UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO
PROGRAMA DE MESTRADO EM EDUCAÇÃO
IVANA CARLA LIMA CAVALCANTE
Políticas Públicas de formação de Professores que atuam
no de Ensino Médio para o desenvolvimento da Educação
Sexual, conforme os PCNs
UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO
SÃO PAULO
2013
2 IVANA CARLA LIMA CAVALCANTE
Políticas Públicas de formação de Professores que atuam
no de Ensino Médio para o desenvolvimento da Educação
Sexual, conforme os PCNs
Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado
em Educação da Universidade Cidade de São
Paulo, como requisito exigido para obtenção do título
de Mestre, sob a orientação da Profa. Dra. Edileine
Vieira Machado. UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO
SÃO PAULO
2013
3 IVANA CARLA LIMA CAVALCANTE
Políticas Públicas de formação de Professores que atuam
no de Ensino Médio para o desenvolvimento da Educação
Sexual, conforme os PCNs
Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em
Educação da Universidade Cidade de São Paulo, como
requisito exigido para obtenção do título de Mestre, sob a
orientação da Profa. Dra. Edileine Vieira Machado.
Área de concentração:
Data da defesa:
Resultado: __________________________________________
BANCA EXAMINADORA:
____________________
____________________
____________________
4 Dedico esse trabalho aos meus PAIS que
acreditaram em mim, me apoiando sempre em
todas as minhas decisões.
A vitória desta conquista dedico com todo amor
a vocês!!!
AGRADECIMENTOS
Em primeiro lugar quero agradecer ao meu Maravilhoso Deus, que me deu à
vida e a alegria de concluir mais esta etapa na minha vida!
Meu muitíssimo obrigado aos meus orientadores Professora Doutora Edileine
Vieira e ao Professor Doutor Jair Militão da Silva. Obrigado por acreditarem em
mim e aceitar-me como orientanda, incentivar-me, apoiar-me sempre que precisei.
Agradeço a Professora Doutora Chie Hirose pelas sugestões pertinentes
durante o meu exame de qualificação.
Aos meus amados pais, Hermes e Coralina, fonte de maior vivência do que é
ter como alicerce uma poderosa relação familiar, repleta de amor, respeito e
admiração.
Aos meus lindos e amados filhos Victor, Caroline e Matheus que me
incentivam cada vez mais a minha busca constante pelos meus estudos sobre
sexualidade e pela compreensão e carinho de minha ausência no papel de MÃE
durante todo o meu mestrado.
Aos meus enteados Matheus e Lucas que fazem partem da minha vida.
Ao meu querido companheiro e marido Aldo Costa, pelo constante estímulo
de motivação, apoio, compreensão e incentivo, para que mais essa conquista fosse
alcançada.
A minha parceira, amiga irmã Christyne Cavalcante que juntas estamos
finalizando mais esta nova conquista e que estaremos sempre acreditando que
nosso trabalho de Educadora em Sexualidade será uma constante luta e esperança!
RESUMO
Este trabalho aborda o tema formação de professores do Ensino Médio para o
desenvolvimento da Educação em sexualidade, conforme os Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCNs). O interesse pela pesquisa emerge da experiência da
pesquisadora como Psicóloga e também Professora do curso de Formação de
Professores, em que pôde observar uma necessidade básica do profissional e
daqueles em formação em relação ao entendimento das questões ligadas à
sexualidade. O problema de pesquisa é: como formar os professores que atuam no
Ensino Médio para que desenvolvam Educação em Sexualidade conforme os
PCNs? O objeto de estudo é a formação de professores que atuam no Ensino Médio
para que desenvolvam Educação em Sexualidade conforme os PCNs. A pesquisa
tem por objetivos: apresentar estudo sobre a formação de professores que atuam no
Ensino Médio para que desenvolvam Educação em Sexualidade conforme os PCNs
no Ensino Médio de uma escola de Maceió-AL; abordar o tema sexualidade e sua
importância (ou não) dentro do contexto escolar; identificar o papel do professor na
implantação de uma política pública de educação nesse contexto; identificar
necessidades no processo formativo de professores do Ensino Médio em relação ao
tema; - analisar a visão dos professores quando do “trabalho” em relação ao tema
da sexualidade na escola e discutir os resultados obtidos junto a professores que
lecionam (ou não) sobre a sexualidade no espaço escolar, para alunos do ensino
médio. Como procedimentos metodológicos foram realizadas pesquisa bibliográfica
e entrevista com 17 professores de um Colégio Religioso da cidade de Maceió-Al.
Como referencial teórico, forma utilizados: AZANHA (2004); (BENTO XVI (2011);
FOUCAULT (1990; 1997); LIBÂNEO (1985; 2000); TRUJILLO; SGRECCIA (1995),
entre outros. Como conclusão, evidenciou-se que há necessidade de preparar
melhor os profissionais da educação para exercerem o papel de educadores em
sexualidade, tornando-os qualificados para a abordagem do tema dos seus alunos.
Assim como a responsabilidade da família e da escola pela educação em
sexualidade de crianças e de adolescentes. Para isto, é preciso que haja um
trabalho integrado entre família e escola, a fim de ocorrer uma parceria.
Palavras-chave: Políticas Públicas de Educação; Formação de Professores;
Educação Sexual; Ensino Médio; Parâmetros Curriculares Nacionais
7 ABSTRACT
This paper addresses the issue of training high school teachers for the development
of education in sexuality, according to the National Curriculum Parameters (NCP).
The interest in this research emerges from the experience of the researcher as
Psychologist as well as a Professor of a Teachers Training Course, in which she was
able to observe a basic need of professional and those in training in relation to the
understanding of issues related to sexuality. The research problem is how to train the
teachers who work in high school to develop Sexuality Education within the NCPs?
The object of the study is the training of teachers who work in high school so they
can develop Sexuality Education as NCPs. The research aims to: present a study on
the training of teachers who work in high school to develop Sexuality Education as
NCPs in a High School of Maceió-AL; to approach the topic sexuality and its
importance (or not) within the school context; to identify the role of the teacher in the
implementation of a public education policy in this context; to identify the needs in the
training of high school teachers on the topic; - analyze the teachers' view about the
"work" in relation to the theme sexuality in school and discuss the results obtained
from the teachers who teach (or not) about sexuality at school, for high school
students. The methodological procedures used were the bibliographic research and
interviews with 17 teachers of a Religious School of Maceió-Al. The theoretical
references, were used: Azanha (2004); (BENEDICT XVI (2011), Foucault (1990,
1997); Libâneo (1985, 2000); TRUJILLO; Sgreccia (1995), among others. As a
conclusion, it was observed that there is a need to better prepare education
professionals to perform the role of educators in sexuality, making them qualified to
be addressed the topic by their students. Considering, as well, the responsibility of
the family and school for the sexuality education of children and adolescents. For
this, there a need to exist an integrated work between family and school in order to
place a partnership.
Keywords: Public Policy Education, Teacher Training, Sex Education, High School,
National Curriculum Parameters
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Eixos pedagógicos da pedagogia-em-participação ......................... 58
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Fases do desenvolvimento e da formação humana ....................... 40 LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 – Sexo dos entrevistados.................................................................. 62 Gráfico 2 – Idade dos entrevistados ................................................................. 63 Gráfico 3 – Estado civil dos entrevistados ........................................................ 63 Gráfico 4 – Disciplinas lecionadas pelos entrevistados .................................... 64 Gráfico 5 – Importância da sexualidade para os alunos ................................... 65 Gráfico 6 – Inserção da sexualidade no ambiente escolar ............................... 66 Gráfico 7 – Preparação dos professores .......................................................... 67 Gráfico 8 – Preparação profissional dos professores ....................................... 68 Gráfico 9 – Dificuldade na educação sexual .................................................... 69 Gráfico 10 – Educadores da sexualidade ......................................................... 70 SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ................................................................................................ 13 JUSTIFICATIVA ........................................................................................... 16 PROBLEMA DA PESQUISA........................................................................ 16
OBJETO DE ESTUDO................................................................................. 16 OBJETIVOS.................................................................................................. 17 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ..................................................... 17 I – EDUCAÇÃO SEXUAL NAS ESCOLAS ..................................................... 19 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO .......................................................................... 19 1.2 COMPREENDENDO A SEXUALIDADE ................................................. 24 1.2.1 A sexualidade “aberta” ao público .................................................... 25 1.3 COMPREENDENDO A FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA ....................... 26 1.4 COMPREENDENDO O PAPEL DA ESCOLA NA EDUCAÇÃO SEXUAL28 II – UMA POSSIBILIDADE: O PROFISSIONAL DA EDUCAÇÃO COMO AGENTE
DA EDUCAÇÃO SEXUAL ............................................................................... 29 2.1 O EDUCADOR E O CONTEXTO DA REALIDADE SEXUAL ................. 33 III – DISCUSSÃO: O PAPEL DA ESCOLA EM RELAÇÃO À FORMAÇÃO DO
ALUNO E A SUA VIVÊNCIA EM SOCIEDADE............................................... 36 3.1 A FORMAÇÃO DO ALUNO E VIVÊNCIA EM SOCIEDADE................... 36
3.2 RELAÇÃO ENTRE EDUCAÇÃO FAMILIAR E ESCOLAR ATRAVÉS DA
AFETIVIDADE .............................................................................................. 37 3.3 O PAPEL SOCIAL DA ESCOLA NA VIVÊNCIA EM SOCIEDADE ......... 41 3.4 A IMPORTÂNCIA DOS PLANOS CURRICULARES PARA FORMAÇÃO DOS
ALUNOS ....................................................................................................... 44 3.5 O GÊNERO E O SEXO .......................................................................... 46
3.6 A EDUCAÇÃO SEXUAL E A QUESTÃO RELIGIOSA............................ 47
IV – OPORTUNIDADE: FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA INCLUSÃO DA
EDUCAÇÃO NO ENSINO MÉDIO ................................................................... 51 4.1 A ESCOLA MODERNA........................................................................... 51 4.2 TRANSMISSÃO E PARTICIPAÇÃO PEDAGÓGICA: MODELO PEDAGÓGICO
....PARA A EDUCAÇÃO SEXUAL NAS ESCOLAS ...................................... 54 V – ENTREVISTA JUNTO A PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO ...............61 5.1 COLETA DE DADOS .............................................................................. 61 5.2 APRESENTAÇÃO DE DADOS ............................................................... 62
5.3 DISCUSSÃO DOS DADOS .................................................................... 71 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................. 73 REFERÊNCIAS................................................................................................ 77 ANEXO ............................................................................................................ 90 13 INTRODUÇÃO
“Educar hoje não é uma tarefa fácil”. Essa é uma afirmação muito comum de
se ouvir nas famílias e na escola e principalmente no que se diz respeito à formação
para a vida adulta e essa dificuldade é maior quando se refere à educação para o
verdadeiro sentido da sexualidade. Se pararmos para pensar um pouco sobre a
nossa própria história vivida e observada nos momentos históricos passados, vemos
que essa preocupação não é nova, mas diferente.
Antigamente, não eram em todas as famílias que ocorria a educação sexual,
mas a cultura geral era caracterizada pelos valores fundamentais, como a dignidade
humana, a integridade moral, o respeito.... o que servia para proteger e conservar a
própria pessoa. Com o passar dos tempos, as famílias tradicionais, os modelos
tradicionais, passam a ser escassos, os filhos ficam desprovidos de orientações
unívocas e positivas e os pais sentindo-se despreparados para dar respostas
adequadas.
Outro aspecto que podemos observar é a coisificação do Homem, presente
nos meios de comunicação, com uma visão individualista e distorcida da liberdade,
numa realidade que não se leva em contra os valores fundamentais sobre a vida,
sobre o amor humano e sobre a família.
Com essa mudança cultural e social, surge uma demanda e o governo
responde em 1998 com os Parâmetros Curriculares Nacionais que apresentam
propostas de temas transversais para serem trabalhados na escola e entre eles está
a Educação Sexual.
Mas apenas propor como tema transversal a Educação Sexual não resolveu
o problema, pois os professores não estando preparados para tratarem a temática,
fazem de forma informativa e não formativa e, muitas vezes, substituindo a família e,
ainda, com uma deformação das consciências. Pais, por sua vez, despreparados,
renunciam tal tarefa de educar e delegam a outros. Há ainda os pais que defendem
a idéia de que a Educação Sexual é uma responsabilidade da família e não da
escola, indo contra a proposta, pois essa vai de encontro a questões religiosas da
família.
Diante deste cenário, esse tema de pesquisa torna-se polêmico, mas
imprescindível que venha à tona tal discussão, pois como podemos trabalhar de
14 modo a respeitar as posições das famílias e por outro lado educar aqueles que não
têm uma família que os eduquem em sexualidade?
A
experiência
da
pesquisadora,
enquanto
Psicóloga,
orientadora
educacional de uma escola católica e Professora de Cursos de Formação de
Professores tem mostrado a possível contribuição da escola na formação dos jovens
com relação à educação sexual, mas sem anular a importância da parceria com a
família, porque é ela a responsável por tais ensinamentos e é ela a instituição que
mais conhece os seus filhos, a suas características singulares e, por experiência,
possuem os recursos necessários para convencer os seus sobre o amor verdadeiro,
a importância de uma relação humana com respeito, dignidade e responsabilidade,
além de darem o testemunho dessa verdade, observando e conhecendo a história
dos avós, dos pais, da constituição da família.
Ao terminar o curso de Psicologia, no Centro Universitário Cesmac, resolvi
trabalhar na área da sexualidade fazendo pós-graduação lato sensu em Educação
Sexual na Faculdade de Medicina do ABC Paulista, para aperfeiçoar minha escolha.
Nesse tocante, compreendi que trabalhar com esse tema é compreender a
diversidade que nela permeia esse campo de atuação, que permite atuar na clínica,
no meio educacional, na saúde, nas empresas e também no campo jurídico.
Como atividade profissional, tive minha primeira experiência de trabalho no
Colégio Universitário – Cesmac, como Coordenadora da Educação Infantil. Nessa
função, comecei a despertar para a importância da sexualidade e sua inserção no
meio educacional, onde percebi a necessidade de preparar os profissionais para
saber lidar com a sexualidade de seus alunos.
Dando continuidade e ampliando a minha experiência na Educação,
continuei nesse campo por ter descoberto minha afinidade e afetividade, pois ao
longo de minha carreira profissional venho me dedicando com bastante entusiasmo
nesta área, e cada vez mais me deparo com a importância deste tema em todas as
fases do desenvolvimento humano.
Durante esse período fui convidada a ministrar aulas quinzenais, durante 1
(um) ano, de orientação sexual em um colégio religioso e bastante renomado em
Maceió. Esta fase de experiência profissional só veio confirmar a importância de
inserir no projeto pedagógico a formação dos profissionais da educação para
trabalhar com o tema da educação sexual, pois escola e professor necessitam desta
15 formação para efetivar uma relação de ensino e de aprendizagem coerente às
necessidades dos alunos.
Com esse trabalho no colégio pude observar uma necessidade básica do
profissional em relação ao entendimento das questões ligadas à sexualidade, que
envolve pensamentos, ações e sentimentos tanto no mundo adulto como no mundo
infantil.
Depois de várias experiências profissionais nessa área, fui convidada a
assumir docência em nível superior. Lecionei até os dias atuais a disciplina de
Sexualidade Humana, na faculdade de Ciências Humanas do Cesmac, onde
coordenei o Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão- NEPE, desenvolvendo a
tríade, ensino, pesquisa e extensão.
Ao completar este ciclo iniciei o meu Mestrado em Educação na
Universidade Cidade de São Paulo, que hoje tem grande relevância na minha vida
acadêmica, pois pesquisar, para mim, consiste na construção de conhecimentos
novos, técnicas novas, exploração de novas realidades.
