheres usuárias da droga;
Sugere-se que novos estudos sejam realizados a fim
de estabelecer se realmente existe uma relação entre o uso
de contraceptivos hormonais e o agravamento da doença
periodontal.
ABSTRACT
With the purpose of evaluating the influence of hormonal
contraceptives on periodontal tissues, a research was
conducted, considering some relevant aspects: the duration
of use and the type of the drug used, the concentration of
the present sexual hormones, as well as the degree of the
oral hygiene and the presence of local risk factors related to.
The sample consisted of 60 women, aged 17-47, with 30
women taking part in the test group (those who often used
the drug) and 30 taking part in the control group (women
that did not use the medication). The data were collected
through a conducted survey and a clinical exam using the
indexes CPI and OHI-S. The acquired results showed that
the use of hormonal contraceptives did not influence on the
incidence of periodontal disease. The bad conditions of oral
hygiene, associated with the presence of calculus, were
uniform in the studied sample. The duration of hormonal
contraceptives use did not influence on periodontal disease
and the differences on the type and concentrations of
estrogen and progesterone did not represent great changes
in the periodontal condition seen in the drug users.
UNITERMS: sexual hormones; periodontal disease;
hormonal contraceptives.
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Endereço para correspondência:
Priscilla Alves Tavares dos Santos
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Figueiredo, ap. 203 - Bairro Luzia
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