Nesta perspectiva, esta pesquisa teve como propósito compreender a
inclusão do professor no processo de implantação de uma política pública de
educação sexual no ensino médio. Esse trabalho também busca identificar de que
forma professores do Ensino Médio vêem a educação em sexualidade como tema
transversal no currículo da educação básica. Para isto, foi preciso investigar os
possíveis
entraves
para
que
professores
do
Ensino
Médio
tratassem
e
incorporassem este tema transversal em suas escolas.
Como já mencionado anteriormente, o tema Sexualidade na Escola é
emblemático dado às transformações ocorridas na sociedade nas últimas décadas,
no entanto, é importante conhecer e aprofundar-se mais sobre o tema,
especialmente sobre o tratamento do tema, no espaço escolar, devido à sexualidade
fazer parte da personalidade humana, mas trazer confrontos, com o que a maioria
dos alunos aprenderam no decorrer das suas vidas, junto com colegas e poucos
com seus pais ou responsáveis.
O interesse em realizar esse estudo emergiu, também, pelo fato de que o
tema sexualidade já está presente na vida das crianças e adolescentes, nos dias
atuais e precisa ser uma preocupação das escolas, especialmente para o Ensino
Médio, uma vez que eles estão cada vez mais ligados aos assuntos sexuais, pela
mídia, pelos amigos e até mesmo pela própria família.
16 JUSTIFICATIVA
Justifica-se a realização desse estudo, pelo fato de o tema sexualidade ser
bastante discutido nos dias atuais, e estará fazendo cada vez mais parte da vida de
crianças e adolescentes, que cada vez mais cedo obtém informações sobre as
questões sexuais e acabam necessitando de mais orientação, especialmente por
parte da escola, que acaba sendo um “refúgio” para que crianças e adolescentes
tirem suas dúvidas e fiquem mais preparadas para o futuro, compreendendo de
maneira mais ampla e correta o que vem a ser a sexualidade, seus efeitos
consequências e até mesmo, o lado positivo e negativo desse assunto. Entretanto,
para isso, não basta declarar uma política pública de educação sexual por meio dos
Parâmetros Curriculares Nacionais: Temas Transversais: Educação Sexual. Para a
implantação de política públicas, faz-se necessário conquistar a adesão voluntária
dos envolvidos na sua implantação e no caso da Educação Sexual, o papel do
professor é fundamental, por isso, a necessidade de sua formação, sem esquecer
da necessidade da parceria a ser estabelecida com a família dos alunos.
Ao analisar a função governamental e sua relação com a sociedade, Azanha
(2004) afirma que as políticas públicas são instrumentos capazes de melhorar os
aspectos sociais, principalmente os educacionais que exigem um planejamento
eficaz e contínuo.
PROBLEMA DA PESQUISA
O Problema de pesquisa é: Como formar os professores que atuam no
Ensino Médio para que desenvolvam Educação Sexual conforme os PCNs?
OBJETO DE ESTUDO
A formação de professores que atuam no Ensino Médio para que
desenvolvam Educação Sexual conforme os PCNs.
17 OBJETIVOS
Os objetivos dessa dissertação são:
- apresentar estudo sobre a formação de professores que atuam no Ensino
Médio para que desenvolvam Educação Sexual conforme os PCNs no Ensino Médio
de uma escola de Maceió-AL.
- abordar o tema sexualidade e sua importância (ou não) dentro do contexto
escolar;
- destacar a educação sexual como um evento necessário nos dias atuais;
- destacar o papel do professor na implantação de uma política pública de
educação nesse contexto;
- identificar necessidades no processo formativo de professores do Ensino
Médio em relação ao tema;
- analisar a visão dos professores quando do “trabalho” em relação ao tema
da sexualidade na escola e finalmente,
- discutir os resultados obtidos junto a professores que lecionam (ou não)
sobre a sexualidade no espaço escolar, para alunos do ensino médio.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A realização deste estudo foi elaborada através de uma pesquisa
bibliográfica, sendo possível buscar na literatura fontes científicas em livros, artigos
online, artigos impressos, textos, sites da Internet, bibliotecas virtuais, entre outros,
que tratam do tema. Conforme Gil (2002, p. 44) “a pesquisa bibliográfica é
desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de
livros e artigos científicos”.
O desenvolvimento da pesquisa teve como embasamento o levantamento
bibliográfico, responsável por selecionar previamente os referenciais teóricos
considerados mais relevantes para a compreensão do tema e para a realização do
contraponto fundamental para os preceitos existentes.
Esse levantamento foi devidamente seletivo, visto que o estudo proposto é
bastante relevante, a fim de escolher materiais representativos. Assim, os
18 referenciais puderam ser lidos e analisados, sendo possível aprofundar os inúmeros
pontos de vista teóricos.
No entanto, somente a pesquisa bibliográfica não seria suficiente para
realização desse estudo, motivo pelo qual, optou-se pela realização de uma
entrevista junto aos professores do Ensino Médio de um Colégio religioso, onde foi
coletado a opinião de cada um em relação ao assunto educação sexual nas escolas,
já que o trabalho teve como objetivo também identificar necessidades no processo
formativo de professores do Ensino Médio em relação ao tema dessa dissertação;
analisar a visão dos professores quando do “trabalho” em relação ao tema da
sexualidade na escola.
19 I – EDUCAÇÃO SEXUAL NAS ESCOLAS
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Na Idade Média, a sociedade mantinha suas crenças voltadas para a ideia de
que as crianças eram seres “puros” e “inocentes”, onde sua sexualidade deveria
permanecer escondida, visto que a mesma apresentava uma conotação suja e
pecaminosa. Dessa maneira, os filhos eram ensinados a ter o total pudor acerca da
sexualidade.
No final do século XIX e início do século XX, emergiu um e intenso debate
científico sobre a sexualidade humana, pois, por muito tempo, este tema sempre
esteve ligado e influenciado pelas normas religiosas, morais e sociais da sociedade.
Antes dos estudos de Freud a criança era considerada um ser assexuado, ou
seja, sua sexualidade era negada, foi quando surgiu a teoria psicanalítica, com esse
estudo ele conceituava a sexualidade, suas relações, seu campo de atuação sempre
fazendo uma relação com outras áreas genitais e o orgasmo.
Freud tentando estudar e compreender o desenvolvimento da sexualidade
infantil, afirmou que a criança já nascia com sua sexualidade e não na puberdade
que essa aparecia como muitos defendiam. Para ele o desenvolvimento da
sexualidade para chegar à fase adulta seria um processo complexo e longo e que
não estaria só ligado à reprodução e sim na conquista do prazer.
Já, para Foucault, nem a história tradicional nem a psicologia davam a
importância à sexualidade dentro de uma perceptiva social, pois ambas não
conseguia colocar a questão dentro de um contexto histórico.
Num estudo historiográfico, Foucault (1997, p.30-32) demonstra que a
“sexualidade das crianças e, particularmente dos adolescentes, é preocupação
escolar desde o século XVIII, quando esta questão tornou-se um problema público”.
Com isso, a instituição pedagógica não conseguiu fazer com que as crianças e os
adolescentes silenciassem no que diz respeito a sua sexualidade, tendo que
concentrar formas de discursos neste tema, codificar os conteúdos, qualificar os
professores e estabelecer pontos de implantações diferentes.
Foucault coloca ainda (1990, p. 100) que:
20 O sexo é colocado como centro do discurso e da análise que envolvem a
histerização do corpo da mulher, segundo o autor a mulher são atribuídos
papeis – o de mãe (mulheres protetoras) e o seu negativo, o de histeria
(mulher nervosa); e a pedagogização do sexo da criança inocente em
relação ao que vem a ser uma sexualidade saudável, a criança é
preocupação de todos, pois sujeita a se dedicar a atividades sexuais
indevidas, por isso perigosas. Essa pedagogização travou guerra contra o
risco maior – o onanismo (a prática da masturbação); de socialização das
condutas de procriação, controle demográfico através de incitações ou
freios à fecundidade dos casais, pelo estado e pela medicina; e da
psiquiatrização do prazer perverso: os vícios e os pecados foram
classificados como doenças, sendo patologizados.
Foi com os estudos de Freud que surgiu os instrumentos básicos do trabalho
de intervenção e interpretação sobre a importância da sexualidade na formação do
sujeito e com toda essa pesquisa ele se tornou o grande representante da ideologia
sexualista. Mas, Foucault também demonstra que os princípios psicanalíticos foram
influenciados pela história das morais, além da natureza.
Pierre Bordieu (1974) teve uma contribuição muito grande, pois com suas
teorias ficamos com respaldo na noção de habitus, onde mostra a dificuldade que os
educadores têm em colocar em prática trabalhos relacionados com sexualidade no
contexto escolar.
Portanto, observa-se que cada vez mais a sexualidade vem demonstrando
sua importância no processo de desenvolvimento humano, já que tem sido
considerada uma necessidade básica do indivíduo, não podendo permanecer
separada de sua vida, uma vez que está associada com pensamentos,
comportamentos e emoções humanas.
O termo sexualidade abrange de forma tão ampla que dificilmente encaixa
num único conceito, onde sair um pouco do contexto biológico é de fundamental
importância, pois por muitos anos ela teve uma visão puramente reprodutiva.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que:
A sexualidade humana é parte integrante da responsabilidade de cada um.
A sexualidade não é sinônimo de coito e não se limita à presença ou não do
orgasmo. É energia que motiva a encontrar o afeto, contato e intimidade, e
se expressa na forma de sentir, nos movimentos das pessoas e como estas
se tocam e são tocadas (BOLETIM, 2000).
21 Como o contexto educacional é o local onde os alunos passam grande parte
de seu dia é importante que toda escola esteja preparada para oferecer para seus
alunos as informações e orientações adequadas que são em alguns momentos
negligenciados no seu contexto familiar.
Na década de 1990, os educadores no Brasil passaram a apresentar maior
preocupação quanto à inserção de um programa de Orientação Sexual no currículo
escolar. Para tanto, em 1996, foi lançado, um documento sobre a Orientação
Sexual, nos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN’s, que mantinha como tema
transversal e fomentador da reflexão sobre os currículos escolares, uma proposta
mais aberta e flexível sobre o tema em questão.
Conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998, p.31):
(...) é necessário que o educador tenha acesso à formação específica para
tratar de sexualidade com crianças e jovens na escola, possibilitando a
construção de uma postura profissional e consciente no trato desse tema.
Os professores necessitam entrar em contato com suas próprias
dificuldades diante do tema através de formação continuada, questões
teóricas, leituras e discussões referentes a sexualidade e suas diferentes
abordagens.
Os PCN’s consideram que as manifestações sobre a sexualidade surgem em
todas as faixas etárias e ignorar, esconder e reprimi-las são atitudes comuns dos
profissionais da educação na escola.
Bueno (2001) afirma que, desde os anos 80, a educação nacional vem
passando por abordagens políticas e filosóficas sobre a realidade, envolvendo
também a inclusão da questão da orientação sexual nas instituições educacionais.
Com todas essas necessidades se torna urgente preparar melhor os
profissionais da educação para exercerem o papel de educadores em sexualidade,
tornando-os qualificados para a abordagem do tema dos seus alunos.
Segundo o Ministério de Educação e Desporto (BRASIL, 1994, p.19):
Somando-se as instituições que interferem na educação sexual do
adolescente encontramos a escola, parte essencial do nosso estudo. Sabese que a escola é um cenário muito apropriado para o desenvolvimento de
um programa de educação sexual, porque além de uma ação direta que
exerce sobre os educandos, indiretamente incentiva a própria família a
desempenhar o seu papel.
22 Para Cavalcante (1993), o educador sexual deve ser um profissional
preparado para lidar com as angústias e conflitos sexuais, gerados por múltiplas
pressões familiares e sociais, além de mostrar neutralidade, combatendo possíveis
reflexões acerca do que está certo ou errado, já que cada família possui seus
valores.
A educação sexual deve trabalhar na escola colocando questionamentos e
ampliando o conhecimento de vários conceitos, para que o próprio aluno possa optar
o seu próprio caminho. Ela deve ser feita de forma coletiva e jamais ter caráter
individual nem psicoterapêutico. As temáticas devem ser trabalhadas dentro da
limitação de cada aluno, seguindo as faixas etárias e a necessidade de cada turma.
De acordo com Saito (2001), a escola possui a função de informar e propiciar
aos alunos melhores abordagens temáticas, principalmente na questão da educação
sexual. Na obra O prazer e o pensar – Orientação sexual para educadores e
profissionais da saúde, Ricardo de Castro e Silva (apud RIBEIRO, 1999, p. 88)
afirma:
Não precisa ser necessariamente um médico ou um professor de ciências e
trabalhar com educação sexual. O essencial é que seja um educador e,
portanto, interessado em estruturar um processo ensino/aprendizagem com
o aluno adolescente. Este profissional obrigatoriamente deverá passar pelo
processo já caracterizado por nós como “necessário” e “possível”. Um
processo de capacitação inicial e acompanhamento contínuo do trabalho a
ser desenvolvido.
A definição de educação sexual está associada com a preparação e o modo
de proporcionar ao aluno uma vivencia na sexualidade de maneira saudável, natural
e prazerosa. Com isso, o aluno saberá tomar decisões, reconhecer-se e se
posicionar a respeito de suas limitações e liberdade.
Para Suplicy et al. (1994), a sexualidade é constituída gradativamente e
entendida como elemento integrante do desenvolvimento da personalidade,
responsável por interferir desde a alfabetização em todo rendimento escolar.
Com isso, “a escola não pode ignorar essa dimensão do ser humano e tem
que se preparar para dar conta desta tarefa. A sexualidade presente e ativa sofre
transformações constantes e interferem diretamente na maneira das pessoas
pensarem, sentirem e agirem” (BIGOLOTTI et al, 2005, Np?).
23 A instituição pedagógica tem muito a esclarecer aos seus alunos sobre a
extensão dos estudos da sexualidade: pode dar orientações corretas sobre o próprio
corpo; informar as dúvidas que os mesmos possuem; esclarecer sobre DSTs,
gravidez, expor sobre ética e cidadania, enfim devemos ter consciência que não
podemos negar à educação em sexualidade no campo educacional e várias
maneiras existem para introduzir essas temáticas.
Apesar de ser um campo de tensão a escola tem sua autonomia respaldada
pelos PCN’s para inserir a “Educação Sexual”, para cada vez mais fazer um trabalho
de prevenção e informação para os alunos que são necessitados de informações
saudáveis e corretas.
A Sexualidade, por ser um tema atual e polêmico, é vista com uma extensa
variedade de conceitos, respostas e dúvidas. Como a escola tem seu papel
fundamental na educação, não só apenas em ensinar os conteúdos listados nos
programas das disciplinas, ela precisa também estar pronta para preparar seus
alunos para a vida nos seus diferentes contextos: familiar, social e sexual.
Conforme Alencar (2008, p. 162),
Embora haja consenso entre os estudiosos sobre a necessidade de
promover a discussão de questões referentes à sexualidade, na prática,
educadores e pais ainda apresentam dificuldades em abordar o tema com
os jovens.
Os professores ao mostrar suas dúvidas e dificuldades ao abordar sobre o
tema vêm mostrar a necessidade de trabalhar a sexualidade no contexto
educacional, mas ao mesmo tempo os próprios se veem despreparados para tal
atuação, seja por falta de conhecimento, medo ou até mesmo vergonha.
A preocupação com a formação desses profissionais da educação é preciso,
para que no futuro esses professores se encontrem com potencialidade para ensinar
conceitos de uma sexualidade correta sem preconceitos, tabus, julgamentos, sendo
responsáveis pelo desenvolvimento sexual dos jovens com sua sexualidade segura
e saudável. Entende-se que quando as escolas começarem a ter esta visão, um
trabalho preventivo de educação em sexualidade irá se instalar, com isso, os
resultados de uma sociedade madura, responsável e consciente aparecerão.
24 1.2 COMPREENDENDO A SEXUALIDADE
O sexo1 é inerente ao ser humano, mas a sociedade contemporânea o
colocou na perspectiva da sexualidade. Assim, o sexo se transformou numa questão
das relações de poder na sociedade moderna.
Na história de nossa sociedade, desde os povos primitivos, a sexualidade
sempre esteve associada à reprodução. Essa ideia tem gerado diversos
preconceitos. Cabe ressaltar, que sociedades e culturas diferentes expressam
formas diversas a sua sexualidade. Na perspectiva de Couto e Vale (2002, p.25):
A sexualidade abrange o indivíduo como um todo, desde sua maneira de
agir, pensar, relacionar-se com as demais pessoas e desempenhar suas
funções como homem ou mulher. Os relacionamentos, os sentimentos e o
equilíbrio emocional de um indivíduo estão relacionados a uma adequada
evolução de sua sexualidade durante as diferentes etapas de sua vida,
desde a infância.
A sexualidade está inserida no contexto social e cultural do ser humano.
Compreende-se que a sexualidade é um processo que vai do nascimento até a
morte envolvendo, o corpo, a história, os costumes, as relações afetivas e a cultura
de cada um. De acordo com Santos (2001, p.21):
Em suma, sexualidade é um conjunto de ações e relações, da pessoa
consigo mesma e com as outras. É um elemento básico da personalidade
que determina no indivíduo um modo particular e individual de ser, de
manifestar-se, de comunicar-se, de sentir, de expressar e de viver o amor.
Falar da sexualidade é, ao mesmo tempo, falar do individual e do cultural:
crenças, valores e emoções.
Através dos referenciais apresentados, observa-se que a sexualidade exige
que os indivíduos adotem tomadas de decisões difíceis, principalmente quando os
mesmos visam a estimulação de seus corpos, a intensificação dos prazeres e
formação de conhecimentos.
1
O sexo é um conjunto de qualidades orgânicas, psíquicas, sociais, culturais, éticas e religiosas que
formam e estruturam as diferenças entre o homem e a mulher (MARTINEZ & PASCUAL APUD SILVA
& SILVA, 2002).
25 1.2.1 A sexualidade “aberta” ao público
Desde 1970, podemos constatar um aumento considerável do espaço
dedicado ao sexo nas revistas. Hoje em dia, podemos facilmente encontrar nas
publicações manuais de sexo.
Desde os anos 1970, assistimos a um vertiginoso aumento do espaço
dedicado ao sexo na imprensa feminina. A ditadura militar e a autocensura que
vigoravam nas redações retardaram um pouco esse reflexo, até meados dos anos
80, quando passaram a abordar diretamente o orgasmo e os detalhes da relação
sexual, chegando aos manuais de aconselhamentos de hoje.
Assim, afirma-se que uma das principais mudanças nas representações do
amor na sociedade moderna se encontra relacionada com a relevância que o sexo
mantém no debate acerca dos relacionamentos amorosos. O que aconteceu
principalmente após o surgimento da pílula anticoncepcional, que fez com que com o
controle da natalidade deixasse de ser uma preocupação, liberou as mulheres a se
preocuparem apenas com desempenho. E as revistas femininas, acompanham esta
necessidade, contribuindo com que o sexo fosse o chamariz principal de muitas
onde podemos perceber logo de cara nas capas que vendem técnicas para melhorar
a performance com conselhos, segredos e trocas de experiências.
Observa-se que muitos artigos científicos sobre relacionamento possuem um
foco maior nos aspectos dito científicos do sexo, mantendo embasamentos teóricos
em pesquisas e descobertas científicas da sexualidade. Muitas revistas para
adolescentes também tratam do assunto, inclusive oferecendo uma excessiva
publicação de técnicas de como encontrar e melhorar o prazer, na maioria das vezes
com a intenção de impressionar o parceiro (a), incentivando os adolescentes à
prática sexual.
Além disso, Publicações do Kama Sutra (texto indiano sobre comportamento
sexual) são habituais nas revistas para adolescentes, especialmente para meninas.
No entanto, percebemos que a ideia do sexo no contexto destas publicações está
quase sempre ligada à ideia de que o sexo é parte de uma relação duradoura, ou
seja, os adolescentes em geral, estão sendo preparados pela mídia e também pela
sociedade, para aceitar o sexo, como uma parte normal do relacionamento entre
homens e mulheres.
26 1.3 COMPREENDENDO A FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA
Por a pesquisadora não ter sua formação inicial na área da Educação –
para melhor descrever, compreender sua trajetória formativa durante a construção
dessa dissertação de Mestrado, apresentará de forma breve neste e nos próximos
subitens e capítulos alguns conceitos que constituem o campo da Educação, assim
como pensamentos de autores da área e experiências de formação continuada
realizada também em Portugal, na busca de um caminho para possível contribuição
para se pensar o ensino de Educação Sexual e na formação de professores para
essa tarefa.
A educação influencia significativamente os aspectos sociais da sociedade,
tornando-se importante instrumento incentivador da construção de cidadãos mais
democráticos, visto que seres humanos educados apresentam maior senso crítico e
reflexivo de suas ideias, fortalecendo e imortalizando os valores morais nas futuras
gerações (SANTOS, 2001).
A escola, através da elaboração do seu Projeto Político pedagógico2,
direcionada
pelas
ações
propostas
pelos
PCNs
(Parâmetros
Curriculares
Nacionais)3, pode revolucionar seu cotidiano e colocar em movimento a inclusão dos
alunos marginalizados. A busca pela transformação no interior da escola deve partir
das contradições existentes na própria sociedade. Não se podem utilizar os
determinantes econômicos, sociais e culturais que agem em favor da sociedade
autoritária, como desculpas para não se fazer nada.
O lugar da escola se encontra em educar para a cidadania, no sentido da
construção de um ser humano reflexivo, crítico, criativo, participativo, comprometido
socialmente.
Compreende-se que a educação das capacidades do ser humano
direcionadas ao respeito à diversidade e ao combate dos conflitos de ideias só será
2
A educação sexual entendida como um conteúdo transversal trabalhado de forma interdisciplinar
deve ser pensada como temática integrante do Projeto Político Pedagógico das escolas e dos
sistemas de ensino.
3
Os PCN´s revela que é apenas em meados dos anos 80, que a demanda por trabalhos na área da
sexualidade nas escolas aumenta e começa a preocupar os educadores, em virtude do grande
número de gravidez precoce, entre adolescentes, do aparecimento da AIDS, entre os jovens
(SANTOS, 2001).
27 alcançada através do fortalecimento cultural dos indivíduos juntamente com o
controle das emoções e sentimentos que fazem parte de suas experiências e da
realidade que os cercam.
Para Del Prette e Del Prette (1996, p. 208) a educação para a cidadania
deve ser mantida também no âmbito da educação formal que permite a “análise dos
valores e práticas sociais da instituição escolar e do grau em que efetivamente
promovem ou suprimem a cidadania enquanto compromisso com mudanças
sociais”.
Assim, “a escola deve constituir um ambiente formador completo. Deverá
abranger condições para que o educando possa construir os dois sistemas de
valores mais importantes para a adaptação da pessoa ao meio: a lógica e a moral”
(FACCINI, 2004, p. 09).
Partindo do pressuposto de que a cidadania é uma das finalidades da
educação, podemos afirmar que não existe cidade educadora sem
professores, sem escolas públicas de qualidade e sem uma sociedade que
participe e que seja cidadã, onde o cidadão é ao mesmo tempo educador e
educando. A cidade dispõe de inúmeras possibilidades de educação: a
vivência na cidade se constitui num espaço cultural de aprendizagem
permanente por si só, “espontaneamente”. Mas a cidade, pode e deve ser
“intencionalmente” educadora (ALMEIDA, 2007, p. 12).
Este objetivo é muito complexo, pois engloba ensinar e educar crianças,
jovens e adultos através de valores coerentes ao bem estar da sociedade,
assegurando uma postura explícita ao incentivo da prática de ações democráticas,
justas e igualitárias. Com isso, a cidadania parte do princípio da equidade, onde
todos os membros da população possuem o direito de participar ativamente de seus
caminhos, garantindo o desenvolvimento da democracia social.
Diante disto, em relação à orientação sexual Silva e Silva (2002, p. 37),
esclarecem que:
A partir do século XXI, as escolas apresentam cada vez mais a necessidade
de programas de educação sexual, para informar, orientar e esclarecer as
dúvidas dos adolescentes sobre a sexualidade. Neste intuito devem-se
estabelecer propostas e alternativas para um trabalho pedagógico efetivo
nas escolas
28 Para que as instituições escolares possam cumprir com suas funções
sociais, o processo educacional precisa considerar as práticas e costumes da
sociedade, voltado para os aspectos político, social, cultural, ético e moral. O
contexto atual demonstra a importância da inclusão da Educação Sexual, sendo
discutida através de uma abordagem clara e consistente (SANTOS, 2001).
1.4 COMPREENDENDO O PAPEL DA ESCOLA NA EDUCAÇÃO SEXUAL
A Educação Sexual4 de um ser humano contribui com que os alunos possam
exercer sua sexualidade a favor de seu próprio bem estar, assegurando
comportamentos responsáveis e prazerosos. A Educação Sexual inclui todas as
ações educativas que levam a criança e o jovem a compreender o processo de
amadurecimento sexual, a se preparar para enfrentar eventuais problemas.
A Educação Sexual possui a missão de preservar, proteger e conhecer o
organismo humano, permitindo principalmente que o indivíduo descubra seu prazer,
buscando sua felicidade e realizações pessoais (SILVA; SILVA, 2002).
O tema está vinculado ao exercício da cidadania, visto que propõe trabalhar
o respeito por si e pelos outros, além de garantir direitos básicos como saúde,
informação e conhecimentos abrangentes relacionados ao ser humano (COUTO;
VALE, 2002).
Na perspectiva de Groff (2002, p.2):
O trabalho de orientação sexual procura a ajudar crianças e adolescentes a
terem uma visão positiva da sexualidade, e a desenvolverem uma
comunicação clara nas relações interpessoais, e a elaborarem seus
próprios valores a partir de um pensamento crítico, e a compreenderem seu
comportamento e o do outro e a tomarem decisões responsáveis.
4
No Brasil, a história da Educação Sexual surge com as primeiras ideias sobre Educação X Sexualidade, o combate a masturbação e as doenças venéreas, visando também a preparação da mulher para o exercício do papel de esposa e mãe (SILVA; SILVA , 2002). 29 Barbosa et al (2005), realizaram um estudo empírico sobre a sexualidade na
escola, e constataram que o sexo precoce afeta o desenvolvimento escolar e 85%
das escolas não possuem um programa de conscientização para os alunos e
comunidade e nem capacitação para professores. Este estudo também apontou que
90% das escolas não discutem o tema “sexo” em reuniões pedagógicas e
consideram-no um antagonismo, pois estabelecem regras sem conhecimento do
assunto. Após a análise dos dados, os autores concluíram que:
A educação sexual deveria fazer parte do currículo de todas as escolas e
através disto deveria ser desenvolvido um trabalho pela escola, com a
colaboração de profissionais especializados o que agregaria grande valor
ao desenvolvimento físico e emocional dos alunos e suavizaria os conflitos
que permeiam o amadurecimento dos jovens nas questões que envolvem a
sexualidade. As atividades integradas entre escola e família também se
tornam necessárias diante da complexidade do tema. Educar para a
sexualidade é educar para a cidadania.
Diante disto, cabe ressaltar a visão de Silva e Silva (2002), que revelam que
a Educação Sexual apresenta verdadeira importância no desenvolvimento e nas
funções psíquicas dos seres humanos, visto que proporciona a melhoria da
comunicação entre as pessoas, independentemente da capacidade reprodutiva e da
busca do prazer como necessidade fundamental dos seres humanos.
Para Silva e Silva (2002, 71) “a Educação Sexual para os adolescentes
caracteriza-se, inicialmente, por conjunto de orientações desenvolvidas de forma
assistemática sobre a sexualidade”. Portanto, torna-se necessário que a sexualidade
seja esclarecida e informada, formando costumes referentes associados às
dimensões biológicas, psíquicas e socioculturais desta questão.
II – UMA POSSIBILIDADE: O PROFISSIONAL DA EDUCAÇÃO COMO AGENTE
DA EDUCAÇÃO SEXUAL
O conhecimento a respeito da sexualidade no ambiente escolar é muito
importante diante do processo de desenvolvimento do humano e consequentemente
a partir do ensino e aprendizagem significativos.
De acordo com Rodrigues (2004 p. 28):
30 A sexualidade é parte integrante de todo ser humano, está relacionada à
intimidade, a afetividade, ao carinho, a ternura, a uma forma de expressão
de sentir e expressar o amor humano através das relações afetivo-sexuais.
Sua presença está em todos os aspectos da vida humana desde a
concepção até a morte, manifestando-se em todas as fases da vida,
infância, adolescência, fase adulta, terceira idade; sem distinção de raça,
cor, sexo, deficiência, etc.; além de que não está apenas nos aspectos
genitais, mas sendo considerada como uma de suas formas de expressão
humana, porém nunca como forma isolada, como um fim em si mesma. (...)
Podemos definir sexualidade como um conjunto colorido que contem
contato, relação corpórea, psíquica, sentimental, desejo voltado a pessoas e
objetos; sonhos e delírios; prazer, gozo e dor; perda, sofrimento e
frustração; crescimento e futuro; consciência e plenitude do presente e
memória do passado; processos estes que vão sendo elaborados e dando
espaços para novos contatos.
Segundo Meirelles (1997, p. 83) “o professor é mediador e organizador do
processo pedagógico, favorece a visão de conjunto sobre a situação, e propõe
outras fontes de informação, colocando o aluno em contato com outras formas de
pensar”.
Neste contexto, o presente trabalho tem o objetivo de demonstrar que a
especificidade da Educação Sexual se torna necessária no processo educacional,
quando o desenvolvimento científico-tecnológico precisa da “humanização” deste
sujeito. Nesta direção, outro fator relevante à existência da Educação Sexual, é
porque a escola se defronta com novos desafios neste novo século, e o educador
poderá ajudar nessa realidade existente, com o significado de uma nova leitura a
partir do que se entende por comunicação e interação social.
A
educação
pedagógica,
respeitando-se
as
práticas
particulares,
compreendidas no seu contexto histórico e, nesse sentido, o educador seria o
mediador, trazendo, à prática do aluno, a sua realidade para o cotidiano da escola
assim sendo, a existência da orientação da educação em sexualidade deve-se ainda
pela articulação as diferentes vozes, dentro da escola, na construção de diálogos
necessários ao sujeito que se quer mais humano e mais justo, e ainda porque a
educação em sexualidade sempre trabalhou junto à realidade dos alunos,
procurando identificá-la e interpretá-la. Desta forma, entende-se que havia e
continua havendo, uma busca da leitura ideológica sobre os fatos existentes.
O Educador Sexual tem que estar preparado para ajudar nessas relações
em que contradições e conflitos fazem parte do contexto do aluno. Cabe ressaltar
que a vida é repleta dessas contradições e conflitos, mas o sujeito vive e sobrevivem
31 com o pensamento, a linguagem, os valores e sentimentos. O Educador Sexual quer
caminhar junto nesta direção, refletindo que o mesmo homem que pensa e age é o
que sente e se emociona.
Pimenta (1995) cita que a sociedade é um todo que precisa ser preservado.
O que nos faz pensar que qualquer desvio é uma disfunção que coloca em risco
esse todo. Na adolescência afloram os conflitos e os desvios que precisam ser
corrigidos. Por isso, é justamente nessa fase que a Educação em Sexualidade se
faz necessária.
Nessa linha de pensamento, a Educação Sexual precisa fazer parte do
programa global da escola. A Educação Sexual é também muito importante por seu
caráter preventivo, terapêutico e de aprimoramento e o seu objetivo será alcançado
se contribuir para melhoria das condições pessoais para desenvolvimento do aluno
como pessoa.
Neste sentido, verifica-se que muitos são os desafios da escola nos dias
atuais, considerando as transformações ocorridas nas últimas décadas. No interior
da escola, o educador teve seu papel modificado, tendo em vista atender as
demandas educacionais existentes no ambiente escolar, visando preparar o aluno
para a sociedade em que está vivendo.
O jovem, hoje, tem dificuldade de pautar a conduta dentro de padrões
morais e éticos compatíveis com os verdadeiros valores humanos. Daí as questões
que envolvem o uso de drogas, aborto, Aids, delinquência nas chamadas classesnão-carentes, etc. A escola não tem a solução para esses problemas, mas ela pode
e deve se constituir num espaço para a discussão, podendo contribuir para a
formação dos alunos.
Compreende-se que o educador precisa operar mudanças em si mesmo,
encontrar respostas originais que jamais seriam suplantadas pelas máquinas,
observar o cotidiano da escola, ter um olhar curioso, ouvir, falar, levantar dúvidas,
compreender que, afinal, toda a ciência é relativa e provisória.
Verifica-se também que é preciso que o educador seja capaz de identificar
quem define os conteúdos e como, porque alguns são definidos e outros não, qual o
ponto de partida para a definição deles, e verificar se os conteúdos ensinados levam
em consideração a experiência dos alunos e o grau de conhecimentos que
possuem. Nesse último caso, é preciso saber o nível de conhecimento dos alunos
32 que adentram na escola, sua cultura, seus valores e sua concepção de vida
(PIMENTA, 1995).
Em síntese, a questão dos conteúdos traz inúmeras tarefas ao educador
como, por exemplo, saber quais são os conteúdos que estão sendo ensinados,
analisá-los no todo da escola, aprender a sua trama para interpretá-los, saber sua
importância para a emancipação dos alunos, na análise dos conteúdos da escola,
vários aspectos precisam ser pesquisados, entre eles: o que se deseja ensinar, os
conteúdos propostos para as diversas séries e disciplina, a sequência lógica dos
conteúdos de uma série a outra, os pré-requisitos que estão sendo considerados, a
quantidade etc. (PIMENTA, 1995).
O educador como agente da Educação Sexual na escola precisa
permanecer engajado na proposta pedagógica da escola, contribuindo para que a
equipe escolar explicite os eixos orientadores da ação dos profissionais. É preciso
que todos trabalhem em equipe e que os objetivos sejam definidos e compreendidos
por todos.
Nesta direção, também é papel deste profissional saber interpretar os
conteúdos expressos através de entrevistas, reuniões de grupos de alunos, pais e
professores, procurando saber qual a relação desses conteúdos, com o todo da
escola, qual a relação entre o discurso e as práticas observadas no cotidiano.
O contato do educador com alunos e professores, fora e dentro da sala de
aula, se constituir em uma fonte rica de informações, de troca de experiências e
vivências partilhadas diariamente.
O estudo de Schmidt e Pereira (2003) constata que a função do educador é
fazer o educando extrair de cada experiência um valor de vida, desenvolver virtudes,
conscientizar-se de seus problemas e superá-los, dominar as condições ambientais,
apurar métodos de aprendizagem e orientar na escolha da profissão.
A importante atribuição do educador em Educação Sexual é de formar com
os líderes, equipe atuantes, para se obter unidade na educação, impedir
desentendimentos, consolidar a autoridade e obter colaboradores. Com este
trabalho, o educador pode desenvolver na escola a solidariedade, a sensibilidade
cívica, a sensibilidade moral e a sensibilidade espiritual.
A atuação do educador sexual no ambiente educativo, desperta o sentido da
liberdade oferece imagens superiores de vida, responsabilidades distribuídas e bem
executadas, provas honestas, recreios dinâmicos, festas empolgantes, trabalho
33 escolar intenso e bem dirigido, grupos responsáveis, espírito de equipe no corpo
docente e nos alunos.
A principal tarefa do educador sexual seria identificar e definir os valores do
aluno, ajudando o estudante a trabalhar de maneira racional através dessas
percepções, e por meio delas fazer suas escolhas (KATZ Apud LOFFREDI, 1976).
É preciso aprender a pensar, descobrir-se pensando, pensar o que se
pensa, para evitar a ação irrefletida e prejudicial. Nesta análise, das atribuições do
educador sexual, constata-se que o “fazer” implica numa ação, ou seja, numa ação
que facilitem o sentir, o pensar e o fazer conscientes dos alunos, contribuindo para
sua formação.
2.1 O EDUCADOR E O CONTEXTO DA REALIDADE SEXUAL
Para se utilizar de assuntos mais polêmicos, como a sexualidade, o
educador sexual deve conservar a jovialidade, embora possua a maturidade, não
deve
se
escandalizar
com
a
linguagem
dos
alunos,
suas
irritantes
irresponsabilidades e aparente indiferença.
Ele precisa saber ouvir, sempre com sincera curiosidade, os inúmeros
projetos que se formam e se desfazem nas mentes dos educandos, precisa confiar
na mocidade, apesar de suas constantes decaídas. Ele entende as leviandades,
pois sabe que o adolescente age antes de refletir. Essa atitude de tolerância torna
possível o diálogo com os alunos.
Ele não pode ser intervencionista, mas precisa acreditar na capacidade dos
alunos de se organizarem e de se posicionarem. Não força nem pressiona, nem
constrange, a não ser em casos excepcionais, mas vai delegando a cada aluno a
carga-limite de responsabilidade que o jovem pode suportar.
O educador deve ostentar uma personalidade de realização pessoal. Suas
atitudes precisam revelar forte dose de coragem moral e social. Seu exemplo de
superação deve encorajar os alunos a enfrentarem a monotonia das rotinas da sala
de aula e os abalos provocados pelos fracassos temporários de toda ordem. O
jovem absorve com fervor as palavras e os exemplos daqueles que conseguem
levá-lo ao autodomínio.
34 Schmidt e Pereira (2003) consideram relatam que o educador está
incumbido de propiciar ao aluno o esclarecimento interior (insight) que o capacite a
tomar boas decisões, encontrar soluções para seus problemas e aproveitar ao
máximo as oportunidades de desenvolvimento.
Neste sentido, compreende-se que o educador sexual precisa ter os
requisitos de um autêntico líder, vibrar com os interesses do educando, sua
dedicação à juventude precisa ser gratuita, ter o senso de oportunidade, o dom da
percepção de situações e desajustes, ser capaz de prevenir ressentimentos,
satisfazer necessidades e anseios, experiência anterior que lhe permita exercer
influência. Não é correto o educador improvisar o seu trabalho, nem se arvorar como
especialista sem estar devidamente credenciado.
Levine apud Schmidt e Pereira (2003), apresenta 11 critérios de maturidade
psicoemocional, que devem servir de âncoras para o educador:
1.
Ser capaz de orientar-se pela realidade e não por fantasias, medos e
desejos;
2.
Saber descartar favores momentâneos em troca de benefícios
duradouros;
3.
Ter uma consciência adulta e não se mover por medos, ameaças,
sentimentos de culpa, fantasias e ideias deformadas da infância.
4.
Ser independente, assumir responsabilidade de sua posição, decisão
e paternidade de suas ideias;
5.
Razoavelmente aceitar conselhos, favores e saber retribuí-los;
6.
Considerar os interesses alheios além dos pessoais, ser capaz de
amar os outros, além de si próprio;
7.
Ter uma agressividade razoável, mas saber controlar a raiva, a inveja
e os desejos de ferir e destruir;
8.
Utiliza-se de mecanismos de defesa sadios ou positivos, reprimindo
impulsos inadequados;
9.
Ser capaz de um bom ajustamento heterossexual, baseado na
camaradagem e aceitação de si próprio;
10.
Ajustar-se bem no trabalho, através de boas relações humanas,
aceitação de responsabilidades, capacidade de aguardar o sucesso, considerar o
dinheiro apenas como um meio de conseguir um objetivo, ser digno de confiança, ter
perseverança e cumprir horário de trabalho;
35 11.
Ser tolerante, aceitar as diferenças individuais, não ter preconceitos
raciais, religiosos e de classe social.
Diante da discussão realizada, observa-se que o educador deve possuir
maturidade psicoemocional para lhe garantir lucidez em relação aos recursos
disponíveis e deficiências dos alunos, entusiasmo em relação ao trabalho, confiança
na eficácia dos métodos, técnicas e na capacidade do ser humano. Seu
conhecimento técnico, não pode afastá-lo da formação do espírito e do coração,
porque é o amor que permite ingressar na vida mental e efetiva do aluno e não a
frieza dos aparelhos.
Sendo assim, o educador, quando em um contexto sexual, deve ser o mais
natural possível, considerando que os alunos precisam compreender o que está
sendo exposto, respeitando suas limitações sobre o assunto e mantendo o respeito
em sala de aula.
36 III – DISCUSSÃO: O PAPEL DA ESCOLA EM RELAÇÃO À FORMAÇÃO DO
ALUNO E A SUA VIVÊNCIA EM SOCIDADE
3.1 A FORMAÇÃO DO ALUNO E VIVÊNCIA EM SOCIEDADE
Os fundamentos filosóficos da educação são os pilares que sustentam as
políticas pedagógicas, ressaltando que no âmbito escolar, esses fundamentos são
responsáveis por indicar as bases críticas e o conjunto de justificações que além de
assegurar, explica de modo racional a visão que ronda a necessidade de mudança
da educação (NOGUEIRA, 2009).
Com isso, esses fundamentos quando utilizados na prática docente
contribuem na avaliação de propostas e projetos de estudo, visando à formação da
consciência; e a identificação das causas e consequências que a educação pode
trazer para a vida do sujeito.
Dessa maneira, a Educação voltada para a modernidade se encontra
renovada sistematicamente, passando a substituir os métodos antigos de ensino que
beneficiavam apenas grupos específicos, por atividades orgânicas controladas pelo
poder público, responsável por disponibilizar novas propostas pedagógicas, capazes
de disponibilizar metodologias de ensino mais científicas, empíricas e práticas.
Conforme Libâneo (2000, p. 65):
A educação tem de fato uma função adaptadora. Há vínculos reais entre o
ser humano que se educa e o meio natural e social, há certo grau de
adaptação às exigências desse meio. A educação é também uma prática
ligada à produção e reprodução da vida social, condição para que os
indivíduos se formem para a continuidade da vida social.
37 Nesta perspectiva, sabe-se a educação pode ser compreendida como
fenômeno plurifacetado5, devido à multiplicidade de sua ocorrência em diversos
lugares: na família, no trabalho, na rua, na fábrica, na escola, na política.
Diante desta análise sobre o papel da educação na formação do ser
humano, constata-se que na escola o profissional da educação poderá propor ações
visando a formação do aluno para a vivência em sociedade
Assim sendo, a função da escola, que é o campo educativo por excelência, é
de criar ações que levem os alunos a desenvolverem valores éticos, sociais e
culturais que permitiram assumir compromissos enquanto cidadãos.
Desta forma, no contexto educativo o profissional da educação, a partir de
uma visão multidisciplinar, ou seja, onde ocorra a interligação entre todas as
disciplinas, formando uma grande rede de conhecimentos, deve visar que o aluno
seja motivado a refletir sobre sua condição de ser humano e refletir sobre suas
perspectivas de futuro.
Esta visão multidisciplinar deve propiciar a participação do aluno de modo
ativo, valorizar sua criatividade e, além disto, criar oportunidade para que o aluno se
sinta um membro integrante de sua formação.
3.2 RELAÇÃO ENTRE EDUCAÇÃO FAMILIAR E ESCOLAR ATRAVÉS DA
AFETIVIDADE
A aprendizagem pode ser concebida como um processo de construção que
ocorre por meio da interação constante do sujeito com o meio no qual está inserido,
como o meio expresso primeiramente pela família, e de modo paralelo pela escola
(WEISS, 1999).
Tal perspectiva é significante à medida que passamos a ter uma noção mais
geral
da
grande
importância
da
aprendizagem
na
vida
cotidiana
e
no
desenvolvimento de cada ser humano, tendo em mente a importância do processo
que possibilita “a transmissão do conhecimento de um outro que sabe (um outro do
5
“[...] fenômeno plurifacetado, ocorrendo em muitos lugares, institucionalizado ou não, sob várias
modalidades”. (LIBÂNEO, 2002, p. 26).
38 conhecimento) a um sujeito que vai chegar a ser sujeito, exatamente através da
aprendizagem” (FERNANDEZ, 1991, np).
O processo ensino - aprendizagem deve ser considerado sob a perspectiva
da afetividade. O afeto é um sentimento inerente ao ser humano, por isso a
afetividade está relacionada a todas as atividades que a criança e o adulto realizam.
Cabral e Nick (1999), salientam que a afetividade é uma palavra utilizada
para indicar sentimentos de afabilidade ou de descontento. Já o afeto, se refere a
sentimentos e emoções, estando associada a idéias.
De acordo com Wallon (1986, p.21):
A afetividade é situada como um conceito mais amplo, envolvendo vivências
e formas de expressão humanas mais complexas, desenvolvendo-se com a
apropriação dos sistemas simbólicos culturais pelo indivíduo, que vão
possibilitar sua representação, mas tendo como origem as emoções.
A partir desta afirmativa, entende-se que a afetividade se manifesta no
comportamento humano e é influenciada também pelos aspectos sociais e culturais.
Na concepção de Codo e Gazzotti (1999, 48-59), a afetividade é:
Conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de
emoções, sentimentos e paixões, acompanhados sempre de impressão de
dor ou prazer, de satisfação ou insatisfação, de agrado ou desagrado, de
alegria ou de tristeza.
Henri Wallon sustenta a teoria de que a afetividade é imprescindível para o
desenvolvimento do ser humano. Segundo ele, a afetividade influencia o
desenvolvimento da personalidade do indivíduo. Para Wallon (1971, p.91), “a
emoção corresponde a um estádio da evolução psíquico situado ente o automatismo
e a ação objetiva, entre a atividade motriz, reflexa, de natureza fisiológica e o
conhecimento" Desta análise apreende-se que a afetividade está relacionada ao
aspecto social e orgânico. Na concepção de Taille et al (1992, p.66), a afetividade é:
A energia, o que move a ação, enquanto a Razão seria o que possibilitaria
ao sujeito identificar desejos, sentimentos variados, e obter êxito nas ações.
Neste caso, não há conflito entre as duas partes. Porém, pensar a Razão
contra a afetividade é problemático porque então dever-se-ia, de alguma
39 forma, dotar a Razão de algum poder semelhante ao da afetividade, ou
seja, reconhecer nela a característica de móvel, de energia.
Face ao exposto, compreende-se que a afetividade exerce papel
fundamental no desenvolvimento do indivíduo, pois ela é inerente ao ser humano, e
está relacionada ao ambiente social. A afetividade manifesta-se desde os primeiros
meses de vida e é através dela que se será estabelecida a comunicação com o meio
ambiente e também proporcionará avanços cognitivos, pois os desejos da criança
irão impulsioná-la para a ação sobre o mundo externo.
A inter-relação aprendizagem e afeto recebe influência direta do contexto
sociocultural no qual a criança está inserida, pro isso a convivência familiar é um
fator a ser considerado no processo ensino-aprendizagem.
Atualmente as relações pouco duradouras têm balançado as estruturas
familiares. A tendência é que seja cada vez mais raras famílias que vivam
harmonicamente com todos os seus membros dentro de casa. Contudo especialistas
alertam para o fato de que uma família desestruturada tenha a ver mais com a falta
de afeto entre seus indivíduos do que com a ausência de pai ou mãe.
Segundo Osório (1996, p.24):
A família é uma unidade grupal onde se desenvolvem três tipos de relações
pessoais – aliança (casal), filiação (pais/filhos) e consanguinidade (irmãos)
– e que a partir dos objetivos genéticos de preservar a espécie, nutrir e
proteger a descendência e fornecer-lhe condições para a aquisição de suas
identidades pessoais desenvolveu através dos tempos funções
diversificadas de transmissão de valores éticos, religiosos e culturais.
Conforme Nérici (1972), o comportamento humano está diretamente
relacionado às relações que estabelece no início de sua vida, ou seja, ao seu
convívio familiar. Neste sentido, a tarefa dos pais é educar os filhos incutindo valores
éticos e sociais. O elemento fundamental desta relação é a afetividade.
A educação familiar irá influenciar no desenvolvimento do auto-conceito dos
filhos. Andrade (2007) explica que de acordo com L’Ecuyer (1985) existem 5 tapas
para a evolução do auto-conceito do ser humano, conforme explicitado na tabela
abaixo:
40 Tabela 1 - Fases do desenvolvimento e da formação humana
De 0 a 2 anos
O eu começa a desenvolver desde o nascimento, porém a criança inicialmente
não tem consciência de uma existência separada e diferenciada de sua mãe.
Por meio do processo de diferenciação entre aquilo que é “si mesmo” e o que é
“o outro” emerge o autoconceito. Nesta etapa, são importantes no surgimento
do autoconceito, as relações sociais e afetivas que se estabelecem com as
pessoas do ambiente, como as trocas vocais e as mímicas que ocorrem entre
adultos e a criança.
De 2 a 5 anos
É caracterizada pela elaboração das bases do autoconceito que se formam a
partir das aquisições da linguagem, quando inicia o termo “eu” e “meu”,
indicando que reconhece o si mesmo e o outro, do surgimento da fase de
negação, quando procura um sentimento de autonomia na manifestação de
sua individualidade e da diferenciação das pessoas significativas ou
importantes e do sentimento de valor pessoal que a criança vai formando a
partir das reações destas pessoas.
De 5 a 10/12 anos
É denominado período de expansão de si mesmo. A criança amplia seus
contatos sociais com o ingresso na escola e as experiências que surgem com
estes contatos. As imagens que adquire sobre si mesmo repercutem sobre seu
sentimento de identidade.
Adolescência, dos
10/12 anos aos
15/18 anos
Caracteriza-se pela conquista da autonomia pessoal. São muitas as
transformações físicas que surgem nesta fase e a integração da nova imagem
corporal contribui para a valorização de si mesmo e para a afirmação do
sentimento de identidade, mais coerente e seguro, porém não imutável.
A
maturidade
adulta: dos 20 aos
60 anos
O autoconceito evolui e é submetido a reformulações periódicas em função dos
acontecimentos que surgem durante este período da vida, desde o início da
vida profissional, as experiências de sucesso ou de fracasso no trabalho, de
casamentos, maternidade ou paternidade, das realizações socioeconômicas e
culturais, entre outras.
A idade avançada:
60 anos e mais
A evolução do autoconceito nesta fase tende a ser, em geral, negativa. A
percepção que a pessoa tem da diminuição de suas capacidades físicas, a
doença, a aposentadoria, a perda da identidade social e profissional influi em
seu autoconceito e seu valor pessoal.
Fonte: Andrade (2007)
Além da influência da formação no auto conceito do indivíduo, o convívio em
ambiente familiar desajustado leva o “à vivências de situações de risco tais como
delinquência, precocidade nas atividades sexuais e abandono dos estudos, entre
outros” (SCHENKLER; MINAYO, 2004, p. 03).
A partir do exposto, evidencia-a influência das relações familiares no
desenvolvimento afetivo da criança e consequentemente em sua aprendizagem
41 escolar, pois como foi abordado no início deste estudo, afetividade e aprendizagem
estabelecem uma relação direta. Segundo Fonseca (1999, p.16):
Os atritos entre os pais constituem, conforme o autor, o mais comum
antecedente dos desajustamentos emocionais nos filhos. As tensões
paternas muitas vezes envolvem dificuldades sexuais, falta de consideração
ou de cooperação, saúde frágil, conflitos sobre amigos ou parentes, e
qualquer desses motivos pode impedir o estabelecimento de relações
descontraídas e felizes entre pais e filhos. Faltando tais relações, torna-se
difícil para a criança aprender reações emocionalmente maduras e
adaptadas.
Desta forma, se constata que os conflitos familiares interferem no
desenvolvimento emocional das crianças e adolescentes. Muitas vezes o
comportamento desajustado na criança na escola tem como origem as suas
precárias condições de vida familiar. Isto pode tornar a criança inapta para aprender
(PACHECO, 2005).
Nesta perspectiva, ao avaliar uma criança que não aprende, é necessário
considerar “suas condições individuais, familiares, subjetivas do sujeito-aluno que
expressa, pela via do não-aprender, seu sintoma individual e social” (CRUZ, 2009,
04).
Diante desta análise, se torna fundamental a integração entre escola e
família para que o processo ensino-aprendizagem ocorra de forma eficaz, pois a
interação mais efetiva entre elas é um importante instrumento de inovação
educacional, sendo utilizado numa perspectiva democrática.
A integração entre
escola e família é necessária para a vida da criança, visando melhores condições de
comunicação como forma de contribuição e de co-responsabilidade pelo
desenvolvimento social, emocional e cognitivo do aluno.
3.3 O PAPEL SOCIAL DA ESCOLA NA VIVÊNCIA EM SOCIEDADE
A tarefa de educar é complexa e delicada, porque supõe, em princípio,
tornar o individuo um cidadão. Brandão (1995, p.11) afirma que a Educação:
42 [...] ajuda a pensar tipos de homens. Mais do que isso, ela ajuda a criá-los,
através de passar de uns para os outros o saber que os constituí e legitima.
Mais ainda, a educação participa do processo de produção de crenças e
idéias, de qualificações e especialidades que envolvem as trocas de
símbolos, bens e poderes que, em conjunto, constroem tipos de
sociedades. E esta é a sua força.
É fundamental a ação educativa na tarefa prática de preparar os indivíduos
para a vida social. Dentro desta análise a educação é um processo que transforma o
indivíduo em ser social, ou seja, a educação é o instrumento pelo qual a sociedade
pode integrar seus membros e, é também um recurso que possibilita que valores e
conhecimentos sejam transmitidos de uma geração para outra.
Para Libâneo (1985, p. 97):
Educar (em latim, é educare) é conduzir de um estado a outro, é modificar
numa certa direção o que é suscetível de educação. O ato pedagógico pode
ser definido como uma atividade sistemática de interação entre seres
sociais, tanto ao nível intrapessoal, quanto ao nível da influência do meio,
interação.
Diante desta análise é preciso refletir que no processo ensino-aprendizagem
o aluno está sendo conduzido para a sua formação, por isso é importante que ele
sinta prazer no ato de aprender. Debesse e Mialaret (1974, p.17) asseveram que:
A educação consiste em favorecer o desenvolvimento tão completo quão
possível das aptidões de cada pessoa, a um tempo como indivíduo como
membro de uma sociedade regida pela solidariedade. A educação é
inseparável da evolução social, constitui uma das forças que a determina.
Assim, o ato de formar o ser humano se dá de fora para dentro, ou seja, ele
"precisa ser educado" por ação externa, como os escultores que tomam uma matéria
informe qualquer, uma madeira, uma pedra. Pérez Gómmez (2000, p.13):
A educação, num sentido amplo, cumpre uma inulidível função de
socialização desde que a configuração social da espécie se transforma em
um fator decisivo da hominização e em especial da humanização do
homem.
43 Para Dewey (1959, p. 10) a “educação consiste primariamente na
transmissão por meio da comunicação. A comunicação é o processo da participação
da experiência para que se torne patrimônio comum”.
Dentro desta análise verifica-se que a partir da comunicação estabelecida
entre a escola e os alunos é possível transmitir valores que auxiliarão em sua
formação, pois a educação é um processo que transforma o indivíduo em ser social,
ou seja, é o instrumento pelo qual a sociedade pode integrar seus membros e, é
também um recurso que possibilita que valores e conhecimentos sejam transmitidos
de uma geração para outra. Neste processo a experiência socialmente acumulada
torne-se patrimônio coletivo.
Dessa maneira, afirma-se que “as políticas educacionais constituem-se em
um dos setores das políticas sociais. Estas, supostamente, deveriam ser a
ordenação das ações governamentais e particulares para o atendimento dos direitos
sociais dos cidadãos” (CASEIRO, 2000, p. 50).
A escola possui o potencial de oferecer meios de seduzir os estudantes, a
fim de despertar o interesse e o desejo de conhecer, proporcionando assim novas
oportunidades de crescimento intelectual e racional no ambiente ao qual o aluno
está inserido, buscando acima de tudo a valorização da diversidade cultural.
Segundo Lima (2005, p. 02):
[...] trabalhar com a diversidade cultural nas escolas pode significar, além da
divulgação e manutenção das tradições, o desenvolvimento cognitivo, a
imaginação, a reflexão crítica e criativa, um combate à massificação que
tem vulgarizado e desvalorizado a arte e o conhecimento, prejudicando
drasticamente a educação em todos os níveis.
Com isso, é preciso ressaltar que o indivíduo prove do ambiente cultural em
que o mesmo foi socializado. Portanto, o homem quando vive em sociedade herda
importantes aspectos culturais que refletem seu potencial de conhecimento e
experiências obtidas em seu processo de socialização.
Segundo Silva (2012, p. 11):
44 A escola, ao nível concreto da unidade, participa do “esforço coletivo pela
transmissão da cultura”, ou seja, no processo de divisão social do trabalho
entre as instituições sociais numa sociedade organizada tal como a nossa,
compete à escola, independentemente da vontade individual de seus
integrantes, a tarefa de lutar por um dado significado, formar uma dada
“mentalidade”.
Diante disso entende-se que as instituições escolares buscam não apenas
educar crianças e jovens, mas contribuir com o desenvolvimento de suas
identidades, visando à transmissão cultural de valores, costumes e comportamentos
dignos, humanos e igualitários.
Em relação à socialização através da escola, Melo (2011, p. 73) afirma que:
Na escola, a criança amplia os seus contatos com as pessoas, conhece
outras crianças que vêm de famílias distintas – e que, portanto, possuem
costumes diferenciados dos seus próprios – e com os quais passa a
conviver e trocar experiências e idéias, socializa-se por meio das
brincadeiras, etc.
Os fundamentos sociológicos influenciam diretamente a prática docente, já
que o papel do professor no processo de socialização envolve a organização das
experiências e conhecimentos disseminados entre os alunos que contribuirão para
que os mesmos possam desenvolver suas capacidades. Com isso, o docente se
torna o responsável por liderar as ações educativas do grupo, sendo um agente
moralizador que busca a harmonia da relação em grupo.
Para que a escola cumpra com sua responsabilidade de educar, torna-se
fundamental
que
as
políticas
públicas
educacionais
partam
de
decisões
democráticas que visem à participação da comunidade e dos profissionais
educadores.
3.4 A IMPORTÂNCIA DOS PLANOS CURRICULARES PARA FORMAÇÃO DOS
ALUNOS
Para haver a compreensão da prática pedagógica do docente no ambiente
educacional é preciso considerar que o professor é o elemento incentivador do
processo de ensino aprendizado, garantido pelos seus saberes profissionais e
45 pedagógicos que serão fortalecidos durante sua vivência profissional em sala de
aula, além de seus percursos formativos.
Com isso, observa-se que a qualidade de ensino depende diretamente do
nível de formação desses profissionais, tendo como base fundamental a reflexão
dos próprios sujeitos em relação a sua prática docente, contribuindo na constante
auto avaliação, indispensável para a qualificação de seu trabalho.
Neste sentido, ressalta-se que o planejamento educacional torna-se
fundamental no desenvolvimento de planos educacionais responsáveis por
identificar os conteúdos que serão apresentados no ambiente escolar.
No entanto, Azanha (2004, p. 85) afirma que:
É indiscutível que em muitas situações de planejamento, a eficácia e a
eficiência de um plano são quase incompatíveis com uma ampla discussão
e deliberação sobre o próprio. Também é indiscutível que para problemas
desse tipo, quando eles surgem na esfera governamental, não há nenhuma
solução geral.
O autor ainda revela que um plano de educação pública eficaz deve
considerar as necessidades da sociedade, permanecendo vinculado com as
decisões pedagógicas da própria escola e seus docentes, garantindo a autonomia
da mesma. Assim, “uma política de educação realmente democrática apenas poderá
fixar diretrizes gerais, deixando tudo o mais, que é a vida das escolas, ser decidido
por elas próprias, respeitada a orientação contida nas diretrizes” (AZANHA, 2004, p.
85).
Conforme relata Silva (2000, p. 38) é preciso ressaltar que:
Formuladores e implementadores ou destinatários de políticas públicas
geralmente têm, em seu modo de entender a ação social, a crença de que
são as pessoas – individualmente consideradas – o fator de sucesso ou de
fracasso das iniciativas, e que a ação das pessoas depende apenas de sua
boa ou má vontade.
Compreende-se então que a prática dos planos educacionais depende do
trabalho humano envolvendo o aspecto objetivo e subjetivo, onde a função do
46 dirigente
será
coordenar
os
objetivos
envolvidos,
buscando
alcançar
a
compatibilização das decisões curriculares e a necessidade dos educandos.
Os educadores precisam se demonstrar dispostos a atuarem coletivamente, a
fim de entenderem “a necessidade de uma ação sobre a cultura dos atuantes nas
unidades escolares e dos consequentes significados que utilizam para se relacionar
com a realidade escolar” (SILVA, 2000, p. 46).
Dessa
maneira,
constata-se
que
inúmeras
pesquisas
estão
sendo
desenvolvidas sobre a importância da formação dos professores para a prática
educativa, a fim de melhorar o entendimento sobre as variáveis necessárias para
assegurar que os alunos possam obter o aprendizado almejado.
Desta maneira cada vez que um indivíduo reage ou age de forma diferente as
suas dificuldades e seus problemas estão assim, adquirindo novos conhecimentos.
Numa situação inovadora para ele, o individuo se vê forçado a improvisar uma
resposta imediata, resultando num novo conhecimento, então, quando a situação se
torna a repetir ele já possui conhecimento para lidar com ela.
3.5 O GÊNERO E O SEXO
Um gênero não está apenas no fato de um ser do sexo masculino e outro do
sexo feminino, a diferenciação de gêneros, envolve comportamento, pensamento,
ações, atitudes e até mesmo estratégias quando se trata de ambiente de trabalho.
Até algum tempo atrás se observava que havia diferença até mesmo nas
atividades exercidas por cada gênero. É certo que em alguns casos ainda hoje se
percebe essa diferenciação, mas são poucos os casos onde mulheres e homens se
diferenciam em suas atividades do cotidiano.
De acordo com Fonseca (1996) apud Cappelle et al (2004 p. 4):
(...) a divisão dos gêneros pode ser percebida em atividades produtivas e de
interação social, como na área da saúde, mais especificamente, retratando
a histórica subordinação da enfermagem à medicina, em que a primeira
constitui uma profissão tradicionalmente feminina, enquanto a segunda
ainda é exercida principalmente por homens.
47 Por esse motivo, Cappelle et al (2004 p. 6) destaca que:
As relações de gênero, portanto, devem ser consideradas como práticas
discursivas que refletem e distribuem manifestações de poder e resistência
entre as pessoas, de acordo com os interesses dos grupos que se
organizam e se enfrentam em campos de disputas sociais.
No entanto, interferem em conceitos sociais e dão origem a um novo mundo,
onde as divergências entre gêneros estão cada vez mais sendo minimizados pela
realidade, construindo uma sociedade onde a igualdade e a similaridade de ações
entre homens e mulheres, torna de um modo positivo, uma convivência mais
participativa de ambos nas realizações do cotidiano. Sabendo-se lidar com essas
transformações, os pontos negativos dessa igualdade, passam a ser favoráveis a
uma sociedade melhor.
3.6 A EDUCAÇÃO SEXUAL E A QUESTÃO RELIGIOSA
Ao mesmo tempo em que o debate acerca da Educação Sexual se
demonstra benéfico para a formação do indivíduo, é preciso considerar que esta
questão apresenta desafios, uma vez que muitas famílias são extremamente
conservadoras e optam por viver com base nos ensinamentos religiosos.
A religião tem para os seres humanos uma importância significativa. Seja
qual for à crença, não podemos ignorar que ela tem exercido forte influência
sobre o comportamento e consequentemente, sobre a sexualidade humana.
É de grande utilidade ter noções sobre a sexualidade na visão da religião
numa perspectiva histórica, de forma a facilitar o conhecimento em relação
a seus valores, problemas, medos, conflitos, entre outros (SILVA, 2007, p.
02).
É preciso considerar que dentre os inúmeros desafios encontrados pelos
pais na educação de seus filhos, o debate acerca dos contextos sexuais é sem
dúvida o que exige maior atenção, já que é fundamental que o jovem tenha a
48 preparação adequada para alcançar a vida adulta, compreendendo o verdadeiro
sentido da sexualidade.
No passado, mesmo quando da parte da família não se dava uma explícita
educação sexual, todavia a cultura geral, marcada pelo respeito dos valores
fundamentais, servia objectivamente para os proteger e conservar. A falta
dos modelos tradicionais em grande parte da sociedade, tanto nos países
desenvolvidos como naqueles em vias de desenvolvimento, deixou os filhos
privados de indicações unívocas e positivas, enquanto os pais se acharam
impreparados para dar as respostas adequadas. Este novo contexto é ainda
agravado por um obscurecimento da verdade sobre o homem a que
assistimos e em que age, entre outras coisas, uma pressão em direcção à
banalização do sexo (TRUJILLO, 1995, np).
Em relação ao modelo de educação sexual religiosa, Silva (2007, p. 15)
afirma que:
Hoje a essência deste modelo é defendida fervorosamente pelo atual papa
que continua tentando estabelecer valores sexuais, preocupado em moldar
e controlar o comportamento humano, mas esse paradigma está em crise
na medida em que as leis tendem a adaptar-se aos novos hábitos e aos
novos comportamentos em função das transformações econômicas,
políticas, sociais e tecnológicas, que a Igreja já não pode conter.
Neste sentido, é preciso ressaltar que a sociedade contemporânea se
encontra repleta de meios de comunicação e iniciação despersonalizada e lúdica
que contribui com a banalização do sexo, fazendo com que o jovem se esqueça do
verdadeiro sentido em se resguardar. É preciso enfatizar ainda que isto permite um
“influxo de um distorcido conceito individualista da liberdade e num contexto privado
de valores fundamentais sobre a vida, sobre o amor humano e sobre a família”
(TRUJILLO, 1995, np).
Conforme relata Gomes (2008, p. 01):
A mídia, nos últimos anos, está veiculando programas com conteúdos
apelativos que acabam por banalizar a sexualidade entre os adolescentes.
Atualmente ouve-se muito falar em diminuição da idade de iniciação sexual
dos jovens em vários países, inclusive no Brasil, com um aumento nos
índices de gravidez não planejada, DSTs e prostituição infanto-juvenil.
49 É por este motivo que a escola passou a manter propostas pedagógicas
voltadas também para o debate sexual. No entanto, observa-se cada vez mais o
descaso de alguns pais e responsáveis com a educação sexual dos jovens, visto
que os mesmos acabam por considerar que é responsabilidade apenas da escola
disponibilizar informações consistentes acerca desta temática.
Muitos pais renunciam a esta responsabilidade devido a dificuldade ou
vergonha no momento da abordagem ou até mesmo por falta de preparação,
deixando este papel para a escola.
Em relação aos pais cristãos, Trujillo (1995, np) afirma que:
[...] muitos pais católicos voltam-se para a Igreja, a fim de que esta se
encarregue de dar uma orientação e sugestões para a educação dos filhos,
sobretudo na fase da infância e da adolescência. Em particular, os próprios
pais manifestam às vezes a sua dificuldade diante ao ensino que é
dispensado na escola e portanto trazido para casa pelos filhos. O Conselho
Pontifício para a Família tem por isso recebido repetidos e prementes
pedidos para que se possa dar uma directiva de apoio aos pais neste
delicado sector educativo.
Para a Igreja o amor humano deve ser alimentado pelo encontro do homem
e da mulher, sendo considerado um dom de Deus que deve ser orientado e mantido
de acordo com o desenvolvimento do indivíduo. Assim, a sexualidade é considerada
preciosa para Deus e não apenas um elemento biológico do ser humano.
A Igreja, que se interessa vivamente pelo verdadeiro desenvolvimento
humano também no uso da sexualidade: ele não pode ser reduzido a um
mero fato hedonista e lúdico, do mesmo modo que a educação sexual não
pode limitar à instrução técnica, tendo como única preocupação defender os
interessados de eventuais contágios ou do “risco” procriador. Isto
equivaleria a empobrecer e negligenciar o significado profundo da
sexualidade, que deve, pelo contrário, ser reconhecido e assumido
responsavelmente tanto pela pessoa como pela comunidade (BENTO XVI,
2009, p. 52-53).
Portanto, Trujillo (1995, np) afirma que a redenção do Senhor pode ser uma
realidade das famílias, sendo mantida com devoção e alegria levando “a prática
positiva da castidade, tanto para aqueles que têm vocação matrimonial — seja
50 antes, durante a preparação, seja depois, no decurso da vida conjugal — como
também para aqueles que têm o dom de um chamamento especial à vida
consagrada”.
Diante destes referenciais é preciso considerar que a educação do jovem se
inicia no ambiente familiar. No entanto, é no ambiente escolar que o mesmo poderá
aproveitar de maneira mais produtiva o que lhe é ensinado. Com base nesta
perspectiva, compreende-se que a inclusão da sexualidade como disciplina escolar
poderá oferecer inúmeros benefícios para os alunos. Porém, torna-se fundamental
que as propostas pedagógicas considerem os aspectos culturais e sociais que
envolvem a religiosidade da família do aluno.
Portanto, entende-se que as políticas educacionais voltadas para a inclusão
da sexualidade no ambiente escolar precisam estar atreladas aos princípios e
valores religiosos das famílias que acreditam na humanização da sociedade e não
na banalização do ato sexual. Para que um equilíbrio seja mantido, torna-se
indispensável que haja o respeito mútuo entre aos cidadãos que acreditam que a
religiosidade pode oferecer melhor concepção no ensino da sexualidade com base
nos ensinamentos da religião.
51 IV - FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA INCLUSÃO DA EDUCAÇÃO
SEXUAL NO ENSINO MÉDIO
4.1 A ESCOLA MODERNA
O Movimento da Escola Moderna (MEM) português é uma associação de
professores que tem como objetivo principal buscar a auto formação cooperada de
seus profissionais.
O MEM português teve início depois que a educadora Maria Isabel Pereira
viajou a Paris em 1958. Nessa viagem ela tomou conhecimento a respeito do MEM
francês. Pereira então passou essa informação a Maria Alves Borges Medeiros, que
se juntando a outros educadores experimentou as técnicas Freinet numa escola
organizada em sua própria casa. Depois de um tempo, Medeiros continuou a
experiência no Centro Infantil Hellen Keller. No processo dos encontros, foi
organizado o MEM/Portugal. Interrompeu-se, por algum tempo, o movimento quando
uma das organizadoras partiu para morar no Canadá.
Porém, com a entrada de Niza no Centro Hellen Keller, começa a ser
realizada a sistematização da associação. Em 1965, Niza estimulou os novos
encontros com professores para trabalhar com as técnicas no Centro Infantil Hellen
Keller.
Dentro de um processo de evolução, segundo Niza (2006, p. 125), o MEM
passa das experiências empíricas de Freinet para uma “perspectiva de
desenvolvimento das aprendizagens através de uma interação sociocentrada,
radicada na herança sociocultural a redescobrir com o apoio dos pares e dos
adultos, na linha instrucional de Vygotsky e de Bruner”.
Sendo assim, tem centrado sua atividade na formação continuada dos
profissionais que o integram, por meio de estruturas de auto formação cooperada,
pela interação entre professores de todos os graus de ensino com inúmeros
profissionais pedagógicos e em parceria com associações pedagógicas e
instituições universitárias. Cabe ressaltar que através da formação permanente e
52 cooperada, o MEM vem apoiando a transformação das práticas escolares dos
associados, fazendo evoluir o trabalho pedagógico.
Consoante
a
esses
aspectos,
González
(2002)
identifica
algumas
implicações do trabalho de formação da Escola Moderna (MEM): no trabalho de
formação os educadores têm encontros em que dialogam, trocam informação,
discutem e dividem experiências; no campo da formação, o respeito pelas pessoas,
pelo ritmo de aprendizagem, pelo estilo de estar na profissão, pelas necessidades
enquanto profissionais e pelos pontos de partida individuais para atingir níveis de
maior exigência profissional; no campo da auto formação cooperada, a reflexão
permanente e sistemática sobre as práticas que servem como base de nova
estruturação do trabalho em sala de aula, sendo considerado como apoio o suporte
do grupo para o crescimento individual e profissional; existe assim maior
possibilidade de aprofundar também a teorização para construir e reconstruir a
estrutura pedagógica que suporta esse modelo.
Um requisito de suma importância também dentro do trabalho do Movimento
da Escola Moderna é a circulação de informação, nomeado de circuito de
informação. Sendo essa comunicação destacada em maioria pela oralidade, cada
vez mais é produzida documentação escrita teorizando as práticas pedagógicas. O
que podemos observar é que existe, como algo permanente e relevante, a
valorização dos conhecimentos prévios dos profissionais que participam da
formação.
Portanto, esses profissionais são sujeitos da própria formação, pois trazem
saberes para o grupo e ao mesmo tempo constroem novos saberes. Isso adquire
valor fundamental, já que muitas vezes a prática de formação não leva em
consideração esse pormenor tão valoroso, e ignora os saberes existentes, e já lança
saberes “novos”, como se fosse o caminho a se chegar a novos fazeres.
“Entendemos que os conceitos destes professores acerca do seu papel orientam as
suas atitudes e comportamentos em relação aos alunos e fazem surgir
necessidades de desenvolvimento profissional”. (GONZÁLEZ, 2002, p. 95).
A prática do Movimento da Escola Moderna (MEM), segundo Niza (1997),
prima por dois princípios fundamentais que precisam estar presentes em todo o
processo de formação voltada para o desenvolvimento profissional e pessoal. O
53 primeiro princípio pretende garantir consistência ética e política aos atos
pedagógicos, concebendo a socialização e educação como formação democrática
para viver a Democracia em Devir. O segundo deverá imprimir coerência e
assegurar homologia aos métodos adotados no trabalho de formação de maneira a
não infantilizar os formandos e a não manipular didaticamente as estratégias de
trabalho e a aprendizagem, escolarizando-as, em vez de aproximá-las ou integrá-las
na vida social real.
Em se tratando das modalidades de formação implementadas no âmbito da
instituição MEM, autores como González (2002), Niza (2006) e Pires (1995) pontuam
que existem no MEM os grupos de cooperação formativa de educadoras e
professores de vários graus de ensino organizados de acordo com núcleos regionais
e mediante áreas de interesse; organizam-se aos sábados encontros pedagógicos
no MEM para divulgação sobre suas práticas, bem com para reflexão sobre diversos
temas do sistema educativo; acontece ainda o congresso anual envolvendo
plenárias para apresentação e debate de temas e questões pedagógicas gerais,
oficinas e comunicações; realiza-se anualmente um grande encontro nacional que
se propõe a refletir e aprofundar a pedagogia do MEM.
Nessa discussão é importante trazermos algumas ideias presentes em
González (2002), as quais se destacam como características da formação contínua
e em contexto do MEM: auto formação proporcionado pelos seus membros, por
meio da permanente reflexão sobre as práticas e sentido ético do trabalho; cultura
partilhada e construída na reflexão sobre as práticas e no sentido ético do trabalho
educativo; construção da democracia a partir da vivência no cotidiano da escola
como eixo principal; formação democrática baseada no desenvolvimento de uma
pedagogia explícita e assumida; formação que se desenvolve e progride num
processo de permanente construção e reconstrução; reflexão permanente e
sistemática sobre as práticas constitui um espelho, através do qual os educadores
analisam o seu trabalho pedagógico; “obrigação” ética de comunicação, que
constitui em redes de formação e informação; a auto formação partindo da
insatisfação ou das necessidades sentidas pelos profissionais é realizada em grupos
com fins comuns a partir das escolhas pessoais. Nas trocas, uns ensinam aos
outros; relação estreita entre o desenvolvimento profissional e a construção da
prática pedagógica; construção de diálogos permanentes com a realidade própria de
54 cada grupo, buscando equilíbrio dinâmico que leve em conta as exigências
institucionais e sociais e possibilite o reajustamento do trabalho ao nível de
desenvolvimento profissional alcançado.
4.2
DA
TRANSMISSÃO
À
PARTICIPAÇÃO
PEDAGÓGICA:
MODELO
PEDAGÓGICO PARA A EDUCAÇÃO SEXUAL NAS ESCOLAS
Para Oliveira-Formosinho et al (2007, p. 15), “hoje assistimos a uma quase
esquizofrenia educativa em que se naturalizou a distância entre as propostas e a
realidade pedagógica experienciada por adultos e crianças”. Ignoram-se os direitos
da criança de ser ouvida, de participar e de ser vista como competente. Para sair
desse impasse, a autora propõe uma construção pedagógica trina: ações, teorias e
crenças.
Do século XIX e do XX, a pedagogia nos legou a possibilidade de contrastar
a forma de transmissão com a forma de participação. Na pedagogia da transmissão,
a motivação vem do professor, enquanto, na pedagogia em participação, o interesse
é intrínseco à tarefa e à criança. Lá, a atividade da criança consiste em analisar o
que o professor propõe, o qual responde e a corrige quando erra. Aqui, a criança
questiona, planeja, testa e confirma hipóteses, investiga e coopera na solução das
questões.
Na transmissão, o papel do professor é diagnosticar, dar informação, passar
tarefas, moldar, avaliar. Já na participação ele estrutura o ambiente, observa e
escuta, planeja, avalia, faz perguntas, procura saber os interesses e o conhecimento
da criança, investiga. Lá, a interação professor-criança e criança-professor é baixa.
Aqui, é tudo alto. Na transmissão, a sala é um grande grupo; na participação, podese ter tratamento individual, assim como em pequenos grupos ou num grande grupo.
Além disso, a pedagogia em participação oferece inúmeros modelos curriculares,
como High-Scope e Kamii-De Vries (ambos nos EUA), Reggio Emília e Módena
(ambos na Itália), Freinet (Brasil), Movimento da Escola Moderna (MEM) e
Associação Criança (ambos em Portugal), Pen Green (Inglaterra), e importantes
teóricos que embasam os modelos: Piaget, Dewey, Malaguzzi, Vygostski, Mead.
55 (OLIVEIRA-FORMOSINHO et al, 2007).
Oliveira-Formosinho entende que é necessário buscar a libertação da
Pedagogia da Transmissão, num compromisso com a reconstrução e a esperança,
para construir uma verdadeira pedagogia em participação. A inter-relação entre os
atores e o meio ambiente faz da pedagogia em participação um espaço complexo
que permite lidar com a ambiguidade, com a diferença, com o imprevisto. Para tanto,
é preciso seguir alguns passos:
a) proporcionar ambientes educativos complexos;
b) criar uma diretriz inter-relacional e de escuta;
c) utilizar um código pedagógico que possibilite inserir-se numa comunidade
discente que partilhe de um modo de fazer pedagógico.
A autora apreende dos ensinamentos de Dewey que as diferenças
marcantes em torno do que é ensinar e aprender emergem de conceitos
contraditórios e conflitantes. Pela ausência de reflexão adequada e pontos de vista
que permitam a compreensão dos componentes de conflito, acaba-se encrustandose em algum desses componentes. Assim se criam as teorias e modelos
dogmáticos, por falta de debate, trabalho intelectual orientado para o bem-estar da
comunidade educativa, virando-se as costas para os problemas como forma de
resolvê-los.
O processo educativo, que compreende as crianças (a quem devemos
permitir e conhecer as vontades e opiniões) e os objetivos a ser alcançados
(significados e valores culturais e sociais a ser transmitidos), não se polariza em um
dos lados, antagonizando-se ao outro, pois a sua natureza fulcral é a interação, o
inter-relacionamento.
Infelizmente, a rivalidade parece ser a opção para a lei do menor esforço,
que insiste em considerar aqueles componentes apenas nos pontos de atrito e
desunião e acabar adotando um deles, que se transforma em uma doutrina filosófica
de caráter indiscutível.
Dewey propõe a construção de uma práxis da participação, e as posições
teóricas em relação ao ensino-aprendizagem estabelecem-se em uma arena de dois
lados: criança e professor, ou processo de ensinar-aprender e a avaliação que dele
56 se faz. Tais diferenças se refletem na conceitualização do modo de fazer pedagogia,
já que os objetivos educacionais distinguem-se, como proposto por OliveiraFormosinho et al (2007), em modo de transmissão e modo de participação.
Se a criança é considerada um recipiente vazio que deve ser preenchido
com saber, resta ao professor encarar o desafio de preenchê-lo como objetivo
último, e os objetivos educacionais orbitam em função dessa visão alijada e
imperfeita. No modo transmissivo, o bom desempenho está associado à capacidade
da criança de acelerar a captação da porção de cultura que lhe é administrada, e o
professor deve tapar as fendas por onde escoa o conhecimento não assimilado.
No modo de participação, a criança ganha autonomia, credibilidade,
respeito, consideração, atenção, estímulo e voz, investindo-se na busca de
compreensão de seus sentimentos, potencial, fraquezas, queixas, desejos, como
alicerce para a construção do saber.
O bom desempenho é visto aqui como a corresponsabilidade pela
intensidade do envolvimento da criança nas tarefas e atividades, de cuja elaboração
ela mesma participou, o que é fundamental para dar significado às experiências de
edificação do conhecimento e da capacidade de autoaprendizagem.
A autora ressalta o ponto de interação e cumplicidade entre a obra de John
Dewey e do educador brasileiro Paulo Freire, exatamente na questão dos meios e
materiais à disposição das crianças, o “contexto físico”. Espaço, arquitetura, local do
recreio, salas de atividades, tudo foi alvo do questionamento arquitetônico das
instituições escolares de vários pensadores, como Montessori, Malaguzzi, Margaret
Mcmillan, entre outros. Para eles, o espaço físico condiciona a pedagogia, mas
imperfeita, pois “uma casa não é necessariamente um lar” (OLIVEIRAFORMOSINHO et al, 2007, p. 26), pois faltam as pessoas, que mantêm
relacionamentos, fazem uso das facilidades e dependências, trazendo para dentro
dela suas histórias de vida, frustrações, aspirações, sucessos e crises existenciais.
Contexto e objeto precisam entrelaçar-se num continuum ativo, assim como
o contexto não pode se separar da dimensão físico-temporal que o sustenta, ali
estão presentes recursos materiais e simbólicos, desde que se entenda que “um
contexto envolvente é necessariamente um contexto social” (LACASA, 1994 apud
OLIVEIRA-FORMOSINHO, 2007, p. 27).
57 Sobre modelos pedagógicos, Oliveira-Formosinho et al (2007) ensina que
eles existem a partir da práxis, pois na mente e nos textos dos acadêmicos que os
elaboram não estão. Assim, implantar comunidades práticas para formar
profissionais que escolham trabalhar com esse ponto de vista é condição sine qua
non para o sucesso e sobrevivência de um modelo pedagógico com a respectiva
gramática pedagógica, com o fim de planificar, dar visibilidade, edificar o modelo.
O profissional que deseja inserir-se numa comunidade pedagógica reflexiva
e prática, instituída entre pares com o objetivo de buscar o melhor para a criança,
deve questionar-se incansavelmente sobre os modos de avaliar o desempenho
desses pequenos, escolhendo as formas que respeitam a diversidade e as
diferenças em detrimento de estratégias predeterminadas e normatizadoras.
Diante de tudo que falamos sobre as contribuições de teóricos, pedagogos,
estudiosos, educadores, modelos curriculares e a pedagogia em participação,
notadamente o século XX e início do XXI foram ricos em nos encaminhar de uma
pedagogia transmissiva para uma pedagogia em participação. Porém, contrariando
essas contribuições, uma pergunta nos intriga: Por que, embora o século XX tenha
dado abertura para uma pedagogia em participação, a escola hoje do Século XXI
ainda é transmissiva?
Acreditamos que muitos obstáculos perseguiram esse caminho de
transformação resultando em avanços e recuos. Eis alguns:
1.
A pedagogia ainda se faz de forma opressora, refletindo
uma sociedade também opressora, uma educação do silêncio e uma
cultura do silêncio que a perpetua (FREIRE, 1987);
2.
A desarticulação da grande massa abre espaço para
reforçar a opressão e a emancipação do poder arbitrário, ou seja, vale
quem tem o poder de decidir;
3.
A falta de valorização e de crença que uma educação
emancipatória pode contribuir para a mudança social. Mas ao mesmo
tempo também há uma crença de que uma massa educada e
esclarecida poderá contrariar quem está no poder e lutar pelos seus
direitos como cidadão.
Porém, muitos educadores/pesquisadores não desistem de prosseguir na
58 busca dos avanços e melhorias para uma educação pautada nos princípios e nos
ideais de Paulo Freire, John Dewey, Malaguzzi, entre outros.
Todos eles de fato lutam pelo fazer da pedagogia em participação. Para o
alcance das metas, é necessário um movimento de desconstrução da pedagogia
transmissiva e de construção de uma pedagogia participativa, pois quanto mais se
impõe a passividade, mais se inibe a criatividade. Essa pedagogia humanizadora de
Freire (1987) só é possível pela união entre teoria e prática.
Na figura 1, apresentamos os eixos da pedagogia em participação,
apresentando
caminhos
que
entrelaçam
na
busca
dessas
almejadas
transformações.
Figura 1 – Eixos pedagógicos da pedagogia-em-participação
Fonte: Oliveira-Formosinho, Azevedo, Mateus-Araújo (2009)
Como afirma Oliveira-Formosinho, Azevedo e Mateus-Araújo (2009) estes
eixos
definidores
de
intencionalidade
pedagógica
são
profundamente
interdependentes e aspiram a que o processo educativo colabore na construção e
59 desenvolvimento
de
identidades
sócio-histórico-culturais.
Um
processo
de
aprofundamento das identidades: cultivar a humanidade através da educação
fazendo dela um processo de cultivar o ser, os laços, a experiência e o significado.
O educador que optar pela pedagogia em participação pode propiciar o
envolvimento e o desenvolvimento de todos os envolvidos no processo de
aprendizagem. Dado o fato de que a criança aprende por meio da curiosidade, da
descoberta e da investigação, ela é vista como um ser competente e deve-se
sempre partir dos interesses dela para motivar-lhe a busca por novas
aprendizagens, já que não se pode prescindir do envolvimento dela é imprescindível
para que possa dar significado às experiências vivenciadas ao longo de todo o
processo educativo. Numa pedagogia de participação, o grupo de crianças aprende
a aprender.
Na Pedagogia de Participação, o educador deve escolher a gramática
pedagógica, o modo de ensino-aprendizagem que alicerce a ação de modo a abrir
as janelas do saber em vez de erguer muros da limitação. Assim, torna-se basilar o
contexto social de sujeitos que dividem objetivos e conhecimentos acumulados para
criar intencionalidades educativas.
O professor da escola pós-moderna deve ser facilitador da aprendizagem,
orientando seus alunos na contextualização do conhecimento com a
realidade e ser capaz de orientar quanto à aplicabilidade de suas teorias na
prática de seus educandos, pois os alunos da escola pós moderna vivem
sob a influência do mundo virtual, das novelas e vídeo games, onde tudo
acontece em tempo recorde sem qualquer esforço. E para alunos pósmodernos é necessário professores também pós- modernos, capazes de
trazer estes alunos ao mundo real, despertando a vontade e o desejo de se
construir algo com esforço e dedicação. (RIBEIRO, 2010, p. 02)
Assim, é importante que os educadores assumam um modelo pedagógico e
insiram-se numa confraria de educadores, para obter com os pares certezas de
manutenção
da
autonomia
docente,
uma
comunidade
de
aprendizagem
estabelecida como empreendimento voltado a compreender processos de formação
ininterrupta que permitam reelaborar uma cultura profissional e uma epistemologia
da prática congruentes.
Os projetos colaborativos devem buscar instigar a participação, pois que
atores e contexto amalgamam-se no espectro cultural, que deve promover “uma
60 base para desenvolver um fazer e um pensar pedagógico que fogem à fatalidade”
(OLIVEIRA-FORMOSINHO et al, 2007, p. 29), em que a observação, a escuta e a
negociação, que conduzem à diferenciação pedagógica – o moto-contínuo da
pedagogia em participação.
61 V – ENTREVISTA JUNTO A PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO
Conforme já mencionado anteriormente, no item sobre procedimentos
metodológicos, optou se por entrevistar professores de ensino Médio de um Colégio
Religioso da cidade de Maceió, com o intuito de coletar opinião desses profissionais
à respeito do tema educação sexual nas escolas, identificar possíveis necessidades,
ou não, no processo formativo de professores do Ensino Médio para se trabalhar
com tal temática e analisar a visão dos professores sobre o trabalhar o tema da
sexualidade na escola.
A escolha de um Colégio Religioso de Maceió foi pelo fácil acesso à escola:
por já ter feito trabalhos com os alunos e pela direção ter autorizado a pesquisa, já
que essa temática é uma de suas preocupações e por acreditar na relevância
institucional desta, pois seus resultados puderam contribuir para melhorar o trabalho
sobre Educação Sexual que já vem se desenvolvendo no Colégio.
5.1 COLETA DOS DADOS
Os dados foram coletados juntos aos professores do ensino médio de um
Colégio Religioso, considerando um total de 17 professores.
Foram realizadas entrevistas individuais, onde foram coletadas informações
sobre a sexualidade e a educação na escola, considerando uma questão onde os
professores puderam expor suas opiniões em relação ao assunto.
Essas opiniões foram analisadas e consideradas na análise a seguir, dando
ênfase a apresentação de gráficos quando necessário e análise individual das
respostas de cada entrevistado nas questões em que os mesmos foram abordados
sobre suas opiniões pessoais a determinado assunto.
62 5.2 APRESENTAÇÃO DOS DADOS
Dos 17 profissionais entrevistados, apenas 2 era do sexo feminino, enquanto
o restante eram do sexo masculino. 2
Masculino
Feminino
15
Gráfico 1 – Sexo dos entrevistados
No gráfico observa-se que a idade dos entrevistados apresentaram intensa
variedade entre a faixa dos 24 aos 59 anos. Conforme, analisado 2 professores
possuem idade entre 24 a 30 anos; 7 possuem idade entre 31 anos a 40 anos; e 8
profissionais afirmaram ter idade entre 41 a 60 anos.
63 2
8
7
De 24 a 30 anos
De 31 a 40 anos
De 41 a 60 anos
Gráfico 2 – Idade dos entrevistados
Em relação ao estado civil dos entrevistados, apenas 2 são solteiros e 1
divorciado; enquanto a maioria, 14 professores, são casados.
1
2
Divorciado
Solteiro
Casado
14
Gráfico 3 – Estado civil dos entrevistados
64 Considerando que os entrevistados foram abordados em uma única escola,
foi possível observar a variedade de disciplinas de atuação dos profissionais, visto
que 2 deles lecionam Física; 2 lecionam Geografia; e 2 Matemática; enquanto o
restante dos profissionais se dedicam unicamente ao Ensino Religioso; Português;
Espanhol; Biologia; Química; Educação Física; Literatura; Filosofia e Sociologia;
Inglês; e Artes.
Física
Geografia
Matemática
Ensino Religioso
1
1
1
Português
2
2
1
Biologia
1
2
1
Espanhol
1
1
1
1
1
Química
Educação Física
Literatura
Filosofia
Sociologia
Inglês
Artes
Gráfico 4 – Disciplinas lecionadas pelos entrevistados
Quando abordados a respeito da seguinte questão: Para você qual a
importância que você atribui à Educação em Sexualidade na educação dos seus
alunos? 7 professores afirmaram que isto é muito importante; 10 consideram
importante; e nenhum deles afirmaram ser pouco ou nada importante.
65 0
0
7
10
Muito importante
Importante
Pouco Importante
Nada Importante
Gráfico 5 – Para você qual a importância que você atribui à Educação em Sexualidade na educação
de seus alunos?
A opinião dos professores que consideram esta questão muito importante
demonstra, de maneira geral, que a orientação é fundamental para o aluno, visto
que no ambiente em sala de aula o professor pode direcionar de maneira correta
estas informações ao aluno, combatendo as distorções do mesmo a respeito da
temática da sexualidade.
Outros professores afirmaram que esta temática é capaz de orientar de forma
desmistificada o jovem quanto as questões sexuais, já que as mesmas podem
envolver circunstancias prejudiciais para a formação e segurança emocional dos
jovens, como a gravidez precoce, um ponto bastante discutido na mídia e no
ambiente familiar.
Apesar dos entrevistados que afirmaram que esta questão é importante,
pode-se constatar que a opinião e a preocupação dos mesmos apresentam
similaridades com a dos profissionais que consideraram muito importante. Observouse que o conhecimento das questões sexuais evita transtornos futuros, uma vez que
visa esclarecer as dúvidas dos jovens que se encontram cada vez mais cedo
despertados pelo sexo.
Os professores afirmaram ainda que este conhecimento é indispensável para
que os jovens possam tomar decisões responsáveis durante suas relações,
contribuindo também na formação pessoal dos mesmos.
Por sua vez, o gráfico 6 demonstra a opinião dos professores sobre a inserção
da Educação em Sexualidade nas escolas. Assim, 6 responderam que esta inclusão
66 é muito importante; enquanto 10 responderam ser importante; e apenas um afirmou
ser pouco importante.
Muito
importante
1 0
6
10
Importante
Pouco
Importante
Nada Importante
Gráfico 6 – O que pensa sobre a inserção da Educação em Sexualidade nas Escolas?
De acordo com os professores que relataram ser muito importante incluir
esta temática no ambiente escolar, o jovem necessita de informações consistentes
para sanar dúvidas seguramente, sendo possível ampliar as dimensões dos alunos
em relação ao tema e potencializar o debate em sala de aula. Isto se torna essencial
na formação pessoal do jovem, preparando-o de modo consciente e responsável
para sua iniciação sexual.
Ao analisar as respostas dos profissionais que consideraram ser importante
o processo de inserção, verificou-se que os professores devem agir com muita
responsabilidade, já que também é papel da escola ensinar para a vida, preparando
o aluno para a vivência multidisciplinar. Assim. Um dos entrevistados sugeriu a
inclusão de uma disciplina somente voltada para o debate da sexualidade. Outro
profissional relata que como a maioria das famílias não possuem coragem de
conversarem com os jovens sobre este assunto, acabam por considerar que a
escola é a única responsável por isto.
Foi possível identificar também que esses profissionais consideram que isto
pode complementar o entendimento dos jovens acerca das dúvidas sexuais, visto
que o ambiente escolar contribui para a formação do indivíduo.
O único entrevistado que afirmou que esta inserção é pouco importante
considera que a temática sexualidade deve ser tratada no ambiente familiar, já que é
função dos pais ou responsáveis trabalhar estas questões com o jovem.
67 Infelizmente, ao serem abordados a respeito de como se encontra o
profissional professor para trabalhar com educação em sexualidade com seus
alunos, nenhum dos profissionais afirmaram estarem aptos para tal função, sendo
que 14 afirmaram estar pouco aptos e 3 afirmaram estar nada aptos (gráfico 7).
0
3
0
Muito apto
Apto
Pouco apto
14
Nada apto
Gráfico 7 – Em sua opinião como se encontra o profissional professor para trabalhar com a
Educação em Sexualidade dos seus alunos?
Dos que afirmaram estarem pouco aptos, relataram que isto se deve ao fato
de que a abordagem clínica é muito complexa. Além disso, muitos professores não
possuem preparação profissional para abordarem tais assuntos, ou até mesmo
possuem vergonha em passar certas informações aos alunos.
Os entrevistados ressaltaram ainda que muitas vezes falta o espaço para as
intervenções do professor em sala quanto ao assunto e que deveria ter um
profissional capacitado, para trabalhar essas informações e também os outros
professores, de diversas disciplinas, ter uma orientação para que possa auxiliar esse
professor na hora certa.
Demonstra-se que a falta de capacitação é o principal problema para os
entrevistados, uma vez que o tema sexualidade é bastante complexo e exige o
conhecimento clínico e psicológico.
Até mesmo os professores que afirmaram que os profissionais se encontram
nada aptos descrevem a falta de preparação como o principal desafio, onde um
68 deles afirmou que os professores estão assumindo o papel de pais, o que não
deveria acontecer.
A falta de preparação foi um tema abordado no gráfico a seguir, confirmando
esta questão como um dos principais desafios para a inserção da temática
sexualidade na escola. Assim, todos os entrevistados afirmaram não terem recebido
capacitação específica para trabalhar com Educação em Sexualidade.
0
Sim
Não
17
Gráfico 8 – Em sua caminhada profissional, você recebeu capacitação específica para trabalhar com
“Educação em Sexualidade’?
A questão seguinte envolveu a pergunta: Sente dificuldade em trabalhar com
seus alunos a Educação em Sexualidade? Com isso, 7 relatam que sentem
dificuldade em abordar este tema com seus alunos; 9 afirmaram que não; e 1
afirmou que não sabe, pois nunca abordou o assunto.
69 1
Sim
7
9
Não
Não sei, porém
nunca trabalhei
Gráfico 9 – Sente dificuldade em trabalhar com seus alunos a Educação em Sexualidade?
Os professores que afirmaram sentir dificuldade em manter debates acerca
desta temática apresentam opiniões variadas. Um deles afirmou que não trabalha
isto coletivamente. Outro afirmou que isto não é tratado de maneira muito específica,
pois como não possui preparação suficiente, corre o risco de entrar em conflito com
a educação proporcionada pela família.
Na última questão os entrevistados foram abordados a respeito dos
responsáveis pela educação sexual dos alunos, sendo-lhes apresentadas quatro
opções onde poderia ser marcada mais que uma. Dentre as opções disponíveis
estavam: família, escola, igreja e outros.
Dos 17 entrevistados, 7 afirmaram que os responsáveis pela formação
sexual do jovem é a escola e a família; enquanto 5 afirmaram ser apenas a família; 3
consideram ser a família, a escola e a igreja; 1 considera ser apenas a escola; e 1
ser a escola e a igreja.
70 Escola e Família
Família
1
1
3
7
5
Família, escola e
igreja
Escola
Escola e igreja
Gráfico 10 – Para você o papel de Educador em Sexualidade cabe para quem?
71 5.3 DISCUSSÃO DOS DADOS
O que se percebe com a resposta dos professores entrevistados deste
colégio, lócus da pesquisa, é que a maioria vê o sexo pelo lado do ato sexual, não
consegue separar a questão sexual para o lado do gênero.
Sexo não é apenas o ato sexual em si. É tudo que envolve o homem e a
mulher. É a diferença entre homens e mulheres. Considera-se ai, o sentimento, a
atuação de cada um na sociedade, o papel de cada gênero frente às
responsabilidades familiares e sociais, até mesmo questões profissionais e por
último sim, o ato sexual.
Pelo que se percebem, os professores precisam ser preparados para
trabalharem com tal temática, precisam de uma formação especifica sobre o tema,
para que aceitem esse lado positivo da questão sexual nas escolas, compreendendo
que o sexo faz parte da vida das pessoas e que não deve ser um motivo de
vergonha ou de desrespeito.
Percebe-se ainda que os professores mais velhos é que possuem mais
restrições quanto ao uso do tema sexualidade na escola. E, na maioria das vezes,
são esses professores que discordam da sexualidade fazer parte do conteúdo
programático da escola.
Outro fator a ser considerado, quando da discussão entre escola e
sexualidade é a questão religiosa, uma vez que muitos pais não possuem o costume
de tratar o assunto no ambiente familiar em decorrência de suas religiões ou crenças
não apresentarem embasamento ou um diálogo consistente em relação ao ato
sexual. Para muitas religiões a relação sexual é considerada um ato proibido antes
do casamento gerando o desconforto ou vergonha dos pais em discutir esta questão
com seus filhos.
Além disso, conforme Fonseca (2004) a educação sexual é prioritariamente
uma competência da família, pois é peça chave na formação da identidade de
gênero e no desempenho dos papéis sexuais de seus filhos. Os professores sabem
72 disso, e dificilmente ficarão confortáveis diante do fato de abordarem as questões
sexuais na escola.
No entanto, deve-se concordar que nem sempre a família é quem inicia as
conversas sexuais com os alunos, especialmente com os adolescentes, pois
conforme alerta Jardim e Brêtas (2006) a sexualidade está abertamente debatida na
sociedade e nos meios de comunicação, como a televisão, o rádio e a Internet, que
têm influenciado diretamente o comportamento do adolescente com um bombardeio
de informações em sua maioria, distorcidas sobre a sexualidade.
Por essa razão, tratar sobre a sexualidade nas escolas, pode e deve ser
algo que precisa ser analisado, uma vez que tudo que o aluno é exposto, faz parte
do seu aprendizado, inclusive escolar.
Conforme Costa (2001) a escola é o ambiente social no qual o indivíduo
passa grande parte de sua vida, e é um dos principais elementos para contatos
interpessoais. Tanto que Feltrin (1996) já dizia que por isso deve contribuir para o
desenvolvimento de uma educação sexual que promova no adolescente senso de
auto responsabilidade e compromisso para com a sua própria sexualidade.
Como se pode ver através da entrevista feita com os professores, a opinião
está divida em relação ao assunto, mas devido à falta de formação dos professores,
de entendimento sobre o assunto, e até mesmo de conhecimento em relação ao que
de fato será tratado nas aulas relacionadas à sexualidade, onde em um primeiro
momento o que observa-se é que a maioria está preocupada ao fato de falarem do
ato sexual em todas as aulas que abordem sobre o tema.
No entanto, observa-se a falta de preparação profissionais dos mesmos é
um dos principais desafios a ser vencido pela escola, lócus desta pesquisa, e
àquelas que desejam incluir a Educação Sexual em seu ambiente.
73 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Bueno (2001) afirma que, desde os anos 80, a educação nacional vem
passando por abordagens políticas e filosóficas sobre a realidade, envolvendo
também a inclusão da questão da orientação sexual nas instituições educacionais.
Com todas essas necessidades se torna urgente preparar melhor os
profissionais da educação para exercerem o papel de educadores em sexualidade,
tornando-os qualificados para a abordagem do tema dos seus alunos.
A definição de educação em sexualidade está associada com a preparação
e o modo de proporcionar ao aluno uma vivencia na sexualidade de maneira
saudável, natural e prazerosa. Com isso, o aluno saberá tomar decisões,
reconhecer-se e se posicionar a respeito de suas limitações e liberdade.
A instituição pedagógica tem muito a esclarecer aos seus alunos sobre a extensão
dos estudos da sexualidade: pode dar orientações corretas sobre o próprio corpo;
informar as dúvidas que os mesmos possuem; esclarecer sobre DSTs, gravidez,
expor sobre ética e cidadania, enfim devemos ter consciência que não podemos
negar à educação em sexualidade no campo educacional e várias maneiras existem
para introduzir essas temáticas.
Apesar de ser um campo de tensão a escola tem sua autonomia respaldada
pelos PCN’s para inserir a “Educação Sexual”, para cada vez mais fazer um trabalho
de prevenção e informação para os alunos que são necessitados de informações
saudáveis e corretas.
A Sexualidade, por ser um tema atual e polêmico, é vista com uma extensa
variedade de conceitos, respostas e dúvidas. Como a escola tem seu papel
fundamental na educação, não só apenas em ensinar os conteúdos listados nos
programas das disciplinas, ela precisa também estar pronta para preparar seus
alunos para a vida nos seus diferentes contextos: familiar, social e sexual.
Os professores entrevistados nesta pesquisa ao evidenciarem suas dúvidas
e dificuldades ao abordar sobre o tema vêm mostrar a necessidade de trabalhar a
sexualidade no contexto educacional, mas ao mesmo tempo os próprios se veem
despreparados para tal atuação, seja por falta de conhecimento, medo ou até
mesmo vergonha.
A preocupação com a formação desses profissionais da educação é preciso,
para que no futuro esses professores se encontrem com potencialidade para ensinar
74 conceitos de uma sexualidade correta sem preconceitos, tabus, julgamentos, sendo
responsáveis pelo desenvolvimento sexual dos jovens com sua sexualidade segura
e saudável. Entende-se que quando as escolas começarem a ter esta visão, um
trabalho preventivo de educação sexual irá se instalar, com isso, os resultados de
uma sociedade madura, responsável e consciente aparecerão.
A partir do estudo realizado foi possível verificar que na história de nossa
sociedade, a palavra sexualidade sempre foi associada à capacidade de reprodução
do ser humano. No entanto, com o passar do tempo à questão da sexualidade
humana foi obtendo novas repercussões, passando a obter um significado mais
amplo em decorrência de sua relação não apenas com o mero ato de reprodução,
mas também com pensamentos, comportamentos e emoções.
Diante desta realidade, a discussão sobre a educação sexual nas escolas e
na família se tornou cada vez mais importante, uma vez que os diálogos sobre
sexualidade no ambiente familiar muitas vezes se encontravam escassos, devido a
despreparação ou desconforto dos pais em manter uma conversa franca e
adequada voltada para a orientação sexual de seus filhos.
Portanto, a escola passou a assumir papel fundamental na busca por um
desenvolvimento sexual saudável das crianças e adolescentes. Dessa maneira, os
dados deste estudo apontaram que a educação sexual contribui para o exercício da
cidadania, pois com as informações corretas, os indivíduos podem tomar decisões
adequadas, convertendo em benefícios para a sua vida pessoal e social.
Foi observado ainda que tanto a família, quanto a escola são responsáveis
pela educação sexual de crianças e de adolescentes. Para isto, é preciso que haja
um trabalho integrado entre a família e a escola.
Ao concluir esta análise, é possível afirmar que as transformações sociais,
políticas, econômicas e culturais influenciaram a percepção sobre sexualidade. Este
tema foi inserido nas escolas através dos Parâmetros Curriculares Nacionais, como
tema Transversal, considerando sua importância para a formação dos indivíduos. A
partir disto, as escolares devem elaborar planos e ações pedagógicos que visem
fornecer aos alunos de todas as séries, as informações necessárias para que
75 tenham um desenvolvimento sexual sadio. A família também deve participar deste
processo.
Além disso, observou-se que a Educação Sexual, a família e a comunidade
escolar têm o encargo de facilitar as adequações pessoais do aluno. A forma como
essas adequações se realizam influenciam seu autoconceito e, consequentemente,
as condições de interação – realidade interna e externa.
Ressaltou-se que o profissional da educação deve ser um educador, seu
trabalho deve estar voltado para aquilo que é fundamental para a escola: o currículo,
o ensinar e o aprender e todas as relações decorrentes.
Outro aspecto relevante observado foi que na prática, este profissional deve
fundamentar-se em conhecimentos de psicologia, sociologia, história da educação,
história do Brasil, além de outros, oriundos da Antropologia, Ciências Políticas,
Metodologia e Pesquisa numa abordagem qualitativa.
Com a pesquisa realizada constatou-se que a Educação Sexual precisa
fazer parte da proposta pedagógica da escola, caso essa proposta exista, ou
contribuir para que a equipe escolar explicite os eixos orientadores da ação dos
profissionais. É preciso que todos trabalhem em equipe e que os objetivos sejam
definidos e compreendidos por todos.
É importante que o profissional da educação como agente da educação
sexual utilize os conflitos como fontes de aprendizagem, na medida em que
possibilitem o diálogo e a divergência como uma maneira de se chegar a uma ação
compromissada por todos. Enfatizou-se que ao profissional da educação não cabe a
função de julgar o comportamento dos alunos, porque a censura, o castigo ou a
recompensa tiram-lhe a liberdade do aconselhamento.
O profissional da educação pode desenvolver na escola a solidariedade, a
sensibilidade cívica, a sensibilidade moral e a sensibilidade espiritual. Cabe a este
profissional promover a mobilização geral dos recursos educativos, dos educadores
e da família visando criar ações que contribuam para a formação do aluno em
sociedade.
Entretanto, para
isso ocorra, faz-se necessário incluir o professor no
processo de implantação de uma política pública de educação sexual, pois se não
há adesão por parte do professor e nem formação para que ele possa desenvolver
76 seu trabalho sobre a temática em sala de aula, a implantação da política fica
prejudicada.
Por isso, com esta pesquisa deixa-se um alerta para que as escolas insiram
no seu currículo a educação em sexualidade e que os professores tenham
condições para lidar de forma clara e tranquila esse tema com seus alunos, caso
contrário, as dificuldades relacionadas à sexualidade tenderão a aumentar.
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90 ANEXO
QUESTIONÁRIO 1. Sexo: Feminino Masculino 2. Idade: __________________________ 3. Estado Civil: Solteiro(a) Casado(a) Divorciado(a)/separado(a) Viuvo(a) 4. Disciplina(s) que leciona: ____________________________________________________________________________
__________________________________________________________________ 5. Para você qual a importância que você atribui à Educação em Sexualidade na educação de seus alunos? Muito importante importante pouco importante nada importante Justifique: ____________________________________________________________________________
__________________________________________________________________ 6. O que pensa sobre a inserção da Educação em Sexualidade nas escolas? Muito importante importante pouco importante nada importante Justifique: ____________________________________________________________________________
__________________________________________________________________ 7. Em sua opinião como se encontra o profissional professor para trabalhar com a Educação em Sexualidade dos seus alunos? 91 Muito apto apto pouco apto nada apto Justifique: ____________________________________________________________________________
__________________________________________________________________ 8. Em sua caminhada profissional, você recebeu capacitação específica para trabalhar com “Educação em Sexualidade”? Sim Não Se (SIM) indique as temáticas abordadas: __________________________________ 9. Sente dificuldade em trabalhar com seus alunos a Educação em Sexualidade? Sim Não Se (SIM) indique as temáticas abordadas: __________________________________ 10. Para você o papel de Educador em Sexualidade cabe para quem? Família Escola Igreja Outros 
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Políticas Públicas de formação de Professores que atuam no de